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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 26 DE MARÇO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4019

JOGO

LEI DO HINO

CHINA

PCC controla de cima a baixo

Dívidas pesadas, públicas virtudes

ÚLTIMA

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Galaxy compra Wynn

Secretária desdramatiza

SHUTTERSTOCK

hojemacau

Um olhar distanciado

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PORTUGAL GARANTE SEGUIR O QUE SE PASSA EM MACAU

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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O caso Rota das Letras não passou despercebido à Assembleia da República. E o MNE referiu que os “nossos amigos chineses” sabem que sistema deve vigorar em Macau.

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2 grande plano

“O lado chinês apela ao lado norte-americano para que atenda as preocupações do lado chinês o mais depressa possível”, afirmou o ministério do Comércio chinês, exortando ao diálogo para “evitar danificar a cooperação” entre os dois lados

ministério do Comércio chinês instou Washington a negociar uma solução para o conflito sobre as tarifas decretadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre as importações de aço e alumínio oriundos da China. Num outro comunicado, o ministério criticou também a decisão de Trump de aprovar uma possível subida das taxas alfandegárias sobre produtos tecnológicos chineses, numa retaliação contra a alegada fraca protecção dos direitos de propriedade intelectual por Pequim. O ministério chinês classificou aquela medida como “proteccionista”. A China está a estudar um aumento de 25 por cento nas taxas alfandegárias sobre o porco e alumínio norte-americanos, em retaliação pelo aumento no mesmo valor decretado por Trump sobre o aço oriundo do país. Uma segunda lista de produtos norte-americanos afectados inclui vinho, maçãs, etanol e tubos de aço, em retaliação pelo aumento de 15 por cento dos impostos sobre as importações de alumínio chinês. O ministério detalhou que, no conjunto, a China comprou três mil milhões de dólares daqueles produtos aos EUA, no ano passado. Isso seria o equivalente a menos de 1 por cento do valor total das importações chinesas de bens norte-americanos, e muito aquém do montante afectado pela ordem de Trump, que irá permitir a imposição de taxas mais altas a bens tecnológicos chineses. Associações de empresários dos EUA alertaram Trump para os efeitos negativos sobre a economia e exportações do país. As empresas

STRA TION

os impostos sobre as importações de vários produtos americanos, nomeadamente porco e vinho, entre outros, que em 2017 representaram três mil milhões de dólares nas compras a Washington, em retaliação a medidas similares dos Estados Unidos

A ENTRADA DO PORCO O

GUERRA COMERCIAL ENTRE CHINA E EUA AMEAÇA ESTABILIDADE DA ECONOMIA GLOBAL

K ILLU

aumentará

PLANETA

STOC

O suíno americano poderá ter conhecido melhores dias. É que a China anunciou que

26.3.2018 segunda-feira

“Estamos em desacordo, entendemos que a economia internacional precisa não de proteccionismo, mas sim de comércio, e esse desacordo com os Estados Unidos é conhecido.” AUGUSTO SANTOS SILVA MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DE PORTUGAL


grande plano 3

segunda-feira 26.3.2018

temem que a disputa comercial evolua numa lógica de “dente por dente”, que poderá afectar o comércio mundial.

HAJA JUÍZO

Na terça-feira, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, apelou a Washington para que “aja racionalmente”, afirmando que Pequim “não quer uma guerra comercial”. O aumento das taxas sobre o alumínio e aço têm pouco impacto para a China, visto que apenas uma pequena fracção das exportações

chinesas daqueles produtos têm como destino os EUA. Mas analistas dizem que o país se sentirá obrigado a retaliar, para evitar parecer fraco numa disputa ao mais alto nível. O ministério do Comércio chinês afirmou que taxas alfandegárias mais altas “prejudicam gravemente” o sistema comercial global e rejeitou a afirmação de Trump, de que estas são necessárias para proteger a segurança nacional. “O lado chinês apela ao lado norte-americano para que atenda as preocupações do lado chinês o mais depressa possível”, afirmou o ministério, exortando ao diálogo para “evitar danificar a cooperação” entre os dois lados. Pelas contas do Governo chinês, no ano passado, a China

OMC FALA EM PERIGO GLOBAL

O

director da Organização Mundial do Comércio (OMC) advertiu que as novas barreiras aduaneiras põem “em perigo a economia mundial”, quando Pequim e Washington mantêm um braço de ferro comercial. “A desestabilização dos fluxos comerciais vai pôr em perigo a economia mundial num momento em que a recuperação económica, apesar de frágil, é cada vez mais evidente no mundo inteiro”, afirmou Roberto Azevedo, numa declaração escrita, sem mencionar qualquer país. “Lanço um novo apelo à moderação e a um diálogo urgente, o melhor caminho a seguir para resolver estes problemas”, acrescentou. A decisão unilateral, anunciada pelos Estados Unidos no passado dia 8, de impor taxas de 25 por cento às importações de aço e de 10 por cento às de alumínio relançou o espectro de uma guerra comercial. Esse risco aumentou na quinta-feira, quando a Casa Branca anunciou que pretende impor tarifas a importações chinesas que podem atingir os 60 mil milhões de dólares anuais, enquanto Pequim ripostou ameaçando as exportações norte-americanas, nomeadamente o sector da fruta. Washington anunciou, também na quinta-feira, que vai lançar um processo contra a China junto da OMC, acusando Pequim de “infringir os direitos de propriedade intelectual” das suas empresas. Roberto Azevedo referiu ainda que as negociações entre China e Estados Unidos devem ser feitas no seio da OMC, uma vez que este é um tema que poderá trazer ramificações globais. “Acções tomadas fora destes processos colectivos aumentam, em larga escala, o risco de escala de confrontos que não terá qualquer vencedor e que poderá colocar em causa a estabilidade da economia mundial”, comentou.

registou um superavit de 275,8 mil milhões de dólares no comércio com os Estados Unidos. As contas de Washington fixam o superavit chinês ainda mais acima, em 375,2 mil milhões de dólares. Já a ordem dirigida aos produtos tecnológicos chineses resulta das queixas de Washington sobre as práticas da China na área da propriedade intelectual.

Os EUA acusam Pequim de exigir indevidamente que as empresas estrangeiras transfiram tecnologia, em troca de acesso ao mercado chinês. Várias empresas, incluindo fabricantes de automóveis que querem operar na China, são obrigadas a trabalhar com parceiros locais, o que implica transferirem tecnologia para potenciais competidores.

BOLSAS A PIQUE

A possibilidade de uma guerra comercial entre Pequim e Washington abalou as praças financeiras em todo o mundo. O índice japonês Nikkei 225 abriu a cair 3,5 por cento, enquanto a bolsa de Xangai, principal praça financeira da China, recuou 3,1 por cento na abertura. O dólar norte-americano desvalorizou para 104.85 yen, à medida que os investidores compram moeda japonesa, considerada mais segura. Em Hong Kong o mercado bolsista sofreu uma desvalorização de 2,45 por cento, enquanto que o CSI300 de Xangai recuou 2,86 pontos percentuais. A praça de Seul, Kospi, registou uma queda de 3,37 por cento. Na Austrália, a descida foi de quase 2 por cento.

“A desestabilização dos fluxos comerciais vai pôr em perigo a economia mundial num momento em que a recuperação económica, apesar de frágil, é cada vez mais evidente no mundo inteiro.” ROBERTO AZEVEDO DIRECTOR DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO

Atendência de queda verificou-se igualmente nos mercados bolsistas europeus. Em Londres, o FTSE 100 caiu quase um por cento, prosseguindo a rota descendente até ter atingido o mais baixo nível dos últimos 15 meses, e uma perda de valor de dez por cento desde o último pico verificado no final de Janeiro. As bolsas alemã e francesa também caíram 1,8 por cento, apesar de com a medida de aumento de tarifas de produtos chineses ter beneficiado os países da União Europeia que ficaram, temporariamente, isentos de pagamento das tarifas sobre a importação de aço norte-americano. Washington pretende isentar ainda o Canadá, México, Austrália, Argentina, Brasil e Coreia do Sul.

PORTUGAL “O MUNDO JÁ ESTÁ CHEIO DE GUERRAS...”

O

ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, criticou a imposição de barreiras alfandegárias por parte dos EUA, considerando que o “mundo já está cheio de guerras para comprar agora uma guerra comercial”. “Entendemos que o erguer de novas barreiras alfandegárias ao comércio internacional tem um custo para todos”, disse Augusto Santos Silva. “Estamos em desacordo, entendemos que a economia internacional precisa não de proteccionismo, mas sim de comércio, e esse desacordo com os Estados Unidos é conhecido”, disse Santos Silva à Lusa, à margem de uma conferência no ISEG sobre o financiamento da Nova Rota da Seda. “Os norte-americanos decidiram conceder isenções a diferentes aliados, incluindo a União Europeia, mas entendemos que o erguer de novas barreiras alfandegárias ao comércio internacional tem um custo para todos”, vincou o governante.

À margem de uma cimeira em Bruxelas, Theresa May mostrou-se satisfeita com a isenção e revelou estar em conversações com outros líderes europeus no sentido de tornar a medida permanente. “Vamos discutir quais os próximos passos a tomar. Fiquei nesta negociação porque a indústria do aço é muito importante para o Reino Unido e o Governo britânico e quero assegurar os empregos dos trabalhadores do sector”, disse a Primeira-ministra britânica. Robert Carnell, que dirige o departamento de investigação do grupo financeiro ING Ásia-Pacífico em Singapura, prevê um final complicado para a guerra comercial que se perfila. “Se a medida do aumento das tarifas for para a frente, acreditamos que a China irá retaliar, e depois os Estados Unidos também vão responder. Isto tem potencial para se tornar muito feio à escala global num curto espaço de tempo”, comenta. Hoje Macau com agências info@hojemacau.com.mo


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ANTÓNIO COTRIM / LUSA

26.3.2018 segunda-feira

ROTA DAS LETRAS PRESIDÊNCIA DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA AFIRMA PRESTAR ATENÇÃO A MACAU

Atenção ocidental

O gabinete de Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República portuguesa, recusa a ideia de que não existe “um acompanhamento regular da situação” de Macau. Ainda assim, o Grupo de Amigos de Macau, com cariz informal, deixou de existir. Sobre o caso Rota das Letras, ministro dos Negócios Estrangeiros português disse que “China sabe qual o sistema que deve vigorar em Macau”

É

certo que a sétima edição do festival literário Rota das Letras chegou ontem ao fim, mas o caso da suspensão dos três escritores cuja visita ao território não seria oportuna continua a gerar reacções. Depois das declarações do ex-deputado e historiador Rui Tavares, sobre a necessidade da Assembleia da República (AR) prestar mais atenção à RAEM, eis que o gabinete do presidente do parlamento português, Eduardo Ferro Rodrigues, garantiu ao HM que nunca houve esquecimento face a Macau. “O gabinete de imprensa do presidente da AR está em condições de lhe adiantar que, em relação a Macau, não se confirma que ‘não haja um acompanhamento regular da situação’”, disse apenas

o assessor José Pedro Pinto. Ferro Rodrigues não pôde responder às restantes questões colocadas pelo HM por se encontrar a recuperar de uma cirurgia. Apesar disso, o HM confirmou junto do deputado Vitalino Canas, ligado ao Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China, que o Grupo de Amigos de Macau, criado pela ex-deputada do Partido Social Democrata (PSD) Mónica Ferro, deixou de existir. Este grupo existia de forma informal na AR e desconhecem-se as razões para o seu fim. O HM questionou Mónica Ferro sobre este assunto, mas não recebeu qualquer resposta. O deputado à Assembleia Legislativa José Pereira Coutinho sempre esteve ligado a esta iniciativa, na qualidade de membro do Conselho das Comunidades

Portuguesas, tendo adiantado que o grupo chegou mesmo ao fim por “desinteresse de ambas as partes”. Em 2013 o jornal Ponto Final escrevia mesmo que responsáveis governamentais de Macau teriam

“O gabinete de imprensa do presidente da AR está em condições de lhe adiantar que, em relação a Macau, não se confirma que ‘não haja um acompanhamento regular da situação.’” ASSESSORIA DE FERRO RODRIGUES PRESIDENTE DA AR

dito a Mónica Ferro que haveria um certo incómodo pela existência deste grupo, criado em 2012. De acordo com o jornal, os assuntos de Macau, sendo uma região administrativa especial chinesa, deveriam ser “tratados através do Grupo de Amizade Portugal-China, que tem uma existência formal e reconhecida por Pequim. Nas entrevistas que deu em Macau, Rui Tavares, convidado do festival Rota das Letras, defendeu um maior acompanhamento da parte da AR, com a criação de uma comissão especializada e elaboração de relatórios anuais sobre a implementação prática da Declaração Conjunta e da Lei Básica.

SANTOS SILVA REAGIU

Entretanto, e de acordo com a agência Lusa, o ministro dos Negócios

Estrangeiros de Portugal, Santos Silva, disse que “a China sabe qual é o sistema que deve vigorar em Macau”, comentando a polémica à volta da retirada do convite a três escritores. “Os termos são muito claros, e foram acordados entre Portugal e a China para a passagem de Macau para a plena soberania chinesa; seguem estritamente o princípio ‘um país, dois sistemas’, e todos os nossos amigos chineses sabem bem qual é o sistema que deve vigorar em Macau”, disse o chefe da diplomacia portuguesa aos jornalistas, à margem de uma conferência sobre a Nova Rota da Seda, que decorreu em Lisboa. O Ministério já tinha reagido ao caso Rota das Letras através de uma resposta escrita enviada ao nosso jornal. “O Festival Literário de Macau, Rota das Letras, é uma iniciativa muito meritória da sociedade civil da Região Administrativa Especial de Macau, que conta com o patrocínio do Instituto Português do Oriente, com o objectivo de desenvolver a cultura e a promoção dos escritores”, pelo que se “lamenta a eventualidade do cancelamento desta iniciativa”, frisou ao nosso jornal. Andreia Sofia Silva (com D.M. e Lusa) andreia.silva@hojemacau.com.mo


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segunda-feira 26.3.2018

Letra fraca

LEI DO HINO SÓNIA CHAN PROMETE QUADRO PENAL SEM GRANDES MEXIDAS

Agua na fervura ´

O

jurista Paulo Cardinal considera que “tem havido violações à Lei Básica”, enquanto o historiador Jorge Morbey nota uma “certa apetência” para se “cilindrar o segundo sistema”. Leonel Alves defende que os ataques contra o Estado de Direito e o desrespeito por direitos fundamentais vão contra a vontade de Pequim. Os três estiveram reunidos num debate, organizado pelos canais portugueses da TDM, a propósito dos 25 anos da promulgação da Lei Básica. “É importante constatar que tem havido violações à Lei Básica, que tem havido deturpações do princípio do alto grau de autonomia” e “ao nível dos direitos fundamentais”, afirmou Paulo Cardinal, defendendo uma “atitude de resiliência” face ao ataque “a várias das promessas” feitas na Declaração Conjunta e também na Lei Básica. Leonel Alves também afirmou que a Lei Básica, que “não é uma dádiva que caiu do céu”, “tem que ser defendida”. “Aqueles que, em nosso nome, exercem o alto grau de autonomia, devem lutar pela concretização efectiva desse alto grau de autonomia”, advogou o ex-deputado e membro do Conselho Executivo, para quem “todos os agentes políticos envolvidos na Região Administrativa Especial de Macau têm essa obrigação”. Com efeito, na perspectiva de Jorge Morbey essa obrigação não está a ser cumprida. “Sinto uma certa apetência, no próprio meio chinês, para se cilindrar o segundo sistema. Não é por acaso que, por exemplo, a nova vaga de deputados nomeados na Assembleia Legislativa parece transparecer uma certa ansiedade, uma certa pressa em que esta coisa do segundo sistema se apague e passemos todos a fazer como se faz na Mãe Pátria, a China”, avaliou o historiador.

ROTA DAS LETRAS DIVIDE

Durante o debate foi abordada em concreto a polémica em torno do Festival Literário de Macau – Rota das Letras, um assunto que

divide. “Eu não penso que houve qualquer violação da lei, porque eles não intimaram, não notificaram, não usaram de qualquer poder que afectasse o poder do Executivo de Macau”, afirmou. O historiador referia-se à indicação informal por parte do Gabinete de Ligação à Rota das Letras de que a vinda de três escritores era inoportuna, como indicou o director do Festival Literário, Ricardo Pinto. “Houve um contacto intitulado de oficioso” em que deram “a sua opinião”, relativizou o historiador. Paulo Cardinal discorda: “Situações como esta da Rota das Letras (...) partem sempre de um princípio, que é: censura ou não. Se há censura, é negativa. Segundo ponto: a censura vem de A ou vem de B? É grave de qualquer local de onde ela provenha. O Gabinete de Ligação não pode nunca ser entendido como alguém que, numa conversa de café, diz: Ricardo ou Hélder Beja, vê lá se não trazes aqueles dois ou três”. “Para além da censura, se é o Gabinete de Ligação – que não sei se foi ou não –, mais grave ainda se torna porque há uma violação, um desrespeito pela Lei Básica”, argumentou. O jurista deu ainda outros exemplos, como o da Comissão Eleitoral que, a seu ver, “agiu impunemente”, com “demasiadas” posições a violarem preceitos da própria lei eleitoral, da liberdade de imprensa, da lei de reunião e manifestação e “violando também o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, a Declaração Conjunta e, por último, o capacete da Lei Básica”. Já no plano da justiça, Paulo Cardinal falou do caso do deputado Sulu Sou para defender que os tribunais têm o dever de se pronunciar. “Mesmo que seja um acto político, esta ideia de não sindicância tem de ceder perante a defesa dos direitos fundamentais e perante a defesa do Estado de Direito”, disse o jurista que abordou também o caso do antigo Procurador, Ho Chio Meng, “um exemplo do não fazer justiça”.

de respeito. Por favor, não tenham receios infundados”, complementou. No mesmo dia, o gabinete da Secretária para a Administração e Justiça reagiu “à opinião de uma personalidade da área jurídica”, que discorda da revisão da lei do hino, argumentando que se trata “de uma responsabilidade que a RAEM tem de assumir”. A reacção surgiu um dia depois de o presidente da Associação dos Advogados, Jorge Neto Valente, ter comentado o tema. “Alguém já em Macau cometeu alguma indelicadeza ou descortesia quanto à lei do hino? É preciso perseguir criminalmente as pessoas que não têm educação e sentidos patrióticos? Eu acho que não é preciso. Não precisamos de ter uma lei para tudo e mais alguma coisa”, comentou, citado pela Rádio Macau.

GCS

Jurista Paulo Cardinal diz que “tem havido violações à Lei Básica”

“Se, por ventura, o hino estiver a passar na televisão, não vai ser preciso que as pessoas se levantem em sinal de respeito.” SÓNIA CHAN SECRETÁRIA PARA A ADMINISTRAÇÃO E JUSTIÇA

A Secretária desdramatiza a Lei do Hino: “É uma responsabilidade que a RAEM tem de assumir”, explica

A

garantia foi deixada pela Secretária para a Administração e Justiça: a revisão da lei de utilização e protecção da bandeira, emblema e hino da China não prevê “grande alteração em termos de penalização”. A revisão da lei, que se encontra em vigor desde 1999, “centra-se essencialmente nas ocasiões e cerimónias

protocolares onde se toca e canta o Hino Nacional assim como nas no içar da Bandeira Nacional”, afirmou Sónia Chan, na sexta-feira, à margem de uma actividade comemorativa do 25.º aniversário da promulgação da Lei Básica. A versão preliminar, elaborada pelo Governo para coordenar a implementação da Lei do Hino Nacional, encontra-se actualmente “em procedimento legislativo interno a ser concluído em Abril ou Maio”. Este deveria ter terminado em Janeiro, segundo o calendário inicialmente previsto. “Não é uma lei radical como as pessoas pensam”, afirmou Sónia Chan, em declarações reproduzidas pela TDM. “Se, por ventura, o hino estiver a passar na televisão, não vai ser preciso que as pessoas se levantem em sinal

A Lei do Hino Nacional da China foi promulgada no final do ano passado por Pequim. Em Novembro, a Assembleia Popular Nacional (APN, parlamento chinês) aprovou a sua inclusão nos anexos das Leis Básicas de Macau e de Hong Kong, que regulam as leis nacionais a aplicar nas duas regiões administrativas especiais. Segundo a proposta relativa à aplicação da Lei do Hino Nacional em Hong Kong, recentemente divulgada, quem “publicamente e deliberadamente alterar as letras ou as notas”, cantar de “forma distorcida ou depreciativa” ou insultar “de qualquer maneira” o hino chinês será punido com multa de até 50.000 dólares de Hong Kong e pena de prisão de até três anos. A versão inicial do diploma impõe também às escolas do ensino primário e secundário da antiga colónia britânica que ensinem o hino aos alunos. O hino chinês, composto nos anos 1930 e conhecido como a “Marcha dos Voluntários”, foi elevado ao seu estatuto actual após a instauração da República Popular em 1949, ainda que durante a Revolução Cultural tenha sido proibido e substituído pela popular melodia “O Leste é Vermelho”, que exalta Mao Tsé-Tung. D.M.


6 política

As incompreendidas GCS

DEPUTADO DA FAOM CLAMA POR TRANSPARÊNCIA NAS EMPRESAS PÚBLICAS

26.3.2018 segunda-feira

As empresas com capitais públicos, como a Macau Investimento e Desenvolvimento, a TDM ou a CAM estiveram debaixo do fogo dos deputados na sexta-feira. No ano passado, as 14 empresas com capitais público tiveram um investimento de 6,8 mil milhões. Lionel Leong responde que os objectivos são outros

O

deputado Leong Sun Iok está preocupado com as empresas públicas e exige uma maior transparência face aos 6,8 mil milhões de patacas investidos só no ano passado. No plenário da Assembleia Legislativa, o deputado apoiado pela Federação de Associações dos Moradores de Macau (FAOM) considerou que estas empresas, assim como um associação incluída nas contas, cuja identidade não foi revelada, que constituem um perigo devido à falta de fiscalização, e falou em “berços de corrupção”. “O Governo investe montantes elevados em empresas públicas, mas em Macau não há regulamentação nem orientações para a gestão deste tipo de empresas. Só no ano passado foram investidos 6,8 mil milhões em empresas deste género. As empresas envolvem elevados montantes, mas falta transparência”, afirmou Leon Sun Iok. “É preciso fiscalizar o capital investido. Falta de transparência e inspecção nestas empresas, que podem ser um berço para a corrupção”, acrescentou. Ainda de acordo com os montantes apresentados pelo deputado

“É preciso fiscalizar o capital investido. Falta de transparência e inspecção nestas empresas, que podem ser um berço para a corrupção.” LEONG SUN IOK DEPUTADO


política 7

segunda-feira 26.3.2018

eleito pela via directa, em 2017 o Governo investiu 1,6 mil milhões da CAM - Sociedade do Aeroporto de Macau, 3,92 mil milhões na Macau Investimento e Desenvolvimento, 410 milhões da Tai Lei Loi e 200 milhões da TDM.

OBJECTIVO NÃO É O LUCRO

Por sua vez, Lionel Leong defendeu-se das críticas e apontou que o Governo gere estas empresas em prol de objectivos políticos e que muitas não têm como meta gerar lucros para a reserva financeira da RAEM. “Concordo com a opinião expressa, há necessidade de aumentar a transparência. Mas as empresas criadas com capitais públicos têm, geralmente, outros objectivos políticos, além de fins lucrativos, como por exemplo a promoção do desenvolvimento de certa indústria emergente”, começou por responder Lionel Leong. “Apesar das empresas em causa poderem não ter muitos proveitos, ou até sofrer perdas, particularmente na fase inicial do investimento, poderão ser obtidos benefícios fora do respectivo sector para a sociedade em geral e a economia de Macau,sendo estes, por vezes, talvez muito maiores”, frisou. “É geralmente difícil quantificar os benefícios”, frisou. PUB

“As empresas criadas com capitais públicos têm, geralmente, outros objectivos políticos, além de fins lucrativos.” LIONEL LEONG SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS

Em relação às inspecção das empresas em causa, o secretário apontou que as tutelas em causa estão encarregues de o fazer, assim como o Comissariado de Auditoria, no âmbito da monitorização das contas anuais da RAEM. Também durante a discussão Mak Soi Kun apresentou queixas ao secretário. Numa reunião com a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos das Finanças Públicas, Lionel Leong tinha-se comprometido a entregar os documentos com o número das despesas das 14 companhias e as subsidiárias das mesmas. “Espero que esses documentos sejam enviados, como nos foi dito”, afirmou o deputado e presidente da comissão. Em resposta, Lionel Leong reafirmou a vontade de disponibilizar a informação pedida e abriu a porta para que possam ser criadas no futuro novos regulamentos para definir as condições e decisões destas empresas públicas. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Metro ligeiro, perdas pesadas

Governo acredita que Linha da Taipa vai gerar perdas superiores a mil milhões por ano

Q

UANDO a linha do Metro da Taipa entrar em funcionamento, por alturas de 2019, o Governo acredita que os prejuízos de operação vão ser superiores a mil milhões de patacas. O cenário foi confessado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicos, Raimundo do Rosário, na sexta-feira, na Assembleia Legislativa. “O traçado da Taipa vai gerar prejuízos, tal como já acontece com os autocarros públicos. Todos os anos pagamos mil milhões de patacas para os autocarros e temos prejuízos”, afirmou Raimundo Rosário. “Quanto à Taipa vai haver riscos de serem registados prejuízos. Estamos a contar que quando tudo entrar em funcionamento na Taipa, que o prejuízo seja superior ao dos autocarros, porque o metro tem despesas de funcionamento superiores”, acrescentou. Neste momento estão a decorrer as obras da oficina da Linha da Taipa, assim como os trabalhos da estação intermodal da Barra. Contudo, a oficina, depois de vários atrasos e de uma segunda

adjudicação, voltou à ordem do dia. Isto porque o Tribunal de Segunda Instância considerou que a adjudicação foi feita de forma incorrecta e o vencedor do concurso público devia ter sido uma outra companhia.

RECORDISTA EM PROCESSOS

Ontem, Raimundo do Rosário explicou que o Governo decidiu recorrer da decisão para o Tribunal de Última Instância: “Já contestámos a acção. Confio nos meus colegas que avaliam de forma séria os concursos públicos. Mas são muitos os concurso públicos, será que todas as avaliações são 100 por

cento correctas? Nem sempre, mas confio nos meus colegas”, apontou Raimundo do Rosário. O secretário recusou ainda que a responsabilidade total pelas decisões dos concursos públicos esteja no Gabinete de Desenvolvimento de Infra-estruturas. De acordo com a Raimundo do Rosário são organizadas comissões de avaliação e apenas dois dos cinco membros são do GDI. Por outro lado, o secretário admitiu que apesar de haver muitas obras públicas sob a sua tutela, que o grande recorde que soma está relacionado com as contestações em tribunal face às decisões que toma. “Quem discordar de qualquer decisão do Governo pode reclamar e recorrer judicialmente. Todas as decisões são passíveis de recurso. Não fiz estatísticas, mas tenho mais acções [em tribunal contra as minhas decisões] do que obras. Fazem parte do nosso trabalho”, rematou. J.S.F


8 sociedade

26.3.2018 segunda-feira

Ambiente Água reciclada considerada demasiado cara

O secretário dos Transportes e Obras Públicas reconheceu que neste momento o Executivo não está a trabalhar na construção de uma estação de reciclagem de água. Apesar da medida estar definida no Plano de Desenvolvimento de Água Reciclada em Macau, em vigor até 2022, o projecto é considerado demasiado caro e não está visto como algo prioritário. “A água depois de reciclada

é muito mais cara que a água importada do Interior da China. Consultei os preços e nas LAG de 2015 e disse, na altura, que não ponderávamos esse cenário. O investimento numa estação para água reciclada é muito avultado. Foi por isso que não considero esse ponto uma prioridade”, afirmou Raimundo do Rosário. A questão tinha sido colocada pela deputada Agnes Lam.

Ligação regular entre Macau e Moscovo arranca em Maio Macau vai passar a ter uma ligação aérea regular à Europa, a Moscovo, a partir de 9 de Maio, disse fonte da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM). A nova ligação vai ser operada pela transportadora russa Royal Airline, que vai realizar dois voos semanais, indicou a mesma fonte. A CAM espera que “esta nova rota possa desenvolver os negócios, turismo e as relações culturais entre as duas cidades”. Ao mesmo tempo, a empresa de Macau acredita que esta

ligação vai ajudar a estimular os serviços de carga aéreos, possibilitando um maior volume de transporte de mercadorias entre a Rússia e a Europa e a RAEM. Em Março, durante uma visita ao aeroporto de Zhuhai, cidade adjacente a Macau, o presidente da comissão executiva da CAM, Deng Jun, anunciou o lançamento, ainda este ano, de voos regulares para a Europa e o restabelecimento dos serviços de carga, com a inauguração da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

MALÓ CLINIC BNU EXIGE EM TRIBUNAL DE LISBOA DÍVIDA EQUIVALENTE A QUASE 63 MILHÕES DE PATACAS

O

Banco Nacional Ultramarino (BNU) avançou com uma acção de execução contra a Maló Clinic com vista à cobrança de uma dívida no valor de 6,3 milhões de euros – o equivalente a quase 63 milhões de patacas, noticiou o Expresso. A empresa estará em negociações com o banco para encontrar uma solução. O processo deu entrada na semana passada no Tribunal da Comarca de Lisboa. De acordo com o semanário português, a acção de execução para a cobrança de uma dívida de 6,3 milhões de euros de que é alvo o empresário Paulo Maló, figura como “um efeito colateral da suspensão da licença que a Maló Clinic tinha para operar em Macau”. Os Serviços de Saúde anunciaram, em finais de Novembro, a suspensão por seis meses do Hospital Taivex/Malo “devido à prática de procriação medicamente assistida, tráfico e contrabando de medicamentos de oncologia, falta de condições de higiene e segurança para a prestação de cuidados de saúde”. Além do encerramento do espaço, até ao próximo dia 21 de Maio, foram aplicadas duas multas a quatro médicos e um enfermeiro, e outra à clínica.

HOJE MACAU

Sorrisos não pagam dívidas

O processo é “um efeito colateral da suspensão da licença que a Maló Clinic tinha para operar em Macau” - Expresso


sociedade 9

segunda-feira 26.3.2018

Resíduos alimentares Raymond Tam quer pratos com menos arroz O problema dos resíduos alimentares em Macau não é novo e a eliminação deste tipo de desperdício envolve um elevado consumo de energia. A questão já foi levada várias vezes à Assembleia Legislativa, por Raimundo do Rosário. Na sexta-feira, voltou novamente à agenda do dia na AL, por intermédio do deputado Mak Soi Kun, e voltou a ser reafirmada a

O

S terrenos da RAEM estão a ser ocupados ilegalmente e o Executivo não consegue responder eficazmente ao problema. A instalação de videovigilância só agora está a ser equacionada. A revelação foi de Li Canfeng, director da DSSOPT, e criou espanto na AL. A ineficácia das autoridades foi tão surpreendente que até Ella Lei, deputada pró-sistema e dos Operários, questionou a razão deste actos não serem considerados crimes de desobediência, ao contrário de outras acções. “Houve ocupação ilegal de alguns terrenos da RAEM. Algumas situações já foram resolvidas mas voltaram a aparecer, com mais ocupações ilegais. Os efeitos são indesejáveis porque não somos capaz de fiscalizar permanentemente estas terras e os procedimentos administrativos são morosos e com custos elevados”, admitiu Li Canfeng. “Discutimos e estudamos os casos. Estamos a considerar instalar câmaras nesses terrenos, mas temos problemas com os recursos humanos”, reconheceu. Em relação a esta situação, o deputado Ng Kuok Cheong apontou o dedo ao Governo em relação à ocupação ilegal, porém Raimundo do Rosário não gostou das críticas: “A culpa não é só do Governo. Porque é que as pessoas não respeitam as placas? Porque é que o deputado não critica essas pessoas? As acções delas são correctas? Elas não devem ocupar ilegalmente os terrenos. Nós vedámos os terrenos, deixámos placas e as pessoas continua a ocupá-los”, ripostou o secretário.

E A PSP?

Entre os deputados, e perante a revelação, houve vários membros da

O Governo está a tratar do procedimentos para vender a participação na empresa Waterleau, que era propriedade do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Leong. No âmbito da condenação do ex-secretário, as acções foram revertidas pela RAEM. A situação foi confirmada, na sexta-feira, por Raimundo do Rosário: “Desde 20015 ou 2016 que estamos a

tratar dos procedimentos para vender as acções. Devido à sua natureza [empresa que participa em concursos públicos locais], o Governo não deve ter estas acções nas suas mãos. Mas antes precisamos de fazer os procedimentos legais. Mas garanto que já foi tomada a decisão que não devemos ter estas acções. Temos de vendê-las para o exterior”, afirmou Raimundo do Rosário.

Ocupações ilegais repetem-se Governo revela incapacidade para evitar ocupação de terrenos

GCS

Dias depois, Paulo Maló desmarcou-se do sucedido, afirmando que a ordem de encerramento das instalações da empresa PHC-Pacific Health Care, que detém a licença da TaivexMalo, não abrangia a sua empresa, embora tenha afectado, na prática, o seu funcionamento, uma vez que partilhavam o mesmo espaço. O empresário esclareceu que a Malo Clinic detém apenas em Macau a actividade ligada à medicina dentária e não está relacionada com outras áreas médicas, responsabilidade de outras entidades. “A Taivex/Malo não é a Malo Clinic”, frisou, reiterando que as duas entidades têm estruturas accionistas diferentes. Pouco depois da suspensão da licença surge uma ordem de despejo por parte da empresa proprietária do Venetian, com a Sands China a manifestar estar “muito preocupada” com a investigação e subsequente decisão dos Serviços de Saúde de suspenderem a licença de um dos arrendatários, o hospital de dia TaivexMalo”. “Apesar de desconhecer situações em que pacientes tenham sido prejudicados na clínica, a empresa tomou todas as medidas necessárias para proteger os interesses dos clientes e defender o seu compromisso com os mais altos padrões de qualidade depois de ser conhecida a suspensão da licença, incluindo o fim do contrato de arrendamento com efeitos imediatos”, indicou a Sands China num comunicado no início de Dezembro. Com efeito, em Janeiro, segundo noticiou o Jornal Tribuna de Macau, as instalações do Hospital de Dia Taivex/Malo foram seladas por ordem do tribunal a pedido do BNU por estarem alegadamente em causa dívidas ao banco.

Waterleau Governo vai vender ex-acções de Ao Man leong

necessidade dos restaurantes pouparem mais comida. No entanto, a mensagem não foi só para os restaurantes, Raymond Tam pediu às pessoas que sejam mais comedidas na altura de pedirem refeições: “As pessoas devem pedir um prato menor de arroz se não têm capacidade para comer tanto”, afirmou o director da Direcção de Serviços de Protecção Ambiental.

Ella Lei, deputada “Quantos crimes de desobediência é que o Governo aplicou nestes casos? Ou será que este crime é pouco aplicado nesta situação?”

Assembleia Legislativa que perguntaram a razão de não haver uma maior cooperação com a PSP, nomeadamente Ng Kuok Cheong, Ella Lei Cheng I, Song Pek Kei ou José Pereira Coutinho. A deputada Ella Lei foi a que se mostrou mais confusa com toda a situação das ocupações ilegais repetidas: “Quantos crimes de desobediência é que o Governo aplicou nestes casos? Ou será que este crime é pouco aplicado nesta situação?”, perguntou. A questão ficou sem resposta. Também a deputada Song Pek Kei, ligada ao empresário Chan Meng Kam, questionou o secretário sobre se Macau é um local onde existia o primado da lei, face à situação revelada. Ainda de acordo com Li Canfeng, neste momento, o Governo existem 18 terrenos cedidos em Seac Pai Van, dos quais 12 já estão em processo de recuperação, devido à caducidade das concessões, e seis estão a ser aproveitados. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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EDITAL Edital n.º : 12/E-BC/2018 Processo n.º :1790/BC/2010/F, 757/BC/2011/F Assunto :Início da audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Pátio da Sé n.º 22, Edf. Tak Fok, parte do terraço sobrejacente à fracção 3.º andar A, Macau. Pátio da Sé n.º 22, Edf. Tak Fok, escada comum entre os 2.º e 3.º andares, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados os donos das obras e os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Processo n.º 1.1

1.2

Obra

1790/BC/2010/F Construção de um compartimento composto por paredes em alvenaria de tijolo, janelas de vidro, gradeamento metálico, cobertura metálica e cobertura de betão na parte do terraço sobrejacente à fracção 3.º andar A. 757/BC/2011/F Instalação de um portão e gradeamento metálicos na escada comum.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

2.

Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização, pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.

3.

Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício.

4.

Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.

5.

Os processos podem ser consultados durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 21 de Março de 2018 O Director de Serviços Li Canfeng


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26.3.2018 segunda-feira

PARTIDO COMUNISTA CHINÊS CENTRALIZA CONTROLO SOBRE POLÍTICAS E IMPRENSA

Partido todo-poderoso O PCC quer estar em todo o lado e controlar, basicamente, tudo

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Partido Comunista Chinês (PCC) vai reforçar o seu domínio sobre a imprensa, economia, Internet ou diplomacia, ao elevar o estatuto de grupos de trabalho da organização para comités, segundo um plano divulgado pela agência oficial Xinhua. O PCC fornece já as directrizes políticas em várias áreas, incluindo economia, negócios estrangeiros ou segurança do ciberespaço, através de grupos de trabalho que reúnem vários

funcionários de diferentes sectores e agências. O novo plano, no entanto, visa “reforçar a tomada de decisões e a coordenação

geral”, sugerindo que as agências e ministérios do Governo terão menos espaço de manobra, passando os comités, cuja composição e

directrizes são secretas, a deter maior proeminência. De acordo com a Xinhua, a Administração Estatal de Imprensa, Publicações,

Rádio, Cinema e Televisão deixa de existir, passando o Departamento Central de Propaganda do PCC, que até agora fornecia as directrizes

gerais da mensagem a ser vinculada pela imprensa, a controlar directamente a produção noticiosa. Segundo o mesmo plano, as principais emissoras do país - Rádio Internacional da China, Rádio Nacional da China e Televisão Central da China - serão fundidos num novo organismo, denominado “Voz da China”, sob controlo directo do Departamento de Propaganda. Na diplomacia, “a conversão do Grupo Líder Central dos Negócios Estrangeiros num comité central, significa que as decisões da diplomacia chinesa serão mais centralizadas”, afirma Shi Yinhong, director do Centro de Estudos Americanos da Universidade Renmin, citado pelo jornal oficial em língua inglesa Global Times. O plano surge após o legislativo chinês ter aprovado várias emendas constitucionais, incluindo a abolição do limite de mandatos para o exercício de cargo de Presidente e um reforço do domínio do PCC em todas as esferas do país.

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MNE VISITA PORTUGAL EM MAIO E SANTOS SILVA VIRÁ À CHINA NO FINAL DO ANO

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ministro dos Negócios Estrangeiros da China visita Portugal em Maio e o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, visitará o gigante asiático em Outubro ou Novembro, anunciou o governante à margem de uma conferência em Lisboa. “Contamos receber o ministro dos Negócios Estrangeiros da China em Maio e estamos a contar que eu próprio possa visitar, no fim de Outubro ou princípio de Novembro, a China, disse Augusto Santos Silva à margem da conferência internacional Financing Belt and Road, que decorreu em Lisboa. A data exacta “depende da calendarização da discussão do Orçamento do Estado, mas em função dessa calendarização a visita será provavelmente no fim de Outubro”, acrescentou o governante português. A visita mútua dos chefes da diplomacia ainda este ano é mais um passo na crescente aproximação entre os dois países, cujas relações o embaixador chinês em Portugal, Cai

Run, disse estarem a atravessar “o melhor momento da história”. Na intervenção na sessão de abertura da conferência sobre o financiamento do mega-projeto chinês “Uma Faixa, Uma Rota”, o diplomata chinês salientou os nove mil milhões de euros de investimento da China em Portugal no ano passado, que sobem de oito mil milhões de euros em 2016. Cai Run congratulou-se também com o aumento do número de turistas, para mais de 250 mil no ano passado, e de estudantes nas universidades portuguesas, para mais de 1500. A iniciativa “ Uma Faixa, Uma Rota”, um gigantesco projecto de infra-estruturas, foi lançada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, e inclui uma malha ferroviária intercontinental, novos portos, aeroportos, centrais eléctricas e zonas de comércio livre, visando ressuscitar vias comercias que remontam ao Império romano e eram então percorridas por caravanas.

Aviação Cientistas inspiram-se nas abelhas Uma equipa de cientistas chineses está a desenhar um novo protótipo de avião inspirado no funcionamento do corpo das abelhas, que reduzirá o consumo de combustível. “Inspirámo-nos na estrutura do abdómen da abelha, que lhe permite dobrar-se livremente

e controlar a direção do voo”. Com base na estrutura flexível do abdómen da abelha, os cientistas da CALT desenharam um cone frontal para o avião que muda em diferentes etapas do voo. Segundo explicou, estes aviões viajam através da atmosfera até ao espaço

para depois regressarem à atmosfera e, no processo de reentrada, a aeronave utilizará o seu próprio deslizamento em inércia durante um período de tempo. Através da simulação, descobriram que o cone pode reduzir a resistência aerodinâmica em mais de 20%.


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ARA marcar uma consulta, reservar mesa num restaurante ou bilhetes para um espectáculo, os expatriados em Pequim sabem que podem contar com a portuguesa Vera Madeira, que beneficia como ninguém da difusão da ‘app’ chinesa Wechat. “O Wechat revolucionou completamente o marketing na China”, afirma à agência Lusa a portuguesa, de 35 anos, referindo-se à ‘super’ aplicação chinesa que atingiu recentemente mil milhões de perfis de utilizadores. Criado em 2011 pelo gigante chinês da Internet Tencent, o Wechat é hoje indispensável no dia-a-dia na China, unindo as funções de rede social, serviço de mensagens instantâneas e carteira digital. Aquela ‘app’ é usada no país para fazer compras, através da leitura do código QR, chamar um táxi, apanhar o metro ou pagar luz e água, tornando o dinheiro vivo numa coisa do passado. Em Pequim, até os mendigos têm hoje consigo um código QR impresso para transferência direta de esmolas para as respetivas contas na carteira digital do Wechat. Retalhistas fora do país estão também a despertar para a utilidade daquela aplicação - o centro para pequenas e médias empresas da União Europeia lançou

PEQUIM PORTUGUESA É CASO DE SUCESSO NOS NEGÓCIOS DA CHINA VIA WECHAT

Vir, ver e vencer

recentemente um serviço para ajudar os empresários a fazerem negócios via Wechat. Mas, em Pequim, existe uma portuguesa que há muito aprendeu a ganhar dinheiro com a ‘app’ mais popular da China. Natural de Coimbra, Vera Madeira aterrou em Pequim em 2008 para estudar mandarim, e depressa começou a organizar e promover festas na emergente indústria nocturna da

capital chinesa. “Arranjava autocarros para levar os estudantes, distribuía folhetos à porta dos bares, cafés ou nas universidades”, lembra. Em 2012, a portuguesa usou pela primeira vez o Wechat para vender bilhetes para um concerto do produtor e DJ francês David Guetta, realizado junto a uma das secções da Grande Muralha em Pequim. “Publiquei o cartaz no Wechat com o meu contacto e pedi a alguns amigos que

CORÃO, PIADAS E OUTROS EXEMPLOS

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aplicação Wechat tornou-se indispensável no dia-a-dia na China, mas a acumulação massiva de dados no seu sistema suscita preocupações, à medida que o Estado chinês usa os meios digitais para aprimorar o seu caráter policial. Aquela ‘app’, que une as funções de rede social e carteira digital, é usada no país asiático para fazer compras, através da leitura do código QR, chamar um táxi, apanhar o metro, ou pagar luz e água ou impostos. Um projeto-piloto lançado no mês passado pelo governo de Cantão, a terceira maior cidade do país, permite aos cidadãos residentes num dos distritos da cidade criar um bilhete de identidade virtual, através da aplicação, que substitui o documento físico. No entanto, num ‘ranking’ elaborado pela Amnistia Internacional (AI) sobre proteção da privacidade ‘online’, o Wechat surge no último lugar de uma lista com 11 aplicações de mensagens instantâneas, com zero pontos em cem possíveis. Dados dos utilizadores do Wechat, que incluem hábitos de consumo, fotografias, vídeos, localização, contactos ou conversas pessoais, são “vulneráveis ao escrutínio arbitrário do Governo chinês”, lembra a AI. Segundo a política de privacidade daquela ‘app’, a Tencent é obrigada a “disponibilizar dados” dos usuários, caso exista “uma ordem ou intimação judicial” ou se “requerido por autoridades governamentais ou agências de aplicação da lei”. Nas cidades chinesas, existem já câmaras de vídeo instaladas em todas as

vias públicas, transportes e estabelecimentos, que aliadas a um sistema centralizado de reconhecimento facial, que está a ser desenvolvido pelo Ministério de Segurança Pública, permitirão registar os movimentos de boa parte da população. Regulamentos emitidos no ano passado garantem que o escrutínio abarca também o ciberespaço, ao punir os usuários por infrações como “difusão de rumores” ou insultos nas redes sociais, e ao estipular que as empresas do setor verifiquem as identidades reais destes. Desde então, várias pessoas foram detidas ou condenadas à prisão no país por comentários em grupos ou conversas privadas no Wechat, sob acusações como “causar distúrbios” ou “usar ilegalmente informação e a Internet”. Num dos casos mais conhecidos, um homem foi condenado a dois anos de prisão por “perturbar as ordens administrativas para a actividade religiosa”, depois de ter ensinado o Alcorão a amigos e familiares através do Wechat. Num outro exemplo relatado esta semana pela imprensa local, um homem foi detido por “período indefinido”, após ter alterado partes de uma conhecida canção chinesa com piadas sobre a polícia de trânsito da sua cidade, e partilhado com amigos através daquela aplicação. A falta de sentido de humor das autoridades chinesas é ainda mais difícil de contornar quando não há alternativas: redes sociais como o Facebook, Twitter e Instagram, ou o serviço de mensagens Whatsapp, estão bloqueados no país.

reproduzissem. Lembro-me que fui buscar 200 bilhetes e em duas horas já tinha vendido tudo”, conta. “Fui buscar mais e, no total, vendi 800 e tal bilhetes”. PUB

Hoje, Vera cobra às empresas 150 yuan por cada publicação no seu Wechat a promover os seus produtos ou serviços.Aportuguesa recebe ainda uma comissão por cada marcação feita através de si para uma extensa rede de serviços que inclui cabeleireiros, Spas, restaurantes ou estúdios de tatuagens, enquanto um cliente recomendado por ela usufrui entre 20% a 30% de desconto. “Só promovo produtos ou serviços de que gosto”, diz. “Se não gostar, não promovo”. No total, a portuguesa tem cerca de 8.000 contactos no Wechat, organizados por país, profissão e com notas descritivas dos gostos ou passatempos. O horário em que é feito cada ‘post’ obedece também a uma estratégia. “Se o alvo forem pessoas que estão a trabalhar ou têm mais dinheiro,

o melhor é publicar entre as seis e as oito da manhã. O segundo melhor horário é entre as 11 e as 13, quando estão a almoçar, e depois entre as seis e as oito, quando a maior parte dos asiáticos jantam”, afirma. Caso seja um produto ou serviço mais orientado para famílias, “funciona muito bem ao fim de semana, às oito da manhã”. Vera ganha a vida pelo Wechat, mas durante a conversa com a agência Lusa nunca parou para consultar o telemóvel, uma atitude rara num país onde, seja em bares ou restaurantes, no escritório ou em casa, as pessoas estão constantemente agarradas aos ‘smartphones’. Mas a portuguesa tem uma regra básica: “Quando estou com alguém mantenho o telemóvel na mesa com o ecrã virado para baixo, que é para não haver a tentação de estar sempre a olhar”. “Se as pessoas tiram o seu tempo para estarem contigo, tens que apreciar o momento”, diz. João Pimenta Lusa


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ROTA DAS LETRAS O LUGAR DA FAMÍLIA ASSUMPÇÃO NO ROMANCE DE ISABEL VALADÃO

“A comunidade chinesa está Em “O Rio das Pérolas” lê-se a história de Luísa e Mei Lin, duas mulheres chinesas abandonadas à nascença pelas famílias que acabam por ter dois percursos de vida diferentes, sempre com a sobrevivência como força motriz. Convidada do festival Rota das Letras, que chegou ontem ao fim, a autora, Isabel Valadão, contou como a ligação à família de Carlos D’Assumpção a ajudou a escrever o romance

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ORAM dois anos intensos, em que o corpo existiu em Portugal mas a mente e o coração estiveram de forma permanente em Macau. Esse foi o tempo que Isabel Valadão, licenciada em História da Arte, demorou a escrever “O Rio das Pérolas”, o romance sobre o lugar onde morou durante três anos mas que retrata uma outra época, a de uma sociedade onde meninas eram abandonadas à nascença apenas por carregarem consigo a condição feminina. Cuidadas por freiras, acolhidas por ordens religiosas, estas meninas acabariam por se dedicar à prostituição, a servir em casas de famílias macaenses, a serem sujeitas às boas maneiras para que, um dia, o casamento com homens ricos pudesse ser a salvação para uma vida difícil. No último dia do festival literário Rota das Letras, Isabel Valadão esteve no edifício do Antigo Tribunal a falar do seu romance que fala da Macau dos anos 40 e 50. Viveu no território entre

983 e 1985, tendo conhecido muitas famílias macaenses. A de Carlos D’Assumpção, ex-presidente da Assembleia Legislativa e um dos mais importantes juristas do território, foi fundamental para o seu processo de absorção da cultura local. “A família Lobo Vicente [retratada no livro] foi inspirada em famílias que conheci aqui, famílias antigas. A família do Carlos D’Assumpção deu-me muito conhecimento de como funcionavam as coisas”, revelou ontem. “A família de Carlos D’Assumpção ajudou-me a perceber como funcionava uma família macaense e luso-portuguesa. Além da origem chinesa também tinha outras origens, havia sempre uma grande mistura de sangues. Não gostavam muito do sangue chinês, porque achavam que ia manchar um pouco o sangue português, no qual tinham muito orgulho.” Isabel Valadão só agora regressou a Macau, e notou diferenças em relação ao passado histórico e aquele

que presenciou. “Tenho visto a comunidade chinesa muito mais aberta e com uma abertura grande às pessoas, embora continuem a não falar português. Penso que está tudo diferente.”

A IMPORTÂNCIA DA MULHER

Antes de escrever sobre Macau, Isabel Valadão escreveu sobre

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA 7 ANOS DE MAU SEXO - CRÓNICAS CONSTRANGEDORAS • Ana Anes

personagens reais, históricas, da Angola onde viveu a partir dos seis anos e até 1976, na altura em que se mudou para Portugal. Quando chegou a Macau esperava encontrar um pouco de África, mas não conseguiu, apesar de se ter deparado com um ambiente exótico. “Quando chegamos a Macau encontrei uma reali-

dade muito diferente da que estava à espera. Pensava encontrar um bocadinho de África quando cheguei, mas encontrei outra realidade muito exótica, muito sui generis. Foi um choque grande no início, porque não estava bem habituada à civilização chinesa. Mas a cidade começou a cativar-me.”

Desde que se licenciou, aos 49 anos, que a autora se tem dedicado a escrever sobre mulheres. Identifica-se com elas, mas não põe de parte escrever um romance onde os homens sejam protagonistas. “Talvez me identifique mais com o papel das mulheres, ou porque encontre

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

A maior parte das crónicas reunidas neste livro surgiram ao fim de dois anos de muita insistência por parte da autora à direcção do semanário O Independente, onde colaborava há cerca de três anos. Com o término dos suplementos anteriores, que deram lugar ao suplemento Vida, foi possível concretizar o que, mais do que um sonho, foi sempre uma certeza da autora - a de que iria «abanar os alicerces» de algumas mentalidades. Assim foi e, durante cerca de sete meses de duração da rubrica homónima, falou-se semanalmente, sem tabus, de sexo e relacionamentos, obviamente numa perspectiva autobiográfica (e não só, que os amigos deram ajudas preciosas com as respectivas experiências!), com humor, ironia e sentido de oportunidade e actualidade. Para além dessas, o livro reúne igualmente crónicas originais e outras da Perspectiva, da coluna Cambalhotas do Destak e da rubrica A Guerra dos Sexos da Maxmen. As crónicas estão organizadas num sistema crescente de «malaguetas»: as primeiras são relativamente toleráveis, mas para as mais picantes será conveniente prepararem o antídoto!

A PRINCESA E O PRESIDENTE • Valéry Giscard d’Estaing

A Princesa e o Presidente conta a história entre Jacques-Henri Lambertye, Presidente de França, e Patrícia, a Princesa de Cardiff. Nestas páginas, o leitor assiste aos seus primeiros encontros e ao nascimento de um amor que, rapidamente, se tornará o centro das suas vidas agitadas. Tendo como pano de fundo os palácios da república francesa e da monarquia britânica, a aproximação entre ficção e realidade é evidente, fazendo-nos crer que, até hoje, ninguém saberia a verdadeira história de amor daquela que o autor apelida de Princesa de Cardiff.


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histórias interessantes. Talvez seja capaz no futuro de encontrar um personagem marcante masculino. Sim, acho que sim [que as mulheres estão perdidas na história].” “Normalmente vou à história buscar personagens reais, que existiram, e estas personagens são reais, existiram. A Luísa foi de uma família de Macau. Nesse estudo sobre as ordens religiosas em Macau e as órfãs encontrei dois casos específicos. Foi nelas que me inspirei, dei outros nomes, e ficcionei de outra maneira. Em relação a Angola também fui buscar personagens históricas e são essas que eu desenvolvo na minha ficção, que eu gosto de chamar de ficção histórica”, acrescentou a autora.

A escrita de romances apareceu tarde na vida de Isabel Valadão. “Sou formada em História da Arte e só comecei a escrever depois de me licenciar. Sou uma escritora tardia. Mas fiquei sempre com o gosto pela investigação histórica e comecei a gostar de escrever.” Escrever o “Rio das Pérolas” surgiu quando a autora de deparou com um artigo sobre a sociedade dos anos 40 e 50. O nome do livro já existia desde sempre. “Comecei a ler todas as revistas culturais de Macau, aprendi muito mais do que quando cá tinha estado. Surgiu-me a ideia da história porque encontrei um artigo que me impressionou muito, sobre o papel da mulher chinesa em Macau e na China. Encontrei nesse artigo o que é que acontecia às órfãs em Macau. Na China eram afogadas à nascença. Em Macau eram abandonadas à porta da Santa Casa da Misericórdia e depois esse papel começou a passar mais para as ordens religiosas. A sua vida era ditada por aquilo que conseguiam ou não fazer.” Existia então as noivas portuguesas, meninas chinesas que acabavam por chegar às comunidades portuguesa e macaense da altura. “Muitas enveredavam pela prostituição, e havia o fenómeno das noivas portuguesas. As órfãs chinesas que eram educadas pelas freiras e que acabavam por fazer um percurso e ser integradas na comunidade

“A família Lobo Vicente [retratada no livro] foi inspirada em famílias que conheci aqui, famílias antigas. A família do Carlos D’Assumpção deu-me muito conhecimento de como funcionavam as coisas.” ISABEL VALADÃO AUTORA

EDUARDO MARTINS

á mais aberta” “Escrevo os livros que eu gostava de ler e acho que os devo passar a outras pessoas, são temas que devem passar a outras pessoas.” ISABEL VALADÃO AUTORA

macaense, como afilhadas para servir, mas muitas delas depois casavam com portugueses que vinham da metrópole.”

“FUI DEIXAR A MEI LIN”

No regresso a Macau, tantos anos depois, Isabel Valadão foi aos lugares que leu nos artigos históricos e naqueles que conheceu na década de 80. Hoje o Hotel Central está em obras, os edifícios do Porto Interior estão degradados. Ainda assim, a autora deambulou pela avenida Almeida Ribeiro, subiu até ao Seminário de São José. “Ontem fui deixar a Mei Lin”, confessou no Antigo Tribunal. O curso de História de Arte levou-a a ser descritiva nos seus livros, quase como por acaso. “Através disso comecei a adquirir as ferramentas para o ofício, a fazer investigação. Gosto de caracterizar os ambientes, as pessoas. Sou muito visual, porque eu própria quando estou a escrever, visualizo.” Escreveu sempre sobre os sítios por onde passou. As suas histórias são aquelas que ela ainda não leu. “Escrevo os livros que eu gostava de ler e acho que os devo passar a outras pessoas, são temas que devem passar a outras pessoas”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

Os Predadores rondam as terras cultivadas

Soares de Passos

Amélia Vieira

justa medida não só dos tempos singulares, como de uma noção desregulada de progresso. Um regicídio foi tudo o que sobrou de real a uma verdadeira intervenção poética, e para isso se agruparam antes e depois alguns pequenos exércitos destes homens. Batalhas que não dão sossego para um povo que varre os cadáveres para debaixo dos tapetes e trata a morte com um instinto de civilização tamanha que os dias da sua vida não têm, e em nada reflectem a expressão de Lamartine «Je te salue, ô Mort! Liberateur céleste, Nous voilá face à face avec la vérité!» No entanto os nossos suicidas só lá para a «Geração de Setenta» e no início do século vinte fariam as honras mais prósperas desta eleição o que leva Miguel de Unamuno a escrever «Portugal um povo de suicidas» são ainda as grandes depressões ultra-românticas. A idílica temática da Morte como componente atractiva é aquela que nos leva até à «Rainha Morta» reabilitada com desvelo por António Patrício numa velada paixão pelo cadáver em que tudo parece assombroso repondo assim uma formidável energia esquecida. Eles acabam por se entrelaçar em toda esta poesia finissecular, de tal ordem em movimento constante que nos deixam aturdidos por uma riqueza que desconhecemos, que é a da acção da Língua como modelo escultórico do entendimento. Aliás, Soares de Passos é muito visualista, muito exacerbado nas suas interpelações verbais, e se não foi a pintura que nos deu a grande causa, pois não somos definitivamente espanhóis, esta natureza pictórica dos autores agora expostos não desmerece em nada a pintura vizinha. Até Cesário a paleta cresce, na «Visão Visual» do poema. Tudo isto é tão especial que apetece lembrar. Reabilitar o substrato e esquecer o artefacto que nos dilui, isso sim, num suicidário esquecimento. E pensar que ele reabilitou Agar e se misturou nas areias de um deserto lendário para dignificar a mãe ameaçada e dar relevo a um projecto tão humano! É um poema lindíssimo que não desmerece o sopro mariânico da componente colectiva que era a sua. E agora no meio destas mães tão sós, quem se lembra ainda a escrava Agar? O silêncio. E uma cantata de morbidez reflexa em Templos onde não passa este olhar incrível dos poetas.

SOARES DE PASSOS, REVISTA CONTEMPORANEA DE PORTUGAL E BRASIL (N.º 7, OUT.1860)

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UM primeiro olhar aquelas imagens esbatidas a preto e branco, e diríamos que era Rilke, menos belo, talvez, mas sem o reflexo imediato que separa os seus cinquenta anos de diferença, no mesmo século, que século é das mais emblemáticos gentes.— Nasceu no Porto e por lá morreu, mas, entretanto, e pelo meio, onde acontece viver, fazem-se não raro coisas assombrosas e sérias como foi o resultado da sua obra. O estilo pode ainda agora parecer-nos reflexo de um certo provincianismo de salão de uma retórica ultraconvencional para agrupar ao ultra-romantismo do seu tempo de fronteira que não deixa de ser ele, também, um legado precioso. Já estamos em plena época formal decadentista, hesitante, de grandes mudanças sociais, 1822 e a Carta Constitucional, mais quatro anos que o nosso poeta, e por aí vão entrando os tempos e os homens, o seu nacionalismo (matéria romântica) é no entanto mais mítico que revolucionário, mais Oriental que Europeu... ele, o herdeiro em linha directa de Lamartine, mas que buscando mais, vamos encontrar um cancioneiro de «Naus Catrinetas» envolto em plenas histórias do fantástico. O saudosismo decadentista tinha firmado o seu terreiro, e Fernando Pessoa, a síntese de todas estas gentes, conseguiu ordenar matéria vasta quando nele, tudo isto, mais a vanguarda dos novos tempos que firmou com os do seu grupo, olhou para estes com a atenção devida entre os pares. Sem dúvida que não nos podemos esquecer das grandes ramificações, a influência daqueles que o precederam, nem a lista de saudade e desencanto agarrada ao espectro romântico, que mais que pura corrente é uma dissimulada forma de preguiça das sensações. Nesta altura criara-se tal como hoje uma inflacionante “poetização” no tecido social, vulgarizada em pagelas, revistas, jornais, críticas, crónicas, edições, que mais não fizeram que distanciar os de qualidade e esquecer toda essa fornalha de intensificadores de coisa nenhuma. Uma mais que decadente e formal manifestação, sim, serôdia, penosa, pois que sem um poeta dentro estas coisas podem-se tornar insuportáveis. E independentemente do lado quimérico ou mitológico do poeta, ele vai-se regionalizando, primeiro entre as tunas académicas, depois no chão da terra; é a época das grandes indignações à Guerra Junqueiro. Eles tinham causas! Toda esta gente me parece agora esmagada pelas pedras sepulcrais do Tempo, e se em “pedacinhos de ossos” encontramos um Camilo Pessanha na grande Necrópole, este foi em busca de

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um certo «Noivado do Sepulcro» que o seu romantismo programático à Lamartine foi beber. Mesmo na senda das grandes mudanças a segurança em lendas tem sido na Literatura Portuguesa, mais do que

em qualquer outra, uma nota importante a considerar: mudar sim, mas sempre um pouco extemporaneamente, talvez porque tenhamos de facto mais passado que futuro, que sempre num país incerto se vai fazendo sem a

Oh! quem dissera nos passados dias Em que em meu colo te cerquei de amor Oh! quem dissera que a morrer virias Neste deserto sem achar frescor? Emurcheceste, já não tens verdura, Perdi meu filho: sobre a terra dura Correi, meus prantos, sem cessar correi!


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WANG YUANQI

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Yuchuang Manbi»

Notas Dispersas Sobre Uma Janela Chuvosa

Fortalecida pelo qi a pintura não terá um aspecto indeciso nem ficará com um aspecto de tinta solidificada mas ficará completa de modo natural. Não se poderá alcançar este resultado de modo apressado; cada elemento, a luz e a sombra, o claro e o escuro, o brilho do amanhecer e o lusco-fusco do entardecer, a forma das montanhas e a cor das árvores, tudo deve ser praticado continuamente de maneira livre. Mas quer a cor seja leve ou colocada de modo grosso – de acordo com as necessidades das diferentes partes – o sentido de tudo deve ser entendido pelo coração; não existem regras acabadas pelas quais isso deve ser estabelecido. É de grande importância na pintura que se combine a razão, a vitalidade e a sedução. Se estas qualidades não estiverem pre-

sentes, a pintura não se torna a mais maravilhosa, a divina e suprema classe livre. De modo que se deve procurar o raro entre o comum, pela agulha na tessitura da seda, por aquilo que nasce da interacção do vazio com o cheio. Esses pintores que apenas cumprem as regras e não exprimem ideias para lá dessas fórmulas, foram sempre desde os tempos mais recuados, considerados tipos sem valor. Quando o estudante de pintura começa a sua carreira, ele deve esforçar-se por alcançar um progresso gradual e diário. Ele deve transmitir por entre as linhas e na tinta aquilo que o habilidoso não consegue dar mas que o diletante consegue1; só então se alcançarão os segredos dos mestres das dinastias Song e Yuan. E ele nunca deve ficar demasiado satisfeito consigo mesmo.

1 - No final do seu tratado Wang Yuanqi retoma os ideais próprios do Daoísmo, que de modo aparentemente paradoxal a pintura adoptara. O pintor Shitao, seu contemporâneo, no mesmo sentido escreve sobre o «homem perfeito»: «Ele acolhe os fenómenos sem que eles tenham forma; ele domina as formas sem delas deixar vestígios. Ele emprega a tinta como se a obra estivesse já toda terminada, e ele utiliza o pincel como num não-agir.» (Notas Sobre a Pintura do Monge Abóbora Amarga, Cap. XVI, Livrar-se da Vulgaridade) Esse não-agir, agindo, o wuwei, é a forma superior de acção, de que fala Laozi: «A prática do estudo acumula dia após dia, enquanto a prática do Dao delapida dia após dia, delapida e volta a delapidar e isso até chegar ao não-agir. Não há nada que o não-agir não possa fazer; aqueles que se apropriaram do mundo, fizeram-no pela inacção; tivessem eles sido activos e dele se não poderiam apoderar.» (Cap.48)


desporto 21

segunda-feira 26.3.2018

A

S pressões sociais para a utilização de veículos eléctricos nas estradas têm crescido um pouco por todo o mundo e a electrificação automóvel é um passo sem retorno. Macau não é excepção. Basta lembrar que a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) abriu no mês passado concurso público para a atribuição de 100 licenças de táxis, exigindo pela primeira vez que os veículos sejam eléctricos. Actualmente, circulam em Macau 250 veículos eléctricos, a esmagadora maioria deles particulares, mas é esperado um aumento significativos nos anos vindouros. Obviamente o automobilismo não passará ao lado desta nova vaga inovadora da indústria automóvel. Jean Todt, o presidente da FIA, quando visitou Macau no 60º aniversário do Grande Prémio, disse à imprensa que o território, pelas suas características, era o local ideal para ser palco de uma competição de carros eléctricos da FIA. Contudo, o Campeonato FIA de Fórmula E, por enquanto a única competição de carros eléctricos existente, acabou por encontrar apoio e um abrigo aqui ao lado, em Hong Kong. Dada as actuais especificações dos monolugares de Fórmula E, que precisam de rectas curtas e pontos de travagem fortes, para recarregar as baterias, a ex-colónia inglesa montou um circuito urbano de raiz para o efeito. No traçado do Circuito da Guia, por exemplo, estes carros não iriam funcionar na sua plenitude. “Na sua configuração actual, o Circuito da Guia não

GRANDE PRÉMIO MACAU COM CARROS ELÉCTRICOS NÃO É UMA MIRAGEM

Electrificação à vista é o circuito do momento dada a sua extensão total e às suas longas rectas”, clarificou ao HM o arquitecto português Rodrigo Nunes, o responsável por desenhar vários dos circuitos, todos eles citadinos, do campeonato, incluindo aquele provisoriamente montado em Hong Kong. Porém, a rápida evolução, fruto da aposta forte dos grandes construtores, irá resolver este problema de autonomia e desembaraço dos carros eléctricos de competição nos próximos anos. Não foi por acaso que no Salão Automóvel de Genebra, a WSC Technology Ltd., uma subsidiária da WSC Ltd, a empresa que criou o conceito TCR, lançou o E TCR – um novo conceito de corridas de carros de Turismo para motorizações eléctricas.

À BOLEIA DA ÁSIA

A SEAT, através da sua marca desportiva Cupra, foi a primeira a apresentar um carro para esta

categoria que será introduzida em 2019, mas os mentores desta ideia acreditam que mais construtor irão seguir os passos da casa espanhola, alguns deles da Ásia. Seis dos dez maiores fabricantes de carros eléctricos da actualidade são da República Popular da China. Os subsídios governamentais e a necessidade de reduzir os níveis de poluição das grandes cidades tornaram os construtores chineses dos primeiros a alinhar nesta corrida tecnológica. David Sonenscher, o responsável máximo pela WSC Asia Limited e pela organização do campeonato TCR Asia Series, admite que este novo conceito é uma oportunidade ideal para estabelecer uma nova era no automobilismo do continente que sempre venerou as corridas de carros de Turismo e sempre se posicionou na linha da frente no que respeita às novas tecnologias.

“Temos que ver como um evento em Macau poderá encaixar nas estratégias que nós estamos a trabalhar com o E TCR, mas não há dúvidas que a ideia de correr no Circuito da Guia com carros de Turismo eléctricos é certamente fascinante.” MARCELLO LOTTI CEO DA WSC LTD

“O mundo está cada mais e mais focado nas energias limpas, com a região asiática a ser líder em algumas tecnologias emergentes, portanto eu penso que o mercado será bastante receptivo ao desenvolvimento do E TCR”, diz o inglês radicado na Malásia há quase três décadas. “Não há dúvida que o E TCR é parte do futuro do automobilismo e pode-se tornar um foco muito importante para a Ásia, pois a região continua a construir a sua reputação global como um lugar para correr.” Sendo o Grande Prémio de Macau um dos maiores eventos de automobilismo do continente, claramente que a prova do território está no radar dos mentores do E TCR, até porque o “nosso circuito” tem uma tradição a manter.

MACAU SEDUTOR

Marcello Lotti, CEO da WSC Ltd, ex-responsável máximo pelo WTCC e “pai” do conceito TCR, acredita que o novo E TCR se encaixa no perfil do evento da RAEM. “Se olharem para o que nós fizemos no passado, poderão ver que nós sempre consideramos Macau um evento de importância primordial para as nossas estratégias”, afirmou, em declarações exclusivas ao HM, o empresário italiano, ele que foi o primeiro a compreender o valor acrescentado

que o Grande Prémio tinha para oferecer ao campeonato mundial de carros de Turismo e vice-versa. Para Lotti, “a Corrida da Guia é uma lenda na história dos carros de Turismo, e acima de tudo, todo o evento de Macau sempre deu uma enorme importância às competições para carros de produção, tanto Turismos ou GTs. E esta é uma razão porque nós sempre fizemos o nosso melhor para levar a Macau o WTCC, primeiro, e o TCR, depois.” Quanto ao futuro, Lotti não esconde que gostaria de ver um dia os carros do primeiro campeonato de carros de turismo eléctricos a competir nas ruas de Macau. “Agora temos que ver como um evento em Macau poderá encaixar nas estratégias que nós estamos a trabalhar com o E TCR, mas não há dúvidas que a ideia de correr no Circuito da Guia com carros de Turismo eléctricos é certamente fascinante”, conclui. Enquanto um futuro cada vez mais electrificado se vai desenhando, os entusiastas locais dos desportos motorizados poderão continuar, por agora, ainda a desfrutar das sensações provocadas pelos estrondosos motores a combustão. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo


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O CARTOON STEPH 42

MAM | Até 13/5

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 42

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11ª BIENAL DE DESIGN DE MACAU Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3 EXPOSIÇÃO “JOSÉ MANEIRAS - MODERNISMO À MACAENSE” Pavilhão do Jardim Lou Lim Ieoc | Até 3/4

Cineteatro

C I N E M A

PACIFIC RIM: UPRISING SALA 1

PSYCHIC KUSUO [B] FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS Um filme de: Yuichi Fukuda Com: Kento Yamazaki, Kanna Hashimoto, Hirofumi Arai, Ryo Yoshizawa 14.30, 18.00, 21.30

MAGAZINE Z/INFINITY [B]

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UM FILME HOJE O filme Dirty Carnival permite ao espectador ter um olhar ao mundo das tríades da Coreia do Sul, focando um gangster que se encontra dividido entre o seu trabalho e o relacionamento pessoal/familiar. Tendo como actor principal Jo In-sung, no papel de Kim Byung-doo, o protagonista vê-se envolvido numa questão de equilíbrios e relacionamentos perigosos com outros gangsters e políticos, que vai precisar de resolver da melhor forma para poder sobreviver. João Santos Filipe

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26.3.2018 6 5 4segunda-feira 6 2 7 2 7 1 2 4 3 4 4 6 3 5 2 B 5A H T 0 . 2 53 Y7U A N1 16. 2 74 1 2 5 7 3 1 3 VIDA DE CÃO6 2 4 1 5 7 CORRER 1 3ATRÁS 5 7 6

DO PREJUÍZO

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O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) é uma instituição fantasma em Macau. Tem uma tarefa que já mostrou conseguir cumprir com mérito, mas na maior parte dos casos aparenta estar adormecida. A comunicação com o exterior é quase nula. Também por essa razão, existe a imagem que os grandes casos que preocupam as pessoas passam quase todos ao lado do CCAC. Por outro lado, parece que o despertar apenas acontece quando é preciso sacrificar alguém em público. As isenções fiscais e o adiamento do pagamento de impostos ao Jockey Clube de Macau são mais um episódio que voltam a colocar CCAC na ordem do dia. Vai haver investigação? Aparentemente, não. Mas o maior exemplo é o Metro Ligeiro. Erros graves, uma empresa pública que vai ser deficitária crónica, derrapes faraónicos e adiamentos sem fim à vista. Para a população ficou uma grande certeza: houve 44 muita gente a ser bem paga. E se, no futuro, o CCAC acordar vai repetir o episódio do Alto do Coloane. A investigação foi concluída, os terrenos vão ser recuperados mas os possíveis crimes cometidos ao longo do processo já prescreveram, na maioria. Como se o caso não fosse suficientemente mau, André Cheong ainda sentiu necessidade de vir a público desmentir que as investigações tivessem começado por pedido dos pró-democratas, como Au Kam San e Ng Kuok Cheong. André Cheong é um dos oficiais mais credíveis em Macau. Mas quanta gente acredita que o CCAC tenha investigado o caso por livre iniciativa e não por pressão da opinião pública? A situação do Jockey Clube de Macau levanta muitas questões e mais uma vez coloca o CCAC em xeque. Será que se vai correr atrás do prejuízo? João Santos Filipe

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A DIRTY CARNIVAL | HA YOO | 2006

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PACIFIC RIM: UPRISING [B] Filme de: Steven S. DeKnight Com: John Boyega, Scott Eastwood, Rinko Kikuchi, Zhang Jin 16.00

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WONDERSTRUCK [A]

FALADO EM JAPONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Junji Shimizu 16.15, 19.45

Filme de: Tod Haynes Com: Julianne Moore, Michelle Williams, Oakes Fegley 14.30, 16.45, 21.30

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TOMB RAIDER [C]

Filme de: Steven Soderbergh Com: Claire Foy 14.15, 18.00, 19.45, 21.30

Um filme de: Roar Uthaug Com: Alicia Vikander, Daniel Wu, Dominic West, Walton Goggins 19.15

UNSANE [C]

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 23

segunda-feira 26.3.2018

Reencarnações

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O cosmopolita

epicentro sou eu. Tudo em meu redor é suburbano e menor. Nasci e fui criado no campo e hoje, olhando para trás, sinto-me a milhas das minhas origens, renascido das cinzas da pessoas que fui. Se há coisa que me põe mal disposto são manifestações de provincianismo, principalmente aquelas que reflectem o meu passado, aquelas nas quais me revejo a grande custo. Na realidade, tremo de terror só de pensar na minha antiga vida, na pessoa que fui, nas parcelas do somatório que resultaram em mim. Tão ingénuo que eu era, simplório como uma galinha, longe de saber o que é uma vernissage, incapaz de distinguir entre uma instalação e um amontoado de tralha, entre um monocasta e uma pomada de tasca. Este belo edifício de erudição tem alicerces rudimentares, rebocos simplórios, chãos alcatifados e sofás forrados a plástico. Fui acrescentando, pouco a pouco, andares à barraca inicial que deu tecto ao meu nascimento e hoje sou um frondoso arranha-céus, um colosso que desafia a gravidade das mais aprumadas convenções sociais. Abri todas as minhas janelas às aragens do cosmos e é aí que fundo a minha cidadania e identidade. Confesso que ao princípio até tinha algum orgulho em ser sufocado pela asfixia do stress. Gostava de descrever o reboliço, em tom de lamento, aos meus conterrâneos nas minhas primeiras visitas depois do meu sofisticadíssimo renascimento. Sentia-me grande como um continente ao ver os olhos esbugalhados dos meus antigos amigos. Coitados, pobres trogloditas, para sempre abençoados pela Santa Ignorância. Na realidade, a proximidade e o confronto com aquele provincianismo que me fundou agiganta o meu cosmopolitismo, faz de mim quem sou e sempre quis ser. Sou o protótipo do novo Homem Moderno, essa raça que se reinventa a cada início de século, como uma aplicação biológica em constante actualização. Exibo a minha mulher-troféu, obviamente de outra etnia, pelos palcos da sociedade bem pensante. Pavoneio-me pela multiculturalidade que serve de álibi aos meus mil preconceitos, raízes últimas do meu passado primário. O meu corpo é o meu templo, preservado com cuidado extremo e cremes hidratantes, dietas da estação e as melhores vestimentas que o dinheiro pode comprar. Tudo o que

MANHATTAN-NIGHTS JEREMY MANN

JOÃO LUZ

sirva para ocultar o perfume a terra que ainda se sente debaixo das minhas unhas e a pele precocemente curtida pelo sol do labor campestre. Ironicamente, este cosmopolitismo que orgulhosamente professo impõe que me retire para o campo, para fugir da cidade, que transforme aquilo que é natural em conceitos hediondos como “rústico”, ou “autêntico”. Um dia destes regresso, um estrangeiro na minha própria terra, orgulhosamente inapto perante a crueza da vida agrária. Minhas mãos suaves como as de uma criança mimada da cidade. Sem os sulcos que cicatrizam o labor campesino, esse mapa de calos e gretas onde se inscrevem os ciclos de colheitas e a alimentação das bestas nas mãos dos homens

Tão ingénuo que eu era, simplório como uma galinha, longe de saber o que é uma vernissage, incapaz de distinguir entre uma instalação e um amontoado de tralha, entre um monocasta e uma pomada de tasca

de barba rija. A minha é suave e cuidada com cera especial. O mundo é a minha ostra, pronta para ser sorvida com champanhe gelado. Sou um pregador da indiferença perante a cultura nos ciclos onde gosto de projectar a voz. Fronteiras e soberanias nacionais são conceitos obsoletos, quando o universo é a nossa casa. Apenas uma delimitação terrestre subsiste como um quisto geográfico no meu peito: a aldeia, esse trauma irreconciliável com a minha posição. Pelo-me de medo perante a possibilidade de dar de caras com um conterrâneo na minha metrópole. Como lhe poderei explicar que sou outro, que evolui para outro patamar de existência? Impossível. Sou um Homem-Estado, tenho a minha própria constituição e rejo-me pelas leis do meu corpo. Esta é a unidade de soberania a que todos devem almejar para que se destrua, de uma vez por todas, a fantasia gregária das sociedades ancestrais. Curiosamente, apesar desta holística mundividência, quis o destino que viesse viver para Macau, essa representação exótica da minha aldeia, emparedada por fronteiras por todos os lados. Mas a minha alma não precisa de visto para viajar pela derradeira pátria universal. Haverá coisa mais cosmopolita que esta.


Mostre-me um homem que não seja escravo das suas paixões. William Shakespeare

GALAXY VAI ADQUIRIR 5,3 MILHÕES DE ACÇÕES DA WYNN RESORTS

O azar e a sorte “a transferência de acções não significa que as duas empresas sejam uma só”. “Se olharmos para trás, há 15 anos, esperava-se introduzir concorrência, portanto, se as duas empresas se vierem a tornar numa só, no final, não me parece que essa seja uma situação que a sociedade gostasse de ver acontecer. Por isso, devem continuar independentes, numa relação só de investidores. É o que eu espero”, afirmou o também deputado, defendendo que “a DICJ deve prestar atenção” aos próximos

desenvolvimentos, na medida em que tal “tem que ver com a concorrência justa”. “É uma oportunidade única de adquirir um investimento num grupo de entretenimento globalmente reconhecido com activos de excepcional qualidade e planos de desenvolvimento significativos”, afirmou Francis Liu, vice-presidente da Galaxy Entertainment. No mesmo comunicado conjunto, Matt Maddox, CEO da Wynn Resorts, referiu, por seu turno, ser “uma honra ter uma empresa distinta como a

TIAGO ALCÂNTARA

A

Galaxy Entertainment anunciou na sexta-feira que vai adquirir 5,3 milhões de acções primárias da Wynn Resorts pelo valor global de 927,5 milhões de dólares norte-americanos. Segundo a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), a alteração à estrutura accionista da “empresa-mãe” da Wynn Macau, com sede dos Estados Unidos, “não afecta o sector do jogo” em Macau. Em comunicado, a DICJ afirmou que a intenção foi objecto de comunicação prévia ao Governo e prometeu “acompanhar de perto a situação, analisando e avaliando a evolução do caso, com vista a assegurar o desenvolvimento saudável do sector de jogos de fortuna ou azar”. À luz da legislação de Macau, uma operadora de jogo não pode deter mais do que 5 por cento de outra. Com a compra das acções, “a Galaxy Entertainment fica com 4,9 por cento do capital da Wynn Resorts que, por sua vez, detém 72 por cento da Wynn Macau, na qual passa a ter, na prática, uma fatia de mais ou menos 3,5 por cento”, realçou Davis Fong, director do Instituto de Estudos sobre a Indústria de Jogo na Universidade de Macau ao HM, para apontar que

Galaxy Entertainment como accionista com a qual partilha muitas das principais filosofias e valores operacionais”. Em paralelo, foi também anunciado na sexta-feira que dois investidores institucionais – ambos com participações na Wynn Resorts – acordaram a compra das restantes oito milhões de acções detidas por Steve Wynn, fundador da Wynn Resorts e antigo CEO, também pelo preço unitário de 175 dólares. Estas aquisições, combinadas com anteriores, fazem com que o magnata deixe de ter qualquer participação na empresa que fundou. No mês passado, Steve Wynn, de 76 anos, deixou a liderança e todo os cargos que ocupava no grupo na sequência do escândalo de alegados abusos sexuais nos Estados Unidos em que está envolvido. D.M. com J.S.F

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antigo líder do governo catalão, Carles Puigdemont, foi detido este domingo na Alemanha pela polícia local. O advogado do ex-líder da Generalitat usou o Twitter para confirmar a informação. De acordo com o El País, Puigdemont estaria a tentar passar a fronteira alemã, vindo da Dinamarca, depois de ter passado o fim de semana na Finlândia. Foi mandado parar pela polícia local e aguarda agora que se realizem as diligências relacionadas com o mandando de detenção. Segundo o mesmo jornal, o antigo líder catalão dirigia-se para Hamburgo para regressar à Bélgica, onde tem estado refugiado desde que Madrid emitiu uma

ordem de prisão. Recorde-se que vários responsáveis catalães foram detidos na sequência da declaração de independência da Catalunha. Os separatistas catalães preparam várias manifestações em Barcelona para este domingo à tarde, pouco depois da notícia sobre a detenção, na Alemanha, do ex-presidente regional Carles Puigdemont, acusado de rebelião pela justiça espanhola e alvo de um mandado de captura europeu. Entretanto, os chamados Comités de Defesa da República (CDR) - grupos autónomos de separatistas radicais convocaram protestos para as 16h nas

segunda-feira 26.3.2018

“Os EUA querem dividir a Europa” E

STA semana, na representação permanente da Alemanha na União Europeia, o secretário de Estado alemão para os Assuntos Europeus Michael Roth falou de «austeridade» e de várias ameaças que vê o projecto europeu enfrentar. Para Roth, num evento do think-tank Das Progressive Zentrum, próximo ao Partido Social Democrata Alemão, «os desafios da União Europeia não vêm somente de dentro, mas também de fora». Segundo o político do SPD, «potências globais como a Rússia, a China ou os Estados Unidos da América colocam pressão crescente na coesão da União Europeia». «Fazem-no dividindo Estados-membros europeus quando isso serve os seus próprios interesses», acusou Roth. «Esta tendência continuará e aumentará no futuro. E nós não podemos deixar que isso aconteça. Temos de cerrar fileiras, temos de tentar defender os nossos interesses numa arena internacional cada vez mais agressiva», apontou também. E como? Tornando a Europa «num actor global». «A nossa parceria com os Estados Unidos e a NATO ainda é uma pedra basilar na comunidade transatlântica. No entanto, não pode haver dúvidas: temos de equipar a União Europeia para lidar sozinha com conflitos e crises», contrapôs o governante do centro-esquerda. Para Roth, «fronteiras externas fortes [na Europa] são uma pré-condição necessária para que a ausência de fronteiras internas resulte». E nessa medida a «preservação do Espaço Schengen» depende disso mesmo: apoiar os Estados-membros cujas fronteiras dêem para fora da União Europeia.  Heiko Maas, ministro alemão dos Negócios Estrangeiros – que abriu o evento com um breve discurso – reconheceu que a União Europeia «ainda está numa fase problemática». «A Alemanha está pronta para abrir um novo capítulo europeu com a França», sublinhou Maas. «Num diálogo com todos os Estados – pequenos e grandes – e com a sociedade civil».

Carvalhal Antes e depois de Mourinho

CATALUNHA PUIGDEMONT DETIDO NA ALEMANHA

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PALAVRA DO DIA

Ramblas de Barcelona e, três horas mais tarde, na delegação do governo espanhol. Nesse mesmo local houve confronto entre as forças policiais e manifestantes na sexta-feira. “Face a esta grave situação temos que responder juntos”, pode ler-se na conta oficial no Twitter dos CDR a convocar os protestos sob o lema “Contra a repressão e para a República”. Em Girona, a cidade de Puigdemont, 100 quilómetros a norte de Barcelona, algumas dezenas de separatistas manifestaram-se em frente à delegação do governo espanhol, segundo imagens divulgadas pelo CDR desse município no Twitter.

Em entrevista ao jornal ‘Mirror’, o técnico do Swansea fez a antevisão do duelo com o Manchester United de José Mourinho e não poupou nos elogios ao compatriota, assumindo que partilha com o ‘Special One’ uma ‘arma’ importantíssima dos treinadores: a autoconfiança. “Tento aprender com os melhores. Ele tem uma grande autoconfiança, como eu. Isso é preciso.”, acrescentou Carlos Carvalhal. Para além disso, o técnico do Swansea considera que o impacto mediático de José Mourinho contribuiu para a mudança como as pessoas na Europa olham actualmente para os portugueses. “A imagem dos portugueses no estrangeiro não é a mesma antes e depois de Mourinho. Antes dele, a geração de gente mais jovem estava a sair. Emigravam para França, Alemanha e Brasil. Mas saíam para trabalhos primários. Para limpar, para construir casas ou restaurantes. Era a imagem de Portugal. Mas Mourinho chegou e era moderno, tinha sucesso, falava bem e tinha confiança. Agora, 90% de quem tem 25 anos fala inglês e temos doutores, arquitectos e engenheiros fantásticos”, sentenciou.

Hoje Macau 26 MAR 2018 #4019  

N.º 4019 de 26 de MAR de 2018

Hoje Macau 26 MAR 2018 #4019  

N.º 4019 de 26 de MAR de 2018

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