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espiões

o que fizeram os americanos em Macau? Agência Comercial Pico • 28721006

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Mop$10

Director carlos morais josé • quarta-feira 26 de junho de 2013 • ANO XII • Nº 2879

aguaceiros ocasionais min 26 max 31 hum 75-95% • euro 10.4 baht 0.2 yuan 1.2

Ter para ler Venham mais cinco (séculos)

corrupção

eleições 2013

académico acusa CCAC de ser “inoperante”

agnes lam apresentou lista e programa

página 4

página 3

TAIPA

Supermercado de Li Ka Shing acusado de não pagar condomínio

Em Macau vale tudo O multimilionário Li Ka Shing é o proprietário de um supermercado na Taipa que está sob fogo dos inquilinos do prédio onde se encontra instalado. É que, para além de provocar danos vários com cargas e descargas, ainda não deu uma pataca para pagar o respectivo condomínio. Isto para além de ter avançado com obras não autorizadas pelo Governo. página 7

mentalidades

Metade dos chineses contra festival de carne de cão Página 11 pub

• fábrica de panchões

Instituto Cultural confessa a sua total impotência Página 9


política

Um funcionário do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) foi transferido para o Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, no que terá sido, segundo fonte próxima do caso, um processo “urgente” e “na ausência da secretária para a Administração e Justiça”

quarta-feira 26.6.2013

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Governo nega transferência de funcionário do IACM para gabinete de Cheong U devido às campas

Com toda a normalidade tiago alcântara

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Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

N

g Peng In era presidente do Conselho de Administração do IACM e é agora assessor de Cheong U. Nada de anormal, não fosse o facto de que Ng, de acordo com fonte que falou com o Hoje Macau, era “chefe de departamento dos serviços de licenciamento

do cemitério”, em 2001. E não só. “Ele foi um dos muito poucos que se opôs à atribuição das [dez] campas perpétuas.” De acordo com fonte próxima do processo, a transferência de Ng Peng In estará relacionada com o caso das

campas, que tem estado na ordem do dia. Mesmo depois de Florinda Chan ter sido ilibada de todas as acusações, permanecem arguidos quatro responsáveis do IACM no âmbito do mesmo caso. Raymond Tam, presidente suspenso do organis-

mo, Lei Wai Nong, um dos vice-presidentes do IACM, Fong Vai Seng, chefe do departamento dos Serviços de Ambiente e Licenciamento, e Siu Kok Kun, ajudante de encarregado. “Eu acho estranho ter sido na ausência de Florinda Chan”, responsável

Caso das Campas Pereira Coutinho quer apresentar proposta de debate

pela tutela do IACM, disse ainda fonte conhecedora do processo.

Acção normal

O Hoje Macau contactou tanto o IACM como o gabinete do secretário Cheong U e a resposta é semelhante:

a transferência foi algo normal. “A transferência de Ng Peng In foi uma requisição pessoal, de acordo com um pedido feito pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U”, disse uma porta-voz do gabinete ao Hoje Macau. “Foi aprovada pelo Chefe do Executivo já a 18 de Junho.” Também de acordo com o IACM, Ng vai ser assessor de Cheong U e um anúncio oficial será feito “em breve” no Boletim Oficial. Ambos os organismos se descartaram de responder às questões colocadas pelo Hoje Macau sobre se a transferência estará relacionada com o caso das campas. Em comunicado, publicado no Gabinete de Comunicação Social após o contacto do Hoje Macau, o Executivo anuncia que Ung Sau Hong, chefe dos Serviços de Inspecção e Sanidade do IACM, foi nomeada para ocupar o cargo de Ng, como Administradora do Conselho de Administração pelo período de dois anos. Nomeação feita pela secretária para a Administração e Justiça, diz o comunicado. Ung Sau Hong iniciou funções no então Leal Senado de Macau em Dezembro de 1990.

Novo Macau pede ao Governo que questione Washington sobre programa de espionagem

J

osé Pereira Coutinho vai tentar reunir assinaturas suficientes para fazer um pedido de realização de debate sobre o caso das campas, na Assembleia Legislativa (AL). Ontem, em declarações ao Hoje Macau, o deputado frisou que precisa de apenas mais uma assinatura, de acordo com o regimento do organismo, para que o pedido possa ser feito. “É injusto que tenha de ter duas assinaturas de deputados apenas para pedir o debate”, disse ainda. Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça, volta a estar no centro das atenções. Recorde-se que já anteriormente, o deputado democrata Au Kam San propôs uma audição da responsável na AL. Proposta que foi reprovada pela maioria dos deputados. O assunto volta a ser o mesmo: a atribuição de dez campas perpétuas no Cemitério de São Miguel Arcanjo, da qual Florinda Chan já foi ilibada pelo Tribunal de Última Instância. Pereira Coutinho ainda não está convencido e quer falar sobre o caso, agora que “este já está fora do segredo de justiça”. O deputado precisa agora de mais uma assinatura, algo que poderá contar com o

tiago alcântara

Assunto mal enterrado Andamos a ser vigiados?

apoio dos democratas. “Vamos lá ver se eles querem.” Mesmo que consiga apresentar a proposta de debate à AL, o pedido ainda tem de ser aprovado pelos deputados do hemiciclo e só depois, se for aprovado, é que se pode marcar uma data para o debate. - J.F.

A

Associação Novo Macau (ANM) quer que o Governo questione “oficialmente” os Estados Unidos da América sobre se alguma organização ou pessoa do território foi espiada ou esteve sob ataque de espionagem pelo programa Prism, o software de vigilância recentemente posto a descoberto por Edward Snowden. Numa reunião, ontem, com o director dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT), Jason Chao, presidente da associação, pediu explicações que considera ser da responsabilidade do Executivo. “O Governo de Macau tem a responsabilidade de questionar oficialmente os EUA. O director da DSRT, Tou Veng Keong, disse que não tinha autoridade para tal, que tinha de ser o Chefe do Executivo.”

De acordo com o que explicou Jason Chao ao Hoje Macau, o responsável da DSRT “não se comprometeu exactamente” a falar com Chui Sai On, mas disse que iria sugerir que o líder do Governo falasse com o a administração norte-americana. A ANM tem, inclusive, uma data indicada para que Chui Sai On o faça. “Na próxima quinta-feira vai haver um cocktail de celebração do dia da independência [dos EUA] e nós sabemos, de fonte segura, que Chui Sai On vai participar nesse cocktail. É uma boa oportunidade para falar com o cônsul dos EUA.”

Anteneiros para manter

Na reunião com a DSRT, foram ainda discutidas outras questões, como a recente

situação dos anteneiros. De acordo com o tribunal, os anteneiros terão de suspender a retransmissão de canais televisivos em menos de 90 dias e Jason Chao considera que isso vai afectar a vida da população. E dá soluções. “Uma das opções é reaver a concessão exclusiva da TV Cabo. Já não estamos a muito tempo para o fim do contrato, que acaba em Abril do próximo ano”, explica o presidente da ANM. Outra hipótese, diz Chao, é a de ter anteneiros e TV Cabo a cooperar, por exemplo, com os anteneiros a pagar uma taxa à operadora de cabo. Jason Chao critica ainda o Executivo, a quem acusa saber do problema dos anteneiros há mais de uma década e de nada ter feito para solucionar o problema. - J.F.


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política

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Eleições 2013 Observatório Cívico apresenta-se confiante na eleição de Agnes Lam

A arte de atacar em várias frentes

A estratégia do Observatório Cívico, lista encabeçada por Agnes Lam, passa por promover políticas transversas, afectas a toda a sociedade, com o apoio de candidatos especializados em áreas como a educação, cultura, bem-estar social, comunicação e urbanismo, que se dirigem a todos os quadrantes da comunidade. A meta é a eleição de um deputado Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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hoje macau

ma lista coesa e pluralista com diferentes ‘backgrounds’. É assim que se apresenta a lista Observatório Cívico que, por meio dos seus cinco candidatos, representa áreas distintas: comunicação, educação, arquitectura, bem-estar social e cultura. Trazem os seus conhecimentos para avançar com propostas para resolver, sobretudo, os problemas da habitação, política social e diversificação económica e, por isso, trabalham em várias frentes para conseguirem a eleição de um deputado. Jack Ng, professor de Física e Matemática no Colégio Sagrado Coração Canossiano, é o número dois da lista, seguido do arquitecto Rui Leão, 3º candidato, de Albert

Cheong, fundador da “Macau People with visually Impaired Right Promotion Association”, número quatro, e William Keong, director artístico e produtor musical, 5º candidato. Em comum têm, para além das mesmas prioridades políticas, o facto de terem procurado conhecimentos e valorização académica lá fora - em Portugal, Inglaterra, Estados Unidos da América e China Continental - e, nesse sentido, sentem poder chegar às várias comunidades e trazer visões globais. Ontem, na apresentação oficial da lista, na sede do grupo Energia Cívica, o objectivo traçado é eleger Agnes Lam, politóloga e académica do departamento de comunicação da Universidade de Macau, que passados quatro anos volta à carga nas eleições legislativas. “A nossa principal razão para concor-

rer é garantir o compromisso que traçámos há quatro anos para com os nossos eleitores e apoiantes: voltarmos a candidatar-nos. (...) O nosso objectivo é ganhar e estamos confiantes”, frisa a cabeça de lista do Observatório Cívico, que em 2009, com o grupo Energia Cívica, não conseguiu assento na Assembleia Legislativa. “Temos mais pessoas a perceber o futuro e mais a juntarem-se porque pensam como nós.”

Menos estrangulação

A lista promete atacar em várias frentes na campanha eleitoral mas há questões que são entendidas como primordiais. A primeira das quais é naturalmente a luta por uma política habitacional (que afecta, nomeadamente, um público eleitoral que querem captar, a classe média). A segunda é a diversificação económica, por meio de um reforço de condições para a operação das Pequenas e Médias Empresas (PME’s) e, ainda, uma política de contratação de mão-de-obra menos restritiva. E, de forma mais abrangente, os problemas sociais que, nos últimos quatro anos, se têm vindo a agravar: a poluição, o tráfego, a violência doméstica, o abuso de crianças, a protecção animal, a capacidade de acolhimento de turistas e população. Agnes Lam, em resposta aos jornalistas, deixou ainda clara a posição da lista face a quatro questões quentes: sistema político, mão-de-obra importada e violência doméstica. “Propusemos eleições directas para o Chefe do Executivo em 2009 e queremos manter a proposta para que tal aconteça em 2023 [depois da meta de Hong Kong, de 2017]”, garante a candidata. Sobre os trabalhadores dos não-residentes, Agnes Lam nota que deve haver uma proporção balanceada mas é preciso “uma avaliação e reforma em toda a política laboral.” “O mecanismo que temos só beneficia os empregadores e não a força de trabalho e o público. Mais transparente, não flexível, que beneficie as PME’s afectadas também pelo impacto crescente das rendas”, observa, focando que o alvo é não estrangular de vez o comércio dos pequenos. Sobre a proposta de lei contra a violência doméstica também evidencia que a posição que defende tem sido

Vozes dos candidatos • “E quero mudar a reforma política, a questão de género, também o desenvolvimento cultural, nomeadamente a indústria cultural. Somos uma cidade internacional mas não nos vemos como tal, embora sejamos uma comunidade muito diversificada” - Agnes Lam, académica na UMAC, cabeça de lista • “Enfrentamos o problema da falta de recursos humanos no sector educativo bem como a escassez de tempo dos professores que, embora detectem problemas nos estudantes, não conseguem lidar com eles. E também nos queremos focar na atmosfera de trabalho das escolas, que recebem subsídios do Governo mas não há transparência de como as instituições os usam” - Jack Ng, licenciado em educação e mestre em Matemática, 2º candidato • “A minha prioridade é fazer com que protejamos e reconheçamos os valores do património. Depois há questões relacionadas com o planeamento urbanístico, em que defendo que o processo deveria ser mais participativo. O Governo é que faz tudo em todos os campos e o nosso papel é bater-lhe palmas” - Rui Leão, arquitecto, 3º candidato • “Precisamos de uma reforma no sistema de previdência social? Porque agora o Governo tem muito dinheiro e dá muitos subsídios para as pessoas mas vivem apenas dos mesmos e esses recursos seriam usados de melhor maneira. Por exemplo, para os incapacitados e invisuais se calhar não precisam de subsídios mas mais educação, um líder que os leve à escola e mais tecnologia que os ajude a ver” - Albert Cheong, criador da “Macau People with Visually Impaired Right Promotion Association, 4º candidato • “A política de indústrias culturais tem sido um assunto quente. Temos tantos planos de investir dinheiro neste campo mas é preciso assegurar que o dinheiro canalizado será usado eficientemente e, mais importante, que cairá nas mãos de locais. As empresas internacionais tem muita facilidade de criar uma empresa e garantir financiamento em Macau para firmar uma indústria mas quero garantir que o Governo ajuda os negócios locais, e garanta que é possível crescerem as PME’s” -

William Keong, produtor musical e director artístico, 5º candidato

tornada pública com frequência, até porque a nova proposta de crime semi-público é “um mito” para si. “Apoio-a [a proposta de lei] como crime público. Não gosto da proposta actual. O problema foi direccionado e bem escrito da primeira vez por isso não percebi a mudança. É um mito para mim. Não encontrei ninguém [fora

deputados] com posição tornada pública contra o crime público.” Hoje, pelas 12 horas, os membros do Observatório Cívico apresentam, no Edifício da Administração Pública, sede da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa, apresentam o pedido de reconhecimento de candidatura.


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Eilo Yu, professor de ciência política da Universidade de Macau, acusa o Comissariado contra a Corrupção de não ter mão nos processos eleitorais e diz que a sociedade aceita a corrupção, mas confia no Executivo

Académico da UMAC fez estudo sobre sistema eleitoral

O dilema e o CCAC “inoperante” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

meses do início do processo de eleição dos assentos na Assembleia Legislativa (AL), o académico Eilo Yu revela os resultados de um estudo que realizou sobre o sistema político vigente na RAEM.

Os fenómenos de corrupção vividos em 2009 não passaram despercebidos aos eleitores, mas ainda assim continua a existir uma confiança no desempenho do Executivo. Eilo Yu disse estarmos perante um “dilema”: “Por um lado observam fenómenos de corrupção eleitoral, mas por outro lado aceitam-nos. Foi isto

que tentei sublinhar na minha comunicação. O que expliquei sobre este paradoxo vivido na população de Macau é que existe uma ideia generalizada da impotência e da incapacidade de alterar o regime político, e ao mesmo tempo os deputados também se mostram incapazes de controlar o Governo. Portanto vivemos num dilema.”

Segundo o professor de ciência política da UMAC, há receios junto da sociedade que se chegue a um “bloqueio”. E não faltam duras criticas ao desempenho do Comissariado contra a Corrupção (CCAC). “Eu diria que a actuação do CCAC não foi satisfatória em 2009. Este ano também me parece que ainda é mais reactivo do que

Governo não respondeu a Coutinho sobre cortes nas pensões

O

deputado José Pereira Coutinho continua sem receber qualquer resposta por parte do Governo, depois de ter entregue uma petição sobre os cortes sentidos pelos pensionistas da Caixa Geral de Aposentações (CGA). Na carta, Coutinho pedia que Chui Sai On intercedesse junto do Governo português para evitar que os reformados residentes em Macau fossem abrangidos por uma medida tomada no âmbito do pedido de ajuda externa. “Os referidos peticionários compareceram no meu gabinete de atendimento aos

Petição na gaveta? cidadãos para indagarem quanto à resposta à petição de Janeiro do corrente ano, tendo o signatário informado não ter até à presente data recebido qualquer resposta oficial à referida petição”, pode ler-se na interpelação de Coutinho. O deputado continua a questionar se o Governo “vai intervir a favor dos pensionistas residentes em Macau”, argumentando que as pensões fizeram parte do acordo selado com a assinatura da Declaração Conjunta, aquando da transferência de soberania. “Os cortes dos subsídios de férias e de Natal constituem

directa violação do estabelecido na Declaração Conjunta, nomeadamente o destino das verbas transferidas para a CGA que utilizou para fins distintos do pagamento das pensões de aposentação e pensões de sobrevivência.”

Responsabilidade politica

Segundo Coutinho, os queixosos que assinaram a petição “referiram que os referidos cortes se fizeram sem que o Governo da RAEM tivesse sido informado, na medida que os pensionistas foram privados de um direi-

to que provém de um acordo bilateral ainda vigente”. “Não podemos ignorar que os subsídios de Natal e de férias procederam das despesas na altura consignadas que o Governo de Macau enviou e que foi depositado na CGA”, acrescenta Coutinho, que considera ainda “não ser justo” que o dinheiro “que se destina ao pagamento dos pensionistas esteja ao dispor de critérios do Governo de Portugal, sem que o Governo de Macau não tenha de assumir as devidas responsabilidades politicas” - A.S.S.

pró-activo na prevenção de eventuais irregularidades eleitorais, acrescentou o académico. Para as eleições de Setembro Eilo Yu não prevê grandes mudanças. Aponta que no sufrágio directo a única competição que poderá existir é na eleição dos dois novos assentos implementados com o processo de reforma política.

Chan Hong candidata-se à AL

A lista da Associação de Educação de Macau (AEM) entregou ontem o seu pedido de reconhecimento de candidaturas às eleições, pela via indirecta, concorrendo ao único lugar do grupo do sector de educação e de serviços sociais. Chan Hong, vice-directora da escolar Hou Kong, a primeira na lista, reclama que vai dar mais atenções à educação e serviço às criança, jovens, idosos e famílias.

Dez com apoio judiciário

Desde 2011, foram aprovados dez pedidos de apoio judiciário. De acordo com dados publicados na imprensa chinesa, a Comissão de Apoio Judiciário já realizou cerca de 20 reuniões, onde aprovou dez pedidos de apoio. Os requerimentos foram aceites, apesar de não se saber informações sobre os solicitantes ou os processos de aprovação. A Lei de Apoio Judiciário entrou no vigor no ano 2010. Diz o jornal Ou Mun que, geralmente, desde que o solicitante possa fornecer à comissão os documentos necessários e o seu pedido atenda a requisitos legais, a comissão geralmente sugere ao Chefe do Executivo que aprove o pedido. Todavia, a aprovação final só depende do juiz, razão pela qual o processo demora.


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Taipa Condomínio de edifício entra em disputa com supermercado de Li Ka Shing

Veio, viu, venceu mas não paga

A administração de condomínio do edifício de Fa Seng Hong Tou Wai Yip garante que o supermercado ParknShop está a causar distúrbios aos moradores, estando ainda envolvido num processo de uma obra que não foi aceite pelo Governo. Deputados podem vir a ser contactados e está pensada uma manifestação

vou revelar detalhes”, acrescentou Lau Kam Chio.

Problemas no parque estacionamento

Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

S

aídas de incêndio tapadas e postes destruídos. Estes são alguns dos problemas que alegadamente o supermercado da marca ParknShop está a causar na zona da Taipa, junto do edifício Fa Seng Hong Tou Wai Yip. Lau Kam Chio, presidente da administração do condomínio do edifício residencial, disse ontem aos jornalistas que as queixas já foram apresentadas à cadeia de supermercados administrada pelo empresário de Hong Kong Li Ka Shing, apontado como sendo o homem mais rico da região vizinha.

Contudo, as respostas ainda não terão surgido e os problemas continuam por solucionar. “O pior é que não temos só os postes destruídos como também temos as saídas de incêndio todas fechadas por causa dos produtos do supermercado. O supermercado não paga as contribuições do condomínio há dez anos, um total de 500 mil patacas. O grande grupo de negócios não pode pagar isso em dez anos?” Lau Kam Chio disse ainda que, em ano de eleições, muitos deputados já se mostraram disponíveis para resolver o assunto, mas que a ajuda foi recusada “educadamente”. “Queremos primeiro contactar com o Governo e resolver a questão de forma pacífica. Mas

muitos moradores já contactaram alguns grupos eleitorais e, se no final deste mês o problema ainda não tiver sido resolvido, iremos avançar para uma segunda fase, para nos protegermos.” Fica ainda a promessa de realização de uma manifestação “de grandes dimensões”. “Ainda não

Ao Hoje Macau, uma proprietária de um apartamento, Margarida Lam, disse que o caso acontece há mais de um mês, mas que ainda não foi feita nenhuma medida de prevenção, porque a questão dos pagamentos não pode ser imputada aos donos das casas. “Não é justo que os moradores estejam a sofrer os resultados da existência do ParknShop. Aempresa precisa de enfrentar a questão e não fugir às suas responsabilidades.” Os postes do parque de estacionamento contíguo ao edifício habitacional estão em risco de cair devido às máquinas responsáveis pela manutenção dos ares condicionados e arcas frigorificas, propriedade do supermercado. Este ponto tem vindo a causar preocupação aos moradores, que receiam outro caso semelhante ao do edifício Sin Fong Garden. Gloria Fong, outra proprietária, disse que a situação só foi tornada pública em Maio. “Antes o supermercado cobriu os postes e parte

da área foi fechada. Só depois é que a administração do condomínio descobriu infiltrações e cinco torres destruídas.” Chou Iong Va, porta-voz dos moradores, acrescentou que foi feito um convite a um engenheiro para analisar a obra, que disse que o caso não foi tratado da melhor forma pelo ParknShop. Apenas foi feita uma cobertura com cimento, mas deverá ser necessária fazer uma obra de reparação mais profunda para manter a segurança.

Também há infiltrações

No passado dia 28 de Maio foram ainda descobertas infiltrações provocadas pelos frigoríficos do supermercado. “O tratamento feito por eles é uma mera formalidade e o ParknShop pensa que usar os ventiladores é suficiente para resolver o problema da água. Mas nunca convidou um engenheiro profissional para dar uma resposta adequada ao problema. Há falta de responsabilidade sobre a segurança do edifício e agora querem que todas as despesas sejam da responsabilidade dos moradores”, acrescentou Chou Iong Va.

DSSOPT proibiu obras de renovação

O conflito entre a cadeia de supermercados ParknShop e os moradores do edifício começou em finais de 2012, depois da renovação do espaço que hoje alberga o supermercado da Taipa. Houve suspeitas de ocupação de um espaço público e a administração do condomínio pediu, por duas vezes, a aprovação do desenho para o uso da área junto das Obras Públicas. O organismo abriu um processo e enviou funcionários ao local para uma investigação no passado dia 3 de Maio. A obra de renovação foi inserida num processo de proibição. “Porém, o nosso condomínio descobriu que o supermercado continuou a fazer as obras de renovação e não aceitou a proibição.”


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Cidade subterrânea na Ilha da Montanha

O jornal Ou Mun notícia na sua edição de ontem que está a ser pensada uma “cidade inteligente” subterrânea para a Ilha da Montanha. Tal terá ficado decidido numa reunião realizada sobre o planeamento de Hengqin, tendo sido aprovada a construção de uma cidade com uma área de 28 km2 e um edifício de quatro andares, onde se juntam os serviços de transporte, comercial e administrativo. Segundo o plano, a construção vai cumprir o principio “dois núcleos, vários pontos, um círculo e uma zona”. A parte de “dois núcleos” refere-se ao centro financeiro da Ilha e à fronteira, enquanto que a área de “vários pontos” dizem respeito às estações do Metro Ligeiro. Segundo o jornal há a promessa de serviços integrados num “espaço tridimensional”. O primeiro piso subterrâneo terá não só uma zona administrativa, como também instalações de serviços públicos, desportivas, médicas e comerciais. Já o segundo piso serve principalmente para o estacionamento e o transporte público, enquanto que o terceiro será para o Metro Ligeiro e o quarto para um centro comercial e área de serviço. Por forma a aliviar a pressão sobre a fronteira, vão ser estabelecidos na Ilha da Montanha três sistemas de transporte público com passagem subterrânea, para que todos os pontos fiquem estreitamente ligados e haja um melhor escoamento de pessoas.

Mau tempo Protecção civil deve resolver

Face às inundações que têm vindo a ocorrer com muita frequência nos últimos dias e que têm vindo a afectar a vida dos cidadãos e dos comerciantes, o deputado Lam Heong Sam defende que o Governo deveria entregar o trabalho de coordenação das inundações ao centro de operações da Protecção Civil, por forma a resolver em tempo oportuno os problemas de trânsito e as cheias. Além disso, o deputado aponta que “as ruas de Macau são estreitas e há veículos privados a mais, e para reduzir o congestionamento provocado pelas características do trânsito local, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) deveria dar mais prioridade aos transportes públicos”. Já o deputado Mak Soi Kun falou do mesmo tema numa outra interpelação escrita, tendo referido que as inundações na península são resultado da existência de uma canalização velha e de uma má projecção. Mak Soi Kun acredita que a situação na Taipa é menos grave porque “a canalização é mais nova e avançada”. O deputado defende ainda que o Governo fortaleça a cooperação com os Serviços de Metereologia e renove a canalização aquando da construção do Metro Ligeiro.

Provas na AAM

A Associação dos Advogados de Macau vai realizar na próxima sexta-feira, às 10h00, e no 5 de Julho, às 16h00, as provas orais do exame de admissão ao curso de estágio de advocacia, as quais são abertas ao público. As provas vão ser realizadas na sede da Associação e vão prestar provas 15 licenciados por universidades da China, Taiwan, Portugal e Macau.

quarta-feira 26.6.2013

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FM avança pormenores sobre protocolos com Portugal

Uma aposta na vida académica Depois de avançar ao Hoje Macau que pretende criar bolsas de estudo para o fomento de estudos sobre o território, a Fundação Macau confirma que há duas ou três entidades do ensino superior que vão colaborar num projecto que pode avançar ainda este ano Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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esenvolver os estudos académicos sobre Macau é o objectivo de uma iniciativa que a Fundação Macau (FM) irá desenvolver com universidades portuguesas. Depois de ter avançado a notícia ao Hoje Macau na semana passada, a entidade presidida por Wu Zhiliang forneceu mais informações sobre uma iniciativa que ainda está a ser discutida.

“A FM, numa fase preliminar, pretende vir a cooperar com duas ou três universidades portuguesas para o lançamento destas bolsas. Poderão candidatar-se às bolsas os mestrandos e doutorandos que vierem a desenvolver estudos e investigação sobre Macauologia.” Quanto ao calendário, a FM “está a fazer tudo o que está ao seu alcance para que as bolsas possam vir a ser lançadas no final do ano de 2013 ou no ano de 2014”. Quanto aos nomes das universidades, ainda estão no segredo dos deuses. “Os demais

pormenores das bolsas estão, ainda, em fase de negociações com as entidades interessadas e, como tal, a FM não dispõe de informações adicionais sobre a sua atribuição.”

Uma aposta na via académica

Dias depois de ter sido nomeado novamente como presidente do conselho de administração da FM, Wu Zhiliang garantiu ao Hoje Macau que a intenção das bolsas de estudo é fomentar os estudos sobre a RAEM, por forma a “atrair mais estudiosos

a desenvolverem estudos e investigação sobre a história e cultura de Macau”. O fomento de mais estudos académicos é também um dos principais objectivos da FM. Fica a promessa de “reforçar os trabalhos nas áreas académica e cultural, criando novas oportunidades para a população e em particular para os jovens, de modo a dar a conhecer melhor a história e cultura de Macau”. Tudo para “fazer crescer na população o sentimento de pertença, com o objectivo de dar a conhecer Macau como uma cidade cultural”.

Turismo Governo lança página de Serviços de Turismo em 15 línguas diferentes

A cidade internacional É

um site para o mundo. A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) apresentou esta semana a nova página electrónica oficial, traduzida em 15 idiomas. O objectivo: diversificar os mercados turísticos e expandir o turismo de Macau a novos mercados internacionais. Tendo em conta o facto de que cada vez mais se utiliza a internet para procurar informações antes de viajar, a DST aproveita a oportunidade para cativar mais visitantes de diferentes nacionalidades, num território onde a maioria dos turistas vem do continente chinês. Além das duas línguas oficiais da RAEM e do inglês, a página pode ser lida em japonês, coreano, tailandês, malaio, in-

donésio, alemão, francês, espanhol, italiano, russo e até árabe. O novo site fornece informações em nove categorias diferentes, nomeadamente Planear a sua viagem, Descobrir Macau, Espectáculos e Entretenimento, Roteiro de Compras, Gastronomia, Eventos e Festividades e Turismo de Negócios. Cozinha Macaense e algumas receitas foram incluídas na categoria “Gastronomia”. “Os visitantes podem agora através deste site aprender mais sobre Macau através de diferentes perspectivas”, diz a DST. A actualização do website desta forma caminha na ideia do Executivo de transformar Macau num cidade de lazer internacional.


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Fábrica de panchões IC diz que não há calendário para retorno de propriedade

Um panchão nas mãos de Ung Vai Meng Ainda não à fim à vista para a resolução da questão de propriedade da Fábrica de Panchões Iec Long. A garantia é dada pelo Governo, uma das partes detentora da propriedade, ao Hoje Macau. Por isso, também não vê finalidade para o terreno enquanto os proprietários não entrarem em diálogo. No entanto, o IC garante que quer torná-lo património cultural e, para tal, tem-se ocupado da protecção dos edifícios cecília.lin@hojemacau.com.mo

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Governo admite que não serão resolvidos tão cedo os conflitos de propriedade que recaem sobre o terreno onde se encontra a Fábrica de Panchões Iec Long, situada na vila da Taipa, perto das Casas-Museu. Em resposta ao Hoje Macau, o Instituto Cultural (IC) explica que ainda não há data para resolver a questão de propriedade - e do fim a dar à fábrica - porque “não depende apenas do IC mas do proprietário privado”, em negociações que se desenrolam desde 2011. Por essa razão também não admite a pos-

A terra, ainda assim, tem vindo a ser alvo de intervenções por parte da Administração que indica, mais uma vez, dar atenção ao trabalho de protecção da fábrica, tendo inclusivamente já reparado três edifícios, a fim de proteger e as “instalações que ainda vivem dentro do terreno com 20 mil metros quadrados”. Tendo por base esse princípio, “o IC enviou os funcionários para observar a situações da fábrica durante os dias de chuva e enchentes dos últimos dias, para acompanhar se os edifícios apresentam risco de colapso ou se as paredes apresentam infiltrações devido às chuvas intensas”, garantiu o organismo tutelado por Ung Vai Meng.

sibilidade do mesmo espaço ser destinado a um parque temático, tal como foi sugerido pelo grupo de revitalização dos bairros antigos. O IC ressalva, porém, que continua a dar atenção à possibilidade da Fábrica de Panchões, extinta na década de 70, ser incluída na lista do património cultural de Macau porque este edifício é um dos que estão de fora mas apresentam muito potencial. “É por essa razão que a Assembleia Legislativa (AL) está a discutir a lei de proteção de património cultural, bem como as disposições concluindo os processos e mecanismos para a lista, portanto, quando a proposta de lei for aprovada o IC vai fazer os trabalhos relevantes”, disseram.

Tráfico de Droga Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito assinalado nas Portas do Cerco

Trabalho Governo alerta empresas por causa da contratação de menores

“Apoie. Não castigue”

O

slogan da Associação para a Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) apela à luta contra as drogas de uma forma inclusiva e compreensiva. Mas a ideia é de prevenção. Manter, sobretudo os jovens, longe do

mundo dos estupefacientes. Por isso, hoje entre as 11 e as 13 horas vão estar junto das Portas do Cerco, local de grande movimento de locais e visitantes, para distribuir panfletos com a mensagem: “Faz da saúde o teu ‘ponto alto’ na vida, não as drogas”.

Por outro lado, a ARTM também chama a atenção para outro problema associado, a prevenção das drogas. A ideia é alertar para medidas de protecção com programas que previnem a não partilha de agulhas e seringas e outros de remedeio, para pessoas com dependência de drogas, através de programas sobre terapias de substituição da opióide (conhecida comummente como heroína). A ARTM “apoia o fim do castigo de pessoas que usem drogas”, “o fim do aprisionamento como forma de tratamento” e não aceita “o tratamento compulsório”. Recorde-se que, segundo dados revelados no mês passado pela a secretaria para a segurança, o tráfico aumentou 70,3% no primeiro trimestre do ano, com mais 26 casos, face aos primeiros três meses do ano passado. O consumo, por sua vez, também aumentou embora de forma mais branda (1,4%). - R.M.R.

Férias com regras

D

evido às férias de Verão, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) está a alertar os empregadores sobre a contratação de menores. A “Lei das Relações de Trabalho” permite que jovens com 16 anos já possam trabalhar, mas com condições, como é o caso de ter de ser apresentado um atestado médico a comprovar que as capacidades físicas e psíquicas do jovem são adequadas ao exercício das funções a desempenhar, além, claro da autorização escrita dos seus representantes legais. Em comunicado, a DSAL avisa que, na contratação de menor com idade inferior a 16 anos, o empregador é obrigado a requer previamente a autorização do organismo. “Ao requerer a respectiva autorização, o empregador deve apresentar a autorização dos pais do menor com idade inferior a 16 anos.”

Há a possibilidade de os jovens integrarem trabalhos temporários nas férias, mas esses estão limitados. O empregador não pode determinar a prestação de trabalho doméstico, trabalho extraordinário, trabalho durante o período compreendido entre as 21h e as 7h do dia seguinte e trabalho em locais cujo acesso seja interdito a menores de 18 anos. O Governo proíbe ainda a prestação tiago alcântara

Cecília Lin

de trabalhos que envolvam radiações ionizantes, substâncias explosivas, agentes químicos, trabalhos que envolvam processos de soldadura eléctrica, corte a fogo e projecção de jactos de areia e trabalhos nos estabelecimentos de jogos de bilhar, , “Karaoke”, máquinas de diversão, bares e cybercafés. Quem não cumprir é punido com multa até 50 mil patacas.


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quarta-feira 26.6.2013

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Camponeses transferidos das áreas rurais para promover urbanização

Um futuro chamado cidade

N

os próximos 12 anos, a China pretende transferir 250 milhões de habitantes das áreas rurais para cidades construídas recentemente. É um acontecimento transformador que poderá detonar uma nova onda de crescimento económico ou sobrecarregar o país durante várias gerações. O governo, muitas vezes por decreto, está trocar as pequenas casas rurais por arranha-céus, a pavimentar grandes extensões de terras agrícolas e a modificar drasticamente a vida dos camponeses. A escala é tão grande que o número de novos habitantes nas cidades chinesas será quase igual ao da população urbana dos EUA.

A mudança e os custos

A mudança ocorre tão rapidamente e os custos potenciais são tão altos que alguns temem que a China rural seja, mais uma vez, palco de uma engenharia social radical. Nas últimas décadas, o Partido Comunista hesitou sobre os direitos dos agricultores: distribuiu pequenos terrenos durante a reforma agrícola dos anos 1950, adoptou a colectivização alguns anos depois, restabeleceu os direitos no início da era das reformas e agora tenta eliminar os pequenos detentores de terras. Por toda a China, as escavadeiras estão a arrasar aldeias que datam de antigas dinastias. Torres nascem nas planícies e nos montes. Novas escolas e hospitais urbanos oferecem serviços modernos, por vezes à custa da destruição de antigos templos e teatros a céu aberto no campo. “É um mundo novo para nós”, disse Tian Wei, 43, ex-plantador de trigo da província de Hebei, no norte, que hoje trabalha como segurança numa fábrica. “Toda a minha vida trabalhei com as mãos no campo. Tenho nível educacional para acompanhar os habitantes da cidade?” A China abrigou durante muito tempo algumas das menores aldeias do mundo, assim como cidades con-

gestionadas e poluídas. O objectivo do governo é integrar 70% da população do país, ou aproximadamente 900 milhões de pessoas, na vida nas cidades até 2025, duplicando o número actual.

Frenesim e felicidade

O frenesim da construção é visível em lugares como Liaocheng, que surgiu como um posto comercial para agricultores na planície do norte da China. Hoje a cidade é cercada por dezenas de torres de 20 andares que abrigam agricultores sem-terra, que foram empurrados para a vida urbana. Muitos estão felizes com as suas novas vidas - ganharam apartamentos de graça e centenas de milhares de patacas pela terra -, mas outros não têm a certeza do que farão quando o dinheiro acabar. O Estado não tenciona poupar nos gastos para construir novas estradas, hospitais, escolas e centros comunitários - que poderão custar até cerca de cinco biliões de patacas por ano. Vastas somas também irão ser necessárias para pagar pela educação, pelo atendimento de saúde e pelas reformas dos antigos agricultores. O desemprego e outros problemas sociais também

acompanharam a enorme deslocação. Alguns jovens sentem-se felizes por terem empregos que pagam salários de sobrevivência. Outros passam os dias a jogando bilhar e jogos de vídeo. Na década de 1980, cerca de 80% dos chineses viviam no campo, contra os 47% de hoje. O novo primeiro-ministro do país, Li Keqiang, indicou em Março que a urbanização é uma das suas maiores prioridades, apesar dos desafios que coloca. Para além de maior desemprego e insatisfação, a urbanização poderá resultar numa subclasse permanente nas grandes cidades e na destruição da cultura e da religião rurais. A apresentação do plano do governo tinha sido marcada originalmente para Março, mas foi adiada. Os líderes disseram estar preocupados que os gastos causem inflação e dívidas. A maioria das províncias já tem programas de grande escala para transferir os agricultores para torres habitacionais. Os terrenos dos camponeses são entregues à administração de corporações ou de municípios. Foram feitos esforços para melhorar a atracção da vida urbana, mas os agricultores geralmente

não têm outra opção senão deixar as suas terras. A motivação desta iniciativa de urbanização é modificar a estrutura económica da China para um crescimento baseado na procura interna, em vez de assente nas exportações. Em teoria, a nova população urbana representa vastas oportunidades para a construção, o transporte público, as distribuidoras de água e energia e os fabricantes de electrodomésticos, para além de provocar uma ruptura do ciclo de agricultores que só consomem o que produzem. “Se metade da população chinesa começar a consumir, o crescimento será inevitável”, disse Li Xiangyang, do Instituto de Economia e Política Mundial, que faz parte de um órgão de investigação do governo. Mas os cépticos dizem que a corrida para a urbanização é conduzida por uma visão errada da modernidade. Entre os resultados verificados no Brasil e no México, está a expansão das favelas e da subclasse desempregada, segundo alguns especialistas.

do campo para a fábrica

Mesmo quando os agricultores realocados conseguem

empregos em fábricas, a maioria perde-os aos 45 ou 50 anos, já que os empregadores geralmente querem trabalhadores mais jovens.”Para velhos como nós, não há mais nada a fazer”, disse He Shifang, 45, que foi desalojada da quinta da sua família. “Lá nas montanhas trabalhávamos o tempo todo. Tínhamos porcos e galinhas. Aqui só ficamos sentados.” Alguns agricultores que abandonaram as suas terras dizem que, quando voltam para casa, mais ou menos nesta idade, não têm terra para cuidar e ficam sem rendimentos. A maioria é excluída dos planos de reformas nacionais. O plano de urbanização pretende solucionar esse problema dando aos agricultores uma fonte de rendimento permanente da terra que eles perderam. Os economistas chineses dizem que, quando os agricultores começarem a trabalhar em empregos nas cidades, começarão a pagar impostos e a contribuir para programas de bem-estar social. “A urbanização pode lançar um processo de geração de valor”, disse Xiang Songzuo, do Instituto Monetário Internacional na Universidade Renmin.

Mas, mesmo que isto seja verdade, o governo ainda vai precisar de recursos significativos para iniciar os programas. Actualmente, os governos locais têm receitas limitadas e a maioria conta com a venda de terras para pagar as despesas -uma prática insustentável a longo prazo. Os bancos também estão cada vez mais avessos a emprestar dinheiro para grandes projectos de infra-estruturas, pois muitos bancos hoje são empresas cotadas em Bolsa e precisam de cumprir as exigências dos seus investidores. Na teoria, os governos locais poderiam ser autorizados a emitir títulos, mas, sem um sistema confiável de classificação ou venda de títulos, isto é improvável num futuro próximo. Algumas localidades, porém, já experimentam programas em que pagam pelas infra-estruturas, envolvendo investidores privados ou grandes empresas estatais que fornecem capital inicial.

O dilema das cidades

Sem fontes de rendimento próprias, os governos locais não querem permitir que os camponeses recém-chegados tenham acesso a serviços urbanos. Enquanto 53% da população do país vive em cidades, somente cerca de 35% têm autorizações de residência urbana, o “hukou”. Este documento permite que uma pessoa se registe em escolas locais ou entre em programas médicos. Um novo plano deverá romper o impasse, ao garantir algum apoio do governo central para estes programas, segundo assessores económicos. Mas as fórmulas exactas não são claras. Conceder plenos benefícios urbanos para 70% da população até 2025 significaria duplicar o número dos que participam de programas assistenciais do Estado. “A urbanização é o futuro da China, mas a população rural do país está atrasada para desfrutar dos benefícios do desenvolvimento económico”, disse Li Shuguang, professor na Universidade de Ciência Política e Direito da China. “A população rural merece ter os mesmos benefícios e direitos de que gozam os moradores das cidades.”


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China defende-se de acusações americanas

A importância da lei

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equim considerou hoje infundadas as acusações de Washington de que as autoridades chinesas ajudaram o ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden a sair de Hong Kong, apesar do mandado de captura dos Estados Unidos. “Não é razoável da parte dos Estados Unidos pôr em causa a decisão de Hong Kong por ter gerido um caso em conformidade com a lei, e as acusações contra o Governo central chinês são infundadas. A China não pode aceitar isso”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chuying, num encontro com a imprensa. Em Washington, na segunda-feira, os porta-vozes da presidência e da diplomacia dos Estados Unidos, Jay Carney e Patrick Ventrell, declararam que as autoridades chinesas “escolheram deliberadamente

libertar um fugitivo, apesar de um mandado de captura”, legal e vigente, e do passaporte caducado de Snowden, acusado de espionagem pela justiça norte-americana. Quinze dias depois de uma cimeira, na Califórnia (costa oeste dos EUA), entre os presidentes Barack Obama e Xi Jinping, para reforçar as relações entre as duas primeiras potências mundiais, a Casa Branca lamentou “não poder contar com os chineses para respeitarem as obrigações jurídicas em termos de [processos de] extradição”. Na segunda-feira, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou ser “muito decepcionante” e “profundamente perturbador” que Edward Snowden tenha podido viajar, sem quaisquer problemas, entre Hong Kong e Moscovo. Snowden deixou a Região Administrativa Especial chine-

sa de Hong Kong, no domingo, para a capital russa, tendo como destino final o Equador, país ao qual pediu asilo político. O ex-consultor da NSA, de 30 anos, pretendia chegar a Quito através de Cuba ou da Venezuela. Desde que chegou a Moscovo, desconhece-se o paradeiro de Snowden. O norte-americano saiu do Havai, a 20 de Maio, para Hong Kong, antiga colónia britânica que tem um estatuto jurídico especial, desde a transferência da soberania para a China em 1997. No Havai, Snowden trabalhava para a Booz Allen Hamilton, uma empresa subcontratada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana, como administrador de sistemas informáticos, tendo acesso a uma enorme quantidade de dossiers relacionados com programas de vigilância norte-americanos.

Xi Jinping fala com Dilma Rousseff

Por uma rede financeira O

presidente chinês, Xi Jinping, conversou por telefone esta segunda-feira com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Os dois discutiram as relações bilaterais, situação financeira internacional e cooperação dos Brics. Xi Jinping sublinhou o surgimento de factores complexos no mercado financeiro, alertando que os membros do Brics devem estar atentos à situação. O presidente chinês apelou a um reforço das comunicações e pediu que se acelere a construção de uma rede de segurança financeira no bloco, para além de mani-

festar o desejo que se impulsione a coordenação na política macroeconómica e que se assumam os compromissos fixados na cimeira do G20. O presidente chinês reafirmou ainda que se devem opor ao proteccionismo comercial e manter a estabilidade financeira global, informa a rádio China. Dilma, por sua vez, disse concordar com Xi Jinping e expressou a sua disponibilidade para manter a comunicação e coordenar acções, de forma a lidar conjuntamente com os desafios que actualmente se colocam.

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Maioria dos chineses quer proibir festival de carne de cão

A

Casa onde não há cão...

maioria dos chineses (51%) é a favor da proibição do “Festival de carne de cão” que se realiza anualmente de Yulin, no sul da China, segundo uma sondagem online difundida ontem em Pequim. O resultado traduz a crescente influência e militância das organizações de defesa dos direitos dos animais, mas 49% dos inquiridos na sondagem continuam a defender que aquele festival não deve ser proibido, revelou o jornal Global Times. “A vida dos animais deve ser respeitada, mas as tradições também”, afirma a minoria. O Festival de Yulin, que causou este ano o abate de mais de 10 mil cães, realiza-se tradicionalmente no dia 21 de Junho (solstício de verão). Segundo as regras, o cão é servido com líchias, uma fruta muito fresca, típica da China, e regado com “bai ju” (uma aguardente branca, à base de cereais). Este ano, três dias antes da data, vinte organizações de defesa dos direitos dos

animais apelaram ao município de Yulin que proibisse o festival, salientando que o consumo da carne de cão está na origem do “vertiginoso roubo” de cães domésticos no país, disse o Global Times. “Parem com a crueldade, não comam cães nem gatos”, proclamava uma faixa de pano desfraldada

frente a um dos mais conhecidos restaurantes da especialidade em Yulin. Os activistas alertaram também que os cães mortos e cozinhados em Yulin podem ser portadores de doenças susceptíveis de contaminar os humanos. Funcionários locais disseram que o festival é uma iniciativa da população e

não do governo, e garantiram que todos os cães do menu foram criados em quintas da região. “Comemos galinha, porco e vaca, porque não carne de cão?” - comentou um residente de Yulin citado pelo Global Times. Até há cerca de duas décadas, por razões de saúde pública, não eram autorizados animais domésticos dentro das cidades chinesas, mas hoje, em Pequim, Xangai e outras grandes metrópoles onde muita gente vive sozinha e os casais só podem ter um filho, a companhia de um cão é cada vez mais apreciada. No final de 2009 haveria 58 milhões de cães domésticos em vinte cidades chinesas e o número aumentava 30% ao ano, estimou uma revista. Segundo 51% dos inquiridos na sondagem divulgada ontem, “os cães são amigos fiéis dos seres humanos” e “ajudam as pessoas de muitas e valiosas maneiras”.

Anúncio HM-26.6.13 (2ªvez) Proc. Declaração de herança vaga n.º CV2-13-0040-CPE

2º Juízo Cível

Requerente: Ministério Público Requerida: - Ho Lai Hing. FAZ-SE SABER, que nos autos de Declaração de Herança Vaga, deixados pela requerida Ho Lai Hing, nascida a 10/10/1933, titular que foi do BIR nº 1217989(1), com última residência conhecida em Macau, no bairro social da Areia Preta, BL C, 14º andar A, falecidos no dia 3 de Outubro de 2010, em Macau, são citados por éditos de 30 (trinta) dias, os interessados incertos para deduzirem a sua habilitação como sucessores daqueles falecidos, para no prazo de 30 (trinta) dias, depois de findar o prazo dos éditos, bem como a citação dos credores desconhecidos, para reclamarem os seus créditos no prazo de 15 (quinze) dias, após findar o prazo dos éditos, que começa a contar-se da data da afixação do último edital, nos termos do disposto nos artºs. 197º nº 1 e nº 2 com referência aos artigos 194º a 196º do C.P.C.M. e bem ainda do artº. 1031º , nº 1 e 1033º nº1, ambos do C.P.C.M. Macau, 13 de Junho de 2013. *****


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quarta-feira


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ambiente

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Jane Goodall, activista britânica, em entrevista

“Todos temos mais do que precisamos” A mulher que viveu no meio dos chimpazés durante anos falou à Lusa do que representa hoje a preocupação da sociedade civil para com o ambiente: as pessoas preocupam-se mais mas continuam a achar que pouco podem fazer para mudar o actual sistema

H

oje há mais consciência sobre a necessidade de proteger o ambiente, mas as pessoas ainda acham que “não podem fazer a diferença”, destaca a activista Jane Goodall, alertando que “todos temos mais do que precisamos”. Em entrevista à Lusa, em Lisboa, onde participou numa sessão de cinema e será oradora numa conferência

internacional, a activista britânica, de 79 anos, sublinhou que há “uma consciencialização crescente”. Mas “a pobreza descomunal” persiste “em muitas partes do mundo”, enquanto noutras se mantém um “estilo de vida não sustentável”, compara, alertando: “Todos temos mais do que precisamos e muitos têm muito mais do que precisam.” “Quando se é muito pobre, cortam-se as últimas árvores para tentar cultivar alimentos, compram-se os produtos mais baratos, ainda que tenham implicações no ambiente e nas pessoas”, realça. Tudo está interligado: pobreza, fome, sobrepopulação, destruição ambiental. “Estamos num planeta com cada vez menos recursos naturais, mas ninguém parece perceber que todo este desenvolvimento económico a expensas do ambiente significa, muitas vezes, os ricos ficarem mais ricos e os pobres ficarem mais pobres”, diz.

Os “erros” dos mais ricos

Segundo a activista britânica, os cidadãos não podem esperar dos

políticos toda a mudança necessária, porque “há uma espécie de ligação entre companhias farmacêuticas, agro-indústria, indústria de armamento e governos”, sobre a qual pairam o suborno e a corrupção, observa. Isso explica, em parte, que países em desenvolvimento estejam a cometer “os mesmos erros” do que os países desenvolvidos. Mas o que deixa Goodall triste é ter conhecido líderes africanos que percebiam a importância de proteger o ambiente e de subordinar o desenvolvimento à preservação da vida selvagem, mas depois, quando foram eleitos, deixaram-se “corromper pelo poder”. “Satisfeita” com o papa Francisco, por este ter abordado, num discurso perante os seus “milhões de seguidores”, a importância do ambiente, a activista não duvida de que, “só quando organizações como as Nações Unidas e indivíduos com poder assumirem uma posição forte, caminharemos na direcção certa”.

“Ainda não estamos aí”, reconhece. A consciencialização ambiental existe, mas ainda pode ser reforçada. Goodall critica o “pobre desempenho” da educação pública “na maioria dos países”, que “obriga as crianças a memorizar e a fazer testes estúpidos”.

O programa que criou

Fundadora do programa educativo Roots&Shoots, que transmite aos jovens o conhecimento para melhorar a vida de pessoas e animais, Goodall foi convidada por Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, para ser Mensageira da Paz. Presente em 130 países, desde o pré-escolar à universidade, o Roots&Shoots “tem feito uma grande diferença”, apesar das “dificuldades de financiamento”. “A minha missão é tentar ajudar as pessoas a perceberem que cada um de nós tem influência, todos os dias, e faz uma escolha sobre o impacto que produz”, adianta, observando que os cidadãos estão

perante “uma imagem tão horripilante que se sentem inúteis e não fazem nada”. “Se conseguirmos pôr centenas, milhares, milhões, eventualmente milhares de milhões de pessoas a pensarem nas consequências do que fazem todos os dias e do que compram – onde foi feito, envolve exploração infantil, sofrimento animal, prejudica o ambiente? –, começaremos a dirigir-nos para a mudança”, acredita. Admitindo que uma só pessoa “não pode fazer a diferença”, a activista garante que “milhões de pessoas normais podem”. Goodall aprendeu “a humildade” com os chimpazés. Estudou-os durante anos e passou a entender melhor os humanos. Basicamente, o que distingue os humanos de outros animais é “o desenvolvimento impressionante do intelecto”. Portanto, “a questão de um milhão de dólares é: como é que a espécie mais inteligente que alguma vez viveu no planeta está a destrui-lo?”, atira.


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EDITAL Edital no: 38/E/2013 Assunto: Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Processo no

1467/BC/2011/F 1468/BC/2011/F 1144/BC/2012/F 103/BC/2013/F 806/BC/2011/F

141/BC/2013/F

Local

Avenida do Conselheiro Borja n.º 212, Edf. Jardim Iat Lai (Bloco 2), fracção 13.º andar L, Macau. Avenida do Conselheiro Borja n.º 212, Edf. Jardim Iat Lai (Bloco 2), corredor comum em frente das fracções 13.º andar K e L, Macau. Rua de Ma Kau Seak n.º 39, Edf. Tong Wa San Chun, Bloco 1, loja C do R/C (CRP:CR/C), Macau. Rua do Canal Novo n.º 191, Edf. U Wa (Bloco 3), fracção 17.º andar F, Macau.

Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, Edf, Jardim Cidade, Bloco 8, fracção 18.º andar E, Macau. Rua do Tap Siac S/N, Edf. The Serenity, Bloco 1, fracção 1.º andar C, Macau.

Chan Pou Ha, Subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do nº 1 do Despacho nº 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), nº 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, faz saber por este meio ao proprietário, ao dono da obra ou seu mandatário, ao encarregado da obra, aos técnico responsável pela obra e executores da obra existente no local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1.

O agente de fiscalização desta DSSOPT constatou no local acima identificado a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte: Processo no

Obra

Situação da obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

1467/BC/2011/F

Instalação de gaiola metálica junto à janela da fracção 13.º andar L na parede exterior do edifício.

Concluída

Infracção ao no 12 do artigo 8o, obstrução do acesso aos pontos de penetração no

1468/BC/2011/F

Instalação de portão metálico no corredor comum em frente das fracções 13.º andar K e L.

Concluída

1144/BC/2012/F

Instalação de gaiola metálica junto à janela da loja C do R/C na parede exterior do edifício.

Em curso

103/BC/2013/F

Instalação de gaiola metálica junto à varanda da fracção 17.º andar F na parede exterior do edifício.

Em curso

Renovação de gaiola metálica junto à janela da fracção 18.º andar E na parede exterior do edifício.

Em curso

Instalação de portão metálico no corredor comum em frente da fracçõe 18.º andar E.

Concluída

Instalação de gradeamento metálico e cobertura plástica no pátio junto à janela da fracção 1.º andar C.

Em curso

806/BC/2011/F

141/BC/2013/F

2.

Instalação de janela junto à varanda da fracção 1.º andar C para o fechamento da referida varanda.

Concluída

Infracção ao no 4 do artigo 10o, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao no 12 do artigo 8o, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. Infracção ao no 12 do artigo 8o, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. Infracção ao no 12 do artigo 8o, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. Infracção ao no 4 do artigo 10o, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao no 12 do artigo 8o, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. Infracção ao no 12 do artigo 8o, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício.

Sendo as escadas e corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no no 4 do artigo 10o do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei no 24/95/M, de 9 de Junho. Além disso as janela e varanda acima referidas são consideradas como pontos de penetração para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podendo ser obstruído com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.) de acordo com o disposto no no 12 do artigo 8o. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e pontos de penetração no edifício e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.

3.

Nos termos do no 3 do artigo 87o do RSCI, a infracção ao disposto no no 4 do artigo 10o é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas, e nos termos do no 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no no 12 do artigo 8o, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o no 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício.

4.

Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 95o do RSCI.

5.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, no 33, 15o andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227).

Aos 31 de Maio de 2013

quarta-feira 26.6.2013

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A Subdirectora dos Serviços Engª Chan Pou Ha

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Empregador)

N.º 62/2013

Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notificase o senhor TAM CHIO MENG, empreiteiro de obras, residente na Estrada Almirante Magalhães Correia, n.º 271, Edifício Jardim Hoi Wan, Hoi Kong Court, 2.º andar AM, para no prazo de dez (10) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 1676/2013, proveniente da queixa apresentada nestes Serviços em 20/2/2013, pelos trabalhadores Ho Long Chio e Lam Ian I, relativamente à matéria de salário em dívida e compensações por horas extraordinárias. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 18 de Junho de 2013. A Chefe de Departamento Lurdes Maria Sales

Aviso Faz-se público que, por despacho do Exmo. Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 3 de Maio de 2013, se acha aberto concurso de ingresso interno, de prestação de provas, para o preenchimento de um (1) lugar de assistente técnico administrativo de 2.ª classe, 1.º escalão, na área de oficial administrativo, da carreira de assistente técnico administrativo do quadro de pessoal da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos. Informações detalhadas encontram-se no Boletim Oficial n.º 26, II série, de 26 de Junho de 2013 e podem acessar à página electrónica destes Serviços www.smg.gov.mo; ou seja nas horas de expediente directamente vir à sede da Direcção dos Serviços de Meteorológicos e Geofísicos que está localizada na Rampa do Observatório da Taipa Grande para consultar. Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, aos 20 de Junho de 2013. O Director, Fong Soi Kun

Assine-o Telefone 28752401 | Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo

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quarta-feira 26.6.2013

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IRMANDADE DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE MACAU

Concurso Público Prestação de serviços de salvamento nas piscinas afectas ao Instituto do Desporto

SUBSÍDIO DE PROPINAS

Nos termos previstos no artigo 13.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o Despacho do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 14 de Junho de 2013, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para a prestação de serviços de salvamento nas seguintes piscinas afectas ao Instituto do Desporto durante o período de 16 de Outubro de 2013 a 15 de Outubro de 2015: 1. Piscinas da zona de Macau: a) Piscina do Centro Desportivo do Colégio D. Bosco; b) Piscina do Centro Desportivo Tamagnini Barbosa. 2.

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Prosseguindo o apoio às famílias de menores recursos financeiros, vem a Irmandade tornar público que a partir do próximo dia 1 de Julho poderão ser levantados nos Serviços Administrativos os boletins de candidatura ao subsídio de propinas a alunos da Escola Portuguesa de Macau e do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, para o ano lectivo de 2013/2014.

Piscinas da zona da Taipa a) Piscinas coberta e Piscina ao ar livre das Piscinas do Carmo; b) Piscina do Centro Desportivo Olímpico.

A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados poderão dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, s/n, Fórum de Macau, Bloco 1, 4.o andar, no horário de expediente, das 9:00 às 13:00 e das 14:30 às 17:30 horas, para consulta do processo do concurso ou para obtenção da cópia do processo, mediante o pagamento da importância de MOP $ 500.00 (quinhentas) patacas ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no Download ficheiro da página electrónica: www.sport.gov.mo.

Os boletins devidamente preenchidos devem ser entregues nos Serviços Administrativos da Irmandade, sitos na Travessa da Misericórdia, nº 7, impreterivelmente, até ao dia 15 de Agosto do corrente ano.

Os interessados deverão comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para tomar conhecimento dos eventuais esclarecimentos adicionais. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12:00 horas do dia 24 de Julho de 2013, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido, acompanhada de uma caução provisória no valor de MOP $560,000.00 (quinhentas e sessenta mil) patacas. Caso o concorrente optar pela garantia bancária, esta deve ser emitida por um estabelecimento bancário legalmente autorizado a exercer actividade na RAEM e à ordem do Fundo de Desenvolvimento Desportivo ou efectuar um depósito em numerário ou em cheque na mesma quantia, na Divisão Administrativa e Financeira na sede do Instituto do Desporto.

Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau, aos 18 de Junho de 2013.

O acto público de abertura das propostas do concurso terá lugar no dia 25 de Julho de 2013, pelas 09:30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, s/n, Fórum de Macau, Bloco 1, 4.o andar.

O Provedor,

As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura. Instituto do Desporto, aos 26 de Junho de 2013.

António José de Freitas

O Presidente, Substituto, José Tavares.

Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental do Governo da Região Administrativa Especial de Macau

AVISO Recrutamento de motorista de ligeiros, 1.º escalão com vista ao preenchimento de 4 vagas (N.° de referência: MOT-L-002-DAF-DSPA/2013) Faz-se público que se acha aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de quatro lugares de motorista de ligeiros, 1.º escalão, da carreira de motorista de ligeiros, em regime de contrato por assalariamento, da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. Para mais informações, pode ser consultado o aviso da abertura do concurso, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 26, II Série, de 26 de Junho de 2013, na sede da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, n.os 393 a 437, Edifício Dynasty Plaza, 10.º andar, Macau, durante o horário de expediente, e na página electrónica www.dspa.gov.mo. O Director,

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 181/AI/2013 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se 呂永祥(portador do passaporte da RPC n.° G30563xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 13/DI-AI/2011 de 11.02.2011, levantado pela DST, por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade N.os 361-B - 361-K, Edf. I On Kok, 14.° andar F e utilizada para a prestação ilegal de alojamento, bem como por despacho da signatária de 18.06.2013, exarado no Relatório n.° 218/DI/2013, de 20.05.2013, foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas), e ordenada a cessação imediata da prestação ilegal de alojamento no prédio ou da fracção autónoma em causa, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e n.° 1 do artigo 15.°, todos da Lei n.° 3/2010.---------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 16.° dos Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de dias, conforme estipulado na alínea do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Junho de 2013.

Cheong Sio Ke Aos 26 de Junho de 2013

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental do Governo da Região Administrativa Especial de Macau

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS

AVISO Recrutamento de motorista de pesados, 1.º escalão com vista ao preenchimento de 2 vagas (N.° de referência: MOT-P-002-CGIA-DSPA/2013) Faz-se público que se acha aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de dois lugares de motorista de pesados, 1.º escalão, da carreira de motorista de pesados, em regime de contrato por assalariamento, da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. Para mais informações, pode ser consultado o aviso da abertura do concurso, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 26, II Série, de 26 de Junho de 2013, na sede da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, n.os 393 a 437, Edifício Dynasty Plaza, 10.º andar, Macau, durante o horário de expediente, e na página electrónica www.dspa.gov.mo. O Director, Cheong Sio Ke Aos 26 de Junho de 2013

EDITAL

IMPOSTO COMPLEMENTAR DE RENDIMENTOS Faço saber, face ao disposto no n.º 1 do artigo 43.º do Regulamento do Imposto Complementar de Rendimentos, aprovado pela Lei n.º 21/78/M, de 9 de Setembro, que ao exame dos contribuintes referidos no n.º 3 do artigo 4.º, do mesmo Regulamento, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 6/83/M, de 2 de Julho, estarão patentes os respectivos rendimentos colectáveis atribuídos pela Comissão de Fixação. Poderão os contribuintes, de 16 a 30 de Junho do corrente ano, reclamar para a Comissão de Revisão, caso não se conformem com o rendimento fixado, não terminando, porém, o prazo, sem que hajam decorridos vinte dias sobre a data do registo dos avisos postais enviados aos contribuintes.

Aos 6 de Junho de 2013.

A Directora dos Serviços Vitória da Conceição


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vida

quarta-feira 26.6.2013

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Ho Wai Tim, o empreendedor

Coloane Ho Wai Tim quer compensar danos. Mas Joe Chan não gosta

Uma ideia simplesmente absurda Cecília Lin*

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

N

o passado domingo, o presidente da Associação Ecológica de Macau (AEM), Ho Wai Tim, admitiu no programa da TDM “Fórum Macau” que os projectos de construção em Coloane podem provocar danos nas montanhas, mas assume um plano secundário: os empresários podem vir a criar jardins suspensos nos edifícios altos. Esta é a ideia do ‘ambientalista’ para que aumente a taxa de verde em Coloane. Quem não gosta da ideia é Joe Chan, ex-vice-presidente da AEM e também ambientalista, que critica Ho Wai Tim. “Isso é uma declaração absurda, a de utilizar um ambiente artificial como compensação pelo

dano no ambiente real”, começa por dizer Joe Chan à imprensa chinesa. “É muito triste o discurso que saiu da boca de um chamado activista ambiental.” Joe Chan diz ter ficado “atordoado” e “desapontado” com Ho Wai Tim. “É impressionante como alguém que se denomina como activista ambiental defenda os interesses dos empresários e não se foque no que realmente interessa.”

Avaliado por Tim?

Esta não é a primeira vez que Ho Wai Tim gera polémica devido ao projecto de construção de um edifício em Coloane, onde se encontra a casamata. Em Março deste ano, o presidente da AEM foi criticado por estar alegadamente ligado a uma associação que publicou um anúncio no jornal Ou Mun dizendo que se deve-

ria demolir “símbolos do poder colonizador”, como é a casamata. Ho negou estar ligado à associação, que estava registada em seu nome. Mas houve ainda um outro problema. Ho Wai Tim sugeriu ao Executivo que fossem dados mais andares ao prédio ou um terreno plano, para compensar a escavação da montanha. Sugestão negada pelo Executivo, que disse que o prédio da Estrada do Campo não pode subir mais de 80 metros, de acordo com as normas para a protecção ambiental. A sugestão de Tim pode agora ser explicada. De acordo com a imprensa chinesa, uma empresa com o nome do empresário foi a responsável por fazer o relatório do impacto de avaliação ambiental deste projecto privado, que per-

tence ao empresário Sio Tak Hong. Ho Wai Tim não responde quanto a isto, algo que merece mais críticas da

parte de Joe Chan. “Se as associações ambientais têm relação de interesse com os empresários, têm que o dizer quando derem opiniões

sobre o caso. Sinceramente, todos sabem que há ligações entre vocês.” Joe Chan falou sobre o projecto e diz que, fazendo as contas, 80% da montanha no Alto de Coloane vai ser coberta. “A montanha, ao contrário do prédio, é de interesse público. Se vão ser feitos danos na montanha, a população é que perde.” - *com Joana Freitas

Macau Sã Assado

Tubarões na San Ma Lou • Não são só as coscuvilhices (como diz a música dos Doci Papiaçam) que passam pela San Ma Lou. Em dias de chuva, também há lá tubarões. Só Macau é que tem este tipo de entretenimento, por isso, os casinos com aquários de tubarões que se cuidem, porque a concorrência anda aí! Porque Macau sã assi, mas também sã assado Foto: Neil Villaluz


sexta-feira 26.6.2012

Tiago Quadros

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A

o longo dos últimos anos fomos assitindo a uma recorrência da temática ligada ao corpo em diferentes áreas da chamada produção cultural, numa configuração com perspectivas distintas mas sempre com uma intensidade notável. Este facto pode ser entendido como mero resultado das marés que vão procurando renovar ciclicamente o cardápio das indústrias culturais, ou então, em alternativa, integrado num movimento menos superficial e de mais longa duração que é sobretudo sintoma de uma crise da ideia que vamos continuamente construindo à volta do que possa ser o nosso corpo. Só aceitando essa crise estaremos em posição de compreender algumas das principais linhas de força que, por exemplo, a arte nos tem oferecido desde, sensivelmente, o início da década de 60. De outro modo, como explicar esse movimento constante à volta de uma ideia do corpo que se foi tornando cada vez mais difusa, ao ponto de nos obrigar até a pensar sobre a eventualidade (para alguns fatalidade) do desaparecimento do seu objecto? Vem isto a propósito de “Metaphor of Human Body”, exposição colectiva recentemente inaugurada na Amelie Art Gallery, em Pequim. Entre outros artistas, estão representados Li Bo, Zhang Qian, Yu Ying e Song Yi. A exposição tem curadoria de Tony Chang, muito limitada a um esforço que se torna redundante na exploração da ideia do humano por oposição àquilo que lhe é pretensamente exterior. Seguindo o raciocínio de Mario Perniola, podemos verificar um movimento distintivo vertical (ascendente em direcção ao divino e descendente no sentido da animalidade), e um outro horizontal (face às coisas que nos rodeiam). Enquanto que no movimento vertical estaria sempre um sentido latente da coisa viva, no movimento horizontal seríamos confrontados com a coisa inanimada. Ora, é neste movimento horizontal que podemos encontrar o desafio mais espantoso que a ideia do corpo, e por arrastamento um certa identidade do humano, vão enfrentando. Pois não é exactamente no domínio dessa horizontalidade que se encontram todos os objectos inanimados que vão entretanto reclamando uma vida própria, quando não mesmo uma fusão com os nossos próprios corpos? Pois não podem essas coisas ser uma coisa que pensa (em boa medida uma negação daquilo que entendemos por uma coisa)? E não são muitas delas pensadas como uma metáfora da complexidade dos nossos próprios organismos? Com efeito, a exposição agora inaugurada, não pensa o corpo no

cultura

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Exposição colectiva na Amelie Gallery em Pequim

Ainda sobre o corpo

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Literatura Literary Word V no Creative Macau

No próximo dia 28 de Junho, entre as 18:30 e as 20:00, o Creative Macau acolhe mais uma sessão do Literary Word, desta feita dedicada ao argumento. Doug Kin Tak Chan e Ricardo Pinho são os convidados para a sessão Literary Word V. Doug Kin Tak Chan cresceu em Macau e Hong Kong, tendo realizado os seus estudos na Universidade de Toronto. Desde 1988 que trabalha em cinema, colaborando também com o departamento de televisão de Hong Kong. Ricardo Pinho é argumentista e professor na Escola Superior Artística do Porto, onde também realizou os seus estudos, tendo mais tarde estudado na Universidade de Nova Iorque. Com o intuito de trabalhar em maior profundidade os personagens que desenvolve em argumento, Ricardo Pinho realizou um mestrado em Psicologia Clínica.

Livros Feira do Livro Universitário

meio de uma espiral bio-tecno-política, demonstrando estar longe do centro do pensamento contemporâneo. Pelo contrário, volta a pisar o mesmo terreno de sempre. “Metaphor of Human Body” não faz mais do que repolitizar o corpo. Obras como a de Li Bo e Song Yi revisitam sublimações finais da carne, ora volatizadas, ora purificadas. Em ambos os casos estaremos, sobretudo, perante tentativas falhadas de encontro com um novo entendimento daquilo que pode ser o corpo. A ideia que fazemos do corpo é hoje, muito provavelmente, uma metáfora da complexidade dos sistemas que o envolvem, pelo menos tanto quanto esses sistemas procuram replicar a sua própria complexidade (do corpo). Por isso permanecem tão válidas as comparações entre a permeabilidade e contingência da vida e

a fragilidade e elasticidade dos dispositivos tecnológicos, a que a introdução de uma variável biológica cada vez mais intense só vem acrescentar densidade. De facto, Katherine Hayles, na conclusão do seu livro sobre o pós-humano já avança a tese de que os organismo melhor talhados para sobreviver são aqueles capazes de desenvolver mecanismos internos que sejam boas metáforas para o mundo que os rodeia, padrão a partir do qual teremos um melhor entendimento daquilo a que ela chama pós-humano não apocalíptico. Também deste ponto de vista, a mostra colectiva “Metaphor of Human Body” insiste na divisão clara entre uma pretensa solidez do real e uma ilusão volátil do virtual, quando sabemos que tal separação é impossível. Até porque se o corpo se prolonga para as redes informacionais, podemos

dizer que de alguma forma somos já todos cyborgs que habitam o espaço entre as coisas. Devemos recordar que o corpo é, apesar de tudo, ainda o lugar e o motor da experiência e que essa mebrana é cada vez mais o espaço que ele habita. Aliás, é no espaço entre as coisas que melhor se realiza a deriva e só aí seremos capazes de compreender o lugar do corpo na arte contemporânea. “Metaphor of Human Body” estará patente ao público até ao dia 15 de Agosto. Para mais informações consultar www.longyibang.com “Metaphor of Human Body” na Amelie Art Gallery, Pequim Li Bo Zhang Qian Yu Ying Song Yi Curador: Tony Chang

No âmbito do programa do ICAS8, o Instituto Internacional para os Estudos Asiáticos e a Universidade de Macau promovem, até amanhã, dia 27 de Junho, uma Feira do Livro Universitário. A produção de reconhecida qualidade, bem como a diversidade de publicações produzida pelas editoras universitárias representadas, a par dos preços com descontos adicionais, são fortes incentivos à visita a esta feira. Para além de publicações da Universidade de Macau e do Instituto Cultural de Macau, estão representados livros editados pelas principais editoras especializadas em estudos asiáticos, como a Amsterdam University Press, a Aromix Books Co Ltd, a Brill Academic Press, a China Data Center, a The Chinese University Press Hong Kong, a GIGA German Institute of Global and Area Studies, a Hong Kong University Press, a Intellect, a International Institute for Asian Studies (IIAS) e a NUS Press, entre outras. A Feira decorre no Cotai Expo Hall D (Piso 3).

Música DJ Aaron Lacrate no Club Cubic

No próximo dia 29 de Junho, entre as 23:30 e as 06:00, o DJ Aaron Lacrate actua no Club Cubic. Para além de músico e produtor, Aaron Lacrate é proprietário da editora “Milkcrate Athletics”, especializada em hip hop e electronic club. Aaron LaCrate já colaborou com nomes como Kanye West, Dizzee Rascal, Rakewon, Rakim e Lily Allen. O som característico de Aaron Lacrate tem sido ouvido um pouco por todo o mundo. Sejam as remisturas para Madonna, as produções platina para Dizzee Rascal, Jim Jones, Bun B ou Mobb Deep – Aaron LaCrate continua a produzir grandes êxitos. Este Verão o DJ tem novo álbum, assinado pela Milkcrate Athletics.in.


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cultura

quarta-feira 26.6.2012

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Não há um caquesseitão nos museus portugueses. À venda em Paris

Ballet filipino no Venetian

P

Dinossauros estão de volta

Um padrinho chamado Fernão eça de ourivesaria indo-portuguesa cujo baptismo é feito por Fernão Mendes Pinto é uma entre apenas sete existentes no mundo. Parecer recomendou a sua aquisição pelo Estado A leiloeira Sotheby”s leva hoje à praça em Paris “uma peça extraordinária” cuja “importância no panorama da ourivesaria e iconografia portuguesa/oriental” e o facto de não existir qualquer exemplar nas colecções do Estado português levaram os técnicos do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) a recomendar em 2012 a aquisição deste caquesseitão de prata pelo Estado. Contudo, o então Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) autorizou a expedição definitiva da peça, que não estava inventariada nem classificada pelo Estado, mas que é uma das únicas sete existentes no mundo. Uma delas está num museu francês. Em menos de um ano, a Sotheby”s de Paris é a segunda leiloeira a levar à praça este caquesseitão, uma peça de ou-

rivesaria indo-portuguesa que representa um animal mitológico de pés de pássaro, corpo escamado e cabeça de dragão pela primeira vez descrito por Fernão Mendes Pinto em Peregrinação (1614). O pedido de expedição definitiva de Portugal desta peça, cuja estimativa de venda é firmada pela Sotheby”s entre

dois e três milhões de patacas, foi feito ao IMC em Fevereiro de 2012, tendo como destino o Reino Unido - para venda em Julho na Christie”s de Londres, que esperava vender o aquamanil (um recipiente de água em forma de animal, neste caso o mitológico caquesseitão) por valores entre cerca de 4,5 e 6,7

milhões de patacas. Volta agora ao mercado, tendo sido exposta duas vezes em Portugal: em 1955 na Fundação Ricardo Espírito Santo e em 1983 na Casa dos Bicos, ambas em Lisboa. O parecer da técnica superior do MNAA Luísa Penalva, que data de 19 de Março de 2012, atesta a qualidade de execução da peça pertencente à família dos marqueses de Alegrete, bem como a “raridade destes exemplares” e assinala o facto de o “Estado não possuir nenhum nas suas colecções”. Por isso, “deveria ser adquirido pelo Estado, sendo, nesse caso, de imediato exposto na exposição permanente” do MNAA. Penalva, que ontem não quis comentar o parecer, assinala ainda no documento que “só se conhecem sete exemplares” de caquesseitão no mundo, “tendo um deles pertencido ao rei D. Fernando”. Trata-se de peças que surgem “sempre no universo da expansão portuguesa”, embora, como se lê no catálogo da Sotheby”s, a sua origem seja “portuguesa ou indo-portuguesa”.

Futuro do IPOR passa por “criar consumidores” de língua e cultura portuguesas

De Macau para o mundo O

futuro do Instituto Português do Oriente (IPOR) passa por “criar consumidores” da língua e culturas portuguesas em Macau, disse ontem à agência Lusa o director da instituição, João Laurentino Neves. “O IPOR não é apenas o veículo para a aprendizagem da língua, mas tem um papel muito mais abrangente ao pretender criar uma comunidade ‘consumidora’ da língua e cultura portuguesas em Macau e de Macau para o mundo e em todas as vertentes sociais”, afirmou aquele responsável, ao fazer um balanço de seis meses à frente da instituição. Com cerca de mil alunos em cursos de língua e outra centena em programas específicos para a Administração Publica de Macau, João

Laurentino Neves espera ver o número de estudantes crescer em breve fruto do reconhecimento pelos Serviços de Educação dos cursos do IPOR como elegíveis para o programa de formação contínua do Governo. Já em Julho, o IPOR organiza cursos intensivos de português e tem já inscritos cerca de uma centena de alunos em dois níveis de formação e em conversação. Actualmente o IPOR aposta também na certificação dos conhecimentos de português com os padrões do Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira e do Quadro Europeu Comum de Referência, uma forma de “credibilizar a formação ministrada e as capacidades dos estudantes e da comunidade”. João Laurentino Ne-

ves defende também um maior contacto com a comunidade de Macau para que esta “sinta vontade de aprender a língua portuguesa e o reconheça como uma mais-valia para a sua vida profissional e quotidiana”. “Queremos que o conhecimento da língua seja sentido como útil em termos profissionais e no dia-a-dia, assumindo uma componente cultural existente em Macau que está à vista de todos, mas que se não for valorizada passa despercebida numa população maioritariamente chinesa”, disse. Com uma visão do ensino da língua não apenas concentrado em sala de aula, João Laurentino Neves sustenta um trabalho conjunto com Universidades e instituições públicas de Macau

que visa a “promoção do diálogo intercultural entre Portugal e Macau” ao mesmo tempo que aproxima a comunidade do IPOR e a instituição da sociedade local respondendo às suas sugestões e dinâmicas próprias. “É nesse sentido que o nosso Dia Aberto se designará ‘Língua Portuguesa em festa’ e já no sábado, 01 de Julho, vamos mostrar o nosso trabalho de uma forma diferente, ou seja, promovemos a língua e a cultura utilizando pequenos núcleos nas nossas instalações que vão do cinema à música, da língua à gastronomia” no qual os visitantes percorrem as instalações cumprindo um programa e depois podem ganhar vários prémios. Além da promoção

institucional e da colaboração com as autoridades locais, João Laurentino Neves tem na agenda diversas organizações até ao final de 2013 como seminários, concertos e algumas palestras sobre diversos temas, bem como a criação de um guia de conversação português-chinês e a participação na feira do livro em Hong Kong. “São projectos e acções que visam a mesma coisa: proporcionar a exposição e o contacto com expressões criativas, artísticas e técnico-científicas da língua que consolidem a pertença a uma comunidade de língua e de cultura que tem hoje mais de 300 milhões de falantes, afirmando o papel de plataforma, de difusão e de mediação do IPOR”, concluiu.

A companhia de ballet de Manila vai estrear-se no território já este fim-de-semana. No palco do Venetian Theatre, a 30 de Junho, “Flight” promete trazer mais de dez cenas de dança, que vão desde as artes marciais filipinas, ao amor de Romeu e Julieta e a Tchaikovsky. Com mais de 50 dançarinos, o ‘Ballet Manila’ já actuou na Ásia, Europa e Estados Unidos. Os bilhetes estão à venda no Venetian e custam cem patacas. O espectáculo começa às 19h45.

De 1 de Julho a 1 de Outubro, os dinossauros estão de volta. O Venetian traz ao território 30 destas criaturas, numa exposição que reúne os dinossauros em mais de dois mil metros quadrados. “A exposição é educacional e interactiva e os visitantes vão poder ver estas criaturas do passado bem de perto, observá-las a mexer, respirar e emitir sons”, promete a Sands China. A exposição estará patente das 11h00 às 20h00 diariamente e os bilhetes para a entrada custam entre as 50 e as 80 patacas. No local podem ser vistos animais como o T. Rex ou o Triceratops, bem como um filme em 3D.

Portugal Acampamento de verão sobre cultura chinesa

A cerimónia de abertura de um acampamento de verão subordinado ao tema “viagem da cultura chinesa no exterior 2013,” teve lugar no último domingo, em Cascais. O embaixador chinês em Portugal, Huang Songpu, centenas de professores e estudantes, chineses e portugueses, assistiram ao evento. O acampamento visa promover junto dos adolescentes portugueses de etnia chinesa a aprendizagem da cultura do país dos seus antepassados, aumentar a sua compreensão sobre as tradições e costumes da China, e reforçar a amizade sino-portuguesa e os intercâmbios culturais. Durante o evento, seis professores provenientes de Pequim irão ensinar aos alunos ritos, caligrafia, pintura, música e dança, técnicas de kung-fu e artesanato chinês.

CCM quer bandas de Rock

O Centro Cultural de Macau está a desafiar os músicos locais para se juntarem à nova edição do maior festival de rock da cidade. “HUSH Maratona de Rock” está a recrutar ‘rockeiros’ e a dar-lhes uma oportunidade de brilhar no festival que existe na cidade desde 2005. A nona edição do festival terá lugar em Novembro com um concerto ao vivo que cruza músicos locais com bandas asiáticas consagradas, informa o comunicado de imprensa da organização. Todas as bandas que queiram mostrar talento, ritmo e novas energias podem enviar os boletins de inscrição até 26 de Julho de 2013. As bandas seleccionadas vão poder mostrar o que valem ao tocar para uma multidão de 6.000 pessoas, acrescenta a nota de imprensa. Os boletins de inscrição podem ser obtidos no CCM ou descarregados da página web do centro.


quarta-feira 26.6.2013

desporto

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Coreia do Sul é o primeiro adversário da RAEM

Futsal de Macau mostra-se em Incheon Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

A

selecção de futsal de Macau inicia ao final da tarde de hoje a participação na edição de 2013 dos Jogos Asiáticos em Recinto Coberto, competição que este ano absorve pela primeira vez os Jogos Marciais Asiáticos. A prova, que só arranca formalmente no próximo fim-de-semana, disputa-se este ano na localidade sul-coreana de Incheon e é nas instalações de uma das principais universidades da cidade – a Songdo Global University – que a selecção de futsal do território vai procurar mostrar o que vale ao final do dia. O adversário do cinco da RAEM é nada mais nada menos do que a anfitriã Coreia do Sul, formação que partilha com o Irão, a Tailândia e o Uzbequistão o estatuto de principais candidatas ao título. Macau está inserido nas contas

do grupo A da competição, o único a integrar quatro equipas. Para além da selecção do território e da selecção anfitriã, fazem parte do grupo também as selecções de Hong Kong e do Koweit. As duas formações protagonizam, de resto, o desafio inaugural da prova, inaugurando também as

hostilidades no que diz respeito aos próprios Jogos Asiáticos em Recinto Coberto. Depois de esgrimir argumentos com a Coreia do Sul, a selecção do Lótus volta a entrar em campo a meio da tarde de sexta-feira, para defrontar o Koweit. O cinco do território encerra a participação na fase regular da prova no próximo domingo, frente à selecção da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong. A Associação de Futebol de Macau apostou num grupo de trabalho renovado para a deslocação à Coreia do Sul. A maior parte dos atletas que integram a comitiva do território preparam-se para a competição através da participação no Campeonato de Futsal da II Divisão da vizinha província de Cantão, onde alinharam com o emblema do Shiba Macau, clube que tem no português Manuel Cunha um dos seus principais dinamizadores.

Cunha, que acompanhou a selecção do território na deslocação à Coreia do Sul, jogou ao mais alto nível em Portugal e defende que a aposta no futsal pode garantir

equipa de macau • Kwok Siu Tin • Chao Wai Hou • Vernon Wong • Luís Amorim • Chan Man Hou • Chan Pak Chun • Miguel Sou Chan U • Liu Kin Chon • Dino Kou

projecção internacional ao desporto de Macau. Do grupo de trabalho da selecção do território fazem parte vários atletas que já vestiram a camisola da principal selecção de futebol de Macau, mas também jogadores menos habituados à alta roda competitiva. Nos convocados da selecção de futsal da RAEM para a deslocação à Coreia do Sul estão jogadores como Kwok Siu Tin, Vernon Wong, Luís Amorim, Chan Man Hou ou Chan Pak Chun. Para além do futsal, as cores do território devem estar também representadas em Incheon em modalides como o bowling, o go e as danças desportivas. O cartaz competitivo da edição de 2013 dos Jogos Asiáticos em Recinto Coberto integra um total de doze desportos, onde pontificam, entre outras, competições como o kickboxing, o kabbadi, o kurash ou os jogos electrónicos. A prova decorre até 6 de Julho próximo.

Campeonato de Carros de Turismo de Macau correu pela segunda e última vez

Destinos traçados na pista de Guandong Sérgio Fonseca

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Cheung Chi Wai info@hojemacau.com.mo

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Circuito Internacional de Guangdong recebeu no passado fim-de-semana a segunda e derradeira jornada dupla do Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS, na sigla inglesa), a última oportunidade para muitos pilotos do território selaram o apuramento para a 60ª edição do Grande Prémio de Macau. Com as condições meteorológicas a superarem favoravelmente as previsões, as seis corridas trouxeram algumas surpresas e muitas confirmações.

Sítio do Honda amarelo

Dezassete concorrentes marcaram presença para os dois embates da categoria rainha, o “AAMC Challenge”, prova em que os dois Honda Accord amarelos da Son Veng Racing Team mostraram a sua superioridade, como aliás, já tinha

acontecido no mês de Maio. O campeão em título Leong Ian Veng venceu ambas as corridas. Jerónimo Badaraco foi segundo na primeira corrida e terceiro na segunda, o suficiente para a Son Veng Racing Team selar o título de equipas. De volta ao seu “antigo” Chevrolet Lacetti, Felipe Souza arrancou a ferros um segundo lugar na segunda manga, ele que na primeira foi surpreendido por Eurico

de Jesus (Honda CL7) na luta pelo último lugar no pódio. Em duas corridas marcadas por algumas desistência, Célio Alves Dias (Honda DC5) fez um sexto na primeira corrida, compensando um abandono na segunda, enquanto Hélder Rosa (Honda DC5) somou dois décimo-segundo lugares. Já o pai, José Brito da Rosa (Honda EP3), sem andamento para os demais, amealhou um

décimo-quinto e um décimo-quarto posto. Belmiro Aguiar (Honda DC5) teve uma jornada para esquecer, terminando em décimo terceiro na primeira corrida, e comprometendo as hipóteses de apuramento directo ao sucumbir na corrida final. Valente e Lacerda apurados Com o plantel ainda de luto, pela perca recente de Rui Basílio em acidente de viação, Wong Wan Leong

(Honda DC5) acabou por ser a surpresa do fim-de-semana na classe “N2000”, ao superar na primeira corrida os favoritos Chou Keng Kuan (Honda DC5) e Álvaro Mourato (Honda DC5). Wong viria ainda ficar em segundo na segunda manga, agora batido pelo campeão Chou, mas à frente de Leong Lok Choi (Honda DC5) e Mourato. Este último, com este resultado, selou o terceiro lugar no campeonato. Com um sistema de pontuações que quase obriga a uma presença nos dez primeiros em pelo menos uma das quatro corridas de apuramento, Rui Valente, que tinha saído de Zhaoqing a zeros no primeiro fim-de-semana, carimbou o regresso ao Circuito da Guia em Novembro com um precioso nono lugar na primeira corrida. Já apurado, Sérgio Lacerda ainda fez um “Top-10” na segunda contenda. Ricardo Lopes (Honda DC5) e João Fernandes (Honda DC5) ficaram-se novamente por posições mais modestas e

terão que esperar por muito improváveis desistências para se juntarem aos dois portugueses da 24-32 Racing Team na Corrida Interport Macau-Hong Kong que terá 18 concorrentes da RAEM.

Lameiras no pódio

Na mais variada das três categorias do MTCS, no que respeita a modelos em pista, Sun Tit Fan (Mitsubishi Evo9) impôs na primeira corrida da “Macau Road Sport Challenge” o seu possante carro construído propositadamente no Japão, finalizando seguido de Lei Kit Meng (Mitsubishi Evo7) que viria a vencer o segundo confronto. Depois de um sétimo posto na disputa de sábado, Luciano Lameiras (Mitsubishi Evo8) subiu pela primeira vez na sua carreira a um pódio do MTCS na ronda de domingo, com um convincente terceiro lugar. Já o fim-de-semana de Hélder de Assunção (Mitsubishi Evo8) saldou-se num quarto e um décimo lugar.


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desporto

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Boxe ‘Fists of Gold II’ traz pugilistas campeões ao Venetian. Pacquiao nas bancadas

A segunda ronda Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

J

á estão à venda os bilhetes para o ‘Fists of Gold II, que tem lugar no Venetian a 27 de Julho. Zou Shiming, o pugilista chinês que, em Abril, venceu na estreia como lutador profissional em Macau, vai subir novamente ao ringue, desta vez contra Jesus Ortega, do México, num combate que será de apenas seis rounds.  A Zou Shiming juntam-se ainda nomes como Juan Estrada e Milan Melindo – que se defrontam pelo título de campeão mundial de peso-mosca pela World Boxing Organization (WBO) e World Boxing Association (WBA) – e Evgeny Gradovich contra Mauricio Muñoz, que combatem pelo título mundial de peso-pluma da International Boxing Federation (IBF). pub

Mas há uma estreia no território. O pugilista de Hong Kong, Rex ‘The Wonder Kid’ Tso, sobe ao ringue na categoria de super peso-mosca, num frente-a-frente com o tailandês Rusalee Samor. Tso é considerado como o 17º melhor lutador do mundo pela World Boxing Counsil. Já Samor é antigo campeão de peso-mosca da IBF.

E Pacquiao

Ainda sem calçar as luvas, mas a assistir na bancada estará nada mais, nada menos que Manny ‘Pacman’ Pacquiao. O lutador filipino - oito vezes campeão do mundo em diferentes divisões - chega a Macau em Julho para assistir aos combates, bem como Freddie Roach, seu treinador, que acompanha agora o chinês Zou Shiming no canto do ringue. Pacquiao, recorde-se,

vai combater em Setembro no território. Organizado em cooperação com a Top Rank – a promotora de boxe norte-americana –, o cartaz integra ainda nomes como Andy Ruiz, Jr, do México, e Joe Hanks, dos EUA, bem como o filipino Genesis Servania, que combate contra o japonês Konosuke Tomiyama. Da Austrália vem Paul Fleming e da Tailândia Chaiyong Sithsaithong, a par do já conhecido Dave Peñalosa, das Filipinas, e de Ngaotawan Sithsaithong, da Tailândia. Esta segunda edição do ‘Fists of Gold’ terá novamente o ex- campeão de pesos-pesados George Foreman como apresentador, ao lado de Tim Ryan e Larry Merchant – ícones da televisão norte-americana.    Os preços dos bilhetes estão à venda, com preços que vão das 80 patacas às 1680 patacas.

quarta-feira 26.6.2013


quarta-feira 26.6.2013

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB

World war z [3d] [c]

Sala 1

World war z [c]

Um filme de: Marc Forster Com: Brad Pitt, Marc Forster, Mireille Enos 14.30, 19.30

Um filme de: Marc Forster Com: Brad Pitt, Marc Forster, Mireille Enos 16.30, 21.30 Sala 3

now you see me [b]

miracle cell no.7 [b]

Um filme de: Louis Leterrier Com: Mark Ruffalo, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Mélanie Laurent 16.30, 19.30

(Falado em coreano e legendado em chinês/ inglês) Um filme de: Lee Hwan-gyeong Com: Ryoo Seung-ryong, Park Sin-hye, Gal So-won 14.30, 16.45, 19.15

long weekend [c]

Sala 2

now you see me [b]

(Falado em tailandês e legendado em chinês/ inglês) Um filme de: Taweewat wantha Com: Shin Chinawut, Namcha Sheranat, Sean Jindachote 21.30

Um filme de: Louis Leterrier Com: Mark Ruffalo, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Mélanie Laurent 14.30, 19.30

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1 – Fiozinho; concha ou prato da balança. 2 – Caminho orlado de casas, muros, ou árvores, numa povoação; que atingiu a maioridade legal. 3 – Amerício (s.q.); um milhar; preposição que designa diferentes relações, como posse, matéria, lugar, providência, etc. 4 – Da cor do céu ou do mar; faz passar por um filtro. 5 – Sustentar; sexta nota da escala musical. 6 – Nome da letra I (pl.); bismuto (s.q.). 7 – Pedra circular e rotativa de moinho ou de lagar; deslocar-se para fora. 8 – Acolá; relativo às ancas ou à parte superior da coxa. 9 – Medida itinerária chinesa; estrada que estabelece a ligação de um lugar para outro; aquelas. 10 – Vagabundo; aquilo que prejudica ou se opõe ao bem. 11 – Suplicar a Deus ou aos santos; construção junto ao mar, geralmente em forma de torre, em cuja parte superior há um foco luminoso para indicar aos navegantes a entrada do porto ou a existência de recifes na costa, etc. VERTICAIS: 1 – Resina ou goma resinosa extraída de diversas árvores dos países do Extremo Oriente; livre de risco, perigo, doença, morte, etc. 2 – Móvel, normalmente de madeira, sobre que se come, escreve, etc.; ligar. 3 – Mover-se de um sítio para outro; sorri; terceira nota da escala musical; contr. da prep. de com o art. def. a. 4 – Vaticínio; caminhar ou dirigir-se para o lugar onde estamos. 5 – Instrumento de ferro ou madeira, largo e achatado, com cabo mais ou menos longo; apetite sexual dos animais em determinados períodos. 6 – Substância doce que as abelhas formam do suco das flores e que depositam nos alvéolos dos seus favos; espécie de albufeira. 7 – Voz do gato; perversa. 8 – Nome vulgar do óxido de cálcio; entremear com listras. 9 – Interj. designa dor, admiração, repugnância; aqui; grito aflitivo; tecido fino como escumilha. 10 – Elemento químico metalóide, sólido, com o símbolo I; pequeno canal ou telha por onde corre a água ou outro líquido. 11 – Lugar de muita areia; mulher formosa (fig.).

Aqui há gato [Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:40 18:40 19:00 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 00:00 01:00 01:30

15:00 18:00 18:30 19:00 19:30 20:00

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi Cougar Town - Sr.1 TDM Entrevista (Repetição) Vingança Telejornal Montra do Lilau A Página Tantas Escrito nas Estrelas TDM News 4.Portugal Hoje Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

MLB Regular Season 2013 Texas Rangers vs. New York Yankees Mobil 1 The Grid 2013 Global Football 2012/13 Smash 2013 (LIVE) FOX SPORTS Central (LIVE) The Championships, Wimbledon 2013 2nd Round

31 - STAR Sports 09:00 The Championships, Wimbledon 2013 1st Round 17:30 The Championships, Wimbledon 2013 Daily Highlights Day #2 18:30 (LIVE) The Championships, Wimbledon 2013 2nd Round informação tdm

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:35 Biosfera 15:05 VIVER É FÁCIL 15:30 Portugal Negócios 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Anticrise 17:15 Portugal Aqui Tão Perto 18:15 O Teu Olhar (Telenovela) 19:05 Ramo Grande – O Gado Vermelho dos Açores 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo

40 - FOX Movies 11:45 Exploding Sun - Part 2 Of 2 13:20 Brave 14:55 Act Of Valor 16:45 White Chicks 18:35 The Avengers 21:00 Con Air 22:55 This Means War 00:35 Prometheus 41 - HBO 11:45 Wrath Of The Titans 13:20 The Bourne Supremacy 15:10 The Missing 17:30 Moneyball 19:45 The Rock 22:00 The Amazing Spider-Man 00:15 The Devil Inside 42 - Cinemax 12:30 The Blob 14:15 Exit Wounds 16:00 Marooned 18:15 With Great Power 20:00 Top Gun 22:00 Get Shorty 23:40 Spartacus: Vengeance 00:35 Machete

22:05 Construtores de Impérios 22:30 Alta Pressão 23:00 Portugal no Coração 30 - FOX Sports 13:00 Pgm-Asean Penang Classic 14:00 Travelers Championship

HORIZONTAIS: 1-FIAPO. CUIA. 2-RUA. MAIOR. 3-AM. MIL. DE. 4-CERULEO. COA. 5-ASIR. LA. 6-I. BI. 7-MO. SAIR. 8-ALI. CIATICO. 9-LI. VIA. AS. 10-VADIO. MAL. 11-ORAR. FAROL. VERTICAIS: 1-LACA. SALVO. 2-MESA. LIAR. 3-IR. RI. DA. 4-AUGURIO. VIR. 5- PA. CIO. 6-MEL. RIA. 7-MIO. MA. 8-CAL. LISTRAR. 9- UI. CA. AI. LO. 10-IODO. BICA. 11-AREAL. ROSA.

À venda na Livraria Portuguesa A Voz da Terra • Miguel Real

Júlio Telles Fernandes – brasileiro viúvo e rico – chega a Lisboa com duas missões secretas: interceder junto do Marquês de Pombal pela independência do Pernambuco e entregar nas mãos da judia Violante Dias, prima da sua falecida mulher, um anel que há muito vem passando de geração em geração. A Voz da Terra narra a história da passagem da Lisboa supersticiosa, marinheira e imperial dos Descobrimentos – a Cidade de Santo António, governada pela Voz do Céu – para a Lisboa burguesa, racional e geométrica, consequência do Terramoto – a cidade do Marquês de Pombal.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Almirante Reis

O Bom Inverno • João Tordo

O balão negro onde Don Metzger partiu foi encontrado na ilha de Ponza, no fundo de uma falésia, perto do final do Verão. O corpo tinha apodrecido e sido parcialmente dilacerado pelas gaivotas. A polícia italiana considerou que a morte fora causada por um «acidente», e não foi feita qualquer autópsia. «Um enorme romancista que nos redime do horror, como os grandes mestres, pela força misteriosa da escrita.» (AntónioPedro Vasconcelos, Sol). «O novo romance do século XXI em Portugal» (João Céu e Silva, Diário de Notícias). Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Há uma árvore ténue no meio da avenida. Durante o ano muda de cor e esse ritmo prossegue inalterável apesar de estar plantada na separação dos dois sentidos. A árvore resiste à tremenda poluição que todos os dias a cerca. Parece imperturbável entre o fumo dos escapes e as mãos dos garotos que nela se apoiam quando atravessam ilegalmente a avenida Espera talvez por esse grande vento que um dia a derrubará ou um suzuki ou um mercedes, conduzido por uma rapariga inocente e alcoolizada. A árvore não protestará. A árvore não é grande nem frondosa. Distingui-a nitidamente, numa torção de pescoço, quando atravessei a avenida a correr ignorando a passadeira e o carro da rapariga de hálito inocente e alcoólico. Não sei se ainda lá está a árvore erecta a meio da Almirante Reis, a avenida mais nova-iorquina de Lisboa. A desgraça súbita não polui. E a raparigas, se quiser, pode-me atropelar à vontade. Que outra morte se almeja senão às mãos de uma bela mulher?

Pu Yi


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opinião

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quarta-feira 26.6.2013

O preço do progresso Boaventura de Sousa Santos

C

om a eleição da Presidente Dilma Rousseff, o Brasil quis acelerar o passo para se tornar uma potência global. Muitas das iniciativas nesse sentido vinham de trás mas tiveram um novo impulso: Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente, Rio +20, em 2012, Campeonato do Mundo de Futebol em 2014, Jogos Olímpicos em 2016, luta por lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, papel ativo no crescente protagonismo das “economias emergentes”, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), nomeação de José Graziano da Silva para Diretor-Geral da Organização da Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 2012, e de Roberto Azevedo para Diretor-Geral Organização Mundial de Comércio, a partir de 2013, uma política agressiva de exploração dos recursos naturais, tanto no Brasil como em África, nomeadamente em Moçambique, favorecimento da grande agricultura industrial sobretudo para a produção de soja, agro-combustíveis e a criação de gado. 

Beneficiando-se de uma boa imagem pública internacional granjeada pelo Presidente Lula e as suas políticas de inclusão social, este Brasil desenvolvimentista impôs-se ao mundo como uma potência de tipo novo, benévola e inclusiva. Não podia, pois, ser maior a surpresa internacional perante as manifestações que na última semana levaram para a rua centenas de milhares de pessoas nas principais cidades do país. Enquanto

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Enquanto perante as recentes manifestações na Turquia foi imediata a leitura sobre as “duas Turquias”, no caso do Brasil foi mais difícil reconhecer a existência de “dois Brasis”. Mas ela aí está aos olhos de todos. A dificuldade em reconhecê-la reside na própria natureza do “outro Brasil”, um Brasil furtivo a análises simplistas perante as recentes manifestações na Turquia foi imediata a leitura sobre as “duas Turquias”, no caso do Brasil foi mais difícil reconhecer a existência de “dois Brasis”. Mas ela aí está aos olhos de todos. A dificuldade em reconhecê-la reside na própria natureza do “outro Brasil”, um Brasil furtivo a análises simplistas. Esse Brasil é feito de três narrativas e temporalidades.  A primeira é a narrativa da exclusão social (um dos países mais desiguais do mundo), das oligarquias latifundiárias, do caciquismo violento, de elites politicas restritas e racistas, uma narrativa que remonta à colónia e se tem reproduzido sobre formas sempre mutantes até hoje. A segunda narrativa é a da reivindicação da democracia participativa que remonta aos últimos 25 anos e teve os seus pontos mais altos no processo constituinte que conduziu à Constituição de 1988, nos orçamentos participativos sobre políticas urbanas em centenas de municípios, no impeachment do Presidente Collor de Mello em 1992, na criação de conselhos de cidadãos nas principais áreas de políticas públicas especialmente na saúde e educação aos diferentes níveis da ação estatal (municipal, estadual e federal).  A terceira narrativa tem apenas dez anos de idade e diz respeito às vastas políticas de inclusão social adotadas pelo Presidente Lula da Silva a partir de 2003 e que levaram a uma significativa redução da pobreza, à criação de uma classe média com elevado pendor consumista, ao reconhecimento da discriminação racial contra a população afro-

descendente e indígena e às políticas de ação afirmativa e à ampliação do reconhecimento de territórios e quilombolas e indígenas. O que aconteceu desde que a Presidente Dilma assumiu funções foi a desaceleração ou mesmo estancamento das duas últimas narrativas. E como em política não há vazio, o espaço que elas foram deixando de baldio foi sendo aproveitado pela primeira e mais antiga narrativa que ganhou novo vigor sob as novas roupagens do desenvolvimento capitalista todo o custo, e as novas (e velhas) formas de corrupção. As formas de democracia participativa foram cooptadas, neutralizadas no domínio das grandes infraestruturas e megaprojetos e deixaram de motivar as gerações mais novas, orfãs de vida familiar e comunitária integradora, deslumbradas pelo novo consumismo ou obcecadas pelo desejo dele.  As políticas de inclusão social esgotaram-se e deixaram de corresponder às expectativas de quem se sentia merecedor de mais e melhor. A qualidade de vida urbana piorou em nome dos eventos de prestígio internacional que absorveram os investimentos que deviam melhorar transportes, educação e serviços públicos em geral . O racismo mostrou a sua persistência no tecido social e nas forças policiais. Aumentou o assassinato de líderes indígenas e camponeses, demonizados pelo poder político como “obstáculos ao desenvolvimento” apenas por lutarem pelas suas terras e modos de vida, contra o agronegócio e os megaprojetos de mineração e hidrelétricos (como a barragem de Belo Monte, destinada a fornecer energia barata à indústria extrativa). A Presidente Dilma foi o termómetro desta mudança insidiosa. Assumiu uma atitude de indisfarçável hostilidade aos movimentos sociais e aos povos indígenas, uma mudança drástica em relação ao seu antecessor. Lutou contra a corrupção mas deixou para os parceiros políticos mais conservadores as agendas que considerou menos importantes. Foi assim que a Comissão de Direitos Humanos, historicamente comprometida com os direitos das minorias, foi entregue a um pastor evangélico homofóbico e promove uma proposta legislativa conhecida como “cura gay”. As manifestações revelam que, longe de ter sido o país que acordou, foi a Presidente quem acordou.  Com os olhos postos na experiência internacional e também nas eleições presidenciais de 2014, a Presidente Dilma tornou claro que as respostas repressivas só agudizam os conflitos e isolam os governos. No mesmo sentido, os presidentes de câmara de nove cidades capitais já decidiram baixar o preço dos transportes. É apenas um começo. Para ele ser consistente é necessário que as duas narrativas (democracia participativa e inclusão social intercultural) retomem o dinamismo que já tiveram. Se assim for, o Brasil estará a mostrar ao mundo que só merece a pena pagar o preço do progresso, aprofundando a democracia, redistribuindo a riqueza criada e reconhecendo a diferença cultural e política daqueles para quem progresso sem dignidade é retrocesso.


quarta-feira 26.6.2013

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O May be man

Carlos Morais José

Sublimação

“E

O May be man entendeu mal a máxima cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois, vendeu-a ao português, ao indiano. E está agora a vender ao chinês, que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem. O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa parábola mais recente: o não deixar. Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito corrupto: em nome da lei, assalta o cidadão. Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele e sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a

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a outra face

Mia Couto xiste o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar. O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Simplesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio. A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior. Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniência. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideologia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”. Há quem lhe chame de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma nação muito gaseificada. Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer. Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enquadra-se no combate contra a pobreza. Mas a corrupção, em Moçambique, tem uma dificuldade: o corruptor não sabe exactamente a quem subornar. Devia haver um manual, com organograma orientador. Ou como se diz em workshopês: os guidelines. Para evitar que o suborno seja improdutivo. Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opinião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém.

opinião

lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cautela, os do chefe do chefe. O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigente: esse é o principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem nomeá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir. Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma fortuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio. O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de-conta. Para um país a sério não serve.”

Há dias em que me parece que definitivamente me falta inteligência para compreender o que se passa à minha volta. É isso: não percebo nada e tudo me surge envolto num denso véu de mistério. Que estranha dificuldade em dar conta das coisas, das motivações, dos receios, das audácias… Como é escuro o real, assim a bombardear-nos de informação pouco credível, de misérias e horrores, alguns contos de fadas e basicamente, um tédio, um tédio quase congénito, equivalente à nossa vontade de pouco fazer para mudar, deslocar, alterar, criar. Sempre gostei da palavra sublimar. Ouvia-a pela primeira vez numa aula de Ciências da natureza: a sublimação é a passagem directa do estado sólido ao estado gasoso. Ou seja, a perda de peso de uma substância que somente lhe altera a forma mas não aquilo que ela é. O corpo sólido liberta as suas móleculas, permite-lhes vogar pelo espaço sem perder a identidade. Misturado com o oxigénio, o azoto, o dióxido de carbono e outras raridades que circulam pela atmosfera, esse corpo adquire uma outra relação com a gravidade. Anos mais trade relacionei-me com a sublimação noutro contexto: a psicanálise. Mas era mais ou menos a mesma coisa: perder peso. Simplificando, quando um problema cessa de nos atormentar o espírito, dizem os psicanalistas que foi sublimado. Peso a mais ou peso a menos na alma, eis o que pode mudar tudo, mudar do dia para a noite, da tristeza para a alegria, da fuga para a coragem. Uma alma um pouco mais aérea, mais sobrevoante do mundo, que passeia pelas alturas e de lá contempla as formigas e por isso também a si se contempla, respira um ar surpreendentemente puro. Por isso não me importei nada de ter acordado estúpido e sem vontade de ver de perto o mundo. Sublimei, j’avoue, a minha ignorância sobre o que me rodeia, por um longo e inconfessável prazer.

O Hoje Macau errou Na nossa edição de ontem surgiram duas peças não assinadas. A primeira foi a entrevista ao Ministro da Cultura de Cabo Verde e a outra sobre o regresso do treinador Rui Cardoso aos relvados, escritas por Hélder Fernando e Marco Carvalho, respectivamente. Aos autores e aos leitores, o nosso pedido de desculpas.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Soraia Zhou[estagiária] Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


quarta-feira 26.6.2013

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c a r t o on Viagem à China Seul proíbe casas de alterne

O Gabinete da Presidência sulcoreano exigiu aos funcionários que vão acompanhar esta semana Park Geun-hye na sua visita à China, que se abstenham de beber álcool ou de frequentar casas de alterne, informou ontem a agência Yonhap. Estas advertências fazem parte de uma lista com normas de conduta que a Casa Azul entregou aos cerca de 50 membros da delegação presidencial antes de partirem rumo a Pequim, esta quinta-feira. Em concreto, a normativa exige aos funcionários sul-coreanos que não visitem casas de massagens, as quais ocultam habitualmente, em vários países da Ásia, negócios relacionados com a prostituição. A visita da chefe de Estado a Pequim, que se inicia esta quinta-feira, reveste-se de particular importância, já que Park Geun-hye reunir-se-á pela primeira vez com o homólogo chinês, Xi Jinping, desde que ambos chegaram ao poder, nos seus respectivos países, no início do ano.

Voos Laos e Macau cada vez mais perto

Laos e Macau assinaram ontem um acordo de cooperação de transporte aéreo. A partir de agora, estão liberalizadas as condições para a operação de serviços aéreos por parte das companhias de ambos os locais. Sem qualquer restrição, o Governo de Macau ou do Laos podem escolher mais do que uma companhia aérea para operar as rotas. “As companhias aéreas designadas gozam de direitos de liberdade do ar sem restrições para desenvolvimento dos serviços de transporte de carga e passageiros entre os dois locais”, pode ler-se num comunicado da Autoridade de Aviação Civil de Macau.

Portugal Professores vencem Governo

As escolas voltam à normalidade com o regresso às avaliações e assinatura de uma acta negocial entre sindicatos de professores e o Ministério da Educação, anunciou ontem a Federação Nacional dos Professores (Fenprof). «A partir de agora as escolas voltarão a funcionar dentro da normalidade», disse o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, à saída de uma reunião de quatro horas no ministério. Acompanhado por representantes dos outros sindicatos que ainda mantinham a greve e que esta manhã estiveram reunidos no ministério, Mário Nogueira afirmou: «Agora é possível dizer que a mobilidade especial não se aplica a nenhum professor».

por Steff

Brasil Dilma propõe plebiscito para reforma

Snowden aceitou emprego para obter provas

Rússia mostra as garras

E

dward Snowden revelou ter aceitado trabalho na Booz Allen Hamilton com o “objectivo único” de recolher provas sobre os programas de vigilância da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, noticiou ontem o South China Morning Post. “O meu posto na BoozAllen Hamilton garantia-me o acesso às listas dos computadores que a Agência de Segurança Nacional (NSA) espiava em todo o mundo”, afirmou o informático norte-americano numa entrevista concedida, a 12 de Junho, ao diário em língua inglesa, que publica essas declarações na sua edição de ontem. “Essa é a razão pela qual aceitei o cargo [na Booz] há três meses”, afirmou, citado pelo South China Morning Post, que não explica por que motivo adiou a publicação dessa informação até agora, dois dias depois de Snowden ter abandonado a antiga colónia britânica rumo a Moscovo. O paradeiro de Snowden, acusado de espionagem pelos Estados Unidos por ter revelado programas de vigilância em massa de comunicações, permanece uma incógnita, já que o voo para Havana em que se esperava que embarcasse, procedente da Rússia, aterrou na capital cubana sem o ex-colaborador da CIA. Snowden, 30 anos, afirmou ainda pretender divulgar mais documentos no futuro: “Se tiver tempo para analisar esta informação, gostaria de a tornar disponível para os jornalistas de cada país, para

que avaliem, independentemente do meu critério, se as informações sobre as operações dos Estados Unidos contra a sua população devem ou não ser publicadas”. Snowden, funcionário de uma empresa privada subcontratada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, revelou, a 09 de Junho, aos jornais britânico The Guardian e norte-americano The Washington Post a existência de dois programas de “vigilância em massa” de comunicações telefónicas nos Estados Unidos e de comunicações via internet no estrangeiro. Depois de deixar o Hawai, o norte-americano refugiou-se em Hong Kong e, no domingo, dias depois de ter sido formalmente acusado pelos Estados Unidos de espionagem, viajou para Moscovo. Entretanto, a Rússia negou qualquer vínculo com Edward Snowden e considerou inaceitá-

veis as acusações neste sentido feitas por Washington. Washington havia solicitado à Rússia a expulsão e entrega de Snowden. O americano teria viajado no domingo para Moscovo num voo da companhia russa Aeroflot. No entanto, Snowden não foi visto desde que foi anunciada a sua presença na Rússia, nem foi revelado o local em que se encontrará. “Não temos nenhuma relação com Snowden, nem temos nada a ver com seus problemas com a justiça dos Estados Unidos, nem com suas viagens pelo mundo”, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. “Snowden não atravessou a fronteira russa e consideramos totalmente infundadas e inaceitáveis as tentativas de acusar a Rússia de ter violado as leis dos Estados Unidos, e quase de ter planeado uma manobra, tudo isto acompanhado de ameaças contra nós”, concluiu.

Dilma Rousseff disse que vai propor a convocação de um plebiscito que autorize a reforma política do país. “O Brasil está maduro para avançar e já deixou claro que não quer ficar parado onde está”, disse a presidente. Rousseff propôs ainda uma nova legislação que considere a “corrupção dolosa [quando há intenção] como crime hediondo”, com penas mais severas.  A presidente pediu ainda agilização na implantação da Lei de Acesso à Informação. “Quero propor o debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize um processo constituinte específico para fazer reforma política que o país tanto necessita. O Brasil está maduro para avançar e já deixou claro que não quer ficar parado onde está. Devemos também dar prioridade ao combate à corrupção de forma ainda mais contundente”, disse a presidente. A presidente defendeu ainda pacto de responsabilidade fiscal, com o objectivo de manter a estabilidade da economia e o controle da inflação.

Mata mulher, amiga e suicida-se

Um homem de 58 anos matou a tiro a mulher, em Pinhal Novo, e uma amiga desta que residia em Palmela, onde se terá suicidado, na noite de domingo para segunda-feira. A esposa do suspeito, uma mulher de 53 anos, foi morta na casa onde vivia com o marido, na localidade de Palhota, no Pinhal Novo. A vítima foi transportada para o Hospital de Setúbal, onde acabou por morrer. Após este crime, o homem dirigiu-se de carro a casa de uma amiga da mulher, que foi também alvejada e que morreu no local, na Quinta da Nevada. Cerca das 10h40 desta segundafeira, o suspeito foi encontrado morto junto ao seu automóvel, nas proximidades da Quinta da Nevada. Tudo indica que se terá suicidado.

Benfica estreita laços com Cabo Verde

O Benfica estreitou os laços com Cabo Verde ao assinar um protocolo com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do desporto naquele país africano, em particular no futebol de formação, anunciou ontem o clube. O protocolo em questão, assinado com o Clube Desportivo Travadores para a abertura da Escola Geração Benfica da Praia, prevê que o Benfica ceda todos os equipamentos e dê formação aos técnicos da nova escola, que contará, no primeiro ano, com 100 atletas, de idades entre os 8 e 14 anos.


Hoje Macau 26 JUN 2013 #2879