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QUINTA-FEIRA 28 DE MARÇO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4259

AUTOCARROS

MOTORISTAS, PRECISAM-SE

PÁGINA 6

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ÁCAROS & ORGASMOS ANTÓNIO CABRITA

SEM ANESTESIA POSSÍVEL GISELA CASIMIRO

GESTÃO DOS SABERES LUÍS CARMELO HOJE MACAU

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hojemacau

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Amigos da burla O relatório do Comissariado Contra a Corrupção denuncia o aumento de casos de abuso de poder, burlas e fraudes com pedidos de subsídios na função pública, em 2018. Roubos de materiais, férias pagas com dinheiros do Governo ou subsídios de deslocação fraudulentos são algumas das situações relatadas no documento.

TRIBUNAL

LÁGRIMAS DE RITA PÁGINA 7

SARAMPO

CLÍNICOS IMUNES

PÁGINA 8 GRANDE PLANO


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CCAC

28.3.2019 quinta-feira

PEQUENOS VIGARISTAS RELATÓRIO REVELA ABUSO DE PODER POR PARTE DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

O relatório do Comissariado contra a Corrupção relativo ao ano passado é claro: não só há mais crimes de abuso de poder e burla cometidos por funcionários públicos, como aumentaram as burlas com pedidos de subsídios públicos. Foram detectadas situações de roubo de computadores ou pagamento de despesas ligadas a um caso extraconjungal de um funcionário público

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PESAR do discurso político apontar para a necessidade de uma melhor conduta por parte dos funcionários públicos, a verdade é que o número de casos relacionados com burlas ou abuso de poder dentro da Administração não pára de aumentar. A conclusão é do relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), relativo ao ano de 2018, que foi ontem divulgado. No documento, lê-se que, apesar da diminuição do número de casos de corrupção passiva e de recepção de vantagens praticados pelos trabalhadores da Função Pública, “registou-se um aumento no número de casos de crimes de burla, de falsificação de documento, de abuso de poder, entre outros, praticados pelos mesmos, especialmente casos em que alguns dirigentes de determinados serviços públicos violaram a lei penal por terem abusado do seu poder para fins particulares através do aproveitamento de funções”.

Neste contexto, o organismo liderado por André Cheong defende que é necessário “reforçar as acções de sensibilização para elevar a consciência dos trabalhadores da Função Pública face à necessidade de observância da disciplina e cumprimento da lei, bem como de adopção de uma conduta ética”. Outro dos pontos denunciados pelo relatório diz respeito ao aumento de infracções ligadas a subsídios públicos. “Relativamente aos casos de obtenção fraudulenta de subsídios atribuídos pelo Governo, deparamo-nos com uns primeiros sinais de um rápido crescimento”, defende o CCAC, que estabelece a correlação com o facto de o Executivo ter vindo a criar, nos últimos anos, cada vez

mais apoios deste género, tendo em conta o desenvolvimento económico. “Em 2018, o CCAC investigou vários casos relativos à obtenção fraudulenta de subsídios atribuídos pelo Governo, incluindo, nomeadamente, casos criminais de obtenção fraudulenta dos subsídios concedidos pelo Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética, e pelo Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo, o que demonstra a necessidade de se adoptarem normas e mecanismos de fiscalização mais rigorosos, no âmbito da atribuição de subsídios pelos serviços públicos.”

TRAIÇÃO PAGA

Um dos últimos casos investigados pelo CCAC, em

O dirigente aproveitou “dois escritórios da delegação para ali pernoitar, tirando igualmente partido de dinheiros públicos para ali instalar equipamentos para a sua vida diária e uso pessoal, nomeadamente chuveiro, aquecedor de água”

Dezembro, diz respeito a despesas pessoais pagas pelo Executivo a um funcionário da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), no âmbito de uma relação extraconjungal mantida pelo próprio. Tudo partiu de uma denúncia. “Um ex-dirigente da DSPA tinha uma relação íntima com uma colega do mesmo serviço e arranjava sempre deslocações ao exterior em missão oficial de serviço em que ambos participavam.” Nesse contexto, ambos realizaram uma viagem a Portugal, em 2013, que “não tinha qualquer relação com os trabalhos da responsabilidade da referida colega”, além de que “o ex-dirigente em causa prolongou propositadamente a agenda da referida deslocação dos envolvidos sem que se verificasse oficialmente qualquer necessidade”. “As respectivas despesas de hospedagem, alimentação e ajudas de custo foram pagas pelo Governo da RAEM”, concluiu o CCAC. Outro caso diz respeito a um dirigente da Delega-

ção da RAEM em Pequim suspeito de “praticar vários actos ilegais através do aproveitamento das suas competências funcionais”. O caso, que está a ser investigado pelo Ministério Público, centra-se no pedido de subsídio de deslocação por parte do suspeito “durante muitos anos”, quando vivia no edifício da delegação. O dirigente aproveitou “dois escritórios da delegação para ali pernoitar, tirando igualmente partido de dinheiros públicos para ali instalar equipamentos para a sua vida diária e uso pessoal, nomeadamente chuveiro, aquecedor de água, máquina de lavar e secar roupa, entre outros”. Além disso, “foi descoberto ainda que o referido dirigente deu instruções ao motorista oficial da delegação para levar familiares e amigos seus para visitar alguns lugares famosos, exigindo ao referido motorista que efectuasse o pagamento prévio das despesas de alimentação dos seus Continua na página 4


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quinta-feira 28.3.2019

Tudo em família

Contratações no CPTTM revelam nepotismo

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M dos casos investigados pelo CCAC diz respeito à política de contratações do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM), tendo sido verificadas “situações de nepotismo e de gestão irregular”, que existiam “há vários anos”. “A prática inicial de recrutamento do CPTTM era demasiado arbitrária, e a proporção dos trabalhadores que tinham, entre si, relações familiares era demasiado alta, tudo isto suscita inevitavelmente suspeitas por parte do público relativamente a actos de nepotismo”, lê-se no relatório ontem divulgado. O CCAC chegou à conclusão que a maior parte dos funcionários contratados por este organismo eram familiares. “Até Abril de 2017, existiam 101 trabalhadores no CPTTM. Destes, 16 tinham relações familiares entre si, nomeadamente de pai-filho, pai-filha, cônjuge, irmãos e irmãs entre outras, sendo que três deles já se desvincularam do serviço.” Além disso, havia falta de documentação sobre estas contratações, uma vez que o organismo “não conseguiu fornecer ao CCAC documentos relativos à contratação de alguns trabalhadores, nem mesmo as propostas de contratação e os respectivos despachos”. O CCAC concluiu também que durante vários anos o CPTTM “não realizava concursos públicos nem divulgava ao público informações relativas ao

recrutamento, e os procedimentos de recrutamento realizavam-se através de recomendações por parte do seu pessoal interno”. Dessa forma, “os procedimentos de recrutamento eram bastante arbitrários”, uma vez que um gerente de gabinete “não só podia decidir quais os candidatos a emprego que poderiam participar nas avaliações de recrutamento, mas também podia decidir aproveitar-se apenas das entrevistas sem realizar provas escritas ou testes de aptidão profissional”. Também não havia regras relativamente ao pagamento de salários dos trabalhadores. “A remuneração e regalias de trabalhadores eram decididas pela direcção do CPTTM após consideração global de vários factores. Tudo isto demonstra que o poder discricionário exercido é significativamente excessivo.” Após a análise efectuada em 2017, o CCAC chegou à conclusão de que o CPTTM poderia ainda melhorar alguns aspectos do seu funcionamento, “nomeadamente o não estabelecimento de um regime de impedimentos no regulamento interno que regula as acções de recrutamento, e que este facto pode aumentar o risco de aparecimento de situações de conflito de interesse”.

Pequim Comissão da chefe da delegação não foi renovada

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, reagiu ontem ao relatório do CCAC em comunicado oficial referindo que a comissão de serviço da chefe da delegação da RAEM em Pequim não foi renovada, após a instauração de um processo disciplinar interno. No mesmo comunicado, Chui Sai On defende que “os funcionários públicos devem ter como motivação o serviço à sociedade, exercendo as suas funções com integridade e no cumprimento da lei, devendo as chefias dar o exemplo”. “Conforme informações do CCAC, todos os casos de crime já entraram em processo judicial, havendo mesmo para alguns deles decisão dos tribunais. Relativamente aos casos da Provedoria de Justiça, os respectivos serviços já foram informados e alguns já corrigiram as falhas ou melhoraram os procedimentos. Entretanto, os responsáveis máximos dos serviços ou secretários da tutela vão considerar, de acordo com a situação concreta, se existe matéria para a instrução de processos disciplinares às pessoas envolvidas”, lê-se ainda na resposta.


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familiares e amigos durante as visitas, e aprovando, posteriormente, o reembolso daquelas despesas como se tratando de despesas efectuadas em missão oficial de serviço”.

O COMPUTADOR ROUBADO

Outro exemplo de infração revelado pelo relatório do CCAC versa sobre o roubo de material informático por parte de um trabalhador da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau (DSFSM). “No decorrer da investigação, foi admitido que por não possuir nenhum computador em casa, o funcionário se aproveitou das suas funções para levar para casa os equipamentos informáticos pertencentes

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ao património do serviço, apropriando-se dos mesmos.” De frisar que estes aparelhos continham documentos confidenciais de vários serviços públicos. Numa resposta emitida ontem, a DSFSM adiantou que o referido funcionário foi suspenso de imediato, estando a ser alvo de um processo disciplinar. O computador roubado continua “alguns ‘execution files’ de programas de

aplicação pertencentes aos diversos departamentos das forças de segurança, bem como alguns documentos reservados”. Contudo, o trabalhador “não tinha competências e palavras-passes para o acesso aos respectivos documentos”. A ocorrência levou ao reforço do sistema de vigilância.

TAXISTA NAS HORAS VAGAS

Outro episódio fraudulento patente no relatório da

“Um ex-dirigente da DSPA tinha uma relação íntima com uma colega do mesmo serviço, e que arranjava sempre deslocações ao exterior em missão oficial de serviço em que ambos participavam.” RELATÓRIO DO CCAC

entidade fiscalizadora incide sobre um funcionário dos Serviços de Alfândega (SA) que conduzia um táxi a tempo parcial. Em resposta, os SA afirmam que “abriram imediatamente o procedimento interno de investigação disciplinar e investigaram o caso de acordo com a lei, tendo sido proposta uma punibilidade pela prática do acto ilegal e infracção disciplinar”. No mesmo comunicado dos SA, lê-se que “o caso se encontra, neste momento, em fase final de decisão”, e que “os resultados serão anunciados posteriormente”. Um outro funcionário dos SA foi também suspeito de usar um documento falsificado para se candidatar a habitação social e obter

o subsídio de residência. Os SA esclarecem que o trabalhador foi demitido em 2011 por faltas injustificadas, tendo, em 2016, apresentado “o requerimento de reabilitação para ser convertida em aposentação compulsiva a pena de demissão”. No comunicado, os SA esclarecem que, quando o verificador alfandegário cometeu os actos suspeitos, “já estava desligado do serviço”.

MELHORAR A LEI

Tendo em conta estes casos, o CCAC volta a repetir uma sugestão já feita no passado, que aponta para a necessidade de melhorar a aplicação das leis vigentes e procedimentos. O organismo considera que o conceito de

LEAL SENADO ANTIGO IACM PAGOU CONTAS DE UM PRÉDIO QUE NÃO ERA SEU fogos habitacionais do prédio, o mesmo organismo foi encarregado pelos restantes moradores para a administração daquele parque de estacionamento. No entanto, com o decorrer do tempo, o IACM possui actualmente apenas uma pequena quantidade dos fogos habitacionais do prédio.” Nesse contexto, e tendo em conta a ausência de administração, “o IACM continuou a prestar apoio na administração do parque de estacionamento, cobrando mensalmente aos utentes dos lugares de estacionamento um montante fixado para o pagamento de água

e electricidade, bem para as despesas para manutenção dos equipamentos”. O CCAC concluiu que o edifício nunca foi do IACM nem do Governo, “mas sim uma propriedade comum dos proprietários do prédio”. De acordo com o Código Civil em vigor, “as responsabilidades de administração, reparação TIAGO ALCÂNTARA

O

relatório do CCAC contempla também um caso relativo a um prédio habitacional localizado ao lado do edifício que alberga o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). O organismo liderado por André Cheong concluiu que o antigo IACM pagou despesas relacionadas com a administração do prédio que não lhe competiam, na ordem das 300 mil patacas. Tal aconteceu pelo facto de nunca ter sido nomeada uma administração para o edifício. “Devido ao facto de que o antigo Leal Senado possuía, antigamente, a maioria dos

e segurança devem ser assumidas conjuntamente pelos proprietários do prédio, não devendo o IACM ‘pagar a conta’ para o funcionamento do parque de estacionamento com dinheiro público”. A situação ficou resolvida o ano passado, com o antigo IACM a pôr termo ao seu papel de administrador. Além disso, o organismo “prestou esclarecimentos aos restantes proprietários relativamente às despesas de reparação pagas para o parque de estacionamento ao longo dos anos, com vista a recuperação das respectivas verbas”.

“observância da disciplina e cumprimento da lei” dos trabalhadores da função pública “tem de ser intensificado, e a consciencialização relativa à ‘integridade e dedicação ao público’ do pessoal de direcção e de chefia deve também ser reforçada, não devendo os mesmos aproveitar-se, directa ou indirectamente, das suas funções e poder em prol dos seus interesses pessoais”. As investigações mostraram que existem “problemas relacionados com a aplicação não rigorosa da lei e a falta de supervisão por parte de alguns serviços públicos se destacam, merecendo uma grande atenção pelo Governo”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Contratações ao exterior CCAC contra “atitude conservadora”

O relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) relativo a 2018 menciona a investigação às irregularidades com os processos de fixação de residência por investimento coordenados pelo Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM). Neste sentido, o organismo liderado por André Cheong defende que o Executivo deve deixar de lado práticas mais conservadoras no que diz respeito à contratação de quadros qualificados no exterior. “No desenvolvimento de Macau não se pode rejeitar a recepção de profissionais qualificados do exterior. Ter uma atitude conservadora ou optar por permanecer num mercado fechado relativamente à política de quadros qualificados corresponde a abdicar de competitividade por iniciativa própria”, lê-se no documento, que defende uma melhoria das leis vigentes nesta área. Isto porque “não se pode pôr em causa o resultado do regime ou até negar o seu significado devido à existência actual de alguns problemas na apreciação dos processos”.


política 5

quinta-feira 28.3.2019

RESÍDUOS INCINERADORA PODE VIR A PROCESSAR 200 TONELADAS POR DIA

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nova central de incineração de resíduos tóxicos em Coloane pode vir a processar cerca de 200 toneladas por dia de resíduos alimentares produzidos no território. A informação foi sublinhada ontem pelo responsável pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, Raymond Tam, na Assembleia Legislativa (AL) numa sessão plenária de respostas a interpelações. Este processamento representa a destruição de cerca de metade dos resíduos alimentares produzidos em Macau que se cifra, diariamente, entre as 300 e as 400 toneladas.

“O volume de resíduos alimentares é de facto bastante elevado para o seu tratamento, não podemos adoptar só uma solução: adoptamos o tratamento in loco e também centralizado. Promovemos a cultura da reciclagem junto da população para resolver este problema”, referiu ainda o responsável. Para combater o excesso de resíduos alimentares e promover o seu processamento, o Governo vai ainda lançar um programa de subsídios dirigido aos restaurantes e hotéis e destinado à aquisição de equipamentos de processamento deste tipo de resíduos. S.M.M.

MEDICINA CHINESA PARQUE QUER REGISTAR SEIS PRODUTOS ATÉ AO FINAL DO ANO

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Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação Guangdong-Macau quer, até ao final do ano, ter um total de seis produtos registados. “Já registámos com sucesso dois produtos, e este ano ainda vamos conseguir registar quatro a seis produtos”, apontou ontem na Assembleia Legislativa a presidente do conselho de administração, Lu Hong. Em resposta a uma interpelação de Angela Leong, a responsável revelou ainda que actualmente há 119 empresas instaladas na estrutura na Ilha da Montanha, e que 29 são de Macau. Destas, 19 são empresas novas e dez já exerciam actividade na área da medicina tradicional antes de se mudarem para a Ilha da Montanha. Durante a sessão de ontem, a deputada Agnes Lam questionou o facto de apenas cinco por cento dos trabalhadores do Parque serem de Macau quando “mais de 600 estudantes estão a frequentar cursos de licenciatura e de mestrado nesta área”. Em resposta, Lu Hong afirmou que não conhecia esses dados. “Só sei que a Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST) forma anualmente 20 a 30 mestres chineses”, apontou. S.M.M.

JOGO MAIS DE 550 PESSOAS IMPEDIDAS DE ENTRAR EM CASINOS

Sentido proibido

Desde 2017, mais de 550 pessoas foram impedidas de entrar nos casinos, apontou o responsável pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) Paulo Martins Chan. A implementação do sistema de reconhecimento facial nas câmaras de videovigilância que estão a ser instaladas, representa uma ajuda às autoridades no combate à criminalidade associada ao sector

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ESDE 2017 e até ao presente, mais de 550 indivíduos foram interditos de entrar nos casinos, em virtude da violação das normas em vigor”, disse ontem Paulo Martins Chan, responsável pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), na sessão plenária de respostas a interpelações na Assembleia Legislativa (AL). A informação foi dada ao deputado Leong Sun Iok numa questão relacionada com os crimes praticados no âmbito do jogo. Leong queria saber que medidas têm sido implementadas para prevenir a criminalidade associada ao sector. Paulo Martins Chan recordou que o combate ao crime associado ao jogo conta com a actuação de patrulhas 24 horas por dia. “Temos patrulhas a actuar 24 h, compostas por quatro grupos de fiscais. Além destes grupos temos mobilizado pessoal de outros departamentos para um quinto grupo de

patrulha para reforçar a nossa capacidade de resposta no Cotai”, apontou. O responsável actualizou ainda os números dos crimes de burla por troca de moeda e de agiotagem. “Entre Janeiro e Fevereiro foram capturadas 87

“Temos patrulhas a actuar 24 h, compostas por quatro grupos de fiscais. Além destes grupos temos mobilizado pessoal de outros departamentos para um quinto grupo de patrulha para reforçar a nossa capacidade de resposta no Cotai.” PAULO MARTINS CHAN DIRECÇÃO DE INSPECÇÃO E COORDENAÇÃO DE JOGOS

pessoas e seis já foram encaminhadas para o Ministério Público”, disse. A DICJ procede ainda a uma média de 14 operações de combate a este crime por mês, acrescentou. No que respeita à agiotagem, a politica definida vai no sentido da acção imediata em que “uma vez recebida a queixa, actua-se no primeiro minuto”. A medida faz parte de um plano que permite a identificação de agiotas “in loco” na medida em que muitos destes infractores actuam directamente nas mesas de jogo. “Nos primeiros dois meses, descobrimos 8 casos destes”, apontou.

AJUDA DO CÉU

Também para ajudar no combate à criminalidade associada ao jogo, o representante das forças de segurança que acompanhou ontem Paulo Martins Chan à sessão plenária da AL, sublinhou a importância das câmaras de videovigilância e concretamente do sistema de reconhecimento facial.

A quarta fase da instalação de câmaras de videovigilância no território representa também a instalação do sistema de reconhecimento facial. “Com a conclusão da terceira fase de instalação de câmaras é possível estudar a questão do reconhecimento facial e a quarta fase vai ter em conta as câmaras com este efeito de reconhecimento”, disse. “Com este sistema conseguimos também fiscalizar os casinos de Macau e vamos também reforçar a nossa competência de investigação criminal”, rematou. Recorde-se que na apresentação das Linhas de Acção Governativa para este ano, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, sublinhou a intenção de implementar o sistema de reconhecimento facial no território através das câmaras de videovigilância dentro da operação “Olhos no céu”. O projecto lançado há dois anos, tem quatro fases, englobando um total de 1620 câmaras de videovigilância a instalar até Março de 2020. De acordo com dados dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), encontra-se actualmente em curso a quarta etapa relativa à colocação de 800 câmaras em lugares isolados e de risco. A primeira etapa versou sobre as zonas em torno das fronteiras (219), a segunda sobre as principais vias rodoviárias (263), enquanto a terceira fase de instalação de câmaras (338), concluída em Junho último, teve como alvo os pontos turísticos, infra-estruturas críticas e os denominados ‘pontos negros’ da segurança. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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NO BOM CAMINHO

Apesar das dificuldades Lam Hin San admite que a qualidade dos transportes públicos de Macau tem sido melhorada. “Olhando

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TRANSPORTES FALTAM MOTORISTAS PARA OS AUTOCARROS LOCAIS

Volantes à deriva

TIAGO ALCÂNTARA

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S serviços de autocarros em Macau têm melhorado mas não há motoristas suficientes. “Há falta de condutores”, disse ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, em resposta aos deputados Ella Lei e Au Kam San que questionavam o Governo acerca dos gastos do erário publico para subsidiar as concessionárias de autocarros e os atrasos nos contratos de concessão. A falta de condutores leva à redução do número de veículos em circulação que, por sua vez, implica a diminuição das receitas vindas da cobrança de tarifas, acrescentou o responsável pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin San. Raimundo do Rosário apontou exemplos para ilustrar a situação. “Só conseguimos contratar três condutores para a travessia da Ponte HKZM. Macau tem cota, dentro do sistema de autocarros tripartidos que ligam as fronteiras, mas ninguém quer ser condutor e as vagas destinadas aos motoristas de Macau, neste caso, estão a ser preenchidas com profissionais de Hong Kong e do continente”, afirmou.

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Os serviços de transportes públicos de Macau estão melhores mas não há motoristas suficientes para acompanhar a crescente demanda. A ideia foi deixada ontem por Raimundo do Rosário na Assembleia Legislativa para 2011, eram 370 mil passageiros por dia, em 2015 subiu até mais de 500 mil e este ano já foi de 620 mil. Há um aumento de cerca de 100 mil pessoas diariamente”, referiu. Para já o tempo de espera de autocarros é, em média, de 6,6 minutos “e nas paragens mais frequentadas de 3,9 minutos”, disse. De acordo com o responsável, há ainda que ter em conta o aumento de despesas com este serviço. “Os autocarros ecológicos representam despesas mais elevadas. Os autocarros pequenos estão a ser substituídos por veículos maiores que

PESAR da ausência de Macau no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional, o Governo local pode ser considerado como “íntegro”. A ideia foi deixada ontem pelo director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Eddie Kou em resposta ao deputado Pereira Coutinho que questionava o Governo acerca das medidas a tomar para poder integrar o referido Índice. Macau saiu do ranking da organização em 2012 por faltarem informações sobre o território. “O Governo não consegue facultar estes dados e também não é exigido que o faça. O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) tem feito este trabalho e, como há esta restrição, vamos reforçar as outras vertentes referentes à criação de um Governo íntegro, como a formação e a fiscalização, para melhorar o

dão mais despesas. Temos mais carreiras, nomeadamente para a ponte – O 101X funciona 24 h por dia. E é aqui que são gastas as verbas”, explica Lam Hin San. Já Raimundo do Rosário admite que ainda há melhorias a fazer, mas sublinha que também há muitos avanços. “Ainda temos muitos problemas em relação aos autocarros mas já houve muitos progressos”, rematou o secretário. Sofia Margarida Mota

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RECURSOS HUMANOS VAGAS POR PREENCHER NA DSSOPT

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falta de recursos humanos é um problema que abrange todos os serviços da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), de acordo com o secretário Raimundo do Rosário. “Desde a entrada em vigor do sistema de recrutamento centralizado que a DSSOPT abriu 39 concursos públicos para

Corrupção de lado

Eddie Kou defende que Macau tem um Governo “íntegro

nível de integridade de Macau”, indica Eddie Kou. De acordo com o responsável, Macau tem-se mostrado empenhado “no desenvolvimento de um Governo íntegro” e tem mantido “uma atitude de abertura face à avaliação do nível de integridade realizada por entidades internacionais ou organizações não governamentais”. Apesar da posição do território ser pior do que a das regiões vizinhas, o valor de referência destas avaliações é, ainda assim, tido como “positivo”, apontou.

CRÍTICAS PARALELAS

A defesa da existência de um Governo íntegro por parte de

Eddie Kou mereceu críticas de Sulu Sou que achou “piada” à classificação, tendo em conta que “o índice de integridade de Macau tem pouco mais pontos do que o das Filipinas tal como a existência dos casos em que os secretários contratam familiares para a função pública”, disse. O deputado pródemocrata fez ainda referência ao recente caso denunciado pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) de abuso poder de um funcionário do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) e ao relatório apresentado ontem (ver Grande Plano) que denuncia condutas fraudulentas de funcionários públicos.

preencher 115 vagas”, disse. Até agora foram preenchidos “cerca de metade dos lugares”. Segundo o secretário, esta situação não permite sequer preencher as vagas dos trabalhadores que se aposentam, e muito menos a aquisição de mais funcionários. Acresce ao problema as despesas tidas com estes processos. “O

Song Pek Kei levantou também a questão da responsabilização dos infractores. “O relatório do CCAC apresentado ontem deixou a sociedade chocada porque revelou as deficiências do nosso sistema”, pelo que é necessário apurar responsabilidades, apontou. Em resposta, o director dos Serviços de Administração e Função Pública revelou que “em 2019 serão objecto de revisão o regime disciplinar e o regime de aposentação e cessação e funções cujas matérias estão relacionadas com a responsabilidade administrativa”. O responsável garantiu ainda que os Serviços têm estado empenhados na promoção de acções de formação de modo a alertar os funcionários para esta matéria. Do lado do Executivo esteve o deputado Wi Chou Kit que elogiou o trabalho feito pelo Governo. “Os

dinheiro envolvido teve em conta 55 mil candidatos, mas só 14 mil compareceram ao exame. Foram desperdiçadas mais de 40 mil folhas porque os candidatos não compareceram e até à data não consegui pessoas para preencher as vagas deixadas livres”, disse. “Não consigo contratar mais”, concluiu o Raimundo do Rosário.

trabalhos anti-corrupção têm melhorado. Os crimes de corrupção estão a diminuir”, sublinhou. Pereira Coutinho questionou também o Governo acerca do desenvolvimento de um sistema político mais democrático que eleja a maioria dos deputados da AL por sufrágio directo. Para Eddie Kou, Macau tem dado mostras de evolução no sentido da democracia na medida em que, “o número de deputados aumentou de 23 para 33 membros desde a primeira legislatura” e “o número de assentos para os eleitos por sufrágio directo e indirecto aumentou de 8 para 14 e 12 respectivamente”. Sofia Margarida Mota

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quinta-feira 28.3.2019

JUSTIÇA RITA SANTOS REVELA ENVIO DE EXPLICAÇÕES AO GOVERNO PORTUGUÊS

TJB WGM ACUSADA DO CRIME DE PUBLICIDADE E CALÚNIA

No canto do olho

Rita Santos confessou ter tomado comprimidos para dormir após um artigo em que foi acusada, a par de José Pereira Coutinho, de vender passaportes portugueses. O Ministério Público (MP) pediu a condenação do director do jornal pela prática do crime de abuso de liberdade de imprensa

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ITA Santos precisou de tomar comprimidos para conseguir dormir, logo após a publicação do artigo de opinião do jornal San Wa Ou que acusava os conselheiros das comunidades portuguesas de venderem passaportes. A versão foi relatada ontem em tribunal, no processo em que o director do jornal, Lam Chong, responde pela prática do crime de abuso de liberdade de imprensa, na forma de difamação agravada. Além disso, os conselheiros das comunidades portuguesas, Rita Santos, José Pereira Coutinho e Armando de

Jesus, exigem-lhe o pagamento de uma indemnização que ronda as 50 mil patacas, cada, num total 167.748 patacas. “Não consegui dormir. Tomo comprimidos todos os dias para poder dormir. Pode perguntar ao meu médico. Não entendo as razões que levaram Lam Chong a

fazer isto connosco. Ainda mandámos um esclarecimento por escrito para ser publicado no jornal, mas não publicou nada”, disse Rita Santos, no Tribunal Judicial de Base (TJB). Contudo, apontou que Lam Chong mudou de comportamento face às pessoas com passaporte

CONSULADO EM CAUSA

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ma das questões que levou os conselheiros a apresentar queixa deveu-se aos danos para o nome do Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong. A situação foi reconhecida, ontem, por Rita Santos. “Ele [cônsul de Portugal] está ciente da gravidade do artigo, porque fala de conluio com funcionários do consulado. Foi por isso que decidimos avançar com o caso. Queríamos mostrar que era uma pura mentira e que afecta a nossa imagem”, apontou.

português, após a transição e o estabelecimento da RAEM. “Agora quando nos encontra no elevador nem nos fala. Antes do estabelecimento da RAEM ainda falava. Não sei porque mudou de atitude para com os portugueses”, revelou. Durante o depoimento a conselheira emocionou-se algumas vezes, o que levou o representante do Ministério Público (MP) a pedir-lhe que se acalmasse. Segundo a também presidente da Assembleia Geral da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), o artigo publicado em 2017 colocou o Conselho das Comunida-

HOJE MACAU

NDREW Scott, director-executivo da empresa O Media, que detém a revista especializada em jogo World Gaming Magazine (WGM), e Ben Blaschkle, jornalista da publicação, estão a ser acusados da prática de um crime de publicidade de calúnia contra a empresa Ho Tram Project Company. O caso, que se encontra em julgamento no Tribunal Judicial de Base (TJB), centra-se num artigo publicado a 28 de Janeiro de 2016 sobre um acidente de viação com trabalhadores da empresa, no Vietname, que resultou na morte de uma pessoa. Na altura, foi escrito no portal que tinham morrido três pessoas, entre elas uma grávida, mas a informação era errada. Ontem, Andrew Scott foi ouvido, admitiu o erro publicado na primeira versão do artigo online, mas negou qualquer intenção em prejudicar a empresa. “Quando soubemos que houve um erro fizemos logo a correcção”, respondeu, depois da juíza do processo ter dito que poderia ter havido intenção de prejudicar a empresa. “Nós fazemos notícias deste género sobre todas as operadoras, mesmo de Macau. Não se pode dizer que foi o caso de uma revista de moda que, de repente, escreveu um artigo sobre jogo. Este tipo de artigos faz parte do nosso dia-a-dia”, acrescentou. O responsável considerou também que a informação errada era de pormenor: “Claro que me arrependo de termos cometido um erro de detalhe”, sublinhou. Por outro lado, defendeu que os erros acontecem em publicações de todo o mundo e que o procedimento normal passa pela correcção. Ainda segundo Andrew Scott, a revista contactou três vezes a empresa para obter esclarecimentos, mas sem sucesso. A WGM é uma revista de Macau que cobre o sector do jogo na Ásia. Já a Ho Tram Project Company dedica-se ao desenvolvimento de casinos e opera principalmente no Vietname. J.S.F.

Rita Santos “Agora quando nos encontra no elevador nem nos fala [...] Não sei porque [Lam Chong] mudou de atitude para com os portugueses.”

des Portuguesas em causa e motivou uma reunião com o então cônsul português, Vítor Sereno. “Nenhum facto do artigo é verdadeiro. Foi dado a entender que na altura havia conluio com o cônsul. Por isso, reuni com o cônsul e tivemos de enviar uma carta imediatamente para o Ministério dos Negócios Estrangeiros [do Governo Português] e para o Gabinete de Ligação”, explicou. Rita Santos relatou ainda que o conselho das comunidades, que funciona na sede da ATFPM, apenas se limita a ajudar idosos e não-falantes de portugueses a marcar deslocações ao consulado para renovar passaportes. A conselheira negou qualquer cobrança pelo serviço e disse desconhecer a origem do valor de 18.000, que o artigo indicava como custo de um passaporte.

MP PEDE CONDENAÇÃO

Nas alegações finais, o MP pediu a condenação de Lam Chong com base em dois argumentos: a ausência de provas nos autos para o conteúdo do artigo e ainda porque o arguido optou por manter o silêncio, em vez de apresentar factos para substanciar o que tinha sido escrito. No mesmo sentido, também o advogado de acusação, Bruno Nunes, pediu a condenação e sublinhou que Lam Chong havia enlameado o nome dos três conselheiros. “Acusou os conselheiros de cobrarem 18.000 renminbis e deu a entender que havia conluio com o Consulado [de Portugal], sabendo que ia atingir e enlamear o nome dos conselheiros perante a Assembleia Legislativa, Conselho das Comunidades, Governo Português, Assembleia da República e, não menos importante, perante as famílias”, realçou Bruno Nunes. Por sua vez, o advogado de defesa, Vong Keng Hei, defendeu a absolvição, argumentando não haver provas dos alegados danos cometidos. Além disso, o advogado referiu que os nomes dos conselheiros nunca foram mencionados no artigo. A decisão ficou agendada para o dia 26 de Abril. Em caso de condenação, Lam Chong arrisca uma pena de prisão até 2 anos ou uma multa de, pelo menos, 120 dias. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


8 sociedade

28.3.2019 quinta-feira

Os Serviços de Saúde estimam que 95 por cento dos profissionais de saúde de Macau estejam imunes ao sarampo. A estimativa tem como base os dados da população em geral. No entanto, está a ser feito o levantamento de informações detalhadas, esperando-se resultados para breve

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SARAMPO SS ESTIMAM QUE 95% DOS CLÍNICOS ESTEJAM IMUNES

A prova dos nove

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Segundo estimativas oficiais, Macau conta com um universo aproximado de 9.500 profissionais de saúde, distribuídos pelos hospitais, centros de saúde, clínicas ou consultórios. Só para se ter uma ideia, no final do ano passado, existiam 1.633 médicos e 2.235 enfermeiros.

TRATAMENTOS ISENTOS

via de um inquérito a preencher até hoje. Só nos últimos dias, foram vacinados 933 profissionais, indicou o director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, ao HM. Após terem admitido anteriormente desconhecer a proporção de profissionais – como médicos e enfermeiros – que se encontram vacinados ou imunes ao sarampo (por terem contraído anteriormente

a doença), os Serviços de Saúde facultaram ontem uma estimativa: 95 por cento do total. Essa percentagem, segundo explicou o coordenador do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC), é calculada com base num estudo sobre a imunização da população em geral. Em causa, um estudo levado a cabo anualmente, por aquela subunidade dos Serviços de Saúde, a

Crescer na Baía

CTM assina acordo com Universidade de Macau para desenvolver 5G no território

No que diz respeito ao 5G, Vandy Poon referiu que o Executivo e os CTT estão a ultimar o quadro legal para a implementação da tecnologia, e que nesse aspecto a CTM foi auscultada. Quanto ao número de licenças que espera serem emitidas, o director não se alongou muito, mas vincou que em termos de concorrênTIAGO ALCÂNTARA

“Acreditamos que o nível de cobertura das vacinas dos profissionais de saúde seja muito melhor.” LAM CHONG CENTRO DE PREVENÇÃO E CONTROLO DE DOENÇAS

STÁ a ser levado a cabo um levantamento para apurar quantos profissionais de saúde estão imunes ao sarampo, ou seja, quantos foram vacinados ou já contraíram a doença anteriormente. Os resultados devem ser conhecidos em breve, com os Serviços de Saúde a admitirem a hipótese de os divulgarem já amanhã. A recolha de dados sobre o ponto de situação da vacinação junto de todas as instituições médicas e de saúde está a ser efectuada por

Companhia de Telecomunicações (CTM) anunciou ontem um lucro de 941 milhões de patacas em 2018 e assinou um protocolo com a Universidade de Macau para desenvolver a tecnologia 5G no território. O responsável da CTM, Vandy Poon, e o reitor da Universidade de Macau, Song Yonghua, assinaram um acordo de colaboração na área da investigação e desenvolvimento da tecnologia 5G em Macau, a grande aposta da empresa no próximo ano. Em conferência de imprensa, a empresa salientou que “2019 vai ser um ano importante para o desenvolvimento do 5G” e garantiu estar preparada para a construção da rede em Macau, de forma a contribuir para a criação de uma cidade inteligente.

lhor” do que a dos residentes em geral, porque “têm, logicamente, mais conhecimentos em relação à saúde” do que a média normal da população, realçou Lam Chong.

cia a empresa de telecomunicações iria “fazer ouvir a sua voz”, acrescentando que Macau é um mercado pequeno e que a Grande Baía surge como um espaço aliciante para expandir negócios. Ainda no tópico do projecto regional, outros responsáveis da operadora de telecomunicações, como o

partir de testes serológicos, ou seja, exames realizados com amostras de sangue, sobretudo para detectar a presença de anticorpos gerados pelo sistema imunitário contra antigénios pertencentes a agentes infecciosos, de modo a determinar a sua quantidade ou concentração. “Acreditamos que o nível de cobertura das vacinas dos profissionais de saúde seja muito me-

seu director executivo, Vandy Poon, asseguraram que uma das prioridades da CTM passa pela participação na Grande Baía. Em causa está a possibilidade da CTM avançar para um ‘mercado’ de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20. Com esta aposta, a CTM quer ajudar a “desenvolver Macau num centro mundial de turismo e lazer e numa plataforma de cooperação comercial entre a China e os países lusófonos”, de forma a promover uma economia diversificada, segundo a própria empresa. Em 19 de Setembro do ano passado, a CTM tinha inaugurado em Hong Kong o primeiro centro de dados fora

Entre os 23 casos de sarampo sinalizados desde o início do ano existem trabalhadores não residentes que, em situações normais, teriam de pagar os encargos relativos à prestação de cuidados de saúde, mas estão a receber tratamento gratuito, segundo confirmou Lei Chin Ion ao HM. À luz da lei de prevenção, controlo e tratamento de doenças transmissíveis, os não residentes infectados ou suspeitos de terem contraído doenças transmissíveis podem, tendo em conta o interesse público e a sua situação económica, ser isentos do pagamento total ou parcial pelo director dos Serviços de Saúde.

do território, um investimento focado na expansão da empresa e no reforço dos projectos da Grande Baía e Macau Digital. "O que torna especial este projecto é que somos os primeiros a ser aprovados pelo Governo" e pelo Gabinete de Protecção de Dados fora do território, sublinhou então Vandy Poon à Lusa. O reforço da segurança no 'backup' de dados e na capacidade de recuperação dos mesmos, devido à redundância de uma rede que funciona em dois locais diferentes, em Macau e, agora, em Hong Kong foi apresentado com "uma grande vantagem para as pequenas e médias empresas", algo que o risco associado a fenómenos como os tufões Hato e Mangkhuto veio salientar, enfatizou o responsável da CTM.

Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

SAAM Lucros subiram 15 por cento em 2018

Os lucros líquidos da Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (SAAM) cresceram 15 por cento no ano passado para os 89 milhões de patacas, em comparação com o período homólogo. A informação foi avançada ontem pela empresa que explicou o aumento nos ganhos “essencialmente” com as “obras de colocação de redes e dos serviços de abastecimento de água”. Também no ano passado o consumo total de água cresceu para os 90,94 milhões de metros cúbicos, um acréscimo de 2,8 por cento face ao ano transacto. A maior proporção do consumo foi na península de Macau, com 62,6 por cento, seguida pelas Ilhas com 36,4 por cento.


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quinta-feira 28.3.2019

ECONOMIA DESEMPREGO MANTÉM-SE EM 1,7%

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taxa de desemprego em Macau, entre Dezembro de 2018 e Fevereiro deste ano, foi de 1,7 por cento, mantendo o mesmo nível registado entre Novembro de 2018 e Janeiro último, anunciaram ontem as autoridades. Esta percentagem demonstra que Macau se encontra numa situação de pleno emprego, ou seja, o território está livre de desemprego cíclico e que quem procura um trabalho, em condições normais, não demora muito tempo a empregar-se. No período em análise, 6.700 pessoas estavam desempregadas, menos de 200 do que as registadas entre Novembro e Janeiro passados, indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos

(DSEC) de Macau, em comunicado. Apopulação activa totalizou 394.800 indivíduos e a taxa de actividade foi de 70,8 por cento. A DSEC destacou que o número de desempregados à procura do primeiro emprego constituiu 6,6 por cento do total da população desempregada, o que representa uma quebra de 7,1 pontos percentuais. Entre Dezembro e Fevereiro, o número de empregados no sector do jogo desceu, registando-se um aumentou de trabalhadores nos hotéis e restaurantes, apontou a DSEC. Em comparação com o período de Dezembro de 2017 a Fevereiro de 2018, a taxa de desemprego diminuiu 0,2 pontos percentuais.

ACIDENTES DE TRABALHO 5 DE 12 MORTES RELACIONADAS COM INFRACÇÕES DE SEGURANÇA

Tragédias evitáveis

As infracções às normas de segurança e saúde ocupacional estiveram na origem de cinco de 12 mortes resultantes de acidentes de trabalho no ano passado. A multa mais elevada aplicada aos empregadores foi de 10.500 patacas

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S acidentes de trabalho fizeram no ano passado 7.362 vítimas, incluindo 12 mortais. Do total de fatalidades, cinco resultaram de infracções às normas de segurança e saúde ocupacional. Os dados foram revelados ontem pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Em conferência de imprensa, a chefe do Departamento de Segurança e Saúde Ocupacional, Lam Iok Cheong, indicou que os cinco trabalhadores que perderam a vida devido a infracções às normas de segurança e saúde ocupacional pertenciam ao sector da construção, dos

TIAGO ALCÂNTARA

A DSAL instaurou 144 processos por infracções às normas de segurança e saúde ocupacional em 2018, aplicando multas no valor de 652 mil patacas

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transportadora aérea Air Asia está a considerar a possibilidade de criar uma base em Macau para servir os clientes chineses. A revelação foi feita, ontem, por Tony Fernandes, fundador da empresa, em declarações ao jornal South China Morning Post. “Não temos que estar no Interior da China, mas estar em Macau é como estar na China", afirmou o director executivo da Air Asia, de ascendência portuguesa, numa conferência sobre investimento realizada em Hong Kong. Para que a Air Asia se instale na RAEM tem de esperar pelo fim do

quais dois eram ilegais. Dos cinco casos, quatro redundaram em multas para o empregador – o remanescente encontra-se ainda em fase de investigação – com a multa mais elevada a corresponder a 10.500 patacas. No total, ao longo de 2018, a DSAL instaurou 144 processos por infracções às normas de segurança e saúde ocupacional,

De olho em Macau

Fundador da Air Asia pondera instalar base na RAEM

monopólio da Air Macau, o que só acontece em 2020. De acordo com a explicação de Tony Fernandes uma base em Macau ia facilitar o transporte de chineses, uma vez que seria o primeiro apoio para este tipo de clientela. Ao mesmo tempo, seria uma oportunidade para aproveitar a área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Actualmente, a Air Asia voa para quatro destinos da região da Grande

Baía: Hong Kong, Macau, Shenzhen e Cantão, e está aberta à possibilidade de obter um certificado para operar em Macau, disse Fernandes.

aplicando multas no valor de 652 mil patacas – a esmagadora maioria versando a construção civil. Ao longo do ano passado, a DSAL emitiu 41 ordens de suspensão de obras, das quais 39 versando estaleiros.

CONFLITOS LABORAIS

A DSAL facultou ainda dados relativos aos processos instaura-

“Se a possibilidade surgir [de ter uma base em Macau], sim, isso é outra forma” de chegar ao mercado chinês, acrescentou. As operações da Air Asia atravessam toda a região e incluem Malásia, Tailândia, Indonésia, Filipinas, Índia e Japão. A companhia também concordou lançar uma unidade de baixo custo no Vietname. A transportadora é a segunda maior utilizadora do aeroporto de Macau, onde ocupa 15 por cento das faixas horárias, com voos provenientes da Malásia, da Tailândia e das Filipinas, com

dos devido a conflitos laborais: 1.673 contra 1.860 em 2017. Do total, foram tratados 1.688, dos quais apenas sensivelmente 4 por cento foram remetidos para os órgãos judiciais. Os 1.673 processos envolveram 2.914 trabalhadores, dos quais 1.284 eram não residentes. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

102 partidas marcadas todas as semanas. Só a Air Macau tem presença maior, controlando dois quintos das faixas horárias. “Macau tem um lugar muito especial no meu coração. Acreditaram em nós quando não éramos nada”, confessou Fernandes. A Air Asia prepara-se ainda para lançar em Macau serviços em terra: 'check-in', embarque e bagagens, o que permitirá uma redução de custos de operação. Além disso, está a trabalhar na possibilidade de vender viagens em transportes locais, como autocarros, 'ferries' e comboios. HM (com Lusa)


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28.3.2019 quinta-feira

Respiração sus EXPOSIÇÃO LIU XIA E TSAI HAI-RU NO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE TAIPÉ

Na próxima segunda-feira é inaugurada em Taipé “Atemschaukel”, uma exposição conjunt Xia e Tsai Hai-Ru, ambas oriundas de famílias marcadas pelo drama das prisões políticas. A abre a janela para um mundo de desolação e medo através da poesia, fotografia e pintura

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ARLOS Celdrán é director do grupo Argos Teatro, de Havana, e o primeiro autor cubano convidado para escrever a mensagem do Instituto Internacional do Teatro (ITI), criado no âmbito Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Celdrán começou por falar daqueles que o ensinaram, guiaram e de quem herdou a "tradição única de viver o presente sem outra expectativa que a de alcançar a transparência de um momento irrepetível" e que, após vários anos de trabalho e "conquistas extraordinárias",

O mundo inteiro é um palco Autor cubano escreve mensagem do Dia Mundial do Teatro de 2019

foram desaparecendo. "Antes do meu despertar no teatro, os meus mestres já lá estavam. Tinham construído as suas casas e as suas poéticas sobre os restos das suas próprias vidas. Muitos deles não são conhecidos ou sequer lembrados: trabalharam a partir do silêncio, a partir da humildade das suas salas de ensaio e das suas salas cheias de espectadores (...)", prossegue Celdrán. O encenador acredita que o teatro é um "país em si mesmo,

um grande território onde cabe o mundo inteiro" e que é lá que ele existe, onde está o público, e onde tem os companheiros de quem precisa. "O meu país teatral, o meu e dos meus actores, é um país tecido por estes momentos em que deixamos para trás as máscaras, o medo de ser quem somos, e damos as mãos no escuro", continua. Carlos Celdrán considera que é nos momentos de partilha

com o público que constrói a sua vida, deixa de ser ele e percebe o significado do ofício de fazer teatro: "Viver instantes de pura verdade efémera, onde sabemos que o que dizemos e fazemos, ali, sob a luz da cena, é verdade e reflecte o mais profundo e o mais pessoal de nós".

O SEGREDO

Celdrán reforça o significado do seu ofício mencionando, novamente, os "mestres de

teatro" explicando que estes sabem que "não vale nenhum reconhecimento perante esta certeza que é a raiz do nosso trabalho: criar momentos de verdade, de ambiguidade, de força, de liberdade na maior das precariedades". "Por tudo isto, não me mexo, continuo em minha casa, junto dos meus próximos, em aparente quietude, trabalhando dia e noite, porque tenho o segredo da velocidade", concluiu Carlos Celdrán, que desenvolve a sua atividade em Havana. Carlos Celdrán nasceu em Cuba, em 1963, e é encenador

teatral, dramaturgo, educador teatral e professor. Entre 1988 e 2018 ganhou 16 vezes, em várias ocasiões, o prémio Cuban Theatre Critics, na categoria de `Best Staging`. Em 2000 recebeu o prémio Distinção Nacional da Cultura Cubana e, em 2016, o prémio de Teatro Nacional de Cuba. Carlos Celdrán é o primeiro cubano a ser responsável pela Mensagem Internacional para o Dia Mundial do Teatro.


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quinta-feira 28.3.2019

spensa

ta de Liu A mostra

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AIPÉ recebe uma mostra de arte que em nada vai agradar a Pequim, sem surpresas. Na próxima segunda-feira, 30 de Março, é inaugurada a exposição “Atemschaukel”, que reúne trabalhos de Liu Xia e Tsai Hai-Ru, e que estará em exibição até 26 de Maio no Museu de Arte Contemporânea de Taipé. A mostra é composta por fotografias a preto e branco e aguarelas, salpicadas com poesia, que procuram transmitir as angústias de duas mulheres que viveram dramas familiares resultantes de dissidência e perseguição política. “Atemschaukel” reúne poemas e 26 fotografias a preto e branco de Liu Xia, viúva do dissidente chinês, Liu Xiaobo laureado com o Prémio Nobel da Paz em 2010, assim como dois trabalhos inéditos de Tsai Hai-Ru, cujo bisavô, avô e pai foram todos prisioneiros políticos durante décadas na sequência do activismo pró-democracia. A mostra tenta levar ao público um vislumbre do mundo das artistas, marcado pela desolação, incerteza, medo e impotência que resultaram da perseguição política dos seus familiares. De acordo com a organização, a mistura de poemas e arte gráfica nos trabalhos de Liu são “de partir o coração”. Quanto à contribuição de Tsai Hai-Ru, destaque para o quadro “Floating”, que representa uma figura nua ladeada por um poema com o título “A Jail Beyond the Prison Walls: Untold Stories by Female Family Members Of White Terror Victims”. A artista oriunda de

A mostra tenta levar ao público um vislumbre do mundo das artistas, marcado pela desolação, incerteza, medo e impotência que resultaram da perseguição política dos seus familiares

IPOR BRU (MARGARIDA) JUNÇA CONTA ESTÓRIAS PORTUGUESAS EM ABRIL

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STÁ de regresso a iniciativa do Instituto Português do Oriente (IPOR) intitulada “Ler, Escrever, Contar”. Este ano o evento é protagonizado pela autora Bru (Margarida) Junça, que estará em Macau entre os dias 1 a 5 de Abril para contar estórias em língua portuguesa. A autora é natural da cidade de Évora e vai estar presente em cinco sessões de leitura, que vão decorrer na Escola Portuguesa de Macau, Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, Escola Luso-Chinesa

O Instituto Cultural (IC) anunciou ontem que a terceira edição da Trienal de Gravura de Macau vai estar patente até ao dia 31 de Maio, uma vez que o evento “ganhou um grande reconhecimento e apoio do público desde a sua inauguração”. De acordo com um comunicado, a iniciativa, que conta com 175 obras premiadas e finalistas, “foi muito bem recebida por artistas locais e estrangeiros”, uma vez que foram recebidos mais de mil trabalhos candidatos. A 3ª Trienal de Gravura de Macau encontra-se aberta de terça-feira a domingo, incluindo aos dias feriados. A entrada é livre.

DOR E ARTE

João Luz

info@hojemacau.com.mo

O IPOR considera que “as acções de narração de contos com contadores portugueses têm mostrado ser uma boa metodologia para desenvolver o contacto com a língua portuguesa, nomeadamente através de estímulos à imaginação dos ouvintes que, não raras as vezes, são também participantes activos”.

IC Trienal de Gravura prolongada até Maio

Taiwan participa ainda com uma instalação intitulada “Flower of Life”, composta por uma espécie de planta de era conhecida pela sua resiliência e por florescer no escuro. O título da exposição, “Atemschaukel”, que traduzido à letra quer dizer respiração pendular, foi inspirado num romance de Herta Müller, vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 2009. O livro retrata nas experiências da minoria romena/germânica nos campos soviéticos de trabalhos forçados. O título descreve a precisa noção da respiração e de sobrevivência que ganha uma dimensão maior durante clausura. Os trabalhos de Liu Xia e Tsai Hai-Ru enquadram-se neste panorama emocional e estético, salpicados por momentos de raiva, histeria e impotência.

da Taipa e Escola Oficial Zheng Guanying. Um total de 500 crianças irão participar nesta iniciativa, que inclui ainda várias sessões com formandos dos cursos do IPOR e duas sessões públicas no dia 5 de Abril, a decorrer na Livraria Portuguesa, destinadas a crianças e adultos.

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28.3.2019 quinta-feira

Aviso ﹝N.º 13/2019﹞ Assunto: Ordem de realização de obras de reparação em barraca degradada Local: Barraca n.º 22-12-07-013A, sita na Rua dos Navegantes, Coloane (área assinalada na planta de localização, em anexo) Vimos por este meio informar os possuidores / utilizadores / terceiros indeterminados da barraca acima mencionada que o Instituto de Habitação (IH) procedeu à inspecção da barraca n.º 22-12-07-013A, e verificou que a mesma se encontra degradada e em perigo de ruir, podendo, portanto, afectar a higiene ambiental daquela zona e a segurança dos moradores. Assim, para salvaguardar as condições de salubridade e segurança públicas, os possuidores / utilizadores / terceiros indeterminados da barraca acima mencionada devem realizar obras de reparação da mesma, no prazo de 15 dias, contados a partir da data de publicação do presente aviso, nos termos do n.º 2 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro, e por despacho do signatário, de de Março de 2019, exarado na Prop. n.º 0335/DHP/DFHP/2019. Caso as obras de reparação da referida barraca não sejam realizadas no prazo acima referido, os procedimentos de desocupação e de demolição serão iniciados pelo IH, nos termos da alínea b) do artigo 17.º e dos artigos 24.º e 28.º do DecretoLei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. Os possuidores / utilizadores / terceiros indeterminados da barraca acima mencionada podem apresentar reclamação ao presidente do IH, sem efeito suspensivo, no prazo de 15 dias, contados a partir da data de publicação do presente aviso, nos termos dos artigos 148.º, 149.º e do n.º 2 do artigo 150.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro. COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º 4 do ponto 5.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilistasregistado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista provisória dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2019, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Em caso de dúvidas, agradecemos o contacto a CRAC, durante as horas de expediente, através do telefone número 85995343 ou 85995342. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 14 de Março de 2019 O Presidente do Júri, Iong Kong Leong

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TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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Os possuidores / utilizadores / terceiros indeterminados da barraca acima mencionada podem interpor recurso contencioso no Tribunal Administrativo, no prazo de 30 dias, contados a partir da data de publicação do presente aviso, nos termos do artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro. Instituto de Habitação, aos 26 de Março de 2019. O Presidente, Arnaldo Santos


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quinta-feira 28.3.2019

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China anunciou ontem o afastamento do o ex-chefe da Interpol de cargos públicos e do Partido Comunista, depois de, em Novembro passado, ter confirmado que Meng Hongwei estava a ser investigado por suspeitas de corrupção. Meng, que foi eleito presidente da maior organização policial do mundo em 2016, viu o seu mandato de quatro anos interrompido após ser detido sem aviso prévio pelas autoridades chinesas, em Setembro passado, durante uma viagem à China. Era também era um dos vice-ministros de Segurança Pública da China. A Comissão Central de Inspecção e Disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC) revelou que uma investigação concluiu que Meng cometeu "graves violações da lei" e falhou em cumprir princípios do partido e implementar decisões do partido. A mais ampla e persistente campanha anticorrupção na história da China comunista, lançada pelo Presidente chinês, Xi

INTERPOL EX-CHEFE AFASTADO DE CARGOS PÚBLICOS E DO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS

Abusos e extravagâncias lei", anunciou o ministério chinês de Segurança Pública, em Outubro passado. A escolha de Meng para chefiar a Interpol foi na altura celebrada por Pequim, que tem vindo a reforçar a sua presença em organizações internacionais.

SEM RASTO

Jinping, após ascender ao poder, em 2013, puniu já mais de um milhão e meio de funcionários do PCC.

O comunicado do órgão anticorrupção máximo do PCC detalha que Meng abusou do seu poder para

satisfazer o "estilo de vida extravagante" da sua família. Meng "aceitou subornos e é suspeito de infringir a

O anúncio de ontem surge depois de, na semana passada, a sua mulher, Grace Meng, ter apelado ao Presidente francês, Emmanuel Macron, que abordasse a detenção do marido com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, durante a visita de Estado a França, que terminou na terça-feira. Meng perdeu o contacto com a família depois de embarcar num avião para a China em 25 de Setembro passado. Depois de vários dias de silêncio sem que a família

Uma investigação concluiu que Meng cometeu “graves violações da lei” e falhou em cumprir princípios do partido

recebesse notícias de Meng e face à pressão internacional, a China confirmou a detenção. Em 21 de Novembro, a Assembleia Geral da Interpol decidiu substituir Meng pelo sul-coreano Kim Jong Yang. A organização recebeu no dia 7 de Outubro uma carta de renúncia e uma comunicação de Pequim informando que Meng não seria o delegado da China naquele organismo.

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Ganhar mais asas

Cathay Pacific anuncia compra da HK Express

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companhia aérea de Hong Kong Cathay Pacific anunciou ontem a compra da empresa de aviação de baixo custo HK Express, que pertence ao conglomerado chinês Hainan Airlines Group (HNA), no valor de 558 milhões de euros. A maior companhia aérea da antiga colónia britânica vai adquirir 100% da HK Express, que se tornará uma subsidiária da Cathay Pacific, numa operação que deve ser concluída até 31 de Dezembro de 2019. "A transacção representa uma maneira atraente

e prática para o Cathay Pacific Group de apoiar o desenvolvimento e o crescimento de longo prazo dos seus negócios de aviação e melhorar a sua competitividade", apontou a empresa em comunicado. AHK Express faz parte do HNA, juntamente com cinco transportadoras de baixo custo da China continental: a Air Guilin, a Beijing Capital Airlines, a Lucky Air, a Urumqi Air e a West Air. Este acordo surge numa altura em que o conglomerado chinês tem vindo a apresentar avultadas dívidas devido à alienação de activos,

como a compra de imóveis em Nova Iorque e a o investimento em acções do Deutsche Bank, no ano passado.

Notificação edital (7/FGCL/2019)

PARTE DE LEÃO

De acordo com a imprensa local, o conglomerado está também a tentar vender quase um terço da sua participação na Hong Kong Airlines, um plano que foi suspenso no ano passado após a morte súbita do co-presidente da HNA, Wang Jian. A partir de agora, três das quatro companhias aéreas de Hong Kong serão controladas pela Cathay Pacific, deixando o grupo com o controlo de quase metade dos slots de pista no Aeroporto Internacional de Hong Kong. No início do ano easyJet e Cathay Pacific estabeleceram uma parceria para voos de ligação. A 22 de Janeiro, a easyJet anunciou que chegou a acordo com a Cathay Pacific, passando esta companhia aérea a ser o novo parceiro da transportadora de baixo custo, no âmbito do seu serviço exclusivo de ligações ‘Worldwide by easyJet’. A Cathay Pacific apresentou lucros de 264,3 milhões de euros em 2018.

N dos pedidos: 2/2019 os

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos,“Cali Promoção de Jogos Sociedade Limitada”, com sede na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600E, Edifício Centro Comercial First Nacional, 12º andar, sala 5, Macau, o seguinte: Relativamente à ex-trabalhadora Ho Man Wa, no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 22 de Março de 2019, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa à ex-trabalhadora acima referida, no valor total de $27 082,00 (Vinte e sete mil e oitenta e duas patacas). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquela ex-trabalhadora, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 25 de Março de 2019 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 9/P/19 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 7 de Março de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para a «Obra de Substituição do Sistema de Ar Condicionado e de Instalação de Barreiras Acústicas no Centro de Saúde do Fai Chi Kei», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 27 de Março de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP48,00 (quarenta e oito patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes devem estar presentes no Centro de Saúde do Fai Chi Kei, no dia 1 de Abril de 2019, às 11,00 horas para visita de estudo ao local da instalação dos equipamentos a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 29 de Abril de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 30 de Abril de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP320.000,00 (trezentas e vinte mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 20 de Março de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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quinta-feira 28.3.2019

Estou farto de semi-deuses!

António Cabrita

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EORGE Steiner, no discurso de agradecimento ao honoris causa atribuído pela Universidade de Lisboa, teve este desabafo: «É possível que as humanidades nos tornem menos empáticos, que elas nos proporcionem uma enorme riqueza interior que nos torna menos capazes de reagir imediata e vigorosamente à necessidade humana. A necessidade humana é frequentemente estúpida, desordenada desprovida de beleza». (Das cinzas do silencio à palavra de fogo, Porto, Exclamação, 2018) E proferiu este juízo contra si mesmo; toda a vida defendeu que as humanidades humanizavam, ei-lo aos oitentas a pôr a hipótese contrária, embora sob ressalva: «espero estar enganado». A hipótese levantada é terrível. Talvez a frequência excessiva da arte nos amortize a sensibilidade, reféns da literatice. Quanto mais consumidores da cultura e da arte mais alheios à sorte do que está “lá fora”? Ver a beleza de uma fotografia de Sebastião Salgado afinal imuniza-nos de questionar a pobreza? Talvez o mal emerja do cruzamento de quatro coisas: uma mutação da cultura de massas, o “apagamento” da mathesis e da memória e a bomba demográfica. Quando havia um vislumbre de mathesis (a hipótese de uma ciência geral que articule os diversos horizontes do saber) confiava-se numa maior correspondência entre a sensibilidade, o conhecimento (científico ou artístico) e a moral. Hoje, alia-se à suposta falência da mathesis uma depauperação da memória e a pulverização da cultura humanística, degradada pela asfixiante auto-referencialidade das indústrias culturais – a minha filha de 15 convidou-me a ver “um filme espectacular com a Lady Gaga” e afinal era a quinta versão de A Star is Born (fraquita). Mas como ela não tem memória das outras… E lembremos como as televisões viram sobre si mesmas “as janelas para o mundo” e se saciam na circularidade auto-referencial (- fenómeno a que Eco chamava a neo-televisão). Entretanto, o conhecimento foi preterido pelo entretenimento, o qual sustém o seu foco na sociabilidade: se não vemos a última série de televisão, a peça de teatro mais badalada ou lemos os livros mais vendidos, quem somos? As indústrias culturais oferecem catálogos de “novidades”: as emboscadas e solicitações em que enredamos gratuitamente o nosso tempo. E o gosto médio vai baixando de nível porque, de sempre, a qualidade que emerge de uma “sensibilidade prospectora” não pode ser a de todos, nem muito menos de massas. E aquela implica trabalho, erudição, distância e risco. Se hoje se confunde na democracia (do gosto) a hierarquia da popularidade com a do prestígio, foi a forma do sistema desviar para as performances econó-

Ácaros & Orgasmos ARCHAIC PHALLUS, HERBERT LIST, CYCLADES, ISLAND OF DELOS, GREECE, 1937

Diários de próspero

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micas os critérios que deveriam assentar na qualidade formal e orgânica das obras. Porém, apesar de José Rodrigues dos Santos vender como pãezinhos, é um lixo, não é Lobo Antunes: diferença facilmente verificável no modo como um e outro trabalham a linguagem, os seus supostos materiais. Recordemos uma maravilhosa formulação do maliano Tierno Bokar, segundo o seu discípulo Hampaté Bâ:

“A escrita é uma coisa e o saber outra. A escrita é a fotografia do saber mas não o saber em si. O saber é uma luz que existe no homem.” Bokar prevenia, como Platão, contra o fetichismo da letra impressa, mas o seu aviso ajusta-se hoje igualmente aos estereótipos das indústrias culturais e até ao nó cego cognitivo que impera nas redes sociais. Ao mesmo tempo, o mercado oferece um índice de satisfação imediata que se

Se hoje se confunde na democracia (do gosto) a hierarquia da popularidade com a do prestígio, foi a forma do sistema desviar para as performances económicas os critérios que deveriam assentar na qualidade formal e orgânica das obras

entrosa num tipo de cultura remix (Rui Chafes), de horizontalidades, onde tudo se equivale e rapidamente fica obsoleto. Hoje, quando a opinião de um especialista se equivale à de um ignaro nas redes sociais estamos diante de letras mortas, das fotografias do saber. Contudo, o gosto da maioria, ilusoriamente reforça-se com a explosão demográfica; à maioria, que tem sempre um anseio pela metade, um querer pela metade, é indiferente que seja absolutamente distinto saber como funciona a máquina de lavar roupa ou como apertar o botão. Quando estabelecemos com a cultura uma mera relação petisqueira, heterónoma, i.é, de divertimento e descarte, não se produz aí, em termos humanos, nenhum campo novo de valores e de relação. Pelo contrário, a experiência estética profunda, implica uma vulnerabilidade – nela, a nossa percepção sobre as coisas, o mundo, as relações, mudam; despertamos para um novo sentido, talvez o transe dessa luz de que fala Bokar e que pode estar obstruída ou ser desvelada. Como escreve o filósofo Byung- Chul Han: «Não podemos ver de forma diferente sem nos expormos a uma vulneração. Ver pressupõe a vulnerabilidade». Eis porque de comum vemos melhor as nossas tradições de fora delas do que no seu seio, ou percebemos finalmente certas complicações da nossa vida, mercê de um distanciamento. Do lado do entretenimento temos o Gosto (convertido em tique facebookiano), do lado da reminiscência (diria o Platão) gera-se uma flutuação das “placas continentais” que muda a nossa topografia interior. Deste lado a experiência, do outro a ilusão conectiva. E afinal, é mesmo impossível uma mathesis? Não. É propaganda da cultura de massas, para fazer cumprir o ideário hegemónico do neoliberalismo, o qual subentende uma sinonímia do sujeito ao consumidor, esquema em que o sonho e a criatividade imaginativa ou rememorativa são menorizados na medida em que se associa a juventude a uma rápida busca ansiosa que privilegia a eficiência. Daí que a noção de subjectividade se veja substituído pela de performance. Mas continua a haver outros paradigmas mais fecundos. Se abraçarmos o pensamento da complexidade, de que Edgar Morin nos abriu as portas, notamos cadeias de transmissão entre diversos saberes que se observam simultaneamente nas ciências, nas artes e na vida. Há outros caminhos. Embora tudo isto dê trabalho, e aqui se exija a educação, até para compreendermos que o trabalho que o conhecimento dá pode não só dar prazer como (um efeito lateral) até recompensar-nos. A sabedoria, meus caros, pode ser uma felicidade, já as indústrias culturais… finam-se numa lógica masturbatoria: momentânea e aquém do outro.


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estendais Gisela Casimiro

Q

UANDO entrei, pediram que me deitasse, baixasse a saia, levantasse a camisola e virasse o rosto para a parede. O médico não tinha como saber que eu já conhecia cada uma daquelas agulhas desde o dia anterior, do Youtube. Vai sentir um frio, uma sensação gelada, do spray anestesiante. As nádegas a descoberto, os olhos fechados. Vou começar. Um jogo de adivinhação sobre a minha carne, um-dó-li-tá. Imaginei uma mão aberta e uma faca a saltar por entre os dedos, tentando acertar no vazio. Primeiro, não doía, era apenas uma impressão enervante. Tentava não pensar nos meus pais na sala de espera. A minha mãe tentara entrar, mas fora impedida. Preferi assim. Peço desculpa, mas tenho de encontrar o lugar exacto da anestesia. Primeiro não doía, mas depois já não era um jogo afinal, ele fazia a agulha saltar vezes sem conta, aparentemente sem ritmo ou destino, até que encontrou o que buscava, e eu percebi que a anestesia era só para a carne, como é que eu não pensei nisso, como poderia não me doer o osso, como é que eu não previ isto, como é que eu. Peço desculpa. Peço desculpa. Peço desculpa. Pensava que conseguia fazer isto sem chorar. Sem gritar. Não é só a agulha. Quem nunca levou uma injecção no

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Sem anestesia possível

rabo? Ninguém me estava a dar nada. Eu vim aqui para me tirarem uma parte de mim. Talvez para depois me tirarem a minha vida, ou o que eu acho que tenho de meu, e de vida. Vim aqui para me cravarem uma agulha o mais fundo possível, eu que já tive tantas agulhas espetadas em mim nestes últimos anos, que viro sempre o rosto para o lado e que, quando finalmente não quis fazê-lo, fui obrigada. Vim aqui para sentir alguma coisa a ser aspirada de dentro de mim, de um lugar secreto onde nunca ninguém me tocara. Tente pensar em alguma coisa agradável. Tentei, tanto. Estava um dia tão bonito. A praia. A minha irmã. Procurei-a em vão. Nem ela me poderia valer naquele momento. Mais tarde, dir-me-ia que a mãe entrou pelo quarto a chorar e a anunciar que eu iria morrer. A nossa mãe, sempre tão dramática, hipo-

condríaca, fatalista. Mas eu ainda não sabia, ainda estava ali na sala pequena, dividida em duas por uma cortina branca, tudo era branco, os ossos são brancos... Estou aqui deitada como se fosse um chão de calçada portuguesa e o médico está a picar, picar, picar e finalmente eu consigo ouvir e sentir o meu osso a partir, este som é o meu osso a partir, quero que isto páre, eu que nunca parti nada, nem a cabeça, não literalmente pelo menos, de órgãos partidos só sei mesmo do coração, como é que se sobrevive a isto, uma fractura interna, é disto que falam quando falam disso, e agora a agulha aspira qualquer coisa e então é isto um mielograma e então é isto uma biópsia. A voz tremia, crescia numa sucessão de ais que eu cada vez controlava menos, e no entanto não me mexia. Não podia. É tão difícil respirar enquanto se sofre. Também isto me escapara. Esta simples noção, este malabarismo íntimo que eu julguei ter dominado a vida toda e que, agora, ficava provado por agulha mais carne mais osso mais medula que, afinal, eu nada sabia. Não havia Mário Viegas a recitar Armindo Mendes Carvalho. Ai a dor que tenho aqui! A enfermeira sentou-se aos meus pés. Segurou-me na mão esquerda, braço estendido. Devo tê-la agarrado de volta, com uma força que me escapava por todos os outros lados. Um anjo que eu não via mas que visitava a minha cama, como Jesus no conto do Eça. Minha querida, tenha calma, já não falta muito, como se chama? Hesitei. Pela primeira vez na minha vida, durante segundos, eu não me lembrava do meu nome. Sentia-me prestes a perder os sentidos. Solucei uma vez mais, e disse. Consegui dizer o meu nome. Depois, acabou. Limpeza, um penso, portou-se muito bem, vai ficar tudo bem. Daqui a duas semanas saberá os resultados, se houver alguma coisa antes nós dizemos. Esperar e sofrer, sempre. Fiquei em silêncio. Agora deixe-se estar deitada de barriga para cima uns quinze ou vinte minutos, já venho ver como está. Olhei o tecto, incapaz de mais. Atrás da cortina, uma voz feminina com sotaque espanhol dizia, Vai sentir uma sensação fria, vou aplicar um spray. Momentos depois, um velho, Ai minha Nossa Senho-

Pensei, eu não vou sobreviver, eu vou morrer mesmo, estou doente, quantas vezes pode alguém escapar, quantos exames feitos e quantas certezas do que não tenho e iguais incertezas sobre o que tenho, quanto tempo mais posso aguentar sem a má notícia derradeira

ra. Ai minha Nossa Senhora. Chorei por ele. Ai pobre daquele velhinho. Vieram buscar-me. Percebi, então, que coxeava. Tantas primeiras vezes em tão pouco tempo. Levaram-me para uma sala com cadeirões e sentei-me. Reconheci pessoas da sala de espera, o velhote que estava com o filho, um outro homem, a moça grávida. A televisão ligada mas ninguém lhe prestava atenção. Deve haver algum estudo que comprove que o zumbido de uma televisão ligada no canal mais desinteressante possível acalma os nervos físicos e burocráticos dos pacientes, como deve haver um estudo a comprovar o contrário. Eu tinha parado de chorar. Mas havia uma rapariga à minha frente, muito pálida, careca, a quem vieram dar um pequeno-almoço líquido. Ela estava cansada e tinha covas debaixo dos olhos. Fechou-os várias vezes, e dormitava de vez em quando. Quando as enfermeiras saíram, a minha e a dela, quando eu olhei bem em volta, um homem de pijama e pantufas, a rapariga grávida, os outros, mas sobretudo a rapariga careca, chorei como nunca antes. Pensei, não vamos todos sobreviver. Pensei, eu não vou sobreviver, eu vou morrer mesmo, estou doente, quantas vezes pode alguém escapar, quantos exames feitos e quantas certezas do que não tenho e iguais incertezas sobre o que tenho, quanto tempo mais posso aguentar sem a má notícia derradeira. Chorava de medo, vergonha, desespero e dor, e já todos deveriam ter passado pelo mesmo, pois ninguém disse nada, como se eu ali não estivesse, ou estivesse tão calma e seca como eles, e talvez eles estivessem pior, até. Eu ainda não tenho nada, posso não ter nada, até podemos todos sobreviver, tens de aprender com isto, nada te ensinou mais na vida do que isto, vais morrer. O tempo passado num hospital, qualquer que seja a situação, é o mais próximo do Inferno que podemos experienciar. Não fui trabalhar. Mandei uma foto do meu rabo à minha irmã. Sentia-me enjoada e fraca. O que dormi pareceu-me pouco. A viagem de carro de casa dos meus pais para a minha foi difícil, com uma respiração consciente e forçada para evitar vomitar a todo o custo. Coxeei durante uma semana, tempo que demorei a conseguir deitar-me novamente de barriga para cima. Quando deixei de precisar de pensos, apenas um ponto ínfimo mostrava que algo se passara, e era difícil dar com ele à primeira, por mais vezes que me visse ao espelho. Como se nada fosse. Como se tivesse sido um sonho. Mas não tem sido isso a minha vida? Tanta ironia. E eu tão pequenina.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

quinta-feira 28.3.2019

retrovisor Luís Carmelo

A

tradição do policial é a tradição da boa gestão dos “saberes”. Há diversas receitas, todas elas abertas a grande inventividade, mas o nó górdio da teia é sempre o mesmo: o leitor só pode – ou, pelo menos, só deve – saber o que há a saber no final da narrativa. Nem sempre assim foi, apesar de haver quem diga que a Bíblia foi o primeiro grande policial que apareceu no planeta (o argumento é de policial e nem sei como é que Simenon não pôs Maigret a tratar dele: de quem foi a culpa de nós todos, mortais, termos aparecido neste canto do cosmos?). Na maior parte das narrativas pré-modernas, as ferramentas literárias que todos interiorizámos há muito (complicação, clímax, desenlace, etc.) não passavam de coisas de extra-terrestre. As narrativas do mundo antigo e medieval eram crípticas por natureza, ambíguas, construídas de propósito para que algo de insondável se pudesse, aqui e ali, vir a revelar. Como se um segredo governasse o mundo e fosse missão do homem interpretá-lo. O romance moderno que foi aprendendo a libertar as urdiduras com Cervantes, Diderot ou Stern e que, depois, as vincou com Stendhal, Tolstoi ou Eça, passou a democratizar o segredo: com a devida fleuma, passaram-se a conceder ingredientes ao leitor para que, ao longo do enredo, ele pudesse conjecturar e até imaginar esse segredo que, no final, e após situações mais ou menos extremadas e polidas, lhe era dado. Geralmente, não do modo como o esperava, mas tal como o desejaria. Sim: o desejo é mais forte do que as promessas de redenção.

Do que andamos a fazer neste planeta Antes destes arrufos modernos e frágeis, tudo era realmente diferente. Tomemos como exemplo os Portenta, também considerados presságios. No fundo, eram imagens acopladas a mensagens literárias enigmáticas que, até ao limiar de setecentos, estavam associadas aos defeitos inusitados de parto, disso-

Nesta história sem fim que é a história da gestão dos saberes que pululam nos relatos da tradição literária (e imagética), o segredo foi quase sempre um presente adiado

ciando-se da maioria das monstruosidades que correspondiam sobretudo a criaturas que, segundo as mais distintas lendas, povoavam a periferia distante e desconhecida do globo. Estamos a falar de um mundo tal como Richard of Haldingham o desenhou no século XIII, de acordo com o tradicional modelo T-O (o chamado mapa de Hereford). Ao centro do esquema de cor dourada, por cima do traço horizontal da letra T, surgia a Ásia e, por baixo desse mesmo traço, à esquerda, surgia o Nilo e, à direita, o Dom. Por sua vez, à esquerda e à direita do traço vertical da letra T (o Mediterrâneo), aparecia a Europa e a África, respectivamente. À volta do T, duas enormes circunferências davam a ver, não o que poderíamos pensar ser a atmosfera, mas sim oceano, apenas oceano sem fim. É para além desse desconhecido e vasto oceano periférico que, segundo diversas tradições, o

mundo andava povoado… por criaturas monstruosas. Para Santo Agostinho, a natureza estava, de facto, platonicamente dividida em duas partes: a da ordem e visível, que permitia ler os sinais da divindade, e a do inesperado e do incompreensível (ou do maravilhoso) que tinha uma única finalidade: mostrar aos humanos que existem diversos graus do “saber” que só a deus dizem respeito. Não é por acaso que, ainda no século XVI, a palavra curiositas* remetia, em grande medida, para um certo tom nada cordato de heresia. Nesta história sem fim que é a história da gestão dos saberes que pululam nos relatos da tradição literária (e imagética), o segredo foi quase sempre um presente adiado. Foi-o nas versões medievais da carta do Preste João das Índias, nas imagens de Ravenna (1557), de Boaistuau (1560) e em muitas das que aparecem na Chronica mundi de Schedel (1493). O segredo só viria a ser devolvido ao comum dos mortais, quando, na alvorada do policial e do gótico (lembro-me de Os Crimes Da Rue Morgue de Poe), os crimes em ambiente lúgubre, as tramas em atmosfera soturna e nocturna e os novos labirintos urbanos passaram a conviver com um novo formato de enredo que passou a perseguir um objectivo claro: revelar, apenas no desenlace, um segredo. Mas revelá-lo. Mesmo se fosse imaculado. Mesmo que fosse comprazidamente subentendido. Entre nós, já sem falar dos segredos da (malvada) insolvência dos bancos, nem o de Fátima resistiu. Faltará só explicar o que andamos a fazer neste planeta. * Edward Peters, Libertas Inquirendi and the Vitium Curiositas in Medieval Thought in La notion de liberté au Moyen Age - Islam, Byzance, Occident, Société d´Édition Les Belles Lettres, Paris, 1985, pp. 89-98 (91).


18 (f)utilidades TEMPO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO | OBRAS-PRIMAS DE ARTE RUSSA MAM | Até 22/04

38 3 50 5 71 7 62 96 9 7 7 4 2 69 6 8 13 1 50 5 95 69 6 7 04 0 81 8 2 1 2 09 0 45 64 6 3 78 M I N 02 0 0 4M A4X 8 226 3 H9U75 M7 18 76 7 3 1 8 59 05 0 24 4 4 5 68 36 3 72 7 9 1 3 58 5 74 7 1 20 62 96 2 2 10 1 3 69 6 4 7 85 69 76 7 02 0 85 8 34 3

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NUBLADO

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8 7 6 3

EXPOSIÇÃO | JU MING MGM Cotai | Até 07/04 CONCERTO | GALA DE CÂMARA Teatro Dom Pedro V | 30/03 CONCERTO | “CONCERTO DE PÁSCOA - ORATÓRIO DE HANDEL: MESSIAS” Igreja de S. Domingos | 20/04

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CONCERTO | HANGAR 18 + EMILY BURNS LMA | 10/04 CONCERTO | NEUROOTS + SIDE BURNS + SINO HEARTS LMA | 11/04 CONCERTO | MOCKING BULLET + ELI + LAVY LMA | 13/04

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CONCERTO | FAUX FIGHTERS LMA | 30/04

Cineteatro

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C I N E M A

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DUMBO DUMBO [A] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tim Burton Com: Colin Farrel, Eva Green, Michael Keaton, Danny DeVito 14.30, 16.30,19.30, 21.30 SALA 2

EXTREME JOB [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Lee Byeong-Heon Com: Ryu Seung-Yong, Lee Hanee, Jin Sun-Kyu, Lee Dong-Hwi, Gong-Myoung 14.30, 16.30, 21.30

US [C] Um filme de: Jordan Peele Com: Lupita Nyong’o, Winston Duke, Elisabeth Moss 19.15

SALA 3

MASQUERADE HOTEL [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Suzuki

7 4 8 5 4 3 7 760 - 9 9 % 2 9 0 9 0 8 3 1

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37 3 19 1 5 08 0 25 72 7 4 6 71 7 83 2 4 03 0 1 1• 09 E0U R 3 O8 26 2 8 5 4 59 75 67 6 0 5 7 2 69 6 80 8 6 4 52 13 41 4 8 9

0 86 28 9 4 31 8 2 9 96 59 85 1 076 49 . 5 3 07 0 12 1 3 81 8 4 35 3 97 07 0 62

42 4 63 6 5 0 78 7 B A2H T 7 1 9 4 8 30 3 19 1 56 5

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SURTO AMERICANO 29

8 42 4 3 9 0 75 9 60 6 27 42 4 51 1 37 53 85 68 46 94 5 8 02 0 1 93 9 0 53 5 62 86 8 17 6 79 7 41 54 5 08 2 4 91 9 3 07 0 4 01 60 56 95 29 32 3 95 9 78 27 2 46 7 86 8 4 0 1 23

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 29

emergência na sequência de um grave surto de sarampo. O município decidiu banir a permanência de crianças não vacinadas em espaços públicos, na sequência da confirmação de 153 casos confirmados de sarampo desde o início do Outono.

7 16 5 3 9 0 6 7 1 94 0 32 8 5 3 8 4 1 2 59

1 8 2 4 9 3 6 7 0 5

30

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8 06 4 4 2 5 3 3 91 87 9 0 0

PROBLEMA 30

13 90 7 4 62 71 9 48 35 6

21 9 05 8 16 57 0 4 63 2

2 4 0 59 81 5 8 3 06 47

6 3 1 75 48 9 7 2 10 34

90 5 28 7 34 06 2 9 81 3

59 27 2 6 93 40 4 01 78 5

5 82 3 1 9 4 56 60 7 8

7 8 69 3 0 82 5 6 4 91

4 1 6 0 7 8 3 5 2 9

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1 0 4 8 5 5 7 2 1 9 8 3 9 2 7 6 4 5 7 3 0 . 205 2 Y6U A5N8 7 9 8 6 0 4CÃO 1 3 9 2 VIDA DE 9 8 0 4 6 3 5 7 0 1 PROPORÇÕES 2 6 1 3 4

6 2 3 4 3 6 0 6 1 1 0 9 1 . 24 0 7 9 3 1 4 5 8 0 2 7 5 8 9 2 7 5 8

Mais uma voltinha, mais um relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC). O dia de ontem começou com casos caricatos de ínfima crimina3 7 6 9 4 8 0 1 lidade ao pequeno-almoço, coisa quase mesquinha 2 a5vir9ao de7cima. 1 Enquanto 6 3 8 os delitos menores flutuam, chegam 4 1mostrando 8 0 5 2 7 o9 à superfície ao mundo seu caracter 0 8irrisório 3 5e quase 9 4cómico, 6 2 os conluios dos grandes permanecem 6 ao9 fundo 5 do 2 mar, 8 invisíveis 3 1 7 agarrados nos contornos 1 0 de 2 quem 3 6olha7para4as 5 profundezas só notando vultos difusos. 4 7 8 de0chegar 9 mais 2 6 Como é5hábito, depois um relatório entidade 7 6da 4 1 fiscalizadora, 2 0 5 3 composta por membros nomeados pelos 9 2maiores, 0 6multiplicam-se 3 1 8as 4 fiscalizados respostas dos serviços afectados 8 3 1 4 7 5 pela 9 0 pequena ganância e pendor para esquemas dos seus funcionários. Repetem-se os mantras em que se enfatiza “que não se tolera qualquer acto ilícito e infracção disciplinar”, 5 7que9se vinca 4 1a “exigência 8 2 0 rigorosa na disciplina e no valor moral”. 8 3 nesta 9 5terra,7 muita 6 2 Muito 0 se enfatiza atenção4é prestada, mas, também, muitos 1 2 6 3 0 8 5 esquemas se montam. Macau é mesmo 6 2 4Por0aqui,9 o 3 uma plataforma. prato7de 1 que todos 3 comem 9 0 serve 2 um 4 cozinhado 5 1 7 que mistura a velha tradição portuguesa 1 6 7da 5 8 9 com 3 o4 de enaltecimento corrupção, tempero 7do5savoir 8 faire 1 regional. 6 2 Já 0 o9 peixe graúdo, tenta fazer as falcatruas 9 os3papás 1 do7 Norte 2 reparem, 6 4 8 sem que não se 2vá mandar a machadada 4 6 8 0 1 final 5 3 no princípio de Macau governado pelas 8 0Que5é como 3 7quem4 diz,9as 6 suas gentes. famílias tradicionais. João Luz

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54 15 1 3 70 67 26 92 9 8 1 02 40 54 75 87 68 6 9 3 28 2 0 1 95 49 34 73 67 6 5 96 19 1 0 32 83 8 7 4 97 9 3 6 8 2 5 4 01 0 48 34 3 90 69 6 57 25 2 1 76 7 28 2 4 13 1 9 0 5 97 9 1 6 4 3 5 82 8 0 43 4 2 8 7 0 9 5 6 1 0 43 4 19 81 8 72 7 5 6 1 6 9 5 3 8 0 27 42 4 2 67 6 85 18 1 30 3 4 9 84 8 5 2 3 9 6 01 0 7 2 0 45 4 6 71 7 38 93 9 53 25 2 67 06 0 94 19 1 8 5 3 6 9 1 4 2 80 78 7 19 71 07 20 2 5 8 46 34 3 9 80 38 3 7 15 41 4 6 2 County, 80 48 74 97 9 6 13 51As autoridades 42 9 5 2 de um dos municípios 6 de71Nova8Iorque, 7 28Rockland 4 09declararam 0 3o estado 5 de

UM FILME HOJE

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S U D O K U

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“O QUADRADO” | RUBEN ÖSTLUND (2017)

Um olhar crítico e mordaz à sociedade contemporânea através da relação do director do museu de arte em Estocolmo com o mundo que o rodeia. Qual o papel de uma arte cada vez mais elitista e distanciada da realidade? Que dimensão humana ainda existe no homem moderno? São algumas das inúmeras questões sobre as relações humanas levantadas nesta sátira contundente recheada de momentos desconcertantes. “O Quadrado” venceu a Palma de Ouro em Cannes, em 2017. José C. Mendes

Com: Takuya Kimura,

Masami Nagasawa

14.30, 21.15

LOVE LIVE! SUNSHINE!! SCHOOL IDOL MOVIE, OVER THE RAINBOW [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Kyohei Yamaguchi Com: Sou Okuno,

Atsuhiro Inukai,

Gaku Oshida,

Shieri Ohata

17.00, 19.15

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

quinta-feira 28.3.2019

RICARDO MOREIRA in Esquerda. Net

Fyre Festival: o mito do empreendedorismo EARTHLY DELIGHTS, BOSCH

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TENÇÃO, se ainda não viu o documentário “Fyre: the greatest party that never happened”, deixo o alerta: este texto contém spoilers. “Viver como estrelas de cinema, festejar como estrelas de rock e f*der como estrelas de pornografia”. É com esse brinde que os empreendedores Billy McFarland e Ja Rule celebram o que esperavam ser o maior festival do mundo e que está relatado no recente documentário da Netflix. Era isso que prometiam a quem voasse para as Bahamas, para a paradisíaca ilha que foi em tempos propriedade de Pablo Escobar. O evento nunca aconteceu. Os bilhetes custavam milhares de dólares e foram vendidos em algumas horas, mas os empresários não conseguiram montar o festival: não tinham as infraestruturas, não tinham as habitações de luxo prometidas, nem sequer tinham artistas. Venderam uma mão-cheia de nada, promovendo um vídeo com modelos através de influencers do Instagram. Depois do Fyre, McFarland foi julgado por fraude e condenado a pena de prisão. Para

trás, nas Bahamas, ficou uma comunidade destroçada, que trabalhou dias a fio sem receber, que investiu na melhoria das suas casas para receber os turistas e que se endividou para que os seus modestos restaurantes pudessem receber os festivaleiros ricos. Depois da catástrofe do Fyre Festival, a pergunta que fica no ar é: porque é que continuamos a endeusar o empreendedorismo a todo o custo? Em 2016, os investigadores Adriano Campos e José Soeiro escreveram o livro “A falácia do empreendedorismo”, onde explicam as raízes das narrativas sobre o empreendedorismo, quem ganha e quem perde com ele. Os autores identificam uma contradição na narrativa: os computadores, a internet, as energias renováveis são fruto do trabalho colectivo e não da iniciativa individual. Na verdade, são trabalho colectivo de instituições financiadas pelos Estados, como é o caso das universidades. A cooptação do trabalho de outros e a sobrevalorização de ideias supostamente inovadoras e criadoras de valor subjectivo é a

Aceitar este mito é aceitar a precariedade e os baixos salários como naturais. É também minar as raízes do Estado social, porque é aceitar o “cada um por si”

face escondida de fachadas empreendedoras, como o Fyre Festival. O empreendedorismo, como iniciativa individual, é vendido como a chave do avanço das sociedades desenvolvidas, mas quando olhamos para as estatísticas, vemos que a iniciativa individual, o autoemprego, é muito mais elevado nas economias mais pobres e muito menos presente nas economias com mais inovação. O mito do empreendedorismo parecer ter duas funções: primeiro, naturaliza a ideia de que quem é rico é-o porque o mereceu, quando os dados indicam que a mobilidade social é reduzida e que os ricos se mantêm ricos devido à riqueza que é herdada; segundo, enfraquece a capacidade de mobilização e de organização, pois a competição do “cada um por si” destrói a possibilidade de reivindicações comuns de quem vive do seu trabalho. Aceitar este mito é aceitar a precariedade e os baixos salários como naturais. Aceitar o mito do empreendedorismo é diminuir o esforço colectivo que faz avançar a sociedade, mas é também minar as raízes do Estado social, porque é aceitar o “cada um por si”. Isso implica retirar o empreendedorismo das escolas e das universidades, substituindo-o por matérias que possam ensinar às crianças e aos jovens criatividade e como trabalhar em conjunto. Esse seria um bom contributo para fazer avançar as sociedades e já seria uma boa lição para retirar Fyre, o festival que nunca aconteceu.


O epitáfio é a última vaidade do Homem. Axel Oxenstiern

quinta-feira 28.3.2019

PALAVRA DO DIA

Chega-te à frente O TAILÂNDIA PARTIDOS ANTIGOVERNAMENTAIS FAZEM COLIGAÇÃO PARA FORMAR GOVERNO

Justiça TSI dá razão a Governo em caso de recuperação de terreno

O Tribunal de Segunda Instância (TSI) decidiu a favor do Chefe do Executivo, no caso em que Chui Sai On declarou a caducidade do terreno lote 1 da zona C do empreendimento Fecho da Baía da Praia Grande. O terreno tem uma área de 1.233 m2 e a concessão concedida, a 30 de Julho de 1991, à Sociedade de Empreendimentos Nam Van, S.A.. Posteriormente, em 2001, foi autorizada a transmissão onerosa, a favor da Sociedade de Investimento Imobiliário Cheng Keng Van, S.A.. O arrendamento foi válido até 30 de Julho de 2016 e em 3 de Maio do ano passado o Chefe do Executivo proferiu despacho, no sentido de declarar a caducidade da concessão do terreno por não aproveitamento.

China Lucros da indústria recuam 14 por cento

Os lucros da indústria na China registaram uma queda homóloga de 14 por cento, em Janeiro e Fevereiro, acompanhando a tendência registada noutros indicadores económicos do país, numa altura de disputas comerciais com os Estados Unidos. Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês, os lucros fixaram-se em 708.010 milhões de yuan. Para este indicador, as estatísticas chinesas consideram apenas empresas industriais com receitas anuais superiores a 20 milhões de yuan. O portal estatístico do GNE Zhu Hong atribuiu a queda acentuada à paragem nas fábricas, por altura do Ano Novo Lunar que todos os anos se realiza entre Janeiro e Fevereiro. Mas os resultados sugerem também o efeito das taxas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos. Os dois países realizam esta quinta-feira mais uma ronda de negociações, visando chegar a um acordo que ponha fim às disputas comerciais.

Espaço Índia anuncia ter abatido satélite no espaço

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A Índia anunciou ontem ter conseguido abater um satélite que sobrevoava em baixa órbita, tornando-se assim o quarto país, após os Estados Unidos, a Rússia e a China, a destruir um objecto no espaço. "Os nossos cientistas derrubaram um satélite em baixa órbita a uma distância de 300 quilómetros da Terra", anunciou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante um discurso televisionado à nação. Narendra Modi ressalvou, contudo, que este exercício militar “não é dirigido contra nenhum país". "O nosso objectivo é estabelecer a paz e não criar uma atmosfera de guerra”, sublinhou, acrescentando que a operação, intitulada "Missão Shakti" ("força" em hindi), durou três minutos, "é um momento de orgulho para a Índia" o país juntar-se agora às "superpotências do espaço". O último país a ter alcançado este feito científico tinha sido a China.

S principais partidos antigovernamentais da Tailândia anunciaram ontem a intenção de formar Governo, três dias depois das primeiras eleições legislativas realizadas desde o golpe de Estado de 2014 e antes da divulgação dos resultados oficiais. Líderes e membros das comissões executivas de sete partidos que se opõem à junta militar, que governou o país asiático nos últimos cinco anos, anunciaram um Governo de coligação numa conferência de imprensa conjunta em Banguecoque. Sudarat Keyuraphan, o líder da principal formação

da oposição, o partido Pheu Thai (Para os Tailandeses), disse que a coligação conta com 255 assentos, o que representa a maior parte das 500 cadeiras da câmara baixa do Parlamento, mas tem poucas hipóteses de nomear o primeiro-ministro devido ao quadro legal concebido pelo regime militar. "É evidente que os partidos pró-democracia têm o mandato do povo nestas eleições e tentaremos impedir a continuação do regime da junta” militar, acrescentou Sudarat Keyuraphan. O Pheu Thai é um partido próximo do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto num golpe em 2006 e actualmen-

te no exílio e cujos partidos políticos venceram todas as eleições realizadas desde 2001, graças às suas políticas sociais, mas que se opõe à elite de Banguecoque. O Anakot Mai (Novo Futuro), a terceira força mais votada no domingo, e cinco outros partidos - incluindo duas outras formações próximas de Shinawatra - juntaram-se ao Pheu Thai .

DO CONTRA

Embora a coligação antigovernamental criada ontem possa ter uma maioria de assentos na câmara baixa, a eleição do primeiro-ministro também dependerá do voto dos 250 membros do Senado,

escolhidos pela junta militar e que, em princípio, optarão pelo ex-general e primeiro-ministro Prayut Chan-ocha, autor do golpe de 2014 e candidato do partido Palang Pracharat. Diante do anúncio da coligação, o Palang Pracharat declarou que era seu o dever formar o novo Governo, já que teria obtido mais votos no último domingo. As tensões entre os dois lados ocorrem após a Comissão Eleitoral adiar na segunda-feira o anúncio dos resultados definitivos - depois de assegurar que o Pheu Thai é líder em número de assentos eleitos -, afirmando que pode anunciá-los até 9 de Maio.

Sudarat Keyuraphan, líder do partido Pheu Thai “É evidente que os partidos pró-democracia têm o mandato do povo nestas eleições e tentaremos impedir a continuação do regime da junta.”

TIBETE PEQUIM ENFATIZA PROGRESSO E CRITICA ANTIGOS DIRIGENTES

A

S autoridades chinesas responsáveis pelo Tibete, umas das regiões da China mais vulneráveis ao separatismo, elogiaram ontem o desenvolvimento do território, e acusaram a antiga classe dominante de manter o povo tibetano sob servidão feudal. Quando se celebram 60 anos desde uma frustrada

rebelião contra o domínio de Pequim, o vice-governador do Tibete Norbu Dondrup enfatizou o progresso na economia, saúde e educação desde 1959, e criticou o autoproclamado governo no exílio, estabelecido pelo líder político e espiritual dos tibetanos, o Dalai Lama. Dondrup falava à margem da apresentação de um

documento difundido pelo Conselho de Estado chinês, que acusa a antiga classe dominante do Tibete de manter o povo tibetano sob "servidão feudal através de uma teocracia". "Milhões de servos foram submetidos à exploração e opressão cruéis, até à reforma democrática de 1959", lê-se no documento, intitulado "Reforma

democrática no Tibete - Sessenta anos depois". "O controlo das mentes através da religião" era uma forma de supressão, considera o documento. O Dalai Lama, 83 anos, vive exilado na vizinha Índia, na sequência da frustrada rebelião de 1959. Dondrup negou que a cultura tradicional e a religião do Tibete estejam

a ser reprimidas, mas disse que a China actuaria contra a "interferência estrangeira". O vice-governador negou ainda a existência de qualquer apoio significativo para que o Tibete seja uma entidade política independente. "A questão da independência tibetana não existe", realçou.

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Hoje Macau 28 MAR 2019 #4257  

N.º 4257 de 28 de MAR de 2019

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