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hojemacau

GONÇALO LOBO PINHEIRO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Q U A R TA - F E I R A 2 9 D E J A N E I R O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 2 1

Goas como o milho Elas são lindas e perigosas. Ganharam em Goa duas medalhas de ouro em taekwondo. Quando voltarem a Macau deviam ser recebidas com parada e desfile pelas ruas centrais da cidade. No wushu era óbvio, mas na disciplina coreana nada garantia a vitória. PÁGINAS 12 E 13

ASSEMBLEIAS DE CONDÓMINOS QUEREM VIGIAR A NOSSA PRIVACIDADE

ENTREVISTA

Hester Cheang acredita que os locais podem ter liderança nos casinos PÁGINAS 2 E 3

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Amanhã alguém vai saber tudo sobre a nossa vida. O fascismo social não dorme. No mundo. E agora em Macau. PÁGINA 5

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Adivinhem quem vem jantar

SPORTING

Treinador dos leões confia no plantel para dar alegrias aos adeptos PÁGINAS 14 E 15


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ENTREVISTA

hoje macau quarta-feira 29.1.2014

HESTER CHEANG, DIRECTORA DO CENTRO PEDAGÓGICO E CIENTÍFICO NA ÁREA DO JOGO

A primeira fornada de 50 licenciados em gestão de ciências sociais do jogo e recreio, tutelado pelo Centro Pedagógico e Científico na Área do Jogo, do IPM, sairá este ano. Segundo a directora, a intenção é pôr nas mãos de locais cargos de direcção. Hester Cheang recomenda o Governo a perceber com base em sondagens de mercado se será necessário recrutar não-residentes para lugares de croupier RITA MARQUES RAMOS Rita.ramos@hojemacau.com.mo

Como surgiu o Centro Pedagógico e Científico na Área do Jogo? Desde Setembro de 2009, o Centro Pedagógico e Científico na Área do Jogo (GTRC, na sigla inglesa) torna-se parte permanente do IPM e mudamos a nossa função para três: formação, pesquisa e um programa de licenciaturas. O programa académico começou em Setembro de 2010, o que significa que em 2014 vamos ter o primeiro grupo de licenciados. O que queremos é preparar funcionários de casinos para progredirem de seniores médios para avançados. Que tipo de pesquisa fazem? Comparamos Macau com outras pequenas economias. Temos também vindo a ser premiados com projectos do Instituto de Acção Social (IAS) sobre o jogo feito por mulheres. Comparamos Macau e Las Vegas e fazemos pesquisa sobre diversas práticas de jogo responsável no mundo como, por exemplo, no Canadá e Austrália. Também temos uma pesquisa focada na formação de funcionários: Que tipo de treino precisam? Que stress têm no local de trabalho? E por aí fora. Quais os resultados alcançados com este tipo de pesquisas?

HOJE MACAU

“Queremos preparar funcionários de

Queremos, fundamentalmente, perceber o que a indústria precisa. Nos projectos de pesquisa podemos descobrir que tipo de conhecimentos os trabalhadores precisam de saber. No caso dos programas de formação, a quem são dirigidos e quantas pessoas são formadas? Todos os anos treinamos à volta de 8000 empregados. Em 2005/2006 quando a procura foi muito alta, treinámos cerca de 20000 trabalhadores. Recrutamos pessoas do público desde que tenham cartão de residente. Podem vir cá para um programa gratuito, sem custos, para ser treinado como croupier. Há quem já trabalhe e venha ganhar mais competências connosco para que possam ser promovidos. O que sinto é que a procura está a mudar, há mais vontade de progresso na carreira do que simplesmente em integrar a indústria. Esta é a forma como vejo a mudança no mercado. Este é um dos vossos objectivos: elevar o nível de qualidade da indústria? Sim, sem dúvida. Temos programas de supervisores de casinos e temos também workshops para gestores de casinos. E sobre a licenciatura em Gestão de ciências sociais do jogo e recreio?

Temos mais de 200 estudantes nos quatro anos, à volta de 50 em cada ano. Diria que 10% deles são já “Pit managers”. Achamos que estas pessoas que trabalham na indústria querem vir garantir um diploma. Como se tutela o curso é uma forma de atracção porque fazemo-lo de segunda a sábado e temos a mesma aula de manhã e à noite, até porque eles trabalham em turnos. Nesta licenciatura a prioridade recai em pessoas que são já trabalhadores de casinos? Sim, damos-lhe prioridade. Todos os anos temos cerca de 10 pessoas que lutam por um lugar. O número de candidatos é 10 vezes maior do que as vagas. Outro ponto de interesse deste curso é querermos também que saibam não apenas sobre Macau, mas de outros sítios também porque a maioria são de cá.

De que forma? Todos os anos oferecemos duas experiências lá fora: em Singapura (uma semana) e em Las Vegas (duas se-

“Hoje a vida é diferente daquele que se vivia quando o mercado do jogo não era liberalizado. A STDM regulava facilmente e não havia possibilidade de funcionários jogarem, mas hoje isso não é possível.”

manas). Os dois programas de Verão são coordenados por um parceiro que é a Universidade de Nevada, em Las Vegas, porque em Singapura também tem um campus. Eles têm aulas lá e visitam a indústria também. E como se saem os alunos em termos avaliativos? Vejo que são bons alunos. Explico porquê. Alguns casinos fornecem bolsas de estudos aos funcionários e familiares e vejo que escolhem mesmo aqueles que trabalham bem e todos os anos boa parte dos nossos alunos são aqueles que recebem essas bolsas. A mulher aluna de um dos nossos anos é mãe de três filhos, que trabalha a full-time num casino. Tem alguma ideia de quantos trabalhadores contratam os casinos para diversas posições? Há quem fale em 60000,

mas também há quem aponte 80000 trabalhos nestas áreas, já incluindo a indústria hoteleira. E, por isso, é que queremos que progridam na carreira para ganharem mais lugares de topo. Têm ideia de quantos locais estão em cargos superiores? Quando falo com gerentes seniores, eles mostram muita vontade de ter pessoal local a preparar-se para subir na carreira porque não há suficiente pessoal em gestão sénior. Porquê? Porque Macau passou a ter não uma licença de jogo mas seis. Não temos pessoas suficientes com muita experiência, bom background educativo e exposição. Têm de pensar de uma forma global e saber o que se passa noutros sítios no mundo a nível de indústria do jogo, isto é algo que falta a muitos locais. Qual a sua posição sobre a possibilidade de haver


entrevista 3

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casinos para lugares de topo” “Se algumas pessoas mudarem de emprego é possível que fiquem vagos trabalhos menos agradáveis e alguns tornar-se-ão croupiers júniores e outros subirão na carreira para supervisores [não sendo necessário recrutar não-residentes]” não-residentes a trabalharem como croupiers? Pessoalmente não acho que devamos focar-nos na abertura de mercado para croupiers. Acho que devemos olhar para todo o mercado de recursos humanos em Macau. Se não temos suficientes pessoas teremos de pensar numa forma de ter mais para que o negócio se continue a desenvolver e a crescer. E se for necessário este reforço de recursos humanos, temos de pensar no que é de facto importante em termos de postos de trabalho. Temos de reservar o que é bom para os locais. Ao trazer mais recursos humanos terá se ser, claro, regulado e depois reservados os melhores lugares para os residentes. O mercado local está preparado para oferecer todos os recursos humanos necessários às novas infra-estruturas que estão a ser construídas? Não sei se temos suficientes croupiers, mas se algumas pessoas mudarem de emprego é possível que fiquem vagos trabalhos menos agradáveis e alguns tornar-se-ão croupiers juniores e outros subirão na carreira para supervisores. Quantos novos postos de trabalho acha que serão necessários? Não tenho ideia. Os novos casinos não vão estar concluídos ao mesmo tempo, por isso, é difícil prever. Sei é que o Governo e as pessoas têm de fazer algo. O Governo dá 5000 patacas para formação e ontem anunciaram uma nova comissão para formar mais pessoas, mas enquanto pessoas temos de pensar no que queremos fazer no futuro e entrar nestas formações.

Acha portanto que é preciso fazer uma sondagem de mercado? Sim, saber o que as pessoas sentem acerca dos seus empregos e se querem entrar na indústria, se se acham preparadas e que tipo de formação querem. No entanto, há escassez de trabalhadores em diferentes áreas. E, por outro lado, o Governo quer também diversificar a economia em área(s) para as quais também precisará de trabalhadores... Vemos que há cada vez mais hotéis-casinos e vão precisar de pessoal de diferentes áreas, embora haja mais mesas de jogo. O foco não é apenas abrir o mercado apenas para croupiers, é preciso abrir o diálogo e haver mais estudos sobre se sente a mão-de-obra em Macau.

do jogo não era liberalizado. A STDM regulava facilmente e não havia possibilidade de funcionários jogarem, mas hoje isso não é possível. No entanto, se compararmos com práticas internacionais acho que este Governo não está a trabalhar mal a nível de jogo responsável. Se compararmos com o Canadá, Austrália e Estados Unidos da América, não fazemos menos. Mas acha estes resultados problemáticos? O problema existe porque hoje temos mais casinos. É difícil prevenir que os funcionários joguem, mas acho que cada operadora está a tentar treinar cada pessoa para preveni-lo. Mas há muitas plataformas para prevenir estes problemas ou ajudar, até porque são transversais,

afecta toda a família. Há já organizações não-governamentais a trabalhar nisso em colaboração com o Governo, só que também precisam de mais recursos humanos. Em quantos anos acha que é expectável que a indústria do jogo perca terreno? Estou confiante que não decairá de uma forma dramática, como em Las Vegas ou Atlantic City. Acho que a situação é diferente. Se continuarmos como agora, o Governo, a indústria, enquanto educadores estamos já a fazer o nosso melhor para diversificar. Os casinos estão a abrir mais elementos fora do jogo e temos mais matérias aqui a nível recreativo. As receitas não irão descer como em Las Vegas porque o problema nos Estados Unidos é que houve uma

recessão financeira, além de que abriram muitos casinos e “comeram” o seu próprio mercado. Agora, não haverá grande margem para diversificar porque esta é a nossa indústria-chave, por isso, nada será tão forte como a indústria de jogo mas tem de ser relacionada, como acontece com o entretenimento. Mas, por exemplo, a indústria das exposições e convenções (MICE, na sigla inglesa) representa uma ínfima parte no PIB de Macau e é uma das apostas da Administração para diversificar... Temos de aumentar. Em Las Vegas eles demoraram muito tempo a mudar o paradigma. Não se pode copiar Las Vegas porque as discotecas podem não ser a melhor aposta para cá, mas devemos expandir a indústria MICE,

Voltando um pouco atrás, acha então que não haverá a possibilidade do Governo Central legalizar o jogo noutros locais? Não digo que isso nunca acontecerá. Francamente não sei, mas acredito que será difícil que legalizem. A situação é muito diferente porque têm uma população grande e pode facilmente movimentar-se e ir a casinos. A escala de problemas, como o controlo das finanças, o vício do jogo, será muito maior. E, mesmo que decida fazê-lo será um longo processo. A forma de vida e o sistema legal na China é muito diferente de Macau. Não será uma decisão fácil e será séria. Não vejo um calendário para tal acontecer. Estarão preparados a nível de mentalidade? E a nível de competição regional: não há regiões que estarão mais perto de alcançar Macau? Construir casinos levará tempo. O tempo provou que a ameaça não é grande. Singapura não está próximo do que acontece aqui. No entanto, acredito que devemos sempre melhorar a qualidade de serviços porque se pode viajar para qualquer lugar no mundo, mesmo os continentais. Mas Singapura, o Japão e a Coreia do Sul têm os casinos e “mais”. Temos de trabalhar nesse “mais”. Estive em Las Vegas e Singapura e eles querem a excelência do serviço. Nós não estamos a fazer o suficiente.

Acha então que o Governo não deve criar uma legislação em que fique expresso que não há lugar a não-residentes nos lugares de croupier, tal como pediram protestantes no ano passado... Regulamentos não. O quadro de trabalho do que fazem está certo. Quando não temos pessoas suficientes nas indústrias, pede-se ao Governo para regular para que os não-residentes venham trabalhar por tempo determinado e saiam quando já não forem necessários. Temos é de ter mais dados. O que pensa dos resultados do estudo lançado esta semana que indica que 60% dos empregados de jogo aposta noutros casinos? Acho que, em certo ponto, reflecte a realidade. Hoje a vida é diferente daquela que se vivia quando o mercado

o Turismo, as unidade hoteleiras, gastronomia. E acho que há oportunidades na Ilha da Montanha, terrenos para desenvolver e se combinarmos viagens em que os visitantes venham a Macau e a Zhuhai (um dois em um) também é uma oportunidade porque, por exemplo, aqui não haverá possibilidade de criar um parque temático.

“Construir casinos levará tempo. O tempo provou que a ameaça [de outras regiões] não é grande. Singapura não está próximo do que acontece aqui. No entanto, acredito que devemos sempre melhorar a qualidade de serviços.”

Acha que seria uma boa aposta exportar talentos desta “fábrica”? Temos muitos pedidos para formação fora do Japão, Coreia e também Taiwan. E até para virem cá aprender, mas isso dependerá da política do Governo. Querem aprender connosco porque nos acham bem sucedidos em gestão e formação. De momento, não temos ainda energia porque temos muita procura local. E a nossa energia será para eles. Temos de servir a comunidade.


POLÍTICA

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pensar no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF) que se realiza em Março, o Fórum Macau realizou uma visita à Direcção de Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) no intuito de realizar protocolos nesta área. Em comunicado, é referido que os países de língua portuguesa “manifestaram intenção de assinar acordos de cooperação e desenvolvimento na área de protecção ambiental”. Expressaram ainda “vontade de acelerar a promoção do intercâmbio e cooperação tecnológica no âmbito da indústria de protecção ambiental entre empresas da China e dos países de língua portuguesa, explorando oportunidades comerciais, através da plataforma de serviço verde de Macau”. Tanto Portugal como outros países de língua portuguesa “manifestaram interesse em assinar acordos de desenvolvimento de cooperação de protecção ambiental, criando mecanismos de cooperação e aprofundando o papel de plataforma de Macau”.

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FÓRUM MACAU QUER CELEBRAR PROTOCOLOS AMBIENTAIS

Verde que te quero verde

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A equipa do Fórum Macau foi recebida pela sub-directora da DSPA, Vong Man Hung, que apresentou os objectivos a atingir com o Plano de Protecção Ambiental de Macau, a ser desenvolvido até 2020. Vong Man Hung afirmou que nos últimos seis anos, o MIECF “tem promovido activamente a cooperação de protecção ambiental entre as empresas nesta região, bem como o intercâmbio tecnológico e informação nesta área e o desenvolvimento de cooperação de protecção ambiental, criando uma plataforma verde de elevado grau de eficiência para intercâmbio internacional, atraindo mais entidades internacionais, nomeadamente mais entidades dos Países de Língua Portuguesa com capacidade e experiência para participar nesta actividade em Macau, iniciando cooperação com alguns países”. Rita Santos e os delegados dos países de língua portuguesa em Macau afirmaram “dar apoio ao desenvolvimento das empresas de protecção ambiental, promovendo a protecção e a conservação energética”.

GAES QUER ESTUDAR MELHOR OS QUADROS QUALIFICADOS

Sem saber o que fazer O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) realizou a primeira reunião do ano com representantes das instituições académicas do território. Segundo um comunicado, o encontro serviu para traçar o balanço dos trabalhos realizados, tendo o Governo admitido que irá “gradualmente alargar o estudo sobre a procura de quadros qualificados existente nos vários sectores ou diversas áreas de especialização”. A pensar nisso, o organismo coordenado por Sou Chio Fai afirma que as instituições de ensino superior vão começar os “estudos sobre a previsão de procura dos quadros qualificados nos diferentes sectores, como contabilidade, tradução, engenharia e hotelaria”. Esta última área deverá ser estudada numa segunda fase do estudo. O GAES quer ainda criar uma “plataforma dos recursos digitais” de todas as universidades e do poli-

técnico”. “Os participantes trocaram impressões sobre outros assuntos, como o caso da promoção do direito de frequência das pessoas portadoras de deficiência, o acompanhamento dos tra-

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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balhos do exame unificado de acesso às instituições do ensino superior e, ainda, o reforço da formação de quadros bilingues qualificados nas línguas chinesa e portuguesa.”


política 5

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DADOS PESSOAIS ASSEMBLEIAS DE CONDOMÍNIO PODEM INSTALAR CÂMARAS DE VIGILÂNCIA E TRATAR DADOS

Combater a criminalidade ou coscuvilhice? JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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S responsáveis pelos prédios podem instalar câmaras de videovigilância se entenderem que isso ajudará na prevenção de crimes. A explicação foi ontem dada pelo Executivo, que salvaguarda, contudo, que a Lei de Protecção dos Dados Pessoais tem de ser tida em conta. Diversas associações de moradores consideram que a instalação de videovigilância nos prédios – principalmente nos mais baixos que ficam nos bairros antigos - ajudam a combater a criminalidade. O caso foi inclusive apresentado ao director da Polícia Judiciária (PJ), aquando da apresentação dos dados sobre a criminalidade ocorrida em 2013. A situação surge, sobretudo, porque tem havido furtos neste tipo de prédios. Ontem, em comunicado, o Gabinete de Protecção dos Dados Pessoais (GPDP) esclarece que a instalação de câmaras em prédios

tem de respeitar a lei, porque afecta os indivíduos. “Se o sistema de videovigilância for instalado nas partes comuns num prédio, como por exemplo, nas entradas, escadas e corredores, os dados filmados pertencem a informações relativas a uma pessoa singular identificada ou identificável, pelo que são dados pessoais nos termos da Lei da Protecção de Dados Pessoais, regulados assim o seu tratamento pela mesma lei.”

EVITEM LÁ ISSO

O gabinete não proíbe a instalação de câmaras, mas alerta também para o facto de que, se os dados não forem para ajudar na segurança do prédio, não poderão ser tratados. Mais ainda, de acordo com o GPDP, será o próprio condomínio a tratar dos dados e a elaborar regras para a instalação dos equipamentos. “Se for preciso instalar sistemas de videovigilância, a assembleia geral do condomínio deve disciplinar o uso, fruição, segurança e conservação, bem como elaborar o regulamento do condomínio. A

assembleia dos proprietários tem que observar também os princípios definidos pela Lei da Protecção de Dados Pessoais. Deve ser a assembleia [de condomínio] a decidir se instala e como instala o sistema, bem como políticas de uso, conservação e eliminação dos dados recolhidos. Nota-se assim que a assembleia geral do condomínio é o responsável pelo tratamento de dados pessoais.” A instalação de câmaras de videovigilância foi duramente criticada por alguns deputados, por considerarem que invade a privacidade das pessoas e, sobretudo, devido ao tratamento dos dados pessoais. Na altura da aprovação da lei da instalação destas câmaras, os deputados alertaram ainda “que o tratamento de dados podia, assim, ser feito por qualquer pessoa”, o que os preocupava. O Governo garantiu que, no caso de serviços públicos, apenas profissionais iriam ter acesso às informações filmadas, mas, neste caso, a assembleia de condomínio poderá fazê-lo. “Instalar o sistema

de videovigilância por causa da segurança a fim de proteger os patrimónios e outros interesses legais nas partes comuns traduz finalidade legal e legítima. Neste contexto, os interesses pessoais dos titulares não prevalecem sobre os interesses legítimos pa-

trimoniais das partes comuns da assembleia geral do condomínio. E os proprietários têm obrigação em cumprir as decisões ou deliberações efectuadas pela assembleia geral do condomínio nas suas competências.” Sobre o tratamento dos dados, o GPDP alerta para que sejam postas em prática medidas “para proteger os dados pessoais contra a fuga e acesso ilegítimo dos dados recolhidos pelo sistema de videovigilância”. Como exemplo, o gabinete diz que os prédios devem fechar à chave o espaço onde guardam os equipamentos, condicionem o acesso do pessoal e evitem que as imagens sejam vistas por outros. Sobre a privacidade, o GPDP pede apenas aos condomínios que pretendam instalar câmaras que “evitem” filmar as situações dentro dos apartamentos, até porque, mesmo com a finalidade de segurança, a assembleia do condomínio não possui a legitimidade para tratar esses dados.


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SOCIEDADE

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

S telecomunicações continuam a motivar o maior número de queixas apresentadas ao Conselho dos Consumidores (CC) pelos residentes, mas o sector do turismo e o alimentar tiveram um grande destaque nas reclamações recebidas no ano passado. De acordo com dados fornecidos pelo CC, os produtos alimentares e bebidas (com 143 queixas) e o sector de turismo (84 reclamações) mereceram uma atenção “relevante” pela parte do organismo, uma vez que registaram grandes subidas nas reclamações face a 2012. Só as queixas relacionadas com o turismo subiram 35%, enquanto as relativas às comidas e bebidas subiram em 15%. No que diz respeito ao sector do turismo, os residentes queixam-se principalmente de alterações de percursos previamente apresentados e

Escuteiros entregaram duas toneladas de alimentos

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CONSELHO DE CONSUMIDORES TURISMO E ALIMENTAÇÃO COM MAIS RECLAMAÇÕES DO QUE EM 2012

Hotéis e leite em pó na lista negra impossibilidades de se formarem grupos para excursões. Por cá, contudo, os turistas de fora queixaram-se ao CC de má qualidade dos serviços de hotéis, mas não só. “Houve turistas que se queixaram da má qualidade dos serviços dos hotéis e que chegaram a entrar em conflito com os mesmos, quando estes se recusaram a devolver o montante pago na marcação prévia de um quarto num hotel de Macau.” Ambas as questões fizeram disparar o número de reclamações, tanto que obrigaram o CC a acompanhar mais de perto as situações relacionadas com o turismo, “de forma a assegurar a imagem positiva de assuntos ligados ao turismo de Macau”.

80 voluntários dos Escuteiros Lusófonos recolheram quase duas toneladas de alimentos e produtos de primeira necessidade em vários supermercados de Macau, os quais foram entregues à associação Missionárias da Caridade. Em comunicado, o grupo de escuteiros afirma que “a comunidade aderiu bem à campanha”. As Missionárias da Caridade afirmaram que “com esta enorme quantidade de produtos não vamos precisar de nos preocupar em adquirir este tipo de produtos nos tempos mais próximos”. Esta é a sexta recolha de produtos feita pelo grupo de escuteiros lusófonos, sendo que em 2008, ano da primeira iniciativa, foi recolhida uma tonelada de alimentos, distribuídos pelo Berço da Esperança e Missionárias da Caridade. Com mais voluntários a participar nestas iniciativas nos anos seguintes, os escuteiros afirmam terem conseguido recolher ainda mais donativos.

Em 2013, 338 turistas apresentaram reclamações. Apesar de ter havido apenas uma pequena descida face ao ano de 2012, em 6%, o CC acredita que as campanhas de sensibilização para quem é de fora têm vindo a funcionar. “O reforço da divulgação, nos últimos anos, pelo CC têm vindo a produzir efeitos, conseguindo sensibilizar os turistas de que a via mais eficaz de evitar um conflito encontrado num local que tenha outra cultura diferente de consumo é, em primeiro lugar, pedir informações, medida esta que tem vindo a produzir resultados.” As reclamações apresentadas pelso tursitas não relacionadas com os

hotéis, têm a ver, sobretudo, com a venda a retalho de aparelhos de comunicação, relógios, vestuário e produtos feitos de cabedal e máquinas fotográficas e de gravação.

INTERVENÇÃO PELO LEITE EM PÓ

O aumento do número de reclamações sobre produtos alimentares e bebidas centra-se, sobretudo e novamente, na questão do acesso ao leite em pó. Este tem sido um problema constante em Macau, devido à escassez do produto, que levou mesmo o Governo a limitar a compra de leite em pó para bebés por turistas e a implementar o Plano Provisório de Apoio às Mães e Bebés de Macau.

No ano passado, registaram-se 25 reclamações relacionadas com os métodos de venda e práticas de preços das lojas que vendem leite em pó. Ontem, o assunto voltou à baila, obrigando à intervenção das autoridaes. “Os Serviços de Saúde aplicaram várias medidas de vigilância, incluindo a vigilância contínua da quantidade de importação de leite em pó para bebés, a investigação regular destinada às farmácias e principais agentes autorizados a comercializar o leite em pó e enviou pessoal para visitar os diversos postos de venda de leite em pó, a fim de se monitorizar estreitamente a situação de stock e a venda de leite em pó para bebés

MP aplica medidas a suspeitos de acidente de trânsito

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Ministério Público (MP) resolveu aplicar medidas de caução, apresentação periódica e proibição de ausência de dois suspeitos envolvidos num acidente de viação na rua Luiz Gonzaga Gomes. Em comunicado, o MP aponta que dois homens oriundos de Macau terão atropelado um motociclo que ia em circulação na zona, sendo que as duas vitimas ficaram inconscientes. O MP considerou existirem “fortes indícios” de crime de condução em estado de embriaguez, ofensas

à integridade física por negligência, condução perigosa e fuga à responsabilidade cometidos por Fong, um dos suspeitos. Cheang terá cometido o crime de favorecimento pessoal. Fong, de 43 anos, conduzia o automóvel em estado de embriaguez ao lado de Cheang, seu empregado. “O suspeito Fong ignorou as vítimas e continuou a conduzir, tendo atropelado a traseira de outro automóvel e causado ferimentos à menina de três anos. Causou ainda destruição a mais de 20 motociclos estacionados.”

A polícia acabaria por encontrar o carro na passadeira perto do restaurante The Plaza, mas Fong não terá respondido às perguntas das autoridades. No dia seguinte o seu empregado acabaria por confirmar ser o motorista do carro e entregou-se à policia. Contudo, segundo o MP, “não foi claro sobre os detalhes do acidente”, e terão ocorrido diversas contradições. O acidente causou, no total, destruição a dois automóveis, 23 motociclos e ferimentos a três pessoas.


sociedade 7

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PREVISTA DIMINUIÇÃO DO CONSUMO EM 50% NO ANO NOVO CHINÊS

Barbatana de tubarão em queda ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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M mês depois de Pequim ter decretado a proibição do consumo de barbatana de tubarão nos jantares oficiais, o consumo desta iguaria parece mesmo ter diminuído. Gary Stokes, coordenador da entidade ambiental Sea Sheperd em Hong Kong, afirmou ao HM que essa tendência deverá manter-se no Ano Novo Chinês. “No geral penso que o consumo deverá cair em 50%. Claro que o Ano Novo Chinês vai ser uma fase agitada (em termos de consumo), mas no geral penso que as consciências estão mais despertas e os números vão cair em Hong Kong, Macau e China.” Do lado de quem faz negócio, Gary Stokes acredita que os restaurantes de luxo vão começar a servir outro tipo de iguarias tão caras como a barbatana de tubarão. “Alguns restaurantes já estão a olhar para alternativas, em muitos espaços comerciais de luxo, e imagino que muitos casinos também. Há muitos restaurantes chineses caros em Macau, que são muito

populares. (O consumo) não vai acabar para já, mas cada vez mais espaços vão optar por não ter (a barbatana de tubarão).”

HONG KONG COM “LONGO CAMINHO A PERCORRER”

No inicio deste mês começaram a surgir notícias do fecho de alguns restaurantes em Pequim que serviam barbatana de tubarão como especialidade. Gary Stokes diz que o “consumo está definitivamente a baixar”. Desconhece dados concretos sobre Macau, em

termos de importação, consumo e espaços de venda, mas diz que a tendência é semelhante a Hong Kong e ao continente. “Em Hong Kong e no continente (há uma quebra). Não estou certo em relação a Macau, mas imagino que esteja a seguir o mesmo caminho. O Governo Central e as autoridades estão a implementar as mesmas regras para as duas regiões, e definitivamente os números estão a diminuir.” O coordenador da Sea Sheperd fala ainda de mudança de mentalidade em relação a um prato muito apreciado na China. “Há cada vez mais pressão dos media e cobertura, as pessoas estão a começar a mudar as suas escolhas e a serem mais responsáveis.” Em Hong Kong, considerado ponto central do comércio de barbatanas de tubarão, as leis estão a ser cumpridas. Mas Gary Stokes ache que “ainda existe um longo caminho a percorrer” até que se atinja o nulo consumo de barbatana de tubarão. De frisar que, o ano passado, foram divulgadas imagens de barbatanas a secar em telhados de vários prédios. Mas poucos comerciantes deram a cara.

GRIPE DAS AVES SUSPENSA IMPORTAÇÃO DE FOSHAN

Abatidas 21 mil galinhas M

ACAU vai suspender a importação de galinhas vivas de Foshan, depois de análises que deram positivas para a gripe das aves H7N9 num lote destes animais. De acordo com os Serviços de Saúde (SS), que foram avisados pelos serviços no mercado de Macau”, pode ler-se num comunicado do Executivo. “Relativamente à situação de falta de stock do leite em pó para crianças com idade superior a um ano, o CC (…) reuniu-se nos últimos dias com os agentes autorizados das marcas principais de leite em pó, que se comprometeram a assegurar a quantidade suficiente de leite em pó a importar para Macau.”

TELECOMUNICAÇÕES, ESSE CASTIGO

A ocupar a lista do top5 de reclamações pelos consumidores de Macau, estão ainda as queixas relacionadas com os serviços ou aparelhos de telecomunicações. No ano passado, o CC somou 1666 reclamações, sendo a maioria – 410 - relacionada com este assunto. Ainda assim, as queixas sobre

estas serviços desceram face ao ano passado, em cerca de 12,5%, o que, para o CC, se deve a uma maior atenção do sector das telecomunicações às recomendações do organismo. “Pode-se constatar uma redução notória de reclamações associadas a conflitos na cobrança tarifária e serviços pós-venda de telemóveis 3G, o que reflecte que o sector de serviços de telecomunicações tem dado um certo grau de preocupação às propostas feitas pelo CC e, por conseguinte, procedeu à respectiva melhoria sobre estes dois tipos de reclamações que acontecem frequentemente.” No total, o CC registou 7198 atendimentos em 2013: 1666 reclamações, 5475 pedidos de informações e 57 sugestões.

homólogos de Hong Kong, galinhas vivas que estavam a ser criadas em Foshan, em Guangdong, estavam infectadas com o vírus. Os animais – 21 mil - foram destruídos pelas autoridades de Hong Kong, que obrigaram, ainda à suspensão dos negócios

no mercado por 21 dias, para salvaguardar os indivíduos que tiveram contacto com as aves. Em Macau, as galinhas vindas de Foshan representam apenas 4% do total do mercado, mas ainda na semana passada algumas foram importadas pelo território. “Foi uma quantidade reduzida de galinhas pretas de Foshan e o resultado da análise por amostragem não evidenciou anormalidades. Após o contacto com o Departamento de Inspecção e Quarentena para a Entrada e Saída, o IACM vai suspender a importação de aves vivas para o mercado de Macau.” O IACM assegura que vai estar atento e manter contactos com as regiões do interior da China, numa altura em que foram já registados no continente 249 casos confirmados de infecção humana pela gripe aviária, dos quais resultaram 59 óbitos. As províncias de Guangdong, Fujian, Zhejiang, Jangsu e a cidade de Pequim são as mais afectadas. Em Macau, ainda nenhum caso foi encontrado, apesar de diversos casos suspeitos.


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CHINA

hoje macau quarta-feira 29.1.2014

PEQUIM DIZ QUE JORNALISTA AMERICANO VIOLOU NORMAS DO VISTO E TEM QUE DEIXAR O PAÍS

Segundo caso no espaço de um ano O

Ministério dos Negócios Estrangeiros da China anunciou, esta segunda-feira, que um repórter do “New York Times” que trabalhava no país tinha violado as normas do seu visto de residência e que teria de deixar o país antes do final da semana, num caso que pode azedar as relações entre Pequim e Washington. A questão da liberdade de imprensa para os repórteres estrangeiros na China despertou a atenção nos mais altos círculos dos Estados Unidos, especialmente pela preocupação de que o governo chinês esteja a negar vistos às organizações que publicam reportagens negativas sobre o país. No mês passado, o vice-presidente norte-americano Joe Biden expressou a sua preocupação, numa visita a Pequim, em relação aos esforços da China para restringir as actividades de organizações noticiosas estrangeiras. A New York Times Co. e a Bloomberg News não estão a receber novos vistos para os seus jornalistas há um ano, depois de terem publicado reportagens sobre a riqueza de familiares do ex-primeiro ministro chinês Wen Jiabao e do actual presidente Xi Jinping, respectivamente. O “New York Times” solicitou um visto de trabalho jornalístico para Austin Ramzy, cidadão dos Estados Unidos, depois deste ter deixado a revista “Time”. Ramzy continuou na China com o visto que tinha quando trabalhava no país como correspondente da “Time”, válido até o final de 2013. As autoridades chinesas de seguida concederam-lhe um visto de 30 dias válido até 30 de Janeiro, nitidamente com o objectivo de permitir que ele se organizasse para deixar o país. Qin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, disse que Ramzy informou as autoridades chinesas em Maio de que já não estava a trabalhar para a revista “Time”, e que devolveu a sua carteira profissional de imprensa, emitida pelo governo, um documento que os repórteres estrangeiros precisam de ter para trabalhar legalmente no país.

“Mas Austin Ramzy não solicitou a outros departamentos chineses a mudança do seu tipo de visto e da sua permissão de residência, antes associados ao seu trabalho para a ‘Time’, contrariando as normas chinesas”, disse Qin no seu briefing diário à imprensa. “Lamentavelmente, Austin Ramzy não o fez e continuou a usar a sua permissão de residência

vigente para se deslocar pela China. Assim, as suas acções contrariaram as normas chinesas”, acrescentou o porta-voz. As permissões de residência na China estão associadas a empregos, e os cidadãos estrangeiros supostamente devem deixar o país quando deixam de trabalhar para a organização que patrocinou a sua solicitação de residência, ou

converter os seus vistos num outro documento. Ramzy recusou-se a comentar, quando a Reuters o contactou, e o “New York Times” não respondeu de imediato a um pedido de comentário encaminhado por e-mail. “O NY Times, seguindo as normas, entregou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros uma solicitação de visto para Austin

Ramzy, em Junho do ano passado. A solicitação não foi aprovada”, afirmou Edward Wong, chefe interino da sucursal do “New York Times” em Pequim, no Twitter. Qin declarou que tanto o “New York Times” quanto Ramzy haviam admitido às autoridades chinesas que violaram as normas do país, e que o ministério tinha concedido ao jornalista um visto válido até o fim de Janeiro para que este pudesse resolver os seus assuntos pessoais. Qin acrescentou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros estava a considerar o pedido do “New York Times” de um visto de trabalho para Ramzy, mas que os trâmites não seriam concluídos antes de 31 de Janeiro, implicando que este terá de sair do país quando o visto expirar, no dia 30. Caso isto aconteça, o caso de Ramzy será a segunda vez em 13 meses que um repórter do “New York Times” se vê forçado a deixar a China. Chris Buckley, antigo jornalista da Reuters, teve de deixar Pequim em Dezembro de 2012 depois do governo não ter aprovado o pedido do “New York Times” de um visto de trabalho.

Buckley não recebeu autorização para voltar à China como jornalista residente. Agora trabalha a partir de Hong Kong. O jornal tem outra solicitação de visto pendente para a sua equipa chinesa, a de Philip Pan, que está à espera para assumir a direcção da sucursal do “New York Times” no país. Questionado se a China conferiria a Buckley ou Pan vistos que permitam que trabalhem como jornalistas no país, Qin declarou que era um direito soberano da China decidir quem recebia vistos e licenças de trabalho. Os repórteres estrangeiros que trabalham na China enfrentam inúmeras dificuldades, entre as quais interferências, ou até violência, quando cobrem questões delicadas tais como protestos ou julgamentos de dissidentes. A China afirma que a imprensa estrangeira tem ampla liberdade no país. Em Novembro, o governo chinês rejeitou um pedido de visto para Paul Mooney, jornalista norte-americano a quem a Thomson Reuters tinha feito a oferta de um posto na China. O governo não justificou a rejeição.


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CHEFE DA DIPLOMACIA CHINESA APOIA ACORDO DE LIVRE COMÉRCIO COM A EUROPA

Mercado de dois mil milhões de pessoas O conselheiro de estado chinês, Yang Jiechi, o mais importante diplomata de Pequim, defendeu esta segunda-feira que a China e a União Europeia (UE) devem considerar um acordo de livre comércio multi-bilionário, revelando uma melhoria nas relações entre os dois maiores mercados do mundo. “Há perspectivas brilhantes para a cooperação China-UE” - disse Yang aos jornalistas após uma reunião com a chefe de políticas externas do bloco europeu, Catherine Ashton, em Bruxelas, na Bélgica. A declaração do diplomata ocorre a dois meses da visita do presidente Xi Jinping à capital belga, programada para Março. Segundo Yang, ambos os lados deveriam “trabalhar conjuntamente para criar condições para

lançar um estudo de viabilidade de um acordo de livre comércio entre China e UE”. Em Dezembro, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, já tinha afirmado que era um forte defensor de um acordo deste tipo. A Comissão Europeia, no entanto, que controla as negociações internacionais em nome do bloco, destacou, na ocasião, que, em primeiro lugar, de-

veis para conseguir acesso a investimentos chineses e contratos locais. Os negócios entre Europa e China duplicaram desde 2003, para mais de cerca de 10 mil milhões de patacas por dia, mas a China recebe apenas 2% dos investimentos externos da União Europeia. A criação de uma área de livre comércio criaria um mercado de quase dois mil milhões de pessoas.

REGIÃO Tailândia HRW pressiona manifestantes a não obstruírem votação A Human Right Watch (HRW) instou ontem os manifestantes na Tailândia a acabarem com a campanha de obstrução ao voto para evitar novos surtos de violência durante as eleições gerais, previstas para domingo. “Os manifestantes reclamam lutar contra a corrupção e pela necessidade de reformas, mas isto não justifica o uso da força e a intimidação para bloquear as votações (...) Impedir o voto da população é uma mostra grave de desrespeito pelos direitos básicos

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PREVENÇÃO REFORÇADA CONTRA H7N9

19 mortes só este ano A

China começou a aplicar medidas de prevenção, como a proibição de aves vivas em várias zonas do leste do país, perante o aumento do número de casos de gripe aviaria H7N9 em humanos. Desde o início do ano, há registo de 96 contágios e 19 mortos causados pelo vírus H7N9, escreve a agência Efe. A nova estirpe foi descoberta pela primeira vez em humanos no ano passado no leste da China, onde contagiou 150 pessoas e causou 45

veria haver progressos num “acordo de investimento”, para facilitar os negócios entre os países europeus e a China. As conversas para que o pacto se concretize começaram formalmente em Pequim na semana passada. Várias empresas europeias reclamam do tratamento recebido quando fazem negócios na China, como a obrigação de partilhar informações sensí-

vítimas mortais. Na província oriental de Zhejiang, a sul de Xangai, onde este ano foram registados 49 contágios, o comércio de aves vivas foi cortado em grandes cidades como Hangzhou, Ningbo e Jinhua. Na cidade de Xangai também será suspensa a venda de aves vivas entre 31 de Janeiro e 30 de Abril. Na província sul oriental de Cantão foram registados 26 contágios desde o início de 2014, mas até à data não foram anunciadas medidas

excepcionais. Na Região Administrativa Especial de Hong Kong foi detectado na segunda-feira o primeiro contágio de H7N9 junto a um mercado agrícola local, pelo que está previsto sacrificar cerca de 20.000 aves deste mercado. As autoridades intensificaram os controlos sanitários dos viajantes nos postos fronteiriços, com medições de temperatura e exame médico, se necessária, dos passageiros que entram e saem do país.

dos eleitores e pelos princípios democráticos”, declarou Brad Adams, director da HRW na Ásia. Centenas de manifestantes bloquearam o acesso a várias assembleias de voto em Banguecoque e nas províncias do sul da Tailândia no domingo, dia da votação antecipada para as eleições gerais de 02 de Fevereiro. Pelo menos 440.000 pessoas dos dois milhões que se registaram para a votação antecipada não depositaram o voto nas urnas, segundo dados da Comissão Eleitoral tailandesa.


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EVENTOS

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DESIGN DUPLA PORTUGUESA EXPÕE EM PARIS

Errar é humano, passear é parisiense E

M Paris, vai ser realizada a primeira edição da ‘La Fête du Graphisme’ (‘A Festa do Grafismo’. A mesma vai contar com a participação da dupla de designers lusa Lizá Ramalho e Artur Rebelo, tendo por objectivo a promoção do design gráfico e a sua influência económica e cultural na sociedade. A primeira edição de La Fête du Graphisme” vai estar presente em vários pontos da capital francesa, nos Champs-Elysées, na Biblioteca Nacional de França, na Les Docks – Cité de la Mode et du Design, no Gaîte Lyrique, na MK2 Bibliothèque e no Institut Français de la Mode.  O trabalho dos portuenses vai estar exposto nos conhecidos

Champs-Elysées, até dia 18 de Fevereiro, no âmbito da exposição ‘Célebrer Paris’, que vai reunir criações originais de 40 designers de renome internacional, como, por exemplo, Javier Mariscal (de Espanha), Seymor Chwast (dos EUA), Leonardo Sonnoli (de Itália), Ann Sang-Soo (da Coreia do Sul) e Cyan (da Alemanha). Para ‘Celebrar Paris’, Lizá e Artur responderam ao desafio com uma proposta gráfica que tem como ponto de partida a frase de Victor Hugo - ‘Errer est humain, flâner est parisien’ (‘Errar é humano, passear é parisiense’). A mesma consiste num poster, no qual são invocados o conceito de ‘Flâneur’, de Baudelaire, e a ‘Teoria da Deriva’, do

situacionista Guy Debord, ou seja, o acto de vaguear sem direcção e de se deixar levar pelos estímulos psicogeográficos. No dia 30 de Janeiro, os designers portugueses vão estar na Biblioteca Nacional de França, para apresentar o projecto ‘Vai com Deus’ (2008), uma instalação tipográfica criada para a fachada da Ermida Nossa Senhora da Conceição, em Lisboa. Também no dia 30 de Janeiro, inaugura na Les Docks – Cité de la Mode et du Design, a exposição “Paris Invite Le Monde” (Paris Invites the World), que reúne três trabalhos representativos do universo de 100 dos melhores designers gráficos internacionais, e na qual os R2 vão mostrar os posters ‘Molly Bloom’

MORREU PETE SEEGER, O DECANO DA FOLK AMERICANA

HOMENAGEM DE BARENBOIM A CLAUDIO ABBADO ABRE PORTAS E JANELAS DO SCALA À CIDADE

A consciência da América P ETE Seeger, o decano da folk americana, activista pelos direitos civis e pela ecologia, autor de Turn turn turn, If I had a hammer, Where have all the flowers gone e responsável pela popularização enquanto hino de “We shall overcome”, morreu na manhã de terça-feira no Hospital Presbiteriano em Nova Iorque, onde estava internado há seis dias. Tinha 94 anos. Um dos grandes responsáveis pela transmissão do conhecimento sobre a música de raiz americana aos seus compatriotas, Pete Seeger atravessou todas as convulsões do século XX e as do início deste em que vivemos. Sempre presente. Como nota em obituário o Washington Post, cantou pelos direitos dos trabalhadores na Grande Depressão e contra o terror de Hitler, opôs-se à utilização da energia nuclear, foi inclu-

ído na lista negra do McCarthismo na década de 1950, juntou-se, na década seguinte, aos movimentos pelos direitos cívicos liderados por Martin Luther King e aos protestos dos estudantes e, já nonagenário, fez questão de marcar presença nas mais recentes manifestações Occupy Wall Street. “Desconfiem dos grandes líderes”, declarou nesse contexto à Associated Press, em 2011. “Desejem que existam muitos, muitos pequenos líderes”. Companheiro de estrada de Woody Guthrie no início de carreira, com influência marcante na ascensão de uma figura chamada Bob Dylan (foi ele que o recomendou a John Hammond, que o contrataria para a editora Columbia), Pete Seeger era, como titula o obituário do Los Angeles Times, “a consciência da América”. Várias das suas canções

foram alvo de diversas versões, muitas vezes com maior popularidade. Cantaram-no, por exemplo, Marlene Dietrich (em inglês, francês e alemão), Peter, Paul & Mary ou os Byrds. Em 2006 Bruce Springsteen dedicou-lhe um álbum inteiro, We Shall Overcome: The Pete Seeger Sessions. Nascido a 3 de Maio de 1919 em Manhattan, Nova Iorque, viveu uma vida longa e preenchida, activa até ao fim. “Ainda há dez dias estava a cortar lenha”, contou a sua neta, Kitama Cahill-Jackson, ao Washington Post. Deixa na memória colectiva a sua imagem imponente, o rosto adornado pela barba icónica e o torso tapado pelo banjo, o instrumento pelo qual se apaixonou ainda muito jovem. E a voz, claro, arma poderosa contra a opressão, qualquer que fosse a forma que esta assumisse.

Nova edição da “Antologia Poética”, de Miguel Torga

A

S Publicações D. Quixote anunciaram, em comunicado, “a publicação, ontem, de uma nova edição, com nova capa e novo formato, da Antologia Poética”, de Miguel Torga, autor falecido há 19 anos.

“Há muito tempo esgotada e, portanto, fora de mercado, esta antologia, preparada e organizada pelo próprio autor, reúne o essencial da obra poética de Miguel Torga”, que assina o prefácio. No prefácio, Torga questiona-se “se seria legítimo desirmanar cada um dos poemas” que foram seleccionados, e que “emparelham em livros entendidos como unidades redondas”. “Temia, além disso, a precariedade do critério que

os escolhesse. Nem sempre um autor é bom juiz em causa própria”, escreveu Torga. Miguel Torga é pseudónimo literário de Adolfo Correia Rocha, nascido em São Martinho de Anta, em Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907, falecido em Coimbra, a 17 de Janeiro de 1995. Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, colaborou na revista Presença, e dirigiu as revistas Sinal e Manifesto. Em 1976 foi distinguido

(2002), ‘Boca’ (2004) e ‘I Love Távora’ (2005). O evento conta com a curadoria de Michel Bouvet e com os comissários Pauline Jankowiak, Yann Legendre e Azadeh Yousefi. Lizá e Artur fundaram a R2, em 1995, um estúdio sediado no Porto e especializado em design de comunicação visual. Trabalham para diversas organizações culturais, artistas e arquitectos, tendo ganho inúmeros prémios  internacionais, participado num vasto número de exposições e sido publicados em inúmeros livros e revistas de design por todo o mundo. Actualmente são professores do curso de design e multimédia da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra. 

com o Grande Prémio Internacional de Poesia das Bienais Internacionais de Knokke-Heist. Em 1980, com o Prémio Morgado de Mateus, em 1981, com o Prémio Montaigne, em 1989, com o Prémio Camões e, em 1992, com os prémios Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores e Figura do Ano da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira, assim como o Prémio Écureuil de Literatura Estrangeira.

O último concerto O Teatro Alla Scala, em Milão, escancarou esta segunda-feira as portas e janelas, enquanto o maestro argentino Daniel Barenboim dirigia a orquestra para uma sala vazia, mas aberta à cidade, uma semana após a morte do antigo titular da Filarmónica. O concerto, de homenagem ao maestro Claudio Abbado, falecido há uma semana, no passado dia 20, pôde assim ser seguido a partir das ruas da metrópole lombarda, no norte da Itália, numa tarde fria, notícia a Efe. O concerto, pela Filarmónica de Milão, abriu com a 3.ª Sinfonia, de Beethoven, “Heroica”, com a sala vazia, mas a praça frente ao teatro abarrotada de gente que escutou a obra em silêncio, conforme noticia a agência espanhola. À primeira nota, a fachada do teatro foi coberta por uma penumbra, em sinal de luto pela

morte do maestro italiano, na sua residência em Bolonha, aos 80 anos. Natural de Milão, Abbado dirigiu, durante 18 anos, de 1968 a 1986, o Teatro Alla Scala. Segundo a Efe, 8.000 pessoas assistiram ao concerto na praça onde se encontra a estátua de Leonardo da Vinci. Com início às 18:00 locais, o concerto durou cerca de 60 minutos, tendo o município cortado o trânsito no centro da cidade, em sinal de respeito a Abbado. Giuliano Pisapia, presidente da Câmara de Milão, reafirmou a decisão e alterar o nome da Escola Cívica de Música “Villa Simonetta”, pelo de Claudio Abbado, por entender que “é a melhor escolha para honrar um grande milanês que ensinou todos a amar a música”, afirmou. Os trabalhadores do teatro levaram segunda-feira à praça uma pequena oliveira, recordando as 90.000 árvores que Abbado pediu em 2009 como pagamento para voltar a dirigir a Sinfónica de Milão. “Pedimos à Câmara para plantar na praça esta oliveira para que se torne na primeira árvore do centro histórico e, deste modo, honraríamos verdadeiramente a memória do maestro”, afirmaram os representantes dos trabalhadores.


JOGOS

DA

TAEKWONDO PORTUGAL CONQUISTA OITO MEDALHAS. RAEM SOBE AO PÓDIO

Macau três vezes ouro GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo Em Goa, Índia

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O dia em que Portugal conquistou oito medalhas, quatro de ouro e outras tantas de prata, Macau conseguiu a proeza de garantir três de ouro e duas de bronze na competição de taekwondo que teve lugar no Pavilhão Multiusos de Peddem, em Mapusa, durante a 3.ª edição dos Jogos da Lusofonia que decorrem em Goa até ao próximo dia 29. Mesmo com as provas a estenderem-se para além do tempo que estava previsto devido a uma avaria com os coletes electrónicos, o que deixou atletas, treinadores e espectadores com os nervos em franja, Hao Chao (-80 kg), nos masculinos, e Liu Qing (-67 kg) e Wang Junnan (+67 kg), nos femininos, levam para o território mais duas medalhas de ouro tornando esta edição dos Jogos da Lusofonia na melhor de sempre para as cores verdes de Macau. As medalhas de bronze foram conquistadas por Pun Chi Fai (-80 kg), nos masculinos, e Justina Lei (-49 kg), nos femininos. No final, a bonita atleta Liu Qing não disfarçava o contentamento. “Foi uma boa experiência esta aqui em

Goa. Estou muito contente por ter vencido a minha categoria.”

PORTUGUESES EM GRANDE

Durante o longo dia de provas, em que todos os atletas portugueses conseguiram alcançar as finais, as medalhas de ouro acabaram por ser conquistadas, nos femininos, por Joana Cunha (-57 kg) e, nos masculinos, por Rui Bragança (-58 kg), Mário Silva (-68 kg) e Júlio Alexandre (-80 kg). Ana Coelho (-49 kg), Joana Cardoso (-67 kg), Ana Patrícia Santos (+67 kg), nas senhoras, e Eduardo Sousa (+80 Kg), nos homens, garantiram a prata. Para o treinador da equipa das quinas, Pedro Póvoa, o balanço é “muito bom” num dia “cansativo”, marcado por “dificuldade técnicas” e “injusto” no resultado da lutadora Ana Coelho. “Merecíamos cinco medalhas de ouro em vez de quatro. Foram três toques à cabeça claríssimos e os árbitros não deram pontos. Fizemos o protesto, mas a comissão deu a vitória à Índia. Acho que foi uma injustiça. Não é assim que se fazem as coisas”, começou por dizer o antigo atleta olímpico. “Tivemos que fazer três finais com coletes normais e isso hoje em dia, e num evento como estes, é impensável”, afirmou Pedro Póvoa.

MEDALHEIRO PAÍS Índia Portugal Macau Sri Lanka Angola Moçambique Guiné-Bissau Cabo Verde Brasil São Tomé e Príncipe Timor-Leste Total

OURO PRATA BRONZE TOTAL 29 24 26 79 18 12 10 40 10 5 14 29 5 10 12 27 5 8 14 27 4 3 5 12 2 1 0 3 1 6 5 12 0 1 2 3 0 1 0 1 0 0 1 1 65 62 77 204

LUSOFONIA FOTOS GONÇALO LOBO PINHEIRO

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Futebol Macau vai lutar pelo terceiro lugar com o Sri Lanka

A selecção de futebol da RAEM, liderada por Leung Sui Wing, não conseguiu levar de vencida a sua congénere indiana e perdeu, nas meias-finais, por 0-2, numa partida disputada no Estádio Fatorda, em Margão. Com um futebol mais fluído do que aquele apresentado, principalmente no primeiro jogo do torneio, Macau, mesmo não deitando a toalha ao chão, cedo percebeu que não tinha capacidade de chegar mais à frente. Durante grande parte do jogo a perder pela margem mínima, viu a equipa indiana fazer o segundo tento já muito perto do final, sentenciando ali o jogo. A selecção do Lótus vai agora tentar chegar à medalha de bronze num jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares com o Sri Lanka.

Voleibol de praia Portugal conquista as duas medalhas de ouro

As duplas portuguesas José Pedrosa/Pedro Rosas e Juliana Antunes/Ana Freches venceram as finais de voleibol de praia dos Jogos da Lusofonia. Na prova feminina, Juliana Antunes e Ana Freches subiram ao lugar mais alto do pódio, depois de baterem o par principal do Sri Lanka por 2-0 (21-08 e 21-09). A principal dupla de Moçambique, formada por Joaquina Roque e Sátira Chongo, ficou com a medalha de bronze. Portugal também encontrou o Sri Lanka na final masculina, com José Pedrosa/Pedro Rosas a imporem uma derrota a Wasantha Rathnapala/ Mahesh Perera, por 2-1, com os parciais de 17-21, 21-17 e 15-11.

Atletismo Cláudia Pereira vence corrida de 10 km

Na manhã de ontem, a atleta portuguesa Cláudia Pereira arrecadou a medalha de ouro na corrida de 10 km no sector feminino. A corrida, com começo às 7h45 da manhã (hora local), foi facilmente vencida pela veterana atleta de Vila Nova de Famalicão. Nos masculinos, Bruno Albuquerque ficou-se pela quarta posição.

Wushu Primeiro dia dá seis ouros, uma prata e um bronze

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O primeiro de dois dias de competição, os atletas de Macau não decepcionaram. Para além de terem conseguido chegar a diversas finais, ontem, no Pavilhão Multiusos de Peddem, em Mapusa, Goa (Índia), Lei Weng Si, em femininos, conseguiu conquistar duas medalhas de ouro nas disciplinas de Dao shu e Chang quan. Wu Chi In, em masculinos, venceu a categoria de Dao shu. Em Taiji quan, Tong Weng Fai, em homens, e Ho Pui Kei, em senhoras, também conseguiram chegar ao lugar mais alto do pódio. A outra medalha de ouro, na categoria de Nan quan, foi para a atleta Chan Ian I. A prata ficou para Song Chi Kuan em Jian shu e o bronze, nos masculinos, foi também para Wu Chi In em Chang quan, que já havia ganho o ouro em Dao shu. Hoje seguem mais competições da modalidade, com Macau e Portugal, bem como a Índia, a terem grandes possibilidades de chegarem aos lugares mais altos do pódio. – G.L.P. PUB


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DESPORTO

JOÃO MARIA PEGADO, TREINADOR DO SPORTING CLUBE DE MACAU

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“Todos os jogos serão encarados como Ano Novo, nova época. A China celebra a majestosa chegada do Cavalo, mas nos relvados de Macau o ano poderá ser o da afirmação do leão. O Sporting Clube de Macau estreia-se em Fevereiro na Liga de Elite e assume que a principal prioridade é garantir a manutenção no convívio dos grandes de futebol de Macau. João Maria Pegado, treinador dos leões, fala do desporto-rei do território, das responsabilidades da Associação de Futebol e das dificuldades com que o Sporting se poderá deparar MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

É um desafio de monta, a estreia na Primeira Divisão. Confiante para a primeira temporada do Sporting Clube de Macau na Liga de Elite? Muito confiante, depois do investimento feito pelo clube e pelo nosso patrocinador, a MGM. Só posso estar confiante numa boa época com os jogadores que tenho à minha disposição. Os reforços são suficientes para que o Sporting assine um desejado brilharete por entre os grandes do futebol de Macau? O plantel já está fechado ou virão ainda mais contratações? Neste momento, a equipa está fechada. Não vão sair, nem vão entrar mais jogadores. Posso dizer-lhe garantidamente que os reforços e o plantel de que dispomos são suficientes para conseguirmos bons resultados, muitas vitórias e muitas alegrias na Primeira Divisão. Estreia exigente na Liga de Elite, frente ao campeão em título, o Clube Desportivo Monte Carlo. A equipa de William Chu aposta tudo na revalidação do troféu e reforçou-se bastante com esse objectivo em vista. Como será este encontro? Um desafio de nervos? Acho que o calendário dificilmente poderia ser melhor. Defrontar o campeão em título dá a motivação necessária à equipa. Retira-me das costas a incumbência de estar a motivar os meus jogadores, porque defrontar o campeão é já motiva-

ção suficiente. Não partimos com qualquer tipo de pressão para esse jogo. Se ganharmos será óptimo, um grande incentivo para esta equipa para o resto do campeonato. Se empatarmos ou perdermos, se somarmos outro resultado que não a vitória, ninguém nos vai cobrar nada, portanto acho que não poderíamos exigir um melhor desafio para o arranque do Campeonato. Estamos muito ansiosos e muito entusiasmados por poder disputar este desafio. Subscreve o que foi dito por António Conceição Júnior, presidente do Sporting Clube de Macau? Os objectivos para a temporada de estreia na Liga de Elite passam pela manutenção? Ou vão jogar com os olhos postos em algo mais? Concordo plenamente. Nós estamos sempre em sintonia. A direcção e a equipa técnica e os jogadores, toda a estrutura pensa o mesmo e nutre o mesmo objectivo. Por um lado, porque somos uma equipa que acaba de chegar à Primeira Divisão e a prioridade terá que ser sempre lutar pela capacidade de nos mantermos no primeiro escalão. Ao longo do campeonato vamos vendo o que vai acontecendo. Se as vitórias começarem a surgir, as responsabilidades aumentarão e os nossos objectivos crescerão na mesma medida, mas por agora, a manutenção é, de facto, a nossa principal meta. O facto da Liga de Elite ser este ano disputada por nove equipas é para o Sporting uma benesse ou uma maldição?


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perdemos por cinco a zero, mas foi bonito ver as bancadas preenchidas, coloridas, com muita gente, sobretudo portuguesa. Espero que este cenário se volte a repetir das duas ocasiões em que nos vamos encontrar, que seja uma festa bonita, que vá gente ao estádio e que todos possam desfrutar do bom futebol que o Sporting vai, certamente, apresentar.

uma batalha” Não vejo vantagens nem desvantagens. A única coisa que lhe posso adiantar é que sinto alguma tristeza pelo facto das equipas de Macau estarem a desaparecer, se calhar devido à falta de apoio da Associação de Futebol. A única desvantagem que vejo é o facto de uma equipa ser forçada a folgar ao fim-de-semana. De resto não vejo vantagens ou desvantagens nisso. Temos de competir contra outras oito equipas, portanto não será fácil. Como lhe dizia, desperta-me alguma tristeza ver equipas como o Lam Pak a abrir mão do Campeonato.

Sinto alguma tristeza pelo facto das equipas de Macau estarem a desaparecer, se calhar devido à falta de apoio da Associação de Futebol. A questão já não é nova, mas colocou-lhe algumas dificuldades na estruturação do grupo de trabalho que orienta, a decisão da Associação de Futebol de Macau de restringir a utilização de jogadores estrangeiros e de titulares de BIR’s não permanentes? Dificultou, de certa maneira. A decisão foi anunciada muito em cima do início do Campeonato, que depois acabou por ser adiado. Nós começamos a preparar a época cedo para evitar surpresas e a surpresa acabou por emergir do seio da própria Associação de Futebol quando nos informou que só podíamos alinhar de início com um determinado número de jogadores não permanentes, titulares do Bilhete de Identidade de Residentes Não Permanentes. A decisão acabou, inevitavelmente, por nos afectar. Já tínhamos a equipa fechada e ficámos sem margem de manobra para fazer grandes alterações. Além disso, tínhamos dado a palavra aos nossos jogadore. Somos uma equipa que cumpre os seus compromissos e vamos manter a palavra até ao fim. Se calhar teria sido fácil responder a esta decisão da Associação de Futebol de Macau com uma pequena remodelação do plantel, mas o Sporting tem princípios e continuamos com os

Prontos para vingar a derrota da época passada? Estamos prontos para ganhar todos os jogos, isso sim.

mesmos jogadores, acreditamos nas opções que temos. Dificultou-nos um bocadinho a vida, esta decisão, mas são as regras do jogo e temos de as aceitar. Se tivesse que enunciar os nomes dos rivais para a nova época, quem diria que são os maiores obstáculos no caminho do leão? Os principais obstáculos são as outras oito equipas. Não vou enumerar esta ou aquela equipa. Chegámos à primeira divisão e a este nível todas os adversários são difíceis. Só conhecemos um, que é o Lai Chi, que veio connosco do Campeonato da II Divisão. Será tudo rival, todos os jogos serão encarados como uma batalha em que é necessário triunfar e esse será o nosso grande desafio, vencer jogo após jogo. Seria displicente da minha parte considerar que uma ou outra equipa poderá ser mais ou menos difícil ou mais ou menos acessível. Rivais são todos. A aparente instabilidade no seio de algumas das equipas que o Sporting vai enfrentar na Liga de Elite pode jogar a favor das aspirações da equipa que dirige? Falo da entrada de novos treinadores em equipas como o Benfica ou o Chao Pak Kei … Digo-lhe o mesmo que disse o

presidente António Conceição Júnior à imprensa. Só temos de nos preocupar com a nossa equipa, com nós próprios. As decisões das outras equipas não nos dizem

Conhece bem a Academia do Sporting Clube de Portugal. O Sporting Clube de Macau anunciou recentemente que está a ultimar a assinatura de um protocolo de cooperação com a casa-mãe. Que vantagens poderão advir para o clube este reforço do entendimento com o Sporting

Neste momento, a equipa está fechada. Não vão sair, nem vão entrar mais jogadores. Posso dizer-lhe garantidamente que os reforços e o plantel de que dispomos são suficientes para conseguirmos bons resultados, muitas vitórias e muitas alegrias na Primeira Divisão respeito. Só nos dirão respeito uma semana antes de jogarmos com elas, quando nos prepararmos para as defrontar. Temos, sobretudo de nos preocupar connosco próprios, como o presidente mencionou. Este ano teremos pela primeira vez na Liga de Elite um “clássico” oriental com cores lisboetas, digamos assim. O Benfica é um rival especial ou nem por isso? Já que toca nisso, creio que a presença das duas equipas no primeiro escalão proporciona, sobretudo, uma festa bonita. Na época passada – não sei se se recorda – houve um Sporting – Benfica para a Taça logo na primeira eliminatória. Nós

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Clube de Portugal? Acredita na possibilidade de um dia vir a receber jogadores formados na Academia de Alcochete? Ainda na semana passada a Academia do Sporting foi considerada a quarta melhor academia do mundo e seria, obviamente, muito bom receber jogadores, receber apoio técnico. Seria sempre algo de muito benéfico receber jogadores profissionais, técnicos profissionais que pudessem ajudar ao desenvolvimento do futebol de Macau. Se o protocolo se concretizar – este dossier está nas mãos do presidente e ele está muito empenhado nisso – é óbvio que ficaremos muito contentes.


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FUTILIDADES

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POR MIM FALO Pu Yi

SALA 1

CONTROL [C]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Kenneth Bi Com: Daniel Wu, Yao Chen, Simon Yam, Leon Dai 14.30, 16.15, 18.00

FROM VEGAS TO MACAU [C] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Wong Jing Com: Chow Yun-Fat, Nicholas Tse, Chapman To, Benz Hui 19.45, 21.30 SALA 2

HOURS [B]

Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 16.30, 21.30

SAVING MR. BANKS [B] Um filme de: John Lee Hancock Com: Tom Hanks, Emma Thompson, Colin Farrell, Paul Giamatti 19.15 SALA 3

THE STARVING GAMES [C]

Um filme de: Jason Friedberg, Aaron Seltzer Com: Maiara Walsh 14.30, 16.15, 17.45, 19.30

SAVING MR. BANKS [B] Um filme de: John Lee Hancock Com: Tom Hanks, Emma Thompson, Colin Farrell, Paul Giamatti 21.15

Lista

Diogo Morgado Chove em Hollywood • A personagem de Jesus Cristo em ‘A Bíblia’ está a fazer maravilhas pela carreira internacional de Diogo Morgado. A 28 de fevereiro estreia, nos Estados Unidos, ‘Son of God’ (‘Filho de Deus’), uma versão cinematográfica da série que bateu recordes de audiências naquela país. “Para mim é um sonho tornado realidade. Quando Mark Burnett e Roma Downey [produtores] me chamaram para participar no filme e tive oportunidade de ler o guião, fiquei novamente apaixonado”, disse o ator em entrevista à edição espanhola da ‘Venue Magazine’. “O filme vai fazer com que as gerações mais novas que nunca leram a Bíblia fiquem surpreendidas com a história e as mais velhas fascinadas com a forma como a adaptámos ao grande ecrã”, acrescentou. Questionado sobre novos projetos, Diogo Morgado respondeu que existem vários já confirmados, apesar de não adiantar quais. “Em primeiro lugar tenho de terminar uma novela em Portugal [‘Sol de Inverno’] e só depois volto para Los Angeles, onde me vou estabelecer durante algum tempo. Graças a esta grande oportunidade com que me brindaram estão a chover ofertas em Hollywood”, revela o ator, para quem o segredo do sucesso é “nunca esquecer as origens e manter-se fiel a si mesmo.”

fonte da inveja

A FALTA Jessie Pavelka é um rapaz com nome de gaja. Mas não se iludam as nubentes. Ele está disposto a elas e muito mais. Chegado a Cheok Van comentou em mandarim: “Chi-ce! Que falta de mulheres nesta praia!” Pois, caro Jessie, sofremos do mesmo mal.

João Corvo

É na figura feminina que podemos vislumbrar uma réstia de divindade.

Hoje deixo-vos aqui uma lista de coisas que stressam os jornalistas. Como gato de redacção que sou – e por tantas vezes ter de escrever o que não me agrada -, sinto-me na obrigação de vos mostrar por aquilo que passa um jornalista, constantemente à mercê dos comentários desdenhosos dos caros leitores, das análises profundamente surreais aos nossos artigos e pelo facto de sermos como Jesus na cruz, a ser chicoteados quando escrevemos a verdade. E também porque é engraçado. - o jornalismo em geral: é o pânico e faz-nos pensar “porque raio escolhi esta profissão?” - quando nos apercebemos que a conferência de imprensa a que temos de ir começa em dez minutos e é do outro lado da cidade: especialmente em Macau, tão pequenino, mas onde andar a pé não funciona, andar de autocarro não funciona e andar de táxi não é possível - quando o nosso computador pára e não guardamos a nossa história - quando estamos já no autocarro, a caminho de casa, a altas horas da noite e pensamos constantemente “mudei aquela minha entrada??” - no caso de Macau, quando temos de escrever a nossa quinta resposta do Governo onde ‘harmonia’, ‘estudos aprofundados’ e ‘estreita comunicação’ são as palavras-chave em todos eles e não há qualquer informação decente para dar ao público - quando recebemos um direito de resposta de alguém que, no dia anterior, disse exactamente o oposto que quer desmentir - quando nos apercebemos que o gravador não está ligado a meio de uma entrevista - quando nos roubam um ‘furo’ ou, no caso de Macau, quando pedimos informações a um serviço público e eles nos espetam com essas informações na plataforma do Governo, para todos os média verem - trabalhar com quatro horas de sono - quando o nosso editor nos pede para escrever ‘só mais uma breve’ mesmo no final do nosso dia, quando acabamos de desligar o computador - as respostas ‘não temos comentários’ que, no caso de Macau, chegam seis meses depois da nossa pergunta - quando as fontes não ligam de volta - quando o nosso telemóvel morre a meio do dia - quando nos perguntam ‘pode enviar as suas questões por email?’ que, no caso de Macau, é sempre.


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OPINIÃO

hoje macau quarta-feira 29.1.2014

A questão do Estado operário no marxismo

O

Milton Pinheiro texto de György Lukács, “O Estado como arma”, entra, de forma seminal, no debate sobre os conselhos operários apresentando uma posição: o cenário da luta de classes cresce e compreende o conjunto desbloqueado dos espaços onde ela se pode revelar, contribuindo, assim, para explodir as cidadelas do Estado e as suas fronteiras. Na posição de Lukács, agora luta-se contra o Estado, mas também o Estado se manifesta enquanto “arma da luta de classes”. O filósofo húngaro localiza em Marx e Engels, distanciando-os dos oportunistas da Segunda Internacional, a tese de que a questão do Estado é extremamente relevante para as possibilidades da revolução proletária, utilizando-se dessa abordagem como referencial para enfrentar a “essência revolucionária” de sua época. Lukács qualificou os pensadores reformistas do

período em questão como sendo aqueles que capitularam ao modelo de Estado desenvolvido na sociedade burguesa, e essa crítica se dirige essencialmente a Kautsky e a Bernstein. Neste texto inédito encontramos, ainda, a notável influência de Lenine. Lukács reconhece a relação teórica daquele com Marx na interpretação de uma “posição proletário-revolucionária sobre o problema do Estado”, salientando que Lenine não fez uma abstracção sobre a questão, mas levantou o problema a partir das tarefas dos trabalhadores que faziam o conflito na luta de classes, tendo como eixo central a direcção da tomada do poder. Na interpretação de Lukács, Lenin rompeu com o programa de uma teoria geral do Estado baseada em postulados diletantes e, pautado pelas análises concretas feitas por Marx sobre a Comuna de Paris, avançou no debate sobre a questão do Estado, como afirmei, a partir das contradições do momento histórico em que as lutas do proletariado se projectavam em um cenário em aberto. Transparece nos estudos de Marx, Engels

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Fornecimento de serviços de coordenação, produção e de execução da actividade “Celebração da chegada do Verão”, na Praia de Hác-Sá, a 1 de Maio Concurso Público no001/SCR/2014 Faz-se público que, nos termos da alínea 46 da deliberação n.º2/2014 do Conselho de Administração, de 10 de Janeiro de 2014, se encontra aberto concurso público para o Fornecimento de serviços de coordenação, produção e de execução da actividade “Celebração da chegada do Verão”, na Praia de Hác-Sá, a 1 de Maio. O limite máximo do valor global da prestação de serviços é de três milhões e quinhentas mil patacas (MOP3,500,000.00). O Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e a Tabela das Exigências Específicas encontram-se à disposição dos interessados no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM, sito na Avenida de Almeida Ribeiro, no 163, r/c, Macau, todos os dias úteis, durante as horas normais de expediente. As propostas deverão ser entregues até às 17:00 horas do dia 24 de Fevereiro de 2014 ( 2ª feira). O proponente ou o seu representante, deve entregar a proposta e os seus documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM. Com a proposta, deve o proponente apresentar uma caução provisória, no valor de sessenta mil patacas (MOP60,000.00), mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução a favor do IACM ou cheque bancário, entregue directamente na Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros/Tesouraria do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro, n.° 163, r/c. O IACM realizará a este respeito uma sessão de esclarecimento pelas 15:00 horas do dia 12 de Fevereiro de 2014 ( 4ª feira), no Centro de Formação deste Instituto, sito no 6.º andar do Edifício China Plaza. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á pelas 15:00 horas do dia 25 de Fevereiro de 2014 ( 3ª feira), no Centro de Formação deste Instituto, sito no 6.º andar do Edifício China Plaza. Macau, aos 23 de Janeiro de 2014. O Presidente, Substituto, do Conselho de Administração Vong Iao Lek WWW. IACM.GOV.MO

Lukács critica a ideia de democracia da socialdemocracia e o seu projecto de “agitação pacífica” para a modificação da sociedade de forma não revolucionária, ao considerar que, para se chegar ao socialismo, as ideias dos trabalhadores irão num crescendo até a conquista do poder e, principalmente, em Lenine - chamado à atenção por Lukács - que a questão do Estado é o objectivo que deve movimentar os trabalhadores nas tarefas quotidianas, e não apenas quando se apresentar o “objectivo final”.Para Lukács, Lenine deu a importância devida ao papel do Estado no tempo presente, o que contribuía para educar os trabalhadores na sua luta pelo poder. Mas isso ocorria, principalmente, porque ele acentuava em suas análises o papel do “Estado como arma da luta de classes”. Nessa luta sobre o Estado, Lukács avança, antecipando um grande debate contemporâneo, ao sinalizar que os instrumentos de luta em curso (partido, sindicato e cooperativas) são, já naquele momento, “insuficientes para a luta revolucionária do proletariado”. A perspectiva projectada pelo autor é a construção de uma representação que unifique todo o proletariado às amplas massas, ainda dentro da sociedade burguesa, para pôr a revolução “na ordem do dia” - e, para ele, esse instrumento seria os conselhos operários. Nas formulações de G. Lukács, os conselhos aparecem como “organização de toda a classe”. Eles devem agir para desorganizar “o aparelho de Estado burguês”. Nessa conjuntura de desorganização, eles, enquanto representação de classe, deverão entrar em choque com a possível tentativa da burguesia de impor uma ampla repressão para recompor o seu poder. É diante desse cenário que os conselhos operários se apresentam como aparelhos de Estado na perspectiva da “organização da luta de classes”. A partir de sua análise sobre a Rússia em 1905, os conselhos “são um contra-governo” que enfrenta o “poder estatal da burguesia”. É importante salientar ainda a crítica de Lukács a Martov: este último compreende os conselhos “como um órgão de luta”, sem necessariamente transformar-se em aparelho de Estado, enquanto, para o primeiro, essa posição afastaria os trabalhadores da revolução e da “real conquista do poder pelo proletariado”.

Nesse debate, surge uma polémica sobre o papel do sindicato e do partido. Lukács criticou aqueles que queriam substituir de forma permanente esses dois instrumentos pelos conselhos, confundindo o entendimento do que seja, ou não, uma situação revolucionária. Ele afirma que o conselho operário, enquanto aparelho de Estado, “é o Estado como arma na luta de classes do proletariado”. Mas, para fazer a defesa dessa posição leninista, Lukács ataca o reformismo oportunista e sua “capitulação ideológica à burguesia”. Ainda nesse debate, critica a ideia de democracia da social-democracia e o seu projecto de “agitação pacífica” para a modificação da sociedade de forma não revolucionária, ao considerar que, para se chegar ao socialismo, as ideias dos trabalhadores irão num crescendo até a conquista do poder. Os reformistas se mantêm no campo da “democracia pura, formal”, e se iludem com o voto do cidadão abstracto, considerado por Lukács como “átomos isolados do todo estatal”, na contramão das pessoas concretas, “que assumem um lugar na produção social, que seu ser social (que articula o seu pensamento etc.) é determinado por essa posição”. Dentro dessa temática (democracia), o crítico húngaro identifica o “domínio minoritário da burguesia” na “desorganização ideológica” para transformar a democracia pura e formal num instrumento de regulação da vida social. Para responder a essa situação (desorganização), os conselhos devem ser reconhecidos como o “poder de Estado do proletariado”, ao passo que avançam para destruir “a influência material e ideológica da burguesia” sobre as massas. Garantir o contrafogo ideológico é contribuir para o surgimento de condições de direcção do proletariado “no período de transição”. Agora o proletariado, tendo os conselhos como sistema de Estado, deve marchar para continuar destruindo a burguesia em todas as suas frentes. Neste sentido, o sistema de conselhos, agindo de forma educativa e autónoma, deve incentivar uma participação que articule “uma unidade indivisível entre economia e política, ligando, desse modo, a existência imediata das pessoas, os seus interesses quotidianos etc. com as questões decisivas da totalidade” e contribuindo assim para evitar a burocratização. Para Lukács, esse movimento do sistema de conselhos e do Estado proletário “é um factor decisivo na organização do proletariado em classe”, permitindo que, agora, o tornar-se consciente e classe para si se efective. Para Lukács, com base em Lenine, o Estado proletário é abertamente um Estado de classe, sem a farsa montada pela burguesia para transformar o seu Estado em Estado de todos. Mais uma vez, esse debate teórico demonstra que a actualidade da revolução ainda hoje passa pela problemática do Estado e do socialismo. Portanto, os conselhos operários estão na génese dessas possibilidades.


opinião 19

hoje macau quarta-feira 29.1.2014

CORREIA MARQUES

a paliçada

P

ORTUGAL atravessa incontestavelmente um dos momentos mais decisivos de toda a sua História. Momento que nos abre perspetivas francamente otimistas, mas que todavia se nos apresenta com algumas nuvens negras. São muitos e graves os problemas a resolver e os obstáculos a vencer. Obstáculos esses na sua maioria esquecidos ou habilmente contornados pelo governo fascista durante quarenta e oito anos. Sem dúvida um pesado fardo posto nos ombros dos verdadeiros portugueses que, unidos, terão de construir um Portugal novo onde floresçam a justiça e a liberdade e o Povo não mais seja espezinhado e amordaçado. Onde não haja máquinas de opressão, desde a repressão cultural dos governos salazaristas-marcelistas em que se procurava a todo o transe manter o povo na ignorância, até à prisão arbitrária e tortura dos elementos que, mais esclarecidos, tentavam por qualquer forma quebrar as grilhetas e conduzir o povo a lutar pelos seus direitos. É difícil a tarefa que se nos depara, difícil tanto mais quanto não haverá dúvidas existirem muitos oportunistas que tentarão impedir e destruir tudo o que se tente fazer no sentido de libertar o povo da opressão capitalista. Há que mentalizar as massas populares, levar a cabo uma autêntica revolução cultural. Há que elucidar e politizar. Cabe à imprensa em geral, não excluíndo, antes dinamizando a imprensa regional, um importante papel nesta obra. Assim venho, dentro desta linha de rumo, dar o meu modesto contributo ao «NOTÍCIAS» de que sou assinante e que espero ver dinamizado e ao serviço do povo do nosso concelho. O fascismo, não nos iludamos, não foi ainda aniquilado, ele espreita para minar e destruir, sempre que ingenuamente nós lhe proporcionemos ocasiões para isso, tudo o que se tente construir no caminho da democracia e da defesa dos menos favorecidos. Os oportunistas e os camaleões que no dia 24 eram lacaios ou «tachistas» do regime andam por aí. Por cair o fascismo, repito, ele não está ainda aniquilado e a luta não terminou. O povo tem direitos e por eles terá de lutar, terá que saber reivindicar, terá que apontar erros, desmascarar planos ardilosos; em suma, terá que ser ativo e participante, pois só assim alcancará a sua emancipação e os seus direitos. Assim, vamos dedicar mais espaço, se possível (não me esqueço das dificuldades), a coisas úteis. Por vezes vale mais pouco e bom do que arrazoadas de asneiras e questiúnculas pessoais. Avante que a hora é de construção e o caminho terá de ser o da igualdade e justiça social.

EDWARD HOPPER, CONFERÊNCIA NOCTURNA

Pontos de vista

Isto escrevi e publiquei em 1975, no extinto jornal «Notícias de Penacova», agora adaptado ao novo Acordo Ortográfico. E se descontarmos alguma linguagem ingénua e radical própria da época e de quem tinha apenas 23 anos mas já tinha passado pela guerra colonial e trabalhava e estudava ao mesmo tempo, vivendo independente fora de casa dos pais, tudo se mantém extremamente atual no nosso malogrado país. Tudo menos as «perspetivas francamente otimistas». Nessa altura sonhavamos mudar o mundo e o mundo mudou, mas feito o balanço final, nos dias de hoje não mudou para melhor. Que o mundo me não mude a mim, é o meu desejo atual. E que alguns jovens que, por aí, apregoam aos quatro ventos que a culpa do estado a que o mundo chegou é dos pais que os trouxeram ao mundo e para lhes darem tudo em berço de oiro se sacrificaram mas que agora que já não produzem deviam era morrer para não sobrecarregarem os jovens com o custo das suas pensões e dos medicamenetos que a idade os força a tomar, não se deixem iludir pelos cantos da sereia dos poderosos, que a esmagadora maioria deles nunca chegarão

Nessa altura sonhávamos mudar o mundo e o mundo mudou, mas feito o balanço final, nos dias de hoje não mudou para melhor a ser, arrepiem caminho e criem um mundo novo, rejeitando o individualismo feroz e desumano que lhes impingem. Lembrem-se que menos de 2% dos ricos abocanham mais de 50% da riqueza do planeta. Não se esqueçam que o capital não tem alma nem pátria e que só a unidade de esforços dos oprimidos, a nível global, lhes pode fazer frente. E sobretudo (sem paternalismo e ciente da inevitabilidade de serem os jovens a governarem o mundo de amanhã) não se esqueçam que a teoria que se alimenta do confronto entre jovens e velhos é uma teoria falaciosa e que fragiliza sobretudo os próprios jovens porque as leis da natureza vos tornam menos jovens a cada dia que passa. «Filho és, pai serás».

Imaginem uma greve mundial dos bancários ou dos transportes. Mas não, habilmente os donos do Mundo dividem para reinar: colocam os trabalhadores privados contra os funcionários públicos, os jovens contra os velhos, países contra países, muçulmanos contra católicos, mulheres contra homens, etc e vice-versa. E controlam a imprensa que só transmite más notícias para que as pessoas se acomodem e pensem que afinal vivem num cantinho do céu porque há muita gente a viver ainda pior. São eles (os do Grupo Bilderberg e quejandos) que apregoam o fim das ideologias para que reste apenas a sua: este mercado cego, desumano e selvagem em que as pessoas são tão ou mais descartáveis do que os lenços de papel. Cá por mim, não, obrigado!, burro velho vale mais matá-lo que ensiná-lo, por isso, compartilho convosco o que escrevi em 1975 e continuo fiel à ideologia do socialismo enquanto liberdade de autodeterminação da pessoa humana, diversidade e humanismo, solidariedade e justiça social. Este artigo é escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quarta-feira 29.1.2014

Cabo Verde Macau analisa investimentos

cartoon por Stephff

O cônsul honorário de Cabo Verde em Macau chega na quarta-feira à Cidade da Praia para analisar com as autoridades cabo-verdianas eventuais áreas de negócio e de investimento no sector do turismo, indica um comunicado oficial. No documento, o Ministério das Relações Exteriores (MIREX) de Cabo Verde não adianta, porém, quais os encontros que o também empresário David Chow Kam Fai terá na Cidade da Praia, onde permanecerá até quinta-feira. Na quarta-feira à tarde, David Chow Kam Fai entregará uma verba financeira, não divulgada, ao Banco de Cultura, entidade que promove o desenvolvimento cultural local, e à Associação de Amizade Cabo Verde/ China (AMICACHI).

2014 Mentiras sobre habitação

O número de transacções de casas em 2014 não vai ser superior a oito mil. As previsões são da agência imobiliária Centaline. De acordo com a Rádio Macau, as razões devem-se ao facto de “haver poucos projectos de construção de novas fracções” e os proprietários de imóveis para habitação “não estarem interessados” em vender. O pagamento do imposto de selo especial também “retira a vontade” de investir aos compradores. Por tudo isto, a oferta será menor do que a procura. A Centaline antevê assim “desequilíbrios” no mercado imobiliário, que podem causar pressão nos preços, diz a Rádio. A Centaline diz, ainda assim, que, quanto à tendência de subida dos preços de venda vai ser registado um abrandamento em relação aos últimos meses. O Hoje Macau não acredita.

TurboJet aumenta rotas para o Ano Novo

A operadora de ferries TurboJet anunciou ontem em comunicado que vai aumentar as rotas no período do Ano Novo Chinês, nomeadamente entre hoje e o dia 9 de Fevereiro. Será oferecida mais 60% de capacidade em termos de viagens entre Hong Kong e Macau por forma a “dar resposta à grande procura”. A TurboJet vai implementar “medidas e planos de contingência especial”, exigindo-se aos passageiros que tomem atenção às instruções fornecidas nos terminais marítimos, aconselhando-se ainda a reserva de bilhetes através do website da TurboJet.

Filipinas Roleta aberrante

A Amnistia Internacional (AI) denunciou que a polícia das Filipinas abusa fisicamente de alguns prisioneiros por mera diversão num jogo de “roleta” e criticou a “lamentável falta de controlo sobre as forças de segurança do país”. Num comunicado emitido ontem, a organização instou o Presidente filipino, Benigno Aquino, a intervir para acabar com os abusos que se cometem numa sala secreta situada nas instalações da polícia. “Que os agentes da polícia usem a tortura ‘ para se divertir ‘ é desprezível. São actos aberrantes”, disse a porta-voz da AI, Hazel GalangFolli. “A suspensão dos agentes não é suficiente. Os polícias que cometeram irregularidades e os seus superiores devem prestar contas perante os tribunais”, acrescentou.

Direita perde referência

TAIWAN E CHINA EVITAM TEMAS SENSÍVEIS

A força de ser um povo O

ministro de Taiwan para assuntos relacionados com a China vai-se encontrar em Fevereiro com o vice-ministro do MNE chinês, responsável pelas relações com Taiwan, no que será a reunião oficial de mais alto nível entre os dois lados desde 1949, mas, segundo disse o ministro de Taiwan nesta terça-feira, não vão discutir “temas políticos sensíveis”.

O encontro de 11 a 14 de Fevereiro entre o ministro de Assuntos Continentais de Taiwan, Wang Yu-chi, e o vice-ministro de Exterior da China, Zhang Zhijun, que chefia o Gabinete para Assuntos de Taiwan, será um grande passo para ampliar o diálogo entre os dois lados para além de temas económicos e de comércio. “A viagem não vai tratar de temas políticos sensíveis”, disse Wang.

Em Outubro, o presidente da China, Xi Jinping, afirmou que uma solução política para o impasse não poderia ser adiada eternamente. No entanto, o presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, disse depois não ver urgência para diálogo político e defendeu o foco no comércio. O objetivo do encontro, segundo Wang, é criar “um mecanismo de comunicação para evitar mal-entendidos”.

Pais vegetarianos matam bebé por raquitismo agudo Os pais vegetarianos de um bebé de cinco meses que morreu de raquitismo agudo estão a responder à acusação de homicídio num tribunal em Londres.Nkosiyapha Kunene, de 36 anos, e Virginia Kunene, 32, declararamse culpados da acusação de homicídio culposo - quando não há a intenção de matar. Segundo o jornal britânico Daily Telegraph, acredita-se que o casal seguia uma dieta ovo-lacto-vegetariana que permite o consumo de leite e ovos, mas não de carne. «Devido à dieta (que Virginia Kunene) seguiu, a criança ficou doente»,

disse o promotor do caso, Richard Whittam, acrescentando que este foi um «caso trágico». Não foram revelados detalhes sobre a alimentação dada ao bebé. O juiz, Rabinder Singh, afirmou que está «a analisar todas as opções» antes de proferir a sentença. «A gravidade do crime pelo qual a vida de um bebé foi perdida é clara para todos», disse numa audiência na segunda-feira. Os dois estão a responder ao julgamento sob liberdade condicional. O raquitismo é uma doença que afecta o desenvolvimento dos ossos, deixando-os fracos, e é causada

por uma deficiência de vitamina D e cálcio. A causa da doença é uma dieta pobre em nutrientes ou alguma outra doença que afecte como as vitaminas e minerais são absorvidos pelo corpo. O raquitismo costumava ser comum no passado, mas a doença quase desapareceu nos países ocidentais devido à adição de vitamina D a alimentos como cereais e margarina. Qualquer criança pode sofrer de raquitismo, mas crianças de pele escura (já que é necessária uma quantidade maior de luz solar para conseguir vitamina D) e crianças prematuras são mais susceptíveis à doença.

O general António Soares Carneiro, que se candidatou à Presidência da República em 1980 apoiado pela Aliança Democrática (AD), morreu esta terça-feira, avança a edição online do Jornal de Notícias, citando fonte familiar. Soares Carneiro, que completou 86 anos no passado sábado, obteve 40% dos votos nas eleições presidenciais de 1980, sendo derrotado pelo general Ramalho Eanes. Quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, Soares Carneiro ocupou o cargo de Chefe do Estado-maior general das Forças Armadas.

Isabel II gasta demais

O Palácio de Buckingham deveria ser aberto para receber visitantes pagantes quando a rainha não estiver na residência, sugere um relatório preparado por uma comissão do Parlamento britânico. O Comité de Contas Públicas fez a sugestão após analisar os gastos da Casa Real, departamento que gere e administra os negócios oficiais da rainha Isabel II. O relatório concluiu que as contas deixaram um rombo de 2,3 milhões de libras no Sovereign Grant, fundo de 31 milhões de libras de dinheiro público atribuído à rainha todos os anos para gastar nas suas funções oficiais. O dinheiro, atribuído pelo Tesouro, é usado para pagar os gastos com compromissos oficiais, funcionários e a manutenção dos palácios. O rombo teve que ser coberto com um fundo de reserva. O comité criticou a Casa Real pelo rombo. A presidente do comité, a deputada trabalhista Margaret Hodge, disse que havia «enorme margem para poupança» nos gastos da monarca.

Hoje Macau 29 JAN 2014 #3021  

Edição do jornal Hoje Macau N.º3021 de 29 de Janeiro de 2014

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