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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEGUNDA-FEIRA 28 DE OUTUBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº 4400

MOP$10

ANGOLA

REMÉDIOS SÍNICOS GRANDE PLANO

Prendas de Pequim PÁGINA 4

PRÉDIOS ANTIGOS

INSPECÇÃO OBRIGATÓRIA PÁGINA 5

Injecção de risco

O número e a gravidade de casos relacionados com vacinas ilegais em clínicas privadas são cada vez maiores. De 2015 até hoje, as infracções registadas não páram de subir. Vacinas de origem desJUSTIÇA

conhecida, fora do prazo de validade ou armazenadas juntamente com comida são algumas das ocorrências denunciadas pelos Serviços de Saúde que alertam para a seriedade do problema.

PÁGINA 7

As leis da fuga PÁGINA 8

HONG KONG

DOMINGO AGITADO PÁGINA 12

JOGO

Rendas polémicas PÁGINA 9

SALÃO DE OUTONO | CASA DAS ARTES EVENTOS

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HENGQIN

hojemacau


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ANGOLA

28.10.2019 segunda-feira

A TRATAR-LHES DA S MÉDICOS CHINESES ROMPEM BARREIRA DA LÍNGUA E LEVAM ACUPUNTURA AOS DOENTES

As barreiras linguísticas não impedem que médicos chineses atendam as centenas de pacientes que acorrem diariamente ao Hospital Geral de Luanda (HGL) em busca de cuidados de saúde, oferecendo a acupuntura entre as especialidades desta unidade hospitalar. A saúde é uma das vertentes do investimento chinês em Angola, que já ultrapassou os 20 mil milhões de dólares

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Á quatro meses em Angola, no âmbito das relações bilaterais entre os dois países, os médicos chineses manifestam-se felizes por trabalhar no país africano e enaltecem as “relações saudáveis” que mantêm com os pacientes e com os “simpáticos” colegas angolanos e cubanos. Dez médicos chineses, um intérprete e um cozinheiro compõem a equipa asiática que, desde Junho passado, trabalham no HGL, constituindo a quinta equipa médica que é enviada para Angola, desde 2009, no quadro da cooperação no sector. Os médicos chineses contaram à Lusa as dificuldades diárias para comunicar em português, um processo no qual contam com a solidariedade de colegas e dos respectivos pacientes, socorrendo-se também de ‘software’ para traduções imediatas. Huang Nan, pediatra, faz parte do grupo dos dez médicos chineses que trabalham no Hospital Geral de Luanda, edificado em 2006 pelos seus compatriotas, e destaca com satisfação a “ginástica” diária e necessária para falar com os doentes. “Trabalho com angolanos e cubanos, eles são simpáticos e eu gosto. Ensinam-nos como abordar os pacientes em português e temos boas relações, esforçamo-nos todos os dias”, disse o médico à agência Lusa, referindo que o diagnóstico é feito quando os doentes falam “pausadamente”. “Sim, quando eles falam devagar ou pausadamente conseguimos nos entender e aí fazemos o diagnóstico”, adiantou Huang Nan, de 34 anos. Segundo o pediatra asiático, o ambiente laboral transforma-se dia após dia num círculo familiar, com a partilha de experiências profissionais, mas também momentos de convívio nas refeições com os colegas angolanos e cubanos, sobretudo no tempo livre.

língua portuguesa, o cirurgião de 32 anos assegurou que “muitos doentes” já entendem as suas orientações, “mas, quando está difícil”, sublinha, recorrer aos colegas “é indispensável”. Com uma capacidade para mais de 300 camas e para um atendimento diário de mais de 800 pacientes, o hospital dispõe das especialidades de pediatria, maternidade, neurologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia, cuidados intensivos, ortotraumatologia, bem como laboratórios e equipamentos avançados. Oferece igualmente especialidades da medicina tradicional chineses como acupuntura, massagens e terapia auricular, entre outras. Pelo menos 25 pacientes com problemas lombares, cervicais, de artrite, ou mesmo paralisia facial acorrem diariamente ao hospital para o tratamento com acupuntura e dizem-se “satisfeitos com os resultados” da terapia milenar chinesa. “Estou a sentir já melhorias. O tratamento vai bem, eles fazem as questões, respondemos prontamente e depois começam com a consulta e está a correr bem”, disse à Lusa a angolana Inês da Costa, 40 anos, que há dois meses recorre à acupuntura para tratar das dores lombares.

AGULHAS MILENARES

Satisfeito por trabalhar em Angola está também o acupunturista chinês, Zhou Zugang, que enumerou vantagens da técnica da aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo, apontando a satisfação dos doentes. “Aqui eu faço o tratamento com acupuntura e muitos pacientes gostam desse tratamento”, garantiu, realçando que a barreira do

Zhang Xin, cirurgião geral, descreve o trabalho no HGL como “intenso”, particularmente no banco de urgência onde são atendidos mais de 200 pacientes/dia, “muitos em estado grave e com necessidade de cirurgia urgente”, uma afluência que difere do seu país. Feliz por estar em Angola e a aprender com outros colegas a

“Trabalhar para a melhoria da saúde dos angolanos” é o lema do cardiologista Nie Wenzhen que, admitindo dificuldades para se expressar em português, não foge, no entanto, à “pressão diária de doentes.”


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SAÚDE português tem sido ultrapassada diariamente. Há oito anos com dores lombares, a angolana Edna Silva disse à Lusa que, em dois meses de tratamento com o recurso a acupuntura no HGL, tem registado melhorias significativas. “De princípio não estava a ver melhorias, mas agora já há evolução. Os médicos chineses percebem a nossa comunicação, eles têm um dispositivo no seu telefone que traduz automaticamente algumas palavras difíceis”, realçou.

SAÚDE ACORDADA

“Trabalhar para a melhoria da saúde dos angolanos” é o lema do cardiologista Nie Wenzhen que, admitindo dificuldades para se expressar em português, não foge, no entanto, à “pressão diária PUB

de doentes”, particularmente no banco de urgência. Para o médico chinês de 32 anos, que se diz feliz por trabalhar em Angola, os colegas angolanos e cubanos são fundamentais para se

O Hospital Geral de Luanda, edificado em 2006 e que teve de ser reconstruído seis anos depois por problemas estruturais, foi reinaugurado em Junho de 2015, após três meses de testes aos equipamentos chineses

A China é o maior parceiro comercial de Angola. O país asiático continua a ser o principal destino do petróleo angolano, absorvendo 61,56 por cento das exportações no segundo trimestre de 2019 sentir em casa, porque, observou, “Deus ama o mundo e a medicina ama a humanidade”. A presença destes médicos chineses em Angola faz parte de acordos intergovernamentais, nomeadamente através de um protocolo que é renovado a cada dois anos. Este mecanismo de cooperação voltou a ser reafirmado oficialmente em Setembro, assinado pelo secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Vieira Lopes, e pelo embaixador da China em Angola, Gong Tao. O protocolo estabeleceu que os encargos salariais e de viagens internacionais de ida e volta dos médicos são da responsabilidade do Governo chinês. No final da cerimónia de assinatura do protocolo, o embai-

xador chinês revelou que, até ao momento, cerca de 200 mil cidadãos angolanos foram atendidos por médicos chineses. Gong Tao informou ainda que, nos últimos 10 anos, já passaram por Angola cinco equipas de médicos chineses, totalizando 70 especialistas. O Hospital Geral de Luanda, edificado em 2006 e que teve de ser reconstruído seis anos depois por problemas estruturais, foi reinaugurado em Junho de 2015, após três meses de testes aos equipamentos chineses e de formação para os técnicos.

MILHÕES DO ORIENTE

“Nos últimos anos a China é um dos países principais que investiu em Angola e segundo estatísticas incompletas, até agora, o volume

do investimento chinês no mercado angolano já ultrapassou 20 mil milhões de dólares norte americanos”, afirmou Gong Tao, em Setembro, num evento sobre as relações entre os dois países. O embaixador deu conta também que a dívida de Angola para com o seu país saiu dos 23,3 mil milhões de dólares, em 2017, para 22,8 mil milhões em 2018. Aludindo ao relatório do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, pedido pela embaixada, referiu que a dívida regista “reduções numéricas” e o seu pagamento “decorre na normalidade”. “A dívida está a diminuir com os números, por exemplo, em 2017 era de 23,3 mil milhões de dólares, e em 2018 já baixou para 22,8 mil milhões, e, entretanto, é uma tendência para redução”, frisou. A China é o maior parceiro comercial de Angola. O país asiático continua a ser o principal destino do petróleo angolano, absorvendo 61,56 por cento das exportações no segundo trimestre de 2019, seguido da Índia com 11,05 por cento e depois a Espanha com 3,80 por cento.


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Outro dos pontos destacados pelo comunicado é que o Governo de Macau obterá, mediante arrendamento, o direito de uso sobre o posto fronteiriço de até 19 de Dezembro de 2049. Findo o prazo, a APN pode decidir prorrogar o prazo.

PÁTRIA GENEROSA

O empresário e delegado de Macau à APN, Kevin Ho, entende que esta decisão é um “presente do aniversário” oferecido pela Pátria a Macau e uma demonstração da confiança e apoio do Governo Central à RAEM

APN POSTO FRONTEIRIÇO DE HENGQIN SOB JURISDIÇÃO DA RAEM ATÉ 2049

Uma prenda na montanha

A Assembleia Popular Nacional concedeu a jurisdição do posto fronteiriço de Hengqin a Macau, que vai contar com verificação alfandegária única. Várias figuras da política local congratularam-se com a medida e agradeceram a “prenda” de Pequim que comemora os 20 anos da RAEM

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C O M I T É P e rmanente da Assembleia Popular Nacional (APN) deliberou a delegação de poderes à RAEM para ficar com a “jurisdição relativa ao posto fronteiriço de Hengqin” (posto de Macau e áreas adjacentes), segundo a legislação local.

O Executivo reagiu à deliberação do órgão colegial referindo que “manifesta em pleno o forte apoio do Governo Central para que Macau integre a conjuntura do desenvolvimento nacional”. Em comunicado, o gabinete do porta-voz do Governo destacou o significado da medida na promoção do projecto da Grande Baía, aumentando “a

conveniência de passagem transfronteiriça” e incentivando o “rápido fluxo de factores produtivos, tais como bens e pessoas”. Desta forma, o novo posto fronteiriço irá substituir o do Cotai (Estação de Lótus), e será adoptado um sistema de inspecção conjunta para passagem. A transferência de jurisdição tem também como

objectivo facilitar a concretização do plano de “transformar o posto de Hengqin num centro modal integrado de transportes”. Assim sendo, Macau tem autorização do Governo Central para dar andamento aos trabalhos da “ponte Flor de Lótus, ligações entre a Universidade de Macau e o posto fronteiriço de Hengqin (vias de acesso

e ponte, com excepção das estacas), bem como a área reservada para a expansão do Metro Ligeiro no posto de Hengqin”. As datas específicas de entrada em funcionamento, coordenadas e extensão das áreas abrangidas pela decisão serão determinadas posteriormente pelo Conselho de Estado.

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S conselheiros do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), Rita Santos e José Pereira Coutinho, participaram na sexta-feira, 25, no Seminário Empresarial Brasil-China, que marcou os 45 anos do início de laços bilaterais. Este evento contou com a presença do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e do Vice- Primeiro Ministro Chinês Hu Chunhua. Segundo um comunicado do CCP, “o Presidente Jair Bolsonaro realçou a importância das relações comerciais entre Brasil e China, as quais têm aumentado de forma substancial nos últimos tempos, prin-

cipalmente no que diz respeito às exportações de soja e carnes para a China”. Por seu lado, Hu Chunhua “realçou a importância da China continuar a abrir as portas cada vez maiores ao investimento exterior e a importância da globalização comercial”. Nos encontros de networking participaram Rita Santos e José Pereira Coutinho, tendo sido salientada a “importância de Macau como plataforma de serviços no aprofundamento das relações entre a China e Brasil, tendo alguns deles participados nas actividades oficiais e empresariais em Macau”.  

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SEMINÁRIO PEREIRA COUTINHO E RITA SANTOS COM BOLSONARO NA CHINA

Em declarações ao Ou Mun, o deputado Chui Sai Peng destaca o facto do novo posto adoptar a inspecção fronteiriça integral, em vez das “duas fronteiras, duas verificações.” Além disso, o legislador considera que a medida “acelera a integração no país”. Os transportes foram a parte fundamental do comentário de Ho Ion Sang à medida aprovada pela APN. “O espaço reservado para a extensão do Metro Ligeiro de Macau ao posto fronteiriço de Hengqin proporciona vantagens para a comodidade de transporte entre as duas regiões e permite que Macau fique à distância de uma hora de vários pontos de Guangdong. O empresário e delegado de Macau à APN, Kevin Ho, entende que esta decisão é um “presente do aniversário” oferecido pela Pátria a Macau e uma demonstração da confiança e apoio do Governo Central à RAEM. Já o académico e empresário Lao Ngai Leong, que ocupou durante cinco mandatos também a posição de delegado à APN, refere que a medida resulta da aplicação do princípio “Um País, Dois Sistemas”, contribuindo para a diversificação adequada da economia de Macau. Juana Ng Cen com J.L. info@hojemacau.com.mo

Eleição Indirecta CAEAL proíbe telemóveis

A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) emitiu uma instrução a proibir o “uso de telemóvel e outros equipamentos de telecomunicação com função de captação de imagens” dentro da assembleia de voto. A instrução para a eleição por sufrágio indirecto que se realiza no dia 24 de Novembro é vinculativa. Segundo a CAEAL, depois da instrução “todas as pessoas que se encontram na assembleia de voto estão proibidas de usar telemóvel e qualquer outro dispositivo de telecomunicação, nomeadamente aparelho de recados e walkie-talkie, aparelho de captação de som e equipamento de recolha de imagem em fotografia ou vídeo” arriscam cometer o crime de desobediência qualificada, que envolve uma pena de até dois anos de prisão. Nas eleições de 24 de Novembro apenas existe um candidato, o empresário Wong Sai Man, que vai substituir Ho Iat Seng, após este ter deixado o hemiciclo para assumir a função de Chefe do Executivo.


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FORÇAS DE SEGURANÇA SULU SOU PEDE MUDANÇAS NOS TURNOS EM DIAS FERIADOS

INTERPELAÇÃO MAK SOI KUN QUER INSPECÇÕES REGULARES A PRÉDIOS ANTIGOS

Para maiores de 30 anos

A obrigatoriedade de manutenção de edifícios com mais de 30 anos, verificada por inspecções periódicas, devia ser uma prioridade legislativa. Este é o tema da mais recente interpelação assinada por Mak Soi Kun. Entretanto, moradores afectados pelo incêndio na Areia Preta pediram ajuda ao Chefe do Executivo

deputado Sulu Sou interpelou o Governo sobre a necessidade de alterar o regime de trabalho dos agentes das Forças de Segurança que prestam serviço por turnos durante os dias feriados. Para o deputado do campo pró-democrata, estes agentes que prestam serviço em dias feriados estão sujeitos a um regime completamente diferente em relação aos restantes funcionários públicos das Forças de Segurança, o que constitui uma desigualdade ao nível da compensação dos feriados. Isto porque quando estes agentes trabalham em dias feriados não são recompensados posteriormente. “Apesar de Wong Sio Chak (secretário para a Segurança) ter explicado que estes agentes recebem uma remuneração suplementar mensal, que corresponde ao índice 100 da tabela indiciária, os demais trabalhadores da Função Pública que também trabalham nas Forças de Segurança têm direito a usufruir de uma compensação dos dias feriados”, disse o deputado.  Neste sentido, Sulu Sou quer saber quando é que o Governo vai levar a cabo uma alteração do regime de remuneração suplementar mensal, além de incluir todos os funcionários das Forças de Segurança no regime geral, que inclui o pagamento de horas extras e de compensação do trabalho por turnos.

Assembleia legislativa Chui Sai On no hemiciclo dia 12 de Novembro

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, vai estar na Assembleia Legislativa no próximo dia 12 de Novembro para fazer um balanço do trabalho do Governo face ao ano que está a terminar. Além deste assunto, Chui Sai On vai fazer um lançamento do orçamento para o ano económico de 2020, que será depois executado pelo futuro Chefe do Executivo, Ho Iat Seng. Segundo o comunicado emitido pelo Gabinete de Comunicação Social, após a sessão plenária, o Chefe do Executivo vai responder às questões da imprensa no Palácio do Governo.

TIAGO ALCÂNTARA

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incêndio que deflagrou no Edifício Jardim Kuong Fok Cheong, na Areia Preta, continua a trazer à tona problemas que necessitam de resolução urgente e lacunas legais que importam colmatar. Nesse sentido, Mak Soi Kun assinou uma interpelação escrita a pedir ao Executivo que pondere legislar a obrigatoriedade de inspeccionar edifícios com mais de 30 anos. O deputado quer que se imponha a elaboração de uma lista de elementos a serem fiscalizados e alvo de manutenção obrigatória, para evitar qualquer tipo de risco de segurança. A interpelação de Mak Soi Kun surge na sequência do incêndio no Edifício Jardim Kuong Fok Cheong, que o deputado espera ter servido de alerta para as autoridades agirem no sentido de garantirem a eficaz gestão destes prédios. Outro ponto de destaque da interpelação do deputado é a gestão predial que se foca em questões superficiais e problemas externos, como a pintura exterior, infiltrações ou problemas nas janelas. Pelo caminho ficam problemas estruturais graves por resolver, como o sistema eléctrico, canalizações deficientes ou a precisar de reparação, e sistemas obsoletos de alerta e combate a incêndios. Entre os problemas mais graves, Mak Soi Kun destaca o perigo de

OMBRO DO IAS

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Instituto de Acção Social (IAS) emitiu um comunicado no sábado a reiterar o apoio às famílias afectados pelo incêndio na Areia Preta, nomeadamente através de apoio emocional e aconselhamento, assistência financeira de emergência e residência temporária. O IAS activou o mecanismo de resposta de emergência para acompanhar 28 famílias afectadas. Após avaliação preliminar, a assistência financeira de emergência foi fornecida a 11 famílias cujas habitações foram gravemente danificadas. Um total de oito pessoas estão alojadas no Centro de Sinistrados da Ilha Verde.

instalações eléctricas deficientes, que podem resultar em incêndios, tal como aconteceu na Areia Preta.

CARTA AO CHEFE

Na passada sexta-feira, mais de uma dezena de proprietários afectados pelo incêndio na Areia Preta deslocaram-se à sede do Governo para entregar uma carta a pedir auxílio a Chui Sai On. Os moradores pediram ajuda financeira e auxílio na busca de uma alternativa de alojamento, quer através de alojamento temporário ou subsídio para arrendamento de habitações, até que as fracções afectadas sejam reparadas, de acordo com o jornal Ou Mun.

Foi reportado que passados apenas dois dias do incêndio, particulares voltaram a usar a boca de incêndio para lavar os seus automóveis Os moradores solicitaram ainda um relatório detalhado sobre a actuação do Corpo de Bombeiros durante as operações de combate ao incêndio, nomeadamente porque os soldados da paz terão, alegadamente, optado por bater à porta de cada casa em vez de activar o alarme”, referiu um dos moradores ao Ou Mun. Em declarações ao jornal Exmoo, um dos moradores afectados confessou ter dormido ao relento duas noites, depois do incêndio. Apesar de lhe ter sido garantido que o Instituto de Acção Social iria enviar alguém para acompanhar o seu caso, o morador referiu que ninguém apareceu, mas que também não queria subcarregar os serviços. Foi também reportado que passados apenas dois dias do incêndio, particulares voltaram a usar a boca de incêndio para lavar os seus automóveis. Juana Ng Cen com J.L. info@hojemacau.com.mo


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SUICÍDIO DADOS REVELAM REDUÇÃO DO NÚMERO DE CASOS

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S Serviços de Saúde de Macau (SSM) dão conta de uma redução do número de casos de suicídio não apenas em relação ao início do ano, mas também em relação ao período homólogo do ano passado. Um comunicado dá conta que “no período entre Julho e Setembro de 2019 foram registadas 18 situações consideradas como suicídios, em que dez vítimas eram residentes locais, o que perfaz 55.6 por cento, e oito eram cidadãos não residentes, representando 44.4 por cento”. No total, “este valor corresponde a uma descida de seis por cento relativa aos primeiros trimestres de 2019 e em comparação com o período homólogo do ano passado”. No total dos três trimestres foram registados 47 suicídios, aponta ainda a mesma nota dos SSM.  Segundo a Organização Mundial da Saúde, anualmente mais de 800 mil pessoas cometem suicídio, ou seja, há um suicídio a cada 40 segundos. Embora as causas sejam complexas, e muitas das vezes envolverem doenças mentais, factores psicológicos, sócio-económicos e familiares, entre outros. Os SSM informam ainda que em vários centros de saúde do território foram abertas consultas externas de saúde mental, além de que várias associações locais sem fins lucrativos, tal como a União Geral das Associações dos Moradores de Macau e Associação Geral das Mulheres de Macau, entre outras, criaram entidades de aconselhamento psicológico na comunidade totalmente gratuitos.

SAÚDE ILEGALIDADES COM VACINAS SÃO CADA VEZ “MAIS GRAVES”

Na rota do lucro As autoridades apreenderam 315 vacinas desde o início do ano, 11 das quais tinham sido importadas de forma ilegal e 4 estavam fora do prazo de validade. Seis clínicas privadas estão a ser investigadas devido a más práticas

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S autoridades instalaram processos a seis clínicas desde o início do ano devido “às grandes quantidades de vacinas” armazenadas com uma “origem desconhecida”, infracções que foram consideradas cada vez “mais graves”. O ponto de situação foi feito uma conferência de imprensa dos Serviços de Saúde (SSM) na sexta-feira, sendo que de acordo com a legislação em vigor as clínicas privadas não podem importar, armazenar nem administrar vacinas. De acordo com os dados revelados, os processos às seis clínicas resultaram na apreensão de 315 vacinas, das quais 11 tinham sido trazidas para Macau de forma ilegal e quatro estavam mesmo foram do prazo de validade. Entre estes casos, quatro das irregularidades foram identificadas no mês de Outubro. O número de infracções é assim o mais elevado desde 2015, e o ano

quatro contra o cancro do colo do útero fora do prazo de validade. No mesmo estabelecimento, foram encontrados outros medicamentos foram do prazo de validade. O segundo caso de Outubro aconteceu no Centro Médico AMBO, no Fortuna Business Centre, em Nam Van, a 22 de Outubro. Na inspecção foram descobertas 45 tipos de vacinas, entre as quais nove tinham sido importadas de forma ilegal. Os responsáveis não conseguiram fornecer a informação sobre a origem dos produtos. Os outros dois casos de Outubro foram identificados na Taipa. A 23 de Outubro a inspecção ao Centro Médico HongYu, naAvenida Kwong Tung, permitiu encontrar 83 vacinas, armazenadas num local de refrigeração “do tipo doméstico” em conjunto com alimentos. Finalmente, no dia 24, na Clínica do Dr. Wong Shing Ngai e da Dr.a Wong Chio Iong foram encontradas 82 vacinas, armazenadas a uma temperatura que variava entre os 11,7 e 18,9 graus Celsius, quando as recomendações é que sejam armazenadas a uma temperatura entre os 2 os 8 graus Celsius.

MERCADO DO INTERIOR

ainda nem terminou. Em 2015 e 2016 não tinham sido registados casos de infracções em relação à lei que regula a utilização das vacinas. Porém, em 2017 o número de casos subiu para quatro e no ano passado voltou a aumentar, neste caso para cinco. Mas actualmente, quando faltam cerca de dois meses para o final do ano, o número de infracções é superior aos registos anteriores.

CASOS NA TAIPA E MACAU

Também na sexta-feira os SSM revelaram as informações sobre as clínicas envolvidas nas alegadas ilegalidades detectadas em Outubro. O primeiro caso foi registado

a 17 de Outubro e diz respeito ao Centro Médico MICC, que fica na Rua de Abreu Nunes, perto do Pavilhão Desportivo do Tap Seac. Nesta clínica estavam armazenadas 52 doses de vacinas, entre as quais

A 23 de Outubro a inspecção ao Centro Médico Hong Yu [...] permitiu encontrar 83 vacinas, que estavam a ser armazenadas [...] em conjunto com alimentos

Segundo Leong Pui San, responsável da Unidade Técnica de Licenciamento das Actividades e Profissões Privadas de Prestação de Cuidados de Saúde (UTLAP), as ilegalidades das clínicas têm por base o mercado do Interior da China. O facto de as vacinas apresentarem frequentemente problemas do outro lado da fronteira, que se traduzem em escândalos que ameaçam a saúde pública, faz com que as pessoas venham a Macau à procura de produtos com segurança garantida. Apesar de ser ilegal, as clínicas tentam aproveitar-se desta procura. Recentemente o deputado Chan Iek Lap, que representa o sector médico, defendeu numa reunião da 2.ª Comissão Permanente a necessidade de se legalizar a vacinação pelos privados, para que estes possam fazer mais algum dinheiro. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

LGBT ASSOCIAÇÃO ARCO-ÍRIS LANÇA QUESTIONÁRIO SOBRE HÁBITOS

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associação Arco-Íris de Macau lançou no sábado o terceiro questionário para traçar o perfil da comunidade Lésbica, Gay, Bissexual e Transexual (LGBT), que pode ser completado até 9 de Novembro. O objectivo da iniciativa promovida pela associação que tem como director-geral Anthony Lam visa conhecer melhor

as diferentes comunidades e formular políticas para os desafios encontrados: “A apresentação de dados representativos e valiosos a organizações não-governamentais, académicos, à sociedade civil e ao Governo para um melhor serviço e desenvolvimento de políticas é uma honra, uma missão e mostra o nosso apoio às comunidades

LGBT”, afirmou Anthony Lam, em comunicado. Por sua vez, o porta-voz da associação Jason Chao destacou o facto de as vozes da comunidades serem frequentemente minadas devido ao estigma social. “O inquérito vai dar à comunidade LGBT mais uma oportunidade para exprimir as suas preocupações”, indicou.

Os interessados podem preencher até 9 de Novembro o questionário através do portal https://survey. rainbow.mo/. De acordo com a organização, o inquérito tem 47 perguntas e demora até 10 minutos para ser finalizado. Na última vez que a associação Arco-Íris de Macau fez um inquérito semelhante, em 2016, os

resultados indicaram que 6,6 por cento dos inquiridos tinha sido alvo de violência doméstica por parte dos parceiros. Na altura, entre as 700 pessoas que responderam, cerca de 90 por cento considerou que os casais da comunidade deviam ser abrangidos pela lei de violência doméstica. O Governo optou por uma via diferente.


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Trânsito Mais de 10 mil acidentes registados até Setembro Entre Janeiro e o fim de Setembro o Departamento de Trânsito do Corpo de Polícia de Segurança Pública registou mais de 10 mil acidentes, segundo os dados revelados ontem por Lao Sio Hap, responsável interino pelo departamento. De acordo com as declarações da Lao, registaram-se mais de 3.300 feridos e oito mortos. Entre as principais causas dos sinistros, Lao apontou os condutores que não dão prioridade aos peões nas passadeiras, o desrespeito pela distância de segurança para a

viatura da frente e ainda a utilização do telemóvel ao volante. No que concerne à última infracção mencionada, o subintendente da PSP informou que nos primeiros nove meses houve mais de 5,700 multas relacionadas com a utilização do telemóvel ao volante, um aumento de 40 por cento face ao mesmo período do ano passado. Também no que diz respeito à situação das passadeiras, houve um aumento das autuações de quase 70 por cento, que actualmente são de cerca de 1.500 casos.

Doca Seca Obras custam pelo menos 4 milhões O Governo recebeu 11 propostas para a obra de reordenamento de Drenagem de Águas e Estrada adjacente à Rua da Doca Seca, com preços que variam entre os 4,53 milhões de patacas e os 6,6 milhões de patacas. De acordo com a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e

Transporte (DSSOPT), foi recusada uma proposta e os trabalhos têm como objectivo “responder às necessidades do desenvolvimento urbano e reforçar a capacidade de escoamento da rede de drenagem da zona em causa”. Os trabalhos devem começar no primeiro trimestre do ano

e consistem na instalação da rede de drenagem de águas pluviais e residuais, repavimentação das vias rodoviárias e passeios, instalação de cabos eléctricos para equipamentos de trânsito, instalação de câmaras de visita e instalação de gradeamentos metálicos nas vias.

JUSTIÇA CORPO DE POLÍCIA DIZ QUE NÃO TEM MECANISMOS LEGAIS PARA EVITAR FUGAS

Desaparecido em Setembro O Corpo de Polícia de Segurança Pública admite que não tinha poderes para impedir a saída do autor do acidente de viação mortal, devido às medidas de coacção aplicadas pelo juiz de instrução criminal. Contudo, defende o magistrado e diz que este tipo de fugas só pode ser evitado com alterações nas leis

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Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) defende que não podia fazer nada para evitar que o homem que provocou o acidente que vitimou fatalmente uma estudante de 22 anos saísse de Macau. Numa resposta enviada ao HM, o CPSP reconhece que o homem saiu do território a 5 de Setembro, mas que não podia fazer nada, uma vez que a medida de coacção aplicada se limitava a apresentações mensais. “Cabe-nos esclarecer que a definição da situação processual do arguido não cabe às Polícias, mas sim ao juiz, em particular ao juiz de instrução criminal”, começa por explicar a força da autoridade, que depois complementa que o seu papel neste processo é de auxílio: “Nos termos dos artigos 44º e 45º

do Código de Processo Penal, compete aos órgãos de polícia criminal coadjuvar as autoridades judiciárias, com vista às finalidades do processo, agindo sob sua orientação e dependência”, é apontado, numa reposta ao HM. Em relação à situação concreta, o CPSP defende que nada poderia ter feito para evitar que o homem saísse de Macau. “No caso, o arguido ficou apenas sujeito à medida de apresentação mensal às autoridades e não à proibição de ausência de Macau. Há registo de que o arguido se ausentou pela última vez de Macau no dia 5 de Setembro e não podia a polícia, nos termos da lei, impedi-lo de se ausentar”, é explicado. “Do não cumprimento [da medida de coacção] foi dado imediato conhecimento ao Tribunal”, foi acrescentado. Se por um lado, o CPSP indica que a decisão da medida de coacção pertenceu ao juiz de instrução, por outro reconhece que pouco mais poderia ter sido feito, pelo menos à luz das leis actuais: “Quanto às

medidas que possam ser tomadas para evitar este tipo de casos, trata-se de uma questão que implica a alteração do Código de Processo Penal, havendo que equilibrar a dureza das medidas de coacção com a gravidade das situações penais, não se podendo aplicar a qualquer crime uma qualquer medida de coacção”, foi respondido.

DE MÃOS ATADAS

Segundo o Código de Processo Penal, a prisão preventiva pode ser aplicada quando todas as outras medidas de coacção são consideradas insuficientes e “houver fortes

“Há registo de que o arguido se ausentou pela última vez de Macau no dia 5 de Setembro e não podia a polícia, nos termos da lei, impedi-lo de se ausentar.” CPSP

indícios de prática de crime doloso punível com pena de prisão de limite máximo superior a 3 anos”. A prisão preventiva é igualmente a solução para o caso em que se trata “de pessoa que tiver penetrado ou permaneça irregularmente na Região Administrativa Especial de Macau, ou contra a qual estiver em curso processo de entrega a outro Território ou Estado ou de expulsão”. Além destas duas condições, a prisão preventiva pode ser ainda aplicada se o arguido sofrer de problemas mentais, que possam colocar em perigo a vida em sociedade, ou se o eventual crime “tiver sido cometido com violência e for punível com pena de prisão de limite máximo superior a 8 anos”. Mesmo para a aplicação da medida de proibição de ausência de Macau é exigível que haja “fortes indícios de prática de crime doloso punível com pena de prisão de limite máximo superior a 1 ano”. O Tribunal Judicial de Base condenou o homem por homicídio por negligência grosseira com uma pena de 3 anos e 3 meses. Segundo

a moldura penal o homicídio por negligência grosseira é punido com uma pena máxima de 5 anos. Porém, caso se considerar que a negligência não foi grosseira, a pena máxima aplicável reduz-se para 3 anos. Foi em Março deste ano que o homem do Interior da China atravessou uma viatura de sete lugares num cruzamento, sem que tivesse respeitado o sinal de paragem obrigatória, e atingiu o motociclo em que seguia uma estudante de 22 anos. A jovem acabou por morrer na sequência dos ferimentos e o homem foi condenado a uma pena de prisão de 3 anos e 3 meses. O indivíduo, que conduzia de forma ilegal o veículo ao serviço de uma empresa junket, saiu de Macau e não está a cumprir a pena. Além disso, a empresa promotora de jogo assumiu o compromisso de pagar 8 milhões de patacas aos familiares da vítima. João Santos Filipe

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segunda-feira 28.10.2019

Plano animal

JOGO ASSOCIAÇÃO LIGADA A CLOEE CHAO ACUSADA DE TER RENDAS EM ATRASO

Deve ou não deve?

Associações exigem ao IAM programa de recolha e esterilização

Proprietário de fracção no rés-do-chão queixa-se de dívida de cerca de 138 mil patacas e publicou um anúncio no jornal Ou Mun. A associação defende-se e diz que o contrato estipulava que a fracção precisa de cumprir os requisitos da DSSOPT para a formação de trabalhadores, o que não acontece

A Associação recusa a existência da dívida e considera que Kou nunca cumpriu com o acordado entre as partes, ou seja, com a realização de obras para que o rés-do-chão pudesse ser utilizado como um centro de formação “A Associação de Direitos dos Trabalhadores de Jogo, representada por Cloee Chao, arrendou a loja situada no rés-do-chão do bloco D (DR/C) do Edifício San Mei On (1ª fase). Mas a 8 de Julho deste ano devolveu a fracção e pediu a denúncia do contrato de arrendamento”, poder ler-se no anúncio. “Após o cálculo, a dívida da associação é de 131.683,2 patacas, à qual acresce 6.330 patacas, sendo que a caução também vai ser confiscada pelo proprietário”, foi igualmente anunciado.

No aviso de 25 de Outubro, o proprietário identificado como Kou Kam Kio revelou ainda esperar que o pagamento seja regularizado dentro de sete dias, ou seja até à próxima sexta-feira.

CONTRAPONTO

A Associação de Direitos dos Trabalhadores de Jogo recusa a existência da dívida e considera que Kou nunca cumpriu com o acordado entre as partes, ou seja, com a realização de obras para que o rés-do-chão pudesse ser utilizado como um centro de formação. “Antes de assinarmos o contrato tínhamos dito ao proprietário que a estrutura arquitectónica do local devia estar em conformidade com as

normas exigíveis, uma vez que iria servir para a criação de um centro de formação e seria preciso solicitar a licença junto do Governo”, começou por explicar a associação, em comunicado. “Nesse momento, o proprietário prometeu fazer todas as obras de renovação da loja. No entanto, após as obras e o envio da candidatura às autoridades para criar um centro de formação, o processo foi recusado por causa da incompatibilidade entre a estrutura da loja e o projecto arquivado na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes”, foi acrescentado. Sem a aprovação para o centro, a associação defende que está no seu direito de partir para a rescisão com justa causa:

SOFIA MARGARIDA MOTA

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Associação de Direitos dos Trabalhadores de Jogo, presidida por Cloee Chao, está a ser acusada de dever cerca de 138 mil patacas ao proprietário de uma fracção, onde iria funcionar a sede da agremiação. A acusação foi feita na edição de 25 de Outubro do jornal Ou Mun, a partir de uma publicidade.

“Solicitámos ao proprietário a anulação do arrendamento e a devolução do respectivo depósito, de acordo com a alínea do contrato que definia que o ‘proprietário é o responsável pela segurança da estrutura arquitectónica’”, foi revelado. AAssociação de Direitos dos Trabalhadores de Jogo nega também que as dívidas estejam relacionadas com as finanças pessoais de qualquer dos membros e a ideia de ter recebido qualquer apoio de entidades financeiras para as actividades da associação. João Santos Filipe Juana Ng Cen

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E I S associações ligadas à protecção animal, uma delas a ANIMA, e a Associação das Clínicas Veterinárias de Macau reuniram com o presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), José Tavares, a fim de exigir o estabelecimento de um programa de recolha e esterilização de animais de rua. A reunião contou com a presença do deputado Sulu Sou. De acordo com um comunicado oficial, as associações “reiteram que a implementação de um plano de recolha e esterilização é um importante passo para tratar as origens do problema” do abate de animais. “Através da recolha de animais de rua, da esterilização e aplicação de vacinas, bem como do seu regresso ao local de origem ou outras áreas, vai levar a um controlo dos animais de rua a longo termo”, acrescenta o comunicado.  As associações apresentam o exemplo do programa de recolha e esterilização de gatos de rua, que desde 2007 já levou a uma esterilização de 1.875 gatos, o provocando uma redução do número de abates em um digito. “Mesmo o Governo reconheceu que os resultados foram positivos mas, infelizmente, o plano foi suspenso em 2015.”  As seis entidades consideram ainda que a implementação de um plano de recolha e esterilização de animais de rua constituiria apenas “a primeira parte” de uma série de medidas. “A sociedade civil está disposta a cooperar com o Governo em matéria de alimentação de animais e higiene. As associações sugerem também que através de acções de formação contínuas e uma gestão do programa de recolha e esterilização por parte de grupos e voluntários, mais pessoas podem aceitar e apoiar esse programa.”

VELHOS ARGUMENTOS

Cloee Chao, presidente da Associação de Direitos dos Trabalhadores de Jogo

O IAM terá adiantado aos representantes das associações que a implementação de um plano deste género funciona melhor “numa área menos populosa e mais restrita” mas, para as associações, esta posição do Governo não passa de uma repetição de argumentos antigos. “Se o Governo concorda na importância do controlo da origem destes animais, deve alterar a forma de pensar para criar condições, tal como a promoção da inclusão social dos animais e planear o lançamento de um programa piloto em algumas áreas remotas.” Dados divulgados pelo IAM revelam que o Governo capturou um total de 7.023 animais de rua, sendo que 77,4 por cento, ou seja, 5.436, foram abatidos o que perfaz uma média de 35 cães mortos por mês. No que diz respeito aos gatos, foram capturados 3.265, com 421 a serem abatidos. Para os representantes das associações que reuniram com José Tavares, estes números revelam uma situação “perturbadora e angustiante”. A.S.S.


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28.10.2019 segunda-feira

ARMAZÉM DO BOI RESIDÊNCIA ARTÍSTICA DE YINGMEI DUAN A 1 DE NOVEMBRO

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agenda cultural do Armazém do Boi prossegue esta semana com uma nova exposição fruto de uma residência artística de Yingmei Duan. A mostra será inaugurada esta sexta-feira, 1 de Novembro, e tem como nome “Yingmei Curious”, com trabalhos que são resultado da curiosidade natural da artista em relação a Macau. De acordo com uma nota oficial do Armazém do Boi, “para Yingmei Duan, Macau

seria o local perfeito para iniciar uma conversa mais íntima”, uma vez que o território “despertou imenso a curiosidade da artista por ser tão pequeno, e dada essa pequena dimensão seria ideal para uma comunicação efectiva”. Desta forma, a residência artística no Armazém do Boi proporciona à artista, nascida na China, “a oportunidade de falar com pessoas oriundas de todas as camadas sociais, com aquelas que

trabalham no sector criativo ou na indústria do jogo, dos macaenses aos pescadores”. Esta mostra de arte performativa interdisciplinar “reúne a artista com o seu público”, sendo que o resultado final deste trabalho “está aberto a todas as interpretações”. “Uma vez que Macau despertou tanto a curiosidade de Yingmei, que tipo de perguntas vai inspirar?”, questiona o Armazém do Boi.  Nascida em 1969, na cidade de Daqing, província de Heilongjiang, Yingmei Duan formou-se, em 1989, na Northeast Petroleum University, na China, tendo começado a sua carreira em 1991. Mais tarde faria estudos na área da pintura mural e a óleo, desenho e escultura na Central Academy of Fine Arts e Central Academy of Art and Design, também na China. Desde 1998 que Yingmei Duan trabalha como freelancer em Pequim. A exposição poderá ser visitada até ao dia 22 de Dezembro. PUB

S

ÃO dez anos a mostrar o que de melhor se faz no campo artístico em Macau. Sábado, 2 de Novembro, é inaugurada a décima edição do Salão de Outono, uma mostra que nasce da parceria entre a Art For All Society (AFA) e a Fundação Oriente (FO). A exposição poderá ser visitada até ao dia 30 de Novembro. Também no sábado será apresentado o novo Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas. No total, a mostra conta com 78 obras de 50 artistas de ou ligados a Macau, como é o caso de Ana Jacinto Nunes, Cai Guo Jie, Chan San San, Chau Chong In, Chau da Luz Celeste, Cheang Kawo, Cheong Hoi I, Cheong Ut Man, Chiang Wai Lan e Francisco António Ricarte, entre muitos outros.  De acordo com uma nota oficial da FO, “as obras de arte seleccionadas incluem pintura a óleo e a acrílico, aguarela, desenho, escultura, fotografia, gravura e instalação”.  “Embora de diferentes origens, todos os participantes trabalham e vivem em Macau. Este ano, participaram não só jovens e potenciais artistas, mas também artistas que já desempenham um papel central no cenário da arte contemporânea de Macau. Esta é uma boa uma boa ocasião para os artistas aprenderem e para se complementarem através do conhecimento do trabalho de uns e de outros”, acrescenta a mesma nota. No que diz respeito ao prémio atribuído pela FO, este dará a oportunidade ao vencedor de visitar Portugal para realizar um programa de intercâmbio artístico de um mês. O objectivo desta mostra é, acima de tudo, mostrar o que de melhor se faz localmente e promover uma interligação entre aqueles que pertencem ao meio artístico. “A AFA Macau e a FO sempre trabalharam na criação de plataformas para artistas locais e estrangeiros, oferecendo oportunidades para os artistas interagirem e aprenderem uns com os outros. Ao convidar o público para visitar a exposição, dão aos jovens artistas a possibilidade de mostrar as suas obras

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FUNDAÇÃO ORIENTE SALÃO DE OUTONO

É já no sábado, 2 de No do Salão de Outono, mo Destaque ainda para a e

Fundação Oriente “Embora de diferentes origens, todos os participantes t

CENTRO CULTURAL DE MACAU “ACONCHEGARTE NO INVER

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NTRE Dezembro deste ano e Janeiro de 2020 acontece no Centro Cultural de Macau (CCM) uma série de espectáculos programados para as famílias. A iniciativa tem como nome “Aconche-

gARTE” e “promete encantar e entreter um público vasto através de produções musicais e teatrais concebidas em Macau e vindas do exterior”, aponta um comunicado do Instituto Cultural (IC).

A 20 de Dezembro acontece o espectáculo “O Som da Natureza - Clube das Cantigas em Concerto”, que oferece “um alinhamento adornado por movimentos coreográficos, o concerto evoca os sons da


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segunda-feira 28.10.2019

década artística

2019 ARRANCA NO SÁBADO

ovembro, que é inaugurada na Casa Garden a décima edição ostra anual dos trabalhos de meia centena de artistas locais. entrega do Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas

trabalham e vivem em Macau. Este ano, participaram não só jovens e potenciais artistas, mas também artistas que já desempenham um papel central no cenário da arte contemporânea de Macau.”

incentivando, assim, a sua criação artística”, aponta o mesmo comunicado.

ONDJAKI EM MACAU

A fim de celebrar uma data tão especial, o cartaz do Salão de Outono apresenta também um espectáculo com a presença do escritor angolano Ondjaki e da violoncelista Maria Clara Valle. Esse espectáculo tem como nome “Chão de Novo” e mistura música e spoken word. “O espectáculo estabelece o encontro da poesia em língua portuguesa, dita pelo escritor Ondjaki, com a música da brasileira Maria Clara Valle. A poesia é de escritores de língua portuguesa e o espectáculo varia entre a leitura dos poemas e a música”, adianta a FO. Ondjaki nasceu em Luanda e é prosador e poeta, sendo considerado um dos maiores escritores angolanos. Também escreve para cinema e teatro. Co-realizou um documentário sobre a cidade de Luanda (“Oxalá cresçam pitangas – histórias de Luanda”, 2006).  É membro da União dos Escritores Angolanos, membro honorário da Associação de Poetas Húngaros e membro fundador, mas não permanente, da Associação Protectora do Anonimato dos Gambuzinos. Está traduzido para francês, espanhol, italiano, alemão, inglês, sérvio, sueco, chinês, swahili e polaco. Ondjaki  ganhou o prémio José Saramago, em 2013 (Portugal), com o seu livro “Os transparentes”; o prémio FNLIJ, em 2011, na categoria de “Literatura em Língua Portuguesa”, com o seu livro “Uma escuridão bonita” (Pallas, Brasil); e o Prémio Littérature-Monde na categoria de literatura não francesa, com o seu livro “Os transparentes” (França).

RNO” PROMOVE ESPECTÁCULOS PARA A INFÂNCIA natureza, das calmantes gotas de chuva na floresta à vida animal, sem esquecer os clássicos de Natal”. Entre os dias 27 e 29 de Dezembro, o cartaz do AconchegARTE apresenta o espectáculo “Shh Nós Temos

um Plano!”, da Irlanda do Norte. Trata-se de uma “história sem palavras, com música e marionetas que segue as aventuras de um grupo de amigos numa corrida louca para apanhar um ilusivo passarinho poisado no

alto de uma árvore”. Este espectáculo inspira-se no conhecido livro de Chris Haughton. Além disso, a companhia Cahoots NI apresenta um workshop de teatro físico para crianças entre os três e os cinco

anos, bem como um workshop de marionetas para pais e miúdos, ambos marcados para 24 de Dezembro. No último dia do ano, e até 5 de Janeiro, o CCM acolhe o espectáculo “O Jardim das Mentes Vivas”, da Suécia.

Trata-se de uma “experiência sensorial multi-artística para bebés” concebida pela artista serbo-sueca Dalija Thelander. Os bilhetes para os espectáculos doAconchegARTE no Inverno já estão à venda.


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28.10.2019 segunda-feira

AFEGANISTÃO PEQUIM ADIA RONDA PARA NEGOCIAR PAZ

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China adiou por alguns dias a ronda inter-afegã de negociações entre os talibãs e membros da sociedade civil agendada para 28 e 29 de Outubro em Pequim para relançar o processo de paz. “O governo chinês informou-nos [sobre o atraso] e pediu-nos alguns dias”, disse sábado o porta-voz dos talibãs Zabihullah Mujahid à agência de notícias espanhola EFE. O porta-voz, que reconheceu que não tem conhecimento do motivo do atraso, acrescentou que ainda não se conhece a nova data da ronda, estando a aguardar mais detalhes. Adelegação de 15 membros dos talibãs, chefiada por Mulá Baradar, chefe dos insurgentes no Qatar, “ainda não se havia deslocado para a conferência na China”, explicou Mujahid. Aformação rebelde, que há um mês tinha já enviado uma delegação de nove membros à China, indicou na semana passada que o diálogo seria realizado no

âmbito das negociações em Moscovo, capital da Rússia, e Doha, capital do Qatar, para encontrar um caminho para a paz após 18 anos de guerra no Afeganistão. O anúncio da conferência aconteceu após o encontro na terça-feira do mullah Baradar com o enviado especial chinês para o Afeganistão, Deng Xijun, segundo os rebeldes. Nos últimos meses, a violência contra a população civil tem aumentado, atingindo números recordes entre Julho e Setembro. A Missão da ONU salientou que as numerosas vítimas civis ocorreram enquanto os EUA e a formação insurgente se reuniam no Qatar para tentar chegar a um acordo de paz, antes de o Presidente norte-americano, Donald Trump, interromper as negociações em Setembro passado. O diálogo foi suspenso abruptamente por Trump após um ataque dos talibãs em Cabul, que resultou na morte de um cidadão norte-americano.

HONG KONG MANIFESTAÇÃO DISPERSADA COM GÁS LACRIMOGÉNEO E GÁS PIMENTA

Agitação em Tsim Sha Tsui Pelo 21.º fim-de-semana consecutivo os protestos voltaram às ruas de Hong Kong. Desta vez, a manifestação ilegal apresentou-se como de apoio aos jornalistas vítimas da violência policial em exercício de funções e à comunidade muçulmana

REFORMADOS EM ACÇÃO

Guangdong Detida activista feminista

Os amigos de uma activista do movimento #MeToo na China afirmam que a jovem foi detida por suspeitas de “fomentar brigas e causar problemas” após participar numa das manifestações em Hong Kong, informam as agências internacionais. De acordo com os amigos de Huang Xueqin, uma activista feminista e voz activa do movimento #MeToo na China, a jovem foi presa na cidade de Guangzhou, na província de Guangdong, na quinta-feira. A polícia alegou que a feminista seria detida por suspeitas de “fomentar brigas e causar problemas”, uma acusação vaga e normalmente usada contra activistas que são vistos como perigosos pelo Partido Comunista chinês. Os amigos afirmam que a família de Huang foi assediada após a publicação de um artigo escrito pela jovem sobre a sua experiência numa manifestação em Hong Kong. Em Agosto, a polícia de Guangzhou confiscou o passaporte de Huang e outros documentos que lhe permitissem viajar, impedindo-a de frequentar um curso de pós-graduação na Universidade de Hong Kong.

para dispersar a multidão junto à entrada do parque. Informações publicadas pelo diário independente South China Morning Post (SCMP) indicam que a acção policial aconteceu depois de a multidão ocupar a via de Salisbury e bloquear o tráfego. A polícia disparou gás lacrimogéneo e utilizou gás pimenta para dispersar os manifestantes. “Já levei tantas vezes com gás lacrimogéneo que já não me incomoda muito”, disse à EFE Chan, um manifestante de 70 anos. “Devemos sair em massa. Não devemos parar. Temos de estar aqui para apoiar e proteger os jovens. Se pararmos, as autoridades prendem-nos a todos”, acrescentou. Apesar de obrigados a dispersar pouco depois do início da manifestação, muitos manifestantes regressaram ao local depois das operações policiais. A EFE dá ainda conta de incidentes numa estação de metro na zona de Mong Kwok, com os manifestantes a arremessarem ‘cocktails molotov’.

A

S ruas de Hong Kong voltaram este fim de semana a registar incidentes violentos depois de uma manifestação ilegal, que terminou com a polícia a dispersar os manifestantes PUB

Direcção dos Serviços de Identificação AVISO

Assunto: Alteração do estado civil e dos dados de contacto Nos termos da lei, por mudança do estado civil, os residentes de Macau devem actualizar essa informação na DSI no prazo de 60 dias. Para além disso, deve ser procedida a actualização dos dados de contacto (ex: morada, telefone, etc), sempre que se verifique a alteração dessas informações. Para pormenores, queira visitar o site da DSI: www.dsi. gov.mo ou ligar para a linha de informação: 28370777.

com gás lacrimogéneo, gás pimenta e canhões de água anti-distúrbios. O protesto decorreu na zona comercial e turística de Tsim Sha Tsui na tarde de domingo, sob o lema ‘Luta contra a brutalidade policial: estamos com os civis, os jornalistas, e a comunidade muçulmana”, adiantou a EFE. No vigésimo primeiro fim de semana consecutivo de protestos pró-democracia, centenas de manifestantes reuniram-se no Jardim Salisbury para uma manifestação considerada ilegal por não ter autorização da polícia. A manifestação foi anunciada como uma demonstração de apoio aos jornalistas que foram vítimas da violência policial em exercício de funções e à comunidade muçulmana, uma semana depois de a polícia ter pulverizado com líquido de um canhão anti-distúrbios

a entrada da mesquita de Kowloon, o que, de acordo com as forças de segurança, foi um acidente. A tensão aumentou ontem à medida que centenas de agentes com equipamento anti-distúrbios se colocaram em torno do parque e começaram à procura de manifestantes com máscaras, indumentária proibida pelo Governo da cidade há semanas. A EFE constatou no local que, cerca de meia hora depois do início da concentração, marcada para as 15:00 locais, a polícia disparou gás lacrimogéneo

“Já levei tantas vezes com gás lacrimogéneo que já não me incomoda muito.” MANIFESTANTE DE 70 ANOS

Também ontem o SCMP adiantou que a polícia de Hong Kong se prepara para reforçar os meios com recurso a agentes aposentados, para aliviar a pressão nas forças de segurança que combatem os protestos que já duram há quase cinco meses. A contestação social que se vive em Hong Kong desde o início de Julho foi desencadeada pela apresentação de uma proposta de emendas à lei de extradição, que o Governo de Carrie Lam já retirou formalmente, em resposta a uma das exigências apresentadas pelos manifestantes. Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.


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segunda-feira 28.10.2019

Negócios em marcha

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Brasil e China assinam oito acordos e memorandos na visita de Bolsonaro

Brasil e a China assinaram sexta-feira oito acordos e memorandos de entendimento, na primeira visita ao país asiático do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que procurou diversificar as exportações brasileiras e atrair investimento chinês. Os principais acordos envolvem carne bovina processada e farelo de algodão, usado para alimentação animal, e energia renovável, incluindo bioenergia, distribuição de recursos energéticos e eficiência energética. Foi ainda assinado um acordo para o reconhecimento mútuo de operadores económicos autorizados, que visa facilitar os trâmites aduaneiros, através do tratamento prioritário, menos inspecções ou requisitos menos rígidos de segurança para determinadas empresas. Um memorando de entendimento assinado entre

das obras do projecto de transmissão de energia elétrica entre Xingu e o Rio de Janeiro, com uma extensão de 2,5 mil quilómetros.

LEILÃO ABERTO

os ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países visa “tornar mais regulares os contactos institucionais” e estabelecimento de uma “linha directa” entre os dois países, para consulta sobre temas bilaterais, regionais e internacionais. Um outro acordo prevê a entrega da exploração da Hidrelétrica de Xingu à estatal chinesa State Grid, na sequência da conclusão

Os acordos foram assinados durante o encontro entre Bolsonaro e o homólogo chinês, Xi Jinping, no Grande Palácio do Povo, depois de uma cerimónia de boas vindas com guarda de honra, salvas de canhão e os hinos nacionais de cada um dos dois países tocados por uma banda militar. O líder brasileiro convidou ainda a China a participar no leilão dos direitos de exploração de petróleo e gás que o seu executivo está a preparar e no programa de desenvolvimento de infraestruturas do Brasil. “A China não poderá se fazer ausente neste momento”, disse.

OFERECIDA CAMISOLA DO FLAMENGO

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ofereceu sexta-feira ao homólogo chinês uma camisola do clube de futebol Flamengo, que é treinado pelo português Jorge Jesus e que na semana passada ficou apurado para a final da Taça Libertadores. “Esse é o melhor time do Brasil na actualidade”, afirmou Jair Bolsonaro, que se diz adepto do Botafogo e Palmeiras. Bolsonaro considerou que “todo o Brasil é Flamengo” e disse ter a certeza que os 1.300 milhões de chineses vão apoiar a equipa do final do próximo mês, quando disputar a final da Libertadores.

SATÉLITE EM DEZEMBRO

O Brasil e a China vão colocar em órbita o sexto satélite de vigilância remota que desenvolveram em parceria, na madrugada de 17 de Dezembro, informaram sexta-feira fontes oficiais brasileiras. O satélite chamado Cbers-4A foi montado no Brasil e, desde Maio, está a ser testado no Laboratório da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, revelou um comunicado divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro. O satélite será colocado em órbita por um foguete chinês cujo lançamento está programado para 17 de Dezembro, a partir da Base de Taiyuan, cerca de 500 quilómetros ao norte de Pequim, segundo o INPE.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 604/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 572/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 629/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor NGUYEN THANH LUAN, portador do Título de Identificação de Trabalhador Não-Residente da RAEM n.° 21973xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 206/DI-AI/2017 levantado pela DST a 15.08.2017, e por despacho do signatário de 11.10.2019, exarado no Relatório n.° 450/DI/2019, de 18.09.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Seis Bairro Iao Hon n.° 53, Kat Cheong, 3.° andar C(C311), Macau onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 11 de Outubro de 2019.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor WANG LIANGCAI, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C39584xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 67/DI-AI/2018, levantado pela DST a 31.03.2018, e por despacho do signatário de 11.10.2019, exarado no Relatório n.° 427/DI/2019, de 04.09.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Xangai n.° 75-D, I Keng Fa Un, I Pou Kok, 8.° andar F onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ----------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 11 de Outubro de 2019.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora PAGEDPED BENITA COMILA, portadora do Passaporte Filipino n.° EB3383xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 19.1/DI-AI/2018, levantado pela DST a 31.01.2018, e por despacho do signatário de 11.06.2019, exarado no Relatório n.° 245/DI/2019, de 29.05.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Taipa, Rua de Bragança n.° 260, Urbanização da Nova Taipa - Fase I, Bloco 22, 4.° andar N.--------------------------No mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 11 de Outubro de 2019.

O Director dos Serviços, Subst.°, Cheng Wai Tong

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28.10.2019 segunda-feira

Rio pra não ouvir a voz que grita dentro de mim

O Retrato de Du Qiong Entre Pinheiros

Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

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IE Jin (1355-1430) pintor em Suzhou, fez na base de uma imensa paisagem, em pequenas dimensões um encontro entre dois homens, que se percebe pelas vestes serem dois literatos, no rolo vertical «Casa rural no lado norte do lago» (109,9 x 50,1 cm, que está no Museu Provincial de Zhejiang). De vermelho, o anfitrião recebe a sua visita tendo nas mãos um rolo, de caligrafias ou de pinturas ou ambas, desenrolado no seu colo. Trata-se de uma pintura que se queria um retrato, feita para um pintor seu contemporâneo, Du Qiong. Foi feita num tempo histórico particularmente interessante. O tempo do reinado do imperador Yongle (r.1403-1424) que mudou a capital de Nanquim para Pequim, provocando uma série de inesperadas mutações, uma das quais foi transformar a cidade de Suzhou (Jiangsu) na capital informal da cultura. Nesse ambiente, certas convenções sociais faziam das pinturas objectos de troca, cimentando relações de amizade ou de cortesia, que foram particularmente intensas nesta cidade. A restauração Ming (1368-1644) provocava igualmente um entusiasmo pelas raízes da civilização que, se na capital via o restabelecimento da Academia Imperial de Pintura com os seus ojectivos conservadores, ao nível das elites das cidades, particularmente em Suzhou, iam-se recriando as formas tradicionais de expressão da pintura. Du Qiong (1396-1474) a quem Xie Jin dedicou a sua pintura, repetiu num retrato um desses en-

contros de literatos entre si e com a natureza, com a mesma figura de um anfitrião formalmente vestido de vermelho. Du Qiong era também de Suzhou e era poeta, calígrafo e pintor, além de um orgulhoso descendente do lendário Dong Yuan (c. 934 – c. 962) e seria um reconhecido mestre do eminente pintor Shen Zhou (1396- 1474), pelo que o seu lugar seria facilmente enquadrado numa corrente de relevantes pintores reafirmando a força da tradição da pintura como forma de expressão privilegiada do espírito nacional. Nessa pintura que fez num pequeno rolo horizontal conhecido como «Amizade com pinheiros» (29,1 x 92,3 cm, que está no Museu do Palácio, em Pequim), um retrato do seu cunhado Wei Yousong, estão presentes muitas das características destes «retratos», muito diferentes da mera descrição plástica de um rosto mas a afirmação do individuo inserido nas suas circunstâncias e no seu lugar na natureza e onde se reconhecem certos elementos que funcionam como um eco; Tanto na pintura de Xie Jin como na de Du Qiong, as casas isoladas num jardim estão rodeadas de pinheiros, símbolos da longevidade, da solidão e da virtude, sentidos tradicionais cujo espírito os literatos eruditos desejavam recuperar. Talvez que a própria palavra para dizer «pinheiro» (song), como um marulho entre as árvores, lhes recordasse Song chao, o nome da dinastia que, segundo alguns disseram, foi na pintura a idade de ouro.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 28.10.2019

José Simões Morais

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ABENDO a China sem meios de defesa disponíveis para combater as tropas revoltadas e aquarteladas em Tancoão [Dongguan], Diogo Pereira, ainda como capitão-de-terra, ou já só negociante, mas desde a primeira hora à frente dos destinos de Macau, para o bem da embaixada e devido ao já bom relacionamento com alguns mandarins de Guangdong, enviou-lhes um seu criado com uma oferta de ajuda. Vinte anos de convívio com os chineses, tanto no comércio como a nível oficial, davam a Diogo Pereira conhecimentos para entender que nunca da China se esperava virem pedir socorro aos portugueses. Assim a proposta, para não tirar a face aos chineses, seria os portugueses serem contratados como mercenários para embarcar com suas armas e canhões em juncos da marinha chinesa e em conjunto combater os ladrões alevantados. Tudo tratado com grande prudência e segredo e “ninguém soube parte deste oferecimento nem das inteligências que trazia em Cantão sobre o dito socorro”, relato de João de Escobar, escrivão da embaixada régia, transcrito por Rui Manuel Loureiro (RML), Em Busca das Origens de Macau, de onde foram retiradas muitas das citações. “Todavia, quis Deus mover-lhe os ânimos, havendo por bem de aceitar o dito socorro, e o que o aceitou foi o chumbim [chumpim (zongbing em mandarim) ou capitão-mor do mar de Cantão, segundo RML, que refere João de Escobar confundir a designação do funcionário imperial], que, por ser tal, os outros grandes não lhe puderam contradizer.” Por intermédio de Tomé Pereira [chinês lusitanizado, língua de Diogo Pereira de quem era cativo, segundo RML], o chumbim mandou um chapa ao embaixador e a Diogo Pereira, a aceitar a oferta de socorro, e “nisso faria o embaixador muito serviço a el-rei da China, mandando-lhe mais dizer que ele lhe prometia de tomar a seu cargo o peso da embaixada e fazê-lo saber a el-rei, que por entretanto que descansasse em Macau do comprido caminho que fizera, e que lhe pedia que olhasse e favorecesse a gente miúda das aldeias, não lhe fizessem os portugueses algum desaguisado, porque esta é a principal confiança que encomenda seu rei aos embaixadores estrangeiros de novos reinos. E com estas palavras, outras de muitos agradecimentos e cumprimentos de amizade.” Tomé Pereira chegando a Macau com a chapa de Cantão logo a entregou a Diogo Pereira, que a mostrou ao embaixador Gil de Góis e “foi tanto o alvoroço neles que o não puderam encobrir, mas, todavia, não no publicaram ao capitão-mor, por terem por impossível confiarem os chineses seu crédito e honra de nós.” Ao saber, o capitão D. João Pereira, desconsiderado na sua

Aceitação da oferecida ajuda

autoridade, tratou mal de palavras Tomé Pereira por sem sua licença ir a Cantão e se o voltasse a fazer, mesmo mandado por Diogo Pereira, ou pelo embaixador, “lhe mandaria cortar as orelhas. E perguntando-lhe se trouxera chapa do chumbim sobre a embaixada, lhe disse Tomé Pereira que sim, do que se riu e zombou D. João, pela informação que tinha dos grandes não admitirem nem receberem a embaixada. Tudo isto dissimulou Diogo Pereira com sua discrição, e não se deu por achado de nada, nem deixou de ser de D. João como era dantes, por cumprir assim ao serviço de Deus e d’ El-Rei.”

OBEDIÊNCIA AO CAPITÃO-MOR

Da parte do chumbim chegou ao porto de Macau com embarcações de juncos e lanteias a pedir o dito socorro o mandarim enviado Tang Kekuan. General cantonen-

se, “pessoa de muita autoridade e crédito, e fora principal capitão nas coisas da guerra, mas andava fora da graça d’el-rei (da China), por maus sucessos que na guerra lhe sucederam, o que o chumbim, pela antiga amizade que com ele tivera, o assinalava em todas suas coisas, para as que bem lhe sucedessem as nomear por suas e em seu nome as apresentar a el-rei (da China), para tornar a pô-lo em seu estado e ficar em sua graça. Coisa muito alheia de nós fazermos, mas antes faríamos muita mercê a Deus não tirarmos a honra e o crédito aos homens de seus serviços e os usurpássemos a nós, como cada dia se faz.” Chegando, o General Tang Kekuan “bem representou logo em seu aparato e pessoa e poderes que trazia sua gravidade e valia que já tivera; fez logo saber de sua vinda ao embaixador e a Diogo Pereira, para se verem onde lhes bem parecesse e

Já para os chineses, a razão de alistar como mercenários os estrangeiros, habitantes de Macau, era eles disporem de “artilharia pesada e de armas de fogo ligeiras, tendo demonstrado repetidamente uma enorme habilidade no respectivo manuseamento

saberem a causa de sua vinda.” Mandaram-lhe logo as línguas da terra, intérpretes, a saudá-lo pela sua chegada e a informar não ser já Diogo Pereira capitão-mor, pois “sucedera no dito cargo D. João Pereira; e por ser costume dos portugueses darem em tudo a obediência a seu capitão-mor, que a ele mandasse perguntar o lugar, e assim o mandasse visitar e fazer saber de sua vinda e o para que era, que tudo o mais que dele e do embaixador lhe fosse necessário, que estavam muito aparelhados para o fazer e, como fosse tempo, que todos se veriam. Pela qual causa o mandarim o fez logo saber a D. João Pereira, o que logo mandou chamar ao embaixador e a Diogo Pereira e a seu irmão Guilherme Pereira e a Luís de Melo, e a muitos senhores cavaleiros e criados d’El-Rei, para com eles pôr a coisa em conselho; e sendo determinado ser lícito dar-se o tal socorro que vinham buscar, fazer-se logo prestes. O qual ajuntamento foi feito em dia dos Cosmos [segundo RML, talvez S. Cosme, (27 de Setembro)] pela manhã, do dito ano de 1564.” O padre Francisco Pérez referiu três razões que pesaram na decisão dos portugueses: “Em primeiro lugar, como estrangeiros em terra alheia, os portugueses deviam providenciar todo o apoio que lhes fosse solicitado pelos governantes locais. Depois, a destruição dos ladrões era um assunto que interessava igualmente aos mercadores lusitanos, que viam os seus negócios prejudicados pela actuação dos revoltosos, já que as ligações com Cantão estavam interrompidas. Por último, uma resposta positiva ao apelo dos mandarins permitiria contrair maior amizade com eles, esbatendo a sua tradicional desconfiança em relação aos portugueses.” Já para os chineses, a razão de alistar como mercenários os estrangeiros, habitantes de Macau, era eles disporem de “artilharia pesada e de armas de fogo ligeiras, tendo demonstrado repetidamente uma enorme habilidade no respectivo manuseamento. Por outro lado, o seu recrutamento impediria a formação de qualquer tipo de aliança com os revoltosos, que só poderia ser lesiva para os interesses de Cantão”, segundo Rui Manuel Loureiro, que refere, “Uma vez acordada a intervenção das gentes de Macau, o chumpim, ou capitão-mor do mar de Cantão, veio à povoação com cinco velas grossas e sete miúdas, para recolher os voluntários portugueses”, que “em escassos dias se fizeram prestes, obra de 250 a 300 mui bem armados” e “embarcaram a sua artilharia a bordo dos juncos chineses” no dia 7 de Outubro de 1564. Antes do início da batalha a previsão era a de vir a ser longa e muito difícil, no entanto a inesperada aparição de portugueses armados nos juncos imperiais chineses levou em meia hora à rendição dos rebeldes amotinados, que logo se entregaram à marinha imperial chinesa.


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28.10.2019 segunda-feira

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO Torna-se público que, de acordo com o Despacho de 11 de Outubro de 2019 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação do serviço de realização do Espectáculo de Lançamento de Fogo-deArtifício para a Celebração do Ano Novo Lunar 2020. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, encontrando-se o referido processo igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macaotourism.gov.mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. O limite máximo do valor global da prestação de serviço é de MOP1.500.000,00 (um milhão e quinhentas mil patacas). Critérios de apreciação das propostas e percentagem: Critérios de adjudicação Preço A quantidade de disparos Criatividade - Descrição do tema do espectáculo de fogo-de-artifício - Utilização de tecnologia nova (descrição de utilização de criatividade ou produto específico, ou descrição de efeitos espectaculares) - Descrição do plano do lançamento e dos seus efeitos - Descrição do equipamento a ser utilizado Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço - Plano de transporte dos materiais pirotécnicos - Plano do lançamento - Plano de segurança na operação do lançamento - Mapa do traçado do local do lançamento Experiência do concorrente

Factores de ponderação 30% 10% 20%

30%

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Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 14 de Novembro de 2019, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais de RAEM ou em inglês, prestar a caução provisória de MOP30.000,00 (trinta mil patacas), mediante 1) depósito em numerário à ordem do “Fundo de Turismo” no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque, emitidos à ordem do “Fundo de Turismo” (número da conta:8003911119) 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. Acto público do concurso, no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 15 de Novembro de 2019. Os representantes dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o prazo de entrega das propostas e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Outubro de 2019. A Directora dos Serviços Maria Helena de Senna Fernandes


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segunda-feira 28.10.2019

roupa suja Antønio Falcão

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Filhos de um grande apito

O

guarda-redes foi o primeiro a ceder, não fez por mal, talvez estivesse um pouco distraído, e quando se esticou para impedir que a bola entrasse dentro da sua baliza, não conseguiu. Estava assomado com dores de cabeça, o dia não tinha começado bem, momentos antes viu-se a pensar noutro assunto que levou para longe da sua pequena área. Eram coisas que que se arrastavam e que não andava a conseguir resolver. Questões de heranças que lhe tiravam o sono à noite e impediam que descansasse como convém. Remoía, distante, sem reparar que o capitão da equipa contrária galgava na sua direcção trazendo a bola à frente, já desprovido de opositores que lhe amainassem a corrida. Só acordou quando o remate foi desferido, meditando que todo aquele esforço o tinha a si como destinatário e era dirigido aos seus reflexos. A potência do remate, o ângulo, a destreza do rival ao ter conquistado tal posição na ponta do terreno. Chegara a vez de mostrar a sua elasticidade, razão primária por estar no interior daquelas quatro linhas, exactamente à hora marcada, numa das equipas principais e icónicas do país. Mas sendo atleta de alta competição não podia compadecer-se com tais recolhimentos, completamente fora das suas funções. Na centelha do desportista não há tempo para que o pensamento chegue ao raciocínio, quanto mais conseguir que volte para trás e dar ordens aos órgãos do corpo que habita. No campo só funciona o instinto, a intuição e, claro, o esplendor físico. Nada mais. Raras excepções, têm a inteligência na ponta dos pés. Não era o caso. Ainda saltou, percebendo exactamente onde a bola, que surgia a velocidade estonteante, se iria cruzar consigo. Mas fê-lo com desapego, como se naquele momento estivesse a ligar a televisão preparando-se para ver a partida sentado no conforto da sua sala. “Olha o guarda-redes a saltar. Não a vai apanhar.” Quando tomou consciência do acto, já o árbitro apontara para o centro do campo e vários jogadores saltavam para as costas do felizardo goleador, construindo um castelo de carne humana por cima dele. Das bancadas, alguns assobios e exclamações menos próprias da claque desiludida, abonecada até ao nariz com as cores da sua equipa. Tinham recebido uma facada nas costas. E doía. O coração pingava. Colocou o dedo polegar de uma das luvas para cima, pretendendo afirmar que estava tudo bem, que a partir dali ia redobrar a atenção e valer-se dos seus atributos. Quis suster o furor dos adeptos, para que amparassem os seus ídolos e não estivessem já de lâmina afiada nos dentes. Pelo rumo dos acontecimentos, iriam pre-

cisar deles com máxima energia, era injusto cortarem o cordão umbilical logo ali ao primeiro desaire. “Ok!”, quis transmitir, sabendo de relance que nem o bramido de um estádio cheio a puxar por si iria elevar a sua moral. Continuava de braços caídos. Olhou para o céu. Um avião lá em cima a passar. Não conseguiu distinguir a companhia aérea. Ia para Norte. Tinham decorrido apenas vinte minutos de jogo quando isto aconteceu. Havia ainda um período largo para recuperar, mas o rolar do relógio tanto podia funcionar a seu favor como contra. Depois, foi um defesa que falhou um passe. Tinha-se organizado de maneira a enviar a bola lá para a frente, para os avançados, para se ver livre da responsabilidade de ter o esférico a queimar-lhe as botas. Era assim que fazia, não retinha a bola mais do que dois ou três segundos em seu poder, pressentia o movimento da equipa e batia lá para a frente, de modo certeiro. Era essa a sua maior qualidade, pela qual era muitas vezes referenciado nos jornais desportivos, os passes de longa profundidade. Mas qualquer propósito o fez mudar de rumo, talvez falta de confiança momentânea ao não sentir a deslocação propícia dos seus companheiros como era hábito, a soprarem com vento adverso, e como recurso fez um atraso; muito mal articulado, diga-se. Um adversário que o perseguia à laia de predador faminto, esticou a perna e o rechaçar da bola fez com que saltasse um pouco mais para a frente, onde estava outro jogador isolado com a mesma cor de camisola. A partir daí, foi só dar um toque por cima do homem da baliza, que mais uma vez saiu

atarantado da sua área para a defender, e esperar pela alegria das bancadas e o estribilho dos homens da rádio a esticar a goela até ao prancha das unhas dos pés. Dada a movimentação das peças naquele hectare, a física ditava que não havia muito que pudesse ter sido feito de outra forma. Nem o monstro do lago Ness, nas terras altas da Escócia, conseguiria defender aquele remate, saído directamente da linha sábia de um ângulo de bowling. Uma coisa assim deixaria qualquer um de olhos tortos. Lá saltaram e festejaram o golo. O marcador triturado pelos camaradas de partido que lhe abafaram o corpanzil numa moche de heavy metal. Não havia muito mais a realizar, a desmoralização colara-se às chuteiras de toda a equipa. Eram soldados prostrados, indiferentes ao canhangulo do inimigo. O guarda-redes não deixava de pensar na santa terrinha e na família desavinda que se fraturou pela ambivalência do dinheiro, ao recortar o legado paterno via interpretação desconcordante. Ajuizados na cobiça de um futuro que nunca tiveram, agarraram-se esfaimados ao que não lhes pertencia. Ele, que não precisava de nada e tinha a vida feita, assistia incrédulo àquilo tudo, no lugar mais baixo do camarote, sem nada poder fazer. No entanto, pelo arrasto dos detritos, o sentimento trespassava as redes da sua baliza e vinha agachar-se na sua conduta. Assim como a família, a linha de simpatizantes que o acarinhavam como jogador de futebol estava pronta a descambar. Vinha duvidando se algum dia iria voltar aos grandes palcos internacionais e às grandes vitórias, que vivera com

grande alegria. Pressagiou que a partir dali, soava naquela altura o apito do árbitro a finalizar a primeira parte, o rumo da sua carreira seria apenas descendente e que num par de épocas estaria a jogar na divisão inferior ou em clubes asiáticos, só para continuar a ter algum proveito financeiro. Ainda tentaram ir lá para a frente – “Às armas! Às armas!”, ralhava o Mister desesperado – acreditando que era possível virar o resultado. Mas não. Um remate para as nuvens, um canto mal marcado, um passe longo demais; foi esse o resumo dos acontecimentos. Se na primeira parte o jogo já estava perdido, na segunda foi a catástrofe de uma ponta à outra. Nem arma secreta no banco existia, tal era o desfalque efectuado ao longo dos anos pelos órgãos administrativos que por ali passaram. Tirando o guarda-redes e mais dois ou três, que tinham um historial considerável, a estrutura definida para defender aquele emblema centenário era formada por um bando de ilustres desconhecidos ou por apostas vagas de treinadores e cabecilhas diletantes, executando negócios que só interessavam aos bolsos dos empresários. Eram tão maus que nem o penteado lhes souberam instruir. Os tempos eram outros, a época áurea dos futebolistas de maior renome começara naquela altura a preencher anúncios de óbitos dos jornais. Só assim eram recordados. E feitos, depois de mortos, grandes homens, às costas do pretérito de inusitadas homenagens. “Ah, morreu!” Aí, as pessoas lembravam-se e vinham para a rua chorar, escrevendo grandes emolumentos. E o pior de tudo, era que a realidade não indicava bom augúrio para o resto do campeonato, que se iniciara precisamente com aquele jogo. De um ano para o outro, o treinador ficara à condição e arrastava-se, era mais um que nem a sombra das comemorações da república iria ver ali sentado. Ao sair do estádio já levava o rabo a tremer. O presidente de olhos postos no relvado, a conjecturar forma de pagar as dívidas, nem deu pela sua presença. Todos tinham observado o que aí vinha, só um louco ou um pescador do lago Ness poderiam ditar o contrário. Não havia como evitá-lo. Seria mais um ano perdido na cauda da tabela e longe do brilho dos foguetes. Era óbvio, a herança ficaria por resolver. Ad eternum.


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SALA 3

SALA 2

A WITNESS OUT OF BLUE [C] FALADO EM CANTONÊS

Robert de Niro, Zazie Beetz 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

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hojemacau. com.mo

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9 96 63 81 20 75 37 8 42 7 82 8 96 73 4 25 9 0 0 4 91 69 52 36 8 7 5 45 7 32 0 8 89 1 24 3 8 3 28 5 34 41 7 19 2 56 6 1 20 2 4 08 3 5 9 4 9 57 3 6 60 2 1 8 0 8 3 44 75 67 12 6 0 21 1 0 19 8 5 23 4 6 7 2 5 86 07 99 51 0 3 4

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6 4 0 3 7 2 8 1 9 5

O último filme de Martin Scorsese 0 7 tem 2 estreia 6 4mar8 cada para 1 de Novembro 1 alguns 0 9cinemas 4 2e na 5 em plataforma Netflix, a par6 4 3 0 1 2 tir de 27 de Novembro. Com mais1de 7 três 8 horas, 5 2 9 Scorsese volta a focar os 7 3 do 8 crime 5 organi6 4 meandros zado nos Estados Unidos, 2 8 4 9 7 0 contando com um elenco de9 luxo 6 com 0 1Robert 5 de 3 Niro, o assassino que é a personagem principal, Al Pacino e Joe Pesci. Curiosamente esta é a primeira vez 4 que 7 Pacino 0 3 e 5Pesci, 1 que regressou da reforma 1este6filme, 5 contra0 8 só2para cenam. João Santos Filipe

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A Universidade de Macau tem cada vez mais uma relação complicada com 50 a comunidade portuguesa. Apesar dos muitos eventos de fachada que 0 6 vários1aspectos em2que organiza, há simplesmente recusa aceitar a cultura 2 3 de Macau. Um desses aspectos é o facto 2 dos press 3 releases5saírem 6 sem8 pre em chinês tradicional e inglês. A 5 6 em eventos versão2portuguesa só0surge muito 7 específicos relacionados 9 4 5 com a própria língua, ou então muito mais 4 Quando 6 5 3 tarde. o novo reitor0assumiu o cargo disse que ia dar importância 4 3 1 6 à língua portuguesa. Foi discurso para português ouvir, 3 2 9que5não teve qualquer 7 seguimento. Mas o mais grave foi o 3 8 que passou com ataque à comunidade toda Internamente 9 a impunidade. 0 7 3não houve uma única reacção às palavras do professor que basicamente disse que os “brancos” são um obstáculo e 52 ameaçam a soberania de Macau. Pouco interessa se 39 60 são1locais, 5 4esses8“brancos” 3 6 se viveram toda a vida em Macau, ao 3 53 do6professor. 12 “brancos” contrário 0 05 São 9 7 44 e por isso são maus, são o inimigo. 1 7é que 6 ninguém 0 3 com 8 4 2 O8que1choca res-6 ponsabilidades na UM tenha tomado 72 3 67 1 4 95 9 18 uma posição de força. Não se pede a 09 do8professor, 42 24 mas 56 deveria 37 0ter75 demissão havido40 uma 1 reprimenda pública, 04 12 27 56porque 5 89 o racismo, de qualquer tipo, não devia ser tolerado. 1 42 deste 6 30 28 9 O73lado7 positivo caso é que permitiu perceber melhor 2 5 Lam. 8 É9uma3pessoa 1 97 34 Agnes a7 deputada simpática, prestável, mas alguém a 2 87 5 1 76 08 0 2viu53 a defender macaenses ou portugueses? 0bonito 9 53 8 1 35 4 É tudo 6 muito na altura das eleições, mas depois... João Santos Filipe

2 98 25 6 1 3 4 00 19 7

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 50

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S U D O K U

O líder do grupo extremista Estado Islâmico terá morrido numa operação militar na Síria, noticiaram alguns ‘media’ norte-americanos. Segundo as cadeias de televisão CNN e ABC e o jornal Washington Post, que citam altos responsáveis norte-americanos, Abu Bakr al-Baghdadi terá morrido numa operação militar dos EUA no nordeste da Síria. Segundo a CNN, estão em andamento testes para confirmar formalmente a morte do líder do grupo extremista islâmico, responsável por vários ataques fatais a nível internacional.

Cineteatro 51 1 5 4 7 8 9 3 0 6 2

EURO

RACISMO NA UM

EXPOSIÇÃO | “QUIETUDE E CLARIDADE: OBRAS DE CHEN ZHIFO DA COLECÇÃO DO MUSEU DE NANJING” MAM | Até 17 /11

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VIDA DE CÃO

EXPOSIÇÃO | “LÍNGUA FRANCA – 2ª EXPOSIÇÃO ANUAL DE ARTES ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA” Vivendas Verdes e Antigo Estábulo Municipal de Gado Bovino Até 8 de Dezembro

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65-95%

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de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

segunda-feira 28.10.2019

JOANA MORTÁGUA in Esquerda.net

AFP

Nordeste 1 Bolsonaro 0

E

se as manchas de petróleo nas praias do Nordeste fossem um aviso dos deuses?”, pergunta Juan Arias na edição brasileira do  El País. Ou então “essas manchas pretas também poderiam ser um alerta da decadência política, social e humana que o país está enfrentando”. Por decadente Juan Arias toma, como é evidente, o Presidente Jair Bolsonaro e as suas políticas. A ironia de questionar se o povo brasileiro está a pagar o preço divino pela degradação das suas elites é a facilidade com que se conclui que são as próprias elites - representadas pelo Governo de Bolsonaro - as autoras morais das pragas que assolam o país.

Da destruição da Amazónia ao maior derramamento de petróleo da história do Brasil, a cumplicidade do Presidente com a tragédia revela-se em acções e omissões. Acções. Porque não há nada mais deliberado e permeditado pelo governo de Bolsonaro do que o ataque às organizações que impulsionam a legislação ambiental e denunciam a impunidade dos que a violam. A destruição ambiental é a tentação permanente do capitalismo. Num país continental em que as riquezas naturais fazem salivar os protegidos negócios agrícolas e extractivistas, os movimentos ambientalistas são muitas vezes a última trincheira entre o ruralista e o desmatamento. Toda a política anti-ambiental de Bolsonaro, na linha dos negacionistas climáticos liderados por Trump, é salvo conduto para a selvajaria ambiental e social. Omissões. Pela absoluta incapacidade (ou será falta de vontade?) para responder à altura das responsabilidades. Na imprensa nacional e internacional multiplicam-se as notícias sobre o plano para conter derrames

de petróleo que não foi accionado pelo governo federal para o Nordeste. Foi essa inacção que levou os Procuradores federais de nove estados do Nordeste a entrar com uma acção civil pública para obrigar o Governo a accionar em 24 horas o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional. Pouco preocupado em conter os danos, o Presidente entreteve-se a atribuir culpas à Venezuela ou a uma misteriosa mão criminosa com intenção de prejudicar a recém decidida privatização do petróleo brasileiro. Enquanto isso o país propriamente dito, que

Perante muitos mistérios que envolvem o maior derrame de petróleo da história do Brasil, uma coisa é certa: o povo do nordeste deu uma lição ao Presidente que o despreza

é como quem diz, o povo, juntava-se para limpar a braços cada uma das manchas de petróleo das praias nordestinas. “É uma trabalheira, porque a gente tira o óleo, mas ele esquenta com o sol, vai derretendo, rasga o saco, fura o balde. Tem que ter paciência”, diz um dos homens que recolhe bolas de petróleo com um pau para encher os sacos que em breve serão acumulados em toneladas de resíduos retirados das praias. Ao longo dos 2.250 quilómetros de costa afectados, a limpeza tem sido protagonizada por grupos de voluntários: autarcas, governantes locais, associações, clubes de futebol, estudantes, activistas, moradores e pescadores nordestinos. Apesar das suposições do Presidente, ninguém sabe exactamente qual foi a origem deste acidente. Perante muitos mistérios que envolvem o maior derrame de petróleo da história do Brasil, uma coisa é certa: o povo do nordeste deu uma lição ao Presidente que o despreza. Nesse contraste vemos o Brasil que resiste: Nordeste 1 Bolsonaro 0.


Nunca chegamos ao fundo da nossa solidão. Georges Bernanos

segunda-feira 28.10.2019

PALAVRA DO DIA

Pecados ecológicos PAPA CONDENA EXPLORAÇÃO DA AMAZÓNIA E PEDE O FIM DAS AGRESSÕES À “IRMÃ TERRA”

Futebol Shanghai SIPG a um ponto da liderança

O Shanghai SIPG, de Vítor Pereira, colocou-se ontem a um ponto da liderança no campeonato chinês de futebol, ao bater em casa o Dalian Yafang (3-0) e beneficiar do empate do Guangzhou Evergrande (2-2 com o Henan Jianye). Em encontro da 27.ª ronda, Li Shenglong, aos 13 minutos, Zhou Tiang, na própria baliza, aos 26, e o brasileiro Óscar, aos 90+3, materializaram o terceiro triunfo consecutiva da formação comandada pelo treinador português, que é a campeã em título. Por seu lado, o Guangzhou Evergrande esteve a perder por 2-0, por culpa de tentos do brasileiro Ivo (dois minutos) e do camaronês Christian Bassogog (35), tendo o ‘canarinho’ Paulinho (50) e Wei Shibao (55) salvado um ponto. Após 27 de 30 jornadas, o conjunto do ‘Bola de Ouro’ Fabio Cannavaro soma 63 pontos, contra 62 do Shanghai SIPG, e 61 do Beijing Guoan. Na próxima ronda, apenas em 23 de Novembro, o Shanghai SIPG desloca-se ao reduto do Guangzhou Evergrande.

IMPRENSA BCP VENDE PARTICIPAÇÃO DETIDA NO GLOBAL MEDIA

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BCP vendeu a totalidade da participação de 10,5 por cento que detinha no grupo de comunicação social Global Media, sem revelar o valor do negócio, disse sexta-feira o banco em comunicado. De acordo com o Millennium BCP, “esta transacção insere-se na estratégia de sair de sectores e negócios ‘não-core’ [não estratégicos]” e de manter “o seu enfoque na atividade de banca comercial e de relação”. O banco acrescenta que a posição “foi vendida em partes iguais a dois accionistas de referência da Global Media Group”, sem indicar quais. Os principais accionistas do grupo Global Media são o grupo KNJ Investment, do empresário de Macau Kevin Ho, e o empresário José Pedro Soeiro.Antes da venda sexta-feira conhecida, ambos detinham 30 por cento do capital cada.

O BCP é accionista do grupo de comunicação social desde 2013, quando converteu créditos em acções no âmbito de uma reestruturação de dívida do grupo. Também o BES entrou então na estrutura accionista, posição que entretanto passou para o Novo Banco, que detém cerca de 10 por cento do capital social. Contactada pela Lusa sobre uma eventual alienação da participação, fonte oficial do Novo Banco disse que “não comenta negociações em curso”. A últimas informações conhecidas indicam ainda que o empresário Joaquim Oliveira tem cerca de 20 por cento da Global Media. O grupo Global Media é dono de Diário de Notícias (DN), Jornal de Notícias (JN), TSF e Dinheiro Vivo, entre outros, sendo o presidente do Conselho de Administração o advogado Daniel Proença de Carvalho.

O

Papa Francisco condenou ontem a exploração da Amazónia, no Brasil, aludindo à “face desfigurada” daquela região e apelando a que se deixe de “causar ferimentos” aos outros e à “irmã terra". “Os erros do passado não foram suficientes para impedir a destruição de outros", afirmou o Papa na missa que encerrou o sínodo dedicado à Amazónia, sublinhando que isso mesmo é visível “na face desfigurada” daquela região. Na homilia proferida perante os 184 bispos e cardeais da Amazónia e dezenas de missionários e representantes de povos indígenas, Francisco denunciou o “pecado ecológico" que considera ser a destruição do floresta tropical amazónica através da exploração de madeiras preciosas, mineração e pecuária intensiva. “[Paremos de] causar ferimentos nos nossos irmãos e na nossa irmã terra””, disse o Papa, que criticou ainda "a religião do eu, que permanece hi-

pócrita com os seus ritos e orações, esquecendo que a verdadeira adoração a Deus passa pelo amor ao próximo".

SILÊNCIOS E INQUIETAÇÕES

Uma crítica feita no final do sínodo em que, segundo a agência Efe, grupos de católicos ultraconservadores

criticaram os símbolos usados por religiosos indígenas, argumentando que estariam a adorar ícones pagãos. “Está no templo de Deus, mas pratica a religião do eu. E, além de esquecer de Deus, esquece o próximo, ou pior, despreza-o", disse Francisco na homilia, acrescentando que "tan-

tos grupos iluminados de católicos vão por esse caminho". “Quanta suposta superioridade que também hoje se torna opressão e exploração”, sublinhou o Papa que pediu aos católicos que não se julguem superiores nem se tornem "cínicos”. Na homilia que encerrou o Sínodo dos

Bispos para a região Pan-Amazónica (iniciado no dia 06), o Papa afirmou que durante a assembleia as vozes dos pobres foram ouvidas e "foi possível reflectir sobre a precariedade das suas vidas, ameaçadas por modelos de desenvolvimento predatório". Porém, denunciou que muitas vezes, "mesmo na Igreja, as vozes dos pobres não são ouvidas e são gozadas ou silenciadas pela inquietação". "Oramos para pedir a graça de saber ouvir o clamor dos pobres” que é, concluiu o Papa, “o clamor da esperança da Igreja” A missa concluiu o Sínodo dedica à Amazónia, cujo documento final foi aprovado no sábado. Além de propostas como ordenar padres casados nas regiões mais isoladas, o documento inclui o compromisso da Igreja de ser aliada dos povos amazónicos e de denunciar os ataques contra aquelas populações e os seus territórios.

Papa Francisco “[Paremos de] causar ferimentos nos nossos irmãos e na nossa irmã terra”

PRÉMIO SAKHAROV CHINA CONDENA ATRIBUIÇÃO A "CRIMINOSO" ILHAM TOHTI

A

China condenou sexta-feira a atribuição do prémio Sakharov ao activista uigur Ilham Tohti, crítico das políticas chinesas para as minorias étnicas e condenado a prisão perpétua por “separatismo”, acusando o Parlamento Europeu de distinguir "um criminoso". “Parece-me que é problemático que o Parlamento Europeu dê um prémio a um criminoso”, afirmou Hua Chunying, a porta-voz do

Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Em conferência de imprensa, a porta-voz declarou que a Europa não deveria apoiar um terrorista. “É um criminoso condenado pelos tribunais chineses”, indicou, fazendo referência à sentença de prisão perpétua por “separatismo” a que Ilham Tohti foi condenado em 2014. Tohti, um académico e activista pelos direitos da minoria uigur na China, foi distinguido

na quinta-feira com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, segundo anunciou o Parlamento Europeu. “[Tohti] empenhou-se muito para melhorar a compressão dos uigures na China. O Parlamento Europeu expressa todo seu apoio ao seu trabalho e quer que seja imediatamente libertado pelas autoridades chinesas”, declarou o Presidente da assembleia comunitária, David Sassoli, ao anunciar o vencedor.

Durante mais de duas décadas, o intelectual trabalhou para promover o diálogo e a compreensão entre uigures e chineses, tendo criado o Uyghur Online, um sítio na internet que discute questões uigures. Nesta plataforma, criticou regularmente a exclusão da população uigur chinesa do desenvolvimento do país e incentivou uma maior sensibilização para o estatuto e o tratamento da comunidade uigur na sociedade chinesa.

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Hoje Macau 28 OUT 2019 # 4399  

N.º 4399 de 28 de OUT de 2019

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