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Ter para ler

Director carlos morais josé • segundA-feira 25 de fevereiro de 2013 • ANO XII • Nº 2798

muito nublado min 16 max 21 hum 70-90% • euro 10.3 baht 0.2 yuan 1.2

Venham mais cinco (séculos)

Jason Chao

Património

Detenção pode dar queixa no CCAC

UNESCO falará sobre macau apenas em Maio

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Especialistas comentam a visita de Wu Bangguo a Macau

Passeio de retirada

Para Larry So ou Agnes Lam, a visita oficial do número dois da China não foi mais do que uma iniciativa com pouco significado político. Wu Bangguo tem já uma idade avançada e está de saída do aparelho político chinês. A vinda a Macau pode ter sido um prémio que representou nada mais do que “uma espécie de cortesia”, considerou a académica da UMAC. Já o professor do IPM acha que a visita de Wu, sendo ou não sendo a última da sua carreira política, deveria ter sido mais incisiva. “No lugar de Wu Bangguo eu teria tentado ver quais são as diferentes comunidades (...) Estamos a tentar pintar um quadro cor-de-rosa para o Governo Central, em vez de mostrar o que de facto está a acontecer.” Página 2

Liga de Elite

Hong Kong

Página 16

CENTRAIS

Ka I e Monte Carlo ainda imbatíveis na liderança pub

Uma cidade na qual raramente se sente o chão

sismo em Macau

Tremor de terra a meros graus de ser considerado grave Página 5


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política

segunda-feira 25.2.2013

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Faltou aproximação de Wu Bangguo às comunidades, critica Larry So

“Estamos a pintar um quadro cor-de-rosa para o Governo Central” O presidente da Assembleia Popular Nacional deixou Macau na sexta-feira depois de uma visita oficial de três dias, mas Wu Bannguo podia ter feito mais. Larry So diz que deveria ter feito uma maior aproximação junto da população para conhecer melhor a realidade da RAEM. Já Agnes Lam considera que foi uma visita de “cortesia” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

F

oi na passada sexta-feira que o presidente do comité permanente da Assembleia Popular Nacional (APN) deixou a RAEM num voo fretado, depois de uma visita oficial que serviu para comemorar o 20º aniversário da Lei Básica. Apesar das muitas cerimónias a que assistiu e das visitas que fez em Macau e ao novo campus da Universidade de Macau (UMAC) na Ilha da Montanha, duas figuras do meio politico ouvidas pelo Hoje Macau consideram que Wu Bangguo poderia ter ido mais além. “Não foram criados meios para se chegar mais perto das comunidades”, garantiu Larry So, analista politico e académico do Instituto Politécnico de Macau (IPM). E explica qual seria a posição ideal. “No lugar de Wu Bangguo eu teria tentado ver

O

deputado Leonel Alves considera que a implementação do sufrágio universal para a escolha do Chefe do Executivo não só vai acontecer “num futuro talvez longínquo” na RAEM como terá de ter primeiro a experiência eleitoral para a Assembleia Legislativa (AL). “A eleição directa do Chefe do Executivo depende do modo de como a população irá actuar no sufrágio directo para a AL, e que consequências sociológicas e políticas poderão advir depois. Em Hong Kong faz-se o contrário, parece que primeiro se quer eleger directamente o Chefe do Executivo e depois é que se pensa na AL. Eu, por exercício intelectual, preferia

quais são as diferentes opiniões que existem nas comunidades, indo além das visitas formais, para tentar saber o que de facto está a acontecer. Não gostaria de estar apenas em eventos programados, em que tudo parece bem e pacífico. Mas esta é a forma do Governo actuar perante o Governo Central.” “Estamos a tentar pintar um quadro cor-de-rosa para

o Governo Central, em vez de mostrar o que de facto está a acontecer. Tudo foi programado, não houve visitas a figuras importantes das várias comunidades, por exemplo na zona do Iao Hon, onde se poderia observar um ambiente mais pobre. Penso que com isso teria uma melhor opinião sobre o verdadeiro ambiente em que Macau se encontra”, garan-

tiu Larry So, concordando que, com essa visita, talvez o território não parecesse tão harmonioso, um dos adjectivos mais usados nos discursos oficiais.

Importância menor

Já Agnes Lam, antiga candidata a deputada à Assembleia Legislativa (AL) e académica na UMAC, considera que a visita de Wu

Bangguo foi “uma espécie de cortesia”. “Foi uma iniciativa da actual liderança tendo em conta que ele (Wu Bangguo) está prestes a retirar-se. Parece-me que o actual Governo central e os seus membros enviaram-no enquanto representante. Não é algo muito significativo em termos políticos”, apontou ao Hoje Macau. Contudo, Agnes Lam

AL deve ser tubo de ensaio para sufrágio universal, defende deputado

A disponibilidade de Leonel

colocar as coisas noutros termos”, disse numa entrevista concedida à TDM. E explica porque é que a AL deve ser o tubo de ensaio para esta mudança politica, por forma a “manter a estabilidade”. “A experiência a ter em Macau, tendo em conta todos os aspectos subjacentes, nomeadamente o tipo de sociedade que nós temos, é começar pela AL. Talvez seja mais benéfico para se atingir o objectivo de um desenvolvimento equilibrado, mas sempre com estabilidade e confiança.”

Sobre as próximas eleições legislativas, Leonel Alves voltou a mostrar disponibilidade para permanecer no cargo. “A minha disponibilidade para a causa pública é sempre total. Todavia, estas matérias de eleições não dependem apenas de um lado. Tem que ver com as bases de apoio que irei ter junto do meu eleitorado. Até hoje não tenho nenhum factor para dizer o contrário, mas daqui a dois ou três meses esses contactos terão de ser desenvolvidos e vamos ver qual é o feedback que

irei receber, e nessa altura tomarei a minha decisão.”

Hong Kong mais à frente

Leonel Alves admitiu ainda que o calendário politico de Hong Kong está mais avançado do que o de Macau. “O timing para se chegar aos objectivos é diferente. Não sei o que vai acontecer daqui a três anos. Pode ter, a curto prazo, o sufrágio directo para a eleição do Chefe do Executivo eAssembleia. Se o mesmo vai acontecer a Macau, com uma décalage de dois ou três anos, não sei, mas o importante a ter

em conta é que a estabilidade persiste.” Garantindo que os pontos mais importantes é manter “uma estrutura que sirva os interesses de Macau e que não seja uma ruptura”, Leonel Alves garante que muitos dos deputados indirectos “desempenharam um papel relevante na sociedade”, com cargos de presidência nas comissões permanentes da AL, exemplifica. “Este conteúdo dos membros do sufrágio indirecto não pode ser menosprezado. É um factor que me parece importante para analisar o futuro que Macau pode ter daqui a cinco ou dez

considera que “é sempre importante ter um membro do Governo Central aqui, para mostrarem o seu apoio”. Tendo sido uma visita marcada por protestos, sendo que um deles culminou com a prisão de Jason Chao, presidente da Associação Novo Macau (ANM), Agnes Lam considera que as acções não visaram propriamente “pedir mais diálogo” ou criticar a postura de Pequim, mas apenas “chamar a atenção pública”. O facto de estarmos em ano de eleições para a AL “pode ajudar” a estas iniciativas, considera a docente. “Para mim é apenas mais uma forma usada pelos grupos ou associações que necessitam da atenção do público, é a forma mais fácil. Não estão a lutar por uma acção concreta ou por algo que queiram ver realizado da parte do Governo Central”, acrescenta. Larry So critica “a força” usada pela Policia Judiciária (PJ) aquando da detenção de três pessoas. “Usaram a força o que não é um bom sinal, especialmente porque as televisões captaram o momento em que (Jason Chao) foi arrastado para dentro do carro.” De recordar que antes de partir de Macau, Wu Bangguo visitou alguns dos lugares mais icónicos do território, tal como o Museu de Macau, a Fortaleza do Monte ou as Ruínas de São Paulo. A Rua do Cunha, a Torre de Macau e a celebração dos 100 anos da Associação Comercial de Macau foram outros dos eventos marcados na agenda.

anos, em termos da sua estrutura politica”, diz, referindo também a importância dos lugares directos. Questionado sobre o facto da população de Hong Kong pedir de forma mais efusiva mudanças do foro politico, Leonel Alves assume que região vizinha “a opinião pública é mais forte”, porque “é muito mais forte a classe média”. “Se sociologicamente olharmos para Macau, a coluna vertebral não é a mesma que de Hong Kong. Temos emigrantes novos, mas basicamente são massas trabalhadoras.As classes intelectual e empresarial, em termos numéricos, são muito inferiores. Este também é um factor a ter em conta relativamente a alguma opção política a evoluir na estrutura politica de Macau.” - A.S.S.


segunda-feira 25.2.2013

O presidente da Associação Novo Macau não acredita numa investigação imparcial da Polícia Judiciária numa matéria na qual estão envolvidos: os ficheiros apagados da sua câmara de filmar. Por essa razão, pondera recorrer ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC) para apurar responsabilidades no caso

política

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Jason Chao apresentou queixa na PJ e deverá recorrer ao CCAC

Quem se responsabiliza pelos ficheiros apagados?

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

presidente da Associação Novo Macau (ANM), Jason Chao, não se conforma com o incidente de que foi vítima na última quinta-feira, na Torre de Macau, e apresentou queixa contra a Polícia Judiciária (PJ). Em causa está o facto de ter sido preso por mais de cinco horas nas instalações do Cotai, em cela separada, depois de ter estado a filmar o protesto de Lei Kin Iun, que entendia entregar uma missiva a Wu Banguuo, presidente do comité permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), na qual pedia a implementação do sufrágio universal na APN. Chao diz ter ido na condição de jornalista da “Macau Concelears”, um jornal humorístico digital da ANM, que foi registado no Gabinete de Comunicação Social em Dezembro do ano passado e afirma ter mostrado o documento identificativo aos polícias à paisana que, ainda assim, o levaram à esquadra para identificação além de terem danificado o seu material de filmagem e apagado todos os seus ficheiros. “A PJ usou do seu conhecimento em computadores para eliminar os ficheiros da minha máquina. Já tentei de diferentes maneiras reavê-los mas todas as tentativas foram em vão. Agora torna-se complexo fazer queixa à PJ [sendo que foram elementos seus os responsáveis por isto]. Estou a pensar apresentar queixa ao CCAC. Mas não sei se terão capacidade para conduzir uma investigação desta natureza.”, explica Jason Chao, adiantando que a decisão será tomada hoje e divulgada na conferência de imprensa, que terá lugar às 14h30 na sede da ANM.

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No entanto, confirmou já ter apresentado uma queixa formal à PJ, onde discrimina, entre outras coisas, os danos feitos ao seu material fotográfico. “Espero que o Ministério Público dê conta do caso. E comece uma investigação. (...) A PJ diz que me vai esclarecer novamente a meio da próxima semana para apresentar um testemunho para seguir com a investigação mas não sei se irão ajudar porque eles estão a investigar as próprias pessoas.” Em resposta ao Hoje Macau, um porta-voz da PJ fez uma interpretação diferente dos acontecimentos ocorridos na tarde de quinta-feira. “Os agentes policiais não sabiam que o senhor Jason Chao era jornalista e, pelo que sabemos, Lei Kin Ion não o é. Ambos distribuíram panfletos e provocaram distúrbios na via pública, daí os polícias terem agido conforme os procedimentos de segurança (...) [não foram detidos mas apenas] levados pelos polícias para a esquadra para serem identificados, de acordo com o artigo 233 do Código Penal”. Uma leitura diferente da de Jason Chao. “Fui detido porque queriam ter-me

longe do evento por mais tempo e o mais longe possível”, refere.

Desculpas por mal-entendido Envolvidos no incidente estiveram jornalistas. Prontos a registar o sucedido e a tentar obter a carta que estava a ser distribuída pelo activista Lei Kin Iun, poucos foram os que conseguiram guardar o papel já que a polícia tirou-lhes das mãos a missiva sem justificação. Para a PJ, não passou de um mal-entendido: “Alguns jornalistas queixaram-se de que os nossos agentes terão tentado retirar alguns daqueles panfletos, no entanto, depois de examinar os acontecimentos, pensa-se que tudo não terá passado de um mal entendido por parte do nosso pessoal. Quando os jornalistas disseram que não iriam dar os panfletos, os polícias saíram do local sem insistir mais que lhes fossem dados os panfletos”, garantiu na sexta-feira a porta-voz ao Hoje Macau. AAssociação dos Jornalistas de Macau e a Associação de Imprensa em Português e Inglês em Macau (AIPIM) expressaram o seu desagrado sobre a forma de actuação das forças policiais, condenando o

incidente como ataque à liberdade de expressão. “Entendemos que a acção das autoridades policiais deve ser cabalmente explicada. A liberdade de informação é um direito consagrado na lei básica sendo que se comemora actualmente o 20º aniversário da sua promulgação”, frisa a AIPIM. Mais tarde, em comunicado, era oficial o pedido de desculpas da PJ. “Pedimos desculpa por ter havido um mal entendido e por ter havido um desrespeito objectivo que provavelmente se verificou.” Mas o principal alvo deste ataque diz-se excluído de tal pedido. “A PJ não se desculpou comigo. Só o fez a outros jornalistas. E não pediram desculpas por terem retirado a minha câmara. Estou a aguardar a sua desculpa oficial”, indica Jason Chao.

ONU vai saber disto

O presidente da Novo Macau garantiu ainda levar o caso à Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas que se reúne no próximo mês em Genebra, na Suíça. “Ao denunciar-lhes este incidentes, espero que a ONU aborde esta série de casos de violação

dos direitos humanos na reunião”, salienta. O deputado Pereira Coutinho e o jurista António Katchi também já vieram a público condenar estes actos. O Governo de Macua não pode fugir às responsabilidades, o Chefe do Executivo tem de assumi-las. Pedir desculpas é insuficiente e acho que alguém tem de assumir a máxima responsabilidade”, explica Coutinho à TDM. Katchi, por sua vez, fala na possibilidade das autoridades terem cometido “os crimes de coacção e de sequestro”. “Cada vez que Macau recebe aqui a visita oficial de um alto dignitário do regime chinês, o Governo de Macau e as autoridades policiais comportam-se como se tivesse havido uma suspensão da ordem constitucional, ou seja, como se tivesse sido estabelecido um estado de excepção constitucional”, salienta o jurista. Como vítimas sentem-se também Lei Kin Iun e Leong Sek, este último juntou-se ao primeiro em protesto tendo sido os dois arrastados para dentro de uma carrinha, não identificada como sendo da PJ. “O comportamento do Governo de Macau em relação aos residentes é humilhante. As forças de segurança abusaram do poder que têm. Aproveitaram-se de que eram mais do que nós. É uma vergonha. Exigimos que a polícia nos diga por que é que nos deteve e exigimos provas”, disse Leong Sek, em conferência de imprensa na sexta-feira.

Chao fala de eleições em Abril

Jason Chao ainda está em ponderação. Em causa está a representação de uma lista pelo movimento Macau Consciência ou da Associação Novo Macau na corrida às próximas eleições. Nada ainda está decidido, embora seja quase certo que se vá candidatar. “É muito provável que me vá candidatar às eleições. Só não sei com quem”, salienta. Sair da presidência da ANM é uma imposição (se concorrer pela Macau Consciência) mas não deixará de ser membro do quadro. “Não preciso de sair da ANM se me candidatar pela Macau Consciência mas tenho de me demitir enquanto presidente mas continuo como um membro do quadro. Muito provavelmente assim o farei. Vou-me decidir em finais de Abril”, indica ao Hoje Macau.


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política

segunda-feira 25.2.2013

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UNESCO lança conclusões sobre património de Macau em Maio

Onde está o relatório?

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

3 de Maio deste ano, a UNESCO vai lançar o relatório da análise ao documento sobre o património de Macau, que o território terá enviado. De acordo com um porta-voz da organização, em Paris, daqui a dois meses vão poder saber-se as conclusões sobre o que pensa a entidade mundial acerca da protecção do património no território. Contactados pelo Hoje Macau, os responsáveis da UNESCO dizem não poder adiantar se as autoridades de Pequim já enviaram o documento, esperado até ao fim deste mês. Também através da entidade responsável em Macau, o Instituto Cultural (IC), não é possível perceber em que situação está o relatório. Recorde-se que, em Janeiro, o IC disse ao Hoje Macau ter terminado a ela-

boração do relatório e ter submetido o documento ao gabinete da Administração Estadual do Património Cultural, na China continental, a quem cabe entregar à UNESCO. Tentámos chegar à fala com as autoridades de Pequim, mas tal não foi possível e o IC apenas refere não poder adiantar mais nada. “Só podemos dizer que entregamos a Pequim, conforme os procedimentos, e Pequim terá de entregar à UNESCO”, explicou uma porta-voz ao Hoje Macau. As exigências da UNESCO começaram depois de Macau ter sido avisado por continuar a utilizar um sistema desadequado da manutenção da zona tampão do território e não ter disposições legais para proteger efectivamente a ligação visual e funcional entre o monumento inscrito e a paisagem de Macau. Já em 2008, o Comité do Património Mundial foi informado,

através de diversas fontes, incluindo um grupo de cidadãos a viver na RAEM, que alguns projectos no Centro Histórico envolvendo edifícios altos estariam a afectar a visualização integral do património. O edifício a que se referia o comunicado é a sede do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, que tapa a vista sobre a Fortaleza (e o Farol) da Guia, classificada património mundial em 2005. A “integridade visual” era o ponto fulcral referido no relatório de 2008 da UNESCO, que pedia ainda ao Governo para “definir medidas para reduzir os limites de construção”, principalmente dos edifícios em redor dos locais listados como protegidos. Em resposta, o IC mostrava-se determinado a cumprir as exigências de protecção do património. Mas as recomendações da UNESCO voltam em 2009. Um ano depois, a entidade pede que as autoridades do território elaborem um plano de desenvolvimento urbanístico, cuja inexistência foi classificada como “irracional” por Guo Zhan, vice-presidente do Conselho Internacional dos Monumentos e Lugares (ICOMOS). A preocupação da UNESCO debruçava-se exactamente na mesma questão que sugeriu nova repreensão mais recente, em 2011: a construção desenfreada que tapa os locais património da humanidade. De acordo com uma porta-voz do IC, “o relatório reporta de forma detalhada e precisa estratégias de trabalho relacionadas com o estado de conservação do Centro Histórico de Macau, bem como o que já têm sido desenvolvido ao longo dos anos”. Ao Hoje Macau, o IC explicou ainda que o relatório dá conta do actual processo legislativo da Lei de Salvaguarda do Património. “Explica os conceitos do projecto de lei. Também descreve os trabalhos de promoção de protecção do património cultural que o Governo de Macau tem desenvolvido ao longo dos anos”, disse a porta-voz do IC.


segunda-feira 25.2.2013

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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terra tremeu em Macau na passada sexta-feira, devido a um sismo de 4,8 graus na escala de Richter, que teve como epicentro a zona norte de Guangdong. Apesar de estar quase a meio da tabela, Fung Soi Kun, director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau (SMG), explicou ao Hoje Macau que este abalo foi moderado e não muito grave para Macau. “Um sismo de 4,8 geralmente provoca pouquíssimos estragos, além disso o seu epicentro foi na parte norte da província de Guangdong, a 230 quilómetros de Macau.” Eram cerca das 11h30 da manhã quando, na península de Macau, se sentiu o abalo. Fung Soi Kun assegura que também nos prédios altos se sentiu a casa a tremer, mas descarta preocupações face à actividade sísmica do território. “Na nossa área, a província de Guangdong, é muito raro haver sismos fortes. Segundo a histórica sísmica, nunca aconteceu um abalo assim muito forte. De facto, quase todos os dias há sismos pequenos, mas que nunca se sentem. Só quando é um bocadinho mais forte, como este, se pode sentir.”

Construções preparadas?

TIAGO ALCântara

A previsão para tremores de terra ainda não existe a nível mundial, garante o director dos SMG ao Hoje Macau, pelo que é difícil prever quando e se vão ocorrer mais abalos. Apesar de o abalo que se fez sentir na passada não ter provocado danos no território, a construção de Macau tem sido alvo de questões sempre que acontecem incidentes naturais como estes. Fung Soi Kun garante que Macau pode aguentar um sismo até seis graus na escala de Ricther. “Conforme a construção do território, pode aguentar até acima dos cinco, mas a partir de seis já

sociedade

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Sismo de 4,8 sentiu-se em Macau. Epicentro a 230 km de distância

A uns graus de ser grave

provoca estragos. Em 1905, houve um de 5,5, que provocou danos.” A preocupação face às construções de Macau não é de agora. Na altura do sismo em Fukushima, foram muitas as dúvidas colocadas face a este problema do território, especialmente nos novos aterros. Mas, se os SMG alertam para o facto de Macau poder sofrer danos graves em caso de sismos superiores a seis graus, já a Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), quando questionada pelo Hoje Macau sobre se os prédios altos têm de servir algum tipo de regras face a actividade sísmica, limita-se a dar uma resposta formal. “Actualmente, em todos os projectos de obra apreciados pelaAdministração, a elaboração dos projectos deve obe-

decer ao disposto no Regulamento de Segurança e Acções em Estruturas de Edifícios e Pontes, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 56/96/M, no qual foi definido no Capitulo IV os valores característicos da acção dos sismos. Caso os projectos de obra não satisfaçam os requisitos indicados, poderá então ser indeferir o pedido”, escreveu um porta-voz ao Hoje Macau. Aquando do sismo no Japão, o director-geral do Laboratório de Engenharia Civil de Macau, Ao Peng Kong, disse à rádio chinesa que tem vindo a fazer recomendações no sentido de que sejam seguidas as normas de construção anti-sísmica na RAEM, depois de um estudo realizado com a autoridade na província de Guangdong,

na sequência de um estudo que concluiu que “o mundo entrou numa fase de frequentes terramotos”.

Alertas

Os imóveis em Macau são projectados para resistir aos fortes ventos e chuvas trazidas pelos tufões e monções, em conformidade com as normas impostas e em vigor na região vizinha de Hong Kong. Os países mais avançados tecnologicamente têm vindo a desenvolver técnicas de construção anti-sísmica, isto é, novas regras e métodos de construção dos edifícios que os tornam mais resistentes aos abalos sísmicos. De acordo com estudos anteriormente realizados sobre actividades sísmicas na China, Macau está localizado numa região de intensidade 7

e, mesmo com probabilidades baixas, têm de ser criadas condições para que os edifícios do território sejam construídos de acordo com os solos onde estão assentados. “Construir em zonas aterradas é completamente diferente do que construir na terra que já existe. As propriedades dos solos são completamente distintas. Os aterros são areias prensadas e colocadas pelos humanos e o restante solo é mais sustentado, pois é rocha dura”, escreveu o professor da Universidade de Macau Lok Man Hoi, no seu estudo “Desenvolvimento de espectros de resposta local e recomendação sísmica para o código de Macau”. Apesar da baixa probabilidade de ocorrerem sismos no território, o alerta está dado.

Habitantes de Ká-Ho vão ser submetidos a plano de monitorização de saúde

Pelas cinzas volantes

O

s residentes da aldeia de Ká Ho, em Coloane, vão ser submetidos a exames de saúde, devido ao problema das cinzas volantes nos aterros de incineração do local. Segundo um comunicado dos Serviços de Saúde (SS), começa no próximo mês o “Plano de Monitorização da Saúde e Epidemiologia dos Residentes de Ká-Ho”, que se estende até Abril. O objectivo é dar continuidade aos exames já efectuados em 2011. Em 2010, os residentes da

zona de Ká-Ho queixaram-se de problemas de poluição causados pelo aterro de cinzas volantes, sendo que alguns associaram mesmo o aparecimento de cancro a esse problema. Em 2011, os SS garantiram fazer exames médicos e acompanhar os habitantes anualmente, durante três anos. Por outro lado, a Direcção de Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) comprometeu-se a instalar detectores da qualidade do ar na zona, medida que ainda não foi

tomada, além de construir uma nova central de incineração. Este ano, e depois de, em Abril de 2011 os testes dos SS indicarem que mais de 50% da população sofria de mais do que um tipo de doença ou mal-estar, as autoridades da RAEM querem cumprir o prometido e lançam um novo plano para os habitantes que já fizeram os exames anteriores. O “Plano de Monitorização da Saúde e Epidemiologia dos Residentes de Ká Ó” foi elabo-

rado pela Faculdade de Saúde Pública e Cuidados Primários da Universidade Chinesa de Hong Kong, a pedido dos Serviços de Saúde. Actualmente, há 310 pessoas em Ká Ó que participam neste plano, o que representa 60% dos participantes nos exames anteriores. No entanto, os SS admitem não terem conseguido contactar com uma pequena parte dos participantes “por causa de informações incorrectas apresentadas”. - J.F.


sociedade

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É

preciso rever a Lei Básica para que haja uma limitação dos poderes do Chefe do Executivo, uma maior incidência dos direitos individuais e um reforço dos poderes da Assembleia Legislativa (AL), defende o jurista António Katchi em entrevista ao programa Rádio Macau Entrevista. O docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM) advoga uma revisão do diploma constitucional que permita “acabar com os limites que os deputados actualmente têm no poder de iniciativa legislativa, regulando melhor e limitando o poder de veto e o poder de dissolução da AL, que actualmente estão atribuídos ao Chefe do Executivo pela Lei Básica”. O jurista é favorável ainda a outras alterações. “A Lei Básica tem pouquíssimas normas sobre direitos fundamentais e no

António Katchi defende revisão da Lei Básica

Menos Chefe do Executivo, mais Assembleia Legislativa que está escrito nos anexos I e II para apresentar uma proposta ou um projecto de lei que consagre o sufrágio universal para a totalidade dos deputados e para o Chefe do Executivo, nesse caso já se poderá dar um grande avanço rumo a um sistema democrático”. que toca, por exemplo, aos direitos económicos, sociais e culturais, diz muito pouco, diz quase nada”, aponta. “Se se aproveitar aquilo

“Actuação é bastante má”

O jurista António Katchi considera que o Governo de Chui Sai On tem uma presta-

Aplicações financeiras da banca nos mercados internacionais batem recordes

s aplicações financeiras do sector bancário de Macau nos mercados internacionais ascenderam a 664,1 mil milhões de patacas no final do ano passado, mais 19,1% do que em 2011, foi anunciado. Dados divulgados pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) indicam que face ao trimestre anterior o aumento do total de aplicações financeiras pela banca nos mercados internacionais foi na ordem dos 3,3%. A AMCM assinala o acréscimo de 22,4% das disponibilidades sobre o exterior - que corresponderam a 517,7 mil milhões de patacas no final de 2012 - e das dos activos locais em moeda estrangeira, que aumentaram 8,5% para 146,4 mil milhões de patacas. Os empréstimos e depósitos no exterior constituíram a principal componente dos activos internacionais, os quais aumentaram 22,1% atingindo os 480 mil milhões de patacas. Segundo a AMCM, a quota das aplicações financeiras nos mercados

internacionais no activo total do sistema bancário caiu ligeiramente, de 83,7% no fim de Setembro de 2012 para 83,4% três meses depois, à semelhança das responsabilidades externas no passivo total do sistema bancário, as quais diminuíram de 80,7% para 79,9%. No final do ano passado, a pataca, a moeda local, ocupava uma quota de apenas 0,5% e 3,2% no total do activo e no total do passivo financeiro internacional, respectivamente. O dólar de Hong Kong e outras moedas estrangeiras detinham um “peso” de 41% e de 58,5%, respectivamente, do total do activo financeiro internacional, bem como uma quota do total do passivo financeiro internacional de 51% e 45,8%. Os depósitos denominados em moedas estrangeiras de residentes e Governo nos bancos locais continuaram a representar a maior componente no total das responsabilidades internacionais, tendo aumentado 31,5% para 304,2 mil milhões de patacas

no final de Dezembro. Os depósitos externos não bancários cresceram 38,0%. A actividade bancária internacional de Macau distribuiu-se principalmente pela Ásia e Europa. Até ao final de 2012, as quotas das disponibilidades do sistema bancário de Macau em Hong Kong e no interior da China eram de 37,9% e 24,3%, respectivamente; em relação a Portugal e Luxemburgo, estavam fixadas em 10,4 % e 2,4 %, respectivamente, no total de activo exterior. Quando ao passivo sobre o exterior, registaram quotas de 50,3% e 18,1% para Hong Kong e o interior da China, respectivamente, sendo que, no que respeita ao passivo sobre França e Portugal, as suas quotas correspondiam a 5,4% e 3,8% do total. As estatísticas da actividade internacional do sector bancário de Macau são elaboradas de acordo com os métodos indicados pelo “Bank for International Settlements”, refere a AMCM. - Lusa

ção insuficiente. “Acho que a actuação é bastante má, quer por aquilo que o Governo faz, quer por aquilo que o Governo não faz. Toda a política do Governo é centrada nos interesses do grande capital – em particular dos interesses da indústria do jogo, da banca e da construção, e também das agências de mediação imobiliária. Não há nem uma política geral orientada para a defesa dos interesses dos trabalhadores por conta de outrem, nem sequer para a

defesa dos pequenos comerciantes e de outros sectores da pequena burguesia”, analisa. O docente de Direito do IPM entende que a AL deve ter maior poder de iniciativa legislativa. “O Chefe do Executivo tem exercido o poder regulamentar em termos que me parecem abusivos. Aproximam-se mais daquilo que era o poder legislativo no Governador do que de um mero poder regulamentar. É claro que não é exactamente igual ao antigo poder legislativo

do Governador”, esclarece. “O Chefe do Executivo não tem aprovado por via regulamentar leis penais, nem tem mexido nos grandes códigos, mas mesmo assim parece-me que tem exercido esse poder de forma abusiva”, sublinha.

Acesso à advocacia regulado pela AL

O jurista António Katchi defende ainda que o acesso à advocacia deve ser regulado pela AL. “Para dizer a verdade, não concordo inteiramente nem com a posição que tem sido expressa por alguns advogados, nem com a posição que foi defendida por aquele deputado que queria que fosse o Governo a fazer os regulamentos sobre o acesso à advocacia”, explica. “Tratando-se de uma questão que, na verdade, tem que ver com direitos fundamentais, deveria ser a AL a legislar sobre o assunto”, sugere.

Escola Portuguesa tem mais alunos a estudar mandarim

Milhões lá fora

A

segunda-feira 25.2.2013

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Estudar chinês é que é N

a Escola Portuguesa de Macau (EPM) há cada vez mais alunos interessados em ter a disciplina de Mandarim. No ano lectivo 2012/2013, dos 492 alunos inscritos, 324 frequentam aulas de Mandarim, ou seja, cerca de 66 por cento dos alunos, revela a Rádio Macau. No ano em que foi implementada a disciplina, em 2005/2006, eram 203 de um total de 565 alunos.

O vice-presidente da EPM, Manuel Machado, diz que este aumento “está relacionado com a importância que o mandarim tem, não só na região e na China, como no mundo, uma importância que tem vindo a ser maior”. “É uma mais-valia a que os nossos alunos podem recorrer”, acrescenta. A disciplina é obrigatória, desde 2005, para quem escolher a via A de ensino – na via B não está prevista.

Carmen Cheong, responsável pelo departamento de Mandarim da escola, assume que ensinar Mandarim como língua estrangeira é uma tarefa mais complexa, daí que os métodos utilizados sejam diferentes. Se nas escolas chinesas usava mais gramáticas e livros de texto, agora é preciso, explica, usar métodos mais interessantes, de canções a jogos, passando por cartões e vídeos, “coisas mais visuais”.

MGM China lança primeira pedra de mais um casino em Macau

A segunda vida

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MGM China realiza na próxima quarta-feira a cerimónia de lançamento da primeira pedra do seu complexo turístico, o segundo da operadora em Macau, anunciou a empresa em comunicado. A cerimónia vai contar com a presença do secretário para a Economia e Finanças de Macau, Francis Tam, e com a presidente da MGM China, Pansy Ho, filha do magnata de jogo Stanley Ho. O projecto, orçado em

20 mil milhões de dólares de Hong Kong, vai nascer na ‘strip’ do Cotai, situada entre as ilhas da Taipa e de Coloane, e disponibilizar 1.600 quartos de hotel, 2.500 “slot-machines” e 500 mesas de jogo, não devendo abrir antes do final de 2015. A concessão do terreno para a construção do complexo turístico foi oficializada no início do ano pelo Governo. Publicado em Boletim Oficial, o despacho, assinado pelo secretário para os Transportes e

Obras Públicas, Lau Si Io, anunciou a concessão à MGM de um terreno com 71.833 metros quadrados para a construção de um complexo compreendendo um hotel de cinco estrelas, incluindo áreas de jogo. A MGM China resulta de uma parceria entre Pansy Ho e a empresa norte-americana MGM Resorts. A operadora encerrou o ano de 2012 com cerca de 10% de quota do mercado de jogo em Macau.


segunda-feira 25.2.2013

sociedade

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Okada demitiu-se da administração da Wynn Resorts antes de ser expulso

Mais vale prevenir

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

s administradores da Wynn Resorts queriam expulsar Kazuo Okada do quadro, mas o japonês demitiu-se se antes da decisão dos ex-parceiros. Um dia antes da reunião que ditaria a expulsão de Okada, na quinta-feira, o nipónico anunciou a sua demissão. Kazuo Okada justificou a saída como sendo algo que foi forçado a fazer, culpando Steve Wynn por o ter descredibilizado e obrigado a sair da empresa. De acordo com a imprensa norte-americana, o japonês voltou a repetir alegações de má utilização de fundos na Wynn Macau. “Não acredito que continue a ser possível para mim integrar a administração de uma empresa que se está a comportar de uma maneira

pub

que eu acredito ser completamente anti-ética”, frisou em comunicado. “O quadro administrativo recusou os meus pedidos, razoáveis, de investigar uma situação que me parecia errada, que está sob a ditadura de Wynn e falha

em cumprir a sua função original.” Na sexta-feira passada, estava agendada uma reunião extraordinária que ditaria a eventual expulsão de Okada. A reunião aconteceu mesmo após a demissão do nipónico e a Wynn Resorts

anunciou que os administradores votaram a favor da sua remoção. Segundo a operadora, a proposta foi aprovada com 99.6% pelos accionistas e os resultados eram já “virtualmente conhecidos” antes de Okada se ter demitido.

Recorde-se que , em Fevereiro, o japonês foi obrigado a vender 20% das suas acções por menos 30% do valor do mercado, após disputas com Steve Wynn. Okada promete continuar a lutar em tribunal devido a essa venda.

Inflação em Macau subiu 5,96%

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A taxa de inflação em Macau nos 12 meses terminados em Janeiro face ao período homólogo imediatamente anterior fixou-se em 5,96%, indicam dados estatísticos oficiais hoje divulgados. A subida de preços foi potenciada pelos crescimentos nas secções ‘bebidas alcoólicas e tabaco’ com mais 28,25%, e ‘produtos alimentares e bebidas não alcoólicas’, com mais 8,22%. Em sentido inverso, os preços das ‘comunicações’ caiu 3,75%. Só no mês de Janeiro, o Índice de Preços no Consumidor aumentou 5,04% comparativamente ao mesmo mês do ano passado, nomeadamente pelas subidas em secções como a ‘habitação e combustíveis’, a registar um aumento de 10,05%, ‘bebidas alcoólicas e tabaco’, com mais 7,19%, e ‘saúde’ a subirem 6,99%. De acordo com os Serviços de Estatística de Macau, a subida dos preços verificada em Janeiro deve-se ao aumento do custo dos “gás de petróleo liquefeito, das rendas de casa, dos serviços domésticos e das consultas externas”. Já os preços da ‘educação’ e ‘recreação e cultura’ caíram, respectivamente, 3,06% e 2,03%.


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nacional

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China e a Rússia advertiram na sexta-feira a comunidade internacional para não usar o recente ensaio nuclear da Coreia do Norte como desculpa para uma ingerência militar no país. Em declarações à imprensa, após um encontro em Moscovo, os ministros dos Negócios Estrangeiros russo e chinês afirmaram também a sua convergência de pontos de vista em relação à maneira de lidar com os conflitos mundiais, incluindo a Síria. “É fundamental impedir que esta

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China e Rússia contra ingerência militar na Coreia do Norte

Aviso conjunto situação seja aproveitada como desculpa para uma ingerência militar estrangeira ou para obstaculizar a retomada das negociações a seis”, afirmou o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov,

PCC deseja “impulsionar cooperação” com o PCP

O Partido Comunista Chinês deseja “impulsionar o intercâmbio e cooperação” com os comunistas portugueses para “fazer avançar os laços entre a China e Portugal”, disse um destacado líder chinês citado pela agência noticiosa oficial Xinhua. Num encontro com o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, na quinta-feira em Pequim, o chefe do Departamento de Propaganda do PCC, Liu Qibao, “congratulou-se com o desenvolvimento das relações luso-chinesas durante os últimos 34 anos” e especialmente desde que os dois países estabeleceram uma “parceria estratégica global”, em 2005, indicou a mesma fonte. O PCC “atribui grande importância às relações” com o PCP e “está disposto a impulsionar o intercâmbio e a cooperação” com aquele partido “para fazer avançar os laços entre os dois países”, acrescentou. Liu Qibao é também membro do Politburo do PCC.

Primeiro-ministro da Tailândia visita Hong Kong esta semana

A primeira-ministra da Tailândia, Yingluck Shinawatra, inicia esta segunda-feira uma visita oficial de dois dias a Hong Kong, foi sexta-feira anunciado. Segundo uma nota publicada no portal do Governo da Região Administrativa Especial chinesa, o chefe do executivo, CY Leung, vai reunir-se com a chefe do Governo da Tailândia na terça-feira, dia 26. O comunicado oficial não faculta mais detalhes sobre a visita ou a agenda de Yingluck Shinawatra na antiga colónia britânica.

numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo chinês, Yang Jiechi. Lavrov assegurou que tanto Moscovo como Pequim consideram que o terceiro ensaio nuclear

norte-coreano deve ser condenado e merece uma resposta do conselho de segurança da ONU. Yang Jiechi disse concordar com as palavras de Lavrov, mas sublinhou que a resposta da ONU deve ter como objectivo a manutenção da paz e da estabilidade na península coreana. “A China e a Rússia consideram que as negociações a seis (Coreia do Norte, Coreia do Sul, Estados Unidos, Rússia e China) são um mecanismo eficaz para a discussão e a resolução do conflito nuclear coreano”, disse.

A comunidade internacional condenou unanimemente o ensaio nuclear, realizado por Pyongyang a 12 de Fevereiro passado. A Rússia, em particular, instou a Coreia do Norte a renunciar completamente ao seu programa nuclear, regressar ao Tratado de Não-Proliferação e ao regime internacional de garantias da Agência Internacional de Energia Atómica. O ministro chinês confirmou que o presidente indigitado Xin Jinping visitará a Rússia depois de tomar posse, em Março, como sucessor de Hu Jintao, mas escusou-se a precisar se a Rússia será o primeiro país visitado pelo novo presidente chinês. Sobre o conflito na Síria, em que a China se tem mantido ao lado da Rússia no veto a todas as resoluções do conselho de segurança da ONU contra o regime de Bashar al-Assad, os ministros reafirmaram a sua convergência de pontos de vista. “A Rússia e a China têm posições unidas e promovem essas posições unidas em negociações sobre a situação no Médio Oriente e Norte de África, incluindo a crise na Síria e o programa nuclear iraniano”, afirmou Lavrov. “Em cada um destes casos, nós e os nossos amigos chineses orientamo-nos pelo mesmo princípio – a necessidade de observar a lei internacional, o respeito pelos procedimentos da ONU e a rejeição da interferência estrangeira em conflitos internos e, acima de tudo, o uso da força”, acrescentou.

Filho de general chinês detido por suspeita de participação em violação

O

filho de um general do exército chinês, suspeito de ter participado numa violação, foi preso por ano e meio depois de ter participado em casos violentos que desencadearam várias reacções na Internet, noticiou sexta-feira a imprensa estatal. A conduta de Li Tianyi, de 17 anos, poderá ser novamente considerada pelos cibernautas como uma ilustração dos comportamentos indignos de algumas crianças chinesas privilegiadas, convencidas da sua impunidade devido à fortuna ou à posição dos pais. O adolescente foi detido na quinta-feira por suspeita de ter participado numa violação colectiva, de acordo com os “media” chineses. Contactada pela agência noticiosa francesa AFP, a polícia de Pequim confirmou

Fim à impunidade

implicitamente os alegados factos e remeteu para as informações difundidas pela televisão oficial CCTV. Em Setembro de 2011, então com 15 anos, o jovem Li, que circulava em Pequim num automóvel BMW, atropelou um casal, um caso que chocou a China. O pai do adolescente, o general Li Shuangjiang, decano do departamento de música da Academia das Artes do Exército Popular de Libertação, afirmou “lamentar verdadeiramente” o caso. Em 2010, um jovem embriagado, filho de um responsável policial, atropelou duas estudantes. O condutor tentou fugir à detenção, recorrendo ao estatuto do pai: “O meu pai é Li Gang”. Esta frase foi replicada em todas as redes sociais no Internet.


segunda-feira 25.2.2013

região

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Gripe aviária já causou duas mortes na China este ano Um homem de 31 anos a quem foi diagnosticado o vírus H5N1 morreu na sexta-feira num hospital de Guiyang, na província chinesa de Guizhou, tendo sido a segunda morte por gripe aviária registada este ano na China. O homem tinha estado em contacto com aves e adoeceu no dia 3, tendo sido hospitalizado cinco dias depois perante o agravamento do seu estado de saúde e no dia 10 foi-lhe diagnosticado o vírus H5N1. Na mesma cidade, uma mulher de 21 anos morreu também este mês

depois de lhe ter sido diagnosticado o mesmo vírus. As autoridades chinesas indicaram que até ao momento não detectaram mais nenhum caso de gripe aviária em humanos na província de Guizhou. O vírus H5N1, que transmite-se de animal para homem, já causou mais de 360 mortos no mundo desde 2003 e os cientistas desconfiam que uma mutação possa permitir a contaminação de homem para homem, o que causaria uma pandemia.

Nuno Crato em Pequim para fomentar parcerias científicas com a China

Inovação avançada O

ministro português da Educação e Ciência, Nuno Crato, chegou sábado a Pequim para fomentar a cooperação com a China, numa visita que ficará marcada pela criação de um Centro de Inovação na área de materiais avançados. Nuno Crato viaja com responsáveis de catorze instituições, entre as quais universidades, laboratórios e centros de investigação, na maior comitiva do género enviada por Portugal à China. O programa oficial começa esta segunda-feira, com um encontro com o ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Wan Gang, com quem Nuno Crato assinou no verão passado em Lisboa um acordo para promover parcerias no domínio da inovação.

Além de Pequim, Nuno Crato visitará Hangzhou, onde ficará sedeado o referido Centro de Inovação, e a seguir Xangai, regressando no dia 2 de Março a Portugal. “Esta visita é o claro exemplo de que passámos da linguagem dos tratados para a aplicação prática”, disse à agência Lusa o embaixador de Portugal na China, José Tadeu Soares. Entre as instituições representadas na comitiva do ministro português figuram o Instituto Superior Técnico, Universidade Nova de Lisboa, Centro de Ciências do Mar (Universidade do Algarve), Instituto de Engenharia Biomédica e Laboratório Ibérico de Nanotecnologia.

Secretário-executivo da CPLP faz balanço positivo de visita a Timor-Leste

Luta contra a pobreza O

secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, fez sábado um balanço positivo da sua visita a Timor-Leste e destacou o empenho das autoridades timorenses no combate à pobreza. “Fiquei surpreendido com aquilo que presenciei aqui em Timor-Leste, sobretudo em Díli. Pelo entusiasmo, a alegria de um povo, que está a lutar, como os outros povos das antigas colónias portuguesa em África, contra um inimigo

comum que é a pobreza absoluta, que nós todos enfrentamos”, afirmou o embaixador moçambicano. Para Murade Murargy, a motivação e a liderança timorense “vão conseguir ultrapassar as dificuldades”. Sobre a visita oficial que realizou ao país e que terminou sábado, o diplomata disse que o balanço é positivo. “Um dos objectivos foi vir também prestar o nosso apoio, como secretariado da CPLP, para que a presidência de Timor

Radar vai ser instalado no Japão para detectar mísseis norte-coreanos

O Japão e os Estados Unidos vão instalar nas imediações da cidade japonesa de Quioto um novo radar norte-americano para combater qualquer ameaça de mísseis norte-coreanos, informou a imprensa nipónica. Um radar já está instalado no norte do Japão na base Shakiri, em Tsugaru, para detectar mísseis balísticos, permitindo o lançamento pelas forças norte-americanas de mísseis de intercepção terra-ar ou mar-ar. O novo radar será instalado numa base da Força Aérea japonesa em Kyotango, a noroeste de Quioto, nas margens do mar do Japão, informaram as agências noticiosas nipónicas Kyodo e Jiji, que citam fontes não identificadas. A escolha de Kyotango prende-se com a possibilidade de um míssil norte-coreano, que teria como alvo os territórios norteamericanos de Guam e do Havai, no Pacífico, poder sobrevoar o oeste ou o centro do Japão, segundo a Kyodo.

Coreia do Norte atribuiu medalhas a envolvidos em teste nuclear

A Coreia do Norte distinguiu com medalhas e outras honras de Estado os milhares de cientistas e funcionários por detrás do recente teste nuclear, informou a imprensa estatal norte-coreana. Um total de 11.592 cientistas, técnicos e outros funcionários foram distinguidos pela sua contribuição para a realização do terceiro teste nuclear, no dia 12, informou no sábado a agência noticiosa oficial norte-coreana KCNA. Um despacho da KCNA salienta que os cientistas e funcionários em causa são “patriotas genuínos” e que o regime exortou os mesmos a desenvolverem a tecnologia nuclear para transformar a Coreia do Norte num “estado de armas nucleares incomparável”. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, também atribuiu medalhas e outras distinções a centenas de cientistas que trabalharam no lançamento de um foguete em Dezembro.

no próximo ano seja um sucesso”, disse. Timor-Leste realiza em Julho do próximo ano a cimeira dos chefes de Estado e de Governo da CPLP, altura em que assume também, pela primeira vez, a presidência da organização. Durante a sua estada em Díli, Murade Murargy manteve encontros com as autoridades timorenses e assinou o acordo para concessão do terreno para a construção da representação permanente da CPLP em Díli.


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urbanismo

segunda-feir

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Quem vai a Hong Kong pode vivenciar a experiência de quase não colocar os pés no solo, dada a imensidão de pontes, escadas rolantes e estações de metro que existem e que criam uma rede de ligações acima ou abaixo do chão. Um novo livro feito pelos arquitectos Jonathan D. Solomon, Clara Wong e Adam Frampton mostra essa especificidade ao pormenor Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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ong Kong é uma cidade sem chão”. É desta forma descomplexada e directa que três arquitectos descrevem aquela que, mais do que região vizinha com sete milhões de pessoas, é um dos centros económicos e financeiros mais importante de toda a Ásia. Mas foram as especificidades urbanísticas de Hong Kong que levaram Clara Wong, Jonathan D.Solomon e Adam Frampton a lançar um livro em Novembro do ano passado, intitulado “Cities wi-

“Cities without grou o lado único da con

Quase nã no chão d thout ground – a Hong Kong guidebook” (Cidades sem chão – um guia de Hong Kong). A obra, que já se encontra à venda em muitos países, destaca, através de imagens, a particularidade de existir uma densa rede de ligações abaixo do solo e acima, com pontes, passagens para peões, escadas rolantes e o caótico metro. No total, são dadas imagens de 30 pontos-chave da cidade, com mapas e diagramas que mostram todas as ligações que existem. “O livro explora esta condições através de mapas a três dimensões com as redes de circulação que se juntam nos espaços comerciais, nas estações de comboio e nas mudanças de transportes públicos, (bem como) os parques públicos e outros espaços privados, num conjunto de modelos espaciais e desenhos”, explicam os autores no website oficial do projecto. E porque é que Hong Kong é assim, quase sem chão? “Isto acontece não só por factores físicos (construída em encostas íngremes, a cidade não tem um plano térreo), e culturalmente (não há um conceito de solo). A densidade faz com que a figura do chão desapareça, e isso


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und – a Hong Kong guidebook” mostra nstrução urbana da região vizinha

ão pomos os pés de Hong Kong leva a uma alterações na redefinição das relações espaciais nas áreas público-privadas.” Com tudo isso, “a percepção da distância e do tempo ficam destorcidos graças às redes compactas nos percursos pedestres compactos, com os transportes públicos e com a natural topografia da área urbana”, explicam, garantindo que “esta rede contínua e o microclima com a temperatura, humidade, barulho e o cheiro acabam dar a diferença e constituem uma nova forma de hierarquia do espaço urbano”.

Um manifesto

Ao jornal britânico The Guardian, os autores garantiram que se trata de “um manifesto para uma nova teoria da forma de urbanismo”, defendendo que Hong Kong “demonstra que a viabilidade e até a robustez dos espaços públicos não se assemelham a uma rua ou avenida. Essa rede urbana que existe terá começado nos anos 60, quando a empresa Hongkong Land company (à data um dos maiores investidores da região vizinha), que criou uma passagem mais elevada para estabelecer a ligação entre um hotel de luxo, um outro andar e ainda uma zona comercial adjacente. A partir daí, tudo mudou ao nível dos valores imobiliários – as rendas nos espaços mais elevados eram maiores do que nos pisos inferiores, escreve o The Guardian. Com o “boom” económico da região, essa característica cimentou-se. Hoje, os autores do livro consideram que se trata “do resultado de uma combinação de um planeamento de cima para baixo e desenvolvimento de soluções de baixo para cima, uma colaboração única entre um pensamento pragmático

e um planeamento compreensivo”, afirmam ao mesmo jornal.

Como estão representadas as zonas

Segundo pode ler-se no mesmo artigo do jornal inglês, numa cidade onde o chão é visto como “artificial” as actividades de lazer, realizadas ao ar livre nos domingos sem trabalho acabam por ser transferidas para outros locais, tal como os centros comerciais com ar condicionado, onde o microclima e a humidade são mais facilmente suportáveis. Quem acaba por dominar o espaço dos parques ou das passagens elevatórias são as empregadas domésticas não residentes. A ligação entre os espaços e as actividades humanas que os compõem é, aliás, um ponto que não é esquecido nesta obra. A roçar o jogo de consola SimCity, o “Cities without ground – a Hong Kong guidebook” contém mapas que explicam o que acontece em todas as infra-estruturas e a forma como são usadas pela população. Olhando para as biografias dos autores, todos eles têm ou já tiveram uma ligação directa não só ao mercado asiático como ao meio urbanístico de Hong Kong. Clara Wong é uma arquitecta com registo profissional na região vizinha, com trabalhos feitos em Londres e Nova Iorque. Actualmente trabalha como professora assistente na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Hong Kong. Jonathan D. Solomon ensina na norte-americana escola de arquitectura da Universidade Syracuse. O seu trabalho foca-se essencialmente nas cidades urbanas, tendo já desenvolvido projectos em Hong Kong. Já Adam Frampton vivem em Hong Kong entre 2009 e 2012, tendo feito projectos em Taipei, Taiwan.

urbanismo

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cultura

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Ballet de Genebra em Abril no CCM, com espectáculo único

Glória ao barroco

O

Centro Cultural de Macau apresenta a 27 de Abril “Glória”, uma peça de dança pelo Ballet de Genebra, concebida pelo coreógrafo grego Andonis Foniadakis, num espectáculo único para ver no Grande Auditório. Inspirado pelos ritmos empolgantes da música de Handel, Foniadakis transformou “Glória” numa obra aclamada internacionalmente em que cada gesto e cada

passo é calculado ao mais ínfimo pormenor, num desafio constante à perícia dos 20 bailarinos em palco, informa o comunicado de imprensa da organização. O espectáculo é uma homenagem intensa à arte barroca, alimentada por uma reconstrução de composições bem-amadas, como o conhecido coro Aleluia de Messias. Mais do que uma reflexão sobre histórias de heróis ou grande feitos, esta peça é uma mostra de emoções tocantes e de

ideias abstractas inspiradas na grandeza musical de um génio barroco, acrescenta a nota de imprensa. Fundado na Suíça em 1962, o Ballet de Genebra inclui 22 bailarinos de diversas nacionalidades com formação clássica. Para além de reposições do seu próprio repertório, a cada nova temporada a companhia concebe por norma duas obras originais. O ano passado o Ballet de Genebra fez digressões por países como França

Venetian alarga períodos das exposições Human Bodies e Titanic

Se não viu, ainda vai a tempo

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procura fez o Venetian alargar por mais um mês e sete dias a Human Bodies Exhibition e a exposição sobre o mais famoso barco do mundo, o Titanic. Ambas programadas para terminarem a 24 deste mês,

as exposições receberam mais de 150 mil pessoas no espaço de pouco mais de três meses, o que fez os responsáveis da operadora considerar a hipótese de as reter por mais tempo. Brendon Elliott, vice-presidente da área de marketing e vendas da Venetian, acredita mesmo que as exposições conseguiram a diversificação que Macau tanto procura na área do turismo. “Estamos muito satisfeitos por ver quão apelativas são estas duas exibições e por ver que mais de 90% dos visitantes questionados afirmaram que elas aumentaram a atractividade proporcionada por Macau, em termos de destino turístico.” O responsável frisa, em comunicado, que a Venetian pretende elevar o estatuto de Macau como centro internacional de turismo com os eventos e exposições que realiza. - J.F.

Albergue celebra Festival das Lanternas O Albergue SCM acolheu ontem, pelas 18h30, o “Festival das Lanternas”, dando continuidade à celebração das festividades tradicionais chinesas. Com o objectivo de despertar o interesse do público de Macau nestas festividades, o Albergue tem acolhido exposições das “Lanternas Tradicionais e Criativas do Coelhinho”, assim como vários workshops destinados

a ensinar as técnicas necessárias à construção destas peças ancestrais. A celebração contou com a presença do calígrafo Choi Chun Heng que escreveu para os visitantes interessados vários Fai Chun. A actividade foi co-organizada pelo CAC – Círculo de Amigos da Cultura e contou com o patrocínio da Fundação Macau e do Instituto Cultural de Macau. - J.C.M.

e México e para 2013, para além de Macau, tem agendados espectáculos em Itália, Cantão, Hong Kong e Nova Zelândia.

A primeira colaboração de Foniadakis com a companhia suíça remonta a 2004, quando o coreógrafo concebeu Selon Désir, o seu

primeiro trabalho comissionado, e no qual utilizou a música de Bach, outro grande mestre do período barroco, como ponto de partida para a criação. Numa actividade paralela ao espectáculo, o CCM organiza em Abril, dias 26 e 28, um workshop de dança que terá como instrutores membros da companhia helvética. As duas sessões são direccionadas a participantes com pelo menos três anos de experiência. O workshop foi concebido para revelar aos bailarinos locais alguns dos processos criativos e técnicos envolvidos na coreografia de Glória. Os bilhetes para o espectáculo de dia 27 de Abril estarão disponíveis a partir do próximo domingo. - J.C.M.

Gastronomia macaense em destaque durante um mês no Four Seasons Macau

Minchi para o mundo O

restaurante Belcanção, do hotel Four Seasons em Macau, vai ser o palco, em Maio, de um mês dedicado à gastronomia macaense, num menu que inclui o tradicional minchi ou a casquinha de caranguejo. “É mais um passo na divulgação da nossa gastronomia que está reconhecida como património imaterial local e que, desta vez, acrescenta também a componente internacional que a visibilidade dada pelo hotel permite”, explicou Luís Machado, presidente da Confraria da Gastronomia Macaense.

O mesmo responsável disse que a Confraria quer agora centrar as suas actividades promocionais na “internacionalização da tradição gastronómica de Macau que vai muito além das fronteiras da cidade pois recebeu influências da China, Portugal, Índia, Malásia, África, tantos países quantos os locais de origem das pessoas que chegaram a Macau há muitas dezenas de anos”. “Se em todas as famílias macaenses há sempre um ‘ingrediente secreto’na confecção de um prato que é conhecido de todos é porque esta gastronomia acabou por

ser influenciada por muitas outras, tantas quantas as origens de quem confeccionava o prato”, salientou Luís Machado. Por isso, e porque Macau também se quer afirmar como Centro Mundial de Turismo e Lazer, o presidente da Confraria da Gastronomia Macaense desafia outros espaços hoteleiros para “se lançarem em promoções idênticas da gastronomia macaense” e os Serviços de Turismo para “contribuírem para a internacionalização dos sabores locais”.

Fundação Rui Cunha apresenta porcelanas pintadas à mão de Arlinda Frota

Sensibilidade oriental A

Fundação Rui Cunha inaugura no próximo dia 27 de Fevereiro, às 18.30, a exposição Pintura - A Minha Música por Arlinda Frota. Na ocasião, será também apresentado o livro Reflections Hand Paint Porcelain. Arlinda Frota exerce Medicina há 41 anos e, desde criança, que se interessa por pintura. A Medicina, afirma, está muito próxima da Arte e está ligada à criatividade artística. Nesta

exposição, Arlinda Frota vai apresentar porcelanas pintadas à mão que são inspiradas nos vários países pelos quais

passou, tais como a Indonésia, Macau e, claro, Portugal, dentro de uma relação estreita entre a sensibilidade oriental e o diálogo com as suas origens portuguesas. O seu trabalho tem também uma forte relação com a música, possuindo uma qualidade mística que transcende a mera superfície da imagem, informa o comunicado de imprensa da organização. A exposição encerra dia 16 de Março com um

recital de  por Ana Filipa Neves Ferreira.  A jovem música  iniciou os seus estudos de piano em Macau aos 4 anos e prosseguiu-os no Conservatório de Música de Macau sob a orientação do Professor Leung Hio Ming. Participou em diversos concursos de Jovens Músicos de Macau, tendo sido distinguida com vários prémios. Do  programa fazem parte obras de Debussy, Chopin, Beethoven, Prokofiev e Gershwin.


segunda-feira 25.2.2013

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

V

ai integrar um painel de escritores de viagens no segundo dia do Festival Literário de Macau - Rota das Letras, no dia 11 de Março na Fundação Rui Cunha. Nessa mesma tarde, irá ser exibido oficialmente o seu documentário “De um lado para o outro - Diários na Mongólia”, produzido pela Casa de Portugal, que começou por se centrar no jesuíta Tomás Pereira, mediador na assinatura do primeiro tratado sino-chinês, a mando do imperador Kangxi, mas acabou por ser um retrato de uma Mongólia que na sua gente tem parecenças com os portugueses. O documentário volta a ser exibido a 19 de Março, também na Fundação Rui Cunha, aquando da apresentação do seu mais recente livro “Oriente Distante”, que será introduzido pelo investigador António Vasconcelos Saldanha. O Hoje Macau foi falar com Joaquim Magalhães de Castro. De que é que trata o documentário “From One Place to Another - Mongolia Diaries”? É um projecto que fala de um jesuíta que foi uma figura histórica. Mas, por condicionalismos vários, acabou por se transformar num documentário que fala mais sobre a Mongólia do que sobre o padre Tomás Pereira. Ficou apenas como um elemento condutor mas é uma figura, em termos históricos, tão rica que daria para vários episódios e documentários. Ele escreveu um diário em 1690 e foi dos primeiros portugueses a falar da Mongólia. É dos jesuítas mais iminentes que estiveram na corte chinesa, na dinastia Qing, do imperador manchu Kangxi, de quem era tutor, professor de música e amigo pessoal. Era um ouvido absoluto e foi ele quem introduziu a música ocidental na china, além de outras matérias: fazia relógios, era um matemático, um astrónomo. Era tal a confiança que o imperador o enviou numa delegação chinesa a Nerchinsky, que está actualmente situada na Rússia, para assinar o primeiro tratado de paz russo-chinês. Numa altura em que os russos estavam a colonizar a Sibéria e partes da Mongólia, numa expansão para leste. E os chineses avançavam para Norte. E foi então que se estabeleceu a fronteira do Rio Amur, que ainda é hoje a fronteira natural da Manchúria, parte norte da China e a Rússia. E aqui reside a importância deste tratado? Sim, falei com alguns historiadores mongóis que consideram que a existência da Mongólia como país foi resultado deste tratado porque criou-se ali uma zona tampão que é a zona dos nómadas que acabaria por ser um país. Tomás Pereira foi

cultura

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Entrevista Joaquim Magalhães de Castro presente no Rota das Letras

“Fomos os dois povos no mundo que deixaram mais genes: os mongóis e portugueses” duas casas porque eles são dois milhões num país imenso. Há mais cavalos que pessoas. Mas eu fui à Mongólia em meados dos anos 90 e havia racionamentos, os supermercados estavam vazios, porque com a queda da União Soviética eles também foram apanhados pela medida e já nessa altura se notava uma influência muito forte europeia. Eles são uma espécie de asiático-europeus, na maneira de vestir e no comportamento. Mas no campo há os nómadas e esse conceito não mudou. Mas creio que a Mongólia vai manter a sua identidade por muitos e bons anos.

então o mediador do tratado, que seria traduzido em latim, tendo um papel decisivo. E foi durante a viagem que redigiu um diário, onde nos dá descrições: as primeiras que se conhece de um ocidental sobre aquela paisagem. No documentário, infelizmente, não conseguimos ir à zona do tratado, não nos foi concedido o visto para chegar à Rússia. Por isso, o documentário acaba por se restringir mais a este país. Comparou-se esta primeira descrição da Mongólia com o cenário actual? Esta foi uma das primeiras grandes descrições da Mongólia: a paisagem, os seus nómadas. Ele, por exemplo, dá conta de como utilizaram o excremento de animais para cozinhar, como combustível. Agora acabo por ser eu, enquanto personagem, enquanto viajante e historiador que visito o país para falar sobre Tomás Pereira e falo com historiadores mongóis - uma professora universitária, um padre chinês, uma rapariga mongol que fala português e será a

minha guia nesta viagem. Tomás Pereira acaba por ser um pretexto para falar da Mongólia como país e das semelhanças que há entre a Mongólia e Portugal, a maneira de ser das pessoas. E como chegou a este acervo bibliográfico? Eu soube desta história há alguns anos, e já estava agendado [este documentário] na minha cabeça, por um livro de um escritor jesuíta americano Joseph Sebes que fala desta história de Nerchinsky e que transcreve pela primeira vez esse diário de Tomás Pereira. Esse livro é que me pôs na rota de Tomás Pereira. E, nessa missão, que o levou a partir de Portugal, parou em Macau? Ele, como todos os jesuítas, entrou na China passando por Macau. Há uma rua na Taipa, perto da minha casa, que é a travessa Padre Tomás Pereira. É curioso. Eu passava lá e pensava que tinha de fazer uma

história sobre ele. É única memória que há dele. Ele está sepultado no cemitério de Shala, em Pequim, onde estão outros jesuítas iminentes de várias nacionalidades, onde também vamos e falamos com um professor chinês. Como conseguiu reunir estes depoimentos? Dois dos professores [que entrevistei] tinham ouvido falar de Tomás Pereira e concordavam comigo nessa análise ao tratado. Mas não há um conhecimento aprofundado. O documentário vive pelas imagens. E qual a diferença entre a Mongólia retratada então e a Mongólia dos dias de hoje? Não mudou muito. Costumo dizer que há duas mongólias: a da cidade, Ulan Bator, a grande capital, e o resto que são os nómadas. E a Mongólia está a crescer muito, tem riquezas naturais muito grandes e se fosse um país livre de corrupção, cada mongol podia ter

Quanto às comparações de que falou, entre mongóis e portugueses, quais as características comuns? Os mongóis são desconfiados como os portugueses, ambos tiveram dois grandes períodos de expansão, a Mongólia teve o maior império e nós também tivemos grandes impérios. E fomos os dois povos no mundo que deixaram mais genes: os mongóis e portugueses. O gene mongol está em todo o lado. Em Portugal há pessoas com características nitidamente mongóis, as maças do rosto altas. Este território que hoje é Macau fez parte do império mongol. E Portugal teve o período das descobertas no qual também houve miscigenação. São discretos, falam mais baixo. E têm também a frustração de que ninguém lhes dá valor, não sabem da existência deles e ficam danados com isso. E houve dificuldades no decorrer das gravações? Uma vez perdemo-nos, coisa que é muito fácil, apesar de ser uma equipa grande que ia em dois jipes, porque não há estradas. Até os próprios mongóis se perdem e eles pedem direcções aos nómadas nos yurts. E são eles que dão as indicações. Isso é muito interessante. Fomos agredidos por buriates, do lado mongol, ainda me rasgaram a camisola. Acredito que estavam bêbedos. O alcoolismo é um dos grandes problemas lá, sobretudo nos homens. Mas vimos homens a mudar os yurts, que é algo raro, e quanto a mim foi um dos pontos altos do documentário.


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vida

A

segunda-feira 25.2.2013

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Geocapital está pronta para lançar um projecto agro-industrial em Moçambique, com parceiros técnicos brasileiros, aguardando “luz verde” das autoridades moçambicanas, que poderá estar para “breve”, disse à Lusa um administrador do grupo. Em entrevista à Lusa, Diogo Lacerda Machado, administrador da “holding” com sede em Macau, adiantou que foram pedidos às autoridades moçambicanas 20 mil hectares de terras incultas e “marginais”, no “centro interior, a caminho do Vale do Zambeze”, após um longo trabalho de prospecção de terras e estudos de mercado. “Temos indicações de que poderá estar para breve a aprovação em Moçambique desse projecto (…) Esperamos sem pressa o momento em que o Governo entenda que faz sentido atribuir-nos”, adiantou

Geocapital aguarda “luz verde” de Moçambique para projecto agro-industrial

Com cunho chinês Lacerda Machado, recentemente regressado do país africano. Será plantada soja e cereais nesta primeira fase do projecto, envolvendo um investimento de “dezenas de milhões de dólares”, e numa segunda fase será reforçada a produção alimentar e a plantação de “jatropha” para biocombustíveis. “Em todas as fases, o propósito vai ser o de assegurar localmente quase toda a transformação agro-industrial, com unidades próprias a ser instaladas, como meio de reter em Moçambique a maior parte possível da cadeia de

valor”, disse o administrador da Geocapital, accionista do Moza Banco moçambicano e também de bancos em Cabo Verde e Guiné-Bissau. A “holding” Geocapital tem como accionistas de referência os empresários Stanley Ho, Ambrose So e Ferro Ribeiro, tendo-se vocacionado desde a criação para investimentos nos países lusófonos, a partir de Macau. Tem um outro projecto agro-industrial para a Guiné-Bissau, que se encontra em suspenso. “A ideia que temos é que neste mo-

Macau Sã Assado

mento haverá um aproveitamento relativamente baixo de um potencial extraordinário em termos agrícolas (...) Moçambique, se aproveitar o potencial, consegue não só autoabastecer-se, como ter um superavit larguíssimo e tornar-se um importante exportador de produções agrícolas”, adiantou. As terras a trabalhar serão sempre “marginais”, sentido “político, para aproveitar a terra que o Governo moçambicano ache que possa fazer sentido ser aproveitada”, económico por serem “terras com alguma aptidão”, mas que “não têm

de ser as melhores”, social “para dizer que seja terra que ninguém reivindique, que nenhuma população entenda como sua, com ou sem título”, e sem prejuízo para o meio ambiente. Para a componente tecnológica do projecto, foi feita uma parceria com “uma das maiores e mais modernas organizações de agricultores do Brasil, com presença internacional”. “Levamos anos a definir este conceito, anos a fazer estudos do tipo de produções e de aproveitamento económico, acesso a mercado e cidades a satisfazer”, disse. Parte da produção sairá “para o mercado local, a preços interessantes, e numa lógica de envolvimento de camponeses”, mas pensando “desde relativamente cedo em exportar”. Caso o projecto tenha sucesso, “faria sentido pedir mais terra para aumentar a escala das produções fazendo mais investimentos” e “francamente mais vultuosos”.

MIECF traz dois convidados especialistas em protecção ambiental

Desenvolvimento sustentável na mira M

Salada de línguas estragada • O menu que a foto revela é uma autêntica salganhada. O inglês, o chinês, o português, o francês e o italiano misturamse para explicar ao cliente o que pode ser ali vendido. Para além do multilinguismo, o cardápio apresenta erros grosseiros. Seja como for, é interessante poder beber-se uma agia vitamínica, quentes e frios à escolha e famosa água de Itália da zona do Luso, que é muito “minieral”. Porque Macau sã assi, mas também sã assado Foto: Joana Freitas

acau vai receber a presença de dois especialistas em protecção ambiental. Em mais um evento relacionado com a cooperação internacional - o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Internacional (MIECF, na sigla inglesa) -, a RAEM vai contar com palestras sobre questões de desenvolvimento sustentável. A decorrer entre 21 a 23 de Março, no Venetian, o MIECF deste ano apresenta Jefrey Sachs, Director do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, nos EUA, e Consultor Especial do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e C. S. Kiang, Presidente da Fundação para o Desenvolvimento Sustentável da Tecnologia, Director e Fundador da

Faculdade de Ciências Ambientais da Universidade de Pequim e Presidente da Direcção da Fundação de Protecção Ambiental da mesma Universidade. Sachs vai apresentar as suas experiências sobre a promoção do desenvolvimento económico através da sustentabilidade do meio ambiente e Kiang debruça-se sobre a existência de edifícios verdes e comunidade sustentável como o novo urbanismo da China. No MIECF 2013 há ainda diversos fóruns verdes, onde serão debatidos temas como a eficiência energética, energias renováveis, construção verde, transporte verde, gestão de água e de resíduos, financiamento e política ambientais, entre outros. - J.F.


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vida

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hoje na chávena Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Erva-príncipe Nome botânico: Cymbopogon citratus (DC.) Stapf = Andropogon citratus DC. Família: Poaceae (Graminae). Nomes populares: Chá-do-príncipe; Chá-príncipe; Citronela.

O

Ministério do Ambiente chinês reconheceu a existência de “cidades do cancro”, anos depois de informações divulgadas sobre um número de casos elevados da doença, em relação à média nacional, em certas regiões do país muito poluídas. “Produtos químicos tóxicos e nocivos provocaram numerosas situações de emergência nas águas e na atmosfera… e em certos lugares contam mesmo com cidades do cancro”, admitiu o ministério num relatório público, esta semana, e anexada ao plano quinquenal 2011-2015. A expressão “cidade do cancro” não havia sido ainda utilizada pelas autoridades, frequentemente confrontadas com o descontentamento das pessoas diante da degradação das suas vidas devido aos dejectos industriais, a presença de substâncias tóxicas nas águas ou no ar, muito carregado de partículas finas. A poluição aumentou fortemente com a rápida industrialização do país

China admite que país tem excessivos produtos químicos e nocivos

Cidades cancro durante as últimas três décadas. Um grande número de metrópoles chinesas estão entre as mais poluídas do planeta, mas a poluição não se limita às cidades. Não existe uma definição precisa das “cidades do cancro”, mas a expressão é muito utilizada pelos meios de comunicação, sobretudo depois da publicação, em 2009, de uma lista de dezenas destas cidades por um jornalista chinês. O Governo reconheceu que “os produtos químicos tóxicos e nocivos”, geralmente proibidos nos países desenvolvidos, são utilizados na China e “são potencialmente perigosos à saúde humana e ao ambiente a longo prazo”. Entre as substâncias, está o nonifenol, um

composto orgânico sintético proibido na indústria têxtil europeu, é muito utilizado neste sector na China, onde também é utilizado na produção de detergente, indicou o jornal Global Times. Esta é a primeira vez que o termo “cidade do cancro” aparece num documento oficial do ministério, segundo a especialista em questões ambientais, Wang Canfa, que dirige um centro de ajuda às vítimas da poluição, em Pequim. “Isto mostra que o ministério do Ambiente reconheceu que a poluição provoca cancros”, declarou Wang Canfa à agência noticiosa francesa AFP. A especialista acrescentou que as repercussões na saúde da degradação ambiental “chama a atenção”.

Um responsável do ministério não confirmou que a expressão “cidades do cancro” teria sido usada pela primeira vez, sublinhando que o Governo já tinha estabelecido no passado uma ligação entre o ambiente e a saúde. Entrevistado pelo Global Times, Wang Canfa indicou que as multas aplicadas às fábricas poluidoras na China nem sempre são dissuasivas. Os responsáveis pela poluição dos lençóis freáticos não respondem pelos seus actos criminosos, porque as leis não existem para tais casos. Como o tratamento de dejectos químicos é muito caro, é mais económico livrar-se dos dejectos ilegalmente”, declarou a especialista àquele diário.

A Erva-príncipe é uma planta herbácea que pode atingir 1 a 1,5 m de altura e cresce formando grandes tufos. As suas longas folhas quando amachucadas com a mão emanam um forte aroma a Limão. Originária do Sri Lanka e sul da Índia, terá sido transportada na bagagem de emigrantes asiáticos para outros locais, dando início à sua disseminação pelo mundo. Atualmente é muito cultivada nas regiões tropicais, como planta condimentar e ainda para extração do óleo essencial. Com usos culinários e medicinais muito antigos, esta erva aromática integra o repertório terapêutico das medicinas ayurvédica e chinesa, sendo igualmente um ingrediente de destaque na cozinha asiática. O óleo essencial, também conhecido por essência de lemongrass, além de aromatizante culinário é usado em perfumaria, no fabrico de sabonetes e outros cosméticos, e ainda como repelente de insetos. Ação terapêutica A Erva-príncipe tem sido utilizada tradicionalmente em perturbações digestivas ligeiras, como azia, más digestões, flatulência, cólicas gastrintestinais e diarreia, pelas suas propriedades digestivas, tonificantes do estômago, protetoras do fígado e antiespasmódicas. Esta aromática tem uma ação calmante sobre o sistema nervoso, ajuda a combater a ansiedade e os estados depressivos, e favorece um bom sono. Isenta de efeitos secundários e contraindicações

é apropriada para as crianças. Com atividade antissética, a Erva-príncipe combate bactérias e fungos; estudos recentes confirmam a sua ação sobre a Candida albicans, sendo utilizada em infusão e em bochechos no tratamento da candidíase oral, bem como em caso de aftas e inflamação das gengivas. É também utilizada na tosse, constipação e gripe, aumentando a sudorese, baixando a temperatura corporal, acalmando a tosse e facilitando a expetoração. Com efeitos antioxidantes pode contribuir para a prevenção do cancro. Outras propriedades Como analgésico, anti-inflamatório e relaxante muscular tem sido usado topicamente para aliviar dores musculares, reumatismais e nevralgias, em cataplasmas ou fricções com o óleo essencial diluído. Em cosmética, tem indicação na acne, eczema, pele gordurosa com poros dilatados e para aclarar manchas na pele ou sardas. Como consumir Para a infusão usam-se as folhas frescas ou secas; na cozinha usa-se igualmente a parte inferior dos caules, mais clara, da planta fresca. Sugestões: • Para aromatizar saladas de vegetais, saladas de frutas ou compotas • Para temperar peixe ou carne • Picada pode ser usada em sopas como um legume • Pode ser adicionada ao caril • Infusão: 2 colheres de sopa por litro de água fervente, 10 minutos de infusão. Para tomar 2 ou 3 chávenas por dia. É uma bebida muito agradável e excelente para cortar a sede nos dias de calor.


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desporto

segunda-feira 25.2.2013

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Monte Carlo e Ka I goleiam e seguem empatados na liderança

Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

C

hegou, viu e venceu. Uma semana depois de ter assinado um golo memorável no desafio de estreia com a camisola do Monte Carlo, o brasileiro Denilson voltou a revelar-se uma pedra essencial no xadrez dos vice-campeões do território. O onze orientado por Tam Iao San goleeou ao fim da tarde de sábado a frágil formação do Lam Ieng por sete bolas a zero, num desafio tranquilo em que o derradeiro reforço do emblema “canarinho” marcou de rajada os três primeiros tentos do encontro. Felipe César de Souza, conhecido no mundo do futebol por Denilson, inaugurou o marcado à passagem do primeiro quarto de hora na sequência de um contra-ataque rápido do Monte Carlo. O antigo avançado do Gondomar aproveitou a saí-

Máquinas de fazer golos

da extemporânea de Ku Seng Cheong de entre os postes do Lam Ieng para inaugurar o marcador. Inspirado, o brasileiro marcou o segundo seis minutos depois e completou o hat-trick à passagem do minuto 25, ao empurrar para o fundo das redes do conjunto adversário, depois de um

bom trabalho de Chan Kin Seng no lado esquerdo do ataque dos vice-campeões do território. A formação orientada por Tam Iao San voltou a festejar novo tento a dois minutos do intervalo, com o avançado chinês Du Zhiqiang a marcar de cabeça, na sequência de novo contra-ataque rápido do emblema presidido por Firmino Mendonça. Com um futebol mais articulado, o Monte Carlo chegou facilmente ao quinto golo, dois minutos volvidos sobre o re-início da partida. Marcou Rafael na conclusão de uma nova investida de ataque em que a defensiva adversária volta a ficar mal na fotografia. Du Zhiqiang marcou o

Sporting vence e deixa Casa de Portugal em maus lençóis O Sporting Clube de Macau continua bem embalado para conseguir garantir um lugar de acesso ao principal escalão de futebol da RAEM. A formação orientada por João Maria Pegado derrotou o Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau por três bolas a zero, no único clássico oficial a colocar este ano frente-a-frente formações de matriz portuguesa. Longe da performance obtida no segundo escalão na última temporada, a formação orientada pelo são-tomense Pelé não conseguiu evitar novo desaire, num desafio em que os leões do território não se ressentiram da ausência ao meio-campo do veterano Mandinho. Mais determinado e mais eficaz, o Sporting Clube de Macau inaugurou o marcador à passagem do minuto 21, com Leandro Fernandes a facturar na sequência de um livre-directo apontado no lado direito do ataque dos leões. O onze verde e branco controlou o jogo a meio-campo a seu bel-prazer, mas o placard só voltaria a mexer

resultados Chao Pak Kei

5 – 2

Sub-23

Polícia

0 – 2

Lam Pak

Lam Ieng

0 – 7

Monte Carlo

Benfica

1 – 0

Kuan Tai

Kei Lun

0 – 8

Ka I

segundo da conta pessoal aos 52 minutos, com um disparo colocado, desferido à entrada da área do Lam Ieng. Massacrado quanto baste, Ku Seng Cheong voltou a conceder novo golo a dez minutos do fim do tempo regulamentar, desta feita a partir da marca de onze metros. Marcou Leong Ka Hang, a punir uma mão na bola de um defesa adversário em pleno último reduto do Lam Ieng.

Ka I à campeão

a nove minutos do fim, de novo na sequência de um lance de bola parada. O segundo golo do Sporting teve a chancela do camaronês Wamba, que dá o melhor seguimento a um pontapé de canto apontado pelo capitão Pedro Maia. A perder por duas bolas a zero, a Casa de Portugal ainda dispôs de uma oportunidade de ouro para reduzir, mas o angolano João Ramos não conseguiu acertar com o último reduto adversário quando tinha a baliza dos leões praticamente escancarada. Quem não marca arrisca-se a sofrer e foi o que sucedeu no último minuto do desafio, com Pascoal Júnior a selar a marcha do marcador com um remate oportuno, desferido à entrada da pequena área adversária. As duas formações regressam ao activo já na próxima quarta-feira, no campo da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O Sporting defronta a Selecção de Sub-18 da Associação de Futebol de Macau às 19 horas, antes da Casa de Portugal esgrimir argumentos com o Chang Wai. – M.C. pub

MACAU ANGLICAN COLLEGE

A resposta do Ka I à performance do Monte Carlo dificilmente poderia ser mais esclarecedora. Os tri-campeões do território golearam sem apelo nem agravo o Kei Lun por oito bolas a zero, num desafio em que o goleador-mor da equipa, Niki Torrão, acrescentou dois novos golos ao vasto rol de tentos concretizados na edição de 2013 da Liga de Elite. O internacional do território inaugurou o placard aos nove minutos, ao responder com perfeição a um cruzamento com peso, conta e medida de Pedro Ribeiro e Castro. O emblema orientado pelo brasileiro Joseclér voltou a festejar novo

golo dois minutos depois, com Mayckol a aproveitar a confusão na área adversária para marcar na sequência de um pontapé de canto. Com um início fulgurante de partida, os campeões do território pareciam bem embalados para garantir uma goleada, mas acabaram por só conseguir levar avante a promessa de uma chuva de golos na recta final do desafio. Aos 58 minutos, o cabo-verdeano Alison Brito marcou o terceiro do Ka I, na sequência de um livre directo apontado pelo camaronês Christopher Nwarou. Carlos elevou a contagem para 4 – 0 a treze minutos do fim do encontro e dois minutos depois Alison Brito voltou a fazer o gosto ao pé. O antigo dianteiro do Futebol Clube do Porto rematou sem oposição para o fundo das redes de Eusébio Mendes. A oito minutos do fim foi a vez de Niki bisar. Neto, aos 87 minutos e Christopher Nwarou, já em período de descontos, completaram a goleada dos campeões do território.

Benfica recupera fôlego

Depois do desaire frente ao Monte Carlo na quinta

jornada, o onze da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau regressou aos triunfos, ao vencer a exigente formação do Kuan Tai pela margem mínima. A emblema orientado por João da Rosa entregou o protagonismo ao onze encarnado e forçou as águias do território a correrem atrás da vitória. O grupo de trabalho orientado por Bruno Álvares só na segunda parte conseguiu desfeitear a defensiva adversária, ao levar a bom porto um pontapé de canto. O único golo do desafio foi apontado de cabeça pelo defesa Filipe Duarte, corria o minuto cinquenta da partida.

Lam Pak certinho

Complicada foi também a vitória do Lam Pak sobre o Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública. O onze das forças de segurança conseguiu resistir por mais de uma hora ao assédio da linha ofensiva da formação orientada por Chan Man Kin. O Lam Pak só aos 66 minutos consegue bater Leong Chon Kit pela primeira vez, numa iniciativa de ataque concluída de forma oportuna por Loi Wai Long. A confirmação do triunfo do onze azul e branco chegou já em período de descontos, com William Carlos Gomes a marcar o segundo na cobrança exímia de um livre directo. Em destaque na sexta ronda da Liga de Elite esteve também o Chao Pak Kei. Os vencedores da última edição do Campeonato de Futebol da II Divisão estrearam-se a ganhar na principal prova do desporto-rei do território, ao golearam a Selecção de Sub-23 da Associação de Futebol de Macau por cinco bolas a duas.

classificação Equipa

J V E D GM-GS Pontos

Ka I

6

6

0

0

28-2

18

Monte Carlo

6

6

0

0

21-1

18

Lam Pak

6

5

0

1

16-1

15

Benfica

6 4 0 2 8-3

12

A good knowledge of IGCSE, A/S level and A level examinations is essential.

Kuan Tai

6

9

Interested candidates should send a personal letter of application electronically stating how s/he meets the above requirements, a CV, the names and contact details of three referees to:

Polícia

6 2 1 3 8-13

7

Lam Ieng

6

1

1

4

4-25

4

Tel: 00853 28850000

Kei Lun

6

1

0

5

5-20

3

Email: cissychan@acm.edu.mo

Chao Pak Kei

6

1

0

5

5-20

3

Website: www.acm.edu.mo

Sub-23

6 0 0 6 3-15

ASSISTANT PRINCIPAL SECONDARY SECTION REQUIRED FOR SEPTEMBER 2013 The College seeks a Christian teaching professional with good leadership, management, interpersonal and organizational skills to head a team of 42 teachers. Candidates should be good team players, flexible, resilient and creative, and have a good sense of humour.

Ms Cissy Chan, Personnel Manager, Macau Anglican College, 109-117 Avenida Padre Tomas Pereira, Taipa, Macau.

3

0

3

6-8

0


segunda-feira 25.2.2013

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB Sala 2

journey to the west: conquering the demons [c]

(Falado em cantonês legendado em chinês e inglês) Um filme de: Stephen Chow, Derek Kwok Com: Shu Qi, Wen Zhang, Huang Bo, Show Lo 14.30, 19.30

LINCOLN Sala 1

one piece film z [b]

journey to the west: conquering the demons [3d] [c]

(Falado em japonês, legendado em chinês) Um filme de: Tatsuya Nagamine 14:30, 19:30

(Falado em cantonês legendado em chinês e inglês) Um filme de: Stephen Chow, Derek Kwok Com: Shu Qi, Wen Zhang, Huang Bo, Show Lo 16.30, 21.30

I LOVE HONG KONG 2013 [B]

Sala 3

(Falado em cantonês, legendado em chinês e inglês) Um filme de: Chung Shu-kai Com: Eric Tsang, Bosco Wong, Michael Tse, Kate Tsui 16.30, 21:30

Aqui há gato

LINCOLN [b]

Um filme de: Steven Spielberg Com: Daniel Day-Lewis, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon-Levitt 14:30, 18:15, 21:00

HORIZONTAIS: 1-Cheio de rubor, ruborizado. 2-Ufano, envaidecido. Imposto de Circulação (abrev.). 3-Afastei, suprimi. Acrecente. 4-Apeadeiro (abrev.). Altar. Irritam. 5-Gemido (Bras.). Acto de miar. 6-Podia entrar ou ser contido. Expatriar, expulsar. 7-Ligar. Pássaro brasileiro. 8-Tulha subterrânea, onde ser conservam cereais. Estabelecimento onde se servem bebidas. Vogais iguais. 9-Passado. Caixões mortuários. 10-Cobalto (s.q.). O m. q. Iridáceas. 11-Deixarias só. VERTICAIS: 1-Do Cáusaco. 2-A nudez na pintura. Sossegado, pacífico. 3-Arre!. Pequena moeda da antiga Grécia. 4-Espécie de abelha do Brasil, vulgarmente chamada maribondo. Árvore da Malásia. Vogal (pl.). 5-Tarado, psicopata. Auroque. 6-Cortai em rolos ou toros. Quarto mês do ano. 7-Empunhei. Acalma, suaviza. 8-Dor. Abalada. Puxar com o rodo. 9-Campo de liça. Vai-se, retira-se. 10-Nome de mulher. Sua Alteza (abrev.). 11-Colocariam em camadas.

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

(com 17 casas pretas)

[Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Telejornal + 360º (Diferido) 14:40 RTPi Directo 17:00 Liga Sagres – Rio Ave – Porto (Repetição) 18:30 Contraponto (Repetição) 19:30 Vingança 20:30 Telejornal 21:00 TDM Desporto 22:10 Escrito nas Estrelas 23:00 TDM News 23:30 História Essencial de Portugal 00:00 Telejornal - Repetição 00:30 RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 15:00 Telejornal Madeira 15:30 Consigo 16:00 Ingrediente Secreto 16:30 AntiCrise 17:00 Bom Dia Portugal 18:00 Decisão Final 18:45 Vingança 19:30 Em Reportagem (Madeira) 20:00 Trio D’Ataque 21:00 Jornal Da Tarde 22:15 O Preço Certo 23:15 Portugal no Coração

18:00 F1 Classics - 1996 Spanish Grand Prix 19:00 F1 Classics - 2000 French Grand Prix 20:00 The Verdict 20:30 MotoGP World Championship 2011 - Highlights Grand Prix of Japan 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Accenture World Matchplay 2013 Day 5 Highlights 40 - FOX Movies 12:45 Spider-Man 14:45 Shanghai Noon 16:40 Wall-E

18:20 The Artist 20:00 Awards Fever 00:15 Limitless

30 - FOX Sports 12:00 Asean Basketball League 2013 Saigon Heat vs. Singapore Slingers 14:00 500 Great Goals 14:30 NASCAR Sprint Cup Series 2013 17:30 Big Ten Conference Basketball 2012/13 Northwestern vs. Purdue 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 NASCAR Sprint Cup Series 2013 - Highlights 21:00 Samsung Beach Soccer Intercontinental Cup Dubai 2012 Switzerland vs. Brazil 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 AFC Champions League 2012 Final Ulsan Hyundai vs. Al Ahli

HORIZONTAIS: 1-ANACARADO. A. 2-UFANOSO. IC. 3-C. ABOLI. ADA. 4-APA. ARA. IRAM. 5-ULO. MIADELA. 6-CABIA. BANIR. 7-ACOPLAR. ANI. 8-SILO. BAR. AA. 9-IDO. URNAS. M. 10-CO. IRIDEAS. 11-O. ISOLARIAS. VERTICAIS: 1-A. CAUCASICO. 2-NU. PLACIDO. 3-AFA. OBOLO. I. 4-CABA. IPO. IS. 5-ANORMAL. URO. 6-ROLAI. ABRIL. 7-ASI. ABRANDA. 8-DO. IDA. RAER. 9-O. ARENA. SAI. 10-IDALINA. SA. 11-ACAMARIAM. S.

31 - STAR Sports 12:00 SBK Superbike World Championship 2013 - Race 1 & 2 14:00 Age Of 27 - The Casey Stoner Documentary 15:00 Accenture World Matchplay 2013 Day 5

41 - HBO 12:00 Extremely Loud & Incredibly Close 14:10 One Day 16:00 The Adventures Of Tintin 17:50 Secondhand Lions 20:10 Terminator 3 22:00 Boss 23:00 Girls 23:30 Enlightened 00:00 No Strings Attached 42 - Cinemax 12:30 Sliver 14:10 The Other Guys 16:00 Spartacus 19:00 Poison Ivy 20:30 Red Faction 22:00 American History X 23:50 Operation: Endgame

À venda na Livraria Portuguesa Portugal Definitivo • António Victorino d’Almeida

«Em “Portugal Definitivo” voltamos a encontrar Marcelino Bandeira, o protagonista dos livros “Coca-Cola Killer” e “Tubarão 2000”, com a única diferença de que se trata agora de um homem velho. Este é o último livro da trilogia que mergulha com graça e inteligência na sociedade portuguesa, que ousa entrar nos bastidores e faz subir ao palco as verdades incómodas do nosso país. Sem hipocrisias nem cinismos.»
In Posfácio

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Escola de Magia • João Miranda

Se gostava de aprender truques de magia fantásticos para surpreender tudo e todos, este livro é para si. De forma clara e simples, o mágico João Miranda irá ensinar-lhe passo a passo e por diferentes níveis de dificuldade ilusões com objectos que poderá facilmente encontrar em sua casa. Fazer aparecer dinheiro, levitar uma carta, transformar água em sumo ou rasgar e reconstituir um jornal, são alguns dos truques de magia que irá aprender. Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Polícia incompetente e não só A polícia de Macau anda a brincar às polícias. Veja-se o caso da recente detenção de Jason Chao, levado como um animal pelas autoridades que nem sequer sabem o que é ser uma autoridade. Ser a autoridade não é o mesmo que ser autoritário. E para se ser autoritário é preciso saber sê-lo, algo que as polícias de Macau não sabem. Não sabe a polícia aduaneira, não sabe a polícia de segurança pública e não sabe a polícia judiciária. Os profissionais não estão preparados para fazer cumprir a lei, nem tão pouco para manter a ordem de uma cidade, que apesar de pequena, precisa de a ter. A polícia preocupa-se em multar as motas e os carros mal estacionados, mas esquecese de multar os carros que não deixam os peões passar nas passadeiras. A polícia preocupa-se com produtos alusivos à Hello Kitty que são contrafeitos e vem à televisão falar disso, mas grande apreensões não são conhecidas. Enfim... É a polícia que temos num território que temos e acolhemos para ser o nosso. Na verdade, quando a franja política da sociedade é fraca; quando quem “manda” em nós não sabe o que anda a fazer; quem não consegue encontrar outros caminhos para o desenvolvimento económico encontrando alternativas ao jogo; quem apregoa turismo e lazer e só dá ok a casinos; quem não quer apostar numa lei de violência doméstica certa e coerente porque se resguarda na harmonia; quem brinca com o Mangal da Taipa; quem se esquece do meio ambiente; quem aposta em autocarros movidos a gasóleo em vez de comprar de vez autocarros eléctricos; quem ainda cospe num chão, quem acredita que uma mulher tem de comer marisco e derivados para ter um filho homem quando na verdade a responsabilidade do sexo de um bebé é exclusivamente do homem; quem corre desenfreado às notas do zodíaco; quem não sabe o que fazer com o património histórico e ainda se lembra que edifícios coloniais têm de vir abaixo; quem não consegue combater a inflação e a especulação imobiliária; quem não consegue lavar a cara da cidade remodelando os prédios velhos; quem não cria esplanadas e lugares de lazer; quem não se importa com o desporto e com a prática profissional deste; etc., merece a polícia que tem. Miau!

Pu Yi


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segunda-feira 25.2.2013

hó lei tó por antónio conceição júnior

Precisa-se: evangelizador Ricardo Araújo Pereira in Visão

P

ercebemos que um líder religioso é, de facto, inspirador quando as suas atitudes infundem esperança até nos incréus. É o que acontece com Bento XVI, cuja resignação traz um pouco de ânimo não só a ateus como eu mas, parece-me, a portugueses de todos os credos. Em primeiro lugar, há a questão da sucessão. De acordo com os jornais italianos, é provável que o próximo Papa venha de um país do Terceiro Mundo. Os cardeais portugueses podem finalmente sonhar. Será desta? A hipótese de haver um português como chefe de Estado de um país rico é muito rara, e excelente para Portugal embora péssima para o país em questão, como a história parece indicar. Em segundo lugar, é muito importante não esquecer que o Papa é um exemplo a seguir por todos os católicos. Ora, Bento XVI acaba de renunciar ao seu cargo por se sentir cansado e fisicamente fraco. Portanto, a pergunta que todos fazemos, com uma ansiedade muito devota, é: será Vítor Gaspar católico? Deus queira que sim. Gaspar também parece cansado. Ninguém tem olheiras tão fundas se anda a descansar o suficiente. E aparenta estar fisicamente fraco. É manifesto que lhe custa falar. Aquele tom pausado é o mesmo com que, nos filmes, os moribundos dão recados importantes aos amigos e à família. Nas mesmas condições, o Papa renunciou. É certo que Vítor Gaspar tem o auxí-

De acordo com os jornais italianos, é provável que o próximo Papa venha de um país do Terceiro Mundo. Cardeais portugueses podem finalmente sonhar lio da troika, ao passo que o Papa tem o auxílio de Deus. Concedo que o ajudante do ministro é ligeiramente mais poderoso. Mas, ainda assim, os casos são muito semelhantes. Se Gaspar fosse católico, creio que não teria outro remédio senão seguir as pisadas do Santo Padre. Aquilo de que Portugal precisa é de um pregador persuasivo. Um homem que, munido de uma bíblia ou duas, vá evangelizar para o Ministério das Finanças como durante os descobrimentos outros sacerdotes iam evangelizar para o Brasil. Sabendo que irá provavelmente encontrar mais selvagens do que os seus antepassados encontraram em terras de Vera Cruz. Sabendo que o espera uma tarefa muito difícil, porque Vítor Gaspar já tem religião conhecida: professa uma fé absolutamente cega nos mercados, e por isso talvez tivesse de começar por ser politeísta. O pregador terá de ser alguém suficientemente versado em economia para se fazer entender junto de Vítor Gaspar, e suficientemente devoto para o converter ao catolicismo. Convinha que fosse ao mesmo tempo um economista experimentado e um fanático religioso. Nunca pensei dizer isto, mas Portugal precisa de João César das Neves.


segunda-feira 25.2.2013

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David Chan*

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macau visto de hong kong

Reunificação VIII

N

a semana passada falámos da questão dos manuais de matéria legal para os estudantes de Direito em Macau. Parece haver poucos manuais escritos por autores com conhecimentos de base da lei portuguesa e as versões traduzidas do português para chinês parecem ser igualmente insuficientes. A questão da actualidade dos manuais é outra das preocupações a ter em conta. A política de “uma matéria, um manual,” para os estudantes de Bachelor of Laws (LL.B), que estão a preparar-se para ser advogados em Macau, talvez tenha dificuldades em ser implementada. Também falámos dos manuais utilizados. Alguns docentes parecem preparados para os aplicarem mas outros não. Alguns usavam as traduções de notas de conferências; i.e. as notas originais eram escritas por docentes portugueses e depois traduzidas para chinês. Sinceramente, não percebi as traduções. Esta semana vamos falar do ensino e da aprendizagem de Direito em Macau. Vou partilhar com os meus leitores a minha experiência pessoal na aprendizagem do programa de Direito em chinês, em Macau. Atentemos primeiro na aplicação de um programa. Quando decidi regressar à universidade em Macau, procurava obter o meu sexto grau académico. Era muito especial para mim, uma vez que era a minha primeira qualificação em Macau, e a segunda pós-graduação académica. A primeira foi o Postgraduate Certificate in Laws (PCLL), um curso que preparava os alunos para serem solicitor ou barrister em Hong Kong.

política da universidade. Embora sem nenhuma razão óbvia os estudantes tinham de fazer testes mais ou menos três dias depois de terem começado a estudar. Por outras palavras, os estudantes tinham de dar as melhores respostas a perguntas sobre a matéria que tinham dado alguns dias antes. O tempo de revisão era suficiente? Sinceramente não percebo a racionalidade da implementação da política de “fazer testes imediatamente após estudar”. Será que esta política prova que os estudantes de Macau são melhores porque tiveram menos tempo para estudar?

Desaparecimento de exames anteriores

Os exames anteriores eram um indicador para os alunos aferirem o nível de dificuldade, o estilo do exame, a sua duração, o número de perguntas, etc. Os estudantes tinham essa expectativa porque era suposto

Na minha universidade havia um enorme arquivo, na secretaria, onde se guardavam os exames anteriores. Os alunos podiam requisitá-los e copiá-los. No entanto, o arquivo não continha qualquer índice, nem nenhuma informação sobre o seu conteúdo que a matéria dada num semestre anterior não teria um tratamento muito diferente num outro semestre. As mudanças são aceitáveis quando necessárias; e.g. reforma do curso, intercalar uma matéria com outra, etc. A mudança de professor não deve servir de desculpa para uma abordagem completamente diferente de uma determinada

matéria. É esta a importância dos exames anteriores. Na minha universidade havia um enorme arquivo, na secretaria, onde se guardavam os exames anteriores. Os alunos podiam requisitá-los e copiá-los. No entanto, o arquivo não continha qualquer índice, nem nenhuma informação sobre o seu conteúdo. Como podíamos saber o número de exames anteriores que ali estavam contidos? Como podíamos saber qual o conjunto de exames que ali estavam guardados? Quais as matérias ali examinadas? Coloco estas questões porque encontrei vários exames que não pertenciam ao meu programa e nunca cheguei a encontrar aqueles que procurava. O que requisitei deste arquivo não foram mais do que alguns exemplares de exames.

(Continua na próxima semana)

Horas de revisão insuficientes

A minha experiência de aprendizagem na universidade em Macau foi das piores que se possa imaginar. Tinha de ir às aulas de segunda a sexta-feira, das 18h30 às 22h30.Aos sábados, tinha aulas das 14 às 18h. Como estudantes nocturnos, eu e os meus colegas tínhamos um emprego a tempo inteiro durante o dia. Numa aritmética simples, o número de horas de aulas por semana era de 24. Já salientei várias vezes nesta coluna que, se a aula numa universidade moderna tem a duração de uma hora, o tempo para o estudante rever em casa os trabalhos deve ser idêntico. Como é óbvio, com este tipo de aulas não me sobravam 24 horas para revisão por semana. Como podiam os alunos ter boas notas nos exames?

Política de “Fazer testes imediatamente após estudar”

As horas insuficientes para revisão não era o único problema perigoso; o outro, era a

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c a r t oon por Steff

batalha naval

Cameron quer G8 sem maridos e mulheres

O antigo primeiro-ministro português é o presidente do Conselho Consultivo do grupo farmacêutico Octapharma para a América Latina, confirmou o próprio. O cargo está a ser desempenhado por José Sócrates desde um de Janeiro. O grupo Octapharma confirmou que endereçou um convite a José Sócrates há cerca de oito meses. José Sócrates contou ao DN que acumula essas funções com os estudos que está a fazer em Paris.

ATFPM vai a votos no próximo domingo

Pereira Coutinho único Joana Freitas

Onze países mantém rating de AAA

Depois de o Reino Unido ter perdido, na sexta-feira, a notação de triplo A atribuída pela agência de notação norte-americana Moody´s, apenas 11 países em todo o mundo têm actualmente um rating da dívida de AAA na três principais agências de notação financeira. Entre os países que têm uma classificação da dívida de triplo A atribuída pelas agências Moody´s, Standard & Poor´s e Fitch, oito estão na Europa e quatro na zona euro. Entre estes 11 países, sete apresentam uma perspectiva “estável” para as três agências de rating que lideram a avaliação do risco da dívida soberana (Suécia, Noruega, Dinamarca, Suíça, Austrália, Canadá e Singapura). Os quatro restantes, (Holanda, Alemanha, Luxemburgo e a Finlândia) acabam de ver o rating da dívida apresentar uma perspectiva “negativa” pelo menos por uma das três agências.

Protestos na Tunísia contra o poder

Centenas de tunisinos saíram, este sábado, à rua em Tunes, para se manifestarem contra o partido islamita Ennahda, que governa o país. O protesto foi convocado pelas redes sociais e mereceu o apoio de vários partidos da oposição e apela, ainda, a um esclarecimento sobre o assassinato do líder da oposição, Chokri Belaid. O protesto ocorre um dia depois de o ministro do Interior, Ali Larayedh, ter sido indigitado como novo primeiro-ministro, tendo agora de formar novo governo.

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM) vai eleger os seus corpos gerentes no próximo dia 3 de Março. Sem surpresas, José Pereira Coutinho encabeça a lista como presidente da direcção e Rita Santos mantém-se presidente da assembleia geral. A lista do actual responsável da ATFPM foi a única a ser entregue e reuniu 592 assinaturas. Se eleitos, os novos membros administrativos da associação vão ficar nos cargos até 2016, altura em que haverá novas eleições. No total, são 35 as pessoas escolhidas pela lista de Pereira Coutinho para compor os corpos gerentes da ATFPM. Além das caras habituais da associação, outros nomes conhecidos juntam-se à lista. É o caso de Luís

antónio falcão

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, está a pedir ao líderes mundiais que participam no G8 para deixarem os respectivos maridos e mulheres em casa, pretendendo que todos estejam concentrados, exclusivamente, nos assuntos que vão ser debatidos, sem distracções. De acordo com o Daily Mail, os diplomatas britânicos estão a tentar perceber se as mulheres e maridos dos líderes mais poderosos do mundo ficaram satisfeitos se forem deixados sozinhos em casa, tendo já a mulher do próprio David Cameron, Samatha, sido informada que não vai ter de preparar nenhum programa paralelo para entreter os acompanhantes dos líderes mundiais. O porta-voz do primeiroministro revelou que Cameron “quer que o G8 seja pequeno, íntimo e focado nos três temas na ordem do dia: impostos, comércio e transparência. Outros assuntos, como o lugar dos cônjuges no G8, ainda não estão confirmados”.

Sócrates trabalha em empresa farmacêutica

Correia Gageiro, da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, que está indicado como secretário-geral, e Arnaldo Martins, da Direcção dos Serviços de Turismo, indicado como vice-presidente da associação ao lado de Armando de Jesus,

conselheiro das comunidades portuguesas. Manuel Joaquim das Neves, director dos Serviços de Coordenação e Inspecção de Jogos é outro dos corporal gerentes, indicado como vice-presidente da Assembleia-Geral da ATFPM.

Comércio a retalho em Macau sobe 22% O volume de negócios do comércio a retalho em Macau subiu 22% em 2012 para 52,85 mil milhões de patacas, indicam dados estatísticos oficiais divulgados. Ao longo de 2012, as despesas no comércio a retalho totalizaram 4.075 milhões de patacas em relógios e joalharia e 2.157 milhões de patacas em mercadorias de armazém e quinquilharias, dois itens que registaram subidas homólogas de, respectivamente, 28% e 21%. Entre os principais campos de análise estatística estão também as mercadorias de

supermercado - com vendas de 866 milhões de patacas que reflecte uma subida de 28 % - e os produtos cosméticos e de higiene, que subiram 14 % para os 450 milhões de patacas. Macau é uma Região Administrativa Especial da China com uma população de cerca de 560.000 pessoas e recebe anualmente cerca de 28 milhões de visitantes. A economia da cidade está fortemente assente no turismo, com especial incidência no jogo e variantes associadas como a hotelaria, restauração e compras.

FARC Presidente fala das negociações de paz

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ameaçou, este sábado, abandonar as conversações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) se não houver avanços nas mesmas. “No processo de paz, o mediador para mim e para o Governo, sobre seus avanços ou não, está lá em Cuba. À medida que avançarmos, estaremos satisfeitos, se não avançarmos, deixaremos a mesa”, disse Juan Manuel Santos. “Eu espero que continuemos a avançar. As regras do jogo são muito claras, aqui não há trégua de nenhuma natureza, nem militar, nem judicial, nem mesmo verbal. Estas são as condições que pusemos desde o princípio”, acrescentou o presidente colombiano. Recorde-se que desde Novembro do ano passado, as FARC e o Governo colombiano estão em conversações em Havana, Cuba, sem a intermediação de um cessar-fogo.

Doze detidos durante manifestação

Pelo menos 12 pessoas foram detidas, este sábado, na sequência de distúrbios durante as manifestações que levaram milhares de pessoas a concentraremse em Madrid para protestar contra o governo de Mariano Rajoy, segundo anunciaram as autoridades espanholas. De acordo com fontes policiais, citadas pela EFE, as detenções, bem como a apreensão de petardos, ocorreram em zonas da cidade onde houve incidentes já no final dos protestos designados por “Maré cidadã”. As manifestações deste sábado em Madrid, e em outras 80 localidades de Espanha, foram convocados em protesto contra os cortes efectuados no sector público, os despejos e os actos de corrupção que têm sido denunciados, com os manifestantes a exigirem ainda demissão do governo espanhol.


Hoje Macau 25 FEV 2013 #2798