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CARROS E MOTAS

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

REUTERS-BOBBY YIP

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HOJE MACAU

TIAGO ALCÂNTARA

DANOS HATO

Sem prazo à vista O Governo ainda não sabe quando abre à circulação a Ponte HZM. Porém, o director da DSAT adianta que já foi criada a empresa que vai operar viagens de autocarro entre as três regiões. Macau terá direito a 16 travessias diárias de autocarro na maior ponte do mundo e a ilha artificial deverá receber cerca de 40 mil passageiros diariamente. PÁGINA 5

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SEXTA-FEIRA 25 DE MAIO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4058

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

RELAÇÕES BEM DISPOSTAS

Outro diálogo que achou particularmente curioso foi o que teve com o actor e humorista brasileiro Gregório Duvivier sobre a relação de Portugal com o Brasil. Eduardo Lourenço teve de responder à questão “como é que a perda do Brasil não nos tinha traumatizado”, uma pergunta que o obrigou a admitir que de facto a perda do Brasil não representou “um traumatismo no sentido forte do termo”. “Mas também nós não perdemos o Brasil, não perdemos nenhum sítio onde estivemos, perdemos o que devíamos perder, em relação a actos que cometemos enquanto colonizadores ao longo

EFEMÉRIDE

EDUARDO LOURENÇO MARCA 95º ANIVERSÁRIO COM “O LABIRINTO DA SAUDADE”

UM HOMEM SEM IDADE

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

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ensaísta Eduardo Lourenço, actor dele próprio no filme “O Labirinto da Saudade”, que teve ante-estreia na quarta-feira na RTP1, no dia em que fez 95 anos, afirma-se feliz com esta homenagem, mas confessa que lhe é “difícil assumir” este aniversário. “O Labirinto da Saudade”, de Miguel Gonçalves Mendes, adapta a obra homónima de Eduardo Lourenço e transporta os espectadores por uma viagem através da cabeça do pensador português, com o próprio como protagonista e narrador da história, percorrendo os caminhos da memória e cruzando-se com personalidades da cultura, com quem troca breves diálogos em busca da resposta à questão “o que é ser português”. No entanto, Eduardo Lourenço admitiu, em entrevista à Lusa, que “entrou no filme sem saber que estava a entrar num filme” e considera haver uma “tal incompatibilidade” entre ele e ser actor, que não se vê nesse papel, embora ainda não tenha visto o resultado final e nem tenha “vontade particular” de se “mirar nesse espelho”. “Aquilo era uma espécie de visita ao Buçaco [ambiente onde é filmado], sem programa propriamente dito, e a gente tinha que inventar umas situações e umas falas com muitas personagens, meus amigos ou não, quase todos eles meus amigos, e eu não podia adivinhar o que é que saía dali e continuo na mesma porque ainda não o vi”, disse. Desses diálogos, gostou particularmente do que teve com Álvaro Siza Vieira, que faz de empregado do “Bar Eternidade”, por este ser “um criador no sentido forte do termo”. “É um criador em si e isso impõe um respeito absoluto, eu estava a falar com alguém que a gente tem impressão que o que ele está, o que ele faz, o que ele propõe, o que ele fará ainda é qualquer coisa que merece atenção e que nós temos a certeza que são coisas que o futuro olhará e guardará como dignas do tempo presente que estamos vivendo”, afirmou.

25.5.2018 sexta-feira

“O Labirinto da Saudade” é o filme baseado na obra homónima do ensaísta português que celebrou, na passada quarta-feira, o 95º aniversário. Em entrevista à agência LUSA, Eduardo Lourenço fala do filme em que participou inadvertidamente, da vida e da morte, e do que é ser português. Além disso, o ensaísta sublinha que o passado colonizador do país não é motivo para que o país seja “crucificado” dos séculos”, disse, sublinhando a relação que existe com aquele país, para onde os portugueses emigravam em busca de fortuna. Sobre a ante-estreia do filme no mesmo dia em que faz 95 anos, Eduardo Lourenço considera que “será uma coincidência, que as pessoas diriam uma coincidência festiva”. “[É também] uma gentileza da parte do cineasta, de se lembrar disso, e eu parti para isso sem saber o que estava ali a fazer, pensando que fazia parte de uma leitura específica de um cineasta a respeito de uma pessoa que não é um ícone cultural propriamente dito, mas tive de me resignar a envergar esse facto durante algum tempo”, acrescentou. Eduardo Lourenço admite que é “um bom presente de aniversário”, ainda para mais tendo a ideia do filme partido de um grupo de amigos, mas confessa que, para ele, fazer 95 anos é uma “coisa sempre rara e difícil de assumir, porque é o princípio do fim”. “Todos nós estamos confrontados com essa exigência, não encaro isso como uma coisa trágica, era só o que faltava. A tragédia já é em si nós não podermos escapar àquilo

que nos espera, seria uma injustiça para todas as outras pessoas, que eram os nossos, que já morreram, que nós não fossemos capazes de suportar aquilo que eles suportaram quando chegou o fim deles. É ir para a morte como se todos aqueles que nos conheceram e nós amámos estivessem connosco”.

NÃO É PRECISO “CRUCIFICAR” PORTUGAL

Relativamente ao país, o ensaísta afirma não compreender a neces-


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sexta-feira 25.5.2018

“Aquilo era uma espécie de visita ao Buçaco [ambiente onde é filmado], sem programa propriamente dito, e a gente tinha que inventar umas situações e umas falas com muitas personagens.” EDUARDO LOURENÇO ENSAÍSTA

sidade de “crucificar” Portugal por causa do seu passado de colonizador, sublinhando que não houve maldade na génese e que o mal feito já não pode ser reparado. Eduardo Lourenço comentava, em entrevista à agência Lusa, a polémica relacionada com um possível “Museu das Descobertas”, em Lisboa, que motivou uma carta aberta, publicada em Abril no jornal Expresso, de dezenas de historiadores que se opõem ao

Na opinião de Eduardo Lourenço, as “crueldades” de Portugal não podem ser queimadas “na mesma fogueira” de outros, para salvar o país ‘a posteriori’ daquilo que já não se pode emendar

conceito por trás da designação, e teve já várias outras – a favor e contra – desde então. “Não sei por que é que neste momento parece haver uma necessidade de crucificar este velho país em função de uma intenção louvável, mas que ainda não redime aqueles que querem realmente a redenção, aqueles que foram objecto de uma pressão forte como o do nosso domínio enquanto colonizadores, de uma certa época”, afirmou.

O filósofo confessou ainda não entender este movimento, quando, independentemente das consequências negativas, como a escravidão, as descobertas tiveram na génese uma motivação “louvável” e quando tantos outros países da Europa cometeram “crueldades” muito maiores. “Já não podemos reparar nada, que essas coisas não têm reparação, mas podia ser [este movimento] um gesto que se justificasse por uma espécie de maldade particular e

única que nos afastasse da consideração de país civilizado, de um continente civilizado chamado Europa, mas não”, afirmou. Na opinião de Eduardo Lourenço, as “crueldades” de Portugal não podem ser queimadas “na mesma fogueira” de outros, para salvar o país ‘a posteriori’ daquilo que já não se pode emendar. “Uma parte desses senhores que subscrevem esse documento têm as suas razões, são historiadores, conhecem, mas houve tragédias na Europa que não são da nossa alçada, que fomos os mais pacíficos, dos povos do sul da Europa”, disse, lembrando “outras nações, outras culturas, que fizeram passar a Europa por períodos de facto muito difíceis de aprovar nas suas intenções, caso da Alemanha, da França e de outros países”. O ensaísta, que comemora 95 anos, no mesmo dia em que se deu a ante-estreia de um documentário inspirado na aua obra “O Labirinto da Saudade”, acrescentou ainda nunca ter visto “um grande discurso a autojustificar aquilo que se passou no Leste durante mais de 100 anos e que também não foi nada de que [se possam gloriar] enquanto europeus, ou simplesmente enquanto seres humanos”. “Mas enfim, cada um faz a penitência que julga mais adequada à visão que tem da História. Eles são historiadores, terão as suas razões, eu tenho a minha: acho extraordinário, num momento em que a Europa é quase toda ela democrática, que, de facto, um país com menos problemas graves e de difícil resolução no mundo seja objecto desta espécie de penitência pública”, afirmou. Evocando ainda colonizações mais violentas, como a dos espanhóis no México ou no Peru, disse: “nunca vi este acto quase de tribunal de inquisição ser convocado metaforicamente para pôr na pira a história do nosso pequeno país, que não o merece”. LUSA

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25.5.2018 sexta-feira

Canídromo Governo exige plano sobre destino dos galgos até ao fim do mês

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HATO GOVERNO ACEITA TROCA DE CARRO POR MOTA NA PROPOSTA DE BENEFÍCIOS FISCAIS

Mesmo à medida do bolso

O Governo vai permitir que os proprietários de carros danificados pelo tufão Hato possam optar pela compra de uma mota sem perder os benefícios fiscais que serão estabelecidos por lei

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S proprietários de veículos danificados pelo tufão Hato vão ter possibilidade de adquirir o tipo de viatura que mais lhes convier sem perder os benefícios fiscais propostos pelo Governo. A novidade foi revelada ontem pelo presidente da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que analisa o diploma em sede de especialidade. O diploma, aprovado unanimemente na generalidade a 19 de Abril, prevê deduções fiscais apenas na aquisição de um veículo da mesma categoria do afectado (carro por carro e mota por mota). Contudo, o

Governo cedeu, decidindo permitir a possibilidade sugerida pelos deputados a pensar em quem tem menor poder de compra. “Esta segunda reunião foi bem-sucedida”, afirmou Ho Ion Sang, dando conta que o Governo acolheu a opinião da 1.ª Comissão Permanente da AL, após ter manifestado abertura na véspera, pelo que o diploma vai ser alterado para permitir a “troca de categorias”. Apesar de a troca ter sido viabilizada, o essencial do diploma vai manter-se, havendo apenas “ajustamentos” a fazer, além de aspectos técnicos a discutir entre as assessorias do Governo e da Assembleia

Legislativa, indicou Ho Ion Sang. “Há montantes mínimos e máximos [de dedução fiscal] e isso não vai ser alterado”, esclareceu o presidente da 1.ª Comissão Permanente

“Pretendemos concluir antes das férias legislativas, porque queremos ajudar, com maior brevidade, os proprietários dos veículos danificados.” HO ION SANG DEPUTADO PUB

GABINETE PARA AS INFRA-ESTRUTURAS DE TRANSPORTES Anúncio Faz-se saber que em relação ao concurso público para a «C340B — Empreitada de construção principal para a Estação da Barra do Metro Ligeiro», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 19, II Série, de 9 de Maio de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos da cláusula 2.ª do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na sede do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, sita na Rua do Dr. Pedro José Lobo, n.º 1-3, Edifício Banco Luso Internacional, 26.º andar, Macau. A hora da realização do acto público do concurso, referida no ponto 14 do anúncio do concurso público supracitado e na cláusula 5.ª do programa de concurso, foi alterada das 10,00 horas do dia 6 de Junho de 2018 (quarta-feira) para as 09,15 horas do dia 6 de Junho de 2018 (quarta-feira). As demais informações constantes no ponto 14 daquele anúncio e na cláusula 5.ª do programa de concurso mantêm-se inalteradas. Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, aos 24 de Maio de 2018. O Coordenador do Gabinete, Ho Cheong Kei

da AL, dando um exemplo: “Se fiquei com o automóvel danificado e quero adquirir uma mota a dedução máxima também pode atingir 140.000 patacas. Por exemplo, se eu comprar uma Harley-Davidson até posso vir a beneficiar dessa dedução porque é uma mota muito cara”. O diploma prevê a dedução e restituição do imposto sobre veículos motorizados na compra de viaturas novas até dois anos a contar da data de entrada em vigor da lei. No caso de automóveis novos, o montante a deduzir oscila de 8.000 a 140.000 patacas, enquanto no dos ciclomotores varia entre 2.000 e 5.500 patacas. Em contrapartida, o Governo rejeitou outras sugestões como alargar em 30 dias o prazo definido para o cancelamento da matrícula. À luz do diploma, são apenas elegíveis os proprietários que o fizeram, até 18 de Setembro, junto da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). O Governo não abre mão e a 1.ª Comissão Permanente concorda: “Se alteramos esta data vai dar lugar a mais situações injustas porque, na altura, as pessoas já cancelaram a matrícula até 18 de Setembro”.

OS EXCLUÍDOS

Na reunião de ontem a 1.ª Comissão Permanente da

AL aproveitou ainda para insistir na situação dos proprietários de veículos danificados pelo tufão Hato que ficam de fora de qualquer benefício fiscal caso não adquiram uma nova viatura. No entanto, o Governo voltou a ser taxativo, reiterando que o objecto da proposta de lei é “muito claro”. “O diploma, que foi aprovado por unanimidade na generalidade, diz que o benefício fiscal se destina apenas à aquisição”, afirmou Ho Ion Sang. “Nós apresentamos, meramente, as nossas opiniões e o Governo ouviu”, indicou o presidente da 1.ª Comissão Permanente da AL, referindo-se a definição de eventuais outros apoios a proprietários de veículos danificados que optaram, por exemplo, por os reparar. A 1.ª Comissão Permanente da AL espera concluir a análise do diploma antes de 15 de Agosto: “Pretendemos concluir antes das férias legislativas, porque queremos ajudar, com maior brevidade, os proprietários dos veículos danificados”. O tufão Hato, que atingiu Macau a 23 de Agosto de 2017, danificou 6.521 veículos – 3.240 automóveis e 3.281 motociclos ou ciclomotores. Diana do Mar

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Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) exigiram ao Canídromo que apresente até ao fim do mês um plano concreto, e respectivo calendário, sobre o destino final a dar aos galgos. Segundo um comunicado, divulgado ontem pelo IACM, o pedido foi feito após uma reunião que teve lugar na passada quarta-feira. O IACM indicou que espera que todos os animais que se encontram no Canídromo possam ser adoptados, tendo ainda sublinhado a disponibilidade para prestar apoio técnico. Salientando que há um grupo de defesa dos animais que encontrou pessoas com vontade de adoptar os galgos, numa aparente alusão à Anima, o organismo indicou ter sugerido ao Canídromo para cooperar com grupos locais e do exterior com o intuito de procurar adoptantes para os cães. No comunicado, o IACM refere ainda que o Canídromo reconheceu que tem a responsabilidade de prestar cuidados adequados aos galgos, tendo mencionado que estabeleceu um programa de registo de adopção, através do qual foram, contudo, registados poucos casos. O Canídromo, por seu turno, segundo a mesma nota, revelou que há um plano preliminar relativo ao destino final dos galgos, indicando que poderá haver cooperação com grupos da China e do exterior por forma a arranjar um lugar para os animais. O Canídromo - considerado uma das mais cruéis pistas de corrida de galgos do mundo por organizações internacionais - vai fechar em Julho. V.N.


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sexta-feira 25.5.2018

PONTE HZM GOVERNO ANUNCIA CRIAÇÃO DE CONSÓRCIO PARA OPERAR AUTOCARROS

Passagem sem data certa

O Governo ainda não consegue avançar uma data para o início de operações da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, mas já foi criada uma empresa que vai ser responsável pelas viagens de autocarros. Macau terá direito a 16 viagens diárias para Hong Kong. Estima-se que a ilha artificial fronteiriça de Macau tenha capacidade para receber uma média de 40 mil pessoas por dia

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um capital social de cinco milhões de patacas. A informação foi avançada ontem pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), depois da realização da terceira reunião do Conselho Consultivo do Trânsito, que serviu para debater o programa de quotas para estas viagens. Macau terá direito a 16 viagens diárias, en-

quanto que Hong Kong terá direito a 34 viagens de autocarro. Estima-se que a ilha artificial fronteiriça de Macau receba, em média, 40.000 pessoas por dia. Já o volume diário de tráfego na ponte deverá atingir os 29.100 veículos em 2030, segundo a previsão da DSAT. Lam Hin San, director da DSAT, frisou que estes números

são razoáveis para as duas regiões administrativas especiais. “Prevemos que haveria mais pessoas a viajar de Hong Kong para Macau, pois tem uma população de sete milhões de pessoas. Esta é uma proporção adequada de quotas. As condições são diferentes e consideramos que esta é uma situação equilibrada para ambas as partes.”

RÓMULO SANTOS

M consórcio composto por empresas dos três territórios responsáveis pela construção da maior ponte do mundo vai operar as viagens de autocarros entre Zhuhai, Hong Kong e Macau. O concurso público foi organizado pelas autoridades do interior da China e a empresa tem

Lam Hin San, director da DSAT “Ainda não há data para a abertura ao trânsito da nova ponte, as três partes ainda estão a dialogar. Da parte de Macau não temos qualquer informação quanto à data de funcionamento, não há sequer uma estimativa porque há ainda muitos trabalhos a concretizar, que envolvem vários serviços públicos”

FUSÃO DE OPERADORAS DE AUTOCARROS: “NÃO FALHÁMOS NA LIBERALIZAÇÃO”

ESTACIONAMENTO: 40 POR CENTO NÃO PAGA PARQUÍMETROS

director da DSAT rejeitou ontem a ideia de que o Governo tenha falhado o objectivo de liberalizar o mercado das concessionárias de autocarros, uma vez que a TCM vai fundir-se com a Nova Era, que um dia foi Reolian. Quanto aos ordenados e regalias dos trabalhadores, deverão manter-se sem mudanças. “O mesmo número de trabalhadores, 1100, vai manter-se, o que vai permitir uma melhor gestão de recursos e a prestação de um melhor serviço. Pode existir uma renovação dos equipamentos”, adiantou Lam Hin San.

am Hin San adiantou ontem que cerca de 40 por cento das pessoas que estacionam nas vias públicas não pagam o parquímetro, o que vai obrigar as autoridades a instalar mil sensores nos veículos, a título experimental. “Quanto ao estacionamento nas vias públicas, as concessionárias já introduziram normas nos parquímetros e não houve uma grande mudança em termos de ocupação. Quase 40 por cento não pagaram o estacionamento nas vias públicas. No futuro, vamos instalar censores nos veículos e, através de uma aplicação de telemóvel, será possível avaliar se o estacionamento foi ou não pago. Vamos instalar mil sensores a título experimental, nas vias com mais movimento, e podemos elevar o cumprimento das regras e permitir uma maior mobilidade.”

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Contudo, este número de viagens poderá vir a ser alterado no futuro. “Se notarmos uma grande necessidade, poderemos aumentar o número de viagens.” A cada quinze ou 30 minutos haverá um autocarro disponível para circulação. As operadoras de jogo vão também participar neste plano. “Cada casino poderá fornecer dois autocarros para a circulação entre os postos fronteiriços e os terminais marítimos, para que haja uma partilha de recursos. Vão também operar autocarros amigos do ambiente. A cooperação com hotéis e casinos vai permitir uma redução de despesas de gestão.” Além disso, a DSAT vai passar a operar duas rotas, 101X e 102X, que farão depois o percurso da fronteira na ilha artificial até ao centro da península e também da Taipa.

ESTACIONAMENTO POR RESERVA

No que diz respeito aos veículos particulares, a Zona de Administração de Macau na Ilha Fronteiriça Artificial, junto à Areia Preta, será dividida em duas zonas, para facilitar o estacionamento dos carros. Quem vem de Hong Kong terá de reservar o seu lugar no parque do lado leste. “Os carros particulares terão de marcar previamente o lugar de estacionamento através de uma aplicação de telemóvel, bem como fazer o respectivo pagamento. Pode estar estacionado o máximo oito dias”, explicou Lam Hin San. Do lado leste haverá 70 lugares no auto-silo para camionetas e outro tipo de transporte público, como os táxis. “Achamos que é suficiente para as futuras necessidades”, adiantou o director da DSAT. Quem vive em Macau pode estacionar do lado oeste, cujo parque de estacionamento tem um total de cinco mil lugares para veículos e motas. Ainda sem planos para o transporte de mercadorias e respectivas quotas, a DSAT anunciou o pagamento do valor adicional de dez patacas nos táxis para quem se dirigir à fronteira localizada na ilha artificial. À medida que estes detalhes legislativos e administrativos vão sendo preparados, permanece por desvendar a data de abertura da nova ponte HZM ao trânsito. “Ainda não há data para a abertura ao trânsito da nova ponte, as três partes ainda estão a dialogar. Da parte de Macau não temos qualquer informação quanto à data de funcionamento, não há sequer uma estimativa porque há ainda muitos trabalhos a concretizar, que envolvem vários serviços públicos. Terá de haver uma coordenação entre os três governos, só aí haverá uma data concreta”, concluiu Lam Hin San. Andreia Sofia Silva

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25.5.2018 sexta-feira

SAÚDE MENOS CENTROS DE CUIDADOS PRIMÁRIOS MAS MAIS CONSULTAS EM 2017

Quando pouco é mais Macau tinha menos estabelecimentos de cuidados de saúde primários no ano passado, mas registou mais consultas

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oferta de centros de saúde públicos e consultórios particulares encolheu, mas o número de consultas aumentou. É o que dizem as estatísticas da saúde de 2017 divulgadas ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Em concreto, ao longo do ano passado, nos 702 estabelecimentos de cuidados de saúde (menos 17 do que em 2016) foram realizadas mais de quatro milhões de consultas, traduzindo uma subida ligeira de 0,9 por cento. Este universo inclui 14 centros de saúde públicos e 688 consultórios particulares, dos quais quatro em cada dez eram policlínicas. Em alta esteve também o número de profissionais de saúde. De acordo com dados fornecidos pelos Serviços de Saúde, existiam 1.730 médicos (mais quatro) e 2.397 enfermeiros (mais 55). Em 2017, o número de médicos por cada mil habitantes correspondeu

a 2,6 – abaixo do rácio de 2,7 em 2016 – enquanto o de enfermeiros foi de 3,7 – acima do de 3,6. Segundo a DSEC, ao serviço dos hospitais estavam 821 médicos (mais 34), um quinto dos quais com menos de 35 anos. Do total, 531 eram médicos especialistas (mais 26). Já os enfermeiros eram 1.735, ou seja, mais 43 do que em 2016. Em termos de camas de internamento não houve grandes mexidas, dado que os hospitais disponibilizavam 1.596 ou mais cinco do que em 2016. O rácio era de 2,4 camas de internamento por 1.000 habitantes (ou seja, menos 0,1 camas face a 2016).

MAIS INTERNAMENTOS

Ao longo do ano passado estiveram internados 58.846 doentes – mais 1,8 por cento em termos anuais. Neste âmbito, destaca-se o crescimento (de 23,4 por cento) do universo de pacientes com menos de 15

anos. O número médio de dias de internamento foi de 7 dias (menos 0,1 dias face a 2016), com a taxa de utilização das camas (70,8 por cento) a cair pelo segundo ano consecutivo. Segundo a DSEC, tal explica-se com o facto de o número médio de dias de internamento dos doentes ter diminuído e o do de camas de internamento ter aumentado.

Macau contava, no ano passado, com médicos e enfermeiros

2.397

1.730

Já nas consultas externas os cincos hospitais de Macau atenderam mais de 1,69 milhões de pessoas, valor que traduz uma subida de 4 por cento em relação a 2016. Em contrapartida, baixou ligeiramente (0,9 por cento) para 473.000 o número de atendimentos no serviço de urgências. Segundo a DSEC,

foram registados 100 mil tratamentos de diálise (mais 9,4 por cento face a 2016), os quais aumentaram pelo oitavo ano consecutivo. Ao longo de 2017, foram administradas 365.000 doses de vacinas nos hospitais e nos estabelecimentos de cuidados de saúde primários, ou seja, mais 18,6 por cento, em termos anuais. Do total, 109.000 doses, ou quase três em cada dez, eram de vacinas contra a gripe. Segundo a DSEC, foram ainda notificados 9.929 casos de doenças de declaração obrigatória – mais 9,5 por cento. A influenza (4.110) surge à cabeça, seguida da infecção por enterovírus (3.398), num pódio que fica completo com a varicela (697). Já as dádivas de sangue subiram de 14.288 para 21.220 em 2017, ano em que havia 10.391 dadores efectivos (menos 357), dos quais 2.951 foram doar sangue pela primeira vez (menos 287). Diana do Mar

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METRO LIGEIRO PRIMEIRAS CARRUAGENS CHEGAM AO PARQUE DE MATERIAIS O Parque de Materiais e Oficina recebeu ontem as primeiras quatro carruagens do metro ligeiro, estando previsto que seis outras sejam transportadas hoje a partir do Porto de Ká-Hó, em Coloane. Segundo o Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT), os trabalhos de construção do Parque de Materiais e Oficina “estão a ser promovidos de forma ordenada”. “A construção principal da zona de estacionamento de comboio, linha de ensaio, e edifícios funcionais encontra-se basicamente concluída,

estando em condições para armazenamento e ensaio das carruagens”, indicou o GIT em comunicado. No início de Março, o Tribunal de Segunda Instância anulou a adjudicação da empreitada de construção da superstrutura do Parque de Materiais, que é fundamental para o metro ligeiro. Segundo a decisão judicial, a Comissão de Avaliação das Propostas violou critérios previamente definidos e a obra terá que voltar a ser atribuída. Dias depois, o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, garantiu que o Governo ia recorrer.

BIBLIOTECAS ASSOCIAÇÕES PEDEM MELHORIAS NA GESTÃO DOS ACERVOS

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vice-presidente do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, Chan Ka Leong, pede que o Executivo aperfeiçoe as políticas de gestão do acervo bibliográfico e aproveite eficazmente os serviços electrónicos para gerir recursos.  A ideia foi deixada pelo responsável ao jornal Ou Mun, em reacção ao relatório do Comissariado da Auditoria (CA) divulgado na quarta-feira que denunciava as falhas na gestão do acervo das bibliotecas públicas de Macau por parte do Instituto Cultural (IC) Para Chan Ka Leong os livros das bibliotecas públicas são ferramentas importantes para a educação da população e

divulgação de conhecimento, sendo que na ausência de uma boa gestão das bibliotecas públicas, os trabalhos destas instituições relativos à educação e à promoção da leitura podem estar comprometidos. Os atrasos no processamento do acervo bibliográfico surgiram devido à má gestão por parte do Instituto Cultural, referiu o responsável que considera que o Governo deve agora assegurar melhorias. Por sua vez, o presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, Lei Leong Wong, criticou o IC pela desvalorização dos trabalhos de gestão de livros. Para o responsável, esta situação afecta os interesses públicos e é um desperdício de dinheiros públicos. Face a esta situação, o presidente pede que o IC avance com melhorias tendo como base o relatório do CA.


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sexta-feira 25.5.2018

PEARL HORIZON LESADOS DUVIDAM DA PROPOSTA DO GOVERNO

Governo, tendo acusado os lesados de não terem acautelado os riscos de adquirirem casas ainda em construção.

Princípio da incerteza

DEPUTADOS ATENTOS

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Lesados e deputados da Assembleia Legislativa já se pronunciaram quanto à solução apresentada esta quarta-feira pelo Governo relativa ao terreno onde iria nascer o edifício residencial Pearl Horizon. Nem todos concordam com a obrigatoriedade de investir novamente nos apartamentos

as suas casas de volta e ver o edifício construído. Acreditamos no sistema vigente em Macau, pagámos os impostos e cumprimos o que estava no contrato assinado com a Polytex. Somos funcionários públicos, advogados e muitas pessoas trabalharam arduamente para conseguir comprar uma casa.” Delia garante que a devolução dos impostos de selo

já pagos pouco ou nada vai contribuir para melhorar a situação. “As pessoas sabem a maior parte dos detalhes através da comunicação social. Estas precisam de ter conhecimento dos detalhes do caso e achamos que seria legível termos as nossas casas de volta.” A solução proposta pelo Executivo não prevê o pagamento de indemnizações

“No geral, todas as famílias que investiram em propriedades só querem ter as suas casas de volta e ver o edifício construído. Acreditamos no sistema vigente em Macau, pagámos os impostos e cumprimos o que estava no contrato assinado com a Polytex.” DELIA LESADA DO PEARL HORIZON

UM Departamento de Português com tese de doutoramento em tradução literária

“Tradução de Obras de Jorge Amado na China: um Estudo de Relações entre Tradução e Poder” titula a primeira tese de doutoramento na área da tradução literária do Departamento de Português da Universidade de Macau (UM), defendida na segunda-feira. Em comunicado, a instituição indica que o estudo se concentra na tradução de obras literárias do autor brasileiro em diferentes períodos históricos da China e nos factores do contexto chinês que influenciaram essa tradução desde 1949. A autoria é de Zhang Jianbo, que teve Yao Jingming, director do Departamento de Português da UM, como orientador e Carlos Gohn, professor Catedrático da Universidade Federal de Minas Gerais, como co-orientador.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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M Abril do ano passado os rostos de muitos dos lesados do Pearl Horizon carregavam consigo preocupação e tristeza. Meses depois, após o Tribunal de Última Instância (TUI) ter recusado o recurso da Polytex, o que confirma a devolução do terreno ao Governo, os rostos carregam a certeza de que o futuro será mesmo difícil. Delia é uma das investidoras e assumiu ao HM não concordar com a solução apresentada esta semana pelo Governo, que implica a nova construção do edifício residencial, que obriga os investidores à compra dos apartamentos pela segunda vez. “No geral, todas as famílias que investiram em propriedades só querem ter

pelo dinheiro que já foi pago à Polytex, apesar da decisão do tribunal que obrigou a empresa a devolver o dinheiro a um investidor. Delia não soube especificar ao HM quantas pessoas terão recorrido aos juízes para reaver o dinheiro que continuam a pagar aos bancos. “Agimos de forma individual neste caso, não posso responder a essa questão. Somos entidades legais perante a lei e cada um pode tomar a sua própria decisão no que diz respeito a esse caso.” Sobre este assunto, várias figuras do sector bancário disseram ao jornal Ou Mun, sem que tenham sido identificadas, que a proposta avançada pelo Governo representa um avanço, mas que é necessário consultar as opiniões da população.

O sector alerta que é necessário que a Polytex chegue a acordo com os lesados, para que estes recuperem o dinheiro, uma vez que estes vão necessitar de fundos para comprar novamente as casas. O programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, foi ontem dedicado à proposta do Governo. Vários lesados telefonaram a criticar a solução apresentada pela secretária Sónia Chan, Inclusivamente, um ouvinte, de apelido Lei, adjectivou a mesma de “irracional”, tendo lembrado que o Governo tem culpas nesta matéria. Um outro ouvinte, de apelido Ng, revelou preocupação com os futuros preços das fracções, além de que não sabe se pode vender a casa posteriormente. Um outro ouvinte defendeu o PUB

Entretanto, vários deputados da Assembleia Legislativa (AL) já reagiram a esta solução. Zheng Anting frisou que esta não garante o respeito pelos direitos e interesses dos promitentes compradores, tendo voltado a insistir na necessidade de rever a Lei de Terras, implementada em 2013, para que fique claro a quem se pode imputar a responsabilidade: ao Executivo ou concessionário. Para Ho Ion Sang, a proposta avançada revela boa-fé por parte dos governantes, sendo “aceitável”. Contudo, o deputado pede que sejam adiantados mais pormenores para que se chegue a um consenso, além de que é fundamental ajudar os lesados que não vejam o seu dinheiro devolvido pela Polytex. Si Ka Lon pede que a empresa assuma as suas responsabilidades a nível jurídico e empresarial, e que avance ela própria com uma proposta de resolução. Quanto ao Governo, o deputado entende que deve prestar mais esclarecimentos sobre as casas que serão construídas no futuro no terreno. Andreia Sofia Silva e Vítor Ng info@hojemacau.com.mo


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ARTES PLÁSTICAS ALICE KOK APRESENTA A EXPOSIÇÃO “EMPTINESS IS FORM” NA AFA

Arte efémera

Artur Barrio expõe no Museu Rainha Sofia

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MA exposição dedicada ao artista português Artur Barrio, conhecido por usar materiais perecíveis nas suas obras está patente no Museu Rainha Sofia, em Madrid, com documentos e registos do seu arquivo, e uma intervenção no espaço museológico. "Experiencias y situaciones" (“Experiências e Situações”, em português) é o título desta exposição, com curadoria do português João Fernandes, que ficará patente até 27 Agosto no Museu Rainha Sofia, de acordo com o sítio ´online´ da entidade. Nascido no Porto, em 1945, mas a residir no Rio de Janeiro desde 1955, Artur Barrio venceu o Premio Velázquez de Artes Plásticas 2011, e foi galardoado com o Grande Prémio Fundação EDP Arte 2016. Num texto ´online´ sobre o artista, o museu considera-o "uma das figuras essênciais das artes de acção e dos conceptualismos da América Latina desde finais dos anos sessenta, quando irrompeu a cena criativa brasileira num contexto marcado pelas transições políticas, e crescente repressão pela ditadura militar".

DUAS VERTENTES

A mostra articula-se em duas salas: na primeira, é

traçado um itinerário histórico através de documentos do arquivo do artista, fotografias, manifestos, através das quais ficaram registadas as situações e experiências realizadas em diferentes lugares ao longo da carreira. Entre as obras estão "Áreas sangrentas” (1975), "Des.Compressão" (1973), "O Livro da Carne" (197879), entre outras. Na segunda sala, apresenta-se uma experiência ´in situ´ realizada pelo artista antes da abertura da mostra, na qual interfere com as dinâmicas produtivas da instituição e cria fricções com a normalidade diária do seu funcionamento. A obra de Artur Barrio constitui um exemplo radical do modo como a arte pode renunciar à sua objectualidade, na crítica que faz às condições de produção, circulação e consumo da sociedade contemporânea. "As intervenções no espaço público e a busca de um lugar de expressão à margem das instituições artísticas confluem neste criador como um signo de resistência que poetiza a vida quotidiana. Nessas acções, o corpo do artista situa-se no centro de uma crítica à coerção social", acrescenta o texto do museu. LUSA

É inaugurada hoje, na AFA, a exposição “Emptiness is form” da artista local, Alice Kok. A mostra reúne um conjunto de trabalhos que pretende questionar a percepção do público acerca do que existe. Vídeo, fotografia, instalações e formas geométricas são os veículos usados pela artista para abordar a espiritualidade que encontrou no budismo

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MPTINESS is form” é o nome da exposição individual de Alice Kok que é inaugurada hoje nas instalações da Art for All society (AFA). O conceito que deu nome a esta mostra foi inspirado numa frase dos escritos budistas tibetanos. “Form is emptiness and emptiness is form”, transmite a ideia completa a partir da qual exploro a relação entre o vazio e a forma”, conta Alice Kok ao HM. Para a artista, importa trabalhar o modo como as formas são percebidas, sendo que “a ideia budista de vazio não tem que ver com a inexistência, ou com o nada, mas com o facto de que tudo o que existe se relaciona entre si”, explica. É esta relação contínua que dá origem ao mundo e à natureza como um todo, considera Alice Kok. “O nada acontece quando alguma coisa está só e independente de tudo o resto. A natureza que

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O REI DA BOLA • José Jorge Letria A História de Eusébio contada aos mais novos. Rodrigo, Martim, Luisa e Afonso mal podiam acreditar nos seus olhos. Eusébio da Silva Pereira, o mítico Pantera Negra, ídolo de várias gerações, descia do pedestal da sua estátua no Estádio da luz para partilhar com eles a história da sua vida, dos seus sonhos de menino e da ascensão à categoria de símbolo desportivo aquém e alémfronteiras. É este o ponto de partida para esta biografia assinada pela mestria de José Jorge Letria e ilustrada por Alberto Faria, onde vais ficar a conhecer a vida e a carreira de um dos maiores futebolistas de todos os tempos.

é uma só, está em inter-acção com tudo”, refere.

CONCEITO PERMANENTE

A exploração do conceito de vazio não é novo no trabalho da artista. Há cinco anos criou "Nada acontece". A peça “é uma instalação que pretendia criar o efeito de uma miragem”, refere. “Nada acontece” vai estar exposta também na AFA acompanhada de outros trabalhos. Um dos destaques da exposição é uma instalação em forma de pirâmide. Para a produção desta peça, Alice Kok convidou alguns amigos para meditarem com ela, durante seis minutos, no estúdio onde trabalha. As sessões foram filmadas e o resultado foi a produção de um vídeo que integra esta peça. A estrutura da pirâmide é feita num ângulo de 51 graus, a razão para este detalhe geográfico está relacionado com as teorias acerca da construção das pirâmides do Egipto. "Muitos creem serem construções

receptoras de energia", comenta. Para a artista, a obra reflecte uma expressão de unicidade das coisas e da sua relação constante.

GEOMETRIA SAGRADA

Por outro lado, a ideia de construir uma pirâmide vai de encontro ao que Alice Kok tem por hábito usar nas suas peças – a geometria. “Achei

“A ideia budista de vazio não tem que ver com a inexistência, ou com o nada, mas com o facto de que tudo o que existe se relaciona entre si.” ALICE KOK ARTISTA PLÁSTICA

esta ideia muito interessante até porque tenho trabalhado muito com formas geométricas", refere. É também na conjugação geométrica que a artista recriou um carácter chinês que será exibido em grande escala. “Por detrás das linhas há o significado, há uma forma muito geométrica e isto também está relacionado com a possibilidade de reconhecer algo através da forma”, explica. Foi ainda com a forma em mente que foi desenvolvido outro trabalho que integra a exposição que abre hoje ao público. "A montanha de plástico" é uma obra em que Alice Kok usa sacos de plástico para criar a forma de uma montanha. “O objectivo aqui foi dar a ideia de plasticidade artística ao mesmo tempo que se usa o próprio material”. O resultado é a criação de

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“uma montanha que não é uma montanha, mas apenas a sua imagem”. De acordo com Kok, é possível perceber a ideia pensando no trabalho de René Magritte, "Ceci n'est pas une pipe". A mostra conta ainda com um trabalho em que a artista usa polaroides. "Este tipo de fotografia não é reproduzível, só se pode tirar uma vez", conta. Nesta peça, Alice Kok coloca as imagens instantâneas em água. “A sua dissolução transmite a impermanência das coisas que é aplicável a tudo”, esclarece.

INSPIRAÇÃO BUDISTA

Alice Kok começou a interessar-se pelos conceitos budistas, que agora explora, depois de se formar, em 2004, em França. "Fiz uma viagem à Índia e ao Tibete que me mudou a vida”, aponta.

Na Índia, a artista visitou uma comunidade tibetana onde conheceu refugiados tibetanos que não estavam autorizadas a regressar a casa para visitar os seus familiares. Ao deparar-se com esta situação resolveu fazer um trabalho em vídeo. “Coloquei estas pessoas a falarem em frente a uma câmara para comunicarem com as suas famílias. Depois levei esses vídeos comigo ao Tibete. Encontrei uma das famílias envolvidas e mostrei-lhe estas imagens. Filmei a resposta e trouxe-a de novo à Índia, a estas pessoas refugiadas”, recorda Alice Kok. O vídeo foi feito há cerca de dez anos, mas até hoje, é para a criadora local, o seu mais importante trabalho. "Encheu-me a vida e a minha perspectiva do que é arte”, aponta. Foi também nesta altura que teve o primeiro contacto com o budismo tibetano. A vida em Macau tinha-lhe transmitido uma visão diferente daquela que encontrou nas montanhas da Índia. “A ideia que tinha de budismo em Macau era errada. Aqui as pessoas vão ao templo pedir para terem dinheiro e isso para mim era uma superstição. Não conhecia realmente o que o budismo dizia, nem a sua filosofia. Em Macau, o budismo não tem relação propriamente com a filosofia que o criou”, refere. Desde então, a inspiração de Alice Kok tem sido, independentemente da forma, inspirada nesta filosofia. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Música Concertos hoje e amanhã no LMA

A música ao vivo será o prato forte, como é habitual, no Live Music Association (LMA) este fim de semana. Hoje é o dia de os “Le Syndicat Du Chrome” mostrarem o jazz afrofunk que têm vindo a produzir ao longo da sua carreira. O som que mistura jazz, groove e uma panóplia variada de ritmos nasceu quando os músicos se juntaram em 2013. A banda francesa, que mistura sons de todas as tendências, vai estar em Macau para um concerto único. Amanhã é a vez dos “THE ROOMS” subirem ao palco da Coronel Mesquita. O projecto, que nasceu em Odivelas há cerca de cinco anos, partiu da criatividade musical de João Gonçalves e tem contado com a colaboração de músicos de várias partes do mundo. A formação está agora em Macau, pronta para animar o serão de sábado no LMA.


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IMPOSTOS CHINA CONTRA “ABUSO” DE WASHINGTON DA LEI DE SEGURANÇA NACIONAL

Taxas defensivas

A China opôs-se ontem a que os Estados Unidos “abusem da cláusula da segurança nacional”, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter sugerido um aumento dos impostos sobre veículos importados com aquele argumento

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QUELA decisão "prejudicará o sistema de comércio multilateral e perturbará a ordem do comércio internacional", afirmou Gao Feng, porta-voz do ministério chinês do Comércio, numa conferência de imprensa, em Pequim. "Seguiremos de perto o desenvolvimento da investigação nos EUA e faremos uma revisão sobre o possível impacto", acrescentou o porta-voz, insistindo que Pequim velará pelos seus interesses e direitos legítimos. A reacção chinesa surge depois de Trump aludir a motivos de segurança nacional para justificar novos impostos, como fez anteriormente, quando subiu as taxas alfandegárias sobre o aço e alumínio importados. A possibilidade de Washington subir os impostos sobre veículos importados surge dois dias depois de a China anunciar um corte nas taxas alfandegárias para veículos importados, de 25 por cento para 15 por cento, e para 6 por cento, nos componentes automóveis. Os dois países têm estado em negociações, ao longo do último mês, para evitar uma guerra comercial, depois de Trump ter ameaçado subir os impostos sobre um total de 150.000 milhões de dólares de exportações chinesas para os EUA. O Presidente norte-americano, Donald Trump,

A reacção chinesa surge depois de Trump aludir a motivos de segurança nacional para justificar novos impostos, como fez anteriormente, quando subiu as taxas alfandegárias sobre o aço e alumínio importados

Nem tuge, nem Muji exige a Pequim uma redução do défice dos EUA em "pelo menos" 200.000 milhões de dólares, até 2020, visando cumprir com uma das suas principais promessas eleitorais. Trump quer ainda taxas alfandegárias chinesas equivalentes às praticadas pelos EUA e que Pequim ponha fim a subsídios estatais para certos sectores industriais estratégicos. Na próxima semana, o secretário norte-americano do Comércio, Wilbur Ross, deve visitar Pequim para continuar as negociações. "A China dá boas-vindas a que os EUA enviem uma delegação de alto nível (…) e espera que, através dos esforços conjuntos de ambos os países, se promova a colaboração económica e comercial entre ambas as partes e se obtenham resultados positivos", disse Gao. Numa declaração conjunta, difundida no domingo passado, ao fim de dois dias de conversações, em Washington, Pequim concordou em "aumentar significativamente" as suas compras de produtos agrícolas e recursos energéticos norte-americanos. O documento não prevê, no entanto, que a China pare de subsidiar indústrias chave e garanta uma melhor protecção dos direitos de propriedade intelectual das empresas norte-americanas, as principais fontes de tensões entre os dois lados. Pelas contas de Washington, no ano passado, a China registou um excedente de 375,2 mil milhões de dólares - quase o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) português - no comércio com os EUA.

PACÍFICO ESTADOS UNIDOS EXCLUEM CHINA DE EXERCÍCIOS MILITARES

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S Estados Unidos anunciaram a retirada de um convite enviado à China para a participação em exercícios militares no Pacífico, em protesto contra a militarização por Pequim de diversas ilhas disputadas. “Temos provas claras do facto de a China ter deslocado mísseis antinavios e mísseis terra-ar, para além de equipamentos electrónicos, para as ilhas

disputadas das Spratleys, no mar da China”, indicou o tenente-coronel Chris Logan, um porta-voz do Pentágono. “Retirámos o nosso convite à Marinha da República Popular da China para o exercício” Anel do Pacífico (RIMPAC), acrescentou, numa referência aos mais importantes exercícios navais do mundo e nos quais participam de dois em dois anos perto de 30 países.

A edição deste ano deve decorrer entre 27 de Junho e 2 de Agosto. “A China mantém que as construções nestas ilhas se destinam a garantir a segurança no mar, a assistência à navegação, as operações de busca e salvamento no mar e ainda a proteção dos pescadores”, prosseguiu o tenente-coronel Logan. “Mas a deslocação destes armamentos apenas pode servir para uso

militar” numa zona marítima por onde transita cerca de um terço do comércio mundial, acrescentou, antes de considerar que “o comportamento da China não é compatível com os princípios e os objectivos do exercício RIMPAC”. A China participou em dois destes exercícios, em 2014 e 2016, e os que decorrem em 2018 assinalariam a terceira participação de Pequim.

Por motivos históricos, a China reivindica numerosas ilhas e recifes no mar da China meridional, designadamente o arquipélago das Spratleys, entre o Vietname e as Filipinas. Em 2016, uma arbitragem internacional não foi favorável à China, enquanto os países vizinhos (Vietname, Filipinas, Malásia, Brunei) mantêm reivindicações que muitas vezes colidem.

Marca japonesa multada por identificar Taiwan como país

A

marca japonesa Muji foi multada na China por vender produtos cuja etiqueta identifica Taiwan como o país de origem, ilustrando os crescentes esforços de Pequim para impor as suas noções geopolíticas a empresas estrangeiras. O jornal chinês Shine informou ontem que a empresa foi multada em 200.000 yuan (26.700 euros), por violar a Lei da Publicidade, que proíbe qualquer acção "prejudicial à dignidade ou interesses nacionais e divulgue segredos de Estado". Segundo as autoridades, a Muji infringiu aquela lei ao classificar Taiwan como um país. Em Agosto passado, a Muji vendeu na China 119 estendais com a etiqueta "país de origem: Taiwan". Também nos últimos meses, o Governo chinês exigiu a várias companhias aéreas que passassem a referir-se a Taiwan nos seus portais electrónicos e mapas como "Taiwan, China" ou "Taiwan, República Popular da China". Na semana passada, o retalhista de vestuário norte-americano Gap pediu desculpa à China por ter vendido t-shirts com um mapa "errado" do país, que exclui Taiwan. Em Janeiro, a marca têxtil espanhola Zara, a companhia aérea norte-americana Delta Airlines e a fabricante de equipamento médico Medtronic pediram também desculpa por se referirem a Taiwan como um país nos seus 'sites'. Críticos afirmam que a crescente pressão exercida pela China, usando o seu poderio económico para forjar novas normas internacionais - neste caso o estatuto de Taiwan - gera preocupações sem precedentes. "O que está aqui em jogo é que nós estamos a permitir que um regime revisionista, com um historial terrível no que toca a liberdade de expressão, dite o que nós dizemos e escrevemos nos nossos países", afirmou J. Michael Cole, pesquisador do China Policy Institute e do programa de estudos de Taiwan na Universidade de Nottingham, citado pela Associated Press. "Se Pequim não se deparar com limites, vai continuar a pedir mais", acrescentou.


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UMAcarta dirigida a Kim Jong-un, Trump informa que o encontro não terá lugar. “Estava muito ansioso por me encontrar lá consigo. Infelizmente, tendo em conta a raiva tremenda e hostilidade aberta demonstrada na sua declaração mais recente, considero ser inapropriado, neste momento, realizar este encontro, há muito planeado”, diz o Presidente dos EUA, na missiva. O cancelamento da cimeira acontece depois dos Estados Unidos e Coreia Sul terem realizado exercícios militares na península e das declarações do vice-presidente norte-americano. Aliás, uma alta responsável da diplomacia norte-coreana classificou também ontem de "idiotas e estúpidos" os comentários do vice-Presidente norte-americano e avisou que a Coreia do Norte poderia reconsiderar a cimeira planeada com o Presidente Donald Trump. "Não posso esconder a minha surpresa perante as observações idiotas e estúpidas vindas da boca do vice-Presidente norte-americano", salientou a vice-ministra norte-coreana dos Negócios Estrangeiros, Cheo Son-hui, em declarações citadas pela agência de notícias oficial do país, a KCNA. A governante norte-coreana referia-se a uma entrevista ao vice-presidente norte-americano, Mike Pence, no canal de televisão Fox News, na segunda-feira, e na qual este afirmava que o processo de desnuclearização da Coreia do Norte podia seguir o modelo da Líbia, que terminou com a morte de Muammar Kadhafi, após este ter renunciado ao projecto de construir a bomba atómica. Cheo Son-hui questionou ainda se valeria a pena realizar a cimeira com Donald Trump se estas

O

primeiro-ministro timorense afirmou ontem ter dado instruções aos membros do Executivo para prepararem relatórios para a transição para o VIII Governo, que poderá tomar posse em Junho. "Dei orientações nesse sentido. O meu gabinete também está a preparar isso", confirmou, em declarações aos jornalistas. "Eu tenho sentido de Estado e, por isso, em termos de Estado, é essencial garantir a continuidade da governação. Cabe ao Governo que sai preparar as coisas para o Governo que entra", explicou. Mari Alkatiri falava no final do encontro semanal com o Presidente timorense, Francisco Guterres Lu-Olo, e após ter dirigido a última reunião

COREIAS PRESIDENTE DOS EUA CANCELA CIMEIRA COM KIM JONG-UN

A arte de fazer inimigos

O Presidente norte-americano, Donald Trump, cancelou ontem a cimeira com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, prevista para 12 de Junho em Singapura, invocando uma “raiva tremenda e hostilidade aberta” da Coreia do Norte declarações reflectem a posição de Washington. "Não iremos nem implorar aos Estados Unidos por diálogo, nem ter o trabalho de os convencer, se não quiserem sentar-se connosco", acrescentou, de acordo com a KCNA. A vice-ministra norte-coreana qualificou ainda a entrevista de

"imprudente", prevenindo que Pyongyang não irá sentar-se à mesa das negociações sob ameaça.

VOOS CANCELADOS

A Coreia do Sul e os Estados Unidos terminaram ontem, um dia antes do previsto, os exercícios militares aéreos que decorriam perto da fron-

teira norte-coreana, disse à agência de notícias EFE um porta-voz do Ministério da defesa sul-coreano. "O exercício Max Thunder fica concluído hoje [sexta-feira] como estava previsto, mas a manobras de voo terminaram ontem e os pilotos só participarão hoje numa sessão informativa", adiantou a mesma fonte.

O porta-voz não quis adiantar os motivos pelos quais os exercícios de voo iriam terminar antes da data programada, mas nos últimos dias a operação Max Thunder levou o regime da Coreia do Norte a congelar o diálogo com Seul. Na passada semana, Pyongyan mudou drasticamente o tom utilizado nos últimos meses com Seul e Washington, considerando que os exercícios se tratavam de um ensaio para invadir o seu território e que a utilização "de activos estratégicos norte-americanos" nestas manobras - numa referência aos bombardeiros B-52 - contrariavam o que havia sido expresso na declaração conjunta firmada entre os líderes das duas Coreias a 27 de Abril. O próprio Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, considerou durante a sua última viagem à capital norte-americana, esta semana, que o fim dos 'jogos de guerra' contribuiria para que fossem retomados os contactos entre os dois países. Mais de 100 aeronaves participaram nos exercícios, incluindo caças furtivos F-22.

Donald Trump “Infelizmente, tendo em conta a raiva tremenda e hostilidade aberta demonstrada na sua declaração mais recente, considero ser inapropriado, neste momento, realizar este encontro, há muito planeado.”

Passagem de testemunho Governo de Timor-Leste prepara transição para novo Executivo

do Conselho de Ministros do VII Governo Constitucional. Nessa reunião, MariAlkatiri "agradeceu a contribuição e dedicação de todos os membros do Executivo ao longo dos últimos oito meses", e considerou que, "apesar de todos os obstáculos e de todas as dificuldades, o actual Governo conseguiu demonstrar a sua coesão e capacidade de gestão em defesa do superior interesse nacional" do país, de acordo com um comunicado do Governo. "Os vários membros do Governo manifestaram o seu enorme apreço pela confiança e espírito de aber-

tura demonstrada pelo actual chefe do Executivo, fazendo um breve balanço sobre a prestação do VII Governo Constitucional e apresentando as suas apreciações sobre o decorrer do processo eleitoral e os resultados oficiais da eleição parlamentar de 2018", referiu. Alkatiri explicou ter apresentado ao Presidente

timorense pequenas questões de "gestão corrente": "Fundamentalmente gerir os duodécimos para poder manter tudo a funcionar". "Não há preocupação com dinheiro. Temos dinheiro até Agosto ou Setembro", disse. Mari Alkatiri remeteu para "mais tarde", na sede do Comité Central da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), uma reacção à decisão do Tribunal de Recurso que considerou "totalmente improcedente" o recurso interposto pelo partido, segundo mais votado nas eleições de 12 de Maio, por suspeita de várias alegadas

irregularidades do processo eleitoral.

TOMADA DE POSSE

O Tribunal está agora a analisar as actas referentes ao apuramento nacional dos votos devendo deliberar até ao fim de semana se valida ou não os resultados do voto. O escrutínio municipal e apuramento nacional confirmaram que a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) venceu as eleições legislativas com mais de 305 mil votos, ou 49,6 por cento do total, o que lhe dá 34 dos 65 mandatos do Parlamento Nacional e a possibilidade de formar o VIII Governo constitucional sem necessitar de qualquer apoio adicional. Em segundo lugar, ficou a Fretilin, que liderou a coligação minoritária do

anterior Governo, e que obteve mais de 213 mil votos, ou 34,2 por cento do total, mantendo o mesmo número de deputados, 23. No Parlamento estará também o Partido Democrático, parceiro da Fretilin no VII Governo, e que perdeu dois deputados para cinco, tendo obtido mais de 50 mil votos ou 8,1 por cento do total, e a Frente de Desenvolvimento Democrático (FDD) que obteve 34 mil votos (5,5 por cento) do total e três deputados. Assim que os resultados forem validados pelo Tribunal de Recurso pode ser agendada a tomada de posse dos deputados eleitos, o que pode ocorrer entre 5 e 7 de Junho. Posteriormente, será empossado o VIII Governo de Timor-Leste.


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A leitura engrandece a alma

José Simões Morais

O comemorativo Jornal Único

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ideia de editar um número único de um jornal, para comemorar o IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia, surgira referida na reunião da comissão do dia 2 de Fevereiro de 1898. Estabeleceram-se diferentes subcomissões, sendo uma encarregada da direcção e publicação de um jornal comemorativo composta pelos senhores, António Joaquim Bastos, Conselheiro Artur Tamagnini da Mota Barbosa, Dr. José Gomes da Silva, Dr. Horácio Poiares, Capitão Eduardo Cirilo Lourenço, Pedro Nolasco da Silva, João Pereira Vasco e contando ainda com dois vultos da literatura portuguesa: Camilo Pessanha e Wenceslau de Moraes. Este último já não é professor do Liceu, apesar de ainda manter o cargo de imediato da Capitania de Macau, do qual será exonerado dezoito dias depois, em Junho, aspirando por incertezas de ir exercer funções de Cônsul em Kobe, no Japão. Pretende-se que esse Jornal Único seja publicado a 20 de Maio de 1898. A faltar vinte dias, o Echo Macaense de 1 de Maio refere que essa subcomissão “propôs que se eliminasse esse projectado jornal, por não terem aparecido até hoje artigos, a não ser um do Sr. Wenceslau Moraes e também porque as fotografias que o Sr. Carlos Cabral tirou de diversas localidades, para o mesmo jornal, custarão muito caro para serem zincografadas. Quinze dias depois, o mesmo jornal dá a notícia, “ao contrário do que resolvera anteriormente, a subcomissão encarregada desse jornal está trabalhando activamente para o dar à luz, ilustrado com fotografias, por serem estas menos custosas. Segundo nos consta, sairão apenas 50 exemplares no dia 20 do corrente e nos dias seguintes os restantes, à proporção que se for fazendo a tiragem das fotografias; consta-nos mais que cada exemplar virá a custar $2,5”. O Echo de 21 de Maio anuncia, “Espera-se que será posto à venda hoje, ou amanhã. Contará artigos, poesias, a viagem [de dez meses e onze dias] de Vasco da Gama [escrita por João Pereira Vasco para ser traduzida] em chinês, umas 10 fotografias das principais vistas de Macau, com as respectivas descrições, e, segundo se diz, um artigo em patois Macaense. Já O Independente do dia seguinte comenta, “O número único do jornal comemorativo, por deploráveis circunstâncias de força maior, não pôde sair nestes dias. Só estará pronto talvez amanhã”.

RAZÃO PARA O ATRASO

Continuando n’ O Independente de 22 de Maio, “Colaboram neste jornal (Úni-

Segundo nos consta, sairão apenas 50 exemplares no dia 20 do corrente e nos dias seguintes os restantes, à proporção que se for fazendo a tiragem das fotografias; consta-nos mais que cada exemplar virá a custar $2,5” co) os srs. conselheiro Galhardo, Bispo de Macau, D. Ana Caldas, conselheiro Tamaguini Barbosa, A. C. Abreu Nunes, comendador António J. Basto, Dr. Camilo Pessanha [com o poema ‘San Gabriel’ escrito a 7 de Maio], António Talone da Costa e Silva, Dr. Horácio Poiares, Wenceslau de Moraes, Dr. José Gomes da Silva, Tenente do estado maior Eduardo Marques, Eduardo C. Lourenço, Mário B. de Lima, Pedro Nolasco da Silva, Abeillard Gomes da Silva, Domingos do Amaral, alferes J. L. Marques e João Pereira Vasco. As fotografias que ornamentam este jornal são: vistas da Praia Grande, do Leal Senado, do Farol da Guia, do Porto Interior, Pagode da Barra, Portas do Cerco, Sé, Gruta de Camões, Avenida Vasco da Gama e uma fotografia do projecto da sua estátua. Todas estas fotografias, que são as melhores que aqui temos visto, foram tiradas pelo distinto amador, Sr. Carlos Cabral. A capa, que é um primor, foi desenhada pelo Sr. Rodrigues Belo, imediato da canhoneira Liberal e a impressão do jornal feita sobre aguarelas. A composi-

ção e impressão são feitas nas tipografias dos srs. Secundino de Noronha e Ca. e N. F. Fernandes e Filhos. Dissemos, no nosso suplemento de terça-feira, que os prelos de Macau nunca produziram uma obra tão perfeita como deverá ser este número único, e de facto assim é, o que muito honra os srs. Noronha e Fernandes. Este número único deve ter umas cinquenta e quatro páginas”. A 4 de Junho de 1898, o jornal O Porvir, de Hong Kong, afirma que correm boatos de que o Jornal Único foi publicado depois da data prevista por vários artigos terem sido excluídos. Entre estes, um de Camilo Pessanha “em que este distintíssimo advogado estigmatiza o facto, ocorrido, não se sabe onde, de ter um advogado, depois de conseguir uma separação, recebido como honorário a honra da sua patrocinada”. Artigos de Horácio Poiares, Tamagnini Barbosa e João Vasco também teriam sido cortados, ainda segundo aquele periódico, como refere Daniel Pires. O Independente de 5 de Junho diz ser o Jornal Único um volume de 54 páginas

com 11 fotografias de Carlos Cabral impresso nas tipografias dos srs. Fernandes e Noronha. “A qualidade da impressão feita na tipografia de N. T. Fernandes e Filhos e Noronha e C.a, graças à competência de Secundino de Noronha e Jorge Fernandes, é notória”. As folhas apresentam aguarelas com o característico chinês. A capa, um desenho devidamente aguarelado feito pelo Sr. 1.º Tenente da armada António Rodrigues Belo, é litografada e impressa, bem como a ante-capa, digna de especial menção, pelos srs. Fernandes e Noronha. O preço do jornal será de $5, que é o seu preço de custo, mas só a 15 de Junho é que poderá ser posto à venda. Três dias antes dessa data, O Independente a 12 de Junho aponta a demora na distribuição unicamente devido à negligência do fotógrafo, pois não tem dado prontas as vistas fotográficas. [De referir que cada exemplar era ilustrado com 11 fotografias, por serem estas menos custosas que se fossem zincografadas, tendo saído jornais com diferentes fotografias]. Diz ainda que os pedidos devem ser dirigidos ao Sr. João Albino Ribeiro Cabral, tesoureiro geral e a distribuição pelos colaboradores e membros da grande comissão foi já feita ontem. Aparece o Jornal Único completo a 11 de Junho de 1898.

DA GUERRA HISPANO AMERICANA AO FIM DA PESTE

Tal como O Independente, também o hebdomadário O Provir refere a guerra presentemente travada entre a Espanha e a América, “duelo tremendo, provocado por esta última, e que maiores simpatias atrai para a Hespanha, intrigada, provocada e afrontada por uma nação que se diz liberal, e que, à sombra da árvore da liberdade, procura espoliar a outra do que é seu, sem cuidar que com isso pode perturbar a paz universal, tão necessária para as conquistas do progresso e da civilização”. A Guerra Hispano-Americana ocorre de 25 de Abril a 12 de Agosto de 1898 e é devida à intervenção norte-americana nas guerras de independência, que sobretudo Cuba e as Filipinas travam com Espanha. Nas Filipinas, os espanhóis viriam a ser derrotados a 12 de Junho de 1898, tornando-se estas ilhas do Pacífico independentes, mas logo de seguida anexadas pelos americanos, que vieram para ajudar os nativos e assim estes continuaram na sua luta pela independência. Perdida a guerra em todas as frentes, a 12 de Agosto de 1898 teve a Espanha que ceder aos EUA as Filipinas, Porto Rico e Guam, tornando-se Cuba independente, mas sobre supervisão americana. Esta guerra custou à Hespanha para acima de dois mil milhões de pesetas, 39 barcos de guerra e um grande prejuízo no comércio colonial.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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tonalidades António de Castro Caeiro

Linguagem (I)

N

UM dos seus textos icónicos sobre linguagem poética (A linguagem “Die Sprache” in Unterwegs zur Sprache, 9-33, 1959), Heidegger “destrói” o seu sentido habitual ou, pelo menos, o sentido que Heidegger determina como o habitual na tradução ocidental. A) A primeira qualificação essencial da linguagem é ser uma forma de expressão. B) A segunda é ser uma actividade. C) A terceira implica a linguagem no próprio horizonte configurado pelo humano. A tese positiva que Heidegger diz ser a que resulta da inteligibilidade intrínseca da linguagem é formulada numa tautologia: “Die Sprache spricht” impossível de verter directamente para português: “a linguagem fala”. À letra seria a “linguagem língua”. A tese que subjaz a este enunciado procura mostrar como a linguagem fala a partir do ser do humano, do acontecer não anulável em que de cada vez desde sempre já somos. A língua diz, enuncia, permite falar, conversar. E na verdade, já à partida em cada um de nós que diz “sou”. Cada um de nós existe numa conversa de si para si sobre si. Proferimos em sons o que queremos dizer. Mas também em interjeições, inflexões e pausas. Muitas vezes também não emitimos som algum. Outras vezes falamos sozinhos. No sonho ou na realidade, na ficção ou na lembrança agradável ou desagradável do passado, na relação com o futuro a haver com e sem esperança, com pessoas ou sozinhos estamos sempre numa atmosfera de linguagem em que se diz e há coisas dizíveis, se sabe o que se quer dizer ou não se consegue dizer o que se sabe. A) A linguagem é uma forma de expressão. De acordo com Heidegger não há nada de errado com esta tese. Mas fica aquém de uma determinação constitutiva. A argumentação parece ser retórica. Há um conteúdo a decorrer no interior de cada pessoa, seja mental, anímico ou espiritual. Ocorrem-nos ideias, vêm-nos à ideia pensamento, temos lembranças, fazemos previsões, dizemos o que vamos fazer, antecipamos situações. A linguagem formula uma expressão desses acontecimentos interiores, que mais ninguém vê no momento em que são tidos, num nível de representação subjectivo. Por outro lado, há conteúdos do mundo real que vêm a uma expressão. Como está o dia, quem vemos à nossa frente, percursos tomados, sítios onde vamos, tarefas que executamos, funções que desempenhamos, livros que lemos, cafés que tomamos, etc., etc.. A linguagem exprime conteúdos reais, pessoas reais, circunstâncias, situações com agen-

tes reais. A crítica visa fundamentalmente um esquema de correspondência e de espelhos ou de reflexos que tem na base substâncias e um sistema de traduções. A diferença entre um em si e a referência ou a referência e um ou mais sentidos implica uma abertura à compreensão que dá ou reteria inteligibilidade ao facto de a linguagem fora do âmbito de correspondência “querer dizer algo de si ou acerca de outrem, acerca das coisas que não são o próprio”. E tudo de tal forma em que a expressão está já constituídacomo de resto todas as impressões e os modos como se nos inculcam e o estado em que nos deixam- no ser desde sempre já da existência humana num “espaço lógico”, “numa atmosfera linguística”, na relação de compreensão que ganha inteligibilidade ou não sobre o que quer que seja inclusivamente sobre si. B) Ser uma actividade é outra das determinações da linguagem. Não apenas no sentido linguístico em que podemos obter denotações dos factos de que as coisas são o que são numa descrição ao pé da letra e objectiva. Mas também podemos visar sentidos por conotação, indo até um sentido figurado ou literário, não imediato e não factual, pelo menos apa-

rentemente. Há enunciados declarativos que resultam de uma pergunta. Há respostas a pedidos, desejos formulados, ordens recebidas, vozes de comando que estão numa tensão imperativa. Há perguntas que se fazem directa e indirectamente. Todo o sistema verbal modal, o aspecto perfectivo e imperfectivo, os tempos, as vozes está implicado numa estrutura muito mais complexa do que aparentemente se possa compreender. No fundo, a actividade resulta no que se põe em prática à luz da linguagem. Há tanta expressão de linguagem na expli-

A linguagem põe de pé o futuro, projecta resultados, antecipa situações, faz prognósticos, dá previsões, permite-se predizer o que é constituído pela própria potência da linguagem

cação de um poema ou de um teorema como na actividade de fazer café, acender e apagar luzes, descer e subir escadas, ir e vir, partir, ficar e regressar. C) O humano tem uma relação com a linguagem não no sentido em que se exprime com a linguagem, diz-se a si próprio, diz de si ou negativamente não tem palavras que não encontra para o fazer, não consegue imaginar-se no lugar do outro, não sabe como é que o outro se encontra. O humano é tido pela linguagem. A sua atmosfera é a linguagem no sentido em que está sob pressão de esclarecimento e explicação de si para si sobre o que acontece na vida real, na realidade objectiva e sobre aquilo para que lhe dar. A língua é o meu de resolução de todos os problemas que lhe são postos, questões levantadas. Só dela virá sossego e é ela que traz toda a inquietação. Mas ela não diz apenas o que está já aí, que possa ser espelhado pela formulação linguística. A linguagem põe de pé o futuro, projecta resultados, antecipa situações, faz prognósticos, dá previsões, permite-se predizer o que é constituído pela própria potência da linguagem. A linguagem chama, convoca, apresenta, esquece, faz desaparecer.


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(f)utilidades 17

sexta-feira 25.5.2018

POUCO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA

Hoje CONCERTO 14 | UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | 18h00 6 4 8 1 7 2 5 3 9 CINEMA IVO FERREIRA 5 | 3CARTAS7DA GUERRA, 8 4DE 9 1 2 6 Cinemateca Paixão | 21h30 9 2 1 6 5 3 7 8 4 CONCERTO 4 7| “LE6SYNDICAT 2 DU9 CHROME” 5 3 1 8 Live Music Association | A partir das 22h 8 9 5 3 6 1 2 4 7 Amanhã 2 1 3 7 8 4 6 9 5 CONCERTO | SATURDAY NIGHT JAZZ Fundação 7 6Rui Cunha 2 4 1 8 9 5 3 1 8 9 5 3 7 4 6 2 CINEMA | IRMÃS, DE TRACY CHOI Cinemateca 16h302 6 8 7 1 3 5 Paixão 4 |9 Domingo CINEMA 16 | CARTAS DA GUERRA, DE IVO FERREIRA Cinemateca Paixão | 16h30 4 7 8 5 2 6 1 3 9 5 1 9 4 7 3 6 2 8 Cineteatro 2 3 6 C 1 8I 9N 5E 4M7 3 2 4 9 5 1 8 7 6 6 9 5 8 4 7 2 1 3 1 8 7 3 6 2 9 5 4 8 6 1 2 3 4 7 9 5 9 5 3 7 1 8 4 6 2 7 4 2 6 9 5 3 8 1

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19 9 7 32 3 8 1 4 5 6 3 28 2 5 14 1 97 5 41 4 67 6 9 8 32 7 7 8 45 4 23 62 6 9 3 4 1 5 69 26 2 8 2 2 6 9 71 87 8 5 3 21 2 7 9 54 5 63 6 8 35 3 6 1 7 49 24 94 9 86 8 2 3 7 1

19

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2

A

SOLO: A STAR WARS STORY SALA 1

SOLO: A STAR WARS STORY [B] Um filme de: Ron Howard Com: Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Emilia Clarke 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

THE CRIMES THAT BIND [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Katsuo Fukuazawa Com: Hiroshi Abe, Nanako Matasushima, Junpei Mizobata 14.30, 16.45, 19.00

AVENGERS: INFINITY WAR [B] Um filme de: Anthony Russo, Joe Russo

Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth 21.15

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LEI DA SELVA

O CARTOON STEPH 21

6 9 3 1 7 4 8 2 5

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DE

4 1 2 8 6 3 7 5 9

VIDA DE CÃO

2 5 1 8 39 3 64 76 4 6 59 5 7 1 8 3 8 37 3 62 6 4 5 9 1 4 5 23 92 9 76 7 6 89 8 1 75 27 42 4 37 3 2 6 4 18 1 5 3 2 94 9 8 76 7 51 15 1 7 34 23 2 9 8 89 68 6 7 1 5 3 2

7 2 1 8 3 9 5 6 4

23 6 2FILME 5 83 8 74 97 59HOJE UM 3 83 8 7 4 2 1 9 5 Não novidade que Gary 9é1 5 8 6 73Oldman 7 2é4 um enorme actor, dotado de uma ver2 6 que1o habilita 5 94tomar9a pele 8 de3 6satilidade um histórico estadista, ou de um junkie 7 Sid 3 Vicious. 9 2Só8pela 1 sua8interpre5 46 3como tação recente 5 vale 4 a 8pena6o mais 32 7 12filme 91 de Joe Wright, em que o actor britânico dá1 corpo 7 6Apelícula 4 9 25a Winston 32 73Churchill. começa praticamente com a tomada 9 1como 3 primeiro-ministro 1 8 62 6 de7 4 de4posse Inglaterra, no meio de profundas frac8 políticas. 7 6 Joe9Wright 5 foca-se 4 1nos 32 turas

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desafios que o estadista enfrenta dentro do seu próprio partido, quando uma importante facção ainda pensa que se pode chegar a um acordo de paz com Adolf Hitler. Carregado de tensão dramática e jogos de bastidores, “Ahora mais negra” é um filme competente, mas que não deslumbra. João Luz

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7 9 8 2

20 6 9 37 3 21 42 4 6 3 97 58 25 2 4 15 1 9 8

5 28 4 1 9 62 56 7 3

7 2 9 8 4 6 75 3 1

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38 4 5 93 1 7 9 6 2

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2 59 8 7 5 1 13 4 6

4 5 6 2 8 3 1 9 7

22 47 4 5 69 1 8 9 17 6 2 8 3 3 1 2 85 4 6

3 6 72 1 5 4 7 8 19

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8 9 91 2 27 3 6 4 5

47 8 59 6 2 5 73 81 4

4 36 5 3 81 9 57 8 2

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PROBLEMA 22

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 21

18 5 2 4 6 1 9 3 7 8

55-90%

S U D O K U

TEMPO

1 6 2 7 4 9 8 5 3

24 3 9 1 1 5 46 4 7 91 34 3 2 68 9 2 75 37 68 6

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Uma das frases mais repetidas pelos governantes do território é que tudo é feito “de acordo com a lei”. Enquanto jornalistas, ouvimos este mantra quase diariamente, ao ponto das palavras já terem perdido o seu significado. Tudo é legal, mesmo quando se espezinha a Lei Básica ao considerar que académicos e jornalistas são ameaças à segurança de Macau. Porém, não é sobre a proibição de entrada no Lótus de deputados de Hong Kong, enquanto se recebe de braços abertos pessoas ligadas a tríades, que vos falo nesta crónica. Hoje o tópico é a segurança dos negócios jurídicos, um conceito amplamente discutido no mundo do Direito, como um garante de uma sociedade moderna, onde a Lei está acima do poder político e económico. Não vou entrar em especulações sobre a independência do sistema judicial de Macau, nem sobre a separação de poderes, mas apenas sobre a forma como contratos, como por exemplos as concessões as concessões, parecem significar pouco. O Governo parece ganhar sempre as disputas jurídicas sobre concessões de terrenos dirimidas na barra dos tribunais. Posso estar errado, não tive tempo para fazer uma pesquisa exaustiva sobre a matéria. Mas parece que esta é a terra onde a Assembleia aprova todas as propostas de lei do Executivo, e os tribunais dão-lhe sempre razão. Existe um nome para isto em ciência política. Como diria Lord Acton, “o poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Por cá, sempre “de acordo com a lei”. João Luz

“A HORA MAIS NEGRA” | JOE WRIGHT

SALA 3

I CAN ONLY IMAGINE [B] Um filme de: Jon Erwin & Andrew Erwin Com: Dennis Quaid, J.Michael Finley, Madelline Carroll 14.30, 16.30, 21.45

DESTINY: THE TALE OF KAMAKURA [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Masato Sakai,Mitsuki Takahata 19.15

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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25.5.2018 sexta-feira

“The reality we now face implores us to act. Today we’re dumping 70 million tons of global-warming pollution into the environment, and tomorrow we will dump more, and there is no effective worldwide response. Until we start sharply reducing global-warming pollution, I will feel that I have failed.” Al Gore

O

que seria necessário para combater as alterações climáticas? Como seria esse combate na realidade sem atrasos, truques, falhas, e fugas de responsabilidade? Só será possível responder a esta e a muitas outras questões se conseguirmos entender o superior limite da ambição no combate às alterações climáticas. A meta acordada pelos países no “Acordo de Paris”, em 12 de Dezembro 2015, é de o aquecimento global se situar muito abaixo de 2 graus Célsius, com esforços de boa-fé para manter a elevação da temperatura em 1,5 graus Célsius. Os países não estão a mover-se em uma direcção que se aproxime o suficientemente rápido para atingir esse alvo, daí estarmos actualmente no caminho certo para atingir algo à volta de 3 graus Célsius. É geralmente aceite que atingir 2 graus Célsius seria bastante ambicioso, enquanto atingir 1,5 Célsius seria menos que milagroso. Ainda que não exista nada, como um plano do mundo real para atingir essa meta, os modeladores climáticos criaram muitos cenários sobre como seria possível realizar. No entanto, a maioria desses cenários dependem fortemente de emissões negativas, ou seja, formas de puxar o dióxido de carbono para fora da atmosfera. Se as tecnologias de emissões negativas puderem ser ampliadas no final do século, o argumento vai dar espaço para emitir mais no início do século. E é o que a maioria dos cenários actuais de 2 graus Célsius ou 1,5 graus Célsius mostram, pois as emissões globais de carbono aumentam a curto prazo, e precipitam rapidamente para se tornarem negativas por volta de 2060, com giga toneladas de carbono, posteriormente, capturadas e enterradas no restante do século. A gigante petrolífera Shell lançou um cenário nesse sentido há algumas semanas. Espera-se que o principal instrumento de emissões negativas seja a “Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS na sigla inglesa)” que é bioenergia (queima de plantas para gerar electricidade) com captura e sequestro de carbono. A ideia é de que as plantas absorvam carbono à medida que crescem quando são queimadas, sendo possível capturar e armazenar esse carbono. O resultado é a electricidade gerada à medida que o carbono é removido do ciclo electricidade de carbono líquido negativo. A maioria dos cenários actuais recorre a muitos “BECCS” no final do século

para compensar os pecados de carbono do passado e do futuro próximo. A pequena complicação é que actualmente não há indústria comercial de “BECCS”. Nem a parte “Bionergia (BE na sigla inglesa)” nem a “Captura, Sequestro e Armazenamento (CCS na sigla inglesa)” foram demonstradas em qualquer escala séria, muito menos na escala necessária. A área de terra necessária para cultivar toda essa biomassa para a “BECCS” nesses modelos é estimada em cerca de uma a três vezes o tamanho da Índia. Talvez se pudesse compelir rapidamente uma indústria “BECCS” massiva. Mas apostar em emissões negativas no final do século é, no mínimo, um jogo enorme e fatídico, pois aposta a vida e o bem-estar de milhões de pessoas futuras em um sector que, para todos os efeitos, ainda não existe. Muitas pessoas concluem razoavelmente que é uma má ideia, mas as alternativas têm sido difíceis de encontrar. É de recordar que não tem havido muita construção de cenários em torno de objectivos realmente ambiciosos e anular o carbono o mais rápido possível, manter o aumento da temperatura o mais próximo dos 1,5 graus Célsius e, o mais importante, minimizar a necessidade de emissões negativas. Essa é a limite superior do que é possível. Três situações recentes ajudam a preencher essa lacuna que é a “Transformação Global de Energia: Um Roteiro para 2050”, da “Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA na sigla inglesa)”, que é uma organização intergovernamental que apoia os países na sua transição para um futuro energético sustentável, traduzido em um plano que visa uma oportunidade de 66 por cento de permanecer abaixo de 2 graus Célsius, principalmente através de energia renovável. Os analistas da “Ecofys”, que é uma empresa de consultoria líder em energia renovável, energia e eficiência de carbono, sistemas e mercados de energia e política de energia e clima, divulgaram recentemente um cenário para anular as emissões globais até 2050, limitando assim a temperatura a 1,5 graus Célsius e eliminando a necessidade de emissões negativas. Um grupo de académicos da “Agência de Avaliação Ambiental da Holanda”, publicou um artigo na revista “Nature Climate Change” em que investigam como alcançar a meta de 1,5 graus Célsius, minimizando a necessidade de emissões negativas. Porque razão atingir 1,5 graus Célsius é urgente? Os americanos não atribuem muito sentido a temperaturas Celsius, e meio grau de temperatura não parece muito importante. Mas a diferença entre 1,5 graus Célsius e 2 graus Célsius de aquecimento global é um assunto muito sério. O “Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla inglesa)”, publicará uma revisão científica sobre o tema em Outubro de 2018, e um outro trabalho recente publicado na “Nature Climate Change” enfatiza claramente a ambição do combate de 2 graus Célsius

THE GOLD OF NATURE, LEONID AFREMOV

As ambições do combate

para 1,5 graus Célsius, que evitaria cento e cinquenta milhões de mortes prematuras até 2100, noventa milhões de mortes através da exposição reduzida a partículas e sessenta milhões de mortes devido à redução do ozono. É de considerar que mais de um milhão de mortes prematuras seriam evitadas em muitas áreas metropolitanas da Ásia e da África, e mais de duzentas mil mortes em áreas urbanas individuais em todos os continentes habitados, excepto na Austrália. E não é tudo! É, claro, que a diferença entre 1,5 graus Célsius, e 2 graus Célsius, pode significar a diferença entre a vida e a morte de alguns países ilhas. Não há tempo a perder. De facto, pode haver um tempo negativo. Limitar a elevação da temperatura a 1,5 graus Célsius, é possível, mesmo em teoria, somente se o orçamento de carbono para essa meta estiver no limite das estimativas actuais, pelo que, e novamente 1,5 graus Célsius, só é possível se começarmos, com os auxílios, imediatamente, e tivermos sorte.

O tempo não está a acabar, estamos além dele. O que é necessário para limitar o aumento de temperatura a 1,5 graus Célsius? Os três cenários são diferentes de várias formas. Os dois primeiros projectos consideram até 2050, mas o trabalho da “Nature Climate Change” é uma previsão para 2100 e têm como alvo situações diferentes e usa ferramentas distintas, mas compartilham algumas grandes cláusulas de acção, características que qualquer plano climático ambicioso inevitavelmente envolverá. O primeiro será aumentar radicalmente a eficiência energética. Quanta energia será necessária até 2050? Isso depende da população e do crescimento económico, mas também depende da intensidade energética das economias do mundo e quanta energia primária necessitam para produzir uma unidade de PIB. O aumento da eficiência reduz as emissões e existe uma corrida com crescimento populacional e económico e para descarbonizar radicalmente com emissões negativas


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sexta-feira 25.5.2018

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

às alterações climáticas

mínimas, a eficiência precisará de superar o crescimento. O cenário da Shell mostra uma procura global de energia muito maior nas próximas décadas e o crescimento supera a eficiência. O cenário da “IRENA”, reduz as emissões globais relacionadas à energia em 90 por cento até 2050 e dessa percentagem é de considerar que 40 por cento é proveniente da eficiência energética. A “IRENA” afirma que a intensidade energética da economia global deve cair dois terços até 2050. Os avanços na intensidade energética terão de acelerar de uma média de 1,8 por cento entre os anos de 2010 a 2015 para uma média de 2,8 por cento ao ano até 2050. No cenário da “Ecofys”, a eficiência energética é tão elevada que a procura total de energia global é menor em 2050 do que actualmente, apesar de uma população muito maior e uma economia global três vezes superior à actual. O documento da “Nature Climate Change” resume a abordagem necessária à eficiência em primeiro lugar, através da

aplicação rápida das melhores tecnologias disponíveis para a eficiência energética e material em todos os sectores relevantes em qualquer a região. Todos os sectores relevantes em todas as regiões significa electricidade, transporte, edifícios e indústria, com os materiais e tecnologias disponíveis mais eficientes, em todo o mundo, começando imediatamente, em segundo lugar,

O aumento da eficiência reduz as emissões e existe uma corrida com crescimento populacional e económico e para descarbonizar radicalmente com emissões negativas mínimas, a eficiência precisará de superar o crescimento

pelo aumento radical da energia renovável. Todos os cenários prevêem que as energias renováveis, principalmente a eólica e a solar estão rapidamente a dominar a electricidade. O cenário da “IRENA” prevê que as energias renováveis ​​cresçam seis vezes mais rápido, fornecendo 85 por cento da electricidade global até 2050. A “Ecofys” faz com que forneçam 100 por cento da electricidade global, com esse sector completamente descarbonizado até 2040, mesmo que a procura global por electricidade triplique. O documento da “Nature Climate Change” observa que a visão do domínio das energias renováveis ​​rápidas em todos esses cenários, tem em comum o envolvimento de suposições optimistas sobre a integração de energias renováveis ​​variáveis ​​e custos de transmissão, distribuição e armazenamento e em terceiro lugar, a ideia é de electrizar tudo, pois notavelmente, todos os três cenários envolvem fortemente a electrificação de sectores e aplicações que actualmente operam com

combustíveis fósseis. No caso da “IRENA”, a electricidade sobe de 21 por cento do consumo total de energia global actual para 40 por cento até 2050. No cenário da “Ecofys”, atinge os incríveis 70 por cento. O estudo da “Nature Climate Change” é aumentado para 46 por cento em comparação com 31 por cento no caso de referência e defender a electrificação não é complicado. Sabemos como aumentar radicalmente a oferta de electricidade com zero carbono e a oferta de combustíveis líquidos com zero carbono é muito mais difícil. Daí que faça sentido mover o máximo de energia possível para a electricidade, principalmente para veículos, aquecimento, refrigeração domésticos e aplicações industriais de baixa temperatura. O cenário da “Ecofys” é particularmente claro, pois se a energia renovável e a eficiência energética forem as ferramentas primárias de descarbonização, esta de forma completa requer que se faça a electrificação e em quarto lugar, é de considerar que se gere um pouco de emissões negativas. Ainda que as intenções dos pesquisadores da “Ecofys” e da “Nature Climate Change”, em particular, fossem minimizar a necessidade de emissões negativas, também não foram capazes de eliminá-las completamente. É de considerar que independentemente da rápida descarbonização os pesquisadores da “Ecofys” afirmam que o orçamento de carbono de 1,5 graus Célsius é provavelmente, excedido. A única forma de se manter em 1,5 graus Célsius é absorver o excesso de carbono com emissões negativas. A “Ecofys” acredita que as aplicações de “CCS” serão confinadas principalmente à indústria e o restante pode ser trabalhado por florestamento, reflorestamento e sequestro de carbono no solo, ou seja, por métodos “não-CCS” de emissões negativas, e acrescenta que esse excesso de carbono remanescente é significativamente menor do que a maioria dos outros cenários de baixo carbono. No estudo da “Nature Climate Change”, a necessidade de “BECCS” pode ser completamente eliminada somente se cada uma das outras estratégias for maximizada Os pesquisadores concluíram que sobre as emissões negativas, que embora o estudo mostre que opções alternativas podem reduzir bastante o volume de “Remoção de Dióxido de Carbono (CDR na sigla inglesa) para atingir a meta de 1,5 graus Célsius, quase todos os cenários ainda dependem do “BECCS” e/ou reflorestamento, mesmo a combinação hipotética de todas as opções alternativas que ainda capturou 400 GtCO2 por reflorestamento). Logo, o investimento no desenvolvimento de opções de “CDR” continua a ser uma estratégia importante se a comunidade internacional pretender implementar a meta do “Acordo de Paris” pelo que os formuladores de políticas devem procurar estratégias de emissões negativas, mas a pensar em cenários alternativos como um seguro contra a possibilidade de que essas estratégias encontrem obstáculos sociais ou económicos imprevistos.


“Só pode ser feliz um Estado edificado sobre a honestidade.”

IIM DISTINÇÃO DE PERSONALIDADES DA DIÁSPORA MACAENSE GANHAM PRÉMIO

TIAGO ALCÂNTARA

Aristóteles

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sexta-feira 25.5.2018

Função Pública Sulu Sou pede explicações sobre repetição de prova escrita

Sulu Sou enviou uma carta à secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, a pedir explicações sobre o concurso de gestão uniformizada. Em concreto, sobre a decisão da Direcção dos Serviços dos Assuntos de Justiça (DSAJ) de anular a prova escrita de conhecimentos, realizada a 11 de Março, por violação do princípio de igualdade nos procedimentos. Segundo um comunicado da Novo Macau, o deputado, actualmente suspenso, recebeu queixas de vários candidatos insatisfeitos por terem que repetir a prova. Na missiva, Sulu Sou pede a Sónia Chan que explique que responsabilidades o júri precisa de assumir pelo desperdício de recursos. Em paralelo, dado que não foi a primeira vez, o deputado questiona se há melhorias para evitar que casos semelhantes se repitam.

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REDERICO Alberto Silva (Jim Silva), ex-presidente da União Macaense Americana, e António Manuel Pacheco Jorge da Silva, ex-presidente do Lusitano Clube da Califórnia, foram os distinguidos pelo Instituto Internacional de Macau (IIM) para a edição deste ano do Prémio Identidade. De acordo com um comunicado, esta distinção aconteceu dado que estas personalidades, a residir nos Estados Unidos há muitos anos, deram a “contribuição para o reforço do sentimento de pertença a Macau”. Jim Silva foi profissional da área financeira em Hong Kong e, depois de se radicar nos EUA, preparou textos que foram publicados em livros sobre as suas memórias da guerra do Pacífico e os seus conhecimentos sobre o patuá, a religião, a culinária e o legado cultural dos seus avós, elementos agregadores de uma comunidade. Este macaense publicou seis livros e redigiu em inglês uma introdução à História de Portugal para divulgação entre a juventude macaense da diáspora. Por sua vez, António Pacheco Jorge da Silva, que exerceu funções de arquitecto em Macau, Hong Kong, Reino Unido e EUA, dedicou-se, após a sua aposentação, a escrever a geração dos descendentes dos portugueses em Macau, incluindo as suas experiências em muitas regiões da China e integração nos países da diáspora, analisando as suas implicações sociais e culturais. O IIM adianta que “de forma desinteressada e persistente têm ambos dedicado grande parte da sua vida a este esforço consequente de divulgação da história e da cultura de Macau, impulsionando a valorização e o reforço da Identidade Macaense”.

PALAVRA DO DIA

Ucrânia Míssil que abateu o voo MH17 foi lançado por unidade russa

Ao TUI o que é do TUI TSI admite recurso para Última Instância no processo de suspensão de Sulu Sou

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Tribunal de Segunda Instância (TSI) emitiu ontem um despacho que permite que recurso de Sulu Sou suba ao Tribunal de Última Instância (TUI). O recurso pede que o órgão no topo da hierarquia judicial aprecie a competência dos tribunais para julgar se determinados procedimentos políticos violam, ou não, as leis do ordenamento jurídico de Macau. O caso em apreço prende-se com eventuais violações à lei no processo de suspensão do mandato do deputado pela Assembleia Legislativa (AL). A decisão foi tomada na sequência do requerimento de recurso apresentado pelo deputado suspenso, por “não se conformar”, com a decisão de Fevereiro do TSI, que recusou o recurso argumentando que o caso não era para ser julgado pelos tribunais. De acordo com o pedido de requerimento a que o HM teve acesso, Sulu Sou não aceita o acórdão emitido há cerca de três meses em que o

TSI afirma que não tem competência para julgar – e que nenhum outro, aliás, tem – por se tratar de um acto político. Já Sulu Sou, nas motivações do recurso apresentado ao TSI, defende que, mesmo considerando que se trata de actos políticos, tanto a Segunda Instância como os

Mesmo considerando que se trata de actos políticos, tanto a Segunda Instância como os restantes tribunais da RAEM, têm competência para julgar “por os mesmos violarem direitos fundamentais”, lê-se no requerimento de recurso

restantes tribunais da RAEM, têm competência para julgar “por os mesmos violarem direitos fundamentais”. Para já, ainda não está admitida a aceitação do processo na Última Instância. O recurso foi admitido no TSI e, neste momento, decorre o prazo para as alegações. Este prazo é de 60 dias e contempla as alegações de ambas as partes, cada uma por um período de 30 dias. Uma vez findo este prazo, o juiz relator do processo na Segunda Instância manda subir o processo para o órgão supremo na hierarquia dos tribunais, sendo que a decisão conhecida ontem não vincula a aceitação do TUI. Isto quer dizer que o TUI pode entender que a decisão não é recorrível. Sensivelmente dentro de dois meses, ou seja, terminado o prazo de alegações, saber-se-á se o TUI admite o recurso. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

O míssil que abateu o voo MH17 quando sobrevoava a Ucrânia em 2014 foi lançado de uma unidade militar russa, indicaram ontem investigadores internacionais. Os investigadores “concluíram que o míssil Bouk-Telar que abateu o MH17 veio da 53.ª brigada antiaérea baseada em Koursk, na Rússia”, anunciou Wilbert Paulissen, da Polícia Nacional Holandesa, um dos integrantes da equipa que investiga o caso. “A 53.ª brigada faz parte das forças armadas russas”, acrescentou Paulissen durante uma conferência de imprensa na Holanda, referindo que as conclusões foram tiradas após a análise detalhada de imagens de vídeo e fotos. O voo MH17 saiu de Amesterdão, na Holanda, e tinha como destino Kuala Lumpur, na Malásia, quando foi atingido por um míssil a leste da Ucrânia, a 17 de Julho de 2014. Todos os 298 passageiros e tripulantes morreram no acidente. A Rússia sempre negou o seu envolvimento no ataque ao avião.

Ciência Desenvolvida técnica para detectar mosquitos com o vírus zika

Uma equipa de cientistas desenvolveu uma nova técnica para detectar mosquitos infectados com o vírus zika, que afirma ser 18 vezes mais rápida e 110 vezes mais barata que as técnicas existentes, anunciou ontem a Universidade de Queensland. “Podemos identificar rapidamente os mosquitos que estão infectados com o vírus zika para que as autoridades de saúde pública possam tratar as áreas afectadas antes do vírus se espalhar para os seres humanos” explicou, em comunicado, a investigadora Maggy Sikulu-Lord, da Universidade de Queensland, Austrália. Os cientistas Sikulu-Lord e Jill Fernandes descobriram que a tecnologia Espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS) é mais eficiente na detecção do vírus, já que “envolve apenas a projeção de um raio de luz sobre os mosquitos de forma a determinar se estão infectados”, lê-se no comunicado.

Hoje Macau 25 MAI 2018 #4058  

N.º 4058 de 25 de MAI de 2018

Hoje Macau 25 MAI 2018 #4058  

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