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BOLINHA

KA I SAGRA-SE CAMPEÃO DA PRIMEIRA DIVISÃO. SPORTING DESPROMOVIDO

MOP$10

Taxistas querem aumentos mas Governo desaprova PÁGINA 7

• CENTROS COMUNITÁRIOS

Académico pede mais atenção aos prédios degradados PÁGINA 5 PUB

DIRECTOR CARLOS CARLOS MORAIS MORAIS JOSÉ JOSÉ •• TERÇA-FEIRA SEX TA-FEIRA 15 25 DE DE OUTUBRO OUTUBRO DE DE 2013 2013 •• ANO ANO XIII XIII •• Nº Nº 2953 2961 DIRECTOR

Protocolo entre a AAM e a OA poderá ser discutido em breve

Olhos nos olhos A suspensão do intercâmbio de advogados entre Macau e Portugal causou algum desconforto na classe. Agora, a Associação de Advogados de Macau e a Ordem dos Advogados de Portugal podem sentar-se à mesa para discutir os prós e contras desse processo, à margem do 57.º Congresso da União

Internacional dos Advogados que terá lugar na RAEM no início de Novembro. Ouvido pelo HM, João Miguel Barros considera que o problema é “exclusivamente bilateral”. Neto Valente e Marinho e Pinto têm assim uma oportunidade única de entendimento. PÁGINA 3

NOVO MACAU PEDE MAIS PROTECÇÃO À LIBERDADE DE IMPRENSA. MAK SOI KUN QUER A LEI DO SIGILO PÁGINA 2

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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PÁGINA 16

• ENTREVISTA RITA TIBES HAN

A pianista que conquistou o Brasil CENTRAIS


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POLÍTICA

hoje macau sexta-feira 25.10.2013

IMPRENSA NOVO MACAU PEDE MAIS PROTECÇÃO À LIBERDADE DE IMPRENSA E DE ACESSO A INFORMAÇÃO

“Segredos inacessíveis por jornalistas deviam ser definidos por lei” JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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AssociaçãoNovo Macau quer mais protecção à liberdade de imprensa e à liberdade de acesso à informação. Numa carta entregue ontem ao Gabinete de Comunicação Social (GCS), Jason Chao, presidente da associação, diz considerar demasiado vaga a ideia de que “o direito de acesso às fontes de informação cede no caso de factos e documentos serem considerados pelas entidades competentes segredos de Estado”, prevista no artigo 5.º do projecto em revisão da Lei de Imprensa. “É demasiado vago. Os segredos inacessíveis pelos

jornalistas deveriam ser apenas os definidos pela lei como tal”, pode ler-se na carta. “Como tal, exigimos uma definição clara dos limites da informação cuja revelação é proibida por lei. Além disso, exigimos uma lei de Liberdade de Informação, no futuro, para garantir aos cidadãos liberdade para aceder a informação.” A entrega da carta da

Novo Macau ao GCS vem na sequência da recentemente anunciada revisão da Lei de Imprensa, cujo projecto foi tornado público pelo Governo em Setembro. Uma das sugestões é a da revogação dos artigos que previam a criação de um Conselho de Imprensa e de um Estatuto dos Jornalistas, passando os meios de comunicação a serem auto-regulados. Jason

Exigimos uma definição clara dos limites da informação cuja revelação é proibida por lei. Além disso, exigimos uma lei de Liberdade de Informação, no futuro, para garantir aos cidadãos liberdade para aceder a informação JASON CHAO da Associação Novo Macau Democrático

Chao concorda com esta alteração. “Esse Conselho e essas regras são tidas como não apropriadas pelos jornalistas locais, desde a implementação da Lei [de Imprensa] há duas décadas.” Mas a Novo Macau deixa mais das suas ideias: o artigo onde o Governo propõe o agravamento da pena em um terço do limite máximo de prisão para os jornalistas que forem condenados por crimes de abuso de liberdade de imprensa deve ser retirado. “Essa revisão permanece, mas deve ser retirada”, defende Chao. Na mesma sequência, a Novo Macau opõe-se que seja retirado da lei o artigo que permitia a substituição de pena de prisão por multa, que era permitido quando

o infractor não tivesse sido condenado anteriormente. “Estamos contra a exclusão de artigos que protejam os jornalistas, a retirada deste artigo é imprópria e deve manter-se, porque o espírito

DSPA RECEBEU OITO QUEIXAS SOBRE RUÍDO DE OBRAS NA RUA DESDE 2009

Lei de Barulho entrou em “processo de legislação” A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) confirmou ao HM que a proposta da Lei de Barulho já entrou em “processo de legislação”. Há cerca de semanas, a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) fez saber que Macau regista cerca de três mil pedidos de obras nas estradas por ano, o que na prática se traduz em cerca de dez obras por dia. Entre as quais, manutenção rodoviária de rotina e organização de rede de água. No entanto, desde o estabelecimento da DSPA, em 2009, o organismo dirigido por Cheong Kei apenas recebeu “oito queixas sobre o ruído das obras na rua”. “Segundo o decreto-lei que regula a prevenção e controlo de algumas manifestações do ruído ambiental, de 1999, a DSPA não é a entidade de monitorização e multas, por isso, não consegue fornecer dados de todos os casos de violação de obra na rua”, justificou. A fim de garantir a saúde dos cidadãos e qualidade de ambiente, a DSPA começou a estudar a legislação de barulho desde o seu estabeleci-

mento, pondo em acção uma consulta púbica para recolher sugestões sobre o texto de consulta para alteração da lei do ruído ambiental. “Depois de ouvir as opiniões, a DSPA já fez uma proposta de lei, na qual dá prioridade ao reforço sobre controlo ao ruído de maior impacto aos moradores, como sejam projectos de fundações e de ruído da vida social.” A DSPA também sublinhou que, no decreto-lei com mais de 10 anos, as obras de rua foram incluídas em empreitadas de construção civil, segundo o artigo do decreto-lei, que também regula os horários do funcionamento de bate-estacas, martelos pneumáticos, equipamento mecânico, móvel ou fixo. O organismo sublinhou, no entanto, que o barulho começa a ser regulado com outras medidas lançadas pelo Governo. Por exemplo, “a partir de 17

de Outubro, na fase de apresentação dos projectos de obras de construção, os construtores têm de submeter o projecto de fundações (protecção do ambiente) à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) para, sobre o mesmo, ser obtido o parecer da DSPA, tendo em vista a minimização dos impactos provocados pelo projecto sobre os habitantes circundantes, assim como adaptar-se à proposta que altera a lei sobre o controlo do ruído”, avançou recentemente a DSSOPT. Na resposta a este jornal, a DSPA não adiantou porém mais detalhes sobre como prevenir os danos de ruído aos residentes que têm trabalho por turnos e precisam de dormir durante o dia, quando no decreto-lei actual o período de proibição de obra vai das oito da noite às oito de manhã. – C.L.

de protecção da liberdade de imprensa deve ser consagrada na revisão da Lei de Imprensa.” A consulta pública sobre a revisão desta Lei acaba hoje.

MAK SOI KUN QUER LEI DE SIGILO EM MACAU

Ajudar ou desajudar?

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AK Soi Kun quer uma “Lei do Sigilo”. Numa interpelação escrita, o deputado insta o Governo a criar uma lei que regule os documentos do Governo que sejam classificados como secretos, bem como processos judiciais e publicações daAdministração. O deputado admite que teve a ideia ao ver uma notícia da TDM, onde o director do Gabinete de Comunicação Social (GCS), Vítor Chan, disse que “nem todos os documentos do Governo com carimbo de confidencial são de acesso proibido aos jornalistas e, se os departamentos do Governo se recusarem a oferecer as informações não dando uma razão, os jornalistas podem fazer queixa”. Mak Soi Kun aponta que, desde a transição, Macau nunca fez uma lei para regular o sistema de sigilo e que, por isso, especialistas

ou académicos costumam carimbar “confidencial” em documentos considerados por si sensíveis, o que é inconveniente para o trabalho do Governo e para a publicação das informações. “A sociedade tem sempre dúvidas sobre se os cargos principais têm demasiados direitos para classificar as informações como confidenciais e isso aumenta o risco dos jornalistas poderem violar a lei, impedindo-os de relatarem o que poderiam ser assuntos de interesse público.” Mak Soi Kun perguntou se o Governo considera resolver esta situação de falta de regulamento da lei de sigilo num prazo curto. “Se o Governo não vai fazer a lei, que razão tem?” O deputado recomenda o Governo a ter como referência as leis do sigilo da China continental. – C.L.


política 3

hoje macau sexta-feira 25.10.2013

ADVOGADOS BASTONÁRIO MARINHO E PINTO VAI ESTAR EM MACAU

AAM e OA podem debater protocolo suspenso O protocolo sobre o intercâmbio de advogados, assinado entre a Associação dos Advogados e a Ordem dos Advogados em Portugal, poderá ser debatido à margem do próximo congresso da União Internacional dos Advogados em Macau, defendeu João Miguel Barros ao HM

a tentar trazer o congresso para cá porque a UIA não tinha uma grande tradição de implementação na China. Servirá para a UIA estender a sua influência em termos profissionais à China, e os advogados chineses também estão muito receptivos a esta aproximação de advogados a outras culturas.”

CORRUPÇÃO EM DEBATE

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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situação de suspensão do protocolo de intercâmbio de advogados entre Portugal e Macau poderá ser novamente debatida entre António Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados (OA) em Portugal, e Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM), por ocasião da realização do 57.º Congresso da União Internacional dos Advogados (UIA). A ideia foi defendida pelo advogado João Miguel Barros, um dos oradores principais do congresso. Marinho e Pinto vai estar presente, confirmou o HM junto do próprio Conselho Geral da OA. “Será talvez uma oportunidade para ele [Marinho e Pinto] e o doutor Neto Valente falarem e verem o que vão conseguir relativamente ao futuro. Mas a situação tem de ser tratada à margem do congresso”, disse João Miguel Barros ao HM. Na opinião do causídico, trata-se de um problema “exclusivamente bilateral entre as duas ordens profissionais”. “Esse protocolo com a OA existiu num determinado contexto histórico e eu consigo perceber porque é que a AAM tomou essa decisão [da suspensão]. Percebo o contexto e percebo que é necessário arranjar soluções que façam com que haja aqui alguma regulação. Se não, às tantas, Macau que já tem, penso

eu, advogados a mais, e com esta vinda em massa de advogados portugueses era capaz de ser muito complicado. Mas não vejo que este congresso tenha nada a ver com essa situação.” O HM tentou ontem, por duas vezes, entrar em contacto com Neto Valente, que vai presidir ao congresso, mas não conseguiu obter nenhuma reacção até ao fecho da edição.

APROXIMAR CONGRESSO À CHINA

O congresso da UIA começa já no próximo dia 31 e prolonga-

-se até ao dia 4 de Novembro. São esperados mais de mil profissionais da área do Direito em Macau. Para além de Marinho e Pinto, Jorge Neto Valente e João Miguel Barros, vão estar presentes advogados de Portugal, como é o caso de Gonçalo dos Reis Martins, Tiago Marreiros Moreira, Pedro Rebelo de Sousa, Pedro Pais de Almeida e José Ferreira de Almeida. Acácio Pinto Negrão, da PLEN – Sociedade de Advogados, também estará presente. Na opinião de João Miguel Barros, que já foi dirigente da

UIA, trata-se de um “dos encontros mais importantes no calendário internacional” na área jurídica. A realizar-se pela primeira vez em Macau, este congresso representa “uma grande oportunidade porque é um encontro de advogados de dezenas de países para discutir um conjunto de temas muito importantes”. “Há encontros de advogados, há temas principais, e depois há os temas de especialidade.” João Miguel Barros garante que este será o resultado de uma “luta interessante”. “Andávamos

O tema principal do congresso será a “Corrupção e o Advogado”, onde João Miguel Barros será um dos oradores. Sobre o tema, aponta que “o advogado tem de ser um combatente intransigente da corrupção e das práticas corruptivas.” “Não pode haver dúvidas nenhumas sobre isso, a corrupção é um mal para a sociedade, destrói as relações de confiança e é um ónus para as actividades económicas. Não é tolerável nas sociedades modernas que existam práticas de corrupção permitidas pelas entidades.” Advogado de defesa de Pedro Chiang no caso Ao Man Long, João Miguel Barros frisa que, neste tipo de casos, os “advogados não podem compactuar com os órgãos de policia criminal”, referido o caso do ex-secretário das Obras Públicas como “um excelente exemplo de más práticas judiciárias no combate à corrupção”. “Para combater a corrupção ou em nome de uma moralidade no combate, possam cometer atropelos às leis ou a violar princípios fundamentais do Estado de Direito. O advogado tem uma posição importante de manutenção dos direitos fundamentais.”

Chui Tak Kei morreu há seis anos

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EZ ontem seis anos que morreu Chui Tak Kei, um dos mais carismáticos líderes da comunidade chinesa de Macau e antigo vice-presidente da Assembleia Legislativa. Chui Tak Kei, que faleceu aos 96 anos, era natural de Macau, onde nasceu em Julho de 1911. Foi empresário e director da Companhia de Desenvolvimento Dong Tin, tendo-se destacado pela sua actividade cívica e política no território durante a Administração Portuguesa. Politicamente, o cargo

mais relevante que Chui Tak Kei ocupou foi o de vice-presidente da Assembleia Legislativa de Macau entre 1976 e 1988, tendo sido substituído por Edmund Ho. Integrou também o Conselho Consultivo da Fundação Oriente, desempenhou funções no Leal Senado de Macau, dominava a língua portuguesa e era conhecido pelas suas fortes ligações a Portugal. Membro da Comissão Preparatória da Região Administrativa Especial de Macau e da Comissão

de Selecção que elegeu o primeiro Chefe do Executivo, da Comissão de Redacção da Lei Básica e director da Associação Promotora da Lei Básica,

foi ainda vice-presidente da Associação Comercial e da Câmara do Comércio de Macau e presidente da Associação de Beneficência Tong Sin Tong.

Pela influência que teve na vida política e empresarial de Macau foi condecorado pela Administração Portuguesa com medalhas de Mérito Filantrópico e Cultural e a Comenda da Ordem do Mérito e de Grande Oficial da Ordem do Mérito. No início de 2007, ano em que morreu, Chui Tak Kei recebeu a Medalha de Honra Lótus de Ouro das mãos de Edmund Ho, a mais alta condecoração concedida pelo Chefe do Executivo de Macau por ocasião das celebrações do estabelecimento da Região Administrativa Especial que se assinala a 20 de Dezembro.


4 política

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PEREIRA COUTINHO PEDE AO GOVERNO MEDIDAS PARA AUMENTAR A PARTICIPAÇÃO CÍVICA

Jovens mais activos na política TIAGO ALCÂNTARA

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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O ano em que se celebra o 20.º aniversário da promulgação da Lei Básica, os jovens mantêm-se alheados da política. E pouco ou nada se interessam pela participação cívica. Esta é a opinião do deputado Pereira Coutinho que pede políticas claras - a curto, médio e longo prazo - para aumentar essa participação cívica activa dos jovens. “Vai o Governo implementar medidas eficazes para melhorar a qualidade do ensino, discussão e intercâmbio no âmbito cívico e político dos residentes de Macau, principalmente junto dos jovens?”, questionou Coutinho, numa interpelação escrita enviada ontem ao Executivo. No entender do deputado, o desenvolvimento bem sucedido de Macau está directamente relaciona-

Projecto de lei sobre violência vai ser entregue no início da nova legislatura

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S vítimas de violência doméstica têm de ser protegidas através de uma alteração à lei. A posição é defendida por Pereira Coutinho que, afiança, irá apresentar novamente o projecto de lei para a criminalização deste tipo de agressões que viu chumbado em larga maioria na anterior legislatura. “Não chega só a prevenção sem uma medida que faça com que as pessoas se retraiam de usar a força para atingir os seus objectivos. É importante que a lei seja alterada. Essas condutas são permissivas e as vítimas não têm defesa

porque são o sexo mais fraco. Achamos que é urgente que a Assembleia assuma responsabilidade, estou extremamente contente porque há mais deputadas e isto é importante porque creio que em princípio elas vão apoiar esse projecto”, disse Pereira Coutinho, em declarações à Rádio Macau. O também presidente da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau [ATFPM] indica ainda que tem recebido queixas de vítimas de violência doméstica. “[Recebemos dois casos sobre violência doméstica. Um dos casos está relacionado com uma senhora com três filhos, tendo a mais nova apenas 14 anos. O marido, entretanto, anda com alguns copos e pediu o divórcio mas como ela não dá resposta está sujeita a levar tareia, e tem estado a levar repetidamente tareia, apresentando várias queixas na polícia”.

Wong Kit Cheng quer “mais transparência” na transferência de tratamento de menina cega

A deputada Wong Kit Cheng pegou no exemplo do caso polémico da menina cega, Choi Ka Ka, para pedir ao Governo que melhore a “transparência” na aprovação de tratamento transferido. A enfermeira-chefe do hospital Kiang Wu acusou de ser usado o mecanismo de transferência de tratamentos para outros hospitais, no exterior, há muitos anos, apesar da falta de transparência. Os residentes sabem pouco sobre o processo. É fácil haver mal entendimento entre paciente e médico. Wong Kit Cheng insta o Governo a contar os processos de tratamento transferido, bem como as razões de aprovação.

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presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, vai participar na Cimeira União Europeia-China, em Pequim, a 21 de Novembro, e visita depois Hong Kong e Macau, disseram à agência Lusa fontes oficiais. Fonte da Câmara de Comércio da União Europeia na China confirmou à Lusa que Durão Barroso vai participar na Cimeira União Europeia-China no dia 21 de Novembro e, segundo fonte do Gabinete da União Europeia para Hong Kong e Macau, irá depois visitar estas Regiões Administrativas Especiais. De acordo com o programa provisório da sua visita disponibilizado à Lusa pelo gabinete, Durão Barroso deverá ter um encontro em Hong Kong com o chefe do executivo local, CY Leung, no dia 22 ou 23 de Novembro. No dia 23, o presidente da Comissão Europeia estará em Macau, onde vai participar, durante a manhã, num evento para assinalar o 20.º aniversário do Acordo de Comércio e Cooperação União Europeia-Macau, durante o qual proferirá um discurso, a par do chefe do executivo da Região Administrativa Especial chinesa, Fernando Chui Sai On Está ainda agendado um

do com “o sentido da cidadania, da qualidade do ensino cívico e político ministrado nas escolas secundárias e universitárias habilitando os jovens com os conhecimentos mínimos necessários para o exercício de uma cidadania verdadeiramente activa, crítica, consciente, autónoma e responsável”. Até porque, “a qualidade educativa ao nível cívico e político resulta na aceitação pelos jovens das suas obrigações eleitorais”. “Durante o período eleitoral para eleição dos deputados eleitos pela via directa, era notório e visível, o alheamento dos jovens às questões políticas em parte devido às actuais deficiências no ensino nas referidas matérias”, criticou. “Nos últimos 13 anos, o Governo tem estado muito alheado e desinteressado na promoção, divulgação e ensino cívico e político aos jovens e à população em geral”, reprovou o deputado.

DURÃO BARROSO VAI À CIMEIRA UE-CHINA EM PEQUIM E VISITA MACAU E HONG KONG

Operação de charme encontro com Chui Sai On, seguido de almoço e depois uma conferência de imprensa. Na tarde do mesmo dia, Durão Barroso vai assistir ao lançamento da Câmara de Comércio União Europeia-Macau, terá depois um encontro com a imprensa e terminará a sua visita com um passeio pelo centro histórico do território, que foi administrado pelos portugueses por mais de quatro séculos, e com

um encontro com as comunidades europeia, portuguesa e macaense. Nos primeiros oito meses do ano, as exportações europeias para a China mantiveram-se estáveis face ao ano passado, ascendendo a 96,8 mil milhões de euros. Já as importações da União Europeia a partir da China caíram 5,8% para 181,2 mil milhões de euros, de acordo com os dados da Comissão Europeia. O comércio bilateral União Europeia-China de mercadorias aumentou de quatro mil milhões de euros em 1978 para 432 mil milhões de euros em 2012. No ano passado, as exportações europeias para a China, a segunda economia mundial, aumentaram 5,6% para um recorde de 143,9 mil milhões de euros e mais do que duplicaram nos últimos cinco anos. A União Europeia é também o principal destino de exportação de mercadorias da China, cujo volume atingiu 289,7 mil milhões de euros em 2012. - Lusa


SOCIEDADE

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ACADÉMICO SUGERE MUDANÇAS NOS SERVIÇOS PRESTADOS PELOS CENTROS COMUNITÁRIOS

“Envelhecimento dos edifícios é inevitável” Os centros comunitários deveriam mudar as suas estratégias futuras no que diz respeito aos serviços prestados à sociedade. Quem o diz é um académico do IPM, que sugere que estes centros – por estarem mais perto da população - prestem mais atenção aos problemas de envelhecimento dos edifícios

ANÁLISE SOBRE IDADE DOS EDIFÍCIOS MACAU – 12862 edifícios *44,5% com 12 anos *28,1% com 13 a 22 anos * 27,2% com 23 anos ou mais TAIPA – 3317 edifícios *52,4% com 12 anos *46,3% com 13 a 22 anos *1,23% com 23 anos ou mais COLOANE – cerca de 997 edifícios *92,4% com 12 anos *7,5% com 13 a 22 anos *desconhece-se quantos têm 23 anos ou mais

CONSEGUIR SERVIR BEM A POPULAÇAO Em média, cada centro comunitário de Macau precisa de servir mais de 43 mil pessoas. Há apenas 14 centros, de acordo com o IAS, mas nenhum novo desde 2007, pelo que Yiu Ying Chee aponta que seria necessário não só mais centros, como também centros com mais áreas diversificadas de serviços

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

envelhecimento dos edifícios é inevitável, mas arrasta consigo vários problemas comunitários. E se houvesse uma entidade externa ao Governo responsável em dar assistência a este facto? Yiu Ying Chee, professor da área de Serviços Sociais do Instituto Politécnico de Macau (IPM) deixa esta sugestão num artigo sobre o tema, publicado numa das Revistas da Administração deste ano. O académico refere mesmo que, apesar de o Governo prestar serviços comunitários desde há muito tempo, esses também enfrentam mudanças, pelo que deveriam reconsiderar a sua orientação. “Os centros comunitários concentram-se principalmente em serviços prestados na promoção da febre da Dengue, nas segurança rodoviária e na educação nacional, bem como em serviços domiciliários. Recentemente, serviços comunitários como a prestação de serviços a idosos, de reabilitação e familiares tornaram-se populares e são muito apreciados, mas existe a falta de ajuda profissional relativamente aos problemas da construção”, começa por explicar Yiu Ying Chee. Apesar de admitir que o Instituto de Habitação (IH) é quem tem o

dever de tratar do envelhecimento dos edifícios, o académico considera que os centros comunitários podem travar uma relação com os moradores, reconhecendo os seus problemas relativos à habitação e antecipando até situações mais graves. “Esses problemas [dos prédios] podem ser reduzidos se foram antecipadamente ordenados e de forma sistemática e isso é realmente trabalho de serviço comunitário.”

centros comunitários que existem em Macau possam ajudar nestes problemas? Segundo Yiu Ying Chee, os padrões por que se regem esses centros comunitários. “A abordagem do trabalho social já mudou os serviços de apoio concedido, mas (...) deve-se considerar gradualmente a orientação dos seus serviços e estratégias, no modo de como ajudar os moradores a resolver os problemas com edifícios. Presentemente, só prevalece

o modo de pensar dos problemas de parte da comunidade.” Os centros comunitários deveriam ainda servir como uma terceira parte para equilibrar conflitos e gerir mal-entendidos entre proprietários e condóminos, porque, além dos problemas do envelhecimento, há ainda crise face aos preços dos imóveis, à sua manutenção obrigatória e aos conflitos entre proprietários e moradores. Este último é um caso comum, uma vez que é raro que

MUDANÇAS DE PARADIGMA

A ideia de Yiu Ying Chee é clara: a preocupação sobre as condições de degradação dos edifícios na comunidade deveria ser, no futuro, a chave principal dos serviços comunitários, uma vez que os centros que se localizam mais perto dos moradores, conseguindo mais facilmente fornecer determinados serviços. “O problema de envelhecimento dos edifícios não pode ser ignorado e o problema com a habitação pode derivar de vários tipos de litígios”, explica o académico. Mas, então, o que precisa de ser feito para que cerca dos 14

Os centros comunitários concentram-se principalmente em serviços prestados na promoção da febre da Dengue, nas segurança rodoviária e na educação nacional, bem como em serviços domiciliários. Recentemente, serviços comunitários como a prestação de serviços a idosos, de reabilitação e familiares tornaram-se populares e são muito apreciados, mas existe a falta de ajuda profissional relativamente aos problemas da construção YIU YING CHEE Académico do IPM

haja entendimento sobre quem tem o dever de manter o bom estado do edifício. De acordo com o IH, 83,3% da população vive em habitações privadas, ou seja que precisam de ser reparadas e geridas voluntariamente. Os centros comunitários poderiam intervir, até porque, relembra o académico, os problemas com edifícios velhos não afecta apenas quem aí mora, mas também quem habita nas redondezas. “Tradicionalmente, estes seriam problemas que deveriam ser tratados pelo IH ou pelas Obras Públicas, mas os problemas com os edifícios antigos devem ser considerados problemas sociais e deve ser possível, por isso, oferecer serviços comunitários especializados.” Na sugestão deixada pelo professor do IPM, há apenas um problema: os centros comunitários não conseguem obter reconhecimento e aceitação, a menos que tenham uma estrutura profissional. O Governo tem aqui um papel, mas, para Yiu Ying Chee, também “as estratégias futuras dos centros comunitários deveriam ser a de olhar para uma estrutura mais profissional.”


6 sociedade

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GOVERNO INVESTE MAIS DE 200 MIL PATACAS PARA ACTIVIDADES DE APRENDIZAGEM

Conhecimento não tem idades RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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ACAU abre mais uma vez portas à “Semana de Aprendizagem Contínua” este Domingo, na Praça da Amizade, pelas 16 horas. Nesta 11.ª edição do programa, até 2 de Novembro, as actividades são direccionadas a crianças, jovens, adultos e, sobretudo, idosos. Mas a Administração vai proporcionar visitas guiadas a bibliotecas, workshops de linguagem gestual, palestras de literatura, observação de aves, cursos de

artesanato até Dezembro. As três instituições governamentais - Instituto Cultural (IC), Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ)

INSTITUTO CULTURAL PÕE “BIBLIOTECA” DISPONÍVEL ONLINE A “Plataforma de Leitura Online” é um dos mais recentes programas do Instituto Cultural (IC). Através desta aplicação, disponível através do telemóvel ou tablet, fica acessível uma base de dados da Biblioteca Central de Macau. O IC também disponibiliza cursos informáticos - incluindo utilização de Word, Excel e Powerpoint 2007 - na biblioteca. Para crianças, serão realizadas actividades para contar histórias infantis e workshops de artesanatos de caderno e estojo de pano, com a duração de três anos. Haverá ainda actividades realizadas em duas sessões, de manhã e de tarde, a partir da Biblioteca Sir Robert Ho Tung, a Biblioteca do Patane, a Biblioteca do Mercado Vermelho, a Biblioteca da Taipa, a Biblioteca de Coloane até ao edifício do antigo da Tribunal, na Praia Grande.

- endereçaram mais de 215 mil patacas para as diversas actividades. “Há cerca de 100 actividades e para cada há cerca de 25 a 30 vagas disponibilizadas, dependendo do número de participações”, explicou Cheong Kuai San, director do Centro de Educação Permanente da DSEJ, numa conferência de imprensa ontem à tarde. “Houve cerca de 3000 pessoas que participaram na Semana de Aprendizagem Contínua do ano passado. Levámos em consideração as necessidades de vários cidadãos e são criadas cada vez mais actividades e chamadas mais instituições e associações a participar”, salienta, sendo antevista a mesma participação para este ano. A Semana de Aprendizagem Contínua 2013 tem em considera-

ção, sobretudo, o “a educação para idosos, portanto há mais este tipo de cursos”. Por exemplo, a Associação de Educação Permanente de Macau só este ano já organizou 16 actividades e cursos culturais

LINGUAGEM GESTUAL PARA “DAR CUIDADOS A DEFICIENTES AUDITIVOS” O IACM realizará nos dias 16 e 23 de Novembro um workshop de aprendizagem da língua gestual “para dar cuidados aos deficientes auditivos, dando-lhes oportunidades de aprendizagem”, explica Loi Chi Pang, chefe da divisão de instalações culturais dos serviços culturais e recreativos do IACM. No dia 15 de Dezembro, o Fórum de Carmo receberá uma palestra de literatura, na qual estará presente o dramaturgo famoso de Hong Kong, Tou Kuok Wai. No dia 19 de Novembro, organizará pelas 9h30 uma “Visita cultural às ruas velhas de Macau” para conhecer “a singularidade da história e cultura luso-chinesas e para visitar a Taipa e Coloane”.

FDCT DEU MAIS DE 20 MILHÕES À MUST E UMAC, ENTRE JULHO E SETEMBRO

Investimento científico decresce O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) garantiu mais de 23,800 milhões de patacas a diversos projectos, entre os quais, alguns enquadrados em programas de ensino. O apoio financeiro, referente ao terceiro trimestre deste ano, garantiu mais de 20 milhões de patacas a projectos desenvolvidos pela Universidade de Macau (UMAC) e pela Fundação da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na língua inglesa). Os dados foram disponibilizados na passada quarta-feira em Boletim Oficial. A MUST arrecadou 10,4 milhões de patacas para 10 projectos, um pouco mais do que o montante alcançado pela UMAC, que investiu em 17 projectos. A MUST conseguiu ainda mais 290 mil patacas para um programa de ensino. Pouco mais, cerca de 250 mil patacas, foi subsidiado a outros projectos das ciências e da tecnologia. Ainda assim, os montantes

e artísticos (cursos de mosaico, xadrez, mandariam, computador, design interior) bem como de entretenimento e saúde (ginástica, artes marciais, exercícios respiratórios, curso electrónico e engenharia eléctrica), todos estes com possibilidade de subsídios para materiais, a residentes maiores de 55 anos, além de fazerem parte do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo, que disponibiliza 5000 patacas a cada participante. Outra actividade, ao abrigo desta semana, é um peddy-paper por roteiros do património, que se realiza no domingo, dia 27, para maiores de 16 anos, cujo primeiro prémio é de 10 mil patacas em cupões de viagens dos Serviços de Turismo. As inscrições podem ser feitas até hoje na página on-line da DSEJ. As livrarias vão ter programas de desconto e as instituições de ensino vão baixa os preços nas inscrições em cursos.

atribuídos foram inferiores aos do mesmo trimestre do ano passado. Entre Julho e Setembro de 2012, foram distribuídos 32 milhões de patacas a projectos científicos e tecnológicos. A UMAC, à data a entidade receptora de maior apoio financeiro, recebeu 19 milhões de patacas para apenas 11 projectos. A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa) foi a segunda a receber mais financiamento: quase 7,5 milhões de patacas para cinco projectos. Para projectos curriculares, o apoio financeiro atribuído pelo FDCT não alcançou os 4 milhões de patacas, e incentivo a mais de 80 projectos nas áreas de ciência e tecnologia de 22 estabelecimentos de ensino superior e, sobretudo, não superior. Escola Kao Yip foi a instituição com maiores apoios mas também mais projectos, num total de mais de 780 mil patacas. - R.M.R.

RAEM recebeu 21,9 milhões de visitantes até Setembro

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ACAU recebeu 21,9 milhões de visitantes entre Janeiro e Setembro, mais 5% do que no período homólogo do ano passado, segundo dados oficiais ontem divulgados. De acordo com os dados dos Serviços de Estatística e Censos, a Região Administrativa Especial chinesa acolheu só no terceiro trimestre 7,76 milhões de visitantes e 2,33 milhões só no mês de Setembro, o que corresponde a acréscimos de 6,6% e 7,9%, respectivamente, face ao mesmo período de 2012. Em Setembro, 50,5% ou 1,17 milhões dos 2,33 milhões de visitantes que Macau recebeu eram excursionistas e a maior parte (1,5 milhões) era originária do interior da China, nomeadamente da

província vizinha de Guangdong (585.027). As chegadas de visitantes provenientes da China continental registaram em Setembro um aumento de 19,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, a par do mercado da Coreia, que teve um acréscimo de 15,9% para 37.776 visitantes. Já as chegadas de visitantes de Hong Kong (523.105), Taiwan (91.714) e do Japão (25.516) caíram 10%, 5,6% e 27,7%, respectivamente. De países mais distantes, as chegadas do Reino Unido (4.804) aumentaram 3,6%, enquanto as dos Estados Unidos (12.926), daAustrália (9.634) e do Canadá (5.379) caíram 5,6%, 4,8% e 14%, respectivamente. Durante o mês de Setembro, os visitantes permaneceram em Macau por um período médio de um dia e os turistas hospedaram-se por um período médio de 1,9 dias, enquanto o dos excursionistas foi de 0,2 dias.


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GOVERNO DIZ QUE AUMENTO É DEMASIADO

Taxistas querem bandeirada nas 18 patacas Três associações do sector reuniram com a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego para pedir um aumento da tarifa de serviço. Wong Wan diz que ainda não há data para isso acontecer CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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Governo esteve ontem reunido com a Associação Mútuo de Condutores de Táxi de Macau (AMCTM), União Geral de Condutores de Táxi de Macau (UGCTM) e Associação Mútuo de Condutores Femininos de Táxi de Macau (AMCFTM) por forma a debater o aumento do valor mínimo da bandeirada, que actualmente se cifra nas 15 patacas. A proposta é de aumento de três patacas, valor que, segundo o porta-voz das três associações, poderia cobrir o aumento dos custos

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com operação e manutenção dos táxis. Contudo, Wong Wan, director da DSAT, disse que o aumento de 20% é “um pouco alto”. “Já antes ouvi que existe essa vontade de aumentar as tarifas, mas a proposta que foi entregue foi a primeira que recebi. Vamos agora ter em consideração diversos elementos, como a inflação, a aceitação do público e as opiniões das outras associações. Mas ainda não há um calendário para a aprovação da proposta.” Outro dos requisitos inclui o aumento do preço de 1,5 para duas patacas a cada 230 metros percorridos pelo táxi e também para cada 60 segundos de espera.

Quanto ao preço do transporte da bagagem deverá manter-se igual, três patacas por mala. Wong Wan defendeu que o aumento tem de ter em conta a qualidade do serviço e as avaliações do cidadãos ao actual serviço de táxi, mas não revelou se existe esse mecanismo de avaliação. O director da DSAT disse será

melhor o Conselho Consultivo do Trânsito fazer esse trabalho. “Como eu sou conhecido, oferecem-me sempre um bom serviço”, disse.

COMENTÁRIOS “INJUSTOS”

Kuok Leong Son, presidente da AMCTM e também membro do conselho consultivo, disse que os diversos comentários sobre o mau

serviço prestado pelos taxistas não são “justos”. “Os condutores que se recusam a transportar os passageiros ou os que aumentam os preços de forma descontrolada são cerca de 10%. Quem diz que metade viola as regras não está a ser justo.” O responsável lembrou que a última proposta entregue para a actualização das tarifas data de 2011 e que, desde então, o Governo ainda não fez qualquer aprovação. “O preço de renda mensal do carro é de 20 mil patacas. Muitos taxistas fizeram negócios especiais, mas se o dono do táxi souber que o motorista ganha muito, os preços são ainda mais altos. Quando as tarifas forem aumentadas, os preços também vão subir.” Adicionando os custos do combustível e os preços com oficina e reparações, a factura ascende às 40 mil patacas. Desde que as tarifas foram actualizadas de 13 para 15 patacas, em 2012, que o preço do arrendamento de um táxi aumentou cerca de 10%.


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CHINA

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China e a Índia assinaram um acordo para incentivar reuniões entre seus militares e evitar conflitos na fronteira dos Himalaias. A medida de cooperação foi anunciada depois de uma reunião em Pequim entre o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh. Os dois lados concordaram em incentivar as comunicações sobre as operações fronteiriças e conduzir encontros periódicos com o objectivo de definir pontos de passagem, para além de fazer com que os soldados dos dois lados evitem provocações. Os dois líderes também concordaram que os agentes responsáveis pelas

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Á quatro anos atrás, quando foi inaugurada, a estação do serviço de comboios de alta velocidade em Changsha costumava estar quase deserta. Mas isto faz parte do passado. Actualmente, quase todos os comboios estão cheios, ainda que partam para as cidades de todo o país com intervalos de poucos minutos. Longas filas serpenteiam diante dos balcões de compra de bilhetes e um ambicioso programa de construção deve em breve quase duplicar o tamanho desta estação de 16 plataformas. Apenas cinco anos depois da inauguração do sistema chinês de comboios de alta velocidade, o resultado está à vista: os comboios transportam por mês o dobro de passageiros das companhias de aviação do país.

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PEQUIM E NOVA DELI ASSINAM ACORDO DE COOPERAÇÃO FRONTEIRIÇA

Atenuar tensões patrulhas na região não devem perseguir os oficiais do outro lado da fronteira em áreas disputadas. “Tenho certeza de que isto vai ajudar a manter a paz, a tranquilidade e a estabilidade nas nossas áreas da fronteira”, disse Li sobre o acordo. O primeiro-ministro chinês também afirmou que a reunião injectou uma nova “vitalidade” nas relações entre a China e a Índia.

Segundo Li, os dois lados concordaram ainda em conduzir, em breve, treinos anti-terrorismo conjuntos no sudoeste da China, fortalecer a cooperação internacional e em assuntos regionais, para além de trabalharem em conjunto na luta contra o terrorismo. Um outro acordo assinado pelos países permite que um centro de serviço de equipamentos

de energia da China opere na Índia. Li também afirmou que a China está pronta para ajudar a Índia na construção de uma linha de caminho de ferro. Os dois lados estão a explorar um corredor comercial, disse Singh, que expressou alguma preocupação sobre a “balança comercial insustentável” dos países. As relações entre a China e a Índia tem sido prejudicadas pela disputa sobre as fronteiras. A China reivindica cerca de 90 mil quilómetros quadrados do Estado indiano de Arunachal Pradesh. Já a Índia alega que a China está a ocupar 38 mil quilómetros quadrados no planalto Aksai Chin na zona oeste dos Himalaias. Dezenas de rondas de negocia-

ções fracassaram para resolver a questão e os dois lados tiveram um conflito este ano. A Índia disse que os soldados chineses conduziram operações em território indiano dentro da Linha de Controle Real na fronteira dos Himalaias em Maio. Contudo a China negou ter invadido a região. Os dois gigantes enfrentam também outras tensões. A China é uma aliada de longa data e fornecedora de armas do Paquistão, rival da Índia, e tem intensificado laços com o Nepal, Bangladesh e Sri Lanka, alimentando os temores de indianos de um cerco. A China, entretanto, segue de forma cautelosa o fortalecimento dos laços da Índia com os Estados Unidos.

COMBOIOS DE ALTA VELOCIDADE COM O DOBRO DE PASSAGEIROS DAS COMPANHIAS AÉREAS

Ultrapassagem surpreendente Com o tráfego a crescer 28% ao ano já há algum tempo, a rede ferroviária de alta velocidade da China

no início do ano que vem, transportará mais passageiros por mês do que os 54 milhões transportados

pelas companhias de aviação norte-americanas em voos domésticos. Li Xiaohung, operária numa fábrica de sapatos, faz o percurso de 690 quilómetros entre Guangzhou, onde vive, e Changsha, onde mora a filha, uma vez por mês. Li costumava ver a filha apenas uma vez por ano, porque a viagem durava um dia inteiro. Agora, faz o percurso em apenas duas horas e 19 minutos. O sistema de comboios de alta velocidade chinês tornou-se numa inesperada história de sucesso. Especialistas em transportes e economistas mencionam-no como um dos

motivos para o crescimento continuado da China ao contrário de outras economias em desenvolvimento. Mas isto não deixa de ter os seus custos: alto endividamento, muita gente desapropriada e um acidente fatal. O julgamento de dois antigos funcionários de primeiro escalão do Ministério dos Caminhos de Ferro, acusados de corrupção, algumas semanas atrás, revelou aspectos desfavoráveis da concorrência que decidiu sobre a concessão das linhas ferroviárias.

MAIS PRODUTIVOS

As linhas ferroviárias de alta velocidade sem dúvida

que transformaram o país, muitas vezes de forma inesperada. Um estudo do Banco Mundial revelou que as cidades ligadas às linhas de alta velocidade (actualmente mais de cem) tendem a apresentar um maior crescimento na produtividade dos trabalhadores. O avanço da produtividade ocorre quando as empresas se encontram a poucas horas de viagem de dezenas de milhões de potenciais consumidores, funcionários e rivais. “Estamos a assistir a uma mudança na maneira como as empresas fazem o negócios”, diz Gerald Ollivier, especialista do Banco Mundial.


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JOVEM RECEBE TRANSPLANTE DE FACE

Novo rosto vindo do peito U MA jovem de 17 anos da província de Fujian, no sudeste da China, recebeu um transplante completo de face, depois do novo rosto ter sido implantado no seu peito durante alguns meses para que se desenvolvesse. A rapariga, Xu Jianmei, moradora numa pequena aldeia de pescadores, ficou gravemente desfigurada num incêndio quando tinha cinco anos, no qual perdeu as pálpebras, o queixo e parte da orelha direita, informou esta quinta-feira a agência oficial chinesa, “Xinhua”. A menina não recebeu tratamento durante os primeiros anos devido à falta de recursos económicos dos seus pais. No ano passado, os médicos propuseram-lhe a criação de um novo rosto, formado a partir de tecido extraído da perna e que seria

implantado no tórax para que se desenvolvesse. “Primeiro extraímos o tecido da perna e o implantámo-lo no peito. Depois, inserimos um extensor de pele sob o tecido cutâneo onde foi implantado o tecido da perna, de maneira a que pudesse expandir-se e

produzir pele suficiente para um rosto novo”, declarou o cirurgião que realizou a operação, Jiang Chenghong. A última fase da operação cirúrgica foi concluída na segunda-feira, quando foi transplantado, com sucesso, o novo rosto em Xu.

PMI INDUSTRIAL PRELIMINAR SOBE EM OUTUBRO

Sinais de estabilidade R

OBUSTAS novas encomendas impulsionaram em Outubro a expansão mais rápida em sete meses do sector de manufactura da China, revelou uma pesquisa preliminar esta quinta-feira, acrescentando mais sinais de que o crescimento da economia está a estabilizar-se, ainda que uma forte recuperação seja ainda difícil de ser alcançada. O Índice dos Gerentes de Compra (PMI, na sigla em inglês) da China oferece algumas notícias positivas depois dos dados decepcionantes da exportação e do PMI industrial de Setembro que tinha exibido uma fraca procura doméstica. O PMI preliminar do Markit/HSBC ficou em 50,9 em Outubro face à leitura final de Setembro de 50,2, o melhor resultado em sete meses. Dez dos 11 sub-índices aumentaram. “A retoma do crescimento na China está a consolidar-se no quarto trimestre”, disse o economista do HSBC Qu Hongbin.

“É provável que esta dinâmica continue nos próximos meses, criando condições favoráveis à aceleração das reformas estruturais”, acrescentou. As novas encomendas subiram para 51,6, o nível mais alto em sete meses e

bem acima da linha de 50, a qual separa expansão de contracção. O PMI mostrou que as novas encomendas de exportação registaram uma leve alta, sugerindo uma estabilização na procura global, mas sem uma recuperação sólida.

Os médicos estimam que a operação deverá cicatrizar ao longo das próximas semanas. “Com o novo rosto, a rapariga poderá expressar-se de maneira mais precisa. Poderá inclusive ficar com a face avermelhada quando se emocionar”, garantiu Jiang que, no entanto, advertiu que “pode levar muito tempo” para se chegar a este ponto. O transplante de face em Xu aconteceu depois de, em Setembro, ter sido divulgado que um outro cidadão de Fujian, um homem, tinha recebido um nariz novo que cresceu durante meses na sua testa. Neste caso, o novo nariz do paciente foi formado de tecido extraído das suas costelas. Estes transplantes são ainda relativamente raros e, até ao momento, apenas dez foram realizados na China no total. PUB

Pequim não confirma visita de São Tomé e Príncipe

A China escusou-se ontem a confirmar a visita da ministra dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe, um dos poucos países que não tem relações diplomáticas com Pequim. “Neste momento não tenho nenhuma informação sobre o assunto”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, quando questionada pela agência Lusa acerca da anunciada viagem à China da chefe da diplomacia são-tomense, Natália Umbelina. Uma delegação oficial de São Tomé e Príncipe, chefiada pela ministra dos Negócios Estrangeiros, encontra-se na China para negociar um acordo comercial, disse na quarta-feira uma fonte governamental são-tomense.

Reservas cambiais aumentaram em média 300.000 milhões de patacas por mês As reservas cambiais da China aumentaram em média cerca de 300.000 milhões de patacas por mês desde o início do ano, somando cerca de 25 biliões de patacas, no final de Setembro, disse ontem a imprensa oficial. São as maiores reservas cambiais do mundo e mais de um terço daquele valor está investido em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Apesar das recentes preocupações acerca da liquidez do Governo norte-americano, a China continua a ser o maior credor dos Estados Unidos, referiu o jornal Global Times. “Enquanto a China continuar a ter as maiores reservas cambiais do mundo será difícil evitar o investimento nos títulos do Governo dos Estados Unidos”, disse um especialista chinês citado por aquele jornal.


ENTREVISTA

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FENÓMENO DE SUCESSO NO BRASIL POR TO

“A criatividad GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo

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ITA Tibes Han, ou Suzy Pianista, tem 32 anos e toca piano desde os sete. Formou-se em odontologia mas dedicou a vida toda à música, que chegou a leccionar em aulas particulares. Há alguns meses, teve uma ideia: tocar nua. E o sucesso apareceu de repente. Hoje é uma das pessoas mais assediadas pelos média brasileiros e até já deu entrevistas à comunicação social estrangeira. Prefere Chopin a Mozart e toca, sem mácula, o hino do seu Corinthians, entre muitas outras composições. Ao HM, reiterou, sem hipocrisias, que toca sem roupa, não só porque o “universo erudito precisa de inovar e resgatar o público perdido”, mas também pelo sucesso e Rita está em altas. Uma entrevista despida de preconceitos. Rita Tibes Han ou Suzy Pianista? Onde é que as duas personalidades se unem e se afastam? Suzy e Rita possuem algumas diferenças, mas são muito parecidas. Suzy é mais sexy, atrevida. A Rita é mais contida, controla o ímpeto da personagem.

O universo erudito precisa de inovar e resgatar o público perdido. Não é preciso os músicos fazerem exactamente o que eu fiz, tirar a roupa, mas incorporar elementos a mais num concerto pode ajudar a (re) conquistar um público cada vez mais ausente. Visto deste ponto, também foi uma forma de protesto

Porquê o nome Suzy Pianista? A Pianista Sexy precisava de um nome, mas não sabia qual. Ao pedir ajuda a um amigo meu, ele deu-me várias sugestões e uma delas foi Suzana. Mas Suzana não gostei e o que me veio à mente foi Suzy, que também tem a ver com uma boneca. Logo associei: “Suzy, a boneca japa” (risos) Como surgiu esta ideia de tocar nua ao piano? Já pensava em fazer algo diferente, não sabia exactamente o quê. Então, acabei por ter a ideia de tocar nua ao piano. Contudo, demorou um pouco até colocar o projecto em prática. A Rita diz que tocar nua é, entre outras coisas, uma forma de protestar a favor da música e das artes. Quer explicar? A música clássica e o instrumento clássico, tais como piano, violino, viola, estão em decadência. Isso é facto. Os estudantes que entram na faculdade de música e sonham em tornar-se pianistas de orquestra estão muito distantes da realidade, porque hoje o mercado está cada vez mais escasso. O universo erudito precisa de inovar e resgatar o público perdido. Não é preciso os músicos fazerem exactamente o que eu fiz, tirar a roupa, mas incorporar elementos a mais num concerto pode ajudar a (re)conquistar um público cada vez mais ausente. Visto deste ponto, também foi uma forma de protesto. Sente-se mais despida, literalmente, quando toca nua? Sinto-me mais despida, sim. E despida de falsos pudores e moralismos. Todo o Brasil já a conhece e o mundo está a conhecê-la aos poucos. Teme o sucesso? Não temo o sucesso e não me lembro de algo que me dê medo. Sempre ansiou ser famosa ou tudo isto aconteceu por acaso? Quem coloca os vídeos no Youtube quer ser famoso, senão não colocaria. Comigo não foi diferente e não vejo mal nenhum em admitir isso.


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OCAR PIANO NUA, RITA TIBES HAN FALA AO HM

de é inesgotável” Reparo que tem traços asiáticos e o seu nome Han não engana. É de origem chinesa? Sou de origem sul coreana. Essa origem é de pai ou de mãe? Alguma vez esteve na Coreia do Sul? A origem é paterna. Migraram da Coreia do Sul na geração do meu pai. E, infelizmente, nunca estive na Coreia. Já falou muitas vezes que foi gordinha e, por isso, começou a cultivar mais o seu corpo. É importante o culto do corpo? É importante o culto ao corpo, até um limite, como tudo na vida. A obsessão disso, já se torna patológica. Vivemos num mundo que dita os padrões de beleza e viver fora dela, faz muitas pessoas sentirem-se mal. Mas, para além de cultivar o corpo, o mais importante ainda é cultivar a mente. Naturalmente com um corpo invejável já devem ter surgido propostas para posar nua? Não fui e não irei atrás dessas revistas para posar nua, não faço questão. Caso me venham oferecer uma boa proposta, pode ser passível de análise. Mas repito: não faço questão, nunca foi meu sonho.

Infelizmente, o Brasil nunca será um país de primeiro mundo. Os países vizinhos emergentes estão a evoluir mais do que nós e, sinceramente, não sei o que possa esperar. Na verdade, é melhor não esperar nada para não me frustrar E projectos? Que tem em mente para os próximos tempos? Tenho grandes projectos para pôr em prática no próximo ano. Aguardem. Fala-se na criação de uma orquestra com pessoas nuas a tocar. É verdade? Sim, verdade. Na China, havia uma orquestra de chinesas que apresentavam-se nuas. Achei muito interessante a ideia porque não vi qualquer maldade ou vulgaridade. Seria uma polémica no Brasil e gosto de polémicas. Para quando uma imagem totalmente livre da sua nudez a tocar piano num concerto ao vivo? Se tudo der certo, espero que em breve. Estou ansiosa para que esse dia chegue.

Tem uma filha. O que diz a sua filha desta sua faceta? Minha filha estranhou inicialmente, mas hoje gosta muito e apoia-me. Vivemos num país de hipocrisia, mas nem todos são hipócritas. Já tocou o hino do Corinthians e do Flamengo. Qual é a sua equipa? Corinthians. Onde aprendeu a tocar piano? Acha que tem muito mais a aprender? Aprendi a tocar aos sete anos, numa escola de freiras. E, naturalmente, que temos sempre muito a aprender, até porque o estudo da música nunca cessa. Preocupa-a da sua nudez ter mais impacto do que o facto de tocar música? Isso já está a acontecer, é inevitável. Nunca ninguém fez algo igual. Quais os pontos positivos desta sua escolha? A desmistificação da nudez, a popularização do piano e da música clássica. Quem são as suas referências no mundo da música, seja ela clássica ou moderna? Dos clássicos gosto da Martha Argerich, Helena Grimaud, Lang Lang, Yundi Li. Dos populares gosto de Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Jobim, entre muitos outros. O que pretende fazer para que este seu sucesso não seja efémero e que daqui a uns meses já ninguém se lembre da Suzy Pianista? A criatividade é inesgotável. (risos) Não tenho limites. Só não vale praticar maldade aos outros, de resto, vale tudo.

Tem ideia de quantos fãs tem? Não, mas acho que são muitos. (risos) Tem dormido bem ou sente-se cansada? Está arrependida da opção que tomou? Durmo bem e acordo feliz. Nos primeiros dias arrependi-me mas depois passou. Hoje estou a curtir muito tudo isto. Quantos foram já os meios de comunicação social que quiseram ter um tempinho de antena consigo? Foram tantos. Todas as emissoras de canal aberto, praticamente. Ainda não contei, mas foram muitos. Quem é a Rita nos seus tempos privados, fora deste mundo da música, da nudez e do sucesso? Sou divertida, alegre, gosto das coisas simples da vida. Não tenho grandes luxos, mas também gosto. (risos) Sabe tocar mais algum instrumento para além do piano? Não Deu aulas de música mas depois acabou com isso. Pretende recomeçar? Não teme que os seus alunos, homens, possam ter algum tipo de pensamento erótico consigo? Pretendo recomeçar as aulas e se eles tiverem esse fetiche, vou fazer o quê? (risos) Para terminar, peço-lhe que faça uma breve apreciação do seu país, um país com diversos problemas sociais apesar do crescimento económico. Infelizmente, o Brasil nunca será um país de primeiro mundo. Os países vizinhos emergentes estão a evoluir mais do que nós e, sinceramente, não sei o que possa esperar. Na verdade, é melhor não esperar nada para não me frustrar.

GOSTOS NUM ÁPICE Praia ou montanha? Montanha Chico Buarque ou Caetano Veloso? Chico Buarque Daniela Mercury ou Ivete Sangalo? Ivete Sangalo Mozart ou Chopin? Chopin Amor ou paixão? Amor Futebol ou voleibol? Futebol Feijão ou arroz? Feijão Doce ou salgado? Doce Drummond de Andrade ou Jorge Amado? Drummond de Andrade Caipirinha ou cerveja? Cerveja Rio de Janeiro ou São Paulo? São Paulo Lula ou Dilma? Dilma Amazónia ou Foz do Iguaçu? Amazónia América ou Ásia? Ásia Tríades ou Tétrades? Tétrades


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VIDA

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Á anos que as Nações Unidas tentam convencer os governos do mundo a investir no combate ao aquecimento global - com os medíocres resultados que se conhecem. E se em vez desta abordagem “de cima para baixo”, a lógica fosse outra? Se fossem criadas entidades mais locais, com objectivos mais realistas - e que punissem os incumpridores? Num artigo recentemente publicado na revista Nature Communications, três cientistas portugueses testaram esta hipótese através de um “jogo” de computador. E concluem que um esquema “de baixo para cima” seria capaz de promover mais eficazmente a cooperação espontânea e generalizada de todos. O problema com o aquecimento global é que muitos países consideram que o risco de sobrevir uma catástrofe climática é ainda longínquo e até incerto. Por isso, mesmo perante as conclusões contundentes do último relatório divulgado em Setembro pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas - que conclui que o aquecimento global é um fenómeno real, que a culpa pelas alterações climáticas é nossa, que, lá para 2050, os efeitos das alterações climáticas poderão tornar-se definitivos - não se sentem obrigados a agir já. Jorge Pacheco e Francisco Santos, do Instituto para a Investigação Interdisciplinar da Universidade de Lisboa, já tinham desenvolvido um modelo matemático para simular a evolução da cooperação entre países num cenário como este, em que o “bem comum” está em causa. O “jogo” consistia em modelizar uma população e observar, ao longo do tempo, quantas das pessoas que no início não queriam cooperar mudavam de ideias e decidiam assinar um acordo para travar o aquecimento global. Os cientistas tinham concluído, em 2011, que as cimeiras do clima nunca conseguiriam fomentar a cooperação dos governos, propondo uma abordagem alternativa: que a discussão em matéria de alterações climáticas se desenrolasse ao nível regional e não mundial. Agora, juntamente com o seu colega Vítor Vasconcelos, quiseram ver se seria

APLICAR CASTIGOS PROMOVE COOPERAÇÃO ENTRE PAÍSES FACE ÀS ALTERAÇÕES DO CLIMA

É preciso sancionar

possível aplicar medidas concretas para promover essa cooperação internacional e salvar o planeta de nós próprios. Para isso, introduziram no modelo matemático - para além dos “cooperadores” (os que investem no bem comum) e dos “incumpridores” (os que se recusam a fazê-lo) do modelo anterior -, uma terceira população: a dos “castigadores”. Ou seja, pessoas que investem no combate ao aquecimento global e ao mesmo tempo financiam uma instituição encarregada de punir os incumpridores. “No novo estudo”, disse ao jornal Público Jorge Pacheco, “quisemos ver em que condições é que instituições capazes de punir os que não cumprem podem contribuir para resolver o problema do aquecimento global. E verificámos que as instituições à escala global, como a ONU, não servem para nada (ou para muito pouco)”. Porém, salienta o cientista, “as instituições locais, criadas por grupos de países (ou províncias, ou estados, ou regiões) para supervisionar o acordo a que chegaram [entre eles] e punir os que não o respeitem poderão ser muito mais eficientes e promover uma cooperação à escala global.”

PERCEPÇÃO DO RISCO POUCO AGUDA

De facto, quando simularam a evolução das três popula-

ções (cooperadores, incumpridores e castigadores), os cientistas constataram que, quando a percepção do risco

é pouco aguda e a consciência do perigo difusa - como é hoje o caso em relação às questões climáticas -,

as instituições locais são mais duradouras do que as globais, o que lhes permite continuar a exercer a sua autoridade. Numa primeira fase, mesmo quando a instituição que aplica as sanções é global, escrevem, “o número de castigadores ultrapassa rapidamente o de incumpridores, conduzindo a uma situação de total cooperação. Porém, uma vez esta situação instalada, o número de cooperadores ultrapassa por sua vez o de castigadores, que passam então a suportar uma estrutura que se tornou inútil.” E, na medida em que o risco de catástrofe não é visto como premente, o investimento necessário para manter a instituição supervisora global torna-se difícil de justificar e a instituição torna-se “instável”. Mas o mesmo já não acontece quando a entidade supervisora é de âmbito mais local, revela o modelo. Neste caso, lê-se ainda no artigo, a evolução da cooperação muda radicalmente e “a

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população estabiliza-se em configurações onde um substancial número de castigadores e de cooperadores consegue impedir uma invasão de incumpridores”, preservando, de forma mais sustentável, o nível de cooperação atingido. Num artigo na mesma revista, Alessandro Tavoni, da Escola de Economia de Londres, considera que os resultados são uma “boa notícia”. O mais importante, escreve, é que estes resultados mostram que “a ameaça de sanções ao nível nacional poderá estimular investimentos destinados a evitar as alterações climáticas catastróficas.” E conclui: “Para operar as transformações tecnológicas e comportamentais necessárias para evitar um aquecimento potencialmente catastrófico [do planeta], as acções unilaterais ao nível local irão desempenhar um papel crucial. Resta saber se a conjunção de todos estes esforços será suficiente para garantir que a linha de segurança climática não seja ultrapassada”.

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HM-2ªvez 25.10.2013 Acção Ordinária n.º

ANÚNCIO CV2-13-0071-CAO _____________________

ANÚNCIO

2º Juízo Cível

AUTORES: 1) LEI LAI KUN/李麗娟, viúva, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Rua do Almirante Costa Cabral, nº 136, Edf. Kuong Lei, Bloco I, 7º andar B; 2) LEE LAI SIM/李麗嬋, viúva, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Rua Francisco Xavier Pereira, nº 117, 3º andar D; 3) LE VENG CHEONG, de nacionalidade chinesa, casado com Kuong Wai Leng, de nacionalidade chinesa, no regime da comunhão de adquiridos, ambos residentes em Macau, na Avenida do Almirante Lacerda, nº 168, Edf. Venceslau de Morais, 14º andar F; 4) LEE CHUN, casado, de nacionalidade chinesa, casado com Ng Po Lin, de nacionalidade chinesa, no regime da comunhão de adquiridos, ambos residentes em Macau, na Travessa do Coelho do Amaral, nº 16, Edf. Camilo Pessanha, 8º andar F; 5) LEI LAI SEONG/李麗嫦, viúva, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Avenida de Venceslau de Morais, nº 194, Soi On Lau, 3º andar B; 6) CHAN LAI WAN/陳麗雲, viúva, de nacionalidade chinesa, residente em Hong Kong, 屯門良景邨良華樓1103室; 7) LEE KIT CHING/李潔貞, solteira, de nacionalidade chinesa, residente em Hong Kong, 屯門良景邨良華樓1103室; 8) LEE KIT MEI/李潔薇, solteira, de nacionalidade chinesa, residente em Hong Kong, 屯門良景邨良華樓1103室; 9) LEE SIU FAI/ 李兆輝, solteiro, de nacionalidade chinesa, residente em Hong Kong, 屯門良景邨良華樓1103室 ; 10) LEE KIT FONG/李潔芳, solteira, de nacionalidade chinesa, residente em Hong Kong, 屯門良景邨良華樓1103室 ; RÉUS: INTERESSADOS INCERTOS *** Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando os RÉUS INTERESSADOS INCERTOS, para no prazo de trinta (30) dias, decorrido que seja o dos éditos, contestarem , querendo, o pedido formulado na petição inicial nos mencionados autos, que resumidamente consistem que: Termos e nos mais de Direito, deve a presente acção ser julgada procedente por aprovada e, consequentemente, serem os Autores declarados, para todos os efeitos legais, nomeadamente de registo, legítimos proprietários e únicos titulares, na proporção e 1/6 para cada um dos 1.ª , 2.ª, 3.º, 4.º e 5.ª Autores, e 1/6 para os 6.ª, 7.ª, 8.ª, 9.ª e 10.ª. Autores conjuntamente, do prédio urbano sito em Macau, no Beco de Marques de Oliveira, nº 21, descrito na Conservatória do Registo Predial de Macau sob a descrição nº 10822, a fls. 55 do Livro B29, e inscrito sob o nº 8989, a fls. 128 verso do Livro G8, a favor de LU-SI, por o haverem adquirido por usucapião. Conforme tudo melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 2º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta secretaria nas horas normais de expediente, de que a falta da contestação, não implica o reconhecimento dos factos articulados pelos autores. E ainda é obrigatória a constituição de advogado – artº 74º do C.P.C.M. Macau, aos 8 de Outubro de 2013.

HM-2ªvez 25.10.2013 禁治產案

CV3-13-0193-CPE

AUTOS DE INTERDIÇÃO

第三民事法庭 3º Juízo Cível

REQUERENTE: O MINISTÉRIO PÚBLICO.---------------------REQUERIDA: HO IOK SAN, do sexo feminino, residente no Centro de Santa Margarita, sito na Rua de Tin Chon, Povoação de Cheok Ka, Taipa, Macau.--------------------------------------------------------***** FAZ SABER que foi distribuída neste Tribunal em 30 de Setembro de 2013, uma Acção de Interdição com o número acima indicado contra a Requerida HO IOK SAN, acima identificada para efeito de ser decretada a sua interdição por anomalia psíquica.- Macau, 9 de Outubro de 2013.


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CULTURA

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‘CHEF’ FAUSTO AIROLDI PREVÊ LANÇAR LIVRO SOBRE GASTRONOMIA MACAENSE

À procura do gosto genuíno O

‘chef’português Fausto Airoldi lançou esta quarta-feira em Macau, onde reside actualmente, o seu primeiro livro “Cozinha com identidade” e planeia lançar um segundo nos próximos dois anos dedicado à gastronomia macaense, disse à agência Lusa. “O próximo livro será dedicado aos sabores asiáticos. Estou a começar a estudar a cozinha macaense, tenho de passar por alguns ‘workshops’ para perceber o gosto macaense para o pôr depois em livro com uma visão mais contemporânea”, explicou à margem do lançamento de “Cozinha com identidade”. O objectivo deste ‘chef’ português é apresentar uma “leitura mais moderna” da cozinha macaense, mas fiel aos sabores originais. “O mundo mudou e a cozinha também tem de mudar, mas o importante para mim é tentar perceber qual é o gosto genuíno e, para isso, um amigo vai tentar encontrar umas senhoras macaenses para cozinharmos e eu perceber qual é a matriz do gosto e o que é realmente macaense”, indicou. O editor, Glover Barreto, disse à Lusa que este próximo trabalho de Fausto Airoldi será “editado em chinês” e posteriormente será também “traduzido para chinês o primeiro” livro de receitas do ‘chef’. “Cozinha com identidade”, uma obra bilingue (em português e inglês), foi lançada em Maio em Portugal e quarta-feira em Macau, mas o

A

Orquestra de Macau (OM), sob a égide do Instituto Cultural, foi convidada a participar no XV Festival Internacional de Artes de Xangai, deslocando-se à cidade chinesa e ainda a Wuxi entre os dias 23 e 28 de Outubro. A OM será dirigida pelo seu Director Artístico e Maestro Principal, Lü Jia, e acompanhada pela pianista Chen Sa, apresentando-se em concerto no Centro de Arte Oriental de Xangai e no Grande Teatro de Wuxi, informa o comunicado de imprensa da organização. A OM colabora ainda com um grupo de alunos da Universidade de Xangai no concerto “Campus”,

ORQUESTRA DE MACAU NO FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTES

O primeiro convite de Xangai dirigido pelo Maestro Assistente da OM, Francis Kan, na interpretação de duas conhecidas obras de Beethoven, a grandiosa Quinta Sinfonia e a poética Sexta Sinfonia “Pastoral”, aprofundando, assim, o intercâmbio entre as duas regiões, acrescenta a nota de imprensa. O Festival Internacional de Artes de Xangai é um evento cultural internacional organizado pelo

Ministério da Cultura da R.P.C. e realizado pelo Governo Municipal de Xangai. Esta é a primeira vez que a OM é convidada a participar

neste festival, apresentando três concertos sob a batuta seu Director Artístico e Maestro Principal, Lü Jia, nos quais irá interpretar In the Steppes of Central Asia de Alexander Borodin e a 6.a Sinfonia de Tchaikovsky “Pathétique”, bem como o Concerto para Piano e Orquestra n.o 2 de Sergei Rachmaninoff em colaboração com a pianista chinesa Chen Sa.

objectivo da GB Edições é distribuí-la pelos quatro cantos do mundo. “Antes mesmo do livro estar pronto, o objectivo era que ele corresse o mundo, porque a intenção é divulgar a gastronomia contemporânea portuguesa. Começámos na Europa, agora estamos na Ásia, onde vamos explorar o mercado, vamos a seguir para o Brasil, depois para África e Oceânia”, apontou Glover Barreto. “Cozinha com identidade”, com 13 capítulos e 64 receitas “bem portuguesas”, da açorda às migas e feijoadas, “pode-se encontrar 30 anos da carreira de Fausto Airoldi e a sua leitura da cozinha portuguesa”, disse o ‘chef’. “A minha perspectiva sempre foi que a nossa cozinha tem de evoluir, acho que ela é muito rica e se estagnar só no que se chama tradicional ou regional não vai evoluir muito”, sustentou, defendendo o respeito pela cozinha tradicional, mas com uma nova abordagem. O ‘chef’ Henrique Sá Pessoa, que está em Macau como convidado do Festival de Gastronomia e Vinhos do Clube Militar, fez quarta-feira a apresentação do livro no lançamento na Região Administrativa Especial chinesa, que teve lugar também no Clube Militar, já que assina o prefácio. “O Fausto é, sem dúvida, uma das maiores referências em termos de chefes profissionais e eu, sendo um chefe mais jovem, já há muitos anos que o vejo como uma referência e este livro é como se fosse uma espécie de um dicionário daquilo que a sua cozinha representa”, disse à Lusa, à margem do evento. Henrique Sá Pessoa considera que Fausto Airoldi é “bom cozinheiro e bom criativo”, destacando o papel que teve na profissionalização do trabalho dos cozinheiros, “que hoje já se chamam ‘chefs’”. “É o primeiro livro do Fausto e, portanto, é também especial, tem todo o tipo de receitas, simples e elaboradas, aborda todas as técnicas e é bom para profissionais e amadores”, concluiu. Fausto Airoldi mudou-se para Macau este verão para liderar o novo departamento de Pesquisa e Desenvolvimento na área de comidas e bebidas do empreendimento de jogo Galaxy, com 50 restaurantes e 2.250 quartos de hotel.


cultura 15

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I

SABEL de Borgonha, filha do Rei D. João I e de D. Filipa de Lencastre, tinha “um grande prazer em assumir e usar o poder”, afirmou Isabel Stilwell, autora de uma ficção sobre a princesa portuguesa. A obra, intitulada “Ínclita Geração – Isabel de Borgonha”, é um regresso da autora ao universo da dinastia de Avis, depois de “Filipa de Lencastre, a rainha que mudou Portugal”, que foi o seu primeiro romance, editado em 2007, e que vai na 28.ª edição. A ficção histórica “Ínclita Geração – Isabel de Borgonha”, de Stilwell, editada pela Esfera dos Livros, é apresentada na sexta-feira, pelo historiador Rui Ramos, em Lisboa. Em declarações à Lusa, a escritora afastou a possibilidade de escrever sobre os restantes elementos que constituem a “Ínclita Geração”, como lhe chamou Luís de Camões, e da qual fazem parte D. Duarte, que sucedeu ao pai, no trono, D. Pedro, D. Henrique e D. Fernando. “Nem todas

ISABEL DE BORGONHA TINHA “GRANDE PRAZER EM ASSUMIR E USAR O PODER”

Uma questão de geração estas personagens são como uma determinada História nos mostrou, e este meu livro repõe, um pouco, de forma acessível às pessoas, a verdade da Ínclita Geração, nas suas contradições como em todas as famílias”, salientou. “Eu sei que é pouco agradável às pessoas que se mexa em determinados mitos”, referiu. A autora realçou que a única filha do Rei D. João I “mostrou Portugal à Europa”, e o seu casamento com Filipe III da Borgonha “foi importante [para Portugal] para encontrar financiamentos, e fomentar rotas de comércio com a Europa”. “Pensamos muitas vezes estas personagens históricas, como o infante D. Henrique e a gesta dos Descobrimentos, quase como estarmos

independentes da Europa, mas, com este casamento de Isabel com o duque da Borgonha, vemos como a Europa era importante para nós”, sentenciou. Isabel Stilwell, entre a investigação e a escrita, dedicou dois anos a esta obra, o que corresponde à sua média por livro, como disse. A escrita desta obra foi “facilitada” pela bibliografia crítica que existe sobre Isabel da Borgonha, nomeadamente uma obra de Monique Somme, “de leitura quase impenetrável, mas uma compilação dos documentos, dos sítios onde esteve, com as horas, o que deu uma grelha de partida muito forte para o romance”, assim como a recolha das cartas da infanta portuguesa. Quanto às cartas, a es-

critora notou “uma faceta [de Isabel] menos habitual nas mulheres da Idade Média, que foi a forma como controlava as suas finanças e, relativamente a Portugal, nota-se mais essa preocupação depois da morte da mãe”, em 1415, o ano da conquista de Ceuta. Isabel de Borgonha nasceu em Évora, em 1397, tendo morrido em Dijon, na Borgonha, actualmente território francês, em 1470, aos 73 anos. Uma “longevidade de vida invulgar na época, como invulgar foi no jogo político e na defesa dos interesses da Borgonha, em que se mostrou fria e calculista, o que a levou, por exemplo, na guerra das Rosas, em Inglaterra, a mudar o apoio inicial à Casa de Lencastre, da sua nora, em favor da de York”, disse.

A NAIFA REINTERPRETA CANÇÕES ALHEIAS NO NOVO ÁLBUM QUE SAI EM NOVEMBRO

Bilhete de identidade da nova era O grupo português A Naifa edita a 4 de Novembro um novo álbum, no qual revisitam canções da música portuguesa, do pop rock ao fado, e cujas escolhas traçam também a identidade musical da banda. “As canções d’A Naifa” reúne nove músicas, entre as quais “Libertação”, gravada por Amália Rodrigues, “Inquietação”, de José Mário Branco, “Sentidos Pêsames”, dos GNR, e “Subida aos céus”, gravada pelas Três Tristes Tigres. “Desde 2004 que temos vindo a fazer versões de uma ou outra canção, para os espectáculos ao vivo. Como já tínhamos algumas, decidimos gravar, mas num registo que fosse mais ao vivo”, afirmou à agência Lusa o guitarrista Luís Varatojo. O álbum apresenta canções

escolhidas “segundo o critério de gosto” dos músicos - “tinha de ser assim, músicas que gostamos de ouvir” - e que “corresponde

também ao percurso da banda”, explicou. São canções que tanto os acompanham desde sempre como

fazem parte de afinidades recentes: “No fundo, também são as nossas canções, emprestadas dos outros artistas”. Para primeiro tema a divulgar, A Naifa escolheu “A tourada”, de Fernando Tordo, com letra de José Carlos Ary dos Santos, metáfora sobre situação social da ditadura do Estado Novo em 1973, que a censura deixou escapar. “Escolhemos por, entre outras razões, ter uma leitura mais exacta do que se passa hoje no país”, afirmou Luís Varatojo. O quarteto apropriou-se ainda, por exemplo, de “Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto”, de Vitorino, com letra de António Lobo Antunes, “Imenso”, de Paulo Bragança, e “Desfolhada portuguesa”, que Simone de Oliveira interpretou com letra de Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes.

Exposição de desenhos de Carlos Marreiros na Creative Macau

O arquitecto Carlos Marreiros terá a partir do próximo dia 31 de Outubro, na Creative Macau, uma exposição retrospectiva de desenhos de arquitectura. A mostra do representante de Macau na Bienal de Veneza deste ano, será inaugurada pelas 18h30 e estará patente ao público até ao próximo dia 18 de Novembro. Carlos Marreiros, é um arquitecto e artista várias vezes premiado e que desde há 29 anos desenha e constrói edifícios em Macau, Hong Kong, China, Portugal e Austrália.


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DESPORTO

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BOLINHA KA I SAGRA-SE CAMPEÃO DA 1.ª DIVISÃO. SPORTING NÃO EVITA DESCIDA

Ao cair do pano A final da edição de 2013 do Campeonato de Futebol de Sete da Primeira Divisão foi tudo o que uma grande final deve ser: rápida, emocionante, com inúmeras promessas de golo, oportunidades sólidas e mais do que qualquer outra instância, duas equipas que proporcionaram espectáculo aos muitos - e foram centenas - que se deslocaram ao complexo desportivo do Colégio Dom Bosco para acompanhar ao vivo o encontro. Se pecou por alguma coisa, o desafio pecou sobretudo pela exagerada amplitude do resultado: o Windsor Arch Ka sucede com mérito à Selecção de sub-23 da Associação de Futebol de Macau na lista dos vencedores da “Bolinha” depois de ter derrotado o Meng Ian no encontro decisivo da competição, com quatro PUB

golos apontados no último quarto de hora do desafio. Até aos 35 minutos, o equilíbrio foi a nota dominante numa partida com oportunidades de golo bem distribuídas, mas os derradeiros quinze minutos acabaram por se revelar letais para as ambições da formação orientada pelo macaense Plíneo de Souza. Com o favoritismo pelo seu lado, o Ka I entrou melhor na partida e numa questão de um curto minuto, criou duas boas oportunidades para saltar para a frente do marcador e só não o conseguiu porque Lok Ka On respondeu à altura, com duas defesas de grande qualidade. O Meng Ian não se intimidou com o protagonismo do adversário e respondeu na mesma moeda aos 17 minutos, com Au Yeung Yiu Chung a rematar ao lado da baliza de Tam

Heng Wa quando tinha tudo para fazer o golo. A linha avançada da formação que levou de vencida o grupo B da “Bolinha” dispôs de duas outras boas oportunidades, mas pecou igualmente no capítulo da finalização. O desafio seguiu para intervalo com a igualdade sem golos a pautar o andamento do marcador, um resultado justo face ao desperdício ofensivo do Meng Ian e à incapacidade, por parte da linha avançada do Ka I em levar a melhor sobre Lok Ka On. O guarda-redes da formação orientada por Plíneo de Souza foi até ao fatídico minuto 35 uma das figuras do encontro, ao travar com intervenções atentas muitas das investidas ofensivas do Ka I. O nulo alimentava a possibilidade do Meng Ian poder viver no campo Dom Bosco um conto de fadas e a perspectiva animou o emble-

ma alvinegro na recta inicial da etapa complementar, mas a finalização voltou a assumir contornos de pecado capital e a custar caro ao grupo de trabalho orientado por Plíneo de Souza. Aos 33 minutos, Josecler fez entrar Carlos Reginaldo da Silva para o lugar de Diego Patriota e a substituição acabou por se revelar a chave da partida. Dois minutos depois, Neto inaugurou o marcador, ao concluir com facilidade uma boa jogada de contra-ataque do Ka I, numa altura em que o Meng Ian mandava no desafio. O

golo fez ruir a resistência do sete alvinegro e aos 41 minutos Bruno Figueiredo dilatou a vantagem do Ka I com um remate desferido de fora da área, em posição frontal à baliza de Lok Ka On. Carlos Reginaldo da Silva marcou o terceiro aos 45 minutos, depois de ter contornado o guarda-redes adversário em pleno último reduto do Meng Ian. Cláudio Assis confirmou a goleada da formação orientada por Josecler no último minuto do tempo regulamentar. O técnico brasileiro mostrou-se satisfeito por poder oferecer

ao Ka I o seu primeiro título nas lides do futebol de sete, naquele que poderá ter sido o seu último encontro no banco do Windsor Arch: “Este título é fruto de muito trabalho, mas também de muita dedicação, de muito sacrifício e de muita entrega pessoal. Este era o único título que o Ka I ainda não tinha no currículo e o presidente exigiu-nos a vitória e foi o que eu e os meus jogadores fizemos. Venci a prova apesar de já não ter contrato com o Ka I desde 14 de Setembro”, revela Josecler. Depois de ter deixado fugir a oportunidade de disputar a final da prova, o Clube Desportivo Monte Carlo também não conseguiu agarrar o terceira lugar na prova, ao perder na lotaria das grandes penalidades com o Lam Ieng, após um empate a duas bolas durante os 50 minutos regulamentares. O Sporting Clube de Macau não esteve melhor, perdeu por três bolas a zero com o Ngan Ieng e não conseguiu evitar a descida de escalão, juntando-se à Casa de Portugal e a equipa B da Selecção de sub-23.


FUTILIDADES

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TEMPO

POUCO

NUBLADO

[TELE]VISÃO TDM 13:00 13:30 14:40 18:00 19:00 19:30 20:30 21:15 21:30 22:00 23:00 23:30 23:45 00:45 01:15

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Caminho das Índias (Repetição) TDM Talk Show (Repetição) Vingança Telejornal Ler + Ler Melhor Cenas do Casamento Caminho das Índias (India - A Love Story) TDM News Resumo Liga Europa Portugueses Pelo Mundo Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

RTPi 82 14:00 14:35 15:15 15:30 16:00 17:00 17:05 17:35 18:20 19:10 20:00 21:15 22:05 22:30

Telejornal Madeira Só Visto! Tec@Net Madeira Rural Bom Dia Portugal Ler +, Ler Melhor Conversas do Triângulo Portugues pelo Mundo O Teu Olhar (Telenovela) Cidade Despida Jornal da Tarde O Preço Certo Ingrediente Secreto Portugal no Coração

MIN

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] C I N E M A SALA 1

30 - FOX Sport 12:30 Liga Bbva 2013/14 CA Osasuna vs. FC Barcelona 14:00 (LIVE) Golf Focus Special - Asia Pacific Amauter Championship 2013 14:30 (LIVE) Asia-Pacific Amateur Championship 2013 Day 2 16:30 Liga Bbva 2013/14 La Liga World 17:00 World Series 2013 19:00 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 Liga Bbva 2013/14 Weekly Preview 20:30 Thursday Fight Night With UFC 21:00 The Ultimate Fighter 22:00 Classic Boxing 23:00 (LIVE) FOX SPORTS Central 31 - STAR Sports 12:25 (LIVE) FIA F1 World Championship 2013 Practice Session 1 Indian Grand Prix 14:00 AFC Cup 2013 Al Faisaly vs. Al Qadsia 16:00 Inside Gta - Sepang Round 16:25 (LIVE) FIA F1 World Championship 2013 Practice Session 2 Indian Grand Prix 18:00 La Liga 2013/14 Real Madrid CF vs. Malaga CF 19:00 2 Wheels 19:30 Football Asia 2013/14 20:00 (LIVE) Formula Friday 20:30 MotoGP World Championship 2013 Highlights Australian Grand Prix 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Football Asia 2013/14 22:30 Inside Grand Prix 2013 23:00 La Liga 2013/14 Real Madrid CF vs. Malaga CF 40 - FOX Movies 12:25 Maid In Manhattan 14:15 The Walking Dead 15:05 Drive 16:45 In Time 18:35 Skyfall 21:00 The Walking Dead 21:45 The Possession 23:20 Chernobyl Diaries 00:55 The Walking Dead 41 - HBO 12:10 Paranorman 13:40 Finding Forrester 15:55 Notting Hill 18:00 Stealth 20:00 Serangoon Road 21:00 Wrath Of The Titans 22:40 The Awakening 00:30 Se7En 42 - Cinemax 12:45 One In The Chamber 14:15 Grabbers 16:00 Girls! Girls! Girls! 17:45 Catwoman 19:55 Resident Evil: Damnation 21:45 Epad On Max 22:00 Strike Back 23:00 Boogeyman 00:25 Piranhaconda

35-65%

CAPTAIN PHILLIPS [C] Um filme de: Paul Greengrass Com: Tom Hanks 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

CAPTAIN PHILLIPS

THE SECOND SIGHT [3D] [C]

(FALADO EM TAILANDÊS LEGENDADO EM

EURO

Justin Cheung, Hanjin Tan, Shiga Lin 14.30, 16.30, 21.30

SALA 3

Um filme de: Richard Curtis Com: Rachel McAdams, Domhnall Gleeson, Bill Nighy 19.15

Um filme de: Patrick Kong Com: Sammy Sum,

0.2

YUAN

1.3

ABOUT TIME [B]

M A C A U [ S Ã ] A S S A D O SABOR PORTUGUÊS??? NEM PENSAR...

BAHT

Cineteatro

CHINÊS E INGLÊS) Com: Nawat Kulratanarak, Rhatha Phongam, Jirawetsuntorakul 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

THE BEST PLAN IS NO PLAN [C]

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Foto: Facebook

POR MIM FALO

Pu Yi

A droga é uma droga

• Este deve bater todos os anteriores desde que criámos a rubrica Macau Sã Assado no Hoje Macau. Sinceramente, nem sabemos o que dizer. Deixamos ao critério do estimado leitor as múltiplas possibilidades de comentário. Uma coisa é certa: ficámos fritos com esta salganhada.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA ANTOLOGIA • Madredeus Esta “Antologia” inclui 15 dos maiores êxitos dos Madredeus, a que se juntam 2 inéditos - “As Brumas do Futuro” (tema do filme “Os Capitães de Abril, de Maria de Medeiros, com música do maestro António Vitorino de Almeida) e “Oxalá” (que conta com Teresa Salgueiro num registo surpreendente). LA HABANA - O MELHOR DA MÚSICA CUBANA • Vários A música de Cuba é uma amálgama de influências, dos colonizadores espanhóis aos escravos africanos, passando pelos diversos povos que passaram pela ilha ao longo dos séculos. São variados os ritmos da ilha: rumba, salsa, merengue, mambo, guajira, son, etc. Neste La Habana, o novo volume de uma série dedicada pela editora Farol à música do mundo, podem encontrar-se representados quase todos os ritmos de Cuba interpretados pelos maiores nomes de sempre: Celia Cruz, Compay Segundo, Omara Portuondo, Septeto Habanero, Carlos Puebla, Sierra Maestra, Ruben Gonzales, Chucho Valdes, entre muitos outros. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

Estamos em semana de conferência sobre as drogas e a família. Logo em início do certame, foi anunciado que haverá de facto uma revisão à lei que proíbe o consumo e tráfico de drogas e no calendário do Governo está marcado já para finais deste ano. Mas, a menos de dois meses dessa data, não há muito que a Administração consiga elaborar face às alterações que quer fazer. Sabe-se que talvez venham aí multas mais pesadas. Resta saber se só para traficantes ou, por outro lado, também para consumidores. E, nesta matéria, saber quem se considera “dealer” também seria importante, já que - tal como muitos especialistas têm defendido - um consumidor que compra e vende doses pequenas (para uso próprio) não deve ser metido atrás das grades. Aliás, a aposta deve centrar-se mais na prevenção e no tratamento dos toxicodependentes. A este propósito o presidente da conferência, Nuno Jorge, disse algo muito interessante: “Não faz sentido pôr um jovem por uma pequena infracção, por uma coisa de juventude na cadeia onde vai sair doutorado em crime e, mais do que isso, melhor do que nas universidades, vai sair com crime e com emprego.” A descriminalização é outro assunto que, embora abordado por força dos conhecidos exemplos de países que a aplicaram, não merece ainda grande consideração para possíveis mudanças da lei. A população não está preparada, dizem. Mas esta coisa de o povo ser tradicionalista também não deverá ser desculpa para algo que, em muitas regiões, já se mostrou frutífera: decréscimo do consumo perigoso e das doenças infecciosas, veja-se o caso de Portugal. Outra questão a alterar está ligada com a troca de seringas. Um dos programas que ajuda à reabilitação dos toxicodependentes. Em Macau, não funciona em pleno porque a lei criminaliza a posse de seringas. Esperemos para ver... porque Macau é de facto um “sítio ideal para o tráfico”, comparando com a China e outras regiões e países, onde funciona a sentença de morte para este crime, como diz Augusto Nogueira, presidente da ARTM.


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OPINIÃO

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Ricardo Pinho

disse-me um passarinho...

twitter.com/ricardo

Corta!

P

Ricardo Araújo Pereira in Visão

RIMEIRO foi o corte nos salários, depois o corte nas prestações sociais, a seguir o corte nas reformas, mais tarde o corte nas pensões de sobrevivência. Como não percebo nada de economia, pensei que o próximo corte seria nos pulsos. Afinal, é outra vez nos salários e nas pensões. Sinceramente, não sei se foi melhor assim. Não só revela falta de imaginação como parece adiar o inevitável. Além disso, a insistência nos cortes já parece denunciar uma patologia. Passos Coelho é o Estripador de São Bento. E, tal como o outro, não me parece que a polícia vá conseguir apanhá-lo. Ao mesmo tempo que o governo corta nos salários dos portugueses, Angola parece interessada em cortar com o governo. Deus não dorme. O ministro dos Negócios Estrangeiros bem pediu desculpa, mas o crime que o nosso país cometeu é indesculpável. A demissão de Rui Machete é obrigatória. É preciso ser muito incompetente para, num país cuja especialidade tem sido a subserviência aos estrangeiros, não conseguir atingir um nível de sabujice minimamente satisfatório. A culpa, no entanto, não é só dele. Parece que a pouca democracia que temos ainda é demais para o gosto do presidente angolano. Mantém-se a separação de poderes, e os tribunais podem julgar impunemente os amigos de José Eduardo dos Santos. É incrível, mas o regime do Estado português não agrada a ninguém. Como resolver todos estes problemas? Mantenho uma esperança muito grande no guião da reforma do Estado, que Paulo Portas irá apresentar, supõe-se, na mesma manhã de nevoeiro em que D. Sebastião regressará. Julgo que há qualquer coisa sobre isso nas trovas do Bandarra, embora ele preveja que D. Sebastião apareça primeiro. Como guionista, creio que o atraso na entrega do guião é inadmissível, sobretudo por se tratar de um documento muito fácil de escrever. Em primeiro lugar, Portugal já não é bem um Estado. Soberania não tem, governo tem pouco, e o próprio povo já começou a ir embora. Não havendo já quase nada para reformar, é difícil compreender a demora. Em segundo lugar, o guião tem pouca acção, nenhum diálogo e a cena é sempre a mesma. É um guião de uma palavra só, aquela que se costuma escrever no final: corta! Não deve dar muito trabalho.

ALONSO SÁNCHEZ COELLO, D. SEBASTIÃO

Na academia ninguém consegue definir a sua disciplina.

Como não percebo nada de economia, pensei que o próximo corte seria nos pulsos


opinião 19

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“The emergence of China as a leading exporter and ‘‘factory to the world’’ was arguably the most significant development of the late 20th and early 21st century. By opening the country to outside investment, and unleashing the potential of China’s own entrepreneurs and state-owned enterprises, China’s government has been able to achieve in thirty years what many developed countries have achieved over centuries.”

A

Peter G. Zhang The Chinese Yuan: Internationalization and Financial Products in China

S diferentes formas de capitalismo, ainda ontem, coexistiam com diferentes formas de socialismo. Estas últimas, quanto ao essencial desapareceram. É o sinal anunciador, para muitos, de que todas as formas de capitalismo diferentes da sua forma mais pura devem também desaparecer, para que a realidade fique finalmente conforme ao seu modelo de referência. Era impossível ou duradoura uma “terza via”, entre capitalismo e socialismo, pelo que cada um tem, respostas diferentes para as seguintes questões: O que é o capitalismo? O que é o socialismo? Fazemos referência aos sistemas conceptuais ou aos sistemas concretos? Muitas vezes, certos pressupostos ideológicos levam-nos a comparar instintivamente o funcionamento concreto de um sistema com a teoria pura do outro. A conclusão só pode então ser favorável à segunda. As implicações em termos de bem-estar, da teoria do equilíbrio geral concorrencial que é o modelo de referência do capitalismo são obviamente superiores ao resultado do funcionamento concreto de uma economia socialista. É passível de se pensar que capitalismo e socialismo no sentido conceptual delimitam um espectro que contém todos os sistemas possíveis, do qual constituem as formas extremas. Nesse sentido, todos os sistemas existentes seriam “terzas vias”, isto é, vias intermediárias que combinariam, segundo diferentes ponderações, os princípios de organização que definem cada um dos sistemas.Algumas dessas soluções estão mais próximas do capitalismo, outras mais próximas do socialismo. O que desapareceu na Europa de Leste foi um subconjunto específico dessas vias intermédias, próximo da extremidade socialista do espectro. É muito cedo, mesmo decorridos vinte e dois anos, para se saber categoricamente se a falência desses sistemas é imputável à sua natureza socialista ou às características institucionais específicas, incorporadas na solução intermédia que aí predominava. O que desapareceu na Europa de Leste foi uma forma particular do comunismo, mais um regime totalitário do que uma ideologia. A confusão entre ambos era cuidadosamente alimentada, pois fornecia às ditaduras o álibi de uma ideologia generosa. Seria ilusório acreditar que o comunismo desapareceu por completo enquanto ideologia. Aliás, se fosse esse o caso, seria necessário inventar outras utopias. Seria perigoso, de facto, se o capitalismo enquanto sistema teórico só fosse confrontado consigo mesmo. É verdade que o desaparecimento desta forma particular de comunismo não era previsto

JORGE RODRIGUES SIMÃO

perspectivas

A China entre dois sistemas por ninguém. O seu carácter súbito apanhou o O que o desemprego inglês prova não é a mundo de surpresa, deixando-nos sem distância impossibilidade do mecanismo dos preços, em relação ao acontecimento, tanto na ordem mas sim, muito pelo contrário, o facto de que do político como do económico. Era impos- quando o seu mecanismo é paralisado, nenhum sível pensar a existência de outra alternativa equilíbrio económico pode subsistir.” Se passadas algumas dezenas de anos, esao sistema em que vivíamos senão a que se tamos condenados a repetir o mesmo debate, identificava com o modelo soviético. Ficámos subitamente órfãos do outro, que provavelmente os conceitos que utilizamos tinha por função estruturante desenvolver-nos para comparar os sistemas económicos estão uma imagem gratificante de que no Ocidente desadaptados. Pensa-se geralmente em termos vivíamos no menos mau dos sistemas. Qual de diferença, ao passo que os sistemas econóa nossa referência? É aí que está o perigo. micos são vias intermédias, meios-termos. A Acabamos por dizer, e até por pensar, que não diferença é um conceito estático, que fixa as existe alternativa possível. A derrocada de um categorias numa tipologia imutável; os jovens mau sistema não é, em si mesma, a prova que e os idosos, os ricos e os pobres, os imigrantes aquele que subsiste é o melhor que se possa e os nacionalistas, os sistemas socialistas e capitalistas, etc. conceber. O meio-termo, pelo contrário, é movimenEssa diferença de concepção sobre a natureza do sistema económico, via intermédia to, descrevendo um espaço dialéctico em que que conjuga princípios contraditórios de orga- as diferenças surgem, formam-se, cruzam os nização, ou via extrema inteiramente coerente seus contrários consoante as situações vivas sempre caracterizou o pensamento económico. e singulares (meia-idade, entre duas culturas, Existem dois textos, pouco referidos, datados entre-dois-sistemas). É da natureza da econode 1931, que permitem avaliar as divergências mia política ser tomada entre duas línguas, de interpretação da época. Um dos textos, nenhuma delas podendo ser condenada ao escrito por John Maynard Keynes durante as silêncio. A língua da necessidade apresenta-se suas Conferências na Universidade de Chi- como natural, originária, e conjuga os múltiplos cago diz: “Vivemos hoje a maior catástrofe condicionalismos da actividade económica. As leis do mercaeconómica do mundo, por muito implado moderno, a maior cáveis que sejam para catástrofe provocada Se passadas algumas alguns, são inconquase inteiramente por dezenas de anos, tornáveis, e é inútil causas económicas. tentar escapar-lhes. Dizem-me que em estamos condenados a A outra língua, a da Moscovo que isto é a finalidade, a ecoúltima e suprema crise repetir o mesmo debate, nómica vale apenas do capitalismo, e que a provavelmente os pelo seu projecto e ordem social existente inclina-se perante não sobreviverá. conceitos que utilizamos a vontade política; É fácil confundir para comparar os projecto de elevação os desejos com a redo bem-estar e espaço alidade. Mas se esta sistemas económicos estão para todos, criação de crise for mais tarde desadaptados um movimento sufianalisada pelo histociente para que cada riador económico, é um dele tire proveito, verdade que há uma possibilidade, não vou mais longe, de ela ser inclusivamente deslocando-se. Essas duas línguas parecem clivadas. Na interpretada como uma grande viragem. Não mais do que uma possibilidade, porém. Pois realidade manifestam um entre-dois, uma eu creio verdadeiramente que o nosso destino intenção muito intricada, em que a língua do está nas nossas mãos, e que podemos sair desta projecto nunca está verdadeiramente afascrise se fizermos as opções adequadas, ou antes, tada da necessidade, e a da necessidade de se aqueles que detêm a autoridade em nome considerações éticas, encobrindo a realidade entre aquilo que é e aquilo que deveria ser. O do mundo as fizerem”. O segundo texto da autoria de Jacques conceito de economia socialista de mercado Rueff, publicado na “Revue d’économie po- nasce da concepção de economia social de litique”, com o título “L’assurance chômage, mercado de Ludwig Erhard, que foi chanceler cause du chômage permanent” diz: “O erro de da República Federal da Alemanha de 16 de raciocínio aqui é evidente, a crise não resulta do Outubro 1963 a 1 de Dezembro de 1966, e que sistema capitalista, uma vez que só surgiu no anteriormente tinha sido ministro da economia momento e nos domínios em que se impediu durante quinze anos. A economia social de mercado pensada que actuasse o mecanismo característico do sistema cuja eficácia se pretende demonstrar. por Ludwig Erhard rejeitou desde a origem

o colectivismo e o planeamento estatal que não fosse conforme com o mercado livre, ou seja, com as orientações da economia internacional de mercado, mas defendeu sempre a recusa do deixar fazer e deixar passar que caracteriza o liberalismo clássico. O pensamento de Ludwig Erhard rejeitava claramente os conceitos das teorias socialistas e capitalista que, caracterizando posições extremas ou excessivamente obstinadas, pudessem ser barreiras à livre concorrência nas trocas comerciais ou ajudar de forma desigual alguma das partes do processo. O pensamento da economia social de mercado tem como ideia base, uma economia de livre concorrência, pretendendo harmonizar a liberdade pessoal com um aumento de bem-estar e segurança social, conciliando os países por meio de uma política aberturista a nível mundial. Este pensamento aparece no auge da Guerra-fria e da hegemonia bipolar entre a União Soviética e os Estados Unidos e as desigualdades sociais não tinham atingido o pico da ruptura como acontece no tempo presente da globalização. A queda da União Soviética e o novo rumo dado aos modelos, instituições e mecânica de crescimento económico na China e outros sistemas comunistas que sobrevivem, demonstra como pretendem muitos teóricos de esquerda que existe uma economia capitalista mundial num sentido mais amplo. A desigualdade no meio das sociedades, quer as pertencentes aos países desenvolvidos, como as dos países em desenvolvimento aumentou, tendo por consequência crescido de forma inquietante o número de pobres e de pessoas que vivem no limiar da pobreza. A China teve que se ajustar à economia de mercado sem negligenciar as funções sociais básicas que são o suporte da sua política de Estado, evitando que o povo fosse arrebatado pela pobreza. Ao Partido Comunista da China apenas lhe restava criar um modelo que sem alterar o seu sistema político e o sua forma de governo, lhe permitisse agir no domínio internacional do livre mercado, por meio do Estado e sem a sua intervenção directa, possibilitando as trocas comerciais com os outros países, e estimulando o investimento estrangeiro e o consumo no mercado interno, cuidando ao mesmo tempo do bem-estar e segurança do povo. Afinal, a derrocada dos sistemas socialistas abriu uma cratera gigantesca na língua finalista. Assim, perante tais condições, iremos regressar à língua originária da pura necessidade? O discurso do projecto na Europa de Leste fracassou porque se apresentava como final, como língua original e natural que não deixava entrever qualquer falha. Impedindo o meio-termo de funcionar, foram bloqueadas as possibilidades de deslocação, logo de adaptação.

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hoje macau sexta-feira 25.10.2013

Governo angolano pede respeito por parte de Portugal

O ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chikoti, disse esta quarta-feira que o país deve pensar em conseguir outros parceiros que não Portugal, pedindo ainda respeito por Angola. As palavras de Chikoti foram proferidas numa entrevista à televisão pública de Angola: «Tem que haver por parte de Portugal algum respeito pelas entidades angolanas e, talvez, conseguir gerir bem esta relação, o que não tem sido prática.» As críticas continuaram com Chikoti a garantir que já está em marcha um novo rumo para o país: «O clima político hoje não permite a elaboração de uma política como essa. Angola vai olhar para outros horizontes e vai pensar a sua política externa com outras prioridades. Temos outros parceiros também ou muito mais importantes.» O governante deixou ainda no ar a possibilidade de a cimeira LusoAngolana, prevista para o final deste ano e adiada para fevereiro de 2014, não ser realizada: «Não tenho muita certeza.»

China Sonâmbulo cai em buraco e fica dois dias preso em fenda

Um jovem de 27 anos esteve dois dias preso numa fenda depois de lá ter caído durante um episódio de sonambulismo, na China. A informação é avançada pelo portal noticioso Iyaxin, que conta que sonâmbulo caiu num buraco de quase 30 metros de altura, em Turpan. O jovem foi resgatado numa operação complexa que envolveu, numa primeira fase, que lhe fossem levados alimentos e água. O sonâmbulo sofreu escoriações na queda e fez saber que não se lembra do que aconteceu.

Telescópio Hubble descobriu galáxia mais longínqua

Foi com recurso a imagens captadas pelo Telescópio Espacial Hubble que uma equipa de astrónomos norte-americanos descobriu a galáxia mais distante até agora conhecida. A informação é avançada pela revista Nature, que revela que o telescópio fotografou um espectro luminoso que foi emitido quando o Universo tinha apenas cinco por cento da sua idade actual. A descoberta do conjunto de estrelas, denominado z8-GND-5296, foi confirmada pelo espectrógrafo Mosfire do Telescópio Keck, no Havai. «Estas descobertas dão pistas sobre o nascimento do Universo», revelou Steven Finkelstein, da Universidade do Texas, que liderou com Dominik Riechers, da Universidade de Cornell, em Nova Iorque a equipa de astrónomos.

cartoon

EUA Adolescente com metralhadora de brincar abatido

por Stephff

MERKEL ZANGADA

F3 GP MACAU VOLTA A RECEBER ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA

Contra a tradição D

EPOIS da vitória em 2012, António Félix da Costa irá marcar presença na 60.ª edição do Grande Prémio de Macau, na corrida de Fórmula 3, que tem lugar entre os dias 14 e 17 de Novembro. Um convite de última hora, com uma decisão concisa do piloto da Red Bull Junior Team que defenderá as cores da equipa Carlin. Terminada a sua temporada, onde terminou no 3.º lugar da World Series by Renault 3.5 com três vitórias conquistadas, António Félix da Costa foi chamado pela Red Bull para defender as cores da equipa Inglesa Carlin, depois de uma intensa pressão da organização no sentido de contar com o piloto português no Grande Prémio de Macau de Fórmula 3, num ano que se celebra a 60.ª edição deste importante evento automobilístico, que conta com 27 pilotos inscritos de quinze nacionalidades diferentes. O piloto português referiu que “não esperava estar este ano em Macau, mas sempre disse que se trata do meu circuito preferido”. “Encaro este convite como uma grande honra. Depois da vitória do ano passado todos os olhos vão estar postos em mim e tudo farei para trazer nova vitória para Portugal, mas não parto obcecado com esse objectivo. Sei que o nível do GP Macau é elevado,

com pilotos de grande nível que competem habitualmente na F3 e outros vindos de campeonatos muitos competitivos, mas acredito que com a Carlin temos as armas necessárias para lutar pela vitória. Será um prazer rever o público fantástico que todos os anos marca presença no circuito da Guia”, analisou o piloto de 22 anos, que se encontra este fim-de-semana em Inglaterra para disputar uma corrida da Fórmula 3 Cup em Snetterton, com o intuito de estar elegível para participar no Grande Prémio de Macau.

UM PATRÃO FELIZ

Também Trevor Carlin, patrão da equipa Carlin se mostrou muito

contente por contar com Félix da Costa num dos seus monolugares. “Estamos muito satisfeitos por ter a oportunidade de contar com o António. Ele foi excelente em Macau no ano passado e como grande piloto que é, quando surgiu a oportunidade aproveitou para voltar este ano. Em Macau há muitos factores envolvidos e o talento e a velocidade nem sempre são suficientes para vencer, pois trata-se de um circuito citadino apertado, onde é preciso contar com o elemento sorte. Não há nenhuma pressão sobre António de dominar novamente. Dito isto, ele é um trunfo enorme para a equipa e a sua experiência será valiosa para os nossos ‘rookies’. Vamos para Macau mais fortes por tê-lo connosco”, referiu o Inglês.

FÓRMULA 1 EM “STAND-BY”

Relativamente ao futuro de António Félix da Costa, depois da notícia desta semana, em que o piloto português se viu afastado de um lugar como titular no Mundial de Fórmula 1 em 2014, perdendo a vaga da Scuderia Toro Rosso para o Russo Daniil Kvyat, o piloto acalma os portugueses e diz que “depois do choque da notícia desta semana, a verdade é que muita coisa se passou, todos os dias têm havido novos desenvolvimentos e podem estar boas noticias a caminho”.

Um adolescente de 13 anos foi abatido pela polícia na localidade de Santa Rosa, na Califórnia, depois de ser visto na rua com uma metralhadora, que depois se verificou ser um brinquedo. Os dois agentes envolvidos no caso estão suspensos. Vestindo uma camisola com capuz azul, Andy López Cruz carregava uma réplica de uma metralhadora AK-47 de plástico e outra arma de brincar quando foi visto por dois polícias, que pensaram ser armas verdadeiras. Ao alarme não será alheia a série de ataques com armas, realizados por crianças, que tem havido no país na última semana. A investigação está em curso, tendo já a polícia dado uma versão dos acontecimentos de terça-feira. «Os agentes viram o rapaz, pediram reforços e depois saíram do veículo. Ordenaram repetidamente ao jovem que colocasse a arma no chão. Este estava de costas e virou-se para a polícia, com o cano da espingarda na sua direcção», explicou o tenente Paul Henry, um dos responsáveis pela investigação. «O agente temeu pela sua segurança e a do seu companheiro e disparou várias vezes com a sua arma de serviço, ferindo o rapaz», disse ainda. O adolescente foi declarado morto pouco depois, tendo, além da espingarda, uma réplica de pistola no cinto. Em conferência de imprensa, o departamento de polícia de Santa Rosa exibiu a réplica que estava com López e uma espingarda AK-47 verdadeira, para mostrar a similaridade entre as duas. Pais e amigos reuniram-se em vigília no local onde o jovem foi morto e pediram justiça.

Norte aceita visita de deputados do Sul ao complexo de Kaesong

O governo Pyongyang autorizou a visita de 24 deputados sulcoreanos ao complexo industrial de Kaesong na próxima semana, numa altura em que as relações entre os dois países são marcadas pela estagnação. A Coreia do Norte «respondeu, esta manhã [ontem], que aceita a nossa proposta e permitirá a entrada dos deputados sul-coreanos no complexo», na próxima quartafeira, dia 30, indicou uma portavoz do Ministério da Unificação de Seul.

Hoje Macau 25 OUT 2013 #2961  

Edição do jornal Hoje Macau N.º2961 de 25 de Outubro de 2013