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QUARTA-FEIRA 27 DE DEZEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3961

MINISTÉRIO PÚBLICO

Comissão de luxo

SERVIÇOS DE SAÚDE

Enfermeiros escassos PÁGINA 5

CATÁSTROFE NAS FILIPINAS

Triste prenda de Natal GRANDE PLANO

CGPM

PÁGINA 4

MOP$10

WYFF

AFP

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

hojemacau www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

CIRCUITO DA GUIA CONSIDERADO O “MELHOR DE SEMPRE”

O mundo a seus pés

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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Pois é. É o mais bonito, o mais interessante, o mais inusual. É o nosso. Ali mesmo, nas voltas da Guia.

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2 grande plano

NATAL FATAL

TUFÃO TEMBIN DEIXA RASTO MORTAL NAS FILIPINAS E DIRIGE-SE PARA O VIETNAME

WYFF

CATÁSTROFE

27.12.2017 quarta-feira

O tufão Tembin devastou o sul das Filipinas durante o fim‑de‑semana de Natal provocando a morte a 240 pessoas, segundo o último balanço. Mindanao foi a zona mais afectada, devido a inundações relâmpago e deslizamentos de terras. Em Macau, a Associação Bisdak prepara uma campanha de solidariedade para atenuar o sofrimento provocado pela tempestade

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NTRE sexta-feira e domingo a tempestade Tembin arrasou a segunda maior ilha do arquipélago das Filipinas, Mindanao, provocando inundações e deslizamentos de terras que surpreenderam os mais de 21 milhões de habitantes da ilha. A catástrofe natural entrou no território como uma tempestade tropical, aumentando a severidade para tufão enquanto devastou as províncias do sul do arquipélago. Algumas das ilhas turísticas do arquipélago de Palawan também foram afectadas. Até ontem, as autoridades filipinas colocavam o balanço mortal em mais de 240 mortos, ao mesmo tempo que prosseguiram os esforços para encontrar mais de uma centena de desaparecidos. Na segunda-feira, dia de Natal, a polícia local divulgou a contabilidade de 208 mortos, dos quais 135 no norte de Mindanao, enquanto responsáveis da protecção civil assinalaram 78 mortos na península de Zamboanga e 27 na província central de Lanao do Sul. O caos trazido pelo tufão Tembin fez com que mais de 97

“Não quisemos arrastar as pessoas dos seus lares durante o Natal, em vez disso tentámos da melhor forma convencê-las das razões pelas as quais estavam a ser evacuadas.” ROMINA MARASIGAN PROTECÇÃO CIVIL DAS FILIPINAS

mil pessoas passassem o Natal em 261 centros de abrigo espalhados pelo sul das Filipinas, enquanto que mais de 85 mil perderam as suas casas mas encontraram refúgio em casas de familiares e amigos. É de salientar que a tempestade semeou devastação durante a quadra natalícia numa região maioritariamente cristã, apesar de ter uma minoria muçulmana que viu em 1989 a criação da Região Autónoma do Mindanao Muçulmano. De acordo com o Conselho de Gestão e Redução de Riscos Provocados por Catástrofes Naturais, as zonas mais atingidas foram o norte de Lanao e as províncias a sul de Lanao e a Península de Zamboanga.

SAIR DE CASA NO NATAL?

Enquanto as autoridades filipinas tentam encontrar razões para um balanço de mortes tão elevado, Romina Marasigan, responsável da protecção civil do Governo de Duterte, disse à Associated Press que “à medida que o Tembin se aproximava o Governo avisou as pessoas para se protegerem”. A responsável acrescentou ainda que “é muito difícil remover as pessoas de casa durante a quadra natalícia”. “Não quisemos arrastar as pessoas dos seus lares durante o Natal, em vez disso tentámos da melhor forma convencê-las das razões pelas as quais estavam a ser evacuadas”, referiu Romina Marasigan numa conferência de imprensa em Manila. O Tenbim não foi o único desastre a assolar as Filipinas, predominantemente católicas, durante a celebração da quadra. No nordeste da província de Quezon, um ferry que fazia ligação entre ilhas afun-

dou depois de ter sido fustigado por ventos fortes e ondulação. O acidente resultou em cinco mortos e numa operação de salvamento que socorreu mais de 250 passageiros e equipa de navegação do ferry.

Todos os anos, as Filipinas registam uma média de 20 tempestades severas, frequentemente com consequências mortais e dez tufões com 50 por cento de hipóteses de serem bastante severos Na semana anterior, outra tempestade tropical assolou o leste de Visayas culminando num balanço de 50 mortos. A maioria das vítimas mortais ocorreram na ilha de Biliran devido a deslizamento de terras, uma região em que a agricultura é o principal motor económico. Na sequência da tempestade Urduja, a ilha de Biliran viu uma parte substancial das suas infra-estruturas destruídas, nomeadamente estradas, pontes e centrais eléctricas.

AJUDA DE MACAU

O tufão do passado fim-de-semana trouxe chuvas intensas que fizeram o leito do Rio Cagayan de Oro transbordar, levando à evacuação de quase 20 mil pessoas. Esta situação transformou as ruas em afluentes fluviais, com muitos habitantes a verem-se forçados a procurar refúgio nos telhados das casas.

As próprias operações de resgate foram afectadas pelos efeitos do tufão, com os sistemas de comunicação e fornecimento de energia bastante danificados pela intempérie. Andrew Morris, representante da Unicef em Mindanao, disse à BBC que restabelecer o acesso a água limpa é uma das prioridades, uma vez que existem muitas áreas com elevados riscos de doença, em especial para crianças. “A província de Lanao do Sul é a mais pobre das Filipinas e nos últimos sete meses testemunhou o deslocamento de cerca de 350 mil pessoas devido ao conflito armado entre das formas governamentais e milícias islamitas em Marawi”, contextualiza o representante da Unicef. As Filipinas são um dos países do mundo mais afectados por este tipo de desastres naturais. Todos os anos registam uma média de 20 tempestades severas, frequentemente com consequências mortais e dez tufões com 50 por cento de hipóteses de serem bastante severos. Aliás, em 2003 o super tufão Hayan, um dos mais fortes alguma vez registados, arrasou o centro das Filipinas ceifando a vida a quase 8000 pessoas e deixando sem casa mais de 200 mil. Nessa altura, uma organização baseada em Macau que congrega trabalhadores filipinos, a Associação Bisdak, acorreu à catástrofe. “Na sequência do tufão Hayan enviámos para as zonas de Luzon e Visayas a nossa humilde ajuda”, recorda Ana Fivilia, uma das responsáveis da associação. Este tipo de campanhas tem sido uma constante para a Associação Bisdak. “Conseguimos reunir roupas usadas e algum dinheiro, não muito, mas que sei que trouxeram

algum conforto às famílias que os receberam”, conta a filipina. Na próxima reunião da associação, está previsto que se aprove o envio de ajuda, como já fizeram anteriormente. Para já, Ana Fivilia terá as vítimas de mais esta catástrofe natural nas suas preces na esperança “que Deus lhes dê algum conforto nesta altura de sofrimento”.

BERÇO DE TUFÕES

As Filipinas reúnem todas as condições para serem o alvo de


grande plano 3

quarta-feira 27.12.2017

tufões devastadores. O arquipélago situado na orla oeste do Oceano Pacífico está rodeado por uma zona área de águas quentes. A própria geografia do país, com mais de 7 mil ilhas, é um dos factores naturais dos efeitos da natureza. Além disso, as Filipinas são um dos países mais pobres do mundo, com um PIB per capita em paridade com poder de compra na ordem dos 8.270 dólares por ano. Uma percentagem considerável da população vive abaixo do limiar

da pobreza, o que se reflecte em infra-estruturas e habitação de pobre qualidade. À medida que o Tembin saía do arquipélago das Filipinas e se dirigia para o Vietname, voltou à categoria de tempestade tropical e foi enfraquecendo. Ainda assim, a mais de 200 quilómetros de Ho Chi Minh a tempestade registou ventos na casa dos 93 quilómetros por hora. As autoridades vietnamitas procederam à evacuação de mais

“Na sequência do tufão Hayan enviámos para as zonas de Luzon e Visayas a nossa humilde ajuda, algo que prevejo que voltemos a fazer desta vez.” ANA FIVILIA ASSOCIAÇÃO BISDAK

de 70 mil pessoas de zonas baixas, ordenaram que petroleiros procurassem abrigo e proibiram a saída para o mar de mais de 62 mil barcos de pesca, segundo a Reuters. Aliás, segundo informação da agência noticiosa, na província de Bac Lieu, no sul de Vietname, residentes de aldeias piscatórios foram evacuados para escolas que se transformaram em abrigos. O Primeiro-ministro vietnamita, Nguyen Xuan Phuc, disse que

“é preciso assegurar a segurança dos trabalhadores das plataformas de petróleo e navios petroleiros e, se for preciso, fechar instalações e proceder a evacuações”. A tempestade tropical Tembin será a 16ª tempestade a atingir o Vietname este ano. De acordo com os dados das autoridades vietnamitas, este ano mais de 390 pessoas morreram ou desapareceram devido a tempestades. João Luz

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27.12.2017 quarta-feira

A média salarial da Comissão de Estudos do Sistema Jurídico-Criminal, sob tutela do Ministério Público, é a mais elevada no seio da Função Pública: quase 150 mil patacas mensais. Não é conhecida qualquer actividade deste organismo nem se sabe o nome do novo coordenador desde a prisão de Ho Chio Meng

FSM PIORES SALÁRIOS

A

conclusão é dos SAFP: se no MP se ganha muito bem, na tutela da Segurança ganha-se pior. “No que se refere ao vencimento médio, a média mais elevada verifica-se nos efectivos do MP e a média mais baixa nos efectivos da secretaria para a Segurança. A diferença entre as duas áreas é de 17.3 mil patacas”, pode ler-se. Os profissionais a trabalhar no gabinete do secretário Wong Sio Chak ganham uma média mensal de 66 mil patacas, baixando para pouco mais de 40 mil patacas nos Serviços de Polícia Unitários ou quase 31 mil patacas na Polícia Judiciária. No Corpo de Bombeiros ganha-se uma média salarial de 26 mil patacas, valor semelhante ao que é pago nos Serviços de Alfândega. PUB

Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau Anúncio Concurso público n.º 003/CON-IPIM/2017 Faz-se público que, por despacho do Exmo. Chefe do Executivo, de 19 de Junho de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para Fornecimento de Serviços de Coordenação do “23.ª Feira Internacional de Macau” realizado pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau. Os interessados podem consultar, desde o dia 27 de Dezembro de 2017 até o dia 16 de Janeiro de 2018, o processo do concurso no Departamento de Actividades Promocionais do IPIM, sito na Avenida da Amizade, n.º 918, Edf. World Trade Centre, 4.º andar, Macau, nos dias úteis, das 9H00 às 13H00, e das 14H30 às 17H45 (2.ª a 5.ª Feira) ou 17H30 (6.ª Feira), podendo ainda adquirir fotocópia do processo do concurso ao preço de duzentas patacas (MOP200,00), no Centro de Atendimento do IPIM, sito no 4.º andar do mesmo edifício. A sessão de esclarecimentos destinada ao presente concurso realizar-se-á na sala de reunião do IPIM, sita no 19.º andar do Edifício China Civil Plaza, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.º 263, Macau, no dia 29 de Dezembro de 2017, pelas 10H00. As propostas devem ser entregues no referido Centro de Atendimento do IPIM. O prazo para a entrega das propostas terminará às 17H00 do dia 16 de Janeiro de 2018. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á na sala de reunião do IPIM acima mencionada, no 19.º andar do Edifício China Civil Plaza, no dia 17 de Janeiro de 2018, pelas 10H00. Nos termos do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, os concorrentes ou seus representantes legais devem apresentar os respectivos documentos comprovativos (vide 8.3 do Programa do Concurso) para efeitos de assistirem ao acto de abertura das propostas. A caução provisória prestada ao IPIM está fixada no valor de seiscentas e sessenta mil patacas (MOP660.000,00), por cheque ou garantia bancária. Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, aos 15 de Dezembro de 2017. O Presidente do IPIM, Jackson Chang

MP OS SALÁRIOS DE LUXO DE UMA COMISSÃO SEM ACTIVIDADE CONHECIDA

Silêncio de ouro

O

relatório dos recursos humanos da Administração Pública relativo ao ano passado, uma publicação dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) revela que o Ministério Público (MP) lidera ao nível da média mensal dos vencimentos que são pagos ao seu pessoal efectivo. Os dados revelam que os magistrados ganham uma média de 112 mil patacas por mês, sendo que quem trabalha no gabinete do procurador ganha, em média, 35 mil patacas por mês. Contudo, há uma comissão que lidera as médias salariais em todo o universo do funcionalismo público. Na Comissão de Estudos do Sistema Jurídico-Criminal com a natureza da equipa de projecto, a média salarial mensal é de quase 150 mil patacas. Nem sequer nos tribunais se ganha tanto – no Tribunal de Última Instância (TUI), a título de exemplo, a média salarial é de quase 95 mil patacas, o valor mais elevado logo a seguir aos vencimentos pagos na comissão do MP. Apesar dos ordenados bem pagos, não se conhece, até à data, qualquer actividade desta comissão, que é apenas com-

posta por uma pessoa. Ho Chio Meng, ex-procurador do MP, era o único membro em 2015 e continuou a sê-lo em 2016. O primeiro sinal de alerta foi dado em Fevereiro pela agência Lusa, quando o processo que condenou o ex-procurador Ho Chio Meng por corrupção estava no auge. Nessa altura, já Ho Chio Meng estava preso preventivamente há cerca de um ano, tendo recebido a remuneração mensal na qualidade de coordenador da comissão. Na altura, a agência Lusa contactou o gabinete do procurador e o gabinete do Chefe do Executivo para saber que trabalhos tinham sido desenvolvidos durante dois anos, mas não obteve resposta. Em Março do ano passado, Chui Sai On afirmou estar a aguardar o relatório das mãos do procurador relativo ao fun-

cionamento da comissão, mas nem o gabinete do procurador nem o do Chefe do Executivo se pronunciaram sobre se foi entregue ou o eventual conteúdo quando questionados pela Lusa. Segundo o despacho publicado em BO aquando da criação da comissão, em 2015, cabe a esta entidade “acompanhar o desenvolvimento das reformas jurídica e judiciária no concernente à área jurídico-criminal, podendo efectuar propostas ou sugerir alterações”, bem como “realizar estudos de política criminal que possam auxiliar na respectiva definição pelos órgãos competentes”, entre outras funções.

SEM NOVO COORDENADOR

A notícia da agência Lusa apontou ainda o facto da comissão de serviço de Ho Chio Meng

Na Comissão de Estudos do Sistema JurídicoCriminal com a natureza da equipa de projecto, a média salarial mensal é de quase 150 mil patacas. Nem sequer nos tribunais se ganha tanto – no Tribunal de Última Instância (TUI), a título de exemplo, a média salarial é de quase 95 mil patacas

ter terminado a 11 de Fevereiro, sendo que desde então que se “aguarda a análise e proposta do procurador (Ip Son Sang)” sobre a escolha do novo coordenador. Não houve, até à data, qualquer anúncio nesse sentido, não existindo, em consequência disso, qualquer nova publicação em Boletim Oficial sobre esta comissão. O HM contactou o gabinete do procurador do MP no sentido de saber mais detalhes sobre o funcionamento e a escolha do novo coordenador deste organismo, mas até ao fecho desta edição não foi possível obter uma resposta. De lembrar que foi a nomeação para coordenar esta comissão que permitiu a prisão preventiva de Ho Chio Meng. Isto porque o entendimento do TUI, aquando do indeferimento do pedido de ‘habeas corpus’, foi o de que Ho Chio Meng, ao exercer funções, em regime de comissão de serviço, nos serviços da Administração Pública deixou de ter a qualidade de magistrado, sendo antes funcionário público. Andreia Sofia Silva (com Lusa) andreia.silva@hojemacau.com.mo


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quarta-feira 27.12.2017

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necessária a formação e contratação de mais enfermeiros para fazer face às necessidades actuais dos Serviços de Saúde de Macau (SSM). A ideia é vincada pela deputada Ella Lei que se dirige ao Executivo para pedir mais profissionais da área de enfermagem com formação específica. De acordo com a deputada da FAOM, o aumento de infraestruturas na área da saúde, nomeadamente com o projecto do Hospital das Ilhas, vai sublinhar ainda mais a carência de enfermeiros no território. De acordo com os dados estatísticos apresentados por Ella Lei em interpelação escrita, o número total de funcionários dos SSM em 2012 era de 3183. Em 2016 os números aumentaram para os 4151 funcionários onde se incluem médicos especialistas, médicos de clínica geral e enfermeiros não especializados. No entanto, no que diz respeito a enfermeiros especializados o número de profissionais não aumentou no mesmo período de tempo, tendo-se mantido em cerca de 90. “Apesar do ligeiro aumento registado em 2015, em que os enfermeiros especializados no território somavam os 104, no ano passado o número voltou a cair para os 92”, refere Ella Lei.

ENFERMEIROS DEPUTADA QUER MAIS ESPECIALISTAS

Cuidados específicos As infra-estruturas de saúde tendem a aumentar, o número de médicos também, mas enfermeiros especializados continuam praticamente os mesmos desde 2012. O alerta é deixado por Ella Lei se formassem mais de 100 profissionais. Dentro das especialidades estavam inseridos os cuidados de maternidade, urgência, reabilitação psiquiátrica e infecciologia. Ainda assim, a deputada considera que o número de especialistas formados no território continua a ser insuficiente. A necessidade de uma avaliação cautelosa das

Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

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Anúncio Concurso Público para «Empreitada de Construção da Ligação de Drenagem Residual na Avenida da Ponte da Amizade – 2ª Fase» 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12.

MAK SOI KUN MONITORIZAR AVES MIGRATÓRIAS

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Ella Lei quer saber se o Executivo tem planos neste sentido, e salienta a área psi-

ELLA LEI DEPUTADA

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deputado Mak Soi Kun está preocupado com o possível transporte do vírus da gripe das aves para Macau através das aves migratórias. Em interpelação escrita Mak Soi Kun dá o exemplo de um colhereiro-cara-preta que foi recentemente detectado com o vírus H5N6 em Taiwan. Em alerta, o deputado recorda que aves da mesma família vivem em Macau, nomeadamente na zona de protecção ecológica do Cotai, e que muitas delas podem representar perigo de contaminação de gripe das aves em Macau. A causa, aponta, está o facto de serem aves migratórias que se deslocam sazonalmente à Austrália e podem, por isso, regressar contaminadas e representar perigo público. Para o deputado, cabe ao Governo tomar medidas para evitar um surto da doença em Macau. Neste sentido, Mak Soi Kun apela ao Executivo para a criação de um mecanismo de monitorização destes pássaros migratórios e de um outro responsável pela resposta face à possibilidade de uma epidemia local.

NECESSIDADE MENTAL

“Apesar do ligeiro aumento registado em 2015, em que os enfermeiros especializados no território somavam os 104, no ano passado o número voltou a cair para os 92.”

FORMAÇÃO INSUFICIENTE

Para a deputada, o número de pessoal especializado não acompanha as necessidades crescentes dos serviços de saúde locais tendo em conta a sua expansão. Ella Lei recorda que, em 2006, o Governo lançou o primeiro programa de formação de enfermeiros especialistas e em 2014 reforçou o mesmo com o curso do Instituto Politécnico de Macau para que, em conjunto com a instituição homónima de Hong Kong,

necessidades destes profissionais é imperativa, diz Ella Lei, tendo em conta previsões para os próximos dez anos de modo a que sejam alargadas e intensificadas as formações necessárias.

quiátrica como sendo aquela que precisa de mais atenção neste momento. Tendo em conta o crescente número de utentes nos serviços psiquiátricos e as promessas deixadas pelo Governo quanto ao aumento de médicos da especialidade e de psicólogos, Ella Lei questiona o Executivo se está também a pensar em enfermeiros. “Nos últimos anos, o desenvolvimento levou ao aumento de necessidades na área da saúde mental e em resposta a esta tendência, o Executivo tenciona, além de aumentar os médicos e os serviços psicológicos, aumentar também os enfermeiros especialistas neste sector?”, remata na missiva dirigida ao Governo.

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Entidade que põe a obra a concurso: Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas. Modalidade de concurso: concurso público. Local de execução da obra: na Avenida da Ponte da Amizade. Objecto da Empreitada: Construção da ligação de drenagem residual. Prazo máximo de execução: 360 (trezentos e sessenta) dias de trabalho (Indicado pelo concorrente; Deve consultar os pontos 7 e 8 do Preâmbulo do Programa de Concurso). Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 (noventa) dias, a contar da data do encerramento do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por série de preços. Caução provisória: $1 100 000,00 (um milhão e cem mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido ou renovado a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido ou da renovação de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar; Dia e hora limite: dia 24 de Janeiro de 2018 (quarta-feira), até às 17:00 horas. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, sala de reunião; Dia e hora: dia 25 de Janeiro de 2018 (quinta-feira), pelas 9:30 horas. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, hora e preço para obtenção da cópia e consulta do processo: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar; Hora: horário de expediente; Preço: $ 2 000,00 (duas mil patacas). Critérios de apreciação de propostas e respectiva proporção: - Preço da obra 50%; - Prazo de execução: 10%; - Plano de trabalhos 18%; - Experiência e qualidade em obras 22%. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar, a partir de 15 de Janeiro de 2018, inclusive, e até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.

Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 15 de Dezembro de 2017. O Coordenador Chau Vai Man


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27.12.2017 quarta-feira

Habitação pública a cair

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Governo tem de fiscalizar a qualidade da construção das habitações públicas e deve fazê-lo desde o início dos projectos. A directriz é dada pelo deputado Leong Sun Iok que alerta para os problemas repetidos nos prédios destinados à habitação pública. “Afectados pelo frio recente, os azulejos da parede do Edifício do Lago estão de novo partidos e a dificultar o acesso dos moradores além de representarem perigo para a sua circulação”, começa por dizer Leong Sun Iok. O problema não é novo e tem vindo a repetir-se naquelas construção já há muito tempo, alerta. Por outro lado, os residentes daquelas instalações “já não levam a sério as reparações levadas a cabo pelo Governo,

dizendo que não passam de reparos menores. No entanto, também admitem, diz o deputado, que “resolver o problema é difícil agora porque tem que ver com a própria construção”. Para Leong Sun Iok a situação tem essencialmente que ver com a ausência de fiscalização por parte do Governo quando se trata de construções públicas. Mas os problemas não se ficam pelo Edifício do Lago. De acordo com Leong Sun Iok, problemas relacionados com a queda de tijolos, infiltrações e ferrugem nos canos têm sido uma constante nas queixas dos residentes em edifícios de habitação pública. Na iminência de mais projectos deste género estarem neste momento a ser pensados, o deputado

PEDRO ANDRÉ SANTOS

Leong Sun Iok insiste na qualidade da construção

Lei do ruído Diploma está a ser revisto

O Governo de Macau iniciou a revisão da lei do ruído, justificando a medida com a “necessidade de obter um equilíbrio entre o tempo de descanso dos residentes e o desenvolvimento social”, anunciaram os Serviços de Protecção Ambiental. A revisão e melhoria da lei de Prevenção e Controlo do Ruído Ambiental visa “aperfeiçoar os processos de avaliação e aprovação no que se refere às excepções à execução dos projectos com interesse público de relevante importância (incluindo as obras rodoviárias que necessitam de ser executadas durante o período nocturno)”, refere em comunicado a Direção dos Serviços de Proteção Ambiental (DSPA). Outro objectivo é “esclarecer as situações excluídas sobre a realização das actividades destinadas ao interesse público nos espaços públicos, para responder às demandas da sociedade”. A revisão da lei é iniciada dois anos após a entrada em vigor da mesma, tendo a DSPA justificado que a medida está “conforme o plano de acções previamente programado”, e que a proposta de melhoramento já foi apresentada ”ao Conselho Consultivo do Ambiente, aos sectores relacionados e às entidades públicas envolvidas”. Sem revelar números, a DSPA diz ter registado descidas no número de queixas e de infracções relacionadas com o ruído, indicando que este ano houve uma diminuição de cerca de 16 por cento e 46 por cento, respectivamente, em comparação com o período homólogo de 2015.

Chui Sai On quer construir na Grande Baía

pretende saber de Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, têm algum

plano de monitorização dos projectos e das obras “para não repetir os mesmos erros”. S.M.M.

O Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado divulgou que os Chefes do Executivo de Hong Kong e de Macau, Chui Sai On e Carrie Lam, na visita que fizeram a Pequim, indicaram junto do Governo Central a expectativa de ter apoios para a construção de hospitais, escolas e centros de idosos na zona da Grande Baía. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado organizou uma reunião, onde o director, Zhang Xiaoming, referiu que é necessário implementar com eficácia o plano do Governo Central, especialmente no que se refere ao pôr em prática o planeamento para o desenvolvimento da zona da Grande Baía. Para o efeito são necessários estudos relativos a políticas e questões jurídicas para facilitar a circulação de pessoal, mercadorias, fundos e informação. O responsável acrescentou ainda que é preciso conjugar as expectativas avançadas pelos Chefes do Executivo de Hong Kong e de Macau para concretizar projectos como hospitais, escolas e centros de idosos na zona da Grande Baía, e articular com as medidas e políticas envolvidas na ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 44/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário As propostas serão entregues na Secção de Expediente para os Assuntos Sociais e Cultura, de 1 de Dezembro de 2017, Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega de Equipamentos Laboratoriais Cedidos Como Contrapartida termina às 17,30 horas do dia 26 de Janeiro de 2018. do Fornecimento de Reagentes ao Centro de Transfusões de O acto público deste concurso terá lugar no dia 29 de Sangue dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Janeiro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. desde o dia 27 de Dezembro de 2017, todos os dias úteis, das A admissão a concurso depende da prestação de uma 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de caução provisória no valor de MOP242 000,00 (duzentas Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, e quarenta e duas mil patacas) a favor dos Serviços de da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia sujeitos ao pagamento de MOP 41,00 (quarenta e uma patacas), Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Serviços de Saúde, aos 15 de Dezembro de 2017 Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no O Director dos Serviços, Substituto website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Cheang Seng Ip

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 46/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor As propostas serão entregues na Secção de Expediente Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 7 de Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Dezembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega para «Fornecimento de Equipamentos Laboratoriais Cedidos termina às 17,45 horas do dia 17 de Janeiro de 2018. Como Contrapartida do Fornecimento de Reagentes ao Serviço O acto público deste concurso terá lugar no dia 18 de de Patologia Clínica dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Janeiro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. dos interessados desde o dia 21 de Dezembro de 2017, todos os A admissão a concurso depende da prestação de uma dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, caução provisória no valor de MOP230 000,00 (duzentas e na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, trinta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 41,00 (quarenta Seguro-Caução de valor equivalente. e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias Serviços de Saúde, aos 14 de Dezembro de 2017 (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros O Director dos Serviços, Substituto pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Cheang Seng Ip

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 45/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário As propostas serão entregues na Secção de Expediente para os Assuntos Sociais e Cultura, de 7 de Dezembro de 2017, Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento, aos Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega Serviços de Saúde, de equipamentos e de serviços de aluguer termina às 17,30 horas do dia 5 de Janeiro de 2018. de equipamentos destinados ao uso dos utilizadores para O acto público deste concurso terá lugar no dia 8 de Janeiro implementação do Sistema de Vales de Saúde», cujo Programa de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. dos interessados desde o dia de 21 Dezembro de 2017, todos os A admissão a concurso depende da prestação de uma dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, caução provisória no valor de MOP 276.400,00 (duzentas e na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, setenta e seis mil, quatrocentas patacas) a favor dos Serviços sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 46,00 (quarenta Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local Serviços de Saúde, aos 14 de Dezembro de 2017 de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet O Director dos Serviços, Substituto no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Cheang Seng Ip

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quarta-feira 27.12.2017

WTCC CIRCUITO DA GUIA ELEITO O MELHOR DE SEMPRE

No topo do mundo Nem Monza se compara. O Circuito da Guia foi considerado “o melhor de sempre”, por um painel de 18 países. E tudo começou numa tertúlia...

O CGPM

Circuito da Guia foi eleito como o “melhor circuito de todos os tempos” do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC), de acordo com um painel constituído pela imprensa de dezoito países e territórios, em que o Hoje Macau esteve representado. O circuito do território, que nasceu numa tertúlia de quatro amigos portugueses no Hotel Riviera em 1954, fez parte do calendário do WTCC de 2005 a 2014, regressando este ano para a penúltima prova da história do campeonato, onde Mehdi

Benanni e Rob Huff dividiram os triunfos, foi aquele que mais votos arrecadou por parte dos jornalistas que acompanharam o campeonato. Macau teve uma pontuação de 43 pontos, superando o circuito alemão de Nürburgring Nordschleife, que teve 27 pontos, e o mítico traçado de Monza, em Itália, que somou 16. Dos quatro circuitos portugueses por onde o WTCC passou nesta sua segunda iteração, Vila Real foi o melhor classificado, tendo o traçado citadino transmontano sido o sexto mais votado, com um total de 7 pontos.

Depois de treze anos o WTCC chegou ao fim no final da temporada de 2017. A partir de 2018, o campeonato passa a ser uma Taça do Mundo FIA e chamar-se-á WTCR – FIA World Touring Car Cup. A nova competição, que continua sob a égide do Eurosport Events, anunciou na pretérita semana o calendário de dez provas para 2018 e confirmou que visitará o Grande Prémio de Macau, de 15 a 18 de Novembro.

MONTEIRO FOI O “PILOTO DO ANO”

Os órgãos de comunicação social elegeram também o francês Yvan Muller, como o melhor

piloto de sempre do WTCC, e o Citroën C-Elysée recebeu o troféu de melhor carro. Já o piloto português Tiago Monteiro, que ainda se encontra a recuperar de um violento acidente num teste privado em Barcelona no passado mês de Setembro, foi eleito o “Piloto do Ano” pelo júri constituído por vinte e cinco jornalistas. Monteiro, que era líder isolado do WTCC quando sofreu o acidente que não lhe permitiu completar a temporada, recebeu 10 votos, ao passo que Norbert Michelisz teve sete e o campeão Thed Björk cinco. “Fico feliz com este troféu. Claro que gostava mais de ter vencido o campeonato, mas fico muito sensibilizado pela forma como estes jornalistas avaliaram o meu trabalho sabendo que não tive hipótese de continuar a correr. São estes pequenos detalhes que me fazem continuar focado na recuperação e com o regresso em mente”, afirmou o primeiro e único piloto português a triunfar na Corrida da Guia do Grande Prémio de Macau e que nas últimas semanas esteve no EUA onde visitou alguns médicos. Sérgio Fonseca

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SAÚDE RENOVADOS MANDATOS DOS MEMBROS DA DIRECÇÃO DOS INTERNATOS

O

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, decidiu renovar os mandatos dos membros da Direcção dos Internatos Médicos, cuja decisão entrou em vigor no passado dia 20. O médico Jorge Sales Marques é um dos membros que vê o seu mandato renovado, tal como Lam Wan Leng, médica consultora de Medicina Interna, ou Pang Heong Keong, responsável do Serviço de Cirurgia e chefe de serviço de Cirurgia Geral do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Ao todo, são 17 profissionais de medicina que fazem parte deste organismo.

IAS HOI VA POU NOMEADA VICE‑PRESIDENTE A PARTIR DO DIA 1

H

OI Va Pou foi nomeada vice-presidente do Instituto de Acção Social (IAS), cargo que começa a desempenhar a partir do dia 1 de Janeiro de 2018. A comissão de serviço terá a duração de dois anos. Segundo o despacho publicado em Boletim Oficial, Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, reconheceu a “competência profissional e aptidão para assumir o cargo”. Hoi Va Pou licenciou-se em Educação Social pela Taiwan Normal University, tendo sido, até ao momento da nomeação, chefe do departamento de Prevenção e Tratamento da Dependência do Jogo e da Droga do IAS desde 2016. O primeiro cargo que teve no IAS foi o de técnica superior do Gabinete para a Prevenção e Tratamento da Toxicodependência, entre 1994 a 1999.

Roubo Suspeito fica detido preventivamente

Um suspeito de roubo por câmbio de moeda estran‑ geira vai ficar em prisão preventiva. A informação foi adiantada em comunicado do Ministério Público, sendo que após interrogatório o arguido é tido como suspeito de crime de roubo agravado. A prisão preventiva foi a medida a aplicar de modo a evitar riscos de fuga e continuidade da actividade criminosa.

Tufão Galaxy doou 300 mil patacas

A concessionária de jogo Galaxy doou um total de 300 mil patacas para a Associação de Juventude Voluntária de Macau. Segundo um comunicado, o dinheiro vai servir para apoiar as famílias que ainda necessitam de apoio e que residem nas áreas de coloane, Porto Interior e bairro de São Lourenço. A Galaxy afirma já ter apoiado cerca de 20 associações de cariz social desde que o tufão Hato passou por Macau, para “estabelecer laços profundos com a comunidade”.


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FUNÇÃO PÚBLICA NÚMERO DE DEFICIENTES DIMINUIU FACE A 2015

Minoria sem lugar TIAGO ALCÂNTARA

Não subiu e até baixou. Dados relativos ao ano passado dos recursos humanos na Função Pública mostram que há 70 portadores de deficiência a trabalhar para o Governo, quando em 2015 eram 73. A tutela de Alexis Tam emprega 31 deles

27.12.2017 quarta-feira

Mais de três quartos dos efectivos portadores de deficiência encontram‑se distribuídos por duas secretarias, a secretaria para a Administração e Justiça (31,4%) e secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura (44,3%)

A

Assembleia Legislativa (AL) tem em mãos a análise de uma proposta de lei que visa dar reduções fiscais aos privados que contratem portadores de deficiência, mas no que toca ao funcionalismo público continuam a ser contratados poucos deficientes. O relatório dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) sobre os recursos humanos, relativo a 2016, mostra que trabalham no Governo um total de 70 deficientes, um número ainda mais baixo do que em 2015, quando trabalhavam na Administração 73 portadores de deficiência. A secretaria dos Assuntos Sociais e Cultura, de Alexis Tam, emprega 31 pessoas, enquanto que a secretaria para a Administração e Justiça, de Sónia Chan, emprega 22 pessoas. O relatório dos SAFP aponta que se verifica “que mais de três quartos dos efectivos portadores de deficiência se encontram distribuídos por duas secretarias, a secretaria para a Administração e Justiça (31,4%) e secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura (44,3%)”.

de pessoal operário. Por sua vez, 35,7 por cento exercem funções de aplicação técnica e administrativas. Há apenas um portador de deficiência nas áreas de pessoal de direcção e chefia e do pessoal assessor ou técnico agregado. “Não se verifica nenhum efectivo portador de deficiência nos grupos de pessoal de magistrados, docente e segurança”.

RELATÓRIO DOS SAFP

O mesmo relatório revela que “um quarto dos efectivos portadores de deficiência distribuem-se pelas outras secretarias e órgãos, exceptuando os serviços na dependência do Comissariado contra a Corrupção, Comissariado de Auditoria, a Assembleia Legis-

lativa e o Ministério Público que não apresentam nenhum efectivo portador de deficiência”. Olhando para os números do pessoal de toda a Administração Pública, os portadores de deficiência representam apenas 0,2 por cento, sendo que 72,9 por cento

detém um contrato administrativo de provimento. Deficientes motores em maioria Apesar de trabalharem no Governo, os portadores de deficiência não desempenham cargos elevados. A maioria, um total de 44,3 por cento, pertence ao grupo

É PRECISO INFORMAÇÃO ACESSÍVEL A TODOS

É

necessário desenvolver meios para garantir o acesso à informação das pessoas portadoras de deficiência. Sem descurar a necessidade de construção de um ambiente sem barreiras, o deputado Ho Ion Sang alerta para outras dificuldades sentidas pelos portadores de deficiência, além das de circulação. Para o deputado ligado à União Geral dasAssociações dos Moradores de Macau “é necessário garantir a circulação sem barreiras na sociedade assim como a transmissão de informa-

ção junto dos deficientes”, refere em interpelação. A questão, diz, é também levantada por várias entidades de cariz social e ligadas à reabilitação. Ho Ion Sang dá exemplos de casos que, considera, não se podem repetir. “Durante as eleições para os deputados à Assembleia Legislativa (AL) no passado mês de Setembro, vários portadores de deficiência auditiva manifestaram a falta de tradução gestual e de serviço de transmissão de informação escrita no dia

do início da campanha eleitoral, sendo que era necessário entrar em contacto com o pessoal de instituições sociais para traduzir as informações”, exemplifica. Tendo em conta a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Ho Ion Sang sublinha a responsabilidade do Governo em assegurar a divulgação de informação de forma clara e eficiente às pessoas portadoras de deficiência e para o efeito criar os meios necessários para o fazer. V.N.

Na área administrativa trabalham 24,3 por cento dos deficientes, sendo que mais de 40 por cento são portadores de deficiência motora, enquanto que quase 30 por cento têm surdez. No sector da saúde 14,3 por cento dos trabalhadores são deficientes. O relatório dos SAFP conclui que se observa “uma predominância de deficiência motora nos trabalhadores portadores de deficiência nas áreas dos recursos humanos, acção social, atendimento, informática, área jurídica, serviço auxiliar, área editorial ou de produção gráfica, administrativa e judicial”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Kiang Wu Hospital com serviços condicionados a 1 de Janeiro

O Hospital Kiang Wu vai ter os serviços de saúde condicionados no primeiro dia do ano de 2018, sendo que garante reforço de serviços nas urgências. Sem interferências vão estar os serviços de hemodiálise, em funcionamento entre as 7h15 e as 24h. Já os serviços de enfermagem e de consulta externa serão efectuados na sala de urgências entre as 8h e as 11h.


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quarta-feira 27.12.2017

U

MA reportagem do Oriental Daily News de Hong Kong gerou alguma controvérsia em Macau. A peça descreve as parcas condições de habitabilidade do Bairro das Missões, perto do Estabelecimento Prisional de Macau, e relata a falta de água canalizada e electricidade em muitas casas, que poderiam ser descritas como barracas. A reportagem motivou uma resposta de Ng Kun Cheong, coordenador-adjunto do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, diz que na opinião dos moradores mais idosos do Bairro das Missões o local reúne condições satisfatórias para ali se viver. O responsável do órgão consultivo foi mais longe em declarações ao Jornal Ou Mun ao sugerir que como a maioria das pessoas que moram no bairro é estrangeira o Governo deveria apostar na habitação pública para benefício da população.

IMPRENSA MORADORES DO BAIRRO DAS MISSÕES INDIGNADOS COM REPORTAGEM NEGATIVA

Uma história mal contada

O Jornal Ou Mun publicou um artigo dando conta do descontentamento dos moradores do Bairro das Missões devido a uma reportagem feita por um jornal de Hong Kong. O Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas repudia a ideia de más condições de vida no bairro de Coloane

INFERNO DA TERRA

O Bairro das Missões têm sido, há algum tempo a esta parte, matéria de reportagem para o Oriental Daily News que descreve o lugar como um autêntico inferno, tecendo fortes críticas às insuficiências do Governo na gestão do bairro. Ng Kun Cheong, responsável do Conselho de Serviços Comunitários das Ilhas, entende que a reportagem é intencionalmente exagerada e deslocada da realidade. Em declarações ao Ou Mun, representante do órgão consultivo insurge-se com a comparação do local a um inferno. O terreno do Bairro das Missões foi concedido pelo

O

Governo por arrendamento a uma organização religiosa que acabou por utilizar o local para acolher pessoas com dificuldade financeira. No fundo, em

regime de gestão de resíduos de materiais de construção vai ser legislado no primeiro semestre do próximo ano. De acordo com Direcção de Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), a proposta já foi melhorada após consulta pública e, desta feita, vai substituir a fracturação em papel relativa ao tratamento e transporte de resíduos por uma modalidade de cobrança electrónica. De modo a proceder a esta medida a DSPA reuniu já com os sectores envolvidos e pretende com a iniciativa diminuir na fonte resíduos de materiais de construção com a colaboração da sociedade e

redor da igreja foram construídas pequenas habitações para pessoas pobres. Segundo o relato de Ng Kun Cheong ao Ou

“Se calhar pode-se construir habitação pública para que as pessoas voltem a viver ali. Actualmente há muitas pessoas estrangeiras que moram ali como filipinos e quenianos, e não são locais.” NG KUN CHEONG CONSELHO DE SERVIÇOS COMUNITÁRIOS DAS ILHAS

Mun, após a reportagem do Oriental Daily News, a organização religiosa solicitou ao conselho consultivo de serviços comunitários que se façam visitas aos moradores e que se faça um levantamento demográfico e das condições de habitabilidade do Bairro das Missões. Questionado sobre a possibilidade do Governo recuperar o terreno para outros fins, o responsável do órgão consultivo espera que se entre em comunicação com a organiza-

Lixos reciclados

Proposta vai ser legislada no primeiro semestre de 2018

dos sectores envolvidos”, lê-se em comunicado oficial.

VISÃO DE FUTURO

Na reunião com os sectores que irão participar na iniciativa, foram ainda definidos os planos de tratamento de resíduos a curto médio e longo prazo. O início das obras de melhoramento das características geológicas dos aterros é a prioridade. De acordo com a DSPA, o objectivo

é “consolidar as lamas da camada inferior da zona de aterro, com métodos de execução das obras de construção civil, para as estabilizar e criar mais espaço”, refere o mesmo comunicado. Está também projectado o destino dos materiais inertes resultantes de demolições e construções. “Depois de serem selecionados e servirem de material de enchimento podem ser aplicados no aterro da zona E1 dos Novos Aterros Urba-

ção religiosa a quem foi cedido o terreno. “Se calhar pode-se construir habitação pública para que as pessoas voltem a viver ali. Actualmente há muitas pessoas estrangeiras que moram ali como filipinos e quenianos, e não são locais”, disse ao Jornal Ou Mun. Um morador idoso de apelido Wong do Bairro das Missões contou ao Jornal do Cidadão que não precisa pagar renda de casa, e não tem problemas com o fornecimento de água e

de electricidade, acrescentando que o transporte é conveniente. A outra moradora idosa de apelido Choi também considera que as condições residenciais no bairro são satisfatórias. A moradora ouvida pelo Ou Mun revelou que desde a publicação da reportagem pessoas dirigiram-se ao bairro para distribuir arroz, o que para a idosa não é necessário. Vítor Ng

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nos”, explica o Governo.Aintenção, afirma a DSPA, é atenuar a pressão no aterro actualmente existente. Já a médio prazo, “planeia-se que se apliquem os materiais inertes de demolição, construção e lamas que satisfaçam a respectiva qualidade, servindo como alguns dos materiais de enchimento do aterro na zona D dos Novos Aterros Urbanos”. O tratamento dos materiais inertes resultantes de demolição e construção mediante cooperação inter-regional é o plano traçado para ser concretizado a longo prazo. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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IC Já são conhecidos os projectos cinematográficos a ser financiados

A

segunda fase de selecção do “Programa de Apoio à Produção Cinematográfica de Longas Metragens 2016” do Instituto Cultural (IC) foi concluída tendo sido seleccionados quatro candidatos como beneficiários do Programa. Cada filme seleccionado poderá receber um apoio financeiro no montante máximo de 1.500.000,00 patacas para cobrir os custos de produção, promoção e marketing do filme. Foram recebidas no total 15 candidaturas este ano. Após a selecção inicial e a segunda fase de selecção, o júri seleccionou quatro beneficiários e os respectivos projectos cinematográficos: “The Happiest Time” de Hong Heng Fai, “Madaleba” de Chan Nga Lei, “Wonderful World” de Chao Koi Wang e “The Beautiful Game” de António José Caetano de Faria. De acordo com a organização, “o Programa deApoio à Produção Cinematográfica de Longas Metragens 2016 visa promover o desenvolvimento da indústria cinematográfica de Macau, fomentar talentos de cinema locais, dar oportunidade de produção de longas metragens aos autores de filmes locais , incentivar os cineastas a envolverem-se na produção cinematográfica de longas metragens, bem como melhorar a capacidade de produção da indústria cinematográfica local”. Os membros do júri incluíram o realizador e argumentista de Hong Kong, Chiu Liang Ching; o produtor executivo e responsável pelo marketing de Taiwan, Ya-Mei Li e o responsável pela distribuição e marketing de Taiwan, Yao Ching-Yu.

27.12.2017 quarta-feira

O

S antepassados chegaram entre 1510 e 1512. Hoje, não têm um nome português, nem sabem onde fica Portugal, mas dizem-se portugueses. Esta certeza está em histórias contadas oralmente desde que os exploradores portugueses aportaram à Birmânia.Ahistória é contada no livro de James Myint Swe, “Cannon Soldiers of Burma”, cuja versão portuguesa vai ser lançada em Portugal e em Macau, no primeiro trimestre de 2018, pela Gradiva e a Macaulink, com o apoio do Instituto Internacional de Macau. “É extraordinário que, na mesma zona onde os portugueses se estabeleceram pelo ano de 1633, em Ye U, uma localidade situada entre os rios Chindwin e Mu [norte da Birmânia], as populações continuem a sentir-se portuguesas”, sem qualquer contacto e a mais de nove mil quilómetros de distância, contou o autor à Lusa. “Não se sabe ao certo a dimensão destas populações... cerca de 200 a 300 pessoas por aldeia, o que nas localidades maiores poderá ir até às duas/três mil. As autoridades estão a tentar fazer um levantamento para saber quantas aldeias existem e quantas pessoas ali vivem”, acrescentou James Swe, que nasceu Chan Tha Ywa, na zona de Ye U, em 1947. As pessoas desta zona “parecem europeus, o cabelo e a pele são mais claros, alguns têm olhos verdes” e são maioritariamente católicos, disse, lembrando que, nos anos 1970, o Governo não reconhecia esta população como birmanesa. “Para o Governo, erámos estrangeiros”, afirmou o autor, formado em ciência política pela Universidade de Western Ontario, Canadá. À medida que a aposta das autoridades no ensino cresce no país e que os acessos à zona melhoram, os elementos mais jovens destas comunidades deslocam-se para as cidades para entrar nas escolas e “esta relação com Portugal começa a perder-se”, alertou James Swe, a residir no Canadá desde 1976.

BIRMÂNIA

No princíp era o tuga

LIVRO DESVENDA PRESENÇA PORTUGUESA MAIS DE 500 ANOS DEPOIS

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OBRIGASTE-ME A MATAR-TE • Ana Isabel Fonseca, Tânia Laranjo

Esta é a história de Maria. Um relato na primeira pessoa de uma mulher que sonhou com um casamento perfeito e uma vida feliz ao lado de Rui e viveu um verdadeiro pesadelo, entre quatro paredes, durante décadas. Em silêncio, marcada no corpo e na alma pelas mãos, pontapés e palavras malditas do marido, assistindo à violência contra as suas filhas, incapaz de reagir, demasiado assustada, demasiado dependente... até ao dia em que a coragem suplanta a dor e a vergonha, pega numa arma, que mais cedo ao mais tarde a iria matar, e assassina o marido, o pai das filhas, o homem que jurou respeitá-la e amá-la, no cimo de um altar. Esta é a história da Maria, mas poderia ser da Ana, da Sofia, da Francisca, etc... Em 2010 morreram quarenta e três mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal, 29 delas já com queixas apresentadas às autoridades. As jornalistas Ana Isabel Fonseca e Tânia Laranjo lidam diariamente com casos de violência doméstica que acontecem todos os dias no nosso país. Esta é uma viagem a um mundo de dor e sofrimento, de sentimentos e vergonha que não pode deixar ninguém indiferente.

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O PRIMEIRO ALQUIMISTA A IDADE DO BRONZE EM PORTUGAL • Sofia Martinez

Quando a jovem Breia recupera a consciência depara-se com Bran, o grande mestre fundidor da aldeia e Tor, o seu corajoso aprendiz. Estes calcorreavam o vale em busca do precioso minério, para forjar ma bronze. Breia assusta-se ante os dois estranhos. Sentia ainda o cansaço e o medo de ter sido persegui dias por dois homens que a ameaçavam com os seus machados. Sentia as dores no corpo de ter caíd abismo, de onde nunca imaginara poder sair. Mas, ao cruzar os seus olhos com os de Tor, Breia vê nele o de abrigo, o seu salvador. O mestre fundidor decide adoptar a jovem, que se recusa a dizer o seu nome as suas origens, e leva-a para a sua pequena aldeia. Decide chamar-lhe Nan-tai e é com este novo n jovem se adapta à sua nova vida. No entanto, tudo se complica quando o povo do Norte vem à aldei para entregar Raina, a noiva de Binan, o filho do chefe da aldeia. O segredo de Breia seria finalmente d


eventos 11

quarta-feira 27.12.2017

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S

a da Fraga, achados de ida durante do naquele o seu porto e e a revelar nome que a ia da Fraga descoberto.

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Erva-benta Nome botânico: Geum urbanum L. Família: Rosaceae. Nomes populares: CARIOFILADA; CARIOFILADA-MAIOR; CRAVOILA; ERVA-BENTA; ERVASANTA; SANAMUNDA.

Mas este afastamento já vem de longe e está retratado na declaração atribuída pelo investigador ao capitão António do Cabo que, em 1628, em Ava, no norte birmanês afirmou: “Muitos de nós nascemos em Portugal, ou pelo menos em Goa [Índia]. Passámos muitos anos aqui na Birmânia. Sempre nos sentimos como prisioneiros, ou hóspedes, ou visitantes. Agora chegou a altura de aceitar que a Birmânia é o nosso país. Ainda somos portugueses, mas nunca voltaremos a ver Portugal. Alguns de vós nunca viram”. O objectivo deste livro, com primeira edição em inglês em 2014, era divulgar a história dos portugueses no país e, ao mesmo tempo, o papel de exploradores, comerciantes e soldados vindos de Portugal a partir do século XVI na estrutura actual da Myanmar, disse. “Com as armas que trouxeram e as alianças que cimentaram com os reinados Mon, Arakan [Rakhine, na atualidade] e Bama/Birmanês, os portugueses foram determinantes na construção da actual Birmânia”, sublinhou James Swe. Os 300 anos que medeiam entre a chegada dos portugueses (1500) e os ingleses (1800) foram quase eliminados da história oficial do país, acrescentou. “Eu só conheci estas histórias porque, durante as férias do verão, os meus avós falavam da vida de Paulo

Seixas ou Luísa de Brito”, afirmou sobre alguns dos longínquos protagonistas de guerras, alianças, traições e comércio no país, que faz fronteira com a China, o Bangladesh, o Laos e a Tailândia. “Foi no Canadá que descobri que a História e aquilo que os meus familiares contavam coincidiam”, disse, sublinhando as dificuldades de estender a pesquisa aos arquivos birmaneses, fechados desde 1962 pelo regime militar. Para James Swe, é “altura de reaproximar os dois países”, num momento em que a Birmânia precisa de consolidar a implantação do regime democrático, depois da vitória eleitoral da Liga Nacional para a Democracia (LND), em 2015. A Birmânia é uma terra rica e de oportunidades de negócios. “Os empresários portugueses podiam começar com pequenos negócios, como restaurantes, e depois expandir para outras áreas”, considerou James Swe, cujas pesquisas se estenderam por dez anos, entre o Reino Unido, o Canadá e Portugal. Impedido de entrar nos últimos 40 anos na Birmânia, Swe contou com a ajuda de amigos e familiares no país para investigar a história dos seus ancestrais. Neste período, voltou pela primeira vez a Myanmar, em 2012.

Nativa da Europa e Ásia Central, sobretudo nas regiões montanhosas, a Erva-benta é uma planta frequente nas bermas dos caminhos, bosques, sebes, muros e locais sombrios e húmidos. Apresenta caules finos, erectos, ramosos e pubescentes, e folhas dentadas, divididas em vários lóbulos desiguais; as flores são discretas, pequenas e solitárias, de cor amarela e com cinco pétalas e, os frutos (aquénios), encimados por compridos estiletes recurvados, formam na extremidade dos caules pequenas esferas cobertas de pêlos; o rizoma é curto, rugoso, castanho. Alcança 60 cm de altura. O seu nome latino, Geum, deriva do grego, geno, e significa que tem um agradável cheiro, numa alusão ao aroma peculiar da planta, especialmente do rizoma, semelhante ao do Cravinho; o seu nome Cariofilada remete para a mesma planta. Conhecida como planta medicinal desde a Antiguidade, a Erva-benta foi mencionada por Plínio, o Velho, famoso naturalista romano, na sua História Natural; ainda no século I, Dioscórides também escreveu sobre ela. Durante a Idade Média atribuíam-lhe poderes mágicos e Santa Hildegarda, no século XII, devido às suas virtudes designava-a por Benedicta. Foi ainda referida por Laguna e Culpeper. Este último dizia assim: «É uma planta governada por Júpiter. É boa para as enfermidades do peito e da respiração, e nas dores das costas; dissolve o sangue interno congelado provocado pelas quedas ou arranhões, e a expectoração com sangue, se bebemos a raiz de ela cozida com vinho. É uma planta muito segura e haveria de estar em todas as casas». Em fitoterapia são usados os rizomas e as raízes, por vezes, as folhas. Composição Taninos em elevado teor, especialmente gálhicos; óleo essencial (com eugenol), lactonas sesquiterpénicas amargas (cnicina), resina, amidos, gomas, flavonóides, sais minerais e vitamina C. Sabor amargo e adstringente. Acção terapêutica Poderoso adstringente, a Erva-santa é um anti-inflamatório e anti-séptico das mucosas do aparelho digestivo, reduzindo a irritação do estômago e intestinos, combate as diarreias e detém as hemorragias;

também é analgésica. É recomendada no tratamento da gastroenterite, diarreia, disenteria, dor de estômago e síndrome do cólon irritável. Considerada um tónico amargo, esta erva estimula a produção dos sucos digestivos, abrindo o apetite e activando a digestão; tonifica ainda o estômago. É usada na falta de apetite, anorexia, astenia, convalescença de doenças febris ou debilitantes e dispepsia (digestão difícil, flatulência). Como tónico digestivo, é particularmente indicada para a terceira idade. A Erva-benta aumenta a sudação, reduzindo a febre, e tonifica o organismo. Já foi usada na febre e como sedativo suave. Também diminui a pressão arterial. Outras propriedades Usada externamente, esta erva contrai e seca a pele e mucosas, desinflama e desinfecta-as, detém as hemorragias e auxilia a cicatrização das feridas. É muito utilizada nas afecções da cavidade bucal, tanto no tratamento como na prevenção, constituindo um autêntico dentífrico natural em caso de aftas, gengivite, piorreia, periodontopatias e úlceras da boca; desodoriza e combate o mau hálito provocado pela inflamação das gengivas e acalma as dores de dentes. É igualmente empregue nas infecções da faringe, feridas de difícil cicatrização e úlceras da pele, dermatites, eritemas, hemorróidas, corrimento vaginal excessivo, conjuntivite e blefarite. Como tomar Uso interno: • Infusão dos rizomas e raízes: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente. Tomar 3 ou 4 chávenas quentes por dia. Não convém adoçar. • As folhas e as raízes podem ser usadas na alimentação, em substituição do Cravinho, em sopas e ensopados. A Erva-benta também serve para aromatizar a cerveja artesanal. Uso externo: • Decocção dos rizomas e raízes: 30 gramas por litro de água. Aplicar topicamente em bochechos e gargarejos, lavagens e compressas, como loção, em banhos de assento, irrigações vaginais, lavagens oculares ou em colírio. Precauções Devido ao conteúdo em taninos, pode provocar náuseas e vómitos em pessoas sensíveis – respeitar as posologias; o seu uso continuado pode irritar a mucosa gástrica. A Erva-benta não deve ser utilizada por pessoas com gastrite ou úlcera gastrintestinal. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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27.12.2017 quarta-feira

PAULO DUARTE DEFENDE INCLUSÃO DE SINES NA INICIATIVA UMA FAIXA, UMA ROTA

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académico português Paulo Duarte defendeu que Portugal deve persuadir a China a incluir o porto de Sines na “Nova Rota da Seda”, um gigantesco projecto de infra-estruturas inspirado nas antigas vias comerciais entre Ásia e Europa. “Devemos mostrar à China que na faixa e rota os comboios não terminam em Madrid, mas em Lisboa ou Sines”, disse o autor do primeiro livro em português sobre a iniciativa “Nova Rota da Seda”. Doutorado em Ciências Políticas e Sociais pela Universidade Católica de Louvaina, Paulo Duarte desenvolveu em Taiwan, Ásia Central e República Popular da China a investigação que deu origem à obra “Faixa e Rota Chinesa - A Convergência entre Terra e Mar”. Lançada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a “Nova Rota da Seda” inclui uma malha ferroviária intercontinental, novos portos,

SOFIA MARGARIDA MOTA

Com vista para as Américas

aeroportos, centrais eléctricas e zonas de comércio livre, visando ressuscitar vias comercias que remontam ao Império romano, e então percorridas por caravanas. Um dos principais objectivos é criar uma ligação ferroviária de alta velocidade entre Pequim e Londres, que demoraria 48 horas a percorrer.

Gao Zhikai, antigo intérprete do líder chinês Deng Xiaoping e mestre em Ciências Políticas pela Universidade de Yale, considerou a “Nova Rota da Seda” uma “nova forma de pensar o desenvolvimento” e “combater a pobreza”, ao “complementar a falta de conectividade entre países”. “Mesmo na Europa, os problemas de

Profissão de alto risco Activista condenado a oito anos de prisão por subversão

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detenção de Wu ocorreu em Agosto de 2016, altura em que o activista acusou as autoridades de o terem torturado. Wu Gan foi detido pela primeira vez em Maio de 2015, na sequência de um protesto em Nachang (sudeste) contra a detenção e tortura de quatro homens que as autoridades queriam que admitissem um crime. Os quatro foram absolvidos no ano passado. O activista também trabalhou como assistente administrativo da firma de advogados Fengrui em Pequim, conhecida por trabalhar em casos sensíveis, como por exemplo, ASSOCIATED PRESS

M tribunal chinês condenou ontem o activista Wu Gan, conhecido por denunciar injustiças, a oito anos de prisão por subversão contra o Estado. O Tribunal Popular Intermediário n.º 2 de Tianjin, cidade a cerca de 200 quilómetros a sudeste de Pequim, declarou Wu culpado de subversão contra o Estado e anunciou a sentença de oito anos de prisão. Conhecido na Internet pelo nome “Super Carniceiro Vulgar”, Wu vai recorrer da sentença, anunciou o advogado Ge Yongxi. Depois da leitura da sentença, o activista disse “estar grato ao partido por lhe conceder tão sublime honra”, acrescentou Ge. “Vou manter-me fiel à nossa aspiração original, arregaçar as mangas e fazer um esforço extra”, afirmou Wu, usando as frases mais conhecidas do Presidente chinês, Xi Jinping, quando pede aos membros do Partido Comunista Chinês para melhorarem o seu trabalho. O julgamento de Wu Gan começou a 14 de Agosto último. A última

pobreza estão ligados à falta de desenvolvimento ou a um desenvolvimento que não foi estruturado de forma racional”, comentou à Lusa. No conjunto, o Banco de Desenvolvimento da China estima um investimento total de 900 mil milhões de dólares, distribuído por 900 projectos. A ligação ferroviária mais longa e já em funcio-

na defesa das vítimas do leite em pó contaminado com melamina, em 2008. A firma acabou por se tornar central na campanha das autoridades contra advogados e activistas dos direitos humanos, em Julho de 2015, durante a qual foram detidas e interrogadas cerca de 300 pessoas. Muitas foram libertadas posteriormente. Wu tornou-se conhecido em 2009 quando denunciou o caso de uma jovem, Deng Yujiao, que matou um político local que tentou abusar sexualmente dela. O caso tornou-se muito mediático e inspirou parte do filme “Um Toque de Violência” do realizador chinês Jia Zhangke, cujo argumento foi premiado no Festival de Cannes de 2013.

namento vai desde Yiwu, um ‘hub’ comercial na costa leste da China, até Madrid, e atravessa o Cazaquistão, Rússia, Bielorrússia e Polónia, entrando na Europa central através da Alemanha. Lisboa tem insistido na inclusão de uma rota atlântica no projecto chinês, o que permitiria a Sines conectar as rotas do Extremo Oriente ao Oceano Atlântico, beneficiando do alargamento do canal do Panamá. “Em Sines, os comboios podem descarregar os contentores, que daí seguiriam para asAméricas. Temos aqui uma grande potencialidade para desenvolver Sines”, apontou Paulo Duarte. Para o académico português, a iniciativa chinesa visa projectar o país asiático como um actor internacional inclusivo e responsável, “credibilizar o regime chinês” e “dar trabalho às empresas e trabalhadores chineses”. Surge também numa altura em que os Estados Unidos de Donald Trump rasgam compromissos internacionais sobre o clima, comércio ou

migração, impelindo a China a assumir a vontade de liderar em questões internacionais. “É uma mudança histórica na posição da China no mundo”, disse He Yafei, antigo vice-ministro chinês dos Negócios Estrangeiros. “A Nova Rota da Seda combaterá a onda antiglobalização”, acrescentou, durante um fórum dedicado à iniciativa, realizado no mês passado em Zhuhai, no extremo sudeste da China. Críticos do projecto chinês apontam, no entanto, os perigos para os Direitos Humanos e para o ambiente associados à exportação do modelo de desenvolvimento da China, e a contradição entre a retórica globalista de Pequim e a sua política interna. Sob a direção de Xi, a China reforçou o combate à influência estrangeira na sociedade civil, meios académicos ou Internet, apontam organizações de defesa dos Direitos Humanos, enquanto Bruxelas e Washington criticam o país asiático pelas barreiras que impõe ao investimento estrangeiro em vários sectores. No ‘ranking’ da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que avalia a abertura ao investimento directo estrangeiro, a segunda maior economia mundial ocupa o 59.º lugar, entre 62 países.

TAIWAN VAI FABRICAR MISSEIS DE MIL QUILÓMETROS DE ALCANCE

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Ministério de Defesa de Taiwan planeia fabricar em breve uma actualização dos mísseis terra-terra Hsiung Feng IIE, com alcance de mais de 1.000 quilómetros, segundo o jornal em língua chinesa Shangbao. Os mísseis de cruzeiro Hsiung Feng IIE foram testados pela primeira vez em 2008 e actualmente têm um alcance de 600 quilómetros, refere o Shangbao. Por outro lado, o míssil ar-ar Tien Chien II foi melhorado para aumentar o seu alcance de 60 para 100 quilómetros, passou os testes, e estão planeadas versões para o seu uso na marinha, escreve hoje o diário Taipei Times, citando fontes militares anónimas. O anúncio de melhorias nos mísseis taiwaneses ocorre numa altura de crescentes actividades militares da China perto de Taiwan, com fre-

quentes passagens de aviões militares chineses perto da zona de identificação de defesa aérea da ilha. A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, disse na sexta-feira através da sua página de Facebook, que as frequentes manobras militares chinesas perto de Taiwan estavam a afectar “a estabilidade regional” e que a ilha “estava atenta” para se defender contra qualquer tipo de ameaça à sua segurança. Na semana passada, a força aérea chinesa realizou as suas 10.ª manobras nas proximidades de Taiwan desde o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado em Outubro. A China e Taiwan mantêm uma disputa de soberania sobre a ilha, e Pequim tem ameaçado com ataques militares caso Taiwan declare formalmente a independência.


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quarta-feira 27.12.2017

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URANTE os últimos dez anos, um fundo de desenvolvimento chinês investiu biliões de dólares em África. Chi Jianxin, presidente do Fundo de Desenvolvimento China-África, disse à Xinhua que o fundo tem US$ 4,5 mil milhões para investir em 91 projectos em 36 países, com mais de US$ 3,2 mil milhões já destinados. “Após a conclusão de todos os projectos, o fundo colocará mais de US$ 20 mil milhões das empresas chinesas na África”, assinalou Chi. Para apoiar as empresas na África, o fundo foi estabelecido em 2007 depois da Cimeira de Pequim 2006 do Fórum de Cooperação China-África. A escala inicial do fundo era US$ 5 mil milhões, mas o volume expandiu para US$ 10 mil

FUNDO CHINÊS AJUDA NO DESENVOLVIMENTO DE ÁFRICA

Investir, investir, investir milhões em 2015. Investiu-se nas áreas de infra-estrutura, cooperação da capacidade de produção e agricultura. Quando forem concluídos, os projectos produzirão 11 mil camiões, 300 mil aparelhos de ar condicionado, 540 mil frigoríficos, 390 mil televisões e 1,6 milhão de toneladas de cimento todos os anos, aumentando as exportações da África em US$ 2 mil milhões e a receita tributária em US$ 1 mil milhões anualmente, segundo Chi.

Inaugurada maior ponte de vidro do mundo

A ponte de vidro mais longa do mundo, de 488 metros de comprimento e suspensa a 218 metros sobre um vale, foi inaugurada este fim de semana na província chinesa de Hebei, informou a televisão estatal CCTV. A estrutura, construída pela empresa Bailu Group, foi inaugurada no domingo, numa cerimónia a que assistiram cerca de 3.000 turistas, os quais puderam experimentar na primeira pessoa a vertiginosa sensação de passar por uma ponte com piso transparente, situada entre dois penhascos, no parque natural de Hongyagu. O piso da ponte é composto por 1.077 placas de vidro com apenas quatro centímetros de espessura, numa estrutura reforçada por 12 cabos que pesam 126 toneladas, capazes de suportar terramotos de até magnitude 6 e tufões de até sinal 12 (o máximo na escala de Beaufort). “A nossa ponte foi desenhada para aguentar mais de 3.000 pessoas, mas para garantir a segurança de todos os turistas só aceitamos 600 de cada vez”, disse à CCTV Yang Shaobo, diretor da empresa responsável pela construção. Até agora, a ponte de vidro mais comprida do mundo era uma estrutura de 430 metros no parque natural de Zhangjiajie, que inspirou as Montanhas Aleluia do filme Avatar, estrutura que continua, no entanto, a ostentar o recorde da altura, já que está suspensa a 300 metros.

“Diferente à assistência ou empréstimos, o fundo leva mais capital à África com o seu próprio investimento”, acrescentou. “A medida é bem recebida, pois permite que os países impulsionem os projectos sem crescimento da carga de dívida e aumentem sua própria capacidade de desenvolvimento”, disse Chi. Nos últimos anos, a África goza de uma situação política geralmente estável com um rápido crescimento económico, mais

Xangai fixa limite de população

residentes urbanos e consumidores de classe média, e uma maior procura pelas mercadorias de consumo. Muitos países africanos têm vantagens geográficas, baixo custo de mão-de-obra e um bom ambiente de comércio. “A infra-estrutura, manufactura e campos agrícolas da África continuam com um desenvolvimento saudável e têm um enorme potencial, portanto, estamos confiantes nas possibilidades”, disse Chi. O fundo planeia fazer mais investimento

A cidade de Xangai anunciou que vai fixar um limite máximo de 25 milhões de residentes, imitando uma política que na capital da China, Pequim, levou à expulsão de milhares de migrantes e ao encerramento de negócios. Com 24 milhões de habitantes, Xangai é actualmente a cidade mais populosa da China. De acordo com um plano de desenvolvimento urbano de Xangai para o período 2017-2035, a população não pode aumentar além dos 25 milhões de residentes e o limite de extensão das zonas urbanas é de 3.200 quilómetros quadrados, o que equivale a mais de metade da área do município. Pequim fixou limites idênticos para a população, que não ultrapassar os 23 milhões de habitantes, e para a extensão das zonas urbanas que não pode ser superior a 2.760 quilómetros quadrados até 2035. Esta medida traduziu-se já no encerramento de centenas de pequenos estabelecimentos comerciais nas áreas mais populares da capital, apesar dos protestos de alguns afectados. As autoridades chinesas estão a retirar pessoas de Pequim, desde 18 de Novembro, quando um incêndio num edifício de habitação causou 19 mortos. A medida desencadeou uma onda de indignação entre a população local, levando uma centena de intelectuais chineses a exigir, numa carta, o fim de uma campanha que classificaram como “impiedosa e contrária aos direitos humanos”.

e destinar mais capital a África sob a iniciativa Uma Faixa, Uma Rota e as políticas chinesas sobre a cooperação internacional em capacidade de produção e manufactura de equipamento. No processo, o fundo permanece uma atitude aberta para a cooperação com os países não africanos e as organizações internacionais, pois considera o desenvolvimento africano como a responsabilidade conjunta da comunidade internacional, assinalou Chi.

Primeiro voo do maior avião anfíbio... do mundo O maior avião anfíbio do mundo, o AG600, realizou hoje o seu voo inaugural na China, um ano e meio depois de ter sido construído. O AG600, que é também o primeiro avião anfíbio de grande dimensão construído na China, levantou voo pelas 09:39 do aeroporto civil de Jinwan, de Zhuhai, cidade no sul do país, sede anual da maior feira de aviação da China, informou a agência de notícias oficial Xinhua. Com um tamanho semelhante ao de um Boeing 737, é de longe maior do que qualquer outro avião construído para descolar e pousar na água, de acordo com informações reveladas anteriormente pela estatal Aviation Industry Corporation of China (AVIC), que desenvolveu o aparelho. O novo aparelho, cuja fuselagem tem 39,6 metros de comprimento, foi desenhado para combater incêndios florestais e para ser utilizado em operações de resgate no mar. “O bem-sucedido voo inaugural [que durou cerca de uma hora] faz da China um dos poucos países com capacidade para desenvolver um avião anfíbio de grandes dimensões”, afirmou Huang Lingcai, designer chefe do AG600, citado pela Xinhua. O aparelho, alimentado por quatro turbopropulsores construídos na China, com uma autonomia de voo 12 horas, tem capacidade para atingir uma velocidade cruzeiro máxima de 500 quilómetros por hora, de acordo com a AVIC.


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27.12.2017 quarta-feira

O que sei do que aprendi, que não o hábito de esquecer? António de Castro Caeiro

Somos Contemporâneos do Impossível S 1

(Parte I)

OMOS contemporâneos do Impossível desdobra-se em quatro grandes frentes: I. Uma casa no Mar, II. A habitação do gesto, III. Fundamentos do Eco e IV. Corpo em queda. Cada uma destas partes faz sistema com um todo orgânico. Neste todo orgânico, há um espírito que aí encarna, que aí se incorpora, e o dota de uma alma que habita a forma especial deste corpo existir. A geografia peculiar do sentido de José Anjos raras vezes é directa, nem é de compreensão simples ou imediata. O mundo que lhe serve de referente não é “real” nem primária nem o mais das vezes. Não o é, pelo menos, numa primeira leitura, que se quisesse rápida ou desatenta. Não o é também, porque a própria realidade objectiva, material, visada de modo literal, no indicativo, é já uma construção complexa resultante de despojamento, abandono, desaparecimento, morte. O horizonte poético de Somos Contemporâneos do Impossível abre-se numa dimensão extrema da vida, onde tudo é radicalmente problemático. Tendencialmente, o ser do sou eu é extremo e vive a fazer espargata entre o horizonte de um passado havido (que não é já habitável) e o horizonte de um futuro por haver (que não está ainda à nossa disposição). Ambos fixam-se em projecções. O passado deixa uma marca indelével em nós. Não o recuperamos tal como terá acontecido. Tem uma vida independente no nosso espírito. As impressões que foram no passado deixadas em nós permanecem, mesmo adormecidas, à espera de nós na hora da nossa morte. São mutantes e metamorfoseiam-se. O futuro resulta muitas vezes da nossa capacidade de imaginação e fantasia para criar ficções, fora do âmbito da realidade, onde viver poderá ser possível. Entre os escombros da memória e a fantasmagoria do futuro: real, onírico, ficcionado, o “si mesmo” procura um protagonismo que parece só ter de facto, mas não de iure. Todas as formas, outrora salientadas do plano de fundo da vida, encontram-se assim, imersas, latentes. Um acontecimento do passado pode durar uma véspera, a véspera de Natal, por exemplo. E, contudo, é trabalhado pelo olhar interior e ciclópico da vida, acabando por transformar o que quer que tenha acontecido: descobertas, invenções, modos de ser nossos e dos outros. Ao passado só podemos aceder por processos complexos de melancolização de horizonte, exumação da existência das pessoas que aí estiveram connosco, reinvenção de cidades inteiras, antes vivas e, agora, fantasma. Os referentes podem ser os mesmos, mas o seu sentido, a sua conotação, é produzido pelo ser poético que os revisita, ou antes, que os recria, dando-lhes significação. Nada já existe como era. O eu passado foi-se para sempre e com ele todos os que tratamos por tu. A entidade “nós” é irrecuperável como foi. Tudo se desmorona continuamente, existindo como ruínas, sob a acção (e na dependência) de uma memória afectiva e uma protensão de futuro que se projectam entre nós e o presente, resultante de uma incapacidade real para se poder ser, nos aguentarmos, conseguirmos estar vivos. A constituição do presente, do passado e do futuro implica assim uma abertura a um horizonte que neutraliza, tanto quanto tal é possível, o facto da realidade e afirma exclusivamente a existência de significados. O referente existe em face da presença de espírito do poeta e, enquanto tal, parece existir de forma ainda mais presente do que todas as actualidades para o ponto de vista natural que lida apenas com realidades: situações, circunstâncias, conjunturas: coisas, pessoas, os próprios, as geografias das nossas vidas reais, o passado, futuro e o presente como achamos que são na realidade. Mas este referente implica-se totalmente num (está absolutamente dependente de) um sentido. A exploração poética, a criação de um poema, é a produção do único horizonte de habitabilidade num mundo de escombros, num presente que lhe é devedor, num futuro que se perspectiva, no limite, como o lado negativo de um diapositivo em que a vida foi visivelmente a ponta de um iceberg, mas com uma base invisível, que é forma e fundo de todas as possibilidades não encaradas, muito menos concretizadas. Em UMA CASA NO MAR, José Anjos abre o jogo. Lemos a descrição do tempo. Os verbos de movimento representam o ser. Topamos com as geografias complexas da superfície e da

profundidade, constituídas em significado. Aqui, o regresso é apenas mental. Dá-se conta da sua irreversibilidade temporal. Identificamos a primeira ligação entre carne e espírito, corpo e alma. Em Ecologia Fenomenal, a casa onde o tempo nasceu, podemos compreender como a lógica corresponde a uma tentativa de criar uma compreensão do sentido, no interior do habitáculo do humano, no seu nicho ecológico, no seu habitat natural. Mas também aqui se esboçam formas de compreensão para comportamentos e relações humanas que existem em prol de uma agenda que é tudo menos pragmática. A luta diária esforça-se por ser um combate contra a possibilidade da ininteligibilidade e, por vezes, da loucura. Os tópicos são para Anjos operatórios e não apenas paisagens descritivas da sua poesia. Em causa está a criação de uma semiologia, de uma regra simbólica, que permita, ao mesmo tempo que está a ser inventada, descrever a própria realidade embebida em horizontes complexos de significação. O tempo é a dimensão em que cada um de nós nasce. É cada um de nós na sua singularidade individual. O tempo não é de um “eu” em que cada um caiba. Sou crónica e definitivamente temporal. Sou tempo. O tempo não é geral e universal no sentido em que é uma sequência a perder de vista para todo o sempre: a noite do passado, o presente, a noite do futuro. Antes, o tempo em que cada um nasce, a poder dizer “sou eu”, mergulha em si a casa onde se nasceu e na verdade é à escala mundial. Não apenas existe espalhado pelo mapa da sua existência. Ou antes, existe à escala universal. Este tempo de que cada um “sou” é portador tem como atmosfera inaugural a infância. A sua sequência é a da passagem. Ora toda a passagem é irrepetível, porque é irreversível. Nada é ultrapassável. “no lago submerso da infância há uma casa habitada pelo tempo que ficou pendurado na memória de um lugar infinito sob os degraus” (17) Os primeiros instantes não são biológicos. São oníricos como todo o passado recuperado por uma memória afectiva e não cognitiva. Melhor, recuperados por uma memória simbólica: “voo inaugural do sonho e do corpo itinerante da cidade empurrado pelo pulso de um remo nas águas proibidas” (15) Numa tensão com a possibilidade de não vir a ser ou, sendo já, com a possibilidade de vir iminentemente a deixar de ser: “depois do terror de quase ter desaparecido sem ter perdido a lucidez” (Ibid.) Todo este espectro de sentido é um excesso relativamente ao que muitas vezes surge designado por “paredes”. A realidade material de uma casa é tão diferente, quando é tornada tão própria pela nossa habitação e partilha dela com outros. E é tão estranha, quando comparamos essa mesma casa habitada por nós com a casa que agora é: outra, alienada, estranha. Basta estar à venda e ser visitada por estranhos, ser habitada por outras pessoas ou já só um andar em ruínas: “são memórias que transbordam como terra de um vaso forçado à entrada do futuro em visita ao seu próprio nascimento repetido discreto, vezes sem conta – escoando pelas horas para dentro da casa

Uma apresentação

de onde nasce e ao mesmo tempo deixa de pertencer” (Ibid.) O tempo da visita à casa sc. à infância escoa do lado de fora para o lado de dentro. É um fluir contínuo e discreto. Cada nascimento pode ser compreendido como cada visitação possível ao passado, pela chegada do passado até nós. Como pode ser entendida a compatibilidade do esquema da existência em geral com o facto de cada um de nós ter só uma vida e esta ser individual, singular? Cada ser humano encerra em si a marca do ser da vida e, por outro lado, é individual, único, singular. Cada um de nós existe desde sempre num escoar de fora para dentro e de novo de dentro para fora. A vida dá definição aos contornos dos corpos, em movimentos basculantes, oscilatórios, como um baloiçar sobre o posso do abismo. O escoamento, a infiltração, fomentam fantasmas negros. O envelhecimento é o tempo em que nos sobrevivemos a nós próprios. Ao envelhecemos, compreendemos que sobrevivermos a nós próprios. Tudo o resto fica alagado por esse significado do tempo inescapável. “a cada nascimento produz-se um som tão definido como o contorno de um corpo que perde volume entra e sai da casa como um baloiço sobre o poço (cada vez mais visível) dos anos que se infiltram através das paredes um fantasma negro um bolor que cresce na carne até ser só carne e peso e corpo que já não sabe ser corpo e que atira o corpo e espírito ao chão o tempo envelhece a casa dentro do homem como um visitante irreversível até que nas paredes esboroadas se abrem janelas lençóis esvoaçantes por onde a vida inteira sai disparada numa só respiração frágil e determinada como a flecha que o vento roubou das mãos de uma criança para ir morrer dentro da árvore . infância: lugar que esquece o sobrevivente sem se fechar nem o deixar sair” (18-19) Se o poema inaugural marca o princípio do fim, em PALÁCIO descreve-se, de alguma maneira, um desses momentos em que caio em mim à lupa: “entrar para dentro de mim” é ganhar a “nitidez dos contornos que se habituam/ à escuridão”, “devolver à luz baça da cozinha o seu amor pelas manhãs de sábado”, “as manhãs violentas e doces assim – com a sede/ à boca do leite e da manteiga” (20). Na lógica dos dias, sábado é o dia partilhado com a família, mas que é sempre diferente de domingo. O domingo é antes de segunda-feira. A segunda-feira já exerce pressão sobre nós. Sábado, pelo contrário, vem depois de sexta-feira e faz corpo com ela. É um dia com tempo. Está ligado ao verão da infância ou da primeira juventude: “sinto a fragrância quente da tarde a tentar morder a penumbra do meu quarto no verão” (21) As partes do dia de sábado são entidades complexas que fazem um sistema orgânico e com um sentido de tempo que nos constitui. O acesso a esse passado, não necessariamente o acesso a essas memórias (porque as memórias despertam quando o passado se acende, intrometendo-se entre nós e a actualidade real) resulta de uma canalização, de uma sintonização, com o havido de mim naquelas situações e circunstâncias. É como se ficassem acesos ou


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 27.12.2017

iluminados dias e dias de sábado da minha infância e juventude, perdidos para a escuridão:

ma JANELA IRREVERSÍVEL (31). Em NOCTURNUM, declara-se essa atmosfera:

“que penetro sem dor sou como se respirasse uma leve brisa que se acende e me faz entrar por portas sublimes até descobrir os sítios onde não sou mas ainda consigo estar” (21).

“há um silêncio dentro desta casa que rasga o manto de tranquilidade que deixaste para trás nesse silêncio a casa resume-se ao sonho de uma escuridão exterior – como se não tivesse portas mas medo em vez delas só uma réstia de luz derrama ainda a consciência infinita de uma infância sonhada entre estas quatro paredes que agora se fecham nos meus pulmões uma penumbra irreal desmaia esmagada pelo peso da tua mitologia

As portas não são metáforas para entrar ou sair, prender ou soltar. São os operadores activos que coincidem e estão sincronizados com o acesso. É complexa a condição para a lucidez despertar o haver sido, o ser e o haver de ser no horizonte da significação, do sentido. Não se trata aqui de possibilidades físicos que nos permitem transitar para espaços contíguos em geometrias simples. São portais que dão para dimensões de significação que não estão disponíveis para um olhar desprevenido ou ingénuo. E ao falar de canais devemos entender não a simples sintonização de um posto de rádio ou canal de TV, mas um meio de transporte telepático que encosta a nós dimensões mediúnicas que nos fazem entrar em transe, numa êxtase compreensiva sem nos fazer perder inteiramente na loucura da ininteligibilidade. Em A ESTE VERÃO lê-se uma descrição desta êxtase centrífuga inteligível: “há uma criança que corre pelos campos deixa-se levar pelo tempo como uma gazela caça o caminho foi um lugar que me esqueceu mas é impossível reduzir a produção do sol a uma janela só” (22)

é um silêncio inflamável, tempestuoso, que traz a aridez líquida de um quadro pintado há muito tempo escuro como a noite que nasceu do teu leito e cai agora ao meu lado estremecendo já sem qualquer espanto” (25) “Silêncio”, “manto de tranquilidade”, “sonho”, “escuridão exterior”, “sem portas”, “réstia de luz”, “quatro paredes fechadas”, “penumbra irreal”, “desmaio”, “esmagamento”, “mitologia”, “aridez líquida”, “noite”, “já sem qualquer espanto”. A ambiência gótica pode despegar-se da casa em que nos encontramos agora, por poder ser a mesma da infância. É a casa abandonada pelas pessoas que lá viviam, por mim que lá esteve. Agora que aquelas pessoas já não vivem e eu já não sou quem sou. Quem assoma o horizonte é outro e sou eu. Pode ser uma memória que emerge no horizonte e visitamos uma casa sem ninguém que era a nossa casa de infância. A casa e o prédio, a rua e o bairro surgem mergulhados neste halo onírico que nos transforma estruturalmente durante o tempo em que todo esse mundo perdido vem à memória e nós vivemos efectivamente a memória. Perdemos a percepção da própria realidade, ainda que possamos sentir frio ou calor conforme seja o caso. Mas estamos completamente metidos numa dimensão estruturante do passado que nos trabalha a partir do seu interior. Em NOCTURNUM II lemos claramente: “já não é uma casa as divisões não são as mesmas dentro delas o tempo sangra parado sobre mim como uma recordação ferida as horas que compunham o conteúdo dos dias perderam o seu significado por entre paredes trespassadas pelo seu próprio esquecimento a casa perdeu a sua definição onde antes era casa é agora outro lugar embora com feições semelhantes e ainda a mesma regra de tijolo, madeira e linho materiais despidos de uma realidade que desapareceu cofres de memórias apenas visíveis pela sua ausência nos interiores demasiado amplos, demasiado obsoletos para conter o deserto que agora esvazia a casa por dentro como uma nuvem ardendo depois da tempestade a casa onde nasci era um ventre que se fechou numa só madrugada

Tal como em EXPLICAÇÃO DE UMA TEMPESTADE, há uma cristalização do domingo obtida por uma revisitação da cadência própria, do ritmo entediante de Domingo: “bátegas que embatem contra a parede lenta de domingo desfazendo-se com a brevidade de um pássaro acabado de voltar a casa pedindo para entrar no texto como o vácuo pelo ar”. (24) Nos três NOCTURNA, identificamos a contradição paradoxal que anima o significado que se projecta sobre a realidade objectiva, existência em e por si que não é independente da realidade da subjectividade poética. Antes, depende inteiramente dela para dizer a impossibilidade da habitação: o peso do desaparecimento, a plenitude da morte. A estratégia poética é a de alterar campos sensoriais e campos semânticos com um referente complexo já na rede de sentidos e significados, onde não há factos nem realidade. Um facto só existe pela anulação e neutralização paradoxal do que é já acamado num sentido. Um facto esvaziado de sentido tem ainda sentido, no limite é irredutível para um sujeito. É possível obter esta nudez de todo o revestimento de sentido a respeito de tudo quanto acontece a cada uma das nossas vidas. Mesmo até quando há diferentes pessoas a viver na mesma casa e a partilhar as mesmas horas, o sentido de “a mesma casa”, “partilhar as mesmas horas” pode ser intradutível por cada pessoa para cada outra pessoa. Sobretudo, quando a diferença é apurada no ser que faz de cada sou uma singularidade absoluta, expressa, por exemplo, em formulações como “morada exacta do tempo” (30) ou o próprio título do poe-

* agora há uma porta que se abre para nada” (25-27) “Já não é uma casa”, “as divisões não são as mesmas”, “as horas que compunham o conteúdo dos dias perderam o seu significado”, “paredes trespassadas pelo seu próprio esquecimento”, “casa sem definição”, “antes casa, agora outro lugar”, “materais despidos de uma realidade que desapareceu”. Agora/ há uma porta que se abre para nada. A conclusão preparada pelas premissas Nocturnum I e II vem agora sem apelo nem agravo, a realidade pura e dura da atmosfera peculiar que habitamos em NOCTURNUM III: “este lugar só agora existe no futuro, é uma ruína este lugar não existirá e será para sempre uma casa que o tempo trancou chovendo à sua volta sem parar” (28) O Futuro existe, mas aparentemente trancado, sem conteúdos inovadores ou sem a possibilidade deles. Não há vasos comunicantes nem um canal de sintonização que permita compreender que a cada instante a realidade do facto puro e duro, em bruto, é a única coisa que estará presente no futuro a haver. Mas, nesse futuro, as paredes não falarão connosco. Serão paredes habitadas por outras pessoas, gente estranha, que nunca poderá perceber como é que dentro de paredes as histórias falam para quem as olha mas são diferentes quando outras gentes as habitam. Quando lemos UM COPO DE VINHO DA CASA, estamos já no

universo poético onde há só sentido, significação, e o que possam ser factos ou a própria realidade só podem ser detectados a partir do esforço de cair na própria realidade ou então quando o sortilégio poético nos abandona e desaparece, fechando a sua dimensão. Perdemos a sintonização. Quem aparece como gente surge a um ponto de vista dissociativo. “e inundaram as praças de gente provisória e outras só casacos ainda rígidos pelo repouso da obrigação gente em cujo movimento fresco habitei contigo a vontade – que tomei de empréstimo – de descobrir o que sou sem saber qual a direcção gente aos magotes toda unida (nós também) na reinvenção diária da escolha que tínhamos conquistado por direito e por dinheiro Quem é esta gente?” (29) “Gente provisória” como eu que habitei a “vontade que tomei de empréstimo”. A descoberta de quem se é dá-se à custa de não se saber “qual a direcção”. “[G]ente aos magotes”- não em conjuntoa reinventar diariamente “a escolha conquistada por direito e por dinheiro”, ou seja, por tudo aquilo que não permite, genuína e autenticamente, fazer escolhas ou tomar opções. Esta gente não consegue sequer vislumbrar a hipótese hermenêutica que na verdade se constitui como um processo ou um encaminhamento que está plasmado em DE UMA JANELA IRREVERSÍVEL: “A infância como possibilidade a perda da infância é a perda de possibilidade. queria poder dar-te uma escada para inverter o pensamento tornar mais alta a distância abreviar a infância inacabada e o desaparecimento de todas as possibilidades” (31) . “aí nesse sítio onde ainda era verão vivias como um lugar sem lugar como o silêncio vive por baixo da chama” (32) A gente é adulta e não é já criança. A vida que perdeu a infância perdeu a possibilidade. Viver é ver desaparecer todas as possibilidades. Não esquecê-las, porque expor-se a elas é estar “nesse sítio onde ainda era verão” (32). A infância descrita em O HOMEM ACRESCENTADO é uma praesentia in absentia: a “morte uma longa irmã” (33). A casa da infância: “um cristal de tempo repetia-se todos os dias, rodopiando centrípeta para dentro das supremíssimas cabeças das crianças que conheceram o fortúnio – o tão legítimo fortúnio de serem crianças sem o saber ainda rodopia talvez a tentar mudar talvez a tentar fugir talvez apenas eu já só force a minha entrada para a impedir” (34) Em II, na A HABITAÇÃO DO GESTO lemos uma meditação poética sobre a expressão do sentido ou do horizonte de significação que é a própria atmosfera que filtra a realidade. Esta parte analisa o sentido da semântica, a relação complexa entre palavras e coisas, entre poema como constituição do sentido e a realidade como o seu referente. em fingerspitzengefühl, lê-se “procuro a porta a palavra a fonte semântica de todas as coisas” (40) E abre-se a porta à EXPLICAÇÃO DO POEMA que ainda não existe “uma porta uma chave para abrir e outra para fechar por dentro a semente contínua de um gesto a colher o homem por fora, o eco repetição interminável de um corpo irrepetível e o sonho de um gato depois de morrer guardam a sua natureza irreversível” (41) 1 - JOSÉ ANJOS (2017). Somos Contemporâneos do Impossível. Lisboa. Abysmo. http://www.abysmo.pt/livros/94-somos-contemporâneos-doimposs%C3%ADvel (Continua)


16

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27.12.2017 quarta-feira

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Máquina Lírica Paulo José Miranda

A última garrafa (levanta-se na direcção do bar, enche um pouco mais os copos e regressa) DOUTOR: Quer então dizer que a situação tem-se agravado!   RAUL: Isso mesmo, doutor. (olhando para o copo) Este whisky é mesmo bom, doutor.   DOUTOR: É verdade! Do melhor, efectivamente. E é um prazer acrescido bebê-lo com alguém que sabe apreciá-lo.   RAUL: Obrigado!   DOUTOR: De nada. Como lhe disse, é um prazer acrescido.   RAUL: Mas estava a dizer-lhe que isto já não se suporta, doutor.   DOUTOR: Consegue descrever essa dor e onde é que a sente?   RAUL: É difícil, doutor. A dor não a sinto no corpo. Sinto-a não sei onde cá dentro. É como se a sentisse na origem de mim. Como se, onde eu começo, começasse também a dor. E é violenta. Uma espécie de explosão interna que se espalha por todo o corpo, embora não tenha origem nele, e que atinge a consciência como no momento culminante da explosão.   DOUTOR: A vida, portanto.   RAUL: Sim, a vida, doutor. Não há nada senão ela.   DOUTOR: Está, portanto, convicto de que não há uma outra causa, outra doença.   RAUL: Não, doutor. É a vida. Estou certo disso.   DOUTOR: Pode-me dar alguns exemplos. É que preciso compreender melhor, e está a ser muito difícil, sabe?   RAUL: Compreendo, doutor. Mas o que quer dizer com exemplos?   DOUTOR: Por exemplo, isso, a vida, não lhe pode estar a doer todo o tempo. Mesmo agora, você parece bastante calmo, a conversar e a beber whisky. Está a perceber?   RAUL: Sim, estou a perceber. Até pode parecer contraditório!   DOUTOR: Pois pode!   RAUL: E é seu costume oferecer whisky aos seus doentes?   DOUTOR: Você é um caso especial! Não só pelo caso em si mesmo, mas porque

os doentes usualmente não gostam dos médicos. RAUL: E o que é que o leva a crer que eu goste de médicos?   DOUTOR: Não é que goste ou deixe de gostar. Mas, pelo menos, não os odeia.   RAUL: Sente que o odeiam, quando aqui entram?   DOUTOR: Não é só aqui, meu caro. Em todo o lado as pessoas odeiam os médicos.   RAUL: Porque é que diz isso? As pessoas precisam dos médicos.   DOUTOR: Ora, aí é que está precisamente o problema! Por natureza, o ser humano tende a odiar aqueles de quem precisa. Mas no caso da sua saúde, ainda é pior. As pessoas pressentem em nós um poder ilimitado. Como se fossemos nós quem decidimos acerca do que lhes acontece. Repare que o médico é aquele que só procuramos porque há algo que não está bem, e por vezes até se suspeita do pior. Por outro lado, sentem sempre que estão a gastar dinheiro que, por direito, não deviam. Como se por direito lhes fosse concedido não adoecerem. Não tenha ilusões, meu amigo. Não vá nas cantigas das estatísticas, que afirmam que somos a classe mais reconhecida na sociedade. Balelas! Dizem isso por medo e por superstição. Porque, no fundo, odeiam mais os médicos do que você a vida. Por isso é que lhe digo que você é um caso especial. Nunca precisou de nós, e agora vem aqui para pedir ajuda com sinceridade e sem rancor, e sem preconceitos de espécie alguma.   RAUL. Talvez. Nunca tinha pensado nisso.   DOUTOR: Acredite que é assim. Mas continue, por favor! Em que momentos é que a dor aparece?   RAUL: Também é difícil de dizer.   DOUTOR: Por exemplo, será possível que, de repente, comece a sentir essa dor, agora, aqui?   RAUL: Ser possível é, mas não é muito provável.   DOUTOR: Porquê? Porque está acompanhado ou porque está a beber?   RAUL: Bom, o facto de estar acompanhado causa um certo atordoamento na doença, sem dúvida. Mas se estivéssemos aqui mais uma ou duas horas, passaria

PARTE 3

(Num consultório privado)

a surtir o efeito contrário. Beber, usualmente não bebo. Sou um bebedor moderado, se quiser. DOUTOR: Vive sozinho, presumo.   RAUL: Sim.   DOUTOR: Sente-se só?   (toca o telemóvel do doutor, três, quatro vezes, por fim pega nele para atender)  

DOUTOR: Peço desculpa, mas é a minha mulher. (ao telefone) Olá, querida! Como está?... Tudo bem! Olhe que não vou poder ir jantar... Pois... Não! Estou com um paciente e ainda me vou demorar... Não me incomoda nada... Outro para si. Até logo. (pousa o telemóvel sobre a mesa) Desculpe-me, mas sabe como são estas coisas. Aliás, não sabe! Era precisamente acerca disso que estávamos a falar. Não se sente só? RAUL: Não, doutor. Pelo contrário, sintome muito bem. Ter alguém à minha espera ou ter de esperar por alguém é que seria um grande problema. Para conseguir tornar a minha doença menos penosa do que já é, desde muito cedo que tive de saber cortar com as coisas que mais caracterizam a vida. Olhe, não sei mesmo se alguma vez amei! E, se o fiz, foi há tanto tempo que já nem me lembro.   DOUTOR: Amor?! Não pense nisso. (pausa) Se quer que lhe diga, sinceramente, não acredito no amor. Há compromissos e contractos.   RAUL: O doutor é um pessimista.   DOUTOR: Não, meu amigo, lúcido. Não faço mais do que interpretar o mundo. Pessimista é o senhor, que pretende pôr termo à vida.   RAUL: Não se engane, doutor. Não tenho nada contra o mundo. Não consigo é suportar mais as dores que a doença me causam. O senhor doutor julga que os doentes terminais são pessimistas? Não conseguem é aguentar mais as dores.

DOUTOR: Meu amigo, mas o que você não consegue suportar é a vida. RAUL: Sim, a vida, não o mundo. Não tenho nada contra as pessoas e as suas relações. Nem contra o estado de coisas. Não é o mundo que me dói, doutor, é a vida.   DOUTOR: (levantando-se) Bom, mais um whisky?   RAUL: Por favor, doutor! Já agora, também eu abro uma excepção.   DOUTOR: (de volta à mesa com a garrafa, volta a pôr whisky nos copos) Já agora, fica aqui. Não me levanto mais. (novo brinde) Às excepções!   RAUL: Às excepções!   (breve silêncio e toca de novo o telemóvel)   DOUTOR: Peço desculpa uma vez mais.   RAUL: Faça favor, doutor.   DOUTOR: Viva! Como está?... Bem, obrigado.... Não, minha querida. Tenho imensa pena, mas não posso ir ter consigo agora.... Estou no consultório.... Vou tentar passar mais tarde... Um beijo também para você, querida... Até logo. (desliga e pousa o telemóvel) Desculpe, mas não posso desligar agora o telemóvel. Espero uma chamada urgente do Hospital.   RAUL: Não tem importância, doutor. Espero que a chamada não lhe tenha trazido problemas.   DOUTOR: Não! Era uma amiga que se está a divorciar. Pessoas que ainda precisam de razões para entristecerem. Nos dois últimos anos, pelo menos, não ligava nenhuma ao marido, e encornavao a torto e a direito. Agora, é isto. Anda triste, arrependida. Arrependida, mas é o caralho! Desculpe lá a linguagem. (Raul dá a entender que não tem importância) Se o marido voltasse atrás na decisão de se divorciar, em pouco tempo voltava ao mesmo. É o que é a vida, amigo.   RAUL: Mas, pelo menos, não lhes dói.   DOUTOR: Doer, dói-lhes. Mas arranjam remédio. A vida dói a todos. O senhor é o primeiro que encontro que diz que não tem cura. Nem é bem cura o que aqui está em causa. Porque, cura, nenhum tem.   (pausa) (continua)


opinião 17

quarta-feira 27.12.2017

urbanidades

E

I ara Puig? E agora Puig?

LES juram a pés juntos que “Cristòfor Colom ès el nostre” e que “la independència de Portugal ha afectat a la nostre”, ainda que outros reinos, como o de Castela, Navarra e Aragão se tenham tornado independentes. A questão da independência pôs-se quando Almansor assediou Barcelona, e o conde de Borrell, descendente de Vifredo I de Barcelona pede ajuda aos Capetos que sucedem aos Carolíngeos. Aconteceu que Hugo Capeto não apoiou Borrell, e este deixou de prestar vassalagem. Tal como o Portucalense, nascem os Condados Catalães, “sinó pela misteris del desti, Portugal va aconseguir la independència i no ho va fer Catalunya”. Posta a história nestes termos, dir-se-á que reside algures uma má-vontade histórica no longuíssimo processo de não reconhecimento da independência Catalã, sobretudo agora que três partidos independentistas lograram juntos, uma maioria absoluta mais dois, apesar da vitória de Inés Arrimadas. Queda-se certamente no público, nos países da Europa Comunitária, e no mundo inteiro, a expectativa sobre como se irão desenrolar os acontecimentos seguintes. Porém, se por um lado este é o assunto candente do fim do ano, por outro existem interessantes antecedentes sobre os quais vale a pena pensar. À mente ocorre-me o Brexit, um divórcio, uma separação que, a meu ver, foi no mínimo feia e muito britânica, criando, porventura, na Europa Comunitária, um desaconselhável precedente. Ocorre-me também à memória o País Basco e os Etarras, e a Irlanda do Norte e o seu Exército Republicano (I.R.A.). Em ambos os casos, bem recentes no correr da história, houve luta armada, que as independências conquistam-se pela força das armas e não por votos ou exílios. A história de Portugal é paradigma disso, incluindo a revolta do filho contra a Mãe. Quanto a mim não estão em causa os novos métodos, pelo simples facto de que nenhum país se dispõe a uma secessão pacífica. Assim foi com os casos do Reino Unido e da Espanha, que corre também o risco de a Andaluzia querer separar-se e, por simpatia, a Flandres e a Valónia e o mais que se verá. Do que a história recente nos mostra, recordemo-nos da Sérvia e da Bósnia Herzegovina, e do genocídio de Srebrenica, apenas como exemplo de como foi perverso o desenho do mapa da Europa Oriental

GOYA, LAZARILLO DE TORMES

ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR

do pós-guerra. Nestas coisas de países, um surto de xenofobia pode aparecer de um momento para o outro. Perante todos estes e outros omissos antecedentes, pergunto-me o que pensará fazer Carles Puigdemont com a maioria absoluta que obteve? Negociar o que para a Espanha é inegociável? Iniciar um combate militar? Com que tropas? E a população votante, irá nisso? Irão os independentistas acolher no seu seio os potenciais combatentes?

Infelizmente para a História, a montanha pariu um Puig Não, parece-me que o que Carles Puigdemont quer é conversar com o poder central. Será eventualmente um pacifista forçado que acredita que de lá longe, da Bélgica dos flamengos e valões, poderá

convencer o chefe de um governo que se recusa a falar de independência. Então, não havendo exército Catalão, não havendo vontade ou vestígios de uma insurreição armada conducente à independência, o que poderá Puigdemont aspirar? Esta a grande questão que se põe ao ex-inquilino da Generalitat e a todos os que o apoiaram e que, segundo as mais recentes notícias na altura em que esta crónica é escrita, quer voltar a ocupar o mesmo lugar na mesma Generalitat aquando da tomada de posse do mesmo Parlamento do mesmo Governo Regional, a 23 de Janeiro p.f.. Perante isto, e porque vontade não é tudo, nas suas tumbas devem rebolar-se e. os gritantes de Ipiranga, Pedro de Alcântara, José Bonifácio de Andrade e Silva, Maria Leopoldina da Áustria e Joaquim Ledo, e com eles todos os que morreram por todas as independências. Assim, infelizmente para a História, a montanha pariu um Puig.


18 (f)utilidades TEMPO

POUCO

27.12.2017 quarta-feira

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

EXPOSIÇÃO “AO MEU CORAÇÃO UM PESO DE FERRO” Livraria Portuguesa | Até 08/01

?

NUBLADO

MIN

15

MAX

21

HUM

50-85%

EURO

9.54

BAHT

YUAN

1.22

PÊLO DO CÃO

CONSOADA GORDA

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 186

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 185

UM FILME HOJE

SUDOKU

DE

Cineteatro

0.24

Sobrevivi à minha primeira consoada de vincada matriz gastronómica norte-americana e de cinto desapertado. A consoada portuguesa, que já não é muito católica em termos de volume de comezaina, não se aproxima dos calcanhares gordos da consoada yankee. Embarquei em duas mastodônticas refeições em homenagem ao nascimento de Jesus Cristo e à salvação pela obesidade, dois universos antagónicos e que filosoficamente estão em conflito. O primeiro repasto foi um buffet onde o rei crucificado foi o peru. Suculento, húmido, servido com stuffing, uma deliciosa mistela feita com migalhas de pão, caldo de galinha e uma miríade de condimentos. Cola-se esta mistela em cima do peru, rega-se com um molho espesso e serve-se com uma espécie de geleia de mirtilos. Absolutamente delicioso, a milhas calóricas do nosso bacalhau ou borrego assado no forno. Abstenho-me de comentar essa monstruosidade deliciosa que dá pelo nome de Mac and Cheese por motivos de decoro digestivo. Mesmo para um alentejano habituado a linguiça e bolo de torresmos, os excessos norte-americanos ultrapassam todos os limites. Numa quadra que se devia pautar pela humildade e contrição, onde não são raros os jejuns, este festim calórico pode esconder contornos evangélicos, talvez atrás do puré de batata. Morte digestiva e ressurreição por refluxo, depois de um apocalipse nutricional. João Luz

SE DEUS QUISER | EDOARDO MARIA FALCONE | 2015

C I N E M A

JUMANJI: WELCOME TO THE JUNGLE SALA 1

SALA 3

Filme de: Jake Kasdan Com: Dwayne Johnson, Jack Black, Karen Gillian 14.00, 20.00, 22.00

Filme de: Paul King Com: Hugh Bonneville, Sally Hawkins, Hugh Grant 14.30

JUMANJI: WELCOME TO THE JUNGLE [B]

PADDINGTON 2 [A] Filme de: Paul King Com: Hugh Bonneville, Sally Hawkins, Hugh Grant 16.15, 18.10 SALA 2

STAR WARS EPISODE VIII [B] Filme de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley, John Boyega, Mark Hamill 14.00, 16.45, 21.30

THE GREATEST SHOWMAN [B] Filme de: Michael Gracey Com: Hugh Jackman, Zac Efron, Michelle Williams 19.30

PADDINGTON 2 [A]

STAR WARS EPISODE VIII [B]

Um pai (Tommaso), médico, tem uma família a passar por alguns problemas: a mulher está deprimida, a filha não se interessa por coisa alguma e apenas dá atenção a coisas fúteis e o filho, de repente, decide desistir do curso de medicina para ser padre. A luta de Tommaso para que o filho não siga a vida religiosa vai levá-lo a um novo caminho e descobertas. Um filme de comédia, produzido em Itália, descontraído e que vale a pena ver. Andreia Sofia Silva

Filme de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley, John Boyega, Mark Hamill 18.45

THE GREATEST SHOWMAN [B] Filme de: Michael Gracey Com: Hugh Jackman, Zac Efron, Michelle Williams, Zendaya 16.30, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


ócios/negócios 19

quarta-feira 27.12.2017

AURA, VELAS NATURAIS ZULEIKA GREGANICK, SÓCIA

Natureza em forma de cheiro Zuleika Greganick juntou-se a Melanie Pirozzi e juntas criaram a Aura, uma marca de velas feitas com produtos exclusivamente naturais, sem recurso à típica cera de parafina que liberta toxinas. O próximo passo é criar o website e começar a distribuir no território

estão cada vez mais preocupadas com isso, tentam procurar produtos que não tenham muitos químicos”, acrescentou uma das sócias da Aura. Ao invés disso, a marca aposta na cera de soja e nos óleos essenciais para que cada vela seja aromatizada. “Pensámos em usar a cera de abelha, que é bastante cara, mas ficámos na dúvida em relação à produção das abelhas, que não são tratadas como deveriam ser. Esta cera é fácil de trabalhar e tem uma queima mais lenta do que a parafina, e não solta toxinas”, explicou. A dar os primeiros passos, a Aura começou por estar representada no último mercado de natal do Albergue SCM e agora pretende crescer no mercado local. “Vamos lançar agora o website em Janeiro e as pessoas vão poder fazer as suas compras online, vamos enviar apenas para Macau. Depois desse teste inicial esperamos poder expandir. Queremos enviar depois para outros países da Ásia, que é um mercado muito grande”, adiantou Zuleika, que revelou ainda a vontade de fazer com que os spas ou centros de beleza adquiram este produto local, ao invés de importar.

DIFICULDADES MATERIAIS

A

URA, como algo invisível, que se sente sem tocar. “Uma emanação invisível de uma essência, pode ser uma coisa mais mística, uma qualidade que parece estar à volta das pessoas e do objecto, e achamos que tinha tudo a ver com a vela.” Aura é também o nome do novo projecto de velas naturais que nasce de uma parceria entre Zuleika Greganick e Melanie Pirozzi. Trata-se de um produto caseiro, que deixa de lado os químicos que habitualmente se usam nas velas e que aposta no mais natural possível. Há dois anos que as duas amigas começaram a pensar no projecto, pois queriam “fazer algo diferente”. “Em Macau não há nada parecido. Estas velas são um pouco mais luxuosas, mais caras, mas não são poluentes”, contou Zuleika Greganick ao HM. “Queríamos criar um produto o menos poluente possível. As pessoas compram todas as velas de parafina, mas a cera de parafina é um subproduto do petróleo, e quando se queima ela liberta toxinas dentro de casa. Hoje em dia as pessoas

Colocar as velas Aura no mercado não foi fácil, pois a pesquisa por materiais ecológicos durou muito tempo. “Levamos quase dois anos à procura de materiais e a fazer pesquisa. Foi bastante difícil a procura dos materiais porque aqui em Macau ou Hong Kong não encontramos produtos de que precisamos. Descobrimos que poucos lugares mandam as coisas para Macau. Depois de muita pesquisa começamos a achar fornecedores.” A escolha recaiu num produtor de cera de soja situado em Inglaterra, com um representante em Xangai. “Queríamos fazer um produto mais ecológico”, assegurou. Quanto aos óleos essenciais são comprados através de um fornecedor em Macau. “As velas são aromatizadas com óleos essenciais que são extractos de plantas e são produtos que são utilizados na aromaterapia. Têm princípios activos que purificam o ar e tratam alguns malefícios, embora a vela não sirva para tratamento.” Zuleika Greganick alerta para um valor mais excessivo em relação às velas

normais, mas lembra os benefícios que se podem obter. “É uma vela cara porque os produtos têm um custo maior do que a parafina. Mas obtém-se um produto muito ecológico e muito limpo.”

UMA CERTA MENSAGEM

Chegar ao nome Aura demorou muito tempo mas a palavra foi escolhida por estar

“Queríamos criar um produto o menos poluente possível. As pessoas compram todas as velas de parafina, mas a cera de parafina é um subproduto do petróleo, e quando se queima ela liberta toxinas dentro de casa”

presente em diversos idiomas. Além disso, trata-se de um nome que não pode estar dissociado daquilo que as velas pretendem transmitir a quem as compra. Até porque a Aura “é algo que está à volta de uma pessoa e que gera uma atmosfera, uma qualidade de alguma coisa”. O design da marca também foi escolhido ao detalhe. “Achamos uma designer muito boa e gostamos do resultado final, acho que as pessoas gostaram também. Idealizamos uma imagem para passar uma certa mensagem, muito ecológico e natural, e essa mensagem foi passada. Também queríamos transmitir alguma elegância, apesar de ser um produto feito em casa”, concluiu Zuleika Greganick. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


A questão que se prende a nada é deus.

quarta-feira 27.12.2017

PALAVRA DO DIA

Rui Cascais

COREIA DO NORTE PREPARA NOVO LANÇAMENTO DE SATÉLITE

A conquista do céu `

A

Coreia do Norte está a preparar um novo lançamento de satélite, apesar das novas sanções das Nações Unidas, noticiou ontem um jornal sul-coreano. Um nono pacote de sanções foi aprovado na passada semana pelo Conselho de Segurança da ONU para obrigar Pyongyang a renunciar aos programas nuclear e de armamento e também aos lançamentos de satélites que, de acordo com alguns peritos, constituem um disfarce para o desenvolvimento de mísseis. “Soubemos recentemente, através de diferentes canais, que o Norte concluiu um novo satélite denominado ‘Kwangmyongsong-5’”, disse uma fonte governamental ao diário

M

ILHARES de chineses assinalaram ontem o 124.º aniversário do nascimento de Mao Zedong, fundador do regime comunista. As cerimónias de homenagem ao “Grande Timoneiro” decorreram sobretudo em Shaoshan, província central de Hunan, uma pequena localidade onde Mao nasceu em 1893. Centenas de simpatizantes, alguns vestidos como guardas vermelhos da Revolução Cultural, concentraram-se junto à estátua de Mao, na praça principal de Shaoshan, onde depositaram flores e colocaram cartazes em homenagem ao líder comunista, morto em 1976. Cenas idênticas verificaram-se nos últimos dias em Jinan (leste) ou em Baoji (centro norte). “Temos que recordar o contributo de Mao para o nosso país, e essa é a energia positiva de que a nossa sociedade precisa”, afirmou Xia Guo-

zan, uma das pessoas que se deslocou a Shaoshan, de acordo com o diário oficial chinês Global Times. Em Pequim, onde este tipo de cerimónias é limitado pelo Governo central, realizaram-se pequenas homenagens organizadas por um instituto de divulgação histórica, e centenas de pessoas fizeram fila na praça Tiananmen para visitar o corpo embalsamado do líder no mausoléu, situado na praça. Alguns nacionalistas chineses defenderam a celebração deste aniversário para contrariar “a invasão” da festa ocidental do Natal, muito presente nas cidades do país devido às decorações em centros comerciais. O jornal Global Times admitiu que a figura de Mao é controversa pelo papel em acontecimentos que causaram milhares de mortos, como a fome do Grande Salto em Frente ou o caos da Revolução Cultural.

Caxemira Líder separatista morto a tiro

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O líder separatista de Caxemira Noor Mohammed Tantray, acusado pela Índia de comandar o grupo terrorista Jaish-e-Mohammad (JeM), foi morto hoje num tiroteio com militares indianos, informaram fontes policiais. A polícia qualificou a morte do dirigente rebelde de “marco significativo”. O tiroteio ocorreu às primeiras horas da manhã na aldeia de Samboora, no sul da parte indiana de Caxemira. Segundo as forças de segurança indianas, Noor Mohammed Tantray foi o principal responsável pelo planeamento e execução de uma série de ataques perpetrados no disputado território, incluindo um, recente, junto ao aeroporto de Srinagar, principal cidade da Caxemira indiana. Mohammed Tantray foi detido em 2003 e condenado a pena perpétua em 2011, mas pôde sair em liberdade condicional em 2015. Em julho de 2017, “passou à clandestinidade” e tornou-se uma “figura chave” na organização de ataques do grupo, segundo a polícia. O grupo Jaish-e-Mohammad luta pela integração de Caxemira no Paquistão. Índia e Paquistão disputam Caxemira, desde a separação do subcontinente que se seguiu ao fim da colonização britânica, em 1947.

dicou, a título de exemplo, o recente lançamento de um satélite argelino. A 3 de dezembro, o Rodong Sinmun tinha defendido a “natureza pacífica” do programa espacial norte-coreano e, a 10 de dezembro, garantiu que todos os países tinham o direito de desenvolver um programa espacial. Em Outubro passado, o embaixador adjunto da Coreia do Norte na ONU, Kim In-ryong, tinha afirmado que o seu país seguia um plano de quatro anos (20162020) de desenvolvimento de “satélites para contribuir para o progresso económico e melhoria das condições de vida da população”. O responsável acrescentou que a Coreia do Norte “tinha entrado na fase de desen-

volvimento prático dos seus satélites” com a colocação em órbita, em Fevereiro de 2016, do ‘Kwangmyongsong-4’. Após anos de sucessivos fracassos, a Coreia do Norte conseguiu, em dezembro de 2012, colocar um satélite em órbita. O jornal russo Rossiyskaia Gazeta citou há algumas semanas um perito militar russo que afirmou esperar o lançamento de dois satélites norte-coreanos, um de comunicações e outro de observação da Terra. Vladimir Khrustalev fez estas declarações no regresso de uma visita de uma semana à Coreia do Norte, em meados de Novembro, durante a qual esteve reunido com responsáveis da agência espacial norte-coreana.

KCNA/REUTERS

MAO ZEDONG MILHARES ASSINALAM 124.º ANIVERSÁRIO

Joongang Ilbo. “O projecto é colocar em órbita um satélite equipado com câmaras e instrumentos de telecomunicações”, acrescentou. De acordo com o jornal sul-coreano, os serviços secretos da Coreia do Sul acreditam que este satélite possa ser lançado a partir de uma plataforma móvel e não do local habitual de Sohae. Este artigo foi publicado um dia depois de um texto no Rodong Sinmun, órgão oficial do partido no poder na Coreia do Norte, reafirmar o direito de Pyongyang a lançar satélites. O diário do Norte sublinhou que os lançamentos norte-coreanos de satélites “respeitam totalmente” a Carta da ONU e o direito internacional relativo aos programas espaciais, e in-

CRISTIANO RONALDO ELEITO DESPORTISTA EUROPEU DO ANO

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português Cristiano Ronaldo voltou ontem a ser eleito o desportista europeu de 2017 pelas 26 agências de notícias da Europa que participaram na eleição promovida pela polaca PAP, um ano depois de ter sido o primeiro futebolista a vencer. Nesta 60.ª edição da votação, realizada no âmbito da European Press Association (EPA), o avançado do Real Madrid e capitão da selecção portuguesa impôs-se ao britânico Lewis Hamilton, que conquistou pela quarta vez o título mundial de Fórmula 1, e ao suíço Roger Federer,

campeão no Open da Austrália e em Wimbledon. Ronaldo conquistou em 2017 a Liga dos Campeões, a Liga espanhola, as Supertaças Europeia e espanhola e o Mundial de clubes, assim como a sua quinta Bola de Ouro e o prémio The Best da FIFA. Em 2016, além de ter sido o primeiro futebolista, Ronaldo foi também o primeiro português a vencer esta eleição, na qual participou a agência Lusa, na altura superando o tenista britânico Andy Murray e à nadadora húngara Katinka Hosszu, segundo e terceira classifi-

cados, respectivamente. Antes, no historial desta distinção, atribuída desde 1958, Ronaldo já tinha sido quarto, em 2013 e 2014, e quinto, em 2015, enquanto Hamilton foi eleito o melhor do ano em 2014 e Federer em 2004, 2005 – em igualdade com a saltadora russa Yelena Isinbayeva, 2006, 2007 e 2009. Lista dos 5 mais votados: 1. Cristiano Ronaldo (Por), Futebol 159 pontos. 2. Lewis Hamilton (GB), Fórmula 1 143. 3. Roger Federer (Sui), Ténis 124. 4. Rafael Nadal (Esp), Ténis 113. 5. Sarah Sjoestroem (Sue), Natação 75.

Hoje Macau 27 DEZ 2017 #3961  

N.º 3961 de 27 de DEZ de 2017

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