Hoje Macau 29 JUL 2014 #3141

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MOP$10

TERÇA-FEIRA 29 DE JULHO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3141

hojemacau

HOJE MACAU

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

HABITAÇÃO IDOSOS SOBREVIVEM EM CONDIÇÕES PRECÁRIAS

RATOS & HOMENS

Enquanto esperam e desesperam por uma habitação digna, centenas de idosos sobrevivem entre baratas e ratos. Macau para além do brilho dos casinos.

Arte comunitária

Especialistas afirmam que o modelo usado para a avaliação do mercado não se aplica a 100% à realidade de Macau.

High Hoper na Fundação Rui Cunha

Onde está a bolha?

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SOCIEDADE PÁGINA

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Deixem-me sonhar EVENTOS CENTRAIS

RESERVA FINANCEIRA

Deputados querem revisão da lei para se viver melhor POLÍTICA PÁGINA

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

RELATÓRIO DO FMI

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PÁGINAS 2 E 3


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REPORTAGEM

hoje macau terça-feira 29.7.2014

HABITAÇÃO PÚBLICA DEMORAS E REGRAS RÍGIDAS LEVAM IDOSOS A VIVER EM DIFICULDADES

Sem brilho no olhar

O que esconde o coração daquela que é a cidade com mais casinos do mundo? Como vivem aqueles que, com o rosto marcado pelas rugas, vivem no escuro, ainda que por entre o brilho e o glamour? Sem casa, devido aos atrasos ou burocracias da habitação pública, são muitos os idosos que vivem sem condições ou que demoraram a tê-las info@hojemacau.com.mo

O

calor faz-se sentir, como sempre, em Macau. Olhamos para cima e o sol está na sua forma máxima de brilho, o céu está limpo e prevê-se um final de dia perfeito. Mas pode não ser assim para todos. À hora marcada lá estava Ng Wai, no ponto de encontro, tal como combinado. De sorriso largo apresenta-se como o irmão do nosso entrevistado. “Ele não vos vai falar, é deficiente, sofre de poliomielite”, avança. “Mas eu respondo a tudo o que quiserem”, garante. Ali bem junto às Portas do Cerco, centenas de autocarros circulam diariamente transportando os turistas para os centros de luxo - os casinos. Num jogo de pára-arranca arriscamo-nos a dizer que ninguém repara num edifício de dois andares – que mais se parece com um antigo armazém – metade inteiro, metade desfeito. É exactamente aqui que entramos. “Sigam-me, é por aqui”. Um cheiro nauseabundo entranha-se de imediato. Avançamos de cabeças baixas para não bater no tecto e percorremos um corredor onde só cabe uma pessoa. Pensamos que se alguém surgisse do lado oposto teríamos que percorrer todo o caminho de volta. Não surgiu. “É aqui. Aqui está ele”, diz-nos Wai. Sem sequer nos olhar, Ng Su On de 55 anos, mantém os olhos fixos num pequeno – minúsculo – ecrã que emite sons e cores de forma fugaz. Su On vestia apenas uns ‘boxers’ velhos e rasgados, mexia o corpo em movimentos sistemáticos e constantes e não proferiu uma única palavra na meia hora que se seguiu. O irmão conta-nos que Su sempre vivera com a mãe e o padrasto. “Por volta dos anos 80,

não sei dizer o ano certo, mas foi depois de 1980, a minha mãe – que começara a adoecer e a temer que ninguém cuidasse do seu filho se o seu estado piorasse – preencheu o formulário para requerer a habitação económica para os dois filhos”, incorporando assim a responsabilidade ao mais velho de cuidar do irmão. “Na altura eu não pensava ter família e achei que era o melhor para nós”. A ideia era boa, mas faltou um pequeno detalhe: Wai e a mãe nunca imaginaram

HOJE MACAU

FILIPA ARAÚJO*

Leong Ieng

que o “período de decisão” para conseguir uma casa do Governo demorasse tantos anos. Actualmente, em Macau, os candidatos a casas de habitação pública são sujeitos a uma fila de espera, que pode fazer com que fiquem até dez anos à espera de uma casa. O problema tem vindo a ser polémico na sociedade, com os deputados a frisarem, por exemplo, que a necessidade do tipo de apartamento pedido – T1, T2 ou T3 – pode alterar-se ao longo do tempo.

Com o rumo natural da vida, Wai tornou-se homem, casou e teve dois filhos, criando assim a sua independência. O irmão manteve-se com a mãe e o padrasto, até à morte desta. Su foi “deixado ao abandono” por aquele que não era o seu pai e foi “depositado” naquele que é, agora, o seu único espaço: um quarto com lixo. Quatro paredes acolhem baratas e ratos e um formigueiro chama-nos a atenção, porque surge no cimo de uma das paredes. Não há janelas,

mas há um colchão, latas velhas, pacotes de bolachas, um tacho de arroz com cor amarelada. Há ainda panos velhos pendurados, bocados de pneu e cobertas para as possíveis noites frias. O ar é irrespirável. Tentamos uma comunicação amigável com Su, mas ele volta a ignorar-nos. “Estive dez anos sem saber do meu irmão, não sabia onde é que o marido da nossa mãe o tinha deixado”, conta Wai. Neste compasso de espera e procura, Wai acaba por receber luz verde do Governo para comprar uma casa de habitação económica. Um T2 “pequeno e quente” como descreve, que acolhe agora a sua esposa e os dois “miúdos”. Su não consegue morar neste apartamento e as regras da habitação pública não permitem que Wai peça outra casa para o irmão. “Não tenho espaço nem condições para cuidar do meu irmão. Quando o descobri aqui voltei a pedir uma habitação, desta vez social, para que ele tenha condições melhores e apoio. Ele é deficiente, precisa de alguém que perceba destes casos”, justifica-se ao HM. O pedido de habitação social foi rejeitado. Um portador de deficiência não pode pedir uma casa de forma independente, nem através de alguém, sendo que é obrigatório que esteja incluído no agregado familiar. Tentando contornar as leis, Wai explicou o caso aos serviços e tentou pedir uma nova habitação económica, mas desta vez maior para que sua actual família pudesse receber o seu irmão. Pedido negado. A lei referente à habitação económica impede que quem tenha recebido uma casa deste tipo através do Governo a possa vender no prazo de 16 anos – no caso do mercado privado – ou de seis anos, se o comprador for alguém que preencha os

requisitos. Além disso, um agregado familiar não pode mudar a tipologia do apartamento que tenha escolhido no momento do requerimento. Mas estas regras não são o único problema. Ng Wai tem uma habitação e é só com essa que pode contar. “Mesmo que eu pudesse pedir, com o tempo que eles demoram a decidir, já os meus filhos são casados”, desabafa.

“VIVO DO LIXO”

Alguém com ar curioso espreitava-nos do outro lado do corredor enquanto falávamos com Wai. Olhava, sorria e escondia-se. Uma, duas, três vezes. Quando nos despedimos de Su e do irmão, o observador aproxima-se e pergunta: “Querem que eu vos mostre as casas?”. Aceitamos sem hesitar. “Esta é a casa de banho, serve para todos”. Uma porta de madeira esconde local que parece abandonado. Estava descoberta a origem do cheiro nauseabundo que agora se manifestava como um ácido narinas acima. “Quantas pessoas partilham este casa de banho?”, perguntamos. “Não sei, são 40 quartos, mas somos mais de 40 pessoas. Não sei se posso dizer isto”, explica de sorriso maroto.

“É impossível eu conseguir provar que moro aqui. Isto não existe legalmente, não tenho contas de água ou de luz. Dou o dinheiro ao senhorio e pronto” LEONG IENG LON Ex-técnico de obras

Leong Ieng Lon é o seu nome. Tem 60 anos e mostra à equipa do HM a sua “casa”, o seu espaço. “Está limpinho e arrumado”, gaba-se. Sentamo-nos a conversar, não nos mostrando espantados com a capacidade que Ieng tem em arrumar num espaço minúsculo tudo o que a vida lhe deu. Sentado na cama, estica o braço para o mini-frigorífico mesmo à sua frente e tira duas latas de chá de ervas. “Tomem, está fresco”.


reportagem 3

hoje macau terça-feira 29.7.2014

“O Governo devia pensar mais nestas pessoas. Somos idosos, precisamos de algum conforto” NG WAI

Este espaço, que não consegue acolher mais de três pessoas, custa-lhe 300 patacas por mês. “Não é renda, é o que o senhorio cobra de água e luz. Não há gás. Tenho esta resistência para ferver água”. Ieng, outrora, foi técnico de obras. Não tem filhos, mas foi casado e vivia numa casa que lhe custava 3000 patacas mensais. “Ela deixou-me, não fui um bom marido”, confessa-se. “Estão a ver a minha pele escura? É do trabalho e da velhice”, brinca. É a recolha do lixo que lhe dá dinheiro para conseguir pagar as contas e comprar as suas “coisinhas”. Também Ieng está impedido de pedir uma habitação social. Isto, porque um dos papéis obrigatórios para a candidatura é o comprovativo de habitação actual. “É impossível eu conseguir provar que moro aqui. Isto não existe legalmente, não tenho contas de água ou de luz. Dou o dinheiro ao senhorio e pronto”, confessa-nos. Atrás de nós ainda está Ng Wai, que acena com a cabeça em sinal positivo e avança com uma observação. “O Governo devia pensar mais nestas pessoas. Somos idosos, precisamos de algum conforto. E o meu irmão precisa ainda mais de ajuda. Eles [o Governo] deviam ajudar estas pessoas que estão desamparadas.” No início deste ano, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) publicou um inquérito sobre pessoas idosas que vivem sozinhas. Foram entrevistados mais de 952 idosos com mais de 60 anos que vivem sozinhos e os resultados mostravam que 72% dos entrevistados até têm filhos a residir em Macau. Cerca de 64% têm vários problemas de saúde, de acordo com o inquérito, e “muitos admitiram ter dificuldades em subir e descer escadas nos edifícios mais antigos, o que faz com que os idosos não tenham vontade de sair à rua”. Isso mesmo acontece com Su, o nosso primeiro “entrevistado”, que “há anos que não vai à rua”,

porque, como nos contou Wai, “andava, mas uma vez num degrau da casa caiu e magoou-se na bacia e agora não consegue andar nem equilibrar-se”.

BUROCRACIAS NUM MUNDO AO LADO

Ao olhar pela janela Lai Fong não esconde a ansiedade. Está quase a começar a sua aula de artes plásticas e Lai não se quer atrasar. Vive na Ilha Verde há sete anos. “Mas foi preciso esperar 11 anos para conseguir vir para aqui”, conta-nos. “Aqui” é um T1 num complexo de edifícios de habitação social. Lai vivia com o filho, também num pequeno T1. “Era muito complicado, o apartamento era muito pequeno. Depois o meu filho casou-se e teve quatro filhos. Uns dormiam no quarto e outros na sala. Eu dormia no sofá”. Tal como Su e Ieng, Lai também recebe 3000 patacas mensais de reforma, que “não servem para pagar uma renda”. Sem esconder o “quanto é bom” viver nestes apartamentos, Lai confessa-nos que não sabe onde estaria agora, se não tivesse tido direito a esta casa. O filho voltou para a China. Lai está, agora, sozinha por cá.

Casa de banho

Ng Su

Ao seu lado está Fei Lin que, apesar do seu sorriso aberto, mostra-se sempre tímida em falar com o HM. Também ela teve uma espera de oito anos até conseguir ouvir um sim do Governo. Mora num apartamento também com um quarto, mas não está sozinha: o marido vive com ela. “Temos um filho no interior da China e

gostávamos que ele viesse para Macau, mas as rendas são muito caras e ele tem três filhos, precisa de uma casa grande”, conta. Apesar de admitirem estar felizes com a casa do Governo, foram muitos os anos para que uma melhor “qualidade de vida”, como Lai descreve, lhes batesse à porta. Ou para que uma porta se abrisse. “Temos muita sorte em estar aqui. Eu gosto muito de estar aqui. O dinheiro para os idosos não chega para pagar uma renda”, diz Lai, cujo rosto muda quando confrontada com a situação de outras pessoas, noutros lugares de Macau, como Su. “Mas foi preciso esperar muito para estar aqui. O Governo tem que mudar a lei, tem que fazer com que a habitação social seja mais fácil para todos e mais rápida. Todos esperámos muito”. As regras feitas pelo Executivo não ajudam, frisam os nossos entrevistados. A burocracia é demasiada, tal como nos explica uma das assistentes sociais do Centro dos Kaifong (UGAMM) na Ilha Verde. “O processo requer alguns documentos. É feita uma análise à situação do agregado familiar, o rendimento mensal não pode ultrapassar as 7500 patacas e depois é tomada a decisão.

Não vos consigo precisar o número de pedidos que estão pendentes, mas são muitos.”

AJUDAS DE FORA

É neste centro que os idosos que vivem sozinhos na Ilha Verde passam o tempo. Percebemos isso quando entramos e quando, a ouvir a conversa, há também um senhor, o único, que com um ar descontraído nos diz “ouço mal, não sei o que estão a dizer”. Brincamos com a situação e logo travamos amizade. Song Loi, assim se chama, gaba as actividades que os serviços aos idosos organizam. “Temos aulas de computador, de caligrafia,

“O Governo tem que mudar a lei, tem que fazer com que a habitação social seja mais fácil para todos e mais rápida. Todos esperámos muito” LAI FONG

de canto, de dança e até ginástica, mas essa eu não faço”, conta divertido. Para a assistente social que nos explica os procedimentos para ter uma casa, este centro é local ideal para idosos e portadores de deficiência, uma vez que aqui é possível “oferecer-lhes condições de saúde e outras actividades que não poderiam conseguir de outra forma”. Mas, sem estas associações, o que seria dos idosos de Macau? E quantas mais histórias há, além dos dois exemplos – de vários com quem falamos – que demos? Paul Pun, secretário-geral da Cáritas, é uma das pessoas que mais lida com este tipo de situações. Pessoas que esperam por habitação do Governo. Pessoas que nem sequer têm direito a ela, por faltar um ou outro documento. Mas, esquecendo os que esperam e/ou não conseguem fracções de habitação pública, Paul Pun diz-nos que tenta proporcionar bem-estar “a mais de 500 pessoas” só em asilos de Macau. Mas, e as outras? “Ainda não organizámos os números destes seis primeiros meses, mas posso garantir que são quase 1700 pessoas as que a Cáritas ajuda mensalmente”, conta ao HM. Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que, em 2013, existem mais de 48 mil habitantes com mais de 65 anos. Os que têm entre 50 a 64 anos são cerca de 78 mil e perfazem 8% da população. O índice de envelhecimento em Macau reside nos 70,8% e é visto, actualmente, como um “dos maiores desafios” do Governo. Em 2023, por exemplo, é esperado que o número da população idosa vá ultrapassar a percentagem de crianças e adolescentes, que no ano passado era de cerca de 14%. Num brilho que só Macau consegue ter, estão afinal escondidas dificuldades que passam tão discretas aos olhos de quem não as quer ver. Idosos ou portadores de deficiências que, sem família para os acolher, esperam pela chegada do dia da mudança. Um dia de mudança que se pode traduzir numa casa atribuída pelo Governo. Um dia que pode nem sequer chegar a tempo. - *com Flora Fong


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POLÍTICA

hoje macau terça-feira 29.7.2014

CHUI SAI ON SÓ PODE TIRAR BENEFÍCIOS SE ESCUTAR A POPULAÇÃO, DIZ DEPUTADO

A difícil arte de saber ouvir

Leong Lai, directora dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), admite que faltam funcionários de língua portuguesa no organismo. Respondendo a alguns comentários recentes, que dizem que Macau tem falta de professores portugueses na área do ensino especial, Leong Lai explicou que, realmente, faltam funcionários da língua portuguesa que tratam das admissão em vagas. Estes trabalhos incluem observação da situação de estudo dos alunos. Leong Lai apontou que a DSEJ precisa de recrutar dois funcionários, já abriu concurso para as vagas, mas ninguém, até ao momento, tem qualificação para o trabalho. Leong Lai acredita que conseguirá recrutar funcionários, porém as aulas podem vir a ser dadas por professores ingleses e interpretadores portugueses ajudam a comunicação com os alunos e pais. - F.F.

TIAGO ALCÂNTARA

O deputado Lam Heong Sang pede que o novo governo tenha mais clareza e sentido prático FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

L

AM Heong Sang, deputado indirecto e vogal da Comissão de Ética para a Administração Pública, espera que a vinda do novo Governo possa colocar Macau noutro patamar, sem dificuldades. Em declarações ao HM, o deputado frisa que Chui Sai On – até agora único candidato – tem de ter um programa político mais claro. “Em primeiro lugar, se o novo Chefe do Executivo não tiver um programa político muito claro e prático, não é possível resolver realmente as insatisfações de vida da população, da habitação e dos transportes de Macau”, começa por apontar Lam Heong Sang. “Nos próximos cinco anos, o Chefe deve ter um plano e mostrá-lo a toda a população, que deverá ter uma palavra

a dizer. O Governo deve aceitar as opiniões de residentes, saber quais as medidas com que estão de acordo e quais devem ser melhoradas”, frisou o deputado ao HM. Lam continuou, relembrando que há a necessidade – e que “todos querem” - da diversificação da economia. O deputado con-

SECTOR COMER CIAL AO L ADO DE CHUI SAI ON Ma Iao Lai, membro do Conselho Executivo e presidente da Associação Comercial de Macau, referiu que a grande maioria dos 120 membros do sector industrial, comercial e financeiro da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo já assinaram os boletins de propositura para apoiar Chui Sai On como líder do Governo. “Espero que Chui Sai On continue a liderar Macau, continue a avançar com a reforma política e a proceder com a melhoria dos problemas da vida da população, da habitação e de trânsito, criando um Macau melhor”, disse Ma, no encontro com o Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado em Pequim, segundo notícia avançada pela Rádio Macau.

O

vice-director da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Lei Chan U, mostrou-se insatisfeito e desapontado com a proposta do Governo para a indemnização de despedimento sem justa causa. O responsável considera que impor limites nas indemnizações viola as regras da Organização Internacional do Trabalho. “É um direito digno”, diz, e impor limites poderá causar uma relação negativa entre empregadores e empregados. O Governo apresentou uma proposta onde aumenta as indemnizações por despedimento sem justa causa de 14 mil para 20 mil patacas, com limite de 12 meses

sidera que é dever do Chefe do Executivo eliminar os problemas de Macau, sendo essa uma missão e responsabilidade do Governo, ainda que também os empresários e trabalhadores possam contribuir para este mesmo fim. Quando questionado sobre se considera se Chui Sai On irá conseguir manter-se no cargo de líder governamental, o deputado respondeu ao HM que Chui já deverá ser capaz de saber onde estão os principais problemas de Macau, uma vez que exerceu funções de Chefe do Executivo durante cinco anos. Acrescentou, ainda, que o actual líder da RAEM deverá ter conhecimento para saber desenvolver, de forma saudável e vantajosa, o sistema político local. Ainda assim, Lam Heong Sang ressalva que Chui é apenas uma

“O Governo deve aceitar as opiniões de residentes, saber quais as medidas com que estão de acordo e quais devem ser melhoradas” LAM HEONG SANG Deputado indirecto

pessoa, pelo que o esforço deve partir de “todos nós”, uma vez que “todos somos residentes de Macau”. Em declarações ao HM, o deputado disse ainda que Chui poderá retirar benefícios a partir do momento em que se concentre nos residentes locais.

DESPEDIMENTOS OPERÁRIOS CONTRA LIMITE DE INDEMNIZAÇÕES

Direito à dignidade

e com a máxima indemnização calculada nas 240 mil patacas. Lei disse ao jornal Ou Mun que este ajustamento ligeiro não é uma política a longo prazo. “O salário médio geral é 13 mil patacas. Antes, a indemnização mensal de 14 mil podia abranger 90% dos empregados, se a indemnização mensal aumentar para 20 mil patacas, apenas pode abranger 70% de todos os empregados de Macau”, refere o responsável. Além disso, diz, o

Educação especial Faltam funcionários de língua portuguesa

ajustamento é ligeiro e não consegue impedir os empregadores de não despedir os empregados sem causa justa, nem assegura o direito dos empregados. Lei apela a que o Governo deve retirar esta proposta de indemnização e, de acordo com as necessidades reais, deve revê-la. O vice-presidente da FAOM aconselha que o Governo reveja a proposta, mas o Executivo já disse que vai entrega-la à Assembleia Legislativa tal como está. – F.F.

Lei de Bases dos Idosos Chan Meng Kam pede calendário

O deputado Chan Meng Kam quer saber onde anda a proposta de Lei de Bases e Garantias do Direito dos Idosos. Numa interpelação escrita ao Governo, Chan Meng Kam critica o facto de a lei ainda não estar concluída – há mais de quatro anos a ser preparada – e questiona se o Governo vai publicar os processos legislativos por que tem passado a lei e o calendário para que a proposta seja apresentada. Chan Meng Kam relembra que o envelhecimento em Macau vai atingir picos altos, sendo que a percentagem esperada em 2036 – 20,7% - supera o critério das Nações Unidas, que é de 7%. O deputado considera que os dados mostram que o envelhecimento da população em Macau tem acelerado e recorda que o Governo referiu que tentou entregar a proposta no fim de 2012 à Assembleia Legislativa, mas no entanto, até ao momento não está a ver os relativos trabalhos legislativos. - F.F.


política 5

hoje macau terça-feira 29.7.2014

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

O

AMCM DEPUTADOS QUEREM REVISÃO DA LEI SOBRE RESERVA FINANCEIRA

Dinheiro para se viver melhor Para o presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas, Mak Soi Kun, está na altura fazer alterações ao diploma que regula o fundo da reserva financeira para melhorar a qualidade de vida da população do das despesas totais do Governo passe para reserva extraordinária – após sofrer mudanças baseadas numa fórmula de cálculo – podendo ser investida em acções da bolsa, por exemplo. Mak Soi Kun sugere que seja dado um outro

destino ao dinheiro antes deste passar para a reserva cambial. Além da sugestão de revisão da lei, o deputado referiu também que já foram pedidos vários documentos ao Governo, nomeadamente uma lista de desempe-

TIAGO ALCÂNTARA

S deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas querem a revisão do Estatuto da Autoridade Monetária de Macau, que regulamenta o fundo de reserva financeira do território. Na opinião do presidente da Comissão, Mak Soi Kun, que espera ter mais novidades até final desta sessão legislativa, a necessidade de rever o diploma tem que ver com a “maximização do dinheiro da população” e com uma melhor fiscalização do erário público, que cabe ao grupo ao qual o deputado preside. “Entendemos que já é tempo oportuno de rever a legislação”, disse Mak Soi Kun, acrescentando que a ideia é que o erário público possa ser melhor gerido e fiscalizado e, quem sabe, até aplicado para “melhorar a qualidade de vida dos residentes”. O deputado explicou ainda que, embora grande parte da gestão financeira e cambial do território seja efectuada pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), foi ao Governo que o pedido de revisão da lei foi feito, uma vez que o assunto se encontra sob tutela de Francis Tam, Secretário para a Economia e Finanças. O actual regime dita que o sal-

ACIDENTES DE TRABALHO PROJECTO DE LEI EM FASE FINAL

É que é já a seguir D E acordo com o presidente da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), Anselmo Teng, o projecto de lei que deverá substituir o regime da Reparação por Danos Emergentes de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais está actualmente em fase de

aperfeiçoamento. A informação foi dada em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, relativa às indemnizações que as seguradoras são obrigadas a providenciar a todos os trabalhadores que tenham sofrido acidentes de trabalho. “O projecto de lei da

revisão do actual Regime da Reparação por Danos Emergentes de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais entrou em processo legislativo e o texto encontra-se, actualmente, em fase final de aperfeiçoamento. Através desta revisão permite-se, por um lado, o reforço da garantia

nho dos gestores e responsáveis pelos investimentos feitos com dinheiros públicos. Em resposta, o Governo afirmou que a demora na entrega do documento se deve, em grande parte, à falta de recursos humanos. Mak Soi Kun

dos direitos dos trabalhadores, nos casos de acidente de trabalhos e doenças profissionais e, por outro, uma melhor clarificação do regime”, explicou Teng, na sua resposta. De acordo com a interpelação da deputada, que acusa o Governo de estar a demorar demasiado tempo no processo de revisão da lei. O diploma, actualmente em vigor, determina que todos os trabalhadores são obrigados a ter um seguro. Uma das principais questões que tem levado parte dos deputados da Assembleia Legislativa a pedir a revisão do diploma é o constante atraso na entrega das indemnizações aos lesados por acidente de trabalho que, por sua vez, se encontram impedidos de continuar as suas funções. “É desumana esta forma de ‘torturar as vítimas’”, explicou Ella Lei no documento enviado ao Governo. Anselmo Teng assegura que o regime será entregue “o mais brevemente possível à Assembleia Legislativa”. - L.S.M.

alertou ainda para a necessidade do Governo contratar mais profissionais da área da tradução, pois há falta de pessoal para traduzir os documentos da AMCM – geralmente em língua inglesa – para chinês e português.

Casas sociais Melinda Chan pede mudanças nas rendas

A deputada Melinda Chan entregou uma interpelação ao Governo onde questiona irregularidades no pagamento das rendas da habitação social. “É estranho que aqueles que não reúnem condições para arrendar habitação social e que deviam pagar o dobro das rendas também estejam abrangidos no âmbito da isenção de renda. Vai então o Governo rever a respectiva lei, para não conceder qualquer isenção de renda a esse tipo de arrendatários?”, questionou a deputada.

Assédio sexual PJ estuda eventuais insuficiências na lei

A Policia Judiciária (PJ) admitiu, em resposta a uma interpelação do deputado Mak Soi Kun, que entre 2013 e Maio deste ano foram registados 10 casos de abuso sexual de crianças e 10 casos de violação a menores. “Os autores desses crimes são indivíduos desconhecidos e ao mesmo tempo existem também indivíduos conhecidos pelas vitimas”, explica a PJ na resposta. O mesmo organismo garante ainda “avaliar atempadamente o resultado da execução da lei, estudando a própria lei quanto à existência, ou não, de insuficiências, fornecendo o parecer em tempo oportuno ao respectivo serviço governamental ou Assembleia Legislativa”.


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SOCIEDADE

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

Instituto de Acção Social (IAS) não tem a ideia de criar lares que alberguem encarregados de educação idosos e filhos deficientes. Isso mesmo admitiu Iong Kong Io, presidente do instituto, numa resposta a uma interpelação da deputada Wong Kit Cheng. O instituto diz também que não tem um plano para criar estatísticas sobre o envelhecimentos dos deficientes mentais, apesar de admitir um “aumento contínuo” do fenómeno de envelhecimento de pais e filhos deficientes em famílias de Macau. No documento, a que o HM teve acesso, fica a saber-se que há, actualmente, cerca de 300 deficientes mentais com mais de 45 anos. Entre estes, quase metade - 140 são portadores de deficiência grave. O chamado fenómeno de duplo envelhecimento – quando tanto os responsáveis pelo deficiente, como o próprio deficiente começam a envelhecer – tem sido uma das maiores preocupações manifestadas por associações sociais, deputados e encarregados de educação de deficientes. Em 2009, o IAS chegou a dizer ainda que é fácil encontrar grupos de deficientes predestinados ao envelhecimento precoce, devido ao tipo de deficiência que apresentam. Nesse ano, o instituto prometeu também que iria ter em atenção o problema e que iria providenciar serviços de acolhimento aos deficientes assim que fosse necessário.

NADA DE CONCRETO

Agora, na resposta a Wong Kit Cheng, o IAS promete “providenciar serviços” de apoio a estas pessoas, mas admite que não tem planos concretos nem para a criação de lares, nem para realizar estatísticas que indiquem o progresso de envelhecimento dos deficientes.

hoje macau terça-feira 29.7.2014

DEFICIENTES IAS NÃO VAI CRIAR LARES PARA PAIS E FILHOS IDOSOS

Um outro plano a caminho O envelhecimento de pais de pessoas com deficiência está a aumentar, mas o IAS não tem o objectivo de criar lares que prestem cuidados, em simultâneo, tanto a idosos, como aos filhos deficientes mentais. O instituto assegura ter em conta estas famílias no plano de dez anos de serviços de reabilitação que está a fazer

“Tendo em consideração o facto de os encarregados de educação dos deficientes intelectuais com, pelo menos, 45 anos terem já entrado na fase da terceira idade (...) e face ao contínuo aumento

de famílias que apresentam o fenómeno de duplo envelhecimento, o IAS irá alocar mais recursos”, começa por dizer Iong Kong Io. “Sobre a criação de um lar que permita proporcionar, simulta-

“ O IAS, por enquanto, não tem um plano concreto para definir os indicadores [relativos ao envelhecimento da população portadora de deficiência]” IONG KONG IO Presidente do Instituto de Acção Social

neamente, os serviços de lar de idosos e de reabilitação aos filhos de famílias com deficientes intelectuais que apresentam o fenómeno de duplo envelhecimento, (...) é de referir que este instituto não tem, por enquanto, a ideia de criar o lar.” Iong Kong Io assegura que o IAS vai recolher opiniões sobre o assunto, de forma a avaliar a questão, mas também não deixa de frisar que “não é vulgar” encontrar lares deste tipo nas regiões vizinhas, ou “no resto do mundo”. O instituto

realça que há características que têm de ser ponderadas, caso se pense criar um serviço deste género. “Ao pretender-se juntar estes dois tipos de serviços num só lar [de ajudar os idosos e reabilitar deficientes], além de se ter de ponderar as diferenças [ao nível] das características dos destinatários, os moldes de serviços, a organização do funcionamento do lar, as condições profissionais e o conjunto de recursos de suporte, há que considerar ainda a obrigatoriedade, a eficácia e o

impacto de se colocar os pais de idade avançada e os filhos na fase de envelhecimento, que também carecem de ser cuidados por terceiros.”

PONDERAR O FUTURO

Apesar de os números mostrarem cerca de três centenas de deficientes a entrar na fase de envelhecimento e do IAS falar num aumento contínuo do duplo envelhecimento, o instituto descarta que o número seja significativo. Por isso mesmo, estatísticas sobre estes deficientes ainda não são para já. “Vai-se ponderar, em função das necessidades reais, o estabelecimento de indicadores relativos ao envelhecimento da população portadora de deficiência. Considerando que não é significativo o número de deficientes com idade superior a 45 anos existentes em Macau e que o serviços que lhes são dirigidos estão incluídos no planeamento dos serviços para os próximos anos, o IAS, por enquanto, não tem um plano concreto para definir os indicadores [relativos ao envelhecimento da população portadora de deficiência]”, frisa Iong Kong Io. O instituto realça que, neste momento, está a ser levado a cabo um “Planeamento dos Serviços de Reabilitação para o Próximo Decénio” e que, neste âmbito, se vão fazer estudos sobre o envelhecimento dos portadores de deficiência mental e das suas famílias. Tudo para que se possa “definir políticas que melhor se adequem à procura dos serviços” por parte destas pessoas. O IAS assegura ainda a Wong Kit Cheng que as famílias com estes deficientes vão ter prioridade nas 350 vagas de quatro novas instalações sociais para internamento que entram em funcionamento os próximos três anos. “O IAS crê que, com a sucessiva conclusão, até 2017, desses equipamentos sociais, o problema de cuidados com que se deparam as famílias com duplo envelhecimento poderá ser basicamente aliviado.”


sociedade 7

hoje macau terça-feira 29.7.2014

MODELO DO FMI PODE NÃO SE APLICAR A MACAU, ALERTAM ESPECIALISTAS

Especificidades de pequeno mercado O Fundo Monetário Internacional falou da possível existência de uma bolha imobiliária em Macau, mas a AMCM minimizou o alerta. Especialistas alertam para o facto do modelo utilizado para a avaliação do mercado não se adaptar a 100% às especificidades de Macau ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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primeiro relatório de avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Macau foi claro: há a possibilidade de existir uma bolha imobiliária no território, tendo sido sugerido ao Governo a criação de medidas orçamentais de médio e longo prazo para travar a escalada dos preços e evitar a subida das taxas de juro. Anselmo Teng, presidente da Autoridade Monetária e Cambial

O

número de trabalhadores não-residentes (TNR) em Macau ultrapassou os 155 mil em Junho, mais 28,15% do que no mesmo mês de 2013. Quase dois terços são oriundos da China continental. Dados disponíveis na página do Gabinete de Recursos Humanos com base em elementos da Polícia de Segurança Pública indicam que, no final de Julho, estavam emitidos 155.310 cartões de TNR, mais 28,15% do que os 121.194 existentes em Junho do ano passado. Os naturais da China continental – 99.781 – constituíam a mais impor-

(AMCM), reconheceu o problema, mas optou por um discurso menos pessimista. “O Governo de Macau já introduziu medidas para combater o problema do sobreaquecimento do mercado imobiliário. Mas o FMI questiona até que ponto essas medidas são apropriadas. Temos de ser muito vigilantes em relação ao que se passa e monitorizar continuamente a situação”, disse, citado pela Rádio Macau. José Pãosinho, presidente da sucursal do Banco Comercial Português (BCP) em Macau, reconhece que os preços da compra e venda de casa estão altos, mas chama a atenção para o modelo de avaliação utilizado. “O FMI usa um modelo para

analisar os preços do imobiliário que, em Macau, dadas algumas condicionantes e especificidades que não estão contempladas no modelo, pode distorcer algumas conclusões”, disse ao HM, acrescentando que “as limitações ao crédito poderão ter arrefecido um pouco” o panorama do imobiliário. O deputado José Pereira Coutinho considera também “não ver, na sua integralidade, os pontos de vista do FMI, porque estão longe de compreender a realidade local”. “O que se passa em Macau é que é, de facto, um local geograficamente pequeno. Não existe, na realidade, uma bolha. Significa que os espaços são cada vez mais diminutos em relação ao aumento da população e muitos turistas. O

“O FMI usa um modelo para analisar os preços do imobiliário que, em Macau, dadas algumas condicionantes e especificidades que não estão contempladas no modelo, pode distorcer algumas conclusões” JOSÉ PÃOSINHO Presidente da sucursal BCP em Macau

Governo propositadamente atrasa a aprovação de plantas para construção, o que origina pouca oferta e elevada procura. Não é uma bolha imobiliária mas de facto há falta de terrenos, atraso nas construções”, alerta o deputado. Além disso, diz, “a grande parte da liquidez dos casinos são desviados para a compra de fracções”, uma vez que não temos uma praça financeira em Macau. “Isso faz com que os residentes tenham de concorrer juntamente com os poderosos investidores na aquisição de fracções”, apontou Pereira Coutinho. Albano Martins, economista, também tem reservas em relação aos modelos de análise utilizados pelo FMI, lembrando os erros já assumidos nos programas de resgate em crises europeias. Mas fala da aproximação a uma situação de bolha imobiliária. “Pode rebentar a qualquer momento e o próprio FMI diz que, se houver uma subida das taxas de juro, muita gente vai ter problemas. A nossa moeda está ligada ao dólar americano e, por isso, as taxas de juro acompanham as taxas do dólar. Isso fomenta a bolha imobiliária, porque o acesso ao crédito é mais fácil e mais barato. Se as taxas subirem, as coisas tornam-se complicadas e a bolha poderá aproximar-se do final”, disse ao HM. “Para verificar se a bolha existe ou não, há que verificar se as transacções crescem ou não. E não crescem, têm vindo a cair. Basta olhar para o mercado e verificar se os preços sobem ou não, apesar das transacções serem menores, e os preços sobem. Tudo

TRABALHO MAIS DE 150 MIL TNR EM JUNHO

Emprego a subir tante comunidade destes trabalhadores. Entre Junho de 2013 e o mesmo mês deste ano, o número de TNR oriundos da China

continental subiu 34,9%, com grande parte dos seus titulares – 33.465 – afectos ao sector da construção, seguindo-se 29.740

a trabalharem nos hotéis, restaurantes e similares e 14.790 no comércio por grosso e a retalho. Pela primeira vez acima dos 20 mil está a comunidade das Filipinas – com 20.141 pessoas ou mais 14,19% face ao mesmo mês de 2013, estando quase metade dedicada às actividades de empregados domésticos. O número de empregados subiu 7,3% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo

período do ano passado. Entre Abril e Junho deste ano, a população activa em Macau estava estimada em 390.100 pessoas, mais 7,17% (26.100 pessoas) do que no mesmo período de 2013, com o número de pessoas empregadas a atingir os 383.600 pessoas, mais 7,3% do que entre Abril e Junho do ano passado. Apesar de a taxa de desemprego se manter praticamente inalterada, fixando-se em 1,7%, menos 0,1 pontos percentuais do que no mesmo período de 2013, o aumento da população activa por importação de mão-de-obra fez subir também o número de empregados. - LUSA

“Para verificar se a bolha existe ou não, há que verificar se as transacções crescem ou não. E não crescem, têm vindo a cair” ALBANO MARTINS Economista

isso é significativo”, acrescentou o economista.

ANEXAR MACAU A HENGQIN

Albano Martins defende que o Governo terá de tomar medidas mais “duras e simples”. “Tem de atacar o problema criando habitação pública para a classe média e baixa e não dando habitação aos privados. Tem de fazer essa construção usando os privados, porque não possui empresas de construção, mas controlando os preços no privado, ao nível da compra e arrendamento. Têm de arrendar casa a preços que não sejam especulativos e o Governo tem de fazer isso”, frisou o economista. Já José Pereira Coutinho apresenta mais medidas para travar os preços. “A solução seria o Governo de Macau ter a coragem de anexar toda a RAEM a Hengqin, abrir as fronteiras 24 horas, porque muitos dos residentes já adquiriram moradias em Zhuhai”, considerou. A “coragem” governativa poderia passar ainda pela medida que permitisse que “só os residentes de Macau é que podem adquirir casas, à semelhança do que já acontece na Tailândia ou na Malásia”, frisa ainda.

Funcionários do jogo pedem ajuda à DSAL

Cerca de 300 pessoas - da Forefront of the Macao Gaming e funcionários do casino Sands - tiveram ontem reunião com a Direcção dos Serviços de Assuntos Laborais (DSAL), para pedir ajuda. O caso vem na sequência de uma manifestação frente ao Venetian e está relacionado com o aumento de salários e progressão profissional. Segundo o director da Forefront of the Macau Gaming, Ieong Man Teng, a reunião demorou uma hora e meia e serviu apenas para que os fucnionários expressassem as suas opiniões. A ideia é que a DSAL sirva como uma plataforma de comunicação entre as três partes – funcionários, Sands e DSAL-, gerando consenso. – F.F.


8 sociedade

hoje macau terça-feira 29.7.2014

HABITAÇÃO PÚBLICA GOVERNO AINDA ESTÁ A ANALISAR OBRAS EM TOI SAN

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Em banho-maria

D

O Instituto da Habitação garante que as obras da habitação pública junto à Rua Central de Toi San foram alteradas, estando em fase de “ordenamento” e de análise. José Pereira Coutinho mostra-se “desapontado” face à falta de soluções para os problemas de segurança do edifício adjacente STDM

ESDE 2012 que os moradores do edifício Kong Mou Un Tai Ha se queixam da falta de segurança devido ao arranque das obras do prédio de habitação pública junto à Rua Central de Toi San. As fendas e infiltrações tornaram-se uma realidade no prédio dos funcionários públicos e o terreno destinado às casas do Governo continua por desenvolver. Numa resposta à interpelação escrita da deputada Kwan Tsui Hang, o Instituto da Habitação (IH) explica que as obras continuam paradas. Recorde-se que o deputado Chan Meng Kam já tinha questionado o Governo sobre o andamento do projecto. “Os proprietários dos edifícios vizinhos estavam preocupados e por fim optou-se pela alteração do andamento da execução das obras e da concepção, no sentido de diminuir a influência proveniente das obras sobre os residentes. Actualmente as obras estão no período de ordenamento, sendo que o

Governo e o empreiteiro estão a proceder à análise e ao balanço dos problemas relativos às obras”, pode ler-se na resposta à deputada a que o HM teve acesso. José Pereira Coutinho, PUB

HM - 2ª vez - 29.7.14

ANÚNCIO

Execução de Sentença sob a forma Sumária n.º

CV1-10-0033-CES

1º Juízo Cível

Exequente: YEUNG MUK LOI, residente em HONG KONG, 馬鞍山利安村利華樓3009號. Executado: HONG JINDE e LIU HUICHUN, ambos com residência conhecida em Macau, 宋玉生廣場258號建興龍廣場17樓K座, ora ausente em parte incerta.------------------------------FAZ-SE SABER que, no dia 08 de Outubro de 2014, pelas 10:00 horas, no local de arrematação deste Tribunal e no processo acima indicado, vai a venda por meio de propostas em carta fechada, do seguinte direito penhorado:----------------------------------------------------DIREITO (1º) -----1/164 AVOS de que são proprietários os executados HONG JINDE e LIU HUICHUN, supra identificados, sobre a fracção autónoma designada por “UR/C”, destinada a estacionamento, composta por R/C, 1º e 2º andares, do Edf. Lok Yeung Fa Yuen, bl. 1 e 2, Edf. Lei Hong Kuok e Lei Tai Kuok, sito em Macau, na Rua do Comandante João Belo, n.º 361, descrita na Conservatória do Registo Predial de Macau, sob o n.º 21912 a fls. 97v. do Livro B106, inscrita na matriz sob o n.º 073091, estabelecimento n.º 74.---------------------------O Valor base da venda: MOP$1.200.000,00 (Um Milhão, Duzentas Mil Patacas).---(2º) -----1/164 AVOS de que são proprietários os executados HONG JINDE e LIU HUICHUN, supra identificados, sobre a fracção autónoma designada por “AMR/C”, destinada a estacionamento, composta por R/C, 1º e 2º andares, do Edf. Lok Yeung Fa Yuen, bl. 3 e 4, Lei Cheong Kuok e Lei Wo Kuok, sito em Macau, na Rua do Comandante João Belo, n.º 361, descrita na Conservatória do Registo Predial de Macau, sob o n.º 21911 a fls. 97 do Livro B106, inscrita na matriz sob o n.º 073136, estabelecimento n.º 70.-----------------------------O Valor base da venda: MOP$1.200.000,00 (Um Milhão, Duzentas Mil Patacas).-------São convidados todos os interessados na compra do direito supra identificado a entregar na Secção Central deste Tribunal as suas propostas, até ao dia 07 de Outubro de 2014, pelas 17:45 horas, durante a hora de expediente, o preço das propostas deve ser superior ao valor acima indicado, devendo o envelope da proposta, conter, a indicação de “PROPOSTA EM CARTA FECHADA” bem como o “NÚMERO DO PROCESSO CV1-10-0033-CES”.--------No dia da abertura das propostas, podem os proponentes assistir ao acto.-------------------Durante o prazo dos editais e anúncios, os proponentes, a fim de proteger os seus interesses, podem, antes de apresentar quaisquer propostas, dirigir-se ao fiel depositário, a Sra. Kuok Heng (com domicílio profissional em Macau, na Avenida Praia Grande, n.º 409, Edifício China Law, 9.º Andar “C”, Macau) para examinar o imóvel em causa, fiel depositário, por sua vez, está obrigado a mostrar o bem a quem pretenda examiná-lo, podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção.-------------------------------------Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação do bem supra referido, podem, querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta for aceite, nos termos do art. 787.º do C.P.C.----------------------------------------Para constar se lavrou este e outros de igual teor, que vão ser legalmente afixados.-------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., aos 22 de Julho de 2014.-----------------------------

deputado que desde o início esteve ao lado dos moradores na luta por mais segurança no edifício Kong Mou Un Tai Ha, mostra-se “desapontado” com o esclarecimento do IH. “A fuga de areias por baixo da estrutura tem causado enormes problemas que podem pôr em perigo todo o prédio. Esta demora é muito inconveniente para os aposentados. Aquela zona poderia ser reconstruída toda de raiz para servir os interes-

ses da população”, frisou o deputado. Sem reuniões com o Executivo há meio ano, José Pereira Coutinho defendeu desde o início o realojamento destas pessoas noutros edifícios públicos, mas até então o Governo não deu uma resposta. “Há meio ano que insistimos nessa proposta. Desde essa data que as obras pararam e nunca mais houve sinais quanto ao desenvolvimento. Devia proceder-se à demolição integral de todos

os edifícios, que são quatro ou cinco e que têm cerca de 50 anos, e fazer um desenvolvimento planeado da zona inteira”, disse ainda o deputado.

ILHA VERDE EM 2015, FAI CHI KEI SEM DATA

A interpelação escrita que Kwan Tsui Hang entregou ao Governo visava saber as razões dos atrasos de construção das diversas habitações públicas. Kuoc Vai Han, presidente substituta do IH, explicou que foram encontrados problemas

“Devia proceder-se à demolição integral de todos os edifícios, que são quatro ou cinco e que têm cerca de 50 anos, e fazer um desenvolvimento planeado da zona inteira” JOSÉ PEREIRA COUTINHO Deputado

de geologia na fase de construção de dois edifícios. Em relação ao empreendimento Cheng I, na zona da Ilha Verde, “encontraram-se problemas relacionados com os edifícios vizinhos em mau estado de conservação, tendo em ponderação a segurança”, quanto “ao modo de construção da cave”. Só em 2015 é que o edifício Cheng I estará concluído. Em relação à habitação pública do Fai Chi Kei já foi concluída a “super-estrutura”, sendo que no empreendimento de segunda fase da habitação social de Mong-Há “ainda se está a proceder à fundação de estacas”, uma vez que ambos os projectos passaram por “dificuldades imprevisíveis relativas à distribuição geológica, que provocaram atrasos graves no processo de fundação de estacas”. Não foi apresentado qualquer calendário para a conclusão destes edifícios. No caso dos edifícios Iat Seng, Bairro da Ilha Verde, Fai Leng, Cheng Tou e Iat Fai, as obras “estão a ser executadas segundo os prazos estabelecidos”. O IH garante, contudo, que “os serviços responsáveis pelas infra-estruturas estão a exigir reforços ao empreiteiro, no sentido de aumentar os recursos humanos e a maquinaria e aperfeiçoar o planeamento relativo à execução das obras, para acelerar o andamento”.

CASO IACM SENTENÇA LIDA HOJE NO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE

Raymond, culpado ou inocente? JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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AYMOND Tam e outros três arguidos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) vão ouvir hoje do Tribunal Judicial de Base a sentença a que estão sujeitos. O ex-presidente do instituto, recorde-se, senta-se no banco dos réus ao lado de Lei Wai Nong, vice-presidente, Fong Wai Seng, Chefe de Departamento dos Serviços de Ambiente e Licenciamento (SAL) do instituto e Sio Kuok Kun, chefe funcional da área dos cemitérios. Todos estão acusados do crime de prevaricação. Passaram mais de seis meses desde que o julgamento de Tam começou. Os quatro arguidos sempre estiverem presentes nas audiências, onde também participou Paulina Alves dos Santos, assistente no processo e denunciante do chamado Caso das Campas – que deu origem a este processo. Raymond Tam, que acabou por ser

substituído por Alex Vong no cargo de presidente do IACM, e os restantes acusados terão alegadamente cometido prevaricação por terem demorado muito tempo a entregar documentos relacionados com as dez campas perpétuas ilegalmente atribuídas no Cemitério de São Miguel Arcanjo. Para a acusação – composta pelo Ministério Público e pela assistente -, não há dúvidas que a demora na entrega dos documentos foi para ajudar Florinda Chan – já absolvida da atribuição supostamente ilegal das campas – e que a Secretária recebeu os documentos que andavam a ser procurados, depois de estes terem sido enviados pelos arguidos. A acusação fala entre 70 a cem dias de demora na entrega dos documentos ao MP, a defesa desmente e mostra outros registos: 27 dias é o tempo máximo que os advogados de Tam e dos outros arguidos dizem que os acusados demoraram. Na última audiência, no final de Junho, a acusação pediu que todos fossem

condenados, mas a defesa evocou ainda outras razões para pedir a absolvição:. Para os advogados de Tam, nem sequer estão preenchidos os requisitos para o crime de prevaricação. “Tem de ser [perpetrado] por funcionários com competência para intervir no processo judicial. (…) Deixa-se de fora estes arguidos, que nem sequer têm poder para cometer o crime, porque não investigaram, nem sequer ajudaram com elementos de investigação”, frisou, no mês passado, Álvaro Rodrigues. A defesa voltou a insistir que os documentos não se encontravam desde 2002, o que dificultou a procura pelos arguidos, e reitera que Ng Peng In, primeira testemunha no caso e ex-administrador do IACM foi quem sempre teve os documentos consigo. A acusação discorda. Agora, resta saber hoje se Raymond Tam e os outros três arguidos vão ser condenados ou absolvidos. O crime de que vão acusados pode dar origem a pena de prisão até cinco anos. A sentença será lida durante a tarde.


CHINA

hoje macau terça-feira 29.7.2014

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NICARÁGUA PEQUIM INVESTE EM CONSTRUÇÃO DE CANAL

A estratégica visão chinesa Para contornar a influência dos EUA, a China apoia um projecto na Nicarágua, alternativo ao canal do Panamá, que garantirá o fornecimento de grão e outras matérias-primas

O

anúncio de investimentos avultados em infra-estruturas e crédito para o Brasil e para a América Latina, feito pelo governo chinês na reunião do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), durante a visita do presidente Xi Jinping ao Brasil, faz parte de um projecto maior da nação asiática para controlar grandes rotas logísticas no mundo e assegurar o fornecimento de minerais e alimentos. A construção do canal da Nicarágua — que cortará o país numa rota alternativa ao Canal do Panamá — e

da rede ferroviária Transcontinental, que atravessará o Brasil e o Peru, ligando o Atlântico e o Pacífico, fazem parte desse projecto. O canal da Nicarágua, projecto de 40 mil milhões de dólares, começará a ser construído no fim deste ano e tem entrega prevista para 2019. Deverá percorrer 278 quilómetros — quase quatro vezes o canal do Panamá, inaugurado há um século — passando por florestas, terras indígenas e o lago da Nicarágua, no interior do país. O traçado foi definido há duas semanas pelo concessionário HKND Group. O empreendimento envolve também dois portos, uma zona de comércio livre, hotéis, um aeroporto e estradas. O tamanho da obra levou o governo da Nicarágua a aprovar leis e medidas em prol do projecto, com um orçamento quatro vezes superior ao tamanho da economia do país.

REDUÇÃO DE CUSTOS

Apesar de o canal do Panamá ter capacidade disponível, a China apoia a iniciativa na Nicarágua porque não teria controle sobre as rotas logísticas no Panamá, devido à influência americana, que tem bases na região e é responsável pela sua defesa militar. “Para a China, faz muito sentido um segundo canal. A China é e continuará a ser

um importador de matérias-primas. Tudo o que facilite e reduza custos é positivo e paga-se a longo prazo”, disse Cláudio Frischtak, da Consultoria Internacional de Negócios Inter. B. O canal da Nicarágua gera grande interesse geopolítico internacional. No mês passado, o país recebeu uma visita do presidente russo Vladimir Putin, sinalizando o interesse daquele país na futura ligação marítima. O canal deverá comportar os maiores navios existentes actualmente, como aqueles que levam minérios da região para a China. Na apresentação da rota, o HKND Group reconheceu que atravessar áreas protegidas é inevitável, mas promete planos de mitigação e compensação. O lago da Nicarágua é rico em biodiversidade, e a movimentação de navios

de porte gigantesco pode alterar significativamente o ecossistema.

REDE FERROVIÁRIA NO BRASIL

O embaixador Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), destaca que os investimentos chineses agora promovidos pelo mundo fora, principalmente na América Latina, têm uma preocupação com a preservação do ambiente local, ao contrário de investimentos feitos no passado pelo país na África, que não deixaram retornos económicos e sócio-ambientais significativos para os moradores afectados. “O que é impressionante no caso da China é a visão estratégica e a capacidade de realização. Estão a criar alternativas para chegarem aos seus objectivos sem fazer ruído”, disse Amaral.

No caso da rede ferroviária Transcontinental, o governo brasileiro espera realizar ainda este ano o leilão da primeira obra desse traçado, entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), com um orçamento estimado em 2.3 mil milhões de dólares. A China Railway Construction Corporation (CRCC) deverá participar nessa licitação em parceria com a Camargo Corrêa, embora o grupo ainda considere refazer todos os estudos do traçado, o que pode adiar o leilão, assim como o prazo para a conclusão, reconhece uma fonte do governo. “Acredito que as parcerias em infra-estruturas e agricultura ainda têm muito potencial para crescer, porque trazem benefícios aos dois povos”, disse Sun Chenghai, director geral da Agência de Desenvolvimento Comercial do go-

278 quilómetros,

percurso do canal

verno chinês, a uma plateia de empresários brasileiros durante a visita oficial do presidente Xi Jinping ao país neste mês.

PASSAGEM PELO ÁRCTICO

Com outro projecto de passar navios pelo Árctico em rotas que se abrem pelo aquecimento global, a China quer afirmar-se como operadora logística global, principalmente através de meios marítimos. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), 90% do volume de negócios internacionais feitos no mundo em 2012 realizaram-se por via marítima.

Matmo 13 mortos e 2,5 milhões afectados

O tufão Matmo provocou pelo menos 13 mortos e afectou já 2,5 milhões de pessoas na sua passagem pela China, informou no domingo o Ministério dos Assuntos Civis. Nove das mortes ocorreram na província oriental de Jiangxi e quatro na meridional de Cantão, de acordo com as informações oficiais citadas pela agência Xinhua. Até domingo de manhã, mais de 2,5 milhões de pessoas tinham sido afectadas pelo impacto do tufão, que passou por oito províncias chinesas. Cerca de 289 mil pessoas nessas províncias tiveram de ser realojadas e 37 mil necessitam de assistência urgente. Matmo, o décimo tufão que afecta a China este ano, destruiu casas e campos de cultivo que equivalem a perdas económicas de perto de 547 milhões de dólares.


EVENTOS

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hoje macau terça

RICARDO BORGES info@hojemacau.com.mo

O

projecto “High Hoper” vai ter a sua primeira exposição ao público na Fundação Rui Cunha, esta quarta-feira, pelas 18:30, onde ficará patente ao público até 9 de Agosto. Esta iniciativa de arte comunitária da associação local “Point View Art” reúne 10 trabalhos que combinam design de moda, fotografia, maquilhagem, design gráfico e poesia para mostrar ao público os sonhos e aspirações da população de Macau. Segundo contou ao HM o coordenador do projecto, Fish Ho, o conceito começou a ganhar raízes há cerca de um ano, quando a curadora do projecto, Hope Chiang Chen-yuen – “uma artista de Taiwan a viver no território” – se questionou sobre as verdadeiras aspirações da

ARTE COMUNITÁRIA HIGH HOPER NA FUNDAÇÃO RUI CUNHA

Sonho meu

A ideia nasceu quando a artista de Taiwan, Hope Chiang Chen-yuen, numa viagem de autocarro em Macau, se questionou sobre quais seriam os verdadeiros sonhos e ambições da população população de Macau. Deu então início a uma série de inquéritos de rua, em escolas, transportes públicos e redes sociais, onde apresentou uma série de perguntas simples que ambicionavam fazer os entrevistados pensar na importância de ter sonhos e ambições na vida. As respostas a este inquérito culminaram no projecto que

de maneira a melhor ilustrar as suas aspirações.

VIDA CÓMODA DESTRÓI SONHOS PESSOAIS

De acordo com Fish Ho, “muitas pessoas acabam por se acomodar numa vida cómoda, esquecendo-se de perseguir as suas ambições pessoais”. Este projecto visa gerar um debate, “fazendo as pessoas acreditar

Maestro

s de peixe a de bolinha

Vendedor

Quem im agina Um mun do sem música? Diálogo a berto e d edicado c Conto a om a mú história d sica, e cada c omposiç ão. Quem p ode ima ginar Os esforç os de dia s infindá veis? Em cada espectác ulo a de Um esfo dicação rço que n de uma ão procu vida, ra a sob re vivência Quem im . aginaria A músic a transc enderá o tempo? Nos ouv idos Ondas q ue traze m uma e Unindo legante m em coro elodia, uma sin Entre vid fonia as passa d as e as d e hoje em dia. Como se sabe Quem se ergue no palco até ao fim? O palada r do vinh o que o Viver, tempo m atura. É permit ir que a m elodia de Flua com uma com a natura posição lidade d e um su spiro.

es, o as mulher Quantas sã , es iõ p como da família, Que vivem ar em redor ar p m se Giram e. da felicidad Em busca sofá, em vão no anos, Uma vida a os últimos iz al n si o n si o d . te er O bat dormen pacificada, Sossegada, revisitar me leva a O sino que peixe, olinhas de A loja das b cola. Junto à es o branco, o um vestid d não saem. Envergan elas que já ar m a as Manch ovo e tofu, a sopa de d es . ad d Sau cos na mão a com petis ci n fâ in a D e, O sino bat à obra. ôr as mãos p e d a Hor génuas, e oráveis in Crianças ad unciando, Vindo e an a delícia. m da minh A mensage , e preparar cia. Deixem-m or da infân uecível sab q Esse ines

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA

vai ser agora apresentado ao público, em que os entrevistados passam a ser modelos e mostram os seus sonhos através do tratamento visual e lírico desta colectânea de artistas proveniente de Macau e Taiwan. Uma atenção especial foi dada ao guarda-roupa, tendo a equipa concebido peças originais para cada modelo,

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

QUEM TEM MEDO DA LÍNGUA PORTUGUESA? • Sara Leite, Sandra Tavares

MISTÉRIOS DO SUL • Danielle Steel

Importante auxiliar para estudantes, professores, profissionais das mais diversas áreas e todos os que estejam interessados em aperfeiçoar o seu conhecimento sobre a língua portuguesa. Pontos abordados na obra: Quem tem medo da ortografia?; Quem tem medo do léxico?; Quem tem medo da morfologia?; Quem tem medo da sintaxe?; Quem tem medo da pontuação?.

Pela primeira vez, Danielle Steel acrescenta um elemento de thriller às suas histórias, usando duas personagens invulgares nos seus livros: um assassino em série e a advogada que insiste em condená-lo.

ENCONTRO MORTAL • Nora Roberts (J. D. Robb)

A tenente Eve Dallas é uma jovem polícia de Nova Iorque que se dedica ao trabalho de corpo e alma para fugir a um passado trágico que quer esquecer. Mas o passado teima em persegui-la quando um milionário é envenenado.


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a-feira 29.7.2014

que podem perseguir os seus sonhos” e “pensar nos passos que têm de realizar para atingir esse objectivo”, com vista “a obter satisfação pessoal mas também a efectuar mudanças na sociedade que as rodeia”. Segundo o mesmo, “muitas pessoas obtêm um trabalho lucrativo num casino e constituem de seguida família, abandonando os objectivos iniciais da sua infância”. Fish Ho adianta ainda “que o projecto ainda vai a meio e vai continuar no futuro”. Além de uma digressão da exposição por escolas do território, os organizadores estão também a preparar um documentário e uma publicação sobre o mesmo tema.

A CARREIRA 25

Outra das ambições da associação é “transformar um autocarro da carreira 25 numa galeria ambulante”, não fosse ter sido neste trajecto que a coordenadora primeiro formulou este conceito de arte comunitária. Segundo

a mesma revelou à revista Closer, “a maior parte dos artistas locais desenvolve o seu talento em projectos pessoais, em vez de ligar o seu trabalho à comunidade em que nasceram ou cresceram. A arte comunitária ainda está pouco desenvolvida em Macau, mas conta com muita adesão no estrangeiro. Enquanto os artistas locais não compreenderem a sua importância, vão ter relutância em participar nestes projectos, por isso alguém tem que tomar a iniciativa”. Esta iniciativa recebeu apoio financeiro do Instituto Cultural de Macau, integrado no programa “Arts in Community” que este ano é celebrado pela primeira vez, tendo ainda recebido ajuda da Fundação Rui Cunha. A entrada para o evento é livre, estando a exposição aberta de segunda a sexta entre as 10:00 e as 19:00 horas. Ao sábado a galeria abre às 15:00 e encerra às 19:00, estando por sua vez fechada aos domingos e nos feriados públicos.

Fazer teatro contra a droga

O Instituto de Acção Social e o Teatro de Lavradores vai organizar o Concurso do Teatro de Improvisação “Theatresports”, no dia 2 de Agosto, pelas 19:00 horas, no auditório da Associação de Sheng Kung Hui da Escola Choi Kou (Macau). Esta actividade será realizada através da interacção com o público e do concurso de teatro de improvisação, com o tema do combate à droga, de medida a assinalar o “Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas” e contribuir para a “Acção de combate à droga, participação de toda a cidade! Action!”. A ideia é divulgar uma mensagem de combate à droga e de vida sadia na comunidade. Os bilhetes para o evento são gratuitos, havendo ainda ingressos disponíveis - em quantidade limitada – na sede do Teatro de Lavradores e no Centro Comunitário para Jovens da Associação dos Jovens Cristãos de Macau.

Torre de Macau com saltos nocturnos

r da cultura o d a ix a b m E

No início, não sabia a cidade A pequen niverso. nso é o u Quão ime delicada. simples e A vida era , O volante direita, uerda e à sq e Gira à saída, ntrar uma Sem enco sso. re o de reg O caminh ntigos, Prédios a o. sua solidã Rasos na topo, o pávidos ite. Olham im m sem lim e u rg e se e u q Novos nte, para a fre Avançam o fim. z a não tr O Inverno , e is a ecd or. Após cad u esplend menor o se z e v a d a Éc o, be ao palc Hoje eu, nse que so e a c a m , r Acto etiqueta qualquer Com uma as costas. h in a em m Estampad assam, res que p Os senho os passos, abrandar Poderiam orços, sf ha casa. nossos e nio de min ó Uniremos im tr a p rvar o Para conse

A Torre de Macau oferece este Verão um programa nocturno especial. Diariamente, entre as 18h00 e as 22h00 até ao fim de Agosto e no mesmo horário, mas de sexta a domingo durante Setembro, a companhia AJ Hackett promove saltos de “bungee jump” e “skyjump” além de passeios nocturnos na sua “Skywalk X”. Os interessados podem, assim, saltar à noite. Entretanto, a Torre de Macau apresenta também uma área especial para crianças até ao dia 24 de Agosto. O programa, denominado “Bubble Fantasia in the SKY of Macau”, inclui construções em balões com dois metros de altura no átrio da Torre e no 58º andar, além de diferentes decorações com balões distribuídos todas as semanas. Os mais novos podem também contar com espectáculos ao vivo durante o fim-de-semana, além de um castelo insuflável gigante e jogos, com entrada livre para clientes que gastem mais de 300 patacas no local.

CASAIS DE IDOSOS TIRAM FOTOGRAFIAS PELA PRIMEIRA VEZ

Um amor para a eternidade

O

MGM, em conjunto com o Centro de Dia “Brilho da Vida”, organizou ontem uma sessão fotográfica para casais idosos e residentes locais, de maneira a celebrar o seu matrimónio, num programa intitulado “Love Actually Charity”. Esta iniciativa, integrada na campanha de ajuda comu-

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nitária da equipa de voluntários da empresa, ofereceu a dez casais de idosos, com idades acima dos 65 anos e casados na maioria há mais de cinco décadas, fotos de casamento, algo que a maior parte nunca tinha tido oportunidade de fazer. Ao HM, o casal Kong explicou que “dificuldades económicas os tinham im-

pedido de realizar este tipo de fotografias no passado” e mostrou-se muitos contente de ter agora esta oportunidade de celebrar o seu casamento. Algo “que nunca esperavam fazer com esta idade”, dizem. Quanto ao segredo por trás de uma união tão longa, o casal salienta “a necessidade de o casal se compreender e ajudar um ao outro, nunca se esquecendo de mostrar amor e carinho, visto haver sempre altos e baixos num casamento”. Já para as gerações mais novas, recomendam que os casais “aprendam a exprimir-se e a manter-se calmos, visto a comunicação ser o mais importante”. Por sua vez, Wendy Yu, vice-presidente dos Recursos Humanos da MGM, salientou que “a empresa tem vindo a fazer várias campanhas junto da sociedade desde Junho de 2010”. A ideia com mais um programa é “esperar que esta iniciativa inspire a comunidade a tratar dos mais idosos e da sua própria família”. - R.B.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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ERIC HOBSBAWM SOBRE GAZA

UM TEXTO ESCRITO EM 2009. COM ACTUAL IMPORTÂNCIA

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Á há três semanas a barbárie está exposta aos olhos da opinião pública universal, que está a ver, julgar e, com poucas excepções, rejeitar o terrorismo armado que Israel emprega contra meio milhão de palestinianos cercados, desde 2006, na Faixa de Gaza. Jamais qualquer explicação oficial para a invasão foi mais patentemente refutada por uma combinação de imagens de televisão e aritmética; ou o papaguear dos jornais sobre “alvos militares”, pelas imagens de crianças ensanguentadas e escolas incendiadas. 13 mortos de um lado, 1.360 do outro: não é difícil concluir quem são as vítimas. Nem é preciso dizer muito mais sobre a horrenda operação militar de Israel contra Gaza. Mas para nós, judeus, é preciso, sim, dizer mais. Numa história longa e sem segurança, de povo em diáspora, a nossa reacção natural a quase todos os eventos públicos inevitavelmente inclui a pergunta “Isso é bom ou é mau para os judeus?” E, no caso da violência de Israel contra Gaza, a resposta só pode ser uma: “é mau, para os judeus”.

É muito evidentemente mau para os 5,5 milhões de judeus que vivem em Israel e nos territórios ocupados de 1967, cuja segurança é gravemente ameaçada pelas acções militares que o governo de Israel empreende em Gaza e no Líbano; acções que demonstram a incapacidade dos militares israelitas para trabalhar a favor do objectivos que eles mesmos declaram, e actos que só servem para perpetuar e intensificar o isolamento de Israel num Médio Oriente hostil. O genocídio ou a expulsão em massa de palestinianos do que resta de seu território nativo original é, nada mais nada menos, que adoptar uma agenda prática que só pode levar à destruição do Estado de Israel. Só a convivência negociada em termos igualitários e justos entre os dois grupos é garantia de futuro estável. A cada nova aventura militar de Israel, como a que se viu no Líbano e vê-se agora em Gaza, a solução torna-se mais difícil; e mais se fortalece, em Israel, o jugo da direita; e, na Cisjordânia, o mando dos colonos que, em primeiro lugar, nunca quiseram qualquer solução negociada.

Como aconteceu na guerra do Líbano em 2006, Gaza, agora, torna ainda mais obscuro o futuro de Israel. E o futuro se torna mais negro, também, para os nove milhões de judeus que vivem na diáspora.

NO CASO DA VIOLÊNCIA DE ISRAEL CONTRA GAZA, A RESPOSTA SÓ PODE SER UMA: “É MAU, PARA OS JUDEUS” Sejamos bem claros: criticar Israel não implica qualquer anti-semitismo, mas as acções do governo de Israel cobrem de vergonha os judeus e, mais que tudo, fazem renascer o anti-semitismo, em pleno século XXI. Desde 1945, os judeus, dentro e fora de Israel, beneficiaram-se enormemente da má consciência de um mundo ocidental que se recusou a receber imigrados judeus nos anos 1930, antes de ou cometer genocídio ou não se opor a ele. Quanto dessa má consciência, que

virtualmente derrotou o anti-semitismo no Ocidente por 60 anos e produziu uma era de outro para a diáspora, sobrevive hoje? Israel em acção em Gaza não é o povo vítima da história. Não é sequer a “valente pequena Israel” da mitologia de 1948-67, um David derrotando vários Golias que o cercavam. Israel está a perder a solidariedade do mundo, tão rapidamente quanto os EUA perderam a solidariedade do mundo no governo de George W. Bush, e por razões semelhantes: cegueira nacionalista e a megalomania do poderio bélico. O que é bom para Israel e o que é bom para os judeus como povo são coisas evidentemente associadas, mas até que se encontre solução justa para a questão palestina essas duas coisas não são nem podem ser idênticas. E é essencialmente importante que os judeus o declarem, bem claramente.

London Review of Books, vol. 31, n. 2, sessão “Cartas”: “Responses to the War in Gaza”, 29/1/2009, pages 5-6, 2009


artes, letras e ideias 13

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Carlos Morais José

DAMASCO, SYRIA CIDADE VELHA As orações deveriam ocorrer antes do crepúsculo. Há preguiça na voz do muezim. Tantos te amaram, Damasco. Talvez pela lentidão com que te abres e o odor que então exalas, minha flor... ... onde ávidos se dessedentam do deserto, que a todos nós rodeia, que a todos nós incendeia... Há sobre ti bênçãos, há sobre ti maldições. Despercebido, entrarei na tua casa. Dormirei no teu leito e, quando deres por mim, terei partido, sem deixar descendência. É esta a prerrogativa do corpo que passa sem rasto; da alma que adormece, sem ruído nem temor; do calor que se esvanece... É tão só isto a viagem. Intento de miragem. Aguaceiro de razão. Ao fim: — Que minhas mãos vejo coroadas de perdão... Não ser Cristo na terra do Profeta, mas o poeta que demanda solidão. Afirmativo, não?

MESQUITA DOS OMÍADAS Entro em ti embriagado mas não é místico o vinho, nem o meu traje de lã. A roda ensina o voltejar da tontura. No vasto pátio vagueio em abluções pagãs. Lavo dos pés as crostas da viagem, uma a uma, antes de me curvar entre as colunas, nesta ausência de representação. Olhando à volta, não reconheço nada. Procuro a escada, o fero sol, a sombra amiga, a planta tímida entre as pedras. Da História sei que pertenceste a Júpiter e o trocaste por um cristão, até o alfange para sempre te possuir. Que desatino este e por que mudas, tão facilmente, de amantes e de irmãos? Como se pode adorar a infiel, que bebe insana da taça, ainda plena de fel? Sei-me cercado neste namoro desleixado, nesta visitação e na edificante ignorância do raio divino e fértil. Blasfemarei calado sobre estas pedras. Não lhes conheço dono. Só o Outono da crença afinal me satisfaz. Nele retrato, de um só tracto, a ousadia do rapaz, ainda tonto de largar, a fímbria de certo trono, um tão matreiro lugar. Pouca temperança: rio bêbado, rugas rubras no olhar. Pouco mar: acendem-se desatinos no tom cru do muezim. Já é pouco para mim. Que poesia se esvai nos passos dos peregrinos?

DA SORTE Hás-de haver tu, que me persegues, mas por dentro, e a lívida rosa que o jardim assombra. Eis a tumba do Baptista, secreta, dis-

creta. Aqui perto a frivolar. E eis-nos longe, em hecatombe de palavras ou viagens, em sinais inconcebíveis noutro lugar. Ó distante sorte, que me alegra e funesta me carrega, distante sorte de navegar. Ó Damasco doirada! Esse oiro que – prevejo – me enalteça, oiro de chão, de cabeça, de antonino Júpiter, quase em final de toirada. Sois o sinal ideal, noite que tudo encobre, dia da desvelação. O símbolo e o patrão. A noite sim, a noite sem semente nem resquício de outra gente que as nocturnas pessoas. Espero canções... das boas. Ó Damasco das iluminações, do seio farto, do acto, das sentenças da minha morte. Terei sorte.

A NOITE EMBEVECIDA Jantar no terraço, a vinte metros da mesquita primordial. Um crescente timbra o céu de sentidos tradicionais. Amanhã andarei por estas ruas, por peregrinas de negro que se acotovelam na busca da inerme cabeça do amante de Salomé. Babo-me então no sabor acre do carneiro, o que foi dádiva de um pai por seu filho a esse deus cujo nome não é auspicioso pronunciar. Desço as escadas e nas ruas cruzo portas e alimento-me de travessas, insuspeitos becos, olores do primeiro dia. Pela velha Damasco passaram soldados e mercadores, viajantes e aventureiros, mas o seu véu permaneceu intacto, a ocultar um sorriso oferecido. Ó noite árabe, ó mulheres de corpos velados, que ainda assim se desvendam em tremores de olhos e pupilas esgaçadas. Ó senhoras de Fátima, que em toda a parte vos encontro, como se fossem a mulher primordial – Lilith que infanta Eva, Maria que em si secreta Madalena

–, aguardando o fim da noite, como eu aguardo o que se assemelha ao advento da ressaca. A minha sombra ganha foros de visitação. O fantasma de um resto de minarete por construir – atravessa esta rua onde agora me balanço – e um segredo por trás de cada porta, odor a farinha por fermentar. Trauteio uma canção na noite embevecida e, em passos sérios, regresso sozinho ao hotel.

A CORTESIA Foi na antiga capital, onde as rotas se abraçam em amplexos de conivências por tecer, que a cortesia nasceu e até hoje se condensa, sobretudo em gestos de homens patibulares e sorrisos repentinos de meninos. A língua, de rudeza egrégia, pertence a uma civilização que aqui se oferece em cada ruga dos carões iluminados.

“JANTAR NO TERRAÇO, A VINTE METROS DA MESQUITA PRIMORDIAL. UM CRESCENTE TIMBRA O CÉU DE SENTIDOS TRADICIONAIS” A cortesia é uma dádiva e não a dúvida hospitaleira de quando se temia no viajante um deus disfarçado. Hoje sobram os gestos que não remetem para qualquer obrigação. Essa memória pouco importa – ninguém se lembra... – mas é no palato áspero que ressuscitam as palavras, bálsamo frequente da jornada. Não, não estarás sozinho, recita

Damasco em surdina, como faria uma criança para brincar.

LOJA DE MÚSICA Na montra da loja escura há Mozart e Keith Jarret, Garbarek e outros mestres da ECM. Lá dentro, pergunto: “Tens música desta região, da Syria ou redondezas?” O jovem responde muito sério: “Tenho e podes ouvir antes de comprar”. Seguem-se as cascatas de vozes e alaúdes, tambores e ritmos, o tango árabe, o tom áspero das montanhas, a festa em largos de cidades escondidas, a flauta planante da Arménia. “Quero tudo”, balbuciei. “E assim mais pop, não tens nada?” “Se queres habibi, habibi, não é aqui. Não vendo música comercial”. E perante esta expressão, que desde a juventude não ouvia, corei de vergonha e satisfação, acreditando ter-me ali encontrado na loja de um amigo de fala comum.

MULHERES DE NEGRO Foi o negro a cor do profeta, dita da sabedoria.Mas os haddits não previam estes bandos de mulheres de preto curvadas. Ó minha avó do xaile negro, a que cheira hoje o teu regaço?... — Cheira a fumo e cheira a ervas acabadas de segar... Diz-me, menino, o que fazes tão longe do teu lugar? Não sabes que um homem guarda só a porta do seu lar? Não busques por ti no mundo: quando estás longe de casa, logo a vontade se vaza p’ra esse poço sem fundo. Também coberto me recolho quando atravesso o souk dos esfuziantes ourives... Onde está o ouro escuro... que vossos segredos enfeita?... — O meu segredo é a culpa que por vós carrego. Trago meu pai e meus irmãos, os excessos praticados, a língua de minha mãe e a impiedade das mulheres antigas. Todos peregrinam comigo e a mim cabe suportar esta colectiva salvação. Trago ainda um rei achado nas portas de um deserto. Tremia de febre e frio, sob a luz forte do Sol. Chamei-o ao meu seio e consolei-o. Talvez por isso alguns me crismem com o terno nome de Revelação.

UMA LARANJA Não bastava espreitar. Houve o convite. E pelo palácio brincámos como irmãos e como amantes. Não estava o dono da casa, mas o guarda acolhedor abriu-nos a porta e fomos sinceramente felizes. No final, ele deu-nos uma laranja, retirada de uma árvore daquele pátio de existência breve. in Anastasis, COD, 2013


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a revolta do emir

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Pedro Lystmann

OUTRA VEZ AS MELHORES CIDADES DO MUNDO (II)

C

ONTINUA-SE o artigo em que se dispensa uma descrição sumária da conclusão do concurso da revista Monocle de 2014 sobre as cidades do mundo em que se oferece mais qualidade de vida. No original lê-se 25 Top Liveable Cities. Em 2014, como tem sido normal, a maioria das cidades escolhidas é europeia (14 cidades). Quatro situam-se na Austrália e Nova Zelândia, duas na América do Norte e cinco na Ásia Extrema (Tóquio, Quioto, Fukuoka, Singapura e Hong Kong). Não há cidades latino-americanas, africanas ou médio-orientais. As primeiras 12 elogiadas são: Copenhaga, Tóquio, Melbourne, Estocolmo, Helsínquia, Viena, Zurique, Munique, Quioto, Fukuoka, Sidney e Auckland. Hong Kong, a cidade número 13, tem uma particularidade: é a única pertencente a um país que não é uma democracia. No entanto, é daquelas em que há uma energia que vem da voz feroz do seu povo, ao contrário de Singapura, uma cidade mais organizada mas mais muda. O que tem caracterizado Hong Kong ultimamente (um percurso que tenho seguido com atenção) é a sua afirmação como centro artístico e de lazer, a par da sua importância como centro financeiro. Espera-se com ansiedade o novo centro cultural M+, em Kowloon. Não me lembro de nenhum outro lugar (de par com Kuala Lumpur e Bangkok) com tantos bares no topo de edifícios. A sua estrutura transportadora é admirável. A combinação entre áreas modernas e futuristas (como Central) e áreas populares (Sheung Wan, mesmo ao lado) é igualmente de admirar. Berlim é a décima quarta cidade. É um milagre de inclusão, sobrevivência e reinvenção. Inaugurou-se recentemente o Bikini Berlin, um complexo que junta, generosa e inclusivamente, hotel, cinema, compras e sítios de lazer. Esta

tem sido uma capital constantemente com medo de ser ainda mais. Está cheia de museus e galerias, grande arquitectura moderna e muitos monumentos e é hoje a capital cultural da Alemanha. Os parques não fecham em Berlim, assim como parece ser interminável o desejo dos seus habitantes de festejar. O quê? Não sei bem. Isto não é fácil de explicar mas subsiste nas cidades alemãs, e em Berlim paralelamente ao cosmopolitismo e vanguardismo, de um modo inocente, uma poética rural e florestal. Berlim não é excepção. Só agora a cidade emergiu totalmente das violências em que a história do século XX a mergulhara. Cidade 15: Vancouver é a primeira das 2 cidades norte americanas premiadas. Não é difícil de perceber porquê: clima favorável; uma vida de outdoors; indústria hi-tech; 220 parques e 11 praias; mais de 50% do seu lixo reciclado; casamento homossexual permitido desde 2005.

“EM OSLO É PREFERÍVEL NÃO URINAR EM PÚBLICO, SOB PENA DE PRISÃO, NÃO SE FUMA EM QUAISQUER BARES E RESTAURANTES E É PROIBIDO BEBER ÁLCOOL EM ESPAÇOS PÚBLICOS” A última das cidades asiáticas é Singapura (o que coloca 4 asiáticas à frente de qualquer americana). O aeroporto de Changi é constante assunto de conversa. Em que outro lugar, interroga a Monocle, “se aterra num jardim botânico e se fica despachado em 15 minutos?”. Registar um negócio leva 15 minutos on-line. A sua rede de transportes é impecável.

Já aqui se elogiara, em artigo próprio, o esforço gigantesco que tem sido feito para tornar Singapura “uma cidade num jardim”. O seu Jardim Botânico e a nova zona de jardins e estufas perto do Hotel Sands denota um desejo vegetal avassalador. É a única destas 25 entradas que não regista nenhum assassínio no ano passado. A mistura harmoniosa entre o novo e o antigo é outra das suas vantagens, mesmo que esta possa ser um pouco irritantemente arranjadinha. Nós conhecemos os seus defeitos: excesso de regulamentação; animosidade contra trabalhadores estrangeiros; falta de liberdade de expressão; negação de direitos aos homossexuais (uma anedota mundial: depois do caso dos penguins, veja-se o da figura de banda desenhada Archie). As 6 cidades seguintes são europeias. A primeira é Madrid. Se a crise económica tem trazido atrasos à capital, os planos para redução da utilização de carro próprio e da implementação de um sistema de bicicletas (e bicicletas eléctricas) públicas é um modelo a seguir. Uma cidade artística e com 2691 horas anuais de sol tem muito para oferecer. Paris destaca-se pelos seus monumentos, museus, bibliotecas e universidades. Tem 490 parques. Também sabemos que é excelente em termos de assistência médica. A revista Monocle não deixa de apontar várias falhas flagrantes: sistema de metro muito vasto mas velho e sujo; a capital espelha a falta de direcção que parece afectar o país; Burocracia; custo de vida. Amesterdão é um lugar que sempre me pareceu imobilizado nos louros de algumas das suas qualidades óbvias - a menor das quais não será a divertida e única organização do seu centro em torno dos seus canais. Mas a revista Monocle nota subtis avanços: 100 novos postos de carregamento eléctrico a juntar aos impressionantes 550 já existentes e mais estacionamento para bicicleta, o meio de transporte de 58% dos seus habitantes. Amesterdão acolhe

pessoas de 178 nacionalidades diferentes mas aparentemente já de um modo tão tolerante como antigamente. Fica-se com a impressão que é uma cidade que terá de escolher melhor a direcção a tomar. Hamburgo junta a características típicas das cidades alemãs, eficiência e limpeza, um projecto cuja conclusão tarda e que se tornou num embaraço para a sua imagem: a Elbphilharmonie Hamburg, uma gigantesca casa de concertos junto do Elba. O mesmo acontece em Berlim com a construção do novo aeroporto. Mas Hamburgo é um sítio muito pró-


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prio, com muita construção moderna junto ao rio, um exemplo constante e imprescindível para cidades que exibem uma geografia semelhante. Mantém uma imagem muito alemã, porventura pouco inclusiva, mas, dentro desse quadro, bastante tolerante e aberta. Barcelona foi recipiente, recentemente, de dois projectos louváveis e que trarão certos avanços às suas gentes: o El Born Centre Cultural e a conversão de um antigo hospital num complexo internacional político e cultural. A aceitação de arquitecturas inovadoras é uma característica desta cidade solarenga e animada que terá de lidar de modo mais eficiente com a grande quantidade de turistas que recebe anualmente. Lisboa não é uma novata nestas classificações mas parece-me que nunca atingira um lugar tão alto. A Monocle elogia o trabalho feito para trazer as pessoas

“CIDADES COMO LISBOA E PARIS SÃO DEFINITIVAMENTE LIBERTÁRIAS” para junto do rio. Eu sou testemunha e aplaudo. Muitas outras edições desta revista mostram uma população lisboeta empreendedora e inovadora na abertura de pequenos negócios. Esta edição lembra que Lisboa fica a menos de uma hora de várias praias com surf. É, depois de Brisbane, a cidade que regista mais horas de sol por ano. Um sabor libertário e uma propensão para a tolerância permitem dizer que esta “é a cidade perfeita – para quem é turista”. Regista 23 assassinatos e apenas 115 roubos a residências (um valor muito baixo, Fukuoka tem 994 e Paris 11.126).

Portland é a vigésima terceira elogiada e a única situada nos E.U.A (refere-se noutra página da revista que Chicago, cheia de qualidades, não figura nesta selecção devido à elevada taxa de criminalidade). O que é que é valorizado? Trabalhadora e boémia, tolerante, com bairros cheios de árvores, Portland é presença habitual nesta competição. A sua cozinha, baseada em produtos locais, tem fama. A sua localização privilegiada permite, em teoria, fazer surf e ski no mesmo dia. 2341 horas de sol, apenas 15 assassinatos, uma taxa elevadíssima de reciclagem de lixos (90%) e uma facilidade de transporte que dispensa o uso de carro próprio ajudam a perceber esta classificação. Oslo, a Penúltima. Para lá das qualidades óbvias, a sua localização e a inclinação da sua população para o ar livre tornam-na muito atraente. Há resorts de ski a 30 minutos do centro da cidade. Também é uma pequena cidade Monocle – cafés, jardins, pequenas boutiques, pequenas fábricas de cerveja. “Beer prices are high but crime is low”. Tem 1226 carregadores eléctricos para carros e parques geralmente abertos 24 horas.

“PARTY CAPITAL? BERLIM” A última das ínclitas 25 é Brisbane, uma entrada nova. É também, de entre todas, a que aprecia mais horas de sol por ano, um imenso trunfo e triunfo que a sua arquitectura aproveita. Mais barata que Melbourne e Sidney e com um centro espaçoso, Brisbane proporciona um ambiente descontraído para o negócio. Este atrai uma clientela frequentadora de inúmeros cafés e restaurantes (aparentemente também um número elevado de binge-drinkers, além de haver um problema de intolerância para com os muçulmanos e a população aborígene). A apreciação deste ano de 2014 contém dois critérios novos, interessantes: O número de jornais diários e um que cobre um espectro que vai daquelas aquelas cidades cuja vida é demasiado regulamentada àquelas mais

libertárias (em inglês: libertarian paradise or stickler for rules?). O primeiro revela o seguinte pormenor: várias cidades do sul da Europa e da Ásia têm um número elevado de jornais diários, enquanto algumas cidades do Norte da Europa publicam um número muito menor de títulos. Assim, Lisboa tem 12, Madrid 10 e Hong Kong 53, enquanto cidades como Auckland, Viena, Portland e Brisbane apenas 1 jornal diário. O segundo critério avisa que Singapura se encontra no extremo regulamentário do espectro. Em Oslo é preferível não urinar em público, sob pena de prisão, não se fuma em quaisquer bares e restaurantes e é proibido beber álcool em espaços públicos. As cidades australianas, e as outras escandinavas, não revelam também grande tendência libertária. Madrid é exemplo de uma cidade que corre o risco de se ver com a vida demasiadamente regulamentada. Cidades como Lisboa e Paris são definitivamente libertárias. Portland e Auckland não sobressaem, igualmente, por impor demasiadas regras. Party capital? Berlim. Cidade com mais McDonald’s? Hong Kong – 238 restaurantes (isto não é nada bom sob uma perspectiva Monocle). Cidade com menos McDonald’s? Zurique – apenas seis. Lisboa vem logo a seguir a Zurique – 15, semelhante a Amesterdão e Oslo – 16. Finalize-se lembrando que, se estes critérios presentes à escolha das cidades com melhor qualidade de vida funcionam como modelo quase universal (quase porque alguns são de aplicação e desejo geral, como uma boa qualidade do ar ou uma boa assistência médica, mas outros não o serão para algumas culturas, como o da tolerância em relação à homossexualidade ou o dos direitos dos trabalhadores estrangeiros) e a sua apreciação tem impacto automático na que se faz das falhas locais (Macau), não seria nunca vontade do autor destas linhas que se procedesse a uma “estocolmização” de Macau ou qualquer outra cidade asiática, antes que cada uma, dentro de padrões universais de qualidade, se desenvolva de acordo com as suas características próprias.


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E

DESPORTO

M plena crise na Europa, o mercado de futebol está mais animado do que nunca e promete bater todos os recordes até ao final de Agosto. Luis Suárez (Barcelona) e James Rodríguez (Real Madrid) entraram directamente para o top dos cinco jogadores mais caros de sempre e as dez maiores transferências deste verão, todas juntas, aproximam-se já dos 500 milhões de euros. Números impressionantes, mas que, ao que tudo indica, podem ainda crescer ao longo do próximo mês de Agosto. Clubes como Mónaco, Liverpool, Manchester United e City têm ainda margem de manobra para investir, enquanto outros, como o Paris Saint-Germain, esperam vender primeiro para depois voltarem a gastar. Real Madrid e Barcelona continuam a ser os principais dinamizadores do mercado. O clube catalão tinha gasto mais de 81 milhões de euros para comprar Luis Suárez ao Liverpool e o rival merengue não se ficou atrás e investiu 80 milhões na contratação de James Rodríguez. O quarto e quin-

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TRANSFERÊNCIAS MERCADO NÃO PÁRA DE MEXER

AS DEZ MAIORES TRANSFERÊNCIAS DO VERÃO DE 2014

Verão quente

(EM MILHÕES DE EUROS)

Luiz Suarez (Liverpool Barcelona)

81ME

James Rodríguez (Mónaco Real Madrid)

80ME

David Luiz (Chelsea Paris Saint-Germain)

49,5ME

Diego Costa (At. Madrid Chelsea)

42ME

Luke Shaw (Southampton Manchester United)

42ME

Alexis Sánchez (Barcelona Arsenal)

41ME

Ander Herrera (At. Bilbao Manchester United)

40ME

Cesc Fabregas (Barcelona Chelsea)

37ME

Adam Lallana (Southampton Liverpool)

35ME

Toni Kroos (Bayern Munique Real Madrid)

30ME

DEZ POTENCIAIS ALVOS DO MERCADO ATÉ AO FINAL DE AGOSTO Di María

(Real Madrid)

Isco

(Real Madrid)

Khedira

(Real Madrid)

Edson Cavani

(PSG)

Falcao (Mónaco) Balotelli (Milan)

to jogadores mais caros de sempre numa lista em que os dois espanhóis dominam em toda a linha. A equipa de Madrid é responsável

por seis nomes no top-ten dos jogadores mais caros de sempre, entre os quais estão os portugueses Luís Figo e Cristiano Ronaldo,

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enquanto a equipa catalã também tem três nomes nessa mesma lista. O Paris Saint-Germain, com a compra de Cavani ao Nápoles, na temporada passada, é o único intruso neste top-ten. A compra de James Rodríguez foi a última abanar o mercado e deixou o Mónaco com os bolsos cheios. Oitenta milhões de euros que o Real Madrid espera recuperar em poucos meses com a venda de camisolas. Oitenta milhões de euros que o clube do Principado já anunciou que tem a intenção de os gastar até ao final do Verão. O Manchester United, apesar de já ter investido 82

Arturo Vidal

(Juventus)

Paul Pogba

(Juventus)

Schneijder (Galatasaray) Fernando Torres

(Chelsea

Lukaku (Chelsea)

milhões de euros nas contratações de reforços como Luke Shaw (Southampton) e Ander Herrera (At. Bilbao), diz que tem um «orçamento ilimitado» para atender a todas as necessidades de Van Gaal. E a verdade é que a equipa de Old Traffford, depois do acordo com a Adidas, avaliado em 900 milhões de anos, tem dinheiro para gastar. Ao vizinho City também

não falta liquidez e, a qualquer momento, pode abanar o mercado com propostas irrecusáveis. O Liverpool, também abonado com a venda de Suárez, também ainda está activo, particularmente à procura de um avançado para substituir o uruguaio. A solução pode passar por Cavani. O PSG admite vender o avançado para depois investir em Di María. - Mais Futebol

Primeiro UFC feminino asiático em Agosto no Venetian

Milana Dudieva

A organização da UFC (Ultimate Fighting Championship) anunciou ontem que vai organizar o primeiro combate entre mulheres na Ásia no dia 23 de Agosto, inserido na luta Bisping vs. Le. No dia, a russa Milana Dudieva – que se estreia no campeonato UFC - vai enfrentar a norte-americana Elizabeth Phillips – campeã amadora do Estado de Washington na versão MMA (mixed martial arts). Para ajudar a divulgar o evento, Ronda Rousey - atleta olímpica e campeã da UFC que recebeu em 2014 o prémio ESPY de melhor atleta feminina - vai assistir ao combate e participar em várias acções de promoção. Segundo o comunicado de imprensa, Dana White, o presidente da UFC, salientou que “a divisão de mulheres tem vindo a tornar-se muito popular no mundo inteiro, e Ronda Rousey é sem dúvida a maior atleta feminina do campeonato”. O evento decorre na Arena do Venetian e os bilhetes custam entre 280 e 4680 patacas.

Elizabeth Phillips


( F ) UTILIDADES

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TEMPO

POUCO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

SALA 1

Um filme de: Bobs Gannaway 18.00

Um filme de: Matt Reeves Com: Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russel 14.30, 16.45, 21,30

DELIVER US FROM EVIL [C]

DAWN OF THE PLANET OF THE APES [B]

DAWN OF THE PLANET OF THE APES [3D] [B]

Um filme de: Matt Reeves Com: Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russel 19.15 SALA 2

PLANES 2: FIRE & RECUE [A] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Bobs Gannaway 14.30, 16.15, 19.45

MIN

28

MAX

33

HUM

65-90%

EURO

10.7

BAHT

0.2

Um filme de: Scott Derrickson Com: Eris Bana, Edgar Ramirez, Olivia Munn, Sean Harris 21.30 SALA 3

STEP UP ALL IN [B]

Um filme de: Trish Sie Com: Alyson Stoner, Biana Evigan, Ryan Gusman, Adam G. Sevani 14.30, 16.45, 21.30

Pu Yi

Um filme de: Trish Sie Com: Alyson Stoner, Biana Evigan, Ryan Gusman, Adam G. Sevani 19.15

FALADO EM CANTONÊS

ACONTECEU HOJE

1.2

LÍNGUA DE gATO

STEP UP ALL IN [3D] [B]

PLANES 2: FIRE & RECUE [3D] [A]

YUAN

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Chegou o FMI

29 DE JULHO

Morre António Feio, o actor que fazia rir e pensar • Hoje é dia de recordar António Feio, actor e encenador, espelho da simplicidade, característica que usou para gerar gargalhadas. Morre a 29 de Julho de 2010 e torna-se inesquecível. António Feio nasceu em Lourenço Marques, 6 de Dezembro de 1954, vivendo em Moçambique até aos 7 anos. Em 1961, viaja com a família para Lisboa, estreando-se no teatro aos 11 anos, na peça ‘O Mar’, de Miguel Torga, dirigida por Carlos Avilez, no Teatro Experimental de Cascais. Depressa colhe reconhecimento também muito jovem estreia-se na televisão e no cinema, acumulando também diversas participações na rádio e em algumas campanhas publicitárias. O seu percurso profissional afasta-se dos palcos, quando decide trabalhar num atelier de arquitectura, como desenhador. Mas o apelo do teatro é mais forte e António Feio regressa, em 1974, à casa que o viu nascer: o Teatro Experimental de Cascais. Ao longo da sua carreira, trabalhou em diversos espaços de cultura, desde a Casa da Comédia, ao Teatro Nacional D. Maria II, até que conhece José Pedro Gomes, em 1993, actor que viria a ter forte relevância no percurso de António Feio nos palcos. O teatro viaja para a televisão por intermédio de uma dupla inesquecível, numa Conversa da Treta que nos fazia rir e pensar. E morreu a rir, com uma lição que vida que conseguiu transmitir, no mediatismo cruel que a doença concede. Enquanto lutava contra um cancro no pâncreas – o “bicho” que queria vencer –, António mostrou o outro lado de si. A sua dimensão humana esteve à altura do talento que marca a carreira nas artes, quer como actor, quer como encenador. Já perto dos últimos suspiros, recebeu o grau honorífico de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. A 29 de Julho de 2010, morreu um homem feliz.

U M D I S C O H O J E EMINEM RECOVERY (2010) Uma verdadeira “recuperação” depois de um CD mau, ‘Recovery’ traz o que de melhor Eminem consegue fazer: letras profundas e extremamente bem escritas. Com poucas aparências de ‘Slim Shady’ – o alter ego negro de Marshall Matters – o segundo álbum mais recente do rapper de Detroit traz de regresso o hip hop ‘old school’, com a melodia moderna do rap. ‘Space Bound’ e ‘Not afraid’ são algumas das músicas que vale a pena ouvir. - Joana Freitas

João Corvo

fonte da inveja

O amor não se faz, descobre-se.

Pronto. Foi preciso vir cá a senhora dona Lagarde para mostrar ao Governo tudo o que os locais têm tentado mostrar: a economia de Macau depende do exterior – a sério? -, Macau precisa de mais disciplina na forma como gasta o dinheiro – jurem? -, o mercado imobiliário é ridículo em Macau – nunca ninguém reparou. Foram precisos 15 anos, para o FMI perceber aquilo que, todos os dias, quem cá vive sente. Segundo o FMI, a economia de Macau está vulnerável. Segundo o FMI, é necessário definirem-se avaliações a nível financeiro e opções políticas a longo prazo, em áreas como a do envelhecimento da população, a diversificação económica e a eventual desaceleração do crescimento dos sectores do jogo e do turismo. No fundo, o que o Fundo Monetário Internacional deixa é um aviso. Aquele que muitos de nós têm vindo a frisar. Medidas que o Governo está consciente que são necessárias – e até as usa para fazer política de boca -, mas que não implementa. Há quantos anos andamos a falar da necessidade de diversificação económica? Qual a diversificação que foi, até agora, conseguida? Pode ser que, com a visita do FMI a Macau e o consequente relatório, o Governo abra os olhos. Pode ser que seja necessário alguém – como o FMI, com o peso do FMI, de fora – apontar o que está mal cá dentro para que o Governo se decida a mudar. Ou pode ser que não. Até porque, se formos a ver, o que é que interessa o FMI a Macau?


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OPINIÃO

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Tiago Pinheiro

in Esquerda.net

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primeiro passo para fora do nosso país é também o primeiro passo para o desejado regresso. Partimos em busca de oportunidades, de sonhos, de esperança, mas por cima do ombro, em tantos instantes do dia-a-dia, espreitamos o país que deixamos para trás; olhamos sem olhar, gritamos saudades em silêncio, sentimos, ainda que por instantes, o cheiro a maresia, o sol quente na face, o fado que arrepia a alma e a saudade que faz palpitar o coração. A saudade do coração transporta-se para as palavras, e diariamente Portugal está na boca e no pensamento dos que partiram. Olhamos à distância, e procuramos ao longe explicar o país que vemos. Explicamo-lo a nós mesmos, procurando entender o incompreensível, explicamo-lo aos curiosos, intrigados com a debandada de milhares de um país que desistiu dos seus. Explicar Portugal é explicar os salários baixos, é explicar o desajuste do rendimento mínimo, quando é fácil de constatar que a visita ao mercado ou à superfície comercial para abastecer as dispensas custa o mesmo em todos os países. Explico o incompreensível, numa qualquer fila de supermercado, onde não mudam os preços, mas sim o recheio das carteiras e o ar desesperado dos pais que em Portugal tantas escolhas difíceis têm de fazer, na hora de deixar compras para trás. Explicar Portugal é explicar que existe trabalho, mas que se desistiu de trabalhar com direitos; é explicar que o cancro da precariedade arrasta consigo toda a réstia de esperança, consumindo regalias, segurança e dignidade. É explicar que as oportunidades são somente para quem se despir de sonhos e ambições para se remeter a uma escravatura de ameaça constante. É tentar fazer entender os cortes nos salários, despropositados, exagerados, criminosos, explicando depois a aplicação de tamanha poupança; sacrificam-se famílias, perspectivas de vidas, para resgatar banco após banco, falidos uma e outra vez, para pagar a dispendiosa factura que é a ambição desmedida e ganância de alguns. Retratar Portugal é pincelar a impunidade dos claramente culpados e o castigo dos inocentes. Os patrões fora da lei, os banqueiros que jogam Monopólio com o dinheiro dos pensionistas, dos trabalhadores, dos fundos de Protecção Social. É explicar, no caso da Saúde24, porque continuam sorridentes e impunes administradores e gestores, insistindo na contratação ilegal e na escravatura

RUBEN ALVES, LA CAGE DORÉE

O Portugal daí explicado aqui

de enfermeiros. Seria longa a explicação, que não esqueceria a protecção da maioria que (des)governa Portugal, bem como a inércia de um Sindicato que esqueceu que a luta laboral se trava ao lado dos trabalhadores e não ao lado dos patrões.

“Explicar Portugal é também explicar a apatia perante o crime evidente de quem despedaça todo e qualquer vestígio de esperança” Esmiuçar Portugal é explicar o abandono da protecção social, o abandono negligente do sistema nacional de saúde, utilizando os bolsos vazios de reformados e desempregados para sustentar hospitais à beira da ruptura; com cada vez menos profissionais (em debandada acelerada

do País) e sem condições mínimas, pouca restará aos Hospitais que se tornarem as imagens dantescas dos Hospitais de Campanha de há séculos atrás. Abordar Portugal é deixar claro o ataque feroz às oportunidades de qualquer criança que ambicione estudar, delapidando a escola pública de condições, perseguindo ferozmente os professores, transmitindo a inequívoca ideia de que educação digna é um privilégio apenas para alguns, regredindo para uma feudalismo medieval que tanto apraz aos poucos, mas cada vez mais ricos, de Portugal. Explicar Portugal é também explicar a apatia perante o crime evidente de quem despedaça todo e qualquer vestígio de esperança. A demissão do povo de decidir, remetido a uma dor que esconde, conduz à singularidade entre uma Europa que há muito castiga os partidos do “centrão” que os governa; PS’s e PSD’s têm sido trucidados eleitoralmente Europa fora, enquanto em Portugal ainda se vêem neles as melhores soluções, comprovadamente erradas após 40 anos de democracia. Explicar Portugal é explicar a passivi-

dade perante um poder político promíscuo, interesseiro, aceitando sem expressão o jogo de cadeiras entre políticos, bancos e empresas públicas, que custam milhões a quem trabalha, a quem trabalhou, a quem quer trabalhar. Explicar Portugal é, no entanto e orgulhosamente, explicar uma alma sem fim, de coragem adormecida em alguns, mas tão viva em tantos, que dia após dia, deixam impressa toda a sã alma nas lutas que travam. Explicar Portugal é explicar a revolta do povo de Abril que um dia ressurgirá, é enaltecer a coragem de homens e mulheres que se debatem por cada milímetro de liberdade e de direitos, sem desistir, sem vacilar. Explicar Portugal é explicar todos os que esquecem os seus próprios recibos verdes lutando pelos outros, que se esquecem do seu diminuto vencimento lutando contra os cortes alheios. O Portugal daí não se entende aqui. Entende quem explica, quem sonha um dia voltar. Afinal o Portugal daí também é dos Portugueses daqui, os que não desistem, os que daqui gritam para ai, tentando também se fazer ouvir.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau terça-feira 29.7.2014

DOCES TÍPICOS DE MACAU COM PROBLEMAS DE QUALIDADE

Lembranças com sabor amargo Carne estragada retirada do mercado

O grupo norte-americano OSI anunciou que vai retirar do mercado todos os produtos da sua subsidiária Husi em Xangai, fábrica que alegadamente misturava carne estragada com carne fresca, embalava-a com novos rótulos, e vendia-a para várias cadeias de ‘fastfood’. Através de um comunicado difundido ontem na imprensa chinesa, a OSI explica que “para voltar a ganhar a confiança dos clientes, e para cooperar com o avanço da investigação oficial”, o grupo decidiu retirar todos os produtos de carne que a fábrica da Husi em Xangai vendia a várias cadeias de restauração, incluindo a McDonalds, KFC ou Pizza Hut. O fabricante alimentar com sede em Aurora (Illinois, Estados Unidos) também disse que está a realizar uma investigação interna sobre o sucedido na fábrica da Husi em Xangai, e que perante uma eventual “má conduta” tomará medidas legais contra os responsáveis. Segundo o comunicado, a OSI enviou uma equipa para assegurar a gestão do problema e colaborar com as autoridades de Xangai.

Os problemas de segurança alimentar sucedem-se. Desta vez foi detectado excesso de químicos e bactérias em lotes de doces exportados de Macau para o continente FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

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departamento de supervisão de qualidade, inspecção e quarentena da China descobriu que um lote de doces típicos exportados de Macau para o continente, em Maio, reprovou na qualidade, por excesso de químicos e bactérias. Man Cheng, gestor da empresa Nova Cherykoff Alimentos, responsável pelos produtos, disse ao canal chinês da TDM que, quando recebeu o aviso das autoridades chinesas, suspendeu de imediato a venda e recuperou as embalagens.

“O problema dos dois produtos [bolachas e rolos de ovos] vem das matérias-primas. As farinhas de feijão verde para as bolachas de amêndoa tinham problemas e a nossa empresa já mudou de fornecedor, para uma empresa de Taiwan. Os rolos de ovos tiveram problemas com o fermento vindo do interior da China e a empresa já começou a usar o produto dos Estados Unidos. Depois de termos usado este novo produto, os rolos de ovos já foram aprovados no exame de qualidade e voltaram a ser vendidos. As bolachas de amêndoa ainda estão sob supervisão”, disse Man Cheng.

O responsável explicou à Rádio Macau que os produtos também são vendidos em Macau, mas que já foi suspensa a sua venda e foi feita a recuperação dos lotes sem problemas. Man

“O problema dos dois produtos [bolachas e rolos de ovos] vem das matérias-primas” MAN CHENG Gestor da empresa Nova Cherykoff Alimentos

Cheng disse ainda que pediu ao Centro de Segurança Alimentar para implementar melhorias, esperando recuperar a confiança dos consumidores. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) garantiu ao HM que está a acompanhar o caso, mas que ainda não tem resultados porque os produtos são exportados para o interior da China e não vendidos para Macau. Por isso os exames de avaliação são feitos pelas autoridades chinesas, sendo que o IACM afirma necessitar “de tempo” para confirmar a situação com o continente.

61.º ANIVERSÁRIO DO FIM DA GUERRA DA COREIA

Kim em defesa da “pátria” O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, instou os cidadãos norte-coreanos a manterem vivo o “espírito de defesa da pátria” durante as celebrações do 61.º aniversário do fim da Guerra da Coreia, informou ontem a agência KCNA. No seu discurso, o jovem líder norte-coreano aludiu à “necessida-

cartoon por Stephff

de de incutir nos jovens e adultos o heroísmo e o espírito patriótico demonstrado pelo Exército e povo da Coreia do Norte” durante a Guerra da Coreia (1950-53). A Coreia do Norte celebrou no domingo, 27 de Julho, o 61.º aniversário deste conflito com a visita do “líder supremo” ao Cemitério dos Mártires da Guerra

de Libertação da Pátria, edificado em 2013 em Pyongyang para homenagear os mortos em combate. Pyongyang refere-se à Guerra da Coreia como a “Guerra da Libertação da Pátria”, já que considera que a Coreia do Sul e os Estados Unidos invadiram o seu território, e designa o 27 de

CINZENTOS

Julho como o “Dia da Vitória”, garantindo que foi o vencedor do conflito. A Guerra da Coreia, travada entre 1950 e 1953, terminou, no entanto, com um impasse no território, tendo a península da Coreia continuado dividida em dois países. Nesta guerra, a Coreia do Sul teve ao seu lado os Estados Unidos e o Reino Unido, enquanto a Coreia do Norte era apoiada pela China e pela antiga União Soviética.

ENSAIO DE ATAQUE A POSIÇÕES NO SUL

Japão Aluna de 16 anos mata colega de escola Uma aluna de 16 anos, suspeita de ter matado e decapitado uma colega de escola, foi detida no domingo no Japão, informou ontem a imprensa local. Segundo a agência japonesa Kyodo, a vítima terá sido atingida na cabeça e estrangulada. A presumível autora do crime terá depois decapitado a vítima e cortado a sua mão esquerda. O homicídio ocorreu na cidade de Sasebo, em Nagasaki, no oeste do Japão. O corpo da jovem foi descoberto na sua casa, onde morava sozinha, segundo a imprensa japonesa. Na mesma cidade de Sasebo, uma estudante matou uma colega de escola em 2004.

Entretanto, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, liderou sábado o disparo de um míssil que simulou um ataque às bases militares da Coreia do Sul onde estão instalados 28.500 soldados norte-americanos. De acordo com a KCNA, a agência oficial da Coreia do Norte, o disparo aconteceu no sábado e marcou também o aniversário, no domingo, do acordo de cessar-fogo que colocou fim á guerra na península coreana, entre 1950 e 1953. Apesar de não ter revelado o local do disparo, a KCNA destacou a presença do líder do país naquele que foi o primeiro ensaio depois do Conselho de Segurança ter condenado a Coreia do Norte por mais uma série de ensaios em violação das resoluções das nações Unidas. - Lusa