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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau MOP$10

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 27 DE MAIO DE 2011 • ANO X • Nº 2377

TEMPO POUCO NUBLADO MIN 23 MAX 31 HUMIDADE 45-85% • CÂMBIOS EURO 11.3 BAHT 0.26 YUAN 1.2

A história do desempregado suicida Jovem de 26 anos atirou-se ontem de manhã da Ponte Sai Van, a criar congestionamentos em todo o território. Ninguém ainda percebeu as razões e só se sabe que o homem estava sem emprego. Nos primeiros três meses deste ano, disparou o número de pessoas que traçaram um plano de suicídio. >Página 6

Drama dos motoristas sem fim A Reolian, a nova operadora de autocarros, debate-se com a falta de motoristas para conduzir os seus 245 veículos.ADSALconseguiu formar 300 novos profissionais, mas só nove aceitaram o contrato da empresa francesa. O desespero aumenta a dois meses do início da concessão. >Página 7

OPINIÃO

AL recusa cobertura televisiva das sessões

Carlos Morais José

Não sejas Lau para mim A TDM quer, mas o presidente da Assembleia Legislativa, Lau Cheok Va, acha que o momento não é oportuno. José Pereira Coutinho e o trio democrático estão há dois anos a pedir que as sessões plenárias e até as reuniões da especialidade sejam sempre transmitidas em directo pela televisão. Os esforços foram bloqueados pelo número um da casa. > PÁGINA 4

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• JOÃO TORDO, A VIDA E A ESCRITA • JOSÉ VICENTE JORGE E A IDENTIDADE MACAENSE

DOIS GRANDES PASSOS EM FRENTE • PÁGINA 13

Paul Chan Wai Chi

O QUEIJO E A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA • PÁGINA 15

Tendência na China

CIDADES FANTASMA TAMBÉM DEIXAM RASTO EM MACAU • PÁGINAS 2 E 3


SEXTA-FEIRA 27.5.2011 www.hojemacau.com.mo

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ACTUAL

Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

À

partida não tem nada fora do comum. A imagem satélite, que localiza a reportagem do canal australiano SBS sobre a China, “sobrevoa” um centro urbano moderno com parques, blocos de prédios geometricamente alinhados, hotéis, estradas, pontes. A revelação vem depois, quando descemos ao solo. Ruas vazias, lojas fechadas, passadeiras quietas. O tal centro urbano com edifícios públicos, hotéis e apartamentos, mas sem pessoas, clientes ou inquilinos. O jornalista Adrian Brown faz a ‘tour’ pelas ruas e shoppings de algumas das várias “cidades fantasma” plantadas nos últimos anos no território chinês. “São 11 horas da manhã de terça-feira e Zhen Zhou está deserta”, arranca o repórter. Numa larga praça duas crianças brincam completamente isoladas, rodeadas de lojas que nunca o chegaram a ser. No resto da cidades, blocos de apartamentos erguem-se imponentes, lado a lado com outros ainda em construção. “Nada disto preocupa o Governo porque ele está simplesmente mais interessado em manter o crescimento económico”, narra o repórter. Dentro do South China Mall, na cidade de Dongguan, o cenário repete-se. Imagine o leitor um Venetian, gôndolas incluídas, mas onde quem passa consegue ouvir o eco dos próprios passos. Entre as dezenas de lojas desocupadas o jornalista encontra um pequeno espaço que vende brinquedos, o dono diz que passa dias sem ver um único cliente. Em seis anos de funcionamento e a expectativa elevada, a visão do símbolo da cultura consumista chinesa parece não passar de “um projecto altamente sobrevalorizado”. Outra terra e a construção continua. Ou, como lhe chama o repórter, o exemplo da “obsessão do Governo com grande projectos de infra-estruturas”. Na estrada, vários agentes imobiliários assaltam a viatura da SBS com folhetos de apartamentos localizados a escassos quilómetros. Há centenas disponíveis, 70% por ocupar. Gillem Tullock, analista económico de Hong Kong, diz que a situação é alarmante. Defende que a bolha imobiliária existe e nem se compara à dos Estados Unidos. “Estima-se que existam 64 milhões de apartamentos vazios no país.”

SINTOMA DE PRESSÃO

José Duarte, economista de Macau, diz que a situação é sobretudo um

Todos os anos nascem novas cidades na China

A bolha chinesa

Uma reportagem da SBS leva-nos numa viagem às “cidades fantasma” da China. Urbes que anos depois de serem construídas continuam desertas, mas mantêm os motores da economia a mexer. José Duarte e Larry So comentam o fenómeno que já tem reflexos em Macau sintoma da enorme pressão que as autoridades chinesas sofrem para atingir determinadas metas de crescimento. “A construção civil é uma forma fácil de aumentar o Produto Interno Bruto (PIB)”, explica. “Está mais ligada a interesses locais, é uma área em que é fácil fazer crescer a economia desde que não haja grandes preocupações quanto à rentabilidade futura do investimento.” Gillem Tullock, analista de Hong Kong, defende no documentário

que os chineses se esquecem que o PIB “não é só quantidade mas qualidade” e que estão, obviamente, a ser construídas coisas para as quais não há procura. “Isso significa que estão a criar um problema ainda maior no futuro”, salienta. Na Nova Zhen Zhou, um apartamento custa entre 650 mil e 800 mil patacas. Uma fortuna num país onde os salários médios dos trabalhadores rondam os 48 mil patacas e que levanta um outro problema, o endividamento. “É alarmante e, ao mesmo tempo,

incrivelmente interessante. Não me parece que haja muitos lugares no mundo como este”, confessa Tulloch.

O PECADO MORA AO LADO

Se analistas e economistas têm dificuldade em explicar o fenómeno e prever as suas consequências, imagina-se como será para quem tem de lidar diariamente com a injustiça. A reportagem da SBS leva-nos a uma zona residencial de Pequim contígua a um con-

domínio moderno. No meio de pequenas moradias de tijolo ao léu, enfiadas entre ruelas esburacadas, conhecemos um casal que vive num quarto alugado cujos salários juntos somam 7000 patacas. Cerca de 25% vai para a renda do quarto, o resto vai para alimentar o sonho de um dia se mudarem para um dos apartamentos vazios que vêem da janela. “Ter uma casa não devia ser um sonho mas um direito básico”, atira o marido. Noutro apartamento Adrian Brown mostra as condições em que vive um grupo de nove num T2. “O problema é que na China Continental há as casas vazias de um lado e as pessoas a viver no limiar da pobreza no outro”, analisa o professor da Escola de Administração Pública de Macau Larry So. “Eu estive na zona de Wuhan onde vi um bairro com imensos apartamentos livres. O problema é que os residentes locais não têm dinheiro para ocupá-los, nem há as infra-estruturas necessárias para serem habitáveis. É um ciclo vicioso.” No documentário um sociólogo diz que a polarização da sociedade existe e pode gerar


Não quero dizer que concordo com que se deixe os candidatos a habitação económica obterem lucros, mas penso que se lhes devia dar uma oportunidade para melhorarem as suas vidas. E eles não devem ser privados dessa oportunidade com 16 anos de antecedência. Num sistema económico regido pelo capitalismo, os ricos têm demasiada comida a ser servida à sua mesa. Paul Chan Wai Chi, P. 15

EM MACAU

José Duarte não arrisca previsões mas tem uma teoria. “Existem sinais de um crescimento feito à custa do investimento imobiliário e isso faz suspeitar que, tarde ou cedo, há uma bolha que vai rebentar. As autoridades chinesas jogam um bocado a enxotar as coisas para a frente e depois logo se vê.” E em Macau, há uma bolha imobiliária? “Depende claramente dos interesses distribuídos no sector imobiliário. Das questões da política da oferta que este Governo irá seguir, das restrições que serão impostas ou não, da atribuição de fracções a não residentes”, defende o economista. “Macau é um território muito pequeno, é muito fácil ter grandes oscilações dependendo de decisões de natureza política.”

Se analistas e economistas têm dificuldade em explicar o fenómeno e prever as suas consequências, imagina-se como será para quem tem de lidar diariamente com a injustiça Larry So lembra os investidores imigrantes envolvidos em investimentos imobiliários no território. “Vêm para Macau, compram grandes casas e depois voltam para a China para continuar os negócios. Às vezes tentam alugá-las mas sabe-se que há muitas vazias, além de não cumprirem o pagamento das taxas administrativas”, expôs. “É uma situação que causa muitos problemas, tanto quanto sei, e o pior é que não podemos fazer muito. Envolve processar as pessoas que depois simplesmente não aparecem para arcar com as responsabilidades.” “Um sinal de crescimento futuro ou apenas outra bolha à espera de estourar?” A reportagem “Cidades Fantasma da China” está disponível na página electrónica da SBS: www.sbs.com.au.

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KANGBASHI É UMA DAS NOVAS ÁREAS “FANTASMA” DA CHINA

“Isto é um lugar para fazer dinheiro” R

UA arborizadas, edifícios de apartamentos reluzentes, parques enormes, restaurantes e até uma pista de automobilismo. Um estilo de vida “novo e moderno” é o que o bairro de Kangbashi oferece aos seus residentes. Mas sete anos depois dos operários plantarem esta cidade no planalto árido junto ao deserto de Gobi, a maioria dos apartamentos permanece à espera de inquilinos e as ruas largas continuam como estavam... desertas. A cidade de Ordos foi projectada para acomodar cerca de 300 mil pessoas, mas os moradores dizem que menos de um décimo desse número vive actualmente lá. Os agentes imobiliários insistem que o número é muito superior. Bairros novos como Kangbashi estão a surgir um pouco por toda a China, enquanto a segunda maior economia mundial sofre um processo de urbanização sem precedentes, com centenas de milhões de pessoas a mudarem-se pouco a pouco para as áreas metropolitanas. Ordos é parte desse boom nacional de construção desenfreada que tem sido alimentado por um outro boom, o do crédito, que aumenta os receios de uma bolha imobiliária e uma potencial explosão da dívidas, especialmente devido ao investimento do Governo local. Na cidade portuária de Tianjin, o Governo está a construir uma “cidade ecológica” que abrange 30 quilómetros quadrados de salinas não aráveis e antigas vilas de pescadores que podem albergar cerca de 350 mil pessoas. Perto da cidade de Kunming as autoridades começaram a desenvolver um novo bairro para quase um milhão de pessoas morarem em 2003, mas a área mantém-se completamente vazia. Rupert Hoogewerf, economista e fundador da Hurun, uma publicação mensal conhecida pela sua “Lista dos Ricos da China”, disse à Associated France Presse (AFP) que este tipo de cidades levanta uma questão: “O Governo tem alguma ideia fantástica de como vai preencher estas cidades? Ou serão apenas grandes elefantes brancos a desperdiçar os recursos públicos?”

BOA VIDA

Xiufeng Qiao, funcionário público, mudou-se para Kangbashi há três anos, depois de o Governo

MICHAEL C. BROWN/TIME

conflitos. Larry So desdramatiza. “O controlo sobre a comunidade é muito forte e as pessoas sabem que serão detidas caso se revoltem”, defende o académico. “Há alguns anos tiveram este problema no Ocidente mas a população mais necessitada conseguiu arranjar maneira de ocupar as casas vazias que, por lei, passado algum tempo, passaram a ser sua propriedade legal”, recordou o académico. “Mas na China isso é impensável porque as pessoas têm medo das autoridades.”

SEXTA-FEIRA 27.5.2011

Oásis ou elefante branco? As opiniões dividem-se mas os poucos que já moram no novo bairro da cidade de Ordos garantem que estão satisfeitos, apesar do lugar continuar praticamente deserto de Ordos transferir os seus serviços para o novo bairro. Qiao diz que gosta do “espaço aberto” e do estilo de vida descontraído da cidade pouco povoada. “É tudo muito bom”, disse enquanto passeava por uma rua repleta de restaurantes quase vazios e lojas que vendem bolos e enxovais de casamento. “Avida é fácil e confortável”, atirou. Kangbashi fica a 30 quilómetros do centro de Ordos, distrito de Dongsheng, Mongólia Interior. Tem um museu de História em forma de batata gigante, uma biblioteca inclinada, parques decorados com esculturas modernas, cinemas, escolas e uma universidade. “Isto é uma mina de ouro, é um lugar para fazer dinheiro”, comentou Zhou Yuanhua, que se mudou da província oriental de Jiangxi há alguns anos para abrir um dos poucos supermercados no novo bairro. “Uma população pequena significa facilidade em fazer dinheiro”, disse Zhou à porta da sua loja, apontando a falta de concorrência ao longo da rua onde um punhado de moradores locais se reuniu para conversar depois do trabalho. Dezenas de gruas e edifícios de betão semi-acabados de arranha-céus são visíveis em todo o distrito e, apesar do grande número de apartamentos vagos, aparentemente há mais terra a ser disponibilizada para construção.

GRANDE PIB

Em Yijinghuoluoqi, outro distrito que está a sofrer um autêntico ‘lifting’, o taxista Zhiqing Liu disse que o governo de Ordos lhe pagou uma compensação de 300 mil yuans quando a sua casa de 200 metros quadrados foi derrubada para dar lugar a uma floresta de arranha-céus. Liu contou que ele e a família também vão receber dois apartamentos quando a construção estiver concluída.

Rico em recursos naturais, Ordos, cuja população de 1,5 milhão tem o maior PIB per capita da China, estimado em mais de 20.500 dólares americanos, construiu Kangbashi para lidar com o crescente aumento da população da cidade. Outro motivo, de acordo com a economista do Merrill Lynch Lu Ting, do Bank of America, é o incentivo aos abastados proprietários de minas, que investem as suas fortunas, feitas a partir da exploração do carvão, gás e terras raras na zona em vez de Pequim ou Xangai. “A estratégia é investir maciçamente em infra-estruturas locais e na expansão urbana para atrair os exploradores de carvão e convencê-los a comprar propriedades locais”, explicou Lu num relatório, depois de visitar Kangbashi no ano passado. “Nesse sentido Ordos tem sido bem-sucedida, a cidade velha ampliou-se três vezes ao longo da última década e as residências na cidade nova estão todos esgotados.” Agentes imobiliários disseram à AFP que 200 mil pessoas vivem actualmente em Kangbashi e prevêem que para o ano a população atinja os 500 mil. Apesar da grande quantidade de apartamentos vazios, Lu garante que há “pouco risco de crise financeira” devido aos baixos níveis de dívida e da maior rentabilidade das minas de carvão, o principal motor da economia local. “Ordos é única, tem recursos muito ricos e o maior PIB per capita da China”, observou, completando que a região tem enormes recursos naturais e uma indústria de caxemira próspera, que aliás ajudaram a economia local a crescer 19,2% no ano passado - quase o dobro da taxa de crescimento nacional. Para He Mei, dona de um restaurante local e antiga professora, a mudança para Kangbashi de uma outra cidade da Mongólia Interior, há dois anos, tem sido muito rentável. “O ambiente é agradável e neste momento o negócio também é bom. Há cada vez mais pessoas estão a chegar”, afirmou He, à porta do seu restaurante vazio. O restaurante está mais movimentado durante o dia, justificou, “quando os funcionários públicos que se deslocam entre a Dongsheng e Kangbashi e param para almoçar”. “Antes [na nossa cidade natal] ganhávamos 3000 yuans por mês. Agora fazemos mais de 10 mil - estou muito satisfeita.”


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POLÍTICA

TDM propõe à AL cobertura directa dos plenários, mas leva nega

Um convite inoportuno Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com

A

Teledifusão de Macau (TDM) apresentou uma proposta ao presidente da Assembleia Legislativa (AL) para transmitir, em directo, todas as sessões do plenário mas Lau Cheok Va argumentou que a altura “não é a mais oportuna”. De acordo com uma fonte conhecedora do processo, o administrador da TDM, Leong Kam Chun, terá proposto a Lau Cheok Va a transmissão directa na televisão dos trabalhos da AL e explicado que finalmente estariam reunidas as condições favoráveis a essa situação. No entanto, o presidente da AL descartou para já qualquer tipo de parceria entre a televisão de Macau e o órgão legislativo, justificando que neste momento não seriam oportunas as transmissões. O Hoje Macau entrou em contacto com ambas as partes que delegaram nas suas secretárias explicações que empurram responsabilidades. A secretária de Lau Cheok Va afirmou ao nosso jornal que “é melhor perguntar à TDM sobre essas questões pois não é bom para o senhor Lau responder a isso”. Já do lado da TDM a resposta

virginia Leung

Virginia.leung@hojemacau.com.mo

O

comboio metropolitano ligeiro de superfície, um projecto que implica um dos mais importantes investimentos em Macau, nem por isso está livre de polémicas. O deputado da Assembleia Legislativa (AL) Ng Kuok Cheong afirma que o Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) tinha cometido erros significativos na atribuição da obra e orçamentos, como comprovam os relatórios de auditoria. O parlamentar usou uma interpelação para exigir a revelação de mais pormenores sobre o processo. Na interpelação apresentada na quarta-feira, Ng Kuok Cheong questiona

ainda foi mais vaga: “Não sei que história é essa. Leong Kam Chun não tem qualquer ideia sobre transmissões de sessões do plenário na TV”, disse a sua secretária.

UMA QUESTÃO DE INTERPELAÇÕES

As transmissões directas das sessões do plenário são já tema de

conversa pelo menos desde 2008. Na altura o deputado José Pereira Coutinho considerou que a TDM, sendo o único veículo do serviço público local, tinha o dever de dar “liberdade aos cidadãos de ajuizarem por si próprios os trabalhos do plenário através do visionamento directo das imagens.” Confrontado com a nova versão

dos factos, Pereira Coutinho mostrou-se desiludido. “A confirmar-se ser verdade que o presidente da AL declinou a proposta da TDM, isso é uma situação muito grave. Estamos perante uma decisão duvidosa e tendenciosa a favor dos tradicionalistas. Representa um retrocesso que não posso deixar de lamentar”, atacou o deputado.

A TDM sempre se mostrou incapaz de fazer a cobertura até agora. “Sempre filmaram os trabalhos do plenário mas na hora de mostrarem as imagens ao público só uma pequena parte é que é aproveitada nos blocos noticiosos”, afirmou Pereira Coutinho. Desde há dois anos que o deputado redige interpelações escritas ao Governo no sentido de que a TDM possa transmitir em directo os trabalhos da AL e, com esta recusa, está-se a dar um passo atrás em questões de “transparência”. “Estamos a falar de algo que acontece em diversos países, onde muitos parlamentos até têm canal próprio onde transmitem os trabalhos em directo.” Pereira Coutinho vai mais longe e aponta o dedo ao presidente da AL e às responsabilidades ou falta delas. “Lau Cheok Va é um adepto do sistema, por isso é-lhe conveniente que muita coisa não seja tornada totalmente pública. Ele que não se esqueça que a decisão da transmissão ou não dos trabalhos da AL é uma decisão dos deputados todos e não apenas dele. A questão tem de ser discutida no plenário”, referiu. Pereira Coutinho não está sozinho nestas reivindicações. Também os deputados democratas Au Kam San e Ng Kuok Cheong têm vindo a terreiro defender a transmissão dos trabalhos legislativos na AL. Aliás, os democratas sempre defenderam, no limite, que até as reuniões das comissões permanentes pudessem ser alvo de transmissão directa.

DEPUTADO DENUNCIA FALHAS ORÇAMENTAIS NO PROJECTO DO METROPOLITANO LIGEIRO

Erros a metro nomeadamente quem aprovou a isenção do processo de consulta por escrito das despesas dos projectos premiados e que o GIT pudesse negociar directamente com os promotores. O deputado observou que o GIT se disponibilizou a fazer pagamentos mesmo que a empresa de consultoria não os enquadrasse dentro das normas e pôs em causa se não haveria por trás alguma “relação” menos clara. Ng Kuok Cheong pôs em causa a capacidade de monitoramento do GIT para coordenar a atribuição de investimento ao metro ligeiro e duvidou que o gabinete

tivesse em mãos a documentação necessária para o aumento do investimento de 4,2 para 7,5 mil milhões de patacas. O deputado insinua ainda a possibilidade que ter havido intenção na ocultação de certos segredos ao não manter os registos. A interpelação pede ainda a divulgação das despesas totais da construção da linha do metro ligeiro e instalações relacionadas; e insta o Governo a anunciar oficialmente os orçamentos aprovados e assegurar a transparência na primeira fase do metro. A AL precisa receber explicações, sublinha.


IC PROMOVE SEGUNDA FASE DO PAVILHÃO DE CRIATIVIDADE

SEXTA-FEIRA 27.5.2011

Desde a sua inauguração, as vendas relativas ao primeiro mês de actividade do “Pavilhão de Criatividade” atingiram as 88 mil patacas e as do segundo mês excederam as 100 mil patacas, o que representa um aumento de 34%. O pavilhão, situado junto às Ruínas de São Paulo, alberga duas fases de exposição. A primeira termina a 30 de Junho e a segunda, de 5 de Julho a 30 de Setembro, estará a cargo do Instituto Cultural (IC) que trará novos motivos de interesse, como artes performativas, animação e venda de artesanato. Todos os interessados em participar na segunda fase do projecto Pavilhão de Criatividade de Macau poderão inscrever-se a partir de até ao dia 3 de Junho na página do IC.

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Bairros antigos | Deputados querem papel mais interventivo do Governo

Cada qual com a sua competência Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

“D

E um modo geral esperamos que [o Governo] tenha um papel mais interventivo desde o início ao fim.” É esta a opinião dos deputados da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) sobre a forma como deve o Executivo lidar com o reordenamento dos bairros antigos. Os deputados querem que a Administração tenha “um papel mais interventivo” assim que for aprovado o regime jurídico, em análise na especialidade na AL desde Abril. Actualmente, e conforme explicou o presidente da comissão, assim que o projecto de construção que compreende um bairro antigo é adjudicado a uma entidade privada, “o Go-

verno deixa de ter função no plano”, o que, diz Chan Chak Mo, “pode intervir [negativamente] no direito dos proprietários”. Macau não conta com um grupo ou órgão que acompanhe o caso durante todo o processo, e relega as funções para o promotor, ficando este responsável pela eventual expropriação do terreno ou negociação com o proprietário do terreno. Este pode ser um factor originário de conflitos, diz Chan Chak Mo. “Essa é em princípio a óptica do Governo. Mas quanto maior for a intervenção e se houver uma clarificação das atribuições aos serviços públicos mais seria beneficiada a discussão com eficácia da proposta de lei”, avança o presidente. “A proposta deve ser clara e não pode relegar para os empresários competências que devem ser do Executivo”, acrescentou Chan Chak Mo.

A questão sobre um permanente acompanhamento do Governo surgiu depois de um deputado ter sugerido a comparação com Hong Kong. Na vizinha ex-colónia britânica existe o “Lands Tribunal”, um órgão constituído por três juízes profissionais e um inspector qualificado que gere os conflitos relacionados com terrenos e edifícios. O Lands Tribunal, disse Chan Chak Mo, existe há cerca de 20 anos e acompanha a par e passo o processo desde o início ao fim, mesmo que este seja adjudicado a uma entidade privada. O presidente da comissão realçou que esta poderia ser uma forma para evitar conflitos, mas que, apesar deste ter sido um tópico discutido na reunião, “não há qualquer ideia fixa para que o Governo crie isso”. No território, a questão do reordenamento dos bairros antigos fica entregue ao Conselho Consultivo para o Reordenamento dos Bairros Antigos, dirigido por José Chui Sai Peng, e a uma comissão de avaliação que conta com um representante do proprietário, outro do promotor, um presidente e dois peritos independentes sorteados de uma lista constituída pelo Governo, que não é ainda conhecida. Este grupo tenta resolver as questões de forma arbitral que, no caso de falhar, passam a ser resolvidas pelo Tribunal Judicial de Base. No entanto, ambos os grupos entram em acção apenas antes ou depois dos processos e nunca acompanhando os mesmos.

DEFINIR AS BASES

O regime jurídico do reordenamento dos bairros antigos está a ser discutido na especialidade desde Abril, depois de ter sido aprovado na AL na generalidade a 23 de Março. Mas, para que este esteja bem clarificado falta ainda definir conceitos como “bairro antigo” e “interesse público”.

Em Macau, é o Governo quem dá orientações sobre o reordenamento dos bairros antigos e o que é ou não o interesse público. Na opinião de Chan Chak Mo, “a expropriação de terrenos para a construção de vias ou instituições públicas é relevante para o interesse da população”, mas “é muito abrangente e tem de ser definido”. O presidente sublinhou que este conceito nunca foi motivo de conflitos no território na altura de construção das pontes que ligam Macau às ilhas, por exemplo, casos visíveis de interesse público. Em contrário, deu como exemplo a eventual reconstrução de um edifício em mau estado junto às ruínas,

que merece um projecto de reconstrução por se localizar junto a património, mas cuja evocação de interesse público pode levantar dúvidas. A reunião de ontem, a segunda que ainda não conta com a participação de representantes do Executivo, debruçou-se especialmente nos dois primeiros capítulos da proposta de lei, “complexa”, como classifica Chan Chak Mo. Debatidas foram ainda as questões do impacto ambiental causado pelas obras nas zonas de reordenamento, assuntos levantados pelos deputados democratas, e o facto do regime jurídico surgir antes de um planeamento urbanístico.

As questões levantadas na reunião de ontem vão ser colocadas em texto, para posteriores esclarecimentos com a Administração. Chan Chak Mo defende que o melhor modelo para referência é o de Hong Kong, mas considera que “Macau deve ter o seu próprio modelo”. No próximo mês chegam os resultados da auscultação pública que se iniciou em Abril. Quanto ao pedido do parecer à Associação dos Advogados sobre a proposta, só ontem foi enviada a carta “formal”, que no mês passado a comissão anunciou que iria ser enviada, disse Chan Chak Mo. O presidente da Comissão afirma que não há prazo definido para a entrega da proposta de lei, “porque há ainda muitas questões” para resolver. Chan Chak Mo ressalva também que “é preciso dar tempo ao Governo”, que é quem tem a decisão final.

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Associação Geral de Automóvel de Macau - China

Aviso Aos pilotos de Macau que queiram participar na corrida de “Macau GT Cup” do 58º Grande Prémio de Macau, têm que participar no mínimo de uma das provas dos eventos abaixo descriminados ou provas de equivalente categoria e que seja classificado no resultado final. GT Asia Series 2011 Data 17-19/6 15-17/7 19-21/8

Circuito - País Sepang Int’l Circuit, Malaysia Fuji Int’l Speedway, Japan Suzuka Circuit, Japan

GT Challenge 2011 Data 20-21/8

Circuito - País Shanghai Int’l Circuit, China

Porsche Carrera Cup 2011 Data 08-10/7 26-28/8

Circuito - País Ordos Circuit, China Sepang Int’l Circuit, Malaysia

* Os pilotos de Macau que se inscreveram para participarem na “Macau Touring Car Series”, não serão aceites para a participação deste corrida. Em caso de dúvidas favor de liguar para 28726578 durante o horário de expediente ou enviar e-mail para aamc@macau.ctm.net para informações.


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SOCIEDADE

Mais de 100 chamadas para Cáritas com ideias suicidas no primeiro trimestre

Salto para a morte na Ponte Sai Van Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

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HAMAVA-SE Tam e estava desempregado. Uma história banal, mas com um final fatalmente trágico. Ontem de manhã, aquele jovem de Macau resolveu escrever a palavra “suicídio” antes do ponto final na história da sua vida: saltou para a morte do alto da Ponte Sai Van. O corpo foi identificado pela autoridades depois de o enviarem para o hospital. A Cáritas de Macau revelou ao Hoje Macau que só no primeiro trimestre do ano

foram mais de 100 as chamadas atendidas pela sua linha de apoio, com pessoas a pensar em suicídio. O incidente ocorreu ontem de manhã, por volta das 10h, quando a vítima resolveu atirar-se da parte mais alta da Ponte Sai Van. Uma testemunha alertou a Polícia Judiciária

Virginia Leung e Joana Freitas virginia.leung@hojemacau.com.mo joana.freitas@hojemacau.com.mo

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OI aprovada há apenas nove meses, mas vai sofrer uma revisão ainda este ano. A lei de combate às pensões ilegais vai sofrer alterações, segundo disse à rádio TDM chinesa José Costa Antunes, director dos Serviços de Turismo (DST). Já na altura da aprovação da lei, em Agosto do ano passado, a DST tinha deixado claro que era necessário implementar medidas imediatas, mas que havia ainda “um longo caminho a percorrer”, pelo que era sempre preciso ajustar a legislação. Agora, a revisão foi já aprovada pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U. “Acho extremamente positivo que tenha sido apoiada a revisão da legislação, e vamos entrar em trabalho

(PJ) e relatou o sucedido. Quando os agentes chegaram ao local, tiveram de proceder à procura do corpo submerso. Depois de encontrado, o cadáver foi enviado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), tendo sido entretanto identificado. Tratava-se de um jovem de

PRIMEIRO TRIMESTRE Total de ligações para a hotline · Sem pensamentos suicidas · Pensamentos ligeiramente suicidas · Intenção de cometer suicídio (não planeado) · Intenção de cometer suicídio (planeado) · Actualmente a tentar suicidar-se

26 anos, de apelido Tam. Até ao fecho desta edição, a PJ ainda não tinha encontrado qualquer registo póstumo escrito pelo suicida, pelo que as razões que levaram ao acto extremo estavam ainda por apurar. Sabe-se apenas que Tam se encontrava sem emprego.

(JAN-MAR) 2386 2284 64 16 16 6

MARÇO 748 714 21 4 7 2

Entretanto, a Cáritas de Macau forneceu ao Hoje Macau as estatísticas actuais das pessoas que tiveram pensamentos suicidas, desde as que apenas pensavam nisso como uma possibilidade remota até às que já tinham mesmo um plano traçado para acabar com tudo, de ABRIL 724 686 19 8 9 2

acordo com os dados recolhidos através da linha de apoio “Esperança de Vida”. Só no primeiro trimestre, foram 2386 as chamadas atendidas pela linha, das quais 102 falavam na hipótese de suicídio. As estatísticas também revelam um ligeiro aumento (de 34 para 38) no número de pessoas dispostas a suicidar-se de Março para Abril. No ano passado, a linha “Esperança de Vida” atendeu mais de 8000 chamadas com pedidos de ajuda. Mais de um quinto (22%), ou seja, 1796, manifestavam desequilíbrios emocionais.

LEI DE COMBATE ÀS PENSÕES ILEGAIS SOFRE REVISÃO ATÉ AO FINAL DO ANO

O povo pede, os hotéis fecham de legislação. A lei faz um ano em Agosto, portanto esperamos que até ao final do ano possamos ter uma legislação nova”, disse Costa Antunes. Para os moradores, o rápido crescimento da economia e do desenvolvimento da indústria do turismo traz cada vez mais turistas a Macau e “há algumas pessoas que tentam fornecer alojamento ilegal aos visitantes” de forma a obter lucros. Os ouvintes que ligaram ontem à rádio durante o programa consideram que os albergues ilegais estão a destruir a sua vida pacífica e a imagem da cidade. Os moradores apontam ainda que o

número de pensões ilegais está a subir cada vez mais no território, porque existem poucas instalações hoteleiras com preços acessíveis e os critérios para alojamento são muito específicos. Costa Antunes reagiu, ao discordar que os problemas dos albergues ilegais são “cada vez piores” no território. Chan, um morador, reclamou que muitas “pousadas ilegais tentam perseguir os clientes na rua”. João Manuel Costa Antunes reiterou que isso não era motivo para considerar que o problema ilegal dos albergues é cada vez pior. O director da DST afirma que está concentrado em derrotar

os operadores ilegais e salientou que o desenvolvimento das pousadas ilegais não se dá por falta de hotéis económicos em Macau, mas devido às actividades ilegais, “que são a principal razão para o desenvolvimento da albergues ilegais”. O responsável apelou ainda aos pequenos proprietários para que prestem atenção ao escolher os inquilinos e, se descobrirem que existem algumas “operações ilegais”, para porem de imediato termo ao contrato. O director da DST não avançou quais os aspectos a serem revistos na legislação, e salientou que, apesar do balanço desde a entrada em

vigor da lei “ser positivo”, “há que pensar no futuro”. Costa Antunes clarificou ainda à rádio que a maioria dos utilizadores deste tipo de pensões não são turistas, ao contrário do que se possa pensar, mas “trabalhadores ilegais e pessoas com visto expirado”, além das actividades ilegais e “acções concretas na área criminal”. Apesar de ser complicado aceder às casas suspeitas sem mandado judicial, com o “grande apoio das forças policiais” foram já inspeccionadas 904 fracções, sendo que 121 viram ser-lhe instauradas sanções no valor de 200 mil patacas cada.


UM MILHÃO EM FICHAS FALSAS LEVA À DETENÇÃO DE SEIS SUSPEITOS Cinco homens da Malásia e uma mulher do interior da China, com idades entre os 20 e 60 anos, foram detidos depois de terem sido apanhados com fichas falsas no City of Dreams. Cada uma das fichas de 10 mil dólares de Hong Kong foi-lhes fornecida no Venetian pela mulher e um outro homem malaio. A polícia, segundo a informação obtida e com a colaboração dos funcionários do casino, procedeu à detenção dos seis suspeitos tendo apreendido as 100 fichas falsas. O prejuízo total foi de 290 mil Hong Kong dólares para o casino. Indiciados pelo crime de burla, todos estão em prisão preventiva.

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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EPOIS de ter gasto 145 milhões de patacas em 245 autocarros só falta mesmo quem os conduza. Até ao momento a Reolian só conseguiu “convencer” cerca de 200 motoristas a assinarem contrato. No entanto, o número é escasso e o tempo também. Cedric Rigaud, director-geral da joint-venture Veolia e H. Nolasco, disse ontem que a meta a atingir são os 400 condutores mas que, “apesar da confiança, o tempo passa e as coisas estão a tornar-se complicadas”. “Após oito meses de esforços, usando todos os meios, continuamos a fazer um apelo para que os motoristas se juntem a nós.” Cedric Rigaud relembrou uma vez mais que o interesse está no mercado local, mas que este está muito saturado. “Só queremos profissionais locais, mas em Macau o mercado está muito maduro e saturado. Se nada for feito, as condições de

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Reolian apela aos motoristas para se juntarem à empresa

Marcha-atrás no autocarro trabalho podem deteriorar-se com tantas vagas por preencher na Reolian.” A questão é que não são só os autocarros verdes que vão sofrer com isso. Para Rigaud, todo o mercado irá ressentir-se com a falta de profissionais, “principalmente em épocas de pico no turismo”. “Estamos a proporcionar um extenso programa de formação para motoristas e queremos que as pessoas de Macau, homens e mulheres, tenham interesse em tornarem-se motoristas de autocarros.” A Reolian, com o apoio de sindicatos e associações locais, tem já uma lista de 100 motoristas para iniciar o programa D1 e D2 da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). “Temos estado em permanente con-

tacto com o Governo na tentativa de encontrar novas políticas de formação, mas o tempo está a encurtar e só temos mais dois meses para treinar os novos motoristas”, desabafou Rigaud. Do primeiro curso de

NOVELA SANDS | JACOBS PROCESSA ADELSON OUTRA VEZ

Difamações à Las Vegas A

SEXTA-FEIRA 27.5.2011

novela da demissão de Steve Jacobs do cargo de director-executivo da Sands China está para durar. O executivo abriu esta semana um novo processo contra Sheldon Aldeson, argumentando que foi despedido sem justa causa e que o antigo patrão andou a difamá-lo publicamente. De acordo com o “The Wall Street Journal”, Jacobs anexou como prova de difamação as entrevistas publicadas na imprensa norte-americana de Adelson, que, de forma geral, acusam o ex-director de querer sacar mais dinheiro à empresa e de ter negociado assuntos internos sem autorização superior. O patrão da Las Vegas Sands reagiu de imediato ao novo processo, dizendo que Jacobs “está a usar mentiras infundamentadas” para tentar explicar as razões que levaram ao seu despedimento. Os advogados de Jacobs contra-atacam e referem que as declarações de Adelson são “maliciosas” e “têm a intenção clara de atacar a reputação e o bom nome” do executivo, que neste momento não se encontra a trabalhar. Adelson disse ao jornal Wall Street que tinha uma lista de razões para ter demitido Steve Jacobs. “Temos uma lista considerável de razões pelas quais Steve Jacobs foi demitido por justa causa e, curiosamente, ele não

desmentiu uma única delas. Em vez disso, tentou explicar a sua demissão usando mentiras descaradas e invenções que parecem ter as suas origens na ilusão.” A defesa de Jacobs rebate as acusações dos advogados da Sands, que afirmam que o executivo mentiu ao dizer que a empresa tinha enviado de Macau milhões de dólares para Las Vegas. Os advogados de Jacobs garantem que documentos assinados pelo contabilista David Law, em Maio de 2010, apontam que houve discussão sobre o envio de 4,8 milhões de dólares (ou cerca de 39 milhões de patacas) para a empresa-mãe em Las Vegas. O dinheiro foi enviado por correio, já que o contabilista da empresa não queria ter de dar explicações às autoridades alfandegárias dos Estados Unidos, nem sequer correr o risco de ser apanhado a transportar milhões de dólares. No novo processo, a defesa do ex-director-executivo alega que Sheldon Adelson tentou intimidar jornalistas da agência Reuters, caso não “corrigissem” a história para a sua versão. Segundo os advogados, o patrão terá dito aos repórteres que a Sands tinha ligações directas com o alegado líder de uma tríade e que os jornalistas poderiam ter problemas.

formação da DSAL, apenas nove motoristas assinaram contrato com a Reolian o que, segundo o responsável, PUB

é manifestamente pouco para as pretensões da empresa. “Não sabemos como é que de 300 candidatos

apenas nove mostraram intenção de firmar contrato connosco.” Seja como for a Reolian pode, por agora, respirar um pouco. A resposta ao apelo da empresa não demorou muito. Ainda durante o dia de ontem, a DSAL divulgou que irá abrir mais 500 vagas para o Curso de Formação de Condutores de Automóveis Pesados de Passageiros. O curso de formação abrange as duas categorias (D1 e D2, respectivamente, igual ou inferior e igual ou superior a 25 lugares) e a DSAL prepara já novos mecanismos para a obtenção das referidas cartas de condução. Os formandos terão de pagar a quantia de 6000 patacas pela frequência no curso, no entanto se o aluno conseguir entregar um Acordo de Promessa Antecipada de Contratação celebrado com uma empresa, é-lhe concedido o desconto de 2000 patacas.


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Tércio de Vina, autor e ilustrador de BD

“Entusiasma-me a relação do vídeo c ANTÓNIO FALCÃO | BLOOMLAND.CN

ASCIDO alfacinha há 30 e alguns anos, no ano da Revolução de Abril, ainda estudou arquitectura por influência paterna, mas a formação superior acabou por ser em cinema, no Conservatório, hoje ESTC (Escola Superior de Teatro e Cinema). Com algum trabalho desenvolvido nesta área, autor de BD com dois livros publicados - “Precãoceitos” sobre o racismo e “Março Anormal”, uma banda desenhada meio comédia, meio erótica -, domina outros tipos de ilustração e também gosta de passar pela pintura. João Tércio Vinagre Guimarães, ou Tércio Vina, faz parte dos que merecem abertura de caminhos nesta Macau carente de mais gente culta e criativa, designadamente em áreas que contribuam para o desenvolvimento não somente financeiro, mas também cultural. “Para alargar as minhas perspectivas profissionais e pessoais”, como diz, chegou a Macau na véspera de Natal do ano passado. Falta apenas uma justa prenda no sapatinho. É verdade o que alguns cineastas famosos dizem sobre uma das melhores maneiras de aprender alguma coisa de cinema ser, de facto, ver muito cinema? Acredito que sim. Pessoalmente, vi e vejo muito cinema. Como BD foi a sua actividade precursora, vamos realmente começar por aí. Desde quando? De muito cedo, desde miúdo, desenhos e argumento. Até ao mais recente trabalho publicado, o livro BD “Março Anormal”, apresentado num Festival Internacional de BD, em Beja, no ano passado. Uma história sobretudo de comédia, mas com acção, que acaba por cruzar três personagens que à partida estão separadas em três actos diferentes. Lisboa - as suas figuras, as suas vidas -, inspiram personagens? Completamente. Nas quatro BD pequenas que publiquei, em trabalho colectivo ou individual, as minhas personagens são lisboetas. Já fiz banda desenhada como que em homenagem

ENTREVISTA

a alfacinhas famosos como o Marquês de Pombal, a Natália Correia, o Diogo Alves, o tipo que mandava as pessoas lá de cima do aqueduto e do Reinaldo Ferreira, o célebre Repórter X. Já em Macau fiz algumas ilustrações para o jornal “Ponto Final”. Começou a desenhar muito novo. Era daqueles

miúdos que fascinam toda a gente por fazerem desenhos que a generalidade das pessoas não consegue? Sim, éramos dois a desenhar lá em casa, eu e o meu irmão. Não posso dizer que tenha sido um excelente aluno, mas em desenho fui bom aluno. Reparei que, entre outras

“Andava pelo meu 9.º ano, criei a BD, consegui ter sorte quando pedi umas massas à Junta de Freguesia e o livrinho lá saiu e fez sucesso. Claro que no âmbito do Liceu, esgotou e tudo”

iniciativas, assina um blog chamado “Comic ala-te”. Um título que também pertence a uma BD editada pelo próprio autor? Sim, andava pelo meu 9.º ano, criei a BD, consegui ter sorte quando pedi umas massas à Junta de Freguesia e o livrinho lá saiu e fez sucesso. Claro que no âmbito do Liceu, esgotou e tudo. Tinha várias histórias de vários autores. A minha história, a que chamei “O Fim”, foi adaptada do Beckett e até tem um episódio curioso: fui chamado ao conselho directivo porque no argumento estava a palavra “merda”. Um projecto ou ambição para o futuro a médio prazo? Tenho uma ideia que é fazer mais alguns trabalhos sobre lisboetas famosos e juntar tudo num livro. Aí uns 50 ou mesmo 100 lisboetas famosos em diferentes épocas. Famosos por bons ou maus motivos, note-se. Estou num processo de investigação e pesquisa. Entre outros, gostava de um dia poder concretizar este sonho. Falemos agora de cinema. Conciliação perfeita entre ambas as áreas? Sem dúvida. Até por uma questão a que dou bastante valor que é a narrativa. Lembro-me que os meus companheiros e cúmplices que começaram comigo na banda desenhada, exploraram mais a componente do desenho, foram para Belas Artes. Eu dedico-me muito ao texto, à história. É neste ponto que a minha formação em cinema me ajuda imenso. O cinema requer argumento. Sempre frequentou salas de cinema ou o DVD é a melhor opção? Aqui em Macau vejo muito em DVD, mas realmente a melhor maneira será efectivamente, assistir a filmes em boas salas de

projecção. Autores preferidos? Tenho vários, do Cassavetes ao iraniano Abbas Kiarostami. Numa perspectiva se quisermos mais comercial, gosto dos primeiros filmes do Spielberg. E filmes? Por exemplo, um do John Cassavetes, de 1976, “A Morte de um Apostador Chinês” (“The Killing of a Chinese Bookie”), com o Ben Gazzara, um grande filme. Dê-nos a conhecer o que tem feito na área do cinema. Trabalhei para filmes de outros, como os realizadores Joaquim Sapinho ou Paulo Rocha. Também, como técnico, integrei várias equipas de realização em publicidade gravada em película. Em Macau já colaborei numa equipa que fez uns documentários produzidos pelo jornalista Ricardo Pinto. Sinto-me perfeitamente a trabalhar no campo da edição. Acompanha festivais internacionais de cinema? Não tanto assim, mas vou estando interessado, principalmente em termos de artes performativas. Mas


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com Helder Fernando são registos para depois realizar um trabalho entre a ficção e o documentário destinado a concorrer a festivais internacionais. Disponível para desenvolver actividades nas áreas de que temos vindo a falar? A essa pergunta respondo que sim, com entusiasmo e em tudo o que estiver ligado às artes, fundamentalmente

com as artes performativas”

“Eu dedico-me muito ao texto, à história. É neste ponto que a minha formação em cinema me ajuda imenso. O cinema requer argumento”

procuro seguir o que se faz no cinema chinês e gosto bastante, tal como, apesar de diferente, do cinema japonês. E até mesmo do cinema sul-coreano que a nível de indústria está muito bem feito. E quanto ao cinema português? Há muitos realizadores. Qual o último filme português que viu? Foi do Edgar Pêra, “Punk is not Daddy”. Edgar Pêra é um cineasta que eu gosto muito, trabalha muito na experimentação. Que opinião tem do cinema comercial português? Muito fraco. O comercial e o artístico não jogam? Não jogam, mas há lugar para todos. Apesar de não existir uma indústria de cinema em Portugal. Quanto aos apoios, esses é que são mal distribuídos. No campo da imagem em movimento, que projectos pessoais pode mencionar? Antes de mais, já concorri várias vezes ao ICA, Instituto do Cinema e do Audiovisual, a instituição onde se vai pedir apoio nesta área. A minha ideia é fazer uma curta metragem de cerca de vinte minutos. Até agora não fui “um feliz contemplado”. Talvez porque tenha quase tudo a ver com as produtoras, com as ligações. Mas também não tenho insistido muito. Pode saber-se em que se baseia o argumento dessa curta? É uma história muito fantástica passada numa mata portuguesa, assim tipo mesmo cinema de terror. Chama-se “O Laço”, um projecto que há muito tem “storyboard”. Não o atrai a televisão? Sim, mas a outro nível, o da ficção. Explorar o que está por fazer em televisão. Já colaborei num programa de música chamado “Quilómetro Zero”,

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que divulgava bandas portuguesas pelo país. Um levantamento muito útil, um serviço público que infelizmente não teve continuidade.

“Procuro seguir o que se faz no cinema chinês e gosto bastante, tal como, apesar de diferente, do cinema japonês. E até mesmo do cinema sul-coreano que a nível de indústria está muito bem feito” Sei que continua a filmar, com os próprios meios, a registar cenas e ambientes de Macau onde chegou há alguns meses. Sim, tenho vindo a filmar e a guardar. Quem sabe,

performativas, sempre na concepção de vídeo e plástica, inclusivamente na dança. O vídeo está muito relacionado com um sem número de expressões artísticas. Como também

me interessa o espectáculo de marionetas, por exemplo, em vários moldes e desde a criação dos bonecos à elaboração das histórias. E na BD? Reparo que não existe nenhuma publicação de ou sobre banda desenhada em Macau. Esse também seria um caminho muito interessante para explorar, aproveitando autores chineses e de outras origens. Temática asiática, claro. São sonhos de quem, como eu, vive intensamente todas as áreas de que falei. Como observa os espaços de Macau do ponto vista estético? Nesse ponto, com sentimentos constantes. Vários realizadores de cinema já fizeram filmes em Macau. No aspecto da segurança, sinto-me muito à vontade.

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Consulado Geral da República de Angola Região Administrativa Especial de Macau

O Consulado Geral da República de Angola na RAEM, convida todos os cidadãos angolanos residentes em Macau com ou sem Registo Consular a preencher voluntariamente o formulário sobre o levantamento de Quadros Angolanos na Diáspora. Consulado Geral da República de Angola na RAEM Avenida Dr. Mário Soares Edifício FIT, 7 Andar I&H Macau. Telefone: 2871-6229. cgeralangola@ctm.com.mo www.consgeralangola.org.mo


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【N.º 28/2011】

【N.º 29/2011】

Para os devidos efeitos, vimos por este meio notificar a representante do agregado familiar da lista de candidatos a habitação social abaixo indicada, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome WONG SIO KENG

N.º do boletim de candidatura 5011056

Nome CHAN OI KUAN

N.º do boletim de candidatura 50180338

Após as verificações deste Instituto, notamos que o elemento do agregado familiar de candidatos a habitação social acima mencionada é elemento que figure no boletim de candidatura de outro agregado familiar, a qual este Instituto já tenha autorizado a aquisição da habitação construída em regime de contratos de desenvolvimento para a habitação nos termos do Decreto-Lei n.º 13/93/M, de 12 de Abril, pelo que não reúne os requisitos exigidos para a candidatura, nos termos da alínea 3) do n.º 4 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 25/2009. De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, deve apresentar, por escrito, as suas contestações e todas as provas testemunhais, materiais, documentais ou as demais provas, no prazo de 10 dias, a contar da data de publicação do presente anúncio. Se não apresentar as contestações no prazo fixado ou as mesmas não forem aceites por este Instituto, a respectiva candidatura será excluída da lista geral de espera por IH, nos termos da alínea 2) do artigo 11.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009. No caso de dúvidas, poderá dirigir-se ao IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102. Ilha Verde, Macau, durante as horas de expediente, ou contactar Sr. Wong através o tel. n.º 2859 4875 (Ext. 216), para consulta do processo.

Após as verificações deste Instituto, notamos que o total do rendimento mensal e o total do património líquido do agregado familiar de candidato a habitação social acima mencionada ultrapassaram os valores constantes da tabela I e da tabela II do n.º 1 do Despacho do Chefe do Executivo n.º 297/2009, pelo que não reúne os requisitos exigidos para a candidatura, nos termos do n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 25/2009. De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, deve apresentar, por escrito, as suas contestações e todas as provas testemunhais, materiais, documentais ou as demais provas, no prazo de 10 dias, a contar da data de publicação do presente anúncio. Se não apresentar a contestação no prazo fixado ou a mesma não for aceite por este Instituto, a respectiva candidatura será excluída da lista geral de espera por IH, nos termos da alínea 2) do artigo 11.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009. No caso de dúvidas, poderá dirigir-se ao IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102. Ilha Verde, Macau, durante as horas de expediente, ou contactar Sr. Wong através o tel. n.º 2859 4875 (Ext. 216), para consulta do processo.

O Presidente,

O Presidente,

Tam Kuong Man 20 de Maio de 2011

Tam Kuong Man 23 de Maio de 2011

Edital nº Processo nº Assunto Local

EDITAL : 84/E/2011 : 437/BC/2011/F : Notificação do despacho de embargo e início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI). : Rua de Henrique de Macedo n.o 15, Edf. Tim Vai, terraço sobrejacente à fracção 5o andar B (CRP : B4) e corredor comum junto ao terraço, Macau.

Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do nº 1 do Despacho nº 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), nº 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, faz saber por este meio aos dono da obra ou seu mandatário, ao encarregado da obra, aos técnico responsável pela obra e executores da obra existente no local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1.

Para os devidos efeitos, vimos por este meio notificar a representante do agregado familiar da lista de candidatos a habitação social abaixo indicada, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:

Processo no 437/BC/2011/F. Local da obra: Rua de Henrique de Macedo n.o 15, Edf. Tim Vai, terraço sobrejacente à fracção 5o andar B (CRP : B4) e corredor comum junto ao terraço, Macau. Em 11/05/2011, o agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte: Obra 1.1

Execução da obra de renovação do compartimento não autorizado com cobertura em chapa de zinco, paredes em alvenaria de tijolo e janela em caixilharia de alumínio no terraço sobrejacente à fracção 5o andar B (CRP : B4).

1.2

Instalação de portão e gradeamento metálicos no corredor comum junto ao terraço.

Situação da obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Em curso

Infracção ao nº 4 do artigo 10º, obstrução do caminho de evacuação.

Concluída

Infracção ao nº 4 do artigo 10º, obstrução do caminho de evacuação.

2. Nos termos do nº 3 do artigo 88º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei nº 24/95/M, de 9 de Junho, o agente de fiscalização ordenou a imediata suspensão da execução da obra. 3. Nos termos do nº 1 do artigo 88º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 7) do nº 1 do Despacho nº 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da RAEM. nº 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, por meu despacho de 20/05/2011, exarado sobre a informação nº 03109/DURDEP/2011 de 13/05/2011, determinei o embargo da obra mencionada no ponto 1.1. 4. O despacho de embargo acima indicado só pode ser levantado depois de cessar o motivo que o determinou, em conformidade com o preceituado no nº 9 do artigo 88º do RSCI. 5. A continuação dos trabalhos depois do embargo, notificado pelo presente edital, sujeita os donos, responsáveis e executores da obra (quer sejam empreiteiros ou tarafeiros) às penas do crime de desobediência qualificada, nos termos do nº 6 do artigo 88º do RSCI. 6. Sendo as escadas e corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no nº 4 do artigo 10º do RSCI. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 7. Nos termos do no 3 do artigo 87o do RSCI, a infracção ao disposto no no 4 do artigo 10o é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o no 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício. 8. Considerando a matéria referida nos pontos 6 e 7 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 95º do RSCI. 9. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, nos 32-36, Edifício CEM, 2º andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227). 10. Nos termos do artigo 97º do RSCI e das competências delegadas pelos nos 1 e 4 da Ordem Executiva nº 124/2009, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2009, da decisão referida no ponto 3 do presente edital, relativamente às obras referidas no ponto 1, os interessados podem apresentar recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data de publicação do presente edital. 11. O recurso referido no número anterior não tem efeito suspensivo, devendo por isso a obra manter-se embargada. Aos 20 de Maio de 2011 A Subdirectora dos Serviços Engª Chan Pou Ha

EDITAL Edital no Processo no Assunto Locais

: 83/E/2011 : 480/BC/2011/F e 482/BC/2011/F : Notificação do despacho de embargo e do início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) : Rua do Lu Cao no 18, Edf. Seng Long, terraço sobrejacente à fracção 5o andar A (CRP : A4), Macau. Rua do Lu Cao no 18, Edf. Seng Long, escada comum entre os 4o e 5o andares, Macau.

Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) no 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, faz saber por este meio aos dono da obra ou seu mandatário, aos encarregados das obras, aos técnicos responsáveis pelas obras e executores das obras existentes nos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1. Processo no 480/BC/2011/F. Local da obra: Rua do Lu Cao no 18, Edf. Seng Long, terraço sobrejacente à fracção 5o andar A (CRP : A4), Macau. Em 25/03/2011, o agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte:

1.1

2.

Obra

Situação da obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento não autorizado com paredes em alvenaria de tijolo, janela em caixilharia de alumínio e cobertura em chapa de zinco.

Em curso

Infracção ao no 4 do artigo 10o, obstrução do caminho de evacuação.

1.2 De acordo com o disposto no no 3 do artigo 88o do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei no 24/95/M, de 9 de Junho, o agente de fiscalização ordenou a imediata suspensão da execução da obra. Processo no 482/BC/2011/F. Local da obra: Rua do Lu Cao no 18, Edf. Seng Long, escada comum entre os 4o e 5o andares, Macau. Em 25/03/2011, o agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte: Obra 2.1

Instalação de portão metálico.

Situação da obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Em curso

Infracção ao no 4 do artigo 10o, obstrução do caminho de evacuação.

3. Nos termos do no 1 do artigo 88o do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da RAEM no 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, por meu despacho de 20/05/2011, exarado sobre a informação no 03067/DURDEP/2011 de 12/05/2011 ( Processo no 480/BC/2011/F), determinei o embargo da obra mencionada no ponto 1.1. 4. O despacho de embargo acima indicado só pode ser levantado depois de cessar o motivo que o determinou, em conformidade com o preceituado no no 9 do artigo 88o do RSCI. 5. A continuação dos trabalhos depois do embargo, notificado pelo presente edital, sujeita os donos, responsáveis e executores das obras (quer sejam empreiteiros ou tarefeiros) às penas do crime de desobediência qualificada, nos termos do no 6 do artigo 88o do RSCI. 6. Sendo as escadas e corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no no 4 do artigo 10o do RSCI. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas nos pontos 1 e 2 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que terão necessariamente de ser determinadas pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 7. Nos termos do no 3 do artigo 87o do RSCI, a infracção ao disposto no no 4 do artigo 10o é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o no 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício. 8. Considerando a matéria referida nos pontos 6 e 7 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no no 1 do artigo 95o do RSCI. 9. Os processos podem ser consultados durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, nos 32-36, Edifício CEM, 2o andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227). 10. Nos termos do artigo 97o do RSCI e das competências delegadas pelos nos 1 e 4 da Ordem Executiva no 124/2009, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2009, da decisão referida no ponto 3 do presente edital, relativamente às obras indicadas no ponto 1, cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data de publicação do presente edital. 11. O recurso referido no número anterior não tem efeito suspensivo, devendo por isso a obra manter-se embargada. Aos 20 de Maio de 2011 A Subdirectora dos Serviços Engª Chan Pou Ha


PERFIL

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GARY MAK | DIRECTOR-GERAL DO HOTEL LAN KWAI FONG

Aprender com a vida Virginia Leung

VIRGINIA LEUNG

virginia.leung@hojemacau.com.mo

Homem de sucesso em Hong Kong, actualmente

encontra-se a trabalhar em Macau. Gary Mak chegou em Setembro de 2008 para os trabalhos preparatórios da abertura do hotel Lan Kwai Fong. De espírito aberto e aventureiro, encarou a mudança como uma nova e enriquecedora etapa de aprendizagem. “Na vida, é preciso mantermo-nos sempre a aprender porque o mundo está a mudar todos os dias. Por isso, continuo a aprender mais e mais, de forma a expandir os meus horizontes e estar preparado para quaisquer desafios e oportunidades.” Gary Mak, de 38 anos, formou-se em análise quantitativa na Universidade da Cidade de Hong Kong, mas após o curso começou a trabalhar em vendas, “leasing” e marketing. Até que lhe apareceu a oportunidade de ir trabalhar num aparthotel. Foi assim que entrou para a indústria dos serviços. Seguiu-se um estimulante percurso em que teve a experiência de trabalhar em diversos lugares da China, tendo passado por Pequim, Xangai, Tianjin e Suzhou. Antes de vir para Macau, o seu trabalho consistia em elaborar novos projectos para aparthotéis, o que fez durante mais de três anos. Antes disso, em Hong Kong, havia trabalhado para uma empresa participando na análise de projectos e estudos de viabilidade para Singapura e Malásia. Foram mais de dez anos nesse tipo de trabalhos. Quando conheceu o seu novo patrão, o convite para vir para Macau prestar assistência ao projecto do hotel-casino surgiu como um repto novo. E um ponto de viragem na sua vida. Na altura, estava algo cansado do trabalho que realizava para os aparthotéis e não teve dúvidas em abraçar a oportunidade. O desafio era respeitável. Na altura, não fazia ideia sobre a forma como o negócio funcionava em Macau, as peculiaridades do sistema jurídico e como lidar com a concorrência no início. Sentiu a pressão por não estar familiarizado com Macau, mas não perdeu de vista os prazos impostos pelo patrão, tendo em vista a data prevista para a abertura. Naquele momento, enfrentava várias dificuldades como as restrições na quota de importação de trabalhadores e sentiu alguma frustração por não ver as coisas correrem como desejava. Mas trabalhou com afinco para perceber como as coisas funcionam em Macau. Deu-se conta de que os procedimentos legais eram mais complicados e normalmente levavam mais tempo a serem concluídos do que em Hong Kong. Além disso, garante, ao contrário do que se possa pensar, é uma grande mudança passar de um aparthotel para um hotel-casino, onde o desafio é muito maior dada a diversificação do negócio e a necessidade de gerir as relações com tipos muito mais diversos de pessoas. “Lentidão” foi a primeira impressão que colheu ao chegar a Macau. “Comparando com Hong Kong ou outras cidades na China, tudo aqui é mais lento”, afirma. Com muito menos pessoas e sendo um lugar mais pequeno e de fácil acessibilidade, Macau é também, na sua opinião, um local onde se encontra gente em geral mais afável, a comunidade está mais próxima e a atmosfera é mais saudável. Resumindo, uma boa cidade para se viver, com uma cultura não muito diferente da de Hong Kong. Mas, voltando a sublinhar o capítulo da velocidade a vapor: “Macau é lenta”. Hong Kong é uma cidade mais

moderna, com uma indústria diversificada. Macau é mais centralizada, industrialmente menos diversa, mas tem uma atmosfera agradável, em que se propiciam relações mais próximas entre as pessoas. Profissionalmente, Gary Mak assumiu uma postura dinâmica e pró-activa ao chegar a Macau. Como a concorrência aqui era pesada na indústria dos hotéis e casinos, sentiu que precisava idealizar algo que diferenciasse o seu hotel, para o posicionar com clareza no mercado. Ao mesmo tempo, sentiu que precisava ter a seu lado toda a gente com quem lidava. “Temos de mostrar que os nossos serviços são amistosos”, pensou. Ser um bom chefe num hotel-casino, considera, é um grande desafio pois é preciso impressionar os clientes com serviços de qualidade e, ao mesmo tempo, manter uma boa relação com os empregados. Lembrou-se então de que organizar actividades e competições para os empregados era uma boa forma de manter elevado o moral da equipa e fazer com que os funcionários se sentissem felizes por trabalhar ali e fossem leais à empresa. Todos os anos, organiza as equipas que participam na Corrida de Barcos-Dragão, na Marcha por um Milhão, jogos de futebol e alguns eventos de beneficência. Essa actividades, defende, ajudam a cimentar boas relações de comunicação entre as equipas além de serem positivas para a imagem da empresa. As pessoas em Macau, considera Gary Mak, têm muita sorte por haver um grande número de bolsas de estudo e, além disso, as propinas não são caras. Curiosamente, não há muitas pessoas que optem por continuar a estudar. Para a toda a vida, seria mais importante continuar a aprender coisas porque o mundo está em constante mudança. Se quisermos agarrar as oportunidades, primeiro temos de estar preparados. Se não estivermos ainda preparados no momento em que as oportunidades aparecem, estas podem ser muito boas, mas podemos não ter mãos para as agarrar. Além disso, para se alcançar o êxito, primeiro é preciso ter pensamento positivo. Quando se toma uma opção, é preciso fazer todos os esforços para a concluir, para depois não se olhar para trás e lamentar as decisões tomadas. “Uma vez escolhido o caminho, temos de andar para a frente. Como não podemos fazer o tempo andar para trás, temos de tentar o nosso melhor e conseguir”, afirma, sublinhando a importância de não se deter a marcha assim que aparecem problemas. É preciso resolvê-los. “Temos de trabalhar duro e dar o nosso melhor para enfrentar os problemas. Só assim se conquista uma coisa útil e valiosa nas nossas vidas: essa coisa chama-se experiência.” Entretanto, enquanto homem de negócios, Gary Mak mantém-se apaixonado pelo trabalho em Macau. De qualquer forma, considera que Macau precisa diversificar a sua indústria e não focar-se apenas no turismo, de forma a ter uma economia saudável. Por outro lado, para se estabelecer como cidade de entretenimento e turismo, Macau precisa fazê-lo de forma abrangente, por exemplo, criando um campus melhorado para o Instituto de Formação Turística (IFT) na Ilha da Montanha, de forma a proporcionar uma formação mais completa para os futuros profissionais da área em Macau, em vez de apenas promover a imagem da cidade.


[f]utilidades SEXTA-FEIRA 27.5.2011 www.hojemacau.com.mo

Cineteatro | PUB

12

[ ] Cinema SALA 2

FAST & FURIOUS 5 [C] Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Paul Walker 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SALA 1

VERTICAIS: 1-Peixe do género dos pleuronectos. Um insecto. 2-Relativo a etal. Fora, em inglês. 3-Sujeito pançudo. Suco extraído das cápsulas de diversas espécies de papoila. 4-É incrível!! Lavoira. 5-Símbolo químico do néon. Que tem ritmo. 6-Ovário dos peixes. Subúrbios de cidade. Parte lateral da narina. 7-Enuresia. Elemento de origem latina que significa ovo. 8-Meretriz. Elemento do origem latina que significa três. 9-Exclamação de alegria e incitamento. Prato. 10-Bananeira do Brasil. Pedra preciosa, hoje desconhecido e que parece semelhava uma fava. 11-Tornar-se raro. Querer bem a.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-TEBANO. CEAR. 2-ATA. EVELINA. 3-PADU. ANOTAR. 4-ALIAR. URU. E. 5-IGUIARI. CA. 6-OCO. TRE. PIR. 7-PO. AMOSTRA. 8-A. ORA. ERAMA. 9-TOPADA. ITEM. 10-RUIDOSO. ELA. 11-UTOA. AVELAR. VERTICAIS: 1-TAPA. OPATRO. 2-ETALICO. OUT. 3-BADIGO. OPIO. 4-A. UAU. ARADA. 5-EN. RITMADO. 6-OVA. ORA. ASA. 7-ENURESE. OU. 8-CLORI. TRI. E. 9-EITU. PRATEL. 10-ANA. CIAMELA. 11-RAREAR. AMAR.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Relativo a Tebas. Comer, na ocasião de ceia. 2-Amarra. Planta, da fam. das orquídeas. 3-Arbusto para chá. Esclarecer com comentários. 4-Combinar. Espécie de larva, no Brasil. 5-Lugar ou templo em que se conserva o fogo sagrado dos Parses. Símbolo químico do cálcio. 6-Que não tem juízo. Espécie de tecido antigo. Elemento de origem grega que significa fogo ou inflamação. 7-Espécie de esturrinho. Parte de uma matéria, que é examinada. 8-Agora, presentemente. Em má hora. 9-Acto ou efeito de bater involuntariamente com a ponta do pé. Cada um dos artigos de uma exposição escrita ou requerimento. 10-Acompanhado de ruído. Sufixo diminutivo. 11-Otoscópio. Engelhar, secando-se a casca.

PIRATES OF THE CARIBBEAN ON STRANGER TIDES [B]

SALA 3

Um filme de: Rob Marshall Com: Johnny Depp, Penelope Cruz, Geoffrey Rush 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

Um filme de: Duncan Jones Com: Jake Gyllenhaal, Vera Farmiga 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SOURCE CODE [B]

[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 13:30 14:30 19:00 19:30 20:25 20:35 21:00 22:00 22:58 23:00 23:30 01:10 01:40 RTPi 82 14:00 14:30 15:30 16:00 17:00 17:45 19:00 20:00 21:15 22:00 22:30 22:45

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Ásia Global (Repetição) Ganância Acontecimentos Históricos Telejornal Jornal da Tarde da RTPi Viver a Vida Acontecimentos Históricos TDM News Casanova Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

INFORMAÇÃO TDM

Telejornal Madeira Documentário – Longe de Abril Com Ciência Bom Dia Portugal Grande Reportagem-SIC Quem Tramou Peter Pan? Estado de Graça Jornal Da Tarde O Preço Certo Eco Social Ingrediente Secreto Portugal No Coração

TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 ZingZillas 16:30 I.N.K. Invisible Network of Kids 17:00 The Penguins of Madagascar 17:30 Ben 10 Ultimate Alien 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Green Challenge: Golfing World 19:00 Global Football 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 Rick Stein’s Far Eastern Odyssey 21:30 Weekend Blockbuster: The Weather Man 22:30 Marketplace 22:35 Weekend Blockbuster: The Weather Man 23:35 The CEO Connection 23:40 World Market Update 23:55 News Roundup 00:00 Earth Live 00:05 Dolce Vita 00:30 NBA Playoffs 2011 – Miami Heat vs Chicago Bulls 02:30 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 14:30 15:00 15:30 18:30 19:30 20:00 20:30 21:30 22:00 22:30 23:30

FIG World Cup Artistic Global Football 2011 Planet Speed 2010/11 MLB Regular Season 2011 Boston Red Sox vs. Detroit Tigers (Delay) Baseball Tonight International 2011 (LIVE) Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 Mundialito De Clubes - Beach Soccer Corinthians vs. Vasco De Gama Global Football 2011 Sportscenter Asia Baseball Tonight International 2011 Football Asia 2011/12

STAR SPORTS 31 13:00 FIG World Cup Artistic 14:30 Global Football 2011 15:00 Planet Speed 2010/11 15:30 MLB Regular Season 2011 Boston Red Sox vs. Detroit Tigers 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2011 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 Football Asia 2011/12 20:30 Mundialito De Clubes - Beach Soccer Corinthians vs. Vasco De Gama 21:30 Global Football 2011 22:00 Sportscenter Asia 22:30 Baseball Tonight International 2011 23:30 Football Asia 2011/12 STAR MOVIES 40 12:10 Blown Away 14:15 The Rebound 16:00 Charlie’S Angels 17:45 500 Days Of Summer 19:25 Labor Pains 21:00 In The Line Of Fire 23:15 12 Rounds HBO 41 13:00 14:30 17:00 18:40 19:10 21:00 23:35

Naked Gun 33 1/3: The Final Insult Public Enemies Land Of The Lost Hollywood Buzz 17 The Truman Show Harry Potter And The Sorcerer’S Stone Robin Hood

CINEMAX 42 12:00 14:00 16:00 17:45 18:00 19:45 20:00 22:00 23:55

The Pacific Tremors 4 The Legend Begins Control Factor The Making Of Fast & Furious Fast & Furious Epad On Max 112 The Pacific Creepshow Takedown

MGM CHANNEL 43 11:45 The War at Home 13:45 Catch the Heat 15:15 Inherit the Wind 17:15 Knightriders 19:30 Modern Girls 21:00 Vietnam Texas 22:45 Salvador 00:45 Mac and Me DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - Big Rig Myths 14:00 First Time Film Makers Vietnam 14:30 Eye On Malaysia - Kick! 15:00 Mega Builders - Big Bosphorus Dig - Turkey 16:00 Build It Bigger - Melbourne Stadium 17:00 Dirty Jobs - Leather Tanner 18:00 How It’s Made 18:30 How Do They Do It? 19:00 Mega Engineering - Personal Pods 20:00 Tattoo Hunter - Ethiopia

(MCTV 62) AXN 14:00 THE AMAZING RACE: UNFINISHED BUSINESS

21:00 22:00 23:00 00:00

Mythbusters 7 Kidnap & Rescue Forensics: You Decide Mythbusters

NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 12:30 ABOUT ASIA - Big, Bigger, Biggest 13:25 Animal Mega Moves: Sharks 14:20 Animal Impact: Jungles 15:15 Fight Masters: Silat 16:10 Incredible Human Machine 17:05 Dogtown: New Beginnings 18:00 Extraordinary Dogs: Smell 5 18:30 Extraordinary Dogs: Healing Part 19:00 Seconds From Disaster 20:00 ABOUT ASIA - Big, Bigger, Biggest 21:00 Wild Case Files: Exploding Toads 22:00 World’s Oldest Child 23:00 Taboo -Trials Of Faith 00:00 Naked Science 8: Desert Fireball ANIMAL PLANET 52 13:00 Austin Stevens Adventures 14:00 Caught In The Moment - Thailand 15:00 Wild Hearts: The Man Who Lives With Bears 16:00 Wildest Africa - Mount Kenya 17:00 Animal Cops Miami - Biggest Rescue Ever 18:00 Cell Dogs - Huerfano 19:00 Chasing Nature - Jumping Viper 20:00 Austin Stevens Adventures 21:00 Wild Hearts: Daniel And Our Cats 22:00 Wildest Africa - Nile 23:00 Animal Cops Miami - Manatee Rescue 00:00 Austin Stevens Adventures HISTORY CHANNEL 54 13:00 Modern Marvels 14:00 Underwater Universe 16:00 Top Shot 17:00 Swamp People 18:00 Shockwave 19:00 Modern Marvels 20:00 Swamp People 21:00 WWII Lost Films: The Air War 23:00 Al Maunah: The Malaysian Arms Heist 00:00 Top Shot BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 Intervention 14:00 Tycoons Of Asia 15:00 Storage Wars 16:00 David Ogilvy: Original Mad Man 17:00 Obsessed 18:00 Intervention 19:00 Rendezvous With Simi Garewal 19:30 Shatner’s Raw Nerve 20:00 Tough love 21:00 Private Sessions 22:00 Gene Simmons: Family Jewels 22:30 Storage Wars 23:00 Intervention 00:00 Celebrity Ghost Stories AXN 62 12:15 13:05 14:00 14:50 15:40 16:30 17:25 18:15 19:10 20:05 20:35 21:05 23:50

Csi: Crime Scene Investigation 24 The Amazing Race: Unfinished Business Leverage Csi: Crime Scene Investigation Hawaii Five-O Csi: Ny House Csi: Crime Scene Investigation Sony Style Tv Magazine Ebuzz Csi: Crime Scene Investigation So You Think You Can Dance

STAR WORLD 63 12:10 American Idol 14:15 Hollyscoop 14:45 Gary Unmarried 15:10 How I Met Your Mother 15:40 Masterchef Australia 17:10 Got To Dance UK 18:00 American Idol 20:50 Got To Dance UK 21:50 Castle 22:45 Masterchef Australia 23:40 Glee Informação Macau Cable TV


OPINIÃO

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13 ed i t or i a l Carlos Morais José

Dois grandes passos em frente A recusa da Assembleia Legislativa em deixar transmitir em directo pela TDM as suas sessões plenárias encontra difícil explicação. Explicação essa, aliás, da qual o seu presidente, o venerável Lao Cheok Va, fugiu como maometano do presunto. É compreensível dentro da inexplicabilidade do acto. Pois se não se permite a transmissão em directo dos plenários, porque razão é que se havia de explicar a proibição? Essa coisa do povo querer saber como se desenrolam as actividades políticas na Assembleia Legislativa é muita petulância popular. Então os nossos queridos políticos tinham agora de ser escrutinados pela população que, em parte, os elegeu? Para quê, meus senhores? Para quê? É muita desfaçatez. Se calhar queriam que a populaça assistisse e em directo à emissão de doutas opiniões sobre os assuntos que lhe dizem respeito? Ora não faltava mais nada. Por esse andar ainda tínhamos daqui a uns anos a malta realmente esclarecida politicamente e depois, hã? A quanto subiria o preço do voto? Seria desastroso para certas economias, ruinoso para algumas carteiras... Como se sabe, existem esclarecidas cabeças que consideram ser a população de Macau demasiado infantil politicamente para se alargar o espectro do sufrágio directo. Pois crianças deverão continuar e entretidas com as suas brincadeiras, dando

asa livre aos nossos deputados para beneficiar os interesses que bem entendem e que, no fundo, servem a canalhada ignorante. Há portanto que mantê-los nessa mesma ignorância, nesse desinteresse crónico pela coisa pública. Assim, as nossas elites poderão continuar a servir o povo da forma exemplar que o tem feito. Como dizia Salazar, povo culto é povo infeliz. Ora toma! Afinal, ainda que com 50 anos de atraso, é interessante observar como a presença portuguesa deixou marcas em Macau. Compreensivelmente, as ideias salazarentas demoraram o seu tempo a cá chegar mas pronto!, elas aí estão e com extraordinária pujança. O povo que se ocupe do trabalhinho que o trabalhinho é que é ocupação para o povo. E deixem os políticos na santa paz do senhor doutor que assim é que a porca não torce o seu já retorcido rabo. A sabedoria da AL constitui, aqui para nós, um grande salto em frente. * O metro ligeiro é quase a mesma coisa: não descarrilou, nem derrapou: deu um grande salto em frente. Os números não mentem, as previsões também não. Assim, os custos vão duplicar ou talvez mesmo triplicar. Os prazos não se sabe. Ou seja, um dos projectos mais importantes para a população de

Então os nossos queridos políticos tinham agora de ser escrutinados pela população que, em parte, os elegeu? Para quê, meus senhores? Para quê? É muita desfaçatez. Se calhar queriam que a populaça assistisse e em directo à emissão de doutas opiniões sobre os assuntos que lhe dizem respeito? Ora não faltava mais nada. Macau e para a cidade parece estar fora de controlo. É caso também para pensar no que aconteceria se o Comissariado de Auditoria não tivesse produzido o relatório que saiu esta semana. Tal como é caso para matutar na real importância que o governo atribui a este projecto. O reino dos transportes públicos nesta cidade daria vontade de rir não fosse o caso de termos de os utilizar. Começa pelos autocarros, passa pelos táxis e desemboca no metro ligeiro, que se revela um encargo cada vez mais pesado. Os primeiros são poluentes, têm rotas absurdas e andam aos solavancos. Os segundos são

pequenos, porcos e maus. E o que faz o governo? Assobia para o lado, faz lembrar os macacos da lenda: não vê, não ouve e não fala. E as companhias de transportes públicos continuam a prestar o péssimo serviço que se lhes reconhece. Entretanto, para além de sacrificarem a população, dão uma imagem desgraçada desta cidade aos turistas. Sábado passado, passei uma hora e meia na fila junto ao jet-foil. A confusão era enorme. Estava lá um senhor da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), de colete e tudo. Só falta era fazer alguma coisa para manter a ordem na fila, quando alguns dos turistas queriam ultrapassar a sua vez. Ora, quer em Hong Kong, quer em Singapura (onde o governo tanto gosta de encontrar exemplos), nomeadamente nos terminais internacionais, existem funcionários realmente preocupados com as pessoas, realmente empenhados na imagem das suas respectivas cidades. Em Macau tentam passar despercebidos. Mais uma vez daria vontade de rir se não se tornasse numa situação extremamente incómoda. De facto, parece que o executivo da RAEM olha para Singapura talvez para encontrar meios para reprimir de forma suave e não para aproveitar as soluções brilhantes que a pátria de Lee Kwan Yee encontrou para gerir a cidade.


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OPINIÃO

14 p er sp ect i va s

Realidade da pirâmide “The history of life on earth has been a history of interaction between living things and their surroundings. To a large extent, the physical form and the habits of the earth’s vegetation and its animal life have been molded by the environment. Considering the whole span of earthly time, the opposite effect, in which life actually modifies its surroundings, has been relatively slight. Only within the moment of time represented by the present century has one species – man - acquired significant power to alter the nature of his world.” Silent Spring Rachel Carsen

A

nossa vida é passada no convívio com incontável número de pessoas, numa parceria destinada a usar os nossos conhecimentos e experiência para melhorar a qualidade de vida da nossa família, comunidade em particular, país e do mundo em geral. Os parceiros representam as pessoas que se encontram na base de uma pirâmide que os sistemas políticos e económicos nacionais, regionais e internacionais criaram dos dois lados do equador. Na base da pirâmide estão as pessoas de todas as cores, raças, credos e sexo, mas a grande maioria é constituída por cidadãos do mundo ao sul do equador. Após o nascimento, iniciamos uma viagem que devia conduzir-nos à felicidade e à realização e que deve ser o objectivo de todos os nossos esforços. Contudo, entre o nascimento e a morte, existem muitos obstáculos que nos separam dessa meta. Muitos são naturais, mas a maioria é obra do homem. A felicidade e a realização a que aspiramos neste planeta deviam ser possíveis e devia haver o suficiente para satisfazer as necessidades de todos. Acreditando que assim é, acordamos todas as manhãs e trabalhamos nos recursos de que dispomos para atingir esses objectivos de felicidade e realização. No entanto, para muitos de nós, e em especial para aqueles que se encontram na base da pirâmide, não há recursos suficientes, nem sequer para satisfazer as nossas necessidades mais primárias. A maior consciência que temos dos sistemas do nosso planeta permite-nos apreciar o dilema que a bióloga Rachel Carsen referiu no seu livro “Silent Spring”, que instigou o pensamento das organizações activistas a nível global sobre o ambiente, antes do uso do conceito “verde”. O ar que respiramos, a água que bebemos e o solo que usamos e onde cresce todo o tipo de flora são recursos limitados. Podemos usá-los como os outros os usaram antes de nós e como os que virão precisarão de usar. Foi Mahatma Ghandi que ofereceu ao mundo as tão famosas palavras sábias de que “o mundo tem o suficiente para as necessidades de todos, mas não para a

ganância de todos”. Estas palavras têm mais significado, quanto mais nos apercebermos de que este planeta é um sistema fechado, e portanto o que existe na Terra é tudo o que temos. Então como atingimos os nossos objectivos se precisamos de satisfazer não só as nossas necessidades, mas também a nossa ganância? Como seremos capazes de fazer essa viagem e atingir os nossos objectivos apesar dos nossos recursos limitados? Afinal, nalguns países e para a maioria das pessoas que se encontram na base da pirâmide, a viagem acaba no momento em que começa, e outros fazem-na algumas dezenas de vezes. Alguns julgam, que não somos os únicos a fazer essa viagem? Que talvez toda a natureza tenha um objectivo, e que não tem qualquer relação com a nossa felicidade e realização? Que talvez não nos caiba decidir quais as espécies que devem existir, e quais as que deve ser negado esse direito, só porque neste momento não nos são úteis? Para compreendermos a nossa posição em relação a outras formas de vida, devíamos ir procurar conhecimentos e inspiração à ciência e à natureza. A mensagem que cada vez atinge mais gente, sugere que a nossa espécie necessita de ser menos arrogante e de explorar menos os outros seres no vasto espectro da natureza. Todas as outras espécies, têm o direito de existir e de tentar alcançar a sua felicidade e realização, e não têm qualquer obrigação para com o “homo sapiens”. Actualmente a ciência e a tecnologia é que dominam e mudaram substancialmente, quase todos os aspectos das nossas vidas dos dois lados do equador. É particularmente verdade na base da pirâmide, onde a ciência moderna aplicada, é uma experiência nova e onde faltam os conhecimentos científicos e tecnológicos. Na realidade, a base da pirâmide associa a ciência e tecnologia à magia e aos milagres do fulgurante mundo industrializado. E tem bons motivos para o fazer, pois a ciência comercializada, enriqueceu sociedades que fizeram descobertas científicas, e que conseguiram aplicá-las e criar utensílios novos e mais eficientes. Este milagre parece não estar ao alcance da base da pirâmide, e pode até supor um acto de magia ou uma dádiva de Deus. Apesar dos impactos da ciência e da tecnologia o mundo que pertence à base da pirâmide, tem a dificuldade de compreender a sua origem. No entanto, as pessoas trabalham e buscam a felicidade e a realização. Mas será possível alcançarem o seu objectivo com tão poucos recursos? E aqueles que detém a tecnologia estarão dispostos a partilhá-la, se esses conheci-

“A felicidade e a realização a que aspiramos neste planeta deviam ser possíveis e devia haver o suficiente para satisfazer as necessidades de todos” mentos lhes permitem estar em vantagem em relação aos da base da pirâmide? Como podem estar dispostos a isso se, com essa vantagem, podem explorar não só os seus recursos como os recursos intactos daqueles que se encontram na base da pirâmide? O mundo da ciência está preocupado com o ambiente. Os recursos do planeta não são apenas limitados, como estão a ser destruídos. Muitos dos que estão na base da pirâmide não reconhecem limites ao crescimento e não lhes agrada que, ao procurarem a sua felicidade e realização, possam estar a afectar esses mesmos recursos e a pôr em risco a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas necessidade. O topo da pirâmide deixa-se cegar por um apetite insaciável, apoiado pelo conhecimento científico, pelo desenvolvimento industrial, pelas necessidades de comprar, acumular e consumir em excesso. A revolução que se deu na disseminação da informação em todo o mundo, actua na ignorância e no medo daqueles que estão na base da pirâmide. Promove o estilo de vida dos que se encontram no cimo e vende-o, como se fosse o último grito da realização e da felicidade. A degradação ambiental é provocada pela erosão dos solos, pela desflorestação, pela poluição e pela perda de diversidade biológica nos nossos sistemas da Terra. Por sua vez, estas situações são provocadas pelos planos de acção políticos e económicos, e por actividades ditadas pela ganância, pela corrupção, pela incompetência e por um desejo insaciável de satisfazer os seus caprichos, e as ambições daqueles que detém o poder político e económico.

Jorge Rodrigues Simão

São exacerbadas pela pressão demográfica, pelas dívidas internacionais e pelas taxas de juro, pelos baixos preços dos produtos exportados, pelo proteccionismo e pela inevitável pobreza. Muitos governos e instituições de apoio e ajuda humanitária investem fortemente nos sintomas de degradação ambiental enquanto limpam o mundo. Fazem menos esforço e revelam menos entusiasmo, quando lidam com as causas do lixo, que tantos desejam varrer, o que não significa que as pessoas não apreciem a ajuda e a caridade. Mas a maioria daqueles que estão na base da pirâmide constitui simultaneamente as causas e sintomas da degradação ambiental. São apanhados num círculo vicioso de pobreza e de subdesenvolvimento. O “Green Belt Movement”, cuja fundadora é ambientalista, Wangari Maathai, que recebeu o Prémio Nobel da Paz de 2004, esforça-se por ajudá-los a quebrar esse círculo e a libertar-se dos vínculos que lhes bloqueiam o caminho e os separam da sua meta de felicidade e de realização. Ajudá-los a erguer-se pode constituir um desafio muito nobre e gratificante, mas também muito exigente, porque a base da pirâmide é muito pesada, em especial ao sul do equador. Muitos dos que se encontram na base convencem os filhos, que a educação é a solução para conseguirem um bom emprego, terem um bom salário e uma vida de boa qualidade. Acreditam que a educação os fará sair da base da pirâmide e lhes proporcionará conforto, sem esforço. Parece bastante fácil, porque passar nos exames e transitar para o ano lectivo seguinte não é problemático. Enquanto andam na escola, consolam-se com o êxito prometido, que lhes garantirá um lugar no cimo da pirâmide. Se dependesse de boas notas e diplomas, alguns de nós não teriam razão para se preocupar. Entre a realidade e os sonhos de infância e adolescência há muitos obstáculos criados pelo homem, com os quais as pessoas que estão na base lutam toda a vida, tentando ultrapassá-los e atingir um nível de desenvolvimento significativo, melhorar a qualidade de vida e realizar-se plenamente. Esses obstáculos impedem-nas de utilizar uma grande parte dos conhecimentos, das técnicas e da experiência que adquiriram nos estudos e ao longo da vida. Teoricamente, esses conhecimentos e essa experiência tornariam a viagem mais segura e fácil, mas há uma grande diferença entre os sonhos de infância e adolescência e a realidade da pirâmide. Quando estamos na base, mais tarde ou mais cedo todos aprendemos que assim é.


Maldito o homem que confia no homem. É que o homem quanto quer; se se lhe dá um dedo, quer a mão e o braço. mais tem

mais

Padre Manuel Teixeira [1912-2003]

SEXTA-FEIRA 27.5.2011 www.hojemacau.com.mo

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OPINIÃO

u m g r i t o n o d eser t o

Virar a mesa por causa

de uma fatia de queijo D ESDE que a proposta de lei do “Regime de Construção e Venda de Habitação Económica” foi in troduzida na Assembleia Legislativa (AL) para discussão, que tem provocado várias controvérsias nos grupos deliberativos da AL e na comunidade. As maiores têm sido as relacionadas com a venda de habitação económica. Do tempo do anterior regime de habitação económica até a emergência do novo regime, estas unidades residenciais só estão autorizadas a serem vendidas ou alugadas depois de esgotado o seu período de interdição à revenda. Até agora, o novo “Regime de Habitação Económica” reforçou as medidas para evitar a especulação e aumentou o período de interdição de seis para 16 anos. E quando já puderem ser vendidas, os proprietários das unidades têm de pagar a diferença de preços ao Governo. Globalmente, essas duas medidas são eficazes para colmatar as lacunas evidentes na venda de habitação económica regulada pelo actual “Regime de Habitação Económica”. E juntamente com a aplicação de penalizações, tudo isto pode ajudar a evitar que os compradores de habitação económica transformem a sua propriedade adquirida em lucro. No entanto, durante o decurso da discussão na AL, aconteceu que as disposições que regem a venda de habitação económica, que não se prestam a serem debatidas, acabaram por se tornar o centro da discussão. Houve longas e intermináveis controvérsias sobre se a habitação económica deveria permanecer “pública” para sempre. Quais as razões por trás dessas polémicas? De acordo com os dados fornecidos pelo Instituto de Habitação (IH), apenas 30% das 20 mil casas económicas compradas no passado foram revendidas no mercado privado. Esse não é um número significativo e, mesmo que alguma habitação económica tenha sido alugada, a sua renda é ligeiramente inferior às das unidades residenciais privadas no mercado. Por outras palavras, a habitação económica por um lado assegura ao público de Macau uma solução directa de habitação e, por outro, assume uma função de reajuste indirecto nos mercados de propriedades e arrendamento. Se a proposta de lei do “Re-

gime de Construção e Venda de Habitação Económica” for implementada da maneira como está, sem quaisquer revisões pela AL, as hipóteses de que o público obtenha lucro com a habitação económica são poucas. Não é necessidade de ficarmos excessivamente preocupados. Ainda assim, porque é que as vozes contrárias às disposições que impedem que a habitação económica seja autorizada a ser vendida ou arrendada após o período de interdição têm sido tão altas? No começo, eu simplesmente não conseguia perceber isto, mas mais tarde, dei-me conta de que a maioria daqueles que estavam contra as disposições era formada pelos que eram muito próximos ao mercado imobiliário ou inelegíveis para comprar habitação económica. Eles tentam proteger os seus interesses particulares e manter o mercado imobiliário sob o seu controlo. Utilizam o pretexto da caracterização da habitação económica como “pública” de forma a se livrarem de todas as medidas que poderiam provocar que os exorbitantes preços do mercado imobiliário viessem por aí abaixo. É difícil prever como estará a economia de Macau dentro de 16 anos. Mas se a habitação económica continuar caracterizada como “pública”, o preço das propriedades

É difícil prever como estará a economia de Macau dentro de 16 anos. Mas se a habitação económica continuar caracterizada como “pública”, o preço das propriedades privadas nunca será afectado. Essas pessoas não estão preocupadas com o mercado imobiliário de daqui a 16 anos, estão é muito mais preocupadas com os seus investimentos e riscos relacionados actuais privadas nunca será afectado. Essas pessoas não estão preocupadas com o mercado imobiliário de daqui a 16 anos, estão é muito mais preocupadas com os seus investimentos e riscos relacionados actuais. Enquanto as pessoas que viveram em habitação económica durante 16 anos, se tiverem trabalhado no duro o suficiente, provavelmente estarão com uma qualidade de vida melhor. Nessa

Paul Chan Wai Chi*

altura, quando venderem ou arrendarem a sua casa económica, elas já a terão pago e não há razão para as impedir de fazerem o que entenderem com a sua propriedade. Algumas pessoas apenas dão atenção aos proprietários de habitação económica (com preços em torno de 1,5 milhões de patacas) que vendem a sua casa para fazer lucro, mas nunca se preocupam com os lucros feitos pelos especuladores no mercado normal. Esse tipo de mentalidade - “os magistrados são livres para queimar casas, enquanto as pessoas comuns estão proibidas de até de acenderem lâmpadas” - ao ser hostil às classes empobrecidas, é absolutamente prejudicial para a harmonia da sociedade de Macau. Não quero dizer que concordo com que se deixe os candidatos a habitação económica obterem lucros, mas penso que se lhes devia dar uma oportunidade para melhorarem as suas vidas. E eles não devem ser privados dessa oportunidade com 16 anos de antecedência. Num sistema económico regido pelo capitalismo, os ricos têm demasiada comida a ser servida à sua mesa. Alguma vez alguém ouviu que essas pessoas ricas compartissem com os pobres os seus lucros obtidos através da especulação? Algum promotor sequer tomou a iniciativa de baixar o preço das suas propriedades por saber que o público não tinha capacidade para as comprar? Algum especulador alguma vez simpatizou com potenciais compradores que não tinham capacidade económica para comprar e baixou o preço? Quando os pobres têm de encarar a “lei da selva” na economia de mercado, não há nada que possam fazer a não ser aceitar o seu destino. Neste momento, é tão raro o Governo pôr uma fatia de queijo na mesa! Porque é que algumas pessoas querem roubar esse pedaço de queijo aos pobres, mesmo que para isso tenham de virar a mesa? A bem daquelas pessoas sem propriedades que se estão a candidatar à habitação económica, por favor dêem-lhes um sonho, o sonho de que possam desfrutar de uma vida melhor daqui a 16 anos! *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Caso do advogado português atacado com ácido CHINA INTERESSE EM RESGATE A PORTUGAL O presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), Klaus Regling, diz que a China está na linha da frente para comprar dívida que vai ser vendida pelo Fundo em Junho e que servirá para financiar o Estado português. O Governo português acordou, em troca de um plano de austeridade, um empréstimo de 78 mil milhões de euros com as autoridades europeias e com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Da fatia europeia, 26 mil milhões de euros virão do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF), gerido pelo orçamento comunitário, e os restantes 26 mil milhões virão do FEEF. A China chegou a comprar este ano uma colocação directa privada feita pelo Estado português. No final de 2010, o presidente chinês, Hu Jintao, esteve em visita oficial a Portugal e deu, na altura, indicações de que a China estaria a ponderar comprar dívida portuguesa. NASA FIM DA COMUNICAÇÃO COM ROBÔ A NASA fez ontem a última tentativa para comunicar com o robô Spirit que está em Marte. O robô deixou de comunicar para a Terra em Março de 2010, depois de ficar preso num banco de areia um ano antes. O Spirit foi enviado em 2003 e caiu em Marte em 2004, era uma espécie de geólogo que foi analisar as rochas para compreender o que aconteceu à água de Marte, ao longo da história do planeta. O robô de 180 quilose com seis rodas tinha painéis solares que alimentavam os sistemas de aquecimento que o mantinham mais quente no Inverno gelado de Marte. Todos os satélites utilizados neste esforço vão agora dedicar-se ao robô Curiosity, a próxima geração para estudar o planeta vermelho. CIÊNCIA BEBÉ DE BRINCAR... QUE MAMA Um fabricante de brinquedos espanhol, a “Berjuan”, desenvolveu o “Bebé Glutão”, um boneco que se pode amamentar através de uma camisola que, depois de vestida, simula o peito da mãe. O boneco reproduz sons típicos do acto de mamar e também chora para fazer saber de que necessita de leite. A polémica instalase já que alguns pais de todo o mundo criticaram a ideia dizendo que pode até “promover gravidez precoce”.

Já há suspeito

A

Polícia Judiciária (PJ) diz que já tem um suspeito no caso do ataque ao advogado português com ácido, perpetrado ao início da noite de quarta-feira no território. Em conferência de imprensa, Suen Kam Fai, porta-voz da Polícia Judiciária de Macau, explicou que o advogado continua nos cuidados intensivos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde foi internado com queimaduras graves no pescoço, braço e parte do tronco. No entanto, os Serviços de Saúde ontem, ao final do dia, revelaram que as duas vítimas do ataque – além do advogado, uma mulher que passava pelo local foi atingida – encontram-se estáveis. O homem, de 46 anos, ficou com queimaduras de graus

dois e três em 10% do corpo e foi internado nos Cuidados Intensivos. Ontem foi transferido para a enfermaria geral. A mulher, de 28 anos, manifesta estado de saúde em “situação normal”. O jurista foi atacado ao início da noite de quarta-feira, na avenida da Praia Grande, quando saía de um supermercado. Uma mulher sem

nenhuma ligação à vítima acabou também por ser atacada acidentalmente. Até ontem, a PJ adiantou apenas que o suspeito é do sexo masculino, não avançando com mais pormenores sobre o caso, já que a investigação ainda está em curso. De acordo com o canal português da TDM, o advogado pode vir a ser operado.

SEXTA-FEIRA 27.5.2011 www.hojemacau.com.mo

COREIA DO NORTE KIM APOIA DESNUCLEARIZAÇÃO O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, manifestou-se a favor da desnuclearização da península coreana, durante a visita oficial à China. “Esperamos o apaziguamento da situação na península coreana, somos a favor do objectivo de uma desnuclearização da península coreana e apelamos para que sejam retomadas rapidamente as negociações a seis”, declarou Kim Jong-il. O regime de Pyongyang, apoiado pela China, já se tinha declarado pronto para retomar as negociações sobre o programa nuclear e suspender os testes atómicos. O diálogo a seis envolve a Coreia do Norte, a Coreia do Sul, a China, os Estados Unidos, o Japão e a Rússia.

HOTELARIA É O SECTOR QUE DÁ MAIS EMPREGO

Mais de 15% das 325 mil pessoas empregadas em Macau está ligada à hotelaria e restauração, sector que no final do primeiro trimestre deste ano tinha 4686 vagas, um número que permitiria dar resposta a metade (52,65%) dos 8900 desempregados do território. Dados oficiais divulgados pelos serviços de Estatística e Censos indicam que a hotelaria foi o sector que mais cresceu em emprego no início de 2011, tendo registado a taxa de recrutamento mais elevada (12,8%) e o maior aumento do número de trabalhadores (11,7%) para os actuais 53.921, dos quais 35.163 empregados de hotéis e similares. Analisando o mês de Março, especificamente, o serviço de estatísticas refere que a média auferida pelos trabalhadores a tempo inteiro dos hotéis e restaurantes subiu para as 10.700 patacas, correspondendo a um aumento anual de 7,3%. No primeiro trimestre, mais de 50% das ofertas de emprego na hotelaria pediam experiência profissional, sendo que o nível de habilitações académicas exigido era menor do que o dos seguros e sector financeiro, que pediam ensino secundário complementar ou curso superior.

DJ RESIDENTE EM LAS VEGAS QUER JACKPOT PÚBLICO EM MACAU

• O Norte-americano Matt Darey, número 55 da tabela DJMag TOP 100 DJS do Mundo toca amanhã à noite no Clube Lótus. Compositor, escritor de canções, elemento de uma banda, o multifacetado artista é unanimemente apontado como um dos pioneiros do uso de podcast no universo da música de dança mundial. Nocturnal, Podcast semanal que fez recentmente seis anos é transmitido por 150 rádios em 35 países e ouvido por uma audiência global estimada em 3 milhões de ouvintes. O Hoje Macau oferece aos

seus leitores seis pares de convites para a Matt Darey Mania, cortesia Club Lotus Macau,uma iniciativa da promotora local 3 sided square. Ganhe pares de ingressos, escrevendo em 125 palavras porque os merece. Faça-o na página da 3 sided square no Facebook, até às 18:00 de amanhã. Os resultados são tornados públicos a partir das 19h nas páginas de facebook da 3ss e do Hoje Macau. Os premiados terão o seu nome na Guest List, à porta do local do evento.

ca r t oon por Steff

JERUSALÉM INDIVISÍVEL

HK FILME PORNO EM 3D NA AMÉRICA DO NORTE A comédia erótica “3D Sex and Zen: Extreme Ecstasy”, que impressionou os telespectadores asiáticos, tem já garantida a distribuição nos Estados Unidos e Canadá. A China Lion Film Distribution referiu ter comprador os direitos de distribuição para os Estados Unidos e Canadá durante o mercado de cinema que decorreu no âmbito do festival de Cannes. “Sex and Zen”, um “remake” de uma película de 1991 com o mesmo nome e também da indústria cinematográfica de Hong Kong retrata um estudante sexualmente frustrado que perde o seu caminho no harém de um duque de quem se torna amigo e conta no elenco com as estrelas porno do cinema japonês Hara Saori e Suo Yukiko e com a atriz de Hong Kong Vonnie Liu. CHINA ATENTADOS EM FUZHOU MATAM DOIS Pelo menos duas pessoas morreram e seis ficaram feridas num atentado ocorrido ontem em repartições públicas de Fuzhou, na província chinesa de Jiangxi (leste), que terá sido perpetrado por um camponês. As explosões podem ser um acto de vingança, mas não são conhecidos os motivos que o geraram. As explosões ocorreram entre as 9h e as 10h locais, perto das instalações locais da procuradoria-geral, governo municipal e da administração da qualidade alimentar. Pelo menos dez viaturas foram destruídas. É o segundo incidente do género na China no espaço de duas semanas.

Hoje Macau 27 MAI 2011 #2377  

Edição do Hoje Macau de 27 de Maio de 2011 • Ano X • N.º 2377