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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

MOP$10

hojemacau

FORTES PAKEONG

SOLIDÃO ANIMADA

ÓRGÃOS MUNICIPAIS MEMBROS NOMEADOS POR CHUI SAI ON

AL | FAOM

Explica-me como foi

As expectativas de que os membros do novo órgão municipal sem poder político fossem escolhidos por sufrágio universal não se concretizaram. O organismo, que irá substituir o IACM, vai ser composto por membros nomeados pelo Chefe do Executivo.

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PARANÓIAS DE ESCRITOR h VALÉRIO ROMÃO

DESCONCERTO CONCERTANTE h JOÃO PAULO COTRIM

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19.º CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS

Todos por Xi GRANDE PLANO

RENOVAÇÃO URBANA

Linhas traçadas PÁGINA 9

O OUTRO SCHUMACHER PÁGINA 17

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Quero, posso e mando

EVENTOS

EPA/ROMAN PILIPEY

SOFIA MARGARIDA MOTA

QUARTA-FEIRA 25 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3922


2 grande plano

25.10.2017 quarta-feira

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EPOIS de um século de humilhação para o povo chinês, o país que hoje tem cerca de 18 por cento da população mundial encontra-se num patamar de destaque económico e militar como nunca teve no passado. Xi Jinping é o líder que personifica o grande salto para a prosperidade chinesa e, como tal, não foi surpresa que o seu cargo à frente da República Popular da China tenha sido revalidado por mais cinco anos. Ontem foi introduzido na constituição chinesa o nome e a teoria do actual secretário-geral confirmando o seu estatuto como mais poderoso líder chinês das últimas décadas. O conceito de Xi – “socialismo com características chinesas para uma nova era” - foi acrescentado à constituição do Partido Comunista Chinês (PCC) no encerramento do Congresso do partido, que se realiza a cada cinco anos. “O povo e a nação chinesa têm um grande e brilhante futuro pela frente”, afirmou Xi aos delegados do partido, no encerramento do

“Xi Jinping tem a visão de Macau e Hong Kong já integrados no conjunto de objectivos económicos e políticos da República Popular da China e uma visão abreviada do período de transição.” ARNALDO GONÇALVES ESPECIALISTA EM POLÍTICA INTERNACIONAL

CHINA

O LIDER DA

19º CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS REFORÇA POSIÇÃO

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MARKO DJURICA/REUTERS

A mais importante reunião política chinesa terminou ontem com a consagração de Xi Jinping como um dos líderes mais poderosos desde a fundação da República Popular da China. Até 2022, o secretário-geral com mais poder desde Mao Zedong terá de lidar com o envelhecimento populacional, o abrandamento da economia e a consolidação dos interesses chineses no panorama internacional Congresso. “Neste grande momento, sentimo-nos mais confiantes e orgulhosos. E simultaneamente, sentimos o grande peso da responsabilidade”, disse. Ainclusão do pensamento de Xi é vista como uma ruptura com o período de reformas económicas, introduzido por Deng Xiaoping, no final dos anos 1970, e prolongado pelos sucessores Jiang Zemin e Hu Jintao. Num sinal da crescente influência de Xi Jinping, o seu nome foi incluído também na constituição, elevando-o ao estatuto de Deng Xiaoping e de Mao Zedong, fundador da República Popular da China. “Em todos os aspectos, a era de Xi Jinping começou a sério”, afirmou o comentador político Zhang Lifan, em Pequim. “Apenas o nome de Mao foi consagrado na ideologia do partido ainda vivo. Estamos a tocar em algo novo aqui”. Durante séculos, os imperadores chineses participaram de rituais que assinalavam se estes eram sucessores de uma linha dinástica ou fundadores de uma nova dinastia. O que Xi conseguiu esta semana é o equivalente moderno do segundo, destacou Zhang. “Ele quer fazer parte daquele panteão de líderes”, disse, citado pela agência noticiosa Associated Press (AP).

ESCRITO NA PEDRA

A constituição do partido foi também emendada para incluir referências à liderança absoluta do PCC sobre as forças armadas e a promoção da Nova Rota da Seda, o gigante plano de infra-estruturas lançado por Xi, que visa reactivar a antiga via comercial entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático. A decisão de incluir o pensamento de Xi nas directrizes do

partido surge cinco após a sua ascensão ao poder, mais cedo do que os antecessores. No caso de Jiang e Hu, as suas teorias foram incluídas nos estatutos do PCC quando estes se estavam já a retirar.

Arnaldo Gonçalves entende que, com este congresso, Xi vê a liderança legitimada no seio do partido, destacando o seu carisma. O especialista em assuntos internacionais vê em Xi Jinping um político

com uma “enorme capacidade de trabalho, que gosta de ter o controlo das rédeas de todos os dossiers”. Uma questão de estilo de governação que difere, por exemplo, de Hu Jintao, que durante o seu consolado


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quarta-feira 25.10.2017

NOVA ERA

DE XI JINPING

Xi Jinping, na sessão de encerramento do congresso declarou o fim, “de uma vez por todas”, da luta do povo chinês contra a miséria da velha China que foi humilhada por agressores estrangeiros desde a guerra do ópio de 1840, saindo completamente de uma posição de fraqueza e pobreza. Hoje em dia a China é a segunda maior economia mundial. Porém, continua na 79.ª posição em termos de Produto Interno Bruto por habitante, segundo o Fundo Monetário Internacional.

NOVOS ROSTOS

Os 2.287 delegados que marcaram presença no Congresso, oriundos das 31 províncias chinesas, Governo, exército, empresas estatais e organizações populares, escolheram, num processo secreto, os cerca de 200 membros permanentes do Comité Central, assim como 150 rotativos, de entre 400 candidatos. Os novos membros do Politburo e do Comité Permanente do Politburo, eleitos pelo Comité Central são conhecidos hoje. A renovação da orgânica do partido teve um aspecto menos positivo para muitos analistas, entre os quais Arnaldo Gonçalves. “A direcção do partido não tem mulheres, talvez esse seja o ponto mais crítico e acho que já era tempo de a China dar um sinal de renovação nesse aspecto”, comenta.

“Em todos os aspectos, a era de Xi Jinping começou a sério, apenas o nome de Mao foi consagrado na ideologia do partido ainda vivo. Estamos a tocar em algo novo aqui.” ZHANG LIFAN COMENTADOR POLÍTICO

tinha o primeiro-ministro à frente da comissão de coordenação da política económica. Xi descreveu a sua teoria como central para a China assegurar “uma vitória decisiva na cons-

trução de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos”, até meados deste século. No núcleo desta visão está o PCC, que mantém controlo absoluto sobre tudo, desde os padrões morais

dos chineses à defesa da segurança do país. O secretário-geral apontou 2049, centenário da fundação da República Popular, para que a sociedade chinesa seja moderna e próspera.

Os novos membros da cúpula partidária formarão a primeira linha de defesa do pensamento de Xi Jinping. A nova era de socialismo chinês fará parte da cartilha aprendida pelos estudantes chineses, representando o terceiro capítulo da história política chinesa depois união promovida por Mao na sequência da devastação provocada pela guerra civil e o crescimento económico que foi a prioridade do consulado de Deng Xiaoping. Xi Jinping vem aprofundar estes desígnios, ao mesmo tempo que procura estabelecer uma maior e musculada disciplina interna e um maior relevo no plano internacional. O secretário-geral promete nos seus pensamentos para a nova era “a vida harmoniosa entre Homem e natureza”, o que parece inferir

Xi Jinping declarou o fim da luta do povo chinês contra a miséria da velha China que foi humilhada por agressores estrangeiros desde a guerra do ópio de 1840, saindo completamente de uma posição de fraqueza e pobreza uma maior atenção à conservação ambiental. Algo que não é de estranhar face ao posicionamento da China no sector das energias renováveis. Outro dos ênfases no pensamento de Xi refere-se à “absoluta autoridade do partido sobre as forças armadas”, uma posição que muitos analistas consideram poder indicar a reforma de um número considerável de oficiais militares seniores.

DE PEQUIM A MACAU

Outro dos destaque dos pensamentos de Xi prende-se com a questão da política “um país, dois sistemas” e a reunificação com a mãe China. Neste aspecto, Arnaldo Gonçalves prevê que se estreite o controlo por parte de Pequim às regiões administrativas especiais. “Devemos assistir à definição de prioridades concretas apontadas por Xi Jinping às regiões administrativas, como faz com as províncias”. O analista entende que os Chefes de Executivo de Macau e Hong Kong vão ter um menor espaço de manobra do que tiveram até agora, tendo de prestar contas com maior frequência do que o habitua. “Ele tem a visão de Macau e Hong Kong já integrados no conjunto de objectivos económicos e políticos da República Popular da China”, comenta Arnaldo Gonçalves, acrescentando que apesar de não ter anunciado “Xi Jinping tem uma visão muito abreviada do período de transição”. O especialista em política internacional perspectiva o encurtamento deste prazo para a transição. Face a esta realidade, as questões sobre o futuro das regiões administrativas especiais acumulam-se. Será que vão ser integradas como municipalidades da província de Guangdong? Como se vai processar a selecção dos líderes locais? Como serão realizadas as eleições? Sejam quais forem as respostas, vão implicar alterações de fundo nas vidas políticas de Hong Kong e Macau. João Luz (com S.M.M. e Lusa) info@hojemacau.com.mo


4 política

25.10.2017 quarta-feira

O deputado Lei Chan U fez questão de na primeira intervenção na Assembleia Legislativa falar em mandarim e as reacções não se fizeram esperar. Ao HM, Miguel de Senna Fernandes e José Sales Marques confessaram não compreender a escolha do deputado ligado aos Operários

Dia de explicações SOFIA MARGARIDA MOTA

Lei Chan U vai preferencialmente expressar-se em cantonense”, é complementado pelos Operários, associação onde o deputado em causa é vice-presidente. Logo após o final da sessão, Lei Chan U explicou que tinha cumprido um sonho de infância, falar em mandarim no Assembleia Legislativa, e que iria continuar a fazê-lo, sempre que achasse oportuno. No entanto, a explicação não convenceu vários residentes, que nas redes sociais acusaram Lei Chan U de ser um “lambe-botas”, além de outros insultos. Também foram frequentes os comentários a dizer que se Lei queria falar em mandarim, que devia atravessar a fronteira.

OPÇÃO DUVIDOSA

PESAR de falar cantonês fluentemente, o deputado Lei Chan U escolheu dirigir-se à Assembleia Legislativa em mandarim, na sua estreia no hemiciclo. O caso gerou reacções violentas nas redes sociais, e ontem a Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM) fez um comunicado a dizer que, no futuro, o deputado eleito indirectamente vai “preferencialmente” falar em cantonense.

“A partir de algumas redes sociais, percebemos que o facto de Lei Chan U ter falado em mandarim durante a sua intervenção antes da ordem do dia gerou diferentes interpretações.As utilizações do cantonense, português ou mandarim, merecem, todas, o nosso respeito”, pode ler-se no comunicado da FAOM. “No futuro, sempre que forem abordados assuntos do quotidiano,

O HM ouviu Miguel de Senna Fernandes, advogado e ex-deputado, e José Sales Marques, antigo presidente do Leal Senado, sobre o assunto e a questão foi unânime: a escolha do deputado merece ser respeitada. No entanto, ambos questionaram as pretensões do deputado com a opção. “Ele fala muito bem cantonense e devia exprimir-se em cantonense, mas é uma escolha que tem de ser respeitada. Confesso que não percebi bem para quem estava a discursar e que efeitos pretendia

Caminhos para as LAG

“Se ele apenas falasse mandarim era uma questão que nem se levantava. Os deputados portugueses não eram capazes de falar em chinês e isso nunca levantou problemas.” MIGUEL DE SENNA FERNANDES

com a utilização do mandarim, até porque a maior parte da população fala cantonense”, começou por diz Miguel de Senna Fernandes. “Se ele apenas falasse mandarim era uma questão que nem se levantava. Os deputados portugueses não eram capazes de falar em chinês e isso nunca levantou problemas. Só que ele fala bem cantonense, que é a língua que a maioria das pessoas fala em Macau, e escolheu o mandarim”, apontou. Miguel de Senna Fernandes fez questão de frisar que respeita o mandarim, enquanto língua oficial, mas que “as pessoas interessadas em cultivar o cantonense têm de se preocupar”.

Por outro lado, o advogado apontou que o deputado fez uma escolha, ao utilizar o mandarim, consciente de que vai acarretar as responsabilidades.

SEM SENTIDO

Por sua vez, José Sales Marques recusou atribuir grande importância política ao caso, porque considera que foi uma opção pessoal. No entanto, admitiu que também não percebe o objectivo dessa escolha. “É uma questão à qual não quero atribuir mais significado político do que uma escolha pessoal”, afirmou, em declarações ao HM. “Mas não vejo nenhuma razão política para a utilização do mandarim, até porque nas cerimónias oficiais os membros do Governo utilizam o cantonense. Na maior parte das situações que tenho vindo a seguir fala-se cantonense, é o mais normal. Agora, se ele quer fazer algo diferente ou se sente mais à vontade para falar mandarim não tenho grandes comentários a fazer”, sublinhou. O antigo presidente do Leal Senado também recusou a ideia que a escolha reforce o patriotismo do deputado. “Os patriotas também falam cantonense, o Chefe do Executivo fala cantonense nas cerimónias oficiais. Pode ser mais um jovem que se quer mostrar, ou algo semelhante, mas não me parece que esteja ligado ao patriotismo”, defendeu. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

GCS

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OPERÁRIOS LEI CHAN U VAI “PREFERENCIALMENTE” FALAR CANTONENSE

Associações voltam a pedir aumentos para funcionários públicos

O

S membros do Governo reuniram ontem com a Associação dos Técnicos da Administração Pública, presidida por Kun Sai Hoi, no âmbito da preparação das Linhas deAcção Governativa (LAG) para 2018. Kun Sai Hoi defendeu a necessidade de “aumento dos índices remuneratórios das carreiras especiais, devido à formação e experiência exigidas aos quadros profissionais”. Foi pedido um aumento de até 86 patacas, “correspondente a cada índice, devido à subida do custo de vida”. Também a ATFPM, presidida por José Pereira Coutinho, pediu uma actualização dos salários na ordem dos seis por cento. “Apresentámos um estudo detalhado sobre a taxa de

inflação e as actualizações salariais desde o ano 2000 até 2016 e chegámos à conclusão que existe um deficit de 5,69 por cento de deficit de inflação. Exigimos a recuperação de poder de compra pelos trabalhadores”, contou Pereira Coutinho ao HM. A associação que representa os técnicos da Função Pública pede que seja elaborada uma lei “que permita condições de acesso às carreiras de nível superior nos serviços de origem para um melhor desenvolvimento de carreiras especiais”. Foi também pedida a “criação de uma entidade de formação no seio da administração pública”.

MUDAR A LEI

A secretária para a Administração e Justiça, Sónia

Chan, disse ontem que o Governo “continuará a promover a construção de habitação para os trabalhadores da função pública nos novos aterros, bem como a rever o regime jurídico em causa”. A informação, citada num comunicado oficial, foi avançada no âmbito de uma reunião de Sónia Chan e do Chefe do Executivo, Chui Sai On, com os dirigentes da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), também para a preparação das LAG. A secretária referiu ainda, num encontro com a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), que o Governo “está empenhado em conseguir apresentar, no

próximo ano, à Assembleia Legislativa os documentos que sugerem revisões aos regimes de acesso, avaliação do desempenho e de aposentação e sobrevivência”.

Jorge Fão, membro da direcção da APOMAC, falou da necessidade de rever o Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau, “incluindo a revisão do regime de nomeação,

acesso e horas extraordinárias”. Sobre este assunto, a secretária lembrou que a primeira parte da revisão do Estatuto “pode entrar em processo legislativo ainda este ano”. A.S.S.


política 5

quarta-feira 25.10.2017

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O Chefe é que decide

O Governo quer criar um órgão municipal sem poder político cujos membros serão nomeados pelo Chefe do Executivo. O deputado Ng Kuok Cheong lamenta a ausência de eleições directas e diz que é o Governo de Macau, e não Pequim, que não quer um sistema mais democrático incumbido pelo Governo para determinadas tarefas.” Ao HM, o deputado Ng Kuok Cheong considerou que é o Governo de Macau, e não a China, que quer implementar um órgão municipal sem poder político eleito pela via do sufrágio directo e universal. “Claro que me oponho a esta proposta. Questionei o Governo várias vezes nos últimos anos e sempre me responderam que deveriam consultar o Governo Cen-

“Este não é um órgão representativo criado para eleições porque não tem essa natureza, é um órgão incumbido pelo Governo para determinadas tarefas.” IAO MAN LENG CHEFE DE GABINETE DA SECRETÁRIA SÓNIA CHAN

tral, mas este nunca enviou uma mensagem clara de que iria negar a eleição dos membros. O Governo não tem nenhuma justificação para afastar a eleição, ele próprio quer negar qualquer desenvolvimento social e político em Macau.” Para Ng Kuok Cheong, “se não há uma mensagem ou uma ordem directa de Pequim, é o Governo de Macau que não quer avançar para um processo mais democrático”.

PARECERES CONSULTIVOS

Segundo a proposta apresentada pelo Governo, o futuro Instituto Municipal irá substituir o actual IACM e terá como funções “prestar serviços e dar pareceres de carácter consultivo” em diversas matérias. Este órgão “não detém a natureza de governo local de segundo grau nem goza de autonomia local”. Composto por um conselho de administração e por um conselho consultivo (com um limite máximo de oito e 25 membros, respectivamente), os escolhidos pelo Chefe do Executivo irão cumprir um

mandato de cinco anos que só pode ser renovado uma vez. Estes deverão ter “experiência em serviços comunitários e de nível básico”, ou então serem pessoas “com capacidade suficiente em especialidades e prestação de serviços”. O trabalho será desenvolvido a tempo parcial. Na Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, composta por 400 pessoas, haverá apenas dois representantes do Instituto Municipal. Os membros do Executivo foram confrontados com a seme-

Assuntos quentes

lhança deste órgão a um qualquer departamento público, mas os responsáveis garantiram que existem diferenças e que esta entidade foi criada no âmbito da reestruturação da Administração. A extinção do IACM vai obrigar à transferência de todos os seus trabalhadores para este novo instituto e para outras funções, mas ficou garantido que os seus interesses e direitos não vão ser prejudicados. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

final. Era melhor assim, caso contrário não acredito que seja aprovada”, acrescentou.

Agnes Lam diz que Governo é essencial para aprovação de lei sindical

SOFIA MARGARIDA MOTA

A sexta-feira os deputados vão discutir na Assembleia Legislativa a lei sindical, proposta por José Pereira Coutinho. No entanto, os novos membros do hemiciclo ouvidos pelo HM mostram-se muito cautelosos sobre a discussão. Agnes Lam diz que dada a insistência com que esta lei tem sido debatida, que era importante que o Governo moderasse o debate. Já o deputado nomeado pelo Chefe do Executivo, Joey Lao, não quis responder a perguntas, justificando que precisa de mais tempo para olhar para a proposta. “Ainda não vi a última versão da Lei Sindical. Mas se quisermos que esta lei seja aprovada precisamos de encontrar uma versão moderada, porque todos percebemos que para aprovar o diploma são necessários votos de diferentes tipos de deputados”, afirmou Agnes Lam, em declarações ao HM.

ÓRGÃO MUNICIPAL MEMBROS SERÃO ESCOLHIDOS POR CHUI SAI ON

Quando confrontada com as declarações de Chan Chak Mo, que na última vez que um diploma do género foi debatido na AL pediu a intervenção do Governo para moderar a discussão, a deputada mostrou-se de acordo com a sugestão. “A intervenção do Governo neste debate pode ser uma boa forma de fazer com que uma Lei Sindical seja aprovada. Contudo, em muitos casos, acredito que o Governo não toma as decisões, deixando que estas sejam o resultado da discussão entre empregadores e empregados”, começou por explicar a deputada. “O Executivo poderia assumir um papel de liderança e moderação, para encontrar uma forma mais equilibrada

Chan Iek Lap quer comissões fechadas

LEI BÁSICA EM CAUSA

Joey Lao, deputado e presidente da Associação Económica de Macau, explicou que só vai analisar o documento posteriormente, pelo que não quis expressar qualquer opinião: “Ainda não estou pronto para comentar este assunto porque ainda sou um membro novo na Assembleia Legislativa e preciso de ler melhor os documentos”, disse ontem, ao HM. O diploma da lei sindical foi o primeiro a ser aceite na Assembleia Legislativa nesta nova legislatura, que começou este mês. Apesar da Lei Básica reconhecer o direito dos residentes se organizarem em “associações sindicais”, na prática não há sindicatos, por falta de uma lei que regule o funcionamento dos mesmos. J.S.F.

O deputado eleito indirectamente Chan Iek Lap defende que não há necessidade de abrir as portas das comissões ao exterior. A posição foi assumida ontem, de manhã, em entrevista ao canal chinês da Rádio Macau. O também médico admitiu que há deputados que actuam de uma maneira nas sessões do plenário e que à porta fechada assumem uma conduta diferente. No entanto, considerou que a conferência de imprensa por parte dos presidentes das comissões é suficiente para esclarecer o público. SOFIA MARGARIDA MOTA

H

Á muito que o Governo prometia a criação de um órgão municipal sem poder político, e há muito que os deputados do campo pró-democrata queriam que os seus membros fossem eleitos pela via do sufrágio universal. As expectativas, contudo, saíram goradas. O Executivo apresentou ontem a proposta inicial para a criação deste novo organismo que vai pôr um ponto final no Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e que prevê que todos os membros sejam escolhidos pelo Chefe do Executivo. Kou Peng Kuan, director dos Serviços de Administração e Função Pública, garantiu que não existe uma base legal para instaurar um órgão eleito pela população. “Depois de 1999 tanto a Lei Básica como a Constituição da República Popular da China não atribui autonomia a mais nenhum órgão e não há base constitucional para criar mais um órgão com poder político.” Falando do caso de Hong Kong, onde há eleições para os conselhos distritais, Kou Peng Kuan frisou que, na RAEM, “existe uma natureza diferente”. Iao Man Leng, chefe de gabinete da secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan [que não esteve presente na conferência de imprensa], disse que foram ouvidas as opiniões do Governo Central sobre esta matéria. “Este não é um órgão representativo criado para eleições porque não tem essa natureza, é um órgão


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25.10.2017 quarta-feira

Anúncio Concurso Público «Serviços de gestão das piscinas situadas nas Ilhas afectas ao Instituto do Desporto» Nos termos previstos no artigo 13.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 13 de Outubro de 2017, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para os serviços de gestão das seguintes piscinas situadas nas Ilhas afectas ao Instituto do Desporto durante o período de 1 de Janeiro de 2018 a 28 de Fevereiro de 2019.

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA

“CONSTRUÇÃO DA PASSAGEM SUPERIOR PARA PEÕES JUNTO A FISHERMAN’S WHARF DA AVENIDA DA AMIZADE” 1.

Entidade que põe a obra a concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

2.

Modalidade de concurso: Concurso Público.

3.

Local de execução da obra: Junto a Fisherman’s Wharf da Avenida da Amizade.

4.

Objecto da Empreitada: Construção da passagem superior para peões.

5.

Prazo máximo de execução da obra: 380 dias de trabalho. O prazo de execução da obra apresentado pelo concorrente deve obedecer às disposições do n.º 7 do Preâmbulo do Programa de Concurso e dos n.ºs 5.1.2 e 5.2.2 das Cláusulas Gerais do Caderno de Encargos.

6.

Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do encerramento do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso.

7.

Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços.

8.

Caução provisória: $600 000,00 (seiscentas mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais.

Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido, acompanhada de uma caução provisória no valor de $398 000,00 (trezentos e noventa e oito mil) patacas. Caso o concorrente opte pela garantia bancária, esta deve ser emitida por um estabelecimento bancário legalmente autorizado a exercer actividade na RAEM e à ordem do Fundo do Desporto ou deve ser efectuado um depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do “Fundo do Desporto”) na mesma quantia, a entregar na Divisão Financeira e Patrimonial sita na sede do Instituto do Desporto.

9.

Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar).

O acto público de abertura das propostas do concurso terá lugar no dia 23 de Novembro de 2017, quinta-feira, pelas 9,30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público de abertura das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento da data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

11. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição ou renovação. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação.

Designação das piscinas 1

Piscina do Parque Central da Taipa

2

Piscina de Cheoc-Van

3

Piscina do Parque de Hác-Sá

A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau, no horário de expediente, das 9,00 às 13,00 e das 14,30 às 17,30 horas, para consulta do processo do concurso ou para obtenção da cópia do processo, mediante o pagamento de $500,00 (quinhentas) patacas. Podem ainda ser feita a transferência gratuita de ficheiros pela internet na área de download da página electrónica do Instituto do Desporto: www.sport.gov.mo. Os interessados devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para a apresentação das propostas para tomarem conhecimento sobre eventuais esclarecimentos adicionais. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12,00 horas do dia 17 de Novembro de 2017, sexta-feira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura. Instituto do Desporto, 25 de Outubro de 2017. O Presidente, Pun Weng Kun

Anúncio Concurso Público «Serviços de gestão das piscinas situadas em Macau afectas ao Instituto do Desporto» Nos termos previstos no artigo 13.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 13 de Outubro de 2017, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para os serviços de gestão das seguintes piscinas situadas em Macau afectas ao Instituto do Desporto durante o período de 1 de Janeiro de 2018 a 28 de Fevereiro de 2019. Designação das piscinas 1

Piscina Estoril

2

Piscina Dr. Sun Iat Sen

A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau, no horário de expediente, das 9,00 às 13,00 e das 14,30 às 17,30 horas, para consulta do processo do concurso ou para obtenção da cópia do processo, mediante o pagamento de $500,00 (quinhentas) patacas. Podem ainda ser feita a transferência gratuita de ficheiros pela internet na área de download da página electrónica do Instituto do Desporto: www.sport.gov.mo. Os interessados devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para a apresentação das propostas para tomarem conhecimento sobre eventuais esclarecimentos adicionais. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12,00 horas do dia 17 de Novembro de 2017, sexta-feira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido, acompanhada de uma caução provisória no valor de $287 000,00 (duzentos e oitenta e sete mil) patacas. Caso o concorrente opte pela garantia bancária, esta deve ser emitida por um estabelecimento bancário legalmente autorizado a exercer actividade na RAEM e à ordem do Fundo do Desporto ou deve ser efectuado um depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do “Fundo do Desporto”) na mesma quantia, a entregar na Divisão Financeira e Patrimonial sita na sede do Instituto do Desporto. O acto público de abertura das propostas do concurso terá lugar no dia 20 de Novembro de 2017, segunda-feira, pelas 9,30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público de abertura das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento da data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura. Instituto do Desporto, 25 de Outubro de 2017. O Presidente, Pun Weng Kun

10. Preço Base: não há.

12. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, R/C, Macau; Dia e hora limite: dia 20 de Novembro de 2017 (Segunda-feira), até às 12:00 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora limite para a entrega de propostas acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a entrega de propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 13. Local, dia e hora do acto público do concurso : Local: Sala de reunião da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, 5º andar, Macau; Dia e hora: dia 21 de Novembro de 2017 (Terça-feira), pelas 9:30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a entrega de propostas mencionada de acordo com o número 12 ou em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora estabelecida para o acto público do concurso acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80º do Decreto-Lei n.º74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Línguas a utilizar na redacção da proposta: Os documentos que instruem a proposta (com excepção dos catálogos de produtos) devem estar redigidos numa das línguas oficiais da RAEM, quando noutra língua, devem ser acompanhados de tradução legalizada, a qual prevalece para todos e quaisquer efeitos. 15. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: Departamento de Infra Estruturas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, 16º andar, Macau; Hora: horário de expediente (Das 9:00 às 12:45 horas e das 14:30 às 17:00 horas) Na Secção de Contabilidade da DSSOPT, poderão ser solicitadas cópias do processo de concurso mediante o pagamento de $760,00 (setecentas e sessenta patacas). 16. Critérios de avaliação de propostas e respectivas proporções: Critérios de avaliação Parte relativa ao preço

Parte relativa à técnica

Proporção

- Preço da obra

11,0

- Prazo de execução

2,0

- Programa de trabalhos

3,0

- Experiência em obras executadas

2,6

- Integridade

1,4

Pontuação final = Pontuação da parte relativa ao preço x Pontuação da parte relativa à técnica. Em conformidade com o relatório de avaliação das propostas, os 3 concorrentes com pontuação final mais alta são ordenados por ordem crescente dos preços da obra e o dono da obra procederá à adjudicação com base na ordenação. 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer no Departamento de Infra Estruturas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, nº 33, 16º andar, em Macau, a partir de 3 de Novembro de 2017 (inclusivé) e até à data limite para a entrega das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, aos 20 de Outubro de 2017. O Director dos Serviços Li Canfeng


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quarta-feira 25.10.2017

TUFÕES PROTECÇÃO CIVIL PASSA A DIRECÇÃO DE SERVIÇOS

Casa arrumada GCS

O secretário para a Segurança disse ontem que o Executivo vai criar a Direcção de Protecção Civil e de Coordenação de Contingência como resposta a futuras catástrofes. A lei que regula a sua constituição deverá estar concluída no próximo mês

O secretário anunciou também que esta nova direcção de serviços ficará sob tutela da Segurança, assim que a lei que regula a sua estrutura e funcionamento “esteja concluída em Novembro e inclua a parte da lei orgânica referente à protecção civil”. A nova legislação vai “definir com clareza as competências dos elementos da estrutura de protecção civil para permitir reforçar o trabalho de coordenação dos diversos serviços envolvidos, bem como criar um regime disciplinar”. Até agora os serviços de protecção civil têm funcionado com o Corpo de Operações de Protecção Civil, em coordenação com o Corpo de Bombeiros e Polícia de Segurança Pública, entre outras entidades. Wong Sio Chak lembrou que, nos últimos meses, o Executivo “procedeu à revisão das operações de protecção civil e coordenação de resgate e salvamento para dar início aos planos a curto, médio e longo prazo”.

OUVIDOS INTERNOS

A nova Direcção de Protecção Civil e de Coordenação de Contingência vai “concretizar o funcionamento permanente de protecção civil”

A

morte de dez pessoas, a ocorrência de estragos visíveis por toda a cidade e os inúmeros feridos registados com a passagem do tufão Hato levaram o Governo a agir na prevenção de catástrofes.

Segundo um comunicado oficial, o Executivo prepara-se para criar a Direcção de Protecção Civil e de Coordenação de Contingência (DPCCC), “a fim de concretizar o funcionamento permanente de protecção civil e melhor responder à eventualida-

de de uma futura ocorrência de calamidades do género”. A informação foi veiculada por Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, que falou aos media à margem de um seminário sobre gestão e legislação das áreas marítimas.

SS CENTRO MÉDICO MAYO FECHADO POR SUSPEITA DE PRÁTICA DE PROCRIAÇÃO ASSISTIDA

O

S Serviços de Saúde suspenderam as actividades do Centro Médico Mayo (Macau), após terem recebido uma denúncia anónima sobre prestação ilegal de serviços de procriação assistida e efectuado, no passado dia 20, uma inspecção surpresa ao Centro, informaram ontem os SS em comunicado. Os inspectores encontraram “uma divisão oculta e indícios de práticas clinicas ilegais que podem ter causado vítimas”, acrescenta a nota de imprensa. Na sexta-feira, dois médicos e dois trabalhadores dos Serviços de Saúde acompanhados por elementos do Corpo de Policia de Seguran-

ça Pública inspeccionaram as instalações do Centro Médico tendo descoberto, numa sala de reuniões, uma porta dissimulada que efectuava uma ligação a uma outra fracção autónoma do mesmo edifício. Também foram descobertos equipamentos e materiais usados na realização de actos clínicos relativos à procriação assistida, quer nas instalações do Centro Médico Mayo, quer na outra fracção autónoma, diz a nota. Os Serviços de Saúde, depois de procederem à selagem de equipamentos e materiais diversos, decidiram suspender por 90 dias as actividades do Centro.

Neste momento o Executivo está a auscultar opiniões “junto dos serviços da sua tutela”, explicou Wong Sio Chak, garantindo que o plano preliminar relativo à criação da DPCCC “prevê mobilizar pessoal de serviços de segurança constituído por agentes da corporação”. Esta nova direcção vai ter como funções “divulgar e educar de forma permanente e contínua [a população] sobre catástrofes naturais e incidentes ligados à segurança como forma de instrução cívica”. Além disso, a nova direcção “vai servir de apoio quando o Centro de Protecção Civil e Operações de Contingência estiver activado”. Esta semana o Chefe do Executivo anunciou outras mudanças na forma como o Governo passará a lidar com as catástrofes naturais. À margem de um outro evento público, Chui Sai On referiu que será elaborado um plano a dez anos para a prevenção e coordenação de incidentes do género. A.S.S.

FUMO JUNTO ÀS PARAGENS DE AUTOCARRO PROIBIDO A PARTIR DE 1 DE JANEIRO

O

director dos Serviços de Saúde (SS), Lei Chin Ion, confirmou ontem que o alargamento das zonas onde é proibido fumar, junto às paragens de autocarro, “será implementado no dia 1 de Janeiro de 2018”. Estas áreas serão definidas a cerca de dez metros das paragens. Um comunicado oficial aponta que os SS, em cooperação com o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) “irão demarcar as áreas de proibição de fumar em mais de 400 paragens de autocarros em Macau, sendo as linhas limites marcadas a cor cinza, semelhante à cor do chão, facilitando assim a identificação das áreas onde é proibido fumar e a aplicação de lei pelos agentes da autoridade”. Lei Chin Ion referiu ainda que “os cidadãos devem apagar o cigarro antes da entrada nas áreas onde é proibido fumar, de modo a evitar a violação de lei”. Também a partir do próximo dia 1 de Janeiro de 2018 passa a ser proibida a venda de cigarros electrónicos e os equipamentos electrónicos passam também a ser proibidos em todos os locais onde é proibido fumar, aponta o mesmo comunicado.

Jogo Detidos 31 agiotas na Taipa

A Rádio Macau noticiou ontem a detenção de 31 residentes do interior da China pela Polícia Judiciária (PJ), por estarem, alegadamente, a praticar actos de agiotagem em dois apartamentos do empreendimento Nova City, na Taipa. A PJ encontrou dinheiro e uma factura relativa a empréstimos. As autoridades explicaram que estes grupos têm vindo a operar em Macau há seis meses, sobretudo em casinos localizados na Taipa. O esquema passaria por convencer clientes a pedir empréstimos. A PJ ainda está a investigar se os suspeitos pertencem ao mesmo grupo, sendo que as autoridades acreditam terem apanhado os cabecilhas, podendo existir outros envolvidos em fuga. Um dos 31 detidos seria imigrante ilegal.


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25.10.2017 quarta-feira

ANÚNCIO “Prestação de Serviços de Limpeza e Manutenção do Lago Nam Van, Lago Sai Van e Lago da Barra” Concurso Público No 018/SZVJ/2017 Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 6 de Outubro de 2017, se acha aberto concurso público para a “Prestação de Serviços de Limpeza e Manutenção do Lago Nam Van, Lago Sai Van e Lago da Barra”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 16 de Novembro de 2017. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP40.000,00 (quarenta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no résdo-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no Centro de Formação do IACM (sito na Avenida da Praia Grande, n° 804, Edf. China Plaza 6° andar), pelas 15:30 horas do dia 17 de Novembro de 2017. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 15:30 horas do dia 1 de Novembro de 2017 no Centro de Formação do IACM. Macau, aos 13 de Outubro de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO

ANÚNCIO Empreitada de “Prestação de serviços de manutenção e protecção da arborização da Granja da Alegria” Concurso Público Nº 024/SZVJ/2017 Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 29 de Setembro de 2017, se acha aberto concurso público para a“Prestação de serviços de manutenção e protecção da arborização da Granja da Alegria”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12:00 horas do dia 9 de Novembro de 2017. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP20.000,00 (vinte mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no rés-do-chão do mesmo edifício, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no Centro de Formação do IACM (sito na Avenida da Praia Grande, n° 804, Edf. China Plaza 6° andar), pelas 15:30 horas do dia 14 de Novembro de 2017. Além disso, o IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 15:30 horas do dia 01 de Novembro de 2017 no Centro de Formação do IACM. Macau, aos 19 de Outubro de 2017. O Presidente do Conselho de Administração José Maria da Fonseca Tavares WWW. IACM.GOV.MO


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quarta-feira 25.10.2017

CRU EMPRESA RESPONSÁVEL PELA RENOVAÇÃO URBANA JÁ TEM ESTATUTOS

Quase tudo no papel

F

ORAM ontem aprovados, pelo Conselho de Renovação Urbana (CRU), os estatutos da empresa a ser criada para o planeamento e reconstrução dos bairros e edifícios antigos. Irá tratar-se de uma firma de capitais públicos em que o único proprietário é o Governo. “Não haverá investidores privados. Na nossa documentação recomendamos apenas que seja o Governo”, disse Alfred Wong, vogal do CRU, aos jornalistas depois da reunião de ontem. Os dinheiros que vão financiar o projecto serão também essencialmente públicos cabendo à Fundação Macau algum do financiamento da companhia, apontou Alfred Wong. A empresa a ser criada deve estabelecer a selecção das áreas em que é necessária a renovação urbana “e definir o modo como é que as acções de intervenção vão ser feitas”. O CRU tem aqui um papel de aconselhamento. “Cabe ao conselho dar algumas sugestões relativas a questões críticas de modo a ajudar a resolver o problema”, disse Alfred Wong. O objectivo, afirmou o vogal do CRU, “é melhorar a qualidade de vida dos residentes”.

DIRECÇÃO INCERTA

A proposta definida ontem pelo CRU permite que a presidência da empresa

GCS

A nova empresa que vai levar a cabo os trabalhos de renovação urbana já tem estatutos definidos. As directrizes foram discutidas ontem em reunião do Conselho de Renovação Urbana e garantem que o Governo será o único proprietário. Para evitar conflito de interesses, a direcção da nova empresa não deverá ter negócios ligados ao sector

Alfred Wong, vogal do CRU “Não haverá investidores privados. Na nossa documentação recomendamos apenas que seja o Governo.”

seja entregue a privados ligados ao sector, sendo que não está previsto qualquer mecanismo capaz de salvaguardar possíveis conflitos de interesses. No entanto, para o vogal do CRU, esta é uma questão que não deve ser descurada. Ter uma direcção ligada a interesses privados pode vir a ser alvo de conflitos e, como tal, há que tomar medidas. “Na minha opinião essa situação não deve acontecer porque poderá dar origem a conflitos e, se isso acontecer, o responsável da empresa tem de se afastar de outros projectos, caso contrário ficaremos preocupados com as críticas da população que possam vir a acontecer”, sublinhou. Para evitar problemas futuros, o membro do CPU considera a hipótese de ser

criado um mecanismo de recrutamento. O presidente, sugeriu o CRU, pode ser recrutado, não só recorrendo a funcionários que já trabalhem para o Governo, como com a contratação de pessoas de fora dos serviços públicos “desde que mostre ter a experiência requerida para o cargo”, referiu. Os requisitos, no entanto, ainda não estão definidos. Para já, não há data de criação nem orçamento previsto para esta empresa. “Não temos ainda data para a sua criação e esperamos que esta companhia venha a ser constituída o mais cedo possível”, disse Alfred Wong. Os estatutos definido no CRU vão agora seguir para o Governo para que sejam aprovados e, de acordo com o vogal, só depois é possível

proceder à sua constituição, sendo que “talvez o próximo ano, seja uma data razoável”.

HISTÓRIA ANTIGA

O Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, confirmou nas LAG do ano passado que estava em andamento a ideia de criar uma empresa privada com capitais públicos. “Em princípio, vai ser uma empresa privada, mas talvez com todo o capital público, ou seja, do Governo. Mas mesmo antes de termos a empresa, não quer dizer que não possamos fazer qualquer coisa. Raimundo do Rosário referia ainda que o Governo já estaria a tratar do assunto mas que ainda não tinha uma equipa especializada para o efeito. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

MEDICINA TRADICIONAL CHINESA DENTRO DOS REGULAMENTOS DE PORTUGAL

A

adaptação da medicina tradicional chinesa às necessidades de regulamentação do mundo ocidental vai estar em foco nas quartas jornadas de cultura de medicina tradicional chinesa, na sexta-feira e no sábado, em Lisboa. O percurso de modernização das ancestrais técnicas de promoção de saúde, com componentes tradicionais e culturais, e a abertura ao mundo ocidental vai cruzar-se com o debate sobre a regulamentação em Portugal do exercício legal das terapias complementares. O encontro, promovido pelo Instituto de Medicina Tradicional (IMT), vai decorrer no Centro Científico e Cultural de Macau. Sob o tema “Da tradição à modernidade”, esta quarta edição conta com o apoio institucional do Parque Científico de Medicina Tradicional Chinesa do Governo de Macau e do Comité para a Promoção e Regulamentação da Medicina Tradicional Chinesa da World Federation of Chinese Medicine Societies. Em Setembro, no fórum de cooperação de Medicina Tradicional Chi-

nesa, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Lionel Leong, afirmou que um dos objectivos do Governo é melhorar a certificação e regulamentação desta indústria nos próximos anos. A OMS criou em 2015, em Macau, o centro de cooperação de medicina tradicional chinesa, uma plataforma para a região se afirmar na formação de especialistas e na cooperação internacional. A produção de medicamentos chineses em Macau registou um crescimento pelo terceiro ano consecutivo, com receitas no valor de 48,70 milhões de patacas, de acordo com dados oficiais de 2016. Na China, ao longo de 2016, o valor da produção industrial de medicina tradicional foi de 865 mil milhões de yuan, tendo a sua difusão chegado a 183 países e regiões.

Cooperação IACM reúne com UCCLA

Os representantes do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) reuniram com a comitiva da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), no passado dia 19 de Outubro. Segundo um comunicado oficial, “as partes trocaram impressões sobre o reforço da cooperação entre a China e os países lusófonos, utilizando Macau como plataforma de serviços entre a China e os Países de Língua Portuguesa e no âmbito da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’”.


10 eventos

MAM MUSEU APRESENTA OBRAS DE FU SHEN Determi“ESPÍRITO nado – Caligrafia e

Pintura de Fu Shen”, é a exposição patente no Museu de Arte de Macau (MAM) até 19 de Novembro. A mostra reúne 68 obras de pintura e caligrafia do mestre. De acordo com a organização, “Fu Shen é um reputado historiador de arte chinesa, crítico de pintura e caligrafia, pintor e calígrafo”. Nascido em Xangai, mudou-se em 1948 para Taiwan onde se licenciou pelo Departamento de Belas Artes da Universidade Normal de Taiwan e estudou com mestres como Huang Junbi e Pu Hsin-Yu. Trabalhou no Museu do Palácio Nacional de Taipé e prosseguiu os estudos nos Estados Unidos da América, onde concluiu

o doutoramento na Universidade de Princeton (EUA). O também académico é conhecido pelo uso de várias técnicas nas suas obras como a escrita semi-cursiva e de sinete, “para conferir um carácter único a cada uma”. “É um defensor de que a arte deve possuir espírito inovador da época, pelo que usa nas suas obras não só padrões tradicionais como também técnicas experimentais, apresentando em cada obra características distintas”, refere a organização. A presente exposição dá a conhecer trabalhos de pintura feitos no início da sua vida adulta e outros mais recentes, “condensando toda a sabedoria adquirida ao longo das últimas décadas”.

Mexefest Jessie Ware em Lisboa

A cantora britânica Jessie Ware regressa a Portugal em Novembro, para uma actuação no festival Mexefest, que decorre em vários espaços na zona da avenida da Liberdade, em Lisboa, foi ontem anunciado. “Nos dias 24 e 25 de Novembro, o festival promete aquecer o Outono lisboeta com a melhor música do momento. Há ‘riffs’ e batidas para todos os gostos, sons mais electrónicos, outros mais orgânicos, mas também grandes vozes, inevitavelmente. E a edição deste ano conta com uma das melhores vozes da actualidade: a britânica Jessie Ware”, refere a promotora Música no Coração, num comunicado ontem divulgado. Para a edição deste ano do Vodafone Mexefest estavam já confirmadas as presenças de Aldous Harding, Allen Halloween, Benjamim e Barnaby Keen, Cigarettes After Sex, Childhood, Destroyer, Ermo, Everything Everything, Hinds, IAMDDB, Julia Holter, Karlon, Liars, Liniker e os Caramelows, Luís Severo, Mahalia, Manel Cruz, MOMO convida Camané, Moullinex, Oddisee, Orelha Negra, PAULi, Paulo Bragança, Sevdaliza, Songhoy Blues, Statik Selektah, Valete e Washed Out.

Chama-se “Lonely Tones” e é um trocadilho com os clássicos desenhos animados “Looney Tunes”. A exposição de Fortes Pakeong Sequeira é inaugurada, sábado, na Art for All Society e quer dar ao público outra abordagem da solidão

Tons solitários LONELY TONES FORTES PAKEONG SEQUEIRA APRESENTA

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UGS Bunny, Duffy Duck ou Porky Pig são personagens que integram infâncias vividas na companhia dos conhecidos “Looney Tunes”. É a reinterpretação destes bonecos que também protagoniza a exposição de Fortes Pakeong Sequeira. A mostra é inaugurada no próximo sábado na Art for All Society (AFA). A ideia do artista local partiu da sua experiência pessoal com os filmes de animação. “Os “Looney Tunes” eram dos meus desenhos animados preferidos e ainda hoje, quando me sinto de alguma forma só, penso naqueles momentos que me faziam rir”, começa por recordar Fortes Pakeong Sequeira ao HM. Por outro lado, considera, “são uma ferramenta para fazer rir as pessoas, e por isso precisamos deles quando nos sentimos mais tristes, e mesmo sozinhos”, disse. É na solidão e nos seus “tons” que os trabalhos apresentados na AFA têm fundamento. “Quero mostrar com a utilização metafórica destes desenhos animados que as pessoas não

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA MEDICINA CHINESA NAS MÃOS DE ASSASSINOS • Frédéric Lenormand

SOFIA MARGARIDA MOTA

25.10.2017 quarta-feira

Ti Jen-Tsie (630-700) foi um magistrado tão reconhecido que figura nos anais judiciários da dinastia Tang. As novas aventuras que Frédéric Lenormand lhe dedica convida-nos a descobrir a fascinante cultura chinesa através dos meandros de uma intriga policial. Um médico ousou introduzir um veneno mortal no círculo do imperador da China. O juiz Ti foi encarregado de investigar no seio do “Grande Serviço Médico”, uma instituição única no mundo que reúne todos os conhecimentos médicos e forma os melhores sábios do império. Da acupunctura à farmacopeia, Ti lança-se numa perseguição a um assassino tão brilhante quanto perigoso, levando-nos a descobrir todas as subtilezas da arte da medicina chinesa.

precisam de ter medo da tristeza e da solidão. Quero dizer às pessoas que a solidão pode ser prazerosa”, refere o artista.

MOMENTO DE REFLEXÃO

À semelhança de outras exposições do artista, também “Lonely Tones” pretende dar liberdade ao público para que se interrogue e procure as suas respostas pessoais

quando se encontra perante situações de solidão. Sem ter a presunção de dar respostas, Fortes Pakeong Sequeira quer promover a reflexão. “Uso a minha forma de fazer as coisas para dar a conhecer os meus conceitos mas quero, ao mesmo tempo, envolver as pessoas num processo pessoal, que é só delas, quando vêem o meu trabalho”, explica.

Em exposição vão estar 14 trabalhos, na sua maioria em vídeo. A opção pela criação de vídeos tem que ver com o próprio conceito de Fortes Pakeong e com a evolução de um trabalho idêntico que o artista já tinha realizado. Fortes Pakeong quer agora pegar no trabalho já feito e reproduzi-lo de outra forma. “Desta vez não vou mostrar os trabalhos originais que faziam parte de uma instalação, vou antes projectar vídeos de

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

MEL • Ian McEwan

Grã-Bretanha, 1972. Serena Frome, a bela filha de um bispo anglicano, é aliciada para os Serviços Secretos no seu ano final em Cambridge. A guerra fria cultural prossegue e o país é assolado por convulsões sociais e actos de terrorismo. Serena é então enviada numa «missão secreta» que a faz imergir no mundo literário de Tom Haley, um jovem escritor promissor. Ela começa por gostar das suas histórias, mas rapidamente passa a gostar do próprio homem que as escreve. Conseguirá Serena manter a ficção da sua vida oculta? Para isso, ela vai ter de ignorar a primeira regra do espião: Não confies em ninguém.


eventos 11

quarta-feira 25.10.2017

EXPOSIÇÃO NA AFA

IC Está lançado novo mapa cultural

O Instituto Cultural (IC) lançou uma nova edição do “Mapa Cultural e Criativo de Macau” (MCCM). A nova versão do MCCM disponibiliza informações sobre as entidades culturais e criativas locais, sítios do Património Mundial de Macau, museus e locais de espectáculos, bem como as rotas de autocarros que servem os mesmos. A ideia é dar mais informações aos residentes e visitantes. Para o efeito, o IC sugere ainda seis itinerários turísticos e culturais que têm como pontos de partida as Ruínas de S. Paulo e o Largo do Senado. O mapa é produzido pela ilustradora local, Chan Wai Lam que, refere o IC, “manifesta plenamente a vitalidade criativa de Macau”. Aos interessados que queiram fazer parte deste projecto, a organização apela a que procedam ao pedido de inscrição na Base de Dados das Indústrias Culturais e Criativas de Macau.

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Do passo latino ao passo internacional Desfile anual dedicado ao património e à pátria

O

forma a conseguir uma maior interacção com o público. A razão prende-se com a interpretação pessoal que pretende promover. “Quando se vê um vídeo ou uma animação, estamos habituados a finais felizes, especialmente se falamos de desenhos animados feitos para crianças”. Mas aqui não há fim, não há respostas ou desfechos. O objectivo é “que cada um descubra as suas respostas mais internas, dentro do próprio vídeo”.

Já o curador, José Drummond, na apresentação que faz de “Lonely Tones” considera que se trata “uma

proposta ontológica brilhante que desafia o conceito dos desenhos animados da idade dourada onde Bugs Bunny

“Quero mostrar com a utilização metafórica destes desenhos animados que as pessoas não precisam de ter medo da tristeza e da solidão. Quero dizer às pessoas que a solidão pode ser prazerosa.” FORTES PAKEONG SEQUEIRA

ou Duffy Duck nos deveriam fazer rir”. Para o efeito, “Lonely Tones” mostra a existência como uma farsa em que “no final, estes desenhos animados não são mais desenhos animados - são um espelho de nós mesmos ao mesmo tempo que são, como em todas as obras de Fortes Pakeong Sequeira, um auto-retrato sincero e pungente”, remata José Drummond. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

“Desfile por Macau, Cidade Latina” vai mudar de nome. A nova designação é “Desfile Internacional de Macau 2017” e de acordo com a organização, a cargo do Instituto Cultural (IC), tem como objectivo “proporcionar aos grupos artísticos locais uma plataforma para a apresentação de espectáculos e uma oportunidade para estes proporem a sua criatividade”, lê-se no comunicado oficial. O evento pretende ainda ”promover o desenvolvimento e a diversificação das indústrias culturais de Macau, criando oportunidades para os artistas locais observarem e desenvolverem intercâmbios culturais com grupos performativos internacionais”, sublinha a organização. O desfile internacional tem lugar a 17 de Dezembro, vai integrar as comemorações do 18.º aniversário da transferência da administração do território e as inscrições para os interessados em participar estão abertas até ao dia 3 de Novembro.

PÁTRIA NA MIRA

Este ano o tema sugerido pelo IC é “Histórias da

Cidade de Macau e do seu Património Histórico”. A organização pretende com a ideia “inspirar a criatividade dos artistas locais no amor à mãe pátria e por Macau.”. Os grupos podem participar em diferentes modalidades, incluindo “Participação de acordo com o tema do Desfile”, “Desfile de grupos artísticos” em que os participantes escolhem um tema livre para criar a sua apresentação, “Promoção artística de mini-desfiles” em que os candidatos participam, nos dias 9 e 10 de Dezembro, numa acção que visa divulgar o evento final, e “Embaixador da Arte” para os grupos participantes que se vão deslocar às escolas ou centros comunitários tendo como missão dar formação acerca da construção de adereços. S.M.M.

PORTUGAL ESTREIA-SE A PUBLICAR EM CONFERÊNCIA DE MICROARQUITECTURA DE COMPUTADOR

T

RÊS investigadores “conseguiram a primeira publicação portuguesa na prestigiada conferência internacional sobre microarquiteturas de computadores”, a MICRO, anunciou ontem a Universidade de Coimbra (UC).

Com “uma investigação realizada na área de processadores (microchips) optimizados para inteligência artificial, os investigadores Pedro Duarte, Gabriel Falcão e Pedro Tomás conseguiram a primeira publicação portuguesa na pres-

tigiada conferência internacional sobre microarquiteturas de computadores”, afirma a UC, numa nota enviada ontem à agência Lusa. Os três investigadores – Pedro Duarte e Gabriel Falcão, da UC, e Pedro Tomás, da

Universidade de Lisboa (UL) – desenvolveram uma nova ferramenta (software), que permite “analisar de forma automática um programa e gerar um processador optimizado”. O processador, que tem uma “área de chip muito reduzida

e menor consumo energético”, pode ser usado em chips reconfiguráveis do tipo Field-Programmable Gate Arrays (ou FPGA na sigla original em inglês), explicita a UC. A nova tecnologia que conduziu à obtenção desta

(“há muito tempo”) ambicionada publicação “permite desenvolver hardware utilizando uma abordagem próxima do desenvolvimento típico de software”, sublinham os investigadores, citados pela UC.


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25.10.2017 quarta-feira

CNN

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S autoridades suecas anunciaram ontem que a China libertou Gui Minhai, um cidadão sueco de origem chinesa, que trabalhava numa editora de Hong Kong especializada em rumores sobre os líderes chineses. “Fomos informados pelas autoridades chinesas de que ele foi libertado”, afirmou à agência France-Presse a porta-voz do ministério sueco dos Ne-

SCMP

LIBERTADO LIVREIRO SUECO DE ORIGEM CHINESA gócios Estrangeiros, Sofia Karlberg. Gui Minhai desapareceu em Outubro de 2015, quando passava férias na Tailândia, tendo aparecido mais tarde na televisão estatal chinesa CCTV a confessar que se entregou às autoridades pelo atropelamento e morte de uma jovem em 2004. A sua filha, Angela Gui, não confirmou, no entanto, a libertação do pai, afirmando que não foi ainda contactada por ele. “Nem eu, nem nenhum dos membros da minha família, ou algum dos seus amigos, fomos contactados” afirmou Angela Gui, em comunicado. “Ainda não sabemos onde ele está. Estou profundamente preocupada com a sua saúde”, disse. Gui Minhai, de 53 anos, é um dos cinco livreiros da “Mighty Current” - editora conhecida por publicar livros críticos dos líderes chineses -, e que desapareceram no final de 2015. PUB HM • 2ª VEZ • 25-10-17

ANÚNCIO ----- Juízo Laboral Acção de Processo Comum do Trabalho nº : LB1-17-0030-LAC. ----- Autor : 劉法剛 (LIU FAGANG), sexo masculino, reside na 中國中山市坦 洲鎮洲際新天3期5棟304. ----------------------------------------------------------------------- Réu : “Empresa Hoteleira de Macau, Limitada (New Century Hotel)”, com sede na Avenida Padre Tomás Pereira, nº889, em Macau, ora ausente em parte incerta. --------------------------------------------------------------------------------------------------- FAZ-SE SABER QUE, por esta Secção, correm éditos de TRINTA DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, citando o Réu acima identificado, para no prazo de QUINZE DIAS, decorrido que seja os dos éditos, contestar a Acção de Processo Comum do Trabalho, cujo pedido resumidamente consiste em ser julgada a presente acção procedente por provada e o réu ser condenado a pagar ao autor : a quantia de 24.901,70 (Vinte e Quatro Mil, Novecentas e Uma Patacas e Setenta Avos) patacas a título de salários devidos ao Autor, bem como o pagamento de juros legais vencidos e vincendos até integral pagamento. -------------------------------- Pelos fundamentos constantes da petição inicial cujo duplicado se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta secretaria nas horas normais de

HONG KONG DOIS ACTIVISTAS PRESOS EM AGOSTO SAEM SOB CAUÇÃO

O dia da libertação

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OIS activistas de Hong Kong foram ontem libertados sob caução depois de o tribunal ter deferido os recursos das respectivas sentenças por um protesto que iniciou a ocupação das ruas em 2014 em defesa do sufrágio universal. O Tribunal de Última Instância pronunciou-se a favor de Joshua Wong e Nathan Law, de acordo com uma publicação na página do Facebook do seu partido político (Demosisto) e segundo a imprensa local. Os dois activistas passam agora a estar obrigados a apresentarem-se à polícia uma vez por semana e a entregarem os documentos de viagem. Os recursos vão ser analisados a 7 de Novembro. Um terceiro líder estudantil, Alex Chow, que também foi condenado e preso pelo mesmo caso não recorreu da sentença. A estação pública Rádio e Televisão de Hong Kong (RTHK) noticiou que o juiz

Geoffrey Ma, que preside ao Tribunal de Última Instância, requereu uma caução de 50.000 dólares de Hong Kong a cada um dos activistas. Dezenas de apoiantes esperaram pelos dois jovens no exterior do tribunal, onde também estava instalado um grande aparato mediático. Joshua Wong, de 21 anos, e Nathan Law, de 24 anos, foram condenados em Agosto a seis e a oito meses de prisão, respectivamente, uma sentença agravada após um recurso do Departamento de Justiça de Hong Kong da decisão judicial de há um ano. Na mesma decisão de Agosto foi também condenado o antigo dirigente da federação de estudantes Alex Chow (27 anos) a sete meses de prisão. O recurso interposto pelo Governo teve lugar depois de Wong e Law já terem cumprido o serviço comunitário a que tinham sido sentenciados no ano passado. Alex Chow tinha sido condenado a três se-

expediente, sob pena de não o fazendo no dito prazo, seguir o processo os ulteriores termos até final á sua revelia. ----------------------------------------------------------------------- RAEM, aos 27 de Setembro de 2017. --------------------------------------------------

Hunan acolhe teste de transporte inteligente

Um meio de transporte inteligente que mistura características do metro e do autocarro foi testado em Zhuzhou, na província de Hunan, no centro de China, esta segunda-feira. O Transporte Rápido Autónomo (ART, na sigla inglesa) foi desenvolvido pelo ramo de investigação da CRRC Zhuzhou Locomotive Co. Ltd., que produz peças importantes para os comboios de alta velocidade da China. O ART tem cerca de 30 metros de comprimento e está equipado com sensores que podem detectar as dimensões das estradas e planear a sua própria rota sem necessitar de condutor.

manas de prisão, mas com pena suspensa.

REVOLUÇÃO FALHADA

A prisão de Wong, Chow e Law pelos seus papéis no movimento ‘Occupy’, que ficou conhecido como ‘Umbrella Revolution’ [revolução dos guarda-chuvas] em Hong Kong desencadeou protestos na cidade e também a nível internacional. Os activistas Wong e Law recorreram das respectivas sentenças menos de um mês depois de terem sido presos em Agosto. Wong e Chow tinham sido previamente declarados culpados de assembleia ilegal e Law, também de incitar outros a participar em assembleia ilegal, por invadirem uma área no exterior da sede do governo, e Conselho Legislativo, conhecida como Praça Cívica, no âmbito de um protesto a 26 de Setembro de 2014. Este protesto marcou o início da ocupação das ruas em Hong Kong em 2014, uma acção que se estendeu por 79 dias, para exigir o sufrágio universal

na eleição para o chefe do Executivo. As imagens da ‘revolução dos guarda-chuvas’correram mundo, mas o movimento falhou. Os democratas não conseguiram que Pequim abdicasse da pré-selecção dos candidatos e rejeitaram a proposta de reforma política, mantendo o método de voto como estava. A eleição para o chefe do Executivo continuou este ano a ser realizada por um colégio eleitoral de apenas 1.200 membros. Desde então não foram poucos os tumultos a que a cidade assistiu, desde o desaparecimento de cinco livreiros que publicavam livros críticos do regime chinês, passando pelo emergir de movimentos independentistas e pela interferência de Pequim para afastar do cargo dois deputados eleitos pela população. Nathan Law, que se tornou o mais jovem deputado eleito em Setembro de 2016, foi um dos seis deputados desqualificados nos últimos meses pela forma como prestaram juramento no parlamento da cidade.


quarta-feira 25.10.2017

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,Eu era feliz e ninguém estava morto. o ofício dos ossos Valério Romão

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Das paranóias dos escritores

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ODOS os escritores têm as suas paranóias. Alguns, enquanto estão a escrever. De escrever de pé, como Hemingway ou Virginia Woolf, a escrever deitado de barriga para baixo, como Twain, a escrever nu ou em roupa interior, como Balzac ou Cheever, existe quase sempre a presença de um hábito, superstição ou paranóia intimamente ligada ao processo de escrita. A minha paranóia (maior) tem lugar na apresentação do livro e na sessão de dedicatórias que normalmente lhe sucede. Imagino sempre que todos os leitores a quem escrevi uma dedicatória se reúnem algures no exterior do local do lançamento para compararem aquilo que escrevi a cada um deles. E imagino sempre que, ofendidos com as inúmeras repetições das múltiplas dedicatórias que cada um julgava serem pessoais e intransmissíveis, me vêm devolver os livros entre exigências de recuperar o dinheiro que deram por eles e juras de desamor eterno. E já sonhei com isto mais do que uma vez. Para contrariar esta apreensão irracional, de cada vez que me calha em sorte ter de escrever umas palavras de

apreço a um leitor, tento invariavelmente grafar qualquer coisa que, pelo menos no contexto da sessão em causa, seja original. Às vezes descubro-me repetindo dedicatórias que escrevi a outras pessoas, noutros lugares, e fico com medo de existir a possibilidade de um e outros se conhecerem. Desenvolvi algumas técnicas entre o amador e o incipiente para conseguir evitar tanto quanto possível a repetição. Faço ligações entre coisas que disse durante a sessão e a pessoa defronte. Talvez o olhar de uma das personagens do livro seja semelhante ao olhar do recipiente da dedicatória. Talvez seja a forma de andar ou a forma de sorrir.

Talvez a voz. Quando nada aparentemente resulta, recorro aos objectos e perspectivas à minha volta: um naco de rio que avisto da janela, o céu, as cadeiras espalhadas anarquicamente pela sala. Às vezes, nada acontece e, quanto mais tempo falta, mais pressionado me sinto. Sorrio, respiro fundo, mexo no cabelo, volto a perguntar o nome. As pessoas na fila impacientam-se (felizmente, as filas são normalmente pequenas). Acabo por escrever “a fulano, um abraço forte do Valério Romão”. Vergonha. Há dias em que tudo corre bem e cada dedicatória tem laivos de verso. Nesses dias, saio do local do lançamento

A minha paranóia (maior) tem lugar na apresentação do livro e na sessão de dedicatórias que normalmente lhe sucede. Imagino sempre que todos os leitores a quem escrevi uma dedicatória se reúnem algures no exterior do local do lançamento para compararem aquilo que escrevi a cada um deles

com inusitada confiança, cumprimentando quem ainda esteja à porta. A tensão pré-lançamento é debelada e, como – imagino eu – no final de um concerto particularmente gratificante, há uma sensação de vitória que parece redimir todas as ocasiões nas quais tudo correu mal. Quando não é assim, acabo por pensar quase sempre porque estou ali e na razão pela qual me sujeito àquilo. E empatizo com os escritores que se recusam a cumprir aquele momento específico do ritual ou mesmo todo o lançamento. E parecem-me tão sábios como paternalistas: “eu não te disse, Valério?” é o que repetem em uníssono. Passado algum tempo, até a maior vergonha acaba por beneficiar da distância cronológica e do esquecimento que a acompanha e o “nunca mais, nem pensar!” transforma-se primeiro em dúvida “se calhar, se…” e logo em optimismo infantil “não, desta vez vai correr tudo bem, tenho a certeza”. E volto ao lugar do crime, insuflado de uma confiança tão exagerada como precária. Mas mal sento na carreira de tiro, arrependo-me. Tarde demais.


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25.10.2017 quarta-feira

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A Poesia Completa de Li He

河南府試十二月樂詞並閏月     正月  上樓迎春新春歸,暗黃著柳宮漏遲。   薄薄淡靄弄野姿,寒綠幽風生短絲。   錦床曉臥玉肌冷,露臉未開對朝暝。   官街柳帶不堪折,早晚菖蒲勝綰結。

Doze Letras para Música sobre o Tema dos Doze Meses do Ano (mais um Mês Intercalar) Compostas Durante os Exames em Henan-fu. Primeira Lua Subimos uma torre para saudar a primavera, A primavera que regressa novamente,1 Um manto amarelo fumado cobre os salgueiros, O relógio do palácio pinga lentamente.2 Um esparso véu das mais leves nuvens, Por verdes frios o desolado vento Faz crescer talos de seda.3 De madrugada adormecida na sua cama esplêndida, Fresca sua carne de jade, Não ainda em botão seus lábios orvalhados, Voltados para a palidez da alba. Ainda não se podem cortar faixas de salgueiro Nas estradas públicas, Quando estarão as folhas do cálamo Longas bastante para atar?4

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Estes poemas foram escritos em 809, quando He se candidatou aos exames distritais de Henan-fu. Destinaram-se a demonstrar o seu talento poético aos examinadores antes do exame. Numa outra versão, lê-se: “No primeiro mês subimos uma torre para saudar o regresso da primavera.” Uma clepsidra, ou relógio d’ água. Talvez uma referência ao corte de ramos de salgueiro para o Festival da Comida Fria, que tinha lugar no início de Abril. Quando se podem atar estas folhas, a primavera chegou realmente.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 25.10.2017

Diário de um editor João Paulo Cotrim

Desconcertos concertantes HORTA SECA, LISBOA, 17 OUTUBRO Circula há um mês, mais coisa menos coisa, o N.º 4 de Cidade Nua – Revista de Poesia e Palavra que o Alex [Cortez] e o Nuno [Miguel Guedes] animam. Desta vez, cometeram a imprudência de incluir micro-contos meus, vã tentativa de fazer cócegas ao urbano lugar-comum. Confesso que o objecto me desconcerta, não pelo lado singelo e descomprometido, mas pelo grafismo que me parece casuístico e apressado. E o texto que se verga todo ao itálico, como se soprasse vento forte. Este nervoso miudinho não me impede que tenha voltado vezes sem conta aos textos que por aqui moram, em testemunho importante do momento. Oiço o Helder [Macedo] aceitar que a poesia pode ser espelho e a ficção lupa, «mas seria um espelho distorcido e uma lupa embaciada». Diz ainda que «a poesia não muda nada, mas pode iluminar tudo», para logo distinguir bem que a poesia não se encontra no que habitualmente se considera poético, que esse «banaliza tudo». Luz encontro, sublinho interruptores à toa no escorregadio papel. Há mais que estes, amostra para nos entendermos. José [Anjos]: «não tendo eu a delicadeza/que empurra às flores/ os seus frutos». Paula Cortes: «e por vezes nem mesmo a noite/é a última palavra sobre o destino». Cláudia [R. Sampaio]: «mais um dia que se ajoelhou de faca na boca». Miguel Manso: «que tudo é logramento porquanto logra e doa/o estarmos». Catarina [Santiago Costa]: «Gostaria de morrer como as oliveiras/ – que apenas parecem plissadas, nunca defuntas –,/ albergar-te sempre». TEATRO DA TRINDADE, LISBOA, 18 OUTUBRO Se não conhecesse Ramón Gomez de la Serna leria na palavra conferência um inevitável vestido de noite ou fato de gala ou, pior, cruzamento de ambos. Não se recusa convite caloroso e atempado, como foi este do Joaquim [Paulo Nogueira], ainda por cima quando o ciclo leva por título (R)Existência? Uma interrogação que esconde uma atitude, a reviver até o sabor daqueles dias, há tantos anos, em que cruzámos caminhos a pensar em alternativas. Entro na sala, com o desconforto habitual que me toma aquando do afrontamento de plateias. Conforta-me a chuva, ajuda até a concentração. Espreito o frenesi à janela e descubro na arcada um «vestígio de projéctil disparado em 25-4-74», ainda antes da placa mo assinalar com pompa. Calculo a direcção e ponho-me a divagar por que teria sido disparado do prédio em frente. Por estes quarteirões sempre coabitaram polícias e livrarias e editoras. De que calibre seria a arma?

«Pode uma editora dar sombra?», este o mote que escolhi há meses, prometendo logo mais questões que respostas, esse fruto da época. «Uma editora é uma árvore. Semeamos agora, mas estaremos vivos para recolher fruto ou sombra? Deve um livro ser comprado ou oferecido? Ainda se lê em papel? Uma editora é um projecto de saber radical: tem raízes e pensa em céu, gosta de sol e chuva, gosta apenas, gosta que se possa tomar o gosto. Para quê tantas editoras, as da indústria e as outras, as da pureza e as do cânone, as do espectáculo e as cultura? E só editores editam? Todas as editoras são iguais? Onde se guarda o enigma do fascínio da edição? A ânsia do autor queima o editor? Breve digressão sobre o passado e de costas para o futuro perigosamente à beira do abysmo.» Esqueci-

-me de brincar com o facto da editora mergulhar raízes em Horta Seca. E não podia contar então que estaria hoje a tentar resistir à falência de uma distribuidora, enfim, à dispersão dos leitores. Para não falar dos fogos, que afectam até as metáforas. Editamos contra isto mesmo, contra a morte. E que mais se pode dizer sobre isto? Levei ajudas, claro. Queria falar de desejo, com ligações à infância, daí ter usado para abrir as hostilidades o «Sem querer», filme partilhado com o João [Fazenda]. Sinopse selvagem: podemos amar tanto a ponto de conseguir transferir o objecto para o interior de nós? Publicar tem tudo a ver com isto, acho. Plantei depois jardim de livros à minha volta. Grandes de inventar cinema ou sussurrantes de simplicidade e silêncio, marcantes cada um por

Carta assinada pelo editor que, depois de muito circular, regressou do futuro para dizer

presente

razões quase só minhas. Silêncio, só um livro o sabe plantar. Precisava partir do concreto para dizer alto da intuição, da luxúria, do falhanço e da biodiversidade de que falamos quando falamos de editar. Falamos de vida, pois, de conceber cada livro como único. Não pararia de descrever cada um, de os acariciar com palavras agora, que já o fiz com os olhos e as mãos, com o corpo todo. Livros únicos a percorrer de corpo inteiro, dos que anunciam potência de futuro, uma primavera sempre disponível e portátil, na vez de apenas transparecer o presente, por espectacular que seja. O presente será sempre de menos, se não trouxer passados ou madrugar amanhãs. Não nos entusiasmemos: este caixeiro-viajante traz para vender espelhos distorcidos e lupas embaciadas. E missangas. Antes de sair ainda fui tocar a ferida na madeira que fora árvore. Cicatriz em pau nunca fecha, solta sempre lasca, falha. MYMOSA, LISBOA, 20 OUTUBRO Se eu me contasse a mim mesmo daqui a uns anos, sentado frente a frente, não acreditaria. Espero ser sensato sentado, talvez incréu dos mais beatos. (Imploro, por deus, a ventura de não ser amargo…) Trazido pelo Henrique Amaro e pelo Rui [Garrido], tombou na mesa dos projectos outro dos que convocam memórias afectivas, daí a conversa escorrer, com detalhe e banda sonora. Na mymosa, direi eu a mim mesmo, houve tempo que isto acontecia, a magia do poético. Aqui há atrasado, brinquei com as sortes e tramei-me com erro em título, nem todas as traseiras trazem o que deviam, mereço a devida punição, ainda que isto ressuma a puro gozo, nome da editora adolescente que recolheu asas. (Quantos perceberão, mano Paulo [Caldinho Gomes] o que nesta frase agora mesmo desapareceu após ter aparecido?) O Rakesh-do-é-fim convocou à nossa mesa o João Moreno, que desdobra o presente no baralho das cartas de azar. Desconforta-me o jogo de mãos, o paleio de vendedor, a perda da razão atrás do como se faz, o fundo de boca do engano, conjunto que vem colado com cuspo à magia. Dito isto, o João atira-nos para a infância. Digno de se contar, o deslumbramento dos maduros a acreditar no impossível, a carta desejada a sair da boca meio mastigada, a sair na caixa selada onde sempre tinha estado embora tivesse sempre nos nossos olhos, e mais, número atrás de brincadeira, com a crença de cada um a ficar feita num oito, de copas ou paus, que importa isso. Na mymosa, chegou a ser assim isso do editar. Só me saem duques.


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25.10.2017 quarta-feira

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 37/P/17 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, 20 de Setembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Gases Medicinais e Laboratoriais aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 25 de Outubro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 49,00 (quarenta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Para compreender as condições gerais existentes nas instalações do fornecimento de gases medicinais e laboratoriais, os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário às 15,00 horas do dia 31 de Outubro de 2017, para visitar as respectivas instalações do fornecimento de gases.

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 24 de Novembro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 27 de Novembro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP752.000,00 (setecentas e cinquenta e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 19 de Outubro de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 38/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 29 de Setembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para « Prestação de serviços de reparação e manutenção de Equipamentos do Sistema Electromecânico e Isolador da Sala de Limpos ao Centro Hospitalar Conde de São Januário», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 25 de Outubro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 41,00 (quarenta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes do presente concurso devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 27 de Outubro de 2017, às 15,00 horas, para efeitos

de visita às instalações a que se destina à prestação de serviços objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 30 de Novembro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 1 de Dezembro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP102.000,00 (cento e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 19 de Outubro de 2017. O Director dos Serviços Lei Chin Ion


desporto 17

quarta-feira 25.10.2017

Tal pai, tal filho Mick Schumacher vai competir no GP de Macau

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estreia de Mick Schumacher no Grande Prémio de Macau foi a principal novidade apresentada ontem, pela Comissão Organizadora, na apresentação da lista provisória dos participantes. O piloto alemão de 18 anos vai correr com as cores da Theodore Racing, depois de ter terminado no 12.º lugar o Campeonato Europeu de Fórmula 3, onde também se estreou. Porém, a tarefa de Mick não se avizinha fácil. Mesmo o pai, Michael, que foi campeão mundial de Fórmula 1 em sete ocasiões, apenas venceu em Macau à segunda tentativa, em 1990, depois de ter desistido em 1989. Por isso, o facto de realizar a estreia num circuito tão exigente como a Guia deve limitar as aspirações do piloto. Por outro lado, a concorrência é de peso. Entre os candidatos ao triunfo vão estar também o britâniPUB

co Lando Norris, campeão europeu de Fórmula 3, e o brasileiro Sérgio Sette Câmara, terceiro classificado no ano passado. Ontem foi igualmente confirmado o plantel de luxo que vai correr na Taça GT, classe onde além dos habituais pilotos Maro Engel (Mercedes), Van der Zande (Honda), Edoardo Mortara (Mercedes) ou Nico Muller (Audi) se juntam Lucas Di Grassi, ex-piloto de Fórmula 1, e Felix Rosenqvist, vencedor por duas vezes na categoria de Fórmula 3. Também o brasileiro Augusto Farfus, especialista em corridas com carros de turismos, vai estar na Guia, neste caso ao volante de um BMW. Em relação ao Campeonato Mundial de Carros de Turismo (WTCC) está inscrito o português

Tiago Monteiro (Honda), que falhou as últimas duas rondas da competição, depois de um acidente. No entanto, Monteiro pode chegar a Macau em condições de lutar pelo título, dependendo dos resultados este fim-de-semana no Japão. No ano passado Tiago Monteiro foi o vencedor da prova para carros de turismo em Macau.

OBRAS A BOM RITMO

À margem da conferência, o presidente do Instituto do Desporto e Coordenador da Comissão organizadora abordou a situação dos trabalhos de preparação para as corridas. Face aos danos causados pelo tufão Hato, Pun Weng Kun explicou que o Parque de Estacionamento do Terminal Marítimo,

Entre os candidatos ao triunfo vão estar também o britânico Lando Norris, campeão europeu de Fórmula 3, e o brasileiro Sérgio Sette Câmara, terceiro classificado no ano passado onde normalmente são colocados os carros dos concorrentes, já está praticamente recuperado. “As obras de reparação estão a ser efectuadas e actualmente cerca de 98 por cento dos trabalhos estão concluídos. Os danos causados não

vão criar problemas nem ter um impacto negativo para o Grande Prémio”, disse Pun Weng Kun. O responsável destacou igualmente o esforço que a organização tem feito ao longo dos anos para evitar os transtornos resultantes do encerramento de várias ruas. Este ano vão ser colocadas mais cinco barreiras amovíveis, que mal terminem as corridas, vão ser abertas para que seja feita a circulação do trânsito. “Temos tido cuidado ao nível dos equipamentos provisórios, como as barreiras e portas móveis, e os residentes podem ver ano após ano que há um esforço para minimizar os problemas nas deslocações. É cada vez mais evidentes que mal acabam as corridas, as ruas do circuito são abertas ao trânsito”, defendeu. Mesmo assim, Pun Weng Kun pediu compreensão a residentes e turistas para os transtornos eventualmente causados pelas corridas. O coordenador da comissão revelou ainda que este ano a organização espera receber cerca de 12 milhões de patacas com a venda de bilhetes, e que o número de espectadores deve rondar os 81 mil, à imagem do que sucedeu no ano passado. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Lando Norris, campeão europeu de Fórmula 3 e terceiro classificado no Grande Prémio de Macau do ano passado


18 (f)utilidades TEMPO

POUCO

25.10.2017 quarta-feira

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO SELVAGEM Cinemateca Paixão | 19h00

MIN

21

MAX

28

HUM

50-90%

EURO

9.45

BAHT

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | PAULA Cinemateca Paixão | 19h00 KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | O FLORIR DE ONTEM Cinemateca Paixão | 21h30 FIMM | SOWETO GOSPEL CHOIR Fortaleza do Monte | 20h00

O CARTOON STEPH

FIMM | CONCERTO DE LUKAS GENIUSAS CCM | 20h00

Sábado

FIMM | GUIMARÃES STRING QUARTET Teatro D.Pedro V | 20h00 FIMM | WILLIAM SO AND THE MACAO CHINESE ORCHESTRA Venetian Theatre | 20h00

Domingo

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 146

FIMM | THE GOLDEN PEAK CCM | 20h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 MAM | Até 12/11

Cineteatro

C I N E M A

PROBLEMA 147

UM DISCO HOJE

SUDOKU

DE

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | TONI ERDMANN Cinemateca Paixão | 20h00

FIMM | CONCERTO DE JAZZMEIA HORN Fortaleza do Monte | 20h00

1.21

QUEIJO & VINHO

Amanhã

EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO DE “O TEMPO MEMORÁVEL – AS INDÚSTRIAS TRADICIONAIS DE MACAU” MAM

YUAN

PÊLO DO CÃO

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | O MEU ENCONTRO COM A VIDA Cinemateca Paixão | 21h30

Sexta-feira

0.24

Como num épico romance, com famílias desavindas, guerras e fatalidades que se intrometem, a violência não consegue separar aquilo que deve estar junto. É assim que encaro a brilhante conjugação de queijo e vinho tinto, dois elementos nascidos de mundos distintos. Lacticínio e fruta fermentada a fazer escandaloso amor no palato dos apreciadores das coisas boas da vida. Tenho um truque que acho que potencia esta simbiose na perfeição. Com os molares dar uma trinca num generoso pedaço de queijo, junto-lhe uma golada de encorpado tinto para depois empurrar o composto para a garganta deixando os sabores acasalarem livremente. Depois trago tudo de regresso à mastigação antecipando o impacto dos sentidos que arrepia a espinha. Venha o cremoso da Serra da Estrela, o seco e salgado da Ilha, o poder de Nisa, se for com pão de água de Messejana ainda melhor, desde que seja sempre regado pelo mais rubro dos néctares. Confesso-me um homem de prazeres simples, não exijo nada do mundo nem de ninguém, nunca me senti credor de privilégios, basta uma malga e uma tábua para me fazer feliz. Se houver um paio à mistura melhor ainda. E é assim que regresso a esta coluna: de barriga cheia depois de três semanas de regabofe gastronómico. Nesse aspecto, Portugal continua a ser a grande farra à mesa. João Luz

“PROTECTION” | MASSIVE ATTACK

Prestes a subirem ao palco principal no próximo festival Clockenflap, os Massive Attack exigem que se passeie pela sua já longa discografia, quanto mais não seja para recordar a razão de serem uma referência incontornável da música electrónica. “Protection” é o disco de 1994 e que marca alguns dos sucessos do início da carreira da dupla britânica. Temas como KarmaKoma, e mesmo a música que dá nome ao álbum, são hoje canções que não podem faltar num concerto de Massive Attack. Sofia Margarida Mota

GEOSTORM SALA 1

GEOSTORM [B] Fime de: Dean Devlin Com: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Daniel Wu 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

SKY HUNTER [C] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Chen Li Com: Chen Li, Bingbing Fan, Qianyuan Wang, Jiahang Li 14.30, 16.45, 19.30

WIND RIVER [C] Fime de: Taylor Sheridan Com: Jeremy Renner, Elizabeth Olsen 21.45 SALA 3

WISH UPON [C] Fime de: John R. Leonetti Com: Joey King, Ryan Phillippe, Ki Hong Lee 14.15, 18.00, 21.45

WIND RIVER [C] Fime de: Taylor Sheridan Com: Jeremy Renner, Elizabeth Olsen 16.00, 19.45

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


ócios/negócios 19

quarta-feira 25.10.2017

PILATES HOUSE MACAU ASSOCIATION CECILIA MA, FUNDADORA

Cecilia Ma viveu nos Estados Unidos e em Xangai até perceber que, de todos os exercícios que experimentou, o Pilates era o mais completo. Decidiu voltar para a sua terra natal e fundar a Pilates House Macau Association para partilhar esta prática

O

Pilates promete corrigir a postura, melhorar a respiração e o equilíbrio. Com o recurso a bolas específicas ou a fitas, os músculos exercitam-se e vão ao lugar, proporcionando uma incrível sensação de bem-estar aula após aula. Cedo Cecília Lam percebeu que era este o seu caminho. Saiu de Macau e foi para os Estados Unidos, onde estudou. A vida daria muitas voltas até decidir regressar ao local onde nasceu para fundar a Pilates House Macau Association. “Estudei nos Estados Unidos e regressei para Macau, mas não gostei do ambiente aqui, por isso é que deixei Macau durante uns anos e mudei-me para Xangai. Adoro Pilates e foi lá que comecei a fazer a minha formação como professora”, contou ao HM. A criação da associação surgiu como um projecto pessoal, mas também como uma forma de atrair os outros para esta prática física. “Quis regressar para as minhas pessoas e foi por isso que criei esta associação, para promover o Pilates e o exercício físico junto das pessoas de Macau.”

O estúdio funciona há muito pouco tempo e tem, por enquanto, poucas professoras e alunos. Não há programas ou aulas específicas, existindo, sim, uma partilha de conhecimentos e de técnicas. As aulas podem ser em grupo ou individuais, através do pagamento de uma mensalidade, como em qualquer ginásio. “Não temos programas específicos. As pessoas que gostam de Pilates participam em aulas de grupo e partilhamos os exercícios e as técnicas. Também fazemos workshops.”

FACEBOOK

Exercício para todos

DOS 8 AOS 80

Ainda nos Estados Unidos, Cecilia Ma experimentou um pouco de tudo para manter uma vida saudável. “Faço exercício desde a escola secundária, o que significa que faço exercício há mais de dez anos. Pratiquei vários tipos de desportos, fiz Bootcamp, yoga, mas acho que o Pilates é mais importante porque tem muitos benefícios.” A fundadora da Pilates House Macau Association não tem dúvidas de que o Pilates é adequado para todas as idades e para pessoas com problemas de saúde muito específicos. Ajuda a emagrecer, mas os benefícios vão muito além disso. “Posso praticar Pilates até ser velha, e aqui temos pessoas com 80 anos que ainda fazem Pilates. É um exercício muito seguro e que pode ser praticado por um longo período de tempo. É bom para corrigir a má postura e não é fácil contrair lesões”, explicou. “Se olharmos para a história do Pilates, vemos que os mestres têm cerca de 80 anos”, acrescentou.

POUCO POPULAR

Se no resto do mundo o Pilates tem sido uma prática desportiva para muitos, em Macau ainda não é muito popular, garante Cecilia Ma. “Em Macau as pessoas não praticam muito, mas na China é muito popular. O Pilates começou a ser muito conhecido nos anos 70, mas depois dos anos 90 todas as estrelas de Hollywood

“As pessoas que gostam de Pilates participam em aulas de grupo e partilhamos os exercícios e as técnicas. Também fazemos workshops.”

começaram a adorar e a fazer Pilates, e rapidamente se tornou muito popular no ocidente. Nos últimos dez anos a popularidade estendeu-se à China, Hong Kong e Coreia, mas não chegou ainda em Macau.” Cecilia Ma gostaria de abrir mais espaços, mas assume que tem vindo “a enfrentar muitos problemas”. Acima de tudo, a criadora deste estúdio de gostaria

Fábrica Va Nam, 568 Avenida Olímpica • Taipa

de chamar mais jovens não só para esta prática mas para a adopção de um estilo de vida onde o desporto é importante. “Fala-se muito na diversificação, mas os jovens continuam a ir para os casinos. Gostava que pensassem além disso. Gostava de ajudar as pessoas a ter estilos de vida mais saudáveis”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


As florestas defender deveria ser um dever

Tesoura das ilhas

quarta-feira 25.10.2017

INVESTIGAÇÃO APÓS DÉCADAS A COPIAR A CHINA APOSTA NA INOVAÇÃO

Renovação intelectual

Maradona “Doeu na alma entregar o prémio a Ronaldo”

Diego Aramando Maradona, considerado um dos melhores futebolistas de todos os tempos, foi delegado pela FIFA para entregar o prémio The Best ao melhor jogador da época 2016/17. E confessou ter ficado desolado por o entregar a Cristiano Ronaldo e não ao compatriota Lionel Messi. «Doeu na alma entregar o prémio a Ronaldo e não poder dá-lo a Messi», reconheceu em declarações ao TyCSport, antes de se mostrar satisfeito por reencontrar o seu antigo pupilo na seleção da Argentina. «O encontro com Messi foi fantástico. Falámos com o mesmo carinho e amor de sempre. Ainda tem muito para dar», acrescentou.

Jogos Tóquio2020 Organizadores garantem qualidade das águas

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O director-executivo do Comité Organizador dos Jogos Olímpicos Tóquio2020 garantiu ontem a qualidade das águas nas quais vão ser disputadas provas de natação e de triatlo, nas quais foi detectada uma contaminação bacteriana. Em entrevista à agência noticiosa Associated Press, Toshiro Muto garantiu que já foram tomadas várias medidas para proteger a Marina de Odiaba, incluindo a colocação de telas subaquáticas e o encerramento do local. “Os resultados dos testes que têm sido realizados mostram uma diminuição dos valores. Vamos continuar a trabalhar”, disse Muto, admitindo a possibilidade de colocar mais camadas de telas na baía. No início de Outubro, as autoridades anunciaram que as amostras recolhidas à água da marina de Odaiba e da baía de Tóquio, revelaram a existência de níveis elevados de bactérias coliformes, entre as quais E.coli, acima das fixadas pelas federações internacionais de ambas as modalidades.

A

China passou a proteger a propriedade intelectual à medida que aposta na inovação depois de, durante décadas, ter feito da usurpação de ‘know-how’ parte do seu modelo de desenvolvimento, afirma a investigadora brasileira Rosana Machado. “A China não defende mais a infracção da propriedade intelectual, porque quer ser uma potência inovadora”, diz a autora do livro “Counterfeit Itineraries in the Global South: the human costs of piracy in China and Brazil”, publicado este Verão. Rosana Machado foi professora de Desenvolvimento Internacional na Universidade de Oxford e investigadora do Centro de Estudos Chineses em Harvard, universidade na qual tirou um pós-doutoramento em propriedade intelectual. Empresas europeias e norte-americanas há várias décadas que acusam empresas chinesas de pirataria e roubo de tecnologia. O país asiático é visto como um centro mundial de espionagem industrial mas quer agora transformar-se numa potência tecnológica, com capacidades nos sectores de alto valor agregado, incluindo inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos. Durante o discurso inaugural do XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que ontem chegou hoje ao fim (ver grande plano), o secretário-geral da organização, Xi Jinping, definiu como meta tornar a China num “país de inovadores”, até 2035. No seu mais recente livro, Rosana Machado estabelece uma

comparação entre a forma como o Brasil e a China reagiram à pressão dos Estados Unidos para combater as infracções de propriedade intelectual. “A China defendeu que [a usurpação de ‘know how’] era importante para os primeiros anos do seu desenvolvimento e o Brasil colocou a polícia para proibir a economia informal”, afirma. “O Brasil gastou mais a proteger a propriedade intelectual do que perdeu com o contrabando e marginalizando os seus pobres, enquanto a China não”, acrescenta. Para Rosana Machado, Pequim tomou a “decisão correta”. “A propriedade intelectual é um sistema hegemónico de protecção muito questionável” e

“A gente não consegue pensar a China no nosso ‘mindset’ ocidental.”

“A China hoje tenta colocar-se como uma potência da propriedade intelectual”, diz.

ROSANA MACHADO INVESTIGADORA DE ESTUDOS CHINESES EM HARVARD

Rosana Machado começou a estudar a China no final dos anos 1990, atraída pelo impacto na economia informal brasileira dos produtos baratos chineses que então começaram a chegar ao país. Durante dez anos, seguiu a rota dessas mercadorias e, a partir de 2003, começou a visitar anualmente a China, onde conheceu as fábricas e trabalhadores por detrás do ‘boom’ que tornou o país asiático na maior potência comercial do planeta. Nos últimos três anos deixou de ir à China e, quando aterrou em Pequim, em Setembro passado, admite ter ficado “chocada”. “A cidade está muito mais limpa e organizada”, diz. A modernização da China, no entanto, não implica maior liberdade política, com o PCC a não abdicar do controlo da economia e sociedade. “O que nunca mudou na China ao longo da História é a maneira como a liderança política controla ideologicamente a cultura chinesa”, afirma, apontando “o uso do confucionismo para a manutenção da autoridade ao longo de 3500 anos”. “As pessoas são modernas e extremamente ligadas ao partido”, afirma Rosana, que tem um outro livro, intitulado “China - Passado e Presente - Um Guia Para Compreender a Sociedade Chinesa”, publicado em 2013. “A gente não consegue pensar a China no nosso ‘mindset’ ocidental”, conclui. Lusa

não é condição de produção de inovação, afirma. “Existe no âmbito académico sobre propriedade intelectual a tese de que a abertura do conhecimento gera inovação”, explica. No entanto, a investigadora diz que “hoje, a China está a adoptar um modelo parecido com o norte-americano”, ao reforçar a protecção da propriedade intelectual, à medida que se torna uma potência inovadora.

ROTA ASIÁTICA

ANTÓNIO COSTA “GOVERNO ASSUME-SE COMO PRIMEIRO RESPONSÁVEL”

O

primeiro-ministro português, António Costa, respondeu às críticas do CDS-PP e garantiu que o Governo irá apurar as todas as responsabilidades da tragédia dos incêndios que marcaram Portugal em 2017. «Estamos aqui hoje porque a responsabilidade face

às tragédias têm de ter consequências. O sofrimento das vítimas e familiares, exigem resposta. A perda de vidas, destruição de habitações e empresas, devastação da floresta não podem ser ignoradas. Nesse sentido de dever, o Governo está aqui a assumir-se como o primeiro

responsável», começou por dizer António Costa. «Estamos agora no tempo da sua execução, de aprovar os planos de ordenamento, de executar o cadastro, revitalização do interior, reordenamento das florestas, estão por isso desde a primeira hora

a marcar a nossa ação.» «É agora o nosso tempo de executar uma reforma profunda mas que tem de ser conduzida sem rupturas, nem descontinuidades, não afasta mas une e em que todos são essenciais. Numa nova aliança entre o saber e a vontade de servir. Encare-

mos juntos este desígnio este ímpeto que nos desafia. Os portugueses não espera outra coisa. Honremos a palavra: nada poderá ficar como antes», rematou o líder do Executivo.

Hoje Macau 25 OUT 2017 #3922  

N.º 3922 de 25 de OUT de 2017

Hoje Macau 25 OUT 2017 #3922  

N.º 3922 de 25 de OUT de 2017

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