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hoje macau

Nº 4698 QUARTA-FEIRA 27-1-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

Governo admite prender ilegais em centros de detenção até dois anos

VIDEOVIGILÂNCIA

MERCADOS POUPADOS

EPA/LUSA

PÁGINAS 4-5

DAVOS

Xi Jinping dá receita para fim da pandemia e do unilateralismo

UNIDOS VENCEREMOS GRANDE PLANO

NOVO MACAU

CONTRA EXTERMINADORES PÁGINA 4

ADVOCACIA

LIÇÕES EM LISBOA PÁGINA 6

TRIBUNAL

SAUTEDÉ DERROTADO PÁGINA 7

FOTOGRAFIA

PANDEMIA LUSÓFONA EVENTOS


EPA/LUSA

2 grande plano

27.1.2021 quarta-feira

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DAVOS XI JINPING APELA AO FIM DA ARROGÂNCIA E DA MENTALIDADE ISOLACIONISTA

Toque a reunir O Presidente chinês pediu no Fórum Económico Mundial, em Davos, unidade internacional no combate à pandemia e do fim da mentalidade de “nova Guerra Fria” no contexto. Sem nunca mencionar Trump ou Biden directamente, Xi apelou ao reforço a organizações multilaterais e à remoção de barreiras ao comércio internacional, enquantoAntónio Guterres sugeriu uma resposta “verde” para a crise provocada pela covid-19

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O longo desta semana, muitos dos líderes mundiais, políticos e económicos, participam no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, este ano fortemente marcado pela pandemia da covid-19, não só porque as intervenções são on-line, mas também no que toca à agenda. O fórum deste ano arrancou com discursos de personalidades como Xi Jinping, Christine Lagarde, António Guterres, Anthony Fauci e Greta Thunberg. Uma das mensagens inaugurais de destaque no arranque da cimeira foi do Presidente da China, incitando os restantes líderes na luta contra o clima de confronto e sublinhando a importância de unidade global no combate à pandemia.

“Construir clãs ou iniciar uma nova Guerra Fria, rejeitar, ameaçar ou intimidar os outros, impor a dissociação, interromper cadeias de abastecimento ou impor sanções para causar isolamento só vai empurrar o mundo para mais divisão e até para o confronto”, alertou Xi Jinping. “O confronto apenas nos conduzirá a um beco sem saída”, concluiu o líder chinês, que apontou a importância deste momento histórico que o mundo atravessa. “As escolhas e as medidas que tomarmos hoje vão moldar a forma do futuro do mundo”, disse o Presidente chinês. Numa toada de compreensão pela complexidade dos problemas globais, Xi defendeu a aposta forte no multilateralismo e na construção do sentido de comunidade e de futuro partilhado entre todos os

“Decisões políticas não devem ser tomadas simplesmente mostrando músculos fortes ou punhos cerrados. As relações entre estados devem ser coordenadas e reguladas através de instituições e leis. Os mais fortes não devem fazer bullying aos mais fracos.” XI JINPING PRESIDENTE DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA


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ção de um caminho-de-ferro num complexo mineiro na Austrália. O projecto é um dos maiores no sector da mineração de carvão. Um grupo de jovens activistas estão em Davos a tentar parar alguns contratos que, alegam, colocar em perigo os objectivos estabelecidos no Acordo de Paris.

povos. “Multilateralismo assenta na resposta a assuntos internacionais através da consulta de todos, trabalhando em conjunto”, renunciando à mentalidade estreita e egoísta. Sem mencionar ninguém, em especial Donald Trump ou Joe Biden, Xi Jinping referiu que “decisões políticas não devem ser tomadas simplesmente mostrando músculos fortes ou punhos cerrados”. O líder chinês fez questão de vincar que todos os países têm uma história e cultura única, assim como um sistema social, sem que nenhum seja superior ao outro. “As relações entre estados devem ser coordenadas e reguladas através de instituições e leis próprias. Os mais fortes não devem fazer bullying aos mais fracos”, disse Xi.

em países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento e de medidas de estímulo a longo prazo”, declarou António Guterres. O responsável português frisou também que apesar de as vacinas estarem a ser distribuídas a um ritmo rápido nos países mais ricos, que o oposto se verifica nos países mais pobres do mundo, desigualdade que importa corrigir.

Resposta verde

Mundo a arder

“Não estou aqui para negociar. Não represento nenhum interesse financeiro ou partido político. Só estou aqui, para mais uma vez, vos recordar da crise que vocês e os vossos antecessores criaram e nos impuseram. A crise que vocês continuam a ignorar.” GRETA THUNBERG ACTIVISTA

O secretário-geral da ONU António Guterres argumentou no seu discurso que os desafios que o mundo enfrenta podem conter as suas próprias soluções e que a crise económica gerada pela paralisia a que a covid-19 votou a economia global deverá ser respondida seguindo um modelo de “recuperação sustentável”. O ex-primeiro ministro português declarou a urgência de “acabar com a guerra contra a natureza, inverter a catástrofe climática e a restaurar o planeta” e acrescentou que o “objectivo para 2021 é construir uma coligação global para atingir um saldo zero na emissão de dióxido de carbono”. Além da agenda verde, Guterres apontou a direcção dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, a agenda da ONU que tem 17 metas, como a erradicação da pobreza e da fome, redução de desigualdades, equidade nos direitos civis, entre outros ambiciosos objectivos até ao ano 2030. “A recuperação inclusiva e sustentável em todo o mundo vai depender da disponibilidade e eficácia das vacinas para todos, do apoio fiscal e monetário imediato

Adeus Trump

“A recuperação inclusiva e sustentável em todo o mundo vai depender da disponibilidade e eficácia das vacinas para todos, do apoio fiscal e monetário imediato e de medidas de estímulo a longo prazo.” ANTÓNIO GUTERRES SECRETÁRIO-GERAL DA ONU

A presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen felicitou os Estados Unidos da América pela nova liderança na Casa Branca e acrescentou estar “satisfeitíssima por terem voltado ao Acordo de Paris”. A dirigente europeia afirmou ainda na sua intervenção no fórum que as redes sociais estão a devorar a sociedade e apelou ao estreitar da regulação das maiores empresas tecnológicas do mundo. Outro dos destaques do discurso de Ursula von der Leyen foi o argumento de que existem provas científicas que ligam a perda de biodiversidade à pandemia. Muitos destes apelos são entendidos pelos activistas ambientais como palavras ocas, vazias de acção. O Fórum Económico Mundial, de Davos, prossegue hoje com a intervenção por vídeo do Presidente russo, Vladimir Putin, de quem se espera uma mensagem crítica em relação à possibilidade de imposição de sanções contra a Rússia devido ao tratamento dado pelo Kremlin ao activista da oposição Alexei Navalny. João

Luz com agências

COVID-19 PRESIDENTE DA ASTRAZENECA LAMENTA FALTA DE COLABORAÇÃO

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presidente da farmacêutica britânica AstraZeneca lamentou a falta de colaboração dos governos no combate à pandemia de covid-19, criticando o comportamento egoísta de alguns países. “Poderia ter sido um momento do género do 4 de Julho, ou dia da independência (dos Estados Unidos), mas infelizmente não foi o caso, porque houve uma ligeira postura de ‘eu primeiro'”, disse o francês Pascal Soriot no Fórum Económico Mundial, em Davos. As declarações de Soriot foram feitas numa altura em que o seu grupo é questionado na Europa sobre a falta de transparência relativamente aos atrasos nas entregas da sua vacina contra a covid-19.

Soriot não deu exemplos específicos de países, embora a pandemia tenha dado origem a uma corrida mundial para obter acesso o mais rapidamente possível priCNN

Além das referências às relações entre países, Xi Jinping não esqueceu os desafios ambientais com que o mundo se depara. Assim sendo, reafirmou o ambicioso compromisso ambiental de Pequim no corte de emissões de carbono em 65 por cento até 2030 e atingir a neutralidade de emissões de carbono até 2060. Ambas as metas têm repercussões globais, uma vez que a China emite um quarto dos gases com efeito estufa em termos globais. Ainda no capítulo das questões ambientais, a mensagem da jovem activista Greta Thunberg tirou a tónica diplomática dos discursos, muito ao seu estilo. “O meu nome é Greta Thunberg. Não estou aqui para negociar. Reparem, não represento nenhum interesse financeiro ou partido político. Portanto, não posso negociar ou chegar a acordos. Só estou aqui, para mais uma vez, vos recordar da emergência em que nos encontramos. A crise que vocês e os vossos antecessores criaram e nos impuseram. A crise que vocês continuam a ignorar.” A jovem acusou os líderes mundiais de ignorarem também os protestos de jovens que acorreram a Davos para pedir uma mudança política que renuncie aos combustíveis fósseis, mais especificamente ao seu uso, exploração, investimento e subsídios que promovam a indústria. “Enquanto a ciência for ignorada, factos não forem tidos em conta e a situação não for tratada como crise, o mundo e os líderes dos negócios vão continuar a ignorar a situação”. Citada pelo The Guardian, a activista ambiental alemã Luisa Neubauer, de 23 anos, anunciou ter participado numa reunião em Davos com o CEO da Siemens, Joe Kaeser, a quem apelou para abandonar o contrato de constru-

grande plano 3

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meiro a equipamentos de protecção e depois a vacinas. “É justo dizer que poderíamos e deveríamos estar globalmente mais bem preparados para esta pandemia”, acrescentou.

“O que não funcionou, a meu ver, foi a colaboração do mundo”, mesmo que evoque “bons exemplos” de ajudas entre os sectores privado e o público, como o caso da vacina de Astra-

Zeneca, desenvolvido com a Universidade de Oxford. “Mas posso ver que as coisas estão a mudar e que uma colaboração internacional está a surgir”, disse, apelando a que sejam feitos investimentos “em prevenção, detecção e tratamento precoce” para que o sistema de saúde esteja pronto para o futuro. A AstraZeneca admitiu, no final da semana passada, que as entregas seriam menos numerosas do que o previsto, devido a uma “queda do rendimento” de uma fábrica. A declaração causou preocupação na Europa, que está a correr contra o tempo devido ao aparecimento de novas e mais perigosas variantes do coronavírus que provoca a covid-19.


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SAÚDE MENTAL CHAN HONG PEDE MAIS PSICÓLOGOS NAS ESCOLAS

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deputada Chan Hong interpelou o Governo sobre a necessidade de reforçar o número de psicólogos, assistentes sociais e outros terapeutas nas escolas a fim de lidar com o aumento dos problemas de saúde mental nos jovens, além da implementação de outras medidas. “Faltam dados oficiais sobre a saúde psicológica dos alunos. Porém, segundo o ‘Inquérito sobre o grau de felicidade e pressão dos estudantes de Macau’, efectuado por uma associação de jovens em 2019, quase cinco por cento dos alunos inquiridos apresentaram sintomas de depressão moderada e cerca de 13 por cento apresentaram sintomas de stress moderado”, apontou. Estes números podem explicar-se com o facto de, nos últimos anos, se ter registado “um aumento das famílias monoparentais ou em que ambos os cônjuges trabalham, pelo que são cada menos os cuidados e a educação em família”. “Alguns alunos apresentam problemas de comportamento, instabilidade psicológica e há até registo de automatizações”, descreveu a deputada. Chan Hong frisou o facto de, nos últimos anos, se registarem “casos sucessivos de suicídio envolvendo jovens alunos, uma situação preocupante”. Além disso, faltam profissionais, uma vez que “os assistentes sociais destacados nas escolas são contratados com financiamento da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude e o rácio é de 1 para cada 500 alunos e 1,5 para cada 1000”, números que “não são suficientes para a maioria das escolas”.

GOVERNO PROPÕE QUE DETENÇÃO DE IMIGRANTES ILEGAIS POSSA CHEGAR A DOIS ANOS

Estranha forma de vida

O prazo de 60 dias para detenção de imigrantes ilegais passa a poder ser suspenso até que a sua liberdade fique restringida por um máximo de dois anos. É o que propõe o Governo no regime jurídico do controlo de migração

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Governo quer alargar para um máximo de dois anos a detenção de imigrantes em situação ilegal, durante o procedimento de expulsão de Macau. Já tinha sido anunciada a vontade de suspender a contagem do prazo actual, que limita as detenções a 60 dias, mas não era conhecido se haveria outros limites temporais. António Pedro, assessor do secretário para a Segurança, esclareceu ontem que nunca foi

intenção do Governo eliminar de vez o prazo actual, mas que a sua rigidez pode acarretar riscos. “No limite, podia implicar ter de libertar uma pessoa ao fim de 60 dias, (...) sem que se soubesse a identidade exacta dessa pessoa. Isto pode representar um perigo em termos de segurança”, referiu. A proposta do regime jurídico do controlo de migração e das autorizações de permanência e residência na RAEM estipula que o prazo de detenção “não pode,

em nenhum caso, exceder o limite de 24 meses contados do início da detenção”. No documento, prevê-se que seja permitida a suspensão do prazo em vigor, de cerca de dois meses, enquanto o detido estiver impossibilitado de viajar por motivos de doença, desde a data em que se pedem informações a representações diplomáticas da nacionalidade do indivíduo até serem recebidas, ou durante o período necessário para se confirmar a sua identidade. No

entanto, a suspensão do prazo fica sujeita a autorização jurisdicional a cada período de 120 dias. “Estarem ali anos? Não. E por isso, até por instruções do senhor secretário, tomámos por referência a legislação europeia e impomos um prazo de dois anos. Na União Europeia são 18 meses, mas nós considerámos a circunstância especial da Ásia, em que há países que têm grandes dificuldades no seu sistema de registo civil, nos seus arquivos, e pensámos acrescentar um prazo de

COLINA DA PENHA NOVO MACAU CONTRA “EXTERMINADORES DE PAISAGEM”

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Associação Novo Macau (ANM) voltou a manifestar a sua insatisfação com a aprovação dos dois projectos para edifícios na zona do lago Nam Van, com alturas máximas entre os 34,1 e os 50,8 metros. Em comunicado, defende que o Governo actual deve ser apelidado de “exterminador de paisagem”. A associação

considera que a construção destes edifícios vai destruir a paisagem ‘colina-mar-cidade’ histórica e cultural da Colina da Penha. “A atitude dominadora do Governo magoa os sentimentos de muitas pessoas que amam Macau”, descreveu a ANM. A Novo Macau observou que o Governo não revelou o relatório de

avaliação de impacto paisagístico e os dados de investigação, e critica uma repetição de explicações. O comunicado denuncia que “os dois projectos carecem de base científica e apoio popular”. Além disso, acrescenta que a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes e o Instituto Cultural reconheceram que no futuro não

haverá uma vista desimpedida de todo o mar a partir da Colina da Penha. Entre as críticas, aponta ainda que o Governo teve “desconsideração” pelo processo de consulta do Plano Director. Face ao resultado, a associação apelou aos cidadãos com apreço pela cidade para permanecerem “persistentes” e “constantemente

vigilantes”. “Devemos proteger a nossa cultura local e os tesouros em Macau, e pressionar por desenvolvimento sustentável”, remata o comunicado.


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política 5

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Vídeo para que te quero Plano de videovigilância em mercados públicos foi suspenso

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seis meses de segurança. Mas a garantia está lá, em termos de direitos humanos, [em como] não ultrapassa 24 meses”, explicou António Pedro, em declarações à margem de uma reunião na Assembleia Legislativa. O assessor do secretário para a Segurança descreveu que o centro de detenção tem “óptimas” condições e apontou que há quartos com capacidade para acolher famílias. As crianças deverão ficar com os pais no centro de detenção.

Pôr pressão

O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, apontou que há pessoas com permanência caducada que não saem do território e chegam mesmo a rasgar documentos de identificação, o que coloca um entrave à verificação da sua identidade e, consequentemente, à sua deportação. A medida sugerida é apresentada pelo secretário como “uma pressão” para imigrantes ilegais e uma forma de “salvaguardar a segurança de Macau”. Além disso, Wong Sio Chak apontou que outras regiões têm detenções indefinidas, dando Hong Kong como exemplo, e acrescentando que em Macau já existe “um equilíbrio”. Passados os 24 meses propostos, se o processo de saída do território não estiver concluído, é passada uma certidão de permanência temporária aos indivíduos

“Na União Europeia são 18 meses, mas nós considerámos a circunstância especial da Ásia, em que há países que têm grandes dificuldades no seu sistema de registo civil, nos seus arquivos, e pensámos acrescentar um prazo de seis meses de segurança” ANTÓNIO PEDRO ASSESSOR DO SECRETÁRIO PARA A SEGURANÇA

em causa. “Depois de aprovada essa lei, queremos reduzir essas certidões temporárias”, disse o secretário. De acordo com um comunicado do Gabinete de Comunicação Social, dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública apontam que o centro de detenção localizado no edifício dos Serviços de Migração, no Pac On, tem capacidade para 188 pessoas. A 15 de Janeiro deste mês encontravam-se 30 pessoas detidas no centro, sendo que o custo médio das refeições diárias por pessoa se fixa em cerca de 69 patacas. Salomé Fernandes

plano de instalação do sistema de videovigilância nos mercados públicos foi suspenso pelo Instituto de Assuntos Municipais (IAM). A informação foi ontem avançada pelo presidente da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, no seguimento de uma reunião com representantes do Governo. “Todos nós queremos saber como será tido em conta o princípio de adequabilidade e, por isso, o Governo disse que vai então reponderar todo o plano de instalação do sistema de videovigilância”, disse Ho Ion Sang. A proposta de lei sobre o “Regime de gestão dos mercados públicos” inclui que o IAM pode fazer gravação em vídeo nesses espaços para efeitos de fiscalização. Em Dezembro do ano passado, os deputados levantaram dúvidas

quanto à utilização de gravação em vídeo para efeitos de fiscalização, por existirem outras leis a regular a matéria, para além de ser preciso seguir a lei de protecção de dados pessoais. As preocupações foram novamente manifestadas ontem. “Se em cada banca [houvesse] uma câmara de videovigilância, isso seria adequado? (...) Não será um gasto muito volumoso para o erário publico?”, observou Ho Ion Sang. O trabalho preliminar para instalação de câmaras já tinha avançado em alguns locais, como o Bairro Iao Hon e o mercado de São Lourenço, mas foi, entretanto, suspenso.

Ângulo de observação

Durante o encontro com o Governo, os deputados apresentaram questões levantadas por arrendatários dos mercados. “O

número de câmaras já instaladas e os locais [de instalação] podem levar a alguma preocupação, quer dos arrendatários quer dos residentes. Por exemplo, o mercado no Bairro Iao Hon tem algumas câmaras de vigilância viradas para as bancas que vendem vestuário”, comentou o presidente da Comissão. Entre opiniões de arrendatários e de deputados, a conclusão é de que as câmaras já instaladas “são muitas”, tendo o Governo dito que vai “ajustar” o seu número. De acordo com Ho Ion Sang, os membros da Comissão concordam com a instalação do

sistema de videovigilância, por entenderem que “é bom para facilitar o trabalho dos fiscais do IAM”. Também consideram ser positivo para os arrendatários, nomeadamente em caso de conflito com fiscais, situações em que “as imagens captadas poderão servir de prova”. Mas deixa um alerta: “há que ter em conta um princípio de adequabilidade na instalação do número de câmaras de videovigilância”. O IAM comprometeu-se com alterações. “O Governo concordou por isso em fazer um ajustamento do número de câmaras e também seguir o disposto da lei da protecção de dados pessoais, encontrando aqui um equilíbrio”, notou o deputado. Dados sobre quantas câmaras vão ser instaladas no futuro foram remetidos para as próximas reuniões. Salomé Fernandes

AGNES LAM DEFENDE USO DE VALES DE SAÚDE PARA SEGUROS Governo reduz subsídios a instituições médicas sem fins lucrativos

Em 2021, o Governo vai reduzir o subsídio para consultas-externas nocturnas nas instituições médicas sem fins lucrativos, “o que pode proporcionar mais encaminhamento de pacientes para as clínicas privadas”. A informação foi avançada pelo director dos Serviços de Saúde (SS), Lei Chin Ion, em resposta a uma interpelação escrita de Chan Iek Lap. O deputado tinha questionado se o Governo ia reforçar a cooperação com os hospitais e clínicas privadas para reduzir a pressão sobre os serviços médicos públicos. Na resposta, Lei Chin Ion defende que o apoio ao sector privado continua com medidas como assistência médica e apoio financeiro.

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deputada Agnes Lam defendeu, em interpelação escrita entregue ao Governo, que deve ser ponderado, a curto prazo, o uso de vales de saúde para a aquisição de seguros de saúde no privado. “Vai o Governo adoptar, a curto prazo, medidas como permitir que os residentes utilizem os vales de saúde para a aquisição de seguros de saúde privados e aumentar o valor dos vales de saúde destinados a toda a população ou apenas aos idosos e deficientes?”, questionou. Agnes Lam defendeu também a realização de uma consulta pública sobre as conclusões do estudo desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, intitulado “Pesquisa do sistema

de segurança médica de Macau”, e que foi tornado público em 2019. “O Governo tem de acompanhar as medidas propostas e iniciar, o quanto antes, uma consulta pública para recolher as opiniões da sociedade”, disse a deputada, que lembrou que há cada vez mais procura pelo serviço público de saúde. “Nos últimos seis anos (20142019) o número de utentes das instituições públicas de saúde aumentou de 650,1 mil para 939 mil. Nos consultórios privados o número de utentes diminuiu de 3,327 milhões para 3,173 milhões. Isto demonstra que os utentes tendem a recorrer às instituições de saúde públicas e que a triagem dos serviços de saúde, tanto de públicos como de privados, carece ainda de melhorias.”


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ADVOCACIA ESCRITÓRIO DE FREDERICO RATO ENSINA DIREITO DE MACAU EM PORTUGAL

Há três anos que o escritório de advocacia fundado por Frederico Rato tem presença em Portugal e a sua actividade só parou mais por causa da pandemia. A assessoria feita aos investimentos do empresário Kevin Ho em Portugal levou a Lektou ajudou a criar um escritório permanente no país, mas há outros projectos, tal como a formação em Direito de Macau e do jogo na Universidade Católica Portuguesa

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E Macau para a Ilha de Hengqin e depois para Portugal. O salto feito pelo escritório de advocacia fundado por Frederico Rato, o Lektou - Rato, Ling, Lei & Cortés Advogados e Notários, para uma presença permanente em Portugal fez-se há três anos perante o aumento de investimentos e do interesse no país, na área do imobiliário mas a nível empresarial. Mas nem só de negócios vive o escritório, que assinou um protocolo com a Universidade Católica Portuguesa (UCP) que visa o ensino do Direito de Macau e do jogo no âmbito da licenciatura em Direito, que conta com muitos alunos de Macau.

Óscar Madureira, advogado da Lektou em Portugal, fala de uma aposta ganha. “Existem mais de cem estudantes na UCP mas estudam o Direito português. Quando regressam a Macau não têm a formação de base em Direito de Macau, e o nosso escritório teve essa preocupação”, disse ao HM. Mas não são apenas os alunos de Macau que se inscrevem nas aulas. “Em três anos tem havido imenso interesse por parte dos alunos portugueses sobre a realidade de Macau e isso orgulha-nos”, frisou. Frederico Rato faz um balanço “muito positivo” destes três anos em Portugal, apesar das “vicissitudes do último ano”

RÓMULO SANTOS

Aprender, aprender sempre

provocadas pela pandemia da covid-19. “Pretendemos reforçar a nossa presença na Grande Baía e nos países de língua portuguesa, quer através do estabelecimento de um escritório próprio, quer com o estabelecimento de joint-ventures”, descreveu.

Trabalho com Kevin Ho

Os investimentos feitos pelo empresário de Macau Kevin Ho em Portugal, nomeadamente no grupo Global Media e na aquisição do edifício do Jornal de Notícias (JN) na cidade

do Porto levaram a Lektou a firmar-se no país. “Não negamos que foi a vontade de investir em Portugal por parte de alguns empresários de Macau que deu o empurrão decisivo para a estratégia de internacionalização para essa jurisdição”, admitiu Frederico Rato. Também Óscar Madureira apontou que os investimentos de Kevin Ho levaram a Lektou a pensar em abrir um escritório de forma permanente e foi mesmo “a pedra de toque” em todo o processo de mudança. Quanto ao processo relacionado com a transformação

do edifício do JN num hotel de cinco estrelas, continua à espera do licenciamento por parte da Câmara Municipal do Porto.

Frederico Rato faz um balanço “muito positivo” destes três anos, apesar das “vicissitudes do último ano” provocadas pela pandemia da covid-19.

“Esse projecto está em curso, mas não há uma data para a inauguração do hotel. Aguardamos pelo licenciamento do projecto”, disse. Outra área com a qual a Lektou tem trabalhado é com os vistos gold. Óscar Madureira nota que “ainda existe algum interesse” por parte de residentes de Hong Kong para investir e viver em Portugal, mas menos do que há uns meses. “Esse interesse já foi mais efectivo, provavelmente por causa dos vistos para o Reino Unido, e isso fez afastar um pouco a curiosidade e o apetite para investir em Portugal.” Frederico Rato defende que “Portugal continuará a ser um destino apetecível para investimento por parte de investidores de Hong Kong, de Macau, da China e de outras paragens, não obstante as recentes alterações na legislação portuguesa nesta matéria”. A Lektou está também a trabalhar na liberalização do jogo no Brasil. “Estabeleceram-se contactos importantes e temos, nesta altura, no escritório uma equipa que se pretende cada vez mais especializada nesta área de prática”, disse Frederico Rato. O advogado destaca a evolução que a Lektou teve em 35 anos de existência desde a sua fundação com o já falecido Francisco Gonçalves Pereira. “Aquilo que foi preconizado pelo meu amigo e por mim antes de 1999, com altos e baixos e vicissitudes de vária ordem, teve sucesso e pensamos que estrategicamente podemos replicar noutras jurisdições e mercados, cumprindo o papel de Macau”, rematou. Andreia Sofia Silva

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YANGJIANG REGISTADA OCORRÊNCIA EM CENTRAL NUCLEAR SEM IMPACTO GRAVE Anúncio Concurso Público N.o 3/ID/2021 «Serviços de segurança e de venda de bilhetes nas piscinas ao ar livre afectas ao Instituto do Desporto» Faz-se saber que em relação ao concurso público para o «Concurso Público N.o 3/ID/2021—Serviços de segurança e de venda de bilhetes nas piscinas ao ar livre afectas ao Instituto do Desporto», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 1, II Série, de 6 de Janeiro de 2021, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 3.o do programa do concurso, pela entidade que preside ao concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, na sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau, ou pode ainda ser feita pela internet na área de “Informação relativa à aquisição” da página electrónica do Instituto do Desporto: www.sport.gov. mo. Instituto do Desporto, aos 27 de Janeiro de 2021. O Presidente, Pun Weng Kun.

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OI ontem reportado mais uma ocorrência numa central nuclear na província de Guangdong, desta vez em Yangjiang, registada no domingo, mas que “não afectou o funcionamento, a segurança da central, a saúde do seu pessoal operacional, da população e do ambiente adjacente”. Segundo um comunicado, “numa inspecção efectuada à oficina de energia eléctrica da unidade 5 da Central Nuclear de Yangjiang, os operadores detectaram que dois interruptores do circuito de alimentação de reserva do painel eléctrico não estavam fechados, não satisfazendo o procedimento e o padrão exigidos”. No

entanto, “os operadores agiram de imediato conforme o procedimento, tendo retomado os interruptores ao estado fechado”. A Companhia de Energia Nuclear comunicou atempadamente o sucedido à entidade nacional fiscalizadora da segurança nuclear, sendo que, durante essas operações, “a unidade 5 manteve-se sempre em condições de segurança”. Este episódio foi classificado como sendo de nível 0, pelo que, segundo a Escala Internacional de Acidentes Nucleares (INES), é considerado um desvio, servindo “essencialmente para a correcção de desvios e retorno de experiências”.


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CASO SAUTEDÉ TRIBUNAL DÁ RAZÃO À USJ, ACADÉMICO RECORRE DA DECISÃO

O Tribunal Judicial de Base deu razão à Universidade de São José no caso do despedimento de Eric Sautedé, professor de ciência política, em 2014. Os juízes entenderam que o despedimento foi “legítimo”, porque defendeu os valores da instituição e que não esteve em causa uma violação da liberdade académica ou de expressão. Éric Sautedé vai recorrer da decisão para o Tribunal de Segunda Instância

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S juízes do Tribunal Judicial de Base (TJB) entenderam que o despedimento sem justa causa de Éric Sautedé da Universidade de São José (USJ) foi “legítimo” e que em nenhum momento esteve em causa uma violação da liberdade académica. Esta é, assim, mais uma derrota para Éric Sautedé, que desde 2014 trava uma batalha na justiça contra a instituição de ensino superior privada. A decisão do TJB foi ontem tornada pública depois da leitura das alegações finais do caso em Novembro. Foi o próprio académico que divulgou a decisão através de um comunicado publicado nas redes sociais, prometendo agora recorrer da mesma para o Tribunal de Segunda Instância (TSI).

“Claramente, apesar de aceitar a sentença na primeira instância, depois de seis anos, não tenho outra escolha se não recorrer”, frisou. Também o advogado de Sautedé, Miguel Quental, confirmou o recurso, declarando apenas que a decisão do TJB é “injusta”.

O acórdão refere também que o despedimento sem justa causa “foi a forma correcta de proceder” para que a USJ “pudesse defender os seus valores fundamentais”

Crime Casal detido por assaltar um apartamento

Um casal oriundo da China foi detido por suspeitas de furtar um apartamento na zona do NAPE. Segundo o jornal Ou Mun, o homem terá assaltado uma residência no dia 18 de Novembro do ano passado, subtraindo um anel de diamantes, joalharia em ouro e dinheiro, com o valor total de 170 mil patacas. O suspeito foi visto a entrar e sair do prédio onde se verificou o assalto, tendo permanecido no edifício cerca de 45 minutos. Segundo informações veiculadas pela Polícia Judiciária, o casal terá saído da RAEM, regressando cerca de dois meses depois, sob vigilância das autoridades. Os suspeitos acabaram por ser detidos numa altura em que se preparavam, de acordo com videovigilância, para assaltar outra residência no NAPE. As autoridades revelaram que a mulher tinha em sua posse, à altura de detenção, o anel e a joalharia em ouro, produto do assalto de Novembro, além de outros artigos de dinheiro, anéis, um relógio e ferramentas para forçar fechaduras.

Um dos argumentos usado pelos juízes do TJB, descrito no comunicado de Sautedé, é que “as declarações públicas feitas pelo reitor [da USJ, à data, Peter Stilwell] como as verdadeiras razões apontadas por mim para a minha saída são totalmente irrelevantes e que foi perfeitamente legítimo despedir-me sem justa causa”. Além disso, “as leis e regulamentos relacionados com ‘discriminação’ não se aplicam mesmo que o reitor tenha ‘confessado’ várias vezes as verdadeiras ‘razões’, de forma oral e escrita, aos jornalistas, público e ao juiz”, descreveu. A decisão do TJB também afasta a conotação da violação de liberdade académica que desde o início esteve associada ao despedimento do docente. Segundo Sautedé, o acórdão refere que “a liberdade académica e de expressão, garantidas na Lei Básica, não foram infringidas, uma vez que o reitor não me proibiu de fazer comentários políticos”. “Se a demissão não é uma restrição, façam-no em outro lugar!”, comentou.

Manter os “valores” da USJ

O acórdão refere também que o despedimento sem justa causa “foi a forma correcta de proceder” para que a USJ “pudesse defender os seus valores fundamentais”. Eric Sautedé recorda o facto de

Duas prostitutas e um cliente detidos pela PJ

Uma operação da Polícia Judiciária (PJ) interrompeu na segunda-feira o funcionamento de prostíbulos situados em dois apartamentos, onde foram detidas para investigação duas mulheres suspeitas da prática da prostituição, de nacionalidade chinesa e vietnamita. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, os casos foram revelados no decorrer de uma operação da PJ, que mobilizou 35 inspectores na passada segunda-feira. Sobre as duas mulheres recaem suspeitas de violar os regulamentos de permanência no território e, como tal, foram encaminhadas para o Departamento de Controlo Fronteiriço. Na mesma operação foi detido um alegado cliente que acabou por ser libertado depois de identificado.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Valores mais altos se levantam

nunca ter feito comentários políticos em contexto de sala de aula. O TJB entendeu ainda não estar em causa “abuso de direitos” por parte da USJ em matéria laboral, uma vez que foi atribuída uma indemnização equivalente a cinco semanas de salário e 30 dias. PUB.

“Obviamente que isto é mais do que suficiente”, ironizou Sautedé sobre a decisão. A defesa de Sautedé alegou o incumprimento das convenções da Organização Internacional do Trabalho neste caso, mas o TJB não teve o mesmo entendimento. Os juízes defendem

que convenções “não têm qualquer validade uma vez que não foram adaptadas às leis locais”. Sautedé adiantou ainda que o TJB considerou não haver “responsabilidade civil ou irregularidade” e que não houve danos à reputação do docente, uma vez que este “poderia empregar-se depois [do despedimento]”. Um argumento sempre contestado por Sautedé e por um amigo do docente que, em tribunal, disse que este esteve em vias de ser contratado pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, mas que tal nunca aconteceu. Éric Sautedé vive actualmente em Hong Kong, onde possui a sua própria empresa, além de colaborar com o portal Planet Labor Employment Relations Intelligence. Andreia Sofia Silva


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27.1.2021 quarta-feira

GONÇALO LOBO PINHEIRO

8 eventos

FOTOGRAFIA PANDEMIA É O MOTE PARA NOVA EDIÇÃO DO CONCURSO PROMOVIDO PELA SOMOS!

Retratar o caos A Somos! - Associação de Comunicação em Língua Portuguesa lança, em Fevereiro, uma nova edição do seu concurso anual de fotografia, intitulado “Somos - Imagens da Lusofonia”. Em ano de pandemia o tema não podia ser outro e, por isso, são aceites imagens que se subordinem à temática “Alma lusófona em tempos de covid-19”

É

j á a partir do próximo mês que a associação local Somos! lança a terceira e nova edição do seu concurso de fotografia, desta vez com o tema “Alma lusófona em tempos de Covid-19”. Segundo um comunicado divulgado pela associação, as fotografias a concurso devem “ser capazes de espelhar o combate à doença dentro do universo lusófono, as dificuldades enfrentadas, as perdas, as mudanças profundas trazidas pela covid-19, designadamente em termos culturais, mas podem também exaltar actos de altruísmo, de coragem, de resistência, de fé, e de compaixão nestes tempos difíceis”. A inscrição no concurso fotográfico

é gratuita e pode ser efetuada através do formulário que se encontra no website da Somos! (www.somosportugues.com) entre 1 e 28 de Fevereiro de 2021. Desta forma, este concurso “procura documentar através de imagens o combate à doença nas comunidades dos países de língua portuguesa e em Macau, bem como as transformações socio-culturais que originou”.

O júri do concurso irá depois escolher três vencedores, com prémios que variam entre as 3.500 patacas para o último classificado e dez mil patacas para o vencedor. O concorrente que ficar em segundo lugar ganha um prémio no valor de cinco mil patacas. O concurso destina-se a todos os cidadãos dos países e regiões da lusofonia ou residentes de Macau que possuam fotografias de

Escolhidos os vencedores, a Somos! irá, ainda este ano, organizar uma exposição com as imagens seleccionadas entre os dias 26 de Março e 10 de Abril, com a curadoria do fotógrafo António Mil-homens


quarta-feira 27.1.2021

CEM EAST ASIA HOTEL E MACAU ROOSEVELT VENCEM CONCURSO

O

qualidade, e enquadradas com o tema selecionado, tiradas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu.

Exposição em Março

Escolhidos os vencedores, a Somos! irá, ainda este ano, organizar uma exposição com as imagens seleccionadas entre os dias 26 de Março e 10 de Abril, com a curadoria do fotógrafo António Mil-homens. O júri é constituído por fotógrafos como Gonçalo Lobo Pinheiro, residente em Macau; José Carlos Carvalho, de Portugal; Raphael Alves, do Brasil; Roy Choi, de Macau e Miguel A. Lopes, de Portugal. A exposição integra também outras fotografias seleccionadas pelo júri “pela sua relevância ou valor para o tema do concurso fotográfico e para o propósito da Somos!, bem como o papel de Macau enquanto plataforma”. Uma vez que, o ano passado, não foi realizada a exposição de fotografia relativa à segunda edição do concurso, a associação decidiu adicionar essas fotografias na exposição de Março, bem como “outras relevantes do concurso anterior”. Andreia Sofia Silva

S empreendimentos hoteleiros East Asia Hotel e The Macau Roosevelt foram os grandes vencedores da edição de 2020 da “Actividade de Poupança de Energia de Macau”, com base nos cálculos feitos do consumo de energia eléctrica dos quatro meses de facturação entre os meses de Julho a Outubro do ano passado, por comparação ao igual período de 2019. O East Asia Hotel, vencedor na categoria Grupo Hotéis A, reduziu o consumo de energia em mais de 52,6 por cento, enquanto que o The Macau Roosevelt, vencedor na categoria Grupo Hotéis B, reduziu o consumo em 31,1 por cento. O Edifício Yan Fu foi o grande vencedor na categoria Grupo “Áreas Comuns de Edifícios Residenciais”, com uma redução de 54,4 por cento no consumo de energia. Já o “Prémio Conceito de Poupança de Energia” foi atribuído ao Galaxy Macau. A CEM aponta ainda que um total de seis hotéis reduziram o consumo de energia eléctrica de Julho a Outubro de 2018, 2019 e 2020. Este foi o 12º ano consecutivo em que a CEM organizou esta competição, tendo o apoio da União Geral das Associações de Moradores de Macau, da Associação de Gestão Imobiliária de Macau e da Associação de Hoteleiros de Macau. Os prémios foram entregues ontem no Centro de Convenções e Entretenimento da Torre de Macau.

Dança Festival sobe aos palcos do Venetian Theatre este sábado

É já este sábado, dia 30, a partir das 20h, que o palco do Venetian Theatre recebem o festival de dança “Suncity Group Rooting for Macau - Macau Dancing Festival”, que contará com a presença de mais de 200 bailarinos locais. Além disso, esta edição conta com a colaboração de cinco estúdios de dança de Macau, tal como L.D.G. Dance Studio, MSD Studio, Now’z Dance Studio Macau, TDSM Dance Studio e ZEAL Dance Studio Macau. É a terceira vez que esta série é organizada, seguindo os espectáculos realizados no início do ano passado no Suncity Group Rooting for Macau - SIM! Music Festival 2020 and Suncity Group Rooting for Macau - SIM! Full Band Festival 2020.

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27.1.2021 quarta-feira


quarta-feira 27.1.2021

O povo está primeiro Primeiro-ministro quer atender às preocupações populares

O

primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, pediu empenhamento para resolver as preocupações do povo e melhorar a subsistência das pessoas, pela promoção do desenvolvimento económico e social. Li fez este pedido na segunda-feira enquanto presidia um simpósio com a presença de representantes dos sectores de educação, ciência e tecnologia, cultura, saúde e desporto, além de membros do público. O vice-primeiro-ministro, Han Zheng foi outro dos participantes da reunião. Segundo a Xinhua, o primeiro-ministro discutiu estes assuntos com os referidos representantes, que “também partilharam as suas ideias”. Neste sentido, apresentaram sugestões sobre uma minuta de relatório de trabalho do governo e o projecto do 14º Plano Quinquenal (2021-2025) para o Desenvolvimento Económico e Social Nacional e os Objectivos de Longo Prazo Até ao Ano de 2035. Li Keqiang sublinhou a necessidade de manter uma

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abordagem centrada nas pessoas e acelerar esforços para enfrentar o desenvolvimento desequilibrado e inadequado, enquanto avança o desenvolvimento económico e social nos próximos cinco anos.

Além disso, o primeiro-ministro exigiu esforços para promover a educação de qualidade e justa e reforçar os pontos fracos do sector, especialmente no ensino obrigatório, para tornar acessível às crianças em áreas

rurais e remotas uma melhor aprendizadgem. Enfatizando o melhoramento das capacidades de inovação científica e tecnológica de forma completa, Li apontou que a base para a inovação deve ser consolidada enquanto se aprofunda a reforma do sistema de gestão para a ciência e tecnologia. Apesar de elogiar as contribuições do sector médico e de saúde na prevenção e controlo de epidemias, Li exigiu esforços contínuos para melhorar o sistema público de saúde e expandir os serviços médicos de qualidade em maior escala. Na frente desportiva, o primeiro-ministro pediu melhores produtos e serviços desportivos e de fitness para beneficiar a saúde das pessoas. Falando sobre a cultura tradicional chinesa, Li pediu a promoção de clássicos, juntamente com a criação de mais trabalhos “de excelência e inspiradores” para atender às crescentes exigências imateriais da população. Por outro lado, o primeiro-ministro afirmou que “garantir a segurança alimentar é crucial para a revitalização rural”, e exigiu mais empenhamento na melhoria das políticas de apoio à agricultura, mais benefícios para os agricultores e um consequente aumento do seu rendimento.

COVID-19 SEGUNDA MORTE DE 2021

A

Comissão de Saúde da China anunciou ontem uma nova morte no país devido à covid-19, a segunda em janeiro, após quase oito meses sem registar vítimas mortais. O óbito ocorreu na província de Jilin, palco de um dos surtos recentes no país, onde o número oficial de mortos é agora de 4.636. Em 14 de Janeiro, as autoridades chinesas tinham anunciado a primeira morte em cerca de oito meses, de acordo com as estatísticas oficiais. As autoridades de saúde registaram 82 novos casos, entre os quais 69 por contágio local, em contraste com 117 infeções locais identificadas na segunda-feira. Os casos foram detectados nas províncias de Heilongjiang (53), Jilin (sete) e Hebei (cinco), enquanto as cidades de Pequim e de Xangai registaram dois casos cada. As autoridades chinesas redobraram os esforços para conter os surtos que atingiram aquelas três províncias situadas no norte do país, onde várias áreas foram isoladas e a população testada. Os dois casos em Pequim foram detectados no distrito de Daxing, onde as autoridades estão a tentar conter um surto, por meio de confinamentos selectivos e da realização de testes.

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Anúncio Serviços de Análise da Qualidade da Água Concurso Público 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14.

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Entidade adjudicante: Secretário para os Transportes e Obras Públicas do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). Entidade que põe os serviços a concurso: Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). Denominação do concurso: Serviços de Análise da Qualidade da Água. Modalidade do concurso: concurso público. Local de prestação dos serviços: Áreas marítimas sob a jurisdição da RAEM. Objecto: Prestar à DSPA do Governo da RAEM os serviços de recolha de amostras e análise da qualidade da água nas áreas marítimas sob a jurisdição de Macau. Prazo do contrato: o prazo do contrato de prestação dos “Serviços de Análise da Qualidade da Água” tem início na data de assinatura do contrato e dura até ao dia 31 de Dezembro de 2024. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 (noventa) dias, a contar da data do acto público de abertura das propostas, prorrogável, nos termos previstos no Programa do Concurso. Caução provisória: MOP97 000,00 (noventa e sete mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro ou garantia bancária, a favor da RAEM. Caução definitiva: para garantir o cumprimento do contrato, a sociedade adjudicatária deve prestar à entidade adjudicante 4% (quatro por cento) do preço total da adjudicação dos “Serviços de Análise da Qualidade da Água” como caução definitiva. Preço base: não há. Condições de admissão: Só podem participar no concurso as sociedades registadas na Conservatória do Registo Comercial e Bens Móveis da RAEM, cujo objecto social esteja comprovado pelo registo comercial, como estando relacionado com a análise da qualidade da água. É também permitida a participação no concurso de concorrentes sob a forma de consórcio. Local, data e hora para entrega das propostas: Local: DSPA, Estrada de D. Maria II, n.os 32-36, Edifício CEM, 1.º andar, Macau; Dia e hora limite: dia 12 de Março de 2021(sexta-feira), pelas 17h00. Local, data e hora do acto público de abertura das propostas: Local: DSPA, Estrada de D. Maria II, n.os 32-36, Edifício CEM, Macau; Data e hora: dia 15 de Março de 2021 (segunda -feira), pelas 10h00. Para os efeitos previstos no artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, os concorrentes ou os seus representantes legais devem estar presentes no acto público de abertura das propostas, para esclarecer eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local e hora para consulta do processo do concurso e preço para obtenção da versão digital do processo: Local: DSPA, Estrada de D. Maria II, n.os 32-36, Edifício CEM, 1.º andar, Macau; Hora: horário de expediente; Preço para obtenção da versão digital do processo: MOP500,00 (quinhentas patacas). Critérios de avaliação e ponderação das propostas: Critérios de avaliação 1.ª parte Limite de detecção Capacidade de análise Reconhecimento dos métodos de pesquisa Experiência 2.ª parte Experiências e apoio dos serviços Fornecimento de equipamentos relacionados com os trabalhos da proposta, outros adicionais serviços adicionais ou pessoal de apoio logístico e seu empenho 3.ª parte - Preço da proposta Valor total da proposta do concorrente = Valor da avaliação da capacidade de análise + valor da avaliação de experiências e de apoio dos serviços adicionais + valor da avaliação do preço da proposta

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A proposta e os documentos que a instruem devem ser redigidos numa das línguas oficiais da RAEM ou em inglês. Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, aos 20 de Janeiro de 2021. O Director Tam Vai Man

Ponderação 27% 18% 5% 50% 100%


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27.1.2021 quarta-feira

ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

O Governo do Verdadeiro Rei

PARTE IX

GU KAIZHI

XUNZI

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O senhor de um estado violento não poderá, naturalmente, usar o seu exército contra nós. E porque não? Porque ninguém o acompanhará. Aqueles que o acompanhariam seriam decerto a sua própria gente. Mas o amor da sua gente por nós será como a alegria que lhes dão os seus próprios pais. O amor que têm por nós será como a atracção que sentem pelo perfume das orquídeas ou do sésamo. Olhando para trás, verão os seus superiores como vêem os castigos da marcação com ferros e da tatuagem, ou como inimigos mortais. Mesmo que a disposição e natureza do povo fossem como as de Jie e do Ladrão Zhi, como seriam capazes de fazer aquilo que odeiam de maneira a maltratar aqueles de quem gostam? Na verdade, já teríamos conquistado [os seus corações]. Por isso, entre os antigos, houve quem conseguiu conquistar todo o mundo a partir de um só estado. Tal não sucedeu por se terem deslocado para o fazer, mas sim por terem cultivado e governado os seus próprios estados, levando a que todos ansiassem pelo mesmo. Agindo assim, puderam depois punir os violentos e banir a brutalidade. Quando o Duque de Zhou conduziu a sua campanha punitiva ao sul, os estados do norte lamentaram-se, “Quem dera que tivesse vindo só aqui”. Quando conduziu a sua campanha punitiva a leste, os estados do

oeste lamentaram-se, “Por que nos deixou para último?” Quem poderia ter lutado contra ele? Aquele que usar o seu estado para conseguir tais coisas se tornará um verdadeiro rei. No dia em que tivermos acertado as coisas, o nosso exército se acalmará, os nossos súbditos se tranquilizarão e o povo comum será tratado com amor. Abriremos campos e pradarias, encheremos os celeiros e prepararemos novas provisões. Do mesmo passo, recrutaremos e selecionaremos cuidadosamente homens de talento e capacidade. Para os encorajar, estabeleceremos honras e recompensas, assim como penas e castigos para os impedirmos de praticarem o mal. Escolheremos homens argutos, fazendo-os liderar e controlar uns aos outros. Depois, nos dedicaremos a amplo armazenamento e manutenção, fazendo suficientes bens e provisões. Enquanto outros expõe e desgastam suas armas, armaduras e material diariamente nas planícies centrais, eu me dedicarei a reparar as minhas, resguardandoas nos meus armazéns. Enquanto outros diariamente dissipam e desperdiçam os seus bens, riqueza e cereais nas pradarias centrais, eu me dedicarei a armazená-los e reuni-los nos meus celeiros. Enquanto outros diariamente desbaratam contra os inimigos os seus homens de talento e

capacidade, os seus assistentes de topo, os seus homens fortes e corajosos que lutam com denodo, eu me dedicarei a chamá-los para meu lado, avaliando-os, incorporando-os e refinando-os na minha corte. Quando as coisas são assim, os outros acumulam erros todos os dias, ao passo que eu todos os dias acumulo perfeições. Enquanto os outros acumulam pobreza todos os dias, eu todos os dias acumulo riqueza. Enquanto acumulam trabalhos, eu acumulo facilidade. Quando a dureza faz diariamente mais tensas e odiosas as relações entre o senhor e os ministros, os superiores e os subordinados, a bondade os fará aproximar cada vez mais de mim e me amarem. Estas coisas usarei para enfrentar os seus erros. Aquele que usar o seu estado para conseguir tais coisas se tornará um tirano. No estabelecimento do nosso carácter poderemos seguir costumes grosseiros. Nos assuntos do estado, podemos aplicar-nos em promulgar esquemas dúbios. Ao promover ou despromover pessoas, ao enobrecê-las ou rebaixálas, elevaremos os bem-falantes e ardilosos. Uma tal pessoa relaciona-se com o povo comum dele tirando, desrespeitando-o e dele roubando. Alguém assim colocar-se-á sempre em perigo. Ou, no estabelecimento do nosso carácter, podemos ser levianos e rudes. Nos assuntos do estado, nos dedicarmos à

usurpação. Ao promover ou despromover pessoas, ao enobrecelas ou rebaixá-las, elevaremos os homens tenebrosos e temíveis, homens enganadores e que agem por motivos ulteriores. Uma tal pessoa relaciona-se com o povo comum abusando dos seus esforços derradeiros, mas sendo lento a reconhecer os seus trabalhos e mérito. Uma tal pessoa abusa dos seus impostos, mas olvida os seus esforços fundamentais. Uma tal pessoa será destruída. Devemos escolher cuidadosamente de entre estas cinco possibilidade. Pois elas são os meios para nos tornarmos um verdadeiro rei, um tirano, alguém que mal subsiste em segurança, alguém que vive em perigo, ou alguém que é destruído. Aquele que escolher bem controlará os outros. Aquele que não escolher bem será controlado pelos outros. Aquele que escolher bem será um verdadeiro rei. Aquele que não escolher bem será destruído.1 A distância entre ser rei e ser destruído, entre controlar outros ou ser controlado por eles não é, na verdade, grande de todo. 1- Aqui, Xunzi joga com o facto de, outrora, as palavras nas expressões “tornar-se rei” (王) e “ser destruído” (亡) terem uma pronúncia muito próxima e rimarem uma com a outra; em mandarim contemporâneo, a pronúncia de ambas é agora a mesma: wáng.

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


quarta-feira 27.1.2021

diário de um editor

JOÃO PAULO COTRIM

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HORTA SECA, LISBOA, SEXTA, 8 JANEIRO «Nós, em devir// oramos todos uns dias por um quinhão de alegria». Envolta em mãos desenhadas, simples à vista e outras quase ocultas a tocar corações e complexidades, chega-me «oração», de Isabel Baraona, em correio com carimbo de data e selo contem Amália na fronteira de serrilha. Leio a magnífica litania logo passando para a voz alta, seu indubitável lugar. O caderno que sobra para lá do invólucro de mãos acolhe com mestria gráfica a cadência dos versos em repetição acrescentada, como se fossem chegando para irem adensando até ao núcleo dispersando depois. Aspectos e segredos de mães e amantes, «um coração duas línguas», apanhados no ar para irem definindo corpo, de palavras que são matéria, e casa, de espaços que são respiração. «nós, plural feminino// nós, que somos apenas/ nós, que somos quase// nós, em devir, nós, plurais e por vezes repetitivas,/ as eleitas, mas não as mais jovens/ amantes, mas não as mais belas/ nós, à escuta do amor dos homens/ desejando neles a fêmea que também são/ nós, canhestras e porventura insolentes/ hirtas, entre músculo e ossatura frágil/ esfolamos os seios até ao coração.» A citação falha na aproximação à experiência, destrói o objecto, perfura a borboleta ainda viva. Leio vezes sem conta, «não dizendo angústia porque as palavras são desejos», mas celebrando-a. Um grito bordado em murmúrio. Uma pérola de carne e osso. Mais do que jardinagem de sinais poéticos, dizem-se as palavras que precisão ficar contíguas ao corpo e à casa para o definirem. O ícone não representa, faz-se presença. Uma afirmação de brutal carga eléctrica, indispensável para sobreviver «ao ícone desfeito em tempestade». Queria muito voltar a rezar assim: «nós,// oramos sempre e ainda por uma alegria leve e viva». SANTA BÁRBARA, LISBOA, SEXTA, 15 JANEIRO Cá está novo fechamento, anunciado à náusea, adiado ao limite. Ainda assim, as ruas não se esvaziam. A catástrofe está instalada à razão de um avião em queda por dia, mas nem isso

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Quero é dançar na chuva acende as campainhas histéricas dos telexes virtuais. Ou antes, os alarmes são ignorados, por não querermos acreditar na impossibilidade de se viver como habitualmente. Arde-me a casa, mas na vez de tentar apagar todos os fogos, o fogo, entendo por bem arrumá-la. Nem isso: escolho um gesto minimal repetitivo e nele me instalo, performance silenciosa no escuro. Melhor faria se observasse os mil modos do gato se espreguiçar, harmoniosas odes à potência do salto. Parceiro de projectos postos em pausa, o João Francisco

[Vilhena] desafia-me para um «Diário das nuvens», desconhecendo ainda assim a minha desmedida e diletante atracção por esses fugidios elementos. Que teriam para dizer essas imemoriais companheiras destes nossos pára-arranca? Um dos muito encantos das ditas massas suspensas de água e poeira está em nada dizer. Somos nós que nelas penduramos estados de espírito, tornando-as vestes da tristeza ou da melancolia. O João envia, a cada dia, fotografia de um caso, jogando com luz, composição e a sua

PARA CONTAR DAS NUVENS SÓ MESMO PALAVRAS, MICRO-HISTÓRIAS AO SABOR DA ABSOLUTA LIBERDADE, PERSEGUINDO IDEIA OU DESCASCANDO PALAVRA, DESCREVENDO OBJECTO OU ENGENDRANDO SITUAÇÃO, OBSERVANDO, DENTRO E FORA.

leitura do dia. Estou a vê-lo a bater às portas para poder subir às varandas, aos telhados, identificando-se: «é para contar as nuvens». Para contar das nuvens só mesmo palavras, micro-histórias ao sabor da absoluta liberdade, perseguindo ideia ou descascando palavra, descrevendo objecto ou engendrando situação, observando, dentro e fora. Exercício de felino doméstico, arranhar sofás e espreitar visões do vizinho nenhures. As decisões urgentíssimas que continuem presas na sua desesperança prática. Topei logo a fala das portas dos últimos dias -- estava capaz de criar uma religião. O Bernardo [Trindade] está a fechar com estrondo uma de vidro que permitia, mesmo nas madrugadas aflitas, ver as lombadas alinhadas a conservar saberes. Nem o gradeamento em losangos, arremedo securitário pintado de flores por estes dias, impede que nos assomamos ao miradouro. A da abysmo foi raspada e polida, caiu o verniz, perdeu brilho, portanto, para acolher entretons de laranja. Dá-lhe movimento, parece que acabou de se esfregar na pele na cidade, parou para descansar por instantes antes de continuar a roçagar-se pelas coisas do mundo. A do prédio aqui possui curiosa mistura de peso e transparência, momento distinto das artes aplicadas, com a fechadura próxima do chão, uma bela moral: tu que queres entrar, baixa-te para alcançar a abertura. Apanhei a tua nuvem, João, hesitando entre pára-quedas e metáfora. Entrada primeira: «Estava capaz de jurar que era uma ideia. Foram as suas hesitações perante a porta que me despertaram. Era uma porta semelhante a tantas horas que se rasgam em rectângulo na face dos prédios. Umas são como canções, outras não. Umas são de abrir acessos, outras de os travar. Esculturas de ferro com transparências de vidro. Cegas na bruteza. Vendo bem, esta era distinta. Era a porta da rua. Não do prédio, mas da rua. O exterior, que costumava ser de todos, vedava-se. A ideia encontrava-se entalada no exacto espaço entre entrada e saída. Ainda bem que o desconforto térmico não era por aí além.»


14 [f]utilidades

TEMPO

MUITO

NUBLADO

MIN

16

MAX

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HUM

EU FUI CONTRA ESTA CAMPANHA EU FUI contra esta campanha. Por razões pessoais mas também pela evidente falta de meios e de apoio político, e por adivinhar que a esquerda não teria a maturidade nem a sageza para se unir, apesar dos riscos evidentes. Depois do que aconteceu ontem vejo como estava enganada. A candidatura de Ana Gomes foi fundamental para este país poder manter a cabeça erguida. Os resultados, como a própria disse, foram uma desilusão, mas podia ter sido bem pior se o seu sentido de missão e de serviço público não tivesse prevalecido. Ana Gomes cometeu erros. O primeiro deles foi não se reger pelas lógicas e cálculos eleitorais vigentes e dizer o que pensa, mesmo quando sabia que isso a faria perder votos. Mas essa é também a sua força. A vantagem de não precisar de um cargo e de ser uma pessoa livre é poder fazê-lo. Porque não eram as eleições que lhe interessavam, obviamente sabia que perderia, eram os valores e a postura que defendeu, para que tenham um legado e um futuro, que extravasa muito estas eleições. (Pena que tantos à esquerda não o tenham percebido). E 14a única questão que importa agora é essa: 19 o amanhã. O país que vamos ter amanhã. Da minha parte, 1 6descobri 3 7 e4aprendi 5 0 nestas 8 2eleições. 9 4 5 O6 muito Já lá vamos. mais importante é que há muito por fazer, muitas pessoas 2 5 9 1 3 8 6 0 7 4 2 0 9 que deixaram de acreditar no Estado, nos eleitos, e que 7 8 4de 0 9 2 3 Mas 6 1 5 e quem? 8 7 1 precisam ser agarradas. como Quando precisávamos de um PS forte 0 7 5 6 8 4 2 1 9 3 e inequívoco3na2de-7 fesa dos valores que importam, assistimos a um partido 8 2 6 5 7 9 1 4 3 0 5 6 8 decadente e sem princípios. Carlos Cesar personifica-o 3 9 0 4 6 5ter2escolhido 8 7 melhor, mas 9 tam4 3 lindamente, não1podiam bém todos aqueles que por cálculos políticos não vota9 4 1 8 0 3 7 5 6 2 7 1 0 ram em consciência. Com muita pena e preocupação, não 6 3 8que2este5PS0seja9 capaz 7 4de 1agarrar o país1com 8 a5 acredito

4 0 7 3 2 1 8 9 5 6 5 1 2 9 6 7 4 3 0 8

2 3 4 6 2 5 0 1 9 8

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0 5 6 8 7 9 5 4 1 2 2 8 3 6 4 1

18 5 6 1 2 4 8 0 3 7 2 95 67

23

9 4 9 3 1 8 7 1 2 0 5 5 7 4 6 3 9 2 9 4 6 8 7 6 5 5 3 1 0

0 6 6 9 4 2 1 8 7 3 7 5 2 3 1 0 5 7 9 8 0 2 4 4 6 7

8 5 4 1 5 2 1 9 3 8 0 0 6 2 7

6 8 0 0 7 4 9 2 7 1 9 5 3 3

3 2 7 0 9 7 8 6 5 2 8 6 4 3 1

1 7 9 9 2 3 2 6 3 5 0 4 7 8

7 8 1 5 3 9 0 0 1 4 2 5 9

4 5 8 3 0 4 6 9 3 1 7 6 2 1

1 0 3 7 2 5 4 4 6 5 9 9 8 1 3

8 2 3 4 6 2 7 4 9 9 1 8 0 5

5 7 2 0 9 3 9 6 1 4

9 1 4 6 5 3 1 3 0 4 8 6 7 9 2 0

4 9 9 5

6 1 8 7 2 5 8 0 7

7 9 0 5 6 1 2 5 4 3 8 4 9 3

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 18

6 4 1 2 8 9 7 4 3 0 26 0

PROBLEMA 19

S5 7 U0 1 D4 9 O6 2 K8 3U

CINETEATRO SALA 1

21 6 20

C I N E M A

5 0 3 2 81 40 17 1 78 9 0 3 9 69 70 THE MOVIE DEMON SLAYER: 8NO 4 9 7MUGEN6 KIMETSU YAIBA 0 27 13 5 4 30 55 2 9 02 3 4 5 6 27 85 7 15 8 9 6 8 2 FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Yoyo Yao Com: Lee Hongchi, Li Yitong 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

23 22

EURO

9.70

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0.26

YUAN

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denunciou os vôos da CIA, quem expôs a corrupção angolana patrocinada por Portugal, quem denunciou Sócrates apesar de ser o líder do seu partido, quem denunciou a morte da Gisberta no Parlamento Europeu, quem levou para Bruxelas a democracia da Etiópia e a morte da jornalista Daphne Caruana de Malta. Nem de propósito, uso as palavras que Ana Gomes usou quando o PS esticou a passadeira vermelha para o Primeiro Ministro de Malta (já então suspeito de encobrir o assassinato): shame on you, shame on you. E sim, sou filha desta pessoa. O que habitualmente me leva a ter muito pudor e não dizer nada. Porque já levo bastante por tabela e porque não a represento, nem ela a mim. Mas hoje digo, a alto e bom som: tenho o maior orgulho do mundo na minha mãe. Uma pessoa que não deve nada a ninguém e que se dependesse de mim não se tinha metido nisto. Estaria alegremente a escrever o seu livro de memórias sobre Timor e a estragar os netos de mimos. Mas a minha mãe, como o meu pai, e como uma geração inteira que infelizmente está desaparecer da vida activa, tem um sentido de patriotismo e de dever público muito específico, que em nada se parece com o activismo de sofá ou de televisão, nem a preocupação pela popularidade, que tanto vemos por aí. A todos esses: divirtam-se. Deste lado a consciência está tranquila, dorme-se bem de noite. E a luta continuará. Com a voz e os trejeitos que não estão na moda. Teimosa, e inconveniente às vezes. Cometendo erros. Sem escolher o caminho fácil ou evidente. Mas sempre do lado certo e 4 2uma 8 coragem 6 com e dedicação que inspira, e há lá coisa melhor que isso… 5 9 7 3 Aliás, disseram-lhe para não ligar aos jovens, que não vo7 5e sabem 4 1 qual foi a resposta? Então o que é que eu tam, ando 2 4cá5a fazer?  0 (P.S. não vou responder nem comentar, só quis escrever 6 1 0 2 isto, porque na nossa família quem não sente não é filho de 1 8gente. 9 a7foto da Ana Gomes, diplomata bem-comporboa tada é do Gageiro. apeteceu-me). 9 3 6 Eduardo 5

urgência que é necessária, está demasiado comprometido e complacente. As legislativas o dirão muito brevemente. E o PSD? Numa altura em que o país precisa desesperadamente de adultos honestos na sala, o Rui Rio presta-se a um papel que envergonha todos aqueles que no PSD se bateram e batem por um país democrático e pelos valores da social-democracia. Onde estão essas pessoas? Apareçam por favor, que por este andar não é só ele próprio que Rio vai afundar. E depois temos a imprensa (o PC e o BE, e os seus eleitores, não me suscitam qualquer reação, confesso – não carecia, é só). Como ex-jornalista não alinho em diabolizações gratuitas. Há muito bom jornalista por aí, sem os quais não saberíamos da missa à metade. Mas há directores de informação, e de entretenimento, com responsabilidade no que vemos – e sobretudo no que não vemos. As escolhas dos comentadores de ontem foram elucidativas quanto à falta de representação, a todos os níveis: não há mulheres, não há minorias, uma pobreza. E depois ainda há os supostos comentadores liberais ou de esquerda, como Pedro Marques 20 Lopes e Pedro Adão e Silva, que com pena minha mostraram que não 8 livres, 3 0 têm 2 agendas 7 1 9e cálculos, muito 5 evidentes, 1 0 7 como 3 9 são tantos outros. 6 4 7 1 3 8 5 2 8 4 1 6 0 De todos, o pior insulto que fizeram a Ana Gomes nestas 0 5 9foi 3chamar-lhe 2 4 6populista. Ousar 6 3chamar 9 0a uma 8 2 eleições pessoa 5 1 que 8 não 6 4fez 9outra 0 coisa na vida 7 que 9 dedicar-se 6 8 1 a3 serviço público e lutar por causas perdidas, (sem tachos 2 7 4 9 0 3 1 8 7 3 9 4 5 em troca), e compará-la a um arrivista sem princípios que 1 6fez5pelo0 país 8 até 7 hoje, 2 é a maior 4desonestidade 0 5 3 inte2 6 nada lectual a que assisti. 9 8 2 4 5 6 3 0 2 1 4 7 8 Já não falo do 25 de Abril. Lembrem-se quem estava lá 3 0 Timor 6 7 era 9 uma 2 causa 4 esquecida3de4Portugal, 7 5 quem 9 1 *A 0 autora 6 2é filha 8 de Ana Gomes quando

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Joana Gomes Cardoso*

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2 4 8 7 1 0 9 74 32 68 66 50 3 4 87 OK! MADAM [B] 1 FALADO 8 EM47JAPONÊS 25 5 LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Solozaki Haruo 91 14.30, 23 16.30, 5 19.30, 0 21.3035 7 3 9 61 40 8 0 1 98 79 57 18 6 8 26 3 7 00 16 9 40 64 2 5 03 3 0 1 FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Sotozaki Haruo 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

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9 0 5 1 3 2 7 4 8 8 2 6 4por9Judy 5 Dench, 0 3 7 Protagonizado 7 filme 3 4 consegue 9 6 8a proeza 1 0 5 este de1abordar um assunto 7 2 3 5 4 6sério 8 0 do ponto de vista emocional e 6 1[o caso 9 7das2adolescentes 0 8 5 4 social grávidas em 2 5 8 na3Irlanda 0 4colocadas 1 9 6 instituições religiosas, tornando4 0de6abusos 7 3e explora5 1 9 -se2vítimas ção], 4 de 6 uma 1 8forma 0 algo 9 2leve7 e 3 até0divertida. Filomena 5 8 2 1 7 3é uma 9 6 mulher irlandesa que contrata 9 7 5para 8 encontrar 6 4 2o 1 um3 jornalista seu filho Anthony, entregue para adopção em criança. Os dois de24 constroem uma profunda pressa amizade 0 4 durante 8 6 2o processo 7 5 9de busca pela identidade do filho de 9 2 5 Andreia 8 1 Sofia 3 0Silva 6 Filomena.

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FILOMENA | STEPHEN FREARS | 2013

9 1 7 8 6 4 2 0 5 3 1 3 9 5 3 2 4 6 4 8 0 9 3 1 5 7 6 2 7 4 8 6 3 1 2 6 5 1 7 0 3 8 9 4 3 1 6 0 4 9 7 5 8 2 9 1 3 4 9 2 5 8 0 6 7OK! MADAM 1 7 6 3 4 5 1 8 2 9 0 1 2 5 4 8 9 0 2 8 4 9 6 7 3 1 5 4 0 1 3 9 6 2 7 5 8 9 7 8 5 6 5 33 70 0 2 19 46 8 9 5 8 9 7 6 2 3 0 4 1 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos 82 7 10 3 Arede; 47 53 9 21 0 Colaboradores 68 1 7Morais 2 José 9 Editores 8 0João4Luz;3José6C. Mendes 5 Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Salomé Fernandes Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Inês Oliveira; 7www. 3 2 68 Emanuel 1 9 Cameira; 82 5Gonçalo 4 M.Tavares; 0 6 João 9 Paulo 0 Cotrim; 5 3José8Simões 1 Morais; 4 2Luis7Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues 10 0 68 5 Simão; 2 7Olavo4Rasquinho; 99 3 Paul84Chan Wai Chi; Paula2 Bicho; 5 Tânia 7 dos 1 Santos 0 Grafismo 4 6 Paulo 8 Borges, 3 9Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; hojemacau. Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão com.mo 53 9 47 0 Tipografia 88 36 Welfare 6 12Morada 2 Pátio 70 da Sé, n.º22, r/c, 8 Macau; 3 4Telefone 2 28752401 7 5 9 1 0 e-mail 6 info@hojemacau.com.mo; Fax 28752405; Sítio www.hojemacau.com.mo 24


quarta-feira 27.1.2021

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macau visto de hong kong

opinião 15

David Chan

CARAVAGGIO

PAGAMENTO FÁCIL

A taxa de manuseamento das carteiras electrónicas é um problema. Os comerciantes que aceitam o pagamento com carteiras móveis, precisam de pagar uma taxa

RECENTEMENTE, a comunicação social anunciou que a Autoridade Monetária de Macau vai implementar um novo serviço – o Simple Pay. Os bancos de Macau lançaram diferentes softwares para telemóveis, permitindo os pagamentos através destas plataformas. Estamos perante o pagamento electrónico, que é possível ser realizado de várias formas. A utilização do cartão de crédito para fazer compras online é um dos exemplos. Tele-contas, também conhecidas como carteiras electrónicas, são a forma mais comum de pagamento electrónicos. De acordo com os dados da Autoridade Monetária de Macau, em 2019, efectuaram-se 16,49 milhões de pagamentos a partir de carteiras electrónicas, que movimentaram 1,23 mil milhões. Nos primeiros três trimestres de 2020, o número de operações disparou para 40,85 milhões, que envolveram transacções no valor de 4,01 mil milhões; o número de movimentações aumentou 2,47 vezes, e o volume de transacções 3,26. A taxa de crescimento é espantosa. Estes dados demonstram que as contas electrónicas se estão a tornar cada vez mais populares em Macau. Com este rápido crescimento, existiam até agora em Macau sete ou oito aplicações para telemóvel que permitiam criar carteiras electrónicas, mas que impossibilitavam os pagamentos se o banco do cliente fosse diferente do banco do comerciante. Tratava-se de um desajuste. O Simple pay veio solucionar este desajuste. O processo é dividido em dois passos. No primeiro, o comerciante pode utilizar qualquer terminal bancário para aceitar os códigos QR das diferentes contas virtuais associadas a diferentes bancos locais. Assim sendo, independentemente do banco a que está associada a conta virtual do cliente, o pagamento pode ser realizado. Em segundo lugar, o cliente pode usar qualquer tipo de carteira electrónica local para identificar o código QR do comerciante. Depois de completar estes dois passos, o desajuste é eliminado, porque ambas as partas têm acesso ao código QR uma da outra. Cada dia que passa mais pessoas utilizam smartphones. As carteiras electrónicas agilizam o pagamento. Não existe troca de dinheiro vivo e por isso a margem de erro é baixa. O registo dos pagamentos é claro. A eficácia dos caixas aumenta. Estas várias conveniências podem fazer aumentar o consumo, e consequentemente ajudar a que Macau se venha a tornar uma cidade inteligente.

É claro, que os pagamentos virtuais também podem trazer desvantagens. As carteiras electrónicas são uma forma de pagamento electrónico. A ligação sem fios à internet requer um sinal. No momento do pagamento, se o telemóvel não receber sinal da operadora e a loja não tiver Wi-Fi, o cliente naturalmente não será capaz de pagar. Em terceiro lugar, a taxa de manuseamento das carteiras electrónicas é um problema. Os comerciantes que aceitam o pagamento com carteiras móveis, precisam de pagar uma taxa. Presumindo que essa taxa é de 2%, sobre um consumo de $100, o comerciante apenas receberá $98, e claro que quanto maior for o pagamento maior será a taxa; isto equivale a um ónus extremamente pesado para o comerciante. Se o montante do pagamento aumentar, significa que o cliente compra os mesmos bens com um preço mais elevado; a carteira electrónica aumenta a conveniência do pagamento mas simultâneamente os custos. Além disso, se o volume de transações não for elevado, por exemplo, $10, o lucro do comercinate vai depender de um rápido e elevado volume de negócios. Mas se o comerciante precisar de usar o terminal para introduzir várias informações por cada pagamento, acaba por perder rapidez nas transacções. A taxa de manuseamento das carteiras electrónicas é também um problema para os trabalhadores de certas indústrias. As carteiras electrónicas reduzem o uso de dinheiro vivo em restaurantes mas também reduzem as gorjetas que os empregados obtêm normalmente pelos seus serviços. Um estudo recente demonstrou que os jovens de Macau escolhem o pagamento eletrónico como primeiro método de pagamento. Entre eles, 47% gastam duas ou mais horas por dia a navegar nas plataformas de e-shopping, 30% sentem-se entusiasmados quando compram online, e 5% não conseguem pagar as despesas. Além de explicar os padrões de consumo dos jovens, os resultados do inquérito são também um indicador que aconselha os jovens a não fazerem compras apenas pela conveniência e rapidez dos pagamentos eletrónicos, se desta forma estiverem a prejudicar o seu orçamento. A tecnologia tornou mais fácil os pagamentos. Mas, ao mesmo tempo, os jovens devem compreender o valor do dinheiro. A facilidade dos pagamentos electrónicos não deve ser motivo para consumirem ser qualquer controlo.

Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


“A Lua é o mais importante planeta para os portugueses. ” PALAVRA DO DIA

Alice Tazem

Código de Saúde Termina hoje prazo para inserir morada

Menos de um por cento das PME fechou portas

Província de Hainão aposta forte no turismo

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A Província de Hainão, no sul da China, planeia transformar-se num centro internacional de turismo nos próximos cinco anos. De acordo com o relatório do governo entregue no domingo, o valor agregado do turismo representará 12% do produto interno bruto (PIB) de Hainão no período do 14º Plano Quinquenal (2021-2025). Hainão abrirá 160 novas rotas aéreas domésticas e internacionais, elevando o total para 646 em cinco anos, aumentando o número de cidades acessíveis para 200 e a movimentação de passageiros para 60 milhões.

27.1.2021

Spotify lança audiolivros de produção própria

Quem ainda não actualizou o código de saúde com a morada, tem até hoje para o fazer, recorda o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. O período de adaptação para inserir a informação começou no passado dia 5 de Janeiro, e passa a ser um requisito fundamental para emitir o código de saúde válido até ao fim do dia, caso contrário pode ser negado o acesso a vários locais.

Dados da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) noticiados pela TDM Rádio Macau revelam que os apoios concedidos pelo Governo às pequenas e médias empresas (PME) evitaram o seu encerramento no contexto da crise causada pela pandemia da covid-19. Isto porque menos de um por cento das PME que beneficiaram do pacote de medidas implementadas pelo Governo fechou portas. Um total de 35.931 empresas receberam um financiamento no valor de 2,2 mil milhões de patacas, sendo que apenas 287 encerraram. Estas empresas empregavam 840 trabalhadores e tiveram de retribuir 16 milhões de patacas, ao abrigo das regras decretadas pela DSF. O Governo adiantou ainda que “de certa forma, [o apoio] teve um papel positivo para a garantia de emprego e estabilização da economia”.

quarta-feira

TAIWAN CHEGA DE “SINAIS ERRADOS”, DIZ PEQUIM AOS EUA

Calma no Estreito

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C hina pediu aos Estados Unidos que tratem de “maneira prudente e apropriada as questões relacionadas com Taiwan e evitem enviar sinais errados às forças de independentistas de Taiwan”, disse na segunda-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian, numa conferência de imprensa em resposta a uma declaração emitida pelo Departamento de Estado dos EUA segundo a qual a China deveria parar de pressionar Taiwan e estabelecer um diálogo significativo com a ilha. Zhao apontou que a posição da China sobre a questão de Taiwan é consistente e clara: “Só existe uma China e a região de Taiwan é uma

parte inalienável do território chinês.” A China está determinada a salvaguardar a soberania nacional e a integridade territorial, e opõe-se à “independência de Taiwan” e à interferência de forças externas, salientou o porta-voz. Segundo Pequim, “a causa da actual tensão e perturbação nas relações com Taiwan reside nos responsáveis do Partido Democrata Progressista que se recusam a reconhecer o Consenso de 1992, que incorpora o princípio de uma só China, fortalecendo os contatos com forças externas e fazendo provocações em busca da independência de Taiwan, sublinhou Zhao. “Com base na adesão ao Consenso de 1992 e na oposição à ‘independência de Taiwan’, estamos prontos para conduzir um

diálogo e consulta com todos os partidos políticos, grupos e personalidades de Taiwan, para que possamos resolver as diferenças e construir um consenso sobre questões políticas através do Estreito e em questões relacionadas à promoção da reunificação pacífica da China”, disse Zhao. “Exortamos os EUA a cumprir seriamente o princípio de uma só China e os três comunicados conjuntos China-EUA, lidar com as questões relacionadas com Taiwan de forma prudente e adequada, e abster-se de enviar quaisquer sinais errados às forças de ‘independentistas de Taiwan’ para evitar prejudicar as relações China-EUA, a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”, concluiu Zhao.

LISBOA NAVIO DO SÉC. XVII DESCOBERTO NA 24 DE JULHO

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MA equipa de arqueólogos descobriu vestígios “muito bem preservados” de um grande navio do final do século XVII numa obra naAvenida 24 de Julho, em Lisboa. A Direção-Geral do Património Cultural afirmou que “os vestígios arqueológicos, identificados numa obra naAvenida 24 de Julho, em Lisboa, correspondem a uma embarcação com cerca de 27 metros de comprimento, datada dos finais do século XVII/ inícios do XVIII, preparada para a navegação atlântica, e que se encontra muito bem preservada”.

“Comparativamente a outras embarcações encontradas na [zona] envolvente, sob o edifício da sede corporativa da EDP, esta [embarcação] destaca-se pela dimensão

Cachimbo encontrado no navio

dos elementos preservados, como o comprimento máximo entre as partes do casco mais salientes à proa e à popa”, adiantou o mesmo organismo. Os vestígios da embarcação, encontrados por uma equipa da ERA Arqueologia, incluem a quilha, o arranque da proa a sobrequilha, com carlinga, escoas e tábuas dos forros interior e exterior. O estado de conservação “é particularmente bom”, segundo um relatório sobre a descoberta, não havendo casos em melhor condição no território nacional.

A plataforma de música online Spotify lançou vários audiolivros, obras clássicas que passaram a domínio público narradas por grandes nomes do entretenimento, como os actores Hilary Swank e Forest Whitaker. Foram lançados nove audiolivros na passada sexta-feira, todos em inglês, incluindo “The Awakening”, da escritora americana Kate Chopin, lido por Hilary Swank, e “The Life of Frederick Douglass, an American Slave”, uma autobiografia do ex-escravo que se tornou activista, narrado por Forest Whitaker. O Spotify também pediu ao YouTuber David Dobrik para ler o clássico “Frankenstein”, da escritora britânica Mary Shelley, e contratou a actriz britânica Cynthia Erivo para ler “Persuasion”, da escritora inglesa Jane Austen.

Comboio China-Europa com material anti-covid

O trem X8026, carregando material de prevenção da COVID-19 e outros produtos, deixou a cidade de Yiwu, na Província de Zhejiang, leste da China, para Malaszewicze, na Polónia nesta segunda-feira. Trata-se do primeiro comboio China-Europa que este ano transporta material de prevenção da covid-19 e chegará à Polónia em cerca de 13 dias. O serviço tem constituído um canal de transporte fiável entre os continentes durante a pandemia de covid-19. Em 2020, 9,39 milhões de itens e 76 mil toneladas de mercadorias anti-covid-19 foram entregues, principalmente em Itália, Alemanha, Espanha, República Checa, Polónia, Hungria, Holanda e Lituânia, e foram distribuídos para mais países europeus.

Benfica Arsenal quer jogo em campo neutro

Os receios à volta das restrições de viagem impostas pelo governo britânico para Portugal estão a fazer o Arsenal considerar seriamente a hipótese de jogar a primeira mão, marcada para o Estádio da Luz, a 18 de Fevereiro, em terreno neutro. A informação está a ser adiantada pela Sky Sports, que afirma que os ‘Gunners’ estão em conversações sobre o assunto, devido ao receio de serem impedidos de viajar para Lisboa, uma vez que Portugal foi colocado na lista de proibições de viagem, sendo que apenas estão a ser permitidos voos de repatriamento. De acordo com o canal, os londrinos vêem com bons olhos a hipótese de jogar em território neutro, algo que tem a mesma aceitação por parte das águias, que querem jogar a primeira mão na sua casa, como inicialmente previsto. Arsenal e Benfica defrontam-se nos dezasseis-avos de final da Liga Europa. A segunda mão joga-se em Londres, a 25 de fevereiro.

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Hoje Macau 27 JAN 2021 #4698  

N 4698 de 27 de JAN de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

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