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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • TERÇA-FEIRA 27 DE MARÇO DE 2012 • ANO XI • Nº 2579

Ter para ler

TEMPO MUITO NUBLADO MIN 16 MAX 24 HUMIDADE 50-85% • CÂMBIOS EURO 10.6 BAHT 0.2 YUAN 1.2

CY LEUNG

Como ganhar o poder com popularidade abaixo dos 40% CENTRAIS

REDE 2G Lojas vendem telemóveis quase obsoletos sem avisar clientes

O silêncio é de ouro

Telemóveis 2G deixam de funcionar em Macau daqui a quatro meses. O Governo disse aos vendedores para darem esse aviso aos clientes que queiram comprá-los. Maioria ignora a ordem e nada lhes acontece. PÁGINA 5

UNIVERSIDADE DE MACAU

À frente de Hong Kong com novo programa PÁGINA 4

AJUDA A NAÇÕES DESFAVORECIDAS

BRICS superam países desenvolvidos PÁGINA 7


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política

terça-feira 27.3.2012

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Alterações conhecidas em Abril

A proposta de lei sobre o Quadro Geral do Fundo de Previdência Central vai ser estudada novamente. Até ao dia 15 de Abril, pode ficar definido se as contribuições serão obrigatórias ou facultativas Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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PROVADA na generalidade o ano passado, a proposta de lei sobre o Quadro Geral do Fundo de Previdência Central ainda tem muitas arestas por limar. Depois de mais uma reunião da 3ª Comissão da Assembleia Legislativa (AL), que contou com a presença de membros do Executivo, ficou PUB

decidido que a proposta de lei vai sofrer mais alterações. Cheang Chi Keong, presidente da 3ª Comissão, avançou que os assessores jurídicos do Governo e da AL vão agora trabalhar em conjunto. “Depois de uma larga discussão, há necessidade de introduzir algumas mudanças na proposta de lei. (...) Há um prazo de três semanas para os assessores fazerem ajustamentos, elaborando um texto de trabalho. Há um consenso para que esta proposta de lei esteja concluída o quanto antes.” Para além da “necessidade de melhores esclarecimentos quanto à intenção legislativa do Governo face à proposta de lei”, vai ser definido se as contribuições para o Fundo de Previdência Central vão ser obrigatórias ou facultativas. Da responsabilidade do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS) fica a decisão sobre o montante das contribuições. “A proposta do Governo diz que as fontes financeiras do Fundo de Previdência Central provém do

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Fundo de Previdência Central em mudança

Executivo, dos trabalhadores e dos patrões. A criação deste regime pretende consolidar estas três vertentes. Mas quanto ao montante das contribuições é ainda uma matéria a ser discutida no seio do CPCS:”

TRANSFERIDAS CONTAS DO FSS

Outro ponto que ficará sob a alçada da assessoria jurídica tem a ver com as contas individuais criadas no âmbito do já existente

Fundo de Segurança Social (FSS). Cheang Chi Keong afirmou que algumas matérias do regulamento administrativo 31/2009, sobre as regras gerais de gestão das contas individuais no Regime de Poupança Central, devem passar para a nova proposta de lei. “A Comissão apresentou uma sugestão ao Governo no sentido de introduzir alguns princípios regulamentares sobre o funcionamento do Fundo,

bem como a questão das contas individuais. Sem as contas vai ser difícil continuar com o Regime de Previdência Central.” Para já, “essas contas individuais vão ser transferidas de forma automática para o Fundo de Previdência Central”. O deputado garantiu ainda que a gestão das contas “vai ser definida por diploma próprio”, sendo que vão ser analisadas questões de penhoras ou “intransmissibilidade” das verbas depositadas pelo Governo nas contas, consideradas “indispensáveis” para dar um passo em frente na proposta de lei. Cheang Chi Keong deixou ainda no ar a possibilidade de o documento vir a conter mais matérias. “Daqui a dois ou três anos, quando houver uma lei sobre o Regime de Previdência Central, então muitas matérias vão ser integradas. Se se verificar a necessidade de introduzir na lei todas as matérias, se há diplomas que devem ser introduzidos, logo se verá.”


terça-feira 27.3.2012

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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M mais uma sessão de consulta de opinião dos diversos quadrantes da sociedade sobre a reforma do sistema político, das 24 vozes que se ergueram no meio do grande auditório do Centro Cultural de Macau, não é difícil prever quantas foram (as muitas) que defenderam o popular sistema “2+2” - dois deputados eleitos por via directa e outros dois por via indirecta. Tal como a aprovação de 100 novos membros do colégio eleitoral, mas isso se calhar já pouco importa. Porque afinal esta renovação do sistema político pode estar a ser alvo de opiniões predominantes que não representam as vozes ouvidas, desde a primeira sessão de consulta aberta para o público em geral, que teve lugar a 16 de Março. Pelo menos é o que proclama Jason Chao. E não foi o único. O presidente da Novo Macau sugere que Florinda Chan, Secretária para a Administração e Justiça (também ontem presidiu à mesa da sessão), só quer ouvir o “Sim ou Não”. Ou seja, “a senhora secretária não está interessada na forma como deve ser alterado, para perceber se afinal podem ser 2+2 ou mais não-sei-quantos”. Apesar de ter afirmado que não é bom a falar perante tão grande plateia, arrancou fortes aplausos. Defensor do sufrágio universal directo, Jason Chao pôs em causa se a consulta pública “será assim tão oportuna e eficaz”, já que se fala em maior representatividade dos sectores mas nunca todos poderão ser representados. “Mais vozes?”,

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Jason Chao ridiculariza a consulta pública

“Será assim tão oportuna e eficaz?”

questionou. “Então venham de lá os croupiers - e o respectivo sector do jogo, tão predominante na indústria de Macau -, as domésticas, as mulheres - casadas, solteiras e virgens - os homossexuais, as lésbicas e os heterossexuais. Afinal, todos devem ter grupos representativos.”

MALTA DO CONTRA

Outra voz dissonante foi Lee Kin Ion, candidato por múltiplas vezes às eleições

legislativas, encabeçando a lista da “Associação de Activismo para a Democracia”, que teve, logo no início do discurso reivindicativo, seguranças à perna. Ao centro do auditório, onde discursou, decidiu ir apenas com uma t-shirt com palavras menos próprias - embora indecifráveis - dirigidas possivelmente aos governantes. “O Governo de Macau é ainda mais conservador, mais do que as autoridades centrais”,

Ambrose So defende presença aberta

Jogo no hemiciclo A

política

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sugestão foi deixada a semana passada por Stanley Au, presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas: o sector do jogo deveria ter mais voz na Assembleia Legislativa (AL). Ambrose So, director-executivo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), mostrou-se ontem também partidário da sugestão. “Concordo com a sugestão de que o sector do jogo deve ter um assento na AL. O jogo representa uma fatia muito importante da economia de Macau e penso que devíamos ter essa voz”.

À margem da conferência de imprensa sobre o Fórum Internacional sobre Energia Limpa (terá lugar em Macau no dia 28), Ambrose So admitiu não ser candidato às eleições de 2013, mas afirma apoiar todos os que puderem falar pelo sector considerado mais importante em Macau. Instado a comentar as eleições em Hong Kong, o responsável da SJM considera que a forma como aconteceram foi um bom exercício para o sufrágio universal de 2017. - J.F.

gritava, comparando a política seguida em Macau com a de Pequim. “Se a RAEM já foi comparada aos EUA, por que não compará-la também à Coreia do Norte, onde há monarquia e ditadura, onde nem há eleições?” Ainda houve tempo, nos seus bem aproveitados cinco minutos, para outra comparação - referiu-se aos deputados nomeados de hoje como “os tais que sempre estavam do lado do governo

português e o elegiam”, no meio de aplausos, apupos e reprimendas da mesa.

MEDOS

Nesta sessão pública ainda se deu voz ao “medo”. Não foi um nem dois, mas talvez três ou quatro que se diziam com medo de falar ou com medo do futuro de Macau. Lei Fok Lun, o quinto interveniente, afirmou o seu temor face ao futuro da RAEM, sustentando que só

acredita no sufrágio universal, algo por que anseia. Face aos números públicos, oferecidos como predominantes - dando conta do aumento do colégio eleitoral, que elege o chefe do executivo – também lançou dúvidas. “400? Por que não 600 ou outro número qualquer? Afinal de onde surgiu este número?” Depois acusou o sistema político de continuar a ser “um jogo da minoria e dos pequenos grupos”. O décimo pedido de intervenção veio de Chan Chi Lim que referiu “o medo de falar” porque existe um controlo governamental, tal como, disse, existe nos EUA - noutras sessões referidos como “exemplo de democracia” ou em Inglaterra. Chan teve tempo ainda de comentar os dados que apontam para dois terços da população sem conhecimento sobre as sessões públicas, referindo que “com participação pecuniária todos saberiam das sessões”. Já perto do fim, Chao Yong Wa disse estar assustado porque “os intervenientes falaram muito alto”. Se nesta sexta sessão pública, de um total de 10, houvesse lugar a uma contabilização das palavras mais utilizadas, “consenso” - face à importância da prevalência da opinião maioritária - “desenvolvimento gradual do sistema público” e “estabilidade e harmonia”, teriam lugar garantido no topo. Talvez aquilo que a população mais ambiciona, afinal, seja a tranquilidade.

Mais e melhor gente

Davis Fong, director do Instituto para os Estudos do Jogo da Universidade de Macau, acredita que a estrutura da população de Macau deve ser tema para discussão nos próximos dez anos. E deve ser mesmo o mais importante tema. A competitividade da sociedade, ligada intrinsecamente ao desenvolvimento sustentável, é um dos maiores problemas que se faz sentir no território, dada a escassez de mão-de-obra. Mas Davis Fong defende que além de aumentar a quantidade de recursos humanos, o Governo deve ainda melhorar a forma como estes são estruturados, tanto a nível de formação como de qualidade. A falta de uma política demográfica faz com que Macau não saiba com o tipo de população com que pode contar, torna-se difícil planear a política habitacional, de educação e serviços públicos, normalmente planeada de acordo com a quantidade de pessoas por zona de território. - V.L.


sociedade

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemcau.com.mo

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ESDE o princípio deste ano lectivo, a Universidade de Macau tem em funcionamento um novo programa curricular, pioneiro na RAEM. Trata-se do “General Education” - ou Educação Geral, em português - que vem criar novas exigências aos alunos da Universidade, mas também proporcionar-lhes novas ferramentas de apoio ao seu futuro profissional e pessoal. O programa congrega disciplinas de quatro áreas distintas - Língua e Comunicação, Ciência e Informação Tecnológica, Sociedade e Cultura e Desenvolvimento Pessoal - e, partir deste ano, representa já 25% da carga curricular do curso, seja ele qual for. O reitor da UMAC, Wei Zhao, explicou ontem, na apresentação do programa à imprensa, que este novo modelo é de suma importância “na valorização do aluno como indivíduo, já que lhe faculta um leque variado de conhecimentos, capacidades e valores através de disciplinas como, ‘reflexão pessoal’, ‘pensamento crítico’, ‘liderança’, entre outras”.

NA DIANTEIRA

O programa, implementado em Setembro passado, representa por isso uma reforma no currículo das licenciaturas da Universidade de Macau, seguindo modelos de sucesso de universidades reconhecidas internacionalmente, como Harvard. A UMAC dá um passo em frente também em

Air Macau aumenta rotas para o Japão

É já em Abril que a Air Macau vai aumentar o número de rotas para Tóquio. A partir de 20 de Abril as tradicionais duas rotas semanais aumentam para quatro, operando às quartas, quintas, sábados e domingos. Quanto ao número de rotas diárias, deverá ser aumentado a partir de 3 de Julho. Yang Jianhua, vice-presidente da companhia na área comercial, afirma em comunicado que “o Japão é um dos mercados mais importantes para a indústria do turismo em Macau”. Dado o aumento dos voos, a empresa recrutou no mês passado, pela terceira vez, uma novo grupo de 18 hospedeiras de bordo japonesas. A Air Macau também aumentou os voos semanais entre Macau e Taiwan, de três para quatro.

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terça-feira 27.3.2012

Universidade revoluciona com programa recém-implementado

tras, disciplinas de ensino de português, que, segundo Kerr, estão esgotadas. “Superaram as nossas expectativas, tivemos de arranjar mais turmas porque foi das mais procuradas, temos oito salas de aula com cerca de 25 alunos cada.” Ao Hoje Macau, o director do gabinete de apoio ao ensino superior, Sou Chio Fai, disse que “os estudantes são espertos, pois ao quererem dominar mais uma língua, preparam melhor o seu futuro”.Além do mais, Fai quis enfatizar que, sendo Macau uma plataforma de entendimento entre China, Portugal e países lusófonos, é importante que dominem a língua portuguesa. “Acredito que no futuro estes alunos têm mais possibilidades de encontrar emprego em Macau e fora, o que representa uma enorme vantagem.” Além deste novo programa, a UMAC fez uma visita guiada às três novas salas “smart”, no Edifício de Investigação e Desenvolvimento da Universidade, que se encontram equipadas com as últimas tecnologias educacionais. Uma das salas funciona como pequeno anfiteatro “ao estilo romano”, albergando 60 alunos; outra opera como espaço-conferência, com propósitos de observação para várias disciplinas; e a última, com 10 mesas redondas e 60 cadeiras, proporciona um trabalho de grupo diferente. O reitor acrescenta que estas salas ajudam a que o programa se assuma como “plataforma que permite que professores e alunos reflictam em conjunto a importância de temáticas diversas na sociedade”.

Abordagem inovadora comparação com o ensino superior da vizinha região administrativa de Hong Kong, que só implementará o programa no próximo ano lectivo. Wei Zhao evidencia que, embora as disciplinas em si possam não ser cruciais para as carreiras que os alunos queiram prosseguir no seu futuro - engenharia, medicina, psicologia, arquitectura e por aí fora - será essencial para “o crescimento deles enquanto cidadãos de uma sociedade cada vez mais exigente e em constante mudança”. Gordon James Kerr, coordenador do programa de Educação Geral e professor de gestão, acredita que com este programa os alunos podem focar-se num crescimento mais saudável, a nível físico, social e psicológico. “Vejo que os alunos não têm vidas e hábitos alimentares muito saudáveis - por isso temos cadeiras de saúde e nutrição”, adianta o coordenador, que também analisa o comportamento “desvirtuado” dos alunos no ensino. “O seu único objectivo centra-se na avaliação do curso, só lhes interessa o que sai em exames, se não nem querem ouvir”, confessa Kerr, que quer, a partir do novo programa, mudar esta tendência.

PORTUGUÊS DESTACA-SE

A vertente linguística deste programa, alberga, entre ou-

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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Balança comercial no ensino superior Sou Chio Fai certifica que o gabinete de apoio ao ensino superior apoia as iniciativas de cada universidade, dentro das diferenças académicas que as distinguem. No entanto, este programa da UMAC representa uma formação mais qualificada dos quadros em Macau, possibilitando a criação de novos talentos. “No nosso ver, o mundo tem muita diversidade e está em constante mudança e os alunos têm não só de se formar como especialistas mas também desenvolver o seu senso comum.” O novo programa de Educação Geral da UMAC têm este ano 15% de estudantes de intercâmbio, além de 25% de alunos vindos do continente, o que significa uma nova aposta da Universidade. Fai comenta esta questão, referindo que “no ensino

superior é crucial esta internacionalização para abrir horizontes dos alunos, até porque com a globalização o mundo se torna cada vez mais pequeno, exigindo e facilitando o conhecimento e intercâmbio com novas culturas”. A nível geral, o director do gabinete de apoio ao ensino superior garante que as informações recolhidas nas universidades e pelo Instituto de Ensino Superior dizem que há cada vez mais alunos estrangeiros com interesse em fazerem o seu curso superior em Macau. “Temos uma história longa de ligação com Portugal e fazemos parte da China e estamos numa posição geo-estratégica muito especial para criar plataformas de intercâmbios entre a América, Europa e China.”

CEM realizou ontem Assembleia Geral Anual

Tarifas estáveis para a maioria A

Companhia de Electricidade de Macau (CEM) aprovou ontem, em Assembleia-Geral, o Relatório Anual de 2011, que mostra dados satisfatórios para a maioria dos seus clientes. Isto porque os valores das facturas pouco mudaram. “Com o apoio do Governo da RAEM, a CEM contribuiu para manter estáveis as tarifas de 99% dos seus clientes, os quais beneficiaram de descontos até 10% no valor da Cláusula de Ajustamento da Tarifa do Grupo Tarifário A.” Já os preços da energia primária “continuaram a tendência crescente e voltaram a atingir novos máximos”, num ano em que a CEM optou por importar a energia eléctrica “utilizada em 79% das necessidades energéticas de Macau.”

Fechadas as contas, a CEM teve, em 2011, um lucro liquido final no valor de MOP 479 milhões, o que representa menos 7% face a 2010 e menos 15% face a 2011. Segundo a empresa, 2011 foi “o primeiro ano completo de redução do lucro permitido para 9,5%, conforme estipulado nos termos e condições da extensão do Contrato de Concessão.” Quanto ao consumo total bruto, chegou aos 4.002 GW por hora, um aumento de 5,1% face a 2010.

APOSTA EM NOVAS INFRA-ESTRUTURAS

Apesar da redução dos lucros, a CEM investiu o ano passado

mais de MOP 690 milhões, a fim de “melhorar e desenvolver a infra-estrutura local, e de modo a corresponder ao rápido desenvolvimento económico de Macau”. Tais números mostram um “investimento total superior em mais de 44% em relação ao valor do lucro obtido”, revela a empresa. Para este ano, a CEM quer ver terminados dois projectos. A segunda interligação de 220 kV com a Guangdong Power Grid, chamada interligação Lótus, bem como a Subestação de 220 kV, “deverão estar operacionais em meados de 2012”, existindo a intenção de apoiar o novo campus da Universidade de Macau na Ilha da Montanha.


terça-feira 27.3.2012

sociedade

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Lojas que vendem telemóveis não avisam que 2G vai ser eliminado em Macau

Compras sem alertas

Termina no dia 8 de Julho o serviço móvel 2G, que impedirá que equipamentos móveis de segunda geração funcionem no território. O Governo já alertou os comerciantes a avisarem os clientes aquando da compra destes telemóveis, mas a maioria ignora a ordem explicou que, a partir de Julho, este sistema deixará de funcionar e o telemóvel “não pode mais ser usado em Macau, apesar de poder sê-lo fora”. A rede 2G irá ser extinta em Macau, passando apenas a ser possível para serviços de roaming de outras operadoras, destinado para os visitantes de Macau. Na semana passada, Kwan Tsui Hang levantou as questões ao Governo sobre a situação. A deputada queria saber o que vai ser feito além dos alertas. “Se as operadoras não alertarem os clientes, haverá punições?” Cláusulas mais apertadas nos contratos foi algo assegurado pela DSRT, bem como a troca dos aparelhos 2G com custos inferiores. Mas, para já, ainda nada foi implementado, quando faltam cerca de três meses para o fim do 2G no território.

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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A semana passada, o responsável da Direcção dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT) foi bem claro: todas os comerciantes que vendam telemóveis com sistema operativo 2G têm “obrigatoriamente” de informar os clientes de que esse sistema não pode continuar a ser utilizado em Macau, a partir de Julho. Ontem, o Hoje Macau visitou cinco lojas na zona do Leal Senado e, em quatro, os vendedores nada avisaram. A primeira visita foi a um local para compra de um telemóvel da marca Samsung. De imediato, o vendedor da loja apontou para a máquina calculadora em cima do balcão, que marcava 385 “dólares de Hong Kong”, como salientou. Face à pergunta de ser possível utilizar aquele telemóvel em Macau, a resposta do comerciante foi positiva e veio acompanhada de algumas características do equipamento móvel. Mas nada foi dito sobre o sistema operativo do telemóvel, nem que a partir de 8 de Julho não poderia mais ser utilizado no território. Depois de questionado sobre o tipo de sistema que o equipamento tinha – 2G ou 3G -, afirmou que aquele Samsung era 2G e que “deviam comprar um outro, de 3G”. O vendedor da loja na conhecida San Ma Lou tentou vender um outro equipamento, mas em altura nenhuma – pelo menos até à pergunta directa do Hoje Macau -, foi dito que o sistema de segunda geração iria ser eliminado de Macau, tornando o equipamento obsoleto.

COM CONHECIMENTO

Ainda assim, a prática não foi por falta de conhecimento da parte do vendedor. Depois de confrontado com a questão da migração de redes – de 2G para 3G -, e a consequente inutilidade de

POUCAS MEDIDAS?

um telemóvel com sistema de 2G em Macau, admitiu saber da situação. A cena repetiu-se em outras três lojas da zona da Avenida Almeida Ribeiro, com todos os vendedores a deixarem de lado a situação da eliminação do 2G, e alguns insistindo mesmo na venda do aparelho. Desde Nokia a Samsung, e entre as 385 e as 1300 patacas, foram muito os equipamentos 2G mostrados ao Hoje Macau, sendo alguns mesmo negociados, baixando o preço. Mas, em altura alguma, e mesmo depois de ser puxado à conversa o

sistema geracional dos equipamentos, os comerciantes informaram o cliente da eliminação do 2G. Por outro lado, em todas as lojas em que tal situação aconteceu, todos os vendedores mostravam estar informados da migração da rede.

UM CUMPRIDOR

Depois da visita à Fortress do Leal Senado – a última loja visitada -, na qual a informação face ao equipamento 2G foi, de igual forma, escassa, o Hoje Macau deslocou-se à loja da CTM dos Nam Van. Numa volta

pela loja, foi fácil perceber que os equipamentos 2G não estão já sequer em exposição para venda, apesar de continuarem passíveis de ser comprados. Um cartaz e um crachá no equipamento dos funcionários informa os clientes, de imediato, da transição da rede 2G para a de 3G. Mesmo para os mais distraídos, que não vejam as sinalizações, os funcionários são peremptórios. Quando interpelado sobre a venda de um equipamento que não possuía capacidade para 3G, um empregado da operadora

Apesar de ser evidente que a DSRT cumpriu o que disse Tou Veng Keong, director do organismo, na semana passada, as medidas fiscalizadoras não estão claramente a funcionar face aos comerciantes de equipamentos móveis. Se a CTM não só sinaliza a transição de redes, como os próprios funcionários alertam os clientes – deixando a seu cargo a decisão de comprar um telemóvel 2G -, todas as outras lojas de pequena dimensão não o fazem. A DSRT afirmou, na semana passada, ter já iniciado contacto com os vendedores de telemóveis e com as operadoras de telecomunicações para que a transição não sofra complicações. Tou Veng Keong disse mesmo que têm obrigatoriedade de informar os clientes, até porque depois de 8 de Julho os telemóveis de 2G podem continuar a ser vendidos. “Os comerciantes têm obrigatoriamente que dizer que aqueles equipamentos não podem ser utilizados aqui.” Ao contrário do que

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acontece, por exemplo, com a nova Lei do Tabaco – que obrigou à colagem de cartazes com aviso de proibição de fumar -, não foram, para já, colocadas quaisquer insígnias ou alertas sobre a transição de redes. Recorde-se, no entanto, que a decisão de migração do 2G para o 3G foi tomada em 2007. Apesar disso, a DSRT admite pouca divulgação de informações. “As operadoras teriam de divulgar desde 2007, mas tem havido desfasamento na divulgação desta medida.” Ho Ion Sang, deputado, acusou ser tempo insuficiente para mudar, até porque, disse, o anúncio foi feito muito em cima das alterações. “Tanto o sector como a população só tiveram conhecimento desta realidade ultimamente.” Foi este ano, há cerca de dois meses , que a DSRT deu a conhecer através da imprensa que o 2G iria ser excluído das redes do território.

DEPUTADOS CONTRA

Na Assembleia Legislativa, os deputados mostraram-se insatisfeitos com a decisão do Executivo, questionado Tou Veng Keong sobre o empenho do Executivo em mudar do 2G para 3G. Kwan Tsui Hang mostrou mesmo que ainda existem 152 mil utentes da rede 2G em Macau (excluindo os inscritos no plano de rede 3G que não são verdadeiros utentes desse serviço, visto que continuam a utilizar telemóveis 2G). A transição de uma rede para outra vai exigir que os telemóveis 2G sejam substituídos, o que acarreta despesas para os utilizadores. Mas, se considerarmos que as 152 mil pessoas deitarão fora os seus telemóveis quando ficarem obsoletos, também há outro tipo de preocupação: o impacto ambiental. A DSRT assegura que todos os equipamentos serão reciclados, mas Tou Veng Keong deixa outra sugestão: “não precisam de os deitar fora, porque são úteis em sítios fora de Macau”. Segundo Tou Veng Keong, a transição de rede 2G para 3G é uma questão de evolução tecnológica. “Queremos que Macau seja uma cidade em que as operadoras não reduzam o investimento em tecnologias e aceleramos essa substituição para obrigar as operadoras a investir nesta rede, que é mais vantajosa.”


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nacional

“Amigos da Síria” na Turquia O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei, confirmou esta segunda-feira em Pequim que o país recebeu o convite para a Segunda Conferência Internacional “Amigos da Síria”, que será realizada no dia 1 de Abril na Turquia. Porém, face à actual situação, o país asiático ainda não decidiu a sua participação no evento. Hong Lei indicou que as acções da comunidade internacional na questão síria devem ser favoráveis à diminuição da tensão no país, e à manutenção da paz e estabilidade regional do Médio Oriente. Hong Lei ainda acrescentou ainda que a solução do problema da Síria deve passar por todos os envolvidos.

Publicidade e entretenimento na TV após saída de Bo Xilai

“Regresso à normalidade”

“Plena confiança’ em Leung Chun-ying

A China manifestou ontem “plena confiança” no novo chefe do Executivo de Hong Kong, CY Leung, escolhido no domingo por um colégio eleitoral. “Estamos plenamente confiantes no novo governo da Região Administrativa Especial e no futuro de Hong Kong”, diz um comunicado do Gabinete do Conselho de Estado para os Assuntos de Hong Kong e Macau. “Acreditamos que CY Leung unirá pessoas de todos os estratos sociais de Hong Kong para trabalharem juntos por um futuro melhor”, afirma o comunicado. CY Leung obteve 689 votos dos cerca de 1.200 membros do colégio eleitoral de Hong Kong que escolheu o chefe do Executivo para os próximos cinco anos.

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terça-feira 27.3.2012

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Televisão de Chongqing, no sudoeste da China, vai voltar a transmitir telenovelas, anúncios e programas de variedades, afastando-se da “cultura vermelha” imposta pelo anterior líder do Partido Comunista na cidade Bo Xilai, anunciou ontem a imprensa oficial.

“Asituação voltou finalmente à normalidade, a indústria dos ‘media’ deve acompanhar os desenvolvimentos do mercado”, disse um professor de jornalismo, Yu Guoming, citado pelo jornal Global Times. Logo no dia em que o Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) anunciou o afas-

tamento de Bo Xilai, a 15 de Março, a televisão de Chongqing passou o primeiro anúncio em mais de um ano. O pleno regresso ao “antigo formato” ocorrerá a partir da próxima segunda-feira, disse o Global Times, uma publicação em inglês do grupo Diário do Povo, o órgão central do PCC. Situado na confluência de dois grandes rios, Chonqging é o maior município chinês, com mais de 30 milhões de habitantes e com uma área superior à da Bélgica e da Holanda juntas. No início de 2011, a liderança do PCC em Chongqing proibiu a publicidade na televisão local e em vez dos habituais programas de entretenimento, a estação passou a promover a chamada “cultura vermelha”, através da transmissão de antigas canções revolucionárias e filmes de propaganda.

PERDAS DE MILHÕES

Um outro especialista ouvido pelo Global Times elogiou

aquele modelo, considerando-o “uma ousada experiência no campo da diversidade”. “Na China, todas as estações têm o mesmo modelo, com anúncios, séries e programas de entretenimento”, comentou Lu Di, da Universidade de Pequim (Beida). A Televisão de Chongqing perdeu cerca de MOP 370 milhões em receitas publicitárias e, em termos de audiência no país, desceu do 4.º para o 34.º lugar, segundo referiu o jornal Global Times. Bo Xilai foi substituído há mais de dez dias por um vice-primeiro-ministro, Zhang Dejiang, mas até hoje a direcção do PCC não indicou as razões do afastamento, suscitando persistentes rumores acerca da luta interna entre “reformistas” e “esquerdistas”. De acordo com analistas políticos, a queda de Bo Xilai é considerada “um revés para a linha esquerdista”.


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S países que formam o grupo BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – aumentaram a sua participação na ajuda a nações pobres a um ritmo dez vezes superior ao G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) entre 2005 e 2010, e estão a criar novos modelos para a cooperação internacional, segundo dados de um relatório divulgado esta segunda-feira, em Nova Delhi, na Índia. Apesar de os países desenvolvidos ainda serem responsáveis por um volume muito maior em termos de cooperação internacional, o estudo divulgado nas vésperas da Quarta Cimeira dos BRICS (28 e 29 de Março) afirma que o tamanho e a abrangência dos esforços dos BRICS em termos de ajuda externa tem acompanhado o rápido crescimento das suas economias. “Durante a crise financeira, a maior parte dos países BRICS conseguiu manter o seu crescimento económico e aumentar a cooperação internacional, enquanto que alguns doadores tradicionais reduziram ou ficaram no mesmo patamar de gastos em termos de ajuda externa”, disse à BBC Brasil David

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Relatório revela que BRICS criam novo modelo de ajuda a países pobres

Construir o futuro

Gold, director-executivo da Global Health Strategies initiatives (GHSi), organização internacional responsável pelo relatório.

IMPACTO NA SAÚDE GLOBAL

O documento conclui que os BRICS têm vindo a inovar e a utilizar novos

recursos para melhorar a situação da saúde nos países mais pobres do mundo. “Os BRICS estão a estabelecer novos modelos para a cooperação que desafiam a forma como vemos a ajuda externa”, afirmou Gold. “De uma maneira geral, eles não se vêem como doadores tradicionais. Em vez disso,

enfatizam a cooperação Sul-Sul e programas que deixem um legado de qualificação e de transferência de tecnologia, para além de utilizar as lições que retiraram da sua própria experiência em relação à saúde.” Como exemplo, o documento cita a decisão do Brasil – que foi um dos

pioneiros nos tratamentos de HIV – de construir, em Moçambique, uma fábrica de medicamentos anti-retrovirais. Segundo Gold, os fabricantes de vacinas e medicamentos genéricos da Índia também tiveram papel fundamental na redução dos preços que os países mais pobres pagam por estes produtos. “A assistência financeira e os medicamentos da China fizeram uma enorme diferença em termos de controlo da malária em África, enquanto a Rússia foi um dos doadores iniciais do programa da Aliança GAVI (entidade internacional dedicada à imunização), que visa fornecer vacinas pneumocócicas a preços reduzidos para países em desenvolvimento. A África do Sul, que tem uma das taxas mundiais mais altas de tuberculose resistente a antibióticos, está a ser pioneira na introdução de um novo tipo de diagnóstico molecular da doença.” O relatório estima que os gastos do Brasil com ajuda externa tenham ficado entre as cerca de MOP 3 mil milhões e as cerca de MOP 8 mil milhões em 2010 (já que o país não divulga números anuais). A Rússia teria desembolsado cerca de MOP 4

China exige maior influência dos países emergentes

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Desafio ao monopólio dos EUA

China exigiu ontem que a “voz dos países em vias de desenvolvimento” seja ouvida na escolha do novo presidente do Banco Mundial (BM), quando crescem os apelos para o fim do domínio norte-americano na instituição. No mês passado, o actual presidente do BM, Robert Zoellick, anunciou a saída da instituição quando terminar o mandato de cinco anos, a 30 de Junho. Na corrida à liderança estão três candidatos, incluindo dois não americanos, no que é o primeiro desafio ao monopólio americano na presidência do banco. “O líder do BM e de outras instituições financeiras devia ser seleccionado com base nos princípios da justiça, abertura e transparência”, disse, em comunicado, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hong Lei.

“A voz dos países em vias de desenvolvimento devia ser ouvida, para assegurar a representatividade desses países em vias de desenvolvimento no BM e em outras instituições

financeiras internacionais.” O conselho de administração do BM vai entrevistar, nas próximas semanas, os três candidatos, e deverá escolher, “por consenso”, o novo presidente

no próximo mês. Os Estados Unidos detêm a maioria dos votos na instituição.

CANDIDATURAS

Os candidatos são Jim Yong Kim, dos Estados Unidos, actual presidente da Universidade de Dartmouth, o colombiano Jose Antonio Ocampo, professor na universidade de Columbia (EUA), e o ministro das Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala. Graças a um acordo tácito, na altura da criação do BM e do Fundo Monetário Internacional (FMI), há quase 70 anos, os 11 presidentes do banco sempre foram norte-americanos e os do fundo sempre foram europeus. Cada vez mais economias emergentes e organizações não-governamentais estão a fazer pressão para que este pacto acabe, e as escolhas passem a reflectir as relações de poder actuais na economia global.

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mil milhões no mesmo ano, enquanto que a Índia teria gasto cerca de MOP 5 mil milhões, a China cerca de MOP 31 mil milhões, e a África do Sul perto de MOP 2 mil milhões.

RECURSOS E INOVAÇÃO

Apesar de reconhecer que os BRICS ainda enfrentam os seus próprios desafios em relação aos seus sistemas de saúde, o documento afirma que as cinco nações tiveram avanços recentes e implementaram programas inovadores na área. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul também já estão a coordenar esforços em sectores como a agricultura, a ciência e tecnologia, além de investirem fortemente em pesquisa e desenvolvimento, o que poderia, segundo Gold, ter um impacto directo em países pobres. Um dos temas em discussão na Quarta Cimeira dos BRICS desta semana é a proposta indiana de se criar um Banco de Desenvolvimento do grupo, dedicado a investir em projectos de infra-estrutura e desenvolvimento em nações pobres. “A longo prazo, os BRICS representam uma potencial fonte de novos recursos e inovação para o desenvolvimento e a saúde globais.”

Coca-Cola investe 31 mil milhões A Coca-Cola vai investir mais de MOP 31 mil milhões de dólares na China nos próximos três anos e até 2020 aquele país deverá tornar-se o seu maior mercado, disse a imprensa oficial chinesa no fim-de-semana. “Se mantivermos o actual ritmo de crescimento, antes de 2020 a China irá tornar-se o maior mercado global da Coca-Cola”, afirmou um executivo da multinacional norteamericana citado pelo jornal China Daily. “Vai acontecer, a questão é saber quando.” A CocaCola já tem 41 fábricas na China, que empregam no conjunto mais de 48 mil pessoas. Mas o consumo ‘per capita’ - num país com cerca de 1.340 milhões de habitantes - “está ainda abaixo de outros países”, realçou o executivo da Coca-Cola.


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Lançamento de foguete norte-coreano marca Cimeira de Segurança Nuclear

S líderes de mais de 50 países e organizações internacionais, que estão em Seul para participar na Cimeira de Segurança Nuclear, deram início a uma série de contactos bilaterais, antes do arranque do encontro, que pretende entre outras matérias prevenir o terrorismo nuclear. A cimeira, que decorre segunda e terça, conta com a presença de 57 líderes mundiais e visa alcançar compromissos de cooperação em matéria atómica. Um dos primeiros responsáveis a chegar à capital da Coreia do Sul foi o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, promotor da primeira cimeira nuclear, que decorreu em 2010 em Washington e em que participaram meia centena de países. Obama deslocou-se à zona desmilitarizada que separa as duas Coreias, para saudar as tropas norte-americanas destacadas naquela região, no meio da tensão suscitada pela intenção norte-coreana de lançar em Abril um satélite de observação. Um plano que vários países interpretam como um teste encoberto de um míssil de largo alcance. Numa conferência de imprensa com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, com quem manteve uma reunião bilateral em Seul, Obama lançou uma dura advertência a Pyongyang para que abandone a sua ameaça.

Passar do diálogo à acção

grama nuclear do Irão, país que também não participa no encontro.

BRASIL ENTRE GRANDES

A preocupação com o anúncio do lançamento do satélite norte coreano em Abril, feito depois de Pyongyang se ter comprometido com uma moratória nuclear e balística, dominou também boa parte dos encontros bilaterais que Lee Myung-bak manteve este domingo com diversos dirigentes políticos.

HU JINTAO PRESENTE

Também o presidente chinês, Hu Jintao, já se encontra em Seul, onde irá manter encontros com Obama e com o líder sul-coreano.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou “uma provocação” o plano do regime liderado pelo jovem Kim Jong-un, filho do falecido Kim Jong-il. A Coreia do Norte recusou assistir à cimeira que é promovida pelo seu país vizinho e rival, mas estarão presentes os restantes

países que participam no diálogo para a desnuclearização de Pyongyang – Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, China e Rússia. As discussões estão suspensas e as possibilidades de serem retomadas parecem agora mais remotas. Da cimeira de Seul espera-se também que seja abordado o pro-

O Brasil é o único país lusófono a marcar presença no encontro, sendo representado pelo vice-presidente, Michel Temer. Também participarão representantes da ONU, da Interpol e da Agência Internacional de Energia Atómica. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Catherine Ashton, incluem-se na lista de participantes. A cimeira pretende promover a cooperação para reforçar a segurança do material nuclear e evitar que caia nas mãos de grupos hostis, mas a recente crise da central atómica de Fukushima levantou também o problema da salvaguarda das centrais nucleares civis. Fontes diplomáticas indicaram que a expectativa é de que a cimeira funcione como ponto de partida para transformar em acções concretas a vontade política demonstrada em Washington em 2010. Na altura, os 47 países participantes concordaram que o terrorismo nuclear é um dos grandes desafios nucleares e que a protecção do material atómico é a forma de prevenção mais eficaz.

Do Irão ao foguete de Pyongyang, as marcas do discurso de Obama

Avisos norte-americanos em Seul B

ARACK Obama, alertou ontem que o terrorismo nuclear continua a ser uma das principais ameaças globais, apelando à necessidade de se proteger os arsenais atómicos do mundo, e enviou ainda mensagens para Pyongyang e Teerão. Num discurso na Universidade de Hankuk, em Seul, horas antes de arrancar a cimeira sobre segurança nuclear, Obama constatou que nos últimos dois anos foram alcançados grandes progressos para dificultar o acesso de terroristas a material para fabrico de armas atómicas. “Mas não temos ilusões. Sabemos que o material nuclear – suficiente para muitas armas – ainda está

a ser armazenado sem protecção adequada. Sabemos que os terroristas e os grupos criminosos estão a tentar consegui-los, assim como material radioactivo para uma bomba (...), o perigo de terrorismo nuclear continua a ser uma das principais ameaças para a segurança global.” Neste contexto, o responsável apelou aos líderes das 53 nações, reunidas em Seul para a cimeira de dois dias, a “tomarem acções concretas para garantir a segurança dos materiais nucleares”. Barack Obama também afirmou que os Estados Unidos têm mais armas nucleares do que o necessário, mas que a segurança continua a ser possível

mesmo com novas reduções.

POUCA PACIÊNCIA

Apontando o dedo a Teerão, Obama alertou o Irão que o “tempo está a esgotar-se” para uma solução diplomática, exortando aquele país a resolver a disputa relativa ao seu programa nuclear. “O Irão deve actuar com a seriedade e o sentido de urgência que este momento exige” e cumprir as suas obrigações internacionais, declarou o presidente norte-americano. Sobre a Coreia do Norte, disse que os Estados Unidos “não têm intenções hostis”, mas alertou que o regime comunista deverá abandonar o seu programa nuclear. “Quero dirigir-me directamente aos dirigentes

de Pyongyang. Os Estados Unidos não têm intenções hostis em relação ao vosso país. Queremos a paz.” O presidente dos EUA fez referência ao plano norte-coreano de lançamento de um satélite de observação em Abril, garantindo que “não haverá recompensas para provocações, esses dias acabaram”. “Hoje dizemos: Pyongyang, tem a coragem de perseguir a paz e de dar uma vida melhor ao povo da Coreia do Norte”, apelou Obama, considerando que se aquele regime continuar no mesmo caminho vai “destruir mais sonhos” e “isolar-se mais”.

À PROCURA DE CONSENSO

Já num encontro com o presidente russo Medve-

dev, ambos os dirigentes reconheceram diferenças nas relações bilaterais, mas destacaram haver tempo pela frente para encontrar soluções. Em declarações à imprensa após o encontro, o presidente norte-americano indicou que os dois países têm ainda “trabalho a fazer” para resolver as suas diferenças. Por outro lado, Obama salientou que entre as questões sobre as quais EUA e Rússia estão de acordo está a necessidade de apoiar a proposta do enviado especial da ONU e Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, para por fim à violência e estabelecer um Governo “legítimo” naquele país árabe. Por sua vez o presidente russo declarou que, apesar de persistirem diferenças no que respeita à defesa anti-mísseis, os EUA e a Rússia têm tempo para encontrarem uma solução.


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região

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director do Instituto de Estudos Internacionais da China, Qu Xing, afirmou recentemente à Rádio Internacional da China que o mundo enfrenta grandes desafios e a segurança nuclear precisa de uma coordenação global para que se possam impedir as ameaças de terrorismo nuclear. O conceito de segurança nuclear está ligado à tomada de medidas para proteger a segurança de instalações e materiais nucleares e para impedir que terroristas e outros actores não estatais obtenham materiais atómicos ou radioactivos destinados a actividades terroristas. “O sector da energia nuclear (e as suas infra-estruturas) desenvolveram-se significativamente nos últimos anos”, afirmou Qu Xing ao falar sobre o objectivo desta cimeira. “Um crescente número de países adquiriu capacidade de gerar electricidade através da energia nuclear. A electricidade nuclear

A necessidade de coordenação global para prevenir terrorismo nuclear

“Guerras, pobreza e ódio são a raiz do terrorismo” está a passar por um processo de expansão. Por outro lado, alguns conflitos têm vindo a ganhar destaque no planeta. Os problemas da violência e da fome provocaram tensões que podem resultar na intensificação dos ataques terroristas. Este facto cria novos desafios na garantia da segurança das instalações, transporte, armazenamento e tratamento de materiais nucleares. É este o contexto da 2ª Cimeira global, depois do primeiro en-

contro realizado em Washington, em 2010.”

ATENTO AO PERIGOS

A exploração e o aproveitamento da energia nuclear foram um dos êxitos científicos mais notáveis no século XX. A partir do século XXI, a procura por energia nuclear aumentou em reposta às mudanças climáticas e devido à garantia de segurança energética. Os laços entre a energia nuclear e o desenvolvimento económico dos países

tem vindo a estreitar-se. No ano passado, cerca de 60 países submeteram pedidos de autorização de estabelecimento de novas centrais nucleares à Agência Internacional de Energia Atómica. Existem, no entanto, capacidades diferenciadas para garantir a segurança nuclear. Qu Xing salientou que qualquer desastre nuclear não se limita a um país só, sendo por isso muito importante a administração coordenada a nível global. “Perante uma situação de desas-

Hu Jintao promete tentar dissuadir Pyongyang do lançamento de foguete

Impacto negativo

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China informou esta segunda-feira que tentará dissuadir a Coreia o Norte do seu plano de lançar em Abril um satélite com um foguete de longo alcance e mostrou a sua preocupação com o impacto que esta acção pode ter na estabilidade da região, informou uma fonte oficial sul-coreana. O compromisso foi assumido durante o encontro bilateral mantido entre o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, e o presidente chinês, Hu Jintao, antes do início da 2ª Cimeira

de Segurança Nuclear em Seul. Hu Jintao acrescentou que Pequim já expressou a sua preocupação a Pyongyang pelo lançamento, que segundo o regime norte-coreano tem fins científicos, embora muitos países o considerem um teste encoberto com vista ao desenvolvimento de mísseis de longo alcance. Embora a questão norte-coreana não faça parte da agenda da cimeira de Seul, tem sido amplamente abordada em encontros bilaterais à margem da reunião.

No encontro bilateral entre Lee e Hu, os líderes concordaram que o lançamento do satélite pode ter um impacto adverso na estabilidade da Península Coreana e nos esforços para retomar as conversas a seis para a desnuclearização de Pyongyang.

REUNIÃO ESSENCIAL

Mais tarde, num encontro bilateral, com Barack Obama Hu Jintao reafirmou a sua preocupação com esta questão, disse um responsável norte-americano. O Presidente chinês

expressou “grande preocupação” com o lançamento do foguete que a Coreia do Norte planeia realizar em breve, durante um encontro com o chefe de Estado norte-americano, Barack Obama, afirmou o responsável americano. “Os dois líderes concordaram iniciar uma coordenação próxima em resposta a esta potencial provocação e, se necessário, pensar quais são os passos a dar depois do possível lançamento balístico”, disse à imprensa Ben Rhodes, conselheiro-adjunto para

a segurança do Presidente norte-americano Segundo Rhodes, a questão da Coreia do Norte foi um dos tópicos principais que os dois presidentes debateram no encontro bilateral à margem da conferência sobre segurança nuclear. “Dada a relação da China como a Coreia do Norte, a influência que tem na Coreia do Norte, o Presidente sentiu que seria muito importante para todos trabalharmos em conjunto com a China, e que a China transmita uma mensagem forte à Coreia do Norte.”

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tre, as consequências são sentidas a nível transfronteiriço. É preciso uma administração coordenada mundialmente. A comunidade internacional deve reforçar cooperações no aperfeiçoamento de leis e regulamentos, intercâmbio de informações e partilha de conhecimentos científicos, tecnologia e condições de protecção de segurança.” Qu Xing assinalou ainda que a garantia da segurança nuclear requer por um lado uma resposta às situações de risco, e por outro, um esforço para que tais situações não se verifiquem. “São indispensáveis o reforço da segurança no funcionamento de instalações, logística e tratamento de matérias nucleares. Também deve ser fomentada a elaboração de leis e regulamentos e o intercâmbio de experiências. Além disso, a comunidade internacional deve trabalhar para criar uma ordem justa e racional com o objectivo de reduzir conflitos, guerras, pobreza e ódio, factores que são a raiz do terrorismo.”

Seul faz ameaças

A Coreia do Sul destruirá o foguete norte-coreano se este se desviar da rota prevista para atingir o território sul-coreano, informou ontem o Ministério da Defesa de Seul. “Estamos a preparar os meios de acompanhamento da trajectória do míssil, que abateremos no caso de este ser desviado da rota prevista para cair no nosso território”, declarou um portavoz daquele Ministério. Entretanto, o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Hwang-sik, pediu também ontem a Pyongyang para cancelar o lançamento. “Exorto a Coreia do Norte a retirar o mais depressa possível o plano de lançamento e a responder às suas obrigações internacionais”, afirmou o governante na cerimónia para assinalar o segundo ano sobre o naufrágio da corveta “Cheonan”, em 2010, que causou a morte a 46 soldados sul-coreanos e cuja responsabilidade é atribuída por Seul a Pyongyang.


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especial hong kong

A conturbada tomada de poder em Hong Kong

A histeria CY Leung

terça-feira

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NQUANTO a poeira ainda assentava sobre a imprevista corrida para chefe do executivo, os cibernautas em Hong Kong começavam a entrar em histeria com o totalitarismo. Pouco antes de Leung Chun-ying ser coroado novo chefe do executivo por 1193 membros da elite política, o líder do Partido Trabalhista, Lee Cheuk-yan, era atacado com gás pimenta pela polícia em frente ao local da contagem dos votos, onde se encontrava uma multidão indignada que protestava contra os resultados. “O governo de Leung representa o princípio do terror branco”, declarou à imprensa o líder trabalhista de olhos vermelhos. “Vamos preparar-nos para combater e resistir ao lobo.” Três horas depois, o blogger Lam Kei (http://plastichk. blogspot.com/) foi notificado pelo Facebook para retirar uma foto que tinha acabado de descarregar, por esta violar os termos de utilização da rede social. Uma das razões apontadas: “contém ameaças credíveis para causar danos a outros, apoia organizações violentas ou conteúdo gráfico”. Na verdade tratava-se de uma fotografia esbatida da vista icónica de Hong Kong - uma metáfora sobre

o panorama sombrio de Hong Kong sob o regime de Leung. Lam acreditava que as contas do Facebook serviam para denunciar queixas. “Se o Facebook pode ser manipulado desta maneira, imaginem o que poderá acontecer quando ele tomar o lugar”, escreveu o blogger. O medo do “terror branco” foi tão longe que Leung já entrou no “passeio da fama” ao lado de Adolf Hitler, Kim Il Sung e Mao Tsé Tung numa fotomontagem. Para ser justo, é pior ainda - os três líderes totalitários eram mais populares que o próximo chefe do executivo. As últimas sondagens mostravam que se houvesse sufrágio universal, CY Leung teria menos de 40% dos votos.

LEALDADE NO TOPO

Um facto inquestionável: CY Leung foi totalmente leal ao regime Comunista. Começou por dar voluntariamente pales-

Tal como as qualidades o levaram a entrar no palco principal, também as deficiências que o afastaram da classe dominante estão prestes a bater-lhe à porta

tras sobre planeamento urbano e política de terras por toda a nação-mãe, pouco depois da Revolução Cultural. Diz-se que o círculo político em 1985 terá ficado espantado com a sua nomeação como secretário-geral dum comité consultivo para redigir o esboço da mini-constituição de Hong Kong. Tinha apenas 34 anos. Leung talvez tenha perdido alguns pontos quando assinou uma petição que condenava o massacre de Tiananmen em 1989, mas terá sido perdoado quando defendeu abertamente a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Deng Xiaoping em 2010. A sua rápida ascensão no caminho para o poder terá atingido um dos pontos mais altos quando foi nomeado, em 1999, para um lugar de destaque do Conselho Executivo, o principal órgão de referência do governo. Permaneceu nesse lugar até Outubro passado, quando se demitiu para entrar na campanha eleitoral.

REVELAÇÕES

Um dos pecados de Leung citado pelas elites políticas e pelos ricos e poderosos é o de ter aparecido para “purificar” depois de andar três décadas na arena pública. O colunista Tony Tsoi disse que a aproximação de Leung “nunca foi recebida pelas elites locais” e provocou arrepios na classe dominante.

Não admira que o seu rival Henry Tang Ying-yen aparecesse desesperado por mostrar um lado menos conhecido do “lobo” num debate televisivo. Alegadamente, Leung terá pedido para reduzir a licença


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de uma rádio, atacando-a assim sem rodeios. O golpe fatal veio duma reunião do conselho do executivo sobre o projecto de lei de segurança nacional, em que Leung foi citado a dizer “teremos de mandar a polícia

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lançar gás lacrimogéneo para acabar com os distúrbios”. A revelação foi feita para destruir a popularidade de Leung. Também outros revelaram os seus encontros com o futuro líder. O editor de mexericos

do tablóide Apple Daily recebeu um dia um telefonema de Leung furioso por ter sido descoberto a passar à frente das filas na imigração. Foi ainda acusado por pessoal da Cidade Universitária de

estar a alimentar uma cultura corporativista hostil a outros pontos de vista.

NEM PENSAR

Leung negou sempre tudo. Enquanto que a sua argumen-

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tação para negar um escândalo relativo a uma competição de design (terá exercido influência) tem, até ver, funcionado, a negação absoluta da citação sobre o envio da polícia para acabar com os distúrbios não convenceu metade dos que responderam à sondagem pública. A magia de uma campanha fenomenal, sem precedente, começou a esvair-se ainda antes do seu final neste domingo. CY Leung chegou a convencer mais de metade da população a apoiar os seus projectos, forçou a sua entrada em palco, limpou habilmente as manchas do seu passado e abriu o armário dos rivais expondo factos que não faziam parte do guião de Pequim. O espectáculo foi avançando e Leung agarrou um final feliz. Mas tal como as qualidades o levaram a entrar no palco principal, também as deficiências que o afastaram da classe dominante estão prestes a bater-lhe à porta. A comunicação interpessoal do futuro líder de Hong Kong, após duas conferências de imprensa, é frustrante. As palavras são calorosas, mas a substância é gelada. As tentativas de aprofundar os assuntos esbarram em respostas esfarrapadas. As conversas à volta dos assuntos mais escaldantes, como por vezes acontece, tornam-se num

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desfile exaustivo dos seus triunfos nos últimos 30 anos.

POSTURA DÁ PISTAS?

A sua atitude após a vitória será provavelmente um bom indicador. No domingo lembrou o povo de Hong Kong do seu dever constitucional de aprovar a lei de segurança nacional. Na segunda-feira esteve mais de uma hora no gabinete de ligação, depois de visitar o gabinete de Donald Tsang pela manhã. Os encontros com o poder legislativo e judicial foram marcados depois disso. “Está a agradecer ao gabinete de ligação por o ter ajudado a ganhar?”, gritou um repórter enquanto o chefe do executivo eleito passava pelos media. “Está a evitar os jornalistas porque já ganhou?” Ele é Leung Chun-ying. Daqui a três meses, o homem de 57 anos, pai de dois filhos, vai encontrar um sistema devastado por uma batalha impiedosa que ele próprio iniciou. Ao assumir o cargo com uma popularidade abaixo dos 40%, irá ser questionado e desafiado pelas massas, profundamente cépticas acerca da alma que se esconde dentro do homem protegido por um cofre de cimento. Quais são os seus verdadeiros interesses? O tempo o dirá.


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vida

Aspirina reduz risco de cancro

A aspirina é melhor do que se pensava. Estudos publicados no The Lancet concluem que uma pequena dose diária de aspirina durante apenas três anos pode ajudar e reduzir em um quarto o risco de cancro e mesmo travar o seu desenvolvimento e processo de metastização. Já anteriormente se provara o potencial da aspirina na prevenção do cancro mas focavam-se numa toma diária durante dez anos. Os especialistas levantaram dúvidas sobre os potenciais efeitos secundários, nomeadamente problemas de hemorragias no estômago. Os novos estudos agora publicados, por investigadores do Reino Unido (Universidade de Oxford e do Hospital John Radcliffe), focam-se em apenas três anos de toma diária e reforçam os benefícios da aspirina na luta contra o cancro. Os resultados de um dos artigos publicados mostram que uma toma diária de baixas doses de aspirina durante três anos pode levar a uma redução do risco de cancro de 23 por cento nos homens e 25 por cento nas mulheres. Por outro lado, concluíram ainda os investigadores, o risco de morrer de cancro diminui 15% (e em 37 % para os que prolongam esta toma durante mais de cinco anos). Os dados foram obtidos com a análise de 51 ensaios que testaram os efeitos de doses baixas de aspirina em pessoas com problemas cardiovasculares.

terça-feira 27.3.2012

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Macau é base para Fórum Internacional de Energia Limpa

Cidade modelo e plataforma

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ORNAR Macau uma cidade modelo no que toca à protecção ambiental não é uma ideia nova, mas pode ser mais realizável agora. O Fórum Internacional para Energia Limpa (IFCE, na sigla inglesa) promete trazer mais do que discussão em torno do tema da poluição. Macau foi o local escolhido para receber o Fórum, não só pela comodidade em implementar no território sistemas concretos de energia limpa, mas também pelo lado mais político. “Esta é a cidade ideal para implementar veículos eléctricos”,

explicou Fok Kai Cheong, vice-reitor da Universidade Millenium, uma das colaboradoras do IFCE. “Até porque, por ser pequena, quem utiliza veículos eléctricos não tem de se preocupar pela baixa duração das baterias relativamente aos quilómetros. Pode ser mesmo uma cidade modelo para a implementação deste tipo de energia limpa.” Já a decisão do Governo Central em permitir que o Fórum se realize no próximo dia 28 no Hotel Sofitel está relacionada com o papel de Macau como plataforma para os países lusófonos. “Macau é uma ponte natural para os países lusófonos e a China tem investido em energia limpa, frisou Am-

brose So, director-executivo da Sociedade de Jogos de Macau, também membro organizador do evento e um dos fundadores da Faculdade Millenium. “A China Three Gorges investiu na EDP e está em conversações para investir em Espanha, no Brasil, Itália.” Para ele, a importância do evento não se resigna ao território. “É importante para o mundo. Hoje em dia, todo o mundo está a caminhar em direcção à utilização de energia limpa e da protecção ambiental.” Presente na apresentação do Fórum esteve Yuan Guo Lin, Ministro dos Recursos Hídricos da China e ex-consultor da China Three Gorges, que salientou a liderança de Portugal na utilização de energia limpa e a consequente ajuda que o país poderá dar na implementação deste tipo de sistemas.

Abril de 2010, em conjunto com países que estiveram no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF) e que consideram necessário coordenar esforços para limpar o mundo, explicou Ambrose So. Apesar de ser um Fó-

IDEIAS EM REALIDADE

“Não é puramente conversa vã”, referiu Fok Kai Cheong. “Mas vamos discutir como podemos implementar estes sistemas de energia limpa para que o mundo possa realmente utilizá-los.” A Universidade Millenium é uma das colaboradoras do IFCE, estabelecido em

Indústrias de protecção ambiental valorizadas

Consideração financeira O

Click ecológico DIA DA ÁGUA • Activistas da organização ecologista Greenpeace protestaram na quinta-feira no rio Santiago, perto de Juanacatlan, no México, contra a poluição por químicos tóxicos lançados por várias fábricas naquela região. Foto: Alejandro Acosta/Reuters

rum Internacional, por uma questão de logística são especialistas e académicos da China que completam quase o total do painel de convidados. Vão ser apresentadas as mais actualizadas técnicas de energia limpa, mas, mais do que isso, como podem esse tipo de produtos ser implementados na realidade quotidiana das sociedades. Fok Kai Cheong explica que o mais importante virá depois do Fórum, cuja presença em Macau será anual e com a participação de vários países.

Ministério do Comércio da China está a considerar a criação de um fundo especial para promover a internacionalização da indústria de protecção ambiental, de acordo com uma fonte citada pelo China Securities Journal. A Câmara do Comércio do Ambiente da China, uma organização sem fins lucrativos dirigida pela Federação de Indústria e Comércio All-China, sugere numa proposta que a China deve dar apoio às empresas de protecção ambiental por meio de subvenção de capital, formação profissional e construção da plataforma de serviço público, numa tentativa de ajudá-los a tornarem-se globais. Os observadores da indústria dizem que o financiamento poderá apoiar o desenvolvimento internacional de toda a cadeia

da indústria de meio ambiente, alcançando uma actualização do padrão de produto de exportação anterior.

MILHARES DE EMPRESAS

A China tem cerca de 50 mil empresas de protecção ambiental actualmente, criando cerca de mais de MOP 10 mil milhões do valor de saída a cada ano. Os anos de actuação em áreas como tratamento de esgotos, utilização de água reciclada, dessalinização da água do mar, tratamento de lamas, incineração de resíduos e dessulfurização e desnitificação de gases de combustão terá estabelecido uma base sólida para os fabricantes de produtos ambientais, bem como para os criadores de projectos para poderem avançar e competir no mercado internacional, dizem os observadores.


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vida

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Reservatórios subterrâneos são solução para diminuir o efeito de estufa

Armazenar 100 anos de emissões de CO2

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diminuição das emissões de CO2 pode passar pelo armazenamento deste gás no subsolo, em reservatórios de água salgada. Os Estados Unidos têm a capacidade para armazenar o dióxido de carbono que vai ser emitido a mais durante os próximos 100 anos devido ao aumento da queima de carvão e gás natural - e manter o nível das emissões do gás na atmosfera iguais às de hoje A revista Proceedings of the National Academy of Science avança que Ruben Juanes, do Massachussets Institute of Technology, em Cambridge, nos EUA, e os colegas que foram autores do artigo publicado nesta segunda-

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M Pingwu, na província de Sichuan - um dos últimos e mais importantes habitats do panda gigante está a ser lançada a primeira Reserva Land Trust. A reserva é um método de vanguarda da conservação de terra para a China, e vai ser o maior exemplo desta nova estratégia, num país onde a protecção dos recursos naturais é de importância global. A Reserva de Land Trust, em Pingwu, irá fazer a ligação de várias reservas naturais existentes criando condições para impedir a entrada de caçadores. Também irá providenciar um refúgio crucial para um número de espécies importantes, incluindo os pandas gigantes, e vai ajudar a criar novas oportunidades de sustento para as populações locais. Mas, acima de tudo, vai servir de protótipo inovador para a protecção de terras. Ao todo, a China criou mais de 2.500 reservas naturais, todas protegidas por lei. Mas muitas dessas reservas são “parques de papel”, onde quase não existe a aplicação de leis de base, e onde há falta de planeamento e de gestão adequada. As mudanças reguladoras, que ocorreram nos últimos cinco anos, abriram lugar à sociedade civil e ao empenho das Organizações Não-Governamentais, com espírito de conservação e de ajuda no avanço da defesa ambiental na China. Através de uma varieda-

-feira partem do princípio que a passagem dos combustíveis fósseis para os combustíveis verdes será gradual nos EUA. Em particular, a utilização de carvão para a produção de electricidade, responsável por 40% do CO2 emitido a nível mundial, é demasiado barata para que seja abandonada nas próximas décadas. Uma alternativa para mitigar o aumento das emissões de CO2 é armazenar este gás – um dos principais que provocam o efeito de estufa – em aquíferos salinos, ou seja, em reservatórios subterrâneos de água carregados de sal. Já se sabe que estes aquíferos têm uma boa capacidade para guardar o CO2, mas os números actuais

sobre a capacidade de armazenamento destes aquíferos nos EUA vão desde cinco anos de emissões até vários milhares de anos. A nova investigação teve em conta a reacção das partículas, a possibilidade do gás provocar pressões debaixo da terra que causem falhas sísmicas na crosta ou que permitam a libertação do CO2 de volta para a superfície.

PONTE DE SALVAÇÃO

“Começámos por uma série de equações complicadas para a circulação dos fluidos, e depois simplificámos [o mecanismo]”, disse Christopher MacMinn, outro autor do estudo, num comunicado. Quando o CO2 entra em contacto

com a água salgada, dissolve-se, tornando o fluido mais denso, o qual se afunda nestas cavidades subterrâneas. “Assim que o CO2 é dissolvido, ganha-se o jogo”, simplificou Juanes. Este líquido mais denso dificilmente volta a escapar para a superfície. Os cientistas aplicaram estas equações a 11 aquíferos nos EUA. Uma outra variável que foi tida em conta no estudo foi a velocidade com que se injecta o CO2. A dissolução do gás na água é lenta, e um fluxo excessivo pode aumentar a pressão nos aquíferos, pondo em perigo a sua utilização. Os Estados Unidos já têm uma longa experiência em injectar CO2 debaixo de terra para ren-

tabilizar o processo de extracção em explorações petrolíferas. Mas o armazenamento do CO2 em aquíferos salinos não é tão bem visto já que vai aumentar o custo dos combustíveis fósseis. Apesar de este factor não ser discutido no artigo, há especialistas que defendem a necessidade de implementar uma taxa para as emissões de carbono para tornar esta alternativa rentável. “Acho realmente que a captura e o armazenamento de carbono têm um papel a desempenhar”, afirma Juanes. “Não é a salvação, é uma ponte, mas pode ser essencial porque aborda de facto [o problema] das emissões derivadas do consumo de carvão e gás natural.”

Reserva Land Trust, em Sichuan, protege espécies e população local

Projecto pioneiro de conservação

irá conter também as fontes de duas correntes, que serão protegidas a partir do desenvolvimento da hidráulica que bloqueou outros rios de Sichuan. A reserva Land Trust tem potencial para ser um modelo poderoso por toda a China. Em Pingwu, já se mostra apta a proteger alguns dos maiores bens naturais de Sichuan.

SERÃO HERBÍVOROS?

de de ofertas, a Conservancy e o governo estão a trabalhar juntos para determinar mais de 27.000 hectares em Pingwu como área protegida.

MODELO DE RESERVA

Esta Reserva Land Trust será à partida a primeira de muitas. E pode ser um modelo replicável na expansão da conservação em toda a China, sendo a ferramenta ideal para a criação de novas reservas totalmente financiadas, bem planeadas e com pessoal qualificado. A reserva também será uma ferramenta crucial para ajudar a população

local a encontrar formas auto-sustentáveis. A sul da reserva encontram-se duas comunidades que, colectivamente, são o lar de alguns milhares de pessoas. Este novo projecto vai proteger a floresta vítima de “logging” - processo de indústrias de abate, corte e transporte de troncos, responsável pela desflorestação -, a terra colectiva da comunidade e a “floresta ecológica” - uma classificação chinesa para terra onde não pode ocorrer “logging”. A Conservancy espera ainda alargar horizontes económicos de comunidades

locais, planeando também novas opções de subsistência, como programas de microcréditos e empregos ligados ao eco-turismo. Além disso, a reserva irá reduzir a ameaça da caça furtiva, que é talvez a maior ameaça ecológica na região. Ao colocar terra da reserva fora dos limites, podemos reprimir caçadores que entram na reserva adjacente de Tangjiahe, um santuário de renome mundial para pandas.

REFÚGIO DE ESPÉCIES

Os cientistas estimam que a reserva em si tem uma

população de 10 a 20 pandas gigantes, uma espécie em extinção que é quase inteiramente limitada em Sichuan. No final de 2011, foi feito um recenseamento do governo de modo a fornecer informações mais completas sobre os pandas no distrito e fornecer um número mais preciso para a população da reserva. Também abrigada por esta reserva estão os macacos dourados, a cabra antílope, encontrada no leste da Ásia, os ursos pretos asiáticos, veados, porcos-espinhos e muitas espécies de aves. A reserva

*NOTA DA REDACÇÃO A partir do mês de Abril, o Hoje Macau vai substituir a rubrica “Click Ecológico” por outra, intitulada “Macau sã assado”. O desafio serve para mostrar diversos aspectos do quotidiano caricato do território. Os nossos leitores ficam assim convidados a enviar fotos para o e-mail info@hojemacau.com.mo, em assunto “Macau sã assado” e uma breve legenda. As fotos devem retratar os momentos mais engraçados e insólitos do dia-a-dia de Macau e deverão ser identificadas com o nome do seu autor.

Novas descobertas de cientistas da Conservancy, um programa apoiado pelo Ministério de Protecção Ambiental chinês, sugerem que os pandas afinal podem não ser apenas herbívoros, como sempre se pensou. As câmaras de movimento por sensor estacionadas na Reserva da Motionling Land Trust, no norte de Sichuan, capturaram imagens de um panda gigante a comer a carcaça de uma cabra, antílope dos Himalaias. Estas imagens fornecem a confirmação visual de que pelo menos ocasionalmente os pandas comem carne, além da dose habitual de folhas de bambu.


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cultura

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E se os seus filhos fossem – literalmente - despejados numa floresta, depois de serem treinados para matar? Arrepiante, não é? Este é o cenário de The Hunger Games, filme que está a bater recordes de bilheteira

U

M cenário pós-apocalíptico com efeitos futuristas serve de pano de fundo para a história de Katniss, Primrose e Gale, três jovens que enfrentam, com muitos outros, a possibilidade de serem os protagonistas dos Hunger Games. Panem é uma região que renasceu das cinzas da guerra e tomou o lugar daquilo que foi, um dia, a América do Norte. Tentou, em vão, revoltar-se contra o Capitólio, detentor do poder sobre os habitantes e o dinheiro. Para mostrar quem manda nos 12 distritos da região, e para evitar que fosse novamente seguido o caminho da rebelião, o Capitólio instaurou os Hunger Games. Numa espécie de entretenimento macabro anual, seguido pela televisão em directo, cada um dos 12 distritos deve escolher, por sorteio, uma rapariga e um rapaz – entre os 12 e os 18 anos – para serem os protagonistas numa feroz competição, onde 24 concorrentes lutam entre si, até que apenas um se mantenha de pé. E vivo. Numa taça, o papel com o nome de Primrose é o destinado a ser retirado. Mas Katniss intercede pela irmã de apenas 12 anos e oferece-se para tomar o seu lugar na luta pela sobrevivência. É aqui que os jogos começam. E o amor de Katniss por um concorrente também.

Filme é surpreendente sucesso

Lucros de sonho

A produção apostou em nomes pouco conhecidos. Lenny Kravitz e Woody Harrelson são as excepções, mas aparecem em papéis secundários

O filme adaptou a obra de Suzanne Collins

Que os jogos comecem

ÊXITO LITERÁRIO

The Hunger Games foi lançado na sexta-feira, a nível mundial, e é um filme baseado no livro de Suzanne Colins com o mesmo nome. Parte de uma trilogia, a autora escreveu o livro inspirada no filme Battle Royale – um polémico clássico japonês que conta a história de crianças de escola forçadas a lutar umas contra as outras até à morte. Também o pai serviu de inspiração à autora – uma carreira na Força Aérea americana permitiu-lhe conhecer os males da guerra. Com a popularidade da série The Hunger Games, Collins foi inclusivamente nomeada pela Times como a pessoa mais influente de 2010.

A Lionsgate, produtora cinematográfica, já conseguiu arrecadar um total de 214.25 milhões de dólares americanos pelo filme The Hunger Games, projectado para ocupar a primeira posição da tabela dos filmes mais vistos no mundo. Apesar de não ter grandes nomes no elenco, a temática conseguiu juntar acção e romantismo nas doses certas, atraindo rapazes e raparigas. Melhor ainda, o filme tem sido tão falado – com o apoio de uma campanha de marketing maciça -, que superou a barreira psicológica de ser para adolescentes, atraindo também adultos. Para já, entre vários recordes, ostenta um que ninguém esperava: foi o filme original (sem contar com sequelas) que mais dinheiro fez no seu fim-de-semana de estreia nos EUA: 155 milhões de dólares.


desporto

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

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Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

N

ÃO é um ultimato. Não é um grito de revolta ou um murro na mesa. A Direcção do Sporting Clube de Macau emitiu ontem um comunicado em que aponta responsabilidades e exige respostas à Associação de Futebol de Macau (AFM), pelo que considera ser a falta de ambição e de capacidade organizativa do organismo responsável pela tutela do desporto-rei no território. Ao longo de quatro páginas, os corpos gerentes do Sporting identificam algumas das práticas e das opções que justificam a disparidade entre o desempenho económico da RAEM e a performance internacional do futebol de Macau. Para os responsáveis pelo Sporting Clube de Macau, são várias as razões que impedem um desenvolvimento normativo do desporto-rei do território. A direcção presidida por António Conceição Júnior aponta o dedo à inexistência de competições regulares destinadas aos escalões de formação e critica o que considera ser uma gestão incipiente dos três campos relvados sob a égide da Associação de Futebol de Macau e do Instituto do Desporto. Os leões do território dizem-se perplexos pelo facto de ainda não ter sido equacionada a substituição do piso de pelo menos um dos campos

Sporting pede reforma estrutural das lides do futebol

O leão mostra a sua raça por um piso de relva sintética de última geração. “Se olharmos para o número de equipas actualmente em competição e tivermos em conta os constrangimentos inerentes ao território, esta é uma medida de gestão absolutamente elementar”, resume António Conceição Júnior.

O RANKING

Apesar de deixar críticas duras à Associação de Futebol de Macau, o presidente do Sporting Clube de Macau diz que o comunicado não pretende ser mais do que um contributo para a reconfiguração estrutural do desporto-rei do território, de forma a que o futebol na RAEM deixe de ser sinónimo de falta de competitividade e de campeonatos disputados numa única volta. António Conceição Júnior considera que o carácter vetusto do Sporting de Macau – a colectividade festejou no ano passado 85 anos de existência – confere ao clube responsabilidades particulares em termos de intervenção cívica. Daí a necessidade de marcar posição face à forma como a Associação de Futebol de Macau opera. “A única

razão pela qual o Sporting Clube de Macau emitiu este comunicado é porque acredita que existem condições para que os problemas que actualmente subsistem possam ser ultrapassados. No Sporting, custa-nos a entender por que é que um território com um desenvolvimento

económico tão substancial tem uma selecção que não consegue ir além do 199º posto no âmbito do ranking da FIFA.”

AJUDA LUSA

Para os responsáveis pelo Sporting Clube de Macau, nenhum dos pro-

Terceira Divisão arranca em meados de Abril Em pré-epoca há mais de cinco meses, os jogadores do Sporting Clube de Macau só a 21 de Abril voltam a calçar as sapatilhas e a disputar um encontro oficial. Os leões do território estreiam-se na edição de 2012 do Campeonato de Futebol da III Divisão frente ao Kam Fong e voltam a entrar em campo uma semana depois para defrontar o N.I, mas as certezas ficam-se pelas duas primeiras jornadas da prova. O alinhamento das restantes jornadas do Campeonato está ainda no segredo dos deuses e assim deverá permanecer a título indefinido, com a Associação de Futebol de Macau a não dar resposta às dúvidas e incertezas dos clubes que disputam a prova. O

adiamento progressivo do arranque do Campeonato e o facto da AFM não ter notificado grande parte dos clubes depois de ter organizado o sorteio para a prova terá sido a gota que fez derramar a paciência dos responsáveis pelo Sporting Clube de Macau. No comunicado ontem divulgado, o clube critica o facto do Campeonato ser disputado numa única volta e pede à Associação de Futebol de Macau para colocar um ponto final a situações que considera pouco éticas, como sejam a participação de formações patrocinadas pela AFM nos principais campeonatos do território ou a não separação efectiva entre as lides de futebol de sete e as andanças do futebol de onze.

blemas elencados no comunicado ontem divulgado são de resolução impossível. A direcção dos leões do território diz mesmo poder contribuir de forma significativa para a reestruturação das lides do desporto-rei em Macau, num processo em que o Sporting Clube de Portugal poderá ter também uma palavra a dizer, caso as autoridades do território manifestem interesse. “Não queremos vender Academias a ninguém nem é disso que se trata. Foram-nos dadas garantias por Lisboa de que o Sporting Clube de Portugal está disponível para dispensar assessores, planos de organização e de formação para ajudar a transformar o futebol na RAEM.” O comunicado ontem divulgado foi enviado apenas para as redacções dos jornais em língua portuguesa e em língua inglesa. Deverá ser através deles que o eco da revolta leonina chegará à Associação de Futebol de Macau. António Conceição Júnior reconhece que não discutiu o conteúdo do comunicado com qualquer membro da direcção da AFM, mas explica por que razão a direcção do Sporting Clube de Macau agiu como agiu. “Nunca conseguimos encontrar ninguém no seio da Associação de Futebol de Macau disponível para nos receber e para nos ouvir. Convidámos a direcção da Associação para estar presente no jantar dos 85 anos do Sporting e nem sequer obtivemos resposta.”


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[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB SALA 2

A SIMPLE LIFE [A] Um filme de: Ann Hui Com: Andy Lau, Deannie Yip 14.30, 21.30

JOHN CARTER [B] [3D]

Um filme de: Andrew Stanton Com: Taylor Kitsch, Lynn Collins, Mark Strong 16.45, 19.15 SALA 3

THE SECOND WOMAN [B]

SALA 1

THE HUNGER GAMES [C] Um filme de: Gary Ross Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

(Falado em cantonense e mandarim legendado em chinês e inglês) Um filme de: Michael Sucsy Com: Channing Tatum, Rachel McAdams 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

VERTICAIS: 1-Finalize. O m. q. Humo. 2-Variedade de andaluzite. (Minério) caracterizada por apresentar inclusões grafitosas dispostas em cruz (Geol.). 3-Astro-rei. 4-Tresnoutar. 5-Giesta em flor. Incendeiese. 6-Pez Negro. Estimai. 7-Sulcar. Esvaziai. 8-Desprendêsseis. 9-Saia!. 10-Que é amigo de galicismos. 11-Disponho em camadas. Destros, expeditos.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Da parte de cá. Espécie de punhal. 2-Assento, rabo. Espada curta de um só fio. No corrente ano (abrev. lat.). 3-Grito aflitivo. Extrais, puxas. Naqueles país. 4-Bário (s.q.). Arrastara com o rodo (o sal). Negação (Pref.). 5-Pronome demonstrativo. Pau com que se impelem as bolas do bilhar. 6-Casca de pouca grossura. Daquele sítio. 7-Prefixo de origem grega que significa inteiro. Obra ou trabalho de sapador. 8-Povoação portuguesa (O. Azeméis). Partiamos. Prata (s.q.). 9-Forma antiga de mim. Desenhe traços. Retaguarda. 10-Dó (Ant.). Protelai. Moeda chinesa. 11-Ecoara. Engodos.

Aqui há gato [Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:45 16:15 17:45 18:30 19:30 20:30 21:00 21:30 22:10 23:00 23:30 00:00 00:30 01:00 02:40

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Liga Sagres: Paços de Ferreira - Porto (Repetição) Lost Sr.5 (Perdidos Sr.5) TDM Desporto (Repetição) Amanhecer Telejornal TDM Entrevista Grande Entrevista Passione TDM News Magazine Liga dos Campeões Príncipes do Nada Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO Liga dos Campeões: Benfica - Chelsea (Directo) INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 A Hora de Baco 15:00 Consigo 15:30 Grande Reportagem-SIC 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Elo Mais Fraco 17:45 Vingança 18:30 Correspondentes 19:00 Amnistia Internacional, 30 Anos em Portugal, 50 Contra a Opressão 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Ingrediente Secreto 22:45 Portugal no Coração ESPN 30 13:00 14:00 16:00 18:00 19:00 19:30 20:00 20:30 21:00 21:30 22:00

America’s Cup Uncovered Asian Olympic Qualifiers Syria vs. Oman Btn Women’s Gymnastics Championship 1 Mundialito De Clubes - Beach Soccer Barcelona vs. Sporting Portugal Caribbean Golden Moments (LIVE) Sportscenter Asia 2012 The Football Review South American Golden Moments Spirit Of London FINA Aquatics World 2012 Sportscenter Asia 2012

22:30 23:00 23:30

The Football Review South American Golden Moments Mundialito De Clubes - Beach Soccer Barcelona vs. Sporting Portugal

STAR SPORTS 31 12:30 Mundialito De Clubes - Beach Soccer Flamengo vs. Barcelona 13:30 FA Cup 2011/12 Highlights 14:00 Isle Of Man Tt 2011 15:00 Enjoy Jakarta Indonesia Open Day 4 17:55 Asean Basketball League 2012 San Miguel Beerman vs. Saigon Heat 19:55 Spirit Of Golf 20:25 Golf Focus 2012 20:55 (LIVE) Asian Olympic Qualifiers Uzbekistan vs. Syria 23:00 (Delay) Score Tonight 2012 23:30 Masters Official Films 2010 FOX MOVIES 40 10:25 The Thin Red Line 13:15 Vampires Suck 14:40 True Justice 16:10 Surf’s Up 17:40 Treasure Guards 19:20 When A Stranger Calls 21:00 Clash 22:40 127 Hours 00:15 The Way Back HBO 41 13:00 15:00 16:40 18:20 19:55 22:00 00:10

Red 13 Going On 30 Jesse Stone Beethoven Xxx The Blind Side Boardwalk Empire

CINEMAX 42 12:30 14:30 16:00 17:50 20:10 22:00 23:30 00:20

Out Of Sight Rocky Iv Cape Fear Kaleidoscope Point Of No Return 30 Days Of Night Xiii The Bannen Way

HORIZONTAIS: 1-AQUEM. ADAGA. 2-CU. SABRE. AC. 3-AI. TIRAS. LA. 4-BA. RAERA. IM. 5-ESSE. U. TACO. 6-TONA. DALI. 7-HOLO. A. SAPA. 8-UL. IAMOS. AG. 9-MI. TRACE. RE. 10-UT. ADIAI. LI. 11-SOARA. ISCAS. VERTICAIS: 1-ACABE. HUMUS. 2-QUIASTOLITO. 3-U. SOL. A. 4-ESTRENOITAR. 5-MAIA. A. ARDA. 6-BREU. AMAI. 7-ARAR. D. OCAI. 8-DESATASSEIS. 9-A. ALA. C. 10-GALICIPARLA. 11-ACAMO. AGEIS.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O SEMINARISTA • Ruben Fonseca

Para o protagonista, matar não causa remorso, mas também não causa prazer. É apenas o seu trabalho, que lhe permite dedicar-se àquilo que realmente ama: livros, filmes e mulheres. Quando decide que já é hora de abandonar a profissão, descobre que não é tão imune aos efeitos dos seus trabalhos e das suas escolhas como acredita ser...

MILTON FRIEDMAN • Eamonn Butler

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

As ideias e influência do economista que liberalizou os mercados e moldou o mundo em que vivemos. Poucos economistas tiveram uma influência tão grande no curso da humanidade como Milton Friedman. O seu pensamento foi determinante na política monetária de Reagan e Thatcher, nos anos 80 e 90, ou na liberalização económica da China (que posteriormente se alastrou à Índia). Controverso, amado e odiado, Milton Friedman deixou uma marca na história. E o efeito das suas ideias sente-se hoje de maneira particularmente violenta. Com este guia, percebemos o modo como o economista minou o pensamento então prevalecente de Keynes, como inventou novas soluções para combater a inflação, como se opôs ferozmente a um papel excessivamente interventivo do Estado, ou a medidas como o salário mínimo. Obra que se lê de um fôlego, Milton Friedman é essencial para quem procura compreender melhor o modo como hoje funciona a economia global. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

POLÍTICOS COMO NÓS Parece que passaram séculos desde o momento em que passei junto à Assembleia da República, em Lisboa. Gatinhava eu na original calçada portuguesa quando, subitamente e em plena hora de ponta para os lisboetas, avistei o deputado João Oliveira, do Partido Comunista Português (PCP). Mas não se pense que o deputado entrava num luxuoso Mercedes. Não. O que mais me despertou a atenção foi o facto de João Oliveira estar na fila do autocarro, sem gravata e de pasta na mão. Sim senhor. O deputado eleito pelo circulo eleitoral de Évora escolhia enfiar-se no meio da “arraia miúda” depois de terminado mais um dia de trabalho a falar sobre os destinos do país. Tenho em mim aquela bela utopia de que, um dia, os deputados serão também pessoas do povo. Sabem, aqueles que se metem nos mesmos cafés e restaurantes, que conduzem os mesmos carros e que têm os mesmos problemas que um cidadão comum. Porque só assim saberão as dores que os assolam, aos cidadãos, na hora de fazer e debater leis. Caído de pára-quedas em Macau, encontrei um sistema político diferente, mas nunca a necessidade da classe política estar mais ligada aos cidadãos me pareceu tão forte. No momento em que se discute a eleição de mais deputados para a Assembleia Legislativa, e tendo em conta que os casinos brotam como cogumelos, penso que temos de ter no hemiciclo da Praia Grande pessoas como nós, que nos defendam, que saibam do que estão a falar. Porque com os cogumelos chegam as disparidades, a inflação. Sei que na AL temos muitos bons exemplos de pessoas que trabalham pelos outros, que pertencem aos outros. Faltam mais. Não posso deixar de referir o exemplo do deputado Ng Kuok Cheong. Desempregado, passeia na rua como qualquer um e vai ao hospital Kiang Wu como os outros, esperando a sua vez, como os outros. Pu Yi


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opinião

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Pedro Correia

TERÇA, 20 Numa das minhas livrarias

mais estimadas - a Barata, na Avenida de Roma, em Lisboa - espreito as novidades editoriais. Um romance com um belíssimo título prende-me de imediato a atenção: Lágrimas na Chuva, de Rosa Montero, escritora e jornalista espanhola que há muito aprecio, autora de obras como A Louca da Casa e Instruções para Salvar o Mundo. Obras que são do melhor que li na última década. Pego num exemplar do novo livro, abro as primeiras páginas, e lá surge o aviso da Porto Editora: o novíssimo romance de Rosa Montero foi traduzido de acordo com o famigerado “acordo ortográfico”. Motivo de sobra para o pôr logo de lado. Que faça bom proveito, a esta e outras editoras, terem aderido tão entusiasticamente ao “acordês”... Comprador compulsivo de livros, mantenho a promessa de não gastar um só euro em obras que pervertam a nossa ortografia. Felizmente na Barata não faltam outros títulos, mais antigos ou mais recentes, escritos de acordo com a norma ortográfica que considero válida. E, como eu, tantas figuras relevantes das nossas letras - de António Lobo Antunes a Manuel António Pina, de Manuel Alegre a Baptista-Bastos, de Pedro Tamen a Vasco Graça Moura. Trago da Barata não um livro, mas dois: O Livro dos Snobs, de W. M. Thackeray (Guerra & Paz, 2010) e Um Homem na Lua, volume de contos de Edgar Allan Poe, traduzido por Domingos Monteiro (Editorial Inquérito, sem data mas presumo que dos anos 70). Há sempre uma solução para tudo. Em matéria de livros, a minha solução é esta: cada vez mais livros antigos, cada vez menos livros recém-lançados em Portugal. O “acordo ortográfico” fez-se, segundo os seus mentores, também para facilitar a penetração dos livros portugueses no mercado brasileiro. Sendo as coisas o que são, duvido que tal objectivo se concretize. Pelo contrário, a ortografia segundo as regras do “acordês” dificultará a expansão dos livros portugueses para Angola e Moçambique, países que não ratificaram o “acordo”. E afasta inevitavelmente muitos leitores, como eu. Leitores que entendem que espectador e sector devem continuar a escrever-se espectador e sector e não espetador e sector. Algo bem diferente, algo inaceitável.

QUARTA, 21 Passo por uma loja e volto

atrás. Não para ver qualquer produto exposto na montra mas para reler um letreiro que me ficou na retina. “Estamos a executar a montra”, reza o aviso. Executar? “Será possível que aquele comerciante tenha instintos homicidas, como tais palavras indiciam? Mais adiante, noutra loja, outro letreiro promete “fazer as unhas” a quem se dignar passar por lá. E nesta ronda, como tantas vezes sucede, vou tendo uma sensação de estranheza perante o meu próprio idioma, tantas vezes maltratado, abastardado, vítima de construções lexicais que lhe são totalmente alheias não no sentido em que um Alexandre O’Neill ou um Mário-Henrique Leiria o “desconstruíam” mas devido à mais chocante ignorância. A palavra-chave é esta mesmo: igno-

O mundo pára, horrorizado com uma tragédia ocorrida em França que termina com a morte de um serial killer - assassino assumido de sete pessoas, incluindo três crianças judias rância. Vivemos numa sociedade onde continua por implantar a cultura do mérito. Só isto explica que um responsável editorial escreva, num dos principais jornais portugueses, que fulano de tal “houve o telejornal”, confundindo o verbo ouvir com o verbo haver. Seria quase divertido, se não funcionasse como espelho fiel da realidade, desta chocante falta de exigência que leva tantas vezes à promoção dos menos aptos e dos menos capazes. Não admira por isso que perante tais exemplos um jovem jornalista, escrevendo sobre uma promessa da música lusa algures na diáspora, faça notar que ela “tem descendência portuguesa” quando queria dizer exactamente o contrário. Ou que outro profissional do jornalismo em início de carreira considere essencial que “o professor haja” de outra forma na sala de aula. Podia multiplicar os exemplos por cem ou por mil. Para chegar sempre à mesma conclusão: é lamentável ver tanta ignorância à solta. Escandalosamente impune. Quase como se fosse culta.

termina com a morte de um serial killer - assassino assumido de sete pessoas, incluindo três crianças judias. Como milhões de outras pessoas, acompanhei estes trágicos acontecimentos. Com emoção e alguma perplexidade - desde logo pelo facto de o assassino ser tratado pelo suave epíteto de “jovem” em vários órgãos de informação. Acompanhado da sorridente fotografia do sujeito certamente extraída de uma rede social. Confesso: gostaria de não ver o nome nem a cara desta besta estampada em tudo quanto é jornal, televisão ou blogue. Como sucedeu no ano passado com outra besta, na Noruega. Esta celebridade, mesmo post mortem, constitui um insulto suplementar a todas as vítimas que causou. E atenção: vítimas não são apenas as que morrem ou ficam feridas nestes recorrentes massacres. São também os familiares, amigos e vizinhos que de algum modo ficam mutilados para sempre.

QUINTA, 22 O mundo pára, horrorizado

SEXTA, 23 O Mal existe. Tem nome e

com uma tragédia ocorrida em França que

cartoon por Steff

rosto. Tem identidade própria. Tem alega-

O FOGUETÃO NORTE-COREANO

caderno diário das motivações, propaladas aos sete ventos através da caixa de ressonância dos órgãos de informação. Tem até defensores - uns por motivações políticas, porque interessa “destruir o sistema”, outros simplesmente porque sim. Não faltam aqueles que procuram negar a existência do Mal. Desde logo por crerem na bondade intrínseca à natureza humana: essas excelente almas acreditam convictamente que não há rapazes maus. Ou por negarem validade às estruturas axiológicas: esses são os que argumentam pela irrelevância das fronteiras entre o Bem e o Mal, sobretudo porque as imaginam contaminadas de conteúdo religioso. Sem repararem que tantas vezes, ao difundirem tal crença, assumem com frequência um fervor simétrico ao dos mais ortodoxos fiéis de uma determinada igreja. E no entanto o Mal existe. Podemos vislumbrá-lo em múltiplas erupções quotidianas. No indivíduo que pela calada da noite põe uma bomba num carro de um autarca basco e encolhe indiferentemente os ombros quando a explosão desse veículo mata crianças que ignoram por completo o significado da palavra nacionalismo, considerando-as “danos colaterais” - o homicídio mais aleatório e mais gratuito elevado à categoria de instrumento de acção política. O monstro de sorriso gélido que planeia friamente a execução sumária de algumas dezenas de adolescentes num acampamento de férias na Noruega e acaba classificado de inimputável por um colégio de psiquiatras. O fanático anti-semita que transforma o ódio étnico, cultural ou religioso em senha de identidade à margem de todos os considerandos de ordem moral, convertendo o massacre de seres humanos numa espécie de mandamento ditado pelo sectarismo mais irracional. É preciso correr o sangue de inocentes para também a França republicana, ilustrada e laica reparar que alberga a semente do Mal no seu seio iluminista. Não adianta proclamar, como fazem os mais saudosos discípulos de Sartre, que o inferno são os outros. Não tenhamos ilusões: a barbárie está no meio de nós. E ganha cada vez mais terreno quanto mais tentarmos justificá-la com uma indiferença cúmplice invocando argumentos de sociologia política para validar as cartilhas ideológicas que autorizam a dissolução da dignidade humana em benefício de impulsos liberticidas. Como se os fins justificassem todos os meios. Como se houvesse equivalência moral entre carrascos e vítimas. “Observar um crime em silêncio é cometê-lo”, ensinou-nos José Martí. Nada mais certo. Não podemos resignar-nos ao poder da barbárie. Nem tolerá-la. Nem “compreendê-la”. Nem deixar que ela se banalize a tal ponto que comece até a ser encarada com indiferença. Enquanto mastigamos qualquer coisa à hora do telejornal. Temos que dizer basta. Sem esperar que os cadáveres se amontoem. Porque um já é de mais.


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Ciclone

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É mais responsável quem manda para a guilhotina ou quem tal executa? POR FERNANDO

Helder Fernando

à flor da pele

Inexplicáveis coisas I O comunicado do Sporting Clube de Macau, agora divulgado, é uma verdadeira pedrada no charco das condições incríveis em que se arrasta o futebol local, sob a dependência da Associação de Futebol de Macau (AFM). Não haverá cidadão de Macau - e também muitos no exterior - que não saibam as condições(?) que a generalidade dos clubes locais têm para desempenhar a sua (deve dizer-se altruísta) missão desportiva e social. Treinos em quintais muitas vezes sem se saber onde e a que horas. Campeonatos com calendários quase desconhecidos e imprevistos. Indisponibilidade oficial de serem utilizados como rotina, para treino, pela generalidade dos clubes, os 3 locais relvados para treino. A inexistência de competições juvenis e infantis organizadas pela AFM. E muitas outras lacunas e desprendimentos dificilmente entendidos. A história do SCM, do passado de 85 anos até ao presente, credibiliza totalmente o comunicado em referência. Impunha-se que fossem denunciadas publicamente, com a inteligência e a elegância demonstradas, as mais graves e insólitas realidades do futebol federado em Macau. O que há tanto tempo se comenta entre círculos, foi agora, lucidamente, posto a nu pelo Sporting Clube de Macau. Atletas, dirigentes desportivos, equipas técnicas e amantes do futebol, ficam aguardando respostas. Preferencialmente, respostas concretas e precisas, e não para tornar ainda mais nebuloso o meio futebolístico em Macau. II Há textos que são eternos, por isso há autores que nunca morrem. O excerto seguinte foi transcrito de um livro do escritor e professor italiano Antonio Tabucchi que amou Portugal e a língua portuguesa:

“A vida não está por ordem alfabética como há quem julgue. Surge... ora aqui, ora ali, como muito bem entende, são miga­lhas, o problema depois é juntá-las, é esse montinho de areia, e este grão que grão sustém? Por vezes, aquele que está mesmo no cimo e parece sustentado por todo o montinho, é precisamente esse que mantém unidos todos os outros, porque esse montinho não obedece às leis da física, retira o grão que aparentemente não sustentava nada e esboroa-se

tudo, a areia desliza, espalma-se e resta-te apenas traçar uns rabiscos com o dedo, contradanças, caminhos que não levam a lado nenhum, e continuas à nora, insistes no vaivém, que é feito daquele abençoado grão que mantinha tudo ligado... até que um dia o dedo resolve parar, farto de tanta garatuja, deixaste na areia um traçado estranho, um desenho sem jeito nem lógica, e começas a desconfiar que o sentido de tudo aquilo eram as garatujas. António Tabucchi, in ‘Tristano Morre’ Falarão alguns, com a competência que não possuo, sobre o significado da obra deixada pelo italiano Antonio Tabucchi e o que ele representa para a cultura portuguesa, para além da morte. Tenho e li poucos das dezenas de livros que escreveu. Mal o conheci pessoalmente, apenas em uma ocasião, há uns anos, e quase por mero acaso, na altura em que, finalmente, depois de décadas vivendo, amando e trabalhando em Portugal, em literatura e no ensino superior, obteve a nacionalidade portuguesa, já este século que percorremos tinha alguns anos. Lembro-me do seu apoio a Mário Soares e posteriormente ao Bloco de Esquerda como candidato a deputado europeu. “Descobrindo” Fernando Pessoa, inadvertidamente, através do poema intimista “Tabacaria”(Álvaro de Campos, 1928), Antonio Tabucchi, ao contrário do poeta português, demonstrou não ser pessimista, antes ficando fascinado com a solidão interior, e ao mesmo tempo a enorme dimensão da escrita pessoana sob aquele heterónimo. A ponto de o italiano confessar que já sonhava em português. A história do encontro de Tabucchi com Pessoa está mil vezes narrada pelo próprio e por outros. Ambos repousam agora no mesmo local - cemitério dos Prazeres em Lisboa.  Se o editor deste jornal me permite, quem sabe se vem a propósito (e será necessário?), também recordo com o prezado leitor este pedaço do poema “Tabacaria”:

Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra, Sempre o impossível tão estúpido como o real, Sempre o mistério do fundo tão certo como o

Impunha-se que fossem denunciadas publicamente, com a inteligência e a elegância demonstradas, as mais graves e insólitas realidades do futebol federado em Macau. O que há tanto tempo se comenta entre círculos, foi agora, lucidamente, posto a nu pelo Sporting Clube de Macau sono de mistério da superfície, Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra. Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?), E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. Semiergo-me enérgico, convencido, humano, E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.   Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. Sigo o fumo como uma rota própria, E gozo, num momento sensitivo e competente, A libertação de todas as especulações E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.   Depois deito-me para trás na cadeira E continuo fumando. Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.   (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.) Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu. III Nesta data, 27 de Março, há 72 anos, o tenebroso terrorista nazi Heinrich Himmler ordenou a construção do campo de morte de Auschwitz, lá no sul da Polónia. O maior campo de trabalhos forçados e de extermínio de pessoas inocentes, em pleno regime nazi. Hoje, o espaço pode ser visitado com sentido pedagógico. Uma visita, de alguma forma, através da internet, também é possível. Através de várias imagens da época, podemos imaginar os horrores, chorarmos tanto sofrimento. Outros horrores continuam neste século. Talvez banalizados pelas imagens de tantas guerras, de tantas mortes, de tanta violência, de tanto desprezo pelos fracos. Também imagens de horror, de miséria, de epidemias, de guerras, de explosões mortíferas, de mais e mais inocentes que tombam em sentido.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Nuno G. Pereira; Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Joana Freitas; José C. Mendes; Virginia Leung; Rita Marques Ramos (estagiária) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Carlos Picassinos; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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James Cameron desceu à Fossa das Marianas

Mergulho solitário O

realizador James Cameron, conhecido por películas como Avatar ou Titanic, tornou-se no primeiro ser humano a descer sozinho à Fossa das Marianas. A expedição aconteceu este domingo e foi feita num mini-submarino intitulado “Deepsea Challenger”, fabricado pela sua equipa de engenheiros, em colaboração com a National Geographic. A Fossa das Marianas está situada perto da ilha de Guam, a sul do Oceano Pacifico. Devido aos seus 11 mil metros de profundidade, é considerado o ponto mais fundo dos mares. Há mais de oito anos que o realizador estava a preparar esta viagem, com objectivos cientí-

ficos. Cameron utilizou a tecnologia para recolher dados e imagens de espécies marinhas. Estimativas apontam para que a Fossa das Marianas contenha mais de 750 mil espécies ainda não catalogadas pela ciência, número três vezes superior às espécies conhecidas. Todo o percurso ficou registado na rede social Twitter, pela mão da National Geographic. Kevin Hand, um dos membros da tripulação, considerou que a subida do mini-submarino foi “perfeita”. “O Jim subiu naquelas que terão sido as melhores condições meteorológicas a que assistimos”, afirmou à National Geographic.

Reino Unido Cameron envolvido em escândalo

David Cameron, primeiro-ministro britânico, viu o seu nome envolvido num caso de alegado financiamento ilegal do seu partido. Segundo a AFP, Downing Street afirmou ontem que “alguns” doadores conservadores terão jantado com Cameron e a sua mulher na residência oficial, mas até ao momento não foram revelados nomes pelo Governo. Entretanto, a oposição tem feito pressão para que ele revele a identidade dos alegados financiadores. O caso já provocou baixas no Governo, com a saída de Peter Cruddas, tesoureiro do partido e suspeito de ter vendido acessos privilegiados ao chefe do Governo. Cruddas renunciou ao cargo este domingo. Cameron já prometeu uma investigação interna ao Partido Conservador.

Cuba Papa Bento XVI já está no país

É num clima de tensões entre a oposição cubana e as autoridades de Havana que será feita a passagem do papa Bento XVI a Cuba. Vindo do México, onde também realizou uma visita, Bento XVI chegou ontem a Santiago de Cuba às 18 horas de Lisboa, tendo sido recebido pelo presidente cubano, Raul Castro. Bento XVI partiu depois para Havana.

França Cumplicidade no crime de Toulouse

Abdelkader Merah, irmão do autor dos crimes ocorridos na cidade francesa de Toulouse, esteve presente no Palácio de Justiça de Paris, onde está a responder por alegada cumplicidade nos atentados realizados numa escola na passada semana. A namorada, também presa, já terá sido libertada sem nenhuma acusação. Segundo um comunicado do Ministério Público francês, citado pela Lusa, “as investigações dos serviços da polícia permitiram estabelecer a existência de indícios graves contra Abdelkader Merah, no que diz respeito à cumplicidade nos crimes e ligações a um grupo terrorista”.

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terça-feira 27.3.2012

Hoje Macau 27 MAR 2012 #2580  

Edição do Hoje Macau de 27 de Março de 2012 • Ano X • N.º 2580

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