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QUINTA-FEIRA 24 DE NOVEMBRO DE 2016 • ANO XVI • Nº 3703

Função pública Faz falta simplificar. Sónia Chan garante estabilidade

CINCO

ADMINISTRAÇÃO | TERRENOS RECUPERADOS

O número de parcelas que o Governo arrecadou

JOÃO Ó

O ÚLTIMO A RITZ

MOP$10 GCS

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

LAG 2017 PÁGINAS 4-5

PÁG. 6

hojemacau

EVENTOS

EPM DUAS LISTAS PARA ASSOCIAÇÃO DE PAIS

E escola portuguesa com certeza Pela primeira vez desde a sua existência a Escola Portuguesa de Macau tem duas candidaturas à Associação de Pais. Manuel Gouveia é o rosto da lista B e lança farpas ao trabalho desenvolvido até agora. Falta de horizontes e críticas à Fundação que patrocina o estabelecimento de ensino, são alguns dos argumentos do jurista para desafiar a ordem estabelecida.

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ENTREVISTA

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MANUEL GOUVEIA CANDIDATO DA LISTA B À ASSOCIAÇÃO DE PAIS DA EPM

Opacidade da Fundação da Escola Portuguesa de Macau, ausência de publicitação das contratações de docentes, carga horária lectiva excessiva. Há muitos aspectos que Manuel Gouveia, líder de uma das duas listas candidatas à associação de pais, gostaria de mudar. Para resolver o problema das instalações, só mesmo se Stanley Ho fosse o patrono da instituição

“A Fundação Escola Portuguesa de Macau não tem património suficiente para atingir o fim social de que está incumbida”

“Stanley Ho podia dar o nome à escola” Este ano há duas listas candidatas à Associação de Pais da Escola Portuguesa (APEP). É um sinal positivo? Penso que sim. Nos últimos dez anos, as listas têm sido feitas um pouco com base na reciclagem das direcções anteriores. É positivo que haja novas ideias, porque ao fim de dez anos é natural que surjam cumplicidades entre quem está na direcção da APEP e os próprios membros da direcção da escola. Os consensos geram harmonia mas, da nossa parte, somos mais favoráveis ao progresso e à inovação, a sair de um certo marasmo em que a escola caiu. Não há sinal nem notícia de grande inovação. Em que sentido é que nota esse marasmo? A escola está esgotada em termos físicos. As salas estão ocupadas a cem por cento e, no primeiro ciclo, já há uma turma do segundo ano que teve de ir para a ala do segundo ciclo, porque não há salas suficientes. Isso dita que não houve previsão ou não houve decisão política de quem de direito. Temos notícia de que a escola perdeu quase cem alunos desde 2004 até 2014, e agora surgem mais turmas. É preciso mobilizar a comunidade de língua portuguesa para que as entidades de Portugal e o Governo da RAEM tomem as medidas que são necessárias. Não queremos uma mega escola, estamos bem com uma dimensão média, mas há potencial de crescimento. Quem é o principal culpado desse marasmo? O Ministério da Educação em Portugal, a Fundação da EPM ou a direcção da escola? A fundação é o primeiro equívoco. Não tem património suficiente para atingir o fim social de que está incumbida. Está dependente de subvenções anuais por parte de Portugal e de Macau. Uma coisa é clara: não se conhecem planos ou relatórios de actividade, e muito menos se conhecem orçamentos.

“É uma escola dita de excelência e isso é quase um mantra. Mas em termos práticos é excelente porquê?” Como isso não é reportado junto do público, no portal da escola, a sociedade não sabe e haverá algumas razões para que os decisores políticos não forcem para que se saiba. A Fundação Oriente saiu e houve uma continuidade de apoios, mas é preciso que se saiba onde estamos e para onde queremos ir. Informação gera confiança e também responsabilidade. O que se pretende são condições de aprendizagem para os alunos, professores e para os encarregados de educação não serem sobrecarregados com outro tipo de danos colaterais. A EPM é uma escola dita de excelência, e isso é quase um mantra. Mas em termos práticos é excelente porquê? Porque tem resultados de fim de ciclo e acesso à universidade em Portugal acima da média? Mas a verdade é que temos uma realidade

TIAGO ALCÂNTARA

ENTREVISTA

socioeconómica acima da média. Não estamos sobrecarregados de impostos, temos um rendimento superior e podemos proporcionar aos nossos filhos acesso a livros e a informação. Quando os miúdos não têm o resultado esperado, os pais arranjam professores particulares que não têm os créditos que acabam por reverter para a EPM. Há que ter a frontalidade de assumir isso: a EPM precisa de dar um apoio maior em quantidade e qualidade. Sobre a fundação, há ainda a polémica doação da SJM que nunca foi clarificada. Mais grave do que esse mistério é não haver transparência. É a assembleia da comunidade educativa reunir e a própria APEP não ter acesso às actas. Quando não há uma memória escrita daquilo que foi discutido, para que serve essa assembleia? Quanto à fundação, não há informações para a comunicação social ou para os pais sobre que tipo de pensamento ou projecto é que têm. A fundação resultará mais num encargo, porque tem membros que não se sabe quanto ganham. Num país na situação em que se encontra [Portugal], não nos podemos dar ao luxo de desperdícios. Há a fundação

e a direcção da escola, e é preciso apurar quanto é que isso custa. Tem que se ponderar se este será o melhor modelo organizativo. A extinção da fundação e a adopção de outro modelo de gestão seria uma melhor possibilidade? Falou-se num parecer da Procuradoria-Geral da República que referia que um instituto público seria desejável, até para um controlo mais directo por parte da tutela. O Ministério da Educação pode nomear o presidente e um administrador, a APIM tem outro e as coisas correm não se sabe muito bem como, porque é uma instituição absolutamente opaca. A direcção da

DEBATE ACONTECE HOJE

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anuel Gouveia, jurista, afirma só concorrer porque tem uma equipa a trabalhar com ele, mas, apesar de ter concedido uma entrevista ao HM, prefere a publicação de uma fotografia com alguns elementos que compõem a Lista B. Hoje, pelas 19h30, decorre na galeria da Livraria Portuguesa um debate promovido por esta lista sobre o futuro da escola.


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devia ser um modelo de escola. Devia albergar uma biblioteca de referência e um espaço multiusos. Mas isso não cabe na opção que foi feita inicialmente pelas instalações da escola Pedro Nolasco. Ao terem aberto mão do liceu de Macau perdemos uma mais-valia estratégica. Tinha todo o potencial que hoje tem o IPM e não aquele constrangimento que hoje temos. Essa falta de visão só poderá ser corrigida se Stanley Ho, que ainda é vivo, der o seu nome à EPM e a patrocinar de forma a dar a dimensão que merecemos. Pela simbiose que houve com Stanley Ho e os portugueses, seria possível resolver o imbróglio em que estas instalações se tornaram.

escola também tem um presidente, um vice-presidente, e depois tem um séquito de assessores e de apoio e ninguém sabe quanto custam. Não se sabe se são professores no topo da carreira, se dão ou não aulas... Uma gestão profissional, com um director que fosse gestor, sairia mais barato e até mais eficiente. É preciso fazer a contabilidade da EPM. Ultimamente parece que se equilibraram as contas, o Governo da RAEM provavelmente estará a injectar os milhões que são necessários. A Fundação Macau anunciou a continuação do apoio, aliás. Ficamos satisfeitos com isso, mas precisamos de mais apoio para o Português e a Matemática, e precisamos de um observatório educativo, que nos dê aos pais e à comunidade informações que digam como é que as coisas andam, ano a ano, turma a turma, teste a teste. As melhores escolas em Portugal têm nos seus portais observatórios em que dão essas informações em tempo real. É um indicador que gera transparência e naturalmente que, se há essa transparência, é uma escola que toma as medidas necessárias para corrigir eventuais problemas. Outra das coisas que está dentro do sistema e que me parece aberrante é que agora, por imposição de Portugal, as aulas são de 90 minutos. Isso dá uma multiplicação de gasto de tempo lectivo que me sugere que

estamos demasiado fixos na avaliação e pouco preocupados com a aprendizagem efectiva. Em que sentido é necessário maior apoio no Português? Como tenho um filho no sexto ano, apercebi-me da enormidade da extensão e complexidade dos programas, mas não apenas no Português, em todas as disciplinas. A carga horária é excessiva. Há dificuldades porque a língua portuguesa, além de ser difícil em ambiente multilingue, é ensinada num ambiente em que os alunos funcionam muito com o inglês. O ensino do mandarim tem sido alvo de críticas. Também é preciso fazer essa contabilidade. Quantos alunos é que se inscrevem e quantos desistem? Ao fim de cada ciclo era preciso fazer uma avaliação externa e apurar se, de facto, os alunos estão a ter o aproveitamento esperado. As estatísticas são uma coisa que fica para consumo interno da direcção, mas penso que os miúdos a partir do sexto ano do mandarim começam a não gostar do idioma. Depois, é dado apenas um terço dos manuais anualmente, não ficam com as bases. As propinas são aumentadas anualmente. Obtiveram explicações nesse sentido?

Há quem tenha a perspectiva (não é o meu caso) de que se o Governo de Portugal contribuir com 50 por cento e Macau contribuir com o resto, que não há motivo aparente para haver propinas. Mas prefiro pagar mais propinas se me for assegurado um ensino e um apoio aos alunos que tiverem mais necessidades. Desde os alunos com apoio e também com necessidades educativas especiais. Mesmo os que têm apoios têm de ter apoios fora para conseguirem evoluir à medida das necessidades. Acham que há falta de docentes de ensino especial? A direcção diz que não. Mas não bastam docentes, precisamos de terapeutas da fala, uma partilha de recursos com os Serviços de Saúde e a DSEJ, e gera-se essa dificuldade. Queremos os meios que sejam necessários para o sucesso da aprendizagem. Que diferenças apresentam em relação à lista A? Temos o maior respeito por quem tem desempenhado o cargo, mas temos uma perspectiva diferente. Há uma cumplicidade e uma não pertença aos pais, mas a uma gestão ou solidariedade para com essa gestão. Tenho o maior respeito e há duas medidas que foram bem tomadas, como a reciclagem de livros e de uniformes, e algumas actividades. Nota-se que a equipa da lista A, que

foi bastante renovada, tem vindo a perder força. Pedi os orçamentos e contas e nota-se que há devolução de verbas de apoios que obtiveram porque não conseguiram realizar essas actividades. Disseram, aliás, que não se iam candidatar caso aparecesse outra lista. Mudaram de opinião, legitimamente.

“[A direcção é constituída por] pessoas que têm poucos horizontes, estão em Macau há 30 anos e a visão que têm é a da Baía da Praia Grande.” Portugal e os sucessivos ministros da Educação estão alheados do projecto da EPM? As passagens por Macau são demasiado rápidas para se aperceberem da realidade. Por outro lado, também é compreensível, mas não é positivo que o façam, que pensem: “Estamos em Portugal com dificuldades, esta comunidade tem rendimentos superiores e nós vamos dar o que entendemos, e eles que complementem”. Devia haver uma visão estratégica e a EPM

Que outros problemas pode apontar ao actual funcionamento? Não temos o balanço social da escola. Era preciso saber, além das categorias, a idade média das pessoas, os funcionários deveriam estar categorizados. A EPM, dirigida por professores, não os valoriza, caso contrário teria na sua página quem são e que formação têm. Porque é que a escola não pode ter os rostos e a formação pedagógica dos docentes? Outra questão é as admissões de professores: se há concursos os avisos não são publicitados, nem são publicitados os critérios de selecção. Isso faz com que a confiança fique diminuída. Apesar de se dizer uma escola privada, deveria ter boas práticas porque é financiada com fundos públicos. A cantina também tem gerado críticas junto dos pais. É preciso perguntar a quem está adjudicada a cantina. E a quem está? Eu não sei. Se calhar isso explica. Serve ou não serve? Se não serve, anula-se o contrato e promove-se um concurso com um caderno de encargos. No D. José da Costa Nunes a associação de pais, presidida por acaso por um elemento da nossa lista, conseguiu uma cantina com um bom fornecimento. Na EPM o que noto é que na direcção cessante é tudo muito difícil, muito impossível. Há um baixar de braços. É esta a escola que esperava 16 anos depois da transição? A EPM precisa de se renovar e há pessoas que precisam de dar espaço a que outras surjam. Está a referir-se à direcção? Sim. São pessoas que têm poucos horizontes, estão em Macau há 30 anos e a visão que têm é a da Baía da Praia Grande. Andreia Sofia Silva

andreia.w@hojemacau.com.mo


4 POLÍTICA

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GCS

Cabe quem saiba falar

Qualquer pessoa poderá ser contratada para tradutor no Governo

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LAG DEPUTADOS ENTENDEM QUE HÁ FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS A MAIS

São todos necessários O número de funcionários públicos é excessivo. A ideia foi defendida por vários deputados, mas Sónia Chan garante que não vão ser reduzidos porque fazem falta. A simplificação da Administração já está a ser feita com a criação de quiosques e a comunicação entre departamentos

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função pública não vai ver reduzido o número de funcionários, apesar das críticas ao aparente excesso. A informação foi dada ontem pela Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, em resposta às vozes críticas dos deputados. “Neste momento não vamos reduzir o número de pessoal porque os trabalhadores são precisos. Também temos de avaliar a estabilidade da equipa”, justifica. A definição de um limite de 36 mil funcionários públicos é, segundo Sónia Chan, a primeira medida “rumo ao controlo” no sector. No entanto, a Secretária não conseguiu responder quanto aos critérios para a definição do número. O excesso de funcionários e a simplificação administrativa foram os temas quentes no segundo dia de debate das Linhas deAcção Governativa na área da Administração e Justiça. Para 2017 estão previstos 36 mil funcionários, número que, na comparação proporcional com a vizinha Hong

Kong, é tido como “empolado”. “Estamos a ver um empolamento da máquina administrativa e a insatisfação na sociedade”, ilustrou Chui Sai Peng. Para o deputado, o número levanta questões importantes: “Quer dizer que somos menos eficientes ou temos serviços mais complexos?”, lançou. Chui Sai Peng entende que “a simplificação administrativa deve ser assegurada”. “Em 2016 foram extintas algumas formalidades administrativas, mas também deveríamos ter números concretos quanto aos processos e formalidades administrativas que foram simplificados”, sugere. Sónia Chan falou da existência de critérios para a reforma administrativa e revisão de regimes da função pública, sem no entanto adiantar quais são.

Para a Secretária, não faz sentido a comparação proporcional do número de funcionários públicos locais com os de Hong Kong. “Se fizermos uma comparação com outras regiões temos de verificar se estamos a utilizar o mesmo método para os cálculos e a forma de cálculo é diferente em Macau e em Hong Kong. Só com a mesma fórmula de cálculo é que podemos fazer a comparação”, defende. Sónia Chan explica ainda que, por exemplo, em Macau, “são considerados funcionários públicos também os professores universitários, o que não acontece na região vizinha”.

DESPEDIMENTOS DIFÍCEIS

Falou-se ainda das dificuldades no que respeita aos despedimentos da função pública.

Para 2017 estão previstos 36 mil funcionários, número que, na comparação proporcional com a vizinha Hong Kong, é tido como “empolado”

“A secretária disse que os professores universitários se incluem na contabilidade, mas o processo de despedimento ainda é mais complexo do que o de contratação”, apontou Fong Chi Keong. O deputado alertou para a situação actual em que “os serviços públicos metem os funcionários que não prestam em funções irrelevantes, o que faz com que os melhores funcionários trabalhem muito, enquanto outros não fazem nada”. Para o deputado esta é a maior razão de descontentamento no seio da função pública. “Por isso, entre os funcionários, há este tipo de indignação, o que produz influências negativas no regime da função pública”. O tribuno não deixou de dar Hong Kong como exemplo, na medida em que a região vizinha já apresenta incentivos à aposentação de funcionários, e perguntou se não é possível optar pelo mesmo caminho. Quanto às questões levantadas relativamente aos atrasos no que respeita à simplificação administrativa, a secretária avançou que já foram dados passos nesse sentido. “Já criámos quiosques de atendimento e a passagem de documentos entre serviços de modo a reduzir as burocracias associadas à administração”, exemplificou. Sofia Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

necessidade de tradutores-intérpretes e a escassez de profissionais no par linguístico chinês-português está na possibilidade da contratação de funcionários que, sem a licenciatura em Tradução, mostrem capacidades linguísticas capazes do exercício de funções. A explicação foi dada ontem pela Secretária para os Assuntos da Administração e Justiça, quando questionada pelos deputados acerca dos critérios de contratação de tradutores-intérpretes. “Quanto à necessidade de tradutores, só os que têm licenciatura em tradução é que se podem candidatar a vagas de tradutor-intérprete. O que detectámos é que há pessoas que não têm licenciatura em Tradução, mas têm boas capacidades linguísticas. Estamos a dar oportunidade a estes trabalhadores para exercerem essas funções”, explica. Para a governante, a falta de intérpretes é um problema, mas garante que para atrair elites para ingressão na carreira “irá efectuar uma triagem”. A intenção é perceber que tipo de características o candidato possui que o habilitam a exercer um cargo tão específico como o de intérprete. Questionada sobre a situação do programa de aprendizagem de tradução e interpretação de língua chinesa para língua portuguesa, Sónia Chan sublinhou a abertura de cursos gerais, mas também de formações específicas dirigidas aos quadros da função pública. “Temos o curso de Tradução que tem um plano de aprendizagem em colaboração com a uma entidade da União Europeia”, explica. No que diz respeito à absorção de tradutores-intérpretes, a Secretária para a Administração e Justiça garante que o Governo está atento. “Nas escolas em geral temos criado cursos de estágio para os alunos de línguas e temos concedido bolsas para os finalistas do secundário poderem continuar com estudos superiores em língua portuguesa”, refere. No entanto, e dada a necessidade prevista de cerca de 200 intérpretes “no futuro”, Sónia Chan pensa abrir mais cursos para atrair mais talentos para esta área. Na calha estão ainda formações em áreas específicas como a jurídica. S.F.

MAIS JUÍZES NA ÚLTIMA INSTÂNCIA

A necessidade de mais juízes no Tribunal de Última Instância (TUI) foi ontem apontada pelo deputado Leonel Alves. O também advogado sugere a revisão da lei de bases da organização judiciária de modo a que o tribunal possa integrar mais do que três juízes, para permitir o recurso aos arguidos que são julgados em primeira instância pelo TUI. “Se tivesse mais juízes, poder-se-ia arranjar um mecanismo processual que permitisse o recurso a essa mesma última instância, para facultar a essa pessoa o direito ao recurso”, explicou. O Governo referiu, em resposta, que vai “fazer estudos” relativos ao assunto.


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POLÍTICA

LAG GOVERNO PRETENDE REDUZIR REPRESENTAÇÃO NOS ÓRGÃOS CONSULTIVOS

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vice-presidente da Assembleia Legislativa (AL), Lam Heong Sang, alertou ontem para os perigos que podem advir da revisão avulsa dos cinco Códigos em vigor e para a necessidade de se manter o enquadramento jurídico de Macau. “Na área da justiça, devemos ter um sentido de missão por forma a criar um enquadramento jurídico próprio de Macau”, afirmou. Para o deputado, as codificações de Macau “têm sofrido constantes alterações”, o que faz com que se esteja “constantemente a elaborar leis avulsas”. Para Lam Heong Sang, este tipo de mudanças pontuais à legislação em vigor acarreta riscos, pois “uma ligeira mudança pode causar um grande impacto”. “Creio que temos de ter outro tipo de pensamento e definir como deve ser o nosso enquadramento jurídico”, insiste. O deputado apresentou como exemplo a implementação da lei da violência doméstica, pois trata-se de um diploma que “carece de regulamentos complementares para que as vítimas possam ser suportadas, pelo que é necessária a criação da lei de bases da família”. Sem um regime próprio, Lam Heong Sang quer saber como vão ser elaborados esses diplomas. Sónia Chan disse que alguns projectos legislativos já se encontram no caminho defendido por Lam Heong Sang. “O Governo da RAEM vai fazer uma opção política e definir quais os regulamentos administrativos que são precisos. Alguns projectos legislativos já estão a seguir este sistema”, esclarece. S.M.

Menos elementos do Executivo e mais representantes sociais são as promessas da Secretária para a Administração e Justiça no que respeita à composição futura dos conselhos consultivos

Chi Keong é necessário saber se o Governo pretende introduzir uma terceira parte independente para a criação de um regime de avaliação de desempenho. “Temos de saber quem é a terceira parte independente – o Governo é a primeira – segundo a Lei Básica, a segunda deve ser a AL, quem é a terceira?”, questionou o tribuno, que também quis saber se este terceiro organismo deverá ter ou não algum nível de profissionalização ou ter capacidades técnicas ou profissionais específicas. Fong Chi Keong diz que as entidades responsáveis “não agem e têm preguiça”.

TIAGO ALCÂNTARA

CUIDADO COM REVISÃO AVULSA DOS CÓDIGOS

Consultores independentes

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nossa opção é reduzir quanto antes os membros do Governo.” A afirmação é da Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, em resposta ao descontentamento dos deputados no que respeita à ineficácia e parcialidade dos órgãos consultivos do Executivo. “O que me preocupa aqui em Macau é que há muitos conselhos consultivos”, disse Fong Chi Keong no debate das Linhas de Acção Governativa (LAG) de ontem. O deputado nomeado não entende o grande número de conselhos consultivos para os mais variados assuntos, muito menos o facto de serem constituídos, na sua maioria, pelos mesmos elementos. “Há 50 e tal e é sempre criado um conselho para as matérias em debate, mas são sempre constituídos pelos mesmos”, diz. Por outro lado, o deputado manifesta-se receoso quanto à parcialidade da constituição dos órgãos consultivos no que diz respeito à avaliação de desempenho das acções do Executivo. Para Fong

TUDO NO MESMO SACO

Fong Chi Keong não entende o grande número de conselhos consultivos para os mais variados assuntos

O deputado Si Ka Lon também insistiu na reforma dos mecanismos de consulta do Executivo. “Neste momento os organismos de consulta são presididos pelos dirigentes do respectivo sector. Quem ouve as opiniões é também o destinatário. Há algum plano para dar maior independência aos órgãos consultivos?”, questiona. Sónia Chan ressalvou que os órgãos consultivos são compostos por “personalidades sociais”, sendo que a presença de elementos do Executivo existe “porque se trata de um órgão de consulta de opinião pública”. O objectivo é reduzir gradualmente a presença de elementos do Governo “de modo a absorver o maior número de entidades sociais enquanto órgãos de consulta”. A Secretária não deixou de salientar que “algumas consultas ainda são viradas para profissionais de determinados sectores”. Sofia Mota

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SEAC PAI VAN IACM DIZ QUE SOLUÇÃO PARA MERCADO É A MAIS ACERTADA

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TENDENDO aos desejos da população, o IACM irá adjudicar a exploração do mercado de Seac Pai Van a uma empresa com experiência, sendo que 60 por cento do comércio terá de ser dedicada à venda de produtos frescos. A informação foi dada ontem na Assembleia Legislativa por José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. “Ouvimos muitas opiniões e tivemos várias reuniões e após a auscultação da população entendemos que esta é a forma de adjudicação mais adequada. Adjudicamos a uma empresa com experiência e 60 por cento tem de ser para vender produtos alimentares frescos e vivos”, afirmou. No passado mês

de Agosto, Wong Kit Cheng e Au Kam San já tinham solicitado ao Governo a realização de um concurso público para a gestão do primeiro mercado de Seac Pai Van. A medida pretendia evitar monopólios e dar à população oportunidade de participar no mercado da sua zona. O novo mercado será gerido por um único operador e essa concessão será feita através de concurso público. O deputado Au Kam San apontou, na altura, que esta iniciativa estaria contra a vontade geral dos residentes e falou num inquérito feito pelas associações dos moradores da zona, onde se indicava que mais de 60 por cento dos moradores esperam um mercado tradicional. S.M.

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 657/AI/2016 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifiquese o infractor WONG CHIU LUNG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da Hong Kong n.° P4318xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 19/DI-AI/2015, levantado pela DST a 09.02.2015, e por despacho da signatária de 17.11.2016, exarado no Relatório n.° 736/DI/2016, de 08.11.2016, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua do Terminal Maritimo n.os 93-103, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 3, 9.° andar A onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Novembro de 2016. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


6 SOCIEDADE

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GCS

Obras Públicas GOVERNO RECUPEROU MAIS CINCO TERRENOS

O tempo marca a hora Foram ontem publicados em Boletim Oficial despachos que comprovam a recuperação de mais cinco terrenos pela Administração. Uma das parcelas tinha sido concessionada à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, sendo que o período de arrendamento chegou ao fim em 2014

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OVOAÇÃO de Hác-Sa, Coloane, Seac Pai Van, península de Macau. Estas são as áreas onde estavam terrenos concessionados a privados e que agora vão passar para o domínio público. Segundo os despachos publicados ontem em Boletim Oficial (BO), são cinco terrenos que tiveram de esperar longos anos até que a transferência para a Administração acontecesse. O caso mais flagrante diz respeito a dois terrenos, localizados na povoação de

Hac-Sá, em Coloane, cuja concessão definitiva aconteceu, pela primeira vez, em 1959, ainda Macau tinha a Repartição Provincial dos Serviços de Fazenda e Contabilidade. Os terrenos foram concessionados a Alfredo Augusto Galdino Dias. Com fins puramente agrícolas, os pedaços de terra nunca terão sido aproveitados, sendo que nunca foi feito um pedido para a renovação da concessão definitiva, após a morte do concessionário. “Tendo o concessionário falecido, por requerimento PUB

CONVOCATÓRIA Nos termos legais e estatutários, é convocada a Assembleia Geral da Alliance Française de Macau, para reunir no próximo dia 12 de Dezembro de 2016, pelas 18:30 horas, na sua sede, na Travessa do Bom Jesus, n.º 4 F, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Apresentação do Relatório de Activida

des da Associação relativo a 2016; 2. Deliberação sobre o relatório e contas de 2016 e apresentação do orçamento para 2017; Todos os associados têm direito de voto, podendo fazer-se representar por outro associado. Se à hora indicada não estiver presente o número de associados exigido pelos estatutos, a Assembleia reunirá, em segunda convocatória, pelas 19:00 horas do mesmo dia, qualquer que seja o número de presentes. Macau, 24 de Novembro de 2016. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral Jorge Neto Valente

apresentado em 4 de Dezembro de 1976, Vong Lai Há Dias, viúva do mesmo, solicitou a transmissão da concessão do terreno a seu favor, mas não houve qualquer decisão sobre o pedido.” Segundo o mesmo despacho, o processo estava pendente desde a década de 80. “No caso em apreço, o prazo de arrendamento terminou em 29 de Outubro de 1984, não existe qualquer exploração agrícola no terreno e antes do termo daquele prazo não foi pedida a sua renovação”, lê-se no despacho. Outro dos cinco terrenos recuperados havia sido concessionado à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM). A concessão tinha terminado no dia 25 de Dezembro de 2014 sem qualquer tipo de aproveitamento do terreno. Segundo o despacho, a STDM teria planos para construir na Rua Luíz Gonzaga Gomes um edifício com 16 andares com as finalidades

de escritório, comércio e arrendamento.

FÁBRICAS FANTASMA

Os restantes processos dizem respeito a dois terrenos localizados na zona de Seac Pai Van, em Coloane. Uma parcela foi concessionada em 1989 a Tan Di, que haveria de constituir a “Sociedade de Desenvolvimento e Fomento Predial Kin Chit”. A finalidade do terreno seria a construção de uma fábrica de fiação e tecelagem de algodão. A fábrica nunca chegou a ser construída já que, a 25 de Dezembro de 2014, o terreno continuava por aproveitar. Também em Seac Pai Van foi concedido, em 1989, um terreno à Fapamac Fábrica de Papel SARL, por forma a construir um edifício com oito andares, sendo que dois deles seriam destinados à construção de uma fábrica de fabrico de pasta de papel. O prazo de concessão também terminou no dia 28 de Dezembro de 2014. Andreia Sofia Silva

info@hojemacau.com.mo

“O prazo de arrendamento terminou em 29 de Outubro de 1984, não existe qualquer exploração agrícola no terreno e antes do termo daquele prazo não foi pedida a sua renovação”, lê-se no despacho

Acusação revista e aumentada Ng Lap Seng vai responder por mais crimes nos Estados Unidos

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ÃO está fácil a vida do empresário de Macau em prisão domiciliária nos Estados Unidos. Ng Lap Seng é agora acusado de ter violado a lei norte-americana sobre práticas de corrupção no exterior. A notícia é avançada pela agência Reuters, que não dá grandes detalhes sobre os factos relacionados com a nova acusação a Ng Lap Seng. Refere-se apenas que há novos crimes que são imputados ao empresário de Macau. O milionário é um dos principais arguidos de um caso de subornos a um antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, John Ashe. A agência de notícias explica que, na acusação revista que deu entrada no tribunal federal de Manhattan, Ng Lap

Seng e o seu assistente, Jeff Yin, são agora também acusados de terem violado a lei sobre práticas de corrupção no exterior. A acusação acrescentou ainda crimes relacionados com evasão fiscal no processo de Jeff Yin. O assistente é acusado de ter fugido aos impostos e de ter ajudado um diplomata da República Dominicana, também envolvido no caso de corrupção, a fazer o mesmo. Ficou a saber-se ainda que Ng Lap Seng, o fundador do grupo Sun Kian Ip, com sede em Macau, era tratado por “Boss Wu”. Os advogados dos dois arguidos preferiram não fazer comentários sobre as novas acusações. Tanto Ng Lap Seng, como Jeff Yin têm dito, desde o início do processo, que são inocentes.

O empresário – que foi em tempos investigado num processo de recolha de fundos durante a Administração de Bill Clinton – é um dos sete arguidos do escândalo de corrupção que envolve as Nações Unidas. O milionário de Macau é acusado de subornar John Ashe em mais de 500 mil dólares, para que o diplomata apoiasse a construção de um centro de convenções no território, um projecto da empresa de Ng Lap Seng. O presidente daAssembleia Geral das Nações Unidas morreu em Junho, sem ter ido a julgamento. Ng Lap Seng e Jeff Yin vão começar a ser julgados a 23 de Janeiro do próximo ano. Estão detidos há mais de um ano.


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ENCONTRO DAS COMUNIDADES MACAENSES ARRANCA ESTE SÁBADO

INFANTÁRIOS REGISTO ARRANCA EM JANEIRO

O regresso de Jorge Forjaz Já é conhecido o programa oficial de mais uma edição do Encontro das Comunidades Macaenses, que arranca este sábado e termina no próximo dia 2. O evento vai servir para a apresentação de alguns estudos académicos, incluindo a segunda edição da obra “Famílias Macaenses” ANTÓNIO FALCÃO

Tem início a 5 de Janeiro o registo central para os alunos que vão frequentar o ensino infantil pela primeira vez no próximo ano lectivo. De acordo com uma nota da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), o processo diz respeito às crianças nascidas entre 2012 e 2014. Os pais ou encarregados de educação poderão obter as informações sobre as inscrições dos alunos das diferentes escolas a partir do dia 1 de Janeiro, através do website da DSEJ, e proceder ao registo das crianças entre os dias 5 e 20 de Janeiro, também no portal da direcção de serviços. À semelhança do que aconteceu no ano passado – altura em que foi introduzida esta medida – há um limite máximo de seis escolas para este registo inicial.

SOCIEDADE

VISITANTES DOURADA SEMANA DE OUTUBRO

O número de visitantes aumentou no mês passado: ao todo, foram 2.678.447, o que equivale a uma subida anual de 1,6 por cento. Já em comparação com Setembro, Outubro conheceu um crescimento superior a dez por cento, justificado pelos Serviços de Estatística e Censos com os feriados relativos à implantação da República Popular da China. Os turistas ultrapassaram os excursionistas, representando 51,2 por cento do total de visitantes. Os dados oficiais indicam ainda que aumentou ligeiramente a permanência média no território: 1,2 dias, mais 0,1 dias face ao mês homólogo do ano passado. Os turistas ficam, em média, 2,2 dias, com o período médio de permanência dos excursionistas a não ir além de 0,2 dias. A China Continental continua a ser o principal local de proveniência dos visitantes, com mais pessoas a entrarem em Macau com visto individual. O território desperta cada vez um maior interesse aos cidadãos da Coreia do Sul, com uma subida anual de 22 por cento. Aumentou também o número de visitantes dos Estados Unidos da América, da Austrália, do Canadá e do Reino Unido.

FRIO ABRIGO DE INVERNO ABRE AS PORTAS

O Centro de Abrigo de Inverno do Instituto de Acção Social abriu ontem ao final da tarde, tendo em conta as previsões dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos que apontavam para uma descida da temperatura para os 12.º C. O centro fica na Ilha Verde e vai estar em funcionamento até voltar a subir a temperatura. As pessoas que precisarem de se proteger do frio recebem agasalhos, bebidas e alimentos. Em nota à imprensa, o IAS aproveita para recordar aos idosos e aos doentes crónicos para que prestem atenção às alterações climatéricas.

C

HEGOU aquela altura do ano em que os macaenses espalhados pelo mundo regressam à terra onde tudo começou. A edição de 2016 do Encontro das Comunidades Macaenses começa este sábado e já é conhecido o programa oficial da iniciativa, que será marcada não só pelo encontro do Conselho das Comunidades Macaenses (CCM), como da apresentação de vários trabalhos sobre a comunidade. A próxima terça-feira, dia 29, será o dia destinado à apresentação da segunda edição da obra “Famílias Macaenses”, de Jorge Forjaz, que terá lugar no auditório da Universidade de Macau (UM). A primeira edição de uma obra que decifra a origem

das principais famílias macaenses data de 1996. Em 2011, o arquitecto Carlos Marreiros desafiou o historiador a falar da sua obra no Albergue da Santa Casa da Misericórdia e a rever essa primeira edição. A segunda versão da obra, editada pelo Albergue SCM e patrocinada pela Fundação Macau, conta com 80 novos capítulos e mais de três mil fotografias.

A segunda versão da obra de Jorge Forjaz conta com 80 novos capítulos e mais de três mil fotografias

No mesmo dia é ainda apresentada, também na UM, a investigação intitulada “Fading legacy of the Macanese”, da autoria da académica Susana Barreto, sem esquecer a apresentação e oferta do Livro de Jack Braga, editado pela Fundação Rui Cunha. Também na próxima terça-feira haverá espaço para uma apresentação levada a cabo pelo arquitecto Luís Manuel Madeira de Carvalho, do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), sobre “projectos ou obras desenvolvidas para a RAEM”.

TEM PATUÁ

O encontro, que começa oficialmente com a realização do tradicional chá gordo, vai contar, no domingo, com a apresentação da peça “Unga Chá di Sonho”, do

grupo de teatro em patuá Dóci Papiaçám di Macau. Na segunda-feira, e após a reunião do CCM, terá lugar no Consulado-geral de Portugal em Macau uma recepção oficial dos membros da entidade. A cultura ganha destaque pela segunda vez na quarta-feira, dia 30, com um encontro promovido pelo Instituto Internacional de Macau (IIM) no Centro de Ciência, sendo que está ainda agendado um encontro da Associação dos Jovens Macaenses no Auditório Stanley Ho, do Consulado-geral de Portugal. Antes de tudo terminar a comitiva irá dar um passeio a Cantão, na China, com o apoio do Gabinete de Ligação do Governo Central da China em Macau. A.S.S.


8 Palestra JOÃO Ó FALA SOBRE RENOVAÇÃO DE EDIFÍCIOS NA USJ

EVENTOS

DEBATE NOS FILHOS VÊEM-SE OS PAIS

A iniciativa é do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes e não se destina apenas aos pais dos alunos da instituição, mas a todos aqueles que estejam interessados no assunto. No próximo sábado, a psicóloga Goreti Lima faz uma palestra com o tema “Como comportar-se para que a sua criança se comporte”. A especialista vai falar sobre o comportamento do adulto na relação com a criança. Psicóloga clínica formada pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada de Portugal, Goreti Lima é estudante de doutoramento da Universidade de Barcelona. Tem um mestrado em Saúde Comportamental pela Universidade de Hong Kong e é formadora pela Universidade de Programação Neurolinguística na Universidade da Califórnia Santa Cruz, nos Estados Unidos. A palestra começa às 10 horas.

SEMINÁRIO NOVAS ROTAS CHINESAS EM DEBATE

O Instituto Internacional de Macau organiza no próximo dia 1 um seminário sobre “Macau, os países de língua portuguesa e os desafios das novas rotas chinesas do século XXI”. O programa é constituído por três intervenções, começando com uma apresentação de Fernanda Ilhéu, do Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa, sobre “A Nova Rota da Seda Marítima do Século XXI – Os Países de Língua Portuguesa na Cadeia de Valor Global da China”. Depois, Paulo Duarte, da Universidade de Lovaina, fala sobre “A Nova Roda da Seda: A Convergência da Terra e do Mar na (Re)emergência da China”. O seminário termina com uma intervenção sobre “A Lusofonia e sua importância no advento da Nova Mundialidade Sino-Luso-Brasileira”, por Severino Cabral, presidente do Instituto Brasileiro de Estudos da China e Ásia-Pacífico. A sessão arranca às 18 horas.

NAS CASAS CABE H

Á coincidências felizes e esta, diz João Ó, foi uma delas. O arquitecto foi convidado, no ano passado, para dar aulas na Universidade de São José (USJ), no módulo de Design de Interiores. As aulas práticas de Ó na instituição de ensino superior coincidiram com um convite da Direcção dos Serviços de Turismo, que desafiou três universidades do território para um concurso de ideias sobre a renovação do interior do edifício Ritz, localizado no Largo do Senado. A USJ lançou um concurso interno junto dos estudantes. Durante um semestre, discutiram-se conceitos e trabalharam-se ideias. Os resultados deste projecto são conhecidos amanhã, durante uma sessão em que vão ser atribuídos prémios às três melhores ideias, mas em que também se vai falar da reconversão de edifícios e dos desafios que a sociedade de hoje coloca a esta tarefa. O pretexto é o Ritz.

COM POUCA VIDA

“O edifício foi renovado pela equipa de Manuel Vicente, Carlota Bruni e Rui Leão. Foi finalizado em 2004, com um programa muito específico: áreas de exposições no rés-do-chão e o resto dos pisos – são cinco, incluindo o rés-do-chão – seriam arrendados a associações de Macau”, contextualiza João Ó. “Não sei qual foi a dinâmica que houve estes anos todos, mas a verdade é que o edifício está meio fechado.” O único piso aberto ao público é o rés-do-chão, que “tem algumas exposições, mas que está um pouco abandonado”. Aquando da intervenção, “manteve-se a fachada e criaram-se mais pisos do que era possível”, aponta o arquitecto. “Foram acrescentados

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dois pisos aos três da fachada, o que implica que os pés direitos diminuíram muito e tornam o espaço, a meu ver, bastante claustrofóbico. É um dos problemas que encontro no edifício.” Na palestra, o arquitecto vai falar sobre a forma como estas estruturas poderão ser renovadas – não só as classificadas, mas também outras que foram originalmente projectadas com finalidades diferentes. O objectivo é discutir “como é que podem ter uma nova vida com um novo programa e que tipo de programas é que a sociedade de hoje em dia precisa, porque não tem as mesmas necessidades de há dez anos”. A velocidade com que se alteram os interiores das casas de acesso público é ainda mais visível em Macau.

Os edifícios de acesso público d as necessidades da comunidade. defendida amanhã, pelo arquitec numa palestra que tem como pon renovação do edifício Ritz, ao L

HISTÓRIA DA CASA AMARELA

“Todos os anos há uma necessidade nova, as lojas abrem e fecham de um dia para o outro, e esta necessidade de mudança, muito intensa, reflecte-se na utilização de estruturas antigas”, assinala João Ó. Na sessão da Universidade de São José, o arquitecto vai dar dois exemplos bem diferentes sobre a reconversão de edifícios, uma questão que pode ser “bastante complicada” se não for feita uma boa gestão e se, no caso dos proprietários privados, os lucros rápidos e avultados forem o único aspecto a ser tido em consideração. João Ó participou na renovação da Casa Amarela, no sopé das Ruínas de São Paulo. O cliente era a Direcção dos Serviços de Turismo e o objectivo da renovação compreendia finalidades distintas. “A semicave era um espaço para o Instituto Cultural, os restantes três pisos variavam entre recepção e informação do público, havia uma casa de chá, depois foi também o Lusitanus, o restaurante

João Ó defende que, quando se mexe no interior de um edifício, é preciso pensar no que é que a cidade precisa, “em termos comerciais, lúdicos e turísticos”

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O CRIADO SECRETO • Daniel Silva

MAQUIAVEL & HERDEIROS • Diogo Pires Aurélio

Gabriel Allon é chamado para mais uma missão: ir a Amesterdão estudar os arquivos de um analista de terrorismo que acabou de ser assassinado. Chegado à cidade, Gabriel descobre contudo uma conspiração de terror no submundo islâmico e que tem Londres como alvo. A filha do embaixador americano é raptada e corre perigo de vida. Ao tentar salvá-la, Gabriel torna-se também um alvo dos terroristas. A inesperada aliança que forma com um homem que perdeu tudo devido à sua devoção ao Islão leva Gabriel a questionar a moralidade das tácticas que usa e a arriscar a própria vida.

O nome de Maquiavel anda intimamente associado, na linguagem comum e em boa parte da bibliografia especializada, ao início da modernidade, essa nova faceta em que o realismo e a «razão de Estado», pela primeira vez, teriam irrompido na história. A perspectiva a partir da qual o presente volume sugere a persistência de uma herança de Maquiavel, perpetuada até aos nossos dias, pouco ou nada tem a ver com essa tradição. […] Maquiavel não é Bodin, nem Hobbes. Se, por conseguinte, de herdeiros de Maquiavel se pode falar com alguma pertinência, não é porque ele haja antecipado as teorias do Estado, muito menos as do Estado-nação […]; é, sim, porque a fractura por ele produzida na história do pensamento político é, de algum modo, insanável e se faz irremediavelmente sentir, mesmo em formulações da política as mais avessas ao maquiavelismo.


9

BE A CIDADE

devem reflectir . A ideia é cto João Ó, nto de partida a Largo do Senado

português. Era uma variedade de programa que, infelizmente, pelos vistos não resultou”, recorda. Detida por um privado, a Casa Amarela estava a ser arrendada

pelo Governo. Mas o proprietário decidiu mudar de inquilino, arrendou o espaço a uma loja de roupa, que acabou por desistir do negócio. “O cliente – neste caso os empresários –

MÚSICA INSTITUTO CULTURAL ORGANIZA ANUÁRIOS

O Instituto Cultural está a convidar os músicos do território para que apresentem informações destinadas à publicação dos anuários de música de Macau de 2014 e de 2015. As associações artísticas e os artistas locais podem disponibilizar os dados do trabalho que desenvolveram até ao próximo dia 27 de Janeiro, para contribuírem para as duas publicações. Os volumes abrangem música clássica, jazz e teatro musical, entre outras áreas, incluindo espectáculos locais e estrangeiros, competições, masterclasses, workshops, cursos, palestras, intercâmbios, exposições, estudos e publicações relacionadas, fotografias e vídeos. Os materiais vão ser seleccionados com base na objectividade e autenticidade. Os anuários têm como objectivo manter um registo detalhado do desenvolvimento artístico de Macau. Além das compilações sobre música, o Instituto Cultural tem feito um trabalho semelhante sobre teatro e dança.

também tem a necessidade de saber qual é a melhor forma de explorar um espaço destes, sendo que estamos no coração da cidade”, aponta Ó. O arquitecto defende que, quando se mexe no interior de um edifício, é preciso pensar no que é que a cidade precisa, “em termos comerciais, lúdicos e turísticos”. O lucro tem sido o grande objectivo, mas “tem que haver um balanço qualquer”. O segundo exemplo escolhido por João Ó contrasta com a história da Casa Amarela: trata-se do Macau Design Centre, que está instalado na zona da Areia Preta. O arquitecto conhece bem este edifício fabril utilizado pela Associação de Designers de Macau, uma vez que a empresa que detém – a Impromptu Projects – está lá instalada. “Estando aqui e vivenciando o espaço, percebe-se que a estrutura funciona muito bem e a criação de sinergias entre estúdios com diferentes objectivos é bastante feliz”, anota. O espaço é um “um projecto a longo prazo”, tem por enquanto fins criativos, os fins lucrativos poderão surgir mais tarde. “Para as pequenas e médias empresas resulta bastante bem.” Destes dois exemplos, João Ó conclui que os empresários não devem pensar apenas “em lucros imediatos de grande valor, mas sim numa perspectiva muito mais localizada – e não globalizada – para explorar um espaço que poderá ter um rendimento a longo prazo, e poderá ser vantajoso para a comunidade local”. As ideias de João Ó e os projectos dos alunos da USJ começam a ser apresentados às 18h30, amanhã, no “Speakers’ Hall” da universidade. A iniciativa é aberta a todos os que se interessem pelo tema. Isabel Castro

isabel.castro@hojemacau.com.mo

hoje macau quinta-feira 24.11.2016

EVENTOS

Aprender a ler o copo Programa “Vinhos na Rádio” organiza curso

É

uma iniciativa que partiu de solicitações de ouvintes da Rádio Macau, que desafiaram a produção do programa “Vinhos na Rádio” para uma partilha de conhecimentos que fosse além da antena. O curso de vinhos vai já na terceira edição, conta com a parceria da Fundação Oriente e é da responsabilidade do crítico João Paulo Martins, jornalista que trabalha na imprensa vinícola desde 1989. Arrancou ontem ao final da tarde, na Casa Garden, e termina hoje, com a participação de 15 pessoas. “Tenho vindo a Macau com alguma regularidade, gosto de cá vir. As pessoas daqui têm interesse em relação a vinhos, têm acesso a bons vinhos portugueses – porque se vendem cá todos –, e a vinhos de outras partes do mundo, até mais do que temos em Portugal”, assinala João Paulo Martins. “São pessoas com algum conhecimento e interesse, com algum poder de compra, são interessadas e isso é o melhor que podemos ter quando estamos a dar um workshop de vinhos”, explica acerca dos seus formandos. Num curso deste género, começa-se pelo princípio de tudo: a uva. “Como é que ela cresce e se desenvolve, até chegar à altura da vindima, como é que se faz o vinho”, indica o jornalista. “É importante perceber quais são as etapas determinantes de todo o processo evolutivo do ciclo da uva até chegar à vindima.” Depois, João Paulo Martins deixa algumas noções sobre como é que se faz o vinho e “como é que, com as mesmas uvas, se fazem vinhos com diferentes perfis, para percebermos como é que cada produtor organiza o seu vinho no sentido de corresponder aquilo de que gosta”. Numa outra fase, “perante um vinho no copo”, o responsável pelo curso fala sobre “o que tem de se aprender a ler: os aromas, a prova de boca, as texturas, a acidez, o prolongamento do vinho no final, tentar perceber se é um vinho novo ou velho, conforme o tipo de aromas que tem, conforme a cor, se mostra um potencial bom para guardar em casa”. A preocupação de João Paulo Martins, vinca, “é que o consumidor tente tirar o máximo partido do vinho que tem à frente para provar”. Quanto mais souber do assunto, “mais prazer pode ter em beber” o que tem no copo, refere o autor da obra “Histórias com vinho & outros condimentos”, livro recentemente lançado.

ASSUNTO DE MULHERES

Há algumas décadas, a vinha e o vinho era assuntos tipicamente

masculinos. Hoje, arrisca o jornalista, “50 por cento dos enólogos portugueses são mulheres, o que é uma situação de facto nova em relação ao que existia há 30 anos”. Não há estatísticas oficiais, mas são cada vez mais as mulheres a trabalhar nesta área. No entanto, já se fizeram as contas aos consumidores e chegou-se à conclusão de que são as mulheres que fazem as compras em casa, diz o jornalista: “São as mulheres que compram o açúcar e o arroz, e que compram também o vinho”. O facto de serem as mulheres a escolher fez com tenha passado a haver “um interesse crescente pelo vinho que, felizmente, deixou de ser um assunto masculino”. Esta vontade de saber mais reflecte-se nas acções de formação sobre a matéria e Macau não é excepção – a presença feminina tem aumentado a cada edição do curso organizado pelo “Vinhos na Rádio”. A designer Sofia Bobone é uma das participantes na iniciativa. Depois de dois pequenos cursos dados por Luís Herédia, em que ficou “com algumas noções que não tinha”, decidiu juntar-se ao grupo que se reúne por estes dias na Casa Garden. “Bebo socialmente e encaro estas formações como algo com um aspecto mais mais lúdico. É sempre bom saber mais, para poder apreciar os vinhos”, diz. O conhecimento ajuda no momento da escolha. “Pode ser tudo mais fácil na compra, na escolha de vinhos nos restaurantes, até aprender a combinar quais são aqueles que ficam melhor com certos tipos de comida. Isso faz bastante diferença”, refere Sofia Bobone. Para a designer, os vinhos deixaram de ser um tema masculino, apesar de continuar a haver mais críticos nesta área. “Há muitas mulheres que têm interesse, gostam e são apreciadoras. Na altura dos nossos pais, as mulheres bebiam muito menos, hoje em dia já não há essa diferença.” I.C.


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hoje macau quinta-feira 24.11.2016

“Obra da Renovação do Sistema do Ar-condicionado no Edifício Chi Un do Instituto Politécnico de Macau – Elaboração do Projecto”

CONCURSO PÚBLICO N.º 06/DOA/2016 Faz-se público que, de acordo com o despacho de 11 de Novembro de 2016, do Exm.o Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a prestação de serviços de consultadoria sobre a elaboração do projecto para a obra de renovação do sistema de ar-condicionado no Edifício Chi Un do Instituto Politécnico de Macau.

1.

Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau.

2.

Modalidade de concurso: Concurso Público.

3.

Local do projecto: Edifício Chi Un do Instituto Politécnico de Macau, sito na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau.

4.

Objecto de concurso: prestação dos serviços de consultadoria sobre a elaboração do projecto de renovação do sistema do ar-condicionado dos Blocos A e B, Auditório e Galeria de Exibição do Edifício Chi Un do Instituto Politécnico de Macau.

5.

Prazo de execução: 120 dias, a contar do dia seguinte da data de notificação da adjudicação.

6.

Prazo de validade das propostas: 90 dias, a contar do dia seguinte à cerimónia do Acto Público do Concurso.

7.

Caução provisória: MOP40.000,00 (quarenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou garantia bancária aprovada nos termos legais.

8.

Garantia definitiva: 10% do preço global da adjudicação (em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 4% das importâncias que o adjudicante tiver a receber, para juntamente com o valor da caução servirem de garantia ao cumprimento do contrato).

9.

Preço base: não há.

10.

Condições de admissão: entidade inscrita na DSSOPT na modalidade de elaboração de projectos.

11.

Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: 11.1. Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Dia e hora do limite: 9 de Dezembro de 2016 (sexta-feira), antes das 17H30. 11.2. Em caso de encerramento dos serviços públicos da Região Administrativa Especial de Macau ao público em virtude de tempestade ou outras causas de força maior, a data e a hora para o termo do prazo de entrega das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, na mesma hora.

12.

Sessão de Esclarecimento: Os interessados podem assistir à sessão de esclarecimento na sala M603 do Edifício Meng Tak do IPM, no dia 28 de Novembro de 2016 (segunda-feira), pelas 10H00.

13.

Local, dia e hora do acto público do concurso: 13.1. Local: Sala A309 do Edifício Chi Un do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes, R/C, Macau. Dia e hora: 12 de Dezembro de 2016 (segunda-feira), pelas 10H00. 13.2. Em caso de encerramento dos serviços de entidades públicas da RAEM por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público da abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.

14.

Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação:

15.

- preço

50%

- experiência de serviço de mesmo tipo de elaboração do projecto

30%

- recursos humanos para execução do serviço

10%

- proposta técnica

10%

Local, hora e preço para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Hora: de 2.ª feira a 5.ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6.ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Preço: MOP300,00 (trezentas patacas). Informações: 85996208, 85996228 ou 85996181. Macau, aos 21 de Novembro de 2016 O Presidente do Instituto, Lei Heong Iok


11 hoje macau quinta-feira 24.11.2016

TRÊS FUNCIONÁRIOS DA CROWN RESORTS PROCESSADOS

Prejuízos mútuos Protestos em Taiwan após anúncio de encerramento de TransAsia

O

anúncio de dissolução da terceira companhia aérea de Taiwan – a TransAsia – desencadeou protestos na terça-feira por parte dos seus 1.795 trabalhadores, afectando milhares de passageiros. A empresa iniciou ontem a primeira ronda de negociações com representantes sindicais, depois de uma noite de manifestações, e prometeu “cumprir com todas as suas responsabilidades”. Após o anúncio da dissolução da TransAsia, na terça-feira, os trabalhadores formaram uma nova representação sindical e protestaram junto à sede da empresa, reivindicando melhores condições do que as previstas na Lei de Trabalho para os casos de despedimento, segundo o porta-voz sindical, Pang Min-yi. A companhia aérea apresentou um plano de despedimentos, confirmou o Departamento de Trabalho de Taipé e, segundo os seus próprios dados, a sua dissolução vai afectar aproximadamente 100 mil passageiros, que deverão ser indemnizados. Após o anúncio do encerramento da transportadora devido a dificuldades financeiras, o seu presidente, Vincent Lin, explicou que a empresa

registou prejuízos de 2.700 milhões de dólares de Taiwan (79,6 milhões de euros) nos primeiros dez meses do ano. “Dado que a perspectiva de futuro não é optimista, tivemos que tomar a dolorosa decisão de dissolver a empresa”, anunciou Lin em conferência de imprensa. Lin assegurou que a TransAsia dispõe de fundos e activos suficientes para pagar aos passageiros. “Esperamos assumir a nossa última responsabilidade antes de abandonar o sector da aviação de Taiwan”, frisou. A empresa tem um fundo mútuo de 1.200 milhões de dólares de Taiwan (35,4 milhões de euros) e espera canalizar metade da verba para indemnizar os funcionários pelo despedimento e compensar os passageiros, indicou o conselheiro-delegado da empresa, Liu Tung-ming. Os acidentes de 2014 e 2015 (que fizeram 91 mortos), a concorrência no sector e a diminuição do número de turistas chineses em Taiwan contribuíram para a acumulação de prejuízos. A TransAsia criou, em Dezembro de 2014, uma subsidiária de baixo custo, a V-Air, que encerrou no início do mês passado por causa dos prejuízos.

Atracção fatal

A

China vai processar judicialmente três funcionários da empresa de jogo australiana Crown Resorts, com casinos em Macau, por angariação de apostadores chineses para jogar além-fronteiras, revelou o ministério dos Negócios Estrangeiros australiano. Em comunicado, Camberra disse ter sido oficialmente notificada sobre a detenção, no mês passado, de três funcionários da Crown. Entre os detidos, está o vice-presidente executivo Jason O’Connor, que estava encarregado de atrair grandes apostadores chineses para a Austrália, e que se encontrava na China quando foi detido.

Entre os detidos, está o vice-presidente executivo Jason O’Connor, que estava encarregado de atrair grandes apostadores chineses para a Austrália Pequim não especificou quais as acusações que os funcionários da Crown enfrentam. A publicidade a jogos de azar na China continental está proibida.

NÃO ESTÁ FÁCIL

Em Outubro, foram detidos outros 15 funcionários da Crown Resorts na China, mas a sua situação permanece desconhecida. O ministro australiano dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, afirmou que funcionários consulares visitaram os detidos na terça-feira. “Estão todos de boa saúde e já representados por advogados e conseguimos prestar aconselhamento e apoio e entregar mensagens

enviadas por familiares”, afirmou ontem Bishop ao canal de televisão Sky News. “É uma situação muito difícil, mas vamos continuar PUB

a dar todo o apoio e aconselhamento”, acrescentou. O responsável australiano disse que os dois países trabalham no sentido de aumentar

CHINA os investimentos e o comércio e lembrou que “existe uma ampla agenda anti-corrupção, promovida pelo Presidente chinês, Xi Jinping”. “O jogo é uma das áreas afectadas”, detalhou. ACrown opera casinos em todo o mundo, incluindo em Macau, onde as receitas do jogo estiveram mais de dois anos em queda, impulsionadas, pelo menos em parte, pela campanha anti-corrupção de Xi, que afastou da cidade grandes apostadores chineses. Macau é o maior centro de jogo do mundo e a única região da China onde os casinos são legais. O jogo de azar é ilegal no resto da China e a lei do país proíbe agentes de organizar grupos com mais de dez cidadãos para jogarem além-fronteiras. Para contornar as restrições, os agentes têm promovido os destinos como sendo de lazer e não para jogar. Os três detidos encontram-se em Xangai, segundo o comunicado difundido por Camberra.


h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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José Drummond

Radical USA ou No Future 2016?

A

S teorias de supremacia racial - que como se sabe também se baseiam em dados estéticos e antropométricos - que têm aparecido associadas a Donald Trump são de um bizarrismo absoluto se nos decidirmos a julgar a beleza dos focinhos e o fulgor de inteligência que salta pelos olhos do próprio Trump, de Steve Bannon - o seu escolhido para White House Chief Strategist e conhecido extremista de direita, das três autarcas que chamaram “macaca” a Michelle Obama após cuidadoso exame à sua aparência e agora de Richard Spencer - líder do movimento neonazi americano - que apesar de um corte de cabelo de estética alemã dos anos 30 não esconde o sebo físico e mental. Quanto aos primeiros peço desculpa por dizer isto mas por favor comprem um espelho antes de abrir a boca. Quanto a Spencer tudo isto é grave. Muitíssimo grave. As recentes imagens da conferência onde utilizou o termo “Hail Victory” e onde várias pessoas na audiência se exultaram com saudações nazis são, no mínimo, preocupantes. No radicalismo do seu discurso questiona-se se os opositores de Trump são pessoas – “Indeed, one wonders if those people are people at all”, exige que se viva no mundo que imagina – “We are the dreamers of the day, those who do not want our vision or even our fantasies to be escapes from reality. We want them to be the reality... We demand to live in the world we imagine”, faz a retórica do branco vitimizado (eu sei apetece dizer WTF) – “a white who takes pride in his ancestors’ accomplishments is evil, but a white who refuses to accept guilt for his ancestors’ sins is also evil”, prossegue em exprimir ódio por judeus ricos – “a wealthy Jewish celebrity bragging about the end of white men”, ataca a cor racial e considera que os esquerdistas são comunistas até confirmar o pior – “America was until this past generation, a white country, designed for ourselves

and our posterity. It is our creation, it is our inheritance, and it belongs to us... They need us, and not the other way around... We are, uniquely, at the center of history... No one mourns the great crimes commited against us. For us, it is conquer and die... We were not meant to beg for moral validation from some of the most despicable creatures to pollutte the soil of this planet. We were meant to overcome, overcome all of it”, e acaba com - “Hail Trump. Hail our people. Hail Victory.” O aparecimento desta eloquência de teor nazi, em discurso público, nos Estados Unidos junto com o crescimento da extrema direita numa Europa complexa apenas confirma que o mundo onde a intransigência é questionada, em que muitos de nós acreditamos e considerarmos como certo, está em perigo iminente. O New York Times publicou, à uns meses e antes do Brexit, um gráfico sobre o crescimento da extrema direita na Europa onde era possível de ver que os únicos dois países da Europa sem extrema direita reflectida em vo-

tos são Portugal e Espanha e que o país que se segue com o número mínimo é a Alemanha. Nesse mesmo gráfico pode-se também ver como Hungria a Áustria lideram uma tendência inquietante. Se Le Pen vencer as eleições francesas no inicio do próximo ano será mais uma afirmação dessa tendência e passaremos a olhar para o quinteto do conselho de segurança das nações unidas como a afirmação da manipulação de massas através de uma oratória de prepotência e conservadorismo do poder. Se Le Pen ganhar junta-se a Trump, Putin, Xi Jinping e Theresa May e neste momento torna-se essencial que, aquilo que muitos pensamos nunca vir a defender aconteça que é a continuação de Angela Merkel à frente da política alemã. Para que o mundo possa manter alguma sanidade tem que haver tolerância, independentemente de opiniões políticas diferentes, religião, raça e género. Um mundo regido por déspotas é um mundo perigoso. Uma América onde alguém como Spencer aparece é uma América muito perigosa. Temos todos

que fazer uma breve revisão da história e de alguns crimes contra a humanidade: A colonização de todo o restante mundo pelos europeus, durante séculos consecutivos, e sem números concretos de mortos (200 milhões?) ; Toda a escravatura no mundo inteiro sem números concretos de mortos (200 milhões?); A colonização da América pelos europeus com mais de 100 milhões de mortos; O “Grande Salto em Frente” de Mao Zedong com 45 milhões de mortos em quatro anos e mais uns calculados 33 milhões de mortos durante o resto da sua permanência à frente da China; O Holocausto com 17 milhões de mortos mais todos os outros horrores do nazismo de Hitler e calculados 65 milhões de mortos pela segunda guerra mundial; O genocídio de Holodomor com 7,5 milhões de mortos mais os restantes calculados 50 milhões de mortos do regime de Estaline; Gengis Khan com as suas conquistas pela força e calculados 40 milhões de mortos (10% da população mundial no seu tempo); A acção britânica na índia com calculados 27 milhões de mortos; A queda da dinastia Ming com 25 milhões de mortos; A rebelião Taiping na China com 20 milhões de mortos; O Império Romano e a sua queda com pelo menos 7 milhões de mortos; As invasões de Napoleão com calculados 4 milhões de mortos; A guerra do Vietnam com mais de 4 milhões de mortos; A guerra civil da Nigéria com pelo menos 3 milhões de mortos; O genocídio do Camboja com pelo menos 2,5 milhões de mortos; As bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki; Aleppo... O infindável número de atrocidades onde a mesma retórica de Spencer da conquista, do nacionalismo, da imposição política ou da superioridade racial resultou em crimes horrendos contra a humanidade - os quais não nos podemos esquecer - foi aplicada, não é um bom prenúncio. Um ser humano é um ser humano com os mesmos direitos que todos os outros seres humanos. Não há melhor nem pior. A Europa não é a origem do mundo. Não há raças superiores. Não há religiões superiores. Os homens não são superiores às mulheres. As pessoas com escolhas sexuais diferentes não são pessoas doentes e etc... Este é o ano 2016 e não é 1949, 1933, 1928, 1206, 1769, 1635, 1850 e etc... Há-que entender isto.


13 hoje macau quinta-feira 24.11.2016

diários de próspero

António Cabrita

Os crimes montanhosos e outros vales Despedirmo-nos dos ofícios também faz parte da vida. Todos temos um talento escondido, que os outros detectam primeiro. O meu era fazer diálogos, diziam os professores na Escola de Cinema. Ao fim do segundo ano recrutaram-me para lhes fazer os diálogos dos seus filhos. Assim me tornei guionista, ofício de que vivi durante anos. Um dia, já de “reputação firmada”, telefona-me o António Escudeiro. Queria fazer um filme sobre o Camilo Pessanha, em Macau. Num formato “docudrama”. Afinámos ideias, objectivos, calendários. Pairava no ar a promessa de também eu me deslocar a Macau. Em 15 dias li o que tinha a ler e pouco depois entreguei o primeiro draft, de 50 páginas. Uma memória descritiva, com a narração de todas as cenas previstas para o filme mas sem o tratamento final nem diálogos. Ambicionava atingir uma precisão de relojoeiro nos diálogos, devido à linguagem preciosa do poeta, à sua relação com os locais e com essa língua que o cercava como um imenso mar ignoto, e sobretudo queria escrever belas cenas dele com as mulheres. Um “docudrama”, uma mistura de documentário e ficção, permitia a reinvenção da intimidade do poeta. Contra a entrega do draft, ele pagou-me o que era devido. Seguia-se a segunda fase, combinámos conversar depois dele o ter lido. E então o Escudeiro desapareceu. Soube dele um ano depois, ultimava já a edição do material que tinha trazido de Macau. Nunca vi o filme, não o quis ver. Vi o Camilo Pessanha e Macau por um canudo. Por isso aconselho todos os jovens guionistas a tomarem esse ofício como hobby ou biscate, quando se põe excessivo empenho nos projectos vem a “autoria colectiva”, própria ao cinema, desenganar-nos e traz dissabores. Já me aconteceu inclusive, no caso de Um Rio, de Carlos Oliveira, que co-escrevi com o escritor Luís Carlos Patraquim (adaptando um romance de Mia Couto), que o filme (por problemas de produção) parecesse ter sido feito “contra” o guião.

sobretudo “monhés”- os indianos -, alvo da actual “indústria de raptos”), a Pérola do Índico, um país com imensa água e oitenta por cento da terra arável mas que nem consegue produzir os tomates e alfaces para a salada (vêm da África do Sul), atravessa um momento deprimente.

JOSÉ CABRAL

15/11/2016

19/11/2016

Moluenes (meninos de rua) vivendo na Vila Algarve, antiga sede da Pide em Maputo

No romance, os erros só a mim pertencem. Sucessos ou insucessos só ao meu trabalho devo a provação dos labirintos.

17/11/2016

Há duas semanas, o matutino O País noticiava que a Autoridade Tributária já não podia taxar certos impostos, os impressos necessários não estão disponíveis para quem faz a sua declaração anual dos impostos. Motivo: os fornecedores deixaram de fornecê-los, por dívida continuada do Estado. Já nem as suas próprias receitas directas o Estado moçambicano consegue assegurar. Eis um processo em que um Estado perpetua contra si mesmo, como vi escrito num semanário local, “crimes montanhosos”. Entretanto a minha filha mais nova, com nove anos, resolveu ir “ajudar” a mãe,

numa feira do livro. Toda a gente achou graça ao parlapié da gaiata e contribuiu para que as vendas nesse dia aumentassem. E o Notícias, matutino oficioso, fez uma reportagem e entrevistou a mais nova “livreira” da feira. Foi a minha empregada quem trouxe o recorte, “orgulhosa da menina”. Toda a gente gostou, menos ela. “É a tua primeira entrevista, tás toda bonita na fotografia, qual é o problema?”. E explicou ela: “não gostei que tivessem colocado a minha fotografia, porque assim vão me identificar na rua e podem raptar-me...”. Fiquei interdito, percebi que por muito que queira não a consigo proteger do clima geral. À beira da explosão social, com a guerra civil a prolongar-se, a inflacção a disparar em flecha (quase cem por cento num ano), o colapso financeiro, a fome a apertar em muitas regiões e o medo inscrito na pele das crianças (brancas,

A pronúncia do Shangana e do Ronga, línguas do sul de Moçambique, lembra-me uma goma de arroz com acentos guturais fortes. Uma vez adormeci a ver filmes do Kurosawa e nessa madrugada apanhei um “chapa” (um transporte semi-colectivo com dezasseis lugares) para a fronteira, a 90 km. Pelo caminho, ouvindo as falas locais, espantei-me pelas parecenças fonéticas com o japonês que ouvira horas antes. Pensei ser uma fantasia minha e não liguei mais ao assunto. Agora, releio um livrinho precioso do grande actor japonês Yoshi Oida que trabalhou décadas com o encenador Peter Brook. Ele conta como foram à Nigéria, para uma digressão de seis meses nas zonas rurais. Chegavam às aldeias, estendiam o tapete e representavam Shakespeare e foram especialmente bem acolhidos. Porém, inesperada foi a descoberta pessoal que ele fez. Ele estava radiante por vir a África e pensava que ia estar diante da alteridade absoluta, de uma cultura sem pontos de contacto com a sua, e descobriu que afinal toda a gramática facial e a linguagem não-verbal dos camponeses da Nigéria era absolutamente idêntica às dos camponeses do Japão. Somos todos mais parecidos do que supúnhamos e fará mais sentido do que admitiríamos à partida que as locução e as fonética das línguas, nesta metade oriental do planeta, comunguem de afinidades subterrâneas.

21/11/2016

Flanava distraído pela ruas de Maputo, a apreciar os jacarandás. Um tipo novo começa-me a sorrir a dez metros de distância e ao passar por mim atira: “Pai, ando à procura do George Michael, fast love!”. Fiquei atarantado, ele atirara o barro à parede, a tentar, mas nunca um jovem prostituto se me dirigiu tão directo, e só cinquenta metros depois me veio a resposta-do-fim-da-escada: “Desculpa lá, já não tenho idade para seres o meu first love!”


14 (F)UTILIDADES TEMPO

C H U VA

hoje macau quinta-feira 24.11.2016

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente VAFA - SALÃO DE OUTONO Casa Garden

?

FRACA

MIN

12

MAX

15

HUM

70-95%

EURO

8.49

BAHT

1.15

MACAU ESCONDIDO

Fundação Rui Cunha (Até 8/12) EXPOSIÇÃO “MEMÓRIAS DO TEMPO” Macau e Lusofonia afro-asiática em postais fotográficos Arquivo de Macau (até 4/12) ESCULTURA “LIGAÇÃO COM ÁGUA” DE YANG XIAOHUA Museu de Arte de Macau (até 01/2017)

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 127

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 126

UM DISCO HOJE

SUDOKU

DE

C I N E M A

YUAN

AQUI HÁ GATO

EXPOSIÇÃO CONJUNTA DE PINTURA DE WANG LAN E GU YUE

Cineteatro

0.22

Macau esconde-se, por vezes, na língua que fala. Não tenho esse problema porque miar é universal mas, num lugar em que línguas e culturas se misturam, há um fosso que deixa uns mais visíveis que outros, ou uns mais visíveis para uns do que para outros. A Macau das artes também se esconde. A Macau do teatro em chinês que se mostra, mas que muitos não conhecem. Há uma Macau que vai para as ruas e que ninguém vê. Sem comunicação, são tantas as perdas. Perdas para os artistas, perdas para o público. Hoje, à conversa com uns felinos de outra zona, ouvi falar de uma série de coisas bonitas que acontecem aqui e acolá. Coisas de agora, coisas atrevidas, coisas que até lá fora vão e que aqui passam quase despercebidas. Da dança contemporânea que se faz nos bairros ao teatro experimental que vai a Toronto e que por cá nem se sabe, há uma Macau bonita e que se esconde aos olhos de quem não a entende. Pu Yi

CHANSONS “POSSIBLES” ET “IMPOSSIBLES” | BORIS VIAN

Boris Vian é mais do que um símbolo literário de uma época. O escritor e poeta francês foi também o músico de temas que não saem do ouvido ou da memória. “Chansons ‘Possibles’ et ‘Impossibles’” é um álbum que reúne nove deles, talvez os mais emblemáticos. Um disco de canções críticas e deliciosas. SHUT IN SALA 1

SHUT IN [C] Filme de: Farren Blackburn Com: Charlie Heaton, Naomi Watts, Jacob Tremblay 14.15, 18.00, 21.45

YOUR NAME [B] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Makoto Shinkai 16.00, 19.45

SALA 3

SHOW ME YOUR LOVE [B] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Ryon Lee Com: Nina Paw, Raymond Wong, Ivana Wong, Michelle Wai 14.30, 16.30, 21.30

SALA 2

FANTASTIC BEASTS & WHERE TO FIND THEM [B] [3D]

Filme de: David Yates Com: Katherine Waterston, Dan Fogler,

Filme de: David Yates Com: Katherine Waterston, Dan Fogler, Alison Sudol, Ezra Miller 19.00

FANTASTIC BEASTS & WHERE TO FIND THEM [B]

Sofia Mota

Alison Sudol, Ezra Miller 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Angela Ka; Andreia Sofia Silva; Sofia Mota Colaboradores António Cabrita; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


15 hoje macau quinta-feira 24.11.2016

bairro do oriente LEOCARDO

TIM BURTON, PEE-WEE’S BIG ADVENTURE

Dois mil e desassossego

O

ano de que está agora a pouco mais de um mês de findar é já considerado para muitos “um ano para esquecer”. Foi em 2016 que desapareceram alguns ícones da nossa era, casos de David Bowie, Prince, ou mais recentemente Leonard Cohen, e isto sem esquecer outros menos mediáticos ou já retirados, casos da também cantora Natalie Cole, ou do comediante Gene Wilder. Todos deixam saudades, e apesar de neste aspecto ter sido um ano especialmente triste, não foi muito diferente de todos os outros: as pessoas morrem. Facto. Já num outro quadrante, o da política, o ano ficou marcado por uma mudança de paradigma que alguns temem ser “perigosa”, com a votação da saída do Reino Unido da União Europeia, vulgo “Brexit”, e com a eleição de Donald Trump como 45º presidente dos Estados Unidos. Há quem vá mesmo mais longe, e faça destes dois acontecimentos uma leitura fatalista, como se da chegada de dois dos cavaleiros do Apocalipse se tratasse, e com um terceiro a caminho – falo naturalmente de Marine Le Pen, mais que provável candidata da direita às eleições presidenciais francesas do próximo. As comparações com a ascensão do Terceiro Reich e na Alemanha dos anos 30 do século XX são para alguns “inevitáveis”, e de tudo isto só acho engraçado que da História se tenham apreendido datas e factos, mas não se tenham retirado nenhumas conclusões. A questão do Brexit foi empolada, tanto pelos media como pelos seus apoiantes, mas quem se opôs deu o seu contributo para que de um simples copo de água se levantasse

um autêntico “tsunami”. Depois de todo o foguetório vindo de cada uma das partes, ficou agora mais claro que a saída dos britânicos da UE depende da vontade política, e o referendo serve apenas como argumento para os que defendem a ideia – mesmo que seja aqui um argumento de peso. A eleição de Donald Trump “deixou a América profundamente dividida”, recorrendo a um chavão recitado vezes sem conta nas últimas semanas. Quer dizer portanto que deixou a América como sempre esteve, e neste aspecto quer Trump, que outro qualquer, não acrescentam nem retiram nada. Neste último particular, os maiores receios têm a ver com o discurso do empresário, que personifica aquela nova escola de ausência do pensamento que dá pelo nome de “desprezo pelo politicamente correcto”, ou numa palavra apenas, o populismo. Em Janeiro do próximo ano Trump vai ser empossado como presidente e não como “dono daquilo tudo”, e muitas das suas promessas delirantes, que causaram em alguns uma espécie de “transe” entusiás-

E se este ano foi mau, há quem já faça “por baixo” as suas previsões para 2017, e falando agora das tais presidenciais francesas, muitos já dão como certa a vitória de Le Pen e da extrema-direita, como se impedir a vontade da tal “minoria não esclarecida” fosse tão inevitável como a peste negra

tica são simplesmente inconcebíveis, pois de tudo o que de mau existe na América ou em qualquer outro estado de Direito há algo que está acima do próprio presidente: a lei. Para o bem e para o mal as coisas são mesmo assim, e aquilo que levou a que muitos considerassem a presidência de Obama “decepcionante” por este não ter trazido a “change” que prometeu, pode ser que agora os venha deixar aliviados. Ao contrário do que se possa pensar, este meu “optimismo” não se opõe ao pessimismo da generalidade, mas antes ao seu derrotismo. Dizer que o “Brexit” é “a vontade da maioria dos britânicos” é uma falácia, uma vez que pouco mais de um quarto destes votou nesse sentido, e como já é do domínio público, Trump obteve um número de votos inferior aos da sua adversária, e só venceu da mesma forma que em Portugal temos um Governo que obteve nas últimas eleições menos votos que o seu opositor directo: através da representatividade. E é aqui que muitos ralham e não têm razão, na casa onde falta não o pão, mas a vontade. A minoria descontente, composta por gente desinformada, mesquinha, xenófoba, ignorante, chamem-lhes o que quiserem, foi simplesmente fazer a única coisa que estava ao seu alcance, e não recorreu a meios coercivos e violentos para o fazer – venceu por falta de comparência. E se este ano foi mau, há quem já faça “por baixo” as suas previsões para 2017, e falando agora das tais presidenciais francesas, muitos já dão como certa a vitória de Le Pen e da extrema-direita, como se impedir a vontade da tal “minoria não esclarecida” fosse tão inevitável como a peste negra. O derrotismo tem destas coisas, é contraproducente, da mesma forma que é patético pecar por omissão e mais tarde andar pelos cantos da casa a lamentar-se, enquanto se pergunta “porquê?!”. Então não sabem porquê? Também contribuíram para isso, então; afinal também viram, mas NÃO estavam lá.

OPINIÃO


Enxotar os americanos da Base das Lages daria um bom aeroporto internacional

quinta-feira 24.11.2016

Atlântido

A

Universidade de Goa inaugurou ontem uma cátedra em língua portuguesa, que vai permitir aprofundar a investigação linguística e as relações entre o Português e as línguas asiáticas, em particular as indianas. “A cátedra representa a consolidação dos estudos do Departamento de Português da Universidade de Goa, e com este projecto podemos avançar para programas mais avançados nas áreas da linguística, da literatura comparada e dos estudos culturais”, disse à agência Lusa o responsável pelo Departamento de Português, Delfim Correia da Silva. “Dentro dessa área de estudos culturais teremos a participação de diversos especialistas, desde arquitectura, música, mas também história e as artes em geral”, acrescentou. Financiada pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, foi designada Cátedra Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara em homenagem ao “acérrimo defensor do Concani” e responsável por “vários trabalhos de investigação sobre a relação entre esta língua indiana e o Português”.

PALAVRAS DITAS

A inauguração contou com uma palestra do professor Hugo Cardoso, que a partir de quinta-feira dá início PUB

Língua viva

Inaugurada cátedra em Português na Universidade de Goa

às aulas e que “tem desenvolvido imenso trabalho de investigação na relação do português com os crioulos asiáticos e também com as línguas do sul da Ásia e em particular na Índia”, explicou Delfim Correia da Silva. “Era para nós fundamental que a cátedra se iniciasse com esta área

de investigação – a linguística. (…) No caso de Goa é importante estudarmos de forma científica e sistemática todas as influências que se verificaram e os resultados do contacto linguístico entre o Português e o Concani”, acrescentou o responsável pelo Departamento de Português.

De acordo com o plano de actividades apresentado por Hugo Cardoso para os próximos três anos, além da oferta de um curso opcional para os alunos da Universidade de Goa, é também contemplado um projecto de investigação que “vai-se centrar, por um lado, no estudo da especificidade do português falado em Goa e, por outro, na relação do português com as línguas asiáticas e com as línguas indianas em particular”. Goa tem um universo de alunos de português estimado em 1.500, a maioria no secundário (entre 800 e 900). Na Universidade de Goa um total de 15 alunos estão inscritos em estudos de mestrado e dois estudantes estão a realizar pré-doutoramentos, existindo ainda mais de 100 alunos inscritos nos cursos opcionais de português. Para Delfim Correia da Silva, “uma das mais-valias da cátedra será – com o apoio de orientadores, especialistas das [várias] áreas –, poder avançar a curto prazo com um programa de doutoramento”. A Cátedra Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara começou a ser desenvolvida no ano passado: “A ideia de o Camões apostar em Goa aconteceu em 2015, o processo de assinatura do protocolo de entendimento foi realizado a 07 de

Abril, a comissão organizadora foi formada em Junho e portanto [a criação deu-se em] Novembro”. O projecto arranca com 35 vagas: 25 para alunos da Universidade de Goa e dez para alunos externos. “Penso que teremos ‘casa cheia’”, disse Delfim Correia da Silva. “Os alunos inscritos da Universidade [de Goa] são do departamento de Português, Inglês, História, e penso que há algumas inscrições do departamento de Concani. Relativamente aos alunos externos, a formação desses alunos é muito variada: alguns presumo que serão funcionários dos arquivos, das bibliotecas, [são] alunos com perfil muito diversificado”, acrescentou. No âmbito da criação da cátedra, até à data foram formalizados três convites a professores de Portugal e, segundo Delfim Correia da Silva, o objectivo é alargar o leque de professores convidados a outras áreas, designadamente o ensino de português como língua estrangeira e literatura. A sessão de inauguração da cátedra em língua portuguesa contou com a presença da secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro.

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Hoje Macau 24 NOV 2016 #3703  

N.º 3703 de 24 de NOV de 2016

Hoje Macau 24 NOV 2016 #3703  

N.º 3703 de 24 de NOV de 2016

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