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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Q U A R TA - F E I R A 2 6 D E F E V E R E I R O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 3 8

hojemacau

COLUNA

1935-2014 AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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ESPANHÓIS INVESTEM NOVAMENTE

Juiz envia 48 perguntas dirigidas a Hu Jintao TIBETE PÁGINA

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ENTREVISTA Eliana Calderon fala dos problemas da MCDA

TÁXIS GOVERNO MOSTRA ABERTURA PARA RECEBER SUGESTÕES MAS NÃO TEM TEMPO PARA UMA NOVA LEI

A Macau Child Development Association presta serviços de apoio a mais de 500 crianças com autismo e outros problemas comunicacionais. As dificuldades são imensas e agora a associação vê-se na iminência de poder encerrar portas. PÁGINAS 2 E 3

FUMO NOS CASINOS

Deputada quer debate sobre proibição total ASSEMBLEIA PÁGINA PUB

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Ocupados Depois das críticas dos deputados, a DSAT assume “atitude aberta” às diversas sugestões que tem vindo a receber para melhorar o serviço dos táxis. Contudo, o Executivo revela não ter calendário para efectivar uma maior regulação do sector PÁGINA 5


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ENTREVISTA

hoje macau quarta-feira 26.2.2014

ELIANA CALDERON, PRESIDENTE DA MACAU CHILD DEVELOPMENT ASSOCIATION

“Há pais que vão precisar da nossa ajuda” O que começou por ser uma necessidade pessoal, rapidamente se tornou numa luta por crianças de Macau com necessidades especiais. A Macau Child Development Association presta serviços de apoio a mais de 500 crianças com autismo e outros transtornos comunicacionais, mas diariamente depara-se com mais e mais dificuldades. Eliana Calderon explica o que se passa JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Porquê criar uma associação dedicada às crianças com necessidades especiais? A ideia surgiu em 2003, porque foi diagnosticado ao meu filho autismo e epilepsia. Quando ele tinha dois, três anos não conseguia falar. Estava fechado em si mesmo, preocupado com as suas coisas, a brincar sozinho, a balançar da frente para trás... Sou residente permanente de Macau, mas vim da Venezuela. Tornei-me residente da RAEM há muitos, muitos anos e fiz de Macau a minha casa. Senti que cá, ao procurar serviços para o meu filho, na altura, em 2004, não conseguia encontrar nada. O único terapeuta da fala que havia, tinha morrido anos antes e trabalhava no hospital. Ninguém o substituiu. As escolas não aceitavam o meu filho, porque ele não conseguia perceber linguagem – não estamos a falar

da língua, estamos a falar de linguagem. Daí, percebi que tinha de encontrar soluções. Comecei a ir de Macau para Hong Kong várias vezes, porque lá havia terapeutas privados, que, na altura, pediam já mais de mil dólares por hora. Tinha que somar tudo: as horas e os custos das viagens para duas pessoas, os custos em Hong Kong, o stress de ter de ir e vir e os dias de trabalho que perdia. Fazia mais sentido para mim trazer alguém de lá para cá. Daí, comecei. Encontrou pais na mesma situação? Quando andava à procura de soluções, encontrei pais na mesma situação. Mas, as minhas finanças estavam ‘ok’ na altura, por isso, em conjunto com esses pais, estabelecemos a associação. Começámos a contratar profissionais para cá virem e, mais que tudo, começámos a alertar para o problema. O nosso quadro de directores é composto por pais

e temos membros da associação que são pais. Além disso, temos ainda uma psicóloga da universidade e temos pais de crianças com autismo, com problemas de comunicação, com dislexia... Quais são os principais problemas que as crianças da MCDA enfrentam? Transtornos ao nível da comunicação, que se dividem em diferentes categorias: autismo – que afecta o comportamento e a interacção social -, dislexia, problemas de voz e linguagem (aplasia verbal), distúrbios do processamento auditivo – quando eles conseguem ouvir na perfeição, mas a forma como fazem o processamento da informação não é a correcta. Estamos a falar de quantas crianças? Na associação, temos 560 crianças que precisam dos nossos serviços. Os pais recebem um formulário para preencher quando cá chegam, para percebermos o que eles

precisam e quais os sintomas das crianças. Cada criança tem um registo próprio.

criança não conseguir acompanhar a escola. Tentam escrever e ler, mas não conseguem.

É fácil para os pais detectarem que tipo de problemas têm os filhos? Não. Eles têm dúvidas. Por isso é que damos a lista [de eventuais problemas], para que os pais marquem o comportamento das crianças. Por exemplo, fazemos questões sobre a rotina diária da criança: se lava os dentes sozinho, se fala... É uma espécie de linha orientadora para os pais e para nós, que, ao ver o que os pais marcam na lista, encaminhamos para determinados profissionais para uma avaliação.

Crianças com estes problemas vão para a escola, normalmente? Defendemos a integração destas crianças na escola, mas as escolas de Macau estão a rejeitar as crianças de forma directa e indiscriminada. Dizem que não há programas, não há profissionais, dizem mesmo que não sabem o que fazer com as nossas crianças. Gradualmente, começam a dizer que elas não conseguem acompanhar. As escolas têm o direito de avaliar as crianças, antes de as aceitarem ou não. Não devia ser assim, mas é. E as crianças vão à primeira entrevista para serem avaliadas, com apenas três anos. Se essa criança não sabe, pelo menos, o abecedário ou não se senta direitinha na cadeira, então é rejeitada. Obviamente, que as crianças com autismo não conseguem seguir ordens (com esta

Essas mais de 500 crianças têm que idades? A maioria, 60%, tem entre três a cinco anos. Mas temos crianças com sete anos, oito... porque é nesta altura que a dislexia, por exemplo, se começa a notar mais, devido à


entrevista 3

hoje macau quarta-feira 26.2.2014

idade), não conseguem perceber o que quer a escola. Porque é que isso acontece com as escolas de Macau? Há falta de profissionais, de programas ou as crianças com deficiências deste género ainda não são bem-vindas na comunidade? Tudo o que disse. Em Macau, 90% da população fala cantonês e as universidades locais não têm cursos de formação para lidar com estes problemas. Ou seja, a comunidade local não consegue, por exemplo, encontrar um terapeuta da fala. Para que os nossos locais consigam ter cursos sobre isto, têm de ir para Hong Kong, que, por sua vez, tem um limite de quotas para cursos específicos sobre isto e, normalmente, enchem com pessoas de lá. E depois, há o resto: os que não falam cantonês. Não podemos contratar pessoas que apenas falam cantonês para ensinar crianças que falem inglês ou português. Estes profissionais precisam de ensinar as crianças a comunicar e a linguagem não é só falada, há as entoações, os sotaques, a gramática, a linguística. Talvez esses profissionais conseguissem ajudar bebés, mas como é que comunicariam com os pais? E o Governo não está disponível para fazer estas contratações. É a falta de cursos que impede que haja mais profissionais destes em Macau, como acontece com os assistentes sociais? A mim foi-me dito pela Direcção dos Serviços para a Educação e Juventude (DSEJ) que deviam ser os pais a ajudar as crianças, mas os pais não sabem como o fazer. É preciso ter estratégias específicas, é preciso pessoas com treino para lidar com estas crianças e para ensinar aos pais. Também recebi treino na Dinamarca, no Reino Unido, em Espanha... Recebi treino para poder perceber o meu filho. A MDCA faz isso com os pais das crianças? Porquê? Sim, tentamos passar esse conhecimento aos pais. Não temos apenas as crianças, temos os pais cá também. Se as crianças estiverem apenas uma hora com um terapeuta, não há muito que consigam aprender... esquecem-se depois o que aprenderam nessa hora. É preciso que os pais aprendam, para conseguirem ajudar os filhos quando eles não estão com o terapeuta. Se não, é como dar-lhe de comer uma vez esta semana e dar-lhe de comer novamente apenas na próxima semana. A criança tem de ser estimulada para conseguir atingir o máximo do seu potencial, conhecer as suas próprias habilidades. Os pais que contam com a ajuda da MCDA vêem melhorias? Sim. E querem mais. Estão desesperados por mais e mais daquilo

Se não existisse a MCDA, deixaria Macau. Macau devia ter vergonha. Tenho muitas crianças e muitos pais nos meus ombros já e não os consigo deixar desamparados, porque se não já não estaria cá que temos para oferecer às crianças. Querem mais sessões, mais apoios individuais. Ainda hoje [ontem] tivemos uma história de sucesso, de uma criança que nunca tinha falado e disse ‘quero’. Que terapias providencia a MCDA? Terapia da fala, terapia para mudança comportamental, psicologia educacional e, depois, temos especialistas para as crianças com deficit de atenção. Temos também fisioterapia. Quantos profissionais tem neste momento a MCDA? Infelizmente, perdemos dois recentemente, devido às condições do local. Temos três, neste momento e não posso contratar mais. Tem ideia de quantos profissionais existem em Macau que podiam ajudar a MCDA?

Há cerca de 60 terapeutas. Mas, quantos centros de idosos há? A própria urgência do hospital parece um local geriátrico, com tantos idosos lá. Há cerca de 40 terapeutas da fala, mas para toda a gente que precisa... crianças, idosos. Não estão disponíveis.

algo por Macau. Eles estão a tirar tanto de Macau, que deviam dar de volta. Não percebo porque é que Macau não o faz, se tem os recursos financeiros para isso. Bastava quererem. Mas tem de se perceber que esta não é uma carreira para fazer dinheiro. É preciso amor.

Quantos profissionais precisaria Macau para cuidar de todos os que necessitam apoio? Não consigo dizer. Mas nós temos 560 crianças e cada terapeuta só pode cuidar no máximo de dez. É só fazer as contas... E dez crianças já é muito. Os profissionais precisam de tempo para estar com estas crianças, pelo menos duas a três vezes por semana. Têm de fazer grupos para conseguir prestar um serviço aceitável.

Como organização sem fins lucrativos, como é que a MCDA sobrevive? Exacto, sobreviver. Não devíamos estar a sobreviver, devíamos estar excelentes, não a fazer estes esforços todos para ajudar as crianças. Gastei todas as minhas poupanças, hipotequei a minha casa duas vezes só para conseguir aguentar a associação.

Qual a estimativa de crianças com estes problemas em Macau? Não temos todas as crianças connosco. Aliás, não temos material publicitário, não temos marketing sobre a associação. As crianças chegam cá, porque os pais falam uns com os outros e temos o nosso site e, agora, os média, com estes problemas de infiltrações no edifício. A partir do momento em que fizermos publicidade, posso dizer-lhe com toda a certeza que teríamos um centro cheio em três meses: facilmente teríamos 2000 crianças.

A MCDA cobra aos pais pelas sessões? Depende. Nunca cobramos os custos reais, que incluiriam as despesas da renda, dos terapeutas, materiais e os serviços. Normalmente, só cobramos o dinheiro que falta para conseguirmos pagar aos nossos terapeutas, cerca de 300/400 patacas. Mas os pais podem assinar um formulário onde dizem que não têm dinheiro suficiente e pagam o que podem: 50 patacas, cem patacas.

Isso é um problema comum entre todos os pais? Claro. E com as famílias chinesas ainda é pior, porque o método de ensino é ainda mais restrito, devido a ser muito baseado em memorizar a matéria. Temos miúdos que têm de ir para a escola de manhã e à tarde e ficam até tarde à noite para conseguirem completar os trabalhos de casa. Isso vai prejudicar o seu crescimento e a sua vida adulta.

Têm apoio do Governo? Sim. Mas considero-o um pouco como uma ‘armadilha’. O Instituto de Acção Social (IAS) dá-nos 120 mil patacas, mas apenas para alguns terapeutas e para a renda. Preciso de dividir este dinheiro entre essas coisas e já não recebemos agora porque não temos o local com crianças, por estar infiltrado com água, e esse dinheiro não cobre os salários. Pedimos ajuda a empresas privadas, mas elas respondem-nos que não podem ajudar-nos porque já pagam impostos.

Em 2010, falou sobre a importância de existir uma escola para estas crianças. Isso não aconteceu, mas acha que podia ser possível? Claro que é possível. Bastava o Governo ou um qualquer milionário ou filantrópico decidir fazê-lo. Um desses maravilhosos milionários

Se tiverem de mudar de local, têm para onde ir? O contrato vai expirar, não sabemos o que vai acontecer no próximo ano. E não temos para onde ir, porque a minha casa está cheia. Já perdemos um local e todo o material que lá estava veio para minha casa. A MCDA tentou colaborar

dos, ou seja é para um escritório. Não temos condições para ter lá crianças. Alguma vez receberam visitas de departamentos do Governo, interessados no vosso trabalho? Tivemos cá a DSEJ e o IAS, mas apenas depois de dizermos à DSEJ que não concordávamos com uma carta que nos tinham enviado a dizer que todos os serviços que prestamos já eram prestados pelo Governo. Macau assinou a Convenção dos Direitos das Crianças e tem dinheiro. Compreenderia se Macau não tivesse dinheiro, mas tem. Se tivéssemos noutro país, era mais sensível à questão. Mas Macau está tão orgulhoso do que poupa nos cofres, quando deveria estar a investir na educação das crianças e na sociedade. Estas crianças podem ficar mais caras em adultos, se não receberem apoio agora. Crianças com dificuldades destas, se não tiverem apoio, podem tornar-se adultos com problemas? Sim. Pode encontrá-los em grupos que os levam para drogas, que acalmam a sua dor emocional. Não se encaixam nas escolas, na família. As pessoas não percebem que as crianças querem agradar aos outros e, se não conseguem, arranjam outros meios para se sentirem bem. Se fizermos um inquérito no centro juvenil, podemos ver historiais de crianças que tinham estes problemas. E as pessoas pensam que as crianças estão a fazer de propósito. É mais fácil ignorar do que se envolver. Se a MCDA não existisse, estes pais teriam apoios noutro local? Não. Nem eu. Se não existisse a MCDA, deixaria Macau. Macau devia ter vergonha. Tenho muitas crianças e muitos pais nos meus ombros já e não os consigo deixar desamparados, porque se não já não estaria cá. Mas, se não conseguir atingir o objectivo que tracei há dez anos... tudo o que é preciso, é que alguma destas enormes empresas nos ajude. Um mero grupo de pais atingiu o que atingiu durante estes anos – conseguir que crianças que nunca teriam um futuro ‘normal’,

90% da população fala cantonês e as universidades locais não têm cursos de formação para lidar com estes problemas. Ou seja, a comunidade local não consegue, por exemplo, encontrar um terapeuta da fala dos casinos, todas as operadoras – não quero deixar escapar nenhuma – podem decidir querer criar algo assim. Pode acontecer, de forma fácil. Tudo o que é necessário é ter uma pessoa que diga “eu quero fazê-lo”. Basta que queiram fazer

com outros centros e associações, mas nunca nada se materializou. O IAS respondeu-nos a dizer que não tem locais e ofereceu-nos um local que encontrou onde pagamos 18 patacas por pé quadrado. Mas tem apenas dois mil pés quadra-

melhorassem... Sabemos que há pais que vão estar na nossa situação em dez anos e que precisam da nossa ajuda. A solução qual é? Ignorá-las, deixando-as à mercê de um destino triste? Ou deixar Macau?


POLÍTICA

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hoje macau quarta-feira 26.2.2014

FUMO NOS CASINOS ELLA LEI ENTREGA PROPOSTA DE DEBATE NA AL

Uma garantia para os empregados do jogo A deputada ligada à FAOM estreia-se numa proposta de sessão plenária na Assembleia Legislativa. Tudo em prol da proibição total do fumo nos espaços de jogo

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

deputada Ella Lei, eleita pela via indirecta e ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) entregou

CHUI COM AS MULHERES

O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, discursou ontem por ocasião da recepção comemorativa do Dia Internacional da Mulher, organizada pela Associação Geral das Mulheres de Macau.

ao hemiciclo uma proposta de debate para que seja implementada a proibição completa do consumo de tabaco dentro dos casinos. “Segundo a Lei de Bases da Política do Emprego e de Direitos Laborais, os empregados têm direito a trabalhar com condições de segurança e limpeza, e os patrões também têm a responsabilidade de tomar as medidas que protejam a saúde dos empregados, por forma a prevenir acidentes de trabalho e doenças causadas pela profissão. Ao mesmo tempo, deve dar compensações sobre os danos causados pelo trabalho”, escreveu a deputada na proposta, enviada também às redacções. A deputada considera que tanto o Governo como o patronato têm obrigações nesta matéria. “Com o atraso no regime e na supervisão da execução da lei, e ainda pelo facto das autoridades não

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Os funcionários do jogo sofrem mais do que no passado, e a sua saúde no trabalho não fica garantida ELLA LEI Deputada

serem rigorosas, tal resulta na inactividade em relação ao controlo do tabaco. Os funcionários do jogo sofrem mais do que no passado, e a sua saúde no trabalho não fica garantida.” Ella Lei confirma ainda ter vindo a receber queixas dos funcionários do jogo, quanto ao facto das operadoras não seguirem a lei em vigor, uma vez que o fluxo de pessoas seja maior na zona para fumadores do que nas zonas onde o fumo é proibido. “A maioria dos funcionários tem de trabalhar em ambientes de fumo e a situação é dura.”

CASINOS NÃO ENTREGAM RELATÓRIOS

A deputada acusa ainda as operadoras de jogo de não

AVISO

ANÚNCIO HM-2ª vez 26-2-14

AUTOS DE INTERDIÇÃO CV3-14-0004-CPE 3º Juízo Cível

REQUERENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO. -----------------------REQUERIDO: WONG FAT SON. ------------------------------------***** FAZ-SE SABER que, foi distribuído neste Tribunal, em 11 de Fevereiro de 2014, um Processo de Interdição, com o número acima indicado, em que é Requerido, WONG FAT SON, casado, titular do BIR nº 1249347(4), nascida de 04/12/1938, residente em Macau, na Rampa dos Cavaleiros, Edifício Fok Hoi Court, 9º andar A, para efeito de ser decretada a sua interdição por anomalia psíquica. -----------------------------------------------------------------Macau, 14 de Fevereiro de 2014.

Faz-se público que, de harmonia com o despacho do Presidente do Tribunal de Última Instância, de 21 de Fevereiro de 2014, se acha aberto os seguintes concursos comuns, de ingresso externo, de prestação de provas, nos termos definidos na Lei nº 14/2009, de 3 de Agosto e no Regulamento Administrativo nº 23/2011, de 8 de Agosto, para o preenchimento da carreira de técnico, do quadro de pessoal do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância: 1. 2.

Três lugares de técnico de 2ª classe, 1º escalão, da área administrativa e financeira Dois lugares de técnico de 2ª classe, 1º escalão, da área de engenharia electromecânica

Vai ser publicado o aviso no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 9, II série, de 26 de Fevereiro de 2014. Os interessados podem apresentar as suas candidaturas no prazo de vinte dias, contados a partir do primeiro dia útil imediato ao da publicação do presente aviso no Boletim Oficial da RAEM. Os requisitos de admissão ao concurso, bem como a documentação necessária ao mesmo e mais informações sobre o concurso, encontram-se especificados no referido Boletim Oficial da RAEM. Para mais informações, podem os interessados dirigir-se ao balcão de atendimento do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância, sito na Praceta 25 de Abril, no rés-do-chão do “Edifício dos Tribunais de Segunda e Última Instâncias”, dentro das horas normais de expediente, ou disponibilizadas no sítio dos tribunais (http://www.court.gov.mo). Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância, aos 25 de Fevereiro de 2014. O Chefe do Gabinete, Tang Pou Kuok

garantirem a qualidade do ar dos casinos segundo os padrões. Apesar da obrigatoriedade de fazerem exames de qualidade e da entrega do relatório aos Serviços de Saúde (SSM) todos os meses, Ella Lei diz que os casinos não entregam nada. As empresas que não terão passado pelos exames, segundo a deputada, não sofreram quaisquer sanções. “É difícil convencer a população de que o Governo tem essa determinação em controlar o tabaco nos casinos.” Na conclusão da sua proposta de debate, Ella Lei escreve ainda que a permissão de zonas para fumadores é uma “grande falha”, que não cumpre objectivos. “A Organização Mundial de Saúde (OMS) planeia a criação de um ambiente 100% sem fumo em todos os locais de trabalho fechados. Tendo Macau assinado a convenção quadro para o controlo do tabagismo, o Governo deve alterar imediatamente a lei para a implementação dos casinos sem fumo, a fim de evitar que os funcionários e outras pessoas sofram com o tabaco.”

EXAME ÚNICO DE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR DEVE CHEGAR EM 2015/2016

Palavra de secretário O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, comentou a futura implementação do exame único de acesso ao ensino superior, garantindo que tal medida será estabelecida “sob o princípio de justiça e consoante a realidade concreta de Macau”, provavelmente no próximo ano lectivo de 2015\2016. À margem de um evento promovido pela Associação Geral das Mulheres, o secretário disse que a implementação do exame único “visa minimizar a pressão que os estudantes sofrem em relação aos exames de admissão, bem como poupar os trabalhos administrativos das instituições”.

“O exame é uma medida nova, pelo que o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) empenhar-se-á na execução dos respectivos trabalhos e auscultação de opiniões das diversas partes interessadas, estando já a ser enviados protótipos dos enunciados de exame para as escolas secundárias para recolha de opiniões.” O secretário garantiu ainda que está a ser estudada “a possibilidade de aumentar as épocas de exames para evitar a preocupação de que “um exame determina o destino do estudante”, enquanto se mantém o sistema actual de “isenção de exame de admissão”, aponta um comunicado.


política 5

hoje macau quarta-feira 26.2.2014

Os Serviços para os TÁXIS DEPOIS DE CRÍTICAS NA AL, DSAT DIZ TER “ATITUDE DE ABERTURA” Assuntos de Tráfego assumem que tem vindo a receber várias sugestões para melhorar o serviço dos táxis, mas que não tem todas as sugestões a DSAT tem um calendário para a implementa- notou que o número de táxis não uma atitude de abertura, e depois ção desses novos mecanismos para conseguia acompanhar o desendatas concretas volvimento socioeconómico, e de uma consulta ao público, espera regular o serviço de táxis”. introduzir mecanismos para reguDe frisar que no debate, quase 15 anos após a transferência para uma maior lar o serviço, na forma de uma lei.” ocorrido a 18 de Fevereiro, Chan de poderes, os alvarás de táxi são regulação do sector Contudo, “considerando que Meng Kam chegou mesmo a usar concedidos como se o Governo

Governo ainda sem calendário para nova lei

ANDREIA SOFIA SILVA

tais mudanças estão ligadas com o quadro legal de Macau, não há ainda

uma metáfora para comentar o estado do sector. “O Governo não

andreia.silva@hojemacau.com.mo

UM “SISTEMA DE GESTÃO INTELIGENTE”

O

deputado Chan Meng Kam acusou o Governo, numa recente sessão plenária daAssembleia Legislativa (AL), de nunca ter previsto os actuais constrangimentos sentidos no sector dos táxis, tendo pedido mudanças no regulamento e na concessão de alvarás. Numa resposta enviada ao HM, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) garante ter uma “atitude de abertura” perante as críticas e sugestões que são feitas, mas não tem, até ao momento, uma data para mudanças. “No sentido de promover o serviço de táxis, vários sectores da sociedade têm sugerido diferentes métodos, como a introdução de agentes à paisana, um sistema de pontuação, a suspensão de licenças, ou subsídios aos taxistas com dificuldades de operação. Para

L

EONG Veng Chai quer que o Governo aperfeiçoe a Lei sobre o concurso público para a aquisição de bens e serviços e que crie uma Lei da Concorrência. Numa interpelação escrita enviado ao Governo, o deputado queixa-se que a desactualização deste diploma – com mais de 20 anos - permite que haja mais e mais casos de corrupção, activa e passiva. Dando o exemplo do escândalo de corrupção Ao Man Long, ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes condenado a 29 anos e meio de cadeia por receber subornos, Leong Veng Chai diz que, mesmo com recurso a con-

espremesse uma pasta dentífrica, não contribuindo para resolver os problemas.”

Para todas as sugestões a DSAT tem uma atitude de abertura, e depois de uma consulta ao público, espera introduzir mecanismos para regular o serviço, na forma de uma lei DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS PARA OS ASSUNTOS DE TRÁFEGO

Na resposta escrita enviada ao HM, a DSAT garante ainda que tem vindo a “manter um contacto estreito com o sector”, “reforçando a inspecção e gerindo as operações em conjunto com a polícia para combater as situações ilegais.” Contudo, tem em mãos a ideia de vir a implementar um “sistema de gestão inteligente”. “(A DSAT) está à procura de mecanismos que efectivamente possam supervisionar a qualidade do serviço de táxis, estudando a possibilidade de usar um sistema de gestão inteligente para gerir os táxis de forma cientifica, a fim de resolver o problema da distribuição desequilibrada nas diferentes áreas de Macau.” O organismo liderado por Wong Wan mantém ainda a promessa de conceder 200 novos alvarás de táxi nos primeiros seis meses do ano.

LEONG VENG CHAI PEDE REVISÃO DA LEI PARA AQUISIÇÃO DE BENS

Evitar corrupções e afins curso público, é possível haver irregularidades. “[Há] a ocorrência de conluios entre os concorrentes que se associam na apresentação a candidaturas a concurso . Para combater essas situações de injustiça na concorrência, quando irá o Governo elaborar a Lei da Concorrência, no sentido de proteger os interesses dos serviços públicos e dos concorrentes? Leong Veng Chai acusa “mui-

tos serviços públicos” de aquisição de bens e serviços “por ajuste directo” com os adjudicatários e diz que o Governo não fiscaliza, o que pode “contribuir para o aparecimento de corrupção e fraudes”. O deputado, colega de José Pereira Coutinho, pergunta qual o fundamento para que haja ajustes directos. Leong Veng Chai justifica a interpelação, devido a existir cada

vez mais aquisições pelo Governo. Dados da Direcção dos Serviços de Finanças, apresentados pelo deputado, mostram que o Executivo gastou mais de 22 milhões de patacas em 2012 com a aquisição de serviços. O concurso público já não é o procedimento normal, nota Leong, que refere que os serviços não justificam porque fazem ajustes directos a empresas, para que estas lhes prestem serviços. - J.F.

Chui Sai On afirma que não intervém na liberdade de imprensa O Chefe do Executivo garantiu aos jornalistas que Macau tem liberdade de imprensa e que nunca interveio em nenhum órgão de comunicação. “Esse é um valor nuclear do Governo da RAEM. Eu próprio considero que é importante Macau ter este valor, e nunca intervenho na liberdade de imprensa”, disse, à margem de um evento promovido pela Associação Geral das Mulheres de Macau. A resposta de Chui Sai On surge depois dos funcionários da TDM terem enviado uma terceira carta pública onde referem que os jornalistas da empresa foram influenciados na hora de transmitirem noticias e entrevistas.

Jogo Manifestação acontece este domingo

Segundo a edição de ontem do diário inglês Business Daily, uma associação dos trabalhadores do jogo deverá sair à rua já este domingo, em protesto para garantir o controlo do aumento das mesas de jogo. A Forefront of Macau Gaming fala de uma “expansão implacável dos casinos” e queixa-se de não ter recebido qualquer resposta à petição que foi entregue ao Governo na semana passada.

Transferidos 47 presos para o exterior desde 1999

Macau já transferiu 47 presos para países do exterior desde 1999, sendo que cinco foram para Portugal e 42 para Hong Kong. Os números, citados pela Rádio Macau, foram divulgados ontem por Chu Lam Lam, directora dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional, numa resposta ao deputado Ho Ion Sang. O deputado criticou o facto de, passados dez anos, a cooperação judicial na área penal não ter tido avanços, mas Chu Lam Lam terá respondido que o grupo de trabalho, criado pelo Chefe do Executivo, tem acompanhado de forma activa a questão e que vai cooperar com o Governo Central, para que sejam “alcançados resultados concretos”.


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SOCIEDADE

hoje macau quarta-feira 26.2.2014

ENSINO INFANTIL DSEJ ESPERA INSCRIÇÃO DE 5300 CRIANÇAS

Matrículas passam a ser feitas com talão Para matricular os filhos no primeiro ano do ensino infantil, os pais só têm de imprimir um talão e entregá-lo até 31 de Março na escola escolhida, fazendo apenas um pagamento da reserva da vaga. Há cerca de 6300 vagas em mais de 50 escolas ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) decidiu alterar as regras de matricula das crianças nascidas entre 2009 e 2011 que este ano entrem no primeiro ano do

ensino infantil. Ao invés de fazerem várias matriculas nas escolas escolhidas, com o pagamento de várias reservas de vagas, os pais podem deslocar-se a 30 quiosques onde podem inserir os dados do filho, através do BIR, imprimir um talão e entregá-lo na escola. A medida, feita em par-

ceria com os Serviços de Identificação (DSI) entra em vigor já a partir do dia 1 de Março, sendo que os pais devem entregar o talão até ao dia 31 do mesmo mês. A impressão deve ser feita até o dia 22. Cerca de 50 escolas vão depois fazer a selecção dos alunos, com as matriculas a serem realizadas entre os dias 1 e 10 de Abril. A lista de crianças não admitidas será publicada no dia 14. As taxas para reservas uma vaga numa escola cifram-se nas 800 patacas, mas são reembolsadas no primeiro semestre. São esperados 5300 alunos neste nível de ensino, sendo que existem actualmente 6300 vagas, num total de 119 turmas. Cada turma terá entre 30 a 35 alunos, estima a DSEJ.

Apesar do Governo falar em “uniformização” do sistema, a verdade é que a medida não vai ser obrigatória. Contudo, a DSEJ garante que “todas as escolas” vão implementá-la. “Tratam-se de medidas desenhadas há bastante tempo e foram ouvidas as opiniões das escolas e encarregados de educação. Não estou a ver as escolas a não seguirem estas medidas”, disse a responsável de departamento da DSEJ. Em relação aos filhos de não residentes, as matriculas terão de ser feitas no website da DSEJ, uma vez que o sistema electrónico dos quiosques apenas permite ler as informações dos BIR. Depois o formulário terá de ser entregue na DSEJ.

“Para os pais também é conveniente porque até 31 de Março recebem a lista e aí vão ponderar sobre qual é a escola onde querem matricular o filho, e não precisam de pagar várias tarifas para a reserva da vaga. Poupam dinheiro e tempo.”

MATRICULAS EM DEZ ESCOLAS

Segundo a DSEJ, trata-se de uma medida “conveniente” também para as escolas, que não estariam até então satisfeitas com o modelo adoptado. “O objectivo é facilitar o processo às escolas, sem prejuízo de escolha para os pais. As escolas disseram que tinham prejuízos com este método, porque depois no inicio do ano lectivo os pais não iam para as escolas

escolhidas inicialmente e optavam por outra.” “Há quem diga que os pais ocupam vagas e os pais preocupam-se com isso. Segundo informações há quem se inscreva em dez escolas. Mas acho que todos os pais conseguem ter uma vaga para o seu educando.” A DSEJ garante total autonomia às escolas para escolherem os seus alunos. “Cada escola tem os seus critérios de admissão. A maioria é feita por entrevistas aos educandos com perguntas fáceis, há outras escolas em que se dão brinquedos e onde se observa como as crianças brincam. Pelo que sei uma escola fazia sorteio. Apenas sugerimos que não façam perguntas às quais as crianças não conseguem responder.”

CEM RECEBE APROVAÇÃO PARA CONSTRUIR QUATRO POSTOS DE TRANSFORMAÇÃO NOS BAIRROS ANTIGOS

Vai fazer-se (mais) luz a breve trecho CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

Companhia de Electricidade de Macau (CEM) recebeu aprovação para a construção de quatro postos de transformação nos bairros antigos. A notícia é avançada pelo jornal Ou Mun, na edição de ontem, que cita o presidente do Conselho dos Clientes da CEM, Vong Kok Seng.

A CEM tinha pedido autorização para a construção de oito destes postos, mas apenas quatro foram “recentemente aprovados”, ainda que a empresa “não tenha recebido qualquer licença para as obras” ainda. A CEM quer que a Administração emita as licenças para as obras o mais rapidamente possível, até porque a empresa revelou que, nos últimos dez anos, com o desenvolvimento económico, o consumo da energia eléctrica aumentou 110%.

As lojas situadas nos bairros antigos têm-se queixado muito devido à má qualidade da electricidade nos locais. Os quatros postos aprovados ficam em Coloane, na Taipa e perto da Praça de Ponte e Horta. A CEM prevê ainda que o consumo da energia eléctrica vá aumentar muito na San Ma Lou, devido aos restaurantes terem alterado os fornos a gás para eléctricos, devido a questões de ambiente e segurança.


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Bomba de água explodiu em prédio

Passavam trinta minutos das 17 horas da tarde de ontem quando ocorreu uma forte explosão num prédio residencial na Rua de Pequim. Segundo a Rádio Macau, o estrondo ocorreu no 25.º andar de um edifício, com o nome I Chan Kok, e terá ocorrido devido a uma explosão com uma bomba de água. Tanto a polícia e os bombeiros confirmaram com a Rádio que não houve feridos. O edifício junto ao hotel Holiday Inn terá sido parcialmente evacuado.

Paulo Lemos vem à MIECF

O Secretário de Estado do Ambiente de Portugal, Paulo Lemos, deverá estar presente na próxima edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF), a decorrer já nos dias 27 e 29 de Fevereiro. A Rádio Macau avança que Paulo Lemos vem à RAEM em representação do Governo português, num evento que se realizará no Venetian, à semelhança de anos anteriores.

Ilha da Montanha deverá ter hospital de Harvard

Um jornal de Cantão noticiou em primeira mão e o jornal Ponto Final e Rádio Macau citaram. A ilha de Hengqin deverá ter um hospital com base numa parceria com a Faculdade de Medicina de Harvard, sendo que já terá sido reservado um terreno com cem mil metros quadrados. O jornal New Express Daily, da China, escreveu que o anuncio foi feito por Li Li, responsável pelos serviços de saúde de Zhuhai. Representantes máximos da escola de medicina de Harvard já terão visitado o espaço, tendo demonstrado “satisfação com o ambiente”. Estarão ainda envolvidos no projecto o Hospital de Medicina Tradicional Chinesa de Guangdong e um fundo de investimento ainda desconhecido.

WORKSHOP “ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE” DECORRE AMANHÃ NO C&C

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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que é uma alimentação consciente? A resposta pode ser dada por uma nutricionista, mas a abordagem talvez não tome em consideração um factor relevante: o impacto das emoções nos hábitos alimentares. Por essa razão, Filipa Viriato e Verónica Madruga, dietista e psicóloga, respectivamente, vão dar amanhã um workshop com uma abordagem multidisciplinar sobre “Alimentação Consciente”, no Clube C&C, pelas 18h30. “Muitas das perturbações são originadas por uma relação desadequada com os alimentos”, explicam as especialistas. “O acto de comer está intimamente ligado não apenas ao cognitivo, mas às emoções do indivíduo, entre outros factores.” Por essa razão, é “sensibilizar a população sobre a importância de uma boa saúde mental, passando pela prevenção, tratamento e manutenção da saúde física e emocional”, destaca Madruga. Os grandes objectivos desta actividade passam pela aprendizagem de estratégias para controlar o que se come e as quantidades do que se come. Questionadas sobre se a população de Macau tem vindo a mudar os seus hábitos alimentares, a psicóloga entende que “pouco a pouco as pessoas estão a tornar-se mais conscientes sobre os seus hábitos alimentares e dos benefícios para a saúde de uma alimentação saudável e equilibrada”, mas há factores externos que impedem uma evolução a grande ritmo. “Ao promover um estilo de vida saudável e uma atitude positiva em relação à saúde, não podemos excluir a prática de uma actividade física. Macau precisa de investir em mais espaços verdes pois estes

Mudança de humor, alimentação estável

têm a função de garantir uma boa qualidade de vida aos habitantes”, aponta Madruga. Sobre a diversidade da cultura gastronómica, que pauta Macau, Filipa Viriato prefere não apontar

dedos a um ou outra cultura. Antes, reconhece, há “hábitos melhores e piores”, sendo necessário procurar conhecer as boas regras alimentares porque “e o tipo de consumo que determina o equilíbrio da alimentação”.

Consumo de água aumentou 4,3% em 2013

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consumo de água em Macau aumentou 4,2% em 2013, para um total de 78 milhões de metros cúbicos, disse ontem à agência Lusa uma fonte da Macau Water, a concessionária do serviço de abastecimento de água. A fonte, que falava à margem do almoço da Primavera com a comunicação social local, sublinhou que o aumento do consumo “é normal” para uma cidade que recebe quase 30 milhões de visitantes e tem uma população de cerca de 600.000 pessoas. Ao intervir na cerimónia, Félix Fan, director executivo da Macau Water, passou em revista os investimentos da companhia

iniciados ao longo de 2013, nomeadamente a fase 3 da Estação de Tratamento de Água do Porto Exterior, que visa dotar a empresa da capacidade necessária para dar resposta às necessidades a enfrentar com os novos empreendimentos turísticos que estão a ser construídos nos aterros

entre as ilhas da Taipa e de Coloane. Durante o almoço foram lançadas várias iniciativas, como concursos de fotografia e recolha de fotos antigas sobre o abastecimento de água em Macau, que em 2014 celebra 80 anos de concessão de serviço público.

Amanhã, as duas profissionais chamam qualquer pessoa “interessa a melhorar a sua qualidade de vida” a participar deste workshop que promete incitar a que não se volte a fazer dietas.

Sin Fong Garden Moradores dizem-se perseguidos pela polícia

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M proprietário de um apartamento no edifício Sin Fong Garden queixou-se ao programa do canal chinês da Rádio Macau, o Ou Mun Tin Toi, de perseguição por parte da Polícia Judiciária (PJ). Mas entretanto a PJ já negou o caso, tendo falado de “mal entendido”. O morador, o senhor Wong, disse ao programa “Call Me Macau” que “temos vizinhos, o senhor Lau e o senhor Chan, que descobriram terem sido perseguidos pela polícia depois da reunião de moradores do Sin Fong Garden, ocorrida no último domingo. Segundo o

relato, dois polícias terão seguido os moradores até ao quarto e quinto andares. “Eu próprio fui perseguido depois da reunião até chegar a casa. Nunca convidámos a PJ a participar nas nossas reuniões, mas eles voluntariamente vão lá.” O chefe da divisão da área das relações públicas da PJ, Cheang Pou Seong, disse que as autoridades “nunca enviaram funcionários para participar nos assuntos mencionados” e esperam que os proprietários possam contactar a polícia, por forma a compreender a origem deste “mal entendido”. – C.L.


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CHINA

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TIBETE JUIZ ESPANHOL ENVIA 48 PERGUNTAS A EX-PRESIDENTE CHINÊS SOBRE REPRESSÃO

Investigação de genocídio O

juiz da Audiência Nacional espanhola Ismael Moreno enviou às autoridades judiciais da China uma lista de 48 perguntas dirigidas ao ex-Presidente Hu Jintao sobre a sua possível responsabilidade na repressão exercida por Pequim na região do Tibete. O juiz está a investigar um alargamento do processo por genocídio, que deu entrada a 10 de Outubro de 2013, contra Hu Jintao, Presidente da China entre 2004 e 2013, secretário do Partido Comunista Chinês no Tibete entre 1988 e 1992 e autoridade máxima do Exército Popular de Libertação como presidente da Comissão Central Militar de 2005 a 2013. O juiz pediu a 8 de Junho, através de comissão rogatória, que fosse notificada a ampliação do processo a Hu Jintao e este fosse intimado a responder às 48 perguntas enviadas pelos litigantes, mas a China ainda não respondeu ao seu requerimento, indicaram à agência Efe fontes jurídicas. O magistrado está a investigar este caso em virtude do princípio de justiça universal, cuja restrição será debatida pelo Congresso espanhol na

próxima semana, para que esta e outras causas instauradas na Audiência Nacional possam ser arquivadas. O âmbito das perguntas dos queixosos – o Comité de

Apoio ao Tibete, a Fundação Casa do Tibete e um monge tibetano de nacionalidade espanhola – abarca acontecimentos ocorridos no Tibete desde 1988.

As 48 perguntas incidem sobre as alegadas agressões, torturas, abortos, esterilizações e assassínios de tibetanos às mãos das forças da ordem chinesas quando

“Tinha conhecimento exacto de quantos acontecimentos se sucediam no Tibete, na sua condição de Presidente e secretáriogeral do Partido Comunista chinês?” é uma das questões colocadas pela acusação de forma genérica a Hu Jintao

CORRUPÇÃO PEQUIM REVELA PLANO DE COMBATE

Hu Jintao estava no poder. “Tinha conhecimento exacto de quantos acontecimentos se sucediam no Tibete, na sua condição de Presidente e secretário-geral do Partido Comunista chinês?” é uma das questões colocadas pela acusação de forma genérica, enquanto muitas outras se referem a acontecimentos pontuais. O ex-Presidente é igualmente inquirido sobre se

ordenou, a 7 de Março de 1989, enquanto secretário do Partido Comunista no Tibete, a execução da lei marcial na região após três dias de manifestações na capital, Lhasa, que foram reprimidas pela Polícia Armada Popular com a morte de vários manifestantes. “Teve conhecimento de que, como consequência da repressão do exército e da polícia, ordenada por essa campanha e lei, durante esses dias foram assassinados 450 tibetanos, 700 ficaram feridos, 350 desaparecidos e mais de 3.000 detidos?”, lê-se noutra das perguntas. Pergunta-se também ao ex-presidente chinês se “deu liberdade à polícia e aos funcionários das prisões para que torturassem os manifestantes detidos” e se tinha conhecimento da existência de tortura em centros de detenção como Gutsa ou em prisões do Tibete como a de Drapchi, em Lhasa, que causaram a morte de centenas de presos. A acusação pergunta ainda a Hu Jintao se participou em 1994 no III Fórum do Trabalho sobre o Tibete, realizado em Pequim, no qual foi definido que quem mostrasse adesão ao Dalai Lama “era um inimigo que seria suprimido no âmbito da ‘luta contra o divisionismo’”. Moreno está a investigar neste processo outros cinco ex-dirigentes chineses, entre os quais outro ex-Presidente, Jiang Zemin, para quem o juiz emitiu um mandado internacional de detenção.

ECONOMIA MAIS 16,5 MILHÕES SAÍRAM DA POBREZA

Mais abertura e transparência ‘Per capita’ a subir O O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, anunciou um novo plano de combate à corrupção no país. Segundo o primeiro-ministro, os amplos poderes de regulação do Governo sobre os mercados e as empresas são um dos principais factores que levam à corrupção no país. Li Keqiang disse que as licitações para os projectos de construção, compras governamentais e a concessão de uso da terra e direitos de extracção de minério são áreas particularmente propensas a actos de corrupção. Estes processos precisam de ser padronizados e melhorados este ano e “os quadros de dirigentes não devem intrometer-

-se”, disse Li numa reunião do Conselho de Estado, o gabinete chinês, no dia 11 de Fevereiro. Na altura, apenas foram pu-

blicados parte dos comentários. A versão mais completa das suas observações foi divulgada este domingo pela agência oficial de notícias Xinhua. Embora nenhuma explicação tenha sido dada para o intervalo de tempo, as observações de Li desenharam um cenário amplo dos esforços anti-corrupção do Governo para este ano. Li disse também que uma abertura e uma supervisão pública mais amplas são necessárias para combater a corrupção. “A abertura é a medida de combate à corrupção mais poderosa”, disse Li, que prometeu ainda uma maior transparência sobre o orçamento e os gastos do Governo.

número de chineses vivendo abaixo da linha de pobreza diminuiu 16,5 milhões em 2013, para 82,49 milhões, anunciou o Gabinete Nacional de Estatísticas da China na segunda-feira. No conjunto, os chineses que vivem com menos de cerca de 2.900 patacas por ano correspondem agora a 6% da população do país. O rendimento anual disponível ‘per capita’ entre a população urbana (53,73% do país) cresceu 7% em relação a 2012, para cerca de 34.000 pa-

tacas, indicou a mesma fonte. Nas zonas rurais, a subida foi maior (9,3%), mas o rendimento continua muito aquém do que se ganha nas áreas urbanas: apenas cerca de 11.000 patacas. Centenas de milhões de chineses saíram da linha de pobreza desde que o país adoptou a política

de Reforma Económica e Abertura ao Exterior, no final da década de 1970, num processo sem precedentes na História. Nas últimas três décadas, a economia chinesa cresceu em média cerca de 10% ao ano, tornando-se a segunda maior do mundo, a seguir aos Estados Unidos daAmérica. Contudo, a China continua a assumir-se como um país em vias de desenvolvimento, com um Produto Interno Bruto ‘per capita’de cerca de 47 mil patacas, menos de um terço do valor registado em Portugal.


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THREE GORGES DETECTADAS “IRREGULARIDADES” NO MAIOR ACCIONISTA DA EDP

Combate feroz à ostentação A

China Three Gorges, o maior accionista da EDP, está a reduzir a dimensão dos gabinetes dos seus líderes e a usar automóveis de serviço mais baratos, corrigindo “irregularidades” detectadas pela Comissão Central de Disciplina do Partido Comunista Chinês. A correcção foi anunciada na segunda-feira pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, que cita um relatório no sítio na Internet da China Three Gorges (CTG). Trata-se de uma das maiores estatais chinesas na área da energia, com cerca de 11.000 trabalhadores. Alguns gabinetes foram considerados “demasiado grandes” ou “excessivamente decorados”, e, em vez de um Audi 2.8L, os dois principais executivos da empresa passaram a andar num Audi 2.4L, indicou a mesma fonte. Na sequência de uma inspecção durante dois PUB

meses feita pela Comissão Central de Disciplina do PCC, a empresa “prometeu continuar a reduzir os gastos em veículos, viagens ao estrangeiro e recepções, que tradicionalmente são as três maiores fontes de corrupção e de desperdício”, afirma a Xinhua. Em 2013, houve uma redução de cerca de 63 milhões de patacas naquelas rubricas e este ano haverá

mais um corte de 10%, refere a agência. Segundo a Xinhua, os inspectores da Comissão Central de Disciplina do PCC detectaram também “abuso de poder em licitações e contratos de projectos”, “falta de transparência no processo de decisão da companhia” e “ineficiências na comunicação entre funcionários com cargos importantes”.

O presidente da CTG, Cao Guangjing, é membro suplente do Comité Central do PCC. Cao Guangdong disse que “a companhia adoptará uma atitude de tolerância zero face à corrupção e punirá severamente os que estiverem envolvidos em casos de corrupção”, afirmou a Xinhua. O combate à corrupção, nomeadamente nas grandes empresas estatais, tem sido uma prioridade da nova liderança do PCC, eleita há menos de um ano e meio. A CTG tornou-se o maior accionista da EDP em 2012, depois de ter pago cerca de 27 mil milhões de patacas por 21,35% do capital da eléctrica portuguesa. A participação foi vendida pelo Estado português num concurso internacional a que concorreram também uma empresa alemã e duas brasileiras.

REGIÃO Navio norte-coreano invade águas da Coreia do Sul

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M navio patrulha da Coreia do Norte invadiu, por motivos desconhecidos, águas do Sul no Mar Amarelo e retirou-se após dez advertências das autoridades sul-coreanas, num incidente pouco comum ocorrido em plena etapa de distensão entre ambos países. O barco norte-coreano passou a fronteira marítima na noite de segunda-feira e permaneceu mais de três horas e meia nas águas do Sul, apesar das advertências da Guarda Costeira do país vizinho até regressar finalmente ao Norte na madrugada de ontem, informou um

porta-voz do Ministério de Defesa de Seul. O porta-voz destacou que as autoridades costeiras tiveram de dirigir até 10 advertências ao navio patrulha do Norte para que se retirasse das suas águas a oeste de Baengnyeong, a ilha mais ocidental da Coreia do Sul localizada a escassos quilómetros do território norte-coreano. O representante da Defesa de Seul estimou que o incidente possa ter sido “parte de um dos exercícios militares” da Coreia do Norte, ou que o regime comunista quisesse inspeccionar a força naval do Sul.


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EVENTOS

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ESCOLA PORTUGUESA ACOLHE BAILE DO MICAREME

Morreu Harold Ramis, actor e criador de “Caça-Fantasmas”

Harold Ramis, conhecido por filmes como “Caça-Fantasmas”, “Melhor é Impossível” e “Feitiço do Tempo”, morreu segunda-feira aos 69 anos, de complicações decorrentes de doença rara nos vasos sanguíneos. O actor, argumentista e produtor norte-americano morreu na sua em casa em Chicago. Segundo a família, Ramis sofria de um tipo de vasculite raro, uma doença inflamatória auto-imune que envolve o inchaço dos vasos sanguíneos. Apesar do trabalho anterior de Harold Ramis como argumentista e realizador, foi em 1984 com o filme “Caça-Fantasmas” que se tornou conhecido pelo público ao interpretar o cientista Egon Spengler. Para além da sua actuação e co-autoria (com Dan Aykroyd) no argumento de “Caça-Fantasmas”, um dos maiores êxitos dos anos 80, o seu trabalho ficou imortalizado em comédias como “Melhor é Impossível”, “O Amor da Minha Vida”, “Feitiço do Tempo” e séries como “Extreme Ghostbusters”. O actor lutava contra a doença desde 2010, ano em que parou de produzir.

Polícia investiga destruição de 300 cópias de o “Diário de Anne Frank”

A polícia metropolitana de Tóquio criou um grupo especial para investigar a destruição de mais de 300 cópias de o “Diário de Anne Frank” em várias bibliotecas da capital, ao suspeitar que estes danos foram causados pela mesma pessoa. As autoridades investigam o caso como um crime de vandalismo, segundo informaram responsáveis da polícia da capital nipónica à agência Kyodo. Durante este mês foram encontradas 306 cópias danificadas do conhecido diário da menina judia e de outras obras relacionadas com a sua biografia e com o holocausto. Os livros tinham folhas arrancadas ou cortadas, e pertenciam a 38 bibliotecas públicas de oito distritos de Tóquio, a maioria localizada na zona central da capital japonesa. O “Diário de Anne Frank” foi escrito por uma menina que vivia escondida com a família em Amesterdão durante a ocupação nazi, e que morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen em 1945.

Folia macaense A

Escola Portuguesa acolhe no próximo dia 22 de Março, pelas 18h, o Baile de mascarados do Micareme, 2014, uma iniciativa conjunta da Associação dos Macaenses (ADM) e da Confraria da Gastronomia Macaense (CGM). Na sequência do entusiasmo na adesão à edição do ano passado, as duas associações acordaram em manter a realização de mais uma edição, pretendendo não só a maior participação dos interessados, mas – e sobretudo –reavivar mais uma tradição da Comunidade Macaense que todos os anos ocorre nos períodos próximos da Páscoa, informa o comunicado de imprensa da organização. Tal como no ano passado, vai

Museu Rainha Sofia adquire obras de artistas portugueses

Três trabalhos fílmicos da dupla de artistas portugueses João Maria Gusmão e Pedro Paiva, da galeria Graça Brandão, em Lisboa, fazem parte de um grupo de 17 obras de arte adquiridas recentemente pelo Museu Rainha Sofia, um dos maiores museus de arte moderna de Espanha, no âmbito da ARCO - Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid. De acordo com informações veiculadas pelo museu, localizado na capital espanhola, Madrid, citadas pela Lusa, as aquisições em causa incluem desenhos, fotografias, objectos, diapositivos e filmes num valor global de cerca de dois milhões de patacas. As três obras portuguesas escolhidas pelo museu são os filmes “Maçã de Darwin, Macaco de Newton” (2012), “Três Sóis” (2009) e “Eclipse Ocular” (2007), sendo cada uma das quais composta por “internegativos”, “inter-positivos” e duas cópias de exposição.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O FIM DO IMPÉRIO • Ribeiro Cardoso

Em setembro de 1974, Lourenço Marques testemunhou um crime sem perdão que originou incontáveis mortos, na esmagadora maioria negros - graças à loucura e irresponsabilidade de um punhado de brancos que, sentindo o seu mundo de privilégios a ruir, se lançou numa aventura sem sentido, arrastando emocionalmente milhares de compatriotas que, desinformados e impreparados politicamente, naquele contexto eram presa fácil de qualquer patrioteirismo rasteiro. O resultado foi, num primeiro momento, uma euforia balofa, difundindo via rádio desejos e boatos como realidades – com os seus membros mais exaltados entregando-se, ao som do Rádio Clube de Moçambique assaltado, a uma autêntica orgia de sangue negro nas ruelas sem esgoto do caniço. Ao terceiro dia, o medo que se havia apoderado da população negra, que ouvia a rádio apelando à intervenção sul-africana e rodesiana, transformou-se em levantamento geral sob a forma de uma marcha de catanas sobre a cidade branca.

haver concurso de mascarados em duas categorias, a saber: Colectiva (Grupos) e Individual. A fim de promover uma maior atracção de eventuais concorrentes, foi aumentado o valor dos prémios monetários para a categoria de Grupos. Assim, o primeiro prémio ascenderá a 8.000 patacas, o segundo classificado receberá 5.000 patacas e o terceiro, 3.000 patacas. Estão também previstos dois prémios de consolação para a mesma categoria, no valor de 1.000 patacas cada. Os prémios individuais, serão no valor de 3.000, 2.000 e 1.000 patacas, para os primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente, informa a nota de imprensa. O regulamento do concurso estará disponível nas sedes da

ADM e da CGM, assim como na página da ADM na Facebook. Segundo a organização, pretende-se criar o espírito da folia, sendo especialmente valorizados a criatividade artística, originalidade do tema e o sentido humorístico do respectivo traje (individual ou colectivo). Os temas serão da responsabilidade dos concorrentes, sejam de mera fantasia, de escárnio ou de crítica social. No entanto, não será admitida qualquer expressão de natureza ultrajante ou atentatório contra a honra de qualquer figura pública, acrescenta a nota. O preço unitário é de 250 patacas, que inclui comida (macaense), bem como petiscos da gastronomia dos países lusófonos e uma bebida.

PEQUIM CIDADE PROIBIDA MAIS ABERTA AO PÚBLICO

Harém imperial pode ser visto em 2015 O Museu do Palácio, também conhecido como Cidade Proibida, irá abrir 76% da sua área ao público em 2018, disse o curador do museu Shan Jixiang sexta-feira passada. Actualmente, apenas 52% do palácio imperial com 600 anos está aberto aos turistas, disse Shan a um grupo de jornalistas. Até 2015, o museu irá abrir a parte oeste do palácio, que costumava conter o harém imperial, disse. As zonas actualmente acessíveis do palácio são a parte central e leste, o escritório e a residência dos imperadores, para além do jardim imperial.

Localizada no coração de Pequim, a Cidade Proibida foi a casa dos imperadores da China e o maior centro de poder de 1420 a 1911. Atrai mais de 15 milhões de visitantes anualmente. Shan disse ainda que o Museu do Palácio gostaria de trabalhar em conjunto com o Museu do Palácio de Taipei pois ambos se complementam de diversas maneiras. O Museu do Palácio já organizou diversas exposições conjuntas com o Museu do Palácio de Taipei, na ilha de Taiwan, mas ainda nenhuma no continente. Shan disse esperar que os dois lados removam as barreiras e realizem trocas mútuas quanto antes.

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TRIUNFO DO AMOR PORTUGUÊS • Mário Cláudio

Celebrando o amor, Mário Cláudio reescreve no presente volume doze histórias de amor e transgressão recriadas a partir de lendas e de episódios da História de Portugal, como as de Pedro e Inês, Leonor Teles e o Conde de Andeiro, Camilo Castelo Branco e Ana Plácido ou António Nobre e Alberto de Oliveira. No prefácio ao livro, Agustina Bessa-Luís escreve: «(…) Nem uma só das narrativas de Mário Cláudio está despojada de culpa. Porque o amor se previne com a culpa para ser agente de mudanças. Se fosse preciso afirmar Mário Cláudio como um escritor, este livro “Triunfo do Amor Português” vinha coroar a sua obra.»


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VHILS ARTISTA PORTUGUÊS EM DESTAQUE NO TELEGRAPH

Um revolucionário da arte urbana O

CHINA NEGOCIA ABERTURA DE CENTROS CULTURAIS

Gigante dá-se a conhecer na América do Sul O governo da China está a negociar a abertura de novos centros culturais na Argentina, no Chile e no Brasil para ajudar a fomentar o conhecimento sobre o gigante asiático no exterior, anunciou esta segunda-feira o ministro da Cultura, Cai Wu. Segundo o ministro chinês, a China, que já conta com 14 centros deste tipo em todo o mundo, pretende abrir mais quatro ou cinco ainda este ano, sendo que o objectivo é chegar aos 50 centros até

2020. “Os países hispânicos são também fundamentais para o país asiático”, destacou o ministro, que confirmou o início das operações para a abertura de um centro cultural em Espanha, enquanto outro começou já a ser construído no México. Para além de ter insistido na importância de impulsionar o estabelecimento destas instituições pelo mundo, o ministro da Cultura da China adiantou que a sua pasta negociará o financiamento (ou co-financiamento) destas

iniciativas com os governos locais, uma medida que, segundo ministro, pode facilitar a participação de organizações sociais e empresas chinesas no exterior. “O processo para estabelecer estes centros leva o seu tempo; são acordos recíprocos de nível governamental”, assinalou Cai, que explicou que os acordos com a Argentina, Brasil e Chile oferecem também a possibilidade para que estas nações estabeleçam uma instituição cultural semelhante na China.

artista português Alexandre Farto, mais conhecido por Vhils, está em destaque no jornal The Telegraph. O jornal britânico elogia a técnica de Alexandre que é conhecido por esculpir inúmeros rostos nas paredes dos edifícios de Lisboa e um pouco por todo o mundo. “Alexandre criou um número impressionante de retratos nas paredes e laterais de edifícios antigos”, pode ler-se no artigo do The Telegraph que esteve à conversa com o artista. “Com o meu trabalho, eu tento aprofundar as várias camadas que compõe um edifício”, explicou Vhils ao jornal britânico, que apresenta 13 imagens das várias obras do artista. “Neste processo de escavação, é o próprio processo que é expressivo, mais do

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que o resultado final”, revelou o artista urbano de 27 anos, que faz a sua arte “principalmente em fachadas ou prédios abandonados”. O artista português disse também que o tempo que demora a criar um retrato depende do tamanho da parede ou superfície, mas um edifício de dois andares pode levar um dia inteiro a terminar. Segundo Vhils, o objec-

tivo do seu trabalho é “dar um rosto à cidade”, para “dar poder aos cidadãos [e lembrar-lhes que] não são só mais uma pessoa no meio da multidão.” Natural do Seixal, Alexandre Farto revolucionou a arte urbana ao utilizar stencil, explosões pirotécnicas e modelagem 3D para criar retratos. As suas obras já mereceram vários elogios da crítica por todo o mundo.


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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA “Melhoramento do Silo Automovél Público da Rua da Ponte Negra”

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA ADJUDICAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE “MANUTENÇÃO DA ILUMINAÇÃO DECORATIVA DAS PONTES DE NOBRE DE CARVALHO, DA AMIZADE E DA FLOR DE LÓTUS (07/2014 A 06/2016)” 1. Serviço por onde corre o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. 2. Modalidade de concurso: concurso público. 3. Local da prestação de serviços: Pontes de Nobre de Carvalho, da Amizade e da Flor de Lótus e as respectivas instalações. 4. Objecto da prestação de serviços: Gestão e manutenção da Iluminação Decorativa das Pontes de Nobre de Carvalho, da Amizade e da Flor de Lótus, Iluminação Pública da Ponte da Flor de Lótus e do seu sistema eléctrico, efectuando serviços de emergência no caso de acidente e calamidade natural. 5. Período da prestação de serviços: De 1 de Julho de 2014 a 30 de Junho de 2016 (2 anos).

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6. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável nos termos previstos no Programa de Concurso. 7. Modo de retribuição ao adjudicatário: a prestação de serviço é por Preço Global e a substituição de peças avariadas é por Série de Preços. 8. Caução provisória: $40 000,00(quarenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro ou garantia bancária. 9. Caução definitiva: 4% do preço total da adjudicação. 10. Preço Base: não há. 11. Condições de Admissão: 11.1 No objecto social dos empresários/empresas comerciais deve constar pelo menos o exercício de actividade de “Manutenção e reparação de instalações eléctricas”(Deve ser apresentado o registo comercial para a comprovação); 11.2 No caso de consórcio ou agrupamento de empresas, é necessário a todos os constituintes possuir o exercício de actividade de “Manutenção e reparação de instalações eléctricas”(Devem ser apresentados os registos comerciais para a comprovação). 12. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, Estrada de D. Maria II, n.º 33, R/C; Dia e hora limite: dia 3 de Abril de 2014(quinta-feira)até às 12:00 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora limite para a entrega de propostas acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a entrega de propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 13. Local, dia e hora do acto público: Local: sede da DSSOPT, Estrada de D. Maria II, n.º 33, 5º Andar, sala de reunião; Dia e hora: dia 4 de Abril de 2014(sexta-feira), pelas 9:30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a entrega de propostas mencionada de acordo com o número 12 ou em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora estabelecida para o acto público de abertura das propostas acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 27º do D.L.63/85/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Local, hora e preço para exame do processo e obtenção da cópia: Local: sede da DSSOPT, Estrada de D. Maria II, n.º 33, 17º Andar, Departamento de Edificações Públicas; Hora: horário de expediente. Na Secção de Contabilidade da DSSOPT poderão ser solicitadas cópias do processo de concurso ao preço de $330,00 (trezentas e trinta patacas), por exemplar. 15. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preços de reparação e manutenção e de peças a serem substituídas: 55%. - Plano de trabalho: 13%. - Experiência de trabalhos de gestão e manutenção da mesma espécie ou semelhantes(na RAEM ou no exterior): 20%. - Integridade e honestidade: 7%. - Registo de mão-de-obra ilegal, utilização de trabalhadores em desvio de funções ou que exerçam funções em locais que não coincidam com os previamente autorizados ou atrazo de pagamento de sálarios: 5%. 16. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer no Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, Estrada de D. Maria II, n.º 33, 17º andar, a partir de 10 de Abril de 2014 (inclusivé) até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, aos 19 de Fevereiro de 2014 O Director dos Serviços Jaime Roberto Carion

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Entidade que põe a obra a concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Rua da Ponte Negra Objecto da Empreitada:. Melhoramento do equipmento no Silo Automovél existente. Prazo máximo de execução: 120 dias (cento e vinte dias). Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. Caução provisória: $80.000,00 (oitenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, R/C, Macau; Dia e hora limite: dia 24 de Março de 2014 ( segunda-feira), até às 12:00 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora limite para a entrega de propostas acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a entrega de propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, dia e hora do acto público: Local: Sala de reunião da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, 5º andar, Macau; Dia e hora: dia 25 de Março de 2014 (Terça-feira), pelas 9:30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a entrega de propostas mencionada de acordo com o número 12 ou em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora estabelecida para o acto público de abertura das propostas acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80º do Decreto-Lei n.º74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, 17º andar, Macau; Hora: horário de expediente (Das 9:00 às 12:45 horas e das 14:30 às 17:00 horas) Na Secção de Contabilidade da DSSOPT, poderão ser solicitadas cópias do processo de concurso ao preço de $210,00 (duzentas e dez patacas). Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço razoável 60%; - Plano de trabalhos 10%; - Experiência e qualidade em obras 18%; - Integridade e honestidade 12%. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer no Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, 17º andar, Macau, a partir de 6 de Março de 2014 (inclusivé) e até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, aos 19 de Fevereiro de 2014.

O Director dos Serviços Jaime Roberto Carion


M. Ângela Andrade

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que há de peculiar na forma na poesia chinesa, que leva Demiéville a comparar a sua tessitura com a arte de “fritar peixinhos sem destroçá-los”? Há uma alusão à sua leveza e subtileza. Mas esse savoir-faire implica ainda exercitar-se pela repetição, pois os chineses imitam e repetem sempre os códigos poéticos, os mitos e os ritos ancestrais. Para além do saber fazer, da habilidade, o que confere à poesia charme irresistível é o estilo e a singularidade, tal como o demonstra a caligrafia chinesa. O que se apreende é que a repetição chama o novo. Na tessitura de uma poesia provisória, a apreensão do ser sempre escapa. Daí ser “poesia ténue, sempre prestes a se desfazer na via do apagamento, sempre capaz de evitar o desaparecimento, ameaçada de extinção e, no entanto, sempre renascendo. Afinal inextinguível, por tocar nos contrastes da língua em si, da qual se desprende a linguagem.” Antes de prosseguir lendo como Albert Nguyen articula as relações entre poesia chinesa e psicanálise, cumpre notar dados historiográficos da relação de Lacan com a China, sua língua e pensamento: Jacques Lacan sempre fora atraído pelo Extremo Oriente e sabe-se que, durante a Ocupação, havia aprendido o chinês na Escola de Línguas Orientais. Em 1969, quando elaborava sua teoria do discurso a partir da divisão wittgensteiniana do dizer e do mostrar, voltou a mergulhar com paixão no estudo da língua e da filosofia chinesa. Em outra ocasião procurei tratar aqui das referências sobre a língua chinesa nos seminários de Lacan, principalmente as do seminário XVIII. No presente trabalho busco apresentar aspectos das indicações de Lacan a respeito de poesia chinesa: “Se vocês são psicanalistas, verão que é o forçamento por onde um psicanalista pode fazer ressoar outras coisas, outra coisa que o sentido. (....) O sentido, isto tampona; mas com a ajuda daquilo que se chama escritura poética podem ter uma dimensão do que poderia ser a interpretação analítica. É absolutamente certo que a escritura não é aquilo pelo que a poesia, a ressonância do corpo, se exprime. É aliás completamente surpreendente que os poetas chineses se exprimam pela escritura e que para nós o que é preciso é que tomemos na escritura chinesa a noção do que é a poesia. Não que toda poesia... seja tal que a possamos imaginar pela escritura, pela escrita poética chinesa, mas talvez vocês sintam aí alguma coisa que seja outra, outra que aquilo que faz que os poetas chineses não possam fazer de outra forma senão escrever...”

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Poesia chinesa e psicanálise

LACAN EM PEQUIM

ao real no taoísmo com a música tonal, enquanto que a relação ao real na psicanálise com a música atonal. Ou ainda com Badiou: “O real, para Lacan, se dá como ausência de sentido. Mas o que é preciso entender bem, é que ausência de sentido para Lacan, nunca quer dizer não-sentido. Há uma função de sentido do real, enquanto ausência de sentido. Há uma ausência no sentido, uma subtracção ao sentido que não é um não-sentido. É essencial compreender a diferença entre ausência de sentido (ab-sens) e não-sentido (non-sens).”

A poesia chinesa, porém, só pode ser lida conhecendo o contexto em que brota, ou seja, os fundamentos filosóficos, particularmente daoístas em que está alicerçada. Ainda sobre o contexto: o solo em que florescem essas tradições gerou uma combinação particular de vertentes filosóficas heterogéneas que, no entanto, se revelam bastante assimiladas na cultura chinesa. Nguyen indica ainda os trabalhos de Isabelle Robinet e François Julien que demonstram indiscutivelmente a incidência e força destas doutrinas, tanto na poesia como na estratégia e política da China. O artigo em questão destaca três grandes poetas chineses para ilustrar cada tradição: Wang Wei (budista), Li Po (taoísta) e Du Fu (confucionista). Escolhi para ilustrar a presente exposição, a poesia de Wang Wei. Atalho pela velha floresta; nenhum vestígio No coração do monte, um som de sino; vindo de onde? À tarde, sobre o lago deserto, meditando, Alguém aprisiona o dragão venenoso. Em Televisão, Lacan fala do estatuto provisório da poesia, fazendo dela uma arte do desprendimento, como aquela que o poeta Wang Wei pratica. No

encontro de poesia chinesa e psicanálise surgem interferências e diferenças. Nguyen destaca a ressonância, termo que equivale à interferência, como o alvo da interpretação psicanalítica. As interferências ou ressonâncias são: 1. A natureza, que na poesia chinesa indica o lugar do vazio, o furo. “Lugar de ressonância, lugar de interferência: nada pode ressoar sem um furo: aquilo que no saber constitui o sintoma analítico, aquilo que deixa o poema e o livro inacabados, aquilo da ruptura da tradição que provoca a rã de Bashô, que se lança no poço, plof! e tantas outras indicações desta interferência da ressonância.” 2. A relação com o real. Essa segunda interferência assenta-se no lugar concedido ao real. A relação ao real é distinta na psicanálise. Na poesia chinesa, o real surge como realidade derradeira, sinónimo de Dao. Já a psicanálise confere ao sujeito o estatuto de separado, cortado definitivamente de todo o mundo e de toda cosmologia. Assim, separação, exclusão do sujeito, em oposição à integração daoísta. Poderíamos, talvez, aproximar essa relação

3. A mistura, mestiçagem (métis) da linguagem ou do real com a linguagem do simbólico. É a que se contrapõe à linguagem unívoca do Um fálico; a mestiçagem favorece a maleabilidade de espírito. Efeito de sujeito, afânise, ou o estatuto provisório, evanescente do ser? O sentido de “poesia provisória” diz respeito ao caminho no qual a apreensão do ser sempre escapa. O analisante e o poeta seriam, nesta perspectiva, um efeito poético. Nguyen conclui seu trabalho com o que nomeia de Lacan chinês. Diz ele, “Como situar esta possibilidade do passo suplementar que Lacan realiza sobre o taoísmo e a poesia? A resposta é dupla. Por um lado, Lacan, ao formular a estrutura, não deixa de examinar o registo da consequência (desenvolvida nesse mesmo seminário). A causa não porta somente efeito, mas consequências. E por outro lado, esse passo suplementar é autorizado pelo que nomeio de “Lacan chinês” para designar o lugar sempre marcado de referências chinesas em seu ensino, do início ao fim. Lacan começa seu ensino com o Zen e todos conhecem a referência à Índia de Prajapati e o Deus Trovão dos Escritos, mas é principalmente a partir do seminário “A Angústia”, seminário sobre o afeto certeiro da angústia, central em sua elaboração da teoria da causa, que Lacan, a partir do vazio e do feminino – pois é também este um seminário sobre a abordagem do feminino juntamente a uma tentativa de visualizar um para além da rocha freudiana da castração para o final de análise – com Kuan Yin, a fêmea misteriosa da qual ele extrai o olhar como causa, olhar faltante, olhar vazio, começa a marcar aquilo que será uma insistência sobre as referências chinesas.”


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HUAI NAN ZI

淮南子

O LIVRO DOS MESTRES DE HUAINAN

Da Guerra – 71 O que fazer pela prosperidade hoje e o que fazer pela justiça amanhã – eis duas coisas de que é fácil falar. O que fazer pela justiça hoje e o que fazer pela prosperidade amanhã – eis duas coisas de que quase nada se sabe. * * * Em termos de natureza humana, nada é mais valioso do que a benevolência; nada é mais urgente do que a sabedoria. A benevolência é o sustento; a sabedoria é o meio de a pôr em prática. Com estas duas qualidades como base, tudo o que é benéfico é consumado com a adição de coragem, força, inteligência, rapidez, sagacidade, acuidade, brilho e perspicácia. Mas se somos pouco desenvolvidos pessoalmente, dispondo de conhecimentos técnicos sem benevolência e sabedoria que os guiem, a adição de embelezamentos só aumenta o malefício. Assim, quando se tem coragem e audacidade sem benevolência, é-se como um louco empunhando uma espada afiada; quando se é sagaz e rápido sem sabedoria, é como se montássemos um cavalo veloz sem direcção. Mesmo quando se tem talento e capacidade, se os usarmos inapropriadamente estes só servem para assistir à falsidade e mascarar o erro. Nesse caso, é melhor ter pouca capacidade técnica do que muita. É por isso que os ambiciosos não devem receber poder, nem os tolos ferramentas aguçadas.

Da Paz – 72 Aqueles que são capazes de cuidar do mundo decerto não perdem as suas nações. Aqueles que são capazes de cuidar das suas

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CONVOCATÓRIA Nos termos e para os efeitos do artigo 14° dos Estatutos, é por este meio convocada a Assembleia Geral Ordinária da TRANSMAC – TRANSPORTES URBANOS DE MACAU, S.A.R.L., matriculada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.° 3053, a fls. 164 do livro C-8, para se reunir no dia 17 de Março de 2013, pelas 12 horas 30 minutos, na respectiva sede social, sita na Estrada Marginal da Ilha Verde, n.° 2, r/c, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. 2. 3.

Discussão e deliberação sobre o relatório, balanço e contas e o parecer do Conselho Fiscal, referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2013; Reeleger Conselho de Administração; Resolução de outros assuntos de interesse da sociedade.

Macau, aos 26 de Fevereiro de 2014 A Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Liu Hei Wan

nações decerto não perdem as suas famílias. Aqueles que são capazes de cuidar das suas famílias decerto não se esquecem de cuidar de si. Aqueles que sabem cultivar-se decerto não esquecem as suas mentes. Aqueles que sabem descobrir a fonte das suas mentes decerto não corroem a sua natureza essencial. Aqueles que sabem preservar totalmente a integridade da sua natureza essencial decerto não hesitam, indecisos na Via. Assim, o Mestre do Desenvolvimento Expandido [NT – Misterioso mestre do próprio Imperador Amarelo] afirmou: “Vela com cuidado por dentro, por fora fecha absolutamente tudo, percepcionar muito traz a derrota. Não olhes, não escutes, abraça o espírito tranquilamente e o corpo tratará de se endireitar”. Ninguém conhece a outrem sem em si conhecer. Por isso, o Livro das Mutações diz: “ Fecha o saco e não haverá nem acusação nem elogio”. * * * Se estiveres límpido, calmo e sem artifício, o céu te providenciará um tempo teu. Se fores modesto, frugal e disciplinado, a terra produzirá riqueza para ti. * * * Quando um barco atravessa um rio e um outro barco, vazio, com ele choca e o vira, os passageiros do primeiro barco podem muito bem sentir-se incomodados, mas não podem sentir ressentimento. Mas basta que exista uma só pessoa no segundo barco – e suponhamos que esta não reage aos chamamentos dos passageiros – para que decerto a persigam vozes agrestes. A razão pela qual não se zangam no primeiro caso, é porque o barco está vazio. A razão pela qual se zangam no segundo caso, é porque o barco está cheio. Se te souberes esvaziar, como modo de viajar pelo mundo, quem te poderá criticar! Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

Huai Nan Zi (淮南子), O Livro dos Mestres de Huainan foi composto por um conjunto de sábios taoistas na corte de Huainan (actual Província de Anhui), no século II a.C., no decorrer da Dinastia Han do Oeste (206 a.C. a 9 d.C.). Conhecidos como “Os Oito Imortais”, estes sábios destilaram e refinaram o corpo de ensinamentos taoistas já existente (ou seja, o Tao Te Qing e o Chuang Tzu) num só volume, sob o patrocínio e coordenação do lendário Príncipe Liu An de Huainan. A versão portuguesa que aqui se apresenta segue uma selecção de extractos fundamentais, efectuada a partir do texto canónico completo pelo Professor Thomas Cleary e por si traduzida em Taoist Classics, Volume I, Shambhala: Boston, 2003. Estes extractos encontram-se organizados em quatro grupos: “Da Sociedade e do Estado”; “Da Guerra”; “Da Paz” e “Da Sabedoria”. O texto original chinês pode ser consultado na íntegra em www.ctext.org, na secção intitulada “Miscellaneous Schools”.


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artes, letras e ideias 15

O que fazer pela justiça hoje e o que fazer pela prosperidade amanhã – eis duas coisas de que quase nada se sabe.


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DESPORTO

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CENTRO DE ESTÁGIO PARA ATLETAS DE ALTA COMPETIÇÃO SÓ DEVERÁ NASCER EM 2018

Desporto de alto nível levará tempo RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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nova infra-estrutura para acolher atletas locais de alta competição e comitivas estrangeiras, anunciada nas LAG para 2013, ainda não começou a ser construída, mas já leva um atraso de dois anos. As previsões são de José Tavares. “O anteprojecto está nas obras públicas para ser aprovado. Neste sentido, estamos a envidar todos os esforços para que o projecto possa ser lançado a concurso público no próximo ano. Se calhar, só em 2018 pode ficar concluído”, referiu ontem de manhã o presidente do ID, à margem da primeira reunião do Conselho do Desporto em 2014. Aquele que será o primeiro centro de estágios em Macau está projectado

ORÇAMENTO DESTINADO PELO ID ÀS ASSOCIAÇÕES CRESCE 19% O subsídio regular para as 57 associações atingirá, em 2013, mais de 14 milhões. O montante reflecte um aumento de 19%. “É uma subida que está relacionada com os custos do secretariado e houve também um acréscimo das quotas de internacionalização das federações”, justificou José Tavares, presidente do ID, à margem da reunião do Conselho do Desporto. À parte deste orçamento alocado às associações, as associações poderão ter direito a um “subsídio casuístico” que, este ano, aumentou para mais de 240 milhões.

para um terreno junto do Macau Dome, também propriedade do Governo, e irá albergar vários equipamentos em três pisos. “É uma estrutura muito complexa que incluiu alojamento, alimentação, estadia e o estágio dos atletas. Temos instalação para treinos, para medicina desportiva, restaurantes, uma acomodação tipo hotel de três estrelas. É um

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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Sands China parece apostada em fazer de Macau a capital asiática dos desportos de combate. Depois de no último sábado ter sido palco de uma nova ronda de duelos entre alguns dos nomes mais promissores do mundo do boxe, a Arena do Cotai acolhe no próximo sábado novo evento de vulto. O recinto multi-usos construído pela Las Vegas Sands volta a receber um evento da mais cotada competição do circuito internacional de artes marciais mistas, o Ultimate Fighting Championship. A iniciativa visitou o território pela primeira vez em meados de Novembro de 2012, numa ronda de combates que teve como grande atractivo o duelo entre Cung Le e Rich Franklin. Na altura, o norte-americano de ascendência vietnamita derrotou o adversário por nocaute e incendiou as bancadas da Arena do Cotai. Cung Le regressa no fim-de-semana ao território, desta feita como convidado de honra da organização. O lutador – que se notabilizou no grande ecrã em filmes como “Bodyguards and Assassins” e “The Man of the Iron Fists” – vai assistir na tribuna de honra do recinto multi-usos do Venetian Macau ao duelo mais promissor da ronda de combates. O desafio coloca frente-a-frente duas estrelas em ascensão no âmbito

avanço bastante positivo para o desenvolvimento desportivo de Macau”, assegurou. Por outro lado, tal como foi anunciado em 2012, o complexo desportivo de Mong Há deveria nascer no próximo ano, mas atrasos na obra levaram o Governo a recalcular a data de conclusão. “Houve imprevistos na escavação da cave e a obra atrasou um ano e

tal. A responsabilidade da obra é com a DSSOPT, nós somos utilizadores apenas. Não sei [sobre a derrapagem de orçamento], tem de perguntar aos colegas das Obras Públicas”, explicou José Tavares, presidente do Instituto do Desporto (ID). O HM procurou esclarecimentos junto da DSSOPT e do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-Estruturas (GDI), responsável pela execução do empreitada, mas até ao fecho da edição nenhum dos dois organismos conseguiu

esclarecer se os valores orçamentados sofreram revisões em alta. José Tavares adianta, no entanto, que a primeira fase do projecto (a cave) está prestes a ser concluída, prevendo-se o lançamento do concurso para a segunda fase (construção do edifício) ainda este ano. José Tavares indica que o complexo só estará apto a funcionar em 2017 ou 2018, mas poderá colmatar as necessidades de espaços para modalidades em recintos fechados. “Mong Há

LIGA ELITE REGULAMENTO É APOIADO PELO INSTITUTO DO DESPORTO O novo regulamento da Liga Elite levantou controvérsias no início da temporada, mas José Tavares vê de forma acertada a atitude da Associação de Futebol de Macau. “Respeito a decisão da associação porque julgo que foi uma decisão apenas para privilegiar os atletas locais. Qualquer regulamento feito neste sentido, o ID apoia”, explica. Sobre o facto de não serem considerados “locais” os residentes não-permanentes, José Tavares diz que essa é outra discussão. “O tal sexo dos anjos vamos discutir depois.”

KIM E HATHAWAY PROTAGONIZAM O DUELO DA NOITE

Estrelas regressam a Macau

das artes marciais mistas. O sul-coreano Dong Hyun Kim esgrime argumentos com o inglês John Hathaway, num certame que poderá propulsionar o vencedor para os lugares de topo do ranking do Ultimate Fighting Championship no que toca à categoria de pesos semi-médios.

vai conseguir satisfazer as necessidades de boa parte das associações que precisam de um recinto interior portanto são cinco pisos de instalações, ou seja, cinco vezes mais do que há.[...] É para o treino das associações e para o público. Há uma grande procura das instalações porque somos os únicos fornecedores.” No seio do Conselho do Desporto, os membros destacaram mesmo a participação “activa” da população em actividades desportivas. José Tavares deu conta de que mais de 400 mil pessoas participaram em classes desportivas e actividades pontuais no seio do programa “Desporto para Todos” em 2013. “O ID é também uma autêntica escola secundária”, brincou.

Com um impressionante registo de 18 triunfos, dois empates e uma derrota em 21 combates disputados no circuito mundial de artes marciais mistas, Dong Hyun Kim notabilizou-se no seu país natal ao encarnar o super-herói Hulk no pequeno ecrã, numa série televisiva denominada “Running

Man Avengers”. Tido como um “outsider”, John Hathaway dispõe de cinco rounds para contrariar o favoritismo do adversário e garantir uma surpresa na Arena do Cotai. Kim e Hathaway não serão, no entanto, os únicos protagonistas da ronda de combates. O público que se deslocar no próximo sábado ao

Venetian Macau deverá assistir à coroação do vencedor da primeira edição da versão asiática do torneio “The Ultimate Fighter”. Zhang Lipeng e Wang Sai vão discutir o triunfo na categoria de pesos semi-médios da competição, num dos combates mais promissores da noite. O duelo entre Jianping Yang e Guangyou Ning, que deveria decidir o nome do vencedor da competição na categoria de pesos pena, acabou por ser adiado depois de um dos lutadores – a organização não revelou qual - ter contraído uma lesão grave. Outros combates notáveis são os que vão opor o antigo jogador de futebol americano Matt Mitrione a Shawn Jordan.Alberto Mina, lutador brasileiro radicado na vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong vai tentar em Macau a décima primeira vitória da carreira frente ao norte-americano Zak Cummings, um antigo membro das forças de elite do exército dos Estados Unidos da América. Para o público da República Popular da China, um dos duelos mais atractivos deverá ser o que vai colocar frente a frente o uigur Jumabieke Tuerxun e o filipino Mark Eddiva. Nascido na província de Xinjiang, Tuerxun ainda não perdeu qualquer combate nas lides do Ultimate Fighting Championship e é o grande favorito ao triunfo num duelo frente a um adversário que venceu por nocaute os cinco combates em que participou.


FUTILIDADES

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TEMPO

MUITO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

16

MAX

21

HUM

70-98%

EURO

10.9

BAHT

0.2

YUAN

17

1.3

POR MIM FALO Pu Yi

ROBOCOP SALA 1

ROBOCOP [C] Um filme de: José Padilha Com: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

WINTER’S TALE [B] Um filme de: Akiva Goldsman Com: Colin Farrell, Jessica Brown Findlay, Jennifer Connelly 14.30, 21.30 SALA 2

THE LEGO MOVIE [A] (FALADO EM CANTONÊS)

Um filme de: Phil Lord, Chris Miller 16.45, 19.30 SALA 3

FROM VEGAS TO MACAU [C] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Wong Jing Com: Chow Yun-Fat, Nicholas Tse 14.30, 21.30

ENDLESS LOVE [B] Um filme de: Shana Feste Com: Alex Pettyfer, Gabriella Wilde, Robert Patrick 16.30, 19.30

Os dólares dos vizinhos

Clítoris pequeno atrapalha orgasmo da mulher • O tamanho do clítoris de uma mulher pode afectar a capacidade de ter orgasmo, de acordo com estudo feito pelo Good Samaritan Hospital e publicado no Journal of Sexual Medicine. A descoberta pode levar a novos tratamentos para mulheres que sofrem de anorgasmia, ou seja, são incapazes de ter orgasmos. Essas mulheres costumam ter o clítoris menor e localizado mais distante da vagina. As informações são veiculadas pelo Daily Mail. As características físicas do clítoris não podem ser alteradas, de acordo com a chefe do estudo Susan Oakley. A partir da constatação, podem ser pensados tratamentos para melhorar a qualidade do sexo para estas mulheres.

Funcionário da Pizza Hut urina na cozinha • Um empregado da cadeia da Pizza Hut, na localidade norte-americana de Kermet, na Virginia (EUA), foi apanhado a urinar na cozinha. O homem, entretanto despedido, teria preguiça em deslocar-se ao WC e usava o mesmo local onde os alimentos eram preparados para urinar. E apesar de ter uma torneira ao dispor, não se preocupava em lavar as mãos. “Envergonhada”, a Pizza Hut decidiu despedir o empregado e proceder a uma limpeza do espaço, sendo que o encerramento decorrerá nos próximos dias.

fonte da inveja

O vinho é a alma do meu ócio.

ZAIRA NARA É A MIÚDA DO VERÃO Zaira Nara foi recentemente eleita “chica del verano”, prémio do diário argentino “La Voz del Interior”, e não é difícil perceber o que levou os leitores a optarem pela modelo e apresentadora de televisão argentina. Dona de uma beleza de parar o trânsito, a jovem, irmã de Wanda Nara, arrancou a preferência de 38,33 por cento dos leitores da publicação, a quem agradeceu, através do Twitter, por não poder comparecer na gala: “Obrigada a todos vocês, que tornaram possível a conquista deste prémio.”

João Corvo

Macau quer ser centro internacional de turismo e lazer e acho que está cada vez mais a conseguir atingir esse nível. Pelo menos no que diz respeito à parte do turismo... e até do lazer, se considerarmos lazer estar fechado numa sala a gastar todo o dinheiro que temos e não temos. Já não é novo que Macau não é feito para residentes. É como aquele filme que diz “este país não é para velhos”. Pois bem, Macau não é um país, nem é para velhos, nem para novos, nem sequer para os de meia-idade. Não é para quem cá vive. Não é para mim, que sou gato. Macau está sempre a pensar na modernice chunga das cópias dos casinos dos EUA – para os turistas. Macau só tem centros comerciais com lojas de marca e a preços altíssimos – para os turistas. Macau tem táxis – para os turistas. Macau tem luzes e bares cujos preços esvaziam a carteira de qualquer um – mas não as dos turistas. Macau tem montes de caixas multibanco para levantar dinheirinho – para turistas. Sim, experimente lá, senhor residente, vir para o centro da cidade aos fins-de-semana ou feriados e levantar pataquinhas nas ATM. Ah pois. Não tem. Tem dólares de Hong Kong, para os turistas, e yuan da China, para os turistas, porque os turistas já levantaram todas as pataquinhas que havia. A si, resta-lhe ficar enfurecido a pensar na nota de 500 dólares que tem de levantar porque não há a moeda do sítio onde vive. E depois, começa a pensar quanto será isso em patacas que é, na verdade, a moeda em que ganha o seu salário. Claro, isso faz-lhe lembrar que paga a renda de casa em HKD também, que é um grande rombo na carteira... e porquê? Porque esta terra não é para residentes. É para os turistas e os especuladores imobiliários daqui do lado. Para nós residentes... bem, ficamo-nos pelas faixas do bowling lá no fim do mundo, pelo cinema do Galaxy (caro e de pouca escolha), pela pista de gelo que está mais esburacada que sei lá, pelas piscinas municipais cheias de gente, se não nos apetecer pagar muito e ir para um hotel. Um dos muitos dedicados aos turistas. E ficamo-nos por dividir casas com pessoas que, às vezes, nem conhecemos. E ficamo-nos por pagar tudo com HKD. E suspiramos, mas cá continuamos. Será que os dólares dos vizinhos são melhores que os nossos?


OPINIÃO

H

Zélia Ribeiro Á dias, num dos diários de Macau, em língua portuguesa, li a notícia, sobre a contestação, do grupo, Macau Consciência, contra ao facto, desta cidade aparecer, no sistema de localização do Facebook, somente identificada, pelo nome de Ao Men. O tema, desta ocorrência e as controvérsias, que o nome de Macau, desde então, tem gerado, viraram inspiração, acabando por dar origem, a este pequeno artigo, da minha autoria. No entanto, o assunto que ele versa, não tem qualquer ligação com o apreciar, aprovar ou contestar, as alegações, do referido grupo e, muito menos, de ir contra, ou em defesa da sua opinião, já que, a apreciação e o parecer, sobre o assunto, competirá ao organismo onde, a supracitada petição, foi entregue. A minha abordagem veio a propósito, porque anda, por aí, uma polémica e uma confusão, com os nomes de Macau, que só visto. Sem dúvida, que esta matéria despertou sempre, em todos os quadrantes, críticas, pareceres e opiniões, bem como, estranhas afirmações, muito, muito controversas e até melindrosas, no caso de serem discutidas. Se calhar sou, mais uma, a pôr lenha na fogueira, mas o certo é que, apesar do frio, deu-me gozo, arregaçar as mangas, do casaco, pegar no aparelho, de teclado digital e deixar que os meus dedos, ao pressionarem as suas teclas, dessem corpo, às minhas ideias. Tal como quem vai à luta, dando a sua retórica, sobre a matéria, venho, tão-somente, falar do meu parecer, sobre os nomes desta cidade. Faço-o à margem de políticas ou de rígidas evocações, de ordem cultural e até sem me importar, se a minha percepção, ou defesa da minha tese, possa estar ou não correcta, ante a interpretação, de outras pessoas, já que estou defendida, pelos direitos, de liberdade de pensamento. O que pretendo escrever é apenas fruto, duma natural meditação pessoal, de quem até aceita, haja quem saiba, colher melhores resultados, das suas reflexões, procurando, antecipadamente, documentos ou dados oficializados e baseando-se neles, o que não foi o meu caso, pois confio no essencial, que julgo saber, sobre o assunto. Por sinal, evoco alguns factos históricos, que há muito investiguei, sobre Macau e aos quais acrescento, uns “pozinhos de imaginação”, sobre o que, particularmente, depreendi, se é que, assim posso dizer. Deixando, por aqui, os preliminares vou, então, pronunciar-me, apresentando o que me apraz dizer, sobre o tema, que me propus abordar. Segundo, eu me apercebi, a cidade de Macau, que o mesmo é, que Ou Mun, é uma localidade, registada nos correspondentes Serviços de Identificação, de dois locais, com idiomas diferentes, pelo que, acabou por possuir três nomes individuais, usados, nos respectivos pontos de registo, ou seja, Macau e Pequim. Para respeitar a história, no que concerne, a um dos nomes próprios, desta localidade, precisamos deslocar-nos, retrocedendo no tempo, até aos primórdios da sua existência, onde teremos de aceitar o seu primeiro nome,

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Ao Men = Ou Mun = Macau Ou Mun, com o qual, este burgo foi baptizado, pelo povo indígena, que o fundou. Em abono da verdade, é preciso cair, na realidade, desses factos históricos e admitir que, muito antes, dos portugueses chegarem, ao ancoradouro de Á Má, já esta povoação, de pescadores, tinha o nome, de Ou Mun, a quem o templo, da sua padroeira, pertencia. Assim sendo, este é o seu nome de baptismo, em dialecto cantonense, falado na região, onde se insere e, como tal, pertencente à história dessa antiga povoação, que é a mesmo de hoje, mais crescida e que, foi crismada, pelos portugueses, com o nome de Macau. Na minha ideia, foi-lhe dado este nome não, porque os portugueses, lhe quisessem dar uma segunda identificação mas, pura e simplesmente, por não se terem apercebido, do verdadeiro nome já que, nem os locais, nem os visitantes, dominavam a língua falada, por qualquer uma das partes. Desta maneira, quando o povo luso, se esforçou por saber o nome da terra, onde tinha chegado, o nome “Macau” surgiu então, dum equívoco gerado, pelo facto de Amacao ser o nome do ancoradouro e não do povoado. Entretanto, após este registo, em português, factos confirmados, no dia-a-dia, mostram que, o nome Ou Mun, continuou vivo, como identificação em chinês, pois jamais deixou de ser usado pelos nativos e, desta feita, sem que houvesse nunca, qualquer incidente, mostrando contrariedade, por parte das autoridades portuguesas, o que é, mais uma vez, sinal evidente de que, a Lusa Gente, respeitou aquilo, que aqui encontrou. Foi devido, a esta tolerância que, no convívio, do quotidiano, da população chinesa, Ou Mun foi continuando a vigorar, até à actualidade, passando das circunstâncias, de carácter, não oficial, para formal, quando em 1999, a denominação Ou Mun, se tornou válida oficialmente já que, o idioma chinês, na sua vertente de cantonense, foi tornado a primeira língua do território enquanto, a designação Macau, continuou também a ser usada, na segunda língua oficial, o português. Seja Ou Mun, nome registado e conhecido, a nível local e regional, ou Macau, nome dos registos, em português, tornado público, à escala mundial, um e outro são duas, das designações, que identificam esta cidade e fazem parte da sua História. A verdade é que, nunca, por nunca, o nome de Macau teria existido, sem a existência da povoação, que se chamava Ou Mun e que possuía o abrigo fluvial, Amacao, onde acostaram os navios, dos navegadores portugueses. Sem dúvida, que daí derivou o nome de Macau, que é Amacao, aportuguesado. Quanto a este assunto, já dei a minha opinião pessoal, mas apoiada na lógica, de acontecimentos remotos, volto a frisar que, na altura, não foi por quererem dar um outro nome ao local mas, muito provavelmente, devido a dificuldades de interpretação da língua, que os fez julgar, chamar-se Amacao, o que se chamava Ou Mun. Quanto a Ao Men é, muito simplesmente, a

pronúncia de Ou Mun, em mandarim, língua oficial da China país, ao qual, esta cidade pertence. Não há qualquer razão para dramatismo, no facto de existir Ao Men já que, em Pequim, o nome está registado oficialmente, precisamente, com os mesmos dois caracteres, com que se escreve Ou Mun, mas que em mandarim, como se sabe, se pronunciam de outra maneira, ou seja, Ao Men. Isto quer dizer que, em termos escritos, apesar de haver, oralmente, duas verbalizações, Ao Men e Ou Mun, (sons da leitura, do seu carácter, escrito na forma romanizada, ou pinyin), os dois caracteres têm, a mesma configuração, porque eles são, realmente, graficamente iguais, tanto em mandarim, como em cantonense, com a única diferença, de se lerem de maneiras desiguais.

HOWARD HAWKS, HIS GIRL FRIDAY

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Seja como for, a maneira, como actualmente se escreve, é que valerá, uma vez, que a antiga ortografia, já não vigora. Posto isto, chegamos, mais uma vez, à conclusão, de que há três nomes para a mesma cidade. Ou Mun, segundo o registo, em chinês, usando a pronúncia do dialecto cantonense, Ao Men, conforme a pronúncia de Ou Mun, em mandarim e Macau, de acordo com o seu registo, na segunda língua oficial do território, o idioma de Camões. Neste ponto, não me parece haver razão, para polémica, já que o caso é tão simples, como isto. Se bem que, olhando ao que se passa a nível mundial, não tenha nada contra, eu confesso que, pessoalmente, lá muito no fundo de mim, sinto que qualquer nome, deveria ter em conta, a pronúncia original, independentemente do local, onde fosse evocado… Em português, embora eu não tivesse ido confirmar, tenho ideia que, em cadastros antigos, há muito por mim explorados, se falava do primeiro registo ter sido Amacao, nome que, mais tarde, aportuguesando a palavra, acabou por ser Macao, segundo a escrita arcaica, da época e não com a grafia com que, actualmente, se apresenta.

Seja como for, a maneira, como actualmente se escreve, é que valerá, uma vez, que a antiga ortografia, já não vigora. Como é sabido, a língua portuguesa foi sofrendo alterações gráficas, ao longo dos tempos pelo que, tudo quanto foi alterado tem, actualmente, a mesma legitimidade e autoridade, outrora, conferida à escrita arcaica. Assim sendo, segundo a minha opinião pessoal, o nome de Macau, em português, devia escrever-se exclusivamente, “Macau” e não na versão antiga, nem com estrangeirismos. E já agora, por falar em estrangeirismos, posso garantir que, no que diz respeito ao nome de Macau, há ainda uma outra designação diferente, que aparece como identificação do território, ainda que seja apenas, na versão escrita. Vem a propósito que, apesar de ser Macau, um dos seus três nomes próprios, quando em língua inglesa, se referem a esta cidade, é habitual escreverem o seu nome, inglesando a palavra e substituírem a última letra, pela vogal “o”, ficando Macao, o que, a meu ver, deveria estar completamente errado, pois não corresponde, à escrita, do nome oficial, que consta nos actuais arquivos, do seu registo. Perante o que acabei de afirmar, apesar de ter tentado provar, ser lógico, os nomes de Macau, em chinês, terem duas pronúncias, isso não tira, como já disse, que eu, pessoalmente, não defenda, a ideia de que, qualquer nome devia ser pronunciado, tal como no território, ou pais de origem, do seu registo, fosse qual fosse o idioma, da pessoa que o pronunciasse. No entanto, não deixo de aceitar, por não ignorar que o panorama real, a nível mundial, não se rege por esta minha maneira de entender, que acaba por ser, também, comum, à opinião, de muito boa gente, mas impossível de aplicar. Se, realmente, formos confirmar, através de exemplos concretos, sobre esta realidade, verificamos que o cenário é outro, muito diferente, da opinião que assumo ter. Começando, pelo que me toca, ou seja, pelo meu país de origem, Lisboa passa a ser Lisbon, em língua internacional e Lei Si Bun, na sua pronúncia, em cantonense. Em contrapartida, Beijing é anunciado, em bom português, como Pequim, mas não só, pois London acaba por ser Londres, New York, Nova Iorque e, assim sucessivamente. Até no caso, da cidade de Paris, que eu pensava não ser única, mas uma das que gozava o privilégio de fugir à regra, com o seu nome quase inalterável, em todo o mundo, acabei por me aperceber, que também não se livra da excepção já que, na China, nomeadamente em Macau, é Palei e quando o seu nome original é abordado, com a pronúncia cantonense, acaba por ficar, Pa ri si. Atendendo, a um leque mais abrangente, de situações análogas, acabamos por chegar à conclusão, que poucos países, cidades, ou regiões, mantêm o nome original, além fronteiras, o que torna menos complicado, aceitar questões que, dentro deste tema, respeitam a esta cidade, Penso ser necessário, as pessoas notarem que, afinal, estas situações, de mudança de nome, ao sabor da língua, da região onde são


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CORREIA MARQUES

Triste sina? JERRY LEWIS, CRACKING UP

pronunciados, são habituais e comuns, a muitas localidades, por esse mundo além, pelo que, tentar fazer ajustamentos nesse sentido, a um local, em particular, mostra ser tarefa, duma autêntica utopia. Felizmente, há situações pontuais, em que, a mudança de ortografia, ou de pronúncia, não acontece nunca, como é o caso da identidade das pessoas, onde se respeita e até é obrigatório manter, a integridade, do nome original. Assim sendo, no que diz respeito a pessoas, ao contrário do que acontece com os nomes, dos países, cidades e regiões, um indivíduo, cujo nome próprio seja José será obrigado a manter esse nome, de registo, como única identificação, em qualquer parte do mundo, sem ter que passar a chamar-se e a assinar Joseph, em língua internacional, ou numa qualquer outra língua. No que toca a este caso, qualquer alteração no nome próprio, é considerada pura falsificação, punida por lei, sendo o autor acusado de infracção já que, qualquer modificação, adultera o registo, onde consta a verdadeira identidade, da pessoa em questão. Ora, no entender de muita gente, deveria ser assim, no que concerne a todas as outros casos, de identidade, mas não é. Depois desta delonga, sobre a polémica dos nomes, no contexto, do que se passa a nível internacional, acabamos por ter de aceitar, as mudanças de pronúncia, na apresentação dos dois nomes chineses, de Macau. É por esta ordem de ideias, que eu concordo com os dois nomes de Ao Men, e Ou Mun, por serem nomes, igualmente oficiais, mas acho, que deveria aparecer, imediatamente a seguir, ainda que, entre parênteses, (Macau), para essas designações puderem ser identificadas, como nomes da mesma cidade, já que são, exclusivamente, reconhecidas na China e não a nível mundial. Na circunstância, de não se aceitar, ter em conta este pormenor eu, como disse, fora de motivos políticos e de razões culturais, acho que Macau terá de figurar, internacionalmente, como tal, pois é o único nome, pelo qual, este território é conhecido, desde há séculos, fora da China. Para lá, da “cortina de bambu”, ninguém sabe, onde fica Ao Men, nem Ou Mun, mas conhecem bem, onde fica a cidade de Macau, porque os portugueses promoveram-na e divulgaram-na, por todo o planeta, com o nome, com que a crismaram. De facto, esta cidade é conhecida, em todo o mundo, devido à chegada dos marinheiros e comerciantes, da lusa pátria, a estas paragens longínquas, do oriente. Não fosse esse acontecimento e, Ou Mun, nunca teria passado duma simples aldeia piscatória, ignorada além fronteiras, tal como muitas outras, ao longo da orla costeira, do Mar do Sul da China. Num entusiasmo cheio de coragem, como fim de citação, acrescento ainda, que agradeço a atenção, que a minha ideia possa ter merecido, e porque não, o seu devido encaminhamento, para quem de direito, lhe possa dar utilidade e seguimento, na defesa dos três nomes: Macau, Ou Mun e Ao Men. Tenho dito.

a paliçada

Adeus tristeza, até depois Chamo-te triste por sentir que entre os dois Não há mais nada pra fazer ou conversar Chegou a hora de acabar.

U

Fernando Tordo, “Adeus tristeza”

M dia destes Fernando Tordo (que vai fazer 66 anos no próximo mês de março) exilou-se no Brasil. Abalou por necessidade, para lá buscar o trabalho que não tem na sua terra, mas também triste e desiludido por não poder suportar mais o olhar na rua a tristeza do seu povo. O nosso povo. É apenas mais um dos mais de 8 mil anciãos que, nos últimos dois anos, rumaram ao estrangeiro. Triste sina, já há mais portugueses a emigrarem do que na década de 60. E o que é mais grave é que já nem os velhos escapam, porque espoliados nas reformas de maneira desumana, injusta e vergonhosa (porquanto descontaram de forma obrigatória uma vida inteira para essas mesmas reformas de que agora são esbulhados) não conseguem mais sobreviver, no seu país, com um mínimo de dignidade.

E, apesar de tudo isto e de muito mais, tive de assistir enojado à galhofa de alguns dos responsáveis (não todos, faltavam lá outros, de outros quadrantes) durante o congresso do PSD, no último fim de semana. A estes, contudo, não se lhes pode pedir que mudem de rumo porque é este o seu código-político-genético, mas ao menos que tivessem um mínimo de vergonha e de decoro, de respeito pelos sacrifícios que o povo português vem suportando. O riso desbragado de Passos Coelho (Primeiro Ministro), de Assunção Esteves (Presidente da Assembleia da República), de Marcelo Rebelo de Sousa (putativo candidato a candidato a Presidente da República) e mais uns quantos, deu-me vontade de os

Nós por cá, menos mal. Esperando pelos resultados das eleições europeias em maio e pelas legislativas do ano que vem, para ver a vontade e as escolhas do povo

esbofetear. O país não sei, eu estou farto de palhaçadas, de tricas, e de trocas e baldrocas. E o povo, pá? O povo vai acenando com lenços brancos ao Paulo Fonseca perante a derrota do Porto em casa face ao Estoril, destilando fúria e descarregando frustrações acumuladas contra profissionais que, com certeza, deram o melhor do seu esforço. Mas, em contraponto, quando o governo lhes malha forte e feio no toutiço, são compassivos: «Que havemos de fazer? É a crise». Nós por cá, menos mal. Esperando pelos resultados das eleições europeias em maio e pelas legislativas do ano que vem, para ver a vontade e as escolhas do povo. E, depois, decidir sobre o regresso ao ninho ou o exílio forçado. É que, quem não se sente, não é filho de boa gente. E, como disse o papa João Paulo II: «A vida humana deve ser governada pela verdade, pela liberdade, pela justiça e pelo amor. Não há liberdade sem solidariedade». Por isso desejo não ter de dizer e zarpar, nessa altura, triste sina a do meu povo. Este texto foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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BENFICA ANTIGA GLÓRIA NÃO RESISTIU A PARAGEM CARDIO-RESPIRATÓRIA

Morreu Mário Coluna Ozil presta declarações por ter atropelado fotógrafo

O médio alemão Mezut Ozil (Arsenal) atravessa um momento complicado da sua carreira e depois de ter falhado uma grande penalidade na Champions, frente ao Bayern, onde foi alvo de uma chuva de críticas, agora terá atropelado um fotógrafo. De acordo com a Gazzetta dello Sport, o acidente aconteceu na sexta-feira, ao final da tarde, tendo Ozil, alegadamente, abalroado um jornalista que, por sorte, não terá ficado ferido. Depois deste incidente, o médio alemão teve de prestar depoimento na polícia e ainda não é conhecido se vai sofrer alguma acusação.

M

ÁRIO Coluna morreu devido a uma paragem cardio-respiratória. O ex-capitão do Benfica tinha 78 anos e tinha problemas cardiovasculares há já bastante tempo. Foi internado, no domingo, em estado grave num hospital de Maputo, em Moçambique. A maioria tratava-o por capitão, inclusive Eusébio, que lhe reservava outro epíteto: “o mais velho”. Mas ele, tímido e sossegado, não precisava da braçadeira para se ganhar respeito, muito menos de levantar a voz. Impunha-se com naturalidade e foi assim que capitaneou o Benfica durante sete épocas, de 1963 a 1970, mais a Selecção Portuguesa e até a selecção do resto do Mundo, em Setembro de 1967. Marcou nas finais europeias em que venceu e só não repetiu a proeza em 63, por ter sido posto KO por Pivatelli.

PERFIL Nome:

Mário Esteves Coluna

Data de nascimento:

6 de Agosto de 1935, em Lourenço Marques (Moçambique)

Posição: Médio

Falcao furioso por a sua imagem ter sido utilizada por um político

O goleador colombiano Radamel Falcao ficou furioso por um político ter utilizado a sua imagem na campanha eleitoral, tendo o avançado reiterado que não apoia ninguém e que está preparado para actuar judicialmente. “Não apoio partido político ou qualquer candidato ao Congresso. A minha imagem foi utilizada sem o meu consentimento”, escreveu o jogador do Mónaco, na rede social Facebook. Este incidente surgiu porque foi feita uma fotomontagem com a imagem de Falcao ao lado do candidato Jorge Franco Pineda, que já pediu desculpas, na mesma rede social, pelo que aconteceu e garantiu que as imagens já foram retiradas.

Épocas no Benfica:

16 (54-70)

Primeiro jogo:

12 de Setembro de 1954 (Vit. Setúbal, 5-0 no Jamor)

Treinador:

Otto Glória (brasileiro)

Último jogo:

8 de Fevereiro de 1970 (CUF, 0-1 no Jamor)

Treinador:

Otto Glória (brasileiro)

Primeiro golo:

12 de Setembro de 1954 (Vit. Setúbal, 5-0 no Jamor)

Último golo:

25 de Outubro de 1969 (Boavista, 8-0 na Luz)

Outros clubes:

Lyon (França)

Títulos: 19 (todos pelo Benfica:

10 campeonatos, 7 Taças de Portugal e 2 Taças dos Campeões)

Internacionalizações:

57 e 8 golos

cartoon por Stephff

Tal como muitos outros jogadores do pós-guerra, Coluna começou a dar nas vistas na África lusófona, mais precisamente em Moçambique, ao serviço do Desportivo de Lourenço Marques, então filial do Benfica, cujo sócio fundador e antigo guarda-redes era o seu pai. Carlos Mesquita, treinador do Desportivo e antigo jogador do FC Porto, quis levar o médio atacante para as Antas. Os portistas ofereceram 90 contos por três épocas, ao que o Sporting respondeu com 100 por duas. O Benfica igualou a proposta leonina e Coluna lá foi para a Luz (afinal, ser da família conta...). Chegou a Lisboa em 1954 e seguiu directamente para o Lar do Jogador, inaugurado precisamente nesse ano, sob a orientação de Otto Glória. Os primeiros meses foram dolorosos e o regresso a casa foi equacionado com insistência. Devidamente apoiado por todos, foi ficando e jogando, sempre com indiscutível mérito, até 1970, altura em que se aventurou por França, com o Lyon.


Hoje Macau 26 FEV 2014 #3038