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Rosário abdica de 3,3 milhões

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Vacinados porque tem de ser

hoje macau Nº 4860

SEXTA-FEIRA 24-9-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Três por três

ISMAEL HIPÓLITO DJATA

OS PILARES DA CULTURA ENTREVISTA

PARABÉNS, GUI

O elenco de deputados nomeados por Ho Iat Seng apresenta três novidades. Kou Kam Fai, Chan Hou Seng e Cheung Kin Chung passam a fazer parte do novo quadro de legisladores da AL, em detrimento de Joey Lao, Chan Wa Keong e Davis Fong. PÁGINA 4

VALÉRIO ROMÃO

MACAU, 30 AUTORES DUARTE DRUMOND BRAGA

QUALQUER COISA GONÇALO M. TAVARES

CINEMATECA | COMPAIXÃO EM OUTUBRO EVENTOS

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MOP$10

CORTESIA ISMAEL HIPÓLITO DJATA

REFORMA


2 entrevista

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ISMAEL HIPÓLITO DJATA

24.9.2021 sexta-feira

Inaugurada na terça-feira no edifício do Fórum Macau, a mostra “Destruição da Humanidade” não é apenas a visão do artista guineense Ismael Hipólito Djata sobre inversão de valores, mas também um grito de alerta sobre a forma como a cultura é tratada pelas autoridades da Guiné-Bissau. Juntamente com os irmãos, também artistas, Ismael Hipólito Djata chamou para si a responsabilidade agitar o panorama artístico guineense

CORTESIA ISMAEL HIPÓLITO DJATA

“A cultura foi o pilar para a independência” ARTISTA PLÁSTICO


sexta-feira 24.9.2021

Porque decidiu dar esta nome à sua exposição? Qual a principal mensagem que quer transmitir com as suas obras? Esta exposição é composta por três partes. Na primeira parte tento mostrar imagens de fora da minha cultura. Somos um povo com 36 etnias, diferentes dialectos e modos de vestir, mas somos um povo unido. Temos uma rica diversidade cultural, só que o país não está a aproveitar a cultura para se desenvolver. Mas a cultura foi o pilar para a independência, e por isso peguei em algumas imagens culturais e tentei desfazê-las, para mostrar que a nossa cultura está cada vez mais a perder-se. Há ainda uma parte na exposição que fala do universo, que é a destruição da humanidade. [Essa representação] é feita com a imagem descascada de um senhor velho e dentro da sua cabeça estão algumas peças. Esse quadro fala-nos do universo e da sabedoria dos mais velhos, que é tradicional, até na medicina, o modo de falar. A nossa geração não está a aproveitar isso. Alguns quadros falam dessa filosofia, porque, como é uma exposição na Ásia, tentei mostrar alguns dos meus pensamentos ligados à humanidade e não apenas sobre a cultura guineense. Parece defender que há uma mudança de valores. Vivi alguns anos na Europa. Não conheço muito a realidade asiática. África não tem fábricas de armas, mas compra armas a outros países. África ainda é escravizada, e nós africanos não estamos unidos e não escrevemos as nossas histórias, que são contadas por outros povos. Ninguém conhece a nossa cultura. Essa é uma parte negra de África, pois temos uma riqueza que está a alimentar outros continentes. Somos o berço da alimentação da Europa, mas nós, africanos, estamos na lista negra em termos do desenvolvimento e de alimentação. Aqui muitos pensam que a Europa está desenvolvida, e de facto está em muitas coisas. Mas e a educação europeia? Tem muita negatividade.

vindicar de forma pacífica que a cultura é também uma alavanca no desenvolvimento de um país.

CORTESIA ISMAEL HIPÓLITO DJATA

A sua exposição, intitulada “Destruição da Humanidade”, foi inaugurada esta semana. Como encara esta oportunidade de expor em Macau? É uma alegria enorme fazer uma exposição em diferentes países, para que os povos possam apreciar as nossas obras e entender as mensagens. Temos obras com linguagens universais, é a nossa cultura e realidade, a nossa convivência. É sempre um enorme prazer receber este tipo de convite. Macau é uma região asiática, mas de língua portuguesa e é uma enorme felicidade ter recebido este convite.

entrevista 3

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É embaixador do ONU Habitat. Que funções ou mensagens transmite? Entre os objectivos do milénio definidos pela ONU, um deles é sobre o urbanismo, a situação social. Então acharam que eu, como artista, podia ajudar a comunidade transmitindo mensagens sobre o urbanismo e de como a arte pode mudar uma comunidade. Todos os anos temos um objectivo para implementar e este ano fizemos a campanha das limpezas em diferentes bairros. Organizamos um campeonato. Pegamos nessas imagens e projectamos nas ruas através do grafitti, para mostrar como podemos ter comunidades limpas e bem organizadas. As casas aqui estão amontoadas, não há limpeza.

“Nós não temos um museu que conte a história de África, das nossas etnias. África é um mosaico cultural muito grande e muito diferente em relação à Europa ou Ásia. Mas quem conta a nossa história? Ninguém.” Em que sentido? Quando estive em França a minha primeira decepção foi ver uma criança a falar mal para os seus pais. Aqui em África isso não existe. Há outros exemplos que eu considero que estão a destruir a humanidade, como o problema da poluição, as alterações climáticas. Os valores africanos têm então algo a mostrar sobre a preservação da humanidade? Nós não temos um museu que conte a história de África, das nossas etnias. África é um mosaico cultural muito grande e muito diferente da Europa ou Ásia. Mas quem conta a nossa história? Ninguém. Em França ou na América há museus sobre a cultura africana, porque é que não promovemos a nossa cultura? Porque não fazemos esta divulgação, porque não escrevemos os nossos livros a contar histórias para as gerações vindouras? É preciso que nós, africanos, comecemos a assumir esta responsabilidade e que sejamos divulgadores e protectores da nossa identidade cultural. O seu trabalho como artista tem, portanto, uma mensagem política e de intervenção social.

Sim. É difícil fugir disso porque vivemos num continente onde existe muita corrupção. Não podemos mostrar só do que é bom e não mostrar o nosso descontentamento. Falou do projecto de abrir uma galeria de arte em Bissau. O que pretende fazer com a iniciativa? Somos quatro irmãos, pintores, escultores e escritores, e quando começámos os nossos projectos artísticos percebemos que tínhamos um papel, o de sermos embaixadores deste país. Queremos promover a imagem da Guiné-Bissau além-fronteiras. Assumimos o compromisso de ajudar este país a desenvolver-se culturalmente. Como artistas vemos que o país é independente há mais de 40 anos e nunca teve uma galeria de arte. Não há materiais ligados às artes plásticas. Ficamos preocupados com as novas gerações. Achámos que não tínhamos necessidade de ficar na Europa pois é um continente que já está desenvolvido nesta área. Então decidimos voltar para a Guiné e criar uma galeria onde promovemos a arte e também ensinamos.

“Tornei-me artista quando a Guiné-Bissau caiu na maior tragédia da sua história: a guerra de 1998. A guerra durou um ano e tivemos de nos refugiar no interior do país. Vi crianças a esculpirem cabaças, a fazer missangas, e aprendi com elas.”

Trazemos pintores internacionais para expor na nossa galeria e os pintores nacionais também. Falamos com as pessoas e também damos apoio em projectos sociais, com escolas, fazemos pequenos donativos para ajudar a combater a pobreza. Queremos também construir um museu e estamos à procura de financiamento. Esse museu vai juntar escolas, por exemplo.

“A cultura é desprezada pelos governantes, porque para eles não é uma questão económica. Mas a cultura é a identidade de um povo, retrata-nos.” Disse que após 40 anos de independência o país não um forte sector cultural. Como explica tal facto? Não tem sido implementada uma política cultural na Guiné-Bissau. Temos várias leis do sector que não estão a ser implementadas. A cultura é desprezada pelos governantes, porque para eles não é uma questão económica. Mas a cultura é a identidade de um povo, retrata-nos. E eles não têm essa consciência para conhecer a cultura, porque pensam que não têm benefícios com ela. O Orçamento de Estado dedica a percentagem mais baixa à cultura. Os artistas reclamam bastante: imagine um país sem salas de espectáculos ou de exposições. Dão mais valor aos músicos. Estamos juntos com alguns colegas artistas de diferentes áreas e tentamos rei-

Formou-se em Portugal numa área que nada tem a ver com as artes plásticas. Como é que a arte surge na sua vida? Comecei a ligar-me à cultura aos seis anos, porque na altura tínhamos de iniciar a primeira classe com sete anos. Os meus irmãos já estavam na escola e quando estudavam o meu pai dava-me folhas para eu desenhar e não os incomodar quando estudavam à noite, e eu copiava desenhos. Cresci assim, e comecei a ter interesse por desenho. Os professores pediam-me para ir ao quadro fazer desenhos do corpo humano nas aulas de ciências, os colegas diziam que eu tinha talento e que um dia iria ser artista. Mas eu pensava mais em arquitectura. Tornei-me artista quando a Guiné-Bissau caiu na maior tragédia da sua história: a guerra de 1998. A guerra durou um ano e tivemos de nos refugiar no interior do país. Vi crianças a esculpirem cabaças, a fazer missangas, e aprendi com elas usando o talento que tinha. O meu irmão pegou no meu primeiro trabalho e vendeu-o. Fiquei triste, mas rendeu muito. Quando voltou tinha muitas encomendas. Queria estudar, mas não tinha a ambição de ser artista. Comecei a ensinar os meus irmãos a fazer essas esculturas de cabaças porque sozinho não conseguia fazer tudo, um pintava e outro desenhava. Depois fizemos a nossa primeira exposição. Hoje temos uma responsabilidade nos nossos ombros [com a Irmãos Unidos Arts] e os guineenses sentem muito orgulho do que fazemos. Somos uns dos melhores no país, ganhamos prémios e estamos representados. É difícil deixar as pessoas que já têm confiança em nós. Andreia Sofia Silva


4 política

• Chan Hou Seng

24.9.2021 sexta-feira

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• Cheung Kin Chung

• Iao Teng Pio

• Kou Kam Fai

• Ma Chi Seng

• Pang Chuan

AL KOU KAM FAI, CHAN HOU SENG E CHEUNG KIN CHUNG NOMEADOS DEPUTADOS

Os homens de Ho Iat Seng Foram conhecidos ontem os deputados nomeados pelo Chefe do Executivo. Entre o elenco de sete legisladores da confiança de Ho Iat Seng, destaque para três caras novas e para as saídas de Joey Lao, Chan Wa Keong e Davis Fong

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OU Kam Fai, Chan Hou Seng e Cheung Kin Chung são as novidades entre os sete deputados nomeados pelo Chefe do Executivo para os próximos quatros anos da Assembleia Legislativa. Entre os nomes revelados ontem, em comunicado, ficam de fora Joey Lao, economista, Chan Wa Keong, advogado, e Davis Fong, académico. Segundo o Gabinete de Comunicação Social, Kou Kam Fai tem 56 anos, é doutorado em gestão e exerce o cargo de director da Escola Secundária Pui Ching.

A

PESAR de não se comprometer com uma data, o Governo promete apresentar à Assembleia Legislativa, “o mais depressa possível”, a Lei da Segurança e Saúde Ocupacional na Construção Civil. A promessa foi feita por Chan Chon U, subdirector da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), em resposta a interpelação de Lam Lon Wai. O diploma está a ser discutido, pelo menos, desde 2017. Após ter sido questionado pelo deputado sobre o andamento da proposta de lei, o Governo garantiu que espera que a lei entre em “processo legislativo” tão depressa quanto possível. Quanto ao conteúdo do diploma, Chan Chon U afirmou que a

Por sua vez, Chan Hou Seng, 58 anos, tem mestrado em Literatura e profissionalmente exerce funções como investigador especializado no Instituto de Pintura e Caligrafia da Academia da Cidade Proibida e director-geral da Sociedade de Arte do Selo Hou Kong. Finalmente, na lista de novos deputados consta também Cheung Kin Chung, mestrado em gestão de empresas e doutorado em Gestão Turística. A nível profissional, é gerente-geral da Macau CTS Hotel Management (International) Ltd. e presidente do conselho de adminis-

tração da Agência de Viagens e de Turismo China (Macau). Joey Lao, Chan Wa Keong e Davis Fong são assim substituídos,

Joey Lao, Chan Wa Keong e Davis Fong são assim substituídos, depois de terem cumprido apenas um mandato por nomeação de Chui Sai On

Está mesmo quase Governo promete apresentar Lei de Segurança no Trabalho o mais depressa possível”

lei vai concretizar melhorias nos padrões de segurança na indústria da construção, aumentar o número de pessoal de segurança nos estaleiros e definir padrões para as qualificações exigidas ao pessoal responsável pela segurança no trabalho. O responsável adiantou ainda que as multas e penalizações vão aumentar, de forma a encorajar os responsáveis a adoptar melhores práticas e castigar quem não cumprir as regras de segurança. Na interpelação do deputado ligado à Federação das Associa-

ções dos Operários de Macau (FAOM) era apontado que a discussão já tinha sido concluída no Conselho Permanente de Concertação Social, aspecto confirmado pela DSAL, que reconhece que a futura lei foi discutida nas reuniões que decorreram entre 2017 e o ano passado.

Acções de promoção

Lam Lon Wai interpelou o Governo sobre a evolução da segurança no sector da construção civil, depois de dois acidentes de grande dimensão no Interior, em Zhuhai,

depois de terem cumprido apenas um mandato. Os ainda deputados, estatuto que só perdem com a tomada de posse dos novos legisladores, tinham sido escolhidos pelo ex-Chefe do Executivo, Chui Sai On.

Aposta na continuidade

Os restantes deputados nomeados, Ma Chi Seng, Iau Teng Pio, Pang Chuan e Wu Chou Kit, mantêm o cargo por mais quatro anos Ma Chi Seng é membro da família Ma, uma das mais influentes do território, tem 43 anos e é licenciado em gestão de empresas.Actualmente

• Wu Chou Kit

desempenha as funções de membro do Conselho para o Desenvolvimento Económico, Tesoureiro da Direcção do Comité Olímpico e Desportivo de Macau, e de coordenador da Comissão de Juventude do Comité Olímpico e Desportivo de Macau. Por sua vez, Iau Teng Pio, de 57 anos, é doutorado em Direito, membro do Conselho Executivo do Governo e director-adjunto da Faculdade de Direito da Universidade de Macau. Pang Chuan, 50 anos de idade, tem no currículo um doutoramento em Gestão e desempenha e assume o cargo de membro do Conselho para o Desenvolvimento Económico, e de vice-reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e de reitor da Escola de Pós-Graduação da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. Finalmente, Wu Chou Kit, de 52 anos, é licenciado em engenharia civil e mestrado em gestão de empresas. É membro do Conselho do Património Cultural e presidente da assembleia-geral daAssociação dos Engenheiros de Macau. João Santos Filipe

que causaram a morte de quase 20 trabalhadores. Os infortúnios estiveram relacionados com trabalhos perto de água, ou seja, num túnel e na construção de uma ponta, que colapsou. Perante os acidentes, a DSAL garantiu que são emitidas instruções sobre trabalhos em zonas adjacentes às águas. Além disso, a instituição dirigida por Wong Chi Hong sublinhou que desde Junho de 2018 é proporcionada uma formação para trabalhadores na área de segurança. Até Julho deste ano, o programa de segurança no trabalho contou com 5.080 formandos, entre os quais 4.663 foram aprovados e obtiveram o certificado necessário para tratar da segurança nos estaleiros. J. S. F.


sexta-feira 24.9.2021

política 5

GCS

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AMCM Recolectores automáticos lançados até ao final do ano

Em resposta a interpelação escrita de Ella Lei, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) revelou que serão lançados no quarto trimestre de 2021, recolectores automáticos destinados à reciclagem e reintrodução de moedas no mercado. Sobre as preocupações da deputada acerca das despesas resultantes da cunhagem de novas moedas, a AMCM admitiu que, tendo em conta a popularidade dos pagamentos electrónicos e a necessidade de reduzir despesas no actual contexto de crise económica, a produção de novas moedas foi adiada. Para satisfazer a procura do público, a AMCM apontou que irá reforçar as iniciativas de reciclagem e reintrodução de circulação de dinheiro. O programa de cunhagem de novas moedas metálicas em 2021 previa gastos de 340 milhões de patacas.

Disciplina Vice-secretário do Governo de Guangdong investigado por corrupção

O vice-secretário-geral do Governo da província de Guangdong, Cao Dahua, que desempenhou funções em várias entidades em Macau, está a ser investigado por suspeitas de violações graves à disciplina. Segundo o jornal Ou Mun, o responsável está a ser investigado pela Comissão de Inspecção Disciplinar da província de Guangdong por suspeitas que normalmente são usadas em processos de corrupção. O responsável foi recrutado em Setembro de 2000 pela Guangdong Overseas Construction Corporation e em Dezembro de 2001 assumiu o cargo de director adjunto do Guangdong Xinguang International Group (Macau). Mais tarde, em Março de 2004, Cao Dahua passou para a direcção do Guangdong Xinguang International Group (Hong Kong e Macau) e um ano depois passou para a Engineering Construction General Manager da Guangdong Construction Property Co., Ltd. Em 2009, Cao Dahua passou para o Governo da província vizinha.

DSAJ Leong Weng In mantém-se subdirectora

Leong Weng In foi nomeada para exercer em comissão de serviço as funções de subdirectora da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça. (DSAJ). A decisão foi publicada ontem no Boletim Oficial, através de um despacho do secretário para a Administração e Justiça, e tem o prazo de um ano, a partir de 26 de Outubro. Leong já assumia estas funções desde Julho como substituta. A subdirectora é licenciada em Direito em Língua Chinesa na Universidade de Macau e tem Bacharelato em Tradução e Interpretação Chinês-Portuguesas no Instituto Politécnico de Macau. Está na função pública desde 2005, e conta com passagens pela Direcção dos Serviços de Forças de Segurança, Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais e Capitania dos Portos, Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água. Está desde 2016 na DSAJ, onde chegou a subdirectora este ano.

REFORMA RAIMUNDO ABDICA DE PENSÃO ENQUANTO FOR SECRETÁRIO

Contas de outro rosário Segundo um despacho publicado no Boletim Oficial, Raimundo do Rosário vai renunciar a mais de 3,3 milhões de patacas até ao final do mandato. A reforma compulsiva não tem impacto no cargo de secretário, mas impede o regresso à função pública

O

secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, está reformado da Função Pública desde 23 de Agosto, mas abdicou da reforma. A informação consta de despacho publicado ontem no Boletim Oficial. A reforma, motivada por ter atingido a idade limite de 65 anos, não afecta a nomeação para o cargo de secretário. Neste cenário, a aposentação significa que no final do mandato de secretário, em Dezembro de 2024, Raimundo do Rosário

não pode voltar aos quadros da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, onde desempenhava funções de técnico superior assessor principal de 4.º escalão. “Raimundo Arrais do Rosário apresentou uma declaração escrita, em 23 de Agosto de 2021, de que para todos os efeitos tidos por convenientes que prescinde da percepção da pensão de aposentação que lhe é devida [...] enquanto se mantiver no desempenho do cargo de Secretário para os Transportes e Obras Públicas”, pode ler-se no despacho da presidente

do Fundo de Pensões, Ermelinda Xavier. A opção significa que Raimundo do Rosário abdica de um valor superior a 3,3 milhões de patacas, tendo em conta que a reforma mensal é de 82.810 patacas e faltam três anos e quatro meses para o fim das actuais funções.

As condições do sacrifício

Apesar de abdicar da pensão, Raimundo do Rosário vai continuar a usufruir do salário mensal de 149.847 como secretário. A este valor podem ainda juntar as despesas de representação de 37.462

A aposentação significa que no final do mandato como secretário, Raimundo do Rosário não vai poder voltar para os quadros da DSSOPT

patacas, o que significa que todos os meses pode auferir 187.309 patacas. O montante é igual para os cinco secretários do Governo. Rosário optou por não acumular salário e reforma, no entanto, a “suspensão” da pensão tem duas condições, de acordo com o conteúdo do despacho publicado ontem. Por um lado, a suspensão perde efeito “a partir da data em que deixar de desempenhar o seu actual cargo”. Por outro, a suspensão é apenas válida até ao “dia anterior em que se verifica a prescrição” da reforma. A última condição salvaguarda Raimundo do Rosário contra o n.º 2 do artigo 272.º do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau, que define que “o não recebimento das pensões durante o prazo de 3 anos consecutivos a contar do vencimento da primeira implica a prescrição do direito unitário à pensão”.

João Santos Filipe


6 sociedade

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ANIMA ANGARIAÇÃO DE FUNDOS NÃO TAPA BURACOS DE ORÇAMENTO

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EXPLICAÇÕES AFASTADA PROIBIÇÃO DE CENTRO PRIVADOS

Valores mais altos A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento de Juventude considera que os centros de explicações assumem um papel importante na sociedade de Macau ao tomarem conta das crianças

A

Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento de Juventude (DSEDJ) não equaciona implementar uma proibição dos centros de explicações privados, como aconteceu no Interior. A posição foi explicada com o papel que estas instituições assumem ao tomar conta das crianças. No final de uma reunião do Conselho de Educação para o Ensino Não Superior, em que se discutiu a importância dos pais na educação, Wong Ka Ki, o chefe do Departamento do Ensino Não Superior, recusou que o Governo tenha intenções de proibir os centros de explicações. Segundo Wong, houve uma “recolha de dados” sobre os centros e concluiu-se que têm um valor importante para a sociedade: “Na

verdade, os centros de explicações assumem como função principal tomar conta das crianças”, justificou o representante da DSEDJ.

DE BRAÇO ESTENDIDO Mais de cinco mil professores e alunos estão prontos para serem vacinados. De acordo com Wong Ka Ki, chefe do Departamento do Ensino Não Superior houve entre 5 mil e 6 mil professores e alunos que se registaram no programa de vacinação contra a covid-19 das escolas. “Nós temos 11 escolas que receberam as equipas para haver vacinação. Temos também cerca de 60 escolas onde há veículos do Governo para fazer o transporte para o Fórum Macau, onde decorre a vacinação”, afirmou Wong. De acordo com a mesma informação, o ensino secundário de Macau tem mais de 20 mil estudantes com idades superiores a 12 anos.

Sobre o papel dos pais, foi ainda sublinhado pela DSEDJ a relevância de se acompanhar a saúde mental das crianças ao longo do percurso escolar. De acordo com o Executivo, o objectivo passa por “aumentar o sentimento de felicidade dos alunos”. Ainda em relação à felicidade dos estudantes, a DSEJ foi questionada sobre medidas a tomar para combater o suicídio dos jovens. Wong respondeu que houve um reforço das equipas de psicólogos que intervêm nas escolas, com mais nove especialistas na área, que se juntam às equipas anteriormente formadas.

Formação técnico-profissional

O Conselho de Educação para o Ensino Não Superior de ontem serviu também para discutir o desenvolvimento para o futuro do ensino técnico-profissional. A

discussão teve por base o novo regulamento administrativo do sector, que vai entrar em vigor em Setembro do próximo ano. Sobre o impacto das novas normas, Leong I On, chefe da Divisão de Ensino Secundário da DSEDJ, reconheceu que haverá cursos que vão ter de sofrer alterações. “Francamente, os cursos antigos vão precisar de fazer alterações. Os cursos vão ter de ser ajustados de acordo com o novo regime”, indicou Leong. “O antigo regime está em vigor desde 1996 e passaram mais de 20 anos [...] o novo regime vai permitir novas aulas, mas também um regime de cooperação com empresas”, completou.

“Na verdade, os centros de explicações assumem como função principal tomar conta das crianças.” WONG KA KI DSEDJ

Actualmente, existem 34 cursos de ensino profissional em novo escolas, que abrangem cerca de 1.070 alunos. “São cerca de oito por cento dos alunos do ensino secundário. E em comparação com os anos anteriores não teve nem grandes aumentos nem reduções”, considerou o chefe da Divisão de Ensino Secundário. João Santos Filipe

Sociedade Protectora dos Animais de Macau, ANIMA, continua a atravessar dificuldades financeiras, apesar da campanha de angariação de fundos, que começou no dia 7 de Agosto, e que até agora apurou quase 1,35 milhões de patacas. Com o passivo que transitou de anos anteriores a rondar 1 milhão de patacas, a juntar às despesas mensais, a associação precisa de cerca de 150 mil patacas para não comprometer as contas de Setembro. Todos os meses, a ANIMA precisa de 800 mil patacas por mês para pagar salários, despesas de veterinário do mês transacto, comida para animais também do mês anterior, rendas e despesas como electricidade e combustíveis para veículos da associação. Os crónicos problemas de finanças da ANIMA foram agravados pelas novas de atribuição de fundos pela Fundação Macau, um dos factores que levou à organização da campanha de angariação de fundos, apesar de o presidente não executivo, Billy Chan, ter perdoado 500 mil patacas das 800 mil que emprestou à associação em 2020. Com gastos que não abrandam e fundos que diminuem, a ANIMA continua a travessia difícil para evitar cortar serviços. Até agora, os principais doadores da campanha de angariação de fundos são o público em geral e 80 mil patacas de três operadoras de jogo (Galaxy, Melco e MGM), valores que ficam aquém dos doados em anos anteriores. J. L.

DSI Novo serviço de auto-atendimento para certificar parentesco

A Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) passou a disponibilizar um serviço de auto-atendimento destinado ao requerimento de certificados de relação de parentesco. O serviço, disponível 24 horas por dia nos quiosques de serviço de auto-atendimento, permite aos residentes emitir um certificado para comprovar a sua relação parental, designadamente como pais, filhos, cônjuges, irmãos, avôs e netos. O serviço destina-se a maiores de 18 anos, titulares do bilhete de identidade de Macau do tipo “cartão inteligente”. Um pedido serve para certificar a relação de parentesco com, no máximo, oito elementos familiares, sendo que os requerentes podem levantar o certificado no próprio dia.


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sociedade 7

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Máscaras Nova ronda de distribuição começa hoje

FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS MAIS DE METADE VACINADOS

A toque de caixa A dois dias da entrada em vigor das orientações dos SAFP que prevêem faltas injustificadas para trabalhadores sem teste ou vacina, 60 por cento dos funcionários públicos estão inoculados contra a covid-19. Marcações deixam de ser obrigatórias em todos os 18 postos de vacinação a partir de amanhã

O

médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário Tai Wa Hou, revelou que a taxa de vacinação entre funcionários públicos é de cerca de 60 por cento. Isto, numa altura em que, à luz as novas orientações dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) relativas à prevenção da covid-19, a partir da próxima segunda-feira, todos os funcionários públicos devem apresentar,

à entrada do serviço, um comprovativo de vacinação contra a covid-19 ou um resultado negativo do teste de ácido nucleico efectuado nos últimos sete dias. Quem não cumprir as orientações fica impedido de trabalhar e a falta é considerada injustificada. O mesmo responsável frisou ainda que os atestados médicos para os trabalhadores inaptos para tomar a vacina podem ser emitidos, tanto nos postos de vacinação, após análise no local, como no Centro

Arranca hoje o 34.º plano de fornecimento de máscaras. As máscaras poderão ser adquiridas até ao próximo dia 23 de Outubro e as regras são semelhantes à ronda anterior, ou seja, cada pessoa pode comprar 30 máscaras com um custo de 24 patacas, mediante a apresentação de identificação num dos 72 postos de venda. Para as crianças entre os 3 e os 8 anos, continua a ser possível adquirir máscaras infantis. No total, revelaram ontem os Serviços de Saúde, já foram vendidas 219 milhões de máscaras em Macau desde o início do plano de fornecimento.

Hospitalar Conde São Januário e nos centros de saúde. Até ao momento, foram emitidos 913 certificados do género, 517 dos quais dizem respeito a funcionários públicos. Em termos gerais, até às 16 horas de ontem, havia em Macau 306 mil pessoas inoculadas com as duas doses da vacina contra a covid-19, de um total de 354 mil vacinados. Recorde-se que, desde que os Serviços de Saúde anunciaram as novas orientações de vacinação, o número de vacinados quase dobrou. A tendência, apontou Tai, manteve-se nas últimas duas semanas. “Conseguimos ver um aumento progressivo da

“Em todos os 18 postos será disponibilizada vacinação sem quotas a todos os residentes de Macau.” TAI WA HOU MÉDICO

taxa de vacinação. Na faixa etária entre os 20 e os 60 anos, temos cerca de 70 por cento da população vacinada e, por isso, notámos um aumento visível”, referiu. Questionado sobre se a orientação não constitui um constrangimento à liberdade de deslocação, Tai Wai Hou reiterou que “havendo escolha entre a vacina e o teste não existe qualquer limitação”. “Quando entramos num estabelecimento também temos de apresentar o código de saúde de cor verde”, acrescentou.

É só entrar

Durante a conferência de imprensa, Tai Wa Hou anunciou ainda que a partir a partir de amanhã deixa de ser obrigatório fazer marcação prévia para tomar a vacina em qualquer um dos 18 postos espalhados pelo território. No entanto, quem fez marcação terá prioridade. “Em todos os 18 postos será disponibilizada vacinação sem quotas a todos os residentes de Macau. Em cada posto, haverá duas vias

de vacinação. Uma fila para que não tem marcação e uma fila para quem fez marcação. Os residentes com marcação têm prioridade e os que não têm precisam de esperar no posto pela sua dose”, apontou ontem Tai Wa Hou, por ocasião da habitual conferência de imprensa sobre a covid-19. Também a partir de amanhã, a informação acerca do tempo de espera e o número de pessoas que aguarda pela toma da vacina em cada posto de vacinação, será colocada online. Relativamente aos surtos de covid-19 identificados em algumas regiões do Interior da China e ao aproximar dos feriados da semana dourada de Outubro, Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença deixou um apelo para a população “não se deslocar a esses locais”, a não ser que “seja mesmo necessário”. Pedro Arede

GRIPE AVIÁRIA DETECTADO CASO DE INFECÇÃO NA ÁREA DE GUANGDONG

O

S Serviços de Saúde de Macau (SSM) receberam informações das autoridades de Guangdong quanto ao registo de um caso de infecção humana pela gripe aviária de H5N6. Trata-se de um homem de 53 anos, residente da Aldeia Nova de Dongpu, Yangwu, da Vila de Dalingshan, da cidade de Dongguan, pertencente a Guangdong.

Segundo uma nota de imprensa, o homem começou a ter febre, dores de cabeça e tonturas a 13 de Setembro, tendo-se deslocado ao hospital no dia 18. No dia seguinte, começou a ter dificuldades em respirar e teve de ser ligado a um ventilador. O internamento numa unidade de cuidados intensivos aconteceu esta terça-feira. “As amostras de

expectoração foram testadas pelo laboratório com o resultado positivo para o vírus da gripe aviária H5N6”, aponta a mesma nota, sendo que “o estado do doente é ainda grave”. Antes da ocorrência dos sintomas, o doente apresentou um historial de exposição a pássaros selvagens e aves domésticas. Os SSM apelam aos residentes para

que evitem o contacto com aves, além de terem atenção aos cuidados de higiene individual e alimentar. Desde 2014, foram registados vários casos confirmados de infecção humana pela gripe aviária H5N6 nas províncias de Sichuan, Guangdong,Yunnan, Hubei, Hunan, Anhui, Região Autónoma da Etnia Zhuang de Guangxi e Jiangsu.

TURISMO MENOS 18 AGÊNCIAS DE VIAGEM A OPERAR

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ADOS da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que havia, no ano passado, menos 18 agências de viagens em operação face a 2019 devido à pandemia. Quanto ao número de empregados, era de 3.743 pessoas, menos 931 em termos anuais. As despesas deste sector foram, em 2020, de 2,18 mil milhões de patacas, menos 72 por cento, mas as receitas foram de 2,01 mil milhões de patacas, uma quebra de 75,7 por cento. Neste ponto, as receitas relativas às reservas de quartos, no valor de 574 milhões de patacas, baixaram 77,9 por cento, enquanto que as receitas provenientes das excursões, no montante de 334 milhões de patacas, foram menos 84,6 por cento. Já as receitas provenientes da venda de bilhetes de transporte de passageiros, foram de 329 milhões de patacas, menos 78,1 por cento. Além destas, as receitas oriundas do aluguer de automóveis de turismo com motorista, no valor de 472 milhões de patacas, baixaram 64,5 por cento. No ano passado aumentaram em oito o número de agências de viagens com menos de dez funcionários, num total de 107, devido ao facto de “algumas agências terem diminuído o número de pessoas ao serviço por causa da pandemia”.


8 eventos

A cruzar longitudes Nova temporada da Orquestra Chinesa de Macau começa hoje com concerto online

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concerto "Esplêndidas Paisagens" marca hoje o início da temporada 2021-2022 da Orquestra Chinesa de Macau (OCM). O espectáculo de abertura começa às 20h e será transmitido online no site oficial da orquestra, na sua página de Facebook e na conta de WeChat icmochm. Sob a batuta do maestro Hu Bingxu, a Orquestra Chinesa de Macau junta-se à famosa executante de suona Liu Wenwen, que irá interpretar o Concerto de Suona Ode ao Kylin, e Duan Aiai a cargo do Concerto de Erhu Capricho da Grande Muralha. O Instituto Cultural (IC) descreve Liu Wenwen, como “uma jovem artista pós-anos 90, uma das executantes de suona mais brilhantes, jovens e internacionalmente influentes”. Quanto a Duan Aiai, o IC destaca o currículo da artista, em particular o seu papel enquanto “instrumentista nacional de primeira classe e solista de erhu da Orquestra Chinesa de Xangai”. Amanhã às 14h30 e 15h30, a OCM apresenta dois espectáculos na Academia Jao Tsung-I, que combinam a música tradicional chinesa com o ambiente histórico e artístico dos museus. Segundo

Hu Bingxu

o IC, alguns dos espectáculos acontecem em simultâneo com exposições temáticas.

Entre mundos

A 13 de Outubro, às 20h, no grande auditório do Centro Cultural de Macau, acontece o espectáculo Outubro Musical “Ligação Este-Oeste em Música”, integrado no cartaz do Festival Internacional de Música de Macau. Neste concerto, a OCM vai apresentar “As Ilhas Irmãs”, uma obra prima do compositor Wang Chenwei, além de que o maestro Liu Ju vai juntar-se a dois executantes de instrumentos chineses e ocidentais. É o caso de Xie Nan, violinista de renome internacional e mais conhecida na China e no exterior pela sua execução do Concerto de Violino “The Butterfly Lovers”, e Su Chang, que tem sido a intérprete de referência do Concerto de Guzheng Ru Shi desde que estreou esta peça. No geral, a temporada 20212022 terá como tema principal “fusão e integração”, conceito baseado “na cooperação, criando um mundo artístico mais inclusivo através da música tradicional chinesa e proporcionando concertos com um rico conteúdo”.

Liu Wenwen

Duan Aiai

Albergue Seminário sobre arte e arquitectura amanhã É já este sábado que acontece o seminário “Architecture X Art” organizado pelo Albergue da Santa Casa da Misericórdia e pela Associação de Arquitectos de Macau (AAM), que contará com a presença Luo Yi como orador, antigo director do museu Today Art e director executivo

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do museu Today Design, e ainda consultor. Liu Xiaodu, director do museu Pingshan Art, em Shenzhen, é outro dos convidados. O seminário acontece no Hall D1 do Albergue SCM entre as 14h30 e 18h15 e o registo online pode ser feito através do website https://forms.gle/Nc-

8tHLbjDsS9JqPZA até hoje, mediante o pagamento de 450 patacas para o público em geral e 300 patacas para os associados da AAM. O seminário aborda o conceito de arquitectura e arte, uma “interessante fórmula que é usada de uma forma efectiva no desenvolvimento urbanístico”.

Uns para os

CINEMATECA DOCUMENTÁRIO DE MACAU E FILME LGBT EM DES

A obra de Macau “Once They Were Here” testemunha as agruras e as vitórias de uma clínica veterinária que serve de repositório do egoísmo da espécie humana. Em destaque na programação da Cinemateca Paixão está ainda o clássico do cinema gay “Lan Yu”, co-produzido na China e em Hong Kong. “Annete”, “It’s a Flickering Life” e “Moulin Rouge” estão também incluídos no cardápio de Outubro

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O nascimento à morte, passando por situações limite e injustiças, a ternura permanece. Pelo menos aquela que circula dos animais para a espécie humana. Incluído na programação de Outubro da Cinemateca Paixão, “Once They Were Here” é uma obra documental produzida em Macau que pretende por a nu situações resultantes dos maus tratos animais pela mão do homem. No entanto, através do testemunho do dia-a-dia de uma clínica veterinária de Macau aberta 24 horas, a obra realizada por Chit Hao e Teng Teng Chan, foca também a bondade e a compaixão que essa mesma mão, por vezes impiedosa, é capaz de transmitir e concretizar. A doença, o nascimento, a morte, a separação, a alegria e o envelhecimento parecem ser os ingredientes inevitáveis de uma relação desigual, pela qual, contudo, vale a pena lutar. “Once They Were Here” será exibido na Cinemateca Paixão nos dias 1, 2, 3, 5, 8, 10, 14 e 16 de Outubro. Após a sessão agendada para o dia 3 de Outubro, os realizadores da obra, Chit Hao e Teng Teng Chan, estarão disponíveis para conversar com o público.

Vencedor do prémio de melhor longa metragem no Festival Internacional de Cinema Gay - Glitter Award (2003) e exibido no Festival de Canne em 2001, “Lan Yu” conta a história de um jovem habituado à vida do campo que ruma a Pequim para estudar arquitectura. Inesperadamente, Lan Yu acaba por se apaixonar por Handong, dando início a uma história de amor intensa e turbulenta. “Lan Yu” é uma co-produção da China e de Hong Kong realizada por Stanley Kwan que pode ser vista na Travessa da Paixão nos dias 3, 7 e 13 de Outubro.

Mistérios musicais

Nomeado para a Palma de Ouro da edição deste ano do Festival de Cinema de Cannes, “Annete” é

“Once They Were Here” é uma obra documental produzida em Macau que pretende por a nu situações resultantes dos maus tratos animais pela mão do homem

Once They Were Here

Annete

outro dos destaques incontornáveis da programação da Cinemateca Paixão. Protagonizado por Adam Driver e Marion Cotilard, “Annete” assume os moldes de um musical para proporcionar um espectáculo de variedades pitoresco, que vai desde a ácida carreira de stand-up comedy de Henry (Adam Driver) até às aclamadas performances de Ópera de Ann (Marion Cotilard), a sua mulher. Pelo meio do glamour e felicidade do casal, tudo muda quando nasce a sua filha, Annete, detentora de um

CASA GARDEN INSTALAÇÃO INTERACTIVA DE CÉLIA BRÁS ABRIU ONT

“C

OMO Nunca teViste”, uma instalação interactiva da autoria de Célia Brás, abriu ontem portas na Casa Garden, sede da Fundação Oriente em Macau. Este é o novo projecto da 10 Marias - Associação Cultural e pode ser visitado até ao dia 10 de Outubro. Com esta instalação “o público será guiado pelo espaço de forma a que se

submeta aos objectos e equipamentos que irão produzir um jogo de sombras, com recurso a um projector e fontes específicas de luz, assim como filtros de correcção de cor, lentes fotográficas e sensores de movimento que serão activados por interacção do público”. Além disso, esta instalação conta com a projecção de um pequeno vídeo

que tem como “intenção clara evidenciar a Inquietação e o desassossego que se vive em Macau em plena época de restrições provocadas pelo novo coronavírus, que tem condicionado os habitantes de Macau a não sair do território durante tanto tempo”. Com este projecto cultural pretende-se que os visitantes pos-


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s outros

STAQUE EM OUTUBRO

Lan Yu

It’s a Flickering Life

dom simultaneamente misterioso e excepcional. Realizado por Leos Carax, “Annete” será exibido a 30 de Novembro e 2, 6 e 8 de Outubro. Directamente do Japão para a Cinemateca Paixão, chega “It’s a Flickering Life”. Realizado por Yoji Yamada, “It’s a Flickering Life” presta homenagem aos tempos áureos do cinema japonês dos anos 20, comemorando ao mesmo tempo o centenário da produtora Shochiku. O enredo da obra leva o espectador a acompanhar a história de Tora-san,

um pai ausente com dívidas de jogo que sempre sonhou ser realizador. “It’s a Flickering Life” pode ser visto na Cinemateca Paixão nos dias 25, 26 e 29 de Setembro. Da programação de Outubro da Cinemateca Paixão fazem ainda parte o clássico “Moulin Rouge” (EUA e Austrália), “Eternal Summer: 4K Remastered Version” (Taiwan), “Barbarian Invasion2 (Hong Kong e Malásia), “The Edge os Daybreak”, “Wheel of Fortune and Fantasy” (Japão) e Brother’s Keeper (Turquia e Roménia). Pedro Arede

TEM PORTAS sam interagir com a instalação, descobrindo a sua projecção e registando as imagens que pretendem. “O resultado final poderá ser captado por câmaras fotográficas ou telemóveis que registaram a sua interacção com os equipamentos em determinado momento e a forma como a sua sombra é recriada”,

aponta uma nota de imprensa. Célia Brás vive em Macau há 16 anos e é formada em engenharia multimédia e informática. Membro da 10 Marias - Associação Cultural, Célia Brás participou em diversos espectáculos promovidos por esta entidade, bem como na montagem de instalações e exposições.

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Anúncio Concurso público n.º 01/DSAL/2021 Prestação de serviços de segurança à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais

Os alertas do Velho Continente Autossuficiência tecnológica vai abrandar crescimento económico na China

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, em representação da entidade adjudicante, faz público que, por Despacho do Secretário para a Economia e Finanças de 25 de Agosto de 2021 e nos termos do artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, se encontra aberto o concurso público para a “Prestação de serviços de segurança à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais”. 1. Entidade adjudicante: Secretário para a Economia e Finanças. 2. Serviço por onde corre o processo do concurso: Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. 3. Duração da prestação de serviços: 1 de Dezembro de 2021 a 30 de Novembro de 2023, um período de 24 meses. 4. Condições gerais dos concorrentes: Podem participar no concurso, empresas que comprovem a satisfação do disposto sobre a titularidade do licenciamento válido para a exploração da actividade de segurança privada, nos termos da Lei n.º 4/2007 (Lei da actividade de segurança privada), bem como com o registo comercial efectuado na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e com comprovado cumprimento das suas obrigações fiscais. 5. Local, data e horário para consulta do processo do concurso e obtenção da cópia do processo: • Local: Divisão Administrativa e Financeira da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2.º andar, Macau. • Data: a partir da data da publicação deste anúncio no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau até à data e hora marcadas para o acto público do concurso. • Horário: Dias úteis (2.ª a 6.ª feira, das 09:00h às 13:00h; 2.ª a 5.ª feira das 14:30h às 17:45h; 6.ª feira das 14:30h às 17:30h). • Custo de aquisição de cópia do processo do concurso: MOP 500,00 (quinhentas patacas). • Os interessados no concurso também podem descarregar (download) gratuitamente o Programa do concurso e o Caderno de encargos na página electrónica da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (https://www.dsal.gov.mo). 6. Local, prazo e hora para a apresentação das propostas: • Local: Divisão Administrativa e Financeira da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2.º andar, Macau. • Prazo e hora: 20 de Outubro de 2021 (4.ª feira), até às 17:30h (não serão aceites propostas entregues fora do prazo). 7. Caução provisória: MOP 160 000,00 (cento e sessenta mil patacas), que pode ser prestada por garantia bancária ou depósito em numerário em nome da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais da Região Administrativa Especial de Macau. 8. Local, data e hora do acto público do concurso: • Local: Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2.º andar, sala de formação 2F11, Macau. • Data e hora: 21 de Outubro de 2021 (5.ª feira), pelas 10:00h. Nota: Os concorrentes ou os seus representantes presentes no acto público do concurso que pretendam reclamar e/ou esclarecer dúvidas eventualmente surgidas nos documentos apresentados, deverão mostrar documentos que atestem o seu estatuto. 9. Sessão de esclarecimento e visita às instalações: A sessão de esclarecimento destinada aos concorrentes terá lugar no dia 29 de Setembro de 2021 (4.ª feira), pelas 09:30h, no rés-dochão da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, Macau. Após esta sessão será feita uma visita aos locais a que se destina a prestação de serviços deste concurso. Aos 16 de Setembro de 2021.

O Director, substituto, Chan Un Tong

Caso o país adoptasse reformas integrais de mercado, a produção económica da China por pessoa poderia aumentar até 3,5 vezes, ao longo dos próximos 25 anos, estimou a mesma fonte. “A China corre o risco de ficar abaixo do seu potencial”, disse Wuttke. A Câmara citou uma estimativa do Fundo Monetário Internacional, de que o nível de produtividade da China é de apenas 30 por cento, quando comparado aos níveis dos Estados Unidos, Japão ou Alemanha. A Câmara apelou a Pequim para abrir os sectores das telecomunicações, finanças e outros dominados pelo Estado, e fez 930 recomendações, incluindo um apelo aos reguladores para esclarecer a campanha regulatória no sector da Internet. O país asiático deve “aumentar a integração na economia global e afastar-se da ‘autossuficiência’”, apontou-se no relatório.

Retidos no exterior

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campanha do Partido Comunista Chinês (PCC) para aumentar o controlo sobre indústrias chinesas e reduzir a dependência de tecnologia estrangeira está a afectar o crescimento económico do país, alertou ontem um grupo empresarial europeu. A Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China apelou a Pequim para reverter o curso e abrir mais os sectores de mercado dominados pelo Estado. O relatório acrescentou advertências sobre os custos da estratégia de Pequim, numa altura em que o ritmo de crescimento económico está a abrandar e a população chinesa a envelhecer, preconizando o fim de uma era de altas taxas de crescimento. Os planos do PCC estão também a abalar as relações com Washington e vários países europeus, que acusam a China de violar os seus compromissos comerciais, de maior abertura do mercado, aquando da sua adesão à Organização Mundial do Comércio. O grupo empresarial europeu alertou que a China corre o risco de sufocar a inovação, ao aumentar as restrições e

controlos sobre o emergente sector digital e outras empresas do sector privado, e ao tentar nutrir firmas domésticas para produzir ‘chips’ de processador e outras tecnologias que importa actualmente dos Estados Unidos, Europa e Japão. Pequim está a estimular os bancos, fabricantes e empresas do sector dos serviços a usar tecnologia chinesa, mesmo quando as alternativas estrangeiras são mais eficazes. “Vemos que, na verdade, eles estão dispostos a sacrificar o potencial de crescimento para, francamente, aumentar o controlo económico e político”, disse o presidente da Câmara, Joerg Wuttke, aos jornalistas.

A Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China apelou a Pequim para reverter o curso e abrir mais os sectores de mercado dominados pelo Estado

A economia chinesa deve crescer 8,5 por cento este ano, à medida que se recupera da pandemia do novo coronavírus. Mas o crescimento deve cair abaixo dos 5 por cento, após 2025, numa altura em que uma população envelhecida exigirá mais gastos com o bem-estar social. A Câmara, que representa cerca de 1.700 empresas europeias na China, também apelou a Pequim para permitir a entrada de mais empresários estrangeiros e outros visitantes. Alguns funcionários considerados essenciais pelas suas empresas ficaram retidos no exterior, quando Pequim suspendeu as viagens, no início de 2020, devido à pandemia da covid-19. O último censo da China apurou que há apenas 845.697 estrangeiros a viver no país mais populoso do mundo, ou 0,06 por cento do total de 1,4 mil milhões de habitantes. Wuttke afirmou que aquela poderá ser a menor percentagem entre todos os países do mundo. O número de residentes estrangeiros em Pequim e Xangai, cidades com uma população combinada de 45 milhões de pessoas, caiu 60 por cento, de 2019, para 127.000, no ano passado.


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ofício dos ossos

VALÉRIO ROMÃO

Parabéns, Guilherme. Dezoito anos. Uau. Parece que foi ontem. No dia em que nasceste, eu e a tua mãe tínhamos ido almoçar fora. Já no fim do almoço ela começou a sentir algumas contracções mais fortes. Sabíamos que estavas perto. Não nos tínhamos apercebido de que estavas mesmo ali. Estávamos tão romanticamente embevecidos com a tua vinda que nem quisemos saber se eras menino ou menina, para desespero cromático de toda a família e amigos. Nos primeiros três meses da tua vida vestiste-te unicamente de bege. Lembro-me da tua mãe, à porta da entrada das parturientes, na maternidade Alfredo da Costa, a acabar um corneto de chocolate entre contracções. Não se ia afinal desperdiçar um gelado por conta de um assunto que podia tranquilamente esperar quinze minutos (passadas aquelas portas a única coisa que existe é tempo). Nasceste às 19:34. Lembro-me que estava a dar um jogo do Benfica na televisão da sala de espera. Não me lembro do resultado ou com quem jogava, mas pareceu-me adequado para uma sala de espera apinhada de homens a roer as

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Parabéns, Gui! unhas e num vai-e-vem para fumar cigarros lá fora. Vinhas minúsculo, embrulhado numa trapagem de hospital, entre as pernas da tua mãe, sobre a maca. Minúsculo e glorioso, feixe de luz prismática reflectindo todas as possibilidades do mundo. Irias ser médico, artista, lutador de MMA, nómada digital – como sói dizer-se agora – ou quiçá astronauta, como o teu pai sonhou ele próprio ser quando começou a olhar para as estrelas e a fazer perguntas sem resposta. Durante dois anos foste isso tudo. O teu nome foi um problema, sabes? Estávamos à espera de uma menina. Chamar-te-ias Alice, como a nossa heroína do Lewis Carol e a avó da tua mãe. O facto de vires de série acoplado com mangueirinha de irrigação estragou os nossos planos. Durante quinze dias o teu nome foi Inominável Custódio Romão. Ainda pensámos registar-

te assim (mentira; eu pensei, a tua mãe nunca). Os nomes masculinos pareciam-nos quase todos banais. Ou pior, associados a pessoas de quem não gostávamos nem um bocadinho. «Que tal Rogério?», perguntava a tua mãe. «Nem pensar, conheci um Rogério que era estúpido como uma fatia de fiambre». E assim andámos até perceber que não conhecíamos nenhum Guilherme que nos tivesse deixado uma impressão negativa. E não soava de todo mal: Guilherme Custódio Romão. Fica bem numa capa, num letreiro de um filme, até na porta de um escritório. Quando percebemos que nada do que pensámos para ti serias tu tivemos de chorar algumas noites. Alguns dias. A cada golfada de ar íamos substituindo possibilidade por realidade. Como diz um verso de um poema chinês de que gosto muito «estávamos a lavar-nos

VINHAS MINÚSCULO, EMBRULHADO NUMA TRAPAGEM DE HOSPITAL, ENTRE AS PERNAS DA TUA MÃE, SOBRE A MACA. MINÚSCULO E GLORIOSO, FEIXE DE LUZ PRISMÁTICA REFLECTINDO TODAS AS POSSIBILIDADES DO MUNDO

impecavelmente com lágrimas». Não tem nada a ver contigo, sabes? Nós é que nos deixámos engordar com as possibilidades que deveriam ter sido apenas tuas. Mas é inevitável. Pergunta a qualquer pai. Quer dizer, se conseguisses falar talvez o fizesses. Tudo o que era romantismo em nós se converteu em feroz pragmatismo. Para teu bem, endurecemos. Tivemos de o fazer, sabes? Tentaram enganar-nos mil vezes quando eras mais novo. Médicos com mais ganância que escrúpulos, terapeutas que nos receitavam banhos de sal grosso, amigos e desconhecidos bem-intencionados com histórias tão encorajadoras como irrepetíveis. Tivemos de pôr um filtro de chumbo entre a realidade e o coração, ou estaríamos condenados a submergir até deixar de te ver. Agora começa uma etapa nova na tua vida. Acabou a escola. O estado não sabe o que fazer contigo. Não és prioridade de ninguém a não ser a nossa e daqueles que aprenderam a te amar. Deixa, a gente desenrascase, como sempre o fizemos. Não te preocupes, filho.


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crónico oriente

DUARTE DRUMOND BRAGA

Em 2016, Monica Simas e Graça Marques publicaram o livro Contributos para o Estudo da Literatura de Macau. Trinta autores de Língua Portuguesa. Foi editado em Macau, pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M. É um livro que se vem somar à crítica produzida sobre literatura em língua portuguesa de Macau, sendo um importante momento desse esforço. Só para referir algumas obras e melhor enquadrar o interessado, nós já tínhamos algumas coletâneas ou antologias (nos anos 80 a fundamental obra em 5 volumes De Longe à China, de Carlos Pinto Santos e Orlando Neves), mas também histórias literárias propriamente dita, como a de José Carlos Seabra Pereira em O Delta Literário de Macau (2015). Estes Contributos para o Estudo da Literatura de Macau (2016), da autoria da investigadora brasileira Monica Simas e da professora portuguesa de Macau Graça Marques, são algo de diverso. Não são nem uma antologia crítica, nem um dicionário (o DITEMA teve verbetes também sobre literatura), nem um ensaio de história e de crítica literárias no seu modelo mais clássico. Ao modo de um dicionário, os 30 autores escolhidos são organizados alfabeticamente pelo apelido e não cronologicamente, mas não temos acesso aos textos, como aconteceria numa antologia, apenas a detalhados verbetes bio-bibliográficos, seguidos de escorços críticos sobre as obras desses autores. Neste sentido, há uma diferença fundamental em relação a De Longe à China, que privilegiava a divulgação. Isto mostra uma escolha pragmaticamente acertada, porque trabalhando com autores essencialmente do XX, cujas obras não são difíceis de serem encontradas, a recolha dispensa a função de dar a conhecer textos em primeira mão. Acontece que o conceito de literatura de Macau é em si mesmo um problema. Esta questão não é muito tratada pelas autoras, o que mostra que as propostas críticas de Ana Paula Laborinho, David Brookshaw ou Daniel Pires, que ganharam corpo no final da administração portuguesa do território, já assentaram,

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Macau, Trinta Autores de Língua Portuguesa gerando uma tradição de leitura de um corpus em língua portuguesa. Assim, estes Contributos entram em cena como sofisticado manual da literatura de Macau, e bem poderia ser esse o seu título, não fora o tom didático que associamos a essa designação. Não obstante, o leitor tem aqui acesso a uma introdução a esta literatura, através de 30 autores de língua portuguesa, da segunda metade do século XIX até aos dias de hoje, num panorama crítico muito bem conseguido.

Os textos críticos operam, como seria de esperar, uma série de rearrumações no cânone. Estende-se não só à poesia e à ficção, mas também a géneros como a diarística e a crítica (Graciete Batalha), bem como a crónica (António Conceição Júnior), trazendo estes duas figuras da cultura e da sociedade para a literatura de Macau. Dãonos boas e também refrescantes leituras os excelentes ensaios dedicados a autores consagrados desta tradição literária, como Maria Ondina Braga, Henrique

Senna Fernandes e Adé. Outro tipo de modificação no cânone é a entrada de novos autores, mas com produção já de monta, como Carlos Morais José. A este respeito, é de estranhar o preterimento de dois poetas importantes, Jorge Arrimar e Yao Feng. Dizemos isto mesmo apesar de sabermos que apontar ausências ou presenças a uma antologia crítica é desconhecer que o gesto antológico depende de várias circunstâncias e pretende sempre ser desencadeador de modificações no cânone literário.

OS AUTORES DE MACAU DESPRENDEM-SE DESTE LIVRO COMO UMA CONSTELAÇÃO ORGÂNICA, ENRAIZADA NESSE TERRITÓRIO CHINÊS COMO UM SIGNIFICANTE DOS SEUS MOVIMENTOS O texto crítico dos verbetes trabalha com vários tópicos: a identidade de Macau e a identidade macaense, a escrita de uma cidade em transformação contínua e sobretudo as formas pelas quais os autores refletem sobre uma cidade aberta, mas na qual essa abertura trouxe e traz enormes questões. A maior de todas foi sem dúvida as expectativas e incertezas em torno da transferência de soberania, que polariza – este livro mostra-o muito bem – uma série de obras que surgem entre 1986 e 1999. Em suma, os autores de Macau desprendem-se deste livro como uma constelação orgânica, enraizada nesse território chinês como um significante dos seus movimentos. Fica claro da leitura dos ensaios que estes são autores de Macau não porque tenham escolhido o território para aí habitarem por alguns anos – como foi a certa altura pensado –, mas porque devolvem um rosto em língua portuguesa a essa cidade, interrogando-a e escrevendo-a, sendo por esta razão que Macau sempre tem forte incidência temática em suas obras.


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GONÇALO M. TAVARES

Legendas sem Fotografias (5)

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FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO

entre oriente e ocidente

Família, infância

ARTES, LETRAS E IDEIAS

Qualquer coisa, felicidade

RECORDAÇÕES DE C 1 - Porto, 1949 Esta é a tal fotografia polémica. Nesta data, a L. esteve no Sá da Bandeira com uma peça em que fazia de bailarina. Convidou um corpo de baile de profissionais. Á direita está a minha mulher, as duas da esquerda são as suas irmãs e que a que tem gola de pele é bailarina. Clara qualquer coisa. Desculpem. Não me lembro do nome. Somos todos qualquer coisa. Com o tempo, perdemos vários nomes e ficamos João, qualquer coisa, Clara, qualquer coisa. Eu sou o Carlos qualquer coisa para algumas pessoas, de certeza, que estão agora a ver fotografias onde por acaso apareço eu. E isso também me arrepia: pensar que, em algum lado, neste momento, estão a ver uma fotografia em que eu apareço. Que direito têm elas de me ver se eu não estou presente e nem sequer sabem quem eu sou? Não gostava de ser Carlos qualquer coisa para ninguém. Mas sei que sou. E ser Carlos qualquer coisa já nem é assim tão mau. Podia ser só qualquer coisa que estava para ali na fotografia. Ser Clara qualquer coisa ou Carlos qualquer coisa, não é mau, não é mesmo nada mau.   RECORDAÇÕES DE P. 1 - Casino de Espinho, casamento da prima D., 1968 Eu com os meus pais. Nunca fui muito feliz. Não me lembro onde estamos... é estranho isso: não sei onde estamos, mas sei onde eu estava. Estava num sítio em que não era muito feliz. Gostaria muito de ter saído desse sítio. De ser fácil sair desse sítio. Seria bom que que bastasse levantar-me e começar a andar para sair desse sítio onde estava infeliz. Mas não é assim que as coisas acontecem. Fartei-me de andar e não saía do mesmo lugar. Deve haver um movimento qualquer que é capaz disso. Alguém que aprenda a voar, por exemplo, e saia por cima, sem ninguém ver. Mas eu só aprendi a andar. Dançar é só uma forma de andar aperfeiçoada. Acho que vou ficar neste sítio que não sei onde é, entre os meus pais, para sempre. É como se não tivesse saído desta fotografia. É estranho, não é? a partir da Natureza Fantasma de Marco Martins e Companhia Maior ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES


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SQUID GAME | HWANG DONG-HYUK

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C I N E M A

SALA 1

Mark Fattibene 16.30

Um filme de: Destin Daniel Creton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

SALA 3

SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]

Há uma semana que a imagem de “Squid Game” me tentava no menu do Netflix. Com um conceito visual apelativo, entre as cores ténues e padrões geométricos dos cenários de Wes Anderson e a extravagância cénica de “Laranja Mecânica”, “Squid Game” é uma espécie de “Hunger Games” para adultos. Profundamente violento, a série sul-coreana assenta numa série de jogos que prometem um prémio bilionário em troca do risco de vida. Os concorrentes são pessoas perseguidas por dívidas impagáveis e que no desespero estão prontas para jogar a própria vida. Série viciante e de grande qualidade. João Luz

YUAN

SALA 2

DUNE [B]

Um filme de: Denis Villeneuve Com: Timotheé Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac 14.30, 18.30, 21.15

MY LITTLE PONY: A NEW GENERATION [A]

Um filme de: Rober Cullen, José L, Ucha,

ZERO TO HERO [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Jimmy Wan Com: Sandra Ng, Louis Cheung, Leung Chung Hang, Fung Ho Yeung 19.30

THE CURSED: DEAD MAN’S PREY [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-wan Com: Uhm Ji-won, Jung Ji-so, Jung Moon-sung, Oh Yoon-ah 14.30, 21.30

2 0 7 5 1 6 3 5 6 0 9 4 4 1 9 7 8 3 8 7 1 6 4 2 MY LITTLE PONY: A NEW GENERATION 0 4 3 8 7 5 7 2 5 9 0 1 Propriedade 6 9 4Fábrica 2 de3Notícias, 8 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo 9 3M.Tavares; 8 4 Gonçalo 5 7Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 5 6 Paul 0 Chan 1 Wai 2 Chi; 9 Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Rasquinho; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 1 8Morada 2 Pátio 3 da6Sé, 0n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare

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Edital n.º Processo n.º Assunto Local

EDITAL

: 60/E-BC/2021 : 142/BC/2020/F : Demolição de obras não autorizadas pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) : Beco do Gonçalo n.º 1, Edf. Long Sou Kai, parte do terraço sobrejacente à fracção 3.º andar A, escada comum entre os 3.º e 4.º andares, Macau

Lai Weng Leong, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 04/SOTDIR/2021, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 33, II Série, de 18 de Agosto de 2021, faz saber que ficam notificados os donos das obras ou seus mandatários, bem como os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Obra 1.1

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento com janelas de vidro, pala metálica, Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de cobertura de betão e portão metálico na parte do terraço sobrejacente evacuação. à fracção 3.º andar A. 1.2 Instalação de um portão metálico na escada comum entre os 3.º e 4.º Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de andares. evacuação. 2. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 23 de Junho de 2020, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. 3. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 8) do n.º 1 do Despacho n.º 04/SOTDIR/2021, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 33, II Série, de 18 de Agosto de 2021, e por despacho do signatário de 9 de Setembro de 2021 exarado sobre a informação n.º 07146/DURDEP/2021, ordena aos interessados que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à respectiva demolição e à reposição dos locais afectados, bem como à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes e à sua desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Uma vez iniciados os trabalhos, os infractores não poderão solicitar o seu cancelamento. Os materiais e equipamentos deixados nos locais acima indicados ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e do n.º 18 do Despacho n.º 04/SOTDIR/2021, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 33, II Série, de 18 de Agosto de 2021, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 9 de Setembro de 2021 Pela Directora de Serviços O Subdirector Lai Weng Leong


sexta-feira 24.9.2021

www.hojemacau.com.mo

confeitaria

opinião 15

João Romão

TURISMOS FUTUROS ENTRE AS ACTIVIDADES económicas mais afectadas pela pandemia global do covid-19 estão certamente as relacionadas com o turismo, por definição associadas à mobilidade de pessoas, a deslocações para zonas diferentes da “residência habitual” à qual temos maior ou menor vínculo. Um pouco por todo o mundo, as características da doença e das suas formas de propagação impuseram severas e inevitáveis restrições aos movimentos de pessoas, a forma possível de proteger as comunidades. Os fluxos internacionais, em particular, foram largamente afectados por estas limitações decorrentes de uma doença que se propaga internacionalmente mas que é tratada a partir de serviços de saúde nacionais. Esta pandemia ocorreu num tempo histórico concreto: é uma altura em que se acumulam evidências sobre a degradação ecológica do planeta e se antecipam mais seriamente limitações à possibilidade de vida humana na Terra. Não é só o esgotamento de recursos naturais não renováveis, cientificamente demonstrados pelo menos desde a publicação pelo “Clube de Roma” do relatório “Limites do crescimento”, em 1972: são também os impactos dessa sobre-exploração (e as decorrentes emissões de dióxido de carbono ou outros gases tóxicos na atmosfera) sobre a destruição de ecossistemas variados e consequentes profundas alterações em curso que se vão observando e medindo no clima em que temos que viver. Esta é também uma altura em que se manifestam sinais cada mais relevantes da concentração da riqueza global, a contrariar a tendência para uma maior justiça social que foi caracterizando o século 20, sobretudo a seguir à segunda guerra mundial, com a relativa hegemonia ideológica de correntes sociais-democratas em grande parte do planeta, as inerentes políticas de reforma dos sistemas económicos e a emergência de diferentes formas de regulação dos movimentos de capitais e dos mercados de trabalho, limitações à duração das jornadas laborais, direito ao lazer, obrigatoriedade de salários mínimos e períodos de férias pagas, ou outros direitos até então desconhecidos nas economias de livre mercado - e que hoje vão eventualmente desaparecendo, em nome de uma certa “flexibilidade” que também representa novas formas de informalidade, ilegalidade ou abuso, por acaso não tão raras na prestação de serviços relacionados com o turismo. Estas reconfigurações contemporâneas dos sistemas económicos são também facilitadas por desenvolvimentos tecnológicos ligados à transmissão e processamento da informação, à digitalização das economias e dos quotidianos, que também transforma modos de lazer, formas de consumir e, naturalmente, de viajar. Além de facilidade com que hoje se conhecem antecipadamente destinos de viagem e possíveis consumos, também se facilita a partilha em diferentes plataformas de socialização digital das “experiências” que se viveram - um processo de

digitalização e mediatização da viagem que vai da inspiração à reflexão, passando pelo consumo e pela experiência, como referem os estudiosos da matéria. De igual forma - e talvez sobretudo - esta digitalização também trouxe ao turismo uma nova oportunidade, a de se viajar sem se deixar de trabalhar, a de abandonar fisicamente o lugar habitual de trabalho e de residência mas ainda assim permanecer disponível e em contacto permanente, instantâneo e tendencialmente gratuito, com inusitada facilidade de comunicação e transmissão de dados. Nem o lazer nem o turismo correspondem hoje necessariamente a momentos em que se interromperam as rotinas habituais - e em particular as decorrentes de tarefas profissionais. Outra característica particularmente relevante para assinalar o contexto em que emerge a pandemia de covid-19 é a importância sem precedentes históricos que o turismo assumiu nas economias e sociedades, uma certa democratização em grande parte do planeta (também em resultado das conquistas sociais que a classe trabalhadora foi acumulando ao longo do século 20), que se foi traduzindo na emergência de novos produtos, serviços e mercados de massas, numa mercantilização crescente dos momentos de lazer, das paisagens, dos espaços naturais, do património cultural ou até dos espaços públicos dos destinos turísticos melhor sucedidos - e que deixaram de se situar em áreas relativamente inóspitas e isoladas para passarem a ocupar também os centros das cidades de todo o mundo. Esta massificação seria ainda acompanhada por novas oportunidades mercantis poten-

É esta massificação de experiências supostamente individuais e personalizadas - mas que na realidade assentam na mesma brutal extração em larga escala de recursos naturais, culturais, humanos e paisagísticos que são de todos - que começamos a presenciar nos primeiros sinais de um certo regresso ao “velho normal” da economia e dos fluxos turísticos anteriores à pandemia de covid-19 ciadas pela digitalização: a transformação do parque residencial urbano em alojamento turístico, em nome de uma suposta partilha de recursos e de uma plena integração do turista na comunidade que visita, mas que afinal induz um processo sistemático de exclusão, de expulsão de residentes permanentes dos bairros centrais das cidades para passar a

alojar turistas, numa rotação permanente e acelerada que transforma (ou destrói) os tais modos de vida tidos como “típicos”, “autênticos” ou “únicos” que justificavam a atractividade turística. Além do manifesto impacto ambiental, o turismo de massas contemporâneo veio acelerar os processos de gentrificação em curso nos centros urbanos na sua transição contemporânea de uma economia centrada nas grandes unidades fabris de produção repetitiva e automatizada para uma outra, orientada para as pequenas unidades de produção, mais criativas e flexíveis na abordagem a processos produtivos cada vez mais orientados para a personalização e a individualização dos consumos, incluindo os relacionados com as cada vez maiores indústrias do entretenimento, do lazer e do turismo. É esta massificação de experiências supostamente individuais e personalizadas - mas que na realidade assentam na mesma brutal extração em larga escala de recursos naturais, culturais, humanos e paisagísticos que são de todos - que começamos a presenciar nos primeiros sinais de um certo regresso ao “velho normal” da economia e dos fluxos turísticos anteriores à pandemia de covid-19. É dessa extração sistemática e violenta que vivem os sistemas económicos contemporâneos, por muito que se anunciem inovadoras formas de criatividade, “sustentabilidade” ou “resiliência”: à falta de alternativas que disputem esta hegemonia do neo-liberalismo dominante, é a esta exploração desenfreada dos recursos de um planeta em auto-destruição que vamos voltar rapidamente.


‘‘Saber como se faz uma coisa é fácil; fazê-la é que é difícil.’’ PALAVRA DO DIA

Terêncio

A dar as últimas Presidente do Evergrande pede que se faça “tudo o que for possível” para honrar compromissos

O

presidente do grupo de imobiliário Evergrande, cuja possível falência pode abalar a economia chinesa, pediu ontem à empresa que “faça tudo o que for possível” para honrar os seus compromissos, refere a imprensa do país. O grupo privado está a ter dificuldades em cumprir com o serviço de dívida, que ascende ao equivalente a 260 mil milhões de euros – superior ao Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal. A entrada em incumprimento pode resultar numa forte desaceleração nos sectores de construção da China e causar turbulência nos mercados financeiros mundiais. O Evergrande enfrenta há várias semanas, em toda a China, manifestações de compradores de apartamentos e investidores que

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exigem as casas, muitas que ficaram inacabadas, ou o dinheiro que investiram. O presidente do grupo, Xu Jiayin, convocou mais de 4.000 executivos da empresa para exortá-los a “dedicar toda a sua energia à retoma do trabalho, à produção e à entrega de bens imóveis”.

Outrora dono de uma das maiores fortunas da China, Xu também destacou que o grupo deve “fazer tudo o possível para honrar” os seus compromissos.

Pagamentos em causa

O Evergrande enfrentou ontem novo prazo para cumprir

o pagamento de 83,5 milhões de dólares, em juros, sobre obrigações emitidas em dólares norte-americanos. Incapaz de obter empréstimos nos mercados financeiros e com falta de liquidez, o grupo tentou reembolsar alguns destes credores com lugares de estacionamento e imóveis inacabados. “Só com a recuperação plena e total das nossas obras, da nossa produção, das nossas vendas e das nossas operações é que poderemos garantir os direitos e interesses dos proprietários dos apartamentos e garantir o pagamento aos investidores”, apontou Xu Jiayin, de acordo com o jornal de notícias financeiras China Securities Journal. O Governo chinês não indicou ainda se pretende ou não intervir a favor do conglomerado privado.

sexta-feira

24.9.2021

CULTURA VISITAS A MONUMENTOS CRESCEM MAIS DE 60 POR CENTO

A

aposta das autoridades na promoção de visitas turísticas em Macau levou a um aumento da procura por passeios ligados ao património. É o que revela o mais recente “inquérito à participação dos cidadãos em actividades culturais”, levado a cabo pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Os dados mostram que 123.100 residentes realizaram vistas a museus ou locais ligados ao património, um aumento de 60,6 por cento “devido à promoção das excursões locais”. Outro sector muito procurado, foi o das bibliotecas, que contou com a visita de mais de 150 mil residentes no segundo trimestre deste ano, um aumento de 39,4 por cento em termos anuais. A taxa de participação dos estudantes nesta actividade foi de 80,6 por cento, mais 14,5 por cento em termos anuais. As idas ao cinema foi uma das actividades cultu-

rais em alta, desta vez com a participação de 124.300 residentes, um aumento de 29,5 por cento em relação ao segundo trimestre de 2020. A DSEC aponta ainda que “33.200 residentes assistiram a filmes ou vídeos produzidos em Macau”, uma redução de 14,2 por cento. A queda deu-se ainda nas idas aos espectáculos, procurados por apenas 38.600 residentes, menos 5,2 por cento em termos anuais. Um total de 28.200 residentes visitaram exposições, um aumento de 18,2 por cento. Em termos gerais, o número de pessoas que participaram em actividades culturais teve uma grande quebra no primeiro trimestre devido à pandemia, mas com a reabertura de espaços houve um aumento anual de 27 por cento de participação no segundo trimestre. Um total de 291 mil residentes participaram em eventos ligados à cultura.

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Hoje Macau 24 SETEMBRO 2021 #4859  

Nº 4859 de 24 SETEMBRO de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

Hoje Macau 24 SETEMBRO 2021 #4859  

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