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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 23 DE ABRIL DE 2018 • ANO XVII • Nº 4036

UMA FAIXA, UMA ROTA

HONG KONG

NOITE DE FILME

Mundo de possibilidades GRANDE PLANO

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hojemacau

Liberdade à espreita O Departamento de Estado norte-americano concluiu, num relatório sobre direitos humanos, que em Macau há restrições às liberdades de imprensa e académica. Washington acrescenta à lista de agravos a impossibilidade de escolha democrática do Chefe do Executivo e o tráfico humano. Chui Sai On contesta o relatório e acha-o “irresponsável”. PÁGINA 9

Incompreensões SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA

OPINIÃO


2 grande plano

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política nacional Uma Faixa Uma Rota vai ser uma grande oportunidade para que Macau possa diversificar a origem dos turistas. Além disso, num contexto de integração na zona da Grande Baía, surgirão novas oportunidades económicas para o território, longe da área tradicional do jogo. Esta foi a perspectiva partilhada por vários académicos, ao HM, que estiveram presentes num evento promovido pelo Instituto de Formação Turística (IFT) sobre as implicações para o turismo da política chinesa. Neste caminho que RAEM vai percorrer, no seio da Grande Baía, parece haver outra certeza: a mais-valia da mistura cultural entre o Oriente e o Ocidente vai ser reforçada. “O turismo de Macau no âmbito da política Uma Faixa, Uma Rota vai passar por dois aspectos: por um lado, vai continuar como centro mundial do jogo, como acontece actualmente com um turismo muito desenvolvido. No entanto, não se vai ficar por aqui, o misto das culturas chinesa e portuguesa vai tornar a cidade ainda mais atractiva ao nível turístico, ao mesmo tempo que Macau fará a ligação entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, afirmou Carson Lewis Jenkins, professor na Universidade de Strathclyde, na Escócia, e membro eleito da Academia Internacional de Estudos de Turismo, ao HM.

MAIOR INTEGRAÇÃO

“Acredito que com a integração na Grande Baía que Macau poderá funcionar como grande plataforma nas trocas comerciais entre o Sul da China e os Países de Língua Portuguesa. Essa função vai sair reforçada no âmbito da política Uma Faixa, Uma Rota”, acrescentou o académico. Contudo, Carson Lewis Jenkins mostra-se surpreendido pelo facto de no âmbito do desenvolvimento de Macau raramente ver referida a experiência do Governo da RAEM em negociações com grandes empresas privadas, como são as operadoras de jogo. Para o académico, este poderá ser um dos grandes argumentos de Macau, em contraste com o Interior da China, que não está tão familiarizado com o fun-

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A ROTA DO FUTURO ECONOMIA UMA FAIXA PARA

A DIVERSIFICAÇÃO E INTEGRAÇÃO ECONÓMICA

A iniciativa lançada pelo presidente Xi Jinping vai permitir a Macau diversificar a economia e diferenciar a origem dos turistas que chegam ao território. Estas são as expectativas de vários académicos que estiveram em Macau para falar da política Uma Faixa, Uma Rota e dos seus impactos para o turismo GESTÃO DE DÍVIDAS EXIGE CAUTELA

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os últimos tempos, a política Uma Faixa Uma Rota tem estado debaixo dos holofotes mediáticos, devido ao endividamento excessivo de alguns países perante a China. O caso mais mediático foi o do Sri Lanka, que acabou por ceder durante 99 anos os direitos sobre o porto de Hambantota, um dos mais importantes do país. O acordo entre as partes gerou preocupações, principalmente do Governo indiano que viu o acordo como a formação uma colónia. Ao HM, o académico Richard XU explicou que estas são situações com que ninguém fica a ganhar, e que mesmo na perspectiva do Governo Central são negativas. “É fundamental que haja uma gestão dos riscos nesta política. Não só para os

governos que participam, mas para as empresas privadas. Se não houver uma gestão eficaz dos riscos, haverá crises e os impactos serão sentidos por todos. Mesmo as autoridades chinesas não têm interesse neste tipo de desfechos”, afirmou.

“O misto das culturas chinesa e portuguesa vai tornar a cidade ainda mais atractiva ao nível turístico, ao mesmo tempo que Macau fará a ligação entre a China e os Países de Língua Portuguesa.” CARSON LEWIS JENKINS PROFESSOR NA UNIVERSIDADE DE STRATHCLYDE

cionamento de iniciativas privadas e independentes, como muitas das que actuam nos mais de 60 países envolvidos pela iniciativa Uma Faixa, Uma Rota. “O Governo local tem uma grande experiência na relação com os privados. Essa experiência vai ser muito importante para o Governo do Interior da China. No Interior da China a economia é centralizada, assim como o planeamento e o financiamento. O conhecimento deste tipo de relações não é tão profundo”, justificou. “No entanto, as pessoas não têm valorizado muito este aspecto. Considero que o futuro de Macau e o aproveitamento das vantagens poderá passar por aí”, frisou.

PLATAFORMA REFORÇADA

Segundo Richard Xu, director do Departamento de Política e Administração Pública da Universidade de Hong Kong, a política nacional vai reforçar a posição do território como plataforma como os países lusófonos. “Macau vai ter um papel muito importante como local central para a ligação com os países que têm o português como língua oficial. Apesar das ligações já existentes com esses países, o Governo Central tem a intenção de aprofundar as ligações. A iniciativa Uma Faixa Uma Rota tem esse aspecto como uma das intenções. E Macau tem o seu papel a desempenhar”, afirmou o académico, ao HM. “Se olharmos para a Grande Baía, vai ser criada uma plataforma de trocas comerciais com dinâmica para todas as onze cidades envolvidas. Nesse aspecto, Macau pode ser um centro de

importações e exportações para os países lusófonos, promovendo o aprofundamento das relações comerciais”, apontou.

“Se olharmos para a Grande Baía vai ser criada uma plataforma de trocas comerciais com dinâmica para todas as onze cidades envolvidas. Nesse aspecto, Macau pode ser um centro de importações e exportações para os países lusófonos.” RICHARD XU PROFESSOR NA UNIVERSIDADE DE HONG KONG


grande plano 3

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“Através de empresas de Macau, a China pode reforçar a entrada em mercados como o europeu, através de Portugal, no Brasil, Angola e Moçambique, que são mercados com um grande potencial. Se tivermos em conta que a política Uma Faixa, Uma Rota tem uma perspectiva de longo-prazo, a importância pode ser maior do que agora se pensa.” HONG YU PROFESSOR DA UNIVERSIDADE NACIONAL DE SINGAPURA

Por outro lado, Richard Xu explicou que Macau vai ficar a ganhar com a maior integração regional, que tem neste momento a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau como grande símbolo. “É uma situação em que todos ficam a ganhar. Vai aumentar o fluxo de turistas entre as regiões e fazer com que as cidades se comecem a comportar mais como complementares do que competidoras. A nível do turismo,

não é descabido imaginar que as pessoas vão traçar roteiros em que visitam as cidades que preferem”, previu. Nesta estratégia, Macau vai ver a sua oferta turista complementada pela Ilha da Montanha. Porém, neste momento, ainda há trabalho para fazer entre os Governos das partes envolvidos. “Hengqin vai apoiar o crescimento de Macau, principalmente ao nível da

oferta de elementos de entretenimento que não estão ligados ao jogo. Será mais um local extra para o qual Macau pode crescer. Mas para que isso possa acontecer, tem de haver uma maior ligação entre as duas regiões. Neste momento as ligações ainda não são as melhores”, considerou.

PAPEL ÚNICO

Para Hong Yu, professor e investigador da Universida-

de Nacional de Singapura, Macau tem um papel único na política Uma Faixa, Uma Rota. O académico destaca também o papel estratégico do território como elo de ligação entre a China e os países lusófonos. “Se repararmos nas ligações históricas de Macau com Portugal e com os países de língua portuguesa, o território pode encontrar formas de ser a ponte para reforçar essas ligações. Isso é muito

importante e poderá contribuir para a diversificação da economia que o território procura alcançar”, começou por dizer Hong Yu, ao HM. “Por exemplo, através de empresas de Macau, a China pode reforçar a entrada em mercados como o europeu, através de Portugal, no Brasil, Angola e Moçambique, que são mercados com um grande potencial. Se tivermos em conta que a política Uma Faixa, Uma Rota tem

TURISMO FANNY VONG DESTACA MARCO HISTÓRICO QUE MACAU ALCANÇOU

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ARA a presidente do Instituto de Formação Turística, Fanny Vong, a iniciativa Uma Faixa Uma Rota demonstra o apoio nacional para que Macau diversifique a origem do turistas. Por outro lado, é uma oportunidade para reduzir a dependência dos visitantes do Interior da China. “Com a Política Uma Faixa, Uma Rota Macau tem um maior apoio político para promover o turismo internacional. Já é possível ver alguns avanços na origem dos destinos dos

turismos. Pela primeira vez na História, o nosso terceiro maior mercado é um país estrangeiros e não uma região da Grande China”, disse Fanny Vong, ao HM, sobre o facto da Coreia do Sul ser actualmente o terceiro maior mercado de turistas de Macau. “Com esta política nacional, existe a perspectiva nacional de que Macau terá de fazer mais para se promover ao nível internacional e atrair mais turistas. Com esta política, vai haver uma maior atenção para o património cultural de Macau, para

aqueles que não têm esse conhecimento da diversidade do País China, assim como da cidade Macau”, acrescentou. Por outro lado, a responsável acredita que no longo prazo a iniciativa lançada pelo presidente Xi Jinping poderá trazer outras medidas de estímulo à indústria: “Há dois aspectos muito importantes para aumentar o número de turistas internacionais: o acesso aéreo e a política de facilitação dos vistos. Isto só poderá ser alcançado a nível nacional”, explicou.

uma perspectiva de longo-prazo, a importância pode ser maior do que agora se pensa”, explicou. O investigador da Singapura também não esqueceu o papel dos casinos, que contribuem para que Macau seja um exemplo de sucesso ao nível do turismo: “Singapura aprendeu muito com Macau, para conseguir alcançar o que é hoje. Isso é muito claro, principalmente quando quis perceber as operações ao nível da hotelaria. Ao nível desta indústria, Macau tem estado focado em conseguir mais visitantes familiares. Por isso, tem de oferecer outros aspectos não-jogo, é o único caminho”, considerou. Ainda no que diz respeito à indústria do turismo, Hong Yu diz que o caminho passa por apostar mais nas exposições e convenções, assim como nos elementos culturais ligados à presença portuguesa. Com estes aspectos, será mais fácil para o território diversificar a origem dos turistas. Em 2017, Macau recebeu cerca de 32,6 milhões de turistas, um aumento de 5,4 por cento face ao ano anterior. Do número total de visitantes, 29,4 milhões são provenientes do Interior da China, o que representa 90,2 por cento. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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TIAGO ALCÂNTARA

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A medida tem como objectivo “reduzir os custos associados à reconstrução, atenuar os encargos dos proprietários, bem como acelerar o ritmo do trabalho relativo à renovação urbana”

IMPOSTOS BENEFÍCIOS PARA RECONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS EM PROCESSO LEGISLATIVO

Metamorfose urbana

A proposta de lei relativa ao regime de benefícios fiscais para reconstrução de edifícios está pronta para votação na generalidade na Assembleia Legislativa. O Conselho Executivo já deu a conhecer as circunstâncias em que pode ser atribuída a isenção de imposto de selo para os proprietários de edifícios que têm de ser demolidos e que tencionam avançar para a sua reconstrução

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AI avançar para votação na generalidade a proposta de lei sobre o regime de benefícios fiscais para reconstrução de edifícios. O documento foi discutido pelo Conselho Executivo (CE) e prevê isenções no imposto de selo em caso de demolição e reconstrução de edifícios devolutos. De acordo com o comunicado oficial, a medida tem como objectivo “reduzir os custos associados à reconstrução, atenuar os encargos dos proprietários, bem como acelerar o ritmo do trabalho relativo à renovação urbana”.

Os benefícios fiscais considerados consistem na isenção de imposto de selo e pode ser dada quando os edifícios que, após vistoria pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), sejam classificados como aptos a serem demolidos e reconstruídos, “por ameaçarem ruína ou oferecerem perigo para a saúde ou segurança públicas, ou que sejam demolidos após a aprovação do projecto pela DSSOPT”, lê-se no comunicado do CE. Estão também incluídas os prédios demolidos e reconstruídos

por determinação do Chefe do Executivo para o desenvolvimento social e para a preservação do património cultural e os edifícios que sejam demolidos e reconstruídos, nos termos legais. Em todos os casos há que ter em conta que a reconstrução implica um plano para o mesmo local que obedeça ao projecto original, ou a um novo desde que aprovado pela DSSOPT. De acordo com o mesmo comunicado, é atribuída “isenção do imposto do selo sobre a aquisição do segundo e posteriores bens imóveis destinados a habitação pela aquisição

Privacidade Lei Chan U quer critérios para uso de dados pessoais O deputado Lei Chan U quer que a utilização de dados pessoais recolhidos em inquéritos estatísticos seja feita em prol da população e com o máximo de rigor. Em interpelação escrita, o tribuno considera que as autoridades têm de ter o cuidado de não divulgar os dados dos inquiridos quando, por exemplo, fazem recolha de dados estatísticos. De acordo com a missiva que dirige ao Governo, o deputado exige uma definição clara acerca da identificação do inquirido. Além disso, Lei Chan U quer que o Governo estabeleça um sistema de critérios para recolha de dados adequado à situação de Macau, sendo que pergunta acerca do futuro plano de utilização deste tipo de informação para o bem da população.

ou promessa de aquisição do direito de propriedade sobre bens imóveis destinados a habitação a serem demolidos”. Nestes casos, o promotor do empreendimento está obrigado a concluir as obras de fundação do edifício a ser reconstruído, no prazo de três anos a contar da data da aquisição do edifício a ser demolido.

PROPRIETÁRIOS SEGUROS

A proposta salienta ainda que os interesses dos proprietários são assegurados. Desta forma, prevê que “seja aplicado ao promotor do empreendimento o regime de pagamento

que precede a restituição”. Neste sentido, os promotores do empreendimento que tenham concluído as obras de reconstrução podem requerer a restituição do imposto mas apenas quando a licença de utilização tenha sido emitida, bem como quando o novo bem imóvel tenha sido transferido para os proprietários finais. A mesma proposta de lei, prevê ainda que seja atribuída a isenção de imposto do selo sobre a aquisição e transmissão de bens nos termos da Tabela Geral do Imposto do Selo, e dos emolumentos notariais e de registo. Vai também existir uma limitação relativa ao acréscimo na área bruta de 10 por cento de utilização dos respectivos bens imóveis e criadas outras limitações ao seu número, finalidade, e ao regime de propriedade do edifício em que estão inseridos. Por outro lado, aqueles que se tornem proprietários dos bens imóveis antes da determinação de demolição e reconstrução do edifício, ou da aprovação do projecto de demolição, e que, posteriormente, tenham efectuado o pagamento do imposto do selo especial sobre a transmissão de bens imóveis podem requerer a restituição do respectivo imposto num prazo de dois anos. No entanto, os benefícios fiscais caducam caso os proprietários transmitam o direito de propriedade ou o respectivo direito real dos bens imóveis, no prazo de três anos a contar da data da autorização da isenção do pagamento de impostos ou da emissão de licença de utilização ao edifício reconstruído, salvo as transmissões por sucessão. Sofia Margarida Mota

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política 5

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Acção Social Lam Lon Wai pede esclarecimento sobre ajuste nos centros

O deputado Lam Lon Wai apresentou uma interpelação escrita em que pede satisfações ao Instituto de Acção Social (IAS) pelos ajustamentos dos centros de acção social. Segundo o deputado da Federação das Associações dos Operários, sob o princípio de “racionalização de quadros e simplificação administrativa”, o IAS suspendeu o funcionamento do Centro de Acção Social de São Lourenço e Sé e integrou os serviços no Centro de Acção Social de Santo António e São Lázaro, algo que entende ser “irracional”. Isto porque, argumenta, o Centro de Acção Social de Santo António e São Lázaro vai servir um número muito elevado de residentes em comparação com os centros que ficam noutras zonas. Neste sentido, o deputado exige justificações para a mudança, questionando ainda sobre a possibilidade de o espaço do antigo Centro de Acção Social de São Lourenço e Sé funcionar como uma espécie de sucursal para que os moradores da zona possam aceder aos serviços com mais facilidade.

FORMAÇÃO TITULARES DOS PRINCIPAIS CARGOS NA CHINA ATÉ QUARTA-FEIRA

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S titulares dos principais cargos do Governo e o Procurador-Geral encontram-se desde Sábado na China para participarem em acções de formação. A visita, a Pequim e à província de Jiangsu, decorre até quarta-feira, de acordo com um comunicado do Gabinete do Porta-voz do Governo. Segundo o programa, a delegação participa num curso intensivo, na Academia Chinesa de Governação, em Pequim, devendo ainda, durante a estadia na capital chinesa, realizar uma visita ao Gabinete para Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado. Em paralelo, estão também previstas visitas e sessões de intercâmbio na província de Jiangsu. Esta acção, incluída no plano geral de formação dos funcionários públicos da RAEM, tem como finalidade “garantir à delegação de dirigentes uma melhor compreensão das grandes acções e estratégias de desenvolvimento nacionais assim como aperfeiçoar a consciência política e fortalecer a capacidade governativa”, refere a mesma nota. Participam na iniciativa a Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, o Secretário para a Economia e Finanças Lionel Leong, o Secretário para a Segurança Wong Sio Chak, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, o Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, bem como o Comissário Contra a Corrupção, André Cheong, o comissário da Auditoria, Ho Veng On, o comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, Ma Io Kun, o director-geral dos Serviços de Alfândega, Alex Vong, e o Procurador-geral do Ministério Público, Ip Son Sang.

INTERNET GOVERNO REDUZ TAXAS COM O INTUITO DE MELHORAR SERVIÇOS

Em busca da cidade inteligente O Governo vai regulamentar uma diminuição das taxas radioeléctricas para que a população tenha mais facilidade de acesso aos serviços de internet no território. A medida prevê mesmo a isenção de taxas de exploração quando se trata do acesso em pontos públicos

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partir do próximo dia 1 de Maio vão deixar de existir taxas de exploração nos pontos públicos de acesso à internet. “As taxas de exploração anual dos serviços radioeléctricos relativas aos pontos de acesso de rede pública de área local sem fios ficam dispensadas”, lê-se em comunicado oficial. A medida foi anunciada na sexta-feira pelo Conselho Executivo e integra o projecto do Governo de alteração à tabela geral de taxas e multas aplicáveis aos serviços radioeléctrivos. O objectivo é “permitir aos cidadãos o gozo de serviço gratuito de acesso a Wi-Fi com maior cobertura”, refere o mesmo documento. De acordo com a rádio Macau, a directora dos Serviços de Telecomunicações, Derby Lau, esclareceu que a dispensa desta taxa implica “uma redução de receita de apenas 60

mil patacas”. No entanto, vai permitir às operadoras “melhores condições para a população aceder ao Wi-Fi gratuito”. No ano passado, existiam 300 pontos de acesso gratuito à rede pública. De acordo com Derby Lau, a quantidade de pontos pode subir ainda este ano até 416, refere a Rádio Macau. Estão ainda previstos os ajustamentos de taxas sobre a comunicação de voz, vídeo mensagens e dados. Estes serviços, a partir do próximo mês, passam a deduzir “em 10 por cento das receitas de exploração resultantes da prestação de serviços”, aponta o Conselho Executivo em comunicado. A medida pretende permitir o acesso dos visitantes aos serviços itinerantes de telecomunicações móveis a melhores preços “e criando condições favoráveis à fixação e tarifas itinerantes a preço mais favorável para os cidadãos de Macau no futuro”, lê-se.

“As taxas de exploração anual dos serviços radioeléctricos relativas aos pontos de acesso de rede pública de área local sem fios ficam dispensadas.”

PERDAS MENORES

COMUNICADO DO CONSELHO EXECUTIVO

Em termos de perdas para os cofres públicos, esta medida implica menos 24 milhões de patacas. Acresce ainda a redução de receitas em 17 milhões de patacas com as alterações previstas nas taxas radioeléctricas para os amplificadores de células em que o montante passa de 720 para 360 patacas. De acordo com o Conselho Executivo, o objectivo é “incentivar as operadoras a ampliar a

área de cobertura dos sinais e permitir aos cidadãos o gozo de serviços de telecomunicações móveis com uma cobertura mais abrangente”. O projecto de regulamento administrativo vai entrar em vigor a 1 de Maio e tem o objectivo de “acompanhar o posiciona-

mento do desenvolvimento de Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer”. A ideia é ainda criar condições para incentivar o comércio electrónico contribuir para a construção de uma cidade inteligente. Sofia Margarida Mota

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6 política

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GCS

Cooperação até mais não Chui Sai On sublinha papel da colaboração regional

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Chefe do Executivo, Chui Sai On, voltou a sublinhar a vontade de Macau em reforçar o intercâmbio entre as autoridades locais, as do Interior do país e dos países vizinhos. A ideia foi dada na passada sexta-feira num encontro de Chui Sai On com a delegação da quarta edição do “Plano de Visitas de Presidentes da Câmara” de países adjacentes à China, que visitou Macau. Em causa está um contributo conjunto para o desenvolvimento da economia à escala global, refere o comunicado enviado à comunicação social. Macau tem de ser visto como uma peça fundamental, considerou o Chefe do Executivo, por múltiplas razões. Chui Sai On recorreu ao passado e recordou que “Macau tem uma longa história enquanto interposto comercial, baseado em rotas terrestres e marítimas antigas que ligam a Ásia e o Ocidente, desempenhando desde sempre uma função de plataforma”, lê-se. É com esta função que “o território tem promovido um intercâmbio

comercial e cultural entre os países envolvidos e criado um ambiente de cooperação benéfico para todas as partes”, apontou o Chefe do Executivo. No entender do Chefe do Executivo, a estratégia de cooperação em projectos como o da Grande Baía, passa por criar uma região metropolitana de nível mundial, reforçando as cooperações económica, comercial, cultural e turística entre as várias cidades. Neste âmbito, considerou, “Macau pode exercer ainda melhor as suas funções de Centro Mundial de Turismo e Lazer, assim como de Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, lê-se em comunicado.

A BENÇÃO DO CONTINENTE

Neste encontro, participou também o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China em Macau, Ye Dabo. O comissário sugeriu à delegação que aproveite a estadia em Macau para aprofundar conhecimentos sobre o impulso dado

pelo princípio de “Um País, Dois Sistemas” ao desenvolvimento socioeconómico. Já o representante das cidades da China interior e governador do município de Zhuhai, Yao Yisheng, afirmou que o planeamento geral da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau vai ser lançado em breve, “sendo esta uma nova e importante oportunidade para as cidades chinesas reforçarem a cooperação com Macau e se abrirem ainda mais”. Ao mesmo tempo, com a implementação plena da estratégia nacional “Uma Faixa, Uma Rota”, e tendo em conta o facto de a ligação entre os locais ser cada vez mais estreita e conveniente, as cidades do interior da China ganham mais condições para aumentar o nível de cooperação com Macau, no sentido de potenciarem o seu papel em prol de uma maior abertura do País ao exterior, e se alcançar maior desenvolvimento.

CIDADES QUASE IRMÃS

O responsável acrescentou, ainda que Zhuhai e Macau estão ligados “pelo sentimento de proximidade entre as

pessoas”. Yao Yisheng defende que os dois territórios devem, com base na plataforma já existente, potenciar ainda mais a cooperação, com vista a impulsionar as colaborações no âmbito da economia, do comércio, do turismo e da cultura. Por sua vez, o chefe da delegação da quarta edição do “Plano de Visitas de Presidentes da Câmara” de países adjacentes à China, o

governador da Província de Savannakhet da República Democrática Popular do Laos, Santiphab Phomvihane, afirmou que o evento possibilita o encontro entre os representantes das regiões participantes, “no qual podem partilhar ideias e trocar experiências nas áreas de investimento, comércio e turismo”. Para o responsável os resultados têm sido positivos.

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EDITAL Edital n.º :29 /E-BC/2018 Processo n.º :233/BC/2017/F Assunto :Demolição de obras não autorizadas pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Estrada da Areia Preta n.º 11, EDF. 南方花園, Bloco 2, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar A, Macau. Estrada da Areia Preta n.º 11, EDF. 南方花園, Bloco 2, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar C, Macau. Estrada da Areia Preta n.º 11, EDF. 南方花園, Bloco 2, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar D, Macau. Estrada da Areia Preta n.º 11, EDF. 南方花園, Bloco 2, escada comum entre os 4.º e 5.º andares, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados os donos das obras ou seus mandatários e os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Obra Construção de um compartimento composto por cobertura metálica, paredes em 1.1 alvenaria de tijolo, gradeamento metálico e janelas de vidro na parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar A. Construção de um compartimento composto por cobertura metálica, paredes em 1.2 alvenaria de tijolo, gradeamento metálico e janelas de vidro na parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar C. Construção de um compartimento composto por cobertura metálica, paredes em 1.3 alvenaria de tijolo, gradeamento metálico e janelas de vidro na parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar D.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 16 de Agosto de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e por despacho de 13 de Abril de 2018 exarado na informação n.º02875/DURDEP/2018, ordena aos donos das obras ou seus mandatários que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição das obras acima indicadas e à reposição dos locais afectados, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos nele existentes e à respectiva desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. Findo o prazo de demolição e de desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo de demolição e de desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos respectivos trabalhos, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados nos locais acima indicados ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. 1.4 Instalação de um portão metálico na escada comum entre os 4.º e 5.º andares.

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RAEM, 13 de Abril de 2018

O Director dos Serviços Li Canfeng


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HONG KONG PORTUGUÊS EM TÁXI ROUBADO, TEM ACIDENTE E ACABA DETIDO

Biblioteca Central IC ainda não recebeu nenhuma proposta

A ressaca

O Instituto Cultural (IC) ainda não recebeu nenhuma proposta para o projecto da Biblioteca Central. A informação foi dada ao jornal Ou Mun pela presidente substituta do IC, Leong Wai Man que considera o facto natural dada a envergadura e complexidade do projecto. De acordo com a responsável, os interessados precisam de tempo para conceberem o documento que querem levar ao concurso que termina a 9 de Julho. Leong Wai Man adiantou ainda que na sessão de esclarecimento que teve lugar no mês passado estiveram cerca de 80 participantes o que representa um “elevado interesse”.

Um cidadão português, acompanhado por um amigo sul-africano, está envolvido num roubo de táxi, após uma noite louca na zona de Lan Kwai Fong. Os dois estavam alcoolizados e o incidente ocorreu depois de verificarem que não tinham dinheiro para pagar ao taxista

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A noite de 17 de Março, um cidadão português, de 28 anos, e um colega de trabalho sul-africano, de 26 anos, foram beber uns copos para a zona de Lan Kwai Fong e acabaram detidos depois de uma noite digna de filme. Segundo a notícia veiculada pela publicação Asia Times, os dois amigos acabaram bêbedos dentro de um táxi, sem que tivessem dinheiro para pagar os 100 dólares de Hong Kong que constavam no taxímetro. Depois de explicarem a situação ao condutor, foram levados a uma caixa de multibanco para levantar o dinheiro em falta. Aí, o português saiu do carro e como não voltou em cinco minutos, o taxista foi à sua procura. Por sua vez, o sul-africano aparentava estar a dormir no carro. Contudo, depois de o motorista ter saído do táxi para, o sul-africano pegou no volante do carro, arrancou e parou para apanhar o amigo português. Os dois fugiram depois na viatura, até que sofreram um acidente em Morrison Street. Como nessa altura, o taxista roubado já

tinha dado o alerta para as autoridades, os dois acabaram detidos em Connaught Road West. No local, o sul-africano fez o texto ao álcool, que acusou um valor acima do permitido. Por esta razão, vai ter de responder pelas infracções de condução sob o efeito do álcool, roubo de veículo, recusa de pagamento e fuga, e, ainda por não ter parado após o acidente. Já o português é acusado de ser cúmplice no roubo de veículo e da prática de recusa de pagamento e fuga.

JULGAMENTO A 29 DE MAIO

Segundo o jornal Observador, que cita fonte do Ministério dos

Laos David Chow planeia investir até 500 milhões de dólares americanos Negócios Estrangeiros, o cidadão português é natural da Póvoa do Varzim. Ao HM, o Cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno, explicou que o processo está a ser acompanhado desde o início. “O caso foi registado a 17 de Março e desde essa altura que o Consulado Geral de Portugal

“O caso foi registado a 17 de Março e desde essa altura que o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong tem estado a acompanhar a situação ao pormenor. Houve logo uma primeira visita ao cidadão português, depois foi acompanhada a audiência de julgamento, a 16 de Abril.” VÍTOR SERENO CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL EM MACAU E HONG KONG

Grand Lisboa Palace Abertura adiada para o primeiro trimestre de 2019 A directora executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Angela Leong, afirmou que a abertura do Grand Lisboa Palace, foi adiada para o primeiro trimestre do próximo ano. Em declarações ao Jornal Ou Mun, afirmou que o atraso do projecto, o primeiro com a assinatura da SJM no Cotai, se deve a “vários factores”, sem especificar. Angela Leong comentou ainda a saída de Stanley Ho da posição de presidente e director executivo da SJM, que vai ser oficializada em assembleia-geral, agendada para Junho, apontando que o

lugar do magnata é “insubstituível” tanto dentro da SJM como no sector do jogo. A empresária afirmou, contudo, acreditar que a decisão do conselho de administração da SJM vai trazer vantagens ao desenvolvimento a longo prazo do grupo. Já sobre o plano para tornar a ilha de Hainão numa zona de comércio livre, que inclui corridas de cavalos e o alargamento das apostas desportivas, Angela Leong afirmou esperar que haja, no futuro, cooperação com Macau com vista ao benefício mútuo.

em Macau e Hong Kong tem estado a acompanhar a situação ao pormenor. Houve logo uma primeira visita ao cidadão português, depois foi acompanhada a audiência de julgamento, a 16 de Abril, e haverá também presença do pessoal do consulado no julgamento, que está marcado para 29 de Maio”, afirmou Vítor Sereno, ao HM. Ainda de acordo com o Observador, que cita o gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, também em Portugal foi estabelecido o contacto com a família do cidadão detido. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

O CEO da Macau Legend, David Chow, planeia continuar a apostar forte no Laos, onde gere e opera um casino desde Setembro de 2016. Em declarações ao jornal Ou Mun, o empresário afirmou que está em vias de pedir ao Governo do Laos a concessão de um terreno para um ‘resort’ turístico de grande dimensão. David Chow referiu ainda estar em conversações com as autoridades para desenvolver infra-estruturas como extensão de pistas no aeroporto para aumentar os voos directos, revelando que planeia introduzir aviões de pequena dimensão e abrir uma rota entre Macau e o Laos. Segundo o CEO da Macau Legend, o orçamento de todos os projectos pode ir de 300 milhões até 500 milhões de dólares norte-americanos.

Erro médico Registado um caso desde a criação da Comissão de Perícia

O presidente da Comissão de Perícia do Erro Médico, O Heng Wa, divulgou que desde a criação da entidade, foram registados nove requerimentos de perícia, sendo que cinco já se encontram com o processo concluído. De entre os cinco casos, um é de erro médico. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, O Heng Wa explicou que uma parte da população não aceita o resultado do relatório de perícia por não ir de encontro às expectativas. Por outro lado, há ainda casos em que a população por não estar satisfeita com os resultados dos tratamentos alega que existiu erro médico.


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DIREITOS HUMANOS MACAU CONTESTA RELATÓRIO “IRRESPONSÁVEL” DO DEPARTAMENTO DE ESTADO NORTE-AMERICANO

Restrições às liberdades de imprensa e académica, a incapacidade dos residentes mudarem o seu Governo e o tráfico humano figuram como os principais problemas apontados pelos Estados Unidos a Macau no domínio dos direitos humanos. A RAEM rejeita os “irresponsáveis comentários” de Washington

O

Departamento de Estado norte-americano publicou, na sexta-feira, o mais recente relatório sobre os direitos humanos no mundo, apontando a Macau as restrições à liberdade de imprensa e académica, as limitações na capacidade dos cidadãos mudarem o seu Governo e o tráfico humano como as “principais questões” de direitos humanos no ano passado. O Executivo de Fernando Chui Sai On contesta o teor do documento. O relatório “tece comentários irresponsáveis sobre a RAEM, o qual representa um assunto interno da China”, pelo que o Executivo “manifesta a sua forte oposição”, diz um comunicado divulgado pelo Gabinete do Porta-voz. “Os amplos direitos e liberdades, gozados pela população da RAEM, são plenamente garantidos, nos termos da Constituição e da Lei Básica”, refere a mesma nota oficial, sublinhando que “trata-se de uma realidade testemunhada por todas as pessoas sem preconceitos”. Washington tem, no entanto, uma perspectiva diferente, sustentando que, apesar das liberdades de expressão, incluindo a de imprensa, estarem consagradas na lei, “o Governo procurou ocasionalmente restringir esses direitos”.

A AUTOCENSURA

A prática de autocensura pelos ‘media’ volta a estar em foco,

Deja vu ´ ´

com o Departamento de Estado norte-americano a apontar que tal sucede, “em parte, porque o Governo subsidia fortemente os principais jornais que, em assuntos politicamente sensíveis, tendem a seguir de perto a política do Governo da República Popular da China”. Neste âmbito, Washington recorda que a Associação dos Jornalistas de Macau declarou que pelo menos cinco editores de órgãos de comunicação locais receberam mensagens dos seus superiores instruindo-os a fazer uma cobertura noticiosa “mais positiva” sobre o tufão Hato, menos focada na responsabilidade do Governo, especialmente dos titulares de altos cargos. Outro dos pontos de destaque é a nota de protesto da Associação de Imprensa Portuguesa e Inglesa de Macau relativamente ao pedido da Comissão de Assuntos Eleitorais para que um jornal (o semanário Plataforma) removesse uma entrevista publicada com um candidato à Assembleia Legislativa do seu ‘site’. “Os ‘media’locais expressaram uma ampla gama de pontos de vista, mas o Governo deu passos para restringir uma cobertura noticiosa desfavorável”, sintetizou o Departamento de Estado norte-americano. Washington faz referência ao caso de quatro jornalistas de Hong Kong que foram proibidos de entrar em Macau para fazer a cobertura do pós-tufão, citando

ainda o relatório da Federação Internacional de Jornalistas que condenou a decisão do Governo de interditar a entrada a 15 jornalistas de Hong Kong, dos quais alguns pretendiam cobrir as eleições para a Assembleia Legislativa em Setembro. Também é referida a detenção de duas pessoas por terem alegadamente disseminado informações falsas durante a passagem do tufão Hato. Em paralelo, o documento sinaliza que académicos têm reportado autocensura e que, “muitas vezes, foram impedidos de estudar ou falar sobre tópicos controversos relacionados com a China”, mencionando relatos anteriores de que foram advertidos a não se pronunciarem em eventos politicamente sensíveis ou em nome de determinadas organizações políticas. No plano da liberdade de reunião e de associação, o Departamento de Estado diz que, regra geral, o Governo respeita estes direitos, embora note “esforços para desencorajar a participação em manifestações pacíficas”. “Activistas alegam que as autoridades estão a fazer um esforço concertado para usar tanto a intimidação como processos-crime”, refere o documento, mencionando o caso de Sulu Sou, cujo mandato de deputado foi suspenso após ter sido acusado de desobediência qualificada durante um protesto pacífico contra o Chefe do Executivo.

Sobre a liberdade de movimentos, o Departamento de Estado lembra que vários políticos e activistas de Hong Kong foram proibidos de entrar sob o argumento de que representavam uma ameaça à segurança interna. O Departamento de Estado refere ainda as limitações à participação política, face à ausência de sufrágio universal na escolha do líder do Governo, que é eleito por um colégio composto por 400 membros. Já no que diz respeito às eleições para a Assembleia Legislativa, realizadas em Setembro, Washington observa que, em termos gerais, foram “livres e justas”, embora notando que “as rigorosas regras relativas à campanha limitaram a capacidade de novos candidatos se apresentarem à corrida”. Sobre a participação política, volta a recuperar o caso de Sulu Sou, sublinhando que críticos do Governo alegam que a acusação

“Activistas alegam que as autoridades estão a fazer um esforço concertado para usar tanto a intimidação como processos-crime” para desencorajar a participação em protestos pacíficos

e suspensão do mandato do jovem deputado foram “politicamente motivadas”.

CRIANÇAS E MIGRANTES VULNERÁVEIS

Washington aponta ainda que “as crianças e os migrantes são vulneráveis à prostituição e ao trabalho forçado” e que, embora “o Governo tenha investigado casos, não houve qualquer condenação” no ano passado. Segundo o relatório, entre Julho de 2016 e Junho de 2017, os inspectores da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) descobriram dois casos de violação à lei que proíbe o trabalho infantil que resultaram em multas de 40 mil patacas. Já sobre os trabalhadores não residentes, Washington reitera serem frequentes as queixas de discriminação no local de trabalho e ao nível dos vencimentos. No capítulo dos direitos dos trabalhadores, o destaque vai para as desigualdades salariais entre homens e mulheres, com o Departamento de Estado a assinalar que continuam a existir, embora o fosso tenha diminuído de 2500 patacas em 2011 para 1700 patacas em 2016. No tocante ao tráfico humano, o Departamento de Estado remete para o seu relatório especialmente dedicado ao tema, que teve a mais recente edição em Junho, em que Macau caiu para a lista de vigilância. Apesar das críticas, o documento saúda a atitude do Governo relativamente a investigações por parte de organizações locais ou internacionais, sustentando que “operam sem restrições”, “investigando e publicando as suas descobertas relativamente a casos de direitos humanos” e que, “na maioria das vezes, as autoridades cooperam e reagem de forma apropriada às suas opiniões”. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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23.4.2018 segunda-feira

Com a morte na lente

FOTOGRAFIA EDGAR MARTINS É PREMIADO NOS SONY WORLD PHOTOGRAPHY AWARDS

Cresceu em Macau e foi distinguido com dois prémios na edição deste ano do Sony World Photography Awards. Edgar Martins vê mais uma vez o seu trabalho reconhecido, desta feita com uma reflexção sobre a vida e a morte

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português Edgar Martins foi reconhecido como o melhor fotógrafo na categoria de Natureza Morta e ficou em segundo lugar emArquitectura no concurso dos Sony World Photography Awards 2018. Na selecção Natureza Morta, foi distinguido com a série de fotografias "Silóquios e Solilóquios sobre a Morte, a Vida e outros Interlúdios", que representa uma variedade de cartas e outros objectos usados em crimes e suicídios. O fotógrafo produziu esta série no Instituto Nacional de

Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) em Portugal, onde são tratadas provas recolhidas pela polícia, como notas de suicídio, cartas e outros objectos usados em suicídios e crimes. "O trabalho explora a tensão entre a revelação e a ocultação, questionando, entre

outras coisas, as implicações éticas de representar e divulgar material sensível desta natureza", justificou Martins, citado pela organização. Uma segunda série de fotografias do artista, "A Impossibilidade Poética de Conter o Infinito", foi premiada com o 2.º lugar na categoria

[Edgar Martins] foi distinguido com a série de fotografias “Silóquios e Solilóquios sobre a Morte, a Vida e outros Interlúdios”, que representa uma variedade de cartas e outros objectos usados em crimes e suicídios

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA NO PALCO DA MEMÓRIA • Carmen Dolores

“Nunca pensei escrever um segundo livro de memórias, embora o primeiro tivesse como título Retrato inacabado. No entanto, o tempo foi passando e comecei a anotar numa espécie de diário o que me ia acontecendo, o que ia observando, o que me despertava mais interesse… e assim surgiu este No palco da memória, para que fique um registo daquela que ainda sou, uma referência aos trabalhos em que fui participando, e até um recordar do que se escreveu a meu respeito.” Eis uma voz única, a de Carmen Dolores, que nos entrega aqui, desta vez por escrito, um testemunho precioso de uma longa vida em que o Teatro desempenhou um papel decisivo. Cruzamento de passado e presente, de memórias e vida, de vozes e de silêncios, esta é também a história de uma mulher e do seu tempo, história que ela tornou exemplar pelo empenho e sensibilidade com que sempre a viveu.

de Arquitetura para fotógrafos profissionais. O trabalho, feito em centrais hidroelétricas em Portugal, instalações da Agência Espacial Europeia e fábricas de automóveis na Alemanha, procura examinar e reavaliar a relação da humanidade com a tecnologia e a indústria e o impacto na consciência social e cultural das pessoas.

RECORD DE PARTICIPAÇÃO

O concurso de fotografia, dividido em quatro seleções (Profissional, Aberto, Juventude e Estudante), assinalou este ano a 11.ª edição com um

número recorde de 320.000 inscrições de fotógrafos de mais de 200 países e territórios, de acordo com comunicado da organização. O título de Fotógrafo do Ano foi atribuído ao britânico Alys Tomlinson pela sua série ‘Ex-Voto', o que lhe vai valer o prémio de 25 mil dólares. Edgar Martins nasceu em Évora, cresceu em Macau e vive actualmente em Bedford, no Reino Unido, e o seu trabalho tem vindo a ser exposto internacionalmente. Recentemente, foi selecionado como Escolha do Júri nos The Magnum Awards e

no Hariban Award, e foi eleito para representar Macau na 54.ª Bienal de Veneza. Martins era finalista nas categorias de Natureza Morta, Descoberta e Arquitetura, enquanto que Adriano Neves e António Coelho receberam menções honrosas no concurso aberto. Os trabalhos do finalista e artistas distinguidos pela menção honrosa serão exibidos na exposição dos Sony World Photography Awards, em Londres, entre 20 de Abril e 6 de Maio.

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SOB O SIGNO DA ESPADA • Tom Holland

No século VI d.C., o Médio Oriente era partilhado por dois grandes impérios: a Pérsia e Roma. Cem anos mais tarde, um deles tinha desaparecido definitivamente e o outro estava reduzido a um mero cepo quase sem vida. No lugar de ambos, tinha surgido uma nova superpotência: o império dos árabes. E esta convulsão foi tão profunda, que veio a pôr fim ao mundo antigo. Mas as alterações que assinalaram este período não foram meramente políticas nem sequer culturais; também se verificou uma transformação social de incalculáveis consequências para o futuro. Hoje em dia, mais de metade da população mundial pratica uma das várias religiões que ganharam forma durante os últimos séculos da Antiguidade. Ora, os nossos contemporâneos cujas ideias e cujos comportamentos se fundam na crença num Deus único são um testemunho vivo do impacto ainda hoje exercido por esta época extraordinária e prenhe de convulsões. E contudo, como Tom Holland mostra nesta obra, aquilo em que judeus, cristãos e muçulmanos acreditam foi tema de acesos debates. Holland analisa a forma como uma sucessão de grandes impérios veio a identificar-se com uma nova e revolucionária concepção do divino. O que o leitor tem nas mãos é uma história de guerras e peste, de imperadores que viveram em sumptuosos palácios e santos ulcerosos que passaram os seus dias em cima de um pilar, de cidades fervilhantes e desertos ermos. “Sob o Signo da Espada” é uma narrativa dramática, pejadas de horrores e de feitos heróicos.


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segunda-feira 23.4.2018

Traduzir a China Escritor chinês Yu Hua narra país real na ficção

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A China, onde imprensa e narrativa histórica são controladas pelo Partido Comunista, a literatura ficcional oferece as descrições mais fiéis do país, como são exemplo as obras de Yu Hua, escritor publicado recentemente em Portugal. "Devido às limitações que o jornalismo enfrenta na China, acaba por ser na ficção que muitas vezes encontramos as descrições mais autênticas de como é viver hoje no país", concorda Tiago Nabais, de 39 anos, e tradutor para português de literatura chinesa. Académicos e intelectuais chineses são pressionados a aderir às interpretações oficiais do regime comunista em questões de natureza histórica, enquanto a imprensa é sujeita a uma censura rigorosa. Já a ficção tem à disposição a "sátira, o fantástico ou o absurdo", que são "muito úteis para lidar com a sociedade e o momento histórico da China", explica Nabais à agência Lusa. Com cerca de 1.400 milhões de habitantes, a China, que até há quatro décadas vivia num universo à parte, mergulhada em constantes "campanhas políticas", pobreza e isolamento, é hoje a segunda maior economia mundial. A rapidez e profundidade das mudanças deram origem a um país onde "a vida é tão louca que precisa de um novo estilo literário: o ultra irrealismo", sugere o escritor chinês Ning Ken. Formado em mandarim pelo Instituto Politécnico de Leiria (IPL), Tiago Nabais traduziu directamente a partir do chinês os romances de Yu Hua "Crónica de um vendedor de sangue" e "China em dez palavras", editados em Portugal pela Relógio d'Água.

LINGUAGEM SIMPLES

Nascido em 1960, numa época em que o experimentalismo maoista, sobretudo o Grande Salto em Frente e a Revolução Cultural, causaram dezenas de milhões de mortos e afundaram a China no caos, Yu Hua trabalhou como dentista antes de se tornar escritor. "Ele não é um académico", diz Tiago Nabais. "Ele usa uma linguagem muito simples, um pouco infantil às vezes, mas que resulta muito bem em chinês, porque fala de coisas muito dramáticas nessa linguagem", descreve. As obras de Yu Hua oferecem descrições brutais da violência em que a China mergulhou durante o reinado de Mao Zedong (1949-1976) e da espectacular transformação económica que se seguiu. "Eu escrevo romances, não livros de História, mas a partir da minha obra os jovens podem conhecer o que se passou na China", explicou o autor à agência Lusa.

Tiago Nabais entrou para a universidade aos 29 anos, depois de "viajar bastante" e fazer "uns biscates aqui e ali", no que se revelou uma vantagem para o estudo do chinês. "Estudar com tanta dedicação uma coisa destas aos 18, 19 anos, é muito difícil", diz. "Eu como já tinha tido muitos anos de outras coisas, consegui dedicar-me de uma maneira muito mais calma", acrescenta. Nabais considera que estudar chinês é "bastante frustrante" e "só pessoas com um determinado perfil" o conseguem. "Da minha turma, acho que para aí metade desistiu a meio", conta.

AUTORES AINDA DESCONHECIDOS

Também "difícil" é convencer uma editora portuguesa a publicar um autor que, apesar de ter vendido mais de dez milhões de livros em todo o mundo, continua a ser desconhecido em Portugal. "A maioria das editoras portuguesas não está muito bem financeiramente e ninguém está muito disposto a arriscar meter-se em escritores que ninguém conhece", conta. A tradução e posterior publicação de "Crónica de um vendedor de sangue", primeiro romance de Yu Hua a ser lançado em Portugal, partiu da iniciativa de Tiago Nobais. "Fui eu que contactei o escritor primeiro e pedi-lhe autorização para traduzir alguns capítulos, para depois mostrar a editoras portuguesas", conta. "A Relógio d'Água foi a única que me respondeu". Na semana passada, a mesma editora publicou "China em Dez Palavras", um dos mais conhecidos títulos de Yu Hua. Tiago Nabais viveu oito anos e meio na China, onde para além de estudar mandarim nas cidades de Pequim e Xi'an e na região de Macau, ensinou português em Shijiazhuang e Shaoxing. Em meados do ano passado regressou a Portugal: "Estou em fase de adaptação a Lisboa, mas a gostar da pausa da China", revela. "Pelo menos, para já". LUSA

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23.4.2018 segunda-feira

Acidente Dezassete mortos com barcos dragão no sul da China Dezassete pessoas morreram num acidente com dois barcos dragão no sul da China no sábado, anunciaram as autoridades locais. Os barcos estavam a treinar para uma regata no rio Taohua, na cidade de Guilin, quando o acidente aconteceu, disseram os bombeiros da cidade de Guilin, capital da região de

Guangxi. Ainda não são claras as razões que levaram ao acidente. Um total de 60 pessoas caiu na água, estando 17 mortes confirmadas após as operações de salvamento. A agência de notícias oficial Xinhua noticiou que foram enviados para o local oito barcos e estiveram envolvidas 200 pessoas nas operações de

socorro. Dois organizadores da modalidade foram detidos, adiantou Xinhua. A China tem procurado aumentar a segurança em torno das regatas de barcos dragão em todo o país durante o festival de Duanwu, que acontece perto do solstício de Verão e comemora a morte do poeta e ministro Qu Yuan.

GEOPOLÍTICA UM NOVO TIPO DE “GUERRA FRIA” COM EUA, RÚSSIA E CHINA

A batalha do gelo

Os Estados Unidos estão a impor o regresso a um novo género de Guerra Fria por considerarem a Rússia e a China como adversários, e actuam como elemento que valida as actuais ambições de Moscovo, alertam investigadores em temas geopolíticos

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STAMOS a regressar a uma nova Guerra Fria, pelo facto de os Estados Unidos encararem agora Rússia e China como adversários, e não como nações pouco amistosas, mas não necessariamente hostis”, considerou Michael Klare, professor de Estudos de segurança e paz no Hampshire College em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, em declarações à agência Lusa. Na sua análise, o académico sublinha que desde o final da Guerra Fria, no início da década de 1990, até recentemente, os presidentes norte-americanos ambicionavam

“integrar a Rússia na ordem liberal internacional”, mas a Casa Branca, após a eleição de Donald Trump em 2016, deixou de acreditar que Rússia e China possam integrar essa ordem. “A actual liderança dos EUA não acredita que a Rússia e a China possam integrar essa ordem, antes considera que estão empenhados em desmantelá-la. Por isso, acredita que os dois países devem ser isolados e delimitados”, sublinha o académico, autor de diversas publicações, onde se inclui The Race for What's Left: The Global Scramble for the World's Last Resources” (2012). Este género de pensamento, especifica o investigador, já justificava a estratégia de contenção

prosseguida pelas potências ocidentais face à URSS no decurso da Guerra fria “original”. Na Rússia, e em particular após a subida ao poder de Vladimir Putin em 2000, o país também registou uma evolução na sua abordagem geoestratégica, e diversos analistas têm considerado o reconhecimento, pela maioria dos países ocidentais e

aliados, da independência do Kosovo em 2008 à revelia das instâncias internacionais, como o elemento que conduziu a Rússia a alterar as suas políticas sobre integridade territorial e intangibilidade das fronteiras dos Estados na sua esfera de influência.

SOZINHOS EM MOSCOVO

Em artigo recente publicado na revista Russia in Global Affairs, Vladislav Surkov, conselheiro do Presidente Vladimir Putin e muito influente nos corredores do Kremlin, considerou que a Rússia abandonou as aspirações seculares de integração no ocidente, e regressa a uma nova era de “solidão geopolítica”. "O lugar que o ocidente tem ocupado na política externa da Rússia pós-soviética é simultaneamente o de barómetro da ambição russa de ser reconhecida como uma grande potência e de elemento constitutivo da identidade russa, mesmo que por oposição directa, como parece ser o actual cenário”, assinalou em declarações à Lusa, Licínia Simão, professora de Relações Internacionais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Investigadora do Centro de Estudos Sociais. “Mais do que a União Europeia [UE] ou as suas principais potências, são os Estados Unidos que têm actuado como o elemento que valida as ambições de Moscovo ser um interlocutor necessário à resolução das grandes questões da política internacional”, sustentou. Na perspectiva da investigadora, o “caminho épico da Rússia rumo ao ocidente”, que agora parece comprometido, teria expressão numa ambicionada parceria, mas que não passaria pela integração do grande país euro-asiático nas instituições ocidentais, como a UE ou NATO. “Este caminho rumo ao ocidente era pautado pelo reconhecimento formal de Moscovo como o parceiro mais significativo da superpotência Estados Unidos na resolução dos problemas internacionais, em jeito de concerto das grandes potências, ainda que articulado no quadro de organizações multilaterais como a ONU

“Estamos a regressar a uma nova Guerra Fria, pelo facto de os Estados Unidos encararem agora Rússia e China como adversários, e não como nações pouco amistosas, mas não necessariamente hostis.” MICHAEL KLARE PROFESSOR HAMPSHIRE COLLEGE EM AMHERST

e o seu Conselho de Segurança”, prosseguiu a académica. Aintenção de a Rússia se preparar para actuar de forma mais isolada no contexto internacional constituirá, no actual cenário, a “validação de uma estratégia em vigor há algum tempo, na medida em que ela tem efectivamente sido marginalizada pelos seus parceiros ocidentais e tem procurado sempre avançar os seus interesses particulares”, indicou ainda. No entanto, para Licínia Simão, o impacto desta abordagem nos ‘dossiês’ em que a Rússia é efectivamente um parceiro negocial não é claro, especialmente no actual contexto da política norte-americana e europeia. “Mas será, sem dúvida, um momento de reapreciação das prioridades russas e uma oportunidade de reforçar as tendências autoritárias, conservadoras e nacionalistas do país, com importantes impactos negativos na sociedade russa e potencialmente na estabilidade regional, como é já visível na Ucrânia." Em clima de “nova “Guerra fria”, o sentimento de “cerco” ocidental, não será apenas perceptível na Rússia, mas também pela China, e contido na mais recente revisão estratégica do Pentágono (NPR) que assinala a entrada dos EUA numa nova era de “competição de grande potência” com Moscovo e Pequim, e que esta competição está a assumir uma forma militar, precisou ainda Michael Klare. O académico norte-americano recordou que o NPR também assinala, “sem fornecer qualquer prova”, que a Rússia encara a utilização inicial de armas nucleares num qualquer futuro conflito com a NATO, devendo deste modo os EUA munirem-se de um vasto espectro de armas nucleares para dissuadir essa utilização, e se necessário responder em conformidade. “O resultado poderá ser uma escalada da corrida às armas nucleares e um maior risco de utilização de armas nucleares em situação de combate”, alertou. “E enquanto os Estados Unidos e aliados continuarem a instalar as suas forças ao longo do perímetro da Rússia e China, podemos esperar que estes países respondam através do reforço das suas próprias forças e procurarem contrariar a estratégia de cerco norte-americana. Esta situação aumentará o risco de confrontação e de escalada em todos os pontos onde forças dos dois lados se encontrem numa situação de proximidade, incluindo na Europa”.


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segunda-feira 23.4.2018

A Coreia do Norte anunciou durante o fim-de-semana que suspendeu os testes nucleares e o lançamento de mísseis de longo alcance e que tem planos para encerrar as suas instalações de testes nucleares, adiantou a Associated Press

DIPLOMACIA PYONGYANG ANUNCIA SUSPENSÃO DE TESTES NUCLEARES

rência “ao abandono dos mísseis balísticos de curto e médio alcance”, pelo que Tóquio irá manter pressão sobre a Coreia do Norte.

Sinais positivos

XI & TRUMP

O Presidente norte-americano, Donald Trump, também já reagiu a este anúncio, tendo considerado uma “muito boa notícia” a decisão da Coreia do Norte, e manifestou-se desejoso de se encontrar com o líder norte-coreano, o que poderá acontecer em Maio ou Junho. A China, principal aliado da Coreia do Norte, saudou o anúncio de Pyongyang de que irá suspender os seus ensaios nucleares e de mísseis intercontinentais, afirmando que isso contribuirá para a desnuclearização da península coreana.

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agência de notícias oficial da Coreia do Norte adiantou que a suspensão dos testes nucleares tem efeito a partir de sábado, 21 de abril, na Coreia do Norte. O país disse estar a mudar o foco da sua política nacional e concentrado em melhorar a sua economia. O anúncio acontece dias antes de o líder norte-coreano Kim Jong-un se encontrar com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in numa localidade fronteiriça para uma rara cimeira entre os dois países que tem por objectivo resolver a disputa nuclear com Pyongyang. A decisão da Coreia do Norte foi tomada numa reunião do Comité Central do partido no poder, que acordou discutir “um novo período” de políticas no país. A Coreia do Sul felicitou a decisão de Kim Jong-Un, líder norte-coreano, de suspender os testes nucleares, salientando tratar-se de um “passo significativo” para a desnuclearização da península coreana. “A decisão da Coreia do Norte representa um passo significativo para a desnuclearização da península coreana, que o mundo aguarda”, afirmou a presidência da Coreia do Sul, em comunicado, elogiando o “ambiente muito positivo para as próximas cimeiras entre as duas Coreias e entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos”, que a decisão de Pyongyang “irá criar”.

“A China pensa que a decisão de suspender os ensaios nucleares e de se concentrar no desenvolvimento económico e na melhoria das condições de vida, vai ajudar a apaziguar a situação na península coreana e fará avançar o processo de desnuclearização, assim como os esforços no sentido de uma solução política.” Ainda assim, o primeiro-ministro japonês, ShinzoAbe, celebrou a decisão da Coreia do Norte de suspender os testes nucleares e expressou a esperança que esta sirva para o desarmamento “completo, verificável e irreversível” do país vizinho. O chefe do Executivo japonês considerou a decisão como um “movimento positivo”, mas manifestou cautela, afirmando que “a única coisa importante (agora) é ver se esta acção levará a uma eliminação completa, verificável e irreversível das armas nucleares e mísseis” do país vizinho, de acordo com declarações divulgadas pela emissora pública NHK.

Abe adiantou que o seu Governo “estará atento” ao assunto e deixou claro que o Japão e os Estados Unidos coordenaram a sua actuação perante os vários cenários possíveis com a Coreia do Norte, durante a cimeira que teve com o Presidente norte-americano, Donald Trump, esta semana na Florida. A cautela do primeiro-ministro japonês foi partilhada por outros membros do seu gabinete, como o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Taro Aso, que de Washington, onde está a participar numa reunião ministerial do G20, disse que ainda é cedo para saber

se a Coreia do Norte irá abandonar as armas. Taro Aso disse que em outras ocasiões foram feitas concessões económicas e de outra índole para que Pyongyang abandonasse o seu programa nuclear, “mas os testes continuaram”, de acordo com a agência Kyodo. Já o ministro da Defesa japonês, Itsunori Onodera, qualificou a decisão da Coreia do Norte “insuficiente” e afirmou que “este não é o momento para relaxar a pressão sobre o país”. “Não podemos ficar satisfeitos”, afirmou Itsunori Onodera aos jornalistas, adiantando que Pyongyang não fez qualquer refe-

LU KANG PORTA-VOZ DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

“A China pensa que a decisão de suspender os ensaios nucleares e de se concentrar no desenvolvimento económico e na melhoria das condições de vida, vai ajudar a apaziguar a situação na península coreana e fará avançar o processo de desnuclearização, assim como os esforços no sentido de uma solução política”, disse Lu Kang, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, em comunicado.

RESPOSTA DE TÓQUIO

O ministro da Defesa japonês considerou insatisfatória a decisão da Coreia do Norte em suspender os testes nucleares, já que Pyongyang não mencionou “o abandono dos mísseis balísticos de curto e médio alcance”. “Não podemos ficar satisfeitos”, afirmou Itsunori Onodera aos jornalistas, adiantando que Pyongyang não fez qualquer referência “ao abandono dos mísseis balísticos de curto e médio alcance”, pelo que Tóquio irá manter pressão sobre a Coreia do Norte.

Japão Mulher mais velha do mundo morre aos 117 anos A mulher considerada a mais velha do mundo, a japonesa Nabi Tajima, morreu no sábado à noite no sul do Japão, com 117 anos de idade, noticiou a Associated Press (AP). Um funcionário da cidade de Kikai avançou que Nabi Tajima morreu no hospital, pouco antes das 20:00, onde estava internada desde Janeiro. Tajima nasceu em 4 de Agosto de 1900 e terá mais de 160 descendentes, sendo natural de Kikai, na província de Kagoshima, em Kyushu, a zona mais a sul das quatro ilhas principais do Japão. A japonesa tornou-se na

mulher mais velha do mundo após a morte de Violet Brown, na Jamaica, em Julho de 2017, também 117 anos. Com a sua morte, Chiyo Yoshida, também japonesa, passou a ocupar o lugar da mulher mais velha do mundo, com 116 anos, de acordo com a entidade Gerontology Research Group, sediada nos Estados Unidos. O Japão, conhecido pela longa expectativa de vida de seus habitantes, contava com cerca de 68 mil centenários listados no país no ano passado, segundo estatísticas oficiais.


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A mulher é o centro, o Homem o aro Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Intérpretes da paisagem

C

ASPAR David Friedrich (1774-1840) viu, de modo paradoxal, na natureza um espelho do invisível. Da capacidade evocativa que se pressente nas suas pinturas de paisagens, houve quem retivesse a sensação de poder. Outros sentiriam uma presença incómoda, a percepção ameaçante do terrível e na verdade todas as interpretações se tornam possíveis quando no fundo dos motivos representados nas imagens, através das suaves gradações de cor do céu, está o vazio, um espelho do observador. Era clara, no entanto, a sua própria explicação: «A tarefa do pintor não é representar fielmente o ar, a água, as rochas e as árvores, mas sim espelhar neles a sua alma e aquilo que sente.» Diante do panorama oferecido pela natureza, Friedrich, pintor romântico educado na tradição judaico-cristã parece colocar-se diante da questão: Quem fez isto tudo? Trabalhando com a intuição da presença divina, o pintor observa as mutações da natureza, divisando sentidos naquela que Tomás de Aquino designou «a continuação da acção criadora.» Interpretar a beleza misteriosa da Criação e o seu significado como a tarefa dos homens criadores correspondia à noção romântica do sublime. A posição do pintor na China, de acordo com os tratados tradicionais de pintura á a que está descrita no capítulo vinte e um do Zhuangzi: «tirar a roupa e sentar-se com as pernas cruzadas.» A disposição calma e ociosa escreveu Wang Yuanqi (1642-

1715) nas suas «Notas Dispersas Sobre Uma Janela Chuvosa», é essencial: «Quando o pintor segurar no pincel ele deve estar absolutamente tranquilo, sereno, pacificado e concentrado e deixar de fora todas as emoções vulgares.» Ele deve «olhar para o alto e o baixo, examinar à direita e à esquerda, o dentro e o fora do rolo de pintura, o caminho para entrar e o caminho para sair.» Opostos complementares que, afinal, já estão presentes na própria palavra chinesa «shanshui», usada para designar a «paisagem» que contém a união dialética dos dois opostos, «montanhas e rios». Na concepção daoísta do Acto, o «pintor verdadeiro», como o «verdadeiro Soberano», ou seja, o homem criador, deve conseguir tomar consciência da origem primeira que lhe permitirá entrar na posse da «Regra suprema» juntando-se ao «ritmo espiritual», «qiyun» o limite absoluto para que tende toda a pintura. Para a realização prática deste conceito Shitao (1642-1707) desenvolveu, a partir do material utilizado na pintura a noção do «Traço Único do Pincel». É ele que permitirá essa ligação ao misterioso movimento da Criação. Desprovida de esforço a acção do homem perfeito, escreveu Shitao, «domina as formas sem delas deixar traços». Diante dos panoramas pintados por Caspar David Friedrich ou pelos pintores Chineses parece que nos aproximamos de uma revelação. São imagens que nos mostram o espanto frente ao mais grandioso em termos morais ou estéticos, diante da beleza.

Diante do panorama oferecido pela natureza, Friedrich, pintor romântico educado na tradição judaico-cristã parece colocar-se diante da questão: Quem fez isto tudo? Trabalhando com a intuição da presença divina, o pintor observa as mutações da natureza, divisando sentidos naquela que Tomás de Aquino designou «a continuação da acção criadora.»


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 23.4.2018

Ofício dos OSsos Valério Romão

V

IVEMOS numa época em que a tecnologia impera. Até os mais analógicos – por militância ou desconhecimento – têm presença em uma ou mais redes sociais. Aqueles que prescindem de imprimir uma marca online são uma excepção. Mas muitos daqueles que abraçaram a internet na sua tentacularidade social não nasceram nela. Fazem parte de uma ou mais gerações de transição que, com maior ou menor dificuldade, embarcaram com o comboio em andamento. E, por vezes, nota-se. Há dias, no Facebook, alguém partilhara uma publicação na qual se dizia que caso o utilizador escrevesse “BFF” nos comentários, ficaria a saber se os dados tinham sido partilhados pelo Facebook. Se a cor do texto do comentário mudasse de preto para verde era sinal de que os dados do utilizador em causa tinham sido partilhados de forma abusiva. O código do Facebook é constantemente actualizado; corrigem-se bugs, retiram-se e adicionam funcionalidades e implementam-se mudanças mais ou menos perceptíveis. Uma das coisas que recentemente mudou é a resposta do algoritmo a um comentário que o Facebook consegue “ler”. Por exemplo, quando escrevemos “parabéns”, o Facebook interpreta a palavra, esta fica com uma cor alaranjada e pipocam no ecrã uma série de animações que sugerem festividade. “Bff”, por outra parte, fica verde. A cor que significaria “positivo” para a partilha indevida de dados pessoais, de acordo com o exemplo supra-citado. Uma pequena modificação no código explorada para o humor. Podia ter sido pior. Uma amiga minha, livreira, confessava-me no outro dia ter apanhado um susto tão desnecessário como embaraçoso. Pesquisando pela livraria na qual trabalha, no Google, deu conta de que este dizia que a loja “encerrava brevemente”. Assustada, ligou para o chefe e dono do espaço: “mas nós vamos fechar? Passa-se algo que não me tenhas contado?

Um dia, já ninguém terá tido uma infância analógica. Até lá, a nossa ignorância informática confere-nos um certo charme e municia-nos de histórias interessantes para jantares com amigos

PAWEL KUCZYNSKI,THOUGHT PROVOKING

Das consequências da tecnologia

Devo procurar trabalho?” O chefe, ainda mais iletrado nas coisas da informática, mostrou-se surpreendido e assegurou ter as contas em dia. “Não tenho planos de fechar isto, vê lá o que consegues saber junto desses tipos.” Essa minha amiga passou algumas horas só para encontrar o endereço electrónico para o qual devem ser encaminhadas as reclamações. Escreveu uma missiva entre o indignado e o violento

e remeteu-a nervosa, esperando que o Google foste lesto a desfazer o equívoco. Os clientes e potenciais clientes podiam ser induzidos em erro, o que seria fatal para o negócio. Passados cerca de dois dias e alguma ansiedade, alguém lhe perguntou, num almoço com amigos, a que horas ela tinha feito a pesquisa. “Pelas 18:30”, respondeu. “Então é normal que o motor de busca tenha dado a informação de que

encerravam brevemente. Fecham às 19, não é?” Fez-se subitamente luz e, verdade seja dita, uma dose considerável de vergonha. O Google, afinal, não fazia parte de uma conspiração de uma qualquer livraria vizinha para desacreditar a dela. Um dia, já ninguém terá tido uma infância analógica. Até lá, a nossa ignorância informática confere-nos um certo charme e municia-nos de histórias interessantes para jantares com amigos.


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23.4.2018 segunda-feira

RECTIFICAÇÃO DE EDITAL Edital n.º : 27 /E-BC/2018 Processo n.º :409/BC/2016/F Assunto :Rectificação de notificação respeitante a decisão final Local :Estrada do Cemitério n.º 1-B, EDF. Fu On, fracção 3.º andar A (CRP:A2), Macau. Tendo-se verificado um lapso no edital n.º 11/E-BC/2018 respeitante à numeração das colunas, publicado em 9 de Março de 2018 no jornal em língua portuguesa (Hoje Macau), procede-se ao abrigo do artigo 135.º do Código de Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M de 11 de Outubro, à sua rectificação: Onde se lê: “ De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º……acima indicadas. 2. Sendo os corredores comuns……para efeitos de vistoria. 3. Findo o prazo, estipulado, ……de 15 de Fevereiro. 4. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º……de segurança do edifício. 5. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º……do presente edital.” Deve ler-se: “ 2. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º……acima indicadas. 3. Sendo os corredores comuns……para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo, estipulado, ……de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º……de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º……do presente edital.” A presente rectificação tem efeito retroactivo sem prejuízo da contagem do prazo referido no edital rectificado. RAEM, 13 de Abril de 2018

O Director dos Serviços Li Canfeng

COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º 1 do ponto 6.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista definitiva dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2018, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Mais se informa que a prestação de provas foi pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude reconhecida como um dos itens subsidiáveis no âmbito do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo”. Os candidatos poderão pois optar por liquidar as taxas devidas deduzindo o respectivo montante da sua conta do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo” (adverte-se, no entanto, para o facto de que apenas se aceitará o pagamento integral do valor em causa). Em caso de dúvidas, agradecemos que contacte com a CRAC, durante as horas de expediente, através dos números de telefone 85995343 ou 85995342. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 16 de Abril de 2018 O Presidente da CRAC Iong Kong Leong

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 244/AI/2018

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 273/AI/2018

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LO UN WAN, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 13913xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 131/DI-AI/2017, levantado pela DST a 01.06.2017, e por despacho da signatária de 12.04.2018, exarado no Relatório n.° 242/DI/2018, de 22.03.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.° 1142-M, Centro Internacional de Macau, Bloco 12, 8.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora SHE SUOLAN, portadora do Passaporte da RPC n.° G59861xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 134/DI-AI/2015 levantado pela DST a 13.11.2015, e por despacho da signatária de 29.11.2017, exarado no Relatório n.° 806/DI/2017, de 20.11.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade de Santarém n.° 423, Praça Wong Chio, 3.° andar X, Macau onde se prestava alojamento ilegal.--------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 9 de Abril de 2018.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 12 de Abril de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


desporto 17

segunda-feira 23.4.2018

MOTOCICLISMO SEGURADORA VAI PAGAR INDEMNIZAÇÃO À FAMÍLIA DO PILOTO QUE MORREU NO GP

Uma questão de decência Os familiares de Daniel Hegarty, o jovem piloto que morreu na edição passada do Grande Prémio de Macau, anunciaram que a seguradora voltou atrás e decidiu pagar a indemnização

S

ÃO notícias fantásticas. Finalmente tivemos boas notícias em relação a toda esta situação, e a família está extremamente feliz com o desfecho deste caso. Ainda não sabemos a quantia exacta que vai ser paga, mas ter havido esta chamada a dizer que pagavam tudo foi fantástico”, afirmou Joe Hegarty, irmão do piloto, ao HM. Depois de a Combined Insurance ter inicialmente recusado pagar, argumen-

D

EPOIS de se ter sagrado vice-campeão do Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC) em 2017, Rodolfo Ávila volta a disputar a prova, que arranca no primeiro fim de semana de Maio em Xangai. Rodolfo Ávila vai regressar ao principal campeonato de automobilismo chinês com a equipa SVW333 Racing, após ter conquistado o vice-campeonato em 2017 e de ter sido preponderante na obtenção do título de construtores por parte da SAIC Volkswagen. Os objectivos são idênticos aos da temporada anterior, afirma o piloto português radicado em Macau. “Os objectivos não são diferentes daqueles a que me propus o ano passado e que cumpri na íntegra. A equipa tem como missão primordial vencer o campeonato de construtores e eu irei dar o meu melhor para que possamos repetir o sucesso de 2017”, diz Rodolfo Ávila, num

tando que o seguro privado de vida apenas previa uma compensação caso Daniel Hegarty morresse na Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália ou Nova Zelândia, a família do piloto lançou uma campanha para recolher donativos para ajudar a na educação das duas crianças que ficaram órfãs na sequência do trágico acidente ocorrido em Macau. A iniciativa foi lançada com o objectivo de angariar 20 mil libras (228 mil patacas), uma meta cumprida em 84 por

“Vamos devolver todo o dinheiro a quem o pedir.” JOE HEGARTY IRMÃO DE DANIEL HEGARTY

cento até domingo (16895 libras).

A DEVOLUÇÃO

Na sequência da notícia de que a seguradora vai avançar com a indemnização, após terem revisto o caso, os familiares de

Tudo a postos Rodolfo Ávila volta a disputar CTCC que arranca em Maio

comunicado enviado à redacção. A equipa oficial da SAIC Volkswagen conta, este ano, com mais quatro pilotos, incluindo o britânico Rob Huff, ex-campeão do Mundial de Carros de Turismo (WTCC) e o piloto com o maior número de vitórias (em

mesma para a criação do fundo, porque foi com esse propósito que foi doado e vamos utilizá-lo a 100 por cento para o fundo, mesmo que seja uma quantia pequena”, garantiu.

duas ou quatro rodas) do Circuito da Guia. Apesar de ter subido ao pódio por quatro vezes ao longo da temporada anterior, Rodolfo Ávila não esconde o desejo de em 2018 alcançar o feito de chegar ao primeiro lugar. “Como objec-

Daniel Hegarty anunciaram que quem doou dinheiro para a causa pode reavê-lo. “Agora, como anunciei na minha página do Facebook, quem quiser o dinheiro de volta deve contactar-me através do Facebook ou da página

do ‘crowdfunding’. Vamos devolver todo o dinheiro a quem o pedir”, indicou Joe Hegarty. “Todo o dinheiro que as pessoas não quiserem de volta, vai, sem sombra de dúvidas, ser utilizado na

O britânico Daniel Hegarty morreu a 18 de Novembro durante o Grande Prémio de Macau, no qual participava pela segunda vez. O piloto, de 31 anos, perdeu o controlo da mota na curva dos Pescadores e acabou projectado contra a barreira. O acidente levou imediatamente ao final da corrida, a seis voltas do final, com o vencedor, Glenn Irwin, a terminar em lágrimas. Esta foi a primeira fatalidade no Grande Prémio de Macau desde 2012. Diana do Mar com João Santos Filipe info@hojemacau.com.mo

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tivo pessoal, gostava de também de vencer corridas, algo que o ano passado me escapou por pouco e por diversas razões fora do meu controlo, e lutar pelo título de pilotos”. Segundo a mesma nota, durante a paragem de Inverno, os técnicos da SVW333 Racing evoluíram o VW Lamando GTS para fazer face a uma concorrência cada vez mais bem equipada, estando Rodolfo Ávila “confiante” de que as alterações ao carro “irão surtir efeito”. “Para esta temporada, o carro sofreu algumas evoluções a nível aerodinâmico e terá travões e uma caixa

de velocidade nova. Mas a área onde a aposta foi maior este ano, foi na geometria das suspensões e ‘setup’ do carro. Contudo, só teremos uma visão mais concreta da nossa competitividade na primeira corrida, mas as indicações que tivemos dos testes que realizamos no circuito de Zhaoqing foram positivas”, observou o piloto do VW Lamando GTS n.º9. A temporada do CTCC é composta por oito eventos, cada um com duas corridas, disputando-se em sete circuitos diferentes. O ponto de partida será no Circuito Internacional de Xangai. D.M.

CTCC - CALENDÁRIO 2018 05/06 Maio

Xangai F1, Xangai

19/20 Maio

Zhuhai, Guangdong

02/03 Junho

Zhaoqing, Guangdong

21/22 Julho

Xangai Tianma, Xangai

29/30 Setembro

Ningbo, Zhejiang

06/07 Outubro

Shaoxing, Zhejiang

27/28 Outubro

Wuhan, Hubei

24/25 Novembro

Xangai F1, Xangai

Aviso Para a comemoração do Dia Internacional do Enfermeiro 2018, Serviços de Saúde da RAEM, tem a honra de convidar todos os enfermeiros, alunos de enfermagem e enfermeiros reformados do território para o jantar de comemoração que se realizará no dia 11 de Maio, pelas 19:00H, no Restaurante “Plaza”. Contamos com a vossa presença. Local: Restaurante “Plaza” Data: 11/05/2018 (6a Feira) Hora: 19:00 (a partir das 15 horas a sala estará disponível para convívio). Programa: Jantar, sorteio, espectáculo de variedades, atribuição de prémio para os enfermeiros com 20 e 30 anos de serviço em prol do território Prazo de inscrição: até o dia 30/04/2018 (Inscrição esgota-se com o preenchimento dos lugares disponíveis) Inscrição e Contactos: - Os enfermeiros podem fazer as inscrições nas instituições que pertencem aos Serviços de Saúde, Hospital Kiang Wu, Hospital Universitário de Ciência e Tecnologia de Macau e Instituto Politécnico de Macau - Outras instituições : e-mail heidi@ssm.gov.mo - Os enfermeiros reformados podem contactar a enfermeira-chefe Lam Fong Ieng, nas horas de serviço 9h-13h, 14h30-17h (Tel: 63009297) Serviços de Saúde


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18 7 2(f)utilidades 1 5 3 4 6

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O CARTOON STEPH 59 DE

67 1 5 36 5 4 2 5 4 1 5 6 3 4 7 36 57 2 43 71 42 6 7 4A 3 74 1 5 4 3 57 2 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 59

2 3 1 5 4 7 6

UM FILME HOJE

ISLE OF DOGS SALA 1

RAMPAGE [C] Um filme de: Brad Peyton Com: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

COLOR ME TRUE [B] FALADO EM JAPONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Takeuchi Hideki Com: Ayase Haruka, Sakaguchi Kentarou 14.30, 16.30, 21.45

SECRET SUPERSTAR [B] FALADO EM HINDI

COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Advait Chandan Com: Aamir Khan, Zaira Wasim 19.00

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3 6 7 4 5 2 1

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2 61 3 3 5 6 6 4 7

PROBLEMA 60

13 42 5 54 1 7 23.4.2018 segunda-feira 1 5 3 6 7 4 7 3 4 7 6 5 2 1 2 6E U1R O 4 9 .29 2 5 B A3H T 0 . 2 5 Y U A N 1 . 2 8 2 3 7 1 4 6 5 6 1 7 3 2 VIDA DE CÃO 7 4 2 3 6 5 SILÊNCIO LEVIANO Aconselha a cautela que os tribunais, em 5 7 4 qualquer jurisdição, assumam uma postura pouco comunicativa. Os julgamentos 3 são para ser feitos dentro dos tribunais e na imprensa. Até aqui nada a dizer 1 5 6 7 22 4 não sobre a postura dos Tribunais na RAEM. entanto, uma coisa completamente 6 42 53 1 4 5 No diferente é não haver comunicação de todo, mesmo em assuntos em que se exiexplicações. Foi o que sucedeu esta 5 4 7 6 3 2 gem semana. Compreendo que os tribunais da RAEM tenham de lidar com vários e que, por isso, não tenham muito 73 1 4 5 7 6 casos tempo para comunicar com os órgãos de 7 3 2 14 6 1 comunicação social. Mas é inconcebível que os advogados se queixem que os arguidos estão a ser notificados em 4 7 1 2 5 3 seus línguas que não dominam, mesmo quando muito claro qual é a língua oficial 2 6 5 3 1 7 deixam do território em que querem que aconteça 73 6 7 21 32 5 4

7 5 54 2 3 76 1

6 23 5 4 1 7 2

5 2 6 7 4 31 53

41 4 2 6 7 3 65

4 7 1 3 5 2 6

S U D O K U

7 1 4

a comunicação. A Lei da Reunificação manteve o Decreto-Lei n.º 101/1999 em vigor e tanto o português como o chinês são línguas oficiais, com igual dignidade. A partir deste momento, a lei existe para ser cumprida. Sem excepções. No entanto, a imagem que passa perante estes casos que carecem de explicação oficial é que os tribunais estão acima da lei. É difícil não acreditar que o que está escrito nas leis aplica-se para os outros, mas não nos tribunais. E isto é um facto muito grave. Os tribunais tinham a obrigação de vir a público explicar o que está a acontecer e evitar confusões. Preferiram ignorar o assunto, por saberem que não vai haver consequências. E neste clima de aparente total impunidade, sofre a imagem da Justiça de Macau. É uma pena que casos com esta gravidade sejam tratados com grande leviandade por quem tem mais obrigação. João Santos Filipe

ERA UMA VEZ NA AMÉRICA | SERGIO LEONE, 1984

“Era Uma Vez na América” é um filme sobre a vida de quatro jovens que se envolvem no submundo do crime norte-americano. Com um elenco de luxo, que conta com Robert De Niro e James Wood esta é uma película capaz de rivalizar em todos os aspectos com “O Padrinho”, e em muitos ultrapassá-lo. O filme foi lançado em duas versões, uma de quatro e outra de duas horas, no entanto, o realizador sempre se mostrou contra a versão mais curta, simplificada, feita a pensar no mercado norte-americano. A cereja no topo do bolo é a banda sonora composta pelo génio de Ennio Morricone. João Santos Filipe

SALA 3

ISLE OF DOGS [B] Filme de: Wes Anderson 14.30, 16.30, 21.30

TOMORROW IS ANOTHER DAY [C] FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Rau Liu, Bonnie Xian 19.30

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opinião 19

segunda-feira 23.4.2018

SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA

Incompreensões

2. O Chefe do Executivo esteve há dias na Assembleia Legislativa a ler as respostas às perguntas que conhecia de antemão, num exercício que deve ter tanto de doloroso para ele como para quem faz as perguntas e depois tem de ficar à espera que as respostas sejam lidas. Das perguntas colocadas houve uma que fugiu ao pacote e dizia respeito ao reconhecimento das cartas de condução do interior da China em Macau. A resposta foi ambígua, meteu tropeção, e a associação cívica do deputado Sulu Sou já veio pedir uma consulta pública sobre o assunto. Por mim, dispenso a consulta. Entra pelos olhos de quem conduz na RAEM, de acordo com o Código da Estrada, como se conduz mal. Dos polícias que mudam de direcção sem usar o pisca-pisca, dos que conduzem pelo lado mais à direita da via em vez de se encostarem à esquerda, sem esquecer os motoristas de táxi e de carrinhas de empresas ligadas aos promotores de jogo, que fazem inversão de marcha em qualquer lado, mudam de direcção como quem boceja, param onde lhes dá jeito – esquinas, passadeiras, linhas amarelas –, e não avisam antes quem segue atrás, sem esquecer os condutores dos autocarros e pesados, profissionais e amadores, e que são peritos em provocar acidentes, não abrandar nos cruzamentos e rotundas, circulando invariavelmente pela via central nos arruamentos do Cotai e não encostando os veículos à berma e nas reentrâncias dos passeios existentes para o efeito quando necessitam de tomar e largar passageiros, podemos ter a certeza de que vai fazer pouca diferença ter mais uns milhares a conduzir em Macau sem saberem fazê-lo. O caos está aí para quem queira vê-lo. A minha dúvida é apenas a de se esclarecer se estará em causa aperfeiçoá-lo. Todos queremos ver a RAEM com mais razões para entrar no Guiness Book of Records. 3. Por falar em caos. O Chefe do Executivo esclareceu-me, via TDM Rádio, que a nova

fumarias? Se as casas dos membros do Governo de Macau estivessem inscritas no AirBnb a RAEM sempre ganharia alguma coisa. Como não estão, e se não for perguntar demais, gostaria também de saber se os quartos e jardins do palacete de Santa Sancha poderão ser graciosamente disponibilizados pelo Senhor Chefe do Executivo para permitir que pelos menos uma pequena parte desses turistas aí possa pernoitar ou acampar (o campismo selvagem ainda não é permitido em Coloane, mas tenhamos esperança)?

NIKOS GYFTAKIS

1. No exacto momento que o Secretário para a Segurança do Governo da RAEM se afadiga a justificar a necessidade de regulamentação complementar do artigo 23.º da Lei Básica, referindo a necessidade da criação de uma entidade autónoma com vista à aplicação da lei relativa à segurança do Estado, o Governo da Província de Hainão anuncia o levantamento de restrições à entrada de estrangeiros a partir de 1 de Maio, permitindo que os nacionais de 59 países passem a entrar na ilha sem necessidade de visto, deixando igualmente de ser necessário que o façam obrigatoriamente integrados em grupos. Quererá isto dizer que os dirigentes do Partido Comunista Chinês, em Hainão, estão menos preocupados com a segurança interna do país do que em Macau? Os de Hainão não têm “responsabilidades nos esforços de defesa da segurança nacional”? Ou os governantes de Macau ao quererem reforçar os mecanismos de segurança são mais patriotas do que os de Hainão?

4. Em 27/10/2015, a edição do Macau Daily Times referia que a qualidade do ar em Macau habitualmente ficava aquém dos objectivos definidos pelo Governo da RAEM. Em 18/04/2017 a TDM informava que a qualidade do ar piorara em 2016, tendo havido “menos 25 dias de ar “bom” na Rua do Campo, uma das avenidas mais poluídas da cidade, e mais dias (19) de ar “insalubre” na zona norte”. Esta semana ficámos também a saber que a situação voltou a agravar-se e em que as coisas em 2017 pioraram face a 2016: “estações de monitorização de Macau registaram, ao longo do ano passado, aumentos do número de dias com qualidade do ar considerada “insalubre”, face a 2016. A Taipa foi a mais atingida: registando 28 dias “insalubres”, a somar a um “muito insalubre”, ocorrido no mês de Setembro, revelam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC)”(fonte: HojeMacau, Diana do Mar, 19/04/2018). Se não for demasiado incómodo, haverá alguma alma caridosa que me possa explicar sobre o que se fez para atalhar a esta situação nos últimos 3 anos?

ponte HK/Zhuhai/Macau vai trazer mais turistas. Não sei onde a senhora Directora dos Serviços de Turismo irá enfiá-los, nem quantos serão. De qualquer modo, como para minha casa não irão, e o esclarecimento ficou incompleto, gostaria de saber se foi feito algum “estudo científico”– não

é só o socialismo que é científico – que nos elucide sobre se há uma previsão de quanto mais “turistas” serão recebidos por cima destes que já cá temos sentados e de cócoras nos corredores do Venetian, com as malas e os sacos ao lado, à espera das mulheres que se empurram nas per-

Quererá isto dizer que os dirigentes do Partido Comunista Chinês, em Hainão, estão menos preocupados com a segurança interna do país do que em Macau? Os de Hainão não têm “responsabilidades nos esforços de defesa da segurança nacional”? Ou os governantes de Macau ao quererem reforçar os mecanismos de segurança são mais patriotas do que os de Hainão?

5. Por fim, para não cansar os leitores, mais duas incompreensões: a) A primeira é atinente Terminal Marítimo da Taipa. Gostaria de perceber (i) por que motivo uma série de lugares, por sinal os mais convenientes no acesso ao terminal, passaram a estar vedados ao público, embora estejam às moscas e reservados para entidades que, daquilo que percebi, nem sequer pagam estacionamento?; (ii) há alguma razão para as máquinas de pagamento automático dos bilhetes estarem em regra indisponíveis; (iii) por que razão há falta de lâmpadas nas escadas de acesso; e (iv) por que continua a haver longas filas nos táxis?; b) A segunda é também respeitante aos táxis, mas desta vez no Aeroporto Internacional. No dia 8 de Abril pp., entre as 19h e as 20h, quando regressei à RAEM, havia umas 40 pessoas na fila dos táxis. Esta situação é compatível com o estatuto de cidade internacional e de turismo que o Governo da RAEM publicita?


Deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir. Honoré de Balzac

PALAVRA DO DIA

Economia Taxa de inflação atingiu 1,62 por cento

A taxa de inflação atingiu 1,62 por cento nos 12 meses terminados em Março em relação aos 12 meses imediatamente anteriores, indicam dados dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Os maiores aumentos do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foram registados nos índices de preços das secções da educação (+5,53 por cento) e da saúde (+4,76 por cento). Só em Março, o IPC geral, que permite conhecer a influência da variação de preços na generalidade das famílias de Macau, subiu 2,66 por cento em termos anuais – um crescimento inferior ao de Fevereiro (3,12 por cento). No primeiro trimestre, o IPC geral cresceu 2,51 por cento em termos anuais homólogos. Macau fechou 2017 com uma inflação de 1,23 por cento, a mais baixa taxa desde 2009.

Urbanismo DSSOPT considera limitar altura de edifícios em Nam Van

A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) considera que a limitação de altura dos edifícios nas zonas C e D do Lago Nam Van é uma medida a ter em conta. A informação foi deixada em resposta à interpelação escrita do deputado Ng Kuok Cheong, que se mostrava preocupado com o bloqueio dos corredores visuais em Macau. De acordo com a resposta da DSSOPT, a limitação de altura dos edifícios daquela zona vai permitir ter uma vista ampla da Colina da Pena a partir das zonas B, C e D dos novos aterros e da zona costeira norte da Ilha da Taipa.

Negociações Coreias criam ‘telefone vermelho’ entre os dois líderes

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As duas Coreias abriram ontem uma linha privilegiada de comunicações entre seus líderes, uma espécie de ‘telefone vermelho’, informou a agência sul-coreana Yonhap, citando a presidência em Seul. O gabinete da Presidência da Coreia do Sul revelou que foi realizada uma chamada de teste bem-sucedida na linha directa entre a presidencial Blue House de Seul e a poderosa Comissão de Assuntos de Estado de Pyongyang. A abertura desta via de comunicação acontece a uma semana de uma cimeira entre o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o líder norte-coreano Kim Jong Un, na zona desmilitarizada que divide a península.

segunda-feira 23.4.2018

CRIPTOMOEDAS DETIDO RESIDENTE DE MACAU POR SUSPEITA DE FALSAS INFORMAÇÕES

A

Paninhos quentes Secretário do Tesouro americano pondera ir à China para aliviar tensões comerciais

O

secretário de Estado do Tesouro dos Estados Unidos da América, Steven Mnuchin, afirmou no fim-de-semana que está a considerar fazer uma viagem à China para aliviar as tensões comerciais entre as duas maiores economias mundiais. Mnuchin falava numa conferência de imprensa em Washington, após participar nos Encontros da Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), na qual se mostrou “prudentemente optimista” em alcançar um acordo entre os dois países. “Uma viagem está a ser considerada. Não vou fazer um comentário sobre quando, nem tenho nada confirmado”, disse

Mnuchin, acrescentando que teve um encontro com Yi Gang, governador do Banco Popular de China, à margem da assembleia daquela instituição financeira internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já criticou várias vezes o avultado défice comercial com a China, como causa da perda de emprego no país, e ameaçou impor taxas no valor de 150.000 milhões de dólares sobre numerosos produtos chineses, às quais Pequim respondeu com medidas semelhantes. As tensões entre os Estados Unidos e a China, e a possibilidade de se desencadear uma guerra comercial internacional, centrou as discussões durante a assembleia do organismo

dirigido por Christine Lagarde, que terminou ontem, com a participação de representantes dos seus 189 países membros. “Houve algum progresso em direcção ao diálogo” disse Christine Lagarde, na conferência de imprensa, sublinhando a necessidade de evitar a todo o custo uma guerra comercial. Por seu turno, Guangyao Zhu, vice-ministro chinês das Finanças, disse: “Múltiplos riscos e incertezas consideráveis revelam sentimentos anti-mundialização, unilateralismo, e proteccionismo no comércio”, enquanto Yi Gang estimou, igualmente que “a escalada das fricções comerciais causadas pelas medidas unilaterais são uma das ameaças à economia mundial”.

Polícia Judiciária anunciou na sexta-feira a detenção de um residente por alegado envolvimento na prestação de informações falsas para atrair subscritores para uma criptomoeda supostamente concebida para ser usada em transacções em casinos, escreve o GGRAsia. A empresa denominada de Lantai Digital Application Technology confirmou, posteriormente, sob a forma de um pedido de desculpas no seu ‘site’, ter lançado um evento para a subscrição na cidade na terça-feira. A PJ ficou a saber pelas notícias que, aquando do lançamento, a empresa afirmara que os ‘tokens’ digitais podiam ser trocados por fichas de jogo e usados em todo o mundo, bem como no jogo ‘online’. A empresa também indicou ter uma relação de cooperação com promotores de jogo VIP. “Não descobrimos nenhum ‘junket’de Macau que tenha trabalhado com esta empresa relativamente ao desenvolvimento da sua criptomoeda.Acreditamos haver pessoas a usar falsas informações para atrair o público a subscrever”, indicou a porta-voz da PJ, citada pelo mesmo portal, adiantando que a polícia procura ainda pelo menos dez outras pessoas, a maioria das quais supostamente da China.

FUTEBOL GUARDA-REDES JÚLIO CÉSAR TERMINOU A CARREIRA NO MARACANÃ

O

guarda-redes brasileiro Júlio César, que passou três anos da sua carreira no Benfica, terminou o seu percurso no futebol profissional no sábado, defendendo a baliza do Flamengo na vitória sobre o Atlético Mineiro (2-0). O Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, encheu-se para a despedida do guarda-redes, que foi saudado por todos os seus companheiros no final do jogo da segunda jornada

do campeonato brasileiro e fez uma volta ao relvado enquanto era ovacionado pelos adeptos do clube em que iniciou a carreira, depois de se ter ajoelhado virado para a bancada a agradecer o apoio. “Às vezes eu nem sei se mereço isso tudo. Queria agradecer quem veio prestigiar o Flamengo e o Júlio César. Valeu rapaziada. Agradeço ao América-MG pela lembrança [galhardete]. Sou um

cara que colecciona momentos. É um momento muito especial para mim. Podem ter certeza de que vou guardar com muito carinho”, disse Júlio César, de 38 anos. O guarda-redes, que ainda iniciou esta época no Benfica, fazendo quatro jogos entre Setembro e Outubro, sublinhou que a despedida era um dado adquirido quando decidiu regressar ao Flamengo, e não pensa voltar atrás.

Hoje Macau 23 ABR 2018 #4036  

N.º 4036 de 23 de ABR de 2018

Hoje Macau 23 ABR 2018 #4036  

N.º 4036 de 23 de ABR de 2018

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