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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEXTA-FEIRA 27 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4102

MOP$10

hojemacau

VIVA MACAU

TUDO EM FAMÍLIA GRANDE PLANO

A segunda vida

TÁXIS

AUTORIDADE A BORDO PÁGINA 5

RASKO RISTIC

ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

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PETER RAVN

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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TRÊS VISTAS SOBRE UMA RUA h

PÁGINA 6

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A Yat Yuen apresentou um pedido de reclamação dos 533 galgos que ainda se encontram no Canídromo e propôs transferi-los para um espaço temporário no Pac On. A concessionária afirma ainda assumir as despesas resultantes dos cuidados com os cães. Hoje será apresentado o plano para a segunda vida dos galgos fora das pistas de corridas.


2 grande plano

Apesar dos empréstimos à empresa Viva Macau terem tido a aprovação do ex-Chefe do Executivo, de acordo com a lei, os deputados da Assembleia Legislativa

preferem

focar as atenções nas acções dos membros do Conselho de Administração do Fundo público de onde é proveniente o dinheiro

O

S empréstimos superiores a nove milhões de patacas cedidos pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (FDIC) têm de ser aprovados pelo Chefe do Executivo, explicou, ontem, o Governo ao deputados. Terá sido o que aconteceu com os diferentes empréstimos cedidos à Viva Macau, entre 2008 e 2009, que totalizaram 212 milhões de patacas, e que agora são dados como irrecuperáveis. No entanto, e apesar do então Chefe do Executivo, Edmund Ho, ser irmão de um dos financiadores da Viva Macau, o já falecido William Ho, e tio de um dos directores-executivos da empresa

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VIVA MACAU

OS INTOCAVEIS DEPUTADOS RECUSAM ANALISAR LIGAÇÕES FAMILIARES NOS EMPRÉSTIMOS DE 212 MILHÕES

avalista dos empréstimos, Kevin Ho, filho de William, a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas diz que não vai olhar para as ligações familiares. “Se calhar isto [ligações familiares] tem a ver com os segredos privados ou sigilo. Não sei se temos competência para acompanhar a matéria”, afirmou Mak Soi Kun, presidente da comissão. Ao longo de mais de três horas durante a manhã de ontem, os membros da comissão e os representantes do Executivo, liderados pelo Director dos Serviços de Economia, Tai Kin Ip, falaram sobre o funcionamento do FDIC os apoios à Viva Macau. No final, Mak Soi Kun disse que a empresa está mais preocupada em saber quem são os membros do FDIC responsáveis pela decisão de propor os empréstimos. “Pedimos informação ao Governo sobre os membros do Conselho de Administração. A informação só vai ser entregue depois, mas queremos analisar se os pedidos foram avaliados de forma profissional”, começou por dizer. “Queremos analisar o perfil académico ou a existência de experiência em gestão financeira entre os membros do conselho. Também temos de ter em atenção que a comissão não é alvo de qualquer fiscalização ou monitorização”, acrescentou. De acordo com o Boletim Oficial, em 2008 os membros do Conselho de Administração da FDIC eram Sou Tim Peng, director da Direcção dos Serviços de Economia (DSE), Cristiana Ieong, Chan Weng I, Vong Cheng Kam e Sylvia Isabel Jacques. Todos nomeados por Edmund Ho.

EMPRÉSTIMO HISTÓRICO

Para Mak Soi Kun, o empréstimo feito à Viva Macau é histórico, uma vez que foi o único na história da RAEM feito sem garantias bancárias. Por esta razão, o deputado espera que o caso não se

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“Na história de Macau este é um caso único e esperamos que não haja mais casos no futuro.”

“Se calhar isto [ligações familiares] tem a ver com os segredos privados ou sigilo. Não sei se temos competência para acompanhar a matéria.” “O Governo diz que analisou as contas e que não há transferências de bens intencionais antes da falência [...] trata-se de uma falência normal.” MAK SOI KUN DEPUTADO

repita, apesar dos critérios para os empréstimos serem agora mais apertados. “Na história de Macau este é um caso único e esperamos que não haja mais casos no futuro”, afirmou. “Os empréstimos foram feitos com livranças sem garantias. São apenas títulos em que se reconhecem as dívidas. É uma situação semelhante à de um cheque sem cobertura”, exemplificou. A opção governativa foi explicada aos deputados pelo director da DSE, Tai Kin Ip, como uma medida de urgência, face à crise financeira de 2008. “Segundo o Governo, em 2008 atravessava-se um tsunami financeiro a nível mundial e houve a intenção de ajudar o sector. Foram ajudadas as duas companhias, a Air Macau e a Viva Macau até porque Macau é uma cidade de turismo”, relatou Mak Soi Kun, sobre a versão do Executivo. “O Governo disse que só houve uma situação destas [empréstimos sem garantias] e que foi tomada esta decisão porque se tratava de um caso urgente e que exigia decisões urgentes. Também de acordo com

a explicação, as leis em vigor permitiam este procedimento”, sublinhou.

SEM INDÍCIOS DE CRIME

Durante as três horas de reunião, os legisladores questionaram ainda se não havia indícios de crime pelo facto de não haver garantias nos empréstimos. De acordo com a versão do Governo, não há indícios nesse sentido. Contudo, Mak Soi Kun revelou que a informação disponibilizada pelo Executivo não permite que os deputados afiram a veracidade das declarações do Executivo. Porém, o Governo comprometeu-se a enviar os documentos necessários tão brevemente quanto possível. “O Governo diz que analisou as contas e que não há transferências de bens intencionais antes da falência. Também diz que segundo os Serviços não se registaram indícios de burla ou qualquer outro tipo de crimes. Trata-se de uma falência normal”, relatou o presidente da comissão. Mak Soi Kun recusou ainda a ideia de que os deputados apresentem queixa sobre eventuais


grande plano 3

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actos criminosos no processo. “Os deputados colocaram perguntas sobre eventuais responsabilidades criminais e a actuação do Ministério Público, Polícia de Segurança Pública e Comissariado Contra a Corrupção. Segundo o Governo, se houver novas provas serão analisadas. Mas a sociedade também pode intervir no caso”, ressalvou.

ACUSAÇÃO DIFÍCIL

Mesmo face à existência de indícios de crime, não é liquido que uma acusação fosse concluída com sucesso. Isto decorre do facto, dos decisores poderem argumentar que na altura dos empréstimos havia garantia de que a companhia avalista poderia assumir as dívidas. A situação foi explicada ao HM, por especialista em direito criminal, que não quis ser identificado. “Não me parece que neste caso tenha havido algum crime. Poderá eventualmente haver responsabilidade política dos decisores, mas do ponto-de-vista jurídico não estou a ver que possa haver responsabilidade civil ou criminal”, afirmou a fonte.

“Qualquer negócio tem sempre riscos. Para haver irresponsabilidade tem de haver um facto ilícito, não vejo que isso tenha acontecido. Se o Governo estava confiante e tinha a certeza que o negócios era credível e que tinha sucesso pode avançar. No má-

FUNDO TEM 130 MILHÕES POR RECUPERAR

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s empréstimos à Viva Macau não são os únicos montantes que o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização tem por recuperar. De acordo com os dados apresentadas pelo Executivo aos deputados, em apoios a Pequenas e Médias Empresas as dívidas ascendem a 110 milhões de patacas, resultantes de 55 casos de incumprimento. No que diz respeito aos apoios a jovens empresários, as dívidas são de 20 milhões de patacas, que correspondem a 90 casos de incumprimento.

ximo haverá responsabilidades políticas”, frisou. Um outro conhecedor do Direito local avança a hipótese de ter sido cometido o crime de abuso de poder. Este é a prática por parte funcionários que abusam de poderes ou violam deveres inerentes às suas funções com intenção de obter, para si ou para terceiro, benefícios ilegítimos. Contudo, esta fonte admite que é difícil provar a prática deste tipo de crime em tribunal e que um eventual procedimento contra o Chefe do Executivo seria “inédito”. Neste caso, a prática do ilícito prescreveria em 10 anos, pelo que o prazo para começar qualquer procedimento criminal aproxima-se do fim, tendo em conta que os primeiros empréstimos foram feitos em 2008 e os últimos em 2009. Por sua vez, o Comissariado Contra a Corrupção foi questionado sobre a eventual investigação ao caso, mas até à hora do fecho não foi fornecida qualquer resposta ao HM.

DESISTÊNCIA EM HONG KONG

Em relação à desistência de um processo legal em Hong Kong

presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas, Mak Soi Kun, criticou a postura do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, que não esteve presente na reunião. O encontro tinha sido marcado com 48 horas de antecedência. “É lamentável que o senhor secretário [Lionel Leong] não estivesse presente na reunião”, declarou Mak Soi Kun, ainda antes de ter sido questionado sobre o tema pelos jornalistas. Segundo o presidente, foi explicado aos deputados que a ausência se ficou a dever à delegação de poderes para o caso Viva Macau no director dos Serviços de Economia, Tai Kin Ip. Ao HM, Lionel Leong, através do seu gabinete, explicou ainda que teve outros compromissos profissionais. “A reunião de hoje [ontem] de manhã teve como tema principal a apreciação e autorização de pedidos no âmbito do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, pelo que foi o director dos Serviços de Economia que assistiu à reunião para apresentar o ponto de situação das respectivas matérias”, foi avançado. “A falta contra a sociedade avalista, a Eagle Airways, que tinha assumido que pagaria os empréstimos em caso de incumprimento da Viva Macau, os deputados alinharam com o Executivo. Interessa salientar que a Eagle Airways tem como director-executivo Kevin Ho.

TIAGO ALCÂNTARA

MAK SOI KUN CRITICA LIONEL LEONG

de comparência do secretário Leong Vai Tac a essa reunião deveu-se ao facto de o mesmo ter outras actividades oficiais agendadas para esta manhã”, foi acrescentado. A mesma nota refere a disponibilidade de Lionel Leong para comunicar com os deputados: “Sublinhamos que o secretário está sempre disposto a reforçar a comunicação com a Assembleia Legislativa, assim como com os deputados”. “A Eagle Airways só tem como património 42 mil dólares americanos [cerca de 314 mil dólares de Hong Kong] e 70 mil dólares de Hong Kong. Mas as custas judiciais para contratar um escritório na REAHK são de 300 mil dólares de Hong Kong, no mínimo. Tudo o resto tinha de ser somado a esse valor. Tendo em conta os bens da empresa, o Governo optou por suspender o processo”, contou Mak. “Não vale a pena continuar com essa acção judicial e os deputados aceitaram e compreenderam a explicação”, frisou. Entre 2008 e 2009 foram feitos vários empréstimos à transportadora aérea Viva Macau, por parte do Governo, no valor de 212 milhões de patacas. Apesar da empresa-mãe Eagle Airways se ter disponibilizado para pagar por qualquer incumprimento, a aviadora faliu e o Executivo não conseguiu recuperar o dinheiro. No passado fim-de-semana, o Governo deu como perdido o montante, devido ao facto da Viva Macau não ter bens no território e pelo facto da Eagle Airways estar sediada em Hong Kong, onde só tem activos que rondam as 400 mil patacas. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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Liquidação total

vários anos para escolher um tema para debate nas três comissões de acompanhamento”, começou por dizer Pereira Coutinho ao HM. Para o deputado, “a intenção de debater a questão da Viva Macau de forma tão apressada na comissão tem como objectivo directo liquidar, à partida, o nosso pedido de debate na AL com a presença dos membros do Governo, para se poder aprofundar mais e melhor este imbróglio da dívida de 200 milhões da Viva Macau”. Também Sulu Sou acredita neste desfecho para a proposta de debate que

assinam em conjunto. “Concordo [com a posição de José Pereira Coutinho], mas isso vai fazer com que a população deixe de confiar nos deputados.” “Deveria ser feito um debate mais aberto pois os cidadãos têm direito a saber o que aconteceu neste

grande caso, que está relacionado com as grandes famílias de Macau”, acrescentou o deputado ao HM. Coutinho acredita que os restantes membros do hemiciclo “vão dizer que não vale a pena haver debate porque a comissão já está a acompa-

“A intenção de debater a questão da Viva Macau de forma tão apressada na comissão tem como objectivo directo liquidar, à partida, o nosso pedido de debate na AL com a presença dos membros do Governo.” PEREIRA COUTINHO DEPUTADO

nhar o assunto”. “É um tema importante com uma grande componente social, e as pessoas que votaram em mim e no Sulu Sou esperam que possamos abordar este tema. É importante haver um debate amplo, com os 33 deputados e o secretário, para que se possa abordar esta questão.”

SECRETÁRIO AUSENTE

José Pereira Coutinho não esqueceu o facto do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, não ter estado presente na reunião de comissão de ontem. “Apesar de estar

ENCONTRO CHEFE DO EXECUTIVO REUNIU COM EMPRESÁRIOS DO SECTOR INDUSTRIAL

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Chefe do Executivo, Chui Sai On, esteve ontem reunido com os representantes da Associação Industrial de Macau, tendo sido abordada a realização da quinta edição do evento Macau Industrial Products Show, 23 anos depois da quarta edição. De acordo com

um comunicado, António Chui Yuk Lam, que também é membro do Conselho Permanente de Concertação Social, falou do “desenvolvimento das actividades da associação e deu ideias para o impulso ao desenvolvimento industrial no sentido de se atingir a diversificação ade-

quada da economia”. Uma vez que, na sua visão, Macau “ainda dispõe de espaço para o desenvolvimento das áreas da indústria alimentar, da indústria farmacêutica e do sector das novas tecnologias”, o evento Macau Industrial Products Show responde aos projectos da

Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e às próprias políticas do Governo local, podendo “receber o reconhecimento e apoio de todos os sectores sociais”. Fong Son Kin, presidente da direcção, adiantou que o evento vai expor “produtos fabricados em Macau, mar-

cas de Macau ou que usam canais de distribuição locais, bem como produtos dos países de língua portuguesa”. Haverá também um pavilhão de exposições dedicado à história do desenvolvimento industrial de Macau. O Chefe do Executivo deu apoio à realização do evento.

GCS

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NTEM realizou-se uma reunião da comissão de acompanhamento para os assuntos de finanças públicas na Assembleia Legislativa (AL), que para José Pereira Coutinho e Sulu Sou representa uma espécie de álibi político. Para os deputados, a reunião de ontem pode ser um prenúncio de chumbo da proposta por eles apresentada para debater a dívida da companhia aérea Viva Macau no hemiciclo. Acrescente-se que ainda não há data para votar a realização deste debate. “Estranho muito que o deputado Mak Soi Kun [presidente da comissão] tenha tido a sensibilidade e a vontade de discutir o tema da Viva Macau no espaço de 48 horas, quando todos nós sabemos que levam

VIVA MACAU COUTINHO E SULU SOU DIZEM QUE REUNIÃO É PARA CHUMBAR DEBATE

GCS

José Pereira Coutinho e Sulu Sou acreditam que a reunião da comissão de acompanhamento sobre o caso da dívida da Viva Macau vai servir como argumento para chumbar a proposta de debate apresentada pelos deputados pró-democratas junto da Assembleia Legislativa

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em Macau, o secretário não esteve presente na reunião, e ainda ontem estivemos juntos numa actividade pública promovida pela associação dos construtores civis. Lionel Leong esteve no jantar e não esteve hoje na reunião de trabalho”, frisou. De acordo com o que foi dito ontem na AL, o secretário para a Economia e Finanças tinha outros pontos na agenda e não pôde estar presente. O deputado acredita que esta questão tem servido como jogada de bastidores para a eleição do próximo Chefe do Executivo, que vai acontecer já no próximo ano. “Há alguém que não quer que este assunto seja debatido no plenário da AL, e há também um outro alguém que quer utilizar o escândalo da Viva Macau para retirar dividendos políticos na próxima eleição do Chefe do Executivo, tentando queimar o actual secretário”, defendeu Coutinho. Por sua vez, Lionel Leong “está a tentar não estar ligado a esse escândalo e também ao caso das residências atribuídas pela via dos investimentos pelo Instituto de Promoção do Investimento e Comércio (IPIM)”. Apesar de, segundo Coutinho, existirem estas manobras, “os cidadãos não sabem que tudo isto [o caso da Viva Macau e do IPIM] começou na altura do anterior secretário, Francis Tam”. O secretário Lionel Leong reagiu ontem ao caso da Viva Macau através de um comunicado de imprensa, tendo dito que o Governo “reagiu de boa-fé”. As autoridades “continuam a solicitar aos advogados que acompanham o caso da dívida da Viva Macau a recuperação da verba emprestada junto da avalista”. Estão em causa 212 milhões de patacas de dívida que o Governo diz não conseguir reaver. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

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S agentes de fiscalização da Direcção dos Serviços para osAssuntos de Tráfego (DSAT) e da Polícia de Segurança Pública (PSP) podem exercer autoridade pública se forem vítimas de infrações por parte de taxistas, ou seja, podem aplicar a lei de imediato. A informação foi dada ontem pelo presidente da 3ª comissão permanente, Vong Hin Fai, depois de mais uma reunião de discussão do articulado com o Governo. Questionado pelos jornalistas se esta medida não poderá resultar em tipo de abuso de poder, o deputado que preside à comissão esclareceu que como os veículos vão estar equipados com aparelhos de gravação de som, exigido pela mesma proposta, fica garantido que tal não acontecerá. “Os veículos vão estar equipados com sistemas de gravação de som e ainda se está a ponderar a possibilidade de gravação em imagem, e estas equipamentos também vão servir para prevenir situações de abuso de poder”, pelo que “não deve haver preocupação a este respeito”, referiu. Por outro lado, o Executivo deu garantias aos deputados de que esta medida não equivale ao uso de agentes “encobertos”. “Não está aqui em causa o mecanismo de aplicação da lei por um agente à paisana com actuação passiva”, citou o presidente. De acordo com o Executivo, trata-se de uma medida que teve como base o próprio regime que já existe na Polícia Judiciária onde “há uma norma semelhante”. De qualquer forma, o Governo revelou que “precisa de tempo de reflexão para ver se há possibilidade de melhoramento”, disse Vong. Quanto à possibilidade de aplicação imediata de multa nestes casos, o Governo não sabe ainda responder.

JUSTIÇA VELOZ

A proposta de lei do novo regime jurídico que vai regular a sector dos táxis pretende facilitar os processos de aplicação de multas quando são registadas infracções. Neste sentido, a recém criada “tramitação especial”, prevista na proposta apresentada pelo Governo, autoriza a aplicação imediata da multa. “A lei permite que quando ocorra um infracção possa ser logo aplicável a multa ao infractor”, revelou Vong Hin Fai.

TÁXIS AUTORIDADES QUE SEJAM VÍTIMAS DE INFRACÇÕES PODEM APLICAR LEI DE IMEDIATO

Passageiro à paisana

A proposta de lei que vai regular o sector dos táxis permite aos agentes de fiscalização da DSAT e da PSP a aplicação da lei de imediato caso sejam vítimas de infracção por parte dos taxistas. O Governo garante que não está em causa qualquer tipo de policiamento à paisana os casos de retiradas de carta ou de licença já transitadas em julgado”, esclareceu. No entanto, os deputados da comissão referiram que a proposta não está clara. “Não sabemos se esta transferência de informações pode acorrer enquanto decorrem processos de investigação”, acrescentou. O Governo apontou que esta situação vai ser clarificada e regulamentada de acordo com a legislação de protecção de dados pessoais.

tinha avançado que o limite de horário de trabalho a nove horas diárias proposto pelo diploma deve ser apenas aplicado aos taxistas que trabalham por conta própria. Os deputados que analisam na especialidade o diploma entendem que não fazia sentido aplicar esta norma aos detentores das licenças, que vão passar a ser sociedades comerciais, uma vez que estas entidades têm de respeitar a lei das relações laborais. No entanto, Vong Hin Fai afirmou ontem que o limite de horas de trabalho vai voltar a ser discutido.

ASSUNTOS PENDENTES

Na reunião da 3ª comissão que teve lugar na passada quarta-feira, Vong Hin Fai

Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

PUB HM • 2ª VEZ • 27-7-18

ANÚNCIO

Interdição N.º

CV1-18-0026-CPE

1.º Juízo Cível

-----REQUERENTE: O Ministério Público. ------------------------------REQUERIDO: Ip Wang Tat, masculino, solteiro, de nacionalidade chinesa, nasceu em 21 de Novembro de 1998, titular do B.I.R.M., residente em Macau, na Rua Nova da Areia Preta, no. 154, Edf. Kin Wa, Bloco 8, 6.º andar-A. -------------------------------***

Os taxistas prevaricadores que pagarem a sua multa de forma voluntária, e dentro de um período de 15 dias, têm direito a um desconto de um terço do valor da coima. As normas do novo regime de tramitação especial

foram elaboradas para que seja “dado um tratamento mais acelerado das infrações no futuro”, referiu o presidente da 3ª comissão permanente. Os deputados que analisam na especialidade o diploma apresentaram

“Os veículos vão estar equipados com sistemas de gravação de som e ainda se está a ponderar a possibilidade de gravação em imagem, e estas equipamentos também vão servir para prevenir situações de abuso de poder.” VONG HIN FAI DEPUTADO

alguns receios de que esta rapidez possa “interferir na justiça e imparcialidade com que cada caso tem de ser tratado”. “O Governo garantiu que não”, apontou Vong Hin Fai.

TROCAS DE INFORMAÇÃO

Outro assunto debatido na reunião de ontem foi a comunicação de informações entre a PSP e a DSAT quando há condenações em tribunal. O presidente da 3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa deu exemplos de casos: “Aplicam-se aqui

-----A MERITÍSSIMA JUIZ DO 1.º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: --------------------------------FAZ SABER QUE, foi distribuída neste Tribunal, em 3 de Julho de 2018, uma Acção Especial de Interdição, com o número acima indicado, que o Ministério Público move contra Ip Wang Tat, a fim de ser decretada a sua interdição por anomalia psíquica.------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., 13 de Julho 2018. ----***


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GALGOS YAT YUEN APRESENTA PLANO DE TRANSFERÊNCIA DE CÃES PARA O PAC ON

A Yat Yuen apresentou um pedido de reclamação dos 533 galgos que deixou no Canídromo, mas desta vez acompanhado de um plano para os animais. A empresa propõe a instalação dos cães num edifício no Pac On e a colaboração com as associações de protecção animal nos processos de adopção. Entretanto, ANIMA e Yat Yuen chegaram a um acordo de cooperação que vai ser apresentado hoje

A

Companhia de Corridas de Galgos de Macau apresentou ontem um pedido de reclamação dos 533 cães que se encontram no espaço do Canídromo juntamente com uma proposta concreta de deslocação dos animais para o Pac On, revelou ontem o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). De acordo com o comunicado do IACM, os galgos serão realojados num edifício desocupado de um terreno privado. A Yat Yuen, que apresenta pela primeira vez um plano concreto para o futuro dos mais de 500 cães, assegura ainda que “irá cooperar com as associações de protecção dos animais nos cuidados aos galgos e na coordenação dos trabalhos posteriores de adoptação”, aponta o IACM. De modo a ter tempo para realizar obras no edifício que irá receber os galgos do Canídromo e para “o tornar um local apropriado

para alojamento” dos animais, a Yat Yuen solicitou ao IACM a prorrogação do prazo de reclamação dos cães por mais 60 dias e comprometeu-se a ir buscar todos os animais até à conclusão das obras no novo alojamento do Pac On. Além disso, a Yat Yuen assume a totalidade das despesas resultantes dos cuidados temporários dos cães. “Todas as despesas resultantes de cuidados temporários estão a cargo da Yat Yuen”, aponta o referido comunicado. A iniciativa tem o parecer positivo do Governo apesar de estar ainda em avaliação. “O IACM vê com agrado que a Yat Yuen está disposta a assumir a devida responsabilidade de dona, nos termos

KELSEY WILHELM

De malas feitas para a Taipa

da “Lei de Protecção dos Animais”, refere. Recorde-se que, de acordo com a Lei de Protecção dos Animais, em caso de não reclamação dos galgos, a Yat Yuen seria acusada de abandono de 533 cães

A Yat Yuen solicitou ao IACM a prorrogação do prazo de reclamação dos cães por mais 60 dias e comprometeu-se a ir buscar todos os animais até à conclusão das obras no novo alojamento do Pac On

IC Biblioteca Sir Robert Ho Tung com actividades de aniversário A biblioteca Sir Robert Ho Tung celebra 60 anos e, a pensar nesta efeméride, o Instituto Cultural está a organizar uma série de actividades de comemoração. No dia 4 de Agosto será feita uma cerimónia de descerramento de uma placa comemorativa, pelas 15h. Está também agendada uma palestra proferida pelo arquitecto Carlos Marreiros sobre “o estilo arquitectónico e a história da renovação do edifício”, incluindo um passeio orientado pelo também arquitecto André Lui Chak Keong, “destinado a levar o

público a visitar os edifícios junto da Biblioteca e a desenhar os mesmos”. Antes de ser uma biblioteca, o edifício foi residência privada de Sir Robert Ho Tung. A moradia foi adquirida em 1918. Posteriormente, foi cedida ao Governo após o seu falecimento, juntamente com uma doação no valor de 25 mil dólares de Hong Kong para a compra de livros de forma a estabelecer uma biblioteca pública chinesa. A biblioteca abriu portas no dia 1 de Agosto de 1958, com um total de três mil livros.

e incorreria no pagamento de uma multa superior a 50 milhões de patacas.

ACORDO FELIZ

Entretanto, esta tarde vai decorrer uma conferência de imprensa em que a Sociedade Protectora dos Animais, ANIMA, e a Yat Yuen vão fornecer detalhes que integram o acordo a que chegaram as duas entidades. ANIMA e Yat Yuen, entidades que têm andado de costas voltadas, firmaram uma cooperação para garantir o futuro dos animais.

Dada a disponibilidade já mostrada por parte do presidente da ANIMA para avançar com a coordenação do processo de adopção dos animais de forma voluntária, este acordo poderá compreender o mesmo compromisso agora negociado com a Yat Yuen. No entanto, contactado pelo HM, o presidente da ANIMA, Albano Martins não avança com qualquer confirmação e adianta apenas que “será tudo explicado na conferência de imprensa

e que é um bom acordo para os animais”. O IACM activou um plano de emergência desde o passado dia 21 com a duração de 10 dias. Entre funcionários da entidade pública e voluntários angariados através das diversas associações de protecção de animais, conseguiu-se juntar as 40 pessoas necessárias para manter diariamente o espaço e cuidar dos animais. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

IC Obra entre fachadas preservadas deveria “ser tratada de forma coordenada” O Instituto Cultural (IC) emitiu um parecer sobre a obra que está a ser realizada na zona do centro histórico, entre a Rua de São Domingos e a Travessa da Sé, e que tem gerado várias críticas negativas por parte de residentes e arquitectos. De acordo com a resposta dada pelo IC ao HM, o lote de terreno não está numa zona classificada mas faz parte da zona de protecção do centro histórico, pelo que apenas duas fachadas deveriam ser preservadas. O

edifício de vidro construído no meio deveria “ser tratada de forma coordenada”, disse apenas o IC. A entidade presidida por Mok Ian Ian afirma ainda que “irá continuar a emitir pareceres sobre projectos na zona de protecção”, sem emitir uma opinião sobre o resultado final do projecto em causa. Vários arquitectos disseram ontem ao HM que o projecto não se enquadra no centro histórico protegido pela UNESCO dada a diferença estética entre as três partes do projecto.


sociedade 7

sexta-feira 27.7.2018

A

operadora de jogo Sands China registou, no segundo trimestre do ano, lucros líquidos de 427 milhões de dólares norte-americanos, valor que traduz um aumento de 30 por cento face ao período homólogo do ano passado, anunciou ontem a empresa em comunicado. As receitas líquidas atingiram 2,11 mil milhões de dólares norte-americanos, reflectindo uma subida de 18 por cento em termos anuais e uma descida de 2 por cento em termos mensais. As receitas do segmento VIP deram um ‘pulo’ de 30 por cento – superando a média do crescimento do mercado de grandes apostadores em Macau, na ordem de 14 por cento, segundo Grant Govertsen, analista da Union Gaming. Já no segmento de massas, o desempenho da Sands China esteve em linha com o mercado, tendo subido 20 por cento. As ‘slots machines’, o único segmento que ficou aquém dos restantes, registou um aumento de 6 por cento, segundo uma nota enviada pelo mesmo analista. Os resultados da Sands China contribuíram para o bom desempenho da empresa-mãe, a Las Vegas Sands, cujos lucros líquidos subiram 5,8 por cento em termos anuais homólogos para 676 milhões de dólares norte-americanos.

ALÉM CANTÃO

Na habitual teleconferência com analistas, os responsáveis da Las Vegas Sands destacaram que o forte

SANDS CHINA LUCROS LÍQUIDOS SUBIRAM 30 POR CENTO NO SEGUNDO TRIMESTRE

Bom vento que sopra crescimento do segmento de massas “premium” (29 por cento) ficou a dever-se, em grande parte, a uma maior penetração no mercado da China, para lá da província de Guangdong. “Este forte crescimento vem – achamos – de um segmento extra Guangdong e é um bom

augúrio para o nosso futuro”, afirmou o presidente da Las Vegas Sands, Robert G. Goldstein. “Continuaremos a investir significativamente capital no nosso portfólio em todos os segmentos dos nossos negócios. Estou confiante de que estes investimentos irão

impulsionar um crescimento adicional no turismo de lazer e negócios tanto para o nosso portfólio, como para Macau em geral”, sublinhou o patrão da Las Vegas Sands, o norte-americano Sheldon Adelson. O magnata de jogo manifestou-se particular-

mente entusiasmado com os trabalhos de design do The Londoner, actual Sands Cotai Central, afirmando que o complexo terá “enorme potencial” como terceira paragem obrigatória, servindo como complemento ao Venetian e ao Parisian.

Sheldon Adelson apontou, porém, que o compromisso de continuar a investir em Macau por parte da Las Vegas Sands não se circunscreve ao The Londoner. “Muitos outros projectos envolvendo significativo capital estão a ganhar forma enquanto conversamos”, sublinhou, fazendo referência nomeadamente à reconversão de suites, à renovação das áreas de jogo VIP e a novos espaços de restauração nas propriedades que detém em Macau. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

GCS

Sands China com lucros líquidos de 427 milhões de dólares norte-americanos entre Abril e Junho

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S Serviços de Alfândega, Corpo de Bombeiros e Corpo de Polícia de Segurança Pública apostaram na compra de novos equipamentos de intervenção rápida e de salvamento, bem como na formação de pessoal para elevar a capacidade de prevenção e redução de catástrofes. Além da compra de equipamentos de mais de 70 tipos, foram formados mais cinco mergulhadores, que passam a ser 21. Aos jornalistas, durante uma apresentação realizada

Prevenir para não remediar Mais mergulhadores e novos equipamentos de salvamento

ontem, o comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU) e comandante de acção conjunta da estrutura de protecção civil, Ma Io Kun, indicou que os serviços no âmbito da tutela de segurança irão continuar a completar e adquirir os equipamentos e material a serem utilizados em trabalhos de salvamento e de reconstrução, por for-

ma a elevar a capacidade de prevenção e redução das catástrofes. Segundo um comunicado, o mesmo responsável afirmou que na sequência do tufão Hato, que atingiu Macau há sensivelmente um ano, os Serviços de Alfândega, o Corpo de Bombeiros e o Corpo de Segurança Pública tiveram de adquirir maior variedade de equipamentos

de intervenção rápida. O montante do orçamento total para a aquisição de todos os equipamentos novos cifra-se em mais de 70 milhões de patacas, de acordo com a mesma nota. Entre os equipamentos figuram ‘drones’ marítimos e robôs submarinos destinados ao salvamento em parques de estacionamento, e botes rápidos de patru-

lhamento com aparelho de visão nocturna. No que diz respeito ao pessoal de salvamento, Ma Io Kun referiu que cada serviço tem organizado, periodicamente, cursos de formação, dando o exemplo do salvamento em altitude para o Corpo de Bombeiros, que serão realizados continuamente, para aumentar o número de pessoal com esta formação. No âmbito dos Serviços de Alfândega, foram formados mais cinco mergulhadores, passando de 16 para 21. D.M.


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MA dezena de artistas de Macau vão ter a oportunidade de expor os seus trabalhos, da área da ilustração, num dos grandes e históricos centros artísticos, sob o tema “Futuro”. O resultado será apurado da fusão entre oriente e ocidente que, no final, se transforma numa exposição conjunta em dois países diferentes. É assim a quarta edição da exposição “Amesterdam and Macau - Art of Illustration”, uma iniciativa da associação Yunyi Arts & Cultural Communications e que decorre no espaço Nieuw Dakota / Translocal Art Space, na capital holandesa. Christine Hong Barbosa é a curadora e explicou ao HM os trabalhos dos dez artistas de Macau que participam este ano e que viajarão para a capital holandesa em Agosto. Posteriormente, a mesma exposição terá lugar em Macau. “É o quarto ano que fazemos este evento anual e queremos fazer com que as pessoas falem mais sobre as diferentes formas de utilização da ilustração, seja na arte ou no comércio. Esta iniciativa tem corrido muito bem e tem permitido às pessoas de outros países e regiões aprender mais sobre os artistas de Macau e também abre os nossos olhos a outras tradições e culturas diferentes. Este ano vamos para Amesterdão porque é a capital da arte, há imensas galerias.” Sob o tema “Futuro”, artistas como Pat Iam (Pibg Gantz), ligado ao graffiti, Joana Borges, Monica Bernie Darling, Bruno Kuan ou Sandy Ieong, entre outros, vão mostrar os seus trabalhos. Christine Hong Barbosa defende que a escolha dos artistas não passa apenas pelos nomes mais conhecidos do panorama artístico local. “Sempre pensei que fosse desafiante procurar tantos ilustradores, mas para minha surpresa ainda não repeti nenhum artista. O meu trabalho de curadoria baseia-se muito nas pessoas que já conhecem este evento e que me podem recomendar outros artistas que estejam no mesmo circulo. A Joana Borges, por exemplo, foi-me recomendada por alguém que participou na edição passada.” A responsável pela Yunyi Arts & Cultural Communications garante que “há alguns artistas que já são conhecidos em Macau, mas há outros também que não são famosos, mas que são bastante criativos e têm talento”. “Alguns artistas não têm um estilo específico e ainda estão a experimentar muitas coisas”, exemplificou Christine Hong Barbosa.

ARTE EM AUTOCOLANTE

Joana Borges faz ilustrações nos tempos livres e ainda não se assume como artista. Participar nesta exposição e ir a Amesterdão é, para ela, uma oportunidade, uma vez que nunca expôs o seu trabalho publicamente.

Regr

EXPOSIÇÃO DEZ ARTISTAS

A quarta edição ano em Amester hábito junta dez experiências e vi associação cultu JOANA BORGES

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eventos 11

sexta-feira 27.7.2018

resso ao futuro

AS DE MACAU VÃO A AMESTERDÃO MOSTRAR AS SUAS ILUSTRAÇÕES

da exposição “Art of Illustration” acontece este rdão, capital da Holanda, e tal como já vem sendo artistas locais e dez de Macau, numa partilha de isões artísticas. Christine Barbosa, responsável pela ural YunYi, explica o que o público poderá esperar

PAT IAM

“Vou levar um quadro que se chama ‘Georgia on my mind’ porque tem a ver com a música com esse nome e outros conceitos mais pessoais. Esse quadro é feito com autocolantes que eu reutilizei e pintei com acrílico, em papel escrevi partes da letra da música e de frases feitas por mim. O outro quadro é roxo e azul, feito com acrílico, e dá um efeito de buraco negro no universo. São todas emoções num turbilhão, criadas numa tela”, explicou ao HM. A ideia de trabalhar com autocolantes começou quando uma amiga de Joana Borges teve problemas pessoais. “Comecei em 2016 porque tinha uma amiga que estava a passar um mau bocado e resolvi fazer autocolantes entre o caminho de casa até ao local do trabalho dela. Os autocolantes tinham desenhos e frases. Outras pessoas disseram que tinham visto e que tinham reconhecido a letra da música, e aí pensei que deveria explorar mais isso. Comecei a pôr outros desenhos e frases e comecei a espalhar alguns autocolantes por aí. Comecei a evoluir para o desenho.” Em Amesterdão, Joana Borges vai mostrar um pouco daquilo que tem vindo a fazer nos últimos meses, mas ainda hoje não assina aquilo que faz. “Raramente identifico as minhas obras porque não considero que seja importante o nome de quem fez, mas a obra em si.” Estar na capital da Holanda vai ser importante “nem que seja pela ligação que vou fazer com os outros dez artistas e pelo facto de espalhar autocolantes em Amesterdão, Paris e Lisboa”. “Vou tentar espalhar pela Europa o que tenho andado a fazer nos últimos meses, mas esse não é o objectivo”, acrescentou Joana Borges. Para Christine Hong Barbosa, é interessante abordar as diversas perspectivas da ilustração porque há uma maior liberdade. “Não temos restrições ao nível do conteúdo da obra mas apenas referente ao tamanho. Podem fazer trabalhos digitais, com aguarelas, utilizando qualquer estilo com que se sintam à vontade. Queremos que os artistas interpretem isso de acordo com o seu estilo próprio e assim poderemos ver diferenças entre as visões de Macau e dos artistas de Amesterdão, sempre baseadas nas suas próprias culturas e vivências.” “A ilustração é algo completamente livre, não tem restrições, cada um pode fazer da maneira que quiser. Não é preciso ter ferramentas especificas, e este evento está relacionado com pessoas que não precisam de ser artistas profissionais mas que podem simplesmente ter a sua própria voz”, rematou a responsável pela Yunyi Arts & Cultural Communications. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

LISBOA ENCONTRADO CEMITÉRIO MEDIEVAL COM PELO MENOS 20 CORPOS

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ELO menos 20 corpos da época medieval foram encontrados por uma equipa de arqueólogos na freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, mas o grupo acredita que “irão aparecer mais”, referiu à Lusa a coordenadora do projecto. “Até ao momento, já temos 20 [corpos identificados] mas, possivelmente, ainda irão aparecer mais, porque só temos o primeiro nível de sepulturas a descoberto”, referiu a arqueóloga e coordenadora do projecto de instalação de ecopontos da Câmara Municipal de Lisboa, Vanessa Filipe. O cemitério foi encontrado na zona que liga a rua Martim Moniz à rua da Madalena, na freguesia de Santa Maria Maior, e a arqueóloga explicou que foi descoberta em 26 de Junho, no âmbito de um trabalho no qual a equipa de arqueólogos faz “o registo e diagnóstico arqueológico” das áreas “antes da instalação dos ecopontos”. “Por baixo, temos quase a certeza de que temos mais cinco [corpos]”, vincou, acrescentando que os trabalhos arqueológicos deverão demorar “pelo menos mais duas semanas”. Há sete pessoas a trabalhar no achado e Vanessa Filipe esclareceu que se trata de “uma necrópole da época medieval”, datada entre “o século XIV, inícios do XV”. As escavações feitas levam a equipa a acreditar que o cemitério está associado a uma ermida “que pertenceria aos marqueses de Cascais” e que “o adro da igreja estaria virado” para o lado onde estão sepultados os corpos, explicou a coordenadora do projecto.


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27.7.2018 sexta-feira

SAÚDE ORDENADA INSPECÇÃO GERAL ÀS EMPRESAS PRODUTORAS DE VACINAS

Um fogo por apagar

A China ordenou uma inspecção geral às empresas que produzem vacinas, numa resposta ao recente escândalo de vacinas defeituosas contra a raiva fabricadas por um dos maiores laboratórios do país

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E acordo com a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, várias equipas vão investigar minuciosamente todo o processo e toda a cadeia de produção de vacinas de todos os produtores chineses, na sequência de uma ordem emitida na quarta-feira à noite pela Administração de Alimentos e Medicamentos da China (CFDA). Estas equipas "vão inspeccionar de alto a baixo todo o processo e a cadeia de produção de todos os fabricantes de vacinas", garantiu a CFDA, em comuni-

Várias equipas vão investigar minuciosamente todo o processo e toda a cadeia de produção de vacinas de todos os produtores chineses, na sequência de uma ordem emitida na quarta-feira à noite pela Administração de Alimentos e Medicamentos da China PUB

cado. Na semana passada, a CFDA acusou o laboratório farmacêutico Changchun Changsheng, um dos maiores produtores de vacinas do país, de falsificar registos de produção de cerca de 113 mil vacinas contra raiva, além de distribuir mais de 250 mil doses defeituosas contra a difteria, o tétano e a tosse convulsa. De acordo com as autoridades, os dados de fabrico da vacina contra a raiva foram falsificados e os parâmetros de produção alterados. O escândalo suscitou uma reacção imediata na China, onde numerosos pais manifestaram a sua preocupação através das redes sociais.

INTERNET PEQUIM VAI ALTERAR RESPONSÁVEIS PELA PROPAGANDA E CENSURA

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Governo chinês vai alterar os seus principais responsáveis de propaganda para o exterior e censura na Internet, dois cargos importante do regime comunista, referiu ontem o jornal diário South China Morning Post, citando fontes próximas do Governo. Zhuang Ronwen, actual subdirector do departamento de propaganda do Partido Comunista, será o novo director da Administração do Ciberespaço da China, instituição que controla o conteúdo disponível para os 700 milhões de internautas chineses e exerce vigilância sobre as empresas do ramo tecnológico. Xu Lin, antigo director da Administração do Ciberespaço, ficará responsável pela Agência de Informação do Conselho do Estado, cuja missão

é melhorar a imagem da China internacionalmente. Os dois líderes são aliados do Presidente da China, Xi Jinping, sendo que Zhuang trabalhou com o líder chinês quando este ocupou diversos cargos na província de Fujian, no sudeste, entre 1985 e 2002. De acordo com as fontes citadas pelo South China Morning Post, o objectivo destas alterações, que serão oficializadas em breve, é a melhoria “da frente propagandística e ideológica” do país. A propaganda oficial tem promovido a imagem pessoal do Presidente com uma intensidade inédita desde Mao Zedong, o fundador da República Popular, levando alguns analistas a sugerir que Xi está a construir um culto de personalidade ao estilo de Mao.

GARANTIA E DESCONFIANÇA

NOTIFICAÇÃO EDITAL N.º 32/2018 (Solicitação de comparência do trabalhador) Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo DecretoLei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, notifica-se Wong Kam Sam, ex-trabalhador da “Lin Iek Engineering Electrical” , para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte à da publicação da presente notificação edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 2161/2017, proveniente da queixa apresentada pelo notificado nestes Serviços em 13/09/2017, e relativamente à matéria de despedimento. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 20 de Julho de 2018. O Chefe do Departamento, Lai Kin Lon

O Presidente chinês, Xi Jinping, repudiou de imediato as práticas "odiosas e chocantes" da empresa e exigiu uma investigação profunda do caso. Na terça-feira, a polícia da cidade de Changchun (nordeste) deteve 15 pessoas, incluindo a directora da empresa, com sede no nordeste da China. As autoridades garantiram que as vacinas adulteradas não saíram das fábricas da Changchun Changsheng. Mas o caso põe em causa o regulador e aumenta a desconfiança nos consumidores, já abalados com vários escândalos alimentares e sanitários ocorridos nos últimos anos.

Explosão Detonação no exterior da embaixada dos EUA em Pequim Um engenho explosivo foi detonado ontem no exterior da embaixada dos Estados Unidos em Pequim e uma mulher foi detida depois de se ter regado com gasolina, informou o jornal chinês Global Times. "Registou-se uma explosão pelas 13h no espaço público exterior", disse um porta-voz da embaixada ao Global Times. "De acordo com o responsável de segurança regional da embaixada, um indivíduo detonou uma bomba", acrescentou a mesma fonte, garantindo que não há feridos a registar. No entanto, a polícia chinesa

disse à agência de notícias Associated Press que a explosão foi causada por um pequeno engenho caseiro empunhado por um homem, de 26 anos, que ficou ferido. Fotos publicadas na rede social Twitter mostram um cordão policial em torno da embaixada dos Estados Unidos, em Pequim. O jornal do Partido Comunista, o Global Times, informou no Twitter que moradores ouviram um "estrondo" e que a polícia deteve "uma mulher que se regou com gasolina numa tentativa de se imolar" pelo fogo, por volta das 11h.


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sexta-feira 27.7.2018

Japão Enforcados seis membros da Verdade Suprema

As autoridades japonesas executaram ontem os restantes seis membros da seita Verdade Suprema, por uma série de crimes perpetrados nos anos 1990, incluindo o ataque com gás sarin no metro de Tóquio que matou 13 pessoas. A ministra da Justiça japonesa, Yoko Kamikawa, afirmou que os seis homens foram enforcados ontem de manhã. Treze membros da Aum Shinrikyo (Verdade Suprema) foram condenados à pena de morte. Sete, incluindo o líder da seita Shoko Asahara, foram executados há cerca de três semanas. A seita pretendia derrubar o Governo e juntou um arsenal de armas químicas, biológicas e convencionais para aquele objectivo. O ataque no metro de Tóquio foi o crime mais importante da seita. Mais de seis mil pessoas ficaram doentes na sequência do ataque, que desencadeou o pânico durante a hora de mais movimento da manhã.

Futebol Hajime Moryasu é o novo seleccionador do Japão

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ex-futebolista Hajime Moriyasu é o novo seleccionador de futebol do Japão, substituindo no cargo Akira Nishino, que levou os nipónicos aos oitavos-de-final do Mundial 2018, na Rússia. Moriyasu, de 49 anos, orientava a selecção nipónica de sub-23 desde Outubro de 2017 e sucede agora ao compatriota Akira Nishino, que no Mundial viu o Japão ser eliminado nos instantes finais do jogo com a Bélgica (3-2). O Japão chegou a ter uma vantagem de dois golos e foi no último lance do jogo, em contra-ataque, que a Bélgica consumou a reviravolta, com um golo de Nacer Chadli, aos 90+4. O novo seleccionador, que foi internacional pelo Japão entre 1992 e 1996, iniciou a carreira de treinador nos japoneses do Sanfrecce Hiroshima, tendo passado pelos sub-20 da selecção nipónica antes de rumar aos sub-23. Esta é a segunda mudança de seleccionador levada a cabo pela Federação japonesa em 2018, depois de em Abril Nishino ter substituído o bósnio Vahid Halilhodzic, técnico que processou o organismo máximo de futebol nipónico e o seu presidente por ter sido despedido após qualificar a selecção para o Mundial2018.

“Condeno firmemente os abusos que estão a sofrer os nossos trabalhadores no exterior às mãos dos seus empregadores”, disse o secretário de Assuntos Exteriores filipino, Alan Peter Cayetano

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS QUASE UM MILHAR DE FILIPINOS REPATRIADOS

Serventia da casa Cerca de um milhar de trabalhadores filipinos vítimas de abusos laborais e de exploração foram repatriados dos Emirados Árabes Unidos desde o início do ano, anunciou ontem o Departamento de Assuntos Exteriores das Filipinas

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ESDE Janeiro regressaram ao arquipélago do Sudeste Asiático 969 filipinos, dos 777 que se refugiaram na embaixada do país em Abu Dhabi e no consulado no Dubai. "Condeno firmemente os abusos que estão

a sofrer os nossos trabalhadores no exterior às mãos dos seus empregadores", disse o secretário de Assuntos Exteriores filipino, Alan Peter Cayetano, em comunicado. De acordo com dados oficiais, 643 mil filipinos trabalham nos Emirados Árabes Unidos, a maio-

ria dos quais em Abu Dhabi e no Dubai. O número real deve ser mais elevado se forem tidos em conta milhares de trabalhadores em situação irregular. Nesses países, as mulheres trabalham como empregadas domésticas e os homens na construção, em condições frequentemente precárias e sem garantias laborais. "Quando ocorrerem estes abusos, o Departamento de Assuntos Exteriores actuará de maneira decisiva para proteger os nossos cidadãos e para os trazer de volta a casa", indicou Cayetano. Na passada segunda-feira, no discurso anual sobre o Estado da Nação, o Presidente filipino, Rodrigo Duterte, sublinhou que "o bem-estar

dos filipinos no estrangeiro é a principal política externa" do Governo.

FALSO EMPREGO

A polémica sobre os abusos e maus-tratos sofridos pelas empregadas domésticas filipinas no estrangeiro subiu de tom em Fevereiro passado, quando se encontrou o cadáver de Joana Demafelis, de 29 anos, há já um ano desaparecida, no congelador da casa dos seus empregadores no Kuwait. O caso levou Duterte a proibir o envio de trabalhadores para o Kuwait, que retaliou com a expulsão do embaixador filipino. Em Maio, os dois países normalizaram a situação e a restrição foi levantada. Para travar estes abusos e a proliferação de ofertas falsas de emprego, as autoridades filipinas lançaram agora uma plataforma 'online' para que cerca de três mil emigrantes, que saem diariamente do país possam classificar o tratamento das agências de emprego. Cerca de dez milhões de filipinos são trabalhadores emigrantes e o envio das remessas é fundamental para a economia do arquipélago.

LAOS RESPONSABILIZADA CONSTRUTORA DE BARRAGEM QUE DESMORONOU

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Governo do Laos responsabilizou ontem a empresa construtora da barragem hidroeléctrica na província de Attapeu pelo colapso da estrutura que causou a morte de centenas de pessoas. Khammany Inthirath, ministro da Energia e Minas de Laos, afirmou ontem numa conferência de imprensa em Vienciana que a empresa constru-

tora, uma ‘joint venture’ liderada por empresas sul-coreanas, com parceiros tailandeses e laosianos, deve assumir a responsabilidade das compensações pelo desastre, que causou vários mortos, 131 desparecidos e mais de 6.000 desalojados. "Em relação à questão da compensação, gostaria de assegurar em função do acordo de concessão que todos os

incidentes relacionados com a construção da barragem devem ser assumidos a 100 por cento pelos responsáveis do projecto", disse Inthirath. Thongloun Sisoulith, primeiro-ministro de Laos, anunciou quarta-feira à noite que as operações de resgate das pessoas presas nas suas casas ou em árvores tinham terminado, e que ficava por descobrir o

paradeiro das 131 pessoas dadas como desparecidas, mas não mencionou dados sobre mortos e feridos, mesmo depois do cônsul tailandês no Laos ter afirmado que foram recuperados 26 corpos. "O impacto das inundações é enorme", admitiu o líder do regime comunista durante um discurso pouco habitual que realizou quando visitou a província de

Attapeu, a principal zona afectada. "Muitas informações provenientes de fontes assumem que as pessoas desaparecidas estão mortas (...). Não posso confirmar se estão vivas ou mortas, apenas que ainda não os encontrámos", indicou o governador da província, Bounhome Phommasane, que ofereceu um balanço provisório de apenas um morto.


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27.7.2018 sexta-feira

Não olhes. O mundo está prestes a rebentar. Não olhes.

José Simões Morais

Festejos em HK nos Clubes portugueses

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IVALIDADES na comunidade portuguesa de Hong Kong levam dois clubes a ter distintos programas para as celebrações do 4.º centenário do descobrimento do caminho marítimo para a Índia. O Club Luzitano, sob a presidência do Sr. Conselheiro Agostinho Guilherme Romano, irá celebrar no dia 17 de Maio de 1898 um Te-Deum às 5,30 da tarde na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, pelo vigário apostólico de Hong Kong, Bispo de Clazomme, com a assistência do clero espanhol, francês e italiano ali residente. Nesse dia ainda se realizará um sarau literário e musical, assim como a inauguração do busto de Vasco da Gama no Club Luzitano e a iluminação do edifício sede, que continuará até ao dia seguinte, quando se irá efectuar o baile no Club. Já o Club Vasco da Gama propõe-se fazer uma festa no seu Club, na Peel Street e uma excursão a Macau, mas a 8 de Maio de 1898 a comissão executiva da celebração do Club Vasco da Gama resolve: 1.º Que em vista do luto que cobre muitas famílias e da dor que, pela irreparável perda de entes estremecidos, actualmente as excrucia, o referido Club e os seus aderentes não fizessem nenhuns festejos aos quais se pudessem atribuir qualquer sombra de regozijo público, e que se pusesse de lado a ideia de adiamento de tais festejos por não deverem ter lugar em época tão anormal como a que estamos atravessando, e nem depois, porque, depois, o que se deverá fazer será darem-se graças a Deus por nos haver libertado do terrível flagelo que óra nos traz consternadíssimos a todos. 2.º Que se convocasse uma nova reunião, a fim de nela se deliberar sobre a melhor aplicação humanitária e patriótica a dar-se à quantia subscrita para os festejos que estavam projectados”, de M. Fernandes de Carvalho n’ O Porvir. A 9 de Maio, a Comissão Executiva da Celebração em Macau do IV Centenário publica uma circular: <devido ao irregular estado sanitário da província, não serão enviados convites especiais para os festejos oficiais aos portugueses e estrangeiros residentes fora de Macau>. Sobre a terrível epidemia da peste bubónica já dois meses antes o Hongkong Daily Press de 7 de Março de 1898 dá conta de existir na colónia inglesa. O Cônsul-Geral de Portugal em Hong Kong emite a 10 de Maio uma circular, “Tendo-me comunicado a Direcção do Club Lusitano a resolução tomada, de acordo com os sócios do

por este, em comemoração do Centenário da Índia, teria um carácter mais nacional e seria mais da nossa comunidade, porque esta tomaria maior parte nela, e as decisões a tal respeito tomadas pela comissão executiva do Club Vasco da Gama devem, portanto, interessá-la mais do que as decisões da direcção do Club Lusitano sobre o mesmo assunto, visto que a festa projectada por aquele seria uma festa pública portuguesa, em quanto que a d’este seria uma coisa apenas dos seus sócios”, n’ O Porvir.

TRISTES FESTEJOS

Club, de se adiarem os festejos comemorativos (...) – em vista do estado de consternação geral, estando por tal motivo bastante sobressaltados os habitantes desta colónia; pedindo-me a referida Direcção ao mesmo tempo para assim o fazer constar a todos os portugueses aqui residentes, cumpro por esta forma este dever, sentindo, como representante do governo (...) este adiamento forçado...” O Porvir, cujo editor responsável é Lisbello J. Xavier, presidente do Club Vasco da Gama, a 14 de Maio cai logo sobre o Sr. Agostinho Guilherme Romano, Cônsul, referindo, “... os festejos comemorativos do Centenário da Índia, que deveriam ter lugar no Club Lusitano, seriam obra exclusivamente dos dignos sócios do mesmo Club, pelo que não teriam nem poderiam ter um carácter público” ... “O Sr. Romano assinar a circular como cônsul, sendo presidente do Club, e devendo, portanto, tê-la sua Exa. expedido nesta qualidade ou tê-la

feito assinar e expedir pelo sr. secretário do mesmo Club. (...) Além disso, a circular era do Club Lusitano e só aos sócios dele pode interessar, que não a todos os portugueses residentes aqui, pois que a grande maioria destes últimos não pertence àquela agremiação e, nem que quisessem, poderiam ir ao baile daqueles, por não haver onde os alojar, e, mesmo que o houvesse, sabem bem que a ‘boda ou baptizado não se deve ir sem ter-se contribuído para isso ou ter-se sido convidado’, caso que se não deu com eles, com essa grande maioria dos portugueses residentes em Hong-Kong.” “Ainda se o Club Lusitano estivesse, relativamente aos festejos do Centenário, nas circunstâncias do Club Vasco da Gama, vá que não vá. Este tem como subscritores e aderentes, para os festejos que projectara, grandíssimo número de cavalheiros portugueses residentes aqui e que são completamente estranhos a ele. Por tal motivo, a festa promovida

No dia 17 de Maio em Hong Kong não se canta um Te Deum na Catedral Católica em honra do centenário da Índia e somente é içada uma bandeira no Club Lusitano

No dia 17 de Maio em Hong Kong não se canta um Te Deum na Catedral Católica em honra do centenário da Índia e somente é içada uma bandeira no Club Lusitano. O Independente de 22 de Maio diz ter a direcção do Club Luzitano resolvido “adiar os festejos projectados para comemorar o Centenário. Contudo, não podia o jubileu nacional, nesta ocasião, fossem quais fossem as circunstâncias, passar despercebido a essa associação que em tantíssimas ocasiões tem sabido honrar a nossa querida pátria, que é a de todos os seus membros efectivos; por isso o seu digno presidente, Sr. conselheiro Agostinho Guilherme Romano, nosso cônsul geral nessa colónia, no dia 17, o primeiro dos festejos, à noite depois das 7 horas, quando no Club se costuma reunir o maior número de sócios, convidou todos os presentes a subirem ao salão Luís de Camões. Aí ficaram todos agradavelmente surpreendidos vendo erguida no meio da sala, no topo de uma linda haste dourada, uma bandeira de seda, semelhante à que guiou Vasco da Gama na gloriosa viagem à Índia, e que gentilmente fora feita e oferecida ao Club pela esposa do Sr. Conselheiro Romano para cobrir o busto do grande navegador e que no referido dia devia, segundo o programa dos festejos que foram adiados, ter sido ali inaugurado. O Sr. Conselheiro tendo feito servir champanhe,” pede licença para oferecer ao Club Lusitano essa bandeira, que ficará sendo a da associação. Bandeira semelhante conserva-se na fachada do edifício do Club, arvorada durante os dias 17 a 20, período em que no Consulado está hasteada a bandeira nacional. Múltiplos brindes se fazem e ainda no dia 17 o Sr. conselheiro Romano expede para Lisboa telegramas, um como presidente do Club Lusitano para a Comissão do Centenário e outro como cônsul para El-Rei o Sr. D. Carlos, associando-se ao jubileu nacional em nome da comunidade portuguesa desta colónia, mas sem lhe dar conhecimento. No dia seguinte recebe a resposta: <Suas Majestades agradecem muito. Conde Arnoso>. Estes os únicos festejos em Hong Kong e a desencantada comunidade portuguesa logo a 1 de Julho de 1898 assiste ao júbilo do Reino Unido, quando força a China a arrendar-lhe os Novos Territórios por 99 anos para os juntar a Hong Kong, tomada em 1841 e a Kowloon, anexada em 1860.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 27.7.2018

RASKO RISTIC

tonalidades António de Castro Caeiro

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Três vistas sobre uma rua

MA rua absorve o espaço todo de uma cidade. Implode-o em si. A rua vai dar a outras ruas e outras ruas vão dar a ela. Pode fazer-se a pé o caminho que leva a ela ou a partir dela se vai a outras ruas, mesmo contra o sentido da marcha dos automóveis. A rua, onde vivemos, é um cenário que acaba nos seus extremos, nas ruas à esquerda e à direita de que só adivinhamos a existência, mas não temos em percepção. Há prédios de gente que o habita. Há jovens casais e velhos. Há o sapateiro, a mercearia, casas de pasto. Há paragens de autocarro, casas de habitação e agências de viagem, agências bancárias, casas de moda. Carros passam e pessoas caminham pelos passeios: avós e netos, pais e filhos, irmãos e irmãs. Uma rua é um ecossistema complexo. Demora tempo a habitar uma rua. Pode ser a “personalidade” orgânica, onde uma criança brinca com outras crianças desde sempre: joga à bola, corridas de carros nas bermas do passeio. Pode ser a rua, calcorreada a passo lento de quem é decrépito e tem a vida toda vivida e espera pacientemente pelo último suspiro. Todas as ruas são este ecossistema para quem vive nelas. Mas há também as ruas, onde ficam os sítios em que trabalhamos ou o liceu ou o ginásio.

Há as ruas onde vivem os nossos amigos que são também por direito próprio as ruas dos outros. Cada rua, excepto a nossa, é a rua dos outros. Podemos até vir a viver nas ruas dos outros, próximos dos outros e das suas ruas. A rua onde vivemos vai ficando esbatida. O seu sentido permanece. O seu significado fica sempre algures a fazer-se sentir. O que se esfuma são os rostos de quem por lá passou. Nem nos apercebemos de que são agora adultos, quando há quarenta anos eram crianças. O parque automóvel mudou. As fachadas dos prédios foram pintadas com cores diferentes. Os velhos morreram. O sapateiro fechou. Não há mercearias, nem agências de viagem, nem agências bancárias. Há prédios novos no lugar de prédios velhos. É uma outra rua. Mas há tantas ruas, também, quantas as pessoas que as habitam. Num prédio

de quatro andares, por exemplo, e quatro apartamentos habitados, há uma multidão de gente. A rua das pessoas do segundo andar esquerdo é diferente da rua das pessoas do segundo andar direito. O que se passa nas suas casas é inacessível, mesmo quando ouvimos falar do que acontece a cada família: um filho que adoece e um pai que morre. Mas, mesmo no habitual habitável, quando tudo é normal, as ruas são influenciadas pelas casas, porque as pessoas habitam uma rua, vivem numa rua, existem nela! Não estão lá postas nem para lá são atiradas, para serem referenciadas por coordenadas. É outra a maneira de ser numa rua. A rua toda entra por olhos adentro. Há os sons omnipresentes dos elétricos que passam, sem nós os vermos. Há o ruído dos carros a passarem na Ponte Sobre o Tejo. Há cães que ladram à noite. Há o

A rua é a da infância, da juventude estridente, dos primeiros anos do envelhecimento dos avós. A rua é diferente, quando nos chega uma notícia boa e quando nos chega uma notícia má

som que se silencia ao entardecer, quando as pessoas chegam a casa e preparam o jantar. Há os sons das crianças que gritam de chegar a casa e estarem no serão à espera do sono dos anjos. E a mesma rua pode ser completamente diferente. Uma rua que é a nossa referência na cidade tem épocas. É uma rua onde podem viver pessoas que nunca se conheceram e um dia percebem que a viveram em dias diferentes da semana. A rua pode ser habitada ao fim de semana sem poder conhecer ninguém que lá viva aos dias de semana. A rua é a da infância, da juventude estridente, dos primeiros anos do envelhecimento dos avós. A rua é diferente, quando nos chega uma notícia boa e quando nos chega uma notícia má. A rua é diferente na solidão do solitário e quando é partilhada na geografia e na biografia de duas pessoas que se encontram. A rua é diferente, quando é habitada e quando é só preenchida pela vida azul da melancolia solitária. A rua congelada no tempo, em que nada acontece, é diferente da rua que se funde e derrete, num dia solarengo de Verão, quando se espera a chegada de alguém, apenas por servir de chegada a alguém por quem faz sentido esperar.


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27.7.2018 sexta-feira

AVISO PUBLICAÇÃO DOS RESULTADOS DAS CANDIDATURAS AOS SUBSÍDIOS PARA PAGAMENTO DE PROPINAS, DE ALIMENTAÇÃO E DE AQUISIÇÃO DE MATERIAL ESCOLAR PARA O ANO LECTIVO DE 2018/2019 Foram publicados os resultados das candidaturas aos subsídios para pagamento de propinas, de alimentação e de aquisição de material escolar para o ano lectivo de 2018/2019, pelo que os alunos candidatos podem consultar os mesmos no website da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (www.dsej.gov.mo) ou através da linha aberta de 24 horas, n.º 28400661. Macau, 25 de Julho de 2018. O Presidente do Conselho Administrativo, Lou Pak Sang (Director da DSEJ)


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sexta-feira 27.7.2018

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje CONCERTO 19 “THIS IS PUNK”

Live Music Association | 22h00

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1 2 5 9 3 8 7 4 6 3 9 6 4 2 7 1 8 5 4 7 8 6 5 1 2 9 3 Amanhã 9 5“THIS7IS PUNK” 8 6 4 3 1 2 CONCERTO Live Music Association | 22h00 8 3 1 5 9 2 4 6 7 TOGETHER JOHN-E EDITION 2 6WE DANCE 4 1WITH7 3/ 20189SUMMER 5 8 Club Legend | Das 22h30 às 5h00 5 8DE ENCERRAMENTO 2 7 1 DA9TEMPORADA 6 32017-18 4– CONCERTO SINFONIA N.º 9 DE BEETHOVEN - ORQUESTRA DE MACAU 6 1 3 2 4 5 8 7 9 Centro Cultural | 20h00 7 4 9 3 8 6 5 2 1 CONCERTO “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA” Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 22h00

Diariamente

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HUM

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O CARTOON STEPH 22

9 7 8 2 4 5 6 3 1 6 4 3 8 9 1 5 2 7 EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” 2 5 1 6 7 3 4 8 9 Armazém do Boi | Até 9/9 3 1 7 5 8 4 9 6 2 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” 2| Até99/9 1 6 7 8 5 3 Art4 Garden 8 6 5 3 2 9 1 7 4 EXPOSIÇÃO “CHAPAS SÍNICAS” 7 das3Ofertas 6 sobre 9 a1 8 2 4 5 Museu Transferência de Soberania de Macau | Até 7/8 1 8 4 7 5 2 3 9 6 “MARC SUL DE 5 CHAGALL 9 2– LUZ4E COR3NO6 7FRANÇA” 1 8 MAM | Até 26/8

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EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” Grande Praça – MGM | Até 9/9

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INCREDIBLES 2 [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Brad Bird 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT [B] Um filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Henry Cavill, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 14.30, 18.00, 21.30

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1 6 8 8 6 7 5 2 PROBLEMA 23

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 22

MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT SALA 1

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DE

EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Garden | Até 9/9

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6 9 8 5 4 6 1 9 5 2 70-95% • EURO 9.42 BAHT 1 9 2 2 4 7 6 6 2 8 7 4 9 8

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S U D O K U

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5(f)utilidades 2 8 17 6 2 3 7 7 2 1 1 6 0.24 YUAN 1.19 3 4 7 9 5 VIDA DE CÃO5 8 3 5 BOAS 8NOTÍCIAS 7 6 3 As notícias também podem ser boas. Isto da notícia depender 22 exclusivamente da tragédia, quase do1 escândalo 6 e do7infortúnio é2co-9 mum, tem leitura e acima de tudo 2 3 vende 9 como pãezinhos quentes. Mas quando são boas, podem 1 mesmo passar mais despercebidas, 6estão lá5e têm, além do valor mas informativo, um valor inestimável 3 2 4 6 para esperança no futuro. Esta semana fui confrontada 9 com 3 dois acontecimentos assim. Um deles, 7 sueca 8 que se2recusou4 uma miúda a sentar-se num avião. 4 Em 7 causa estava um outro passageiro para o qual aquela viagem era um regresso involuntário a casa. O passageiro em questão, de nacionalidade 24 estava a ser deportado. Esta afegã, miúda não aceitou essa realidade 7 6 1 e apelou ao direito do comandante de4 não 9 levantar 6 voo e de expulsar passageiros para garantir que a morte para aquele homem não era certa, pelo menos4naquele dia.3 Conseguiu. Foi notícia, foi viral, 8 foi a vez7 foi um exemplo.5Ontem de3 ter notícias boas por cá também.9 2 Afinal há um futuro para os galgos 8 Afinal, 2 1a Yat 7Yuen e do Canídromo. a ANIMA chegaram a um acordo e 7 aqueles animais podem vir a ter uma outra vida. 6 Gosto 3 mesmo muito de notícias boas. Sofia Margarida Mota

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5 8DISCO 7 4 3 HOJE 9 6 1 UM

4 9 6 7 2 1 O2 quarto de Simon 3 disco 1 6 5 8 Green, o Dj e produtor 8 7 que 5assina 9 4 britânico como2 Bonobo, uma5 pérola 6 1 é9 8 da3 electrónica e da música 4 2que1convida 7 6 de3dança mais à introspecção 9 5 8 2 1 do7 que ao movimentos de 1 “Black 2 4Sands” 3 6ofe-5 pés. rece 7 uma 6 3variedade 8 9 de4 paisagens sonoras que oscilam entre o quase jazz, o trip-hop e o downtempo cheio de detalhes típicos da discografia de Bonobo. Um disco essencial, com a chancela da Ninja Tunes, que resiste bem à passagem do tempo desde 2010. João Luz

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BLACK SANDS | BONOBO

SALA 3

SKYSCRAPER [B] Um filme de: Rawson Marshall Thurbe Com: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han 14.30, 19.30, 21.30

MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT [B] Um filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Henry Cavill, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 16.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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27.7.2018 sexta-feira

A ligação entre o ambiente, “There are two directions the connection between conflict and the environment can take that influence security. The degradation of the environment can cause conflict and a reduction in security; or conflict can destroy the resources and services provided by the environment, which also compromises security.” The Blue Marble Report W. Douglas Smith

A

evolução da situação estratégica global após a Guerra Fria, sugere a necessidade de expandir a definição de segurança nacional, para incluir ameaças ambientais à estabilidade. Durante as duas últimas décadas, houve uma mudança dramática na forma como percebemos o cenário da segurança nacional contemporânea. Os líderes de organizações governamentais e não-governamentais, vêm progressivamente a aceitar que os efeitos nocivos das alterações climáticas e outros factores ambientais, estão a expor as sociedades vulneráveis à instabilidade e ao potencial conflito violento. A percepção alterada das ligações entre os problemas ambientais globais e os desafios económicos e demográficos, emergiu como uma base para a interpretação de conflitos e segurança. O “Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em língua inglesa)”, dedicou um grande esforço para avaliar a vulnerabilidade das populações humanas, resultante da exposição aos efeitos adversos das alterações climáticas. O “Quarto Relatório de Avaliação do IPCC”, que examina a questão da exposição, adaptação e vulnerabilidade, sugere que os países e as sociedades, especialmente no mundo em desenvolvimento, terão dificuldade em se adaptar à pressão das alterações climáticas em um futuro não muito distante. A adaptação e a resiliência serão prejudicadas pela falta de capacidade, e as pessoas mais atingidas serão aquelas que vivem na pobreza e dentro dos “Estados falhados”, como sendo aqueles em que o governo é ineficaz e não consegue manter o controlo sobre o território, e que tem como consequência altas taxas de criminalidade, corrupção endémica, um enorme mercado informal, poder judiciário ineficaz, interferência militar na política, além da presença de grupos armados paramilitares ou organizações terroristas que controlam parte ou todo o território, como o Sudão do Sul, Somália e República Centro-Africana. O cientista político dinamarquês, George Sorensen, no seu estudo “Newest wars, newest peaces. Conceptual and political challenges” utiliza o conceito de “Estados frágeis”, para descrever um conjunto de

Estados com instituições e processos económicos e políticos enfraquecidos, reservando o termo de “Estado falhado” para casos em que essa fragilidade se intensifica. O “Fundo para a Paz” que é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, americana, que tem por objectivo a pesquisa e o ensino e foi fundada em 1957, que trabalha para prevenir conflitos violentos e promover a segurança sustentável, considerou como primeiros vinte “Estados frágeis” entre um universo de cento e setenta e oito países, o Sudão do Sul, Somália, Iémen, Síria, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Sudão, Chade, Afeganistão, Zimbabué, Iraque, Haiti, Guiné, Nigéria, Etiópia, Guiné-Bissau, Quénia, Burundi, Eritreia e Paquistão. A segurança ambiental refere-se a uma série de questões de segurança, accionadas ou intensificadas por factores ambientais, como alterações climáticas, recursos, factores demográficos, desastres naturais e práticas não sustentáveis. A perturbação ou pressão ambiental tem o potencial de desestabilizar os Estados, especialmente, no mundo em desenvolvimento, porque são caracteristicamente mais dependentes do ambiente para a produtividade económica, e não têm a resiliência para superar esses desafios. Tal perspectiva refinou consideravelmente a lente, pela qual vemos o ambiente, como uma variável no cálculo da segurança nacional. À medida que as procuras populacionais e económicas aumentam, e os efeitos adversos das alterações climáticas se tornam mais aparentes, colectivamente, esses problemas podem perturbar as populações vulneráveis na medida em que erodem a legitimidade governamental, tornando-as mais vulneráveis à instabilidade e conflito. Há quem conteste a relação entre o ambiente e o conflito, e sugerem que o conflito violento resulta apenas de factores políticos e militares. É difícil de identificar conflitos em que as condições ambientais são os factores causais. No entanto, embora os pormenores de um conflito potencial desencadeado por factores ambientais não possam ser previstos, o registo histórico fornece directrizes úteis, porque a evidência é clara de que essa ligação existe. Qualquer perspectiva de segurança ambiental não tem por objectivo afirmar que a natureza do conflito é nova; ao contrário, sugere que, como a perturbação e a pressão ambiental estão a piorar, é de prever um aumento na frequência dos conflitos com uma componente ambiental. Além disso, os efeitos das alterações climáticas não são restritos pelos limites do Estado. As pesquisas, de facto, demonstram que os Estados desenvolvidos e em desenvolvimento são vulneráveis à instabilidade. No entanto, os dados sugerem claramente que o problema está espacialmente concentrado, e grandemente ampliado no mundo em desenvolvimento, e esses Estados são mais vulneráveis, porque sofrem de diversas va-

riáveis ambientais e humanas persistentes, como a degradação ambiental, redução da produção agrícola, declínio económico, má governança, crescimento populacional, deslocamento e a ruptura civil. É de considerar que identificar Estados em risco de instabilidade e violência por causas ambientais, envolve uma ampla e complexa gama de questões de segurança, particularmente se a definirmos de forma muito ampla. O escopo da segurança ambiental, deve concentrar-se exclusivamente, em como o ambiente afecta o conflito, ou seja, o nexo conflito-ambiente que deve ser observado a partir de uma variedade de perspectivas, (por exemplo, a água, alterações climáticas, áreas urbanas) e de diferentes escalas (local a global). O problema que enfrentamos é de que o número de “Estados falhados” está a aumentar, e são mais vulneráveis à instabilidade causada pela perturbação e pressão ambiental, porque sofrem de quatro efeitos causalmente relacionados, como sejam a redução da produção agrícola, declínio económico, deslocamento da população e a perturbação civil, e esses efeitos determinam a vulnerabilidade e adaptabilidade de uma sociedade. A percepção do cenário da segurança nacional, desde o fim da Guerra Fria, evoluiu e as ligações entre o ambiente, instabilidade política e o conflito violento, isto é, segurança ambiental,

tornaram-se um paradigma cada vez mais aceite nos assuntos de segurança. A segurança ambiental refere-se a uma ampla gama de questões de segurança desencadeadas ou exacerbadas por factores demográficos e ambientais, como competição por recursos, crescimento populacional e deslocamento, doenças, desastres naturais, alterações climáticas e ambientais, escassez de recursos e práticas não sustentáveis. Durante as últimas duas décadas, houve uma mudança nos meios governamentais e também na percepção da comunidade académica dos problemas ambientais globais, e da sua ligação com sociedades desestabilizadoras. Os relatórios do IPCC de 2007, 2012 e 2014 demonstram o grande esforço a avaliar a vulnerabilidade das populações humanas, resultante da exposição aos efeitos adversos das alterações climáticas. Assim, o ambiente emergiu como uma base para interpretar conflitos e segurança, e torna-se mais complicado porque o paradigma da segurança ambiental abrange uma ampla e complexa série de questões de segurança, se a definirmos de forma muito ampla para incluir o bem-estar social, ambiental, social e económico. Os problemas são ampliados por causa dos efeitos adversos persistentes e problemáticos da alteração climática global, segundo o relatório do IPCC de 2014. Além


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sexta-feira 27.7.2018

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

conflitos e segurança disso, a dinâmica da globalização eliminou a barreira da distância e criou expectativas no mundo em desenvolvimento do crescimento económico, intensificando, a lacuna entre os Estados desenvolvidos e em desenvolvimento. Apesar de o relatório do IPCC de 2012 indicar que todos os países são vulneráveis às alterações climáticas, os Estados em desenvolvimento são consistentemente mais vulneráveis, o que aguça a lente pela qual vemos o ambiente como uma variável no cálculo da segurança nacional. À medida que as populações crescem e as procuras económicas aumentam, e os efeitos adversos das alterações climáticas se manifestam nos Estados que enfrentam problemas de governança, os efeitos combinados desses problemas podem exceder os recursos naturais, a base económica do Estado e corroer a legitimidade governamental, tornando-os assim mais vulneráveis a conflitos. A prevalência do nexo clima-ambiente, também sugere que a resolução pacífica continuada de conflitos desencadeados pelo ambiente é inconsistente com as realidades do cenário de segurança nacional emergente. Dadas estas circunstâncias, é plausível que testemunhemos um surto de três tipos de conflito relacionados com o nexo entre o ambiente e o conflito, como sejam os conflitos internos causados por perturbação ou pressão ambiental e tendências demográficas; a guerra

civil causada por colapso governamental e/ ou fracasso económico e conflitos interestaduais de escala limitada, e essa avaliação está relacionada a três realidades persistentes. É de atender primeiro, que as alterações climáticas estão a ampliar os factores demográficos e ambientais existentes, além da capacidade adaptativa de muitos Estados. Segundo, a proliferação de Estados falidos reduziu a resiliência e o potencial de resolução diplomática em muitas regiões. Finalmente, a competição por recursos essenciais, tem sido exacerbada pelo crescimento populacional e pela globalização em muitas regiões. Assim, é de defender que os factores ambientais, provavelmente, fornecerão um ponto de inflexão que levará a conflitos violentos em regiões que podem estar à beira da instabilidade. O nexo

A prevalência do nexo clima-ambiente, também sugere que a resolução pacífica continuada de conflitos desencadeados pelo ambiente é inconsistente com as realidades do cenário de segurança nacional emergente

conflito-ambiente gerou uma preocupação especial no governo dos Estados Unidos. A “Revisão Quadrienal de Defesa” de 2014, o Departamento de Defesa indicou que, as pressões causadas pelas alterações climáticas influenciarão a competição por recursos, ao mesmo tempo que sobrecarregarão as economias, as sociedades e as instituições de governança em todo o mundo. Esses efeitos são multiplicadores de ameaças que agravarão as perturbações e pressões no exterior, como a pobreza, degradação ambiental, instabilidade política e tensões sociais, condições que podem permitir a actividade terrorista e outras formas de violência. Assim, com conflitos relacionados com o meio ambiente e desastres humanitários na Somália, Ruanda, Timor Leste, Haiti, Banda Achém, Síria e Darfur, o uso de recursos ocidentais e das Nações Unidas (ONU) e força militar para abordar as dimensões humanitárias do conflito regional, está bem estabelecido, e parece que as alterações ambientais e a escassez de recursos podem estar a contribuir para a instabilidade e a violência. É necessário usar do princípio da prudência, pois a perspectiva de segurança ambiental não afirma que a natureza do conflito é nova, e não se deve especular que as ligações causais entre variáveis ambientais e conflito são deterministas. Ao invés, é de propor que conflitos potenciais, relacionados a factores ambientais não podem ser previstos com exactidão, sendo no entanto de sugerir, que podemos determinar quais os Estados que são mais vulneráveis, dado um conjunto de variáveis. O nexo conflito-ambiente abrange um amplo conjunto de factores que põem em risco a segurança humana; e muitos processos antropogénicos combinam-se com processos naturais de condições ambientais, para permitir a instabilidade resultante de ignorância, acidente, má administração ou programas mal estudados. No entanto, o problema é de que o delineamento de factores que contribuem para a instabilidade ambiental, é um método inexacto que envolve a análise de risco ambiental, com base em vínculos complicados entre processos humanos e naturais. Logo, é útil estabelecer uma estrutura ou modelo para delinear os vários factores, que estão a operar em uma região e quais as análises convincentes que podem ser feitas. É certo que poucas ameaças à paz e à sobrevivência da comunidade humana, são maiores do que aquelas apresentadas pelas perspectivas de degradação cumulativa e irreversível da biosfera da qual a vida humana depende. O “Relatório da Comissão Brundtland” de 1987, afirma que a nossa sobrevivência depende não apenas do equilíbrio militar, mas da cooperação global para garantir um ambiente sustentável. Os Estados são susceptíveis ao nexo conflito-ambiente, porque a exposição aos efeitos adversos das alterações ambientais pode desestabilizar os governos e as sociedades, tornando-os assim cada vez mais

vulneráveis. No entanto, a ligação entre o ambiente e o conflito é uma questão polémica, e continua a inspirar a discussão nos círculos académicos e profissionais. No entanto, pesquisas contemporâneas sugerem que factores climáticos e ambientais estão a contribuir para a instabilidade política e a violência. No cerne da questão, estão três factores críticos e inter-relacionados. O primeiro factor deve-se aos efeitos adversos da mudança climática e ambiental que estão a ter um efeito mais difundido e debilitante, sobre as pessoas e governos, corroendo, assim, a sua capacidade de adaptação, conforme descreve o relatório do IPCC de 2012. O segundo factor deve-se à governança, pois o número de Estados falidos está a crescer e a capacidade adaptativa, bem como a estabilidade estão fortemente ligadas à governança. Os Estados falidos são problemáticos, porque têm grandes áreas que estão fora do controlo governamental efectivo e são, portanto, severamente afectados por desastres humanitários, perturbação e pressão ambiental e conflitos internos. O terceiro factor é económico. A pobreza aos níveis nacional e familiar intensifica a vulnerabilidade à perturbação e pressão ambiental e degrada a resiliência. É de esperar que este dilema se agrave durante as próximas décadas, dado que a população global excederá nove mil milhões pessoas e, para manter este ritmo de crescimento, a produção económica terá que quintuplicar. A perturbação e pressão ambiental estão a ter um efeito fundamental na estabilidade, porque o bem-estar económico de mais de três mil e quinhentos milhões de pessoas, que representam cerca de metade da população mundial, está ligado à terra e logo os factores como produtividade agrícola, água, combustível e desmatamento são indicadores ambientais cruciais; especialmente, tendo em conta os problemas duplos de crescimento populacional e alterações climáticas, conforme afirma o relatório do IPCC de 2007. A seca, desertificação, desmatamento, erosão do solo e o esgotamento de recursos naturais são problemas importantes em muitas regiões, mas especialmente no mundo em desenvolvimento, onde a exposição aos efeitos adversos das alterações ambientais é de grande importância, porque quase 75 por cento dos habitantes mais pobres do mundo são agricultores de subsistência que enfrentam uma queda na produtividade. Tais dinâmicas têm consequências importantes para a segurança e representam um potencial para minar os Estados que não têm suporte de recursos naturais, força institucional e resiliência para enfrentar esses desafios. No entanto, é atípico que as ligações entre o ambiente e o conflito sejam directa e absolutamente geradoras, pois os fenómenos ambientais contribuam para os conflitos, mas raramente são as únicas causas.


O vício, tal como a virtude, cresce em passos pequenos. Jean Racine

IPOR Joaquim Coelho Ramos designado novo director

A assembleia-geral do Instituto Português do Oriente (IPOR), entidade pública empresarial portuguesa de promoção das língua e cultura portuguesas na Ásia, designou como novo director Joaquim Coelho Ramos, revelou ontem o Camões - Instituto de Cooperação e da Língua. Joaquim Coelho Ramos, que inicia mandato como director do IPOR a 1 de Setembro próximo, sucede no cargo a João Laurentino Neves, que geriu a entidade pública com sede em Macau nos últimos seis anos. O IPOR foi fundado a 19 de Setembro de 1989 pela Fundação Oriente e pelo Instituto Camões. Em 1982, foi criado o Instituto Cultural de Macau e, sete anos depois, o IPOR.

PALAVRA DO DIA

Em solitária Taiwan denuncia movimentos de Pequim para isolar a ilha

QUÍMICA TEORIA DISTINGUIDA COM NOBEL INVALIDADA POR CIENTISTAS DE COIMBRA

A

teoria de Marcus, que explica a transferência de electrões em reacções químicas, distinguida com um Prémio Nobel, foi invalidada por uma equipa de cientistas da Faculdade de Ciências de Coimbra, liderada por Luís Arnaut, foi ontem anunciado. “Sem margem para dúvidas, o artigo científico acabado de publicar na conceituada ‘Nature Communications’, do grupo Nature, prova que a teoria desenvolvida em 1956 por Rudolph Arthur Marcus”, que lhe valeu a atribuição do Nobel da Química em 1992, “está errada”, afirma a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), numa nota enviada ontem

à agência Lusa. Em causa está “a reorganização de moléculas necessária para a transferência de electrões”, afirma a FCTUC, referindo que, para ocorrer este tipo de reacções químicas, “a teoria de Marcus prevê que essa reorganização tem de ser principalmente efectuada nos solventes”. Mas o estudo agora publicado concluiu que “não é assim”, evidenciando que “a chave para a transferência de electrões está nos reagentes”. Esta descoberta culmina “duas décadas e meia de estudos desenvolvidos no Departamento de Química da FCTUC, que geraram muita controvérsia dentro da comunidade científica ao longo do percurso”.

PAQUISTÃO IMRAN KHAN DECLARA VITÓRIA NAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

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candidato Imran Khan, do partido Pakistan Tehreek-i-Insaf (PTI), que estava a liderar a contagem não-oficial e parcial de votos, declarou a vitória nas eleições e prometeu uma “nova” maneira de dirigir Paquistão como primeiro-ministro. O antigo jogador de críquete fez a declaração numa mensagem televisiva dirigida à nação, em que proclamou: “graças a Deus, ganhámos e fomos bem-sucedidos”. A Comissão Eleitoral do Paquistão ainda não apresentou resultados oficiais, devido a atrasos na contagem de votos, justificados por problemas técnicos na utilização de um novo sistema de contagem.

Responsáveis da Comissão Eleitoral remeteram para ontem à noite o anúncio oficial dos resultados finais. Na quarta-feira, várias estações de televisão divulgaram projecções que colocavam Imran Khan na frente, mas sem referir se teria votos suficientes para governar sozinho ou em coligação. A agência de notíciasAssociated Press (AP) noticia que as televisões atribuem 119 assentos ao PTI, de um total de 270 em jogo, aos quais se juntam outros 70 lugares reservados a mulheres e minorias étnicas. Segundo as projecções televisivas do Paquistão, cerca de 61 lugares terão ficado para a oposição.

sexta-feira 27.7.2018

A

S autoridades de Taiwan denunciaram ontem os últimos movimentos da China para aumentar, segundo as autoridades da ilha, o seu isolamento global. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Andrew Lee, disse ontem que nenhum taiwanês aceitaria medidas chinesas para “destruir a soberania de Taiwan”. Os chineses têm forçado as companhias aéreas internacionais a deixarem de referir-se a Taiwan como um país separado da China nos seus portais na Internet. Um número crescente de empresas internacionais, como a australiana Qantas, a Cathay Pacific (Hong Kong) e a Singapore Airlines, já se refere a Taiwan como pertencente à China. Washington denunciou recentemente como um “absurdo orwelliano” as exigências de Pequim, numa referência ao escritor britânico George Orwell, cujas obras denunciam o totalitarismo e a vigilância dos indivíduos. Os chineses também teriam levado o Comité Olímpico da Ásia a retirar o direito da ilha de sediar uma competição de jovens. Tais movimentos visariam aumentar o isolamento de Taiwan e estimular o país a uma união política com a China.

Taiwan já foi excluído das Nações Unidas e de outras grandes organizações internacionais e a China vem PUB

progressivamente atraindo países que mantinham relações diplomáticas com Taiwan.

Além destes passos, Pequim intensificou as suas ameaças militares, combinadas com incentivos económicos destinados a atrair os jovens talentosos da área da alta tecnologia de Taiwan. China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo Governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território e não uma entidade política soberana. Desde o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que decorreu em Outubro passado, que as incursões de aviões militares chineses no espaço aéreo taiwanês se intensificaram, levando analistas a considerarem como cada vez mais provável que a China invada Taiwan.

Hoje Macau 27 JUL 2018 #4101  

N.º 4101 de 27 de JUL de 2018

Hoje Macau 27 JUL 2018 #4101  

N.º 4101 de 27 de JUL de 2018

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