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Agência Comercial Pico • 28721006

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Mop$10

Ter para ler

Director carlos morais josé • sexta-feira 28 de junho de 2013 • ANO XII • Nº 2881

muito nublado min 28 max 32 hum 65-90% • euro 10.4 baht 0.2 yuan 1.3

eleições

Fong chi keong abandona assembleia. Chui Sai peng ocupa o seu lugar

Transportes Reolian contra-ataca e coloca Governo em tribunal

entrevista

Jason Chao explica tudo (ou quase) sobre as suas opções Página 3 pub

As tarifas da discórdia

página 5

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A Reolian perdeu de vez a paciência. E agora segue para o mesmo tribunal que lhe garantiu o contrato com o Governo de Macau. Desta vez em causa está o facto de não lhe ter sido pago o valor correspondente à actualização das tarifas. Qualquer coisa na ordem dos 36 milhões de patacas.A empresa lamenta ter de tomar esta atitude, perante um Executivo com quem, afirma, “sempre cooperou”, mesmo para além “dos requisitos” que constam no contrato. página 6

• caso das campas

Documento de Ng Peng In “chuta” para cima Página 4 pub

Venham mais cinco (séculos)

• Luís Pedruco

Lista avança ainda sem número um Página 5

um amor proibido


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entrevista

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sexta-feira 28.6.2013

Jason Chao fala sobre as suas experiências políticas em Macau e UE

“Ganhar dinheiro não é tudo na vida” Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

Porque decidiu, no final, pertencer a uma lista eleitoral da Associação Novo Macau? Cheguei a afirmar que era possível liderar uma lista com Bill Chou, porque temos ideias semelhantes e ele é especialista nas questões políticas e eleitorais. Acho sinceramente que a ANM não é uma associação de carácter político, e posso ter outro papel e participar nas questões políticas como membro do grupo Macau Consciência. Eu e o professor Chou temos uma boa cooperação mas ele recebeu um aviso da universidade e considerámos que estaria melhor a desenvolver o seu trabalho académico. Em nome da ANM, tenho mais recursos para a campanha.

Os jovens têm de melhorar os seus conhecimentos ao nível das artes, filosofia e ideias, e não podem ser tão materialistas. Sair do território serve para ter uma visão ampla das coisas e aprender mais. Ganhar dinheiro não é tudo na vida Agnes Lam, professora na Universidade de Macau, também é candidata e parece não ter recebido qualquer aviso. Pois, isso terá de perguntar-lhe (risos). Para mim, o professor Chou é um especialista na área de política e sempre abordou essas questões. Penso que é melhor, neste momento, ter um papel de observador para as suas investigações. Existem rumores nas redes sociais de que a apresenta-

hoje macau

Participante activo e convidado nas iniciativas da União Europeia sobre os Direitos Humanos, Jason Chao parece nunca desistir dos seus objectivos de luta. Candidato a deputado para a Assembleia Legislativa, Jason Chao fala do português em Macau e das alegadas pressões sentidas por Bill Chou ção de três listas por parte da ANM vai contra a lei. Qual a sua opinião? Isso é feito em muitos países e regiões e não estamos a ir contra as disposições. Em Macau as associações políticas podem entregar apenas uma única lista para as eleições, não têm de recolher as assinaturas mas têm esse limite. Do que me lembro, Macau só tem uma ou duas associações de cariz política registadas há dez anos. Penso que obter 300 ou 500 assinaturas para uma comissão de candidatura não é difícil aqui em Macau. Como olha para a candidatura de Chan Hong que, depois de falhar por dois anos, conseguiu este ano apresentar-se como candidata na via indirecta? Ela ganhou benefícios com a reforma política. Podemos ver que há uma corrupção insuportável neste sistema político e, como recolheu apoios suficientes este ano, já não existem desafios. Em 2009, quando debatemos o facto dela obrigar os seus alunos a votar nela, não houve qualquer tipo de reacção. Quando o deputado Au Kam San abordou os assuntos ligados às mulheres, ela, na qualidade de vice-presidente da Associação Geral das Mulheres, não conseguiu responder a nada. Falhou as eleições em 2009, mas nunca saiu da visão do público. No ano passado atirou aviões de papel na AL. Porque fez esta acção? Há de facto uma grande diferença entre a minha geração e os três deputados da ANM. Antes de 2010, quando não era presidente, as acções da associação não eram tão radicais. Na próxima semana vamos fazer uma manifestação junto do consulado dos Estados Unidos em Hong Kong e Macau. A questão da Reforma Política já antes


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leis nem os assuntos envolvidos.

Eu próprio nunca tive namorado e sofri muitas pressões na sociedade e na família. Quero um dia ver casais de homossexuais na rua de mão dada sem existirem críticas nos dava insatisfação, mas depois das nossas acções a segurança na AL ficou mais rigorosa. O público já não pode entrar no hemiciclo sem um motivo racional. Muitas vozes dizem que a ANM está cada vez mais semelhante à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). A diferença entre nós e a FAOM é que nós somos uma associação aberta. Somos todos iguais, e embora tenhamos posições estabelecidas, ninguém é líder, nem mesmo eu que sou o presidente. Muitas vezes tenho de dizer claramente que a minha opinião não é necessariamente a mesma dos outros membros. Já a FAOM tem uma opinião que lidera e os membros não podem estar contra, é como no comunismo. Nós estamos próximos da União Europeia (UE). Fale-me um pouco sobre as suas experiências na UE. Fui a décima pessoa a título individual de Macau que foi convidada por esta instituição europeia. Os restantes são figuras ligadas ao Governo. Como é que aconteceu esta ligação? Depois de ser eleito presidente da ANM, participei em muitas actividades formais e a UE conhece algum do meu trabalho, e também pelas

notícias. Encontrei-me com muitos deputados da UE e tivemos reuniões muito participadas. Não posso revelar os conteúdos discutidos nos encontros mas chegámos a muitas ideias comuns. Eles querem saber mais questões ligadas a Macau, como por exemplo os direitos dos homossexuais.

O lado LGBT Já falámos muito sobre política, mas consigo é quase obrigatório abordar os assuntos dos homossexuais. Pode contar algumas das suas experiências a este nível? Quando cheguei à adolescência notei que não sentia qualquer tipo de ligação às mulheres. Isso incomodou-me durante alguns anos, mas não aceitava, até ter 17, 18 anos. O que aconselha aos jovens que estejam na mesma situação? O que posso prometer é fazer o meu melhor para promover a consciência da questão na sociedade. Eu próprio nunca tive namorado e sofri muitas pressões na sociedade e na família. Quero um dia ver casais de homossexuais na rua de mão dada sem existirem críticas. A sua luta passa também pela legalização do casamento?

Os grupos de Macau mais ligados às questões LGBT não pedem o casamento, apenas queremos o direito à igualdade. O casamento tem limites e eu não concordo com os limites que há na lei. Lutamos sempre pela igualdade, não apenas a título pessoal mas também para garantir o interesse público.

Edmundo e Florinda Nos últimos dias têm vindo a mencionar várias vezes nas vossas acções o nome do ex-Chefe do Executivo, Edmundo Ho. Porquê? Não só nestes dias, mas temos vindo a fazê-lo porque finalmente tivemos provas que houve abusos na concessão da Sands China, por sentença de um tribunal dos Estados Unidos. A manifestação que estão a organizar este Domingo em frente à casa da secretária Florinda Chan pode alterar alguma coisa? Não. A saída do cargo também não vai ajudar a resolver o atraso jurídico que há em Macau porque já é uma coisa estrutural. Mas com uma nova liderança podíamos ter uma esperança. A casa de Florinda é conhecida por muitos e podemos vir a fazer um protesto junto à casa de Edmundo Ho também (risos). Se o sistema político não mudar, Macau não muda.

O português nas escolas O que acha das línguas oficiais em Macau? As escolas têm de obrigar

os seus alunos a aprender português, porque o sistema jurídico ainda tem como base a língua portuguesa. A questão da língua acaba por travar, de certa forma, o desenvolvimento jurídico, o que faz com que o público não tenha vontade de participar nos assuntos políticos, porque não conhecem as pub

Afirma apoiar as línguas estrangeiras mas Macau tem muitas vezes uma atmosfera de xenofobia. Já abordou essa questão em muitos eventos, os estrangeiros sentem, de facto, isso? Os chineses em Macau não adoram os estrangeiros, têm medo das influências que possam ter nos seus empregos. No programa político que vamos apresentar iremos mencionar a protecção dos direitos dos não-residentes, porque estão a ser explorados. Os trabalhadores locais não depositam muitas esperanças no emprego se houver muitos estrangeiros a chegar para ocuparem os cargos mais importantes nos casinos. Os locais não conseguem competir com os não-residentes qualificados. Então como olha para o futuro dos jovens em Macau? Vão trabalhar para fora, para Hong Kong, Taiwan, ou na China. O mercado é

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Há de facto uma grande diferença entre a minha geração e os três deputados da ANM. Antes de 2010, quando não era presidente, as acções da associação não eram tão radicais tão pequeno que há riscos no futuro. Os jovens têm de melhorar os seus conhecimentos ao nível das artes, filosofia e ideias, e não podem ser tão materialistas. Sair do território serve para ter uma visão ampla das coisas e aprender mais. Ganhar dinheiro não é tudo na vida. Tirando a política, o que pode fazer mais para servir o público? As acções políticas já ocupam a maior parte do meu tempo. Sou voluntários em todas as iniciativas em que participo e muitas vezes pago por isso. Já faço o que posso, mas aceito mais opiniões.


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Campas Estudo feito em 1997 pedia “disciplina” no arrendamento perpétuo

A decisão que veio de cima

Um documento analisado pelo Hoje Macau e cujo remetente é Ng Peng In alertava para a inconveniência do arrendamento de campas perpétuas devido à falta de espaço nos cemitérios. A carta, de 2002, conta como o arredamento das dez sepulturas que têm levantado polémica foi alvo de “uma particularidade” Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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m 1997, um estudo sobre os cemitérios municipais dava conta da falta da disponibilidade de espaço nos locais. O facto levou a antiga Câmara Municipal de Macau a alertar para a necessidade de se controlar o arrendamento de campas vitalícias, de acordo com um documento enviado ao Hoje Macau e assinado por Ng Peng In – o funcionário do IACM recentemente transferido para o gabinete dos Assuntos Sociais e Cultura. “No seguimento deste estudo, a Câmara [municipal] verificou que a venda de campas perpétuas tinha de ser disciplinada com vista à não saturação dos cemitério”, pode ler-se. A carta, cujo remetente é Ng Peng In, explica que “durante os anos 2000 e 2001 foram apresentados dez pedidos de compra de sepulturas perpétuas, todas autorizadas por despacho superior e sem serem alvo de sorteio”. E continua, dizendo que o “Serviço competente” – não se percebe no documento qual – “passou a informar superiormente da inconveniência de venda de campas perpétuas”. O papel, disponibilizado ao Hoje Macau pelo deputado José Pereira Coutinho, refere que “ficava à consideração superior a decisão final”, sobre o arrendamento das campas, uma vez que “os critérios de deferimento ou indeferimento nunca estiveram regulamentados.”

Polémico regulamento

O documento frisa que ir à consideração superior era um processo

no de Arrendamento Perpétuo de Campas Alugadas, aprovado em sessão camarária em 14 de Dezembro de 2001 – duas semanas antes da extinção da Câmara Municipal, que passou a IACM. É este regulamento interno que tem gerado polémica no chamado Caso das Campas. Recorde-se que o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) emitiu um relatório em 2011 onde refere que este procedimento – de criar um regulamento a duas semanas da extinção da câmara – foi irregular e poderia significar que foi feito propositadamente para beneficiar determinadas pessoas. É ainda neste regulamento que Paulina Alves dos Santos – a denunciante do caso – se baseia para acusar Florinda Chan de falsificação de documentos por causa da secretária para a Administração e Justiça ter dito à imprensa que o regulamento esteve em vigor até 2003 e não apenas 14 dias. Algo de que foi já ilibada pelo Tribunal de Última Instância.

Seguimento

Ossário sim, crematório não O estudo feito em 1997 serviu para analisar a disponibilidade de espaço nos cemitérios de acordo com a taxa de mortalidade. A ideia era “sensibilizar” a Câmara para a necessidade de construção de um novo cemitério ou de um crematório, algo que até agora não foi feito. Este mês, na conferência que Florinda Chan deu sobre o caso das campas após ter sido

comum, mas admite que no que toca às dez campas que têm gerado polémica, apesar de terem seguido os mesmo trâmites, foram alvo de “uma particularidade”: a elaboração de um novo regulamento interno.

declarada não pronunciada como arguida no processo, a secretária foi questionado sobre a falta de espaço nos cemitérios. “O IACM já tem proposto a construção de mais ossários. Já na altura da Câmara foram feitos estudos sobre a incineração, mas Macau não tem condições, pelo um ossário será um bom plano”, disse, na altura.

Isto, porque terá sido detectada uma “ilegalidade” no que dizia respeito às taxas aplicadas, problema levantado por um membro da Assembleia Municipal. Inicialmente, foram aprovados quatro

pedidos pelo superior, estando quatro à espera de aprovação, mas a decisão teve de ser suspensa pela “presidência”. Para contornar o problema, então, a solução passou pela criação do Regulamento Inter-

Depois da aprovação do regulamento, que estipulava uma renda em vez de uma taxa para as campas, foi dado seguimento aos pedidos de arrendamento de dez campas feitos entre 2000 e 2001. Foram os Serviços de Ambiente e Zonas Verdes, de acordo com os documento analisado pelo Hoje Macau, que elaboraram a informação para que os pedidos fossem analisados. “Havia um total de dez campas e os pedidos foram finalmente autorizados por despacho superior baseado no estipulado no novo regulamento.” Esta semana, Ng Peng In – que desempenhava o papel de chefe dos Serviços de Ambiente e de Licenciamento - foi transferido de presidente do Conselho de Administração do IACM para assessor de Cheong U. Para Pereira Coutinho, isto aconteceu porque Ng Peng In foi dos únicos que se opôs à atribuição das campas, mas o Executivo já veio dizer que foi uma “requisição pessoal” do próprio secretário para os Assuntos Sociais e Cultura.

Jason Chao cria Aliança contra Florinda Chan por causa das campas

“Não escapa ao julgamento público” Jason Chao não desiste. O candidato a deputado e denominado activista continua a lutar contra a secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, mesmo depois de esta ter sido ilibada pelo Tribunal

de Última Instância (TUI) de todas as acusações de que foi alvo no caso das campas. Desta vez, Chao criou um novo grupo – a ‘Aliança para deitar abaixo Florinda Chan’. “Chan pode ter escapado a um julgamento em

tribunal, mas não escapará a um julgamento público. Por isso, a 30 de Junho, a Aliança vai manifestar-se nas ruas, para que as autoridades percebam a sua responsabilidade política”, diz Jason Chao.

A Aliança, continua, foi formada por “cidadãos entusiastas” e tem como slogan “por um amanhã melhor, vamos marchar para deitar abaixo Florinda Chan”. O grupo tem locais específicos para a assinatura

de petições – na Rua do Campo, Avenida de Horta e Costa e Rua Um do Bairro Iao Hon – e a marcha vai da praça do Tap Seac ao Jardim da Penha. A Aliança acusa o Governo da RAEM de ter feito

vista grossa “à exigência de responsabilização dos titulares dos principais cargos” e diz que os cidadãos estão a sofrer com a má-fé da ineficácia de quem ocupa cargos públicos “e não quer sair deles”. - J.F.


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Já estão entregues as mais de 400 assinaturas

Lista de Luiz Pedruco decidida no jardim Luiz Pedruco entregou ontem as assinaturas para o pedido de reconhecimento da candidatura às eleições enquanto mandatário de uma lista que ainda não existe: a sua composição será decidida Domingo, no jardim de São Francisco Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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empre disse que poderia não ser o número um, e para já ainda não é. O macaense Luiz Pedruco entregou ontem as mais de 400 assinaturas para que os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) reconheçam a sua candidatura às eleições, mas ainda não tem nomes para a sua lista eleitoral. Pedruco é, neste momento, mandatário do projecto, substituindo José Estorninho, cuja participação “não muda uma virgula”. A composição da lista ficará decidida este Domingo. “Decidimos que a nossa candidatura tem de ser o mais abrangente e mais democrática possível. Até hoje não sabemos ao certo qual é o cabeça de lista, potencialmente pode ser qualquer outra pessoa. Apelo aos meus apoiantes e membros das comunidades que apareçam no Domingo às 14h30 no jardim de São Francisco para debater quem é que vai pertencer a esta lista”, disse Pedruco. O macaense disse que nunca

Coutinho “populista”, Alves “escasso”

A ausência de Estorninho

Sobre os restantes deputados macaenses que ainda se sentam na Assembleia Legislativa (AL), Pedruco lança algumas criticas. José Pereira Coutinho é, a seu entender, “muito populista e é a forma dele fazer politica. Eu não concordo. Serse populista nem sempre é saudável, eu gosto mais de criticas construtivas”. Quanto a Leonel Alves, tem tido “intervenções relativamente escassas” embora seja um “político com muita experiência”. “As pessoas que estão num lugar há muito tempo devem reflectir se devem ou não dar o lugar a outras pessoas, e nós sabemos que pela via indirecta as coisas não funcionam da mesma maneira. Eu não estaria na AL tanto tempo, treinaria outra pessoa para me substituir.”

Os jornalistas foram surpreendidos pela ausência, na entrega das assinaturas da lista de Luís Pedruco, do até agora mandatário José Luís Estorninho. Contactado pelo Hoje Macau, o próprio se mostrou surpreendido: “Estava a jogar ténis. Alguém me disse que ouvira algo na rádio sobre isso, mas eu não soube de nada”, confessou ao nosso jornal. Para além da surpresa, Estorninho estranha a situação até porque “o nome do mandatário nas folhas de recolha de assinaturas era o meu. Não sei como é que tudo isto é possível”, concluiu. Sobre o eventual afastamento do ex-mandatário, a lista de Luís Pedruco revelou preferir deixar os esclarecimentos para mais tarde.

frisou que seria o número um. “Esta é a forma mais justa para apresentar uma lista. Se a reunião for muito concorrida, e eu espero que sim, então veremos quem será o cabeça de lista”. Luiz Pedruco não fez grandes comentários ao recuo de Casimiro Pinto nem à possibilidades dos

Eleições Chui Sai Peng substitui Fong Chi Keong na lista de Ho Iat Seng

A lista da União dos Interesses Empresariais entregou ontem o seu pedido de reconhecimento de candidatura à eleição pela via indirecta. Desta vez, o deputado actual Fong Chi Keong, que já não está na lista, vais ser substituido por José Chui Sai Peng, primo do Chefe do Executivo, assumindo o quarto lugar. Os outros nomes que estão na lista são o vice-presidente actual da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, e os representantes do interesse dos empresários Kou Hoi In e Cheang Chi Keong. Em relação à ausência de Fong, Hoi Sai Iun diz, enquanto mandatário do deputado, que Fong “tem tendência em não participar nas eleições” por razões desconhecidas. José Chui Sai Peng, deputado actual nomeado pelo Governo, conta que o Chefe do Executivo não lhe prometeu a reeleição, “mas também não tem coragem de lhe dizer ‘não quero trabalhar mais’”, confessou. Chui afirmou ainda que a sua candidatura é apoiada por Fong. Segundo o TDM, a União é composta por 89 eleitores legais, 75% do número total dos eleitores do sector empresarial e financeiro, pelo que há grandes hipóteses de a união conseguir todos os quatro lugares do sector com muita facilidade.

elementos da Voz Plural poderem a vir entregar o seu projecto.

“Coisas novas”

Pedruco mostra-se confiante quanto à eleição de um deputado pela via directa. Espera ainda que a candidatura do projecto “Macau Século XXI” “venha trazer coisas

novas, porque um circulo fechado, em que as coisas são feitas por meia dúzia de pessoas, está ultrapassado. Pertencer a uma associação durante dez ou doze anos não deve acontecer na Macau do século XXI e não é uma forma muito saudável”, disse, apontando farpas ao sufrágio indirecto.

“Queria que a minha candidatura conseguisse singrar, porque não tem sido nada brilhante desde a morte do doutor Carlos D’Assumpção, em que todos os candidatos macaenses falharam redondamente. Para mim é triste e espero que a comunidade seja mais abrangente”, acrescentou.

Chui Sai Cheong e Leonel Alves lutam para reeleitos Hoje é último dia para os grupos que queria participar na eleição da AL a entregar sua comissão de candidatura. Para já houve cinco sectores já tem a sua comissão de candidatura, incluindo as interesses profissionais, são os deputados actuais Chui Sai Cheong e Leonel Alves, e o médico Chan Iek Lap, para todos três cargos no sector. O mandatário Eddie Wong, que também é mandatário do mesmo grupo em 2009, disse que a sua associação, União dos Interesses Profissionais de Macau já consegue recolher apoio de 46 associações, vai entregar a sua estrutura politica no dia 3 ou 4 de Julho. A nova AL vai ter 12 cargos para os deputados indirectos, já todos tem o seu dono.


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Transportes Reolian entra com processo judicial contra o Governo

A paciência tem limites Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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postura conformista e diplomática da Reolian, a operadora dos autocarros verdes, chegou ao fim. A empresa lançou ontem um comunicado no qual anuncia que vai entrar com um processo judicial em tribunal contra a Administração. Em causa está o facto de não lhe ter sido pago o valor da actualização em 23,3% das tarifas - aprovadas em Junho de 2012 - que, depois de entendimento da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfico (DSAT) foram posteriormente suspensas e só este ano reactivadas, contemplando apenas as restantes operadoras TCM e Transmac. A companhia reivindica valores na ordem das 36 milhões de patacas em facturação, referente ao período entre Junho e Abril.

“Apesar da pressão financeira que temos sofrido, temos estado pacientemente à espera do pagamento, em consideração com o nosso sincero desejo de cooperação com o Governo de Macau e de modo a cumprir as obrigações impostas no contrato (...) Porém, depois das inúmeras cartas enviadas, reuniões e discussões com a Administração durante o último ano, de forma a resolver o assunto, a Reolian ficou sem alternativas a não ser iniciar os procedimentos judiciais hoje [ontem] de forma a obter o pagamento de todas as facturas relacionadas com a taxa de revisão”, declarou ontem a empresa, por meio de comunicado enviado às redacções. Para a companhia de transportes públicos, segundo contrato assinado em Janeiro de 2011 (não tornado público), é de seu direito (bem como das restantes operadoras) exigir e chegar a um acordo anual

tiago alcântara

A Reolian tem vindo a reclamar aquilo que diz ser de direito: mais de 36 milhões de patacas, referentes à actualização das tarifas dos autocarros aprovada em Junho do ano passado. Depois de a DSAT ter voltado atrás com a palavra, decidindo não contemplar a operadora com o subsídio, a Reolian decidiu desistir do “diálogo” com o Governo e segue agora para tribunal

DSAT com ideias... finalmente O director dos Serviços para os Assuntos do Tráfego (DSAT), Wong Wan, refere que as ideias primárias duma cidade conceptual situada ao redor das Portas do Cerco serão lançadas no primeiro semestre do próximo ano. “Toda a disposição [da cidade] está em consideração, inclusive a capacidade de transporte”, explicou o director, em declarações veiculadas pelo canal chinês da Rádio Macau, à margem do encontro de cooperação sobre logística MAcau-Guangdong. Sobre as inundações recorrentes no terminal dos autocarros, Wong Wan explica que, segundo as investigações que a DSAT fez, estão relacionadas com o túnel. “A DSAT já fortaleceu instalações relevantes e a situação vai melhorar”, garantiu. Relativamente aos autocarros dos casinos, Wong Wan diz que “existe possibilidade de estabelecer limites” para aliviar a pressão dos transportes. Sobre o comunicado da Reolian, não terá sido inquirido pelos jornalistas e, por essa razão, também não fez qualquer comentário.

Agiotagem Quadrilha desmantelada pela PJ A Polícia Judicial (PJ) desmantelou nesta terça-feira uma quadrilha especializada em agiotagem há 12 anos, sendo esta a maior entre todas as capturadas desde a transferência de soberania. O Departamento de Informações e Apoio da PJ recebeu em meados de 2010 informações sobre a existência de um grupo de agiotas com actividades criminosas nos casinos. Durante estes três anos a PJ mobilizou muitos agentes e informantes para uma investigação, e realizou finalmente no dia 25 de Junho, uma acção policial em larga escala. Às 17h, a polícia invadiu a sede da quadrilha,

uma casa alugada do edifício Magnificent Court, na zona de NAPE. Cinco homens nesta casa foram apanhados. Mais tarde, na Areia Preta e na Avenida do Coronel Mesquita, foram presos mais 9 homens. E até agora a polícia ainda está à procura de, pelo menos, outros 10 suspeitos. A PJ encontrou ainda cerca de 2,5 mil notas promissórias e mais de cem facturamentos, segundo o qual, é possível perceber que os clientes principais são residentes de Hong Kong e turistas da China Continental, o valor envolvido é de 0,39 mil milhões hong kong dólares e 0,12 mil milhões de yuans.

sobre uma actualização das tarifas (ou taxa de revisão), sobre a qual a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) deve ponderar - e, eventualmente, ajustar em conformidade com os serviços prestados -, que deve ser aprovada. Uma actualização totalmente coberta pelo Governo, sem quaisquer encargos para a população, de modo a cobrir despesas respeitantes à inflação e preço dos combustíveis. Desta feita, no ano passado, o Governo comunicou a aprovação em Junho de 2012 sobre a revisão do subsídio que, garante a Reolian, serve sobretudo para “aumento salarial dos funcionários”. Por essa razão, a empresa “emitiu facturas para o pagamento dos montantes da taxa de revisão entre Junho de 2012 e 30 de Abril (no total de 36,595,900.30 patacas), as quais não foram pagas”, explica. Neste caso, a companhia pede que sejam cumpridas as garantias, que até foram reforçadas aos meios de comunicação pelos serviços liderados por Wong Wan, em Fevereiro deste ano, ao explicar que poderia implicar um “alto risco de contencioso imediato caso recusassem pagar o acordo de retroactivo”, por respeito “ao espírito do contrato, e uma vez que tinham já dado a aprovação à actualização de tarifas. Recorde-se que a Reolian decidiu suspender a actualização, cerca de um mês depois de ter dado o aval no ano passado, devido a pressão pública sobre o desempenho operacional das operadoras. No entanto, ao levantar a suspensão este ano decidiu que não contemplava a Reolian por não ter um plano de melhoria dos serviços adequado. A empresa explica que a decisão de seguir a via judicial é tomada com muito “desapontamento” e “pesar”, já que sempre cooperou com o Governo - “até nos pedidos fora dos requisitos do contrato” - e que vai continuar a exercer os seus serviços, na expectativa de que “os direitos financeiros sobre a taxa de revisão e outras reclamações sejam reconhecidos pelos tribunais de Macau”.

Consulado volta a abrir hoje

Depois do encerramento ocorrido ontem, o consulado de Portugal em Macau volta hoje a abrir portas segundo o horário normal de funcionamento. Segundo um comunicado enviado às redacções, o encerramento aconteceu “no quadro da adesão dos trabalhadores à Greve Geral convocada em Portugal pelos sindicatos da Função Pública, nomeadamente o sindicato dos trabalhadores consulares e das missões diplomáticas, a que estão afectos”. Contactado pelo Hoje Macau, Vítor Sereno confirmou que este encerramento nada teve a ver com a questão dos cortes salariais que vão ser feitos nos funcionários consulares e recusou-se a prestar mais esclarecimentos sobre o assunto. - A.S.S.


sexta-feira 28.6.2013

A nova lei de imediação imobiliária entra em vigor dentro de três dias e o Instituto da Habitação organizou uma sessão de esclarecimento. Mas mais de 100 agências imobiliárias manifestaram-se contra o diploma Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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três dias da lei de imediação imobiliária entrar em vigor, mais de 100 agências do sector manifestaram-se ontem à porta do Instituto da Habitação (IH) onde exigiram uma reunião com o seu director, Tam Kuong Man. Isto porque a nova lei vem exigir que todas as agências imobiliárias devem ter o registo comercial,

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Agências imobiliárias IH acusado de “matar” o sector

de mostrar um imóvel para venda ou aluguer. Pedem ainda a manutenção dos seus negócios segundo o registo antigo. O senhor U garantiu que hoje vai ser entregue uma petição ao Governo, e que se não houver nenhuma reacção, vai ser organizada uma manifestação no dia 1 de Julho.

Queremos o senhor director mas muitos destes negócios, principalmente na zona dos bairros antigos, têm o registo habitacional ou industrial. Apesar das consultas públicas realizadas pelo Governo, os manifestantes alegam que o IH nunca explicou às agências imobiliárias que não podia ser usado o registo para uso residencial ou de industria. Enquanto os protestos aconteciam, lá dentro Tam Kuong Man explicava que desde 2008 que o Governo tem vindo a consultar os participantes e que não existe a questão de ninguém conhecer a lei. “Não concordo que a nova lei vá matar a sobrevivência das agências imobiliárias. Já informámos muitas vezes que as agências devem ter o imóvel registado para uso comercial.”

Manifestação pode acontecer dia 1

Durante a manhã o canal chinês da Rádio Macau, o

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Coutinho esteve presente

Ou Mun Tin Toi, entrevistou dois membros do mercado imobiliário. A senhora Wong afirmou trabalhar no sector há cerca de dez anos mas que o seu imóvel tem o registo de uso residencial e que, por isso, tem que parar o negócio. “Actualmente existem, pelo menos, mais de 70 casos em que se verifica a auto-propriedade nas zonas dos bairros antigos, tendo

sido recusada a concessão de licenças temporárias aos promotores imobiliários.” Já o senhor Kwan disse que quando consultou o IH, os responsáveis disseram para contactar um engenheiro junto das Obras Públicas para definir o registo da loja, mas que o processo iria custar entre 80 a 100 mil patacas. Como a lei entra em vigor dia 1 de Julho, não tem tempo

para fazer isso e o negócio vai ter de fechar. “A nova lei ignora por completo as lojas dos bairros antigos. Estou preocupado com o meu futuro.” Segundo o porta-voz da manifestação, o senhor U, já foram recolhidas as assinaturas de mais de 500 agências que pedem o cancelamento do pedido que tem de ser feito ao IH, no caso de uma agência ter

Por volta das 19 horas de ontem os manifestantes começaram a sair do IH, mas o deputado José Pereira Coutinho acompanhou de perto a situação e reuniu-se com Tam Kuong Man. Ao Hoje Macau, disse que seria melhor manter a situação actual. “É impossível obrigar todos os residentes a trabalhar no sector do jogo. Eles querem promover os elementos não ligados ao jogo, mas agora estão a fazer com que estas pessoas fiquem desempregadas. O Governo fez uma consulta pública mas não consultou a maioria das opiniões, muito menos as dos deputados.”

Edifícios Construção de Pearl Horizon na Areia Preta leva a queixas de moradores

“Prémio muito baixo em relação ao lucro ” Zhou Xuefei*

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pós o Governo ter autorizado a alteração do contrato de concessão do terreno onde será construído o edifício Peal Horizon, na Areia Preta, os residentes da zona já vieram a público manifestar-se. Aempresa Fok Kiu é a concessionária, que teve de pagar ao Executivo cerca de 78 milhões de patacas. Preço que já levou a críticas da parte de Ho Chong Chun, presidente da associação de Amizade dos Moradores da Zona de Nordeste de Macau. “O prémio é baixo demais e não é nada razoável, comparando com o dinheiro que a alteração pode trazer”, disse à imprensa chinesa. Ho terá analisado o relatório anual

da concessionária e assegura que, depois da modificação, a área total de construção aumenta em mais 31 mil metros quadrados. “Por outras palavras, a modificação do contrato trará à Sociedade Fok Kiu um lucro de mais do que 1,8 mil milhões de patacas. O Governo ainda acha que 78 milhões é razoável?” Mas, este não é o único problema. De acordo com a imprensa chinesa, o presidente fala em nome de todos os moradores da zona, que estão preocupados sobre os prejuízos que os novos edifícios possam trazer à qualidade de vida. O local onde vão ser construídos os edifícios Pearl Horizon, não deixa passar o vento, dizem. Segundo dados do departamento da meteorologia, o Pearl Horizon, uma vez construído, vai

compor junto com o La Cité, o The Residencia Macau, o Ville de Mar e outros edifícios uma “parede” que impede a circulação do ar, fazendo com que a zona se torne “numa ilha fechada de calor”. Também o odor da estação de tratamento de esgoto do local já provoca muitas reclamações, pelo que, dizem os residentes, a construção de outro complexo residencial de alta densidade vai certamente agravar a situação. “É uma violação ao direito dos moradores”, considera Ho, que duvida ainda que a construção do complexo residencial esteja “de acordo com as regras do planeamento urbano”.

Dúvidas e pedidos

Mas há mais. Entre os moradores corre o rumor de que o Governo

está a considerar a isenção à concessionário no que diz respeito a obedecer ao requisito de espaçamento entre prédios. Relativamente a este tema, Ho apela ao Governo para não se inclinar sobre as necessidades das empresas. “Mais essencial é o interesse público.” O pedido de alteração do contrato foi aprovado na quarta-feira pelo Governo, que concedeu o quarteirão “T”, ao lado do The Residencia Macau, à Fok Kiu. O terreno concedido tem uma área de proximamente 180 mil metros quadrados, que serve para a construção do complexo residencial. O Pearl Horizon vai ser composto por seis edifícios com 49 andares, que terão no

total 1800 unidades residenciais. Destas, 260 já foram vendidas. Segundo o despacho do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, publicado em Boletim Oficial, o terreno foi concedido através de hasta pública a favor da sociedade Fok Kiu já em 1996. Em 2009, a concessionária formalizou o pedido de modificação do aproveitamento do terreno e a consequente revisão do contrato de concessão. O pedido foi analisado pelo Grupo Consultivo para o Desenvolvimento de Terras, que considerou nada ter a opor “uma vez que o projecto de alteração de arquitectura apresentado pela concessionária obedecia ao planeamento urbanístico definido pela DSSOPT. - * com Joana Freitas


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nacional

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China ultrapassada pelos americanos na preferência do investidor estrangeiro. Brasil é o terceiro

EUA ganham na corrida ao ouro alheio

O

s Estados Unidos ultrapassaram, pela primeira vez desde 2001, a China e assumiram o primeiro lugar numa sondagem anual que classifica os países preferidos pelos executivos para o investimento estrangeiro directo. A sondagem realizada pela consultoria A.T. Kearney com executivos de 302 empresas em todo o mundo, indica que os EUA ultrapassaram pela margem mínima a China na preferência do investimento estrangeiro directo. O Brasil manteve-se em terceiro lugar, seguido do Canadá. A Índia

caiu para a quinta posição, enquanto o México ficou em sexto lugar. A divulgação da sondagem ocorre face a vários indícios do interesse estrangeiro no sector de manufactura dos EUA. A Toyota informou na semana passada que investirá cerca de 1.600 milhões de patacas para expandir parte das suas fábricas no Alabama, Missouri e Tennessee. A fabricante japonesa afirmou que o plano elevará os seus investimentos na América do Norte, nos últimos dois anos, para mais de 16 mil milhões de patacas. A confiança nos EUA cresceu com o aumento da produção de

gás e petróleo, que promete reduzir os custos de energia e gerar oportunidades de exportação de produtos petroquímicos, entre outros. Embora as empresas estrangeiras tenham receio do défice orçamental federal americano e do impasse em Washington, os EUA estão a colher benefícios porque as empresas estão a fazer voltar para o país a produção que tinha sido desviada para a Ásia, disse Paul Laudicina, presidente emérito do conselho da A.T. Kearney. O fascínio da China tem sido um pouco ofuscado pelo aumento dos salários e o rápido envelhecimento

UE China com taxas ‘anti-dumping’ sobre químico

Mais achas para a fogueira

A

China vai impor tarifas ‘anti-dumping’ sobre um produto químico importado da União Europeia, a toluidina, anunciou ontem o Ministério do Comércio chinês. A medida, que entra em vigor a partir de sexta-feira, é a mais recente no âmbito de uma série de disputas comerciais entre Pequim e Bruxelas. A toluidina é um produto

usado designadamente no fabrico de corantes, medicamentos e pesticidas. Aos fabricantes da União Europeia serão cobradas taxas de até 36,9 %, à excepção da alemã Lanxess, a qual será imposta pelas autoridades chinesas uma tributação de apenas 19,6 %, precisou o ministério. Pequim abriu há um ano uma investigação sobre a

alegada prática de ‘dumping’ – venda de produtos abaixo do seu preço de custo – de toluidina proveniente do bloco europeu na China. A taxa de ‘antidumping’ vai ser cobrada durante cinco anos, indicou o ministério num comunicado citado pela AFP, em que se aponta que a indústria chinesa sofreu danos materiais.

da população, disse Laudicina, mas é provável que o país se mantenha como altamente atractivo para os investidores estrangeiros. Quanto ao Brasil, está a beneficiando dos investimentos relacionados com o Campeonato do Mundo de Futebol e com os Jogos Olímpicos que serão realizadas no país no próximo ano e em 2016. A pesquisa da A. T. Kearney foi realizada entre Outubro e Novembro de 2012. Os executivos foram questionados sobre a possibilidade de investir em vários países ao longo dos próximos três anos. A

consultoria usa as respostas para criar um índice de classificação de 25 países numa escala de 0 a 3, em termos de atractividade. Na pesquisa, a pontuação dos EUA foi de 2,09 e a da China, 2,02, enquanto a do Brasil ficou em 1,97 e a do México, em 1,77. Cerca de dois terços das empresas sondadas tiveram vendas anuais de mais de mil milhões de patacas. A A.T. Kearney realiza a sondagem anualmente desde 1998. Os EUA lideraram o ranking nos cinco primeiros anos, antes de ceder o posto à China, que o ocupou desde 2002 até ao ano passado.

Lacticínios portugueses à conquista da China

Leite e queijo a caminho O

Secretário de Estado português da Alimentação e Inovação Agro-alimentar, Nuno Vieira e Brito, visitará a China na próxima semana, acompanhado por um grupo de produtores de lacticínios, disse esta quarta-feira à agência Lusa fonte diplomática. Será a segunda visita de Vieira e Brito à China em apenas dois meses e ocorre na sequência do acordo sobre a exportação de lacticí-

nios portugueses, assinado a 21 de Maio passado em Lisboa pelos governos dos dois países. “O dossier está desbloqueado”, salientou a mesma fonte acerca da possibilidade de Portugal começar a exportar leite e queijos para a China. Há um ano, em Pequim, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, anunciou que Portugal entregou às autori-

dades os dossiers técnicos para poder exportar para a China carne de porco, enchidos, lacticínios e cavalos lusitanos, admitindo que o processo de certificação estivesse concluído em 2013. “Continua a ser um assunto prioritário”, disse Vieira e Brito quando se deslocou à capital chinesa no dia 09 de Maio passado, mas - alertou - “os dossiers não serão todos aprovados ao mesmo tempo”.


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Número de turistas chineses em Espanha cresceu 55%

O

O mais apetecido

número de turistas chineses que visitaram a Espanha em 2012 cresceu 55% em relação a 2011, para 177.000, e deverá continuar a aumentar, anunciou terça-feira o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Manuel Garcia-Margallo. Ė um numero ainda considerado muito aquém das potencialidades do mercado chinês, mas que poderá vir a beneficiar também as empresas portuguesas do sector. Já em 2011, uma companhia portuguesa de autocarros de turismo trouxe a Portugal centenas de visitantes chineses que se encontravam de ferias em Madrid. Mais de oitenta milhões de chineses passaram férias fora da China continental em 2012 e até ao final da década, a Organização Mundial de Turismo prevê que aquele número atinja os cem milhões, fazendo daquele país o maior emissor de turistas do planeta. Alem de numerosos, os turistas chineses são considerados dos mais gastadores, sobre-

tudo de artigos de luxo, que na China estão sujeitos a elevadas taxas. O ministro espanhol dos Negócios estrangeiros iniciou na segunda-feira uma visita de quatro dias à China, e que, além de Pequim, inclui Tianjin e Xangai. É a primeira de uma série de viagens oficiais organizadas no âmbito das comemorações do 40º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, que culminará em Setembro com a visita à China do presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy. “As nossas relações bilaterais atravessam uma fase magnífica, do ponto de vista político e do ponto de vista económico”, afirmou o ministro espanhol. Garcia-Margallo salientou que no primeiro trimestre de 2013 as exportações espanholas para a China cresceram 13,7% e que aquele país é hoje o 12º mercado de Espanha. “Há 12.000 empresas espanholas que exportam para a China, mais do que as que exportam para o Brasil ou para Itália”, referiu.

região

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Japonês processa televisão por usar demasiados estrangeirismos

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Contra a invasão americana

m pensionista japonês quer ser indemnizado pela televisão pública NHK em cerca de 100 mil patacas, alegando que o uso excessivo de estrangeirismos tornou muitos dos seus programas ininteligíveis. “A base da sua queixa é que o Japão está a ser demasiado americanizado”, disse ontem o advogado de Hoji Rakashi, de 71 anos. O indivíduo alegou que o uso excessivo de palavras estrangeiras nos programas da NHK lhe causa “angústia emocional”, impedindo-o de entender os conteúdos. “Há um sentimento de crise de que este país está a tornar-se uma província da América”, continuou o advogado Mutsuo Miyata. A língua japonesa tem um vocabulário rico, mas tem uma tradição de importar palavras de outros idiomas, por vezes de forma bastante inventiva e, em algumas ocasiões, alterando o significado no processo, escreve a AFP. A maioria dos falantes de japonês não pensaria duas vezes em incluir as palavras “trouble”, “risk”, “drive” ou “parking”, entre muitas outras. Embora o inglês forneça a maioria dos estrangeirismos na língua japonesa - em consequência da ocupação norte-americana do pós II Guerra Mundial e subsequente fascínio da cultura norte-americana as palavras importadas de outras línguas também estão em uso. Assim, a palavra para trabalho a tempo parcial é uma versão adaptada para japonês do termo alemã “arbeit”, enquanto “concierge” deriva do francês e o termo espanhol “pan” é entendido como pão. Contudo, com a estrutura fonética japonesa, a palavra inglesa “trouble” torna-se “toraburu”, por exemplo, enquanto o francês “concierge” é pronunciado “konsheruju”. “Ele decidiu avançar com um processo porque a estação de televisão não lhe respondeu”, disse o advogado e antigo colega de escola do queixoso. Para Miyata, “esta é uma questão da cultura japonesa, do próprio país,

incluindo a sua política e economia”. A NHK disse que se escusa a comentar o caso enquanto não receber qualquer notificação do tribunal. Tradicionalistas em França e na parte francesa

do Canadá também estão preocupados com a erosão da língua nativa à medida que aumenta a influência de Hollywood. Em 1994, os deputados franceses passaram a “Lei Toubon”, que estipula que a

língua e educação em França devem ser franceses, salvo algumas excepções. O Quebec tem uma agência de governo que impõe normas, segundo as quais um certo número de materiais deve estar escrito em francês.

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Aviso COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PREDIAL URBANA 1. 2.

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6. 7.

A única prestação da Contribuição Predial Urbana referente ao exercício de 2012, será cobrada nos meses de Junho, Julho e Agosto do ano corrente. No mês de pagamento, se os Srs. Contribuintes não tiverem recebido o conhecimento de cobrança, agradece-se que se dirijam ao NÚCLEO DE INFORMAÇÕES FISCAIS, situado no r/c do Edifício “Finanças”, ao Centro de Atendimento Taipa ou ao Centro de Serviços da RAEM, trazendo consigo conhecimento de cobrança ou fotocópia do ano anterior, para efeitos de emissão de 2.ª via do conhecimento de cobrança. O pagamento pode ser efectuado, até ao último dia do mês indicado no conhecimento de cobrança (Junho, Julho ou Agosto), nos seguintes locais: - Nas Recebedorias do Edifício “Finanças”, do Centro de Atendimento Taipa, do Centro de Serviços da RAEM ou do Edifício Long Cheng; Os impostos/contribuições poderão ser pagos por intermédio de cartão de crédito ou de débito emitidos pelo Banco da China ou pelo Banco Nacional Ultramarino (incluindo “Maestro” e “UnionPay”). O montante total de pagamento não pode ser inferior a MOP$200,00 (duzentas patacas), nem superior a MOP$100 000,00 (cem mil patacas). O pagamento, através de cartão de crédito ou de débito, deve ser efectuado pelo montante total da dívida, sendo apenas permitido utilizar na operação um único cartão. - Nos balcões dos Bancos a seguir discriminados: Banco da China; Banco Comercial de Macau; Banco Delta Ásia; Banco Industrial e Comercial da China; Banco Luso Internacional; Banco Nacional Ultramarino; Banco Tai Fung, e, Banco Weng Hang. - Nas máquinas ATM da rede Jecto de Macau, assinaladas com a indicação “Jet payment”; - Por pagamento electrónico [ “banca-on-line”] , no Banco da China, - no Banco Nacional Ultramarino ou no Banco Tai Fung, através dos endereços: www.bocmacau.com, www.bnu. com.mo e www.taifungbank.com, respectivamente; - Por pagamento telefónico “banca por telefone”, no Banco da China ou no Banco Tai Fung. Se o pagamento for efectuado por meio de cheque, a data de emissão não poderá ser anterior, em mais de três dias, à da sua entrega nas Recebedorias da DSF, e deve ser emitido a favor da “Direcção dos Serviços de Finanças”, nos termos das alíneas 2) e 3) do n.º1 do Artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2008. Se o valor do cheque for igual ou superior a MOP$50 000,00, deverá o mesmo ser visado, nos termos da alínea 4) do Artigo 5.º do Regulamento Administrativo acima mencionado. Os contribuintes podem também efectuar o pagamento através do envio de ordem de caixa, cheque bancário ou cheque por correio registado para a Caixa Postal 3030. Note-se que não se pode enviar dinheiro, mas apenas ordem de caixa, cheque bancário ou cheque, devendo incluir-se um envelope devidamente selado e endereçado ao próprio contribuinte, afim de se enviar posteriormente o respectivo conhecimento, comprovando o pagamento. Lembra-se que devem ser respeitadas as regras descritas no ponto 4, relativamente aos cheques. - O envio para a caixa postal deve ser feito 5 dias úteis antes do termo do prazo de pagamento indicado no conhecimento de cobrança. Nenhum dos métodos acima mencionados acarreta quaisquer encargos adicionais aos contribuintes pela prestação do serviço de cobrança. Para a sua comodidade, evite pagar os impostos nos últimos dias do prazo. Aos 24 de Maio de 2013. A Directora dos Serviços Vitória da Conceição


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personalidade

sexta-feira

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Dois anos de Christine Lagarde à

A senhora dos r

Odiada por muitos e adorada por tantos outro direcção do Fundo Monetário Internacional, Os casos judiciais em que se viu envolvida n fizeram ferver a opinião pública Andreia Sofia Silva* andreia.silva@hojemacau.com.mo

H

á dois anos foi a primeira mulher a assumir o cargo de directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), entidade de apoio financeiro aos estados saída dos escombros da II Guerra Mundial, em 1944. Christine Lagarde era, em 2011, ministra da Economia e Finanças do Governo de Nicolas Sarkozy e sucedeu a Dominique Strauss-Kahn, por culpa de um escândalo sexual em que este se viu envolvido. Nada previa que, aquando da sua tomada de posse, a zona euro começasse a entrar numa espiral económica regressiva,

graças à crise da dívida da moeda única. Seria Lagarde a negociar o segundo pacote de ajuda à Grécia e o resgate do Chipre. Num perfil traçado pela agência Lusa em 2011, Christine Lagarde foi descrita como tendo uma presença inconfundível, um discurso acutilante e um estilo distinto. Não foi esquecido o seu lado elegante e chique. Numa sondagem publicada em 2009, apareceu como segunda figura preferida dos franceses, apenas atrás do cantor e actor Johnny Halliday. O bom domínio da língua inglesa é uma das suas características mais reconhecidas pelos media e pelos seus pares. Estudou nos Estados Unidos,


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à frente do FMI

resgates financeiros

personalidade

As frases de Lagarde na imprensa • “Nós acreditamos que a recapitalização dos bancos deve ser suficientemente forte para enfrentar os riscos associados à crise da dívida e ao fraco crescimento das economias.” • “Os países precisam de actuar agora – e actuar com vigor – para guiar as economias através

os, Christine Lagarde cumpre amanhã dois anos à frente da pasta que assumiu depois do escândalo sexual Strauss-Khan. nos últimos meses e as declarações sobre a economia grega

desta nova e perigosa fase da recuperação económica.” • “O que é indispensável é que os recursos do FMI sejam adequados para fazer frente às necessidades dos seus membros em função das circunstâncias económicas.” • “A economia encontra-se numa fase de perigo e de incerteza. Evidentemente, as perspectivas

licenciou-se em Direito em Paris e fez uma pós-graduação em Ciência Política em Aix-en-Provence. Regressaria aos Estados Unidos em 1981 para trabalhar como advogado no escritório Baker & McKenzie. Nomeada para o Governo de Sarkozy em 2005, em 2009 foi considerada pelo diário económico Financial Times como a melhor ministra das Finanças da Europa. A sua nomeação reuniu muitos aplausos a nível internacional e também a nível interno. O seu currículo foi muito pouco questionado. As críticas negativas foram poucas e chegaram apenas do jornal online francês Mediapart, que divulgou sucessivos casos

judiciais que a envolvem, especialmente o referente a um alegado favorecimento do empresário Bernard Tapie, caso que tem enchido as páginas da imprensa nos últimos meses. “Christine Lagarde não tem perfil para o cargo, em nenhum dos critérios essenciais de competência, independência e mesmo imparcialidade”, resumiu, na altura, o jornal.

Economistas elogiam desempenho

Em jeito de balanço dos dois anos à frente do FMI, dois economistas portugueses destacaram, em declarações à Lusa, a credibilidade que Lagarde conseguiu trazer à instituição. João César das Neves considera que “a senhora

Lagarde, que é uma grande economista e com bastante experiência, fez aquilo que se previu que fizesse, que foi repor a credibilidade”. Já Landeiro Vaz entende que, “do ponto de vista político, Lagarde tem estado bem”, mas considera que, “do ponto de vista do funcionamento”, há problemas. “O FMI gosta de fazer autocrítica e, nessa autocrítica, há uma contradição - que é o ponto menos bom de Christine Lagarde - que é não assumir essas autocríticas e não modificar os pressupostos dos programas de ajustamento», disse referindo-se ao relatório em que o Fundo assume erros na concepção do primeiro resgate à Grécia. - *com Lusa

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são pessimistas. Chegou a hora de actuar (...), a hora das meias tintas passou.” • “Será o fim do euro em 2012? A minha resposta é: acho que não. É improvável que a moeda desapareça em 2012.” • “A Grécia fez manifestamente esforços muito importantes.” • “Na sequência deste esforço colectivo, a economia mundial não está mais à beira do precipício e nós temos razões para estar optimistas.” • “Penso mais nas crianças das escolas nas pequenas localidades do Níger que têm duas horas de aulas por dia, que tem uma carteira para três e muita vontade de aprender. (…) Estas crianças precisam mais de ajuda do que a população de Atenas.” • “Esse plano [programa de apoio financeiro a Espanha] não existe. Não recebemos qualquer pedido nesse sentido e não estamos a trabalhar em relação a qualquer apoio financeiro.” • “Actualmente, 200 milhões de pessoas não conseguem encontrar emprego em todo o mundo. (…) Precisamos de uma estratégia que seja boa para a estabilidade e boa para o crescimento.” • “[Há que salvar o euro] em menos de três meses.” • “Estamos a ver sinais adicionais de tensão na zona euro.” • “Não estou na disposição de negociar ou renegociar [para negociar o plano acordado com a Grécia]. Estamos na disposição de encontrar os factos.” • “Quando vemos o que Espanha realizou e tem vontade de realizar, não há muito mais que o FMI podia pedir se esta estivesse num programa [de assistência].” • “O maior obstáculo [ao crescimento] é sem dúvida o enorme nível de dívida pública que, em média, atinge os 110 % [do Produto Interno Bruto] nos países desenvolvidos, praticamente um nível de tempos de guerra.” • “[Está absolutamente convencida de que Portugal não vai seguir o mesmo caminho da Grécia?] Sim, estou.” • “O que mais me surpreendeu foi a determinação colectiva do país no caminho da recuperação, incluindo membros da coligação, sindicatos e a opinião pública.” • “As autoridades portuguesas e os portugueses têm sido extremamente corajosos e firmes na aplicação de reformas difíceis e dolorosas.” • “Cabe ao povo português decidir que papel quer para o Estado.” • “A política económica em Portugal precisa manter um difícil equilíbrio – fazendo progressos no necessário ajustamento fiscal, mas também evitando tensões indevidas na produção e no emprego. Estes princípios são o guia de trabalho da equipa do FMI.”


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sexta-feira 28.6.2013


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cultura

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Arquitectura O Lugar dos Não-Lugares

Cotai Strip, a implosão dos sentidos Tiago Quadros

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O

s não-lugares correspondem a espaços de anonimato que acolhem cada vez mais indivíduos e, com os quais, se estabelece uma relação contratual (simbolizada por um bilhete de comboio ou de avião, um cartão apresentado na portagem) e cujo acesso só é conseguido através de uma prova de identidade (como o passaporte, o cartão de crédito...). Neste tipo de espaços não se criam relações sociais duradouras. A solidão acompanha-se de uma perda de verdadeira identidade constituindo, possivelmente, esta uma das principais características antropológicas dos não-lugares. Este conceito introduzido pelo antropólogo Marc Augé, deriva da condição a que ele designa de sobremodernidade e que se caracteriza, resumidamente, pelas três figuras de excesso da actualidade: a superabundância de acontecimentos (decorrente da aceleração da história e

proliferação da informação), a superabundância espacial (estreitamento do planeta correlativo da evolução dos meios de comunicação) e a individualização de referências (crescente necessidade de individualidade). Estes são lugares relativamente novos, sem tradição nem história, que resultam em espaços profundamente desumanizados, espaços sem espessura ontológica. Refira-se, a título de exemplo, o mundo dos casinos, entendido no contexto de Macau, e em particular de Cotai Strip. A zona de Cotai Strip, oficialmente denominada de “Zona de Aterro do Cotai”, é um istmo pertencente à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). O nome “Cotai” é formado pela sílaba Co (Co de Coloane) e pela sílaba tónica tai (tai de Taipa). Em 1968, inaugurou-se o istmo do Cotai (ou istmo de Taipa-Coloane) e, sobre ele, edificou-se a estrada do istmo que estabelecia a ligação entre as ilhas da Taipa e de Coloane. Ao longo da década de 90, este istmo foi

alargado no decurso de uma série de obras de aterro. Em 1999, após a transferência de Macau para a China, iniciaram-se grandes aterros com vista à expansão deste pequeno istmo. A estrada do istmo foi também intervencionada e expandida. Em 2003/2004, iniciaram-se os trabalhos para a construção de hotéis, “resorts” de luxo e grandes casinos neste istmo. O governo da RAEM procurava transformar o istmo de Cotai num segundo “strip” de Las Vegas, um centro de entretenimento, de jogos e de hotéis de luxo. No momento actual, o Cotai tem aproximadamente uma área de 5.2 km².

Uma nova realidade

Cotai Strip é ela própria a nova realidade – um mundo holográfico surge suspenso sobre o mundo real. Vivemos entre cenários, vidas que se prendem com o período do dia ou da noite. Deixamo-nos contaminar pela profusão de sinais electrónicos e pelo brilho do néon, assim como pelas imagens em movimento, como se fossemos perso-

nagens de um qualquer videogame. A concentração de signos e luzes é em si mesma uma mensagem, uma forma de comunicação. Em Cotai Strip a sobrecarga transforma-se em super-carga, no sentido de uma forte concentração de informação, como elemento estruturante do próprio espaço. Estamos perante um videodrome. Uma forte experiência sensorial (sobretudo visual), de luz, cor e movimento. A tridimensionalidade espacial converte-se em superfície semiótica, em espaço sem profundidade, às duas dimensões – do écran, por exemplo. A perda da tridimensionalidade transforma o universo espacial em cenário desse espaço, como uma simulação ou representação teatral de um espaço total. Esse fenómeno de desmaterialização corresponde a uma passagem para o reino dos signos, no qual as superfícies são agora locais onde a estrutura do real se dá a ler nas suas inscrições e se resume frequentemente a elas mesmas. A nossa relação com esses espaços

opera-se através de uma distorção na comunicação. A relação directa e recíproca entre indivíduos, nestes espaços, é praticamente nula. “Assim são instaladas as condições de circulação nos espaços onde os indivíduos são supostos não interagir senão com textos, onde os enunciadores se reduzem às pessoas ‘morais’ ou instituições (aeroportos, companhias de aviação, Ministério dos Transportes, sociedades comerciais, polícia da estrada, municipalidades) cuja presença mal se adivinha ou se afirma mais explicitamente (...), por detrás das injunções, conselhos, comentários, ‘mensagens’ transmitidas pelos inúmeros ‘suportes’ (placards, écrans, cartazes) que são parte integrante da paisagem contemporânea.”

Os não-lugares

A hipótese defendida por Marc Augé é a da sobremodernidade enquanto produtora de não-lugares, quer dizer de espaços que não integram os “lugares de memória”. “É a esses desvios do olhar, esses jogos

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de imagens, esses esvaziamentos da consciência que, a nosso ver, podem conduzir, mas desta vez de forma sistemática, generalizada e prosaica, às manifestações mais características daquilo que nós propusemos designar de ‘sobremodernidade’. Esta impõe, de facto, às consciências individuais, experiências e provas de solidão muito novas, directamente ligadas ao aparecimento e à proliferação de não-lugares.” Muitas vezes confundidas e utilizadas indiferentemente perante conceitos distintos, a modernidade e a sobremodernidade definem-se de forma distinta. Enquanto que a modernidade (aquela definida por Starobinski, através de Baudelaire) faz questão de misturar o antigo com o novo, criando novos lugares, mas também gerando a incorporação de passados; a sobremodernidade, por seu turno, faz do antigo (da história), assim como de todos os particularismos locais, um espectáculo específico. Atribuímo-lhes um papel secundário, ligado mais à sua mediatização do que propriamente ao seu valor arquitectónico. A sobremodernidade, ao contrário da modernidade, e talvez seja este o factor que mais as distancia, não integra os lugares antropológicos que o passado criou, transformando-os, antes, em lugares de memória que funcionam como símbolos da alteridade do passado em relação ao mundo de hoje. Todas as épocas viveram culturas do simulacro. Após a Era da Lógica Formal da imagem ligada à pintura, à gravura e à arquitectura no século XVIII, e a Era da Lógica Dialética, da fotografia e do cinematógrafo no século XIX, a Era Paradoxal da imagem inicia-se com a videografia, a holografia e a infografia. A primeira era aparece, segundo Virilio, associada à representação da realidade, a segunda à representação da actualidade e a terceira ao fim da representação na virtualidade. Na Era Paradoxal a imagem atinge a alta definição, não apenas como resolução técnica, mas sobretudo como substituição do real. A imagem define o real, absorvendo-o e eliminando-o. Em Macau, o Lugar dos Não-Lugares chama-se Cotai Strip. A implosão dos sentidos chegou para ficar.


cultura

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gonçalo lobopinheiro

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João Laurentino Neves

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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ela primeira vez na história do Instituo Português do Oriente (IPOR) vão arrancar cursos intensivos, de 90 horas, aptos a certificar internacionalmente os alunos no ensino de língua portuguesa. Ao Hoje Macau, João Laurentino Neves revela que nas salas do IPOR irão estar presentes mais de 100 alunos, que podem beneficiar do plano de apoio financeiro conferido pelo “Programa de Aperfeiçoamento Contínuo” da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). “Vamos oferecer três cursos de língua e um de conversação, que começam para a semana. Há cerca de cem inscritos para os quarto cursos [cujas inscrições acabaram ontem] naquele que será o primeiro programa de ensino intensivo do IPOR”, explica o director do IPOR. Na próxima semana, começam também as inscrições para os cursos gerais, que arrancam em Agosto, num altura de pausa para os que começaram em Fevereiro (e terminam em Novembro) Esta segunda leva de cursos anuais (de Agosto a Junho 2014), reorganizados pela nova directoria, poderá não só receber novos alunos, como estudantes aptos a transitar de nível e, ainda, funcionários de instituições públicas. Por essa razão, ainda não há ideia sobre se aumentará o número de alunos. “Temos datas e

Ensino do português Cursos intensivos arrancam para a semana com mais de 100 alunos

Nova aposta intensiva

É já para a semana que arrancam os novos cursos intensivos do IPOR, com duração de 90 horas. Um “programa novo” que obteve o apoio da DSEJ e mostrou-se atractivo para os cerca de 100 alunos inscritos. Ao mesmo tempo, decorrem ao longo das próximas duas semanas, as inscrições para a segunda ronda dos cursos gerais, anunciou João Laurentino Neves ao Hoje Macau de inscrição diferentes e é difícil fazer uma projecção. Mas creio que, dentro de duas semanas, já temos o período de inscrição concluído. As aulas terminam amanhã, há alunos que ainda estão a fazer avaliações e estão a terminar agora um nível. Esperamos que esses alunos na próxima semana se inscrevam para continuar os seus estudos, esse é obviamente o nosso desejo”, frisa João Laurentino Neves.

“Abrandamento” de alunos

No entanto, assume de antemão, que os novos cursos intensivos podem ter “roubado” alunos aos cursos gerais. Porquê? O certificado é igual mas dado em menor tempo, 90 horas em oposição às

200 (do curso anual). Por essa razão, reconhece que poderá haver “um ligeiro abrandamento por força desses alunos, que preferem ganhar tempo”, confessa. Mas a perspectiva de aumento é vista a longo-prazo, tendo em conta a chamada “qualidade de ensino”. “A minha principal preocupação é que aquilo que é oferta formativa do IPOR esteja cada vez mais consolidada do ponto de vista da sua qualidade. Se isto se verifica já, se demora mais um pouco, se mantemos uma tendência de crescimento sustentado do número de alunos? Acredito que sim, que haja um crescimento ligeiro mas sustentado nos cursos gerais”, avalia.

Recorde-se que o IPOR sofreu uma reestruturação nos seus cursos, que deixam de funcionar semestralmente, num sistema de módulos, e passam a obedecer a uma avaliação internacional por níveis. Por outro lado, também sofreu transformações nas suas turmas que aumentaram, por terem sido organizadas com base nas faixas etárias e área profissional dos seus alunos, o que fez aumentar o número de professores. João Laurentino Neves diz que a contratação de novos professores não é agora uma “preocupação”, embora esteja ainda possa ser equacionado com base na remodelação curricular de que instituição está a ser alvo.

“Língua Portuguesa em Festa” O dia aberto do IPOR vai ter lugar amanhã, entre as 15 e as 18 horas. A iniciativa promete uma “cara nova” já que a intenção a “festa” é “viver a língua, criar comunidade”, segundo slogan do cartaz, explicado pelo director do instituo. “O que se pode cá encontrar dentro são expressões da língua e das culturas que se expressam em língua portuguesa e que as pessoas podem através de experiências lúdicas e recreativas brincar, tendo por tema a música, gastronomia, literatura, jogos”, apresenta João Laurentino Neves. As portas estarão abertas para alunos, professores, famílias mas também toda a comunidade lusófona e demais interessados. Haverá salas de cinema, com ‘trailers’ de filmes portugueses, concursos de cinema, jogos de língua portuguesa com provérbios bem como uma sala dedicada à literatura - onde se apresentará parte da comunidade de escritores lusófonos. E ainda karaoke com música portuguesa. No fundo estarão reunidos “vários núcleos temáticos”, espaços lúdicos mas também didácticos, para “criar afectos com a língua” e “aproximar pessoas ao universo de expressão de língua portuguesa”. Desta forma, acredita João Laurentino Neves, o IPOR poderá por meio de “experiências positivas” conseguir um factor de atractividade que capte novos alunos.


sexta-feira 28.6.2013

O advogado Frederico Rato vai presidir à nova Confraria do Azeite que, juntamente com mais portugueses e macaenses de novas áreas, pretende fomentar o conhecimento sobre este produto alimentar Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

É

um passo para a internacionalização que a Confraria do Azeite em Portugal queria tomar, e que finalmente vai ser concretizado. É este fim-de-semana que vai decorrer a entronização dos cerca de 30 membros da Confraria do Azeite em Macau, na residência consular. Esta pretende ser uma associação de cariz “cultural

Confraria do Azeite chega a Macau e recreativo” e será presidida por Frederico Rato. Ricardo Silva será o grão-mestre e Jorge Manuel Neto Valente também fará parte. Segundo explicou Gilberto Lopes, vice-chanceler da confraria, de Portugal vai chegar uma delegação de 26 pessoas, incluindo o secretário de estado da alimentação e investigação agro-alimentar de Portugal, Nuno Vieira Brito. Está ainda planeada uma missão de entronização e uma conferência na Fundação Rui Cunha sobre o azeite. Na segunda-feira, Francisco Almeida Lino, chanceler da confraria em Portugal, lançará a obra “O amanhecer do azeite”, como o Hoje Macau já tinha noticiado. João Tique, empresário da área dos vinhos, é também vice-chanceler da confraria e um dos mentores do projecto.

“Tenho uma empresa há seis anos e fazia todo o sentido criar algo em Macau que unisse os portugueses, porque na realidade faz-nos aumentar o posicionamento dos nossos produtos. Sem dúvida que a confraria pode ser um veículo excelente de divulgação dos vários tipos de actividades às quais o azeite é transversal, como as artes, culinária, saúde ou ciência”. “O azeite é um produto fantástico, mítico, com milhares de anos. Vai reforçar os laços que temos com Macau e vai de certeza abrir portas à exportação”, garantiu João Tique.

O azeite não é um produto que entre com facilidade na gastronomia local, e é por essa linha que se deve fazer a promoção do azeite.” João Tique disse ainda que a via empresarial não é o ponto de partida para este projecto. “Tentámos encontrar pessoas de várias áreas e não apenas comerciantes. A confraria não pode nem deve ser vista como uma associação de comerciantes ou importadores. Quer ir numa fórmula vertical desde a produção ao consumo, mas sobretudo pelo consumo. Vai ser dado mais espaço a todas as outras actividades que se possam relacionar com o azeite.” Na comitiva vinda de Portugal estarão presentes os presidentes das câmaras municipais do Fundão e da Covilhã, estando prevista a assinatura de vários protocolos.

Negócios não é ponto de partida

Gilberto Lopes garantiu que “um dos objectivos é fazer formação sobre o azeite para profissionais em colaboração com o Instituto de Formação Turística (IFT).

Festa e discussão

25ª edição do Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau (CIFAM) começa este ano a 14 de Setembro e irá terminar no dia 1 de Outubro. A garantia foi dada ontem na apresentação da iniciativa, feita por Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo (DST). O evento promete acontecer, como é habitual, na zona ribeirinha em frente à Torre de Macau.

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Entronização acontece no fim-de-semana na residência consular

Concurso de fogo de artifício a 14 de Setembro

A

cultura

www.hojemacau.com.mo

Segundo o comunicado oficial, este ano há cinco novos elementos “para enriquecer o conteúdo do evento”, sem esquecer a “organização do Fórum da Indústria Pirotécnica, para debater o desenvolvimento da indústria de fogo de artifício e benefícios para o turismo”. Haverá ainda equipas dos cinco continentes, incluindo uma equipa africana. Serão ainda introduzidos efeitos laser e será feito um mini

filme para a divulgação do evento. Segundo disse Helena de Senna Fernandes, “ao longo das 24 edições o CIFAM logrou do caloroso apoio das companhias de fogo de artifício famosas de várias partes do mundo, ajudando a propagar a fama do concurso, aclamado por visitantes e residentes, e que se transformou num dos eventos internacionais a não perder do calendário da cidade”.

Caquesseitão vendido por um milhão e meio

O

Lá vai tesouro

caquesseitão em prata do século XVII, cuja aquisição pelo Estado português tinha sido recomendada por peritos em 2012, foi esta quarta-feira vendido em Paris, por cerca de 1,5 milhão de patacas. Em apenas um minuto e a partir de uma base de licitação de 1milhão e 400 mil patacas, o comprador número 0057 adquiriu no leilão da Sotheby’s, em Paris, a peça rara, uma dos únicos sete exemplares conhecidos no mundo. Descrito pela leiloeira como “um objecto excepcional”, “absolutamente sumptuoso”, o aquamanil do século XVII com ligações à expansão portuguesa em forma de caquesseitão, animal mitológico descrito pela primeira vez por Fernão Mendes Pinto na Peregrinação, foi vendido ao segundo lance, - algo aquém das expectativas de venda da Sotheby’s, que estimava que o lote 242 atingisse dois ou três milhões de patacas. Esta foi a segunda vez que a peça de ourivesaria foi à praça no último

ano, tendo estado para venda na Christie’s de Londres em Julho de 2012 sem ter sido arrematada. Em 2012, quando foi pedida pelos herdeiros dos marqueses de Alegrete a expedição definitiva desta peça – que não se encontrava inventariada nem classificada pelo Estado –, um parecer do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) recomendava que o aquamanil em forma de caquesseitão “deveria ser adquirido pelo Estado, sendo, nesse caso, de imediato exposto na exposição permanente” do MNAA. O então Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) deu a autorização para a saída definitiva da peça, que deveria ser expedida para o Reino Unido tendo como destino a Christie’s, por não considerar prioritária a sua aquisição no cenário de passivo do então IMC (hoje Direcção-Geral do Património Cultural). É preciso não esquecer, lembra Isabel Cordeiro, directora-geral do Património, que o aquamanil que agora foi à

praça não tem uma protecção legal que impeça a sua venda no estrangeiro. Como qualquer bem cultural, precisou, isso sim, de uma licença de exportação que lhe foi concedida no ano passado - tudo dentro da lei. “É certo que não temos nenhuma peça com estas características nas colecções dos nossos museus, como aliás diz o parecer da técnica do Museu Nacional de Arte Antiga, mas isso não significa que a sua classificação tenha sido feita ou sequer proposta”, disse a directora-geral do Património. O aquamanil em prata, datado do século XVII, é uma peça de ourivesaria indo-portuguesa que representa um animal mitológico de pés de pássaro, corpo escamado e cabeça de dragão - o caquesseitão -, sendo descrito no parecer da perita Luísa Penalva, do MNAA, como “uma peça extraordinária” de “importância no panorama da ourivesaria e iconografia portuguesa/oriental”.


desporto

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sexta-feira 28.6.2013

Patinagem “Dia sobre rodas” no D.Bosco

Miúdos na linha Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Q

uer pôr os seus filhos na linha e não sabe como? Sábado, das 17h às 19h, a Associação de Patinagem de Macau (APM) demonstra tudo o que se pode fazer em patins em linha. O Colégio D.Bosco recebe mais de 40 crianças - raparigas e rapazes -, que vão mostrar-lhe Hoquéi em

CR7 e o United vão encontrar-se

s rumores quanto a um eventual regresso de Cristiano Ronaldo a Old Trafford ganharam novo fôlego esta quarta-feira, fruto da informação do jornal espanhol El País, segundo o qual o jogador português e o Manchester United têm um encontro marcado durante as férias do craque. Diz a notícia do prestigiado diário que Ronaldo terá ficado ofendido com umas declarações do presidente Florentino Pérez, numa entrevista dada a 7 de Junho, em que disse, referindo-se à renovação que planeia oferecer ao CR 7, que “tudo tem um limite”. A FIFA proíbe negociações entre clubes e jogadores

cujo contrato vigore por mais de seis meses, o que reforça a ausência de qualquer confirmação deste encontro que o El País garante irá ter lugar nos próximos dias. E que poderá ser no Funchal, no Algarve, em qualquer lugar do mundo escolhido pelo português. Aquilo que os dirigentes do United já terão dito a Jorge Mendes, agente

do capitão da selecção portuguesa, foi que, caso fique em Madrid sem renovar, em Janeiro de 2015 - quando entra nos últimos seis meses de contrato com o Real - vão dar-lhe um prémio de assinatura de 50 milhões de euros. Isto além de lhe pagarem o ordenado que ele proponha... Ronaldo, refere o El País, balança entre a gratidão que sente em relação ao clube inglês que apostou nele quando era ainda uma promessa e o facto de gostar de viver em Madrid, dos adeptos merengues e do clube. A entrada de David Moyes para o lugar de Ferguson também lhe deixará algumas dúvidas. pub

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.

3.

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei n.º 8/91/M de 29 de Julho, conjugado com o artigo 2.º e o artigo 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que, deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Rua Um do Bairro Iao Hon, n.os 22 a 48, Rua Dois do Bairro Iao Hon, n.os 23 a 49, Rua Quatro do Bairro Iao Hon, n.os 41 a 65, Rua Cinco do Bairro Iao Hon, n.os  26 a 42 e Rua Seis do Bairro Iao Hon, n.os 40 a 64, em Macau. Agradecemos aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento da Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, proceder-se-á à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada.

Aos, 6 de Junho de 2013.

2.

A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição

paralelas. Na segunda hora, os patinadores em linha e de patins de quatro rodas vão estar juntos, no mesmo ringue. A APM tem já tradição no Hoquéi patins em Macau, tendo participado em diversos campeonatos onde mantém excelentes classificações. O evento de sábado serve não só para demonstrar o trabalho feito ao longo dos anos na área da patinagem, mas também para cativar novos alunos. As inscrições podem ser feitas no pavilhão.

Agência portuguesa concebeu logótipo do Euro2016

Humilhado e ofendido

O

patins, corrida de circuitos e mais ainda. Inserido na actividade «Dia sobre rodas», vão ser duas horas de exibição, com entrada livre para toda a família. «Na primeira hora, os miúdos vão exemplificar um jogo de Hoquéi em linha júnior, onde vai haver inclusive a participação dos seniores», explica Helder Ricardo, da APM, ao Hoje Macau. Mas, a associação não deixa de fora quem prefere os patins tradicionais - de rodas

A

Criatividade lusitana

agência portuguesa de publicidade Brandia Central concebeu o logótipo para o Campeonato da Europa de futebol de 2016, a disputar em França, apresentado esta quarta-feira pela UEFA, em Paris. “Celebrar a arte do futebol” foi o mote escolhido pela empresa portuguesa, que já tinha sido a autora da imagem do Euro2012, organizado conjuntamente

pela Polónia e pela Ucrânia, e tentou reunir no símbolo a criatividade da cultura francesa com a beleza do jogo. O logótipo, com o azul, o branco e o vermelho da bandeira gaulesa a colorirem a taça Henri Delaunay, junta elementos do futebol a movimentos artísticos, num estilo contemporâneo e arrojado, de acordo com a descrição da própria UEFA.

Em comunicado, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) destaca a presença na cerimónia do líder do organismo, Fernando Gomes, que integra o grupo de coordenação da competição. A 15.ª edição do Campeonato da Europa de futebol vai ser disputada em 10 cidades francesas entre os dias 10 de junho e 10 de julho de 2016, por 24 seleções, pela primeira vez.


sexta-feira 28.6.2013

[ ] Cinema

Sala 3

Um filme de: Zack Snyder Com: Henry Cavill, Russel Crowe, Amy Adams, Kevin Costner 14.30, 19.00

(Falado em cantonês) Um filme de: Lee Hwan-gyeong Com: Shin Chinawut, Namcha Sheranat, Sean Jindachote 14.30, 18.00

World war z [c]

Um filme de: Marc Forster Com: Brad Pitt, Marc Forster, Mireille Enos 17.00, 21.30 Sala 2

World war z [3d] [c]

Um filme de: Marc Forster Com: Brad Pitt, Marc Forster, Mireille Enos 14.30, 19.30

man of steel [3d] [b]

Um filme de: Zack Snyder Com: Henry Cavill, Russel Crowe, Amy Adams, Kevin Costner 16.30, 21:30

epic [3d] [A]

epic [A]

(Falado em cantonês) Um filme de: Lee Hwan-gyeong Com: Shin Chinawut, Namcha Sheranat, Sean Jindachote 16.15, 19.45

now you see me [b]

Um filme de: Louis Leterrier Com: Mark Ruffalo, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Mélanie Laurent 21.30

VERTICAIS: Aquele que baptiza; contr. da prep. de com o art. def. a. 2 – A mãe do pai ou da mãe; frade que não exerce cargos superiores. 3 – A si mesmo; chefe etópe; antigo preceptor de príncipes. 4 – Dispendiosos. 5 – Possuir; parte terminal dos membros superiores do homem; nome da letra grega que corresponde ao P latino. 6 – Sugar (o leite) da mãe ou da ama; escutar. 7 – Existes; gracejar; corda de reboque. 8 – Diferente. 9 – Coloração da face; reduza a pó; a ti. 10 – Pequeno (bras.); aqui está. 11 – Arsénio (s.q.); luneta de uma só lente.

Soluções do problema

Aqui há gato Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1 – Toda a superfície sobre a qual assenta um corpo; que me pertence; tumor a que também se dá o nome de arrieira. 2 – Vertebrado ovíparo, de sangue quente, respiração pulmonar, com o corpo coberto de penas, bico córneo, desdentado, e com os membros anteriores transformados em asas; pequena bigorna de aço, sem hastes; pref. de origem latina, que exprime a ideia de aquém de, do lado de cá de, deste lado de. 3 – Porção de tenuíssimas partículas que andam suspensas no ar e que se depositam sobre o corpo; uma centena; prep. designativa da relação de meio, qualidade, modo, lugar, causa, duração de tempo, continuação, substituição, etc. 4 – Tornar pouco denso; órgão excretor que tem a seu cargo a função da formação da urina. 5 – Erguer; curso de água natural; pedra circular e rotativa de moinho ou lagar. 6 – Emissão de voz; bebida alcoólica, proveniente da destilação do melaço. 7 – Planta liliácea da China; que tem saúde; penteado em que se prende parte do cabelo. 8 – Altar cristão; que não é a mesma. 9 – Um milhar; impulso rápido (fig.); a minha pessoa. 10 – Cedem gratuitamente; vaso de pedra para líquidos; sinal gráfico que serve para nasalar a vogal a que se sobrepõe. 11 – Contr. da prep. a com o art. def. o; caminhar ou dirigir-se para o lugar onde estamos; a tudo o que faz pressão.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:40 18:40 19:00 19:30 20:30 21:20 21:30 22:10 23:00 23:30 00:20 01:00

31 - STAR Sports 09:00 The Championships, Wimbledon 2013 2nd Round 17:30 The Championships, Wimbledon 2013 Daily Highlights Day #4 18:30 (LIVE) The Championships, Wimbledon 2013 3rd Round

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Cougar Town - Sr.1 TDM Talk Show (Repetição) Vingança Telejornal Ler + Ler Melhor Cenas do Casamento Escrito nas Estrelas TDM News Portugueses Pelo Mundo Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO informação tdm

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:35 Percursos 15:30 Correspondentes 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Feitos ao Bife 18:25 O Teu Olhar (Telenovela) 19:15 Depois do Adeus 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:10 Ingrediente Secreto 22:40 Portugal no Coração

40 - FOX Movies 12:10 The Grey 14:10 Once Upon A Time 15:00 Exploding Sun - Part 2 Of 2 16:35 The Beach 18:35 Kingdom Of Heaven 21:00 The Hunger Games 23:25 Brave 41 - HBO 11:30 Doom 13:15 Bad Boys Ii 15:45 Michael Jackson 18:15 Ocean’s Eleven 20:15 Men In Black 3

30 - FOX Sports 13:00 FIM Mx3 World Championship 2013 Highlights Grand Prix of Italy 13:30 Football Asia 2013/14 14:00 Hot Water 2013/14 14:55 US Women’s Open Championship Day 1 16:55 (LIVE) FIA F1 World Championship 2013 Practice Session 1 British Grand Prix 18:30 (LIVE) MotoGP World Championship 2013 Qualifying 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 (LIVE) MotoGP World Championship 2013 Qualifying 22:00 (LIVE) The Championships, Wimbledon 2013 3rd Round

22:00 Mission: Impossible Ghost Protocol 00:15 Saving Private Ryan 42 - Cinemax 12:50 Night Of The Creeps 14:15 Loose Cannons 16:00 Tarzan And The Valley Of Gold 17:30 Kung Fu: The Legend Continues 19:00 China Moon 20:45 Epad On Max 21:10 XIII 22:45 One In The Chamber 00:15 Spartacus: Vengeance

HORIZONTAIS: 1-BASE. MEU. MA. 2-AVE. TAS. CIS. 3-PO. CEM. POR. 4-RARAR. RIM. 5-IÇAR. RIO. MO. 6-SOM. RUM. 7-TI. SÃO. TOTO. 8-ARA. OUTRA. 9-MIL. VOO. EU. 10-DÃO. PIA. TIL. 11-AO. VIR. PESO. VERTICAIS: 1-BAPTISTA. DA. 2-AVO. IRMÃO.3-SE. RAS. AIO. 4-CAROS. 5-TER. MÃO. PI. 6-MAMAR. OUVIR. 7-ES. RIR. TOA. 8-OUTRO. 9-COR. MOA. TE. 10-MIRIM. EIS. 11-AS. MONOCULOS.

À venda na Livraria Portuguesa 10 Histórias de Amor em Portugal • Alexandre Borges

Este livro inclui dez histórias de amor portuguesas. Algumas mais distantes no tempo e, por isso, sendo baseadas em dados históricos, podem envolver-se numa atmosfera de lenda. No entanto, a maioria destas histórias são romances vividos no século XX e alguns permanecem até hoje. Seja pelas peripécias que envolvem várias destas paixões, seja pela relevância pública dos seus intervenientes, estas são algumas das grandes histórias de amor portuguesas.

A Queda de Wall Street • Michael Lewis

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

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Cineteatro | PUB

Sala 1

Man of steel [b]

futilidades

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Com apenas 24 anos, Michael Lewis foi contratado pelo banco Salomon Brothers. Recebia centenas de milhares de dólares por ano mas não percebia nada de acções. Três anos depois bateu com a porta e escreveu o Liar’s Poker a relatar a sua experiência. E ficou à espera: tinha a certeza absoluta de que Wall Street, mais cedo ou mais tarde, iria cair com estrondo. Provavelmente o maior bestseller de sempre sobre a actual crise, A Queda de Wall Street narra-nos a história dos visionários que previram a mudança de paradigma, e que ganharam milhões de dólares com isso, e mostra-nos um mundo que poucos conhecem – a alta finança, as agências de rating e os seus monstruosos equívocos. Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

O tempo que “não é carne nem peixe” mas satisfaz Depois da tempestade a bonança. Porque é também sobre as idiossincrasias da meteorologia em Macau que aprendemos um pouco mais sobre esta cidade. Numa mesma semana, nada muda, tudo se transforma. Tudo começou com aquele que ameaçava ser um tufão mas que, perdeu a coragem a meio, e não subiu de estatuto. Serviu apenas para amedrontar umas celebrações do São João mas não desanimou ninguém, já que a festa teve boa adesão. Mas a semana começou assim, com uma chuva intensa - que conseguiu parar trânsito, escolas, algumas obras - e complicou os trajectos inerentes a um dia de trabalho e, como tal, obrigatórios de cumprir. Mas a semana foi passando, espalhando-se a mensagem de que até quarta os guarda-chuvas teriam de ser obrigatórios. E, de repente, quarta-feira impôs-se com um clima surpreso para as gentes. Nessa altura, o chapéu, que seria de chuva, transformou-se em chapéu-desol. Mas há quem confie logo em melhores dias. E, nesse caso, nem aparecem em público com um nem com outro. E nesses casos, a cabeça (e o corpo) expostos aos violentos raios de sol têm de ser tapados com sacos de plástico, malas, capacetes e tudo o que esteja a mão enquanto os transeuntes desfilam pelas ruas. Mas a definição de “melhores dias” merece uma explicação aos leitores que, com certeza, ficaram confusos com o uso de tal expressão. A verdade é que, ao que me parece, gato que pouco ou nada sei, os humanos que co-habitam comigo nesta cidade, não vêm nem sol nem chuva com bons olhos. Senão vejamos, parece-me por demais desconfortável, logo à partida, sair de casa com mais um adereço (o guarda-chuva/ sol) - grande, inconveniente e pouco estético. Por essa razão, entendo que nada melhor do que um belo dia enublado (coberto por nuvens ou poluição), onde pouco importa se faz calor e humidade, desde que os raios não atinjam a pele e, por outro lado, que não o suor que escorre pelo corpo não se misture com pingos de chuva. Até compreendo. Mas aqui, onde aprendi a viver, numa redacção de muitos portugueses, que me levam muitos vezes em passeios a Portugal, percebo que há primeiro um conceitos estranho denominado de “estação do ano”. Onde cabem quatro períodos do ano. E que, por isso, há certos requisitos que esperam que se cumpram em cada um deles. No Inverno, os chapéusde-chuva são obrigatórios, e no Outono recomendados, mas na Primavera e Verão espera-se que o sol não se faça tímido para abraçar todas as partes do corpo. E, se tal não acontece, os meus amigos ficam deprimidos tal como nos dias enublados do ano. Aqueles que não são carne nem peixe.

Pu Yi


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opinião

sexta-feira 28.6.2013

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Jorge Rodrigues Simão

perspectivas

A dessacralização da aritmética social “The most recent Eurostat data – from spring 2012 – paint a stark picture: over 50 per cent youth unemployment in Greece and Spain, over 30 per cent in Bulgaria, Italy, Portugal and Slovakia and a European average of 22 per cent. The danger of a »lost generation« is no longer merely the writing on the wall, but is becoming a terrifying reality” Youth Unemployment in Europe: Theoretical Considerations and Empirical Findings Hans Dietrich

A

União Europeia em crise de ansiedade deseja o “Euro” forte, as finanças públicas equilibradas, a inflação controlada, a Europa mais unida, mais poderosa, que o desemprego seja fraco, o crescimento tão elevado quanto possível e a coesão social recuperada. Existem novos meios de o conseguir, se os caminhos delineados não foram seguidos e os percorridos não conduziram aos fins desejados? É possível quando se entender que uma política económica nunca pode atingir os seus fins quando é unidimensional e quando só exerce a sua determinação procurando atingir um único objectivo. O desemprego aumenta quando uma sociedade perde de vista o seu futuro (convém repetir incansavelmente). Torna-se necessário compreender como pode surgir tal alquimia! O ensimesmamento e a crispação sobre as vantagens adquiridas, como há três décadas determinaram a alteração da coesão social. É essencial que cada cidadão compreenda que o que está em jogo num debate que não existiu e que está condenado a prolongar-se por vários e aturados anos. As flutuações conjunturais, as peripécias provocadas pela desordem financeira Ocidental podem em certos momentos obscurecer as questões acerca dos temas que convulsionam a Europa; ora levando a pensar que a sua solução está em curso, ora, pelo contrário, está condenada à impotência. Não é esse o caso; não existe desequilíbrio mais grave, em tempo de paz, nem mais ameaçador para os alicerces da sociedade do que o desemprego maciço que inexoravelmente continua a crescer. As intenções pedagógicas nunca foram polémicas. A Europa tem confundido o debate com a polémica, à qual incitam os próprios termos em que aquele é colocado, impedindo que tenha lugar. Julgar uma política pelos seus resultados, encarar a possibilidade de outras políticas que procuram atingir os mesmos objectivos, permite recolocar o debate numa via que nunca deveria ter abandonado, que é a da crítica construtiva da adequação dos meios aos fins. A Europa vive a crise do debate de ideias construtivas e um dos seus maiores erros é a da incapacidade de dessacralizar a aritmética social em que a economia se transformou,

permitindo questionar as respostas que actualmente surgem para os problemas diários, empurrá-las para as suas últimas trincheiras, para que possa ser apreendida a sua verdadeira natureza, os preconceitos em que assentam, os seus pressupostos ideológicos, por vezes as suas verdades. É sempre vantajoso fazê-las duvidar de si mesmas, de as mergulhar na incerteza, de as confrontar com as suas alternativas (o desatino da má e rápida solução nunca permitiu), em suma, de mostrar que se baseiam necessariamente num saber imperfeito, quase sempre parcial, que contrasta com o tom peremptório em que são enunciadas e anunciadas. Empreender tal tarefa mesmo tardiamente é uma mais valia, porque a economia é levada demasiado a sério, transformando-se em constrangimento e ao mesmo tempo em pretexto absolutório, que justifica não só que nada seja feito pela sociedade mas também, aquilo que melhora a eficácia da economia só possa ser exercido à custa da coesão social. Um pouco de irrisão permitirá que se crie a distância necessária para reduzir os danos provocados e evitar o pior em fase avançada de construção, que é a introdução de uma pseudo-moral do sacrifício num tipo de discurso, o económico, que é legitimado unicamente pela mira do lucro e dos compromissos a critérios de convergência e de estabilidade e crescimento (ortodoxia inescapável). A ansiedade vai asfixiando a Europa, pois os sinais de retoma evidente teimam em não aparecer e as boas novas anunciadas pelos observadores, os meios de comunicação social para os políticos continuam emoldurados de pessimismo, negatividade e cepticismo. Será que esta ansiedade difusa e receio do futuro são justificados? Ou devemos ver neles, pelo contrário, o efeito de um medo irracional? O primeiro diagnóstico, forçosamente sumário, não é polémico mas factual. Se omitirmos os anos de guerra, a crise do emprego que as economias dos Estados-membros da UE atravessam é a mais grave desde a década de 1930. Tal como, após o primeiro choque petrolífero, que em início do último trimestre de 1973, com o eclodir da guerra Israelo-Árabe, foi decretado um embargo total pelos países árabes e a revolução iraniana de 1978, que provocou supressão das exportações do petróleo do país, provocando o pânico e a consequente subida do preço do barril em 150 por cento, afectando, seriamente as economias europeias, variando a situação, no entanto, de país para país. Alguns países, na Europa, sempre têm saído melhor das crises que outros. Os países não comunitários, que melhor conseguiram limitar os estragos até ao início da década de 1990, foram a Áustria, Finlândia, Suécia e a Suíça, tendo todavia, conhecido um abrandamento do ritmo de

crescimento, tensões inflacionistas, pequeno desemprego transitório, em nada comparável com a crise de emprego que atingiu certos Estados-membros da UE. É uma verdade que cada um destes países que desde 1995, pertencem à família comunitária, com maior sorte beneficiou de condições específicas em alguns domínios, como foi o caso da Noruega ou da Áustria. Seria abusivo acreditar que tais condições particulares, por definição diferentes de país para país, seriam suficientes para explicar, só por si, os resultados registados. É necessário considerar, pelo menos, a hipótese de que o factor favorável determinante foi de não terem constrangimentos na sua política económica, como tinham os Estados-membros da UE. Essa autonomia preservada permitiu-lhes nomeadamente, limitar o aumento das taxas de juros e escapar à nova distribuição de rendimento nacional daí decorrente. É preciso considerar à parte, entre os Estados-membros da UE, o caso da Alemanha. A Alemanha fez melhor que o resto dos Estados-membros, tal como no presente, por ter sido menos constrangida nas suas decisões e ter podido conduzir uma política económica “conforme aos seus interesses”. O lento e difícil processo de “unificação” confrontou-a com um problema considerável, que não se encontra totalmente resolvido. A Alemanha era mais frágil do que aparentava. Mas encontrava-se, ao mesmo tempo, tal como agora, numa situação mais sã. O enfraquecimento estrutural que representou a unificação, também foi uma oportunidade que permitiu à Alemanha tornar-se um país como os demais, no sentido filosófico e social do termo. O agravamento contínuo, irresistível do desemprego, desde a década de 1980, com pequenos ciclos de redução ou estabilização transitórios, parece ser efectivamente uma característica muito própria dos Estados-membros da UE. Se poupou os países não comunitários até ao início da década de 1990, também não atingiu da mesma forma os Estados Unidos, onde os períodos de crescimento do desemprego permaneceram, como em períodos anteriores, transitórios. Estas desigualdades de situação levaram à

formulação de hipóteses explicativas. Todas são perturbadoras. As politicas macroeconómicas dos Estados-membros da UE teriam foram funestas nessa altura e continuam a ser no presente, para uma das hipóteses, pois privilegiam demasiado tempo um mesmo objectivo, o da virtude monetária, considerada como condição prévia à construção europeia. Este objectivo desde sempre implicou a procura de um certo tipo de desinflação que nenhum Estado-membro considerou poder dispensar. O desemprego a que todos se resignavam e devem continuar, a seguir tal interpretação, aparece como um custo involuntário, associado a uma mudança de regime de que se esperavam e continuam a esperar benefícios futuros consideráveis. Foi e é um sofrimento consentido porque se trata de um investimento no futuro. Esta descrição não implica, neste estádio, qualquer juízo de valor. Parece não existir via mais eficaz para o futuro que a construção de uma entidade suficientemente poderosa para fazer face à globalização dos mercados de bens e capitais. O processo de integração europeia tem, com efeito, a natureza de um investimento de que se espera um rendimento futuro particularmente elevado. Aceitar tal hipótese, significa que os melhores resultados obtidos pelos países não comunitários até ao início da década de 1990, deixam de ter o mesmo significado, pois aparecem um pouco como passageiros clandestinos, “free riders”, que se esquivaram ao custo do investimento, mas preparando-se, apesar de tudo, para recolher os frutos juntando-se progressivamente à UE. Os países não comunitários ao evitarem os sacrifícios iniciais, consentidos pelos outros, conseguiram obter melhores resultados. Tudo dependeria, em suma, do grau de disciplina comunitária que em cada etapa estiveram preparados para aceitar. Por outro lado, entre os Estados-membros, alguns podiam sucumbir, pelo caminho, à tentação de reduzir a sua participação no custo da construção europeia, afastando-se provisoriamente da Europa monetária. Podia ser interpretada dessa forma a atitude da Itália e do Reino Unido, na altura, tal como as tentações perceptíveis em alguns discursos dos líderes franceses. O desemprego deve ser entendido, assim, como um custo, um preço a pagar, um investimento doloroso mas historicamente justificável. Este custo podia e pode ser reduzido se os Estados-membros da UE, tivessem sido capazes de coordenar melhor as suas políticas económicas e sacrificar menos ao seu empenho contra a inflação – estabilidade dos preços – um dos critérios de convergência de Maastricht, implícita no Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), adoptado pela resolução do Conselho Europeu de Amesterdão, a 17 de Junho de 1997. Todavia, teria sido inevitável, porque com ou sem Europa, era necessário combater a inflação.


sexta-feira 28.6.2013

opinião

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Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

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contramão

Próxima paragem: tribunal

J

á se sabia que, mais cedo ou mais tarde, por uma razão ou por outra, isto ia acontecer. Era só uma questão de tempo e de assunto. Foi agora: a Reolian decidiu avançar judicialmente contra a Administração de Macau, passando assim a ser mais uma concessionária de um serviço público chateada com o Governo de Chui Sai On. O motivo: a revisão das tarifas que era para acontecer mas que foi suspensa por exigência popular, para voltar a existir mas só para alguns, tendo a Reolian ficado excluída por alegada falta de qualidade dos serviços prestados. Mas vamos ao início de tudo. E, no início de tudo, tudo começou mal, com um concurso público atribulado que envolveu caixotes perdidos e atrasos na entrega de documentos de uma das rivais da Reolian. Na altura, o consórcio que junta uma empresa local com outra francesa bateu o pé e pediu a suspensão do concurso, alertando para a dificuldade de se garantir um bom serviço dado o impasse do processo. Mas o processo foi para a frente e, pouco tempo depois do início de tudo, foi a falta de mão-de-obra: a Reolian, na sua condição de operadora inexperiente no mercado local, não tinha gente para operar as rotas que era suposto garantir. E queixou-se suavemente do Governo, dos entraves à importação de mão-de-obra, do pouco tempo que teve para dar formação a motoristas inventados à pressão. Depois foi a importação dos autocarros e o dinheiro que a Reolian dizia não ter recebido do Governo. O dinheiro chegou, mas ainda faltavam os juros – e mais uma vez as queixas, as chatices, a que se juntaram os acidentes. Neste capítulo, a empresa nunca deteve a exclusividade – mas certo é que, em termos de opinião pública (que conta muito quando para aí está virada), não houve choque, nem chapa batida com um autocarro verde que não tenha servido para alimentar o fogo nada brando em que a Reolian se viu metida. Sobre os problemas da Reolian muito mais podia ser dito – da falta de local para abastecer os veículos às confusões com os próprios trabalhadores, passando pela dificuldade inicial em relação ao estacionamento das verdes viaturas. Mas não vale a pena – vamos então às tarifas que o Governo decidiu não pagar à Reolian e que estão na origem do processo judicial ontem tornado público pela operadora. A Reolian argumenta que, antes de o Executivo ter cedido à contestação popular, tinha sido notificada da aprovação da revisão anual das tarifas. O processo foi

O problema principal não está na Reolian, nem nas operadoras que lhe fazem concorrência na estrada: está em quem concebeu este sistema de transportes públicos, está em quem implementou este estranho sistema de avaliação da qualidade, está em quem insiste em olhar de um modo enviesado para quem trabalha na cidade, sem ligações fortes à cidade. interrompido para ser retomado este ano, com o Governo a anunciar o pagamento retroactivo apenas às outras duas empresas em circulação. Pelo meio de tudo isto, as habituais declarações confusas de Wong Wan, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, acerca do mês da retroactividade, e ainda as nada convincentes explicações sobre a exclusão da Reolian: a falta de qualidade dos serviços prestados pela concessionária, conclusão a que chegaram os utentes dos autocarros. Confesso: faço parte do vergonhoso conjunto de pessoas que não tem estatuto de utente de autocarros. Os autocarros raras vezes me servem, obrigam-me a perder tempo, não são confortáveis, têm rotas confusas e nada práticas para os percursos que faço. Mas já andei em alguns: verdes, amarelos ou laranja, tanto faz, que a diferença é pouca ou nenhuma. Como condutora, também não consigo fazer a distinção, à excepção da cor – atravessam-se na estrada quando bem entendem, dão o pisca para um lado e viram para o outro, são incapazes de encostar à berma do passeio nas paragens que lhes são destinadas em exclusivo, entupindo o trânsito que vem atrás, e têm o condão de se condensarem todos, à mesma hora, nas mesmas ruas, com os seus infernais tubos de escape. Estas impressões de mera observadora fazem-me pensar que o critério para a exclusão da Reolian é, no mínimo, questio-

nável. Se a isto juntar o relatório recente do Comissariado da Auditoria, chego à conclusão de que o problema principal não está na Reolian, nem nas operadoras que lhe fazem concorrência na estrada: está em quem concebeu este sistema de transportes públicos, está em quem implementou este estranho sistema de avaliação da qualidade, está em quem insiste em olhar de um modo enviesado para quem trabalha na cidade, sem ligações fortes à cidade. Apesar de já se saber há alguns meses que a Reolian não iria ter direito às tarifas revistas em alta, os responsáveis pelo consórcio mantiveram-se sossegados durante este tempo. Pelas explicações que dão, terão tentado resolver o problema através dos métodos locais – menos queixas públicas, mais reuniões em privado. Não resultou – não era para resultar, nunca foi para resultar. A verdade é que é difícil ser-se de fora e entrar em determinados circuitos locais, mesmo tendo parceiros que são de cá e que conhecem o terreno. Faz parte da realidade pequenina de uma terra pequenina que tem contornos pequeninos de superioridade, em que só os outros é que erram e dar a mão à palmatória é exercício que não se faz. Por muito que me esforce, e por mais que me repita, não consigo perceber o que vai bem na direcção de serviços de Wong Wan, sem direcção e com serviços que não merecem o mais pequeno elogio, nem sequer retroactivamente. Por ora, sabemos apenas que a próxima paragem é o tribunal.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Soraia Zhou[estagiária] Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


sexta-feira 28.6.2013

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c a r t o on por Steff Greve CGTP anuncia adesão de 80-90%

Micolli “Não sou mafioso”

A greve geral de 27 de Junho está a correr bem e dentro das expectativas da CGTP. A central sindical revelou hoje que existem muitos sectores de actividade parados de Norte a Sul do país. “A adesão tem sido muito muito forte”, afirmou Armando Farias da CGTP. “Estamos a falar de uma adesão na ordem dos 80-90%”, acrescentou. Por volta das 10 horas, os turnos da noite já tinham sido todos contabilizados e os números da manhã continuavam a ser processados. “Vários sectores de actividade estão totalmente paralisados, como nas autarquias, centros de saúde, hospitais, recolha de resíduos, sector marítimo, fluvial, portuário e as empresas de laboração contínua no sector privado, existe uma grande adesão”, afirmou o responsável da CGTP.

Brasil Estudante morre em manifestação

Douglas Henrique Oliveira, de 21 anos, caiu do viaduto José Alencar, não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. No início da madrugada, o governo de Minas Gerais confirmou a morte do jovem que caiu do viaduto durante os protestos em Belo Horizonte. Segundo testemunhas citadas pelo Estado de São paulo, o rapaz tentou pular de uma pista do viaduto para outra mas caiu no vão que há no meio do viaduto. Foi levado de helicóptero para o hospital mas acabou por morrer. O acidente ocorreu ao final da tarde, quando um grupo de protestantes mais violentos entrou em confronto com o corpo militar que fazia a segurança em volta do Estádio Governador Magalhães Pinto, onde o Brasil enfrentava o Uruguai num jogo de apuramento para a final da Copa das Confederações.

Snowden Equador concede salvo-conduto

O Equador concedeu um salvoconduto ao ex-técnico da CIA Edward Snowden, que permanece retido há dias no aeroporto de Moscovo, para que possa viajar para Quito, revelou hoje o canal norteamericano Univisión. O documento, datado de 22 de Junho, conta com a assinatura do diplomata equatoriano na capital britânica, Fidel Narváez, o mesmo que tem sob cuidado, há já um ano, Julian Assange. O salvo-conduto pode ser apresentado por Snowden junto das autoridades russas, solicitando-se o seu trânsito para o Equador a pedido de Quito. “Este documento visa permitir a transferência directa do seu titular para o Equador para fins de asilo político. Solicita-se às respectivas autoridades dos países em trânsito que se dignem a prestar as facilidades (...), para que o portador do presente documento possa completar a sua viagem com destino ao Equador”, refere o documento.

Fórum Macau Fundo de Cooperação está criado

Cooperar com muitos zeros

F

oi criado oficialmente, na quarta-feira, o Fundo da Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, promovido pelo Governo Central, que resulta da iniciativa conjunta do Banco de Desenvolvimento da China e do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização de Macau. O novo plano de apoio financeiro foi ontem anunciado pela Direc-

ção dos Serviços de Economia (DSE), por meio do Gabinete de Comunicação Social. O valor global do capital social do fundo é de mil milhões de dólares americanos (mais de oito mil milhões de patacas), sendo que a primeira tranche vale 125 milhões de dólares (cerca de mil milhões de patacas). O fundo vai concentrar-se nas necessidades de investimento e financiamento das

empresas da China Continental (incluindo Macau) e dos países do espaço lusófono. A tónica é colocada no apoio à entrada das empresas da China e de Macau no mercado dos países de língua portuguesa. Da dotação global do fundo, um quinto destina-se a fundos de capital, enquanto o restante são para empréstimos e financiamento de projetos lusófonos relacionados com a construção de infraestruturas, transportes, comunicações, energia, agricultura e recursos naturais. A operação e gestão do fundo são da competência do Fundo de Desenvolvimento China-África, na dependência do Banco de Desenvolvimento da China, uma estrutura que possui experiência na gestão de investimentos no estrangeiro. Recorde-se que, segundo anunciado em Abril pelo secretário-geral Fórum Macau, Chang Hexi, o Banco de Desenvolvimento começou então a aceitar a inscrição de empresas dos países de língua portuguesa. A criação deste fundo foi anunciada há já três anos, em 2010, pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, na 3ª conferência ministerial do Fórum Macau, a par da concessão de créditos de 1.600 milhões de yuan (2150 milhões de patacas) para os países lusófonos de África e Ásia, com o objetivo de aprofundar a cooperação entre a China e os países de língua portuguesa. - R.M.R.

Fabrizio Miccoli, antigo jogador do Benfica, pediu esta quinta-feira desculpa pelas amizades ‘mafiosas’ que fez na Sicília, mas jurou inocência. “Não sou um mafioso. Estou contra a máfia e quer demonstrá-lo. Tenho tentado ao longo dos anos não ser só o capitão do Palermo. Deixei a minha família para me tornar num verdadeiro palermitano e por isso aproximeime de pessoas que pensei que eram minhas amigas e não eram”, disse em conferência de imprensa. O jogador é até acusado de ter burlado o juiz Giovanni Falcone, que foi assassinado pela Cosa Nostra. “Peço desculpas a Palermo e à minha família por tudo o que fiz. Não durmo há três dias e disse coisas que não penso. Estou desfeito. Cresci com os valores que os meus pais me deram”, disse sem aguentar as lágrimas. Miccoli está ainda acusado de extorsão e violação de sistemas informáticos. O avançado, que foi despedido do Palermo por causa disso, terá convencido um funcionário de uma empresa de telecomunicações a dar-lhe o cartão SIM de três telefones que não eram utilizados pelos donos, para estes cartões serem utilizados em actividades ilegais. Num dos telefonemas interceptados, o jogador insulta o juiz Giovanni Falcone durante um telefonema com o chefe da Cosa Nostra Antonino Lauricella.

Steve Wonder grava gospel em árabe

Stevie Wonder vai incluir um gospel em árabe no próximo álbum, dedicado à mãe, para que cada um “entenda a palavra de Deus”, anunciou o cantor norte-americano numa entrevista ao site Rolling Stone. “Gospel inspirado por Lula” - nome da falecida mãe do cantor - é o projeto em que Wonder, de 63 anos, trabalha atualmente. “Fazemos gospel tradicional e eu quero fazer um em árabe, porque penso que todos devemos entender a palavra de Deus, independentemente de lermos o Corão, a Torah ou a Bíblia”, declarou.

Hoje Macau 28 JUN 2013 #2881  

Edição do jornal Hoje Macau N.º 2881 de 28 de Junho de 2013.