Issuu on Google+

MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

HABITAÇÃO PRÓPRIA

DSEC analisou dados por famílias e não individualmente

TERÇA-FEIRA 26 DE NOVEMBRO DE 2013 • ANO XIII • Nº 2982

• BRICK’S BURGER

hojemacau

O PRIMEIRO RESTAURANTE “GAY FRIENDLY” DE MACAU PÁGINA 7

A mentira dos números O alerta parte de Albano Martins que afirmou ao HM estarmos perante uma “confusão”. Para o economista, o Governo “usou o sentido menos apurado e confundiu o agregado familiar com o residente”. Os Serviços de Estatística e Censos sacodem a água do capote e colocam o ónus da culpa nas Nações Unidas. “A unidade de cálculo está de acordo com a Divisão de Estatística da ONU.”

• ASSEMBLEIA

Importação de trabalhadores não-residentes na ordem do dia PÁGINAS 4 E 5

• JOSÉ EDUARDO MONIZ PÁGINA 6

Benfica TV aberta a qualquer tipo de colaboração com a TDM

PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

PUB

ÚLTIMA

PUB

• O HM PASSOU UM DIA NA ARTM

O FUTURO DA LUTA CONTRA AS DROGAS ESTÁ NA “DESCRIMINALIZAÇÃO” E “DESPENALIZAÇÃO” PÁGINAS 2 E 3

Ter para ler


2

REPORTAGEM

CENTROS DE TRATAMENTO DA ARTM ACOLHEM OS QUE ESCOLHEM LIBERTAR-SE DO VÍCIO

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

Destinos trilhados para a droga

“PAU QUE NASCE TORTO...”

A vida de Kok, infelizmente, tinha muito pouco para dar certo. O núcleo familiar nunca lhe trouxe amor nem tampouco lhe proporcionou uma vida normal. “O meu pai e o meu tio consumiam drogas e a minha mãe era viciada em jogo e fugiu da família. Sempre tive muito contacto com as drogas.” Não admira, por isso, que com oito anos tivesse feito a sua primeira experiência. “Comecei cedo porque a minha família vendia drogas também. Havia toxicodependentes a virem a minha casa comprar droga e, um dia, deram-me a provar. Não sabia o que era quando experimentei.”

Bíblia a outros toxicodependentes aqui internados. A religião tem-me ajudado muito.”

HOJE MACAU

A

S histórias de vida de Kok Man, 55 anos, e de Lin Young, 37 anos, cruzaram-se pelas piores razões. Kok (nome fictício) demorou a encontrar a morada certa na Rua de Entre-Campos, em Coloane, que o tem levado a reabilitar-se. É lá que há 13 meses encontra a saída para o seu maior problema: as drogas. Pouco tempo depois, foi Lin (nome fictício) que encontrou na ala feminina do centro de tratamento da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), do outro lado do largo, uma saída para a depressão que a fez depender dos estupefacientes. Os dois assumiram o tratamento há cerca de um ano, completando assim os 12 meses do programa de desintoxicação em regime de internato. Mas nenhum dos dois está preparado para dar os primeiros passos fora das paredes dos centros. Ela encontra-se agora a largar a metadona. Ele prepara-se para fazer o mesmo, depois de uma vida de recaídas. Nenhum dos dois pensa, por isso, sair em breve de um porto de abrigo onde, em conjunto com outros 15 homens e 7 mulheres, encontraram a força para se libertar desta amarra. Pensam continuar os progressos passo-a-passo, para um dia cumprirem os sonhos que ainda acalentam. Mas, por agora, ainda têm muito presente o passado que querem esquecer.

hoje macau terça-feira 26.11.2013

UM CONVÍVIO PERIGOSO

Dois exemplos de inocência, fragilidade, mas também de coragem contam como a droga é traiçoeira. Kok Man envolveu-se neste submundo sem ter tido a liberdade de escolher. Lin Young, por sua vez, sabe que fez a escolha acertada quando experimentou as drogas, que sempre manteve por perto, para se anestesiar da dor de um amor perdido. Ambos estão há mais de um ano em processo de desintoxicação O destino parecia traçado e havia poucas possibilidades de vislumbrar alternativas. Foi então que aos 12 anos, de livre vontade, começou a tomar drogas, já depois de cometidos alguns delitos que o fizeram entrar no Instituto de Menores. Aos 16 anos, o convívio com as piores companhias fê-lo chegar à mais tenebrosa das drogas opióides: a heroína. “Era um tempo difícil em Macau. Os pais não tinham tempo de olhar pelos filhos e a rapaziada ia sozinha para as ruas”, justifica Kok. Em pequeno, a mãe tentou “vendê-lo” mas o avô, que consumia ópio, fez por “resgatá-lo”. O pai viu-o em raras ocasiões, “apenas

OS NÚMEROS DA ARTM Capacidade actual do Centro Masculino:

15/16 pessoas

Idades compreendidas:

21 aos 62 anos

Capacidade actual do Centro Feminino:

6/ 8 pessoas

Idades compreendidas:

16 aos 50 anos

Membro mais novo:

14 anos

Membro mais velho:

79 anos

Programa integral: 12 meses Média de internamento:

8 a 9 meses

Tratamento por metadona:

9 homens e 3 mulheres

20 vezes” em toda a sua vida, e só conheceu o nome da mãe já com 30 anos. Por volta desta idade, decidiu que era tempo de deixar as drogas. E, de facto, conseguiu fazê-lo durante um ano e sete meses sob a supervisão de um centro de tratamento religioso, parte do orfanato onde foi criado. No entanto, mudanças na administração do lar fizeram com que muitos toxicodependentes abandonassem o tratamento. Ao regressar à sociedade, Kok não foi capaz de dizer não. E, nessa altura, as doses que procurava no continente eram altas. Num estado incapacitante, Kok foi resgatado pelo centro mas, em 1993, foi preso. As entradas e saídas do estabelecimento prisional por tráfico, consumo e brigas entre grupos foram uma constante desde os 16 anos. “São memórias difíceis que me custam relembrar.” E, neste processo, tentou muitas vezes escapar das teias da droga mas, em algumas, apenas para se “recuperar e voltar a consumir”. “Sempre que o fazia estava infeliz e as drogas pareciam fazer-me esquecer as amarguras.” 2012 foi o ano decisivo. “Largar [a metadona] não vai ser fácil mas vou vê-lo como parte do processo para uma vida mais feliz. É preciso passar este período turbulento para ficar bem.”

“Até aqui foi um processo de aprendizagem. Desde 1989, tenho conhecido muitas pessoas na Igreja, funcionários da prisão que me aconselharam e hoje percebo que essa é uma semente que trago em crescimento. Espero conseguir o fruto, desta vez”, metaforiza. “Tenho aprendido a viver uma vida simples, mais espiritual e não material e a estar agradecido.” Por isso, gostava de arranjar trabalho no centro como monitor para apoiar outros que passam pelo mesmo. “Gostaria também de trabalhar como voluntário junto de doentes terminais e ensinar a

Lin, também natural de Macau, foi igualmente criada num orfanato a partir dos dois anos. Mas não foi por isso que a vida descarrilou. A sua primeira experiência veio com a desilusão da vida adulta. Aos 27 anos, a vida deu uma reviravolta inesperada e dolorosa. Mas é preciso recuar aos 17 anos para perceber as razões. “Conheci em Macau o meu ex-marido, casei-me e fui viver com ele para Taiwan, de onde era natural. As coisas corriam bem no casamento mas a família era um grande problema”, explica Lin. Foi então que decidiu divorciar-se e regressar a casa, mas nem tudo foi simples. Na bagagem ainda trouxe amor e tristeza, que rapidamente a consumiram. “Não me conseguia libertar da tristeza que sentia. Vivia em depressão. Soube então onde se vendiam drogas através das minhas amigas. Podiam anestesiar-me”, explica. Não sem acrescentar que embora o marido consumisse droga, “nunca sentiu necessidade de experimentar”. Foram 10 anos de envolvimento ilícito com Ice, marijuana, triazolam e heroína, intercalados por três tentativas de largar as drogas. E só em Novembro de 2012, pela primeira vez, depois de ter sido obrigada a cumprir o tratamento como alternativa à pena de prisão, decidiu segui-lo até ao fim. “Antes não conseguia encontrar um objectivo. Este ano consegui obter a licença de condução e comecei a pensar em ter uma vida normal: comprar um carro e arranjar uma casa”, sorri Lin. E há ainda um apoio extra: o namorado, que se encontra em programa de desintoxicação no centro masculino. É com ele que quer refazer a vida. Por isso, o plano agora é manter o bom caminho levado neste programa de desintoxicação, que já concluiu. No momento, atravessa uma fase de ressaca porque abandonou a metadona há duas semanas. “Sinto-me muito cansada e os ossos estão muito pesados. Não consigo dormir. Tenho variações de humor.” A ideia é começar a trabalhar como voluntária porque nunca trabalhou antes. “Quero ganhar coragem e, para tal, dar um passo de cada vez.” O sonho, confessa, passa ainda por criar uma organização não governamental “como a ANIMA” para ajudar os animais nas ruas que quer ver resgatados.


reportagem 3

hoje macau terça-feira 26.11.2013

RITA MARQUES RAMOS

Nós aceitamos pessoas de todas as idades.

Neste momento, estão praticamente na capacidade máxima de acolhimento na ARTM. Estão a rejeitar pacientes? Temos alguns em lista de espera. Há doentes que estão em situação prioritária, por exemplo, quem está numa situação terminal ou em situação de perigo devido ao consumo de substâncias. Esperamos providenciar mais apoio para toxicodependentes. Há, de alguma forma, falta de serviços para estes doentes, sobretudo, os mais velhos e consumidores de heroína.

Não há problema de aceitar pessoas com idades tão distintas? Não. Estamos a prepará-los para integrarem a comunidade. O mesmo acontece na sociedade, onde há idosos e jovens. A outra associação, por exemplo, dá uma ajuda específica para uma faixa etária particular. A nossa abordagem é mais activa e realista.

rita.ramos@hojemacau.com.mo

Quando esperam ter concluído o novo centro e quantas vagas terão? Deveremos tê-lo em 15 meses. Nessa altura teremos 50 camas de homens, 20 para as mulheres e 10 para os deficientes ou doentes terminais. Será melhor do que o que temos hoje. Há sempre pessoas em lista de espera e a tentar encontrar uma maneira de mudar as suas vidas mas não têm oportunidade. A mesma instalação agrega um bloco para homens e outro para mulheres. Mas existem também outras associações que providenciam tratamento residencial? Sim. Há uma outra organização não-governamental. Contudo, enquanto que nós providenciamos um programa residencial de internato, eles providenciam para doentes menores de 29 anos e não estão apostados em dar um tratamento a tempo inteiro.

O Instituto de Acção Social (IAS) mantém a posição de não atribuir subsídios aos utentes quando integram o tratamento? Mantém. Quando entram deixam de receber subsídio, ou seja, têm de abdicar dele. E não têm meio de subsistência porque somos já subsidiados pelo IAS. Por essa razão, temos alguns doentes que abandonam o tratamento porque estão a encarar uma crise financeira. Acha que deveriam ter algum tipo de apoio extra? Concordo. Temos de pensar no processo de reintegração, se há um utente que já acabou o tratamento de 12 meses terá depois de arrendar uma casa e dar assistência à família. Se ele sair do centro e não tiver amealhado dinheiro, e se não tiver qualquer poupança, está limitado no processo de reintegração. Quais as outras razões que os levam a desistir do tratamento? Há muitas razões, ligadas às finanças ou à inadaptação ao tratamento. Mas, a principal razão estará relacionada com

ERICK CHEUNG ACREDITA NA DESPENALIZAÇÃO E NA INTERVENÇÃO

“A descriminalização pode ser uma das direcções” a dependência psicológica e física às drogas quando tentam deixar as drogas, que aparece nos primeiros dias de paragem. Muitos conseguem lidar com isso mas outros não conseguem lidar com a dor causada pela dependência das drogas, que se pode arrastar por toda a vida. E é-lhes prestado apoio na hora de ir procurar emprego? Claro. Apoiamo-los na procura de trabalho e também no arrendamento de casa. Por vezes, escolhem ficar no nosso centro para trabalharem como voluntários ou colaboradores e, depois de um período de tempo a trabalharem connosco, como conselheiros de pares. Como é passado o dia destes utentes? Em regra, trabalham como pessoas normais para restabelecer a sua auto-estima.

tences. Também providenciamos reabilitação, apoio psicológico individual e em grupo, algumas actividades comunitárias e um programa de integração social, como formação de habilidades. Podem entrar e sair do centro durante o tratamento? Só ao fim de 12 meses. Quando arranjam um trabalho também temos um contacto no local para assegurar que eles estão bem. A sua entrada no centro é espontânea? Não existe tratamento obrigatório em Macau. A lei 17/2009 é clara: podem escolher se seguem a exigência de pena suspensa para ir para um centro de tratamento ou ir para a prisão. Houve, recentemente, conferências que avaliaram diferentes abordagens ao problema da droga, numa

HOJE MACAU

A não criminalização dos consumidores de droga deve ser o caminho a seguir em Macau. Quem o diz é Erick Cheung, conselheiro psicológico na Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), que entende o tratamento dos toxicodependentes como a melhor solução. Até porque, explica, há muitos casos de utilizadores que depois de cumprirem pena de prisão voltam a cair nas malhas da droga

“Este acréscimo [de pacientes] prende-se muito com o sistema de pena suspensa, do departamento de reintegração na sociedade e também da polícia, que encontra mais casos.” Também para lhes dar alguma satisfação e se sentirem produtivos ou apreciados em determinadas áreas. Alguns trabalham no centro para o manter a funcionar e, desta forma, esperamos que eles desenvolvam responsabilidades sobre os seus per-

altura em que o Governo quer fazer uma revisão à lei. O que entende como melhor exemplo? A especialista portuguesa [Maria de Belém Roseira] mostrou-nos como funciona a lei de descriminalização do consumo de drogas em Portu-

gal a nível de penalizações e a olhar os toxicodependentes como pessoas com problemas de saúde, além de mostrar como lhes pode ser oferecida ajuda, em vez de prendê-los. Seguir este exemplo de descriminalização do consumo da droga é uma boa opção? É. A descriminalização pode ser uma das direcções do nosso desenvolvimento actual. Temos de providenciar tratamento e intervenção, em vez de castigá-los. Podemos motivá-los a tratarem-se ou a seguirem tratamento numa clínica externa. Temos muitos casos que quando saem da prisão, depois de um longo período de tempo, voltam ao mundo das drogas. A taxa de recaída é alta. Há um novo grupo de pacientes no centro? Temos tido um aumento de mulheres, sobretudo, jovens. Há mais jovens, no geral. No entanto, este acréscimo prende-se muito com o sistema de pena suspensa, do departamento de reintegração na sociedade e também da polícia, que encontra mais casos. Com este sistema esperamos providenciar-lhes tratamento. Há também menos idosos. Quais as razões que levam mais jovens a abraçarem o mundo das drogas? Talvez o prazer que os pares retiram ou a necessidade de integração num grupo. Também problemas familiares, como elevadas expectativas dos pais ou isolamento. Depois, há a própria natureza dos jovens, que procuram agitação. Dá-se também o caso de se sentirem sozinhos e aborrecidos porque não há muitas opções de lazer. As famílias talvez precisem de dar mais atenção aos sinais para intervenção precoce. Como muitos pais trabalham em turnos nos casinos, às vezes acabam por negligenciar os filhos. Há mais casos conduzidos até vocês através dos Serviços de Saúde (SS)?

Chegam mais pessoas recomendadas pelos psiquiatras porque muitas das substâncias psicotrópicas – Metanfetamina, Ketamina, Ice, por exemplo - podem resultar em problemas mentais, como esquizofrenia ou depressão. Quantas pessoas sofrem de doenças sexualmente transmissíveis e HIV? Quase todos, sobretudo, hepatites. Talvez tenhamos 10 ou 11 homens a sofrerem de hepatite C. Há uma grande percentagem a sofrer desta doença devido à transmissão de seringas. Ocorrem também alguns casos de residentes infectados por HIV e tratamo-los como quaisquer outros clientes. Sentem falta de profissionais aqui? Sentimos falta de assistentes sociais, conselheiros psicológicos, psiquiatras ou médicos. Só recebemos uma enfermeira uma ou duas vezes por semana. Temos de ir até aos SS ou à Divisão de Tratamento e Reinserção Social (DTRS) para ter apoio médico. Se tivéssemos uma equipa médica seria melhor para a reabilitação ou, pelo menos, mais uma enfermeira. Pode explicar como funciona o programa de metadona? Com a ajuda do programa de metadona, as pessoas podem tentar minimizar o uso de heroína. É receitada pelo médico, por isso, é medicamente controlada e mais segura para os toxicodependentes, não havendo risco de overdose. A metadona é oralmente consumida, não há risco de partilha de seringas e a pessoa com dependência pode ser reintroduzida na sociedade. Pode ser usada toda a vida. Temos aqui um colega (monitor) que usa metadona mas trabalha normalmente. Mas, claro, há alguns que podem deixar de tomar metadona. Vão reduzindo a dose progressivamente mas os doentes é que decidem se usam ou querem deixar.


POLÍTICA

Acusam-nos de fazer subir as rendas e tirar o lugar aos trabalhadores locais e querem que o Governo minimize a contratação de trabalhadores não-residentes. Os deputados estão em desacordo com o Governo e demonstraramno ontem na AL, enquanto Francis Tam assegura que as autorizações para importação destes trabalhadores são feitas de acordo com o que Macau consegue suportar JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

LGUNS deputados estão contra a importação de mais trabalhadores não-residentes (TNR) e fizeram questão de o dizer a Francis Tam, quando ontem o secretário para a Economia e Finanças se deslocou à As-

hoje macau terça-feira 26.11.2013

TIAGO ALCÂNTARA

4

TNR DEPUTADOS E GOVERNO EM DESACORDO SOBRE IMPORTAÇÃO

O enorme medo da competência estrangeira sembleia Legislativa (AL) para apresentar as LAG da sua tutela. Foi Song Pek Kei quem começou por tocar no assunto, dizendo mesmo que o aumento das rendas se deve à presença dos TNR em Macau. Esta não é a primeira vez que a deputada faz esta afirmação, tendo chegado a sugerir que se abrissem as fronteiras para a China por períodos mais alargados de forma a que estes trabalhadores fossem viver para o continente e não causassem impacto nas rendas. Ontem, a número três de Chan Meng Kam sugeriu a Francis Tam que se criasse um mecanismo para expulsar os TNR que já não têm trabalho no território. “Os TNR provocam o aumento da renda e a permanência [destes trabalhadores em Macau] também, porque eles não ficam cá um ou dois dias, eles ficam cá a

CONTAS FEITAS POR FRANCIS TAM • Só há cerca de 36 mil TNR em todos os casinos das seis operadoras de jogo • Quase todos os cargos de supervisores/gestores médios estão ocupados por trabalhadores locais, apenas “setenta e tal” são estrangeiros • Cerca de 150 locais estão a ter formação de “gestor de nível alto” • Mais de 85% das actividades extra-jogo são geridas por locais, sendo que apenas 232 TNR ocupam cargos mais altos nestes locais

viver. Muitos trabalhadores do sudeste asiático vêm para cá trabalhar não através de agências, mas sim com ajuda de amigos ou familiares, pelo que é preciso controlar bem as políticas de importação de TNR. Achamos importantes haver um grupo de trabalho para resolver o despedimento dos TNR e o regresso à sua terra natal. Os que ficam em Macau depois de acabarem o contrato de trabalho, deviam ter um processo de regresso ao seu país natal.” Song Pek

Kei, recorde-se, é filha de imigrantes. Mak Soi Kun partilha da opinião da colega do hemiciclo, considerando que os TNR deveriam ir viver para a Ilha da Montanha, de forma a “aliviar a pressão de Macau, a que se possa baixar as rendas e para que as terras de Macau fiquem para gentes de Macau”.

UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA

Também Au Kam San se juntou à voz dos que estão

Francis Tam Lei das Relações de Trabalho chega à AL em 2014

A

revisão Lei das Relações Laborais deverá ficar concluída este ano, mas apenas no próximo entrará em processo legislativo. As informações foram dadas por Francis Tam, no dia em que o secretário para a Economia e Finanças foi à AL apresentar as LAG de 2014 para a sua tutela. “Vamos finalizar o período de consulta do salário mínimo e esperamos, este ano, concluir os trabalhos de procedimento legislativo. Sabemos que no próximo

ano vão ser sete as propostas de lei [que vão surgir]. Estes documentos estão finalizados em termos estratégicos, ou seja, internamente, as consultas ou elaborações já estão finalizadas.” Agora, diz Tam, têm de ser entregues na Direcção dos Serviços de Administração e Justiça e, posteriormente, apreciadas pelo Conselho Executivo “dependendo da sua agenda”. A calendarização para a entrega de leis da área da Economia e Finanças fica

de fora, alerta o secretário, mas isso não significa que “não possam vir a ser entregues mais leis” do que as sete planeadas. Da parte de Francis Tam, e sem data, fica a promessa de que será entregue o Regime de Segurança na Construção Civil e Regime de Indemnização Máxima em caso de Despedimento. “Falta-nos a etapa jurídica, que é a parte técnica. Se conseguirmos concluir esta parte jurídica vamos passar à DSAJ e depois ver, então, quando pode ser entregue.” - J.F.

contra a importação de mais TNR. O deputado da bancada democrata acusou o Governo de estar a importar estes trabalhadores de forma cega e de não proteger os interesses dos trabalhadores locais. “É verdade que temos 130 mil TNR a trabalhar legalmente, mas quantos trabalhadores ilegais é que colmatam vagas de emprego? Quando alegam que lhe falta trabalhadores, o Governo autoriza sempre a importação, os locais ficam sem oportunidades de emprego porque se importam mais do que os necessários. Se para a função pública também se pudesse importar TNR, também ia acontecer.” Ella Lei concorda com Au Kam San, acrescentando que os locais são despedidos sem justa causa para que se possam contratar TNR. “Até ao momento ainda não se conseguiu utilizar todas as vagas dos 130 mil e já está a dizer que quer mais. É preciso um mecanismo para deixar de ter os TNR em Macau.”

Leong Veng Chai partilha da opinião da colega sobre a necessidade de salvaguardar os lugares dos locais no trabalho e deixa ainda uma sugestão a Francis Tam: a criação de uma base de dados sobre os TNR. Mas, se o secretário concorda com a hipótese colocada pelo número dois de Pereira Coutinho – dizendo mesmo que precisa de algum tempo para a criação dessa base de dados, mas que esta pode ser um óptimo veículo de informações - discorda com quase tudo o resto dito pelos deputados. Francis Tam assegura que o Governo fez tudo o possível para encontrar “a melhor forma de equilíbrio a nível de recursos humanos para esta sociedade” e apresenta dados que mostram, diz, que são os trabalhadores locais quem tem ocupa a maioria dos cargos de gestão – outra das preocupações dos deputados [ver caixa]. “No que toca à política dos recursos humanos, nos últimos 8/10 anos o Governo tem estado atento ao equilíbrio, conseguimos manter o desemprego a nível baixo, os salários têm subido e as PME pedem mais pessoas. Todos os anos, abrimos uma quota de 20 mil TNR e, mesmo que haja pressão, temos de manter esta quota e não a vamos exceder. É o limite que a sociedade pode suportar.” O secretário diz que a importação de mão de obra do exterior é apenas para equilibrar a oferta e a procura e que caso alguma vez se sinta desemprego de locais ou salários a baixar devido aos TNR a política é para deixar de lado. No ar, ficou ainda a promessa de que o regime que regula as agências de contratação dos TNR, mas Francis Tam não se alongou nas explicações.


política 5

hoje macau terça-feira 26.11.2013

AL SUGERIDA SUPERVISÃO DO GOVERNO ÀS EMPREGADAS DOMÉSTICAS DO CONTINENTE

Nas mãos dos patrões JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

importação de empregadas domésticas do continente motivou ontem tema de conversa entre os deputados e o secretário para a Economia e Finanças. Francis Tam esteve na Assembleia Legislativa (AL) para apresentar as LAG do próximo ano para a sua tutela e descartou problemas levantados principalmente por Song Pek Kei. A deputada queria que fosse implementado um mecanismo de supervisão para controlar a qualidade dos serviços de empregadas domésticas, uma vez que, diz, os residentes muitas vezes ficam preocupados com a qualidade destas trabalhadoras. Francis Tam nega completamente que isso seja da responsabilidade do Executivo. “A qualidade das empregadas domésticas não é só para as da China continental, mas para todas. O patrão é que tem de definir padrões para recrutar as pessoas mais apropriadas para si. Isso depende do próprio patrão, se acha que é ou não apta para o trabalho.” A deputada insistiu, evocando, da segunda vez, o que considera ser uma necessidade de formação para estas empregadas. Francis Tam voltou a dizer que isso não é da responsabilidade do Governo. “As entidades particulares são bem-vindas a dar formação, para que elas saibam como trabalhar, se entenderem isso necessário. Mas, sinceramente, as famílias têm

exigências diferentes com as suas empregadas. Podem ser formadas para cozinhar, mas se calhar há uma família que quer mais sal na comida e há outra que quer menos. Daí que os empregadores podem ter exigências diferentes face à formação das empregadas. Para organizar acções de formação para todas as 300 empregadas e conseguir satisfazer todas as exigências é impossível. Mas porque não se fala num escolha mútua? O trabalhador escolhe o empregador e [vice-versa].” Wong Kit Cheng diz que com esta decisão não se está a proteger “os empregadores”, porque se elas não sabem “cuidar dos idosos, mas não há provas disso, então não se podem despedir”.

O QUE PROMETE FRANCIS TAM • Lançamento da “Medida de Apoio Financeiro às Convenções Internacionais e Exposições Profissionais” • Continuidade na atracção para a vinda e realização em Macau de feiras de marcas do exterior • Empenho na formação de pessoal qualificado para o sector das exposições e convenções • Implementação plena do Serviço de Agência Única para a Licitação de Convenções e Exposições e o Respectivo Apoio • Prestar serviços de apoio técnico e de apoio em design e providenciar assistência às empresas de Macau para a criação das suas marcas • Acelerar os trabalho de estudo da revisão da Lei de Enquadramento Orçamental • Incentivar e apoiar novos canais de abastecimento de produtos alimentares a Macau (já prometido nas LAG para 2013) • Reforçar e regular a fiscalização do sector do jogo • Intensificar a fiscaliza-

ção da importação de TNR, aumentando a transparência dos processos relativos à apreciação dos pedidos de importação • Promover emprego para os residentes e proteger os seus interesses e direitos de trabalho • Manter-se-á firme o principio de não importação de TNR para a função de croupier e de supervisor das mesas de jogo dos casinos • Fomentar a construção do Centro de Serviços Comerciais das PME dos Países de Língua Portuguesa, do Centro de Distribuição de Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa e do Centro de Convenções e Exposições no âmbito da Cooperação Económica entre a China e esses países • Procurar que seja liberalizado o comércio de serviços entre Guangdong e Macau até finais de 2014 • Dar continuidade à implementação do Plano de Formação de Apoio ao Emprego Destinado aos Indivíduos de Meia-Idade

Pedida revisão de artigo das rendas do Código Civil

Ho Ion Sang sugeriu ontem que fosse revisto o Código Civil de Macau no artigo que diz respeito ao arrendamento. A ideia foi deixada frente a Francis Tam, secretário para a Economia e Finanças, no âmbito das rendas altas que as pequenas e médias empresas têm de suportar quando querem arrendar um espaço. Francis Tam não prometeu nada, dizendo apenas que ia entregar a questão aos “serviços competentes”.

Bens da Viva Macau poderão ser vendidos

É o plano do Governo para tentar recuperar o dinheiro emprestado à Companhia Aérea Viva Macau, falida em 2010: negociar com os credores para que possa haver uma venda dos bens, depois de fazer um inventário dos bens recolhidos da empresa. A venda terá de ser resolvida por tribunal e Francis Tam não deu mais pormenores. Questionado por Leong Veng Chai sobre o crédito concedido à Viva Macau – que foi de 200 milhões de patacas – e como poderia vir o Governo a recuperar o dinheiro, Francis Tam limitou-se a dar esta solução, sem adiantar muitos detalhes.

APOIO A JOVENS EMPREENDEDORES SUPERA AS 13 MIL PATACAS

CÓDIGO TRIBUTÁRIO PODE SER REAL EM 2014

TÉ agora, foram 57 os pedidos para o Plano de Apoio aos Jovens Empreendedores aceites pelo Executivo. A funcionar desde Agosto, foram apenas 16 os pedidos não autorizados, enquanto os restantes (cerca de 57) estão ainda a ser apreciados. O anúncio foi feito ontem pelo secretário para a Economia e Finanças. Francis Tam respondia a Chan Hong, deputada que questionou o secretário sobre a hipótese de haver mais apoios aos jovens de Macau. “Os custos de operação de hoje em dia são altos. Para os jovens poderem ter o seu próprio negócio, há alguma hipótese de ajudar nas rendas dos estabelecimentos para que possam começar o seu negócio?” Para o secretário, ainda não é tempo oportuno para que sejam implementados mais apoios no âmbito deste plano, mas nada é excluído. “Sobre apoios para a renda é ainda um pouco cedo para estarmos a referir qualquer coisa sobre isso. Temos

Código Tributário pode vir a ser apresentado à Assembleia Legislativa (AL) no próximo ano. O anúncio foi feito ontem por Francis Tam, secretário para a Economia e Finanças, e chega depois de este código ter sido já retirado pelo Governo para uma eventual aprovação em 2012. “Estamos a fazer uma adaptação e a ver qual será a melhor vertente para fazer melhorias. Estamos a ver o desenvolvimento tributário internacional e a ver o mercado em todo o mundo, para adaptarmos”, começou por dizer Francis Tam. “No final deste ano, espero que talvez possamos fazer as últimas preparações e a versão final [da proposta], entregar à Direcção dos Serviços da Administração e Justiça e depois fazer uma consulta. Em 2014, talvez possamos entregar este documento novo para produção legislativa.” Em 2011, o Governo tinha apresentado a proposta de um Código

Ajuda com rendas ainda não A de deixar andar um bocado este projecto e depois ponderar o que pode ser feito para melhorar”, começou por justificar o secretário, acrescentando, contudo, que os apoios aos jovens empreendedores dependem de como vão surgindo as necessidades. Questionado pela mesma deputada sobre que actividades estão a ser desenvolvidas no âmbito do plano pelos jovens que requisitaram os apoios, Francis Tam diz que as áreas com mais saída têm sido as ligadas ao design, tecnologia e publicidade. O apoio, esse, já foi “de mais de 13 milhões”.

Chan Hong pediu ainda ao secretário que sejam dadas acções de formação aos jovens que pediram o apoio – nomeadamente sobre gestão financeira –, de forma a que os jovens saibam aplicar bem o dinheiro dado pelo Executivo. O Plano de Apoio aos Jovens Empreendedores oferece um limite máximo de 300 mil patacas que devem ser devolvidas no prazo de oito anos e é apto para jovens entre os 21 e os 44 anos, que nunca tenham declarado o início de actividade junto da Direcção dos Serviços de Finanças. O Governo já recebeu 130 pedidos. - J.F.

Última versão no final deste ano O

Tributário, que compilava todas as disposições que [actualmente] se encontram dispersas pela variada legislação fiscal vigente. Na altura, foi anunciado que a partir da entrada em vigor, o pagamento “dependia da situação económica [do contribuinte] e havia que negociar o prazo para prestação, sem esquecer a acumulação de juros”. Foi ainda dito que o Governo queria entregar esta proposta o mais rápido possível na AL, mas, um ano depois, a proposta foi retirada já da AL. O Executivo deu como justificação que queria fazer uma revisão de todo o regime fiscal antes de implementar estre Código. De acordo com o jornal Ponto Final, em 2012, o Governo pretendia criar um grupo de trabalho especializado para estudar a viabilidade da revisão das actuais leis fiscais e a criação de nova legislação antes de aprovar o Código. - J.F.


6 política

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Q

HABITAÇÃO DSEC ANALISOU DADOS POR FAMÍLIAS E NÃO POR RESIDENTES

Governo usou os números como quis Dias depois dos dados sobre posse de casa própria terem sido postos em causa, a DSEC garante que na elaboração dos Censos 2011 contou as famílias e não os indivíduos. Mas não clarifica se os pedidos de residência feitos através do investimento em imóveis estão incluídos no rol de residentes com casa TIAGO ALCÂNTARA

UANDO o Chefe do Executivo foi à Assembleia Legislativa (AL) dizer que 80% dos residentes têm casa própria, deputados e economistas disseram que os números não correspondem à realidade. Confrontados com estas declarações, os Serviços de Estatística e Censos (DSEC) explicaram ao HM que a contagem dos dados para os Censos 2011 foi feita por famílias, e não por residentes de forma individual, ao contrário do que disse o Governo. “A unidade de cálculo, segundo a forma de ocupação, é o agregado familiar e não o individuo, de acordo com as recomendações da Divisão de Estatísticas da ONU”, diz ao HM Cheang Sai Leong, da DSEC, em resposta escrita. “Com base nos resultados dos Censos, 70,8% dos agregados familiares locais residiam em unidades de alojamento próprias, adquiridas por um ou mais dos seus membros, representando, face aos 76,9% de 2001, um decréscimo de 6,1 pontos percentuais.” Cheang Sai Leong explica ainda que “24,5% habitavam em unidades de alojamento arrendadas, correspondendo a um acréscimo de 5,5 pontos percentuais em relação a 2001”. Para o economista Albano Martins, estes dados significam que o Governo, “quando falou, usou o senti-

hoje macau terça-feira 26.11.2013

em que duas possuem a casa e outra só tem a casa temporariamente. Isso puxa os números para baixo, para cerca de 50 a 60%. Quando individualizamos (a posse de casa própria), o valor começa a cair”. Albano Martins frisa que a procura por habitação não vai cair. “Há pessoas que potencialmente não têm casa e vão ter de entrar no mercado dentro de um ou dois anos.”

E OS RESIDENTES TEMPORÁRIOS?

do menos apurado e confundiu o agregado familiar com o residente. Um agregado tem, no mínimo, três residentes. Mais dia menos dia o mercado continua do lado da procura”, aponta ao HM.

Isto porque “estamos a falar de agregados familiares com residentes de cerca de 20 anos que não deixaram ainda a casa dos pais. Imagine-se que cada agregado é composto por três pessoas,

O HM tentou ainda perceber se os pedidos de residência temporária em casos de aquisição de bens imóveis, possíveis até 2007, estão incluídos no rol dos residentes com casa própria. Isto porque muitos dos senhorios não residem, de facto, em Macau, apesar de possuírem BIR. Contudo, a resposta da DSEC não é clara quanto esse tipo de casos, da responsabilidade do Instituto de Promoção ao Comércio e Investimento de Macau (IPIM). “Em resposta a

pedidos de outros serviços públicos, foi calculada a população local residente em propriedades próprias ou adquiridas por um ou mais dos seus membros (apenas como residente e não proprietário), cuja percentagem representa 79% da população.” Albano Martins considera que é pouco provável que os pedidos de residência temporária estejam incluídos. Mas lembra que não há forma de saber se esses investidores tornados residentes habitam os imóveis que compraram ou se os arrendam. Além disso, esses imóveis “podem não ser exactamente para habitação, mas também para espaços comerciais”. “Segundo o Boletim Mensal de Estatística, o grosso das vendas (de casa) são feitas por residentes, o que significa que muitos não vivem nessas casas. Quem está nesse mercado são os residentes, porque os não residentes quase o abandonaram. Quem tem casa não precisa dela”, aponta o economista.

POSSIBILIDADE DE IMPORTAÇÃO DE MOTORISTAS LEVA A PROTESTO DE TRABALHADORES LOCAIS

Uma questão de sobrevivência CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

M

AIS de cem motoristas locais fizeram ontem um protesto em frente da Assembleia Legislativa (AL), antes da sessão que levou o secretário da Economia e Finanças ao plenário. A Associação Geral dos Empregados do Ramo de Transporte de Macau (AGERTM), que agrega 18 associações locais do sector dos transportes, sob a égide da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), foi o organizador da manifestação. “Estamos contra a importação de motoristas não-residentes. Por acaso, há uma voz na sociedade que defende

que o sector tem menos oferta do que procura, daí ser necessária a importação. Mas a verdade é que quando procuramos trabalho, os empregadores dizem-nos sempre que precisamos de esperar. O único motivo para a importação passa por baixar as despesas no salário dos motoristas porque o dos não residentes é sempre mais baixo”, disse o presidente da associação Tong Chak Sam. Além dos manifestantes, também cerca de 40 veículos, incluindo táxis e camiões passaram em frente da AL, a fim de representar todos os sectores dos motoristas. A associação entregou duas cartas, uma para o presidente da AL, Ho Iat Seng, e outra para o secretário

Francis Tam. O conteúdo é igual. “Alguns especialistas disseram que o salário médio dos motoristas aumentou duas vezes entre 2003 e 2012, sendo este o maior aumento de todos os sectores em Macau. Mas os dados não reflectem a realidade. Em 2003, o salário mensal dos motoristas era apenas de 2869 patacas. Em 2012, o salário médio é dez mil patacas, o que é menos do que o salário médio dos empregados gerais do território”, explica na carta. A missiva refere que há muitos residentes com licenças de condução, mas os patrões não têm uma atitude positiva para estabilizar a equipa de empregados, nem garantir as melhores condições para

atrair novos empregados. “Nesta altura, alguns motoristas com baixos salários tem que fazer mais trabalho para ganhar mais, às vezes sem folgas. O salário mais alto é para os condutores da empresas de autocarros.”

Entre 1995 e 2007 era possível pedir a residência temporária com a aquisição de bens imóveis no valor mínimo de um milhão de patacas, mas essa possibilidade ficou suspensa desde Abril desse ano. Contudo, a aprovação dos mais de quatro mil pedidos ficou pendente junto do IPIM, e o processo continua por concluir. No primeiro trimestre deste ano, foram aprovados quatro pedidos pendentes, sendo que o ano passado havia ainda oito pedidos em fase de análise “devido à verificação dos documentos de identidade e de habilitações académicas dos requerentes”. Para se perceber a dimensão dos pedidos de residência por aquisição de imóveis, em 2006, um ano antes da suspensão da medida, contabilizou-se um total de 6,380 pedidos feitos até à data. Foram ainda feitos 2337 novos pedidos, menos 127 do que em 2005.

Além dos motoristas de autocarros, também os restantes condutores de veículos comerciais não têm garantia de contribuições para o fundo de previdência, essa é também uma razão que não atrai os residentes a participar. “Os motoristas de veículos pesados têm que enfrentar o facto de lhes ser retirada a carta de condução depois dos 65 anos. Quando perdem o trabalho já não há pensões para sobreviver”, lembra o documento. Uma menção ainda às empresas de autocarros dos casinos que recrutam mais motoristas com licenças especiais, ou seja, os do continente. “As empresas fazem publicidade para recrutamento, mas quando consultamos o anúncio dizem sempre que temos de esperar por um lugar. O cargo é apenas reservado para os não residentes, que saem ‘mais baratos’ aos patrões.”


SOCIEDADE

hoje macau terça-feira 26.11.2013

7

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

N

O dia em que Anthony Lam, presidente da Arco-Íris de Macau anunciou que dia 24 de Dezembro a associação vai usar as novas tecnologias de iluminação para trazer cor à parede do Antigo Tribunal Judicial de Base, a fim de celebrar o 1.º aniversário do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) em Macau, a cadeia de restauração local Brick’s Burger hasteou a primeira bandeira “gay friendly”. “Há muitos amores na vida, incluindo amor entre os familiares e amigos, mas por qualquer razão alguns amores não se podem expressar e têm de ser ignorados. O tema da actividade é ‘Amor e Paz’. Isto porque, Macau continua a não ser uma cidade muito inclusiva”, referiu Lam. O Brick’s Burger, que tem um restaurante na zona de Santo Agostinho e outro no Fai Chi Kei, entra assim na história de bem receber “sem preconceito” os casais homossexuais. Antholy Lam declara que a ideia é criar “um ambiente confortável”. O presidente da Associação Novo Macau e membro da associação Arco-Íris também se congratulou com a decisão do Brick’s Burger e lembra que a discriminação ainda é muita. “Segundo um estudo mundial, a taxa de homossexualidade ocupa 4 a 8% da população. Em Macau

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

primeira vez que os luso-descendentes se juntaram foi no Porto, o ano passado, para trabalhem em “projectos comuns” de promoção ao português que vive espalhado pelo mundo. Este ano a edição de 2013 do “Luso Talentos” acontece em Macau por ser, afinal, um lugar que ainda é português. Com organização do Observatório dos Luso-descendentes e apoio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, o evento traz várias iniciativas culturais. Todas gratuitas. Os bilhetes estarão disponíveis

LGBT NASCEU O PRIMEIRO RESTAURANTE “GAY FRIENDLY” DE MACAU

Brick’s Burger na vanguarda ainda não há um estudo oficial para o número dos homossexuais, mas já nos sentimos discriminados quando fomos tomar refeições em certos restaurantes.” “Por exemplo, no Dia dos Namorados, muitos restaurantes oferecem pratos dos namorados,

mas quando os casais homossexuais pedem esse prato acabam discriminados pelo empregado”, explicou Chao. “Também no Dia dos Namorados, alguns restaurantes vão oferecer rosas para as mulheres, mas se chegar algum casal gay, ninguém vai receber flores. Se

chegar um casal de lésbica, apenas uma pode receber?” Jason Chao espera que mais restaurantes possam envergar a bandeira “gay friendly”, contudo a associação, na voz deAnthony Lam, diz não ficar à espera de iniciativas e prefere dirigir missivas directas aos

estabelecimentos de comida. “Estamos optimistas que mais restaurantes possam participar nesta iniciativa de colocar a bandeira. Em vez de ficarmos à espera que outros espaços possam aderir à ideia, estamos a ter uma postura pró-activa com outros restaurantes em Macau.”

LUSO-TALENTOS INICIATIVAS COMEÇAM NA QUINTA-FEIRA

A arte e o seu poder de congregar no Instituto Português do Oriente (IPOR) e Livraria Portuguesa. Entre um painel de pintura pintado a quatro mãos, a transmissão do filme A Gaiola Dourada na Torre de Macau ou um espectáculo de dança no Venetian, são muitas as actividades agendadas. Ao HM, Emanuelle Afonso, presidente do Observatório, explica que o objectivo é “criar ligações com a diáspora”, e que, para isso, “não basta um encontro pontual”. “Acreditamos que

fazer um evento com esta duração, em que as pessoas durante um ano trabalham juntas e desenvolvem um projecto em comum, com benefícios para Portugal”. “Macau é simbólico da presença de Portugal na parte mais longe, e serve também para dizer que não esquecemos os luso-descendentes que estão cá e que queremos criar laços com eles.” Emanuelle Afonso destaca os parceiros locais como o IPOR, Livraria Portuguesa, Associação dos Macaenses

ou a Casa de Portugal, que irão disponibilizar recursos, alimentação, alojamento para os cerca de 22 participantes do evento.

LIVROS PARA ESCOLAS LUSO-CHINESAS

O arranque do “Luso Talentos 2013” começa com o filme “A Gaiola Dourada,” do luso-francês Ruben Alves, que estará presente para um debate, incluindo a participação de uma das actrizes e outros realizadores portugueses que residem em Macau.

No Sábado decorre um concerto no Venetian intitulado “Fado Guzheng”, que alia o instrumento chinês à música tradicional portuguesa. A pintura feita a quatro mãos junta o artista plástico Carlos Farinha com o artista local Fortes Pakeong Sequeira. Será ainda feita a entrega de 15 mini bibliotecas a escolas luso-chinesas de Macau, à Escola Portuguesa de Macau e a diversas instituições locais. Os livros serão entregues por José Cesário, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Este projecto está inserido no Plano Nacional de Leitura, desenvolvido em Portugal.


8

CHINA

hoje macau terça-feira 26.11.2013

A

S empresas podem beneficiar muito se a China levar por diante as suas promessas de dar ao mercado um papel mais importante na segunda maior economia do mundo. Os líderes do Partido Comunista chinês divulgaram na semana passada um amplo projecto de reformas para os próximos dez anos que propõe aumentar o poder do consumidor e aliviar o controlo estatal sobre sectores chave. As metas abrangentes incluem reduzir as barreiras para o capital estrangeiro em alguns sectores, ampliar o envolvimento de investidores privados em empresas controladas pelo Estado e dar à vasta população rural do país maior acesso aos recursos. A longo prazo, uma mudança significativa — a de relaxar a política do filho único — sinaliza uma disposição para lidar com as pressões crescentes de uma sociedade que está a envelhecer. O comunicado do Governo sugere que os líderes querem garantir que a China tenha uma reserva

QUEM GANHA E QUEM PERDE COM O NOVO PLANO ECONÓMICO CHINÊS

Privados estão na expectativa estável de trabalhadores — e continue a crescer a taxas elevadas — nos próximos anos. “O clima é positivo no país e, se as pessoas na China ficarem PUB

HM - 1ª vez - 26.11.2013

ANÚNCIO

EXECUÇÃO ORDINÁRIA

CV1-12-0030-CEO

1º Juízo Cível

-----EXEQUENTE: MELCO CROWN (MACAU), S.A., com sede em Macau na Avª Dr. Mário Soares, nº 25, Edf. Montepio, 1º andar Comp. 13.----------------------------EXECUTADOS: 1. GAN JINPING, solteiro, de nacionalidade chinesa, titular do Salvo-Conduto de deslocação de Hong Kong para Macau n.º W34xx87xx, com última residência conhecida na China Província de Hubei, no Escritório de Fushan, ora ausente em parte incerta.------------------------------------------------- 2. WONG PUI FONG, divorciada, de nacionalidade chinesa, titular do BIR n.º 12xx7xx(0), residente em Macau, Taipa, na Rua de Évora n.º 455, Edifício Lai Chun Hin, 17.º andar B.-----FAZ-SE SABER que nos autos supra referenciados, pendentes no 1º Juízo Cível deste Tribunal, foi decretada a venda por meio de propostas em carta fechada, do seguinte:-Imóvel -----Denominação da fracção autónoma: “B17” do 17º andar “B”.---------------------Situação: na Taipa, Rua de Évora, n.ºs 435-475 e Avenida Dr. Sun Yat Sen n.ºs 191-227. -----Fim: Habitação.------------------------------------------------------------------------------------Número de matriz: 40822.------------------------------------------------------------------------Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: N.º 22803 de fls. 120 do Livro B110K.---------------------------------------------------------------------------------------O valor base da venda é de : Sete Milhões, Setecentas e Vinte e Cinco Mil Patacas (MOP7.725.000,00).----------------------------------------------------------------------------São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregarem na Secretaria deste Tribunal as suas propostas até ao dia 11 de Dezembro de 2013, pelas 14:30 horas, devendo o envelope da proposta conter a indicação “Proposta em Carta Fechada”, bem como o número do respectivo processo.----------------------------------------A abertura das propostas realizar-se-á neste Tribunal na data e hora acima mencionadas, podendo os proponentes assistir ao acto.----------------------------------------É fiel depositária do imóvel a Sra. Jolly, Kylie Stewart, com domicílio profissional em Macau na Avª Dr. Mário Soares, nº 25, Edf. Montepio, 1º andar Comp. 13, que está obrigado, durante o prazo dos editais e anúncios, a mostrar o bem a quem pretenda examiná-lo, podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção.--------Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação dos bens supra referidos, podem, querendo, exercerem o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma for aceite, nos termos do art. 787º do Código de Processo Civil.-----------------------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., aos 19 de Novembro de 2013.------------***

com a impressão que estas mudanças positivas podem continuar por mais 10 ou 20 anos, vão ficar mais dispostas a gastar”, diz Karsten Engel, director-presidente da fabricante alemã BMW na China. A chave para as empresas será a implementação do plano. Apesar do seu alcance ambicioso, a proposta do partido não determina em muitos casos prazos e metas

específicas, especialmente na definição de até que ponto os estrangeiros poderão ter maiores oportunidades de investir. E estes esforços podem enfrentar a considerável oposição de empresas estatais com influência no Governo, das burocracias estabelecidas das agências reguladoras e de uma população urbana preocupada com o fluxo de migrantes para as cidades. Resta ainda saber o que

a proposta denominada “Resolução sobre as Principais Questões do Aprofundamento Compreensivo da Reforma”, significa para alguns dos principais sectores da economia.

BANCOS

O plano dá mais impulso ao antigo desejo do Governo de reformar o sector bancário, que os críticos dizem ser um obstáculo para mudar o

destino do dinheiro que hoje vai para as grandes empresas estatais, em detrimento das pequenas e médias. O esboço do projecto cita ainda a participação estrangeira, mas sem dar detalhes. O Governo chinês comprometeu-se a abrir o sector financeiro “tanto [no mercado] doméstico quanto para o mundo exterior” ao permitir que os bancos estrangeiros se estabeleçam no país.

PRESIDENTE CHINÊS ORDENA INVESTIGAÇÃO À SEGURANÇA NAS INDÚSTRIAS

Em estado de alerta máximo O Presidente chinês, Xi Jinping, ordenou uma investigação sobre segurança no trabalho das indústrias depois de uma explosão sexta-feira num oleoduto em Qingdao ter provocado 55 mortos, nove desaparecidos e mais de uma centena de feridos. O chefe de Estado revelou a investigação na noite de domingo em declarações feitas em Qingdao, cidade portuária da província de Shandong, revelou ontem a agência Xinhua. “Uma vez mais, este acidente fez soar o alarme que a segurança nas indústrias deve ser garantida urgentemente. De outro modo, irá provocar perdas irreparáveis para o país e para as pessoas”, disse. O Presidente ordenou que seja lançado um “teste de controlo da segurança em grande

escala, com inspectores a visitarem as indústrias de forma anónima e sem aviso prévio”. Xi Jinping quer também urgência numa investigação ao acidente de Qingdao para que aqueles que os responsáveis sejam tratados de acordo com a lei. Na tarde de domingo, Xi Jinping visitou alguns dos feridos do acidente que terá sido uma das piores catástrofes industriais da China nos últimos anos. O oleoduto, propriedade da Sinopec, a mais petrolífera da China, foi construído há 27 anos. O acidente de Qingdao fez recordar um outro na mesma cidade quando em 1989 uma série de explosões em cinco tanques de petróleo provocaram a morte 19 pessoas e ferimentos noutras 78.


china 9

hoje macau terça-feira 26.11.2013

ILHAS DIAOYU JAPÃO PREOCUPADO COM DECLARAÇÃO CHINESA

Movimento perigoso A declaração chinesa de uma zona de identificação de defesa aérea que inclui a área das ilhas Diaoyu é um movimento perigoso que pode causar problemas sérios, afirmou ontem o primeiro-ministro japonês. “Estou profundamente preocupado pois é um acto muito perigoso que pode ter consequências inesperadas”, disse Shinzo Abe no parlamento japonês. Os comentários de Abe são os primeiros feitos pelo chefe do Governo de Tóquio a propósito do anúncio de Pequim no sábado relativo a uma obrigação a todas as aeronaves que atravessem a zona a identificarem-se perante as autoridades chinesas e a obedecerem às suas ordens. Tóquio já disse através do Ministério dos Negócios Estrangeiros que a declaração chinesa “não tem qualquer validade no Japão”. “O Japão PUB

vai apelar à China que se contenha enquanto continua a cooperação com a comunidade internacional”, acrescentou ainda Shinzo Abe. Com efeito, o Ministério japonês dos Negócios Estrangeiros instou a China em comunicado a “revogar” a recente criação de uma “zona de identificação de defesa aérea” que inclui as ilhas Diaoyu. No comunicado, o departamento governamental japonês solicita à China a “revogação das medidas” ao mesmo tempo que garante “responder com firmeza ainda que de forma pacífica a qualquer tentativa da China de alterar o ‘status quo’ com manobras de coerção”. “O Governo do Japão já emitiu um forte protesto à China” e está em conversações com o seu aliado norte-americano e com “outros países relevantes da esfera internacional

e parceiros com quem tem interesses comuns na estabilidade e segurança regionais”, acrescenta o comunicado. Neste sentido, o Secretário da Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, manifestou recentemente a sua “profunda preocupação” pelo anúncio da China e manifestou apoio aos seus aliados, numa referência ao Japão. A tensão entre a China e o Japão a propósito do pequeno arquipélago intensificou-se no ano passado depois do Governo nipónico ter adquirido três das cinco ilhotas numa acção que provocou violentas manifestações na China e fez piorar as já de si complicadas relações entre os dois países. As ilhas Diaoyu estão desabitadas, mas especialistas sustentam que possuem elevadas reservas de petróleo e gás natural, combustíveis necessários ao desenvolvimento de ambos os países.


10

BOXE

hoje macau terça-

PACQUIAO VENCE RIOS E PREPARA PRÓXIMO COMBATE NO INÍCI

Ele está de v

Manny foi rápido demais. É a única justificação que Brand Rios encontra para o combate que Macau mais aguardava e ganho por Manny ‘Pacman’ Pacquiao. Para quem viu, no e muito mais do que velocidade – o combate transformou-se com dois actores à altura JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

E

RA a vitória que quase toda a Arena do Venetian esperava – Manny Pacquiao venceu Brandon Rios no passado sábado, num combate que durou os 12 ‘rounds’ que era suposto durar. O primeiro encontro dos dois atletas no ringue começou calmo, com ambos a estudarem o adversário. Depois, um primeiro teste de Pacquiao ao corpo de Rios mostra que o filipino começa com rápidos ataques, com técnicas de rectos e ganchos à mistura. A euforia do público era bem visível no apoio ao filipino, quando Rios caiu uma primeira vez imediatamente no primeiro

assalto, mas apenas por ter escorregado. Se houve algo complicado para Pacquiao foi deitar o

adversário ao chão. Nem por uma vez ‘Bam Bam’ caiu, fazendo jus aquilo por que é conhecido: Brandon Rios

FRASES SOLTAS • O Manny teve pena do Rios no último round FREDDIE ROACH, treinador de Pacquiao • Disse que me ia levantar de novo e provei-o esta noite. O meu tempo ainda não terminou MANNY PACQUIAO • Ele nunca, nunca me magoou BRANDON RIOS • Vimos o melhor Pacquiao hoje ROBERT GARCIA, treinador de Rios


boxe 11

-feira 26.11.2013

IO DO PRÓXIMO ANO

volta

don ‘Bam Bam’ este ano ter sido entanto, houve e em espectáculo, diz que “adora levar socos” e que nunca ninguém o magoa. Manny Pacquiao garantiu que não estava à espera de um KO e demonstrou-o através de diversas técnicas e muita rapidez. Depois de um segundo assalto, onde Rios conseguiu encostar Manny às cordas e de um terceiro onde o californiano desferiu boas combinações ao corpo de Pacquiao, o filipino mostrou não estar no ringue para perder. Manny conseguiu ultrapassar uma guarda muito boa de Rios, tendo chegado inclusive a abrir o rosto do adversário. Mas ‘Bam Bam’ não cedeu uma única vez, apesar da energia de Pacquiao – que girava muito bem em redor do ringue

para evitar os ataques. Rios manteve-se em pé durante todo o combate, mesmo após o oitavo assalto, quando o cansaço do mexicano começou a sentir-se. No oitavo ‘round’, Pacquiao deixou-se relaxar, abrindo uma oportunidade ao adversário, que atacou o filipino com um poderoso recto esquerdo. De acordo com o cartão de pontos, foi o único assalto que Manny perdeu para Rios. Apesar de se ver mais movimento do mexicano nos assaltos seguintes, não foi o suficiente para ditar uma decisão dividida. Manny Pacquiao venceu por decisão unânime do júri, que se seguiu a uma vitória ditada pelo próprio público do Venetian, que gritava constantemente por Manny. Um resultado de 120-108, 119-109 e 118-110 acabou com os rumores de uma eventual reforma para Pacquiao e incendiou as expectativas de um novo combate já no início do próximo ano. Se é uma desforra com Juan Miguel Márquez – que derrotou o filipino num dos seus últimos combates -, com Ruslan Provodnikov ou com Timothy Bradley, Bob Arum – director da promotor Top Rank - é que decide. Por agora, fica cumprida a promessa de Manny Pacquiao antes do combate que dedicou às Filipinas – “Together we shall rise again”.

HERÓIS DE MACAU

• Zou Shiming, da China, voltou a vencer naquele que é o terceiro combate do medalhado olímpico em Macau. Mas, a noite foi boa também para Macau, uma vez que Ng Kuok Kun – lutador do território – venceu. Rex Tso, de Hong Kong também conseguiu a vitória. NA FOTO: NG KUOK KON, IK YANG (CHINA), ZOU SHIMING E REX TSO


12 publicidade

hoje macau terça-feira 26.11.2013

Notificação n°26/DLA/SAL/2013

(Aviso aos proprietários dos estabelecimentos de comidas e bebidas, que infringiram a lei, sobre as respectivas decisões sancionatórias)

1.

No presente procedimento administrativo proveniente do auto de notícia n° 1875/DFAA/SAL/2011, de 24/11/2011, e comprovado por testemunhas, prova documental e relatório de investigação, o pessoal de fiscalização verificou que existiam no estabelecimento combustíveis de tipo não aprovado. Em 11 de Janeiro de 2013, o interessado foi notificado, de forma pública, pela Notificação nº 019/DLA/SAL/2012 sobre o conteúdo da acusação, não havendo apresentado a sua defesa por escrito no prazo legal. Assim, de acordo com o artigo 64º, nº 2 do artigo 81° do Decreto-Lei supramencionado, é sancionado com uma multa de quinze mil patacas (MOP15.000,00).

Por despacho do Vice-Presidente do Conselho de Administração, Lei Wai Nong, exarado em 10/05/2013, no uso das competências conferidas pelo Despacho n° 01/PCA/2013, de 2 de Janeiro, e de acordo com as disposições do n° 2 do artigo 96° do DecretoLei n° 16/96/M, foi ordenado, nos termos do nº 4 do artigo 96° do Decreto-Lei supramencionado, notificar CHEN JIAQUAN (Bilhete de Identidade de Residente de Macau: 1393XXX(X)), proprietário do “ESTABELECIMENTO DE COMIDAS KAM MAN”, sito na Avenida 1º de Maio no 358, Edf. Kam Hoi San, Bloco 8, loja C, r/c e sótão: i. Foi multado por ter violado as disposições da alínea i) do no 1 do artigo 81° do mesmo Decreto-Lei. No presente procedimento administrativo proveniente do auto de notícia n° 1997/DFAA/ SAL/2011, de 09/12/2011, e comprovado por testemunhas, prova documental e relatório de investigação, o pessoal de fiscalização verificou que existiam combustíveis para além dos limites fixados. Em 26 de Julho de 2012, o interessado foi notificado por ofício sobre o conteúdo da acusação, havendo apresentado a sua defesa por escrito, mas não regularizou a situação da respectiva infracção. Assim, de acordo com o artigo 64º e nº 2 do artigo 81° do DecretoLei supramencionado, é sancionado com uma multa de quinze mil patacas (MOP15.000,00).

Porém, considerando o facto da situação de infracção ter sido corrigida, é suspensa, de acordo com o artigo 65° do mesmo Decreto-Lei, a execução da sanção atrás referida por um período de um ano. Contudo, se durante o período da suspensão se vier a verificar, no mesmo estabelecimento, nova infracção, a sanção a aplicar será executada cumulativamente com a suspensa. 4.

ii. Foi multado por ter violado as disposições do artigo 19° do mesmo Decreto-Lei. No presente procedimento administrativo proveniente do auto de notícia n° 1996/DFAA/SAL/2011, de 09/12/2011 e n° 156/DFAA/SAL/2012, de 14/04/2012, e comprovado por testemunhas, prova documental e relatório de investigação, o pessoal de fiscalização verificou que existiam modificação ilegal do projecto aprovado anteriormente. Em 17 de Janeiro de 2013, o interessado foi notificado por ofício sobre o conteúdo da acusação, não havendo apresentado a sua defesa por escrito no prazo legal. Assim, de acordo com o artigo 64º e do artigo 70° do Decreto-Lei supramencionado, são sancionados, em conjunto, com uma multa de quinze mil patacas (MOP15.000,00). 2.

Por despacho do Vice-Presidente do Conselho de Administração, Lei Wai Nong, exarado em 11/01/2013, no uso das competências conferidas pelo Despacho n° 01/PCA/2013, de 2 de Janeiro, e de acordo com as disposições do n° 2 do artigo 96° do DecretoLei n° 16/96/M, foi ordenado, nos termos do nº 4 do artigo 96° do Decreto-Lei supramencionado, notificar SIT NIM HENG, (Bilhete de Identidade de Residente de Macau nº 1293XXX(X)), proprietário do “ESTABELECIMENTO DE BEBIDAS U I KOK”, sito na Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, Edf. U I Kok, r/c, loja A: Foi multado por ter violado as disposições do artigo 19° do mesmo Decreto-Lei. No presente procedimento administrativo proveniente do auto de notícia n° 002/DFAA/SAL/2011, de 07/01/2011 e n° 2141/DFAA/SAL/2011, de 28/12/2011, e comprovado por testemunhas, prova documental e relatório de investigação, o pessoal de fiscalização verificou que existiam alterações ilegais no estabelecimento. Em 10 de Julho de 2012, o interessado foi notificado por ofício sobre o conteúdo da acusação, não havendo apresentado a sua defesa por escrito no prazo legal e, ao mesmo tempo, não se encontra qualquer circunstância atenuante nestes dois casos. Assim, de acordo com o artigo 64º e do artigo 70° do Decreto-Lei supramencionado, são sancionados, em conjunto, com uma multa de quinze mil patacas (MOP15.000,00) .

3.

Por despacho do Vice-Presidente do Conselho de Administração, Lei Wai Nong, exarado em 27/03/2013, no uso das competências conferidas pelo Despacho n° 01/PCA/2013, de 2 de Janeiro, e de acordo com as disposições do n° 2 do artigo 96° do Decreto-

73° do Decreto-Lei supramencionado, é sancionado com uma multa de duas mil e quinhentas patacas (MOP2.500,00).

Lei n° 16/96/M, foi ordenado, nos termos do nº 4 do artigo 96° do Decreto-Lei supramencionado, notificar SIT NIM HENG, (Bilhete de Identidade de Residente de Macau nº 1293XXX(X)), proprietário do “ESTABELECIMENTO DE BEBIDAS U I KOK”, sito na Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, Edf. U I Kok, r/c, loja A, de que foi multado por ter violado as disposições da alínea i) do no 1 do artigo 81° do mesmo Decreto-Lei.

Considerando que não se revela possível notificar directamente os interessados, por ofício ou telefone, para efeitos de prosseguimento dos respectivos processos administrativos sancionatórios, nos termos do artigo 96° do Decreto-Lei n° 16/96/M, de 1 de Abril, conjugado com os artigos 10° e 58° do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n° 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, pela presente, nos termos do n° 3 do artigo 3° do Decreto-Lei n° 52/99/M, de 4 de Outubro, conjugado com os artigos 68° e 72° do Código do Procedimento Administrativo, os seguintes proprietários de estabelecimentos de comidas e bebidas, do conteúdo das respectivas decisões administrativas e sancionatórias:

Por despacho do Vice-Presidente do Conselho de Administração, Lei Wai Nong, exarado em 20/03/2013, no uso das competências conferidas pelo Despacho n° 01/PCA/2013, de 2 de Janeiro, e de acordo com as disposições do n° 2 do artigo 96° do DecretoLei n° 16/96/M, foi ordenado, nos termos do nº 4 do artigo 96° do Decreto-Lei supramencionado, notificar LEONG PENG SIO (Bilhete de Identidade de Residente de Macau nº 5068XXX(X)), proprietário do “ESTABELECIMENTO DE COMIDAS TAKE AWAY – SON IP”, sito na Rua do Dr. Pedro José Lobo, nº 5, r/c, loja B1, de que foi multado por ter violado as disposições do artigo 30° do mesmo Decreto-Lei. No presente procedimento administrativo proveniente do auto de notícia n° 432/DFAA/SAL/2011, de 25/03/2011, e comprovado por testemunhas, prova documental e relatório de investigação, o pessoal de fiscalização verificou a abertura ilegal do estabelecimento. Em 6 de Junho de 2012, o interessado foi notificado por ofício sobre o conteúdo da acusação, não havendo apresentado a sua defesa por escrito no prazo legal. Assim, de acordo com o nº 1, alínea c) do nº 2º e nº 3 do artigo 67° do DecretoLei supramencionado, é sancionado com uma multa de vinte mil patacas (MOP20.000,00) e com penalidade de encerramento imediato do estabelecimento. Caso contrário, de acordo com o artigo 68º do mesmo Decreto-Lei, o interessado incorre em responsabilidade criminal por desobediência a mandado legítimo da autoridade pública. (De acordo com o nº 1 do artigo 312º do Código Penal, a desobediência é punida com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.)

5.

Por despacho do Vice-Presidente do Conselho de Administração, Lei Wai Nong, exarado em 12/04/2013, no uso das competências conferidas pelo Despacho n° 01/PCA/2013, de 2 de Janeiro, e de acordo com as disposições do n° 2 do artigo 96° do DecretoLei n° 16/96/M, foi ordenado, nos termos do nº 4 do artigo 96° do Decreto-Lei supramencionado, notificar a “COMPANHIA DE RESTAURAÇÃO RECIPES DE MACAU, LIMITADA”, (inscrição de empresário comercial, pessoa colectiva n° 317XX(SO), proprietário do estabelecimento “MARISQUEIRA TAIPA”, sito no Largo do Senado nº 18, Edf Comercial China, 2º andar, de que foi multado por ter violado as disposições do no 3 do artigo 35° do mesmo Decreto-Lei. No presente procedimento administrativo proveniente do auto de notícia n° 345/DFAA/SAL/2011, de 16/03/2011, e comprovado por testemunhas, prova documental e relatório de investigação, o pessoal de fiscalização verificou a não comunicação das tabelas de preços. Em 20 de Março de 2013, o interessado foi notificado por ofício sobre o conteúdo da acusação, havendo apresentado a sua defesa por escrito, mas o interessado não apresentou fundamentos suficientes ou justificativos para a sua defesa contra a acusação do Instituto. Assim, de acordo com o artigo 64º, artigo

WWW. IACM.GOV.MO

Porém, considerando o facto da situação de infracção ter sido corrigida, é suspensa, de acordo com o artigo 65° do mesmo Decreto-Lei, a execução da sanção atrás referida por um período de um ano. Contudo, se durante o período da suspensão se vier a verificar, no mesmo estabelecimento, nova infracção, a sanção a aplicar será executada cumulativamente com a suspensa. 6.

Por despacho do Vice-Presidente do Conselho de Administração, Lei Wai Nong, exarado em 10/05/2013, no uso das competências conferidas pelo Despacho n° 01/PCA/2013, de 2 de Janeiro, e de acordo com as disposições do n° 2 do artigo 96° do Decreto-Lei n° 16/96/M, foi ordenado, nos termos do nº 4 do artigo 96° do DecretoLei supramencionado, notificar NG MAN PUI (Bilhete de Identidade de Residente de Macau nº 7365XXX(X)), proprietária da “CASA DE PASTO TING TONG”, sito na Rua Um do Bairro Iao Hon nº 10, Edf. Man Sau, r/c A, de que foi multado por ter violado as disposições da alínea o) do no 1 do artigo 80° do mesmo Decreto-Lei. No presente procedimento administrativo proveniente do auto de notícia n° 398/DFAA/SAL/2011, de 07/04/2011, e comprovado por testemunhas, prova documental e relatório de investigação, o pessoal de fiscalização verificou que no estabelecimento existia um deficiente funcionamento do sistema de recolha e exaustão de fumos e cheiros. Em 12 de Março de 2013, o interessado foi notificado por ofício sobre o conteúdo da acusação, não havendo apresentado a sua defesa por escrito no prazo legal. Assim, de acordo com o artigo 64º e nº 2 do artigo 80° do Decreto-Lei supramencionado, é sancionado com uma multa de quinze mil patacas (MOP15.000,00). Porém, considerando o facto da situação de infracção não ter sido continuada, é suspensa, de acordo com o artigo 65° do mesmo Decreto-Lei, a execução da sanção atrás referida por um período de um ano. Contudo, se durante o período da suspensão se vier a verificar, no mesmo estabelecimento, nova infracção, a sanção a aplicar será executada cumulativamente com a suspensa.

Excepto em caso de actos nulos, nos termos dos artigos 145º, 148º e 149º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei nº 57/99/M, de 11 de Outubro, os infractores podem apresentar reclamação ao autor do acto, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da publicação da presente notificação, e/ou nos termos do nº 1 do artigo 151º, nº 1 do artigo 155º e do 156º do mesmo Código, podem interpor recurso hierárquico necessário para o Conselho de Administração do IACM no prazo de 30 (trinta) dias. Quanto às sanções, os infractores podem interpor recurso contencioso, no prazo e requisitos previstos nos artigos 25º a 28º do Código de Processo Administrativo Contencioso, para o Tribunal Administrativo. Nos termos do artigo 62º do Decreto-Lei nº 16/96/M, os interessados deverão pagar as referidas multas no prazo de 10 (dez) dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação, no Centro de Serviços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sito na Avenida da Praia Grande, N° 804, Edifício China Plaza, 2° andar, pois, caso contrário, o Instituto procederá à sua cobrança coerciva. Caso os interessados não apresentem impugnação contra a decisão da presente notificação dentro do prazo supramencionado, e não paguem conforme as multas referidas, o IACM executará, de imediato, a decisão punitiva. Para consulta e mais informações sobre os processos, os interessados poderão dirigir-se à Divisão de Licenciamento Administrativo dos Serviços de Ambiente e Licenciamento do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sita na Avenida da Praia Grande, nº 804, Edifício China Plaza, 3º andar. Aos 13 de Novembro de 2013.

O Presidente do Conselho de Administração, Substituto Vong Iao Lek


EVENTOS

hoje macau terça-feira 26.11.2013

CCM ABRE NOVA TEMPORADA COM HARPISTA FRANCÊS XAVIER DE MAISTRE

Barroco para celebrar a cultura O

Centro Cultural de Macau inicia a nova temporada com um concerto pelo harpista Xavier de Maistre e pelo ensemble alemão l’arte del mondo, a 11 de Janeiro de 2014 no Grande Auditório. Neste que é um dos destaques das comemorações do 15º Aniversário do CCM, o espectáculo traz os sons de Vivaldi e de outros mestres barrocos, informa o comunicado de imprensa da organização. Artista exclusivo da Sony desde 2008, De Maistre começou a carreira internacional com a Filarmónica de Viena, onde foi o primeiro harpista francês a ingressar depois de ter ganho o primeiro lugar de um prestigiado concurso internacional de harpa nos EUA. Desde então tem tocado com grandes orquestras dirigidas por maestros como Riccardo Muti, André Previn ou Simon Rattle sendo frequentemente convidado dos festivais de música europeus de renome, acrescenta a nota de imprensa. A rádio suíça DRS descreveu De Maistre como um músico que refundou a imagem da harpa e chamou-lhe “uma nova estrela do mundo da música clássica”. O virtuoso trabalhou intensamente com os l’arte del mondo e com o director artísticoWerner

13

Creative Macau abre votação para melhor videoclip 2013

O público pode desde ontem e até dia 27 votar no melhor videoclip 2013. O Sound & Image Challenge 2013 Worldwide Public Favourite Award, pode ser consultado através da página da internet http://www.creativemacau.org.mo/ soundandimagechallenge2013/vote e ainda no facebook em https://www.facebook.com/ soundandimagechallengeworldwide

AFA em Singapura

Ehrhardt no álbum “Notte Veneziana”, entrando depois em digressão com concertos na Ásia e na Europa. A sua estreia em Macau apresenta interpretações de novos arranjos de grandes composições barrocas para harpa e ensemble. O programa inclui Inverno de As Quatro

Estações de Vivaldi, o Concerto em Ré menor de Marcello e a obra-prima para harpa de Parish-Alvars La Mandoline. Op. 84, entre outros. Este espectáculo de música clássica será antecedido de uma tertúlia moderada pelo músico Mars Lei.

A sessão de entrada livre decorrerá em cantonense na sala de conferências do CCM, uma hora antes do início do concerto. Os bilhetes estão disponíveis com diversos descontos nas bilheteiras do CCM e aos balcões da Rede Bilheteira de Macau, a desde domingo.

A Associação de Artistas de Macau, AFA, (Art For All) está pela terceira vez a participar na “Affordable Art Fair Singapore” que abriu no passado dia 20 de Novembro. Criada há vários anos, a Feira de Arte de Singapura tem ganho notoriedade nos últimos tempos, sendo actualmente uma importante plataforma entre artistas e coleccionadores de arte na região asiática. O evento conta nesta edição com 101 galerias de diversos pontos do mundo. Para além das exposições serão ainda levadas a cabo encontros e palestras. A AFA participa desde 2008 em diversas feiras internacionais em locais como Nova Iorque, Melbourne, Japão, Kuala Lumpur, Singapura, Taipé, Pequim, Hong Kong e Xangai. Na feira de Singapura deste ano a associação exibe 39 trabalhos de 13 artistas. Eric Fok, Sylviye Lei, Fortes Pakeong Sequeira, Hong Wai, Lai Sio Kit, Cai Guo Jie, José Lázaro das Dores, Tong Chong, Nick Tai, Mina Ao, Sally Loi, Chrystal Chan and Peng Yun, foram os nomes escolhidos para mostrar as suas obras.

Lançada página electrónica dedicada à Fábrica de Panchões Kuan Iec

O

Instituto Cultural (IC) lançou uma página electrónica dedicada à Fábrica de Panchões Kuan Iec, através da qual apresentará objectos e registos dignos de preservação recolhidos do local. O público poderá aceder a esta informação em www.macauheritage.net/ KwanYick, informa a nota de imprensa da organização. A Fábrica de Panchões Kuan

Iec, sita nos números 9 a 23 da Rua da Praia do Manduco, foi construída na década de 50 do século passado, altura de grande prosperidade desta indústria, servindo o edifício sobretudo para alojamento dos funcionários superiores e ainda como armazém. Em Julho, o IC, antes de o ser edifício demolido por apresentar graves danos estruturais, obteve o consentimento e

a cooperação dos proprietários para se deslocar ao interior da fábrica e recolher objectos, componentes do edifício e placas dignas de preservação, levando ainda a cabo o mapeamento do edifício, acrescenta a nota. Ao aceder a esta nova página electrónica o público pode ficar a conhecer o processo e o registo da recolha destes objectos.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A VIDA NA CORTE PORTUGUESA • José Barata A síntese que se oferece ao leitor procura reviver um percurso histórico de 760 anos da corte portuguesa, salientando os momentos marcantes do seu quotidiano, os espaços vivenciais, os eventos solenes e as cerimónias de representação.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

ÍNCLITA GERAÇÃO • Isabel Stilwell Isabel Stilwell, a autora de romances históricos mais lida em Portugal, regressa à escrita com a surpreendente história de Isabel de Borgonha, a única mulher da chamada Ínclita Geração. A geração perfeita, filhos de Avis, cantada por Camões, que marcou, cada um à sua maneira, a História de Portugal.


h

hoje macau terça-feira 26.11.2013

luz de inverno

ARTES, LETRAS E IDEIAS

14

P

ROIBIDO amar este filme. Sem cor. Porque é que este filme não é um filme de terror asiático? Porque é que há tantas coisas sobre o Brasil que não sabemos? Há ruas assim, e bairros assim em muitos lugares do mundo este é no Brasil, na cidade do Recife. E esta história não parece ter vontade de ser muito mais do que isto, assim, só daqui até ali, num bairro de uma classe média sem história e sem referências, seca, sem terra e sem luxo. O que é que estas pessoas não sabem e porque é que isso nos pode interessar? O que nós sabemos é que a ameaça que constantemente rodeia as figuras desta história vem do cinema e da sua história mais do que do Brasil. É um desconhecido sempre presente, que os sons do filme transformam em uma figura que é o medo. No final, o maior medo é o da banalidade e dos seus sons. A banalidade é a da classe média, e O Som ao Redor distingue-se brilhantemente das repetitivas reportagens sobre a favela com que o cinema brasileiro se tem entretido e internacionalizado. Neste filme tão urbano, pelo menos na exposição que faz do quotidiano das suas personagens, encontramos a permanência de uma infecção rural que talvez já não percebamos. No quadro urbano contemporâneo encontramos fissuras onde se insinua um passado talvez não muito longínquo cronologicamente, mas cuja música é incom-

Boi Luxo

O SOM AO REDOR KLEBER MENDONÇA FILHO, 2012

preensível. Um passado de engenhos, homens autoritários e criados. Para entender essa tensão é necessário ouvir e ver bem as primeiras imagens desta história inquietante. As imagens a preto e branco que a iniciam e as imagens a cores que se seguem, um pouco desfazadas, levemente perturbadoras e pouco amistosas. Não existe no filme de Kleber Mendonça Filho qualquer intenção amigável ou afectuosa e o seu autor faz questão em no-lo fazer entender desde o início. O pacto firma-se sem ambiguidades. Este será um filme seco, de narrativa em quadros e o modo agressivo como utilizará o som mostrará impiedosamente como as suas figuras se vêem rodeadas do medo que a cidade gera nelas. Uma piscina vazia é um emblema. Um emblema de uma desistência e de uma esperança que se perdeu. Por estas paredes, estes muros e estas janelas, pelos silêncios e meias palavras que nelas se perdem, cria-se uma desconfiança quase aterrorizante. É uma desconfiança longínqua do cinema de muros, de silêncios e incompreensões, também muito urbano, mas muito mais afectuoso, de Tsai Ming-liang. É muito difícil não pensar em Tsai Ming-liang quando nos vemos confrontados com tanto betão e tantas escadas e tantas casas vazias. A figura principal de O Som ao Redor, João, trabalha para uma agência imobiliária e nessa capacidade mostra apartamentos a potenciais clientes.

Há aqui um paralelo fácil. Tsai Ming-liang, assim como Hou Hsiao-hsien, reportam de modo inexcedível os desajustes e o vazio que uma rápida urbanização ou ascensão social podem causar. Há um plano em que se mostra uma secção da cidade que ainda não foi absorvida pela construção moderna. Se há uma monotonia instalada desde o início deste filme é também porque o Recife não é uma grande cidade (e muito pequena em termos asiáticos), mas apenas uma cidade de província com muitos edifícios altos. Trata-se, repita-se, de um urbanismo incómodo. Cada bloco de apartamentos, ou cada casa, parece instituir-se como receptáculo de incómodos ou desconfianças, nunca como lugar de conforto ou entendimento. Os olhares que de uns para outros se trocam são sempre hostis, uma hostilidade a que se junta a fealdade dos interiores e a agressividade subtil dos seus ocupantes. Este desconforto sacana é muito visível na vinheta que trata da reunião de condóminos do prédio onde João habita. Há muito tempo que não via um filme com tantas grades e seria fácil mostrar como este é uma história de prisões. Talvez a maior prisão, e a maior qualidade deste filme desconfortável, seja o modo como ele nos obriga a uma cruel desvinculação em relação ao destino das suas figuras. Desde o seu início, muito antes da definição das suas linhas narrativas prin-

cipais, este filme obriga-nos a tomar uma posição hostil. Este é um filme para arquitectos. Raramente um bloco de apartamentos, uma rua, um bairro ou uma vivenda (ver igualmente o modo labiríntico como por vezes a eles se ganha acesso) mostra uma tal intensidade na construção de uma indisposição. O resto parece vir por acrescento. A história tende a mostrar hábitos e mecânicas autoritários rurais que se estendem à cidade mas que nesta perdem a força da terra (um velho, Francisco, é o proprietário de mais de metade dos imóveis da rua e continuador de costumes de maioral de engenho, um engenho que Kleber Mendonça também filma, semi abandonado a um tempo que só persiste, agora, doente e meio paralisado, na cidade). Mas o verdadeiro protagonista desta história de desintegração é o cimento e é na sua exposição que reside a beleza brutalista e a sedução maior de O Som ao Redor. Que se não passe numa grande cidade, como o Rio de Janeiro ou São Paulo, expõe mais intensamente a fragilidade, a fealdade e a malaise deste bairro de uma cidade bonita situada junto ao mar. Não podemos deixar de pensar que quem assiste a este filme, no Brasil, sai da sala de cinema com a impressão esmagadora de que entra de novo no filme e de que o medo está por todo o lado, mesmo que este não seja facilmente identificável.


artes, letras e ideias 15

hoje macau terça-feira 26.11.2013

Michel Reis

A

cena musical da região vizinha de Hong Kong não deixa, cada vez mais, de surpreender. O extraordinário Herbie Hancock Quartet deu, na semana passada, um fabuloso concerto, praticamente lotado (e com a duração extraordinária de quase 3 horas!), no Academic Community Hall da Universidade Baptista de Hong Kong, integrado na Jazz World Live Series 2013 (www.jazzworldliveseries.com), que se estende ao longo de todo o ano. Do quarteto fazem parte, para além do lendário músico, o guitarrista Lionel Loueke, o baixista James Genus e o baterista Vinnie Colaiuta. O pianista e compositor norte-americano Herbie Hancock, nascido em Chicago em 1940, é um verdadeiro ícone da música moderna e será sempre uma das mais veneradas e controversas figuras do Jazz. Com uma fecunda carreira que se estende já por cinco décadas e 14 Grammys, Hancock continua a surpreender os públicos em todo o mundo. Uma criança prodígio do piano que tocou um concerto de Mozart com a Sinfónica de Chicago aos 11 anos de idade, começou a tocar Jazz no liceu, inicialmente influenciado por Oscar Peterson e Bill Evans. Em 1960, foi descoberto pelo trompetista Donald Byrd. Após dois anos de estudo com Byrd, assinou um contrato como solista com a editora Blue Note. O seu álbum de estreia, “Takin Off”, publicado em 1963, foi um sucesso imediato, produzindo o famoso êxito “Watermelon Man”. Tocou ao lado de grandes músicos, destacando-se a sua colaboração com Miles Davis com início em 1963, num quinteto que se tornou antológico na história do Jazz. Ao contrário de Davis, cujo trajecto influenciou grandemente, Hancock tem trilhado um caminho aos ziguezagues, viajando através de quase todos os desenvolvimentos no Jazz e no R&B electrónico e acústico no último terço do séc. XX e séc. XXI adentro. Embora ligado a Bill Evans e capaz de absorver os blues, o funk, o gospel e mesmo influências clássicas modernas, o piano e as vozes de teclas de Hancock são inteiramente suas, com a sua própria harmonia urbana e assinaturas rítmicas complexas e terra-a-terra. Tendo estudado engenharia e professando adorar engenhocas e botões, Hancock estava perfeitamente preparado para a era electrónica; foi um dos primeiros campeões do piano eléctrico Fender Rhodes, do clavinete Hohner e iria reunir uma colecção sempre crescente de sintetizadores e computadores nos seus dates eléctricos, como o pedal wah-wah

HERBIE HANCOCK: UMA LENDA VIVA e uma câmara de eco (um Echoplex). Harold Rhodes, pai do piano eléctrico, ao noticiar essas estranhas e até então originais conexões, providencia para que esses conectores constem em todos os novos modelos deste piano. No entanto, a sua paixão pelo grand piano nunca se desvaneceu e, apesar das suas actividades peripatéticas a toda a volta do mapa musical, o seu estilo pianístico continuou a evoluir para formas cada vez mais complexas. Nesse período, a carreira a solo de Hancock floresceu na Blue Note, produzindo composições cada vez mais sofisticadas como “Maiden Voyage”, “Cantaloupe Island”, “Goodbye to Childhood” e “Speak Like a Child”. Compôs também a inovadora banda Sonora do filme “Blow Up” de Michelangelo Antonioni, que levou gradualmente a outras realizações no cinema. Uma década mais tarde, emergindo do universo de Miles Davis, Herbie Hancock constituiu um agrupamento, The Headhunters, com maiores aproximações à tradição popular afro-ame-

ricana, de uma sonoridade bem mais acessível ao grande público e de grande sucesso. No álbum de título homónimo ao deste grupo, “Head Hunters” (1973), Hancock alterna bem sucedidas experimentações pelo eletrofunk com pitadas daquele espírito do quinteto de Miles. O single “Chameleon” tornou-se o primeiro álbum de Jazz a alcançar o Disco de Platina. Herbie manteve-se fiel ao seu amor pelo Jazz acústico nos anos 70, gravando e actuando com os V.S.O.P. (reunindo-se com os seus colegas do Quinteto Miles Davies) e em dueto com Chick Korea e Oscar Peterson. Gravou, em 1978, com Chick Corea um dos mais belos e surreais trabalhos de dupla ao piano: “An Evening with Herbie Hancock & Chick Corea: In Concert.” Hancock prosseguiu os seus caminhos “camaelónicos” nos anos 80, alcançando um êxito na MTV em 1983 com o single proto-industrial “Rockit”, e lançando uma entusiasmante parceria com o virtuoso de kora gambiano Foday Musa Suso, que culminou no álbum

de Jazz ao vivo “Jazz Africa”. Fez ainda várias digressões com os irmãos Marsalis, George Benson, Michael Becker e muitos outros. Em 1983, um novo puxão para o lado alternativo levou-o a uma série de colaborações com Bill Laswell. A primeira, da qual resultou o single “Future Shock”, voltou a alcançar Platina e o single “Rockit” agitou as tabelas de dança e R&B, ganhando um Grammy para melhor Instrumental de R&B. Herbie ganhou um Óscar da Academia em 1986 pela banda sonora do filme “Round Midnight”, no qual também participou como actor. A curiosidade, versatilidade e capacidade para o crescimento de Hancock não mostrou sinais de declínio e, em 1998, lançou “Gershwin’s World”. A sua curiosidade pela fusão da música electrónica e do Jazz prosseguiu com “Future 2 Future”, lançado em 2001, mas continuou a explorar o futuro do Jazz contemporâneo com “Possibilities” (2005), que junta Herbie a muitos artistas populares, tais como Sting, Annie Lennox, John Mayer, Christina Aguilera, Paul Simon, Carlos Santana, Joss Stone e Damien Rice. Em 2007, Hancock grava e lança “River: The Joni Letters”, uma homenagem à amiga e colaboradora de longa data Joni Mitchell. O álbum recebeu três Grammys, incluindo o de Álbum do Ano, fazendo de Hancock um dos poucos músicos de Jazz a alguma vez alcançar tal distinção. Em 2010 o músico lançou o CD “The Imagine Project”, gravado em sete países e incluindo uma panóplia de colaboradores como Dave Matthews, Anoushka Shankar, Jeff Beck, the Chieftains, John Legend, India.Arie, Seal, P!nk, Juanes, Derek Trucks, Susan Tedeschi, Chaka Khan, K’NAAN, Wayne Shorter, James Morrison, e Lisa Hannigan. Este álbum vence dois Grammys em 2011, para a melhor colaboração Pop e Melhor Solo de Jazz Improvisado. Herbie Hancock foi também nomeado Creative Chair da New Los Angeles Philharmonic. Na quinta década da sua vida profissional, Herbie Hancock permanece onde sempre esteve: na vanguarda da cultura, da tecnologia, dos negócios e da música mundial. Como disse o imortal Miles Davis na sua autobiografia, “Herbie foi o passo a seguir a Bud Powell e Thelonious Monk e eu não ouvi ninguém ainda que se seguisse.”


16

DESPORTO

XADREZ MAGNUS CARLSEN É O NOVO CAMPEÃO DO MUNDO

O fim de uma Era JOÃO VALLE ROXO info@hojemacau.com.mo

F

OI com relativa facilidade que o norueguês Magnus Carlsen se sagrou como o novo campeão mundial de xadrez, o 16.º da história, batendo o campeão mundial em título desde o ano 2000, o indiano Visvanathan Anand, em Chennai, cidade-natal deste último, pelo resultado de 6,5-3,5 em 10 partidas, sem necessidade, portanto, de chegarem a ser disputadas as 12 partidas do “match”. Finda a partida e realizada a conferência de imprensa, os familiares e amigos de Carlsen celebraram atirando-o completamente vestido para a piscina, em grande estilo. Na partida 9, assistimos a um verdadeiro drama, de cortar a respiração, tendo mesmo havido quem não conseguisse conter as lágrimas. Como não podia deixar de ser, Anand, conduziu as peças brancas e arriscou tudo, abrindo pela primeira vez com o peão de Rainha em vez do peão de Rei duas casas em frente (“d4” em vez de “e4”) e entrando numa variante do Ataque Saemisch contra uma variante da Defesa Nimzovitch, em que normalmente não há meios termos: ou se ganha, ou se perde. O resultado foi um dos jogos mais excitantes dos últimos anos, onde Anand lançou uma avalanche de peões contra o Rei adversário, desprotegendo o seu próprio Rei, gerando-se uma partida aguda, com probabilidades para ambos os lados, “à double tranchant”, como dizem os franceses, perseguindo apenas o xeque-mate. Da parte de Carlsen, mais uma vez um jogo que ninguém esperava: mandam os canônes que contra um ataque no flanco de Rei, se deve contra-atacar no flanco de dama, mas sempre sem ceder o centro do tabuleiro. Pois bem, Carlsen ficou friamente à espera do ataque de Anand no flanco de Rei e cedeu por completo o centro, mas ficou com o peão “c” a três casas de ser promovido a Rainha, no seu flanco de Dama. O problema é que Anand tinha todo o seu arsenal,

hoje macau terça-feira 26.11.2013

a partir dali, meio ponto bastaria para Carlsen conquistar o título de campeão do mundo e na próxima partida ia jogar de brancas. Foi isso mesmo o que veio a acontecer e, com esse resultado, surgiu a conquista do título de campeão do mundo por parte de Carlsen.

UMA NOVA ERA NO XADREZ

peças e peões à volta do Rei negro, em busca do mate. Se Carlsen conseguisse conter este ataque – no que nenhum dos comentadores ao vivo acreditava possível, mas não ousava garanti-lo, tratando-se de quem era o defensor – ganharia o jogo porque depois de “secado” o ataque de Anand e tendo este todas as suas peças no flanco de Rei, impossível seria transpô-las a tempo, fazendo marcha-atrás para o flanco de Dama, impedindo a coroação do tal peão ”c”, que estava a três casas da promoção, como se disse. Anand tinha que ir obrigando Carlsen a

concentrar-se na defesa, sem lhe dar tempo para pôr aquele peão em marcha, até chegar ao mate. Carlsen, com precisão matemática ia realizando lances únicos de defesa. O resultado era completamente incerto e a posição rica e complexa. Infelizmente, ao lance número 28, o campeão do mundo cometeu mais um erro fatal que permitiu a Carlsen cortar, numa só jogada, todo o ataque de Anand. Este, abandonou a partida logo no lance seguinte. Foi pena porque estava a ser uma das mais interessantes batalhas recentes entre xadrezistas de topo e foi pena porque,

Avizinha-se uma nova era no xadrez, com um campeão jovem, que provavelmente, salvo algum imprevisto, vai perdurar por longos anos enquanto detentor do título. Avizinha-se uma nova era no xadrez, onde a própria abordagem ao jogo vai provavelmente sofrer transformações que o vão tornar mais ciência e menos arte, mais desporto também, com uma provável expansão da modalidade no mundo e de todos os negócios em seu redor. No fim, se esta transformação se concretizar, temo que a vertente romântica e artística do xadrez seja aquela que declinará. Grandes combinações, sacrifícios de peças, virão a ser, talvez, uma raridade. Transmissões televisivas, consequente construção de figuras e dramas, bem cozinhados e com a indispensável dose de drama, ainda que não genuíno, serão importados de outros desportos porque sem isso, não há televisão. Ainda agora terminou o campeonato do mundo e já se fala em ligar os jogadores a máquinas que medem as pulsações, outras máquinas aos cérebros para os impulsos eléctricos, tudo ao vivo e na televisão. Parece que Magnus não discordou desta ideia. Ao novo campeão, os “media” até já lhe colaram uma nova alcunha, infeliz para qualquer xadrezista de bom gosto e espero que entre eles se inclua Carlsen: “O Justin Beiber do xadrez.” Curioso – ou sintomático dos nossos tempos - como até há poucos dias, antes de Carlsen ganhar este título mundial, ele era conhecido pelo “Mozart do xadrez”; agora passou a ser o Justin Beiber. Diz-se também que o novo milionário já fala em ir residir para o Mónaco ou outro sítio semelhante, por causa dos elevados impostos que tem que pagar na Noruega. Em suma, neste momento há uma ”febre” por Magnus, jovem, com bom aspecto, campeão mundial de xadrez. Para bem dele e do xadrez, que a comercialização que está a ser intentada pelos suspeitos do costume não

AS REACÇÕES PELO MUNDO Mas o momento é de comemoração, a sério. Anand não foi um campeão muito activo na promoção do xadrez, que se debate, como sempre, com problemas orçamentais para poder crescer. Espera-se que Carlsen tenha um papel mais activo durante o seu reinado e que, consciente da sua enorme responsabilidade, contribua grandemente para uma refundação da própria Federação Internacional de Xadrez, trazendo uma maior justiça para a forma como importantes eventos xadrezistas são delineados e distribuídos, a par dum forte incremento da sua prática por todo o mundo, mais patrocinadores e maior cobertura audiovisual. A expectativa em torno de Carlsen é grande e é positiva. Além do mais, é uma pessoa aparentemente de princípios, completamente normal na sua vida fora do xadrez, tanto que vai, segundo ele, finalmente ter tempo para arranjar uma namorada, de preferência que não fale nem saiba nada de xadrez. Daí que a sensação geral é a de alegria e excitação pelo novo campeão do mundo. Até os indianos, desportivamente, se renderam ao seu talento. Eis alguns dos títulos de imprensa pelo mundo fora: • Há esperança no mundo do xadrez que com Carlsen enquanto porta-estandarte, o xadrez recupere a popularidade que tinha ganho com Bobby Fisher NEW YORK TIMES (EUA) • Kasparov dá os parabéns a Carlsen e Noruega festeja orgulho nacional NPR (RÚSSIA) • O Justin Beiber do xadrez conquista o título mundial sendo um dos mais jovens campeões de sempre – e provavelmente o mais “cool” DER SPIEGEL (ALEMANHA) • Magnus Carlsen é o novo campeão mundial de xadrez. É o fim duma geração LE MONDE (FRANÇA) • Hoje começa o reinado de Magnus Carlsen, a quem muitos vêem capaz de superar os épicos feitos de Garry Kasparov EL PAIS (ESPANHA) • Carlsen é o jogador completo. Não obstante, é novo, “cool” e atraente, e o mundo do xadrez espera que ele cative os jovens a praticarem xadrez BBC (INGLATERRA) • O Jogo de Carlsen, depois de submetido aos computadores, não mostrou nenhuma fraqueza CORRIERE DELLA SERA (ITÁLIA) • “Comida chinesa e um mocktail: primeiro jantar do novo Rei do xadrez” HINDUSTAN TIMES (ÍNDIA) • “O xadrez tem um novo – e giro – campeão” PEOPLES MAGAZINE (EUA)

se concretize senão até ao mínimo indispensável e que se consiga aproveitar o que vão trazer de positivo, especialmente quanto à divulgação do xadrez, sem destruir a identidade desta suprema arte. Será talvez o maior combate de Caissa (Deusa do xadrez) mas, no fim, ela vencerá. Mesmo sendo contra os suspeitos do costume, que, não sei porquê, como nunca

têm cara mas são implacáveis devoradores, sem qualquer rebate de consciência, me fizeram lembrar um quadro de Victor Safonkin, “Inhuman Rearing”, que pode traduzir-se por qualquer coisa como “Criação Inumana”, que vem aqui reproduzido. Ainda voltaremos ao campeonato do mundo, para analisar as melhores partidas. Até breve.


FUTILIDADES

hoje macau terça-feira 26.11.2013

TEMPO

POUCO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

15

MAX

21

HUM

45-80%

LIBRARY WARS [C]

(FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Shinsuke Sato Com: Junichi Okada, Fukushi Sota, Eikura Nana 14.30, 19.15 SALA 3

Um filme de: Gavin Hood Com: Hailee Steinfeld, Ben Kingsley, Viola Davis, Abigail Breslin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Kees van Oostrum Com: Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey, Lin Shaye 16.45, 21.30

ENDER’S GAME [B]

10.7

BAHT

0.2

YUAN

1.3

Pu Yi

Pobres de conhecimento

INSIDIOUS CHAPTER 2 [C]

Os trabalhadores locais têm medo da concorrência dos trabalhadores não-residentes. Contudo, penso que a culpa desse medo não é exclusiva de quem cá mora. Então será de quem? Do Governo? Talvez. Quem executa uma má política não pode fugir às suas responsabilidades. Seja como for, temos de recuar um pouco no tempo. Antigamente, Macau tinha muito emigrantes ilegais, pessoas com baixos níveis de educação e com capacidade para executar os trabalhos mais baixos da sociedade. Também são precisos, é certo. Lembro-me até de Chan Meng Kam que chegou ao território de mãos a abanar e chegou onde chegou. Contudo, numa outra fase, alguns desses emigrantes e muitos locais também, por motivos de políticas de má economia, acabaram por deixar Macau e voaram até Taiwan ou Singapura, onde, efectivamente, conseguiram mais oportunidades de emprego. Quem consegue singrar e ter sucesso pode

Dieta do algodão com sumo de laranja causa preocupação • Após Bria Murphy, modelo de 23 anos que é filha do actor Eddie Murphy, ter dito em entrevista ter visto modelos a alimentarem-se apenas de algodão molhado com sumo de laranja, esta bizarra dieta acabou por se espalhar pela web. O objectivo é sentir-se saciado(a) sem ganhar peso. Descrita em detalhes em sites populares como o YouTube, a dieta está a causar grande preocupação entre especialistas, que a classificam como “muito perigosa”. O risco maior é para as mulheres que estão a ingerir algodão sintético, feito de fibras de poliéster descoloridas que contêm muitos produtos químicos. “A sua roupa é feita de poliéster. Então, comer chumaços de algodão sintético é como colocar uma camisa em sumo de laranja e come-la. Nada se aproveita disso, absolutamente nada”, disse Brandi Koskie, editor do site “Diets in Review” à ABC News.

Seios envelhecem mais depressa que o resto do corpo • Poderia ser qualquer outra parte, tipo o dedo do pé. Mas não é. Quem envelhece mais rapidamente mesmo são os seios. Em média, eles têm de dois a três anos a mais do que qualquer outro órgão. Quem descobriu foi o professor Steve Horvath, da Universidade da Califórnia. Para determinar a idade de cada parte do corpo, ele analisou quase oito mil amostras de padrões de metilação (processo natural que altera o material genético ao longo dos anos) em 51 tipos de tecidos e células. Ele, então, conseguiu desvendar 353 marcadores de idade do organismo. Com o relógio biológico em mãos, ele descobriu que cada parte do corpo envelhece a uma velocidade diferente. E os seios são os mais rápidos – de dois a três anos mais velhos que o resto do corpo. E quando há a presença de tumores nas mamas, o envelhecimento é ainda mais rápido: o tecido em volta do tumor fica até 12 anos mais velho que o resto.

EURO

POR MIM FALO

SALA 2

SALA 1

17

UMA DAS MAIS SEXYS DO MUNDO A modelo britânica Tanya Robinson é um dos rostos mais mediáticos por terras inglesas. Depois de uma produção na revista FHM, a carreira de Robinson sofreu uma meteórica evolução que a colocou em diversas ocasiões numa lista das 100 mulheres mais sexys do Mundo. Desde então, passando pela apresentação de programas na Sky One até à gravação de algumas produções cinematográficas, Tanya ganhou um mediatismo que despertou a atenção de Steven Taylor, defesa-central do Newcastle. E a nossa também...

fonte da inveja

João Corvo

Só certas mulheres, em certos momentos, nos fazem acreditar

que existe na humanidade uma centelha de divino.

almejar, até, ser rico ou ganhar uma posição de relevo na sociedade. Os que ganham menos e passam despercebidos trabalham na construção civil, são motoristas ou mesmo croupiers. São os trabalhos mais básicos que a sociedade de Macau tem para oferecer, em minha opinião. Seja como for, os dados são como o algodão, não enganam. A maioria dos residentes de Macau não tem tempo para se educar. Só querem trabalhar, trabalhar, trabalhar. Se calhar, não há literacia em muitos dos lares da RAEM. Para muitos isso ainda representa um projecto de luxo. Existem muito que nem ler sabem. Mas apostar na educação nunca poderá ser considerada uma aposta de luxo. É uma aposta obrigatória e deveria estar disponível para todos. Na verdade, uma terra tão rica, que apenas pensa em materialidade, pode ser muito rica na sua economia e nas suas reservas de dinheiro, contudo, muito pobre no seu conhecimento.

MACAU[SÃ]ASSADO O TEMPO PASSA E TUDO NA MESMA

Foto: Facebook

• Numa cidade como Macau, onde tudo podia ser do bom e do melhor, as iluminações natalícias são colocadas recorrendo a um escadote de madeira. Mas há alguma consideração pela segurança do trabalhador? Não uns tostões para comprar um pequeno camião grua que possa ir ajudando quem quer trabalhar sem ter medo de perder a vida? Irra, é preciso dizer tudo...


18

OPINIÃO

hoje macau terça-feira 26.11.2013

FERNANDO VINHAIS GUEDES

desporto e não só

Manuel Sérgio – o mestre

Quando defende que o desporto, seja ele qual for, é uma área das ciências humanas, por de humanos se tratar, o professor põe fim ao reinado do conceito envelhecido de Descartes, que divide o ser humano em duas metades: uma o corpo, a outra o espírito

P

ROFESSOR catedrático da Faculdade de Motricidade Humana, aposentado desde há mais de uma década, continua activo, publicando livros, orientando candidatos a mestres e doutores nas suas teses, tendo ainda tempo para escrever artigos em revistas e jornais, no nosso país e no estrangeiro. Manuel Sérgio é hoje uma figura incontornável e respeitada internacionalmente e o seu pensamento sobre a filosofia do desporto ganha cada vez mais a admiração, e o interesse nos círculos académicos e – o que também é notável – na classe dos treinadores de futebol e de outras modalidades, que foram avessos durante décadas a mudanças de conceitos e, consequentemente, a novos métodos de trabalho. Quando defende que o desporto, seja ele qual for, é uma área das ciências humanas, por de humanos se tratar, o professor põe fim ao reinado do conceito envelhecido de Descartes, que divide o ser humano em duas metades: uma o corpo, a outra o espírito. Por que trago hoje aqui o homem, o filósofo, professor e escritor Manuel Sérgio? Porque quero partilhar convosco alguns pedaços do seu pensamento sobre o desporto, um fenómeno social e humano, de grande magia no mundo contemporâneo. Utilizando uma linguagem límpida

cartoon por Stephff

e consistente, escreveu um texto com o título “O desporto em que eu acredito”. Nele expõe o seu pensamento de forma clara e assertiva, dizendo: “O desporto em que acredito não é mera educação física,

entendida como educação de físicos, mas motricidade humana, ou seja, movimento intencional da pessoa visando, em grupo (em equipa) a transcendência (ou superação) – não sou por isso contra o espectáculo

O VENCEDOR

desportivo, mas só acredito nele quando, numa sociedade, a um campeão do desporto corresponder um campeão das artes, das letras e da tecnociência. Por isso, rejeito e condeno o espectáculo desportivo de todas as ditaduras (incluindo a ditadura do lucro, ou de um economicismo sem freios), que serve, única e exclusivamente, para adormecer as pessoas à custa da sociedade injusta estabelecida. O desporto em que eu acredito decorre naturalmente dos Direitos Humanos”. Para Manuel Sérgio “o desporto só dá saúde numa sociedade onde tudo seja para todos. A um praticante com fome o desporto faz mal à saúde. A um praticante sem formação moral, o desporto pode transformar-se num espaço de violência e de corrupção. É preciso fundamentar a promoção do desporto na construção de uma democracia económica, social, cultural e participativa.” Mais à frente e no mesmo artigo, sublinha no que acredita: “Um desporto que pretende ser educação, lazer, saúde, reabilitação, alto rendimento, com função social e política. Os regimes fundamentalistas, autocráticos e uma sociedade saturada dos mais instantes objectivos do economicismo não trabalham em prol do desporto, mas servem-se dele como mais um meio poderoso de alienação e exploração do povo. Quando na boca dos marginais (não há marginais, há marginalizados pela sociedade injusta), os resultados desportivos, designadamente os do futebol, parecem mais importantes do que a miséria (material e moral) e a injustiça social, é evidente que o desporto nesses regimes têm uma função de esconder aos olhos dos pobres o caminho da liberdade e da solidariedade”, escreve Manuel Sérgio. Para o professor, “vale mais uma lágrima humana do que todos os campeonatos do mundo”. Manuel Sérgio consegue, com pouco mais de duas dúzias de linhas, transmitir ao leitor o que muitos não alcançam com a escrita de um livro, tamanha é clarividência do seu pensamento. Com este pedaço de escrita, Manuel Sérgio torna transparentes as conexões entre o desporto e a sociedade donde ele emana, sejam elas de índole política, social, económica, comercial ou ideológica. Sendo um humanista praticante, para Manuel Sérgio o desporto, seja de que tipo for, só tem verdadeira dimensão se servir o ser humano e não ao contrário.


opinião 19

hoje macau terça-feira 26.11.2013

AGNES LAM

observatório cívico

O

S prisioneiros que não estejam satisfeitos com a qualidade do alojamento da prisão podem melhorá-la apenas na condição de pagarem 82 dólares por noite. Isto é exactamente bom ou mau? Esta foi uma pergunta levantada por Michael Sandel, professor da filosofia política da Universidade de Harvard, nos EUA, durante um discurso. E, na verdade, o exemplo por ele citado, existe. Trata-se de um caso actualmente em vigor em Santa Barbara, Califórnia. Neste mesmo discurso, Sandel ainda citou muitos casos, como, por exemplo, aqueles visitantes de um parque que não queiram estar na fila podem comprar um bilhete de VIP, na expectativa de o público ponderar qual seria o impacto profundo sobre a sociedade e sobre a vida normal dos cidadãos resultante da aplicação excessiva do sistema de mercado ou do sistema de dinheiro. Lembrei-me deste discurso por causa da recente controvérsia sobre os preços dos imóveis em Macau, os quais parecem ter atingido um nível mais profundo. Alguns agentes imobiliários afirmaram, no Fórum da TDM, que os preços actuais dos imóveis em Macau não eram caros, comentário esse que vai contra a percepção da maioria das pessoas de Macau e só as leva a ter mais raiva contra estes especuladores imobiliários. No entanto, quando se comenta que uma coisa é cara ou não, apenas se reflecte, na melhor das hipóteses, os activos de um indivíduo e os valores pessoais que não importam. O que merece verdadeiramente o alerta social são as duas propostas para a política da habitação que foram apresentadas e discutidas em detalhe durante o programa de debate na televisão. Primeira proposta. Os agentes citaram a “regra de ouro” da economia. Sugeriram, assim, ao Governo que subsidiasse com 200 mil patacas cada requerente da habitação económica arrolado na lista para comprar o imóvel e, em seguida, eliminar o nome deste na lista de espera, ficando dispensado, desde então, o Governo de construir mais de casas para a habitação económica. Esta proposta, embora um pouco impensável, está, de facto, em conformidade com a eficiência da economia teórica, especialmente quando a qualidade das casas da habitação económica for objecto de críticas, como tem sido. No entanto, do mesmo ponto de vista da economia, e sendo a terra um recurso não renovável, tal política poderá causar, como consequência, a privatização de todas as terras eventualmente disponíveis para o desenvolvimento habitacional por parte dos

EDWARD HOPPER, A CASA JUNTO À ESTRADA DE FERRO

A casa não é uma peça de roupa

Perante a carência de terra, o Governo deve e tem toda a razão em restringir a compra de propriedades a cada pessoa. É como a alocação de alimentos durante uma guerra. É preciso racionalizar promotores, implicando a política futura da habitação do Governo tão só como a política do mercado imobiliário. Acresce que o Governo tenha que defender sempre um mercado livre e, na verdade, já tinha explicitamente dito que não iria proibir os estrangeiros de comprar imóveis em Macau.

Conforme o volume massivo de dinheiro que circula em Macau, tornar-se-ia, daqui a dez anos, quase impossível para os cidadãos da RAEM comprarem qualquer imóvel mesmo com um milhão de patacas a serem dadas pelo Governo. Segunda proposta. Os agentes imobi-

liários citaram os princípios da economia mercantil, dando como exemplo a possibilidade do Governo não impor mais taxa aos cidadãos. Este argumento trata a habitação como uma peça de roupa. A casa habitacional é como uma edição limitada de uma propriedade comercial valiosa. Perante a carência de terra, o Governo deve e tem toda a razão em restringir a compra de propriedades a cada pessoa. É como a alocação de alimentos durante uma guerra. É preciso racionalizar. A aplicação cega da política de habitação destes dois princípios da economia pura do capitalismo, o mercado e o dinheiro, acarreta uma incompatibilidade radicalmente errada.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau terça-feira 26.11.2013

BENFICA NÃO FECHA PORTAS A UMA VINDA A MACAU. QUEM O DIZ É JOSÉ EDUARDO MONIZ

“Qualquer colaboração seria bem-vinda” e tem a Champions League. São quatro competições que ocupam o calendário todo. Quase não deixa espaço a que nós possamos respirar, digamos assim, para encontrar espaço no calendário para efectuar uma digressão desse género”, sustenta A vinda da equipa profissional de futebol do Sport

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

O

Sport Lisboa e Benfica quer potenciar o nível de exposição dos conteúdos da Benfica TV e Macau pode ter uma palavra a dizer na divulgação da marca Benfica junto do mercado chinês. Quem o afirma é José Eduardo Moniz. O vice-presidente do clube encarnado esteve ontem reunido com Leung Kam Chun, presidente do Conselho de Administração da TDM e assegurou que uma eventual cooperação entre a Benfica TV e a estação de serviço público do território seria sempre bem-vinda: “Naturalmente que os conteúdos da Benfica TV, quanto maior for a exposição que eles tiverem, melhor para o Canal e melhor para aqueles que simpatizam com o Benfica e que amam o Benfica. Neste sentido eu diria que qualquer colaboração com a TDM seria, obviamente, bem-vinda”, assume o dirigente encarnado. José Eduardo Moniz está em Macau a título pessoal e o encontro que manteve com os responsáveis pela Teledi-

Lisboa e Benfica ao território esteve equacionada para o mês de Maio de 2011, mas a deslocação das águias a Macau acabou por não se concretizar. A possibilidade do plantel encarnado visitar o território foi anunciada por Luis Filipe Vieira em Junho de 2010, durante uma deslocação à RAEM.

BENFICA DE MACAU ANUNCIA PAULO BENTO

fusão de Macau serviu sobretudo para dar a conhecer o novo projecto profissional em que está envolvido. O antigo director geral da TVI é o sócio gerente da JEM Media Consultancy,

China Número de utilizadores de telefone móvel cresce 100 milhões

Segundo as estatísticas divulgadas pelo Ministério da Indústria e Informatização da China, o número de utilizadores de telefone móvel do país aumentou 100 milhões nos primeiros dez meses deste ano. O total superou os 1,2 mil milhão, uma percentagem de 81,9% do número de utilizadores de telefone. Até à data, cerca de 379 milhões de chineses são assinantes do serviço de telemóvel 3G, 46,3% dos quais utilizam aparelhos de padrão TD-SCDMA.

Navio-hospital chinês chega às Filipinas

O navio-hospital da marinha chinesa “Arca da Paz” chegou na tarde do último domingo ao Golfo de Leyte, nas Filipinas, iniciando os trabalhos de assistência médica nas zonas atingidas pelo tufão. Após a chegada às Filipinas, os profissionais médicos a bordo do navio foram de emergência a Tacloban, capital da província de Leyte, a região mais afectada pela calamidade. Devido à falta de recursos médicos, há apenas um hospital público nesta cidade. Além do naviohospital, a China também enviou às Filipinas uma equipe médica para coordenar as acções de resgate.

uma sociedade que presta serviços de consultoria na área dos media e dos conteúdos audiovisuais: “Vim aqui na qualidade de sócio-gerente de uma empresa que fundei e que se chama JEM Media Consultancy. É uma empresa que, como o próprio nome indica, dá consultoria a entidades relacionadas com o mundo dos media, nomeadamente na televisão. É neste sentido que estou activo no mercado português neste momento, embora a empresa tenha já trabalhado também com entidades brasileiras”, explica José Eduardo Moniz. Apesar de não ter visitado o território a título de dirigente do Sport Lisboa e Benfica, o vice-presidente encarnado não se furtou a comentar o desempenho do clube da Luz na recta inicial da temporada. José Eduardo Moniz reconhece que o nível exibicional da equipa não tem sido tão bom como os resultados, mas garantiu que o Benfica deposita grandes expectativas na conquista das competições em que está envolvido. O dirigente encarnado e antigo director geral da TVI lembra que a águia mantém-se activa em quatro frentes e não fecha a

Os conteúdos da Benfica TV, quanto maior for a exposição que eles tiverem, melhor para o Canal e melhor para aqueles que simpatizam com o Benfica. (...) Qualquer colaboração com a TDM seria, obviamente, bem-vinda JOSÉ EDUARDO MONIZ

porta a uma eventual vinda a Macau do plantel orientado por Jorge Jesus: “O Benfica estará pronto para vir cá assim que se criem as condições de tempo para que uma deslocação deste tipo se possa materializar. O ponto é que o Benfica está envolvido neste momento em muitas competições – tem a Liga Portuguesa, tem a Taça de Portugal, tem a Taça da Liga

Os rumores confirmaram-se e Paulo Bento será mesmo o técnico da Casa do Sport Lisboa e Benfica em Macau para a próxima temporada. O anúncio foi ontem feito pela direcção das águias do território na rede social Facebook e confirmada por Fernando Silva aos microfones da Rádio Macau, no âmbito do programa “Bola ao Centro”. O director desportivo dos vice-campeões do território justificou a escolha do técnico português com a experiência de Paulo Bento. O técnico, de 49 anos, tem no currículo duas passagens por Macau, ambas ao serviço do Clube Desportivo Monte Carlo: “Optámos pelo Paulo Bento porque é um treinador que encaixa bem no projecto do Benfica e no tipo de futebol praticado pela nossa equipa. É um treinador que conhece bem o futebol de Macau e que tem uma filosofia de jogo que nos agrada. O nosso objectivo é fazer melhor do que no ano passado e como tal só no fim da época vamos saber se a aposta em Paulo Bento foi ou não uma boa aposta”, sustenta Fernando Silva. O contrato assinado pelo técnico português é válido até ao final da temporada de futebol de onze e Paulo Bento terá ao seu lado no banco Daniel Melo, um dos jogadores que vestiu por mais vezes a braçadeira de capitão do Benfica ao longo das últimas temporadas.

PUB


Hoje Macau 26 NOV 2013 #2982