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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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MOP$10

SEXTA-FEIRA 22 DE MARÇO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4255

DIÁRIO DE VIAGEM

FOGO PRESO

VALÉRIO ROMÃO

JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE

MUNDO E MÚSICA ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

EUROPA | CHINA

UMA FAIXA, MUITA NOTA

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hojemacau

PÁGINA 12

Crimes da casa

No espaço de uma semana, dois crimes insólitos terão ocorrido no território. No domingo, um menor de 16 anos terá violado uma adolescente de 17 anos, enquanto

HABITAÇÃO

Trocas e lesados PÁGINA 4

Segurança OPINIÃO

o pai da jovem dormia. Já na terça-feira, em Seac Pai Van, um homem terá tentado estrangular a mulher com o cabo do carregador do telemóvel.

JORGE RODRIGUES SIMÃO

ROTA DAS LETRAS

‘Droga’ para três dias

SOFIA MARGARIDA MOTA

PÁGINAS 7 E 9

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EVENTOS

PEDRO LAMARES

COM O SENTIDO MARÍTIMO ENTREVISTA


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PEDRO LAMARES

ENTREVISTA

Pedro Lamares teve um percurso que passou por múltiplas formas de expressão artística, até que Pessoa o encaminhou para dizer poesia, o que o levou à representação. Todas estas estradas trouxeram o actor até Macau numa viagem que culmina, sábado às 21h, no palco do Teatro D. Pedro V, onde vai recriar o poema “Ode Marítima”, de Álvaro de Campos Está em Macau a recitar a “Ode Marítima” de Fernando Pessoa. Como é representar este texto emblemático do Pessoa? A Ode Marítima é aquilo a que chamamos na gíria teatral “um bife”. É um grande naco, e não é pela quantidade de texto. Aliás, eu não o faço de cor, o espectáculo é uma leitura viva e encenada. É um desafio brutal, acho que é, eventualmente, a coisa mais difícil e mais exigente que já disse. O texto pede uma entrega absoluta, não vale a pena dizer aquilo se não estiver disponível a entrar naquela espiral e encontrar a determinada altura o vórtice e alguma linha de trabalho que não seja um desatino total, que não seja só a loucura. Não há outra forma de fazer este espectáculo, sem ser com entrega total. A “Ode Marítima dá cabo de mim, é porrada emocional. Na semana antes de ter este espectáculo normalmente adoeço, fico sem voz. É uma cena psicossomática.

SOFIA MARGARIDA MOTA

ACTOR

“A ‘Ode Marítima’ dá cabo de mim”

O texto tem uma estrutura perfeita, é completamente pessoano; temos todo o delírio do Álvaro de Campos, visceral, mas tens o cérebro do Pessoa permanentemente a actuar sobre aquilo. O texto é tripartido. O primeiro bloco é a instalação, em que ele se senta no cais de pedra numa manhã de Verão e começa a observar o que vai acontecendo, mas ainda numa zona muito pacífica. A segunda parte é a subida em espiral, o de-

lírio absoluto e depois cai a pique de um momento para o outro. O terceiro momento é todo em baixo é toda a reflexão sobre o que aconteceu ali. A primeira vez que disse a Ode, ao trabalhar o texto em casa, há nove anos, sentei-me à noite na mesa da sala com um whisky, um cinzeiro e um maço de cigarros à frente. Comecei a tentar ler o texto para dentro e aquilo é ilegível. Entra-se nas onomatopeias e é impossível, não estava mesmo

a conseguir. Quando ia para aí na quarta página, voltei atrás e resolvi começar a dizer o texto em voz alta. Descomprometidamente. Liguei um cronómetro. Percebi que o texto tem exactamente 60 minutos, divididos em três blocos de 20. Sem ter o texto na cabeça, comecei a dizê-lo e entrei naquela espiral. Aliás, como ele diz no texto “o volante começou a girar dentro de mim”. Quando dei por mim, eram duas da manhã e, de

repente, tudo começou a surgir com essa lógica muito evidente. Representou Fernando Pessoa no filme “ Filme do Desassossego” de João Botelho. Como foi essa experiência? Morri de medo no início. A minha ligação ao Pessoa vem de muito pequeno. Com treze anos comecei a ler Alberto Caeiro, quando o meu padrasto me ofereceu “O guardador de rebanhos”. Aquilo mudou


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em nenhum movimento artístico que não esteja comprometido com alguma coisa. Uma coisa que é feita só para agradar ou para ser bonita não me interessa como arte. Atenção que eu adoro o belo, sou um esteta. Adoro o belo, adoro pilotar aviões e não há nada mais belo do que estar lá em cima, no cockpit a ver o pôr do sol no Saara. É lindíssimo, mas não é arte. O meu trabalho artístico tem quase sempre um comprometimento, pelo menos com uma ideia de mundo, de pensamento, com uma ideia social que me acompanha. Estas coisas estão juntas. Portanto, o poema do Gabriel Celaya, cujo título dá nome a esse espectáculo, tem exactamente que ver com aquilo em que acredito. Ele diz: “maldigo a arte que é concebida como luxo cultural para os neutrais”.

tudo. Acho que foi isso que me pôs a dizer poesia, foi o dizer poesia que me pôs a estudar teatro. Aquilo condicionou o caminho da minha vida de uma forma definitiva, sem charme e sem romantismos. Fazer o Pessoa no “Filme do Desassossego” era assustador para mim. Além da força que o Pessoa tem na minha vida e, portanto, a responsabilidade natural que isso já me traria, existe todo um imaginário. Toda a gente tem um Pessoa na cabeça, qualquer português tem uma imagem do Pessoa. É um ícone. Corremos o risco de rejeição, como se se tratasse de um corpo estranho. Na altura, tive uma conversa com muito importante com o João Botelho, em que lhe falei desses medos, e ele disse-me: “Não quero fazer um documentário histórico, para isso existe a BBC. Quero fazer um filme, isto é sobre arte. Portanto, tu não vais ser o Fernando Pessoa, vais ser o Sr. Pessoa do ‘Filme do Desassossego’. Constrói”. Aquilo

libertou-me completamente, mas não me tirou a responsabilidade. Tem um espectáculo intitulado “A poesia é uma arma carregada de futuro”. É isso que acha da poesia? Acho, absolutamente. Na arte em geral, e como escolhi a poesia como ferramenta é dessa que vou falar. Não tenho interesse na arte que não desarrume. Não tenho interesse

“Acabei por estudar teatro, a profissão dos esquizofrénicos. Como queria ser tanta coisa ao mesmo tempo, decidi fazer algo que me pagam para ser uma coisa diferente de cada vez.”

Estamos a falar da palavra. Acha que a palavra escrita está em vias de extinção nesta era digital? Se pensarmos em escrita, como caligrafia tonta e coisas feitas à mão, ou livros em papel, não sei se em vias de extinção, mas em vias de entrar numa zona residual quase museológica acho que sim, dentro do romantismo. Ainda existem máquinas de escrever, e penas e canetas de tinta permanente, mas ninguém as usa. Eu tenho em casa porque sou um romântico e acho bonito, mas não as uso também. Portanto, acho que, mais cedo ou mais tarde, o objecto livro estaria mais ou menos na mesma dimensão. Eu não leio em livro electrónicos porque não me dá jeito. Gosto de sublinhar e de riscar de dobrar folhas, porque sou arcaico. Mas não tenho nada contra. Não acho que isso seja o fim da escrita. Há ameaças muito mais sérias à escrita e ao pensamento crítico que não sei se os distingo um do outro. Quais? A banalização e o vício do excesso de estímulo. A lógica digital que começa a trabalhar em nós uma ideia de que se não estivermos a ser permanentemente estimulados e se uma coisa não nos agarrar desde o primeiro momento com imensa

“Na verdade, gostava de sentir a cidade [Macau] na sua memória histórica e no confronto entre passado e presente, sem saudosismos bacocos.” informação visual sonora etc., nós desistimos dela. Isso sim, acho que é uma coisa que nos vai afastando daquilo que precisamos para ler e que nos vai pondo mais à superfície. A leitura exige de nós outro tipo de exercício mental, outro tipo de contemplação, de atenção e de paciência, de pensamento, de tempo. É muito mais fácil ver um filme do que ler um livro, e por sua vez é muito mais fácil ver uma série do que ver um filme e por sua vez é muito mais fácil ver um vídeo de cinco minutos do que acompanhar uma temporada de uma série. E por aí vamos. Por isso, depois aparecem fenómenos de escrita como uma fotografia e uma frase inspiradora, algo que não demore mais de 30 segundos a ler. Isso para mim ameaça mais a escrita do que o formato digital em si. Não sou conservador, a escrita pode mudar de forma. Mas acho que estamos num processo social que pode pôr em risco, e aí a escrita e a leitura são só a ponta do iceberg. Isso está a pôr em risco a nossa capacidade de questionamento e isso sim, pode ser gravíssimo. Quais são os livros da sua vida? Antes de mais tenho que falar do “Guardador de Rebanhos” do Alberto Caeiro, porque é brutal. Esse estará seguramente entre os livros da minha vida. O “Medo” do Al Berto que foi um livro que literalmente desfiz, a capa já saiu, criou bolhas. O Herberto Hélder, não é um livro, é um autor, mas também tem uma importância brutal. Portanto, se tivesse que escolher um livro diria a “Poesia Completa” porque me reensinou a dizer poesia. Ensinou-me a não trabalhar pela parte racional a não

“Não tenho interesse na arte que não desarrume. Não tenho interesse em nenhum movimento artístico que não esteja comprometido com alguma coisa.”

trabalhar só pelo entendimento do texto e pela sua narrativa. Com ele tive de trabalhar com outro lado de mim, com uma sensação de pele e com imagens. Estes três ao nível da poesia terão sido os mais marcantes. Ao nível do romance, coisa bastante óbvias. Marcou-me imenso ler “Os Maias”. A primeira vez que chorei a ler um livro foi a ler “Os Maias”, acabei de o ler e voltei a ler passado um ano. Outro romance que li muitos anos mais tarde e que me marcou imenso, do Sándor Márai, “As velas ardem até ao fim”, é muito duro. Tchekov também me marcou-me muito. O Oscar Wilde também me marcou muito, deixa-me desarrumado. Mas é engraçado que nunca tinha pensado nos livros da minha vida. Acho que o “Ensaio sobre a Cegueira” também seria um dos livros da minha vida. Fala daquilo que pode ser a sociedade em estado de medo ou em estado de crise. Começou nas artes plásticas, ainda andou pelo jazz e, a determinada altura, entrou numa licenciatura em música sacra. Chama-se adolescência. Há aquelas pessoas que na adolescência vão fumar charros ou fazer coisas que os pais não deixam. Eu não tive uma educação católica, portanto, acho que o meu gesto de rebelião aos 18 anos foi estudar música sacra. Tive lá um ano e fui-me embora para estudar teatro. A literatura não faz partes das artes está em humanidades. É uma lógica estranha, deve ter sido escrita pelo Kafka. Depois vais para as tais artes e passas anos a estudar história de arte e algumas técnicas de desenho, pintura e escultura e gravura. Mas acabei por estudar teatro, a profissão dos esquizofrénicos. Como queria ser tanta coisa ao mesmo tempo, decidi fazer algo que me pagam para ser uma coisa diferente de cada vez. Acabou de chegar a Macau. O que gostaria de levar daqui? Na verdade, gostava de ter três experiências: sentir a cidade na sua memória histórica e no confronto entre passado e presente, sem saudosismos bacocos. Gostava de ver o que restou e como as pessoas vivem; tenho alguma curiosidade de ver a parte dos casinos, uma curiosidade exótica. Quero ver aquelas luzes e sentir-me num filme americano dos anos 90. Depois gostava muito de dar um salto ao continente. Passar a fronteira e ir à China de verdade. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


4 política

RÓMULO SANTOS

22.3.2019 sexta-feira

380 pessoas intentaram acções judiciais contra o Governo, com o valor das indemnizações exigido a ascender a 2,8 mil milhões de patacas

O

jogo mudou. Os promitentes-compradores afectados pela declaração de caducidade da concessão do terreno onde compraram casas em construção que processarem o Governo arriscam deixar de ser elegíveis para a compra de uma habitação para a troca. Tudo vai depender do desfecho em tribunal: Se vencerem e forem indemnizados (independentemente do valor) perdem o direito a candidatar-se. Um cenário aplicável aos investidores do complexo residencial Pearl Horizon. A mexida foi introduzida pelo Governo na nova versão de trabalho do Regime jurídico de habitação para alojamento temporário e de habitação para a troca no âmbito da renovação urbana entregue aos deputados da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) que analisam o

HABITAÇÃO PARA TROCA NOVAS REGRAS PARA PROMITENTES-COMPRADORES LESADOS

A bolsa ou a casa

Os promitentes-compradores lesados pela reversão do terreno onde adquiriram fracções em planta – como os do Pearl Horizon – vão deixar de ser elegíveis à compra de uma habitação para a troca se forem indemnizados na sequência de acções intentadas contra o Governo em tribunal diploma em sede de especialidade. A alteração – de fundo – tem como objectivo evitar que haja um “duplo benefício”. “Se a parte sair vencedora [em tribunal, após processar o Governo] ao permitir-se a disponibilização de uma habitação para a troca pode originar-se o problema do duplo benefício”, afirmou ontem o presidente da 3.ª

Comissão Permanente daAL, Vong Hin Fai, citando a justificação dada pelo Governo. No entanto, nem todos os deputados concordaram, como reconheceu, dando conta, aliás, de que foi encaminhada para o Governo uma carta com opiniões de um dos nove membros precisamente sobre o artigo alvo de mudanças que diz respeito às disposições especiais. Vong Hin Fai

Grande Baía Leong Sun Iok quer mais acção do Governo O plano para o projecto da Grande Baía foi recentemente divulgado e Macau não pode ficar à espera para tomar iniciativas e estabelecer políticas que se coadunem com a proposta nacional de integração regional. A ideia é defendida pelo deputado Leong Sun Iok que, em interpelação escrita, apela à tomada efectiva de medidas por parte do Executivo nesta matéria. O tribuno salienta a importância de divulgar publicamente o plano para que a população

possa ter conhecimento “profundo das oportunidades que pode desenvolver”. “O Governo vai desenvolver planos para explicar e mobilizar o entusiasmo do público em geral na construção da Grande Baía?” questiona. Por outro lado a população precisa de saber quais as politicas que vão ser implementadas de modo a promover o desenvolvimento local no projecto que também envolve Guangdong e Hong Kong de modo a definir prioridades para o futuro.

escusou-se, contudo, a revelar o nome do deputado e o conteúdo da missiva. “Trata-se de questões complexas. É uma opinião particular e, por isso, peço compreensão”, afirmou. Apesar da “calorosa” discussão, a “maioria” dos membros da 3.ª Comissão Permanente da AL aceitou os argumentos do Governo, olhando para a mexida como “residual”, dado que,

ganhando ou perdendo a acção em tribunal contra o Governo, o promitente-comprador lesado sempre “fica com algo”.

DIREITOS (I)LIMITADOS

O Executivo rejeitou, porém, a possibilidade de as mexidas condicionarem a decisão dos lesados. “Claro que o Governo respeita o direito de intentarem acções”, mas “há que maximizar o erário público” afirmou o presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL. Segundo dados facultados por Vong Hin Fai, 380 pessoas intentaram acções judiciais contra o Governo, com o valor das indemnizações exigido a ascender a 2,8 mil milhões de patacas, o que perfaz uma média de 7,5 milhões de patacas por processo. O presidente da 3.ª Comissão Permanente da ALesclareceu, no entanto, que

as acções interpostas contra os promotores, por exemplo, em nada interferem numa candidatura a uma habitação para a troca.

CHEFE DECIDE ÁREA

Anova versão de trabalho contempla outras mexidas. À luz da proposta de lei aprovada na generalidade em Dezembro, o preço de venda de habitação para a troca é fixado por despacho do Chefe do Executivo, tomando como “referência” o valor constante do contrato promessa de compra e venda. Ora, segundo Vong Hin Fai, o mesmo vai suceder com a área. Já a nível técnico, por exemplo, foi aditado um novo artigo que define as competências, estabelecendo que compete ao Tribunal Judicial de Base – e não ao Tribunal Administrativo – o julgamento das acções intentadas contra a entidade responsável pela renovação urbana, dado que, como revelado anteriormente, será uma sociedade de direito privado, embora a constituir em exclusivo com capitais públicos. Desconhece-se, neste momento, porém, mais detalhes sobre a futura empresa, com o presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL a indicar que os deputados não sabem inclusive quem são os sócios. Diana do Mar

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política 5

sexta-feira 22.3.2019

EXTRADIÇÃO MACAU SEM PEDIDOS EM MENTE PARA HONG KONG

Não me lembro de ninguém Macau não tem, actualmente, intenção de pedir a Hong Kong a entrega de infractores em fuga. Já em sentido inverso, a ser aprovada a alteração à lei que regula a extradição na antiga colónia britânica, os pedidos da RAEHK vão ser analisados caso a caso pelo Ministério Público

A

secretária para a Administração e Justiça afirmou ontem que, actualmente, o Governo não tem interesse em pedir a Hong Kong a entrega de infractores em fuga para serem julgados pelos tribunais de Macau. Aos jornalistas, à saída de uma reunião da Assembleia Legislativa, Sónia Chan ressalvou, porém, que a revisão e entrada em vigor da lei na antiga colónia britânica “ainda necessita de tempo”. Já em sentido inverso, ou seja, os pedidos de entrega

Pedidos de entrega de fugitivos por Macau a Hong Kong serão decididos “caso a caso” pelo Ministério Público

de fugitivos por Macau a Hong Kong serão decididos “caso a caso” pelo Ministério Público, reiterou Sónia Chan, ao ser questionada sobre a proposta de alteração à lei que regula a extradição em Hong Kong, apresentada em Fevereiro. A revisão legislativa visa permitir a transferência recíproca de fugitivos para jurisdições com as quais Hong Kong não tem tratados de extradição, incluindo Macau, Taiwan e China.

COLARINHO BRANCO DE FORA

É expectável que o diploma, que tem gerado controvérsia na região vizinha principalmente pelo receio de que abra caminho à entrega à China de pessoas procuradas por motivos políticos, seja votado ainda durante a actual sessão legislativa que termina no próximo mês de Julho. À luz do plano delineado pelo Governo de Hong Kong, num estágio inicial, cabe ao Chefe do Executivo

decidir se autoriza a transferência do infractor em fuga, mas a última palavra compete aos tribunais. A alteração à lei foi desencadeada na sequência do

homicídio de uma mulher de Hong Kong em Taiwan no ano passado, dado que o principal suspeito regressou a Hong Kong ficando fora do alcance das autorida-

CHEFE DO EXECUTIVO LOCAIS PARA ELEIÇÃO VISITADOS

A

Comissão dos Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE) visitou ontem os três locais onde vão

decorrer as eleições para eleger o colégio eleitoral: o pavilhão polidesportivo do Instituto Politécnico, o Fórum Macau e a Escola Luso-Chinesa técnico profissional são os sítios considerados pela comissão. O colégio eleitoral é o organismo responsável pela escolha do próximo chefe do Governo de Macau e vai ser composto por 400 elementos, que vão sair de sete sectores ou subsectores diferentes da sociedade. Como tal, “são precisos três locais de voto”, de acordo com a presidente da CAECE, Song

Man Lei, cita a mesma fonte. “O Instituto Politécnico vai ter dois sectores ou subsectores, o Fórum de Macau três e a Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional dois”, disse Song Man Lei. Como já tinha sido anunciado, este ano vão ser três os locais de eleição do Colégio Eleitoral, em vez dos cinco das últimas eleições. Espaço, acessos e trânsito são os principais factores que vão estar na base da decisão dos locais. A eleição do colégio eleitoral acontece no dia 16 de Junho, entre as 9h e as 18h.

des da Ilha Formosa. Esta semana foram divulgadas informações dando conta de que o Executivo de Hong Kong vai considerar a possibilidade de eliminar

da proposta uma série de crimes de colarinho branco na alteração à lei que regula a extradição. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com

Grande Baía Lionel Leong apela a “sentimento de urgência” O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong pediu ontem aos empresários locais que desenvolvam um “sentimento de urgência” no que diz respeito à participação na Grande Baía. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Leong

participou num evento sobre a Grande Baía e avisou que se não houver uma participação activa do sector empresarial, a economia de Macau corre o risco de se atrasar em relação às outras cidades.

Pequim Chui vai ao Fórum de Desenvolvimento da China O Chefe do Executivo vai amanhã a Pequim para participar no Fórum de Desenvolvimento da China 2019. A informação foi avançada ontem. O evento tem como tema “Maior abertura para promover a cooperação com benefícios mútuos”. Chui Sai On vai participar na cerimónia de abertura e no jantar de comemo-

ração da 20.ª edição do evento. Além disso, discursa na sessão em que vai estar em discussão o projecto da Grande Baía no contexto da economia global. A visita vai decorrer até segunda-feira e Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, fica interinamente a desempenhar as funções do Chefe do Executivo.


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22.3.2019 sexta-feira

EDITAL Edital n.º : 17/E-BC/2019 Processo n.º : 402/BC/2018/F Assunto : Início da audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local : Beco da Alegria n.º 61, Edf. Chong Fok Garden (Nice Court), partes do terraço sobrejacentes às fracções 17.º andar I, 17.º andar J, 17.º andar K e 17.º andar L, Taipa. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados os donos das obras executadas nos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Local

1.1 Parte do terraço sobrejacente à fracção 17.º andar I 1.2

1.3 Parte do terraço sobrejacente à fracção 17.º andar J 1.4

Obra Infracção ao RSCI e motivo da demolição Construção de um compartimento com portão metálico, paredes em Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução alvenaria de tijolo e pavimento em do caminho de evacuação. betão. Construção no compartimento acima referido de um segundo piso com Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução cobertura metálica, janelas de vidro e do caminho de evacuação. paredes em alvenaria de tijolo. Construção de um compartimento Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução com paredes em alvenaria de tijolo, do caminho de evacuação. janelas de vidro e pavimento em betão. Construção no compartimento acima Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução referido de um segundo piso com pado caminho de evacuação. redes em alvenaria de tijolo, placas de vidro e cobertura plástica. Construção de um compartimento com paredes em alvenaria de tijolo, Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução gradeamento metálico e pavimento do caminho de evacuação. em betão.

1.5 Parte do terraço sobrejacente à fracção 17.º Construção no compartimento acima andar K referido de um segundo piso com pa- Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução 1.6 redes em alvenaria de tijolo, janelas do caminho de evacuação. de vidro e cobertura plástica. Construção de um compartimento com paredes em alvenaria de tijolo, Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução 1.7 Parte do terraço cobertura metálica e pavimento em do caminho de evacuação. sobrejacente betão. Construção no compartimento acima à fracção 17.º referido de um segundo piso com paInfracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução andar L 1.8 redes em alvenaria de tijolo, janelas do caminho de evacuação. de vidro, cobertura plástica e gradeamento de vidro.

2.

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Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 17 de Março de 2019 O Director de Serviços Li Canfeng


sociedade 7

sexta-feira 22.3.2019

Trânsito DSAT vai analisar cruzamento da Rua do Monte

A Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) vai avaliar as barreiras metálicas colocadas para impedir o trânsito entre o cruzamento da Rua do Monte e a Rua de Santa Filomena, junto ao restaurante Mariazinha. Numa resposta enviada ao HM, após o caso de uma ambulância que ficou presa na zona a aguardar que alguém retirasse as barreiras metais, a DSAT explicou que aquela zona integra a área do Largo do Senado, que ainda antes da transição foi fechada ao trânsito. Impedir a circulação de viaturas na área e proteger os peões foram as justificações dadas pela DSAT para a colocar as barreiras metálicas e instalar sinais de circulação proibida. Sobre o incidente da ambulância, a DSAT defende que há outros caminhos que permitem chegar às habitações. Mesmo assim, os serviços ponderam a reavaliação da situação e proceder a eventuais alterações necessárias.

JOGO O IMPACTO DA GUERRA COMERCIAL

A

U

M jovem de 16 anos foi detido depois de ter sido acusado de violar uma estudante de 17 anos. O caso foi apresentado, ontem, pela Polícia Judiciária (PJ) e terá acontecido no domingo, em casa da vítima enquanto o pai desta dormia. Segundo as autoridades, o alegado crime terá acontecido depois da jovem ter negado um pedido de namoro do rapaz de 16 anos. Segundo a versão apresentada pela PJ, o rapaz era conhecido dos pais da vítima e deslocou-se à casa desta com o propósito de entregar compras feitas pela mãe da própria vítima. Nessa altura, além da jovem apenas o pai se encontrava em casa. “Durante a visita, o suspeito pediu a vítima em namoro, mas foi recusado. Na sequência, a vítima foi para o quarto. Mas o suspeito ficou zangado, foi atrás dela e empurrou-a para o chão e tentou violá-la. Nessa altura, a vítima ainda conseguiu soltar-se”, contou o porta-voz da PJ. “Só que mais tarde, o suspeito voltou a empurrá-la para o chão, meteu o preservativo e violou-a”, relatou. Após o ataque, o jovem arrependeu-se e pediu desculpas à vítima, que se tinha trancado no quarto. “Como a vítima estava trancada no quarto ele entrou através da janela, agarrou-se aos metais de protecção e conseguiu entrar. Nessa altura, o sujeito pe-

VIOLAÇÃO MENOR TERÁ VIOLADO VÍTIMA ENQUANTO O PAI DORMIA

Confissões de um adolescente

Um menor de 16 anos foi acusado de violação num caso insólito. O crime terá ocorrido enquanto o pai da vítima dormia na mesma casa. Exames forenses não revelaram sinais de violência, mas o atacante confessou o crime diu desculpas à vítima”, contou, ontem, a força de segurança.

QUEIXA APÓS DOIS DIAS

Só depois do jovem ter alegadamente tentado atacar a vítima duas vezes, ter entrado no quarto da rapariga pela janela e deixado o local é que o pai acordou. “Após o jovem ter saído do local, a vítima trancou-se no

quarto a chorar. Isso fez com que o pai se apercebesse de que algo não estava bem. Contudo, a vítima não lhe contou nada”, informou a PJ. Finalmente, na terça-feira, dois dias depois do ataque, a jovem contou aos progenitores que tinha sido violada. Nessa altura, os pais da vítima contactaram os do jovem, que lhes

“Ele entrou através da janela, agarrou-se aos metais de protecção e conseguiu entrar. Nessa altura, o sujeito pediu desculpas à vítima.” PORTA-VOZ DA POLÍCIA JUDICIÁRIA

indicaram que o filho estava internado no hospital. Assim, quando o atacante teve alta, na quarta-feira, foi detido pela PJ: “Depois de ter sido detido, ele confessou a prática do crime. Mas as análises forenses mostraram que não havia feridas óbvias no corpo da vítima [resultantes da violação]”, admitiu o porta-voz da PJ. O caso foi reencaminhado para o Ministério Público (MP) e o jovem enfrenta uma acusação pelo crime de violação, punível com uma pena que pode ir dos 3 aos 12 anos de prisão. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

grande questão para a indústria dos casinos na RAEM é como se vai lidar com os efeitos das relações comerciais entre a China e os Estados Unidos. Este foi o foco da discussão tida num painel de analistas do ASEAN Gaming Summit 2019, que terminou ontem em Manila, nas Filipinas. Uma das previsões é que os junkets podem cortar nos empréstimos a jogadores VIP ligados ao sector industrial, devido a preocupações com o aumento de tarifas e a possibilidade de estas resultarem em dívidas por saldar. O painel constituído por Vitaly Umansky, da Bernstein Global Wealth Management, Praveen Choudhary da Morgan Stanley e Anil Daswani do Citigroup teve como objectivo discutir o futuro da indústria do jogo na Ásia. Daswani referiu que as receitas do sector são imprevisíveis, e que toda a equação económica depende da relação comercial entre Washington e Pequim e da possibilidade de reconciliação. As

oscilações dos resultados podem variar entre perdas de 15 por cento e lucros de 12 por cento em 2019. O analista da Morgan Stanley destacou a mudança estratégica das concessionárias que apostaram com mais afinco no mercado de massas. Nesse aspecto, Praveen Choudhary acredita que a abertura da Ponte HKZM veio facilitar o acesso dos jogadores do Interior da China às mesas de jogo de Macau. Já o especialista em jogo do Citigroup prevê que a liquidez dos jogadores que escolhem Macau para apostar está longe de se esgotar e que, a dar-se a recuperação, o segundo semestre de 2019 “pode ser enorme para região”. No que diz respeito às concessões, o grupo de analistas foi unânime na expectativa de que as actuais operadoras vão ter as suas licenças renovadas em 2022. A ideia deixada é que a renovação é uma mera formalidade transformada numa grande novela. Foi também avançada, pelos três analistas, a possibilidade de haver uma nova concessão concedida a um operador local.


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22.3.2019 sexta-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 87/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.°99/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 103/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 104/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LIU, LANLIAN, portadora do Salvoconduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C43080xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 84/DIAI/2017 levantado pela DST a 06.04.2017, e por despacho da signatária de 07.03.2019, exarado no Relatório n.° 71/DI/2019, de 01.02.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Travessa da Amizade n.° 82, Centro Internacional de Macau, Bloco 8, 3.°andar A onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LUO, SHIYAN, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C29154xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 217/DI-AI/2017, levantado pela DST a 14.09.2017, e por despacho da signatária de 27.11.2018, exarado no Relatório n.° 608/DI/2018, de 12.11.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Bruxelas n.os 168-170, Bloco 4, Edf. Jardim Hang Kei, 10.° andar U onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZHANG JIANXIN, portador do Passaporte da RPC n.° G27597xxx e portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° W97388xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.°199/DI-AI/2017 levantado pela DST a 09.08.2017, e por despacho da signatária de 07.03.2019, exarado no Relatório n.° 84/DI/2019, de 15.02.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $220.000,00 (duzentas e vinte mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B - 361-K, Edf. I On Kok, 10.° andar B.-------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outub ro.--------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LAI LAI FONG, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 12252xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 180/DI-AI/2017 levantado pela DST a 06.07.2017, e por despacho da signatária de 07.03.2019, exarado no Relatório n.° 85/DI/2019, de 19.02.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Francisco Xavier Pereira n.os 110110-A, New China Plaza 7.° andar I, Macau onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme o disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 07 de Março de 2019.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 07 de Março de 2019.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 07 de Março de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 27 de Fevereiro de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


sociedade 9

sexta-feira 22.3.2019

Caso das Saunas PJ deteve mais um suspeito

A Polícia Judiciária deteve mais um suspeito ligado ao caso das saunas, que revelou uma rede criminosa que desde 2017 terá gerado 313 milhões de patacas em lucros. O homem detido é um residente local com 50 anos, que se encontrava desempregado. Segundo a PJ, citada ontem pelo canal chinês da Rádio Macau, após a operação de 16 de Maio as investigações continuaram, resultando agora na detenção de um dos responsáveis pelo controlo e gestão das prostitutas. A detenção foi feita quando o residente entrou em Macau, uma vez que se encontrava fora do território.

Droga Apreendidas 32,2 gramas de cocaína

A Polícia Judiciária deteve quatro pessoas na posse de 32,2 gramas de cocaína, avaliadas em 110 mil patacas. Segundo as autoridades, os suspeitos devem estar ligados a uma rede de venda de estupefacientes de Hong Kong. As detenções decorreram na quarta-feira à noite, depois da PJ ter recebido uma denúncia de que dois homens de Hong Kong pretendiam vir para Macau para vender cocaína num casino no NAPE. Inicialmente, a PJ apenas recebeu a indicação de dois envolvidos, mas em Macau os dois suspeitos de Hong Kong actuaram em conjunto com dois residentes locais, pelo que foram todos detidos. Após a detenção, os quatro homens acusaram positivo nos testes de consumo de drogas.

Economia Inflação disparou para o dobro

A taxa de inflação dos 12 meses terminados em Fevereiro subiu 3,09 por cento em relação ao período homólogo do ano anterior, quando foi 1,46 por cento, o que representou um crescimento para mais do dobro. Os Serviços de Estatística e Censos (DSEC) justificam o aumento da inflação com a subida substancial dos preços do vestuário e calçado e transportes, que verificaram um incremento de 6,33 e 5,54 por cento, respectivamente. “Educação, transportes, vestuário e calçado registaram acréscimos significativos, ou seja, +5,95 por cento, +5,06 por cento e +4,48 por cento, respectivamente, face a Fevereiro de 2018”, lê-se na nota da DSEC.

VIOLÊNCIA MARIDO TENTOU ESTRANGULAR MULHER COM CARREGADOR DE TELEMÓVEL

Pânico em Seac Pai Van

Um homem desempregado zangou-se com a esposa após pedir-lhe para não gritar com o filho. A vítima queria dormir antes de cumprir um turno da noite, mas acabou por ser atacada. O caso aconteceu nas habitações públicas de Seac Pai Van

U

M homem de 40 anos foi detido após ter tentado sufocar a mulher com um carregador de telemóvel. Além disso, o atacante terá agredido a esposa com as mãos e um pontapé na barriga. O caso, revelado pela Polícia Judiciária (PJ), aconteceu na terça-feira passada quando a mulher, de 32 anos, pediu ao marido que parasse de gritar, uma vez que estava a tentar dormir. “Por volta das três horas da tarde, a vítima estava a dormir no quarto porque tinha de trabalhar num turno nocturno. Mas, nessa altura, foi acordada com a voz do suspeito, que estava a gritar com o filho”, contou o porta-voz da Polícia Judiciária. “A vítima explicou ao suspeito que precisava de descansar. Mas este zangou-se e respondeu com um soco na cara da mulher. Depois, no quarto, começou a apertar-lhe o pescoço com as mãos, o que fez com que ela não conseguisse respirar”, foi acrescentado.

Os membros do casal são residentes de Macau, mas o casamento foi registado em 2005, no Interior da China. A PJ não quis esclarecer se se tratava de um casal de novos imigrantes. A mulher trabalha num casino local, o homem é desempregado e ambos vivem numa das habitações públicas em Seac Pai Vai, na Avenida de Ip Heng. Por sua vez, o filho do casal tem cerca de 14 anos e terá sido ele a ligar às autoridades, quando percebeu que o pai não estava com intenção de parar com as agressões:

“[A vítima] justificou que nunca tinha pedido ajuda a amigos ou às autoridades porque tinha medo de prejudicar a vida do filho.” PORTA-VOZ DA PJ

“O filho viu a situação e puxou o pai para fora do quarto. Mas o suspeito voltou a entrar no quarto. Nesse momento, a vítima percebeu que o atacante trazia o fio do carregador do telemóvel nas mãos para a estrangular. Então a mulher ficou com medo e pediu ao filho que ligasse às autoridades”, relatou o representante das autoridades. Foi neste cenário que o homem voltou a atacar a mulher. Porém, optou por largar o carregador do telemóvel e procedeu ao ataque com as mãos no pescoço da vítima, que acabou inconsciente, por breves momentos. Com a vítima inconsciente, o marido desistiu do ataque e foi para a sala, onde o filho já tinha ligado às autoridades. Momentos depois, a vítima ainda combalida também se dirigiu a essa divisão e foi novamente atacada, desta feita com um pontapé na barriga.

EPISÓDIOS ANTERIORES

Após a chegada das autoridades, o homem foi imediatamente detido e a

mulher transportada para o hospital para receber tratamento. Durante o depoimento, a mulher explicou que esta não tinha sido a primeira vez que tinha sido atacada pelo marido. “No interrogatório a vítima declarou que o suspeito tinha mau-humor e que esta não foi a primeira vez que tinha sido atacada”, revelou o porta-voz da PJ. “No entanto, justificou que nunca tinha pedido ajuda a amigos ou às autoridades porque tinha medo de prejudicar a vida do filho”, foi acrescentado. O homem foi levado para o Ministério Público e enfrenta suspeitas da prática do crime de violência doméstica, que é punida com uma pena mínima de um ano de prisão e máxima de 8 anos. Nos casos em que há agravantes a pena pode chegar aos 15 anos de prisão e se houver morte, a pena máxima sobe para 25 anos. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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22.3.2019 sexta-feira

Medicamento perigoso ROTA DAS LETRAS ROLLING PUPPETS APRESENTAM “DROGA” DE LU XUN

“Droga” de Lu Xun está em cena hoje, amanhã e domingo, nas oficinas navais nº2, pelas mãos da companhia Rolling Puppets. O espectáculo fecha mais uma edição do festival literário Rota das Letras e insere-se nas comemorações dos 100 anos do movimento do 4 de Maio que revolucionou a escrita no continente colocando as palavras ao alcance de todos

A

verdadeira acção não acontece quando se tem esperança de que se consiga alguma coisa com ela, a verdadeira acção acontece quando já não se espera”. Estas são as palavras de Tan Tan La, co-fundadora, com Kevin Chio, da companhia de teatro Rolling Puppets, para descrever o espírito de Lu Xun, autor de “Droga”, a peça que vai subir ao palco das oficinas navais, nº2, hoje, amanhã e domingo. Esta interpretação do trabalho de Lu Xun é também o mote para mais uma apresentação do espectáculo no território. A ideia de pegar neste texto, “Droga”, que pode ainda ser traduzido por “Medicamento” da autoria de um dos escritores emblemáticos do Movimento literário do 4 de Maio, surgiu em 2013. Nesta altura os responsáveis da Rolling Puppets, assistiam em Macau àquilo que consideraram “um verdadeiro início de movimentação social”. “Vivia-se uma época de alguma esperança social”, PUB


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sexta-feira 22.3.2019

mesmo”, acrescenta. Lu Xun descreveu o que o rodeava, Ten Ten e Chio pretendem ser o seu “espelho”.

EM DOIS TEMPOS

conta Tan Tan. A responsável recorda a saída à rua dos moradores do edifício Sin Fong, reclamando contra as más condições em que viviam. A eles juntaram-se residentes, e tudo parecia apontar para “uma luta colectiva por direitos sociais”. No entanto, esta “reivindicação”, foi de pouca duração. “Vimos a ocupação das ruas por parte de manifestantes, mas foi durante muito pouco tempo, nem chegou a uma noite, mas isso aconteceu”, recorda com satisfação. No entanto, de repente, “houve distribuição de dinheiro e deixou de ser necessário pedir que se fizesse justiça”, lamenta. “Quando começámos a ver as pessoas a saírem à rua, a pedir justiça, pensámos que finalmente estavam a acordar mas acabámos por perceber que afinal voltaram a adormecer muito rapidamente”, acrescenta a responsável. Foi também nessa altura, que os artistas encontraram um texto de Lu Xun que falava de solidão, em que o autor classificava o ser revolucionário como sendo uma espécie de viver solitário. “Ele, como revolucionário falava de como se sentia sozinho no seio da sociedade”. A partir daqui, pegar num texto de Lu Xun tornou-se imperativo para Ten Ten La e Kevin Chio.

“Somos artistas e achamos que devemos ecoar alguma coisa no que fazemos que faça as pessoas pensar.” KEVIN CHIO RESPONSÁVEL PELA COMPANHIA ROLLING PUPPETS

“Actualmente as pessoas continuam a ser como dantes. Continuamos a tentar protegermo-nos a nós próprios sem olhar para o mundo em geral e para o que nos rodeia. É o mesmo.” TAN TAN LA RESPONSÁVEL PELA COMPANHIA ROLLING PUPPETS

Por outro lado, trazer Lu Xun a cena pareceria ser também uma missão. Se os seus textos eram o reflexo de uma sociedade de há 100

anos, actualmente continuam a espelhar as necessidades de mudança. “Somos artistas e achamos que devemos ecoar alguma coisa no que fazemos que faça as pessoas pensar”, aponta Kevin Chio, “e este texto vai nesse sentido”, acrescenta.

QUESTÃO NECESSÁRIA

“Queremos que este espectáculo interrogue as pessoas acerca do que querem nesta vida confortável que aparentemente têm. Será que possuem alguma coisa que queiram proteger? Será que se sentem vivos?”, questiona Ten Ten. Mais, “será que a população agora é assim tão diferente daquela para quem escrevia Lu Xun, há exactamente 100 anos?” O autor, famoso por ter revolucionado a forma de escrita na China, tornando-a acessível a todos e libertando-a das elites, “falava acerca das pessoas que o rodeavam, de como o olhavam, como viam este medicamento, esta droga. O sangue contaminado que representava o sangue de uma revolução, levantava a interrogação se se trata de um veneno ou de uma cura”, diz Ten Ten La. Apesar das diferenças trazidas pela passagem do tempo, o responsável considera que ainda assim, as

pessoas, agora, não diferem muito das do início do século. “Actualmente as pessoas continuam a ser como dantes. PUB

Continuamos a tentar protegermo-nos a nós próprios sem olhar para o mundo em geral e para o que nos rodeia. É o

Para adaptar o texto do “mestre”, a Rolling Puppets reescreveu o conto de modo a que seja representado “a dois tempos” em paralelo. “Quando tentámos adaptar o texto, aproveitámos para preencher as lacunas que o autor deixou, propositadamente. Para isso alternamos a representação entre situações da história original, passada naquele restaurante de Pequim, em que um pai luta pela sobrevivência do filho doente através da dádiva de sangue, com situações actuais, em que adaptamos o espaço para um restaurante chique de Macau”, explica Tan Tan. Para o efeito, os artistas utilizam “o sangue que pode ser da cura ou da morte, que pode ser medicamento ou veneno, do conto original, e também o seu contraponto com os valores da actualidade que podem ser duplamente interpretados”, remata. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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22.3.2019 sexta-feira

EUROPA DIVISÕES INTERNAS IMPEDEM DEFINIÇÃO DE UMA POLÍTICA COMUM NO RELACIONAMENTO COM A CHINA

As derivas do velho continente

O

antigo secretário de Estado português dos Assuntos Europeus Bruno Maçães considerou ontem que a Europa é "incapaz" de desenvolver uma política comum para a China, numa altura em que Pequim avança com as suas ambições geoestratégicas. "É quase impossível para a União Europeia (UE) ter uma política comum para a China", afirmou Maçães, durante a apresentação do seu livro "Belt and Road: A Chinese World Order" (Faixa e Rota: Uma Ordem Mundial Chinesa), em Pequim. Lembrando que o sul da Europa se sente injustiçado por "regras parciais" da UE, o ex-secretário de Estado, actualmente consultor e a residir na capital chinesa, disse que é "muito tentador" para aqueles países usar a China para contrabalançar o poder da Alemanha. "Não comprem essa ideia de que todos na Europa são europeus a pensar no continente: temos rivalidades históricas

prontas a serem reabertas e revistas", apontou. Bruno Maçães falava nas vésperas da realização de uma cimeira do Conselho Europeu, que visa rever a política para a China, cuja rápida modernização e ascensão no espaço internacional têm suscitado preocupações entre as potências ocidentais. No espaço de uma década, enquanto as economias europeias estagnaram, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, mais de oitenta aeroportos e dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média chinesa em centenas de milhões de pessoas. Acompanhando este desenvolvimento, Pequim passou a assumir o desejo de aproximar o país do centro da governação dos assuntos globais, abdicando do "perfil discreto" na política externa chinesa, que vigorou durante décadas, e de competir nos sectores de alto valor agregado.

EXPANSÃO EM CURSO

Nas vésperas da cimeira desta semana, Bruxelas PUB

O objectivo é "redesenhar o mapa da economia mundial" de forma a "colocar a China no centro", repondo a "visão antiga do país sobre si mesmo, como nação universal", descreveu Maçães, classificando o projecto chinês como "muito ambicioso" e um desafio à ordem mundial definida pelo Ocidente.

COM CONDIÇÕES

produziu um documento sem precedentes, que classifica a China como "rival económico" e "adversário sistémico", que "promove modelos alternativos de governação", e apelou a acções conjuntas para lidar com os desafios tecnológicos e económicos colocados pela China. Mas, apesar dos protestos de vários parceiros europeus, o Presidente chinês, Xi Jinping, iniciou ontem um périplo pelo continente que deverá ser dominado pela adesão da Itália ao projecto 'Uma Faixa, Uma Rota', que materializa esta nova vocação internacionalista de Pequim.

Bancos e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projectos lançados no âmbito daquele gigantesco plano de infraestruturas, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas e linhas ferroviárias ao longo do sudeste asiático, Ásia Central, África e Europa.

Portugal é, até à data, um dos poucos países da UE a apoiar formalmente o projecto. As autoridades portuguesas querem incluir uma rota atlântica no projecto chinês, o que permitiria ao porto de Sines ligar as rotas do Extremo Oriente ao oceano Atlântico, beneficiando do alargamento do canal do Panamá.

“Não comprem essa ideia de que todos na Europa são europeus a pensar no continente: temos rivalidades históricas prontas a serem reabertas e revistas.” BRUNO MAÇÃES EX-SECRETÁRIO DE ESTADO DOS ASSUNTOS EUROPEUS

O ex-secretário de Estado considerou ainda que aquela iniciativa é a resposta "certa" do país asiático para ultrapassar a "armadilha do rendimento média", reorganizando as cadeias de distribuição globais para competir no sector tecnológico e atingir um alto nível de desenvolvimento. "Se queres focar na produção de alta tecnologia, precisas que outros países te forneçam componentes com baixo valor agregado ou produtos agrícolas (…) ou garantir a tua segurança energética", descreveu. Maçães considerou que, através da concessão de crédito, a China passou a ter "muito poder" para guiar o processo de evolução de outros países na direcção que lhe interessa. "Se quiseres abrir uma fábrica no Paquistão que se adeque aos interesses da China, tens acesso a linhas de financiamento", explicou. "Mas se quiseres abrir uma fábrica que não se encaixa nas prioridades chinesas, o crédito está indisponível", notou.

EXPLOSÃO SEIS MORTOS E 30 FERIDOS EM EMPRESA QUÍMICA

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ELO menos seis pessoas morreram e 30 ficaram gravemente feridas numa forte explosão que atingiu ontem uma empresa de produtos químicos no leste da China partindo os vidros em habitações próximas, anunciaram as autoridades locais. A explosão ocorreu por volta das 14:50 na empresa Tianjiayi Chemical, localizada no município de Yancheng, província de Jiangsu, de acordo com uma mensagem das autoridades municipais publicada na rede social Weibo. Os bombeiros da província indicaram na sua conta no Weibo que haviam

socorrido 12 feridos. “Após a explosão, as autoridades de segurança pública, o corpo de bombeiros e médicos foram enviados ao local para operações de socorro”, referiu o município. “Os moradores da área também se organizaram espontaneamente para levar os feridos ao hospital”, indicou a municipalidade. Vídeos publicados na Internet por vários meios de comunicação chineses mostraram uma enorme bola de fogo com dezenas de metros de altura e uma espessa coluna de fumo a escapar de um local industrial.

A emissora de televisão estatal CCTV transmitiu imagens das habitações próximas ao local que tiveram os vidros das suas janelas pulverizadas pela explosão, que ocorreu a cerca de 260 quilómetros ao norte de Xangai. O Centro Nacional de Sismologia da China registou às 14:48 hora local um sismo de magnitude 2,2 na escala de Richter no município. A informação, divulgada pelo município de Yancheng na sua conta Weibo, parece ser um indicador da potência da explosão.


sexta-feira 22.3.2019

Uma vontade física de comer o universo

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Diário imprevisto de viagem OFício dos ossos

Valério Romão

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ÃO tenho normalmente grande contacto com miúdos de quinze anos – calma, não é nada disso. Embora o meu filho tenha de facto quinze anos, é um miúdo – como diremos – assaz atípico. Não sei o que se passa na cabeça dos adolescentes agora, na verdade não sei o que se passa na cabeça das pessoas em geral e tenho por hábito desconfiar das personas judicativas que as pessoas assumem facilmente diante de um teclado e de um ecrã. Quase ninguém é tão mau, tão bom, tão engraçado ou tão feliz como o avatar virtual que o representa. Além disso, vivo – como quase toda a gente – numa bolha constituída pelas amizades que de certo modo reforçam o ponto de vista segundo o qual esta atmosfera pode ser, a espaços, respirável. Dito isto, um adolescente de quinze anos não é mais misterioso para mim do que os participantes num progra-

ma da manhã: equivalem-se. A diferença é que ainda assim é mais fácil – embora porventura menos tolerável – ter acesso a um programa da manhã. Fui convidado em 2018 para estar duas semanas em Bordéus com outro escritor – um marroquino, desta feita; o negócio é ter duas perspectivas, uma de dentro e outra de fora, da europa e da união europeia – ao abrigo de um programa local de cidadania europeia. A ideia é que os putos contactem com escritores – vivos, porque para a maior parte deles ser escritor equivale a estar morto – que lhes coloquem desafios às preconcepções que naturalmente decorrem da falta de contacto efectivo com outros pontos de vista além daqueles que os rodeiam e que tendem a reforçar aquilo que pensam. A ideia era portanto pô-los a pensar ao lado daquilo que pensam. Duas escolas por dia, duas horas em cada escola, uma vintena de criaturas em ebulição hormonal e com uma paciência tendencialmente diminuta para tudo quanto não seja imagem. Uma maratona.

Eu que não tenho especial vocação para a troca de experiências a nível intergeracional – ou mesmo horizontalmente geracional – achei que podia valer a pena nem que fosse para parasitar a experiência alheia com a qual são feitos todos ou quase todos os romances. A minha grande surpresa foi encontrar miúdos em cada turma muito diferentes dos restantes, bastante mais isolados e circunspectos no início das sessões, mais silenciosos, também, mas surpreendentemente curiosos acerca da pequena fatia de mundo que lhes conseguíamos entregar entre as perguntas orquestradas e as risotas. Não me percebam mal, como quase toda a gente que olha para baixo na hierarquia geracional, estava convencido do absoluto despropósito da juventude. Achava que não queriam ler, que não queriam aprender, que não queriam saber de quase nada senão do que se passa no enquadramento de um ecrã de telemóvel ou de computador. É quase mas não inteiramente verdade. Lêem menos, de facto (multiplicada de tal modo a oferta de distrações, seria es-

tatisticamente improvável que a escolha deles recaísse tantas vezes sobre o livro como quando este competia apenas com a televisão). A principal diferença, parece-me, é o facto de estarem muito mais preocupados com o futuro do que eu e os da minha idade estávamos. Preocupam-se com o desemprego, com as alterações climáticas, com os direitos das minorias, das mulheres, com o racismo e restantes discriminações. Não quer dizer com isso que o plano social coincida com o plano prático. Mas pensam nas coisas com uma seriedade incompatível com a manutenção de uma fachada social de aceitação. Infelizmente – não há bela sem senão – parecem-me muito adultos. Demasiado adultos. Com quinze anos eu estava essencialmente preocupado em captar a atenção da Fatinha que parecia só ter olhos para um latagão com um cabelo loiro e encaracolado a lembrar as piores fotos do antigamente e incapaz de alinhar duas ideias que não gravitassem em redor do seu umbigo. O meu pai coitado bem me tentava ajudar: “pelo menos não deixes que a tua mãe te escolha a roupa”.

Como quase toda a gente que olha para baixo na hierarquia geracional, estava convencido do absoluto despropósito da juventude. Achava que não queriam ler, que não queriam aprender, que não queriam saber de quase nada senão do que se passa no enquadramento de um ecrã de telemóvel ou de computador. É quase mas não inteiramente verdade


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PLANO DE CORTE José Navarro de Andrade

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ÃO há dinheiro mais bem gasto do que em foguetes e tabaco. Este aforismo hedonista, tão ancestral quanto os apetites de Gilgamesh, dispendeu-o um fogueteiro com quem jantava. Parte interessado certamente, mas talvez por isso omnisciente ao invés do que resmunga o hamster do senso-comum, esfalfado a correr no rolo sem sair do lugar. Sem levar a mal, o artesão preferia que o intitulassem de pirotécnico. Fogueteiros haviam sido o pai e antes dele o avô, ambos sofrendo a glória de terem batido as botas no ofício. O avô numa banal explosão; descuidou-se um instante a misturar ingredientes e agora estás vivo, agora estás morto; o barracão em lascas pelos ares e os pinheiros à volta todos chamuscados. Sobejaram tão poucas parcelas do velho que ficaria o caixão à tara se não lhe metessem uns pedregulhos. Já o pai teve combustão mais lenta. Foram dar com ele de borco numa tina de água ao fundo quintal, provando que não lhe falharam o instinto e as pernas para fugir após o rebentamento. Clinicamente morreu afogado e não das queimaduras ou de baque cardíaco com o susto. E tem medo? Não é medo é respeito. Já não havia rojões, comemos fêveras assadas, rijas que nem cornos. Não

22.3.2019 sexta-feira

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Fogo preso fosse a prudência do homem e o jantar teria sido um desconsolo. Contratado para iluminar as festas de Vila Nova de Cerveira dali a pouco projectaria a sua arte atmosférica por cima da toalha negra do rio Minho. De baterias e balonas expandir-se-iam serpentes, girândolas, alternados e trauliteiros, invadindo furiosamente a noite de som e cor. O último morteiro seria de arrancar pedra. À orla de lá do rio vinham os galegos bisbilhotar. Queriam festa de borla? Levassem com as canas. Sempre podia uma ou outra furar uma cabeça, com sorte furar um olho. Passou-se isto há 25 anos, ainda 40% da actual população do globo não era nascida, antes das Europas que voltaram a ligar terras que para os suevos eram uma. Recuando 10 anos, ou seja até ao Pleistoceno, na Bienal de artes de Cerveira de 84 outros fogos mais rasteiros e daninhos por lá se atearem. O certame pusera a tónica na performance, modalidade então em alta, mas, como amiúde sucede com as vanguardas, julgando rasgar os caminhos do futuro afinal esvaía uma época. “Corpos críticos e políticos que questionam a relação social, política e ideológica do corpo no

mundo” no passo em que se repensava “a própria arte e as suas limitações;” enfim, o costume desde Lascaux, se assim se quiser olhar para as artes. Mas houve momentos. Uma performer credenciada cobriu a nudez integral de pigmento azul e espojou-se em delíquios sexuais com um espadarte intacto e fresco que há-de ter custado uma nota preta no mercado de Matosinhos. Honre-se-lhe a coragem e o risco que acabaram por ter consequências. Não procederam estas da afronta ao pudor burguês e à denúncia da sua hipocrisia, mas dos ferozes pruridos que a tintas de má

À orla de lá do rio vinham os galegos bisbilhotar. Queriam festa de borla? Levassem com as canas. Sempre podia uma ou outra furar uma cabeça, com sorte furar um olho

qualidade lhe provocou e a precipitaram nas urgências de dermatologia do S. João. Noutro vi-me desgraçadamente implicado. O artista centrou-se numa roda de gente. Nas minhas mãos depôs um pequeno petardo que lançaria uma bola de fogo: “aponta para mim e dispara quando fizer sinal.” De tanga – a temperatura estava amena, não se constiparia – empreendeu uma dança com tochas e labaredas, toda conceito quase nada habilidade. A dado ponto acenou-me. Apontei e hesitei. Insistiu de má cara, a minha vacilação quebrava-lhe o ritmo. Atirei. Tão curto era o trajecto que o projéctil não descreveu elipse e cravou-se em chamas no ombro dele. Os circunstantes não reagiram logo – transitar da intenção para a ignição podia ser que fizesse parte. Lá acabou também ele por ir ter de charola ao S. João. Caso estivesse de banco a mesma equipa é de crer que diagnosticaria esta forma de expressão artística como um caso de saúde pública. Execrado pela comunidade como sabotador fui degredado de Cerveira. Mas ele é que mandou disparar! Ora essa, parvalhão! A arte são alegorias, quando muito metáforas ou metonímias, não há desculpa para o dano.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 22.3.2019

tonalidades António de Castro Caeiro

N

ÃO tenho a certeza, mas imaginemos que o nosso primeiro sentido é o auditivo. A percepção acústica tem consequências no nosso corpo todo. Não nos lembramos de como era no ventre da nossa mãe. Mas podemos achar que é táctil, líquido, quente, interior: um pequeno mundo. Ainda assim, proponho: a nossa primeira sensação é acústica. Como será no interior do ventre da nossa mãe? Seremos nós exteriores dentro de um interior acústico? Lembro-me de como foram as minhas percepções: o mar, o trânsito em Lisboa, a cozinha onde se matavam animais para serem comidos, os primeiros dias de Primavera, o frio de Dezembro. Eram visuais, não? Mas todas tinham a vibrar no seu interior música, tinham tonalidades, melodias, harmonias. Eram músicas estranhas porque não tinham instrumentos a exteriorizá-las. Tinham uma camada visual e uma camada acústica. E não só. O tacto era musical: o corpo era quente e lento ou frio e rápido ou lento e rápido: quente e frio. E era húmido ou envolvente como um slow ou seco como um acorde do baixo para o agudo. O gosto era musical: batidos de morango eram uma sinfonia e a Coca-Cola um Rock pesado. Depois, há o olfacto: as doces e melódicas fragrâncias que contrastam com o ácido e azedo que dá prazer e nos faz elevar ao céu e descer ao inferno. As primeiras impressões são acústicas, são auditivas. Não apenas nas sensações. Não. São no espaço. O quarto da infância é lento como o tempo do tédio. O quarto, o mesmo, da juventude, é rápido como as músicas doidas que se ouviam e ouvem quando o tempo tem de ser preenchido. O quarto do estrangeiro encontra na luz ou na penumbra, numa segunda-feira ou numa sexta-feira, o seu ritmo. Mas era ao domingo que era lento. O tempo da vida tem esta musicalidade complexa, inebriante. Quando era tempo, era musical. Não sabemos bem como, mas era. E, depois, há os outros. Os outros têm as suas sensações, os seus locais, os seus tempos. Podem ser os outros com as suas sensações, os seus lugares e os seus tempos, mas os outros connosco e nós com eles somos outras sensações, outros lugares e outros tempos. Os outros vêm das suas mães, dos seus cheiros, sabores, visões e audições. Vêm do seu tempo, do seu lugar e do seu corpo. Quando conhecemos os outros vemos um misto de tudo: sensações, lugares, tempos. Os outros são os seus pais e avós, irmãos e filhos. Nós somos os outros: pais, irmãos e filhos. Os outros que são connosco e nós com eles somos um conjunto de sensações, luga-

Mundo e música res e tempos. E tudo isso é uma melodia complexa com múltiplas vozes, ritmos e melodias. Ninguém é só. Alguém é só na mudez e no silêncio das suas vidas. Não. Mesmo na voz solitária falamos connosco e somos três: eu que falo comigo sobre mim: tu que falas contigo sobre ti. O outro que fala consigo sobre si. Nós que falamos uns com os outros sobre nós. Vós que falais com os outros sobre vós. Os outros que falam com eles sobre eles. A primeira percepção da vida é acústica. O tempo é captado no tempo. A harmonia é ouvida na distensão temporal da harmonia. O ritmo é o da vida. Lento como nas

tardes de domingo. Rápido é sexta-feira à noite ou sábado. O ritmo e a melodia é diferente nos primeiros acordes. É diferente nos acordes finais de um soneto. Um soneto é música falada. A fala é a música da conversa, do discurso, do que dizemos sem querer e do que dizemos sem querer. É como nas relações intrínsecas e íntimas. Tudo é um horizonte musical. Tudo é um horizonte musical. Não é visual, táctil, olfactivo ou gustativo. Vem um tempo, o princípio, acordes primeiros da vida: sempre a criar expectativa, sempre, ao princípio de prazer. Depois, talvez tarde demais, mas ainda

A primeira percepção da vida é acústica. O tempo é captado no tempo. A harmonia é ouvida na distensão temporal da harmonia. O ritmo é o da vida. Lento como nas tardes de domingo. Rápido é sexta-feira à noite ou sábado

cedo, de sofrimento. A promessa transforma-se em ameaça. O tempo futuro, musicalmente, é o da ameaça e da promessa. A promessa do prazer e a ameaça de sofrimento. A noite abate-se sobre o quarto na solidão. A solidão não engana. A solidão pode não ser eu só, mas acompanhado por toda a gente. Um mundo cheio de vozes sem dizerem nada e cacofónicas. Também pode ser outra coisa. Eu com toda a gente do mundo e nenhuma harmonia. Ou então: eu só contigo: em vez de haver um ritmo tão lento que abranda a vida ao ponto de a parar. É que a morte não tem tempo e, por isso, não tem música. Mas tu vieste: cheia de ritmo e melodia e harmonia. A vida passa do silêncio da mudez a ser a melodia do silêncio em que nada preciso de dizer no tempo. O tempo é a vida. A vida é a música possível, quando há amor. Impossível, quando não o há.


16 (f)utilidades TEMPO

NEBLINA

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

ROTA DAS LETRAS |LANÇAMENTO DO LIVRO “A HUMIDADE DOS DIAS” Livraria Portuguesa | 18h30

22.3.2019 sexta-feira

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70-98%

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ROTA DAS LETRAS |TEATRO “DROGA” DE LU XUN Oficinas Navais nº1 | 20h

Amanhã

ROTA DAS LETRAS |TEATRO “DROGA” DE LU XUN Oficinas Navais nº2 | 20h ROTA DAS LETRAS |TEATRO “ODE MARÍTIMA” Teatro D. Pedro V | 21h

Domingo

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ROTA DAS LETRAS |CINEMA “CADAVRE EXQUIS” Oficinas Navais nº1 | 14h30 ROTA DAS LETRAS |TEATRO “DROGA” DE LU XUN Oficinas Navais nº2 | 15h ROTA DAS LETRAS |PALESTRA “CONTEXTUALIZANDO A CIDADE” Oficinas Navais nº1| 15h30 ROTA DAS LETRAS |PALESTRA “A MICRO-HISTÓRIA NA ESCRITA POÉTICA” Oficinas Navais nº1| 16h30

ROTA DAS LETRAS | FESTA DE ENCERRAMENTO LMA | 22h30

Cineteatro

C I N E M A

SALA 1

US [C] Um filme de: Jordan Peele Com: Lupita Nyong’o, Winston Duke, Elisabeth Moss 14.30, 16.45, 21.30

CAPTAIN MARVEL [B] Um filme de: Anna Boden, Ryan Fleck Com: Brie Larson, Samuel L. Jackson 14.30, 16.45,19.15, 21.30

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SALA 2

MASQUERADE HOTEL [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Suzuki Com: Takuya Kimura, Masami Nagasawa 14.15, 16.45, 19.15

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ESCAPE ROOM [C] Um filme de: Adam Robitel Com: Taylor Russel, Logan Miller, Deborah Ann Woll, Jay Ellis 21.45 SALA 3

KAMENN RIDER HEISEI GENERATIONS FOREVER [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Kyohei Yamaguchi Com: Sou Okuno, Atsuhiro Inukai, Gaku Oshida, Shieri Ohata 14.30, 16.30, 21.30

I WANT TO EAT YOUR PANCREAS [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Ushishima Shinichiro 19.30

A polícia da Nova Zelândia anunciou quarta-feira que já identificou todas as 50 vítimas mortais do duplo ataque às mesquitas de Christchurch, na passada sexta-feira. "Posso informar que, nos últimos minutos, o processo de identificação das 50 vítimas foi concluído e todas as famílias foram notificadas", afirmou o comissário Mike Bush."Este é um ponto de viragem neste processo", disse.

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6 4 7 5 8 2 3 0 9 1

3 1 9 8 6 0 4 5 7 2

acompanhado pela banda sonora de “Lost Highway”. Até hoje, faixas como “Somewhat Damaged”, “La Mer” que cresce 84 2para4“Into3 the9Void”, 07 5 e “The Great Bellow” dão 96 0 O último 6 2 7grande 45 1 4 2 disarrepios. co de Nine Inch Nails faz em 13 75203anos. 69 4 8 5 6 8João 4 Luz Setembro

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hojemacau. com.mo

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PROBLEMA 26

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UM DISCO HOJE

5 41 5 1 3 7 0 6 7 2 6 9 2 9 2 8 2 0 19 54 93 4 7 3 6 7 7 com 9 este 3 disco 6 8quando 2 5 40 1 9Lutei saiu. Foi demasiado aguar6 7 7dado, 2 8 2 41 3 1 9 0 seguiu-se ao brilhante 3 Downward 4 2 8 Spiral” 7 0e, 9 5 6 4“The nessa altura, Nine Inch Nails 1 uma 6 das9 minhas 5 3bandas 8 02742 era preferidas. Foi-me oferecido 2 uma 04 5 4 6assim 71 73893 por ex-namorada, que saiu. A nossa relação 5 3 6para9o fim,1assim 4 28078 caminhava como a devoção à banda 9 7 Reznor. 1 0 7 2Com 0 o2tempo 5de 8 4 6 3 4 1Trent Fragile” 04 8 7 9 6 13 51 5 8“The 7 4 9 desabrochou como um grande disco e veio

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Quantas vezes a diabolização do outro resultou em episódios sangrentos que figuram como os mais baixos momentos da experiência humana? Quantas vezes povos inteiros, Governos, Impérios, caracterizaram oprimidos como pestes, portadores de doenças, conspiradores, assassinos de crianças, para justificar barbárie? Os Tutsis no Ruanda eram comparados a baratas que importava exterminar, semente que germinou no genocídio do Ruanda. Os judeus eram ratos e disseminadores de doenças para os nazis. Exemplos como estes são fermento para a minha ambivalência pendular entre misantropia completa e profundo humanismo. Os TNR têm um tratamento em Macau numa escala muito menor, não existem campos de concentração nem nada que se pareça, mas são um daqueles sacos de pancada irresistível em que se esmurra para baixo. Esta semana, um responsável por um departamento dos serviços de saúde explicou o aumento dos casos de sarampo com essa praga 1 que 0 são4 os8imigrantes, 5 6 oriun2 3 patológica dos de 5 buracos, que aqui chegam sem 6 7 2 1 9 4 3 vacinas em dia. Às tantas esperam que os serviços 8 os 3 tenham 9 2em7consideração 0 6 1 e lhes garantam condições de saúde, os 4 que 5 os7“motivam” 3 1 a irem 0 9 mesmos6serviços parir para as suas terras. Se um acidente 0 é 2da responsabilidade 6 5 8 9 de4um 7 de viação estrangeiro, caem as Ruínas de São Paulo 9 políticos 8 6 ficam 0 histéricos 3 1 4 e o Leal7 Senado, e o medo 4 generaliza-se. 1 3 9 Esta 2 semana 5 8um 0 motociclista atropelou uma senhora idosa que, infelizmente, 9 8 0morreu 4 na6sequência 2 7do 5 acidente. Nem um piu, tudo caladinho, 7 um 0 residente. 1 8 Para 9 2 o rapaz3era,5afinal, terminar, deixo-vos com dois conceitos 2 6 ilegais 1 3e taxistas. 4 7Vá, bom 5 8 locais: corridas fim-de-semana. João Luz

7 0 5 8 3 2 6 1 4 9

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 25

ROTA DAS LETRAS |PALESTRA “ESCREVER MACAU” Oficinas Navais nº1| 17h30 ROTA DAS LETRAS |TEATRO “DROGA” DE LU XUN Oficinas Navais nº2 | 20h

OS NOMES DOS MORTOS 25

S U D O K U

ROTA DAS LETRAS |EXPOSIÇÃO “A FORMA DOS SENTIMENTOS – QUANDO A POESIA INSPIRA A ARTE” Oficinas Navais nº1 | 14h30

ROTA DAS LETRAS |PALESTRA “PODE AINDA A POESIA REVOLUCIONAR UMA VIDA?” Oficinas Navais nº1| 17h30

1.20

DIABOS IMPORTADOS

ROTA DAS LETRAS |CINEMA “HOTEL SAN VA: POR DETRÁS DA CÂMARA” Cinemateca Paixão| 18h30

ROTA DAS LETRAS |TEATRO “DROGA” DE LU XUN Oficinas Navais nº2 | 15h

YUAN

VIDA DE CÃO

ROTA DAS LETRAS |PALESTRA “MOVIMENTO DO 4 DE MAIO DE 1919” Oficinas Navais nº1| 18h30

ROTA DAS LETRAS |EXPOSIÇÃO “HISTÓRIAS SEM PALAVRAS – A ARTE DA ILUSTRAÇÃO” Oficinas Navais nº1 | 14h30

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Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 17

sexta-feira 22.3.2019

confeitaria

JOÃO ROMÃO

O espelho dos outros

A

CONTECE com frequência: a nossa imagem aos olhos dos outros pode influenciar mais o nosso comportamento do que a imagem que temos de nós próprios. Ou a imagem que temos da imagem que os outros têm de nós, para ser mais preciso. Vem isto a propósito do que se vende – ou não – nas chamadas lojas de conveniência japonesas, agora que se avizinham os grandiosos Jogos Olímpicos do Verão de 2020 e massivas quantidades de visitantes estrangeiros são esperadas no sempre distante país do sol nascente. As lojas de conveniência têm uma popularidade no Japão incomparável com o que passa em qualquer país europeu, ou mesmo asiático, onde geralmente também se encontra com facilidade este tipo de estabelecimento. O caso japonês não deixa de ser extremo, em todo o caso: na generalidade das zonas urbanas é possível encontrar uma destas lojas quase em cada quarteirão. Há excepções de vários tipos: havendo quarteirões onde não há lojas, também há outros onde coexistem várias, em geral pertencentes a diferentes cadeias, nacionais ou internacionais. Independentemente da cadeia, as lojas tendem a ser bastante semelhantes: estão convenientemente abertas 24 horas por dia, 7 dias por semana, e vendem, como o nome sugere, o que pode fazer falta em qualquer momento, com uma variedade surpreendente: refeições

prontas, frutas e legumes frescos, lacticínios, produtos de charcutaria, vinhos, uma vasta parafernália de outras bebidas, doces, pão, bolachas, gelados, detergentes vários, utensílios de limpeza, produtos de higiene pessoal, cosméticos, papel higiénico, guarda-chuvas, tabaco, ou mesmo algum vestuário de emergência, incluindo as camisas brancas com que grande parte dos homens japoneses se veste para ir trabalhar. Um pouco mais surpreendente, pelo menos para os nativos de países com tecnologias digitais de utilização quotidiana aparentemente mais avançadas, como é o caso de Portugal, são alguns dos serviços prestados nestas lojas e que nós já transferimos quase completamente para os cabos das redes de informação: compra de bilhetes para espectáculos, pagamentos de impostos ou outras contribuições para instituições públicas também são maioritariamente feitos nestes estabelecimentos, igualmente equipados com anacrónicas máquinas de fotocópias, que no Japão continuam a consumir despropositadas quantidades de papel. O assunto desta crónica é outro, no entanto. É que entre os produtos de extrema conveniência comercializados nestes estabelecimentos estão os jornais, revistas e colecções de manga

Aos olhos dos visitantes estrangeiros que hão-de vir, esta exposição da pornografia é inaceitável. Ou pelo menos parece ser essa a imagem que as autoridades japonesas têm da imagem que os estrangeiros podem vir a ter do Japão

tão populares na cultura japonesa. E entre estas revistas (de animação ou não) estão as publicações para adultos - na esmagadora maioria dos casos orientadas para o público masculino - cujas capas normalmente ostentam magníficas representações de voluptuosos seios femininos e cujos interiores estão invariavelmente repletos de pornografia explícita. Não sendo estes conteúdos particularmente diferentes daquilo que se pode encontrar na literatura recreativa para adultos em qualquer outra parte do mundo, o que surpreende é a exposição: estas publicações partilham espaços relativamente exíguos com outros géneros, incluindo a literatura infantil, normalmente a escassos centímetros de distância. Não consta que desta ultra-exposição pornográfica tenha vindo grande mal ao mundo – ou pelo menos ao Japão. Na realidade, poucos ou nenhuns problemas são conhecidos em relação ao assunto – nem sobre a manifesta e permanente objectificação dos corpos femininos para entretenimento masculino, nem sobre o fácil acesso que as crianças japonesas podem ter às publicações (mesmo que por lei não as possam comprar). Em todo o caso, as coisas vão mudar num futuro próximo: até ao início dos Jogos Olímpicos, dentro de pouco mais de um ano, as lojas de conveniência são obrigadas a deixar de comercializar este tipo de literatura, que passará a ser disponibilizada em outros circuitos. A razão é simples: aos olhos dos visitantes estrangeiros que hão-de vir, esta exposição da pornografia é inaceitável. Ou pelo menos parece ser essa a imagem que as autoridades japonesas têm da imagem que os estrangeiros podem vir a ter do Japão. Seja como for, as revistazinhas com generosas mamas nas capas terão que passar a ser vendidas em circuitos especializados. Tanta exposição pública não é conveniente.


18 opinião

A

“At the end of the day, the goals are simple: safety and security.” Jodi Rell

10 de Março de 2019, um avião da Ethiopian Airlines despenhou-se logo após a descolagem, matando cento e cinquenta e sete pessoas que se encontravam a bordo e nas horas após o acidente, mesmo antes de as autoridades recuperarem as caixas negras do avião, o mundo começou a questionar a segurança da aeronave. O Boeing 737 Max 8, foi anunciado como o futuro da aviação, graças à sua impressionante economia de combustível e toques futuristas, como música na cabine e nova iluminação LED. É um avião que começa uma nova fase na era da economia de combustível de dois dígitos em relação à geração anterior. Os dois acidentes com aviões Boeing 737 Max 8 em apenas cinco meses, deixou o mundo consternado pelas consequências de perdas de tantas vidas humanas, e torna-se difícil não pensar a razão pela qual a Boeing resistiu aos esforços de manter os aviões no solo. A Southwest Airlines e a American Airlines, duas companhias aéreas americanas continuaram a voar, até o presidente Trump anunciar que os aviões se manteriam no solo, revertendo uma decisão anterior da Administração Federal de Aviação (FAA na sigla inglesa). A União Europeia (UE), a 12 de Março de 2019, proibiu o uso de aviões Boeing 737 Max 8 e 9, e que voassem no seu espaço aéreo. Os Estados Unidos ainda não tinham tomado qualquer decisão nessa data. Todavia, em questão de meses, dois acidentes de avião Boeing 737 Max 8, pertencentes à Lion Air e a Ethiopian Airlines deixaram aos especialistas o benefício de descobrir se o avião é parte da equação ou se é apenas uma coincidência horrível. As companhias aéreas de muitos países, no entanto, não esperaram pela resposta e poucas horas após o acidente, a Ethiopian Airlines anunciou que iria manter no solo todos os seus aviões Boeing 737 Max 8. A China seguiu o exemplo, bem como Singapura, Austrália, Malásia e Reino Unido. Mas nesse momento, enquanto muitos países decidiam manter os seus aviões Boeing 737 Max 8 no solo, os mesmos continuavam em serviço nos Estados Unidos. A American Airlines, enquanto apresentava as suas condolências às famílias e amigos dos passageiros que estavam a bordo do voo 302 da Ethiopian Airlines, afirmava que continuaria a voar com tais aeronaves pois não existiam factos concretos sobre a causa do acidente, além das notícias propagadas e que as suas equipas de voo, operações técnicas e de segurança, monitorizariam

22.3.2019 sexta-feira

A priorização da a investigação na Etiópia, dado ser o seu protocolo padrão para qualquer acidente de aeronaves. A American Airlines continuaria a colaborar com a FAA e outras autoridades reguladoras, dado que a segurança dos membros das suas equipas e clientes eram a sua prioridade número um, e que tinham total confiança na aeronave e nos membros da sua tripulação, que eram os melhores e os mais experientes do sector. A FAA, entretanto, compartilhou a sua declaração de apoio à Boeing e aos aviões modelo 737 Max 8, afirmando que relatórios externos estavam a ser elaborados, delineando semelhanças entre o acidente da Ethiopian Airlines e o da Lion Air, ocorrido a 29 de Outubro de 2018, bem como as instruções de aeronavegabilidade continuada para a comunidade internacional, pelo que a investigação apenas tinha começado e não tinham recebido dados suficientes para retirar conclusões ou tomar quaisquer medidas. A FAA observou que exigiu mudanças de projecto na aeronave para serem realizadas até Abril de 2019. As alterações eram o resultado do acidente da Lion Air e não do recente acidente na Etiópia.

O que poderia a Boeing ter dito de forma mais sensata? Talvez fosse melhor dizer que é um problema técnico que não dominam por completo e à luz dessa incerteza, recomendar a aterragem dos Boeings 737 Max 8 e 9 até terem a certeza de descobrir o que está a provocar as falhas A Boeing defendeu os seus planos e declarou que especular sobre a causa do acidente ou discuti-lo sem deter todos os factos necessários não era apropriado e poderia comprometer a integridade da investigação. A outra companhia aérea americana, a Southwest Airlines, que actualmente opera com aviões Boeing 737 Max 8, disse que planeava continuar a usar os aviões, mas monitorizaria a investigação em curso. A Southwest Airlines possui trinta e quatro aeronaves modelo MAX 8, sendo a sua frota de setecentos e cinquenta Boeings 737, pelo que continuavam confiantes na sua segurança e aeronavegabilidade, e as aeronaves do modelo MAX 8 tinham produzido milhares de dados positivos durante cada voo, que são constantemente monitorizados, tendo realizado mais de quarenta e um mil voos e detinham informação suficiente que indicava a eficácia dos seus padrões operacionais, procedimentos e treino. Todavia a Southwest Airlines, estava a ajudar a retirar o medo dos seus clientes, permitindo que as pessoas mudassem de avião

se desejassem. Após dois dias do acidente da Ethiopian Airlines e de pressão crescente, os Estados Unidos mantiveram no solo os aviões Boeing 737 Max 8, revertendo uma decisão anterior em que os reguladores americanos afirmaram que os aviões poderiam continuar a voar. A decisão, anunciada pelo presidente Trump, seguiu determinações de reguladores de segurança de quarenta e dois países de proibir os voos desses aviões, que se encontram imobilizados no solo em todo o mundo. Os pilotos, comissários de bordo, consumidores e políticos dos principais partidos políticos americanos reivindicavam que os aviões permanecessem no solo nos Estados Unidos. Apesar do clamor, a FAA estava decidida, e afirmava que não havia problemas sistémicos de desempenho que levassem as duas companhias aéreas a suspender os voos dos aviões. A 13 de Março de 2019, tudo muda quando, em uma sucessão relativamente rápida, autoridades de aviação americanas e canadenses disseram que estavam a manter no solo os aviões depois de dados de rastreamento por satélite, sugerirem similaridades entre o acidente na Etiópia e o da Indonésia. A segurança do povo americano e de todas as pessoas era a sua preocupação primordial, afirmaria o presidente Trump a repórteres na Casa Branca ao fazer o anúncio. É de entender que à medida que os aviões se tornam mais automatizados, alguns pilotos perdem habilidades de voo. O acidente do voo 302 da Ethiopian Airlines tem muitas semelhanças com o acidente da Lion Air. Os dados sobre a trajectória vertical do avião etíope na descolagem e os dados comparáveis ​​do acidente da Lion Air mostraram flutuações verticais e oscilações, e poucas horas depois, a FAA confirma que a sua decisão surgia depois da investigação que desenvolveu e de novas informações reveladas a partir dos destroços a respeito da configuração da aeronave logo após a descolagem. Tomados em conjunto com dados recentemente refinados do rastreamento por satélite da trajectória de voo da aeronave, as informações indicaram semelhanças entre as quedas etíopes e indonésias que justificam investigações adicionais sobre a possibilidade de uma causa compartilhada para os dois incidentes e que necessitam de ser melhor compreendidos e abordados. A Ethiopian Airlines desde logo, informou que um dos dois pilotos da aeronave relatou ter problemas de controlo de voo aos controladores de tráfego aéreo, minutos antes de o avião cair e disse que queria voltar ao Aeroporto Internacional de Bole em Addis Abeba. O piloto foi autorizado, três minutos antes do contacto se ter perdido com a cabine. Essa divulgação sugere que um problema com o controlo da aeronave, ou com o sistema computadorizado de controlo de voo poderia ter sido um factor. São descartadas qualquer hipótese de terrorismo ou outra interferência externa no funcionamento da aeronave, que tinha apenas alguns meses. As autoridades ao examinar o acidente da Lion Air levantaram a possibilidade de que

um novo sistema de controlo de voo possa ter contribuído para esse acidente. A FAA, alertou que a investigação sobre o acidente da Ethiopian Airlines estava incompleta, e nenhuma determinação quanto à sua causa foi feita, nem qualquer conclusão final foi elaborada para o acidente indonésio. Os dados de voo e os gravadores de voz, conhecidos como caixas negras no desastre da Etiópia foram recuperados e serão analisados n​​ a França, pelo que ainda se tem muito para aprender antes de se poder afirmar que tiveram a mesma causa e efeito. Os acidentes colocaram a Boeing na defensiva. A companhia aérea de baixo custo, Norwegian Air, que tem uma das maiores frotas de Boeing 737 Max 8 fora dos Estados Unidos, disse que pedirá uma indemnização por manter os aviões no solo. O Boeing 737 Max 8 é o avião mais vendido da Boeing de todos os tempos e deve ser um grande estimulador de lucro, com mais de quatro mil e quinhentos aviões encomendados. As acções da empresa caíram cerca de 11 por cento na semana do


opinião 19

sexta-feira 22.3.2019

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

segurança humana

acidente. A Boeing por seu lado está a apoiar esta fase proactiva com extrema cautela, e a cooperar para entender a causa dos acidentes em parceria com os investigadores, implantar melhorias de segurança e ajudar a garantir que tal facto não aconteça novamente. Após o acidente indonésio, os sindicatos de pilotos reclamaram que não tinham conhecimento de uma mudança no sistema de controlo de voo do Boeing 737 Max 8 que poderia empurrar o nariz do avião automaticamente para baixo em certas situações. Acredita-se que a mudança no “software” tenha desempenhado um papel no acidente da Lion Air e também tenha sido um factor no acidente na Etiópia. A Boeing está a planear lançar uma actualização de “software” que está em desenvolvimento desde o acidente na Indonésia. A introdução de um novo recurso de controlo de voo consequente, sem qualquer requisito para o treino de pilotos, está a atrair mais atenção. As autoridades americanas planeiam conduzir uma investigação sobre a certificação do Boeing 737

Max 8 pela FAA, com o objectivo de saber o motivo pelo qual o órgão regulador não exigiu o treino dos pilotos a aprenderem a voar a nova versão. A FAA, transportadoras e fabricante irão trabalhar arduamente para tornar a imobilização dos aviões no solo no mais curto tempo possível, pois situações como estas são um alto teste para os líderes. Ainda não está claro porque razão o avião da Ethiopian Airlines caiu. Os reguladores estiveram divididos, enquanto os da Ásia e Europa avançaram relativamente rápido com as proibições de voo, e nos Estados Unidos a FAA manteve a decisão de que a análise não mostra problemas sistemáticos de desempenho e não fornece uma base para ordenar a manutenção das aeronaves no solo. Os políticos e líderes da Boeing telefonaram ao presidente Trump garantindo a segurança dos aviões da empresa após um “tweet” presidencial que queixava de que os aviões estavam a tornar-se um caso muito complexo, afirmando desvairadamente “Eu não quero que Albert Einstein seja meu piloto”. A 13 de

Março de 2019 mais de quarenta países imobilizavam os seus aviões. Toda esta confusão não traz benefícios nem aos investidores das empresas envolvidas, nem aos trabalhadores e passageiros. Ter-se-ia evitado grande parte da turbulência se os líderes da empresa tivessem feito um trabalho melhor em enquadrar a situação. Os líderes têm uma tarefa crucial no início de um desastre em formação, devendo usar a arte de enquadrar para descrever a natureza do problema que a organização está a enfrentar.  Os modelos adequam a forma como pensamos os problemas e também as oportunidades e dizem qual a categoria de dificuldade que estamos a lidar, porque ao identificar um tipo de problema, também contém as sementes de acção e resposta. É de lembrar que durante a crise de envenenamento por Tylenol em 1982, a J&J, empresa multinacional americana de produção de dispositivos médicos, produtos farmacêuticos e bens de consumo embalados fundada em 1886, notoriamente declarou que se tratava de um problema de saúde pública.  Tal enquadramento deu início a todas as actividades que associamos à reacção padrão da J&J e a uma crise em que vidas humanas estão em jogo. Assim, todas as embalagens de cápsulas de Tylenol, contra o conselho do Food and Drug Administration (FDA), foram pela J&J substituídas por novas embalagens resistentes a adulterações e entregou as cápsulas recém-embaladas em um período de seis semanas. Quando um segundo surto de envenenamento ocorreu quatro anos após o primeiro, a J&J declarou que só oferecia Tylenol em cápsulas, que não podiam ser separadas e lacradas sem que os consumidores soubessem. A J&J poderia ter descrito a natureza do envenenamento por Tylenol de muitas maneiras diferentes, como um ataque à empresa, um problema em algum lugar no processo de distribuição do Tylenol das fábricas para lojas de venda a retalho, bem como as acções de um assassino solitário e cada um desses enquadramentos teria levado a um conjunto diferente de acções. Se a J&J tivesse chamado

de ataque ao envenenamento, teria desencadeado uma guerra dispendiosa e difícil de vencer contra estranhos e desconhecidos tentando destruir a empresa. Se fosse um problema de processo, haveria uma revisão minuciosa da cadeia de fornecimento de Tylenol e possíveis falhas no sistema, e se acaso pudesse ser trabalho de um homicida? Sabemos como tais generalidades podem levar à inacção no sector e a culpar sistemas muito distantes da empresa e das suas responsabilidades. É de acreditar que o presidente da Boeing insistiu com o presidente Trump e outros de que a aeronave era segura. O treino é projectado para ajudar os pilotos a identificar e substituir os controlos automáticos do avião se os mesmos erroneamente dirigirem o seu nariz para baixo.  Assim, o quadro do presidente da Boeing foi pintado no sentido de que se é um problema técnico podia ser corrigido com o treino dos pilotos. Tarde demais. É um quadro bastante comum para o mau funcionamento de um produto, mas ainda não sabemos se a semelhança nos dois acidentes é uma coincidência ou o sinal de um problema sistemático que precisa de ser corrigido.   Além disso, o quadro parece perder o momento, pois centenas de vidas humanas foram perdidas, e mais podem estar em risco, e os reguladores em muitos países imobilizaram os aviões.  As acções dos reguladores reflectem um quadro de priorização da segurança humana, que parece reflectir melhor os altos níveis de incerteza e risco que a Boeing está a pedir que aceitemos. O que poderia a Boeing ter dito de forma mais sensata? Talvez fosse melhor dizer que é um problema técnico que não dominam por completo e à luz dessa incerteza, recomendar a aterragem dos Boeings 737 Max 8 e 9 até terem a certeza de descobrir o que está a provocar as falhas e poder contentar a empresa, reguladores globais, transportadoras e passageiros e que possam ter todos a certeza do que está a causar essas falhas e de que os aviões são seguros para voar de novo. Tal enquadramento leva a um caminho de acção muito mais claro e reconhece uma parceria com reguladores encarregados de proteger vidas humanas e teria sido melhor para todos os interessados ​​se a Boeing tivesse chegado a essa conclusão antes que o presidente americano aparentemente o fizesse. A questão principal para os líderes é o facto de ser necessário tornar a situação e o pensamento difícil. É necessário decidir que tipo de problema se está a enfrentar, e descrevê-lo em linguagem clara que ajudará as pessoas que o têm de resolver na empresa, bem como os que estão a julgar de fora, a entender como a empresa está a pensar e que tipo de problema enfrenta. O enquadramento é uma ferramenta para ser usada conscientemente. Se for bem utilizada, pode fazer uma enorme diferença em inspirar a acção responsável e confiar no julgamento e nos valores da empresa, mesmo que, como no caso da J&J, o problema não esteja totalmente resolvido e precise de ser abordado de novo.


Quanto aos defeitos dos outros, o homem tem olhos perspicazes.

PALAVRA DO DIA

sexta-feira 22.3.2019

XINHUA

Philippe Destouches

Taiwan Presidente visita aliados do sul do Pacífico

FILIPINAS EX-GOVERNANTES APRESENTAM QUEIXA CONTRA XI JINPING NO TPI

A Presidente de Taiwan iniciou ontem uma visita a Palau, a Nauru e as Ilhas Marshall, três aliados no sul do Pacífico, para reforçar os laços diplomáticos perante a crescente influência da China na região. Em Palau, Tsai Ing-wen prevê assinar um acordo de comércio marítimo. Em Nauru, vai discursar no Parlamento. Por último, nas Ilhas Marshall, irá participar num encontro internacional de mulheres líderes. A viagem faz parte de uma crescente cooperação diplomática entre Washington e Taipé, e de um maior protagonismo de Taiwan na estratégia da Administração de Donald Trump, que visa promover um “Indo-Pacífico livre e aberto”, incorporada num acordo de cooperação assinado esta semana. O Pacífico Sul abriga seis dos 17 aliados diplomáticos de Taiwan, que tem travado uma dura batalha com Pequim, na tentativa de manter a soberania. Desde 2016, cinco ex-aliados de Taiwan optaram por romper as relações com a ilha em favor da China, nomeadamente o Panamá, a República Dominicana e El Salvador.

China | EUA Negociacões prosseguem no fim do mês

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Os negociadores norte-americanos vão encontrar-se com os representantes da República Popular da China nos dias 28 e 29 de Março para tentarem alcançar as bases para um acordo comercial com Pequim, anunciou ontem fonte governamental chinesa. A realização deste encontro foi revelada pelo Ministério do Comércio da República Popular da China. O representante norte-americano do Comércio, Robert Lighthizer e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin vão reunir-se com o chefe dos negociadores chineses, Liu He, acrescenta a nota oficial de Pequim. De acordo com a agenda, os próximos contactos vão realizar-se no fim do mês mas a nova ronda negocial deve decorrer nos Estados Unidos no mês de Abril.

E

Tufão 10 à espreita Hong Kong antecipa terceira grande tempestade desde 2017

O

Observatório de Hong Kong antevê a passagem de mais um tufão n.º 10, a menos de 500 quilómetros da região vizinha. A informação foi divulgada, ontem, pelo director do Observatório Shun Chi-ming, que espera um Verão com temperaturas mais elevadas devido aos efeitos do El-Niño. Este é um fenómeno meteorológico temporário e cíclico que resulta no aquecimento das temperaturas das águas no Oceano Pacífico. Em relação ao número de tufões, Hong Kong espera que o território possa ser afectado por quatro a sete ocorrências. “É um número normal”, disse Shun Chi-ming. “Uma vez que se vai fazer sentir os efeitos do El-Niño, é possível que a época de tufões apenas comece no início de – ou depois – de Junho”, acrescentou, de acordo com o portal Hong Kong Free Press.

A última vez que Hong Kong içou o sinal número 10 de tufão em três anos consecutivos foi em 1960, 1961 e 1962. Caso este ano se registe um tufão número 10, então o registo é igualado. Porém, o director do Observatório de Hong Kong deixou o desejo que tal não se verifique. “Espero que a história não se repita”, afirmou. Nos últimos dois também Macau içou por duas vezes o sinal de tufão n.º 10. Em 2017 tal aconteceu com o Tufão Hato, que matou pelo menos 10 pessoas, e no ano passado com o Tufão Mangkhut.

A última vez que Hong Kong içou o sinal número 10 de tufão em três anos consecutivos foi em 1960, 1961 e 1962

Em relação à RAEM o Governo ainda não realizou o evento em que antecipa a época de tufões, o que normalmente acontece entre Abril e Maio. Contudo, não é de afastar um cenário muito semelhante, uma vez que nos últimos dois anos sempre que Hong Kong içou o sinal número 10, Macau fez o mesmo. Na mesma conferência de ontem, o director do Observatório anteviu que as temperaturas podem chegar aos 40 graus nos Novos Territórios. “A altura em que Hong Kong vai deixar de ter Inverno está quase a chegar”, afirmou Shun. No ano passado foram sete as tempestades tropicais que passaram a menos de 800 quilómetros do território, com o Mangkhut a ser o único tufão que levou a que o sinal número 10 fosse içado. J.S.F.

X-FUNCIONÁRIOS do Governo filipino e um grupo de pescadores apresentaram queixa no Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o Presidente chinês, Xi Jinping, por crimes contra a humanidade e danos ambientais no mar da China Meridional. A acção, que solicita a abertura de um exame preliminar contra o Presidente chinês, foi apresentada em Haia, Holanda, na sexta-feira, indicou ontem a imprensa filipina, que publicou algumas páginas do documento. O ex-secretário dos Negócios Estrangeiros filipino Albert del Rosario e a antiga procuradora no combate à corrupção Conchita Carpio Morales assinaram essa queixa juntamente com um grupo de pescadores afectados pelas actividades da China nessas águas. Os requerentes acusam Xi Jinping e outros funcionários chineses de cometerem “crimes que implicam um dano ambiental massivo, quase permanente e devastador em vários países”, uma vez que a China ocupou várias ilhotas e recifes, cuja posse é disputada por vários países da região. Os antigos funcionários do Governo filipino e os pescadores alegam que os danos ambientais começaram quando o Governo de Xi Jinping empreendeu “um plano sistemático para tomar o mar da China Meridional”, de grande importância geo-estratégica, através do qual circula 30 por cento do comércio global e abriga 12 por cento da pesca mundial, além de possíveis depósitos de gás e petróleo. Os signatários da acção alegam que o TPI tem jurisdição sobre o caso uma vez que “os crimes” da China ocorreram quando Manila ainda era membro do tribunal. Em 17 de Março de 2018, o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, retirou o país do tratado que dá jurisdição ao TPI para investigar acções criminais no seu território - com a medida a ser efectiva a partir da mesma data do ano seguinte. A saída foi oficializada no passado domingo.

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Hoje Macau 22 MAR 2019 #4253  

N.º 4253 de 22 de MAR de 2019

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