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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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hojemacau

GLOBAL GAMING EXPO. NOS BASTIDORES DO JOGO

Na grande indústria do jogo há máquinas para todos os gostos. E nada acontece por acaso. Sorte ou azar? A certeza é só uma: a casa ganha sempre.

CASINO REAL O parecer jurídico foi ontem assinado. Nove em cada dez deputados rubricaram. Só um ficou de fora. Leong Veng Chai fez história ao dizer, preto no branco, que não concorda com a proposta.

REGIME DE GARANTIAS PÁGINA PUB

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CONFERÊNCIA EM XANGAI Na cidade chinesa estão reunidos onze chefes de Estado para falar de confiança e segurança.

CHINA PÁGINA

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TRAVESSIA

A nadar de Hong Kong até Hac-Sá

O corajoso britânico propõe-se chamar a atenção para a poluição das águas. A iniciativa tem lugar este sábado. CENTRAIS

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Pequim Parecer lança avisos Proposta de lei pronta para a AL à navegação

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PÁGINAS 2 E 3


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REPORTAGEM

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Q

UANDO terminámos a nossa visita ao G2E Asia – Global Gaming Expo, no Venetian, soava uma música da banda de Macau Concrete/Lotus que dizia que “a vida é um jogo”. De jogo, Macau percebe bem. Quem cá vive, quem cá trabalha, automaticamente associa Macau a casinos. Ao jogo. Mas, o que há para além do jogo como o conhecemos? Quem são as pessoas que fazem parte de uma indústria que vai muito mais além do que é visível ao público? “Desde as câmaras de segurança, até às bases das slot machines, às máquinas de validação de notas... tanta coisa faz parte do jogo”, diz-nos Jorge Godinho. O professor da Faculdade de Direito da Universidade de Macau – que já publicou livros sobre o jogo – estava na G2E com um grupo de alunos quando o encontramos. A feira, diz-nos, é uma óptima oportunidade para o grupo de alunos de mestrado que o acompanhavam perceber como é a indústria em acção. Mas, ainda mais do que isso. “É uma oportunidade única para conhecer as componentes do jogo. E são tantas, não é?”. Não respondemos. Mas, segundo o professor, são muitas. E Jorge Godinho não é o único que pensa assim.

A LÓGICA E A MATEMÁTICA

“Ok. Por trás de todo o jogo, há a matemática, ok?”, começa por ex-

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GLOBAL GAMING EXPO FOMOS SABER COMO FUNCIONA A MAIOR INDÚSTRIA DE MACAU QUANDO NINGUÉM ESTÁ A VER

A vida é um jogo

Dizem-se e mostram-se felizes e entusiasmados por trabalhar por detrás dos panos do que é o jogo. São profissionais de tecnologia, de gestão, professores e até especialistas da área de segurança e explicam ao HM o que há para além do que é visível a olho nu plicar Michael Foxman. Com sacos na mão cheios de informação sobre o jogo, vemos que o crachá de Michael diz que é o director-executivo da Riskwise Group, de Colorado, nos EUA. Enquanto tenta balançar os braços, em jeito de quem quer mostrar mais expressão nos explicar algo, este visitante VIP do G2E continua. “Por trás de todo o jogo, há a matemática. E por trás disso, a lógica. A lógica pergunta: como é que vamos pôr um homem ou uma

mulher de determinada idade a jogar a nossa máquina? O que fazemos é ir investigar e descobrir. Ver o que atrai o cliente.” Foi um cliente que puxou Michael para a indústria do jogo. Agora, dirige uma empresa que se especializa em fazer gestão de risco e a construir relações entre casinos e fornecedores de produtos de jogo. “Fazemo-lo para casinos específicos. Todos eles têm diferentes clientes, porque o cliente

“Por trás de todo o jogo, há a matemática. E por trás disso, a lógica. A lógica pergunta: como é que vamos pôr um homem ou uma mulher de determinada idade a jogar a nossa máquina? MICHAEL FOXMAN Director-executivo da Riskwise Group

vai a um casino porque o tapete é azul, ou porque o tapete é verde.” E pelas máquinas. Também vão a um casino pelas slot machines. Como funcionam, como se apresentam, que números ou que desenhos as enfeitam.

A TECNOLOGIA E O CLIENTE

Enquanto caminhamos pelo pavilhão do Venetian, vemos que as slot-machines ocupam a maior parte do espaço. Há para todos os gostos, de diferentes feitios e jogos, mas todas – todas – competem em termos de design e gráficos. Se já se sentou para jogar numa slot-machine, deve ter demorado alguns segundos a decidir qual delas escolher. Não é o único. Esta é uma resposta do seu cérebro a algo que foi especificamente pensado para si. “Até podemos ver os técnicos

que fazem os programas, os jogos, para as slot machines como feiticeiros”, diz-nos “John” (nome fictício) um profissional da área do jogo, cuja função é perceber o que atrai os clientes. “Há muito mais para além do jogo. Há produtores de software, hardwer, designers de jogo, de estúdios. Móveis, luzes, propaganda, tudo o que entra no sector dos casinos faz parte da indústria. E depois, muitas empresas fazem as coisas pessoalmente, outras fazem o ‘outsorcing’ do que pretendem.” Este é o caso da Bally Technologies. Uma das maiores produtoras de slot machines. Se algo de muito importante é a tecnologia utilizada nas mesas computorizadas e nas máquinas de jogo – a procura, diz-nos John, é intensa pelas mais inovadoras tecnologias -, a primeira impressão de um cliente cai no visual, no som e nos gráficos das slot machines. “A maior diferença entre as máquinas que existem nos EUA e cá em Macau é o tema. Vemos muitos elementos asiáticos – leões, dragões, o dourado... Tudo o que simboliza riqueza na cultura chinesa”, diz-nos Mike Trask. É o gestor sénior de marketing da Bally Technologies. Esta empresa tem patentes de tecnologia muito avançada nesta área e existe desde 1968. Mike está na indústria há cerca de quatro anos e foi o facto de “viver em Las Vegas” que o fez “abrir caminho quase automaticamente” para a indústria. Encostado a um trio de máquinas de jogo que acabaram de sair do


reportagem 3

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muito importante de um casino: a segurança. E faz questão de frisar que não é por ser parte da sua função. Que é a sua vida dentro do casino. Em tons de brincadeira, Hang diz-nos: “Não jogo. Matematicamente é impossível jogar, fazendo parte do departamento de segurança.” E lá vem a matemática outra vez.

A LEI, A EVOLUÇÃO E O ENTRETENIMENTO

“Há máquinas que têm gráficos terríveis, mas não é por isso que as pessoas deixam de jogar nelas. É a matemática dentro das slots, aquilo que não se vê que atrai as pessoas. Há máquinas em que pomos milhares, mas não ganhamos

“JONH”, NOME FICTÍCIO

uma única vez. Há outras em que jogamos uma vez e saem quantias incríveis com apenas um única tentativa.” Sim, há quem controle o seu destino enquanto jogador. Probabilidade, volatilidade, tudo é tido em conta. “Basicamente é como ganhar uma lotaria: só uma, duas ou três pessoas acertam num mesmo número.” As lotarias são um bom exem-

HOJE MACAU

forno, abre-nos um pouco mais do pano. “Vamos pôr as coisas assim: a nossa máquina mais popular tem o título ‘Blazing 7’. Em Macau, chama-se ‘Blazing 8’.” O nome de uma slot machine e as pequenas diferenças que ela traz, têm o poder de transformar um casino num caso de sucesso. No G2E isso era visível: as máquinas mais sóbrias estavam repletas de ocidentais... as que mostravam mais animações, cores e elementos culturais, faziam as delícias de muitos visitantes asiáticos. Mas, esses não sabem que, por dentro das slot machines, também há técnicas a ser aplicadas. “Muitos jogadores americanos gostam de jogos mais suaves. Daí que a volatilidade da máquina vá ser diferente: há mais oportunidades de ganhar uma aposta, mas os montantes são mais curtos”, diz-nos Mike Trask. “Os jogos nos mercados asiáticos têm mais sucesso quando há aquele vencedor quase único, onde a quantia é muito mais elevada.”

“Há muito mais para além do jogo. Há produtores de software, hardwer, designers de jogo, de estúdios. Móveis, luzes, propaganda, tudo o que entra no sector dos casinos faz parte da indústria”

OS FEITICEIROS E OS OUTROS

A International Artists Association de Macau trouxe artistas locais à exposição

DADOS • Os casinos de Macau fecharam o primeiro trimestre com uma receita bruta de 102.199 milhões de patacas, mais 19,8% do que no mesmo período de 2013 • Analistas de mercado estimam que o crescimento das receitas do sector - que em 2013 totalizaram 361.866 milhões de patacas – atinja em 2014 uma percentagem entre os 10 e os 15% • O Governo tem nos impostos sobre o sector do jogo a sua principal fonte de receita já que cobra cerca de 40% da receita bruta em impostos • As lotarias e apostas em corridas de cavalos e cães geram uma receita anual de cerca de mil milhões de patacas • Existem seis operadoras de jogo em Macau HOJE MACAU

De acordo com Mike Trask, a Bally tem cerca de 30 estúdios espalhados pela China, pelos EUA, Austrália e Índia. Lá, pessoas locais dedicam-se a fazer jogos especificamente para clientes locais. E tudo porque “é definitivamente importante ter um sabor local e fazer os clientes sentirem-se familiarizados com a máquina”. Sissi Zhang é directora-criativa da Bally Technologies , nos escritórios da China. Apanhamo-la afastada do stand da sua empresa, com mais dois colegas. Os barulhos da máquina que jogavam, cujo tema era o Avatar, confundiam-se com os da rapidez com que tocavam nos botões. Conseguimos interrompê-los. “O nosso trabalho diário é ver se encontramos algum jogo interessante, novo, ver se descobrimos novidades e inovações na tecnologia do jogo”, diz-nos. E também como vai a concorrência, se temos competidores. Perguntámos se era o que faziam no stand da empresa da concorrência. “Não, por acaso, agora, estamos só a divertirmo-nos.” Todos com quem falámos nos asseguram que o jogo é divertido. É entusiasmante. Mas, para haver a diversão, tem de haver, sem dúvidas, a parte da segurança. E essa é outra das áreas que faz parte da indústria do jogo. “Todos os anos vimos cá para perceber quais são as mais inovadoras tecnologias na área da segurança. Muitas empresas desta área participam na feira”, diz-nos Hang Kuen Song, da Seven Luck casino, na Coreia do Sul. “Sendo da área da segurança, procuramos sempre as melhores câmaras de vigilância.” Assegura-nos que é uma parte

plo para que os mais leigos percebem o que corre na veia humana: “todos os anos, os cinemas dos EUA fazem cerca de 12 mil milhões de dólares americanos em receitas de bilhetes”, começa por dizer Nelson Rose, professor da Whittier Law School, nos EUA e convidado do professor Jorge Godinho, da UM. “As lotarias fazem cerca de 50 mil milhões, 60 mil milhões.” Se o desenvolvimento rapidíssimo da indústria do jogo atraiu a maior parte dos nossos entrevistados, a verdade é que há sempre um lado escuro na visão da sociedade sobre o jogo. Nelson Rose foi o primeiro a criar o curso universitário da Lei do Jogo, algo que é cada vez mais preciso numa indústria como esta. “Tudo o que havia escrito sobre o jogo era sobre o jogador compulsivo, ou o crime organizado. Foi preciso ir mais fundo, porque tudo isto traz questões legais que não podem ser esquecidas. A lei era algo novo”, conta-nos Rose, autor de livros sobre a lei e o jogo. Mas, se esta é uma área que faz parte do jogo, mas que nos é estranha, a parte do entretenimento não o é. “Toda a gente gosta de ser entretida”, diz-nos John. A ideia do resort-integrado – que não só oferece o jogo, mas a parte do entretenimento – é algo que foi tema quente nesta exposição. Como relembra Jorge Godinho, Macau já é experiente neste campo, ainda que falte a diversificação que tanto se procura. E se Macau pode não conseguir oferecer técnicos, designers, profissionais de gestão de risco... pode, com certeza, fornecer mais do que croupiers. O entretenimento, ou parte dele.

OS ARTISTAS E ENTUSIASTAS

A International Artists Association (IAA) é uma associação local dirigida por Yuki Kaizu, residente em Macau. Este ano, foram convidados para fazer parte de um espaço dedicado inteiramente a Macau na G2E do Venetian. Lado a lado com a empresa What Entertainment representavam o que Macau tem para oferecer. Algo que a recente moda do casino integrado com resort ajuda bastante. “Sim, isso influenciou. Fomos convidados porque há cada vez mais a procura de eventos, locais e internacionais. A G2E pensou em chamar-nos precisamente por causa desse modelo, porque é algo que os casinos procuram cada vez mais expandir.” Com actuações da banda Concrete/Lotus e de Devlar, um DJ lo-

cal, a IAA tentou criar o que é bem possível ser o futuro dos casinos de Macau. Até porque o Governo já prometeu que quem conseguir oferecer mais entretenimento, tem mais mesas de jogo. “Há artistas em Macau que podem ajudar os casinos a atingir isso. Temos músicos, dançarinos, performers de rua, pintores ao vivo... muito mais do que a comunidade local imagina.” É também assim que pensa Devin Wilhelm, director da What Entertainment, uma empresa de eventos, que procura precisamente mostrar este lado de Macau. “Cresci aqui”, começa por dizer Devin, americano radicado há mais de dez anos em Macau. “Vi Macau crescer e sinto que há muito que podemos oferecer aos casinos. Somos uma empresa que faz eventos de todos os tipos e, seguramente, conseguimos oferecer o entretenimento que os casinos procuram, com a vantagem de que não têm de procurar lá fora”, diz-nos, assegurando que Macau tem pessoas com capacidade suficiente para fazer do território ainda mais o centro mundial do jogo e do entretenimento. “No fundo, esta indústria mostra-nos como a vida acaba por ser um jogo”, reflecte John, enquanto desenha um circulo na mesa onde nos sentamos. “E tão rápido que vamos como numa montanha russa. É um jogo não só porque temos jogadores em quem pensar, mas por todas as ‘peças’ por detrás do que se vê.”

“Todos os anos, os cinemas dos EUA fazem cerca de 12 mil milhões de dólares americanos em receitas de bilhetes(...) as lotarias fazem cerca de 50 mil milhões, 60 mil milhões” NELSON ROSE Professor da Whittier Law School

Para Mike Trask não há dúvidas: é uma indústria espectacular para trabalhar. O mesmo diz-nos Sissy Zhang, cujos olhos brilham quando nos diz que trabalhar nesta indústria é “demasiado entusiasmante”. “Ver a evolução, o desenvolvimento é tão rápido.” Tão rápido, que algumas das slot machines em exposição não foram sequer autorizadas a ser comercializadas. Um dos nossos entrevistados garante-nos que “assim que se entra na indústria do jogo, entra-se no caminho para Macau”. E, se é verdade o que eles dizem de que “a vida é um jogo”, então Macau tem muita vida.


POLÍTICA

Trabalho Governo sem data para conclusão da revisão da lei

hoje macau quinta-feira 22.5.2014

TIAGO ALCÂNTARA

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Há muito que a revisão da lei das relações laborais se discute em sede de Concertação Social e é defendida pelo próprio Governo. Contudo, ainda não existe uma data para a conclusão da proposta de lei. Em resposta ao HM, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) garantiu que “já iniciou os trabalhos sobre a revisão integral da lei das relações do trabalho”, não avançando um calendário. O HM questionou ainda a implementação de novas cláusulas para a licença de paternidade, mas a DSAL referiu apenas que “está a analisar o regime da licença de paternidade de outras regiões vizinhas”. De frisar que o último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) incluía Macau nas regiões e países sem qualquer licença de paternidade, apesar da actual lei laboral prever dois dias de faltas justificadas sem remuneração. O mesmo relatório frisava que a China está actualmente a debater a implementação de três dias pagos a 80%, mas a DSAL nada disse sobre a possibilidade dessa proposta se ajustar a Macau. - A.S.S.

AL Lei de garantia dos créditos do trabalho já chegou

A Assembleia Legislativa (AL) já recebeu o regime de garantias de créditos emergentes das relações de trabalho, cuja análise em sede de Conselho Executivo tinha sido concluída em Abril passado. A proposta de lei pretende rever a legislação que data de 1993, sendo que actualmente os encargos com os créditos são suportados pelo Fundo de Segurança Social (FSS). Segundo a nota justificativa, pretende-se que os créditos oriundos do trabalho passem a ser pagos pelo Fundo de Garantia de Créditos Laborais, onde serão injectadas 160 mil patacas. Este fundo financeiro terá autonomia e personalidade jurídica. O novo regime pretende ainda estabelecer limites à garantia do crédito, em função do montante e da data da sua constituição. Pretende-se ainda estender este beneficio aos trabalhadores não residentes, prevendo-se ainda o reembolso dos montantes em caso de carência económica do trabalhador. A nota justificativa explica ainda que a lei actualmente em vigor é “uma regulação demasiado sucinta e encontra-se desfasada das reformas entretanto operadas no mercado de trabalho”.

FINANÇAS PÚBLICAS COMISSÃO REUNIU ONTEM

Lei sobre orçamentos de obras vai ser revista Em vigor desde 1984, o regime de despesas com obras e aquisição de bens e serviços vai ser revisto. Mas o Governo ainda não avançou uma data para a entrega da proposta ao hemiciclo ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O

Executivo decidiu que a revisão do regime de despesas com obras e aquisição de bens e serviços vai mesmo avançar. A garantia foi dada on-

tem aos deputados que compõem a comissão de acompanhamento para os assuntos das finanças públicas. “Trata-se de uma lei que entrou em vigor há muitos anos e não consegue acompanhar a evolução do tempo. Não há uma norma explícita a dizer como é que o Governo deve definir os trâmites da aquisição de bens e serviços”, explicou o deputado Mak Soi Kun, presidente da comissão. Contudo, o Governo não apresentou nenhum calendário concreto para a apresentação da nova legislação junto da Assembleia Legislativa (AL). “O Governo concorda que há necessidade de transformar este decreto-lei numa lei, porque nos territórios vizinhos, como em Hong Kong ou no interior da China, foram criadas, em 2013, leis para a aquisição de bens e serviços. O Produto Interno Bruto (PIB) já ultrapassou o de Hong Kong e o desenvolvimento de Macau é sustentável. Se não criarmos uma lei para esta matéria será uma lacuna

para a salvaguarda do interesse público”, garantiu Mak Soi Kun.

DEFINIR MATERIAIS ECOLÓGICOS

Segundo o presidente da comissão, o grande objectivo para a

“Trata-se de uma lei que entrou em vigor há muitos anos e não consegue acompanhar a evolução do tempo. Não há uma norma explícita a dizer como é que o Governo deve definir os trâmites da aquisição de bens e serviços” MAK SOI KUN

revisão do diploma passa por garantir uma melhor utilização de dinheiros públicos. “O Governo deve maximizar e aplicar adequadamente o erário público. Será benéfico para evitar irregularidades no nosso mercado. A lei deve ser criada com uma visão prospectiva”, disse Mak Soi Kun. “O que mais preocupa a comissão é se as normas conseguem salvaguardar o erário público. Quem vai acompanhar a sua maximização, depois de uma adjudicação? Questionamos as qualidades que os júris devem reunir para fazer a avaliação”, acrescentou o deputado. Para Mak Soi Kun, a nova lei deverá ainda ser “rigorosa e ter normas detalhadas sobre o número de deficientes a contratar pelas empresas ou a percentagem da densidade do papel, por exemplo. Os materiais amigos do ambiente também devem ser regidos por esta lei”. A reunião de ontem tinha ainda como objectivo analisar o regime de aquisição das Obras Públicas, mas o Governo, por “lapso e falta de tempo”, não apresentou dados aos deputados. Tal deverá ser analisado numa reunião a ocorrer em breve. “Há muitas irregularidades com as construções das Obras Públicas, das grandes infra-estruturas, como por exemplo atrasos nos prazos. Sabemos que há falta de transparência. Já pedimos ao Governo para divulgar junto do público todos os documentos para que possa haver justiça”, disse Mak Soi Kun.


política 5

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REGIME DE GARANTIAS NOVE EM CADA DEZ ASSINARAM

“Deputados têm de responder perante os eleitores” GCS

A maioria dos deputados assinaram o parecer jurídico que conclui a análise do regime de garantias dos titulares dos principais cargos. Ng Kuok Cheong foi o único a não assinar. Leong Veng Chai “fez história” ao explicitar que não concorda com a proposta ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

proposta de lei que implementa as garantias para os titulares dos principais cargos públicos está pronta para ter a votação final na Assembleia Legislativa (AL), mas alguns deputados não quiseram deixar de expressar o seu descontentamento para com a legislação. Ng Kuok Cheong não concordou com as conclusões do parecer jurídico e foi o único deputado que não assinou o documento. Os restantes nove deputados, que compõe a comissão permanente encarregue da análise do diploma, votaram a favor. Mas alguns quiseram deixar bem claro que não concordam com a lei. Foi o caso de Leong Veng Chai. “Ele exigiu que ficasse escrito, preto no branco, que está contra o projecto em si. Fica para a história o facto de, num parecer, ter ficado escrito que um deputado está contra um diploma”, explicou ao HM o seu parceiro político, José Pereira Coutinho. A última reunião da comissão terminou ontem à tarde, mas o parecer jurídico em língua portuguesa ainda não estava pronto. Ainda assim, Chan Chak Mo, presidente da comissão, explicou que “alguns deputados defenderam que o parecer deveria reflectir que houve opiniões contrárias face às normas”. “Nenhum deputado sugeriu uma discussão do conteúdo dos artigos e só manifestaram opiniões contrárias ao parecer, que este deveria referir que a maioria da comissão concorda (com a proposta de lei), e não toda a comissão”, acrescentou Chan Chak Mo.

“SE ASSINARAM É PORQUE CONCORDAM”

Recorde-se que esta proposta de lei tem estado debaixo de muita

política”. “Podemos estudar se a compensação deve ser de 20, 30 ou 40%, como disse é uma decisão política, todos podem votar depois no plenário.” Questionado sobre os resultados da reunião de ontem, Chan Chak Mo frisou que “se (os deputados) assinaram é porque concordam”. “Se um deputado assinou o parecer é porque entende que a proposta tem condições, se não entender não assina. Se nove deputados concordaram é porque não há qualquer problema. No passado alguns deputados não assinaram pareceres, mas mesmo que não haja um parecer qualquer proposta pode subir a plenário, sob marcação do nosso presidente”, explicou o presidente da comissão. “Não sou nenhum psicólogo (para analisar os motivos das assinaturas). Todos os deputados têm de responder perante os eleitores, não são forçados a assinar. Da minha parte acho que tenho de responder pelas pessoas que me elegeram. Podem existir vários motivos para a não assinatura do parecer”, acrescentou Chan Chak Mo.

“Se um deputado assinou o parecer é porque entende que a proposta tem condições, se não entender não assina. Se nove deputados concordaram é porque não há qualquer problema.” CHAN CHAK MO

polémica, tendo os deputados José Pereira Coutinho, Leong Veng Chai, Ng Kuok Cheong e Au Kam San exigido a retirada do diploma da AL. Em causa está o pagamento da compensações a todos os titulares dos principais cargos que já assumiram funções na Função Pública, estando a ser criticado o facto do diploma nunca ter sido sujeito a consulta pública.

“Ele exigiu que ficasse escrito, preto no branco, que está contra o projecto em si. Fica para a história” PEREIRA COUTINHO SOBRE A POSIÇÃO DE LEONG VENG CHAI

À saída da reunião, Ng Kuok Cheong explicou as razões da sua decisão. “Se a proposta avançar vai tornar mais difícil a sua execução politica, o mais inteligente seria cancelar a proposta mas mesmo que não o faça deve explicar abertamente e ter opiniões da população”, disse aos jornalistas. Chui Sai Cheong, deputado e irmão do Chefe do Executivo, disse tratar-se de uma “decisão

Em declarações à Rádio Macau, o deputado frisou que a comissão cumpriu o seu papel. “O presidente da AL incumbiu esta comissão de realizar a apreciação na especialidade desta proposta de lei. Nós cumprimos esta missão. Durante a discussão, a maioria dos deputados não mostrou opiniões contraditórias e, por isso, elaborámos o parecer. Se quando chegarmos ao plenário, não for aprovada, então não é aprovada – mas pelo plenário. Quanto à comissão, limitámo-nos a acabar o nosso trabalho”, disse Chan Chak Mo. Para este Domingo está agendada uma manifestação promovida pelo grupo Macau Consciência, contra a manutenção do diploma na AL. Coutinho e Leong Veng Chai também vão participar. O mesmo grupo já entregou uma petição com duas mil assinaturas contra a lei.


6 política

hoje macau quinta-feira 22.5.2014

CTM COUTINHO FALA DAS QUEIXAS DOS CONSUMIDORES

Exigido calendário para nova operadora O

“O mercado das telecomunicações já está parcialmente aberto, todavia, passado quase um ano, a nova operadora para os serviços de rede fixa ainda não começou a operar...”

TIAGO ALCÂNTARA

deputado José Pereira Coutinho entregou mais uma interpelação escrita ao Governo onde critica o funcionamento da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) e onde exige um calendário para que a nova empresa comece a operar no mercado. “O Governo da RAEM deve colaborar com a nova operadora, no sentido de definir uma calendarização para o inicio das operações, para que os residentes possam ter direito a escolher a fornecedora dos serviços em causa”, pode ler-se. “O mercado das telecomunicações já está parcialmente aberto, todavia, passado quase um ano, a nova operadora para os serviços de rede fixa ainda não começou a operar, e os residentes continuam a não ter outra alternativa que não a actual operadora exclusiva”, referiu ainda Coutinho. O deputado citou ainda as cerca de 400 queixas recebidas pelo Conselho de Consumidores o ano passado, relacionadas com os serviços de telecomunicações. “Nos últimos dois anos as queixas contra estes serviços ocuparam os primeiros lugares dos rankings de queixas, demonstrando bem a insatisfação dos clientes.

Na maioria das queixas aponta-se o facto da operadora ter o direito de exploração exclusiva da rede fixa de telecomunicações, e ainda os preços praticados que ultrapassaram os padrões internacionais”, escreveu Coutinho. O deputado pede ainda “penalizações mais severas” para a CTM e lembra que “a nova operadora vai sujeitar-se à actual, uma vez que esta é que possui os activos de concessão do serviço público de telecomunicações. A concorrência não vai ser leal”, escreveu Coutinho. - A.S.S.

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Concurso Público n.º 1/2014 da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública para a prestação dos serviços de condomínio do Edifício Administração Pública Nos termos previstos no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho da Secretária para a Administração e Justiça, de 5 de Maio de 2014, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para a aquisição dos serviços de condomínio do Edifício Administração Pública. A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados poderão dirigir-se ao balcão de atendimento do SAFP, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, R/C, nos dias úteis, das 9,00 às 17,30 horas, para a obtenção da cópia do programa do concurso e do caderno de encargos, mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica: www.safp.gov.mo. A sessão de esclarecimento deste concurso terá lugar no próximo dia 10 de Junho de 2014, pelas 11,00 horas, no auditório do Edifício Administração Pública, sito na cave 1. Caso os interessados tenham dúvidas sobre o programa do concurso e o caderno de encargos deste concurso, devem apresentá-las até às 17,30 horas do dia 6 de Junho de 2014, de acordo com a forma estabelecida no respectivo programa

do concurso, para que as dúvidas sejam esclarecidas na sessão de esclarecimento. O prazo para a apresentação das propostas termina às 17,30 horas do dia 19 de Junho de 2014, não sendo aquelas admitidas fora do prazo. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido no balção de atendimento do SAFP, sito no Edifício Administração Pública, entregando um depósito no valor de MOP100 000,00 (cem mil patacas), em garantia bancária, a favor da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública ou efectuar um depósito em dinheiro no banco indicado, para efeitos de pagamento da caução provisória deste concurso. O acto público de abertura das propostas do concurso terá lugar no dia 20 de Junho de 2014, pelas 10,00 horas, no auditório do Edifício Administração Pública acima referido. Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, aos 15 de Maio de 2014. O Director José Chu

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 6/P/14

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 10 de Abril de 2014, se encontra aberto o Concurso Público para “Fornecimento de Material de Consumo Clínico para o Centro de Transfusões de Sangue dos Serviços de Saúde”, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 21 de Maio de 2014, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de $50.00 (cinquenta patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website do S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente

Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 19 de Junho de 2014. O acto público deste concurso terá lugar no dia 20 de Junho de 2014, pelas 10,00 horas, na sala do “Auditório” situada junto ao C.H.C.S.J.. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $84.400,00 (oitenta e quatro mil e quatrocentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 14 de Maio de 2014 O Director dos Serviços, Lei Chin Ion

Concurso Público n.º 2/2014 da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública para a Prestação dos Serviços de Condomínio do Centro de Formação para os Trabalhadores dos Serviços Públicos Nos termos previstos no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho da Secretária para a Administração e Justiça, de 8 de Maio de 2014, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para a aquisição dos serviços de condomínio do Centro de Formação para os Trabalhadores dos Serviços Públicos. A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados poderão dirigir-se ao balcão de atendimento do SAFP, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administra��ão Pública, R/C, nos dias úteis, das 9,00 às 17,30 horas, para a obtenção da cópia do programa do concurso e do caderno de encargos, mediante o pagamento da importância de MOP100,00 (cem patacas) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela página electrónica do SAFP, em http://www.safp.gov.mo/. A sessão de esclarecimento deste concurso terá lugar no próximo dia 12 de Junho de 2014, pelas 11,00 horas, na sala de reuniões, sita no Centro de Formação para os Trabalhadores dos Serviços Públicos , sito na Alameda Dr. Carlos D´Assumpção n.º 322-362, Centro Comercial Cheng Feng 7.º andar, Macau. Caso os interessados tenham dúvidas sobre o programa e o caderno de encargos deste concurso, devem apresentá-las até às 17,30

horas do dia 4 de Junho de 2014, de acordo com a forma estabelecida no respectivo programa do concurso, para que as dúvidas sejam esclarecidas na sessão de esclarecimento. O prazo para a apresentação das propostas termina às 17,30 horas do dia 25 de Junho de 2014, não sendo aquelas admitidas fora do prazo. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido no balção de atendimento do SAFP, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, R/C, entregando uma garantia bancária no valor de MOP70.000,00 (setenta mil patacas), a favor da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública ou efectuar um depósito em dinheiro no banco indicado, para efeitos de pagamento de caução provisória deste concurso. O acto público de abertura das propostas do concurso terá lugar no dia 26 de Junho de 2014, pelas 11,00 horas, na sala de reuniões, sita na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, 26.º andar. Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, aos 15 de Maio de 2014. O Director José Chu


SOCIEDADE

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LBGT ARCO-ÍRIS DE MACAU ORGANIZA INQUÉRITO PARA RECOLHER DADOS “REAIS” SOBRE COMUNIDADE

A realidade que ninguém quer ver JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

M

ACAU é “internacionalmente reconhecido”, mas não há dados absolutamente nenhuns sobre a comunidade homossexual no território. Quem o diz é o grupo Arco-Íris de Macau, que vai, por isto mesmo, organizar o segundo inquérito sobre a forma de vida e sustento da comunidade LBGT (lésbicas, bissexuais, gays e transexuais). “Acreditamos que é necessário que este tipo de inquéritos existam, porque há uma comunidade LBGT em Macau. Estas pessoas existem na sociedade, isto é inegável”, frisou Anthony Lam ao HM. O director-geral do Arco Íris de Macau explicou ao HM que a ideia do inquérito é precisamente mostrar às autoridades que há essa realidade. “Esperamos isto como um passo dado, uma mensagem. Precisamos de transformar esta

“Esperamos isto como um passo dado, uma mensagem. Precisamos de transformar esta ‘impressão’ de que existem estas pessoas em dados reais” ANTHONY LAM

‘impressão’ de que existem estas pessoas em dados reais.” A ideia é recolher dados sobre os desafios que a comunidade LBGT enfrenta diariamente, algo a que o Governo não tem acesso porque nunca foram feitos inquéritos sobre nada até à existência do Grupo pelos Direitos dos Homossexuais, um grupo preliminar do grupo Arco-Íris, diz Lam. “De forma a que consigamos construir uma base mais forte para

que possamos dar mais sugestões que cubram todos os aspectos da sociedade, é importante ter um inquérito como este, não só para a comunidade LBGT, mas para todas”,diz Anthony Lam. Ao HM explica porque pensa assim: não se sabe informar quantas pessoas são parte desta comunidade, então vai-se buscar apenas números internacionais, em que 3% a 5% da população inteira é LBGT. Depois, as pessoas não conhecem que existem estas pessoas em Macau e, então, acabam por dizer algo insultuoso.” A maioria das pessoas, diz, não fala no assunto e, as que falam, são parte da comunidade LBGT. Uma outra razão para a recolha de dados é conseguir informação que ajude na protecção dos direitos dos LBGT, como confirma Lam ao HM. “Eles estão aqui e temos de fazer algo por eles e para eles. Com dados, o Governo não pode tentar evadir-se, porque tem de encarar a realidade.” O grupo pede a toda a comuni-

dade LBGT para se inscrever e “falar”, respondendo a perguntas que vão desde saber como é a cultura e educação sexual, ao nível de estigma, entre outros. O inquérito pode ser preenchido online, em http://goo.gl/ALTwQB

vai ter fiscalização académica e profissional. O último feito em 2013, indicava que 20% dos indivíduos LBGT pensaram em cometer suicídio devido a pressões sofridas por causa da sua orientação sexual.

ABATIMENTO

Portas do Cerco Acidente em escadas rolantes leva nove pessoas ao hospital

Nove pessoas ficaram ontem feridas num acidente numas escadas rolantes na zona das Portas do Cerco, estando as mesmas a receber tratamento no hospital Conde de São Januário. Segundo um comunicado, dois homens e sete mulheres, com idades entre os 26 e 74 anos, caíram nas escadas rolantes do átrio de partida do edifício do posto transfronteiriço. Oito pessoas estão em estado clínico considerado “normal” apesar de terem sofrido contusões e entorses, sendo que apenas uma pessoa “necessita de ser observada com atenção”, aguardando resultados dos exames efectuados à cabeça. Apenas um dos feridos é residente de Macau, sendo os restantes do continente. Segundo algumas testemunhas as escadas rolantes terão a dada altura invertido o sentido.

Mais um tecto, ou parte dele, que caiu. Desta vez na Praia Grande. Resultado: uma mulher no hospital


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CHINA

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O

presidente da China, Xi Jinping, pediu ontem a criação de uma nova estrutura de cooperação na área da segurança na Ásia com base num grupo regional que inclui a Rússia e o Irão e que exclui os EUA. “Não podemos ter apenas segurança para um ou alguns países, deixando os outros todos inseguros”, disse Xi Jinping, na abertura da cimeira asiática sobre segurança em Xangai, com onze chefes de Estado, entre os quais o Presidente russo, Vladimir Putin. A Conferência sobre Interacção e Fomento de Medidas de Confiança na Ásia (CICA, na sigla em inglês), que conta 24 com países-membros, do Afeganistão ao Vietname, é um grupo pouco conhecido mas que tem crescido de importância à medida que Pequim tenta expandir a influência na região e limitar o papel dos EUA, que o governo chinês vê como um rival estratégico. Xi afirmou que a Ásia precisa de “uma nova arquitectura de segurança regional” e que a CICA deveria tornar-se numa plataforma de cooperação defendendo a criação de um mecanismo de consulta em questões de defesa, com a elaboração de um centro de resposta para casos de grandes emergências na segurança regional. O Presidente chinês, que é também secretário-geral do Partido Comunista (PCC) e líder da Comissão Militar Central, afirmou que

A

“Segurança comum significa respeitar e assegurar a segurança de cada um e de todos os países. Reforçar uma aliança militar dirigida contra um terceiro país não é conducente à segurança regional comum” XI JINPING

CICA PEQUIM DEFENDE OUTRA ESTRUTURA ASIÁTICA DE SEGURANÇA

Uma nova ordem regional Onze chefes de Estado, entre os quais, Xi Jinping e Vladimir Putin, estão reunidos em Xangai para falar de segurança e confiança na Ásia. No seu discurso de abertura o Presidente chinês defendeu uma outra arquitectura para a segurança da região. Um plano que não inclui os EUA “nenhum país deve atentar contra as questões de segurança regional ou infringir os legítimos direitos e interesses de outros países”. “Segurança comum significa respeitar e assegurar a segurança de cada um e

China criou 4,73 milhões de novos empregos entre Janeiro e Abril, afirmou Xin Changxing, vice-ministro de Recursos Humanos e Segurança Social. O número supera em 30 mil a marca do ano passado e, segundo Xin, foi influenciado pelo avanço no sector de serviços. “Nós acreditamos que o desenvolvimento do sector de serviços irá melhorar ainda mais. Portanto, dada a actual correlação entre empregos e crescimento económico, não precisamos de um crescimento de 8% ou até mesmo de dois dígitos para manter a subida no emprego”, disse Xin, aos jornalistas. O primeiro-ministro Li Keqiang reforçou em diversas ocasiões que não irá adoptar grandes medidas de estímulos para responder à desaceleração económica. Neste contexto, Xin

de todos os países. Reforçar uma aliança militar dirigida contra um terceiro país não é conducente à segurança regional comum”, disse Xi Jinping, numa aparente alusão à cooperação militar dos Estados Unidos com o

Japão e outros países da Ásia Oriental com quem a China mantém uma acesa disputa territorial. Xi Jinping defendeu “um novo conceito de segurança” para a Ásia “focado no desenvolvimento” do conti-

nente - o mais populoso do planeta, com cerca de 4,3 mil milhões de habitantes (60% da população mundial). “Precisamos de nos focar no desenvolvimento, melhorar activamente o nível de vida dos povos e estreitar

MAIS 4,73 MILHÕES DE EMPREGOS ENTRE JANEIRO E ABRIL

Bonitos serviços

repetiu que o mais determinante para o processo de formulação de políticas do governo é o estado do mercado de trabalho. “Este

ano, o primeiro-ministro Li definiu uma meta de emprego em primeiro lugar e usou isso para calcular a meta do Produto Inter-

no Bruto (PIB) o que mostra que o emprego é o mais importante para nós.” O PIB cresceu 7,4% no primeiro trimestre, na comparação anual. Alguns analistas acreditam que Pequim terá que responder com medidas de auxílio para que o crescimento não caia abaixo de 7%. Questionado sobre o movimento de criação de empregos ao mesmo tempo em que o país observa uma desaceleração económica, Xin reforçou que os 7,4% estão em linha com as expectativas do governo. “Crescimento em desaceleração é a nova normalidade”, disse o vice-ministro.

o fosso de riqueza de modo a cimentar os alicerces de segurança”, afirmou o Presidente chinês. Xi quer que as nações asiáticas respondam colectivamente a uma série de ameaças. “Devemos ter tolerância zero para com o terrorismo, o separatismo e o extremismo e devemos fortalecer a cooperação internacional para combater estas três forças”, disse o Presidente chinês. Fundada em 1992 pela iniciativa do Cazaquistão, até ao momento a CICA tem servido apenas como um fórum de discussão. O Japão, visto por Pequim como rival estratégico, é um observador do grupo.

DESEMPREGO MANTÉM-SE ABAIXO DOS 4,6% A China criou 4,73 milhões de postos de trabalho no primeiro trimestre de 2014, mantendo o desemprego urbano abaixo da fasquia de 4,6% fixada pelo governo, disse ontem o ministério chinês dos Recursos Humanos e Segurança Social. “O mercado de trabalho na China está a crescer solidamente”, disse Xin Changxing, viceministro do sector. No final de Março, a taxa de desemprego nas zonas urbanas foi de 4,08%, 0,03 pontos abaixo da média do ano passado (4,1%). Para 2014, o governo chinês projectou criar dez milhões de postos de trabalho nas cidades e “assegurar que a taxa de desemprego não exceda 4,6%”. “O mercado de trabalho chinês mostrou ser resiliente apesar do abrandamento económico, numa altura em que o governo está a alcançar crescimento que crie postos de trabalho e assegure a subida pelo emprego”, disse também Xin Changxing, vice-ministro dos Recursos Humanos e Segurança Social.


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MOODY’S EMITE ALERTA SOBRE SECTOR IMOBILIÁRIO

Perspectiva negativa A agência de classificação de risco baixou as expectativas para um sector que se mantinha estável desde 2012

A

Moody’s alterou a perspectiva para o sector imobiliário da China para negativa, projectando uma “significativa desaceleração” na venda de imóveis residenciais, elevados stoques e aperto na liquidez durante um período de um ano. A perspectiva para o sector era estável desde Novembro de 2012. A expectativa da agência de classificação de risco é de um crescimento de até 5% no

Primeiro acordo de comércio livre com países europeus entra em vigor a 1 de Julho

O Ministério do Comércio da China anunciou ontem que um acordo de comércio livre entre a China e a Islândia entrará em vigor no primeiro dia de Julho. Este é o primeiro acordo de comércio livre entre a China e os países europeus. O acordo envolve o comércio de artigos e serviços, e o sector de investimento. A negociação sobre a zona de comércio livre entre a China e a Islândia foi iniciada em Dezembro de 2006. O acordo foi assinado no dia 15 de Abril do ano passado, em Pequim pelo ministro do Comércio chinês, Gao Hucheng, e o ministro do Comércio Externo islandês, Ossur Skarphedinsson. O governo chinês acelerou a aplicação da estratégia da zona de comércio livre. A parte chinesa anunciou nos últimos dias que o acordo de comércio livre entre a China e a Suíça também irá entrar em vigor no mesmo dia.

PORTUGAL COM 58 PRODUTORES NUMA DAS MAIORES FEIRAS DE VINHO DO MUNDO

Para ver se pinga P ORTUGAL vai estar representado por 58 empresas na Vinexpo Ásia-Pacífico, uma das maiores feiras do mundo do sector, que decorre, entre 27 e 29 de Maio, em Hong Kong. “Vão estar presentes 58 empresas produtoras de vinho no ‘stand’ Wines of Portugal”, o qual “vai representar toda a diversidade dos vinhos portugueses da região do Dão até à Madeira”, disse à agência Lusa a responsável da ViniPortugal para os mercados da Ásia e África (em específico, China e Angola). Para Denise Madeira, a participação da ViniPortugal representa uma “oportunidade de estar numa feira que congrega profissionais não só de Hong Kong, mas também de todo o continente asiático e Austrália, tornando-se num pólo importante de negócio com o Oriente”. “Actualmente, a China é o quinto principal mercado dos

vinhos nacionais, fora do espaço europeu. Englobando Hong Kong e Macau, este mercado representa quase 20 milhões de euros em valor para as exportações nacionais”, afirmou a responsável. As expectativas da ViniPortugal passam por conseguir “consolidar presença em Hong Kong e Macau, incrementando o valor de vendas”, bem como por reforçar o esforço que já está a ser feito em Singapura e Japão “no sentido de começar a promover activamente os vinhos portugueses noutros mercados asiáticos”, acrescentou Denise Madeira. A Vinexpo Ásia-Pacífico, que se realiza de dois em dois anos em Hong Kong, vai contar com 1.300 expositores oriundos 30 países, e espera atrair 17.000 visitantes.

aumento das vendas, informou Franco Leung, analista e vice-presidente assistente da Moody’s. Em 2013, as vendas contratadas na China subiram 26,6%. Este crescimento mais fraco nas vendas é influenciado pelas condições de liquidez mais apertadas na China, assim como pelo aumento nos custos das hipotecas e pela expectativa de queda nos preços dos imóveis e de desaceleração no Produto Interno Bruto (PIB). Os stoques nas principais cidades chinesas acompanhadas pela Moody’s eram de cerca de 14 meses no fim de Abril, aproximando-se dos 16 meses observados em Fevereiro de 2012. A agência espera também que a liquidez das empresas piore. A Moody’s lembrou que os bancos estão a demorar mais para aprovar a distribuição de

hipotecas nos últimos meses. Com os gastos de construção, pagamentos por terrenos e vencimento de bónus no exterior, as empresas com uma qualidade de crédito relativamente fraca estarão mais vulneráveis e os riscos de refinanciamento irão aumentar, alertou a Moody’s. Ainda assim, medidas recentes do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) sugerem que há medidas disponíveis para apoiar a indústria. Já as empresas acompanhadas pela Moody’s, que possuem operações muito mais amplas, controlo financeiro prudente e boa liquidez quando comparadas ao restante do sector, estarão melhor posicionadas para suportar as condições desafiadoras, disse a agência. A qualidade de crédito da maioria destas empresas deve permanecer estável.

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ANÚNCIO HM-1ª vez - 22.05.14 Interdição

CV1-14-0015-CPE

1º Juízo Cível

-----REQUERENTE: O Ministério Público.----------------------------REQUERENDO: Lio Ka San, solteiro, sem profissão, nascido em 14/08/1991 em Macau, filho de Lio Iok Leong e Lei Sao I aliás Lee Sao Yng, titular do B.I.R.M. e residente em Macau, no Lar de Nossa Senhora de Penha, na Estrada de D. João Paulino, n.º 22.----------------------------------------------------------------------*** -----A MERITÍSSIMA JUIZ DO 1º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.---------------------------------------FAZ SABER QUE, foi distribuída neste Tribunal, em 14 de Abril de 2014, uma Acção Especial de Interdição, com o número acima indicado, que o Ministério Público move contra Lio Ka San, a fim de ser decretada a sua interdição por ser portador de Sindroma de Cornélia de Lange.------------------------------------------Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., aos 09 de Maio 2014.A Juiz


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EVENTOS

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SIMON HOLLIDAY VAI NADAR 35 QUILÓMETROS EM PROL DO AMBIENTE

Num estado “quase Ciência dos planetas invade Macau em Junho e Julho

Pela primeira vez, o Festival Internacional em Cúpula Completa IPS vai ter lugar entre os dias 18 de Junho e 31 de Julho, no planetário do Centro de Ciência de Macau. O projecto, organizado pela Sociedade Internacional de Planetários e pelo planetário de Pequim, deverá compreender a realização de uma conferência na capital chinesa, onde serão projectados 30 filmes digitais a duas e três dimensões para competirem no festival. A Sociedade Internacional de Planetários é a maior organização mundial dedicada ao tema e tem vindo a organizar esta conferências duas vezes por ano. O planetário de Pequim vai acolher parte da palestra, sendo que grande parte terá lugar em Macau. O concurso internacional cinematográfico e os eventos profissionais serão realizados entre 18 e 20 de Junho e a exibição pública dos filmes terá lugar durante mais de um mês, de 21 de Junho a 31 de Julho. O planetário do Centro de Ciência de Macau foi reconhecido pelo livro de recordes do Guiness como sendo o que tem a mais alta definição 3D do mundo.

Cândida Pires lança “Direito de Macau”

A professora da Faculdade de Direito de Macau, Cândida da Silva Antunes Pires, vai lançar a obra “Direito de Macau – Reflexões e estudos” na próxima terça-feira, às 18.30 horas na Fundação Rui Cunha. “Direito de Macau – Reflexões e estudos” contém alguns escritos jurídicos que Cândida Pires redigiu ao longo dos últimos 25 anos, período em que se encontrava a dar aulas e a fazer investigação na área do Direito na Universidade de Macau, anteriormente denominada de Universidade da Ásia Oriental. A obra compreende, maioritariamente, pareceres, prefácios, anexos de aulas e de comunicações apresentadas em simpósios, seminários e conferências em vários pontos do globo. A apresentação do livro será da responsabilidade de Rui Cunha, advogado e presidente da fundação onde o evento vai ter lugar e todo o evento será realizado em língua portuguesa. O lançamento é co-organizado pela Fundação Rui Cunha e pelo Centro de Reflexão, Estudo e Difusão do Direito de Macau (CRED-DM).

D. José da Costa Nunes comemora 80 anos com lançamento de anuário

Hoje, às 18.30 horas, vai ser lançado um anuário para celebrar o 80º aniversário do jardim de infância D. José da Costa Nunes, no antigo edifício onde a instituição funcionava. A iniciativa, que foi pensada pela Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos (APCN) da instituição, vai compreender uma cerimónia de celebração e o lançamento do anuário do ano lectivo 2012-2013. A directora da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Leong Lai. A edição 2014 desta publicação deverá compreender fotografias de actuais e antigos alunos. A realização e lançamento do anuário é patrocinado pela Geocapital, Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Consulado da República de Angola na RAEM, CTM, Santa Casa da Misericórdia e outras instituições.

Leiria acolhe segunda conferência sobre relação sino-portuguesa

Entre os próximos dias 20 e 22 de Junho, o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) volta a ser palco para a segunda conferência internacional “Pontes Europa-China”, em parceria com o Instituto Politécnico de Macau (IPM) e a Universidade de Línguas e Culturas de Pequim. A palestra de três dias deverá servir para abordar questões relacionadas com a expansão das línguas e culturas chinesa e portuguesa no contexto europeu e da China. De entre os vários temas debatidos, estão a cooperação internacional de instituições de ensino superior, o intercâmbio cultural, o ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras e a investigação das línguas e culturas chinesa e portuguesa. A conferência deverá decorrer em mandarim, português e inglês.

É já este sábado que Simon Holliday vai fazer a travessia do Rio das Pérolas. A iniciativa “The Clean Cross” vai servir para angariar fundos e consciencializar a sociedade sobre a poluição das águas. Actualmente, Holliday trabalha e estuda em Hong Kong e tem especial interesse pelas áreas da psicologia e da preservação ambiental LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Sabe-se que a iniciativa pretende consciencializar a população para a poluição dos oceanos com plástico. Que outras razões o levaram a participar neste desafio? A primeira é, sem dúvida, essa. A outra é a oportunidade que tenho de quebrar o recorde mundial. Esta travessia ainda só foi feita uma vez, em 2005. O atleta chinês Zhang Jian, fê-lo em mais ou menos 10 horas e meia mas acho que, provavelmente, vou simplesmente completar o percurso, não devo conseguir executá-lo em menos tempo. A outra razão é que a natação é muito importante para mim. Sempre fiz muito desporto,

incluindo futebol, mas há qualquer coisa no facto de nadar que me faz bem à alma. Faz-nos sentir melhor em relação ao mundo e nadar

longas distâncias é uma das poucas oportunidades que temos para poder esquecer os problemas e entrar num estado quase meditativo.

Porque é que prefere nadar em águas abertas do que numa piscina? A primeira vez que nadei no mar foi bastante assustadora, porque sentimo-nos desorientados, é muito pouco familiar, existe a preocupação sobre aquilo que pode estar em baixo de nós... Não gostei mesmo nada. Mas vamo-nos habituando. Actualmente, é ao contrário. Não gosto particularmente de nadar em piscinas, porque me sinto muito enclausurado. É muito diferente de


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e medidativo” que durante 12 horas vai correr tudo bem. Já estou à espera de ver bastante lixo e água poluída. Mas espero que, quando chegar ao outro lado, não esteja a sentir os efeitos da poluição.

nadar no mar, em que não existe essa sensação. O percurso que vai efectuar no próximo sábado é bastante perigoso, até por causa do próprio estilo de natação em águas abertas. Que elementos o preocupam mais? A principal são as condições meteorológicas. Isso vai, sem dúvida, decidir quanto tempo demoro. Se estiver mau tempo, posso demorar mais quatro horas do que o previsto. O tráfego é outra das coisas que, embora não seja da minha responsabilidade, me vai deixar alerta porque esta é uma zona onde passam muitos barcos. Outro dos problemas são as alforrecas. Não é grave,

mas é doloroso. Se for picado a cada 20 minutos em quatro horas, vai realmente afectar-me e é por isso que são uma das minhas preocupações. Vou ter uma canoa ao meu lado a monitorizar-me dentro de água e atrás, vou ter uma embarcação de apoio. Estarão lá para ter a certeza que estou a ir na direcção certa e para me manterem a salvo. As águas de Macau e de Hong Kong estão bastante poluídas. Isso não o assusta, tendo em conta que não leva mais nenhum equipamento sem ser uns óculos e touca de natação? Preocupa-me um pouco, mas já tomei várias vacinas e vou ter todas as precauções. Acho

A Cotai Water Jet – empresa detida pelo hotel Venetian – é o principal patrocinador desta iniciativa. O que acha que este apoio diz da empresa? A Cotai Water Jet tem sido muito generosa por apoiar esta iniciativa. Mostra que as grandes empresas se preocupam com o ambiente, reconhecendo que há coisas que têm que ser feitas. Estamos nisto juntos, porque o estado da água tem um impacto geral e afecta toda a gente, não apenas naqueles que nela nadam. Também a LifeProof, que fabrica capas para telemóvel, dispensou tempo e dinheiro neste evento. A Escapade Sports Hong Kong é outros dos patrocinadores, bem como o restaurante Samba, do grupo Venetian. Os proprietários foram amáveis o suficiente para reconhecer que eu e a equipa vamos estar esfomeados quando chegarmos ao outro lado [praia de Hac-Sá] e tomaram algumas medidas nesse sentido.

É mais um ali para a Ásia, por favor O conhecido chef de cozinha britânico, Gordon Ramsay, pretende abrir um novo restaurante em Hong Kong, na LKF Tower. Segundo notícia avançada pela revista Time Out, prevê-se que a inauguração do estabelecimento de restauração aconteça entre os meses de Agosto e Setembro. O chef abriu o seu primeiro restaurante na zona de Chelsea, Londres. O estabelecimento obteve três estrelas Michelin – o galardão máximo de qualidade gastronómica que premeia restaurantes a nível mundial – em 2001, prémio que ainda hoje detém. Actualmente, é proprietário de mais de uma dezena de outros estabelecimentos de restauração espalhados pelos quatro cantos do mundo, incluindo Estados Unidos, Qatar, Itália, Japão,Austrália e África do Sul. Gordon Ramsay tornou-se numa celebridade mundial, ao ter os seus próprios programas televisivos nos canais BBC, Channel 4, ITV e Fox. Com rodagem a nível mundial, o chef de culinária é conhecido por ter uma personalidade forte, algo que transparece para os ecrãs em concursos e programas televisivos como Masterchef, Hell’s Kitchen, Kitchen Nightmares ou Hotel Hell.

Obras de Fang Tang vão estar em exposição no centro UNESCO

“Celebridades de Macau” é uma exposição do pintor de Cantão, Fang Tang e vai ser inaugurada no dia 10 de Junho, no centro UNESCO, às 18.30 horas. A mostra vai compreender mais de 40 pinturas de personalidades do território e é organizada pela Fundação Macau.

Considera que deviam ser organizados mais eventos deste género? Claro, acho que ainda há muita coisa que pode e deve ser feita no sentido de preservar o meio ambiente.As pessoas só se apercebem de quão mal as coisas estão quando são afectadas pelos malefícios. Acho realmente importante que as pessoas em Macau e Hong Kong consigam reconhecer quão bonita esta zona é e quanto mais pessoas interagirem com o ambiente, mais pessoas começarão a preocupar-se com isso.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OS RAPAZES DOS TANQUES • Alfredo Cunha, Adelino Gomes Histórias na primeira pessoa dos cavaleiros que em 1974 derrubaram a ditadura.Nos 40 anos do 25 de Abril, este álbum recolhe as fotografias históricas que Alfredo Cunha registou nesse dia e junta-lhes uma reportagem de Adelino Gomes com alguns dos homens, então jovens soldados, cujos rostos essas fotos fixaram para sempre.

CHEF GORDON RAMSAY ABRE RESTAURANTE EM HONG KONG

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

O TINTUREIRO FRANCÊS • Paulo Larcher Nos finais do séc. XVIII, o Marquês de Pombal viu-se a braços com um fracasso na sua política de regeneração industrial: a Real Fábrica de Panos, a menina dos seus olhos, apesar de todos os esforços e despesas não consegue produzir tecidos com a qualidade dos importados. Decide então convidar um tintureiro francês para vir a Portugal ensinar essa grande arte que, à época, fazia a riqueza e o prestígio das nações europeias.O artista eleito foi o polémico Stéphane Larcher, que mal chega começa a revolucionar práticas e comportamentos. Um ano depois, cores nunca vistas vêm à luz e tecidos até então desconhecidos brilham em todo o seu esplendor. Ao partilhar a sua arte secreta com os portugueses, Stéphane sabia estar a arriscar a vida, a reputação e a fortuna. Mas ninguém o avisou que também comprometia fatalmente o próprio coração.


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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Região Administrativa Especial de Macau, através da Direcção dos Serviços de Turismo, faz público que, de acordo com o Despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 24 de Abril de 2014, se encontra aberto concurso público para adjudicação do “Serviço de aluguer de barcaças e barcos de apoio destinados ao 26.o Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau”. 1. Entidade que põe a prestação de serviços a concurso: Direcção dos Serviços de Turismo. 2. Modalidade do concurso: Concurso público. 3. Objecto dos serviços: aluguer de barcaças e barcos de apoio destinados ao 26.o Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau. 4. Prazo de execução: Obedecer às datas constantes no Caderno de Encargos. 5. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do encerramento do acto público do concurso. 6. Caução provisória: MOP64.000,00 (sessenta e quatro patacas), a prestar mediante garantia bancária ou depósito em numerário, em ordem de caixa ou cheque visado, emitidos à ordem da Direcção de Serviços de Turismo, efectuado directamente na Divisão Financeira da Direcção dos Serviços de Turismo ou no Banco Nacional Ultramarino de Macau, através de depósito à ordem do Fundo de Turismo, na conta número:「8003911119」devendo ser especificado o fim a que se destina. 7. Caução definitiva: 4% do preço total da adjudicação. 8. Preço base: Não há. 9. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.º andar até às 17:45 horas do dia 3 de Junho de 2014. 10. Local, dia e hora do acto de abertura das propostas: pelas 10:00 horas do dia 4 de Junho de 2014 no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito no 14.º andar da sua sede. Os concorrentes ou os seus representantes legais deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para os efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.° do Decreto-Lei n.° 63/85/M, de 6 de Julho. Os concorrentes ou os seus representantes legais poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto de abertura das propostas. 11. Adiamento: Em caso de encerramento dos serviços públicos por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura de propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. 12. Critérios de apreciação das propostas:

Critérios de adjudicação Factores de ponderação Preço 50% Experiência do concorrente 20% Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço 20% Maior flexibilidade dos prazos na prestação do serviço 10%     13. Local, dias, horário para a obtenção da cópia e exame do processo do concurso: Local: Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.º andar, além disso ainda se encontra igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macautourism.gov.mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. Dias e horário: Dias úteis, desde a data da publicação do respectivo anúncio até ao dia e hora limite para entrega das proposta e durante o horário normal de expediente. Direcção dos Servi��os de Turismo, aos 5 de Maio de 2014. A Directora dos Serviços Maria Helena de Senna Fernandes

Notificação n°14/DLA/SAL/2014 (Aviso ao proprietário de estabelecimentos de comidas e bebidas para comparência na instrução) Considerando que não é possível notificar pessoalmente o interessado, por ofício ou telefone, para efeitos das disposições do artigo 93° do Decreto-Lei n°. 16/96/M, de 1 de Abril, conjugado com os artigos 10° e 58° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n°. 57/99/M, de 11 de Outubro, fica, pela presente, notificado, nos termos do n°. 2 do artigo 72° do “Código do Procedimento Administrativo”, o proprietário e interessado do estabelecimento de comidas e bebidas, abaixo mencionado, para, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação desta notificação, apresentar por escrito ou comparecer, pessoalmente, na Divisão de Licenciamento Administrativo dos Serviços de Ambiente e Licenciamento do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sita na Avenida da Praia Grande, n°. 804, Edifício China Plaza, 3° andar, a fim de se proceder ao respectivo processo de instrução, resultante do auto de notícia pela mesma levantado: Titular da licença

Nome do estabelecimento

Huang Ya BIR da RPC n°.: 42272319690218XXXX

川湘鄂小食店

Auto de notícia

Infracção

N°.1429/DFAA/ SAL/2012,

Suspeita de infracção ao artigo 30° do Decreto-Lei n° 16/96/M, de 1 de Abril, por se haver verificado a abertura ilegal do estabelecimento.

de 19 de Dezembro de 2012.

A falta de comparência não constitui motivo bastante para adiamento da instrução, mas, caso seja apresentada justificação fundamentada até ao momento fixado para a instrução, esta poderá ser adiada. Aos 28 de Abril de 2014. O Presidente do Conselho de Administração, Substituto Vong Iao Lek WWW. IACM.GOV.MO


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FERDOWSI Os persas consideram Ferdowsi como o maior dos seus poetas. Durante quase mil anos continuaram a ler e ouvir recitações da sua obra-prima. É a história do passado glorioso do Irão, preservada em verso sonoros e majestosos. Apesar de escrito há cerca de mil anos, este trabalho é tão inteligível para os modernos falantes do persa quanto a versão do Rei James da Bíblia  para um moderno falante do inglês. A linguagem original é o Pahlavi, um  persa puro com  uma mistura mínima do árabe.  Encyclopædia Britannica

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AKIM Abol Qasem  Ferdowsi  Tousi (ou  Firdausi) nasceu em Khorasan numa vilarejo perto de Tus (Nordeste do Irão), no ano de 935. O seu grande épico, o Shahnameh,”O Livro dos Reis”, ao qual dedicou a maior parte da sua vida adulta, foi originalmente composto sob patrocínio dos príncipes samânidas de Khorasan, que eram os principais instigadores da revitalização das tradições culturais persas após a conquista árabe do século VII. Durante a vida de Ferdowsi esta dinastia foi conquistada pelos turcos Ghaznavidas, e há várias histórias em textos medievais que descrevem a falta de interesse demonstrada pelo novo governante de Khorasan, Mahmoud de Ghaznavi, por Ferdowsi e a sua vocação. Diz-se que Ferdowsi morreu por volta de 1020 na pobreza e amargurado pela negligência real, embora confiante na sua fama e no seu último poema. O Shahnameh, além de ser um épico nacional, é um dos grandes clássicos da literatura mundial que conta a saga dos heróis da antiga Pérsia. A forma e estilo com que o poeta descreve os eventos leva os leitores de volta aos tempos antigos e faz com que estes sintam-se vivenciando os eventos. Ferdowsi trabalhou durante trinta anos para terminar esta obra-prima e é considerado como o maior poeta persa. De acordo com Nezami, Ferdowsi era um  dehqan  (classe de fazendeiros aristocratas extremamente patriotas), de onde obtinha uma renda confortável a partir de suas propriedades. Ele tinha apenas uma filha, e foi para lhe arranjar um dote que se lançou à tarefa que o ocupou por mais de 30 anos (outras fontes contam que também teve um filho que morreu aos 37 anos a

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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quem dedicou uma elegia que foi incluída no Shahnameh).  O  Shahnameh  de Ferdowsi, um poema com cerca de 60.000 versos, é baseado principalmente numa obra em prosa do mesmo nome e foi compilada no início da vida adulta do poeta em Tus, a sua terra natal. Este  Shahnameh  em prosa era em grande parte a tradução de uma obra Pahlavi, o Khvatay-Namak, uma história dos reis da Pérsia desde os tempos míticos até o reinado de Khosrow II (590-628 EC), mas também continha material adicional continuando a história até a derrubada do sassânidas pelos árabes em meados do século VII. O primeiro a realizar a versificação desta crónica da Pérsia pré-islâmica e lendária foi Daqiqi, um poeta da corte dos samânidas, que teve um fim trágico após completar apenas 1.000 versos. Estes versos, que tratam da ascensão do profeta Zoroastro, foram mais tarde incorporados por Ferdowsi, com confirmações devidas, no seu próprio poema. Uma característica importante deste trabalho é que, durante o período em que o árabe foi conhecido como a principal língua da ciência e da  literatura, Ferdowsi utilizou apenas o persa na sua obra-prima. Como diz o próprio Ferdowsi “a língua persa é revivida por este trabalho”.  Segundo a lenda, o sultão Mahmoud de Ghazni ofereceu a Ferdowsi uma peça de ouro por cada verso do  Shahnameh. O poeta concordou em receber o dinheiro de uma só vez quando terminasse o trabalho pois planeava usá-lo para reconstruir os diques de Tus, sua cidade. Depois de trinta anos de trabalho, Ferdowsi terminou a sua obra-prima,

O LEGADO DE UM POETA PERSA

o  Shahnameh,   em 1010, e foi apresentá-la a Mahmoud, que nessa época havia se tornado governador de Khorasan. De acordo com Nezami, Ferdowsi veio a Ghazni pessoalmente e, através dos serviços do ministro Ahmad Ebn Hasan Meymandi, foi capaz de garantir a aceitação do poema perante o sultão. Porém, infelizmente, Mahmoud   consultou certos inimigos do ministro que sugeriram como   recompensa para o poeta a desprezível quantia de  50.000 dirhams, e mesmo assim, ainda disseram que era demais, em vista de suas doutrinas heréticas xiitas. Mahmoud, um sunita fanático, foi influenciado por essas palavras e Ferdowsi recebeu apenas 20.000 dirhams. Amargamente desapontado, foi para o banho público e, ao sair, foi tomar um copo de  foqa  (um tipo de cerveja) e acabou por dividir todo o dinheiro entre o empregado dos banhos e o vendedor de foqa. Temendo a ira do sultão, fugiu, primeiro para Herat, onde se escondeu por seis meses, e depois, pelo caminho de Tus, para Mazanderan, onde encontrou refúgio na corte de Shahreyar Sepahbad, cuja família reivindicava ser dos últimos descendentes dos sassânidas (a última dinastia pré-islâmica do Irã). Ali Ferdowsi compôs uma sátira de 100 versos sobre Sultan Mahmoud que   inseriu no prefácio do  Shahnameh  e leu-a  a Shahreyar, ao mesmo tempo, oferecendo-se para dedicar lhe poema como um descendente dos antigos reis da Pérsia, em vez de Mahmoud. Shahreyar, no entanto, convenceu-o tirar a sátira a Mahmoud, e comprou-a pelo valor de 1.000 dirhams por verso. O texto integral desta sátira,

Que não passemos mal a vida neste mundo, empreguemos a mão da bondade em nossos esforços Nem o bem nem o mal são eternos, então será melhor que a bondade fique como lembrança. Aquele tesouro, os dinares e o castelo não te servirão de nada. O bendito Fereidun nem era um anjo, nem era feito de almíscar e âmbar, conseguiu sua fama pela bondade ao dar e oferecer. ABUL QĀSEM FERDOWSI

tendo todos os sinais de autenticidade, sobreviveu até o presente. De acordo com a narrativa de Nezami, Ferdowsi morreu intempestivamente. O sultão Mahmoud havia resolvido pedir desculpas ao poeta , enviando-lhe 60.000 dinares, mas quando a caravana com o dinheiro chegou a Tus o poeta havia morrido. Nezami não menciona a data da morte de Ferdowsi. A primeira data determinada pelas autoridades é 1020 e a mais recente é 1026,  só se sabe ao certo que viveu  mais de 80 anos.  Ferdowsi foi enterrado na sua própria horta, no cemitério muçulmano de Tus onde um governador Ghaznavid de Khorasan construiu um mausoléu sobre o túmulo que se tornou um local reverenciado. O túmulo, que tinha entrado em decadência, foi reconstruído entre 1928 e 1934 sob as ordens do Xá Reza e agora se tornou o equivalente a um santuário nacional. 

O LEGADO DE FERDOWSI

Depois do  Shahnameh  de Ferdowsi  uma série de outras obras semelhantes  surgiram ao longo dos séculos dentro da esfera cultural da língua persa. Sem excepção, todas essas obras foram baseadas no estilo e no método do épico, mas nenhum deles conseguia alcançar o mesmo grau de fama e popularidade como a obra-prima de Ferdowsi. Ferdowsi tem um lugar único na história persa pelos avanços que fez ao revitalizar e regenerar as tradições  linguísticas e culturais  persas. Os seus trabalhos são responsáveis por manter grande parte da língua persa codificada e intacta. A este respeito, Ferdowsi supera Nizami , Khayyam , Asadi Tusi e outras seminais figuras literárias pelo seu impacto sobre a cultura e a língua. Muitos iranianos consideram-no como o pai da língua persa moderna. Ferdowsi   inspirou o Reza Shah Pahlavi  na criação da “Academia de Cultura” no Irã, para tentar remover palavras em árabe e turco da língua persa, substituindo-as por alternativas adequadas em persa. Em 1934, o Xá  instituiu uma cerimónia em Mashhad,   na província doKhorasan para comemorar mil anos de literatura persa desde a época de Ferdowsi, intitulada “Ferdowsi Millenary Celebration convidando notáveis estudiosos europeus e iranianos. Em Mashhad, há uma universidade criada em 1949 que também tem o nome de Ferdowsi.


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A HISTÓRIA DO PRÍNCIPE SIAVASH

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IAVASH foi um lendário príncipe, personagem do épico Shahnameh do poeta persa Ferdowsi. Ele era filho de Kay Kavus, xá dos primeiros dias do Império Persa. O seu nome significa literalmente “aquele com o cavalo preto”. No  Shahnameh Ferdowsi intitula o seu cavalo como Shabrang Behzadque significa “puro sangue da cor-da-noite”. Assim   que Siavash nasceu, foi levado a Zabul (no actual Afeganistão), onde o herói Rostam o ensinou a cavalgar e atirar com arco e flecha, enquanto outros professores o instruíram  à maneira dos reis. Quando Siavash cresceu, sentiu o desejo de   visitar   o seu pai Kay Kavus e Rostam acompanhou-o  de volta à corte real. 

Ao retornar para casa Siavash tinha-se tornado o guerreiro que seu pai esperava e como recompensa  foi nomeado governador de Tisfun. Mas uma das esposas de seu pai, Sudabeh filha de Hamavaranshah, apaixonou-se perdidamente por ele. Sudabeh dirigiu-se ao rei e elogiando o carácter do seu filho e propôs que ele se deveria casar com uma das donzelas de linhagem real sob os seus cuidados. Ela pediu que Siavash fosse enviado para o harém, a fim de ver todas as mulheres e escolher  uma delas para sua  legítima esposa . O rei aprovou a proposta, mas Siavash, por ser “modesto e tímido” e por suspeitar de Sudabeh,  hesitou em aceitar o pedido. Finalmente, por ordem

de seu pai, Siavash entrou no harém, mas na sua primeira visita,  não prestou atenção a Sudabeh e foi directamente para as outras damas, mas também não escolheu nenhuma delas. O rei  Kay Kavus  pediu-lhe novamente para escolher uma das mulheres do harém para sua esposa, mas Siavash desta vez não quis ir novamente ao harém. Sudabeh primeiro ofereceu a sua própria filha em casamento  a  Siavash e depois confessou que estava disposta até mesmo a matar o seu marido para que ele pudesse casar com ela legalmente, mas Siavash negou o seu pedido. Frustrada com a recusa do príncipe, ela inventou a falsa acusação que ele tinha tentado violentá-la. O rei, ao ouvir tal acusação sobre seu Siavash, pensou que só a morte poderia expiar esse crime. Mas primeiro pediu para cheirar as mãos de Siavash, e viu que tinham o cheiro de água de rosas e, em seguida,   tomou as vestes de Sudabeh que ao contrário, tinha um forte aroma de vinho. Após esta descoberta, o rei decidiu matar Sudabeh, convencido da falsidade da acusação que tinha feito contra o seu filho. Por fim, resolveu averiguar a inocência de Siavash através de uma prova. Siavash teve que passar pelo fogo, usando um capacete e uma túnica branca, montado no seu cavalo preto  Siah.  Quando Siavash voltou salvo da prova, a sua inocência estava provada. Kavus estava agora determinado a executar Sudabeh pela sua traição, no entanto Siavash pediu a seu pai que a perdoasse e ela não foi executada. O rei Afrasiab de Turan ameaçou invadir o Irão. O rei   Kavus resolveu que iria ele mesmo para o campo de batalha, mas Siavash pediu para ir no seu lugar, pois com a ajuda de Rostam, seria bem sucedido. Assim o rei forneceu todos os recursos do império para equipar as tropas designadas para acompanhá-los. Depois de um mês, o exército marchou para Balkh, o ponto de ataque. Por outro lado, Garsivaz, irmão de Afrasiab e governante de Balghar, juntou-se aos tártaros de Balkh, comandados por Barman, para combater o exército persa, mas depois de um conflito de três dias foram derrotados. Quando Afrasiab ficou a saber da notícia, já tinha sonhado com uma floresta cheia de serpentes, e que o céu ficava escuro pelo aparecimento de inúmeras águias (as águias provavelmente eram o símbolo dos persas). Ele pediu aos seus astrólogos, para darem uma explicação desta visão, mas todos hesitaram. Finalmente, um sábio chamado Saqim concluiu através do sonho que ele seria derrotado dentro de três dias. Afrasiab,

portanto, enviou Garsivaz ao quartel de Siavash, com presentes, incluindo cavalos, armaduras e espadas e exigiu a paz. Quando Garsivaz chegou diante de Siavash com a proposta, um conselho secreto foi realizado sobre que resposta deveria ser dada. Em seguida, foi decidido que  deveriam ser dados cem guerreiros como reféns, e a restauração de todas as províncias que os turanianos tinham conquistado ao Irão.  Garsivaz voltou imediatamente para Afrasiab para informá-lo das condições necessárias, que sem a menor demora foram aprovadas. Cem guerreiros foram logo postos a caminho e as províncias de Bokhara, Samarkand, Haj e Punjab, foram fielmente devolvidas à Siavash. E o próprio Afrasiab retirou-se para Gungduz. As negociações estavam concluídas e Siavash enviou uma carta ao seu pai pelas mãos de Rostam. O rei Kavus desaprovou a proposta e mandou que o seu filho Siavash fosse substituído por Tus como líder do exército persa ordenando que marchasse novamente contra Afrasiab. Ofendido Siavash foi consultar   Zanga og Shavaran e ele aconselhou-o a escrever uma carta para seu pai, manifestando a sua disponibilidade para renovar a guerra e matar os reféns. Mas Siavash achava que deveria manter a sua promessa e então decidiu abandonar o Irão e ir para o país de Afrasiab, Turan. Em Turan, Afrasiab recebeu Siavash calorosamente. O velho vizir turaniano Piran Visah concedeu a sua filha Jurairah  em casamento  a Siavash. Depois, Siavash casou-se com Farangis, filha de Afrasiab. O segundo casamento realizou-se em conformidade, e Afrasiab ficou tão satisfeito  que conferiu à noiva e ao seu marido a soberania de Khotan. Em Khotan, Siavash construiu a cidade de Siavashghord e o Castelo Gang. Piran Visah e Garsivaz visitaram a cidade de Siavash, mas o ódio e a inveja de Garsivaz eram tantos que começou a difamar  Siavash   diante de Afrasiab, dizendo que este pretendia tomar o seu trono. Então Afrasiab decide tomar a cidade de Siavash com o seu grande exército. Apesar de Siavash  se recusar a  lutar contra seu o sogro, todos os seus homem foram mortos e decapitados e as mulheres levadas como escravas.  Afrasiab queria matar Siavash com uma flecha, mas desistiu. No entanto Garsivaz manda seus homens decapitarem o inocente Siavash. Mais tarde ele foi vingado pelo seu filho Kai Khosrow que sucedeu ao trono da Pérsia. Siavash  é um símbolo da inocência na literatura persa. A sua morte é celebrada por alguns iranianos, especialmente em Shiraz , no dia chamado Siavashun.


artes, letras e ideias 15

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A LENDA DO SIMURGH

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IMURGH  é o nome persa moderno de uma fabulosa criatura alada mítica. A figura pode ser encontrada em todos os grandes períodos da arte e literatura persa, e é evidente também na iconografia medieval da Armênia, Bizâncio e de outras regiões que estavam dentro da esfera de influência cultural iraniana. O Simurgh é representado na arte iraniana como uma criatura alada na forma de um pássaro, grande o suficiente para levar um elefante ou uma baleia. Ele aparece como uma espécie de pavão com a cabeça de um cão e as garras de um leão, às vezes, também com um rosto humano. A natureza do Simurgh é inerentemente benevolente e inequivocamente feminina. Por ser parte mamífero, amamenta seus filhotes, tem dentes, é inimigo das serpentes e seu habitat natural é um lugar com muita água. As lendas iranianas consideram essa ave tão antiga que chegou a ver a destruição do Mundo três vezes. De acordo com os mitos, o Simurgh viveu séculos antes de Adão e viu muitas evoluções maravilhosas de diferentes espécies de seres que habitavam o universo, antes da criação da humanidade. A sabedoria do Simurgh vem da sua longevidade e acredita-se que possui o conhecimento de todas as Eras. Outra   lenda diz que o Simurgh viveu por 1.700 anos antes de se lançar nas chamas (muito parecido com a  Fénix  ). A criatura representava a união entre a terra e o céu, servindo como mediador e mensageiro entre os dois. A sua tarefa era purificar a terra e as águas e, portanto, conferir a fertilidade. A aparição mais famosa do Simurgh na literatura persa está no Shahnameh, o épico de  Ferdowsi, que descreve o seu envolvimento com o príncipe Zal. De acordo com o Shahnameh, Zal, filho do rei Sam, nasceu albino. Quando Sam viu seu filho albino, acreditou que a criança era a semente de demónios, e abandonou o bebé nas montanhas do Alborz. O choro da criança foi ouvido pelo benevolente Simurgh   que vivia no alto de uma montanha, e este adoptou a criança para si. Zal recebeu toda sabedoria e amor do Simorgh, mas quando se tornou adulto desejava voltar a participar do mundo dos homens. Embora o Simurgh estivesse terrivelmente triste, ofereceu-lhe três plumas de ouro que ele deveria queimar caso precisasse de sua ajuda. Ao voltar para seu reino, Zal apaixonou-se e

casou com a bela Rudabeh. Quando chegou a hora do seu filho nascer, o parto foi prolongado e terrível; Zal estava certo de que a sua esposa morreria. Rudabeh estava perto da morte quando Zal decidiu convocar o Simurgh. O pássaro apareceu e deu-lhe instruções sobre como realizar uma cesariana poupando Rudabeh e a criança, que se tornou um dos maiores heróis persas, Rostam.  A  terceira e última aparição do Simurgh no Shahnameh, ocorre durante a batalha de Rostam contra   Esfandiar. Rostam foi arrastado para fora de seu refúgio pelo jovem príncipe Esfandiar que exige a levá-lo cativo para o Xá. Claro que Rostam não concordaria, e eles acabam por lutar. No entanto, o corpo de Esfandiar é invulnerável e ,como resultado, Rostam recebe ferimentos múltiplos, alguns tão graves que tornam Zal temeroso de sua morte iminente. Neste momento, Zal convoca o Simurgh tomando as plumas douradas que lhe foram há 600 anos atrás. Simurgh cura as feridas de Rostam e não tendo conseguido convencê-lo a evitar esta batalha,  guia-o para o lado de  um leito de água onde há um ramo de tamargueira. Aconselha-o fazer uma flecha e ensina-o a manejá-la para atingir o seu alvo. A interpretação racionalista de Ferdowsi , transforma o Simurgh num personagem meramente mítico, um símbolo de sabedoria, ética e conhecimento puro.  O Simurgh faz também uma aparição na  Conferência dos Pássaros  de  Attar, na passagem que fala da viagem de um grupo de 30 aves, como alegoria de um mestre sufi levando seus alunos para a iluminação. A história narra o desejo do grupo de pássaros de conhecer o grande Simurgh, e que sob a orientação de uma poupa, começam a sua jornada. Um por um, desistem da viagem, cada um oferecendo uma desculpa por ser incapaz de a suportar. Cada ave tem um significado especial, o orientador é a poupa, enquanto o rouxinol simboliza o apaixonado. O papagaio procura a fonte da imortalidade, e o pavão simboliza a “alma caída”, que está em aliança com Satanás. As aves devem atravessar sete vales, a fim de encontrar o Simurgh: saudade, amor, iluminação, desapego, unidade, perplexidade e, finalmente, abnegação e esquecimento em Deus. Estes representam as estações que um Sufi ou

qualquer indivíduo deve passar para perceber a verdadeira natureza de Deus. Eventualmente, apenas 30 pássaros conseguem chegar na terra de Simurgh. Uma vez lá, tudo o que vêem são a si próprios, como o reflexo das 30 aves num

lago. As 30 aves que procuravam o Simurgh percebem que este nada mais é do que a sua totalidade transcendente. Si em persa significa”trinta”, emorgh,  significa “ave”, por esse motivo algumas lendas associam esse número ao tamanho da ave “que era tão grande como trinta aves”.


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DESPORTO

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VETERANO JEAN PERES ASSINA HAT-TRICK FRENTE AO HONG NAM

Casa de Portugal soma e segue MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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ONTINUA a escrever-se com triunfos e tonalidades de sucesso, o percurso do Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau na edição de 2014 do Campeonato de Futebol da II Divisão. A formação orientada por Pelé ainda não conquistou os pontos necessários para garantir a ascenção à Liga de Elite, mas a cinco jornadas do final da competição começa a parecer cada vez mais certo que apenas uma calamidade poderá impedir que o onze de matriz portuguesa comungue do convívio dos grandes do território na próxima semana. A derradeira vítima a sucumbir ao poderia da Casa de Portugal foi a exigente formação do Hong Nam. Embalado pela série de sucessos obtidos, o grupo de trabalho orientado pelo são tomense Pelé não deixou créditos por mãos alheias, ao golear o adversário por cinco bolas a

TÉNIS JOÃO SOUSA PERDE NA ALEMANHA E CONTINUA SEM VENCER

E vão seis derrotas consecutivas J OÃO Sousa, número um nacional, não vence um encontro há mais de um mês. Esta quarta-feira, em Dusseldorf, na Alemanha, o tenista português perdeu frente a Jurgen Melzer, 59.º do mundo, por 7/6, 4-6

e 4-6, no último torneio de preparação antes de Roland Garros. Depois de ter ficado isento na primeira ronda, João Sousa, 42.º do ranking ATP, disputou, esta quarta-feira, os oitavos-de-final

do torneio de Dusseldorf. A defender o estatuto de 4.º cabeça-de-série e procurando quebrar um ciclo de cinco derrotas consecutivas, o vimaranense sucumbiu em três sets perante o austríaco Jurgen Melzer.

Num encontro muito equilibrado, Sousa chegou a dispor de um set point no tie break do primeiro set, mas foi Melzer a levar a primeira partida por 6-7(6). Ao quinto jogo do segundo set, o português de

25 anos adiantou-se no marcador, provocando a primeira quebra de serviço em todo o encontro. Melzer devolveu o break no jogo seguinte, reduzindo a desvantagem para 4-3. Já com 5-4 e com o experiente austríaco de 32 anos ao serviço, um passing shot de esquerda de Sousa desequilibrou o set e Melzer. Uma advertência do árbitro e uma raquete partida depois, João Sousa aproveitou a terceira oportunidade de break para conquistar o segundo set por 6-4. Tal como sucedido em Kuala Lumpur, em 2013, na última vez que ambos se encontraram, foi necessário um terceiro set para determinar o vencedor da partida. No quarto jogo, com a partida empatada a 2-2, Sousa perdeu o controlo das emoções e sofreu o break, num jogo de serviço em branco da parte do português. A partir daí, o tenista vimaranense nunca mais recuperou e Melzer, no seu serviço, fechou o encontro com um ás, ao segundo match point, e ao fim de 2h21m de encontro.

zero, numa partida que teve em Jean Peres a sua principal figura. Aos 38 anos – e depois de ter estado afastado dos relvados durante várias temporadas – o atleta francês está a protagonizar uma temporada a todos os títulos irrepreensível. Ontem, no relvado do Campo da Universidade de Ciência e Tecnologia, o dianteiro gaulês apontou três dos cinco golos com que a Casa de Portugal se impôs frente ao adversário, numa partida de sentido único, o da baliza do Hong Nam. Jean Peres marcou três tentos de enfiada e reforçou o estatuto de melhor marcador da formação de matriz portuguesa na presente temporada. O avançado francês leva já catorze golos no campeonato, numa altura em que faltam ainda disputar cinco partidas. Miguel Botelho apontou o quarto tento do desafio, antes do irlandês Thomas Burke encerrar a contagem na recta final do desafio. Com o triunfo ontem alcançado frente ao Hong Nam, a Casa de Portugal em Macau necessita apenas de uma vitória para fazer a festa. A formação orientada por Pelé pode selar a subida à Liga de Elite já a 29 de Maio, dia em que defronta a Selecção de Sub-18 da Associação de Futebol de Macau.

Balotelli sofre insultos racistas no treino da selecção

O avançado Mario Balotelli (Milan) foi alvo de insultos racista durante o treino da selecção italiana. De acordo com a Imprensa italiana, grupo de jovens terá chamado a Balotelli «preto de m...» e a polícia foi forçada agir. Quando abandonou a sessão o avançado dirigiu-se aos jornalistas e disse: «Apenas em Roma e Florença estas coisas acontecem.»


( F ) UTILIDADES

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TEMPO

Cineteatro

TROVOADAS

MIN

26

MAX

30

HUM

80-98%

EURO

CINEMA

10.9

BAHT

0.2

YUAN

17

1.2

LÍNGUA DE gATO

X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST

GODZILLA [3D] [B]

SALA 1

X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST [B]

Um filme de: Bryan Singer Com: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James McAvoy 14.30, 16.45, 21.30

Um filme de: Gareth Edwards Com: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen 19.15

Pu Yi

SALA 3

THE AMAZING SPIDER-MAN 2 [B]

X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST [3D] [B]

Uma semana cheia de avisos

Um filme de: Marc Webb Com: A. Garfield, E. Stone, J. Foxx, D. DeHaan 14.15, 19.15

Um filme de: Bryan Singer Com: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James McAvoy 19.15

THE ETERNAL ZERO [C]

SALA 2

GODZILLA [B]

Um filme de: Gareth Edwards Com: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen 14.30, 16.45, 21.30

ACONTECEU HOJE

(FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Junichi Okada, Haruma Miura, Mao Inoue 16.45, 21.45

22 DE MAIO

Nasce Hergé, o ‘pai’ de Tintin, o nazi, o defensor de ideais racistas • Escritor, artista, e desenhador de banda desenhada, Hergé ficou célebre pela personagem que criou, mas também pela visão racista, neocolonialista e anti-semita de Tintin. Hergé, que nasceu a 22 de Maio, viu as suas obras passarem por uma revisão que lhe retirou um lado sombrio. A 22 de Maio de 1907, nasce Georges Prosper Remi, escritor e artista conhecido por “Hergé”, que conquistou fama com a sua personagem mais conhecida, criada em 1929 e publicada até à morte do autor (em Março de 1983), nos livros ‘As Aventuras de Tintin’. Hergé era conhecido como o ‘Walt Disney da Europa’. A sua arte levou-o ao reconhecimento mundial, pelo modo único como conjugava cores e pela originalidade das personagens. No entanto, o passado de Hergé é obscuro. Tinha ligações ao nazismo e uma proximidade com Léon Degrelle, líder nazi na Bélgica. O criador de Tintin era também racista e anti-semita, o que se repercutiu na sua obra. Alguns livros de Tintin tiveram mesmo de passar por revisões, com o objectivo de apagar das criações de Hergé o seu vinco ideológico. O livro ‘Tintin no Congo’ retrata os congoleses com uma visão racista - apresentada como sendo comum a todos os belgas, relativamente aos africanos. Por outro lado, os vilões da banda desenhada de Hergé eram negros, asiáticos, marxistas ou semitas, em resultado do ideal fascista do autor. Apesar desta faceta, certo é que o belga levou a sua arte a todo o mundo, com traduções em mais de 40 línguas. Astérix e Lucky Luke nasceram inspirados em Tintin, que marca uma nova era das ‘histórias aos quadradinhos’. Hoje, assinala-se o nascimento de um nome que conquistou o mundo pela arte, mas cujo passado fica marcado por questões de extremismo ideológico.

João Corvo

H O J E H Á F I L M E HOJE HÁ FILME – FIGHT CLUB , DAVID FINCHER (1999) Erro meu, só ter visto o “Fight Club” há pouco tempo, porque é, sem dúvida, um dos filmes mais marcantes da década de 90. O realizador David Fincher apresenta-nos uma película onde os universos da realidade e da ficção se (con)fundem. Entre fábricas caseiras ilegais de sabão, a fogo posto anónimo e um emprego que é tudo menos aliciante e competitivo, Edward Norton, Brad Pitt e a extravagante Helena Bonham Carter continuam a encher televisões e computadores pelos quatro cantos do mundo. “Fight Club” apresenta-se com um narrador anónimo, protagonizado por Norton e que, por alguma razão, sofre de insónias. Essa é a razão pela qual começa a frequentar grupos de apoio aleatórios, como de ninfomaníacos, toxicodependentes ou alcoólicos, onde conhece Marla. A sua vida muda completamente quando é confrontado e “obrigado” a relacionar-se com Tyler Durden, uma das personagens que melhor representa o desalento humano para com a sociedade vigente. E o resto é para ver. Através de uma narrativa melancólica quase poética, esta obra – adaptada do romance de Chuck Palahniuk – mostra-nos que o Homem não tem uma, mas sim várias caras. “Fight Club” consegue, através de regressos ao passado, prender o espectador de uma forma indescritível. Uma peça cinematográfica que inicialmente pode parecer versar apenas sobre sexo, drogas e mentes desfeitas, mas que acaba por focar conceitos mais profundos, como o de identidade e a insatisfação constante e eterna do ser humano perante a realidade que o circunda. - Leonor Sá Machado

fonte da inveja

Segue apenas um conselho: o que os outros não te dão.

A semana que está quase a chegar ao fim esteve repleta de avisos, aos quais espero que o Governo tenha dado atenção. Os avisos de que falo dizem respeito ao possível apocalipse que Macau poderá enfrentar nos próximos anos, caso o Governo continue a dormir como parece que tem vindo a fazer ate aqui. O primeiro aviso foi dado pelo académico Jorge Godinho na Fundação Rui Cunha. O docente da Universidade de Macau, especialista da área do jogo, alertou para a diminuição da qualidade de vida quando os casinos sofrerem mais um boom na zona do Cotai. E isto vai acontecer já nos próximos dois anos. Esta terça-feira aconteceu o segundo aviso. António Trindade, CEO da CESLAsia, avisou para o impacto que o turismo e o crescimento económico desta região estão a ter na qualidade do ar e pediu prioridades para a implementação do Metro Ligeiro e para uma melhor gestão dos transportes públicos. Ora os mais atentos a estas questões – e parece ser a maioria da população de Macau, que enfrenta estes problemas diariamente – já percebeu que tudo continua devagar, devagarinho e parado. Os autocarros permanecem uma confusão e o Metro Ligeiro lá avança devagarinho por entre derrapagens orçamentais, mudanças de concepção e indecisões quanto a ligação com a península. A Reolian era vista como a pior operadora de autocarros, responsável por todos os males. Pois bem, eles continuam, e a empresa verde já desapareceu. Bem podemos esperar sentados por uma melhor gestão do tráfego infernal, das estradas, das obras que nunca param. Mais vale esperar pelo surgimento dos novos casinos no Cotai, pois com isso as cadeiras não vão sequer ter tempo para aquecer.


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OPINIÃO

hoje macau quinta-feira 22.5.2014

Democracia amordaçada

O

Nuno Ramos de Almeida

Essa estratégia pode servir de desculpa à manutenção do governo até às legislativas mas é suicida. Nestas eleições joga-se a apreciação da política da troika, a avaliação da acção do governo e dos partidos da maioria, mas também se discute o papel da Europa e faz--se o balanço das principais escolhas feitas no processo de integração europeia. Como se vê, tudo coisas que condicionaram a nossa vida colectiva e nos levaram à situação miserável que hoje vivemos. A verdadeira democracia implica dar poder aos cidadãos de discutirem e decidirem as grandes questões que definem o futuro.

in jornal i

governo está apostado em que estas europeias tenham a maior abstenção de sempre para disfarçar a sua falta de legitimidade, agravada pela derrota que se avizinha. Sem debates televisivos, cobertura informativa nem mobilização popular, e no dia a seguir à Liga dos Campeões no Estádio da Luz, estas eleições quase não se sentem. Os partidos do governo fizeram uma retirada completa do terreno eleitoral. Não se vê uma acção de campanha de Passos Coelho e Paulo Portas. A campanha do PSD/CDS tem sede no governo, através da manipulação de estatísticas, sob a afamada lógica do óleo de rícino que sabe mal, mas cura maleitas, mau hálito e calos dos pés; é o célebre discurso de “os portugueses estão mal, mas o país está excelente”. Os enfadonhos tempos de antena da Aliança Portugal (coligação PSD/CDS) são exemplares a respeito desta estratégia. Estão construídos com um fundo de estrelinhas no “espaço última fronteira” e música de elevador, à imagem e semelhança de um programa chato sobre o vigésimo fundo estrutural para

cartoon por Stephff

garantir a curvatura dos pepinos, conforme portaria competente da UE, pago por uma verba europeia qualquer administrada por um burocrata do edifício Jean Monet. O governo de direita sabe que vai sofrer uma pesadíssima derrota eleitoral em 25 de

Maio e pretende-lhe tirar peso apostando decididamente na maior taxa de abstenção de sempre. Tem a seu lado um Presidente da República que, embora tenha jurado cumprir e fazer cumprir a Constituição, estará em qualquer circunstância ao lado do executivo.

METADES

Esta estratégia de esvaziamento da democracia garante os negócios milionários e o esbulho de salários e pensões, mas começa a tornar evidente que a maioria da população está fora do regime a que isto chegou. Estas eleições são mais um prego na urna Ao fazerem a esmagadora maioria das pessoas deixarem de participar nas eleições, o governo está a pôr fora deste regime o povo. Aliás, toda a estratégia dos sucessivos governos tem sido esvaziar a democracia até a ter tornado uma espécie de caricatura daquilo que se propõe. Diz-se que o falhanço do regime nascido com o 25 de Abril está no terceiro “D” da democratização, descolonização e desenvolvimento. Na verdade, o regime que se estabeleceu depois derrota do processo revolucionário falhou sobretudo em dar poder às pessoas para decidirem. Foi a própria promessa da democracia que foi quebrada: o povo não tem poder aqui. Começaram por esvaziar a política ao atribuírem todo o poder a instituições e a poderes não eleitos. Aqui as pessoas não são iguais perante a política: os mais ricos têm cada vez mais poder. E as leis que blindam o seu poder são decididas e garantidas por instituições não sufragadas. Querem-nos obrigar a ter austeridade da troika mais 40 anos. Esta estratégia de esvaziamento da democracia garante os negócios milionários e o esbulho de salários e pensões, mas começa a tornar evidente que a maioria da população está fora do regime a que isto chegou. Estas eleições são mais um prego na urna. Nada dura para sempre e isto pode rebentar.


opinião 19

hoje macau quinta-feira 22.5.2014

LEOCARDO

bairro do oriente

Como andar na rua em macau (para totós)

A

CHO muita graça àqueles manuais que explicam coisas a pessoas completamente ignorantes sobre o assunto, da série “para totós”, uma tradução algo saloia do original “for dummies” – eu cá traduziria “dummies” para “patetas”, mas aparentemente os portugueses preferem ser chamados de “totós” do que “patetas”, enfim, vá-se lá entender mais esta particularidade do ser lusitano. Alguns destes manuais explicam como funcionar com um sem número de instrumentos, aplicações ou novas tecnologias, e dão ainda noções básicas sobre os mais diversos temas, desde Técnicas de Vendas a Inteligência Emocional, passando por Gestão ou Matemáticas Aplicadas. Alguns títulos chegam a parecer bizarros, como são os casos do “Windows 8 para totós” ou ainda “Excel 10 para totós”. Após uma rápida pesquisa numa livraria virtual, descobri que o “Fotografia Digital para totós” é um dos mais requisitados, ao ponto de se encontrar actualmente esgotado. Da próxima vez que um estranho o fotografar, sorria, pois pode muito bem ser um totó. Não entendo como alguém que queira ter noções sobre algo que desconhece por completo prefere rebaixar-se à condição de totó, adquirindo um manual onde se explica tudo muito devagarinho, e com ilustrações para aqueles que dizem que ler “dá dores de cabeça”, em vez de se informarem junto de alguém que perceba sobre o assunto. Mas já que está na moda esta auto-redução à paráfrese socrática do “tudo o que sei é que não sei nada”, pensei numa adenda interessante a esta fascinante colecção: “Como andar na rua para totós”, ou no caso concreto, “Como andar na rua EM MACAU para totós”. É que já lá vai o tempo em que a angustiante experiência de circular a pé pelas ruas de Macau se resumia à zona comercial e turística, pois um pouco por toda a cidade é possível estabelecer contactos imediatos do primeiro grau com outros transeuntes a quem escapa a simples noção do “outro”, da presença de mais seres humanos no mesmo espaço físico. Não sei se esta matéria teria tripa que chegasse para encher chouriços que dessem para um manual da série “para totós”, mas posso deixar algumas noções para a apreciação do estimado leitor, assim em jeito de “preview”: - A rua, mais precisamente a zona reservada aos pedestres também conhecida por passeio, chamada de “via”, é pública – “via pública”, portanto. Isto significa que pertence a todos, e todos têm o direito

Alguns títulos chegam a parecer bizarros, como são os casos do “Windows 8 para totós” ou ainda “Excel 10 para totós”. Após uma rápida pesquisa numa livraria virtual, descobri que o “Fotografia Digital para totós” é um dos mais requisitados, ao ponto de se encontrar actualmente esgotado de nela circular livremente. Pense nisto antes de ficar à espera da esposa, do táxi que nunca mais chega ou da carrinha das mudanças, enquanto arreia no chão da via pública – que recordo, é de todos – as compras, os sacos, os móveis, ou o seu estaminé completo, “estrangulando” a circulação normal das pessoas que não têm nada a ver com a sua vida. - Se estiver à espera de alguém, combine um local de encontro onde não atrapalhe. Evite especialmente as áreas junto a edifícios públicos e comerciais, onde entram e saem constantemente pessoas, e paragens de autocarro. Neste último caso, parece estar a tornar-se moda combinar ali um “rendez-vous”, mas ficaria surpreendido com a quantidade de locais mais convenientes não as paragens de autocarro, onde, como o nome indica, é suposto esperar-se por um transporte público colectivo – o tal “autocarro”. - E já que falamos de edifícios públicos ou comerciais, tenha a gentileza de prestar atenção no momento em que sai de um desses locais, cuidando que olha para a frente, e não para trás, para o lado ou para o chão, arriscando-se assim a chocar com alguém que, não sendo dotado de visão raio-x, ignora que se prepara para levar com

um presunto ambulante em cima. Ainda por cima agora com este calor e humidade “muito acima dos 100%”, citando o imortal Gabriel Alves, temos que admitir que não é lá muito agradável. - Menção especial para os peões que teimam em usar o telemóvel enquanto circulam pela via pública. E não me refiro, logicamente, à função para a qual esta tecnologia foi inventada, que requer apenas o uso das funções oral e auditiva, deixando o sentido da visão livre para evitar andar aos encontrões com o resto da humanidade. Seja qual for a aplicação que estiver a usar que o faz andar pela rua feito um tontinho com os olhos pregados no ecrã do aparelho, deixe-me dizer-lhe que: 1) se necessita urgentemente de mandar um SMS, procure um local ou se possa sentar ou 2) se estiver ocupado com uma futilidade qualquer, um jogo, pornografia “hentai”, seja lá o que for, isso pode esperar; não seja alarve, por delicadeza. - No caso de ser turista, ou se encontrar de férias, que bom para si. Contudo respeite quem não está de férias e precisa de tratar da sua vida. Se quiser passear, recomendo-lhe a ilha do Coloane, onde o comércio e os serviços estão em minoria em relação às árvores e aos passarinhos. Se está acompanhado da namorada, em vez

de passear a passo de caracol de mãozinha dada na rua, ocupando a quase totalidade do passeio, sugiro que procure antes uma daquelas pensões que se encontram um pouco por toda a parte, onde pode dar largas ao seu afecto, e no fim vai ver que ainda me agradece. Julgo que ainda é possível alugar um quarto por 100 patacas à hora, e 150 por duas horas, caso lhe apeteça uma sesta depois do “namoro”. - Agora que temos tido a companhia sempre desagradável da chuva, é necessário recorrer ao volumoso mas obrigatório guarda-chuva, com convém saber usar com deferência pela restante população. Lembre-se que quando chove, é para todos, e nada justifica andar por aí a enfiar varetas nos olhos do vizinho do lado. Já agora evite sacudir o guarda-chuva antes o abrir quando sai para a rua, pois assim pode haver alguém que leva com a água que não lhe caiu em cima. Não se preocupe que o objecto não se constipa. - Para a terceira idade, os velhinhos e velhinhas, que coitadinhos, trabalharam uma vida inteira, os pobrezinhos, uma pequeno conselho: ninguém vos proíbe de andar na rua em ritmo de marcha fúnebre, mas evitem fazê-lo durante as chamadas horas de ponta, quando há pessoas com pressa que precisam de se despachar para ir para o trabalho, e assim contribuir para a segurança social, que depois vos pagam as pensões, que depois vocês usam para comprar, remédios, pagar os “yum-cha” e impregnarem-se de lavanda, etcetera. Sei que é preciso respeitar os idosos, mas por outro lado, enquanto as moléculas que compõem o meu todo faziam ainda parte de matéria diversa, já eles andavam por aí cantando e rindo. Para quem não entende o que é isto do “ciclo da vida”, recomendo um filme muito bom sobre o assunto: “O Rei Leão”. - Uma palavra final para os cidadãos automobilizados que gostam de estacionar o carro em cima do passeio ou passar de mota na zona reservada a pedestres para “cortar caminho”: o que vocês estão a fazer É ILEGAL! Portanto TOMEM ATENÇÃO AO QUE ESTÃO A FAZER, E NÃO REFILEM! Pronto, penso que isto ficou claro. E são estes alguns tópicos, que a juntar a outros que deixei de fora mas muitos leitores devem certamente ter observado enquanto andam a pé por Macau, davam um bom manual de “Como andar na rua em Macau, para totós”. E casos há em que “totó” é um dos nomes mais simpáticos que ainda se pode chamar a certos peões que temos a oportunidade de ver por aí todos os dias, e com os quais já tivemos oportunidade de esbarrar uma vez ou outra.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Joana Freitas (Coordenadora); Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; José C. Mendes; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com. mo Sítio www.hojemacau.com.mo



Hoje Macau 22 MAI 2014 #3094