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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEGUNDA-FEIRA 23 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4098

BIBLIOTECAS

Processos no horizonte PÁGINA 4

SEGURANÇA

P. 8

AS CELAS INDISCRETAS

˜ h

MOP$10

O Verão há muito tempo VALÉRIO ROMÃO

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hojemacau

Air Patacas O Governo dificilmente irá recuperar os 212 milhões de patacas que emprestou à Viva Macau uma vez que não existem bens penhoráveis que garantam a dívida. Segundo um comunicado do Tribunal Judicial de Base, a empresa-mãe que detinha a companhia aérea falida tem um accionista de Macau, cujo nome não foi revelado pelas autoridades. PÁGINA 9


2 grande plano

GALGOS

A PROCURA DE `

TIAGO ALCÂNTARA

A Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen deixou as instalações do Canídromo na passada sexta-feira sem apresentar um plano de futuro para os animais. O IACM assumiu a responsabilidade do tratamento dos 533 cães que ficaram nas instalações. A ANIMA oferece-se para coordenar o processo de adopção de forma voluntária

23.7.2018 segunda-feira

ANIMA ESPERA LUZ VERDE DO IACM PARA COORDENAR PROCESSO DE ADOPÇÃO

A

Sociedade Protectora dos Animais de Macau - ANIMA – está à espera de luz verde do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) para poder coordenar o processo de adopção dos 533 galgos que se encontram nas instalações do canídromo depois de terminado o contrato de exploração de corridas de cães com a Companhia de Corridas de Galgos (Yat Yuen). “A ANIMA ainda não pode fazer nada enquanto o IACM não disser expressamente que autoriza a associação a orientar as adopções” apontou o presidente da associação, Albano Martins, ao HM. A coordenação do elevado número de adopções não se pode limitar a Macau como possível lar para os animais, tornando-se essencial encontrar destinos exteriores, pelo que toda a ajuda é necessária. Isto não significa que a ANIMA seja a única entidade a faze-lo e “o IACM pode ajudar", refere Albano Martins. “Temos de ter tudo perfeitamente identificado, nenhum animal pode chegar ao estrangeiro com números ou chips enganados.

Se o IACM autorizar, até temos de ir ao abrigo numerar os cães para que não exista qualquer engano”, explica o responsável. Toda a coordenação dos processos de adopção feita pela ANIMA será a custo zero para o Governo. “O processo de adopção é todo voluntário”, sublinha. Já o cuidado dos animais dentro do ano necessário para que as adopções sejam feitas, é também um serviço que a ANIMA se dispõe a assumir a preço de custo. “Podemos arranjar as pessoas, tratar das questões de segurança, de limpeza e de tratamento, mas aqui seriamos

obrigados a contratar pessoas sendo que o pagamento destes funcionários não teria qualquer efeito lucrativo”, refere. De acordo com o responsável, esta é uma opção que ficaria sempre mais barata do que a contratação de um serviço a uma empresa para o mesmo efeito. "Se adjudicar este serviço a uma empresa privada, o IACM vai eventualmente pagar o dobro do que pagaria à ANIMA", diz Albano Martins. Ontem, ao jornal Ou Mun, o Chefe da Divisão de Inspecção e Controlo Veterinário do IACM, Choi U Fai, revelou que a situação

actual de tratamento e manutenção do canídromo se vai manter por cerca de dez dias. Entretanto, o IACM está a fazer uma avaliação para perceber se é necessária a contratação de serviços de uma empresa.

DEZENAS POR DIA

Para garantir o bom funcionamento diário das instalações do canídromo e dos mais de 500 animais deixados pela Yat Yuen, são necessárias entre 30 a 40 pessoas por dia. Albano Martins explica que “existem sete ou oito abrigos e cada um pode ter 80 animais.

Alguns podem não estar cheios. São necessárias duas pessoas por abrigo, o que dá logo 16. Temos que ter pessoas capazes de conduzir cinco animais de cada vez, enquanto se fazem os trabalhos diários de limpeza. No total, dá um mínimo de 30 a 40 pessoas necessárias para fazer a manutenção diária de espaço e de animais com rapidez”. Para já, o IACM informou que foram efectuados contactos com as associações locais de proteção dos animais de forma a promover o recrutamento de voluntários, assegurando a existência de 40 pessoas a prestar cuidados diários aos galgos.


grande plano 3

CASA

GONÇALO LOBO PINHEIRO

segunda-feira 23.7.2018

Abandono massivo

IACM acusa Yat Yuen de abandonar mais de 500 galgos

“A ANIMA ainda não pode fazer nada enquanto o IACM não disser expressamente que autoriza a associação a orientar as adopções.” “Se adjudicar este serviço [de manutenção do canídromo e do galgos] a uma empresa privada, o IACM vai eventualmente pagar o dobro do que pagaria à ANIMA.” ALBANO MARTINS PRESIDENTE DA ANIMA

O recrutamento dos voluntários foi garantido pela Anima, MASDAW (Associação para Cães de Rua e o Bem-Estar Animal em Macau), Associação Protectora para os Cão Vadio de Macau, Everyone Stray Dogs Macau Volunteer Group e Long Long (Macao) Volunteers Group.

CONTACTOS EXTERNOS

Este serviço terá que ser assegurado por um período de um ano, prazo que o presidente da ANIMA considera necessário para finalizar todos os processos de adopção dos galgos. “Não é possível fazer as

adopções num prazo inferior a um ano. Não é que não tenhamos os contactos todos, mas o processo é muito complicado”, aponta. Há questões logísticas e custos a ter em conta. “Temos que discutir preços com companhias aéreas, temos que arranjar transporte e equipas do outro lado prontas a receber os animais que viajam”, explica o responsável. Ultrapassadas estas etapas, haverá capacidade para enviar para o exterior cerca de cinco animais de dois em dois dias. A ANIMA está a promover uma campanha mundial, em paralelo com a associação italiana Pet

Levrieri e com a norte-americana Grey2k, com o objectivo de angariar fundos de forma a poder realojar os animais. “Cada viagem para a Europa custa à volta de 30 mil patacas a não ser que haja uma grande campanha de donativos”, a ANIMA terá muita dificuldade em conseguir transportar os animais para fora de Macau, constatou Albano Martins. Os custos aumentam porque os animais têm de ir para Hong Kong, onde há mais oferta de voos internacionais. “Temos recebido apoios de toda a parte do mundo. Agora o que é preciso é que esses apoios se transformem em dinheiro para movimentar estes animais todos”, afirmou. “Estamos a trabalhar para reduzir todos os custos”, garantiu o activista dos direitos dos animais, revelando ainda que há a possibilidade de duas companhias aéreas poderem fazer o transporte gratuitamente. No ano passado, a Sociedade Protetora dos Animais de Macau (Anima) lançou uma petição internacional para conseguir que os galgos do canídromo fossem adoptados. Desde então, 50 instituições internacionais manifestaram-se, garantindo apoiar um plano de resgate ou comprometendo-se a encontrar casas adequadas para os cães. A PETA (ONG de defesa dos animais) juntou-se ao coro internacional de protestos e apelou às autoridades de Macau para assegurarem custódia para os animais. Sofia Margarida Mota com LUSA info@hojemacau.com.mo

A

S autoridades de Macau acusaram a Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen, que explorava o Canídromo, de ter abandonado mais de meio milhar de cães nas instalações e ameaçaram aplicar sanções financeiras com base na Lei de Protecção dos Animais. “Findo o prazo para deslocação do canídromo da Companhia de Corridas de Galgos Macau (...) a empresa não assumiu as responsabilidades e as obrigações devidas (…), deixando 533 galgos abandonados no referido local”, refere em comunicado o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). “Ao mesmo tempo, o IACM comunica aos donos, nos termos da Lei de Protecção dos Animais, que a não reclamação [de galgos] pelo seu dono no prazo de sete dias úteis é equiparada a abandono de animal" e o abandono de cada cão é "sancionado com multa de 20.000 a 100.000 patacas”, o que no caso destes 533 cães, de mais de dez milhões e meio de patacas às cerca de 53 milhões. As autoridades de Macau repudiaram ainda uma carta da Companhia de Corridas de Galgos que tencionava passar a responsabilidade pelo futuro dos cães do Canídromo para o Governo do território. “O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) repudia a atitude irresponsável da Yat Yuen (Companhia de Corridas de Galgos) relativamente à colocação dos galgos e reitera que a colocação dos galgos existentes é da responsabilidade e dever da Yat Yuen, enquanto proprietária dos mesmos e empresa de grande dimensão”, declarou o IACM em comunicado divulgado na quinta-feira à noite. Na nota divulgada no final da semana, o mesmo instituto informou que foram efectuados contactos com as associações locais de proteção dos animais de forma a promover o recrutamento de voluntários, assegurando a existência de 40 pessoas a prestar cuidados diários aos galgos. A Companhia de Corridas de Galgos tinha entregue na quinta-feira, na véspera de terminar o contrato de exploração, uma carta às autoridades de Macau na qual referia que os galgos do Canídromo se tratavam de bens que deviam reverter a favor das autoridades do território. Até aqui, a empresa, que pertence à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, fundada pelo magnata do jogo Stanley Ho, “não se dedicou a encontrar

solução adequada para colocar esses galgos existentes, e agora quer passar as responsabilidades para o Governo e para a sociedade”, reagiu o IACM.

HISTÓRIA INTERMINÁVEL

A 12 de Julho, o IACM já tinha exigido à Companhia de Corridas de Galgos a entrega imediata de um plano concreto para a localização do realojamento dos galgos, depois de a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) ter recusado prolongar o contrato de exploração do Canídromo, a operar há mais de 50 anos em Macau. Em 2016, o Governo de Macau dera dois anos ao Canídromo para mudar de localização e melhorar as condições dos cães usados nas corridas ou para encerrar a pista, cujas receitas se encontram em queda há vários anos. A empresa pediu ao Governo de Macau, em 2017, o prolongamento e alteração do mesmo contrato, solicitando autorização para transmitir corridas de galgos realizadas noutras regiões para a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), em vez das corridas de galgos realizadas no território.

TRABALHO GARANTIDO

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Yat Yuen deixou o canídromo na passada sexta-feira, no entanto, no sábado de manhã dezenas de funcionários da Companhia de Corridas de Galgos deslocaram-se àquelas instalações para continuarem a tratar dos animais, tendo sido impedidos de entrar pelos funcionários do IACM. Depois de ter conhecimento da situação, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) garante que está a acompanhar a situação e anunciou “a criação de uma linha aberta destinada ao pessoal daquela empresa para pedido de informações ou esclarecimentos”. Já a Yat Yuen, também em comunicado, garante que vai oferecer postos de trabalho aos 129 funcionários que trabalhavam no Canídromo tendo em conta as empresas da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Macau Jockey Club e Macau Slot.


4 política

BIBLIOTECAS RELATÓRIO DO IC PREVÊ PROCESSOS DISCIPLINARES

O peso da pena

O secretário quando confrontado com o projecto da nova Biblioteca Central garantiu que a adjudicação à empresa responsável pelo projecto de arquitectura deve ser feita ainda este ano. Além disso, “antes de 2022 uma parte da nova biblioteca, relativa ao edifício do antigo tribunal, já estará em funcionamento”, enquanto que “a construção da parte traseira (relativa ao antigo edifício da PJ) poderá estar concluída em 2022”, frisou Alexis Tam.

“Depois da tomada de posse do IC têm vindo a ser alterados os métodos de gestão. Houve colegas que tiveram problemas com a gestão e vão ser levantados processos disciplinares. Concordo com isso.”

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M mês depois do Comissariado de Auditoria (CA) ter posto a nu a má gestão de arquivos bibliotecários por parte do Instituto Cultural (IC), foi entregue o relatório interno ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, depois deste ter feito essa exigência ao IC. O documento não é público, mas Mok Ian Ian, presidente do IC, revelou algum do seu conteúdo no último plenário da Assembleia Legislativa (AL). “Reconhecemos nesse relatório que existem falhas e que vão ser aplicadas sanções disciplinares aos trabalhadores que tenham cometido falhas. Vamos implementar melhorias nos serviços.” Também Alexis Tam deixou garantias de acompanhamento do caso após a investigação feita pelo

por um novo regulamento”. “Já fizemos mais de 30 reuniões para debater o conteúdo”, acrescentou.

ADJUDICAÇÃO ESTE ANO

GONÇALO LOBO PINHEIRO

O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura recebeu do Instituto Cultural o relatório sobre os problemas na gestão dos arquivos bibliotecários. Apesar de o documento não ser público, a presidente do IC referiu que serão abertos processos disciplinares aos trabalhadores alegadamente responsáveis pela má gestão dos livros

23.7.2018 segunda-feira

ALEXIS TAM SECRETÁRIO PARA OS ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA

CA. “Depois da tomada de posse do IC têm vindo a ser alterados os métodos de gestão. Houve colegas que tiveram problemas com a gestão e vão ser levantados processos disciplinares. Concordo com isso”, frisou.

Família Governo afasta ideia de criar comissão especializada

O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, garantiu ontem que não é necessário criar uma comissão especializada, com carácter consultivo, para os assuntos das famílias. “Estamos a rever a lei de bases da política familiar e alguns especialistas já estão a analisar se é preciso fazer a revisão. Depois de efectuarmos estudos achamos que não é preciso alterar a lei. Também não é preciso criar uma comissão para os assuntos da família, já temos uma destinada às mulheres e crianças e outra para idosos”, disse o secretário no hemiciclo.

Vários deputados exigiram ainda mudanças na legislação que regula a gestão das bibliotecas públicas, nomeadamente Wong Kit Cheng, a autora da interpelação oral discutida no plenário. “O regulamento da biblioteca central está em vigor há 30

anos e creio que devemos alterá-lo com vista a melhor gerir todas as nossas bibliotecas.” Ophelia Tang, actual directora da biblioteca do Tap Seac, garantiu que “em breve vai ser substituído o estatuto das bibliotecas públicas

O secretário fez ainda referência ao relatório do Comissariado contra a Corrupção, que alertou para a existência de várias contratações de pessoal pelo IC sem que tenha sido realizado concurso público. “O antigo secretário (Cheong U) também não sabia que se recorria a meios ilegais para contratar pessoas, pois era necessária a prestação de serviços. Nos últimos anos fizemos muitos trabalhos e estamos a contratar muitas pessoas mas há vias legais para o fazer. Por exemplo, em 2015, os Serviços de Saúde contrataram mais de 900 trabalhadores, mas tal foi feito de forma legal”, rematou. Andreia Sofia Silva

andeia.silva@hojemacau.com.mo

TRABALHO GOVERNO RECUSA HIPÓTESE DE 1 DE JUNHO SER FERIADO

O

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura,Alexis Tam, garantiu que não há planos para instituir o dia 1 de Junho, Dia Mundial da Criança, como feriado em Macau. “Relativamente à sugestão apresentada pelo deputado Lei Chan U sobre a instituição legal do feriado obrigatório a 1 de Junho, para o estreitamento das relações entre pais e filhos,

é de referir, por enquanto, que o Governo não possui um plano concreto para o efeito.” Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, lembrou os dias em que passava tempo de qualidade com a sua mãe, nas visitas ao Mercado Vermelho, para afirmar que “se temos filhos não basta um só dia para estarmos em família, são todos os dias”.

Os deputados aproveitaram o debate para lembrar que ainda há muito a fazer para melhorar o regime de trabalho por turnos nos casinos, sem esquecer a licença de maternidade e paternidade. “Eu também acompanhei a minha mãe ao mercado, mas essa não é a questão”, respondeu José Pereira Coutinho. “Disse que o Governo não vai con-

siderar o feriado, então vai considerar este difícil regime de turnos? Temos uma economia próspera mas por detrás é tudo muito negro e é preciso uma mudança na lei laboral. Espero que possa continuar no Governo, independentemente de continuar como Chefe do Executivo ou outro cargo, mas deve dar atenção à revisão da lei laboral.” Já Agnes Lam frisou que

“esta matéria tem a ver com a lei laboral mas há também as questões da licença de paternidade e maternidade”. “Fala-se de faltas justificadas e o marido pode acompanhar a mulher para ir a consultas, mas sabemos que muitas responsabilidades são empurradas para as mulheres porque para elas é mais fácil tirar dias do trabalho”, rematou.


política 5

F

OI a primeira vez que um juiz não concordou com a sentença que reverteu mais um terreno para a Administração. Na declaração de voto vencida de Vasco Fong, juiz do Tribunal de Segunda Instância (TSI), quis deixar bem claro que não concordou com os seus colegas no caso referente a um terreno, pois entende que o Governo agiu de má-fé ao não permitir o cumprimento do contrato de concessão em causa. Na passada sexta-feira, no plenário da Assembleia Legislativa (AL), o deputado Mak Soi Kun confrontou a secretária para a Administração e Justiça com esta declaração de voto vencido como um exemplo de falta de responsabilização do Governo no âmbito da Lei de Terras. “A declaração de voto vencido recentemente divulgada coloca em causa a responsabilidade que deve ser assumida pela Administração. Tal deve dar lugar a uma investigação ou ao início do processo de averiguações. É feita uma avaliação quando há acórdãos judiciais que se mostram a favor da responsabilização das autoridades?”, questionou o deputado. Contudo, Sónia Chan não fez quaisquer comentários. “Não temos essas informações, vamos avaliar depois.” Referindo-se apenas ao terreno localizado na zona sul da Baía do Pac On, concessionado à Companhia de Investimentos Polaris em 1990, Vasco Fong Man Chong esclarece na sua declaração que a empresa entregou, em 2010, um plano para o aproveitamento do terreno. O magistrado aponta que se o Executivo tivesse considerado que a cota altimétrica do edifício a construir não estava

GCS

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Mak Soi Kun “A declaração de voto vencido coloca em causa a responsabilidade que deve ser assumida pela Administração. Tal deve dar lugar a uma investigação ou ao início do processo de averiguações. É feita uma avaliação quando há acórdãos judiciais que se mostram a favor da responsabilização das autoridades?”

LEI DE TERRAS SECRETÁRIA NÃO REAGIU A DECLARAÇÃO DO JUIZ VASCO FONG

Cartão não passado

O deputado Mak Soi Kun confrontou Sónia Chan sobre a declaração de voto vencido feita pelo juiz Vasco Fong sobre mais um caso de reversão de terrenos. Mak Soi Kun falou deste caso como um exemplo de irresponsabilidade governativa, mas a secretária para a Administração e Justiça disse não ter informações

de acordo com a planta de alinhamento deveria ter reprovado o pedido de imediato, em vez de demorar anos a analisá-lo. Neste ponto, Fong Man Chong defende que o Governo também tem responsabilidades, o que fez com que o concessionário não tenha conseguido desenvolver o terreno.

Caso Kiang Wu Sónia Chan espera diálogo sobre despedimento de enfermeiros

A secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, reagiu ontem ao caso de alegados pedidos de despedimento de enfermeiros, feitos pela administração do hospital privado Kiang Wu, perante a sua intenção de participarem no concurso público de recrutamento aberto pelos Serviços de Saúde. “Espero que dentro da base do diálogo as empresas privadas possam resolver os assuntos com os seus trabalhadores”, referiu a governante quando respondia a perguntas sobre o sistema de recrutamento centralizado da função pública.

É de salientar que Vasco Fong foi comissário do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) e director do Gabinete de Dados Pessoais, até que pediu a demissão para voltar aos tribunais.

CASOS EM CATADUPA

Este assunto foi abordado depois de vários deputa-

dos terem relembrado as últimas polémicas ligadas à Administração, tal como os relatórios do CCAC e do Comissariado de Auditoria que incidiram sobre a actuação do Instituto Cultural ou do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, entre outros casos.

Contudo, Sónia Chan quis deixar claro que o Governo tem assumido responsabilidades. “Temos pedido responsabilidades às pessoas que cometeram ilegalidades. O IACM, por exemplo, tem feito algo sobre a fiscalização das obras nas estradas e temos lançado medidas. A Polícia

Imobiliário Deputado Ng Kuok Cheong quer entrega de fracções de habitação económica

O deputado Ng Kuok Cheong recorda que há candidatos a habitação económica, com casas já atribuídas e ainda sem acesso às fracções. Em interpelação escrita, Ng aponta que o Instituto de Habitação (IH) previa a conclusão dos trabalhos de reparação dos edifícios Cheng Tou, Fai Ieng e do Bairro da Ilha Verde no segundo trimestre de 2018. No entanto, de acordo com o deputado, os candidatos queixam-se que o segundo trimestre já terminou sem que sejam prestadas informações sobre o acesso às casas. Para Ng Kuok Cheong, a espera está a afectar muitas famílias que continuam a pagar rendas elevadas. O deputado quer respostas do Governo no que respeita à calendarização de entrega destas fracções.

de Segurança Pública, por exemplo, tem instaurado processos disciplinares aos seus trabalhadores. É difícil evitar que estas situações aconteçam, pois temos muitos trabalhadores nas equipas”, admitiu. O recente caso de processo disciplinar instaurado a Fong Soi Kun, ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, também foi abordado pelo deputado Sulu Sou. “O trabalhador subordinado tende a ser o bode expiatório e depois o superior hierárquico lava as mãos e não lhe exige responsabilidades. Com Fong Soi Kun foi a mesma situação, também foi o bode expiatório, pois o secretário também tem as suas responsabilidades. Para os nossos dirigentes, até é difícil pedir desculpa”, referiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


6 política

23.7.2018 segunda-feira

Aprender maneiras

O

S deputados da 3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) exigem que o Governo defina melhor as suas responsabilidades quanto à realização de cursos de formação para taxistas. Isto apesar da proposta de lei actualmente em discussão no hemiciclo prever que cabe às empresas detentoras de licenças a realização de acções de formação. “Pedimos ao Governo para definir em pormenor as condições e o âmbito de realização desta prova específica (essencial para o taxista ter a licença). O Governo disse que isso vai ser definido através de diploma complementar. Deve ser a sociedade comercial a promover as acções de formação, mas qual é a entidade que vai ministrar esse curso aos taxistas?”, questionou Vong Hin Fai, deputado que preside à comissão. Amanhã os deputados voltam a abordar esta ques-

RÓMULO SANTOS

Deputados perguntam ao Governo quem irá ministrar cursos para taxistas

tão e deverá ficar definido qual a entidade governamental responsável por estes cursos. “Na lei dos mediadores imobiliários cabe à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) realizar os cursos de formação, e qual será a entidade responsável pelos

cursos que serão ministrados aos taxistas? O Governo respondeu que vai estudar a matéria e explicar melhor se é ou não viável que seja a DSAL a prestar essa formação.” Além disso, os membros do Executivo frisaram que “vão ver se outros serviços públicos podem

colaborar na organização de acções de formação para taxistas”. Os deputados desta comissão sublinharam “a necessidade de facultar a formação aos taxistas para aumentar a sua consciência cívica e melhorar a sua atitude no tratamento dos passageiros”. Na reunião da comissão da passada sexta-feira, os deputados debruçaram-se ainda sobre a questão dos deveres e direitos dos taxistas, sendo que ainda não está concluída a análise sobre as sanções a aplicar aos condutores de táxi. Uma das questões prevista nesta proposta de lei é a obrigatoriedade do taxista dar recibo ao passageiro em todas as viagens, para que haja uma prova no caso de ocorrência de algum litígio. Além disso, este diploma passa a permitir que “o condutor possa prolongar a prestação do serviço quando o passageiro quer deixar o veículo num lugar de paragem proibida. Neste momento, a proposta de lei não tem essa norma”, lembrou Vong Hin Fai. A.S.S.

SEGURANÇA WONG SIO CHAK GARANTE QUE LEI NÃO VAI LIMITAR LIBERDADE DE IMPRENSA

O

secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, garante que a proposta de lei de bases de protecção civil não vai interferir na liberdade de imprensa. Em comunicado, o governante salientou mesmo que “as autoridades têm um enorme respeito pela liberdade de imprensa”. Wong Sio Chak frisou que incentivar a divulgação de informações do Governo, “não significa que a comunicação social não possa criticar, tendo em conta que a liberdade de imprensa será sempre respeitada”. O secretário deu como exemplo as fortes críticas ao Governo devido aos estragos e mortes causadas pela passagem do tufão Hato em Agosto do ano passado. “De facto, durante a passagem do tu-

fão “Hato”, muitos órgãos de comunicação social criticaram as autoridades pelo que admitiu e aceitou terem havido muitas insuficiências durante o processo”, aponta o mesmo comunicado. Wong Sio Chak falou à comunicação social, na ocasião da cerimónia de juramento e tomada de posse dos membros da direcção e conselho fiscal da Associação dos Antigos Estudantes de Macau da Faculdade de Direito da Universidade de Pequim. Em relação ao andamento da investigação da explosão do Edifício Pak Lei, Wong disse que as averiguações no local foram finalizadas, mas que ainda não é a altura certa para recolher depoimentos dos feridos internados. S.M.M.

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澳門國際機場專營股份有限公司 承建商及顧問公司網上預審登記系統 (新登記和更新) Macau International Airport Co. Ltd. Application for Inclusion In the Lists of Approved Contractors / Consultants (NEW REGISTRATION and RENEWAL) 澳門國際機場專營股份有限公司(以下簡稱“CAM”)建立了“承建商及顧問公司網上預審登記系統"。 Macau International Airport Company Limited (hereafter referred to as “CAM”) has established an online system for “Application for Inclusion in the Lists of Approved Contractors / Consultants”. 任何有意作出新申請以加入“承建商及顧問公司網上預審登記系統"資料庫(以下簡稱“資料庫”)的承建商及顧問 公司(下稱“新申請公司”),可登入網站(http://www.camacau.com)完成在線申請。CAM將對新申請公司提供的 信息及相關的資料文件進行評估以判斷是否符合有關要求。一經CAM批核認定符合資格後,新申請公司將被納入 成為資料庫內的合資格承建商及顧問公司,以便CAM可自行酌情決定向該資料庫內的承建商及顧問公司發出投標 邀請。 Any contractors / consultants which would like to make a new application for inclusion (hereafter referred to as “New Applicants”) in the “Lists of Approved Contractors / Consultants” (hereafter referred to as the “Lists”) may visit the website (http://www.camacau. com) to complete the registration online. CAM will evaluate the information and supporting documents provided by the New Applicants to assess whether they fulfil the requirements. Upon approval by CAM, the New Applicants will be included in the Lists, and CAM may at its sole discretion issue tender invitations to the Contractors / Consultants from the Lists. 對於之前已登記而截於2018年7月22日仍被登記於該資料庫內的承建商 / 顧問公司,需於下述期間內自行登入網站 (http://www.camacau.com)進行確認繼續登記於該資料庫或進行資料更新。繼續具有效資格的承建商 / 顧問公司將 可繼續收到該等由CAM自行酌情決定發出的投標邀請。凡未能於下述期間之截止日期前成功地進行確認或資料更 新的承建商 / 顧問公司將被除名且不再收到CAM的該等投標邀請: Contractors / Consultants which have previously registered and are still being included in the Lists as at 22 July 2018 are required to confirm or update their information via website (http://www.camacau.com) within the period provided below. Contractors / Consultants which continue to be qualified and approved may continue to receive the tender invitations to be issued by CAM at its sole discretion. Any Contractors / Consultants which have not successfully confirmed or updated their information by the Closing Date of the period will be removed from the Lists and will not receive the tender invitations: 開始日期 Starting Date: 截止日期 Closing Date:

2011年 2018年7月23日,上午9時(澳門時間) 23 July 2018, 09:00AM (Macau Time) 2018年9月28日,下午5時30分(澳門時間) 28 September 2018, 05:30PM (Macau Time)

然而,CAM保留自行酌情及在任何時間就任何承建商 / 顧問公司納入上述資料庫或從其除名之事宜以及就其他一切 相關事宜作出任何決定之權利。一切基於本通知進行的申請和遞交資料而產生之費用將由申請人自行承擔。如有任 何查詢,請致電 (853) 85988871。 Notwithstanding the above, CAM reserves the rights to make any decisions at its sole discretion and at any time on the inclusion or exclusion of any Contractors / Consultants in the Lists, as well as on all the other relevant matters. All costs associated with any application and submission in response to this notice shall be entirely the responsibility of the applicant. For any enquiries, please call (853) 85988871.


sociedade 7

segunda-feira 23.7.2018

OBRAS GOVERNO DEMOLE CONSTRUÇÕES ILEGAIS NA TAIPA

CAPITAIS TRANSACÇÕES SUSPEITAS DE BRANQUEAMENTO SOBEM ATÉ JUNHO

A

S autoridades de Macau registaram no primeiro semestre do ano 2187 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais e/ou de financiamento do terrorismo, mais 43,2 por cento do que no período homólogo de 2017. De acordo com dados publicados pelo Gabinete de Informação Financeira (GIF), nos primeiros seis meses do ano foi registado um aumento de 660 participações, em relação a igual período do ano passado. O jogo foi a actividade que deu origem a mais denúncias, 1128, ou 51,6 por cento do total, seguindo-se instituições financeiras e companhias de seguros, com 617. Outras instituições representaram 8,6 por cento das denúncias (442), indicou o GIF. No mesmo período de análise em 2017, o jogo representava 70,3 por cento (1074) do total das denúncias (1527). O aumento das participações no primeiro semestre de 2018, em comparação com o período homólogo de 2017, deveu-se sobretudo ao aumento das denúncias no segmento das outras actividades. O número destas denúncias foi 11 vezes superior do que o registado entre Janeiro e Junho de 2018. De acordo com o GIF, Macau recebeu em 2017 um total de 3085 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais e/ou de financiamento do terrorismo. Os sectores referenciados, como os casinos, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transação igual ou superior a 500 mil patacas.

Museu do Vinho DST vai procurar outro espaço para alargar estrutura

A Directora da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, confirmou a recepção da planta de condições urbanísticas para o Museu do Vinho na Rua dos Navegantes em Coloane. De acordo com o Jornal Ou Mun, a responsável entende que a planta não reúne as expectativas do Executivo pelo que espera que seja encontrada uma localização melhor.

A abrir caminho

O Grupo para Demolição e Desocupação das Obras Ilegais foi chamado a intervir em dois edifícios, depois dos donos se terem recusado a remover construções ilegais. Pela primeira vez, o organismo público interveio num edifício público

ções autónomas de um edifício alto situado na Rua de Hong Chau na Taipa”, começou por explicar, em comunicado, o Grupo de Demolição e Desocupação das Obras Ilegais. Após as denúncias, os proprietários foram notificados e alguns procederam à remoção das construções ilegais. Outros nada fizeram o que obrigou o Governo a intervir. Foi por essa razão, e como último reduto, que o Grupo de Demolição e Desocupação das Obras Ilegais entrou no edifício e demoliu o que considerou necessário, em nome da segurança. “Visto que os corredores públicos são caminhos de evacuação, devem conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos. A fim de não obstruir a evacuação em caso de incêndio e colocar em risco a vida e os bens das pessoas, o grupo procedeu por si próprio à demolição”, foi justificado, em comunicado.

CASOS QUE SE REPETEM

Apesar desta ter sido a primeira vez que a Administração entrou num edifício público para limpar os acessos às saídas de emergência, já antes, em Maio, tinha demolido uma construção com dois pisos, feita de forma ilegal num terraço.

Apesar desta ter sido a primeira vez que a Administração entrou num edifício público para limpar os acessos às saídas de emergência, já antes, em Maio, tinha demolido uma construção com dois pisos

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ÁRIOS portões instalados de forma ilegal nas zonas públicas de um edifício na Rua de Hong Chau, nas traseiras do Hotel Altira, foram removidos, em Junho pelo denominado Grupo Permanente de Trabalho Interdepartamental para Demolição e Desocupação das Obras Ilegais. A informação foi divulgada ontem e esta foi a

primeira vez que o grupo, sob a alçada da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transporte (DSSOPT), entrou num prédio habitacional só com o objectivo de desobstruir as saídas públicas de emergência. O caso aconteceu depois de várias queixas por parte de moradores que alertaram as autoridades para o facto de as zonas estarem a ser ocupadas por construções ilegais,

que impediam o acesso a saídas de emergência e outras partes colectivas do prédio. As denúncias levaram o Corpo de Bombeiros a iniciar as investigações que culminaram na intervenção. “Nos últimos anos, a DSSOPT tem recebido queixas da população e do Corpo de Bombeiros relacionadas com a instalação de portões metálicos nos corredores públicos em frente de cerca de setenta frac-

“Em Maio, o grupo demoliu uma construção ilegal no terraço de um edifício situado no Beco da Alegria [junto às antigas instalações da Universidade de Macau], na Taipa. Neste caso, o infractor tinha edificado numa parte do terraço do edifício uma construção ilegal de dois pisos constituída por paredes de tijolos, pavimentos de betão, janelas de vidro, suportes metálicos, coberturas metálicas e de vidro e instalado um portão metálico”, revelou, igualmente, o Executivo. “As obras ilegais constituem um potencial risco para a estrutura dos edifícios e para a segurança pública”, é recordado pela Administração. Também neste caso o proprietário foi avisado, antes de ter sido feita a demolição. João Santos Filipe

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23.7.2018 segunda-feira

SEGURANÇA PRISÃO VAI TER CÂMARAS EM CELAS “ESPECIAIS”

Vigiar a pena

A Direcção de Serviços Correccionais vai instalar câmaras em algumas celas do Estabelecimento Prisional de Coloane. A medida visa garantir a segurança de determinados reclusos bem como dos próprios funcionários. O Gabinete de Protecção de Dados Pessoais concordou com a iniciativa

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Estabeleciment o Prisional de Coloane (EPC) vai instalar câmaras de videovigilância nalgumas celas. De acordo com um comunicado oficial, a medida tem “em conta as características especiais de elevada densidade e complexidade da população prisional”, pelo que “é importante o aumento da eficácia de vigilância, no sentido de garantir a segurança da prisão”. Em causa está a necessidade de vigilância reforçada e contínua de “certos reclusos”. Neste grupo encontram-se “os recém-entrados, muitas vezes, com instabilidade emocional e

alto grau de risco de suicídio, os reclusos doentes que necessitam de cuidado persistente, reclusos agressivos com comportamento anormal, ou até, com experiência de agressão contra os guardas ou outros reclusos”, aponta o documento. O objectivo é a utilização da tecnologia para garantir a vigilância nas celas consideradas especiais, nas quais se incluem “celas de observação dos reclusos recém-entrados, celas da enfermaria e celas disciplinares”.

TUDO MUITO PRIVADO

Tendo como referencia as experiências de outros países e regiões a Direcção

de Serviços Correccionais (DSC) pretende “elevar, através dos meios tecnológicos e informáticos, a eficácia nas tarefas de vigilância, criando um ambiente de cumprimento de pena mais seguro e ordenado e, ao mesmo tempo, reduzindo os recursos humanos”, aponta o comunicado. A DSC solicitou ainda a opiniões do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais (GPDP) de modo a “garantir os direitos de privacidade dos reclusos”. De acordo com a mesma fonte, e depois da visita de uma comitiva de oito elementos deste gabinete ao EPC, a Direcção de Serviços Correccionais mostrou-se favorável à instalação de

EMPREGO GOVERNO CRIA CONSELHO CONSULTIVO PARA O ENSINO SUPERIOR

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Governo de Macau anunciou na sexta-feira, a criação de um conselho consultivo para o ensino superior, cuja missão é adequar a oferta de cursos à realidade do território, de forma a reforçar a empregabilidade. Uma das principais funções do Conselho do Ensino Superior será “pronunciar-se sobre a adequação dos cursos do ensino superior às necessidades sociais”, de acordo com um comunicado do Conselho Executivo de Macau. As autoridades consideram que esta entidade deve apoiar o Governo quanto ao rumo a seguir pelas instituições de ensino superior na formação de quadros qualificados. “As atribuições principais do Conselho incluem: pronunciar-se sobre o desenvolvimento do ensino superior e a definição das políticas; emitir pareceres e fazer recomendações sobre os mecanismos de garantia da

qualidade do ensino superior e formular opiniões sobre a revisão da legislação do ensino superior”, lê-se no comunicado. O Governo de Macau de Macau pretende que o presidente deste conselho, que deve entrar em vigor a partir de 8 de Agosto, seja o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que tutela a educação no território. De acordo com os dados mais recentes dos Serviços de Estatística e Censos de Macau, a população activa no território é de 388 mil pessoas, sendo que a maioria está empregada no ramo das actividades culturais e recreativas (95,4 mil pessoas), nos hotéis, restaurantes e similares (56 mil pessoas) e no comércio por grosso e a retalho (43,6 mil pessoas). A taxa de desemprego em Macau em 2017 foi de 2 por cento.

O objectivo é a utilização da tecnologia para garantir a vigilância nas celas consideradas especiais, nas quais se incluem “celas de observação dos reclusos recém-entrados, celas da enfermaria e celas disciplinares”.

câmaras. “Após a verificação das celas prisionais, o gabinete concordou com a instalação de câmaras de videovigilância nas celas especiais”, lê-se. No entanto,

“a par da aplicação das tecnologias avançadas, deve ser respeitada a garantia da privacidade pessoal”. De modo a garantir a protecção de dados pessoais, “foram ela-

borados regimes e instruções rigorosos, para a conservação e o tratamento prudentes dos dados recolhidos”. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

INFLAÇÃO TAXA DE 2,13 POR CENTO EM JUNHO

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taxa de inflação em Macau foi de 2,13 por cento nos 12 meses terminados em Junho, relativamente a igual período imediatamente anterior, indicam dados oficiais divulgados ontem. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou as maiores subidas nos preços da saúde (+4,88 por cento), da educação (+4,73 por cento), e do vestuário e do calçado (+4,43 por cento). Só em Junho, o IPC geral, que permite conhecer a influência da variação de preços na generalidade das

famílias de Macau, cresceu 3,11 por cento em relação a igual período do ano passado, sendo este crescimento superior ao de Maio em 2,97 por cento. Os Serviços de Estatística e Censos justificaram este crescimento

mensal com a subida dos preços “das refeições adquiridas fora de casa, das rendas de casa, dos preços da gasolina e das tarifas dos estacionamentos públicos, bem como pelo aumento dos preços do vestuário e calçado para senhoras, para o período do Verão”. De acordo com a DSEC, no segundo trimestre de 2018, o IPC geral médio cresceu 2,99 por cento em relação ao mesmo período de 2017. Em 2017, a taxa de inflação em Macau foi de 1,23 por cento, uma diminuição relativamente aos 2,37 por cento registados em 2016.


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segunda-feira 23.7.2018

COSTA NUNES DIRECTOR DA DSEJ CONSIDERA MULTA JUSTA

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dirigente máximo da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Lou Pak Sang, considera que a multa de 12 mil patacas aplicada ao Jardim de Infância D. José da Costa Nunes é a medida mais adequada. De acordo com declarações ao Jornal Ou Mun, o responsável considera o valor da multa justo, e justifica que a decisão foi tomada tendo em consideração o facto de a professora não ter denunciado a situação junto da escola, e desta não ter de imediato comunicado com a DSEJ. Lou Pak Sang referiu ainda que as penas mais graves

previstas na lei seriam a suspensão do funcionamento da escola, o seu encerramento ou o fim da atribuição de subsídios por parte do Governo. No entanto, a suspensão do funcionamento da escola poderia ter influência negativa junto de pais e alunos. O dirigente foi mais longe e mencionou que o Costa Nunes é uma instituição necessária no território. O director disse também que o Executivo iniciou os trabalhos da revisão do estatuto das instituições educativas particulares, que visa rever o estabelecimento e competências das escolas.    

JOGO MAIS DE 55 MIL MILHÕES DE PATACAS EM IMPOSTO DIRECTO

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ACAU arrecadou 56,8 mil milhões de patacas em receitas provenientes dos impostos directos sobre o jogo no primeiro semestre do ano. De acordo com os dados provisórios divulgados no portal da Direcção dos Serviços de Finanças de Macau, este resultado representa um aumento de cerca de 18,9 por cento em relação ao período homólogo. Só no mês de Junho, o Governo do território recolheu cerca de 9 mil milhões de patacas em impostos directos sobre o jogo. Em relação às receitas totais, a Administração de Macau obteve, até ao final de Junho, 64,373 mil milhões de patacas, mais 9,391 mil milhões (17,1 por cento) do que em igual período do ano passado. Os impostos directos

sobre o jogo – 35 por cento sobre as receitas brutas dos casinos – representaram, nos primeiros seis meses do ano, cerca 84,8 por cento das receitas totais da Administração de Macau. As contas públicas tiveram um saldo positivo de 30,523 mil milhões de patacas, em comparação com os 20,236 mil milhões de patacas alcançados no ano anterior. No capítulo da despesa verificou-se uma diminuição de 896 milhões (2,6 por cento) de patacas em relação ao mesmo período de 2017, sendo agora de 33,850 mil milhões de patacas. De acordo com os dados provisórios, a Administração de Macau encerrou 2017 com receitas de 118,069 mil milhões de patacas, mais 15,3 por cento em relação a 2016.

VIVA MACAU DINHEIRO EMPRESTADO PELO GOVERNO DADO COMO PERDIDO

Milhões pelos ares

A Direcção de Serviços de Economia, que tutela o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, fez empréstimos sem garantias à Viva Macau e agora os 212 milhões de patacas foram dados como perdidos. A empresa mãe da antiga companhia aérea, sediada em Hong Kong, tem um accionista de Macau, mas Governo não quis avançar a sua identidade

O

S 212 milhões de patacas que o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (FDIC) emprestou à Viva Macau dificilmente vão ser recuperados porque não há bens para penhorar. O facto foi admitido, ontem, num comunicado da secretaria do Tribunal Judicial de Base, que defendeu ainda que o Governo devia ter colocado, logo em 2010, uma acção em Hong Kong contra o principal accionista da Viva Macau: a empresa Eagle Airways, sediada na RAEHK. Segundo o comunicado, a FDIC fez vários empréstimos à Viva Macau através do Plano de Apoio a Pequenas e Médias Empresas (PME), num total de 212 milhões de patacas. Como contrapartida, o principal accionista da empresa, a Eagle Airways, assinou cinco livranças, ou seja promessas por escrito de garantia em caso de incumpri-

mento, mas não deu “quaisquer coisas materiais ou bens como hipoteca ou garantia”. Logo em Abril de 2011, cerca de um ano depois da falência da Viva Macau, os tribunais de Macau autorizaram a penhora de 121 mil dólares norte americanos à empresa de Hong Kong. Porém, a decisão foi inútil, visto que não existe acordo de cooperação jurídica entre as regiões e a penhora não foi feita. Em alternativa, foram penhoradas as quotas sociais da Eagle Airways na Viva Macau. Contudo, nunca apareceu nenhum comprador para estes bens.

Por esta razão, a 6 de Junho, o tribunal decidiu suspender o pedido do FDIC para penhorar e vender os bens da empresa de Hong Kong, até serem identificados outros bens que possam pagar a dívida existente. No entanto, o tribunal deixou um recado ao Governo: “Devia o FDIC, logo em 2010, isto é, no momento em que instaurou a respectiva acção de execução em Macau, ter-se dirigido a Hong Kong para efectivar a referida responsabilidade avalista do executado [Eagle Airways] por meio judicial”, é apontado. Importa salientar que a companhia acumulara, entre mais de 1000 credores, cerca

O HM tentou obter o nome do accionista de Macau envolvido, mas a DSE não quis revelar a identidade. Na altura do fecho da companhia, o empresário local, com origem em Fujian, Ngan In Leng era o presidente da Viva Macau

de 2 mil milhões de patacas de dívidas.

NGAN IN LENG PRESIDIA VIVA MACAU

Segundo o tribunal, a Eagle Airways tem como accionistas uma empresa de Macau, que não é identificada, uma de Hong Kong, uma empresa da Samoa e três companhias offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Em reacção ao comunicado, a Direcção de Serviços de Economia explicou que os apoios foram concedidos num ambiente especial, depois da crise financeira de 2008, e que em 2015 foram revistos os procedimentos internos para evitar este tipo de situações. O HM tentou obter o nome do accionista de Macau envolvido, mas a DSE não quis revelar a identidade. Na altura do fecho da companhia, o empresário local, com origem em Fujian, Ngan In Leng era o presidente. João Santos Filipe

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“A Transfiguração da fome” é o quinto livro de poesia de Sara F. Costa. A apresentação da obra escrita entre Portugal e o oriente está marcada para o próximo dia 28 e vai ser feita por António Graça de Abreu e Fernando Sales Marques Porquê “A Transfiguração da Fome”? Este livro é publicado na sequência de uma menção honrosa no Prémio de Poesia Soledade Summavielle atribuído pelo Núcleo de Artes e Letras de Fafe (NALF). A palavra “transfiguração” está comumente associada a um episódio bíblico mencionado no primeiro testamento, e que ocorre numa montanha conhecida como Monte da Transfiguração, onde Jesus aparece em forma de brilho. Na doutrina cristã, o facto de a transfiguração se dar no alto de uma montanha representa o ponto onde a natureza humana se encontra com Deus: o encontro do temporal com o eterno, com Jesus a fazer o papel de ponte entre o céu e a terra. Na mitologia chinesa taoista, é o homem que faz a ponte entre a terra e o céu, deslocando a divindade para o humano. Seja como for, o livro não é propriamente uma reflexão de pendor religioso, apenas se aproveita deste sentido para logo acrescentar uma viragem com a introdução da “Fome”. A “fome” pode ser a fome dos mais fracos, pode ser a fome mundana da ambição, pode ser o desejo. Transfigurar a fome em poesia é apenas uma tentativa de atribuir um sentido divino a tantos sentimentos mundanos que tenho. Existe algum teor religioso ao longo da obra? Não, eu diria que o meu instinto, ao utilizar estes termos, foi mais irónico. Ao longo do livro os poemas abordam

23.7.2018 segunda-feira

SARA F. COSTA

“Os poemas são outras peles” POETISA

muito que possamos passar por coisas particulares, há sempre forma de fazer com que os outros compreendam e se crie uma empatia entre o que está escrito e quem lê.

“Sempre achei que tanto a poesia como o meu fascínio pelo Extremo Oriente se relacionavam.”

certos valores tidos como religiosos como o nascimento, a verdade, a fé e a esperança, acho que se quisermos interpretar algo timidamente religioso aqui, é possível, mas é possível interpretar exactamente o oposto, o mundano e existencialista, o estado de coisas em que se espera para sempre por uma ausência infinita. Foi escrito entre Lisboa e Pequim. Como foi o processo de escrita deste livro? Há uma diferença de tonalidade entre a primeira parte e a segunda parte. Recebi umas observações do António Graça Abreu que me disse que gostou sem dúvida mais da segunda parte por-

que, escrita num momento em que já estou a viver em Pequim, sente-se que os poemas respiram e falam sobre este espaço geográfico. Como historiador e especialista em estudos chineses, compreendo o interesse dele por esta faceta. A primeira parte foi escrita em Lisboa ao longo de vários meses. Não tenho um processo muito específico. Sento-me e escrevo. Escrevo no computador ou escrevo à mão se não estiver com o computador. Há alguns momentos no livro que são muito intimistas e outros que se focam mais no tema da transfiguração. Acho sempre que o desafio é falar tão especificamente de algo que é meu de tal modo que se torna identificável porque, por

Como é que sente a influência asiática no que escreve? A segunda metade do livro foi escrito entre Macau, Coreia do Sul e Pequim. É aí que se sente mais a influencia asiática nos meus poemas. Muitas vezes são apenas menções a lugares, outros poemas são uma reflexão sobre a minha aculturação. Sempre achei que tanto a poesia como o meu fascínio pelo Extremo Oriente se relacionavam, na medida em que o que me faz criar é realmente encarnar diferentes papéis, deslocar-me daquilo que eu sou para aquilo que eu posso vir a ser depois de passar por determinada experiência. Os poemas são outras peles e experienciar outras culturas é também ter a capacidade de ocuparmos peles diferentes das nossas em todos os níveis, no sentido social, no sentido cultural, no sentido linguístico, etc.

“A ‘fome’ pode ser a fome dos mais fracos, pode ser a fome mundana da ambição, pode ser o desejo. Transfigurar a fome em poesia é apenas uma tentativa de atribuir um sentido divino a tantos sentimentos mundanos que tenho.”


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segunda-feira 23.7.2018

“A Transfiguração da Fome” tem uma nota introdutória de José Luís Peixoto. Porquê este autor? O que ele escreve nesta nota é muito interessante porque ele fala de uma relação poética entre nós. Gosto sempre de trazer para os meus livros as minhas referências, por isso abro com citações de Yukio Mishima, ou Herberto Helder, ou Al Berto, dependendo do livro. Quando era adolescente cresci muito poeticamente com o livro “A Criança em Ruínas”. Sei que José Luís Peixoto é mais conhecido pela prosa, mas há nele um génio poético inegável e que influenciou muito a minha expressão. Ao falar de uma ligação de quem lê para quem escreve ou de quem escreve para quem escreve, acho que estou a chegar a um nível de meta-narrativa muito pertinente. A maioria das pessoas que leem o que eu escrevo são também muitas vezes escritores. Estas referências são talvez uma forma de celebrar esta espécie de comunidade poética que se gera à volta de livros de poesia. Por outro lado, o José Luís Peixoto tem participado em vários eventos na Ásia. Para a apresentação do meu livro em Lisboa também fiz questão de convidar um poeta que vive em Macau, Fernando Sales Lopes e o poeta e historiador António Graça Abreu, um dos maiores especialistas na cultura e literatura chinesa. Muita gente escreve poesia mas acho que se torna interessante quando temos mais em comum para além da dimensão literária, que é bastante vaga.

“Tenho prazer em escrever e sinto muitas vezes necessidade de o fazer, uma forma de reinterpretar a realidade e dizer: ‘é isto que eu acho que se está a passar’.” Porquê a poesia? É daquelas questões difíceis de explicar de uma maneira completamente legível. Escrevo desde criança. Não quero entrar em misticismos e dizer que é algo que “nasceu” comigo, mas em simultâneo é um pouco assim que me sinto. Não é uma explicação muito racional. Tenho prazer em escrever e sinto muitas vezes necessidade de o fazer, uma forma de reinterpretar a realidade e dizer: “é isto que eu acho que se está a passar”. Sofia Margarida Mota

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PINTURA “A ILHA DO TESOURO” DE PAULA REGO VENDIDO POR 200 MIL EUROS

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M quadro de Paula Rego, intitulado “A Ilha do Tesouro”, foi vendido esta semana num leilão, em Lisboa, por 200 mil euros, anunciou a leiloeira Palácio do Correio Velho, em comunicado. No leilão realizado na quarta e na quinta-feira, também foram vendidos três quadros de Júlio Pomar (1926-2018): “Casamento”, que foi à praça por 100.000 euros e comprado por 180.000 euros, “Entrada de Touros”, subiu da base de 80.000 euros para 120.000 euros, e “Um Taureau dans une coquilhe” foi vendido por 40.000 euros, que era a base de licitação. De acordo com a leiloeira, foram apresentados 624 lotes neste leilão de Antiguidades e Arte Moderna e Contemporânea. “A Ilha do Tesouro”, de Paula Rego, pintado em 1972, em técnica mista com colagens sobre tela, com dimensões aproximadas de 120 por 120 centímetros, levava uma estimativa mínima de 200 mil euros, valor pelo qual foi arrematado. De Júlio Pomar, artista que morreu em Maio deste ano, os quadros eram três óleos sobre tela: “Casamento”, pintado em 1961, “Entrada de Touros”, de 1963, “Un Taureau dans une Coquille”, datado de 1984.


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O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou, durante uma visita de Estado ao Senegal para assinar dez acordos de cooperação, que o continente africano “promete um futuro radioso” pelo “grande dinamismo” que demonstra

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EPOIS de ter chegado a Dacar, o Presidente chinês assinou com o seu homólogo senegalês, Macky Sall, novos acordos para reforçar

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DIPLOMACIA XI JINPING DIZ QUE ÁFRICA “PROMETE UM FUTURO RADIOSO”

Rali Pequim - Dacar “Cada vez que visito África consigo avaliar o grande dinamismo deste continente, que promete um futuro radioso”, comentou o presidente chinês, afirmando-se “plenamente confiante no futuro da cooperação sino-africana”

os laços económicos, no âmbito da visita de Xi Jinping, a primeira deste nível desde há uma década. "Cada vez que visito África consigo avaliar o grande dinamismo deste continente, que promete um futuro radioso", comentou o presidente chinês, afirmando-se "plenamente confiante no futuro da cooperação sino-africana". Os dois dirigentes assinaram dez acordos nos domínios da justiça, da cooperação económica e técnica, infra-estruturas, valorização do capital humano e aviação civil. Os dois chefes de Estado falaram sobre "a cooperação bilateral, as relações sino-africanas e a actualidade internacional", declarou, na altura, o presidente Macky Sall, comentando que a China "é uma das grandes economias da era moderna",

cujo percurso do povo prova que "o subdesenvolvimento não é uma fatalidade e que a batalha pelo progresso se ganha, em primeiro lugar, pelo espírito combativo". A China é o segundo parceiro comercial do Senegal, a seguir à França, fornecendo àquele país africano materiais de construção e aparelhos de recepção de som e imagem, ascendendo a 559 milhões de euros, enquanto as exportações do país africano para a China atingiram mais de 115 milhões de euros em 2017, sobretudo em minerais e amendoins.

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Gestão e Exploração do Auto Silo do Jardim de Vasco da Gama Anúncio de Reclamacão dos Veículos Removidos

COMPANHIA DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E ADMINISTRAÇÃO DE PROPRIEDADES SAN WAI SON LIMITADA

Trata-se da quarta visita do chefe de Estado da República Popular da China a África e irá passar por vários países, como o Ruanda e a África do Sul - país que organiza a 10.ª Cimeira BRICS

HONG KONG EX- CHEFE DO EXECUTIVO PERDE RECURSO

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antigo chefe do Executivo de Hong Kong Donald Tsang perdeu um recurso para anular a condenação e a sentença de 20 meses de prisão por conduta indevida quando ocupava o cargo, foi noticiado. Tsang, de 73 anos, foi condenado em 2017 depois de ser considerado culpado num caso de conflito de interesses relacionado com a aprovação de licenças em troca do uso de um luxuoso apartamento na THE STANDARD

Tendo os veículos abaixo referidos violado o Artigo 36° “Estacionamento abusive nos autos-silos”do «Regulamento do Serviço Público de Parques de Estacionamento» e tendo sido removidos pela nossa empresa para o Depósito dos Veículos Estacionados Abusicamente do Cotai, os seus proprietários devem deslocar-se ao COMPANHIA DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E ADMINISTRAÇÃO DE PROPRIEDADES SAN WAI SON LIMITADA, para pagar as taxas e realizar as formalidades para a reclamação dos respectivos veículos. Se o veículo não foi reclamado dentro do prazo de 90 dias, é condiderado abandonado. Favor notar que caso o proprietário não reclame o seu veículo, a nossa empresa cobrará as respectivas taxas por via judicial nos termos do Artigo 48° “Constituição do Débito relative taca”do «Regulamento do Serviço Público de Parques de Estacionamento». Caso tenha pagado as taxas e realizado as formalidades de reclamação do seu veículo, deverá ignorar o presente anúncio. N°de Matrícula (Automóveis ligeiros): MI-22-63 Para mais informações, ligue 28430036/63222682

Inúmeras infra-estruturas no Senegal foram construídas pela China, nomeadamente estádios, autoestradas, um hospital, um teatro nacional e um museu das civilizações negras.

- que reúne um grupo de potências emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) -, e ilhas Maurícias. Num texto assinado por Xi Jinping e publicado na sexta-feira no jornal senegalês Le Soleil, o Presidente chinês recorda que a China é o segundo maior parceiro comercial do Senegal, tendo as trocas comerciais crescido 16 vezes nos últimos dez anos. Xi Jinping assinala que a China é a maior fonte de financiamento e enumera alguns projectos lançados com fundos chineses, como a ponte de Foundiougne e a autoestrada que liga as cidades de Thies e Touba, que vão permitir ao Senegal "aumentar fortemente o crescimento económico" do país. "Para que haja desenvolvimento e prosperidade entre todos, temos de nos juntar e criar uma relação China-África ainda mais forte e de olhos postos no futuro", apelou o Presidente chinês no texto. A 10.ª Cimeira BRICS terá como tema a "Colaboração para o Crescimento Inclusivo e Prosperidade Partilhada na 4.ª Revolução Industrial" e decorrerá entre os dias 25 e 27 de Julho, em Joanesburgo. Nos últimos anos, a China realizou vários investimentos em África, incluindo uma base naval na costa do Djibuti que custou cerca de 590 milhões de dólares (cerca de 503 milhões de euros).

vizinha cidade chinesa de Shenzhen, durante o mandato. O tribunal de apelo decidiu recusar o recurso apresentado por Tsang para anular a condenação, mas aceitou reduzir a pena a 12 meses de prisão por questões de saúde e de bom comportamento, entre outras, noticiaram meios de comunicação social de Hong Kong. A mulher do antigo chefe do Executivo da Região Administrativa Especial

chinesa, Selina Chang, mostrou-se decepcionada com a decisão do tribunal e afirmou que o marido vai estudar, com os advogados, "os passos a seguir a partir de agora". Depois de ouvir a decisão, Donald Tsang sentiu-se indisposto e foi levado para um hospital, acrescentaram. Após a condenação inicial, o antigo chefe do Executivo ficou na prisão apenas dois meses, tendo sido autorizado, por um juiz, a esperar a conclusão do recurso em liberdade sob fiança. Tsang, o primeiro líder de Hong Kong a ser condenado num processo criminal, liderou o Governo da cidade entre 2005 e 2012, ano em que deixou o cargo depois de admitir ter aceitado ofertas de magnatas chineses em forma de viagens em iates de luxo e aviões privativos.


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segunda-feira 23.7.2018

COREIA DO SUL SEUL DOA ARROZ PARA REFUGIADOS NA ÁFRICA ORIENTAL

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Coreia do Sul doou 33 mil toneladas de arroz para mais de 1,5 milhões de refugiados em três países da África Oriental: Etiópia, Quénia e Uganda, divulgou ontem o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU. O primeiro-ministro sul-coreano, Lee Nak-yon, entregou no sábado parte destes donativos a representantes do PMA, num dos seus armazéns em Nairobi, de acordo com o comunicado das Nações Unidas citado pela agência Efe. "O arroz fornecido pelo Governo da República da Coreia pode não ser suficiente para resolver todo o problema da fome, mas espero que ele possa ajudar a aliviar a fome dos refugiados," disse o primeiro-ministro. No Quénia, 13.000 toneladas permitirão alimentar os 400 mil refugiados que vivem nos campos de Dadaab e Kakuma, pelo menos durante quatro meses, a partir de Agosto. Outras 15.000 toneladas serão enviadas para a Etiópia, enquanto as restantes 5.000 serão enviadas para o Uganda, que acolhe a maior população de refugiados do mundo (aproximadamente 1,5 milhões), depois da Jordânia e Turquia. De acordo com o PMA, que agradeceu a "generosidade" da Coreia do Sul, os cereais representam 75 por cento da dieta dos refugiados.

Comércio Seul pede aos EUA que veículos sul-coreanos continuem isentos

O Governo de Seul pediu aos Estados Unidos que os veículos sul-coreanos sejam excluídos da nova tarifa de 25 por cento que Washington pretende impor sobre carros e peças importados, informaram ontem fontes oficiais. Os veículos sul-coreanos que entram no mercado norte-americano não estão sujeitos a tarifas de importação em resultado do acordo de comércio livre assinado por ambas as partes em 2012. O pedido foi feito pelo ministro das Finanças da Coreia do Sul, Kim Dong-yeon, durante um encontro com seu homólogo americano, Steven Mnuchin, à margem reunião do G20 em Buenos Aires. De acordo com uma declaração oficial do Ministério das Finanças, Kim "pediu" a Mnuchin que os veículos sul-coreanos não sejam incluídos na nova tarifa que a Casa Branca quer impor, lembrando ao secretário do tesouro norte-americano o impacto positivo da indústria automóvel daquele país asiático no emprego e nos investimentos nos Estados Unidos.

JAPÃO APROVADA LEI QUE PERMITE ABERTURA DE CASINOS A PARTIR DE 2020

Jogo do sol nascente

O parlamento do Japão aprovou na sexta-feira uma lei que permite a abertura de três casinos a partir de meados de 2020, com o objectivo de impulsionar o turismo

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lei, que define os termos e condições concretas para o estabelecimento de casinos, foi recebida com fortes críticas por parte da oposição, que teme o flagelo da dependência do jogo. Um estudo de 2017 do ministério da saúde revelou que cerca de 3,2 milhões de pessoas, cerca de 3,6 por cento da população adulta, eram consideradas viciadas no jogo, muito mais do que se verificava em outros países - 1,2 por cento na França, 0,4 por cento na Itália e 0,2 por cento na Alemanha. No final de 2016, uma primeira proposta tinha sido aprovada após anos de debate. Desta vez, um novo passo foi dado com a votação do Senado, um mês após a ‘luz verde’ dada pela Câmara dos Representantes do Japão (câmara

baixa nipónica), autorizando a construção de três ‘resorts’ integrados que podem incluir, além de casinos, centros de conferência, hotéis, restaurantes, teatros e outros locais de entretenimento. “Não se trata apenas de casinos”, disse o porta-voz do governo Yoshihide Suga, durante uma conferência de imprensa realizada antes da votação. “Estes espaços terão como objectivo aumentar o número de turistas em todo o Japão”, contribuindo para que se torne “uma grande nação de turismo” e, assim, apoiar aquela que é a terceira maior economia do mundo, sublinhou.

OPINIÃO IMPOPULAR

Os operadores de casinos têm mostrado grande interesse em se instalarem no Japão, muito por causa do crescente fluxo de

turistas chineses e do entusiasmo de muitos segmentos da população pelo jogo. Economistas projectam um mercado anual de 2.000 a 3.700 bilhões de ienes (entre 15,3 e 28 mil milhões de euros), uma receita extra para os

Entre a população, no entanto, poucos são a favor da lei. De acordo com uma pesquisa recente da agência de notícias Jiji, 62 por cento dos entrevistados manifestaram-se contra e apenas 22 por cento apoiam a lei

governos estaduais e locais, uma vez que a tributação é fixada em 30 por cento, a dividir também com o governo central. Entre a população, no entanto, poucos são a favor da lei. De acordo com uma pesquisa recente da agência de notícias Jiji, 62 por cento dos entrevistados manifestaram-se contra e apenas 22 por cento apoiam a lei. Para responder às preocupações sobre o risco do vício em jogos de azar, a lei prevê uma taxa de entrada de 6.000 ienes (46 euros) para residentes do arquipélago e limita para dez o número de visitas por mês. Operadores de jogo como a MGM Resorts International, Wynn Resorts e Las Vegas Sands Corporation já manifestaram interesse em instalar casinos no Japão.

DESASTRE PRAIAS JAPONESAS DEVASTADAS PELO TSUNAMI DE 2011 REABREM

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UAS praias situadas no noroeste do Japão devastadas pelo tsunami de 2011 foram este fim-de-semana abertas ao público, depois de ter sido comprovado que os níveis de radioactividade eram adequados oito anos após o desastre.

A reabertura das duas praias, situadas na cidade de Soma (Fukushima) e em Ishinomaki (Miyagi), coincide com uma onda de calor que invadiu o país desde a semana passada e que já causou pelo menos 30 mortos. Estas zonas costeiras recebiam durante os

meses de Verão entre 30 a 50 mil visitantes antes do forte terramoto de 9 graus na escala de Richter e posterior tsunami que provocou o desastre na central Fukushima Daiichi, segundo os dados da agência japonesa Kyodo. Os controles de qualidade realizados pelas

autoridades locais de Soma desde 2015 demonstraram que os níveis de radioactividade se encontram abaixo dos mínimos estabelecidos pelos critérios de segurança da praia. Também foram reconstruídos os diques que foram danificados e removidos os materiais

que foram arrastados para a costa após o tsunami. O desastre de 11 de Março de 2011, o pior da história recente do Japão, causou 18.000 mortos e dezenas de milhares de pessoas desalojadas, bem como danos graves para a economia local e os cofres públicos.


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Cada manhã ressuscito. Do sono, esse irmão da Morte Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

O pincel na mão de Wu Daozi

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ETER Bruegel, o Velho (1525?-1569), pintou inúmeras cenas em que surpreendentemente os aldeões simples, na sua vida e afazeres diários, eram protagonistas. Na paisagem também foi inovador, a perspectiva alta utilizada na «Paisagem com a fuga para o Egipto», de 1563, com as figuras integradas na natureza, era uma visão diferente da dos seus pares. Não fazia retratos para vender, como outros pintores seus contemporâneos, e no provável auto-retrato realizado a pena e tinta sobre papel castanho, de c.1565,

assombro, pelo que na arte religiosa, desde pelo menos o século VI, foi comum o uso de pinturas murais em templos para práticas de meditação ou, utilizando imagens aterradoras, despertar o medo que conduziria à correcção dos comportamentos. Artistas, no tempo e com a dimensão de Wu Daozi, podiam criar o seu próprio programa iconográfico. E não raro a essa originalidade se colavam lendas como a que explica o desaparecimento do artista. Wu teria feito uma pintura de paisagem tão real, incluindo uma gruta no sopé de uma montanha, que lhe

Na paisagem também foi inovador, a perspectiva alta utilizada na «Paisagem com a fuga para o Egipto», de 1563, com as figuras integradas na natureza, era uma visão diferente da dos seus pares de pequenas dimensões revela uma inesperada crítica aos comerciantes de pintura. Na sua alçada mão direita, orgulhoso, o pintor exibe um pincel. Wu Daozi (680-740), o pintor de Henan, compreenderia o orgulho da exibição de um pincel. Jing Hao na primeira metade do século X, ao expor a tripla essência da pintura: espiritual, natural e plástica e colocaria nesta última o pincel (bi); de facto a pintura, desde o início e por excelência é a «arte do pincel». Toda a forma de pintura que exclui o uso do pincel será desvalorizada. A pintura no seu entendimento filosófico, uma expressão do «ritmo espiritual», (qiyun), e o pincel o canal privilegiado por onde o pintor faz passar a energia espiritual que recebe e transmite do mundo natural. E através do traço primordial do pincel podem ser expressas «dez mil coisas» (Laozi, cap. 42). Uma acção que quase toca o

permitiu entrar no espaço pintado e batendo palmas o pintor terá convidado o imperador a entrar atrás dele, porém de seguida a pintura desaparece perante o atónito imperador. Mas o reconhecimento da proeminência de Wu Daozi, também conhecido como Daoxuan, para a arte da pintura começa logo com Zhang Yanyuan (c. 815877) que na seminal obra crítica Lidai Minghua Ji de 847, classifica as obras do pintor, «desde a juventude consciente de um misterioso poder espiritual», como «as mais divinas e extraordinárias» (Secção I, Cap. IV). E se na categorização crítica Jing Hao aponta uma falha em Wu Daozi é o «excesso de pincel», ou seja a ausência de contraste de luzes e sombras. Aquilo que Wu Daozi podia fazer com o pincel porém, ninguém duvida, aqueles que puderam ver viram algo de novo, tal como os aldeões de Peter Bruegel, figuras do espanto.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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Ofício dos ossos Valério Romão

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O Verão há muito tempo

A minha infância, o Verão anunciava um horizonte inteiramente diferente daquele que vigorava no resto do ano. Era uma espécie de intervalo que redimia os meses de frio e de solidão em Clermont-Ferrand, França. O inverno em Clermont-Ferrand era sinónimo de frio e de neve. Ao contrário da imagem romântica que temos da neve – e num país como Portugal, só se pode ter uma imagem romântica – a época da neve não corresponde a parzinhos românticos dançando no gelo, felizes, em pleno Central Park, ou a bonecos alvos salpicados de vegetais fingindo narizes e olhos. Na maior parte do tempo em que neva, a vida quotidiana e a poluição encarregam-se de transformar as ruas num lamaçal castanho que toda a gente gostaria de evitar e não o consegue. Eu tenho demasiados genes portugueses para a vida naquelas condições climatéricas. Para além de uma asma que acordava em Outubro para adormecer apenas em Maio, tinha amigdalites constantes no Inverno, período no qual

a minha dieta se resumia a leite quente e antibióticos. O próprio acto de sair à rua, com temperaturas negativas e vestindo malhas sobre malhas, era um acontecimento para o qual tinha de me preparar psicologicamente. Os dias em que não tínhamos aulas eram, para mim, os mais felizes (e eu gostava de ter aulas). Em Agosto, como a maior parte dos emigrantes, regressávamos a Portugal. Com o carro carregado de parafernália electrónica, queijo Brie e brinquedos, empreendíamos a viagem de carro que durava dois dias e duas noites de Clermont-Ferrand a Tavira. Em Tavira, os miúdos da minha idade ficavam a olhar

para o nosso carro, um Renault 18 GTL que, não sendo de todo um modelo de topo, fazia ainda assim um brilharete. Lembro-me dos olhares de espanto das crianças quando eu lhes mostrava os vidros eléctricos. Aquela banalidade ao nível de ligar e desligar a luz, em França, era em Tavira pouco menos que magia. As famílias das minhas irmãs recebiam-nos como reis magos temporãos. Da goela do porta-bagagens do Renault saíam objectivas e máquinas fotográficas para um cunhado fotógrafo, acessórios de caça para um cunhado de clique mais barulhento, brinquedos para os meus sobrinhos, roupa para as minhas irmãs,

Em Agosto, como a maior parte dos emigrantes, regressávamos a Portugal. Com o carro carregado de parafernália electrónica, queijo Brie e brinquedos, empreendíamos a viagem de carro que durava dois dias e duas noites de Clermont-Ferrand a Tavira

iguarias francesas para todos. Sentia-me feliz com aquela distribuição de prendas, sentia que bastava pouco para fazer os outros felizes. A família era como o Verão: tinha uma época e era simples. Na praia eu era invariavelmente a criatura mais branca sobre a areia. Acabava o Verão com inveja do meu sobrinho, apenas um ano mais novo e consideravelmente mais escuro que eu. Eu começava a temporada num tom azul-claro e, passando de leve pelo branco, ia directamente para o vermelho. Não tinha jeito para aquela forma de ser português, descontraído e alheio à necessidade de protector solar. A minha pele absorvera demasiada frança, demasiada neve. Quando acabava o Verão, a pouca cor que adquirira naquele mês de praia dissipava-se no regresso a França e, já na escola, quando me perguntavam pelo que tinha feito nas férias e eu respondia “praia”, orgulhoso, o resto da turma ria-se. Para aquela medalha de veraneante, os meus genes portugueses nunca chegaram.


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desporto 17

segunda-feira 23.7.2018

FUTEBOL DIEGO PATRIOTA ELEITO ATLETA DO ANO E BENFICA A MELHOR EQUIPA

Os últimos são os primeiros

A escolha do onze ideal da Liga de Elite causou polémica. O melhor guarda-redes do ano, Batista, ficou de fora. O Sporting de Macau foi 3.º e o Monte Carlo 6.º, com mais derrotas do que vitórias, mesmo assim os leões não tem atletas no onze ideal e os canarinhos têm dois

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Associação de Futebol de Macau (AFM) revelou na sexta-feira o melhor 11 da temporada da Liga de Elite e o destaque vai para o facto do melhor guarda-redes do ano, Batista (Benfica de Macau), não estar no onze ideal, nem ter sido escolhido qualquer atleta do Sporting de Macau, apesar do 3.º lugar na classificação. No pólo oposto, o Monte Carlo, que não foi além do 6.º lugar na liga, com mais derrotas do que vitórias (9 jogos perdidos contra 8 vitórias e um empate), tem dois atletas escolhidos, nomeadamente Paulo Cheang, capitão da selecção de Macau, e Cheong Hoi San. Para a eleição do onze da Liga de Elite contribuíram os internautas, com um poder de 10 por cento na votação final, a associação de jornalistas desportivos, que deu início a esta iniciativa há cerca de 9 anos, com 30 por cento, e uma comissão de revisão dos votos, da AFM, com 60 por cento. A comissão de revisão é constituída por representaste da associação, da associação de veteranos e dos clubes. Segundo os resultados apurados, o onze ideal joga no esquema táctico 3-4-3, com o guardião Leong Chon Kit, do Ching Fung, a ser o escolhido para a baliza ideal. O guarda-redes teve apenas 2 votos dos internautas, 0 dos jornalistas, mas a comissão de revisão deu-lhe 11 pontos, suficiente para ser o seleccionado, enquanto Batista ficou de fora. Em relação aos 10 jogadores de campo, o campeão Benfica é a equipa mais representada, com 5 atletas, segue-se o Monte Carlo e Ka I, com dois jogadores cada, e Chao Pak Kei, com um.

“PARECE UMA ANEDOTA”

Para o treinador do Benfica de Macau, Bernardo Tavares o facto de Batista não estar no onze principal é chocante: “Parece uma anedota. O Batista é o guarda-redes do ano, mas não está no onze. Fico triste com este tratamento ao Batista. É uma

ONZE DO ANO • GUARDA-REDES: Leong Chon Kit (Ching Fung) • DEFESAS: Chan Man (Benfica); Lei Chin Kin (Benfica); Paulo Cheang (Monte Carlo) • MÉDIO: Pang Chi Hang (Benfica); Diego Patriota (C.P.K.); Cheong Hoi San (Monte Carlo); Ho Chi Fong (Ka I) • AVANÇADO: Nikki Torrão (Benfica); Carlos Leonel (Benfica); William Gomes (Ka I)

prova de que os prémios não são justos”, disse ao HM Bernardo Tavares, treinador das águias. “Deve-se questionar a AFM sobre os critérios. A ideia que dá é que foi uma votação entre amigos. Só o facto do melhor guarda-redes não fazer parte do onze titular diz tudo”, acrescentou. Também o facto de Prince, extremo do Sporting de Macau ter ficado de fora levou Bernardo Tavares a mostrar-se incrédulo. “Sinceramente, se eu tivesse de fazer um onze destes, pelo menos nove jogadores seriam do Benfica. Foi a equipa campeã só com um empate, ao mesmo tempo que competia na Taça AFC”, começou por sublinhar. “Mas também é difícil compreender que havendo tantos jogadores de outras equipas que não o Benfica, que o melhor jogador do terceiro classificado [Prince] não esteja no onze... Eles [AFM] é que sabem...”, acrescentou. Por sua vez, o director técnico do Sporting de Macau, José Reis, não se mostrou surpreendido. “É o normal funcionamento da AFM.

houve equipas que tiveram dificuldades no preenchimento dos papéis porque a documentação só estava em chinês. A AFM também disse que tem ouvido as opiniões dos clubes face aos resultados e vai tentar incorporá-las nas próximas edições das votações.

Há clubes com um excelente relacionamento com os membros da AFM, que têm visível influência, que depois são premiados no final da época com a inclusão de atletas em onze ideias e distinções para

“Se fosse um critério puramente desportivo havia vários jogadores e treinadores que tinham sido distinguidos e não estão lá. Outros não se distinguiram pela positiva ao longo da época e estão no onze...” JOSÉ REIS SPORTING DE MACAU

treinadores”, afirmou. “É a única explicação que encontro para os resultados”, vincou. José Reis informou também que os jogadores já tinham sido avisados para o facto de não serem nomeados. “O Prince não ficou desiludido porque já tinha sido avisado que as hipóteses de ser distinguindo eram extremamente reduzidas. Tivemos de preparar o jogador, até porque ele tinha uma certa expectativa, após o excelente rendimento desportivo reconhecido por todos”, sustentou. “Se fosse um critério puramente desportivo havia vários jogadores e treinadores que tinham sido distinguidos e não estão lá. Outros não se distinguiram pela positiva ao longo da época e estão no onze...”, referiu. De acordo com a explicação da AFM, foram distribuídos boletins às equipas para nomearem atletas para serem votados. Contudo,

INÁCIO HUI TREINADOR DO ANO

No que diz respeito aos prémios individuais, William Carlo Gomes foi o melhor marcador, com 38 tiros certeiros. Já na baliza, Batista ficou na frente de Ho Man Fai, do Monte Carlo, e de Lo Weng Hou, do Chao Pak Kei. No que diz respeito ao melhor atleta sub-23, o prémio foi para Cheong Hoi San, do Monte Carlo, na frente de Lo Weng Hou, do Chao Pak Kei, e de Miguel Noronha, também do Monte Carlo. Finalmente, ao nível do comando técnico das equipas, Inácio Hui, do C.P.K. foi considerado o melhor treinador, seguido por João da Rosa do Ching Fung. Bernardo Tavares do Benfica, que somou 17 vitórias e 1 empate em 18 jogos, não foi além do terceiro lugar. “Foi a escolha deles, uma pessoa tem que respeitar. Assisti a tanta coisa em Macau, que nem vale a pena estar a pronunciar-me”, frisou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.om


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FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Brad Bird 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

SKYSCRAPER [B]

UM FILME HOJE

Um filme de: Rawson Marshall Thurbe Com: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

ANT-MAN AND THE WASP [B] Um filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas 14.15, 19.00

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguchi 16.30, 21.15

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RESPEITO ZERO

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Uma falta de vergonha. Não consigo definir de outra forma a postura do IACM face aos órgãos de comunicação social em língua portuguesa. Foi às 22h11 de quinta-feira que o IACM emitiu um comunicado em chinês a dizer que tinha havido mais uma proposta, rejeitada, da Yat Yuen para os cães. A hora a que foi emitida a nota de imprensa é tardia para o funcionamento dos jornais. Muitos jornalistas já estão fora das redacções. Mesmo assim, esperou-se que viesse um comunicado em português. Esperou-se, esperou-se e esperou e... nada. Lá se arranjou uma maneira de dar a notícia com base no tradutor online, apesar das imprecisões. Só no dia seguinte pelas 10h16, quando os jornais não publicam por ser fim-de-semana, surgiu o comunicado, com o Governo a atacar a Yat Yuen por ser irresponsável... Pensei na ironia, no atraso de quase 12 horas que impossibilitou os 20 em língua portuguesa fazerem bem o média seu trabalho... E ri-me. É caso único? Não. O GDI tem duas assessoras de imprensa e na terça-feira soube-se que um túnel pedonal estava a meter água. Liguei para uma assessora e, por azar, estava de baixa. Por isso, liguei e enviei as perguntas sobre o caso para a colega. Mais tarde, fui remetido para um comunicado do Governo. Tentei ligar novamente à assessora para esclarecer as perguntas não respondidas. Tentei ligar mais de 10 vezes. Já no desespero, enviei um sms a implorar a essa pessoa para que atendesse o telefone. Afinal é o trabalho para que é paga. Porém, ignorou até hoje o “amigo da comunicação social”... É normal... O profissionalismo é muito bonito, mas já passava das 19h00 e o jantar devia estar de arraso. João Santos Filipe

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SALA 3

CODE GEASS LELOUCH OF THE REBELLION III [B]

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PROBLEMA 19

INCREDIBLES 2 INCREDIBLES 2 [A]

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 18

Numa altura em que o túnel pedonal da Pérola Oriental mete água, nada melhor do que recordar um clássico do cinema. Em Pânico no Túnel, um grupo de pessoas fica preso numa infra-estrutura, após um acidente. Devido aos danos no túnel, as equipas de salvamento ficam incapacitada de intervir e apenas um homem pode salvar os sobreviventes: Sylverster Stallone, que interpreta o papel de Kit Latura. Uma película emocionante que nos leva a questionar, se houver alguma tragédia do género em Macau, quem será o Stallone da Areia Preta? João Santos Filipe

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S U D O K U

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DE

17 Cineteatro

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9 1 4 8 6 5 2 8 2 4 3 8 6 3 5 8 7 4 7 9 3 2 9 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira;9 Anabela Canas; António Paulo Cotrim; 1 Cabrita; António3Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo8Lobo Pinheiro; 2 1João 7 José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António5 Conceição Júnior; 8 David 2 Chan; Fa Seong;1Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho;7Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva Assistente 2 (publicidade@hojemacau.com.mo) 5 4 8 de marketing Vincent Vong Impressão6Tipografia 3 Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

segunda-feira 23.7.2018

reencarnações JOÃO LUZ

BEN HEINE

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OR vezes, por detrás dos caracteres, das colunas, das manchetes, há calvários de paciência invisível sacrificada em prol da edição, há muros de incompreensão, desleixo e incompetência difíceis de ultrapassar. A gestação de um artigo é naturalmente um processo atribulado, em qualquer parte do mundo. Mas Macau oferece algo mais, acrescenta um ingrediente de surrealismo que leva jornalistas a beliscarem-se para terem a certeza de que ouviram mesmo o que acabaram de ouvir. Acho até que as traduções não são o mais evidente calcanhar de Aquiles da complexa relação entre jornalistas e poder. Na minha óptica, o maior problema é de natureza cognitiva num contexto de total inconsequência para as atrocidades lógicas que se cometem. O dever de informar neste pandemónio cognitivo torna-se num suplício, numa bad trip comunicativa. Por exemplo, quando se convoca uma conferência de imprensa para apresentar um estudo que não tem qualquer contacto com o estudo anterior em termos de parâmetros medidos, impossibilitando conclusões ou delinear tendências. A óbvia função do jornalista é transmitir ao leitor, ouvinte ou telespectador, a ineptidão pública demonstrada no triste espectáculo. Neste domínio, há que destacar o pelouro da saúde pelo conveniente dom de marcar conferências de imprensa em cima da hora, publicar comunicados à meia-noite e dar informações que levantam mais questões do que propriamente respostas. Mas as insuficiências comunicativas são extensíveis a todas as tutelas, com excepções pontuais de competência e dedicação. Muitas vezes somos forçados a escalar montanhas mentais, percorrer trilhos de raciocínios sinuosos para chegarmos sempre ao mesmo sítio: “o Governo vai prestar atenção às preocupações da sociedade”, ou que actua “no cumprimento da lei”. Recordo um episódio daqueles detrás da cena, quando confrontei a opinião de vários juristas de renome que colocaram em causa a “constitucionalidade” de um regime legal por conter disposições contrárias à Lei Básica (câmaras nos uniformes dos polícias). A primeira resposta formatada a clichés defendeu que mesmo com a percepção de incompatibilidade com a lei mais alta da hierarquia legal o resultado prático daquela lei seria de acordo com a lei. Ou seja, mesmo que seja contrário à Lei Básica essa contradição é “de acordo com a lei”, uma aberração lógica que mata o mais bravo esforço comunicacional. A ginástica mental prosseguiu depois de um email onde especificamente confrontava

Frustração

duas disposições legais antagónicas e essa divergência material na letra da lei foi relegada para segundo plano com mais uma cascata de incongruências. Todas elas, claro

Muitas vezes somos forçados a escalar montanhas mentais, percorrer trilhos de raciocínios sinuosos para chegarmos sempre ao mesmo sítio: “o Governo vai prestar atenção às preocupações da sociedade”, ou que actua “no cumprimento da lei”.

está, “de acordo com a lei”. Este truque só está ao alcance de crianças com menos de 5 anos e do Governo. - “Pedrito, como é que o prato de esparguete foi parar à parede?” - “O coelho corre muito depressa.” - “O prato! Como?! - “O coelho corre muito depressa.” - “Pronto, ok, o coelho. Porque não respondes a uma simples pergunta e fazes essa carinha querida carregada de culpa? O que é que eu fiz à minha vida!!” e engole-se mais um sapo empurrado goela abaixo por um alto copo de incredulidade. Depois existe sempre o vasto coro crítico que exige que a verdade seja posta cá fora, que sejam abanadas as fundações dos interesses cristalizados no tempo e que se abra uma janela que traga a aragem

da transparência. Um forte activismo que exige seriedade total no conforto das redes sociais, mas que se transforma em silêncio acanhado no momento de se tornar fonte, na altura de participar na busca pela verdade. É pedida compreensão que minutos depois é colocada na gaveta para dar lugar à trollada do costume. Só com verdadeira paixão se consegue gerir o capital de frustração que esta profissão exige. Já agora, evoco a memória do “inconseguimento frustracional” da saudosa Assunção Esteves. Paz à sua alma. Só com Montypythónico humor se contornam estas esquinas de significado na esperança de desembocar na Avenida da Lógica Harmoniosa. Dei o harmoniosa de desbarato no espírito do compromisso e respeito.


Homem, és grande ou vil? Morre e saberás. Vittorio Alfieri

COREIA DO NORTE ECONOMIA REGISTOU CONTRACÇÃO

ENSINO PREPARADA ABERTURA DE SUCURSAL DA ACADEMIA SÉNIOR NA TAIPA

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Instituto Politécnico de Macau (IPM) vai abrir uma sucursal da sua Academia do Cidadão Sénior na Taipa, com o objectivo de disponibilizar cursos do ensino superior aos mais idosos. A informação foi ontem avançada pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, na resposta a uma interpelação da deputada Angela Leong. “Para oferecer aos idosos mais oportunidades de aprendizagem, o Governo irá aproveitar o primeiro andar do centro comunitário na Rua do Delgado, junto à povoação Chun Su Mei, na Taipa, para ser a sucursal da Academia do Cidadão Sénior. O IPM está a dedicar-se aos trabalhos preparatórios e prevê-se que as obras de remodelação possam ser realizadas em 2019, e o novo campus escolar pode funcionar e recrutar alunos em 2020.” Alexis Tam referiu ainda que “no primeiro ano de funcionamento esta sucursal pode oferecer à sociedade 170 vagas, mas o alvo é que haja vagas suficientes para satisfazer, no futuro, a vontade de 520 alunos”. O ano passado, a Academia do Cidadão Sénior do IPM registou 673 alunos e para o ano lectivo de 2018/2019 inscreveram-se 795 idosos. “A sede da academia em Macau e a sua sucursal na ilha da Taipa poderão oferecer mais de 300 vagas no primeiro ano de funcionamento deste novo campus”, um número que “poderá preencher as necessidades de mais de metade do número de idosos com vontade de frequentar cursos superiores da academia, de acordo com os dados existentes”.

Brincar com o leão Rohani avisa que conflito com o Irão será a “mãe de todas as guerras”

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presidente iraniano, Hassan Rohani, advertiu ontem os Estados Unidos para não “brincarem com a cauda do leão”, assegurando que um conflito com Teerão será “a mãe de todas as guerras”. As declarações de Rohani foram feitas poucas horas antes de um esperado discurso do secretário de Estado norte-americano sobre o Irão. “Declaram a guerra e depois falam da vontade de apoiar o povo iraniano”, disse Rohani dirigindo-se ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, numa reunião de diplomatas iranianos em

Justiça Jason Chao falha julgamento

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Jason Chao não vai estar presente, a partir de amanhã, nas sessões do julgamento em que é acusado de difamação por Wang Jianwei, professor da Universidade de Macau. O activista deu autorização para que o caso decorresse “in absentia,” ou seja, sem a sua presença, uma vez

segunda-feira 23.7.2018

PALAVRA DO DIA

que está no Reino Unido a terminar a dissertação para finalizar os seus estudos. Em causa está um artigo da Macau Concealers, publicação afecta à Associação Novo Macau, em que era noticiada a existência de processos internos na Universidade de Macau sobre alegadas

Teerão. “Não pode provocar o povo contra a segurança e os seus próprios interesses”, disse o presidente, num discurso que foi transmitido pela televisão. Rohani voltou a avisar que o Irão poderá fechar o estreito estratégico de Ormuz, que controla o Golfo e por onde passa cerca de 30 por cento do petróleo mundial que é transportado por via marítima. “Nós somos a garantia de segurança desse estreito desde sempre, não brinque com a cauda do leão, você vai arrepender-se”, avisou, acrescentando: “A paz com o Irão será a mãe das pazes e a guerra com o Irão representará a mãe das guerras”.

práticas de assédio sexual cometidas por professores, em 2014. O artigo foi publicado apenas em 2015, e em resposta à publicação, Wang Jianwei, na altura director do Departamento de Administração Pública e Governamental, veio a público admitir que era um dos investigados.

O discurso do líder iraniano acontece poucas horas antes do esperado discurso do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, sobre o Irão, enquanto os Estados Unidos procuram aumentar a pressão sobre a república islâmica após se terem retirado do acordo histórico de 2015 sobre o armamento nuclear. “Sempre que a Europa procurou um acordo connosco a Casa Branca semeou discórdia”, disse Rohani, acrescentando: “Não devemos pensar que a Casa Branca ficará para sempre neste nível de oposição ao direito internacional, contra o mundo muçulmano”.

economia norte-coreana registou uma contracção de 3,5 por cento em 2017, o pior resultado dos últimos vinte anos, causada pelas sanções e pelo programa de energia nuclear, anunciou o Banco Central sul-coreano. De acordo com a mesma instituição, o decréscimo contrasta com a progressão do PIB (Produto Interno Bruto) registada em 2016. A Coreia do Norte está exposta a uma série de sanções internacionais devido ao programa balístico e nuclear. No ano passado, o Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs restrições às principais exportações da Coreia do Norte: carvão; produtos piscícolas e têxteis para limitar o acesso do país às divisas estrangeiras. A produção da indústria mineira norte-coreana sofreu um recuo de 11 por cento, tendo registado uma taxa de crescimento de 8,4 por cento em 2016, segundo o Banco Central da Coreia do Sul (BOK). A produção de manufacturas baixou 6,9 por cento (mais 4,9 por cento em relação a 2016) enquanto os sectores das pescas e agrícola decresceram 1,3 por cento. “As sanções contra a Coreia do Norte intensificaram-se no ano passado”, disse aos jornalistas um responsável do BOK. Pyongyang nunca publica estatísticas económicas oficiais sendo que as estimativas das instituições estrangeiras têm como base informações parciais. Os principais recursos minerais da península localizam-se no norte mas a má gestão e o desaparecimento da União Soviética, principal financiador da Coreia do Norte no século XX, provocaram sérios retrocessos económicos. O país sofre uma “crise alimentar crónica”, de acordo com os dados de Seul.

Automobilismo Ávila conquista segundo lugar Rodolfo Ávila foi segundo classificado, na corrida de sábado do Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), que decorreu no Circuito de Xangai Tianma. O piloto local (VW Lamando) partiu da pole-position, mas perdeu dois lugares na partida e depois só conseguiu

ultrapassar Andy Yan (Ford Focus). O vencedor foi Martin Cao Hongwei, também em Ford Focus. “A equipa fez um bom trabalho e o carro estava muito bom. É pena que nos arranques continuamos a perder sempre para a concorrência. Num circuito como Tianma é muito difícil

de ultrapassar e recuperar posições. Obviamente que queria vencer, mas o mais importante é amealhar pontos para a equipa e esse objectivo foi cumprido”, disse no final. Em relação à prova de ontem, esta acabou anulada devido à passagem de um tufão nas proximidades de Xangai.

Hoje Macau 23 JUL 2018 #4097  

N.º 4097 de 23 de JUL de 2018

Hoje Macau 23 JUL 2018 #4097  

N.º 4097 de 23 de JUL de 2018

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