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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEXTA-FEIRA 24 DE NOVEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3942

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

SOFIA MARGARIDA MOTA

MOP$10

hojemacau JOGO SECRETÁRIO ESCONDE CRITÉRIOS DE RENOVAÇÃO DE LICENÇAS POR CAUSA DA CONCORRÊNCIA

Hong Kong está liquidado ENTREVISTA

CHINA

Xi mais Xi igual a Xi PÁGINA 10

As galinhas dos vizinhos

Lionel Leong não divulga os critérios de renovação das licenças de jogo porque teme a concorrência das regiões límitrofes, que também querem apostar em casinos. PÁGINA 4

PADROEIRA DE MACAU PUB

h JOSÉ SIMÕES MORAIS

h ANTÓNIO CABRITA

ARMELLE LAINSECQ REALIDADE, QUAL REALIDADE? EVENTOS

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‘‘

DUARTE TRIGUEIROS


2 ENTREVISTA

Duarte Trigueiros, investigador do ISCTE e docente convidado na Universidade de São José e Instituto de Estudos Europeus, considera que a possibilidade do deputado Sulu Sou poder perder o mandato poderá afastar investidores. Duarte Trigueiros alerta também para a maior dimensão do branqueamento de capitais na área do imobiliário em relação aos casinos Falávamos há pouco sobre a questão do património de Macau e da integração regional. Disse temer que venha a acontecer o mesmo com a regulação bancária. Macau tem condições para ser uma região como a Suíça, mas não me refiro a questões como fuga de impostos. Pode ser um lugar onde os investidores gostam de ter contas bancárias. Mas é preciso que o sistema judicial de Macau continue a ser independente do poder político, porque se não os investidores não vêm. A última coisa que eles querem é tribunais que não sejam independentes. Nós temos esperança de que as características mais importantes da Lei Básica, aquelas que mais distinguem Macau da China, sejam preservadas. Porque advirá muita riqueza e oportunidades para Macau. A China tem um sistema de partido único, isso é intocável, e é um sistema onde

não pode existir uma completa imparcialidade dos tribunais, uma vez que existe um partido que está acima disso. Se aqui em Macau a independência do poder judicial não fosse manchada por suspeitas de parcialidade e interferência do poder Executivo... Nem imagina o mal que pode vir e que já veio, infelizmente, da concepção que os tribunais possam estar demasiado dependentes do poder Executivo. Que sinais destaca? Toda a gente em Macau estranhou a forma como o julgamento do ex-procurador do Ministério Público (Ho Chio Meng) foi levado a cabo. Foi um pouco exagerado, tanto que era considerada uma pessoa de primeira linha e esteve muito exposto ao escrutínio internacional. Agora estamos outra vez por um fio, porque existe este caso do deputado que pode perder o mandato [Sulu Sou]. Parece-me que estão todos a querer que ele perca o mandato. Eles não percebem que isso é um erro para Macau, é mais um tiro no pé. Inclusivamente para a economia, os investidores vão perceber? Claro. A China não ganha nada com isso e estou até convencido que não gosta destes exageros, não são favoráveis à sua política. Aconteceu um caso semelhante em Hong Kong. Mas Hong Kong já está liquidado. É o exemplo a não seguir. Hong Kong está liquidado não tanto pela culpa dos governos, nem talvez por culpa da polícia, mas sim porque nunca leram autores como Lenine, que explica as técnicas de provocação. Foram usadas em Hong Kong técnicas muito reprováveis de provocação e a pior maneira de reagir à provocação é reagir e reagir fortemente. É pena ver chineses a porem em causa a nacionalidade chinesa e ver habitantes de Hong Kong a ocuparem edifícios à força. Mas se a reacção for demasiado visível e violenta, então como Lenine e muitos outros teóricos explicaram, quem ganha são os agitadores. Infelizmente foi isso que aconteceu. Houve alguns receios do impacto financeiro que o movimento Occupy Central teria na economia, mas a verdade é que Hong Kong manteve a robustez do seu mercado financeiro. Hong Kong tem dois aspectos: um que interessa à China por si só, que é a existência de serviços financeiros muito experientes e fiáveis. Mas também tem o lado de ser um íman de dinheiro internacional de quem quer adquirir raízes

DUARTE TRIGUEIROS INVESTIGADOR E DOCENTE, SOBRE CASO SULU SOU

“É um erro para Macau, é mais um tiro no pé”


3 sexta-feira 24.11.2017 www.hojemacau.com.mo

SOFIA MARGARIDA MOTA

em Hong Kong antes de lançar-se para a China. Os que vêm de fora, sobretudo ocidentais, estão agora a olhar para Hong Kong de uma maneira como antes não olhavam. E aí perdeu-se alguma coisa. Macau tem essa oportunidade e capacidade para ser uma alternativa? Macau ainda não tem o know-how que vem do lidar directamente com mercados de capitais e produtos financeiros mais sofisticados, mas isso vai-se adquirindo à medida que as oportunidades vão surgindo. Macau não precisa de estar sentado em cima de um mercado de capitais, mas o que precisa é de fomentar ligações com bancos que estejam em contacto com mercados de capitais e precisa de adquirir o know-how suficiente para se tornar atractivo na captação de serviços financeiros. Relativamente à questão do branqueamento de capitais. Estava a desenvolver um estudo sobre Macau, em que fase está? Infelizmente ainda não temos o acordo de alguns bancos no sentido de podermos construir um sistema baseado em cenários. É, digamos assim, uma resposta ao branqueamento de capitais, ao problema de detecção de casos de branqueamento de capitais. Mas já avançámos na preparação teórica e nos contactos. Respeitando inteiramente o sigilo de todas as transacções, queremos ter a oportunidade de conversar com pessoas dentro dos bancos que tenham sido expostas a casos de branqueamento de capitais. Isto para que possamos transpor o conhecimento deles para regras, que podem ser seguidas por computadores. Prevê-se que esse sistema aprenda os cenários e consiga criar novos. Foi aprovada o ano passado uma nova lei de combate ao branqueamento de capitais. A lei trouxe avanços em matéria de prevenção? A lei tinha de ser feita. Os Estados Unidos juntaram ao branqueamento de capitais ao financiamento do terrorismo, mas já quando se trata de fuga aos impostos, o país nunca quis juntar esse problema. Foi dado um cariz ao financiamento ao terrorismo com o qual os europeus nem sempre podem concordar. Os Estados Unidos fazem listas de países que financiam o terrorismo da maneira que lhes apetece. Mas não é porque esses países financiem o terrorismo, às vezes financiam regimes de que os Estados Unidos não gostam. Há o caso da Coreia do Norte, da Síria, do Irão e o Iémen, embora este último seja mais claro.

“Que direito têm as pessoas de movimentarem o dinheiro para fora da vista das suas autoridades fiscais? Só porque são ricas?” Às vezes é discutível, e assim as coisas não vão para a frente. Isso porque há países que não querem aderir a esse pacote de medidas porque estas estão todas misturadas. Aqui em Macau as leis têm ido sempre ao encontro daquilo que os reguladores internacionais pedem. As leis em Macau estão perfeitas. Mas, no caso do branqueamento de capitais, as leis não são o mais importante, mas sim conseguir que se transformem em regras vivas dentro de cada banco, casino ou loja de venda de ouro. E isso está a ser feito? Vai sendo feito dependendo da vontade do poder Executivo em Macau. Às vezes não haverá muita vontade se existirem situações viradas para prejudicar a Coreia do Norte, a Síria ou a Rússia. Mas um sólido edifício de regulação no que diz respeito ao branqueamento de capitais faz imenso bem aos bancos. Em Macau era comum, até há poucos anos, e ainda talvez seja, encontrar contas bancárias anónimas em que os bancos faziam ligações negociais com entidades que não eram propriamente bancos, com uma rédea completamente solta. Só apresentavam as garantias que os bancos fossem exigindo. E podiam ser falsas, porque esses bancos estão na China e outros sítios. Falo também de casas de câmbio. Mas isso acontece também nos Estados Unidos, um lugar onde as transacções não são examinadas à lupa. Associa-se muito o branqueamento de capitais ao jogo. Há casos de lavagem de dinheiro noutras áreas? Macau e Portugal estão a fazer grandes acções de branqueamento de capitais através do sector imobiliário. Tenho essa percepção e a única maneira de lutar contra isso, e manter um controlo sobre os preços elevados, problema de que está a sofrer a população em Macau e de

“A China tem-se oposto ao desenvolvimento de Macau como um centro offshore.”

Lisboa, é observando à lupa essas transacções, de onde está a vir esse dinheiro. Muita gente diz: “Branqueamento de capitais? Casinos”, mas o que é feito através dos casinos é relativamente diminuto quando comparado com o branqueamento de capitais feito através do imobiliário. As lojas de ouro? São peanuts, embora também haja lavagem de dinheiro. O Governo pode fazer as casas sociais que quiser. O que está por detrás disto é o dinheiro que está a ser branqueado e que vem de fora, muito dele da China, também no contexto da fuga de capitais do país. A política anti-corrupção de Xi Jinping também veio acelerar as medidas preventivas nesta área? Veio dar uma aparência. Não pode existir luta contra o crime sem tribunais absolutamente independentes do poder político. Na China não podem existir tribunais independentes. O que Xi Jinping fez foi aquilo que os imperadores antes dele fizeram: uma campanha contra a corrupção. Tentou pôr a casa em ordem, mas as salas VIP dos casinos já estão novamente cheias. Bastou ele levantar um pouco a mão. Os problemas de corrupção não se resolvem com campanhas mas sim com tribunais, polícia e magistrados independentes. Só assim temos uma sociedade em que a corrupção é mantida a um nível baixo. Mas deixe-me dizer-lhe que admiro muito a China e quando era miúdo até era maoista (risos). A China unificou-se e hoje tem o território que lhe compete, é um país que se põe de pé nas suas pernas. Agora se me pedem falar do Estado de Direito...esse deveria ser um objectivo para onde as autoridades chinesas deveriam caminhar. O poder judicial tem formação suficiente para lidar com crimes financeiros? Em Macau ainda não existe um corpo especializado, dentro do poder judicial, para lidar com este tipo de situações. Mas temos o Gabinete de Informação Financeira, que pode ajudar muito, e a Autoridade Monetária e Cambial de Macau. O problema que refere foi comum a países como Portugal. Recentemente foram divulgados os documentos dos Paradise Papers. Deveria debater-se mais a necessidade de uma maior regulação das offshores? Quem manda? E se os que mandam não querem, o que se pode fazer? As offshores só continuam a operar porque não existe vontade de uma série de potências, desde a Rússia aos Estados Unidos, em resolver o problema.

E a China quer? Estou convencido que sim. A China tem-se oposto ao desenvolvimento de Macau como um centro offshore. Tem diminuído o seu papel de Macau Quando estava por aqui, em 2001, era muito diferente do que agora. Havia as tais contas anónimas. E não só isso. Havia actividades offshore, e agora temos acordos de troca de informações fiscais com outros países e é isso que é preciso continuar a fazer. Que direito têm as pessoas de movimentarem o dinheiro para fora da vista das suas autoridades fiscais? Só porque são ricas? Estou convencido que dentro de poucos anos não será possível esconder o dinheiro dessa maneira, pelo menos em bancos. Macau caminha para isso.

“O Governo pode fazer as casas sociais que quiser. O que está por detrás disto é o dinheiro que está a ser branqueado e que vem de fora.” A China não quer que Macau seja um centro offshore, mas quer que o território seja um centro financeiro, tendo em conta a integração regional que se avizinha. A China tem um problema que espero que seja temporário, que é a fuga de capitais. E vou-lhe contar uma história verídica que foi descoberta no Canadá. Chineses ricos vêm a Macau, frequentam as salas VIP e dão-se com pessoas que têm ligações a casinos e bancos subterrâneos no Canadá. E aí eles são convidados a ir ao Canadá, recebem uma mala cheia de dinheiro que vem do tráfico de droga dos Estados Unidos, imagine-se um milhão de dólares, e vão a um casino lá e lavam parte desse dinheiro. Ao mesmo tempo, esses chineses ricos transferem um milhão de dólares para uma conta que a pessoa do Canadá lhes indica. A única coisa que se consegue é que o chinês fica com um milhão de dólares no Canadá e o traficante de droga tem um milhão de dólares limpos na China. Isso foi descoberto pelas autoridades canadianas, funcionava há vários anos. Macau não tinha nenhum papel activo, mas tinha um ingrediente fundamental: juntava as pessoas. O único remédio é investigar todas as suspeitas. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 LAG FINANÇAS E ECONOMIA

GCS

24.11.2017 sexta-feira

Zheng Anting Motoristas “recusam salários de 40 mil patacas”

Segundo o deputado Zheng Anting, há condutores profissionais de veículos a recusar salários de 40 mil patacas por mês. A afirmação foi feita, ontem, durante a apresentação das LAG e causou algum burburinho entre os membros da AL. Zheng afirmou também que as Pequenas e Médias Empresas têm dificuldades para contratar trabalhadores nãoresidentes, pelo que pediu ao Governo medidas para facilitar a contratação. Recorde-se que o deputado ligado à comunidade de Jiangmen defendeu, já após as eleições, a implementação de medidas de segregação entre residentes e não-residentes com a implementação de certas carreiras só para os locais.

Cruzeiros a aportar

Lionel Leong “Se lançarmos as regras do concurso demasiado cedo para as licenças, as outras jurisdições vão copiar Macau e vamos criar uma concorrência mais severa”

O

G overno está preocupado com a concorrência regional e por essa razão não vai revelar as exigências para o novo concurso de atribuição das licenças do jogo às operadoras. Segundo Lionel Leong, há mesmo uma preocupação: que o modelo desenhado por Macau para implementar no futuro seja imitado pelas jurisdições vizinhas. A confissão foi feita, ontem, no primeiro dia dedicado à discussão das Linhas de Acções Governativa para as áreas das Finanças e Economia. “Muitas pessoas estão preocupadas com o fim das licenças de jogo e a necessidade das operadoras de jogo terem de assumir uma maior responsabilidade social. Mas, neste momento, ainda estamos a ouvir as opiniões da sociedade. É um sector muito importante e fundamental para a economia”, começou por dizer Lionel Leong. “Temos de manter as nossas competências no sector e a nossa competitividade face à concorrência internacional. Enquanto pensamos os critérios para o concurso, também temos de pensar na concorrência. Se lançarmos as regras do concurso demasiado cedo para as licenças, as outras jurisdições vão copiar Macau e vamos criar uma concorrências mais severa”, apontou. O secretário prometeu depois que as regras vão ser conhecidas em tempo oportuno, para “garantir o desenvolvimento saudável e sus-

JOGO GOVERNO RECEIA QUE IMITEM O NOVO MODELO DE MACAU

O segredo é a alma do negócio

O Executivo vai aproveitar a atribuição das novas licenças do jogo para definir os novos moldes da indústria do jogo, mas recusa revelar, por agora, os critérios. Em causa está o medo que os concorrentes sigam o mesmo modelo tentável do jogo”. Lionel Leong recordou também que apesar das concessões começarem a expirar em 2020, que podem ser prorrogadas, por decisão do Chefe do Executivo, durante um prazo que pode ir até aos cinco anos.

UM PARÁGRAFO

Apesar do jogo ser o principal sector da actividade económica de Macau, e das várias questões colocadas por deputados como Ng Kuok Cheong, José Pereira Coutinho, Davis Fong ou Leong Sun Iok, o secretário não mostrou muita vontade de aprofundar o tema. Uma postura que esteve de acordo com o conteúdo do discurso que leu na abertura da sessão.

Ao longo de 12 páginas de discurso, na versão portuguesa, Lionel Leong apenas referiu o sector do jogo num parágrafo que não chegou a ocupar uma página. Nessa secção, o secretário reafirmou o objectivo de manter “uma taxa anual não superior a 3 por cento em relação ao crescimento do número total das mesas de jogo nos dez anos contados a partir de 2013” e um reforço da fiscalização e revisão dos diplomas legais para o sector. Em resposta a uma pergunta de José Pereira Coutinho, o secretário garantiu que as concessionárias do jogo vão continuar isentas do pagamento do Imposto Complementar de Rendimentos. Lionel

Leong explicou que a taxa de impostos pagos pelas operadoras já é bastante elevado. “Como sabem as operadoras têm de pagar taxas de imposto sobre o jogo muito altas. Os impostos que elas pagam são calculados com base nas receitas brutas, que são muito elevadas. Para manter que se garante a competitividade temos de garantir que se diminui o peso dos impsotos”, justificou. “É razoável que seja assim. Se cobrarmos o imposto sobre as receitas brutas e o Imposto Complementar de Rendimentos, pode dar-se o caso de haver dupla tributação”, frisou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

O Executivo de Macau quer aproveitar os recursos das águas territoriais e uma aposta pode passar pela criação de uma plataforma para que cruzeiros possam parar na RAEM. A hipótese foi avançada, ontem, pelo Director dos Serviços de Economia, Tai Kin Yip. “Fizemos um estudo sobre o desenvolvimento da área marítima, que nos indicou que o sector terciário pode ser muito importante para aproveitar esses recursos. São novos mercados que podemos explorar para diversificar mais a economia. Podemos construir uma plataforma para o barcos de cruzeiro passarem por Macau e para atracar os barcos”, disse Tai Kin Yip. “Temos o Gabinete de Estudo das Políticas do Governo de RAEM a fazer uma pesquisa para o desenvolvimento da economia marítima nos próximos 20 anos. Os trabalhos vão ser realizados até 2018, depois serão conhecidos”, frisou.

Obras Inspecção a apertar Lionel Leong prometeu a realização de três vistorias por ano aos estaleiros de obras, assim como a adopção de critérios de segurança mais apertados. Estas são medidas implementadas na sequência de um ano trágico ao nível das mortes em estaleiros de casinos e acidentes de trabalho. “Iremos intensificar os trabalhos na área da segurança e saúde ocupacional mediante a adopção de medidas múltiplas”, disse o secretário para a Economia e Finanças, no discurso que iniciou a apresentação das LAG para a tutela. Depois, entre as medidas apresentadas apontou a realização de “vistorias em todos os estaleiros de obras de Macau pelo menos três vezes em cada ano”, assim como a implementação de “melhorias às regulamentações de funções assumidas por parte do pessoal de gestão de segurança na construção civil, bem como aos respectivo mecanismo de sanção”.


LAG 5

sexta-feira 24.11.2017

PATERNIDADE WONG KIT CHENG QUER EXECUTIVO A PAGAR LICENÇAS ÀS PME

No pagar é que está o galho favoráveis? Sim!”, indicou o secretário.

HOJE MACAU

Deputado defendem que o Executivo deve pagar parte das licenças de paternidade das Pequenas e Médias Empresas, para que estas não percam capacidade de competitividade

SALÁRIO MÍNIMO SEM ACTUALIZAÇÃO

Por outro lado, está afastada a hipótese de haver uma actualização do salário mínimo para empregados domésticos e segurança, já no final do ano. Lionel Leong explicou que valor do ordenado está acima do crescimento da inflação entre 2012 e 2016, em ambos os sectores.

Está afastada a hipótese de haver uma actualização do salário mínimo para empregados domésticos e segurança, já no final do ano. Lionel Leong explicou que valor do ordenado está acima do crescimento da inflação

A

deputada Wong Kit Cheng, ligada à Associação Geral das Mulheres, quer que o Governo assuma parte do pagamento das licenças de paternidade dos trabalhadores das Pequenas e Médias empresas. O objectivo é permitir que os seus trabalhadores possam gozar de 14 dias de licença, sem que tenham de assumir todos os custos. A sugestão foi deixada, ontem, durante a discussão das Linhas de Acção Governativa (LAG) para as áreas da Economia e Finanças. “No ano passado o secretário já tinha respondido que a revisão da lei para as relações laborais estava em andamento. Agora temos um resultado, um documento, mas parece que não está muito aperfeiçoado”, afirmou Wong Kit Cheng, ontem, no Plenário da Assembleia Legislativa. “No que diz respeito à licença de paternidade, sugeria que os dias fossem aumentados para 14, até porque há muitas vozes críticas na

sociedade. As pessoas querem mais dias para os pais. O Governo pode ou não prestar apoio às Pequenas e Médias Empresas e atenuar às empresas e pressões sentidas, com o pagamento de parte do salário durante esses dias?”, questionou a deputada. Segundo os cálculos apresentados por Wong Kit Cheng, caso o Executivo assumisse parte destas

despesas, e considerando que os pais era autorizados a gozar de 14 dias para acompanhar os recém-nascidos, o impacto nas despesas do orçamento da RAEM seria de cerca de 0,070 por cento. Em relação à licença de maternidade, Wong sugeriu também que o tempo seja aumentado para 90 dias.

GRANDE BAÍA JOVENS SEM INFORMAÇÕES

O

projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau pode ser uma grande aposta do Governo Central, em que o Executivo da RAEM está empenhado em colaborar, no entanto, os mais jovem não sabem como contribuir e que rumo devem dar à sua carreira. A questão foi focada por dois deputados pró-sistema, Wong Kit Cheng e Mak Soi Kun, em alturas diferentes do debate. “Não sabemos como a Grande Baía vai ser desenvolvida. Assim, como é que os mais jovens podem planear o desen-

volvimento das suas carreiras, se não sabem as políticas de apoio vão ser criadas para participar neste projecto?”, questionou Wong Kit Cheng. Por sua vez, Mak Soi Kun focou o problema das licenciaturas que vão ser mais procuradas com o desenvolvimento da Grande Baía. “Na zona da Grande Baía é dito que os cidadãos vão ter apoios para tirar, mas que cursos devem eles tirar? Eles não sabem e isto não é uma tarefa fácil, porque não se pode tirar um curso de um dia para o outro”, apontou

o grande vencedor das eleições, Mak Soi Kun. Em resposta às questões, Lionel Leong defendeu que os jovens têm de “ter acesso à informação, e que devem esclarecer muito bem essas questões. Como fazem quando vão para um novo local trabalhar”. Sobre os apoios às empresas do território que desejem investirem na Grande Baía, Leong explicou que só aquelas que venderem produtos e prestarem serviços a pensar no mercado fora da China vão ter as condições ideiais para serem apoiadas.

Em resposta à deputada, Lionel Leong não se comprometeu com as sugestões, mas deixou a garantia que vão ser implementadas medidas favoráveis: “A revisão das lei das relações laborais vai depender da consulta pública. Só após a consulta vamos poder ter uma resposta. Mas se vai haver medidas mais

“Quanto aos trabalhadores de segurança, a média salarial subiu 30,6 por cento desde 2012. Desde esse ano até 2016, a inflação foi de 19,8 por cento. Por isso decidimos que os salários de 30 patacas por hora não vão sofrer aumentos”, disse Lionel Leong. No que diz respeito aos empregados domésticos, o secretário garantiu ao deputado Mak Soi Kun, que Macau vai começar a importar este tipo de trabalhadores de outras província além de Guangdong e Fujian. João Santos Filipe

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Chui Sai Cheong presidiu a sessão do Plenário

Apesar de Ho Iat Seng, presidente da AL, ter começado a presidir a sessão do Plenário do no hemiciclo, por volta das 16h00, acabou por ser substituído pelo vice-presidente, Chui Sai Cheong. A saída de um presidente a meio de uma sessão plenária é um acontecimento raro. No entanto não foi avançada qualquer explicação para o ocorrido. O HM procurou saber as razões junto da AL, mas até ao fecho da edição não havia uma posição oficial sobre o assunto. Também os deputados não fizeram qualquer comentário durante a sessão, sobre o facto de Chui Sai Cheong ter sido chamado para conduzir os trabalhos. O vice-presidente da AL, que é irmão do Chefe do Executivo, Chui Sai On, conduziu os trabalhos dentro da normalidade.


6 publicidade

24.11.2017 sexta-feira

NOTIFICAÇÃO EDITAL N.° 96 / 2017

(Solicitação de Comparência do Empregador)

Nos termos das alíneas b) e c) do n.° 1 do artigo 6.° do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.° e n.° 2 do artigo 72.° do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o representante legal da sociedade “Companhia de Wa Ko Lda.”, proprietário da “ESTABELECIMENTO DE COMIDAS BUDDY”, sita na Rua do General Ivens Ferraz n.º 255, Edifício Wai Choi Garden, R/C, Loja G, em Macau, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.° andar, Macau, a fim de prestar auto de declarações relativas ao processo n.° 1551/2017, proveniente da YANZHEN, ZHONG XIAOMING e ZHONG DAOGUANG relativamente às matérias dos indemnização rescisória e compensação do trabalho extraordinário. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais - Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 15 de Novembro de 2017. O Chefe do Departamento, Lai Kin Lon

Aviso COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei das Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Avenida da Praia Grande, n.ºs 702 a 708, em Macau; - Avenida da Praia Grande, n.ºs 716 a 724, em Macau; - Avenida de D. João IV, n.ºs 8 a 14 e Travessa da Praia Grande, n.º 2, em Macau, (Edifício Pensão Lotus); - Travessa da Praia Grande, n.º 6, em Macau, (Edifício Fu Va Kok); - Travessa da Praia Grande, n.º 8, em Macau; - Travessa da Praia Grande, n.ºs 10 a 10C, em Macau, (Edifício Nga Un Kok); - Travessa da Praia Grande, n.º s 12 a 14, em Macau;

Assine-o

- Avenida da Amizade, n.º 405, em Macau, (Edifício Seng Vo); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 81 a 83C, em Macau, (Edifício San Tou); - Avenida de Demétrio Cinatti, n.ºs 1 a 3L e Travessa de Lam Mau, n.ºs 2 a 4, em Macau, (Edifício Classic Bay). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 14 de Novembro de 2017. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong

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política 7

GCS

sexta-feira 24.11.2017

LEI COMISSÃO SUGERE INSCRIÇÃO PROVISÓRIA PARA ASSISTENTES SOCIAIS NÃO RESIDENTES Os trabalhos da comissão permanente da Assembleia Legislativa que trata a legislação PÓS uma reunião de provisória”. Chan Chak Mo deu na generalidade da lei foi se estes Profissional dos Assistentes Sodos assistentes mais de três horas entre como exemplo um assistente social trabalhadores estariam obrigados a ciais (CPAS). Quanto ao primeiro o Governo e a comissão filipino que venha a Macau tratar sigilo profissional e os problemas mandato deste organismo terá uma sociais pondera permanente que tem a de “compatriotas”. que isso poderia acarretar. Essa composição constituída por elepasta da lei de credenciaTambém os funcionários públi- matéria ainda não foi discutida mentos nomeados pelo Governo, criar um regime de ção de assistentes sociais, cos vão ter um regime à parte, fican- entre os deputados da comissão uma vez que ainda não existem inscrição provisória Chan Chak Mo revelou que alguns do de fora do âmbito da proposta de e os membros do Governo, mas assistentes sociais inscritos. O deputados “sugeriram a criação de lei agora discutida na especialidade. deverá ser regulada pelo código que não é de estranhar, uma vez para trabalhadores um regime de inscrição provisória Segundo o presidente da comissão de ética profissional, algo que que ainda não existem assistentes para trabalhadores não residentes” permanente, essa exclusão prende- será da competência do Conselho sociais credenciados em Macau. não residentes. que trabalhem como assistentes -se com a inexistência de uma A partir do segundo mandato sociais. carreira profissional específica será o CPAS a decidir a sua comAlém disso, o O presidente da 2ª comissão para o sector. “Por isso temos dois posição, revelou Chan Chak Mo, Os assistentes sociais permanente da Assembleia Le- regimes, como os engenheiros que uma formulação enigmática pois primeiro mandato não residentes terão de caberá aos membros nomeados gislativa (AL) revelou que os estão na Função Pública e que são do Conselho membros do Governo presentes na técnicos superiores. pelo Governo essa função. se credenciar através reunião garantiram aos deputados Os contornos dos critérios para de um sistema paralelo, recusar a creditação a assistentes Profissional dos que “actualmente não existem AO LADO TNR assistentes sociais, mas que Para o caso dos assistentes sociais sociais é algo que ainda não está em que “talvez seja Assistentes no futuro isso poderá acontecer”. que estão nos quadros da Função definido. necessário efectuar Este tipo de profissionais não rePública, Chan Chak Mo revelou João Luz Sociais terá uma sidentes vão ter de se credenciar que “o Governo vai ponderar a um exame e inscrição de um sistema paralelo, criação de uma carreira específica”. composição nomeada através provisória”, revelou em que “talvez seja necessário Uma das questões abordadas efectuar um exame e inscrição no hemiciclo aquando da votação Chan Chak Mo pelo Governo

Universos paralelos

A

TIAGO ALCÂNTARA

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CONSELHO EXECUTIVO CRIADO QUINTO JUÍZO CRIMINAL NO TJB

O

Tribunal Judicial de Base (TJB) vai passar a ter um quinto Juízo Criminal. O Conselho Executivo terminou ontem a discussão sobre a matéria e, segundo um comunicado, a criação de um novo Juízo Criminal visa “aumentar a eficiência dos julgamentos no âm-

bito do processo penal”. “Após oito novos juízes dos Tribunais de Primeira Instância e o presidente do Tribunal Colectivo dos Tribunais de Primeira Instância terem tomado posse no corrente mês para o cumprimento das suas funções, o Governo propôs a criação de

mais um Juízo Criminal no Tribunal Judicial de Base, bem como a redistribuição e reafectação dos processos dos actuais quatro Juízos Criminais, permitindo deste modo concretizar mais eficientemente a justiça judiciária e responder às necessidades sociais”, lê-se ainda. Na

prática, “os processo são redistribuídos de modo a assegurar a repartição aleatória e equitativa do serviço, a fim de que a secção de processos do quinto Juízo Criminal receba um quinto dos processos das restantes secções de processos dos quatro Juízos Criminais”.


8 sociedade

O

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau enalteceu ontem o uso da cidade anfitriã do congresso da APAVT como plataforma de relações entre a China e os países de língua portuguesa. No discurso de abertura do 43.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que arrancou na manhã de ontem em Macau, Alexis Tam afirmou que nesta reunião magna dos agentes de viagens portugueses na cidade se foi “ainda mais longe, com Macau e a APAVT a fazerem pleno uso do papel da cidade como plataforma de relações entre a China e os países de língua portuguesa”. “Um dos pontos altos do congresso” foi “a realização de um ‘workshop’ [reuniões de trabalho] que juntou operadores de várias grandes cidades do Interior da China com profissionais de turismo portugueses. Trata-se de uma oportunidade significativa para os dois lados explorarem possibilidades de negócios e tirarem partido da aproximação que Macau proporciona entre operadores chineses e portugueses”, afirmou Alexis Tam. O encontro, segundo o mesmo responsável, “atraiu operadores turísticos de cerca de meia centena de agências de viagens do In-

24.11.2017 sexta-feira

APAVT MACAU CONCRETIZA PAPEL DE PLATAFORMA EM CONGRESSO DE TURISMO

Anfitrião orgulhoso

A realização, ontem, do 43.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo foi, de acordo comAlexis Tam, a plena concretização do território enquanto plataforma entre a China e os países de língua portuguesa. O evento vem ainda reforçar a denominação local de capital de turismo e lazer

terior da China interessadas em dinamizar o mercado ‘outbound’ e ‘inbound’ [de e para] de Portugal-Europa-China”. Alexis Tam saudou estes empresários “por se terem deslocado a Macau para o encontro de negócios de

hoje com parceiros portugueses”.

REALIZAÇÃO DUPLA

“O acolhimento do Congresso da APAVT em Macau insere-se plenamente no duplo desígnio do Governo Central para o desenvol-

ECONOMIA PIB EM ALTA

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economia de Macau cresceu 6,1 por cento, em termos reais, no terceiro trimestre do ano, comparativamente a igual período do ano passado, impulsionada pelo desempenho da indústria do jogo e do turismo. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), “a taxa de crescimento estreitou-se”, no segundo trimestre tinha sido de 11,5 por cento, “principalmente devido à elevada base de comparação, pois no terceiro trimestre do ano anterior a economia tinha voltado a crescer”. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu principalmente devido ao aumento de 14,6 por cento das exportações de serviços impulsionadas pelas subidas homólogas de 18,4 por cento nas exportações de serviços de jogo e de 9,4por cento das exportações de outros serviços turísticos, indicou a DSEC. O deflactor implícito do PIB, que mede a variação global de preços, registou um crescimento anual de 2,8 por cento.

As remunerações dos empregados aumentaram, por seu turno, 2 por cento. A diminuição anual do investimento foi motivada por uma queda anual de 32,2 por cento no sector privado, “observando-se descidas de 35,7 por cento no investimento em construção privada e de 4,5 por cento no investimento em equipamento, devido à sucessiva conclusão de obras dos grandes empreendimentos turísticos e de entretenimento”. Já o investimento no sector público “assinalou um brusco crescimento anual de 79,0 por cento, graças ao enorme investimento do governo em diversas obras de infraestruturas”. No comércio de mercadorias, as importações de bens desceram 6,8 por cento “dada a lenta subida da despesa de consumo privado e a notória descida do investimento”, e as exportações subiram 18,9 por cento “em virtude do sólido aumento da procura externa”.

vimento da nossa Região Administrativa Especial: de por um lado, transformar Macau num centro mundial de turismo e lazer e, por outro, de funcionar como uma plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e

os países de língua portuguesa”, reforçou. Ao nível da dinamização da aproximação entre a China e os países de língua portuguesa, o responsável referiu que as iniciativas têm decorrido sobretudo no âmbito do mecanismo de relacionamento multilateral criado em 2003 com o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, cujo Secretariado Permanente é em Macau e que conta com delegados dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

PORTUGAL NO CORAÇÃO

“Devido às nossas relações históricas, além do Fórum de Macau, o relacionamen-

to bilateral com Portugal é naturalmente privilegiado e mais próximo, com trocas de visitas regulares e cooperação nas mais diversas áreas. Ainda em Setembro passado tive oportunidade de visitar Portugal para encontros com as autoridades e aprofundamento das relações nas áreas da saúde, educação e cultura”, lembrou, exemplificando “o resultado das boas relações” com “o sucesso da candidatura conjunta do Arquivo de Macau e do Arquivo Nacional da Torre do Tombo de Portugal, da colecção denominada “Chapas Sínicas” (Registos Oficiais de Macau durante a Dinastia Qing), inscritas há poucas semanas no Registo da Memória do Mundo da UNESCO”. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura disse ainda que, enquanto destino anfitrião do evento deste ano, “é extremamente gratificante verificar a mobilização que o congresso nacional da APAVT em Macau gerou”, aludindo aos mais de 700 congressistas presentes, 650 dos quais, segundo fonte oficial da APAVT, são portugueses. Este número de congressistas é “a maior afluência dos últimos 20 anos, tendo ultrapassado todas as expectativas”, disse a mesma fonte à Lusa, o que obrigou pela primeira vez na história da associação a suspender inscrições. LUSA

TURISMO PORTUGAL NEGOCEIA ACOLHIMENTO DE ESTAGIÁRIOS

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secretária de Estado do Turismo de Portugal, Ana Mendes Godinho, disse ontem em Macau que terá várias reuniões na cidade, nomeadamente para promover a ida de estagiários para Portugal. O objectivo é ajudar a hotelaria a capacitar-se para receber turistas deste mercado. “Vou ter encontros com investidores de Macau, vou ter reuniões com o instituto de formação [para Macau] para dinamizarmos o intercâmbio de alunos e de estagiários numa lógica de levarmos estagiários de Macau para os hotéis portugueses que, neste momento, querem receber chineses”, disse Ana Mendes Godinho à margem do 43.º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo

(APAVT), que começou ontem no território. Medidas que permitirão ajudar “também a capacitar” a oferta hoteleira portuguesa “para estar preparada para receber melhor o mercado chinês”, acrescentou. “Os estágios, por exemplo, são para o que antecipamos de crescimento, queremos que continue a crescer ainda mais”, assegurou Ana Mendes Godinho. A governante diz não ter dúvidas de que “o mercado chinês é um mercado de futuro”, tal como o indiano. Daí que, “temos que estar presentes e garantir que temos a capacitação da nossa oferta para saber receber os chineses”. Antes, a secretária de Estado do Turismo já tinha dito

que o número de hóspedes chineses em Portugal cresceu 40 por cento para 191 mil nos primeiros nove meses do ano, face ao período homólogo, acrescentando que o ritmo é para manter. Quando questionada sobre perspectivas de novas ligações para a Ásia, Ana Mendes Godinho afirmou que este ano já se conseguiu “uma vitória histórica, que foi conseguir um voo directo entre Lisboa e Pequim”, uma “conquista enorme”, que teve uma “demonstração clara do crescimento do mercado chinês” em Portugal. Sobre o que procuram os turistas chineses em Portugal, a governante afirmou que “procuram história, cultura, gastronomia, segurança e experiências diferentes”.


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sexta-feira 24.11.2017

DSEJ NOVA LEGISLAÇÃO PARA LIGAR ENSINO PROFISSIONAL A SUPERIOR

Habitação Mercado imobiliária não é ameaçado por habitação pública

O mercado imobiliário privado não vai ser influenciado com a abertura de candidaturas à habitação económica nos próximos dois anos. A ideia foi deixada pelo director geral da empresa imobiliária Jones Lang LaSalle, Ku Ka Hou. De acordo com o responsável, nas declarações que deu ao jornal Ou Mun, os processos respeitantes à habitação pública são muito morosos pelo que as solicitações para aquisição de casa não vão estar resolvidas a curto prazo. Para Ku Ka Hou, a promessa do Chefe do Executivo relativa à habitação pública pode ajudar as famílias que não pretendem adquirir casa mas não surtirá efeitos para aquelas que procuram ter casa própria.

UM Negada violação de contrato por parte de Wei Zhao

A Universidade de Macau (UM) emitiu ontem um comunicado onde nega a existência de irregularidades no processo de saída do reitor da instituição, Wei Zhao. A nota aponta que o reitor “seguiu os procedimentos de demissão previamente definidos e apresentou o pedido de demissão ao Chefe do Executivo, que foi aprovado”. A UM esclarece ainda que os estatutos da instituição pública de ensino “não prevêem a obrigatoriedade de cessar funções seis meses antes de alguém ocupar um cargo na mesma área”. A universidade disse ainda “respeitar” a decisão de Wei Zhao de dirigir uma instituição de ensino superior nos Emirados Árabes Unidos. Segundo o Jornal Tribuna de Macau, Wei Zhao teria violado o contrato com a UM por não ter cumprido o chamado período de nojo entre a saída do cargo e a assumpção de novas funções na mesma área. Wei Zhao vai ocupar o novo cargo já em Janeiro de 2018, o que originou uma denúncia através de carta anónima.

A ponte que faltava

Legislação revista para permitir a ligação do ensino técnico profissional ao ensino superior e para evitar chumbos até à quarta classe. A ideia foi deixada ontem pelo subdirector da DSEJ Lou Pak Sang

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Executivo planeia rever o decreto-lei destinado ao ensino técnico-profissional. O obejctivo, afirmou o subdirector da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Lou Pak Sang, é ligar os cursos profissionais ao sistema de ensino superior e, desta forma, incentivar mais alunos a ingressar na via técnico profissional contando com o apoio dos pais. A informação foi deixada ontem no programa Fórum Macau do canal chinês da Ou Mun Tin Toi em que se debatia a fraca adesão por parte dos jovens locais a esta modalidade de ensino. De acordo com Lou Pak Sang, o facto de apenas existirem 10 escolas tecno-profissionais no território não é impedimento até porque o número de alunos também não é significativo. A causa, apontou, tem que ver com a própria cultura em que os pais não consideram esta modalidade de ensino promissora. O Governo vai também criar um centro de ensino técnico-profissional em Seac Pai Van onde será estabelecida uma zona dedicada à arte culinária internacional. Para Lou Pak Sang, esta pode ser uma forma de integrar no ensino “elementos de criatividade e cultura” capazes de diversificar carreiras profissionais.

SEMPRE A ANDAR

Já no início do próximo ano, a DSEJ espera ainda

ATFPM Aprovado orçamento e plano de actividades

Realizou-se ontem a assembleia-geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), tendo sido aprovados o orçamento e o plano de actividades para o próximo ano. Segundo um comunicado, “alguns sócios pediram ao deputado José Pereira Coutinho para transmitir ao Governo que, hoje em dia, os cidadãos enfrentam grandes dificuldades devido ao custo de vida, precisando da ajuda do Governo para resolver estas questões”. É também referido que “muitos trabalhadores da Função Pública têm enormes dificuldades de sobrevivência porque o montante recebido do regime de previdência, na ordem de algumas centenas de milhares de patacas, não chega para continuar a viver até aos 80 anos, que é a idade média de longevidade”.

Negócios Sector do retalho aumenta em 15 por cento

De acordo com Lou Pak Sang, o facto de apenas existirem 10 escolas tecno-profissionais no território não é impedimento até porque o número de alunos também não é significativo. A causa, apontou, tem que ver com a própria cultura em que os pais não consideram esta modalidade de ensino promissora. poder apresentar as novas regras para o sistema de avaliação de alunos de modo a que entre em vigor em 2020. Um dos objectivos, afirmou Lou Pak Sang, é acabar com as reprovações nos primeiros quatro anos do ensino primário. “A proposta é esta: do primeiro ao quarto ano do ensino primário não há retenção

de ano. Do quinto ao sexto ano, a retenção pode ser de quatro por cento”, afirmou Lou Pak Sang, aos jornalistas. No mesmo programa, a subdirectora da DSEJ, Leong Vai Kei, falava de ensino integrado e deixou a informação de que no território existem 57 escolas que já aderem a este tipo de ensino e que en-

volvem um total de 1628 professores, sendo que 225 destes profissionais já completaram formação na área do ensino especial. No entanto, Leong Vai Kei admite que Macau ainda não tem escolas suficientes capazes de acolher estudantes com necessidades especiais. Vitor Ng (com S.M.M) info@hojemacau.com.mo

O volume de negócios do comércio a retalho aumentou 15 por cento em termos anuais no terceiro trimestre, atingindo 16,18 mil milhões de patacas. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, houve também um aumento de 11 por cento em relação ao segundo trimestre. Entre Janeiro e Setembro deste ano, o volume de negócios dos estabelecimentos do comércio a retalho totalizou 47,24 mil milhões de patacas o que representa mais 11,3 por cento face ao mesmo período de 2016.


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24.11.2017 sexta-feira

RESPONSÁVEIS CHINESES VÃO TER QUE LER NOVO LIVRO DO PRESIDENTE

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ILHÕES de responsáveis de “todas as regiões e departamentos da China” deverão ler e estudar o novo livro que compila os pensamentos e discursos do Presidente chinês, Xi Jinping, noticiou ontem a agência oficial chinesa Xinhua. A directiva enviada pelo Partido Comunista da China (PCC) aos diferentes ramos da formação estipula como “tarefa essencial” o estudo do pensamento de Xi sobre o “Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era”. Intitulado “Xi Jinping: A Governação da China”, o livro recolhe 99 discursos do Presidente chinês e foi traduzido para cerca de duas dezenas de idiomas, incluindo o português. A obrigatoriedade de ler os discursos de Xi surge num período de forte centralização do poder político chinês em torno da figura do actual Presidente, sugerindo que o sistema de “liderança colectiva”, cimentado desde finais dos

anos 1970, foi desmantelado. Xi consolidou a liderança durante o XIX Congresso do PCC, realizado no mês passado, com a inclusão do seu pensamento e nome na constituição do partido.

Na sexta-feira passada, o noticiário da televisão estatal CCTV abriu com quatro minutos de aplausos ininterruptos a Xi A imprensa chinesa vem desde então a reforçar o culto de personalidade a Xi Jinping, com uma intensidade inédita desde o “reinado” de Mao Zedong, o fundador da República Popular. Num artigo recente, a Xinhua contou como um tradutor russo ficou tão absorvido na leitura de um discurso de Xi, que se esqueceu de almoçar e jantar enquanto estudava as palavras do líder chinês.

Na sexta-feira passada, o noticiário da televisão estatal CCTV abriu com quatro minutos de aplausos ininterruptos a Xi, enquanto este se encontra com cidadãos chineses. Xi Jinping tornou-se em cinco anos o centro da política chinesa, eclipsando os outros seis membros do Comité Permanente do Politburo do PCC, a cúpula do poder na China. A sua campanha anticorrupção puniu já 440 responsáveis do regime, alguns com estatuto de ministro, segundo o órgão de Disciplina e Inspeção do PCC. Além de secretário-geral do PCC e Presidente da China, Xi é também presidente da Comissão Militar Central, chefia a recém-criada Comissão Central de Segurança Nacional e o “grupo dirigente” encarregue de supervisionar o programa de “aprofundamento geral das reformas”. Um outro organismo novo, responsável pela “segurança do ciberespaço”, é também dirigido por Xi.

ZIMBABUÉ CHINA IGUAL A SI MESMA

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política da China em relação ao Zimbabué não mudará e a China quer fortalecer a cooperação com o país africano sob os princípios de igualdade e benefício mútuo, disse na quarta-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Lu Kang. Lu fez o comentário ao comentar a renúncia do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. Sendo um bom amigo do Zimbabué, a China apoia a solução pacífica e apropriada de questões pertinentes através de conversações e negociações dentro dos limites da lei. “Um Zimbabué estável e em desenvolvimento é de interesse fundamental do seu próprio povo”, comentou Lu. “A China atribui grande importância aos laços

com o Zimbabué e está disposta a fazer esforços conjuntos com o país para facilitar a cooperação em todas as áreas”. “A China respeita a decisão de Mugabe. Ele permanece um bom amigo do povo chinês”, disse Lu. “Mugabe fez contribuições históricas para a independência e a libertação do Zimbabué, e ele é um defensor activo do pan-africanismo. Ele também deu uma contribuição importante para as relações China-Zimbabué e China-África”. A China acredita que o povo do Zimbabué é capaz de manter a estabilidade política e o desenvolvimento de seu país, acrescentou Lu. “A China sempre se mantém fiel ao princípio de não interferência nos assuntos internos dos outros países. A China respeita a escolha do povo do Zimbabué”, assinalou Lu, acrescentando que a China também espera que outros países não interfiram nos assuntos internos do Zimbabué.

GREG BAKER/AFP/GETTY IMAGES&NBSP

Xi, só Xi e nada mais que Xi

Reconhecer para crer

Taiwan preocupada com estreitamento de laços entre Pequim e Vaticano

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diplomacia de Taiwan afirmou ontem que segue de perto a aproximação entre Pequim e o Vaticano, toma nota dos desenvolvimentos e mantém fluidos canais de comunicação com a Santa Sé, o seu único aliado diplomático na Europa. A preocupação relativamente às relações de Taiwan com a Santa Sé aumentou após o anúncio daAgência Católica de Notícias, na terça-feira, de uma exibição conjunta dos Museus do Vaticano e do Fundo de Investimento Industrial Cultural da China, na Cidade do Vaticano e Pequim, na primavera do próximo ano. A diplomacia da ilha Formosa assinalou que Taiwan está “plenamente consciente das amplas interacções e diálogos entre Pequim e a Santa Sé”.

No entanto, os laços com o único aliado diplomático europeu da ilha “continuam a ser sólidos e estáveis”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Andrew Lee, que citou a recente celebração em Taiwan do XXIV Congresso Mundial do Apostolado do Mar e o sexto Colóquio Budista-Cristão, com a presença de altas autoridades do Vaticano. Após o Panamá ter rompido, em Junho, os laços com Taiwan, para estabelecê-los com a China, teme-se em Taipé que Pequim ‘roube’ outro dos 20 aliados diplomáticos que a ilha tem. Nos dois últimos meses, a imprensa da Formosa seguiu com atenção os laços entre a China e a República Do-

minicana, um dos aliados diplomáticos de Taiwan com maior poder económico e político. O eventual estabelecimento de relações diplomáticas entre o Vaticano e a China é um assunto recorrente desde que se iniciaram os contactos entre Pequim e a Santa Sé com vista a resolverem as suas diferenças. Até à data, pese embora os muitos contactos entre Pequim e a Santa Sé, não se resolveram de todo as divergências relativamente à nomeação de bispos, à situação da Igreja Patriótica chinesa, à liberdade religiosa na China e aos laços diplomáticos do Vaticano com Taiwan. Tentativas anteriores de restaurar as relações têm sido travadas pela insistência chinesa de que

o Vaticano volte atrás no reconhecimento de Taiwan e se comprometa a não interferir nos assuntos religiosos chineses. Pequim cortou as relações diplomáticas com o Vaticano em 1951, depois de o Partido Comunista ter tomado o poder e constituído a sua própria igreja fora da autoridade do papa. Oficialmente, existem cerca de 24 milhões de católicos na China, o país mais populoso do mundo, com aproximadamente 1.375 milhões de habitantes. O culto só é autorizado nas igrejas aprovadas pelo Estado, pela Associação Católica Patriótica Chinesa, que reconhece o papa como um líder espiritual, mas rejeita a sua autoridade na ordenação de padres e bispos. Macau e Hong Kong são os únicos locais em toda a China onde a autoridade papal na Igreja Católica Romana é aceite.


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sexta-feira 24.11.2017

ASSINADO ACORDO PARA SECTOR DOS TRANSPORTES NOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

Unidos já vencemos

Taiwan Nove mortos em incêndio

Nove pessoas morreram e duas ficaram feridas na sequência de um incêndio, ocorrido na noite de quarta-feira, num edifício de apartamentos em Taiwan, informou ontem a polícia, que disse suspeitar de fogo posto. O incêndio deflagrou num bloco de pequenos apartamentos com divisões de madeira, no qual residiam sobretudo operários da construção civil estrangeiros, situado no popular distrito de Zhonge, em Nova Taipé, de acordo com o Serviço de Bombeiros. Quando os bombeiros conseguiram extinguir as chamas, ao fim de uma hora de combate, descobriram dois corpos carbonizados. As restantes vítimas foram transportadas para um hospital nas imediações, das quais sete morreram. Imagens de uma câmara de videovigilância observadas pela polícia mostram um chinês-birmanês de 49 anos, identificado como Li Kuo-hui, a lançar garrafas de plástico com uma substância inflamável na escadaria do quarto piso e a atear-lhes, de seguida, fogo. Li, após ser interrogado, confessou ter tido uma altercação com um colega do quarto andar. A polícia afirmou suspeitar por isso que tenha provocado o incêndio por vingança premeditada, já que enchera as garrafas de plástico numa gasolineira dias antes. O suspeito, que foi detido, tem antecedentes criminais por outros dois casos de fogo posto no ano passado, segundo a polícia.

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MPRESAS públicas de Portugal e China assinaram hoje um memorando de entendimento para o desenvolvimento de infraestruturas de transporte, rodoviárias e ferroviárias, nos países de língua portuguesa, que poderá estender-se também ao Brasil. O protocolo, assinado na Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), em Lisboa, entre a IP Engenharia, SA/Grupo Infraestruturas de Portugal e a China Tiesiju Civil Engineering Group CO. LTD/China Railway Engineering Corporation, permitirá intervir em Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, nos projetos “que cada país necessitará

Mais de 500 milhões de chineses utilizam o telemóvel para fazer pagamentos, segundo dados da firma Ant Financial, num fenómeno que está a levar ao desaparecimento das moedas e notas nas principais cidades da China. Segundo uma estimativa daquela empresa, que detém a Alipay, uma das plataformas de pagamentos digitais mais utilizadas no país, o número de pessoas que utiliza pagamentos móveis na China superou os 520 milhões. De acordo com o Banco do Povo Chinês (banco central), os bancos do país processaram 8.600 milhões de pagamentos através de dispositivos móveis, no segundo trimestre deste ano, um aumento de 40,5%, face ao mesmo período do ano passado. A difusão ímpar dos pagamentos móveis na China tornou o dinheiro vivo em algo obsoleto nas grandes cidades do país e está a inspirar novos modelos de negócio. Segundo um relatório produzido conjuntamente pela ‘gigante’ chinesa da Internet Tencent, a Universidade Renmin da China e a empresa de estudos de mercado Ipsos, 84% dos chineses dizem sentirem-se “confortáveis” em sair de casa sem dinheiro vivo.

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500 milhões pagam pelo telemóvel

mais para se desenvolver e estimular a economia local”. Em Janeiro do próximo ano, uma comissão mista das empresas portuguesa e chinesa reunir-se-á para estudar a calendarização do acordo de parceria, que, além da capacidade de desenvolver infra-estruturas, apresenta “a capacidade de cativar financiamentos exteriores” no caso de países de escassos recursos financeiros, como referiu o vice-presidente da China Tiesiju Civil Engineering Group CO. LTD/China Railway Engineering Corporation, Shao Gang. O responsável pela empresa chinesa revelou que a ‘joint-venture’ com a empresa pública portuguesa visa “procurar oportunidades de parceria” com gover-

China tem 200 mil pousadas familiares

O fenómeno de “pousada familiar” é uma crescente tendência na China onde os proprietários abrem suas propriedades desocupadas a locatários de curto prazo, usualmente turistas. O sector registou um crescimento explosivo, segundo um relatório divulgado na quarta-feira por uma filial da Associação de Turismo da China. O número de pousadas familiares na parte continental da China atingiu 200 mil, uma alta anual de 300%, com mais de 20 mil negócios do tipo estabelecidos só em Guangdong, província no sul do país. Segundo o relatório, a cadeia de lojas e a concentração de pousadas familiares estimulam o desenvolvimento do mercado de turismo regional, o que também aumenta o valor das pousadas.

Mais intercâmbio com Hong Kong

O presidente do Supremo Tribunal Popular da China, Zhou Qiang, pediu na quarta-feira por mais intercâmbios entre os órgãos judiciários da parte continental e da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK). Zhou fez as observações ao se reunir com Andrew Li Kwok-nang, ex-presidente da Corte de Apelação Final da RAEHK. Os órgãos judiciários da parte continental e da RAEHK devem contribuir para melhorar o bemestar das pessoas na parte continental e na RAEHK, disse Zhou.

Queda de andaime deixa 5 mortos

Cinco pessoas morreram e outras três ficaram feridas, nesta quinta-feira, por conta da queda de um dos andaimes de um edifício em obras na província de Hubei, no centro da China, de acordo com informações divulgadas pela agência estatal “Xinhua”. As equipes de resgate encontraram as vítimas, três homens e duas mulheres sob os escombros, segundo detalharam fontes do governo provincial. O acidente ocorreu enquanto as obras estavam sendo realizadas em um prédio de escritórios do banco chinês ICBC, na cidade de Jianshi. As autoridades prenderam seis pessoas que estariam envolvidas com o acidente, que está sendo investigado.

2018 ENCONTRO DE EMPRESÁRIOS EM PORTUGAL

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próximo encontro de empresários entre a China e países lusófonos deverá acontecer em Portugal “no segundo trimestre” deste ano, disse a administradora do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), Gloria Batalha Ung. A informação foi avançada pela responsável aos jornalistas, à margem do seminário “Cooperação no Comércio, Investimento e Capacidade Produtiva”, que decorreu no início desta semana em Lisboa. “Nesta altura estamos a discutir com a AICEP [Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal” as datas para “ver como podemos avançar”, disse Gloria Batalha Ung. “Aguardamos com a concordância data”, mas

“acho que vai ser no segundo trimestre do ano, Maio/ Junho”, acrescentou a administradora. De acordo com Gloria Batalha Ung, no próximo ano são esperados mais participantes quer da parte de Portugal quer da China. A responsável adiantou que se pretende, neste encontro, “cobrir mais sectores e interesses”, que vão desde o comércio electrónico, passam pela protecção do ambiente e tecnologia, além do comércio. “Também o setor financeiro é uma hipótese” pois “estamos a criar um Centro de Serviços Financeiros para a China e para os países de língua portuguesa”, acrescentou. Por isso, “vamos convidar o sector financeiro para se juntar connosco desta vez” no encontro.

nos de países africanos, apresentando a possibilidade de “fazer a ponte com bancos de desenvolvimento chineses”. Shao Gang aludiu ainda à possibilidade de Governos de países africanos de situação financeira débil poderem recorrer “a empréstimos” concedido pela China, “em condições vantajosas”, porém assinalou que “estas situações terão de passar” pelos executivos de Portugal e China. Presente na cerimónia de assinatura do memorando de entendimento, o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, notou que “Portugal identificou a relação política, económica e social com a República Popular da China como uma prioridade”, pelo que assinalou que se se deu hoje “um passo importante”. “Portugal já mostrou que é um parceiro de longo prazo nos países de língua portuguesa em África e, por isso, com a República Popular da China, somos o parceiro que tem as melhores condições para a abordagem a estes mercados”, afirmou o governante, sustentando que “a disponibilidade do investimento do Banco de Desenvolvimento da China é uma solução virtuosa, ganhadora”. A empresa pública chinesa assinou igualmente um protocolo de características idênticas com a construtora Teixeira Duarte, em cerimónia que teve também a presença do embaixador da China em Portugal, Cai Run, e do presidente da AICEP, Luís Castro Henriques.

PROPRIEDADE INTELECTUAL SANÇÕES MAIS ALTAS PARA INFRACTORES

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Conselho de Estado da China informou na quarta-feira que as sanções por infracções aos direitos de propriedade intelectual serão aumentadas para diminuir o custo de defender esses direitos. A protecção melhorará mediante a identificação de fontes na internet, o controle em tempo real e a identificação online de infracções, de acordo com um comunicado divulgado depois de uma reunião executiva presidida pelo primeiro-ministro, Li Keqiang. Serão adoptadas sanções punitivas em casos de violação dos direitos de propriedade intelectual e procurarão novas vias de baixo custo para proteger estes direitos, acrescenta o texto. A China “tomará acções sérias contra uma série de casos de infracção da propriedade intelectual e falsificações para fazer com que os infractores sejam conscientes dos altos preços que

terão que pagar e para melhorar o ambiente de negócios, segundo o documento”, lê-se na Xinhua. O foco de atenção será na infracção de direitos de propriedade intelectual durante transacções comerciais online e em comércio exterior, e deve-se fazer mais em relação a produtos falsificados e de má qualidade, diz o comunicado. O próprio governo será multado se empresas sofrerem perdas por má-fé de parte do governo. “Com uma protecção sólida e efectiva dos direitos de propriedade, a China elevará a confiança entre os participantes do mercado para investir e começar negócios”, acrescenta. O comunicado também assinala que o governo proporcionará uma melhor protecção dos direitos de propriedade e ajudará a recuperar as perdas dos proprietários desses direitos com uma melhor assistência jurídica.


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24.11.2017 sexta-feira

E eu que estou bêbado de toda a injustica do Mundo ´ José Simões Morais

Imaculada Conceição padroeira de Macau

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1 de Dezembro comemora-se o início da Restauração da Independência de Portugal, então sobre o domínio da Espanha dos Filipes, ocorrida em 1640, data da colocação da estátua em bronze de Nossa Senhora da Assunção no frontispício da Igreja da Madre de Deus. Também começava hoje o oitavário da Imaculada Conceição, elevada em 1646, por desejo do Rei D. João IV, a padroeira de Portugal e no ano seguinte de Macau, sendo por isso o dia 8 de Dezembro feriado oficial. Era a única dos quatro padroeiros de Macau que tinha oitava, tendo já deixado de se realizar, e a última a ser consagrada padroeira da cidade. Começamos hoje por escrever sobre a origem deste culto, que remonta aos primeiros séculos do Cristianismo, tendo a Igreja oriental “instituído as primeiras festa da Virgem e especialmente as da Anunciação, Assunção e Conceição e a celebração desta última é também antiquíssima naquela Igreja e muito anterior à da sua prática na do ocidente. Jorge, Bispo de Nicomedia, que floresceu pelos anos de 616 a 641, dá esta festa como muito antiga e célebre no oriente, e é certo que já em 1180 se celebrara como festa de guarda pelos Imperadores de Constantinopla”, segundo o Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, que refere ainda a sua História em Portugal e aqui transcrita. “Afirmam alguns autores que o Sr. Rei D. Afonso Henriques, fundador da Monarquia, já se distinguira na devoção à Imaculada Conceição de Maria, e que em Alcobaça fizera erigir uma Igreja para o seu culto, no qual continuaram seus descendentes na coroa. É porém fora de toda a controvérsia histórica que em 1320, no tempo do Sr. Rei D. Dinis, o Bispo de Coimbra D. Raimundo instituiu na sua diocese a festa da Conceição Imaculada, a instâncias da Rainha Sta. Isabel, a qual no Mosteiro da Trindade, que fez edificar em Lisboa, erigiu uma capela em honra da mesma Conceição. De Coimbra passou aquela festa a ser praticada na diocese de Lisboa, e no resto do reino. Anos depois, o insigne e heróico condestável D. Nuno Álvares Pereira fez construir a Igreja da Conceição de Vila Viçosa, que é tida por uma das mais antigas e veneradas de toda a Hespanha, e os seus sucessores, Duques de Bragança, e os Reis desta Augusta Casa, imitando o exemplo de seu ilustre progenitor, se esmeraram sempre em a engrandecer, celebrando nela com devoção e pompa a festividade da Conceição Imaculada, e

entre os Duques a todos se avantajaram D. Jaime, D. Teodósio e D. João. O Sr. Rei D. Manuel mandou purificar a antiga sinagoga dos judeus em Lisboa, e a dedicou à Conceição de Maria. É a Igreja a que chamam da Conceição Velha, cuja fachada é um belo monumento do estilo da arquitectura gótica em Portugal. O Sr. Rei D. João III instituiu uma confraria ou irmandade, a que chamaram da Corte, em honra da Conceição da Virgem, debaixo de cujo nome fundou na Vila de Almeirim uma Igreja e hospital. Em 1634, a diocese da Guarda reunida em Sínodo prestou juramento de defender a Imaculada Conceição, e também a de Braga em 1637, e a de Coimbra em 1639. Foi porém o Sr. Rei D. João IV quem, com singular piedade, em Portugal mais exaltou o culto à Mãe Santíssima. A 25 de Março de 1646, dia da festa de Ramos, na capela real de Lisboa,

estando os três Estados do Reino congregados em Cortes, depois do Dr. Pedro Vieira da Silva, secretário de Estado, ler o piedoso decreto datado deste dia, jurou o dito Rei, e fez jurar a todos os seus súbditos, a confissão da Imaculada Conceição de Maria; a tomou por Protectora do seu Reino e senhorios, com feudo obrigatório de 50 cruzados em ouro por ano à Igreja da Senhora da Conceição de Vila Viçosa, assento ducal dos Duques de Bragança, dos quais ele herdou esta devoção; e acrescentou que ele Rei e todos os seus sucessores e de seus vassalos, ficariam obrigados a propugnar a excelência da Imaculidade da Soberana Virgem, até expor as vidas e derramar o próprio sangue. Em conformidade com esta resolução e assento de Cortes, todas as catedrais; corporações eclesiásticas e civis; as Universidades de Évora e Coimbra, e mais academias dos Reinos de Portugal, tomando a Virgem Imaculada por Padroeira do Reino, se obrigaram solenemente com juramento,

a defender a pureza da sua gloriosa Conceição, e por isso também nas salas de todos os Paços Municipais, Episcopais, e Tribunais do Reino, se levantaram desde então Imagens da Senhora, o que ainda hoje religiosamente se observa. Na Universidade de Coimbra ainda actualmente, [século XIX] não se confere algum grau académico, sem que preceda o juramento de defender a Conceição Imaculada. Seguidores do piedoso exemplo do Sr. Rei D. João IV, têm sido até ao nosso tempo os Monarcas da Augusta Casa de Bragança. O Sr. Rei D. Pedro II fez ricas dádivas à Conceição de Maria, e com real piedade protegeu as ordens religiosas da Conceição estabelecidas em Portugal; como a de Braga, instituída pelos anos de 1625; a Congregação da Conceição de Oliveira do Douro, em 1679; a dos Marianos Conceicionistas, estabelecida em Chacim, na Província de Trás-os-Montes, em 1754; e outras extintas em Portugal em 1834, na ocasião em que o foram as demais ordens religiosas. O Sr. Rei D. João V foi em devota romaria à Basílica de Vila Viçosa em 1716, para se desempenhar de uma sua promessa, e fez riquíssimos donativos àquela Igreja. Em 1717, decretou que em todas as Catedrais da Monarquia Portuguesa, se celebrasse com a maior pompa a festividade da Conceição. Em 1720, criou a Academia real de história portuguesa, em honra e debaixo da protecção da Senhora Imaculada, e quando em 1733, a 15 de Dezembro, reunida aquela célebre Academia na capela dos Paços da Casa de Bragança, onde fazia suas sessões, jurou solenemente defender a Imaculada Conceição, também o Sr. Rei D. João V, e o Príncipe seu filho prestaram devotamente o mesmo juramento. O Sr. Rei D. José I se distinguiu em semelhante devoção. No seu reinado, depois do terramoto de 1 de Novembro de 1755, que arrasou a cidade de Lisboa e muitas terras de Portugal, se instituiu no Convento de Jesus da Terceira Ordem da Penitência daquela cidade, sob a protecção da Santíssima Virgem, a Academia Mariana, à qual presidiu primeiro o erudito e afamado Dr. Manoel do Cenáculo, Arcebispo de Évora, assaz notável pela sua devoção, e em preciosos escritos em honra da Imaculada Conceição de Maria. O Sr. Rei D. João VI pediu e obteve da Sé Apostólica diferentes Bulas, que aumentaram os antigos e extraordinários privilégios de que já gozava a real Igreja de Vila Viçosa. A 6 de Janeiro de 1818, para solenizar o dia da sua inauguração ao trono, e manifestar que na devoção à Imaculada Conceição seguia as pisadas dos seus predecessores, criou a Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, cujas insígnias, pendentes de fita azul e branca, tem no centro as iniciais A. V. M., que significam – Ave Virgem Maria, - e em roda a lenda – Padroeira do Reino”.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

sexta-feira 24.11.2017

CAROLINA VARGAS REIS, JOVEM CONTRA EROS

tonalidades António de Castro Caeiro

Erôs, eróticus, erótismus

U

MA das palavras antigas mais difíceis de traduzir para as línguas contemporâneas é erôs. A sua versão adjectiva substantivou-se. O erótico assumiu expressão, contudo, de um conjunto de fenómenos que vai desde a pornografia em versão suave até ao amor romântico. O substantivo é nome de acção, exprime uma acção. Sem se fazer a experiência desta acção, não se percebe de que se trata. Tal como a semântica de caminho implica o caminhante, de outro modo o caminho não sai do sítio em que se encontra, estático e morto para a possibilidade que oferece. O grande teórico de erôs é Platão. Tão grande que podemos ter dúvidas, não terá sido Platão a inventar o fenómeno e a inculca-lo na humanidade. Enfim, há algumas características que o distingue do “amor” latino, tal como da “cupido”, mas importa mergulhar no coração do fenómeno, pelo menos como ele é expresso por Platão, e tentar perceber até que ponto se trata de uma palavra para referir o “sentido”, a “orientação”, a “direcção” que a vida toma. Em função da presença de um sentido numa ou noutra direcção, com orientações ou sem orienta-

ções, compreendemos que faz sentido ou não faz sentido nenhuma a vida que levamos, a vida que temos, a vida. Um dos componentes não negociáveis de erôs é a epithymia. A palavra compõe-se de um prefixo “epi-” e da variação do substantivo “thumos, -ou”, palavra que em sentido estrito quer dizer “ira” mas em sentido lato quer dizer todo o acontecimento disposicional, vibrações, modulações, estados de alma disposições do espírito. O prefixo quer dizer que o fenómeno é activo e nós estamos-lhe expostos quando acontece. É invasivo, dominador, deixa-nos no estado que provoca, com a impressão que cria. Mas o que é estranho e aparentemente paradoxal é o conteúdo da epithumia, do desejo, da ânsia. O seu conteúdo está ausente. A ausência do conteúdo por que ansiamos vivamente ou que muito desejamos não é nada. Antes pelo contrário é

uma presença. Esta prasentia in absentia tem toda a nossa atenção. Por outro lado, o momento triunfal, meramente hipotético, da sua posse é projectado para o futuro. Sente-se já um anseio no presente de um acontecimento que a dar-se, dar-se-á no futuro, promete enquanto houver esperança, mas faz-nos desesperar pelo alongamento até ao infinito da espera. Mata de tédio. A falta, a precisão, a necessidade, a carência descrevem esta forma particular de anseio do erôs. Não é como se tivéssemos tudo o que precisássemos à nossa disposição, com níveis satisfatórios de contentamento. Só nos faltaria aquilo que especificamente não temos mas de que sentimos precisão e de que temos necessidade. Não. Esta ânsia produz um objecto absoluto na hierarquia das coisas que queremos, no nosso projecto vital. Nada do resto “ris-

O erôs descreve resta relação complexa que temos com inanidades, com ausências que, porém, canalizam as nossas vidas para as suas possibilidades de preenchimento

ca”, por assim dizer. Tudo o resto não tem importância. A falta (endeia) com que a ânsia (epithumia) faz sentir o que não se tem é absoluta. Só tenho falta do conteúdo específico de que tenho falta e não tenho necessidade de mais nada, a não ser daquilo que não tenho. Ora, há tantos desejos, ânsias, necessidades, precisões, carências, conforme a escassez específica que temos relativamente às mais diversas coisas. Há um elemento “erótico” na relação entre sede e o que a mata, entre a fome e o que a mata, entre todos os apetites, todos os nossos desejos e o que os mata ou sacia. O erôs descreve resta relação complexa que temos com inanidades, com ausências que, porém, canalizam as nossas vidas para as suas possibilidades de preenchimento. Mas erôs não se verifica obviamente apenas só na periferia concreta e indespidível do acontecimento humano. Refere até tudo aquilo que não sabemos que não temos. Há todo um conjunto de sentidos que não identificamos como sentidos que constituem a ausência por causa da qual as nossas vidas são por essa ausência e não por qualquer particular presença. E mais, o erôs perpassa todas as nossas vidas, desde antes de termos sido, durante o tempo em que existimos até ao derradeiro momento em que tivermos sido, mesmo que não vivido conscientemente, mesmo que antecipado apenas mas nunca verdadeiramente vivido, por já não fazermos parte deste mundo. Dizem que o melhor de tudo não é nem a saúde nem a riqueza, mas encontrar na vida o que se ama. E, depois, ser esse amor de vida.


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FRANCESA, criativa, residente em Macau há 25 anos. O aspecto é seco, os olhos são azuis, sombreados a negro. O olhar é penetrante. Aqui e ali vislumbrase um olhar entre o divertido e o irónico. É a segunda exposição de Armelle Lainsecq, e não deixa de surpreender. Deu também para um reencontro com o marido, Jacques Lenantec, escultor. Quando se observam as fotomontagens de Armelle Lainsecq, encontramonos inevitavelmente como que perante delírios que podem raiar a classificação de surrealistas mas não creio. São antes uma aguda observação da realidade e a sua interpretação pessoal da mesma, a sua própria verdade. A artista produziu três séries chamadas “Macao Illusions”, “All in One” e “Dechronologies”. Armelle Lainsecq interpela o que vê e sente e constrói um mundo desmascarado, onde todas as personas caem para que aquilo que supostamente escondem surja desnudado, qual circo urbano onde reina o condimento da ironia. Armelle Lainsecq propõe assim três leituras, uma que me é naturalmente cara, a da cidade e a sua (dela) verdade presente - Macao Illusions - outra, a da apropriação e manipulação de pinturas de Rembrandt, Cézanne, Manet, Delacroix e outros, onde a exigência técnica está primorosamente patente em brilhantes reconstruções que parecem indagar com um “e se...” e que são da série “All in One” e ainda uma terceira, “Dechronologies” onde, com uma técnica de fotomanipulação, actualiza criativamente personagens de outros tempos. Em todos os casos estamos perante alguém com uma capacidade analítica notável, e uma ironia incontestável, integrando uma família de artistas, como seu marido, o escultor Jacques Lenantec e Vincent, o filho que faz tatuagens. Toda esta circulação pelos territórios do que existe exógenamente, mas sobretudo pela sua interpretação, requer um espaço onde se possa meditar e especular sobre estas áreas. Daí a tão compreensível reclusão para a decantação entre a aparência do real e a realidade que apenas existe dentro de nós. O retrato surgiu depois, e com ele naturezas mortas, galhos partidos, uma obssessão com o retrato da realidade, a mesma busca de perfeição residente nas suas fotomontagens. E foi aí que nasceu a conversa, depois da inauguração da sua Exposição no Creative Center, a merecer uma visita por parte do público de Macau.

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ARMELLE LAINSECQ

As ironias do


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realismo ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR

Há quanto tempo vive em Macau? Desde 1983 a 1992. Depois voltei a Paris e regressei em 2001 até agora. Um total de 25 anos. Porquê Macau? E porquê a zona do Lilau? Macau em 1983 por motivos profissionais. Nessa altura, o meu marido estava à procura de fundições de bronze na Ásia. Um amigo francês convidou-nos para Macau, dizendo que Macau era um bom lugar para começar a procurar fundição de bronze na Ásia. Na verdade, não encontramos nenhuma fundição, mas apaixonámo-nos por Macau! O clima, a comida, o exotismo. E em 1983, criámos um atelier para lançar as esculturas de meu marido. O Lilau não é uma escolha. Por acaso, começamos a viver nesta área da colina de Penha. Como relaciona a sua escolha de viver em Macau e numa área histórica e no Macau de hoje? Compramos um apartamento em 1990 na Rua de Lilau por um preço acessível, (risos). Em seguida, compramos um armazém felizmente no piso térreo em 2004, ainda a um preço acessível (mais risos). Ficámos então nesta zona que é silenciosa! Considera-se uma pessoa irónica? Sim, completamente. Mas sempre com respeito. É mais um sentido

de humor, na verdade. Mas também tenho uma grande capacidade de escárnio por mim mesma. Como surge a série de «All in One», Manet, Rembrandt, Cézanne e outros aparecem? Porquê? Entre a série “Macao Illusions” e o meu “All in One”, trabalhei em retratos de personalidades, que eu chamei de “Dechronologies”. Por exemplo, peguei no retrato de Luís XIV e, com photoshop, tentei ver como ele deveria ser hoje. Muito engraçado. Retratei assim cerca de 50 personalidades, gosto disso. Enquanto procurava pinturas para essas “”Dechronologies”, comecei a conhecer muitos mestres e muitas pinturas. Naturalmente descobri o estilo dos mestres e vi que nesses grandes mestres, a sua pintura era por vezes “engraçada” e repetitiva. A ideia de fazer “All in One” veio dessa descoberta. Lembro-me da sua primeira exposição no Creative de Macau. Até então, a Armelle só tinha colagens digitais. O que a fez passar para os retratos? A sua entrada no mundo do desenho representa uma afirmação interior? Depois de tirar fotografias de tantos artistas, achei que era fácil criticar ironicamente. O último pintor que eu tentei trabalhar foi Picasso com Guernica em Continua na página seguinte


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“All in One”. Nunca terminei porque me assustei com essa pintura que achei feia. Naquele exacto momento decidi desenhar, para mostrar que não só era capaz de criticar. Desenho retratos, mas também gatos - gosto de gatos - e qualquer assunto que me inspire. Gosto das árvores quebradas após o tufão Hato ou, mais recentemente comida chinesa. Gosto de me concentrar nos detalhes. Comecei a desenhar no primeiro de Janeiro de 2016, pelo menos, 10 a 12 horas por dia. Todos os dias, do nascer ao pôr-do-sol, durante todo o ano. Apenas paro quando sou forçada a viajar. Porquê a ironia sobre Picasso, Manet ou mesmo Rembrandt? O que está por detrás disso? Picasso: não tenho absolutamente nenhuma emoção quando vejo Guernica e todas as suas obras. Manet: ha ha ha. Porquê uma mulher nua entre 2 homens vestidos tendo um almoço na relva? É uma situação absolutamente absurda. Rembrandt: neste caso, nenhuma crítica. Apenas tive a ideia de colocar mulheres, em vez de homens, em torno do corpo morto por mera diversão. ... Mas eu tenho muito mais para lhe mostrar: Delacroix, Leonardo da Vinci, Ingres, Courbet, David, Bouguereau. Aceita encomendas de retratos? Sim. Depois de desenhar cerca de cem retratos de graça e também

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para treino, eu comecei a aceitar comissões. Tive três no mês passado e tenho quatro novas encomendas para fazer. E algumas mais a caminho. É quando desenho retratos que abandono a ironia! Quero realmente que as pessoas fiquem satisfeitas e felizes com os seus retratos. Para mim todos os meus modelos são VIP, independentemente da idade. Gosto de encontrar os detalhes que revelam o charme ou a beleza de qualquer pessoa que eu desenhe. Como vê a cena artística de Macau? (risos) Isso não me preocupa nem me importa. Não sou politicamente correcta nessa área, por isso prefiro estar calada. Claro, há bons artistas em Macau. Descobri recentemente Filipe Dores, que tem muito talento. Parece que é uma pessoa bastante retirada. Porquê? Nunca fui uma pessoa muito sociável. Tenho muito poucos amigos. Todos sabem que eu sou um pouco

“selvagem”. Todos eles desempenharam um papel importante na minha vida, esta é a condição para obter a minha amizade para sempre. Excepto esses verdadeiros amigos, não sinto a necessidade de companhia, tirando a companhia dos meus gatos. Sim, sou retirada e gosto do som do silêncio, não do barulho da música. Sinto-me feliz na frente de um computador ou na frente de uma folha de papel. Porque essa necessidade de tempo? Quer deixar um corpo de trabalho, uma obra? Comecei tarde a ter uma actividade artística a tempo inteiro. Tenho sido uma mulher-de-artista há décadas. Ser mulher-de-artista é um trabalho a tempo inteiro. Meu marido é escultor, e a escultura é uma arte muito complicada. Trabalhei muito com ele. Sei tudo sobre a escultura, do processo do barro até ao bronze. Mas, há 2 anos, por motivos profissionais e pessoais, decidi ter minha própria actividade em tempo integral. O problema é que comecei tarde, por

Música Concerto “The Rooms” acontece no sábado

A banda portuguesa “The Rooms” actua este sábado no espaço “What’s up Pop Up”, localizado na rua dos ervanários, por volta das 20h00. Os “The Rooms” são um “projecto colectivo que começou na Lisboa suburbana”, que já teve “muitos nomes em muitos quartos”, em locais tão diversos como a Europa ou o sudeste asiático. Também teve “muitos rostos”, com músicos não só de Portugal como do Canadá, China e Moçambique. Keba, Alex Gulele e Hugo Melo fazem parte do projecto musical. O concerto tem entrada livre.

isso o meu tempo é precioso. Estou em estado de emergência permanente para economizar o meu tempo. Talvez o meu tempo não tenha valor, mas para mim é precioso. Não, não quero deixar uma corpo obra para trás. Sou muito humilde e não tenho tal pretensão. Considera-se uma artista? Isso é importante para si? Sim, considero-me uma artista. Sempre fui, indirectamente. Na minha maneira de pensar, ou a maneira de compartilhar a arte do meu marido por via de um elevado nível de colaboração. Hoje, se eu não desenhar ou “criar algo”, fico extremamente nervosa, cuidado, eu posso ser perigosa (risos)! Deixem-me desenhar, é a minha vez de pensar em mim! Não, não é importante ser uma artista, excepto se se fôr um verdadeiro génio, e eu não sou. Todos somos artistas, em diferentes graus. Tenho notado que os seus preços de venda são bastante acessíveis. Por que é que?

Na verdade, eu quero ser acessível, como diz. Acessível às pessoas que não têm o hábito de comprar arte. Quando desenho um retrato, tenho que mostrar um resultado cem por cento de semelhante ao modelo. É o mesmo preço para o meu vizinho que vende “dim sum” no mercado e para uma pessoa muito rica.As pessoas simples sabem melhor o valor das coisas do que as pessoas ricas. Quero trabalhar para pessoas simples. Aqueles que sonham em ter o seu retrato e perceber que isso comigo é possível. O meu alvo são as pessoas. Tenho excelente relação com eles. Eles conhecem-me, eu falo com eles em cantonês (não com fluência, mas o suficiente). Eles gostam de mim e eu gosto de pessoas que gostam de mim. Quero desenhar prioritariamente para eles. Claro que um dia, aumentarei os meus preços, mas essa é a única coisa sobre a qual não tenho pressa. Respeito o valor do trabalho e o trabalho de um artista não tem, para mim, mais valor do que qualquer outro trabalho “normal”. Ei artistas, acalmem-se, vocês são apenas artistas!

LMA “Merkwelt” é apresentado amanhã

O álbum de estreia de Achun é lançado amanhã no Live Music Associoation. “Merkwelt” dá nome ao disco que conta com a participação de nomes locais ligados à música e que também vão participar do concerto de apresentação. São eles Kelsey Wilhelm, Man Made Machines AKA Rui Simões, AKI e Ryoma. O evento começa às 22h e o bilhete tem o valor de 120 patacas.


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O facto de quatro pilotos do mesmo construtor estarem nesta luta, pode fazer com que, via de uma menor pontuação, Ávila tenha apenas de se concentrar em amealhar pontos para a equipa

A

S hipóteses são muito remotas, mas Rodolfo Ávila ainda pode sagrar-se o grande vencedor do Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), este fim-de-semana, em Xangai. Em sexto lugar à geral na competição, o piloto de Macau está nesta altura a 19 pontos da liderança, ocupada pelo colega de equipa Rob Huff. Nesta fase estão 45 pontos em discussão. Também a Volkswagen, da qual Ávila faz parte, está a lutar pelo campeonato de marcas, pelo o piloto pode ver a sua prestação limitada pela necessidade de cumprir ordens de equipa. O facto de quatro pilotos do mesmo

ÁVILA COM TÉNUES ASPIRAÇÕES AO TÍTULO DE PILOTOS DO CTCC

A espera do milagre `

Piloto local pode sagrar-se campeão em Xangai, mas precisa de uma conjugação muito favorável de resultados. Porém, Ávila está em excelente posição de ajudar a VW a conquistar o título de marcas construtor estarem nesta luta, pode fazer com que, via de uma menor pontuação, Ávila tenha apenas de se concentrar em amealhar pontos para a equipa e abdicar da luta pelo campeonato de pilotos.

Os Sub-23 venceram o Lam Pak por 2-0, no último jogo da fase de grupos do Torneio de Futebol de Sete, que substituiu a Bolinha. Na quarta-feira à noite, os Sub-23 apontaram o primeiro tento aos 10 minutos, através de Mok Koi Hei, e o segundo, já na parte complementar do encontro, aos 31 minutos, por intermédio de Wan Tin Iao. Com as equipas apuradas para as meias-finais conhecidas antes deste encontro, o jogo apenas serviu para cumprir o calendário. Hoje, a partir da 19h00, no Canídromo, realizam-se as meias-finais do torneio, com o Benfica a defrontar o Kei Lun, e o Ka I a ter pela frente o Cheng Fung.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Sub-23 derrotaram Lam Pak por 2-0

“A prioridade do fim-de-semana será sempre que um dos pilotos da SAIC Volkswagen se sagre campeão e qualquer um de nós os quatro ainda tem possibilidades matemáticas de ser campeão. Como não

pontuei na última corrida, as minhas hipóteses são muito limitadas, portanto o meu fim-de-semana irá muito provavelmente decorrer um pouco ao sabor da estratégia montada pela equipa”, deixou muito claro Rodolfo Ávila, em comunicado.

CINCO PILOTOS À SUA FRENTE

Além de precisar de somar mais 20 pontos do que Huff, Ávila vai precisar de alcançar mais 12,5 pontos do que Cao Hong Wei (Ford), mais 11 pontos do que Zhu Dai Wei (BAIC), mais oito pontos do que Jiang Teng Yi (VW) e mais um ponto e meio do que Zhang Zhen Dong (VW).

Ao nível dos construtores a VW está na liderança com 331,5 pontos, à frente de Ford, com 268,5 pontos e BAIC, que soma 267 pontos. Apenas estas marcas podem chegar ao título, com a VW a ser a favorita. A prova do fim-de-semana vai ser realizada no Circuito Internacional de Xangai, que é igualmente utilizado para receber a ronda chinesa do campeonato de Fórmula 1. Esta é também a segunda vez, esta época, que o CTCC visita esta pista em Xangai. No verão, Ávila conseguiu um sexto e um 12.º lugar na capital financeira chinesa, tendo as duas corridas sido vencidas por Rob Huff e Jim Ka To, o último em Kia.

Huff chega especialmente motivado a esta ronda, depois de ter vencido a prova do WTCC no Circuito da Guia. Por sua vez, Ávila chega a Xangai depois de na ronda anterior do CTCC, em Wuhan, ter somado um terceiro lugar e uma desistência, quando rodava nos lugares do pódio. “Vamos para a última corrida da temporada onde vou tentar mais uma vez andar nos lugares da frente. Devido aos bons resultados nas últimas corridas, o nosso carro vai estar mais pesado, o que nos vai dificultar um pouco a tarefa, mas vou dar o meu melhor”, explicou o piloto de Macau sobre a abordagem para a corrida. O fim-de-semana arranca hoje, com duas sessões de treinos-livres. Amanhã, pela manhã, será realizada a sessão de qualificação, enquanto que a primeira corrida está agendada para as 15h20. A temporada encerra com uma segunda corrida de dez voltas à 13h10, de domingo. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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a outra face

CARLOS MORAIS JOSÉ

Que Verão é este, que Sol nos descoroçoa? Porque ardemos neste umbral que vestimos de pessoa? É um Verão teimoso, nu de nuvens, ungido de um insuportável azul. Num relance, quando do suor nocturno acordo, pergunto: onde é o Sul? E quero andar. Mas há neste clima algo seco, intratável, indizível, algo de trevas disfarçadas de luz, que não seduz. Logo me fico. E certifico a imobilidade com duas ou três machadadas breves: numa vai o Sol, com as cortinas; noutra o dia, com as meninas; e ainda outra, arrepiada, assustada de não cortar nada.

Vai-te embora, vai-te embora, diziam em tom de nora as mulheres num alvoroço. Pobre moço que ao tremoço deve horas de oração. Nunca existiu perdão que não seja esquecimento, seja gato ou jumento, muralha ou paredão, nunca existiu perdão... Estamos condenados ao Sol, à Lua, aos lamentos. Vêm do céu, caem como a chuva haverá de cair, torrencial, animal. E neles olímpicos nos banhamos. Não queremos amos, isso garanto. Preferimos o espanto de saber sem entender. Aliás, não quero saber nada.

Como ler nesta desamparada estrada, a das voltas e travoltas, a das voltas da manada?

Não sei se a culpa é do tempo. Que é estranho lá isso é! Como ler, nesta desamparada estrada, a das voltas e travoltas, a das voltas da manada? Não sei. Saberá o rei, esse vidente. A mim, dói-me um dente e assim humilíssimo me recolho.

Prefiro os burros e a sua perfeita andadura. E candidamente confesso: sim, quero o que morre, não o que dura; quero o que renasce a cada hausto, no desembaraço das metamorfoses; quero tudo outra vez mas desta vez sem vozes.

Agora dói-me um olho. Irra! Que me há-de doer sempre qualquer coisa! Que seca esta vida de alforreca, esparramado na praia, esmagado pelo Sol. Clima inclemente... esquecia-me... dói-me um dente...

Aspiro ao silêncio, dizia ainda antes de ver. Eu sabia lá o que era isso. Mas não é fácil renegar. Aqui estou, aqui me tens. Não te voltes contra mim, minha mãe. Tudo menos isso. Basta de desdéns.

Quererá isso dizer que não posso mastigar? Que nem sombras posso ver? Não. Consigo correr, assim rente pela estrada e dar curvas e vociferar com o caminho. Olha p’rá qu’ele... coitadinho... ficou-se pelas covas neste Verão sem remissão.

Chega de Sol, chega de sombras. Quero o cinzento, o seu lamento, a tristeza assoberbada. O resto não vale nada. Pois. Passeio o esqueleto no trottoir. Solta-se uma gargalhada. O resto não vale nada.

ALEXANDER KUNZ, LAGO SECO

Subitamente, um Verão pesado, do nosso descontentamento. Um Verão birrento, um Sol intensamente presente no momento que deveria ser de ausência. Falta de paciência.

O resto não vale nada


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A emergência “Zhou Enlai was a quintessential Chinese leader and devoted his postwar career to preserving and promoting Chinese national interests until his death.” The Making of China’s Peace with Japan: What Xi Jinping Should Learn from Zhou Enlai Mayumi Itoh

O

Imperador Napoleão afirmou que o mundo devia ter cuidado com o dragão adormecido, para que não o despertasse. A China não estava apenas adormecida, mas perdida num tempo antes da modernidade e incapaz de emergir do sonho denso de um mundo anterior, no qual tinha sido o país mais avançado do planeta, certamente o mais virtuoso e sábio, mas de alguma forma foi submerso pelo poder e pelos saques do que antes eram Estados bárbaros com regras primitivas e populações rudes. O arrastamento de uma China sonâmbula para a globalização foi um enorme choque para um império que se tinha isolado. As potências imperiais do século XIX, unidas por uma rápida modernização do Japão, sujeitaram a China a enormes humilhações que continuaram no século XX, especialmente por parte do Japão que ocupou uma grande parte do seu território nos anos anteriores à II Guerra Mundial. Os chineses não se solidarizaram, pois encontravam-se divididos em dois campos armados concorrentes, com aspirações para duas formas muito diferentes de República, uma administração de fantoches japoneses, e vários enclaves do senhor da guerra. Os exércitos chineses, não importa o quão desesperadamente e tardiamente se procuraram modernizar-se, acabaram por sucumbir diante dos japoneses devido à sua terrível liderança. A facção nacionalista do “Kuomintang” (Partido Nacionalista Chinês), liderado por Chiang Kai- shek, foi um aliado dos Estados Unidos, Reino Unido e da União Soviética durante a guerra, e lutou com os britânicos na Birmânia, mas enfrentou quer o exército o japonês, como o exército comunista do Presidente Mao. No final da II Guerra Mundial, a luta continuou na China, e os comunistas saíram vitoriosos em 1949, dirigindo as forças nacionalistas de Chiang para o exílio na ilha de Taiwan. Todavia, a China estava em ruínas e o regime comunista iniciava as suas novas políticas sociais e económicas, com grande custo para a estabilidade do país. A diplomacia foi, com excepção da União Soviética comunista uma prioridade e os Estados Unidos como aliado dos nacionalistas derrotados, determinante no congelamento da China à diplomacia internacional, retirando-lhe respeitabilidade. Os Estados

Unidos, utilizando o seu poder de veto nas novas Nações Unidas, impediram a China de ocupar o seu lugar no Conselho de Segurança, mantendo o regime nacionalista no seu lugar da ONU. As relações com a União Soviética começaram a arrefecer, em 1956, quando Nikita Khrushchev iniciou o processo de repudiar os excessos tirânicos de Estaline. Os chineses consideraram como o ínicio de um revisionismo muito longo, o que justificou uma nova diplomacia, com o fim de encontrar aliados em um mundo mais vasto. O lugar de primeiro secretário do partido comunista soviético foi ocupado por Khrushchev, após a morte de Estaline em 1953, e não havia indicações públicas de que se iria desviar significativamente do legado que tinha herdado. O discurso de quatro horas de Khrushchev, em 25 de fevereiro de 1956, foi de acusação a Estaline por ter conduzido um culto de personalidade, assustando desse modo todo o mundo comunista, incluindo a China. Tornou-se claro para os chineses, mesmo antes do discurso, que confiar unicamente na União Soviética, em termos de apoio diplomático era imprudente. O primeiro-ministro chinês Zhou Enlai, assistiu à “Conferência Afro-asiática de Bandung”, que se realizou entre 18 e 24 de Abril de 1955, e que foi uma enorme reunião de líderes do mundo emergente e o precursor-chave para o “Movimento dos Países Não Alinhados (MNA)”, que reuniu cento e quinze países, tendo proferido um discurso que constituiu um marco no movimento. A incursão diplomática do primeiro-ministro chinês teve como fim a procura de aliados diplomáticos e grangear a apreciação internacional para o que China tinha realizado. Simultaneamente, foi uma tentativa da China de reconhecer que outros também tinham passado por um século ou mais de uma terrível imperialização. Os chineses tinham estado demasiado isolados do mundo, não tinha fundamentos empíricos para a solidariedade e não poderiam ser por razões ideológicas, pois a maioria do mundo afro-asiático não era comunista, embora muitos países tivessem inclinações para uma forma ou outra de socialismo. O primeiro-ministro Zhou fez um discurso de empatia, baseado essencialmente em principios éticos, referindo o facto de outros países os terem despojado e que os chineses os ajudariam. Outros países impuseram a sua soberania e os chineses não interfeririam nos assuntos internos dos países, cujo funcionamento pertencia exclusivamente aos seus governos. A combinação de assistência e não-intervenção ou não-interferência tem sido algo que os chineses aplicaram como principío e grande motivação desde essa época. A China, no seguimento da “Conferência de Bandung”, iniciou a sua assistência financeira às nações emergentes, apesar da Republica Popula da China (RPC) ter apenas sete anos de existência e o seu governo, gerir um país desesperadamente pobre e subdesenvolvido. Os modelos de arranque rápido do presidente Mao para apressar a

modernização e a industrialização não resultaram e tiveram enormes custos em termos de deslocamento social. O presidente Mao era um poeta visionário que tentava ser um planeador industrial, com desconhecimento de indústria ou industrialização, dado não ser esse o seu mester. Os que o rodeavam, como o primeiro-ministro Zhou e mais tarde Deng Xiaoping, pegaram nas peças do quebra-cabeças e tentaram construir com sucesso uma ordem pragmática e científica para o desenvolvimento chinês. O primeiro-ministro Zhou liderou o caminho em termos de relações internacionais com o seu discurso de Bandung, tendo sido extremamente influente e pioneiro nos conceitos das “quatro modernizações”, em 1963. O primeiro-ministro Zhou, também foi pioneiro no que mais tarde se designou pela “Teoria dos Três Mundos”, que considera que as relações internacionais compreendem três mundos político-económicos, em que Primeiro Mundo, compreendia as superpotências, o Segundo Mundo, compreendia os países

aliados das superpotências e o Terceiro Mundo, compreendia os países do MNA. Ainda que, esta teoria tenha sido articulada como a visão oficial do mundo chinês, novamente por Deng Xiaoping, num discurso na ONU, em 1974, foi o primeiro-ministro Zhou, que estabeleceu o seu conteúdo na década de 1960. Foi bastante poético para o presidente Mao ter-se entusiamado com o tema e ter sido oficialmente declarado como uma formulação sua, aplaudida pela presidente da Zâmbia, Kenneth Kaunda, considerado como um rei-filósofo africano, durante a visita à China, em 1974. Os temas enunciados pelo primeiro-ministro Zhou, em Bandung, desenvolveram-se, mas antes de 1974, ocorreu um evento diplomático inovador, que deu à China a liberdade internacional para desenvolver a sua visão de Bandung e a aproximação com os Estados Unidos ocorreu. A teoria das quatro modernizações foi mais tarde considerada como política pelo sucessor do presidente Mao, Deng Xiaoping, em 1978. As modernizações


opinião 25

sexta-feira 24.11.2017

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

da China (I) POSTER POWER: UNITE AND STRIVE FOR GREATER VICTORY PROPAGANDA

foram fundamentais para a China desenvolver o seu sector industrial e, portanto, a base económica que era necessária às suas relações internacionais de assistência aos outros países, bem como para a concorrência com o mundo ocidental desenvolvido. A aproximação dos Estados Unidos e da China foi um objectivo de Henry Kissinger, que desejava três situações, sendo a primeira, a liberdade de enfrentar a União Soviética, como uma superpotência antagonista única, sem a interferência da China. como outro poder conflituante; em segundo, um sentido de limites responsáveis ao comportamento regional chinês, devendo os Estados Unidos sair com sucesso da guerra de Vietname; e, em terceiro, a incorporação da China no concerto das grandes potências, quer para o tornar credível e viável, com nenhum país a jogar cartas viciadas fora da mesa e obrigar os chineses a respeitar as regras de ser parte de um concerto de nações, e, fossem previsíveis as suas acções. Os chineses consideraram razoável, o que significava que China não tinha que

enfrentar, quer a União Soviética, como os Estados Unidos, sendo um enorme passo para uma região mais pacífica, se de facto os Estados Unidos resolvessem os seus interesses no Vietname. A China seria reconhecida, finalmente, como uma grande potência, mesmo estando dentro do concerto de nações, terminando assim a era das humilhações e que poderiam ser tomadas medidas para alcançar o progresso económico, em um regime comercial que não excluía o Ocidente e, em particular,

A China não estava apenas adormecida, mas perdida num tempo antes da modernidade e incapaz de emergir do sonho denso de um mundo anterior, no qual tinha sido o país mais avançado do planeta

os Estados Unidos. Todavia, Kissinger não tinha ligações diplomáticas directas com a China. Além disso, o conhecimento da China por parte dos Estados Unidos era limitado, dada a purga de linguistas e sinólogos do Departamento de Estado durante a era de McCarthy, anti-comunista de caça-bruxas. Os chineses não se encontravam em melhor posição. Até certo ponto, sem processos organizacionais e sem planeamento dos temas, os papéis fundamentais desempenhados por Kissinger e Zhou, representaram a forma mais pura de comportamento do actor racional, visto na diplomacia internacional do pós-guerra, embora, no bom sentido deva ser entendido que as duas individualidades confiaram altamente na intuição. O seu sucesso em poder desenvolver uma formidável empatia pessoal foi um acidente da história. Kissinger teve que fazer a referência a ditadores como porta de entrada, e os chineses tiveram que implantar o ténis de mesa como símbolo de que uma nova história era possível. Olhando para trás, revela que tal estratégia foi de certa forma idiota. Kissinger fez as conversações secretas de abertura diplomática em 1970 com o presidente paquistanês Yahya Khan, ex-responsável pela rebelião no Paquistão Oriental no mesmo ano, e eventualmente da sangrenta secessão do Bangladesh e com o romeno Nicolae Ceausescu, o último ditador comunista que certamente não lamentou as atrocidades cometidas de sessenta mil mortos, quando foi sumariamente executado, a 25 de Dezembro de1989, tendo Kissinger pedido a ambos que usassem os seus bons ofícios para demonstrar a vontade de conversar com a China. A China mostrou que estava disposta à abertura de conversações diplomáticas e usou o subterfúgio de convidar atletas dos Estados Unidos a jogar uma partida de ténis de mesa no seu território, tendo acontecido em Abril de 1971. No isolamento diplomático da China, após a II Guerra Mundial e na era subsequente de hostilidade política, nenhum contacto desse tipo parecia possível. Foi o advento da “Diplomacia de Ping-Pong”, e o sentido geral internacional foi de que as relações entre os Estados Unidos e a China poderiam estar descongeladas. Mesmo assim, Kissinger fez duas visitas secretas à China, em Julho e Outubro de 1971, e trabalhou com o primeiro-ministro Zhou Enlai na preparação da visita pública do presidente Nixon à China, em 1972. A visita foi cheia de pompa, mas era apenas o rosto de uma aproximação, cujos detalhes tinham pouco a ver com Nixon ou Mao. Ainda que do lado chinês tivesse quase tudo a ver com Zhou, não existia uma confiança total nos Estados Unidos, como nunca se daria até ao presente. Após tantos anos de hostilidade, não era possível uma transformação do dia para a noite no que concerne à política externa. Os chineses continuaram a trabalhar na “Teoria dos Três Mundos”. A teoria real não durou muito tempo como uma conceptualização activa do mundo. Era

mais um sentimentalismo que qualquer outra coisa, tendo o sentido de que a China tinha um papel de liderança, especialmente, entre os que também estavam a sair da humilhação. A teoria propôs um Primeiro Mundo de alcance e ambição imperial, e isso era uma união conjunta dos Estados Unidos e da União Soviética, ou seja, as duas grandes superpotências ainda procuravam o domínio global. O Segundo Mundo era constituído por uma zona intermediária, consistindo nos países da Europa, embora a teoria não o dissesse, pois os chineses nunca tiveram uma abordagem articulada da América do Sul. Este mundo poderia ser cortejado pelo Primeiro ou pelo Terceiro Mundo e o sucesso desse namoro poderia determinar a luta de poder entre o Primeiro e o Terceiro. Nesse sentido, a teoria tinha objectivos diplomáticos. O Terceiro Mundo era basicamente o mundo emergente, o não alinhado, mas com um retoque que consistia em ser um mundo liderado, defendido e protegido pela China. Foi esse conceito de que a China poderia fazer essas coisas e que outros países do Terceiro Mundo desejariam que as fizesse mas que nunca as faria contra os interesses desses países, que em muito pouco tempo se revelaria falso. A União Soviética, em 1979, de “fora de um céu azul”, que tem o significado de um evento que ocorre inesperadamente, sem qualquer aviso ou preparação, como os estrategistas militares ocidentais descreveram, ou seja, sem sinais de alerta ou mesmo sinais visíveis de preparação, invadiram o Afeganistão. O Ocidente não conseguiu impedi-lo e nem o poderia fazer a China. Uma parte do Terceiro Mundo foi ultrapassada por metade do Primeiro Mundo e a China, longe de ser o seu efectivo campeão e protector, só podia assistir, tão surpreendida e despreparada como o Ocidente. Todavia, outro evento significativo ocorreu entre 17 Fevereiro a 16 de Março de 1979, que foi a invasão do Vietname pela China. Tendo sido aliado do Vietname do Norte na guerra contra os Estados Unidos e o regime por estes apoiado no sul, os chineses envolveram-se num conflito com o estado unificado que ajudaram a criar. A invasão foi breve. Os vietnamitas sentiram o embaraço e afastaram as forças chinesas, sem ter havido um derrotado. Endurecidos por anos de luta contra os Estados Unidos, os chineses eram simplesmente mais do mesmo. Mas esse foi precisamente o problema. A China comportou-se como um gigante do Primeiro Mundo, não estando a defender essa parte do Terceiro Mundo. Após 1979, a teoria nunca foi novamente mencionada. Isto não significou que os chineses abandonaram o princípio da solidariedade com o mundo emergente. A China simplesmente percebeu que não poderia ser automaticamente o seu líder. A China também percebeu que tinha muito a aprender sobre as complexidades e as ambições desse mundo. Estas podiam não coincidir com as ambições chinesas, podendo até, no caso dos vietnamitas, ser contra elas.


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24.11.2017 sexta-feira

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EXPOSIÇÃO “PHOTOSYNTESIS” DE TANG KUOK HOU IFT Café | Até 01/12 EXPOSIÇÃO “PURGE ONE´S MIND” DE LEUNG KIT MAN, IM HOK LON E MOK HEI SAN Galeria do lago Nam Van | Até 25/11

O CARTOON STEPH

REPRESENTAÇÕES DA MULHER - COLECÇÃO DO MUSEU DE ARTE DE MACAU NOS SÉCULOS XIX E XX MAM | Até 10/12 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” MAM | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING MAM | Até 4/3/2018

PROBLEMA 168

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 167

UM FILME HOJE

SUDOKU

DE

C I N E M A

1.21

O QUE DIZER?

Sábado

Cineteatro

YUAN

PÊLO DO CÃO

ESPECIAL FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA “YOU SHOOT, I SHOOT” DE PANG HO-CHEUNG Cinemateca Paixão | 15h30

SALÃO DE OUTONO Casa Garden

0.24

Quando não existem palavras, quando o verbo se escapa e o que resta são suspiros e imprecações contra este circo absurdo, quando só nos apetece lançar maldições à condição de sermos esta carne em putrefacção. O que escrever quando tudo é inútil, pequeno, vão, insignificante face à esmagadora realidade que vive além da oralidade ou da letra escrita, que ultrapassa em muito as tarefas a cumprir no mundo prático? Escrevemos e falamos como se fosse uma necessidade biológica, respiramos palavras involuntariamente, de cabeça no ar e com o pensamento ocupado por um sem fim de asneiras. O que fazer quando a impotência é soberana, quando a única solução que temos é deixar o imparável tempo escorrer na esperança de alguma novidade encorajadora? Nada. É neste vazio que temos de viver este dia, tratando-o como normal, como se nada se passasse, enquanto no peito habita uma inquietação atroz. Seguimos como sonâmbulos num pesadelo desfocado, sem gestos restantes, sem verbo que chegue para a crueldade da carne e a indiferença do destino. Toda e qualquer palavra é uma emanação de frivolidade, um espasmo comunicacional sem consequência. O que pensar quando o raciocínio está enevoado por uma sombra densa, que nada deixar passar e que tudo domina? Coisa nenhuma, patavina, nada, népia, nicles. João Luz

DE VOLTA À LAGOA AZUL | WILLIAM A. GRAHAM, 1991

“De Volta à Lagoa Azul” é um filme romântico norte-americano, estreado em 1991, em que participaram os actores Milla Jovovich e Brian Krause. A película é a sequela de “A Lagoa Azul”, que conta a história de uma viúva que juntamente com a sua filha, Lilli e Richard, um órfão de que a família tomava conta. Depois de um naufrágio, a mãe de Lilli acaba por encontrar refúgio numa ilha do Pacífico Sul, longe da civilização. Entretanto, as duas crianças começam a adaptar-se à vida na ilha e crescem juntas, enfrentando perigos e acabando por encontrar o amor. Vítor Ng

HAPPY DEATH DAY SALA 1

JUSTICE LEAGUE [B] Fime de: Zack Snyder Com: Ben Affleck, Gal Gadot, Raymond Fisher, Jason Momoa, Erza Miller 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

MANHUNT [C] Fime de: John Woo

Com: Zhang Hanyu, Masaharu Fukuyama, Qi Wei, Ha Jiwon 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

HAPPY DEATH DAY [C] Fime de: Christopher Landon Com: Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine, Charles Aitken 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


perfil 27

sexta-feira 24.11.2017

NATASHA STANKIEWICZ, BAILARINA E INSTRUTORA DE AERIAL ARTS

“Coloane ajuda-me a respirar”

N

ATASHA Stankiewicz está quase a completar uma década, um aniversário redondo, desde que saiu da Polónia para se fixar em Macau. Quando chegou era uma jovem de apenas com 21 anos e com uma cidade completamente nova à sua disposição, onde não era difícil encontrar diversão e espanto. “Havia sempre sítios para ir, coisas a acontecer e com Hong Kong muito próximo ia lá com frequência”, conta. Nos primeiros tempos, a bailarina confessa que as suas relações sociais se cingiam a estrangeiros, “não tinha grande conexão com os locais”. Algo que seria alterado através da arte a que se passou a dedicar e que partilhou com os locais. Enquanto bailarina, Natasha Stankiewicz participava em vários espectáculos onde tinha de dançar suspensa em fitas, uma modalidade coreografada que se chama aerial. As suas performances aguçaram a curiosidade do público de Macau e foi frequentemente abordada para dar formação. E assim nasceu a Aerial Arts Association Macau.

Através da organização que fundou, Natasha Stankiewicz passou a integrar-se mais com os locais de origem chinesa. “Podemos ter uma língua diferente, mas ao trabalharmos juntos reparei que a cultura não é assim tão distinta, que no fundo somos todos iguais”, conta. Hoje em dia, através da associação, a bailarina e instrutora começou a envolver-se cada vez mais com as pessoas treinam na associação de forma a poder servi-las melhor. Através da prática do aerial, a polaca consegue motivar e ir de encontro às necessidades das pessoas. “O Governo diz que os trabalhos de gestão devem ir para os locais, mas eles nem sempre estão orientados para isso. Portanto, as nossas actividades agora destinam-se a fornecer qualidades de liderança, confiança, motivação e mostrar às pessoas que não é preciso ter medo de maiores responsabilidades.”

RESPIRAR FUNDO

Os treinos de Natasha Stankiewicz resultam, com frequência, na participação dos for-

mandos em espectáculos que acontecem em Macau. Para a instrutora, o aerial é também uma questão de superação, de ultrapassar medos e encontrar forças onde antes estavam fraquezas. “Ao princípio, os treinos eram orientados apenas para pessoas com formação em ballet, ou artes circenses, era muito intensas em termos físicos”, conta. Porém, com o aumento da popularidade do ioga, e do exercício físico entre a população, Natasha Stankiewicz conseguiu demonstrar que “o aerial é para toda a gente”. “O objectivo é chegar a um patamar mais elevado e as pessoas perceberem quais as suas limitações e a forma de as contornar”, explica a instrutora. A bailarina entende que através desta actividade os instruendos ganham capacidades que se podem traduzir em melhorias na forma como desempenham as suas profissões, mesmo em empregos sedentários de escritório. A ideia de superação está fundada no mantra “quem consegue fazer aerial consegue fazer tudo”.

Outra das metas das aulas que Natasha Stankiewicz ministra é a busca do autoconhecimento. A própria bailarina, precisa de momentos de recolhimento, algo que, apesar de gostar do rebuliço da cidade, encontra apenas na tranquilidade de Coloane. “É um sítio onde se pode parar, que me ajuda a respirar e a sair da maluquice que é Macau”, conta. Estes momentos de recolhimento e introspecção são para a bailarina uma forma para se encontrar e reflectir sobre a sua vida. “No meio do barulho não há espaço para pensarmos em nós próprios, por isso, às vezes, preciso de silêncio”, reflecte a polaca. Com quase dez anos de Macau, Natasha Stankiewicz não só deslumbra no palco e no ar, como ensina os locais a ganharem asas e voar. João Luz

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O homem é a medida de todas as coisas. BRASIL POLÍCIA DETÉM EX-CHEFE DA CASA CIVIL DO RIO DE JANEIRO

GRIG C. MONTEGRANDE

Protágoras

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TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

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FILIPINAS RELATORA DA ONU QUE NÃO VOLTE AO PAÍS SEM SER CONVIDADA

A

Presidência filipina pediu ontem à relatora da ONU sobre execuções extrajudiciais, Agnès Callamard, que não regresse ao país sem ser convidada, depois de o Presidente Rodrigo Duterte ter ameaçado esbofeteá-la por investigar a sua campanha antidrogas. “O meu conselho é: não venha às Filipinas sem ser convidada”, disse o porta-voz da Presidência, Harry Roque, numa conferência de imprensa em Manila. Convidada por um grupo de advogados progressistas das Filipinas, Callamard realizou em Maio uma visita extra-oficial ao país, tendo criticado as denunciadas execuções extrajudiciais no âmbito da “guerra antidroga”, que até hoje já provocou mais de 7.000 mortos, segundo estimativas não oficiais. O porta-voz da Presidência classificou esta visita como “um acto de má-fé”, uma vez que na altura o Governo das Filipinas e a ONU negociavam uma viagem oficial da relatora para poder ouvir a versão do Governo sobre as mortes da campanha antidroga. A visita não oficial voltou a ser abordada a 9 de Novembro, quando Duterte afirmou, durante um encontro com trabalhadores filipinos no Vietname, que esbofetearia a relatora caso esta investigasse os métodos para erradicar a droga e o crime. “Reitero a posição do Presidente, mas não de forma literal”, disse o porta-voz, tentando desculpar a forma como Duterte colocou a questão. O chefe de Estado filipino, que lançou a polémica campanha mal chegou ao poder, em 30 de Junho de 2016, é conhecido pelos seus excessos verbais, destacando-se insultos ao ex-Presidente norte-americano Barack Obama, ao papa, ou dirigindo-se à União Europeia (UE). Segundo números oficiais, 3.900 suspeitos foram mortos pela polícia filipina na “guerra contra a droga”, mas as estimativas não oficiais falam em mais de 7.000, tendo em conta as mortes atribuídas a particulares e a patrulhas locais de moradores.

sexta-feira 24.11.2017

BANGLADESH E BIRMÂNIA ASSINAM ACORDO PARA REPATRIAMENTO DOS ROHINGYA

JAPÃO ROBÔ PARA “REVOLUCIONAR RELAÇÕES COM HUMANOS”

O

A

Bangladesh e a Birmânia (Myanmar) assinaram ontem em Naypyidaw um acordo para o repatriamento de mais de 620 mil membros da minoria ‘rohingya’ que fugiram da violência em território birmanês para aquele país. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros bengali adiantou que os regressos começam “dentro de dois meses”. O texto não menciona o termo ‘rohingya’, recusado pelas autoridades birmanesas, referindo antes “pessoas deslocadas do estado de Rakhine”, região do oeste da Birmânia no centro da crise. O acordo foi assinado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros do Bangladesh, Mahmu Ali, e da Assessoria do Estado da Birmânia, Kyaw Tint Swe, segundo a imprensa. Nenhum dos governos divulgou pormenores do acordo, como os critérios de repatriamento ou o número de pessoas a repatriar, dos 622.000 ‘rohingya’ deslocados contabilizados pela ONU. Organizações não-governamentais têm manifestado receio de repatriamentos forçados. O actual êxodo dos ‘rohingya’ começou no final de agosto, quando foi lançada uma operação militar do exército birmanês contra o movimento rebelde Exército de Salvação do Estado Rohingya devido a ataques da rebelião a postos militares e policiais. O acordo hoje anunciado foi fechado dias antes da visita do papa Francisco aos dois países, entre 26 de novembro e 2 de dezembro. TOMAS MUNITA

polícia federal brasileira deteve ontem o ex-chefe da Casa Civil do Rio de Janeiro Régis Fichtner, acusado pelo Ministério Público Federal de receber 1,5 milhões de reais (391,6 mil euros) de suborno, noticiou a imprensa brasileira. De acordo com o jornal O Globo, Régis Fichtner era um dos “homens fortes” do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, preso em Novembro do ano passado pela operação Lava Jato, que investiga um grande esquema de corrupção no Brasil. A operação policial, que prendeu também o empresário Georges Sadala e outras pessoas e foi baptizada como ‘C’est Fini’ (que em francês significa “é o fim”), é um desdobramento das investigações da Operação Calicute, que levou à detenção de Sérgio Cabral. O nome da operação seria uma alusão ao fim da “Farra dos Guardanapos”, como ficou conhecido um jantar em Paris, no qual participaram ex-secretários do Estado do Rio de Janeiro, empresários e o ex-governador Sérgio Cabral. Em fotos tiradas durante o jantar, os convidados usavam guardanapos na cabeça. Fichtner aparece em anotações feitas por Luiz Carlos Bezerra (um dos delatores na Operação Lava Jato), que indicavam as finanças da organização criminosa que seria liderada por Sérgio Cabral. As anotações foram apreendidas durante a Operação Calicute. Régis Fichtner já acompanhava o ex-governador há muito tempo, desde que Cabral era presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e foi seu suplente no Senado. Segundo o Ministério Público, o ex-chefe da Casa Civil recebia os subornos no seu escritório de advocacia e também no Palácio da Guanabara, sede do governo estadual.

PALAVRA DO DIA

Toyota lançou ontem no Japão o seu robô Kirobo Mini que, com aspecto infantil e grandes olhos cor de laranja, é capaz de ler as emoções dos seus utilizadores e procura melhorar as relações entre máquinas e humanos. Este robô de pequena dimensão – de 10 centímetros de altura e 183 gramas – encontra-se à venda a partir de hoje em parte do Japão por 39.800 ienes (3000 patacas), implicando ainda uma despesa mensal de 350 ienes (30 patacas) pelo acesso a uma aplicação necessária para poder ser utilizado. Durante o evento de lançamento, em Tóquio, o robô escutou tudo o que lhe era dito virando a cabeça em direcção aos seus criadores, deu bons dias ao público com um tom de voz marcadamente infantil e também respondeu a algumas perguntas simples, embora tenha sido preciso reformulá-las várias vezes. O Kirobo Mini foi concebido para ser um robô de companhia que propicie a comunicação entre máquinas e humanos, como preparação para um futuro em que este tipo de relação transformar-se-á em algo habitual não apenas na esfera privada, mas também na pública. Entre as suas funções, destaca-se a capacidade de ler as expressões faciais – através de uma câmara interna –, compreender as emoções que representam e reagir a estas através das suas palavras e gestos. Também é capaz de iniciar uma conversa casual, inclusive quando o utilizador não se dirige a ele, de recordar aquilo que foi dito antes e de se lembrar de anedotas ou de preferências dos humanos. Este conjunto de habilidades converte-o num companheiro ideal para idosos, crianças e para quem vive sozinho, mas também para os condutores, uma das principais funções para as quais foi concebido. É que o Kirobo Mini pode incorporar-se a um ‘assento’ de pequenas dimensões – que custa 5.950 ienes (45 euros) – permitindo que seja levado no carro ou a passear, a partir do qual pode alertar o utilizador se a viatura tem pouca gasolina ou se se esqueceu de fechar a porta de casa. Este robô figura como o irmão mais novo do Kirobo, um astronauta andróide que passou um ano e meio na Estação Espacial Internacional acompanhando o astronauta Koichi Wakata. O Kirobo Mini é a mais recente aposta de uma grande multinacional japonesa no sector dos robôs, após os lançamentos do Pepper da Softbank – cujos primeiros mil exemplares comercializados em 2015 esgotaram em apenas dez minutos – ou do Robohon da Sharp, o primeiro ‘smartphone’ robótico do mundo.

Hoje Macau 24 NOV 2017 #3942  

N.º 3942 de 24 de NOV de 2017

Hoje Macau 24 NOV 2017 #3942  

N.º 3942 de 24 de NOV de 2017

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