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HOJE MACAU

DE OLHO NA CHINA

ATRÁS DO PREJUÍZO PÁGINA 8

Rosário arrasa Raimundo do Rosário foi à Assembleia Legislativa e não poupou nas críticas às autoridades de Hong Kong a propósito da falta de estacionamento na Ponte HKZM para carros de Macau. Quem também não escapou ao exame do secretário foi o deputado Mak Soi Kun, acusado de ter dois discursos: um para a imprensa e outro para o hemiciclo.

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MIECF

CONTOS AMBIENTAIS PÁGINA 9

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GCS

ENTREVISTA

SARAMPO

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TERESA NOGUEIRA

GCS

SEXTA-FEIRA 29 DE MARÇO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4260

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 ENTREVISTA

TERESA NOGUEIRA

Teresa Nogueira coordena o co-grupo sobre direitos humanos na China da Amnistia Internacional em Portugal e defende que o estabelecimento de Institutos Confúcio no país serve para a propagação da ideologia do Partido Comunista Chinês. A responsável alerta também para a vontade de Xi Jinping de mudar o sistema de direitos humanos dentro da ONU Na última visita que fez a Macau, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, disse que Portugal e China não convergem em matéria de direitos humanos. Considera que o discurso político tem feito a devida referência a esta questão? Não. Não só o discurso político, como os próprios media portugueses não transmitem nada do que se passa em relação aos direitos humanos na China. Não sei até que ponto isso resulta, ou não, de alguma pressão económica indirectamente ligada à China, mas a verdade é que não fazem eco de nada. Já desistimos de fazer

“Há ofensivas culturais e de sedução” manifestações sobre os direitos humanos na China, porque são tantos os polícias que parece que estamos em território chinês. Estou a referir-me à última visita... Do Presidente Xi Jinping? Não. Aí resolvemos não fazer nada porque já tínhamos tido uma má experiência. Quando veio cá o Presidente da Assembleia Popular Nacional (Zhang Dejiang, em 2017) pedimos, com imensa antecedência, uma manifestação a ser feita junto ao Palácio de Belém. Quando lá chegamos havia também uma manifestação de chineses pró-Governo da China, além de uma manifestação dos Falun Gong. A polícia mandou-nos afastar um pouco da entrada do palácio e quando o Presidente chegou os chineses avançaram a desfraldaram uma bandeira de apoio ao Governo da República Popular da China (RPC) e ficámos confinados a um canto. Nota então uma diferença de actuação das autoridades. Noto que há uma certa protecção dos interesses chineses por parte do Governo português e uma condescendência face ao tema dos direitos humanos. Algo que está relacionado com a compra dos interesses vitais de empresas portuguesas e da obtenção de financiamento chinês. Como explica o nascimento do movimento pró-China em Portugal? São chineses que estão cá estabelecidos ou que são da embaixada. Agem com uma certa liberdade. Fui informada que quando veio cá o Presidente Xi Jinping, os Falun Gong organizaram uma manifestação e foram empurrados com violência por grupos de chineses. Aí, a polícia actuou, separou as pessoas, não houve confrontos violentos, mas houve uma tentativa.

“Quando a China diz que vai manter os campos até estes serem necessários, quer dizer que estes se vão manter até conseguir transformar os habitantes de Xinjiang em pessoas obedientes ao Governo chinês.” A visita do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa à China está agendada para Abril. Que expectativas coloca no seu discurso político relativamente aos direitos humanos? Temos provas de que o Presidente Marcelo é sensível a essa matéria. Tivemos prova disso quando ele fazia comentário político na televisão. Mas, sendo ele Presidente, e estando Portugal tão dependente, e cada vez mais, de financiamentos chineses, acho que vai ter muita dificuldade ou não vai mesmo levantar questões relacionadas com os direitos humanos. Não acredito que o Presidente se sinta à vontade para falar dessas questões sensíveis. A China admitiu a existência de campos de detenção de uigures e disse que existirão até serem necessários. Tendo em conta as últimas reuniões na ONU sobre este assunto, a resposta de Pequim fica aquém daquilo que a comunidade internacional esperava? A AI sempre pediu visitas a Xinjiang para estudar a situação dos direitos humanos, mas isso tem sido sempre recusado pela China. Quando a China diz que vai manter os campos até estes serem necessários, quer dizer que estes se vão manter até conseguir

HOJE MACAU

COORDENADORA DO CO-GRUPO DA AMNISTIA INTERNACIONAL SOBRE A CHINA EM PORTUGAL

transformar os habitantes de Xinjiang em pessoas obedientes ao Governo chinês. E falantes de mandarim. Claro. Esta tem sido a política em relação ao Tibete, continua a ser, e agora em Xinjiang. Há cerca de um milhão de pessoas em campos de concentração que os chineses chamam de transformação pela educação. Foi tornado público que os detidos são usados como mão-de-obra barata para a produção têxtil em fábricas norte-americanas sediadas em Xinjiang. Também sabemos que, apesar de extremamente explorados, e de as pessoas terem condições muito penosas de trabalho, mesmo assim sentem um alívio face ao que sofriam nos campos de concentração. Temos declarações de pessoas nesse sentido. A ONU deveria ter um papel mais activo nesta matéria? Devia, mas a China, ao pertencer ao Conselho de Segurança, tem o poder de veto, e opõe-se às decisões mandatórias da ONU. Aliás, opôs-se uma moção de condenação do Myanmar e da Síria, e, portanto, com esse poder de veto, o poder da ONU é relativo. A ONU fez várias declarações, nomeadamente através do comité para a erradicação da pobreza extrema, quando se deslocou a Xinjiang e ao Tibete, e verificou que a pobreza nestas regiões é grande. Em que sentido? Houve diminuição da pobreza na China, mas no Tibete e em Xinjiang a pobreza é imensa. Isso resulta de uma política colonialista da China, que coloca pessoas de etnia Han nas regiões que passam a deter as principais actividades económicas e que só empregam Han. Os tibetanos e uigures limitam-se a

actividades marginais. Esses colonos também exploram as matérias-primas destas duas regiões, que são muitas. O Tibete tem a maior mina de ferro do mundo, que está a ser explorada pelos chineses Han sem qualquer benefício para o Tibete. Há também a questão das florestas, pois metade do Tibete está desflorestado. Passa-se fome nestas regiões ou estamos a falar de outro tipo de pobreza? Há baixos salários, dificuldade em encontrar emprego, mas também fome. Poderemos ver desaparecer a cultura uigur ou tibetana no prazo de dez anos, vinte anos? Acho que voltará a ressurgir clandestinamente. Além de haver sempre resistentes, que são torturados e


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crática do Congo, feita através de subsidiárias chinesas. A extracção do minério é feita em condições terríveis de salubridade, debaixo da terra e com imensa poeira, utilizando também trabalho infantil. O cobalto é depois exportado para a China para fazer as baterias de telemóveis e carros eléctricos. Se é isto que a China pretende substituir na ONU, está provado que quem ganha são os políticos, mas que não há a mínima preocupação de quem faz os acordos.

enclausurados, há uma transmissão que se faz de pais para filhos, e um dia mais tarde as coisas renascem. São etnias diferentes, com as suas tradições, língua e escrita próprias, é algo que demora muito séculos a desaparecer.

queria construir uma comunidade com um destino comum para a humanidade, liderada pela China. Ele vai tão longe que quer dominar e moldar as mentalidades, e mudar o sistema de direitos humanos da ONU, substituindo o conceito de

A política “Uma Faixa, Uma Rota” é muito abordada do ponto de vista económico, mas decerto terá também implicações em termos de direitos humanos. O que preocupa a AI relativamente a esta política? Devo dizer que esta política representa uma viragem de 180 graus na política chinesa, porque durante 30 anos a China andou a dizer que era um país em desenvolvimento e que o que tinha era de conquistar tempo e esconder as suas capacidades. De repente, Xi Jinping começou a afirmar que

“Estas medidas de colocação dos uigures em campos de aprendizagem pela educação replicam bastante bem o que o Mao fez com a Revolução Cultural, mas agora com a tecnologia e a Internet.”

direitos humanos pelo conceito de “ganhar-ganhar”. Este baseia-se nos acordos, geralmente comerciais, que a China estabelece com os Estados, em que, de acordo com Xi Jinping, todos ganharão. Mas quem ganha? São os Governos porque, na realidade, a população não ganha. São casos de exploração laboral? Sim. No Quénia, na construção de um caminho-de-ferro, os quenianos que lá trabalharam sofreram abusos e foram discriminados por supervisores chineses. Em Moçambique, a exploração de zircónio e titânio, numa aldeia próxima de Nampula, deu origem à quase total destruição da aldeia costeira, graças a cheias que nunca sucediam. Outro exemplo de violação dos direitos humanos é a exploração de cobalto na República Demo-

Teme que venham a ocorrer casos de exploração laboral na Europa relacionados com esta política, ainda que com outra dimensão? As consequências são de condicionamento de certos países em relação a votações, nomeadamente na comissão de direitos humanos. Lembro o caso da Grécia que, em 2017, se opôs a uma resolução da União Europeia condenando a China por violação de direitos humanos. Porquê? Porque estava dependente da China em relação à exploração do Porto de Pireu. É isso que poderá vir a acontecer em Portugal. Há pouco tempo o primeiro-ministro António Costa disse que a cooperação com a China tem corrido muito bem e não tem afectado em nada o procedimento de Portugal, mas a verdade é que há uma ausência de condenação dos direitos humanos na China. Mas queria acrescentar que, associada à Rota da Seda, há também a construção de várias infra-estruturas. A posição da AI é que, em alguns casos, essas infra-estruturas, apesar de terem melhorado as condições das populações, mostram o reverso da medalha, de que já dei alguns exemplos. Há depois as ofensivas culturais, e diria de sedução por parte da China. Em que sentido? As ofensivas culturais fazem-se através dos Institutos Confúcio. Considera então que há aí uma tentativa de controlo por parte da China. É a ideologia. Pode parecer que os institutos são como a Alliance Francaise ou o British Council, mas não são, porque se implantam nas universidades e tentam propagar o pensamento dominante na China aos académicos. Não há então apenas a aprendizagem do mandarim. Sim. Houve uma tentativa de censura de um artigo sobre a China apresentado numa conferência por parte de uma pessoa do Instituto Confúcio. Foi censura de alguém, mas que não resultou. Além disso,

estes institutos, juntamente com a aprendizagem do mandarim, ensinam a cultura chinesa e dão bolsas de estudo para os alunos estudarem na China, para se integrarem no país, para lhes impregnar o pensamento chinês. A sedução é também feita em relação a muitos políticos e autarcas, e não só. Até pessoas proeminentes em certos sectores. Pode dar exemplos? Lembro-me de um caso recente de uma pessoa portuguesa ligada à segurança alimentar que foi convidada para ir à China com tudo pago, mas que não se deixou enganar e viu o que se estava a passar e as restrições que lhe davam. Viu a tentativa que foi feita para lhe tirarem o passaporte quando chegou. Recordo-me também do presidente da Câmara Municipal de Lisboa que foi convidado para ir à China e que já fez acusações muito abonatórias sobre o país. E como ele outros políticos são convidados, há geminação de cidades portuguesas com cidades chinesas, há visitas pagas em que são mostradas maravilhas chinesas. Essas pessoas tornam-se depois cavalos de Tróia da China nos respectivos países.

“Temos provas de que o presidente Marcelo é sensível a essa matéria (dos direitos humanos).” Que perfil traça do Presidente Xi Jinping? É visto por muitos analistas como o novo Mao Zedong. E podemos estar perante um novo Mao. Estas medidas de colocação dos uigures em campos de aprendizagem pela educação, que são, no fundo, campos de concentração, replicam bastante bem o que o Mao fez com a Revolução Cultural, mas agora com a tecnologia e a Internet. Em Xinjiang há câmaras de vídeo em todo o lado e reconhecimento facial. Em toda a China está a implantar-se o sistema de crédito social em relação ao comportamento das pessoas. É um perigo real de controlo de mentalidades? Sim, há um controlo e um auto-controlo. Isso leva as pessoas a pensarem duas vezes antes de terem contactos com pessoas que não estão afectas ao regime. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 assembleia legislativa

Qingmao só para pessoas com passaportes chineses

A

futura fronteira de Qingmao, que permite o acesso ao Interior da China a partir da Ilha Verde, só vai poder ser utilizada por cidadãos com passaporte chinês. A revelação foi feita, ontem, pelo secretário Raimundo do Rosário, na Assembleia Legislativa, que negou a existência de discriminação face aos residentes de Macau com passaporte português. “Não há discriminação. Isto vai funcionar como um desdobramento da fronteira existente, não é uma nova. E, de facto, os nacionais chineses são em maioria”, começou por defender, em declarações aos jornalistas. “Se quiser, também pode dizer que há discriminação em relação aos carros porque esta fronteira é só pedonal, não há carros: os carros vão continuar a usar a fronteira antiga. A única coisa que fizemos foi desdobrar a fronteira para os peões”, acrescentou. Raimundo do Rosário disse também que não houve indicações do Governo Central para implementar esta política e que a nova fronteira não permite entrar directamente em Zhuhai, mas antes chegar a Gongbei, como se se tivesse atravessado as Portas do Cerco. O trabalho de construção das estacas na zona da Ilha Verde deverá ficar concluído dentro de dois meses e depois será construída a estrutura.

REVOLUÇÃO NOS TRANSPORTES

Durante a sessão de ontem, o Terminal Marítimo da Taipa, o Aeroporto Internaiconal de Macau e o Heliporto do Pac On foram outros dos assuntos abordados na área dos transportes. Em relação ao terminal marítimo, que recebeu muitas críticas devido à dimensão e falta de manutenção, ficou-se a saber que poderá ter no futuro ligações para Dongguan, uma das cidades da Grande Baía. A existência de contactos nesse sentido foi revelada pela Directora de Direcção de Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), Susana Wong, que admitiu a hipótese do mesmo acontecer com mais cidades. Sobre o aeroporto, Simon Chan, presidente da Autoridade de Aviação Civil, explicou que nesta altura a maior limitação é o espaço para estacionar os aviões. Há projectos para alargar as instalações, contudo, como envolvem aterros, é necessária a aprovação de Pequim, que está a analisar uma proposta. Finalmente a mudança do heliporto, que actualmente está no Porto Exterior de Macau e vai ser transferido para o Pac On, deve ser terminada até ao final do corrente ano. J.S.F.

Panzer Rosário PONTE HKZM SECRETÁRIO ACUSA HONG KONG DE DEIXAR RAEM PENDURADA

O Governo quer estacionamento para carros de Macau na fronteira de Hong Kong, mas as autoridades congéneres não se decidem. Mak Soi Kun diz que os locais estão a ser injustiçados e questionou o trabalho de Raimundo do Rosário. O secretário não se ficou, recusou ser chamado de parvo e acusou Mak de dizer uma coisa à imprensa e outra na Assembleia Legislativa

O

facto dos carros de Macau não terem uma zona de estacionamento na fronteira com Hong Kong aqueceu o debate de ontem, na Assembleia Legislativa. Em causa esteve uma interpelação do deputado Mak Soi Kun em que sublinhou haver um tratamento injusto, uma vez que os carros de Hong Kong têm um lugar para estacionar no lado da RAEM, mesmo que não entrem no território, mas o mesmo tratamento não é dado aos carros e residentes de Macau, no lado de lá. No entanto, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, recusou responsabilidades e deixou muito claro que o assunto foi abordado desde o início, e por mais do que uma vez, com as

autoridades de Hong Kong, que não tomam decisões para construir o estacionamento. “Os deputados, se calhar, entendem que somos todos parvos ou preguiçosos.Antes de ser construída a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau

Mediação civil Lei está a ser preparada O Governo está a trabalhar na Lei da Mediação Civil, mas o impacto para os conflitos entre famílias deve ser limitado. O cenário foi traçado ontem por Carmen Maria Chung, sub-directora da Direcção de Assuntos de Justiça, no âmbito do debate na AL sobre a violência doméstica. “Vamos

contemplar os casos em que se pode tratar de uma mediação entre as partes envolvidas”, explicou. “Este diploma pode não ter um efeito muito evidente na resolução destes problemas, mas vai focar outros”, acrescentou.

falámos com eles [responsáveis de Hong Kong]. Explicámos que do nosso lado há auto-silo, mas do deles não… Aresposta é que a construção do auto-silo está a ser estudada…” começou por revelar o secretário. “Perguntámos e disseram-

Sobre as negociações com Hong Kong, Raimundo do Rosário admitiu que foram “um fracasso” e deixou um desabafo: “É muito difícil alcançar os nossos objectivos. Fiz todos os esforços, mas não consegui”

Portas Corta-fogo Conluio e tráfico de influências negado O secretário Raimundo do Rosário negou ontem, na AL, a existência de conluio ou tráfico de influências no caso das portas corta-fogo no Edifíco do Bairro da Ilha Verde. O Governo previa gastar 40 milhões de patacas para substituir 269 portas no edifício, após as portas originalmente instaladas terem falhado nos testes de segurança. O caso levantou críticas, e posteriormente o Executivo optou por substituir apenas 100 portas. O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) está a investigar o episódio. “Não houve tráfico de

influências nem conluio. Pelas minhas mãos não passou nem um centavo”, afirmou o secretário, depois de críticas do deputado Ng Kuok Cheong. Em relação aos custos das portas, em média entre 20 mil e 30 mil patacas por unidade, o secretário para os Transportes e Obras Públicas apontou para os preços praticados no mercado. “Só podemos basear-nos nas propostas apresentadas no concurso e eu não consigo saber se os preços praticados no mercado vão baixar ou aumentar”, explicou.

RÓMULO SANTOS

Uma linha vermelha

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assembleia legislativa 5

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É só fazer as contas Tratamentos médicos no exterior com 200 pedidos por semana

A

Junta de Serviços Médicos para o Exterior recebe uma média de 200 pedidos para tratamentos fora da RAEM por semana. A informação foi divulgada, ontem, por Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Esta Junta, liderada pelo Director do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Kuok Cheong U, tem como função escolher os pacientes locais que serão transportados para o exterior para serem tratados. “De acordo com as informações disponíveis semanalmente são enviados cerca de 200 casos à Junta para apreciação. Para casos urgentes, a apreciação é concluída no mesmo dia da recepção, enquanto a dos casos não-urgentes é concluída dentro de sete dias”, respondeu Alexis Tam a Agnes Lam, durante o Plenário da AL. A deputada tinha afirmado que a vítima de violência doméstica que ficou cega, depois de ter sido atacada com óleo pelo marido, esteve três meses à espera de uma resposta. O número causou alguma preocupação entre os deputados e o pró-democrata questionou mesmo se haveria tempo para decidir tanto caso numa semana. “Uma Junta de três pessoas aprecia 200 casos por semana. Se cada caso demorar 10 minutos a analisar, estamos a falar de 30 horas por semana. Se forem dedicadas seis horas a cada cinco dias para avaliar os pedidos, é difícil arranjar esse tempo”, apontou Au. “Será que as decisões não são precipitadas?”, questionou.

-nos que estão a estudar criar um espaço para que as pessoas de Macau estacionem os carros, para que possam do lado de lá, apanhar passageiros, se for o caso, e regressar. Temos questionado os responsáveis sobre este assunto, mas não obtemos resposta”, acrescentou. Raimundo do Rosário revelou que a ausência de um compromisso também afecta a melhoria do funcionamento dos autocarros dourados, ou seja os shuttles que atravessam a ponte, uma vez que não há resposta de Hong Kong. Situação que se repete com os planos para implementação de autocarros privados que circulem entre Zhuhai, Macau e Hong Kong. “Têm de perceber só pagámos 12 por cento do valor da ponte. Cerca de 80 por cento foi pago pelo Interior da China e Hong

Kong. Por isso, na tomada de decisões somos uma minoria”, apontou também Rosário.

DOIS DISCURSOS

Após o secretário ter negado ser parvo, Mak Soi Kun afirmou não ter tido a intenção de criticar o trabalho feito: “Não me entenda mal, eu sempre o elogiei por ser uma pessoa inteligente. Se não fosse inteligente, o senhor não teria sido convidado para vir para Macau para o Governo. Vocês não são parvos”, respondeu o vencedor das eleições de 2017. “Com o seu carisma sei que é mais fácil para Macau negociar [com Hong Kong], e de forma mais rápida”, frisou o legislador. As palavras não convenceram o macaense, que indicou que o deputado tem tido um dis-

curso diferente aos jornais: “Parece que entre o que disse hoje [ontem] e ontem [quarta-feira] adoptou um discurso diferente. Não sei ler chinês, mas o que vem nos jornais de ontem são críticas e não é isso que disse hoje”, acusou o secretário. Depois, introduziu um momento de humor na resposta. “Estou próximo do fim do meu mandato. Mas, acho que o deputado Mak deveria ser o próximo secretário”, atirou. Já em tom mais sério, sobre as negociações com Hong Kong, Raimundo do Rosário admitiu que foram “um fracasso” e deixou um desabafo: “É muito difícil alcançar os nossos objectivos. Fiz todos os esforços, mas não consegui”, concluiu.

REUNIÕES ÀS SEGUNDAS

Em relação a estas dúvidas, a resposta foi dada por Kuok Cheong U. “Os 200 casos são transferidos por médicos especializados. Muitos são casos de prescrição médica e nem vemos os doentes, apenas os documentos”, explicou. “As reuniões acontecem normalmente às segundas entre as 15h00 e as 17h00. Depois há casos específicos que precisamos de discutir com mais detalhes”, acrescentou. No entanto, Kuok deixou a garantia que desde 2002, altura em que ficou à frente da Junta, as directrizes internas têm sido melhoradas e optimizadas. Ainda em relação ao funcionamento da Junta, Sulu Sou revelou ter acompanhado alguns doentes em sessões de avaliação, com autorização de ambas as partes, e defendeu que é necessário melhorar a comunicação e criar uma linha directa para esclarecer dúvidas. J.S.F.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.m

A possibilidade da Air Asia abrir uma base em Macau só deverá ser decidida pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas do próximo Governo. Foi este o cenário traçado, ontem, por Raimundo do Rosário, que não admitiu existirem contactos com a operadora malaia. “Que eu saiba ainda não houve contactos [da Air Asia], mas eu também não sei

tudo”, começou por dizer. “Este é um processo que só deverá ser resolvido em 2020 ou 2021, até porque só por volta dessa altura é que termina a concessão”, explicou. Já sobre a construção do Parque de Materiais e Oficina no Metro Ligeiro, Rosário explicou que a obra deve ficar concluída em Maio e que, neste momento, não estão a ser negociadas compen-

sações. No concurso público, esta obra foi atribuída à Companhia de Engenharia e de Construção da China, mas depois os tribunais acabaram por considerar que deveria ter sido a China Road and Bridge Corporation, a vencer o concurso. Como os trabalhos estavam quase concluídos, a Companhia de Engenharia e de Construção da China ficou até ao fim.

GCS

Air Asia Decisões só devem chegar lá para 2020 ou 2021


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29.3.2019 sexta-feira

Notificação n.° 06/DLA/DHAL/2019

Notificação n.° 07/DLA/DHAL/2019

Notificação sobre pagamento dos custos de remoção de publicidade ilegal

Ordem de remoção de publicidade e suportes publicitários abandonados e sem licença

Considerando que não se revela possível notificar os interessados, por ofício ou outras formas, para efeitos de cobrança dos custos de remoção de publicidade ilegal, notifico, pela presente, nos termos do artigo 72.° do Código do Procedimento Administrativo, os interessados, do seguinte conteúdo: Comprovada a não remoção da publicidade ilegal e suportes publicitários por parte dos interessados dos seguintes estabelecimentos dentro do prazo fixado, nos termos do n.º 2 do artigo 144.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, e do n.º 3 do artigo 33.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, aprovado pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2004, o Instituto procedeu, directamente ou por intermédio de terceiro, à referida remoção da publicidade ilegal e suportes publicitários. Nos termos do n.º 2 do artigo 144.º do Código do Procedimento Administrativo, ficando todas as despesas de remoção, por intermédio de terceiro, por conta do obrigado.

Verificando-se a existência, em vários locais de Macau, de publicidade e suportes publicitários abandonados e sem licença e que causam prejuízo à segurança pública, e considerando no entanto que não se revela possível notificar os interessados, por ofício ou outras formas, para efeitos de ordenar a remoção de publicidade e suportes publicitários abandonados e sem licença, são os mesmos, pela presente, oficialmente notificados, nos termos dos artigos 68.° e 72.° do Código do Procedimento Administrativo. No uso das competências conferidas pelo Despacho n.º 01/PCA/2019 do Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais, José Tavares, de 01 de Janeiro, e de acordo com o n.o 1 do artigo 19.º e n.o 2 do artigo 21.º da Lei n.º 7/89/M, o signatário exarou despacho no dia 15 de Março de 2019 para ordenar aos abaixo discriminados interessados de publicidade e suportes publicitários, que devem, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação, proceder à remoção das respectivas publicidades e suportes publicitários dos seguintes locais:

N.o Interessados

N.o do Bilhete de Identidade/ Registo Comercial

LEE, HING Bilhete de Identidade de 1. HON Hong Kong /E995XXX(X)

2.

3.

4.

WONG CHI HONG

Bilhete de Identidade de Residente de Macau /1251XXX(X)

WONG KAM CHEONG

Bilhete de Identidade de Residente de Macau /5187XXX(X)

吳章保

Nome do estabelecimento

Local de instalação de publicidade

WOOD LAKE INSTRUMENTOS PESCAGEM

Rua Dois do Bairro Iao Hon, n.º 52, Edifício Son Lei, r/c, loja A032, Macau

2

合利電訊

Travessa do Soriano, n.o 16, r/c, Macau

1

BAR CRUZ CLUBE

Bilhete de Identidade de ESTABELECIMENTO Residente da República DE COMIDAS WU Popular da China NAM /431022197XXXXXXXXX

5.

CAFE Certidão de registo comercial CUBOS DE (Conservatória dos Registos MACAU Comercial e de Bens LDA. Móveis)/38622 SO

6.

CHANG KA CHOI

Bilhete de Identidade de Residente de Macau /5212XXX(X)

CAFE CUBOS

TIP TOP BOUTIQUE

Rua de Madrid, n.o 229, Centro Golden Dragon, r/c e 1.º andar, Macau Rua de Nagasaki, o n. 42, Edifício Jardim San On, r/c e porta e parede exterior do Bloco I, sito no 1.º andar, Macau Rua de Cinco de Outubro, n.os 119B-119C, Rua das Estalagens, n.o 1, parede exterior, Macau Rua do Canal Novo, n.os 86-88, Edifício Hoi Pan Garden, Bloco 10, r/c, loja A, Macau

Quantidade Data de Custos de remoção de publicidade coerciva remoção

04/04/2018

11/04/2018

MOP 5.500

MOP 1.000

1

09/04/2018

MOP 3.000

2

20/02/2017

MOP 6.960

1

10/04/2017

MOP 5.555

4

21/03/2017

MOP 10.800

Os interessados devem pagar os custos de remoção, no prazo de 15 (quinze) dias (contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação), na zona D do Centro de Serviços do Instituto para os Assuntos Municipais, sita na Avenida da Praia Grande, n.ºs 762-804, Edifício China Plaza, 2.º andar, Macau; caso contrário, este Instituto emitirá uma certidão de execução à Repartição das Execuções Fiscais da DSF, para efeitos de cobrança coerciva. Relativamente aos procedimentos de execução acima referidos, no caso de situações indicadas no n.º 3 ou 4 do artigo 138.º do Código do Procedimento Administrativo, os interessados podem apresentar reclamação ao autor do acto administrativo, no prazo de 15 (quinze) dias contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação, e/ou podem apresentar recurso hierárquico ao Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do IAM, no prazo referido no artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso, sem prejuízo do artigo 123.º do citado Código. A impugnação administrativa não tem efeito suspensivo dos actos acima referidos. A pessoa com legitimidade para interpor o recurso contencioso pode ainda apresentar, face aos actos administrativos mencionados, nos termos do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, e no prazo e condição estipulados nos artigos 25.º a 28.º do Código do Processo Administrativo Contencioso aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau. Para qualquer informação ou consulta do processo, podem dirigir-se à Divisão de Licenciamento Administrativo do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento, sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2.o andar, zona B. Aos 13 de Março de 2019. O Vice-Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Lei Wai Nong www. iam.gov.mo

Interessado

N.o do Bilhete de Identidade

Nome do estabelecimento

Local de instalação da publicidade

Conteúdo da Quantidade publicidade

Desconhecido

Desconhecido

Desconhecido

Avenida da Amizade, n.º 391, poste em frente ao Bloco F, Macau

Não existente

Desconhecido

Desconhecido

思幼愛兒中心

Rua do General Ivens Ferraz, n.º 10, 思幼愛兒中心 Macau

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Para a aplicação do disposto no artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, se as publicidades e suportes publicitários não forem removidos no prazo fixado, nos termos do artigo 136.º e n.° 2 do artigo 144.º do Código do Procedimento Administrativo, este Instituto pode executar a remoção directamente ou por intermédio de terceiros, cabendo a esses responsáveis as respectivas despesas de remoção. De acordo com a alínea 1) do n.° 1 e a alínea 1) do n.° 2 do artigo 33.º e o n.° 1 do artigo 37.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, conjugados com o n.° 6 do artigo 3.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, os interessados que não procedam à remoção das publicidades ou suportes publicitários no prazo fixado podem ser sancionados por este Instituto com multa que varia entre as setecentas e as cinco mil patacas (de MOP 700,00 a MOP 5.000,00). Relativamente à mencionada ordem de remoção, nos termos dos artigos 145.º, 148.º, 149.º, do n.º 2 do artigo 155.º e nos n.os 1 e 3 do artigo 163.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, os interessados podem, no prazo de 15 dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação, apresentar reclamação para o autor do acto administrativo, e/ou, dentro do prazo previsto no artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso, recurso hierárquico ao Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do IAM, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do Código do Procedimento Administrativo. A impugnação administrativa não tem efeito suspensivo dos actos acima referidos. A pessoa com legitimidade para interpor o recurso contencioso pode ainda apresentar, face aos actos administrativos mencionados, nos termos do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, e nas condições e prazo definidos nos artigos 25.º a 28.º do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau. Para qualquer informação ou consulta do processo, podem dirigir-se à Divisão de Licenciamento Administrativo do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento do IAM, sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2.o andar, zona B, Macau (telefones para consulta n.os: 8795 2649 / 8795 2709). Aos 15 de Março de 2019, O Vice-Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Lei Wai Nong www. iam.gov.mo


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sexta-feira 29.3.2019

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EGUE agora para a Assembleia Legislativa a proposta de lei relativa à aplicação do sistema de certificação do processo de Kimberley. Os principais contornos do diploma, que vai permitir a Macau entrar no comércio internacional de diamantes em bruto, foram apresentados ontem pelo porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng. Implementado a 1 de Janeiro de 2003, o processo Kimberley tem como objectivo determinar a origem de diamantes e evitar a transacção de pedras preciosas procedentes de áreas de conflitos, conhecidos como “diamantes de sangue”. Actualmente, conta com 55 membros, incluindo a China, responsáveis por mais de 99 por cento do comércio internacional de diamante. A proposta de lei vem assim efectivar o acordo para aderir ao processo de Kimberley, firmado em Outubro, em Pequim, pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. O diploma fixa os requisitos para o exercício da actividade de importação, exportação, trânsito, compra, venda ou transporte de diamantes em bruto na RAEM, a qual apenas pode ser desempenhada por operadores titulares da licença para o efeito. Quem pretender importar ou exportar diamantes em bruto tem de ser titular de um certificado: no primeiro caso emitido pela autoridade competente da procedência e no segundo expedido pela Direcção

COMÉRCIO APRESENTADA PROPOSTA PARA CERTIFICAÇÃO DE DIAMANTES EM BRUTO

Partir pedra

Uma plataforma para o comércio de diamantes em bruto. Eis a nova aposta de Macau que espera ter em vigor, a 1 de Outubro, o sistema de certificação do processo de Kimberley. O diploma, que fixa os requisitos para o exercício da actividade de importação ou exportação, prevê multas de até 5 milhões de patacas

dos Serviços de Economia (DSE). É de resto à DSE que compete fiscalizar o cumprimento do diploma e verificar os diamantes em bruto, a par com os Serviços de Alfândega.

MULTAS ATÉ 5 MILHÕES

O diploma, que tem data de entrada em vigor prevista para 1 de Outubro, estabelece também um regime sancionatório, estipulando multas de até 5 milhões de patacas pelo incumprimento das normas, como a falta de licença. Quem violar os deveres pode ficar ainda impossibilitado de obter nova licença por um prazo de dois anos, explicou o director da DSE, Tai Kin Ip, presente na conferência de imprensa do Conselho Executivo. “Gostaríamos de criar um centro de comércio de diamantes em bruto”, afirmou o mesmo responsável, apontando que Macau pode aproveitar, por um lado, as “redes criadas pela China” e, por outro, “os recursos de matérias-primas dos países de língua portuguesa”. “Vai contribuir para a diversificação da economia”, realçou Tai Kin Ip, sustentando que o comércio de diamantes em bruto “pode desenvolver” as áreas profissionais em torno da actividade, como a do design de jóias. Actualmente, Macau não importa nem exporta diamantes em bruto. Ao longo do ano passado, foram importados 20 milhões de patacas em diamantes trabalhados, de acordo com o director da DSE. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Indústrias Culturais Mexidas nas competências e funcionamento do Fundo O Governo decidiu introduzir ajustes ao funcionamento e competências do Fundo das Indústrias Culturais (FIC) para “responder às necessidades decorrentes do seu desenvolvimento”. As alterações figuram de um projecto de regulamento administrativo, dado a conhecer ontem pelo porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, que é, aliás, presidente do conselho de administração do FIC. Uma das principais mexidas prende-se com o funcionamento da Comissão de Avaliação de Projectos, propondo-se que o FIC elabore uma lista de especialistas de diferentes áreas, para que antes de cada reunião de avaliação de

projectos, sete sejam convidados a participar, “assegurando o profissionalismo, igualdade e justiça na avaliação”. Em paralelo, considerando que o FIC “precisa de promover intercâmbio e cooperação com entidades congéneres” – que Leong Heng Teng estima intensificar-se no contexto da Grande Baía – vai ser aditada uma norma estipulando a prestação de apoio, com os seus recursos, a actividades do tipo que se integrem nos seus fins. As competências para a aprovação de despesas por parte do presidente do conselho de administração do FIC também vão ser esclarecidas, em linha com a nova legislação relacionada.

RAEM 20 anos Autorizada emissão de 10 milhões de notas comemorativas de 20 patacas Para assinalar o 20.º aniversário da transferência de soberania, vão ser emitidas até 10 milhões de notas comemorativas de 20 patacas. Segundo o projecto de regulamento administrativo, a que o Conselho Executivo deu luz verde, os dois bancos emissor (BNU e Banco da China) podem emitir, cada um, até um máximo de 5 milhões de notas. O registo para a “troca” de notas ‘normais’ de 20 patacas pelas comemorativas, vai ter início no segundo semestre, adiantou o porta-voz

do Conselho Executivo. Segundo Leong Heng Teng, cada residente poderá requerer um máximo de cinco notas. A frente das notas, tem como ilustração principal um desenho da escultura “Flor de Lótus Desabrochada”, acompanhada pela figura do edifício do banco emissor correspondente. Já no verso surge em destaque uma imagem da torre “nó chinês” da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e, em pano de fundo, uma imagem composta pela arquitectura do Centro Histórico.

APOIOS SUBSÍDIO COMPLEMENTAR AOS RENDIMENTOS DO TRABALHO PRORROGADO POR UM ANO

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S residentes permanentes com ordenados inferiores a 5.000 patacas vão continuar a receber o subsídio complementar aos rendimentos do trabalho. O tecto mantém-se inalterado há cinco anos. O anúncio foi feito ontem pelo Conselho Executivo, que concluiu a apreciação do projecto de regulamento administrativo que prolonga, por um ano,

a duração do apoio, cujos efeitos retroagem a 1 de Janeiro. Lançado em 2008, a título provisório, o subsídio destina-se aos residentes permanentes que auferem rendimentos inferiores a esse teto, dado que o valor da subvenção serve para colmatar a diferença. Ao abrigo do programa, são elegíveis os residentes permanentes com idade igual ou

superior a 40 anos que tenham trabalhado um mínimo de 152 horas por mês. Excepção feita aos que exerçam actividade na indústria têxtil, do vestuário e do couro, onde são exigidas menos horas (128 por mês). Segundo o porta-voz do Conselho Executivo, o Governo estima gastar 13 milhões de patacas com a medida em 2019. No entanto,

como ressalvou Leong Heng Teng, “a experiência dos anos anteriores” demonstra que os encargos efectivos nunca atingem o valor orçamentado. A título de exemplo, nos últimos dois anos, as despesas anuais com o subsídio complementar aos residentes foram de entre seis e sete milhões de patacas. Encargos que diminuíram significativamente devido à

queda do número de requerentes, atribuída à entrada em vigor do salário mínimo para empregados de limpeza e seguranças dos condomínios. Como apontou o porta-voz do Conselho Executivo, o número de pedidos apresentados por trimestre ascendia a mil antes de 1 de Janeiro de 2016, isto quando actualmente fica pouco acima de 200. D.M.


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SAÚDE VACINA CONTRA O SARAMPO SÓ ATRAVÉS DE MARCAÇÃO

Corrida à pica

Economia Comércio externo subiu 1,7 por cento até Fevereiro

Desde ontem foram diagnosticados mais três casos de sarampo, um deles contraído por outro enfermeiro do Hospital Kiang Wu, elevando para 26 os números de infectados este ano. A corrida às vacinas está a causar impacto no funcionamento dos centros e postos de saúde ao ponto de terem passado, desde ontem, a ser administradas apenas por marcação

A

propagação do sarampo continuar em Macau e Hong Kong. Apesar dos alertas, as autoridades tentam ao máximo evitar o alarme social. Ainda assim, “a emergente situação epidémica de casos de sarampo nas regiões vizinhas e o aumento de casos em Macau fez afluir, nos últimos dias, aos Centros de Saúde, centenas de pessoas à procura de vacinas”, referem os Serviços de Saúde de Macau (SSM). Devido à corrida à vacinação, e à subsequente dificuldade dos postos de saúde para lidar com a afluência de utentes, os SSM estabele-

ceram que a partir das 8h30 de ontem “o acesso à vacina contra o sarampo só será possível através de marcação - pessoalmente ou por via telefónica”.Amedida visa manter o funcionamento normal dos centros de saúde. Crianças com menos de 2 anos de idade, pessoal de creches e profissionais de saúde estão isentos de marcação, sendo exigidos às duas últimas categorias exibição de cartão de funcionário ou documento comprovativo da profissão. Nos últimos dias, mais de oito centenas de utentes deslocaram-se aos postos de saúde para serem imunizados contra o sarampo, PUB

um número anormal face à procura habitual de 30, o que representa um aumento de 25 vezes. A “procura causou um forte impacto no regular funcionamento dos Centros e postos de Saúde”, demorando a aplicação da vacina mais tempo que o habitual.

IDA A CASA

De forma a responder à procura, os SSM “aumentaram a encomenda de vacinas contra o sarampo, rubéola e parotidite epidémica para 15.000 doses, o primeiro lote de 5.400 doses chegará na próxima semana”, referem os serviços em comunicado. Entretanto, ontem, os SSM revelaram mais três casos diagnosticados de sarampo importado. Um deles referente a uma trabalhadora não residente, natural das Filipinas, que trabalha num restaurante. No domingo passado, a doente manifestou os primeiros sintomas (febre e tosse) e passados

dois dias começaram as erupções cutâneas. Na sequência do quadro clínico, a doente deslocou-se ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde lhe foi diagnosticado sarampo, encontrando-se em isolamento no Centro Clínico da Saúde Pública. A trabalhadora não residente esteve nas Filipinas entre 6 de Janeiro e 15 de Março e regressou a Macau no dia 16 e alegou ter sido vacinada no país de origem. De acordo com os SSM, as pessoas que moram com a paciente não apresentaram sintomas semelhantes. A paciente esteve a trabalhar mesmo após ter tido sintomas de febre. Os Serviços de Saúde estão a monitorizar o estado de saúde das pessoas que foram expostas a esta paciente durante a fase inicial da doença.

VÍRUS FORMOSO

O outro novo caso de sarampo incidiu sobre um residente

Nos últimos dias, mais de 800 utentes deslocaram-se aos postos de saúde para serem imunizados, um número anormal face à procura habitual de 30 e que representa um aumento de 25 vezes

de Macau, enfermeiro no Hospital Kiang Wu. De acordo com comunicado dos SSM, o paciente terá visitado Taiwan, entre 3 e 9 de Março, onde acompanhou um amigo numa consulta médica. Após a manifestações dos sintomas do sarampo, o doente recorreu aos serviços do Kiang Wu, onde é enfermeiro e, de momento, encontra-se igualmente em isolamento no Centro Clínico da Saúde Pública. Apesar de ter sido vacinado, o residente contraiu a doenças, mas a febre desapareceu e o seu estado clínico é considerado normal. O terceiro caso diz respeito a um homem de 28 anos, treinador de futebol americano, que esteve em contacto com um dos infectados no Hospital Kiang Wu, no dia 6 de Março. Até agora, dos 26 casos de pessoas diagnosticadas com sarampo em Macau 15 já tiveram alta. Em Hong Kong, os casos de sarampo chegaram ontem às três dezenas, afectando particularmente trabalhadores de companhias aéreas e do aeroporto.

O comércio externo de Macau totalizou 17,07 mil milhões de patacas até Fevereiro, traduzindo um aumento de 1,7 por cento face ao período homólogo do ano passado, indicam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos. Nos primeiros dois meses do ano, Macau exportou bens avaliados em 2,45 mil milhões de patacas – mais 26,2 por cento em termos anuais homólogos –, com a reexportação a ocupar um peso superior a 90 por cento. Já as importações caíram 1,5 por cento para 14,62 mil milhões. Por conseguinte, o défice da balança comercial alargou-se, atingindo 12,16 mil milhões de patacas.

Shun Tak Lucros mais do que triplicaram no ano passado

A Shun Tak anunciou ontem que fechou o ano passado com lucros líquidos de 4,6 mil milhões de dólares de Hong Kong, valor que traduz um aumento de 220 por cento face a 2017. “2018 foi um ano agitado, em que fizemos progressos constantes em várias frentes, enquanto demos passos significativos em novas direcções e entramos em novos mercados”, afirmou a presidente executiva do grupo, Pansy Ho, citada em comunicado.

João Luz

info@hojemacau.com.mo

CPTTM EXIGIDAS MELHORIAS DEPOIS DE RELATÓRIO DO CCAC

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secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, reagiu ontem ao relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), nomeadamente ao sistema arbitrário de contratações e pagamento de salários no Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM). Citado por um comunicado oficial, Lionel Leong referiu que, “independentemente de se tratar de um serviço

público ou entidades públicas, como o CPTTM, a sociedade espera que o processo de recrutamento e promoção seja justo, imparcial e transparente”. O CPTTM terá agora de entregar um relatório de análise aos “processos de recrutamento para clarificar se, em situação de conflito de interesses, houve algum pedido de escusa”. Nesse sentido, o secretário “espera que o CPTTM siga os conselhos e sugestões

apresentados no relatório do CCAC” e “aperfeiçoar, progressivamente, o regime de recrutamento e promoção”. Lionel Leong explicou ainda que a direcção do CPTTM foi avisada em Novembro do ano passado das sugestões do CCAC, tendo “ele próprio exigiu àquele organismo que tomasse as devidas medidas para melhorar e corrigir a situação, devendo integrar, especialmente, no estatuto de pessoal o regime de impedimento”.


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S responsáveis pelo ambiente e energia de Macau e de Hong Kong expressaram ontem a vontade de apostar na eficiência energética para contribuir para a nova metrópole mundial ‘eco-responsável’ que a China está a construir. Produção de ‘energia limpa’, com reduzida emissão de carbono, e a eficiência energética foram apresentadas como ‘receitas’ e contribuições para o projecto de criação da Grande Baía. “Queremos construir uma cidade inteligente (…) e estamos a investir em iluminação inteligente”, afirmou o coordenador do gabinete de Desenvolvimento do Sector Energético da RAEM. Hoi Chi Leong ilustrou a vontade do Governo no novo paradigma energético com a instalação de mais 200 postos de abastecimento para viaturas eléctricas no território. O secretário do Ambiente do Governo de Hong Kong também destacou, na mesma sessão, o esforço daquele território de reduzir as emissões de CO2, de apostar na ‘energia limpa’ e na eficiência energética. Wong Kam-Sing afirmou que “nos últimos seis anos registou-se uma redução em 30 por cento da poluição atmosférica” e que Hong Kong tem como objectivo diminuir até ao final do próximo ano de seis para 4,5 toneladas a produção de lixo ‘per capita’, para ilustrar a responsabilidade e potencial de contribuição ambiental do território no projecto da Grande Baía.

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RRANCOU ontem o Fórum e Exposição Internacional de CooperaçãoAmbiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa). Na sessão de abertura, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan prometeu sete medidas ambientais para melhorar a qualidade de vida em Macau. A saber: educação ecológica e a promoção do uso de energias ‘verdes’, o tratamento integrado de fontes móveis de poluição, a implementação do princípio poluidor-pagador, redução do uso de plástico, construção de infra-estruturas ecológicas e criação de mais espaço verdes e de lazer. Numa toada diferente, António Trindade, presidente da CESL Asia, recordou que Macau lança ao rio cerca de metade do esgoto, sem tratamento, num volume equivalente a 31 piscinas olímpicas diariamente. Em declarações à Rádio Macau, António Trindade comentou a situação catastrófica ao nível da poluição marinha. “Não podemos dizer que nos próximos cinco a dez anos, da maneira como o Governo está a lidar com a situação, não vai haver melhorias. Existem estudos feitos, o Governo e as pessoas sabem, é catastrófico o que está a acontecer. O impacto ambiental na zona marinha, os lodos que estão depositados vão ter um impacto na qualidade das águas de Macau por muitas décadas”, comentou à Rádio Macau. Sónia Chan, a cumprir funções de Chefe do Executivo interina devido ao facto de Chui Sai On estar fora de Macau, garantiu ainda que “ao mesmo tempo, irá proceder-se também à recuperação do ambiente das colinas e à intensificação da cooperação ambiental regional, explorando mais oportunidades de

MIECF GOVERNO PROMETE SETE MEDIDAS AMBIENTAIS PARA MELHORAR CIDADE

Para ministro ver

Sónia Chan disse que o Governo irá reforçar “a educação ecológica, fomentando o uso da energia verde”, estabelecer “um mecanismo de tratamento integrado de fontes móveis de poluição” e implementar a medida do poluidor-pagador”. A Chefe do Executivo interina discursou perante o ministro da Ciência e Tecnologia da China GCS

GRANDE BAÍA MACAU E HONG KONG APOSTAM NA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

desenvolvimento para a indústria de protecção ambiental, avançando na concretização da visão de ‘transformar Macau num centro de baixo carbono, criar em conjunto uma vida ecológica’, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da cidade. Com estas acções, a intenção é “manter o equilíbrio entre preservação e desenvolvimento”, resumiu Sonia Chan. “A protecção ambiental não distingue entre grupos étnicos, enquanto a ecologia não tem fronteiras nacionais. Proteger o meio ambiente e

“A protecção ambiental não distingue entre grupos étnicos, enquanto a ecologia não tem fronteiras nacionais. Proteger o meio ambiente e beneficiar o futuro são as responsabilidades de cada um de nós.” SÓNIA CHAN SECRETÁRIA PARA A ADMINISTRAÇÃO E JUSTIÇA

beneficiar o futuro são as responsabilidades de cada um de nós”, sublinhou.

ABERTURA DE PEQUIM

Sónia Chan discursou na abertura do MIECF perante o ministro da Ciência e Tecnologia da China e vários dirigentes chineses da Comissão para o Desenvolvimento e Reforma, do Ministério da Indústria e Tecnologias de Informação, do Ministério da Ecologia e Ambiente. Por sua vez, o ministro da Ciência e Tecnologia da China manifestou a “total abertura” de Pequim para partilhar com o mundo as descobertas chinesas na área da economia verde, “para contribuir para o bem comum da Humanidade”. AChina “dá grande importância ao desenvolvimento da economia verde” e expressa a sua “total abertura para partilhar os resultados das suas experiências (…) e investiga-

ção nesta área”, afirmou Wang Zhigang. Zhigang sublinhou a agenda chinesa no combate às alterações climáticas, defendendo que a China é neste momento um “participante e um líder do desenvolvimento sustentável no mundo” e que é da responsabilidade da “comunidade global” investir na tecnologia e inovação (…) para gerar novas indústrias ligadas à economia verde”. Por outro lado, o ministro sustentou que “a inovação é o motor do desenvolvimento sustentável”, uma ideia reforçada em vários discursos de dirigentes chineses no MIECF, em Macau, que destacaram a aposta e os progressos obtidos pelo país, tanto no combate à poluição, como nas áreas de produção de energia limpa e de eficiência energética.

GUERRA VERDE

Em Novembro do ano passado, a agência de notação

financeira Stardard & Poor's (S&P) afirmou num relatório que a China vai obter "benefícios consideráveis", caso execute os seus planos para um desenvolvimento da economia verde. Na esfera internacional, a China poderá tornar-se um "líder na acção climática", devido às políticas e à postura da actual Administração norte-americana, liderada por Donald Trump, considerou a agência, sugerindo “uma transformação global, que poderá alterar a situação geopolítica", à medida que vários países "reorientam as economias para um desenvolvimento sustentável e com baixa emissão de carbono". A China é o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, seguida pelos Estados Unidos, o principal consumidor de carvão e o segundo maior consumidor de petróleo. O MIECF acolhe até sábado mais de 500 expositores, provenientes de cerca de 20 países e regiões. As sessões integram oradores de cerca de 70 pioneiros ambientais, líderes de empresas multinacionais e criadores de políticas, provenientes de sete países e regiões, nomeadamente, da China interior, Holanda, Portugal, Timor-Leste, Reino Unido, Hong Kong e Macau. O MIECF 2019 ocupa uma área total de exposição de mais de 16.900 metros quadrados.


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advogada chinesa de direitos humanos Wang Yu foi detida pela polícia em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Pequim, depois de se recusar a mostrar documentos de identificação, informou ontem um jornal de Hong Kong. A detenção, na quarta-feira, foi confirmada ao South China Morning Post (SCMP) pelo marido da advogada, Bao Longjun, e pelo seu amigo Tang Zhishun, um activista pelos direitos de propriedade, que acompanhou Wang num seminário realizado na embaixada norte-americana. Segundo Tang, os dois foram abordados pela polícia chinesa, fora da embaixada, e Wang afirmou não trazer consigo o seu bilhete de identidade. “A polícia algemou-a e levou-a para a esquadra, arrastando-a para um carro”, disse Tang, citado pelo SCMP. Funcionários da embaixada tentaram convencer as autoridades chinesas a deixar Wang entrar no edifício, mas a polícia prosseguiu com a

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DIREITOS HUMANOS WANG DETIDA

detenção, detalhou. Wang é uma de mais de 300 advogados e activistas que foram detidos, em 2015, parte de uma campanha repressiva lançada pelo Governo chinês contra defensores dos direitos humanos no país. A advogada foi libertada sob fiança um ano depois, e desde então permanece sob controlo policial. O marido de Wang foi notificado que a advogada desta vez foi detida por “obstruir a administração do Governo”, embora tanto ele como a sua mulher estejam convencidos de que a prisão ocorreu devido ao seu percurso como defensora de direitos humanos. Wang expressou recentemente preocupação com os processos judiciais de outros advogados e activistas chineses, incluindo Wang Quanzhang, que foi condenado a 4 anos e meio de prisão por “subversão contra o poder do Estado”.

Déjà vu

ÉPOCA ABERTA

No ano passado, Wang disse ao SCMP que concordou em fazer uma confissão forçada na televisão estatal

“A polícia algemou-a e levou-a para a esquadra, arrastando-a para um carro.” TANG ZHISHUN AMIGO DA ADVOGADA

CCTV - prática comum na justiça chinesa - depois de as autoridades ameaçarem proibi-la de ver o seu filho. Esta semana, a organização não-governamental, Chinese Human Rights Defenders (CHRD) denunciou um aumento das detenções nos dias seguintes ao encerramento da revisão periódica da situação dos direitos humanos realizada pela ONU, em meados de Março. “O momento das detenções indica que as autoridades esperaram até ao fim do escrutínio público nas Nações Unidas para iniciar uma severa repressão”, disse a organização, em comunicado.

Taiwan Presidente quer novos caças e tanques

A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, afirmou ontem que o seu Governo informou os Estados Unidos que pretende comprar novos caças e tanques, numa altura de renovadas tensões da China com a ilha e com os EUA. Durante uma visita ao Havai, Tsai Ing-wen apontou que quer comprar mais caças F-16V e tanques M1. O novo armamento “aumentará enormemente as nossas capacidades terrestres e aéreas, fortalecerá a moral militar e mostrará ao mundo o compromisso dos EUA com a defesa de Taiwan”, disse. No início do mês, numa reunião sobre segurança nacional, Tsai disse que as relações com a China devem ser “vistas de forma positiva”, mas “apenas quando os princípios de igualdade e dignidade forem salvaguardados”. As instituições legais e políticas de Taiwan precisam de ser fortalecidas e a capacidade militar da ilha reforçada, inclusive através de aumentos orçamentais, enquanto a competitividade económica e uma maior aproximação à comunidade internacional devem ser impulsionadas, defendeu Tsai.

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ZTE PREJUÍZOS PASSAM OS 900 MILHÕES DE EUROS

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empresa de telecomunicações chinesa ZTE registou prejuízos de 6.983 milhões de yuan, em 2018, num exercício marcado por sanções norte-americanas que paralisaram as operações da empresa. A fabricante de ‘smartphones’, cuja sede fica em Shenzhen, revelou ainda que a sua receita anual caiu 21,41 por cento, para 85.513 milhões de yuan. No entanto, a empresa disse que, no quarto trimestre do seu ano fiscal, alcançou um lucro de 276 milhões de yuan, sugerindo o início de uma recuperação. As receitas da ZTE no mercado chinês representaram 63,7 por cento da facturação total da empresa.

Em Abril do ano passado, Washington bloqueou as exportações de componentes destinadas ao grupo chinês, devido a declarações fraudulentas num inquérito sobre a investigação ao embargo imposto ao Irão e à Coreia do Norte. No entanto, em Junho passado, a empresa chegou a acordo com o Governo de Donald Trump, que desbloqueou a exportação de componentes. O acordo incluiu o pagamento de uma multa 1.761 milhões de dólares. A empresa foi ainda forçada a renovar a sua administração e a sujeitar-se a supervisão regular sobre ao execução das condições do acordo.


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Altas promessas Redução até Junho de sectores interditos ao investimento estrangeiro

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primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse ontem que, até ao final de Junho, a China reduzirá o número de sectores interditos ao investimento estrangeiro, conhecido como "lista negativa", avançou a agência noticiosa oficial Xinhua. Na cerimónia de abertura do fórum Boao, conhecido como "Davos asiático", Li garantiu ainda que não serão acrescentadas indústrias àquela lista. O primeiro-ministro prometeu maior abertura nos sectores de serviços, telecomunicações, saúde e educação, ou financeiro, incluindo bancos, seguradoras e instituições. Em relação à recém-adoptada nova lei para o investimento estrangeiro, que entra em vigor no início de 2020, o primeiro-ministro chinês afirmou que as autoridades já estão a rever todas as regulamentações que contrariem as novas directrizes. "A China trata as empresas nacionais e estrangeiras de forma justa e protege os direitos e interesses de todos os tipos de empresas", disse Li Keqiang, lembrando que as transferências forçadas de tecnologia "não são permitidas", de acordo com a nova legislação. O texto final da lei foi aprovado este mês, durante a

sessão anual da Assembleia Popular Nacional, com o apoio de 99,5 por cento dos cerca de 3.000 delegados. As autoridades só poderão restringir o acesso ao mercado doméstico, de firmas estrangeiras, "em circunstâncias especiais" ou que envolvam o "interesse público", indicou na altura a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

FUTURO INCERTO

Os governos locais vão deixar também de poder confiscar propriedade estrangeira,

“A China trata as empresas nacionais e estrangeiras de forma justa e protege os direitos e interesses de todos os tipos de empresas”, disse Li Keqiang, lembrando que as transferências forçadas de tecnologia “não são permitidas”, de acordo com a nova legislação

sem que o processo passe pelas instâncias judiciais. Quanto à desaceleração da economia chinesa, que cresceu 6,6 por cento no ano passado, Li ressaltou que o Governo já adoptou "medidas importantes", que trouxeram resultados "positivos" para a estabilização do crescimento. No entanto, o primeiro-ministro admitiu que a instabilidade económica e incerteza estão a "crescer consideravelmente", com riscos exteriores "em expansão", o que poderá acarretar um certo nível de "volatilidade" para o crescimento mensal e trimestral do país asiático. Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês, a taxa de desemprego do país subiu para 5,3% por cento, entre Janeiro e Fevereiro, depois de ter encerrado o ano passado nos 4,9 por cento. Os lucros da indústria na China registaram uma queda homóloga de 14 por cento, em Janeiro e Fevereiro, acompanhando a tendência registada noutros indicadores económicos do país. O discurso de Li coincide com o início de uma nova ronda de negociações, em Pequim, entre a China e os Estados Unidos, visando pôr fim às disputas comerciais que ameaçam a economia mundial.

Polícia Ataque a esquadra faz um morto e três feridos Um ataque com explosivos ocorrido ontem numa esquadra da polícia no nordeste da China causou três feridos e resultou na

morte do alegado autor, informaram as autoridades da cidade de Shenyang. O suspeito lançou o explosivo feito com pólvora no primei-

ro andar da esquadra, ferindo dois policiais e um civil. O ataque ocorreu cerca das 13:50 locais, detalhou a mesma fonte.

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IC GASTRONOMIA EM DESTAQUE NA SEMANA DA BIBLIOTECA DE MACAU

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ART BASEL BRASIL É O ÚNICO PAÍS LUSÓFONO REPRESENTADO NA FEIRA DE ARTE EM HONG KONG

Até à lua com Laurie

Decorre este fim-de-semana a maior feira de arte contemporânea da Ásia. A edição da Art Basel de Hong Kong vai mostrar as obras de quatro galerias do Brasil, sem esquecer “Wave” de Ai Weiwei e de uma instalação ‘lunar’ assinada por Laurie Anderson e Hsin-Chien Huang

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ILHARES de artistas e centenas de galerias internacionais, incluindo do Brasil, voltam a reunir-se este fim de semana em Hong Kong para mais uma edição da Art Basel, a maior feira de arte contemporânea na Ásia. O certame assume-se como o ‘centro’ do panorama artístico do continente e uma “plataforma de luxo” para artistas e galerias de renome. Entre 29 e 31 de Março, a sétima edição da Art Basel Hong Kong (ABHK) apresenta ao público trabalhos expostos por 242 galerias, entre as quais 21 estreantes, provenientes de 36 países e territórios. Do espaço lusófono, o Brasil é o único país representado, através de quatro galerias com presença em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em Hong Kong pela terceira vez, a galeria Bergamin & Gomide tem “expectativas bastante positivas em relação a esta edição da feira”, disse à Lusa Bárbara Tavares, da equipa de Exposições e Projectos Especiais. “Acreditamos que a Art Basel Hong Kong é uma óptima oportunidade para apresentarmos o programa da Bergamin & Gomide ao mercado asiático”, sublinhou. A galeria paulista traz a este lado do mundo “uma selecção

dos mais importantes artistas brasileiros do período pós-Guerra”, criando “um rico diálogo entre as obras exibidas”. “Nesta edição apresentamos uma cuidadosa selecção de trabalhos do período pós-Guerra, de um total de 12 artistas, dentre eles Mira Schendel, Cildo Meireles, Rivane Neuenschwander, Jac Leirner e Amadeo Luciano Lorenzato”, disse Tavares. A Bergamin & Gomide já é uma presença assídua em Miami, desde 2014, e Basileia, desde 2016. Além da galeria paulista, viajam para Hong Kong as galerias Mendes Wood DM, Fortes D’Aloia & Gabriel (com escritório em Lisboa) e a Nara Roesler. Outro dos destaques da edição deste ano da Art Basel de Hong Kong é a presença da obra “Wave”, de Ai Weiwei, datada de 2015, trazida para a região vizinha por uma das mais importantes galerias de arte do mundo, a Lisson Gallery.

A escultura, que mostra uma onda feita de porcelana, foi feita em parceria com artesãos de Jingdezhen, o mais importante centro de produção de porcelana da China. A imagem da onda é inspirada na pintura em madeira “Under de Wave off Kanagawa (The Great Wave)”, de Katsushika Hokusai, artista japonês que viveu entre os anos de 1769 e 1849.

COLABORAÇÃO ESPACIAL

Em 2013, a Art Basel alargou a oferta ao mercado asiático, na sequência dos eventos anuais em Basileia (Suíça) e Miami (EUA), o que colocou Hong Kong no circuito e levou a uma expansão da faceta de centro internacional de arte da antiga colónia britânica. Apesar de chamar “várias galerias ocidentais”, com destaque para as de Nova Iorque, Paris e Berlim, a Art Basel de Hong Kong reforçou nesta edição “o compromisso contínuo de mostrar a arte excepcional

“To the Moon”, da autoria de Laurie Anderson e do artista de Taiwan Hsin-Chien Huang, é uma “instalação imersiva” e permite aos visitantes “voarem pela superfície da Lua e perderem-se no seu terreno montanhoso”

da Ásia e da Ásia-Pacífico”, de acordo com a página oficial do evento. Como tal, mais de metade das galerias participantes têm espaços de exposição nesta região. “Mais uma vez, Hong Kong estará representado na feira com 25 galerias. Ao mesmo tempo, galerias da Austrália, da Índia, da Japão, da Coreia do Sul, da China continental e de Taiwan continuam a ter forte presença”, indicou a organização. Pintura, escultura, desenhos, instalações, fotografia, vídeo e obras digitais são algumas das expressões artísticas patentes nesta edição, a maior desde 2013. “To the Moon”, uma colaboração entre a artista norte-americana Laurie Anderson e o artista de Taiwan Hsin-Chien Huang, é um dos destaques desta edição, que se apresenta como uma “instalação imersiva” e permite aos visitantes “voarem pela superfície da Lua e perderem-se no seu terreno montanhoso”, segundo um comunicado da VIVE Arts. O trabalho de 15 minutos comemora o 50.º aniversário da missão Apollo 11, que levou os primeiros homens a pisar solo lunar, e é produzido pelo HTC VIVE Arts, parceiro oficial da Art Basel na área da realidade virtual. No ano passado, 80 mil pessoas visitaram a feira, de acordo com dados oficiais.

edição deste ano da Semana da Biblioteca de Macau, que se realiza entre 6 de Abril e 19 Maio, vai contar com uma iniciativa intitulada “Saborear a Vida nas Entrelinhas”. As bibliotecas públicas de Macau, e o edifício do Antigo Tribunal, vão receber palestras temáticas, workshops, visitas guiadas e dias promocionais. O objectivo, garante o Instituto Cultural (IC) em comunicado, é articular “a gastronomia, a história e a cultura das especiarias de Macau para impregnar a vida quotidiana com o sabor da leitura”. A gastronomia macaense estará em destaque, nomeadamente através da palestra “Provar a história e a cultura na dieta de Macau”, onde será abordado o tema do impacto da culinária ocidental no desenvolvimento de Macau e nos hábitos alimentares da população local. Outra palestra em destaque intitula-se “Perfumaria e Temperos”, onde se vai debater a “influência das culturas gastronómicas e de especiarias de vários países”. O colunista de gastronomia Paul Yip vai ser o orador da conferência “Escrita Gastronómica”, onde vai falar “sobre o seu gosto pela gastronomia e sobre o processo de escrever sobre gastronomia como profissão”. O artista Fortes Pakeong Sequeira vai ser o protagonista da palestra destinada aos mais jovens, intitulada “Sessão de partilha: Vida de centenas de sabor”. No âmbito das visitas guiadas e workshops, será organizada a “Visita Guiada: Procurar através de centenas de gostos”, no âmbito da qual os participantes serão guiados através de sabores e aromas num passeio em busca de lojas antigas de Macau, a fim de ficarem a conhecer as indústrias de outrora e as respectivas particularidades.


desporto 15

sexta-feira 29.3.2019

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Brasil goza de uma enorme tradição no desporto motorizado. Apelidos como Senna, Piquet ou Fittipaldi vão muito para além da esfera do próprio desporto. Não é estranho ver a bandeira brasileira nos autódromos por este mundo fora, mas curiosamente, essa presença neste ponto do globo é praticamente escassa e só não é nula porque um jovem, que um dia ficou conhecido na sua terra Natal por vender porta a porta cupões do seu patrocinador para ajudar a financiar a sua temporada desportiva, decidiu regressar aonde já foi feliz. Bruno Carneiro, de 19 anos, decidiu apostar no continente asiático para prosseguir a sua carreira no automobilismo. Residente em Utah, nos EUA, Bruno Carneiro até nem é um novato nestas paragens. Em 2016 tornou-se o primeiro e único piloto brasileiro a vencer um campeonato de automobilismo na China. A aventura asiática começou em 2015. “Os novos donos da pista Utah viram o meu sucesso, ao ter sido o campeão regional de monolugares em Utah, e convidaram-me para fazer a última etapa do Campeonato FIA da China de Fórmula 4 em Zhuhai. Depois de um pódio no meu primeiro fim-de-semana, viram que tinha potencial para vencer o campeonato e voltei para a temporada de 2016. Acabamos vencendo o campeonato”, explica o jovem natural de São Paulo. Depois de ter passado pelo Campeonato Japonês de Fórmula 3, onde terminou em 11º lugar em 2017, Bruno Carneiro fez apenas o primeiro evento de 2018 do mesmo campeonato, não tendo conseguido reunir os apoios necessários

AUTOMOBILISMO PILOTO BRASILEIRO À CONQUISTA DA ÁSIA

Oriente de partida

Bruno Carneiro “Correr no asiático de Fórmula Renault pode trazer-me muitas e novas oportunidades, para mais numa equipa que nem a ART, que tem muito sucesso.”

para continuar a competir no país do sol nascente. Contudo, as relações que soube fomentar no sudeste asiático abriram-lhe novamente as portas para o continente. “Graças às amizades e conexões que fui criando surgiu a oportunidade de trabalhar junto com a equipa Asia Racing Team (ART) no Campeonato de Asiático de Fórmula Renault e aqui estou novamente”, afirma o piloto que na prova de abertura de temporada, realizada no passado fim-de-semana no Circuito Internacional de Zhuhai, subiu ao pódio, após ter sido segundo classificado na primeira corrida.

NOVA OPORTUNIDADE

Sem grandes alternativas para prosseguir a sua carreira

nos EUA ou de regressar ao Japão por agora, o jovem brasileiro encontrou na equipa fundada em Macau em 2003 uma nova oportunidade para relançar a sua carreira. “Acho que correr no asiático de Fórmula Renault pode trazer-me muitas e novas oportunidades, ainda para mais junto com uma equipa que nem a ART, que tem muito sucesso relacionado”, realça Carneiro que pode ser o terceiro piloto lusófono a ter motivos para celebrar com a equipa por onde passaram os ex-pilotos de F1 Kamui Kobayashi ou Rio Haryanto. O piloto português Rodolfo Ávila, agora ‘Team Manager’ da ART, foi vice-campeão

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asiático de Fórmula Renault em 2004 e o angolano, também ele residente em Macau, Luís Sá Silva, foi vice-campeão em 2009 PUB

defendendo as mesmas cores. Por outro lado, “com um carro tão bom que nem o Fórmula Renault 2.0/13 é fácil mostrar o nosso valor

e isso pode abrir portas no futuro, além de fortes resultados serem bons para colocar no currículo”.

SONHAR COM O CIRCUITO DA GUIA

Como qualquer piloto da sua idade, Bruno Carneiro também sonha um dia correr no Grande Prémio de Macau de Fórmula 3. “Que sonho que é...”, reconhece. “Eu fui visitar a prova em 2016 e assistir à corrida de F3! É incrível e um sonho, sem dúvida.” O objectivo este ano é mesmo tentar vencer o ceptro do asiático de Fórmula Renault, o que lhe poderá servir de rampa de lançamento para voos mais altos, mas, por agora, “vamos ver o que o futuro traz e se realmente aparece a oportunidade de poder correr num lugar tão histórico e incrível como o Circuito da Guia.” E como diria o poeta, o “sonho comanda a vida”... Sérgio Fonseca

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29.3.2019 sexta-feira

NOTIFICAÇÃO N.° 10/DLA/DHAL/2019 ACUSAÇÃO Considerando que não se revela possível notificar os interessados, por ofício ou outras formas, para efeitos de acusação a respeito das respectivas infracções, nos termos dos artigos 10.° e 58.° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, pela presente, ao abrigo do disposto no n.o 2 do artigo

11.º do Decreto-Lei n.o 52/99/M, de 4 de Outubro e no n.o 2 do artigo 72.° do “Código do Procedimento Administrativo”, os empresários dos estabelecimentos do seguinte: Comprovada a instalação de material publicitário sem licença emitida pelo IAM, por parte dos empresários dos estabelecimentos abaixo mencionados, os

N.o

Nome do empresário

1

黃斯進

2

SIO TONG MAN

3

NEBULOSA ENTRETENITMENTO LIMITADA

N.o

Nome do empresário

4

JOALHARIA E RELOJOARIA LONG WONG KOK SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA

5

SHI BISHUANG

6

NG MEI POU

7

LU WEIQIANG

8

COMPANHIA DE INVESTIMENTO INTERNACIONAL MACAU KAM WANG IEK,LIMITADA

9

ISABEL CHIANG

10

COMPANHIA DE AR CONDICIONADO CHIGO (MACAU) LIMITADA

11

吳章保

12

WONG, CHUNG KIN

N.o

Nome do empresário

13

KHIU SENG YEE PETER

14

SOCIEDADE EXCELÊNCIA E PROSPERIDADE, LIMITADA

15

MAK KIN FAI

16

HOI LAI FAI

17

HOI MENG SON

Nº do Bilhete de Identidade/Registo Comercial

Bilhete de Identidade de Residente de Macau/7391XXX(X) Certidão de registo comercial (Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis) /65110 SO Nº do Bilhete de Identidade/Registo Comercial Certidão de registo comercial (Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis) /60857 SO Bilhete de Identidade de Residente de Macau/1391XXX(X)

n.º 1 do artigo 19.°, alínea d) do n.º 1 do artigo 27.º e alínea c) do artigo 31.° da Lei n.° 7/89/M, despachos sobre as acusações contra os empresários dos estabelecimentos abaixo discriminados nos n.os 1 e 2 a 17. A par disso, de acordo com a mesma Lei, podem ser aplicadas aos infractores multas entre as duas mil (MOP 2.000,00) e as doze mil patacas (MOP 12.000,00).

N.º do auto de notícia

Data do auto

Data em que foi exarado o despacho

938/DFAA/SAL/2017

16/08/2017

26/10/2018

KAM SAU PROPERTY AGENCY

849/DFAA/SAL/2017

24/07/2017

07/11/2018

ESTABELECIMENTO DE COMIDAS KISS MANNER

803/DFAA/SAL/2018

11/06/2018

13/08/2018

Nome do estabelecimento

N.º do auto de notícia

Data do auto

Data em que foi exarado o despacho

14/09/2017

06/09/2018

Nome do estabelecimento

Bilhete de Identidade da República Popular da ESTABELECIMENTO DE COMIDAS POU VA China /350583197XXXXXXXXX

JOALHARIA E RELOJOARIA LONG WONG 993/DFAA/SAL/2017 KOK - SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA 恒順超級市場

1045/DFAA/ SAL/2017

21/09/2017

18/09/2018

原味

1114/DFAA/SAL/2017

12/10/2017

05/10/2018

WOOLEE

1227/DFAA/ SAL/2017

23/11/2017

07/11/2018

FINNEW SPOT

1230/DFAA/ SAL/2017

23/11/2017

07/11/2018

FOMENTO PREDIAL KOU FU

1259/DFAA/ SAL/2017

12/12/2017

27/11/2018

COMPANHIA DE AR CONDICIONADO CHIGO (MACAU) LIMITADA

1111/DFAA/SAL/2017

09/10/2017

11/10/2018

MASSAGEM HU NAN

1178/DFAA/ SAL/2017

13/11/2017

24/10/2018

Bilhete de Identidade de Hong Kong / K028XXX(X)

MACAU TELECOM

979/DFAA/SAL/2017

13/09/2017

27/11/2018

Nº do Bilhete de Identidade/Registo Comercial

Nome do estabelecimento

N.º do auto de notícia

Data do auto

Data em que foi exarado o despacho

CIA. PROD. ALIMENTARES GOLDROAST

955/DFAA/SAL/2017

16/08/2017

23/08/2018

ESTABELECIMENTO DE COMIDAS GATHERING

829/DFAA/SAL/2017

11/07/2017

22/08/2018

KIN FAI METAL

678/DFAA/SAL/2017

11/07/2017

15/08/2018

Bilhete de Identidade de Residente de Macau/1289XXX(X)

ESTABELECIMENTO DE COMIDAS I WONG CHI

526/DFAA/SAL/2017

11/05/2017

13/07/2018

Bilhete de Identidade de Residente de Macau/1331XXX(X)

太原超級市場

532/DFAA/SAL/2017

02/05/2017

16/07/2018

Bilhete de Identidade de Residente de Macau/5050XXX(X) Bilhete de Identidade de Residente de Macau/1424XXX(X) Certidão de registo comercial (Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis) /29100 SO Bilhete de Identidade de Residente de Macau/5028XXX(X) Certidão de registo comercial (Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis) /18156 SO Bilhete de Identidade da República Popular da China /431022197XXXXXXXXX

Outro passaporte estrangeiro/documento / S0905XXXX Certidão de registo comercial (Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis) /32783 SO Bilhete de Identidade de Residente de Macau/5129XXX(X)

Os interessados podem, no prazo de 10 dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação, apresentar defesa escrita no Centro de Serviços ou nos Centros de Prestação de Serviços ao Público do IAM; caso não apresentem defesa escrita dentro Aos 14 de Março de 2019.

factos da infracção e os resultados das averiguações realizadas constam dos autos de notícia e relatórios elaborados pelos respectivos instrutores. Assim, o Presidente substituto, Lo Chi Kin, e o Vice-Presidente, Lei Wai Nong, do Conselho de Administração do antigo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, exaram, respectivamente, de acordo com o

do prazo acima referido, de tal facto nada resultará em prejuízo das decisões sancionatórias tomadas por este Instituto nos termos da lei. Para consulta e mais informações sobre os respectivos processos, os interessados poderão dirigir-se à

Divisão de Licenciamento Administrativo do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento, sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2.º andar, zona B do Centro de Serviços do IAM, Macau.

O Vice-Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Lei Wai Nong www. iam.gov.mo


sexta-feira 29.3.2019

Vou embrulhar-me em estrelas

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Uma obra-prima extraordinária *Concerto para Dois Pianos e Orquestra em Mi Maior, MWV 05

Michel Reis

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EZ no dia 3 de Fevereiro 210 anos que nasceu o compositor, pianista e maestro alemão Felix Mendelssohn Bartholdy. Membro de uma família judia notável, mais tarde convertida ao cristianismo, Mendelssohn nasceu Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy em 1809 em Hamburgo, filho do banqueiro Abraham Mendelssohn e de Lea Salomon, e neto do filósofo judaico-alemão Moses Mendelssohn, crescendo num ambiente de intensa efervescência intelectual. As maiores mentes da Alemanha da época foram visitas frequentes da casa da sua família em Berlim, incluindo o filósofo, linguista e diplomata prussiano Wilhelm von Humboldt, fundador da Universidade Humboldt de Berlim, e o famoso geógrafo e explorador Alexander von Humboldt. A sua irmã Rebecca casou com o grande matemático belga Lejeune Dirichlet. O seu pai renunciou à religião judaica e a família mudou-se para Berlim em 1811, tentando dar a Felix, ao seu irmão Paul, e às suas irmãs Fanny e Rebeca, a melhor educação possível. Fanny tornou-se uma pianista e compositora conhecida. Felix era considerado uma criança prodígio. Começou a ter lições de piano com a sua mãe aos seis anos, sendo depois orientado por Marie Bigot, em Paris. Mais tarde, em Berlim, todos as quatro crianças estudaram piano com Ludwig Berger, que tinha sido aluno do pianista e compositor Muzio Clementi. A partir de 1817, estudou composição com Carl Friedrich Zelter em Berlim e começou a compor aos nove anos. Escreveu e publicou o seu primeiro trabalho, um quarteto com piano, aos treze anos. Mais tarde teve lições de piano com o compositor e virtuoso Ignaz Moscheles, confessando no seu diário que este tinha muito a ensinar-lhe. Moscheles foi um grande colega e amigo seu ao longo da vida. Embora não se tivesse tornado o próximo Mozart, Mendelssohn possuía um comando da sintaxe musical apenas rivalizado pelo seu eminente predecessor e, na verdade, algumas das obras da sua juventude ultrapassam as do prodígio austríaco numa idade comparável. Infelizmente, naqueles primeiros anos, Mendelssohn sofreu o escárnio de críticos e académicos pedantes que confundiram a sua graça sem esforço com mera extravagância e recusaram levar a sério as suas obras. Mesmo no séc. XX, pensava-se seriamente que faltava substância à música de Mendelssohn porque este tinha sido uma criança privilegiada. No en-

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847)

tanto, da sua juventude emergiram duas obras-primas extraordinárias: o Concerto para Violino, Piano e Orquestra de Cordas em Ré menor, MWV 04 e o Concerto para Dois Pianos e Orquestra em Mi Maior, MWV 05, ambos produtos do génio de um adolescente de apenas 14 anos, e atingindo ambos níveis de genialidade a que a maior parte dos compositores não chegam em toda a sua vida. Além destas obras, aos 14 anos, tinha também já composto o Largo e Allegro em Ré menor para Piano e Cordas, MWV O1, o Concerto para Piano em Lá menor, MWV O2, e o Concerto para Violino em Ré menor, MWV O3. O Concerto para Dois Pianos e Orquestra em Mi Maior, MWV 05 exibe um equilíbrio inquietante entre os instrumentos de forma a que estes parecem combinar-se na perfeição mas não sem ser imediatamente óbvio que um instrumento apenas não poderia executar a obra sozinho. Elaborada como uma prenda de aniversário para a sua igualmente musicalmente precoce irmã, Fanny, a peça foi estreada pelos dois no seu aniversário, no dia 14 de Novembro de 1824. Dada a sua envergadura e dificuldade, é

evidente que ambos eram executantes virtuosos para além das suas vocações criativas. Convencionalmente arranjado em três andamentos, o concerto abre com uma veia clássica e pura expressa numa introdução alargada, que Mozart podia ter escrito. Os pianos entram, um de cada vez, e segue-se um diálogo espirituoso. Mas depressa se torna evidente que Mendelssohn atravessa a linha para o Romantismo. Temas arrebatadores e surpresas cromáticas surgem e cadências surpresa e mudanças de atmosfera abundam. Em todo o andamento, os dois pianos são parceiros iguais – prova do respeito de Felix pela capacidade da sua irmã. O andamento termina com uma robusta coda que poderia ser o finale de uma obra menor. O segundo andamento é um adagio insuperavelmente elegante e Mendelssohn mais uma vez dá à orquestra o privilégio de abrir com um prelúdio extenso antes dos pianos entrarem, mais uma vez, um de cada vez, apresentando um tema hesitante, mas encantador. O andamento termina com uma longa passagem de maravilhosas tercinas de ambos os pianos de encontro a uma melodia suave e simples nas cordas. É um contraponto perfeito mas de longe demasiado inspirado para ser um mero exercício. No finale, os pianos anunciam-se eles próprios com um diálogo palpitante e o andamento rebenta num grande furacão sinfónico com ambos os pianos a serpentearem sem esforço através dele. Mendelssohn cria tensão e drama com êxito através de um motivo ascendente em ambos os solistas e na orquestra e a obra finalmente guina para uma espantosa coda plena de arrepiante pirotecnia pianística e uma conclusão abrupta. O concerto é maduro, grandioso, e convincente e em todos as acepções um verdadeiro concerto para

O concerto é maduro, grandioso, e convincente e em todos as acepções um verdadeiro concerto para piano Romântico. O facto de se tratar da obra de um adolescente torna-o assombroso

piano Romântico. O facto de se tratar da obra de um adolescente torna-o assombroso. O Concerto, obviamente inspirado no Duplo Concerto, K. 365 de Mozart, e provavelmente inspirado pelo novo amigo de Mendelssohn, Ignaz Moscheles, mostra também como Mendessohn tinha absorvido Weber, Hummel e Field. Considerada imatura pelo próprio Mendelssohn, a obra foi posta de lado e não foi publicada, permanecendo na forma de manuscrito até 1961, quando a Leipziger Ausgabe der Werke Felix Mendelssohn Bartholdy publicou uma versão substancialmente revista por Mendelssohn e editada por Karl-Heinz Köhler. Nesta partitura, Mendelssohn lida com questões como o papel do virtuosismo, o design harmónico e as relações temáticas entre os instrumentos tutti e os solistas. A edição presente oferece um olhar sobre um ponto crucial na evolução do género concerto por um dos compositores mais importantes que escreveu para o género no início do séc. XIX. Em 1829, Mendelssohn arranjou e regeu a Paixão segundo S. Mateus em Berlim. Quatro anos antes, a sua avó tinha-lhe dado uma cópia do manuscrito da obra-prima de Bach, que estava, na época, quase esquecida. A orquestra e o coro foram providenciados pela Singakademie de Berlim. O sucesso dessa apresentação - a primeira desde a morte de Bach, em 1750 – foi de grande importância para que a música de J. S. Bach voltasse a ser tocada na Alemanha e, depois, em toda a Europa, além de render a Mendelssohn o reconhecimento geral do seu talento, aos 20 anos de idade. Mendelssohn continuou a desfrutar de sucesso na Alemanha, onde fez reviver o interesse na música de Bach assim como nas suas viagens pela Europa. Foi particularmente bem recebido na Inglaterra, como compositor, maestro e solista e as suas dez visitas durante as quais muitas das suas obras principais foram estreadas, formam uma parte importante da sua carreira. O seu gosto musical essencialmente conservador, contudo, afastou-o de muitos dos seus contemporâneos mais aventureiros, tais como Franz Liszt, Richard Wagner, Charles-Valentin Alkan e Hector Berlioz. O Conservatório de Leipzig (actualmente Universidade de Música e Teatro de Leipzig), que fundou, tornou-se um bastião desta visão anti-radical. *Sugestão de audição da obra: Katia e Marielle Labèque, piano Philharmonia Orchestra, Semyon Bychkov - Philips, 1990


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plano de corte José Navarro de Andrade

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ARA dar um exemplo: Galileu seria hoje tão ou mais maltratado do que foi o seu tempo. A insolência de Galileu foi irrestrita e profunda. Em primeiro lugar afrontou todo a saber dado como adquirido, seguro e insofismável. Convém não diminuir este desafio com a prosaica caricatura do cientista humilhado por autoridades presunçosas e prepotentes. É certo que a sabedoria vigente à época se cristalizara em dogmas e defendiam-na instituições estabelecidas como dominantes. Mas tal posicionamento fora ganho e consolidado ao longo de séculos de controvérsia, exposições e arguições, aperfeiçoamento conceptual, refinando os princípios e os corolários de um modelo sofisticado e satisfatório de conhecimento da realidade. Os adversários de Galileu não eram portanto uns tolos, mesmo que este nos seus diálogos – platónicos –, por puro desplante, tenha posto na boca de um Simplício as teses por eles esgrimidas. Em segundo lugar a desfaçatez de Galileu foi ao ponto de pretender desbancar evidências empíricas. Mas que parvoíce é esta de desmentir o que se “vê claramente visto,” o que é verificável e mensurável – o Sol a descrever diariamente um arco no céu em torno da esfera terráquea? Como pode alguém contradizer uma observação partilhada universalmente? Que falta de bom-senso…

29.3.2019 sexta-feira

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A constante de Galileu O terceiro aspecto da insubordinação de Galileu é o mais abstruso e por conseguinte o mais ousado. Não faz sentido virar ao contrário a ordem do mundo, pretender impugnar a inteligência acumulada, a prática homologada, a cultura convencionada e o próprio senso-comum tão só com um argumento operacional. Meu caro leitor, aqui chegados manda a prudência que te avise: doravante correrás o risco de te sentires insultado. Vamos lá a ver: em nome de quê afirmas também tu que a Terra gira à volta do Sol? Desfechar esta pergunta a meio de uma discussão garanto-te que é infalível em causar estupefacção no teu arguente, o qual é possível que replique: “está provado cientificamente.” Hás-de reparar que tal resposta, assim sem mais, coloca-o inapelavelmente ao lado dos antagonistas de Galileu, dos conformistas que aceitam com passividade caprina a in-

formação corrente e comumente validada. Não passa de um acto de fé. Por isso incorre no equívoco maior de enterrar o debate no funesto lodaçal da crença. As conversas entre “acreditar” e “não acreditar” em matéria gnosiológica depressa desandam em teorias da conspiração – na medicina, na dietética, na agricultura, na economia, por exemplo, o obscurantismo tem ganho espantosa tracção – tão ridículas quanto indigentes, mas irredutíveis como é inerente às convicções. Retorquir “está provado cientificamente”, sem demonstração e como se a certeza valesse por si, revela também falta de curiosidade, que é o germe do conhecimento. Não te incomoda aceitar como verdadeira uma explicação contrária aquilo que constatas? Se com tanta frequência recorres à experiência sensível para sustentar as tuas opiniões – “então não se está mesmo a ver que…?”, costumas dizer – porque diabo neste caso

Cabe também recordar que quotidianamente assumimos mais certezas infundadas do que julgamos, agarramonos demasiado a elas sem lhes perceber esse defeito, fiamo-nos sobremaneira no que é intuitivo, repugnamos o incómodo das ideias contra-intuitivas

não confias no que os sentidos testemunham? Porque admites sem estranheza que deves desconfiar deles? Recordo-te então que Galileu esteve em vias de lhe purificarem o espírito segundo o testado método da assadura das carnes porque afirmou o heliocentrismo como exacto pelo facto pueril e subsidiário de dar mais jeito às contas... Com Sol no centro calculava-se o movimento das estrelas com maior rigor, elegância, simplicidade e previsibilidade. E para aumentar o escândalo outra prova não apresentava senão a matemática. Com tão económico e transparente raciocínio, desanuviado de digressões especulativas, sem arrimo nos textos canónicos e despojado de tradição, não admira que se tivesse visto em palpos de aranha perante as doutorais e eclesiásticas autoridades. Mas cabe também recordar que quotidianamente assumimos mais certezas infundadas do que julgamos, agarramo-nos demasiado a elas sem lhes perceber esse defeito, fiamo-nos sobremaneira no que é intuitivo, repugnamos o incómodo das ideias contra-intuitivas. Sobretudo temo-nos em demasia como esclarecidos no mesmo passo em que absorvemos os lugares-comuns proliferantes e daninhos que nos são incutidos pelo império da opinião. Sim, ao cabo destes séculos os critérios de Galileu continuam a ser rotineiramente desprezados.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 19

sexta-feira 29.3.2019

MARIAM QURESHI, THE NOISE BUBBLING UNDER THE QUIETUDE

Tonalidades António de Castro Caeiro

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Á quase quatro semanas que tenho obras no andar de cima. Normalmente, começam por volta das oito da manhã. Mas há dias em que acho que não haverá barulho. Outros há em que acredito que terminarão em breve e nada faço. Nada faço quer dizer não saio de casa, não vou para a Faculdade ou para um café. Como trabalho em casa e estou habituado ao meu habitat, fico desnorteado. Insisto. Já me aconteceu estar horas à espera de que qualquer coisa suceda, que o barulho ensurdecedor pare, que eu consiga finalmente concentrar-me e abafar o barulho. Mas é óbvio nunca nada disso acontece. Num destes sábados, o trabalhador disse-me que ia fazer barulho. Respondi que já estava habituado. Não sei bem se me percebeu, até mesmo porque os trabalhadores das obras devem achar que as pessoas estão fora durante o dia. Pelo menos que podem ausentar-se. Ainda assim, tive o primeiro impacto com ele. Eram para aí umas seis e meia da tarde, quando começa o som do que posso descrever apenas como um matraquear violento. Parecia que era no interior da minha cabeça, não era na divisão acima apenas. Por mais que procurasse abrigo em qualquer uma das divisões da casa, ficava sempre exposto ao barulho ensurdecedor. O som é cacofónico, não tem ritmo ou varia conforme o volume do excessivo para ainda mais excessivo. O som tem um impacto táctil. Sinto mal estar por todo o corpo. Não consigo ouvir os meus pensamentos, nem

Obras no andar de cima escutar música nem ler nem ver televisão. Lá fui ao andar de cima e bati com força na porta, porque a campainha estava desligada. O senhor apareceu-me atarantado. Eu disse-lhe que era sábado e era já muito tarde para estar a fazer aquele barulho. Incomoda-me sempre falar com alguém que está a trabalhar. O trabalho é o seu ganha pão. O inconveniente e incómodo são meus. Ele pediu desculpa e terminou o serviço, pelo menos o mais pesado, porque achou que poderia executar outras tarefas não tão ruidosas. Eu não tinha percebido que aquele sábado era apenas o início de um inferno sem tréguas. A qualquer hora do dia, sobretudo de manhã, começava aquele ruído, barulho, manifestação acústica do inferno. É a minha representação acústica do inferno. Obras para sempre no andar de cima, sem que eu possa sair de casa. Não sei bem por quê não poder sair de casa, por que razão havia uma impossibilidade de alterar as hipóteses para sobreviver ao dia-a-dia. O que me faria insistir em estar em casa. Claro que é a casa e é aqui que trabalho, não tenho um local de trabalho, por assim dizer. Mas por outro lado, há tanta

gente que vai para um café ou praia ou biblioteca. Por quê ter insistido? Talvez algo de resistente ainda sobreviva. Não quer ser expulso de casa e querer ficar onde é casa, onde me sinto acolhido, onde é familiar trabalhar. E é aqui que as coisas começam a fazer sentido. O meu trabalho como qualquer trabalho de natureza intelectual ou que requeira a concentração absoluta do espírito manifesta-se musicalmente. A música é a agenda, o programa, o calendário e o horário. Noto que não ouço música se não no carro. Mas nunca para trabalhar. Não foi sempre assim. Costumava ouvir em modo repeat canções que me permitiram tal como mantras entrar em transe. Estudava a ouvir música. Depois, porém, deixei de o fazer. Tal como anos antes tinha deixado de tocar música porque se tornou objectivamente incompatível ler e tocar. Mais tarde tornou-se incompatível ler e escutar música. É que a agenda do estudo era musical. O objectivo era o transe, o fluído, a corrente disposicional que se cria quando estudamos, quando vamos nas horas num voo de sobrevoo, alto, sobre os picos da paisagem do espírito. Quando estudo, ouço música. Como

A qualquer hora do dia, sobretudo de manhã, começava aquele ruído, barulho, manifestação acústica do inferno. É a minha representação acústica do inferno. Obras para sempre no andar de cima, sem que eu possa sair de casa

disse Sócrates não aquela versão popular, acústica, com instrumentos. É uma música idêntica à que se sente vibrar em nós quando vemos um filme ou um espectáculo, quando lemos ou ouvimos ler poesia. O mesmo se passa quando dou aulas. É uma passagem por uma dimensão musical. Era isto mesmo que eu achava que estava a acontecer. A passagem das horas requer a música que é criada ou recriada pelo estudo, pela insistência, pela tentativa de compreender e interpretar passos do pensamento ou formas de traduzir esses mesmos pensamentos. Ler é um acontecimento musical, transporta-nos para outras dimensões com velocidades musicais, ritmos, volumes sonoros, paisagens emocionais, sentimentos, vibrações que nos fazem bem ao corpo. É uma experiência Zen. Era esse feitiço que tinha sido quebrado. O ruído da vida, o barulho, perturba justamente esta dimensão musical que se cria pelo espírito, através do espírito e para o espírito. Hoje, tem sido um dia bom. Comecei com as pancadas violentas que perturbam o sono às oito horas da manhã de uma noite mal dormida. Pensei que não iria sobreviver. Mas afinal, o barulho violento das batidas incompreensíveis tem sido mais ou menos pacífico. Consegui alinhar estas frases de transe e no transe, quando é bom ouvir lá ao fundo os carros a passar imperturbáveis na ponte 25 de Abril, quando os homens das obras não gritam uns com os outros e eu consigo, sossegado, entrar na dimensão musical da minha agenda.


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9 4 7 3 9 1 5 0 6 8 2 7 4 2 9 6 8 3 1 0 5 8 0 5 2 7 9 4 1 3 5 9 6 7 4 0 1 8 2 3 4 6 1 7 3 8 2 9 5 1 2 9 0 5 4 6 3 8 7 2 4 3 0 1 6 9 5 8 TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADA 0 1 4 8 2 3 9 5 7 6 1 9 0 3MIN 8 421 5 MAX 6 7 6 7 3 1 8 9 5 0 4 2 6 2 8 5 4 3 7 0 1 4 5 8 6 3 2 7 9 1 0 9 5 7 6 0 2 1 3 4 8 5 4 FAZER 7 1 0 2 6 9 5 7 2 9 6 1 8 4 0 O3 QUE 2 0 1 SEMANA 3 9 6 4 7 5 8 0 8 6 4 2 5 3 7 9 ESTA 9 6 7 2 0 5 8 4 3 1 3 1 4 8 9 7 0 2 6

Diariamente 27

EXPOSIÇÃO | OBRAS-PRIMAS DE ARTE RUSSA 4 | Até522/04 1 3 0 7 6 2 MAM

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9 8 2 0 1 5 9 4 3 7 EXPOSIÇÃO | JU MING 7 Cotai 9 | Até 3 07/04 6 8 2 5 4 1 MGM 6 7 8 2 4 3 1 9 0 CONCERTO | GALA DE CÂMARA Teatro V | 30/03 3 Dom 4 Pedro 2 8 7 0 9 5 6 1 6 | “CONCERTO 9 5 3DE PÁSCOA 8 0- ORATÓRIO 7 2 CONCERTO DE2 HANDEL: 0 MESSIAS” 5 4 6 1 7 8 3 Igreja de S. Domingos | 20/04 5 3 6 9 1 4 2 0 8 CONCERTO + EMILY 9 1 | HANGAR 7 018 2 5 BURNS 8 6 4 LMA | 10/04 0 8 4 7 9 6 3 1 5

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CONCERTO | NEUROOTS + SIDE BURNS + SINO HEARTS LMA | 11/04

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CONCERTO | MOCKING BULLET + ELI + LAVY 8| 13/04 2 4 3 9 0 5 7 LMA

9 0 6 7 2 4 6 5 8 2 0 1 3 0 3 5 2 6 8 6 9 7 1 4 5 Cineteatro 2 4 1 9 3 7 4 1 0 6 5 9 3 5 9 8 7 2 7 6 8 4 0 1

CONCERTO | FAUX FIGHTERS 1| 30/04 7 3 5 8 LMA

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C I N E M A

28 1 5 8 7 0 2 4 3 9 6

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PERIGO DE MORTE 30 8 6 4 2 5 3 1 7 9 0

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 30

7 2 6 3 8 1 9 0 5 4 0 5 8 7 4 6 2 9 1 3

DUMBO SALA 1

DUMBO [A] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tim Burton Com: Colin Farrel, Eva Green, Michael Keaton, Danny DeVito 14.30, 16.30,19.30, 21.30 SALA 2

EXTREME JOB [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Lee Byeong-Heon Com: Ryu Seung-Yong, Lee Hanee, Jin Sun-Kyu, Lee Dong-Hwi, Gong-Myoung 14.30, 16.30, 21.30

US [C] Um filme de: Jordan Peele Com: Lupita Nyong’o, Winston Duke, Elisabeth Moss 19.15

SALA 3

MASQUERADE HOTEL [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Suzuki Com: Takuya Kimura,

Masami Nagasawa

14.30, 21.15

LOVE LIVE! SUNSHINE!! SCHOOL IDOL MOVIE, OVER THE RAINBOW [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Kyohei Yamaguchi Com: Sou Okuno,

Atsuhiro Inukai,

Gaku Oshida,

Shieri Ohata

17.00, 19.15

www. hojemacau. com.mo

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DE FACEBOOK

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condenado a pagar mais de 81 milhões de dólares a um reformado norte-americano com um cancro atribuído ao herbicida Roundup. Este foi um revés muito sério sofrido pela Bayer, o novo proprietário da Monsanto, que já tinha sido condenada num processo similar, em Agosto, nos EUA

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UM FILME HOJE Neste drama francês, o conceito do complexo de édipo de Freud é levado ao extremo. Em mais um filme perturbador protagonizado por Isabelle Huppert, esta faz de uma mãe ausente e sem escrúpulos morais, ao acabar por se envolver sexualmente com o próprio filho. Este acaba por se envolver em jogos estranhos pois nunca teve o amor de mãe que sempre buscou. Andreia Sofia Silva

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7 8 9 3 0 2 5 6 4 1

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1 05 0 4 6 6 23 91 7 9 89 3 2 8

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PROBLEMA 31

9 3 2 4 50 67 8 1 6 35

4 99 6 30 82 05 1 67 18 43

1 45 3 19 94 38 6 22 80 77

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S U D O K U

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20 8 3 (f)utilidades 0 5 1 7 2 6

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34(e talvez o mundo) está Macau cheio 7 de pessoas só criticam 3 5 que 0 1 8 4 9 nas redes sociais. É mais cómodo 8 2 ficar 1 5protegido 3 6 9por 7 e permite detrás0de uma 9 6barreira 4 2invisível. 7 5 8 Depois, na vida offline, 4 6 0 1 7 3 nada 8 2 acontece. Não se organiza um 3 7 4não9se6aderem 0 2 a1 movimento, causas. Faz-se apenas a 5 1 2 8 9 4crítica 0 6 gratuita. José Pereira Coutinho 1 8 desde 9 6 2005 5 2e vol3 4 é deputado tou a2ganhar 5 3as7eleições 4 9 para 1 0 a direcção da Associação dos 9 0 7 2 8 5 6 3 Trabalhadores da Função Pú8 3Esta0 vitória 1 7 é5 blica 6 de 4 Macau. um exemplo claro de como as críticas só são feitas no Facebook 36 se esquecem. Apesar e32 depois do5escândalo 2dos9investimentos 6 1 8 3 40 0 23 em criptomoeda e das críticas 5 gerou, 4 2 o64presidente 73 1 8da 9 que isso ATFPM ganhar as elei7 9 voltou 0 3 a 45 26 5 7 6 ções. Onde estão aquelas vozes 7 9 5 1 8 3 6 0 que lhe apontaram o dedo e que 19 75 de6 enganar 21 97 pessoas 0 53 84 o2 acusaram inocentes? São as mesmas 1 38 84 0 79 10 2 4vo6 52 zes que foram votar para uma 03 2 Talvez 4 5 haja 6 8medo, 3 19 reeleição. talvez 3 4não3haja1alternativas 07 58 6 nesse 9 7 movimento associativo. É pena 8 5 9 30 01 7 2 4 não se ter visto, pelo menos, uma 0 alternativa 21 6 75 a8participar 4 99 1nas 37 lista eleições. Andreia Sofia Silva 34

5 0 1 2 5 2 6 4 2 8 4 0 2 8 3 0

3 6 1 0 4 2 9 5 8 7

4 5 2 9 8 7 1 0 6 3

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MINHA MÃE | CHRISTOPHE HONORÉ | 2004

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4 2 3 9 3 4 0 3 9 5 7 6 2 2 3 0 5 3 4 2 5 7 6 0 9 3 7 7 5 8 3 0 4 5 1 6 2 5 8 7 4 3 0 7 4 5 8 1 0 9 0 4 6 8 1 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida 3António Castro Caeiro; 2 6António Falcão; Gonçalo 0 Lobo 5 Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; 1 0 José 5 Navarro 6 de9Andrade; 7 Mota Colaboradores Amélia Vieira; António9 Cabrita; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; 4 8 5 9 Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho GCS; Xinhua 0 5 3 9 6 1 Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau;8Lusa; 4 9 1Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de

Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI

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Sobre as eleições

AN Kuo-yu, Presidente da Câmara da cidade de Kaohsiung, esteve de visita a Hong Kong e Macau, com o propósito de discutir trocas comerciais. Encontrou-se com os Chefes dos Executivos das duas RAEs e com os directores dos Gabinetes de Ligação do Governo Central, em Hong Kong e em Macau. A visita de Han provocou algum tumulto em Taiwan, em parte devido à eleição para os cargos de Presidente e Vice-Presidente do terrritório, agendada para 2020. Sempre que há eleições existe controvérsia, a questão é saber se a controvérsia se desenrola entre cavalheiros ou entre vilões. Desde que passou a haver eleições directas em Macau para a Assembleia Legislativa, tem havido muitos distúrbios, inclusivamente, no período anterior à transferência da soberania, com a descoberta de armas nos porta-bagagens de carros privados, estacionados perto dos locais de voto. Alguns candidatos já foram agredidos ao tentarem entrar num restaurante onde decorria uma tentativa de compra ilegal de votos. Também foram detectados e levados a tribunal muitos casos de suborno. Nas últimas eleições para a Assembleia Legislativa, as autoridades assinalaram e tomaram medidas contra muitas irregularidades. Para que uma eleição possa ser justa, transparente e sem corrupção, as autoridades têm de supervisionar o processo de forma imparcial. Se assim não for, as pessoas irão interrogar-se porque é que alguns são incriminados e outros não. Macau necessita de melhorar o seu sistema eleitoral em larga escala, um processo que deverá implicar o esforço da sociedade enquanto um todo. A comunicação social tem um importante papel de supervisão, mas esse papel deveria ser levado mais além. A comunicação social deveria ser o “cão de guarda” do processo eleitoral. Para as eleições de 2021, penso que também se deveriam candidatar nas directas, além dos actuais deputados, algumas pessoas que comentam habitualmente na televisão, e noutras plataformas online, assuntos de ordem política e social. As campanhas bem planeadas e bem organizadas através dos mé-

dia, que utilizam recursos facultados pelos seus apoiantes, não violam a lei vigente e proporcionam uma competição justa. Mas quando esta competição se transforma em ataque, o processo perde dignidade. Quando estive envolvido na eleição de 2017 para a Assembleia Legislativa, fui estigmatizado e atacado pelos meus oponentes em plataformas online. Mas, como felizmente não cometi nenhum dos actos de que me acusavam, quando os encontrei cara a cara, não conseguiram olhar-me nos olhos e eu ainda posso entrar e sair livremente de Macau. O seu procedimento

Macau necessita de melhorar o seu sistema eleitoral em larga escala, um processo que deverá implicar o esforço da sociedade enquanto um todo. A comunicação social tem um importante papel de supervisão, mas esse papel deveria ser levado mais além. A comunicação social deveria ser o “cão de guarda” do processo eleitoral

não elevou o nível do processo eleitoral. Pelo contrário, inferiorizou-o, e a fraca qualidade de um acto eleitoral prejudica toda a sociedade, e isso é uma das coisas que mais abomino. Quando uma eleição envolve violência, os agentes das autoridades devem tomar medidas imediatas para punir os responsáveis. No caso da troca de acusações entre candidatos durante um debate eleitoral, os machados de guerra devem ser enterrados quando os protagonistas saem de cena. Mas ultimamente, tenho visto artigos publicados em semanários, escritos por um potencial candidato, apenas com o propósito de atacar um adversário e causar confusão no espírito dos leitores. Este procedimento é obviamente muito pouco ético. Pessoalmente, não me manifesto em relação a Ho Iat Seng nem a Leong Vai Tac, os dois potenciais candidatos ao cargo de Chefe do Executivo de Macau. Mas acuso os média que deliberadamente revelam as vidas privadas destes candidatos, já que os utilizam em seu próprio proveito. As campanhas não se podem focar na difamação e na vilipendização”. Edmund Ho, Ex-Chefe do Executivo de Macau, lembrou a frente patriótica que pretende candidatar-se à eleição para Chefe do Executivo, mas fê-lo de forma a não perturbar a unidade nem a estabilidade. As suas declarações revelam sensibilidade e merecem uma séria reflexão.

Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático


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“What a piece of work is a man! how noble in reason! how infinite in faculty! in form and moving how express and admirable! in action how like an angel! in apprehension how like a god! The beauty of the world, the paragon of animals”. Act II, scene 2, of Hamlet

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ODOS nós sabemos que devemos reciclar, mas mesmo os recicladores comprometidos podem ser erráticos, limpar e separar garrafas em um dia e colocar no lixo no dia seguinte. Porquê?  Acontece que uma série de factores influencia as nossas decisões sobre o que colocar ou não na lixeira verde. É de considerar que dois desses factores surgiram em pesquisas recentemente realizadas sobre os hábitos de descarte.  Foi descoberto primeiro, que as pessoas têm mais probabilidade de reciclar itens que não foram distorcidos, como latas de refrigerante e papel que não foi rasgado em pedaços e que se denomina por " factor de distorção". Os resultados de vários estudos demonstram que a decisão do consumidor de reciclar um produto ou colocá-lo no lixo pode ser determinada pela medida em que o produto foi distorcido durante o processo de consumo. Especificamente, se o processo de consumo distorce um produto suficientemente da sua forma original ou seja, mudanças no tamanho ou na forma, os consumidores percebem como menos útil e, por sua vez, são mais propensos a colocá-los no lixo, ao invés de os reciclar. Tais descobertas apontam para resultados importantes do processo de consumo que foram amplamente ignorados, e fornecem percepções iniciais sobre os processos psicológicos que influenciam o comportamento da reciclagem. A segunda descoberta refere-se ao facto de que são mais propensos a reciclar itens ligados a um elemento da sua identidade, como por exemplo, um copo da McDonald’s ou da Starbucks, que contém o nome da marca e que é denominado por “factor de identidade”. É sabido que as identidades dos consumidores influenciam as decisões de compra e as pessoas criam fortes conexões de identidade, ou ligações com produtos e marcas. Os estudos sobre a matéria, ainda necessitam de determinar se os produtos ligados à identidade são tratados de forma diferencial à disposição em comparação com os produtos que não estão ligados à identidade. Os actuais estudos realizados, mostram que quando um produto consumido diariamente como por exemplo, papel, copos e latas de alumínio estão ligados à identidade do consumidor, é menos provável que seja descartado e tenha maior probabilidade de ser reciclado. Além

HAMLET, ROBERT HARRIS

A economia e psicologia

disso, a tendência de reciclar um produto vinculado à identidade aumenta com a força e a positividade da conexão entre o consumidor e o produto ou marca. O comportamento de descarte pode ser explicado pela motivação dos consumidores para evitar a destruição de um produto que esteja ligado a si, porque é visto como uma ameaça à identidade Os consumidores estarão mais propensos a reciclar, em vez de colocar no lixo um produto se estiver vinculado à identidade de um consumidor, e ocorre porque colocar um produto vinculado à sua identidade no lixo é simbolicamente semelhante a destruir uma parte do “eu”, uma situação que os consumidores estão motivados a evitar. O terceiro factor afecta não o que reciclamos, mas o quanto fazemos. As pessoas que sabem que vão reciclar depois de concluir uma tarefa que gera resíduos usam mais muito mais recursos do que teriam de outra forma. Alguns ambientalistas propõem um modelo utilitarista em que a reciclagem pode reduzir as emoções negativas dos consumidores de desperdiçar recursos ou

seja, retirar mais recursos do que está a ser consumido e aumentar as emoções positivas dos consumidores, a partir da disposição dos recursos consumidos, fornecendo evidências para cada componente da função utilidade, usando uma série de problemas de escolha e formulando hipóteses baseadas em um modelo utilitário parcimonioso. As experiências com comportamento real de descarte apoiam as hipóteses do modelo. Os estudos sugerem que as emoções positivas associadas à reciclagem podem dominar as emoções negativas associadas ao desperdício e como resultado, os consumidores poderiam usar uma quantidade maior de recursos quando a

Somos muito menos racionais do que a teoria económica padrão assume. Os nossos comportamentos irracionais não são aleatórios nem sem sentido, são sistemáticos

reciclagem é uma opção e, de modo mais impressionante, esse montante poderia ir além do ponto em que a sua utilidade de consumo marginal se torna zero. Os proponentes ampliam o modelo teórico e introduzem a utilidade de aquisição e o efeito moderador do custo de reciclagem (financeiro, físico e mental) e de uma perspectiva política, esta proposta defende uma melhor compreensão do comportamento de disposição dos consumidores para aumentar a eficácia das políticas e campanhas ambientais. É de notar que o “factor de distorção” é importante quando se examina por exemplo, o conteúdo da colecta selectiva no ecoponto nos contentores de metal e de papel e do espaço dedicado ao lixo para não reciclagem. Os pedaços de papel intactos, em geral, foram reciclados e os fragmentos de papel foram destruídos e quanto às latas de alumínio, as intactas foram recicladas e as amassadas ou esmagadas foram descartadas. O que explica este factor? Quando um item é


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perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

da reciclagem

suficientemente distorcido ou alterado em tamanho ou forma, as pessoas percepcionam como inútil e como algo sem futuro e colocam no lixo. Tal facto explica parcialmente porque tanto material reciclável termina no aterro. Ainda que, as pessoas estejam sensibilizadas para reciclar muitos itens comuns, apenas 65 por cento do papel e 55 por cento do alumínio são reciclados.  Ao conscientizar as pessoas desse factor poder-se-ia potencialmente mudar o comportamento do descarte.  As empresas direccionadas para a sustentabilidade poderiam melhorar as taxas de reciclagem por meio de inovações em embalagens que, por exemplo, aumentam a facilidade de abertura e diminuem a distorção, o que poderia melhorar a probabilidade de as embalagens serem recicladas e até mesmo reutilizadas. A exploração ao factor de identidade, foi revelado em um recente estudo da Universidade de Yale, em que foi efectuada uma visita a um café onde o empregado escreveu incorrectamente o nome do cliente na chávena descartável, e escrever

os nomes dos clientes nas chávenas tornou-se um padrão em muitos cafés, ligando o produto a alguma parte da identidade do cliente. Foi pedido a um grupo de voluntários para provar e avaliar o café. Os participantes foram questionados sobre os seus nomes, e os que foram soletrados correctamente ou intencionalmente grafados erroneamente nas suas chávenas. Aqueles cujos nomes foram escritos correctamente eram significativamente mais propensos a reciclar a sua chávena do que aqueles cujos nomes foram escritos incorrectamente.  Foram realizados diversos outros estudos com diferentes produtos e formas de vincular o produto às identidades dos consumidores, como usar bandeiras americanas ou logótipos de universidades, que ligam as pessoas a importantes identidades de grupo.  Foi descoberto consistentemente que as pessoas são mais propensas a reciclar do que a descartar produtos ligados à identidade, e que a destruição desses produtos pode reduzir a auto-estima e como seria de esperar, é uma pena jogar um pedaço de si no lixo, para que as pessoas o evitem fazer.  Ao criar uma ligação de identidade ou tornar uma conexão existente mais forte, pode-se transformar os consumidores menos propensos a colocar itens no lixo reciclável.  Muitas empresas já vinculam produtos às nossas identidades, mas podem não estar cientes das consequências do descarte.  A Coca-Cola, por exemplo na sua campanha “Compartilhe uma Coca-Cola” teve um estrondoso sucesso, pois os consumidores encontram os seus nomes nas garrafas, tendo aumentado as taxas de reciclagem para aqueles que bebem uma garrafa com o seu nome. A campanha da Coca-Cola retornou aos Estados Unidos em Maio de 2014 e os fãs americanos sedentos têm clamado por encontrar os seus nomes em garrafas de Coca-Cola, Diet Coke ou Coca-Cola Zero. A Coca-Cola passou a personalizar as garrafas com o primeiro e último nome e mais de mil nomes e sobrenomes estão disponíveis, com quase duzentos sobrenomes incluídos. Às vezes, a opção de reciclar pode influenciar a quantidade de um item que é usado.  Por exemplo, no estudo foram examinados o quanto as pessoas consomem quando têm a opção de reciclar versus colocar no lixo.   Os sujeitos da pesquisa foram instruídos a usar a quantidade do produto que queriam.   Em um estudo, umas pessoas embrulharam presentes; em outro, usavam papel para resolver problemas matemáticos. Em cada experiência, metade dos participantes poderia reciclar o que usavam; a outra metade só podia descartá-lo. Foi constatado que as pessoas usavam muito mais recursos como papel de embrulho, papel, copos e embalagens plásticos quando sabiam que iriam reciclar. Como é possível explicar tais situações? As descobertas sugerem que as emoções positivas associadas à reciclagem podem dominar as emoções negativas, como a culpa, associada ao desperdício e como

resultado, os consumidores sentem-se à vontade para usar uma quantidade maior de recursos quando a reciclagem é uma opção. A conservação de recursos em um domínio pode levar a desperdiçar recursos em outro, que tem a ver com o bom comportamento anterior e cujo fenómeno é conhecido nas ciências sociais como licenciamento moral. A grande questão é reciclar ou colocar no lixo?  O sucesso da reciclagem depende da resposta que milhares de milhões de pessoas dão a essa pergunta diariamente.  É de realçar que aprendemos com os economistas comportamentais nos últimos anos, que muitas das nossas decisões são, nas palavras de Dan Ariely no seu livro “Predictably Irrational: The Hidden Forces That Shape Our Decisions“ previsivelmente irracionais. Assim, é com essa decisão.  Mas ao trazer os nossos factores à disposição, podemos alterar o comportamento individual, estimular a criação de embalagens que incentivem a reciclagem e aumentar a eficácia das políticas e campanhas ambientais. A previsível irracionalidade de que fala Dan Ariely é de que a nossa irracionalidade acontece da mesma forma e sempre. Na

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economia convencional, a suposição que todos somos racionais implica que, na vida quotidiana, computemos o valor de todas as opções que enfrentamos e depois seguimos o melhor caminho possível de acção, e se cometermos um erro e fizermos algo irracional? Aqui também a economia moderna tem uma resposta pois as forças do mercado vão cair sobre nós e rapidamente colocar-nos de volta ao caminho da justiça e racionalidade. É com base nessas suposições, de facto, que gerações de economistas desde Adam Smith foram capazes de pensar conclusões sobre tudo, desde a tributação e políticas de saúde até aos preços de bens e serviços. Mas, somos muito menos racionais do que a teoria económica padrão assume. Os nossos comportamentos irracionais não são aleatórios nem sem sentido, são sistemáticos, e desde que os repetimos sempre, de forma previsível, então não faria sentido modificar a economia padrão, para afastá-la da “ingénua” psicologia que muitas vezes falha os testes da razão e da introspecção, e que talvez seja mais importante o escrutínio empírico.


O homem está sempre disposto a negar aquilo que não entende. Luigi Pirandello

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APOMAC Funcionário do Gabinete de Ligação eleito sócio honorário

A APOMAC aprovou, em assembleia-geral de ontem, a proclamação do empresário Ng Fok como presidente honorário e do director-geral adjunto do departamento de coordenação do Gabinete de Ligação, Bian Tao, como sócio honorário. Tal sucedeu no dia da eleição dos novos corpos sociais para o triénio 2019/2022, à qual se apresentou uma única lista liderada por Francisco Manhão (presidente da direcção), Jorge Fão (presidente da assembleia-geral) e Manuel Maria Gomes (presidente do conselho fiscal), que obteve 130 votos válidos. A nova direcção tem, no entanto, dois novos elementos: Alice Gomes (vogal) e José Lourenço Fão (tesoureiro), informou a APOMAC em comunicado enviado às redacções.

Ng Fok

Bian Tao

Linha fatal Cerca de 40 crianças já morreram em Gaza num ano

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ERCA de 40 crianças morreram desde Março de 2018, quando começaram os protestos em Gaza ao longo da fronteira com Israel e que resultaram em confrontos com o Exército israelita, informou ontem o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Desde 30 de Março de 2018, as manifestações contra o bloqueio israelita, chamadas de "Grande Marcha de Retorno", são organizadas todas as sextas-feiras em Gaza, perto da barreira (na fronteira cm Israel) fortemente guardada pelo exército israelita. Os manifestantes palestinianos protestam contra o bloqueio israelita e pelo retorno de refugiados palestinianos expulsos ou que deixaram as suas terras quando houve a criação do Estado de Israel em 1948. "Durante os últimos doze meses, cerca de 40 crianças foram mortas durante as manifestações", disse Geert Cappelaere, diretor regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África, de acordo com um comunicado da organização ONU. "Segundo as autoridades, cerca de 3.000 pessoas foram hospitalizadas por ferimentos, muitos dos quais provocaram situações de invalidez para toda a vida", acrescentou Cappelaere, num balanço a

dois dias do primeiro aniversário que assinala as manifestações. Pelo menos 258 palestinianos, ao todo, foram mortos por fogo israelita desde 30 de Março de 2018, a grande maioria em manifestações ao longo da fronteira com Israel e outros em ataques israelitas em retaliação a actos de agressão provenientes de Gaza. Dois soldados israelitas foram mortos desde Março de 2018. O exército israelita alega estar apenas a defender a sua fronteira e o seu território. "A UNICEF reitera a sua indignação com o grande número de crianças mortas e feridas" num ano, como resultado do conflito armado entre Israel e os palestinianos, disse Cappelaere. Além das tensões perto da fronteira entre Israel e Gaza, a região tem apresentado uma escalada de violência nos últimos meses. O episódio mais recente aconteceu há alguns dias, após o disparo de um foguete de Gaza, que destruiu uma casa norte de Telavive e fez sete feridos leves, incluindo três crianças. A calma voltou a Gaza e nos arredores das localidades israelitas desde a quarta-feira. "Lembramos a todas as partes a responsabilidade de sempre dar prioridade à protecção da vida, saúde e bem-estar das crianças", disse Cappelaere.

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sexta-feira 29.3.2019

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Hoje Macau 29 MAR 2019 #4258  

N.º 4258 de 29 de MAR de 2019

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