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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

QUINTA-FEIRA 27 DE JULHO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3863

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SOFIA MARGARIDA MOTA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

MOP$10

AL | ESTACIONAMENTO

PARQUE DA DISCÓRDIA PÁGINA 5

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LUSITANISTAS

Na mesa da identidade EVENTOS

FUNDAÇÃO MACAU

Milhão verde, milhão verde PIET MONDRIAN

PÁGINA 6

Mondrian e outros vícios h ANTÓNIO CABRITA

‘‘

O investimento na cultura é barato ISABEL PIRES DE LIMA, EX-MINISTRA DA CULTURA DE PORTUGAL ENTREVISTA


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ISABEL PIRES DE LIMA

ACADÉMICA E EX-MINISTRA DA CULTURA DE PORTUGAL

SOFIA MARGARIDA MOTA

ENTREVISTA

Como é que apareceu o interesse pela literatura? Com o quadro familiar. Foi-me induzido o gosto pela leitura em casa. A minha mãe era professora primária e evidentemente que lia. O meu pai tinha estudado em Coimbra, convivido com a geração dos neo-realistas e ainda com o resto dos presencistas, e tinha muito as referências literárias daquela geração. Desde cedo, comecei a ler porque tinha livros em casa. A prática de contar histórias também encheu a minha infância e, na adolescência, tive a sorte de não me ter alheado da leitura. Conquistamos facilmente as crianças para a leitura – o problema vem depois. Perdemos os leitores na adolescência. Se a passam, está ultrapassada a prova. Naquela altura também não havia a cultura impositiva da imagem, nem a oferta cultural que há hoje. Nasci em Braga, fiz lá o meu ensino secundário e fazia férias numa aldeia no norte da ilha da Madeira, de onde a minha mãe é originária. Havia muito que fazer, mas era entre primos. Na verdade, era um período em que lia muitos clássicos porque era o que havia. Fartei-me de ler Camilo. À medida que fui avançando nos estudos, fui-me interessando mais pela literatura, apesar de ser melhor aluna na área das ciências.

“A política foi um acaso”

Os livros apareceram porque não havia outra hipótese e as escolhas académicas foram consequência de um percurso natural. A política chega porque sempre gostou de dar resposta ao que lhe pedem. Isabel Pires de Lima é uma mulher do Norte, uma investigadora sem papas na língua que explica por que razão é difícil mexer na cultura em Portugal Tinha um certo gosto pelo francês, apesar de não apreciar muito línguas. Tive hesitações, no secundário estive inscrita em Economia e gostava de Geografia. Acabei por me formar em Literaturas Modernas que, na altura, se chamava Filologia, na área de Português e Francês. Estive muito ligada à cultura francesa e até

comecei a minha carreira universitária a ensinar literatura francesa. Só quando enveredei para a preparação do doutoramento é que me fixei na literatura portuguesa e hoje trabalho mais em literaturas de língua portuguesa e nas relações da literatura com outras artes, nomeadamente com as artes visuais.

Como é feita essa relação? Voltamos à questão do gosto pessoal. Hoje, quando penso nas minhas opções, percebo que o que andava à procura era de Sociologia que, na época, nem existia na universidade portuguesa. Mas aquilo de que gostava verdadeiramente na vida era ter sido artista visual, artista

plástica. Não sou nada dotada, não desenho bem, mas é uma área que me interessa muito. Para este gosto foi fundamental o meu contexto familiar. Os meus pais viajavam bastante, eu também comecei a viajar sozinha muito cedo e ia a museus e galarias de arte. Fui-me formando bastante nesse campo. Por outro lado, como já disse, comecei por ensinar literatura francesa e um dos pratos fortes do meu programa foi o surrealismo francês. Estudar o surrealismo na literatura implica o trabalho no campo das artes visuais. Não faz sentido falar em literatura surrealista sem falar em artes plásticas. O surrealismo é de facto um campo em que o cruzamento interartístico semiótico é muito importante. Já tinha gosto e aprofundei-o muito. Nos últimos 15 a 20 anos tenho estado ligada a um instituto de investigação, o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Também integro o Conselho de Administração da Fundação de Serralves. Estou mergulhada nas artes. O seu doutoramento foi em literatura portuguesa do século XIX. Sim, trabalhei sobre Eça de Queirós numa perspectiva sociológica. Hoje tenho noção de que andava à procura de uma área nas ciências sociais. Quando comecei a preparar


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“A cultura tem a seu favor e contra si o facto de ser muito transversal.” o doutoramento, acabei por me fixar felizmente na literatura portuguesa. Acabei por lá ir parar também por necessidades da própria universidade. Escolhi um escritor realista e adoptei uma metodologia teórica associada à sociologia da produção literária. Não fui para a sociologia da recepção. Fixei-me no Eça, que não era evidente para mim até porque, um pouco ingenuamente, pensava que o essencial sobre o Eça estava feito. Mas na Universidade não havia muito trabalho com perspectivas contemporâneas sobre o Eça e “Os Maias” em concreto, pelo que foi uma espécie de pânico quando me foi dada esta obra.

isso temos perdido muitos leitores. Por outro lado, por que lêem mais as mulheres? As mulheres ainda estão tendencialmente mais reduzidas ao espaço doméstico. Estão muito mais em casa, têm mais espaços de solidão, há mais mulheres sozinhas do que homens sozinhos e tudo isto converge para levar este género a ler. Outro aspecto actual é que há mais mulheres com formação superior do que homens. Depois, por razões culturais, são mais induzidas a uma espécie de formação individual, de atenção ao mundo íntimo que pode ser feita através da literatura. Os homens ainda são mais educados no sentido do êxito fora de casa.

Assustou-a porquê? Porque achava que era uma obra-prima intocável e pensei que já estivesse muitíssimo explorada. Hoje estas questões não se colocam aos jovens investigadores. Há centenas de jovens a fazer doutoramentos. Na época era uma coisa raríssima e havia a ideia de que existiam campos em que era preciso explorar áreas que nunca tivessem sido exploradas. O que não é verdade. Fui empurrada para “Os Maias” e ainda bem, mas aconteceu-me aquilo que acontece a quem trabalha com clássicos: nunca mais se vê livre deles.

Da literatura à política. A política foi um acaso, como muitas outras coisas na minha vida. Tenho tido na vida a seguinte atitude: sou muito empenhada no meu trabalho onde quer que esteja, mas não sou muito ambiciosa. Não sendo ambiciosa, tenho uma atitude perante a vida de uma certa curiosidade intelectual, e raramente me furto às propostas e desafios que me fazem. Não tenho medo da mudança e é até uma coisa estimulante. A política veio ter comigo. Não estou inscrita em nenhum partido político mas, desde muito cedo, respondi sempre às solicitações da comunidade da cidade onde vivo, o Porto. Ia a diversas acções e palestras quando me era pedido. Atenção que fiz isto numa altura em que a própria universidade não via isso com muito bons olhos, já nos anos 1970 e mesmo 1980, porque era considerado uma dispersão àquela coisa que era o trabalho académico puro e duro. Mas sempre estive muito articulada com a vida cultural da cidade. Quando me propuseram integrar uma lista de candidatos a deputados pelo Partido Socialista, devo dizer que foi uma grande surpresa. Não estava nada à espera. Acabei por ir para o Parlamento um bocadinho por curiosidade.

“Os Maias” é uma obra que faz parte do currículo do ensino secundário. Os jovens desta idade estão preparados para entender este tipo de clássicos? Os Maias são a obra-prima do Eça. Talvez não seja o romance mais fácil para uma iniciação ao contacto com o autor. Talvez fosse mais fácil “O Primo Basílio”. Muitos estudantes são iniciados no Eça através de contos ainda antes de “Os Maias”. Talvez não seja o romance mais fácil, por ser um romance muito longo e nós hoje temos poucos leitores de longo fôlego – e não apenas na adolescência, temos mesmo poucos leitores. O que é que se está a passar com o hábito de ler? A literatura perdeu poder simbólico e perdeu muita capacidade de atractividade para preencher os espaços de lazer. As solicitações hoje são imensas e de variadíssimo tipo. Há uns anos tínhamos muito mais tempo. Não havia televisão ou internet. Não existiam as solicitações visuais e de imagem que há hoje. É difícil escapar ao império da imagem. A leitura é muito exigente: exige um espaço de solidão, de prática individual, um espaço de um certo silêncio, tudo aquilo que nós não temos, nem em casa. Se calhar, hoje em dia, os jovens até têm mais estas situações na escola do que propriamente em casa. Por

Acabou por ser ministra da Cultura. Foi também surpreendente o convite que me foi feito. Desta vez menos, porque já estava na Assembleia da República (AR) e sempre ligada, de alguma forma, à cultura e às questões da língua. Fui sondada pelo então primeiro-ministro José Sócrates, com quem não tinha uma relação de grande proximidade. Curiosamente, de vez em quando falávamos de poesia, porque era uma área de que ambos gostávamos. Quando saí do Governo, continuei na AR mais um ano e meio. Enquanto ministra da Cultura, quais foram os maiores desafios que encontrou?

Diria que o mais difícil foi o pôr um pouco de ordem numa casa bastante desorganizada. A cultura tinha ganho um estatuto de Ministério há relativamente poucos anos. Foi criada uma estrutura bastante ampla dentro do Ministério com uma multiplicação de direcções gerais, por exemplo. Logo a seguir, antes de mim, há o primeiro quadro comunitário de apoio à cultura. De repente há dinheiro para injectar, o que fez com que houvesse uma espécie de pujança do próprio ministério com o ministro Carrilho. Quando cheguei já não estávamos no tempo das vacas gordas, as vacas já estavam a emagrecer bastante, o que fez com que tivesse de existir contenção de meios. É preciso ainda lembrar outra coisa: no primeiro Governo de José Sócrates, encontrámos um défice de 7,5 por cento e, em cerca de ano e meio, reduzimos para três por cento. Isto obrigou a muita contenção orçamental. Foi preciso fundir organismos e isso gera sempre

grandes tensões internas dentro do Ministério. São acções que levam sempre a perdas de pequenos e grandes poderes. Esta foi uma das dificuldades. Outra dificuldade foi a aposta que, claramente, fiz em políticas de descentralização. A cultura em Portugal era, de facto, muito em Lisboa. Apostar em políticas que prestassem atenção ao resto do território também gera algum incómodo. Ainda por cima, eu era uma ministra vinda do Porto e mulher, e não membro do Partido Socialista. Estas três coisas juntas dificultaram um bocadinho a minha vida. Fiz esta opção de descentralização também porque, entretanto, com os tais dinheiros comunitários que tinham chegado, tinha havido a construção de equipamentos descentrados. Alguns deles estavam fisicamente

“Ninguém se escandaliza quando se atribui um subsídio a uma fábrica de salsichas, mas se for para a cultura é um problema.”

de pé, mas não acontecia nada lá dentro. Outra das dificuldades foi lidar com – e vou usar palavras que nunca usei enquanto estava no Ministério – uma certa mentalidade subsídio-dependente. Mas, atenção, acho que há razões para que exista esta subsidiodependência. Hoje já há um público mais alargado, mas naquela época não havia públicos. Muitas vezes dizia uma coisa que chocava um bocadinho quem me ouvia, nomeadamente no âmbito de acções do Partido Socialista: não é só a cultura que depende de subsídios em Portugal. A maior parte dos empresários também o é. Ninguém se escandaliza quando se atribui um subsídio a uma fábrica de salsichas, mas se for para a cultura é um problema. A razão é que na fábrica as pessoas vêem um retorno para a economia e, na cultura, o retorno é muito lento. Hoje já é bastante visível, mas é muito difícil fazer perceber isto. O que é que se pode fazer? É preciso fazer perceber às pessoas que o investimento na cultura é barato. Num Orçamento de Estado, são tostões. Todavia, a filosofia orçamental continua a ser do corte na cultura. Por mais que se tente explicar isso num Conselho de Ministros, designadamente a um primeiro-ministro, é sempre muito difícil passar a mensagem. Por exemplo, tentar acentuar que o pouco que se investe em cultura potencia enormemente o muito que se investe em educação. Esta relação é dificílima de se fazer entender e é uma coisa óbvia. Importa também dizer que não é só difícil em Portugal. Há excepções. O Reino Unido é uma delas, mas também tem uma organização muito diferente. Por outro lado, não é fácil lidar com os agentes culturais. Estou a incluir os criativos e os agentes no terreno. São pessoas muito individualistas e é muito difícil definir quem é o interlocutor. Enquanto o ministro da Educação sabe que o seu interlocutor é o sindicato, o ministro da Cultura recebe o grupo A que não se dá bem com o grupo B e o B fica chateado porque recebemos o A. Depois são também grupos inorgânicos. Isto tudo acrescido do facto de que estes agentes têm uma fácil cobertura da comunicação social. Costumo dizer a brincar, mas é a sério, que o artista e o agente cultural têm sempre um amigo na comunicação social, o que faz com que, de repente, uma coisa pequena ganhe uma dimensão extraordinária.  Há solução para esse problema no que respeita aos criativos e agentes? Não é fácil. Tentámos alterar as regras dos concursos para apoios

a projectos em várias áreas. Para que isso acontecesse fomos falar com todos os grupos do país, o que levou uns meses, de modo a poder fazer o levantamento. Era extraordinária a diferença de realidades e de reivindicações, e inclusivamente de comportamentos. Muitas vezes, os grupos reagem muito mal a qualquer tentativa que o Estado faça de controlo do seu investimento. Mas essa é uma obrigação de quem gere dinheiro público. Quando falávamos de controlo de bilheteira, era logo um nervoso geral. Depois, há sempre aquele fosso entre os grupos que são dependentes de subsídios e aqueles que praticam uma arte que é mais comercial e que não dependem desses dinheiros. No entanto, também têm outras reivindicações e tudo isto gera muita tensão. Por outro lado, é preciso entender que há áreas em que o Estado tem forçosamente de intervir e que vão ser sempre dependentes, a não ser que tivéssemos uma mentalidade e uma dinâmica empresarial que não temos. Por exemplo, dentro do património, não há empresas em Portugal a sustentarem os arquivos, como mecenato, por exemplo. Mas os arquivos têm de existir e têm uma manutenção elevadíssima. São áreas onde não é possível não pensar em investimento do Estado e ainda há muito por fazer. Há muita coisa feita, o tecido cultural português mudou muitíssimo desde o 25 de Abril para cá. Uma das áreas em que acho que tivemos muito sucesso foi no campo da educação e da saúde, e mesmo da segurança social e, claro, da cultura, onde tivemos muitos sucessos, pese embora a percepção colectiva não seja essa. A cultura tem a seu favor e contra si o facto de ser muito transversal. Hoje há a percepção de que estas transversalidades atingem todos os campos e todas as áreas. Não imagina quanto me sentia pregador no deserto ao falar em turismo cultural. Isto não foi assim há tanto tempo. Hoje penso que é realmente chato ter razão antes do tempo. Mas era muito claro, para quem se move neste universo da cultura, que Portugal tinha potencialidades a desenvolver ao nível do turismo cultural, muito mais do que ao nível do sol e da praia. Já na altura defendia que o Ministério da Cultura deveria ser da Cultura e Turismo, como já o é em alguns países. Claro que também tenho a percepção de que este boom do turismo cultural teve circunstâncias facilitadoras, como a perda do turismo no Magreb. Mas também é verdade que hoje o turismo de longo curso é mais facilitado. Mas, na Europa, era claro que Portugal tinha muito potencial. Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo


4 política

27.7.2017 quinta-feira

PROIBIÇÃO PRÓ-DEMOCRATAS CONTRA NOVO REGIMENTO DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Cartazes pela liberdade

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decisão da Comissão de Regimento e Mandatos da Assembleia Legislativa (AL) de não permitir que os tribunos usem cartazes no plenário continua a fazer correr tinta, ao ponto de motivar uma conferência de imprensa dos deputados pró-democratas Ng Kuok Cheong e Au Kam San. O último explicou que, por vezes, durante as sessões plenárias os deputados não conseguem expressar completamente as suas ideias devido às restrições colocadas pelas regras internas da AL. É aí que os cartazes têm a sua utilidade, permitindo uma intervenção suave que não perturbe a ordem de trabalhos do órgão legislativo. Ainda dentro deste assunto, a dupla de pró-democratas não está satisfeita com o facto de esta medida apenas incidir sobre a conduta dos deputados, uma medida que consideram reduzir as próprias funções e capacidades da AL. Na passada semana, o presidente da Comissão de Regimento e Mandatos, Vong Hin Fai, afastou a hipótese desta interdição restringir os direitos dos membros da AL. De acordo com Au Kam San, a proibição de cartazes com mensagens políticas nos plenários foi uma ideia que surgiu de Chan Iek Lap, deputado eleito por via indirecta. A intenção será proteger a solenidade e dignidade da AL. Au Kam San, que também faz parte da Comissão de Regimento e Mandatos, não assinou a proposta de resolução que estatui a restrição. O deputado pró-democrata argumentou ainda que em todos os congressos, assembleias e par-

TIAGO ALCÂNTARA

Os deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong realizaram uma conferência de imprensa para mostrarem o seu desagrado face à alteração ao Regimento da Assembleia Legislativa. Uma das razões prende-se com a proibição do uso de cartazes pelos deputados

lamentos em países democráticos não existe esta proibição.

TEMPO ESCASSO

A Comissão de Regimento e Mandatos mereceu a crítica dos deputados pró-democratas por causa de alterações que não constam da proposta de resolução. Os deputados são do entendimento de que os plenários não deveriam terminar às 20h, horário em que os trabalhos são suspensos. De igual modo, gostariam que as reuniões das comissões permanentes e de acompanhamento fossem abertas ao público, ideia que, de resto, tem sido subscrita recentemente por vários deputados. Atendendo a todas estas reticências, Ng Kuok Cheong e Au Kam San vincaram que vão votar contra a proposta de resolução que visa alteração ao Regimento da AL, um dos pontos da ordem do dia do plenário desta tarde.

De acordo com Au Kam San, a proibição de cartazes com mensagens políticas nos plenários foi uma ideia que surgiu de Chan Iek Lap, deputado eleito por via indirecta

KWAN TSUI HANG TAMBÉM ESTÁ CONTRA

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deputada Kwan Tsui Hang, que está de saída da Assembleia Legislativa (AL), não concorda com a proibição de cartazes, durante as sessões plenárias, nas bancadas destinadas aos tribunos. Em declarações ao Jornal do Cidadão, Kwan considera “inaceitável” a restrição sugerida pela Comissão de Regimento e Mandatos. O argumento da solenidade dos trabalhos do hemiciclo – usado por Vong Hin Fai, presidente da comissão, para justificar a alteração – não

convence a deputada, que entende que o recurso a este tipo de objectos não causa qualquer impacto aos trabalhos da AL. Atendendo a que são várias as alterações que a Comissão de Regimento e Mandatos pretende introduzir – em dois projectos de resolução distintos – Kwan Tsui Hang defende que o tempo para estudar as propostas é insuficiente. Os deputados que não fazem parte da comissão, explica, só tiveram acesso aos documentos na passada sexta-feira.

Apesar de não ter realizado um inquérito a outros tribunos, Au Kam San acredita que a maioria dos deputados eleitos por via directa irá votar contra as alterações ao funcionamento do plenário. Durante a conferência de imprensa de ontem, Au Kam San disse ter recebido uma mensagem a pedir-lhe que participe numa reunião da Comissão de Regimento e Mandatos hoje de manhã, antes do plenário marcado para a tarde. O deputado confessou que não tem conhecimento do objectivo deste compromisso, uma vez que os detalhes das alterações foram discutidos nas reuniões passadas da comissão. Vítor Ng (com João Luz) info@hojemacau.com.mo

GRANDE BAÍA MACAU E ZHUHAI ANTECIPAM IDEIA COM HENGQIN

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parceria estratégica entre Macau e Zhuhai na Área Piloto do Comércio Livre de Hengqin será aprofundada, de forma a potenciar o fluxo de pessoas e mercadorias entre as duas regiões. Esta foi uma das decisões tomadas na reunião entre as autoridades da RAEM e os representantes de Zhuhai, nomeadamente o governador do município, Li Zezhong. Lionel Leong explicou que a experiência da Ilha da Montanha permite aprofundar a cooperação bilateral nas áreas industriais,

emprego, protecção ambiental, educação, cultura e tecnologia. Ambos os representantes concordaram que esta cooperação potencia os benefícios que resultam da política “Uma Faixa, Uma Rota” e da Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau. O secretário para a Economia e Finanças acrescentou que Macau continuará a potencializar as suas funções enquanto plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa.


sociedade 5

quinta-feira 27.7.2017

CPU PARQUE JUNTO À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA NÃO É CONSENSUAL

NEGÓCIOS LUSÓFONOS NA EXPOSIÇÃO DE FRANQUIA DE MACAU

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RASIL, Moçambique e Portugal vão estar presentes na nona edição da Exposição de Franquia de Macau (MFE), que decorre entre hoje e domingo. “É sinal do crescente interesse dos países lusófonos em Macau, que está a desenvolver o seu papel de plataforma na promoção e diversificação económica com os países de língua portuguesa, sublinhou Irene Lau, do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM). Além da presença lusófona, há mais de 155 expositores da China Continental, Japão, Coreia do Sul, Malásia, Singapura, Reino Unido, Vietname, Taiwan e Hong Kong. A Finlândia participa pela primeira vez. Em mais de seis mil metros quadrados e sob o lema “Expansão contínua de marcas – Novas oportunidades de negócio à vista”, a Exposição de Franquia de Macau vai apresentar também fóruns, bolsas de contactos e seminários, além de um dia “Startup Launchpad” de partilha de experiências entre casos de êxito e interessados em criar ou desenvolver negócios. Entre empresas de moda e vestuário, educação, lazer e de apoio ao desenvolvimento empresarial, consultoria e serviços financeiros, a restauração vai estar em destaque, nesta edição, com a “Avenida Gourmet”, que vai promover produtos alimentares de Macau na procura de novos mercados. Ao mesmo tempo, e pelo segundo ano consecutivo, vai realizar-se a feira dos produtos da província de Guangdong e Macau (GMBPF), o que permite “aumentar a eficácia das bolsas de contactos e criar oportunidades para as empresas do interior da China, Macau e do exterior, disse a responsável do IPIM.

Estacionamento condicionado O terreno junto ao edifício da Assembleia Legislativa vai ser parcialmente convertido num local para estacionamento. Não há uma posição unânime no Conselho de Planeamento Urbanístico

RUA EXPERIMENTAL

Outro assunto abordado ontem teve que ver com a Rua do Teatro, que está a funcionar como projecto-piloto na implementação de um planeamento uniformizado. A responsabilidade é do Instituto Cultural e da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSOOPT). O tema surgiu no contexto do debate da manutenção de duas fachadas naquela artéria.

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ACAU pode vir a ter mais um parque de estacionamento. Essa é a ideia de aproveitamento do terreno adjacente à Assembleia Legislativa (AL). No entanto, nem todos os membros do Conselho de Planeamento Urbanístico (CPU) concordam. “Os funcionários do tribunal não têm um local para estacionar. Com um parque tão grande, não me parece que seja nem justo, nem razoável não ser aberto aos moradores da zona e aos funcionários dos serviços”, apontou Chan Tak Seng. Li Canfeng, presidente do CPU, justificou a planta em discussão na reunião plenária de ontem. “A AL não tem lugares de estacionamento suficientes”, disse. O responsável avançou ainda que “não há muitos moradores ali e, como os funcionários da AL vão começar a usar o novo parque, os lugares de estacionamento no exterior ficarão vagos”. Por outro lado, sublinhou que “é embaraçoso não haver lugares de estacionamento suficientes quando são organizados eventos políticos”.

VERDE DISCRETO

Outra das questões levantadas acerca do edifício de 18 metros de altura que está planeado para aquela zona tem que ver com o facto de alguns dos membros considerarem que o local deveria ser aproveitado enquanto espaço verde. Apesar de considerar a aproveitamento do lote enquanto parque de

estacionamento como “admissível”, até porque “em quase todas as zonas da cidade a falta de estacionamento é crescente”, o arquitecto Rui Leão não entende porque é que o estacionamento não é feito no subsolo, recordando que no local há uma praceta e um espaço de representação para o edifício da AL. O arquitecto salientou ainda que “a configuração profunda desta praceta permite uma vista para o lago, ou seja, tem uma função urbana clara”. Para Rui Leão, uma construção com 18 metros, “que é basicamente a mesma altura do edifício da Assembleia, vai tirar enormemente a representatividade da fachada principal da AL e também do passeio marginal de quem vem do centro da cidade até àquela zona”.

“Os funcionários do tribunal não têm um local para estacionar. Com um parque tão grande, não me parece que seja nem justo, nem razoável não ser aberto aos moradores da zona e aos funcionários dos serviços.” CHAN TAK SENG MEMBRO DO CPU

ATERROS COM DESTINO AMBIENTAL

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zona dos novos aterros junto do aeroporto pode vir a albergar um depósito de gás liquidificado. O projecto foi apresentado ontem na reunião plenária do Conselho de Planeamento Urbanístico (CPU) sem, no entanto, reunir consenso. “Nas zonas periféricas, que construções futuras vão ser desenvolvidas?”, questionou Chan Tak Seng. As Obras Públicas esclareceram que a área é especialmente dedicada a construções com carácter industrial, sendo o objectivo de todo o aterro a concretização de um espaço ligado a indústrias relacionadas com a protecção ambiental. “Esta zona é para desenvolver projectos ambientais. Teremos também terrenos para sucatas automóveis ou materiais residuais”, afirmou Li Canfeng. O presidente do organismo adiantou ainda que o Corpo de Bombeiros já foi ouvido sendo que “tem de existir uma distância de segurança com os edifícios à volta”. A zona destinada ao depósito de gás tem uma área de 7500 metros quadrados e irá ser concessionada. “Não estamos a falar de uma concessão de 25 anos para uso privado e a concessão vai seguir o que for estipulado no contrato”, assegurou.

A representante do IC, Leong Wai Man, justificou a manutenção das fachadas não pelo seu valor arquitectónico, mas pelo seu papel no contexto em que se inserem. A responsável explica que, já no ano passado, o secretário Raimundo do Rosário, ex-presidente do CPU, solicitou que fosse definida uma rua “não muito grande” de modo a que fosse possível fazer um planeamento uniformizado. De acordo com Leong Wai Man, a Rua do Teatro foi a eleita consensualmente para protagonizar o projecto. “Tem edifícios novos e antigos e é uma rua marginal, estando perto do rio”, explicou Leong Wai Man, acrescentando que se trata de “uma rua com características diversas e, por isso, testemunha também a evolução da nossa cidade”. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


6 sociedade

27.7.2017 quinta-feira

FUNDAÇÃO MACAU KIANG WU RECEBEU 37 MILHÕES PARA EQUIPAMENTOS

As contas do costume

A associação de beneficência do hospital privado do território é o principal beneficiário dos apoios concedidos pela Fundação Macau no segundo trimestre deste ano. A Universidade da Cidade de Macau também assegurou uma maquia considerável, para fazer obras nas suas instalações

É

a vencedora no ranking dos principais beneficiários da Fundação Macau (FM): a Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu recebeu 37 milhões de patacas como apoio financeiro para a aquisição de equipamentos médicos destinados à unidade hospitalar provada. O dinheiro diz respeito a 15 itens, não elencados na lista ontem publicada em Boletim Oficial, e trata-se ainda da primeira prestação. Entre Abril e Junho, a FM repartiu mais de 178,781 milhões de patacas por uma longa lista de instituições particulares, com destaque para a área da cultura, com pequenos apoios a variadíssimas associações, que vão das artes plásticas à promoção da ópera chinesa. Também o ensino e a saúde foram contemplados na distribuição do segundo semestre deste ano da fundação liderada por Wu Zhilliang. Do rol ontem publicado, destaque para a Fundação da Universidade da Cidade de Macau. A instituição de ensino superior ligada ao deputado e empresário Chan Meng Kam teve direito a um cheque de mais de 15,2 milhões de patacas. O montante destina-se ao financiamento de obras de recuperação dos equipamentos eléctricos do Edifício Tai Fung, e do melhoramento das escadas rolantes e dos elevadores da instituição de ensino superior, ins-

talada em parte da estrutura que, outrora, acolheu a Universidade de Macau. Também no capítulo das instituições de ensino superior, mas com um valor mais modesto, à Universidade de São José foi concedido um subsídio de 3,8 milhões de patacas, referente ainda ao plano de actividades do ano lectivo 2015/2016. Para o Instituto Internacional de Tecnologia do “Software” seguiram quase dois milhões: 436 mil patacas para a recuperação e manutenção da Casa Silva Mendes e mais de 1,5 milhões para o arrendamento, reparação e manutenção do dormitório da entidade. O Instituto Internacional de Macau recebeu 3,85 milhões de patacas como primeira prestação do plano de actividades de 2017. Também no sector da educação, mas na vertente dos alunos, a FM entregou sete milhões de patacas para o plano de actividades da

tudantes de países lusófonos e da Namíbia foram gastos 1,3 milhões de patacas. A Federação da Juventude de Macau terá de se governar, por enquanto, com um subsídio na ordem dos 4,15 milhões.

SAÚDE E AJUDA

Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau. A lista de apoios do segundo trimestre deste ano inclui ainda os montantes destinados às bolsas de estudo para alunos não residentes de Macau. Em 37 bolsas para es-

A-MÁ, PORTUGUESES E VIOLINOS

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o domínio da cultura, o apoio dado pela Fundação Macau para a Fundação da Deusa A-Má de Macau é de quatro milhões de patacas, a primeira parcela para o financiamento do 15.o Festival de Cultura e Turismo A-Má. Já a Associação dos Macaenses recebeu 1,1 milhões para o plano de actividades. Cinco milhões é o valor dado à Casa de Portugal para os 27 itens que constam do plano de actividades deste ano, sendo esta a primeira prestação. À Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau foram entregues 4,15 milhões de patacas que se destinam às iniciativas do Albergue. A Associação da Orquestra Sinfónica Jovem de Macau tem 3,15 milhões para desenvolver as primeiras actividades do corrente ano.

Kiang Wu à parte, há várias instituições ligadas à beneficência, saúde e serviços sociais que mereceram o apoio recente da Fundação Macau.A Associação deApoio aos Deficientes Mentais recebeu 2,15 milhões de patacas, a primeira prestação do ano para ajudar às cinco unidades que lhe estão subordinadas. Para a Associação dos Familiares Encarregados dos Deficientes Mentais seguiram dois milhões de patacas. A Associação dos Médicos dos Serviços de Saúde de Macau contou com 1,8 milhões de patacas para a organização de duas iniciativas de carácter académico e científico. A Caritas de Macau é beneficiária, desta vez, de um apoio de 5,25 milhões de patacas, dinheiro a distribuir pelas suas 28 unidades. Já para a Associação de Surdos de Macau foram destinados cinco milhões, a primeira prestação para o financiamento da acção “Preocupamo-nos com os vossos ouvidos e fala”. A Associação de Beneficência Sin Meng contou com 2,5 milhões. Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

AMBIENTE OBRAS NA ETAR DE MACAU ESTÃO PRONTAS

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Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Macau voltou a entrar em funcionamento ontem à tarde, depois de as operações na estrutura terem sido suspensas para a substituição de um colector a jusante da estação. O plano inicial apontava para três dias de obras, período durante o qual as águas residuais iriam ser despejadas no mar sem qualquer tipo de tratamento. Optou-se, porém, por fazer a intervenção durante a noite, para acelerar o tempo da reparação dos equipamentos danificados. Num curto comunicado, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) explica que a obra foi concluída com sucesso, acrescentando que, durante o período em que foram feitos os trabalhos, equipas de fiscalização estiveram a monitorizar a qualidade das águas costeiras e as variações do ambiente. A DSPA promete continuar a fiscalização e agradece aos cidadãos a compreensão em relação ao impacto que as obras trouxeram. A intervenção na ETAR da península suscitou várias dúvidas, com o secretário para os Transportes e Obras Públicas a esclarecer, na semana passada, que o problema tinha de ser resolvido, apesar de a solução ser indesejável. Raimundo do Rosário garantiu que a obra iria ser feita o mais depressa possível, de modo a minimizar as consequências para o ambiente e para os residentes que vivem nas imediações da estação.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 510/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHAN WA TENG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 73933xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 83/DI-AI/2016, levantado pela DST a 26.07.2016, e por despacho da signatária de 20.07.2017, exarado no Relatório n.° 499/DI/2017, de 04.07.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes n.° 576, Hung On Center, Bloco 2, 6.° andar P onde se prestava alojamento ilegal.----------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. --------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 20 de Julho de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 28/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 7 de Julho de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Instalação de Dois (2) Sistemas de Anestesia e dos Respectivos Monitores aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 26 de Julho de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP41,00 (quarenta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o

respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 28 de Agosto de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 29 de Agosto de 2017, pelas 10,00 horas, na“Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP34 000,00 (trinta e quatro mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 20 de Julho de 2017. O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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quinta-feira 27.7.2017

NG LAP SENG JULGAMENTO NA RECTA FINAL. DEFESA TENTA ARRASAR ACUSAÇÃO

Sarampo Serviços de Saúde adoptam medidas excepcionais

Os bebés entre os nove e os 12 meses podem, a partir de agora, serem vacinados contra o sarampo. Por norma, a imunização para esta doença só se faz ao primeiro ano de vida. No entanto, os Serviços de Saúde de Macau (SSM) decidiram adoptar medidas temporárias como forma de evitar um surto epidémico da doença. Esta semana, surgiu mais um caso de sarampo numa criança que ainda não tinha sido vacinada, por ainda não ter idade para tal. Contraiu a doença depois de ter estado em contacto com uma prima, que também ainda não tem 12 meses. Tendo em conta estes dois casos, os SSM disponibilizam uma vacinação extra, sendo que a medida temporária vai estar em vigor durante um ano. Após receberem esta vacina, os bebés terão ainda de receber as duas doses habituais, aos 12 e aos 18 meses. Em comunicado, os Serviços de Saúde explicam que um dos bebés com sarampo já recuperou e teve alta hospitalar; o outro ainda está internado, mas o seu estado de saúde é estável.

Aviação AirAsia lança voo directo para Jacarta

A partir do próximo dia 7, já é possível viajar pela AirAsia de Macau para Jacarta. A nova rota permitirá ainda aos residentes de Macau apanharem voos para vários destinos na Indonésia, operados pela empresa. A AirAsia foi a primeira companhia aérea de baixo custo a estabelecer-se em Macau, em 2004. Desde então, passou a operar cinco rotas, através dos aviões de três empresas pertencentes ao grupo, com 58 voos semanais a aterrarem em Macau. De acordo com os números oficiais da transportadora, nos últimos 13 anos foram transportados mais de oito milhões de passageiros. Em comunicado, a companhia aérea diz esperar oferecer um novo destino aos residentes, mas também trazer mais passageiros para Macau.

Viagens Titulares do passaporte da RAEM com vida mais fácil

A Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) deu ontem conta de novas facilidades concedidas aos titulares de passaportes da RAEM na entrada no Sri Lanka e no Tajiquistão. Em relação ao primeiro destino, quem se deslocar em turismo ou em viagens de negócios pode pedir, antes de partir, a “Electronic Travel Authority” (ETA). Caso a autorização seja concedida, poderá permanecer no Sri Lanka por um período máximo de 30 dias. Os vistos estão também disponíveis à chegada, nos aeroportos de Colombo e de Hambantota, mas a DSI recomenda o recurso a ETA, para evitar imprevistos. Quanto ao Tajiquistão, passa a ser possível obter um visto electrónico antes de embarcar, sendo válido por 45 dias. O passaporte da RAEM permite viajar para 134 países e territórios sem que seja necessário visto ou com a obtenção do documento à chegada. No que diz respeito aos vistos online ou electrónicos, o documento permite tratar das formalidades em relação a 12 países.

Um zero à esquerda

A acusação pediu a condenação. A defesa tentou convencer o júri de que Ng Lap Seng foi vítima de extorsão. Estão feitas as alegações finais do processo que tem como único arguido o empresário de Macau e que envolve diplomatas das Nações Unidas

A

acusação do processo que tem Ng Lap Seng como arguido instou esta semana o júri do tribunal federal de Manhattan a condenar o empresário. O milionário responde por crimes de corrupção, por ter alegadamente subornado dois diplomatas das Nações Unidas de modo a reunir apoio para a construção de um centro de convenções da ONU em Macau. Já a defesa considera que o caso é “um zero à esquerda”, relata a AP. “O arguido Ng Lap Seng corrompeu as Nações Unidas”, disse a procuradora-adjunta Janis Echenberg durante as alegações finais. A magistrada vincou que o empresário, de 69 anos, deu milhões de dólares a dois embaixadores da ONU, durante um período de cinco anos, para que os diplomatas o ajudassem a garantir a construção em Macau do que seria a “Genebra da Ásia”. O complexo iria receber milhares de pessoas que gastariam dinheiro no hotel, na marina, no condomínio, no heliporto e no centro comercial do empresário de Macau, apontou. Janis Echenberg afirmou também que o projecto iria dar a Ng Lap Seng e à sua família “fama e mais fortuna”. “Tijolo a tijolo, suborno a suborno, o arguido construir o caminho que julgou que seria o do seu legado”, acrescentou. Já o advogado de defesa, Tai Park, considerou a acusação “francamente absurda”. “É um zero à esquerda”, atirou. O causídico releu partes de um relatório de um grupo de trabalho das Nações Unidas para tentar demonstrar que não existem regras ou interdições às parcerias público-privadas

que ia financiar o evento ter recuado, exemplificou Tai Park. Quanto ao salário mensal de 20 mil dólares pago a Lorenzo enquanto presidente de uma publicação do grupo de Ng Lap Seng, destinava-se a desenvolver trabalho que iria beneficiar nações em desenvolvimento, assegurou o advogado.

“Sabe-se que é culpado apenas pelo depoimento do embaixador Lorenzo.” JANIS ECHENBERG PROCURADORA-ADJUNTA

que Ng Lap Seng criou com as Nações Unidas e os seus diplomatas, com vista à construção do centro na RAEM.

O PESO DA TESTEMUNHA

Tai Park reiterou as acusações deixadas durante o julgamento aos embaixadores envolvidos no caso – o antigo presidente da Assembleia Geral da ONU John Ashe e o diplomata dominicano Francis Lorenzo –, dizendo que abusaram

da relação que mantinham com o empresário de Macau. “Ng Lap Seng atirou literalmente o dinheiro dele em todas as direcções, conforme lhe foi pedido”, sublinhou o defensor. Ashe, que morreu no ano passado vítima de um acidente em casa, pediu ajuda a Ng Lap Seng, em 2014, ao solicitar um donativo de 200 mil dólares norte-americanos para pagar um concerto, depois de a pessoa

No que toca ao diplomata dominicano, Janis Echenberg contra-argumentou, apontando que, se houvesse dúvidas sobre a natureza dos pagamentos feitos por Ng a Lorenzo, teriam ficado desfeitas em Dezembro de 2012, quando prometeu ao diplomata mais 30 mil dólares por mês para garantir a construção do centro de convenções. A magistrada disse ainda que o testemunho do diplomata da República Dominicana durante o julgamento foi tão prejudicial para o arguido que a defesa passou seis dias a contra-interrogá-lo. “Sabe-se que é culpado apenas pelo depoimento do embaixador Lorenzo.” Francis Lorenzo aceitou a transacção de culpa que lhe foi proposta. Antes do início do julgamento, também Ng Lap Seng foi, por duas vezes, convidado a admitir que cometeu os crimes mas, de ambas as vezes, recusou a oferta da acusação, jurando que é inocente.


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27.7.2017 quinta-feira

A´ LINGUA S E UMA ´ PATRIA ´

HOJE MACAU

OB a batuta moderadora de Hélder Macedo, o Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas juntou à mesa três escritores que acabaram por encontrar pontos em comum muito para além do português falado e escrito. O moçambicano João Borges Coelho, a brasileira Ana Miranda e o português a viver em Macau Carlos Morais José discorreram sobre a união entre a história, a factualidade e a ficção que escrevem. Nesse ponto, Hélder Macedo, logo nas apresentações dos autores, fez questão de evidenciar essa ponte. “Existe uma relação entre história e factos, imaginação e memória, ambos lidam com aquilo que não está a acontecer”, introduz o moderador. Esse desapego ao presente que requer construção mental é um elo entre duas realidades que, por vezes, se tocam. Ana Miranda, autora nascida em Fortaleza, no Ceará, é um bom exemplo dessa ligação entre imaginação e história. A brasileira tem uma obra onde despontam livros com forte componente histórica tal como “Boca do Inferno”, um romance que mistura as duas esferas – memória e fantasia. No livro, a autora descreve a cidade de Salvador da Bahia do século XVII, onde se cruzam o poeta Gregório de Matos e o afamado padre jesuíta António Vieira. A narrativa percorre um período de luta pelo poder entre personagens reais, o Governador António de Souza Menezes e Bernardo Vieira Ravasco, apoiado por Matos e o Padre António Viei-

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA PRIMEIRO LIVRO DE POESIA • Sophia de Mello Breyner Andresen, Júlio Resende

Poemas em língua portuguesa para a infância e a adolescência. Constituído por obras de poetas de todos os países de língua oficial portuguesa, O Primeiro Livro de Poesia é um livro de iniciação, destinado à infância e à adolescência e onde Sophia de Mello Breyner procurou reunir poemas que, sendo verdadeira poesia, são também acessíveis. Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.

ANA BRÍGIDA

Um moçambicano, uma brasileira e um po questões identitárias trazidas pela expressã do Congresso da Associação Internacional Carlos Morais José e Ana Miranda falaram com a moderação de Hélder Macedo ROGÉRIO VITAL

LITERATURA CONGRESSO INTERNACIONAL DE LUSITANISTAS ORGANIZA MESA DE ESCRITORES

Ana Miranda

ra. O Governador António de Souza Menezes, figura temível da colonização portuguesa do Brasil, tinha uma prótese de metal que lhe valeu a alcunha Braço de Prata. Este detalhe parece ficcionado, algo extraído da imaginação, mas não é. “O que há de mais absurdo nos meus livros é a realidade, mais do que os sonhos”, explica Ana Miranda. A autora aproveita a boleia deste exemplo para revelar que “os encontros com as palavras nascem de sonhos e amor”. Ana Miranda contou como a escrita chegou até si como algo de natural. “Entrei na literatura como um cachorro entra numa igreja, porque a porta estava aberta”, graceja.

LITERATURA HISTÓRICA

Virando o foco para outro continente, Hélder Macedo apresenta o escritor João Borges Coelho como alguém que ultrapassa fronteiras nacionais, “um escritor moçambicano porque escolheu sê-lo, um exemplo de polissemia cultural e literária”. Nascido no Porto, mas cedo emigrado para Moçambique, João Borges Coelho

João Borges

aventurou-se pela primeira vez no romance em 2003, dando uma guinada no seu percurso profissional como historiador. O moçambicano rompeu aquilo a que Hélder Macedo chamou de “a fronteira de ambiguidade que levanta o problema de quem é a primeira pessoa narrativa”. Ou seja, quem toma as rédeas do discurso interiorizado? Um personagem que se manifesta factual ou misticamente? Neste jogo de conceitos a própria realidade parece adquirir contornos ficcionais, considera João Borges Coe-

“Existe uma relação entre história e factos, imaginação e memória, ambos lidam com aquilo que não está a acontecer.” HÉLDER MACEDO POETA, ROMANCISTA E CRÍTICO LITERÁRIO

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

UMA MULHER INVULGAR • Janny Scott

Barack Obama escreveu extensamente sobre o pai que o deixou, mas pouco se sabe acerca da mulher que, mais do que ninguém, moldou a criança que haveria de se tornar Presidente dos Estados Unidos. Agora, em “Uma Mulher Invulgar”, Janny Scott, jornalista premiada do New York Times, conta a história de Stanley Ann Dunham, a quem o Presidente Obama atribui, segundo diz, «o que de melhor há em mim». A história começa numa época em que o casamento inter-racial era crime em grande parte dos Estados Unidos e a segregação e a discriminação eram factos cruentos da vida americana. Segue a vida de uma mulher não convencional vinda de uma era convencional, que atravessou fronteiras, venceu limites culturais e desafiou as regras da raça, da maternidade e do seu género. “Uma Mulher Invulgar” é um olhar profundo e inspirado sobre como se molda uma personalidade. É igualmente a história de uma mulher à frente do seu tempo, cuja morte aos cinquenta e dois anos, quando Obama se estava a lançar na sua primeira campanha para um cargo público, a impediu de ver o filho chegar à Presidência dos Estados Unidos.


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quinta-feira 27.7.2017

ortuguês a viver em Macau discutem ão verbal e escrita. Sob o auspício l de Lusitanistas, João Borges Coelho, m de letras, história, identidade e exílio,

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Bisnaga

SOFIA MARGARIDA MOTA

Nome botânico: Ammi visnaga (L.) Lam. Sinonímia científica: Daucus visnaga L.; Visnaga daucoides Gaertn. Família: Apiaceae (Umbelliferae). Nomes populares: BISNAGA-DASSEARAS; FUNCHO-SILVESTRE; NINHOS-DE-PERDIZ; PALITEIRA.

s Coelho

lho, mesmo comentando o onírico retorno ao território. “Macau tem um aspecto de sonho, cada vez que regresso está completamente diferente, mas tem também segredos nas esquinas e jardins misteriosos”, comenta. Até a própria chegada do escritor ao Terminal do Porto Exterior ganhou contornos fantásticos: “Fomos recebidos por um tufão que nunca vimos chegar a um mar calmo”. O autor argumentou que a jovem literatura moçambicana nasceu ligada à história e a um sentido de nação. O laço à factualidade pode ser também aferido pela ligação ao jornalismo, mais concretamente pela via do escritor e jornalista José Albasini. As crónicas que escreveu são consideradas a primeira narrativa escrita por um moçambicano de origem africana.

PÁTRIA E EXÍLIO

Casa é onde o coração estiver, costuma-se dizer em inglês. Da conversa entre escritores, promovida pelo Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas, saiu uma ideia fulcral de ligação entre pátria, identidade e língua, mesmo no exílio. Ana Miranda contou a comoção que sentiu ao desembarcar em Macau. Depois de ouvir alguém dizer que em breve estaria a pisar a Ásia pela primeira vez, reparou numa placa à saída do ferry com um aviso em chinês e português. Emocionou-se e reflectiu numa noção de pertença: “A língua é uma pátria, nós estamos em casa”. Nesse sentido, partilhou a mesma comoção sentida por Jorge

Hélder Macedo

Luis Borges quando o argentino visitou pela primeira vez o México. Nesse sentido, a palavra escrita pode mesmo ser o cerne da identidade, muito para além de fronteiras geográficas. A intervenção de Carlos Morais José foi nesse sentido, na pátria achada nas letras a meio mundo de distância do local de origem. O escritor local começou por exprimir a ideia de que “Macau é um local de exílio físico e cultural”. Mesmo quando a pessoa se ambienta a Macau, “quando essa realidade começa a ser familiar não deixa de ser estranha”, considera o português. É desta estranheza, desta inquietação, que “nasce a necessidade de reflexão interior que vai de encontro aos grandes conceitos que emergem do exílio: a questão do abandono, a distância e o sentimento de ausência”. Carlos Morais José explica como a memória das origens se vai adocicando com o tempo vivido fora de fronteiras. “Como um abismo à volta do qual andamos, que vemos mas que já não nos atrai, vamos jogando com essa distância aproveitando o que o olhar distanciado nos proporciona”, explica. Fica a palavra em português a servir de casa. Este sentimento de pertença que se encontra na palavra escrita e na língua foi algo que o escritor focou, recordando o exemplo de Venceslau de Morais. O autor do virar do século viveu no Japão, em Tokushima, rodeado por pessoas, incluindo a sua esposa, que apenas falavam japonês. Este foi um período de intensa produtividade literária

de Venceslau de Morais, que escrevia compulsivamente. “Era na escrita que ele encontrava força para a manutenção da sua identidade”, comenta Carlos Morais José. Também Ana Miranda descreve uma sensação de exílio permanente como leitmotif da sua obra, um sentimento que “surge do afastamento da referência, da distância do que éramos”, comenta a escritora. Esta sensação é sentida por Ana Miranda de duas formas, geográfica e temporalmente. Muito cedo mudou-se de Fortaleza, primeiro para o Rio de Janeiro e depois para Brasília. Uma criança “encantada pelo passado a viver na cidade do futuro”, recorda Ana Miranda. A autora passou a usar estes elementos na sua criação, dando voz a “personagens que são arrancados da sua situação”. A literatura, apesar de ser um exercício solitário, reflexivo, é um caminho para a liberdade do espírito. Nesse sentido, Ana Miranda recorda uma conversa que teve com um amigo cineasta que lhe dizia: “Queria ser como você, poder meter 60 mil figurantes e não ter de lhes pagar”. A autora falou ainda da forma como na criação literária tudo é permitido, pode-se matar um personagem sem se ser preso, cometer suicídio sem morrer, magicar mundos de fantasia numa cidade demasiado real. No fundo, o exercício da literatura é uma conquista daqueles que vivem em liberdade. João Luz

info@hojemacau.com.mo

Natural da região mediterrânica, sobretudo Egipto e Marrocos, onde habita terrenos incultos e secos, a Bisnaga é ainda subespontânea na Austrália, América do Sul e região oriental da Índia. Trata-se de uma herbácea de bom porte, alcançando um metro de altura no seu caule erecto. As folhas, de cor verde intenso, são delicadas e finamente partidas em segmentos lineares e as flores, pequenas e brancas, dispõem-se em umbelas compostas, com cerca de 20 cm de diâmetro e uma centena de raios principais; estes, por sua vez, dividem-se noutros raios que suportam as flores; os frutos são pequenos aquénios ovóides. Tradicionalmente, os raios das umbelas, depois de secos, eram usados como palitos para os dentes, dando origem ao seu nome popular Paliteira. Mencionada no Papiro de Ebers, cerca de 1500 anos a.C., a Bisnaga era utilizada como calmante das cólicas nefríticas, uma indicação ainda actual. Foi ainda referida por Dioscórides e Laguna. Em fitoterapia são usados os frutos. Composição Furanocromonas (amiol, quelina, quelinina, quelinol, quelinona, quelol, visnagina), cumarinas (di-hidrosamidina, samidina e visnadina) e vestígios de furanocumarinas; flavonóides (caempferol, quercetina), pigmentos flavónicos e óleo essencial; contém ainda óleo gordo (com os ácidos linoleico, oleico, palmítico e petroselínico e fitosteróis), proteínas, glúcidos e sais minerais. Aroma agradável, sabor amargo. Acção terapêutica Na Bisnaga é de destacar o seu acentuado efeito antiespasmódico e relaxante sobre os músculos lisos dos ureteres, brônquios, artérias coronárias, intestinos, vias biliares e útero, razão pela qual é usada tradicionalmente. Este efeito caracteriza-se pela sua longa duração. Tem actividade diurética e, ao relaxar os músculos dos ureteres, facilita a expulsão de cálculos e alivia a dor, sendo um remédio tradicional para as cólicas nefríticas; pode também ser utilizada nos edemas. Com uma acção broncodilatadora notável (prolonga-se até 6 horas), é útil na asma brônquica, tosse irritativa, tosse convulsa, bronquite e enfisema pulmonar; na asma, embora possa não ser tão eficaz durante

as crises, ajuda a evitar a sua recorrência. Aliás, a quelina, o principal fitoquímico responsável pela sua actividade, esteve na origem de um fármaco de síntese (cromoglicato dissódico) amplamente usado no tratamento da asma, evitando o uso de corticosteróides e os seus efeitos adversos. Vasodilatadora sobre as coronárias, com um efeito mais prolongado do que outros fármacos de síntese, a Bisnaga intensifica a circulação nestas artérias e no coração, aumenta a força de contração do miocárdio e auxilia a prevenir ou tratar a aterosclerose. É recomendada na angina de peito e outras coronariopatias, taquicardia, arritmia, doenças do coração, asma cardíaca, aterosclerose e perturbações neurovegetativas. Espasmos gastrintestinais, cálculos biliares, cólicas hepáticas e intestinais, úlcera do estômago e dores menstruais são outras das suas indicações. Outras propriedades Pelo conteúdo em quelina, com acção fotossensibilizante, a Bisnaga estimula a sensibilidade dos melanócitos à acção da luz, aumentando a repigmentação da pele; também participa na regeneração do tecido cutâneo. Emprega-se topicamente no tratamento do vitiligo, alopécia areata e psoríase, em combinação com a exposição gradual à luz. Como tomar Uso interno: Infusão: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente. Tomar 2 chávenas por dia, depois das refeições; adoçar com mel, se desejar. Em ampolas, extracto líquido, elixir, cápsulas e comprimidos, em fórmulas de plantas, para o tratamento da asma, infecções das vias urinárias, saúde cardiovascular, vitiligo e outras doenças de pele. Uso externo: Em loções e cremes, para aplicação tópica nas doenças de pele. Precauções Contra-indicada na gravidez, aleitação e crianças menores de seis anos. Respeitar as posologias – doses não terapêuticas ou tratamentos prolongados podem ocasionar sintomas alérgicos, anorexia, obstipação, aumento das enzimas hepáticas, dores de cabeça, insónias, náuseas, vertigens e sonolência. Devido à presença de cumarinas, a planta tem actividade fototóxica. Não deve ser usada em concomitância com cardiotónicos e laxantes antraquinónicos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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27.7.2017 quinta-feira

PEQUIM CRIA AGÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO MILITAR DE ALTA TECNOLOGIA

XANGAI VAGA DE CALOR FAZ QUATRO MORTOS

Modernizar, é preciso

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China fundou uma agência de investigação militar de alta tecnologia, inspirada no Pentágono dos Estados Unidos, para desenvolver equipamento de última geração, avançou ontem a televisão estatal CCTV. O Comité de Gestão da Investigação Militar foi criado no início do ano e responde diretamente à Comissão Militar Central, o braço político do exército chinês, liderado pelo Presidente da China, Xi Jinping.

Com a reforma lançada por Xi, o Governo chinês espera eliminar o carácter soviético do seu exército, tornando-o mais ligeiro, rápido e funcional, enquanto moderniza as forças navais

P

O novo organismo visa competir com a Agência de Projetos de Investigação Avançada de Defesa dos EUA (DARPA, na sigla em inglês), criadora da Internet ou do sistema GPS. “A Internet, os sistemas de posicionamento global, caças furtivos, armas eletromagnéticas ou a lazer e outras tecnologias avançadas, estão quase todas vinculadas à DARPA”, explica uma reportagem difundida pela CCTV. “No mundo actual, a inovação tecnológica converteu-se num elemento central”, acrescenta. “Para conseguir uma vantagem competitiva no âmbito militar, devemos esforçar-nos por promover a investigação científica”.

HISTORIAL DE REFORMAS

Numa longa reportagem, o programa refere as reformas empreendidas pelo Partido Comunista Chinês, incluindo a reforma de Exército de Libertação Popular, o ambicioso programa de modernização das Forças Armadas do país. Com a reforma lançada por Xi, o Governo chinês espera eliminar o carácter soviético do seu exército,

tornando-o mais ligeiro, rápido e funcional, enquanto moderniza as forças navais, numa altura em que a China reforça a sua presença militar em águas disputadas no Mar do Sul da China. Em Março passado, a China anunciou a entrada em operação do caça furtivo de quinta geração J-20, o seu modelo mais avançado de

aviação, convertendo-se no terceiro país dotado com este equipamento, a seguir aos EUA e Rússia. Este mês, A China enviou soldados para a sua primeira base militar além-fronteiras em seis décadas, no Djibuti, sugerindo uma mudança na sua estratégia para África, onde nos últimos anos tem reforçado a sua influência.

ELO menos quatro pessoas morreram em Xangai, capital económica da China, devido a uma vaga de calor que elevou as temperaturas para o valor mais alto dos últimos 145 anos na cidade, informaram ontem as autoridades. Na terça-feira, a cidade emitiu o terceiro alerta máximo do ano por altas temperaturas, depois de o termómetro alcançar os 40,5 graus. Na passada sexta-feira os termómetros atingiram 40,9 graus, o número mais alto desde que há quase um século e meio se começaram a fazer registos. Altos níveis de humidade e poluição fazem com que a sensação térmica seja de cerca de 50 graus. Segundo o jornal Shanghai Daily, o calor causou a morte de quatro pessoas, enquanto dezenas de outras, muitos idosos, foram internados no hospital com insolações e outras patologias. A insolação pode resultar em perda de consciência, falhas no organismo, insuficiência cardíaca ou respiratória, ou um edema pulmonar ou cerebral. Os mortos eram pessoas de idade avançada que se encontravam na rua ou em casas sem sistema de ar condicionado. Segundo as indicações meteorológicas, as temperaturas começaram ontem a baixar.

CHINA OPÕE-SE A NOVAS SANÇÕES DOS EUA CONTRA A COREIA DO NORTE

O

Governo chinês disse ontem opor-se à nova ronda de sanções contra a Coreia do Norte aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos, afirmando que esta não “conduz à confiança mútua ou cooperação” entre Pequim e Washington.

“A China sempre se opôs a sanções unilaterais fora do âmbito do Conselho de Segurança da ONU e especialmente a que outros países imponham a sua jurisdição a empresas e cidadãos chineses”, afirmou o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lu Kang.

As novas sanções poderão afectar firmas de terceiros países que fazem negócios com a Coreia do Norte. A China é o principal parceiro comercial do país governado por Kim Jong-un. O porta-voz afirmou que a China “sempre aplicou estritamente as resoluções

[das Nações Unidas] contra a Coreia do Norte” e que, face a suspeitas de violação das sanções por parte de firmas chinesas, iniciaria investigação “de acordo com a lei” chinesa. A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou na terça-feira novas sanções

contra a Coreia do Norte, Irão e Rússia e limitou a capacidade do Governo de Donald Trump para pôr fim a estas sanções, face à intenção do líder norte-americano de relaxar a política para Moscovo. As sanções chegam numa semana em que se

prevê que a Coreia do Norte volte a desafiar a comunidade internacional com novos testes de mísseis balísticos, aos quais Pequim se opõe. “Opomo-nos firmemente a qualquer palavra ou ação que possa elevar a tensão”, afirmou Lu Kang.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 26/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 30 de Junho de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Equipamentos Laboratoriais Cedidos Como Contrapartida do Fornecimento de Reagentes ao Laboratório de Saúde Pública dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 26 de Julho de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP42,00 (quarenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 27/P/17

respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 22 de Agosto de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 23 de Agosto de 2017, pelas 10,00 horas, na“Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP500 000,00 (quinhentas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 20 de Julho de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 7 de Julho de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Duas (2) Ambulâncias Hospitalares de Médio Porte e os Respectivos Equipamentos aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 26 de Julho de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP43,00 (quarenta e três patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Ja-

nuário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 31 de Agosto de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 1 de Setembro de 2017, pelas 10,00 horas, na“Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP92 000,00 (noventa e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 18 de Julho de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


china 11

quinta-feira 27.7.2017

J

Á aterrou em Lisboa a primeira ligação directa entre Portugal e China. Ontem de manhã, pelas 7h30, o primeiro voo desta rota, operado pela companhia aérea chinesa Beijing Capital Airlines, chegou ao Aeroporto Humberto Delgado, depois de uma viagem de 13 horas e com uma taxa de ocupação praticamente lotada. É o início de uma rota que, nos próximos anos, poderá trazer a Portugal um milhão de turistas chineses. A rota directa Portugal-China, que faz a ligação entre Lisboa e Hangzhou, passando por Pequim, terá três frequências por semana, até ao final do Verão. A partir do Inverno, a Beijing Capital Airlines passa a operar mais uma frequência. Os primeiros quatro voos directos da China para Portugal estão já “praticamente esgotados”, enquanto, no sentido inverso, a taxa de ocupação ronda os 75%, adiantou à Lusa a companhia aérea chinesa.

Um milhão de turistas na mira

Portugal arranca ligação directa à China

Para os próximos tempos, disse António Costa durante o evento de apresentação desta ligação, o objetivo é continuar a reforçar estas frequências ou mesmo ligar a China a outras cidades. “Quem sabe, poderá haver a abertura para outras cidades portuguesas, nomeadamente o Porto”, disse o primeiro-ministro na altura.

COMISSÃO DE BOAS-VINDAS

A aterragem contou com a presença do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, que salientou o momento histórico. “Este é o verdadeiro lançamento da nova rota aérea da seda do século XXI. É um

grande feito para Portugal a concretização desta ligação”, disse o ministro, citado pela Lusa. “O potencial [destas ligações] é muito importante do ponto de vista turístico, mas também económico. Significa muito mais oportunidades para as empresas portuguesas se aproximarem do mercado chineses, no reforço das relações económicas com empresas chinesas e reforço do potencial das relações políticas entre os países”, acrescentou. Um milhão de turistas chineses? “Podemos ser ambiciosos” A nova ligação abre portas ao maior merca-

“Este é o verdadeiro lançamento da nova rota aérea da seda do século XXI. É um grande feito para Portugal a concretização desta ligação”

do emissor de turistas do mundo e, por isso mesmo, os objetivos são ambiciosos. Portugal recebeu, no ano passado, 183 mil turistas chineses, um aumento de 19% face a 2015. E o número de turistas vindos da China continua a aumentar: entre janeiro e abril, 68 mil vieram a Portugal, uma subida homóloga de 28%. A manter-se este ritmo, a marca “um milhão” pode ser alcançada num futuro não muito distante. “Se tivermos aumentos de 35% ao ano, podemos rapidamente ser ambiciosos”, disse à Lusa o embaixador português em Pequim, Jorge Torres-Pereira, fixando o objetivo de chegar a um milhão de turistas chineses por ano. “Não há dúvida de que entramos no radar do investimento chinês e, para usar uma expressão britânica, o céu é o limite”, disse ainda o diplomata. Economia online

PEDRO MARQUES MINISTRO DO PLANEAMENTO E DAS INFRAESTRUTURAS

PUB HM • 2ª VEZ • 27-7-17

Anúncio 【N.º 201707-1】

ANÚNCIO Interdição

N.º

CV1-17-0031-CPE

1.º Juízo Cível

-----REQUERENTE: O Ministério Público. -------------------------------REQUERIDO: Wong Mei Lei, maior, casado, titular do B.I.R. n. XXXX811(6), nascido a 09/06/1927, na China, filho de Wong A Kang e de Ng A San e residente em Seak Pai Wan, Edifício Son On, 1º Bloco 8º andar I em Coloane.----------------------------------------------*** -----O MERITÍSSIMO JUIZ DO 1.º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL

Torna-se público que, nos termos do artigo 29.º do Regulamento Administrativo n.º 5/2014 (Regulamentação da Lei do planeamento urbanístico), a DSSOPT vai proceder-se à recolha de opiniões dos interessados e da população respeitantes aos projectos de Planta de Condições Urbanísticas (PCU) elaborados para as zonas não abrangidas por plano de pormenor mas inseridas nos lotes abaixo indicados:

─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─

Processo N.º: 2001A031, Estrada de D. João Paulino nos 20D-20E—Macau; Processo N.º: 2003A058, Avenida do Almirante Lacerda no 129D—Macau; Processo N.º: 2009A061, Rua de Cinco de Outubro no 101—Macau; Processo N.º: 2009A076, Terreno junto à Rua do Padre João Clímaco—Macau; Processo N.º: 2014A024, Terreno junto ao Caminho das Hortas (TN21)—Taipa; Processo N.º: 2014A026, Beco das Caixas nos 26-38—Macau; Processo N.º: 2017A004, Travessa do Petróleo no 1—Macau; Processo N.º: 2017A011, Rua do Guimarães no 192—Macau; Processo N.º: 2017A017, Estrada da Aldeia nos 1112-1116—Coloane; Processo N.º: 2017A023, Rua de Cinco de Outubro nos 20-20A e terreno junto à Rua de Cinco de Outubro e Travessa dos Colonos—Macau.

Julho de 2017, uma Acção Especial de Interdição, com o número

Para efeitos de referência, os projectos de PCU para as zonas dos lotes supracitados que não estão abrangidas por plano de pormenor já estão disponíveis para consulta no Departamento de Planeamento Urbanístico, situado na Estrada de D. Maria II n.º 33, 19º andar, Macau, e encontram-se afixados na Rede de Informação de Planeamento Urbanístico desta Direcção de Serviços (http://urbanplanning. dssopt.gov.mo).

acima indicado, que o Ministério Público move contra Wong,

O período de recolha de opiniões tem a duração de 15 dias e decorre entre 27 de Julho de 2017 e 10 de Agosto de 2017.

JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: -----------------------------------------FAZ SABER QUE, foi distribuída neste Tribunal, em 07 de

Mei Lei, a fim de ser decretada a sua interdição por sofrer anomalia psíquica.---------------------------------------------------------------------------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M, 12 de Julho de 2017.-----

Caso os interessados e a população queiram apresentar as opiniões sobre os referidos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor, deverão preencher o formulário O011,o qual pode ser descarregado nos websites http://urbanplanning.dssopt.gov.mo ou www.dssopt. gov.mo, ou levantado nesta Direcção de Serviços (Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau), podendo submetê-lo no período de recolha de opiniões através dos seguintes meios:

─ ***

─ ─ ─

Comparecendo pessoalmente: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau, durante o horário de expediente nos dias úteis Correio: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau (o prazo limite de entrega é contado a partir da data de envio indicada no carimbo do correio) Fax: 2834 0019 Email: pcu@dssopt.gov.mo

Serão consideradas as opiniões respeitantes aos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor elaborados para os lotes, quando forem apresentadas de acordo com as exigências acima indicadas. Para mais informações podem pesquisar o website http://urbanplanning. dssopt.gov.mo e para qualquer informação adicional queiram contactar o Centro de Contacto desta Direcção de Serviços (8590 3800). Macau, aos 24 de Julho de 2017 O Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes Li Canfeng

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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12

h

27.7.2017 quinta-feira

No frémito do vento arrebatada Cai sobre as árvores uma folha verde

A Poesia Completa de Li He

過華清宮   春月夜啼鴉,宮簾隔御花。  雲生朱絡暗,石斷紫錢斜。  玉碗盛殘露,銀燈點舊紗。  蜀王無近信,泉上有芹芽。

Ao Passar o Palácio Hua-qing Lua primaveril, corvos grasnam na noite, As gelosias do palácio escondem as flores reais. Escurecem redes vermelhas sob as nuvens reunindo-se,1 Sobre lajes quebradas moedas púrpuras de esguelha.2 Taças de jade agora cheias de orvalho caído, Lamparinas de prata enegreceram seda antiga.3 Não há notícias frescas do Príncipe de Shu,4 Ao redor das fontes cresce a jovem salsa.5

1

Este palácio deserto de inverno, famoso por suas termas, fora uma das estâncias do Imperador Xuan-zong (regnet 712-56) e da sua malfadada favorita, a bela dama Yan Guei-fei (falecida em 756). As redes, decoradas com pedraria, eram postas nas janelas para deter insectos e pó. 2 Musgos. 3 O palácio albergava inúmeros altares a diversas divindades. Uma vez que as taças estão cheias de chuva (orvalho), o telhado deveria estar em más condições. Em vez de água, estas taças deveriam conter vinho sacrificial. “Seda” refere-se aos biombos de seda. 4 Durante a rebelião de An Lu-shan (755-63), o Imperador Xuan-zong fugiu para Shu, no sudoeste da China, passando a ser conhecido sarcasticamente por “Príncipe de Shu”. 5 Tão desertas estão as termas que ninguém vem sequer colher a salsa.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

quinta-feira 27.7.2017

diários de próspero António Cabrita

Mondrian e outros vícios É mais do que certinho, por um sorriso já se travaram batalhas. O sorriso de Helena de Troia, por exemplo, devia ser de estalo. E eu tive de bater-me ao sorriso da minha mulher contra um espanhol de má raça. Coube-me agora a sorte de em três semanas em Lisboa ter encontrado três mulheres com um sorriso coruscante, por quem se iluminariam batalhas. Azar meu que seja falso que tenhamos todos as nossas idades ao mesmo tempo. E que me sinta um coral vivo, colorido por dentro, enrugado por fora. E chega de lamúrias.

visões ascéticas que me cansam, sobretudo as que se esquecem de que a vida é um funil ao contrário, em centrifugação; que a vida, expansiva, não admite mandamentos. Então descobri-lhe as flores, nos antípodas da sua pintura abstracta. A sensualidade, os matizes de uma cor que procura o seu tecido ou a sua carne, a fulgente precaridade da sua dimensão corpórea, com caules sempre à beira de soçobrarem, pétalas na agonia de caírem, pedúnculos num fio, e uma pincelada láctea, às vezes hesitante, mas prenhe de um lirismo tangencial ao humano e que dá, afinal, outra densidade aos futuros ganhos expressivos da sua abstracção. Desde então, deixei de o espancar nos meus sonhos, temos tido até excelentes conversas sobre os relojoeiros de Samarcanda. Um dia destes conto-vos os meus sonhos com a Ava Gardner. Sou o seu melhor amante de sempre - o Sinatra. onde ficou! Porque, geometrias, só as que se despenteiam ao vento.

PIET MONDRIAN

22/07/2017

23/07/2017

Domingo, uma hora na fila, cativo da máquina de bilhetes para Cascais, para depois viajar de pé, no meio de uma chinfrineira pouco atraente, como se tivesse despertado em Babel. Os custos de uma Lisboa aturadamente cosmopolita. Adivinho que daqui a duas gerações brotará uma meia-dúzia de poetas bilingues, trilingues, sendo o português um resíduo esquinado pelos ventos da história. E prevejo que o número de videirinhos subirá em flecha. Sempre gostei de histórias de videirinhos e admiro-lhes a manha – suponho, por ser prato que nunca confeccionei, “pateta em aberto” de bolso roto e sem agenda secreta. Mas vão proliferar os videirinhos, verdadeiros canivetes-suiços da patranha. Na literatura idem e etc. Ainda ontem, num bar, logo de entrada, me jurava um tipo: “O que acontece comigo e me diferencia é que não tenho vícios!” E eu vejo como o corpo o desmente, como cresceu sem parar, por puro vício; como lhe caiu o cabelo sem parar, por embriaguez genética; como a sua linguagem gestual está num perpétuo ponto-cruz, pelo vício de esgrimir argumentos sem parar até só ouvir o eco da sua voz. Vejo um homem à míngua de tímpanos, incapaz de aceitar o seu silêncio, emaranhado no grude da inteligência – a prazo só lhe resta mentir-se até convictamente acreditar no que a mentira bolça. Com talento, mas ao modo de um cardume num aquário, refém de si mesmo, sem exterior. E eu que não me lembrei de Luis Buñuel nem me enfrasquei em dois gins! Chego a casa e abro um António Ramos Rosa que nunca lera, de prosas e diálogos. E o poeta, para falar da sua extrema fragilidade, começa assim: “Sempre falaram alto. Muito alto. Demasiado alto. Todos exemplares e eufónicos, erectos no seu convencimento, na segurança de si, no excesso de personalidade e de expressão,” Parece um retrato do outro, o homenzinho impoluto. É deste jaez – incontinente, insuperável.

25/07/2017

Prefiro os sujos, os contraditórios, os que sabem que a si mesmo mentem e por isso perseguem envergonhadamente e falhos a bainha da verdade; os noctívagos que amam a luz; os que têm sede do mal para a diluírem no seu fígado, no afã de não se afastarem do lema de Camus que é o veio de uma ética: «sofrer, não te dá direitos!»; prefiro um gago à rasca a um sofista eloquente; preferirei sempre quem foda a quem se gaba de foder. Talvez porque como Pessoa e tantos outros a quem amo mergulho na sub-

mersa nascente do sujo. Pior: há tanta gente digna que se encharcou em vícios que é inadmissível alguém se arrogar ao desplante de produzir sentenças sobre o menor dos vícios.

24/07/2017

Mantive sempre com Mondrian um trato difícil. Em sonhos espancava-o e chamava-lhe bandalho, e voltava a dar-lhe no focinho, agora com cubos e rectângulos e quadriláteros e losangos. Eu, que nem sou viciado na violência - há porém

Não digam a ninguém, mas estou a construir uma Arca. Como a de Noé. Para financiar a operação apoiámo-nos nos emolumentos da cultura que me represou e que agora guarnecem as provisões da Arca. Leiloámos as ligas e mais lingerie da última amante de Lacan a pala do olho de John Ford, e, recursivamente, o braço recuperado de Cendrars, as tesouras de unhas de Deleuze, o fígado restaurado de Malcolm Lowry, o pezinho em diamante de Moravia, o mistral de Joris Ivens, a Anne Karenine do Pierrot le Fou, a neve sobre a alameda de coqueiros, na Quinta de Santa Catarina, em Sines, onde o Al Berto espatifava os triciclos, o Casanova de Sollers, cinco rentéis de vinho de palma, as máscaras do mapiko, um pote com os pulsos das palavras de Guimarães Rosa e o lugar de onde a minha infância olhava a camisa-de-onze-varas que nos despia os fetiches: o Cabo Espichel. E para quem acredite em Deus, leiloaremos por fim, a radiografia do pirilampo. Falta-nos discutir o regime musical, pouco transigente. Impolutos não arrependidos é que nunca levaremos para a Arca.


14 (f)utilidades TEMPO

27.7.2017 quinta-feira

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO | “MY HANDS MOLD MY THOUGHTS” DE WU HIN LONG Macau Art Garden Até 27/8

MIN

27

MAX

31

HUM

75-95%

EURO

9.36

BAHT

EXPOSIÇÃO “NEW ART PEOPLE PROJECT 2017: BOUNDLESS 4” Armazém do Boi | Até 13/8 EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08

O CARTOON STEPH

C I N E M A

SPIDER MAN: HOMECOMING SALA 1

PRIPARA THE MOVIE 2017 [A] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Fime de: Okubo Ismale 14.15

DISPICABLE ME 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 15.30, 19.45

WAR FOR THE PLANET OF THE APES [B] Fime de: Matt Reeves Com: Woody Harrelson, Sara Canning, Judy Greer 17.15, 21.30 SALA 2

VALÉRIAN AND THE CITY OF A THOUSAND PLANETS [3D] [B] Fime de: Luc Besson Com: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Ethan Hawke 14.30, 17.00, 21.30

CARS 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Brian Free 19.30 SALA 3

MEOW [A] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Benny Chan Com: Louis Koo, Mary Ma, Jessica Liu, Andy Huang 14.30, 19.30

PROBLEMA 87

UM LIVRO HOJE

SUDOKU

DE

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 86

Cineteatro

1.19

MACAU TEM TALENTO

EXPOSIÇÃO “MAZU” DE GIULIO ACCONCI Até 27/7

EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11

YUAN

PÊLO DO CÃO

EXPOSIÇÃO “A SIBÉRIA E O LAGO BAIKAL” DE ANDY LAO

EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8

0.24

Toda a gente é espectacular, todos muitos ricos e aptos, plenos de vocação para as mais variadas tarefas. Aliás, todas as incumbências requerem a mais astuta genialidade, muito além da mera capacidade para ser diligente, de resolver problemas prosaicos. Não, as soluções precisam ser brilhantes, com apetência esmagadora para reduzir a pó séculos de sabedoria adquirida. Macau não forma contabilistas, Macau gera Newtons do ábaco, inovadores, candeias de sapiência que alumiam alamedas de cálculo. Não precisamos de electricistas, mas sim de Nikolas Teslas, Edisons e Faradays aos molhos, prodígios que cavalguem um raio e faísquem trovoadas com o poder de um pensamento original. Macau busca talentos como um programa com júri e concorrentes, vivendo na ilusão da emergência do grande vencedor. Um sonho que se torna amargo, sustentado no frágil pilar egocêntrico de que todos têm um dom especial. Esse dom pode ser no registo e notariado, imagine-se a mais espantosa certidão, registos prediais e procurações perfeitas, cédulas que são derradeiras expressões do génio humano. É nesta busca impossível que se perde o significado das coisas intangíveis, que se esvai o conceito de transcendência intelectual. A busca de talentos provavelmente nasce de um excesso interpretativo que se perde na tradução. Porém, revela algo sobre a íntima psique de Macau, sobre a forma como se engrandecem coisas que apenas têm importância residual, pragmática, e se calcam à insignificância algo de imortal e etéreo. João Luz

“THE GREAT SHARK HUNT: STRANGE TALES FROM A STRANGE TIME” | HUNTER S. THOMPSON

Este livro é uma colectânea de textos do norte-americano Hunter Thompson, percursor de uma vertente do ‘news journalism’ a que apelidou de ‘gonzo journalism’. “The Great Shark Hunt” reúne trabalhos ao longo de várias décadas, desde narrativas extraídas de artigos de desporto, passando pela cobertura que fez das eleições presidenciais de 1972 que viriam a reeleger Richard Nixon. Alternando entre a cobertura desportiva e a política, um fio condutor que une todos os textos desta compilação é a linguagem solta, inovadora, nascida da ressaca dos beatniks, que seria a voz literária de Hunter Thompson. João Luz

CARS 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Brian Free 16.30

SPIDER MAN: HOMECOMING [B] Fime de: Jon Watts Com: Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton 21.15

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Sofia Margarida Mota Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 15

quinta-feira 27.7.2017

bairro do oriente

T

A fronteira e a utopia

ENHO passado os últimos fins-de-semana ali do outro lado das Portas do Cerco, uma vez em Guangzhou, e depois em Zhongshan, uma cidade a cerca de 80 km de Macau. Ambas estão à distância de uma hora e de 25 minutos, respectivamente, através dos novos comboios rápidos da CRH. Quanto à capital da província de Cantão, nada me surpreendeu por aí além, mas fiquei encantado com Zhongshan. Nunca tinha lá estado antes, confesso, mas aquilo que encontrei deixou-me positivamente surpreendido. Uma pequena cidade – ainda assim maior que Macau – com “apenas” três milhões de habitantes, que é um verdadeiro hino ao progresso. Vias bem projectadas, prédios novos e bonitos, zonas pedonais ajardinadas, com respeito pelo urbanismo, uma oferta de espaços de restauração e de entretenimento fabulosa, e tudo providenciado por gente educada, respeitadora e simpática. Miséria? Vê-se, mas aqui deste lado também, e deixem-me que vos diga que estes dois últimos fins-de-semana têm sido retemperadores, mesmo nesse particular. E nada disto é coreografado, como no reino do faz-de-conta da Coreia do Norte. Esta geração de chineses, da nova China, é da paz. São os netos daqueles que viveram os horrores da revolução cultural, filhos dos que ainda assistiram aos eventos da Praça Tiananmen em 1989, e que deixaram o mundo com um pé atrás em relação ao país do meio. São jovens que também querem eles ser cidadãos do mundo, mas tudo a seu tempo. A China é, como se sabe, a segunda maior economia do mundo, mas ainda a 70ª no que toca ao rendimento per capita, atrás de países como o México e a Eslováquia. Mas tudo a seu tempo, e não esqueçamos que estamos aqui a falar de um país com 1200 milhões de pessoas, mas com uma qualidade de vida com que outros “gigantes”, como é o caso da vizinha Índia, uma “democracia”, pode apenas sonhar. Entretanto regresso no mesmo comboio rápido a Macau, que há anos que espera pelo tal metro de superfície, do património delapidado, das habitações degradadas que se encontram lado a lado com os espaços comerciais abandonados, com os fios eléctricos pendurados e o correio acumulado

WASSILY KANDINSKY

LEOCARDO

na caixa, tudo em pleno centro histórico. A Macau que separada por um braço de rio que constitui a fronteira para o continente, ainda olha com desconfiança e até algum desdém para os seus irmãos do continente - e porquê, fico-me a interrogar. “Ora essa, aqui não temos o espaço que eles tem lá

Esta geração de chineses, da nova China, é da paz. São os netos daqueles que viveram os horrores da revolução cultural, filhos dos que ainda assistiram aos eventos da Praça Tiananmen em 1989, e que deixaram o mundo com um pé atrás em relação ao país do meio. São jovens que também querem eles ser cidadãos do mundo, mas tudo a seu tempo

da outra banda”, dirá o leitor mais céptico. Pois não, mas também já tivemos menos. Os aterros que fizeram a cidade crescer em tamanho foram usados para fazer casinos, que nada deram aos residentes em matéria de qualidade de vida, e que em alguns casos são um autêntico atentado ao urbanismo. Os tais aterros serviram ainda para construir habitação que não está ao alcance do cidadão médio de Macau. É caso para nos interrogarmos: o que temos beneficiado com o tal segundo sistema, além das tão apregoadas “liberdades”, que na verdade não passam do papel? Pronto, tudo bem, longe de mim questionar a sacrossantidade do estatuto especial de Macau que nos permite aceder ao Facebook, e consigo até imaginar alguns leitores a levar as mãos à cabeça, “ai o que está este rapaz para aqui a dizer”, mas desafio-vos a irem lá e verem pelos vossos próprios olhos, e sentirem a diferença. Não custa mais do que falar sem saber. O ideal mesmo seria ter o melhor dos dois mundos, mas isso não passa apenas de uma utopia. E sonhar ainda é grátis.


Cansei-me de tentar o teu segredo:/ No teu olhar sem cor, de frio escalpelo,/ O meu olhar quebrei, a debatê-lo,/ Como a onda na crista dum rochedo. Camilo Pessanha

Música Chico Buarque tem novo álbum

China Dez clubes liquidam dívidas

O músico brasileiro Chico Buarque editará em Agosto o álbum “Caravanas”, mas na sexta-feira é revelado um primeiro tema, “Tua cantiga”, nas plataformas digitais, anunciou a editora Biscoito Fino. Chico Buarque, 73 anos, já não lançava um álbum de originais desde 2011, quando saiu “Chico”. “Caravanas” será o 23.º álbum de estúdio e conta com nove temas, entre os quais “Tua cantiga”, com letra de Chico Buarque e melodia do pianista Cristóvão Bastos. “Caravanas” foi produzido por Vinícius França e tem arranjos do maestro e violonista Luiz Cláudio Ramos, com quem Chico Buarque trabalha há mais de 30 anos. A pensar na divulgação do álbum na Internet - tal como aconteceu com “Chico” (2011) -, a equipa que faz a promoção do artista criou um perfil na rede social Instagram. É nesta rede social, com mais de 42 mil seguidores conquistados em cinco dias, que se revela que “Chico tem ido ao estúdio pelo menos uma vez por semana para dar os retoques finais nas sete músicas inéditas e duas canções já conhecidas, de sua autoria, embora nunca gravadas”.

Dez clubes do campeonato chinês de futebol anunciaram ontem a liquidação de dívidas de pagamento de salários e taxas de transferências, depois da Confederação Asiática (AFC) atribuir um prazo de cumprimento, sob pena de exclusão das competições continentais. Os clubes chineses em questão foram advertidos para que, caso a situação financeira não fosse cumprida, tendo como data limite o dia 15 de agosto, enfrentariam partidas de suspensão, não só a nível continental, mas também na ‘Chinese Super League’. Apenas três em 16 clubes da primeira divisão chinesa ficaram de fora da advertência da AFC. O Guangzhou Evergrande afirmou ter resolvido as suas dívidas em Dezembro de 2016 e em Janeiro de 2017, tal como o Shanghai SIPG, equipa treinada pelo português André Villas-Boas, que também assegurou ter tudo em ordem. O Shenhua, outro clube de Xangai, disse ter pago “90%” dos valores reclamados pela AFC.

Transferências Renato Sanches mais próximo do Milan

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Segundo o L`Équipe, Renato Sanches estará próximo de abandonar o Bayern Munique para ingressar nos italianos do Milan. Depois de uma primeira época complicada ao serviço dos bávaros, o ex-jogador do Benfica será contratado por cerca de 40 milhões de euros e assinará um contrato de quatro anos com o clube de André Silva. O próprio jogador admitiu o cenário de mudança após o jogo frente ao Chelsea, que se realizou na terça-feira na China. «O Milan é uma opção interessante e gosto dessa possibilidade, porque sei que terei oportunidade de jogar regularmente.» De recordar que o jogador de 19 anos foi contratado no Verão de 2016 ao Benfica, a troco de 35 milhões de euros.

quinta-feira 27.7.2017

WYNN MACAU LUCROS DA OPERADORA SOBEM 57,5%

A festa continua

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S lucros da operadora de jogo Wynn Macau subiram 57,5% para 102,6 milhões de dólares (88,1 milhões de euros), no segundo trimestre de 2017, comparativamente a igual período do ano passado (65,1 milhões de dólares ou 55,9 milhões de euros). De acordo com um comunicado enviado ontem à bolsa de Hong Kong, no segundo trimestre de 2017 a Wynn Macau, umas das seis operadoras de jogo da região, registou receitas totais de 1.097,3 milhões de dólares entre Março e Junho, mais 71,6 % do que os 639,3 milhões de dólares em igual período do ano passado. Do total, 1.024,7 milhões de dólares correspondem a receitas dos casinos, ou mais 68,4% comparando com o segundo trimestre do ano passado. A Wynn, que tem dois empreendimentos no território:

o Wynn Macau, no centro da cidade em funcionamento desde 2006 e o Wynn Palace, a mais recente propriedade do grupo que abriu a 22 de agosto no Cotai, a ‘strip’ de casinos da cidade. Segundo o comunicado, a Wynn Resorts, que inclui as operações em Las Vegas, nos Estados Unidos, registou receitas de 1.530 milhões de dólares, ou mais 44,5% em relação às receitas de 1.060 milhões de dólares auferidas entre Março e Junho de 2016. O aumento das receitas foi justificado com os 414,7 milhões de dólares gerados pelo Wynn

88,1 milhões de euros lucros da operadora de jogo entre Março e Junho

Palace e com os aumentos de 43,4 milhões de dólares e de 12,9 milhões de dólares da Wynn Macau e das operações do grupo em Las Vegas, respectivamente. O EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) do grupo foi de 430 milhões de dólares, mais 37,5% do que no segundo trimestre de 2016. Macau, que figura como a capital mundial do jogo, é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Os casinos de Macau fecharam o mês de Junho com receitas de 19.994 milhões de patacas, um aumento de 25,9% face ao período homólogo do ano passado, segundo dados oficiais. Em 2017, as receitas mensais do jogo cresceram sempre a dois dígitos em termos homólogos, à excepção do primeiro mês do ano (+3,1%), mas acima dos 20% só em Maio (23,7%) e em Junho (25,9%).

CINCO ESTRELAS MACAU ROOSEVELT HOTEL INAUGURADO

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M novo cinco estrelas inspirado no Hotel Roosevelt, em Hollywood, foi inaugurado ontem em Macau. O Macau Roosevelt Hotel conta com 380 quartos e casino, uma vez que as mesas de jogo que estavam em operação no Macau Jockey Club, ao abrigo da licença da Sociedade de Jogos de Macau, foram relocalizadas para o empreendimento, informou a Rádio Macau. Na cerimónia de inauguração, o presidente da empresa, Mike Lam, referiu a aposta feita no design do projecto. Há um ano, o representante do grupo investidor Aaron Iu disse à imprensa que o hotel localizado junto ao Jockey Club, na ilha da Taipa, iria abrir sem componente de jogo. Em Outubro de 2013, o projecto foi apresentado como um hotel com “um toque moderno do ‘glamour’ de Hollywood e um ‘twist’ no design retro dos anos 1950”. À época, o projecto incluía 373 quartos e quatro ‘villas’ e reservava uma área de jogo com mais de 5.000 metros quadrados. “O conceito não é exactamente o mesmo do hotel de Hollywood, onde foi construído o primeiro. Este combina as tradições de Macau e as de Hollywood”, afirmou mais tarde, em 2016, Aaron Iu.

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Hoje Macau 27 JUL 2017 #3862  

N.º 3862 de 27 de JUL de 2017

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