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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

URBANISMO

Pouca terra, pouca terra PÁGINA 9

MOP$10

hojemacau HONG KONG POLÍTICOS CRITICAM PROIBIÇÕES DE ENTRADA EM MACAU

A idade do zelo

TUFÃO | NOVO MACAU

O deputado Kenneth Chan e o fundador do Partido Democrático de Hong Kong, Martin Lee, dizem não entender as razões que levaram as autoridades de Macau a impedir a entrada de activistas, deputados e jornalistas da região vizinha. Acusam o Governo de ter uma atitude exagerada.

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h ANTÓNIO CABRITA

MARK SCHIEFELBEIN/AP

A raiz do problema

ANÁLISE | ECONOMIA CHINESA

Efeitos colaterais GRANDE PLANO

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ORDEM E DESORDEM

QUINTA-FEIRA 26 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3923


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26.10.2017 quinta-feira

ANÁLISE

BOMBA RELOGIO ECONOMICA FUTURA CRISE CHINESA PODE TER CONSEQUÊNCIAS SEVERAS PARA MACAU

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Apesar das taxas de crescimento e do índice de confiança dos consumidores, a China enfrentará no futuro consequências de problemas económicos endémicos que necessitam de reforma. Opacidade do sistema bancário, dívida galopante, taxa de desemprego manipulada podem empurrar o gigante chinês para uma depressão que arrastará Macau se nada for feito

À

medida que a China se prepara para reformular o seu tecido económico, não se baseando exclusivamente nas exportações, mas optando pela tradicional via da economia sustentada no consumo interno, alguns fantasmas começam a surgir no horizonte. Uma das prioridades de Xi Jinping é a preparação para um abrandamento do crescimento do produto interno bruto (pib) chinês. Outra das grandes políticas das próximas décadas é a criação de uma rede de segurança social que proteja os mais velhos, principalmente tendo em conta o envelhecimento populacional e a diminuição da força produtiva com menos pessoas a trabalhar.

Além disso, existe uma grande opacidade a vários níveis económicos que podem esconder autênticas armadilhas futuras e consequentemente desencadear uma diminuição do consumo interno dos chineses. Ora, estas podem ser más notícias para a saúde financeira e social de Macau devido à óbvia dependência e exposição ao que se passa na China, principalmente ao nível das receitas apuradas pelo sector do jogo e turismo os dois pilares económicos locais. Para já, a segunda maior economia mundial encontra-se de boa saúde, com indicadores que continuam a desafiar expectativas. Mas até que ponto este crescimento é sustentado?

Albano Martins entende que “a China tem o problema de ter crescido mas não se ter desenvolvido, isto porque o desenvolvimento não implica apenas a componente económica mas também social, cultural, assim como uma série de componentes que são difíceis de medir no espaço chinês”. A opacidade do sector bancário, os números do desemprego que não contabilizam as áreas rurais, o crédito malparado que é um incógnita e a falta de uma rede de segurança social que proteja os mais velhos são alguns dos problemas apontados pelo economista. Se juntarmos a isto uma gigantesca bolha imobiliária, a nebulosa política cambial e uma possível futura queda do consumo interno, temos lenha suficiente para queimar Macau economicamente.

AGORA, OK LA

Para já, a economia chinesa está de boa saúde com o Partido Comunista Chinês a dar uma lição de capitalismo ao mundo financeiro. Ainda assim, o terceiro trimestre deste ano foi de ligeiro abrandamento do crescimento, como era esperado, à medida que Pequim tenta controlar o mercado imobiliário e a exposição à dívida. Em

O Fundo Monetário Internacional alertou Pequim para que tenha em atenção os métodos usados para fixar as taxas de crescimento económico com estímulos sustentados no aumento da dívida pública

relação ao período homólogo do ano passado, o terceiro trimestre de 2017 teve um crescimento de 6,8 por cento de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. O número ficou um pouco aquém do previsto pelo governador do Banco Popular da China que havia previsto que o PIB cresceria a uma taxa de 7 por cento na segunda metade deste ano. O abrandamento do crescimento tem sido algo previsto pelos analistas que explicam o fenómeno com o desaceleramento em investimentos imobiliários e construção à medida que cada vez mais cidades tentam limitar os preços do mercado. Outro factor é a campanha de Pequim para controlar empréstimos arriscados, aumentando os custos de acesso ao crédito. Ao mesmo tempo, aumentam as preocupações com o crescente

papel do Estado no crescimento económico, com o investimento público a ultrapassar o privado no passado mês de Setembro. Esta política motivou os alertas do Fundo Monetário Internacional para que Pequim tenha atenção aos métodos usados para fixar as taxas de crescimento económico com estímulos sustentados no aumento da dívida pública. No discurso de abertura do XIX Congresso do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping prometeu profundas reformas económicas e a abertura dos mercados ao investimento estrangeiro, alterando o paradigma do crescimento rápido para o crescimento de qualidade. Ao mesmo tempo, o secretário-geral expressou vontade de fortalecer as empresas estatais, o que parece enunciar mais investimento público.


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quinta-feira 26.10.2017

“Para não baixar os índices de crescimento o Estado chinês inunda a economia com fundos colossais que substituem a procura que privadamente não existiria, cria procura porque injecta dinheiro no mercado que depois volta a entrar no sistema”, explica Albano Martins.

IMPACTO DEMOGRÁFICO

Um dos factores que pode afectar o consumo interno chinês, assim como a economia de Macau, é o envelhecimento populacional sem a existência de uma rede de segurança social. Mesmo que o turismo e o jogo que alimentam o território não sejam suportados primordialmente por idosos, as faixas etárias mais novas terão custos acrescidos de impostos para fazer face à bomba demográfica que está armada. Seguindo uma tendência mundial,

“Macau está a chegar a um ponto em que se nada for feito as consequências podem ser severas. Provavelmente não será nos próximos anos, mas dentro de uma década poderá ser problemático.” NEWMAN LAM ACADÉMICO

“Nos anos 90 tivemos uma recessão de vários anos, na sequência do fecho de portas do sistema chinês à vinda de capitais para Macau, o que resultou na morte do imobiliário e que afectou bastante o segmento VIP do sector do jogo.” “Temos centenas de biliões arrecadados, esse dinheiro é para ser posto a funcionar em períodos difíceis.” ALBANO MARTINS ECONOMISTA

aliado ao aumento da esperança de vida a baixa da natalidade foi um dos resultados óbvios das políticas do filho único. O académico Newman Lam recorda que “no panorama global, o maior boom de natalidade ocorreu em 1957, o que significa que de 2023 em diante estaremos no pico da crise das reformas”. O docente da Universidade de Macau prevê que “a China ainda vai conseguir seguir a actual onda económica por mais quatro ou cinco anos depois

disso, até os problemas começarem a emergir”. Problemas esses que se estenderão a Macau. “A implicação é simples, quando se tem uma população envelhecida tem-se muito maior percentagem de reformados do que a população activa empregada, isso vai trazer um maior

fardo nas finanças públicas”, explica Newman Lam. O académico acrescenta que esta realidade pode levar “ao aumento significativo dos impostos o que traz um problema maior: o declínio de consumo interno”. O professor universitário entende que “Macau está a chegar a um ponto em que se nada for feito as consequências podem ser severas. Provavelmente não será nos próximos anos, mas dentro de uma década poderá ser problemático”.

Albano Martins afina pelo mesmo diapasão. “A experiência aqui ensina-me que quando a China tem problemas, Macau tem problemas. É quase imediato”, explica. O economista recorda que “nos anos 90 tivemos uma recessão de vários anos, na sequência do fecho de portas do sistema chinês à vinda de capitais para Macau, o que resultou na morte do imobiliário”. O mercado do jogo VIP também foi severamente afectado.

DAR A VOLTA

“A China precisa de reestruturar a sua economia e Macau tem de fazer

o mesmo, ou entramos em declínio”, comenta Newman Lam. O académico defende que o Governo deve dar passos firmes na reestruturação do sector do turismo para preparar um arrefecimento do consumo chinês, algo que tem vindo a ser projectado pelas autoridades. Um dos chavões mais ouvidos em Macau é o da diversificação económica, algo que terá de sair do plano abstracto se se quiser atacar uma crise vindoura. Nesse aspecto, as teorias económicas colocam o Governo num papel de fomentador da iniciativa privada que ficou debilitada pela falta de liquidez. Neste sentido, Albano Martins entende que caberá ao Governo intervir na economia criando procura e oferta e dinamizar o empreendedorismo chamando os agentes económicos a participarem na vida activa. Porém, o economista alerta que esta intervenção tem de ser feita de forma inteligente, saindo do paradigma de “uma economia que está totalmente nas mãos de um punhado de empresários próximos do poder”, ou seja, longe de “uma diversificação ilusória”. O economista acrescenta que estes “são períodos temporários em que o Governo tem de injectar dinheiro na economia, esse dinheiro não se vai perder”. Esta espécie de lei de Lavoisier económica só é possível devido aos cofres recheados que a RAEM tem. “Temos centenas de biliões arrecadados, esse dinheiro é para ser posto a funcionar em períodos difíceis”, comenta Albano Martins. Apesar de haver reservas suficientes para segurar a saúde da economia de Macau durante anos, estas injecções de capital devem ser feitas de forma racional, escapando às lógicas de compadrio entre o sector empresarial e o Governo. João Luz (com Andreia Sofia Silva) info@hojemacau.com.mo


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FRONTEIRA FIGURAS DE HONG KONG NÃO COMPREENDEM PROIBIÇÕES DE ENTRADA

Não havia necessidade Kenneth Chan, docente e deputado, e Martin Lee, fundador do Partido Democrático de Hong Kong, dizem não compreender as proibições de entrada em Macau a activistas, deputados e jornalistas. Isto porque, na China, nunca se verificou esta questão

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encontro entre Paul Pun, o secretário-geral da Cáritas Macau, e o Chefe do Executivo, Chui Sai On, para recolha de sugestões para as próximas Linhas deAcção Governativa (LAG), ficou marcado por sugestões que, além das habituais referências à melhoria dos apoios aos mais necessitados, focaram, desta vez, os problemas de trânsito locais. ”Desta vez sugeri a criação de um sistema de transporte idêntico aos táxis mas com o uso de motocicletas”, disse ao HM. A ideia é criar um sistema de moto

eu respondi que não precisava de fazer isso, posso viajar para lá de onde eu quiser. Isto significa que as autoridades podem recear que se faça algo de errado na China e que as culpas acabem por cair em Macau.”

“Se não querem que haja uma ligação, então cortem o acesso às notícias, proíbam todas as pessoas de entrar. Até onde iremos?” KENNETH CHAN DOCENTE E POLÍTICO

“E é também desnecessário, todos têm de assumir as suas responsabilidades em termos de comportamento e não temos quaisquer intenções de causar problemas em Macau”, frisou Kenneth Chan.

DO EXAGERO

autoridades foram alertadas para terem cuidado, para estarem atentas ao facto das pessoas de Hong Kong poderem causar alguns problemas. Eles perceberam a mensagem, mas a maneira como reagem é exagerada”, acrescentou.

Kenneth Chan recorda a conversa que teve com as autoridades para dizer que talvez Macau tenha receio de arcar com responsabilidades. “Estive uma hora na fronteira. A questão que me foi colocada foi se eu ia para a China via Macau. E

Martin Lee, fundador do Partido Democrático de Hong Kong e considerado o pai do movimento democrático na RAEHK, foi um dos oradores na conferência anual e não teve dúvidas em afirmar que “a maior parte das pessoas que foram proibidas de entrar em Macau podem entrar na China”. “Não compreendo porque é que o Governo de Macau tem vindo a exagerar nesta questão”, acrescentou ao HM.

Revolução em trânsito

SEM RADICALIZAÇÃO

Kenneth Chan garante que não há qualquer tentativa de mudar as mentalidades do campo pró-democracia de Macau, que já mostrou, aliás, estar afastado do movimento pró-independência de Hong Kong. “Em Macau acredita-se que nós iremos radicalizar o campo pró-democracia, em grupos ou mesmo individualmente. Mas, vá lá, deveriam ter um pouco mais de fé nas pessoas de Hong Kong (risos) e confiar nas suas próprias pessoas”, ironizou. O político e docente adiantou que barrar pessoas na fronteira não muda nada, porque, afinal de contas, a população de Macau continua a ter acesso aos jornais e canais de televisão da região vizinha. “Podem compreender o que estamos a fazer e o que defendemos. Se é essa a razão, se não querem que haja uma ligação, então cortem o acesso às notícias, proíbam todas as pessoas de entrar. Até onde iremos? O próximo passo seria Macau considerar que as notícias de Hong Kong são demasiado perigosas para serem lidas ou ouvidas. Isso seria o fim de Macau e da política ‘Um Pais, Dois Sistemas’”, concluiu Kenneth Chan. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

GCS

UITO antes das autoridades de Macau terem barrado dezenas de pessoas na fronteira em poucos meses, já Kenneth Chan tinha sido proibido de entrar no território. Professor associado da Universidade Baptista de Hong Kong, Kenneth Chan é presidente do Partido Cívico, além de deputado. Ao HM, disse não compreender a decisão das autoridades de Macau em barrar activistas, deputados ou mesmo jornalistas. “Claro que me senti muito infeliz e frustrado sobre a decisão”, contou à margem do ciclo anual de conferências promovido pela Associação de Ciência Política de Hong Kong. “Nunca fui proibido de entrar na China mas fui proibido de entrar em Macau, o que é muito interessante e também contraditório. O significado da política ‘Um País, Dois Sistemas’ é permitir que Macau e Hong Kong sejam territórios diferentes da China. São cidades irmãs, é mesmo desnecessário banirem pessoas como eu, activistas políticos ou mesmo jornalistas”, defendeu. Até agora o Governo da RAEM nunca confirmou a existência de uma lista negra de pessoas e nunca deu esclarecimentos claros sobre as proibições na fronteira. “Estamos perante uma mistura de questões relacionadas com Macau e o continente. As

Para Martin Lee, os dois territórios são diferentes, mas em ambos a democracia é importante. “Esta diferença é interessante. Muitas pessoas dizem em Hong Kong para não lutarmos contra Pequim pela democracia. Que quanto mais lutamos, menos temos, e se formos obedientes vão-nos dar mais coisas, e que há o exemplo de Macau. São bons rapazes, não causam transtornos ao Governo Central, mas será que merecem menos democracia do que nós? A resposta é não. Se queremos democracia temos de lutar, fazer sacrifícios e ir para a prisão se for preciso”, frisou.

Paul Pun sugere medidas inovadoras para os transportes locais

táxis capaz de integrar “um plano geral de facilitação dos transportes do território”. Ao contrário dos táxis do território, cada mota só levaria um passageiro e seriam adoptados diferentes modelos para que se pudessem responder a diferentes necessidades da população.

CARROS PARTILHADOS

Outra sugestão para as próximas LAG deixada ao Chefe

do Executivo pelo secretário-geral da Cáritas Macau foi a promoção de um sistema de partilha de transporte. A ideia é a criação de uma rede em que as pessoas partilham as viagens que fazem no seu carro pessoal quando têm um mesmo destino. “Não se trata de um sistema idêntico ao da Uber. Aqui não há um pagamento mas sim uma troca pelo mesmo tipo de serviço”, explicou Paul Pun.

“Por exemplo, quando os pais levam os filhos à escola, podem alternar e levar, à vez, as crianças dos seus vizinhos e amigos”, ilustrou. Para Paul Pun, trata-se de um conjunto de medidas que poderiam vir a ter um efeito muito positivo no trânsito local. A alteração do tecto dos rendimentos para candidatura à habitação social foi outra das sugestões de Paul Pun. O

objectivo é facilitar o acesso à habitação por parte da classe média local. “É uma faixa da sociedade que não tem capacidade económica suficiente para ter acesso a casa no território nem consegue ter rendimentos que lhe permitam poder candidatar-se às casas do Governo”, disse.

A par destas questões, Paul Pun mantem as preocupações relacionadas com a ajuda aos mais necessitados e aos idosos. Chui Sai On, refere Paul Pun, mostrou “uma atitude positiva perante as sugestões”. Sofia Margarida Mota

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LAG Políticas apresentadas a 14 de Novembro

GCS

quinta-feira 26.10.2017

O chefe do Governo de Macau, Chui Sai On, vai deslocar-se no dia 14 de Novembro à Assembleia Legislativa para apresentar as políticas para o próximo ano, foi ontem anunciado. No dia seguinte à apresentação do relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG), o Chefe do Executivo regressa ao hemiciclo, como é habitual, para o plenário dedicado às questões dos deputados sobre as políticas anunciadas. Na semana seguinte, a 21 de Novembro, inicia-se o debate sectorial, com dois dias reservados a cada uma das cinco pastas do Executivo, num processo que termina a 6 de Dezembro, de acordo com o calendário disponibilizado no portal da Assembleia Legislativa de Macau.

Sem descurar a responsabilidade do ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, a Associação Novo Macau considera que o problema é mais profundo. A responsabilidade deveria ser partilhada colectivamente e a maior falha é não existir um mecanismo de sinalização eficaz de tufões

Moradores Chui Sai On ouve associações A passagem do tufão Hato pelo território continua a integrar as sugestões dadas ao Chefe do Executivo, Chui Sai On, enquanto contexto a ter em conta nas próximas Linhas de Acção Governativa. Desta feita coube à União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) encontrar-se com o Chefe do Executivo e apelar a mais medidas. Lo Tak Ming, Tsang Zuo Wai, O Hoi Fan e Cheong Lai Zhen, vice-presidentes da UGAMM alertaram Chui Sai On para a necessidade de aperfeiçoamento do sistema de alerta de tufões

e para a resolução do problema das inundações na zona do Porto Interior. Habitação, deslocações, resposta a catástrofes, renovação urbana e apoios a pequenas e médias empresas foram outros dos temas sugeridos ontem, ao Chefe do Executivo, pelos moradores. Em resposta, e de acordo com o comunicado oficial, o Governante reiterou a sua preocupação com o bem-estar da população e afirmou que “o Governo está determinado em resolver o problema das inundações na zona do Porto Interior”.

ANM PRÓ-DEMOCRATAS QUEREM MECANISMO DE SINALIZAÇÃO DE TUFÕES REVISTO

Fong Soi Kun não chega quais as circunstâncias que deram origem a tal desastre”, diz Scott Chiang, pelo que apela a mais regulamentação clara e definida.

EQUIPAMENTOS DUVIDOSOS

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ONG Soi Kun tem responsabilidade nas falhas associadas à sinalização do tufão Hato, mas não é o único. A ideia foi deixada ontem em conferência de imprensa pelo ainda presidente da Associação Novo Macau (ANM), Scott Chiang. Para o responsável há vários factores de relevo que não são mencionados no relatório recentemente divulgado pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC). “O mecanismo que está por detrás da tomada de decisão quanto ao sinal a ser içado é muito fraco”, disse Scott Chiang. Em causa está o facto de a responsabilidade ser apenas dirigida a uma só pessoa. “Aresponsabilidade da decisão final recai só sobre uma pessoa que neste caso é Fong Soi Kun. Esta situação, não só não é a ideal, como não se compreende”, apontou. Para Scott Chiang, deveria existir um mecanismo que permitisse uma responsabilidade colectiva quando se trata de assinalar tufões.

CIENTISTAS DESCONHECIDOS

No entender do ainda presidente da ANM, trata-se de uma decisão

que deveria ser científica e não política. “É suposto que seja uma decisão feita por todo um departamento técnico. O sinal do tufão deve ser baseado em indicadores mensuráveis e científicos e zelar pela segurança da cidade”, referiu. Neste sentido, estão em causa vários factores. O conhecimento científico, considera Scott Chiang é um deles e pode garantir que “as decisões não sejam radicais, aleatórias ou emocionais”. “Uma coisa é o director fazer uma proposta ou sugestão de actuação perante determinada situação que depois é acatada por uma equipa científica, outra é decidir sozinho o que fazer”, explica. Por outro lado, e de acordo com o relatório do CCAC, Fong Si Kun teve uma série de comportamentos que podem ser recrimináveis. No

entanto, salvaguarda Scott Chiang, não são comportamentos que se possam considerar irregulares até porque “Fong Soi Kun tem muita matéria para ser considerado culpado mas tecnicamente não há nenhuma regulamentação que ele tenha violado”. O facto de o ex-director ter ficado em casa a trabalhar a partir das ligações de internet e telefónicas não é o comportamento ideal, mas o maior problema é não existir “regulamentação que diga que numa situação destas o departamento deveria estar ao serviço no local”. Por isso, considera, tecnicamente o ex-director dos SMG não terá infringido qualquer regra. A ANM reitera que Fong Soi Kun, a seu ver, também é culpado, mas, mais importante “é perceber

“Tanto o Secretário  para os Transportes e Obras Públicas, como o próprio Chefe do Executivo deveriam ter em conta todo um conjunto de situações e perceber que há muito a reformular dentro do funcionamento dos serviços meteorológicos locais.” SCOTT CHIANG PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU

Outro ponto a assinalar e que “é completamente ignorado no relatório do CCAC” tem que ver com o estado dos equipamentos utilizados para fazer as medições necessárias em situação de tufão. Não há, de acordo com o responsável daANM, qualquer medida que garanta que os equipamentos estejam a funcionar nas melhores condições, especialmente durante o período de tufões. “Aqui há também uma responsabilidade que tem de ser assumida e cabe aos serviços garantir a aquisição do equipamento adequado e manter o seu bom funcionamento pelo menos nos períodos críticos”, diz, ao mesmo tempo que lamenta que “toda a informação acerca dos erros dados pelos equipamentos não apareça no relatório no CCAC e são coisas que deveriam lá estar”. Para Scott Chiang, Fong Soi Kun pode estar a ser, “sem que seja intencionalmente, uma espécie de bode expiatório” da catástrofe que aconteceu com a passagem do Hato no território, “até porque o seu comportamento não foi o mais adequado e acreditamos que teve muito que ver com o resultado da situação”. No entanto, reitera, “há circunstâncias estruturais que levaram ao desastre com as dimensões que teve”. “Tanto o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário como o próprio Chefe do Executivo deveriam ter em conta todo um conjunto de situações e perceber que há muito a reformular dentro do funcionamento dos serviços meteorológicos locais”, rematou Scott Chiang. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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26.10.2017 quinta-feira

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 37/P/17 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, 20 de Setembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Gases Medicinais e Laboratoriais aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 25 de Outubro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 49,00 (quarenta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Para compreender as condições gerais existentes nas instalações do fornecimento de gases medicinais e laboratoriais, os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário às 15,00 horas do dia 31 de Outubro de 2017, para visitar as respectivas instalações do fornecimento de gases.

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 24 de Novembro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 27 de Novembro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP752.000,00 (setecentas e cinquenta e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 19 de Outubro de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 38/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 29 de Setembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para « Prestação de serviços de reparação e manutenção de Equipamentos do Sistema Electromecânico e Isolador da Sala de Limpos ao Centro Hospitalar Conde de São Januário», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 25 de Outubro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 41,00 (quarenta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes do presente concurso devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 27 de Outubro de 2017, às 15,00 horas, para efeitos

de visita às instalações a que se destina à prestação de serviços objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 30 de Novembro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 1 de Dezembro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP102.000,00 (cento e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 19 de Outubro de 2017. O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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quinta-feira 26.10.2017

LÍNGUAS PRÉMIOS PARA RESULTADOS DE EXCELÊNCIA EM EXAMES Residentes que conseguirem bons resultados nos exames de avaliação do conhecimento das dos Quadros Qualificados” gues cerca de mil prémios, o que Na avaliação dos conhecimenlínguas portuguesa, ção e visa “cultivar e promover os representa um milhão de patacas. tos de português, os estudantes a terem diferentes “Para esta estimativa tivemos precisam de atingir o nível DIPLE inglesa e chinesa vão residentes técnicas em diversos domínios”. por base os dados estatísticos no exame do Centro de Avaliação receber recompensas A iniciativa é organizada pela das pessoas que realizam os de Português Língua Estrangeira Comissão de Desenvolvimento testes. De acordo com as nossas (CAPLE) para poder reclamar financeiras de Talentos, Direcção de Servi- estimativas acreditamos que o prémio. Em relação à língua

Vai uma ajudinha

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cerca de mil pessoas vão poder reclamar os prémios”, indicou Lei Lai Keng.

“As mil patacas são um estímulo, um incentivo. É um valor simbólico, mas queremos que as pessoas que fazem estes testes tenham resultados mais elevados.” LEI LAI KENG

inglesa, os candidatos precisam de atingir sete valores no exame IELTS, ou 750 pontos no TOEIC. Finalmente nos dois exames de mandarim, o Teste de Proficiência em Mandarim, da Comissão Estatal dos Trabalhos de Língua, e o Teste de Proficiência e Língua Chinesa, do Instituto Confúcio, os examinados têm de conseguir um resultado nos Nível II-B ou Nível IV, respectivamente.

DINHEIRO NÃO COBRE CUSTOS

Os participantes apenas podem candidatar-se ao prémio pecuniário uma vez por cada teste. Contudo, na maior parte dos casos, a recompen-

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

TIAGO ALCÂNTARA

Governo vai atribuir prémios de mil patacas aos residentes com mais de 15 anos que tiverem resultados de excelência nos testes para avaliação dos conhecimentos de mandarim, português e inglês. O programa piloto, que no futuro poderá abarcar outras áreas, começa no início do próximo mês e foi apresentado ontem, na sede da Comissão de Desenvolvimento de Talentos. O projecto tem como nome “Programa de Estímulo à Formação e aos Exames de Credencia-

ços de Educação e Juventude e Fundação Macau. “As mil patacas são um estímulo, um incentivo. É um valor simbólico, mas queremos que as pessoas que fazem estes testes tenham resultados mais elevados”, disse Lei Lai Keng, técnica superior da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, durante a conferência de imprensa para anunciar o programa. De acordo com a responsável, a primeira fase vai começar em Novembro e prolonga-se até 30 de Junho do próximo ano. Neste período, a responsável da comissão revelou esperar que sejam entre-

sa financeira não chega para cobrir o valor de inscrição. Por exemplo, o teste de português tem um custo de 110 euros, ou seja cerca de 1040 patacas. O Teste de Proficiência em Mandarim custa 1000 patacas e o IELTS 2330 patacas. Apenas o TOEIC tem um valor abaixo do prémio, que rondas as 680 patacas. Por sua vez, Kong Ngai, chefe da Divisão de Extensão Educativa da DSEJ, apontou que como os exames são internacionalmente padronizados, mesmo que sejam realizados fora de Macau, os residentes podem reclamar os prémios. No futuro, também exames ligado à área da electricidade, mecânica e cozinha poderão igualmente valer prémios: “Temos estado a discutir o projecto no seio da comissão [de Desenvolvimento de Talentos] e pretendemos, no futuro, alargar o âmbito do programa à vertente técnico-profissional”, revelou Lei Lai Keng. “Neste momento estamos a discutir a possibilidade de os prémios abrangerem as áreas da electricidade, mecânica ou confecção de comidas, ou seja cozinheiros”, acrescentou.

RECEITAS PÚBLICAS SALDO MUITO POSITIVO ATÉ SETEMBRO

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S receitas públicas de Macau subiram 14,5 por cento até Setembro, em termos anuais homólogos, em linha com o aumento da verba arrecadada com os impostos directos cobrados sobre a indústria do jogo, indicam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com dados provisórios disponíveis no portal da Direcção dos Serviços de Finanças, a Adminis-

tração de Macau fechou os primeiros nove meses do ano com receitas totais de 84.889 milhões de patacas, valor que traduz uma execução de 93,4 por cento. Os impostos directos sobre o jogo – 35 por cento sobre as receitas brutas dos casinos – foram de 68.641 milhões de patacas, reflectindo um aumento de 17,5 por cento relativamente ao mesmo período do ano

passado e uma execução de 95,5 por cento face ao orçamento autorizado para 2017. A importância do jogo reflecte-se no peso que detém no orçamento: 80,8 por cento nas receitas totais, 81,03 por cento nas correntes e 92,7 por cento nas derivadas dos impostos directos. Já as despesas cifraram-se em 49.944 milhões de patacas nos primeiros nove meses do

ano, menos 4,9 por cento em termos anuais homólogos, estando cumpridas em 58,6 por cento. Nesta rubrica destacaram-se os gastos ao abrigo do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA) que alcançaram 8.131 milhões de patacas, traduzindo um aumento de 167,3 por cento e uma execução de 53,3 por cento.

Entre receitas e despesas, a Administração de Macau acumulava até Setembro um saldo positivo de 34.945 milhões de patacas, um aumento de 61,9 por cento em relação aos primeiros nove meses de 2016. A almofada financeira excede em muito o previsto para todo o ano, 5.567 milhões de patacas. A taxa de execução corresponde já a 627,6 por cento do orçamentado.

Aeroporto Passageiros em alta

O Aeroporto Internacional de Macau (AIM) recebeu mais de 5,2 milhões de passageiros até Setembro, um aumento de 5,1 por cento em termos anuais homólogos, indicaram dados oficiais. Segundo estatísticas disponibilizadas no portal da Companhia do Aeroporto de Macau (CAM), só em Setembro foram registados 547.565 passageiros, contra os 499.823 contabilizados no mesmo mês do ano passado. O AIM encerrou 2016 com mais de 6,6 milhões de passageiros, um aumento de 14 por cento comparativamente a 2015, e um recorde em 21 anos de operação. Além da China, com 20 rotas disponíveis, o Aeroporto Internacional de Macau tem voos de e para Taiwan, bem como para diferentes destinos no Japão, Filipinas, Vietname, Tailândia, Malásia, Camboja, Singapura ou Rússia, de acordo com dados constantes do portal da CAM.


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26.10.2017 quinta-feira

CONVOCATÓRIA Rita Botelho dos Santos, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, vem, nos termos do nº 2 do artigo 30º dos estatutos desta Associação, convocar a Assembleia Geral para o próximo dia 23 de Novembro de 2017 (quinta-feira), pelas 18H00, na sede da A.T.F.P.M., sita na Avenida da Amizade Nºs. 273-279 r/c, Macau, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Aprovação do orçamento e plano de actividades para o ano de 2018. 2. Outros assuntos. Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, aos 23 de Outubro de 2017. A Presidente da Mesa da Assembleia Geral Comendadora Rita Botelho dos Santos

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 634/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora HU GUINAN, portadora do Salvo-conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° W56352xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 38/DI-AI/2016, levantado pela DST a 26.03.2016, e por despacho da signatária de 19.10.2017, exarado no Relatório n.° 627/DI/2017, de 04.10.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Praceta de Miramar, n.° 79, Jardim San On, Bloco 4, 15.° andar U, Macau onde se prestava alojamento ilegal.---------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Outubro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 683/AI/2017

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 720/AI/2017

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor WANG BIN, portador do Salvo-conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° W67114xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 46/DI-AI/2016, levantado pela DST a 08.04.2016, e por despacho da signatária de 19.10.2017, exarado no Relatório n.° 690/DI/2017, de 06.10.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Paris n.° 170, Jardim Nam Ngon, Bloco 3, 15.° andar K, Macau onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma. -----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora YANG LIANHUA, portadora do Passaporte da RPC n.° E22049xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 60/DI-AI/2015 levantado pela DST a 19.05.2015, e por despacho da signatária de 18.10.2017, exarado no Relatório n.° 724/DI/2017, de 04.10.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Baía da Praia Grande n.° S/N, Torre Lago Panoramico, 17.° andar G, Macau.------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Outubro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Outubro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 738/AI/2017

NOTIFICAÇÃO N.° 744/AI/2017

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor NG KUOK KEONG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 51683xx(x), que na sequência do Auto de Notícia n.° 20/DI-AI/2016, levantado pela DST a 19.02.2016, e por despacho da signatária de 18.07.2017, exarado no Relatório n.° 462/DI/2017, de 05.07.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua da Barca, n.° 64, Edf. Cheok I, 3.° andar A, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma. -----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Atendendo a que não é possível proceder à respectiva notificação pessoal, pela presente notifique-se SHAWN ANDRE SCOTT, proprietário da fracção autónoma situada na Avenida Panorâmica do Lago Nam Van, n.° 744-S, Wu Keng Hou Teng, Bloco 3, 2.° andar D, que no dia 26.10.2017 caducaram as medidas provisórias que foram aplicadas à referida fracção na sequência do Auto de Notícia da DST n.º 104/DI-AI/2017,de 27.04.2017.----------------------------------------------Para mais informações, o ora notificado pode comparecer nas horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.º andar.----------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Outubro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

Notificação edital (41/FGCL/2017) Nos dos pedidos: 000044/2016, 000045/2016, 000135/2017

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números dos pedidos acima referidos, “Empresa Hoteleira de Macau Limitada (Titular do Hotel Palacio Imperial Beijing)”, com sede na Avenida Padre Tomás Pereira nº 889 na Taipa, Macau, o seguinte: Relativamente aos três ex-trabalhadores (Lam Chu Fun, Chan Fong Kam e Ng Lai I), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 23 de Outubro de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $192 710,40 (Cento e noventa e duas mil, setecentas e dez patacas e quarenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 24 de Outubro de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 23 de Outubro 2017. A Directora dos Serviços, Subst.ª, Tse Heng Sai

Notificação edital (42/FGCL/2017) Nos dos pedidos: 000048/2016, 000049/2016, 000050/2016, 000051/2016, 000052/2016, 000053/2016 e 000142/2017

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números dos pedidos acima referidos, “Companhia de Investimento TongXi Limitada”, com sede na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção no 258, Edifício Kin Heng Long Plaza 18º andar L, Macau, o seguinte: Relativamente aos sete ex-trabalhadores (Wong Kuok Cheng, Lei Kuai Lan, Leong In Leng, Wong Man Keong, Ng Sao Lin, Ieong Hon Iong e Lee Oi Man), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 23 e Outubro de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $603 741,70 (Seiscentas e três mil, setecentas e quarenta e uma patacas e setenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 24 de Outubro de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong


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quinta-feira 26.10.2017

NOVOS ATERROS ARQUITECTOS APONTAM INSUFICIÊNCIAS DE PLANEAMENTO

TRABALHO NÃO RESIDENTES A DIMINUIR

Um pouco mais além

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UGESTÕES do novo planeamento da cidade de Macau” é o nome do parecer que Francisco Vizeu Pinheiro, Gao Wuzhou e Li Chuanyi assinaram e apresentaram na fase de consulta pública sobre o planeamento dos novos aterros, e que foi agora inserido na última edição do Boletim de Estudos sobre Macau, editado pela Fundação Macau. Este trabalho foi desenvolvido pelos três arquitectos na qualidade de membros da Associação dos Arquitectos da Ásia-Pacífico. Ao HM, Francisco Vizeu Pinheiro defendeu que o actual plano dos novos aterros não é sustentável a longo prazo. “Vai existir maior capacidade turística e os trabalhadores não residentes vão ter de ser incorporados no mercado de trabalho. Deve ser considerado um cenário a 20 anos e outro para 2050. O Governo só está a fazer planos para 2030 que é um prazo muito curto, porque Macau cresce rapidamente.” O arquitecto estimou que em 2030 o território tenha cerca de 820 mil habitantes, número que deverá chegar a um milhão de pessoas em 2050. Para colmatar o longo período de construção dos novos aterros, Francisco Vizeu Pinheiro considera que deve ser criado um sistema de aquisição de terrenos na Ilha de Hengqin. “O actual plano não é sustentável, vai ficar tudo cheio de habitação se não se resolver o problema. A Ilha da Montanha tem de ser realmente a solução porque os novos aterros demoram muito tempo a construir.” O arquitecto lembrou que só a zona A dos novos aterros terá 90 mil habitantes, “uma elevada densidade populacional”.

RÓMULO SANTOS

Francisco Vizeu Pinheiro considera que o Governo deveria pensar o planeamento do território mediante dois prazos: 2030 e 2050. O arquitecto, que assina um parecer sobre os novos aterros com Gao Wuzhou e Li Chuanyi, acredita que o actual plano não é sustentável e que a Ilha da Montanha deve ser uma alternativa

“Tem que se estudar a hipótese de haver habitação em Macau segundo o modelo de compra de terrenos na Ilha da Montanha. Defendemos um novo sistema, porque os aterros destroem o rio e as montanhas e demoram tempo. É mais rápido fazer uma ponte e construir.”

“Falei sobre a disposição de edifícios com paredes que cortam a ventilação. Era importante que, com o planeamento, se preservassem os corredores naturais de ventilação, de acordo com o mapa climático feito por professores de universidades de Hong Kong. Esse levantamento já está feito, o que

METRO PARA TODOS

O parecer da Associação de Arquitectos da Ásia-Pacífico defende ainda a criação de uma rede interligada de transportes, pensada para o futuro. “A linha de metro ligeiro é muito restrita porque basicamente faz a ligação entre as Portas do Cerco, Sai Van e a zona dos casinos. Era preciso servir o centro da cidade e servir a zona do porto interior, onde há também uma alta densidade populacional.” O arquitecto lembrou também que é preciso garantir a ventilação entre edifícios.

“O actual plano não é sustentável, vai ficar tudo cheio de habitação se não se resolver o problema. A Ilha da Montanha tem de ser realmente a solução porque os novos aterros demoram muito tempo a construir.” FRANCISCO VIZEU PINHEIRO ARQUITECTO

era preciso era incluir isso no Plano Director do território”, frisou.

TECNOLOGIA ANTI-INUNDAÇÕES

O documento sugere ainda a adopção de uma tecnologia de “desenvolvimento de baixo impacto” para evitar inundações. “Os terrenos deveriam ser mais permeáveis. A chuva deve penetrar no solo em vez de escorrer toda para os esgotos. Assim muita da chuva intensa não provocaria inundações e ficaria no local sem se concentrar nas zonas baixas.” Para que este sistema fosse uma realidade, seria necessário criar novas normativas na actual legislação que rege os trabalhos de construção civil. “É algo low-tech, tinham de ser incluídas normativas de construção civil, o tipo de pavimento tem de ser poroso, mas isso é aplicado a zonas verdes, a zonas de absorção”, rematou Francisco Vizeu Pinheiro. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

M

ACAU perdeu 3.611 trabalhadores contratados ao exterior no intervalo de um ano, contando com 176.666 no final de Setembro, indicam dados oficiais divulgados ontem e que indicam uma queda em dois por cento relativamente ao memo período no ano passado. De acordo com dados da Polícia de Segurança Pública (PSP), disponíveis no portal da Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais, Macau registava ainda menos 223 trabalhadores em termos mensais, ou seja, comparativamente a Agosto. O continente continua a ser a principal fonte de mão-de-obra importada de Macau, com 111.619 trabalhadores (63,1 por cento do total), mantendo uma larga distância das Filipinas, que ocupa o segundo lugar com 27.878, num pódio que se completa com o Vietname (14.734). O sector dos hotéis, restaurantes e similares absorve a maior fatia de mão-de-obra importada com 50.126 trabalhadores, seguido do da construção com 30.756. A construção continua a ser o ramo com a maior queda: no intervalo de um ano perdeu 8.591 trabalhadores. As actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços agrupavam 13.438 trabalhadores do exterior – menos 90 face a Setembro de 2016 –, dos quais 834 eram trabalhadores da construção civil contratados directamente pelas empresas. Já o ramo dos hotéis, restaurantes e similares teve mais 680 trabalhadores no mesmo hiato temporal, um aumento que não foi suficiente para compensar a diminuição sentida no sector da construção, que abrandou nomeadamente com a conclusão de novos projectos turísticos. A mão-de-obra importada equivalia a 45 por cento da população activa e a 45,9 por cento da população empregada, estimadas no final de Agosto.


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O Instituto Politécnico de Macau (IPM) vai organizar um colóquio sobre o poeta Camilo Pessanha nos dias 13 e 14 de Novembro, disse à Lusa fonte da organização. A conferência, a propósito dos 150 anos do nascimento de Pessanha, vai contar com 12 oradores: quatro de Portugal e oito de Macau. Um deles será José Carlos Seabra Pereira, especialista em simbolismo, corrente literária a que pertence o poeta. Segundo a mesma fonte, com excepção de Seabra Pereira, o colóquio contará com intervenções de “pessoas que não têm o hábito de se dedicar a Camilo Pessanha”, como será o caso do Carlos André, director do Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa do IPM.

Arco d

PRÉMIO JOSÉ SARAMAGO BRASILEIRO JULIÁN

RENATO PARADA/DIVULGAÇÃO

Colóquio IPM discute Pessanha

26.10.2017 quinta-feira

Um valor superior a 230 m brasileiro pelo romance “A é a segunda vez que a obra

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Prémio José Saramago 2017, no valor pecuniário de 25 mil euros (mais de 230 mil patacas), distinguiu o romance “A Resistência” do autor brasileiro Julián Fuks, foi ontem anunciado na Casa dos Bicos, em Lisboa, sede da Fundação José Saramago. “Estamos perante um excelente romance. Colocando-se no registo de atestação de uma experiência pessoal intensa, Julián Fuks conseguiu alcançar em ‘A Resistência’o difícil patamar da contenção discursiva no interior daquele arco simultaneamente emocional e intelectual que define as construções literárias mais cativantes”, afirma, na sua declaração, o crítico literário Manuel Frias Martins, um dos membros do júri. O Prémio José Saramago foi instituído pela Fundação Círculo de Leitores, em 1999, com o objectivo de distinguir jovens escritores de língua portuguesa, cuja idade não ultrapasse os 35 anos, aquando da publicação da obra. A obra “A Resistência”, de Fuks, publicada em 2015,

Nam Van Energia para animar o lago

As obras no sistema de energia eléctrica arrancam no fim deste mês no Anim’Arte NAM VAN. A intervenção abrange a escavação de valas para instalação de cabos e tubos, a substituição das tampas dos cabos eléctricos e a repavimentação de passeios. Durante o período da execução das obras, a “Feira de Artesanato do Lago Nam Van aos Fins-de-Semana” e os workshops programados são realizados conforme previsto. Os espaços expositivos da Galeria Junto ao Lago, a Loja Temática do “Mapa Cultural e Criativo de Macau” e o Smiling Workshop continuam a funcionar como habitualmente. Por sua vez, o IFT Café encerrará de 6 a 11 de Novembro.

recebeu no ano passado, no Brasil, o Prémio Jabuti para o Melhor Romance. Em “A Resistência”, segundo a Fundação Círculo de Leitores, o autor desenvolve a história de uma família argentina a partir de 1976, quando se deu o golpe de Estado que derrubou a Presidente María Estela Perón, e instaurou o poder ditatorial de uma junta militar, que governou o país até Dezembro de 1983. “‘Meu irmão é adoptado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adoptado’, anuncia, logo no início, o narrador deste romance. O leitor descobre-se à partida imerso numa memória pessoal que se revela também social e política”, lê-se na mesma informação à imprensa. “Do drama de um país, a Argentina a partir do golpe de 1976, desenvolve-se a história de uma família, num retrato denso e emocionante. Adoptado por um casal de intelectuais que logo iria procurar exílio no Brasil, o rapaz cresce, ganha irmãos e as relações familiares tornam-se comple-

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À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA SHANTARAM • Gregory David Roberts Quando chegou a Bombaim não passava de um fugitivo: sem identidade, sem futuro, sem esperança. Nessa cidade conheceu o paraíso e o inferno, o amor e o ódio, a paixão e a guerra. E conquistou um nome que lhe foi dado com o coração: Shantaram. Aterrou em Bombaim fugindo de um passado de crime e drogas, perseguido pela Polícia após ter escapado de uma prisão de alta segurança na Austrália. Nos seus bairros miseráveis, aqueles onde os estrangeiros nunca entram e onde só o amor e a lealdade poderão garantir a sobrevivência, a sua vida ganhou um sentido e alcançou uma intensidade que julgava impossível. Conquistou um lugar entre traficantes, contrabandistas e falsários, adoptou os seus códigos de honra e criou laços que o levaram até às montanhas do Afeganistão, ao lado de mujahedines que combatiam as tropas soviéticas. Esta é a história real da transformação de um homem.


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quinta-feira 26.10.2017

do triunfo

N FUKS É O VENCEDOR DESTE ANO

mil patacas será entregue ao escritor A Resistência”, publicado em 2015. Esta a é premiada xas. Cabe então ao irmão mais novo o exame desse passado e, mais importante, a reescrita do próprio enredo familiar”, refere o mesmo comunicado, que remata: “Um livro em que emoção e inteligência andam de mãos dadas, tocando o coração e a cabeça dos leitores”.

PERCURSO FELIZ

“Julián Fuks conseguiu alcançar em ‘A Resistência’ o difícil patamar da contenção discursiva no interior daquele arco simultaneamente emocional e intelectual” JÚRI DO PRÉMIO JOSÉ SARAMAGO

Julián Fuks, filho de pais argentinos, nasceu em São Paulo, no Brasil, em 1981. O autor publicou o primeiro livro, “Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e eu”, em 2004, tendo ganhado o Prémio Nascente da Universidade de São Paulo. Em 2007 e 2012 foi finalista do Prémio Jabuti, com os livros “Histórias de Literatura” e “Cegueira”, respectivamente. O autor foi também finalista do Prémio Portugal Telecom, actual Oceanos, e do Prémio São Paulo de Literatura, com “Procura do romance”. A revista Granta apontou-o como um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros. “A Resistência” é o seu quarto romance, com o qual recebeu o Prémio

Jabuti Melhor Romance, se classificou entre os finalistas do Prémio Oceanos, no ano passado, e pelo qual recebeu a Menção Honrosa no Prémio Rio de Literatura. O júri da edição deste ano do Prémio José Saramago foi constituído pela poetisa angolana Ana Paula Tavares, pela professora de Estudos Portugueses da Universidade Nova de Lisboa Paula Cristina Costa, pelo escritor português António Mega Ferreira, pela investigadora Nazaré Gomes dos Santos, da Universidade Autónoma de Lisboa, além de Manuel Frias Martins, crítico literário e ensaísta, doutorado em Teoria da Literatura e vice-presidente da Associação Portuguesa dos Críticos Literários, de Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago, e da escritora Nelida Piñon. O Prémio Saramago é bienal e, nas edições anteriores, distinguiu os escritores Paulo José Miranda, José Luís Peixoto, Adriana Lisboa, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, João Tordo, Andréa del Fuego, Ondjaki e Bruno Viera Amaral.

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O ENIGMA DO MAR MORTO • Adam Blake O ex-mercenário Leo Tillman e a ambiciosa polícia Heather Kennedy investigam uma série de mortes enigmáticas. As pistas levam-nos até aos manuscritos do Mar Morto, em concreto a um evangelho mortal escondido entre eles. Colocando a própria vida em risco, Tillman e Kennedy vão cruzar-se com um bando de sinistros assassinos que derramam lágrimas de sangue e acreditam ser descendentes de Judas.

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HAMA-SE “Deseos” e é o nome do espectáculo que vem directamente da Argentina para Macau, pela mão da companhia Estampas Porteñas, e que sobe ao palco nos dias 26 e 27 de Dezembro. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), o espectáculo, que terá lugar no Centro Cultural de Macau, terá “um sólido elenco de bailarinos, músicos e um cantor a adornar uma sequência coreográfica de canções românticas e fatalistas, mesclando projecções interactivas com uma paleta de temas, alguns dos quais remontam aos anos 30”. A história passa-se entre uma aldeia rural e Buenos Aires, capital argentina. “A trama desta peça de dança e teatro leva-nos numa viagem pelo tempo, das tradições folclóricas do Malambo gaúcho (cowboy sul-americano) à música de Astor Piazzolla. “A acção é desencadeada quando Margot, a protagonista, decide mudar-se para PUB

Dá-me Tango

Argentinos no palco do CCM em Dezembro

a grande cidade, deixando tudo para trás. Pleno de paixão, ciúme e dança ardente, Deseos é uma produção de técnica primorosa e emocionante que nos leva através das inúmeras expressões do tango, demonstrando uma multiplicidade de passos e estilos”, explica o IC.

POR TODO O MUNDO

A Estampas Porteñas foi fundada em 1997 por Carolina Soler, uma premiada directora

artística cuja carreira se iniciou no ballet clássico. Desde então, a companhia tem actuado pelo mundo inteiro tendo subido aos palcos em mais de 20 países pelos cinco continentes. Além dos dois dias de espectáculo, vão ser promovidas “diversas actividades, incluindo um workshop ministrado por bailarinos da Estampas Porteñas, concebido para desvendar alguns dos passos e técnicas aos entusiastas da dança”. No dia da estreia irá decorrer “uma tertúlia pré-espectáculo”. Os bilhetes estarão à venda a partir de 29 de Outubro, disponíveis a vários preços (entre 150 e 300 patacas) e descontos nas bilheteiras do CCM e aos balcões da Rede Bilheteira de Macau.


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26.10.2017 quinta-feira

DANIEL RUSSEL WASHINGTON NÃO VAI SACRIFICAR TAIWAN

Certeza americana

O

S Estados Unidos “não vão sacrificar os interesses de Taiwan” em troca de melhores relações com a China, afirmou ontem, em Taipé, o ex-subsecretário de Estado adjunto para a Ásia Oriental e Pacífico. Daniel Russel, que se encontra em visita à ilha, fez estas declarações após as recentes palavras do Presidente chinês, Xi Jinping, contra a independência da ilha, durante o XIX Congresso do Partido Comunista, e nas vésperas da deslocação à China do Presidente de Estados Unidos, Donald Trump. Quanto ao papel da China em relação a Washington e Taipé, Russel disse que o país asiático adquiriu nos últimos anos uma força económica e activismo internacional sem precedentes. No entanto, as fortes relações e interesses partilhados entre Taiwan e Estados Unidos “garantem que as melhorias nas relações entre os Estados Unidos e a China não serão feitas à custa de Taiwan”, disse Russel, que foi secretário de Estado adjunto até Março. Apesar das alterações na administração norte-americana, o que não mudou “é o interesse permanente dos Estados Unidos no êxito contínuo, prosperidade e a autodeterminação do povo de Taiwan”, acrescentou o

antigo responsável norte-americano para a diplomacia na Ásia.

PARCEIRO DE FORÇA

Os Estados Unidos são o principal garante da segurança de Taiwan, com a qual está comprometido por um acordo de 1979, e é um dos seus principais parceiros económicos.

Em Taiwan, perante o crescente poder económico e militar da China e a intensificação da intimidação militar e o cerco diplomático à ilha, teme-se que Washington utilize Taipé como carta de negociação com Pequim. Em especial, há receios de que Trump assine um novo comunicado conjunto com a China, tal como sugerem PUB

Notificação edital (43/FGCL/2017)

As fortes relações e interesses partilhados entre Taiwan e Estados Unidos “garantem que as melhorias nas relações entre os Estados Unidos e a China não serão feitas à custa de Taiwan”, disse o ex-secretário de Estado adjunto norte-americano

Nos dos pedidos: 000059/2017, 000062/2017, 000148/2017, 000149/2017

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números dos pedidos acima referidos, “Cali Promoção de Jogos Sociedade Limitada”, com sede na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600E, Edifício Centro Comercial First Nacional, 12º andar, sala 5, Macau, o seguinte: Relativamente aos quatro ex-trabalhadores (Chio Fok Choi, Lia Wai Kun, Leong SI I e Weng Yonghong), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 23 de Outubro de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $118 121,30 (Cento e dezoito mil, cento e vinte e uma patacas e trinta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 24 de Outubro de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

estrategas norte-americanos como Henry Kissinger, que manteve recentes contactos com o Presidente do seu país. Na passada semana, o porta-voz diplomático de Taiwan Andrew Lee afirmou que Washington garantiu que não assinará um quarto comunicado conjunto com a China, depois dos subscritos em 1972, 1979 e 1982.

GUI MINHAI DEIXOU O PAÍS APÓS SER LIBERTADO

O

Governo chinês assegurou ontem que o activista e livreiro sueco de origem chinesa Gui Minhai deixou o país, após ter sido libertado na semana passada, enquanto a família diz desconhecer o seu paradeiro. “Gui Minhai deixou o país após ter sido libertado, depois de dois anos preso por causar acidentes de trânsito”, afirmou em conferência de imprensa um porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang. Gui Minhai, de 53 anos, é um dos cinco livreiros da “Mighty Current” - editora de Hong Kong conhecida por publicar livros críticos dos líderes chineses -, que desapareceram no final de 2015. Gui desapareceu quando passava férias na Tailândia, tendo aparecido mais tarde na televisão estatal chinesa CCTV a confessar que se entregou às autoridades pelo atropelamento e morte de uma jovem em 2004.

O Governo sueco anunciou na terça-feira que as autoridades chinesas confirmaram a libertação do activista. A sua filha, Angela Gui, não confirmou, no entanto, a libertação do pai, afirmando que não foi ainda contactada por ele. “Nem eu, nem nenhum dos membros da minha família, ou algum dos seus amigos, fomos contactados” afirmou Angela Gui, em comunicado. “Ainda não sabemos onde ele está. Estou profundamente preocupada com a sua saúde”, disse. O consulado da Suécia em Xangai informou esta segunda-feira ter recebido uma “chamada estranha” de alguém que dizia ser livreiro e afirmou que iria pedir um passaporte sueco dentro de um ou dois meses, mas que antes queria passar tempo com a sua mãe, que estava doente. Angela desmentiu, entretanto, essa possibilidade.

ENCERRADAS 2.802 MINAS DE CARVÃO EM CINCO ANOS

U

M total de 2.802 minas de carvão foram encerradas na China, nos últimos cinco anos, para combater a poluição e fomentar o crescimento sustentável, informou ontem a Associação Nacional de Carvão do país. Entre 2012 e 2016, o número de produtores de carvão passou de 7.869 a 5.067 e o Governo chinês estima que até ao final deste ano sejam encerradas mais mil minas, distribuídas por doze regiões do país. Nos primeiros sete meses do ano, a capacidade produtiva do país reduziu-se em 128 milhões de toneladas de carvão, o equivalente a 85% da meta anual fixada pelo Governo. Na última conferência de empresários das economias do G20, celebrada em Hamburgo, na Alemanha, em Julho passado, Xi Jinping reconheceu que

o modelo económico da China não é sustentável e anunciou várias reformas para o sector do carvão. Quase dois terços da energia consumida na China assenta na queima do carvão. A China é o maior emissor mundial de gases poluentes. O Presidente chinês apontou como meta reduzir em 500 milhões de toneladas a capacidade de produção do país, através do encerramento de minas, e outros 500 milhões de toneladas através de reestruturações. Apesar dos esforços de Pequim para reduzir o consumo de carvão e melhorar a eficiência no uso de energias renováveis, as grandes produtoras de carvão reportaram lucros, na primeira metade do ano, de 147.480 milhões de yuan, segundo a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento.


china 13

PCC Presença feminina continua a ser irrelevante

BLOOMBERG

quinta-feira 26.10.2017

A cúpula do Partido Comunista Chinês (PCC) continua a ter uma presença feminina irrelevante, mesmo após a sua renovação, com apenas uma mulher entre os 25 membros do Politburo. Sun Chunlan, dirigente do sindicato único do regime, é a única mulher que integra a nova formação do Politburo do PCC, escolhida durante o XIX Congresso do partido. A formação anterior contava com duas mulheres. Já o Comité Permanente do Politburo, composto pelos sete líderes máximos do regime, não inclui nenhuma mulher, prolongando uma tendência que perdura desde a fundação da China comunista, em 1949. No Comité Central do partido, apenas dez dos 205 membros são mulheres. Apesar de Xi ter defendido em várias ocasiões o seu compromisso com a igualdade de género, os altos cargos do regime continuam a ser exclusivamente ocupados por homens.

Rússia Putin felicita Presidente pela reeleição

O presidente russo, Vladimir Putin, felicitou ontem o seu homólogo chinês, Xi Jinping, pela sua reeleição como secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC), anunciou o Kremlin num comunicado. Na mensagem, Putin afirma que “os resultados da votação confirmaram plenamente a autoridade política de Xi Jinping e o amplo apoio à sua política de desenvolvimento socioeconómico da China e de fortalecimento das suas posições internacionais”. O Presidente russo disse-se convicto de que as decisões do “verdadeiro acontecimento histórico” que foi o XIX Congresso do PCC vão contribuir para fortalecer as relações de “associação integral e de confiança” entre a Rússia e a China.

Imprensa Criticado “veto” a meios de comunicação

O Clube de Correspondentes Estrangeiros na China alertou ontem que vários órgãos de comunicação, como a BBC ou o Financial Times, foram excluídos da apresentação da nova cúpula do regime chinês, no encerramento do XIX Congresso do Partido Comunista. “Vários órgãos de imprensa estrangeiros foram excluídos de cobrir a conferência de imprensa do Comité Permanente do Politburo”, destacou em comunicado a organização. Entre os meios que não conseguiram aceder ao evento constam o canal de televisão BBC e os diários The Economist, Financial Times, The Guardian e The New York Times. Segundo a organização, aqueles meios “terão sido escolhidos para enviar um aviso” aos restantes. O Clube de Correspondentes Estrangeiros adverte que restringir o acesso à informação, como forma de punir jornalistas por estes cobrirem temas que o Governo não aprova, “é uma grave violação dos princípios de liberdade de imprensa”. Na apresentação do novo Comité Permanente do Politburo, o Presidente chinês, Xi Jinping deu as boas-vindas aos jornalistas para cobrirem o desenvolvimento chinês, de forma “objectiva” e “construtiva”.

XI JINPING REVELA COMPOSIÇÃO DA CÚPULA DO REGIME

Novo motor de arranque

O

Presidente da China, Xi Jinping, apresentou ontem aos jornalistas os novos membros da cúpula do poder chinês, que o acompanharão durante um segundo mandato, cuja agenda inclui erradicar a pobreza e aumentar a influência internacional do país. Durante o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), Xi obteve um segundo mandato de cinco anos e viu o seu estatuto elevado para o nível de Mao Zedong e Deng Xiaoping, ao incluir o seu nome e teoria na constituição do partido. Na prática, a inclusão do “pensamento de Xi Jinping” nas directrizes da organização torna qualquer oposição a este no equivalente a um ataque ao próprio PCC. Xi isola-se assim de disputas entre facções rivais do partido. Perante centenas de jornalistas chineses e estrangeiros, no Grande Palácio do Povo, Xi Jinping prometeu continuar a reformar o PCC, para que este “continue a ser o motor de progresso e desenvolvimento” da China. “A História torna bastante claro que o PCC é capaz não só de

conduzir uma grande revolução, mas também impor uma grande reforma sobre si mesmo”, afirmou XI. “Como o maior partido político do mundo, o PCC deve agir de acordo com o seu estatuto”. “Devemos eliminar qualquer vírus que corroa a estrutura do partido”, acrescentou Xi Jinping, cuja campanha anticorrupção puniu já 1,5 milhão de membros do partido, incluindo altas patentes do exército e um antigo membro do Comité Permanente do Politburo.

OBJECTIVOS DEFINIDOS

O Partido Comunista Chinês (PCC) celebra cem anos desde a sua fundação em 2021. Xi Jinping estabeleceu como meta para esse ano a erradicação da pobreza na China “Devemos ser uma sociedade que é desfrutada por todos nós, no caminho da prosperidade comum,

ninguém deve ser deixado para trás”, afirmou o secretário-geral do PCC. Para além de Xi, apenas o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, renovou o seu mandato de cinco anos como membro do Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China, que é composto por sete membros. Zhao Leji, que até à data foi chefe do Departamento de Organização do Partido, foi nomeado para dirigir a poderosa Comissão Central de Inspecção e Disciplina do PCC, o órgão máximo anticorrupção do partido. Xi, filho de um antigo vice-primeiro-ministro, descreveu a sua teoria como central para a China assegurar “uma vitória decisiva na construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos”, até meados deste século.

A nova formação do Politburo inclui membros associados aos antecessores de Xi, Jiang Zemin e Hu Jintao, contrariando a análise de que o actual Presidente chinês iria preencher os cargos mais importantes do regime com homens da sua confiança

No núcleo desta visão está o PCC, que mantém controlo absoluto sobre tudo, desde os padrões morais dos chineses à defesa da segurança do país.

SEM SUCESSÃO

A nova formação do Politburo inclui membros associados aos antecessores de Xi, Jiang Zemin e Hu Jintao, contrariando a análise de que o actual Presidente chinês iria preencher os cargos mais importantes do regime com homens da sua confiança. Entre os cinco novos membros, apenas Zhao e Li Zhanshu são vistos como próximos do Presidente. No entanto, observadores notam que nenhum dos novos membros da cúpula do regime surge em posição para ser sucessor de Xi na liderança do partido. Para Joseph Fewsmith, um especialista em política chinesa da Universidade de Boston, a ausência de um sucessor óbvio revela as ambições de Xi para além dos dois mandatos. “Sugere que Xi terá um terceiro mandato e que nomeará o seu próprio sucessor. Isso já não acontecia há 20 anos”, lembrou Fewsmith.


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h

26.10.2017 quinta-feira

Súbita, uma angústia... Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma! na ordem do dia Julie O’yang

热风

Revisitar Rashomon na era dos factos alternativos

A

jovem estonteante da porta ao lado morreu durante a noite. De manhã, a vizinhança reuniu-se para tentar descobrir a causa. Em baixo estão algumas das declarações registadas pela polícia:

3. O carcereiro informou que tinha prendido o ladrão que cometera assassínios por luxúria. Tinha morto mulheres e raparigas de forma extremamente cruel. A seu ver, este assassinato devia estar relacionado com o célebre ladrão.

- Eu vi-a sozinha no bar ontem ao fim da tarde. Tinha a cara completamente alterada. Deve ter sido intoxicação alcoólica. - Ela esteve recentemente envolvida com vários homens. Deve ter sido um crime passional. -Cruzei-me com ela no hospital a semana passada. Acho que foi fazer um teste ao HIV. -Há anos que sofria de depressão. Acabou por se suicidar.

4. A mulher idosa assinalou que o falecido era seu genro. Tinha um nome e 26 anos de idade. Era bondoso. Estava casado com a sua filha de 19 anos, uma mulher dura. 5. No final, o célebre ladrão confessa que matou o samurai porque o viu violar a mulher. Nessa altura decidiu matá-lo e casar-se com a viúva. Contudo, deu-lhe uma hipótese e desafiou-o em duelo. Lutaram durante 23 rounds até finalmente o aniquilar. Mas agora a mulher fugiu, deixando para trás o seu cavalo a mordiscar a vegetação da orla do bosque. Nesta altura o leitor fica tentado a acreditar que o ladrão está a falar verdade. MAS,

A verdade? Tinha morrido num acidente de viação. A verdade só pode ser uma, mas a sua narrativa pode acabar por ser uma mentira. A ficção é a prova de que uma mentira tão elaborada e refinada pode ser tida como verdade. Este fenómeno é conhecido por Rashomon, cujo nome deriva do conto homónimo, passado ao cinema em 1950. Quando alguém Rashomina é porque não pode ter a certeza do que está a wdizer. Akutagawa Ryunosuke (18921927) publicou Rashomon em 1915. Ficou conhecido como um “génio com ideias bizarras”, ideias que serviam para “escavar” a natureza humana e exprimi-la de forma única plena de interioridade e inteligência. Rashomon dá-nos uma alternativa moral. O conto tem sete protagonistas que se encontram para resolver o assassínio de um samurai. 1. O lenhador foi o primeiro a encontrar o corpo do samurai “com uma faca enterrada no peito e folhas de bambu ensopadas em sangue à volta”. Perto do corpo encontravam-se cordas e um pente de mulher. O lenhador declarou-se inocente. 2. O monge contou aos outros que há poucos dias atrás tinha visto o samurai a cavalo na companhia de uma mulher. O monge declarou-se inocente.

6. A mulher aparece, e conta que o ladrão a violou e obrigou o marido a assistir. Profundamente envergonhada, agarrou na sua faca e matou o marido. O relato da mulher contradiz obviamente o do ladrão. 7. Surge então o fantasma do morto e conta que a mulher era maldosa e que contratou o ladrão para o matar. O ladrão suspeitou dos motivos da mulher e mandou-a embora. Ela aproveitou a oportunidade para fugir. A seguir o ladrão perguntou ao samurai o que queria que ele fizesse com a mulher. Deveria matá-la ou deixá-la ir? Comovido com a atitude do ladrão, o marido prontificou-se a perdoá-lo. Finalmente o ladrão decidiu partir. O samurai resolveu matar-se com a faca que a mulher tinha deixado ficar para trás.

Akutagawa desafia a noção da “verdade única”. Em Rashomon a verdade encontra-se escondida no epílogo. No epílogo os mentirosos prestam juramento. E é aqui que começam a acreditar na sua própria realidade fabricada

Akutagawa desafia a noção da “verdade única”. Em Rashomon a verdade encontra-se escondida no epílogo. No epílogo os mentirosos prestam juramento. E é aqui que começam a acreditar na sua própria realidade fabricada.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 26.10.2017

Diários de próspero

António Cabrita

Ensaios sobre a ordem e a desordem

O

mais das vezes, pensar é emboscar-se. Emboscar-se sob bancos de corais já formatados e cujo resguardo compensa a nossa dependência externa com um aparato de coerência interna. Aí “pensamos” para reflectir a ordem estabelecida pelo repertório a que aderimos – um partido, um determinado modo de vida, uma igreja, uma convicção escolástica: todas as respostas-pronto-a-vestir que nos tragam conforto – e não como seria desejável para explorarmos a fundo o “caos” do pensamento pensante. Ao “pensarmos de um modo assistido” inserimo-nos, certificamos que pertencemos ao sistema de interesses instalados. E embora nos galvanize a nossa satisfação, dado que os elementos de persuasão montam uma viva aparência retórica, esquecemo-nos de que um dos efeitos eficazes da ideologia é apagar o seu rasto e fazer-nos crer que estamos estanques à auto-ilusão. Ora, demonstrou-o René Girard, nós, no mais das vezes, não queremos pensar, queremos apenas pertencer. Daí a importância da mimetização nas virtualidades do jogo social. E a boa execução da mimetização recompensa-nos com a possibilidade de sermos populares. Eis um dos significados da palavra «popular». Outros significados florescem no mesmo tronco semântico. Ser popular significa algo ou alguém ser muito conhecido, como designa o que seja próprio de uma classe social particular, a mais desfavorecida da organização social. Donde decorre, um terceiro sentido: a pertinência de algo “não elaborado”. Roger Pouivet, num ensaio em que descreve a mudança das agulhas que faz a arte popular deslocar-se para os carris das artes de massas, esclarece - a arte popular deve reunir duas condições de acessibilidade: a primeira é económica, a segunda condição é cognitiva. Uma arte popular não exige uma cultura de segundo nível, uma cultura clássica – a qual supõe sempre uma aprendizagem de que está arredada a maior parte das pessoas. No feliz exemplo de Pouivet, um novo registo das Variações Goldberg, de Bach, não custa mais caro que um novo cd da Celine Dion. Mas captar a diferença entre a nova interpretação da obra de Bach e os registos anteriores da mesma obra é cognitivamente inacessível à maior parte das pessoas. Eis uma razão

Grishman, um novelista que vende mais que Faulkner

para haver menos compradores para esta obra do que para a de Celine Dion. Embora Bach tenha hoje mais compradores do que nunca, persistir em ouvir música clássica e tirar o pleno proveito da mesma já exige um manejo cognitivo cujo acesso só será franqueado pelos que se tornarem amadores de música e forem pacientes para estudar os vários níveis de leitura das obras – o que não se compadece com a lógica aditiva da massificação nem com a ansiedade da novidade que as indústrias culturais herdaram das vanguardas artísticas. A arte de massas oferece-nos o que seja consumido rapidamente e não necessite do esforço da interpretação – e, por sua vez, para o consumidor, ter obnubilada a necessidade de compreender. Para ajudar-nos a entender a emergência sufocante da cultura de massas sobre os demais regimes culturais, será

útil socorrermo-nos da tipologia estabelecida pelo alemão Hans Ulrich Gumbrecht, o qual defende que o mundo está polarizado entre as culturas do sentido e as culturas da presença. As primeiras desenvolveram as tradições hermenêuticas e uma certa racionalidade afim da lógica e do discursivo. Já as culturas da presença são mais performáticas, associam-se ao corpo e desenvolvem um tipo de inteligência mais holística. O que importa realçar é que Gumbrecht sintoniza com Pouivet neste diagnóstico sobre um dos principais motivos para a adesão “sem espinhas” à arte de massas: «As finalidades da música de massas – e das artes de massas mais gerais – não são cognitivas, morais, religiosas, sociais, históricas, como o são as obras da cultura humanística. Elas são fundamentalmente afectivas» (e, neste sentido, poderão ser até terapêuticas).

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O segundo grande motivo para uma adesão decapitadora associa-se a um vector básico que separa a arte popular da arte de massas. As artes populares são de comum expressões de comunidades de que elas emanam. Há um lastro identitário. O que nos autoriza a localizar as origens do fado, do folk, da morna, do flamenco ou do sushi. Pelo contrário, as artes de massa não reflectem as comunidades que com elas se identificam. Os U2 são ouvidos por jovens holandeses, chineses ou africanos. Talvez por causa do que adianta Pouivet: «As obras da arte de massas dirigem-se ao comum denominador de seres que não partilham uma mesma cultura, no sentido humanístico, que não falam as mesmas línguas, que não vivem da mesma maneira. Madonna, os Rolling Stones, U2, mas também Matrix ou O Silêncio dos Inocentes, romance ou filme, interessam todos os seres humanos dos mais jovens aos mais idosos. Eles dirigem-se ao seu mais pequeno denominador comum não cultural.» E para interessarem a todos, esclarece o francês, a estética destes produtos desenvolve aquilo que se chamam os efeitos genéricos do humano: a amizade, o medo, a alegria, o amor, o fascínio pelas máquinas, etc. Por efeitos genéricos entenda-se o grosso modo: daí que hoje nas obras se privilegiem a estrutura sobre a linguagem e o detalhe, a funcionalidade sobre a deriva romanesca. As grandes subtilezas ficam do lado da poesia, ou do romance de cariz humanístico. Porque na verdade, mais de metade dos romances de hoje não passam do que dantes se chamavam as novelizações, ou seja, as adaptações dos filmes de êxito. Mas como vendem e estando o esforço de classificar fora de moda - ao arrepio de uma corrente que privilegia os matizes da «presença» - então os media tomam tudo por igual. E isto ajuda-nos a discernir porque, a) um novo “romance” de John Grishman, ancorado ao “género” e ao cinema, conhecerá maior sempre cobertura mediática do que uma tradução, esta sim louvável, de uma obra de Arno Schmidt, b) porque a maioria expressiva dos jornais generalistas prefere tratar preferencialmente a cultura alheia do que a nossa, dando uma menor visibilidade, atenção e credibilidade ao que se produz na nossa língua. Mas não nos adiantemos.


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26.10.2017 quinta-feira


desporto 17

Sonho dourado

PHAM

quinta-feira 26.10.2017

Atleta de Macau aponta ao primeiro lugar no Open de Taekwondo

O

Open Internacional de Macau de Taekwondo começa no sábado, no Centro Olímpico de Macau, e Nikola Maricic definiu como objectivo a conquista do ouro. O atleta que representa Macau, apesar de ter nascido na Croácia, vai actuar na classe Poomsae, em que os lutadores estão sozinhos a simular movimentos de combate e são avaliados com base nos movimentos técnicos. “Estou à espera lutar pela medalha de ouro e conquistá-la. Considero que é um objectivo possível, se durante a performance não cometer muitos erros, nem me sentir muito ansioso”, confessou, ontem, Nikola Maricic, ao HM. O atleta chega à competição do território, após ter alcançado o bronze no Campeonato Internacional de Taekwondo da Malásia, PUB

que decorreu em Agosto, na cidade de Kuala Lumpur. Na altura, Maricic tentava defender a medalha de ouro conquistada na edição do ano anterior. Contudo, o facto de não ter conseguido o objectivo, não o levou a alterar de forma radical a preparação para o torneio de Macau. “Não mudei nada na minha preparação depois do torneio em Kuala Lumpur. Na altura, apesar de não ter conquistado o ouro, fiquei contente com o bronze, por isso continuei a fazer os meus treinos com a selecção, como faço sempre. Além disso realizo as minhas sessões de treino individuais”, contou o praticante de 48 anos, que vai competir na categoria para atletas com idades entre os 41 e 50 anos.

QUESTÃO DE EQUILÍBRIO

Porém, como a simulação de combate para este torneio vai exigir aos atletas um maior

equilíbrio, esse foi um dos aspectos que o praticante trabalhou de forma mais intensa. “Desta vez apostei muito mais no equilíbrio, porque de acordo com as regras para esta competição, vai ser um dos principais aspectos a ser avaliado. Normalmente a importância atribuída aos critérios de avaliação muda consoante o torneio, assim trabalhei muito o equilíbrio de olhos fechados”, explicou Nikola Maricic. “Quero conseguir uma pontuação de oito pontos, o que no Taekwondo é uma nota mesmo muito elevada. Para se ter uma ideia, os campeões mundiais, e estamos a falar de atletas de topo, não vão além dos 8,20 ou 8,30”, acrescentou. Além de competir no sábado, Nikola Maricic vai ser júri de outras competições nos restantes dias. Uma tarefa a que está acostumado,

Nikola Maricic “Quero conseguir uma pontuação de oito pontos, o que no Taekwondo é uma nota mesmo muito elevada. Para se ter uma ideia, os campeões mundiais, e estamos a falar de atletas de topo, não vão além dos 8,20 ou 8,30”

e que diz contribuir para ser um treinador melhor. “É uma posição muito exigente porque temos de acompanhar todos os movimentos dos atletas, é um grande esforço. É também uma grande responsabili-

dade porque temos de estar atentos para retirar pontos sempre que é cometido um erro, mesmo que seja uma coisa de pormenor”, apontou. “É uma vertente muito importante, principalmente

como treinador. Se não formos bons a saber avaliar os atletas também é mais complicado conseguir ensinar bem os nossos alunos”, frisou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


18 (f)utilidades TEMPO

POUCO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

26.10.2017 quinta-feira

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | PAULA Cinemateca Paixão | 19h00

MIN

22

MAX

29

HUM

50-85%

EURO

9.49

BAHT

Amanhã

EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO DE “O TEMPO MEMORÁVEL – AS INDÚSTRIAS TRADICIONAIS DE MACAU” MAM KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | TONI ERDMANN Cinemateca Paixão | 20h00

O CARTOON STEPH

FIMM | WILLIAM SO AND THE MACAO CHINESE ORCHESTRA Venetian Theatre | 20h00

Domingo

FIMM | CONCERTO DE JAZZMEIA HORN Fortaleza do Monte | 20h00 FIMM | THE GOLDEN PEAK CCM | 20h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 MAM | Até 12/11 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 147

Cineteatro

C I N E M A

THOR: RAGNAROK SALA 1

THOR: RAGNAROK [B] Fime de: Taika Waititi Com: Chris Hemsworth, Cate Blanchett, Tom Hiddleston 14.15, 16.45, 21.45

THOR: RAGNAROK [B] [3D] Fime de: Taika Waititi Com: Chris Hemsworth, Cate Blanchett, Tom Hiddleston 19.15 SALA 2

GEOSTORM [B] Fime de: Dean Devlin Com: Gerard Butler, Jim Sturgess,

Abbie Cornish, Daniel Wu 14.30, 21.30

PROBLEMA 148

UMA SÉRIE HOJE

SUDOKU

DE

FIMM | GUIMARÃES STRING QUARTET Teatro D.Pedro V | 20h00

1.21

FLOR DE ESTUFA

FIMM | SOWETO GOSPEL CHOIR Fortaleza do Monte | 20h00

Sábado

YUAN

PÊLO DO CÃO

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | O FLORIR DE ONTEM Cinemateca Paixão | 21h30

FIMM | CONCERTO DE LUKAS GENIUSAS CCM | 20h00

0.24

Hoje acordei e imaginei uma famélica criança somali a ler posts e comentários de Facebook e a seguir vlogs de vítimas de coisa nenhuma enquanto afasta as moscas dos olhos. Depois de tomar a minha dose diária de peçonha online, reflecti no que pensaria alguém verdadeiramente oprimido das micro agressões que todos os dias se inventam pelas internets fora. Palavras que ganham o poder bélico de granadas de significado, videojogos que oprimem a dignidade feminina e todo um rol de humilhados e ofendidos por dá cá aquela palha. Estou a falar de “ofensas” não propositadas que relativizam os verdadeiros atropelos à dignidade humana. A internet tornou-se numa incubadora de auto-infligidos ultrajes, de amantes do agravo, do agastamento por uma brisa comunicacional num lugar onde as colunas vertebrais vão morrer. Muito se sofre em caixas de comentários, as cruzes que se carregam no Youtube, vias sacras onde a ofensa fácil encontra o seu calvário final. Em vez de se aceder ao conhecimento, partilham-se dores fabricadas e zipadas para consumo de banda larga. Manifestações de um excesso de mimo de uma sociedade que tudo consume, incluindo mágoa e um masoquismo inconsequente. Imagino um oficial das SS a queixar-se de uma unha rachada em frente de uma pira “holocáustica”. O mundo virtual relativiza o sofrimento que nos esforçamos para não ver, protegidos por indignações colectivas de cu sentado no sofá. Espero ter ofendido toda a gente com esta coluna. João Luz

LUM | MAMORU OSHII E KAZUO YAMAZAKI

Produzida em 1981, a série de animé Lum é baseada na banda desenhada com o mesmo nome, criada em 1979 por uma mais conhecidas desenhadoras da indústria japonesa: Rumiko Takahashi. Num misto de comédia com ficção científica, a série foca-se na relação conturbada entre a extraterrestre Lum e o humano Ataru Moroboshi. A série realizada por Mamoru Oshii, cineasta que já esteve nomeado para prémios como a Palma de Ouro ou os Leões de Ouro, permite ao espectador entrar em contacto com vários mitos e crenças da cultura folclore nipónica, que serviram de inspiração para vários episódios. João Santos Filipe

WISH UPON [C] Fime de: John R. Leonetti Com: Joey King, Ryan Phillippe, Ki Hong Lee 16.30, 19.30 SALA 3

ALWAYS BE WITH YOU [C] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Herman Yau Com: Louis Koo, Julian Cheung, Lam Ka Tung, Charlene Choi 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

quinta-feira 26.10.2017

bairro do oriente

O

ano de 2017, agora a dois míseros meses de findar, fica marcado em Portugal pela tragédia dos incêndios, marcado pelo elemento do fogo. Aqui no nosso território à beira-China plantado foram outros os elementos que contribuiram para a nossa pior memória dos últimos dez meses: a água, na sua vertente transbordada, e o ar, na sua versão de ventos ciclónicos. Foi o tufão Hato, que literalmente “sacudiu a cabana”, aos mais vários níveis. Como epílogo tivemos no final da semana passada o relatório do “Bar do Temporal gate”, publicado pela ASAE local, e que nos deixou saber detalhes do que se passa um pouco pelo mundo dos comes e bebes. Alguns deles sórdidos. Mas o que é o Bar do Temporal? Como o próprio nome indica, o Bar do Temporal é procurado pela sua clientela apenas quando chove muito, ou sopram rajadas com uma intensidade maior que o normal. Durante o resto do tempo até dá para esquecer que ele existe. A motivação é simples; o Bar do Temporal decide se a malta vai dali para casa para ouvir o vento a assobiar pela janela, ou se vai bulir, o que nesse caso costuma ser uma chatice. As críticas aparecem com frequência, nomeadamente no que diz respeito à forretice do bar, que teima servir em copinhos “de três”, enquanto a sua congénere de Hong Kong, o Stormy Weather Pub, saca muito mais facilmente dos generosos copos “de oito”. Teorias da conspiração não faltam, e entre essas há uma que fala de interferências externas, nomeadamente da parte de uns tipos que até não gostam de beber, mas mamam. E muito! Em tempos idos, o Bar do Temporal não se apresentava como uma carreira atractiva para baristas, sommeliers e técnicos de atendimento à mesa locais, pois apesar de pagar o mesmo que outros estabelecimentos do género, era mais parco no departamento dos brindes e outras ofertas - tudo isto alegadamente, entenda-se. Contudo, e com o virar do século, o Bar do Temporal ganhou um novo élan, pois ali não se fala de política (que é sempre uma coisa muito chata), e a estabilidade do tempo meteorológico que se verifica durante grande parte do ano ajuda a passar o tempo cronológico com menos stress. Tudo estava (mais ou menos) bem até um belo (ou não) dia de Agosto, que não podia ter sido o pior para o Bar do Temporal enganar-se na dose, e servir as bebidas erradas. Com a mostarda e a água do rio a subir-lhe ao nariz, a já muito impaciente clientela chateou-se a valer, demitiu-se o

O Bar do Temporal GERARD BOERSMA, BAR IN VEGAS (PORMENOR)

LEOCARDO

manager do Bar do Temporal, e veio ao terreno a ASAE dos costumes. E o que encontrou, esta espécie de ASAE, só que de colarinho? Muita coisa que uns já suspeitavam mas não tinham

a certeza, e que outros já sabiam mas não queriam dizer. Aparentemente existiam dificuldades de comunicação entre o manager e os barmen, com o primeiro a ignorar as sugestões dos segundos, e a

O Bar do Temporal decide se a malta vai dali para casa para ouvir o vento a assobiar pela janela, ou se vai bulir, o que nesse caso costuma ser uma chatice. As críticas aparecem com frequência, nomeadamente no que diz respeito à forretice do bar, que teima servir em copinhos “de três”, enquanto a sua congénere de Hong Kong, o Stormy Weather Pub, saca muito mais facilmente dos generosos copos “de oito”

confeccionar os cocktails à sua maneira. Diz-se ainda que o referido manager escolhia música a tocar do bar muitas vezes da sua casa, o que não lhe permitia detectar o ambiente nocivo que isto provocava. Não despeciendo é o comportamente da sua assistente, que mantinha uma capelinha junto do balcão, e quando fazia as suas orações perturbava os empregados, que acabam a despejar os whiskeys metade no copo, metade na mesa. Um relatório contundente. Actualmente o Bar do Temporal está sob a gestão do antigo responsável pelo Bar das Tabuletas. Será que vão soprar ventos bonançosos de pequena vaga no Bar do Temporal? Só o tempo o dirá. E o tempo, também.


Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Óscar Wilde

PALAVRA DO DIA

CABO VERDE VII ENCONTRO DE ESCRITORES DE LÍNGUA PORTUGUESA

Benfica Central peruano admite interesse das águias

Miguel Araujo, defesa de 23 anos do Alianza Lima, do Peru, assumiu, em declarações a A BOLA, que está a ser discutida uma possível mudança para a Luz. «Sei que o Benfica tem interesse em mim, soube pelo meu representante, Carlos Gonzalez, é com ele que o Benfica está a conversar», explicou o lateral direito e defesa central de 1,81 metros, que é internacional pelo seu país e esteve envolvido em recente duelo com Messi. O Peru recebeu a Argentina a 6 de Outubro, partida respeitante à fase de qualificação para o Mundial, e Miguel Araujo jogou os 90 minutos do empate sem golos. Miguel Araujo, refira-se, está em final de contrato com o Alianza e já pode assinar livremente por outro emblema. Não obstante, informa que «o Alianza é um clube que não dificulta a saída dos jogadores». Para já, diz estar «concentrado no Alianza e em ser campeão» pelo clube, que segue no segundo lugar da liga do seu país, mas sublinha que tem conhecimento de que «há interesse do Benfica já para Janeiro». E acrescenta: «Já falei, como é natural, várias vezes com Carrillo, mas sobre o Benfica nem tanto. De qualquer forma, acredito que acabarei por ir para Portugal», explicou.

Leituras na Praia

A

RRANCA amanhã mais uma edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa na cidade da Praia. Este ano, a capital de Cabo Verde recebe 26 participantes de várias áreas das letras e da comunicação, com painéis onde participam personali-

dades ligadas à literatura, cinema, televisão, rádio e internet. O encontro é organizado pela União das Cidades Capitais de Língua Portugal (UCCLA) em parceria com a vereação da cultura da Câmara Municipal da Praia. O evento procura estabelecer pontes entre as diversas disciplinas abordadas e tem

como objectivo contribuir para o diálogo e enriquecimento recíproco entre autores dos vários cantos do mundo onde se fala português. Entre os portugueses contam-se nomes como Carlos Morais José, DianaAndringa,António-Pedro Vasconcelos, José Carlos Vasconcelos, Rui Simões, Nuno Rebocho. A parti-

FC Porto Agente de Casillas reage a especulação

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Carlos Cutropia, representante de Iker Casillas, diz que «é de loucos» pensar que o FC Porto esteja a tentar libertar-se do guardaredes espanhol na reabertura do mercado de transferências, em Janeiro. «Das loucuras que vi, essa é a maior. Isso é de loucos, não há nenhum fundamento para escrever isso. Quem o escreveu saberá. Ele está tranquilo, encantado e feliz no Porto, e quer jogar, como é lógico, como qualquer profissional», afirmou o agente, em declarações à Renascença. Carlos Cutropia aproveitou, também, para negar de forma inequívoca qualquer tipo de atrito entre Casillas e Sérgio Conceição. «Não se passa nada. [Casillas] está bem, tranquilo, está a treinar-se bem e com vontade de jogar, como é lógico», reforçou, admitindo, porém, que «é estranho» ver o espanhol sentado no banco de suplentes.

O evento procura estabelecer pontes entre as diversas disciplinas abordados e tem como objectivo contribuir para o diálogo e enriquecimento recíproco entre autores dos vários cantos do mundo onde se fale português

quinta-feira 26.10.2017

cipação cabo-verdiana estará a cargo de Vera Duarte, Fátima Bettencourt, Daniel Medina, Rony Moreira, César Schofield Cardoso e Carlos Santos. Do Brasil chegam Thiago Braga e António Carlos Secchin. A representar Moçambique estará Ana Mafalda Leite, Olinda Beja representa São Tomé e Príncipe, Zezé Gamboa vem de Angola e Emílio Tavares Lima da Guiné-Bissau.

ANTES DO FESTIVAL

Em declarações à Lusa, o vereador da cultura da cidade da Praia, António Lopes da Silva referiu que os participantes do encontro vão discutir as diversas formas como a literatura penetra interdisciplinarmente no quotidiano mediático, seja na cinema, na rádio, televisão ou online. “Não vamos falar só de literatura, mas também de tudo o que está à sua volta”, salientou o autarca, referindo que o objectivo é entrar noutros campos que dominam a comunicação. António Lopes da Silva acrescentou à Lusa que “é interessante ver como nos tempos modernos a literatura também se adapta a novas formas de apresentar e discutir ideias”. O evento que reúne autores lusófonos é o aperitivo servido antes da estreia do Morabeza – Festa do Livro, organizado pelo Ministério da Cultura de Cabo Verde. O festival, também na cidade da Praia, reúne cerca de quatro dezenas de autores entre 30 de Outubro e 5 de Novembro. Os dois acontecimentos fazem parte do esforço do município da Praia para colocar a cidade na rota dos eventos culturais de relevo dentro do universo lusófono. Este é o segundo ano consecutivo em que o encontro se realiza na Praia depois das quatro primeiras edições terem sido em Natal, no Brasil, e da quinta edição em Luanda.

FILIPINAS RÚSSIA DOA CINCO MIL ESPINGARDAS NO COMBATE AO EI

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Governo da Rússia doou ontem 5.000 espingardas Kalashnikov e 20 veículos militares às Filipinas para a luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI), numa cerimónia em Manila liderada pelo Presidente, Rodrigo Duterte. O Presidente filipino presenciou a assinatura do contrato de entrega às for-

ças armadas das Filipinas do lote de equipamento militar russo, que também inclui um milhão de cartuchos de munições e 5.000 capacetes de aço. O ministro da Defesa filipino, Delfín Lorenzana, disse tratar-se de “uma doação sem custo” e que o Governo russo “quer ajudar” as Filipinas “a combater o terrorismo,

porque também lutam contra o terrorismo no seu país e ajudam na luta global contra o terrorismo”. A doação chegou um dia depois do acordo de cooperação técnica militar selado por Lorenzana e pelo homólogo russo, Sergey Shoygu, no âmbito de uma reunião de ministros de Defesa da Associação das Nações do Sudeste

Asiático (ASEAN), realizada em Clark, a cerca de 100 quilómetros a norte de Manila. Pelo acordo firmado na terça-feira ambos países cooperaram na “investigação, apoio à produção e possível intercâmbio de peritos e formação de tropas para programas conjuntos”, de acordo com o comunicado oficial.

Desde que chegou ao poder em Junho de 2016, o Presidente de Filipinas apostou em distanciar-se do tradicional aliado, os Estados Unidos, especialmente no âmbito militar, e aproximar-se à China e Rússia tanto na defesa como nas áreas diplomática e económica.

Hoje Macau 26 OUT 2017 #3923  

N.º 3923 de 26 de OUT de 2017

Hoje Macau 26 OUT 2017 #3923  

N.º 3923 de 26 de OUT de 2017

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