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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ SOFIA MARGARIDA MOTA

hojemacau

CONVERSA ENTRE A MALTA A LIBERDADE ESTÁ A PASSAR POR AQUI PÁGINA 7

CENTRO HISTÓRICO CONSULTA? QUAL CONSULTA? PÁGINA 6

ADALBERTO TENREIRO

MANUEL VICENTE A CENTRAL DO ARQUITECTO GRANDE PLANO

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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MOP$10

TERÇA-FEIRA 23 DE JANEIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3978

ELLA LEI CONSIDERA TRABALHADORES NÃO RESIDENTES CULPADOS DE QUASE TUDO

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Uma estranha obsessão A deputada da FAOM considera que os TNR são o cancro de Macau e acusa-os de quase tudo e mais alguma coisa. Desta vez levam por causa dos automóveis. PÁGINA 5


2 grande plano

23.1.2018 terça-feira

MANUEL VICENTE

DE OLHOS VIRADOS No espaço desenhado por Manuel Vicente entre os anos de 1985 e 1988 habitam engenheiros e técnicos que todos os dias fazem o mesmo trabalho mecânico a olhar para máquinas. Todos os esforços são depositados para que não falte electricidade em cada casa do território. Dizem que o trabalho é monótono, mas têm compensações: a luz que entra e que embate nas escadas em espiral ou a vista diária para o mar do sul da China

À

entrada invade-nos um cheiro nauseabundo a produtos químicos e a processos industriais, enquanto a paisagem de Coloane nos consome as artérias e o olhar. Lá em baixo, muito para lá do portão fechado a cadeado, as janelas da central termoeléctrica desenhada por Manuel Vicente deixam entrar a luz natural de uma cidade em dia de sol. Isso mesmo nos faz notar Jimmy Cheung, engenheiro que trabalha para a Companhia de Electricidade de Macau (CEM) desde 1998. “Para mim este edifício é muito interessante, as escadas são em espiral e as janelas deixam entrar a luz”. Há muito que o cheiro nauseabundo deixou de se fazer sentir. Junto a caixas onde se lê a palavra “Frágil”, os funcionários de sempre

fazem o trabalho igual todos os dias. Enquanto isso, uma empregada de limpeza vai removendo os detritos que se espalham pelo chão logo no arranque do dia. Inaugurado em 1988, a central termoeléctrica de Coloane, concebida pelo arquitecto português e por Ana Fonseca, nasceu para ser um projecto de pequena dimensão. Na altura, ou seja, até aos anos 90, eram apenas duas turbinas a funcionar. Mas desde então que o espaço sofreu uma expansão. Entre a primeira obra e a segunda, de ampliação, passaram dez anos. No primeiro andar das chamadas oficinas da CEM, o chão deixa denotar os limites do que foi desenhado por Manuel Vicente e daquilo que foi sendo concebido e construído ao longo da história. Por isso vemos, ao lado de paredes com janelas cheias de quadrados de

AS ROTINAS NA CENTRAL TERMOELÉCTRICA DE COLOANE

vidro com laivos amarelos, chão e paredes com azulejos de tons azul claro. Talvez o arquitecto pop na China não se importasse com a mistura de cores. À saída, uma porta leva-nos às escadas em espiral que denotam o traço característico do arquitecto português. Mais uma vez a luz a invadir as entranhas. No chão, permanecem resquícios daquele que outrora foi o logótipo oficial da CEM, com ladrilhos de cor azul escura. O dia arranca sem parar, tal como o trabalho dentro das oficinas.

TRABALHAR COM A LUZ NATURAL

Leong Pak Lok é técnico nas oficinas da CEM, onde trabalha desde o primeiro dia da sua inauguração. Quando acabou o ensino secundário, onde tirou um curso profissional na área, foi na CEM que encontrou o seu primeiro trabalho. O primeiro dia de trabalho fez-se em 1985, enquanto que em 1987 foi transferido para as novas oficinas. Ainda se recorda do rebuliço dos primeiros dias, em que máquinas, materiais e trabalhadores tinham de ser transferidos para o novo local. “Penso que o arquitecto pensou no ambiente de trabalho (quando concebeu o espaço). Muitas coisas tiveram de mudar de lugar porque não sabíamos onde pôr algumas máquinas”, disse ao HM Leong Pak Lok, que actualmente trabalha com uma equipa de 16 pessoas. Jimmy Cheung, que está na empresa desde 1991, recorda uma época em que Macau ainda não tinha o desenvolvimento económico que hoje tem desde que o jogo sofreu o boom. “Já cá estou há mais de 20 anos. Na altura Macau não tinha muitas indústrias, e como estudei engenharia na universidade (em Taiwan), achei que trabalhar para esta empresa seria a melhor opção para mim”, recorda. Convidado a descrever o local onde trabalha, o engenheiro considera-o “compacto”. “Temos oficinas de trabalho, diferentes escritórios, uma cantina, chuveiros para os colegas tomarem banho quando transpiram depois do trabalho (risos). Todos gostam do edifício. A maioria dos escritórios são virados para o mar, então temos uma boa vista durante o trabalho, e a luz também nos ajuda. Todos

esses elementos fazem com que este edifício seja bom para nós trabalharmos”, defendeu Jimmy Cheung.

UMA FAMÍLIA EM COLOANE

Como é um dia-a-dia comum numa central termoeléctrica? O trabalho não pára e aqueles que fizeram o turno da noite têm de prestar contas do que aconteceu a quem entra ao serviço logo de manhã. “Nas equipas de manutenção temos funcionários a trabalhar de forma permanente, temos cerca de 97 a 98 pessoas. A maioria dos membros da equipa trabalham na área da engenharia, mas claro que muitos trabalham na parte mais logística. Então todos os dias de manhã temos reuniões com as equipas de operação durante a última noite, se houve alguns episódios de emergência que precisam de ser resolvidos durante o dia seguinte. Depois vemos quais são os trabalhos prioritários para aquele dia que depois são distribuídos pelas equipas.” A segurança é um dos pontos fulcrais do trabalho diário da central. “Vemos quais as medidas que a equipa tem de seguir nos trabalhos. Então nas manhãs a equipa de engenharia está muito ocupada a resolver problemas técnicos, enquanto que a equipa de execução muitas vezes tem de ser chamada a resolver um problema. Às tardes muitas vezes temos de resolver questões de prevenção, se não houverem mais incidentes para resolver. Durante o ano também temos de cumprir inspecções”, explicou Jimmy Cheung. Na azáfama rotineira das regras a seguir, não há espaço para histórias peculiares. “O nosso trabalho é bastante aborrecido e monótono. (risos) E digo aborrecido porque todos os dias temos de olhar para as máquinas, ver se tudo está a funcionar correctamente, definir alguns trabalhos sistemáticos. Mas também enfrentamos alguns desafios e isso faz com que o trabalho se torne um pouco mais entusiasmante.” No entanto, é inevitável que os desafios aconteçam. “Todos os dias enfrentamos situações diferentes. Às vezes é fácil porque já temos experiência em resolver alguns problemas, podemos identificá-

-los e resolvê-los imediatamente. Mas muitas vezes gastamos muito tempo a resolver um problema. É esse tipo de pressão que sentimos às vezes. Mas sentimos alegria em trabalhar aqui”, garante Jimmy Cheung. Ben Lao, também engenheiro, que trabalha na CEM desde 1995, fala do ambiente de camaradagem existente nas oficinas. “Temos boas experiências com os colegas. A maioria dos nossos colegas são chineses, mas também temos alguns portugueses (risos). Nos últimos anos conseguimos respeitar ambas as culturas. Celebramos o ano novo chinês com uma pequena festa, com os colegas. Também celebramos o natal. Todas essas actividades aqui fazem-nos sentir como uma família. Estamos juntos muitas horas, mais do que com as nossas próprias famílias”, disse ao HM. Para lá da monotonia dos dias, reina a boa disposição. A cantina é o lugar que mais sorrisos desperta na hora de falar do dia-a-dia para lá das horas de trabalho. “Temos uma boa cantina, e fazemos sempre as festas lá, como as de natal ou do ano novo chinês. Temos noodles, sanduíches. Lembro-me que costumávamos fazer uma competição para ver quem conseguia comer mais noodles. Isso era engraçado”, recorda Ben Lao.

AS PELÍCULAS DE CINEMA

No espaço central onde engenheiros e técnicos trabalham, Manuel Vicente imaginou um espectáculo de ópera. Cá fora, as janelas dispersas no edifício de cor creme, que não deixam perceber exactamente quantos andares existem, pareciam, na sua perspectiva, películas de cinema. No documentário intitulado “A Macau de Manuel Vicente”, que foi transmitido na RTP, o arquitecto chega a Coloane apoiado na sua bengala e recorda estes elementos. “Abri aqueles rectânguluzinhos, que são um bocado películas cinematográficas. Havia um armazém muito simples, de arquitectura de engenheiro, mas que eu gostei muito.” O mundo das artes uniu-se ao complexo universo da engenharia e daí resultou, segundo o arquitecto


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terça-feira 23.1.2018

ADALBERTO TENREIRO

PARA O MAR Lourenço Vicente, filho e colaborador no projecto “Gosto de todos os projectos dele, os que são bonitos e os que são feios. Mas é engraçado porque, de um ambiente industrial, fez isto. Ele fez sempre arquitectura”

Adalberto Tenreiro, o “projecto mais kahniano do Manuel”, numa referência ao norte-americano Louis Kahn. Ao mesmo tempo, “continua a não ser kahniano”, defendeu Adalberto Tenreiro, por se imprimirem no edifício traços muito próprios de Manuel Vicente. Adalberto Tenreiro trabalhou com Manuel Vicente no primeiro projecto de ampliação do edifício, no início dos anos 90, cujas alterações em nada mudaram a estrutura original da obra. Tratou-se simplesmente de acrescentar escritórios e oficinas, à medida que a estrutura de trabalho da CEM foi evoluindo. “Há uma coisa importante aqui que é a dignidade. Estas pessoas entram para este espaço como se entrassem para um palácio. Depois vestem-se na zona do vestiário, há um ritual de entrada. Depois tomam banho e saiem para a luz do átrio da entrada”, lembrou. Na segunda ampliação trabalharam os arquitectos João Palla e Lourenço Vicente, filho de Manuel Vicente. Ambos destacam o facto do arquitecto ter conseguido fazer, de facto, arquitectura a partir de

algo que, à partida, tinha tudo para ser simplista, pesado, mais técnico, sem sobressair face aos restantes. “Gosto de todos os projectos dele, os que são bonitos e os que são feios”, começou por dizer Lourenço. “Mas é engraçado porque, de um ambiente industrial, fez isto. Ele fez sempre arquitectura”, apontou o filho enquanto olhava para os antigos esboços.

TRAÇOS IRRACIONAIS

Para João Palla, a central térmica de Coloane carrega consigo detalhes característicos do estilo de Manuel Vicente, que podem passar despercebidos à partida. São as formas, a cor azul que deixou de o ser para passar a ser branca, os cilindros, os vidros do primeiro andar que deixam ver o que acontece cá em baixo nas oficinas e que permite uma comunicação visual entre todos os que ali trabalham. Na segunda ampliação, João Palla recorda que trabalhou com o que tinha à mão. “Tínhamos sempre de trabalhar com a forma como a luz entrava no edifício, quase sempre de forma indirecta. O Lourenço teve essa ideia de criar

um corredor para fosse possível olhar para as oficinas lá de cima.” O ponto mais importante do uso da luz de forma indirecta é logo à entrada. Depois de passar por um bloco cilíndrico e de se observar a escada em espiral, o tecto deixa notar um desenho próprio que deixa entrar a luz natural, mas que se mistura com tudo o resto. A esta área Manuel Vicente chamava de aspirina, devido aos traços semelhantes ao comprimido.

“Marca uma época da sua obra muito criativa. É um projecto racional mas também são introduzidos elementos que não são muito racionais, como esta intersecção da escada no edifício e todos estes volumes.” JOÃO PALLA ARQUITECTO E ANTIGO COLABORADOR

“Hoje em dia seria um Prozac, na altura ele só tomava a aspirina”, ironiza Lourenço Vicente, que destaca também o logo da CEM impresso no chão, a partir do qual se constrói toda a narrativa. Os três arquitectos falam de um trabalho onde houve rigor e cuidado, apesar de terem sido criadas novas regras além das que já existiam. “Marca uma época da sua obra muito criativa. É um projecto racional mas também são introduzidos elementos que não são muito racionais, como esta intersecção da escada no edifício e todos estes volumes”, frisou João Palla. O arquitecto pop recorreu aos tons de amarelo e azul para que talvez fosse mais fácil o mar e o céu entrarem por ali adentro, ou toda a natureza de Coloane por inteiro. Fez tudo à sua maneira, sem restrições, porque, como denotou Adalberto Tenreiro, a CEM foi um óptimo cliente. Ao contratar arquitectos consagrados para realizar projectos de índole mais industrial, como é o caso de centrais e oficinas, a concessionária fez a diferença, apontou.

Nem sempre o uso da cor foi consensual nos seus projectos, e Adalberto Tenreiro lamenta que tenham pintado de branco uma das paredes que era azul. “Há aqui opções do Manuel Vicente que depois se tornam complicadas para as pessoas no dia-a-dia. As pessoas gostam muito do uso da cor, mas depois pintam de branco. Esta parte aqui era azul, trazia para dentro de casa o azul do céu”, referiu. A cor na obra de Manuel Vicente é tão importante que João Palla defende que se faça um estudo autónomo. Quando estava a trabalhar na ampliação da central térmica de Coloane, Adalberto Tenreiro recorda que as ideias passavam para o papel sem grande diálogo. As coisas decidiam-se no momento, enquanto os parceiros desenhavam. “Estávamos lá e ele não dialogou nada comigo, e com as cores era a mesma coisa. Era uma intuição mas era pensada, mas não dizia isso na reunião.” Andreia Sofia Silva

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23.1.2018 terça-feira

SEGURANÇA GABINETE PARA A PROTECÇÃO DE DADOS PESSOAIS A FUNCIONAR ATÉ 2020

Um leão sem dentes

O Governo prorrogou a duração do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais, mais uma vez, até 12 de Março de 2020. O organismo, que mantém uma equipa de projecto, ainda não é reconhecido internacionalmente como um independente

U

M despacho do Chefe do Executivo deu mais dois anos de vida ao Gabinete de Protecção de Dados Pessoais (GPDP), um organismo criado em 2007 e que ainda mantém a natureza de equipa de projecto. Catarina Gonçalves, advogada e autora do livro “Fluxos

Transfronteiras de dados pessoais e o quadro geral de protecção em Macau”, editado no ano passado, lamenta que “ainda não se tenha criado uma entidade independente que possa ser responsável por esta área”. Em vez disso, o Executivo prefere apostar na renovação de um organismo que mantem a natureza de equipa de projecto.

A falta de independência é um dos factores que leva a que o Gabinete de Protecção de Dados Pessoais não seja aceite como membro na conferência internacional que reúne anualmente entidades do mundo inteiro dedicadas à protecção de dados pessoais. O organismo internacional, em que participam

como membros Portugal e Hong Kong, apenas permite que a entidade de Macau participe como observador. Até hoje, o gabinete tem elaborado pareceres quando lhe são pedidos, mas “tem uma posição um pouco passiva e decisões bastante criticáveis na área da transferência de dados

A falta de independência é um dos factores que leva a que o GPDP não seja aceite como membro na conferência internacional que reúne da área da protecção de dados pessoais.

SUSPENSÃO PARA GARANTIR DESCANSO DE CONDUTORES

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AIMUNDO do Rosário explicou a suspensão temporária dos condutores de autocarros a tempo parcial com a necessidade de garantir o descanso deste tipo de motoristas. Segundo a informação fornecida pelo secretário para o Transporte e Obras Públicas, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) está em negociações com as operadoras de transportes público para encontrar um regime que garanta que estes motoristas tiveram horas de descanso suficientes, antes de conduzirem os autocarros.

“Esta suspensão serve para dar um espaço à DSAT e as três concessionárias para encontrarem uma solução que garanta ao motoristas um repouso adequado e uma formação adequada. Entendemos que é necessário conhecer melhor estes motoristas a tempo parcial, porque muitas vezes quando conduzem, não sabemos se antes tiveram descanso apropriado”, disse Raimundo do Rosário. Em causa está o receio que os condutores se sentam para guiar, depois de terem feito longos turnos em outros empregos.

“Como são pessoas que só fazem umas horas, precisamos que as concessionárias nos garantam que eles tiveram um repouso apropriado e que têm uma formação adequada. Conduzir um autocarro não é o mesmo que conduzir uma outra viatura pesada, porque são veículos que transportam muitos passageiros”, explicou. A suspensão entrou em efeito depois de um acidente com um autocarro da Nova Era, que resultou na morte de um peão, que atravessava a passadeira.

pessoais”, de acordo com Catarina Gonçalves.

POUCA INICIATIVA

De acordo com a especialista ouvida pelo HM, o gabinete que vê agora a sua vida prolongada até 12 de Março de 2020 “não tem iniciativa de fiscalização da lei de forma activa”. Apesar de tudo, são feitas algumas investigações quando são apresentadas queixas por parte de residentes. Apesar disso, em 2016, o GPDP abriu 224 processos de investigação, o que representou um aumento de 45 por cento em relação ao ano anterior. Outra questão que não ajuda à eficácia do organismo prende-se com as multas previstas na lei de protecção de dados pessoais. Catarina Gonçalves entende que esta é uma lacuna, num quadro legal satisfatório na generalidade e que foi decalcado da lei portuguesa. “A lei é adequada, o que falta é a sua aplicabilidade e a necessária fiscalização. As multas que são estabelecidas na lei não são muito altas, aliás, chegam mesmo a ser irrisórios. A Google foi multada em 10 mil patacas, um valor completamente ridículo”, exemplifica a especialista. Ou seja, além da legislação exigirem processos algo burocráticos, as consequências não se traduzem em nada de palpável. É de referir que a mesma crítica é feita ao organismo homólogo de Hong Kong, onde se compara o presidente do organismo de protecção de dados pessoais a um leão sem dentes. Catarina Gonçalves considera que a protecção de dados pessoais enfrenta uma realidade ainda mais crítica na Internet, ainda para mais numa Era em que se aberta a vigilância por motivos de segurança. “Se actualmente o papel do gabinete já é um pouco esbatido, e não há grande fiscalização e controlo, quando passamos para o campo do online ainda é pior”, comenta. João Luz

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Chefe do Executivo recupera e agradece apoio

Após ter apanhado gripe A e ter sido obrigado a ficar em casa a repousar, o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, está de regresso ao trabalho. A notícia foi avançada ontem pelo Governo. “O Chefe do Executivo concluiu os dias de repouso médico, e regressa ao trabalho, hoje dia 22 de Janeiro”, pode ler-se no comunicado. “Depois de nova consulta médica, confirmou-se que Chui Sai On se encontra, praticamente, restabelecido após tratamento e repouso, não sendo necessário permanecer em casa”, é explicado. Na mensagem emitida ontem de manhã, Fernando Chui Sai On aproveitou para agradecer “a preocupação de todos pela sua saúde, bem como os votos de melhoras que recebeu”. Por outro lado, incentivou os cidadãos de Macau a “observarem as orientações dos Serviços de Saúde, adoptando medidas para prevenir a transmissão de gripe”.


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terça-feira 23.1.2018

editorial

Ella Lei e a obsessão E

LLA Lei tem, claramente, uma obsessão com os trabalhadores não residentes. Para a deputada, todos os males de Macau têm neles a sua origem. Os autocarros funcionam mal: a culpa é dos TNR. A internet é uma bosta: a culpa é dos TNR. As rendas atingem preços astronómicos: a culpa é dos TNR. Ou seja, em todas as suas intervenções, Ella Lei lança as culpas de qualquer situação para os TNR, uma táctica que Hitler usou com os judeus. Longe de mim querer comparar os dois, até porque me parecem ter motivações muito diferentes e a deputada não ter sequer metade da cultura geral do ditador alemão. Ao satanizar as pessoas que mantêm esta região especial em andamento, Ella Lei fomenta a xenofobia e o racismo, pretende instituir uma maior separação entre cidadãos de primeira e de segunda, enfim, esquece-se de todos os conceitos que enformam a cultura chinesa, dos quais destacamos a benevolência/humanidade (仁 ren) e a rectidão/justiça (義 yi). Por outro lado, dá muito jeito aos verdadeiros culpados das situações mais infelizes pelas quais passa a população, pois deste modo há sempre ali um bode expiatório que, ainda por cima, ninguém têm que os defenda. A deputada está sempre ali, pronta para lhes dar e atirar o ónus para outras costas. É estranho, aliás, no século XXI uma deputada chinesa ter esta obsessão. Para mim, devido à constante insistência na culpa dos TNR pelos males deste e do outro mundo, a razão deste comportamento foge da área das convicções políticas e refugia-se talvez na psicologia ou na psiquiatria. Ella Lei deve ter, de facto, um problema. Nestes casos, quando alguém odeia de forma tão irracional outrem, tal esconde, se calhar, uma atracção fatal pelo que se diz odiar. Será que no caso de Ella Lei, Freud explica e é dos seus sonhos que ela tem realmente medo? Carlos Morais José

CARTAS DE CONDUÇÃO DEPUTADOS E GOVERNO DIVERGEM QUANTO A RECONHECIMENTO MÚTUO

Ella tem medo dos TNR

O reconhecimento mútuo de cartas de condução entre a China continental e Macau não é bem visto pelos deputados. Leong Sun Iok e Ella Lei temem o agravamento do trânsito e do estacionamento caso os TNR venham a conduzir. O Governo afirma que o número de carros não cai aumentar significativamente

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AIS gente habilitada para conduzir não vai significar um aumento significativo dos carros de Macau como reconhecimento mútuo de cartas de condução entre o continente e o território. A garantia foi dada pelo director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin San, na sessão de debate de ontem acerca da matéria, proposta pelo deputado Leong Sun Iok. Mas o hemiciclo não parece convencido e a medida reúne uma forte oposição. Os deputados queixam-se essencialmente da incapacidade de Macau para ter mais trânsito e da falta de estacionamento e receiam que o reconhecimento de cartas de condução aos residentes do continente venha piorar ainda mais a situação. Ella Lei está especialmente alerta no que respeita aos TNR. Para a deputada da FAOM, com a possibilidade de reconhecimento mútuo das cartas de condução aos trabalhadores que vêm da China continental, vai existir um incentivo a que adquiram carro e que conduzam no território. “O problema não são os turistas mas sim os TNR que são muitos em Macau e vão querer adquirir carro e conduzir, o que vai causar muitos problemas” apontou. A opinião foi partilhada pelo proponente de debate, também com ligações à FAOM. Para Leong Sun Iok, além do aumento dos veículos em circulação causado pela condução dos TNR, os problemas de estacionamento vão ser agravados. “No futuro estes TNR vão comprar veículos para conduzir em Macau o que vai aumentar o trânsito e, de acordo com os residentes, os nossos parque de estacionamento são reduzidos. Se houver mais gente a conduzir em Macau vai agravar esta pressão de estacionamento”, sublinhou.

O Governo não considera a situação problemática. O secretário para os transportes e obras públicas, Raimundo do Rosário admite um aumento de habilitações para conduzir mas, de acordo com o representante da Polícia de Segurança Pública, (PSP) “não existe uma relação necessária entre o reconhecimento de cartas de condução e o aumento do número de carros. Haverá sim mais condutores legais”, disse.

UMA QUESTÃO DE ORIENTAÇÃO

Outro dos aspectos colocados em discussão no debate de ontem teve que ver com as diferentes normas de condução que existem entre o continente a Macau.

“O problema não são os turistas mas sim os TNR que são muitos em Macau e vão querer adquirir carro, e conduzir, o que vai causar muitos problemas.” ELLA LEI DEPUTADA

A questão foi levantada pelo deputado Zheng Anting que, depois de alertar para a necessidade de avaliar o congestionamento

das estradas locais, apontou o facto de no continente se conduzir pela faixa esquerda e pode trazer complicações. “Há ainda a questão de se conduzir à esquerda na China e se vieram para Macau, os condutores não se conseguem adaptar ao hábito e conduzir pela direita. Depois não olham para o outro lado e trocam direcções” referiu. Já o deputado pró-democrata Au Kam San lamenta que uma medida com este alcance e com a capacidade de interferir no dia a dia da população não tenha ido a consulta pública. O problema do aumento de carros de aluguer com o aumento de turistas habilitados a conduzir em Macau foi levantado pelo deputado Mak Soi Kun, mas o director da DSAT admite que mesmo que existam mais carros, não será um aumento significativo. “Só temos 120 carros de aluguer e mesmo que seja muito grande a procura só temos estes carros e para aumentar é preciso passar por várias formalidades para verificar se há lugares suficientes o que também tem um custo elevado”, argumentou Lam Hin San. O Governo não tem duvidas. O reconhecimento mútuo das cartas de condução vai trazer benefícios para os residentes locais. “Este reconhecimento é para o bem da população e tem que ver com a coordenação com o plano da Grande Baía para facilitar o reconhecimento das pessoas e dos comerciantes”, referiu o director da DSAT. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Caso Sulu Sou AL diz que vai cumprir lei

Um assunto que “está a ser tratado pelos Advogados contratados pela Assembleia Legislativa” no “estrito cumprimento da lei e do seu Regimento”. É desta forma que o órgão liderado por Ho Iat Seng respondeu ao HM, perante o facto dos deputados ainda não terem tido acesso à carta enviada pelo causídico da AL ao Tribunal de Segunda Instância, no âmbito da providência cautelar interposta pela defesa de Sulu Sou. O HM tentou saber junto da secretaria da AL quando é que o documento seria partilhada com os deputados, mas não houve uma resposta à questão. O alerta para a situação tinha sido dado pelo deputado José Pereira Coutinho, que ainda ontem não tinha recebido o documento.


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O

Plano de Salvaguarda e Gestão do Património está em consulta pública até ao próximo dia 20 de Março, mas três arquitectos contactados pelo HM consideram que existem lacunas que deveriam estar contempladas. Na visão de Mário Duque, o documento de consulta está escrito numa linguagem pouco clara e quando muito acessível apenas a técnicos. Por outro lado, considera o arquitecto, é um planeamento que deveria ser parte do plano director do território, que ainda não foi elaborado. “Numa consulta pública tem de se saber o que é que está em causa e que assuntos são do domínio das pessoas no âmbito da sua sensibilidade. Não são questões técnicas, não são questões de princípio, não são questões formais nem sequer questões legais”, começa por dizer ao HM. Num documento com mais de 150 páginas faltam dados concretos, que as pessoas conheçam e que

CENTRO HISTÓRICO AS LACUNAS DO DOCUMENTO DE CONSULTA

É (quase) só fachada vai ser sempre assim, com pessoas a dizer que os documentos estão incompletos. Uma consulta pública é uma ferramenta democrática que procura recolher a opinião dos cidadãos. Mas o facto de não existir ainda um plano director... uma coisa não impede a outra.” O ex-coordenador do Gabinete de Infra-estruturas de Transportes aponta que nunca é tarde a adopção de medidas como o limite máximo de 20 metros para os edifícios do centro histórico. “Tenho ouvido umas vozes um pouco sarcásticas sobre o facto de se estar a fazer isto nesta altura do campeonato. Mas não partilho dessa opinião, pois acho que as coisas têm de começar de alguma forma. Se Macau nunca teve [estas directrizes], acho saudável que se discuta este assunto agora e que se procure uma medida destas.”

GCS

Linguagem pouco clara, a falta de ligação entre o património e o ambiente envolvente e a ausência de obrigatoriedade de análise de impacto patrimonial em obras ou edifícios. Três arquitectos falam das falhas do documento de consulta relativo ao Plano de Salvaguarda e Gestão do Património

23.1.2018 terça-feira

• Maria José de Freitas, arquitecta “Não há obrigatoriedade de um impacto patrimonial de todas as obras ou edifícios em zonas classificadas, algo que acontece em todos os países.”

saibam o que é para se poderem pronunciar. “Caso existam estruturas com certas características ou com valor histórico associado ao sítio classificado, as mesmas deverão ser preservadas” é uma das frases que se podem ler repetidamente no documento em consulta relativamente, por exemplo, às restrições de construção. Para Mário Duque, “no caso deste tipo de informação estar escrita, deve existir, pelo menos, uma nota a dizer o que são essas características”. Não existindo, “tratando-se de um documento escrito dessa forma é um documento técnico que pressupõe uma consulta para perceber quais são os valores culturais a que se deve dar prioridade e as pessoa dizem do seu sentimento”.

• Mário Duque, arquitecto “Não se pode fazer um plano de salvaguarda à margem de um plano de ordenamento territorial.”

Está em causa uma verdadeira legitimidade do processo de consulta pública, mas mais, o envolvimento da comunidade. “É fundamental que as pessoas saibam responder ao documento porque o que a população diz confronta a própria comunidade com o seu sentido ético, de pertença, os seus ensejos e as coisas a que dão valor”, afirma.

FALTA IMPACTO PATRIMONIAL

A arquitecta Maria José de Freitas aponta que há muitas áreas importantes na gestão do património que não foram contempladas no documento. “Esta é uma proposta que praticamente se restringe ao centro histórico que está classificado pela UNESCO e a zona de protecção. A sensação que tenho é que se faz

com que haja uma inclusão deste espaço como se fosse uma paragem no tempo. Coloca-se uma redoma de vidro sob este património, que é classificado, para que não seja tocado. Por outro lado não se aborda a ligação deste património com o meio envolvente, os turistas e os seus habitantes.” Apesar de notar que esta proposta revela trabalho desenvolvido pelo IC, a arquitecta alerta para o facto de não se exigir a “obrigatoriedade de um impacto patrimonial de todas as obras ou edifícios em zonas classificadas”, algo que “acontece em todos os países”. Já André Ritchie referiu ser normal um documento de consulta não contemplar todas as medidas que serão implementadas. “Trabalhei em muitas consultas públicas e

OBRAS DE VÍTOR CHEUNG DEPENDEM DE SILÊNCIO PÚBLICO

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deputado e empresário Vítor Cheung Lup Kwan espera concluir a construção de uma marina junto ao hotel Pousada Marina Infante até Novembro de 2021, altura em que termina o prazo de aproveitamento do terreno. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o projecto foi explicado, ontem, em conferência de imprensa, mas o deputado sublinhou que é necessário que a opinião pública não levante ondas, para que os trabalhos possam começar tão depressa quanto possível. “Apesar de ainda não termos

começado o trabalho, acredito que existe a possibilidade das obras serem concluídas antes do fim do prazo de aproveitamento”, disse Vitor Cheung Lup Kwan, ontem. Contudo, o deputado não deixou de considerar que em Macau são vários os projectos abortados devido às opiniões da população, que fazem com que o Governo não permita avançar com a velocidade desejada. Por sua vez, Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, afirmou desconhecer os deta-

lhes do projecto em causa, remetendo explicações para o Director das Obras Públicas, mas garantiu que na zona vão ser construídas 2 mil habitações sociais: “Quando tomei posse estavam previstos 4.600 fogos de habitação pública. Cerca de 2.000 fogos são na Taipa Este e outros 2.000 nesse sítio perto da Pousada”, começou por dizer. “Sobre a parcela de terreno nessa zona que foi revertida para o Governo, o que posso dizer é que vai ser destinada para estas 2.000 unidades de habitação pública”, acrescentou.

LEGITIMIDADE FORMAL

De acordo com Mário Duque, a questão da consulta pública é absolutamente ilusória, e que este é um processo que deveria ser feito para ser legítimo. Além disso, para o arquitecto, falta a implementação do plano director para se concretizar um justo processo de gestão do património. “Não se pode fazer um plano de salvaguarda à margem de um plano de ordenamento territorial, porque é dentro de ordenamento territorial e dentro do território que existem depois subscrições onde as questões do património ou dos valores culturais são alvo de particular cuidado”, diz. O pano de salvaguarda e gestão do centro histórico de Macau deveria ter sido concluído em 2015 ao abrigo do plano de salvaguarda do património. No entanto, os trabalhos atrasaram-se. Andreia Sofia Silva e Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo

Académica da UM distinguida

Em mais um comunicado na língua de Shakespeare (vergonha, querida UM, para quando o português como língua de comunicação?), a Universidade de Macau anunciou que a académica Rose Lai Neng foi distinguida com o prémio Edwin S Mills de 2017, da revista Real Estate Economic. A distinção é atribuída ao melhor artigo publicado ao longo do ano nas quatro edições da publicação. Rose Lai Neng é professora de finanças e reitora associada da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau. O artigo que lhe valeu o prémio tem o título: Preços das Habitações nos Estados Unidos ao longo de 30 Anos: Bolhas, Mudanças de Regime e Eficiência do Mercado. O trabalho foi escrito em co-autoria com o professor Robert Van Order, da Universidade George Washington, localizada em Washington D.C..


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terça-feira 23.1.2018

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ERÃO poucos os macaenses ou falantes de português que não conhecem o grupo intitulado “Conversa entre a Malta” (CEAM). Activo na rede social Facebook desde 2011, o grupo foi criado por um grupo de amigos macaenses, mas depressa passou a ser um espaço onde se toma o pulso à opinião pública e à actualidade local. Alguns dos seus administradores usam pseudónimos como “Falamau da Silva” ou “Zico Fantasma” e são os principais dinamizadores da página, publicando diariamente notícias sobre o que se passa em Macau, sobretudo nas áreas da política e sociedade. Ao HM, Hugo Silva Júnior, ou “Falamau da Silva”, considera que o CEAM se tornou num importante meio de debate, numa altura em que tem mais de dois mil seguidores. “Começámos por ser um grupo pequeno e estão a entrar membros que vivem em Macau e que estão interessados em saber mais sobre a vida quotidiana aqui. Se entram como membros é porque o grupo tem algum interesse.” Hugo Silva Júnior, que trabalha como funcionário público, conta que muitos membros não revelam a sua opinião por receio de sofrerem represálias no trabalho. “Há muitos que, por razões óbvias, não fazem comentários, mas depois ligam a dizer que gostaram muito das publicações. Há muita gente com esse medo.” No entanto, Hugo Silva Júnior assegura que nunca deixou de escrever e de partilhar aquilo que pensa. “Sou funcionário público e acho que em Macau ainda temos liberdade de expressão. Não sou daqueles que come e cala. Há algumas pessoas que ficam no grupo só a observar as publicações para garantir o emprego e para não terem pressões, porque houve pessoas que sentiram pressões por terem feito críticas”, contou.

SEM OFENSAS

A ideia inicial dos fundadores do CEAM era utilizar a rede social para comentar não apenas as notí-

CONVERSA ENTRE A MALTA UM GRUPO MACAENSE ONDE A OPINIÃO PÚBLICA IMPERA

“Ainda temos liberdade”

Chama-se “Conversa entre a Malta”, existe no Facebook desde 2011 e tem pouco mais de dois mil membros. No grupo discutem-se temas da actualidade mas um dos seus administradores garante que muitos não expõem publicamente a sua opinião por medo de represálias no emprego

cias mas outros assuntos. “Queríamos aproveitar a rede social para debater assuntos do quotidiano local, apesar de não constituírem matéria noticiosa.” O CEAM, além de ser um espaço de debate, assume-se como um lugar onde a coscuvilhice pode acontecer. “Há um outro tipo de

influência cultural, arreigada num costume típico local, que é praticado entre a malta e que supostamente beneficia a nossa saúde e nos torna mais produtivos – a coscuvilhice ou a bisbilhotice.” Apesar disso, há um código de conduta para que não haja lugar a discriminações ou ofensas. “Ten-

“Há muitos que, por razões óbvias, não fazem comentários, mas depois ligam a dizer que gostaram muito das publicações. Há muita gente com esse medo.” HUGO SILVA JÚNIOR UM DOS ADMINISTRADORES DO CEAM

tamos não ter ofensas pessoais, em ter atenção naquilo que escrevemos para não haver difamações ou queixas. Nós, administradores, temos as nossas regras de conduta que temos de seguir.” O nome do grupo está intimamente ligado à própria cultura macaense. “A ‘malta’ confunde-se, na sua história secular, com o sentido singular atribuído por alguns à identidade macaense. Para a ‘malta’ ser-se macaense não basta ser de Macau. O macaense até poderá, eventualmente, nascer fora de Macau, mas ele encontra-se inelutavelmente ligado a esta terra, quer por laços sanguíneos,

INCÊNDIOS IC REUNIU COM 30 REPRESENTANTES DE TEMPLOS CHINESES

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ECORREU recentemente uma reunião entre os dirigentes do Instituto Cultural e 30 representantes de templos chineses, com o objectivo de debater “os trabalhos de segurança contra incêndios e de gestão dos templos” e para “reforçar a sensibilização dos funcionários destas entidades para a

prevenção contra incêndios e trabalhos relativos de gestão dos templos”. Um comunicado oficial aponta que algumas regras de segurança têm sido mantidas. “De acordo com as conclusões da última inspecção realizada pelo IC aos quarenta e três templos de Macau, a maior parte revelou manter apagados os incensos

nos espaços interiores dos templos durante a noite ou em caso de ausência de vigilantes no local.” Além disso, foi referido o último caso do incêndio ocorrido no templo de Tin Hau, há cerca de dois meses. O mesmo comunicado aponta que o fogo foi resultado de má gestão.

Descobriu-se que “foram erigidas no templo construções adicionais, além da existência de pilhas e de objectos sem valor, entre outros problemas que indicam uma má administração do local e que se traduzem em risco de incêndio”. Na reunião foi ainda referido que “alguns templos apresentam con-

dições particulares e uma rápida deterioração de cabos eléctricos, tendo sido sugerido que a substituição dos mesmos seja feita regularmente e que se considerem exemplos do estrangeiro, em que se acende apenas um pau de incenso”.

quer por qualquer circunstância que evoque sentimentos fortes de pertença a um mundo enraizado em Macau.” No CEAM não há temas preferidos, mas as notícias sobre o trânsito e os problemas relacionados com a acção governativa dominam. Os jornais portugueses têm lugar de destaque e não apenas pelo facto de alguns dos seus administradores não dominarem o chinês escrito. “Penso que há mais liberdade na imprensa portuguesa. A imprensa chinesa é muito limitada”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Studio City Turistas feridos já tiveram alta

Um acidente numa escada rolante do hotel Studio City provocou este domingo um total de sete feridos ligeiros, todos eles oriundos de Taiwan, sendo que apenas seis foram assistidos na urgência do Centro Hospitalar Conde São Januário (CHCSJ). Segundo um comunicado, “o diagnóstico preliminar identificou ferimentos ligeiros, principalmente escoriações”. “Após terem sido submetidos a tratamento, todos os feridos encontramse em estado clínico considerado normal e tiveram alta”, conclui.


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23.1.2018 terça-feira

O caracter fracturant EXPOSIÇÃO QUEM AINDA NÃO VIU A MOSTRA DE XU BING TEM ATÉ 4 DE MARÇO PARA O FAZER

Concerto Orquestra de Macau toca Leonard Bernstein

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Orquestra de Macau actua esta quarta-feira no Centro Cultural de Macau, por volta das 20h00, sendo protagonista do concerto com o nome “Aniversário do Centenário de Leonard Bernstein com Lio Kuokman e a Orquestra de Macau”. O concerto é liderado pelo músico local Lio Kuokman, que “assume ainda o papel de pianista e revela todo o seu talento numa interpretação a solo da obra de Gershwin, Rapsódia em Azul”. O programa do concerto “Aniversário do Centenário de Leonard Bernstein com Lio Kuokman e a Orquestra de Macau” inclui obras da autoria desse grande compositor do século XX, tais como excertos do Suíte Fancy Free e Danças Sinfónicas de West Side Story, entre outras. Além disso, Lio Kuokman interpreta ainda a Rapsódia em Azul de Gershwin, procurando quebrar as barreiras entre o “clássico” e o “comum”, demonstrando ao público “o encanto criado pela colisão e amálgama entre o clássico e o popular”, aponta o Instituto Cultural. Lio Kuokman foi considerado pelo jornal norte-americano The Philadelphia Inquirer um “genialmente hipnotizante maestro”, tendo ganho o Segundo Prémio (não tendo sido atribuído o Primeiro Prémio), o Prémio do Público e o Prémio Orquestra no Concurso Internacional de Direcção de Orquestra Svetlanov, realizada em Paris em 2014. Foi também seleccionado pelo maestro principal da Orquestra de Filadélfia Yannick Nézet-Séguin para assumir o cargo de MaestroAssistente, tornando-se assim no primeiro músico da China a assumir este posto na Orquestra de Filadélfia. Os bilhetes para o concerto “Aniversário do Centenário de Leonard Bernstein com Lio Kuokman e a Orquestra de Macau” encontram-se à venda e os preços variam entre as 150 a 250 patacas.

“A Linguagem e a Arte de Xu Bing” é a exposição da vida do mestre chinês da gravura, caligrafi mostra estará patente no Museu de Arte de Macau até ao dia 4 de Março e oferece ao público um trinta anos de um dos artistas chineses mais influentes da actualidade

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA COMPLETE CHAMBER MUSIC FOR VIOLIN • António Fragoso, Carlos Damas A morte de António Fragoso (1897 - 1918) com a idade de 21 anos, roubou um jovem de potencial extraordinário à arte da música nacional. As obras aqui apresentadas revelam um jovem compositor completamente ciente das grandes figuras musicais da época, a influência de Debussy e Fauré, por exemplo, pode ser detectada na Suite Romantique para violino e piano de 1916. Carlos Damas foi professor no Conservatório de Música de Macau, integrou a Orquestra de Macau e participou no Festival de Música de Macau, no Festival de Artes de Macau e no Quinto Festival de Artes da República Popular da China.

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VIERAM COMO ANDORINHAS • William Maxwell Inteligente, subtil e soberbamente escrito, Vieram como andorinhas é um breve romance sobre um rapaz extremamente sensível crescendo numa cidade pacata no estado de Illinois. É um retrato poético e perspicaz de uma família burguesa americana enfrentando os problemas diários da vida durante a pandemia de gripe que matou milhões de pessoas no mundo em 1918-1919. O génio de Maxwell prende-se com a sua capacidade de exprimir emoções profundas e complexas através de observações simples e magnificamente descritas.


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terça-feira 23.1.2018

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fia e instalação. A ma visão sobre os

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U Bing é um artista singular que, além do fascínio pela linguagem e a caligrafia chinesa, gosta de incorporar o mundo na sua criação e colocar em confronto a arte contemporânea e a criação com raízes mais clássicas. Na sequência dos protestos da Praça de Tiananmen de 1989, o artista aproveitou uma bicicleta espalmada pela passagem de um tanque e incorporou-a numa mostra que deu pelo nome de “Background Story”. Outro dos “itens coleccionados”, como lhe chama, foi pó resultante da queda das Torres Gémeas depois do ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001. Aliás, a instalação em que Xu Bing utilizou a bicicleta espalmada foi interpretada como uma crítica ao Governo de Pequim, o que originou um crescendo de pressão sobre o artista que o levaria a fugir do país, e a exilar-se nos Estados Unidos, em 1990. No fundo, as criações do chinês não fogem a temas fracturantes, ao longo de uma carreira de 30 anos onde a hibridização e a multiplicidade são aspectos chaves da criação artística. A exposição “A Linguagem e a Arte de Xu Bing” reúne o melhor da obra do artista. O público que se deslocar ao Museu de Artes de Macau terá uma visão do processo criativo do chinês, as experiências e esboços da sua produção que demonstram o seu raciocínio e lógica. Uma das obras em destaque, e que foi comissionada pelo museu, é a “Viola Chinesa”, um trabalho no qual o artista recorre ao tema “Caligrafia das Palavras Quadradas” para transcrever um excerto de um poema de Camilo de Pessanha como o mesmo nome.

PINTAR A LÍNGUA

Uma das obras em destaque, e que foi comissionada pelo museu, é a “Viola Chinesa”, um trabalho no qual o artista transcreve um excerto de um poema de Camilo de Pessanha como o mesmo nome

A exposição reúne ainda esboços, notas e trabalhos de menor escala, onde se incluem “Livro do Céu”, “Um Estudo de Caso sobre Transferência” , “Caligrafia de Palavras Quadradas”, “Livro da Terra”, “Escrita de Paisagem” , “‘Projecto da Floresta’ – Série da Floresta IV”, “Rolo de Paisagens do Jardim da Semente de Mostarda” e “O Carácter dos Caracteres”. O mestre da gravura, caligrafia e instalação é professor associado da prestigiada universidade norte-americana Cornell University e foi vice-presidente da Academia Central de Belas Artes da China. Assim que começou a sua carreira, Xu Bing deixou bem evidente o fascínio pelos caracteres chineses, sobretudo do ponto de vista da reflexão entre forma e significado. Essa tensão está no cerne dos seus trabalhos, principalmente na maneira como o artista apreende os objectos do quotidiano, o que origina debates constantes que extravasam a apreciação artística e entram em discussões sobre a civilização contemporânea. Com mais de 30 anos de carreira, Xu Bing é um artista cuja criação se mantém fresca e actual. A exposição estará patente até 4 de Março. Quem se deslocar ao Museu de Arte de Macau aos sábados, domingos e feriados tem visitas guiadas das 15h às 16h no segundo piso do museu. João Luz

info@hojemacau.com.mo

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23.1.2018 terça-feira

XI JINPING REVISÃO DA CONSTITUIÇÃO É “ACTO SIGNIFICATIVO”

Pr’a melhor, está bem, está bem

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secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC), Xi Jinping, considera a revisão da Constituição da China um evento importante na vida política do PCC e do país. Xi pronunciou-se a esse respeito durante um simpósio no qual participaram representantes de partidos não comunistas, a Federação de Indústria e Comércio para Toda a China e membros sem afiliação política, a 15 de Dezembro de 2017, cujas opiniões e sugestões para a

GETTY IMAGES

A China está empenhada em mudar a sua Constituição para a ajustar à “nova era”

revisão da Constituição foram ouvidas. A revisão da constituição é uma decisão política crucial realizada pelo Comité Central

do PCC, com base na situação geral e no peso estratégico de manter e desenvolver o socialismo com características chinesas, de acordo com PUB

Xi. “É também uma medida importante para avançar com a governanção baseada na lei e com a modernização do sistema chinês”, referiu. “Os representantes no simpósio aprovaram por unanimidade a proposta do PCC para rever a constituição, e concordaram com os requisitos e princípios gerais para o efeito. Fizeram também sugestões para a implementação e supervisão da Constituição, assegurando a sua autoridade e impondo a lei da Constituição e o Estado de Direito. O Comité Central do PCC mantém a ideia da consulta antes da tomada de decisão”, constatou Xi. “O PCC valoriza a opinião e sugestões de partidos não comunistas, da Federação de Indústria e Comércio para Toda a China e daqueles sem afiliação política antes de levar a cabo conferências importantes, emitir documentos importantes, e levar a cabo decisões de relevo”, disse Xi.

“Representantes no simpósio aprovaram por unanimidade a proposta do PCC para rever a constituição, e concordaram com os requisitos e princípios gerais para o efeito.” XI JINPING

Xi salientou que os partidos não comunistas e a frente unida realizaram contributos significativos para o estabelecimento e desenvolvimento do sistema constitucional chinês. Xi pediu aos participantes no simpósio para refletirem sobre a revisão e avançarem com opiniões e sugestões. O presidente apelou aos presentes, por último, a um acréscimo da consciência para o Estado de Direito e para serem fiéis à Constituição, bem como à construção de consensos, desenvolvimento regulatório, resolução de conflitos, e manutenção da harmonia pelo Estado de Direito, por forma a unir a população e, assim, contribuir para o rejuvenescimento da nação chinesa.

Superbactéria para eliminar resíduos Objectivo é limpar a gigantesca quantidade de líquidos descartada pela indústria têxtil

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UM laboratório de Hong Kong, pesquisadores que trabalham na melhoria dos processos de produção de um dos maiores fabricantes de tecidos da China usam um ingrediente especial: bactérias. A TAL Apparel, com fábricas na China continental e no Sudeste da Ásia, se uniu à City University para identificar bactérias que possam limpar de maneira mais eficiente as grandes quantidades de resíduos líquidos descartados pela indústria têxtil, numa iniciativa que pode reescrever as operações da indústria global da moda. Depois de décadas de crescimento industrial sem travões, que deixou a China com um legado de poluição excessiva, o governo está a pressionar as indústrias, e o sector têxtil é o primeiro da fila. A fabricação de tecidos é a terceira no ranking de descarte de resíduos líquidos — 3 mil milhões de toneladas por ano — atrás das indústrias química e de papel. Assim, em 2015, o governo lançou um plano de recursos hídricos com dez medidas para controlar a poluição, promover tecnologias e melhorar o manejo da água, com prazo para alcançar os seus objectivos até 2020. Estas medidas atingem o coração de uma indústria que durante décadas beneficiou de mão-de-obra barata e de baixos custos de capital para entregar o chamado fast fashion, que leva a moda das passarelas rapidamente para as lojas com preços que fizeram das roupas um produto quase descartável. “Os clientes estão mais felizes porque as roupas estão mais baratas do que há uma década, e as lojas podem beneficiar dos custos baixos”, diz Felix Chung, um legislador de Hong Kong que representa a indústria têxtil. “Mas o resultado é uma enorme poluição, e as marcas terão que pagar por isso no futuro”. Como o sector é alvo de críticas pelo seu histórico ambiental, marcas importantes como H&M, Target

e Gap adoptaram padrões de qualidade para uso de água pelos seus fornecedores, monitorando-os para proteger a sua reputação entre os consumidores. O problema é como atingir melhores padrões ambientais e trabalhistas sem elevar os preços a um consumidor, já habituado à moda barata da fast fashion. “Falamos sobre responsabilidade social, mas as pessoas não querem pagar por isso”, disse o presidente da TAL, Harry Lee. “Uma regulamentação mais rigorosa requer que os fabricantes melhorem suas fábricas, mas isso exige capital”. A TAL, que abriu a sua primeira fábrica na China continental em 1994, tem comprado bactérias de outros laboratórios para tratar a água usada na lavagem dos tecidos. Com bactérias no lugar de produtos químicos, a empresa pôde reduzir os resíduos líquidos até 80%, além de permitir que 100% da água seja reciclada na própria fábrica. Mas, durante uma folga na produção para comemorar o ano novo chinês no ano passado, as bactérias do seu sistema morreram. Então a TAL montou um programa de pesquisa que usa o sequenciamento de DNA para encontrar uma “superbactéria” mais barata e eficiente. Mas pesquisar e melhorar a tecnologia é caro. Assim, está a chegar o dia em que os vendedores terão que reajustar os preços já que os fabricantes não conseguem absorver os custos para cumprir as regras ambientais. Perante isto, as grandes redes de distribuição também participam na tentativa de desenvolver técnicas que possam cortar custos e permitir que a indústria gere menos resíduos. Enquanto isso, no laboratório em Hong Kong, os cientistas esperam desenvolver a sua superbactéria em dois anos. Se forem bem-sucedidos, a TAL compartilhará os resultados com outros fabricantes. “Com sorte, mais fabricantes vão querer usá-la. Mas é um processo muito lento”, concluiu Lee.


china 11

terça-feira 23.1.2018

REUTERS

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Foram-se os imigrantes População de Pequim caiu pela primeira vez em 17 anos

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população de Pequim, uma das metrópoles mais populosas do mundo, caiu em 2017, pela primeira vez em 17 anos, como resultado do esforço para deslocar para fora da cidade indústria e serviços considerados não essenciais. Segundo o jornal chinês China Daily, que cita o Gabinete de Estatísticas de Pequim, a capital chinesa perdeu 22.000 habitantes, durante 2017, uma queda homóloga de 0,1%. Sede de um município com cerca de metade do tamanho da Bélgica, Pequim tinha no final do ano passado 21,7 milhões de habitantes. “À medida que a diferença no nível de desenvolvimento entre as áreas urbanas e rurais se tem vindo a reduzir, face ao processo contínuo de urbanização, algumas áreas têm assistido ao retorno de pessoas que viviam nas grandes cidades”, afirmou a porta-voz das Estatísticas Pang Jiangqian, citada pelo China Daily. Pang acrescentou que a capital chinesa tem deslocado para fora da cidade funções consideradas não essenciais, incluindo indústria manufactureira, logística ou mercados por grosso. Em 2015, o Governo chinês anunciou a criação de um gigantesco centro urbano - designado Jing-Jin-Ji -, com 110 milhões de habitantes, que incluirá as cidades de Pequim e Tianjin e a província de Hebei.

O plano inclui a modernização do sistema de transportes, de forma a permitir a rápida circulação num centro urbano que terá mais do dobro da dimensão de Portugal continental. Novas linhas de metro, algumas com uma extensão superior a 60 quilómetros, e nove linhas ferroviárias, com uma extensão combinada de 1.100 quilómetros, deverão estar concluídas até 2020. As autoridades chinesas estão ainda a oferecer incentivos fiscais às empresas e subsídios aos trabalhadores que se queiram estabelecer em Tianjin ou Hebei. Nos últimos meses, o Governo de Pequim expulsou ainda dezenas de milhares de trabalhadores migrantes das suas casas nos subúrbios da cidade, numa campanha contra construções ilegais que mereceu críticas por parte de defensores dos direitos humanos. Uma petição assinada por mais de cem académicos, advogados e artistas chineses lembrou que “o desenvolvimento de Pequim é não só fruto do trabalho árduo dos seus cidadãos, mas também do sacrifício e contribuição de pessoas de outras partes do país”. As autoridades da capital chinesa querem combater a sobrelotação e limitar o número de residentes a 23 milhões.

2017

Investimento em capital de risco bate recorde

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investimento em capital de risco (CR) na China chegou a um nível recorde de mais de US$ 40 mil milhões em 2017, um aumento anual de 15%, indica um relatório industrial. O sentimento positivo foi conduzido por diversos contratos de grande porte, pois os investidores procuraram oportunidades em companhias de inteligência artificial (IA), tecnologia auto-motriz e serviços empresariais, de acordo com o último relatório da companhia global de auditoria e consultoria KPMG. AChina representou cinco dos 10 principais financia-

mentos de capital de risco do mundo no quarto trimestre de 2017, quando o foco contínuo do investidor na qualidade resultou numa diminuição geral de contratos para 75, cifra trimestral mais baixa desde o segundo trimestre de 2013, de acordo com o relatório. No quatro trimestre, a participação corporativa em contratos do CR da China foi de 32,3%, cifra maior que a média global de 18,7%. O investimento corporativo no CR na China chegou a US$ 11,7 mil milhões no quarto trimestre, o segundo melhor nível da última década. “O investimento em IA é um grande foco na China,

não só para os investidores do CR, mas também para os grandes players de tecnologia”, disse Egidio Zarrella, parceiro e director de clientes e inovação da KPMG China. O relatório sublinha também que as companhias de serviços empresariais ganharam terreno na Ásia, em particular na China. Globalmente, o investimento no CR atingiu seu maior nível em uma década com US$ 155 mil milhões em 2017, apesar da desaceleração no volume de contratos.


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23.1.2018 terça-feira

O homem odeia tudo aquilo que não lhe parece ter ´ sido feito por ele Máquina Lírica Paulo José Miranda

A última garrafa DOUTOR: (antes de atender) É a chamada que esperava, do hospital. (atende) Sim!... Morreu?... Assim que possa vou imediatamente para aí... Até logo. RAUL: Más notícias, doutor? DOUTOR: Não propriamente. Um doente meu que morreu. Mas já se esperava que isso viesse a acontecer esta noite. Melhor assim. Cancro no pulmão. Um sofrimento atroz, meu amigo. É como escrevem nos maços de cigarros: «Fumar mata». RAUL: Doutor, viver mata.   (silêncio e o doutor levanta-se e anda pela sala, pensando)   DOUTOR: O senhor está decidido a não sair daqui sem o comprimido, não está? RAUL: Estou, doutor.   DOUTOR: E também já sabia disso quando para aqui veio, não sabia? RAUL: Sim, já sabia, doutor.   DOUTOR: Diga-me mais uma coisa, sinceramente. Está armado?   (silêncio)   RAUL: Julgo que o doutor merece a verdade. Estou sim. Venho armado. DOUTOR: E então?   RAUL: Então o quê, doutor? DOUTOR: Já se decidiu, se vai ou não usar a arma?   RAUL: Já me tinha decidido antes, doutor. DOUTOR: E julga ser capaz de chegar ao ponto de me matar?   RAUL: Isso não lhe sei dizer, doutor. Julgo que só iremos saber no último momento. Você e eu. Mas espero que não seja necessário chegarmos a descobrir os meus limites. DOUTOR: (voltando a sentar-se) Sabe o que é que eu penso? Penso que você não é capaz. É demasiado decente para isso. Não é que lhe falte a coragem ou a tenacidade. Falta-lhe não ter escrúpulos. Uma coisa é planear uma fraude, outra coisa bastante diferente é realizá-la. E não se esqueça que a fraude iria ser realizada por mim, não por si. Você só planeou. É só do que é capaz.   RAUL: Não vou sequer tentar contrariá-lo. Talvez até tenha razão. Mas está a esquecer-se do desespero, doutor. E o desespero é inimigo dos escrúpulos. DOUTOR: (levantando-se e erguendo a voz) Mostre-me a arma! Vá, mostre-me a arma, homem!   RAUL: Tenha calma, doutor. Sente-se, por favor! Sente-se, peço-lhe.

PARTE 6

(Num consultório privado)

gum soporífero que me ponha a dormir em quatro minutos, pois não?

(o doutor volta a sentar-se)   RAUL: Para que quer ver a arma? Não acredita em mim? Começa agora a duvidar de mim? Olhe que não é o momento certo para começar a ter dúvidas, doutor. DOUTOR: (levantando-se e erguendo a voz novamente) Então sai! Saia, por favor!   RAUL: (levanta a camisola e tira um pequeno revólver, que tinha entre as calças e a barriga, e pousa-o sobre a mesa junto a si) Queria ver, então aqui está! Já está convencido ou ainda tem dúvidas? DOUTOR: (pálido, volta sentar-se) E agora, que vai fazer?   RAUL: Depende de si, doutor. Eu só quero o comprimido. Se mo der, saio por aquela porta do mesmo modo que entrei e o doutor pode telefonar imediatamente à polícia. Se não me der o comprimido, vamos acabar por descobrir se sou ou não capaz de atirar num homem. DOUTOR: E que ganha você com isso? Se me matar não vai poder levar o comprimido. Como é que vai descobrir qual deles é, no meio de tudo isto (e aponta para os armários).   RAUL: É verdade. O doutor tem razão, não ganho nada com isso. Só o doutor é que perde. De qualquer modo, talvez depois de matar um homem também já não tenha escrúpulos em me suicidar. Há sempre que contemplar essa hipóte-

se. Talvez venhamos a descobrir que até sou capaz de matar para morrer em paz. (silêncio)   RAUL: Então, que decide? Vamos jogar até ao fim, ou terminamos por aqui?   (o doutor volta a levantar-se de novo e anda pela sala, pensativo)   RAUL: (que não tira os olhos dele e segura o revólver) Espero que não vá tentar qualquer acto violento, porque é sempre assim que acontecem os acidentes.   (após algum tempo, o doutor dirige-se a um dos armários e, de volta à mesa, traz consigo um comprimido numa embalagem especial)   DOUTOR: Está aqui o comprimido, senhor Santos. RAUL: (segura no comprimido e olha-o) Como é que vou saber se é este o comprimido, doutor? Não estará a enganar-me?   DOUTOR: Isso nem me ocorreu, homem! Para que é que o havia de enganar? RAUL: Consigo encontrar mais do que uma razão, doutor. Quanto tempo leva o comprimido a matar-me?   DOUTOR: Cinco minutos. Mas em quatro adormece profundamente. RAUL: Óptimo! Não parece que haja al-

DOUTOR: Não. Mas porque é que me está a perguntar isso? RAUL: Ora, doutor, não estava à espera que me fosse embora, correndo o risco de me ter enganado, pois não? DOUTOR: Que quer dizer com isso? RAUL: Quero dizer que o vou tomar aqui à sua frente e se em quatro minutos não estiver a dormir vamos finalmente conhecer os meus limites.   DOUTOR: Não pode fazer isso aqui, à minha frente! RAUL: Porque não? Você é o meu médico. Tem o direito e o dever de me acompanhar até ao fim.   DOUTOR: Mas não foi algo que eu tenha escolhido. Nem sequer estou convencido de que seja um doente terminal. RAUL: Por favor, doutor, já devia saber que escolhemos muito pouca coisa durante o tempo que temos neste mundo. Julga que escolhi ser doente? (olhando para o comprimido) Como é que isto se toma?   DOUTOR: Como uma aspirina. RAUL: (retira o comprimido da embalagem, põe-o na boca e ingere um gole de whisky; e ainda com o copo na mão) Proponho um último brinde: às excepções! (pausa) Vá lá, acompanhe-me. Sei que não é um brinde original, mas também nunca fui pessoa muito original. Vá lá, doutor, faça-me esta última vontade!   DOUTOR: Às excepções! RAUL: Obrigado. Não se preocupe que vou segurar firmemente a arma, para que a polícia possa comprovar a história que lhes vai contar.   DOUTOR: Julga que alguém vai acreditar no que aqui se passou? RAUL: Talvez não. Mas vão acreditar na arma na minha mão. E não os pode levar a mal, doutor. O senhor também só acredita no que constata. Esperemos que a arma não se me escape da mão, doutor. O melhor será apoiar-me aqui na mesa. Não lhe quero causar problemas. (debruça-se sobre a mesa com a arma apoiada nesta e apontada na direcção do médico)   (o tempo passa, adormece)   DOUTOR: (pega no telefone e marca um número, ouve-se o telefone chamar, apagam-se as luzes) (Fim)


desporto 13

terça-feira 23.1.2018

Porque decidiu fazer esta parceria com o Sporting de Macau, numa liga que está longe de ser das mais desenvolvidas? É o facto da liga não estar totalmente desenvolvida que a torna interessante. Macau é um local cheio de oportunidades para os jogadores e o Sporting de Macau é o clube ideal, é muito organizado e, ao longo do processo das negociações, foi sempre muito profissional. Não está Macau longe de ser o local ideal para promover os atletas? Não considero isso. Aqui, os jogadores podem ser reconhecidos e facilmente despertar a atenção de ligas mais profissionais, como no Interior da China, Japão, Coreia do Sul ou mesmo de clubes da Tailândia. Também não há nada

EMPRESÁRIO DE FUTEBOL, RESPONSÁVEL POR EMPRESA DE INTERMEDIAÇÃO

“Um local cheio de oportunidades” No mínimo dois anos, mas vai ser tudo feito passo a passo. Dois anos é um prazo que nos parece razoável para no final fazer um balanço rigoroso. Antes disso não faz sentido porque estes acordos precisam de tempo para crescer e desenvolver-se. Vamos começar por colocar três jogadores, mas no futuro queremos colocar mais.

GRAHAM HEYDORN

O canadiano Graham Heydorn é o responsável pela empresa de intermediação de jogadores 10 Management, que assinou uma parceria com o Sporting de Macau para colocar três jogadores no território. Ao HM, reconheceu esperar com o acordo catapultar atletas para ligas mais desenvolvidas, como a chinesa, coreana, japonesa e mesmo tailandesa

GRAHAM HEYDORN

“Há exemplos em todo o mundo de jogadores de ligas mais pequenas ou clubes de menor dimensão que conseguem dar o salto, contra todas expectativas, e acabar nas grandes ligas”

que impeça os jogadores que se destaquem em Macau de se mudarem para os escalões inferiores da Europa. Macau é um bom local de adaptação para os atletas que querem fazer uma carreira na Ásia. Mas existe mesmo essa visibilidade nesta liga? O que eu aprendi nesta área é que tudo é possível, desde que o joga-

dores tenham qualidade. É possível darem o salto para a China, Coreia do Sul e Japão. No entanto, temos pensar passo a passo, não é fácil para um atleta que está a começar alcançar tudo de um dia para o outro. O salto pode acontecer para as ligas secundarias desses países. Qual é a duração da parceria com o Sporting de Macau?

A parceria é uma forma da 10 Management entrar no mercado asiático? Não, atéporque já temos uma parceria na China, que nos permite acompanhar os jogadores na Ásia. Representamos jogadores no Interior da China, mas por vezes as regras limitam aquilo que queremos fazer porque há um limite no número de estrangeiros que podem ser inscritos. Nesse sentido, colocar jogadores em Macau é um bom início para se adaptarem à cultura, linguagem e comida. São aspectos essenciais para jogadores que querem fazer carreira na Ásia. Faltam agentes de jogadores em Macau que possam promover o jogador local em mercados mais profissionais? Sim e por isso vamos estar atentos aos jogadores locais. Há exemplos em todo o mundo de

jogadores de ligas mais pequenas ou clubes de menor dimensão que conseguem dar o salto, contra todas expectativas, e acabar nas grandes ligas. Não há razões para que um jogador talentoso que passe por Macau não chegue a uma grande liga. Contudo reconheço que quanto mais alto é o nível da liga, maior é a probabilidade disso acontecer. Quantos jogadores representa? Nesta altura entre 40 e 50 jogadores. São atletas que estão a jogar em Portugal, França, Inglaterra, Espanha, República Checa, entre outros. Em todos estes países temos jogadores nas principais ligas. Entre os jogadores que representa está Jean Michael Seri do Nice, que tem sido associado a grandes clubes como Manchester United ou Chelsea. Em que situação está uma futura transferência? Ainda durante o mercado de Inverno ou no próximo Verão acredito que vai ser transferido. No último Verão o Barcelona apresentou uma proposta de 40 milhões de euros por ele, mas o Nice rejeitou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

APOSTA EM ÁFRICA

O

recrutamento de atletas em África é uma das principais apostas da 10 Management, que nos últimos anos tem feito esses atletas entrarem na Europa principalmente através das ligas portuguesa e espanhola. O FC Porto tem sido um dos clubes mais utilizados por Graham Heydorn que já fez passar pela cidade invicta Christian Atsu, agora no Newcastle, Jean Michael Seri, que está no Nice, e Chidozie Awaziem. O último jogador representa o Nantes de França, por empréstimo do FC Porto.


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23.1.2018 terça-feira

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EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02

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SALA 1

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THE COMMUTER [C]

Filme de: Jaume Collet-Serra Com: Liam Neeson, Vera Farmiga 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

PITCH PERFECT 3 [B]

Filme de: Trish Sie Com: Anna Kendrick, Rebel Wilson, Hailee Steinfeld 14.30, 16.15, 18.00, 21.45

INSIDIOUS: CHAPTER 4 [C] Filme de: Adam Robitel Com: Lin Shaye,

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4 5 6N 7 1 2 3 6 1 3 7 5 4 2

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Angus Sampson, Leigh Whannell 19.45 SALA 3

NAMIYA [B]

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Han Jie Com: K.Wang, Dilraba, Dong Zijian, Lee Hong Chi 14.30, 16.30, 21.30

COCO [A]

FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 19.15

DE

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ROXY MUSIC | SELF TITLED 1 5 3 2 6 4 7 3 4 5 7 6 5 3 disco4de Roxy 5 Mu2 1 6 4 2 6 5 1 7 3 6 65 7 4 3 O7 primeiro sic é um dos mais belos registos 5 6alguma1vez gravados, 4 3 2 7 2 33 7 64 5 1 6 7 1 2 6 5 musicais na minha humilde opinião. O 1 7álbum5dos britânicos, 2 6 3 4 6 4 71 7 3 45 2 1 3 4 2 72 primeiro um marco no movimento Glam 55 1 12 6 7 3 4 3 que2varreu7o mundo 1 an4 6 5 5 65 31 1 2 Rock tes do punk, alia os génios de 27 6 5 3 34 2 1 6 Ferry 4 e Brian 3 Eno, 7 além 1 5 2 4 2 6 55 14 Bryan da guitarra de Phil Manzanera. 3 3 7 4 1 12 6 5 4 das 1 faixas 2 estão6ligadas 5 7 3 2 77 1 3 4 Muitas ao universo do cinema. Por 1 7 2 exemplo, “2HB” é um tributo a Humphrey Bogart e tem na letra 6 12 1 4 5 11 7 “Here’s looking at you, kid”, uma deixa tirada do clássico 2 7 1Entre3as faixas 6 5 4 2 5 3 4 7 6 1 5 7 6 3 1 “Casablanca”. que se tornaram eternas neste 3 impossível 5 6 não2mencio7 4 1 6 7 4 2 5 1 3 6 1 2 5 4 disco nar “Re-Make/Re-Model” e 5 1 4João Luz7 2 3 6 7 3 1 6 2 5 4 2 3 4 7 6 “Ladytron”. 6 3 5 4 1 2 7 3 6 5 1 4 2 7 4 5 1 2 3 Mota; Vitor 7 2 3 6Propriedade 4 Fábrica 1 de Notícias, 5 Lda Director Carlos Morais 5 José2Editor7José C. Mendes 3 Redacção 1 4Andreia Sofia 6 Silva; João Luz; João Santos1Filipe;6Sofia Margarida 5 4 7 Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 4 6 2 1Morais; 5 3 António Conceição Júnior; 1 André 4 Ritchie;2David7Chan; Fa6Seong; Jorge 3 Rodrigues 5 Simão; Leocardo; Paul3 7Bicho;6Rui Flores;2 Fonseca; Valério 7 Romão Colunistas Chan Wai4 Chi; Paula Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária www. marketing Morada Calçada 1hojemacau. 4 7 5deSantoredacção 3 e Publicidade 6 2Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) 4 1 6 5Assistente 3 de7 2Vincent Vong Impressão Tipografia 7 2Welfare 3 1 de5 com.mo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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SUDOKU

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Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03

2O CARTOON STEPH

Manhãs como a de ontem trazem à memória o cenário do sonhado regresso de D. Sebastião, o desejado adormecido rei da grande fábula do fervor religioso e militar português do século XVI. Engraçado como as duas coisas andam de mãos dadas. Durante a sua regência, o reino adquiriu Macau, como uma espécie de quintal a Oriente, perfeito para instalar um interposto comercial entre mundos pertencentes a dois espectros diferentes de realidade. Hoje em dia, com a quantidade imensa de partículas que há no ar, projectam-se fantasmas sebastiânicos pelos cantos do defunto império. Esta nostalgia, que precisa de ser sentida numa palavra intraduzível, é uma das fraquezas8do espírito 4 luso. A âncora do passado que nos deixa presos a uma ideia de grandeza maior que as nossas possibilidades, que reveste um país de vulnerabilidade identitária. Um país fantasma, que por mais nevoeiro que faça, por mais misticismo que encerre, jamais regressará para restaurar o quer que seja. Em vez do nevoeiro, a única coisa que a bruma traz por estas bandas são partículas assassinas, morte vinda de cima, agentes pulmonares infiltrados. Não se avista vestígio do soberano messias que venha restaurar seja o que for e salvar-nos nas horas mais sombrias. João Luz

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FESTA DE ABERTURA DA THE MACAU BARBERSHOP Rua de S. Miguel – Macau | 14h00 às 18h00

EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT

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BRUMA2SECA

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RAW VIDA X FITNESS & RAW FOOD WELLNESS WEEKEND One Oasis | 10h00

1PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS”

YUAN

PÊLO DO CÃO

PALESTRA - “COMO EVITAR O EFEITO YO-YO DAS DIETAS TRADICIONAIS – O SEGREDO PARA PERDER E MANTER UM PESO SAUDÁVEL” POR CATARINA RODRIGUES Fundação Rui Cunha | 18h45

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opinião 15

terça-feira 23.1.2018

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

M Hong Kong, no passado dia 6, a nova Secretária da Justiça tomou posse. Chama-se Teresa Cheng Yeuk-wah e vem substituir Rimsky Yuen Kwok-keung. Embora Rimsky não tenha explicado os motivos da sua demissão do cargo, tudo indica que esta se ficou a dever principalmente a motivos de saúde. Teresa Cheng Yeuk-wah é Conselheira Sénior em Hong Kong. Foi também presidente do Centro para Arbitragem de Disputas Financeiras, a delegação de Hong Kong do Centro Internacional para Arbitragem de Disputas Financeiras, e vice-presidente do Conselho Internacional de Arbitragem Comercial. Os sistemas jurídicos de Hong Kong e de Macau são diferentes, especialmente no que diz respeito ao exercício da advocacia. Em Hong Kong os causídicos dividem-se em dois grupos, os solicitadores e os advogados de barra. Estes últimos, também designados por “conselheiros”, são especialistas em todo o tipo de litígios e podem exercer nos Tribunais de todas as instâncias. Ao contrário, o solicitador tem acesso apenas a alguns Tribunais. Para aceder às mais altas instâncias o solicitador precisa de uma autorização especial. O advogado de barra pode vir a receber os títulos de Conselheiro e de Conselheiro Sénior. Esta atribuição terá de ser aprovada pelo Supremo Tribunal. O Título de Conselheiro Sénior só pode ser atribuído a advogados com desempenho de excelência em Tribunal, especialmente no que diz respeito à análise de casos. Tanto Rimsky como Teresa Cheng receberam o título de Conselheiro Sénior, o que significa que ambos são excelentes advogados. De acordo com o artigo 63º da Lei Básica de Hong Kong, o Secretário da Justiça tem o poder de decidir quem deverá ser processado. Este artigo garante a independência do poder jurídico. É também mais um garante do estado de direito. Em Macau, o artigo 90º da Lei Básica enuncia: “Os Procuradores da Região Administrativa Especial de Macau deverão exercer as suas funções, conforme está consignado na Lei, de forma independente e livre de quaisquer interferências.” A função deste artigo é equivalente à do artigo 63º da Lei Básica de Hong Kong. Na sua primeira conferência de imprensa, Teresa Cheng afirmou: “Por vezes, as pessoas fazem leituras diferentes do conceito ‘um País, dois sistemas’ e talvez também da Lei Básica. No entanto, se persistirmos na aplicação dos princípios legais, e analisarmos objectiva e racionalmente a Lei Básica, promulgada pelo

Congresso Nacional do Povo de acordo com a constituição da República Popular da China, acabaremos por chegar todos ao mesmo entendimento legal.” Teresa Cheng adiantou ainda: “A primeira missão do Secretário da Justiça é garantir a manutenção do estado de direito.” Estas declarações demonstram que Teresa Cheng vai tomar as suas decisões em estrito acordo com a Lei, no entanto a situação não lhe é muito favorável. A nova Secretária da Justiça vai enfrentar uma série de desafios, como a questão da partilha alfandegária, a Lei do Hino Nacional e os recursos dos membros do movimento “Occupy Central” de Hong Kong. No entanto, até ao momento, não existem rumores sobre a criação de leis relacionadas com o artigo 23º da Lei Básica. A legislação sobre segurança nacional deverá ser elaborada posteriormente. A partir deste primeiro discurso, podemos depreender que Teresa Cheng é forte e que defende firmemente o estado de direito. É possível que a sua experiência como mediadora de conflitos comerciais lhe tenha conferido uma certa cordialidade que a pode vir a ajudar a lidar com os diferentes grupos de interesses.

SCMP

E

Novo rosto na Justiça

Teresa Cheng

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Os acontecimentos demonstram claramente que não é fácil ser membro do Governo de Hong Kong Mas o seu passado também indica que ela não é muito hábil a lidar com questões políticas. A construção ilegal da sua residência na Villa de Mer, Siu Lam, Tuen Mun é um dos melhores exemplos para o ilustrar. Há um tempo atrás, a construção ilegal da casa do antigo Chefe do Executivo, C Y Leung, deu muito que falar em Hong Kong. Foi também o caso do Secretário-Chefe Henry Tong. Teresa Cheng caiu no mesmo erro e, além disso, não deixou esta questão resolvida antes da sua designação para o cargo, o que não é bom para ela nem para o Governo da RAEHK. Embora tenha apresentado desculpas públicas no primeiro dia no exercício de funções, não se pode livrar das críticas. Uns dias depois surgiram mais notícias. O Governo da RAEHK autorizou Teresa Cheng a manter o seu lugar de mediadora em seis casos de arbitragem de conflitos. Apesar disso o Governo garante que não existe conflito de interesses, e assegura que não faz parte das funções do Executivo envolver-se nestes assuntos. Os casos vão-se somando, um atrás do outro. Os acontecimentos demonstram claramente que não é fácil ser membro do Governo de Hong Kong.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


O segredo da nossa História está em que o povo não existe. Vergílio Ferreira

PALAVRA DO DIA

COMÉRCIO CHINA DEFENDE-SE DE CRÍTICAS DOS EUA

Erro gigantesco

2017 Inflação cresceu 1,2%

Em 2017 a taxa inflação cresceu ao ritmo de 1,23 por cento, o que representa um abrandar face a 2016, quando os preços tinham crescido à velocidade de 2,37 por cento, de acordo com a informação publicada ontem, pelos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Entre as razões apontadas pelo Governo para o crescimento da inflação, estão o aumento dos preços relacionados com as refeições adquiridas fora de casa, o calçado para homens e senhoras, o preço das consultas externas e as propinas escolas.

A

China defendeu ontem o seu papel no comércio internacional e acusou os EUA de serem conflituosos, após Washington ter afirmado que o apoio à inclusão de Pequim na Organização Mundial do Comércio (OMC) foi um erro. A China “cumpre de forma rigorosa com as regras da OMC” e “faz grandes contributos” para o sistema de comércio global, afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying. Hua disse ainda que a decisão da administração de Donald Trump de lançar uma investigação sobre as práticas comerciais da China, com base na lei dos EUA, e não através da OMC, “ameaça a estabilidade do sistema internacional”. “Nós

A Polícia Judiciária (PJ) emitiu ontem uma mensagem de condolências pela morte de António Marques Baptista, exdirector da PJ entre 1995 e 1999 e que ficou conhecido por deter o líder da 14k, Pan Nga Koi. A PJ considera que António Baptista foi um “grande respeitador da sua profissão, [tendo expressado] sempre habilidade e capacidade”. “Durante o seu mandato, a segurança de Macau passou por um período de instabilidade, com coragem e imparcialidade, António Francisco Marques Baptista liderou a PJ de Macau no combate a todo o tipo de criminalidade que influenciava negativamente a segurança desta cidade”, aponta o comunicado.

Ajuste directo para a PAL Asia Consultores

que provaram ser ineficazes para assegurar que a China adoptasse um regime comercial aberto e orientado pelo mercado”. O relatório evoca frustrações antigas dos EUA com as políticas comerciais da China, mas usa uma linguagem invulgarmente dura. A administração de Donald Trump lançou em Agosto passado uma investigação sobre alegadas violações por parte da China, nomeadamente ao nível da usurpação de patentes ou da transferência forçada de propriedade intelectual. Washington poderá adoptar medidas unilaterais, caso a investigação determine que Pequim violou normas comerciais. O ministério chinês do Comércio avisou já que Pequim irá “salvaguardar firmemente” os seus interesses.

TIAGO ALCÂNTARA

PJ lamenta morte de Marques Baptista

somos defensores, construtores e contribuidores do sistema multilateral de comércio”, afirmou Hua. “E talvez tenham reparado que são as acções e mensagens unilaterais dos EUA que constituem um desafio sem precedentes para o sistema multilateral do comércio. Vários membros da OMC exprimiram preocupação sobre isso”, acrescentou. Bruxelas e Washington acusam frequentemente Pequim de dificultar o acesso aos sectores da banca, energia e outros, violando os compromissos de abertura do seu mercado, aquando da adesão à OMC, em 2001. Num relatório enviado ao Congresso, o Representante de Comércio dos EUA afirmou que Washington cometeu um erro quando apoiou a inclusão da China na OMC “em termos

A empresa PAL Asia Consultores recebeu por ajuste directo o trabalho para a elaboração do projecto das Obras de Modificação da Estação de Autocarros e Auto-Silo da Praça de Ferreira do Amaral. O contrato tem o valor de 4,97 milhões de patacas e a empresa tem o prazo de 150 dias para elaborar os trabalhos. O resultado do ajuste directo foi revelado ontem, pela Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego, no próprio portal.

Dinamarca Espanha pede prisão de Puigdemont

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As autoridades judiciais espanholas pediram à Dinamarca para activar a ordem de detenção europeia contra o ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, que chegou ontem à Dinamarca para participar numa conferência. De acordo com fontes da Fiscalia Geral do Estado, o pedido de detenção foi formalizado por Pablo Llarena, juiz do Tribunal Supremo e aplica-se apenas à Dinamarca. Trata-se da primeira vez que o ex-presidente da região autónoma da Catalunha se desloca a um outro país desde que se encontra na Bélgica para onde fugiu no final de 2017.

terça-feira 23.1.2018

Homem deita bebé no lixo

Em Xuanwei, um homem foi preso após ter sido filmado por câmaras de videovigilância a deitar o seu bebé recém-nascido num caixote do lixo. A criança tinha nascido há apenas duas horas e acabou por ser salva por uma mulher idosa que assistiu a tudo. Segundo o jornal britânico The Mirror, o pai pensou que o bebé não ia sobreviver. A namorada estava grávida de oito meses, e não tinha ido nunca ao médico. Queixou-se de dores de estômago, segundo o que o homem disse às autoridades, e acabou por dar à luz em casa. O homem cuidou da namorada e pensou que a criança tinha ficado com a pele roxa, por isso, não ia sobreviver. Então, colocou-a num saco de papel e deixou-a num contentor. Estavam dez graus centígrados. O bebé, que ainda tinha o cordão umbilical, foi salvo por uma idosa e levado para o hospital. É saudável e vive agora num orfanato. Os pais foram detidos. 

Tailândia Três mortos em explosão de bomba

Três pessoas morreram e 18 ficaram feridas devido à explosão de uma bomba num mercado no sul da Tailândia, anunciou a polícia. O responsável da polícia Eakapong Rattanachai relatou que um atacante estacionou uma mota carregada de explosivos perto do mercado e comprou produtos para se misturar com os clientes, esta segunda-feira de manhã. Segundo o tenente, a bomba explodiu quando o atacante saiu da zona do mercado, causando a morte a três pessoas e ferindo 18. O ataque ocorreu na província de Yala, uma das províncias no sul da Tailândia onde militantes muçulmanos têm levado a cabo actos de insurgência. Esta é uma das três províncias onde os muçulmanos têm maioria neste país, predominantemente budista. Mais de 6500 pessoas morreram devido à violência desde 2004.

ESCLARECIMENTO

AMBIENTE ÍNDICE ELEVADO DE POLUIÇÃO DO AR MANTÉM-SE

D

ESDE ontem que os ares de Macau têm estado irrespiráveis, registando índices de poluição atmosférica muito acima das concentrações máximas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde. Nomeadamente, no que toca às partículas PM 2.5 que têm registado valores cinco vezes acima do recomendado. Tal como ontem, hoje a qualidade do ar vai-se manter insalubre, assim como a má visibilidade. De acordo com informação divulgada pela Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), a fraca qualidade do ar e pouca visibilidade que se faz sentir desde ontem deve-se

à conjugação de dois factores. Por um lado, o vento fraco que criou condições atmosféricas estáveis e pouco propícias à dissipação dos poluentes que ficam acumulados no Delta do Rio das Pérolas. Por outro lado, a humidade relativa da região tem-se mantido em níveis altos. Espera-se que uma corrente de ar do quadrante leste aumente e a visibilidade melhore a meio desta semana. Os SMG aconselham que se reduza ao mínimo o esforço físico e que se evitem actividades ao ar livre, uma vez que hoje o índice da qualidade do ar pode atingir o nível insalubre.

No artigo ontem publicado neste matutino, intitulado “A legalidade não tem valor de mercado”, há uma referência no ponto 12 ao Jornal Tribuna de Macau. A citação feita encontra-se na página 4 do JTM, num artigo de 18/01/2018, assinado pela jornalista Catarina Almeida, devendo ser atribuída ao Senhor Dr. Jorge Neto Valente, Presidente da AAM. O facto de não ter ficado a referência completa na citação ao autor da afirmação, mas apenas à fonte onde foi publicada, pode induzir os leitores em erro. Como me foi referido, com inteira razão, a afirmação não constitui a opinião do JTM, não o vincula, mas apenas quem a proferiu. Fica aqui o esclarecimento. Sérgio de Almeida Correia

Hoje Macau 23 JAN 2018 #3978  

N.º 3978 de 23 de JAN de 2018

Hoje Macau 23 JAN 2018 #3978  

N.º 3978 de 23 de JAN de 2018

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