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Taiwan abre aeroporto a escalas

Dvorák tocado em saxofone

hoje macau Nº 4717

SEXTA-FEIRA 26-2-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

ÚLTIMA

MOP$10

O PODER DOS JOGOS GRANDE PLANO

WONG SIO CHAK ESCLARECE SOBRE DIREITOS DOS TNR O Secretário para a Segurança veiculou a sua interpretação da Lei Básica: para Wong, os não residentes não têm direito de reunião e manifestação, como pretendiam alguns birmaneses, a propósito do golpe de Estado no seu país. PÁGINA 6

SINOPHARM

ESTA VACINA NÃO É PARA VELHOS PÁGINA 8

CRIMINALIDADE

ABUSOS, SEXO E BURLAS PUB.

PÁGINA 9

CAMUS E A BOLA LUÍS CARMELO

A POBREZA EXTREMA MORREU PÁGINA 12

ESTÁ QUASE

VALÉRIO ROMÃO

MARTE BARATO ANTÓNIO CABRITA

UM INTERVALO

GONÇALO M. TAVARES

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Atinados e calados

PEQUIM 2022


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OLIMPÍADAS DE INVERNO OU DE COMO A CHINA SE MOSTRA “UM PODER EM ASCENSÃO”

Os jogos que Esta semana o vice-primeiro-ministro chinês, Han Zheng, declarou que os Jogos Olímpicos de Inverno, agendados para 4 de Fevereiro de 2022, irão acontecer dentro do calendário previsto pelas autoridades chinesas. No contexto de uma pandemia e depois da recepção dos Jogos Olímpicos de 2008, a China tem agora a sua oportunidade de se mostrar como um “poder em ascensão”, onde a segurança sanitária será “um dos maiores trunfos”, defende Emanuel Júnior, investigador da Universidade de Aveiro

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Á 13 anos a China recebia, pela primeira vez, uma edição dos Jogos Olímpicos (JO) e com isso mostrava-se ao mundo como uma economia emergente, abrindo um capítulo na aposta forte no desporto como ferramenta de soft power. Desta vez o país prepara-se para receber os Jogos Olímpicos de Inverno, que deverão arrancar a 4 de Fevereiro de 2022. Esta terça-feira o vice-primeiro-ministro chinês, Han Zheng, declarou que serão feitos “esforços contínuos” para garantir que os JO de Inverno de 2022 “irão decorrer conforme programado”. Citado pela agência estatal Xinhua, Han

Zheng falou à margem de uma reunião com o grupo de trabalho responsável pela organização dos Beijing 2022. O vice-primeiro-ministro disse que a preparação do evento entrou “num período crítico”, tendo apelado “a um grande sentido de responsabilidade, missão e urgência para prosseguir com os trabalhos preparativos”. Han Zheng disse também que é importante que os Beijing 2022 aconteçam de uma forma “simples, segura e maravilhosa”, a fim de eliminar eventuais riscos. Um dos exemplos apontados pelo vice-primeiro-ministro passa por “aprimorar infra-estruturas” e garantir que “os espaços para

os eventos de não competição fiquem completos dentro do prazo previsto”. Relativamente à covid-19, o dirigente declarou que é importante “estabelecer um sistema eficiente para as operações dos Jogos, organizar testes com flexibilidade e medidas de contenção”. É também importante, para Han Zheng, “praticar a frugalidade e prevenir a corrupção para que a nação receba uns JO de Inverno limpos”, frisou. O Governo chinês promete agora promover a prática do desporto de inverno junto da população.

Uma nação poderosa

Emanuel Júnior, investigador da Universidade de Aveiro (UA) e

“Xi entende como necessário à China explorar o seu soft power, no sentido de que o país precisa ter uma boa narrativa sobre sua imagem e comunicar melhor a mensagem da nação ao mundo.” EMANUEL JÚNIOR ACADÉMICO

autor de vários trabalhos sobre a relação do futebol chinês com a diplomacia, defendeu ao HM que os Beijing 2022 vão mostrar ao mundo um país que já está num patamar completamente diferente em relação aos JO de 2008. “Em 2008 a China transmitiu ao mundo a mensagem de uma nação rejuvenescida, modernizada, em claro e indiscutível desenvolvimento e com solidez económica (em um contexto global de recessão devido à crise). Enquanto que em 2022 a China já não precisa se apresentar meramente como uma economia emergente, mas tem condições de se mostrar ao mundo como um poder em ascensão, uma força na geopolítica global.”


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vêm do frio de saúde do país, mostrando à audiência global estádios e arenas lotados de espectadores vacinados e sem máscaras, em um claro sinal de poder”, frisou o investigador.

Os estádios de 2008

Sem certezas sobre como será a evolução da pandemia da covid-19 até 2022, a China irá fazer de tudo para passar uma boa imagem na forma ao nível da gestão da saúde pública. “Se parte do sucesso destes Jogos passa pela mensagem de controlo sobre o vírus da Covid-19, é fundamental que a organização seja impecável em todos os aspectos das medidas de contenção, afinal, a segurança sanitária vai ser um dos maiores trunfos da China na promoção da sua imagem.” A organização dos Beijing 2022 "propícia à China a oportunidade de transmitir ao mundo uma imagem de uma nação que conseguiu controlar a pandemia, servindo de promoção da eficácia do sistema

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China considerou “irresponsável querer interromper ou obstruir os preparativos e a realização normal dos Jogos Olímpicos por motivos políticos”

Para os Beijing 2022, a China vai recorrer às cinco infra-estruturas construídas para os JO 2008, incluindo o Estádio Nacional de Pequim, também conhecido como Ninho de Pássaro. Mas Emanuel Júnior recorda que o país vai mostrar “ao mundo um novo e moderno complexo desportivo, em Zhangjiakou, na província de Hebei, além de evidenciar a eficiência de seu sistema, baseado no planeamento, como a construção da linha de alta velocidade Pequim-Zhangjiakou.” Em 2008 Hu Jintao, ex-Presidente chinês, aproveitou os JO para “fazer da China uma potência do desporto mundial”, mas só com Xi Jinping essa seria uma realidade. “Xi entende como necessário à China explorar o seu soft power, no sentido de que o país precisa ter uma boa narrativa sobre sua imagem e comunicar melhor a mensagem da nação ao mundo. Em Janeiro, Xi visitou vários dos equipamentos desportivos dos Jogos 2022 e deixou clara a importância do sucesso deste evento para o país e seu povo”, exemplificou Emanuel Júnior.

A organização dos Beijing 2022 “propícia à China a oportunidade de transmitir ao mundo uma imagem de uma nação que conseguiu controlar a pandemia, servindo de promoção da eficácia do sistema de saúde do país” EMANUEL JÚNIOR INVESTIGADOR

director-geral do Centro Nacional de Salto de Esqui. Em Zhangjiakou, a capacidade dos espaços de competição tem sido analisada por especialistas estrangeiros. “Este teste constitui um passo fundamental para que os eventos ocorram de forma bem sucedida. Para mim, mesmo agora, estes testes têm corrido muito bem, não apenas ao nível do desporto [mas também] nas operações de montanha”, disse Davide Cerato, especialista na concepção de percursos.

Os preparativos

A Xinhua realizou uma reportagem sobre tudo o que já está a ser preparado para o país receber os Beijing 2022, incluindo um programa de testes à covid-19 adaptado para as zonas de competição de Yanqing e Zhangjiakou. No total, seis espaços de competição e três equipas de operação estão a testar cenários de implementação de medidas de combate à covid-19. “Não é fácil. Temos vindo a preparar-nos há muito tempo e enfrentado uma série de dificuldades e desafios”, declarou Mu Yong,

Em Yanqing e Zhangjiakou, seis espaços de competição e três equipas de operação estão a testar cenários de implementação de medidas de combate à covid-19

Além dos inúmeros testes vão também ser adoptadas medidas de distanciamento social, nomeadamente na realização de entrevistas. Os jornalistas terão de estar afastados em cerca de dois metros dos atletas na zona de imprensa. “Todas as situações relacionadas com a covid-19 têm sido tidas em conta, mas seria muito mais fácil irmos mais além. A Organização Mundial de Saúde fala de uma distância de dois metros, e cada uma destas barreiras tem dois metros, então na verdade duplicámos a distância recomendada”, disse Joe Fitzgerald, membro da organização e um antigo coordenador da competição de esqui em estilo livre. Apesar do discurso das autoridades, a China tem enfrentado algumas críticas, uma vez que mais de 180 associações de defesa dos direitos humanos já vieram exigir um boicote aos Beijing 2022. Numa carta aberta tornada pública no passado dia 3, associações alertaram para a questão dos direitos humanos na China, apelando aos governos dos países participantes que se “comprometam com um boicote diplomático aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, para garantir que o evento não é utilizado para encorajar violações dos direitos humanos, que têm sido cometidas pelo governo chinês”. Os signatários da carta consideram que desde a atribuição dos Jogos Olímpicos de Inverno a Pequim, em 2015, o “presidente Xi Jinping desencadeou uma repressão implacável contra as liberdades fundamentais e direitos humanos”. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China considerou, entretanto, “irresponsável querer interromper ou obstruir os preparativos e a realização normal dos Jogos Olímpicos por motivos políticos”. “Esta iniciativa não vai obter o apoio da comunidade internacional e está condenada ao fracasso”, disse Wang Wenbin.


4 política

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Um questão de necessidade Sulu Sou perguntou pela contratação de TNR para a função pública. E obteve uma resposta

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OU Peng Kuan, director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), garantiu, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Sulu Sou, que os trabalhadores não residentes (TNR) só são contratados pela Administração em casos de extrema necessidade e sempre que não existem quadros qualificados no território para ocupar essas posições. Foram dados os exemplos da área da Segurança, Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) ou Serviços de Saúde (SS) que têm TNR contratados em regime de CIT (contrato individual de trabalho). No caso do Instituto Cultural (IC), a maior parte dos TNR contratados trabalham na Orquestra de Macau, Orquestra Chinesa de Macau ou no Conservatório como docentes. “Estamos convencidos de que, à medida que aumentar o número de talentos artísticos formados em Macau, haverá cada vez mais profissionais locais a serem contratados para as orquestras e para o Conserva-

tório”, adiantou Kou Peng Kuan. No caso da DSEJ, são contratados “docentes de excelência do interior da China”, sendo “pública a lista desses docentes e a forma de contratação dos mesmos”. Na área da saúde, os SS “têm recrutado profissionais de saúde experientes do interior da China e do exterior”, a fim de “responder às necessidades de desenvolvimento médico de Macau, reforçar ainda mais a dotação de recursos humanos hospitalares e elevar o nível técnico das diferentes especialidades dos hospitais”. Em termos gerais, a Administração só contrata TNR sempre que se verifica “a falta de quadros locais qualificados, nomeadamente médicos especialistas experientes, técnicos de ciências forenses (provas electrónicas), tradutores (línguas específicas e minoritárias)”. “É de salientar que o Governo tem tido como princípio dar prioridade à contratação de quadros qualificados locais, sendo o concurso o processo normal de recrutamento de pessoal”, remata Kou Peng Kuan.

CONCURSOS PÚBLICOS POR QUE RAZÃO SOBEM OS PREÇOS

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S deputados da 1ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) discutiram ontem, na especialidade, o novo regime de aquisição de bens e serviços. Segundo Ho Ion Sang, presidente da comissão, foram questionados os critérios adoptados pelo Governo para aumentar em seis vezes os valores que determinam a realização de concursos públicos ou ajustes directos nos casos de aquisições de bens e serviços ou contratos na área das obras públicas. Ho Ion Sang defende que são necessárias mais explicações mesmo que o Governo tenha dado como exemplos a alteração dos preços dos materiais de construção e as mudanças

salariais ocorridas nos últimos anos, bem como os valores de mercadorias e matérias-primas em termos gerais. O deputado lembrou que o regime de aquisição de bens e serviços vigora há 30 anos e que os valores estão desactualizados, “não correspondendo à inflação e ao desenvolvimento social”. Tal impede que “as aquisições feitas pelas obras públicas sejam feitas de uma forma eficiente”, declarou. “A nossa comissão também se preocupa com a forma como o Governo vai reforçar a supervisão e o mecanismo de gestão, a fim de garantir a qualidade das aquisições, a competência e o aumento da transparência [no processo]”, frisou. Ho Ion Sang disse ainda que os deputados também questionaram com o facto de a proposta de lei omitir a obrigatoriedade de um contrato escrito nos casos em que as obras tenham um prazo de execução superior a um certo período.

48 horas

MIGRAÇÃO DEPUTADOS QUESTIONAM PERÍODO

Os deputados da 3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa pretendem saber se há um prazo máximo a cumprir pelas autoridades policiais quando retêm o passaporte de pessoas que entram ilegalmente em Macau. Na reunião de ontem colocaram-se ainda dúvidas sobre os prazos e o processo de detenção destas pessoas até à sua expulsão do território

O

regime jurídico do controlo de migração e das autorizações de permanência e residência na RAEM, actualmente em análise na especialidade na Assembleia Legislativa (AL), prevê que, aquando da entrada de pessoas ilegais em Macau, estas

possam ficar em liberdade temporária desde que entreguem o seu passaporte ou outro documento de viagem, e sempre em casos considerados menos graves. No entanto, os deputados pretendem saber se a proposta de lei irá prever um prazo máximo para o confisco deste documento. “O

Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) pode deixar a pessoa em liberdade, mas com a condição de ter um passaporte. Foi colocada a questão se há ou não um prazo para a retenção do passaporte do interessado, ou se este prazo pode ou não ser prolongado”, explicou o deputado Vong Hin Foi, que


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ASSEMBLEIA LEGISLATIVA LEONG SUN IOK PRIVATIZAÇÃO DEBAIXO DE OLHO

N

uma interpelação escrita, o deputado Leong Sun Iok exige saber mais pormenores sobre a privatização do Centro de Incubação de Novas Tecnologias de Macau (Manetic), que terá acontecido em 2019. O deputado recordou que durante anos que a Manetic funcionou como uma empresa de capital público, mas que

não apresentava os detalhes do funcionamento e gestão interna. Por isso, Leong Sun Iok quer que o Governo disponibilize as informações sobre os recursos investidos no Centro de Incubação e que explique ainda os motivos que levaram a que não tivessem interesse em apresentar os resultados e avaliar o impacto para a sociedade. Por outro lado, o deputado dos operários citou os relatórios do Comissariado da Auditoria sobre o Funcionamento da CAM - Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau e da Macau Investimento e Desenvolvimento para sustentar que no passado houve perdas com as empresas públicas e que é necessário melhorar a transparência e gestão.

ANGELA LEONG PELUCHES REGULAMENTADOS

A

deputada Angela Leong defende que o Governo deve prestar atenção ao risco de menores se viciarem em máquinas de brinquedos e peluches e

depois

DE RETENÇÃO DE PASSAPORTE PELAS AUTORIDADES

preside à 3ª comissão permanente da AL, responsável pela análise deste diploma. Segundo a proposta de lei, esta medida de liberdade temporária exclui as situações em que a pessoa tenha “adoptado uma conduta que indicie que pretende furtar-se à expulsão” ou que tenha estado envolvida num caso de imigração ilegal há menos de 10 anos. Estão também excluídos casos em que a pessoa ilegal possa pôr em causa a ordem e segurança públicas do território.

Dúvidas sobre detenção

A proposta de lei prevê que as pessoas que entrem ilegalmente em Macau fiquem detidas por um período inicial de 48 horas com vista à “realização das diligências para o início do processo de expulsão”. No entanto, os deputados preten-

dem ter acesso a mais dados, como “os números das pessoas detidas, os casos em que a detenção foi de 48 horas e quais aqueles em que se ultrapassaram as 48 horas de detenção”. O diploma prevê ainda que o prazo de processamento de expulsão é de 60 dias, mas a contagem dos dias pode ficar suspensa

“Foi colocada a questão se há ou não um prazo para a retenção do passaporte do interessado, ou se este prazo pode ou não ser prolongado.” VONG HIN FAI DEPUTADO

sempre que haja dúvidas sobre a identidade da pessoa, ocorram atrasos com a documentação ou o detido esteja impedido de viajar por motivo de doença. Esta detenção nunca pode ultrapassar o prazo máximo de dois anos. Sobre esta matéria, no entanto, os deputados apresentaram várias dúvidas. “Se depois de 24 meses a pessoa continuar doente ou impossibilitada de viajar, teremos de ver qual o tratamento que vai ser dado”, disse Vong Hin Fai. Quanto à necessidade de recolha de dados por parte das autoridades, fundamento que pode levar à suspensão do prazo para o processamento da expulsão, os deputados também apresentam questões. “[Quando a pessoa entra legalmente em Macau] as autoridades policiais já possuem dados de identificação da pessoa, porque é que se considera que essa situação de indocumentado como fundamento para a suspensão da contagem do prazo para o processamento da expulsão? As autoridades já teriam recolhido esses elementos da pessoa aquando da sua entrada”, adiantou o presidente da 3ª comissão. Ainda sobre a detenção da pessoal ilegal, os deputados pretendem clarificar qual será a entidade responsável pela aprovação da extensão da detenção além das 48 horas iniciais após a entrada no território. Andreia Sofia Silva e N.W.

implementar uma maior regulamentação dos espaços que disponibilizam este tipo de aparelhos. Em comunicado, a deputada disse que tem recebido vários alertas por parte de famílias que têm de lidar com o vício dos seus filhos neste tipo de máquinas, onde acabam por gastar a sua mesada. Angela Leong lembrou que, por norma, estas lojas abrem portas em zonas residenciais ou perto de escolas, o que acaba por atrair os jovens e crianças. A deputada e empresária pede, além da intervenção do Governo, uma maior atenção da sociedade para este tipo de problema.

Metro Ligeiro UGAMM exige supervisão Tang Man Kei, vice-director do conselho para os assuntos sociais da União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), defendeu, segundo o Jornal do Cidadão, uma supervisão eficaz das obras do troço da ilha de Hengqin do metro ligeiro, a fim de evitar derrapagens

orçamentais. Tang Man Kei disse que o troço de Macau do metro ligeiro não ajuda muito à deslocação de residentes, apontando problemas no seu funcionamento. O responsável lembrou que as derrapagens orçamentais verificadas no passado fazem com que a população não

confie no projecto. Para Tang Man Kei, é importante que o Governo aposte na construção de uma rede que ligue todos os troços do metro ligeiro em conjugação com os restantes meios de transporte, a fim de aumentar a eficiência da infra-estrutura e aliviar a pressão do trânsito.

Reserva financeira Associação pede maior eficiência na gestão Lau Pun Lap, presidente da Associação Económica de Macau, disse ao jornal Ou Mun que o Governo deve aumentar a eficiência ao nível da gestão da reserva financeira da RAEM, a fim de reduzir o défice e garantir capitais com maior estabilidade. Lau Pun Lap

sugere, por isso, que seja utilizada a carteira de investimentos tendo em conta a situação dos mercados. O responsável acredita que as receitas públicas possam vir a aumentar face ao ano passado, embora as receitas do jogo demorem ainda a recuperar.

Associação de Limpeza quer flexibilidade para TNR

Chan Kin Ieng, presidente da Associação Geral dos Indústria de Limpeza de Serviço de Macau, quer que o governo flexibilize as autorizações de trabalho temporário, noticiou ontem jornal Ou Mun. O responsável justificou que segundo a nova lei de contratação de trabalhadores não-residentes, estes só podem candidatar-se à obtenção de um título de trabalho, conhecido como bluecard, depois de saírem da RAEM. Esta alteração legislativa recente, fez com que vários TNR despedidos não consigam trabalhar mais em Macau, mesmo que estejam impossibilitados de deixar a RAEM, por falta de voos. A situação atira-os para um situação de pobreza, porque passam um longo período sem rendimentos. Chan Kin Ieng espera assim que o Governo seja flexível e arranje uma solução para os TNR, de forma a evitar que tenham de recorrer ao crime para sobreviverem.


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A

PESAR de constar na Lei Básica que residentes e trabalhadores não residentes gozam dos mesmos direitos, a interpretação final sobre o direito de reunião e manifestação é feita através da lei específica sobre este direito. É esta a interpreta-

WONG SIO CHAK NEGA A NÃO-RESIDENTES IGUALDADE ABSOLUTA

Direitos de segunda GCS

O secretário para a Segurança considera que a lei de reunião e manifestação exclui os trabalhadores não residentes desses direitos fundamentais, apesar dos mesmos estarem protegidos pela Lei Básica...

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ção utilizada pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, para recusar o direito de reunião a um trabalhador

não-residente do Myanmar que pretendia manifestar-se contra o golpe de estado no país de origem. PUB.

“De facto, o artigo 43.º da Lei Básica afirma o princípio de que às pessoas não residentes mas que se encontrem na RAEM, devem ser reconhecidos os direitos e deveres fundamentais previstos para os residentes de Macau, todavia, esse reconhecimento é apenas um princípio geral, não absoluto”, afirmou Wong Sio Chak, numa resposta à Rádio Macau. Ainda de acordo com a explicação do governante, “a Lei Básica remete para o legislador ordinário a tarefa de definir, em concreto, a extensão e âmbito dos diversos direitos, podendo o mesmo estabelecer limitações, reservas e especialidades - é esse o sentido e alcance da expressão ‘em conformidade com a lei’, usada no artigo 43.° da Lei Básica”, argumenta.

Só para residentes

No que diz mesmo respeito aos direitos de reunião e manifestação, definido pela Lei 2/93/M, e que já sofreu várias alterações depois do estabelecimento da RAEM, Wong Sio Chak diz que “são reconhecidos apenas aos residentes de Macau”. “O conceito de ‘residentes de Macau’ deve ser entendido à luz da Lei Básica [e] abrange os ‘residentes permanentes’ e os ‘residentes não permanen-

tes’ (...) [e] desenvolvido, ao nível da lei ordinária, pela Lei 8/1999, sobre o direito de residência na RAEM”, sublinhou. “Este tipo de limitações, reservas e especialidades relativamente a direitos de não residentes não é novidade”, insistiu, remetendo depois para a liberdade na procura de emprego, que diz estar “restringida relativamente a não residentes, pela legislação que regula a contratação de trabalhadores não residentes e define o quadro do trabalho ilegal”.

Uma visão diferente

Por sua vez, o jurista António Katchi considera que o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) está a fazer uma interpretação errada da lei, quando diz que os trabalhadores não residentes não têm direito de reunião e manifestação. As declarações do jurista foram prestadas à Rádio

“Este tipo de limitações, reservas e especialidades relativamente a direitos de não residentes não é novidade.” WONG SIO CHAK SECRETÁRIO PARA A SEGURANÇA

Macau, que tinha noticiado que um trabalhador não residente do Myanmar desistiu de fazer o aviso prévio de reunião para o dia 28 de Fevereiro sobre o golpe de estado no seu país, após as autoridades lhe terem dito que não era abrangido pelo direito de reunião e manifestação. “É uma interpretação completamente errada e, além de ser errada, nem sequer corresponde à interpretação da polícia nestes 20 ou 21 anos que decorreram desde a transferência de soberania”, disse António Katchi. O jurista recordou também que nos primeiros anos da RAEM a questão tinha colocada “à polícia e ao próprio Governo” para “saber se os não residentes gozavam ou não do direito de manifestação”. Segundo Katchi, o assunto surgiu depois de residentes de Hong Kong terem sido proibidos de entrar em Macau, “com o fundamento de que vinham cá participar em manifestações”. “Essa interpretação foi sempre feita tendo por alvo os turistas – as pessoas, por exemplo, que vinham de Hong Kong para participar em manifestações; nunca teve por alvo os trabalhadores não residentes”, sublinhou.

Explicações antigas

António Katchi recordou ainda as explicações de juristas que estiveram envolvidos na redacção da lei reguladora da liberdade de reunião e manifestação: “Quando se escreveu na lei que os residentes gozam da liberdade de reunião e manifestação pacífica e sem armas, o objectivo não era excluir os não residentes, muito menos os trabalhadores não residentes, que na verdade são residentes, mas com o estatuto de trabalhadores não residentes”, explicou. “O objectivo era, simplesmente, arranjar um substituto para a palavra ‘cidadão’. Ou seja, como Macau não é um estado – em vez de se dizer ‘todos os cidadãos’, como em Portugal –, encontrou-se a palavra ‘residente’, que é, basicamente, correspondente no contexto de Macau”, acrescentou. João Santos Filipe


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AEROPORTO EM TEMPOS DE PANDEMIA REAFIRMADA APOSTA NA GRANDE BAÍA

COMÉRCIO IMPORTAÇÕES DE PAÍSES LUSÓFONOS SUBIU 451,5%

O

TIAGO ALCÂNTARA

valor de mercadorias importadas pelos países lusófonos a Macau subiu 451,5 por cento em Janeiro, em relação ao mês homólogo do ano anterior, enquanto o das exportações caiu 9,5 por cento, foi ontem anunciado. Segundo os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), divulgados ontem, as importações de mercadorias aos países de língua portuguesa atingiram o valor de 62 milhões de patacas, menos 9,5 por cento que em Janeiro de 2020. Já as exportações para países lusófonos representaram 160 mil patacas, um crescimento ainda assim de 451,5 por cento, em termos anuais. Em Janeiro, o valor total de mercadorias exportado por Macau atingiu 1,42 mil milhões de patacas, um aumento de 29,9 por cento, face ao mesmo mês de 2020. Em relação à importação de mercadorias, a DSEC indicou que Macau importou em Janeiro 10,69 mil milhões de patacas, que representam uma subida de 28,5 por cento, em termos anuais. Em 2020, o défice da balança comercial de Macau atingiu os 81,75 mil milhões de patacas, crescendo 4,42 mil milhões de patacas em relação a 2019.

As aventuras de uma porta Ma Iao Hang , presidente do Conselho de Administração, reconheceu os tempos difíceis mas considera que a gestão cuidadosa permite ter dinheiro para enfrentar o ano de “todos os desafios”

E

M mais um ano marcado que se antevê marcado pelos efeitos da pandemia, o Aeroporto Internacional de Macau aposta em afirmar-se como uma “porta internacional” para a Grande Baía. O objectivo, que passa pela abertura do Segundo Terminal, foi reafirmado ontem pelo presidente do Conselho de Administração da direcção da CAM - Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, Mao Iao Hang, durante um almoço de celebrado do Ano Novo Lunar. “O projecto da infra-estrutura do Segundo Terminal foi desenhada e construída para melhorar o espaço e serviços do Aeroporto Internacional de Macau. Também o terminal do Pac On vai ser construído como centro de integração de transportes terrestres, marítimos e aéreos para prestar melhores serviços aos residentes de Macau e da Grande Baía”, afirmou Ma Iao Hang. “Vamos cooperar com o plano nacional do desenvolvimento de Macau e para consolidar a posição de Macau como uma porta internacional”, acrescentou. Apesar do contexto difícil, até ao final do corrente ano o aeroporto vai ter capacidade para receber cerca de 10 milhões de passageiros por ano, o que se deve à expansão da Zona Sul do Aeroporto. Só em 2019, ainda sem as infra-estruturas mais recentes, houve um total de 9,6 milhões de passageiros a utilizar o aeroporto de Macau. “A construção da estrutura principal da expansão Sul do aeroporto já chegou ao topo e prevemos que esteja completa no final do ano. Vai permitir receber 10 milhões de passageiros por ano”, indicou o presidente do Conselho de Administração.

Impacto “enorme”

Em 2020, o número de passageiros do Aeroporto Internacional de Macau sofreu uma quebra de 88 por cento de 9,1 milhões para 1,2 milhões. Já o número de partidas e

chegadas foi de 16.962, o que é uma quebra de 78 por cento. Por isso, a companhia reconheceu ontem que o caminho no futuro vai continuar a ser difícil. “A pandemia da Covid-19 atingiu enormemente e de uma forma global a indústria da aviação. Ao olhar para este último ano, o Aeroporto Internacional de

Macau implementou as medidas de prevenção da pandemia [...] e enfrenta uma nova dinâmica [...] e todos os tipos de dificuldades e desafios”, foi reconhecido. Apesar disso, a empresa gestora do aeroporto diz que está preparada. “O Aeroporto Internacional de Macau sofreu meses consecutivos com perdas de receitas [...] Porém,

“Aeroporto Internacional de Macau sofreu meses consecutivos com perdas de receitas [...]os princípios de gestão da tesouraria fazem com que haja fundos para responder às necessidades das operações.” MA IAO HANG PRESIDENTE

os princípios de gestão da tesouraria fazem com que haja fundos para responder às necessidades das operações”, foi vincado. Na mensagem de Ma Iao Hang foi ainda sublinhado que entre 2015 e 2020 a empresa pagou aos accionistas, entre empréstimos e distribuição de dividendos, cerca de 1,3 mil milhões de patacas. A CAM é detida em 55,2 por cento pelo Governo da RAEM e 34,5 por cento pela Sociedade de Turismo e Diversões da Macau. O restante capital e detido por outras empresas e investidores individuais, como os herdeiros de Winnie Ho, irmã falecida de Stanley Ho. João Santos Filipe


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26.2.2021 sexta-feira

A idade não é um posto

TIAGO ALCÂNTARA

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Vacina da Sinopharm deixa de estar disponível para maiores de 60 anos

É

oficial: as pessoas com mais de 60 anos não vão poder ser vacinadas contra a covid-19 com a vacina da Sinopharm. A informação consta num comunicado emitido ontem pelo Centro de Coordenação e Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. “De acordo com os regulamentos da Administração de Medicamentos da China, a vacina Sinopharm deve ser administrada a pessoas na faixa etária compreendida entre os 18 e os 59 anos. Os indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos só podem ser vacinados após avaliação das suas necessidades, devem estar em bom estado de saúde e em alto risco de exposição.” O Centro acrescentou ainda que, “nos últimos dias, verificou-se que alguns idosos não cumpriam as duas condições para a administração da vacina, e após avaliação pelos profissionais de saúde, não conseguiram ser vacinados”. Desta forma, as autoridades vão deixar de “aceitar a marcação da vacina inactivada da Sinopharm a indivíduos que tenham idade igual ou superior a 60 anos”. Apesar desta decisão, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, que tem 63 anos de idade, foi vacinado, no passado dia 9, com a vacina da Sinopharm. Na ocasião, o governante declarou que “a

Sinopharm anunciou que a sua vacina contra a covid-19 não tem limite de idade”.

mRNA é solução

Como alternativa, as pessoas com mais de 60 anos poderão inscrever-se para tomar a vacina mRNA, produzida pela BioNtech com a cooperação da Fosun, na Alemanha, que chegam a Macau nos próximos dias via Hong Kong. As autoridades planeiam que estas vacinas possam começar a ser administradas no início da próxima semana”. “De acordo com as recomendações da Agência de Medicamentos da União Europeia, a vacina de mRNA pode ser administrada a pessoas com idade igual ou superior a de 16 anos e é adequada para pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Aqueles que estão nesta faixa etária que têm interesse em ser vacinados, é recomendado que optem pela administração da vacina de mRNA”, aponta o Centro de Coordenação. Até às 21h de quarta-feira um total de 25.462 pessoas agendaram a administração da vacina, das quais 9.284 administraram a primeira dose da vacina contra a covid-19, “o que corresponde às expectativas iniciais”, conclui o mesmo comunicado. Andreia

Sofia Silva

Lui Che Woo, presidente do Grupo Galaxy “Vimos sinais de uma recuperação [...] mas ainda pode levar alguns trimestres até que o volume de negócio volte a aumentar significativamente”

JOGO GALAXY REGISTOU PREJUÍZOS DE 3,97 MIL MILHÕES

Amêndoa amarga Apesar das perdas, o presidente do grupo vê sinais de esperança nos ganhos, antes de impostos, de mil milhões de dólares de Hong Kong durante o último trimestre de 2020. Operadora já antecipa consulta pública sobre concessões

A

concessionária Galaxy, que gere o casino com o mesmo nome no Cotai, apresentou ontem um prejuízo de 3,97 mil milhões de dólares de Hong Kong, relativo a 2020. Os resultados negativos contrastam com o lucro de 13,04 mil milhões que a empresa de Lui Che Woo tinha apresentado em 2019. O prejuízo das Galaxy prende-se principalmente com a redução das receitas brutas do jogo nas mesas de Macau, que devido às restrições da

pandemia passaram de 52,21 mil milhões de dólares de Hong Kong para 11,02 mil milhões. Face ao cenário de perdas, a direcção da empresa optou por não distribuir dividendos. Apesar dos números, Lui Che Woo destacou em comunicado o facto de ter havido um lucro antes de impostos de 1,01 mil milhões no quarto trimestre do ano. O montante é visto como um sinal positivo, até porque no terceiro trimestre do ano tinham sido assinaladas perdas de 0,94 mil milhões.

“Esta melhoria foi largamente causada por um aumento do número de visitantes, que se traduziu num crescimento das receitas e também no controlo dos custos”, afirmou Lui. Na mesma mensagem é ainda deixado um sinal de esperança para o mercado do jogo na RAEM, a médio prazo, apesar de haver alguma cautela. “Temos muita confiança no futuro de Macau. Vimos sinais de uma recuperação prematura após ter sido retomado o programa de vistos individuais de viagem, em Setembro de 2020,

mas ainda pode levar alguns trimestres até que o volume de negócio volte a aumentar significativamente”, é admitido. Também por este motivo, a empresa justifica que não haverá dividendos.

Com os olhos na concessão

Anteriormente, o Governo afirmou que a consulta pública sobre as concessões do jogo, que expira em 2022, vai começar na segunda metade deste ano. Esta é uma fase dos trabalhos que vão lançar as bases para o futuro da indústria do jogo que a Galaxy diz “aguardar com expectativa”. Além disso, Lui Che Woo aproveita para deixar elogios ao Executivo liderado por Ho Iat Seng, por estar a trabalhar na promoção da economia. “Voltamos a aplaudir o Governo de Macau por assumir de forma pró-activa a liderança do combate à crise pandémica. O foco do Governo não se limita a garantir a saúde e segurança da comunidade, mas também a colocar Macau numa posição para atrair visitantes, de apoio à recuperação económica e manter a estabilidade social”, é frisado. João Santos Filipe

TAIWAN GOVERNO RECUSA RESIDÊNCIA A JUNKET CHARLES LEUNG

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Governo de Taiwan recusou o pedido de imigração de Charles Leung, junket em Macau e realizador de filmes em Hong Kong, nos quais participaram actores como Jet Li, Chow Yun Fatm Andy Lau ou Stephen Chow. O fundador da China Star foi ligado em 1992, por uma subcomissão do Senado dos Estados Unidos, a actividades da tríade Sun Yee On. Na decisão anunciada publicamente pela Agência Nacional

de Imigração de Taiwan não consta a justificação que levou a que o pedido de Charles Leung fosse negado. Porém, a lei que permite a imigração de residentes de Hong Kong e Macau para Taiwan inclui vários motivos para recusar os pedidos, que vão da documentação incompleta até à “ameaça aos interesses nacionais”. A notícia do pedido de imigração tinha sido revelada em Dezembro do ano passado, e tinha sido feita com base

nas ligações familiares, uma vez que a mulher de Charles Leung, Tiffany Chen, nasceu em Taiwan. No entanto, o pedido gerou controvérsia entre a população da Formosa, uma vez que Leung expressou publicamente o apoio à Lei da Segurança de Hong Kong. Também o filho de Leung, Jacky, viu um pedido semelhante recusado e, segundo o jornal Taiwan News, tal poderá dever-se ao facto de integrar uma associações que

faz parte da Liga da Juventude Comunista da China. Quando o pedido foi noticiado pela primeira, o porta-voz dos Conselho para os Assuntos do Interior do Governo de Taiwan, Chiu Chui Cheng, confirmou que Charles Leung se encontrava na Formosa desde Dezembro, com um visto turístico. A autorização de permanência tinha um prazo de três meses e poderia ser renovada mais uma vez por igual período.


sexta-feira 26.2.2021

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pandemia da covid-19 alterou profundamente a forma como as pessoas vivem, alteração de paradigmas que se estende ao crime. As estatísticas da criminalidade, divulgadas ontem pelo gabinete do secretário para a Segurança dão conta disso mesmo. As restrições fronteiriças para controlar a propagação do novo tipo de coronavírus alteraram no ano passado padrões e métodos criminais, nomeadamente no tráfico de drogas, burlas na internet e nos crimes associados ao jogo. Assim sendo, as estatísticas divulgadas pelo gabinete de Wong Sio Chak referem que em 2020 foram registados “37 casos de sequestro, vulgarmente conhecido por crime de ‘cárcere privado’, representando uma descida de 316 casos comparativamente com o ano de 2019, uma descida significativa de 89,5 por cento”. Outro dos delitos mais comuns de Macau, também associado à indústria que domina a economia local, é a usura, também conhecida por agiotagem. Em 2020, as autoridades dão conta de 78 casos, o que representa uma quebra abrupta em relação aos 527 casos registados em 2019, mais de 87 por cento. Destaque também para a queda significativa dos casos reportados de violação no ano passado, de 29 para 15, o que representa menos 32,6 por cento. O número de homicídios repetiu-se em relação a 2019, com dois casos. Ainda na categoria de crimes contra pessoas regista-se um dos registos mais negros nas estatísticas da criminalidade de 2020, quando as autoridades trataram “24 casos de abusos sexuais de crianças, um aumento de 13 casos, representando uma subida de 118,2 por cento comparativamente ao ano de 2019”. Neste domínio, Wong Sio Chak realça que os dados das autoridades indicam que “a maioria dos casos de abuso sexual de crianças ocorrem nas escolas ou no ambiente familiar, cerca de 70 por cento dos autores são familiares, colegas ou professores da vítima”. Para contornar situações em que as vítimas tiveram medo ou não compreenderam a gravidade do que lhes aconteceu e que, por isso,

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SEGURANÇA CRIMINALIDADE EM 2020 INFLUENCIADA PELA PANDEMIA

A ocasião faz o ladrão

No ano passado, a criminalidade associada ao jogo, como o sequestro e agiotagem, sofreram uma redução drástica na sequência da paralisação imposta pela pandemia ao sector. Porém, crimes como abuso sexual de menores e burlas online dispararam em 2020, de acordo com as estatísticas da criminalidade

resultaram na apresentação a órgãos judiciais de 34 arguidos. O secretário para a Segurança aponta a dificuldade em investigar e apanhar quem comete este tipo de crimes, porque “a maioria das plataformas de redes e os ip address utilizados por arguidos estão localizados fora de Macau”. Assim sendo, a polícia da RAEM estabeleceu um mecanismo de cooperação com a Interpol e, como a maioria dos arguidos é de oriunda do sudeste asiático, foram emitidas comunicações a informar sobre as consequências da conduta criminosa. Outros crimes que surgiram no ano passado, foi a burla com vendas de materiais médicos, como máscaras, com o total de 42 casos e o uso ilegal de documento de identificação de outrem para adquirir material médico para revenda, ilícito que se verificou 53 vezes no ano passado. Com a evolução da pandemia, este tipo de crimes desapareceu já no último trimestre de 2020. Com a vida exterior reduzida aos mínimos, o tempo que se passa online e as compras pela internet aumentaram significativamente. No ano passado, “foram registados 531 crimes informáticos, uma subida de 96,7 por cento em comparação com o ano de 2019, entre os quais houve uma subida significativa de casos relacionados com compras online com cartão de crédito, dos quais foram registados no total 411 casos, uma subida de 294 casos, em comparação com o ano de 2019, representando um aumento de 251,3 por cento”

Puxar pela cabeça

No ano passado, as autoridades trataram “24 casos de abusos sexuais de crianças, mais 13 casos representando uma subida de 118,2 por cento comparativamente ao ano de 2019” não reportaram os crimes às autoridades, a comunicação sobre este tipo de criminalidade foi reforçada. A polícia publicou cerca de 150 informações de combate ao abuso de menores em plataformas como o We-

chat, Facebook e Youtube, apelando aos menores para pedirem “ajuda oportuna à Polícia ou à geração mais velha”. Além disso, foram organizadas mais de meia centena de palestras, que contara com a participação

de cerca de 12.000 estudantes, pais e docentes.

Perigo na rede

Com as movimentações no exterior condicionadas, no ano passado alguns fenómenos de criminalidade passaram

a surgir na internet. Um dos crimes que passou a estar no radar das autoridades, e que não tinha registado nenhum caso em 2019, foi a divulgação de pornografia infantil. No ano passado as autoridades instauraram 129 casos, que

As redes de distribuição de droga foram fortemente afectadas no ano passado, com as restrições fronteiriças que surgiram por todo o mundo. Macau não foi excepção. Por cá, o crime de tráfico caiu mais de 40 por cento durante 2020. Wong Sio Chak mencionou as formas inovadoras como os traficantes fizeram chegar estupefacientes a Macau. No ano passado foi apreendida droga em máscaras hidrantes, em forma líquida disfarçada de vinho tinto a através de empresas de compras online. No cômputo geral, registaram-se menos 673 crimes no ano passado, em comparação com 2019, o que correspondeu a uma descida de 63,9 por cento da criminalidade. João Luz


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26.2.2021 sexta-feira

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The Londoner Macao Lança Primeira Fase com Cerimónia de Abertura Sumptuosa

ser contemporânea, o The Londoner Macao irá abrir progressivamente durante 2021.

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NTRE o toque de trombetas e espectáculos, a Sands China Ltd. lançou a primeira fase do The Londoner® Macao no dia 8 de Fevereiro, com uma cerimónia de abertura no resort integrado, durante a qual foi transmitida uma mensagem vídeo especial do embaixador global da Sands Resorts Macao, David Beckham. The Londoner Macao é uma arrojada recriação de temática britânica do resort integrado do Sands®️ Cotai Central da Sands China. Proporcionando o melhor da cultura e da história britânicas, a par de uma experiência hoteleira que, sendo tradicional não deixa de

Um dos destaques do evento de abertura foi o próprio local – o Palácio de Cristal, o ornamentado e elegante átrio principal. Desenhado em estilo clássico vitoriano, o átrio de vidro e ferro é encimado por um tecto de vitral situado a 33 metros de altura, que deixa escoar a luz do sol durante o dia e proporciona uma vista panorâmica do céu nocturno depois de anoitecer. Postes de iluminação da era victoriana delineiam o piso de mármore escuro com motivos, no centro do qual se destaca uma cópia em tamanho natural da Shaftesbury Memorial Fountain, em cujo pináculo se encontra Anteros, o deus grego do amor altruísta. Para além do Palácio de Cristal, o lançamento da primeira fase traz novas opções de restauração, atracções interactivas inspiradas em temas londrinos e a abertura do The Londoner Hotel – uma torre com aproximadamente 600 suites de luxo. O interior das suites é luminoso e contemporâneo, com uma ambiência britânica requintada, com mesas de cabeceira em mármore, camas personalizadas com cabeceiras em tecido luxuoso, elegantes sofás chesterfield, poltronas de espaldar alto em couro e banheiras de estilo victoriano.

Os dois últimos pisos do hotel incorporam 14 suites exclusivas desenhadas por David Beckham, as primeiras de Macau a serem projectadas por celebridades, que serão inauguradas mais para o final de 2021. Criadas pelo embaixador global da Sands Resorts Macao, David Beckham, em colaboração com a importante empresa de design de interiores de Londres David Collins Studio, as suites captam a essência de uma sofisticada mansão londrina, oferecendo aos hóspedes uma experiência de luxo única que proporciona calor e charme. A Orquestra Juvenil de Macau actuou na cerimónia de abertura, assim como o Coro da Sands China, que cantou uma interpretação a capella de uma das mais conhecidas melodias britânicas do século XX, o êxito de rock operático dos Queen, Bohemian Rhapsody. O evento contou ainda com um tributo em vídeo em honra do fundador da empresa, Sheldon G. Adelson, que faleceu no mês passado. Representando um investimento de 1,9 mil milhões de dólares americanos (15,2 mil milhões de patacas), o The Londoner Macao irá progressivamente inaugurando novas valências ao longo de 2021, como as Suites por David Beckham; o Londoner Court, um luxuoso hotel de estilo residêncial apenas com suites; as temáticas Shoppes at Londoner e o Londoner Arena.

Para mais informação, é favor visitar www.londonermacao.com


sexta-feira 26.2.2021

A Associação de Regentes de Banda de Macau leva amanhã ao pequeno auditório do Centro Cultural de Macau um concerto dedicado à música do compositor checo Antonín Dvorák. O jovem músico local Hugo Loi vai liderar a ensemble de saxofones, em composições clássicas com influências de música tradicional

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pequeno auditório do Centro Cultural de Macau recebe amanhã, pelas 19h45, o concerto “Dvorák meets Saxophone”, interpretado por um ensemble de metais de sopro, com a organização da

CONCERTO “DVORÁK MEETS SAXOPHONE” AMANHÃ NO CENTRO CULTURAL DE MACAU

Encontro em Praga Banda de Macau e noutras instituições.

Celebrar Antonín Dvorák

O concerto tem como objectivo, além do prazer do espectador, celebrar o 180º aniversário do compositor checo, que na altura em que escreveu a música que se vai ouvir amanhã era director do Conservatório de Música de Nova Iorque.

O concerto marca a celebração do 180º aniversário do compositor checo

Associação de Regentes de Banda de Macau. O jovem saxofonista local Hugo Loi vai liderar a banda no reportório assente nas obras “Slavonic Dance Op.46. No.1, No.2, No.7 e No. 8”, na “Serenade for winds, op.44” e no seundo movimento, Largo

O IC Galeria do Tap Seac alvo de trabalhos de reparação até Junho

O Instituto Cultural (IC) procede, a partir de hoje, dia 26, a trabalhos de reparação e pintura das paredes exteriores, portas e janelas da Galeria do Tap Seac, a “fim de assegurar a manutenção periódica das instalações culturais e museológicas”. Os trabalhos só vão terminar em Junho deste ano mas, nesse período, a galeria estará aberta ao público como habitualmente, durante os períodos de exposição, sem prejuízo da visita do público, explica o IC.

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"From the New World” da Sinfonia No. 9. Hugo Loi Hon Cheong é formado no prestigiado Conservatório Real de Haia, na Holanda, onde completou o bacharelato e mestrado em performance de saxofone. Em 2006, arrebatou o primeiro

primeiro volume das Obras Completas do ex-Presidente da República Mário Soares vai ser publicado até ao final do primeiro trimestre deste ano, pela Imprensa Nacional (IN), disse à agência Lusa fonte da editora. O projecto da publicação das Obras Completas de Mário Soares (19242017) foi anunciado pela IN em 2019, sob coordenação de José Manuel dos Santos, antigo assessor do Presidente, e com a colaboração de personalidades próximas do ex-líder socialista, afirmou na ocasião o director editorial da IN, Duarte Azinheira, que explicou tratar-se de um "projecto muito ambicioso e complicado do ponto de vista editorial", porque, ao contrário do que acontece com outros autores, "os títulos não estão fixados". "Há um enorme arquivo e foi necessário ter uma equipa a investigar", disse Azinheira, em Janeiro de 2019, referindo que essa equipa estava "a ajudar a fixar o plano de publicações", um trabalho que vai continuar a fazer "nos próximos anos".

prémio nas categorias solo e música de câmara do Concurso para Jovens Músicos de Macau, organizado pelo Instituto Cultural. Passado quase um quarto de século, Loi é hoje professor no Conservatório de Macau, na escola da Associação de Regentes de

Nascido na pequena comuna checa de Nelahozeves, Antonín Dvorák foi cedo para Praga estudar órgão e mais tarde violino, acabando por fazer parte da secção de cordas da Orquestra do Teatro Bohemian Provisional em Praga. O músico acabou por abandonar a orquestra depois de se ter casado, mas continuou a compor até atrair o interesse Johannes Brahms,

Os livros do presidente

Obras completas de Mário Soares publicadas este trimestre pela Imprensa Nacional

Segundo essas declarações de Azinheira, a colecção abre com "As Ideias Políticas e Sociais de Teófilo Braga", trabalho que tem por base a dissertação de licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas que

Soares apresentou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A edição, fac-similada, constituirá o volume número zero - porque é "uma espécie de aperitivo" -, e vai reproduzir o exemplar oferecido a António Sérgio, com todas as anotações que este fez à margem. A este título, seguir-se-á o primeiro de "Correspondência Cultural", já fruto do trabalho dos investigadores, que irá mostrar como o antigo Presidente se correspondia com "toda a gente", nomeadamente o poeta Herberto Helder (1930-2015).

Outras edições

A IN também conta publicar este ano o teatro completo de Natália Correia (1923-1993), em dois volumes, que serão incluídos na colecção "Biblioteca de Autores Portugueses".

Hugo Loi

que viria a ser preponderante na sua carreira. O conceito musical de Dvorák, à semelhança dos homens do seu tempo e país, enquadrava-se no movimento romântico do nacionalismo checo. Os bilhetes para o concerto custam 120 patacas. João Luz

O projecto da edição do Teatro Completo de Natália Correia, que inclui peças como "O Encoberto" ou "A Pécora", tinha já sido anunciado no ano passado e foi adiado devido a "constrangimentos vários", justificou à agência Lusa fonte da IN. O plano de edições deste ano da IN inclui ainda uma biografia de João Ludovice (1673-1752), arquitecto de origem alemã naturalizado português, que projectou o Palácio e Convento de Mafra (1717- 1730), ao serviço do rei João V. A biografia é de autoria de José Monterroso Teixeira, da Universidade Autónoma. Outro dos destaques do plano editorial para este ano é a publicação da "Divina Comédia", de Dante Alighieri, numa tradução de Jorge Vaz de Carvalho, que vai fazer parte da colecção "Itálica", coordenada por António Mega Ferreira. Este título é publicado no âmbito do 7.º centenário da morte do poeta italiano.


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26.2.2021 sexta-feira

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NUCLEAR PROGRAMA DO IRÃO ESTÁ NUM “PONTO CRÍTICO”

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PRESIDENTE DECLARA ÊXITO DA CHINA NA ERRADICAÇÃO DA POBREZA EXTREMA

Um milagre socialista

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Presidente da China, Xi Jinping, declarou ontem oficialmente que o país concluiu a "árdua tarefa" de erradicar a pobreza extrema, apontando que 98,99 milhões de pessoas saíram daquela condição nos últimos oito anos. "Hoje, declaramos solenemente o sucesso completo na luta contra a pobreza no país", disse Xi, numa cerimónia no Grande Palácio do Povo, em Pequim, perante milhares de membros do Partido Comunista Chinês (PCC). O presidente destacou que os "problemas regionais da pobreza foram resolvidos", pelo que a China encerrou a sua "árdua tarefa

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China nomeou o veterano diplomata Xie Zhenhua, negociador chefe do país asiático para o acordo do Clima de Paris e de Copenhaga, como novo enviado especial para os Assuntos das Alterações Climáticas, informou a imprensa local. Segundo o jornal oficial Global Times, o Ministério da Ecologia e do Meio Ambiente vai criar um gabinete específico para lidar com a questão do clima, sob a tutela de Xie, o principal assessor

de erradicar a pobreza extrema, gerando outro milagre incrível". O governante também indicou que 832 vilas e 128.000 cidades foram retiradas da lista de locais empobrecidos, segundo os "padrões actuais". Xi ressaltou que a meta foi alcançada em 2021, o ano do centenário da fundação do PCC. Desde que a China lançou o programa de reforma e abertura, no final dos anos 1970, quase 800 milhões de pessoas saíram da pobreza, contribuindo assim para cerca de 70% na redução da pobreza extrema em todo o mundo, durante aquele período. Em 2012, a China estabeleceu como meta erradicar a pobreza

extrema até 2020, dez anos antes da data estabelecida pelas Nações Unidas para os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio. Residentes rurais idosos receberam doações em dinheiro e o Governo lançou esquemas para fomentar a criação de emprego para quem dependia da agricultura de subsistência, incluindo através da formação de cooperativas agrícolas ou da abertura de fábricas. O investimento em infraestruturas e habitação permitiu também tirar do isolamento comunidades inteiras. Segundo Xi Jinping, a erradicação da pobreza extrema foi possível com uma "abordagem realista e pragmática" e graças às "vantagens

políticas do sistema socialista, que pode reunir os recursos necessários para concretizar grandes tarefas". A China investiu o equivalente a cerca de 202.000 milhões de euros, nos últimos oito anos, no combate à pobreza, disse Xi. Cerca de três milhões de funcionários do PCC foram enviados para as áreas rurais para trabalharem na campanha de erradicação da pobreza extrema. Em 2019, a China fixou o limiar de extrema pobreza em 4.000 yuans por ano, o que representa 1,3 dólares por dia. O Banco Mundial fixa o limiar em 1,5 euros.

Teremos sempre Paris

Nomeado enviado especial para os assuntos das alterações climáticas

do país para as Alterações Climáticas. Xie, de 71 anos, foi vice-presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, entre 2007 e 2015 e, posteriormente, liderou a equipa chinesa durante as negociações em várias Conferências das Nações Unidas sobre as Alterações

Climáticas, incluindo as de Copenhaga (2009) e de Paris (2015). O ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, disse que as alterações climáticas são uma das áreas em que a China está "preparada para coordenar políticas" com os Estados Unidos, pelo que a nomeação pode ser interpretada como um sinal de que

este tema está na ordem do dia. O novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou em janeiro o retorno de Washington ao Acordo de Paris. O Presidente chinês, Xi Jinping, reiterou repetidamente que o acordo é um "processo irreversível" e uma "bússola" para uma "acção forte" na questão das

alterações climáticas, e que o seu país pretende "realizar esforços sem precedentes para garantir o futuro das novas gerações" e "intensificar os esforços internacionais" para combater as alterações climáticas. Em Setembro de 2020, Xi prometeu às Nações Unidas que as emissões de CO2 da China vão atingir o pico até 2030. O país visa alcançar a neutralidade nas emissões de carbono até 2060. A declaração de Paris apela a todos os países,

China considera que o programa nuclear do Irão está num "ponto crítico" e defende que suspender as sanções ao país é a chave para quebrar o impasse. "A questão nuclear iraniana está num ponto crítico, que oferece oportunidades e desafios", disse ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, em conferência de imprensa. "Sempre acreditámos que o retorno dos EUA ao acordo e o levantamento das sanções contra o Irão são as chaves para quebrar o impasse", acrescentou. O Irão começou, na terça-feira, a restringir oficialmente as inspecções internacionais das suas instalações nucleares, numa tentativa de pressionar os países europeus e os Estados Unidos a suspenderem as sanções que paralisaram a economia do país e a restaurar o acordo nuclear de 2015. Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a China é parte do acordo. Pequim mantém relações diplomáticas e estreitos laços económicos com Teerão. O país asiático opõe-se às sanções unilaterais aplicadas pelos EUA. Pequim trabalhou com aAlemanha, França, Reino Unido e Rússia para manter o acordo, após a decisão do ex-presidente Donald Trump de retirar os EUA em 2018. O novo governo do presidente Joe Biden já disse querer reverter a decisão.

autoridades internacionais, empresas e organizações não governamentais que publiquem até ao próximo ano as suas estratégias de desenvolvimento de longo prazo, até 2050, para uma menor emissão de gases de efeito estufa. Também exorta a ratificar o mais rápido possível a reforma Kigali do protocolo para o clima de Montreal, que pode evitar um sobreaquecimento de até 0,4 graus Celsius até ao final do século.


sexta-feira 26.2.2021

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UAS farmacêuticas chinesas, a estatal Sinopharm e a privada CanSino, anunciaram ontem a conclusão do desenvolvimento de vacinas contra a covid-19, que apresentam eficácia de 72% e 65%, respectivamente. O Instituto de Wuhan de Produtos Biológicos, subsidiária da Sinopharm, anunciou que já submeteu à Administração Nacional de Produtos Médicos chinesa o pedido de aprovação da sua nova vacina, com uma eficácia de 72.51% contra o novo coronavírus. A China desenvolveu e está a usar na sua campanha de vacinação interna duas vacinas contra a covid-19, através da Sinopharm em Pequim e da Sinovac, cuja vacina CoronaVac está a ser utilizada internamente e em países como o Brasil. Os resultados da CoronaVac em ensaios clínicos no estrangeiro foram díspares, atingindo os 91% de eficácia na Turquia, mas apenas 50,6% num estudo de maiores dimensões no Brasil. Ambas as vacinas Sinopharm foram elaboradas com o método tradicional de vírus desactivados, e não com a nova biotecnologia utilizada por empresas como a Pfizer e Moderna, que alcançaram eficácia superior a 90%. Também hoje, a CanSino anunciou que as autoridades chinesas já estão a avaliar a sua nova vacina, que em ensaios clínicos demonstrou uma eficácia de 65.28%, com uma só dose, utilizando uma tecnologia semelhante às da AstraZeneca e Johnson & Johnson. Desenvolvida em colaboração com a Academia de Ciências Médicas Militares, instituto dirigido pelo Exército de Libertação do Povo chinês, a vacina da CanSino já foi aprovada para uso de emergência no estrangeiro, nomeadamente no México e Paquistão. A transparência do desenvolvimento de vacinas pela China tem sido questionada noutros países, nomeadamente na França, onde o presidente Emmanuel Macron disse este mês não haver “absolutamente nenhuma informação” sobre os imunizantes, que não são tão fiáveis como os ocidentais. Não obstante, alguns países da União Europeia têm

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DUAS NOVAS VACINAS COM EFICÁCIA DE 65% E 72%

Não há uma sem três

A CanSino anunciou que as autoridades estão a avaliar a vacina, que em ensaios clínicos mostrou uma eficácia de 65.28%, com uma só dose

considerado comprar vacinas chinesas, dada a incapacidade de fabricantes europeus ou norte-americanos suprirem as necessidades, e a Hungria tornou-se hoje no primeiro Estado-membro a imunizar os seus cidadãos com a vacina do laboratório Sinopharm. "Hoje, estamos a começar a vacinação com lotes chineses [da vacina do laboratório Sinopharm]", disse o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, numa breve mensagem publicada na rede social Facebook. As primeiras 550.000 doses chegaram da China em meados de fevereiro, num total de cinco milhões, o suficiente para vacinar um quarto da população de 9,8 milhões. A China espera aumentar a produção das suas vacinas para 2.000 milhões de doses este ano, e 4.000 milhões até 2022, um plano ambicioso que visa converter o país no maior fornecedor das nações em desenvolvimento. Citado pela imprensa local, o presidente da Associação da Indústria das Vacinas da China, Feng Duojia, estimou que os 4.000 milhões de doses vão cobrir até 40% da procura global. A China já distribuiu doses das suas vacinas em 22 países em desenvolvimento e prestou assistência a 53, número que continuará a crescer, à medida que Pequim fechar mais acordos com países africanos, segundo dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

PEQUIM NEGA OBRIGAÇÃO DE TESTES ANAIS A DIPLOMATAS AMERICANOS A República Popular da China negou ontem que diplomatas norte-americanos no país tenham de submeter-se a testes anais de detecção de SARS CoV-2, após notícias publicadas em Washington sobre pessoal diplomático obrigado a submeter-se ao procedimento. Zhao Lijian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim disse em conferência de imprensa que "a China

nunca pediu a diplomatas norte-americanos na China para fazerem o teste anal". Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano disse, na quarta-feira, que Washington "está comprometido em garantir a segurança e a salvaguarda dos diplomatas dos Estados Unidos e das famílias, preservando a dignidade que constam da Convenção sobre Relações Diplomáticas de

Viena, além de outra legislação sobre ligações diplomáticas". O jornal Washington Post noticiou no passado fim de semana que alguns elementos do pessoal diplomático norte-americano na República Popular da China comunicaram que tinham sido sujeitos aos testes anais. O procedimento está em vigor no país desde 2020 porque considera que se trata de um teste mais fiável do

que as provas nasais. A República Popular da China não comunicou novos casos (locais) de covid-19 desde a semana passada mas mantém em vigor os testes de rastreio, sobretudo a pessoas que chegam do estrangeiro. Os diplomatas e outros estrangeiros com documentação especial estão isentos da legislação sobre a proibição de estrangeiros no país.

OBRIGADO A INDEMNIZAR EX-MULHER PELOS TRABALHOS DOMÉSTICOS

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justiça chinesa obrigou ontem um homem a indemnizar a ex-mulher num valor equivalente a mais de 6.000 euros, como "compensação" pelas tarefas domésticas realizadas durante o casamento. Segundo o Código Civil da China, que entrou em vigor este ano, os cônjuges que se divorciam têm, pela primeira vez, o direito de reclamar indemnização caso tenham

assumido mais responsabilidades domésticas. A dona de casa, identificada como Wang, contou num tribunal de Pequim que durante o seu casamento

cuidou "do filho e das tarefas domésticas", enquanto o "marido se absteve" dessas funções. A esposa exigiu assim o pagamento de uma compensação financeira, de

acordo com um relatório do tribunal, publicado em 4 de fevereiro. O tribunal decidiu que a mulher tinha assumido mais tarefas domésticas e exigiu que o ex-marido pagasse 50 mil yuans como compensação. Wang, que reclamou 160 mil yuans, recorreu da decisão, segundo a imprensa local. Devido a leis mais liberais e à crescente inde-

pendência financeira das mulheres, os divórcios explodiram na China nas últimas duas décadas. A situação preocupa o Governo, que quer impulsionar a natalidade, que está em queda acelerada. No ano passado houve menos 15% de nascimentos do que no ano anterior.


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retrovisor

LUÍS CARMELO

Nos cinco anos que antecederam a Expo-98 fui hóspede assíduo do Hotel Americano. Não foi propriamente o espaço que escolhi para me alojar naqueles três dias por semana em que dava aulas em Lisboa. A escolha antecedera há muito a minha aparente decisão. Em criança, os meus pais levaram-me uma vez a esse hotel e, na sala do pequeno-almoço, havia na altura uma pianista. Às torradas, às compotas e ao leite somavam-se as Gnossiennes de Eric Satie. Uma coisa tão rara pelo reportório e pela circunstância acabou por criar em mim uma espécie de cofre do tempo, razão por que me senti obrigado, mais tarde, a reentrar no hotel. Já estava bastante degradado, mas mantinha, na rua 1º de Dezembro, nº 73 (a dois passos do Rossio), a mesma secreta chama. Todos os dias de manhã percorria os velhos corredores à procura da pianista e das Gnossiennes. Só a tinha visto aquela única vez e de costas, a pele branca por cima do decote cavado, as madeixas escuras, um sinal no ombro direito, os braços e os dedos a brilharem.  Alguns anos passaram e houve uma noite em que sonhei que estava perdido nos corredores desse hotel, subitamente transformados num labirinto sem fim. Até que num desvão dei com uma enorme sala de arrumos. A um canto o velho piano ressurgiu aos meus olhos rodeado de teias de aranha, embora fosse clara a presença de um exemplar de ‘O Mito de Sísifo’ de Camus em cima do teclado. Aproximei-me e, por trás de uma espécie de biombo desdobrável, apareceu a mulher. O longo vestido azul escuro cintilou como se tudo se passasse no fundo do mar. Ficámos frente a frente a retocar enigmas. Quando os primeiros acordes se ouviram vindos de muito longe, ela limitou-se a anunciar: “Sou eu que te vou, também a ti, ensinar a dançar o tango”. Na primavera de 1999, passeava com o Urbano em Paris pelas bandas da Rive Gauche e contei-lhe este sonho e esta história. Estávamos a peregrinar pelos locais onde antes ele costumava deambular na companhia de Camus. Falavam os dois muito de futebol. “A bola muda sempre de direcção”, bela metáfora para compreender que o pensamento se inicia

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O Tango, Camus e as Gnossiennes

Tudo o que sei sobre moral e as obrigações dos homens, devo-o ao futebol.

aquele advogado, em A Queda, que não foi capaz de salvar a mulher de se afogar. E foi aí, devido à coincidência, que lhe li um poema, cuja versão inicial escrevera em Amesterdão uns anos antes: “Nunca soube por que cheguei tarde/ mas sei/ (na mesma prumada/ quase no mesmo catavento tornado em pedra)/ que assim foi./ Também apurei que Camus escreveu a queda/ no México City/ ficava ali no bairro vermelho/ nas ins-suspensas esplanadas cheias de neve / entre dois a sete parágrafos/ nesses fins de tarde passava por lá todos os dias/ e não havia tricot para distribuir/ aos amigos./ Porque os amigos são faunos.”.

CAMUS FALAVA DEPRESSA E A SUA PAIXÃO PELO FUTEBOL ALIMENTAVA-LHE A CERTEZA DE QUE PENSAR NÃO É UMA COISA INATA; É ANTES UM ENGENDRAMENTO OU UMA JOGADA QUE COMEÇA NA LATERAL DO RELVADO

ALBERT CAMUS, EM BAIXO, DE BOINA

num arrebatamento, ou numa compulsão que se divide, que inflama, que quase se perde. Camus falava depressa e a sua paixão pelo futebol alimentavalhe a certeza de que pensar não é uma coisa inata; é antes um engendramento ou uma jogada que começa na lateral do relvado. E a sua missão é ampliar a dimensão do jogo, driblar e agarrar o fio do raciocínio apesar dos obstáculos (oferecidos pela outra equipa, pela vida). Por baixo da gramática e da lógica, esses tapetes pouco lascivos,

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existe um jogador elástico que explode e que não se submete a imagens, cria-as. O pensamento fulmina no golo, mas não sucumbe nessa metonímia (que arrasta consigo quer o gáudio de uns, quer a tristeza de outros, quer a diferença que afinal lhes alimenta o ser). Antes da tuberculose, Camus tinha sido guarda-redes na Argélia. Falava menos na doença e mais nas grandes avançadas. “A bola muda sempre de direcção”, repetia o Urbano a sorrir e a lembrar-se da frase. Tal como

A meados da década de noventa, eu passava todas as terças e quintas pela casa do Urbano na Tomás Ribeiro e dava-lhe boleia até à universidade onde ele acabaria por me apresentar o romance As Saudades do Mundo. Depois desse lançamento, durante o jantar, eu disse que existia uma “aragem saudosa no mundo que subtrai ao corpo a sua própria leveza” (foram mais ou menos estas as palavras). “É o que se sente, quando se sabe dançar bem o tango”, respondeu o Urbano a imaginar os deleites da pianista, de decote aberto, debruçada sobre Camus e a lucubrar acerca da magia das Gnossiennes que ainda hoje se continuam a ouvir nos passeios que envolvem o antigo Hotel Americano. Não apenas o imaginou como de tudo isto tomou nota para um livro que nunca viria a ser escrito, seguindo o que Marguerite Duras deixou dito numa entrevista a Benoît Jacquot em 1993: “Escrever é tentar saber aquilo que escreveríamos, se escrevêssemos”. (texto transformado da segunda para a primeira pessoa e extraído de ‘Órbita-I/ Singular’ - título provisório de obra de longo curso ainda em trânsito)


sexta-feira 26.2.2021

VALÉRIO ROMÃO

ARTES, LETRAS E IDEIAS

Está quase, já passou

Daqui a pouco, a Primavera. Que faremos então com tanto sol? É mais fácil confinar no Inverno; mais intuitivo. É mais fácil respeitar as regras de distanciamento social, as recomendações de que se evitem contactos desnecessários, as proibições das festas. A Primavera – onde ela existe – foi sempre uma época de renovação e de festejo; está ligada a bonança das colheitas, à fertilidade, ao engordar do dia. Os animais reaparecerem na Primavera e pontuam a paisagem onde tudo quanto é verde se estende em direcção ao sol e ao céu. Tudo é mais suportável na Primavera. Esta poderá ser a segunda Primavera de que seremos subtraídos. Pouco me importa que me levem o Inverno e boa parte do Outono; está frio, chove. Podem ficar com os poucos dias de clemência meteorológica. Já a Primavera é outra coisa. É como acordar de um longo sono salpicado de sonhos oblíquos e estranhos estados de vigília e não poder sair da cama para celebrar a vida na igreja das coisas. Quando vivia em França, com os meus pais, uma boa parte da infância, numa cidade do interior ladeando uma cordilheira de vulcões dormentes – ClermontFerrand – onde o clima era particularmente inclemente – Invernos nevosos e Verões infernais, a Primavera, muitas vezes tardando em aparecer até despontar, tímida, nos últimos dias de Março, como se tivesse prurido em chegar, era a única altura da vida da cidade em que o corpo parecia estar em sintonia com o ambiente. Eu estava sempre doente no Inverno, amiúde no Outono, e calhavam-me sempre pelo menos duas sessões de amigdalite no Verão. Na Primavera descobria o que era ser como os outros miúdos – sempre muito mais robustos do que eu. Na Primavera éramos todos imortais. Na Primavera o meu pai atrevia-se a tirarme da segurança de casa aos fins-de-semana para fazermos piqueniques à beira-rio com a trupe de emigrantes com que partilhávamos pão e histórias da terrinha. Íamos pescar trutas – de que eu fingia gostar à mesa mais do que na verdade gostava –, ver a procissão dos bichos a caminho das múltiplas

FANG LIJUN, PRIMAVERA 2019

ofício dos ossos

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peripécias da vida (isto é um gaio, filho, isto é uma lebre, vês como têm as pernas muito mais longas do que as dos coelhos, isto é…), e no caminho de regresso, o meu pai ia apontando – para desespero da minha mãe, que insistia em que ele olhasse antes para a estrada – onde tinha trabalhado, onde tinha comido a melhor perdiz estufada, onde tinha bebido uns copos a mais. Era a topografia do adulto de meia-idade antes da chegada da mulher e filho, a segunda adolescência numa terra em que uma estranha liberdade eclode do anonimato. Tenho poucas lembranças da minha infância – felizmente. Essas poucas lembranças são bastante desproporcionais em relação aos sítios de onde elas vêm e ao tempo que neles passei. Estava quase sempre na cidade, enfiado em casa ou na sala de

aula. Lembro-me vagamente da casa em França, uns pormenores difusos, o sítio do fogão, o padrão do papel de parede, a cor com que pintaram as janelas. Da escola lembro-me ainda menos; umas rampas que tínhamos de descer ou subir para entrar nas salas de aulas, um pátio enorme onde as crianças mais façanhudas se entretinham a humilhar as crianças mais reservadas, duas freiras extremamente meigas que eram o meu porto de abrigo quando as coisas não faziam sentido ou o almoço era fígado guisado. Do que me lembro bem era do cheiro acre da terra na Primavera, do meu pai procurando os meus dedos magros e frágeis para me ajudar a passar por um curso de água, dos gaios para que apontava com minúcia de coleccionador. Da Primavera que tudo renova.

DO QUE ME LEMBRO BEM ERA DO CHEIRO ACRE DA TERRA NA PRIMAVERA, DO MEU PAI PROCURANDO OS MEUS DEDOS MAGROS E FRÁGEIS PARA ME AJUDAR A PASSAR POR UM CURSO DE ÁGUA, DOS GAIOS PARA QUE APONTAVA COM MINÚCIA DE COLECCIONADOR

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diários de próspero

ANTÓNIO CABRITA

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Marte e a agência barata

19/02/2021 Dantes só encontrava números de telefone nas últimas páginas dos livros, muitos deles estranhos e de novo anónimos ao fim de pouco tempo. Nesta época desavinda, sempre que revisito um livro, dou conta de só ter anotado nessas páginas, números de táxis, horários de comboios ou de Expressos, modos de trânsito. O isolamento estreitase e estreita-nos e eis-nos, como os caranguejos, em andamento oblíquo e reticente, a pau com a própria sombra. 20/02/2021 É espantosa a nossa (minha) ignorância. Em 1926, quando Robert Goddard lançou o primeiro foguete movido a combustível líquido à respeitável “altitude” de 12,5 metros, quem se consentiria a imaginar que o rover Perseverance pousaria em Marte 95 anos mais tarde, 54 milhões de quilómetros de distância? Não me fez mal tanta leitura de Rilke mas devia ter alternado com mais leituras científicas. A ciência, a poesia e a música: os pilares em que devia assentar qualquer educação que se preze. O salto que se deu em menos de cem anos! Melhor, foram três os países que se dispuseram a uma “amartagem” e para além da colheita de poeiras cósmicas ser desta vez partilhada colapsaram-se de uma vez as teorias da conspiração que defendiam nunca o homem ter ido à lua, a não ser que os chineses e os emissários de Alá se hajam rendido a Hollywood. Em homenagem a Marte, durante um mês só se deviam usar palavras pressurizadas. 22/02/2021 Não é o caso destas. Há um livrinho colectivo de 2013, que se chama O QUE É UM POVO? Quem o abre é Alain Badiou com um texto intitulado Vinte e quatro notas sobre os usos da palavra “povo”, e na nota final lê-se: «A palavra “povo” só tem um significado positivo quando subentende uma possível inexistência do Estado, seja porque se trata de um Estado interdito cuja criação é ansiada ou de um estado oficial cujo desaparecimento é desejado. “Povo” é uma palavra que assume todo o seu valor na forma, transitória, duma guerra de libertação nacional, ou, em

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níveis bem mais baixos, sob aquelas formas definitivas das políticas comunistas». Leio isto e não consigo deixar de pensar em Moçambique e na sorte lamentável que tem, a todos os níveis. Há povos que nascem para a provação. Num estalar de dedos morre Daviz Simango, líder do MDM, e o competente presidente da câmara da Beira. Com 57 anos, de um AVC, com “recaída”. Mais do que Dahklama, que só conhecia a linguagem das armas, Daviz é que introduziu verdadeiramente a oposição parlamentar e democrática em Moçambique e o seu relevo vinha-lhe, além disso, da qualidade da sua gestão à frente de uma cidade fustigada quer por calamidades físicas, quer pelo contínuo boicote do poder central. Apesar dos limites dos recursos com que contava, conseguiu imprimir uma dinâmica e uma credibilidade à sua gestão que o tornou confiável, interna

e externamente. Com este desaparecimento, contam-se agora pelos dedos de uma mão as figuras de oposição com um verdadeiro capital político e competência técnica para governar, só que nenhum deles é líder e tem carisma. É uma verdadeira desgraça, num momento de realidade soturna, onde à política restritiva do covid se junta um blackout informativo (sobretudo no que às guerras diz respeito), e quando o poder se sustenta num partido que institucionalmente já colonizou tudo, só restando que o soalho apodreça sob os seus pés à vagarosa velocidade do muchém e que o empobrecimento se acentue. Enfim, cada vez mais este é um povo com muitos recursos mas a quem furtam a esperança. 23/02/2021 Encontro, escrito pelo crítico de arte Bernard Berenson, algo que me parece vital: «Uma vida completa talvez

NÃO ME FEZ MAL TANTA LEITURA DE RILKE MAS DEVIA TER ALTERNADO COM MAIS LEITURAS CIENTÍFICAS. A CIÊNCIA, A POESIA E A MÚSICA: OS PILARES EM QUE DEVIA ASSENTAR QUALQUER EDUCAÇÃO QUE SE PREZE

seja aquela que termina em tal identificação com o não-eu que não resta um eu para morrer». Vagabundagem ao sabor da pele, como a do o matreiro sorriso de Pessoa quando a morte o convidou a jogar xadrez? Mesmo políticamente, Pessoa apostou sempre nesse tabuleiro. Em 1917 é publicado no Portugal futurista o «Ultimatum», pela pena de Álvaro de Campos. É um libelo político fortíssimo que apela à regeneração da Europa, mergulhada numa guerra fratricida. O heterónimo de Pessoa propõe uma intervenção cirúrgica anti-cristã, o que compreendia: a) A abolição do dogma da personalidade; b) a abolição do preconceito da individualidade; c) a abolição do Objectivismo pessoal. O seu projecto corresponderia a uma revolução coperniciana, com os devidos nexos políticos traduzidos num novo sistema em que cada cidadão teria direito a X votos, consoante o mérito pessoal. Pessoa, como era um Sindicato, teria direito a, no mínimo, 6 votos: ele mesmo, ortónimo, 4 heterónimos (contando com o António Mora), e o semi-heterónimo Bernardo Soares. Isto é mais do que curioso (ainda que perigoso e manipulável), sobretudo como pretexto para uma discussão quanto aos deficitários valores em uso na preguiçosa e dolente democracia hodierna e nunca esquecendo que Pessoa visava sobretudo um sistema que premiasse o mérito, um sistema antitradicionalista e antihereditário, e ao arrepio de interesses corporativos.    Eis um dos poucos democratas genuínos no século XX, um homem que vai ao cerne receptor da ideologia, o sujeito, e o esvazia, substituindo-o por uma pensamento que não se move por antagonismo dialéctico mas no trânsito entre polarizações. O que à partida torna impossíveis pulsões hegemónicas, autoritarismos e dogmas. Mais democrático é difícil.      Em 1936, quando morreu Fernando Pessoa, os serviços fúnebres ficaram a cargo da “Agência Barata”. É um simples pormenor, mas no caso de Pessoa nenhuma coincidência é um acaso. Sinaliza o despojamento de a quem já não resta um eu para morrer.


sexta-feira 26.2.2021

entre oriente e ocidente

GONÇALO M. TAVARES

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO

Um intervalo para notícias do mundo 1. Um amigo, Jonathan, disse, com o seu sarcasmo habitual, que se deveria fazer o seguinte: nos países em que os mais velhos ficam para mais tarde, em vez de os vacinar, uma simples proposta - um programa de televisão lindíssimo, com muito décor azul e muitos vermelhos distribuídos por um néon saltitante e um concurso, claro; e aí colocar braços, bem jovens e politicamente belos, a serem vacinados em directo, entre chamadas telefónicas que atribuam por sorteio uma vacina por cada 10.000 velhotes, e talvez assim a morte diária destes cidadãos praticamente obsoletos seja suavizada pelo belíssimo entretenimento público. Morrer em plena festança efusiva, como aconselhavam antigas escolas gregas, disse Jonathan. Fica a proposta.  E os mais velhos, entretanto, perguntam, a cada manhã que passa: e hoje a vacina dá a que horas, na televisão?   2. Há países com 78 excepções ao confinamento. Uma pergunta filosóficocontabilística: a partir de que número de excepçõesuma coisa deixa de ser a coisa que é? Em termos concretos, diz o meu amigo Jonathan, a partir de que número de excepções - quinhentas? seiscentas? e, passando pelo meio-confinamento, pelo oitavo de confinamento, pelos cinquenta e dois avos de confinamento, etc. - a partir, então, de que número de excepções, dizia, um confinamento deixa de ser confinamento e passa ser o seu exacto oposto, o convite para uma saída, o convite para a rebaldaria completa?   3. Numa notícia recente, fala-se de um italiano de oitenta e um anos que não foi autorizado a visitar a sua mulher no hospital e por isso trouxe um banco de madeira e colocou-se na rua em frente ao hospital a tocar um acordeão/concertina e a cantar uma serenata.   Não há voz mais triste no mundo, nem voz mais forte no mundo, do que a voz de um italiano de oitenta e um anos que não foi autorizado a visitar a sua mulher no hospital e por isso trouxe um banco de madeira e colocou-se na rua em frente ao hospital a tocar um acordeão/concertina e a cantar uma serenata. Canção circular. Voltar a repetir como um mantra. Não há voz mais triste no mundo, nem voz mais forte no mundo. ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES

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MIN

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CINETEATRO

MAX

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Herman Yau Com: Andy Lau, Sean Lau, Ni Ni 14.30, 16.45, 21.30

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS

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3 5 0 6 2 9 1 4 8 7

2 27 60 6 4 9 5 8 1 7 3 0 4 5 2 1 7 5 8 3 4 9 0 6

SOUL [A]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Pete Docter 16.30, 19.30

Um filme de: Paul W. S. Anderson Com: Milla Jovovich, Tony Jaa, Ron Perlman 14.30, 21.30

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9.76

BAHT

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MY MISSING VALENTINE [B]

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chen Yu-hsun Com: Liu Kuan-tin, Patty Lee 14.30, 21.30

YUAN

1.23

BAGS’ GROOVE | MILES DAVIS

Lançado em 1957, pela Prestige Records, “Bags’ Groove” faz ainda parte do período bop do brilhante Miles Davis, nos tempos de actvidade do quinteto que liderou. A gravação de “Bags’ Groove” reuniu em estúdio um conjunto de colossos do jazz: Sonny Rollins no saxofone tenor, Horace Silver como pianista, Percy Heath no baixo e Kenny Clarke na bateria. O tema que dá nome ao disco conta ainda com Thelonious Monk no piano. Apesar de não figurar entre os álbuns clássicos de Miles Davis, nem nos registos mais arrojados em termos de experimentalismo, 6 7com1o uso0 da8surdina 5 e9 mesmo xilofone, “Bags’ Groove” é um 3 4 8 6 1 2 7 disco sólido que merece ser revisitado. 2 5 9 João 1 Luz4 3 0

SALA 3

MONSTER HUNTER [B]

EURO

UM DISCO HOJE

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Sicheng Chen Com: Takahiko Kyogoku 19.30

DETECTIVE CHINATOWN 3 [B]

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Sicheng Chen Com: Baoqniang Wang, Haora Liu, Satoshi Tsumabuki 19.00

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75-98%´ •

CRAYON SHINCHAN MOVIE 2020 [B]

DETECTIVE CHINATOWN 3 [B]

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HUM

Um filme de: Sicheng Chen Com: Baoqniang Wang, Haora Liu, Satoshi Tsumabuki 16.30

SHOCK WAVE 2 [C]

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C I N E M A

SALA 1

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 37

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PROBLEMA 38

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6 2 4 7 1 3 5 0 9 8 3 5 6 2 8 4 1 0 9 3 5 6 4 8 0 7 1 2 9 1 7 3 0 5 6 8 1 8 7 0 2 9 3 4 5 6 4 2 8 1 7 9 0 3 0 6 1 5 7 4 8 9 2 AVISO 3 0 3 9 7 5 6 2 4 ESPECIAL 5 4 8 9 6 COBRANÇA 2 1 3 DA0CONTRIBUIÇÃO 7 2 0 1 4 9 3 8 5 3 saber 9 que,2o prazo 4 de0concessão 7 por6arrendamento 1 8 dos5terrenos da RAEM abaixo 8 7indicados, 5 chegou 0 6ao seu2término, 4 e, 1 Faço que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Por8 n.º 219/93/M, 7 0 de32 de5Agosto,1foi o2mesmo 6 automaticamente 4 9 renovado por um 7 período 6 de4dez9anos a3contar1da data 5 do2seu taria termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de 4 Obras 1 Públicas 6 8e Transportes. 3 5 9 2 7 0 6 4 2 8 1 0 7 9 Solos, 2 0 9 1 8 6 7 5 3 4 5 9 0 6 4 8 3 7 Localização dos terrenos: 7 5 3 2 9 0 4 8 6 1 1 8 3 5 2 7 9 6

Rua da Ribeira do Patane, n.ºs 1 e 3, Avenida de Demétrio Cinatti, n.ºs 40 e 41 e Travessa da Guelra, n.º 6, em Macau; Travessa do Bom Jesus, n.ºs 4 a 4H, em Macau, (Edifício Veng Fu San Chun); Avenida do Almirante Lacerda, n.º 15 e Avenida Marginal do Patane, n.ºs 332 a 340, em Macau, (Edifício San Lei); Travessa Marginal do Lam Mau, n.ºs 15 a 31, Avenida Marginal do Patane, n.ºs 331 a 339 e Rua Marginal do Lam Mau, n.ºs 330 a 342, em Macau (Edifício Yoho City Center) - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 23 a 25C e Avenida Marginal do Patane, n.ºs 360 a 380, em Macau, (Edifício Long Ut Koi); - Rua Marginal do Lam Mau, n.ºs 358 a 388, Avenida Marginal do Patane, n.ºs 359 a 375 e Travessa Marginal do Lam Mau, n.ºs 12 a 28, em Macau (Edifício Long Hou Fong); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 39A a 39C e Avenida Marginal do Patane, n.ºs 438 e 442, em Macau, (Edifício Kam Seng Garden); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 95 e 95A, em Macau (Edifício Veng Lei) - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 97C e 97E, em Macau (Edifício Veng Seng); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 129F e 129FA, em Macau (Edifício Pak Tat); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 129H e 129HA, em Macau (Edifício Hong Kuan); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 165A a 165C, em Macau (Edifício Va Tou); - Estrada da Areia Preta, n.ºs 42D a 44N, Avenida de Venceslau de Morais, n.ºs 92 a 122 e Rua das Indústrias, n.ºs 12 a 32, em Macau, (Edifício Lei Seng Kok – Lei Fung Kok – Lei Tim Kok); - Rua Norte do Canal das Hortas, n.ºs 118 a 136 e Travessa do Canal das Hortas, n.ºs 5 e 11, em Macau, (Edifício Pensão Jin Jiang); - Rua do Almirante Costa Cabral, n.ºs 21 a 21B, em Macau, (Edifício Va Chao); - Rua da Madre Terezinha, n.ºs 2F a 2H e Beco dos Pássaros, n.ºs 5 e 5A, em Macau, (Edifício Fok Veng Lau). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Serviços da RAEM das Ilhas, para os efeitos do respectivo pagamento.

47 7 2 1 8 5 0 9 3 6 4

3 9 0 6 8 4 2 1 7 5

5 6 4 3 9 7 1 8 0 2

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6 0 3 4 7 9 5 2 8 1

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5 7 3 0 1 8 9 4 2 6

1 4 8 6 7 5 2 3 9 0

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3 8 0 1 9 4 7 6 5 2

3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 29 de Janeiro de 2021.

O Director dos Serviços de Finanças Iong Kong Leong

9 8 3 0 4 5 2 1 7 6

7 2 5 8 6 9 0 3 1 4

9 4 6 1 7 3 8 5 2 0

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4 5 6 9 3 2 1 7 0 8


sexta-feira 26.2.2021

www.hojemacau.com.mo

confeitaria

opinião 19

João Romão

JOVENS SUICIDAS encerramento forçado de estabelecimentos comerciais e de restauração, com níveis de emprego feminino proporcionalmente mais altos que os da indústria ou outros serviços. Em consequência, quase dois terços dos empregos perdidos em 2020 em resultado da pandemia eram ocupados por mulheres. Apesar de a população feminina ter uma participação no mercado de trabalho francamente inferior à dos homens, a perda de postos de trabalho de mulheres reflecte a precariedade generalizada da sua situação laboral, uma vez que cerca de dois terços ocupa postos de trabalho a tempo parcial. Resta então saber qual será o impacto da terceira vaga, que agora parece estar finalmente a terminar, mas que atingiu valores muito mais altos nos níveis de infecções e implicou restrições ainda mais severas. Na realidade, os números parecem apontar para uma tendência semelhante também na Coreia do Sul: durante quase todo o ano de 2020 (até 10 de Dezembro) 564 pessoas tinham morrido de covid-19, enquanto o número de suicídios por mês era mais do dobro, pelo menos entre Janeiro e Setembro (último mês com dados disponíveis). Em particular, o número de suicídios em mulheres de 20 a 30 anos de idade aumentou 40% em relação ao ano anterior. As explicações adiantadas por comentadores na imprensa são semelhantes às do caso japonês: incapacidade de suportar os custos de vida para quem ocupa os lugares mais vulneráveis à pandemia no mercado de trabalho actual (pessoas com contratos de curta duração ou trabalho informal, geralmente a tempo parcial, nos sectores do comércio a retalho e restauração mais orientados para o turismo). Este sofrimento solitário imposto por sucessivos confinamentos tem evidentes consequências sobre a saúde mental que se juntam aos problemas sociais e económicos que este tipo de recessão inevitavelmente implica. Mas o caminho está longe de estar percorrido, não só porque a pandemia não está controlada, mas também porque os seus devastadores impactos económicos e sociais ainda vão perdurar. O capitalismo contemporâneo não lida bem com este confinamento que representa também um encerramento generalizado dos mercados, cuja abertura permanente permite a competição sistemática em que vivemos e alimenta o eventual crescimento das economias. Os estados emagrecidos que temos hoje não estão preparados para substituir esta dinâmica em caso de emergência. E é essa emergência que vai persistir, não só no Japão ou na Coreia do Sul, mas também em todos os outros países onde a pandemia tem impactos significativos, com mais ou menos intensa monitorização dos suicídios e suas causas, ou das implicações sociais e individuais desta doença.

ZHANG HUAN

É PROBLEMA relativamente antigo na sociedade japonesa, o do elevado número de suicídios, e são certamente complexas as suas causas: um sistema educativo altamente competitivo na infância e adolescência, longas jornadas de trabalho na idade adulta, uma vida social em relativo isolamento e um certo estigma em relações às perturbações psicológicas e mentais que inibe o seu acompanhamento e tratamento estão entre as razões geralmente aprontadas para a sua persistência. Uma das consequências é também a monitorização detalhada, sendo o Japão dos países que dispõe de dados mais precisos, regulares e atualizados sobre o fenómeno. Isso permite saber que, apesar de os valores se manterem altos, o número de suicídios tem vindo a descer sistematicamente e sem interrupções ao longo dos últimos 10 anos. Até 2020, quando os impactos económico, social e psicológico do covid-19 implicaram uma inversão dessa tendência: o número de suicídios voltou a aumentar a partir de Julho de 2020 e com muito maior incidência na população jovem feminina. Os números disponíveis indicam 20919 suicídios no Japão em 2020, claramente abaixo dos quase 35000 que se tinham registado em 2003 e que tinham levado à criação de programas de prevenção e à monitorização sistemática do fenómeno. Desde então os números tinham diminuído, sem interrupções entre 2009 e 2019. A partir de Julho do ano passado a situação alterou-se e 2020 acabou por fechar com 13943 suicídios entre os homens (1% mais do que em 2019) e 6976 suicídios de mulheres (15% mais do que no ano anterior). Só no mês de Outubro suicidaram-se 851 mulheres, um acréscimo de 85% em relação ao mesmo mês de 2020. Aliás, o número total de mortes por suicídio nesse mês (2153) foi superior ao número de mortes por covid-19 até esse momento (2087). É também de salientar a coincidência de se tratar de um ano em que o número total de mortes no país diminuiu em relação ao ano anterior, o que aconteceu pela primeira vez em 11 anos. Uma das justificações adiantadas para este fenómeno é o de se terem adoptado cuidados gerais de saúde mais rigorosos devido ao covid-19 que contribuíram também para prevenir outras doenças - do corpo, não da mente. Os dados também revelam que os casos de suicídio não aumentaram durante a primeira fase da pandemia, com a primeira vaga de infecções, que no Japão tinha começado ainda em Janeiro. Foi na segunda vaga, no Verão - com um volume de casos mais significativo e medidas de contenção mais restritivas e com maiores impactos económicos e sociais - que se começou a consolidar uma subida anormal do número de suicídios no país. Explicações adiantadas para o problema focam-se no impacto do

Mas o caminho está longe de estar percorrido, não só porque a pandemia não está controlada, mas também porque os seus devastadores impactos económicos e sociais ainda vão perdurar


“Livremo-nos do mau gosto de querer concordar com muitos.” PALAVRA DO DIA

China avisa EUA “Impossível” dissociar as duas economias

A

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China avisou ontem os Estados Unidos de que é "impossível" forçar a desassociação das economias dos dois países, numa reacção à decisão do Governo norte-americano de revisar a estratégia de Washington no abastecimento em sectores-chave. "É impossível pressionar por uma dissociação das indústrias ou usar o poder político para forçar mudanças nas leis económicas", apontou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China Zhao Lijian. Na quarta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que os Estados Unidos "devem garantir que a escassez de produção, interrupções comerciais, desastres naturais ou acções de rivais e adversários estrangeiros não voltam a deixar a América numa posição vulnerável". O objectivo de Washington é não depender da produção e importação de bens produzidos por "rivais estrangeiros", numa referência à China. O Presidente norte-americano, Joe Biden, deve assinar um decreto na quarta-feira que estabelece 100 dias para apresentar um relatório detalhado sobre a reavaliação das cadeias estratégicas para o país. "A China espera que os Estados Unidos cumpram as regras do livre comércio e protejam a estabilidade e confiabilidade das cadeias industriais e de abastecimento globais", respondeu o porta-voz chinês, acrescentando que não deve ser esquecido que "os interesses de todos os países estão profundamente interligados". "A China opõe-se a quaisquer acusações infundadas ou estigmatização das suas actividades económicas e comerciais", apontou. Na quarta-feira, o novo ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, disse que está à "espera e disposto a trabalhar" com os Estados Unidos para "fortalecer o comércio" bilateral, mas ressaltou que vai ser preciso "lidar com as discrepâncias" nesta matéria. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, também pediu aos EUA esta semana que removam as taxas alfandegárias impostas aos produtos chineses e levantem as sanções às empresas e instituições chinesas, visando melhorar as relações, que se deterioraram rapidamente durante a presidência de Donald Trump.

Nietzsche

Uma saída possível Taiwan aligeira restrições a entradas e escalas no aeroporto

T

AIWAN vai começar a levantar algumas restrições à entrada de visitantes estrangeiros a partir de 1 de março, permitindo igualmente a escala de passageiros em trânsito no aeroporto internacional, anunciaram as autoridades. O Centro Central de Comando da Epidemia de Taiwan informou que os visitantes que desejem deslocar-se à ilha em viagens de negócios podem solicitar uma autorização especial nos escritórios de representação do território no estrangeiro, segundo a agência Associated Press (AP). Para isso, terão de apresentar resultado negativo ao teste de coronavírus, realizado até três dias antes da viagem, devendo ser novamente testados após

cumprirem duas semanas de quarentena obrigatória. Os viajantes de uma lista de países e regiões classificados como de baixo ou médio risco em termos de infeções de covid-19 podem requerer períodos de quarentena reduzidos, entre cinco a sete dias. Estes incluem Macau, Nova Zelândia, Austrália, Singapura, Vietname e Camboja. As alterações das restrições sanitárias na ilha também vão permitir aos estrangeiros em trânsito fazer escala no aeroporto internacional de Taiwan. A notícia tem impacto em Macau, já que Taiwan era um dos raros locais em que era permitido fazer escala em voos internacionais, até à interdição, em 01 de janeiro. Ao abrigo das novas regras, os viajantes estrangeiros em trânsito podem passar até oito horas no aeroporto internacional de Taiwan para fazer escala, segundo o jornal Taipei Times, devendo igualmente apresentar teste com resultado negativo realizado nas 72 horas anteriores. As novas regras vão igualmente facilitar a visita de cidadãos chineses em determinadas circunstâncias, incluindo por razões humanitárias, e permitir o regresso de estudantes da China a instituições de ensino superior em Taiwan.

UMA OVELHA CHAMADA BAARAK

26.2.2021

UCM Jun Liu toma posse como reitor

Jun Liu toma posse como reitor da Universidade Cidade de Macau na segunda-feira, de acordo com um comunicado da instituição de ensino superior. O novo líder da universidade tem mais de quatro décadas de experiência em educação linguística, doutorou-se na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos em 1996. No currículo tem cargos como vice-presidente e vice-reitor para os assuntos globais, reitor de programas e serviços académicos internacionais, director do China Center. Foi também professor de linguística na Universidade Stony Brook, em Nova Iorque, antes de vir para Macau. Jun Liu tem publicado extensivamente na área da metodologia de ensino de línguas, sociolinguística, desenvolvimento curricular e comunicação intercultural.

EUA querem voltar ao Conselho de Direitos Humanos da ONU

O

S Estados Unidos vão concorrer a um assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU, anunciou ontem o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, assinalando o abandono da política da "cadeira vazia" seguida pela administração Trump. “Tenho o prazer de anunciar que os Estados Unidos vão concorrer a um assento no Conselho de Direitos Humanos para o mandato 20222024”, afirmou Blinken, durante uma intervenção por videoconferência feita naquele organismo das Nações Unidas. “Pedimos humildemente que todos os Estados-membros das Nações Unidas apoiem o nosso desejo de voltar a ocupar um lugar nesta instituição”, acrescentou. Aadministração Trump anunciou, em junho de 2018, que ia abandonar a instituição, que constitui o órgão máximo da ONU no campo da defesa dos direitos humanos, acusando-a de hipocrisia e de prejudicar Israel. “Os Estados Unidos colocam a democracia e os

O HM ERROU

Uma ovelha, encontrada por um cidadão a cerca de 60 quilómetros de Melbourne, não foi tosquiada durante anos e acumulou mais de 35kg de lã. “As ovelhas precisam de ser tosquiadas pelo menos uma vez por ano, caso contrário, a lã continua a crescer e crescer, até chegar a este ponto”, disse Kyle, que a baptizou de Baarack.

sexta-feira

Tal como noticiado na edição de ontem no artigo intitulado “Marés Vivas”, o Tribunal de Última Instância aceitou o recurso do Governo no caso da multa de 4,1 milhões de patacas aplicada à empresa Surf Hong. Contudo, a decisão do TUI não obriga ao pagamento da multa, mas antes à repetição do julgamento no Tribunal de Segunda Instância. Pelo erro, o HM pede desculpa aos visados e aos leitores.

direitos humanos no centro de sua política externa, porque são essenciais para a paz e a estabilidade”, justificou Blinken. “Esta ligação está enraizada na nossa própria experiência de uma democracia imperfeita e, muitas vezes, aquém dos nossos próprios ideais, mas que tenta sempre tornar-nos um país mais unido, mais respeitoso e mais livre”, adiantou em declarações que contrastam com a posição seguida pelo seu antecessor, Mike Pompeo. Embora Blinken tenha elogiado a utilidade do Conselho e sublinhado a sua importância, em particular para chamar rapidamente a atenção para as crises, o diplomata norte-americano aconselhou os membros do organismo a repensarem o seu funcionamento. “Encorajamos o Conselho de Direitos Humanos a examinar a forma como funciona, incluindo a atenção desproporcional dada a Israel”, alertou, sugerindo tratar Israel e os territórios palestinianos como qualquer outro país.

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Hoje Macau 26 FEV 2021 #4717  

Nº 4717 de 26 de FEV de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

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