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IC APOIA A RECUPERAÇÃO DO PÁTIO DO MUNGO. UM CASO RARO, DIZEM 5

China e PLP assinam acordo para aumentar investimento SOCIEDADE PÁGINA

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TERÇA-FEIRA 27 DE MAIO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3097

FAM NO FIM

ÚLTIMOS DIAS DO FESTIVAL QUE UNE AS ARTES. E TUDO ACABA COM UM SORRISO CENTRAIS

WINSLOW HOMER

hojemacau REGIME DE GARANTIAS “TRUQUE POLÍTICO”, DIZEM CHAO, COUTINHO E NG

ˆ HOMENS TRES NUM BOTE

O aparecimento repentino de três membros do Conselho Executivo a pedirem uma reavaliação da proposta de lei não convence a Novo Macau nem Coutinho. Para eles, o Governo quer ganhar tempo para que tudo fique na mesma. O Regime de Garantias para compensação dos altos cargos não pára de meter água.

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PATRIMÓNIO SOCIEDADE PÁGINA

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


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POLÍTICA

hoje macau terça-feira 27.5.2014

REGIME DE GARANTIAS GOVERNO ACEITA SUGESTÃO DE DEPUTADOS PARA RE-AVALIAÇÃO DE PROPOSTA, MAS

“Para ganhar tempo e aprovar na Hoje iria a apreciação a proposta de lei do Regime de Garantias para compensação dos altos cargos, mas Chui Sai On terá pedido à AL que primeiro seja votado o envio do diploma para nova análise. Chao, Coutinho e Ng afirmam que a ideia lançada pelos três membros do Conselho Executivo “foi um truque encomendado” para que o Regime venha a ser aprovado mais tarde JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

Governo aceitou as sugestões de Leonel Alves, Cheang Chi Keong e Chan Meng Kam sobre uma re-avaliação à proposta de lei do Regime de Garantias para os Titulares do Cargo de Chefe do Executivo e dos Principais Cargos, mas há vozes que garantem que a proposta dos também membros do Conselho Executivo é um truque político. Só hoje é que se saberia a decisão final sobre se o diploma seria ou não retirado, mas Chui Sai On terá indicado uma mudança na agenda da AL. Um comunicado do Gabinete da Secretária para a Administração e Justiça ontem publicado indica que “o Governo sustenta esta iniciativa” dos membros do Conselho Executivo. A agenda prevista para hoje no hemiciclo – que inclui a apreciação da proposta de lei – vai manter-se,

“Devido à grande manifestação, o Governo fez uma encomenda aos três deputados - que também são membros do Conselho Executivo - para tentar apaziguar e diminuir os efeitos da manifestação.” PEREIRA COUTINHO Deputado

ainda que com alterações. “Sim, a proposta será analisada pelos deputados do hemiciclo, tal como indicava a convocatória enviada anteriormente sobre o plenário”, disse uma porta-voz da AL ao HM. “Os deputados vão votar sobre se querem a retirada da lei.” Contudo, ao HM, Ng Kuok Cheong e José Pereira Coutinho dizem que Chui Sai On pediu especificamente à AL que a ordem do dia fosse alterada, para que seja primeiro votada pelos deputados a proposta de Alves, Chan e Cheang. “É tudo confuso. Ouvi que o Chefe do Executivo pediu especificamente à AL para atrasar o primeiro [ponto]”, explicou Ng Kuok Cheong, referindo-se à votação da proposta de lei, marcada para o início da ordem do dia. “É muito confuso, como é que pode o Chefe do Executivo pedir à AL para mudar a ordem do dia ou cancelar algum dos itens da agenda?” Para Jason Chao e José Pereira Coutinho, por exemplo, a proposta enviada à AL pelos três membros do Conselho Executivo é não mais do que uma manobra de Chui Sai On. “É um truque. É a passagem da responsabilidade que pertence ao Chefe do Executivo para a AL, quando este fardo deveria estar nos ombros do Chefe do Executivo”, referiu o activista e presidente da Associação Novo Macau. Pereira Coutinho concorda. “Não há margem para dúvidas. Isto é exactamente um truque do Governo, de forma a encontrar uma solução para não ser ele a pedir desculpas e retirar a proposta.”

RESPONSABILIDADE DE MÃO EM MÃO

“O Conselho Executivo fez uso da capacidade de três dos mem-

bros para mover uma moção na AL”, frisa Jason Chao, que pediu ontem, em nome do grupo Macau Consciência, um encontro com Chui Sai On. “O Chefe do Executivo é o único com capacidade para fazer alterações à lei ou retirá-la. Neste caso, o Governo percebe a grande objecção da população à lei, mas faz o Conselho Executivo esco-

lher três membros para fazer esta moção, sendo que, assim, o Chefe não tem de acarretar as responsabilidades.” O encontro com o líder do Governo foi rejeitado, mas Chao não deixa de frisar o que ia ser discutido na reunião. “As pessoas não querem a proposta de lei. Ia enfatizar isso, mas também a forma como o Governo lidou com a

situação depois da manifestação, que é crítica.” Jason Chao diz que o Governo apenas “fez um truque, explorando três pessoas que, por acaso, estão no Conselho Executivo e na AL” para fazer todo o trabalho. A intenção é clara tanto para Chao, como para Pereira Coutinho. “A ideia é tentar atrasar ou adiar a aprovação da lei e apenas isso.


política 3

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HÁ QUEM FALE DE “TRUQUE” POLÍTICO

mesma”

CHUI SAI ON AFIRMA ESPAÇO PARA MELHORAR A LEI Ontem à noite, um comunicado enviado pelo Gabinete do Chefe do Executivo assegurava que Chui Sai On concorda “que haja espaço para aperfeiçoar a proposta de lei”. Em comunicado, o Governo diz que “irá dar ordem” para que os serviços competentes continuem em contacto com a AL para entregar “entregar uma nova redacção do diploma e melhorar o conteúdo do mesmo”. O Chefe do Executivo entregou uma carta ao presidente da AL a solicitar o cancelamento da agenda prevista para a reunião plenária. Ho Iat Seng

Não é retirar a proposta de todo”, frisa o activista. “O que eles querem é meter água na fervura”, remata Pereira Coutinho. “Devido à grande manifestação, o Governo encomendou aos três deputados - que também são membros do Conselho Executivo - para tentar apaziguar e diminuir os efeitos da manifestação. Assim, pelo menos, têm uma maneira intermediária para arranjar pessoas para resolver a questão.”

ATRASAR APROVAÇÃO

Foi no domingo à noite, após a manifestação contra o Regime de Garantias - que será a maior desde 1999 -, que os três deputados entregaram uma carta ao presidente da AL, Ho Iat Seng. No documento, 
Leonel Alves, Chan Meng Kam e Cheang Chi Keong pediram que a proposta fosse “enviada a uma Comissão [Permanente] para ser novamente analisada na especialidade”, porque consideram que a “proposta tem suscitado diversas dúvidas

O Governo apenas “fez um truque, explorando três pessoas que, por acaso, estão no Conselho Executivo e na AL” para fazer todo o trabalho. A intenção é clara tanto para Chao, como para Pereira Coutinho.

terá aceite que o plenário “delibere a suspensão da discussão e votação na especialidade”, tal como tinham referido os deputados Ng Kuok Cheong e Pereira Coutinho ao HM. Chui Sai On diz que, através dos meios de comunicação social se “apercebeu” da elevada preocupação dos cidadãos perante o Regime. Mas mais. “Lembrou que, no passado, diversos sectores da sociedade apresentaram, através de diferentes canais e formas, várias opiniões e sugestões sobre esta matéria.” Todas as opiniões sobre a lei, garante, serão tidas em conta.

sobre a razoabilidade das normas contidas”. Esta é a proposta que será analisada primeiro e que, para quem falou com o HM, vai ser vitoriosa. “Claro que vai ser aprovada, tem algum dúvida? Vai ser votada em primeiro lugar, antes da proposta de lei”, diz Pereira Coutinho. Sendo aprovada, diz o deputado, vai colocar o Regime de Garantias “em banho Maria”, de forma a prolongar o processo e a fazer com que a lei venha a ser aprovada mais tarde. Jason Chao diz exactamente a mesma coisa, enfatizando que, se realmente houvesse desejo de mudança, Chui Sai On teria retirado ou emendado a proposta. Ng Kuok Cheong concorda. “Os três deputados estão a tentar atrasar o exame da proposta. Claro que o hemiciclo vai passar a proposta e assim ganhar mais tempo.” O Regime de Garantias prevê que os altos cargos do Executivo que se reformem ou aguardem funções recebam compensações beneficiários no valor de 14% do total do vencimento – para os provenientes da função pública – e de 30% para os do sector privado. Isto é um dos factores de crítica, a par da existência de um artigo que prevê impunidade para o Chefe do Executivo por eventuais crimes cometidos durante o mandato. A organização fala em cerca de 30 mil manifestantes, a PSP em sete mil. O HM tentou ouvir a versão de Leonel Alves, um dos membros que apresentou a proposta para nova análise do Regime, mas não foi possível contactar o deputado. Alves afirmou à TDM, no domingo, que há um “défice de compreensão” sobre o Regime, justificando assim a entrega da proposta para nova análise. Diz, contudo, que este gesto não significa uma adesão à opinião geral.

ELEIÇÕES ORÇAMENTO É DE MAIS DE 30 MILHÕES

Gastar para ganhar LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

S

ÃO cerca de 32 milhões de patacas que a Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE) vai gastar nas duas eleições que acontecem em Junho e em Setembro deste ano. O valor revelado pela presidente da CAECE, Song Man Lei, deverá englobar a eleição da Comissão Eleitoral para o Chefe do Executivo e a eleição do próximo líder governamental de Macau. As eleições para o grupo que elege o Chefe do Executivo vão ser mais caras - deverão custar aos cofres do Governo cerca de 17,4 milhões de patacas – e as do Chefe do Executivo cerca de 14,9 milhões de patacas. Song Man Lei aproveitou ainda para afirmar que

considera o aumento “razoável” face a 2009, justificando-o com a crescente subida da inflação. Em 2009, as eleições para o Chefe do Executivo estavam orçadas em 13,8 milhões de patacas, mas Chui Sai On utilizou apenas 9% do total.

COMISSÃO ESCOLHIDA

Sabe-se também que são 352 os candidatos para os sete sectores da eleição dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo. De acordo com uma nota de imprensa divulgada ontem, os Serviços de Administração e Função Pública procederam à apreciação da capacidade dos participantes dos sete sectores existentes. O primeiro sector (financeiro, comercial e industrial) conta com 120 participantes, enquanto o segundo e o terceiro

contam com 119 e 113 participantes, respectivamente. As duas últimas áreas dizem respeito às tutelas da educação, desporto, cultura, trabalho e serviços sociais. Os indivíduos cujo nome não vigore na lista de participantes elegíveis podem activar um recurso contencioso ao Tribunal da Última Instância até ao final do dia de hoje. A eleição para os membros da Comissão do Chefe do Executivo tem lugar já no dia 29 de Junho, enquanto a votação para eleger o próximo líder do Governo apenas acontece no mês de Setembro. Serão cinco, os locais de voto para a primeira eleição, incluindo o Instituto Politécnico de Macau (IPM), os pavilhões A e B do Polidesportivo do Tap Seac e as escolas secundárias Ho Tung e Kao Yip.

Coutinho exige mais espaços sociais às operadoras de jogo

O

deputado José Pereira Coutinho entregou mais uma interpelação escrita ao Governo onde pede que este comece a exigir às operadoras de jogo mais espaços de apoio social. “Vai o Governo exigir às futuras concessionárias de jogo a responsabilidade de construir habitação para os seus trabalhadores, incluindo asilos e creches e instalações de apoio aos deficientes e famílias monoparentais?”, questiona o deputado, que apresenta ainda como argumento os elevados lucros do jogo. “Todos os anos as concessionárias de jogo têm elevados lucros que permitem algumas delas investir noutros países e regiões adjacentes, esquecendo-se da responsabilidade social que deveriam ter para com os residentes locais”, pode ler-se na interpelação. “Atendendo que nos próximos anos vão iniciar-se os processos de auscultação social quanto à revisão dos contratos de concessão do jogo, muitos residentes são da opinião da necessidade de obrigar contratualmente ao cumprimento de responsabilidades básicas de aspecto social”, acrescenta ainda Coutinho. - A.S.S.


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EUROPEIAS MIGUEL BAILOTE ESPERA QUE PSD E CDS-PP CHEGUEM AOS 50 VOTOS

Macau ainda vira à Direita ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O

S resultados preliminares das eleições para o parlamento europeu em Macau revelam uma vitória da Direita, ao contrário do que aconteceu em Portugal, onde o Partido Socialista (PS) obteve 31,45% dos votos, contra os 27,71% da coligação Aliança Portugal, composta pelo PSD e CDS-PP. A coligação obteve 48 votos de entre um total de 192 eleitores que se dirigiram ao consulado-geral de Portugal em Macau, segundo a agência Lusa. Números que merecem um comentário positivo de Miguel Bailote, presidente da secção do PSD em Macau. “Contamos que na quarta-feira (amanhã) tenhamos cerca de 50 votos de Macau, e que a tendência (de liderança da Direita em Macau) se mantenha. Ao contrário de Portugal, mantivemos a vitória”, disse Miguel Bailote ao HM. O responsável da secção do PSD em Macau frisou que “nunca fica satisfeito com um nível de abstenção tão grande”, apontando a manifestação contra o regime de garantias dos titulares dos principais cargos, ocorrida no domingo, como uma das razões para a ausência dos eleitores das urnas.

MIGUEL MANSO

É amanhã que termina a contagem dos votos de Macau para as eleições europeias. Miguel Bailote, presidente da secção do PSD em Macau, espera atingir os 50 votos e manter a liderança do partido na RAEM. E diz que a manifestação afastou muitos eleitores das urnas. A surpresa vem do MPT de Marinho e Pinto com 24 votos

PORTUGAL “SEM EXTREMISMOS”

As eleições europeias em Portugal ficaram marcadas por uma elevada abstenção – 66% - maior do que em 2009. O PS conseguiu eleger sete eurodeputados e a Aliança Portugal seis. Já a CDU conseguiu o melhor resultado de sempre, tendo eleito três eurodeputados. O BE caiu para menos de metade dos votos face a 2009, tendo o MPT eleito o seu cabeça de lista, Marinho e Pinto.

“A figura (António Marinho e Pinto) é mediatizada e popular. Há pessoas que estão desiludidas com o rumo da vida política portuguesa e existe uma colagem a um discurso no qual as pessoas se revêem” MIGUEL BAILOTE Presidente da secção do PSD em Macau

1,75%

foi a percentagem de eleitores que votou

“Tivemos uma manifestação que foi uma das maiores dos últimos tempos e isso é algo que está mais próximo das pessoas”, disse ao HM. De resto, os números não surpreenderam Bailote. “Esperava que a votação ficasse nos 200 eleitores. É sempre complicado motivar as pessoas para uma eleição que não lhes diz muito, é mais fácil motivar para as eleições legislativas. Não estava à espera

Pinto) é mediatizada e popular. Há pessoas que estão desiludidas com o rumo da vida política portuguesa e existe uma colagem a um discurso no qual as pessoas se revêem”, disse o responsável. Macau deu ainda 15 votos à CDU, sete ao Bloco de Esquerda (BE) e três votos ao Partido Livre. O Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) obteve apenas um voto. A primeira urna teve 13 votos em branco e um nulo. Macau é uma assembleia de apuramento intermédio e vai receber os votos de Pequim, Xangai, Seul e Tóquio para uma das mesas, tendo sido escolhida a quem tem menos votos e que será contada na quarta-feira depois de recolhidos os votos das restantes cidades regionais.

António Marinho e Pinto

que houvesse uma subida”, disse o presidente da secção do PSD.

PARTIDO DA TERRA, A SEGUNDA FORÇA POLÍTICA

Segundo a agência Lusa, apenas 1,75% do universo dos eleitores se

dirigiu ao consulado entre sábado e domingo. A primeira urna obteve 140 votos, a segunda 52. Em segundo lugar ficou o PS com 27 votos obtidos. Mas a surpresa veio do Movimento Partido da Terra (MPT), que conseguiu 24

votos. Segundo Miguel Bailote, o movimento, liderado pelo ex-Bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho e Pinto, “deverá passar a ser a segunda força política em Macau”. “A figura (António Marinho e

Na Europa, a surpresa recaiu na vitória da extrema-direita em muitos países. Em França, por exemplo, a Frente Nacional, liderado por Marine Le Pen, obteve quase 25% dos votos. Miguel Bailote aplaude que Portugal tenha ficado de fora dessa tendência. “Marcámos alguma diferença e não vemos sinais de extremismo em Portugal. Qualquer extremismo não é saudável para uma vida democrática”, disse o presidente da secção do PSD. Dados preliminares mostram que o Grupo do Partido Popular Europeu está à frente, com 214 deputados no parlamento europeu. Em segundo lugar surge o Grupo Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, com 189 deputados. Em terceiro, com 66 deputados, surge a Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa.


SOCIEDADE

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Em mais uma reunião do Conselho do Património Cultural, ficou decidido que o Instituto Cultural vai apoiar financeiramente a recuperação do Pátio do Mungo, que está nas mãos de privados ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

“U

M caso raro e especial”. Foi desta forma que Ung Vai Meng, presidente do Instituto Cultural (IC) descreveu o futuro projecto de revitalização do Pátio do Mungo, cuja iniciativa partiu do próprio proprietário. O espaço, composto por 13 edifícios, vai ser restaurado com o apoio financeiro do Governo. “O pátio não está na lista de edifícios protegidos e não temos diplomas legais para proteger de forma directa o espaço. O proprietário entrou em contacto connosco e concordou em revitalizar a zona”, disse Cheong Cheok Kio, secretário-geral do Conselho do Património Cultural (CPC), onde ontem foi votada a restauração do espaço. “É um caso muito raro em que o proprietário tem vontade de revitalizar os edifícios, e o Governo tem este direito de ajudar o

PATRIMÓNIO GOVERNO QUER CULTURA NO PÁTIO DO MUNGO

Raro e especial proprietário”, disse ainda Carlos Marreiros, membro do CPC. O apoio financeiro será feito no âmbito da nova lei da salvaguarda do património, que prevê esse tipo de ajudas em caso de necessidades económicas dos proprietários. Segundo a apresentação de ontem, o dono do Pátio do Mungo já teria entrado em contacto com os Serviços de Finanças. O IC comprometeu-se a fazer a

“Foi apresentado um relatório sobre pátios e existem mais de 100 pátios em Macau. Este espaço (Pátio do Mungo) não é muito grande mas tem valor histórico, com mais de 100 anos.” CHEONG CHEOK KIO

remodelação das fachadas e a dar uma “especial atenção” a dois dos 13 edifícios. “Vamos ser responsáveis pelas despesas de remodelação e preservação”, garantiu Cheong Cheok Kio. O pátio, já sem quaisquer moradores, não será destinado à habitação. “Segundo o projecto que o proprietários nos entregou, será na área das indústrias culturais e criativas, não é para fins habitacionais”, disse o secretário-geral do CPC. “Ainda estamos a discutir os pormenores e não há um orçamento previsto. Os edifícios já são muito velhos e o orçamento não será pequeno”, disse Cheong Cheok Kio, que garantiu ainda que “não mora lá ninguém, por isso acho

que não há obstáculo para fazer as edificações”. De entre um total de 19 membros do CPC, 16 votaram a favor deste

“É um caso muito raro em que o proprietário tem vontade de revitalizar os edifícios e o Governo tem este direito de ajudar o proprietário” CARLOS MARREIROS

AINDA NÃO HÁ DECISÃO SOBRE PRÉDIO NA R UA DA BAR CA O CPC analisou o caso do edifício parcialmente demolido na Rua da Barca, por alegada falta de coordenação dentro da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSSOPT), conforme avançado pelo HM. Apesar dos membros

do CPC terem considerado que o edifício tem valor histórico, ainda não se chegou a nenhuma conclusão. “Temos de contactar o proprietário e temos de encontrar consenso, por isso ainda não foi tomada nenhuma decisão”, disse

Carlos Marreiros, membro do CPC. “Alguns membros acham que há um valor arquitectónico neste edifício e que é preciso preservá-lo. Serve de memória colectiva e é uma representação da Avenida Horta e Costa”, explicou o arquitecto. Com

um estilo “neo-clássico”, o edifício é o último exemplo de uma série de construções habitacionais que existiram nessa zona nas décadas de 30 e 40. Contudo, esses edifícios foram “pouco a pouco demolidos” nos anos 80.

projecto. Antes dessa votação, foi apresentado um relatório elaborado pelo Executivo. “Foi apresentado um relatório sobre pátios e existem mais de 100 pátios em Macau. Este espaço (Pátio do Mungo) não é muito grande mas tem valor histórico, com mais de 100 anos. Antigamente muitos chineses viviam nos pátios e são considerados como parte do tecido urbano”, frisou Cheong Cheok Kio.

CONTAGEM DO PATRIMÓNIO IMÓVEL VAI COMEÇAR

Outra das decisões tomadas no âmbito da reunião do CPC prende-se com o arranque, já este mês, do levantamento de edifícios históricos com necessidade de preservação. Tal servirá para compor a futura lista dos imóveis a proteger, sendo que o último inventário do património imóvel foi revisto há mais de 22 anos. Não caberá apenas ao Governo fazer esse inventário, mas a população também pode enviar sugestões ao IC de edifícios que considera possuírem valor histórico. “O levantamento exaustivo dos imóveis irá arrancar nos próximos dias, podendo-se obter informações sobre a situação do património imóvel existente e o seu valor, servindo de base para a classificação futura do património cultural”, explicou o IC, em comunicado.


6 sociedade

Um memorando de entendimento entre a China e os países de língua portuguesa (PLP), foi ontem assinado durante um painel de discussão sobre o ambiente económico dos PLP. Potenciar uma plataforma de investimento é o objectivo

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IPIM ASSINADO ACORDO DE INVESTIMENTO ENTRE CHINA E PLP

Cooperação & companhia como “essencial” para os países de língua portuguesa, mais uma vez com enfoque na construção de infra-estruturas e apoio tecnológico. Recentemente, o Ministério do Comércio da China publicou directrizes para o ambiente de negócios nos PLP e as informações detalhadas sobre os investimentos e o empreendedorismo nestes países podem ser acessíveis a partir do website oficial deste departamento governamental.

NA NET PARA VENDER

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

O

acordo ontem assinado tem o intuito de potenciar a criação de uma “plataforma aberta para negócios de investimento”, disse o presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), Jackson Chang. Os sectores primário e secundário são aqueles em que a China mais pretende investir em países como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Dão primazia ao desenvolvimento de tecnologia e infra-estruturas relacionadas com a agricultura, as pescas e o sector das indústrias, fomentando a construção de “auto-estradas, pontes, portos, aeroportos, habitações e outros projectos mais diversificados”. Quem o disse foi Chang Hexi, Secretário-geral do secretariado permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau). De acordo com o responsável do Fórum Macau, “os negócios com o Brasil focam-se, principalmente, nos produtos agrícolas, enquanto com Angola, o comércio é primordialmente feito ao nível do petróleo”. Só no ano passado, o comércio entre a China e os países

Jackson Chang

de língua portuguesa atingiu os 86,2 mil milhões de patacas, disse, acrescentando que “ainda há muitas áreas para explorar”.

86,2

mil milhões, comércio entre a China e os PLP, em 2013

Também o Brasil e Timor Leste carecem de projectos relacionados com os sectores primário e secundário e, segundo Chang Hexi, são países que estão “muito interessados” em fazer parcerias nesse sentido. A pecuária é também uma das áreas que mais importa a países africanos como Moçambique e Angola. O representante do Fórum

Macau acrescentou ainda que “os PLP são países em vias de desenvolvimento e gostariam de desenvolver o sector industrial, tendo ‘know-how’ nessa área e na de produtos de necessidades básicas”, rematando que “o estabelecimento de fábricas nesses países é bastante importante”. A participação da China no sector energético e do bio-diesel é tida

AIPIM quer investigação sobre confronto entre Lam Heong Sang e jornalista Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) exigiu, em carta enviada ontem ao presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, que o caso que envolve Lam Heong Sang e um jornalista da TDM seja “devidamente investigado e explicado”, justificando que os profissionais dos média pretendem ser “tratados com dignidade e respeito. A mesma, diz a associação, com que merecem ser tratados os deputados. A carta encerra com o desejo de que casos destes não se voltem a repetir. O caso diz respeito a uma situação na passada sexta-feira, quando o vice-presidente da AL, Lam Heong Sang se dirigiu de forma ofensiva a Phoenix

Un, jornalista da TDM inglesa que estava a colocar questões sobre a data para a votação na especialidade da proposta de lei do Regime de Garantias dos Titulares dos Principais Cargos. Lam acusou o profissional de o estar a “tramar”, seguidamente afirmando que o repórter tinha “baixo nível”. A troca de palavras, que ocorreu num evento na Universidade de Macau, iniciou-se depois de Un ter questionado o vice-presidente da AL sobre a alegada “pressa” na aprovação da proposta de lei sobre o Regime de Garantias dos Titulares dos Principais Cargos. A pergunta parece ter irritado Lam Heong Sang, que respondeu: “Você está a tramar-me. Já me tramou”.

TIAGO ALCÂNTARA

A

Lam Heong Sang

No mesmo painel, Jackson Chang disse que deverá ser criada uma plataforma online de venda de produtos regionais, simultaneamente servindo para a criação de contactos e parcerias de investimento entre a China e os PLP. Esta iniciativa está integrada na 10ª Feira de Cooperação Económica e Comercial da Região do Pan-Delta do Rio das Pérolas, que se vai realizar ainda este ano. Para o representante do IPIM, o acordo assinado ontem serviu para “celebrar a cooperação de todos os elementos componentes do Pan-Delta do Rio das Pérolas”, simplesmente tratando-se de uma iniciativa para “consolidar a cooperação” entre as várias províncias desta zona da Ásia. “A 10ª edição da feira de desenvolvimento económico vai consistir em duas diferentes fases. Uma primeira em que serão feitos contactos entre as empresas e autoridades”, avançou o responsável do IPIM. Para a segunda fase, está a ser preparada uma conferência de “grande envergadura” durante os dias 11 e 12 de Outubro, em Cantão. Sobre a plataforma online, Jackson Chang adiantou que será destinada não apenas à China e aos PLP, mas sim a todos os interessados, permitindo que possam ser trocadas “algumas impressões e parcerias, promovendo a venda de produtos”. O presidente do IPIM garante que em Setembro já deverão haver mais novidades sobre o website, que está a ser criado juntamente com a delegação de Guangdong. Ma Hua, Subdirector dos Serviços do Comércio da Província de Guangdong, o painel serviu para “trocar ideias” e “encontrar bolsas de contacto”. O responsável aproveitou para dizer que o volume de trocas comerciais – incluindo investimentos e estabelecimento de negócios – entre Cantão e Macau atingiu os 15,7 mil milhões de patacas, enquanto as trocas entre Cantão e os PLP chegaram aos 86,2 mil milhões de patacas. Afirmou ainda que “Macau e Cantão estão numa posição única” em termos de negócios, tanto histórica como geograficamente.


sociedade 7

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Homem com problemas mentais ataca na Areia Preta e Toi San

Recentemente, as autoridades públicas registaram uma série de ataques aleatórios nas zonas de Toi San e da Areia Preta, cometidos por um homem com problemas mentais e de alcoolismo. O indivíduo, já identificado pelas autoridades, não possui necessidades clínicas que exijam o internamento hospital, pelo que deverá continuar pelas ruas. Em virtude dos mais recentes incidentes, os Serviços de Saúde (SS) pedem à população que tenha especial cuidado com Leung, cidadão de Macau, que possui, igualmente, transtornos de personalidade e conduta, consequências do consumo excessivo de álcool e medicação. Leung tem uma elevada propensão para o conflito e violência, tendo sido reportado o ataque consecutivo a vários transeuntes, vários dos confrontos precisando de intervenção policial. Os SS aproveitaram, ainda, para alertar para o uso excessivo de drogas e outras substâncias nocivas, justificando que a sua ingestão pode conduzir a sintomas semelhantes aos de Leung, eventualmente prejudicando-se a si mesmo e a terceiros.

FRC passa a ser pessoa colectiva de utilidade pública

Um despacho do Chefe do Executivo publicado em Boletim Oficial (BO) mostra que a Fundação Rui Cunha (FRC) passa a ser designada como uma pessoa colectiva de qualidade pública administrativa. Segundo um comunicado da entidade, trata-se de um “corolário de dois anos de actividade intensa ao serviço de Macau, do seu Direito e das suas Gentes”, sendo ainda um “incentivo a todos quantos com ela diariamente colaboram”. “A FRC agradece às Gentes de Macau e compromete-se a continuar a tudo fazer para que Macau seja sempre mais e melhor”, aponta o comunicado.

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TRIBUNAL REGISTO DE MARCA DE TABACO REJEITADO

O prestígio basta O registo de uma marca foi rejeitado pelo tribunal, apesar de a Direcção dos Serviços de Economia (DSE) até ter deferido o pedido. Um recurso interposto por uma outra marca no Tribunal Judicial de Base (TJB) levou ao cancelamento do registo, com o tribunal a considerar que uma das empresas estava a imitar outra que, apesar de não estar registada em Macau, é mundialmente conhecida. De acordo com um comunicado do TJB, o caso remonta a 2011, quando a SMS Tobacco Trading requereu à DSE o registo da marca. A DSE deferiu o pedido, mas a British American Tobacco Italia, afiliada do grupo tabaqueiro British American Tobacco, recorreu a tribunal, considerando que a SMS Tobacco Trading estaria a copiar

as suas marcas. A empresa, que se dedica à produção, importação, exportação e comercialização de tabaco é titular de diversas marcas contendo a expressão “MS”, cujo registo se encontra efectuado a seu favor em diversos países e regiões e em Macau “também vem sendo exibida durante competições desportivas

oficiais, já que a [empresa] vem apoiando, desde há muitos anos, equipas de Fórmula 1 e de Moto Grand Prix.” Ainda que “MS” não tenha sido registada no território, nem a British American Tobacco Italia, o TJB deu razão à empresa. Apesar de a empresa ter

evocado que ‘SMS” será apenas a abreviação de ‘short message service’, pelo que não deveria ser alvo de protecção, foi por outra razão que o tribunal cancelou o pedido. “A marca ‘SMS’ limita-se a acrescentar à “MS” um “S” e um fundo, implicando o risco de fazer associar [uma marca à outra]”, começa por explica o tribunal, que indica ainda que a ‘MS’ é conhecida pelos seus produtos. “Acresce que as duas marcas assinalam o mesmo tipo de produto, o que já é suficiente para induzir o consumidor médio à confusão ou associação. Atendendo a que as marcas notórias e as de prestígio, mesmo não registadas em Macau, gozam de protecção especial, é procedente o recurso nesta vertente.” O tribunal acabou por ordenar à DSE a recusa do registo da marca. - J.F.


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CHINA

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A

China proclamou ontem que o desenvolvimento do país “proporcionou a todos os chineses oportunidades para concretizarem os seus sonhos”, mas reconheceu que são ainda “necessários maiores esforços” para melhorar os direitos humanos da população.

650

milhões de cibernautas

“Os progressos alcançados pela China no domínio dos direitos humanos estão à vista de todos e qualquer observador imparcial e sensato pode tirar uma justa conclusão”, diz um Livro Branco difundido pelo Governo chinês com o título “Progresso dos Direitos Humanos na China em 2013”. Trata-se de um tema de persistente tensão entre Pequim e os países desenvolvidos da Europa e América do Norte, sobretudo quanto ao exercício dos direitos políticos individuais, mas para as autoridades chinesas, “o direito ao desenvolvimento é o mais importante dos direitos humanos”. “O nível de vida da população subiu solidamente” e “os residentes urbanos e rurais, especialmente os que se encontram em situações difíceis, podem viver com dignidade”, realça o Livro Branco. Segundo o documento, o Governo é hoje “mais transparente” e, graças à Internet, que se tornou “um dos mais importantes canais para o público exprimir as

DIREITOS HUMANOS PEQUIM ADMITE “ESFORÇOS AINDA MAIORES”

Um país de sonho suas opiniões”, a liberdade de expressão “está melhor assegurada”. Pelos números citados no Livro Branco, os internautas chineses, estimados em quase 650 milhões, difundem por dia cerca de 250 milhões de mensagens através nos seus microblogues e mais de 20

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judicial, destaca também o relatório do Governo. “O desenvolvimento da China proporciona a todos os chineses oportunidades para se desenvolverem a si próprios, servir a sociedade, ser bem-sucedidos na sua vida e realizar os seus sonhos”, afirma o Livro Branco.

“O desenvolvimento da China proporciona a todos os chineses oportunidades para se desenvolverem a si próprios, servir a sociedade, ser bem-sucedidos na sua vida e realizar os seus sonhos” LIVRO BRANCO

Ex-milionário chinês com ligações a Macau condenado à morte M tribunal da província de Hubei, na China central, condenou à morte vários arguidos por crimes económicos, por homicídios e por terem, alegadamente, constituído uma associação mafiosa. No banco dos réus sentaram-se 36 pessoas. Entre os condenados à morte figura Li Huan, que a revista Forbes colocou na posição 148 entre os mais ricos da China e que foi associado ao branqueamento de capitais através de casinos em Macau. Segundo a versão em

mil milhões de mensagens instantâneas nas redes sociais. Em 2013, a China aboliu o sistema de “reeducação através do trabalho”, uma pena administrativa até quatro de anos de prisão, instituída na primeira década de governação comunista (1950), que não necessitava de caução

língua inglesa do diário oficioso Renmin Ribao,o Tribunal de média instância de Xianning anunciou as primeiras sentenças para os julgamentos dos 36 réus, contando-se entre elas a pena de morte para Li Huan e para o seu irmão, Liu Wei, bem como para três outros arguidos. Outros cinco foram igualmente condenados à morte, mas com penas suspensas por dois anos. Houve também quatro condenados a penas de prisão perpétua e 22 a diferentes penas de prisão.

Apesar do actual abrandamento, a economia chinesa cresceu 7,7% em 2013 e as pessoas vivendo abaixo da linha pobreza (com menos de cerca de 2.600 patacas por ano), diminuíram em 16,5 milhões, para 82,4 milhões, o que corresponde a cerca de 6% da população. O Livro Branco reconhece, no entanto, que a China “ainda é um grande país em vias de desenvolvimento”, e com “um desenvolvimento desequilibrado”. “A melhoria dos direitos humanos nunca acaba, há

sempre margem para melhorar (…) São necessários maiores esforços para elevar os padrões de protecção dos direitos humanos”, afirma o documento, o 11.º do género difundido pelo Governo chinês desde 1991.

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mil milhões de mensagens instantâneas nas redes sociais diariamente

A divulgação deste novo Livro Branco sobre os Direitos Humanos ocorre nove dias antes do 25.º aniversário da sangrenta repressão militar do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, uma data ainda tabu na China.

ESPIONAGEM CORTAR VÍNCULOS COM CONSULTORAS DOS EUA

Em contra-ataque A China disse às suas empresas estatais para cortarem os vínculos com as empresas norte-americanas de consultoria poucos dias depois dos Estados Unidos acusarem cinco oficiais militares chineses de pirataria contra empresas norte-americanas, disse o jornal Financial Times este domingo. A medida da China, que tem como alvo empresas como a McKinsey & Company e The Boston Consulting Group (BCG), deriva de receios de que as empresas estejam a oferecer segredos comerciais para o governo dos EUA, noticiou o FT, citando fontes

não identificadas próximas de altos dirigentes chineses. Porta-vozes da McKinsey & Company e Bain não quiseram comentar o assunto. Porta-vozes da BCG e Strategy& (anteriormente conhecida como Booz & Company) também não estavam para já disponíveis para poder comentar. As empresas têm grandes operações na China, relatou o FT. McKinsey, BCG e Strategy& têm empresas estatais chinesas como clientes, acrescentou o jornal. As autoridades em Washington têm argumentado há vários anos que

a espionagem cibernética é uma das grandes preocupações ao nível da segurança nacional. A acusação de 19 de Maio foi a primeira de hacking criminoso dos Estados Unidos contra funcionários estrangeiros específicos.


REGIÃO

hoje macau terça-feira 27.5.2014

O

rei da Tailândia designou ontem formalmente o chefe do exército como líder da nova junta militar do país, na sequência do recente golpe de Estado . “Para restaurar a paz e a ordem e em nome da unidade, o rei nomeou o general Prayuth Chan-ocha como líder do Conselho Nacional para a Paz e Ordem [nome oficial da junta] para governar o país”, refere uma ordem real à qual a agência AFP teve acesso. Prayuth Chan-ocha apresentou-se, vestido de branco, com outros generais numa cerimónia que decorreu à porta fechada e que o confirmou formalmente como líder da junta que tomou as rédeas do poder na Tailândia. “Eu dei a minha palavra em como vou cumprir as minhas obrigações com honestidade”, disse aos jornalistas no final do encontro, naquela que foi a sua primeira conferência de imprensa depois do golpe. Prayuth Chan-ocha defendeu a intervenção do exército após quase sete meses de protestos antigovernamentais, os quais resultaram em 28 mortos e cerca de 800 feridos, e face ao risco de uma escalada de

TAILÂNDIA REI NOMEIA FORMALMENTE CHEFE DO EXÉRCITO

Haja paz

“Para restaurar a paz e a ordem e em nome da unidade, o rei nomeou o general Prayuth Chan-ocha como líder do Conselho Nacional para a Paz e Ordem [nome oficial da junta] para governar o país” ORDEM REAL

Bhumibol Adulyadej

violência entre partidários e oponentes do governo deposto. O líder da nova autoridade do país, cuja nomeação foi publicada na Gazeta Real, evitou, porém, comentar quando pretende devol-

ver o poder a um governo civil ou convocar eleições no país. A realeza, liderada pelo reverenciado, mas doente, Bhumibol Adulyadej, de 86 anos, granjeia um enorme respeito por parte dos

SEUL RECOMPENSA PARA QUEM ENTREGAR DONO DO ‘FERRY’

Procura-se milionário A

S autoridades sul-coreanas anunciaram ontem uma recompensa de 500 milhões de wones, cerca de 3.5 milhões de patacas, para quem entregar Yoo Byung-eun, fugitivo milionário tido como o proprietário da empresa do ‘ferry’ Sewol, cujo naufrágio fez mais de 300 mortos. Após várias tentativas goradas para encontrar Yoo Byung-eun, as autoridades da Coreia do Sul anunciaram ontem na televisão estatal KBS o novo valor da recompensa, o qual é dez vezes superior à anterior compensação oferecida. O empresário, fotógrafo e líder religioso de 73 anos foi acusado de desvio de fundos, evasão e suborno depois de o naufrágio do Sewol ter colocado a descoberto transacções ilegais realizadas pela companhia Cheonghaejin Marine e pelas suas filiais. Yoo Byung-eun continua a ser procurado, depois de não se ter apresentado diante da justiça, apesar de citado, numa altura em que o Ministério Público investiga também a sua eventual responsabilidade no acidente, depois de se apurar que o ‘ferry’ transportava até o triplo da capacidade de carga permitida e face à suspeita de incumprimento de outras normas de segurança. As autoridades realizaram buscas às instalações do complexo religioso de um grupo

cristão que fundou, cuja sede se encontra a cerca de 80 quilómetros a sul de Seul, bem como a outros pontos do país, que terminaram, porém, sem resultados. O milionário não possui ações na Cheonghaejin Marine, contudo, acredita-se que controla, de facto, a empresa através dos seus filhos, que detém uma participação significativa. O seu filho mais velho, Yoo Dae-kyun, ao qual é atribuída responsabilidade direta nas violações das normas de segurança, está também a ser procurado pelas autoridades, estando fixada uma recompensa para quem o entregar no valor de 100 milhões de wones (71.300 euros). As autoridades também procuram os outros dois filhos de Yoo que também foram intimados e não compareceram diante da justiça. A investigação do caso já resultou na detenção de vários funcionários da transportadora devido ao excesso de carga do Sewol, o qual terá sido um fator crucial no naufrágio do ‘ferry’. O naufrágio resultou em 304 mortos, a maioria dos quais jovens, havendo ainda 16 corpos por recuperar do interior do barco, que permanece afundado em águas do sudoeste do país desde 16 de abril.

tailandeses, pelo que a sua ‘bênção’ figura como um passo-chave para legitimar a actual junta, formada após o golpe de Estado na quinta-feira. O rei, que se espera que faça ainda uma declaração pública sobre o golpe, não terá estado presente na cerimónia, segundo as agências internacionais. PUB

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Dez mortos e 50 feridos em acidente de comboio na Índia

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ELO menos dez pessoas morreram e 50 outras ficaram feridas ontem num acidente de comboio no estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, informaram fontes oficiais. O acidente ocorreu às 11:00 quando um comboio de passageiros - o Gorakhdham Express – colidiu com outro de mercadorias que se encontrava parado, no distrito de Sant Kabeernagar, segundo a agência local IANS. A colisão levou ao descarrilamento de seis carruagens do comboio de passageiros perto da estação de Khalilabad, a

700 quilómetros a leste de Nova Deli, quando este seguia rumo a Gorakhdham, proveniente de Hisar, no vizinho estado de Haryana. As operações de resgate têm sido dificultadas pelo mau tempo, pelo que o número de vítimas poderá aumentar, já que há relatos de que vários passageiros se encontram presos no interior das carruagens. As condições meteorológicas e a fraca sinalização figuram como as principais causas dos acidentes ferroviários na Índia, país que tem a rede de caminho-de-ferro mais extensa do mundo.


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EVENTOS

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HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Hamamélia Nome botânico: Hamamelis virginiana L. Família: Hamamelidaceae. Nomes populares: Aveleira-de-bruxo; Aveleira-de-feiticeira; Hamamélia-da-Virgínia; Hamamélis. Belíssima planta ornamental, pelas suas flores amarelas e o verde vivo da sua folhagem que dá lugar ao dourado com o passar das estações, a Hamamélia é uma pequena árvore ou arbusto com pouco mais do que 5 metros de altura. As flores, de aroma agradável, crescem em ramos desprovidos de folhas. Os frutos são cápsulas lenhosas, semelhantes às Avelãs, e quando amadurecem estalam ruidosamente lançando as suas sementes a vários metros de distância. É nativa dos bosques húmidos da costa ocidental dos Estados Unidos e Canadá, onde se estima que os seus antepassados tenham surgido há 60 milhões de anos. Utilizada tradicionalmente pelos índios norte-americanos para tratar feridas, tumores e problemas nos olhos e embelezar a pele, a Hamamélia chegou à Europa como planta ornamental no século XVIII. Pouco tempo depois foi introduzida na prática médica sendo atualmente uma planta muito conceituada em fitoterapia. São usadas sobretudo as folhas, e/ou cascas. COMPOSIÇÃO Folhas: Taninos, flavonoides, heterósidos flavónicos, ácidos fenólicos, constituintes amargos, saponinas, colina, mucilagem, pectina e vestígios de óleo essencial. Cascas: Taninos, flavonoides, gorduras, ceras, saponinas, fitosteróis e traços de óleo essencial. AÇÃO TERAPÊUTICA Planta muito adstringente, a Hamamélia atua como um tónico venoso contraindo a parede das veias e ativando a circulação; por outro lado, combate a ação nociva dos radicais livres e a inflamação e protege os vasos sanguíneos, reduzindo a sua permeabilidade e aumentando a elasticidade das veias e a resistência dos capilares (efeito semelhante ao vitamina P). É amplamente utilizada, interna e externamente, em caso de sensação de peso nas pernas, flebites e úlceras varicosas; nas varizes reduz o cansaço e a dor nas pernas; nas hemorroidas desinflama-as, aliviando a sensação de comichão e ardor.

Pela sua atividade sobre os vasos sanguíneos, esta pequena árvore ajuda a deter as hemorragias, sendo empregue no fluxo menstrual abundante, hemorragias uterinas e outras perdas de sangue de origem interna. Como adstringente é ainda usada na diarreia, colite e disenteria e na leucorreia. OUTRAS PROPRIEDADES Externamente, a Hamamélia cicatriza e regenera a pele, sendo utilizada nas feridas e úlceras, queimaduras, picadas de insetos, prurido, eczema, neurodermatite, dermatite das fraldas e, em geral, nas inflamações da pele e mucosas e pequenas hemorragias; é ainda empregue nas contusões, entorses, distensões e dores musculares. Aplicada sobre os olhos tem uma ação calmante, sendo usada nas afeções oculares provocadas pela secura ou exposição ao vento ou ao sol, cansaço ocular devido a excesso de atenção visual (condução de automóveis, computadores), conjuntivites, blefarites e úlceras da córnea. É igualmente usada em cosmética natural por reduzir a desidratação da pele e ativar a circulação, tonificando-a e embelezando-a. COMO TOMAR USO INTERNO • Infusão: 1 a 2 colheres de sobremesa de folhas e/ou casca por chávena de água fervente, 10 a 15 minutos de infusão. Tomar 2 chávenas por dia. • Em ampolas, tintura, xarope, cápsulas e comprimidos, geralmente em fórmulas, para a insuficiência venosa, hemorroidas, transtornos da menopausa de origem vasomotora (afrontamentos) e emagrecimento. USO EXTERNO • Decocção: 30 a 40 gramas de folhas e/ou cascas por litro de água, 2 minutos de fervura. Em bochechos e gargarejos, lavagens ou compressas. Como colírio ou em lavagens oculares, filtrar muito bem. • Em pomada, creme, gel ou supositórios.

“Colotipia - Retorno”, Perspectivas Convergentes de John Thomson e Wong Ho Sang

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

É

já na próxima quintafeira que os mais novos vão poder assistir ao teatro de marionetas “Chuva de pedra, canção de mar”, criado pelo grupo artístico Cai Fora. Com recurso a livros desdobráveis e jogo de luzes e com produção de Winter Chiang, três artistas chineses contam a história de um Macau antigo através dos olhos e do imaginário de Oungoung, o protagonista da peça. Vai estar em exibição até ao próximo domingo, no segundo andar do Antigo Tribunal, sendo que os bilhetes custam 120 patacas para um espectáculo que dura cerca de 40 minutos e acontece às 11, 15.30 e 20 horas. Sexta-feira e sábado reservam-se à actuação de bailado contemporâneo pelo grupo MOP, que junta artistas naturais de Macau e da Polónia. O nome do colectivo foi pensado para lembrar a designação da

FAM TEATRO, FOTOGRAFIA E AUDIOVISUA

Com um sorriso

Esta é a última semana de eventos pens de Artes de Macau (FAM), embora algu mantenham até ao mês de Agosto moeda da RAEM, ao mesmo tempo que serve para unir Macau (MO) e a Polónia (P). Desde 2010 que a Companhia de Dança Violeta, a Associação de Dança Ieng Chi e o Estúdio de Dança de Macau têm enviado artistas de dança contemporânea para trabalhar com o mestre polaco, Jacek Luminski. A parceria consiste num intercâmbio trienal e que vem, nos dias 30 e 31 deste mês, mostrar o seu trabalho, no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM). Os bilhetes custam 100 e 120

PRECAUÇÕES Contraindicada na gastrite e úlcera gastroduodenal. A sua segurança na gravidez e lactação ainda não foi avaliada. Em uso prolongado ou pessoas sensíveis pode originar irritação da mucosa gástrica, pelo que se aconselha a associação com Alteia (raiz). Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde. Actuação Conjunta de Bailarinos de Macau e da Polónia

patacas para um espectáculo que deverá durar uma hora. É também no próximo fim de semana que a Associação de Artes de Teatro Dirks leva a peça “Clonagem de êxtase” ao palco da Galeria do Tap Seac, às 20 horas nos dois dias. A trama gira em volta do conceito e das problemáticas da clonagem, referindo e retratando um mundo imaginado onde os seres humanos seriam clonados, ao invés de nascerem.Aencenação de “Clonagem de êxtase” é da responsabilidade de Ip Ka Man, tendo sido adaptada do original “O admirável mundo novo”, de Aldous Huxley. O espectáculo será representada em cantonês e está pensado para durar uma hora e meia. Os bilhetes para o custam 120 patacas. A 25ª edição do FAM conta ainda com a inauguração de uma exposição de trabalhos do fotógrafo britânico, John Thomson, a acontecer na próxima sexta-feira, no Museu de


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HONG KONG ARTISTA ARGENTINO DESAFIA A REALIDADE

Gravidade encenada O

AL ENCERRAM FESTIVAL

o... nas Ruínas

sados e integrados no Festival umas das exposições de arte se Macau. A mostra “Retorno: perspectivas convergentes de John Thomson e Wong Ho Sang” deverá compreender uma compilação de fotografias tiradas pelo artista em vários locais da China – como Macau, Hong Kong, Cantão, Pequim, Xangai, Sichuan ou Nanjing – entre 1868 e 1872. O britânico foi um dos primeiros da sua área a utilizar a

técnica de colódio húmido na revelação das imagens, pelo que se trata de uma exposição quase exclusiva a nível mundial, não fosse o facto das fotografias já terem sido publicadas no periódico londrino, “Illustrations of China and its people”, há já vários anos. A segunda secção da exposição incorpora fotografias tiradas pelo fotógrafo de Ma-

cau, Wong Ho Sang, também reveladas através do processo de colódio. Também em exposição vão estar três câmaras de revelação antigas dos anos de 1890, 1960 e 2013, respectivamente. A mostra estará patente diariamente (exceptuando segundas-feiras) até dia 31 de Agosto e a entrada tem o custo de 15 patacas. Por fim e em jeito de encerramento, as Ruínas de S. Paulo vão acolher o já aguardado espectáculo “Um sonho de luz”, criado pelo MAVA e produzido por Casber U. O colectivo, que andou a “recolher sorrisos” em Macau para integrar na sua peça audiovisual, estreia-se no monumento histórico no próximo sábado, com espectáculos às 20 e às 21 horas. A mostra, que deverá durar cerca de 10 minutos, vai continuar em exibição até ao dia 8 de Junho.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O NOVO VEGETARIANO • Yotam Ottolenghi

Com os seus restaurantes de grande sucesso e livros de receitas bestsellers, Yotam Ottolenghi tornou-se um dos novos talentos mais promissores do mundo da culinária e da escrita de livros gastronómicos. O livro inclui 120 receitas exclusivas e originais, muitas das quais desenvolvidas inicialmente para a coluna “New Vegetarian” da revista Guardian Weekend. A inspiração de Ottolenghi vem das suas raízes mediterrânicas e do seu amor incondicional pelos ingredientes. Não sendo ele próprio um vegetariano, a sua forma de cozinhar com legumes é totalmente original e inovadora, baseada em sabores intensos e combinações surpreendentes e ousadas.

artista argentino, Leandro Erlich, inaugurou “Reflection” em Hong Kong no passado dia 17. A exposição, que se encontra aberta ao público até dia 8 de Julho na galeria de arte Oi!, alia conceitos de arquitectura, design, arte contemporânea e ilusão, resultando numa instalação interactiva que ganha vida com a participação dos visitantes. Erlich consegue criar edifícios que as pessoas podem escalar e nos quais é possível pendurarem-se e fazerem malabarismos. Tudo isto acontece porque Erlich produziu, com recurso a espelhos e outros mecanismos, um complexo sistema de instalações artísticas onde é possível o público interagir. Em parceria com Kingsley Ng, de Hong Kong e a equipa Meta4 Design Forum, o argentino desafia a realidade e a gravidade, sobrepondo conceitos e práticas contemporâneos e noções clássicas de arquitectura, por exemplo. Actualmente, o artista tem as suas obras expostas

em galerias de Israel, Argentina, Japão, Hong Kong, Itália, Espanha, Estados Unidos e Brasil. Descende de arquitectos e sempre teve especial fascínio pelo mundo artístico, finalmente enveredando pelo caminho das artes plásticas e instalações. Bâtiment, uma das peças integradas em “Reflection”, foi criada a pedido da galeria de arte onde se encontra, situada na Oil Street, uma das zonas mais prolíficas no que toca à arte contemporânea no território. A instalação divide-se em várias partes e uma delas está incorporada

no próprio edifício da galeria. Actualmente, a equipa da Oi! trabalha juntamente com o Centro de Artes Visuais de Hong Kong, de forma a potenciar a organização de programas de formação e de projectos inovadores. O edifício foi originalmente construído em inícios do século XX para integrar a sede do Royal Hong Kong Yacht Club, acabando por manter a sua aparência e modelo ocidental. Actualmente, a galeria tem vindo a desenvolver vários projectos ao nível do fomento e surgimento de novos artistas. - L.S.M.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

COZINHA CHINESA • Li Ching

Li Ching, o autor deste livro, era conhecido entre os seus amigos pela alcunha de «restaurante ambulante». Natural de Hai Nan, viajou pelo mundo ensinando a sua arte. Neste livro revela-nos muitos segredos da milenária cozinha chinesa. As sopas, os mariscos e peixes, as aves, o porco, as outras carnes e o arroz são tratados em capítulos separados, sendo também dados muitos conselhos práticos que facilitam a confecção das receitas.


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a revolta do emir

ARTES, LETRAS E IDEIAS

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O LIVRO DE BALDASSAR CASTIGLIONE ( I )

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ESTAS linhas se oferecem algumas considerações retiradas do livro de Baldassare Castiglione chamado Il Libro Del Cortegiano, na versão original, e Etiquette for Renaissance Gentlemen, na versão inglesa.* 486 anos após a sua publicação, nele se encontram instruções cujo cumprimento não poderá senão trazer um avanço ao trânsito das massas e usufruto dos tempos livres nesta cidade que a ele se dedicou com um ardor e uma intimidade tão inocente. Sigam-se estas directivas como singelo manual para o melhoramento do comportamento geral das gentes, mesmo que longe do convívio aristocrático para cuja frequência foram conjuntas. O livro, publicado em 1528, usa como modelo a corte de Guidobaldo da Montefeltro, em Urbino. Está organizado em torno de uma conversa que terá tido lugar, ao longo de quatro dias, no Palácio Ducal desta cidade, no ano de 1507. Rapidamente ganhou fama e várias traduções. Trata-se, todavia, de muito mais que um manual de etiqueta, mesmo que as suas disposições elegantes tenham servido de paradigma durante vários séculos. Posições firmes sobre as capacidades intelectuais da mulher ou sobre o modo de tratamento das classes inferiores permanecem actuais. O palácio em Urbino, que o autor descreve, reúne não só muitos objectos de arte mas também livros raros em latim, em grego e em hebraico. A civilização clássica grega e latina são modelos brilhantes para o autor. O Duque Federico da Montefeltro (de que se mostrou em Macau, recentemente, reprodução fotográfica de um retrato da autoria de Piero della Francesca), fundador do palácio, pai de Guidobaldo, gastou vastas somas na compra destes livros porque acreditava serem eles os objectos mais distintos do seu palácio. Afligido pela gota - que o deformou fisicamente - e pelo insucesso de alguns dos seus mais estimados projectos, Guidobaldo mostrou, contudo, ao longo da sua vida, uma fortitude que o distinguiu como homem elegante. Uma atitude positiva em fase da adversidade instituiu-se como uma condição essencial da gentileza masculina. Não deixou de encher a sua corte de

homens e mulheres dotadas da mais nobre disposição e temperamento. Nota-se que o gentil homem deve mostrar destreza no manejo das armas em justas e torneios, como se continuou a prezar bem até ao século XX. Ao mesmo tempo, deve conduzir-se com à-vontade em festividades, várias ocasiões sociais e sessões musicais. Não encontramos, felizmente, o tópico de que as artes e as letras atentam contra as armas. Não encontramos a ideia, que tem muitos adeptos hoje em dia, das Américas à Rússia, de que estas corrompem a força guerreira e se excluem mutuamente. A aparência física é um aspecto importante e não deixa de exibir algum paralelo com o confronto entre as armas e as letras. Um homem deve juntar qualidades de masculinidade e de graça. Avisa-se contra o perigo do excesso de afectação feminina, uma acusação que se estenderá mais tarde pelas Ilhas Britânicas e cuja origem se identificará com a Itália (e que nestas linhas já se exprimiram em artigo sobre os catamitas londrinos do século XVIII e o Macaroni Club. Nele se apontava que os macaroni eram entendidos como “praticantes de sodomia efeminados e de classe alta, um crime importado de Itália”, produto do Grand Tour). Assim, deve evitar-se encaracolar os

cabelos e rapar as sobrancelhas. Deve evitar-se uma pose lânguida ao caminhar ou quando parados, como faziam alguns homens, de modo a que os seus membros parecem desconjuntar-se. Ao falar não devem fazê-lo de maneira tão languescente como se estivessem prestes a desvanecer. Conclui-se apontando que “já que a Natureza não os fez como as mulheres que querem e aparentam ser, devem ser tratados não como mulheres honestas mas como vulgares rameiras e ser expulsos de toda a sociedade gentil, para já não falar das cortes dos grandes senhores.“ ** O perfeito cortesão não deve ser demasiadamente grande ou pequeno. É melhor, se tiver de se afectar um dos extremos, ser mais para o pequeno que para o grande. Um homem muito grande tende a ter uma cabeça muito grossa, o que é um impedimento à correcta observação dos seus deveres desportivos e recreativos. Em tudo deve haver uma boa proporção, a força aparecerá aliada à ligeireza necessária ao manejo das armas. No capítulo do desporto e dos jogos elogia-se de novo a temperança e o equilíbrio. Esta aplicada à eventualidade de um duelo que se cumpre se necessário, mas que se não deve procurar com demasiada ansiedade. Os traços de temperan-

Pedro Lystmann

ça a que um gentleman renascentista se obriga encontram semelhança no modo desprendido que o gentleman oitocentista britânico deve afectar. Lembramos, na literatura portuguesa, a condução aloof de Carlos da Maia e do modelo último da gentlemanry britânica na cidade de Lisboa, o altivo Craft, a quem nada perturba o lado lábio superior. À proficiência equestre e à destreza marcial junta-se o gosto pela caça, um tópico que sobreviveu também até aos nossos dias. Entre as habilidades nobres que o cortesão tem de dominar conta-se igualmente a natação e o ténis. No entanto, “deixemo-lo rir, gracejar, caçoar, divertir-se e dançar, mas de um modo que sempre mostre bom senso e circunspecção e deixemo-lo fazer e dizer tudo com graça.” Terminam-se estas primeiras considerações com uma referência a um tópico ínclito na altura: a pintura. Estamos nos inícios do século XVI. Várias cidades italianas tinham tido, durante o quattrocento, uma história pictórica gloriosa. Não esqueçamos, todavia, que este livro, publicado em 1528, reproduz um conjunto de discussões aparentemente tidas em 1507 (pouco depois da conclusão da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci). Algumas das pinturas mais famosas de Rafael, Miguel Ângelo e Leonardo da Vinci não tinham ainda sido feitas. Seria fastidioso representar aqui um quadro minucioso da pintura do quattrocento mas relembrar os nomes de Masaccio, Ucello, Filippo Lippi, Fra Angélico, Piero della Francesca, Giorgione, Giovanni Bellini, Botticelli (a Vénus que nos visitou é de c. de 1482) ou Ghirlandaio, dá uma ideia, mesmo que muito redutora, do vigor da pintura do século XV em Itália. A pintura e o desenho deverão fazer parte das habilidades do cortesão, um requerimento que se inscreve numa prática antiga, grega e romana, a fonte primordial da elegância. A proficiência no desenho pode até trazer vantagens militares se esta se aplicar ao desenho de mapas de cidades, rios, citadelas ou fortes. Todo o universo - as estrelas, a terra, os mares, as montanhas, os rios e os vales - é comparado a uma grande pintura divina (não a uma arquitectura). Quem conseguir imitar esta sublime criação é merecedor do mais elevado elogio. Segue-se uma discussão, moderada por Emília Pia, sobre os méritos da pintura e da escultura. (Continuará) * Socorri-me, no entanto, de um pequeno livrinho onde se coligem alguns excertos da influente obra de Castiglione. ** Tradução própria a partir do inglês, aqui e em passagens seguintes.


artes, letras e ideias 15

hoje macau terça-feira 27.5.2014

Jorge Rodrigues Simão

“Globalization forces enterprises to maintain a recognizable impact on markets in both the Old and New Worlds, but this requires efforts sustainable only by either large enterprises or agglomerations of SMEs. On the other hand, the industrial systems of the Far East enjoy a competitive advantage based on very low wages, which can be only be counteracted by the use of newer and newer technologies, requiring investments too heavy for SMEs. These two issues have caused deep crises in several industrial sectors across Europe.” A Road Map to the Development of European SME Networks: Towards Collaborative Innovation Agostino Villa and Dario Antonelli

A

S faíscas da conexão revela o quão interessante é que tais ligações podem surgir de tudo quanto nos rodeia, quer da natureza, como dos negócios existentes. A ligação com a natureza, tem um caso assaz interessante que se deu quando um homem andava por um local com vegetação e se deu conta de que à sua roupa tinham aderido algumas plantas (comummente conhecidas como cardo). Ao retirar os seus espinhos da roupa, deu-se conta que se fixavam fortemente ao tecido e que não se danificavam. A faísca da conexão permitiu unir uma situação com outra. O homem pensou que se conseguisse fabricar um material que imitasse este efeito, obteria algum produto adesivo que não existia no mercado. A ligação permitiu o aparecimento de um processo de investigação que o levou a desenvolver, nove anos mais tarde, a patente do que comercialmente se conhece com o nome de Velcro. O homem passou a investigar a forma de usar o principio que observou na natureza e criou uma pequena empresa que produzia este tipo de material, tendo mais tarde concedido licenças de autorização de uso das patentes a várias empresas espalhadas pelo mundo que passaram a fabricar o produto. A Velcro é a marca registada da empresa que desenvolveu o sistema de “hook and loop fastener”, e se converteu num grande sucesso comercial ao utilizar em roupa desportiva de todo o tipo, roupa, sapatos, livros e acessórios para crianças, entre muitos outros produtos. A Velcro é o resultado da faísca da conexão e está considerada entre as principias invenções que mudaram a história do mundo. A quantas pessoas se tinham aderido esses espinhos à roupa no passado? Aquele homem não foi o primeiro a debater-se com esse problema. No entanto, foi o primeiro que fez a ligação entre o que via na natureza e o potencial de um possível material adesivo que não existia no mercado. A sua curiosidade levou-o a tentar entender como a natureza tornava possível este tipo de aderência. A faísca (a ligação entre o que viu na natureza e um possível material novo) conduziu-o a reconhecer uma oportunidade empresarial. É possível que existam centenas de elementos na natureza, que vemos e que muitos tenham passado pela experiência do engenheiro suíço Georges de Mestral, que inventou o velcro, em 1948. Tais elementos estão à espera de que alguém os relacione com outras possibilidades. As pessoas têm a aptidão para ligar o que se encontra na natureza aos negócios existentes. Ao fazer essas conexões é

A EUROPA E AS PME (II) imaginável começar a reconhecer as múltiplas oportunidades empresariais possíveis de serem desenvolvidas. Existe a história de alguém que fez uma conexão que lhe permitiu ver uma oportunidade e que agiu para a tornar realidade. A pessoa estava a navegar pela Internet quando encontrou uma informação que lhe prendeu a atenção de forma extraordinária. Encontrou dados estatísticos sobre o aumento incrível do uso da Internet nos últimos tempos. A pessoa conectou este dado com a oportunidade de estabelecer um negócio de vendas por Internet e deu-se ao trabalho de averiguar os possíveis tipos de artigos que poderiam ser vendidos por esse meio. A lista que elaborou incluía discos compactos de música, programas de computador e livros. A análise mais profunda permitiu-lhe compreender que as livrarias tradicionais só podiam oferecer um número muito limitado de livros para venda. As grandes livrarias só oferecem, na realidade, um número reduzido de títulos em comparação com o grande número de livros publicados. Todas estas ligações levaram-no a pensar na possibilidade de vender livros pela Internet e a criar uma loja virtual. Imaginou algo que nesse momento não existia que era uma mega loja virtual que pudesse oferecer aos consumidores muitos mais livros dos que normalmente se vendem numa grande livraria. Assim, graças à conexão, seguida da visão empresarial e por todas as acções para a tornar realidade, foi criada a Amazon.com, que é um exemplo da faísca da conexão e da faísca da visão empresarial. Outro caso real é o de um jovem com um grande interesse pelos computadores e que empregou todo o tempo livre do primeiro semestre da universidade a comprar computadores obsoletos que modernizava ao fazer-lhes uma actualização e que depois, os vendia aos seus colegas. Os computadores, na altura, eram quase um luxo, pelo seu alto preço, tornando-os inacessíveis para a maioria das pessoas. O jovem empreendedor, no processo de estabelecer um pequeno negócio desde o seu dormitório para fazer actualizações e vender computadores, compreendeu que podia vendê-los mais baratos porque ia directamente ao consumidor, sem ter de se apoiar em intermediários, visualizando um futuro no qual cada dia mais pessoas teriam computadores, os quais deixariam de ser um luxo para poucos e se converteriam numa necessidade para muitos. O empreendedor com essas conexões mentais começou a imaginar uma empresa que vendia computadores directamente ao consumidor a preços mais baixos. Tudo isto facilitaria que mais pessoas pudessem adquirir computadores fazendo crescer o seu mercado. Converteu a sua visão empresarial em realidade ao criar uma empresa que vendia computadores a melhor preço, pelo facto fe ir directamente ao consumidor (e que se conhece como venda directa).

A empresa desenvolveu-se e tomou por nome o sobrenome de seu criador. Assim se fundou a Dell Computer Company. A empresa, com o tempo, cresceu notavelmente vindo a ser uma das primeiras a fazer vendas directas ao consumidor através do seu sítio electrónico da Internet. É de assinalar que os fundadores da Amazon.com e da Dell Computers são considerados entre os empresários que revolucionaram o século XX e que são um grande exemplo de como conectar, ter visão empresarial e decidir fazer da visão uma realidade. A curiosidade empresarial, mediante a formulação de perguntas, é uma das maneiras mais efectivas de imaginar e visualizar as possibilidades. O facto de se poder imaginar as possibilidades, permite-nos, ao mesmo tempo, reconhecer as oportunidades empresariais. As perguntas inteligentes são uma técnica para estimular a imaginação, para criar situações que nos obriguem a procurar alternativas e assim poder responder às perguntas. Esta técnica é extraordinariamente efectiva para reconhecer a necessidade de obter respostas face a situações que, de outra forma, quiçá não se poderia imaginar. A sua importância pode-se constatar pelo facto de que aproximadamente 80 por cento da actividade de treino dos astronautas consiste em responder às possíveis situações que se criam com as perguntas do tipo “o que aconteceria se…?”. O que aconteceria se utilizassem esta técnica de perguntas? A resposta é que se irá obter muitas possibilidades, mais perguntas, e mais respostas que ajudarão a reconhecer as oportunidades empresariais. É uma matéria demasiado importante onde as PME soem falhar e que determinará o seu sucesso ou declínio. É de considerar, uma outra técnica útil para estimular a curiosidade e conhecida como SCAMPER. O termo é um acrónimo formado pelas primeiras letras das palavras em inglês, substitute (substituir), combine (combinar), adapt (adaptar), modify or minify (modificar ou reduzir), put to other uses (dar outros usos), eliminate (eliminar), reverse or rearrange (investir ou reordenar). Utilizar esta técnica é muito fácil, e consiste em fazer várias perguntas relacionadas com os verbos anteriores para estimular a curiosidade, permitindo ao mesmo tempo, visualizar oportunidades empresariais. As respostas obtidas ao utilizar diferentes perguntas com o método SCAMPER podem-se relacionar para continuar a procurar mais oportunidades empresariais. Os telefones celulares pequenos com múltiplas funções são um exemplo. A redução do tamanho desses telefones é parte das respostas às perguntas de como eliminar ou reduzir o tamanho. O resultado das perguntas relacionadas com combinar, origina um aparelho que reúne telefone com calculadora, alarme, relógio, agenda, directório, capacidade de enviar e receber mensagens de texto, tudo numa unidade menor quando comparados com os primeiros telefones celulares que existiram no

mercado. Usar estas técnicas para perguntar servirá no processo de estimular positivamente a curiosidade para reconhecer oportunidades empresariais. A génese da empresa é a capacidade de reconhecer e tornar realidade as oportunidades empresariais. As empresas que se estabelecem pela inovação, e se mantêm com essa atitude, podem crescer e desenvolver-se. As empresas não inovam porque são grandes, mas são grandes porque inovam. É essa capacidade de inovação que deve ser um atributo chave para a gestão das PME, não só no momento da concepção da ideia empresarial, mas também durante a sua gestação, início de actividade, crescimento e desenvolvimento. A faísca empresarial é vital para se poder inovar no mundo das empresas, tanto para quem inicia uma PME, como para quem está a cargo da gestão durante o desenvolvimento da empresa. As microempresas (de 0 a 9 trabalhadores) representavam 92,2 por cento do tecido empresarial na União Europeia (UE), em 2011. As pequenas empresas representavam 6,5 por cento, as médias 1,1 por cento e a grandes empresas 0,2 por cento. As PME representavam 99,88 por cento do tecido empresarial da UE. As PME europeias foram responsáveis pela criação de 67,4 por cento do emprego. A Semana Europeia das PME realizar-se-á de 29 de Setembro a 5 de Outubro. O evento principal celebrar-se-á conjuntamente com a Assembleia das PME e a cerimónia de entrega dos Prémios Europeus de Promoção da Empresa, será nos dias 1, 2 e 3 de Outubro em Nápoles. Os Prémios Europeus à Promoção Empresarial, existentes desde 2006, recompensam a excelência no estímulo ao espírito empresarial e das pequenas empresas a nível nacional, regional e local. Mais de dois mil e quinhentos projectos têm participado neste evento desde a sua criação e, em conjunto, contribuíram para apoiar a criação de mais de dez mil novas empresas. Os vencedores dos Prémios Europeus à Promoção Empresarial serão anunciados numa cerimónia de entrega de prémios na Assembleia das PME. Os objectivos dos Prémios são identificar e reconhecer as actividades de sucesso e as iniciativas realizadas para promover as empresas e o espírito empreendedor; apresentar e compartilhar exemplos das melhores políticas e práticas empresariais; criar uma maior conscientização do papel que jogam os empreendedores na sociedade e apoiar e inspirar os potenciais empreendedores. Os objectivos da Semana Europeia das PME são os de proporcionar informação sobre as ajudas que a UE e as autoridades nacionais, regionais e locais oferecem às microempresas e às PME; fomentar o espírito empreendedor para que mais pessoas, e em particular os mais jovens, considerem seriamente a possibilidade de se converterem em empresários como uma alternativa profissional e reconhecer o trabalho dos empreendedores pela sua contribuição para o bem-estar, emprego, inovação e competitividade na Europa.


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DESPORTO

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O

ex-avançado Pauleta, que representou a selecção portuguesa de futebol nas fases finais dos Mundiais de 2002 e 2006, afirmou em entrevista à agência Lusa que, no Brasil, Portugal não deve pensar além da primeira fase. “O importante é passar a primeira fase. É importante entrar bem no Mundial, no primeiro jogo. Temos três jogos para nos apurarmos para a fase seguinte. E isso é que é o mais importante. Não vale a pena pensar mais além do que isso”, explicou. Pauleta não vê falta de ambição ou cautela nestas palavras, pois tem a opinião clara de que este não é um pensamento exclusivo de Portugal, mas de todas as grandes selecções, incluindo dos candidatos ao título. “Não acredito que haja outra selecção - nem mesmo o Brasil, a Espanha e a Alemanha, que são os grandes favoritos - que não pense assim também. Basta as coisas não correrem bem no primeiro jogo, para tudo começar a duvidar da equipa, da qualidade dos jogadores, dos treinadores. Num jogo, muda tudo”, frisou o segundo melhor marcador da história da selecção lusa, com 47 golos. PUB

PAULETA DIZ QUE NÃO VALE A PENA PENSAR ALÉM DA PRIMEIRA FASE

Grão a grão... Pauleta sabe do que fala e lembra o Euro2004, disputado em Portugal: “Recordo-me de 2004, em que perdemos o primeiro jogo. Entrámos naquele jogo, todos, com a uma grande expectativa de que nos íamos qualificar facilmente e, depois do primeiro jogo, já ninguém acreditava que íamos passar essa primeira fase”.

O ponta de lança que nunca jogou na divisão principal do futebol português, já que transitou do então “secundário” Estoril-Praia para os espanhóis do Salamanca, continuando, depois, toda a carreira no estrangeiro, está convicto de que Portugal passará a primeira fase do Mundial de 2014. Aquilo que penso desta

selecção, que vai disputar o Mundial do Brasil, e a confiança que tenho, o que acredito, é que vamos trabalhar para passar essa primeira fase. Espero e tenho a certeza que vamos conseguir”, disse à Lusa Pauleta. Claro que, chegar aos oitavos de final não será um fim, mas um princípio: “Depois, tudo é possível. É possível para nós e para as outras seleções”. No Brasil, o primeiro adversário é a Alemanha, como no Euro2012, e Pauleta volta a lembrar que há três jogos para selar o apuramento: Portugal já passou perdendo o primeiro jogo, como no Euro2004 e há dois anos, e também ficou pelo caminho com um triunfo a abrir, nomeadamente no Mundial de 1986. “Se será difícil? Essa consciência também tem que ter a selecção alemã, que também vai jogar contra uma grande selecção, que é Portugal. Há três jogos para qualificar, se ganharmos dois, estamos apurados. Isso é que é o mais importante. É importante ganhar o primeiro jogo, entrar bem no primeiro jogo, mas, se as coisas não acontecerem, não quer dizer que não tenhamos capacidade para ganhar os próximos dois jogos”, frisou.

Xabi Alonso “Houve conflitos com Mourinho”

X

ABI Alonso foi o grande ausente da final da Liga dos Campeões, devido a castigo, disputada no estádio da Luz e redundou no 10º troféu conquistado pelo Real Madrid. O médio defensivo dos “blancos” deu uma entrevista ao Canal+ onde falou do seu clube do coração, a Real Sociedad, e, também, do antigo treinador, o português José Mourinho. “É um treinador muito exigente com os jogadores e com ele próprio”. O médio recorda que no início a relação era excelente, o pior veio depois. “Creio que realizou um bom trabalho. Nos dois primeiros anos, não havia quem fosse pró ou contra José Mourinho, mas na última etapa tudo foi diferente. Tivemos problemas, conflitos individuais que se repercutiram no futebol praticado e que teve um efeito negativo no futebol da equipa”. Para além de José Mourinho, Xabi Alonso, que também venceu uma Liga dos Campeões no Liverpool, falou da relação com Cristiano Ronaldo. “Se tiver de gritar com Ronaldo, eu grito, mas se chego ao clube cinco anos antes, creio que não iria gritar com Zidane...”


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( F ) UTILIDADES

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TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 27 MAX 31 HUM 75-95% • EURO 10.8 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Cineteatro

CINEMA

LÍNGUA DE gATO

X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST

GODZILLA [3D] [B]

SALA 1

X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST [B]

Um filme de: Bryan Singer Com: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James McAvoy 14.30, 16.45, 21.30

Um filme de: Gareth Edwards Com: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen 19.15

Pu Yi

SALA 3

THE AMAZING SPIDER-MAN 2 [B]

X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST [3D] [B]

Regime de não-garantias

Um filme de: Marc Webb Com: A. Garfield, E. Stone, J. Foxx, D. DeHaan 14.15, 19.15

Um filme de: Bryan Singer Com: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James McAvoy 19.15

THE ETERNAL ZERO [C]

SALA 2

GODZILLA [B]

Um filme de: Gareth Edwards Com: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen 14.30, 16.45, 21.30

ACONTECEU HOJE

(FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Junichi Okada, Haruma Miura, Mao Inoue 16.45, 21.45

27 DE MAIO

Nasce Isadora Duncan, a dançarina que quebrou as regras • Isadora Duncan nasceu em São Francisco, a 27 de Maio de 1877. É considerada a criadora da dança moderna, que impôs o seu estilo, rompendo com as regras instituídas. Começou por criar polémica, mas a harmonia do seu ballet sobrepôs-se aos valores instituídos. Perdeu dois filhos e morreu enforcada por uma echarpe... Esta norte-americana ousou desviar-se dos modelos. Ignorou as técnicas do ballet clássico. Impôs o seu estilo, provocou polémica criando uma dança pouco usual. Porém, acabou por ser reconhecida, sendo que se tornou pioneira da dança moderna. Isadora Duncan inspirou-se em figuras das dançarinas nos vasos gregos e interpretava essas imagens. Recorria à improvisação, também inspirada nos movimentos gerados pela natureza, como o vento nas plantas. Duncan dançava com pés descalços, vestida com simplicidade – a marca da sua personalidade. Dançava Chopin e Wagner, transportando o som daqueles ícones para movimentos expressivos e únicos. Esta forma de abordar a arte – com o seu cunho – era fruto de uma personalidade forte. Isadora não se vergava às tradições. Criava. Deixou os EUA e consolidou a sua fama em Londres, onde alcança o reconhecimento profissional, que a ‘transportou’ para Paris, em 1902. Perdeu dois filhos, que morreram afogados no rio Sena. Esta tragédia afastou-a da arte durante algum tempo. E a própria Isadora teve uma morte trágica, num acidente de mota com sidecar: a sua echarpe ficou presa a uma das rodas, estrangulando-a, em Nice, a 14 de Setembro de 1927. Antes de entrar no veículo, despediu-se dos seus colegas, afirmando: “Adeus, amigos! Vou para a glória”. Eis a ironia do destino de Isadora Duncan, que foi esquecida e morreu longe das luzes da ribalta, conquistada à custa do seu talento. Esta história de vida é recordada hoje, a 27 de Maio, dia em que nasceu a mulher que ousou quebrar as regras.

João Corvo

U M L I V R O H O J E D’ESTE VIVER AQUI NESTE PAPEL DESCRIPTO - CARTAS DE GUERRA ANTÓNIO LOBO ANTUNES / DOM QUIXOTE Há leitores que amam o António Lobo Antunes das crónicas. Outros simplesmente devoram os seus romances aclamados pela crítica e que fizeram do autor um dos mais importantes da literatura portuguesa do século XX. Mas neste livro temos a possibilidade de amar a escrita do homem que amou na guerra. Mais do que uma belíssima prova de afecto, temos a oportunidade de entender o período da Guerra Colonial e os conflitos interiores que ela provocou a tantas pessoas. - Andreia Sofia Silva

fonte da inveja

Evita as multidões. Tudo de funesto pode acontecer.

Garantias para quem convém. Pelo menos é o que oiço por aí. No domingo passado, as ruas de Macau encheram-se de manifestantes contra a aprovação de uma lei que “garante” mais regalias a altos membros do Governo da RAEM depois de cessarem as suas funções. O problema disto não está na essencialidade da medida, mas sim no momento em que foi pensada. Não tem jeito algum querer aprovar-se uma medida de benefício para quem cessa funções, numa altura de eleições e de mudança governamental. Como as paredes têm ouvidos e eu ando por todo o lado, quer-me parecer que muitos dos órgãos estatais vão sofrer alterações, alguns secretários e representantes saindo dos cargos que actualmente ocupam e outros entrando. Posto isto, digam-me: que sentido faz aprovar esta medida, beneficiando quem vai abandonar cargos daqui a menos de seis meses? Foi uma das maiores manifestações que a RAEM já viu, com a presença de 20 mil pessoas palmilhando as ruas do território, gritando, berrando e batendo o pé contra o Regime de Garantias dos Titulares dos Principais Cargos. Inédita foi também a reacção do Governo à amálgama de gente enfurecida, que acabou por se decidir pela revisão da lei. Mas afinal, o que são garantias? De acordo com um qualquer dicionário online, trata-se de uma “responsabilidade ou segurança”, algo que a mim me parece demasiado pomposo e intrincado para beneficiar Macau. Ou seja, trata-se de uma simples ressalva financeira para aqueles que, após conclusão de mandato, pretendam continuar eternamente à sombra da bananeira ou, por este andar, de qualquer outra árvore de fruto. E os restantes que se amanhem debaixo de toldos esburacados, chapéus de chuva partidos e prédios sem tecto.


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OPINIÃO

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Sérgio de Almeida Correia AS últimas semanas, a RAEM tem sido abalada por um pequeno terramoto político que, depois da manifestação de domingo passado, arrisca tornar-se num tsunami cívico com graves repercussões na confiança que a população tem nos seus dirigentes e na própria relação destes com a RPC. Em regimes não-democráticos, onde a imprensa é controlada, a opinião pública silenciada e o controlo do aparelho repressivo efectivo, é normal que alguns responsáveis políticos – normalmente o líder e a sua entourage política – obtenham dividendos ilegítimos do exercício do poder, mesmo quando nalguns casos a sua perpetuação no cargo teria sido suficiente para lhes satisfazer a gula. Não vale a pena dar exemplos pois todos têm presente em que regimes e países isso acontece. O problema é quando a vida política ocorre em circunstâncias em que não existindo uma democracia, ou um sistema que contenha os elementos mínimos da poliarquia de Robert Dahl, há no entanto um embrião de opinião pública, uma imprensa que mesmo autocensurando-se procura desempenhar o seu papel, e o controlo do aparelho repressivo não depende de quem manda, mas de terceiros que o controlam à distância. A Assembleia Legislativa de Macau, com o seu sistema tripartido de designação dos seus membros, combinando sufrágio directo, indirecto e nomeação pelo Chefe do Executivo, há muito que deixou de corresponder às necessidades de uma sociedade que se quer desenvolvida, moderna e que, embora integrada na grande nação chinesa, possua autonomia suficiente e capacidade de afirmação regional compatível com o seu PIB per capita. Se até 1999 a AL procurou cimentar a sua autonomia face ao Executivo, como garante da sua continuidade e importância relativa no sistema de poderes locais, após a transferência de administração para a RPC é perceptível uma cada vez maior dependência da sua acção dos caminhos escolhidos pelo Executivo, bem como da vontade do seu Chefe, o que lhe vai retirando força e protagonismo, contribuindo para desequilibrar a difícil convivência e arrumação de forças que ali têm assento. O simples facto de ter sido possível à AL conformar-se com uma proposta saída do próprio Executivo tendente à atribuição de um pacote de benefícios aos seus membros numa altura em que estes já têm no horizonte a porta de saída, já de si seria mau e dificilmente compreensível aos olhos de uma população que vê descerem diariamente os seus indicadores de qualidade de vida. Pior se torna para quem, tendo a noção de que não vive num sistema democrático perfeito, se habituou a confiar nas últimas três décadas na AL – muito por influência dos seus presidentes, honra lhe seja feita –, nos seus membros e na capacidade de

THE STEEL HELMET (1951), SAMUEL FULLER

Deitar água na fervura

influência destes para garantir o funcionamento de um quadro responsável de direitos e deveres, que não beliscasse os difíceis equilíbrios que foram conseguidos ao longo de dezenas de anos e garantisse as condições de exercício da governação em paz social e estabilidade política. Mas mais grave do que o simples desfazer, ainda que involuntário, de equilíbrios que levaram décadas a ser consolidados, é que tal ocorra através de uma demissão de responsabilidades, pela qual o órgão legislativo por excelência admite que lhe seja retirada uma considerável margem de manobra para o futuro, sendo confrontado com a desqualificação e deslegitimação do seu papel perante os cidadãos, enquanto se limita a reservar para si o papel de uma mera câmara de ressonância e chancela das decisões do Executivo. A simples análise do que está em causa, para além de ferir de forma irremediável a relação da comunidade de Macau com a seu órgão legislativo por excelência, provocando um golpe profundo na confiança nela depositada, desrespeita as recomendações saídas da última reunião do Congresso Nacional Popular, em Março passado, violando a linha de combate à corrupção e responsabilização dos dirigentes propugnada pelo primeiro-ministro Li Keqiang: “China is a country under rule of law. No matter who he is, and how senior his position is, if he violates Party discipline and the law of the country, he will be punished to the full extent, because everybody is equal before the law”. A proposta que o Executivo se lembrou de remeter à AL coloca em causa o império da lei pelo péssimo precedente que abre. Já nem vou ao ponto de dizer que se torna imoral e sem qualquer justificação a atribuição de uma benesse de milhões de patacas a quem já atingiu um estatuto social, profissional e política que dispensa esse tipo de benefícios. Não há nada numa análise fria que o justifique. E menos ainda que seja atribuída retroactividade à proposta, a ponto dela beneficiar quem há muito cessou funções e não precisa deles para nada. Penso que neste ponto se procura justificar a atribuição aos actuais titulares de uma benesse

assaz criticável com a desculpa de que outros que os antecederam também serão beneficiados. A falácia é tão evidente que não chega a iniciar o seu caminho. Se a preocupação era criar um regime de protecção para os futuros titulares, então esse seria aplicável apenas a partir da escolha do próximo Chefe da RAEM e da sua equipa, não se correndo o risco de deixar passar para a opinião pública a ideia de que o responsável pela pastelaria está a reservar para si e a sua família uma parte do bolo antes de o distribuir por quem lhe deu a matéria-prima para a massa e o levou ao forno. O dono da casa, sendo um homem de boas maneiras, é sempre o último a ser servido, embora seja o primeiro a começar a comer. Todavia, o ponto que me parece ainda de mais difícil justificação e que é política, ética e moralmente criticável, e absolutamente incom-

O simples facto de ter sido possível à AL conformar-se com uma proposta saída do próprio Executivo tendente à atribuição de um pacote de benefícios aos seus membros numa altura em que estes já têm no horizonte a porta de saída, já de si seria mau e dificilmente compreensível aos olhos de uma população que vê descerem diariamente os seus indicadores de qualidade de vida

preensível num Estado de Direito, qualquer que ele seja, é a concessão de imunidade ad eternum ao Chefe do Executivo, no que se viola alguns artigos da Lei Básica – por exemplo, o 25.º e o 45º in fine – e esvazia outros de sentido útil, como aquele que obriga o Chefe do Executivo a entregar uma declaração sobre o seu património. A concessão de imunidade total para lá do fim do mandato protegeria futuros desmandos que eventualmente ocorressem e, em vez de proteger o Chefe do Executivo durante e após o exercício de funções, iria diminui-lo aos olhos da comunidade de forma irremediável, colocando sobre o exercício do cargo uma permanente desconfiança. Embora não seja isso que aqui esteja em causa, e a seriedade de quem propõe esteja acima de qualquer suspeita, penso que uma norma desta natureza é inaceitável quer em Macau, quer na RPC. Seria impensável que perante aquelas que são as posições conhecidas saídas do último congresso do PCC e, já este ano, do Congresso Nacional Popular, alguém se atrevesse a propô-la. Macau não está assim tão longe de Beijing. A proposta efectuada, que interpretei como uma precipitação, coloca em causa a igualdade de todos perante a lei, transformando a RAEM num caso único, mesmo dentro do contexto da RPC. E representa um verdadeiro retrocesso civilizacional em matéria de responsabilização dos governantes perante os governados. Como cidadão de Macau, espero que a Assembleia Legislativa seja coerente com o seu passado, reafirmando o seu estatuto de fidelidade ao povo de Macau e seja capaz de assegurar o frágil equilíbrio entre os poderes formais e informais da RAEM. Quanto ao Chefe do Executivo da RAEM, tenho-o na conta de um homem bom e responsável, pelo que estou certo de que saberá estar à altura das suas responsabilidades, assumindo as que tem de assumir, com sensatez, e evitando dar força à desestabilização que possa vir a ser provocada por alguns conselheiros mais preocupados com as suas próprias finanças e pequenos grupos de radicais, que sempre emergem em alturas de menor discernimento do poder e estão apostados em criar problemas onde eles não existem, colocando em causa as preocupações de quem se sabe, e disso tem dado provas, de que governa com a mira do interesse público. Finalmente, não gostaria que o autogoverno da RAEM se colocasse perante o Governo central numa posição de menoridade, susceptível de colocar em risco uma autonomia que se revelou difícil de conquistar. Não vamos agora deitar tudo a perder. Macau tem sido uma terra próspera, de gente trabalhadora e pacífica e, salvo alguns poucos momentos de desvario que a História já fez esquecer, de governantes sensatos e empenhados no bem estar das suas gentes. Uma terra que a todos sabe acolher no seu seio, dando muito sem nada pedir em troca. Também comigo foi assim. E esse tem sido o seguro da sua prosperidade. Vamos esperar que assim continue a ser por muitos e bons séculos.


opinião 19

hoje macau terça-feira 27.5.2014

A

VITÓRIO ROSÁRIO CARDOSO*

diplomacia económica britânica na Ásia tem vindo ao longo dos séculos a pautar-se por uma postura muito intransigente e assertiva, com recurso à força se necessário, no que toca à defesa do superior interesse nacional, criando uma consciência de espírito total de corpo entre os seus nacionais que vivem no exterior e em esforço conjunto para a defesa do Bem Comum. Este espírito de modo de ser e de estar britânico, muitas vezes baseado no pragmatismo e no realismo político tem levado a que as classes empresarial, diplomática, militar e política se sintam obrigadas a entender o terreno por onde se movem, obrigadas a aprender as línguas, as culturas, e as tradições locais, além de se introduzirem bem no seio das sociedades e submundo locais, forjando assim reais vantagens comparativas para o domínio dos mercados marítimos. Numa breve observação em relação às prioridades estratégicas britânicas para a China poderemos entender que Londres mantém o enfoque em duas grandes regiões económicas que tradicionalmente sempre espelharam a presença britânica, temos Xangai e o Delta do Rio Yangtzé que representam a pujante zona de comércio livre, mas é no entendimento inglês na leitura feita à política chinesa que é a Província de Cantão e o Delta do Rio das Pérolas, a grande locomotiva e centro dos planos económicos de Pequim. Na sequência da visita simbólica do Presidente da República Popular da China, Xi Jingping, em 2012, a Shenzhen, o Reino Unido entendeu de imediato que foi um sinal para lançar a atenção sobre o Delta do Rio das Pérolas e que estaria já em marcha acelerada o processo para a integração económica e política com os seguintes pontos: - Orientação estratégica de alto nível significou que pela primeira vez, o XII Plano Quinquenal (2011-2015) separa os capítulos sobre Macau e Hong Kong, encorajando activamente as duas Regiões Administrativas Especiais a aprofundarem a cooperação e integração das economias no Delta do Rio das Pérolas; -Aumento das relações políticas que serve para implementar os planos a nível nacional chinês, no caso de Hong Kong para a instituição de um diálogo regular a todos os níveis com os governos da Província de Cantão, culminando com a organização de uma conferência anual sobre a Cooperação Conjunta das lideranças dos governos da RAEHK e dos municípios de Cantão; - A expansão do Acordo CEPA (Closer Economic PartnershipAgreement) entre Hong Kong e o continente chinês, que foi instituído em 2003 e que tem sido actualizado anualmente. Derivado deste acordo, permitiu que Hong Kong passasse a receber 35 milhões de visitantes do continente anualmente, em comparação com os seus 8,5 milhões datados de 2003; - Esta zona de ensaio económico da China continua a fazer do Delta do Rio das Pérolas a linha da frente do desenvolvimento e abertura económicos da China em efeito de contágio

o monóculo, a pena e a espada

Os britânicos e o cerco ao Delta para outras regiões estratégicas chinesas, tais como Qianhai, que foi designada como uma plataforma de serviços da China continental, e com uma regulação mais favorável para os fluxos do renminbi entre o continente e Hong Kong, o caso de Nansha em Cantão que é apresentada como uma plataforma tecnológica e de serviços e ainda a Ilha da Montanha ou Hengqin, ilha adjacente a Macau, que se apresenta como uma zona especial para a atracção de investimentos, com condições fiscais favoráveis;

“ (...) o Reino Unido mantém uma visão estratégica, holística e concertada, para determinadamente aproveitar todas as oportunidades chinesas que permitam à economia britânica florescer no mundo.” Neste cenário apresentam-se duas grandes regiões chinesas que aspiram à constituição de zonas de comércio livre, tais como Delta do Yangtzé e o Delta do Rio das Pérolas, e neste último assim quis o destino que Macau e Hong Kong ficassem para sempre ligados por uma ponte gigante, aumentando assim e exponencialmente os fluxos e as oportunidades. A agência para o investimento e comércio externo britânica, a “UK Trade & Investment”, olha para o Delta do Rio das Pérolas como uma economia maior do que a Indonésia, Turquia ou a Holanda e que poderá providenciar cada vez mais crescentes oportunidades para os prósperos interesses britânicos, e segundo o governo britânico torna-se obrigatório saber-se adaptar ao modo de relacionamento com esta região, garantindo assim a “liderança do jogo”. Para tal desígnio o mote da Rainha é incrementar as sinergias entre as instituições, empresas britânicas e os consulados gerais britânicos em Cantão e em Hong Kong. Nesta caça furtiva às oportunidades oferecidas pelo Delta do Rio das Pérolas as palavras de ordem e de comando britânicas são a de alavancar o perfil da região tanto na cooperação política como económica e a de apostar nas oportunidades do sector financeiro, da saúde, do comércio electrónico, da educação e das infra-estruturas, garantindo que todas estas oportunidades sejam transmitidas com toda a firmeza e clareza no Reino Unido. Por outro lado a visão estratégica empre-

sarial britânica está centrada na exploração as campanhas oficiais do “Doing Business is de todas as sinergias entre o Reino Unido, a Great Britain”. Por todas estas razões e ainda pela estraantiga colónia de Hong Kong e o Delta do Rio das Pérolas, recordando que durante as duas tégia de expansão dos consulados britânicos guerras do ópio, o Império Britânico ancorou-se e respectivos centros de solicitação de vistos também em Cantão até à sua expulsão. na China, sejam de turismo, de estudo ou para O “Foreign Office” britânico está perfeita- investidores, o Reino Unido mantém uma visão mente ciente que Hong Kong é uma metrópole estratégica, holística e concertada, para detercosmopolita de mais de 48 milhões de visitan- minadamente aproveitar todas as oportunidades tes anuais, sede para mais de 3.800 empresas chinesas que permitam à economia britânica regionais e mais de mil empresas globais, e florescer no mundo. E assim se explica a raainda constitui a plataforma da China para os zão do governo do Reino Unido em produzir investimentos à escala global, tomando 60% relatórios semestrais sobre Hong Kong e o dos fluxos, tudo devido às estabilidades legis- ponto de situação da aplicação da Declaração lativa e do meio ambiente empresarial, para Conjunta Sino-Britânica, desde 1 Janeiro de tentar em 2015 atingir um fluxo de 100 mil 1998 até aos dias de hoje, e sempre depositados milhões de libras em trocas comerciais e atrair no Parlamento britânico, em Westminster. O ainda mais investimento chinês para o Reino cerco britânico à China está a ser continuamente Unido. A página da UK Trade & Investment forjado e há quase 200 anos. sobre os mercados de Macau e de Hong Kong é digna de se visitar, pois para qualquer leigo está *Membro da Associação de Jovens Auditores disponível toda a informação relevante e imporpara a Defesa, Segurança e Cidadania de Portugal (DECIDE Portugal) tante sobre as oportunidades que se apresentam e sectores de investimento, PUB tais como as extensões das linhas de metro que ligam o centro de Hong Kong à zona sul da ilha, a Shatin, totalizando mais de 24 Km de construção, ainda outras infra-estruturas ligadas às ferrovias e construção de ANÚNCIO cidades satélite para 200 mil novos apartamentos. HM-2ª vez - 27.05.14 ACÇÃO ORDINÁRIA Processo nº. CV3-13-0070-CAO 3º. Juízo Cível Já do outro lado da margem do Rio das Pérolas, na Autores: LEI WENG U (李永裕), e LEI SIO CHENG (李小青), ambos residentes em Macau, na Rua Coelho do Amaral, nº1 D, Edf “Lai Hou”, bloco Região Administrativa Es2, 1º andar “I” e LAM FAT TANG (林發騰), residente em Macau, na Avenida do Ouvidor de Arriaga, Edf “Hang Wan Kok”, 18º andar “F”.---------------------pecial de Macau, os interesRé: TANG CHAO (唐超), ausentes em parte incerta, com última morada conhecida em ses britânicos concentram-se Macau, na Avenida do Nordeste nº411, Edf “Kam Hoi San”, bloco 6, 15º andar “B”.-*** nos sectores financeiros, FAZ-SE SABER que, por este Juízo e Tribunal, correm éditos de TRINTA (30) DIAS, contados da segunda e última publicação dos respectivos anúncios, como a Hong Kong and CITANDO a Ré acima identificada, para no prazo de TRINTA (30) DIAS, Shanghai Bank Corporation, contestarem, querendo, a Acção Ordinária, acima identificada, conforme tudo melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram neste 3º Juízo Cível à sua a Standard Chartered Bank, disposição e que poderão ser levantados nesta secretaria, sob pena de não o fazendo no dito prazo, seguir o processo os ulteriores temos até final à sua revelia.--------nas telecomunicações com a Consigna-se que é obrigatória a constituição de advogado, no caso de quererem Cable & Wireless, na logíscontestar.---------------------------------------------------------------------------------- Em síntese, a autora, pede que a presente acção deve ser julgada procedente tica, com Menzies, ainda no por provada e em consequência:--------------------------------------------------------------imobiliário e infra-estruturas a) ser ordenada a execução específica do contrato promessa de compra e venda da fracção autónoma, para escritório, designada por “S17”, do 17º andar S, com a FPD Savills, a Sniper do prédio sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos D´Assumpção nº258, Praça Kin Heng Long, Edifício “Kin Fu Kuok” inscrito na matriz sob o nº73019 e na CRP Capital ou a Ove Arup, e no sob o nº71259G, a favor da Ré e descrito na Conservatória do Registo Predial sob o desporto a Manchester Uninº21935, através de sentença que produza os efeitos da declaração negocial da Ré, e-- b) ser a Ré condenada a pagar aos Autores a quantia correspondente ao ted, o que podem representar débito garantido ao Banco da China, Limitada no valor de HK$2.600.000,00 e bem assim os juros vencidos e vincendos até integral pagamento; Subsidiariamente, para nos próximos anos mais de o caso do cumprimento da promessa não ser possível, que:--------------------------10 mil milhões de libras em c) seja o contrato promessa declarado resolvido e a Ré condenada a pagar aos Autores a quantia de HK$1.600.000,00 corresponde ao dobro do sinal.---------oportunidades. Macau, 15 de Maio de 2014-05-23 Só a “UK Trade & Investment”, a agência de investimento e comércio externo britânica, tem nos últimos tempos levado mais de meia centena de empresas do sector alimentar, luxo, retalho, das indústrias criativas, entre outras para prospecção e inserção nos mercados, acompanhando

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Joana Freitas (Coordenadora); Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; José C. Mendes; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com. mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau terça-feira 27.5.2014

cartoon por Stephff

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Benfica é a 38.ª marca mais valiosa em 2014 entre clubes de futebol

O Benfica é a 38.ª marca mais valiosa em 2014, com um total de 61 milhões de euros, de acordo com o relatório da Brand Finance, empresa inglesa que faz anualmente uma avaliação comercial aos clubes de futebol. Pelo segundo ano consecutivo, o clube da Luz é o único emblema português que volta a aparecer entre os 50 primeiros deste documento, tendo mesmo subido quatro lugares em comparação com os dados de 2013. O Benfica surge avaliado em 61 milhões de euros e com um rating de AA+. No ano passado, o clube lisboeta, que estava no 42.º lugar, valia 41 milhões de euros e era considerado A+. Na frente continua o Bayern Munique, com uma avaliação de 656 milhões de euros, seguido do Real Madrid, com um valor de 563 milhões de euros. O Manchester United fecha o “pódio”, com uma apreciação de 541 milhões. Num top-10 dominado por emblemas ingleses, o Paris SaintGermain, que em 2013 estava na 24.ª posição, aparece pela primeira vez nesse grupo, em décimo, com um total de 237 milhões de euros.

Novo primeiro-ministro indiano toma posse O novo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, prometeu hoje construir uma “Índia forte”, depois de ser empossado numa cerimónia que contou com a presença de líderes regionais. “Eu, Narendra Damodardas Modi, juro em nome de Deus lealdade e obediência à Constituição da Índia (...) prometo manter a soberania e a integridade da Índia e desempenhar as minhas funções de primeiro-ministro com lealdade e conscientemente”, declarou em hindi, numa cerimónia conduzida pelo presidente Pranab Mukherjee. Narendra Modi, de 63 anos, e o partido nacionalista hindu, Bjaratiya Janata Party (BJP), obtiveram a maioria absoluta, pela primeira vez nos últimos 30 anos, na câmara baixa do parlamento nas legislativas, com a promessa de criação de empregos e relançamento do crescimento. Num comunicado publicado no ‘site’ do chefe do executivo, Modi prometeu uma “Índia forte”. “Juntos, vamos escrever um futuro glorioso para a Índia (...) Vamos sonhar, em conjunto, com uma Índia forte, desenvolvida que, com a comunidade internacional, trabalha activamente para reforçar a paz no mundo”, disse.

CHINA DETIDOS MAIS DE 200 “SUSPEITOS TERRORISTAS”

O império contra-ataca A luta contra o terror conheceu mais um capítulo. Desta vez com vantagem para a polícia que desferiu um rude golpe nos alegados terroristas

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AIS de 200 “suspeitos terroristas e extremistas religiosos” foram detidos na China desde o ataque suicida de quinta-feira num mercado no noroeste do país, que causou 43 mortos, disse ontem a imprensa oficial chinesa. A maioria das detenções ocorreu no domingo de manhã em Hotan, Kashi e Aksu, três localidades de Xinjiang, uma das cinco regiões autónomas da China, de maioria muçulmana, e palco de frequentes explosões de violência, atribuídas pelas autoridades a organizações separatistas sediadas fora do país.

“A polícia de Xinjiang desmantelou 23 grupos terroristas e extremistas religiosos, capturou mais de duzentos suspeitos e apreendeu mais de 200 engenhos explosivos”, disse o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo Diário do Povo, o órgão oficial do Partido Comunista Chinês. A operação policial, lançada na sexta-feira, durará até Junho de 2015, indicou o jornal. No ataque de quinta-feira, efectuado ao início da manhã num mercado ar livre perto do centro de Urumqi, a capital de Xinjiang, dois jipes abalroaram as pessoas que ali se encontravam e antes de

“A polícia de Xinjiang desmantelou 23 grupos terroristas e extremistas religiosos, capturou mais de duzentos suspeitos e apreendeu mais de 200 engenhos explosivos” GLOBAL TIMES

os veículos explodirem os seus ocupantes lançaram explosivos. A polícia já identificou cinco pessoas responsáveis pelo ataque, cujos nomes parecem ser uigures, a maior etnia de Xinjiang, de religião islâmica e cultura turcófona. Úrumqi fica a mais de dois mil quilómetros de Pequim. Situado no noroeste da China, Xinjiang é um território cerca de 17 vezes maior que Portugal e com apenas 23,5 milhões de habitantes, muito rico em recursos minerais. Confina com o Afeganistão, Paquistão e várias ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central. Os uigures constituem 46% da população de Xinjiang, mas há cerca de meio século ultrapassavam os dois terços. Entretanto, milhares de famílias han, a principal etnia da China, começaram a radicar-se no Xinjiang, e hoje constituem já cerca de 40% da sua população. Na capital, Urumqi, ultrapassaram mesmo os uigures.

Fukushima Plano de congelamento de subsolo aprovado

A autoridade de segurança nuclear japonesa aprovou ontem um projecto de congelamento do subsolo da central acidentada de Fukushima Daiichi (nordeste) para retardar a acumulação de água radioactiva, disseram responsáveis. A autoridade examinou os planos apresentados pela sociedade gestora Tokyo Electric Power (TEPCO), que pretende iniciar os trabalhos em Junho, indicou um responsável do regulador japonês. O projecto, financiado pelo Governo, consiste em criar uma espécie de “muro de gelo”, com 1,5 quilómetros de comprimento, através de canalizações cheias de líquido refrigerador para bloquear os derramamentos. O objectivo é evitar que a água limpa das colinas nos arredores não chegue à central e se misture com água contaminada, presente no subsolo, usada para arrefecer os reactores que entraram em fusão, na sequência do sismo e tsunami de Março de 2011.

Papa “Monstruosidade como o Holocausto nunca se repita”

Depois do Muro das Lamentações, o papa visitou o museu dedicado às vítimas da II Guerra Mundial e pediu que «nunca mais se permita um horror como o do Holocausto, uma monstruosidade e um pecado de que os homens se devem envergonhar». A declaração foi feita no Memorial Yad Vashem, dedicado às vítimas do extermínio, e onde se encontrou com sete sobreviventes a quem beijou as mãos, num ato muito simbólico. Na presença do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e Do presidente Shimon Peres, Francisco deixou um pedido: «Senhor, salva-nos desta monstruosidade. Damos graça por nos envergonhamos do que, como homens, fomos capazes de fazer; por termos desprezado e destruído a nossa carne.» Em Jerusalém, o pontífice já esteve esta manhã na Esplanada das Mesquitas, terceiro lugar mais sagrado do Islão, e no muro das Lamentações, o lugar mais sagrado do Judaísmo.

Hoje Macau 27 MAI 2014 #3097  

Hoje Macau N.º3097 de 27 de Maio de 2014

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