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ANTÓNIO FALCÃO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

hojemacau

MOP$10

TERÇA-FEIRA 28 DE JANEIRO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3020

Nervos à flor da pele É difícil ser bófia. Agentes da PSP cada vez mais requerem ajuda psicológica.

ENTREVISTA

PÁGINAS 2 E 3

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O filme de Steve McQueen é um dos candidatos aos Óscares. Mas, afinal, que história é esta e como é que um homem aparece, de repente, mergulhado num pesadelo? Mutatis mutantis, a história contemporânea conta-nos situações semelhantes, noutros lugares, noutras latitudes. PÁGINA 13

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Jornalista de Goa teme pela perda de identidade da região

12 anos escravo

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PÁGINA 7


ENTREVISTA

hoje macau terça-feira 28.1.2014

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo Em Goa, Índia

É

jornalista e tem 29 anos. Fernando Monte da Silva, descendente de uma família importante de Goa, faz uma apreciação muito geral à história e à actual realidade do Estado indiano de Goa. Para o também português, Goa está a perder identidade e tradição, muito por culpa, diz, dos hindis que vêm de outras cidades como Bombaím ou Nova Deli. Actualmente a desempenhar funções de relações públicas nos Jogos da Lusofonia, Monte da Silva, aconselha mesmo a quem quiser conhecer ainda um pouco da Goa do tempo português para se despachar pois daqui a 10 anos, a antiga colónia lusa será “como qualquer outro lugar na Índia”. Qual a sua ligação a Goa? A ligação é familiar. Porque nasci cá e quase a totalidade da minha família está cá, tirando uns primos que moram em Lisboa. Gosto da maneira de como se vive em Goa. É como se diz em francês: “joie de vivre”. Na verdade, consigo ter uma forma de vida parecida com a que teria se estivesse em Portugal. Aqui também existe aquele calor humano, natural nos povos latinos.

LUSOFONIA FERNANDO MONTE DA SILVA, JORNALISTA GOÊS

“Vale a pena visitar Goa nos Há quantas gerações é que os Monte da Silva estão em Goa? Pelo que sabemos há treze. Somos goeses e fomos convertidos pelos portugueses. Essa é a verdadeira história das famílias goesas. Não concordo com o que se ensina nas escolas indianas que diz que os portugueses forçaram os indianos quando aqui chegaram. Penso que os indianos, na altura, foram convertidos de uma forma voluntária até porque os portugueses quando chegaram mostraram princípios e valores melhores do que aqueles que já existiam por cá. Por isso, muitas famílias acabaram por aceitar converter-se ao Cristianismo e adoptaram nomes portugueses, começando a falar a Língua Portuguesa. Foi isso que me foi transmitido dentro da minha família, geração após geração. Sabe a razão dos ensinamentos de história não serem os mais correctos em relação a Portugal, como afirma?

Questões políticas, penso. Sei que o que aconteceu foi o contrário simplesmente porque existem até hoje, testemunhos escritos de pessoas que viveram naquela altura que mostram os factos como eles aconteceram. As pessoas que afirmam que a chegada dos portugueses à Índia não foi uma coisa muito agradável, ou são hindus ou são os políticos ou são as pessoas que acabaram por ser presos, por diversas razões, pelos governos portugueses. Disso há prova. Pode afirmar, categoricamente, que a maioria dos goeses gostava dos portugueses? Naquela altura existia uma classe muito alta, de elite mesmo, com capacidade de influência social e política, que sempre gostou mais dos portugueses. No nível mais baixo da população, as coisas não eram assim tão lineares porque eles achavam que os portugueses vieram para cá e prejudicaram a

sua ascensão social e as oportunidades que existiam. A maioria das pessoas não sei se, de facto, gostava dos portugueses.

Dia após dia, Goa vai-se tornando numa lixeira e é uma pena, pois isto era uma paraíso Mas, por exemplo, quando chegamos a Goa vemos que a população indiana gosta de cuidar dos edifícios antigos de traça portuguesa. Atenção, o património está arranjadinho porque são as próprias igrejas que pagam esses melhoramentos e não o Governo de Goa ou até mesmo o Governo da Índia, como deveria ser sua obrigação uma vez que a maioria das igrejas

e conventos são Património da Humanidade da UNESCO. Curioso. E acha que destroem quando têm de destruir, ou pensam antes duas vezes? Destruir não diria mas se a casa cai, a casa cai, se é que me entende. Aqui não se cuida de nada. Outro dos património existentes é a Língua Portuguesa. Como é que uma pessoa como o Fernando, que ainda não tem 30 anos, fala tão bem português? Isso acontece porque fui criado pelos meus avós, que falam fluentemente português e essa era a língua usada em casa. Para além, de todo o grupo de amigos também falarem português. Só falavam konkani (língua falada em Goa) com os empregados domésticos e o inglês nunca equacionado. Aliás, o meu avô tinha uma frase célebre que era: ‘o inglês é língua para os burros e para os cavalos’ (risos).


entrevista 3

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O Fernando não viveu esses tempos (Goa foi retirada aos portugueses em 1961) mas o que é que lhe contam os seus avós e pais. Como era viver aqui, no tempo dos portugueses? Era fantástico. Mesmo na minha infância era muito diferente daquilo que é hoje e nasci 1984. Aliás, quando estive em Portugal há uns anos lembrei-me de Goa do tempo de quando era criança. A maneira de ser das pessoas, mais limpeza nas ruas, prédios remodelados, entre muitas outras coisas. Aqui, dia após dia, Goa vai-se tornando numa lixeira e é uma pena, pois isto era uma paraíso.

Estamos a perder a cultura típica de Goa e penso que no futuro, este lugar será mais uma cidade da Índia como outra qualquer

próximos 10 anos” Portanto, o meu crescimento foi feito a aprender o português. O meu pai fala português e só por necessidade, muito por culpa da escola, é que comecei a falar fluentemente inglês e konkani. A minha irmã também fala bem português. Tem ideia de quantas pessoas da sua idade falam português em Goa? Poucas. Talvez cerca de 20 pessoas. Penso que a minha irmã, que tem 24 anos, é a pessoa mais nova de Goa a falar português, actualmente. No geral, sem tendo dados oficiais para sustentar o que vou dizer, arriscaria que talvez 500 pessoas falam português em todo o Estado de Goa E os goeses, enquanto comunidade, onde é que se encontram? Convivem? Passados estes anos todos, os europeus ainda não compreendem uma realidade que existe aqui na Índia que é o sistema de casta. A maioria

é católica mas ainda assim guiamo-nos pelo sistema de casta. Como as classes mais altas de goeses não se misturam com as classes mais baixas não existem convívios ao nível que os europeus consideram normal. As pessoas encontram-se na missa, mas depois disso cada um segue a sua vida. E nem sequer conversam. Por aquilo que sei, até por força da minha experiência e vivência familiar, as classes de elite encontram-se em casa umas das outras e é assim que convivem. Sendo um português em Goa, como é que vê o seu outro país?

Gosto. Já lá estive e não me importava de viver uns anos em Portugal. Tudo depende das oportunidades que surgirem na minha vida. Goa é a minha casa mas nunca digo não a Portugal. Apesar de tudo, uma experiência de vida num país estrangeiro, e neste caso em particular em Portugal, pode trazer uma boa perspectiva de futuro quando regressar a Goa. Aqui, como quase em toda a Índia, olham muito à tua experiência profissional, principalmente se essa experiência foi adquirida em países estrangeiros.

Por isso não entendo esse tipo de conversas [pensamentos de que os Jogos da Lusofonia lembram o tempo do colonialismo] por parte das autoridades. Penso, aliás, que isso se trata de manobras de propaganda

E qual é razão? Penso que a culpa é das pessoas que vêm de fora. A cultura e a forma de estar na vida dessas pessoas é muito diferente daquela que, nós goeses, estamos e sempre estivemos habituados. A maneira de ser goesa é muito mais ocidental se compararmos a outras partes da Índia, portanto, é preciso que quem vem de fora, seja para trabalhar, seja para turismo, tenha a noção que Goa é assim e é preciso manter essa identidade muito própria, uma vez que o Governo nada faz para que esse cenário se altere. E estes eventos de cariz internacional, como os Jogos da Lusofonia, são importantes para Goa? Naturalmente que sim. Goa nunca realizou um evento tão grande como estes jogos. É a primeira vez que tal sucede e penso que a partir de agora não podemos parar. Goa tem de se tornar rapidamente numa plataforma moderna onde coisas importantes podem e devem acontecer. Estes Jogos da Lusofonia, apesar de alguma queixa por parte dos jornalistas, que até podem ter razão, estão a correr bem. Sendo a primeira vez que Goa organiza um evento tão grande, penso que as coisas positivas se estão a superar às coisas negativas. Tudo o resto que possa correr mal é alheio à organização. Alguns governantes indianos chegaram a afirmar que a realização dos Jogos da Lusofonia em Goa traziam alguma lembrança do tempo do colonialismo. Quer comentar?

Acho que esse pensamento está completamente errado e demonstra ignorância. Este tipo de competições existem em todo o lado. Também não existe os Jogos da Commonwealth? Por isso não entendo esse tipo de conversas por parte das autoridades. Penso, aliás, que isso se trata de manobras de propaganda. Que dirá a uma pessoa que queira visitar Goa? Vale a pena visitar Goa nos próximos 10 anos. Estamos a perder a cultura típica de Goa e penso que no futuro, este lugar será mais uma cidade da Índia como outra qualquer. A não ser que o Governo tome alguma decisão a esse respeito, por forma a preservar a cultura goesa e o património deixado pelos portugueses, penso que o caminho será muito negro para a história de Goa. Existem muitos hindis em Goa e isso tem retirado especificidade à cultura goesa. Não tem medo de ser chamado racista ou xenófobo com essas declarações? Nada. Acho que cada lugar tem a sua identidade própria e Goa não foge a isso. A Índia tem também as suas próprias realidades, diferentes das de Goa, Damão ou Diu. Farto-me de dizer a um amigo meu de Bombaím que eles gozam quando vêm a Goa, simplesmente, porque a maneira de ser entre as duas realidades é diferente. Não há melhores nem piores. Há diferenças e essas diferenças têm de ser respeitadas. Mudando de assunto. Como é que é ser jornalista em Goa? Não é muito agradável porque os meios de comunicação pagam mal (risos). E por isso, muitos dos jornalistas que ocupam os diversos cargos nos diversos jornais são pessoas sem grandes estudos ao nível académico e, inclusive, sem educação social. Aliás, muitos deles nem sabem como se comportar em eventos de nível internacional como é o caso destes Jogos da Lusofonia e já assistimos a diversos casos. É preciso mudar o paradigma do jornalismo em Goa e talvez assim consigam contratar jornalistas de outro nível, com outros conhecimentos. Qual é o seu futuro aqui? Pretende continuar em Goa? Sim, com certeza. A minha ideia é continuar a viver em Goa porque se continuar posso tentar fazer a diferença. Antes de ser jornalista, o que quero mesmo é ser professor de jornalismo que é uma profissão muito bem remunerada, cinco vezes mais do que a de jornalista. É mais fácil ensinar, e terei todo esse privilégio que é o de transmitir às próximas gerações o que é o bom jornalismo e o que é ser um bom jornalista.


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POLÍTICA

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REGIME DE GARANTIAS EX-CHEFES DO EXECUTIVO VERÃO FUTURA ACTIVIDADE PRIVADA AVALIADA POR COMISSÃO

Direitos só sem carimbo particular

Ter uma viatura já com motorista incluído é um “direito” incluído para ex-dirigentes do Governo, segundo o novo diploma de regime de garantias para Chefes do Executivo e titulares de principais cargos. No entanto, essa e outras regalias só têm lugar até estes terem nova actividade privada, que será escrutinada por uma comissão criada em 2011 RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

Governo fez-se representar ontem na segunda reunião dos deputados que estudam o futuro regime de garantia dos titulares do cargo de Chefe do Executivo e dos principais cargos a aguardar posse, em efectividade e após cessação de funções. O Executivo tomou decisões sobre alguns problemas levantados pela 2ª comissão Permanente da Assembleia Legislativa e mostrou-se disponível a ponderar sobre outros. Os deputados referiram ao Governo que não está claramente redigida a parte da lei que fala de regalias a que ex-Chefes do Executivo terão direito, tais como “local condigno e apoio administrativo e logístico adequado, veículo pessoal e motorista e ainda segurança pessoal adequada”, que deixam de usufruir no momento em que comecem a exercer actividade privada. Mas o que é uma actividade privada? O Governo explicou “que é muito difícil elaborar na lei o que

é uma actividade privada” e, por isso, foi entendido que a Comissão de apreciação de pedidos relativos ao exercício de actividade privada por parte dos ex-titulares do cargo de Chefe do Executivo e dos principais cargos, criada em 2011, vai avaliar sobre aquilo que se consi-

dera uma actividade privada. Os deputados concordaram.

SUBVENÇÃO SEM MANDATO COMPLETO É POSSÍVEL

No que se refere à “subvenção em virtude de cessação de funções”, proposta no diploma, os deputados

questionaram o Governo sobre se apenas cumprindo cinco anos de mandato poderá o Chefe do Executivo ter direito a este subsídio no valor de 70% do ordenado que auferia no activo. O Executivo mostrou-se disponível a ponderar os cenários propostos pelos tribunos. “O Governo se calhar não ponderou umas certas situações. Não pensou, por exemplo, no caso de vir um novo Chefe do Executivo porque o anterior se aposentou por razões de doença ou acidente. E depois de três anos se não conseguir ser reeleito, não vai receber nada. Por isso, o Governo diz que vai ponderar este cenário”, refere Chan Chak Mo, presidente da comissão em causa. “Se tiver exercido um ou dois anos e depois, mais tarde, vier a ser eleito pode vir a ser acumulado? O Governo diz que não ponderou, mas que agora vai ponderar”, refere o deputado. O Executivo disse, por outro lado, que não haverá dupla regalia para os titulares dos principais cargos no que toca a regimes. Ou seja, esta lei prevê uma compen-

sação de valor equivalente ao produto resultante da multiplicação de 14% da remuneração mensal auferida na data de cessação de funções pelo número de meses de exercício do cargo, mas não no caso de o titular ter continuado a contribuir para o regime de aposentação e previdência durante o seu mandato. “Se forem efectuadas contribuições nos dois regimes então não há esta compensação, mas se durante o mandato suspender as contribuições, então no futuro pode, após cessação de funções, receber uma compensação durante cinco anos. Concordamos com a resposta do Governo”, explica Chan Chak Mo. “Antes de ser Chefe do Executivo ou titular de principal cargo, se tiver já liquidado todas as contas no regime de previdência, a pessoa pode escolher não continuar a contribuir e suspender essa contribuição, mas se durante aquele período continuar a contribuir para um dos regimes da função pública então depois de cessar funções o tempo não é contado para aquela compensação.”

TRI-DECADE UNION ENTREGOU PETIÇÃO AO GOVERNO

associação local Macau Tri-decade Union entregou ontem uma petição ao Executivo onde apresentam cinco ideias para a utilização do velho campus da Universidade de Macau (UMAC) na Taipa. Um deles é a realização de uma consulta pública sobre o assunto. “O novo campus da

UMAC foi inaugurado o ano passado e está vazio, o Governo ainda não avançou com nenhum projecto. O mais importante seria fazer uma consulta pública para saber a opinião do público em relação à utilização do velho campus”, disse ao HM Isaac Tong, membro da associação. Na petição, que teve

Porta-voz do Governo até 2016

Chui Sai On entendeu que “as múltiplas tarefas que actualmente estão confiadas ao Gabinete do Porta-voz do Governo” aconselham a que seja prorrogado por dois anos o prazo previsto para o funcionamento desta equipa de projecto. Por essa razão, a duração do gabinete actualmente tutelado por Alexis Tam é prorrogado, por mais dois anos, até 22 de Fevereiro de 2016. O despacho, assinado pelo Chefe do Executivo, foi ontem publicado ontem em Boletim Oficial.

apenas duas assinaturas, é ainda pedido que outras instituições do ensino superior, como o Instituto Politécnico de Macau (IPM) ou o Instituto de Formação Turística (IFT) possam arrendar salas para a sua utilização. Sugere-se mesmo que a UMAC continue a utilizar o velho campus

para actividades ligadas a mestrados e doutoramentos, uma vez que para alguns alunos “não é conveniente irem para Hengqin, por ser muito longe”. “Espaços como o estádio ou o parque de estacionamento poderiam ser usados por vários estudantes para praticarem actividades nos seus tempos livres”, defende ainda Isaac Tong, que diz que a aposta nos recursos humanos deve passar pelo velho campus. “O Governo disse que ia ter um plano a longo prazo para a formação de talentos e de recursos humanos, e o velho campus deveria ser utilizado

TIAGO ALCÂNTARA

Por uma consulta sobre velho campus da UMAC A

pelos profissionais locais e estudantes.” É ainda defendida a manutenção dos edifícios pelo seu valor histórico. “O edifício tem mais de 30 anos de existência e muitos dos

seus edifícios foram desenhados por arquitectos. O Governo deveria manter os edifícios porque são muito importantes e fazem parte da história do ensino em Macau.” - A.S.S.


política 5

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Está agora debaixo da alçada da DSAJ um departamento de apoio técnico, que será responsável por realizar investigações e estudos sobre a aplicação do recém-criado regime de apoio judiciário. André Cheong, dirigente da DSAJ, é também quem dirige à Comissão de Apoio Judiciário, que até inícios de Dezembro recebeu mais de 400 requerimentos

DSAJ PASSA A APOIAR O FUNCIONAMENTO DO REGIME GERAL DE APOIO JUDICIÁRIO

Na loja de mestre André

vigente, um artigo que define as competências do DAT. Compete-lhe, por exemplo, realizar investigações e estudos sobre a aplicação do regime geral de apoio judiciário e dos respectivos diplomas complementares, prestar apoio técnico à CAJ na elaboração de projectos de actos normativos no âmbito do regime geral, assegurar a ligação entre a Comissão e outros serviços e entidades públicos e privados, no âmbito do processo de concessão de apoio judiciário.

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

F

OI ontem criado um novo regulamento administrativo para alterar, em parte, a organização e funcionamento da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ). O diploma ontem publicado em Boletim Oficial, e assinado pelo Chefe do Executivo, define que a partir de agora é da competência do organismo tutelado por André Cheong o “apoio ao funcionamento do regime geral de apoio judiciário”, entre outras matérias já anteriormente conhecidas (por um regulamento de 2000 ainda a vigorar). Das atribuições da DSAJ faz agora parte também “assegurar o apoio técnico, logístico e administrativo à Comissão de Apoio Judiciário (CAJ)” e, por essa razão, foi criado um Departamento de Apoio Técnico (DAT). A CAJ, criada no ano passado, é presidida também pelo dirigente da DSAJ, para apreciar os pedidos de apoio judiciário. Uma tarefa que, até agora, estava a cargo dos tribunais. Nesta legislação foi aditada à

DIVÓRCIO LITIGIOSO É MAIOR PEDIDO

AS CAUSA E OS NÚMEROS As causas civis registam uma maior percentagem, com 278 casos a representarem 69% do número total dos requerimentos. A maioria destes são de divórcio litigioso, com 118 casos, representando 42% do total de requerimentos da matéria cível. Em relação a causas penais, registam-se 26 casos que representam 6% do total de requerimentos, sendo a maior parte acções penais por acidente de viação com pedido de indemnização civil, com 18 casos, representando 69% do total de requerimentos da matéria penal. No novo regulamento decidiu-se que deixa de ser função do Departamento de Inspecção e Contencioso a emissão de pareceres sobre assuntos de natureza jurídica no âmbito da jurisdição de menores e da reinserção social, matéria que passa a ser da competência do DAT. No mesmo âmbito, cabelhe ainda propor a instauração de processos disciplinares aqueles que forem determinados superiormente e, por outro lado, supervisionar o funcionamento da arbitragem voluntária institucionalizada.

COUTINHO PEDE MEDIDAS PARA A REELEIÇÃO DO CE

Abaixo os “corruptos e incompetentes” O deputado José Pereira Coutinho entregou mais uma interpelação escrita ao Governo onde questiona as medidas que estão a ser feitas para a renovação da equipa do Executivo, nomeadamente os secretários. O deputado fala de manutenção dos mesmos nomes, apesar dos erros feitos. “Termina o mandato do actual Chefe do Executivo, portanto vai ser eleito um Chefe do Executivo para o próximo mandato. Como será nomeada uma nova equipa para os principais cargos do Governo, com vista a injectar sangue novo e combater a actual incompetência do Governo da RAEM?”. Coutinho diz ainda que “há mais de dez anos que os principais cargos do Governo são ocupados

pelas mesmas pessoas que, segundo a sociedade, são corruptas, incompetentes e não actuam. No entanto, sentem que estão no poleiro.” O deputado, também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (DSPA), afirma ser “muito importante que a renovação dos mandatos se efectue de cinco em cinco anos, uma medida que permitiria substituir os incompetentes e as pessoas que não fazem nada, e ainda criar um novo ambiente de governação”.

A FAVOR DA PROGRESSÃO NA CARREIRA

José Pereira Coutinho lembra ainda o facto de muitos dos actuais secretários “incompetentes” continuarem no respectivo cargo há mais de dez anos, “podendo mesmo atingir os 20 anos”.

“Os titulares dos principais cargos do Governo têm um mandato de duração superior ao do Chefe do Executivo, o que é bastante ridículo, pois assim retiram-se oportunidades aos jovens na progressão da sua carreira profissional.” Em relação a este ponto, Coutinho fala da existência de aproximadamente dois mil funcionários da Função Pública com mestrado e doutoramento e que não têm possibilidade de ir mais além. “Como é que o Governo da RAEM vai utilizar eficazmente estes recursos humanos? Com vista a não desperdiçar a formação e a capacidade destas pessoas, o Governo dispõe de alguma medida para que tenham oportunidades de progredir nas suas carreiras profissionais?” - A.S.S.

Desde a execução do regime geral de apoio judiciário, em Abril do ano passado, foram apresentados 405 requerimentos e deferidos 260, sendo que 61 foram indeferidos, 11 revogados pela CAJ e 24 cancelados por iniciativa dos próprios requerentes. Segundo dos dados publicados em Dezembro na página electrónica do CAJ, entre os requerimentos indeferidos, 23 casos estiveram relacionados com o montante dos bens. O património não pode exceder as 320 mil patacas, valor que comprova a “insuficiência económica”.

TSI NEGA RAZÃO A EX-DIRECTOR DOS SERVIÇOS DE SAÚDE

Ó tempo volta para trás O Tribunal de Segunda Instância (TSI) impediu que um ex-director dos Serviços de Saúde (SS) recebesse um valor mais alto na sua pensão de aposentação, depois de negar deferimento a

um recurso interposto pelo ex-responsável. Koi Kuok Ieng aposentou-se voluntariamente em 2001, tendo ficado a receber a aposentação de acordo com o equivalente ao índice 1000 da tabela dos funcionários

públicos – valores diferentes dos actuais. Em 2009, esse índice foi aumentado de mil para 1100 e o ex-responsável pediu que a sua aposentação subisse também. “Através dos requerimentos de 2010 dirigidos à Presidente do Conselho de Administração do Fundo de Pensões e ao Secretário para a Economia e Finanças, o director aposentado solicitou a rectificação da sua pensão de aposentação, de modo a equipará-la ao actual vencimento de director.” Francis Tam, secretário para a Economia e Finanças, indferiu o pedido, fazendo com que Koi Kuok Ieng interpusesse recurso para o Tribunal de Segunda Instância. Este tribunal, contudo, também não favoreceu o ex-director, entendendo que as pensões não são actualizadas aquando da atribuição de novo índice à categoria ou cargo do pessoal no activo.


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SOCIEDADE

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LUÍS AMORIM CINCO TESTEMUNHAS VÃO SER OUVIDAS EM PORTUGAL, MAS CARTAS ROGATÓRIAS ESTÃO PARADAS

Justiça continua demorada JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

J

Á estão em Portugal cinco cartas rogatórias para ouvir testemunhas sobre a morte do jovem Luís Amorim em Macau, mas estas ainda não chegaram aos tribunais portugueses, meses após terem sido enviadas. A família de Luís Amorim ainda vai ter de esperar para que seja marcada a data para o julgamento do caso que opõe Maria José e José Amorim à RAEM. O principal problema está nas cartas rogatórias enviadas de Macau para Portugal – ainda nenhuma das cinco cartas chegou aos tribunais, de acordo com Sofia Linhares, uma das advogadas encarregue do processo. Ao HM, a advogada explica que ainda deverão ser necessários seis meses para que o Tribunal Administrativo marque a data do julgamento. Recorde-se que a família de Luís Amorim - o jovem que apareceu morto na marginal debaixo da Ponte Nobre de Carvalho em Setembro de 2007 - intentou uma acção no Tribunal Administrati-

vo contra a RAEM, pedindo uma indemnização civil. Isto, depois de o Ministério Público ter decidido arquivar o processo uma segunda vez, sem que as causas da morte do jovem de 17 anos fossem apuradas. Agora, as cartas rogatórias – que vão fazer ouvir cinco testemunhas – já chegaram a Lisboa e estão nas mãos da Direcção Geral da Administração de Justiça do Ministério da Justiça português. “As cartas saíram da embaixada em Pequim e foram recebidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros a 13 de Novembro de 2013”, explicou Sofia Linhares ao HM. “Foram encaminhadas para a Direcção Geral da Administração de Justiça do Ministério da Justiça a 15 Novembro. Estando agora lá aguardam apenas ser enviadas para os tribunais respectivos: Porto, Coimbra e Sintra.”

Terminal Porto Exterior Posto de Turismo aberto hoje com “chão português” Maria Helena de Senna Fernandes esteve ontem presente no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior para apresentar os equipamentos do novo balcão de informações turísticas. Uma das características mais distintas deste posto é o facto de ter um “chão caracteristicamente português com mosaicos a preto e branco alternado

e ondulado”, diz um comunicado da Direcção dos Serviços de Turismo (DST). O posto remodelado vai entrar em funcionamento hoje, sob uma imagem inovadora e com ambientes adequados de alta tecnologia, contando com um design ecológico. A DST tem agora oito balcões para dar informações turísticas de Macau aos visitantes.

A inquirição das testemunhas vai ser feita nestes três tribunais, sendo que são cinco as pessoas a ser ouvidas – três em Coimbra, duas no Porto e uma, abonatória, em Sintra. “O que se vai passar é que, agora, a Direcção tem de enviar as cartas para os tribunais, que vão marcar a data para ouvir as testemunhas. Só depois de serem ouvidas essas testemunhas em Portugal é que o Tribunal Administrativo cá em Macau marca a data para a audiência de discussão e julgamento”, frisa a advogada. “Estimaria que [demora] cerca de meio ano.” Nem os advogados da família, nem os pais do jovem conseguem adiantar mais informações. Sofia Linhares está em contacto com Portugal, tendo chegado a enviar, na semana passada, mais elementos que as autoridades lusas disseram estar a faltar no

processo. Também os pais de Luís disseram ao HM não saber mais nada. “Estranhamos o tempo que o processo continua a demorar. Posso dizer-lhe que estamos muito preocupados com a falta de andamento do processo.” Desde 2007 que a família não conseguiu ainda perceber as causas da morte do jovem. Recorde-se que o MP de Macau chegou a admitir que a “investigação não foi perfeita”, salientando que o agente da PSP que encontrou o corpo não tomou medidas adequadas para proteger o local e o agente da Polícia Judiciária que recebeu a notícia sobre a morte não mandou imediatamente pessoal profissional ao local para recolha de provas. As autoridades chegaram a descartar a tese inicial de suícidio – algo em que os pais nunca acreditaram -, mas nem assim continuou com a investigação.

Importados cerca de 138 mil trabalhadores

Macau empregou em finais do ano passado um total de 137.838 trabalhadores não-residentes, mais 27.286 dos que havia no final de 2012. De acordo com os dados publicados hoje na página do Gabinete para os Recursos Humanos (GRH), entre Janeiro e Dezembro do ano passado, o maior aumento trabalhadores é proveniente do continente. Em Janeiro, eram cerca de 67 mil e no final do ano eram mais de 87 mil, o que representa um aumento de quase 30%. Com a excepção dos que vêm da China, a comunidade das Filipinas era, em finais de Dezembro, a mais numerosa, contando 18.847 pessoas.


sociedade 7

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QUASE CEM AGENTES DAS FORÇAS DE SEGURANÇA PEDIRAM APOIO PSICOLÓGICO EM 2013

Pressões do trabalho até à cama

Problemas mentais, com a família e até no trabalho. Mais de noventa agentes da PSP e dos Serviços de Alfândega pediram apoio psicológico no ano passado, alguns deles devido a mais do que um problema. Os problemas mentais e o estado de ânimo são duas das situações com mais queixas, que não contabilizam os agentes da PJ – estes têm apoio no hospital público e não há dados sobre eles PEDIDOS DE AJUDA PELOS AGENTES • PROBLEMAS DE SAÚDE Mentais: 42 casos Fisiologia: 20 casos • PROBLEMAS FAMILIARES Casamento: 20 casos Sexo: 5 casos Disciplina e educação dos filhos: 21 casos Comunicação com os familiares: 28 casos Outros: 18 casos • PROBLEMAS DE TRABALHO Planeamento da carreira: 9 casos Conteúdo do trabalho: 21 casos Relacionamento interpessoal: 29 casos Economia: 9 casos Emoções: 10 Estado de ânimo: 59 casos Jogo: 8 casos Outros: 14 casos

A

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) apresentou ontem os dados relativos aos trabalhos de inspecção aos estaleiros de construção civil. Com um total de 227 mil patacas pagos em multas neste sector no ano passado, a DSAL admite poder aumentar os montantes. “(Os aumentos) vão ser estudados quando for feita uma revisão do regulamentos e vão ser revistos os montantes”, apontou Lan

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Q

UASE cem agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) e dos Serviços de Alfândega (SA) pediram apoio psicológico no ano passado. De acordo com dados fornecidos ao HM pela Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau (DSFSM), a maioria dos pedidos está relacionada com problemas do “estado de ânimo” e do foro mental. As informações mostram que 84 agentes da PSP e sete dos SA pediram ajuda psicológica em 2013 e foram atendidos pelo próprio Gabinete de Apoio Psicológico do Departamento de Apoio Técnico da DSFSM. Os pedidos chegam por diversos motivos. “Os casos de pedidos de assistência

pelo pessoal da PSP são sobre problemas mentais, de fisiologia, casamento, sexo, disciplina e educação dos filhos. Mas também de comunicação com familiares, planeamento de carreira, conteúdo do trabalho, relacionamento interpessoal, economia, emoções, estado de ânimo e jogo”, esclarece uma porta-voz da DSFSM. “No caso do pessoal dos SA, são sobre problemas mentais, de comunicação com familiares, planeamento de carreira, conteúdo do trabalho e estado de ânimo.”

AGENTES COM MAIS DE UM PROBLEMA

Só nos casos relacionados com o ânimo do agente, por exemplo, foram 59 os pedidos feitos ao gabinete de apoio, seguidos de 42 pedidos de ajuda por problemas mentais. A DSFSM diz mesmo que cada agente

pode ter pedido ajuda devido a mais do que uma situação. “É possível existir vários tipos de problemas ao mesmo tempo, apenas num caso.” Prova disso, é o número total de casos registados. O gabinete de apoio teve de auxiliar 91 agentes, mas mais de 300 situações diferentes foram registadas. Só na área de problemas de saúde e problemas de trabalho, foram contabilizados mais de 90 casos. Actualmente, o serviço de apoio psicológico é prestado por três psicólogos “com habilitações profissionais de psicologia e grande profissionalismo de vários anos no desempenho das suas funções”. Estes são, de acordo com os dados da DSFSM, um estudante pós-graduado do curso de doutoramento em psicologia, um mestrando em apoio psicológico e um estudante pós-graduado do curso de mestrado em psicologia. A DSFSM não tem quaisquer estatísticas sobre os pedidos de apoio psicológico à Polícia Judiciária, uma vez que estes agentes não são utentes do mesmo serviço que os agentes da Alfândega e da PSP. O HM tentou obter informações sobre os agentes da PJ que pediram apoio psicológico, mas uma porta-voz desta polícia explicou que os agentes da PJ de deslocam ao hospital público para falar com médicos em casos de necessidade, não tendo um apoio psicológico na DSFSM.

DSAL ADMITE FUTURA REVISÃO DO REGULAMENTO

Multas de inspecção no trabalho podem aumentar Iok Cheong, chefe do departamento de segurança e saúde ocupacional da DSAL. As multas referentes a 2013 foram resultado de 5380 inspecções realizadas a 1491 estaleiros.

Ocorreram ainda três acidentes de trabalho mortais. Em 2012, as multas representaram um total de 187 mil patacas depois de 7105 inspecções a 1435 estaleiros. Em 2012, aconteceram sete acidentes de trabalho.

Questionada sobre quantos trabalhadores da construção civil serão necessários para este ano, a responsável da DSAL garantiu que a entidade não tem conhecimento das previ-

sões, por serem dados da competência do Gabinete de Recursos Humanos (GRH). “Não há estatísticas, mas prevemos um aumento do número de trabalhadores, devido aos vários projectos no Cotai que vão ser feitos, bem como habitações públicas e privadas”, disse Lan Iok Cheong. Certo é que em 2013 existiam em Macau 38.200 mil trabalhadores, um aumento face aos 32.300 que existiam em 2012. - A.S.S.

Desemprego Registos nunca viram mais baixo que 1,8%

Entre Outubro e Dezembro do ano passado, a taxa de desemprego foi de 1,8 por cento, equivalente a uma descida de 0,1% face ao trimestre anterior. A taxa de desemprego em Macau terminou 2013 no valor mais baixo desde que há registos (a partir de 1996). Segundo os últimos dados do Governo, não há números de desemprego tão baixos como os do ano passado. No final do passado mês de Dezembro, havia 6800 pessoas sem emprego, menos 200 do que em Setembro. Nos ramos de actividade económica, houve um aumento no número de empregados das actividades culturais e recreativas, e também das lotarias. O número dos que estavam à procura do primeiro emprego subiu 0,8 pontos e representou 14 por cento do total da população desempregada. No último trimestre de 2013, a mediana do rendimento mensal subiu para as 12.300 patacas, mais 300 patacas do que nos três meses anteriores. A taxa de actividade correspondeu a 73,2%. A população empregada cresceu para 370 mil, mais duas mil do que no ano anterior.

Subsídio escolar para alunos do ensino superior mantém-se

Não aumentou o subsídio escolar a atribuir a alunos do ensino superior que frequentem cursos tutelados em Macau ou fora, desde que reconhecidos pelas autoridades locais, conferentes de grau académico ou com duração não inferior a dois anos lectivos. A verba entregue aos estudantes inscritos no ano lectivo 2013/2014 (entre 1 de Setembro de 2013 e 31 de Agosto de 2014 ou de 1 Fevereiro a 31 de Dezembro de 2014) é, tal como no ano passado, de 3000 patacas. Recorde-se que, em 2012, a verba orçada era inferior em 1000 patacas. O registo deve ser efectuado no período que decorre entre a data da entrada em vigor do presente regulamento administrativo e 31 de Março de 2014. Segundo o regulamento administrativo assinado pelo Chefe do Executivo e tornado ontem público em Boletim Oficial, o subsídio para aquisição de material escolar é acumulável com outros apoios financeiros concedidos ou a conceder por outras entidades públicas ou privadas. O montante está incluído nas verbas inscritas no orçamento do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES). – R.M.R.


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CHINA

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S dados divulgados a semana passada — que indicam um recuo inesperado da actividade industrial da China durante o mês de Janeiro — normalmente não são tão valorizados. Mas estes dados surgem num momento em que os economistas tentam detectar se o crescimento da segunda maior economia do mundo continuará a desaceleração evidenciada no quarto trimestre de 2013. O sector de manufactura chinês sofre com uma procura ainda lenta de mercados tradicionais como os EUA e a Europa, flutuações cambiais que tornam os seus produtos menos competitivos no exterior e um aumento dos custos da mão de obra no país. Xiang Xiaoyun, administradora da Kaicheng Shoes Co., que possui uma fábrica na província de Cantão e exporta para os EUA e para a Europa, diz que a sua empresa está a enfrentar por dificuldades. “A concorrência dos rivais com custos baixos não é assim tão óbvia”, diz . “Mas a valorização da moeda chinesa e o aumento dos preços das matérias-primas, bem como os custos de mão-de-obra, são uma grande dor de cabeça.” Os dado preliminares do Índice de Gerentes de Compra do HSBC (PMI, na sigla em inglês) — divulgados na quinta-feira passada pelo HSBC Holdings PLC e pela provedora de dados financeiros Markit — indicam um recuo de 50,5 em Dezembro para 49,6 em

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MOEDA, MATÉRIAS-PRIMAS E MÃO-DE-OBRA SÃO DOR DE CABEÇA

Queda surpreendente

O desempenho decepcionante das indústrias da China nas últimas semanas revela que o sector de manufactura pode acabar por pesar negativamente sobre a economia chinesa em geral, que já enfrenta desafios de vária ordem Janeiro. É a primeira vez nos últimos seis meses que este índice fica abaixo de 50. (Qualquer número abaixo de 50 indica retracção da actividade; números acima deste limite sinalizam crescimento.) A maioria dos analistas esperava que o índice ficasse pouco acima de 50 pontos. “Ficou abaixo das expectativas do mercado e surpreendeu a muitos”, disse Haibin Zhu, economista do J.P. Morgan. “Aperspectiva dos dados futuros é preocupante.” O número de novas encomendas globais e pedidos de ex-

Os exportadores chineses podem sofrer uma pressão ainda maior este ano se o yuan continuar a valorizar-se

portação caiu, enquanto os stoks cresceram, diz Zhu. Estes dados agravaram os receios dos investidores de que a desaceleração da procura chinesa, durante muitos anos o principal motor de crescimento das economias emergentes, possa criar ainda mais problemas para países como Brasil e a África do Sul, que fornecem matérias-primas para a China. As moedas dos países emergentes sofreram quedas generalizadas também na semana passada. O peso argentino, que desceu mais de 12% face ao dólar, foi um dos mais atingidos, juntamente com o rand sul-africano e a lira, da Turquia. O dólar australiano, igualmente sensível aos movimentos da economia chinesa porque a China é um grande comprador de matérias-primas da Austrália, caiu 1% face ao dólar americano. Alguns economistas e exportadores, porém, alertaram para uma

reacção exagerada. Os dados são preliminares, foram divulgados aproximadamente uma semana antes da leitura final e baseados em cerca de 85% a 90% do total de entrevistas feitas mensalmente pela pesquisa. Para além disto, os dados próximos do Ano Novo Lunar — um dos principais feriados chineses, que dura duas semanas e começa na próxima sexta-feira — tendem a ser mais voláteis, já que as fábricas fecham, os trabalhadores voltam para as suas cidades e os trabalhadores das estatísticas do governo recolhem as calculadoras. “O primeiro trimestre será um pouco irregular”, diz Willy Lin, gerente da Milo’s Knitwear (International), uma fábrica de confecção de Dongguan, pólo fabril no sul da China. “Mas, de uma maneira geral, o poder de compra dos consumidores está a melhorar. [...] No fim, os números podem vir a ser melhores.”

Lin destacou outros pequenos sinais positivos, como conseguir que os clientes façam o pagamento cada vez mais cedo. Segundo o gerente, um número muito maior de clientes está a pagar a 30 dias, comparado com um prazo entre 120 e 180 dias nos meses anteriores. Muitas empresas na China protestavam contra a demora dos pagamentos no ano passado, quando a economia desacelerou. A longo prazo, a China está a procurar depender menos das exportações e dos investimentos em grandes projectos e mais do consumo. Mas uma desaceleração da manufactura poderia prejudicar o objectivo do governo de manter o nível de emprego. Os dados preliminares do Índice PMI, conhecido como “flash PMI”, tende a investigar mais as pequenas e médias empresas em relação à medição oficial da produção fabril, que deve ser divulgada em 10 de Fevereiro e que se foca mais nas grandes empresas estatais. Outros dados também têm apontado para um cenário menos robusto na manufactura. Em Dezembro, o avanço da produção industrial foi de 9,7%, face aos 10% em Novembro. Os exportadores chineses podem sofrer uma pressão ainda maior este ano se o yuan continuar a valorizar-se. Um yuan mais forte torna os produtos chineses menos competitivos quando o seu preço é convertido noutras moedas. Em 2013, o yuan valorizou-se 7% em relação ao dólar.


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HONG KONG MULHER DE DETIDA POR “ABUSOS” CONTRA EMPREGADA DO BANGLADESH

Tortura caseira U MA mulher de Hong Kong foi detida no domingo por alegados abusado cometidos contra uma empregada do Bangladesh, informou ontem a polícia, naquele que é o mais recente caso de abusos de empregadas domésticas na antiga colónia britânica. A detenção da mulher de 58 anos, identificada na imprensa como Cheung Sau-kuen, surge uma semana depois de milhares de empregadas domésticas se terem manifestado para pedir justiça para uma indonésia alegadamente abusada pela sua patroa. A empregada do Bangladesh, de 27 anos, acusou Cheung de agressões na cabeça, puxões de cabelos, arranhões nas mãos com uma escova de metal, e de estar confinada a uma pequena divisão da casa, noticiou o jornal The Standard. Cheung foi detida no domingo à tarde no seu apartamento de luxo em Hong Kong, mas foi libertada sob caução, cujo montante não foi divulgado. A vítima, que segundo a polícia foi enviada para o hospital para tratamento, disse que a sua empregadora a impediu de tratar os ferimentos.

Mon ami Fabius O dia de ontem marcou o 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e a França. O Diário do Povo, jornal oficial da China, fez uma edição especial, no qual foram publicadas cartas escritas pelos chanceleres e embaixadores dos dois países. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, e seu homólogo francês, Laurent Fabius, publicaram em conjunto um artigo intitu-

lado “Reforço de cooperação bilateral para responder aos desafios do século XXI”. No texto, os dois líderes valorizaram os muitos avanços na promoção da confiança mútua e da colaboração comercial, que China e França conseguiram ao longo das últimas cinco décadas. O embaixador francês na China, Sylvie-Agnes Berman, afirmou que como o primeiro país ocidental a reconhecer a República Popular da China, a França dá muita atenção ao

desenvolvimento das relações com Pequim e espera aprofundar ainda mais a amizade com o governo chinês. Por sua vez, o embaixador chinês na França, Zhai Jun, declarou que a evolução dos laços sino-franceses se baseia no respeito dos dois países pela diversidade cultural. Mesmo existindo diferenças culturais, de sistema social e nível de desenvolvimento, ambos devem respeitar-se mutuamente e insistir no caminho do benefício recíproco.

Xinjiang divulga detalhes de ataque terrorista em Xinhe

Este caso surge depois de outra mulher de Hong Kong ter sido detida na semana passada por alegados abusos cometidos contra a empregada doméstica indonésia Erwiana Sulistyaningsih, que está actualmente a receber tratamento no seu país.

DETIDO EM PEQUIM ACTIVISTA CHINÊS HU JIA

Sem pré-aviso O dissidente chinês Hu Jia encontra-se detido numa esquadra de Pequim desde domingo, dia em que um tribunal condenou a quatro anos de prisão o activista Xu Zhiyong, fundador do movimento “Novo Cidadão”. Segundo denunciaram ontem vários activistas através de redes sociais como o Twitter, Hu Jia, que estava sob prisão domiciliária, encontra-se detido na esquadra de Zhong Cang em Pequim. O activista foi detido enquanto suspeito de

DIÁRIO DO POVO PUBLICA EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE OS 50 ANOS DAS RELAÇÕES SINO-FRANCESAS

“provocar problemas”, segundo denunciou Nicholas Bequelin, porta-voz da organização Human Rights Watch em Hong Kong. Nem a mulher de Hu, Zeng Jinyan, que se encontra em Hong Kong, nem o advogado do activista foram informados da detenção. Hu Jia, um dos cerca de 40 intelectuais e activistas chineses que assinaram uma carta dirigida ao novo líder do país, Xi Jinping, a 06 de Dezembro de 2012 para pedir a libertação do Nobel da Paz Liu Xiaobo, já foi detido outras vezes.

Com um extenso currículo como defensor dos direitos humanos e dos doentes de sida e hepatite B - doença crónica de que também padece -, foi detido oficialmente em Março de 2013, e já esteve sob prisão domiciliária em várias ocasiões desde então. Xu Zhiyong, fundador do movimento civil “Novo Cidadão”, que pede a transparência do governo, foi condenado no domingo por um tribunal de Pequim a quatro anos de prisão por “perturbação da ordem pública”.

Três navios chineses nas águas territoriais das ilhas Diaoyu

Três navios da guarda costeira chinesa entraram ontem nas águas territoriais junto às ilhas disputadas pela China e Japão, naquela que foi a segunda incursão do género desde o início do ano. Os três navios entraram cerca das 09:00 nas águas em torno das ilhas Diaoyu, administradas, de facto, pelo Japão, mas reivindicadas por Pequim, informou a guarda costeira nipónica, citada pela AFP. Os barcos chineses abandonaram a zona cerca de duas horas mais tarde. A última incursão do género data de 12 de Janeiro.

As autoridades de comunicação da Região Autónoma Uigur de Xinjiang revelaram domingo que a série de explosões ocorridas no dia 24 de Janeiro no Distrito de Xinhe, em Aksu, envolveram 17 terroristas. A investigação revela que as explosões foram resultado de um ataque terrorista organizado e premeditado. Segundo informações avançadas pela polícia local, um homem de nome Ibrahim Qahar organizou várias actividades religiosas ilegais promovendo o extremismo religioso desde

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Maio do ano passado. Ibrahim liderou um grupo de 17 terroristas suspeitos de fazerem explosivos numa casa alugada. O grupo deslocou-se em três motocicletas para atirar os explosivos numa barbearia e num mercado de vegetais pelas 18:40h no dia 24. A polícia abriu fogo para se defender dos ataques do grupo quando realizava as detenções. Seis suspeitos foram mortos a tiro e outras seis pessoas morreram nas explosões. Os restantes cinco membros do grupo foram detidos.


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EVENTOS

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INSTITUTO CULTURAL ORGANIZA ACTIVIDADES PARA ACOLHER O ANO DO CAVALO

Exposições e concertos com entrada livre O

Museu de Macau, a Casa do Mandarim, a Casa de Lou Kao, a Galeria do Tap Seac, o Teatro Dom Pedro V, a Sala de Exposições do Templo de Na Tcha, o Centro Ecuménico Kun Iam, o Museu de Arte Sacra e Cripta, a Igreja de Nossa Senhora da Guia e o Acesso à Fortaleza do Monte, organismos dependentes do Instituto Cultural (IC), mantêm-se abertos ao público entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro, promovendo diversas actividades culturais para os residentes e turistas por ocasião da celebração do Ano Novo Chinês, informa o comunicado de imprensa da organização. No Museu de Macau está patente uma pequena exposição relativa ao desenvolvimento da indústria de panchões em Macau, constituída por peças cedidas, por empréstimo, por Lai Hong Kin, autor do livro recentemente lançado Indústria de Panchões da Taipa. A exposição inclui mais de quarenta documentos sobre esta indústria, panchões, embalagens e ferramentas utilizadas na sua produção, entre outros, permitindo aos visitantes conhecer as várias facetas do desenvolvimento da indústria em Macau. Entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro a entrada no Museu será livre para residentes e estudantes do território, acrescenta a nota de imprensa. Entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro, a Casa do Mandarim oferece actividades de caligrafia bem como concertos de jazz e demonstrações de dança do leão. Durante o mesmo período, também a Casa de Lou Kau oferece aos visitantes actividades de caligrafia, música tradicional chinesa e ainda a possibilidade de criar os seus próprios dísticos utilizando carimbos alusivos à chegada no novo ano. O Espaço Patrimonial – Uma Casa de Penhores Tradicional encerra para descanso no dia 31 de Janeiro, abrindo regularmente ao público a partir de 1 de Fevereiro. A Biblioteca Central e todas as bibliotecas na sua dependência encerram de 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro, retomando o horário normal de funcionamento a 3 de Fevereiro. A Casa de Ye Ting encontra-se temporariamente encerrada para manutenção. A entrada é livre para todas as actividades acima referidas com excepção de determinados espaços museológicos, finaliza a nota.

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Museu do Oriente comemora, de 30 de Janeiro a 2 de Fevereiro, o Ano Novo Chinês – sob o signo do Cavalo – com uma série de iniciativas para toda a família dedicadas a várias vertentes do país: gastronomia, desporto, religião e cultura. 
 No dia 30 de Janeiro, das 19:00 às 21:30, tem lugar um workshop de gastronomia chinesa para adultos. Com uma estimativa de mais de 5000 pratos típicos locais e cerca de 20 cozinhas regionais diferentes, esta gastronomia, considerada uma das mais ricas do mundo, brota de

MUSEU DO ORIENTE CELEBRA ANO NOVO CHINÊS

Irei como um cavalo louco um fundo cultural com mais de quatro milénios.
 
 A história do Ano Novo Chinês é contada aos mais pequenos nos dias 31 de Janeiro ou 1 de Fevereiro, das 19:30 às 20:30 (1ª sessão) ou das 15:00 às 16:00 (2ª sessão), respectivamente. Na China esta celebração é caracterizada pela união familiar e pelo agradecimento aos antepassados e aos deuses pela sua bênção e protecção.
 


Ainda a 31 de Janeiro, 1 ou 2 de Fevereiro, em três horários (11:30 às 12:30, 14:30 às 15:30 e 17:00 às 18:00) a oficina Histórias exclamadas convida o público a conhecer as histórias e curiosidades mais espantosas em torno das peças do museu.
 
 A 1 ou 2 de Fevereiro, das 10:00 às 11:00, todos são convidados a dar as boas-vindas ao Novo Ano

Chinês com o equilíbrio e harmonia necessários ao começo de um novo ciclo, através de uma prática corporal e meditativa oriunda da tradição clássica chinesa: uma aula aberta de tai chi.
 
 Para os chineses, 2014 é o Ano do Cavalo. Que histórias, lendas e superstições estão associadas a este animal? Que traços de personalidade vão herdar

os nascidos neste ano? A história do Cavalo na China é revelada no dia 1 de Fevereiro, das 15:00 às 17:00, onde os mais pequenos são desafiados a contar a lenda através de marionetas.
 
Finalmente, no dia 2 de Fevereiro, das 15:00 às 16:30, é dada a conhecer Guaniyn, a deusa dos mil braços, a mais venerada em toda a China pela sua bondade e inúmeros milagres. O desafio proposto às crianças é, com imaginação, criatividade e o auxílio de exercícios de expressão dramática e corporal, representar esta deusa.


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luz de inverno

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Boi Luxo

12 YEARS A SLAVE, STEVE MCQUEEN, 2013

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ÃO admira que este seja um filme em que algumas das mais persistentes e desagradáveis insuficiências do cinema anglo-saxónico das últimas décadas se não manifestem. Esperá-lo-íamos de Steve McQueen, um autor que ainda considero mais como artista plástico que como cineasta. Esta disposição exibe-se com clareza na depuração com que o autor escolheu mostrar as cenas potencialmente mais sentimentais. Esta decisão faz toda a diferença, e prova que um pequeno afastamento das fórmulas tradicionais de mostrar momentos emotivos da história pode ter um impacto dramático superior mesmo junto de um público formado e condicionado por aquelas. É incalculável o prejuízo que a sua repetição tem causado no público habituado a mecânicas narrativas tradicionais. Esta é a causa primária do embrutecimento que tem vindo a afligir as massas. Mas não é igualmente um filme que ouse ser muito mais do que uma instalação bastante correcta sobre um tema nobre: a sujeição de uma pessoa a indizíveis injustiças durante o espaço de 12 anos. Não se detectando erros sérios, não se vislumbra também qualquer valentia que ultrapasse a de uns planos mais longos de rostos, reflexivos, a de uns planos naturais, contemplativos, ou a recusa de uma banda sonora demasiadamente manipuladora (mas muito inferior às dos seus outros dois filmes de longa extensão).

O que aqui não existe (e existe, exemplarmente, em Hunger, de 2008), é uma adequação estética ao que é contado, um discurso próprio que individualize a sua interpretação. Não há nenhum plano equivalente ao plano em que (num intenso desenvolvimento da história de Bobby Sands e os seus seguidores, a altura em que estes resolvem iniciar a greve de fome), o autor faz um travelling sobre o chão da prisão onde se passa praticamente todo o filme, coberto de urina, ao mesmo tempo que se ouve a voz inflexível de Margaret Thatcher a afirmar que não cederá às exigências dos grevistas. Pensar que McQueen quis compor um quadro extremamente bem organizado, e de leitura simples, para fazer chegar a um público mais vasto (que não é o público de Hunger) um assunto de nobreza indiscutível, não me parece que mereça particular encómio. A exibição das consequências físicas do sofrimento é muito mais intensa, muito mais artística, muito mais directa e muito mais eficaz em Hunger do que em 12 Years A Slave. No primeiro filme é inesquecível e própria (o último terço do filme, correspondente à greve de fome é um quadro memorável em si, o melhor bocado de cinema de McQueen), no terceiro filme é muito bem filmada, apenas. A banda sonora é melhor em Hunger e em Shame (2011). Tanto quanto um filme sobre a mecânica e a ignóbil e absurda injustiça da escravatura, 12 Years A Slave é um filme

sobre parte da vida de uma pessoa e talvez sob essa perspectiva seja mais merecedor de uma apreciação benévola. Se lembrarmos as outras longas metragens deste autor identificamos, neste pequeno conjunto, a vontade de fazer filmes muito focalizados numa personagem masculina e no seu sofrimento e inadequação. Assim em Hunger e em Shame - o primeiro sobre Bobby Sands e os seus companheiros e o segundo sobre um macho urbano hiperactivo sexualmente desajustado socialmente. Será sobre este ângulo que se apreciarão os seus filmes com mais gosto. Estes filmes podem ser vistos como variações sobre um mesmo tema. Em todos eles encontramos homens em situação de cativeiro, em Shame um cativeiro causado por uma extrema dependência. Em 12 Years A Slave o mais interessante será a lenta construção de uma estratégia de sobrevivência, uma que passa pelo apagamento da personalidade própria, pela utilização da mentira deliberada ou pela descrença em Deus. Infelizmente sem discurso estético próprio que acompanhe este processo. Neles distinguimos colorações diferentes. Hunger usa, nos dois primeiros terços do filme um claro escuro muito próprio ao retrato do encarceramento heróico de Bobby Sands e outros resistentes irlandeses aos abusos colonialistas ingleses. Na última parte, praticamente sem som e sem diálogos, o tom é opressivamente hospitalar.

Shame (urban cool), é enquadrado numa luz clínica e fria que espelha de modo suficientemente perturbador o sentido de deslocação do mais solitário herói de McQueen (sem referência às suas curtas-metragens). 12 Years A Slave, que, sublinhe-se, é um excelente filme, demonstra uma dura ironia: a de que o tratamento que é dispensado a Solomon Northup, e aos outros escravos que partilham parte da sua sorte, se produz num cenário quase virginal, o dos estados do sul dos Estados Unidos, brutalmente solar e paradisíaco na sua generosidade natural. Esta é a menos urbana das suas longas metragens e o seu tratamento cromático mostra-o bem. Este é o filme de McQueen que tem uma linguagem mais acessível ao grande público. Confirma também que não formou, ao longo desta curta carreira, uma linguagem própria que o distinga. Pode ser bom, Oshima fê-lo durante décadas e cada filme que dele se exibia era uma surpresa. Mas pode ser mau. P.S.: Um longo blog constante de uma página electrónica do jornal Washington Post inclui um mapa e um pequeno texto que mostra a distribuição global dos cerca de 30 milhões de pessoas que vivem actualmente em situações de escravatura. Vê-se aqui : http://www.washingtonpost.com/ blogs/worldviews/wp/2014/01/13/40more-maps-that-explain-the-world/


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HUAI NAN ZI

淮南子

Da Guerra – 64 Lida calmamente com quem está excitado; espera pelos perturbados com controlo. Sê informe se quiseres dominar o que tem forma; responde à mudança sem artifício. Assim, mesmo que não consigas vencer os oponentes, os oponentes não terão maneira de te vencer. * * * Quando os oponentes se põem em acção antes de ti, és capaz de ver a sua forma. Quando eles estão excitados, mas tu estás calmo, és capaz de neutralizar a sua força. * * * Tudo o que tem forma pode ser derrotado, tudo aquilo que toma forma pode ser contrariado. É por isso que os sábios escondem as suas formas no nada e deixam as suas mentes vogar no vazio. * * * Todas as criaturas são susceptíveis de ser controladas devido aos seus movimentos, por isso os sábios valorizam a imobilidade. Estando imóvel, consegues contrariar a excitação; se te controlares, consegues contrariar quaisquer avanços. * * * O modo como um bom general emprega soldados é através da unificação das suas mentes e das suas forças, de modo a que os ousados não possam avançar sozinhos e os fracos não se possam retirar sozinhos. Imóveis, são como as montanhas; em acção, são como uma tempestade, arrasando tudo por onde passam, tudo suplantando, movendo-se como um só corpo, sem que ninguém se lhes possa opor ou os possa travar. Assim, muitos inimigos serão feridos, embora na verdade poucos soldados combatam.

Da Guerra – 65 A benevolência, a coragem, a confiança e a integridade são excelentes qualidades humanas, mas é possível pilhar os benevolentes, incitar os corajosos, enganar os confiantes e espalhar intrigas acerca dos íntegros. Se os líderes de um grupo tiverem visíveis quaisquer destas qualidades, poderão ser capturados por outros. * * * Só os informes são invulneráveis. Os sábios se escondem no inescrutável, de modo a que se não possam observar os seus sentimentos. Operam no informe, de modo que se não possam atravessar as suas linhas. * * * Quando os melhores generais usam as armas, têm a Via do céu por cima, as vantagens da terra por baixo e os corações dos homens pelo meio. Assim, os usam no momento oportuno, destacando-os no mesmo sentido do ímpeto de uma situação. É por isto que as suas tropas não são lesadas nem os seus exércitos derrotados.

O LIVRO DOS MESTRES DE HUAINAN


artes, letras e ideias 15

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Imóveis, são como as montanhas; em acção, são como uma tempestade.

Quanto aos generais medíocres, desconhecem a Via do céu e as vantagens da terra, usando apenas as pessoas e o ímpeto. Apesar de não poderem ser completamente bem sucedidos, serão maioritariamente bem sucedidos. No que se refere aos generais inferiores e ao seu modo de usar as armas, apesar de muito escutarem só se confundem mais. Muito sabem, mas duvidam de si mesmos. No campo mostram medo e hesitam na acção. E, assim, é provável que sejam capturados por outros.

Da Guerra – 66 Uma boa operação militar tem um ímpeto semelhante ao da água irrompendo de uma barragem monumental; é como rotundos pedregulhos despenhando-se numa funda ravina. Se o mundo observar a necessidade da tua acção militar, quem presumirá batalhar contigo? * * * A via do guerreiro é mostrar aos outros temperança, mas tratá-los com firmeza; mostrar-lhes fraqueza, mas suplantá-los pela força; recuar quando avançam, mas avançar para os contrariar. Quando de onde vens não é para onde vais e aquilo que mostras não é o que planeias, então, ninguém saberá o que fazes. És como um relâmpago – ninguém é capaz de antecipar onde cairá e nunca cai duas vezes no mesmo sítio. Assim, as tuas vitórias podem ser completas, em comunhão com conhecimento que é oculto. Quando ninguém sabe onde é a tua porta, a isso se chama génio supremo. * * * Aquilo que faz os guerreiros fortes é a sua prontidão para lutar até à morte. Aquilo que dispõe as pessoas a lutar até à mote é a justiça. Aquilo que torna possível pôr em prática a justiça é a sua espantosa dignidade. Como tal, quando as pessoas estão unidas pela cultura e são feitas iguais pela formação militar, as conhecemos por vencedoras garantidas. Quando a espantosa dignidade e a justiça são ambas exercidas, a tal se chama força suprema. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

Huai Nan Zi (淮南子), O Livro dos Mestres de Huainan foi composto por um conjunto de sábios taoistas na corte de Huainan (actual Província de Anhui), no século II a.C., no decorrer da Dinastia Han do Oeste (206 a.C. a 9 d.C.). Conhecidos como “Os Oito Imortais”, estes sábios destilaram e refinaram o corpo de ensinamentos taoistas já existente (ou seja, o Tao Te Qing e o Chuang Tzu) num só volume, sob o patrocínio e coordenação do lendário Príncipe Liu An de Huainan. A versão portuguesa que aqui se apresenta segue uma selecção de extractos fundamentais, efectuada a partir do texto canónico completo pelo Professor Thomas Cleary e por si traduzida em Taoist Classics, Volume I, Shambhala: Boston, 2003. Estes extractos encontram-se organizados em quatro grupos: “Da Sociedade e do Estado”; “Da Guerra”; “Da Paz” e “Da Sabedoria”. O texto original chinês pode ser consultado na íntegra em www.ctext.org, na secção intitulada “Miscellaneous Schools”.


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DESPORTO

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CAPITAL DE GUANGDONG RECEBE DTM EM SETEMBRO

Félix da Costa corre em Cantão SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo

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NTÓNIO Félix da Costa, o piloto português que venceu o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 em 2012 e ficou em 2º lugar em 2013, irá competir em 2014 no campeonato alemão de carros de turismo DTM, que tem presença marcada para o dia 27 de Setembro nas ruas de Cantão, a capital da província de Guangdong. Numa temporada que se espera bastante preenchida, entre os compromissos de piloto oficial BMW no DTM e as funções de piloto de testes e reserva de Fórmula 1 pela equipa Red Bull Racing, Félix da Costa diz conhecer todos os circuitos do campeonato DTM menos o traçado chinês, o que, segundo o jovem luso, não é um problema visto que estão

todos os pilotos no mesmo ponto de igualdade. O circuito de Cantão foi desenhado ao pé da foz do rio, terá 4.1 quilómetros de extensão e aguarda homologação da federação chinesa, assim como da FIA. “Que-

ríamos correr na província de Guangdong porque as pessoas têm um bom conhecimento e desenvolveram uma paixão sem comparação pelos desportos motorizados. Guangdong é perto de Hong Kong e os fãs de auPUB

tomobilismo virão a Cantão experienciar o DTM”, disse Maggie Ip, a presidente do Brilliant Culture Group, o promotor do evento. Audi, BMW e Mercedes-Benz, os três gigantes da indústria automóvel germânica, vão

utilizar este evento para promover os seus produtos no cada vez mais importante mercado chinês. Em 2004 o DTM fez a sua primeira aparição na China, na cidade cosmopolita de Xangai, com um circuito citadino

Um jogo por Eusébio

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A quarta-feira, a Casa do Sport Lisboa e Benfica em Macau organiza um jogo de futebol de homenagem a Eusébio da Silva Ferreira, o ‘Pantera Negra’, que faleceu recentemente. A Casa do Benfica de Macau vai juntar em campo equipas organizadas entre adeptos do Benfica e de outros clubes, num evento que conta com o apoio à organização do Instituto do

Desporto e da Associação de Futebol de Macau. Pelas 19 horas, no Campo de Futebol da Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST), na Taipa, a bola rola por aquele que foi “uma figura maior do futebol português”. Eusébio, diz ainda a Casa do Benfica, deve ser homenageado em Macau, onde “deixou marcas em todas as comunidades locais”.

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construído nos arredores do centro financeiro de Pudong. Seis anos depois, a competição de carros de Turismo mais popular no centro da Europa voltou à capital económica da China, mas os problemas organizativos impediram um novo retorno até 2014. Em ambas as ocasiões a Mercedes-Benz venceu, apesar das corridas serem hoje ainda recordadas pelos problemas com a pista, nomeadamente com as tampas de saneamento, que propriamente pelos seus resultados desportivos. O circuito citadino de Cantão, que ainda não tem um nome, será o segundo do género da história na província de Guangdong, após Zhuhai ter tido o seu próprio circuito citadino, à imagem de Macau, na década de noventa antes da construção do autódromo permanente no distrito de Jiding. Dentro do programa de provas do fim-de-semana do DTM em Cantão estará também a “Taça Audi R8 LMS”, competição monomarca que visitou o Circuito da Guia o ano passado e que esta temporada poderá acolher a tempo inteiro o piloto de Macau André Couto.


FUTILIDADES

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TEMPO

POUCO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

15

MAX

20

HUM

60-90%

EURO

10.9

BAHT

0.2

YUAN

17

1.3

POR MIM FALO Pu Yi

SALA 1

CONTROL [C]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Kenneth Bi Com: Daniel Wu, Yao Chen, Simon Yam, Leon Dai 14.30, 16.15, 18.00

FROM VEGAS TO MACAU [C] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Wong Jing Com: Chow Yun-Fat, Nicholas Tse, Chapman To, Benz Hui 19.45, 21.30 SALA 2

HOURS [B]

Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 16.30, 21.30

SAVING MR. BANKS [B] Um filme de: John Lee Hancock Com: Tom Hanks, Emma Thompson, Colin Farrell, Paul Giamatti 19.15 SALA 3

THE STARVING GAMES [C]

Um filme de: Jason Friedberg, Aaron Seltzer Com: Maiara Walsh 14.30, 16.15, 17.45, 19.30

SAVING MR. BANKS [B] Um filme de: John Lee Hancock Com: Tom Hanks, Emma Thompson, Colin Farrell, Paul Giamatti 21.15

A falta de previsões em tempo oportuno Bieber gasta 6 mil euros em droga por semana • Justin Bieber tem preocupado cada vez mais os amigos. Um deles ganhou coragem para contar que o cantor gasta cerca de 6 mil euros por semana em drogas. “Ele fuma 12 bongos [utensílio utilizado para fumar qualquer tipo de droga] por dia e consegue gastar 6 mail euros por semana em droga”, afirmou o amigo do cantor ao jornal britânico ‘Daily Mail’. Além das drogas, Bieber é também utilizador habitual de comprimidos. “Ele não consome apenas canábis. Também não dispensa Xanax e Ambien [um medicamento usado para dormir]. A ‘erva’ também tem um papel fundamental na vida dele”, afirma o mesmo amigo. O jovem cantor é viciado também em ‘sizzurp’, uma mistura de xarope para a tosse com refrigerante. “Ele também consome ‘sizzurp’, o Justin recebe encomendas a granel de xarope de codeína e mistura-o com refrigerante de ananás. Tem até um copo para miúdos ao pé da cama”, revela a mesma fonte. Tatiana Voziouk, antiga empregada da casa de Justin Bieber, contou ao ‘Mirror’ que as drogas estão a transformar o cantor nnum verdadeiro “zombie”.

Isabel II não abdica • “Partilha de serviços, mas não abdicação”, acentuou o porta-voz do Palácio de Buckingham ao registar a passagem, esta semana, de dez assessores do príncipe Carlos da sua residência em Clarence House para o palácio real. Camilla, duquesa da Cornualha, terá de travar o seu anseio de ser rainha. Aliás, a vida de Camilla está a tornar-se num inferno junto da família real. Tudo se volta contra ela e o nascimento do príncipe George agravou os seus receios quanto à possibilidade de nunca chegar a ser rainha. Na semana passada, foi o príncipe William quem esteve ao lado de Isabel II na cerimónia de entrega das distinções reais, missão até agora desempenhada por Carlos. Há rumores que, deprimida, ela procurou consolo numa garrafa de gin. Kate reagiu implacável, proibindo-a de se aproximar do bebé George.

A MAÇÃ A maçã, não se percebe bem porquê, tem sido vendida como um símbolo do pecado. Mas Vanessa Roth, cantora e modelo brasileira, não hesita em dar-lhe uma valente dentada. Contudo, repare-se que tal acção não a leva a tirar as cuequinhas. Antes pelo contrario. Já nem as maçãs são o que eram.

fonte da inveja

Se fores visitar a mulher, não te esqueças do chicote. Faz-te falta a ti e a ela também.

João Corvo

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) convocaram ontem uma conferência de imprensa de apresentação dos trabalhos sobre saúde e segurança ocupacional. Mas para além dos dados sobre as inspecções feitas aos estaleiros da construção civil e os acidentes de trabalho ocorridos, foi referido que Macau vai necessitar de mais trabalhadores, porque vão surgir cada vez mais grandes empreendimentos. A responsável pelo departamento de segurança e saúde ocupacional da DSAL foi questionada, naturalmente, sobre as previsões reais de trabalhadores necessários, dado esse aumento exponencial de obras no território. Contudo, o silêncio imperou na hora de dizer os números de 2014: só disse os de 2012 e 2013. A explicação foi natural: não cabe à DSAL fazer previsões, mas sim ao Gabinete de Recursos Humanos. Portanto, o ano já começou, o desenvolvimento segue no seu ritmo desenfreado e o Governo não tem já estimativas prontas para dizer ao público. Mas não é só na área da construção civil que falham as previsões, mas sim no panorama geral. Este Governo não consegue prever os problemas e apontar soluções a tempo e horas. Depois, quando acontece um problema, a solução também não é facilmente encontrada. Macau vai crescer sozinha, sem planeamento, sem dados, e sem políticas. Que pena.


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OPINIÃO

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CARLOS MORAIS JOSÉ

a outra face

A

Em casa onde há pão, ninguém ralha e todos têm razão Ditado impopular

GORA que passamos os dias a comer o mesmo menu nos simpáticos almoços e jantares que instituições, governo e empresas nos oferecem, aqui repito um texto já publicado mas suficientemente saboreado pelos nossos dignos leitores. Espero o vosso perdão mas, pronto, gosto dele. Trata-se de um menu:

PIETER BRUEGEL, O CASAMENTO CAMPONÊS (PORMENOR)

Restaurante Harmonia

Primeiro prato: o leitão de luzes almiscaradas. Iguaria para os olhos, o desfilar de jovens de uniforme rosa, segurando acima das cabecitas o animal sacrificado. Depois, sublime momento para os dentes que se cravam na crocante pele enquanto, em simultaneidade perfeita, afluem às narinas odores crespos de aipo e alho francês. Uma respiga de picante vermelho conclui o incidente. Segundo prato: Garoupa ao vapor. Lascas que se elevam brancas, oferecidas, em cama de ervas claras, de coentros da ribeira, da escura soja a pontilhar. Delírio de suavidade no palato, inflamado pela sombra de gengibre. Rodou o peixe e, quando aqui chegou, restava uma ternura de óleo sobre o arroz alvíssimo. Cheirava a fresco, que delícia... Terceiro prato: Galinha assada. Apresente-se a condenada! Tostadinha, crepitante, ainda de cabeça agarrada. Reparta-se agora a ave pelos ilustres comensais: para ali, o peito gordo, a perna, o ovo; as peles para os demais. Não gostais? Mas a pele é nutritiva, tem gordura e bom sabor. Há quem diga que é mesmo a melhor parte, ainda que não a queira quem reparte. Quarto prato: Sopa de tubarão. Que delícia de odor se evola ali daquela panela, onde ossos e barbatanas partilham da mesma cama,

do calor, da cozedura. É cálido o caldo fino, desliza pela colher e sinaliza a fartura. Aí vem a minha vez, levo ao lábios a loucura. E, quando, com prudência, engulo a carne do frango, ainda creio na língua fiapos de tubarão, que certamente nadou numa outra direcção. Quinto prato: Camarões à Sichuão. Polvilhados de picante, do que faz adormecer, são camarões populares que fartamente se dão a todos os convidados. Fazem beber, é certo, mas a vida não se faz a metro: é à unidade e camarões de Sichuão são para todos, sem excepção. Afinal, há que dar alimento ao povo e o picante dormente é um achado brilhante. E que saia mais uma travessa para aquela mesa do fundo... É de dar no camarão...

Sexto prato: Bacalhau à brava. Adaptação local do lusitano à Brás. Igual na confusão, na mistura, na falta de rigor, da caótica acepção do ovo com a batata, da cebola com o salgadito, da salsa com a chalaça. À origem, acrescente-se-lhe o “vale tudo”, condimento a ser usado com toda a impunidade, sem pejo e sem poejo. Mexa-se bem, evite-se o sal, pimenta ainda vale, mas deixe de fora o mistério, público ou privado: um prato para comer às claras. Sétimo prato: Arroz frito, massa e sobremesa. Para quem ainda tiver fome, eis o truque definitivo, a tranca da refeição. Que ninguém diga: ai que fome, meu Senhor! Aqui tem, senhor doutor, o complemento da casa: arroz ali de Cantão, massa e doce de

feijão. É comer até fartar. De barriga cheia são mais suaves os desgostos, suportam-se melhor as adversidades desta e da outra vida. Tendes queixas, a comida estava má? Deve ser da digestão. Recomendamos um chá... Convém uma explicação. A refeição apresentada foge ao tradicional banquete de catorze pratos. A razão é a contenção necessária em época de crise internacional, para não despertar escusadas invejas em vizinhos e parentes. Apresentadas as LAG, depois de consulta apurada e de muita animação, ver-se-á que aqui não reina o reino da confusão. Por aqui tudo desliza, com vigor e alegria, à medida do menu do Restaurante Harmonia. E biba a RAEM!...

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1.

2.

3.

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei n.º 8/91/M, de 29 de Julho, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Avenida da Amizade, n.ºs 918 a 948, em Macau, (Edifício World Trade Center Macau); - Beco do Senado, n.ºs 4 a 6 e Beco do Gonçalo n.ºs 10A a 12, em Macau, (Edifício Silo Park Lane). Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada.

Aos, 6 de Janeiro de 2014. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição

Aviso Aceita-se o registo para o “Subsídio para aquisição de material escolar a estudantes do ensino superior” Aceita-se, a partir de hoje, o registo para o “Subsídio para aquisição de material escolar a estudantes do ensino superior no ano lectivo de 2013/2014”, sendo três mil patacas o montante do subsídio. Podem registar-se os estudantes, titulares do Bilhete de Identidade de Residente da RAEM, que frequentem cursos de doutoramento, mestrado, licenciatura, bacharelato, ou cursos de diploma ou de associado com a duração igual ou superior a dois anos, em instituições do ensino superior da RAEM ou do exterior. Os estudantes que reúnam as condições exigidas podem aceder à página electrónica do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (www. gaes.gov.mo), dentro do prazo definido, para tratarem das formalidades do registo. Estes estudantes, ainda podem, pessoalmente ou através de representante, como familiares e amigos, dirigir-se ao Centro dos Estudantes do Ensino Superior, que depende do GAES (Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, n.º 68-B, Edifício Va Cheong, r/c B, Macau, em frente à paragem de autocarro do Jardim Lou Lim Ioc), ao balcão de recepção do

GAES (Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues, n.os 614A-640, Edifício Long Cheng, 7.o andar), ao Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central (Rotunda de Carlos da Maia, n.os 5 e 7 , Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3º andar), ao Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ihas (Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, No. 75K, Taipa), ou, ao Centro de Serviços da RAEM (Rua Nova da Areia Preta, n.o 52), para obterem o boletim de registo e apresentarem os documentos solicitados. Mais informações, podem ser obtidas através do website do GAES ou do telefone 28571111, com sistema interactivo de resposta de voz. Macau, 28 de Janeiro de 2014. O Coordenador Sou Chio Fai


opinião 19

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N

Martin Murphy ÃO era para ser assim. Dezasseis anos depois do regresso de Hong Kong à China, a cidade está num impasse político, o sentimento anti-continente infiltrou-se na vida quotidiana e as perspectivas pela democracia prometida enfrentam uma estrada pedregosa. O regresso de Hong Kong para o governo chinês em 1997 foi anunciado como um dos vários actos que terminariam o “século de humilhação” da China. O acto final, a reunificação pacífica com Taiwan, continua a ser um sonho chinês. Ironicamente, o primeiro-ministro chinês Deng Xiaoping inventou a fórmula de “um país, dois sistemas” que agora governa Hong Kong e como um modelo para Taiwan, prevendo o eventual retorno da ilha à soberania chinesa. Mas os esforços desajeitados da China para ganhar os corações e a mente do povo de Hong Kong estão repletos de embaraços, e nem Hong Kong nem Taiwan se mostram impressionados.

INQUIETAÇÃO CRESCENTE

com as aspirações crescentes e de longa data de Hong Kong por um sistema mais democrático e representativo de governo. Nos últimos 16 anos, o Gabinete de Ligação do Governo Central de Pequim em Hong Kong tem monitorado a implementação do governo de Hong Kong da política de “um país, dois sistemas” e mostrado cada vez mais vontade de intervir nos assuntos exclusivamente locais que seriam de jurisdição do governo de Hong Kong. O problema é que o Gabinete de Ligação de Pequim tem pouca experiência em relações exteriores ou em lidar com sociedades estrangeiras. E Hong Kong ainda é “estrangeira”, apesar da sua população predominantemente chinesa han. Como resultado, a sombra do governo de Pequim na cidade interpreta regularmente os acontecimentos de forma errada o que dá força aos 7 milhões de residentes de Hong Kong, a maioria dos quais preza a liberdade, o estado de direito e um sistema Judicial independente.

O CERCO APERTA-SE

Então como é que as relações Hong Kong-Continente caíram para seu ponto mais baixo desde o retorno da cidade?

Observadores apontam vários erros de julgamento por parte da liderança chinesa, mas traçam as raízes das tensões num evento crucial em 2003, quando 500 mil residentes de Hong Kong foram para a rua em protesto contra o Artigo 23, a agora infame ‘Lei de Segurança Interna’ que Pequim espera que Hong Kong implemente a fim de cumprir exigências da ‘Lei Básica’, a mini-constituição de Hong Kong. Os opositores argumentam que as suas disposições vagas sobre traição, separatismo e certas actividades políticas reduziriam as liberdades políticas e pessoais de Hong Kong se o artigo fosse adoptado. A dimensão das manifestações apanhou de surpresa os líderes chineses, e a resposta semeou a possibilidade de uma mudança gradual mas significativa na atitude de governo de Pequim – um ênfase no laissez-faire em “dois sistemas” para uma focagem mais apertada no patriotismo de “um país”. Mas a abordagem mais intervencionista da China tem produzido uma série de erros embaraçosos que têm destacado a falta geral de compreensão de grande parte do pensamento da cidade. O seu fracasso recente de impor a “educação nacional” é disso exemplo. Qualquer pessoa familiarizada com Hong Kong poderia ter previsto que haveria manifestações contra o que foi amplamente percebido como um currículo propagandístico. Os críticos castigaram o manual de ensino proposto pelo governo, “O modelo chinês”, por se referir ao regime do Partido Comunista na China como “progressista, altruísta e unido”, por criticar os sistemas multipartidários como desastrosos e por reescrever partes da história chinesa, como o massacre da Praça da Paz Celestial em 1989. Outro episódio revelador ocorreu em Outubro de 2012, quando duas balsas colidiram no porto de Hong Kong. Quando os funcionários do governo visitaram as vítimas num hospital local, o vice-director do Gabinete de Ligação falou com os jornalistas enquanto o chefe-executivo de Hong Kong permanecia calmamente de pé ao fundo. Estas imagens aumentaram as preocupações de que o governo de Hong Kong já não dá as cartas, mesmo em questões exclusivamente locais. Estas exposições não são novas. Em 2008, Pequim levantou as ANDY WARHOL, VACA

Pequim e Hong Kong estão agora em rota de colisão sobre o futuro da cidade. Grupos pró-democracia e cidadãos comuns estão a preparar-se para “Ocupar o Centro”, uma manifestação civil de grande escala marcada para o final deste ano no distrito financeiro de Hong Kong, a menos que haja um plano aceitável para o sistema de ‘uma pessoa, um voto’ nas próximas eleições do Chefe do Executivo de Hong Kong em 2017. Uma inquérito recente revelou que 62% das pessoas de Hong Kong querem participar nesse plano e incluir o direito de indicar os candidatos, em vez de delegar essa função num pequeno comité de nomeação e não-representativo que poderia filtrar os candidatos “não-patrióticos”. Na ausência de um guião aceitável nos próximos seis a oito meses, Hong Kong enfrenta a perspectiva de desordem civil, prisões em massa e perda de confiança da comunidade internacional de negócios. Até já houve menções na imprensa local da implantação do Exército da Libertação Popular (ELP) para reprimir os manifestantes, com o chefe local de propaganda de Pequim a lembrar recentemente à cidade que o governo central tem o poder de impor um “estado de emergência”, se o governo de Hong Kong perder o controlo. Como Hong Kong se prepara agora calmamente para um período de consultas de cinco meses destinadas a reformar o seu sistema de nomeação e eleição, este pode ser um bom momento para Pequim pensar em fazer reset. Isto significaria uma nova estratégia de soft power e uma equipa fresca para supervisionar os assuntos de Hong Kong. Também exigiria que a China reorientasse o quadro de “um país, dois sistemas” numa direcção mais de acordo

Será que a China pode reconquistar Hong Kong? sobrancelhas com a sua insensibilidade à separação de poderes no governo de Hong Kong, particularmente um poder Judicial independente que é apreciado pela cidade.

O problema é que o Gabinete de Ligação de Pequim tem pouca experiência em relações exteriores ou em lidar com sociedades estrangeiras Quando o então vice-presidente Xi Jinping visitou Hong Kong pouco antes das Olimpíadas de Pequim em 2008, disse às autoridades locais, legisladores e juízes que deve haver “solidariedade e cooperação sincera na equipa do governo”. Isto levou a uma imediata resposta crítica da Associação de Advogados de Hong Kong, o que lembrou Xi Jinping que o poder judicial de Hong Kong era independente e não parte de qualquer “equipa do governo”. Os críticos condenaram também Xi Jinping por desrespeitar os princípios básicos de “um país, dois sistemas”. Que as autoridades chinesas continuem a interpretar Hong Kong equivocadamente, com seu próprio dialecto cantonês e uma cultura de “estrangeiros”, é agora uma realidade diária para a maioria dos cidadãos da cidade. Alguns têm sugerido que os especialistas em relações estrangeiras mais experientes do continente deviam supervisionar os assuntos de Hong Kong. Mas os diplomatas da China também não estão a ganhar os corações e as mentes nos dias de hoje – sobretudo no seu próprio quintal, onde o país enfrenta um crescente isolamento e uma corrida armamentista regional ganha fôlego. Em última análise, uma mão mais leve em Hong Kong seria um sinal positivo de evolução do soft power da China, ainda ausente em grande parte da região, mas poucos aqui em Hong Kong contam com isso. Nascido em Hong Kong, Martin Murphy é um ex-diplomata dos EUA e foi chefe da Secção Político-Económica no consulado dos EUA em Hong Kong em 2009-2012. Ttem contribuído para o Diário da Manhã do Sul da China, o Global Post e o Wing Chun Illustrated.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Gripe Tanto pato assassinado

cartoon por Stephff

As autoridades da Coreia do Sul impuseram ontem um bloqueio de 12 horas nas explorações agrícolas com aves de três províncias do país para conter a propagação da gripe aviária depois de terem sido detectados vários casos. A medida, que entrou em vigor às 6:00 locais, proíbe o movimento ou transporte de qualquer animal, veículo ou pessoas de todas as explorações agrícolas, ao mesmo tempo que activa a inspecção e esterilização das fontes de infecção. A proibição, que abrange a província Gyeonggi, limítrofe a Seul, e as províncias centrais de Chuncheong do Sul e do Norte, foi imposta horas depois de ter sido detectado no domingo um novo caso de gripe aviaria numa quinta de patos a apenas 80 quilómetros da capital sul-coreana. Até à data 640.000 aves, a maioria patos, foram sacrificadas na Coreia do Sul como medida preventiva e espera-se que outros 810.000 animais sejam eliminados nas próximas horas.

Artista vestiu-se de mulher para receber condecoração

Giorgio Armani assina novo projeto residencial na China

CHUI ENCABEÇA COMISSÃO PARA ESTUDAR FORMAÇÃO DE TALENTOS

Chamar os que estão lá fora E

O estilista italiano Giorgio Armani vai assinar um projeto residencial de luxo em Chengdu, no sudoeste da China. O projecto chamado de Art Residence by Armani/Casa abrigará dois edifícios de 65 andares cada e com 222 metros de altura.
Esse é o primeiro projecto residencial de Giorgio Armani na China e será realizado em parceria entre sua empresa Interior Design Studio Armani/Casa e a Mind Group.
As unidades serão vendidas com móveis e acessórios Armani/Casa

STÁ criada a Comissão de Desenvolvimento de Talentos, cujo objectivo é definir, planear e coordenar a estratégia de formação de talentos na RAEM. A ideia, recorde-se, foi anunciada pelo Chefe do Executivo na apresentação das Linhas de Acção Governativa para este ano. O despacho para a criação foi ontem publicado em Boletim Oficial. Chui Sai On, Chefe do Executivo, vai presidir à Comissão, acompanhado de Cheong U,

TIAGO ALCÂNTARA

Snowden diz que há “ameaças” à sua vida

Edward Snowden disse à televisão alemã ter conhecimento de notícias a dar conta de que funcionários do governo norteamericano desejam matá-lo por ter divulgado documentos secretos sobre a monitorização pela NSA de telefonemas e e-mails. Numa entrevista descrita pela emissora pública alemã ARD como a primeira de Snowden para uma TV, o norte-americano também disse acreditar que a NSA monitorizou outras autoridades do governo alemão, além da chanceler Angela Merkel. Snowden disse à ARD que sente «ameaças significativas» à sua vida, mas afirmou que ainda assim dorme bem porque acredita que fez a coisa certa ao revelar as actividades da NSA ao mundo. «Eu ainda estou vivo e não perco o sono pelo que fiz porque era a coisa certa a fazer», disse Snowden no início da entrevista, que segundo a ARD teve seis horas de duração e foi gravada na suíte de um hotel de Moscovo. A ARD transmitiu 40 minutos de entrevista.

SEGURANÇA OLÍMPICA

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, que é vice-presidente. A Comissão agora criada vai, sobretudo, estudar medidas para a formação de talentos a longo-prazo, até porque, por agora, ainda não se sabe muito sobre que talentos precisa Macau ou quais as áreas de aposta. Ontem, numa conferência de imprensa sobre o assunto, Alexis Tam, porta-voz do Governo, explicou que o Executivo ainda precisa de tempo para estudar

o assunto, não tendo adiantado muito aos jornalistas. Para já, sabe-se que o Governo tem três planos na manga: o programa da formação de elites, o programa de estímulo aos quadros qualificados e especializados e o programa de incentivo aos quadros técnico-profissionais. Não há prioridade para determinadas áreas, mas haverá para os locais e para os cidadãos de Macau que trabalham no exterior. “Vamos tentar trazê-los de volta a Macau.” - J.F.

Em resposta a um desafio dos fãs, o artista plástico Grayson Perry compareceu vestido de senhora numa cerimónia de condecorações no Palácio de Buckingham, em Londres, onde foi agraciado pelo príncipe Carlos com o título de «Comandante da Ordem do Império Britânico». «[Chamamos agora] o senhor Grayson Perry, pelos serviços prestados na area da Arte Contemporânea», ouviu-se na sala do palácio, conforme se aproximava do herdeiro ao trono uma figura de chapéu, vestido e saltos altos. O artista, com trabalhos reconhecidos no campo da cerâmica, já é conhecido dos ingleses pelo seu alter-ego, «Claire», mas ao contrário de outras ocasiões, em que surgiu com um visual de «boneca», desta vez optou por um estilo que classifica como o de uma «mãe de uma noiva italiana». «Quando recebi o telefonema [sobre a condecoração], a primeira coisa em que pensei foi o que ia vestir», explicou, citado pela BBC. Após uma pesquisa na Internet para saber o que é habitual usar neste tipo de cerimónias, optou pela indumentária «mais sexy». O jornal espanhol El Mundo vai mais longe e diz que o artista vestiu-se de Camila Parker Bowls, mulher do príncipe Carlos.

Portugal assinala Dia Nacional do Grande Roubo

O Governo português assinalou ontem o Dia Nacional em Memória das Vítimas do Grande Roubo, prestando homenagem aos milhões de portugueses a quem estão a roubar as pensões. O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) escreve que o Governo recorda também «todos aqueles que cuja coragem e determinação conseguiram vir para a rua protestar contra Passos Coelho e a sua clique de torcionários». O MNE recorda em comunicado que este roubo «é um dos momentos mais negros da história de Portugal», que não pode ser esquecido. «Evocar o Grande Roubo e promover a educação dos jovens sobre este terrível período da história é um imperativo ao qual o Governo Português se associa plenamente», indica. Esta notícia é falsa, caros leitores.

Hoje Macau 28 JAN 2014 #3020  

Edição do jornal Hoje Macau N.º3020 de 28 de Janeiro de 2014

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