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MOP$10

TERÇA-FEIRA 28 DE NOVEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3944

hojemacau

SOFIA MARGARIDA MOTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOTORISTAS CONTRA ZHENG ANTING

Novos documentos lançam luz sobre o processo de transferência de soberania e mostram o espanto dos americanos com a falta de exigências dos portugueses. GRANDE PLANO

MALO CONTRA MALO GCS

ÚLTIMA

MAIS MIL AGENTES NA RUA ATÉ 2019 PUB

LAG SEGURANÇA | PÁGINAS 4-6

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PORTUGAL ´ SO QUERIA ENTREGAR MACAU EM 2004

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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POLÍTICA | PÁGINA 7


2 grande plano

28.11.2017 terça-feira

HISTÓRIA

Documentos oficiais revelados ontem pelo portal Hong Kong Free Press revelam que Portugal pretendia transferir a soberania de Macau em 2004 e não em 1999. O historiador Jorge Morbey acredita que essa seria uma “vontade pessoal” de Mário Soares, tendo em conta o processo da Fundação Oriente. Camões Tam, académico, questionou as fontes de Donald Tsang e David Akers-Jones

DOCUMENTO REFERE QUE PORTUGAL QUERIA TRANSFERIR MACAU SÓ EM 2004

E SO MAIS UM BOCADINHO... ´

M

UITO antes de se assinar a Declaração Conjunta Sino-Portuguesa, em 1987, Portugal e a China fizeram uma ronda de negociações para decidir as questões relacionadas com Macau. O modo como esse processo decorreu levou o então vice-secretário do governo britânico, Donald Tsang, a discutir o assunto durante um almoço com Barbra Schrage, do consulado-geral dos Estados Unidos em Hong Kong. Assinado pelo punho de Donald Tsang, ex-secretário das Finanças de Hong Kong, e datado de 1986, o documento que era confidencial fala deste episódio de uma alternativa à data da transferência da soberania de Macau. “Durante um almoço com Barbra Schrage conversámos sobre Macau. Schrage disse-me que estava entusiasmada pela forma como os portugueses levavam a cabo as negociações com os chineses. Uma curta agenda – a Igreja Católica, o estatuto dos macaenses com passaporte português e a data de 2004 em vez de 1999”, pode ler-se num dos dois documentos ontem divulgados pelo portal de notícias Hong Kong Free Press.

´

“Desde [as negociações de 1986] até 1987, quando a Declaração Conjunta foi assinada, as informações relativas a Macau ficaram seladas...esta informação tornada pública pode não ser válida, uma vez que não é informação em primeira mão.” CAMÕES TAM ACADÉMICO, AO HONG KONG FREE PRESS

sua fonte, mas ela falou com convicção”, escreveu Tsang. A data de 2004 surge num outro documento assinado por David Akers-Jones, governador de Hong Kong entre Dezembro de 1986 e Abril de 1987. “Uma fonte disse-me que teve um jantar com o presidente Mário Soares e que Portugal mantinha-se firme na data de 2004, tendo frisado as diferenças entre Hong Kong e Macau, nomeadamente quanto à localização dos funcionários públicos”, pode ler-se. Contudo, as autoridades chinesas mantinham-se firmes na

convicção de receber Macau antes de 2000, pois era o ano em que o Grupo de Ligação Sino-Britânico deixaria de operar. “[A China] afirma que seria muito difícil explicar a data de 2004 aos britânicos quando eles foram tão insistentes face a 1997.” Os documentos foram tornados públicos em Janeiro e Abril deste ano e estão disponíveis nos arquivos nacionais de Londres.

VONTADE DE SOARES?

Contactado pelo HM, o historiador Jorge Morbey considera que a data de 2004 seria uma vontade do pró-

prio presidente da República, Mário Soares. “Não tenho documentação, mas ouvi dizer que a data de 2004 se prende com a vontade pessoal de Mário Soares, [pois este] desejaria que todos os fundos destinados à Fundação Oriente (FO) saíssem de Macau e só depois é que deveria ser feita a transferência de soberania. Parece que houve uma intervenção pública de Mário Soares já depois de deixar a presidência, em que terá explicado isso, mas não assisti”, recordou. Ainda assim, “o que vislumbro em termos de negociações entre as partes é que a data de 1999 foi marcada de forma consensual entre Portugal e a China”, apontou Jorge Morbey. Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM) e, à data, secretário adjunto da Administração, Educação e Juventude do Governo de Rocha Vieira, afirmou que não confirma nem desmente esta versão dos acontecimentos.

EM PORTUGAL CABEM TODOS

Mas há mais. Segundo a missiva de Tsang, Portugal poderia ter aceite toda a população que Macau tivesse na altura, caso fosse pressionado para tal. “Os chineses terão, aparentemente, reforçado a sua presença em Macau colocando novas caras na [empresa] Nam Kwong. Schrage também afirmou que os portugueses, caso sejam pressionados, estarão preparados para admitir a totalidade da população de Macau, incluindo os que não são cidadãos portugueses, em Portugal! Não perguntei a Schrage a origem da

Cavaco Silva com Deng Xiaoping, em 1987

Carlos Monjardino, Stanley Ho e Mário Soares


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ma incorrecta, e David Akers-Jones pode ter ouvido mal”, rematou.

AS VÁRIAS DATAS

“Não confirmo, não sei, pode ter acontecido”, disse ao HM. “Tivemos 12 anos para fazer uma transição e, evidentemente, com mais tempo algumas das coisas que estavam a ser tratadas poderiam ter tido mais tempo para serem concluídas.” “O que ficou acordado foi que tínhamos 12 anos e durante esse tempo a transição foi considerada concluída, tivemos de concluir as várias tarefas que tínhamos em curso, como a formação de quadros, os arquivos, a localização de leis”, lembrou. Rangel acredita que “terão sido abordadas várias datas nas conversas”. “Depois de muitas

reuniões decidiu-se que seria no dia 20 de Dezembro de 1999. Não era a questão de Portugal querer uma data e a China querer outra. Esta data resultou de um acordo que foi conseguido no decurso das negociações.”

“PECADOS ORIGINAIS”

Há muito que a questão dos fundos financeiros entre Macau e Portugal é discutida e foi, aliás, abordada recentemente na biografia de Jorge Sampaio, presidente da República portuguesa em 1999, em que este afirmou estar contra a criação da Fundação Jorge Álvares. Esta acabaria por ser constituída a dias da transição.

Rocha Vieira e a bandeira, em 20 de Dezembro de 1999

Jorge Morbey recorda que “em matéria de fundações, quer a FO, quer a Fundação Jorge Álvares têm pecados originais muito graves”. “Julgo que quando se mete na política interesses de grupos ou negócios as coisas não podem ficar certas. O aparecimento da FO foi algo que perturbou bastante as relações entre Portugal e a China. Na visita que Mário Soares fez à China, nos anos 90, a China não aceitava que o presidente da FO [Carlos Monjardino] fosse na comitiva.” Contudo, Monjardino acabou por embarcar no avião. “Não sei que voltas houve na altura, tenho ideia que o embaixador de Portugal em Pequim se terá portado muito mal nos diálogos que teve com a parte chinesa.” Para o historiador, a dar aulas na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, o processo de entrega de Macau à China “não é coisa de que Portugal se deva orgulhar muito”. “Foi a sabedoria milenar da China que nos levou a portarmo-nos bem na questão da transferência de soberania de Macau, embora tenham sido criadas fundações de uma forma menos ortodoxa”, defendeu. “Feitas as contas, e a esta distância, não valeu a pena esse grão de areia nas relações entre Portugal e a China, tendo em conta aquilo que a FO fez e faz por Macau. Também me parece que houve uma certa imprudência na criação da Fundação Jorge Álvares, a dias de Portugal

transferir a soberania”, acrescentou o académico.

A VISÃO DE CAMÕES TAM

Em declarações ao Hong Kong Free Press, o académico Camões Tam, que escreveu a sua tese de doutoramento sobre a transição de Macau, disse que Portugal apenas levantou a possibilidade da transferência se fazer em 2007, “uma vez que se celebravam o 450º aniversário da presença portuguesa”, lê-se na notícia. “Desde [as negociações de 1986] até 1987, quando a Declaração Conjunta foi assinada, as

Além de 2007, terão sido discutidas várias outras possibilidades. Camões Tam referiu ao Hong Kong Free Press que os chineses queriam que a transição de Macau se fizesse em 1997, tal como Hong Kong, mas os portugueses recusaram. “Portugal disse que nunca invadiu a China, que pagaram uma renda anual e que tentaram devolver Macau duas vezes mas que nunca foi aceite. Eles teriam devolvido a soberania de Macau logo em 1985, quando as negociações começaram, mas isso assustou o lado dos chineses”, explicou Tam. Morbey recorda que o presidente da República Ramalho Eanes, numa visita à China nesse ano, terá lançado os dados mais depressa do que os chineses esperavam. “A China contava que, no seu devido tempo, iriam colocar a questão de Macau na agenda para ser negociada.” Camões Tam adiantou também que Portugal tentou devolver o território em 1975 e 1977, após a revolução do 25 de Abril, uma tese também defendida por Jorge Morbey. O que falhou? A existência de quezílias políticas. “É preciso ter em conta de que o Partido Comunista Português (PCP) era de obediência soviética, e o comunismo chinês era alérgico ao comunismo soviético do tempo de Estaline. A última coisa que o Partido Comunista Chinês queria para Macau era negociar com o PCP. Isso complicava bastante o programa do doutor Cunhal”, concluiu Morbey. Num país que, após o 25 de Abril, “parecia um manicómio sem psiquiatras”, as colónias portuguesas, como Cabo Verde,Angola ou Guiné-Bissau “foram sendo entregues aos partidos apoiados pela URSS”. Em Macau, assinou-se o Estatuto Orgânico, ainda o Conselho da Revolução governava em Portugal, e prolongou-se a transição. “Garcia Leandro fez o que pôde para equilibrar a situação

“Schrage estava entusiasmada pela forma como os portugueses levavam a cabo as negociações com os chineses. Uma curta agenda – a Igreja Católica, o estatuto dos macaenses com passaporte português e a data de 2004 em vez de 1999.” DONALD TSANG NO DOCUMENTO POR SI ASSINADO

informações relativas a Macau ficaram seladas...esta informação tornada pública pode não ser válida, uma vez que não é informação em primeira mão”, apontou. Camões Tam lembrou que os funcionários do consulado-geral dos Estados Unidos em Hong Kong não dominavam o português nem o cantonês, o que os pode ter levado a erradas interpretações. “Donald Tsang pode ter citado fontes de for-

em Macau. Esse estatuto foi o empenho de Garcia Leandro.” Finalmente, a cerimónia de transferência de soberania de Macau realizou-se no dia do último solstício do milénio. Se é que isso quer dizer alguma coisa. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 LAG SEGURANÇA

GCS

SÓNIA CHAN JÁ TEM NA GAVETA LEI DOS CRIMES CIBERNÉTICOS

28.11.2017 terça-feira

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GCS

regime legal que irá reger a criminalidade cibernética já está na mesa da secretária para a Justiça, Sónia Chan. Quem o confirmou foi o Wong Sio Chak, que acrescentou que para “combater a criminalidade informática, para além do agravamento das penas, os crimes foram classificados como semi-públicos”. A distinção possibilita que as autoridades de investigação passem a poder iniciar um processo crime sem necessidade de apresentação de queixa por parte de um lesado. Angela Leong interrogou ainda o secretário para a Segurança sobre a criação do centro de cibersegurança e quantas pessoas serão recrutadas para trabalhar nesse organismo. Uma pergunta que ficou sem resposta. Foi ainda perguntado a Wong Sio Chak os contornos da criação da rede de vigilância CCTV, assim como a criação de uma base de dados para identificar criminosos. Neste aspecto, Macau irá passar para a terceira fase de instalação da CCTV, sem haver novidades quanto à velocidade de implementação do sistema. No capítulo da vigilância através de filmagens, Lam Lon Wai destacou a previsível eficácia da rede, mas deixou um alerta para a possibilidade da instalação de câmaras violar a privacidade das pessoas. Além disso, o deputado é da opinião que o sistema CCTV é muito caro para os cofres públicos. No que diz respeito à política quadro da “Cidade Segura”, inscrita nas LAG 2018, Wong Sio Chak adianta que ainda é cedo para especificar propostas nesta matéria. O secretário vincou que a sua aposta é “combater as organizações secretas e os crimes graves como homicídios e fogo posto”. Numa nota que motivou alguma perplexidade, Wong Sio Chak mencionou os avanços tecnológicos na área da inteligência artificial e como podem ser aproveitados para atendimento de chamadas telefónicas em casos de emergência. J.L.

NOVA DIRECÇÃO DE PROTECÇÃO CIVIL E TECNOLOGIA NO DEBATE DA SEGURANÇA

Conselhos para todos

O primeiro dia da discussão no hemiciclo da Linhas de Acção Governativa para a Segurança foi marcado pela falta de definição da nova Direcção de Protecção Civil e de Coordenação de Contingência. Wong Sio Chak admitiu também o investimento num armazém na China Interior para armazenar material da protecção civil. Paternalista, o secretário ousou criticar a postura de alguns cidadãos quando é içado o sinal 8

D

EPOIS de rasgados elogios de vários deputados à resposta das forças de segurança na resposta dada no socorro prestado às vítimas do tufão Hato, as questões focaram-se na nova

Direcção de Protecção Civil e de Coordenação de Contingência (DPCCC). Além disso, o secretário para a Segurança reiterou uma ideia já expressa de alterar a lógica de policiamento na direcção da pro-actividade, da prevenção e da

vigilância através de CCTV e mega-dados. O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, começou por dizer que além do Governo precisar se reajustar e aprender as lições da calamidade, também a população tem de rever a sua postura. “Quan-

do é içado o sinal 8 de tufão as pessoas ficam contentes, porque não têm de ir trabalhar, podem ficar em casa, vão passear e jogar Mahjong”, comentou. Lam Iok Fong começou por interrogar o representante do Governo como será estabelecido e


LAG 5

terça-feira 28.11.2017

Tufão Chan Iek Lap pede blindados para transportes de emergências

Num dos momentos mais inusitados da discussão das Linhas de Acção Governativas da área da segurança, Chan Iek Lap sugeriu a aquisição de dez veículos blindados para proceder a transporte de emergência entre a Taipa e Macau. O deputado referiu que vê a Ponte Sai Van da sua casa e que muitas vezes esta ponte se encontra aberta durante os tufões de sinal 8. “Se houver uma urgência hospitalar, ou uma situação em que é necessário reparar instalações de telecomunicações danificadas, estes veículos seriam úteis”, sugere Chan Iek Lap. Em primeiro lugar, Wong Sio Chak admitiu que Macau já tem carros blindados, mas que com ventos com rajadas de mais de 200 km por hora, mesmo estes veículos enfrentam perigo na travessia da fronteira. Além disso, “veículos blindados, ou carros militares, vão assustar as pessoas”, comentou o secretário para a Segurança.

IMIGRAÇÃO DEPUTADOS QUESTIONAM SECRETÁRIO SOBRE INSPECÇÃO A ILEGAIS

E instalado a nova direcção e quais as funções que terá no futuro. O deputado ainda perguntou ao secretário para a Segurança quais os equipamentos de resgate e salvamento que esta entidade terá a seu cargo. Como alguns parques de estacionamento ficaram alagados, Lam Iok Fong questionou se haveria falta de bombas de água para resolver estes casos. No que toca a estas questões directas, Wong Sio Chak não revelou muito, mas admitiu que o Hato demonstrou as insuficiências de resposta por parte do Governo, uma posição relativamente consensual na Assembleia Legislativa (AL). “Em termos de protecção civil, cada organismo está a tratar do seu quintal, sem grande coordenação”, explica do secretário para a Segurança. Wong Sio Chak revela que a DPCCC terá dois departamentos. Um destinado a ser o centro de decisão de acompanhamento da catástrofe

e um outro departamento terá como competência a educação e sensibilização dos residentes para prevenir danos maiores. Wong Sio Chak diz que ainda não tem uma ideia da quantidade

No que toca a estas questões directas, Wong Sio Chak não revelou muito, mas admitiu que o Hato demonstrou as insuficiências de resposta por parte do Governo

de pessoal que a criação do novo o DPCCC exigirá.

ARMAZÉM CHINÊS

Depois de realçar a severidade do Hato, Wong Sio Chak vincou que o mecanismo de responsabilização para má gestão e incompetências nestes casos deixa a desejar. Além disso, a resposta também mereceu largas críticas de todos os quadrantes. É aí que chega o DPCCC, organismo para o qual o secretário para a Segurança admitiu ter tido a colaboração de um grupo de peritos da China Continental. As menções ao Interior da China não se ficaram por aqui, tendo sido equacionada a hipótese de localizar um armazém para a protecção civil em solo chinês continental. Wong Sio Chak considera uma boa ideia, apesar de ter revelado que o Corpo de Bombeiros de Macau já arranjou um sítio para apoio logístico nas Ilhas. “Há

“Quando é içado o sinal 8 de tufão as pessoas ficam contentes, porque não têm de ir trabalhar, podem ficar em casa, vão passear e jogar Mahjong.” WONG SIO CHAK SECRETÁRIO PARA A SEGURANÇA

mercadorias e produtos que temos de armazenar tanto além fronteiras, como em Macau, tem de haver complementaridade entre as duas partes através de um mecanismo de troca de produtos”, explica Wong Sio Chak. A possibilidade deverá entrar no âmbito do projecto de construção da Grande Baía. João Luz

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LLA Lei começou por abordar o aumento do número de trabalhadores em situação de ilegalidade no território. Questão também abordada pela seu companheiro de bancada, Leong Sun Iok. Além disso, a deputada levantou a questão dos trabalhadores não residentes que compram uma quota de Bluecard para entrarem no território. Foi sugerido, e admitido pelo secretário para a Segurança que podem ter havido fugas de informação antes de fiscalizações a locais de trabalho onde se suspeita que laborem trabalhadores em situação ilegal. Em particular, em estaleiros de obras de construção. Wong Sio Chak foi confrontado com a possibilidade dos números providenciados pelo Governo quanto à imigração ilegal não baterem com a realidade. Leong Sun Iok levantou a possibilidade de “as operações poderem ocorrer também durante as férias de alguns trabalhadores”. O secretário para a Segurança explicou que com o crescimento económico a entrada no território tornou-se mais apetecível. Neste aspecto, os membros do Governo revelarem que entre Janeiro e Setembro deste ano foram feitas 3529 operações de fiscalização, tendo sido detidos 330 trabalhadores em situação ilegal e movidos processos contra 93 empregadores. Foi ainda revelado que os fiscais não podem levar telemóveis para as operações de fiscalização.


6 LAG SEGURANÇA

28.11.2017 terça-feira

No final deste ano SEGUNDA FASE DA NOVA PRISÃO SÓ ESTARÁ CONCLUÍDA EM 2019 estava previsto a conclusão da quarta fase de construção do novo Estabelecimento Prisional de Macau. Wong Sio Chak revelou que a segunda fase não estará concluída antes de 2019. Além disso, o secretário para a Segurança anúncio motivou clusão prevista para 2019. É não quis adiantar muito, apeEnquanto a lotação máadiantou que gargalhadas nas de salientar que a nova prisão nas que não haverá concurso xima do Estabelecimento bancadas da As- estava prevista começar o público por questões de segu- Prisional de Coloane se haverá reforço sembleia Legisla- seu funcionamento quando rança. O membro do Governo aproxima do limite, activa e entre alguns o Metro Ligeiro estivesse entende que a adjudicação tualmente albergando 1306 dos quadros de deputados: A se- pronto. directa é mais fiável no sen- reclusos tendo capacidade fase de construção Em resposta à questão tido de manter o sigilo acerca para 1350, um novo equipapessoal das forças gunda do novo Estabelecimento de Wong Kit Cheng sobre a dos detalhes de segurança do mento é fundamental para a de segurança Prisional de Macau tem con- terceira fase, Wong Sio Chak novo estabelecimento. administração da justiça no

Prisão adiada

O

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Execução Ordinário n.º

HM • 2ª VEZ • 28-11-17

HM • 2ª VEZ • 28-11-17

ANÚNCIO

ANÚNCIO

CV3-16-0114-CEO

3º Juízo Cível

Exequente: Long a Promotor de Jogo Sociedade Unipessoal Limitada, com sede em Macau, na Rua do Mercado de Iao Hon, nº 206, Edf. Mei Lin, Bloco 4, 5º andar E. Executado: Wong Im Kuai, residente em Macau, na Rua do Comandante João Belo, nº 51, Jardim Tou Pou, Edf. Choi Pou, 22º andar L. *** Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos da executada para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Denominação: “L22”, do 22º andar “L”. Situação: Rua do Comandante João Belo, Bairro Fai Chi Kei, nºs 3 a 125, Avenida do General Castelo Branco, nºs 25 a 39 e Rua do General Ivens Ferraz, Bairro Fai Chi Kei, nºs 4 a 88. Fim: Para habitação. Número de matriz: 071884. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21833 a fls. 160v. do Livro B99. Macau, 07 de Novembro de 2017.

Proc. Acção Ordinária n.º

CV2-17-0066-CAO

2º Juízo Cível

ADAM KWOK FUNG CHENG, solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, com residência em Macau na Estrada de D. Maria II, nº 26. CHENG KWOK LEUNG, solteiro, maior, de nacionalidade americana, ora em parte incerta. *** Faz saber que, por este Juízo, correm éditos de 30 (TRINTA) DIAS, contados da segunda e última publicação deste anúncio, citando o réu CHENG KWOK LEUNG, para, no prazo de 30 (TRINTA DIAS), findo dos éditos, contestar a acção supra identificada, instaurada pelos fundamentos constantes da petição inicial que se encontra à disposição do citando neste Juízo, cujo pedido resumidamente consiste que: ser o Autor declarado, para todos os efeitos legais, nomeadamente os de registo, como proprietário de 3/80 (três oitenta avos) inscritos em nome de CHENG CHO LAM, conforme inscrição nº 1625, a fls. 67v do Livro F23A do prédio urbano, sito no nº 26 da Estrada de D. Maria II, descrito na Conservatória do Registo Predial sob o nº 21065, a fls. 32v do Livro B47, composto por um edifício com Cave, Rés-dochão e 1º andar, inscrito na matriz predial sob o nº 36884, com o valor de mercado de MOP$3,600,000.00 (Três Milhões, Seiscentas Mil Patacas), por os haver adquirido por usucapião. A falta de contestação no dito prazo não implica serem considerados reconhecidos os factos alegados pelo autor, e o processo segue com os ulteriores termos até final à sua revelia. A constituição de advogado é obrigatória caso seja contestar (nos termos do art.º 74º do C.P.C.M.). A petição inicial encontra-se à disposição do citando neste Juízo nas horas normais de expediente. Macau, aos 20 de Novembro de 2017. ***** AUTOR: RÉU:

território. Wong Sio Chak voltou a culpar os vários tufões que assolaram a região e condições do solo para justificar os atrasos da obra. A nova prisão começou a ser construída em 2011, sendo que a primeira fase foi concluída apenas no ano passado, com um custo de 150 milhões de patacas, uma fase que levantou polémica depois do subempreiteiro ter acusado o Governo de falta de pagamento. Quanto à segunda fase, teve início há mais de um ano e meio, com um orçamento a rondar as mil patacas e uma duração de quase três anos. Os deputados Ella Lei, Leong Sun Iok e Angela Leong questionaram ainda o secretário acerca da possibilidade de construção de dormitórios para os agentes das forças de segurança. Angela Leong chegou mesmo a sugerir os novos aterros como possibilidade para a construção do equipamento, mas a questão que ficou sem resposta concreta.

MAIS POLÍCIAS

Face às questões de vários deputados sobre se os quadros das várias forças de segurança têm capacidade para responder aos novos desafios que Macau enfrentará,

Wong Sio Chak apontou um reforço progressivo do pessoal, que deve chegar aos mil efectivos em 2019. O secretário para a Segurança explicou que, paulatinamente, Macau tem acrescentado cerca de uma centena de efectivos às várias forças de segurança, “em especial nos quadros da Polícia de Segurança Pública”. “Neste ano tivemos 598 efectivos novos e saíram dos quadros 254”, revelou o secretário. No próximo ano, o número de efectivos deverá ser de 649 agentes e mil em 2019, “para a manutenção da segurança e trabalho de fronteiras”. Wong Sio Chak lembrou que actualmente está em curso o recrutamento de 302 efectivos, mas que este é um processo moroso que pode chegar até dois anos. Quanto à progressão na carreira, Chen Iek Lap começou por criticar o estatuto das forças militarizadas, considerando-o “muito desactualizado e com capacidade para afectar a sociedade”. O deputado que depois de recolher opiniões de profissionais da área, que deveria ser criada a carreira de chefe superior, “uma medida que uma reacção forte do pessoal de alfândega”.

Wong Sio Chak anunciou que a segunda fase de construção do novo Estabelecimento Prisional de Macau tem conclusão prevista para 2019, motivando gargalhadas no plenário Nesse sentido, Wong Sio Chak explicou que será estabelecida intercomunicação entre diversas carreiras “para que os agentes com capacidades sejam promovidos, mas é impossível promover toda a gente, é algo que não cabe na cabeça de ninguém”. João Luz

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política 7

terça-feira 28.11.2017

CERCA DE 50 CONDUTORES MANIFESTARAM-SE CONTRA NÚMERO DOIS DE MAK SOI KUN

O barulho dos inocentes

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ERCA de 50 condutores deslocaram-se, ontem, ao gabinete do deputado Zheng Anting, numa manifestação contra as declarações do membro da Assembleia Legislativa. Na semana passada, durante o debate das Linhas de Acção Governativa para a área da Economia e Finanças, o legislador ligado à Associação dos Conterrâneos de Jiangmen defendeu a abertura da profissão a trabalhadores não-residentes, argumentado que os locais não aceitavam empregos no sector, nem por 40 mil patacas por mês. Ontem, entre os gritos dos manifestantes, Zheng Anting ouviu insultos e pedidos para que se dedicasse à agricultura, expressão idiomática cantonesa equivalente à reforma. A dimensão da manifestação levou mesmo a que o presidente da Associação Geral dos Empregados do Ramo de Transportes de Macau, Tong Chak Sam, fosse ao local para tentar serenar os ânimos. “Os motoristas ouviram que o deputado ia estar hoje [ontem] no gabinete e foram procurar um emprego onde pudessem ganhar 40 mil patacas por mês. Foi essa a intenção do protesto”, disse Tong Chak Sam, ao HM. “Não acreditamos que essas propostas de 40 mil patacas por mês sejam verdade, mas se forem, vou deixar a empresa onde trabalho por essa, que oferece as 40 mil patacas”, acrescentou o presidente da associação local. Tong Chak Sam sublinhou ainda que as declarações de Zheng

HOJE MACAU

Zheng Anting afirmou que empresas locais não conseguiam contratar motoristas, apesar de oferecerem 40 mil patacas por mês, e um grupo de condutores apareceu-lhe no escritório a pedir emprego

centração junto a um dos escritórios da FAOM, federação à qual a Associação Geral dos Empregados do Ramo de Transportes de Macau também pertence. No entanto, a deputada ligada à FAOM, Ella Lei, negou esse cenário, frisando que a manifestação partiu dos demonstrantes: “Foi organizada pelos motoristas, de forma espontânea. Como não estive lá também não quero fazer grandes comentários sobre o assunto”, afirmou a deputado, em declarações ao HM. “Também só tive conhecimentos do protesto através dos motoristas. Segundo percebi, eles é que se organizaram e sabem o que aconteceu”, acrescentou.

Horas após a iniciativa do grupo de condutores, começou a circular a informação de que a manifestação teria tido o apoio da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM)

Anting foram prestadas com a intenção de fazer com que as empresas possam importar trabalhadores não-residentes, para desempenharem as tarefas de motoristas.

DITO POR NÃO DITO

Durante o protesto, Zheng Anting abordou a situação perante os jornalistas, ao mesmo tempo que era apupado por alguns condutores. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o número dois de Mak Soi Kun aproveitou a ocasião para

sublinhar que não pretendia que as empresas pudessem importar trabalhadores não-residentes. Contudo, na quinta-feira passada, na AL, essa tinha sido uma das hipóteses abordados pelo legislador ligado a Jiangmen. Zheng Anting deixou também um ataque ao Governo, que acusou de não fazer o suficiente para que trabalhadores e empresas possam ver as suas pretensões satisfeitas. Finalmente, o deputado prometeu ajudar os 34 motoristas que

lhe pediram auxílio a encontrarem um emprego, junto da empresa que alegadamente não conseguiu contratar locais por 40 mil patacas.

GUERRA DE ASSOCIAÇÕES?

Horas após a iniciativa do grupo de condutores, começou a circular a informação de que a manifestação teria tido o apoio da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Segundo as informações que circularam, os manifestantes teriam feito a con-

A versão da deputada foi apoiada por Tong Chak Sam, que negou ainda que a organização do evento tivesse partido da Associação Geral dos Empregados do Ramo de Transportes de Macau. “Os motoristas é que se organizaram. A nossa associação teve conhecimento do protesto e decidiu deslocar-se ao local para apelar aos condutores que mantivesse a calma e não estivesse agitados”, afirmou Tong, ao HM. Zheng Anting foi eleito como número dois da lista de Mak Soi Kun, o grande vencedores das eleições legislativas de Outubro. Vitor Ng e João Santos Filipe joaof@hojemacau.com.mo

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A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) realiza esta sexta-feira e sábado acções de recrutamento de motoristas de transportes ligeiros de mercadorias, das 10h00 às 18h00, no Centro de Formação de Segurança e Saúde Ocupacional da DSAL. Segundo um comunicado, “o objectivo destas acções de recrutamento é proporcionar a empregadores e trabalhadores uma plataforma de recrutamento aberto para motoristas de transportes ligeiros de mercadorias, com o intuito de ajudar motoristas desempregados e pequenas e médias empresas na resolução das suas questões de emprego e de recursos humanos”. Estão disponíveis 300 vagas.

TIAGO ALCÂNTARA

DSAL Recrutamento de motoristas esta semana

ON MY WAY – SERVIÇOS DE CONSULTORIA, LDA. Alameda Dr. Carlos D´Assumpção, n.ºs 411-417, Edifício Dynasty Plaza, 15.º andar D-H. Macau Para os devidos efeitos legais, anuncia-se que, por deliberação da Assembleia Geral extraordinária realizada em 25 de Outubro de 2017, foi decidido, por unanimidade, dissolver e encerrar a liquidação, com efeitos a partir da referida data, tendo o respectivo registo sido requerido em 9 de Novembro de 2017, da sociedade comercial por quotas denominada ON MY WAY – SERVIÇOS DE CONSULTORIA, LDA., com sede na morada supra e registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.º 49381.


8 sociedade

28.11.2017 terça-feira

LUSOFONIA PRIMEIRA CIMEIRA DE THINK-TANKS DECORREU ONTEM EM MACAU

Quanto mais se pensar, melhor política “Uma Faixa, Uma Rota”, avançou Frederico Ma, director da comissão de investigação estratégica da Associação Comercial. A importância de Macau foi reiterada pelo vice-director da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Económica do Ministério do Comércio da China, Li Gang. “Acredito que esta cimeira vai, de certeza, fomentar a integração de Macau no desenvolvimento do país e vai impulsionar a implementação das novas medidas mencionadas pelo primeiro-ministro Li Keqiang na 5ª conferência ministerial do fórum para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa”, começou por dizer, no encontro de ontem. Li Gang recordou que desde a transferência de administração, o Governo Central presta especial atenção a Macau tendo em conta a “sua função de meio para desenvolver a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa.”

Está criado o Think-Tank responsável pela investigação e produção de estratégias que incrementem as relações comerciais entre a China e os países de língua portuguesa. A primeira cimeira do organismo teve lugar ontem na RAEM

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ECORREU ontem a primeira cimeira de Think-Tanks da China e dos países de língua portuguesa. O encontro de partilha de ideias e conhecimento estreou-se em Macau e pretende assegurar uma rede de conhecimento e investigação estratégica para o desenvolvimento das relações económicas entre o continente e os países lusófonos. A ideia é juntar 18 Think-Thanks onde se incluem empresários e académicos da China Continental e dos países de língua portuguesa. O objectivo é “criar activamente propostas para aprofundar o entendimento mútuo entre os povos, aumentar a cooperação

pragmática e promover as relações entre a China e os países lusófonos, além de oferecer a garantia para a ampliação dos intercâmbios, o reforço da construção institucional, o aumento do investimento

de recursos e o aprofundamento dos estados”, lê-se no protocolo da cimeira de ontem. A iniciativa é mais uma forma de concretização da RAEM enquanto plataforma e membro activo da

UMA NOVA ERA PARA MACAU

O mesmo responsável lembrou ainda que, em 2003, foi criada a plataforma no território, e considera que o seu funcionamento tem sido de sucesso. No entanto os tempos são outros e a cooperação de Macau está, agora , a entrar numa nova era de desenvolvimento, considerou. Com esta nova tendência “é necessário reconhecer a situação de Macau, assim como as suas condições de desenvolvimento e a relação interactiva com o mundo e com o interior da China, a fim de utilizar as suas vantagens especiais

MIGUEL FRASQUILHO CIMEIRA PARA “DESBRAVAR TERRENOS”

“M

ais um passo para o relacionamento privilegiado entre a China e os países de língua portuguesa”. Foi assim que o presidente do conselho de administração da TAP e ex-presidente da AICEP, Miguel Frasquilho classificou a primeira cimeira de Think-Tanks da China e dos

países lusófonos que decorreu ontem no território. Para o responsável, trata-se de uma iniciativa que “permite desbravar terrenos e apontar caminhos e ideias que de outra forma não poderiam acontecer”. O facto de Macau ter sido escolhido como o anfitrião da estreia do evento é re-

levante até porque o território tem integrado uma estratégia de plataforma entre as partes envolvidas, considerou. No entanto, a concretização do território como plataforma tem de ser construída com tempo. “Macau enquanto plataforma é uma estratégia ainda com poucos anos de

vida, e tem vindo a ser cada vez mais operacionalizada com pequenos passos e com encontros com uma frequência cada vez maior”, referiu Miguel Frasquilho ao HM. “Temos aqui uma iniciativa que nunca tinha sido feita e é mais um passo que cimenta esta proximidade”, rematou.

para acompanhar o desenvolvimento do continente, fomentar a construção de “Um Centro, Uma Plataforma” e aumentar a capacidade de desenvolvimento sustentável de Macau.  

“Acredito que esta cimeira vai fomentar a integração de Macau no desenvolvimento do país e impulsionar a implementação das novas medidas mencionadas pelo primeiro-ministro Li Keqiang na 5ª conferência ministerial do Fórum” LI GANG, VICE-DIRECTOR DA ACADEMIA CHINESA DE COMÉRCIO INTERNACIONAL

Li Gang espera ainda que, com a cooperação contínua entre a Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Económica, que é um dos Think-Tanks de ponta da China, e a Associação Comercial de Macau, seja fomentado um desenvolvimento profundo da cooperação económica e comercial com os países lusófonos e seja impulsionada a criação da plataforma luso-chinesa em Macau, até porque “esta é a primeira vez que os vários Think Tanks se juntam para discutir o reforço da cooperação comercial e económica sob a nova tendência de globalização e do contexto da política “Uma Faixa, Uma Rota”.” Já para Frederico Ma, a prioridade, neste momento é fortalecer a rede que está a ser criada, sendo que está agendado já o lançamento de um livro com os contributos desta primeira cimeira e a construção de uma plataforma online que reúna os dados comerciais dos países envolvidos. O obejctivo, disse ao HM, “é conseguir recolher mais ideias e promover a associação de mais grupos de pensamento”. Sofia Margarida Mota (com Vitor Ng) sofia.mota@hojemacau.com.mo


sociedade 9

terça-feira 28.11.2017

METRO GOVERNO PROMETE NÃO DESISTIR DO SEGMENTO DE MACAU

O Luxe Holdings Sobrinho de Edmund Ho assume presidência

Eric Ho Fung Fung, sobrinho de Edmund Ho, foi promovido a presidente da empresa de jóias O Luxe Holdings. A decisão foi tomada na sexta-feira e anunciada, ontem, num comunicado à Bolsa de Hong Kong. Além disso, Eric Ho, de 40 anos, foi igualmente escolhido para o cargo presidente da comissão de nomeações da empresa. Pelo desempenho dos dois cargos, o sobrinho de Edmundo Hu vai receber um salário anual de 1,2 milhões de dólares de Hong Kong. Antes da promoção, Eric Ho já desempenhava o cargo de vice-presidente, posição que tinha assumido em Novembro do ano passado. Eric Ho é irmão de Kevin Ho, que se tornou recentemente um dos principais accionistas do grupo Global Media, detentor de títulos como Diário de Notícias e Jornal de Notícias, através da empresa KNJ Investments.

Atestados Centros de Saúde terão falsificado assinatura de jovens médicos

Pelo menos três dos jovens médicos acusados de falsificar atestados afirmam estar inocentes. A ideia foi deixada pelo deputado Chan Iek Lap ao jornal Ou Mun. De acordo com Chan Iek Lap, houve centros de saúde que lhes pediram que solicitassem às autoridades 40 cadernos de formulários M7 (atestados médicos). Terá sido com estes formulários que foram passados atestados médicos falsos a várias pessoas, tendo sido falsificado o carimbo e a assinatura dos referidos médicos. O caso foi descoberto através de queixas provenientes de operadoras de jogo que verificaram que alguns dos seus funcionários iam frequentemente ao mesmo centro de saúde de onde traziam os respectivos atestados médicos. Depois da investigação levada a cabo pelos Serviços de Saúde (SS), em que os médicos acusados afirmaram não ter passado os atestados, foi ainda apurado que as assinaturas desses documentos eram falsas. Para Chan Iek Lap trata-se de uma situação grave que vem chamar a atenção para falhas no sector da saúde. De acordo com o deputado, é necessário fazer cumprir a lei dentro dos centros de saúde e formar os jovens médicos para situações em que possam estar a ser enganados.

Promessas no ar

Lei Chan Tong, director do Gabinete de Infra-estruturas de Transportes, disse ontem no programa matinal do canal chinês da Rádio Macau que o Governo não vai desistir do segmento de Macau do metro ligeiro

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A Taipa começa a circular em 2019, em Macau não se sabe, mas vai circular. A certeza de que a península vai ter o sistema de transporte de metro ligeiro foi dada ontem no programa matinal do canal chinês da Rádio Macau, Ou Mun Tin Toi. Lei Chan Tong garantiu que o Executivo não vai desistir de construir o segmento do metro ligeiro na península, apesar de ainda não ter sido avançado qualquer calendário. Além disso, o responsável do GIT acrescentou que o segmento da Taipa começa a ser sujeitos a testes de circulação já a partir de Janeiro. A forma como o metro ligeiro vai circular na península tem sido alvo de um intenso debate. Num plenário da Assembleia Legislativa, os deputados Kou Hoi In, Cheang Chi Keong e Chui Sai Cheong chegaram a defender que não vale a pena avançar com o metro em Macau: basta fazer a ligação entre a Taipa e a estação da Barra. Os tribunos sustentaram a teoria com a morosidade e transtorno causados pela construção do projecto. “As obras do traçado do metro ligeiro da Taipa são lentas e a população tem de tolerar, mais três anos, um período negro de trânsito”, salientaram. “Se a mesma situação acontecer na península de Macau, é de crer que serão mais graves os congestionamentos de transeuntes e de carros.” Vai daí,

os deputados afirmam que “não vale a pena a construção [do metro] na península de Macau e basta ligar o troço da Taipa à estação da Barra”, sendo que pedem ao Governo que “pondere com cautela” a sugestão deixada. Kou Hoi In, Cheang Chi Keong e Chui Sai Cheong deixam uma alternativa para a península, para que o trânsito possa ser “melhorado com urgência”: “Macau pode aproveitar as vantagens costeiras e tornar a Barra como centro, construindo à beira-mar na península uma ‘via circular exterior’”. Esta opção iria permitir, para os deputados, fazer a triagem de veículos para várias zonas, aliviando a pressão do trânsito no centro da cidade. Depois, e seguindo a mesma lógica de aproveitamento da linha costeira, os três membros da AL – todos eles com ligações ao sector da construção – propõem que se faça um monocarril. Os deputados deixam uma noção do que poderia acontecer: “Os

vagões podem percorrer, continuamente, a ferrovia em torno da cidade, permitindo aos cidadãos chegarem da circular exterior a várias zonas da península de Macau”.

UM MONOCARRIL

No mesmo debate, os três deputados chegaram a defender a construção de um monocarril, sempre tendo em vista o aproveitamento da zona costeira junto à Barra. “Os vagões podem percorrer, continuamente, a ferrovia em torno da cidade, permitindo aos cidadãos chegarem da circular exterior a várias zonas da península de Macau”, apontaram os deputados no hemiciclo. Além da contribuição para a resolução do problema do trânsito, Kou Hoi In, Cheang Chi Keong e Chui Sai Cheong encontraram nesta ideia mais uma atracção turística, pois poderia servir de “carril de excursão em torno da península”.

Mete nojo ou talvez não Saída de Wei Zhao alvo de investigação

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Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) está a investigar o processo de rescisão do contrato com Wei Zhao, reitor da Universidade de Macau, a pedido do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Ontem, à margem da inauguração de uma creche,

Alexis Tam garantiu que o GAES vai tentar perceber se houve algum incumprimento no processo da saída do reitor, que vai assumir o cargo de director da área de investigação da Universidade Americana de Sharjah. De acordo com o secretário, a investigação vai resultar num relatório

conjunto do Conselho da Universidade de Macau e do GAES, que vai ser publicado assim que estiver terminado. A polémica surgiu na semana passada, depois do conselho da UM ter recebido uma queixa pelo facto de Wei Zhao não ir cumprir um período de

Creches Celeste Vong garante subida de vagas

A presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Celeste Vong, assegurou que já está feito o plano quinquenal referente aos serviços de creches. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a responsável afirmou ainda que até à implementação do plano, o IAS vai dar prioridade a medidas complementares que visam garantir vagas para todas as crianças de dois anos. Celeste Vong referiu que vai proceder à implementação, de forma ordenada, das políticas que visam dar prioridade às crianças das famílias mais vulneráveis. O número de cresches em Macau é neste momento 54 e estão prontas a acolher 10 mil crianças, sendo que a presidente do IAS estima que com a abertura prevista de quatro novos estabelecimentos as vagas ascendam às 11 mil, o que representa metade das crianças entre os 0 e 3 anos.

Sida Escolhidas associações para programa de subsídios

A Caritas e o projecto Be Cool, da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau, foram duas das 15 das entidades escolhidas para receber subsídios do Governo no âmbito do “programa de apoio subsidiário para a educação sobre a Sida” relativo a este ano. Segundo um comunicado, o objectivo do financiamento destes projectos visa “aumentar os conhecimentos da sociedade sobre a Sida, mobilizar a comunidade para as questões da prevenção e sensibilização sobre os cuidados a prestar aos pacientes, assim como estimular as associações de diversos sectores de Macau para planear e promover as acções de divulgação e educação”.

nojo de seis meses entre a mudança de cargos. Posteriormente, em resposta à queixa, a UM explicou que Wei Zhao actuou dentro da legalidade, uma vez que os estatutos internos não impõem um período de nojo. Mesmo assim, o GAES vai analisar a situação. Também ontem, Alexis Tam abordou o caso da grávida que se queixa de ter perdido a criança, após ter ido ao hospital público

e ter sido enviada para casa, durante a passagem do tufão Hato, por Macau. Sobre este assunto, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura frisou que o caso está a ser tratado com todos os cuidados e que os Serviços de Saúde vão elaborar um relatório detalhado. Alexis Tam disse ainda que a Comissão de Perícia do Erro Médico vai também fazer um relatório sobre o incidente.


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Histórias de outros tempos Filme português “Farpões Baldios” vence prémio no Japão

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filme “Farpões Baldios”, de Marta Mateus, que reflecte sobre ruralidade e trabalho, conquistou o Grande Prémio do Hiroshima International Film Festival, no Japão, anunciou ontem a Portugal Film - Agência Internacional de Cinema. Primeira obra de Marta Mateus, o filme estreou-se na Quinzaine des Réalisateurs, no Festival de Cannes, em Maio deste ano, e venceu em Julho o Grande Prémio do Curtas Vila do Conde - International Film Festival. De acordo com um comunicado da Portugal Film, o documentário foi distinguido no Japão por um júri composto pelos cineastas Rithy Pahn e Albert Serra, e por Kim Dong, presidente do Festival de Busan, na Coreia do Sul. Realizada este ano, a obra tem também argumento e montagem de Marta Mateus, som de Olivier Blanc e Hugo Leitão, e é uma produção da C.R.I.M. Filmes - Joana Ferreira e Isabel Machado, em co-produção da OPTEC (Sociedade Óptica Técnica) - Abel Ribeiro Chaves, com distribuição da Portugal Film.

28.11.2017 terça-feira

Olhos no Delta THIS IS MY CITY

FESTIVAL ACONTECE EM SHENZHEN E MACAU

NA PRIMEIRA PESSOA

Os protagonistas do filme, resistentes de uma velha luta por melhores condições de trabalho, contam a sua história pessoal às gerações de hoje, nas suas próprias palavras. Estreado em Portugal em Setembro, o filme “Farpões Baldios” também recebeu uma Menção Especial no Festival Cineuropa de Santiago de Compostela, em Espanha. Até ao final do ano, será ainda exibido no Festival de Mar del Plata e no Festival Caminhos do Cinema Português, em Coimbra. Em Julho, quando o filme venceu o Grande Prémio do 25.º Curtas Vila do Conde, no valor de 2.000 euros, o júri do festival sublinhou que o filme “revivifica uma linhagem de obras onde a infância desbloqueia os sofrimentos, os erros e a virtualidades do passado”. No filme participam Maria Clara Madeira, Gonçalo Prudêncio, Maria Catarina Sapata, José Codices, Francisco Barbeiro, Lúcia Canhoto, Mariana Nunes, Tatiana Prudêncio, João Neves, António Prudêncio, Rodrigo Rosas, Tobias Liliu, Joaquim Prudêncio, Augusto Frade, Paula Pelado, Maria Inácia Cunha e Tânia Ramos.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA PRESOS • Oliver Jeffers

Tudo começou quando o papagaio do rapaz ficou preso numa árvore. Mas o verdadeiro problema surgiu quando ele atirou um sapato para soltar o papagaio e este também ficou preso na árvore. Seguiram-se uma escada, um balde de tinta, um orangotango e uma baleia, que se encontrava no sítio errado à hora errada. E isto foi apenas o início de tudo. Se ao menos o rapaz conseguisse ter uma ideia que o ajudasse a resolver as coisas…

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PERDIDO POR XANGAI • Pedro Paixão

A narração de uma viagem registada a vários níveis: física, psíquica e histórica. Nela se conjugam descobertas e aventuras pessoais, meditações sobre a condição humana e sobre a diferença de modos de vida, reflexões sobre a convicção comunista e o regime chinês em particular. Assim, o narrador pode passar de espectador de uma luta de grilos numa ruela de Xangai, a tentar compreender o fascínio que o povo chinês tem tradicionalmente pelo o jogo, à ocupação chinesa do Tibete e ao desaparecimento do Panchen Lama. É por isso um livro que compreende informação, emoção e detalhes da forma de vida oriental no seu embate com o ocidente, na nova capital do planeta: Xangai. Os textos são ilustrados por uma série de fotografias originais captadas pelo autor nas suas viagens àquela cidade chinesa.


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terça-feira 28.11.2017

Depois de dez anos, é tempo de alargar fronteiras. O This Is My City vai, este ano, ter lugar também em Shenzhen. A ideia é ter uma rede que se alargue ao Delta do Rio das Pérolas. O festival conta, como nas edições anteriores, com várias actividades e Paulo Furtado vem tocar ao vivo a banda sonora do filme que também estreia no território

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ÃO é só mais uma edição do This Is My City (TIMC), é a décima primeira e marca uma mudança de estratégia por parte da organização. “Dez anos significa que é uma altura de pensar o que fizemos nesta década e no que vamos fazer para a próxima” começou por explicar, ontem, Manuel Correia da Silva, um dos responsáveis pela iniciativa. O resultado é o alargamento do festival à região e este ano, o TIMC vai também ter lugar em Shenzhen, além de Macau. O objectivo é fazer mais do que um festival. “O alargamento a Shenzhen é para provar que o festival quer ser mais do que isso e que se quer desenvolver enquanto rede, até porque os festivais morrem e as redes perduram”, explicou Manuel Correia da Silva. O conceito também muda: não se tratando mais de uma só cidade, trata-se agora de “uma rede criativa intercidades, em que do local se passa ao regional.” A ideia é partilhar culturas numa mesma região. A Shenzhen o TIMC vai levar a multiculturalidade do território e do outro lado vem a riqueza cultural associada ao Delta do Rio das Pérolas. O TIMC nasceu em 2006 e “fechado o ciclo de dez anos de existência redesenha-se e dá agora os primeiros passos para integrar o Delta do Rio das pérolas numa rede criativa, promovendo a lusofonia na região”, lê-se na apresentação do evento.

CINEMA IMPREVISTO

Além da expansão geográfica o TIMC volta a trazer um conjunto de actividades distribuídas entre Macau e Shenzhen.

A presença de Paulo Furtado, mais conhecido por The Legendary Tiger Man, não é nova, mas vem agora ao território estrear o seu último trabalho cinematográfico “How to be nothing”. O filme não será uma mera projecção a ter lugar no próximo dia 16 de Dezembro, mas pretende ser uma mostra multifacetada. Paulo Furtado faz, ao vivo, a banda sonora e Pedro Maia, co- realizador da película, manipula as imagens enquanto são projectadas. A experiência promete, diz Manuel Correia da Silva, “ser única”. O evento tem lugar no espaço What´s Up na Calçada do Amparo.

“O alargamento a Shenzhen é para provar que o festival quer ser mais do que isso e que se quer desenvolver enquanto rede, até porque os festivais morrem e as redes perduram.” MANUEL CORREIA DA SILVA ORGANIZADOR

O D2 Club também é palco do TIMC, nesta décima primeira edição com uma noite preenchida com os DJs campeões do mundo de scratch e turntablism, os portugueses Beatbombers. A dupla composta por Ride e Stereossauro, depois de tocar no Magma em Shenzhen, a 15 de Dezembro, vem ao território, para encerrar a festa no clube nocturno local. Entretanto, e a representar o território, há concertos

marcados da banda local Fase Lane e o saxofonista e clarinetista Paulo Pereira. Paulo Pereira vai ao What´s Up apresentar um projecto feito especialmente para o evento em que traz a união das tradições musicais ocidentais com a herança cultural oriental através do jazz.

FRONTEIRAS NO MAPA

Mas o TIMC tem planos de aquecimento para o festival e para o efeito, já no próximo fim-de-semana, começa o projecto TIMC Pearl PAKmap. A ideia é “explorar abordagens interdisciplinares para mapear a percepção da paisagem e a relação entre as fronteiras do Rio Das Pérolas e a sua produção cultural”, diz a organização. O projecto começa com a realização de dois workshops no Albergue SCM a 2 e 3 de Dezembro e conta com a colaboração de académicos internacionais. No primeiro dia, tem lugar a parte formativa que inclui sessões e discussões académicas e no segundo dia decorre a parte prática em que os participantes vão para o terreno e procuram mapear as fronteiras entre Macau e Zhuhai, a partir da Doca dos Pescadores. A 9 de Dezembro, e após o material recolhido, os participantes encontram-se na Universidade de São José para a fase de pós produção do material recolhido. O resultado: duas exposições, a 15 e 16 de Dezembro nas cidades que acolhem o TIMC. Depois, os trabalhos efectuados passam a integrar a plataforma pakmap. net que “funcionará como arquivo destas e de outras histórias ligadas às fronteiras do Delta do Rio das Pérolas”. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

PRÉMIOS DE FOTOGRAFIA DE ARQUITECTURA EXIBIDOS EM PEQUIM As obras vencedoras e dos vice-campeões dos Prémios de Fotografia de Arquitectura deste ano, apresentadas no dia 18 de Novembro em Berlim, estão em exibição na galeria True Space em Pequim até o dia 25 de Dezembro. As obras exibidas incluem a foto vencedora, na qual o fotógrafo chinês Zhang Qianxi registou o complexo de natação recém-construído na

Universidade de Tianjin. O prémio está incluído no Festival Mundial de Arquitectura, um evento anual da indústria de arquitectura que tem sido realizado desde 2008. O galardão avalia os conhecimentos profissionais de fotógrafos de arquitectura e as suas capacidades de capturar espaços interiores e exteriores e a composição dos edifícios.


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28.11.2017 terça-feira

PRESIDENTE XI JINPING QUER CASAS-DE-BANHO LIMPAS

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China deve continuar a melhorar as casas-de-banho do país como parte de sua “revolução das casas-de-banho”, voltada para o desenvolvimento do turismo nacional e melhorar a qualidade de vida das pessoas, disse o presidente Xi Jinping. A construção de casas-de-banho limpas é uma importante parte para impulsionar a civilização urbana e rural e mais esforços devem ser feitos tanto nas cidades como nas áreas rurais para melhorar as casas-de-banho,

disse Xi numa instrução recente sobre o avanço da revolução das casas-de-banho executada no sector turístico. A par com a revolução das casas-de-banho, a China deve construir melhores instalações e serviços públicos para impulsionar a indústria turística, disse Xi. Xi enfatizou há muito tempo a importância da revolução das casas-de-banho para promover a qualidade da indústria turística. Segundo o presidente, os funcionários públicos devem

fazer esforços consistentes e tomar medidas para lidar com os assuntos existentes há muito tempo e corrigir os maus hábitos no turismo. As autoridades locais estão actualmente mais cientes da importância das casas-de-banho, acreditando que melhores banheiros não só são benéficos para o turismo, mas também podem melhorar o ambiente de trabalho e vida da população, além de promover o nível geral da civilização da sociedade. Ao visitar áreas rurais, Xi costumava perguntar

aos moradores locais sobre as condições das casas-de-banho, e enfatizou muitas vezes que casa-de-banho limpas para os moradores

LI KEQIANG VISITA BUDAPESTE E PARTICIPA NO FÓRUM CHINA-CEEC

Estratégias vitais O primeiro-ministro reforça os laços com a Europa de Leste. Uma viagem considerada “vital” no estabelecimento de estratégias para as relações com o Velho Continente.

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primeiro-ministro Li Keqiang chegou no domingo à capital húngara, Budapeste, para participar na sexta Reunião de Chefes de Governo da China e países da Europa Central e Oriental (China-CEEC), bem como para a sua primeira visita à Hungria como primeiro-ministro. À chegada ao aeroporto de Budapeste, foi recebido pelo primeiro-ministro húngaro, Orban Viktor.

Li assistirá a uma mesa-redonda de líderes, participará no sétimo Fórum Económico e de Comércio China-CEEC, e vai testemunhar a assinatura de acordos de cooperação entre a China e os 16 países da Europa Central e Oriental. Os líderes dos referidos países discutirão como promover a cooperação em áreas como conectividade, comércio e investimento, finanças, economia verde e inovação tecnológica, trocando também opiniões

sobre questões globais de interesse comum. Li também se reunirá com o presidente húngaro, Ader Janos, e o presidente da Assembleia Nacional, Kover Laszlo. A Hungria foi um dos primeiros países a estabelecer laços diplomáticos com a China em Outubro de 1949.

QUERIDA HUNGRIA

A Hungria foi também o primeiro país europeu a assinar um documento de cooperação com a China para se

alinhar com a iniciativa Uma Faixa, uma Rota, lembrou Li, num artigo assinado no sábado no Hungarian Times. Os dois países obtiveram “sucessos notáveis em cooperação nas áreas como investimentos, finanças e agricultura”, acrescentou o primeiro-ministro chinês. Li recebeu Orban durante as duas visitas oficiais deste último à China, em Fevereiro de 2014 e Maio deste ano. As relações bilaterais dos dois países foram actualizadas para uma parceria estratégica abrangente durante a visita de Maio, quando Orban assistiu ao Fórum Uma Faixa, uma Rota para Cooperação Internacional. A viagem do primeiro-ministro, que acontece depois da conclusão do 19º Congresso Nacional do PCC e por ocasião do quinto aniversário da cooperação “16 + 1”, entre a China e os países da Europa Central e Oriental, é “vital para promover uma parceria estratégica abrangente entre a China e a Europa”, reiterou o vice-ministro das Relações Exteriores, Wang Chao na semana passada. Após completar a viagem à Hungria, Li irá à Rússia para participar na 16ª Reunião do Conselho de Chefes de Governo da Organização de Cooperação de Shanghai, antes de regressar a Pequim no fim-de-semana.

rurais são importantes para a construção de uma “nova zona rural”. A China lançou uma revolução das casas-de-banho em todo o país em 2015 com o objectivo de as tornar mais limpas e mais reguladas. As casas-de-banho nas zonas rurais e nos destinos turísticos tinham uma má reputação. Nas áreas rurais, algumas eram nada mais do que abrigos temporários cercados por espigas de milho, e outras eram covas perto de chiqueiros. Nos destinos turísticos, os visitantes frequentemente sentiam falta de casa-de-banho, más condições higiénicas

e falta de trabalhadores de saneamento. Até o final de Outubro deste ano, a China construiu ou melhorou 68 mil casas-de-banho nos destinos turísticos, 19,3% mais que o objectivo. A revolução das casas-de-banho tem sido expandida gradualmente dos destinos turísticos para cobrir o país inteiro, das cidades para as áreas rurais. O país planeia construir ou melhorar outros 64 mil casas-de-banho nos destinos turísticos de 2018 a 2020, segundo um plano de acção divulgado pela Administração Nacional de Turismo da China. Xinhua

BRICS DISCUTEM ALTERNATIVA PARA O COMÉRCIO DO OURO

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S países do BRICS produzem e consomem volumes impressionantes de ouro e querem continuar a fazê-lo sem ser através dos centros europeus tradicionais. O Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul estão a dicutir a possibilidade de criar um sistema de compra e venda de ouro separado dos tradicionais centros de comércio, disse o vice-presidente do Banco Central da Rússia, Sergei Shvetsov. “O sistema tradicional [de comércio de ouro], baseado em Londres e parcialmente em cidades suíças, é cada vez menos relevante à medida que estão a surgir novos centros de comércio, sobretudo na Índia, China e África do Sul”, disse no fim de semana durante uma conferência sobre o mercado de metais preciosos. “Estamos a falar da possibilidade de estabelecer um único [sistema de] comércio de ouro tanto dentro do BRICS como a nível de con-

tactos bilaterais”, informou Shvetsov, acrescentando que o sistema, levando em conta os impressionantes níveis actuais de consumo e produção do metal precioso nos países do bloco, levaria à criação de novos pontos de referência a nível internacional. De acordo com o vice-presidente, o Banco Central russo já firmou um memorando com a China para desenvolver o comércio bilateral de ouro. O banco espera que em 2018 seja lançado o sistema de comércio bilateral com Pequim. Segundo os dados do Conselho Mundial de Ouro, a Rússia é o maior comprador oficial de ouro e o terceiro maior produtor mundial. Desde o início das sanções, o Banco Central russo compra cerca de 100 toneladas de ouro por ano. Por seu lado, durante os últimos meses, a China contribuiu mais que qualquer outro país para o crescimento da procura por barras de ouro.

Distinção académica Bill, o engenheiro

O bilionário norte-americano Bill Gates foi eleito para a Academia Chinesa de Engenharia, a honra suprema da China no sector da engenharia. O co-fundador da Microsoft é um dos 18 novos membros estrangeiros, revelou ontem a academia, sendo o único que não trabalha numa universidade ou instituto de pesquisa. Gates foi nomeado pelo seu trabalho na TerraPower, uma empresa de design de reactores nucleares que ajudou a estabelecer em 2008. No final de 2015, a empresa assinou um acordo com a China National Nuclear Corp para construir uma unidade de reactor na província de Fujian. O projecto está programado para começar no próximo ano e ser concluído em 2025. A academia agora tem 66 académicos estrangeiros.


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terça-feira 28.11.2017

Taiwan Crescimento económico de 2,58%

Taiwan elevou sua previsão do crescimento económico em 2017 para 2,58%, em relação à versão anterior de 2,11%, visto que se registou um fortalecimento das exportações graças à recuperação da economia global. Espera-se que as exportações cresçam 6,63% anualmente em 2017, assentes numa economia mundial em crescimento e os preços das matérias-primas em alta, enquanto o consumo privado poderá aumentar 2,14% graças à melhoria do mercado e às subidas na bolsa, segundo a agência de estatísticas da ilha. No entanto, o investimento em activos fixos pode crescer 0,92% em termos anuais devido a uma alta base de comparação, acrescentou a agência. A economia da ilha expandiu 2,64%, 2,28% e 3,1% nos primeiros três trimestres, respectivamente, e é provável que cresça 2,3% no quarto trimestre. A agência também elevou a previsão da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2018, de 2,27% a 2,29%, com a previsão de que as exportações e o crescimento do consumo privado serão menores, mas haverá uma maior expansão nos investimentos em activos fixos.

50 mil milhões para protecção ambiental

A China economizou 49,7 mil milhões de yuans para apoiar a protecção ambiental neste ano. Até agora, 39 mil milhões de yuans foi empregues no ar, controlo de poluição de água e solos, disse You Yanxin, funcionário do departamento de planeamento e finanças do Ministério da Protecção Ambiental. Segundo You, 16 mil milhões de yuans do financiamento central é reservado para apoiar esforços do controlo da poluição do ar em 13 regiões provinciais na região Pequim-Tianjin-Hebei e as áreas vizinhas, deltas do rio Yangtze e rio das Pérolas. You disse que os gastos do governo central no mesmo propósito superaram 27,2 mil milhões de yuans desde o começo do período do 13º plano quinquenal (20162020), que desempenharam um importante papel em melhorar a qualidade do ar em importantes áreas. O governo central também destinou 8,5 mil milhões de yuans para combater a poluição de água e 6,5 mil milhões de yuans para controlo da poluição do solo.

HONG KONG LEGCO PEDE DEVOLUÇÃO DE SALÁRIOS A DEPUTADOS DESQUALIFICADOS

Não trabuca, não manduca

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Conselho Legislativo de Hong Kong está a pedir a quatro ex-deputados a devolução dos salários e apoios financeiros auferidos durante nove meses, desde a tomada de posse em Outubro até os seus juramentos serem declarados inválidos em Julho. Os ex-deputados Lau Siu-lai, Nathan Law, Leung Kwok-hung e Ed-

ward Yiu devem individualmente ao Conselho Legislativo (LegCo) da antiga colónia britânica entre 2,7 e 3,1 milhões de dólares de Hong Kong, informa a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). A decisão para tentar recuperar o dinheiro foi anunciada ontem pelo presidente do LegCo, Andrew Leung, após uma reunião especial da comissão do

LegCo. “Temos de seguir a decisão do tribunal de primeira instância. E porque estão envolvidos fundos públicos, temos de agir com prudência nesta questão”, afirmou Andrew Leung. O presidente do LegCo disse que a comissão vai enviar uma carta aos quatro deputados que perderam os respectivos assentos em Julho, os quais terão quatro semanas para responder.

Leung admitiu que a tentativa de recuperar o dinheiro pode ser contestada em tribunal. O Tribunal Superior de Hong Kong indicou que a decisão para desqualificar os quatro ex-deputados pró-democracia tem efeitos retroactivos até Outubro, quando foram prestados os juramentos. Entre os quatro desqualificados estão o radical Leung Kwok-hung, mais conhecido por “Long hair” (“cabelo comprido”) e a professora universitária Lau Siu-lai, que em Setembro recorreram da decisão do tribunal. Já os ex-deputados Nathan Law e Edward Yiu decidiram não apresentar recurso. O LegCo está também a tentar recuperar 1,8 milhões de dólares de Hong Kong em salários e apoios financeiros de Sixtus Leung e Yau Wai-ching, os primeiros dois ex-deputados a serem desqualificados, em Novembro, pela forma como prestaram juramento. Estes dois jovens, que tinham sido eleitos pelo grupo localista ‘Youngspiration’, recusaram devolver o dinheiro e o LegCo avançou com uma acção na justiça. O Conselho Legislativo de Hong Kong é composto por 70 deputados. Com a desqualificação de seis, todos eles do campo pró-democracia e anti-Governo, as forças pró-Pequim passaram a estar em maioria. Eleições intercalares vão ser realizadas em 11 de Março para preencher quatro dos seis lugares deixados vagos por desqualificação.

PEQUIM PETIÇÃO CONTRA EXPULSÃO DE MIGRANTES

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AIS de cem intelectuais chineses assinaram uma petição a pedir ao governo do município de Pequim que pare de expulsar dezenas de milhares de trabalhadores migrantes, após um incêndio que causou 19 mortos. Depois de um dos mais graves incêndios, dos últimos anos, na capital chinesa, que terá começado nos sistemas de refrigeração na cave do edifício, as autoridades lançaram uma campanha de 40 dias para inspeccionar as construções da cidade. Nos subúrbios da capital, muitas das construções que acolhem trabalhadores migrantes são ilegais, assim como os negócios que servem estas comunidades. Pequenas lojas e restaurantes nos subúrbios de Pequim

estão a ser encerrados e os moradores expulsos, com apenas alguns dias, ou mesmo horas de aviso prévio, de acordo com o jornal de Hong Kong South China Morning Post. A petição, assinada por 112 académicos, advogados e artistas chineses, classificou a campanha de “cruel” e “grave violação dos Direitos Humanos”. “O desenvolvimento de Pequim é não só fruto do trabalho árduo dos seus cidadãos, mas também do sacrifício e contribuição de pessoas de outras partes do país”, lê-se no documento, difundido ‘online’. “Pequim deve agradecer aos cidadãos chineses, em vez de esquecer e retribuir às pessoas do país com arrogância, discriminação e humilhação, sobretudo ao

grupo com rendimento mais baixo”, acrescentou. Mais de 400 pessoas viviam no edifício que ardeu este mês. Entre os 19 mortos, oito eram menores de idade. O incêndio ocorreu também numa altura em que as autoridades têm lançado várias obras para embelezar a capital, que resultaram no encerramento de vários negócios. Pequim é sede de um município com perto de 22 milhões de residentes, que são, na sua maioria, trabalhadores migrantes. Os altos preços do imobiliário e o restrito sistema de residência da capital, conhecido como “hukou”, mantêm muitos destes trabalhadores em bairros degradados na periferia.

STEPHEN HAWKING ELOGIA CANTOR POP CHINÊS

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físico britânico Stephen Hawking elogiou, na sua conta no microblog chinês Weibo, o vocalista principal da boy band mais popular da China por perguntar sobre vida além da Terra. Wang Junkai, do grupo popular TFBOYS, publicou um vídeo de si mesmo em sua conta no Weibo na sexta-feira perguntado ao autor de “Uma Breve História do Tempo” como a humanidade se deve preparar para a migração interestelar nos anos que virão. Hawking recentemente alertou que a raça humana precisa deixar a Terra em 600 anos, antes que o crescente consumo de energia transforme o planeta numa “bola de fogo”. Anteriormente neste mês, Hawking participou em vídeo de uma cimeira científica organizada pela Tencent Holdings e incitou os investidores a apoiarem a sua ideia de viajar até à estrela mais próxima fora do nosso sistema solar, na esperança de encontrar um planeta habitável. O físico, de 75 anos, disse que Wang fez “uma pergunta excelente” e lhe deu uma visão sobre os chamados “millennials” chineses e as suas “curiosidades” em relação ao futuro. Wang e seus outros dois companheiros do grupo possuem cada um mais de 30 milhões de seguidores em suas contas no Weibo, microblog parecido com o Twitter. Hawking, que abriu sua conta no Weibo no ano passado, possui mais de 4,3 milhões de seguidores, enquanto a primeira-ministra britânica, Theresa May, possui mais de 900 mil, tendo herdado a sua conta de David Cameron.


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28.11.2017 terça-feira

Cada rua é um canal de uma veneza de tédios

A jovem criada1

BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos. In Wikipedia

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Amiúde, junto ao poço, ao entardecer, Vemo-la, enfeitiçada, de pé, a Tirar água, ao entardecer. Baldes a subir e a descer.

Silenciosamente, trabalha no quarto E o pátio há muito que está deserto. No sabugueiro, à frente do quarto, Um melro canta o seu lamento.

Nas faias, esvoaçam gralhas, E ela parece-se com uma sombra. Os seu cabelos amarelos esvoaçam E no pátio chiam os ratos.

Prateada a sua imagem, no espelho, olha estranhamente para ela, no lusco-fusco, E a imagem entardece pálida no espelho, E estremece perante a pureza da rapariga.

E fascinada pelo declínio, Baixa as pálpebras inflamadas. Erva seca em declínio Cai a seus pés.

Como num sonho, canta um criado na escuridão, E ela olha-o fixamente, abalada pela dor. Uma vermelhidão goteja através da escuridão. De repente, o vento sul sacode o portão.

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De noite, sobre o prado nu, Ela agita-se em sonhos febris. Amuado lamenta, no prado, o vento, E a lua está à escuta nas árvores Logo empalidecem as estrelas em redor E, exaustas de queixumes, As suas faces de cera empalidecem. Uma podridão exala da terra. Triste, sussurra o canavial na lagoa E, encolhida sobre si, gela de frio. Ao longe, canta um galo. Sobre a lagoa Dura e cinzenta, estremece a manhã.

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag.

Dedicado a Ludwig von Ficker

Na forja, retine o martelo, E ela apressada pelo portão passa. Incandescente o martelo o criado brande, E ela olha para ele como se estivesse morta. Como num sonho, ela é atingida pelo seu riso E cambaleia em direcção da forja. Agacha-se envergonhada com aquele riso, Duro e grosseiro como o martelo As centelhas espalham-se claras pelo espaço E com gestos impotentes, Ela procura agarrar as selvagens centelhas E cai aturdida por terra.

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Muito magra, estendida na cama, Acorda cheia de uma doce angústia E vê a sua cama suja Completamente coberta por uma luz dourada,

À noite, esvoaçam lençóis ensanguentados. Esvoaçam nuvens sobre florestas mudas, Estão envoltas em lençóis negros, Pardais fazem alarido nos campos.

As resedas ali na janela E a claridade azul do céu. Às vezes, o vento traz até à janela O hesitante tinir de um sino.

Ela está deitada completamente branca no escuro. Debaixo do telhado, sopra um arrulho. Como no bosque à volta de uma carcaça negra Moscas redemoinham à volta da sua boca.

Sombras deslizam sobre a almofada. Bate lentamente o meio dia E ela respira pesadamente na almofada, E a sua boca é como uma ferida.

Como num sonho, ecoam na aldeia castanha Sons de dança e violino. O seu semblante paira sobre a aldeia E o seu cabelo sopra em ramos desfolhados.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

terça-feira 28.11.2017

poesia • Georg Trakl Tradução de António de Castro Caeiro

Die junge Magd

Ludwig von Ficker zugeeignet

HENRY M EYNELL R

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Oft am Brunnen, wenn es dämmert, Sieht man sie verzaubert stehen Wasser schöpfen, wenn es dämmert. Eimer auf und nieder gehen.

Stille schafft sie in der Kammer Und der Hof liegt längst verödet. Im Hollunder vor der Kammer Kläglich eine Amsel flötet.

In den Buchen Dohlen flattern Und sie gleichet einem Schatten. Ihre gelben Haare flattern Und im Hofe schrein die Ratten.

Silbern schaut ihr Bild im Spiegel Fremd sie an im Zwielichtscheine Und verdämmert fahl im Spiegel Und ihr graut vor seiner Reine.

Und umschmeichelt von Verfalle Senkt sie die entzundenen Lider. Dürres Gras neigt im Verfalle Sich zu ihren Füssen nieder.

Traumhaft singt ein Knecht im Dunkel Und sie starrt von Schmerz geschüttelt. Röte träufelt durch das Dunkel. Jäh am Tor der Südwind rüttelt.

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HEAM

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Nächtens übern kahlen Anger Gaukelt sie in Fieberträumen. Mürrisch greint der Wind im Anger Und der Mond lauscht aus den Bäumen. Balde rings die Sterne bleichen Und ermattet von Beschwerde Wächsern ihre Wangen bleichen. Fäulnis wittert aus der Erde. Traurig rauscht das Rohr im Tümpel Und sie friert in sich gekauert. Fern ein Hahn kräht. Übern Tümpel Hart und grau der Morgen schauert.

5 Schmächtig hingestreckt im Bette Wacht sie auf voll süßem Bangen Und sie sieht ihr schmutzig Bette Ganz von goldnem Licht verhangen, Die Reseden dort am Fenster Und den bläulich hellen Himmel. Manchmal trägt der Wind ans Fenster Einer Glocke zag Gebimmel. Schatten gleiten übers Kissen, Langsam schlägt die Mittagsstunde Und sie atmet schwer im Kissen Und ihr Mund gleicht einer Wunde.

In der Schmiede dröhnt der Hammer Und sie huscht am Tor vorüber. Glührot schwingt der Knecht den Hammer Und sie schaut wie tot hinüber. Wie im Traum trifft sie ein Lachen; Und sie taumelt in die Schmiede, Scheu geduckt vor seinem Lachen, Wie der Hammer hart und rüde. Hell versprühn im Raum die Funken Und mit hilfloser Geberde Hascht sie nach den wilden Funken Und sie stürzt betäubt zur Erde.

6 Abends schweben blutige Linnen, Wolken über stummen Wäldern, Die gehüllt in schwarze Linnen. Spatzen lärmen auf den Feldern. Und sie liegt ganz weiß im Dunkel. Unterm Dach verhaucht ein Girren. Wie ein Aas in Busch und Dunkel Fliegen ihren Mund umschwirren. Traumhaft klingt im braunen Weiler Nach ein Klang von Tanz und Geigen, Schwebt ihr Antlitz durch den Weiler, Weht ihr Haar in kahlen Zweigen.


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28.11.2017 terça-feira

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máquina lírica Paulo José Miranda

Oi, de Luís Brito

O

I é o quarto livro de Luís Brito. Três deles de prosa e um de poesia, embora este de poesia esteja dentro de um dos livros de prosa, precisamente o livro que aqui nos traz. Todos os três de prosa são livros imersos na vivência da viagem. O humano abre-se à viagem quando se abre ao outro. Abraçar o outro é começar a viagem. O livro está dividido em vinte e seis partes: vinte e quatro arrepios (é assim que o autor divide os capítulos, por arrepios) e dois interlúdios, um em prosa – “O Ser Português” – e outro em poesia – Jejum (e que teve entretanto uma edição autónoma pelas edições Tea For One). Mas antes de falarmos sobre o livro, é necessário uma breve nota acerca do título do mesmo. “Oi”, que aqui para nós é apenas o modo como os brasileiros cumprimentam os outros, no Brasil é uma interjeição que pede explicação. Porque no Brasil há “oi” com e sem ponto de interrogação. E o livro refere-se ao “oi” com interrogação. Oi? Quer dizer exactamente, “desculpe, não entendi”. E o não estou a entender, pode ter várias razões: ou porque você está a ser indelicado, “mas o que é isso?”; ou porque você não se fez ouvir claramente, “pode repetir, por favor”; ou porque simplesmente o que você diz parece não fazer sentido, de tão estranho que parece, “pode explicar, por favor?” Oi? Por conseguinte, o autor deixa claro que se trata de um livro imerso no Brasil, na sua cultura, na sua perplexidade. O livro começa no aeroporto de Lisboa e no de Madrid, muito cedo, de madrugada, quando os voos são mais baratos. E o narrador vai iniciar uma viagem ao Brasil com a sua ex-namorada, a X, com quem tinha já planeado e comprado os bilhetes muito tempo antes do tempo se fazer sentir. Agora a viagem, que deveria ser uma celebração, é uma tortura, uma espécie de pena a pagar. O narrador viaja com X, mas logo à saída do aeroporto de São Paulo, separam-se no táxi, depois dele a deixar em casa de familiares, e de ela o aconselhar a ir alojar-se num hostel em Vila Madalena. Ele está apaixonado por ela. Ela não está apaixonada por ele. Separam-se no início do livro, e ele irá percorrer todas as páginas com ela na cabeça, com ela no coração, com ela na imaginação, que é o lugar aonde nunca se deve levar uma ex-mulher. Mas como se diz no Rio, “não tem tu, vai tu mesmo”. Ou na letra de uma canção When I need to replace her / I am a eraser / anything goês, repetida ao longo do livro, como um refrão do próprio livro. Começa aqui uma viagem das mais estranhas que, hoje em dia, um homem pode encetar: ir ao Brasil em

busca, num corpo, de um sentido para além do corpo. Provavelmente todos os livros, desde a Ilíada e a Odisseia, dividem-se entre livros de vingança e guerra, por um lado, e livros de viagem por outro; embora os livros de amor sejam também livros de guerra ou de vingança, e livros de viagem. E neste livro de Luís Brito, que é um livro de viagem, estabelece-se logo desde o início um paralelismo entre a viagem e a relação amorosa. Já não se trata apenas do paralelismo entre a viagem e a aceitação do outro, como em Alcatrão, que é um modo de nos entendermos a nós, aqui a viagem encontra um outro modo de nos fazer ver mais sobre nó mesmos: o nós no outro. Assim, as relações fortuitas, casuais, as “one night stand” são o modo de se ser turista e as relações duradoiras o modo de se ser viajante. Escreve logo na segunda página (página oito do livro): “O problema não és tu – sou eu –, ou o problema não sou eu, o problema é o mundo. É ele que nos torna incapazes de amar, ou talvez seja a pequenez asquerosa do nosso país que nos põe tão tristes e mesquinhos. Separações e divórcios trocados por envolvimentos efémeros. Shots de prazer que em nada compactuam com aquilo que deve ser uma vida a dois – paciência, perseverança, diálogo e caminho na infelicidade.” Já desde Alcatrão, o seu primeiro livro, Luís Brito traça uma ontologia do ser viajante em contraposição ao ser turista, mas aqui vai mais longe. Neste seu livro,  a viagem é muito mais interior do que exterior, as paisagens traçadas são mais subjectivas do que objectivas, são mais acerca do humano que escreve do que dos humanos que são “escritos”. Não no sentido de um auto-centramento, mas antes no reconhecimento de que o outro descrito é uma extensão nossa, ainda que se faça da própria vida uma contínua viagem pelo mundo. Assim, quanto mais o mundo estica, mais o humano encolhe. Podíamos ler à página 169, de Alcatrão, o seguinte: “Saídos de casa começamos por prestar vassalagem à diversidade. Admiramos os tons de pele e as culturas, vivendo a excitação do incógnito e os choques dos momentos sempre novos. Depois, com o tempo e a prática, ganhamos profundidade na observação e desvendamos comportamentos mais parecidos com aqueles a que

É o Brasil “hardore”, que o põe a duvidar, não apenas de si mesmo, mas da sua existênci

chamamos nossos.” Nesse livro, entendíamos o exercício de viajar como uma tentativa de se perder de si mesmo, isto é, como um dos caminho mais rápidos em direcção a nós mesmos. Mas aqui, em Oi?, a viagem é a viagem no outro. E também aqui, nesta terra que nos perdemos e nos encontramos. E viajar é parar. Viajar é ter atenção. Provavelmente, tudo aquilo que o turista evita, pois – escreve Brito, ainda na mesma página da anterior – “Não há nada mais terrível do que uma evidência erguida à nossa frente.” E esta evidência a que o autor se refere é a nossa própria existência, que assume contornos de factualidade na confrontação com o outro diante de nós, do outro em quem atentamos, realmente. Pois há na existência um tremendo paradoxo: a procura de alguém e a impossibilidade de ficar. Luís Brito começa o capítulo “Segundo Arrepio” com as seguintes palavras: “Porque nos juntamos em rebanhos? De quem estamos à procura quando nos pomos no meio da multidão?” Este ímpeto não é o da viagem, mas o do turista. Ir é o verbo turístico por excelência, ficar é o verbo do viajante. Só fica quem viajou, pois quem nunca par-

tiu não fica, está ali agarrado ao lugar como uma árvore agarrada à terra onde foi plantada. Mas quem viaja, mais cedo ou mais tarde irá ficar em outro lugar. Desde o início, o narrador está perdido. Perdido de amores e perdido no mundo. E Luís Brito – penso que aqui podemos estabelecer esta intimidade entre narrador e autor – não se perde nele mesmo, porque não há um ele mesmo onde se perder. Ele perde-se no mundo a cada instante, neste caso na noite paulista, vertiginosa, como no exemplo radical de David, um sem-abrigo que tinha sido internado num manicómio pela sua tia, de modo a ficar-lhe com a herança, e que lá, no manicómio, foi violado por um enfermeiro e contraiu HIV. É o Brasil “hardore”, que o põe a duvidar, não apenas de si mesmo, mas da sua existência: “David, o homem que parecia um judeu fugido de um campo de concentração, foi-se embora e eu fiquei sozinho em São Paulo. Se é real nunca saberei. Se eu próprio sou real, também é uma questão sem resposta. Por isso aqui está o livro.” (p. 24) (continua)


desporto 17

terça-feira 28.11.2017

VETERANOS DA CASA DE PORTUGAL PARTICIPARAM EM TORNEIO NA TAILÂNDIA

À beira da meta Formação orientada por Pelé somou três derrotas, duas vitórias e um empate, ao longo do fim-de-semana de futebol de sete em Phuket. No último dia, a equipa da Casa de Portugal ficou a duas vitórias dos objectivos

A

Casa de Portugal participou no fim-de-semana, pela sexta vez, no Torneio Internacional de Futebol de Sete de Phuket e terminou a competição com três derrotas, duas vitórias e um empate. A equipa de veteranos, orientada por Pelé, ficou no terceiro lugar do grupo inicial e na fase seguinte – em que defrontou os terceiros classificados dos outros grupos – foi eliminada nas meias-finais. Na primeira fase do torneio, a Casa de Portugal perdeu o encontro inaugural por 2-0, diante da formação Tiger United, de Hong Kong. Depois seguiu-se o empate com a formação Club X A, da Malásia, por

0-0 e nova derrota, desta vez por 2-1, diante do Aster FC, também da Malásia. “No primeiro jogo perdemos por 2-0, mas tivemos três ocasiões de golo, que acabámos por não conseguir concretizar. No segundo jogo empatámos 0-0, mas foi um jogo que sentimos que poderíamos ganhar”, disse Pelé, treinador da equipa, ao HM. “No terceiro jogo tivemos pela frente o Aster FC. É uma equipa que também veio de Malásia, mas que é constituída principalmente por jogadores indonésios e um brasileiro. Ainda estivemos a ganhar por 1-0, com um excelente golo do Ivo Benidio, de fora da área. Eles empataram quando nós marcámos um autogolo e,

mesmo no fim, marcaram de livre directo o 2-1”, explicou. O golo decisivo foi apontado por Nerivaldo da Silva, atleta brasileiro de 46 anos, que na época de 2000/2001 representou o Penafiel, que na altura militava na II Liga portuguesa.

DESILUSÃO NO ÚLTIMO

No segundo dia de competição, a formação tinha como objectivo ganhar o torneio entre os terceiros classificados. No entanto, acabou por ser eliminada nas meias-finais por 1-0, diante de outra formação malaia, com o nome Suzy Wong. Antes, os comandados por Pelé tinham batido as equipas Taiwan Mongrels, por 2-1, e a formação local Macau Friends, por 3-0. “No domingo jogámos contra a equipa Taiwan Mongrels e ganhámos por 2-1, com golos de Carlos Passarinho e Ivo Benidio. Depois tivemos um dérbi com outra equipa de Macau, a Macau Friends, em que fomos claramente superiores. Foi uma vitória clara por 3-0”, sublinhou o técnico da Casa de Portugal.

No segundo dia de competição, a formação tinha como objectivo ganhar o torneio entre os terceiros classificados. No entanto, acabou por ser eliminada nas meias-finais

“O resultado das meias-finais acabou por ser injusto. Tivemos uma derrota por 1-0, mas merecíamos mais”, defendeu. Pelé admitiu que o objectivo ficou por alcançar mas que a equipa vai ficar mais forte depois deste torneio. Por outro lado, realçou os esforços dos seus atletas e lamentou as ausências de Nuno Figueiredo, Sean Killer, Dedé, que ficaram de fora dos jogos devido a lesão. O treinador elogiou ainda a formação, até pelos resultados alcançados na época passada: “Os veteranos fizeram a melhor temporada desde que estou à frente da equipa. Ficámos em quarto lugar, num total de 18 equipas, e fiquei muito satisfeito com o feito”, apontou. João Santos Filipe

joaof@macauhoje.com.mo

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De Vries reforça Prema Theodore Racing

Nyck de Vries, de 22 anos, é o último reforço da Prema Theodore Racing, para o campeonato de Fórmula 2. O holandês, que faz parte do programa de jovens pilotos da McLaren, equipa de Fórmula 1, junta-se ao indonésio Sean Gelael, que já tinha sido confirmado, anteriormente, na formação patrocinada pelo filho de Teddy Yip. Vries fez esta época a estreia na Fórmula 2, pela equipa Rapax, e alcançou uma vitória no circuito do Mónaco. “Estou muito feliz por me juntar à Prema [Theodore Racing] e agradeço a confiança que me foi depositada” afirmou Nyck de Vries, em comunicado. “É uma equipa que conheço há algum tempo, por isso estou muito entusiasmado por ter, finalmente, a oportunidade de correr com eles”, acrescentou. A primeira ronda do campeonato está agendada para 7 de Abril, no Bahrain.


18 (f)utilidades TEMPO

MUITO

28.11.2017 terça-feira

O QUE FAZER ESTA SEMANA Quinta-feira

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65-90%

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9.61

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EXPOSIÇÃO “PHOTOSYNTESIS” DE TANG KUOK HOU IFT Café | Até 01/12 SALÃO DE OUTONO Casa Garden REPRESENTAÇÕES DA MULHER - COLECÇÃO DO MUSEU DE ARTE DE MACAU NOS SÉCULOS XIX E XX Museu de Macau | Até 10/12 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 170

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 169

UM LIVRO HOJE

SUDOKU

DE

C I N E M A

1.21

AL 9000

Diariamente

Cineteatro

YUAN

PÊLO DO CÃO

CONFERÊNCIA “A LEI DO ERRO MÉDICO – NOTAS SOLTAS” Fundação Rui Cunha | 18h30 às 20h30

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Macau | Até 4/3/2018

0.24

Depois do passeio à beira do lago, chega-se à Assembleia Legislativa, o órgão de soberania com a sigla que faz lembrar o computador maléfico de “2001, Odisseia no Espaço”. À medida que nos aproximamos, o aroma a conflito de interesses intensifica-se no ar, até desembocarmos no hemiciclo onde deputados puxam a brasa à sua sardinha empresarial ao mesmo tempo que proclamam a oportuna reza purificadora: “Depois de ouvir a opinião dos cidadãos...” Na AL pouco se legisla, pouco se fiscaliza, o que é natural tendo em conta a forma como o plenário é composto. O carimbo de serviço do Executivo, limita-se a anuir caninamente ao mesmo tempo que enche a boca cheia com o irónico desiderato da “fiscalização”. Depois de nos sentarmos, somos bombardeados por uma saraivada de demonstrações de dois dígitos de QI. Normalmente, o “debate” é nivelado por baixo. Estou a abusar das aspas porque é raro haver uma troca de ideias que mereça a designação. Pão de leite e um café ao intervalo e lá vamos nós para mais umas horas de repetição de clichés, sem qualquer aplicação prática. Serão feitos muitos estudos, todos os cidadãos serão envolvidos no processo através de auscultação e o tempo vai passando como um peste negra burocrática.Apolítica parlamentar tem sempre muito de circense, é muito teatral. Em Macau as coisas são um pouco mais claras, brutas e, de uma forma enviesada, mais honestas. Confesso que aprecio o espectáculo. João Luz

AS CIDADES INVISÍVEIS | ITALO CALVINO

Este livro, um dos mais relevantes da obra de Italo Calvino, baseia-se no relato de Marco Polo ao Imperador Kublai Khan acerca das cidades por onde passou o conhecido viajante. Os relatos de metrópoles imaginadas por Marco Polo são o suporte de Khan para estabelecer um império. “As cidades invisíveis” é uma obra fortemente influenciada pelo Realismo Mágico, partindo da realidade, com suporte na factualidade histórica, para um patamar de fantasia brilhantemente escrito pelo autor italiano. Um dos livros essenciais da literatura italiana do século XX. João Luz

HAPPY DEATH DAY SALA 1

JUSTICE LEAGUE [B] Fime de: Zack Snyder Com: Ben Affleck, Gal Gadot, Raymond Fisher, Jason Momoa, Erza Miller 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

MANHUNT [C] Fime de: John Woo

Com: Zhang Hanyu, Masaharu Fukuyama, Qi Wei, Ha Jiwon 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

HAPPY DEATH DAY [C] Fime de: Christopher Landon Com: Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine, Charles Aitken 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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opinião 19

terça-feira 28.11.2017

sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

PESAR da psicanálise ter sido o grande impulsionador da teorização do desenvolvimento sexual e da saúde mental, hoje em dia são raros os psicoterapeutas que usam uma perspectiva estritamente psicanalítica. Hoje, cada vez mais, os psicoterapeutas tentam incorporar as várias perspectivas psicológicas de como lidar com o sofrimento humano e com o(s) processo(s) de procura de bem-estar – mas como é que se lida com o sexo? Surpreendentemente ou não, somos todos humanos e todos temos vieses que nos podem tornar mais ou menos tolerantes quando discutimos a sexualidade. Os psicoterapeutas podem ter mais ou menos capacidade de explorar, com o seu cliente, identidades e formas de sexualidade menos prototípicas. Surpresa: nem todos nós encaixamos nos paradigmas ocidentais, que se baseiam, fundamentalmente, numa perspectiva evolutiva, cisgénero, heterossexual e onde o sexo serve unicamente os fins de procriação. A dificuldade em falar do sexo de forma saudável, é transversal a todas as categorias profissionais que, à partida, achamos nós, deveriam ter valores mais progressivos, ou que fossem, pelo menos, a favor do bem-estar individual e colectivo. Assim acontece quando continuamente assistimos à representação do outro – o que não encaixa na expectativa heterossexual – como silenciado, hiperssexualizado ou assexualizado. Na formação psicoterapêutica começam a existir conceitos que nos auxiliam a pensar estas questões do sexo e uma delas é a do sexo-positivo. Considerem um espectro em que num extremo está o sexo-negativo e no outro o sexo-positivo. De um lado temos as dificuldades associadas à culpa e à vergonha do sexo, e da outra temos consciencializada a necessidade de considerar o sexo como parte integrante do nosso desenvolvimento saudável, nas suas várias expressões livres e consensuais. Muito para além das identidades sexuais como as entendemos, o sexo-positivo engloba o bem-estar físico e as experiências e relações de prazer. Um psicoterapeuta sexo-positivo sabe que é necessária uma sensibilidade particular para lidar com as tendenciais mensagens e valores sociais de erotofobia que muitas vezes são trazidas para o processo

EVELYNE AXELL, ICE CREAM, 1964

A

No divã com o sexo

terapêutico. A erotofobia, conceito ao qual eu sou relativamente nova, reforça que o medo do erótico, ou, medo de aceitar o nosso erotismo, está associado a outras formas de comportamento nefastas para a saúde, bem como uma diminuição da auto-estima. Até há bem pouco tempo, no manual de diagnóstico à doença mental (DSM-IV), ainda se encontrava listado como patológico o sadismo e masoquismo sexual (vulgarmente denominado por BDSM). Não tem sido fácil desfazer a ideia de que não existe uma ‘normalidade’

De um lado temos as dificuldades associadas à culpa e à vergonha do sexo, e da outra temos consciencializada a necessidade de considerar o sexo como parte integrante do nosso desenvolvimento saudável

categórica do sexo. Tanto que ainda existem um número de assumpções sexo-negativas que associam as práticas BDSM a ‘traumas não resolvidos’ ou de desajuste social e sexual, em que (supostamente) há uma forte dependência nas relações de poder que se acreditam ser ‘perpetuadas’ na vida real. Esta estigmatização (e má informação), que acontece entre terapeutas e profissionais, parte da contínua confusão entre BDSM consensual e não-consensual, este último bastante associado à literatura forense. Poderia dar muitos mais exemplos, ocorre-me por exemplo, as constelações poliamorosas que muito provavelmente, em contexto terapêutico, serão analisadas à luz de relações monogâmicas – o que não servirá de grande ajuda, muito pelo contrário. E porque estas coisas têm vindo a acontecer, existem vários apelos pelo sexo-positivo no sentido de valorizar a expressão e desejo sexual consensual, que ultrapasse a nossa necessidade de considerar patologia aquilo que – bem trabalhado e bem aceite – nos traz a uma relação saudável connosco próprios e com os nossos desejos e prazeres.


Queria ter sido rouxinol, mas o destino só me fez imperador Marco Aurélio

Lucros da indústria sobem 23,3%

Os lucros das principais firmas industriais chinesas subiram 23,3%, em termos homólogos, em Outubro, para 6,25 biliões de yuan, anunciou ontem o Gabinete de Estatísticas (GNE) chinês. Entre as 41 empresas analisadas, todas com lucros anuais superiores a 20 milhões de yuan, 38 obtiveram um aumento de lucros nos primeiros dez meses do ano. As empresas de alta tecnologia foram as que registaram maior crescimento, sobretudo as que fabricam equipamento de alta gama e de novos materiais, indicou. “Os lucros industriais cresceram a um ritmo relativamente alto e foram alcançadas muitas melhorias em termos de eficiência e rentabilidade”, disse He Ping, estatístico do GNE, citado pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

André Villas-Boas assume “fracasso”

O treinador português André Villas-Boas assumiu o seu “fracasso”, após um ano sem qualquer título conquistado no clube de futebol chinês Shanghai SIPG e assegurou que o seu futuro vai ser conhecido “em breve”. “Tenho que aceitar a minha responsabilidade e o meu fracasso”, disse Villas-Boas, depois da derrota na final da Taça da China, perdida domingo face ao Shanghai Shenhua, após uma vitória caseira por 3-2, que não rectificou o 0-1 sofrido fora. O técnico luso assume que o contrataram para conquistar provas e que, com o desaire na Taça da china, depois do segundo lugar no campeonato e da eliminação nas meias-finais da Liga dos Campeões asiática, esse objectivo não foi conseguido. “A nossa ambição era ganhar troféus e não conseguimos fazê-lo”, reconheceu André-Villas Boas, adiantando, porém, que se ganhou algo em relação ao futuro: “A equipa está numa posição muito melhor agora para ganhar títulos”.

PAN vota a favor do OE2018

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O PAN anunciou ontem que vai votar a favor do Orçamento do Estado para 2018, após a aprovação de medidas estruturais defendidas pelo partido, e que foram viabilizadas na especialidade. Em comunicado, o partido anunciou que “muda o sentido de voto após aprovação de medidas em áreas estruturais”. O PAN tinha-se abstido na votação na generalidade da proposta de lei do OE2018. O PAN apresentou 60 medidas de alteração ao OE2018: aumento de 10% de nutricionistas e de 7% de psicólogos no Serviço Nacional de Saúde e distribuição de fruta a 150 mil crianças do ensino pré-escolar e de bebidas vegetais no 1.º ciclo e pré-escolar são duas das medidas apresentadas pelo partido que vão ver luz verde. O PAN conseguiu ainda negociar a criação de 49 salas de atendimento à vítima e condições para partos na água, bem como o fim da isenção do pagamento de ISP para empresas que produzem electricidade a partir do carvão. O reforço do investimento em dois milhões de euros em Centros de Recolha Oficial de Animais e apoio a escolas de formação de cães de assistência é outra das medidas a implementar.

PALAVRA DO DIA

terça-feira 28.11.2017

MALO CLINIC DEMARCA-SE DE FECHO EM MACAU

Agua do capote ´

O

presidente da Malo Clinic, Paulo Maló, afirmou ontem que a ordem de encerramento do Hospital Taivex/Malo, em Macau, não abrange a sua empresa, que partilha o mesmo espaço. “O que se passou foi que as autoridades de Macau encerraram temporariamente o hospital Taivex/Malo e não a Malo Clinic em Macau”, disse o empresário à agência Lusa. Em declarações por via telefónica, o empresário português esclarece que a Malo Clinic detém em Macau apenas a actividade ligada à medicina dentária e não à actividade relacionada com outras áreas médicas, que são responsabilidade de outras entidades. “A Taivex/Malo não é a Malo Clinic”, frisou

Paulo Malo, notando que as duas entidades têm estruturas accionistas diferentes. Na semana passada, os Serviços de Saúde de Macau informaram que “o Hospital Taivex/Malo está suspenso até 21 de maio de 2018 devido à prática de procriação medicamente assistida, tráfico e contrabando de medicamentos de oncologia, falta de condições de higiene e segurança para a prestação de cuidados de saúde”. As instalações do hospital foram, entretanto, encerradas, o que na prática afecta o funcionamento da Malo Clinic, explica o empresário. “O que acontece é que como a Malo Clinic partilha o mesmo espaço e está sob a mesma licença, provavelmente não vamos conseguir ter acesso às nossas

instalações”, explicou. “Mas estamos fechados não porque fizemos algo de errado, mas por que a Taivex/Malo fez algo contra a lei”, acrescentou. A Malo Clinic prestava cuidados de medicina dentária em Macau no hospital de Dia Taivex/Malo e ao abrigo da licença atribuída àquela unidade hospitalar. Além do encerramento das instalações do Hospital Taivex/Malo, foram aplicadas duas multas: uma no valor de 103.000 patacas, a quatro médicos e um enfermeiro, e outra de 76.000 patacas, por técnicas ilegais de procriação medicamente assistida e prestação de serviços de oncologia, sem autorização dos Serviços de Saúde.

Católicos birmaneses acolhem Papa Francisco

O papa Francisco foi acolhido ontem em Rangum por milhares de birmaneses trajando vestes tradicionais e com bandeiras do Vaticano e da Birmânia. Milhares de católicos vindos de todo o país emocionaram-se quando Francisco surgiu em público, tendo sido saudado pelos líderes católicos locais, que representam os cerca de 700 mil cristãos residentes no país, um pouco mais de 1% dos cerca de 51 milhões de habitantes da Birmânia. “Vi o papa. Estão tão emocionada que até chorei. O ar tornou-se agradável e doce. Francisco vem pela paz”, declarou Christina Aye Sein, funcionária de um banco católico em Rangum, à passagem do cortejo papal, usando uma “t-shirt” com uma fotografia e Francisco e uma frase: “paz e amor”. Na Birmânia, Francisco vai reunir-se em separado com o presidente Htin Kya, com a chefe do Governo, Aung San Suu Ki, e com o poderoso líder militar, Min Aung Hlaing.

Plágio Tony Carreira paga e editora chega a acordo

O cantor Tony Carreira e a editora Companhia Nacional de Música, que apresentou a queixa, chegaram hoje a um princípio de acordo no processo em que o músico é acusado pelo Ministério Público de plagiar 11 músicas. O acordo, proposto por uma juíza do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, prevê a suspensão provisória do processo durante quatro meses, na condição de, no prazo de 60 dias, Tony Carreira entregar 10.000 euros à Câmara Municipal da Pampilhosa da Serra para apoio aos danos causados pelos incêndios e mais 10.000 euros à Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande. Além disso, o compositor Ricardo Landum, o outro arguido no processo, terá também de pagar, nos 60 dias, 2.000 euros a uma Instituição Particular de Solidariedade Social à sua escolha. Os contornos do acordo foram explicados aos jornalistas por uma funcionária do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, após a audição de Tony Carreira pela juíza.

COMERCIANTES DO CAPITOL CONTRA CAIXOTES DO LIXO ALGUNS dos comerciantes do Centro Comercial Teatro Capitol colocaram tarjas no edifício contra os contentores de lixo existentes na zona. Ao HM, Leong Chi Pio, um dos representantes dos vendilhões locais, explicou que os contentores geram um cheiro desagradável, o que contribui para afastar clientes daquele espaço de comércio. Ainda de acordo com Leong, a alternativa passaria por mudar aquele centro de recolha de lixo para junto da Livraria Portuguesa. A proposta foi mesmo apresentada ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municiais, porém o organismo liderado por José Tavares recusou a ideia. Segundo a justificação do IACM, a alternativa faria com que houvesse ainda mais gente insatisfeita.

Hoje Macau 28 NOV 2017 #3944  

N.º 3944 de 28 de NOV de 2017

Hoje Macau 28 NOV 2017 #3944  

N.º 3944 de 28 de NOV de 2017

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