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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

QUINTA-FEIRA 26 DE ABRIL DE 2018 • ANO XVII • Nº 4039

MOP$10 SOFIA MARGARIDA MOTA

LEI BÁSICA DEPOIS DE 2049 ENTREVISTA RUI CUNHA, ADVOGADO

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Segue a somar PÁGINA 8

CHINA

ENVIADO DE TRUMP PÁGINA 12

A vaidade e o sexo oral h ANTÓNIO CABRITA

hojemacau

Alianças por um BIR Governo quer criminalizar os casamentos falsos para obtenção de residência no território, no âmbito da lei da imigração ilegal. Actualmente, quem casar para adquirir o BIR incorre no crime de falsificação de documentos. PÁGINA 6

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

WYNN


2 ENTREVISTA

RUI CUNHA FUNDADOR DA FUNDAÇÃO RUI CUNHA E DA C&C ADVOGADOS

Rui Cunha é um homem do Direito. Há seis anos criou uma fundação onde quer ver reflectida a diversidade da população. Assume-se contra a alteração da lei de bases à organização judiciária que limita o julgamento de casos relativos à segurança nacional a juízes chineses e apela a um maior número de juízes no Tribunal de Última Instância para que seja possível o recurso

“Estamos a pagar o que aconteceu no “Occupy Central” A Fundação Rui Cunha entra agora no sexto ano de actividade . Que balanço faz desde a sua entrada em funcionamento? A Fundação foi constituída em 2012 e já lá vão mais de 700 eventos. O balanço é positivo, apesar de não poder dizer que o seja totalmente. Nós na vida, desejamos sempre o melhor e haveria muitos mais objectivos que gostaríamos de atingir. Mas, de qualquer forma, julgo que podemos considerar o nosso trabalho bastante positivo, na medida em que ao fim de seis anos somos já uma referência no ambiente cultural e social de Macau. Que objectivos estão por cumprir? Um dos objectivos que temos em mente desde o princípio da fundação e que não conseguimos ainda atingir é conseguir penetrar mais na comunidade chinesa. Macau tem cerca de 90 por cento da população chinesa e se fiz a fundação para benefício de Macau, pode-se concluir que esta população está incluída. Isto não foi totalmente conseguido ou, pelo menos, não tanto quanto eu desejaria por várias razões, uma delas é a dificuldade de comunicação com esta comunidade. Sendo eu português e ligado à comunidade portuguesa, esta reagiu muito facilmente às nossas iniciativas. O mesmo não aconteceu com a comunidade chinesa. Mas aos poucos lá vamos entrando e conseguindo. Já temos alguns eventos em que a grande maioria do público é chinês, exemplo disso são as nossas noites de piano às sextas-feiras. Para a fundação não há distinção entre portugueses, chineses ou qualquer outra nacionalidade. Todos são bem vindos.  Uma das actividades que faz parte das comemorações deste aniversário é a conferência de

hoje sobre os 25 anos da Lei Básica. Que balanço faz deste quarto de século de vida do diploma? Acho que 25 anos depois, tendo em conta os quase 20 anos que levamos depois da transferência de administração, demos passos muito grande no sentido de proporcionar qualidade de vida à grande maioria da população. Não digo à totalidade, porque é utópico pensar numa sociedade que seja totalmente feliz. Mas a realidade é que, de um Macau relativamente pequeno e que existia dentro de si em 1999, passámos para um Macau aberto, que ombreia com qualquer outra cidade do mundo e que já adoptou um padrão de vida em que a grande maioria do cidadão vive muito melhor do que vivia em 99. Há uma visão de confiança para o futuro. Não temos os espectro do desemprego, não temos os espectro de catástrofes aqui à esquina, não temos ameaças constantes de guerras ou de atentados. Podem acontecer coisas, como o tufão do ano passado, ou um louco que atire o carro para cima das pessoas mas, em princípio, temos de considerar que as pessoas vivem em Macau em tranquilidade a qualquer hora. Isto revela uma evolução no padrão de vida o que é muito positivo. Eu serei um pouco parcial a fazer um juízo, talvez porque a sorte e a fortuna estiveram comigo, mas é fácil ver que as pessoas vivem hoje melhor. A Lei Básica tinha de existir e ainda bem. Depois da Declaração Conjunta tinha-se de fazer uma espécie de espinha dorsal de uma sociedade que se pretendia aqui para Macau. Diria que a Lei Básica foi importante, foi útil e vai sê-lo, pelo menos, até 2049. A Lei Básica pode mesmo vir a ser o suporte do que se vai fazer e do que se vai encontrar depois de 2049. Creio que a existência da Lei Básica e da forma

como foi aplicada, permitiu a estabilidade e a prosperidade que Macau tem agora.

os problemas que possam existir em Hong Kong, podemos ter como reflexo determinadas alterações.

Há quem considere que a Lei Básica tem estado em risco com a existência de casos polémicos, como o de Sulu Sou, por exemplo. Qual é a sua opinião? Sempre tive um conceito de que as leis são feitas para determinado momento, para determinada sociedade e não são nem imutáveis, nem devem ser tão sacralizadas que se tornem intocáveis. Com

Acha que faz sentido que Macau e Hong Kong sejam vistos pela mesma lente? Neste momento, Macau será um pouco um banco de ensaio para aquilo que é preciso fazer ou o que querem fazer em Hong Kong e, às vezes, experimenta-se ou faz se aqui primeiro e depois diz-se lá que aqui já se fez, e que por isso tem de ser feito na outra RAE. Desde que não venha a afectar seriamente a vivência desta sociedade e o seu bem estar, acho que pode não ser grave. 

“A Lei Básica pode mesmo vir a ser o suporte do que se vai fazer e do que se vai encontrar depois de 2049.” isto quero dizer que sou totalmente avesso a, precipitadamente, se estarem a fazer mudanças conforme mudam os ventos. Sou a favor de uma estabilidade, sim, mas não imutabilidade. Há necessidade de, quando em vez, dar algum toque que acompanhe as necessidades. Quanto à Lei Básica, penso que não precisa de ser mudada. Ela tem e contem tudo o que Macau necessita para poder continuar, progredir e completar alguns dos princípios das leis existentes da forma que se considere mais adequado, mas não penso que precise de ser mudada. Não creio mesmo que haja um risco eminente de isso acontecer. Estamos, no entanto, a ser um bocado vítimas de uma conjuntura que nem será tanto a nossa. O facto de Macau ser uma região administrativa especial e Hong Kong também, as duas leis básicas foram, quase contemporâneas e os modelos aplicados também. Com

E se atingir a liberdade das pessoas? A liberdade é um conceito um pouco relativo. Com os tempos, cada sociedade foi criando o seu conceito de liberdade, o seu conceito de democracia e de participação. Por isso, se às vezes há necessidade de por algum travão à liberdade individual por necessidade de um bem-estar colectivo eu não seria contra isso. Acho que o bem público está acima do interesse de A, B ou C de querer usar a sua liberdade. A liberdade de um tem como limite a liberdade dos outros. É preciso criar as baias necessárias no sentido de que exercício da liberdade não ultrapasse o que é razoável para o bem-estar comum. A liberdade de expressão é um valor que também prezo mas isso não me autoriza a berrar e a usar palavrões no meio da Almeida Ribeiro cheia de gente. Por outro lado, às vezes, endeusam-se certas pessoas, ou certos pseudo-ídolos, e invoca-se logo a liberdade de expressão para dizer que essas pessoas estão a ser vítimas de repressão e de injustiças. Trata-se de uma área muita cinzenta e em que qualquer juízo tem de ser feito com muita cautela


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e, acima de tudo, com uma certa objectividade e sem a obsessão pela vontade de criar vítimas. Está a falar de Sulu Sou? Pode ser um deles. Nesse aspecto, nem sempre tenho visto a comunicação social a ter um juízo muito objectivo. Não sou eu a autoridade para julgar a comunicação social, mas essa vontade de criar vítimas buscando valores que existem, pode levar à queda na área cinzenta e à tendência de se dizer que é a área branca ou preta, sem se ter atenção a este lugar indefinido. A uma acção há uma reacção e às vezes o equilíbrio entre a acção e a reacção não existe. Se uma acção desencadear uma reacção que não seja muito violenta, tendemos a aceitar melhor tanto uma como outra. Quando há desequilíbrio, às reacções desajustadas vêm outras acções também exageradas, e por aí fora. Quanto ao ponto que questionou em concreto, diria que poderia haver, e estou a falar enquanto cidadão, um valorizar mais

as pessoas por aquilo que fazem e não por aquilo que dizem. Sem personalizar, diria que às vezes há certos mitos criados de tanto serem falados. Mas se formos ver com mais cuidado o que essas pessoas fizeram em beneficio ou em favor da sociedade onde estão, chegamos quase à conclusão de que nada fizeram a não ser usar a liberdade de expressão para mostrar que são uns seres superiores e que as suas ideias são a verdade. Ainda relativamente ao caso Sulu Sou. Acha que se trata de uma decisão de que carácter? Não conheço os pormenores, mas admito que esta última decisão que saiu do Tribunal de Segunda Instância definiu com argumentos válidos que a decisão relativamente a Sulu Sou não é meramente administrativa mas sim uma decisão com carácter político e, por isso, é irrecorrível para tribunais. Não cabe aos tribunais julgar e apreciar actos de natureza política. Mas podemos

ver esta questão de outra forma: se todos os requisitos que a própria lei prevê para que aquele acto se consumasse não foram cumpridos, então acho que deveria haver um meio de corrigir. Sem tomar partido em dizer se é um acto administrativo ou político, acabaria por perfilhar a orientação definida pelo tribunal e que merece uma certa credibilidade. Agora, se esse acto político obedeceu totalmente a todos os requisitos ou a todas as formalidades que deveria ter seguido não sei, e se não seguiu, quer seja político ou administrativo, é um acto doente. Acho também que não é com barulho que as coisas se vão resolver, mas

“Os juízes não se devem colocar num poleiro e têm de viver no meio das pessoas a quem têm de aplicar a justiça.”

com bom-senso pode haver forma de corrigir o que esteve mal. Está em discussão a alteração à lei de bases da organização judicial. Um dos pontos que tem causado alguma polémica é a limitação dos julgamentos relativos a segurança nacional, a juízes chineses. O que acha desta restrição? Não me parece que seja uma boa opção. Os tribunais são criados para serem respeitados e para merecerem na sociedade onde existem a confiança de que tudo é tratado com isenção, com elevação, e com a seriedade. Já estive sentado em todos os lados dos tribunais e acho que tenho uma visão do que considero que é um tribunal. O tribunal é um órgão que deve merecer toda a confiança e que está acima de tudo. Os juízes não se devem colocar num poleiro e têm de viver no meio das pessoas a quem têm de aplicar a justiça. Sempre considerei que os tribunais especiais são uma anormalidade nos sistema judiciário. Fiz parte de um tribunal militar, mas na prática sempre fiz e quis que

funcionasse da mesma forma e com a mesma credibilidade de qualquer outro tribunal. Sou avesso a tribunais especializados e, por coerência, sinto que a distinção de juízes capazes de julgar determinadas causas e incapazes de julgar outras, não me parece um opção muito apropriada. Acho mal. Era preferível uma opção mais discreta e sem ferir tanto a opinião pública que ficará sempre com uma certa desconfiança relativamente a este assunto. E relativamente à impossibilidade de recurso para os funcionários de altos cargos julgados pelo Tribunal de Última Instância (TUI)? Já tive oportunidade de dizer que, quer como juiz que fui, quer como advogado, se houve alguma coisa que considerei como um pilar muito importante na administração da justiça é o recurso. Sou sempre apologista de que deve haver a Continua na página seguinte


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possibilidade de recurso. Aprendi que o recurso é um instrumento de correcção necessário na aplicação da justiça. Daí, sinto que o nosso sistema aqui enferma de uma falha: em determinadas circunstâncias, que normalmente são muito especiais e de impacto na opinião pública, não têm direito a uma reapreciação. Nunca percebi e a solução é muito simples. Estamos num território com um superavit que dava para pagar 50 juízes do TUI, mas bastavam mais dois juízes no TUI para podermos criar um degrau a mais para do julgamento colectivo de três e para um pleno de cinco. Já nem pensamos em mais. E até se poderia ir a seis o que permitia  a criação de dois colectivos que iam acelerar o andamento dos processos e, ao mesmo tempo, teríamos um pleno. Penso que isto protegeria a ideia de isenção e de credibilidade necessária para o sistema judiciário. É um passo que espero que seja dado o mais depressa possível por várias razões: assim nunca ficaria a ideia de que teria sido o peso de um factor exterior a afectar dois dos juízes para que uma decisão não seja a mais apropriada. Com

cinco juízes dava lugar a que se repensasse e a mais certezas na decisão. Enquanto juiz, quando via que uma decisão que tomava pudesse vir a ser reapreciada, tinha mais cuidado na explicação das razões da minha opção. O secretário para a segurança, Wong Sio Chak, quer adicionar diplomas complementares à lei da segurança nacional. O que acha da medida?  Não conheço em pormenor quais são os diplomas complementares que ficaram por fazer depois da aprovação da legislação sobre o artigo 23 da Lei Básica. Mas, posso fazer um juízo, que pode ser um pouco precipitado, mas que é fruto dos 20 anos que vivemos com a RAEM. Estamos numa sociedade de paz, de tranquilidade e a forma como esta sociedade se está a comportar, não necessita de ser mais travada. Qualquer que seja o travão, será um pouco inútil e não há necessidade de estarmos a apertar a tarraxa quando já está suficientemente provado que Macau tem um sistema em que as pessoas vivem em paz e harmonia sem criar grandes problemas. Mas fico

“Às vezes, endeusam-se certas pessoas, ou certos pseudo-ídolos, e invoca-se logo a liberdade de expressão para dizer que essas pessoas estão a ser vítimas de repressão e de injustiças.” à espera que se saiba mais acerca desses diplomas complementares para ter uma opinião mais concreta. O que tem a dizer relativamente ao que aconteceu no Festival Literário “Rota das Letras” com o cancelamento da vinda de alguns autores por serem considerados "inoportunos"? Não sei os pormenores desse processo. Se sou partidário de um mínimo de restrições ao direito de expressão, em particular no caso do festival literário, acho que poderíamos entender a situação se houvessem outras razões ou algum perigo. Quando falo de perigo

quero referir-me a alguém que quisesse aproveitar a vinda desses autores para criar alguma comoção social. Acho que não se justificava. Estamos a falar de um evento e de uma apresentação dirigidos a relativamente poucas pessoas e, ainda assim, partiria do princípio que quem fosse assistir seriam pessoas maduras com capacidade de saber ouvir, saber interpretar e, se tivessem de assumir qualquer posição, seriam pessoas com responsabilidade para o fazer. Tenho pena que o “Rota das Letras” possa não ter continuidade e que este episódio tenha sido uma facada muito forte. Mais uma vez acho que estamos a pagar em Macau o que aconteceu em Hong Kong com o “Occupy Central. Estamos a pagar o preço daquela irreverência. Nem sabemos quem está por detrás do que aconteceu. Lembro-me naquela altura, em conversa, me dizerem até que a menina envolvida tinha sido uma activista do partido comunista. Resta saber quem são estes meninos e por conta de quem o estiveram a fazer.  A semana passada foi mais uma vez noticiada a recepção por par-

te de um advogado português de uma sentença em chinês. Como estamos em termos de aplicação do bilinguismo na justiça? Esse é um problema que está ligado à falta de tradutores. Aqui no escritório somos vítimas dessa situação. As duas línguas são oficiais, mas nada diz que se devem usar sempre em simultâneo. Fico satisfeito com o esquema bilingue que os serviços públicos usam, por exemplo. Mas à carência e descuido no que respeita ao mercado de tradutores. O Governo disse que precisava de 200 e ficou com todos, por outro lado paga o dobro a estes funcionários o que impede um mercado a que possamos recorrer com facilidade. Há muitos anos se deveria ter fomentado o mercado da tradução e hoje teríamos uma classe de tradutores a fazerem o seu trabalho. Não podemos exigir que os tribunais façam as coisas em função dos destinatários. Temos é de ter um mercado de tradutores. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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CPTTM Shuen Ka Hung continua como director-geral

HOJE MACAU

quinta-feira 26.4.2018

O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, renovou a comissão de serviço de Shuen Ka Hung, que continua a desempenhar os cargos de vice-presidente e director-geral do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM). De acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, Shuen Ka Hung continua a desempenhar os cargos por mais dois anos, com efeitos desde o passado dia 1 de Abril.

Fundação Macau Peter Lam continua no conselho de curadores

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, assinou um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO) que determina a renovação de Peter Lam como membro do conselho de curadores da Fundação Macau (FM), com efeitos a partir do dia 29 deste mês. Membro do Conselho Executivo desde 2013, o empresário Peter Lam foi também vice-presidente do conselho de administração da FM.

Trânsito Ng e Au recolhem assinaturas contra reconhecimento de cartas

Os deputados pró-democratas Ng Kuok Cheong e Au Kam Sam estiveram ontem à frente do Edifício da Administração Pública, na Rua do Campo, a recolher assinaturas contra o reconhecimento mútuo das cartas de condução entre Macau e o Interior da China. Os legisladores defendem que é necessária uma consulta pública em relação ao assunto. Esta é uma medida que se aplica apenas a condutores de veículos ligeiros, que quando estiverem em Macau, podem conduzir durante 14 dias sem precisarem de qualquer autorização especial. A medida ainda não está calendarizada, segundo o Governo local, mas já existe autorização para o secretário para as Obras Públicas e Transportes assinar o acordo com as autoridades do Governo Central. O Executivo de Chui Sai On tem negado repetidamente que a medida tenha sido uma imposição de Pequim.

CARTAS DE CONDUÇÃO FAOM EXIGE DADOS DETALHADOS SOBRE RECONHECIMENTO MÚTUO

Perigos ao volante

O ex-deputado e director da Federação das Associações dos Operários de Macau, Lee Chong Cheng, adiantou que a entidade vai exigir mais informações ao Executivo sobre o reconhecimento mútuo das cartas de condução entre Macau e o interior da China

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Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) continua a revelar preocupação sobre as consequências da implementação da medida de reconhecimento mútuo das cartas de condução entre o território e o interior da China. À margem de uma conferência de imprensa, que serviu de balanço aos trabalhos realizados o ano passado, Lee Chong Cheng, director dos serviços de defesa dos direitos e interesses da FAOM, disse notar preocupação da sociedade relativamente ao reconhecimento mútuo das licenças de condução entre o continente e Macau. O dirigente associativo revelou que a FAOM vai comunicar mais com o Executivo para exigir mais pormenores quanto à aplicação desta medida na prática. O também ex-deputado à Assembleia Legislativa disse que parte dos residentes manifestou expectativas quanto à possibilidade de poderem vir a conduzir na China, tendo em conta o projecto

da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e o seu desenvolvimento. Lee Chong Cheng adiantou também que há outras opiniões que apontam para a existência de preocupações quanto a uma maior pressão no trânsito do território e facilidade de entrada de trabalhadores ilegais. Para Lee Chong Cheng, as questões têm surgido porque o Governo ainda não divulgou informações suficientes sobre esta questão. “[O reconhecimento mútuo das cartas de condução] aplica-se aos veículos particulares, e não envolve veículos com licença para fins comerciais. No entanto, será que, na prática, esta política pode

ter lacunas e causar dificuldades na sua execução? O Governo não divulgou esta informação, sendo que o sector está muito preocupado”, frisou. O antigo deputado lembrou também que não é aceitável que o Governo não avalie as consequências desta medida.

EMPREGO MAIS DIFÍCIL

Na conferência de imprensa de ontem, Lee Chong Cheng relatou que, no ano passado, a FAOM tratou um total de 1365 casos, relacionados com assuntos laborais, de habitação e de garantias de regalias, que envolveram 3141 indivíduos. Foram ainda apresenta-

“[O reconhecimento mútuo das cartas de condução] aplica-se aos veículos particulares, e não envolve veículos com licença para fins comerciais. No entanto, será que, na prática, esta política pode ter lacunas e causar dificuldades na sua execução?” LEE CHONG CHENG DIRIGENTE DA FAOM

das 653 sugestões ao Governo após as acções de recolha de opiniões dos residentes. O presidente da Associação Geral dos Operários de Construção Civil de Macau, Cheong Man Fun, referiu que, com a conclusão das obras de grande escala em 2017, a taxa de desemprego dos trabalhadores da construção civil tem vindo a seguir uma tendência ascendente. O dirigente adianta ainda que também existe uma dificuldade generalizada na procura de emprego, uma situação que não tem sido revelada com dados estatísticos apresentados pelo Governo, disse. Cheong Man Fun sugeriu, nesse contexto, que o Governo concretize medidas com o objectivo de garantir o emprego dos locais, tais como promover mais obras públicas e analisar o número de obras a decorrer, sem esquecer a revisão do mecanismo de substituição de trabalhadores não residentes (TNR) para decidir o número necessário de pessoas a contratar ao estrangeiro. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo


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26.4.2018 quinta-feira

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NOTIFICAÇÃO EDITAL (notificação de sanção)

Nº: 19/2018

Lai Kin Lon, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT), manda que se proceda, nos termos dos artigos 14.º e 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – “Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho”, conjugados com n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, à notificação dos indivíduos abaixo mencionados para, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, procederem ao pagamento da multa aplicada nas respectivas notificações, devendo nos 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do prazo acima referido entregar nestes Serviços o documento comprovativo do pagamento da multa. 1. Processo n.º 2017/2017:

KEUNG WAI CHUEN (titular de Bilhete de Identidade de Residente de Hong Kong), infractor da notificação n.º IA-282/2018/DIT, aplicada multa de $5 000,00 (cinco mil patacas), nos termos da alínea 2) do n.º 5 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, por ter prestado trabalho na RAEM sem autorização para aqui permanecer na qualidade de trabalhador. 2. Processo n.º 2017/2017: KEUNG WAI CHUEN ((titular de Bilhete de Identidade de Residente de Hong Kong), infractor da notificação n.º IA-283/2018/DIT, aplicada multa de $5 000,00 (cinco mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 5 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, tendo autorização para permanecer na RAEM na qualidade de trabalhador, por ter prestado actividade a empregador diferente daquele para o qual foi autorizado a trabalhar. O infractor poderá, dentro das horas de expediente, levantar a cópia do respectivo despacho, a notificação e a guia de receita eventual para pagamento da multa no Departamento de Inspecção do Trabalho da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, podendo também, mediante requerimento por escrito, consultar os respectivos processos. Decorridos os prazos acima referidos, a falta de apresentação do documento comprovativo do pagamento da multa implica a remessa, nos termos legais, das cópias dos respectivos documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coersiva à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para ser efectuada cobrança coersiva. Nos termos dos artigos 145.º, 149.º e 155.º do CPA, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, o infractor pode impugnar a referida decisão da Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, pelos seguintes meios: a) No prazo de 15 (quinze) dias a contar do dia seguinte ao da publicação do presente notificação edital, mediante reclamação para a Chefe do Departamento de Inspecção do trabalho; b) No prazo de 30 (trinta) dias a contar do dia seguinte ao da publicação do presente notificação edital, mediante recurso hierárquico necessário para o Director dos Serviços para os Assuntos Laborais. A decisão punitiva acima referida não é susceptível de recurso contencioso.

Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 23 de Abril de 2018. O Chefe do D.I.T. Lai Kin Lon

Até que a lei os separe Governo quer implementar crime de casamento falso

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gabinete do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, garantiu, numa resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok, que pretende criminalizar o acto de casamento falso para a obtenção de residência no território, no âmbito da lei de imigração ilegal. Na resposta, é referido que as autoridades já estão a realizar os trabalhos de revisão do diploma. A resposta, assinada por Cheong Ioc Ieng, chefe de gabinete de Wong Sio Chak, adianta que, de acordo com a lei em vigor, os indivíduos que realizam casamentos falsos com o motivo de permanecer ou residir em Macau são acusados de falsificação de documentos, cujas penas de prisão variam entre dois a oito anos. As autoridades estão, por isso, a considerar criar o crime para actos de casamentos falsos. Cheing Ioc Ieng adiantou ainda que foi estabelecido

um mecanismo de cooperação com as regiões vizinhas no que diz respeito aos casamentos falsos, estando a ser feita uma ligação com a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI), para que seja mais fácil obter informações e possíveis indícios da prática deste crime. A chefe de gabinete de Wong Sio Chak acrescentou que são feitas fiscalizações constantes por parte das autoridades policiais de Macau, além de serem verificados possíveis indícios na internet. É também referido na resposta ao deputado que o Governo tem vindo a realizar actividades promocionais de combate a esta prática. A intenção de incluir o crime de casamento falso na lei de imigração ilegal não é nova, uma vez que, já em 2015, o secretário para a Segurança tinha anunciado na Assembleia Legislativa a inserção deste projecto de lei na agenda

de 2016. O deputado Ho Ion Sang alertou para o facto da imigração ilegal ser “uma questão crítica” e ter tendência a “agravar-se”, dada a existência de baixas punições. Em Janeiro deste ano, o Corpo de Polícia de Segurança Pública descobriu um caso de casamento falso que envolve três pessoas. De acordo com o Jornal Tribuna de Macau, um cidadão da China casou-se com uma mulher de Macau para obter a residência. Contudo, a DSI teve conhecimento de que o homem se divorciou de uma outra mulher em 2012, irmã mais nova da esposa de quem se queria divorciar. O suspeito acabou por admitir que o casamento falso teve como objectivo obter mais regalias e um melhor nível de vida, tendo negado o pagamento de dinheiro para esse fim. O caso está a ser investigado e o casal vai responder pelo crime de falsificação de documentos. V.N. /A.S.S.

Relatório anual Macau acusa União Europeia de tecer “levianamente comentários irresponsáveis” O Governo reagiu ontem ao relatório anual da União Europeia (UE), acusando Bruxelas de tecer, “levianamente, comentários irresponsáveis sobre Macau, cujos assuntos concernem à política interna da China”. “O Governo da RAEM expressa a sua resoluta oposição”, diz um comunicado oficial. “A estabilidade política, o desenvolvimento económico, a harmonia social e a garantia dos direitos da população de Macau (...) ultrapassam quaisquer condições alguma vez registadas na história de

Macau”, refere a nota emitida pelo Gabinete do Porta-voz do Governo, apontando que o relatório da UE “ignora tais factos”. Entre outros aspectos, Bruxelas insta Macau a tomar medidas para cumprir as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pede uma aplicação mais rigorosa da lei de combate ao tráfico humano e incentiva a RAEM a ponderar formas de promover um maior envolvimento dos residentes na eleição do Chefe do Executivo e da Assembleia Legislativa.


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quinta-feira 26.4.2018

FM UNIVERSIDADES PRIVADAS RECEBEM 122 MILHÕES DE PATACAS

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Fundação Macau (FM) concedeu um total de mais de 122 milhões de patacas às fundações ligadas a universidades privadas do território para o financiamento de obras de reparação devido à passagem do tufão Hato. Os montantes serviram também para custear projectos das mesmas instituições do ensino superior. Os valores foram atribuídos o ano passado, mas só agora foram tornados públicos, graças à publicação do despacho em Boletim Oficial com os subsídios atribuídos pela entidade relativos ao primeiro trimestre deste ano. No caso da Fundação Católica de Ensino Superior Universitário, entidade que tutela a Universidade de São José (USJ), foi recebida uma tranche superior a 15 milhões de patacas referente à segunda prestação do “apoio financeiro para o plano de actividades referente ao ano lectivo 2017/2018”. Já o financiamento para colmatar os estragos causados pelo tufão Hato no campus da USJ na Ilha Verde foi superior a 13 milhões de patacas, tendo este valor sido atribuído em Dezembro do ano passado. AFundação Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM) recebeu um total de 50 milhões de patacas para “custear o plano de 2017/2018 da UCTM, do Hospital Universitário, da Escola Internacional de Macau e da Faculdade das Ciências de Saúde da MUST”. A fundação da MUST recebeu também 10,3 milhões de patacas para financiar o “projecto de melhoramento das instalações da MUST após a passagem do tufão Hato”. Já a Fundação da Universidade da Cidade de Macau (UCM) recebeu 36 milhões de patacas como “apoio financeiro para custear as despesas com o apoio aos estudos e publicação, actividades pedagógicas, equipamentos e apoio, obras de decoração e subsídios aos estudantes referente ao ano lectivo de 2017/2018”. Ainda no âmbito dos estragos causados pelo Hato, a fundação da Deusa A-Má de Macau recebeu mais de 25 milhões de patacas para custear as “obras de restauração da aldeia cultural deA-Má”.

NEGÓCIOS EMPRESA LIGADA A PILOTO HENRY HO INVESTE NA AUSTRÁLIA

Mel imobiliário

A companhia HoHo Brothers, através do H Group Australia, comprou um edifício de escritórios em Melbourne por 244,4 milhões de patacas. A empresa local tem como accionistas o piloto de Macau Henry Ho e o irmão Jeffrey

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empresa HoHo Brothers, ligada à família do piloto Henry Ho, comprou um edifício em Melbourne por 40 milhões de dólares australianos, o equivalente a 244,4 milhões patacas. O negócio foi noticiado na imprensa australiana e confirmado ontem ao HM por Henry Ho, que não quis fazer mais comentários sobre o assunto. A aquisição foi feita através da empresa H Group Australia, segundo o portal Financial Review, que tem como beneficiário final a empresa familiar de Macau HoHo Brothers. Esta é uma companhia ligada à família Ho, que além de Henry conta pelo menos com mais um accionista, Jeffrey

Ho, irmão do piloto. O principal ramo de actividade dos irmãos, que são filhos do empresário Ho Chun, é o mercado imobiliário. O edifício em causa tem 11 andares com escritórios e, segundo a imprensa australiana, a empresa ligada ao piloto de Macau conseguiu antecipar-se a outras 14 ofertas, provenientes de regiões como Hong Kong, Alemanha, Malásia ou Singapura.

A aquisição foi intermediada pela agência imobiliária de Melbourne CBRE, sendo que o edifício está arrendado durante 10 anos a uma empresa especializada no aluguer de escritórios: a Christie Spaces. Ao portal Macau News Agency, fonte da CBRE Melbourne admitiu que nos últimos tempos foram vendidos três edifícios a compradores de imobiliário,

Esta é uma companhia ligada à família Ho, que além de Henry conta pelo menos com mais um accionista, Jeffrey Ho, irmão do piloto. O principal ramo de actividade do irmãos, que são filhos do empresário Ho Chun, é o mercado imobiliário

incluindo esta operação, por um valor de 250 milhões de dólares australianos, o equivalente a 1,52 mil milhões patacas.

À VENDA EM FEVEREIRO

O edifício de escritórios em Melbourne foi comprado pela empresa com investidores de Macau, depois de ter sido colocado à venda no mês de Fevereiro. Já na altura, os agentes da empresa imobiliário esperam um grande interesse do mercado. “Tendo em conta o apetite pelo mercado de escritórios de Melbourne e a localização do edifício, apontamos para que este negócio desperte um interesse muito significativo entre os investigadores”, afirmou Josh Rutman, agente da imobiliário, na altura em que o edifício foi colocado à venda. Por outro lado, o facto do espaço ter uma renda de 10 anos foi encarado pelos agentes imobiliários como uma vantagem: “Com o mercado de Melbourne a mostrar uma recuperação de volta ao momento de 2007, o facto dos espaços estarem arrendados durante 10 oferece uma oportunidade para os investidores se precaverem contra uma eventual volatilidade no mercado a médio e longo termo”, notou o também agente da CBRE Kiran Pillai. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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S receitas operacionais da Wynn Macau ascenderam a 1,28 mil milhões de dólares norte-americanos, traduzindo um aumento de 27,8 por cento face ao primeiro trimestre do ano passado. As receitas de jogo representaram mais de 86,2 por cento do total, subindo 28 por cento em termos anuais homólogos para 1,10 mil milhões de dólares norte-americanos. Já a empresa mãe, a Wynn Resorts, registou prejuízos líquidos de 204,3 milhões de dólares norte-americanos entre Janeiro e Março, contra lucros de 100,8 milhões de

Wynn a ganhar Lucros líquidos mais do que duplicaram

TIAGO ALCÂNTARA

Os lucros líquidos da Wynn Macau mais do que duplicaram no primeiro trimestre do ano para 227,1 milhões de dólares norte-americanos, anunciou ontem a operadora de jogo

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dólares apurados em igual período do ano passado. Não obstante, as receitas operacionais do grupo cresceram 20,5 por cento para 1,72 mil milhões de dólares norte-americanos. Um aumento que, de acordo com os resultados não auditados do grupo, advém do aumento de 279 milhões de dólares das receitas nas operações de Macau e de 12,8 milhões em Las Vegas. As receitas operacionais da Wynn Macau, que opera dois casinos no território, representaram 74,4 por cento das registadas pela Wynn Resorts no primeiro trimestre do ano. Na videoconferência com analistas após o anúncio dos resultados, o CEO da Wynn Resorts, Matthew Maddox, revelou um plano para remodelar as instalações do Wynn Macau, avaliado em 100 milhões de dólares. “Redefini prioridades e acelerei as oportunidades de investimento”, indicou o mesmo responsável. Matthew Maddox sublinhou ainda que a Wynn Resorts “não está à venda” na sequência da saída de Steve Wynn. O magnata de jogo, de 76 anos, deixou em Fevereiro a liderança e todos os cargos que ocupava no grupo na sequência do escândalo de alega-

dos abusos sexuais nos Estados Unidos. Em Março, o magnata deixou de ter qualquer participação na empresa que fundou. “Como CEO, não estou interessado em olhar pelo retrovisor (...), estou apenas focado no futuro”, afirmou, sublinhando que foram feitos “progressos significativos”. “A administração executiva não tem estado apenas focada em manter e melhorar as operações (...), mas também em reduzir o ruído em torno do nosso negócio”, apontou o CEO da Wynn Resorts. Sobre a aquisição de 4,9 por cento da Wynn Resorts pela Galaxy Entertainment, anunciada no mês passado, Matthew Maddox sinalizou a possibilidade de as duas operadoras poderem trabalhar juntas em busca de oportunidades em novos mercados, apesar de ressalvar que não existe qualquer acordo para o efeito. Com a compra das acções, a Galaxy Entertainment ficou com 4,9 por cento do capital da Wynn Resorts que, por sua vez, detém 72 por cento da Wynn Macau, na qual passa a ter então uma fatia na ordem dos 3,5 por cento.

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quinta-feira 26.4.2018

TERRENOS MACAU WATER RECEBE PARCELAS PARA NOVA ESTAÇÃO DE SEAC PAI VAN

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Governo atribuiu duas parcelas de terreno em Coloane, junto à Estrada do Altinho de Ká Hó, à concessionária Macau Water, para a construção da estação de tratamento de água em Seac Pai Van. A decisão foi ontem tornada pública através de um despacho publicado em Boletim Oficial (BO), sendo que o terreno foi atribuído em regime de arrendamento e com dispensa de concurso público. Foi a própria concessionária que pediu o terreno ao Executivo, “a fim de satisfazer a necessidade de consumo de água nas zonas das ilhas na próxima década”, lê-se no despacho. O requerimento foi apresentado em Agosto de 2015, sendo que o estudo prévio sobre a estação de tratamento de águas foi apresentado à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) no ano seguinte. O despacho publicado ontem em BO determina ainda que “o terreno será aproveitado para a construção de uma estação de tratamento de água, em regime de propriedade única, constituída por nove blocos, com três pisos no máximo. O arrendamento tem a duração de 25 anos.

Terminal Marítimo Nova paragem de autocarros a partir de sábado

TIAGO ALCÂNTARA

É já este sábado que começa a funcionar uma nova paragem de autocarros junto ao Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior. De acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), o objectivo é “aperfeiçoar o espaço de paragem de autocarros e optimizar o sistema de transportes públicos”. É também referido que “com a entrada em funcionamento da paragem, a DSAT irá colocar indicações para orientar os passageiros”. “As operadoras de autocarros também irão enviar pessoal para o local para auxiliar passageiros e manter a ordem”, lê-se ainda no comunicado.

A obra de reparação do mastro usado para içar os sinais de tempestade tem um prazo de execução de 60 dias

FAROL DA GUIA AINDA POR REPOR MASTRO PARA SINAIS DE TEMPESTADE DERRUBADO PELO TUFÃO HATO

Sem sinal à vista

O Farol da Guia continua sem o mastro usado para içar os sinais de tempestade tropical, que se partiu na sequência da passagem do Hato. A obra de reparação deve ser concluída dentro de dois meses, ou seja, em plena temporada de tufões

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Farol da Guia continua sem o mastro usado para içar os sinais de tempestade tropical, derrubado há oito meses pelo tufão Hato. A informação foi confirmada pela Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) ao HM. A reparação, que entretanto foi adjudicada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), vai demorar dois meses. A obra de reparação do mastro foi adjudicada, no início do mês, à Companhia de Engenharia C & S Limitada por 106.100 patacas, o valor mais baixo entre as cinco empresas alvo de consulta escrita

pela DSSOPT. As propostas das cinco empresas, das quais uma acabou por não ser admitida, oscilavam entre 106.100 e 680.000 patacas. Apesar da diferença de preços, todas as empresas propuseram um prazo de execução de 60 dias. Segundo o calendário, a obra de reparação só deve ficar concluída no final de Junho, apesar da temporada de tempestades tropicais ir de Maio a Novembro. De acordo com previsões recentes da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), Macau vai registar entre cinco e sete tufões este ano, devendo o primeiro chegar em meados de Junho.

Os sinais de tempestade tropical são erguidos no Farol da Guia, o mais antigo do Extremo Oriente, para alertar a população da aproximação das intempéries e sobre a sua intensidade. Depois de o mastro se ter partido com o Hato, o tufão seguinte, que chegou três dias depois, o Pakhar, foi o primeiro a atingir Macau sem que ali tenham sido hasteados os respectivos sinais físicos. Um feito único pelo menos nas últimas duas décadas, indicou, na altura, a DSAMA. O Farol da Guia não é, no entanto, o único local onde os sinais físicos são içados em Macau, podendo também ser avistados na Fortaleza do Monte.

A escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10, hasteados tendo em conta a proximidade da tempestade e a intensidade dos ventos. Esse sistema de aviso por código de sinais numerados foi adoptado pela Capitania dos Portos (actual DSAMA) em 1912, “em consonância com os sistemas usados nas zonas costeiras da China e de Hong Kong”, segundo dados constantes do catálogo de uma exposição realizada, em 2014, pelo Arquivo Histórico, subordinada àquele que constitui o “mais comum desastre natural que ameaça Macau”. Mas, nem sempre foi assim. Em tempos idos “o aviso de aproximação dos tufões aos habitantes e gentes do mar era feito com hasteamento de bandeira e com tiros de canhão quando o ciclone caía sobre a cidade”. Novo código de sinais A escala mantém-se, mas desde 12 de Abril encontra-se em vigor uma ordem executiva com um novo código dos sinais de tempestade tropical. A classificação, com base na força do vento máximo sustentável próximo do centro da tempestade tropical, passou de quatro para seis categorias, com a introdução de “tufão severo” (de 150 km/h a 184 km/h) e de “super tufão” (185 km/h ou superior). Diana do Mar

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quinta-feira 26.4.2018

HOJE MACAU

PINTURA EXPOSIÇÃO NA FUNDAÇÃO RUI CUNHA ATÉ 27 DE MAIO

Uma paisagem de aguarelas

“Celebrar na Tela” é o nome da exposição colectiva inaugurada ontem na Fundação Rui Cunha. A mostra, que reúne 30 obras em aguarela, fica patente ao público até 27 de Maio

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AISAGENS figuram como o cenário comum a 30 aguarelas que formam “Celebrar a Tela”, uma exposição colectiva que junta as obras de seis artistas da China, Austrália, Reino Unido e Moldávia. A mostra, inserida nas celebrações do sexto aniversário da Fundação Rui Cunha, fica patente até 27 de Maio. Em exibição encontram-se aguarelas de três pintores da China (Lin Tao, Ping Long e Wu Kemeng), um do Reino Unido (John Hoar), um da Austrália (Hermen Pekel) e um da Moldávia (Eugen Chisnecean). “São artistas com muita qualidade. Têm todos um grande percurso dentro da aguarela”, sublinhou Raquel Dias, coordenadora da área de apoios socioculturais e filantrópicos da Fundação Rui Cunha. Lin Tao foi um dos três pintores que marcou presença na inauguração da exposição colectiva para a qual contribui com cinco aguarelas, sendo a sua preferida uma em que retrata com tintas diluídas em água a paisagem da terra-natal:

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Qingdao. Na tela sobressai o mar azul, onde um barco segue viagem, com as montanhas em pano de fundo. A mensagem por detrás da obra é “a vida em movimento”, explicou o artista de 48 anos, que expõe pela primeira vez os seus trabalhos fora da China continental. Lin Tao chegou a pintar ao estilo ocidental, mas depois encontrou a aguarela e a técnica artística acabou por conquistar o seu “carácter activo”. Hoje é pintor a tempo inteiro numa academia da cidade portuária da província de Shandong, donde é natural. Chega a Macau por via da Associação de Aguarela de Qingdao, entidade com a qual a Fundação Rui Cunha colabora pela segunda vez e que trouxe então três representantes ao território, como explicou Raquel Dias.

ARTE CARIDOSA

Esta associação vai também participar, no sábado, no evento “Arte pela Caridade”, também inserido nas celebrações do sexto aniversário da Fundação Rui Cunha. “Esperamos reunir mais de 100 artistas, sendo

espectáculo do mestre do teatro japonês Tadashi Suzuki é um dos destaques do Festival de Artes de Macau, que arranca amanhã com um programa de 26 espectáculos e exposições, incluindo concertos de fado. Organizado pelo Instituto Cultural, o festival de artes do território decorre este ano sob o tema “Origem”. De acordo com os organizadores, o objectivo é lembrar ao público “o significado essencial da vida”, através de diferentes expressões artísticas. O certame alia produções internacionais, nacionais e locais,

que a Fundação Rui Cunha vai doar 100 patacas por cada artista que aparecer e em seu nome. O dinheiro angariado vai reverter para a Caritas”, indicou a mesma responsável. A iniciativa vai decorrer entre as 9h e as 11h nos Lagos Nam Van.

A exposição “Celebrar a Tela” junta 30 aguarelas de seis artistas oriundos da China, Austrália, Reino Unido e Moldávia Dependendo também da participação, vão ser escolhidas 20 a 30 obras (a serem posteriormente acabadas) que, se os artistas concordarem, vão ser depois leiloadas. As verbas angariadas revertem igualmente para a organização de caridade. Diana do Mar

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Maio em festa

Festival de Artes de Macau arranca amanhã com 26 espectáculos e exposições

e abre com a peça “Das Kapital”, pelo Centro de Artes Dramáticas de Xangai. Trata-se de uma nova versão do clássico de Karl Marx para assinalar o 200.º aniversário do seu nascimento, com elementos próprios do território. Uma das peças em destaque é “Mulheres de Tróia”, do mestre de teatro contemporâneo Tadashi Su-

zuki, sobre a miséria e a desolação do Japão no pós-guerra. Suzuki pertence à primeira geração de directores e dramaturgos japoneses do período pós-guerra. É, também, o fundador da Suzuki Company of Toga e do primeiro festival internacional de teatro do Japão, o Festival Toga. “Pôr-do-Sol nos Estaleiros”, pela Dream Theater Association, que

conta a história da indústria local de construção naval, “Migrações”, do Teatro Experimental de Macau, e “Júlia Irritada”, pelo grupo de Singapura Nine Years Theatre, com base na peça do dramaturgo sueco August Strindberg, são outras peças centrais do cartaz deste ano. Do vasto programa aguarda-se também a adaptação de “O Processo” de Franz Kafka, pela companhia sul-coreana Sadari Movement Laboratory, e os concertos de fado pela Orquestra Chinesa de Macau. A combinar teatro, dança e instalação, o programa apresenta ainda

“Parasomnia” da portuguesa Patrícia Portela, “Murmúrio de Paisagem”, pela Associação de Artes e Cultura Comuna de Pedra, e “As Franjas Curiosas -- Explosão da Caverna”, da coreógrafa local Tracy Wong. Destaque ainda para o teatro em patuá pelo grupo Dóci Papiaçám di Macau, que vai analisar os principais assuntos da cidade em “Qui di Tacho?” (Que é do Tacho?). O patuá macaense, também conhecido como crioulo macaense, é uma língua crioula de base portuguesa formada em Macau. O festival termina a 31 de Maio.


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26.4.2018 quinta-feira

COMÉRCIO EUA VÃO ENVIAR DELEGAÇÃO A PEQUIM PARA DISCUTIR CONFLITO

Pôr água na fervura Donald Trump fala no balanço do comércio externo entre Estados Unidos e China como uma enorme injustiça económica desde as primárias republicanas. Depois de eleito, Trump aumentou tarifas às importações de alguns produtos chineses, manobra que levou a uma conflito comercial. Agora surge a altura de pacificar um conflito que tem destabilizado os mercados financeiros

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Casa Branca vai enviar nos próximos dias à China uma delegação ministerial, chefiada pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, para “chegar a um acordo” no comércio. “Penso que temos uma possibilidade muito grande de chegar a acordo”, disse o presidente norte-americano, Donald Trump, na terça-feira, ao receber o seu homólogo francês, Emmanuel Macron. Trump acrescentou que o presidente chinês, Xi Jinping, que qualifica como “um dos seus amigos”, afirmou, “há quatro dias, que a China ia abrir-se”, deplorando: “De momento, ela não está aberta. Fazem comércio connosco,

“É por isto que vai uma delegação” a Pequim, “a pedido da China […] nos próximos dias”, indicou, acrescentando que seria liderada por Mnuchin. Esta vai ser a primeira viagem do secretário do Tesouro à China, enquanto os seus três antecessores se deslocaram a Pequim nos primeiros meses de exercício do cargo mas nós não fazemos com eles”. O Governo norte-americano impôs tarifas aduaneiras suplementares sobre as importações de aço e alumínio provenientes da China, entre outras.

SENTAR À MESA

Descontente com a dimensão do défice comercial PUB

Auto-Silo de Nam Van Anúncio de Reclamacão dos Veículos Removidos Tendo os veículos abaixo referidos violado o Artigo 36° “Estacionamento abusive nos autos-silos”do «Regulamento do Serviço Público de Parques de Estacionamento» e tendo sido removidos pela nossa empresa para o Depósito dos Veículos Estacionados Abusicamente do Cotai, os seus proprietários devem deslocar-se ao Auto-Silo de Nam Van, para pagar as taxas e realizar as formalidades para a reclamação dos respectivos veículos. Se o veículo não foi reclamado dentro do prazo de 90 dias, é condiderado abandonado. Favor notar que caso o proprietário não reclame o seu veículo, a nossa empresa cobrará as respectivas taxas por via judicial nos termos do Artigo 48° “Constituição do Débito relative taca”do «Regulamento do Serviço Público de Parques de Estacionamento». Caso tenha pagado as taxas e realizado as formalidades de reclamação do seu veículo, deverá ignorar o presente anúncio. N°de Matrícula (Automóveis ligeiros): MJ 81-71、MG 72-89 Para mais informações, ligue 28430036/63222682 COMPANHIA DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E ADMINISTRAÇÃO DE PROPRIEDADES SAN WAI SON LIMITADA

dos EUA com a China e as práticas comerciais chinesas, que classificou como “desleais”, Trump ameaçou reforçar aquela medida com novas tarifas sobre importações chinesas, no montante de 41 mil milhões de euros. “É por isto que vai uma delegação” a Pequim, “a pedido da China […] nos próximos dias”, indicou, acrescentando que seria liderada por Mnuchin. Esta vai ser a primeira viagem do secretário do Tesouro à China, enquanto os seus três antecessores se deslocaram a Pequim nos primeiros meses de exercício do cargo. No domingo, o Ministério do Comércio chinês reagiu com satisfação à viagem. “A China recebeu bem a informação segundo a qual a parte norte-americana deseja deslocar-se a Pequim para realizar consultas sobre as questões económicas e comerciais”, segundo o comunicado que emitiu.

SHENZHEN MAIOR APREENSÃO DE SEMPRE DE COCAÍNA

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polícia chinesa apreendeu 1,3 toneladas de cocaína proveniente da América do Sul, na maior apreensão desta droga alguma vez efectuada no país, anunciaram as autoridades. A polícia da cidade de Shenzhen detiveram dez suspeitos, na sua maioria oriundos da região administrativa especial chinesa de Hong Kong, adjacente a Shenzhen, indicou na terça-feira o serviço de segurança pública da província de Guangdong. O inquérito começou no início de julho de 2017. As autoridades chinesas disseram que esta foi "a maior quantidade de cocaína a ser apreendida no país". A droga é proveniente de um país da América do Sul não identificado

e foi descarregada num porto da província. De acordo com a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, a mercadoria apreendida tinha um valor de mercado de cerca de mil milhões de yuans (130 milhões de euros). A polícia não esclareceu se a droga se destinava ao mercado chinês ou a um país terceiro. O uso de cocaína é reduzido na China, comparativamente a outros estupefacientes. De acordo com um relatório do governo chinês do ano passado, a China tem 2,5 milhões de toxicodependentes. Uma grande maioria consome drogas sintéticas (60 por cento) e opiáceos (38 por cento). A cocaína e a canábis representam apenas 1,4 por cento.

LIBERDADES PEQUIM QUER PROIBIR FARDAS DO EXÉRCITO INVASOR JAPONÊS

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China quer proibir as fardas utilizadas pelo exército japonês na invasão do país durante a Segunda Guerra Mundial, noticiou ontem o jornal China Daily. Tais acções "danificam a dignidade do Estado, ferem os sentimentos das pessoas e criam um efeito negativo na sociedade", disse o vice-presidente do comité constitucional e legislativo do Congresso Nacional Popular, Hu Keming, citado pelo jornal. O Congresso Nacional Popular (mais alto órgão legislativo chinês) vai apresentar a lei, que pretende ainda alargar a protecção à honra dos heróis e mártires de guerra, após vários incidentes causados

por pessoas que vestiram os trajes japoneses, de forma humorística. A lei estabelece ainda penas para aqueles que insultam heróis e mártires, título geralmente dado ao exército chinês durante a guerra contra o Japão, ou em conflitos posteriores, como a Guerra da Coreia (1950-53), ou no conflito com a Índia (1962) ou com o Vietname (1979). Em Fevereiro passado, dois jovens chineses foram detidos na cidade oriental de Nanjing por vestirem uniformes dos soldados japoneses da Segunda Guerra Mundial e posteriormente terem publicado fotografias nas redes sociais. O massacre de Nanjing, antiga capital da China, é um dos episódios mais sangrentos da Segunda Guerra Mundial. Segundo Pequim, cerca de 300 mil pessoas foram assassinadas pelo Exército japonês, durante as seis semanas a seguir à chegada das tropas nipónicas, em 13 de Dezembro de 1937, à cidade de Nanjing, que foi saqueada e destruída.


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quinta-feira 26.4.2018

SEUL CIMEIRA VAI SERVIR PARA VERIFICAR COMPROMISSO PARA DESNUCLEARIZAÇÃO

O valor das palavras

A ministra dos Negócios Estrangeiros sul-coreana afirmou ontem que a cimeira de sexta-feira entre Seul e Pyongyang vai servir para verificar “o compromisso da Coreia do Norte relativamente à desnuclearização” Kang considerou que através da criação de um "regime de paz" (termo usado por Seul para se referir a um hipotético tratado que substitua o atual armistício) será possível restabelecer a cooperação económica entre os dois países, tema que poderá estar presente na cimeira. "Um regime de paz tornará possível a prevenção de potenciais conflitos militares e permitirá uma cooperação económica próspera", explicou.

QUESTÃO NUCLEAR

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OIS dias antes do histórico encontro, Kang Kyung-wha disse esperar que "a cimeira Sul-Norte seja um fórum de discussão do tema da desnuclearização com franqueza e no qual se verifique o compromisso da Coreia do Norte relativamente à desnuclearização", indicou a ministra dos Negócios Estrangeiros a agência de notícias sul-coreana Yonhap. Aresponsável explicou que os principais temas a tratar serão a desnuclearização da península, a

melhoria dos laços intercoreanos e a paz entre os dois países, que se mantêm tecnicamente em guerra desde o final da Guerra da Coreia (1950-53). Seul e Pyongyang não anunciaram uma agenda oficial para a cimeira do Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e do

líder norte-coreano, Kim Jong-un, embora o destaque vá para o tema da desnuclearização e o Sul tenha referido apresentar uma fórmula que ponha fim ao estado de guerra técnica. A cimeira intercoreana vai ser a primeira entre líderes coreanos em 11 anos.

“Espero que a cimeira Sul-Norte seja um fórum de discussão do tema da desnuclearização com franqueza e no qual se verifique o compromisso da Coreia do Norte.” KANG KYUNG-WHA MINISTRA DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS SUL-COREANA

O último projecto de cooperação económica intercoreana foi suspenso por Seul em 2016, em resposta aos ensaios atómicos do regime norte-coreano e, embora o actual governo do liberal Moon Jae-in tenha retomado a ajuda humanitária ao Norte, os níveis actuais de cooperação bilateral continuam a ser muito reduzidos relativamente a épocas anteriores. Kang considerou também que, além de servir como "base para a futura desnuclearização da península", o êxito da cimeira será um roteiro para a futura reunião entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, a primeira entre líderes destes dois Estados. A cimeira entre Kim Jong-un e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não tem uma data, mas deverá realizar-se entre final de Maio e início de Junho.

COREIA DO NORTE ATAQUES AO RELATÓRIO DE DIREITOS HUMANOS DOS ESTADOS UNIDOS

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Coreia do Norte considerou “ridículas” as críticas norte-americanas sobre o respeito dos direitos humanos no país, a poucas semanas do encontro entre o líder norte-coreano e o Presidente dos Estados Unidos. “É realmente ridículo, parece um ladrão a pedir que o ladrão seja preso”, declarou, na terça-feira, a agência de notícias oficial norte-coreana, KCNA. Pyongyang respondeu às críticas apresentando os Estados Unidos como um foco de violações de direitos humanos, comparando a cultura de armas norte-americana a um cancro. Washington autoproclamou-se um "juiz dos direitos humanos", acusou a KCNA, declarando que o “verdadeiro objectivo [dos Estados Unidos] é desintegrar os países que lhes desobedecem e criar pretextos para agressões políticas, militares e económicas". O relatório anual sobre direitos humanos do Departamento de Estado norte-americano, divulgado na sexta-feira, acusou a Coreia do Norte de execuções extrajudiciais, desaparecimentos, detenções arbitrárias, tortura, campos de prisioneiros políticos", "julgamentos injustos", "abortos forçados, tráfico de pessoas" e "negação das liberdades de expressão, imprensa, reunião, associação, religião e mobilidade". Esta resposta norte-coreana surge dois dias antes da histórica reunião entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, que vão reunir-se na parte sul-coreana da zona desmilitarizada, na fronteira entre os dois países.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 18/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 9 de Abril de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Material de Consumo Clínico para o Serviço de Endoscopia Digestiva dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 25 de Abril de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 48,00 (quarenta e oito patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 28 de Maio de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 29 de Maio de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 19 de Abril de 2018 O Director dos Serviços, substituto Cheang Seng Ip

Anúncio Faz-se saber que no concurso público n.o 19/P/18 para a «Prestação de Serviços de Reparação e Manutenção do Sistema de Comunicação e Arquivamento de Imagens Médicas (PACS) aos Serviços de Saúde», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 14, II Série, de 4 de Abril de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 3.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 19 de Abril de 2018 O Director dos Serviços, substituto Cheang Seng Ip


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26.4.2018 quinta-feira

Tenho medo de perder a maravilha diários de próspero António Cabrita

A vaidade e o sexo oral

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ITO: «O Presidente de Uganda, Yoweri Museveni, conhecido pela posição homofóbica, prepara-se agora para proibir a prática de sexo oral no país. Meseveni culpa "os estrangeiros" pela banalização da prática, que considera "muito errada", e revelou que já está a preparar uma campanha, com cartazes e anúncios de televisão, contra o sexo oral. "Deixem-me aproveitar esta oportunidade para lançar um aviso público sobre as práticas erradas (…) A boca é para comer, não é para fazer sexo. Nós sabemos qual é a ‘morada’ do sexo, sabemos onde é que deve ir", defendeu o presidente do Uganda. Em 2014, ano em que introduziu a lei anti-homossexual, o presidente defendeu publicamente que a prática de sexo oral causava lombrigas e outros parasitas.» Uma das lombrigas é a vaidade. Aquela que levou José Sócrates a bradar, ufano e peremptório, contra o Procurador-Geral (numa das infamantes reportagens com que a SIC transformou a justiça em devassa pública) aquilo que o movia: "Eu sou vaidoso (...) a única motivação que encontro para a actividade política é a vaidade, aliás dos políticos em geral. É uma característica humana…". Esta afirmação é uma generalização falaciosa - a vaidade não é uma característica humana virtuosa e digna de ser imitada – e (não é em vão que rima) quase criminosa: alguns milhões votaram nele apesar da vaidade, julgando que o moviam outras qualidades mais misantrópicas. Que, mesmo que coxo, um ensejo de justiça, de regulação de alguns desequilíbrios sociais, lhe fosse prioritário. Constata-se que isso seria apenas a projecção dos inocentes, num país onde tanta gente gosta de exibir um broche de ouro na lapela. A vaidade esquarteja qualquer ilusão e torna compreensivo que Sócrates tenha escorrido, de forma espasmódica, da JSD para a calha socialista. Não foi uma questão de re-focagem ideológica – como com a arquitecta Helena Roseta, ou até com Freitas do Amaral, por honestidade intelectual - mas de oportuna medição do terreno ideal onde a sua vaidade se podia expandir, ter eco, ganhar uma corte. E de facto porque há-de um político ser um espartano? Já é diferente querer ser esperto como um alho para afinal apenas se assemelhar à cebola que se gaba de saber trinchar a lebre e a galinha. O pequeno ensaio de Montaigne que se intitula Da Vaidade das Palavras começa assim (cito de memória), «Dizia um retórico do passado que o seu ofício era fazer que as coisas pequenas parecessem grandes e assim fossem julgadas. Eis um sapateiro que, para calçar pés pequenos se gaba de fazer sapatos com a medida de Hércules». E aqui

engana e lisonjeia, e pior, - pois quem não quer ser Hércules? -, manipula. Alguém que chega ao poder por virtude do muito que foi envaidecendo só pode tornar-se pernicioso. Nem imagino a quantidade de medidas tomadas não porque fossem as mais razoáveis e necessárias mas porque em qualquer disputa de argumentos uma criatura de tal ego quer ter sempre a última palavra! Como acontece com Trump. Quantas vezes, em decisões chaves, se abeirou Sócrates da irracionalidade para alimentar a sensação de que controlava, de que a sua vaidade imperava? A soberba começa devagarinho tal como as tentações foram tomando conta de Giges depois dele ter achado o anel. Giges, sabe-se, é um personagem da República de Platão que um dia achou um anel que ao ser rodado sobre o eixo o tornava invisível. A inesperada graça de ficar invisível tomou conta do seu comportamento e, por estrita curiosidade, começou a ir visitar, na clandestinidade,

as casas dos seus amigos. Rapidamente uma pontinha de inveja acompanhava as suas incursões secretas: ah, aquela cigarreira de prata, belíssima a ânfora de Esmirna, invejável a pulseira da mulher do seu amigo e como era muito mais animado o sexo com ela. Assim, de sexo oral! Giges, até aí considerado o mais recto dos homens, começou a congeminar modo de se apoderar da mulher do amigo e entregou-se aos pequenos furtos. Quem ia notar? O anel apossou-se da alma de Giges, mudou-lhe o carácter. O anel de Sócrates é a vaidade, que ele, inexplicavelmente, julgava invisível ou que camuflava com uma retórica grandíloqua e que por vezes tinha o aspecto de coincidir com o curso das necessidades do país. Afinal, só lhe importava o pavoneio próprio, para além das ideologias. Como tantos outros políticos-espectáculo da mesma igualha. Que triste paradigma a de um horizonte político que só tem por causa a vaidade individual. Os chineses da dinastia

Que, mesmo que coxo, um ensejo de justiça, de regulação de alguns desequilíbrios sociais, lhe fosse prioritário. Constata-se que isso seria apenas a projecção dos inocentes, num país onde tanta gente gosta de exibir um broche de ouro na lapela

Ming tinham um antídoto para aqueles que ambicionavam a vaidade do poder – por exemplo, os grandes almirantes da frota imperial. Castravam-nos. E os seus testículos eram exibidos em relicários nas costas do trono do imperador para que ficasse à vista o que lhes faltava e a fraca proporção do seu poder. A chegada ao poder pagava-se com um sacrifício. Parece-me ser isto um justo preço. Bom, e que se não invalida o sexo oral, o inibe! Outra solução me parecia crucial: que a primeiros-ministros pudessem chegar os menos eloquentes mas melhores preparados tecnicamente. O melhor era até serem mudos. Acabava-se o espectáculo televisivo. No parlamento tudo seria mais ponderado, pois as respostas ao hemiciclo haviam de ter o ritmo lento da escrita numa pequena ardósia. O qual oferece tempo para reflectir, para corrigir, para mudar de ângulo e não ser aquilo que se diz unicamente da boca-para-fora. Brinco e não. Países-da-boca-para-fora (do mais caprichado sexo oral) é o que temos com estes mealheiros da vaidade que nos calharam como líderes de um tempo caprichosamente fútil. Yoweri Museveni tem razão: fora com a lombriga da vaidade! Que cada país leia na exacta proporcionalidade do uso de broches de ouro na lapela dos seus políticos um sinal simétrico de tropeço do seu futuro no fosso do descalabro.


desporto 15

quinta-feira 26.4.2018

O

Benfica de Macau foi ontem derrotado pelo 25 de Abril, numa noite de chuva, no Estádio de Macau por 2-0. A partida contou para a quarta jornada do Grupo I da Taça da Confederação Asiática de Futebol. Com o resultado, os comandados de Bernardo Tavares estão eliminados da competição, tendo agora como objectivo assegurar o segundo lugar do grupo. No lançamento do encontro, o treinador do Benfica tinha deixado o aviso para a qualidade do 25 de Abril. Dentro do campo os norte-coreanos materializaram as palavras do técnico. Ao alinhar num 4-4-2 tradicional, a equipa orientada por O Yun Son, destacou-se pela pressão exercida a partir do ataque, por um futebol rápido, ao primeiro e segundo toques, e pela agressividade na busca da posse de bola. Por sua vez, o Benfica de Macau, que também entrou na partida com um esquema táctico de 4-4-2, mostrou vontade de lutar pelo jogo e deixar uma imagem diferente depois da derrota por 8-0, em Pyongyang. Se nos primeiros 20 minutos as equipas ainda se equilibraram, a partir dessa altura os jogadores do 25 de Abril conseguiram fazer a diferença e assumir o favoritismo, através de uma pressão sufocante. Porém, foi o primeiro golo que acabou por fazer a diferença. Após um canto batido na esquerda do ataque dos norte-coreanos, a bola é cortada já na área e sobra, para um atleta do 25 de Abril, no lado oposto. O jogador aproveita para fazer um no cruzamento, que encontra An Il Bom, sozinho, ao segundo poste. Com Batista desenquadrado do lance, o atacante fez o 1-0. Ainda o Benfica estava a recuperar do golo sofrido, e a equipa cometeu mais um erro. Uma falha na marcação permitiu a Kim Yu Song surgir desmarcado na área, após cruzamento, a cabecear por cima. Esta foi a altura em que as

HWAEPUL VENCE HANG YUEN POR 1-0

N

o outro encontro da jornada, que se realizou ontem em Taiwan, os norte-coreanos do Hwaepul derrotaram o Hang Yuen por 1-0. O golo da equipa que está na luta pelo segundo lugar do grupo com o Benfica surgiu aos 79 minutos, por intermédio de Jon-Chung. Com este resultado, os norte-coreanos somam agora seis pontos e estão em igualdade pontual com os encarnados. As duas equipas defrontam-se na última jornada do Grupo I, em Macau. Recorde-se que no primeiro confronto, na Coreia do Norte, os encarnados ganharam por 3-2.

TAÇA AFC BENFICA DE MACAU DERROTADO POR 2-0 FRENTE AO 25 DE ABRIL

Teoria da inevitabilidade

O dia dos cravos não trouxe surpresas e o Benfica de Macau acabou por não conseguir fazer a revolução diante de uma formação norte-coreana favorita e superior. O resultado deixa a equipa local afastada do sonho de lutar pelo apuramento para a próxima fase da Taça AFC

águias atravessaram o pior momento da partida. Se a situação já não estava fácil, mais complicada ficou quando o árbitro dos Emirados Árabes Unidos, OmarAl-Ali, apontou um penálti, por alegada carga de Nguema sobre um atacante norte-coreano. Apesar do lance parecer forçado e dos protestos encarnados, o árbitro não voltou atrás. Na marcação, An Il Bom não facilitou e rematou a bola colocada para a esquerda de Batista, colocando o resultado em 2-0 e fazendo o segundo golo da conta pessoal.

DIFICULDADES OFENSIVAS

Em vantagem os norte-coreanos focaram-se mais em defender, e o intervalo chegou com um resultado igual ao do jogo entre as equipas na Coreia do Norte, ou seja com o 25 de Abril na frente por 2-0. No segundo tempo, a situação não sofreu grandes alterações, mas o Benfica focou-se mais em certificar que não era novamente goleado, o que criou dificuldades ofensivas. Além dos passes longos

para a frente, que Carlos Leonel não conseguia ganhar por estar muito desapoiado, na altura de sair em jogo construído, a equipa também perdia rapidamente a bola. Já o 25 de Abril limitava-se a gerir o jogo, e a deixar em sentido a defesa encarnada com ataques

O YUN SON “ENCONTRÁMOS DIFICULDADES”

A

pesar da vitória, no final do encontro o treinador do 25 de Abril, O Yun Son, falou em dificuldades e elogiou a prestação dos Benfica de Macau: “Foi a primeira vez que estivemos em Macau, os nossos jogadores fizeram o melhor, mas encontrámos algumas dificuldades”, começou por dizer o técnico. “A equipa do Benfica de Macau não é fraca. Depois do resultado em Pyongyang melhoraram a sua performance, principalmente na vertente defensiva”, apontou.

rápidos conduzidos principalmente por Kim Jong Chol e Ri Hyong Jin. Nesta toada, foi o 25 de Abril que teve as melhores oportunidades de golo. Primeiro, aos 68 minutos, quando Kim Jong Chol teve um falhanço incrível. O avançado apareceu em zona central, à entrada da pequena área, mas enviou a bola por cima. Depois, aos 74, foi o recém-entrado Rim Chol Min a criar muito perigo. Após um canto batido na direita do ataque norte-coreano, o atleta do 25 de Abril surge ao primeiro poste a cabecear. A bola é parada em cima da linha de golo, por Batista, quando tudo indicava para o 3-0. Com as entradas tardias de Iuri Capelo, aos 78, Rafa, aos 85, e Lee Kweng Pan, nos descontos, Bernardo Tavares ainda tentou alterar a situação, mas já não foi capaz. Na próxima jornada, a 2 de Maio, o Benfica desloca-se a Taiwan para defrontar o Hang Yuen, equipa sem vitórias na competição até ao momento. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

BERNARDO TAVARES “NÃO PUDEMOS FAZER A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS”

N

o final do encontro, o treinador do Benfica de Macau mostrou-se satisfeito com a atitude dos jogadores, reconheceu a superioridade do adversário e admitiu que depois da goleada por 8-0 que houve uma maior preocupação defensiva: “O 25 de Abril é uma equipa forte. Por isso, estou contente com a nossa atitude. Tivemos mais atenção defensiva neste jogo, porque sabíamos que eles eram muito fortes ofensivamente”, afirmou. “Ganhou a melhor equipa, que é quem faz os golos. Infelizmente, não pudemos fazer a Revolução dos Cravos, mas temos de dar os parabéns ao adversário”, acrescentou.


16 opinião

26.4.2018 quinta-feira

FOGO A BOMBORDO, FOGO A ESTIBORDO

O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, foi eleito contra toda a expectativa. E, mal eleito, foi objecto de um coro de violentas críticas – não só nos Estados Unidos mas em todo o Mundo. Mal eleito não – ainda antes de ser eleito. Não teve assim direito ao “estado de graça” que é uso conceder a todos os novos governantes até se ver o que efectivamente valem – uma vez que só lhe eram reconhecidas más qualidades. Trump até fazia jeito: num Mundo tão dividido havia ao menos uma personagem, um “palhaço”, de quem todos podiam mofar – sem infringirem as regras do “politicamente correcto”. Entretanto, duvidoso de tanta unanimidade – after all somos todos diferentes – procurei entender o que se passava. Para as “Esquerdas” (especialmente no entender moderno da palavra) Trump era um alvo óbvio: defendia o capitalismo “puro e duro” (como aliás é uso defender naAmérica) – não aceitava o Obamacare - e era rico - culpado portanto pelos sofrimentos dos pobres; era branco e loiro - carregando assim aos ombros os “crimes históricos” da raça branca; era homem - culpado assim do papel menor que até há pouco foi reservado às mulheres. Entre os políticos e intelectuais era desprezado, por não estar preparado para o cargo, e não ser dado a filosofias. E quanto aos seus gostos femininos era óbvio que preferia as Barbies às professoras ou às médicas. Desse lado, portanto, compreendiam-se os ataques – embora para mim seja mais apropriado julgar um político pelas suas medidas, do que pela sua maneira de ser. Mas logo após Trump começou a ser atacado também pelas “Direitas”, sendo um dos seus mais violentos críticos McCain, que não era de forma alguma uma personagem menor: herói de guerra, e antigo candidato republicano à Presidência dos EUA. Esse ataque tomou formas especialmente virulentas: Trump foi acusado de ter perturbações psíquicas, estar vendido à Rússia, e não ter um mínimo de idoneidade moral. Até antigas actrizes de filmes pornográficos foram usadas nesta luta (lembrando a história do vestidinho de Monika Lewinsky). O antigo director do FBI, Comey, lançou-lhe um ataque que é um monumento à hipocrisia: “Trump não está mentalmente incapacitado – está é moralmente incapacitado”.

PROCURANDO ENTENDER

É verdade que para o comum dos cidadãos a descrição das várias facetas da personalidade e episódios da vida de um político se pode assemelhar ao desenrolar de uma telenovela. Mas, em termos históricos, são as medidas defendidas e especialmente os resultados obtidos o que define um político: “Não importa que um gato seja branco ou preto, desde que cace gatos” disse uma vez Deng Xiaoping. E assim para procurar entender os ataques de grande parte da Direita americana a Trump é necessário analisar as medidas por ele defendidas.

MICHELANGELO, THE FALL AND EXPULSION OF ADAM AND EVE IN THE SISTINE CHAPEL

Os quatro pecados mortais

A campanha de Trump baseava-se no slogan “Make America great again” – e concretizava-se em cinco pontos: baixar os impostos, cortando as prestações sociais; limitar o número de emigrantes ilegais na América (expulsando parte deles), e impedir a entrada de mais – pelo que seria construído um muro na fronteira com o México; limitar a emigração de cidadãos de certos países muçulmanos; levantar barreiras alfandegárias a produtos chineses; e tentar um entendimento com a Rússia (com quem as relações estavam esfriadas como consequência da anexação da Crimeia). Ora apenas o primeiro ponto era do agrado das Direitas; as restantes quatro intenções constituíram para as “Direitas” quatro “pecados mortais”.

O ABRAÇO DO URSO

Trump, na sua lógica capitalista, gostaria de favorecer as empresas, baixando os impos-

tos. Ora para tal, uma das medidas (além dos cortes nos gastos sociais) seria baixar um pouco os gastos no campo militar - para o que era indispensável um entendimento com a Rússia. Isto também seria benéfico para a Rússia, em fase de reconstrução depois do buraco em que caiu com o fim do comunismo e a consequente desorganização do Estado. Mas esse aliviar do “estado de guerra” seria uma má notícia para a indústria do armamento. Só a Rússia tem tecnologia que se compare com a dos Estados Unidos – já em 1957 lançaram o primeiro satélite – pelo que só a manutenção de um estado de conflito latente com eles poderia justificar despesas crescentes em investigação e modernização das forças armadas. Assim rapidamente se avançou com a ideia de que a Rússia teria ajudado Trump a ganhar as eleições, que teria havido contactos entre pessoas da sua “entourage” e agentes russos, etc.; e que, quando tais factos se

procuraram esclarecer, Trump havia tentado impedir o prosseguimento das investigações. Esta “teoria”, por um lado ajudava a “explicar” a derrota de Clinton, e por outro lançava sobre Trump, embora sem o dizer expressamente, o labéu de traidor. Ora tudo isto parece um pouco incrível – o país que mais se imiscui na política alheia são precisamente os Estados Unidos; e entre os políticos há estranhas alianças – os inimigos dos meus inimigos meus “amigos” são. Os contactos ou as conversas entre governantes (ou seus assessores) são normais, e muitas vezes secretas – pelo que não faz sentido (excepto em caso de traições propriamente ditas) que sejam objecto de “inquéritos”, para mais por órgãos do Estado. Entretanto, esta campanha já deu os seus frutos – está instalada na população americana e europeia a ideia de que a Rússia é “má” – e, portanto, há que nos defendermos, para o que são necessárias novas e melho-


opinião 17

quinta-feira 26.4.2018

ANTÓNIO SARAIVA

de Donald Trump Pois porque estes constituem na América um manancial de mão de obra barata e sem direitos sociais, dado serem clandestinos. Todos sabemos como em Macau há uma pressão constante para a entrada de mais e mais trabalhadores não residentes para assim baixar os custos de mão de obra.

A “GUERRA ECONÓMICA” COM A CHINA

Outro aspecto alvo de amplas críticas foi o facto de Trump ter decidido taxar uma série de produtos chineses, invocando o desequilíbrio da balança de pagamentos (e possivelmente a vontade de auto-suficiência em matéria militar, embora esse argumento não fosse expressamente referido). A globalização ajudou de facto certos países, mas teve (e tem) a injusta face de pôr a competir empresas em que os salários altos e tem de obedecer a leis ambientais mais ou menos apertadas, com outras de mão de obra barata e regulamentação mais relaxada. A globalização permitiu que produtos pagos a x dólares nos países “pobres”, fossem vendidos a 10 ou 20 vezes mais dólares (e por vezes mesmo a mais) nos países “ricos”, o que deu origem a que enormes fortunas fossem acumuladas – (contribuindo para a actual “economia de casinos”) enquanto aumentava o desemprego nos países anteriormente industrializados. Uma das nações que poderá sofrer com esse protecionismo – indevidamente chamado de guerra – é a China (ao menos no curto prazo, no longo até poderá beneficiar na medida em que aumente a auto-suficiência); mas o certo é que temos que entender que Trump é presidente da América e não da China. Mas os americanos que fazem os tais negócios da China não vão perdoar a Trump estas “aventuras”.

A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

res armas (nos bombardeamentos na Síria experimentou-se a eficácia de novas armas).

O AMIGO ÁRABE

Um dos mais estranhos episódios do início do mandato de Trump foi o de este pretender vedar a entrada nos Estados Unidos a cidadãos de sete países árabes – medida que foi contestada e rejeitada em sede judicial. E estranha porque, nessa mesma altura, aAmérica travava guerras e fazia bombardeamentos em vários países árabes – Paquistão, Iraque, Síria, Qatar, Líbia…- sem que isso parecesse incomodar ninguém (excepto os cidadãos desses países, evidentemente). Que seria pior? Serem alguns residentes proibido de entrar ou ser queimado por uma bomba? Para os media parece que a 1ª hipótese era a mais gravosa. A guerra poderia prosseguir.

OS EMIGRANTES E O MURO

A ideia - actualmente em fase de concretização - da construção de um muro entre o

México e os Estados Unidos para impedir a emigração ilegal foi das que despertou maior coro de protestos contra o actual presidente americano. Nas palavras dos seus opositores a ideia de fazer tal muro

Trump, na sua lógica capitalista, gostaria de favorecer as empresas, baixando os impostos. Ora para tal, uma das medidas (além dos cortes nos gastos sociais) seria baixar um pouco os gastos no campo militar - para o que era indispensável um entendimento com a Rússia

denunciava insensibilidade aos problemas dos mexicanos pobres, que assim deixariam de ter uma hipótese de entrar nos Estados Unidos. Só que…esse muro já existia desde há dezenas de anos, e numa extensão de cerca de mil quilómetros (sendo o proposto por Trump apenas um completamento) – mas mal havia sido notícia, nem havia sido “apontado o dedo” ao ou aos que o havia mandado construir. Outro facto que também evidencia a diferença de tratamentos dado pelos media conforme se trate de amigos ou de inimigos: durante a presidência de Obama foram expulsos muitos milhares de emigrantes ilegais sem que isso fosse notícia, enquanto o simples enunciado dessa hipótese por Trump logo apareceu criticado em parangonas nos jornais. E porque tal ataque à limitação da emigração de mexicanos (e outros sul-americanos)?

Os jornalistas tiveram assim, da parte dos principais meios de comunicação mundial, que estão, como se sabe, na mão dos grandes magnatas, “rédea livre” para atacar Trump – o que era fácil dada a sua figura vagamente caricata (com uma franjinha ridícula, olhos pequeninos e aureolados por papos esbranquiçados), o seu aspecto arrogante, e o seu desamor pelos pobres. Mas esses magnatas deram plena liberdade aos jornalistas pois lhes interessa manter na América milhões de emigrantes ilegais a trabalhar a preços inferiores aos dos trabalhadores “legais”, um estado permanente de guerra larvar com a Rússia para manter a indústria e a investigação militares florescentes, uma globalização da qual arrecadam biliões. Mas esses objectivos, por inconfessáveis, têm de vir mascarados com roupagens de amor pelos desfavorecidos e pela verdade, para que se tornem aceitáveis para o comum do Zé Povinho.


18 opinião

26.4.2018 quinta-feira

bairro do oriente

A liberdade e a escola

Q

UERIA começar por desejar aos leitores do Hoje Macau um feliz Dia da Liberdade. Sim, é verdade que se comemorou ontem, mas é hoje que se completam 44 anos desde o primeiro dia de democracia em Portugal, em que os portugueses passaram a ser fiéis depositários dos destinos do país. Tendo o destino nas próprias mãos, é como em tudo na vida; umas vezes corre bem, outras nem por isso. É à medida que nos distanciamos no tempo da chegada a esse porto feliz que foi o 25 de Abril de 1974, e nos sentimos um pouco à deriva no oceano da fortuna, que por vezes se levantam algumas vozes que questionam se valeu a pena. Ora tudo vale a pena, ó gente de alma pequena. É preciso mais uma vez recordar que a democracia chegou para TODOS, e não para uns quantos, ou alguém em particular. Por isso, muitas vezes nos

atravessam os olhos certos comentários, amplificados pelas redes sociais, de pessoas para quem esta democracia não deu certo – queriam iates, jactos particulares e criados a abaná-los com uma folha de palmeira, pronto – defendendo que “antes estávamos melhor”. Antes da liberdade, que é tão boa mãe que até deixa que se digam horrores dela. No tal “antes”, não se falava nem mal, nem bem. Não se falava. Era só para recordar isto, e aos leitores em Portugal, espero que se tenham divertido no feriado. A Escola Portuguesa de Macau (EPM) assinalou o seu 20º aniversário com um espectáculo no Centro Cultural. Ao contrário do que alguns possam já estar a pensar, não

vou “falar mal”, nem “mandar bocas”. Foi o que foi, pronto. Não era o Cirque du Soleil, e de resto nota-se que a escola fez ali um grande investimento, humano e material, para levar a empreitada avante. Estão todos de parabéns, portanto. Se permitem uma pequena recomendação, se forem realizar um espectáculo de três horas e meia de duração, era muito mais conveniente para todos que tivesse início antes da 7:30 da tarde. Quer dizer, a alma pode estar ali de livre e espontânea vontade, mas o rabo e o estômago não. De resto, e falando de sacrifício “et all”, eu fico feliz que exista a EPM, juro, a sério. É um motivo de orgulho para mim, que sou português e estou radicado em Macau, que

É preciso mais uma vez recordar que a democracia chegou para TODOS, e não para uns quantos, ou alguém em particular. Por isso, muitas vezes nos atravessam os olhos certos comentários, amplificados pelas redes sociais, de pessoas para quem esta democracia não deu certo – queriam iates, jactos particulares e criados a abaná-los com uma folha de palmeira, pronto – defendendo que “antes estávamos melhor”

LEOCARDO

Portugal tenha permanecido no território com a sua vertente educacional e pedagógica, que (e isto daria uma enorme discussão) é melhor que a educação chinesa. Pelo menos em termos de horizontes. O meu filho passou doze anos maravilhosos na EPM (pelo menos nunca se queixou), e só tenho mesmo que agradecer a todos que tornaram isto possível. Agora, não sei se é impressão minha, mas cada vez que escuto responsáveis, ou figuras directa ou indirectamente ligadas à EPM noto um enorme pessimismo em relação ao futuro, e isto numa altura em que a escola está bem e recomenda-se. Não sei porquê, como já disse o problema deve ser meu, mas cada vez que se fala da EPM, é como se estivesse em marcha um plano para tirá-la daqui para fora, para apagá-la, xô! E do presente só oiço falar do “enorme sacrifício e esforço” que tem sido a escola. Sim, é só uma escola, e eu sinto que tem futuro. Ao fim de vinte anos está aqui implantada, veio para ficar, e tem qualidade (e alguns defeitos, claro). A comunidade portuguesa sempre soube disso, e o resto da população começa a ter essa noção, também. Foi um trabalho bem feito, digam o que disserem. A EPM, tal como a democracia, foi feita para todos.


(f)utilidades 19

quinta-feira 26.4.2018

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

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EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” Estudio City Macau

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5 9 3 5 2 7 7 4 8 9 1 6 2 1 4 5 AVENGERS: INFINITY WAR [B] 5 6 9 8 4 8 7 4 3 2 3 1 2 5 6 TOMORROW IS ANOTHER DAY [C] 2 5 7 1 3 4 8 6 7 9 1 9 3 6 8 SALA 1

Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth 14.30, 18.00, 21.00 SALA 2

FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Rau Liu, Bonnie Xian 14.15, 21.30

AVENGERS: INFINITY WAR [B] Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo

6 4 9 8 8 3 2 5 9 7 1 6 3 5 6 9 4 1 7 2 5 8 4 3 2N 9E 3 M1 1 6 5 7 7 2 8 4 2 1 5 4 9 8 7 3 6

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1 9 8 5 6 2 4 7 3

8 4 1 6 6 5 2 3 3 AVENGERS: 8 9 INFINITY 7 WAR 1 7 3 2 SECRET 9 SUPERSTAR 1 6 [B]5 7 9 4 8 4 6 8 9 2 3 5 1 RAMPAGE [C] 5 2 7 4 Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth 16.00

FALADO EM HINDI COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Advait Chandan Com: Aamir Khan, Zaira Wasim 18.45 SALA 3

Um filme de: Brad Peyton Com: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

YUAN

1.28

CRAVOS DO S. DOMINGOS

EXPOSIÇÃO DE DESIGN “HOJE, ESTILO SUÍÇO” Galeria Tap Seac | Até 17/06

3 1 4 7 6 2 5 C 8 9

0.25

VIDA DE CÃO

MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU MAM | Até 13/5

1 5 1 7 4 9 6 2 8 3 1 2 4 8 3 5 7 6 9 Cineteatro 6 7 8 9 4 2 3 5 1

BAHT

1 5 7 2 6 9 8 4 3

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4 2 6 8 5 3 1 7 9

7 4 2 5 3 8 6 9 1

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 2

3 1 5 7 9 6 2 8 4

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5 7 1 9 2 4 3 6 8

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7 6 9 3 4 5 8 1 2

4 2 8 7 1 6 9 3 5

1 4 6 8 5 1 7 9 8 6 4 3 2www. 5

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é de ninguém. Tudo parece perfeito mas há sempre o factor humano, as 6 emoçoes e os imprevistos que suas podem criar. “La Casa de Papel” 5 3morna 2 mas 7 logo 4 aquece 6 1ao começa ponto de não permitir ter os olhos 8a dela. 9 7Sofia2 Margarida 1 5 Mota 4 for

6 2 4 3 1 9 7

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8 2 3 6 2 3 7 4 1 7 5 8 9

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10 4 |7 6 “LA8 CASA3DE 6 PAPEL” ÁLEX1PINA9 7 7 3 2 5 4 1 9 3 9 6 5 7 5 2 4 8 7 5 3 6 1 9 8 4 4 2 7 9 5 6 1 3 8 3 4 5 8 2 6 4 7 3 8 8 3 1 4 2 9 6 9 9 7 1 3 5 1 6 3 9 2 5 2 6 7 5 8 1 6 4

9 9 1 9 22 5 8 6 4 8 4 3 7

5

2 4 7 9 76 5 1 3 98

3 9

7 5 4 8 6 3 2 9 1

PROBLEMA 3

3 5 48 1 4 17 32 6 9

7 2 4 3

2 alguns anos que as manhãs do dia Há 25 de Abril começam com uma ida 7 mais6próximo. à florista no mercado Ontem 8 não foi excepção. Entrei no 4 mercado de S. Domingos e ainda estava a passos3da florista e já a senhora 1 se dirigia a mim com um ramo de cravos 5Sabia 7 que era o dia vermelhos na8mão. deles. Fui buscar7 1 ao5fundo3da memória 9 uma dúzia de palavras em mandarim e 3 8a razão. Ela 2 benzeuperguntei se sabia -se atabalhoadamente e pôs as mãos 9 ao peito como se estivesse a rezar. Pensava 4 que7era um feriado religioso. Disse que não. Perguntou-me então o que se passava nesta altura que8 fazia2 com que muita gente acorresse ao seu quiosque em busca da flor da liberdade, 8 tempo que me empurrava ao4 mesmo com delicadeza para dentro do seu 6dos3 2mui-6 4 Sentou-me 5 9 ao2lado1 quiosque. tos1 cravos 4 que1ali7 3tinha6de reserva. 5Eu,2 3 4 8 de dicionário digital na mão e com a mesma 8 dúzia2 9de palavras, 2 tentei 6 5 9 contar 7 1 um bocadinho do que foi um dia que 1mas6 4do 3 2 1Falei9 não5vivi7 qual 4 sou filha. das canções, 7da ditadura, 9 5 4 2 3 das8flores 9 nas7 mãos do exército. Falei da liberdade e 3 6 4 e5mais4 1 Recebi 9 8um desconto, 7 do seu dia. importante um abraço. Descobri que a 8 9 7 5 1 4 8 5 4 3 liberdade é uma palavra que se entende em9qualquer 2 3língua, 5 mesmo 1 7 dita 6 no8 tom errado. Agradeci por ter este dia 5e por 2 2fazer5 6 partilhar 8 4 9 o poder 3 feliz para livremente. Sofia Margarida Mota

8 9 3 5 8 1 2 6 4 1 7

4 7 5 3 1 4 HOJE 6 2 8 UMA SÉRIE 1 4 2 3 8 9 5 6 Tóquio, 6 8Nairóbi, 9 7Berlim, 2 Moscovo, 5 1 4 Denver, Rio, Helsinquia e Oslo não 5só cidades 1 4 internacionais. 9 7 8 Nesta 6 3 são série são também os membros do 3 liderado 6 7 pelo 2 Professor 5 1 para 4 9 grupo fazer o maior e melhor assalto 2 9 8 6 3 4 7da 1 história. Sem sangue, sem lesados. São 8 as7personagens 5 4 que 1 protagoni3 9 2 zam, a par com a negociadora Ra9 Murillo, 2 1 “La8Casa 6 de7Papel”, 3 5 quel de Álex Pina. O assalto é à Casa da 4 3espanhola 6 5e o9dinheiro 2 não 8 7 Moeda

2 3 9 6 8 1 4 5 7

7 3 6 5 81 79 8 3 92 6 57 4 5

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S U D O K U

TEMPO

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Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


O trabalho persistente vale tudo. Virgílio

PALAVRA DO DIA

Mas o exemplo apontado como mais grave é o da Hungria, onde aliados de Viktor Orban “adquiriram a maioria dos últimos bastiões de jornalismo independente”. O documento afirma por outro lado que estes desenvolvimentos foram “agravados por forças externas”, entre as quais se destaca “o Governo autoritário da Rússia”. “Quando Moscovo planta desinformação nos ambientes mediáticos de países democráticos, aumenta o sentimento do público de que a imprensa não é fiável”, lê-se.

DEMOGRAFIA MAIS DE 181 MIL TNR EM MARÇO

M

ACAU contava 181.345 trabalhadores não-residentes no final de Março passado, mais 1.466 do que no período homólogo, indicam dados oficiais. Comparativamente com os dados do final de Fevereiro de 2018, houve um aumento de 564 trabalhadores não-residentes, de acordo com dados da Polícia de Segurança Pública (PSP) publicados no portal da Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). A maioria dos trabalhadores não-residentes continua a ser da China, com 113.905, seguindo-se as Filipinas (29.367) e o Vietname (15.161). Por outro lado, a indústria de hotelaria, restaurantes e similares empregam a maior parte de mão-de-obra importada, com 51.364, seguidos pela construção, com 30.361. As famílias com empregados domésticos absorvem 27.313 trabalhadores não-residentes, sendo a maioria (14.323) das Filipinas. Os trabalhadores não-residentes ultrapassaram os 100 mil pela primeira vez na história da Região Administrativa Especial chinesa em 2008. No final de 2000, Macau contava com 27.221 trabalhadores não-residentes, em 2005 com 39.411, em 2012 com 110.552, em 2014 com 170.346, em 2015 com 181.646, e em 2016 com 177.638. Portadores do chamado ‘blue card’, os trabalhadores não-residentes só podem permanecer em Macau com contrato de trabalho válido, não possuindo direito de residência.

Religião Papa convida cristãos do Médio Oriente para diálogo sobre a paz

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O papa Francisco convidou os responsáveis cristãos do Médio Oriente para um encontro a 7 de Julho em Bari no sudeste de Itália, no sentido de promover a paz na região, anunciou ontem o Vaticano. “O Santo Padre deslocar-se-á a Bari, janela sobre o Oriente (…), para um dia de reflexão e de orações sobre a situação dramática no Médio Oriente”, precisa um comunicado do Vaticano. Para este encontro ecuménico pela paz, Francisco “convidará os chefes das Igrejas e comunidades cristãs”, adianta o texto. O papa exprimiu por diversas vezes preocupação com a situação no Médio Oriente e na Síria, em particular, assim como com as comunidades cristãs ameaçadas na região. No início de Abril, Francisco lançou um apelo para o fim do “extermínio em curso” na Síria e defendeu a “reconciliação” na ‘Terra Santa’.

quinta-feira 26.4.2018

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Parem as rotativas Líderes populistas ameaçam liberdade de imprensa nas democracias

A

liberdade de imprensa está sob ameaça tanto em grandes democracias como em Estados repressivos, com desenvolvimentos preocupantes nos Estados Unidos, Polónia Hungria e França, entre outros, segundo um relatório anual divulgado ontem. O relatório “Ataques ao vivo: O estado da liberdade de imprensa no mundo 2017-2018”, da organização não-governamental Freedom House, destaca “a ameaça às democracias” que representam os políticos populistas, mas também “o poder

do jornalismo”, que continua a ter “um papel vital mesmo nos ambientes mais hostis”. “Há apenas cinco anos, a pressão global sobre os ‘media’ não parecia afectar os Estados Unidos ou as democracias instituídas da Europa de nenhuma maneira significativa”, lê-se no documento. “Hoje, líderes populistas representam uma importante ameaça à liberdade de expressão nestas sociedades abertas”, acrescenta, frisando que “uma imprensa que denuncia as falhas dos governos é fundamental ao funcionamento de todas as democracias”.

O relatório dá exemplos: a Polónia, onde o regulador multou o canal TVN24 em 350.000 euros por “promover actividades ilegais” com reportagens sobre protestos antigovernamentais. França, onde um jornalista que questionou a líder da extrema-direita Marine Le Pen sobre desvios de fundos do Parlamento Europeu foi agarrado e agredido por um segurança, e os Estados Unidos, onde o Presidente Donald Trump critica e ameaça regularmente jornalistas ou grupos de comunicação por notícias que não lhe agradam.

Na segunda parte, o relatório apresenta casos em que o jornalismo desafiou interesses poderosos para informar a opinião pública, entre os quais a denúncia de ligações à máfia de importantes figuras do Hoverno na Eslováquia, dos escândalos de corrupção que marcaram o mandato de Jacob Zuma e ditaram a sua demissão da presidência da África do Sul ou da repressão dos homossexuais promovida pelo Estado russo. O documento identifica ainda países aos quais o mundo deve estar atento em termos de liberdade de expressão: Cuba, Irão, México, Polónia, Tunísia, Uzbequistão ou Zâmbia. E Espanha, onde a ONG registou um aumento das condenações ao abrigo da legislação antiterrorista de uma série de pessoas por “declarações controversas”, o que “suscita a preocupação de autocensura neste país em tudo o resto democrático”. O documento baseia-se nos mais recentes relatórios da organização sobre Liberdade no Mundo e Liberdade na Internet e nos projectos que desenvolve em vários países.

INDONÉSIA 18 MORTOS EM INCÊNDIO NUM POÇO DE PETRÓLEO ILEGAL

P

ELO menos 18 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas ontem no incêndio num poço de petróleo ilegal no oeste da Indonésia, anunciaram as autoridades num novo balanço, advertindo que este ainda poderá aumentar. O incêndio foi provocado por uma fuga de petróleo durante a noite, cerca das 01:30, num

bairro residencial da província de Aceh, na ponta norte da ilha de Sumatra. Várias casas ficaram destruídas. “Ainda não conseguimos controlar o incêndio”, declarou Syahrizal Fauzi, responsável pela delegação local da agência de gestão de catástrofes. “Não sabemos se existem outras vítimas,

porque não nos conseguimos aproximar”, adiantou. As autoridades divulgaram inicialmente um balanço de 10 mortos e cerca de quatro dezenas de feridos graves, sendo que oito dos hospitalizados morreram. “Pessoas estavam a cavar no poço quando começou um incêndio, provocando uma explosão”, explicou um porta-

-voz da polícia nacional, Setyo Wasisto. O leste de Aceh tem numerosos poços de petróleo, muitos explorados ilegalmente. Os incêndios mortais durante actividades ilegais não são raros na Indonésia, país com 260 milhões de habitantes onde as regras de segurança são frequentemente negligenciadas.

Hoje Macau 26 ABR 2018 #4039  

N.º 4039 de 26 de ABR de 2018

Hoje Macau 26 ABR 2018 #4039  

N.º 4039 de 26 de ABR de 2018

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