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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

˜

SEGUNDA-FEIRA 28 DE MAIO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4059

ASSEMBLEIA

Benefícios anti-ruínas PÁGINA 4

EPM

CARTAS DE LISBOA

PÁGINA 7

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hojemacau

Devolvidos

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Desde 1999, cinco portugueses condenados em Macau foram autorizados a cumprir pena em Portugal. Este pequeno universo faz parte de um total de nove portugueses que pediram o retorno. O maior volume de transferências verificou-se com cidadãos de Hong Kong. 72 condenados foram autorizados a cumprir pena na região vizinha desde que foi firmado o acordo de transferência com Macau, no fim de 2005. PÁGINA 8

MALÓ

Clínica do siso ÚLTIMA

MOP$10


2 grande plano

MANUEL VICENTE

MORADORES VÃO MANTER CORES DAS TORRES RESIDENCIAIS DA BARRA

A OPERA CONTINUA ´

GOOGLE STREET VIEW

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O carro, a caminho da Barra, o arquitecto disse da sua obra ao voltar a ela, anos depois: “Digo sempre aquela história que vos contei. Um dia o imperador resolveu mostrar o palácio ao seu poeta, e no meio desta viagem começa por descrever que começou a ver, ao longe, um conjunto de torres, e que à medida que se iam aproximando reparavam que nenhuma tinha a mesma cor mas que havia graduações da mesma cor. E eu tinha muita vontade de criar essa situação nas torres aqui da Barra, em que as cores iam sempre variando com os tons, umas depois das outras.” É assim que Manuel Vicente se refere, no documentário sobre a sua carreira, transmitido pela RTP, ao projecto das torres residenciais da Barra que desenhou, em parceria com Manuel Graça Dias, entre a metade dos anos 70 e inícios dos anos 80. Destinadas a albergar funcionários públicos, tendo sido, por isso, uma encomenda da Administração portuguesa, as torres apresentam hoje problemas decorrentes da passagem do tempo. A torre 3, de cor salmão, sofreu obras de renovação há oito anos, sendo que as obras de renovação das duas primeiras torres deverão começar até ao final deste ano. Ao HM, Alexandre Victal, um dos membros de uma comissão composta por oito administradores, moradores do prédio, garantiu que a mudança da coloração das torres nunca se colocou. “As cores foram definidas pelo arquitecto na altura da construção, em parceria com o Governo. Em princípio, não as vamos alterar. O arquitecto quis definir três cores diferentes. Pelo respeito do arquitecto não vamos alterar as cores e não há moradores que queiram ver uma mudança”, explicou ao HM. Renovar a torre número três custou três milhões de patacas e não há, para já, um orçamento definido para estas obras. “Na assembleia-geral definimos quais serão as obras a realizar, foi aprovado por uma maioria. Todos os anos, na assembleia-geral da comissão de gestão, falamos da realização das grandes obras, mas acima de orçamentos de 30 mil patacas não estamos autorizados a decidir nada. Fazemos a gestão corrente [dos assuntos] e temos esse orçamento por obra. Acima desse valor terá de ser aprovado em assembleia-geral da associação de condóminos”, adiantou Alexandre Victal. A necessidade de realização das obras começou a ser discutida por um grupo de moradores que, de forma voluntária, avançaram para a resolução do problema. “Há dois anos que estamos a pensar resolver este assunto. Os administradores têm os seus trabalhos e temos preferência pelo fim do ano [para

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Erguidas entre a metade da década de 70 e inícios da década de 80, as torres residenciais da Barra, um projecto do arquitecto Manuel Vicente, necessitam de obras de reparação, que deverão começar até ao final deste ano. Um membro da comissão de condóminos garantiu que as icónicas cores serão mantidas para respeitar o projecto original

a realização das obras], para que seja mais conveniente”, explicou o responsável. As três torres residenciais da Barra, com vista para o delta do rio das pérolas, albergam cerca de 144 apartamentos. Alexandre Victal adiantou que o Executivo pode disponibilizar um empréstimo de 50 mil patacas para cada condomínio que deseje fazer obras ao exterior dos edifícios, além de existir um fundo financeiro criado pelos próprios moradores. Num território onde é difícil fazer a manutenção dos edifícios residenciais, por ser difícil chegar a um consenso no seio dos moradores, situação que não é atenuada pela actual lei, Alexandre Victal defende que a renovação das torres residenciais da Barra é um caso de sucesso, uma vez que não houve vozes contra as obras de renovação. Além disso, sempre houve a preocupação de cumprir a lei neste ponto, pois é obrigatório fazer reno-

vações às fachadas a cada dez anos. “Como funcionários públicos, quisemos cumprir esta regra”, frisou.

UMA BOA NOTÍCIA

Tratando-se de uma encomenda da Administração, estamos perante um projecto residencial que é parcialmente privado e que não está classificado. A preservação das cores poderia não acontecer, mas o facto dos moradores terem decidido manter o projecto original deixou o filho de Manuel Vicente, Lourenço Vicente, muito feliz.

“É uma boa notícia”, disse ao HM. Poderia, nestes casos, criar-se uma base legal específica para evitar mudanças bruscas em edifícios icónicos como este? A questão é velha, mas continua sem solução. Teria de ser analisado “caso a caso, edifícios mais importantes, porque nos tais edifícios classificados a cor é muito importante”. “Isto dava pano para mangas, mas acho importante pensar-se nisso. A cor faz parte da entidade de um edifício. Seria uma alteração ao projecto inicial e aí obrigaria a um projecto de alterações

“Lembro-me que ele tinha um frustração muito grande porque queria fazer uma mistura entre a cor da primeira e da segunda torre. A terceira torre deveria ter um cruzamento do azul e do rosa. Só que era um projecto encomendado pela Administração e houve a decisão de usar a tinta salmão.” RUI LEÃO ARQUITECTO

junto das obras públicas”, adiantou Lourenço Vicente. Rui Leão, arquitecto que trabalhou com Manuel Vicente, também considera ser fundamental a criação de um quadro legal sobre esta matéria. “Não haveria problema de existir uma classificação para este tipo de edifícios, porque são edifícios que ainda têm uma longa utilização e a sua manutenção não é uma questão complicada. Faria sentido criar uma classificação, porque este caso é feliz mas se calhar noutros não há essa sensibilidade de manter a fachada ou as cores.” “Em Macau há muita selvajaria nesse sentido, na maneira como são preservados os edifícios. Não sei se a classificação faria sentido, mas talvez criar um quadro legal para que não fique tudo nas mãos dos utilizadores”, acrescentou Rui Leão.

A COR DE BARRAGÁN

No documentário da RTP, Manuel Vicente recorda um projecto


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em que aliou a cor à geometria. “Achei muito engraçado porque fiz aquilo em muito pouco tempo, muito à minha maneira, e de repente compus o conjunto das três torres. Fiz tudo octogonal e a dada altura chamava-lhe a ‘inglesa curta’, porque se cruzavam em mim as influências do brutalismo inglês, que se reclamava muito do Corbusier, com os princípios muito rígidos, mas que eram uma nova ortodoxia, um movimento moderno, e estava-me a fugir a mão para essa aproximação.” Manuel Vicente, falecido em 2013 aos 78 anos de idade, saiu, portanto, de uma posição de relativa rigidez para brincar com a diversidade de cores. “Deixei aquilo que era mais a minha origem, e da minha geração, das influências de Frank Lloyd Wrigt, de uma geometria rígida, que caracterizava muito as coisas dele, com figuras geométricas que se iam transformando. Eu ali andava à volta do

quadrado, a figura geométrica que era o tema, e também com a ópera do Wagner, com variações e reconfigurações”. Para as torres residenciais da Barra terá contribuído a influência do arquitecto mexicano Luís Barragán, que, segundo Lourenço Vicente, usava as cores como ninguém. “Ele tinha cores maravilhosas e o meu pai chegou a visitá-lo quando vivia na América, talvez em 1967. O meu pai gostava muito da maneira como ele aplicava as cores.”

Também Rui Leão destaca a referência ao trabalho do arquitecto mexicano. “As cores iniciais, o azul e o rosa, estão muito associadas a um tipo de arquitectura, a mim faz-me muito lembrar o uso da cor pelo [Luís] Barragán.” A terceira torre, que foi alvo de obras há oito anos, é cor salmão, mas não era para ser assim. “Lembro-me que ele tinha um frustração muito grande porque queria fazer uma mistura entre a cor da primeira e da segunda torre. A terceira torre deveria

“As cores foram definidas pelo arquitecto na altura da construção, em parceria com o Governo. Em princípio, não as vamos alterar. O arquitecto quis definir três cores diferentes. Pelo respeito do arquitecto não vamos alterar as cores e não há moradores que queiram ver uma mudança.” ALEXANDRE VICTAL MORADOR E MEMBRO DA COMISSÃO DE GESTÃO DAS OBRAS

ter um cruzamento do azul e do rosa. Só que era um projecto encomendado pela Administração e houve a decisão de usar a tinta salmão. Foi uma coisa que não foi feita de acordo com o projecto dele.” Além da cor, as torres residenciais da Barra fizeram a diferença por apresentarem também casas diferentes para se viver. “O tipo de apartamentos é muito diferente [face ao que era construído na altura] e era muito mais adequado ao tipo de utilização que havia na altura, com famílias portuguesas. Eram, sobretudo, funcionários públicos e havia um arranjo mais moderno e mais de acordo com o estilo de vida dessas famílias.” Entre o final da década de 70 e inícios da década de 80, a zona da Praia Grande e da Barra não tinham praticamente construção, recordou Rui Leão. Por isso, as torres residenciais da Barra

representaram “uma proposta muito urbana e, ao mesmo tempo, com uma nova tipologia de habitação”. Com o passar dos tempos, alguns funcionários públicos acabaram por conseguir comprar as casas que lhes foram atribuídas, tendo-as vendido no mercado privado. Os compradores que as adquiriram representam hoje entre 50 a 60 por cento dos moradores. A Direcção dos Serviços de Finanças é ainda responsável pelo arrendamento de algumas fracções, assumindo 40 por cento. Há também algumas fracções que foram atribuídas ao Montepio Geral de Macau, em troca do imóvel que foi cedido para a Administração atrás das Ruínas de São Paulo. Andreia Sofia Silva (com Vítor Ng) andreia.silva@hojemacau.com.mo


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AL DEPUTADOS APROVAM REGIME DE BENEFÍCIOS FISCAIS PARA A RECONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS

Contra os escombros

Foi aprovada por unanimidade a proposta de lei sobre benefícios fiscais para a reconstrução de edifícios. O diploma segue agora para análise na especialidade onde pode ser acrescentado um aditamento de modo a averiguar responsabilidades quando prazos não são cumpridos

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proposta de lei relativa ao regime de benefícios fiscais para a reconstrução de edifícios foi aprovada na generalidade em reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL). Apesar da votação por unanimidade, alguns deputados deixaram solicitações ao secretário para as Finanças, Lionel Leong, sobre questões que gostariam de ver discutidas na análise do diploma na especialidade. Um dos pontos que suscitou maior debate na reunião plenária de sexta-feira teve que ver com o limite de três anos previsto na proposta para que o promotor conclua as obras de fundação do edifício a ser reconstruído. Caso este prazo não seja cumprido, perde direito aos benefícios fiscais. Para o deputado Zheng Anting trata-se de um período demasiado curto. “Em três anos não se conseguem concluir as obras de fundações”, apontou. O deputado considera que as demoras, muitas vezes, são causadas pelos atrasos

dos serviços públicos, que não permitem que os projectos de construção avancem. Neste sentido, Zheng Anting pediu a Lionel Leong que fosse aditada uma norma ao regime acerca da imputação de responsabilidade para os casos em que os promotores não consigam terminar as fundações no tempo previsto. “Todos sabemos que estes projectos têm de passar por vários serviços o que vai provocar atrasos”, referiu. “Peço ao Governo para que não repita os mesmos erros. Tem de haver uma ressalva. Se a culpa é do promotor, não deve haver benefícios se não é, a obra tem de ser autorizada a continuar”, sublinhou. A acompanhar Lionel Leong na apresentação desta proposta na AL esteve também um representante da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) que defendeu que o tempo previsto não era pouco para as obras em causa. “O prazo de três anos é suficiente para concluir as obras de fundação”, disse, sendo

que, “relativamente a este prazo, a lei prevê que se estiverem envolvidas alterações de contrato ou se as promotoras estiverem a aguardar pelas acções de planeamento urbanístico, o limite deixa de ser contabilizado”. Já o secretário para a Economia e Finanças mostrou-se flexível relativamente à sugestão do deputado Zheng Anting. “Temos uma atitude aberta relativamente a essa proposta”, apontou o governante.

10 PARA LÁ, 10 PARA CÁ

Outra das questões apontadas na sessão plenária de sexta-feira foi o limite de 10 por cento de aumento de área do edifício a ser reconstruído. Para Au Kam San, esta pode ser uma premissa

capaz de inibir os promotores interessados em reconstruir prédios devolutos. Já Ho Ion Sang teme o oposto, alertando para a possibilidade de existirem proprietários que aproveitem os benefícios dados para fazerem obras de reconstrução e aumentarem as áreas. O secretário justificou a possibilidade de aumento com necessidades actuais que não se faziam sentir quando o projecto inicial foi feito. “Os projectos dos edifícios mais antigos não previam requisitos de segurança contra incêndios, por exemplo”, ilustrou.

ANTES DO TEMPO

Houve ainda deputados que questionaram a apresentação da

“Peço ao Governo para que não repita os mesmos erros. Tem de haver uma ressalva. Se a culpa é do promotor, não deve haver benefícios se não é, a obra tem de ser autorizada a continuar.” ZHENG ANTING DEPUTADO

proposta num momento em que faltam ainda definir outros diplomas relativos ao mesmo assusto e em que não existe um planeamento de renovação urbana. O secretário avançou que, apesar dessa situação ser real, não impede que os trabalhos no âmbito da sua tutela não avancem. O regime que segue agora para análise na especialidade tem como objectivo reduzir os custos associados à reconstrução, atenuar os encargos dos proprietários, bem como acelerar o ritmo do trabalho relativo à renovação urbana. Os benefícios fiscais considerados consistem na isenção de imposto de selo para edifícios que, após vistoria pela DSSOPT, “sejam classificados como aptos a serem demolidos e reconstruídos, por ameaçarem ruína ou oferecerem perigo para a saúde ou segurança públicas, ou que sejam demolidos após a aprovação do projecto pela DSSOPT”, refere ao documento. Estão também incluídos os prédios demolidos e reconstruidos por determinação do Chefe do Executivo, para o desenvolvimento social e para a preservação do património cultural e dos edifícios que sejam demolidos e reconstruidos, nos termos legais. Em todo o caso, há que ter em conta que a reconstrução implica um plano para o mesmo local que obedeça ao projecto original, ou a um novo, desde que aprovado pela DSSOPT. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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AL DEBATES PEDIDOS POR ELLA LEI E NG KUOK CHEONG APROVADOS

Todos à mesa legais permitem a prática de vários crimes. A deputada argumenta a necessidade de maior rigor nesta matéria tendo em conta os casos denunciados no ano passado pelo Comissariado Contra a Corrupção relativos a falsificação de documentos. Lam Iok Fong, que se manifestou em acordo com a proponente do debate, assinalou

que têm existido investimentos “insignificantes” no território. Por outro lado, há categorias que não estão contempladas pela lei, considerou. “Por exemplo, projectos na área da educação também podem ser considerados como sendo um investimento, mas como é que se definem os critérios?” O deputado considera ainda que na sequência dos casos

de falsificação de documentos, é imperativo que o Governo se desloque à AL endereçar a questão. O pedido de debate foi aprovado por unanimidade.

cartas de condução entre Macau e o continente. Para o pró-democrata, é necessário, antes de avançar com a iniciativa, que o Executivo proceda a uma consulta pública. A ideia foi apoiada por Agnes Lam. “Concordo e apoio o que diz Ng Kuok Cheong, até porque a população ainda não conhece bem os regimes de condução de ambos os lados o que pode ter implicações para as políticas de transporte terrestre”, apontou.

CARTAS FALADAS

De acordo com Ella Lei, a fixação de residência no território por investimento tem sido muitas vezes descurada pelo Executivo e, no entender da deputada, as lacunas legais permitem a prática de vários crimes

Por outro lado, o deputado Ng Kuk Cheong viu aprovada a solicitação de debate para discussão do reconhecimento mútuo das

GCS

Os deputados vão reunir com o Governo na Assembleia Legislativa para debater os requisitos para fixação de residência por investimento e o reconhecimento de cartas de condução entre Macau e a China continental. Os debates pedidos por Ella Lei e Ng Kuok Cheong foram aceites na reunião plenária da passada sexta-feira

A apoio para a realização do debate veio também do deputado Ma Chi Seng. O tribuno considera que “a população está toda preocupada”. Já Leong Sun Iok alerta para a necessidade de ter em conta possíveis aproveitamentos da situação de carácter ilegal. O deputado considera que a medida vai aumentar o número de condutores a trabalhar no território sem autorização para o efeito. Por outro lado, Leong receia que existam questões de segurança que não estão a ser tidas em conta. “A sociedade está divida e teme que esta política de reconhecimento não funcione devido à forma como os condutores da China continental conduzem”, disse. Apesar de o debate ter sido aprovado, Kou Hoi In e Chui Sai Peng votaram contra e Chan Iek Lap absteve-se.

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UZ verde. Foram aprovados na passada sexta-feira os pedidos de debate da deputada Ella Lei e de Ng Kuok Cheong. Ella Lei pediu que fosse discutido com o Governo a introdução de critérios quantitativos na apreciação dos pedidos de residência. Para a deputada, é necessário criar um regime de pontuação para este tipo de processos bem como um acompanhamento rigoroso do seu andamento, que envolve não só a aposta nos actos de fiscalização,, como um aperfeiçoamento dos regimes legais que dizem respeito a esta matéria. De acordo com Ella Lei, a fixação de residência no território por investimento tem sido muitas vezes descurada pelo Executivo e, no entender da deputada, as lacunas

Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

PEARL HORIZON DEPUTADOS PEDEM MAIS MEDIDAS AO EXECUTIVO

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início da última reunião da Assembleia Legislativa foi marcada por um dos casos que tem dominado a actualidade. Durante o período antes da ordem do dia, vários deputados pronunciaram-se sobre o caso Pearl Horizon. O deputado Zheng Anting falou mesmo na necessidade de uma revisão legal. “O Governo deve

colmatar as lacunas da nova Lei de Terras, seja através de aditamento, revisão ou interpretação”. Além do Pearl Horizon, o deputado apontou como casos idênticos os terrenos em Nam Van e Seac Pai Van que foram alvo de declaração de caducidade de concessão por parte do Governo. A necessidade de existir uma norma que contemple a

imputabilidade da responsabilidade para o não aproveitamento dos terrenos em tempo previsto por lei é, para Zheng Anting, um dos pontos que exige maior atenção por parte do Governo. “A nova Lei de Terras, de 2013, não define a forma de tratar as situações imputáveis e inimputáveis, o que já acarretou grande impacto negativo para a sociedade. Como o Governo

é lento na aprovação dos projectos de construção, os concessionários que não têm responsabilidades acabam por ser prejudicados”. Em contrapartida, o deputado entende que também acontecer casos de recuperação dos terrenos em que os concessionários têm culpas e acabam protegidos, “prejudicando os interesses da população em geral”, afirmou.

Ma Chi Seng e Chan Wa Keong assinaram também uma interpelação conjunta relativamente ao caso Pearl Horizon em que se mostraram preocupados com as ajudas que o Governo pode ter disponíveis para os compradores de casas naquele empreendimento. Os deputados consideram que, caso os lesados resolvam avançar para um

processo nos tribunais, o Executivo deve ponderar dar o devido apoio judicial. “Se estes recorrerem à via judicial para resolver o conflito, para além de aguardarem longo tempo devido à morosidade do processo, também têm de pagar os honorários dos advogados e as custas judiciais”, justificam os tribunos no documento. S.M.M.


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S deputadas Song Pek Kei, Ella Lei, Wong Kit Cheng e Agnes Lam querem mais e melhores condições de vida para as crianças de Macau. As preocupações foram manifestadas no período de antes da ordem do dia, na Assembleia Legislativa, na passada sexta-feira. De acordo com Song Pek Kei, a falta de vagas nas creches de Macau é alarmante e é uma situação que carece de medidas mais consistentes por parte do Executivo. “O Governo que tome como referência as experiências do exterior e incentive as empresas com capacidade, especialmente as do jogo, a criarem creches para os seus trabalhadores”, sugeriu. De acordo com Song, o Governo anunciou 10 mil vagas no território, mas a necessidade é de 18 mil. A falta de oferta coloca os pais ficam numa situação de tensão que os leva a apresentar candidaturas em mais do que uma escola, referiu Ella Lei. O resultado é que, quando estas crianças entram em mais do que uma escola, as vagas que ocupam os restantes em simultâneo não são imediatamente disponibilizadas, apontou a deputada com ligações à FAOM. “Tem que haver um sistema para

Ajudar a crescer Deputadas alertam para necessidades infantis

os pais, cujos filhos conseguiram várias vagas, poderem optar rapidamente, libertando as vagas para os suplentes”. Ella Lei entende que é preciso “reduzir o tempo de espera e as preocupações dos pais,

e facilitar o trabalho das creches e a fiscalização do Governo”, disse. A deputada da FAOM considera que é preciso ter dados concretos e reais acerca das necessidades do território e das vagas existente. Só

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 347/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora ZHANG KANGMEI, portadora do Passaporte da RPC n.° E20731xxx, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.°C08327xxx e portadora do Salvo-conduto de Residente da China Continental para Deslocação a Taiwan n.° T20191xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 151/DI-AI/2017, levantado pela DST a 10.06.2017, e por despacho da signatária de 15.05.2018, exarado no Relatório n.° 326/DI/2018, de 02.05.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Bruxelas n.° 169, Jardim Nam Ngon, Bloco 4, 4.° andar P onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Maio de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 348/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHEN BUCHAI, portador do Passaporte da RPC n.° E64828xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 101/DI-AI/2016 levantado pela DST a 17.09.2016, e por despacho da signatária de 15.05.2018, exarado no Relatório n.° 328/DI/2018, de 03.05.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.° 28, Vista Magnifica Court, 5.° andar N onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Maio de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

assim se podem definir políticas eficazes para resolver a situação.

O QUE FAZ FALTA

Para Wong Kit Cheng é necessário prestar atenção aos direitos das crianças. A deputada mencionou as mudanças da sociedade e o aumento da taxa de natalidade para justificar as necessidades crescentes de estruturas que garantam as necessidades crescentes. A deputada deu exemplos: “faltam parques infantis e vagas nas creches, os cuidados às crianças estão longe de conseguir satisfazer as necessidades dos pais quando ambos trabalham, as políticas de família estão desajustadas da realidade, e o tratamento e o ensino precoces deixam ainda algo a desejar”. Ainda na área de apoio infantil, Agnes Lam defende que o Governo deve avaliar as políticas de apoio aos encarregados de educação com filhos com necessidades especiais. As medidas a serem tomadas pelo Executivo devem passar também pelos estabelecimentos de ensino, na medida em que “algumas escolas do ensino especial têm falta de espaço e, segundo os encarregados de educação, a fisioterapia é feita nos corredores”, referiu. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Cooperação Chefe do Executivo em Pequim até amanhã

O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, partiu ontem para Pequim, onde vai presidir, a par com o dirigente da capital chinesa, Chen Jining, à cerimónia de assinatura da “Parceria de Cooperação Pequim-Macau 2018”. Segundo um comunicado oficial, durante a estadia em Pequim, que se prolonga até amanhã, Fernando Chui Sai On vai também participar na abertura e cimeira da Feira Internacional de Comércio em Serviços da China, conhecida pelo acrónimo CIFTIS. Estão ainda previstos encontros com dirigentes do Comité do Partido Comunista Chinês e do Governo do Município de Pequim, bem como com chefias da Administração Geral da Alfândega. Com esta parceria, Macau e Pequim “pretendem incentivar as trocas comerciais e o intercâmbio entre as populações, ampliar pragmaticamente a cooperação em todos os domínios e promover o desenvolvimento com benefícios mútuos”.


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PEARL HORIZON GOVERNO DIZ QUE AGIU COM BOA-FÉ, MAS LESADOS FALAM EM MENTIRAS

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TDM noticiou este sábado que os lesados acusam a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, de ter mentido aquando da apresentação da solução para o caso Pearl Horizon. A secretária disse, em conferência de imprensa, que a Polytex recusou participar num novo concurso público relativo ao terreno, mas os lesados terão recebido uma mensagem da própria empresa a dizer que não só não recebeu qualquer proposta nesse sentido como não foi informada de que um novo edifício iria ser construído. “Recebemos uma mensagem via telemóvel da Polytex, onde eles indicam que não houve qualquer recusa ou convite. Portanto, queremos que a Polytex venha a público dizer, de forma clara, se foi verdade ou não aquilo que a secretária Sónia Chan disse. Por agora, no entanto, parece-nos claro – a todos – que o Governo estava a mentir”, afirmou Kou Meng Pok, presidente da Associação dos Compradores do Pearl Horizon, em declarações emitidas pelo Canal Macau da TDM. Além disso, o responsável adiantou que os lesados querem voltar a reunir com o Executivo e a própria empresa. De frisar que, em declarações ao HM, o próprio advogado da Polytex, Leonel Alves, referiu que a empresa nunca teve conhecimento de qualquer proposta e que nunca recebeu respostas do Executivo relativas às soluções que apresentou. Entretanto, o Governo emitiu um novo comunicado onde diz que agiu “de boa-fé” e que a Polytex sempre optou por

recorrer aos tribunais. “Durante os encontros entre o Governo e a Sociedade de Importação e Exportação Polytex, Limitada, esta sociedade insistiu em resolver o problema por via judicial.” “Como o caso ‘Pearl Horizon’ não constitui um caso de interesse público, o Governo não pode dispensar a realização de concurso público conforme as disposições relativas ao interesse público consagradas na Lei de Terras. Na legislação vigente falta uma base legal suficiente que permita que o Governo construa habitações num determinado local para as vender a determinadas pessoas por determinados preços”, refere ainda o comunicado. O Governo volta a frisar que não tem quaisquer responsabilidades quanto ao pagamento de eventuais indemnizações pelo fim dos contratos celebrados com a Polytex. “O Governo espera que as partes resolvam as disputas surgidas por via legal. Além disso, reitera que não existem entre o Executivo e os compradores das fracções autónomas do edifício em construção relações de crédito e de dívida, nem a questão da responsabilidade de compensação ou indemnização.” Quem vai pedir uma indemnização ao Governo é a própria Polytex, sendo que, de acordo com o Jornal Tribuna de Macau, o valor reclamado pode chegar às 60 milhões de patacas. “A Sociedade vai apresentar o seu pedido de indemnização não só pelos danos já sofridos – como as fundações, a banca, eventuais indemnizações aos compradores, como pelos lucros cessantes”, garantiu Leonel Alves ao jornal.

Patriotismo UM realiza cerimónia do içar da bandeira

A Universidade de Macau (UM) realizou, este sábado, a sua primeira cerimónia de içar da bandeira para celebrar o dia da graduação, tornando-se na primeira instituição de ensino superior pública a fazê-lo. Em comunicado, a UM indica que a equipa que efectuou o içar da bandeira era composta por 21 estudantes, entre os quais 15 rapazes e seis raparigas, que receberam formação na Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês. No evento, que teve lugar no campus da UM na Ilha da Montanha, marcaram presença representantes do Governo Central e do Executivo de Macau, bem como aproximadamente 800 membros das faculdades e estudantes. De agora em diante, a UM planeia organizar cerimónias do içar da bandeira em dias importantes como sejam o dia RAEM ou o primeiro dia de ano novo.

TIAGO ALCÂNTARA

segunda-feira 28.5.2018

ENSINO EPM ENVIOU ESCLARECIMENTOS PARA PORTUGAL

Tudo a seu tempo O Ministério da Educação de Portugal pediu e a escola enviou os esclarecimentos necessários sobre dois casos de violência que decorreram na instituição. A resposta foi enviada logo início do mês, segundo o presidente da EPM, Manuel Machado

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Escola Portuguesa de Macau (EPM) já respondeu ao pedido de esclarecimentos que partiu do Ministério da Educação de Portugal sobre os dois casos de violência ocorridos no estabelecimento de ensino. O envio da resposta foi confirmado por Manuel Peres Machado, presidente da EPM, ao HM, e aconteceu no início do mês. “Procedeu-se de acordo com o que nos foi solicitado e os relatórios foram enviados a quem os solicitou”, afirmou, ontem, Manuel Peres Machado, ao HM. “O relatório já foi enviado há bastante tempo, por volta de início de Maio”, completou. Em causa estão dois casos de violência que foram denunciados junto da Inspecção-geral de Educação e Ciência de Portugal. O primeiro ocorreu em finais de 2016, quando um docente, alegadamente, terá promovido agressões entre alunos da mesma turma. O segundo episódio ocorreu a 14 de Março deste ano, quando houve uma troca de agressões entre dois estudantes de 15 e 13 anos, que

terminou com um aluno internado, na sequência de lesões na cabeça. Ainda segundo Manuel Peres Machado a questão foi tratada com a maior brevidade possível, mostrando-se a escola disponível para prestar todos os esclarecimentos necessários. “Fizemos o levantamento do que era necessário para responder e respondemos ao que nos foi solicitado. Foi uma compilação de tudo o que era necessário e respondeu-se logo que possível, obviamente”, explicou, sem querer, nesta altura, entrar em mais detalhes. Apesar do envio há quase um mês da correspondência para Portugal, até ontem a EPM ainda não tinha recebido nenhum tipo de resposta. Recorde-se que o

“Foi uma compilação de tudo o que era necessário e respondeu-se logo que possível, obviamente.” MANUEL MACHADO PRESIDENTE DA EPM

pedido de esclarecimentos chegou ao estabelecimento de ensino de matriz portuguesa na semana de 25 de Abril, depois de ter saído de Lisboa a 9 de Abril.

DSEJ TAMBÉM ANALISOU O CASO

Este não é o primeiro pedido de esclarecimentos que a EPM tem de prestar face ao caso de agressões entre os alunos de 15 e 13 anos. Também em relação ao episódio anteriormente noticiado, a DSEJ pediu um relatório sobre o ocorrido. “A DSEJ está muito preocupada com o confronto físico que ocorreu entre estudantes na Escola Portuguesa de Macau. Depois de ter tido conhecimento da situação, a DSEJ entrou imediatamente em contacto com a direcção da escola para se inteirar da situação e pediu que fosse enviado um relatório de investigação tão rapidamente quanto possível”, afirmou fonte do Governo de Macau, na altura. Apesar dos incidentes registados na EPM, a direcção considerou em Março que se tratam de situações com um carácter “residual”. João Santos Filipe

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28.5.2018 segunda-feira

Crime Prisão preventiva para quatro de seis suspeitos de burla imobiliária A Polícia Judiciária (PJ) deteve cinco homens e uma mulher pela suspeita de terem aproveitado o documento comprovativo de escritura pública de compra e venda relativa a fracções habitacionais para fingir que o proprietário colocou a propriedade à venda. Quatro dos suspeitos foram colocados em prisão preventiva, enquanto os restantes dois ficam proibidos de se ausentar de Macau, obrigados a apresentarem-se periodicamente às autoridades e tiveram de prestar caução, informou ontem o Mi-

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ESDE a transferência do exercício de soberania, em 1999, cinco portugueses condenados em Macau foram transferidos para prisões de Portugal para cumprirem as respectivas penas. A primeira transferência remonta a Setembro de 2002, enquanto a mais recente a Maio de 2011. Segundo dados facultados ao HM pela secretaria para a Administração e Justiça, seis portadores de passaporte português foram autorizados a cumprir as suas penas em Portugal, mas um desistiu já após ter recebido o aval das autoridades. Actualmente, não há nenhum caso em apreciação. No entanto, desde 1999, foram nove os portugueses condenados em Macau que pediram para ir para Portugal cumprir pena, mas três foram recusados, incluindo dois por não preencherem as condições de transferência e um por ter a vida profissional e familiar em Macau e Hong Kong. À luz do Acordo entre Portugal e Macau sobre a Transferência de Pessoas Condenadas, em vigor desde 17 de Dezembro de 1999, a “transferência pressupõe uma efectiva ligação do condenado à jurisdição de execução, de modo a permitir uma melhor reintegração e readaptação ao seu meio familiar, social e profissional após o cumprimento da pena”. Já em sentido inverso não foram registados casos, ou seja, nenhum residente de Macau condenado em Portugal foi transferido, a seu pedido, para o território para cumprir pena, de acordo com as mesmas informações disponibilizadas ao HM.

nistério Público (MP) em comunicado. As referidas medidas de coacção foram aplicadas pelo juiz de instrução criminal atendendo “à gravidade do caso e à situação concreta do respectivo processo”. Em causa figura a suspeita da prática do crime de burla de valor consideravelmente elevado (que excede 150 mil patacas) – punido com pena de prisão de dois a dez anos –; e de falsificação de documento de especial valor, cuja moldura penal é de um a cinco anos de cadeia.

Justiça Macau e São Tomé e Príncipe assinam memorando de cooperação

O Ministério Público e a Procuradoria-Geral de São Tomé e Príncipe assinaram na sexta-feira um memorando de cooperação, na sequência da visita oficial a Macau do procurador-geral da República Democrática de São Tomé e Príncipe, Frederique Samba Viegas D’Abreu. A formação de pessoal, os crimes transnacionais e a cooperação judiciária internacional figuraram entre os temas abordados durante o encontro com o Procurador da RAEM, Ip Son Sang, que também contou com a presença de magistrados do MP.

ACORDO CINCO PORTUGUESES TRANSFERIDOS PARA PORTUGAL DESDE 1999

O regresso a casa

Foi há sete anos que teve lugar a mais recente transferência para Portugal de um português condenado em Macau. Desde 1999, foram cinco os autorizados a cumprir pena na terra-natal

Macau tem acordos sobre a transferência de pessoas condenadas com Portugal, Hong Kong e Mongólia e prepara assinatura com Nigéria

De Macau para Hong Kong Além de Portugal, Macau tem um acordo sobre a transferência de pessoas condenadas com Hong Kong, firmado há 12 anos. Segundo a secretaria para a Administração e Justiça, entre 1 de Dezembro de 2005 e 30 de Abril de 2018, 186 cidadãos da Região Administrativa Especial vizinha foram condenados em Macau e pediram para cumprir pena na sua terra de origem. No entanto, apenas 72 acabaram por ser efectivamente transferidos, indicam os mesmos dados. À semelhança do que se verifica com Portugal, não há registo de casos relativamente a residentes de Macau condenados em Hong Kong que tenham regressado a casa para cumprir pena. A 15 de Dezembro, Macau celebrou o terceiro acordo do tipo, desta feita com a Mongólia, que entrou em vigor um mês depois, de acordo com um despacho do Chefe do Executivo publicado em Boletim Oficial. Aquando da cerimónia de assinatura, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, indicou que havia dez cidadãos da Mongólia a cumprir pena em Macau e nenhum de Macau na mesma situação na Mongólia. Entretanto, encontra-se na calha mais um acordo, dado que uma ordem executiva, publicada há precisamente uma semana, delegou em Sónia Chan todos os poderes necessários para celebrar, em nome da RAEM, um acordo sobre a transferência de pessoas condenadas com a Nigéria. Diana do Mar

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TURISMO DESPESAS FEITAS FORA DOS CASINOS SUBIRAM 22 POR CENTO ATÉ MARÇO

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XCLUINDO o dinheiro gasto em casinos, os visitantes que escolheram Macau como destino entre Janeiro e Março gastaram 16,42 mil milhões de patacas. O total da despesa representa um aumento de 22 por cento em termos anuais homólogos, de acordo com dados da Direc-

ção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A par com o aumento global verificou-se também uma subida dos gastos ‘per capita’ que cresceram 12,4 por cento para 1.921 patacas. Os visitantes procedentes da China foram os que mais abriram os cordões à

bolsa, com a despesa ‘per capita’ a corresponder a 2.234 patacas – mais 11,6 por cento comparativamente ao primeiro trimestre do ano passado. Entre os gastos dos visitantes, excluindo em jogo, predominaram as compras (47,3 por cento), seguindo-se

o alojamento (23,3 por cento) e alimentação (22 por cento). Quanto ao principal motivo de vinda a Macau, os que visitaram o território para participar em convenções/ exposições foram os que mais despenderam, com a despesa ‘per capita’ a atingir 2.908 patacas. A segunda

despesa mais avultada foi feita por quem veio fazer compras (2.596 patacas), seguindo-se a efectuada pelos que vieram passar férias (2.500 Patacas), segundo a DSEC. Já a despesa ‘per capita’ de quem veio para jogar nos casinos, que representaram

um peso de apenas 2,8 por cento na estrutura de visitantes, foi na ordem das 1.053 patacas, traduzindo um aumento de 5,4 por cento face aos primeiros três meses do ano passado.


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segunda-feira 28.5.2018

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ACAU não oferece condições óptimas para portadores de deficiência. Os resultados estão patentes num estudo apresentado, ontem, pela vice-presidente do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, Cheong Sok Leng. A responsável explicou ainda que os regulamentos que definem as condições de acessibilidade em Macau entraram em vigor há mais de 30 anos e que estão desactualizadas. A vice-presidente defendeu também que as instalações têm agora uma utilização maior, as acessibilidades passaram a ser utilizadas não só por portadores de deficiências, mas também por idosos, grávidas e pessoas com bebés ao colo. Ainda de acordo com os dados recolhidos no estudo, apenas um terço dos residentes inquiridos sem deficiências consideram as instalações sem barreiras suficientes. Por outro lado, Cheong Sok Leng revelou igualmente que mais de 71 por cento dos inquiridos nunca tinham ouvido falar das normas arquitectónicas de design para espaços que permita uma acessibilidade universal e sem barreiras para pessoas com limitações físicas. Ao mesmo tempo, 25 por cento dos inquiridos

ESTUDO ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES É INSUFICIENTE

O caminho que falta

A acessibilidade para deficientes no território é considerada insuficiente, de acordo com um estudo conduzido pelo Centro da Política da Sabedoria Colectiva. A conclusão foi tirada a partir de um inquérito que ouviu as opiniões de mais de 1600 pessoas, entre as quais algumas com deficiência

Cheong Sok Leng explicou que os regulamentos que definem as condições de acessibilidade em Macau entraram em vigor há mais de 30 anos e que estão desactualizadas

ENSINO ESTUDANTES DE MACAU COM ACESSO FACILITADO EM PORTUGAL E NA CHINA

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ÃO boas notícias para os estudantes de Macau que pretendem ingressar no ensino superior em Portugal ou na China, dado que, a partir deste ano, vão poder candidatar-se com os resultados do exame unificado de acesso. Os estudantes de Macau vão ter acesso facilitado a 15 instituições de ensino superior. Já se sabia que os estudantes de Macau que realizaram o exame unificado de acesso podiam utilizar os resultados para se candidatarem a instituições de ensino superior em Portugal na sequência de protocolos de cooperação, firmados em Setembro, com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores

Politécnicos (CCISP), pelo que a grande novidade é o acesso facilitado a universidades da China. Em comunicado, o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) indica que, no total, são dez as instituições de ensino superior da China que vão começar, a partir deste ano, a aceitar os resultados do exame unificado de acesso de Macau. Todos os estudantes titulares do BIR e do salvo-conduto concedido aos residentes de Hong Kong e Macau para entrada e saída da China podem candidatar-se às respectivas instituições em Junho, prevendo-se que os resultados sejam publicados em meados do mês seguinte.

No caso de Portugal, os estudantes de Macau que tenham efectuado o exame unificado de acesso podem candidatar-se a estabelecimentos de ensino superior afiliados dos dois Conselhos. Em causa, três dezenas de instituições, entre as quais figuram as Universidades de Coimbra, de Lisboa e do Porto ou os Institutos Politécnicos de Leiria e de Bragança. De acordo com o GAES, os estudantes podem apresentar os resultados do exame unificado de acesso às instituições abrangidas pelos protocolos que vão rever se os candidatos precisam de efectuar provas adicionais ou entrevistas conforme os cursos e as áreas a que se candidatam.

considerou insuficiente, ou muito insuficiente, as instalações sem barreiras existentes em Macau. As instalações mais usadas pelas pessoas com deficiência são casas-de-banho públicas, os aparelhos sonoros para atravessar as passadeiras nas estradas e as rampas de acesso a edifícios. As falhas nos acessos não se limitam aos espaços privados. Esta foi uma das opiniões partilhadas pelo secretário-geral da Associação da Associação de Apoio aos Deficientes de Macau, Ho Kuok Meng, que apontou que as insuficiências nos acessos existe igualmente em alguns serviços públicos, como no Edifício Administração Pública, em que não há qualquer acesso que facilite a entrada de pessoas com deficiência. Já o vice-presidente do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, Chan Ka Leong, reconheceu o trabalho do Governo na área, mas considerou que é necessário alertar a sociedade para o problema. Além disso, o vice-presidente sugeriu a criação de um fundo do Governo para apoiar a construção de acessos em edifícios antigos e actualizar a legislação, com a obrigação de se construírem acessos universais. Vítor Ng

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SAÚDE MACAU QUER MAIS OPORTUNIDADES NO ACESSO AO TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS

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secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, anunciou em Genebra a intenção de aumentar o fornecimento de órgãos da China para Macau, permitindo aos pacientes locais mais oportunidades no acesso aos transplantes. Na Suíça, a participar como representante de Macau na 71.ª Assembleia Mundial da Saúde, Alexis Tam afirmou ter “intenção de acelerar os trabalhos preparatórios” face ao sistema nacional de distribuição e partilha de órgãos da China, ao qual Macau aderiu o ano passado. De acordo com um comunicado divulgado pelo seu gabinete, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura sublinhou ainda os trabalhos em curso para a acreditação

de uma Equipa Internacional de Emergência Médica em Macau, nomeadamente em formações de emergência médica e exercícios de simulacro. Para Alexis Tam, a acreditação “permitirá aos profissionais de saúde de Macau conhecerem o socorro humano no mundo internacional e o papel desempenhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na coordenação dos trabalhos em resposta à emergência”, lê-se no comunicado. “No futuro, se ocorrer qualquer desastre na região do pacífico-ocidental, Macau pode destacar pessoal para prestar apoio”, concluiu. A verificar-se, Macau será a quarta equipa de emergência médica a nível nacional.


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28.5.2018 segunda-feira

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Arquitectura Souto de Moura distinguido na Bienal de Veneza

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arquitecto Eduardo Souto de Moura foi distinguido na Bienal de Arquitectura de Veneza com um Leão de Ouro. A 16.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza abriu no fim-de-semana ao público, na cidade italiana, com a participação de Portugal através da exposição "Public Without Rethoric". O certame dedicado à arquitectura - cujo prémio máximo é o Leão de Ouro - recebe 65 participações nacionais, divididas entre os pavilhões históricos do Giardini, do Arsenale e do centro histórico de Veneza. Souto de Moura foi um dos 100 arquitetos convidados pelas curadoras da bienal, Yvonne Farrell e Shelley McNamara, do Grafton Architects, para a exposição principal, espaço expositivo além dos pavilhões nacionais. Doze edifícios públicos criados por arquitectos portugueses de várias gerações, nos últimos dez anos, e filmes de quatro artistas constituem a representação de Portugal na Bienal de Arquitectura de Veneza, intitulada "Public Without Rethoric". O projecto, apresentado em Abril último pelos curadores, Nuno Brandão Costa e Sérgio Mah, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, está instalado no Palazzo Giustinian Lolin, sede da Fundação Ugo e Olga Levi, junto ao Grande Canal, em Veneza, entidade com a qual a Direção-Geral das Artes, organizadora da representação portuguesa, assinou um protocolo de utilização para este ano. André Cepeda, Catarina Mourão, Nuno Cera e Salomé Lamas foram os quatro artistas convidados a criar filmes sobre os edifícios selecionados. Os 12 edifícios de arquitectos portugueses incluídos na exposição dividem-se pelo país e pelo estrangeiro, com três localizados nos Açores: Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande (João Mendes Ribeiro e Menos é Mais - Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos), Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo (Inês Lobo) e Centro de Visitantes da Gruta das Torres, no Pico (SAMI - Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira).

É uma carta de jogo o elemento que atravessa transversalmente a exposição “Arquitectura Não Intencional” que representa Macau na Bienal de Arquitectura de Veneza. A mostra, que inaugurou na sexta-feira, remete para a importância do espaço livre

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a terceira vez que Macau se faz representar na Bienal de Arquitectura de Veneza. “Arquitectura Não Intencional”, que abriu na sexta-feira ao público, remete para a importância de se deixar espaço livre suficiente para as pessoas intervirem. A mostra, da autoria de três jovens arquitectos (Eddie Ieong Chong Tat, Vong Ka Ian e Benny Chu Hou San), com a curadoria de Manuel Lam, ganha forma através de diferentes arranjos de cartas de jogo que, por via de uma abordagem abstracta, reinterpretam os espaços de Macau. Organizada pelo Museu de Arte de Macau, em colaboração com aAssociação dosArquitectos de Macau (AAM), a exposição “procura explorar elementos e espaços locais mais representativos que permitam reflectir a relação interactiva entre o design e as pessoas, quebrando o habitual estereótipo sobre Macau”, realça o IC. Neste sentido, a mostra “provoca uma reflexão mais profunda sobre a participação humana e as necessidades humanísticas no processo de planeamento urbano”, acrescenta em comunicado.

ATÉ NOVEMBRO

A cerimónia de inauguração foi oficiada pelo Embaixador da China em Itália, Li Ruiyu, pela vice-presidente do IC, Leong Wai Man, pela representante para os Assuntos Económicos e do Comércio de Hong Kong na União Europeia, Shirley Lam Shuet Lai, pelo presidente da Assembleia-Geral da AAM, Leong Chong In, pelo curador da exposição, Manuel Lam Lap Yan, e pelos três jovens arquitectos. Inserida na 16.ª edição da Bienal de Arquitectura de Veneza, a exposição “Arquitectura Não Intencional” vai ficar patente ao público até dia 25 de Novembro.


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segunda-feira 28.5.2018

Espaços fora do baralho BIENAL MACAU LEVA “ARQUITECTURA NÃO INTENCIONAL” A VENEZA

Livros IC lança plano de distribuição das publicações no exterior

O Instituto Cultural (IC) vai lançar, a partir de sexta-feira, dia 1, o plano de distribuição das publicações culturais de Macau no exterior. A iniciativa “visa promover a cultura de Macau e apoiar o sector editorial e autores locais” e “a distribuição gradual de publicações de Macau em mercados externos”, bem como “o desenvolvimento de canais de vendas e o alargamento da rede de circulação das mesmas”. São objecto do plano, organizado em colaboração com Plaza Cultural, livros da área cultural com ISBN de Macau editados. A participação é aberta a entidades editoriais (associações sem fins lucrativos) ou autores portadores de BIR.

Lisboa Lançado livro sobre Gastronomia Macaense

A mostra, da autoria de três jovens arquitectos (Eddie Ieong Chong Tat, Vong Ka Ian e Benny Chu Hou San), com a curadoria de Manuel Lam, ganha forma através de diferentes arranjos de cartas de jogo que, por via de uma abordagem abstracta, reinterpretam os espaços de Macau

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA VIAGEM A MARTE • Disney

Os irmãos mais fixes do universo chegam com 2 novas e divertidas aventuras. O amigo do Phineas e do Ferb Baljeet está a trabalhar num projeto espantoso para a feira de ciência da escola de verão: vai construir um portal para Marte! Mas será que, quando a Candace, a irmã do Phineas e do Ferb, passa acidentalmente o portal e aterra no Planeta Vermelho, os irmãos a vão salvar? Ou ficará a Candace perdida no espaço... para sempre?

O Auditório Adriano Moreia da Sociedade de Geografia de Lisboa vai ser o palco, no dia 27 de Junho, do lançamento do livro A Gastronomia Macaense – Reforço de uma identidade singular, que tem como autor Manuel Fernandes Rodrigues. A apresentação está marcada para as 17h e vai estar a cargo de Carlos Piteira, professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Nova de Lisboa. Também a professora Maria Ferreira vai proferir uma conferência sobre a temática no mesmo evento. “É sempre bom realçar o interesse e o empenho com que Macaenses da diáspora se empenham na investigação e divulgação da nossa herança cultural imaterial. Falar da gastronomia macaense, é recordar que ela é o derradeiro estádio na construção da nossa identidade, através da alimentação”, pode ler-se no convite para o evento.

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NUNCA DIGAS NUNCA! • Lara Xavier

“Nunca” é uma daquelas palavras que nunca devíamos dizer... É uma palavra mentirosa porque quando dizemos «nunca» raramente conseguimos cumprir o que acabámos de dizer. É como aquele menino que jurava que nunca ia comer espinafres e acabou por comê-los, ou aquela menina que nunca haveria de pintar os lábios até ao dia em que não resistiu a um batom, ou aquele outro menino que nunca trocaria de sapatilhas até que os pés deixaram de caber nelas… Nunca digas nunca conta-te dez histórias tão verdadeiras que até tu podias ser o protagonista.


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28.5.2018 segunda-feira

PRIVACIDADE PRESIDENTE APELA À COOPERAÇÃO INTERNACIONAL NO SETOR ‘BIG DATA’

Grande irmão à espreita

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem ao intercâmbio e cooperação internacional no sector de ‘big data’, a análise de grandes volumes de dados com que Pequim quer moldar a indústria e o comportamento social

“O

S países devem reforçar a sua comunicação e cooperação para aproveitar as oportunidades do sector de ‘big data' (…) e enfrentar desafios como a segurança dos dados e a governança do ciberespaço”, afirmou Xi, na carta que inaugurou o China International Big Data Industry Expo 2018, que decorre em Guiyang, capital da província de Guizhou, no sudoeste do país. “A China está a implementar uma estratégia nacional para o ‘big data', centrada num ciberespaço forte, numa China digital e numa sociedade inteligente, que ajudarão o país a fazer a transição de um modelo económico com altas taxas de crescimento, para um de alta qualidade”, afirmou. O armazenamento e análise massiva de dados é uma aposta do Governo chinês, visando modernizar o tecido industrial do país, mas também a criação de um sistema de crédito

CONSEQUÊNCIAS REAIS

Em Abril passado, aquele sistema começou a ser implementado pela China na aviação civil, passando a ser proibido os cidadãos de baixo crédito social voarem. As autoridades detalham nove comportamentos, incluindo a difusão de falsos alarmes em aeroportos ou aviões, uso de identidades falsas, transporte de objectos proibidos ou “comportamento ameaçador ou problemático”. Parte da indústria de ‘big data' da China está concentrada em Guiyang, uma das províncias mais pobres do país, onde escolas vocacionais preparam trabalhadores para processar e examinar os dados. As principais empresas de telecomunicações da China ou os gigantes tecnológicos Apple e Tencent armazenam os dados de utilizadores chineses em Guizhou. É uma aposta do Governo chinês, visando modernizar o tecido industrial do país, mas também a criação de um sistema de crédito social, que atribui pontos a cada cidadão segundo o seu comportamento, situação financeira, desempenho profissional e académico ou opiniões nas redes sociais.

RELIGIÃO RESTRIÇÃO DE ESTÁTUAS RELIGIOSAS AO AR LIVRE

O

Partido Comunista da China mandou os Governos locais regulamentarem melhor a construção de grandes estátuas religiosas ao ar livre, numa altura de crescentes restrições à expressão religiosa de todos os tipos no país. A orientação do Departamento de Trabalho da Frente Unida, divulgada no site do partido, parece direccionada principalmente aos seguidores do budismo e do taoismo, duas das cinco religiões oficialmente reconhecidas da China. "Todas as localidades devem adoptar a regulamentação da construção de grandes estátuas religiosas ao ar livre como principal prioridade na prevenção da comercializa-

social, que atribui pontos a cada cidadão segundo o seu comportamento, situação financeira, desempenho profissional e académico ou opiniões nas redes sociais. Sebastian Heilmann, cientista político alemão, classifica o sistema de “leninismo digital”. “Um sistema de crédito social é uma perspectiva completamente nova na regulação não só da economia e do mercado, mas também da sociedade”, diz.

ção adicional do budismo e do taoismo", afirma a orientação do departamento. Milhares de templos e santuários budistas e taoistas, juntamente com mesquitas e igrejas, foram danificados ou destruídos nos tempos do comunismo, especialmente durante a violenta Revolução Cultural de 19661976. Embora muitos tenham sido restaurados e reabertos desde então, novas regulamentações e uma revisão burocrática no início deste ano colocaram a gestão do dia-a-dia dos assuntos religiosos directamente sob a tutela do partido oficialmente ateu. Esta gestão tem sido acompanhada por uma campanha renovada para promover o ateísmo e a lealdade

ao partido, juntamente com um esforço para estudar as obras de um dos fundadores do comunismo, Karl Marx, que escreveu que a religião "é o ópio do povo". A campanha anti-religião ocorre juntamente com campanhas para promover o patriotismo e a lealdade partidária, a oposição ao separatismo entre as minorias étnicas e a luta contra os valores liberais ocidentais. Estas campanhas têm complicado os esforços de reconciliação com o Vaticano e levado milhares de muçulmanos a serem submetidos à doutrinação anti-islâmica em campos de reeducação, à demolição de igrejas e a retirada de estudantes e monges de um famoso seminário budista tibetano.

COMÉRCIO CASA BRANCA COMUNICA ACORDO COM A ZTE

A

Casa Branca comunicou ao Congresso que chegou a acordo com o grupo de telecomunicações chinês ZTE, o que vai permitir à empresa continuar a operar nos EUA, revelou fonte conhecedora do processo, sob anonimato. A notícia foi dada pela agência noticiosa AP, que avançou que a resolução do caso ZTE pode facilitar

o caminho para um acordo sino-norte-americano nas negociações comerciais. Sob o acordo, a ZTE vai despedir a sua equipa de gestão, contratar funcionários norte-americanos e pagar uma multa. Esta penalização vai acrescentar-se aos mil milhões de dólares (858 milhões de euros) que a ZTE já pagou por ter vendido equipamentos à Coreia do Norte e ao Irão em violação das sanções impostas pelos EUA. Por seu lado, o Departamento do Comércio dos EUA vai levantar a interdição à compra de componentes de que a firma necessita a empresas norte-americanas, que deveria durar sete anos. A interdição, imposta no início deste mês, ameaçava acabar com a ZTE.


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segunda-feira 28.5.2018

O presidente da Coreia do Sul revelou ontem que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, com quem se reuniu no sábado, tem dúvidas sobre que garantias de segurança podem os EUA dar em troca da desnuclearização

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presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e o líder do Norte, Kim Jong-un, reuniram-se ontem de surpresa e em segredo para tratar da realização da cimeira entre o dirigente norte-coreano e o presidente norte-americano, Donald Trump. “Kim Jong-un tem intenções sérias sobre a completa desnuclearização da península coreana. As suas dúvidas não são sobre isso, mas sobre as políticas hostis de Washington e sobre se os EUApodem realmente garantir a estabilidade do regime”, afirmou Moon Jae-in numa conferência de imprensa hoje em Seul. Moon Jae-in explicou aos jornalistas o conteúdo da

Moon Jae-in, Presidente da Coreia do Sul “Kim Jong-un tem intenções sérias sobre a completa desnuclearização da península coreana. As suas dúvidas não são sobre isso, mas sobre as políticas hostis de Washington e sobre se os EUA podem realmente garantir a estabilidade do regime.”

COREIAS KIM JONG-UN DUVIDA DAS GARANTIAS DE SEGURANÇA DADAS PELOS EUA

Fia-te na virgem reunião que teve sábado, de surpresa, com Jong-un e na qual os dois se comprometeram a cooperar para que a cimeira entre Washington e Pyongyang, prevista para dia 12 de Junho em Singapura, “seja um êxito”. Moon e Kim encontraram-se, pela segunda vez em um mês, por duas horas, na

militarizada fronteira entre os dois países, informou ontem em comunicado o gabinete do presidente sul-coreano. “Os dois líderes trocaram opiniões amistosas com o objectivo de porem em prática a declaração de Panmunjom de 27 de Abril, e conseguirem que se celebre com êxito uma

cimeira entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos”, disse, em comunicado, o porta-voz presidencial, Yoon Young-chan.

DETALHE TÉCNICO

Os líderes das duas Coreias, ainda em guerra tecnicamente, celebraram uma primeira cimeira a 27 de Abril, tendo

então feito uma declaração em que se comprometiam a trabalhar para alcançar a “total desnuclearização” da península coreana. Segundo as fotografias divulgadas pelo gabinete presidencial, o encontro que mantiveram os dois líderes na zona norte da chamada Zona de Segurança Con-

junta contou também com a presença dos chefes da inteligência (serviços secretos) de ambos os países, Suh Hoon (Sul) e Kim Yong-chol (Norte). O encontro realizou-se dois dias depois de Trump ter anunciado inesperadamente que cancelaria a cimeira para tratar com Kim do possível desmantelamento do programa nuclear norte-coreano, embora na sexta-feira o líder norte-americano tenha recuado, dizendo que ainda era possível realizar-se a cimeira a 12 de Junho, em Singapura, como estava previsto.

BIRMÂNIA REBELDES ROHINGYA REJEITAM AUTORIA DE MASSACRE DE HINDUS

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M grupo de rebeldes rohingya rejeitou o relatório da Amnistia Internacional (AI) que atribui aos guerrilheiros um massacre de população hindu na Birmânia. Segundo a AI, a 25 de Agosto do ano passado, um grupo de rebeldes rohingya armados tomou de assalto pelo menos uma aldeia no Estado de Rakhine, no oeste do país, onde morreram 99 hindus. A ONG documentou os ataques do chamado Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA) com dezenas de entrevistas, incluindo a de oito sobreviventes, e imagens analisadas por especialistas forensense.

Num comunicado publicado esta noite no seu perfil de twitter, e após quatro meses de silêncio, o ARS nega “de forma categórica todas as acusações criminais injustificáveis e negligentes mencionadas no relatório”. Os rebeldes rohingya, que agradecem à AI o seu “esforço” por defender os direitos humanos, asseguram que o único propósito do seu movimento é “defender, salvar e proteger a comunidade rohingya” e que o objectivo dos seus ataques sempre foi o exército birmanês e não “inocentes civis, independentemente da sua religião ou origem étnica”. O êxodo dos rohingyas teve início em meados de Agosto do ano passado, quando foi lançada

uma operação militar do exército birmanês contra o movimento rebelde Exército de Salvação do Estado Rohingya devido a ataques da rebelião a postos militares e policiais. Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, os rohingyas têm sido submetidos a muitas restrições: não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais). A campanha de repressão do exército birmanês contra esta minoria já foi classificada pela ONU como uma limpeza étnica e como uma das crises humanitárias mais graves do início do século XXI.


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28.5.2018 segunda-feira

Um dia, de repente, somos apenas um ser vivo: verme ou gente? Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

O gesto do pintor J

ÚLIO Pomar (19262018) deixou nas suas pinturas e desenhos os traços do modo como respondia á incessante curiosidade com que descobria a vida. No seu afã de ver tudo pela primeira vez surgiam-lhe por vezes as figuras do espanto de um inesperado bestiário: tigres, burros, touros, macacos e outros improváveis animais irromperam sucessivamente como resultado da sua demanda de querer ver o que de mais poderia haver no mundo. Essa busca era inseparável do conhecimento da grande arte da pintura cuja memória também poderia passar pelo gesto do seu pincel que tudo poderia abarcar. Essa liberdade não

artes: a pintura a caligrafia e a poesia. O seu primo Su Shi (também conhecido como Su Dongpo,1037-1101) louvou o trabalho de Wen Tong, a quem tratava pelo seu nome alternativo de Yuke, apontando-o como exemplo ideal do praticante da shiren hua, a «pintura dos homens de carácter», o seu projecto cultural cuja prática haveria inevitavelmente de conduzir os homens à prática de acções mais moralmente responsáveis. O seu trabalho não dependeria de uma remuneração mas era antes uma forma de expressão e aperfeiçoamento. Era uma pintura que possuía o paradoxo de depender da observação atenta do desenvolvimento

Muito jovem foi preso pelo poder ditatorial marcando assim, por oposição, a questão fundamental do seu percurso de homem livre, disponível até para a maravilha. Quando pintou um retrato oficial, os traços do seu pincel não se fixaram porque estavam a captar a irrepresentável alegria poderia deixar de passar pela consciência do cidadão. Muito jovem foi preso pelo poder ditatorial marcando assim, por oposição, a questão fundamental do seu percurso de homem livre, disponível até para a maravilha. Quando pintou um retrato oficial, os traços do seu pincel não se fixaram porque estavam a captar a irrepresentável alegria. Wen Tong (1019-1079) gostava de macacos, como consta dos seus poemas, possuía macacos dourados de nariz achatado, gibões e admirava o modo como se moviam de ramo em ramo através dos gestos largos da extensão dos braços. Ficou na literatura sobre a pintura na China como exemplar pintor de bambus, essa subtil distinção que aproxima as três

natural da planta do bambu sem necessitar da obrigação da semelhança com o mundo visível. O simbolismo do bambu que «dobra mas não parte» estava associado à nobreza ideal do carácter do «homem de bem» que queria Confúcio. A rapidez do modo de pintar a folha do bambu, com um único traço de tinta preta, que tem que estar pré-imaginado antes de se iniciar a pintura, aproxima-a da síntese gráfica do grafito, essa expressão do irrepetível em que se conjugam a caligrafia e o desenho e que Júlio Pomar praticou. Há imagens, no entanto, que passam pela retina dos olhos dos pintores e não se fixam nos traços dos seus pincéis. São vestígios de afectos, memórias da inquietação.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 28.5.2018

HENRY WALLIS CHATTERTON

Ofício dos Ossos Valério Romão

N

ÃO sei o que aconteceu à minha geração e às gerações que lhe sucederam. Provavelmente fizemos más escolhas; não devíamos ter cursado filosofia, literatura ou belas-artes. Deveríamos ter optado por percursos convencionais e seguros. Direito, porventura; gestão, economia, ciências exactas. Merecemos decerto este pântano desconfortável do desemprego e da precariedade que nos obriga a cobiçar as migalhas alheias. Merecemos ter escolhido morar no centro de Lisboa ou do Porto – quando estes eram inseguros e insalubres – para agora sermos acossados pelos senhorios que nos receberam com as mesmas mãos untadas de ganância com que agora acenam à nossa saída forçada. Merecemos conduzir um tuk tuk para pagar parte da renda, servir copos à noite para pagar parte da comida, vender galos de Barcelo em cortiça para pagar parte do arranjo do carro. É a crise, diz-se. É a nossa inaptidão para sermos assertivos e empreendedores. O mundo é dos audazes. O mundo não tem carinho pelos que abrigam debaixo do cocuruto algum tipo de consciência moral. O mundo precisa de predadores. E se calhar também precisa de nós, os incautos, os mal-jeitosos, os sensíveis; pelo

O ar do tempo menos do nosso sangue para olear as engrenagens desta máquina insaciável. Para onde quer que olhe, vejo a derrota. As espinhas quebradas, os “joelhos vergados à condição de cera”, como diz o Vasco Gato. A tristeza perene que vestimos como um uniforme pela manhã para a remover apenas na companhia daqueles que amamos. Daqueles a quem nos podemos apresentar na nossa magnífica fragilidade. E assim andam quase todos aqueles que mais admiro. Sabemos que a arte, quase toda ela, não dá dinheiro. Que é muito difícil viver de direitos de autor ou da música, tirando fenómenos de popularidade – o

que na poesia, convenhamos, é quase um oximoro. Sabemos que andamos cá a fazer o que gostamos, como nos dizem, e que quem corre por gosto não cansa. Mas deixem-me dizer-vos que já não temos forças para correr. Estamos subnutridos, cansados, desapontados. Estamos sem paciência para o vosso paternalismo de quem nos trata como dispositivos de distracção descartáveis. Estamos sem cu para a forma como encaram o nosso trabalho e o nosso talento, pelo modo desavergonhado como nos pedem uma borla para entreter aqueles a quem ordenham a carteira. Estamos pejados de cicatrizes. Não temos lombo para tanta

Estamos sem paciência para o vosso paternalismo de quem nos trata como dispositivos de distracção descartáveis. Estamos sem cu para a forma como encaram o nosso trabalho e o nosso talento, pelo modo desavergonhado como nos pedem uma borla para entreter aqueles a quem ordenham a carteira. Estamos pejados de cicatrizes. Não temos lombo para tanta vergastada

vergastada. O que vocês não compreendem, por mais que jurem praticar o desporto de sofá da moda que é apoiar a cultura, é que há um preço a pagar pelo verso, pelo quadro, pela canção. E que pagamos esse preço desde que nos lembramos. E que esse preço passa muitas vezes por uma instabilidade vital de tal ordem que muito do conforto que vocês dão por garantido nas vossas vidas é apenas uma miragem a que nunca logramos chegar nas nossas. Porque não sabemos o que é isso da velocidade de cruzeiro, da moderação, da paciência do andar seguro. Somos instáveis, incertos, desesperados. Perdemos trabalhos, namoradas e namorados, dinheiro, oportunidades, anos de vida. Pagamos esse preço desde sempre, e pagamo-lo porque é o que o verso, o quadro ou a canção no-los exige. Mas dispensamos a dupla tributação que nos querem impor, essa míngua descarada com que avaliam o nosso suor, essa troça que fazem da nossa incapacidade de nos fazermos valer. Quero que se fodam os audazes, os empreendedores, os tubarões. A malta que dá emprego e “faz isto mexer”. Queremos ser os travões da vossa carruagem, os contrapesos da vossa ganância, aqueles que um dia vos farão descarrilar. Porque já há muito tempo que a velocidade disto tudo devia ser outra.


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28.5.2018 segunda-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 341/AI/2018

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Região Administrativa Especial de Macau, através da Direcção dos Serviços de Turismo, faz público que, de acordo com o Despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 14 de Maio de 2018, se encontra aberto concurso público para adjudicação do “Serviço de aluguer de barcos de lançamento pirotécnico e barcos de apoio destinados ao 29.o Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau”. 1. Entidade que põe a prestação de serviços a concurso: Direcção dos Serviços de Turismo. 2. Modalidade do concurso: Concurso público. 3. Objecto dos serviços: aluguer de barcos de lançamento pirotécnico e barcos de apoio destinados ao 29.o Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau. 4. Prazo de execução: Obedecer às datas constantes no Caderno de Encargos. 5. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do encerramento do acto público do concurso. 6. Caução provisória: MOP120.000,00 (cento e vinte mil patacas), a prestar mediante garantia bancária ou depósito em numerário, em ordem de caixa ou cheque visado, emitido à ordem do “Fundo de Turismo”, efectuado directamente na Divisão Financeira da Direcção dos Serviços de Turismo ou no Banco Nacional Ultramarino de Macau, através de depósito à ordem do Fundo de Turismo, na conta número:「8003911119」devendo ser especificado o fim a que se destina. 7. Caução definitiva: 4% do preço total da adjudicação. 8. Preço base: Não há. 9. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.º andar até às 17:45 horas do dia 19 de Junho de 2018. 10. Local, dia e hora do acto de abertura das propostas: pelas 10:00 horas do dia 20 de Junho de 2018 no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d´Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.º Andar, Macau. Os concorrentes ou os seus representantes legais deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para os efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.° do Decreto-Lei n.° 63/85/M, de 6 de Julho. Os concorrentes ou os seus representantes legais poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto de abertura das propostas. 11. Adiamento: Em caso de encerramento dos serviços públicos por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura de propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. 12. Critérios de apreciação das propostas: Critérios de adjudicação Factores de ponderação Preço 40% Fornecimento data da fabricação do barco mais recente 30% Experiência do concorrente 10% Fornecimento do processo da descrição do trabalho e maior garantia de segurança e eficiência e maior flexibilidade dos prazos na 20% prestação do serviço    13. Local, dias, horário para a obtenção da cópia e exame do processo do concurso: Local: Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.º andar, além disso ainda se encontra igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macaotourism.gov.mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. Dias e horário: Dias úteis, desde a data da publicação do respectivo anúncio até ao dia e hora limite para entrega das propostas e durante o horário normal de expediente.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZHAO MUQI, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.º W69474xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 15/DI-AI/2017, levantado pela DST a 18.01.2017, e por despacho da signatária de 28.02.2018, exarado no Relatório n.° 132/DI/2018, de 31.01.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Cantao, n.° 72-R, Edf. I San Kok, 14 andar F onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Maio de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 342/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LIN QING, portadora do Passaporte da RPC n.° E05224xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 15/DI-AI/2017, levantado pela DST a 18.01.2017, e por despacho da signatária de 28.02.2018, exarado no Relatório n.° 134/ DI/2018, de 31.01.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Cantao, n.° 72-R, Edf. I San Kok, 14 andar F onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Maio de 2018.

Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Maio de 2018.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

Director dos Serviços, Subst.º Cheng Wai Tong

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 343/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora HUANG FENGQING, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.º C14546xxx, que, na sequência do Auto de Notícia n.° 235/DI-AI/2017 levantado pela DST a 13.10.2017, e por despacho da signatária de 15.05.2018, exarado no Relatório n.° 321/DI/2018, de 30.04.2018, em conformidade com o disposto no n.° 2 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $20.000,00 (vinte mil patacas) por angariar pessoas com vista ao seu alojamento ilegal na fracção autónoma.--------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Maio de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

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desporto 17

segunda-feira 28.5.2018

O Estádio de Macau assistiu a um espectáculo de golos no sábado à noite com os Canarinhos a imporem-se por 6-5, já em período de descontos

O

MonteCarlovenceu o Ka I por 6-5 no sábado à noite, num encontrou que ficou marcado pelo golo tardio apontado por Miguel Noronha. Quando o cronómetro indicava os 94 minutos, o atacante rematou à entrada da área e apontou o 6-5, que permitiu a vitória tardia canarinha. Com o golo, Miguel Noronha tornou-se o herói da vitória, num jogo que ficou marcado também pela grande eficácia dos canarinhos, que em seis remates à baliza marcaram seis golos. Por sua vez, o Ka I rematou mais mas mesmo assim não o suficiente para evitar uma derrota surpreendente, apesar dos quatro tentos apontados por William. Apesar de uma entrada mais ofensiva da equipa que actuou de vermelho, foi o Monte Carlo que se colocou primeiro em vantagem. Aos 10 minutos, Miguel

Outros jogos

LIGA DE ELITE MIGUEL NORONHA HERÓI NA VITÓRIA DO MONTE CARLO FRENTE AO KA I

Festival de golos Noronha isolou Vernon Wong, numa jogada de contra-ataque, e o avançado na frente do guardião Sou Kwok Ho rematou para o 1-0. Um golo que nasceu do primeiro remate à baliza feito pelo Monte Carlo. Se no primeiro lance de golo a defesa do Ka I se tinha mostrado algo desconcentrada, a confirmação desse facto chegou aos 27 minutos. Vernon Wong teve tempo para, dentro da área, fintar três adversários e ainda rematar quase em câmara lenta para o 2-0, sem que o guardião Sou pouco mais

II Divisão Casa de Portugal Jogo adiado

A

Casa de Portugal tinha encontro agendado diante do Tim Iec para ontem, no Canídromo, mas o jogo foi adiado devido ao aviso de tempestade içado pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG). A nova data deverá ser agendada durante esta semana, sendo provável que o encontro se realize em Julho. Já na quinta-feira à noite o Consulado de Portugal tinha derrotado o Hong Ngai por 2-0, com golos de Pedro Maia, aos 66 minutos, e Diego Miranda, aos 78 minutos.

Águias e leões com goleadas

O

Benfica de Macau impôs uma pesada derrota ao Hang Sai por 13-0, ontem, no Estádio de Macau, na Taipa. Os golos dos encarnados foram apontados por Tito Okelo, com quatro tentos, Carlos Leonel, com três, Vítor Almeida, com dois, e por Nikki Torrão, José Martins e Pang Chi Hang. No final da primeira parte, a equipa que foi promovida na temporada passada já perdia por 7-0. Também o Sporting de Macau goleou nesta 13.ª jornada, com um triunfo por 6-0 frente à Polícia, na sexta-feira. Os golos dos leões foram apontados por Malachy, Jean Perez, dois tentos, Prince, também com um bis, e por Lucas Calixto.

O guardião Sou pouco fez e assim o Monte Carlo garantiu os três pontos num encontro em que nem sempre se defendeu da melhor maneira

pudesse fazer do que tentar sair-lhe aos pés. Em desvantagem, a recuperação do Ka I começou aos 33 minutos. Fábio Ribeiro surge isolado perante o Ho Mai Fan, que consegue cortar a bola. Contudo, William chega mais rápido que toda a gente ao ressalto e reduz para 1-0. Mais tarde, a um minuto do intervalo, Kou Cheng Hong apontou o tento do 2-2, quando tirou dois adversário do caminho e rematou, já dentro da pequena área, para o golo.

ESFORÇO INGLÓRIO

No regresso do intervalo, o Ka I veio com a mesma atitude e demorou pouco tempo a chegar à vantagem. William, no espaço de dez minutos, aos 46 e 56, colocou os encarnados na frente por 4-2. Contudo, o esforço do brasileiro foi inglório. Na defesa a equipa do Ka I dei-

xou-se adormecer e sofreu três golos, que colocaram o resultado em 5-4, com sete minutos do tempo regulamentar para jogar. Geofredo Cheung, Miguel Noronha e Iong Oi Chit foram os marcadores de serviço. O Ka I não baixou os braços e três minutos depois, aos 86 minutos, chegou ao empate através de William,

Lugar Equipa 1.º Benfica 2.º C.P.K.* 3.º Sporting 4.º Ching Fung* 5.º Ka I 6.º Monte Carlo 7.º Polícia 8.º Hang Sai 9.º Lai Chi 10.º Alfândega

Pontos 37 27 28 24 21 19 13 8 4 3

que fez o 5-5. Com este resultado, o encontro parecia caminhar para o fim, mas, aos 94 minutos, chegou o golo que haveria de imprimir surpresa ao marcador. Noronha remata, à entrada da área, com pouca força e de forma rasteira, mas e a bola toma a direcção da baliza, só parando lá dentro. O guardião Sou pouco fez e assim o Monte Carlo garantiu

Jogos 13 12 13 12 13 13 13 13 13 13

Vitórias 12 8 9 7 6 6 4 2 1 1

os três pontos num encontro em que nem sempre se defendeu da melhor maneira.

Empates 1 3 1 3 3 1 1 2 1 0

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Derrotas 0 1 3 2 4 6 8 9 11 12

Golos 72-8 77-11 40-11 27-12 49-24 24-22 14-34 12-66 10-78 5-59

*O encontro entre Chao Pak Kei e Ching Fung ainda decorria à hora de fecho da edição do HM

MUNDIAL2018 FEDERAÇÃO EGÍPCIA CONFIANTE NA RECUPERAÇÃO DE SALAH

A

Federação Egípcia de Futebol (EFA) mostrou-se ontem “optimista” quanto à participação de Mohamed Salah no Mundial de 2018, depois lesão sofrida pelo jogador do Liverpool no sábado, na final da Liga dos Campeões. “Com base no diagnóstico” que foi fornecido à federação, o médico da selecção egípcia, Mohamed Abou al-Ala “exprimiu o seu optimismo”, escreveu no Twitter a EFA, algumas horas depois do desaire dos ingleses face ao Real Madrid (31), em Kiev. De acordo com a EFA, e face às informações fornecidas pelo clube da ‘Premier League’, trata-se de uma “lesão nos ligamentos da articulação do ombro”. Mohamed Salah teve de ser substituído aos 31 minutos da final da ‘Champions’,

após uma queda que envolveu o defesa ‘merengue’ Sergio Ramos, que a imprensa egípcia apelida de “carniceiro”, não lhe perdoando entrada sobre o 11 dos ‘reds’. No final do encontro, o treinador do Liverpool, o alemão Jürgen Klopp não se mostrava muito optimista: “Perdemos um jogador importante e o Egipto pode ter perdido um jogador importante para a fase final do Mundial”. O Egipto está pela primeira vez, desde 1990, na fase final de um Mundial e integra o Grupo A, juntamente com a anfitriã Rússia, o Uruguai e a Arábia Saudita, sendo que Salah é a grandes ‘estrela’ dos ‘faraós’. O Mundial de futebol de 2018 realiza-se na Rússia, de 14 de Junho a 15 de Julho.


19

18 (f)utilidades

?

TROVOADAS

O QUE FAZER ESTA SEMANA

MIN

Amanhã PALESTRA “BREASTFEEDING AND CHILD NURTURING TALK: 19 SOLUTIONS THAN CHALLENGES” “MORE Fundação Rui Cunha | 18h30 9 7 2 3 8 1 4 5 6 CINEMA 6 |3SISTERHOOD, 8 2DE TRACY 5 4CHOI 1 7 9 Cinemateca Paixão | 19h30 5 1 4 7 6 9 8 2 3 Quarta-feira CINEMA 7 |8SEMANA 5 DE4ÁFRICA3– DOCUMENTARY 2 6 9FILM1– “CONTRACT” 3 4Rui Cunha 1 5| 18h309 6 2 8 7 Fundação 2 |6“MACAU 9 – O1PODER7DA IMAGEM 8 5REVISITADO 3 42” CINEMA Cinemateca Paixão | 19h30 1 2 7 9 4 5 3 6 8 CINEMA 8 |5FILMES3RECOMENDADOS 6 1 7PELO9FIRST4FESTIVAL 2 INTERNACIONAL DE CINEMA DE XINING Cinemateca 4 9 Paixão 6 |821h302 3 7 1 5 Quinta-feira CINEMA | FILMES RECOMENDADOS PELO IFVA 21 Paixão | 19h30 Cinemateca 2 |5“CHUVA 1 PASSAGEIRA” 8 9 3 4 6 7 CINEMA Cinemateca Paixão | 21h30 4 6 9 5 7 1 8 3 2 Sexta-feira 8 7 3 2 6 4 5 9 1 CONCERTO | UMA NOITE COM PIANO na1 Galeria 4| 18h00 5 3 2 9 6 7 8 6 9 8 1 5 7 2 4 3 7 3 2 6 4 8 1 5 9 Cineteatro C I N E M A 3 2 4 9 8 6 7 1 5 5 1 7 4 3 2 9 8 6 9 8 6 7 1 5 3 2 4

26

20 6 7 1 4 3 8 2 5 9

MAX

9 3 2 6 7 5 4 1 8

5 8 4 1 9 2 6 7 3

7 2 9 8 4 6 5 3 1

32

1 6 3 5 2 9 7 8 4

HUM

8 4 5 3 1 7 9 6 2

3 1 7 9 6 4 8 2 5

2 9 8 7 5 1 3 4 6

O CARTOON STEPH 22

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2 8 1 6 3 4 5 9 7

4 7 5 1 9 8 2 3 6

7 4 8 5 2 6 3 1 9

9 2 6 4 1 3 7 8 5

5 1 3 9 8 7 6 2 4

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8 5 4 3 6 1 9 7 2

1 6 2 7 4 9 8 5 3

SOLO: A STAR WARS STORY SALA 1

SOLO: A STAR WARS STORY [B] Um filme de: Ron Howard Com: Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Emilia Clarke 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

THE CRIMES THAT BIND [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Katsuo Fukuazawa Com: Hiroshi Abe, Nanako Matasushima, Junpei Mizobata 14.30, 16.45, 19.00

AVENGERS: INFINITY WAR [B] Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo

Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth 21.15

1

6

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65-95%

4 5 6 2 8 3 1 9 7

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3 8 6 3 4 PROBLEMA 23

24 3 9DISCO 2 6 5 HOJE 8 7 4 UM 1 5 7 4 2 9 8 6 6 4 Miles 8 Davis 7 3pegou 1 9 5 Quando na música de Thelonious 7 1e a levou 9 5ao Newport 8 2 6 3 Monk Jazz 4 Festival 3 5com9uma6banda 7 2 1 composta por Connie Kay, 2 8Heath, 6 Zoot 1 4Sims3e 5 9 Percy Gerry Mulligan, estava dado 2 de4partida 8 para 1 este 6 3 7 o9 ponto disco. “Round About Mid5 7 3 2 9 4 1 8 night” marcou um dos re8 6do genial 1 3trompetista 7 5 4 2 gressos depois de mais uma batalha contra o vício da heroína. Este disco foi a estreia de Davis na Columbia Records, uma estreia em grande que contou no alinhamento com a genialidade de John Coltrane e Paul Chambers. João Luz

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YUAN

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9 5 2 6 VIDA DE CÃO 5 7 9 5 1 UMA MESCLA 9

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DE AFECTOS

22 “Sisterhood”, da realizadora Tracy Choi, voltou a ser exibido na Cinemateca Paixão depois de ter vencido o prémio do público na primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Macau. Ainda não tinha tido oportunidade de ver o filme que fez despertar o cinema local, que era tímido e que ganhou agora uma nova pujança. A história das quatro amigas que trabalham em casas de massagens é reveladora em vários aspectos. É mais do que uma bela história sobre a amizade, é o espelho daquilo que Macau foi e que quis ser, é o retrato dos últimos momentos da transição, da falta de emprego e de oportunidades. É o futuro obscuro que ninguém conhecia após 1999, é a celebração da cultura chinesa e da sua visão sobre a cultura portuguesa ou macaense. “Sisterhood” é um filme de24 afectos que chama pelas emoções de quem o vê, mesmo que não viva em Macau. A realizadora fez uma bonita opção ao colocar, em pano de fundo, o hino português no preciso momento em que as bandeiras do território se transformavam. E aí, quando duas das quatro amigas têm uma forte discussão e viram costas, é como se fosse Macau a virar costas ao passado e a seguir em frente, já como RAEM. Tracy Choi mesclou realidades, sentimentos e até culturas, colocando-as na tela com uma total entrega e paixão. Quem vê o seu “Sisterhood” aprende um pouco mais sobre o passado de Macau que vai desaparecendo e quase que consegue sentir saudade, aquela palavra que só os portugueses entendem. Andreia Sofia Silva

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DE

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 22

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28.5.2018 segunda-feira

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‘ROUND ABOUT MIDNIGHT | MILES DAVIS

I CAN ONLY IMAGINE [B]

DESTINY: THE TALE OF KAMAKURA [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Masato Sakai,Mitsuki Takahata 19.15

www. hojemacau. com.mo

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SALA 3

Um filme de: Jon Erwin & Andrew Erwin Com: Dennis Quaid, J.Michael Finley, Madelline Carroll 14.30, 16.30, 21.45

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

segunda-feira 28.5.2018

reencarnações

JOÃO LUZ

pelo deficit de sono que tentam, em vão, concentrar-se em algo. Desafortunados com tampões nos ouvidos que retalham o sono nos momentos permitidos pelo meu desmedido sadismo. Gosto de criar a ilusão de esperança durante meia-hora de silêncio, para voltar à carga com toda a força do automatismo. Comigo tudo é vago e a vida transforma-se numa sequência de surdos fotogramas.

O martelo pneumático devia ser o símbolo de Macau. O instrumento da perpétua construção e o remédio para a inevitável decrepitude da osteoporose dos edifícios e instituições. A representação dos trabalhos em curso, das obras que nunca acabam e que se arrastam em infernal algazarra, a materialização da existência barulhenta, indiferente a tudo e todos Sou a analogia perfeita para toda perfuração sexual que se espalha em quartos de hotel na colectiva coreografia de destruição de carne. Fricção mecânica de martelos biológicos a escavar amor desesperado e insaciável nas paredes de calor e humidade. O martelo pneumático devia ser o símbolo de Macau. O instrumento da perpétua construção e o remédio para a inevitável decrepitude da osteoporose dos edifícios e instituições. A representação dos trabalhos em curso, das obras que nunca acabam e que se arrastam em infernal algazarra, a materialização da existência barulhenta, indiferente a tudo e todos. Conjugo demolição e construção, destruição e criação, vida e morte, Génesis e Apocalipse, todos os extremos instrumentalizados para fazer e desfazer esta cidade. Sou forjado pela bigorna de Hefesto e o martelo de Thor, sou a acção e o exercício de desmantelamento de tudo o que é sólido.

MÅRTEN ESKIL WINGE, TORS STRID MED JÄTTARNA TOR’S FIGHT WITH THE GIANTS

P

OR toda a cidade espalha-se o chinfrim dos meus congéneres, milhares de martelos pneumáticos a quebrar solidez, a refazer, a destruir para construir. Por todos os recantos soam rajadas que escavam fundo a insónia e a sanidade mental. Macau é um eterno estaleiro de construção. Onde não se constrói algo de raiz, há uma reconstrução em curso e outra já planeada para multiplicar a divisão dos sólidos. Os materiais mais rijos, como o cimento, tijolo e ferro, não aguentam a exposição aos elementos da região. Humidade, chuva ácida e uma profusão de paradoxos tornam os edifícios em estruturas raquíticas, de ossos fracos. Eu sou a broca nessas cáries arquitectónicas, o escopro mecânico que empresta vibração à vida de quem faz de Macau a sua casa. Declaro morte à audição e a tudo o que é sagrado à face da terra. Sou a sinfonia que musica esta pequena balbúrdia, a banda sonora para a vida que se erige na vertical, a impetuosidade que não conhece perdão ou respeito pelo descanso e a paz dos humanos. Repouso ao domingo, mas todos os outros santos dias, das 9 às 5 se as regras forem cumpridas na terra que as considera decorativas, sou inferno sonoro para quem tem de conviver a um piso de distância da minha obra. Tomo totalmente conta da vida das pessoas, imponho-me de forma implacável, incontornável. Por vezes, alinho-me num trio de martelos pneumáticos, ou num dueto com uma marreta, e torno impossível a conversa, o pensamento, a habitabilidade. Empurro pessoas para fora de suas casas, para fora das suas mentes, para além das fronteiras da razoabilidade. As minhas vítimas predilectas são aqueles que trabalham à noite e que precisam da manhã para retemperar energias. Pobres almas penadas, condenadas à incoerência e a deambular arbitrariamente pela cidade, movidos por objectivos com curta esperança de vida. Espectros de olhos cavados

Martelo pneumático


A inovação é o que distingue um líder de um seguidor. Steve Jobs

O regresso Malo anuncia clínica dentária em Macau

O

presidente da Malo Clinic afirmou ontem que vai abrir nova clínica em Macau "em breve", com um novo parceiro, depois de a licença do Hospital Taivex/ Malo, onde a empresa geria a parte dentária, ter sido suspensa. "Na parte dentária vamos abrir uma nova clínica, que não tem nada a ver com a anterior, com um parceiro novo", revelou à agência Lusa Paulo Maló, em Pequim. "O novo espaço, no centro de Macau, irá abrir este mês ou no próximo", detalhou. A nova clínica surge seis meses depois de a PHC-Pacific Health Care, dona de 90 por cento da marca Malo em Macau e que detém a licença da clínica TaivexMalo, receber uma ordem de despejo do Venetian Macau, onde se encontravam as instalações que incluíam o consultório dentário Malo. O empresário reafirmou que quer recuperar o espaço no Venetian com a PHC, para continuar a fazer turismo médico, que inclui a parte dentária, cirurgia cosmética, dermatologia ou pediatria, mas que desta vez não abdicará da gestão. "Precisamos do espaço do Venetian, que foi feito para ser o maior centro de turismo médico na Ásia, mas não vamos abrir mão do controlo do 'management', até porque temos

muito a perder, como foi agora, não só do ponto de vista económico, como de reputação", afirmou. Sobre a acção de execução contra a Maló Clinic, por parte do Banco Nacional Ultramarino (BNU), com vista à cobrança de uma dívida no valor de 6,3 milhões de euros, Paulo Maló disse que a sua empresa é apenas avalista no processo. "Quando nós vendemos [90 por cento] da Malo em Macau aos chineses [da PHC], vendemos por um preço mais a dívida. O que acontece é que no contrato eles são responsáveis pelo pagamento da dívida, e nós somos responsáveis em caso de incumprimento", disse. "Quando a licença foi revogada, eles deixaram de pagar ao BNU e nós fomos chamados, porque somos avalistas. Se eles entrarem em incumprimento, nós temos que pagar, mas nesse caso teremos que reaver a percentagem que vendemos", disse. Paulo Maló falava à Lusa na sua nova clínica em Pequim, na rua comercial de Wangfujing, perto da praça Tiananmen, a segunda do grupo na capital chinesa e a vigésima em toda a China. "Estamos a expandir-nos na China a uma média de quase uma clínica por mês", afirmou.

Macau ganhou 1.170 TNR num ano

Macau ganhou 1.170 trabalhadores não residentes num intervalo de um ano, perfazendo um total de 180.832 no final de Abril, de acordo com dados da Polícia de Segurança Pública (PSP) publicados no portal da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Em termos mensais, ou seja, face a Março, o universo de mão-de-obra importada registou um ligeiro decréscimo (menos 513 pessoas). A maioria dos trabalhadores não residentes é proveniente da China (113.411 ou quase dois terços do total), seguindo-se as Filipinas (29.405) e Vietname (15.091). O sector dos hotéis, restaurantes e similares e da construção absorvem boa parte da mão-de-obra contratada ao exterior.

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PALAVRA DO DIA

segunda-feira 28.5.2018

Hoje Macau 28 MAI 2018 #4059  

N.º 4059 de 28 de MAI de 2018

Hoje Macau 28 MAI 2018 #4059  

N.º 4059 de 28 de MAI de 2018

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