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RÓMULO SANTOS

TIAGO ALCÂNTARA

FUNDO DE INVESTIMENTO

COLINA DA ILHA VERDE

PÁGINA 5

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hojemacau

GONÇALO LOBO PINHEIRO

MILHÕES EM PARTE INCERTA

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MOP$10

QUINTA-FEIRA 27 DE JUNHO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4318

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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CARTA SEM DATA

SERVIÇOS DE SAÚDE

CONDENAÇÃO CIRÚRGICA PÁGINA 9

COMISSÕES

SECRETAS PORQUE SIM ÚLTIMA

Por linhas tortas A directora da Faculdade de Letras e Humanidades da Universidade de Macau está de saída para passar à reforma. Testemunhos de docentes relatam casos de abuso de poder, má gestão e incompetência por parte da directora da faculdade onde está inserido o Departamento de Português. Para trás fica um pobre legado académico e o desinvestimento na língua de Camões. GRANDE PLANO

A ARTE RESSURRECTA

ANTÓNIO CABRITA

RELICÁRIO DE SONHOS III GISELA CASIMIRO

A CAVERNA NEGRA

LUÍS CARMELO


2 grande plano

27.6.2019 quinta-feira

PELA PORTA PEQUENA UM

DIRECTORA DA FACULDADE DE LETRAS ESTÁ DE SAÍDA E É ACUSADA DE ABUSO DE PODER

Hong Gang Jin, directora da Faculdade de Letras e Humanidades da Universidade de Macau, está de saída do cargo. Docentes e ex-docentes da faculdade falam de abuso de poder e má gestão, sobretudo no departamento de português. Além disso, fontes ouvidas pelo HM adiantam que o novo reitor está a tentar limpar a imagem da instituição

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directora da Faculdade de Letras e Humanidades (FAH, na sigla inglesa) da Universidade de Macau (UM) está de saída do cargo, segundo apurou o HM. Fontes avançaram que o argumento oficial é a passagem de Hong Gang Jin à reforma, mas por detrás da saída estarão problemas ao nível da gestão da própria faculdade. Todos os docentes da FAH já foram informados da saída, mas o HM não conseguiu confirmar a data certa para Hong Gang Jin deixar o cargo de directora da Faculdade de Letras e Humanidades. Custódio Martins, ex-professor do departamento de português da UM, actualmente a dar aulas na Universidade de São José (USJ), dá conta da redução da qualidade do ensino de língua portuguesa graças às mudanças implementadas por Hong Gang Jin. “Foi apresentado, há cerca de dois anos, um plano para

a alteração da licenciatura em Estudos Portugueses. O número de horas de português reduziu drasticamente e passaram a ter outras disciplinas que não têm interesse nenhum. É um plano inacreditável, mas é também inacreditável que tenha sido aprovado e posto em funcionamento sem ser questionado, até no

Senado da universidade”, disse ao HM. Custódio Martins dá conta de situações de abuso de poder, que o levaram a sair da UM. “A minha saída foi motivada pela perseguição que me vinha a ser feita e também pelo facto de ter sido posto de lado no departamento, a nível profissio-

nal. Desde que a directora chegou que a faculdade tem sido comandada com mão de ferro. Tudo o que acontecia no departamento de português, sobretudo nos últimos tempos, era consequência de ordens emanadas da directora que tudo e todos tentava controlar. Havia claras situações de abuso de poder e de assédio profissional”, frisou o docente, que fala também de impedimento no acesso dos professores universitários à investigação. “Ao contrário do que deveria acontecer a nível académico, não havia discussão de ideias, e o espaço que havia para se fazer investigação séria e de alguma qualidade foi nitidamente reduzido e até mesmo limitado ao nível da acção. Nesse sentido, não havia qualquer estratégia, a não ser para um restrito grupo de pessoas.” Custódio Martins assegura que foi impedido de orientar teses de doutoramento, além de não mais ter sido chamado para “actos académicos para os quais tinha habilitações”.


grande plano 3

“Houve algumas situações em que a directora tentou impedir que eu fosse de licença de investigação, quando a situação estava prevista de acordo com os regulamentos. É uma situação perfeitamente incompreensível e nada profissional, na medida em que uma das obrigações de um director de faculdade, nos dias de hoje, é promover a investigação e não impedir que os membros dessa faculdade o façam”, reiterou.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

quinta-feira 27.6.2019

SEM EXPERIÊNCIA

John (nome fictício), docente da FAH que não pertence ao departamento de português e que não quis ser identificado, assegura que a nomeação de Hong Gang Jin foi uma surpresa para todos, a começar pelo facto desta não ter qualquer tipo de experiência em termos de gestão universitária. “Ficámos surpreendidos com a escolha porque, em termos académicos, ela não era qualificada para o trabalho. Ela apenas publicou alguns livros e escreveu alguns artigos em chinês, e lembro-me de falar com um colega da Universidade de Hong Kong que me disse que isso era ridículo, questionando como era possível acontecer uma nomeação como essa.” No currículo de Hong Gang Jin consta uma experiência de gestão como directora do Hamilton College, nos Estados Unidos, que não é mais do que um colégio de acesso ao ensino superior, adianta John. “Ela não tinha experiência em supervisionar departamentos universitários. Para chegar a esse estatuto é necessário supervisionar estudantes de doutoramento, e ela nunca o fez.” John recorda que antes de Hong Gang Jin foi escolhido “um director interino óptimo”, mas que depois “ninguém ficou muito contente” com a escolha, uma vez que “foram entrevistados candidatos excelentes”, tendo sido seleccionada a “candidata que estava no final da lista”. Circunstância que levou à debandada de uma parte significativa dos quadros do departamento de português. “Tenho um colega no meu departamento que sofreu muito com ela, odiavam-se. Muitas pessoas do departamento de português saíram porque era impossível trabalhar com ela. Rapidamente tornou-se claro que ela tinha as suas próprias ideias, e tínhamos de concordar com ela ou ficávamos de fora. E tornou-se claro que ela é estúpida,

mesmo. É uma professora de línguas, mas não a nível académico. Tem apenas uma ideia de como se deve ensinar línguas, sobretudo no que diz respeito ao departamento de português”, acrescentou John.

RECUPERAR A CREDIBILIDADE

Manuel (nome fictício), igualmente docente da FAH

“Tornou-se claro que ela é estúpida, mesmo. É uma professora de línguas, mas não a nível académico. Tem apenas uma ideia de como se deve ensinar línguas, sobretudo no que diz respeito ao departamento de português.” JOHN (NOME FICTÍCIO) DOCENTE DA UM

que não quis ser identificado, também menciona irregularidades cometidas durante a direcção de Hong Gang Jin. “Posso dizer-lhe que a saída corresponde a uma generalizada expectativa de muitos dos membros da FAH”, começou por dizer. “A nomeação da directora foi sempre polémica. Ao longo do mandato acumulou suspeitas de encobrimento (senão promoção) de irregularidades em concursos e acusações de plágio.” No que diz respeito ao departamento de português e inglês, este professor recorda que as relações foram sempre conflituosas. “É sabido que as hostilidades aos portugueses pesaram na saída antecipada da antiga directora do departamento, Fernanda Gil Costa, e na promoção apressada (e sem justificação curricular) do seu sucessor, Yao Jingming”, disse. Hong Gang Jin teria ainda uma “forte associação ao ex-vice-reitor Lio-

nel Ni, que também saiu recentemente da UM”, disse o mesmo docente. Lionel Ni era “geralmente detestado e conhecido por abusos de poder”, e o facto de ter deixado a UM “explica a saída” de Hong Gang Jin. “Estas duas saídas e uma anterior, a do director

“Estas duas saídas e uma anterior, a do director da Faculdade de Ciências Sociais da UM, correspondem a uma política de saneamento promovida pelo novo reitor, Song Yonghua.” MANUEL (NOME FICTÍCIO DOCENTE DA UM

da Faculdade de Ciências Sociais da UM, correspondem a uma política de saneamento promovida pelo novo reitor, Song Yonghua, no sentido de recuperar a credibilidade da UM, afectada por irregularidades várias e correntes durante o mandato do seu antecessor, Wei Zhao”, adiantou a mesma fonte. Esta ligação de Hong Gang Jin a Lionel Ni foi também confirmada pelo HM junto de uma outra fonte ligada ao departamento de português. Foram igualmente pedidas reacções a Yao Jingming e a Hong Gang Jin, que até ao fecho desta edição não responderam às questões colocadas. John defende que o novo reitor da UM “está a remover a corrupção” que existia dentro da instituição de ensino superior público. “O antigo reitor, Wei Zhao, era muito corrupto e penso que nomeou pessoas da sua confiança. O novo reitor está lentamente a remover os dirigentes corruptos da universidade”, apontou.

“Houve algumas situações em que a directora tentou impedir que eu fosse de licença de investigação, quando a situação estava prevista de acordo com os regulamentos.” CUSTÓDIO MARTINS EX-PROFESSOR DA UM

O HM contactou também alguns professores do departamento de inglês da FAH, mas não foram obtidas respostas. Inocência Mata, que chegou a ser vice-directora do departamento de português, não quis prestar declarações por já não estar veiculada à UM desde 2018. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

27.6.2019 quinta-feira

HABITAÇÃO SOCIAL COMISSÃO E GOVERNO CHEGAM A ACORDO

A idade maior

Deputados e Governo concluíram a discussão da nova proposta de Lei da Habitação Social e preparam-se para a votação no hemiciclo, antes do fim da sessão legislativa. A idade mínima dos candidatos ficou resolvida, bem como ao direitos e deveres de cônjuges não-residentes

CCAC HOI VONG CHONG PEDE INVESTIGAÇÃO À CAECE

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potencial candidato a Chefe do Executivo, Hoi Vong Chong, conhecido por se manifestar de amarelo nas ruas de Macau, solicitou na passada terça-feira ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC) uma investigação à Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE). De acordo com o jornal Macau Post Daily, o possível candidato teme que o processo eleitoral para o mais alto cargo do Governo não seja conduzido com imparcialidade. Em causa estará um

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alegado caso de difamação dirigido ao candidato por um dos membros da CAECE, Chan Tsz King. Como tal, Hoi quer assegurar que a sua candidatura é avaliada imparcialmente. De acordo com a mesma fonte, o “homem de amarelo” está confiante quanto à obtenção dos apoios necessários para poder avançar com a candidatura. Cada candidato deve reunir, pelo menos, 66 apoiantes de entre os 400 membro do colégio eleitoral para ser considerado apto a seguir na corrida a Chefe do Executivo. PUB

HM • 1ª VEZ • 27-6-19

ANÚNCIO EXECUÇÃO ORDINÁRIA nº

CV3-17-0192-CEO

3º Juízo Cível

Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555, Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. Executada: IEONG CHI CHIN, casada com LAO IOK PANG no regime de separação de bens, residente em Macau, na Rua do Almirante Costa Cabral 136, Edifício Kuong Lei, 10º andar E. *** FAZ-SE SABER que, nos autos acima indicados, são citados oscredores desconhecidos da executada para, no prazo de QUINZE (15) dias, que começa a correr depois de finda a dilação de VINTE (20) dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Bem penhorado Imóvel Denominação: Fracção autónoma designada por “G5”, do 5º andar G. Situação: Na Taipa, nºs 395 a 451 da Rua de Viseu. Fim: Habitação. Número de matriz: 040765. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 19363, de fls. 52 do Livro B40, e aí registada a favor da executada Ieong Chi Chin, pela inscrição nº 307457G. RAEM, aos 19 de Junho de 2019. ***

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discussão na especialidade da proposta de Lei do “Regime Jurídico da Habitação Social” ficou ontem concluída, após um ano de desentendimento entre o Governo e os deputados da 1ª Comissão Permanente, sobre os requisitos exigidos para a formalização das candidaturas. “Esta foi a última reunião, já chegámos a consenso sobre tudo, não haverá mais reuniões sobre a Lei da Habitação Social. Vamos agora entregar a última versão, esperamos fazê-lo no prazo de uma ou duas semanas, após o que a Comissão fará o parecer e depois irá para Plenário, para votação e aprovação na especialidade”, revelou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, à saída da reunião na Assembleia Legislativa (AL). Raimundo do Rosário adiantou esperar “que tudo isto fique aprovado ainda nesta sessão legislativa, ou seja, antes de 15 de Agosto”, justificando a demora do processo com “a questão da idade”, que na proposta prévia admitia apenas o arrendamento de fracções sociais a candidatos com um mínimo de 23 anos de idade, situação contestada pelos deputados que pretendiam descer este limite mínimo para os 18 anos, idade consagrada como maioridade plena. “A questão da idade ficou resolvida e a solução, encontrada por consenso, foi a de que, se uma pessoa já estiver casada, bastam os 18 anos para se candidatar, mas se for solteiro, terá que esperar pelos 23 anos. Foi este o consenso alcançado”, informou o responsável,

realçando a abertura da posição do Governo para considerar as necessidades de famílias desfavorecidas mais jovens. O presidente da 1ª Comissão Permanente, Ho Ion Sang, afirmou também que “o Governo cedeu em grande escala, em relação às candidaturas dos agregados familiares”, confirmando que ontem “houve grandes avanços nos trabalhos, porque antes, tivemos divergências sobre o requisito da idade no âmbito da candidatura”.

Os candidatos que tenham família poderão habilitar-se à habitação social a partir dos 18 anos de idade, “quanto aos candidatos individuais, o Governo, depois de ponderar vários factores, mantém a idade mínima de 23 anos. Mas, “deixou de etiquetar os estudantes, ou seja, retirou a figura de estudante no artigo em causa”, já que no actual regime a idade mínima é de 18 anos, tanto para trabalhadores como para estudantes, e houve abusos por parte de jovens

“Se uma pessoa já estiver casada, bastam os 18 anos para se candidatar, mas se for solteiro, terá que esperar pelos 23 anos. Foi este o consenso alcançado.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO

a estudar que acediam a este tipo de habitação por não auferir rendimentos, não estando necessariamente em situação de carência. “O Governo abriu também uma porta, no artigo em causa, para permitir uma certa flexibilidade para tratar os casos especiais”, acrescentou o deputado que preside à comissão. Ou seja, “o Chefe do Executivo, em circunstâncias excepcionais devidamente fundamentadas, pode admitir a concurso candidatos individuais com idade inferior a 23 anos, desde que tenham completado 18 anos”.

CÔNJUGES FORA DE CASA

Outra decisão foi a de considerar os rendimentos de cônjuges não-residentes no processo de candidatura dos agregados familiares a habitação social. “Considerar um cônjuge não-residente como parte do agregado, na avaliação dos pedidos para a habitação social, foi uma questão que levantou algum debate, mas também aqui se chegou a um consenso”, disse Ho Ion Sang. A contabilização dos rendimentos e património deste terá que ser incluída na candidatura, mas o cônjuge não fará parte do agregado, podendo visitar regularmente a família. “Na nova versão do Governo, o artigo 15 permite colmatar esta necessidade. Assim, quando o cônjuge adquirir a qualidade de residente não-permanente, pode recorrer ao artigo 14 para residir legalmente na habitação e, se passar a residente permanente, pode requerer a sua inserção no agregado familiar e até solicitar junto do Instituto da Habitação (IH) uma casa maior”. Actualmente, existem 6349 candidaturas – individuais e familiares – em processo de avaliação ou a aguardar colocação. Deste universo, os pedidos de candidatos entre os 18 e os 22 anos são apenas 471. O Governo terá que dar resposta a todos estes casos até à entrada em vigor da proposta de Lei agora acordada, o que deverá acontecer dentro de nove a doze meses, ou seja, em meados de 2020. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com


política 5

quinta-feira 27.6.2019

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AL GOVERNO ESCONDE DOS DEPUTADOS DESTINO DE 8 MIL MILHÕES DE RENMINBIS

Investimento no escuro

Um acordo de confidencialidade com as autoridades de Guangdong foi a desculpa utilizada pelo Executivo para recusar dizer onde fez investimentos milionários. Deputados garantem não estar interessados na questão, desde que a RAEM receba o retorno prometido de 3,5 por cento do investimento TIAGO ALCÂNTARA

Governo recusou informar os deputados onde foram investidos 8 mil milhões de reminbis no Interior da China, no âmbito da parceria com as autoridades de Cantão, chamada Fundo de Desenvolvimento para a Cooperação Guangdong-Macau. Numa reunião com a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos Públicos, que tem como função fiscalizar os investimentos da RAEM, os membros da Assembleia Legislativa deram-se por satisfeitos com as informações disponibilizadas pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. “Há oito projectos em que está a haver intervenção do fundo, cinco dos quais estão na zona da Grande Baía. Os projectos estão relacionados com construção de infra-estruturas, centros modais de transportes, auto-estradas, campos tecnológicos e transportes ferroviários”, afirmou Mak Soi Kun, presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas. No entanto, os deputados desconhecem por completo os investimentos feitos. “Sabemos que há uma lista de projectos para a aplicação dos fundos, que é fornecida pelas autoridades de Guangdong. Mas, como existe uma cláusula de confidencialidade, o Governo não está em condições de revelar os pormenores”, acrescentou. Uma das razões mencionadas para não se divulgar os locais do investimento, segundo Mak Soi Kun, é o facto da informação poder afectar o preço desses investimentos. Todavia, o facto de os deputados não poderem saber onde está a ser aplicado o dinheiro, nem acompanhar os trabalhos de construção dos projectos, não causou preocupação. Isto porque o fundo tem um retorno garantido de 3,5 por cento do investimento feito, pelo que é nesse aspecto que os legisladores se vão focar. “O que nos preocupa é o retorno fixo. Quanto aos investimentos, não vamos acompanhá-los. Se a taxa de retorno está assegurada, não temos grande interesse em saber esses pormenores. Sabemos as áreas do investimento e que dinheiro foi investido. Quando chegar a altura de receber os lucros combinados vamos exigi-los”, sustentou. Neste momento, Macau investiu 8 mil milhões de renminbis no

fundo. Deste valor, as autoridades de Guangdong investiram 7,3 mil milhões de forma faseada e têm mais 700 mil para investir. Porém, o valor investido por Macau pode alcançar os 20 mil milhões, valor

“Quanto aos investimentos, não vamos acompanhá-los. Se a taxa de retorno está assegurada, não temos grande interesse em saber esses pormenores.” MAK SOI KUN DEPUTADO

orçamentado para a esta parceria. Segundo os dados apresentados pela comissão, entre Junho e o final do ano de 2018, os lucros do investimento da RAEM atingiram 45,45 milhões de yuan. A este lucro deverá ser aplicado um imposto de 10 por cento. Contudo, o secretário disse aos deputados que vai tentar obter um perdão fiscal.

SOB O SIGNO DE SANTIAGO

Outro dos pontos abordados durante a reunião foi o andamento dos trabalhos do Governo para o estabelecimento do Fundo para o Desenvolvimento e Investimento da RAEM, uma espécie de fundo soberano. Segundo os trabalhos apresentados por Lionel Leong, a Autoridade Monetária de Macau

(AMCM), os Serviços de Finanças (DSF) e os Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) concluíram a primeira fase dos trabalhos, os seja os estudos. Ficou estabelecido que o fundo vai ser gerido por uma empresa com capitais públicos. A questão preocupou os deputados, devido o receio de falta de transparência, queixa frequente dos legisladores face a outras empresas com capitais públicos. Foi por isso sugerido ao Governo que a empresa siga as obrigações de outras companhias cotadas em bolsa. A proposta foi recusada. Porém, segundo o Executivo a empresa vai operar de acordo com o código comercial de Macau, tal como as outras empresas no território. A companhia fica

igualmente obrigada a adoptar os princípios de Santiago, ou seja, um conjunto de linhas orientadoras aplicadas a vários fundos soberanos que envolvem exigências como a publicação de relatórios anuais, o cumprimento de regras dos locais de investimento, assim como transparência. Sobre os quadros para a empresa, que necessitam de ser altamente qualificados, o secretário admitiu a hipótese de contratação no exterior, mas realçou a prioridade dos quadros locais. Está ainda a ser ponderado o desvio de uma parte dos trabalhadores da AMCM, responsáveis pela aplicação das reservas de Macau, para a empresa. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

GRANDE BAÍA EDMUND HO PEDE COOPERAÇÃO COM FUNDAÇÃO DA SEGUNDA ESPOSA DE SUN YAT-SEN

O

vice-presidente da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês, Edmundo Ho, defendeu o aumento da cooperação entre os diversos sectores de Macau e a Fundação

Soong Ching Ling China. Na visão daquele que foi o primeiro Chefe do Executivo da RAEM, o objectivo é desenvolver parcerias de longo prazo com a fundação em prol da participação no

projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. O Jornal do Cidadão escreve também que Edmund Ho lembrou que o papel de Macau, no contexto da Gran-

de Baía, é ser “um centro, uma plataforma, uma base”, tendo, por isso, a responsabilidade de implementar estratégias do Governo Central e aprofundar o princípio “Um País, Dois Sistemas”. O vice-presidente

da fundação, Yu Qun, agradeceu ao Governo da RAEM e aos dois Chefes do Executivo, Edmund Ho e Chui Sai On, pelo apoio prestado à fundação, incluindo a parceria tem vindo a ser concretizada com

a Fundação Macau. Nascida em Xangai em 1893 e falecida em 1981, Soong Ching Ling foi a segunda mulher de Sun Yat-sen e foi nomeada, em 1981, presidente honorária da República Popular da China.


6 publicidade

27.6.2019 quinta-feira


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ILHA VERDE IC VAI NOTIFICAR DONOS DO CONVENTO MAS NÃO DIZ QUANDO

Uma carta anunciada

HOJE MACAU

quinta-feira 27.6.2019

Ilha Verde Moradores pedem implementação do plano de ordenamento

Chan Ka Leong, vice-presidente da direcção da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Kaifong), e a presidente da Associação de Beneficência e Assistência Mútua dos Moradores do Bairro da Ilha Verde, Chan Fong, exigem que a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) acelere a implementação do Plano de Ordenamento Urbanístico da Ilha Verde, de acordo com as expectativas da sociedade. Os dois responsáveis garantem que continuam a viver pessoas de forma ilegal no antigo Convento da Ilha Verde que não tencionam abandonar o local, o que cria dificuldades aos proprietários para a realização de obras de manutenção. A situação de alojamento ilegal mantém-se, pelo menos, desde 2012, quando viviam, em condições precárias, dezenas de trabalhadores da construção civil oriundos da China. Chan Ka Leong e Chan Fong esperam que o Governo intervenha também a este nível para por fim à situação de alojamento ilegal.  

O Instituto Cultural chamou ontem a imprensa para avisar que vai notificar em breve os proprietários do convento jesuíta da Colina da Ilha Verde e fixar prazos para a realização das obras de restauro. Mas ainda não sabe quando

O

Instituto Cultural (IC) informou ontem que vai avançar em breve com uma carta formal de notificação à empresa proprietária do antigo convento jesuíta, situado na Colina da Ilha Verde, estabelecendo um prazo para que esta proceda às obras de reparação urgente do edifício, ao abrigo da Lei de Salvaguarda do Património Cultural em vigor. Após a publicação do relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), na passada segunda-feira, onde foram apresentadas queixas sobre a “insuficiência da conservação e do planeamento do terreno da Colina da Ilha Verde por parte do Governo, o que teria provocado danos na colina e na paisagem”, o IC reuniu ontem com os actuais proprietários – a Companhia de Desenvolvimento Wui San Limitada – para apurar os motivos da inacção desde 2017, quando foram informados sobre estas suas obrigações. Segundo o IC, a empresa proprietária alegou na reunião de ontem dificuldades na realização e planeamento das obras de reparação, dado tratar-se de um edifício muito antigo do século XIX, havendo “falta de plantas e de informação sobre as estruturas e os materiais utilizados na época, e falta de registos sobre os acrescentos e alterações feitas ao longo do tempo”, o que justificou que não tenham chegado a proceder à sua execução, revelou ontem a

vice-presidente, Leong Wai Man, em conferência de imprensa. A responsável afirmou que o IC “compreendeu as dificuldades apresentadas, mas reiterou a obrigação da empresa proprietária em proteger aquele património classificado”, informando que estabelecerá um prazo, a partir do qual a instituição será forçada a intervir coercivamente, arcando com a responsabilidade das obras e apresentando posteriormente a despesa aos proprietários, de acordo com o disposto no artigo 39º daquela Lei de 2013. Interrogada sobre o facto de o IC não ter feito mais do que enviar, em 2017, uma carta ao proprietário a dar conta das suas obrigações em relação à degradação avançada do edifício, a vice-presidente informou que procederam a vistorias da zona protegida da Ilha Verde e que vai trabalhar para “garantir que o património cultural classificado de Macau seja defendido”, concordando com os pareceres do Comissariado no que diz respeito à actual degradação do convento jesuíta. O IC não conseguiu, contudo, informar quanto ao prazo que será dado na carta aos proprietários, para o início e o fim do período de obras, justificando ter de analisar agora o que poderá ser uma data “razoável” e permitindo à empresa uma última oportunidade para avançar com as suas responsabilidades. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com

Energia Nam Kwong com défice de 77 milhões de patacas em 2018

A Companhia de Gás Natural Nam Kwong fechou as contas do ano passado com lucros de 1,8 milhões de patacas, mas feitas as contas finais a empresa registou défice acumulado de 77,4 milhões de patacas. A Nam Kwong é a empresa responsável pela distribuição do gás natural e adiantou que foi concluída, o ano passado, a construção de 6,3 quilómetros de novas condutas, “incluindo 2,1 quilómetros do gasoduto principal norte-sul na Península de Macau”. No que diz respeito à rede de gás natural, a Nam Kwong frisou que “tem mais de 46 quilómetros”, sendo que “as redes principais já cobriram as zonas da Taipa e Cotai”.

Jockey Club Empresa volta a registar prejuízos

O IC reuniu ontem com os proprietários do convento da Colina da Ilha Verde para apurar os motivos da sua inacção desde 2017, quando foram informados sobre a degradação do edifício e a obrigação de o reparar

A Companhia de Corrida de Cavalos de Macau, que opera o Jockey Club, na Taipa, continua a registar prejuízos. O ano de 2018 fechou com perdas acumuladas na ordem das 1,3 mil milhões de patacas, de acordo com o balanço publicado ontem em Boletim Oficial. Ainda assim, os resultados melhoraram, uma vez que em 2017 os prejuízos eram de 4,18 mil milhões de patacas. Importa referir que o capital social da concessionária subiu para 600 milhões de patacas. O Governo renovou o contrato de concessão com o Jockey Club, medida que gerou polémica, apesar das perdas sucessivas da empresa nos últimos anos. A concessionária prometeu mudanças de gestão e investimentos, tendo em conta o monopólio que se prolonga até 2042.


8 sociedade

27.6.2019 quinta-feira

ZHUHAI SEGURO MÉDICO PARA RESIDENTES DE MACAU ARRANCA A 1 DE JULHO

Estudantes e idosos de Macau que residam em Hengqin vão ter acesso ao projecto piloto de regime de seguro medico básico do continente. Para tal, só precisam ser portadores do cartão de residência chinês

A

data está marcada. No próximo dia 1 de Julho entra em acção o projecto piloto de acesso de residentes de Macau ao seguro básico de saúde em Zhuhai. Para já, a iniciativa vai estar circunscrita à Ilha da Montanha e é aplicável apenas a três grupos de residentes: crianças com idade igual ou inferior a 10 anos, estudantes do ensino primário e secundário e a pessoas com

idade igual ou superior a 65 anos. A informação foi dada ontem em conferência de imprensa pela sub-directora dos Serviços de Saúde, Ho Ioc San. Segundo a responsável, para que os residentes de Macau que vivem em Hengqing tenham direito ao apoio têm de ser portadores do documento de autorização e residência chinês. Recorde-se que de acordo com as directivas de Pequim, desde Setembro do ano passado, os residentes

GCS

Saúde na Montanha

chineses de Macau, Hong Kong e Taiwan que vivam no continente há, pelo menos, seis meses, podem PUB

ter acesso ao referido documento. A medida foi criada para permitir o usufruto de condições apenas dadas aos nacionais. Um dos direitos conferidos é a adesão à segurança social, ou seja, o direito a igual tratamento nacional através do regime do seguro básico de saúde do Interior da China”, recordou Ho Ioc San. O Governo Central vai contribuir para este projecto com 590 renminbi por ano, enquanto que Macau vai apoiar os adultos – pessoas

“Há diferentes regimes entre Macau e Zhuhai e este projecto é para saber como combinar estes dois sistemas.” HO IOC SAN SUB-DIRECTORA DOS SERVIÇOS DE SAÚDE

com mais de 65 anos - com 410 renminbi anualmente, enquanto os estudantes e menores de 10 anos têm o apoio de 180 renminbi.

PASSOS MAIORES

O presente projecto piloto vai ter a duração de seis meses a um ano, após a qual vai ser sujeito a avaliação. A ideia é aproveitar a iniciativa da Ilha da Montanha como exemplo para alargar o âmbito de acção tendo em conta as cidades que envolvem o projecto de cooperação regional da Grande Baía. “O objectivo é facilitar a integração dos residentes na Grande Baía para os estudos, para viver e na sua velhice”, apontou. “Há diferentes regimes entre Macau e Zhuhai e este projecto é para saber como combinar estes dois sistemas”, acrescentou a sub-directora dos SS. A ideia foi reforçada pela directora da Administração de Segurança da Saúde da cidade de Zhuhai, Cheng Zhitao que enquadrou o projecto como uma forma de “dar aos residentes de Macau melhores condições para viver e estudar na Ilha da Montanha, indo de encontro às directivas do presidente chinês Xi Jinping em “apoiar Hong Kong e Macau no plano de desenvolvimento da Grande Baía”. De acordo com os dados fornecidos ontem pelos representantes dos Serviços de Saúde vivem actualmente 281 residentes de Macau em Hengqin portadoras do documento de autorização se residência chinês, mas “há mais pessoas que vão pedir este cartão de autorização”. Segundo Ho Ioc San, o aumento de pedidos está relacionado com a quantidade de residentes locais, cerca de 3000, que neste momento têm negócios e escritório na área vizinha. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Autocarros Concessionárias fecham ano com lucros

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S três empresas responsáveis pelo serviço público de autocarros registaram lucros em 2018, sendo que a TCM se fundiu com a Nova Era, que deixou de operar em Julho do ano passado, de acordo o balanço publicado em Boletim Oficial (BO). A Transmac lidera ao nível dos lucros, com 41,4 milhões de patacas.Aempresa diz ter reforçado “a gestão de lucros e o controlo de custos”, o que resultou nos ganhos alcançados. O ano passado a empresa transportou um total de 97 milhões de passageiros, “com um volume médio diário de 257 mil passageiros, que registou um aumento de 4,3 por cento comparando com o ano anterior”, lê-se no mesmo balanço publicado em BO. Com a abertura da nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, “o volume de passageiros subiu 8,1 por cento em comparação com o ano anterior”. Para os próximos tempos, a concessionária “planeia actualizar 85 autocarros da frota que têm servido mais de 10 anos, e 62 autocarros inundados na passagem do tufão Hato em 2017”, sendo que o pedido “já foi entregue ao Governo”. O contrato de concessão tem duração até 31 de Outubro deste ano, estando a ser negociado “forma estreita com o Governo”. No que diz respeito à TCM - Sociedade de Transportes Colectivos de Macau, a empresa registou lucros de 36,2 milhões de patacas em 2018. Todos os activos e passivos da Nova Era foram transferidos para a TCM. A empresa extinta registou lucros líquidos de 33,3 milhões de patacas.

Eva Air Cancelados 14 voos a partir de Macau este fim-de-semana

A companhia aérea Eva Air, de Taiwan, anunciou no seu portal que serão cancelados um total de catorze voos das linhas entre Taiwan e Macau agendados para este fim-de-semana. O cancelamento acontece devido à greve dos funcionários de bordo da Eva Air, que já vai no sétimo dia. Os trabalhadores exigem melhorias salariais e regalias. Os voos cancelados têm como destino Taipé e Kaoshiung.


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quinta-feira 27.6.2019

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S Serviços de Saúde (SSM) foram condenados a pagar 1,57 milhões de patacas à viúva e aos quatro filhos de um homem de 71 anos, que morreu no Hospital Conde São Januário, após ter sido operado duas vezes, na sequência de uma primeira cirurgia para tratar de um cancro nas vias biliares. A decisão foi tomada este mês, pelo Tribunal Administrativo, mas o caso remonta a Dezembro de 2011, quando o homem foi internado e operado devido a complicações relacionadas com três intervenções cirúrgicas a que foi submetido. Depois de lhe ter sido diagnosticado cancro nas vias biliares, o paciente foi internado. Na altura a equipa médica do Hospital São Januário optou por realizar

JUSTIÇA SSM PAGAM 1,57 MILHÕES POR CIRURGIA QUE RESULTOU EM MORTE

Uma estreia negra uma intervenção cirúrgica chamada duodenopancreatectomia, também conhecida como Whipple, ou seja, uma operação que permite remover parte das vias biliares, e que é igualmente utilizada para as situações em que é necessário remover a cabeça do pâncreas, o duodeno ou a vesícula biliar. A cirurgia poderia ter sido ser feita com duas abordagens diferentes. A tradicional e mais utilizada na altura a: laparotomia. Esta abordagem obriga à abertura da barriga, com um corte grande, para manipulação manual dos órgãos. A outra abordagem é a laparoscopia, em que se são utilizadas sondas equipadas com uma câmara e uma pinça nas pontas, e que deixam apenas uns furos no abdómen. Esta abordagem é frequentemente utilizada para exames e acabou por ser a escolhida, apesar de nunca antes ter sido feita em Macau. Assim, a primeira cirurgia com recurso a laparoscopia em Macau foi realizada entre as 13h e as 23h20 do dia 21 de Dezembro de 2011. Como no dia seguinte se verificou uma grande hemorragia, o mesmo procedimento foi repetido entre as 15h50 e as 19h10. Nesta operação, o tribunal deu como provado que foram encontrados 2,3 litros de sangue no abdómen do paciente, que tinham resultado de um corte feito na primeira operação. O paciente recebeu ainda uma transfusão de sangue. Poucas horas depois da segunda operação o paciente teve nova hemorragia com perda de fluxo do sangue. A solução voltou a passar por mais uma operação,

TIAGO ALCÂNTARA

Em 2011, um homem de 71 anos foi internado no Hospital Conde São Januário onde foi operado com recurso a uma abordagem inovadora, que, na altura, foi utilizada pela primeira vez em Macau. Horas depois teve complicações e após mais duas intervenções, acabou mesmo por morrer

mil patacas. No total, os SSM pagam cerca de 1,57 milhões aos familiares, devido aos procedimentos que resultaram na morte do homem. A decisão do Tribunal Administrativo poderá ainda ser alvo de recurso, tanto pela família como pelos Serviços de Saúde. Além disso, decorre em tribunal um processo crime sobre o caso.

DECISÃO EMBLEMÁTICA

com recurso à técnica de laparoscopia, a última que foi feita antes do homem de 71 anos morrer.

REPETIÇÃO DO ERRO

Segundo o Tribunal Administrativo, as segunda e terceira operações deviam ter sido feitas com recurso à técnica mais popular em vez da técnica inovadora, como recomendam as práticas internacionais, ou seja, através da laparotomia. “Na escolha do meio de laparoscopia para a segunda e terceiras cirurgias, infringiram o legis artis [ndr. práticas habituais], que segundo os conhecimentos da medicina ao tempo em que os actos foram praticados, o procedimento a adoptar deveria ter sido a técnica de laparotomia [...] e não a

Acidente Estudante atropelada numa passadeira

laparoscopia”, pode ler-se na decisão. “Os dois médicos têm culpa ou mera negligência,

“Os dois médicos têm culpa ou mera negligência, na medida em que [...] não actuaram com o dever de cuidado na ponderação do meio adequado para suster a hemorragia com uma maior eficácia possível.” TRIBUNAL ADMINISTRATIVO

Uma estudante do ensino secundário foi atropelada esta segunda-feira, por volta das 17h, numa passadeira na zona do NAPE. De acordo com o jornal Exmoo News, a vítima estava consciente quando foi levada para o hospital. No que diz respeito ao condutor, não acusou excesso de álcool aquando da realização dos testes, sendo que terá recusado ceder a passagem à estudante. Ainda assim, o incidente vai continuar a ser investigado pela polícia.

na medida em que estes, perante as graves hemorragias que a situação clínica da vítima apresentava na altura, acompanhadas de choque hemorrágico e da queda violenta da pressão arterial na sequência da primeira cirurgia e da segunda, não actuaram com o dever de cuidado na ponderação do meio adequado para suster a hemorragia com uma maior eficácia possível”, foi acrescentado. De acordo com a lei em vigor, que define a responsabilidade civil das entidades públicas, compete aos Serviços de Saúde assumirem a responsabilidade civil dos seus agentes. Por este motivo, o tribunal decidiu que a viúva tem a receber 449 mil patacas e cada um dos quatros filhos 280

Depois de conhecida a decisão, o advogado da família da vítima, Paulo Ramalho Gonçalves, elogiou a conduta dos juízes pela forma como lidaram com o processo. “Estou satisfeito com a decisão do ponto de vista da sua correcção técnica, como estive ao longo das várias sessões do julgamento, porque raramente vi, para dizer que nunca vi, um colectivo de juízes tão profissionalmente atento e focado em chegar ao fundo da questão. Notou-se o esforço de procurar perceber com a máxima exactidão possível o intrincado contexto médico deste infeliz eventos”, disse Paulo Ramalho Gonçalves, ao HM. “Mesmo que a decisão não tivesse sido favorável aos meus clientes, eu teria ficado com uma excelente impressão do tribunal. Felizmente a decisão corresponde muito de perto ao que estava a antecipar em função do que resultou do julgamento”, acrescentou. O causídico definiu ainda a decisão como emblemática: “É uma decisão emblemática, e não é comum a Administração ser condenada. É uma decisão muito importante do ponto de vista jurídico-social; e paradigmática, servindo de referência para o futuro”, considerou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Porto Interior Investigado incêndio que envolveu duas embarcações

Está a ser investigado o incêndio que deflagrou na tarde de ontem no Porto Interior e que afectou duas embarcações, segundo a Rádio Macau. À mesma fonte, o Corpo de Bombeiros disse que não há feridos, apenas danos materiais. As autoridades explicaram que ainda não se sabe o que terá estado na origem das chamas que consumiram as duas embarcações junto à Ponte nº 5 B2.


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27.6.2019 quinta-feira

Notas sobre dipl MÚSICA ORQUESTRA DE MACAU CONVIDA MAESTRO PORTUGUÊS PARA DIGRESSÃO À CHINA E PORTUGAL

A celebração dos 40 anos de relações diplomáticas entre Portugal e a China foi o mote para o convite feito ao maestro Pedro Neves, que vai colaborar com a Orquestra Sinfónica Jovem de Macau numa digressão à China e Portugal

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O objectivo da digressão é celebrar não apenas o 20.º aniversário da transferência de administração de Macau, mas também o 40.º aniversário do restabelecimento de relações diplomáti

maestro português Pedro Neves disse à Lusa que vai colaborar com a Orquestra Sinfónica Jovem de Macau numa digressão à China e Portugal para assinalar os 40 anos de relações diplomáticas entre os dois países. O convite surgiu

porque a Orquestra Sinfónica Jovem de Macau “gostaria de trabalhar com um maestro português nesta digressão”, que inclui três concertos em Portugal, explicou Pedro Neves, maestro principal da Orquestra Clássica de Espinho. O objectivo da digressão é celebrar não apenas o 20.º ani-

A

Bilheteira aberta

partir de sábado, dia 22, e terça-feira, 25, estão disponíveis para venda os bilhetes para o 2.º Encontro em Macau - Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, mais concretamente para duas actividades que fazem parte do cartaz do evento, nomeadamente o festival de cinema e o concerto “Instrumentos Tradicionais Chineses de Corda e Fado", da Orquestra Chinesa de Macau. Os bilhetes para o cinema estarão à venda na Cinemateca Paixão a partir de sábado às 10h, ao preço de 60 patacas por sessão, enquanto que os bilhetes para o espectáculo musical estarão à venda na

versário da transferência de administração de Macau, mas também o 40.º aniversário do restabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e a China. Pedro Neves está já em Macau para os ensaios antes do primeiro concerto, que no sábado assinala o 22.º aniversário da Associação

Entradas para filmes e concerto do Festival das Artes à venda a partir de sábado

bilheteira online a partir das 10h30 de terça-feira. O “Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa” realiza-se de 4 a 17 de Julho no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) e na Cinemateca Paixão, contando com a projecção de 26 filmes em três sessões. São eles “Retrospectiva de Clássicos”, “Nova Visão da China e dos Países de Língua Portuguesa” e “Olá Macau”, complementada por conversas pré e pós-projecção.

O filme de abertura “Primavera Numa Cidade Pequena”, do poeta e realizador chinês Fei Mu, será exibido no dia 4 de Julho, pelas 19:45 horas, no Pequeno Auditório do CCM. Após a projecção do filme, Dai Jinhua, Professor da Universidade de Pequim, é convidado a conduzir uma conversa para falar do cinema chinês e seu enfoque duplo na paisagem rural e na perspectiva urbana. Será também exibido o filme “A Portuguesa”,

Orquestra Sinfónica Jovem de Macau, marcado para as 20h no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau. Numa orquestra jovem, “o maior desafio é sempre aproveitar da melhor forma a energia e a vivacidade que são próprias dessa faixa etária, colocando essa

motivação ao serviço da música”, explicou Pedro Neves. A orquestra é formada por jovens músicos chineses de Macau, com a exceção do lusodescendente Júlio Miguel dos Anjos. Mas Pedro Neves acredita que “a barreira da língua é um problema quase insignificante

uma obra experimental da realizadora portuguesa Rita Azevedo Gomes. A película será projectada como evento de encerramento do capítulo dedicado à sétima arte. Este filme é uma adaptação do romance do austríaco Robert Musil, sendo nomeado para prémios no Festival Internacional de Cinema de Berlim 2018 e Festival de Cinema de Mar del Plata 2018. Além disso, serão também exibidas diversas curtas-metragens locais.

terça-feira, sendo que o espectáculo acontece a 5 de Julho pelas 20h no Grande Auditório do CCM. De acordo com o Instituto Cultural (IC), que organiza este festival, este concerto “irá evidenciar o impacto do intercâmbio cultural e artístico entre a China e Portugal, reflectindo o charme único da integração harmoniosa das culturas chinesa e portuguesa”. A orquestra “irá apresentar uma variedade de belas obras clássicas da música chinesa, proporcionando ao público uma experiência musical absolutamente nova”. A.S.S.

MOUTINHO DIA 5

Os bilhetes para o concerto com Hélder Moutinho e a Orquestra Chinesa de Macau começam a ser vendidos na

porque o código musical é universalmente muito forte e o entendimento entre os músicos vai muito para além das palavras”.

MAIS CONCERTOS EM JULHO

A colaboração de Pedro Neves continua em Julho, com o segundo espetáculo,

Hélder Moutinho


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quinta-feira 27.6.2019

lomacia

icas entre Portugal e a China

no dia 19, às 19h30 na sala de concertos da National Library Arts Center, em Pequim. O programa do concerto na capital chinesa inclui música clássica ocidental, mas também “O Mundo dos Insectos”, da autoria de Doming Ngok-pui Lam, compositor

nascido em Macau, e ainda uma canção inspirada pela lenda milenar chinesa “Os Amantes Borboleta”. “Espero que o público nos possa acolher da melhor forma, possa compreender a mensagem das obras que vamos interpretar”, disse Pedro Neves. Após visitar

Pequim, a digressão continua em Portugal. A Orquestra Sinfónica Jovem de Macau toca a 21 de Julho, pelas 21h30 horas no Festival ao Largo, em Lisboa, antes de ir ao Festival das Artes em Coimbra, a 24 de Julho. A digressão termina a 27 de Julho no Festival do Marvão.

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Desmodium Nome botânico: Desmodium adscendens (Sw.) DC. Família: Fabaceae (Leguminosae). Planta tropical, o Desmodium cresce em estado selvagem em regiões da África Equatorial e América Latina, em lugares húmidos, bosques abertos, pastagens e bermas das estradas, parasitando arbustos e palmeiras. Trata-se de uma herbácea perene, de ramos mais ou menos prostados, folhas compostas por três folíolos ovalados de cor verde-clara e flores violáceas agrupadas em cachos terminais; os frutos são castanhos no final da maturação. É usado como forragem, sobretudo para cavalos e cabras. Enquanto planta medicinal, o Desmodium é utilizado ancestralmente nos países africanos para combater a icterícia, hepatites virais, transtornos gastrintestinais e asma. A sua investigação foi iniciada na década de 1960, através de médicos franceses a exercer medicina nos Camarões, estando actualmente comprovada a sua eficácia em diversas indicações tradicionais. Em fitoterapia são usadas as folhas. Composição Saponinas triterpénicas e alcalóides em grande quantidade; ácidos fenólicos, cumarinas, flavonóides, antocianinas, taninos, fitosteróis e aminas; contém ainda um elevado teor em proteínas e minerais, além de vitaminas, carotenóides e ácidos gordos. Acção terapêutica Por vezes apelidado de “planta do fígado”, o Desmodium é uma excelente planta para o sistema hepático, estimulando a produção de bílis no fígado e facilitando a sua excreção no duodeno, o que permite a drenagem deste importante órgão-filtro e a eliminação das toxinas. Por outro lado, combate os radicais livres, protege o fígado das agressões provocadas pelos resíduos tóxicos (álcool, metais pesados, medicamentos, etc.), impede a degeneração das células hepáticas e auxilia a sua regeneração; assim, faz desaparecer diversos sintomas hepáticos (como icterícia, fadiga, entre outros), normaliza os níveis elevados de transaminases (enzimas hepáticas) e previne a cirrose. Cabe realçar que esta sua importante capacidade de protecção e regeneração é tanto mais rápida e permanente quanto mais cedo se estabeleça o tratamento. Pelo atrás exposto, é uma planta muito recomendada nas hepatites virais, hepatites tóxicas (de origem alcoólica, medicamentosa, etc.), icterícia, cirrose, esteatose hepática (fígado gordo), desintoxicação

alcoólica, e como hepatoprotector durante um tratamento médico (por ex., quimioterapia); é ainda muito utilizado como desintoxicante geral, antes de qualquer tratamento ou em curas preventivas, preguiça ou disfunções hepáticas menores, bem como em casos de obstipação e dores de cabeça de origem hepática. O Desmodium estimula o apetite, diminui as náuseas e favorece a digestão, exercendo também actividade anti-inflamatória e antiespasmódica, o que o torna útil nas perturbações digestivas (digestões lentas, arrotos, distensão abdominal, flatulência), gastrites agudas e crónicas, e úlceras do estômago. Outras propriedades Muito usado nos processos alérgicos, especialmente a asma, o Desmodium tem um efeito relaxante sobre os músculos lisos das vias aéreas, inibindo os espasmos provocados pelas reacções alérgicas e dilatando os brônquios; tem igualmente actividade calmante da tosse. Na asma, é de referir que a sua eficácia é mais elevada quando usado de forma profiláctica, de forma a prevenir ou reduzir a frequência das crises asmáticas, do que numa situação aguda. Além da asma é também usado nas rinites, tosse e catarro. Pela sua acção relaxante muscular, o Desmodium beneficia ainda situações de espasmos musculares, dores nas costas, músculos ou articulações. Como tomar Uso interno: • Em ampolas, xarope, gotas, pasta com mel, cápsulas e comprimidos, em simples ou fórmulas, para as más digestões, sensação de enfartamento, cálculos biliares e renais, úlceras gastroduodenais, abuso de álcool, sobrecarga hepática, fígado gordo, hepatites, cirrose, como drenador e hepatoprotector, manutenção da mucosa das vias respiratórias, rinite, asma e fortalecer a imunidade, entre outras indicações. • Infusão: 1 colher de chá das folhas por chávena de água fervente, 5 a 10 minutos de infusão. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. Precauções Contra-indicado na gravidez, lactação e em caso de hipersensibilidade a algum dos seus componentes. É uma planta que carece de toxicidade, no entanto, em doses elevadas podem ocorrer diarreias, náuseas e dores de cabeça. Não foram descritas interacções medicamentosas. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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27.6.2019 quinta-feira

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS PARA OS ASSUNTOS LABORAIS

Anúncios (Concurso Público n.º 01/DSAL/2019) Faz-se saber que, em relação ao concurso público para «Obras de remodelação do rés-do-chão da sede da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 23, II Série, de 5 de Junho de 2019, foram efectuadas rectificações ao processo do concurso. As referidas rectificações encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário na Divisão Administrativa e Financeira da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221-279, Edifício Advance Plaza, 2º andar, Macau, e também se encontram disponíveis na página electrónica da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (http://www.dsal.gov. mo). Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, aos 19 de Junho de 2019. O Director dos Serviços Wong Chi Hong

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO O Governo da Região Administrativa Especial de Macau faz público, através da Direcção dos Serviços de Turismo, que, de acordo com o Despacho, de 29 de Abril de 2019, do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a prestação de serviços de “Produção da publicação electrónica Macao Travel Talk em 2020 e 2021, em versão chinesa e versão inglesa”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso Público na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias do processo do concurso mediante o pagamento de MOP200,00 (duzentas patacas) para despesas com documentos, ou consultar os Avisos Públicos na Página Electrónica da Indústria Turística de Macau (http:// industry.macaotourism.gov.mo) da Direcção dos Serviços de Turismo e fazer o “download” gratuito do mesmo. A sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 15:00 horas do dia 8 de Julho de 2019. O limite máximo do concurso é de MOP2.800.000,00 (dois milhões e oitocentas mil patacas). Os critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação são os seguintes: Critérios de adjudicação Edição Membros constituintes da equipa História e currículo da empresa concorrente Concepção do layout da publicação electrónica Preço proposto

Factores de ponderação 30% 25% 10% 20% 15%

O concorrente deverá apresentar a proposta à Direcção dos Serviços de Turismo, sita na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, Macau, durante o horário normal de expediente e prestar uma caução provisória de MOP56.000,00 (cinquenta e seis mil patacas) até às 17:45 horas do dia 2 de Setembro de 2019. A caução provisória deve prestada mediante: 1) depósito na Direcção dos Serviços de Turismo em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitido à ordem do Fundo de Turismo; 2) garantia bancária; ou 3) depósito em numerário à ordem do Fundo de Turismo, no Banco Nacional Ultramarino de Macau (n.o de conta 8003911119). O acto público de abertura das propostas será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 15:00 horas do dia 4 de Setembro de 2019. Os concorrentes ou os seus representantes legais deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os concorrentes ou os seus representantes legais poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público de abertura das propostas. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 20 de Junho de 2019. A Directora dos Serviços Maria Helena de Senna Fernandes


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quinta-feira 27.6.2019

CIMEIRA DO G20 PROTESTO EM HONG KONG PRESSIONA LÍDERES A COLOCAR EXTRADIÇÃO NA AGENDA

A razia dos porcos

Tudo por tudo A Centenas de manifestantes que protestam contra a lei de extradição de Hong Kong reuniram-se à porta de consulados estrangeiros, para colocar o assunto na agenda da cimeira do G20, marcada para amanhã no Japão

L

IVREM Hong Kong da colonização da China!” lê-se num dos cartazes empunhados pelos manifestantes, na sua maioria vestidos de negro, de acordo com imagens transmitidas em directo na rede social Facebook pelos ‘media’ locais. Os activistas, que pretendem visitar, um a um, os 19 consulados dos países participantes na cimeira, apelam aos líderes mundiais que discutam com o Presidente chinês, Xi Jinping, em Osaka, no Japão, a controversa proposta que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordo prévio, como é o caso da China continental. O protesto surge depois do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhang Jun, ter assegurado que Pequim não vai permitir que a proposta seja abordada na cimeira do G20, já que é “um assunto interno” sobre o qual “nenhum país estrangeiro” deve interferir. Como parte da estratégia para colocar a questão na agenda do G20, os activistas arrecadaram mais de cinco milhões de dólares de Hong Kong numa campanha de

angariação pública para publicar anúncios em 13 jornais em nove diferentes países.

FRENTE DA MARCHA

Depois de visitarem os 19 consulados, os manifestantes planeiam uma segunda marcha, organizada pela Frente Civil pelos Direitos Humanos, às 20h. Um dos coordenadores, Jimmy Sham, disse que o tema do protesto será “Libertem Hong Kong, agora democracia”. Os organizadores convidaram diferentes profissionais para anunciarem uma declaração conjunta em várias línguas. A antiga colónia britânica foi palco, nas últimas semanas, de três protestos maciços contra um medo

comum: que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça politizada que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos. A chefe do Governo, Carrie Lam, foi obrigada a suspender o debate sobre as emendas planeadas e a pedir desculpas em duas ocasiões, mas não retirou a proposta. Proposta em Fevereiro e com uma votação final prevista para antes do final de junho, a lei permitiria que a chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de suspeitos de crimes para as tais jurisdições sem acordos prévios.

Hong Kong Tribunal anula condenação de Donald Tsang Um tribunal de Hong Kong anulou ontem a condenação do ex-líder do Governo do território Donald Tsang, condenado por conduta imprópria relacionada com um acordo de propriedade, quando exercia o cargo. Donald Tsang foi libertado em Janeiro passado, depois de cumprir um ano de uma pena de prisão de 18 meses por não ter revelado um alegado conflito de interesses, ao acordar arrendar um apartamento de luxo a um empresário da China continental que recebera

uma licença de radiodifusão do Governo. De acordo com um painel de cinco juízes do Tribunal de Última Instância, o juiz que presidiu ao julgamento não deu aos jurados instruções suficientes sobre se Tsang havia deliberadamente ocultado informações antes de o considerar culpado em 2017. Os juízes também ordenaram que não haveria lugar a novo julgamento. Tsang, de 74 anos, foi chefe do Governo de Hong Kong de 2005 a 2012.

Pequim proíbe importações de carne do Canadá

China anunciou ontem que vai suspender todas as importações de carne do Canadá, por alegadas falhas na segurança alimentar, numa altura de tensões entre Pequim e Otava, devido à detenção de uma executiva da Huawei Em comunicado, a embaixada da China no Canadá disse que a medida foi tomada após as autoridades alfandegárias da cidade de Nanjing, no leste do país, encontrarem vestígios de ractopamina em carne de porco oriunda do Canadá, um aditivo alimentar é permitido no Canadá, mas proibido na China. “A China tomou medidas preventivas urgentes e pediu ao Governo canadiano que suspenda a emissão de certificados para exportação de carne para a China”, lê-se no comunicado. Nos últimos meses, as autoridades chinesas tinham já suspendido as licenças de importação de três matadou-

ros canadianos e todas as novas compras de sementes de canola oriundas do país.

EM MAUS LENÇÓIS

A decisão de suspender as importações de carne acontece quando o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, se dirige ao Japão para a cimeira do G-20. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, para tentar pôr fim à guerra comercial entre os dois países, que espoletou no Verão passado. O Canadá quer que Trump aborde o assunto com Xi Jinping. Os chineses recusaram dialogar com o Governo canadiano, incluindo Trudeau e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Chrystia Freeland. Trudeau esperava reunir-se com Xi na cimeira do G-20, mas parece improvável. No ano passado, as exportações de apenas carne de porco do Canadá para a

China somaram mais de 330 milhões de euros. A carne de porco é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60 por cento do total do consumo de proteína animal no país. Dados oficiais revelam que os consumidores chineses comem 55 milhões de quilos de carne de porco por ano. As autoridades chinesas autorizaram, desde o final do ano passado, os matadouros portugueses Maporal, ICM Pork e Montalva a exportarem para o país. Estimativas iniciais apontavam que as exportações portuguesas para China se fixassem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 24/P/19

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 25/P/19

Faz-se público que, por deliberação do Conselho Administrativo, de 13 de Junho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento e Instalação de Um Aparelho de Ultrassonografia Portátil aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 26 de Junho de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP42,00 (quarenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 26 de Julho de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 29 de Julho de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP16.000,00 (dezasseis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 12 de Junho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Sistemas de Localização de Radiações e Aparelhos de Termografia por Infravermelhos aos Serviços de Saúde (Posto Fronteiriço de Hengqin)», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 26 de Junho de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP52,00 (cinquenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). O presente concurso público não terá visita de estudo do local da instalação dos equipamentos, pelo que, para o conhecimento total do local da instalação dos equipamentos, os concorrentes devem assistir à sessão de esclarecimentos a ter lugar no dia 2 de Julho de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 29 de Julho de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 30 de Julho de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional” situada no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP146.800,00 (cento e quarenta e seis mil, oitocentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.

Serviços de Saúde, aos 20 de Junho de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

Serviços de Saúde, aos 20 de Junho de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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diário de Próspero

Se Deus não é amor, não vale a pena que exista

A arte ressurrecta

CORNELIA PARKER WHITWORTH, COLD DARK MATTER

António Cabrita

27.6.2019 quinta-feira

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IZIA Francis Bacon que pintar oscilava entre a intenção e a surpresa. Enfatizava as contribuições não planeadas e inconscientes no processo. Também a escultura brasileira Ana Maria Pacheco: «Obviamente, sei qual é a estrutura da composição, mas não sei como vai evoluir. É por isso que não faço modelos, de outro modo seria apenas um design. Estaríamos a lidar com aquilo que sabemos. Nas artes visuais temos de lidar com o que não sabemos». Eis-nos nos antípodas de Jeff Koons que projecta e manda fazer as suas peças, nunca se envolvendo no processo, num gesto, diria Ana Maria, de designer. Também a famosa peça de Mark Wallinger, Uma Verdadeira Obra de Arte - um ready-made vivo: um cavalo - está mais do lado do design do que da arte: ficam os trunfos jogados no momento da decisão, abolida a experiência do processo. E suspeito que diferente não seja com My Bed, de Tracey Emin, que foi finalista do Prémio Turner, uma peça que ilustra porque introduziu o poeta Craig Raine o termo “homeopático” para descrever uma obra cujo conteúdo artístico é tão diluído, que não oferece maior efeito estético que o de um placebo. Um bom placebo, igualmente, a peça referencial de Joseph Kosuth, Uma e três cadeiras, onde se dispõem os três diferen-

tes elementos que conformam o conceito cadeira: a cadeira, a imagem da cadeira, a descrição da cadeira. A redundância no jogo dos análogos não descola a peça do já sabido, nem incita a uma nova relação ou a jogo diverso com a cadeira. Temos programado design e não arte. Estabelece-se uma nova relação quando, por exemplo, se ilumina que se traçarmos dois riscos paralelos entre si na verdade desenhamos também o risco branco que fica no meio entre eles e então somamos. 1+ 1 = 3. Se não se gera este movimento, inaugurando um âmbito, qualquer peça é amorfa, não nos transforma. Eis a superioridade da cabeça do touro de Picasso sobre o urinol de Duchamp: a escultura não só subverte a funcionalidade dos elementos que a formam, molda outra percepção. Também sobre a arte mas sobretudo quanto a como re-inaugurar o mundo. Com Duchamp, combatemos os preconceitos sobre os limites da arte, emergiram novos materiais para a arte e ganhou-se um trocadilho, mas o mictório continua um mictório: o terceiro da relação não transitou do conceito para o coração – mudou a arte mas não mudou com esta o olhar. Pura tagarelice cerebral. Aliás, para a escolha dos objectos que fossem “elevados” a ready-made, Duchamp tinha um adjectivo: indiferente. O objecto escolhido tem de destacar-se

pelas suas não-qualidades. Busca-se uma isenção, uma impessoalidade. Estamos no pleno sistema dos objectos. Daí que Duchamp tenha afirmado, Eu dou àquele que observa (a obra de arte), tanta importância como àquele que a realizou. A blague de quem sabe ter-se distinguido na singularidade de reivindicar o anonimato para a arte. Era um homem fascinado pelo engenho da sua inteligência, habituado ao bluff, ou veja-se a sua última obra: «Étant donnés»; aí obriga o espectador a mirar através do buraco duma fechadura, produzindo uma situação onde não só ele controla a posição do observador e o seu ponto de vista – quando suprimira o controle

Eis a superioridade da cabeça do touro de Picasso sobre o urinol de Duchamp: a escultura não só subverte a funcionalidade dos elementos que a formam, molda outra percepção

na arte –, como realiza uma obra que, contra tudo o que escreveu e defendeu toda a vida, é bastardamente retiniana. O seu discípulo mais fecundo e um grande pensador foi John Cage, que se colocou contra o mestre em muitas posições. E por isso disse: O que peço à arte é que mude a minha forma de olhar. Quando reparo que um selim e um guiador de bicicletas resultam numa terceira imagem que ampliou o meu campo da percepção, flano à procura de novos nexos que despertem outras alterações no padrão com que olhava a realidade e aí o mundo torna-se de novo maravilhosamente inacabado, ficando em co-criação com ele. O artista, na concepção de Cage, é aquele que inaugura âmbitos. O âmbito abre um poro na nossa relação com o mundo, que passa a ser visto diferentemente porque fomos contaminados pelo despontar de uma nova interpretação, que nos constipou como o vento numa casa quando se escancaram as janelas. O artista transporta-nos à aventura de nos devolver um mundo inacabado e não cristalizado. E por isso passível de ser transformado. Embora seja preciso acreditarmos que o mundo existe fora de nós e não é apenas a vitrina para expor a nossa arte, o circo de pulgas do nosso engenho. Fiquei mais convencido ao deparar com uma artista conceptual que me parece dar um bigode à “esperteza” dos ready-made de Duchamp. Chama-se Cornelia Parker, a autora de uma das grandes obras-de-arte britânicas do século XX, Matéria Negra Fria: Uma Visão Explodida/ Cold Dark Matter (1991). Parker pediu ao exército britânico que fizesse explodir uma barraca de jardim cheia de objectos pessoais. Depois, como se quisesse reconstituir um frame do acto da explosão, pegou nos fragmentos sobreviventes e suspendeu-os no tecto, iluminando-os do interior por uma lâmpada, o que cria um efeito dramático e projeta sombras nas paredes da galeria. Como é nítido pela imagem, Parker pega nos fragmentos e trabalha não apenas a escala alterada e a substância das coisas, ela suga-nos (aos espectadores) para o centro daquele caos (tal a força daquela luz centrípeta) e convida-nos a reconstituir com ela a catedral da memória, de que as sombras serão os vitrais. É uma experiência que, pela força inédita que nos atinge, equivale a uma estrondosa metáfora da vida. Eis um “ready-made” que não afecta apenas o olho e a mente, cativa o coração. O que nos subtrai à “indiferença estética”: nesta galeria ficamos expostos a uma dança que nos mudará, nesse pas de deux. «O universo está morto mas tem a capacidade de ressuscitar!», assegurava o físico Michael Polanyi.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 27.6.2019

Gisela Casimiro

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ONHEI que toda a gente me perguntava constantemente pelos sapatos verdes de andar para trás. E eu ficava ofendida e magoada. Sei que a dada altura queria provar que não eram assim, que não eram verdes e que não os usava com esse propósito, e procurava por eles num grupo de caixas, em frente a algumas dessas pessoas, para depois encontrar, no meio de tantos, que pertenciam aos outros, um par de sapatos verdes intactos, que eram do meu número mas que eu sabia nunca ter calçado. Estava triste, e alguém me dizia que ia falar com o Rufus Wainwright, e ligava-lhe, na verdade eu estava chateada com o namorado dele, que não me consigo lembrar quem era, mas acho que também era conhecido, e ia procurar um poema que sabia ter escrito sobre isso. Quando o achei rasguei a folha em duas sem querer. Na altura já estava noutra sala e queria fazer as pazes, visto que eram ambos meus amigos. Não estava com eles mas conseguia vê-los de onde estavam. Para além disso, antes sonhei que o Lou Reed ia lá a casa para conhecer as minhas irmãs, que eram as Jenner mais novas, e tínhamos de provar que elas faziam bodyboard porque era o desporto preferido dele, e elas tinham de fingir que não sabiam que ele vinha. Mas o Lou só queria dormir, e até tive de o aconchegar. Quando se levantou finalmente e mesmo antes da apresentação, decidiu voltar para a cama, e as miúdas ficaram muito desapontadas, sentadas na beira da banheira com os seus fatos de bodyboard e as pranchas que mal cabiam no wc. Havia um buraco na porta que estávamos todos preocupados em ocultar, embora não perceba porquê. Sonhei que fazia parte da família Kardashian e que estava com eles num hotel, e passava uma manhã inteira a nadar sem me cansar, toda a gente na piscina, Kim e Kanye inclusive, conversando, não me recordo sobre o quê, e eu tinha acabado de sair do hospital. A dada altura subia para escolher o quarto, havia muitos dentro da nossa suite, de seu nome Bairro Alto. Antes disso, andava pelas ruas com outras personagens, mas personagens mesmo, que fugiam, e talvez eu também, de alguém, e se disfarçavam, a dada altura, de apanhadores de lixo. Após passar o perigo eu tirava fotos, com as mãos, do edifício em frente, e o que fixei foi que iam sempre aparecendo cães diferentes em cada janela, que às vezes ocupavam a janela inteira, cães gigantes. O prédio estava quase em ruínas, mas viviam lá pessoas que ocasionalmente surgiam ao lado dos cães. Ao lado havia um café muito bonito, onde vivia uma senhora que, diziam, também não era bem o que pa-

Relicário de sonhos MARGARET CURTIS, TRIAL BY WATER THE POOL PARTY

estendais

recia. Eventualmente alguém ia lá obter informações, mas não me recordo de mais nada. Sonhei que ia a uma livraria com a minha irmã, e ela dizia que eu tinha mesmo, mesmo de ler o “...Valsa Lenta” (ela nunca dizia o título todo, evitava De Profundis), e que não bastava ler o livro, tinha de ouvir a música, mas quando o folheava havia uma dedicatória para uma Joana e imagens de livro de receitas na contracapa. Havia mais dois livros que eu estava a ver, de capa preta, do mesmo autor, e um tinha capítulos minúsculos, mas do que li e agora não recordo, parecia ser muito bom; supostamente havia uma ordem correcta de leitura do conjunto de três.

Sonhei que fazia parte da família Kardashian e que estava com eles num hotel, e passava uma manhã inteira a nadar sem me cansar, toda a gente na piscina, Kim e Kanye inclusive

O dono da livraria estava ao nosso lado a aconselhar-nos, no entanto havia um casal a causar distúrbios mais à frente e então ele foi lá. Quando olhei para o lado direito (o senhor tinha estado do lado esquerdo), havia uma criança a treinar uma espécie de vira, para gáudio da avó. A mãe também aparecia, estava a arranjar a maquilhagem, e tinha um colar em forma de casa gigante e colorida que por algum motivo me lembrava os Pauliteiros de Miranda. Sei que tanto a mãe como a filha olhavam para os livros como se estivessem a ver-se ao espelho, e que antes de chegar à livraria tivemos de passar por muitos outros espaços e ficámos sempre paradas a falar com alguém. O resto ficou lá, mas fica sempre, não é? Outro dia sonhei que ia a uma faculdade que ficava numa espécie de castelo, e que se podia adicionar/fazer amigos sem ter de estar com eles, e havia um rapaz que eu ia adicionar por recomendação de um amigo, no entanto hesitei e ele acabou por aparecer e impôr-se. Entretanto, aparecia um ex-amor, amigo desse rapaz, que me dizia que já sabia que eu ali estava mas tinha esperado pelo momento certo e fazia um belo discurso que, por algum motivo eu ficava muito feliz por ouvir. Em seguida eu atravessava um campo de futebol durante um jogo e defendia-me da bola com as mãos, acabando por pedir desculpa a

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todos, embora não fizesse parte de nenhuma das equipas. Depois, encontrava uma foto a preto e branco do futuro vencedor, lavado em lágrimas, de um prémio que vinha numa garrafa de cerveja. No cimo da torre estavam o Jorge Gabriel e uma apresentadora que não conheço a anunciar o dito. O chão coberto de tampas de abertura fácil de cerveja, gigantes e cinzentas, mas não havia ninguém na rua. Sonhei que estava na faculdade e ia ao wc apenas para ser encurralada por três miúdas faladoras que pediam a minha opinião sobre um trabalho que iriam apresentar nesse mesmo dia, acerca da Barbie. Para além de o trabalho ser uma apresentação feita em quadro branco de sala de aula que elas transportavam para todo o lado, estava muito mal feito e parecia-me plágio de um trabalho que a minha irmã tinha apresentado. Como se não bastasse, a palavra Barbie estava mal escrita, “Barby”, e eu disse-lhes isto, mas elas não alteraram, e foram embora mas não sem antes me olharem com aquele desdém de quem sabe melhor do que eu como se escreve o nome da boneca mais famosa do mundo porque até há bem pouco tempo ainda brincavam com ela. Fui ter com a minha irmã e pelos vistos ela já estava em paz com o facto de toda a gente andar a copiar o trabalho dela, mas eu continuava preocupada com a palavra Barbie, receosa de estar errada, e não descansei enquanto não vi o logo algures e acabei o sonho dizendo, aliviada, “Eu sabia que era com ie no fim!”

2014

Sonhei que entrava no autocarro errado (ia para Sintra, vindo de muito longe), e assim que me apercebia pedia ao motorista para parar e deixar-me sair, contudo ele recusava, dizendo que se eu pagasse mais um euro ou lá o que era podia desviar-se até à cidade que me interessava. Eu ia à frente e o lugar do motorista era a meio, virado de lado, e conduzia com umas manivelas estranhas. O autocarro só tinha cinco bancos, todos eles ocupados, embora fosse de tamanho normal. Eu estava em constante assombro porque todas as pessoas estavam calmamente no meio da estrada e ninguém se desviava senão no último segundo. Era de noite e eu tinha muita pressa para ir pagar o condomínio de uma casa onde já não vivia há tanto tempo que tinha dificuldade em recordar-me da cidade e da rua onde vivera, e a única pessoa que poderia ajudar, e de quem eu só recordava o nome e o rosto, não atendia (tinha algumas pistas num papel que tentava ler, em vão, porque aparecia tudo em branco).


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retrovisor Luís Carmelo

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27.6.2019 quinta-feira

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História da caverna negra

6 de Dezembro de 1947, Jorge Luis Borges deu em Harvard uma conferência no contexto das “Palestras Norton”, intitulada “Contar o conto”. A passagem mais significativa do texto compara a épica com a tradição moderna do romance. Referia o autor que a diferença não se situa “entre verso e prosa”, nem “entre cantar uma coisa e dizer uma coisa”. A diferença de fundo era outra. Cito: “O que é importante no poema épico é um herói - um homem que sirva de modelo a todos os homens. Ao passo que a essência da maior parte dos romances está na falência de um homem, na degenerescência do carácter. Hoje, quando as pessoas pensam em final feliz, pensam-no como concessão ao público ou pensam-no como estratagema comercial. Contudo, durante séculos os homens puderam muito sinceramente acreditar na felicidade e na vitória, embora sentissem a dignidade essencial da derrota.” Pode resumir-se esta duplicidade, aliás já bastante estudada, do seguinte modo: ao imaginar-se o homem a dialogar e a respirar no meio dos deuses, é natural que os relatos tendam a elevá-lo quase a deus. Por seu turno, ao imaginar-se o homem livre e capaz de tomar conta de si próprio, é natural que os relatos tendam a dar conta da sua queda. As histórias de Ulisses, Jesus, Gilgamesh, Alexandre ou Sindbad nada têm que ver com as personagens presentes nos enredos criados por Kafka, Poe, Roth, Rubem Fonseca ou Houellebecq. O mundo antigo e o mundo moderno chocam, de facto, neste ponto seminal. O caso fez-me relembrar um romance de Ernesto Sabato, O Túnel, escrito quase na mesma altura em que Borges esteve em Harvard (1948). O livro começa por anunciar do que trata logo no início: “Bastará dizer que sou Juan Pablo Castel, o pintor que matou Maria Iribarne”. Aparentemente, o leitor é imediatamente lançado contra a parede. Nas páginas que se seguem, a ficção abre-se ao jeito de um desdobrável, dando conta da inauguração de uma exposição de pintura (o Salão da Primavera de Buenos Aires de 1946) em que uma mulher, Maria Iribarne, se apaixona por um pequeníssimo detalhe de um dos quadros expostos (uma janela de milímetros inscrita no fundo de um óleo onde contracenam uma mãe e um filho). Este facto viria a mudar a vida do pintor Castel. Apesar de ter observado a mulher verdadeiramente extasiada apenas durante alguns minutos, nos meses que se seguiriam - cito - “só pensei nela, na possibilidade de a voltar a ver. E de certo modo só a pintei a ela. Foi como se a pequena cena da janela começasse a crescer e a invadir toda a tela e toda a minha obra”.

CHRISTOPHE PONS

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O ponto de viragem é habilmente explorado por Sabato, pois dá origem a uma série de contingências mais ou menos inesperadas que conduz ao encontro dos dois e à sua inevitável (e fatal) atracção. Há cartas, telefonemas, idas de comboio a uma casa de campo, ciúme e toda uma encenação fantasmática que transformará a aventura em tragédia. No final, a regra cumpre-se. Diz o protagonista: “Quando me entreguei, na esquadra, eram quase seis horas. Através da janelita do meu calabouço, vi como nascia um novo dia, como um céu sem nuvens. Pensei que muitos homens e mulheres começariam a acordar e logo tomariam o pequeno-almoço e leriam o jornal e iriam ao emprego, ou dariam de comer aos filhos e ao gato, ou comentariam o filme da noite anterior. Senti que uma caverna negra ia aumentando dentro do meu corpo”.

Percebe-se que a literatura visa uma simples brecha ou um lapso premeditado. Talvez nos queira só ensinar a morrer, nobre tarefa que enche toda a história da filosofia. A janela de Maria Iribane terá sido o simples pretexto para que um ponto de viragem pudesse dar acesso à “caverna negra”, ou à queda, que tanto atraiu os modernos e que tanto continua a cativar os contemporâneos. Borges fez o diagnóstico elementar e Sabato cumpriu-o com um plot inventivo. A Argentina é um país maravilhoso, claro está. Mas estávamos ainda no plano dos livros, objectos que se abrem e fecham, quando viajamos de comboio no primeiro dia de verão, sabendo que antes contaram com editores, críticos, leitores devotados, filtros qb. Há quatro anos, neste mesmo mês de Junho, Umberto Eco esteve em Turim

Percebe-se que a literatura visa uma simples brecha ou um lapso premeditado. Talvez nos queira só ensinar a morrer, nobre tarefa que enche toda a história da filosofia

para um doutoramento ‘honoris causa’ e testemunhou o desígnio da actual “caverna negra” com as seguintes palavras: “No nosso tempo, as redes sociais dão o direito à palavra a uma legião de imbecis que, antes destas plataformas (mesmo com romances debaixo dos braço), apenas falavam nos bares, depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a colectividade”. Se os humanos nunca se habituaram a viver fora de mediações razoavelmente restritivas, fossem elas proféticas, épicas, jornalísticas, científicas ou literárias, o actual cenário parece estar a recuar para um tempo pré-mitológico, dir-se-ia mesmo primitivo, e, portanto, anterior à noção de herói, configurando-se naquilo que Rudolf Otto designou por “numinous”. Mas este recuo alia-se ao poder da tecnologia, o que significa que o seu impacto poderá ser letal. Sem alardes de pessimismo, parece claro que a “falência do homem” e a “degenerescência do carácter”, realçadas por Borges, estão prestes ou, pelo menos, caminham no sentido de atingir uma espécie de cume. Esperemos, contudo, que seja um cume de Sísifo.


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quinta-feira 27.6.2019

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO 25 | “PEDRAS E PEDRINHAS” Casa de vidro do Tap Seac

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3 1 9 0 4 6 8 2 7 5 9 4 8 6 4 6 5 8 2 0 1 7 3 9 EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRASPRIMAS 8 DA 7 COLECÇÃO 3 9 DO6MUSEU 5 NACIONAL 2 0 DE4ARTE1DA CHINA” 9 2 0 7 3 1 4 6 5 8 MAM 6 8 4 5 1 9 7 3 0 2 EXPOSIÇÃO | “100TH ANNIVERSARY OF THE MAY FOURTH 1 3 IN 8CHINA”6 7 2 0 5 9 4 MOVEMENT IFT 5 4 7 3 9 8 6 1 2 0 EXPOSIÇÃO 0 9 | DESENHOS 6 2 DA5RENASCENÇA 4 3 8 1 7 MAM | Até 30/06 2 0 1 4 8 7 5 9 6 3 EXPOSIÇÃO | “ESPAÇO E LUGAR” 7Garden 5 2 1 0 3 Casa

ESPECTÁCULO | FUERZA BRUTA WAYRA MGM Theatre | Até 4 de Agosto

27 0 5 1 2 8 7 3 4 9 6

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7 9 6 4 0 1 5 3 2 8

Cineteatro 29 2 6 5 8 9 3 4 7 1 0

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C I N E M A

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UGLYDOLLS SALA 1

MEN IN BLACK: INTERNATIONAL [B] Um filme de: F. Gary Gray Com: Chris Hemsworth, Tessa Thompson, Liam Neeson, Emma Thompson 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

UGLYDOLLS [A] FALADO EM CANTONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kelly Asbury 14.30, 16.15, 18.00, 19.45

INVINCIBLE DRAGON [C] FALADO EM CHINÊS LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS

Um filme de: Fruit Chan Com: Max Zhang, Anderson Silva, Kevin Cheng, Annie Liu, Stephy Tang 21.30 SALA 3

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6 1 3 9 2 0 1 9 5 2 E U R O 7 7 6 7 0 3 9 8 2 5 3 8

6(f)utilidades 17 3 5 4 2 8 2 6 3 9 8 4 B A H T 0 . 236 6 Y7U A 1 N5 21 . 14 6 0 2 1 0 9 3 7 8 6 4 6 2 1 3 VIDA DE CÃO 1 0 0 2 6 3 7 MISTÉRIO 3 7 5 6

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3 0 5 9 6

RESOLVIDO

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9 3 5 1 5 79 4 0 6 7 11 8 3 2 7 1 8 6 6 93 22 18 89 30 74 5 1 7 1 31 7 3 5 8 9 2 70 96 4 6 9 3 7 98 4 1 62 05 6 3 39 7 0 4 0 2 5 50 2 96 27 34 65 8 13 9 1 2 4 0 8 27 0 49 83 91 04 6 52 5 8 8 6 4 2 83 1 0 96 72 8 5 67 4 9 3 7 9 0 4 04 8 7 9 3 1 0 86 12 5 0 5 6 3 1 8 7 9 2 25 58 44 17 83 39 1 0 6 Investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do pólo da Madeira descobriram um novo tipo de poluição causada 97 que4deram8ao fenómeno, 5 2pelo plástico 1 4encrustrado em algumas rochas 9 8da6ilha da5Madeira. 1 Plasticrusts, 0 2o nome 3 é

uma espécie de crosta plástica que se forma em rochas vulcânicas numa zona intertidal. As amostras recolhidas, revelam que o material é polietileno, um dos plásticos mais baratos e utilizados mundialmente. Os investigadores pensam que estas crostas resultem da colisão de fragmentos de plástico com as rochas por acção das ondas e marés. A textura e forma das rochas, a temperatura da água, e exposição ao sol podem fazer com que o plástico fique encrostado.

28 8 3 9 0 1 2 6 4 7 5

6 4 5 7 0 8 2 1 3 9

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7 9 8 1 3 6 0 5 4 2

3 5 0 9 2 4 7 8 6 1

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 28

2 6 1 4 9 5 3 7 8 0

0 7 3 2 8 9 1 6 5 4

5 8 6 3 4 0 9 2 1 7

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7 2 FILME 9 1 5 HOJE 6 0 3 UM 8 4 0 3 2 1 5 9 “Loin des Hommes”, no original, é 5 6 7 4 9 8 2 0 um filme francês passado durante 0 da6Argélia, 8 1em 1954, 7 4que 5 a3 Guerra junta dois homens muito diferentes, 1 8 4 0 6 9 3 7 forçados a atravessar os montes 9 quando 5 3 um7solitário 8 2 1 6 Atlas, professor francês, 6 7 Daru 5 (Viggo 2 3Mortensen), 4 8 1 tem que escoltar um aldeão árabe, 2 9 (Reda 1 5Kateb), 4 acusado 0 6 de8 Mohamed assassinato, ao posto 4 3 8até 9 0 da 5 guarda 7 2 gaulesa, a um dia de distância. 0 1 2 6 7 3 9 4 Através da paisagem remota e inóspita, o realizador David Oelhoffen descreve a involuntária amizade que se estabelece entre os caminhantes, em lados opostos do conflito, ou talvez nem tanto. O filme é baseado num conto de Albert Camus, “O Hóspede”, publicado no livro “O Reino e o Exílio” de 1957, em que a consciência fala mais alto do que os interesses políticos entre nações e ideologias à distância. Raquel Moz

9 1 7 5 6 3 4 0 2 8 4 7 1 2 5 0 9 3 6 8

4 0 2 8 7 1 5 3 9 6 8 6 3 9 2 4 0 7 1 5

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PROBLEMA 29

35 7 8 1 0 9 6 4 2 5 3

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13 29 62 07 0 6 91 4 8 45 2 3 4 1 0 5 9 8 6 7

52 3 6 9 24 45 8 0 7 1 5 0 2 6 1 4 7 3 8 9

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79 2 4 0 46 7 5 3 51 8 9 2 7 5 3 0 1 6 4 8

7 51 99 8 3 60 02 5 86 4 1 6 0 8 4 3 5 7 9 2

0 7 3 92 38 54 6 1 5 69 0 1 6 2 8 9 3 4 7 5

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A28 recente contratação de tradutores do continente para o IPIM foi alvo de vários 8 06As5vozes 17 ergueram-se 33 82 20porque 7 99 sururus. queriam 3 9justificações 7 8 que 6 lhes 1 acalmassem 5 3 0 o espírito: queriam saber porque não tinha 6 ao4IPIM08aos20famosos 91 8“talentos 1 3 recorrido locais”. Ontem tive resposta clara e óbvia 0 2 3 4 59 7 6 03 1 a esta questão quando pela primeira vez 1 usufruiu 4po-2 pude ditos8 5 95dos6serviços 0 4dos78 lémicos tradutores. O solução do mistério 2 7 17 36 8 2 9 50 4 que deixou os talentos locais de parte deve-se 6 4à competência 28 5 9efectiva 03 1de quem 6 8 não precisa de ser “sobredotado” para 6 exemplar. 7 48 Simples. 37 06 Uma 2 5 ter um 8 serviço conferência 7 3 0de imprensa 2 1 de 6 um4 serviço 9 7 publico que normalmente se pauta pela 5 que 19 terrível 8 92 tradução, 71 50 foi 34 ontem 4 68 mais iluminada por uma equipa de duas tradutoras chinesas exemplares. O português 30claro, mas não vamos tão longe: As era frases eram concluídas, coisa rara neste tal 7 5dando 7 aos4jornalistas 1 9 da3língua 2de 6 serviço, Camões0a informação de que se estava 8 3 22 51 9 1 a 4 tratar. As razões que levaram a que estes 9 64 fossem 0 4 contratados 82 7 5 5 2 jovens do continente têm apenas que ver com capacidade 0 o92 3 60 3 7 81 17 5 para fazer, coisa que mais ou menos claramente 1 4que escapa 9 56aos09 todos sabem de cá,2mas3que8 pela defesa de sabe-se lá o quê, ninguém 2 78 os62profissionais 4 56 1 9 8Não03descurando admite. locais, 7 que 6 que 1 muito 33 8se4 esforçam 0 9 e29 7 sei sobressaem, há lugar para todos. Além 39 necessidade 5 85 9de 7todos66e, 4aqui03 2 há disso, sim, é preciso 4 2estabelecer 59 60 uma 35 plataforma 17 8 7 para que as pessoas se entendam, para que 91 umas 12 com 0 as47outras, 23 para 7 que 64se38 aprendam aceitem e cresçam. Sofia Margarida Mota

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4 FAR FROM MEN 7 | 1DAVID 5 OELHOFFEN 4 0 2(2014) 8 3 9 0 3 2 6 9 5 7 1 5 8 9 3 7 1 0 4 2 7 6 2 8 3 4 9 1 0 2 4 5 7 0 2 6 3 8 8 1 8 9 5 6 7 2 4 0 5 6 4 8 3 1 0 9 1 2 0 1 9 5 3 6 7 3 9 7 0 1 8 4 5 6 6 3 4 6 2 7 8 9 5

THE SECRET LIFE OF PETS 2 [A] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Chris Renaud 14.30, 16.15, 18.00, 19.45

ALADDIN [A] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Guy Ritchie Com: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Cott, Marwan Kenzari 21.30

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27.6.2019 quinta-feira

A receita chinesa para o “Various civilizations are not destined to clash. It is foolish to believe that one’s race and civilization are superior to others’ and it is disastrous to willfully reshape or even replace other civilizations.” President Xi Jinping

T

ODAS as civilizações do mundo sentem orgulho na sua história e realizações culturais, e escreveram a história da humanidade tornando cada uma como centro. O presidente Xi Jinping em resposta aos mais sérios desafios globais enfrentados pela sociedade humana, deu uma “receita chinesa” no seu discurso de abertura da “Conferência sobre o Diálogo das Civilizações Asiáticas (CDAC na sigla inglesa)” que teve por tema “enfrentar desafios comuns e avançar para um futuro melhor, requer força económica e tecnológica, mas também cultural e civilizacional”, realizada no Centro Nacional de Convenções de Pequim, a 15 de Maio de 2019. Devido à diversidade de civilizações, é necessário aprender umas com as outras retirando lições para o desenvolvimento. Se as civilizações humanas tivessem apenas uma cor e modelo, o mundo seria monótono e aborrecido demais. O discurso do presidente chinês analisou em profundidade a grave destruição criada pelo conceito de uniformidade em relação às civilizações do mundo. De facto, são justamente as diferentes opiniões sobre a uniformidade e a diversidade das civilizações que se tornaram um importante motivo para criar muitos conflitos, guerras e tragédias na história recente da humanidade, especialmente desde o início do século XV, devido ao grande avanço na astronomia, geografia e nas modernas tecnologias de construção naval e navegação, a interacção entre diferentes civilizações tornou-se mais frequente e generalizada. O rápido desenvolvimento da tecnologia na primeira revolução industrial, fez que a civilização da Europa Ocidental se começasse a expandir, conquistar e colonizar, o que levou a um aumento de poder da região, que foi rapidamente colocada no centro do mundo e não se tratava apenas de ligar todas as civilizações, mas também exercer diferentes graus de influência sobre as demais, que levou a um equívoco, o de acreditar que a civilização da Europa Ocidental e da civilização europeia e americana, cujos principais valores dela são derivados são melhores que as outras. As suas realizações em termos culturais, artísticos, científicos e tecnológicos, ideológico, sistema social, e modelo de desenvolvimento alcançaram o auge das civilizações humanas e acreditam que a civilização europeia e americana tem uma condição universal, isto é, tal visão causou danos extremamente dolorosos às civilizações do mundo na his-

tória da humanidade. Tal visão, gerou uma estreiteza e egoísmo na natureza humana e espalhou a semente da discórdia e de guerras com elevado grau de morticínio, sendo de relevar uma guerra colonial de quatrocentos anos, duas guerras mundiais e racismo que nunca são fáceis de erradicar e que estão indubitável e intimamente relacionados com as influências negativas e profundas deste conceito de civilização uniforme. A história milenar da humanidade é um processo no qual diferentes civilizações brilhavam em mudanças ou coexistiam de forma esplêndida e destacaram-se as antigas civilizações da Mesopotâmia, Egipto, América pré-colombiana, India e outras, incluindo a da Europa Ocidental, cujas raízes são as antigas civilizações grega e romana. Assim, incluem-se as civilizações do leste asiático, que sobreviveram por milhares de anos. Ainda que diferentes culturas tenham surgido e decaído, fundido, trocado ou colidido, a coexistência era a norma e a corrente dominante é também a base da civilização humana. As diferentes civilizações promoveram à sua maneira o progresso das regiões e impulsionaram os meios para que as suas características e fenómenos culturais se desenvolvessem, amadurecessem e estabelecessem um padrão que as fez distinguir das demais. O reconhecido historiador inglês Arnold Toynbee, afirmou que cada civilização apresenta características que não são compreendidas pelas outras. É de acreditar que especialmente nesta época de globalização, mais elementos culturais regionais tiveram a oportunidade de se tornar globais, e diferentes culturas foram ainda mais enriquecidas em termos de intercâmbio e aprendizagem mútua, o que também gerou um fenómeno de subculturas, mais diversificadas e plurais. A conotação e extensão da diversidade cultural expandiram-se. Ainda que o conceito de civilização uniforme tenha dado origem à hegemonia ou colonização cultural de uma parte poderosa sobre uma débil, o mundo vai-se dando conta que a realidade histórica tem demonstrado que este conceito não é civilizado e inclusive não é cívico. É inegável que existem diferenças entre as diversas civilizações, especialmente, nesta era de globalização, a relação entre as civilizações sofreu profundos ajustes, o que gerou interacções fortes, multidimensionais e contínuas, e até mesmo colisões entre elas. O início do século XXI, com a influência cada vez menor da Guerra Fria e uma preocupação maior na luta contra o terrorismo, fez surgir a teoria do “choque de civilizações”. É de considerar que “O Choque de Civilizações” é o título da obra de Samuel Huntington, ex-professor em Harvard e um dos mais importantes pensadores políticos contemporâneos. O livro, de 1996, é o resultado de um artigo anterior, escrito contra o livro “O Fim da História e o Último Homem", de Francis Fukuyama, professor na Universidade Stanford, e publicado na revista “Foreign Affairs”,

em 1993. A tese do artigo primitivo, que o livro expande e está repleto de detalhes, é de que uma vez terminada a Guerra Fria, outras tensões geopolíticas mundiais começarão e as suas linhas de fractura serão "civilizações". São conjuntos normativos fechados, culturas activas com memória, capazes de estabelecer uma vontade política comum. Tal vontade é baseada apenas no que é comum aos mesmos, geralmente uma visão religiosa de si e do mundo. Há, segundo Samuel Huntington, "sete ou oito" grandes civilizações, a da Europa Ocidental que inclui a América do Norte e a Austrália; os ortodoxos cristãos, os chineses japoneses, os islâmicos, os hindus e os africanos, os latino-americanos e talvez os budistas que estão no término. O Ocidente é e será por algum tempo a civilização mais poderosa. Mas cada grande área tem um país líder e a teia do poder mundial é formada por poderes de diferentes civilizações. Assim, ninguém pode impor-se aos outros. A trama de fundo em que se desenvolve a tese de Samuel Huntington é clara, pois basta conhecer a história e a demografia. As civilizações do passado foram todas permeáveis ​​às inovações técnicas dos seus contemporâneos, mas nunca aconteceu

que uma civilização sentisse a necessidade de importar inovações morais ou políticas. As "expansões" foram feitas pelas formas religiosas que são o endurecimento das fronteiras de valor. O professor Samuel Hutington acreditava que nenhuma grande religião nova ou sincrética é apreciada no futuro e cada poder central das diferentes civilizações competirá com as outras, ou então realizará com algumas alianças estratégicas, enquanto criará os seus satélites para os países menos poderosos da sua área civilizadora. O mundo é e continuará a ser multicultural e multifocal, sem que isso garanta tolerância ou paz, porque as civilizações competirão sem remédio. Os conflitos aparecerão nas "zonas de fractura" nos países onde elas se limitam, e há fronteiras mais difíceis do que outras. A partir da análise do conflito religioso plural na ex-Jugoslávia, Samuel Huntington tira a conclusão de que o Islão é a civilização mais problemática, demográfica e valiosa, embora deva ser dada atenção especial à Índia e à China, que se tornarão superpotências económicas. Todavia, a ordem fomentada pelo Ocidente, com a sua tabela de valores e Direitos Humanos, não é universal nem será; não


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quinta-feira 27.6.2019

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

choque de civilizações

sendo credível e os grupos civilizacionais não a atacam directamente, não porque a obedeçam ou estão em processo de fazê-lo, mas porque ainda não têm a força para o fazer e não a vivem como universal, mas como o próprio Ocidente, exógeno e baseado na força. Nenhuma civilização prevaleceu; e, embora Arnold Toynbee se tenha inquirido se o Ocidente poderia mudar, universalizando e sobrevivendo, não parece que Samuel Huntington, que em tantos pensamentos o segue, fosse tão optimista. O Ocidente tem interesses em todas as outras civilizações, mas é uma minoria demográfica cada vez menor. Acredita-se que o conflito entre as diferentes civilizações domine o mundo e que as diferenças culturais sejam as causas essenciais desses conflitos. O chamado “choque de civilizações”, de facto, é apenas um fenómeno superficial para o pensamento chinês. As suas raízes estão na procura e captura por parte de diferentes países e grupos étnicos de poder, riqueza e segurança. A causa real é de natureza socioeconómica e é o resultado irracional e injusto da ordem política do mundo. O presidente chinês afirmou de forma lapidar durante a CDAC que não deve haver conflitos entre as diferentes civilizações, mas

apenas ter olhos para apreciar a beleza de todas elas. É verdade que não existe conexão directa e inevitável entre conflitos e civilizações plurais e diversificadas. Os preconceitos e mal-entendidos devido ao isolamento e à má comunicação são um terreno fértil para criar e agravar conflitos. O respeito pela diversidade cultural do mundo, a persistência nos princípios de procura de áreas comuns que marginalizem as diferenças, e promovam os intercâmbios e aprendizagem mútua, contribuirão para o conhecimento e entendimentos

Ainda que o conceito de civilização uniforme tenha dado origem à hegemonia ou colonização cultural de uma parte poderosa sobre uma débil, o mundo vai-se dando conta que a realidade histórica tem demonstrado que este conceito não é civilizado e inclusive não é cívico

completos e objectivos entre as diferentes civilizações, e encorajarão a sua coexistência em harmonia e desenvolvimento. É necessário primeiro construir plataformas de intercâmbio e deslocar o seu papel, por exemplo, com a construção de mecanismos culturais bilaterais e multilaterais, a convocação de conferências regionais sobre o diálogo entre civilizações ou o apoio a organizações como a UNESCO. É de considerar que em segundo lugar, deve ser tido em conta que cada civilização tem as suas próprias vantagens. As pessoas devem manter uma mente aberta em relação a intercâmbios e diálogos, aprender com as conquistas alcançadas e promover a prosperidade e progresso comum da civilização humana. É este o sentido de trabalhar juntos para construir uma comunidade de destino compartilhado. Em um tempo como o que vivemos, de desenvolvimento e mudanças gigantescas, a coexistência harmoniosa com outras civilizações é a oportunidade de alcançar o desenvolvimento. A CDAC oferece uma nova plataforma para os países da Ásia e do mundo, para que possam dialogar, realizar intercâmbios, aprender uns com os outros e iluminar uns aos outros, e também consolidar a base de construção conjunta da comunidade de destino da Ásia e da humanidade. Aquando da abertura da CDAC, o presidente chinês rejeitou a teoria de que diferentes civilizações estão fadadas a colidir e que era tolice acreditar que a raça e a civilização de alguém é superior à de outros, sendo desastroso reformular deliberadamente ou mesmo substituir outras civilizações, tendo feito uma proposta de quatro pontos para consolidar a base cultural da construção conjunta de uma comunidade com um futuro compartilhado para a Ásia e humanidade; como tratar uns aos outros com respeito e como iguais; apreciar a excelência de todas as civilizações; aderir à abertura, inclusão e aprendizagem mútua e acompanhar os tempos. A Ásia é o berço de muitas civilizações importantes no mundo, como as civilizações indianas, mesopotâmica e chinesa. Houve intercâmbios frequentes e aprendizagem mútua entre as civilizações asiáticas ao longo da história, por exemplo, o budismo espalhou-se pela China e outras partes da Ásia. A filosofia dos antigos pensadores chineses, como Confúcio e Mencius espalhou-se pela Ásia e pelo mundo para fornecer orientação para a conduta humana e governança. A astrologia e a ciência médica dos países árabes chegaram à China através da antiga “Rota da Seda”. Os países asiáticos sempre tiveram uma base sólida na história para o diálogo e comunicação. Os intercâmbios culturais, actualmente, continuaram em vários campos, como filmes, literatura e protecção do património cultural. O primeiro filme co-produzido pela China e Cazaquistão, “The Composer”, foi estreado em 17 de Maio de 2019, durante o CDAC. O musical narra os últimos anos de 1940 a 1945 do compositor chinês Xian Xinghai,

nascido em Macau e mais conhecido pela sua “Cantata do Rio Amarelo”, em Alma-Ata, a maior cidade do Cazaquistão, e Moscovo. O presidente chinês destacou a importância das trocas e aprendizagem mútua entre civilizações em várias ocasiões. Em um discurso na sede da UNESCO em Paris, em 2014, afirmou que as civilizações tornaram-se mais ricas e mais coloridas com intercâmbios e mútua aprendizagem. Tais intercâmbios e aprendizagem formam um importante impulso para o progresso humano, paz e desenvolvimento global. A CDAC foi proposta na reunião de cúpula da “Conferência sobre Interacções e Construção de Confiança na Ásia (CICA na sigla inglesa)”, em Xangai, em 2014, e novamente na “Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia (FBA na sigla inglesa)” que se realizou na província de Hainan no sul da China, em 2015. A exposição no “Museu Nacional de Arte da China” em Pequim, durante a CDAC teve uma interessante mistura. Havia pinturas de artistas chineses retratando outros países da Ásia, bem como paisagens chinesas e pessoas desenhadas por artistas de outros países asiáticos. O discurso do presidente chinês aquando da abertura da CADC foi muito caloroso, expressando a sua disposição de abrir os braços a todas as civilizações na Ásia e do mundo, enfatizando a necessidade de lidar com diferentes civilizações em pé de igualdade e que nenhuma delas tinha o direito de ser superior. Todas as civilizações têm as suas singularidades e a sua parte na herança humana. Ao invés do “choque de civilizações”, afirmou a necessidade de cooperação entre civilizações e de construir uma comunidade de civilizações com um futuro partilhado, invertendo a direcção de muitas ideias de progresso no mundo que levam à existência de relações de confronto entre países e civilizações. Actualmente existem duas tendências no mundo, sendo a da globalização e a da desglobalização. Os Estados Unidos estão a tentar destruir a actual ordem mundial, tendo cancelado a sua participação em vários acordos globais como o “Acordo Climático de Paris”, mas a China lidera a globalização e oferece ao mundo grandes ideias como a “Iniciativa Faixa e Rota” e um futuro compartido para a Ásia e toda a humanidade. A China está a oferecer um novo farol de esperança. O diálogo é a aspiração comum das pessoas na Ásia. A CDAC pode aumentar a consciência da civilização asiática. A Ásia tem civilizações antigas, diversas e ricas. No entanto, por muito tempo na história, a civilização ocidental dominou o mundo e a civilização asiática foi suprimida até certo ponto. A tese chinesa é uma censura poderosa para os que defendem a teoria do “choque de civilizações". A Ásia possui mais de 60 por cento da população mundial e um terço do PIB mundial e tornou-se um importante motor para o crescimento económico global. A civilização asiática adoptará uma renovação e o CDAC será um catalisador para essa reforma.


“Antes ser um homem da sociedade, sou-o da natureza.”

O

PUB

presidente sul-coreano disse ontem que a Coreia do Norte e os Estados Unidos mantêm “negociações nos bastidores” no sentido de organizarem a terceira cimeira entre os dois países. O chefe de Estado da Coreia do Sul adiantou que, apesar do último encontro em Hanói entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, sobre o arsenal nuclear da Coreia do Norte não ter alcançado resultados têm-se verificado uma troca de correspondência entre os dois estadistas. Em resposta a perguntas colocadas por seis órgãos de comunicação social, entre os quais a agência Associated Press, o presidente Moon Jae-in da Coreia do Sul disse que a vontade de manter o diálogo nunca foi afectada. O presidente sul coreano referiu que a troca de correspondência entre Trump e Kim Jong Un prova que os contactos existem, ao mais alto nível. Para Moon, a Cimeira de Hanói não foi um fracasso. “O sucesso sobre a desnuclearização e o processo de paz para a Península da Coreia não podem ficar determinados por uma ou duas cimeiras”, disse Moon. Apesar de ter afirmado que os dois países mantêm encontros nos bastidores, o presidente da Coreia do Sul não desenvolveu a declaração sobre o formato e locais onde decorrem os eventuais encontros que preparam a terceira cimeira. O enviado especial de Donald Trump para a Coreia do Norte, Stephen Biegun, deve visitar hoje Seul e, de acordo com especialistas citados pela AP, é possível que se venha a encontrar com responsáveis norte-coreanos na fronteira que divide a península.

RÓMULO SANTOS

Marquês de Sade

DIPLOMACIA SEUL DIZ QUE EUA E COREIA DO NORTE COMUNICAM

Acima da lei

Kou Hoi In, deputado “Foi a decisão do Plenário. O nosso entendimento foi confirmado pelo Plenário.”

Reunião “secreta” na AL violou lei, mas Plenário “lavou mais branco”

A

Comissão de Regimento e Mandatos da Assembleia Legislativa (AL) actuou à margem da lei quando marcou uma reunião sem ter avisado os restantes deputados, a 7 de Novembro do ano passado. Contudo, o presidente da comissão, Kou Hoi In, que defende que a comissão actuou dentro da legalidade, devido a um voto favorável do Plenário, não conseguiu apontar o artigo que permite a marcação das reuniões “secretas” e falou da “prática habitual de vários anos”. O caso aconteceu ontem e a certo momento Kou deu por terminada a conferência de imprensa. Segundo o artigo 46.º do regimento da AL, a convocação das reuniões das comissões tem de ser dada a conhecer “aos restantes Deputados”, ou seja, aos que não fazem parte da comissão em questão. Mas, não foi isso que aconteceu no dia 7 de Novembro, quando a comissão se estava a debruçar sobre dois protestos de Sulu Sou, relacionados com a alteração à lei de reunião e manifestação. Ontem, após uma reunião para debater se o encontro polémico tinha cumprido as regras, Kou Hoi In afirmou ter seguido o artigo

77 do regimento, que define duas coisas. Em primeiro lugar que “cada comissão pode elaborar o seu regimento”. Em segundo que na ausência de regimento interno que se aplica “por analogia, o Regimento da Assembleia Legislativa”. O presidente da comissão foi o primeiro a admitir que não há regimento interno. Mas, no seu entender, os membros presentes na reunião votaram sobre o procedimento dos trabalhos e aceitaram que a reunião prosseguisse sem conhecimento dos restantes. O presidente defendeu ainda que é habitual que não se informem os deputados que não pertencem às comissões sobre reuniões técnicas. Porém, e apesar de dizer que a reunião foi técnica, Kou reconheceu que logo nesse dia se discutiu parte da decisão e que houve consensos que serviram de base para a decisão final. Questionado sobre o artigo que permite que na ausência de um regimento se tome esta medida, Kou Hoi In voltou a mencionar o artigo 77 e disse já ter havido um voto no Plenário, dos outros deputados, que confirmam esta leitura: “O nosso entendimento foi confirmado pelo Plenário”, afirmou Kou. Nessa sessão de 6

Efeméride Pandas gémeos celebram terceiro aniversário Alvo de interesse e curiosidade por parte de turistas e locais, os pandas gémeos, Jian Jian e Kang Kang, os primeiros pandas gigantes nascidos em Macau, celebraram ontem o terceiro aniversário. Os pandas, ambos

quinta-feira 27.6.2019

PALAVRA DO DIA

do sexo masculino e cujos nomes ditos em conjunto significam “saúde”, são filhos do mais recente casal de pandas gigantes oferecido pela China. Nascidos a 26 de Junho de 2016, os gémeos tiveram o primeiro contacto

de Junho, apenas Sulu Sou, José Pereira Coutinho, Au Kam San e Ng Kuok Cheong se opuseram a esta leitura. Kou foi ainda questionado se uma votação do Plenário está acima da lei e se pode contrariar as regras que se aplicam aos deputados: “Foi a decisão do Plenário. O nosso entendimento foi confirmado pelo Plenário”, reiterou.

QUEIXAS DE DEPUTADOS

No final da conferência de imprensa, Sulu Sou falou com os jornalistas e considerou que a leitura é errada: “Não é aceitável que as tradições fiquem acima do que está escrito na lei”, justificou. O pró-democrata disse também que a conduta do presidente da comissão “mostra quem está interessado em obedecer e proteger a lei”. Também José Pereira Coutinho contestou a leitura do presidente da comissão e revelou que a reunião tinha começado com uma assessora a dizer aos deputados que era fundamental que o conteúdo interno não fosse tornado público. “Para mim, não há reuniões confidenciais e secretas e não recebo nenhuma instrução ou indicações nesse sentido”, afirmou, no final, ao HM. J.S.F.

com o público apenas sete meses depois, numa altura em que se celebrava o ano novo chinês. Uma das crias nasceu com 135 gramas, em boas condições de saúde, e a outra com apenas 53,8 gramas. Os pandas podem ser

vistos no Pavilhão do Panda Gigante de Macau, no parque de Seac Pai Van, formado por dois espaços interiores de 330 metros quadrados destinados às atividades do panda - e um jardim exterior de 600 metros quadrados.

G20 TRUMP ACHA QUE CHINA QUER ACORDO DEVIDO A ECONOMIA ENFRAQUECIDA

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Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou ontem que a China quer fazer um acordo comercial com os Estados Unidos porque a sua economia está a enfraquecer. “A economia da China entrou em colapso, eles querem um acordo”, disse Trump em entrevista à Fox Business News, a poucos dias de se encontrar com o seu homólogo chinês Xi Jinping, à margem da cimeira do G20, no Japão. Trump afirmou também que o Vietname está “pior” do que a China em termos de comércio, numa referência ao facto de muitas empresas americanas terem transferido as suas fábricas da China para o Vietname para contornar os impostos. Na mesma entrevista, Trump acusou a Alemanha de ser um “fracasso” como parceiro e de se aproveitar dos Estados Unidos dando péssimas recompensas. "A Alemanha está a pagar milhões e milhões de dólares à Rússia por energia, mas nós temos na mesma de proteger a Alemanha”, disse. Entre as críticas que lançou durante a entrevista, Donald Trump acusou ainda a rede social Twitter de o censurar para favorecer a Esquerda. O Twitter “impede que as pessoas me sigam, por isso tenho muito mais dificuldades em transmitir a minha mensagem”, afirmou acusando os responsáveis da rede social de serem “completamente parciais” a favor dos democratas. Trump também acusou a Google de falsificar os resultados do seu mecanismo de busca em benefício dos democratas.

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Hoje Macau 27 JUN 2019 # 4318  

N.º 4318 de 27 de JUN de 2019

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