Page 1

MOP$10

QUARTA-FEIRA 24 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4159

CONCERTAÇÃO SOCIAL

Concerto desafinado PÁGINA 8

SOFIA MARGARIDA MOTA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

PUB

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

PONTE HKZM

ABERTA AO TRÂNSITO

PÁGINA 5

Andar na rua

hNUNO MIGUEL GUEDES

Tirar do sério hJOÃO PAULO COTRIM

hojemacau

Bilhete de volta Ao fim de cerca de duas horas de espera no Terminal Marítimo do Porto Exterior, o dramaturgo de Hong Kong, Yan Pat-to, foi mandado de volta para a antiga colónia britânica. Segundo as autoridades locais, o escritor poderia pôr em causa a ordem e a segurança públicas. PÁGINA 4

SOFIA AFONSO FERREIRA

VOZES LIBERAIS ENTREVISTA

TURISMO

O bem mais precioso PÁGINA 9


2 ENTREVISTA

SOFIA AFONSO FERREIRA CRIADORA DO MOVIMENTO POLÍTICO D21

Depois de uma carreira na área da comunicação, Sofia Afonso Ferreira funda agora a Democracia 21 (D21), um movimento cívico com aspirações a ser um partido político liberal. O novo rosto da direita portuguesa está em Macau para apresentar o movimento que fundou. O evento está marcado para hoje às 18h30, na Livraria Portuguesa

“Acima de tudo, sou democrata” O que é o D21? Por agora é um movimento cívico, liberal e de direita. Estamos a acabar de recolher as assinaturas e em breve daremos entrada com o processo no Tribunal Constitucional. O D21 começou em Janeiro. Primeiro tentámos perceber se era viável a criação de um partido liberal em Portugal. Temos uma história muito incomum em Portugal quando comparada com o resto da Europa. Neste momento, os liberais são a segunda força política na Europa. Quase todos os países têm mais do que um partido liberal, uns no poder, outros em coligação, etc. Em Portugal não temos um partido liberal há 90 anos devido a circunstâncias históricas: primeiro tivemos uma ditadura, depois tivemos uma revolução, e depois tivemos estes anos, pós 25 de Abril. Já houve umas tentativas de projectos deste género, mas que falharam sempre. O máximo que tivemos até agora está associado ao PSD ou ao CDS que por vezes defendem algumas políticas liberais, mas essencialmente na área da economia e não dos costumes.

Está a referir-se, por exemplo, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à adopção por estes casais e à eutanásia? Sim. Nesta parte dos costumes até estamos mais próximos dos partidos tradicionais de esquerda de Portugal. Mas nós partimos de uma base completamente diferente: nós damos mais poder ao indivíduo do que ao Estado e, como tal, tem que ser a sociedade a definir este tipo de coisas que têm que ver com a sua essência, e não um Estado. O Estado é um regulador e não tem que dizer se se pode ou não casar com quem se quiser, se se pode adoptar ou não, ou se em caso de doença grave, as pessoas podem ou não optar pela eutanásia. O Estado deve servir apenas para regular o bom funcionamento democrático das instituições e das leis, mas não impor-se.  Como é que essa regulamentação se operacionaliza?

É difícil de explicar porque não é um conceito muito incutido na sociedade portuguesa. Em 2018, não ser a favor do liberalismo na parte dos costumes para mim é anacrónico. Podemos ter as nossas convicções para nós, para a nossa família para quem está a nossa volta. O liberalismo é isto: é defender que o indivíduo pode ter as suas coisas.

outro, crianças passaram a ter que ir para escolas que ficavam a 30 quilómetros de casa.

“O Estado deve servir apenas para regular o bom funcionamento democrático das instituições e das leis, mas não impor-se.”

E defendem o ensino gratuito? Sim, com certeza.

Disse numa entrevista que o foco para o D21 está na remodelação nas áreas da justiça, da saúde e da educação? Que tipo de reformas propõe? Vou começar pela educação. É uma área que teve alguma polémica há cerca de um ano com os contratos de associação. Nós somos a favor destes contratos. A razão tem que ver com um problema que a Europa está a enfrentar e que em Portugal estamos numa situação gravíssima, ou seja, não nascem bebés. No interior do país, as escolas começaram a ficar sem crianças. O que o Estado pagava para a manutenção daquelas escolas era muito elevado e começou a fazer contratos de associação com escolas privadas. A poupança entrou na casa dos 60 por cento por cada aluno. Atenção que isto não se justifica em todo o país. Justifica-se quase zona a zona. Houve uma grande campanha de que estaria a haver um abuso destes subsídios dos contratos de associação a escolas privadas. Com certeza que houve casos ilegais. Mas também se cometeram muitas injustiças porque tivemos casos de escolas que, de um momento para o outro, ficaram sem os contratos e fecharam, o que trouxe o desemprego de pessoas. Por um lado, e por

Defende a subsidiação de escolas privadas pelo Estado, é isso? Nós defendemos, acima de tudo, que esta matéria tem que ser revista. Houve decisões que foram peremptórias e direccionadas ao país todo tendo sido altamente prejudicial para algumas zonas.

E na justiça? Em relação à justiça, a nossa maior bandeira é contra a corrupção e, portanto, todas as medidas que vamos apresentar, as mais prioritárias, são no sentido do combate à corrupção.

direcções de hospitais inteiras a pedir a demissão.

Estamos a falar num momento que se segue a cortes orçamentais profundos, nomeadamente na área da saúde. O sistema tem de ser repensado. O grande problema é o facto das políticas serem levadas a cabo durante cerca de três anos. São apresentadas reformas, são implementadas durantes três anos e depois são mudadas. Isto é tareia à esquerda e à direita. Defendo que deveria existir um pacto entre os partidos relativamente a reformas que têm de ser feitas. São reformas que deveriam ter um período de implementação mínimo de dez anos. É a única maneira. É por isso que muita coisa não funciona. 

“Penso que a Europa esteve bem a acolher os refugiados.”

Criticou há uns dias a proposta de Orçamento de Estado por implicar muita despesa pública. Mas é necessário investimento. Como encontrar um equilíbrio? Nós apostamos muito nas reformas, porque parte dos nosso males advém de uma má gestão e da corrupção que, em Portugal, é transversal. Os liberais não são contra o Estado. Mas um Estado enquanto regulador. Por exemplo, um português típico, olha com inveja, e com alguma razão, para os países nórdicos onde a carga fiscal é muito elevada, mas as pessoas têm acesso a todos os serviços e com qualidade. O problema, em Portugal, é que estamos a chegar ao ponto em que qualquer pessoa, com um ordenado mediano, chega facilmente aos 35 ou 40 por cento de impostos, sem conseguir aceder a serviços de qualidade.

Ainda assim, o sistema de saúde português é considerado como um dos melhores da Europa ao nível da oncologia. É verdade. Isso parece quase inacreditável. O nosso serviço de saúde público até tem vários pontos de excelência. Mas houve aqui uma série de medidas nos últimos anos que não ajudaram na saúde. Nos últimos meses tivemos

Acha que em Portugal as pessoas deveriam ter direito aos mesmo benefícios que são dados por esses países? Exacto. Mas não temos serviços de acordo com isso. Se pagássemos o que pagamos, mas com serviços de saúde e de educação de acordo com esse valor tudo estaria razoavelmente bem e as pessoas, se calhar, não se importavam de pagar tantos impostos. Das duas uma, ou

Como pretendem reformar o sistema de saúde? Na saúde temos um problema idêntico ao das escolas. A saúde está por um fio, é talvez a área mais em perigo neste momento em Portugal. Por uma razão muito simples, eu posso ter problemas na área da educação mas ninguém morrer e na saúde se houver falhas as pessoas morrem. As pessoas que tenham cancro - como um caso que soube há dias em que depois de identificada a doença só conseguiu consulta para Abril do ano que vem – com a espera podem não ir a ter tempo para combater a doença.


3 quarta-feira 24.10.2018 www.hojemacau.com.mo SOFIA MARGARIDA MOTA

pagamos metade dos impostos que pagamos, continuamos a ter os serviços que temos, e o dinheiro com que ficamos vai-nos permitir viver melhor e investir de outra forma em nós próprios, na nossa profissão, na família, nos estudos dos filhos, etc. Nós, liberais, olhamos mais para o indivíduo e por isso, neste contexto, poderíamos pagar 20 a 25 por cento dos impostos e ter os mesmos serviços deficientes. Vivemos com isso e assumimos. Ou então, se pagamos aquilo que pagamos tem de haver uma reforma profunda e tem tudo de funcionar bem. E quem regula tudo isto é o Estado. Os países nórdicos também têm os seus problemas. Nada é perfeito. Mas são países que realmente têm sistemas de saúde e de ensino gratuitos que funcionam bastante bem. A Europa tem estado dividida. Os movimentos de direita são cada vez mais extremos. Uma das razões tem que ver com a reacção à integração de refugiados. Como vê esta questão?

“Em relação à justiça, a nossa maior bandeira é contra a corrupção e, portanto, todas as medidas que vamos apresentar, as mais prioritárias, são no sentido do combate à corrupção.” Quando tivemos agora esta vaga de refugiados na Europa, Portugal nem foi muito afectado. Não tivemos problemas. Mas houve outros países que tiveram. Quando falamos de refugiados estamos a falar de pessoas que vêem de uma situação extrema de vida ou morte e, portanto, precisam de um porto de abrigo. Penso que a Europa esteve bem a acolher os refugiados. Claro que depois isto originou problemas. A Itália foi altamente massacrada. A Itália foi o país com mais entradas de refugiados.

A legislação Europeia diz que o país por onde os refugiados entram é responsável pelo seu processo de acolhimento e de trânsito. O que aconteceu foi que a Itália foi altamente prejudicada nisto. A Alemanha concordou em acolher grande parte destes refugiados. À partida, parece uma atitude bastante altruísta, mas na Alemanha não se brinca em serviço. A Alemanha para manter a economia lá em cima precisa de uma população activa grande. Atenção que os refugiados que vieram da Síria, na sua maioria, tinham cursos superiores e tinham as suas profissões. Eram refugiados bastante apetecíveis. Percebo perfeitamente porque é que a Alemanha lhes abriu a porta. Eram pessoas que se podiam integrar perfeitamente. Outros países fizeram o mesmo que a Alemanha. Agora há aqui um grave problema. A população destes países onde tem existido uma contestação mais forte, não viu isto com bons olhos devido aos problemas sociais que trouxe e por verem parte dos orçamentos a

irem para estas questões. Começou a haver reacções de racismo puro e duro. O que se nota depois é a ascensão de partidos nacionalistas. Como vê esta ascensão de movimentos de extrema-direita? Acho que é perigoso. Esta coisa do populismo faz-me uma grande confusão. Mas isto é tão perigoso como seria perigoso partidos de extrema-esquerda subirem ao poder e imporem determinadas coisas. Acho tudo perigoso. Não é por acaso que a democracia se situa ao centro. E eu, acima de tudo, sou democrata. Até vejo isso um pouco como um equilíbrio natural, porque quando há um excesso de um lado, tem que haver a reacção do outro. Mas isso pode resvalar para situações perigosas.  Sim, mas a história também nos ensina que perante essa situação também vai existir um contramovimento. Foi sempre assim.  Não há maneira de evitar esse resvalar?

Há, são os liberais. É a luta pela defesa de direitos e por uma boa implementação da democracia. Referiu que "entre Haddad e Bolsonaro, venha o diabo e escolha”. O que quer dizer com isto? Nós preferíamos que fosse um candidato novo que estivesse nesta corrida. O PT teve o problema gravíssimo de estar associado à corrupção e está a ser altamente penalizado por isso. Mas o Bolsonaro assume-se contra a democracia. Sim, e por isso não sei qual deles é o melhor. Se fosse brasileira teria graves dificuldades em escolher.  Em escolher entre democracia e não democracia? Mas eu não considero nenhum dos dois candidatos democratas. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


4 política

24.10.2018 quarta-feira

Só para clientes Junkets fora do horário de trabalho proibidos de entrar em casinos

O SEGURANÇA ESCRITOR DE HONG KONG PROIBIDO DE ENTRAR EM MACAU

À espera de Godot

Yan Pat-to, dramaturgo de Hong Kong, viu-lhe ser negada a entrada em Macau na tarde de segunda-feira, sob o argumento de que poderia comprometer a segurança pública

V

I N H A para dar uma palestra sobre peças europeias, mas foi obrigado a voltar para trás. Yan Pat-to, dramaturgo de Hong Kong, foi proibido de entrar em Macau na tarde de segunda-feira por haver “fortes indícios” de que pretendia participar “em actividades passíveis de colocar em risco a ordem e segurança públicas”. A notícia foi avançada ontem pelo South China Morning Post que cita a notificação dada pelos Serviços de Migração a Yan Pat-to. Segundo o jornal, o documento foi emitido às 17h25, mas, de acordo com o escritor, foi por volta dessa hora que chegou ao Terminal Marítimo do Porto Exterior

e o documento apenas lhe foi entregue depois das 19h. Yan Pat-to, que esteve sensivelmente duas horas retido antes de receber um bilhete de barco de volta para Hong Kong, explicou que um agente o informou de que “as regras tinham mudado” pouco depois de o conduzir a uma sala. “Perguntei de que forma é que poderia comprometer a ordem e segurança públicas, mas ele não soube explicar”, contou ao mesmo jornal. “Quando estava sentado na sala, senti que estava à espera de Godot”, afirmou Yan Pat-to, autor da primeira peça chinesa a ser seleccionada pelo Berliner Festspiele Theatertreffen Stückemarkt em 2016. “Foi a primeira vez na minha vida que vi ser-me recu-

sada entrada”, sublinhou o dramaturgo, apontando que ainda há cerca de uma semana viajou normalmente para Shenzhen. O escritor tinha sido convidado para uma iniciativa organizada pela Associação Internacional de Críticos de Teatro, de Hong Kong, e pelo Instituto da Cultura do Teatro de Macau. “Fui convidado para dar uma palestra sobre novas peças europeias e eles [autoridades] disseram-me que poderia ameaçar a sua segurança”, escreveu o escritor no Facebook. “Simultaneamente, o Presidente Xi estava em Zhuhai, que fica ao lado de Macau. Talvez seja essa a razão [para me recusarem entrada]. Mas não quero especular mais, tal como um Governo totalitário PUB

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE SOLOS, OBRAS PÚBLICAS E TRANSPORTES

Anúncio Faz-se saber que em relação ao concurso público para a execução da “EMPREITADA DE ARRUAMENTO E DRENAGEM JUNTO AO RESERVATÓRIO DE SEAC PAI VAN”, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n° 40, II Série, de 3 de Outubro de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2° do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar, conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente no Departamento de Infra Estruturas da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n°33, 16° andar, Macau. Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, aos 18 de Outubro de 2018. O Director dos Serviços LI CANFENG

pretende. Seja como for, estou a salvo em casa agora”, acrescentou.

RENOVAR O CONVITE

Em declarações à Rádio Macau, o presidente do Instituto da Cultura do Teatro de Macau afirmou desconhecer o que se passou, indicando que não conseguiu contactar o escritor de Hong Kong. Mok Sio Chong sublinhou que não vê Yan Pat-to como “uma pessoa perigosa”, dando conta à emissora pública de que planeia renovar o convite ao dramaturgo no futuro. O impedimento de entrada em Macau acontece com alguma regularidade, com a grande maioria dos casos a serem tornados públicos pelos próprios visados, muitos dos quais são políticos ou activistas de Hong Kong. A PSP não tem por hábito apresentar motivos concretos, invocando, com frequência, razões de segurança. As autoridades de Macau recusam revelar porém, o número de pessoas que proíbem de entrar, argumentando serem confidenciais. Contudo, nem sempre foi assim, dado que durante o mandato do anterior secretário para a Segurança – que terminou em Dezembro de 2014 – a PSP chegou a divulgar, a pedido dos jornalistas, dados relativos às pessoas proibidas de entrar em Macau. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

S promotores de jogo, também conhecidos como junkets ou bate-fichas, vão ficar impedidos de entrar nos casinos quando não estiverem a trabalhar. É esta a proposta apresentada pelo Governo à 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a analisar as alterações à lei que define as classes profissionais proibidas de entrar nos casinos. A revelação foi feita, ontem, pelo presidente da comissão, o deputado Ho Ion Sang. “A nova proposta entregue pelo Governo delimita claramente os sujeitos que ficam proibidos de entrar nos casinos, que são os empregados das concessionárias que trabalham nas mesas de jogo, que trabalham nas máquinas de jogo, empregadores da restauração e limpeza”, começou por explicar o legislador. “Os trabalhadores dos promotores de jogo também ficam proibidos de entrar nos casinos fora do horário de trabalho”, frisou. Segundo Ho Ion Sang, a proposta tem o apoio dos deputados da comissão e ainda das associações de junkets. “O Governo disse que incluiu os promotores de jogo depois de entrar em contacto com as asso-

ciações do sector, que se mostraram preocupadas com o problema do vício do jogo”, justificou. O número de pessoas afectadas pela medida no sector não foi revelado, mas ficou prometido para o próximo encontro com os deputados.

PAPELINHO MÁGICO

Em relação ao controlo da entrada dos promotores de jogos, Ho Ion Sang explicou que em caso de suspeitas de entrada indevida, que os junkets têm de apresentar uma declaração do superior hierárquico a declarar que à hora em que foram vistos nos casinos, estavam a desempenhar as suas funções profissionais. Outra das questões que reuniu o consenso de deputados e membros do Governo é o facto da proibição dos trabalhadores dos casinos se aplicar apenas a pessoas com contratos com as concessionárias. Anteriormente, na comissão, tinha sido debatida a possibilidade dos trabalhadores das empresas subcontratadas também serem afectados pela proibição, como empregados de limpeza ou seguranças, mas o Governo não acolheu a sugestão. J.S.F.


política 5

Quem salta fora?

GCS

quarta-feira 24.10.2018

Deputados querem explicação para redução de membros da CCPPC na comissão eleitoral

O

Governo apresentou uma proposta para que o futuro Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) esteja representado com dois membros na Comissão Eleitoral para a escolha do Chefe do Executivo. Contudo, a representação do IAM é feita à conta de uma redução do número de membros de Macau da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), que passa dos actuais 16 membros para 14. A questão gerou algumas dúvidas junto dos deputados da Segunda Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, presidida por Chan Chak Mo, que não percebem os critérios para o facto do IAM ir ser representado com dois membros e por esse número ser criado à conta de dois membros de Macau da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. “Queremos perguntar ao Governo a razão do IAM ir ser representado com dois membros na Comissão Eleitoral. Qual é a razão de não serem três ou quatro membros?”, questionou, ontem, Chan Chak Mo, após uma reunião da comissão.

“Em relação aos membros de Macau da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, não há um problema na redução dos membros. Mas temos dúvidas. Qual é a razão de serem reduzidos para 14 membros e como vão escolher os membros que são excluídos? Qual é o critério? Queremos que o Governo explique o motivo das escolhas”, apontou. Em relação à pergunta sobre se os deputados iriam apresentar uma alternativa à proposta do Governo, que já foi aprovada na generalidade, Chan Chak Mo negou esse cenário. O presidente da comissão da AL explicou ainda que a proposta nasce da aprovação da lei que criou os órgãos municipais, que entra em vigor no próximo ano. Actualmente existem 29 membros de Macau na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, entre os quais os deputados Ho Ion Sang e Vong Hin Fai, ou outas personalidades de Macau, como Leonel Leong, Edmund Ho, Lawrence Ho, Eddie Wong, entre outros. Os mandatos têm a duração de cinco anos. J.S.F.

TURISMO ESTENDIDO ACORDO NA ÁREA EDUCATIVA COM UNWTO

F

OI renovado por um ano um acordo na área educativa ao nível do turismo entre Macau e a Organização das Nações Unidas para a Organização do Turismo (UNWTO, na sigla inglesa), em parceria com o Instituto de Formação Turística (IFT). O protocolo foi assinado pela primeira vez em Outubro de 2015 e prevê parcerias ao nível da formação com o Centro Global para a Educação e Formação no Turismo do IFT, que tem “desempenhado um papel fundamental na implementação do memorando de entendimento e o trabalho a ser desenvolvido no período de extensão do acordo”, segundo um comunicado oficial. O objectivo deste acordo é “reforçar a qualidade dos recursos humanos na área do

turismo e na capacidade dos destinos turísticos ao nível da formulação de políticas, regulamentos e mecanismos que criem competitividade e que promovam também um turismo sustentável na região”. No âmbito deste protocolo foram realizados cinco cursos de formação entre 2016 e Maio de 2018, com um total de 111 participantes, bem como representantes de órgãos institucionais. Os participantes desses cursos vieram de países tão distintos como Afeganistão, Irão, Ilhas Fiji, Maldivas, Mongólia ou Myanmar, entre outros. O mesmo comunicado aponta que “um novo curso está agendado para ter lugar em Novembro, em colaboração com a UNWTO, em parceria com os países de língua portuguesa”.

PONTE EM Y XI JINPING INAUGURA A NOVA LIGAÇÃO TERRESTRE INTER-REGIONAL

Uma ponte desejada Foi ontem inaugurada a ponte que liga Macau, Hong Kong e Zhuhai numa cerimónia que contou com a presença do Presidente Xi Jinping. O Chefe do Executivo de Macau destacou a importância da estrutura no desenvolvimento da política “Um país, dois sistemas” e do projecto de integração regional da Grande Baía

E

STÁ aberta oficialmente a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau”, disse ontem o chefe de Estado da República Popular da China, Xi Jinping, na cerimónia de inauguração da maior travessia marítima do mundo, que liga Hong Kong, Macau e Zhuhai. Na mesma cerimónia, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, fez questão de destacar a importância política, económica e social da infraestrutura. “Politicamente, esta estrutura representa a primeira construção de grande envergadura a englobar a província de Guangdong e os dois territórios de Hong Kong e Macau numa construção única que atravessa o mar e num contributo para o enriquecimento e

desenvolvimento teórico e prático do princípio ‘Um Pais, Dois Sistemas’”, referiu o Governante de acordo com um comunicado enviado à comunicação social. Chui destacou ainda que se trata da primeira ligação por terra entre as três regiões “deixando de existir quaisquer obstáculos nas ligações e contribuindo para um desenvolvimento mais firme da integração da Grande Baia Guandong, Hong Kong e Macau”.

ULTRAPASSAR DEFICIÊNCIAS

Na área da economia, o Chefe do Executivo des-

tacou a importância desta ligação por permitir o transporte terrestre entre as três regiões enquanto forma de promover um maior desenvolvimento económico dentro do Delta do Rio das Pérolas. Por outro lado, e após a transferência de soberania, o intercâmbio de pessoas entre a China continental e o território tem sido cada vez maior, sendo que a ponte em Y vai servir “para encurtar distâncias geográficas, possibilitando o aprofundamento das relações de amizade entre os compatriotas”, apontou Chui Sai On, segundo o mesmo comunicado.

A ponte em Y vai servir “para encurtar distâncias geográficas, possibilitando o aprofundamento das relações de amizade entre os compatriotas.” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO

O Chefe do Executivo indicou ainda que a Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau “é um grande projecto na história arquitectónica chinesa, bem como um símbolo do desenvolvimento do ‘Sonho da China’”. Segundo o mesmo responsável, a abertura oficial da Ponte oferece boas oportunidades à participação de Macau na construção da Grande Baía e na ajuda ao desenvolvimento da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. A cerimónia de ontem contou com a presença de cerca de 700 convidados e hoje tem início a circulação de veículos naquela estrutura. A ponte em Y demorou nove anos a ser construida, tem 55,5 quilómetros e custou 20,65 mil milhões de renminbi. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


6 publicidade

24.10.2018 quarta-feira

ANÚNCIO “Aquisição, pelo IACM, de três auto-tanques pesados de água” Concurso Público n° 007/IACM/2018

ANÚNCIO “Aquisição, pelo IACM, de um veículo com cesto elevatório” Concurso Público n° 009/IACM/2018

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 5 de Outubro de 2018, se acha aberto concurso público para a “Aquisição, pelo IACM, de três auto-tanques pesados de água”.

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 5 de Outubro de 2018, se acha aberto concurso público para a “Aquisição, pelo IACM, de um veículo com cesto elevatório”.

O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau.

O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau.

O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 26 de Novembro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP96,000.00 (noventa e seis mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.

O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 29 de Novembro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP36,000.00 (trinta e seis mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.

O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 10:00 horas do dia 27 de Novembro de 2018.

O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 10:00 horas do dia 30 de Novembro de 2018.

Macau, aos 15 de Outubro de 2018. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng

Macau, aos 15 de Outubro de 2018. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng

WWW. IACM.GOV.MO

WWW. IACM.GOV.MO

ANÚNCIO “Aquisição, pelo IACM, de uma viatura equipada com grua” Concurso Público n° 010/IACM/2018

ANÚNCIO “Prestação de serviço de segurança às actividades alusivas ao Ano Novo Chinês de 2019 do IACM” Concurso Público n° 16/SFI/2018

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 5 de Outubro de 2018, se acha aberto concurso público para a “Aquisição, pelo IACM, de uma viatura equipada com grua”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 29 de Novembro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP25,000.00 (vinte e cinco mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 15:00 horas do dia 30 de Novembro de 2018. Macau, aos 15 de Outubro de 2018. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng WWW. IACM.GOV.MO

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão, de 28 de Setembro de 2018, se acha aberto concurso público para a “Prestação de serviço de segurança às actividades alusivas ao Ano Novo Chinês de 2019 do IACM”. O programa do concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina ao meio dia do dia 14 de Novembro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP28.980,00 (vinte e oito mil, novecentas e oitenta patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, nº 804, Edf. China Plaza, 6º andar, pelas 10:00 horas do dia 15 de Novembro de 2018. Macau, aos 11 de Outubro de 2018. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng WWW. IACM.GOV.MO


sociedade 7

quarta-feira 24.10.2018

Após a divulgação do caso através das redes sociais, a instituição de ensino alertou as autoridades e o caso está sob investigação por parte da Polícia Judiciária. A DSEJ enviou psicólogos à escola para prestarem apoio aos estudantes e encarregados de educação

INVESTIGAÇÃO CASO DE BULLYING NA ESCOLA LUSO CHINESA TÉCNICO PROFISSIONAL

Sementes de violência de educação na denúncia do caso à Polícia Judiciária, para tratamento futuro”, revelou a Direcção de Serviços de Educação e Juventude, numa resposta enviada ao HM.

“Após termos conhecimento do acidente, entrámos em contacto com a estudante e os pais e iniciámos a investigação.” PORTA-VOZ DA PJ

A

S autoridades estão a investigar o caso de uma uma aluna da Escola Luso Chinesa Técnico Profissional que surge num vídeo, gravado na rua, a pontapear uma colega da mesma instituição. A gravação começou a circular, ontem, nas redes sociais e a Polícia Judiciária (PJ) está a investigar a situação. As imagens não permitem identificar o local em que as agressões aconteceram, mas é possível ver uma estudante a gritar e pontapear a colega na zona do abdómen. O caso ocorreu durante a noite, alegadamente de ontem, e é ainda possível ver a vítima de bullying a cair no chão, devido ao pontapé. “Após termos conhecimento do acidente, entrámos em contacto com a estudante e os pais e iniciámos a investigação. A Direcção de Serviços de Educação e Juventude [DSEJ] também já foi informada sobre o sucedido”, afirmou uma porta-voz da PJ, em declarações ao HM. “Também convidámos uma estudante a vir à estação para prestar declarações e assistir-nos na investigação. Mas, de momento, não podemos revelar mais informações”, foi acrescentado.

O

instrutor de música, de 78 anos, suspeito de abusar sexualmente de duas irmãs, de 8 e 9 anos, foi sujeito a três medidas de coacção, incluindo termo de identidade e residência O instrutor, de 78 anos, que terá alegadamente tocado nas partes íntimas de duas irmãs, de 8 e 9 anos, foi sujeito a três medidas de coacção: Termo de identidade e residência, apre-

Além deste procedimento, foram ainda disponibilizados serviços de “aconselhamento aos alunos e encarregados de educação”, um procedimento habitual neste tipo de situações.

APELO À PREVENÇÃO

Por este motivo, a PJ escusou-se a revelar a idade das pessoas envolvidas e os motivos que levaram à agressão. Segundo a DSEJ, a denúncia do caso partiu da própria instituição de

ensino, depois de ter dado conta do sucedido, através das redes sociais. “Na sequência da tomada de conhecimento, na manhã do dia 23, do caso de agressão física entre estudantes, através duma platafor-

Acção limitada

Termo de identidade e residência para instrutor de música suspeito de abuso sexual

sentação periódica mensal às autoridades e proibição de contacto com as vítimas e os seus familiares. O caso, tornado público no início do mês depois de a mãe das meninas o ter participado à Polícia Judiciária (PJ), remonta às

férias de Verão. Tudo terá acontecido durante aulas de música e de desenho, que as meninas frequentavam desde Abril, organizadas por uma entidade particular na freguesia de Santo António. A informação foi facultada ao HM pelo Ministério

ma de rede social, a Escola Luso-Chinesa Técnico- Profissional informou, de imediato, o núcleo de acompanhamento de menores da Polícia Judiciária, bem como prestou apoio aos encarregados

Público (MP) que indicou que recebeu recentemente os autos remetidos pela PJ e decidiu “instaurar um inquérito para proceder às diligências de investigação”. As três medidas de coacção foram aplicadas pelo juiz de instrução criminal, após proposta do MP, “no sentido de se realizar mais diligências de investigação e obtenção de provas”. “Caso se recolham indícios criminais suficientes, o delegado do

Por outro lado, a DSEJ prometeu acompanhar a situação com a maior das atenções e afirma estar empenhada no reforço da “segurança escolar”, com o objectivo de criar “um ambiente seguro para os estudos e o crescimento dos alunos” com o objectivo de que pais e crianças não tenham de se preocupar e possam focar as atenções na aprendizagem. Ainda no mesmo comunicado, a DSEJ alerta que “a ofensa à integridade física é um crime grave, podendo ser punido com pena de prisão ou multa, e etiquetado como antecedente criminal”. Segundo o código penal de Macau a prática deste crime é castigada com pena de prisão até três anos, se for considerada simples. No caso de ser uma ofensa grave a moldura penal vai dos dois aos 10 anos.

Procurador titular do inquérito irá acusar o arguido da prática de dois crimes de abuso sexual de crianças”, diz a mesma resposta. Após ter estalado o caso, uma jovem denunciou nas redes sociais ter também sido vítima de abusos sexuais por parte do mesmo homem há oito anos. Essa jovem, que pelo menos até ao início do mês não tinha participado a ocorrência à PJ, alegou ter dado conta do episódio a um

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

assistente social em 2016 que, por sua vez, o terá supostamente comunicado à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Em conferência de imprensa, no dia seguinte à publicação da denúncia nas redes sociais, a DSEJ garantiu desconhecer por completo o caso. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


8 sociedade

24.10.2018 quarta-feira

MATERNIDADE LICENÇAS AUMENTAM

A

alteração da lei das relações laborais inclui o aditamento de mais 14 dias de licença de maternidade, o que, no total, perfaz 70 dias, bem como o estabelecimento de cinco dias úteis de licença de paternidade. Wong Chi Hong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais, esclareceu que o Governo vai subsidiar as licenças de maternidade nos primeiros dois anos. “No primeiro ano, vamos suportar os 14 dias da remuneração da trabalhadora que está sob licença, mas tudo depende do requerimento do trabalho. No segundo ano, vamos apoiar uma remuneração equivalente a 7 dias. Esta é a nossa intenção.”

PATRÕES E TRABALHADORES SEM CONSENSO QUANTO A TRABALHO PARCIAL

Desconcerto social

O patronato considera “inaceitável” a proposta que vai regular o trabalho a tempo parcial, os trabalhadores acreditam que em termos de direitos é inferior à lei laboral. Na concertação social, também não há consenso sobre o aumento de 6,7 por cento do salário mínimo para seguranças e empregadas de limpeza

N MIGUEL S FERNANDES

à O agrada nem a uns nem a outros e parece ser necessário mais tempo para que se chegue a um consenso. Dentro do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS), a legislação do trabalho a tempo parcial continua a gerar discórdia.

Patrões e empregados defendem que a lei deve ser feita, mas não assim. O patronato não concorda com a regra, proposta pelo Executivo, de que o trabalho a tempo parcial não deve ser superior a 72 horas. “Não estamos contra a lei, mas esta proposta não é operacional e é inaceitável”, disse António

Chui Yuk Lam, da Associação Industrial de Macau. Sobre este diploma, Leong Wai Fong, representante dos trabalhadores, também se mostrou contra. “Não podemos aceitar esta lei porque tem critérios inferiores aos da lei laboral. Temos de aumentar os seus critérios.”

Em termos da revisão da diploma das relações do trabalho, relativamente à introdução dos cinco dias de licença de paternidade e aditamento de 14 dias da licença de maternidade, os patrões também se mostram contra, pois acreditam que já atribuem regalias suficientes.

Gastronomia Florita Morais Alves vence prémio na Grécia A chefe de gastronomia macaense Florita Morais Alves, ligada à Confraria da Gastronomia Macaense, venceu um prémio no XVI Congresso Europeu de Confrarias Enogastronómicas, que acontece este mês em Atenas, Grécia. A notícia foi divulgada nas redes sociais, tendo sido comentada por Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses. “Vale a pena reiterar esta notícia que muito nos regozija. Filha de Macau, Florita tem-se dedicado nestes anos todos à gastronomia macaense com rigor e ciência, enaltecendo-a em todos os níveis. Se a culinária macaense

é conhecida, sendo base do reconhecimento da RAEM, tem muito a ver com as mãos desta macaense, digna sucessora das grandes cozinheiras da terra e uma das legítimas representantes da nova geração de ‘Chefs’ que tanto nos orgulham”, lê-se. Florita Morais Alves é uma das mais conhecidas chefes de cozinha tipicamente macaense, tendo participado em inúmeros eventos locais e estrangeiros. O ano passado foi um dos rostos que marcou presença na mostra de gastronomia “Sabores do Mundo”, inserida na 9ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa.

“Não concordamos porque, da nossa parte, já demos um grande espaço para que os trabalhadores gozem as faltas, e por isso acho que as remunerações não devem ser suportadas pela parte patronal.” Wong Chi Hong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), referiu que não se coloca a questão de uma lei ser inferior a outra. “O trabalho a tempo parcial é diferente do trabalho a tempo inteiro. A tempo parcial há uns direitos e regalias que não estão abrangidos e estão na lei laboral. Achamos que as disposições estão de acordo com as convenções internacionais de trabalho.”

AUMENTOS DA DISCÓRDIA

Implementado em 2006, o salário mínimo para trabalhadores de segurança e da limpeza não é aumentado desde então. Em cima da mesa do CPCS está um aumento de 6,7 por cento, ou seja, 32 patacas por hora, mas, mais uma vez, os patrões também não estão de acordo. “Este aumento vai afectar os residentes porque o aumento do salário significa que vão aumentar as despesas de condomínio e isso vai afectar a vida da população. O Governo não nos deu tempo suficiente sobre o aumento deste valor”, disse António Chui Yuk Lam. Pelo contrário, Leong Wai Fong, representante

dos empregados, afirmou concordar com a proposta. “Achamos que o aumento mostra uma revisão sobre o desenvolvimento económico. Esperamos que este aumento possa ajudar os residentes contra a inflação e aumentar o seu poder de compra.” Wong Chi Hong não se quis comprometer com datas para esta alteração que, a ser aprovada, vai exigir uma mudança na lei. “Não houve aumento do salário mínimo desde 2016. Portanto, vamos esperar durante uma semana as reacções, fazer um relatório final e submeter ao superior hierárquico. Se for aprovado um aumento, a lei terá de ser alterada.”

“Não estamos contra a lei [do trabalho a tempo parcial], mas esta proposta não é operacional e é inaceitável.” ANTÓNIO CHUI YUK LAM REPRESENTANTE DOS PATRÕES

Também não foram dadas garantias sobre a extensão do salário mínimo para toda a população já em 2019, tal como foi prometido pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. O director da DSAL apenas conseguiu prometer celeridade no processo. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


sociedade 9

quarta-feira 24.10.2018

ECONOMIA MACAU COM SEGUNDO MAIOR CRESCIMENTO MUNDIAL NO CONTRIBUTO DO TURISMO PARA O PIB

ECONOMIA TURISTAS DA CHINA SÃO DOS QUE MAIS GASTAM EM PORTUGAL

Prata da casa

O

S turistas chineses e os norte-americanos são os que mais gastam em Portugal, afirmou ontem a secretária de Estado do Turismo de Portugal, Ana Mendes Godinho. “Estamos a falar de turistas [os chineses] que gastam bastante, a par do mercado norte-americano”, realçou Ana Mendes Godinho, no âmbito do Fórum de Economia de Turismo Global. Em 2017, as receitas turísticas relativas ao mercado chinês aumentaram 80 por cento, em relação ao período homólogo do ano anterior, atingindo os 130 milhões de euros, sublinhou a governante. “O enoturismo é algo a que o mercado chinês responde muito bem”, adiantou a secretária de Estado, defendendo a aposta na diversificação da oferta turística, em produtos que promovam um turismo em todo o território e ao longo de todo o ano. “Tal como Macau é uma plataforma de entrada na China, Portugal quer ser a plataforma de entrada na Europa”, afirmando-se como um país para “visitar, investir e estudar”, concluiu.

Macau registou o segundo maior aumento a nível mundial em termos do contributo do turismo para a economia. Se o ritmo de crescimento tem sido incrível, as projecções são impressionantes, diz a presidente do Conselho Mundial de Viagens e Turismo

E

NCORAJADOR” – foi como a directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, qualificou o feito de território ter sido o segundo que mais cresceu a nível mundial no ano passado em termos de contributo do turismo para o Produto Interno Bruto (PIB). Além de “encorajador”, “é benéfico para todos os sectores, desde a cultura, à indústria criativa e de eventos”, sublinhou ontem Maria Helena de Senna Fernandes, durante uma entrevista conjunta inserida no Fórum de Economia de Turismo Global que termina hoje. Segundo o relatório anual das cidades do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês) divulgado na segunda-feira o contributo

do turismo para o PIB foi na ordem dos 14,2 por cento em 2017, registando o maior crescimento a nível mundial. Entre as 72 cidades turísticas mais importantes do mundo, Macau ficou apenas atrás do Cairo, capital do Egipto, cujo contributo do turismo para o PIB correspondeu a 34,4 por cento.

ALAVANCA CHINESA

Para a presidente do WTTC, Gloria Guevara-Manzo, o turismo em Macau cresce a “um ritmo incrível” e a transformação no território e no cenário mundial deve muito à China. “Não só está a crescer a um ritmo incrível, como as projecções são impressionantes”, sublinhou na abertura do Fórum de Economia de Turismo Global. Na intervenção que proferiu, Gloria Guevara-

-Manzo destacou que o turismo vale 10,4 por cento do PIB mundial e que um em cada dez empregos pertence ao sector, sendo que, no ano passado, um em cada cinco foram criados por esta indústria. O sector privado vai criar nos próximos dez anos 100 milhões de empregos no turismo, antecipou a mesma responsável, defendendo que uma das prioridades da organização que lidera passa por “criar pontes entre os Governos e criar empregos”. A sétima edição do Fórum de Economia de Turismo Global conta com mais de um milhar de participantes e reúne autoridades e líderes de empresas de vários países do mundo. Hoje Macau

info@hojemacau.com.mo

TURISMO NÚMERO DE VISITANTES SUBIU 8,3 POR CENTO ATÉ SETEMBRO O turismo de Macau “não só está a crescer a um ritmo incrível, como as projecções são impressionantes” PRESIDENTE DO CONSELHO MUNDIAL DE VIAGENS E TURISMO

ALERTAS DE PANSY

NOVA ATRACÇÃO TURÍSTICA

ansy Ho defendeu ontem que Macau pode perder no sector do turismo com a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau se não diversificar a oferta tradicional, focada no jogo. “Com a ponte, temos a hipótese de diversificar o turismo, mas pode ser crítico e podemos perder se não o conseguirmos fazer”, afirmou a empresária, falando na qualidade de secretária-geral do Fórum de Economia de Turismo Global. “Não temos que nos preocupar apenas com a quantidade de turistas” e com a capacidade de Macau para os acolher, mas com a mudança de paradigma a partir do momento que existe a mega ponte, apontou. “Macau está bem, mas precisa de fazer mais”, afirmou Pansy Ho, alertando para “os picos” da procura turística e para a necessidade de se apostar na diversificação do sector. Em declarações à Macau News Agency (MNA), a CEO da Shun Tak afirmou que o envolvimento da empresa num consórcio que opera serviços de autocarros na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau não vai ter impacto no número de ‘ferries’ da TurboJET entre Macau e Hong Kong.

directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, afirmou ontem que a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau também pode ser um chamariz para os viajantes. “A própria ponte vai ser uma atracção turística, para os turistas tirarem fotografias e para a atravessarem”, realçou, durante uma entrevista conjunta organizada no âmbito do Fórum de Economia de Turismo Global. “Este é o tempo para capitalizar oportunidades para Macau”, tanto no comércio como no turismo, defendeu a responsável, poucas horas depois de ter sido inaugurada a mega infra-estrutura que vai servir o projecto da Grande Baía. Para Maria Helena de Senna Fernandes, este é um desafio para o turismo, mas também para outros sectores da economia de Macau. Com a ponte, agora inaugurada, e perante o projecto da Grande Baía, “vamos ver como as empresas chinesas e as empresas de Macau vão encarar as oportunidades”, assinalou.

P

A

M

ACAU acolheu mais de 25,8 milhões de visitantes nos primeiros nove meses do ano, um número que traduz um aumento de 8,3 por cento face ao período homólogo do ano passado, indicam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Só no mês de Setembro, 2,5 milhões escolheram Macau como destino, ou seja, mais 3 por cento em termos anuais. Já em termos mensais, verificou-se uma descida de 24,7 por cento, de acordo com a DSEC. Sete em cada dez eram oriundos da China (1,8 milhões) – mais 5,7 por cento em termos anuais. Em contrapartida, diminuiu o número de visitantes de Hong Kong (444.005), Taiwan (82.999) e Coreia do Sul (58.246). Dos 2,5 milhões de visitantes que Macau recebeu em Setembro, a esmagadora maioria (1,5 por cento) chegou pela via terrestre, em particular pelas Portas do Cerco. Já por via marítima vieram 757.946 – menos 11,8 por cento –, enquanto por avião foram 253.309 – mais 18,9 por cento em termos anuais.


10 eventos

24.10.2018 quarta-feira

PUB

Os últ

Justin Sweeting director musical do Clockenflap “O que sempre gostei no Jarvis Cocker é que ele nu

O cartaz da edição deste ano do Cloc acorde no Central Harbourfront, em extintos Pulp, os norte-americanos C

J

Á faltou mais. Melómanos que se prezem estão em contagem decrescente para a 11ª edição do maior festival de música da região, o Clockenflap. O evento, que decorre entre 9 e 11 de Novembro, tem lugar marcado para o Central Harbourfront, em Hong Kong. O cartaz está fechado. Aos nomes que já se conheciam juntam-se agora reforços de luxo. Neste aspecto, é incontornável o destaque para Jarv Is, o projecto a solo de Jarvis Cocker, o vocalista e força motriz dos extintos

Concerto Mutant Monster no LMA a 28 de Outubro

O punk rock regressa ao LMA no próximo dia 28 de Outubro, pelas 21h, com o concerto de Mutant Monster, grupo fortemente influenciado por bandas como The Clash, Sex Pistols, The Ramones e Elvis Presley. As Mutant Monster, constituídas por três mulheres, as irmãs Be e Meana e a baterista Chad, nasceram durante os intervalos das aulas do liceu. Apesar de serem oriundas do Japão, as Mutant Monster chegam à Coronel Mesquita na sua primeira tour por territórios chineses. Os bilhetes custam 100 patacas se forem adquiridos antecipadamente e 120 patacas à porta.

Pulp (que marcaram uma geração com discos como “Different Class” e “This is Hardcore”). O britânico sobe ao palco do Central Harbourfront no sábado, 10 de Novembro, para abrir para o cabeça de cartaz do dia, David Byrne. Jarvis Cocker, um autêntico animal de palco nos dias de glória dos Pulp, costuma pautar as suas actuações com cáustico humor britânico, sarcasmo na comunicação com o público e uma movimentação em concerto que, a espaços, faz lembrar Nick Cave. Perspectiva-se


eventos 11

quarta-feira 24.10.2018

timos nomes

unca teve medo de tomar decisões arriscadas ao longo da carreira. Quando isso acontece, surge excelente arte. Quem viu concertos desta tour diz que ele está em grande forma.”

MÚSICA CARTAZ DO CLOCKENFLAP FECHA COM JARVIS COCKER E IRVINE WELSH

ockenflap está fechado, quando falta pouco mais de duas semanas para soar o primeiro m Hong Kong. Ao alinhamento já conhecido juntam-se Jarvis Cocker, eterno vocalista dos Cigarettes After Sex e o romancista escocês Irvine Welsh em formato DJ um embate interessante com os, normalmente, apáticos festivaleiros do Clockenflap. Apesar do novo projecto a solo, Jarv Is, os fãs de Pulp podem esperar algumas músicas de uma das bandas mais interessantes do panorama Britpop. Justin Sweeting, director musical do Clockenflap, considera o músico como “um dos mais amados heróis britânicos da música moderna”. Em declarações ao South China Morning Post, o director musical mostrou-se feliz pela oportunidade de estrear

este projecto musical na Ásia . “O que sempre gostei no Jarvis Cocker é que ele nunca teve medo de tomar decisões arriscadas ao longo da carreira. Quando isso acontece, surge excelente arte. Quem viu concertos desta tour diz que ele está em grande forma”, refere Justin Sweeting.

ALTOS E BAIXOS

Numa toa mais introspectiva, outra das novidades de destaque que fecha o cartaz deste ano do Clockenflap são os norte-americanos Cigarettes After Sex, um fenómeno de popularidade

para um estilo musical que costuma ficar reservado aos amantes de sonoridades alternativas dados à melancolia. O dream pop etéreo, electrizado por correntes shoegaze, da banda norte-americana ganhou imensos fãs na região, principalmente depois de ter esgotado no ano passado a sala Kitec, em Kowloon. Apesar de já ter uma década de carreira, a banda liderada por Greg Gonzalez só tem um disco na bagagem, editado em Junho do ano passado. Sexta-feira, dia de arranque do festival, terá assim uma toada algo

negra, com os Cigarretes After Sex a juntarem-se aos também nova-iorquinos Interpol. Outro dos destaques nas novidades do cartaz do Clockenflap é o DJ set do escritor Irvine Welsh, que se estreou no formato romance com “Trainspotting”, adaptado para cinema por Danny Boyle. O autor, que vai participar no Festival Literário Internacional de Hong Kong, irá brindar o público do Clockenflap com as electrizantes batidas do seu acid house na noite de sábado, 10 de Novembro.

DISCO CUCA ROSETA GRAVA ÁLBUM DE NATAL NUMA “SONORIDADE JAZZ”

O

novo disco de Cuca Roseta, “Luz de Natal”, é inteiramente constituído por temas natalícios ou de inspiração mariana, como "Ave Maria", de Schubert, foi gravado numa “sonoridade jazz”, e será editado em inícios de novembro. Cuca Roseta, em declarações à agência Lusa, disse que a concretização deste CD é uma vontade sua "desde há muito tempo", pois em casa dos pais sempre se ouviram canções natalícias de Nat King Cole, Elvis Presley ou Frank

Sinatra, “e a ideia foi cantá-las em português”, acrescentando um inédito, “Vou Tentar”, do qual a cantora assina letra e música. “Tentei juntar toda uma vida, e mostrar um outro lado meu, cantar estas canções de Natal em português”, disse Cuca Roseta, que antes de se revelar como fadista cantou em coros, cujos repertórios incluíam cantos sobre esta temática. Cuca Roseta é a responsável das versões em português de temas como “Hark the Harold”, que intitulou “Es-

tamos Quase no Natal”, “Jingle Bell Rocks”, intitulado “Sai Lá Fora”, “Winter Wonderland”, a que deu o título “Toca o Sino”, ou “The First Noel”, cantado sob o título “Nasceu o Amor”. À Lusa a cantora explicou a opção pela tradução para português: “Pensei: Por que não ouvir estas canções, como algo que seja nosso? Toda a gente as conhece. Mas trazê-las para mais perto de nós, com as nossas histórias, e as nossas tradições..."

Neste CD, Cuca Roseta tem a participação do Coro de Santo Amaro de Oeiras e do Coro Misto da Universidade de Coimbra. Entre os instrumentistas, conta com os membros do quarteto de cordas Trindade e ainda com Ruben Alves (piano), Miguel Amado (baixo e contrabaixo) e Carlos Miguel Antunes (bateria e percussão). A criadora de “Balelas” afirmou ter optado por uma “sonoridade jazz” da qual se sente mais próxima, “até porque as canções escolhidas não se iriam encaixar no fado”.

Outro dos novos e mais interessantes elementos do cartaz deste ano é Cornelius, frequentemente descrito como o Beck japonês. O Clockenflap 2018 terá como cabeças de cartaz Interpol, David Byrne e Khalid. Para os interessados, o passe de três dias custa 1620 HKD, enquanto os bilhetes para um dia têm um preço a partir de 920 HKD. João Luz

info@hojemacau.com.mo


12 china

24.10.2018 quarta-feira

VISITA SHINZO ABE NA CHINA PARA ELEVAR NÍVEL DAS RELAÇÕES

O novo normal O primeiro-ministro japonês chega esta quinta-feira a Pequim para uma visita de três dias que pretende marcar o fim de um período difícil nas relações entre as duas nações. Cerca de 500 empresários acompanham o líder do governo nipónico

C

ENTENAS de empresários acompanham quinta-feira o primeiro-ministro japonês numa visita de três dias à China, visando repor a normalidade nas relações bilaterais e reforçar a cooperação em terceiros países, após anos de tensão em torno de questões territoriais. "O primeiro-ministro ShinzoAbe deseja elevar as relações para um

novo nível após um período difícil", disse ontem fonte do governo nipónico, num encontro com jornalistas na embaixada do Japão, em Pequim, sob condição de anonimato. A última visita bilateral de um primeiro-ministro japonês à capital chinesa foi em 2011, na altura Yoshihiko Noda. Em Maio deste ano, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, visitou o Japão. Entre aquelas datas, as visitas de alto nível estiveram suspensas, após o Japão nacionalizar as ilhas Senkaku (Diaoyu para os chineses), levando a protestos violentos na China e a uma queda do investimento japonês no país vizinho. "Atravessamos um período difícil", admitiu o funcionário do governo japonês. "Mas temos dado passos graduais na melhoria das relações", acrescentou. Além do homólogo chinês, Abe deve reunir com o Presidente da China, Xi Jinping.

CARTEIRA DE NEGÓCIOS

No entanto, Tóquio não prevê assumir uma cooperação com Pequim no âmbito da iniciativa chinesa Nova Rota da Seda, o gigantesco projecto de infraestruturas que abrange Europa, Ásia Central, sudeste asiático e África, e que críticos consideram que visa colocar a China no centro da nova ordem mundial, em detrimento dos interesses dos países envolvidos.

A mesma fonte revelou que os dois lados vão organizar um fórum, em Pequim, para cooperação em terceiros países, com a participação de 500 líderes empresariais japoneses, "à luz da crescente influência internacional da China e da ida de empresas chinesas para o exterior".

"Não tenho qualquer informação sobre um possível acordo entre os dois governos que refira ‘uma faixa, uma rota'", afirmou a fonte oficial japonesa. "Penso que não estamos dispostos a aceitar o conceito na íntegra", realçou e acrescentou: "Talvez o lado chinês refira a iniciativa, mas da nossa parte a cooperação tem que ser baseada nos padrões internacionais de abertura, transparência, viabilidade económica e sustentabilidade fiscal". Bancos estatais e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projectos lançados no âmbito daquela iniciativa, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou malhas ferroviárias além-fronteiras. Críticos apontam para um aumento problemático do endividamento, que em alguns casos coloca os países numa situação financeira insustentável. "Nós não queremos uma situação em que o país receptor acumula uma quantidade maciça de dívida e que, no fim, sofra mais do que beneficia", afirmou o funcionário japonês. As trocas comerciais entre o Japão e a China atingiram cerca de 300.000 milhões de dólares, no ano passado. Desde fabricantes de automóveis a processadores de alimentos,

Os dois lados vão organizar um fórum, em Pequim, para cooperação em terceiros países, com a participação de 500 líderes empresariais japoneses, “à luz da crescente influência internacional da China e da ida de empresas chinesas para o exterior”

Taiwan Sismo de magnitude 5,7 registado na costa leste Um sismo de magnitude 5,9 foi ontem registado na costa leste da ilha de Taiwan, indicou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Não há, até ao momento, registo de vítimas mortais e não foi emitido qualquer alerta de 'tsunami'. O USGS, que regista

a actividade sísmica em todo o mundo, localizou o sismo a 104 quilómetros do condado de Hualien, na costa leste da ilha e a uma profundidade de 31,3 quilómetros, no Oceano Pacífico. A intensidade do sismo foi mais forte em Yilan, Nova Taipé e Taichung, mas em

Taipé, a capital da ilha, também se sentiu, causando pânico entre a população. A ilha de Taiwan está localizada numa zona sísmica e o terramoto mais devastador dos últimos cem anos ocorreu em 21 de Setembro de 1999, causando a morte de 2.416 pessoas.

FUNDO CONJUNTO

V

ários grupos financeiros japoneses, juntamente com uma entidade estatal chinesa, estão a planear criar um fundo de investimento de pelo menos 780 milhões de euros, informaram ontem os media nipónicos. O fundo será destinado a fomentar o investimento bilateral e é esperado ser formalmente anunciado durante a visita do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, esta semana à China, de acordo a agência de notícias japonesa Kyodo. O grupo financeiro nipónico Nomura e o fundo estatal do gigante asiático China Investment Corporation serão os maiores investidores. Terá 780 milhões de euros de investimento inicial, mas, de acordo com o Kyodo, poderá chegar aos 1.550 milhões de euros.

os grupos japoneses são importantes actores no mercado chinês.

TRUMP NA AGENDA

A fonte oficial disse esperar que Washington e Pequim cheguem a um consenso que ponha fim à guerra comercial, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter imposto taxas alfandegárias sobre 250.000 milhões de dólares de importações oriundas da China. Pequim retaliou com taxas sobre bens norte-americanos. "Nós não queremos que as questões comerciais entre a China e os EUA prejudiquem a economia internacional", afirmou. "As cadeias de produção estão estritamente ligadas, as empresas japonesas têm interesses nesta questão", adiantou. No entanto, o responsável frisou que, apesar de Japão e China serem países vizinhos cujas economias estão "profundamente interdependentes", a política externa de Tóquio está alicerçada nas relações com os EUA. "As relações com os EUA são o pilar das nossas políticas externa e de segurança", disse. Shinzo Abe inicia amanhã uma visita oficial de três dias.

PUB

Aviso

Aviso

Anulação do Concurso Público n.º 1/CP/DSF-DAF/2018

Anulação do Concurso Público n.º 2/CP/DSF-DAF/2018

Faz-se público que, por despacho do Exm.º Senhor Secretário para a Economia e Finanças, de 26 de Setembro de 2018, foi anulado o Concurso Público n.º 1/CP/DSFDAF/2018, para a prestação de serviço de trabalho temporário à DSF pelo período de um ano. O reinício do procedimento de abertura do concurso será posteriormente anunciado.

Faz-se público que, por despacho do Exm.º Senhor Secretário para a Economia e Finanças, de 26 de Setembro de 2018, foi anulado o Concurso Público n.º 2/CP/ DSF-DAF/2018, para a prestação de serviços de segurança nos equipamentos e nas instalações da Direcção dos Serviços de Finanças. O reinício do procedimento de abertura do concurso será posteriormente anunciado.

Aos 12 de Outubro de 2018.

Aos 12 de Outubro de 2018. O Director dos Serviços,

O Director dos Serviços,

Iong Kong Leong

Iong Kong Leong


china 13

quarta-feira 24.10.2018

Visita polémica

A deslocação de Wang Qishan a Israel é a primeira visita de um alto cargo do gigante asiático ao país desde que o ex-Presidente Jiang Zemin ali esteve no ano 2000. A presença do vice-Presidente chinês gerou, no entanto, contestação em alguns sectores do estado israelita

Vice-Presidente chinês em Israel para estadia de quatro dias

Wang, que está acompanhado de uma importante delegação ministerial, irá reunir-se com o chefe do governo israelita, Benjamin Netanyahu, indicou o gabinete do primeiro-ministro. Esta quarta-feira, os dois dirigentes vão participar na quarta reunião da comissão conjunta sino-israelita sobre cooperação e inovação, que se realiza de forma

alternada nos dois países. A última visita de um alto dirigente chinês a Israel ocorreu em 2000, com a deslocação do então Presidente Jiang Zemin. Netanyahu foi à China em Março de 2017. Wang, que esteve segunda-feira na parte velha de Jerusalém, reuniu-se, ontem, em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, com o primeiro-ministro

O

palestiniano, Rami Hamdallah. Em 2016, a China e Israel lançaram as discussões de um tratado de comércio livre. Os acordos concluídos em 2017 já facilitaram a exportação de laticínios israelitas para a China e autorizaram os chineses a irem trabalhar no sector da construção e das obras públicas em Israel, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Estado judaico. A China multiplicou os seus investimentos em Israel nos últimos anos, atingindo um total de 25 mil milhões de dólares, segundo a imprensa israelita. Um grupo público chinês assumiu em 2014 o controlo do Tnuva, o principal grupo alimentar de Israel. Empresas chinesas venceram também os concursos para a gestão, durante 25 anos, dos dois principais portos israelitas, Haifa e Ashdod. Outras sociedades chinesas estão envolvidas na construção de túneis perto de Haifa.

INQUIETAÇÕES LOCAIS

vice-Presidente chinês Wang Qishan chegou esta segunda-feira a Israel para uma visita de quatro dias, a primeira de um responsável chinês deste nível em 18 anos a este país, segundo uma fonte oficial.

A presença chinesa em Israel suscitou discussão. O antigo chefe do serviço de informações israelita Mossad, Ephraim Halevy, alertou para o perigo que representavam os investimentos chineses em sectores estratégicos para Israel.

O antigo chefe do serviço de informações israelita Mossad, Ephraim Halevy, alertou para o perigo que representavam os investimentos chineses em sectores estratégicos para Israel. O Ministério da Defesa já interditou a participação das empresas chinesas em concursos lançados pelo exército israelita O Ministério da Defesa já interditou a participação das empresas chinesas em concursos lançados pelo exército israelita. Estas inquietações estiveram na origem, segundo a imprensa local, da recusa do Ministério das Finanças em autorizar a aquisição por grupos chineses de dois dos principais fundos de pensões israelitas, por receio que Pequim ficasse a controlar milhares de milhões de dólares e o futuro de mais de um milhão de reformados israelitas.

PUB

EDITAL Edital n.º : 117/E-BC/2018 Processo n.º :204/BC/2018/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local : Rua Marginal do Canal das Hortas n.º 22, Edf. San Nam, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar H, Macau. Li Canfeng, director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados o dono da obra ou seu mandatário e os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

de um compartimento com paredes em alvenaria de Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do 1.1 Construção tijolo, janelas de vidro, cobertura metálica e portão metálico. caminho de evacuação. 2.

De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 28 de Agosto de 2018, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada. 3. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI, por despacho de 15 de Outubro de 2018 exarado sobre a informação n.º 08740/DURDEP/2018, ordena ao dono da obra ou seu mandatário que proceda, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à respectiva demolição e à reposição do local afectado, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos nele existentes e à sua desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos respectivos trabalhos, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 15 de Outubro de 2018 O Director dos Serviços Li Canfeng

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 20/P/18 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 10 de Setembro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Material de Consumo Clínico para o Serviço de Cardiologia dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 24 de Outubro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 51,00 (cinquenta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 26 de Novembro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 27 de Novembro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/SeguroCaução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 18 de Outubro de 2018 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 40/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 4 de Outubro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de um sequenciador de DNA aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 24 de Outubro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP40,00 (quarenta patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 29 de Outubro de 2018, às 15,00 horas para visita de estudo ao local da instalação dos equipamentos a que se destina o objecto deste concurso.

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 23 de Novembro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 26 de Novembro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP46.000,00 (quarenta e seis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 18 de Outubro de 2018 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


14 publicidade

24.10.2018 quarta-feira


quarta-feira 24.10.2018

Tenho fases, como a lua. Fases de andar escondida Divina Comédia

Nuno Miguel Guedes

h

15

A arte perdida de andar na rua

P

ARA quem vive e escreve de dentro dos dias são sempre as pequenas coisas que contam. São muitas vezes sinais quase prosaicos, tão embrenhados na normalidade do quotidiano que só merecem atenção para o coleccionador de acasos relevantes. Como esta história de que fui testemunha: um dia como os outros, uma estação de metro lisboeta apinhada. Uma vez saída das carruagens a multidão dispersou para os seus destinos e vidas, alheia a tudo o que não lhe dissesse respeito. À minha frente, um cavalheiro idoso avançava apoiado numa bengala, com o esforço dos anos em cada passo. A cabeça estava inclinada para a frente, o que atribuí à sua idade. Errei: na mão tinha um telemóvel, que parecia naquele momento todo o centro do seu mundo. Subitamente, sou ultrapassado a grande velocidade por uma mulher de meia-idade. A mesma posição cabisbaixa e

pela mesma razão. Nem por um segundo terá pensado em erguer o rosto, saber onde estava, para onde ia. O resultado foi inevitável: com alguma violência abalroou o cavalheiro que seguia à sua frente. O homem caiu, mais surpreso do que ferido; a mulher olhou-o de forma quase indignada, à beira de pedir satisfações. Alguns transeuntes ajudaram o homem a levantar-se, a mulher balbuciou algo remotamente parecido com uma desculpa e continuou, cabisbaixa, a sua marcha irreversível. O que me interessa e choca neste episódio não é a sua originalidade: é a sua banalidade. Todos os dias presenciamos esta gente cabisbaixa que in-

vadiu o nosso mundo, as nossas ruas. Muitas vezes pertencemos-lhes por sermos iguais. Os passeios estão repletos de gente como nós, olhando para algo que não sabe o que é mas que aparentemente tem sempre uma urgência absoluta. Perdemos a capacidade de olhar, de ver o outro através do rosto e não de um ecrã. E perder o olhar para o outro é, quer-me parecer, abdicar um pouco de ser humano. Exagero? Talvez. Mas experimentem parar, olhar, contemplar, flanar. Vejam o que vos rodeia. Vejam se gostam do que vêem. Não me interpretem mal: não é minha intenção lançar aqui um libelo contra as modernas tecnologias, que

Perdemos a capacidade de olhar, de ver o outro através do rosto e não de um ecrã. E perder o olhar para o outro é, quer-me parecer, abdicar um pouco de ser humano

muito fazem para nos simplificar a vida. Mas não podemos desistir do olhar, da curiosidade pelo que está à nossa volta. Andar na rua – olhar, perceber, enfrentar, sorrir – começa a ser uma arte perdida, algo a que só estetas nostálgicos e exilados destes tempos parecem dar importância. Num romance de Evelyn Waugh, Put Out More Flags, há um personagem – um dandy decadente chamado Ambrose Silk – que lamenta o mundo em que vive, suspirando pela arte desaparecida da conversação e o “mundo sepultado de Diaghilev”. Daqui a pouco tempo suspeito que alguém irá lamentar a arte perdida de andar na rua. Na verdade já o estou a fazer. Conseguimos, em séculos de evolução, chegar ao homo erectus. A ideia seria pelo menos conseguir manter esta condição. Porque ao olharmos apenas para um falso espelho arriscamo-nos a deixar a vida passar ao lado. Ou abalroar-nos de surpresa e sem desculpas.


16

h

24.10.2018 quarta-feira

´

A Poesia Completa de Li He

致酒行

Que Tragam Vinho!

零落棲遲一杯酒,主人奉觴客長壽。

Para um solitário falhado – uma taça de vinho. O anfitrião ergue o cálice à nossa saúde. Zhu-fu era demasiado pobre Para regressar do Oeste, 1 Apesar da sua família ter rachado os salgueiros 2 Frente ao portão.

主父西遊困不歸,家人折斷門前柳。 吾聞馬周昔作新豐客,天荒地老無人識。  空將箋上兩行書,直犯龍顏請恩澤。 

Mas basta um único cantar do galo Para o céu embranquecer. O coração de um jovem deve esforçar-se Para alcançar as próprias nuvens, Quem escutaria um homem sentado a uivar Ao frio?

我有迷魂招不得,雄雞一聲天下白。 少年心事當拿雲,誰念幽寒坐嗚呃。 

Há muito, em Xin-feng, Ma-zhou foi um mero empregado, Cogitando a desolação do céu e o envelhecimento da terra, Sem que ninguém soubesse seu valor. Porém, um par de linhas Escrevinhadas num momento de lazer Foram direitas ao trono, Merecendo-lhe benesse imperial. 3 A minha alma errante já deixou A memória muito para trás,

1 2 3

Zhu-fu Yan (f. 127 a.C.) era um erudito de Qi que errou em vão durante anos em busca de emprego. De tanto esperarem por ele encostados aos salgueiros, estes acabaram por partir… Ma Zhou (601-48) foi empregado de Chang He. Em Xingfeng tinha espantado um estalajadeiro com a sua capacidade de beber. Mas em Chang-an, em 631, foi chamado à corte por ter escrito, em nome de Chang He, um memorial que muito impressionou o imperador Tai-zong.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

EDGAR LIBORIO

quarta-feira 24.10.2018

Diário de um editor João Paulo Cotrim

Tirar do sério DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 23 SETEMBRO A liberdade nunca chegou a ser um absoluto, que a de outro era fronteira. Mas na grande área das ideias, da cultura, parecia estar para sempre aberto esse lugar-comum, o da opinião escrita e publicada. Qualquer de nós podia dizer a maior asneira, com limites estabelecidos, até legais. Por estes dias nublados, percebemos que a ameaça continua, de maneira mais subtil e venenosa. Estamos obrigados a extrema auto-vigilância, para não tocar nos nervos. Somos todos apenas sistema nervoso, portadores de dor fundamental, continuada e logo vociferante, doravante vítimas em explosiva potência. As palavras são os alvos primeiros, mas as imagens merecem ataque, sobretudo as humorísticas. O DN abordou o assunto, a pretexto dos cuidados com que as caricaturas devem agora ser esculpidas, e a Cláudia [Marques Santos] achou por bem ouvir-me. Titubeio como habitualmente, e cada frase devia ser desmultiplicada, mas ficou dito. ««Hoje [o escrutínio] já não é tanto acerca da liberdade, mas acerca da identidade», defende o escritor e editor com um percurso ligado à banda desenhada João Paulo Cotrim. «Há nas populações urbanas do mundo inteiro esta hipersensibilidade às chamadas causas fraturantes. A questão do feminismo, do racismo, da homossexualidade. E, depois, a questão da religião. A religião o que trouxe para isto, e contagiou todas as outras áreas, foi a questão da ofensa. Quando o direito à ofensa foi uma conquista civilizacional. Tens de poder ofender», continua. «Agora, diz-se que a minha identidade justifica que eu não seja ofendido, que eu possa ser exatamente o que quero. As pessoas não percebem é que o humor é precisamente o oxigénio. No fundo, está-se a tentar acabar com o ambíguo, que é o que tem graça nestas coisas. As ruas estão completamente sujas, mas as cabeças das pessoas estão completamente limpas», diz, apontando para o perigo de a censura ter invadido a cultura, espaço onde «não é suposto resolver-se problema algum». «É sobretudo uma infantilização do leitor, do consumidor de cultura, de qualquer pessoa. Aquele pobre não vai perceber que... Isto também estupidifica. Não dá a possibilidade às pessoas de fazerem as leituras que querem.»» (A apresentação diverte-me, por esquecer o lado talvez mais interessante no contexto, o de investigador com obra publicada, para me pôr na pele que não descola, a da banda desenhada…) LIVRARIA DA ADEGA, ÓBIDOS, 28 SETEMBRO Muito pelas portas travessas da amizade, a abysmo envolveu-se deveras na edição deste ano do Fólio, que vestiu o tema:

«Ócio. Negócio. A Invenção do Futuro.» (Os cóbois da Rua Castelo eram de cerâmica e subiam muralhas?). Sei de menos do negócio, aspiro dolorosamente ao ócio e raramente penso em futuro, a não ser para o imaginar como maneira dos tempos se atarem em um nó à mão de semear. (K. Dick ou Orwell escreveram sobre que acontecimento desta semana?). Mantenho as minhas dúvidas sobre o exacto alcance destas iniciativas, se produzem horizonte ou nevoeiro, mas acredito em encontros. (Na foto, que ilustra a página, o Edgar Libório apanhou-me de costas. Prefiro esta versão do logotipo para colorir à deste ano, toda ela preenchida de óbvio. Ou será óbvidos?). Logo na primeira sexta, a conversa, que partia da ideia de «Fora do Lugar», colocou alta a fasquia, com intervenções desassombradas e sabedoras, como deviam ser todas, mas raramente acontecem nestes eventos. Cada um, o Hugo [Mezena], o José [Riço Direitinho] ou o Henrique [Manuel Bento Fialho], soube descer da sua vigia de escritor ao encontro de leituras desafiantes e rompendo logo ali fronteiras. A pluralidade temática está bem vincada na moderna prosa. Talvez até tenha estado sempre, de maneira ou outra, se mergulharmos além dos modismos. Saídos da Livraria da Adega e, provado o Medronho, fui com o Henrique falar um pouco mais desse quase romance sobre a geração dos sem lugar nascidos pós-Abril. Em «A Festa dos Caçadores» também há cóbois de mítico antigamente, gente vulgar de hoje, fulgor poético que alimenta, esse sim, o porvir. ARTES E LETRAS, ÓBIDOS, 28 SETEMBRO Não chegou a ser surpresa, que o [José] Pinho já mo teria anunciado: o Luís [Gomes] mudou a sua gruta de Ali Babá para Óbidos. Livros são ainda poucos, mas o chumbo dos tipos e as prensas permitem que se chame atelier ao Artes & Letras O.2. Passei os olhos pela micro-exposição em torno de Moby Dick, enquanto o Zacarias corria a desafiar-me com enorme cubo de granito na boca. Acolhi a sua generosidade, uma plaquete de Inês Caria, com quatro linóleos e versos, apropriadíssima ao momento, «De Passagem»: «FUI NEVOEIRO NESTA/ PAISAGEM / uma forma cobrindo/ a manhã// irregular». Depois aconteceu Bordalo. Celebrando o regresso do herói da campanha africana contra Gungunhana, Freire de Andrade, os seus camaradas de armas encomendaram ao artista belíssima homenagem sobre pergaminho, encimada pelo retrato, riquíssima no detalhe decorativo, de fino recorte colonialista, com primoroso trabalho de cor, assentando o conjunto em minuciosa evocação da famosa batalha de Magul. Não sei se foi o patriotismo exaltado ou o ódio de Rafael ao Ultimato lhe guiou a

mão, mas a peça brilha de tão extraordinária. E o original estava ali, em pasta de couro que recolhe a preciosidade em sóbria exuberância. Fiquei assombrado. PAVILHÃO ATLÂNTICO, LISBOA, 30 SETEMBRO Vinte anos depois, ao menos para mim, mais ainda nesta tarde quente de domingo, a grande nave de bojo nos céus continua a chamar-se assim. Só porque sim, que nem são fortes os laços que me prendem ao Parque das Nações, excepção feita para as árvores ou o «Homem Sol», de Jorge Vieira. Está feita, e apresentámo-la, entre amigos, esta cápsula do tempo, para qual o Bruno [Portela] me convocou, pondo-me em lugares perdidos da adolescência, mas sobretudo mergulhando-me em fragmentos desfocados, decadentes, enferrujados, abandonados, miseráveis da minha cidade. «Uma Cidade Pode Esconder Outra» tem detalhes poderosos, como a capa ser negra e maleável ou a omnipresença da torre que arde, que celebramos logo na capa, com vermelho que reflecte. No miolo, imensas nuvens atravessam os olhares. CASA JOSÉ SARAMAGO, ÓBIDOS, 2 OUTUBRO Graças à generosidade do João [Brazão] e da sua cervejeira Trevo, levámos à Casa

Abysmo e a outros lugares de prazer, duas cervejas IPA, ambas com o mesmo nome, mas com duas ilustrações distintas do Nuno [Saraiva], retiradas de «Moléstias, embustes e pontinhos amantes – escrita quotidiana em Portugal entre os séculos XVI e XIX», cuja apresentação ali falhámos: um casto cupido e um belzebu flautista. Imagino que comentário suscitaria a Buñuel, que se alegrou ao descobrir a delícia do sentimento de pecado, que celebrava a bebida a ponto de afirmar ter passado a maior parte da sua vida ligeiramente nas nuvens, e praticar como ninguém a arte do dry martini. Indispensável, este «A Propósito de Buñuel», com que o Javier [Rioyo] e José Luiz López-Linares celebraram o seu centenário. O homem que viveu «comodamente entre múltiplas contradições» apresenta-se, pela voz e olhares de amigos, familiares, colegas e colaboradores, um enorme investigador do mistério, que bem sabia tirá-lo do sério. Exemplo maior, pérola na ostra, encontra-se no seu erotismo. Os beijos são-lhe suprema obscenidade: «repugnam-me»! E depois o riso, que o atravessava como relâmpago. Cada dia, para o ser tinha que provocar gargalhada. Beijo-o na boca por isto.


18 (f)utilidades TEMPO

24.10.2018 quarta-feira

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

MIN

22

MAX

28

HUM

65-95%

EURO

9.25

BAHT

Sexta-feira

MACAO COFFEE AND TEA FESTIVAL “A TASTE OF THE LATIN AMERICAN FLAVORS Torre de Macau | Das 14h00 às 18h30

Diariamente

EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO Venetian Expo Hall F | Até 31/12 “FINDING DREAMS IN THE FALL OF RUA DOS ERVANÁRIOS” Até Dezembro

8 9 1 7 5 2 4 6 3

2 5 4 6 3 9 8 1 7

4 6 5 2 8 1 7 3 9

7 1 2 5 9 3 6 4 8

9 8 3 4 6 7 2 5 1

DE

19

5 2 9 3 4 8 1 7 6

3 7 8 1 2 6 5 9 4

1 4 6 9 7 5 3 8 2

3 6 7 4

Cineteatro 16

C I N E M A 21

6 3 7 2 9 4 1 8 5

8 2 6 1 3 9 5 4 7

2 5 1 3 8 6 4 7 9

4 9 8 5 1 7 6 3 2

5 1 4 6 7 2 8 9 3

9 7 3 4 5 8 2 6 1

O CARTOON STEPH 19

7 4 9 8 2 1 3 5 6

1 8 5 9 6 3 7 2 4

3 6 2 7 4 5 9 1 8

8 127 256 59349 964 6 731 3 5 2 5 392 9 8 417 1 3 8 97427 2 1 6 156 5 389 8 427 247 456 5 13893 6351341 4 9 2 8 7 2 835 3 6 9 4 419 1 8 26756 5

1 4 3 8 8 9 6 1 LAPLACE’S WITCH [B] 5 7 2 6 7 5 9 4 VENOM [C] 2 1 8 3 6 3 4 2 9 2 7 5 THE HOUSE WITH A CLOCK IN ITS WALLS [B] 3 8 1 9 4 6 5 7 SALA 1

21

22

SALA 2

Um filme de: Eli Roth Com: Jack Black, Cate Blanchett, Owen Vaccaro 14.30, 16.30, 19.15

23

2 6 9 4 5 1 8 7 3

5 6 7 8 4 1 9 2 3

Abram alas para a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau que inaugurou ontem nove anos depois de começar a ser construída e décadas após ter sido idealizada. Macau faz parte da megaestrutura – a maior travessia marítima do mundo –, mas os órgãos de comunicação social em língua portuguesa que aqui existem foram apagados do mapa, já que nenhum foi convidado para fazer a cobertura jornalística de tão grande momento. O mais interessante foi o argumento usado, na medida em que teoricamente foi por “falta de espaço”. Será um sinal de que cabemos cada vez menos aqui? Tenho pena, mas parece que sim, porque os sintomas crescem a olhos vistos. E o Governo de Macau não tem nada a dizer? Pela parte que me toca também se é para pôr meia dúzia de palavras em extensos discursos sobre a importância da comunidade portuguesa sinceramente não vale a pena. Como diz o outro, a realidade acaba por nos mostrar sempre como é, o que temos e também com o que podemos contar. Espero que a festa tenha sido bonita. Diana do Mar

22

6 16 1 7 5 8 2 43 4 UM 9FILME HOJE | 12 HERÓIS | NICOLAI FUGLSIG 4 9 3 7 61 56 5 82 8 5 2 38 3 49 4 7 16 1 67 6 9 1 3 28 2 5 4 82 8 45 4 6 9 1 3 7 43 4 1 72 57 5 98 9 6 9 7 86 28 32 3 4 51 5 1 1 25 2 6 4 97 9 8 3 8 3 4 59 5 61 6 7 2

Diana do Mar

24

24

5 5 1 4 9 8 6 2 7 3 6 6 9 8 7 4 3 2 15 1 7 5 2 6 9 THE HOUSE WITH A CLOCK IN ITS WALLS 4 PROJECT 2 3GUTENBERG 7 5 37927 2 154 5 8 6 5 34 83 28 2 1 97 9 6 [C] 72 7 1 69 6 35 3 84 8 3 9 1 8 4 286 8 3 795 9 4 1 8 1 6 2 3 8 5 296 9 7 341 4 9 8 5 2 7 6 1 3 4 7 47 4 93813 1 625 2 1 1 3 46 4 85 8 29 2 7 9 6 5 4 7 1 31 3 6 425 2 7 9 8 5 SEARCHING 7 9[B]1 8 7 2 34 3 1 69 6 58 5 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 832Mota; 4 Vieira; 73Castro7Caeiro; Amélia 6 8 4 3 1 4 751 5 6Margarida 8 Vitor2Ng Colaboradores 9 4 António 5 1Cabrita; 2 31António 8António 6 Falcão; 9 Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio DISTINCTION [A] 34Romão Jorge Rodrigues 9 2Jorge Morbey; 4 31 3 Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia 2 4 7 5 6 658 5 1 2Fonseca;9Valério 3 Colunistas 7 António Conceição8Júnior;6David7Chan;5João Romão; dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária www. 29hojemacau. 13 91 9 6 48 Assistente 4 5de marketing 7 2Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de 1 3 8 9 2 2 347 4de redacção 861e Publicidade 6 5Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) com.mo

Um filme de: Takashi Mike Com: Sakurai Sho, Suzu Hirose, Sota Fukushi 14.30, 19.15

Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed 16.45, 21.30

74 7 9 6 1 28 32 3 8 2 93 9 7 5 4 1 5 5 61 6 4 3 2 9 8 7 4 5 2 9 1 3 86 2 62 16 1 5 8 73 7 9 93 89 78 47 64 6 5 2 1 1 43 4 8 2 7 6 5 6 8 37 53 95 9 41 4 9 25 2 61 46 4 8 7 PROBLEMA 20

9 UM 8158 5HOJE 37 3 4 9 6FILME 5 25 2 8 9 374 7 1 “12 realizado 4 heróis”, 76316 1 2 598 por Nicolai Fuglsig, 9conta 23 2real6 8 7 1 9a 5 história dos 74primeiros 3 491 solda9 862 6 dos norte-americanos a 47 4 539 3 26para 8 6 irem o Afeganistão conter 375a ameaça 7 21talibã. 641 4 9 Amissão teve lugar logo 6 os4ataques 985terroris8 3 172 após 8 tas 8 de111 2de Setembro 497 9 6 5 de 2001 nos Estados

23

4 8 6 5 2 9 7 1 3

20

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 19

Unidos.

18

20

S U D O K U

6 3 7 8 1 4 9 2 5

1.16

PORTUGUESES SEM ESPAÇO

CONFERÊNCIA “CONTRATAÇÃO PÚBLICA NA UNIÃO EUROPEIA E EM MACAU – UMA VISÃO COMPARADA” Fundação Rui Cunha | 18h30

14

YUAN

VIDA DE CÃO

APRESENTAÇÃO DO PARTIDO DEMOCRACIA 21 Livraria Portuguesa | 18h30

EXPOSIÇÃO DE VÍTOR MARREIROS Consulado-geral | Até 8/11

0.24

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Felix Chong Com: Chow Yun Fat, Aaron Kwok, Zhang Jingehu, Fen Wenjuan 21.15 SALA 3

Um filme de: Aneesh Chaganty Com: John Cho, Michelle La, Debra Messing 14.30, 16.30, 21.30

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Jevons Au Com: Jo Koo, Jennifer Yu, Kaki Sham

Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

quarta-feira 24.10.2018

sexanálise

Beijinhos aos avós

THE SIMPSONS

TÂNIA DOS SANTOS

O

que se torna viral, torna-se viral, não há muito a fazer. Agora, porque é que certas coisas ‘viralizam’ ou porque são escrutinadas até ao tutano é que pode ser obra de algoritmos, ou talvez de pura sorte ou de puro azar. Falo-vos do que aconteceu na semana passada na televisão portuguesa: alguém proferiu uma ideia que nem achei assim tão polémica ou problemática quanto isso. A questão da obrigatoriedade na infância tem muito que se lhe diga, no exemplo em questão, o intuito era o de alertar para estarmos atentos à auto-determinação e agência infantil. O que poderia ter surgido como uma discussão interessante acerca de como ensinar desde cedo acerca da consciência do corpo e dos limites que lhe damos, ‘viralizou’ para uma conversa que confundia educação com obrigação - e de como comer legumes, ir à escola, ser-se boa gente ou ter-se bons modos e dar beijinhos de cumprimento a quem achamos por bem, é resultado directo de um pulso firme. O tal da obrigatoriedade que julgamos ser a única estratégia educativa. A discussão não foi muito para além disso, mas não deixa de ser uma discussão importante para se ter na esfera pública. Contudo, se a ideia foi polémica não foi por ser particularmente chocante - valeu-lhe uma combinação de comunicador e comunicado que não caiu nas boas graças de muita gente. Como este alguém não cai nos moldes ideais do homem tradicionalmente português, e da família tradicional

portuguesa, muito rapidamente se assistiu a uma sede de sangue e de insulto - e a uma forma de discutir ideias muito fechada, categórica e teimosa. Isto não aconteceu por acaso, foi tudo graças a um jornalismo de baixíssima qualidade que faz uso de formas sofisticadas de bullying (sim, tenho a certeza que esta é a palavra certa) e que se aproveita de uma moralidade barata, para descredibilizar alguém só porque está fora da norma. O que me chateou mais nisto tudo foi a avidez pela ofensa e pela ameaça – sim, o protagonista desta história viu a sua página na rede social a ser saqueada pela indignação popular, e não foi feito de forma simpática, muito menos construtiva. Perguntei-me se, trocando o comunicador por alguém mais normativo, em todos os sentidos do sexo e do género, a reacção teria sido diferente? A pessoa em questão é poliamorosa, vive numa constelação familiar, usa eyeliner e é professor universitário. E esta combinação começa a ser perigosa e facilmente descredibilizada porque representa uma ‘elite’ de liberdades excepcionais. Já conhecemos bem o fantasma que o sexo e a dita ‘promiscuidade’

Estamos repletos de vieses e a pouca consciência destes insiste em perpetuar uma forma de pensar muito pouco reflexiva. O mesmo processo que desqualifica a opinião de alguém que percebemos como diferente é o mesmo que vangloria quem julgamos um exemplo de valores contemporâneos de sucesso

representa. Mas o que aprendi com esta história é que há quem nem queira saber de intelectualismos, muito menos quando a intelectualidade põe em causa aquilo que achamos que o mundo é. Aliás - porque é que ouviríamos um promíscuo falar sobre como educar uma criança? Estamos repletos de vieses e a pouca consciência destes insiste em perpetuar uma forma de pensar muito pouco reflexiva. O mesmo processo que desqualifica a opinião de alguém que percebemos como diferente é o mesmo que vangloria quem julgamos um exemplo de valores contemporâneos de sucesso (sim, estou a referir-me ao menino de ouro do futebol). Na nossa inocência julgamo-nos imunes, julgamo-nos cegos à cor da pele, etnia, orientação sexual ou género. Mas a prova derradeira de que somos realmente afectados por tudo isto é de que frequentemente discutimos as pessoas em si e não as suas ideias (eu sei que parecem uma coisa só – mas uma coisa é discutir educação infantil e outra é falar das escolhas relacionais do interlocutor). Só para reiterar - eu percebo que seja difícil discutir sexualidade, ainda mais a sexualidade infantil. Mas crianças devem, sim, ter a oportunidade de serem ouvidas e compreendidas nos limites que querem definir para si mesmas. Nada disto invalida o amor, o carinho e a ligação que se estabelece entre netos e avós e outros familiares - absolutamente nada (caso duvidassem que isso estivesse em causa). Acho que este episódio foi informativo, não pelo objecto de discussão em si, mas pela indignação que gerou e todos os movimentos subsequentes. Só vos digo que ainda temos muito que caminhar para que as sexualidades e as gentes que falam abertamente sobre elas não sejam ameaçadoras – e é urgente repensar as nossas estratégias de comunicação e de disponibilidade para com o outro.


Uma vela não perde nada quando acende outra vela. Orison S.Marden

CHINA CASOS DE PESTE SUÍNA CONTINUAM A AUMENTAR

INTERPOL MAIS DE 500 TONELADAS DE MEDICAMENTOS APREENDIDAS EM 116 PAÍSES

A

China detectou um novo surto de peste suína, na província de Hunan, centro do país, informou ontem o ministério chinês de Agricultura e Assuntos Rurais, à medida que a doença se espalha pelo país. O surto matou 17 porcos e infectou 44, no total, entre 546 criados numa fazenda na cidade de Yiyang, segundo o comunicado do ministério, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua. A mesma nota revela que, na cidade de Changde, também em Hunan, o surto infectou quase todos os 268 porcos criados numa quinta local e matou 31. As autoridades locais iniciaram um mecanismo de emergência, visando isolar, abater ou desinfectar os porcos. Dezenas de milhares de animais foram já abatidos em várias províncias do país, num esforço para travar a doença desde que o primeiro surto foi detectado no início de Agosto no nordeste da China. A doença afecta porcos e javalis, mas não é transmissível aos seres humanos. No entanto, coloca em risco o mercado chinês, que produz anualmente 600 milhões de porcos. A carne daquele animal é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60% do total do consumo de proteína animal no país. A flutuação do preço deste tipo de carne é sensível na China e o Governo guarda uma grande quantidade congelada para colocar no mercado quando os preços sobem.

Coreia do Sul BMW inspecciona mais de 65.000 veículos

PUB

As autoridades da Coreia do Sul anunciaram ontem que o grupo BMW vai fazer a revisão a cerca 65.000 veículos, na sequência de incêndios em mais de trinta carros da multinacional alemã, vendidos no país asiático. O plano de inspecção vai ter início dia 26 de Novembro e afectará 65.763 veículos de 52 modelos a diesel das marcas BMW e Mini, informou ontem o Ministério do Território, Infraestrutura e Transportes sul-coreano. De acordo com a BMW foi detectado em 52 modelos de viaturas, um defeito de fabrico no sistema de recirculação de gás (ERG), causador de dezenas de incêndios registados na Coreia do Sul este ano. O fabricante de automóveis alemão já tinha feito em Agosto uma inspecção na Coreia do Sul a cerca de 106.000 veículos de 42 modelos, e na Europa a 324.000 carros, devido ao perigo de incêndio.

quarta-feira 24.10.2018

PALAVRA DO DIA

M

Excesso fatal U Ao aproximar-se de Xinma, o comboio viajava a 140 quilómetros por hora, acima do limite de 80 neste troço em curva

Condutor de comboio que descarrilou e matou 18 pessoas suspeito de negligência

M comboio que descarrilou no domingo em Taiwan, matando 18 pessoas, viajava com excesso de velocidade e o condutor é suspeito de negligência por ter desactivado um sistema de controlo de velocidade, anunciou ontem o tribunal encarregado do caso. O descarrilamento do Puyuma Express ocorreu no condado de Yilan (nordeste) e o comboio transportava 366 pessoas, sendo considerado pelas autoridades o pior acidente ferroviário em mais de 25 anos. O acidente também provocou 187 feridos. O condutor do comboio, que foi identificado pelo seu apelido, Yu, foi libertado ontem mediante o pagamento de uma caução, após ser interrogado pelas autoridades e voltou ao hospital em que foi tratado por vários ferimentos, incluindo uma costela fracturada.

Num comunicado, o tribunal distrital de Yilan referiu que Yu admitiu ter desactivado o Automatic Train Protection (ATP), um sistema usado para controlar a velocidade, devido a problemas com o fornecimento de energia do comboio. Ao aproximar-se da estação de Xinma, onde ocorreu o descarrilamento, o comboio viajava a 140 quilómetros por hora, bem acima do limite de 80 quilómetros por hora neste troço em curva.

ERROS TRÁGICOS

O condutor explicou que desligou o sistema ATP numa estação anterior e não o ligou novamente porque estava a conversar com um coordenador da rede ferroviária sobre “negligência profissional”. “Tendo desligado o ATP, não tinha a assistência do sistema automático de monitorização de velocidade e tra-

vagem e deveria ter agido em conformidade, sabendo que tinha diante de si uma grande curva, ao invés de ter travado perto do cais, o que resultou no descarrilamento”, disse o tribunal no comunicado. Um porta-voz da procuradoria distrital de Yilan, Chiang Chen-yu, referiu aos jornalistas inconsistências entre as declarações do condutor, as pistas recolhidas e os depoimentos das testemunhas. “Há grande suspeita de culpa” em relação ao condutor, disse Chen-yu. Sobreviventes disseram que o comboio vibrava muito durante a viagem e que se deslocava “muito rápido” antes do descarrilamento. Este acidente é o pior desastre ferroviário em Taiwan desde 1991, quando 30 passageiros morreram e 112 ficaram feridos na colisão de dois comboios em Miaoli (noroeste).

AIS de 500 toneladas de medicamentos foram apreendidas numa megaoperação envolvendo autoridades policiais, alfandegárias e de saúde de 116 países, incluindo Portugal, e que resultaram em 859 detenções, revelou ontem a Interpol. Em comunicado, a Interpol, refere que, entre os fármacos apreendidos, estão falsos medicamentos contra o cancro e analgésicos contrafeitos, bem como seringas sem qualidade. No âmbito da Operação Pangea XI, o material apreendido está avaliado em 14 milhões de dólares. Em Portugal foram controladas 3.881 encomendas, das quais 130 foram apreendidas durante a semana em que decorreu operação (entre 9 e 16 de Outubro). Segundo um comunicado do Infarmed, a apreensão de encomendas impediu a entrada em Portugal de 8.886 unidades de medicamentos ilegais, com um valor superior a 23 mil euros. A investigação, segundo a Interpol, focou-se em serviços de entrega que eram usados por redes criminosas organizadas, que, por sua vez, operavam através da Internet, em redes sociais e ‘sites’ de compras ‘online’. Quase um milhão de embalagens foram inspeccionadas na semana da operação, de uma vasta gama de fármacos: anti-inflamatórios, analgésicos, hipnóticos e sedativos, comprimidos para a disfunção erétil, esteroides anabolizantes, comprimidos para emagrecimento, Parkinson e diabetes e até para o tratamento de VIH/Sida. Foram ainda verificados mais de 110 mil dispositivos médicos, como seringas, lentes de contacto, aparelhos auditivos e instrumentos cirúrgicos. A operação internacional PANGEA XI decorreu entre 9 e 16 de outubro e além das 838 investigações, foram monitorizados 16.218 ‘links’ na internet, tendo sido desligados 3.671.

Hoje Macau 24 OUT 2018 #4158  

N.º 4158 de 24 de OUT de 2018

Hoje Macau 24 OUT 2018 #4158  

N.º 4158 de 24 de OUT de 2018

Advertisement