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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MAO CHEIA DE NADA ˜

O grupo Polytec avança com subsídios para alguns dos promitentes-compradores do Pearl Horizon com o objectivo de “aliviar” os encargos mensais aos bancos. No entanto, o dinheiro terá de ser devolvido mais tarde e, pior ainda, os investidores podem nunca vir a receber qualquer indemnização sobre o capital investido.

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EXTRADIÇÃO

Entregas ilegais PÁGINA 4

AURÉLIA RODRIGUES DE ALMEIDA

A ESSÊNCIA E A LÍNGUA

GONÇALO LOBO PINHEIRO

PEARL HORIZON COMPRADORES SEM GARANTIA DE COMPENSAÇÕES

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

ENTREVISTA

SERVIÇOS DE ALFÂNDEGA

Alex Vong no comando PÁGINA 5

KARATÉ

Um iraniano em Macau PÁGINAS 12-13

PÁGINA 7

TIAGO ALCÂNTARA

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 22 DE FEVEREIRO DE 2016 • ANO XV • Nº 3516

LIGA DE ELITE

EMPATE SOB PROTESTO CENTRAIS


2 ENTREVISTA

AURÉLIA RODRIGUES DE ALMEIDA

GONÇALO LOBO PINHEIRO

COORDENADORA DA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO IPM

A aposta na Língua Portuguesa é essencial e tanto o Governo Central como o de Macau têm consciência disso. Aurélia Rodrigues de Almeida, docente e coordenadora da EAP do IPM, frisa que alunos devem estar atentos às estratégias do Governo na escolha da sua formação

“Aposta do Governo no Português é clara” O mais recente curso do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Relações Comerciais China Países Lusófonos, foi, como já defendeu, uma aposta inovadora. Qual tem sido o feedback recebido? O feedback é bom. Alunos e docentes estão motivados e a progressão na aprendizagem é de um nível muito elevado e encorajador para todos quantos acreditamos neste projecto, a começar, naturalmente pelos dirigentes do IPM. O curso é de facto uma formação inovadora e uma formação necessária e oportuna. Inovador no modelo, é um curso que permitirá aos

alunos obter competências em duas áreas do conhecimento, em língua e cultura portuguesas e em comércio internacional, necessário porque quer as empresas, quer a Administração Pública necessitam de profissionais bilingues com competências superiores na área do comércio internacional. Oportuno porque está claramente vocacionado para apoiar o estabelecimento de uma plataforma de serviços no domínio do comércio entre a China e os Países de Língua Portuguesa. A aposta no Português é, de facto, um caminho essencial para Macau?

Creio que se trata hoje de uma evidência, é o Governo da RAEM que o afirma e é o Governo Central que a cada momento o lembra. O Português é uma das línguas oficiais de Macau, é a língua em que foi redigida uma parte importante da legislação ainda em vigor em Macau, é uma língua de uso obrigatório na Administração Pública e é também a língua que faz ponte de comunicação entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Por todas estas razões a que só não se acrescentam outras por economia de tempo, sem dúvida que a aposta no Português é essencial. Não é a única aposta a fazer, mas é uma aposta essencial.

Apostar em licenciaturas deste âmbito é o caminho que o IPM deve percorrer? Quem o poderá responder é o presidente do IPM, [Lei Heong Iok]. No entanto, quando olhamos para o ensino da Língua Portuguesa em Macau, o IPM é identificado como o primeiro referencial neste domínio e é-o justamente. O reconhecimento do papel do presidente, e do próprio IPM, em relação à Língua Portuguesa é indiscutível. Está portanto, mais do que provada... Sim, disso são exemplos a atribuição do grau de Doutor Honoris Causa e de Membro daAcademia de Ciências


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“A aposta no Português é essencial. Não é a única aposta a fazer, mas é uma aposta essencial” “As carências de tradutores e de intérpretes, são diariamente referidas pelas entidades oficiais, pelas empresas, pelos responsáveis dos serviços públicos e são sentidas por todos nós no nosso dia-a-dia”

que a Universidade de Lisboa e a Academia das Ciências de Lisboa atribuíram ao nosso presidente. A Administração Pública, lugar para comum para si, é também uma área de destaque no IPM. Tem mais alunos portugueses ou chineses? O que é no fundo procurado? Sim, a Administração Pública é efectivamente uma área de destaque no IPM, da responsabilidade da Escola Superior de Administração Pública. Naturalmente, tem mais alunos chineses do que portugueses, direi que decorre desde logo do facto da comunidade portuguesa ser reduzida. O curso em Língua Portuguesa é pós-laboral e tem sido apoiado pelos responsáveis do IPM e da ESAP não obstante a sua reduzida procura. O objectivo é adquirir conhecimentos e competências que lhes permitam ser quadros qualificados do Governo. Sector em que o Português volta a estar em destaque. É preciso, portanto, apostar na formação de quadros públicos com domínio no Português.

[os alunos] “Devem entender que hoje a licenciatura constitui apenas uma base sólida da sua formação que não dispensa, mas antes exige, uma formação contínua permanente que lhes permita na sua área manter e elevar os conhecimentos e as competências” “A aprendizagem tem que ser contínua, seja em que actividade for. Se alguém parar de aprender em breve será reconduzido a um estado de ignorância que o tornará inapto para o exercício dessa actividade”

É essencial. Quanto mais qualificados forem os quadros da Administração Pública, mais qualificada é a sua actividade. Creio que é mais uma evidência. No entanto, na minha opinião, pode ser interessante repensar a formação em Administração Pública como uma formação bilingue, ou seja que permita aos alunos adquirir conhecimento das duas línguas oficiais, além das matérias específicas da Administração Pública, a exemplo do que já é feito no curso de Relações Comerciais China - Países Lusófonos, criando assim condições a médio prazo para assegurar a continuidade de uma Administração Pública bilingue. Portanto, formar quadros que dominem as duas línguas... Sim, a RAEM tem, por lei, uma Administração Pública que deve estar apta a exercer a sua actividade em qualquer uma das línguas oficiais - o Chinês ou o Português - cabendo ao cidadão e aos agentes económicos e sociais que se relacionam com a Administração Pública a escolha da língua utilizada no procedimento e no processo. Penso que a formação de quadros da Administração Pública deve ter uma preocupação acrescida com a aquisição de conhecimentos e competências, linguísticas e específicas, e com a formação integral do aluno visando contribuir para que ele seja um bom funcionário e um bom cidadão, motivado para o serviço público, para a inovação e formação contínua. Isto leva-nos também para a área de tradução, apontada como uma das mais debilitadas. Concorda? Não sou no IPM a pessoa mais habilitada para falar da área da tradução. As pessoas mais habilitadas são o presidente, em primeiro lugar, e o Director da Escola Superior de Línguas e Tradução, em segundo lugar. Mas não tenho dificuldades em responder-lhe afirmativamente. As carências de tradutores e de intérpretes, são diariamente referidas pelas entidades oficiais, pelas empresas, pelos responsáveis dos serviços públicos e são sentidas por todos nós no nosso dia-a-dia. Mas também não tenho dúvidas em afirmar que o IPM é, na formação de tradutores e de intérpretes, a escola de referência em Macau, na China continental e estrangeiro. É o curso do futuro? É um curso de futuro e é um curso para servir o futuro. O tradutor e o intérprete têm uma função de in-

termediação/mediação entre uma língua e uma cultura de partida e uma língua e uma cultura de chegada, estabelece a comunicação entre duas pessoas que de outra forma não comunicariam, entre duas línguas e culturas que de outra forma não comunicariam. É um curso de futuro porque esta é uma necessidade permanente, crescente, por efeitos da globalização. E um futuro assegurado... Sim, têm o futuro assegurado os alunos que se graduam em Tradução e Interpretação e servem o futuro porque estão ao serviço do desenvolvimento das relações económicas e sociais a nível local, regional e global. Quais são as áreas de destaque em que os alunos de Macau, na sua visão, devem apostar? Em primeiro lugar em formações de qualidade e de relevância social e, nesse aspecto, como em outros, a escolha do IPM é uma escolha bem acertada. Devem apostar em formações inovadoras, sólidas e com espírito empreendedor. Estas são características que devem exigir a qualquer curso, inovação, solidez e empreendedorismo. Depois, creio que devem estar atentos às orientações estratégicas da RAEM, seja do ponto de vista social, seja do ponto de vista económico. Devem estar muito atentos às janelas de oportunidade que a diversificação da economia pode revelar. Mas sobretudo, devem entender que hoje a licenciatura constitui apenas uma base sólida da sua formação que não dispensa, mas antes exige, uma formação contínua permanente que lhes permita na sua área manter e elevar os conhecimentos e as competências e, para além disso, estar preparado para mudar de área de actividade mantendo-se capaz de responder aos desafios das mudanças que hoje se dão a uma velocidade cada vez maior. A aprendizagem tem que ser contínua, seja em que actividade for. Se alguém parar de aprender em breve será reconduzido a um estado de ignorância que o tornará inapto para o exercício dessa actividade. Há pouco tempo, na apresentação de um livro de um autor português, Alexis Tam glorificou o trabalho realizado pelo Instituto, garantindo o apoio do Governo. Sente-se essa vontade da Administração no apoio ao Português? Tal como referi essa vontade é clara, na minha opinião, e expressa-se por palavras e actos. Creio que existem todas as condições,

por parte do Governo, para os projectos nesta área serem bem-sucedidos. Há que apresentar propostas e demonstrar ser capaz de as realizar. Creio que há uma oportunidade única neste domínio e estou segura que com maior ou menor ritmo elas irão ser aproveitadas. Parece-me evidente que não será por falta de apoio do Governo que deixarão de se fazer coisas em prol do desenvolvimento da Língua Portuguesa. Importante é que quem está no terreno apresente projectos e faça a demonstração de resultados palpáveis, mensuráveis, que sejam eles próprios motivadores da concessão de mais apoio. O IPM deveria criar mais acordos com outras faculdades portuguesas para um maior intercâmbio de alunos? É outra pergunta a que a pessoa mais habilitada para responder será o presidente. Mas não fujo à resposta. O IPM, tanto quanto é do meu conhecimento, tem neste momento uma vasta cooperação com universidades e institutos politécnicos. Vai para dez anos o curso de licenciatura em Tradução e Interpretação Chinês Português do IPM em associação com o IPL [Instituto Politécnico de Leiria]. O IPM tem cursos de doutoramento e mestrado em colaboração com a Universidade de Lisboa e do IPL. Tem mais de 50 alunos a estudar Português, em Leiria, tem cerca de 60 alunos portugueses, os do curso de Tradução com o IPL e alunos em mobilidade de outras instituições. O presidente tem referido insistentemente a sua vontade de incrementar a cooperação com as instituições de ensino superior do Países de Língua Portuguesa e, de acordo com o que sabemos, tem aumentado os esforços para alargar a cooperação a outras instituições e aumentar os alunos em mobilidade a receber em Macau. Como é ser docente em Macau? Numa cultura tão diferente, a sede de aprendizagem vive-se de outra forma? É um exercício apaixonante, porque a noção de ensino/aprendizagem é aqui mais forte e ganha uma outra dimensão. É ser-se docente numa outra cultura e aprendente, permanente, dessa mesma cultura. Direi que é uma experiência única que, como referem em relação a uma bebida, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Tenho muitas dificuldades, sinceramente, em imaginar-me fora deste caldo multicultural. Entranhou-se, já me sinto parte dele. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


4 POLÍTICA

hoje macau segunda-feira 22.2.2016

Extradição PEDIDOS ESCLARECIMENTOS APÓS ENTREGA DE PESSOAS À CHINA

O jornal South China Morning Post denunciou a entrega ilegal de três pessoas de Macau à China. A Associação Novo Macau volta a pedir que o Governo torne públicas informações sobre os acordos de extradição que ainda estão em fase de discussão

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RÊS pessoas terão sido extraditadas de forma ilegal de Macau para a China nos últimos anos por parte de agências de segurança. A notícia foi avançada pelo South China Morning Post na sua edição de ontem, citando documentos do Tribunal de Última Instância (TUI)

TIAGO ALCÂNTARA

Para sair da escuridão

de Macau. Convidado a comentar esta informação, Jason Chao, vice-presidente da Associação Novo Macau (ANM), considera que “definitivamente agora há algo que tem de ser esclarecido e o conteúdo dos acordos tem de ser analisado pelo público”, até porque Macau, China e Hong Kong não têm acordos de extradição. “O Governo decidiu manter as coisas no escuro e parece que há informações que o Executivo decidiu não tornar públicas”, disse ao HM.

Recentemente a ANM pediu ao Governo para tornar transparente o processo de discussão dos acordos de extradição que serão assinados entre a China, Macau e Hong Kong. Os activistas especulam que podem existir abusos de poder no processo.

ERA UMA VEZ TRÊS

Segundo a notícia do South China Morning Post, três pessoas, duas delas residentes permanentes de Hong Kong, terão sido extraditadas de forma ilegal para o conti-

nente, através de agências de segurança. Um dos casos ocorreu a 18 de Maio de 2007, quando uma mulher que viajava no ferry entre Hong Kong e Macau foi interceptada pelas autoridades para “colaborar numa investigação”. Os documentos citados pelo jornal dizem que a mulher foi extraditada para a China, sendo que era procurada pela Interpol pelo crime de evasão fiscal. Em 2008, outra mulher terá sido extraditada por ter praticado o crime de roubo. O ano pas-

Tornar sonhos reais

O

sendo por isso evidente “que os turistas também não os conheçam”. Algo que, aponta, vem afectar a possibilidade de turismo fora do Centro Histórico de Macau. “Há muito outros pontos turísticos integrados na Lista de Património Mundial e muitas relíquias culturais espalhadas por várias zonas, mas registam-se ali poucos turistas”, defendeu. Algo que o Governo se deve esforçar por mudar. “O Governo deve reforçar as acções de divulgação para atrair os turistas a deslocarem-se aos

JASON CHAO VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

LEONG VENG CHAI APONTA O DEDO À DSAL

Património Turismo comunitário é “ideia quimérica”, diz Pereira Coutinho

deputado José Pereira Coutinho criticou a falta de acção do Governo relativamente ao turismo comunitário, medida já prometida pela Administração. O deputado considera que este tipo de turismo, “promovido pelo Governo neste últimos anos, não passa de uma ideia quimérica” e indaga o Governo quanto aos planos para tornar esta medida real. Pereira Coutinho mostrou que, dos 128 itens que constam do inventário das relíquias culturais, muitos não são conhecidos por “muitos residentes”,

“O Governo decidiu manter as coisas no escuro e parece que há informações que o Executivo decidiu não tornar públicas”

sado foi notícia em Macau a extradição de Wu Quanshen, fugitivo da China desde 2012, sendo que as autoridades locais não deram quaisquer explicações para a entrega deste ao continente. “Este tribunal decidiu em 2007 [que] era ilegal extraditar fugitivos para as autoridades do continente. Foi feita uma insistência para proceder à extradição, sem uma lei ou um acordo, sem um processo organizado, sem permitir a defesa do réu ou sem uma ordem de um juiz. Estes actos desacreditam a justiça, enfraquecem a lei e não dão prestigio à RAEM”, lê-se no South China Morning Post. Ao diário inglês de Hong Kong, Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM), referiu saber de alguns casos isolados, mas os números totais, diz, só a polícia sabe. “Independentemente de haver muitos ou poucos casos, o princípio está errado”, frisa. Um advogado, que não quis ser identificado, disse ao jornal que “a China vai continuar a deter pessoas e a enviá-las para o continente com a colaboração das autoridades locais. Provavelmente os acordos (de extradição) só vão legitimar o que tem vindo a ser feito, porque sabem que é ilegal”. O gabinete do Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, apenas referiu que “tudo foi feito de acordo com a lei e obrigações internacionais”, a mesma justificação dada à imprensa de Macau aquando do caso de Wu Quanshen.

pontos turísticos sitos em várias zonas, em particular aos pontos turísticos que não integram a lista”, argumentou. Pereira Coutinho questiona ainda qual o fim que o Governo atribui às revitalizações das construções históricas, sendo que, neste momento, grande parte delas são utilizadas para exibições e espectáculos. “Será que o Governo precisa de tantos locais para a realização de exibições e espectáculos? Ou será que o Governo não dispõe de outros planos de avaliação sobre a matéria?”, rematou. F.A.

O

deputado Leong Veng Chai afirma que os trabalhadores de Macau, incluindo os não residentes, estão a perder a confiança na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e esta deve alterar-se para resolver os problemas com esta classe. Numa interpelação escrita, o deputado recorda vários casos de conflitos laborais entre as operadores dos casinos e os trabalhadores que não foram resolvidos, dando como exemplo o caso dos 60 trabalhadores não residentes do estaleiro do Wynn Palace, que em Dezembro passado se manifestaram em frente ao Gabinete de Ligação do Governo Central alegando incumprimento

nas compensações por trabalho extraordinário e férias. “Os resultados dos esforços da DSAL ficam sempre aquém das expectativas dos queixosos”, referiu o deputado, que questiona o Governo sobre a confiança dos trabalhadores na Administração, na capacidade de conciliação de conflitos laborais. Leong Veng Chai sugere que a DSAL estabeleça “mecanismos internos para tratar, de forma rápida, os conflitos laborais, em particular quando envolvem trabalhadores não residentes com autorização de permanência prestes a terminar”, como aconteceu com os trabalhadores da operadora Wynn. “Isto vai ser feito?”, indagou o deputado. F.A.


5 POLÍTICA

hoje macau segunda-feira 22.2.2016

Serviços de Alfândega ALEX VONG É NOVO DIRECTOR. MEXIDAS NO IACM E ID

Uma escolha pessoal

Para Chui Sai On, Alex Vong é a pessoa ideal para liderar um dos mais importantes organismos do Governo. A escolha foi feita pelo Chefe do Executivo, que se diz confiante no trabalho do ex-presidente do IACM os requisitos consagrados na Lei Básica, que estipula que a pessoa deve possuir qualidades e capacidades adequadas para esta função, nomeadamente, políticas, responsabilidade, capacidade e tomada de decisão política, coordenação, bem como experiência e gestão administrativa eficaz”, disse Chui Sai On no seu discurso. Alex Vong já foi presidente e vice-presidente do Conselho de Administração do IACM e presi-

dente do Instituto do Desporto. Licenciado em Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Lisboa-Portugal, em 1994, obteve o Mestrado e o Doutoramento em Educação pela Universidade de Desporto de Pequim, em 1999 e 2009. Ingressou na Função Pública em 1994 e foi um dos primeiros quadros bilingues da Administração. Para Chui Sai On, esta é escolha acertada, com o líder do Executivo a dizer estar convicto que Vong vai desempenhar bem as suas funções, porque “tem servido a sociedade em diversas posições, adquirindo bons resultados no trabalho e experiências valiosas a nível de gestão e com reconhecimento da sociedade”. Também o Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, demonstrou um apoio e concordância “convictos” a esta decisão, depois de Chui Sai On ter pedido o parecer da tutela antes de enviar o pedido para Pequim.

PRONTO PARA TUDO

Desafio parece ser a palavra de ordem paraAlex Vong, principalmente devido à recente cedência de jurisdição a

“O Conselho do Estado decidiu nomear [Alex] Vong como directorgeral dos SA no dia 19 de Fevereiro, de acordo com a indigitação submetida por mim” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO

GCS

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LEX Vong é o novo director-geral dos Serviços de Alfândega (SA), deixando o cargo de presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) para José Tavares. O anúncio foi feito numa conferência de imprensa no sábado, tendo levado a mexidas noutros organismos do Governo. A escolha de Alex Vong para o cargo que pertencia a Lai Man Wa, responsável que se suicidou no ano passado, foi feita pelo Chefe do Executivo. Uma decisão pessoal, ainda que tenha de ter tido carimbo do Governo Central. “O Conselho do Estado decidiu nomear [Alex] Vong como director-geral dos SA no dia 19 de Fevereiro, de acordo com a indigitação submetida por mim. Devido ao cargo de director-geral dos SA ser um dos titulares dos principais cargos e de ser um lugar que desempenha funções importantes, é necessário nomear a pessoa certa. Também não podemos esquecer

QUEM É ALEX VONG?

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E nome Vong Iao Iek, de etnia Han, o novo director dos SA nasceu em Macau no mês de Setembro de 1966, tendo raízes familiares da Cidade de Heshan. Casado, tem três filhos e não pratica nenhuma crença religiosa. Licenciado em Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Lisboa-Portugal, em 1994, obteve o Mestrado e o Doutoramento em Educação pela Universidade de Desporto de Pequim, respectivamente, em 1999 e 2009. Ingressou na Função Pública em 1994.

Macau pela China de 85 quilómetros quadrados de águas marítimas. “Os trabalhos dos SA são desafiantes. A clara definição do poder de gestão das águas marítimas sob a jurisdição da RAEM, [leva os SA] a executar novas missões de prevenção e fiscalização dentro das águas sob a gestão exclusiva da RAEM”, referiu no seu discurso, acrescentando contudo ter “toda a confiança em fazer face a esses desafios”. Alex Vong prometeu ainda “servir a população e manter a imparcialidade” e ter “uma atitude pragmática e inovadora” no desempenho das suas funções. Contudo, e ao contrário dos antecessores, Alex Vong não tem experiência nas Forças de Segurança, uma questão que é desvalorizada tanto pelo próprio, como pelo Secretário para a Segurança, mas que já levou à contestação por parte de alguns deputados. Caso de Kwan Tsui Hang, que disse mesmo ter ficado “surpreendida” com a novidade. “Os dois antigos directores da Alfândega eram desses serviços, agora é um funcionário que não

é proveniente da Alfândega, nem das Forças de Segurança. Isto é algo, de facto, especial”, disse, acrescentando que os novos cargos “não correspondem” muito às experiências de trabalho. Referindo-se também às mexidas no ID e IACM (ver texto abaixo), Kwan Tsui Hang disse considerar o ajustamento dos cargos “incompreensível”. Acrescentou que o antigo presidente do Conselho de Administração do IACM, Raymond Tam, já foi absolvido do caso conexo ao chamado Caso das Campas, mas nem sequer regressou à sua posição original. A deputada espera que o Governo dê uma “explicação completa” à sociedade. Ainda assim, Alex Vong recebeu a confiança do deputado Chan Meng Kam e de Ho Ion Sang, que disse que o ajustamento dos cargos pode ajudar a evitar o funcionamento do Governo como “máquina”, sem criatividade. “A mobilidade pode trazer novos pensamentos”, frisou. Joana Freitas (com Flora Fong) joana.freitas@hojemacau.com.mo

GONÇALO LOBO PINHEIRO

JOSÉ TAVARES À FRENTE DO IACM. PUN WENG KUN NO DESPORTO

Com a entrada de Alex Vong na direcção dos Serviços de Alfândega, José Tavares deixa a presidência do Instituto do Desporto (ID) para liderar o Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Já o actual vice-presidente do ID, Pung Weng Kun, assume a liderança do organismo, passando também a ser o coordenador da Comissão do Grande Prémio. José Tavares entrou para a Função Pública em 1984, como escriturário-dactilógrafo do Leal Senado de Macau. Esteve nos Serviços de Estatística e Censos, no Instituto dos Desportos de Macau e no Instituto do Desporto.

José Tavares


6 POLÍTICA

hoje macau segunda-feira 22.2.2016

Coloane PROJECTO DE LUXO PRÓXIMO DA CASAMATA AVANÇA

Polémica silenciosa Um relatório de projecto ambiental entregue pela empresa da qual faz parte o dono do Hotel Fortuna diz que a construção do empreendimento de luxo na montanha de Coloane não vai trazer qualquer problema ao ambiente. A DSSOPT ainda não emitiu licença para o plano, mas aprovou o anteprojecto

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“As devidas alterações no anteprojecto já foram introduzidas conforme o parecer do Instituto Cultural (IC), traduzido sobretudo na redução da volumetria do empreendimento, ou seja na eliminação de uma das torres” COMUNICADO DA DSSOPT

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Associação Geral das Mulheres de Macau entregou sete sugestões à Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) no âmbito da “revisão do Código Penal – crimes contra a liberdade e autodeterminação sexuais”. Segundo um comunicado, a Associação sugeriu um aumento da pena de prisão para o crime de assédio sexual, a possibilidade de criar o crime de perseguição de uma pessoa pela via verbal e a adopção do crime público para casos de assédio contra deficientes físicos ou mentais. AAssociação defendeu ainda a criação de programas mas que foi suspenso devido à polémica. O relatório confirma que o prédio vai corresponder aos “requisitos técnicos” do Executivo. “O projecto localiza-se junto à zona das colinas de Coloane e a análise do relatório foi feita com base no impacto ecológico, o habitat natural, a riqueza das espécies existentes e o período de influência do projecto, bem como a dimensão das mudanças ambientais. Foram ainda avaliados os potenciais impactos da obra no ambiente ecológico, tendo sido apresentadas diversas medidas para diminuir esse impacto”, pode ler-se no jornal de língua chinesa.

DÁ LICENÇA?

Apesar da aprovação da DSPA, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) ainda não emitiu qualquer licença de construção pelo facto de não ter recebido o projecto final, ainda que tenha aprovado o anteprojecto da construção. “As devidas alterações no anteprojecto já foram introduzidas conforme o parecer do Instituto Cultural (IC), traduzido sobretudo na redução da volumetria do empreendimento, ou seja na eliminação de uma das torres. A par disso, foi também mantido o espaço envolvente da

Casamata, indicado no parecer do IC, que não dispõe de cave, contudo nos demais espaços está previsto a construção de cave. A área bruta de construção do empreendimento teve uma redução de área de cerca de 20 mil metros quadrados”, aponta a DSSOPT em comunicado. A DSSOPT não garantiu, no entanto, se a construção do edifício vai obrigar a mais escavações na colina, já que o prédio vai ocupar um quinto dessa área. A empresa responsável pela construção é de Hong Kong e tem Sio Tak Hong, proprietário do Hotel Fortuna, como um dos principais investidores de Macau ligado ao projecto. O empresário está no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e chegou mesmo a afirmar que “há prédios altos em todo o lado” e que se o Governo “pode destruir o ambiente”, a sua empresa também se sente no direito de seguir o mesmo caminho, como citava em 2014 o jornal Tribuna de Macau. Este é também um dos proprietários envolvidos no caso da troca de terrenos da Fábrica de Panchões Iec Long. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

de integração na sociedade de menores alvo de prostituição, a classificação para portadores de pornografia envolvendo menores e o fortalecimento dos trabalhos de prevenção. Wong Kit Cheng, deputada e vice-secretária da Associação, defende que a revisão proposta pelo Executivo “é uma resposta para a insuficiência na questão do assédio sexual e nas ofensas indecentes”. Leong Pou Ieng, subdirectora da DSAJ, terá garantido que as sugestões vão ser analisadas, esperando acelerar o trabalho legislativo nesta área. T.C.

LEI ELEITORAL DEVERÁ CHEGAR À AL EM JULHO

Sónia Chan, Secretária para a Administração e Justiça, confirmou que a proposta de revisão da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa deverá chegar ao hemiciclo em Julho, sendo que nos próximos dois meses deverá ser realizada a consulta pública sobre o processo. Segundo um comunicado, a Secretária referiu, à margem de uma reunião da AL, que o relatório das últimas eleições “serviu de referência” e que a nova lei visa “reforçar a competitividade e aperfeiçoar a rectidão da eleição, nomeadamente, sobre os actos de corrupção”. TIAGO ALCÂNTARA

projecto de um edifício de luxo com mais de 30 andares a construir no Alto de Coloane, junto à histórica Casamata construída no tempo da Administração portuguesa, já recebeu luz verde da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) graças à publicação do relatório de impacto ambiental. Em 2013, o projecto foi criticado pela sociedade por poder afectar a histórica Casamata. Segundo o jornal online All About Macau, a DSPA finalizou a análise do relatório sobre o projecto que arrancou em 2013

ASSÉDIO SEXUAL ASSOCIAÇÃO DEFENDE AUMENTO DA PENA DE PRISÃO

REGRAS DO SECTOR IMOBILIÁRIO NÃO VÃO MUDAR

O Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, confirmou que as leis relacionadas com o sector imobiliário não vão ser alteradas, incluindo o Regime Jurídico da Promessa de Transmissão de Edifícios em Construção. Segundo um comunicado oficial, o Secretário prometeu estar “atento ao desenvolvimento e às mudanças do mercado”, tendo garantido que a Comissão de Renovação Urbana só será criada “daqui a algumas semanas”. Raimundo do Rosário disse ter solicitado “mais rapidez aos serviços públicos da sua tutela” na área burocrática.


7 hoje macau segunda-feira 22.2.2016

O

grupo Polytec vai conceder subsídios a uma parte dos promitentes-compradores do Pearl Horizon para “aliviar” os pagamentos mensais feitos aos bancos. A União de Proprietários do edifício confirmou o anúncio e diz que vai aceitar os apoios, que chegam depois dos bancos terem rejeitado a suspensão de pagamentos de empréstimos. Os investidores do Pearl Horizon, contudo, não têm qualquer garantia de que podem receber indemnizações: os pagamentos feitos pelas fracções aconteceram antes de estar em vigor o Regime Jurídico da Promessa de Transmissão de Edifícios em Construção e os contratos de promessa de compra e venda, ao que o HM apurou, não falam em qualquer compensação. Os promitentes-compradores querem a resolução final do caso, mas aceitaram esta ajuda da empresa. Numa carta enviada pelo Grupo Polytec, conseguida pelo HM, a empresa frisa “entender bem as preocupações” e diz que, depois de vários encontros, aceitou um dos pedidos apresentados, que chega da parte de alguns dos promitentes-compradores que começaram a pagar prestações mensais de hipotecas aos bancos desde o início da data dos contratos até agora. “A nossa empresa concorda com o pedido de ajuda [aos promitentes-compradores] que pagam prestações mensais, depois de uma avaliação da situação, vamos atribuir subsídios com valor máximo 30 mil patacas e por um máximo de três meses, como uma medida temporária para aliviar a pressão”, aponta a Polytec na carta. Ainda assim, a medida não vem só: o Grupo Polytec avançou que quando o Pearl Horizon estiver concluído, os subsídios têm de ser devolvidos à empresa, ou as propriedades serão alienadas para uma terceira parte antes da conclusão. Kou Meng Pok, presidente da União de Proprietários do Pearl Horizon, afirmou ao HM que os compradores que se comprometeram vão aceitar esta medida por não terem, agora, condições para as pagar. Sem confirmar o número concreto dos proprietários que podem receber subsídios, o presidente defende que “são muitos”.

SEM SUPORTE

Uma parte dos investidores optou por pagar a entrada para as fracções e apenas pagar as restantes prestações quando o edifício estiver concluído, enquanto outros estão já a pagar tudo. Ao que o HM apurou, a empresa não teria obrigação de ajudar os investidores, já que os contratos não indicam o pagamento de qualquer compensação. “Nos contratos, não está escrito que podemos ser indemnizados [em caso algum]”, referiu ao HM

SOCIEDADE

Pearl Horizon POLYTEC AJUDA COMPRADORES. COMPENSAÇÃO NÃO ESTÁ GARANTIDA

Alívio com sabor amargo

A Polytec vai ajudar os promitentes-compradores do Pearl Horizon a pagar empréstimos ao banco, mas estes têm de ser devolvidos mais tarde. A ajudar, o HM sabe que os investidores não têm qualquer garantia de que podem receber indemnizações: os pagamentos feitos pelas fracções aconteceram antes de estar em vigor a lei que os protegeria e os contratos de promessa de compra e venda não falam em qualquer compensação um dos responsáveis da União de Proprietários do Pearl Horizon. “Por isso é que solicitámos ajuda ao Governo, para saber como podemos proteger-nos. Mesmo que os contratos sejam injustos, o Governo recebeu impostos de selo e registou as propriedades horizontais, o que foi um grande erro. Não deve deixar vender coisas falsas ou que as pessoas sejam enganadas. Mas não violamos as leis. E não somos protegidos na mesma”, apontou Kou Meng Pok ao HM. Outro dos problemas que os promitentes-compradores enfrentam prende-se com o facto de

“Vamos atribuir subsídios com valor máximo 30 mil patacas e por um máximo de três meses, como uma medida temporária para aliviar a pressão” CARTA DO GRUPO POLYTEC

“Nos contratos, não está escrito que podemos ser indemnizados [em caso algum]. Por isso é que solicitámos ajuda ao Governo, para saber como podemos protegernos. (...) Não violamos as leis. E não somos protegidos na mesma” KOU MENG POK UM DOS RESPONSÁVEIS DA UNIÃO DE PROPRIETÁRIOS DO PEARL HORIZON

terem comprado fracções antes da entrada em vigor do Regime que permite a compra de fracções em construção. “Estes contratos foram assinados antes de 2013, portanto ainda não estava em vigor a lei que veio precisamente tutelar essa questão. O problema é que se celebravam contratos-promessa sobre fracções de prédios que só estavam ainda na planta. Era um risco enorme para os promitentes-compradores – o que se veio a verificar. Aparentemente era um investimento seguríssimo e muito lucrativo. Actualmente, os contratos promessa que incidam sobre fracções autónomas de prédios em construção estão sujeitos a enormes restrições, desde logo a autorização da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). E um dos requisitos para a emissão de autorização prévia pela DSSOPT é precisamente estarem concluídas

as obras de fundação do edifício”, explica um jurista ao HM.

POR FAZER

O Pearl Horizon, recorde-se, já deveria estar concluído mas nem as fundações tem. “O promitente comprador não tem qualquer protecção sequer comparável com a de um proprietário. A razão porque se celebram esses contratos promessa é porque efectivamente a lei veda a celebração de contratos definitivos - de compra e venda - quando o prédio ainda não está construído - e portanto não existe ainda a fracção que se pretende vender” , continua o advogado. Em tribunal, os promitentes-compradores não podem ir contra o Governo, apenas contra a empresa, para lhe pedir a restituição do preço que pagaram a título de sinal. Contudo, pelo menos face ao que assegura o responsável da União, não há qualquer tipo de compromisso perante esta situação.

Poderá ainda existir a possibilidade do Governo impor a obrigação à próxima empresa de respeitar os contratos promessa existentes, mas essa possibilidade é, para o jurista que prefere o anonimato, “muito remota”. O Governo retirou o terreno à empresa por esta não ter cumprido o prazo de aproveitamento do terreno. Na carta, o Grupo Polytec defende que “tem uma meta igual à dos proprietários” e que ainda espera um julgamento “justo” do tribunal. Kou Meng Pok diz que o Grupo Polytec prevê que o recurso contra a decisão do Governo em Tribunal Administrativo pode acabar em breve, daí ter avançado com subsídios. Mais de 80% do edifício já tinha sido vendido há três anos. Flora Fong (com Filipa Araújo) flora.fong@hojemacau.com.mo

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo


8 SOCIEDADE

hoje macau segunda-feira 22.2.2016

Canil IACM NEGA IMPEDIMENTO DE ADOPÇÃO DE ANIMAIS

Não foi bem assim?

O

FACEBOOK

Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) veio negar o impedimento de adopção de seis animais do canil. Através de um comunicado enviado à imprensa, o organismo diz que a exigência do pagamento de três mil patacas por cada um dos seis cães – ou sete, de acordo com o IACM – retidos pelo canil se deveu ao facto dos animais terem sido reclamados como pertencentes aos cidadãos. O caso remete à semana passada: como o HM avançou, um grupo de pessoas que estaria interessado em adoptar seis cães que iam ser abatidos queixava-se de ter sido impedida de o fazer. “A pretensão de obter esses cães pelas pessoas interessadas [foi] efectuada através do procedimento de ‘reclamação’, daí que, nos termos da lei, seja necessário exigir aos interessados, na qualidade do seu dono, pagar as correspondentes multas e taxas”, escreve o IACM. De acordo com relatos da Associação para os Cães de Rua e Bem Estar Animal (MASDAW), que esteve a tentar ajudar os cidadãos e falou ao HM, os interessados só teriam dito ser os donos dos animais, porque o IACM terá negado os pedidos de adopção e dito aos cidadãos que, se quisessem salvar os animais, teriam de “dizer que eram os donos dos cães”. O comunicado do instituto não confirma se isto é verdade, mas também não nega que tenha acontecido. “[Se os cães] capturados nos espaços públicos forem licenciados, os trabalhadores do canil municipal podem fazer leitura do código identificador próprio do

microchip implantado nos animais e avisar os seus donos, consoante os dados de identificação. Se, porém, não se encontrar nenhum microchip nesses animais, os mesmos serão considerados cães vadios e alojados na zona própria para eles. Qualquer pessoa que compareça para reclamar determinado cão vadio, será considerado como seu dono inicial que pretende efectuar a sua ‘reclamação’, devendo, neste caso, seguir o procedimento para ‘reclamação de cães apreendidos’”, explica o IACM, justificando assim as multas no valor de três mil patacas por cão.

TAMANHO QUE IMPORTA

O IACM não diz se é possível adoptar estes cães vadios, mas assegura estar a incentivar a adopção, ainda que com algumas avaliações antes - por exemplo o tamanho do animal. “Os médicos veterinários do IACM escolhem, de entre os animais recolhidos, os cães e gatos dóceis, saudáveis e de porte moderado, prolongando correspondentemente o período da sua retenção. O IACM quer sublinhar que todos os animais destinados a ser adoptados são adequados para ser alojados na zona própria para animais a adoptar, conforme a avaliação do canil municipal. De acordo com o procedimento comum de adopção, os cães capturados só podem ser transferidos para a zona própria para animais a adoptar desde que satisfaçam as condições e requisitos para o efeito, mediante diagnóstico veterinário”, remata.

DOIS CASOS “GRAVES DE GRIPE” NOS CUIDADOS INTENSIVOS

O

S Serviços de Saúde foram notificados pelo Hospital Kiang Wu da hospitalização de uma mulher com 79 anos de idade, residente de Macau, com gripe A, e de dois casos de gripe H1N1. No primeiro caso, a mulher, com doenças crónicas, apresentou sintomas de febre, tosse e dificuldades de respiração a 18 de Fevereiro. Nesse dia foi internada no Hospital Kiang Wu e a realização do raio-x revelou a existência de pneumonia bilateral. Apesar de ainda ter febre, o estado clínico

da doente “é considerado satisfatório”. As amostras submetidas a teste rápido tiveram reacção positiva à Gripe A. Já os casos do vírus H1N1 dizem respeito a dois homens com 53 anos de idade, residentes de Macau. Um contraiu “pneumonia nos dois pulmões” e, em 24 horas, o seu estado clínico agravou-se e devido a insuficiência respiratória teve de ser transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos onde respira com recurso a ventilação. Apesar da situação

clínica ser considerada crítica o paciente apresenta melhoras. O outro homem está fora de perigo. Nenhum dos três pacientes tinha efectuado a vacinação antigripal do Inverno. A mulher que foi internada no São Januário com gripe H1N1 a 10 de Fevereiro piorou e o seu estado é considerado crítico, estando ligada a um ventilador. Desde o início de Fevereiro de 2016, foram clinicamente declarados 204 casos de gripe, face a 69 casos no mês de Janeiro.

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Negócios migratórios Homem de Shenzen terá comprado blue card por 50 mil patacas

A

Polícia Judiciária (PJ) prendeu um cidadão oriundo de Shenzen, de apelido Chan, suspeito de ter comprado um blue card falso por 50 mil patacas. Segundo o jornal Ou Mun, o homem terá comprado a falsa identificação através de um amigo com ligações a um hotel que teria uma vaga para um trabalhador não residente na área das limpezas. Contudo, Chan nunca desempenhou funções neste hotel e o blue card seria apenas mais conveniente do que o seu passaporte chinês para entrar em Macau e jogar nos casinos. O suspeito já foi presente ao Ministério Público estando a responder pelo crime de falsificação de documentos. O jornal Ou Mun referiu ainda um caso de imigração ilegal ocorrido em 2014, quando a Polícia Judiciária (PJ) detectou anomalias nas transacções das contas bancárias e nos registos de entrada e saída de trabalhadores chineses contratados por este mesmo hotel. As autoridades suspeitaram de que alguns empregados de hotel ou junkets venderam blue card a residentes chineses para estes jogarem no território.

FALHAS DO MECANISMO

Ouvida pelo Ou Mun, a deputada Ella Lei fala de ausência de supervisão e abusos. “Se a PJ já tinha detectado o hotel em 2014, porque é que o caso continuou a acontecer? O pedido para TNR foi ou não investigado, e porque é que o novo pedido de blue card foi aprovado?”, questionou. A deputada indicou que o Governo já autorizou quotas para mais de 200 mil TNR, sendo que mais de 180 mil se deslocam a Macau. “Alguns TNR não trabalham em Macau depois de conseguirem o blue card e, em muitos casos, os documentos não estão completos, mas ainda assim os processos foram aprovados. Isto é testemunho de que o Governo não fiscaliza bem o processo de aprovação e que falta um mecanismo para a saída destes trabalhadores”, apontou. Ella Lei falou ainda dos “grandes empresários que podem ganhar dinheiro com a venda das quotas”, sendo que “não é fácil para as Pequenas e Médias Empresas (PME) obterem uma quota”. A deputada pede, assim, que seja diminuído o número de quotas para os grandes empresários. Ao Ou Mun, o Gabinete de Recursos Humanos (GRH) disse que vai punir de forma severa os empregadores suspeitos de obterem quotas de forma fraudulenta, sendo possível a sua abolição total. Tomás Chio

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SUSPEITA QUE ABANDONOU BEBÉ EM PRISÃO PREVENTIVA

Uma mulher filipina foi detida preventivamente e aguarda julgamento por suspeitas de ter sido quem abandonou a bebé recém-nascida no edifício Flower City, na Taipa. Segundo nota do Ministério Público, foi-lhe aplicada a medida de prisão preventiva para que não fuja às autoridades. O caso diz respeito ao abandono de uma bebé com horas de vida, ainda com a placenta, num caixote do lixo no 17º andar do Flower City. A mulher terá dado à luz numa casa nesse mesmo andar e, segundo a rádio chinesa, terá “cortado o umbilical” da bebé e colocado a menina no lixo porque esta “não chorou”, levando a mulher a crer que “estivesse morta”. Na mesma semana foi encontrado um bebé prematuro, morto, nos braços de uma outra mulher filipina, no mesmo edifício, quando a polícia investigava o primeiro caso.

GASTOS DOS TURISTAS DESCEM QUASE 18%

Os gastos dos turistas que visitam Macau caíram no ano passado pela primeira vez desde 2010, altura em que há dados oficiais, revelaram as autoridades do território. A despesa que os visitantes fizeram em 2015 caiu tanto em termos globais como ‘per capita’: em 2015, os gastos dos turistas ascenderam a 51,13 mil milhões de patacas, menos 17,2% do que em 2014. Em termos ‘per capita’, a despesa dos turistas foi de 1665 patacas, menos 15% do que em 2014. Os gastos ‘per capita’ dos visitantes da China continental, a origem da maioria dos turistas de Macau, caíram 16,5%. No final de Janeiro, dados oficiais já haviam revelado que o número de turistas em Macau desceu 2,57% no ano passado, a primeira queda desde 2009.

SOCIEDADE

TIAGO ALCÂNTARA

hoje macau segunda-feira 22.2.2016

Administração CONTAS COM PRIMEIRA QUEDA EM CINCO ANOS

Consequências da indústria

A

Administração encerrou 2015 com receitas totais de 109.778 milhões de patacas, a primeira queda em, pelo menos, cinco anos, segundo dados oficiais divulgados na sexta-feira. Dados provisórios publicados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) indicam que as receitas totais sofreram uma descida de 29,7%, um cenário esperado, já que tinham registado o menor crescimento (0,4%) em 2014, ano em que as receitas do sector do Jogo encetaram uma curva descendente.

Esta é a primeira queda no cômputo de um ano pelo menos desde 2010. Dados anteriores não estão disponíveis na página online da DSF. Os impostos directos sobre o jogo – no valor de 35% sobre as receitas brutas dos casinos – foram de 84.430 milhões de patacas, reflectindo uma redução de 34,5% face a 2014. As taxas sobre o sector não reflectem, com efeito, a queda de 34,3% da receita bruta apurada dos casinos em todo o ano de 2015, face a 2014, porque são pagas no mês seguinte ao mês de referência

e em termos orçamentais contabilizadas de Dezembro de um ano até Novembro do ano seguinte.

PESO DO JOGO

Mas a importância do jogo reflecte-se no peso que o imposto detém no Orçamento: 76,9% nas receitas totais, de 77,6% nas correntes e de 90,3% nas derivadas dos impostos directos. Já no campo da despesa, Macau gastou, entre Janeiro e Dezembro do ano passado, 80.479 milhões de patacas em termos globais – mais 22,4% do que em 2014.

O Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA) equivaleu a 8.948 milhões de patacas, mais 23,3% face ao período homólogo de 2014. Ainda assim, entre receitas e despesas, a Administração acumulou um saldo positivo de 29.298 milhões de patacas, valor que excedeu largamente o orçamentado para todo o ano (18.805 milhões de patacas), mas que traduziu uma queda de mais de dois terços (67,6%) comparativamente ao arrecadado em 2014. LUSA/HM

LUCROS DA MELCO CAEM 82,6%

O

S lucros da Melco Crown Entertainment caíram 82,6% em 2015, para 105,5 milhões de dólares, segundo comunicado divulgado na quinta-feira. Entre Outubro e Dezembro do ano passado, a operadora liderada por Lawrence Ho, um dos filhos do magnata dos casinos Stanley Ho, registou prejuízos de 12,3 milhões de dólares norte-americanos no quarto trimestre de 2015, contra um lucro de 92,9 milhões de dólares em igual período de 2014.

No quarto trimestre, a operadora registou receitas líquidas de 1058 milhões de dólares, menos 6% em termos anuais homólogos. O declínio nas receitas líquidas é atribuído maioritariamente à diminuição do negócio no mercado de massas nos empreendimentos em Macau – City of Dreams e Altira Macau – embora parcialmente compensados com a receita gerada pelo Studio City (Macau) e City of Dreams Manila (Filipinas), que iniciaram operações em Ou-

tubro de 2015 e Dezembro de 2014, respectivamente, adianta o comunicado. O EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) foi de 236,4 milhões de dólares no quarto trimestre de 2015, abaixo dos 278,6 milhões de dólares registados em igual período do ano anterior. A queda de 15% neste indicador foi justificada com a menor contribuição do segmento de massas para o negócio da operadora.

No mesmo comunicado, o co-presidente e director-executivo da Melco Crown, Lawrence Ho, anunciou a atribuição de um dividendo especial de 350 milhões de dólares. A Melco Crown resulta de uma parceria entre

Lawrence Ho e o magnata australiano James Packer, que mantém a participação na empresa, mas saiu da direcção no ano passado. Recorde-se que a Melco Crown abandonou a bolsa de Hong Kong, mas mantém-se cotada no Nasdaq. HM/LUSA


10 DESPORTO

LIGA DE ELITE SPORTING E KA I EMPATAM (1-1) EM JOGO SENSABORÃO

MAIS POLEMICA DO ´

A

JOÃO PEGADO, TREINADOR DO SPORTING

“TEMOS UM CAMPEONATO TRISTE E VERGONHOSO”

N

o final do jogo, João Pegado estava tudo menos feliz. Insatisfeito com o resultado, com a arbitragem mas também com a associação que acusa de ausência perante os problemas fundamentais da modalidade. Fala mesmo de revolta no balneário por causa do esquema de reserva de campos para treinos. Em relação ao jogo, Pegado considera que “acabaram de novo com um empate quando a equipa adversária fez apenas um remate à baliza.” Para o treinador, a equipa do Sporting teve muito mais volume de jogo, à excepção dos minutos após a expulsão onde considera que “o Ka I cresceu” mas no fundo entende que, “a existir um vencedor deveria ser o Sporting”. E daí partiu para as críticas à Associação de Futebol, por não responder à carta sobre esclarecimentos dos vistos mas também no que respeita à conduta dos árbitros, não entendendo como um árbitro tão criticado por ambos durante o ‘Sporting-Monte Carlo’ tenha sido premiado com a arbitragem de um clássico ou por “dar-nos apenas dois minutos quanto o jogo esteve interrompido tanto tempo”, explica. Indignado, João Pegado lamenta ainda que o principal promotor (a Associação) não queira saber de nada, uma situação que, para ele é “triste e vergonhosa, mas é o campeonato que temos”. Para além disso, João Pegado aproveitou para criticar fortemente a política de marcação de campos para treino que, segundo ele, “está a criar uma grande revolta no balneário”. Terminam sempre os treinos à meia noite, quando, garante, “vejo os campos ocupados por meia dúzia de pessoas a marcarem penáltis durante o dia e eu, e os outros, temos de acordar às cinco da manhã para os marcar”. Neste contexto, Pegado lançou ainda uma farpa ao ID quando diz compreender a necessidade do Desporto para Todos mas apelando a mais apoio à competição pois “os clubes investem e têm de ser respeitados”.

JOSICLER, TREINADOR DO KA I

“O PRESIDENTE DO SPORTING NÃO É DA IMIGRAÇÃO”

A

o analisar o jogo, Josicler reconhece que “Jogámos no erro, mas perdemos um pouco da estrutura com a saída prematura do Fabrício”. Para Josicler é necessário reforçar a actividade do meio campo “para ter força para chegar no ataque pois o William está a jogar muito isolado”. Concorda com a má qualidade da arbitragem que, para o treinador, “teve muitos erros, e tem dificultado muito o nosso trabalho”. De resto considera que o Sporting também jogou bem mas tem dúvidas em relação ao golo anulado nos últimos minutos à sua equipa mas, no fundo, concordou com o empate. Relativamente à polémica da inscrição jogadores, Josicler disse que “o presidente do Sporting é presidente do Sporting, não trabalha na emigração” e adianta mesmo que “existem muitos jogadores que vêm de HK e doutros lados jogar aqui nessas condições, com contratos para serem aprovados e nunca houve essa regra aqui”, pelo que aconselha Conceição Júnior a “estar bem ciente do que está falando”.

INDA o jogo não tinha começado e já havia agitação junto da mesa da com o presidente do Sporting Clube de Macau, António Conceição Júnior a protestar veemente o que, inclusive, viria a resultar num protesto ao jogo (ver caixa). Em causa, na perspectiva do Sporting, a inscrição irregular de dois jogadores do Ka I (William e Fabrício) que, argumentam os queixosos, não possuem cartão azul mas apenas vistos de turista. Em relação ao jogo propriamente dito, o Sporting entrou agressivo, a tentar controlar as operações com várias triangulações entre os seus jogadores e alternando passes curtos em progressão com passes longos para as alas onde os extremos tentavam servir os avançados com cruzamentos para a área. O Ka I surgia numa postura mais expectante a apostar nos erros do Sporting e, sempre que possível, a chutar lá para a frente para as corridas de Fabrício Lima. Aos três minutos de jogo surgiu a primeira ameaça, que viria a redundar num fora de jogo assinalado ao ataque do Ka I, mas aos nove, o Ka I viria mesmo a marcar com a defesa do Sporting a ficar mal no boneco; uma primeira falha do defesa sportinguista, Fabrício ficou coma bola, livrou-se do guarda-redes, quase chegou à linha de fundo no processo, mas ainda assim conseguiu rematar com sucesso. Dois minutos depois, William remata forte, já dentro da área, com a bola a rasar a barra do guarda-redes leonino. A partir daí o Sporting voltou encontrar-se sempre a pressionar alto com Ka I a apostar mais no contra-ataque. Ao quarto de hora chegou o golo do Sporting com um cruzamento primoroso da direita, uma primeira cabeçada no miolo de um jogador do Sporting, o guarda-redes do Ka I a ficar fora da jogada e Pio a receber a sobra e a encostar para o empate. A partir daqui o jogo seguiu sem grandes perturbações até que aos 22 minutos o homem mais perigoso do ataque do Ka I, Fabrício, lesiona-se e é substituído por Pang Sio Hong.

FOTOS TIAGO ALCÂNTARA

Começou com o protesto do Sporting e acabou com protestos do Ka I pela anulação d ambas as equipas precisavam de vencer, mas a desperdiçar todas as oportunidades qu e pegou uma vez. Sorri o Benfica que ao vencer o Lai Chi (5-0) cimentou a diferença

A partir dessa altura os ataques do Ka I ficaram menos perigosos passando a viver de alguns tímidos rasgos individuais e continuando a abusar dos lançamentos longos do guarda-redes ou dos defesas. Até ao final da primeira parte apenas dois livres perigosos a registar, um para cada lado, mas sem consequências dignas de nota.

MAIS DO MESMO MAS SEM GOLOS

O Sporting voltou para a segunda parte com o mesmo espírito da primeira e logo um minuto depois arrancava o primeiro remate. O Ka I só aos 49 minutos conseguiu voltar a ameaçar a área leoni-


11 hoje macau segunda-feira 22.2.2016

O QUE FUTEBOL

de um golo. De resto foram os leões a tentar controlar um jogo que ue criou menos uma e o Ka I a chutar lá para frente a ver se pegava, para a perseguição e deu mais um passo rumo ao título

DESPORTO

BENFICA ULTRAPASSA ‘CASTORES” NA CAPITAL DO MÓVEL

O Benfica estava sábado, provisoriamente, com o Sporting no topo da I Liga de futebol, após vitória em Paços de Ferreira por 3-1, no decurso da jornada 23, que terminará esta segunda-feira, com a recepção dos ‘leões’ ao Boavista. Para os ‘encarnados’, esta foi a nona vitória nos últimos 10 jogos, cuja excepção foi a derrota na Luz, frente ao FC Porto (1-2), na passada jornada. O brasileiro Jonas, ‘assinou’ o segundo golo benfiquista, de grande penalidade (45+2 minutos), continua a liderar isolado a lista de goleadores, agora com 24 tentos, sendo que o grego Mitroglou (inaugurou o marcador, aos 13) fez o seu 13.º golo. O outro tento dos ‘encarnados’ foi apontado, aos 57 minutos, pelo central sueco Victor Lindelöf, o quarto jogador proveniente da equipa B a facturar na prova, depois de Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e Renato Sanches. Para a equipa de Jorge Simão - pela qual marcou Diogo Jota, alegado alvo do Benfica, aos 23 minutos -, este foi o sexto jogo consecutivo sem ganhar.

ÂNIMOS EXALTADOS EM COIMBRA APÓS DERROTA COM RIO AVE

na com mais um passe longo do guarda-redes mas William viria a desperdiçar ao cometer falta sobre o defesa do Sporting. Nesta fase do jogo já se destacava a actuação de Rafael Moreira, do Sporting, que aparecia um pouco por todo o lado e, aos 60 minutos, remata mesmo, fortíssimo, mas por cima da barra. Até perto dos 80 minutos, o guarda redes do Sporting foi praticamente um espectador pois só nessa altura o Ka I voltou gerar alguma emoção junto da baliza leonina, mas sem consequências de maior. À medida que o jogo avançava notava-se que as duas equipas começavam a acusar o esforço e

a qualidade decaía. Mesmo assim estavam ainda reservadas algumas emoções para o final. Três para ser mais preciso. A primeira dá-se ao minuto 82 na sequência de um canto do lado direito do ataque do Ka I, um toque de calcanhar e a bola a pingar para a baliza do Sporting. Talvez entrasse, mas pelo sim pelo não, a jogada é finalizada com uma cabeçada de um jogador do Ka I, que parece vir de trás, mas o árbitro decidiu por fora de jogo. Seguiu-se um enorme sururu no banco do Ka I com um dirigente a ser expulso mas recusando-se durante vários minutos a sair do campo, já se ouvindo nas bancadas quem chamasse

pela polícia. Logo a seguir Leung Chon In do Sporting comete uma falta para cartão amarelo, mas era o segundo e acabou expulso. O Ka I aproveitou a falta de um homem no Sporting para crescer um pouco mas foi o Sporting, já em cima do minuto 90, quem teve a última oportunidade do encontro: um livre perigoso a uns 10 m da entrada da grande área lado esquerdo do ataque mas o remate saiu fraco para defesa fácil do guarda-redes do Ka I. O jogo viria a terminar dois minutos depois, sob grandes protestos da equipa do Sporting. Manuel Nunes

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RESULTADOS Kei Lun –Monte Carlo

0-5

Casa de Portugal – C.P.K

0-7

Ka I– Sporting

1-1

Chuac Lun - Policia

0-0

Lai Chi - Benfica

0-5

CLASSIFICAÇÃO

PONTOS

Benfica 15 C.P.K. 13 Sporting 11

CONCEIÇÃO JÚNIOR, PRESIDENTE DO SPORTING

“NENHUM REGULAMENTO PODE SUPERIORIZAR-SE ÀS LEIS”

Ka I 11

E

Lai Chi 4

m declarações ao HM, António Conceição Júnior confirmou que o Sporting jogou sob protesto pois enviaram uma notificação à associação há cerca de uma semana para “dizer que dois

jogadores do Ka I iam voltar território e jogar apenas com visto, sem cartão azul.” Um situação que, para Conceição Júnior, é ilegal pois, argumenta o Presidente do Sporting, “em Macau só se pode exer-

cer actividade profissional se se tiver um cartão azul.” O facto da liga não ser profissional não serve de justificação para Conceição Júnior, pois “não interessa que seja profissional ou não o que é certo

é que estes jogadores são profissionais. Sempre foram”, rematou. O dirigente reforçou ainda a sua posição afirmando “nenhum regulamento pode superiorizar-se às leis do território”.

Monte Carlo

7

Policia 4 Chuan Lun 3 Casa de Portugal

1

Kei Lun 0

Várias dezenas de adeptos da Académica mostraram-se, no sábado à noite, insatisfeitos com os jogadores, equipa técnica e direcção, após a derrota com o Rio Ave, por 2-0, em jogo da 23.ª jornada da I Liga de futebol, disputado em Coimbra. Os jogadores e o treinador Filipe Gouveia foram confrontados pelos adeptos à saída do estádio Cidade de Coimbra e, nalgumas situações, os ânimos chegaram a exaltar-se, obrigando à actuação da PSP, como a Lusa verificou no local. Os simpatizantes da “briosa” gritaram palavras de ordem, pedindo a demissão da direcção e da equipa técnica. A Académica mantém-se abaixo da ‘linha de água’, no 17.º e penúltimo lugar do campeonato, com 19 pontos.

NADAL ELIMINADO POR CUEVAS NO RIO DE JANEIRO

O espanhol Rafael Nadal, quinto do ‘ranking’ mundial de ténis, foi derrotado no sábado pelo uruguaio Pablo Cuevas, 45.º da hierarquia, por 6-7 (6), 7-6 (3) e 6-4, nas meias-finais do torneio do Rio de Janeiro. Vencedor da primeira edição do torneio brasileiro, em 2014, Nadal, primeiro cabeça de série, perdeu pela segunda vez desde 2005 em terra batida frente a um jogador abaixo do ‘top30’, num embate que durou 3:28 horas. Na final, Cuevas vai defrontar o argentino Guido Pella, 71.º do mundo, que venceu na outra meiafinal o austríaco Dominic Thiem, 19.º do ‘ranking’, por 6-1 e 6-4.


12 DESPORTO

RASHIDNIA REZA

O fazedor de campeões

Veio para o território com um contrato de três meses para preparar a equipa de karaté para os Jogos Asiáticos de Busan. Conseguiu três das quatro medalhas obtidas por Macau. Entretanto passaram-se 14 anos. Continua a ser treinador da selecção local e já trouxe mais 150 medalhas para o território. É iraniano mas para ele Macau já é a sua segunda casa. Rashidnia Reza, com o seu permanente sorriso e trato delicado é uma pessoa especial

“No karaté usamos muito a parte psicológica. A psique e o físico têm de andar de mãos dadas. Além disso, o karaté dá-nos lições para a vida”

Lembra-se de quando foi convidado para vir para Macau? Em 2002, o presidente da associação de karaté na altura, José Achiam (falecido em 2008) era também secretário geral da Associação Ásia eu era treinador do Irão há já cinco anos, propôs-me vir para Macau. Mandei-o falar com o presidente da federação iraniana, o Nazerian, e um contrato de três meses foi negociado e a 17 de Agosto de 2002 cheguei a Macau para preparar a equipa para os Jogos Asiático Busan. Como correu a experiência? Muito bem. Conseguimos uma prata e dois bronzes. Na altura em que Macau conseguiu apenas quatro medalhas. As nossas três e uma de prata para o wushu. Mas depois voltei para o Irão e voltaram a propor-me um novo contrato, desta vez de dois anos para preparar a equipa para os Jogos da Ásia Oriental (EAG Macau 2005). Eu era apenas um simples treinador mas o trabalho de equipa foi muito e conseguimos duas medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze. Depois o contrato foi prolongado para nos prepararmos para Doha, mais três medalhas... Três meses que se transformaram em 13 anos... É verdade. Na altura nunca perspectivei uma coisa dessas. Os primeiros meses foram muito difíceis. Porque decidiu ficar? Em 2007 trouxe a minha família, tenho duas filhas e um filho. Começaram a aqui a universidade. Agora já voltaram para o Irão mas essa permanência aqui nessa altura foi muito importante para a decisão de ficar. Não pensa em voltar para o Irão? Desde 2014 sou residente permanente e este é o meu segundo país. Sempre que volto ao Irão tenho saudades dos meus alunos, tenho muitos estudantes, são como meus filhos. Catorze anos é muito tempo, é difícil deixar Macau agora. O que o fez aceitar vir para Macau? Nunca tinha experimentado uma carreira internacional. Tinha apenas tido duas curtas experiencias na Bielorrússia, em part-time, e nalguns países do Golfo Pérsico

“Alguns vêm para aqui e não sabem o que é o karaté mas depois acabam por perceber que isto não é apenas um desporto, é uma filosofia” por muito pouco tempo. Quanto me pediram para vir para Macau para preparar a equipa para um grande evento como os jogos asiáticos aceitei porque queria experimentar treinar fora do meu país. O Irão é um país grande, com muitos atletas e muitos treinadores. Quando sentiu que ia ficar mais tempo do que os três meses? Se no início, depois dos três meses, me tivessem proposto um contrato de 10 anos nunca teria aceitado mas a partir de 2005, com os EAG, já estava habituado a estar aqui, tinha planos para trazer a minha família, o que aconteceu em 2007, e queria trazer mais títulos para Macau, nomeadamente o título mundial que é algo que ainda não conseguimos. E tem atletas para conquistar o titulo mundial? Não é difícil conseguir este objectivo. Temos muitos bons atletas e treinadores e o governo apoia. Só precisamos que os atletas continuem. Para além disso, desde há dois anos para cá começámos a ter profissionais, não são muitos para já, apenas três, mas espero que no futuro tenhamos mais. Quando é que isso pode acontecer? Estamos no caminho. Precisamos de mais atletas, a escola de karaté começou apenas no ano passado e espero que em breve tenha mais atletas o que é fundamental para termos campeões. Quais as razões para praticar karaté? Para mim o karaté é um desporto especial. Não é apenas físico como a corrida ou a halterofilia; no karaté usamos muito a parte psicológica. A psique e o físico têm de andar de mãos dadas. Além disso, o karaté

TIAGO ALCÂNTARA

TREINADOR DE KARATÉ DA SELECÇÃO DE MACAU

dá-nos lições para a vida. Temos de controlar a técnica. Quando enfrentamos um oponente é tudo sobre controlo . Mesmo quando estamos a perder não podemos bater-lhes. Temos de aprender o auto controlo e isso é uma lição para a vida. Nós ensinamos os estudantes a serem educados, a respeitarem os mais velhos. Alguns vêm para aqui e não sabem o que é o karaté mas depois acabam por perceber que isto não é apenas um desporto, é uma filosofia. Trabalhamos muitas áreas a nível físico como reflexos, agilidade, velocidade, resistência e flexibilidade, mas também damos treino mental para a táctica. É como jogar xadrez. Temos de praticar muitas tácticas e estratégias para o combate. E depois há vários estilos, várias escolas, vários tipos de adversários. O karaté também é importante para os estudos pela agilidade mental que proporciona. Também temos muitas técnicas para aprender, onde o foco e a concentração são essenciais. E a vida em Macau? Para mim agora é boa, após 14 anos é a minha segunda casa. Como vê as mudanças que ocorreram nestes últimos anos? Não ligo muito. À volta pode ter mudado mas a cultura não mudou. As pessoas continuam educadas a seguirem as regras e continua a ser um sitio seguro para viver. Que sente falta do Irão? Sinto alguma falta da comida mas também já estou habituado à comida chinesa. Ao princípio era difícil mas agora não. Estou confortável aqui. Como descreve o Irão nestes dias? Vai melhor. Mais liberdade que antes. É um pais seguro. Todos os anos levo a equipa a acampar lá. Os pais preocupam-se sempre

“A cultura [de Macau] não mudou. As pessoas continuam educadas a seguirem as regras e continua a ser um sitio seguro para viver”

mas eu tranquilizo-os. As pessoas imaginam que é um sitio perigoso mas não é nada disso. Se alguém decidir visitar o Irão que aconselha as pessoas a fazer por lá? A experimentarem a comida, claro, há muitos tipos de grelhados. Mas como é um país muito antigo também há muitos locais históricos para visitar como Pasargadae onde está o túmulo do primeiro rei da Pérsia, há 3000 anos, ou Kashan uma das primeiras cidades no mundo, com 5000 anos de história. Há sítios muito interessantes no Irão e muitas culturas diferentes. É muçulmano? Sou.


13 hoje macau segunda-feira 22.2.2016

Como se sente quando se vê a destruição de relíquias museológicas que o Daesh tem feito no Médio Oriente? Sinto-me perturbado, muito triste por estarem a apagar a historia. Há alguma diferença entre ser persa e iraniano? Não. É a mesma civilização. Como começou a praticar karaté? Comecei com 13 anos, há praticamente 43 anos. Nessa altura

visitei um clube no Irão, a luta é muito popular no país, e alguns amigos meus escolheram luta livre, outros boxe, judo, mas quando vi as pessoas entrarem no “tatami”, a fazerem a vénia ao “sensei”, fiquei impressionado, um amigo praticava e disse-me que o respeito pelos outros era um valor fundamental na modalidade e isso interessou-me muito. E depois? Que aconteceu depois? Pratiquei até aos 19 anos e depois veio a guerra, mesmo quando eu ia para a equipa nacional. E depois foram 13 anos sem podermos entrar em competições internacionais o que me impediu de seguir uma carreira internacional. Mas fui umas

“O karaté é como o mar: nem sempre calmo, nem sempre bravo. Muda. E assim têm de ser os nossos ritmos” sete ou oito vezes campeão do Irão ou de Teerão. Quando finalmente voltámos a ter competições internacionais já tinha passado o meu tempo de ir à selecção, mas num torneio com oito países organizado no Irão ainda fiz parte da equipa de Kata durante dois anos, tinha 32, e

DESPORTO

ganhei um segundo e um terceiro lugares. Terminado a carreira como atleta fiquei secretário geral de uma das maiores associações de karaté do Irão, com 30 000 membros dos quais cerca de 8000 cinturões negros, e mais tarde quando o meu sensei saiu do Irão, passei a presidente e depois tornei-me treinador da equipa nacional por cinco anos até vir para Macau.

calmo, nem sempre bravo. Muda. E assim têm de ser os nossos ritmos no karaté, uma alternância de força e pausas. As ondas não são sempre iguais, tal como os nossos movimentos não podem ser.

Qual é o seu lugar preferido em Macau? A beira mar, a praia de Coloane. Desde o início, desde que cheguei a Macau. Gosto de observar o mar porque aprendo muito com ele. Digo isso muitas vezes aos meus alunos: o karaté é como o mar: nem sempre

Comida favorita em Macau? Chok (canja) e marisco.

Vocês criam movimentos novos? Sim, no Kata não, mas no Kumité criamos muitos movimentos novos, muitos tipos de saltos diferentes.

Desejo particular? Conquistar um título mundial para Macau. Manuel Nunes

info@hojemacau.com.mo


14 CHINA

hoje macau segunda-feira 22.2.2016

PEQUIM CRITICA SANÇÕES DOS EUA À COREIA DO NORTE

ECONOMIA VENDAS DE AUTOMÓVEIS A CRESCER

A China criticou no passado sábado as novas sanções contra a Coreia do Norte aprovadas pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, considerando que irão “complicar” o processo de pacificação e desnuclearização da península coreana. Obama assinou na quinta-feira uma lei visando o bloqueio de activos e a proibição de transacções financeiras que apoiem indústrias norte-coreanas como a nuclear ou de armamento, ou que estejam implicadas em violações dos Direitos Humanos ou ataques cibernéticos. “A situação na península coreana é complexa e delicada, as partes implicadas devem actuar com moderação e não levar a cabo acções susceptíveis de aumentar a tensão”, afirmou um portavoz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hong Lei. O problema na Coreia do Norte não pode ser resolvido através de “pressão e sanções”, acrescentou, apelando aos EUA para que levem a cabo acções “prudentes”, em vez de “criar problemas”.

A

S eleições intercalares num círculo de Hong Kong, a 28 de Fevereiro, assinalam a estreia eleitoral de novos actores radicais no território, que podem roubar espaço ao campo democrático tradicional. “O candidato apoiado pelo campo democrático [Alvin Yeung Ngok-kiu, do Partido Cívico] parece estar numa batalha difícil com muitos concorrentes e, no final, pode acabar por perder para o campo pró-sistema”, afirmou à Lusa o académico Chung Kim-wah, da Hong Kong Polytechnic University. No Ano Novo Chinês, na zona de Mong Kok, a 8 de Fevereiro, elementos de novos grupos radicais, designados ‘localists’, envolveram-se em confrontos violentos com a polícia, que deteve perto de meia centena de activistas. O lugar no Conselho Legislativo (LegCo) no círculo New Territories East pertencia a um deputado pró-democrata, que se demitiu em ruptura com o Partido Cívico.

INDÍGENAS AO ATAQUE

Agora, entre os sete candidatos ao lugar está Edward Leung Tin-kei, estudante de

O mercado automóvel na China cresceu quase oito por cento em Janeiro, em termos homólogos, num período marcado pelo aumento do consumo devido ao Ano Novo Lunar, disse ontem uma associação do sector. No conjunto, foram vendidos 2,5 milhões de veículos no mês passado, um acréscimo de 7,7%, avançou a Associação de Fabricantes de Automóveis da China (CAAM) em comunicado. O “gigante” asiático é o maior mercado automóvel do mundo, mas, em 2015, as vendas aumentaram ao ritmo mais lento dos últimos três anos - 4,7% para 24,6 milhões de unidades. Em 2013 e 2014, as vendas subiram 13,9% e 6,9%, respectivamente. O mercado automóvel chinês chegou a avançar mais de 40%, em 2009, mas desde então as taxas de crescimento têm vindo a diminuir, fruto da desaceleração da economia chinesa. Em Outubro passado, Pequim decretou incentivos fiscais atribuídos na compra de automóveis com motores menos poluentes. Para este ano, a CAAM prevê que as vendas cresçam seis por cento.

Hong Kong NOVOS ACTORES TIRAM ESPAÇO A CAMPO DEMOCRÁTICO

Radicais livres

contestatário e beneficiar o candidato do campo pró-Pequim: Holden Chow Ho-ding, da Aliança Democrática para a Melhoria e Progresso de Hong Kong (DAB, na sigla inglesa). Na campanha, Edward Leung tem defendido a radicalização de métodos de resistência para proteger os valores de Hong Kong. Além disso, o porta-voz do Hong Kong Indigenous considera que um dos problemas de Hong Kong é o ‘parallel trade’ (comércio paralelo) – que deriva das compras realizadas por visitantes do interior da China na região, e que tem sido associado à escassez de bens de consumo e aumento da inflação na região.

O TURBILHÃO MONG KOK

Filosofia da Universidade de Hong Kong e porta-voz do Hong Kong Indigenous que, como outros membros deste

grupo, foi detido no âmbito dos motins. O Hong Kong Indigenous é um dos grupos PUB

CONVOCATÓRIA ELEIÇÃO DOS CORPOS GERENTES Nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 71º dos Estatutos da ATFPM, é convocada a Assembleia Geral Eleitoral, a fim de se proceder à eleição dos corpos gerentes desta Associação, para o triénio 2016/2020, no dia 12 de Março de 2016 (sábado), das 10H00 às 19H00, na sede da ATFPM, sita na Avenida da Amizade, Nº 273-279, R/C. Nos termos do nº 7 do art. 74º do mesmo Estatuto, a apresentação das listas de candidatura deverá ser efectuada, na sede da ATFPM, até às 19h00 horas do dia 11 (inclusive) de Fevereiro de 2016. Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, aos 22 de Fevereiro de 2016. A Presidente da Assembleia Geral Comendadora Rita Botelho dos Santos

‘localists’ que, em comum, têm a hostilidade ao governo regional e ao governo central chinês, a defesa da identidade do território e a rejeição do amor incondicional à pátria e ao Partido Comunista. “Eu acompanho o Facebook e outras plataformas online e parece que muitos jovens, incluindo alguns dos meus alunos, estão a mudar o seu apoio para este candidato”, afirmou o académico Chung Kim-wah, da Hong Kong Polytechnic University. “Nesta altura não acho que ele vá ser eleito, mas penso que vai ter uma boa votação em termos globais”, acrescentou. Chung Kim-wah considera, porém, que a crescente onda de apoio a Edward Leung pode dividir o voto

Afastada do centro financeiro de Hong Kong e uma das zonas ocupadas durante os protestos pró-democracia em 2014, Mong Kok tem sido desde então palco de protestos

“A crescente onda de apoio a Edward Leung pode dividir o voto contestatário e beneficiar o candidato do campo próPequim” CHUNG KIM-WAH ACADÉMICO DA HONG KONG POLYTECHNIC UNIVERSITY

diários contra o ‘comércio paralelo’. Considerados os mais violentos dos últimos anos, os motins correspondem a uma alegada resposta de grupos locais para proteger os vendedores ambulantes ilegais numa acção de fiscalização pelas autoridades. Constituem a maior demonstração de descontentamento popular desde os protestos pró-democracia em 2014, e ocorreram num momento em que aumentam receios sobre a influência do governo central nos assuntos de Hong Kong e persistem dúvidas sobre o desaparecimento, no final do ano passado, de cinco editores que publicavam livros críticos de Pequim. O Conselho Legislativo aprovou entretanto uma moção de condenação dos protestos e de apoio à polícia, incluindo um apelo para o reforço de pessoal e de equipamentos de segurança, mas chumbou outra para a criação de uma comissão de inquérito sobre os confrontos. Wong Sing-chi, do novo partido político Third Side, fundado e dirigido por dois antigos membros do Partido Democrático, e os independentes Lau Chi-shing, Albert Leung Sze-ho e Christine Fong Kwok-shan completam o leque de sete candidatos ao lugar em aberto de deputado, uma vaga que será ocupada apenas alguns meses até às legislativas de Setembro. Quase um milhão de eleitores (940 mil elegíveis de acordo com a comissão eleitoral) daquele círculo vai ser chamado às urnas. A antiga colónia britânica, com 7,2 milhões de habitantes, passou para a soberania chinesa em 1997, sendo governada sob o princípio ‘um país, dois sistemas’ até 2047. Lusa


15 hoje macau segunda-feira 22.2.2016

AUMENTO DE 70% NOS EMPRÉSTIMOS EM JANEIRO DISPARA ALARMES

Bolha em estado crítico

O

aumento recorde do montante de empréstimos concedidos pelos bancos chineses, quadruplicando face a Dezembro, fez soar as campainhas de alarme nos analistas, que alertam para uma ‘bolha de crédito’ que pode abrandar ainda mais a economia. “O alto e crescente grau de endividamento na economia é uma importante vulnerabilidade estrutural”, disse à agência espanhola Efe o director do departamento de dívida soberana para a Ásia Pacífico da agência de notação financeira Fitch, uma das várias que tem chamado a atenção para o problema. Em causa está o montante de empréstimos concedidos pelos bancos chineses, que chegou a 345 mil milhões de euros em Janeiro, multiplicando por quatro os 82,2 milhões emprestados em Dezembro, de acordo com os números divulgados esta semana pela Comissão Reguladora da Banca.

DÍVIDA EM RODA LIVRE

Os analistas concordam que o forte impulso dado pelos novos empréstimos pode acelerar o crescimento da economia a curto prazo, mas também convergem na

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análise de que, a prazo, isso pode aumentar os riscos do impacto. Segundo os cálculos da consultora McKinsey, o total da dívida pública e privada chinesa chega a 280% do PIB chinês. Os dados de Janeiro dos empréstimos costumam ser mais altos que os do final do ano anterior, porque são reabertas as quotas de empréstimos, mas neste caso a subida foi potenciada pela política monetária chinesa, caracterizada por uma descida das taxas de juro nos últimos meses. A China enfrenta uma abrandamento económico sem precedentes na última década, devendo ter crescido cerca de 7% no ano passado, o que acontece pela primeira vez na última década e arrisca abrandar ainda mais o crescimento da economia mundial. Comparando com Janeiro do ano passado, os bancos emprestaram mais 70,2% e mais 32,8% do que em marco de 2009, o anterior recorde mensal de empréstimos de crédito. Esta explosão creditícia coloca novamente debaixo dos holofotes mediáticos um problema que tem sido avançado pelos analistas nos últimos meses: a excessiva dependência do endividamento na China, que foi potenciada pelo plano de estímulo à economia lançado no seguimento da crise financeira de 2007, e cujas ajudas de 562 mil milhões de euros ajudaram a quadruplicar a dívida pública e privada da segunda maior economia mundial.

mil milhões de euros, montante de empréstimos concedidos pelos bancos chineses em Janeiro

BOLSA TROCA DE LÍDER S autoridades chinesas anunciaram ontem a substituição do líder do regulador da bolsa chinesa, no seguimento da crise bolsista do verão passado e da turbulência do princípio deste ano, escolhendo o presidente do Banco Agrícola. De acordo com uma notícia da agência de notícias oficial chinesa, a Xinhua, citada pela espanhola Efe, Liu Shiyu será o novo presidente da Comissão Regulador do Mercado de Valores da China (CRMV), substituindo Xiao Gang, o destinatário de duras críticas nos últimos meses pela gestão da crise bolsista na segunda maior economia do mundo. A decisão mostra as enormes pressões a que o Executivo de Pequim está sujeito,

no seguimento de uma crise bolsista que afectou milhares de pequenos aforradores e que surge na sequência do abrandamento do crescimento da economia chinesa, que desceu para valores abaixo dos 7% pela primeira vez na última década. “Os principais departamentos responsáveis tomaram decisões inadequadas”, disse a semana passada o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, numa reunião do Conselho de Estado chinês, referindo-se aos responsáveis pela regulação do mercado de valores. No Verão passado, a bolsa chinesa chegou a perder 40%, obrigando a uma intervenção das autoridades do país, que conseguiram acalmar os mercados, mas no princípio deste ano os receios voltaram, e

Liu Shiyu

Zika de importação Autoridades de saúde confirmam terceiro caso

A

S autoridades de saúde da China confirmaram o terceiro caso de Zika registado no país e contraído no estrangeiro, num homem de 38 anos. O doente apresentou sintomas de febre quando voltou à cidade de Yiwu, na província de Zhejiang, na passada segunda-feira, 15 de Fevereiro, depois de uma viagem às ilhas Fiji e Samoa, informou a imprensa chinesa. Segundo o doente, durante a sua viagem sofreu picadas de mosquitos. A China confirmou o primeiro caso de infecção com o vírus Zika no país, num homem de 34 anos que esteve na Venezuela e regressou ao país a 5 de Fevereiro. Este doente já teve alta hospitalar, segundo a agência Efe. O segundo infectado com Zika na China também foi contagiado à passagem por este país da América Latina, mas não foram divulgados dados sobre o seu estado, sexo ou idade. O risco de difusão do vírus é “extremamente baixo” devido às temperaturas frias desta altura do ano na região, asseguraram as autoridades de Saúde chinesas. Transmitido pela picada de mosquitos do género ‘Aedes’, as autoridades sanitárias suspeitam que o Zika seja a causa de numerosos casos de deformações congénitas em bebés cujas mães foram contaminadas durante a gravidez.

EMERGÊNCIA NA AMÉRICA LATINA

O Brasil é actualmente o país mais atingido no mundo pela epidemia de Zika, com 1,5 milhões de doentes, seguindo-se a Colômbia (22.600 casos). A 1 de Fevereiro, a Organização Mundial de Saúde considerou que o recente aumento de casos de microcefalia e de desordens neurológicas em bebés na América Latina constitui uma emergência de saúde pública de alcance internacional e que existe uma forte suspeita de que o aumento daqueles casos seja causado pelo vírus Zika. A microcefalia é um distúrbio de desenvolvimento fetal que resulta num perímetro do crânio infantil abaixo do normal, com consequências no desenvolvimento do bebé. O vírus Zika também é suspeito de causar a síndrome neurológica de Guillain-Barré, que pode causar uma paralisia definitiva. Os sintomas e sinais clínicos da infecção pelo vírus, transmitida (de forma comprovada) aos seres humanos por picada de mosquitos infectados (na América Latina através do ‘Aedes aegypti’, também vector de transmissão do vírus do Dengue, da febre Chikungunya e da Febre Amarela), são muito parecidos com os da gripe, provocando febre, erupções cutâneas, dores nas articulações, conjuntivite, dores de cabeça e musculares. Geralmente, os sintomas começam a desaparecer quatro ou cinco dias depois. O período normal de incubação varia entre três a 12 dias. GCS

A

no final de Janeiro a bolsa de Xangai perdeu novamente 25% do valor da acções. O novo presidente da CRMV vai gerir um mercado com cerca de 100 milhões de investidores individuais que é assumidamente distorcido pela intervenção estatal e pelas regras a que as empresas públicas e privadas estão sujeitas para poderem investir na bolsa.

CHINA


16 EVENTOS

hoje macau segunda-feira 22.2.2016

Óbito UMBERTO ECO, FILÓSOFO E AUTOR DE “O NOME DA ROSA”, MORRE AOS 84 ANOS

Um adeus ao intelecto

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ALECEU na sexta-feira o homem que se diz ter feito reaparecer a figura do intelectual na cultura europeia. Umberto Eco, autor de “O Nome da Rosa”, tinha 84 anos e era uma das mais relevantes figuras da cultura italiana dos últimos 50 anos. Não se sabe do que morreu. Em Portugal, o editor Guilherme Valente, da Gradiva, que edita Umberto Eco, mostrou-se consternado com a morte do escritor italiano, mas optou por lembrar o homem “superiormente inteligente”. O editor disse à agência Lusa que, em breve, ainda que a data certa não esteja definida, será publicada uma nova obra do escritor italiano. Trata-se de um livro que reúne um conjunto de ensaios, acrescentou. “Ainda que soubesse a idade que tinha e a situação em que estava, fico de algum modo surpreendido [com a morte de Umberto Eco] por ser um homem de uma vitalidade e força fantásticas”, disse Guilherme Valente à agência Lusa.

A surpresa do Urso « Berlim Ouro «inesperado», diz Leonor Teles

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OI completamente inesperado. Nunca pensei, achei que era impossível. Somos pequeninos, fizemos um filme com pouco dinheiro, sempre acreditaram em mim e estar aqui e ter ganhado o urso de ouro é uma coisa inacreditável», disse Leonor Teles em Berlim, após a cerimónia de entrega dos galardões. A realizadora do filme «Balada de um Batráquio», que expõe comportamentos xenófobos em relação a membros da etnia cigana em Portugal, espera que a ‘curta’ ajude a desconstruir preconceitos relativamente a esta comunidade. “Se formos a ver, os ciganos estão à margem da sociedade e provavelmente lá vão continuar. Acho que falar um pouco sobre eles pode ajudar”, referiu, em declarações à agência Lusa. O filme aborda a prática comum em Portugal do uso de sapos de cerâmica, por parte de lojistas e proprietários de cafés e restaurantes, de forma a evitarem a entrada nesses estabelecimentos de membros da

comunidade cigana, que têm várias superstições ligadas ao animal. Leonor Teles, que tem raízes ciganas por parte do pai, diz que o filme “não apresenta só uma problemática mas tenta, de certa forma, combatê-la”, uma vez que a própria realizadora sentiu a “urgência” de destruir vários desses sapos em frente à câmara. A cineasta sublinhou que o prémio também “representa o reconhecimento de um trabalho de dois anos, e de todas as pessoas que trabalharam no filme”. Os momentos que se seguiram à entrega do prémio foram de “loucura abismal”, comentou a realizadora, acrescentando que,

além de receber o urso de ouro, ainda teve a oportunidade de conhecer o actor Clive Owen. “E não é todos os dias que se conhece o Clive Owen. Isso sim é um sucesso na vida”, gracejou a cineasta.

FILME TOSCO

No discurso de agradecimento do prémio, que recebeu com surpresa, Leonor Teles foi intercalando frases em português e inglês, confessando nunca ter pensado que o filme “pudesse receber este prémio”. “Quando fiz este filme ‘tosco’, nunca pensei estar aqui [na Berlinale], quanto mais em prémios”, dissera a realizadora em entrevista à Lusa, em Berlim, quando o seu filme ainda se encontrava em competição. “O que eu quero é que as próximas sessões corram bem, que as pessoas gostem do filme e, se não gostarem, [que] venham falar comigo [para o] discutirmos”, afirmou. Este é o segundo filme de Leonor Teles que, em 2012, rodou “Rhoma Acans”, também focado na comunidade cigana em Portugal e que lhe valeu o prémio Take One, no Curtas Vila do Conde, em 2013.

O intelectual, professor de Semiótica, sofria de um cancro há vários anos. Tido como de uma inteligência polivalente – era escritor, romancista, ensaísta, professor universitário -, o filósofo italiano chegou a vir a Macau, quando Vasco Rocha Vieira ainda era governador e convidou o escritor a passar uma semana com a mulher por cá.

TESOURO A ORIENTE

“Fui eu que tive esse privilégio de andar com ele uma semana, num convívio que se torna não completamente íntimo, mas em que nos colocamos mais à vontade, e foi uma experiência fantástica porque o Umberto Eco era uma pessoa superiormente inteligente”, frisou Guilherme Valente. “Mostrei-lhe Macau, o português, o chinês e o luso-chinês. E ele rapidamente percebeu aquela realidade e se manifestou muito impressionado com ela, dizendo-me que aquilo era um tesouro que tinha de ser preservado e protegido”, lembrou. O editor recordou também uma conferência de imprensa realizada

no final da estada do casal em Macau e da resposta do escritor aos jornalistas portugueses quando estes lhe perguntaram a razão de haver tão poucos chineses a falar Português. “A resposta dele foi admirável porque é a de alguém que rapidamente percebeu o que era a realidade e que tem das relações interculturais a visão correcta. E a resposta foi: ‘Não, o que me admira é que haja tão poucos portugueses a falar Chinês’”, recordou.

O intelectual, professor de Semiótica, sofria de um cancro há vários anos. Tido como de uma inteligência polivalente – era escritor, romancista, ensaísta, e professor universitário O funeral realiza-se na terça-feira e o seu último livro, com o título Pape Satàn Aleppe, será publicado em Maio. “Número zero”, editado em Maio de 2015, foi o último livro do escritor e filósofo italiano publicado em Portugal. LUSA/HM

LUÍS DE MATOS REGRESSA À ÁSIA

O

mágico português Luís de Matos vai regressar em Abril ao Sudeste Asiático para actuar em Banguecoque, Hong Kong e Singapura, após ter realizado em Macau quase 400 espectáculos que foram vistos por 60 mil pessoas. Na House of Magic, no Studio City, o artista esteve em palco com a produção “Luís de Matos Solo” ao longo de quatro meses, tendo terminado estas apresentações no fim-de-semana. A reacção das pessoas “foi absolutamente surpreendente”, disse ontem Luís de Matos à agência Lusa, realçando que “a magia é uma linguagem universal” e que “o público chinês é contido, mas gosta de assistir” a espectáculos. “Curiosamente, rapidamente se esquecem da sua contenção habitual e premeiam generosamente os artistas que, de alguma forma, os surpreendem. As famílias chinesas estão a descobrir um novo prazer que é o de visitar Macau por períodos de dois ou três dias”, adiantou. Para a apresentação de “Luís de Matos Solo”, escolheu “composições que não recorrem à palavra, uma vez que maioritariamente o público local não tem um grande domínio” da língua inglesa.

“Foi uma superdose de emoções e surpresa que, felizmente, teve uma fantástica aceitação junto dos milhares de pessoas que assistiram ao espectáculo”, referiu Luís de Matos. O artista salientou “a magnífica crítica e a imensa generosidade da imprensa portuguesa que esteve presente desde o primeiro dia”. “Capas de jornais e peças de televisão ajudaram a que eu pudesse falar Português no final de cada espectáculo”, acrescentou. Em Abril, Luís de Matos, de 45 anos, regressa ao Sudeste Asiático, para uma digressão de seis semanas em Banguecoque, Hong Kong e Singapura, para realizar o espectáculo “The Illusionists”. LUSA/HM


h ARTES, LETRAS E IDEIAS

hoje macau segunda-feira 22.2.2016

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

GUO XI Muitas vezes eu, Guo Si, vi o meu pintar uma ou duas pinturas. Por vezes ele deixava-as, por dez ou vinte dias de cada vez, inacabadas. Por três vezes ele repetia o método, tentando não ser demasiado impulsivo. Quando eu penso agora no assunto, isto provavelmente acontecia porque ele não se sentia com disposição para o fazer. Não seria isto o tal espírito ocioso contra o qual ele falava? Quando, por outro lado, era tomado de uma jubilosa inspiração, ele trabalhava esquecendo tudo o resto. Porém se acontecia alguma perturbação, a mais pequena interrupção, ele largava o trabalho e já não lhe dava a menor atenção. Não seria esta rejeição causada pela distracção e o espírito confuso contra o qual ele falava1? No dia em que ele começava uma pintura, necessitava de uma mesa imaculada junto de uma janela iluminada; começava por queimar incenso à esquerda e à direita, depois, tendo escolhido um pincel impecável e uma tinta superior, ele lavava as mãos e purificava o tinteiro, fazendo

tudo com a compostura de quem se prepara para receber um hóspede ilustre. Deixava acalmar o seu espírito e compunha os pensamentos, só então começava a pintar. Não seria isto aquilo a que ele chamava não se atrever a trabalhar descuidadamente? Ele planeava e concentrava-se profundamente na pintura, tornando-a mais rica, retocando aqui e ali, não uma nem duas vezes mas repetidamente. Cada pintura tinha que ser mentalmente repetida com grande atenção, de princípio a fim como quem se defende de um inimigo. Só depois disto é que ele a dava por terminada. Será que isto não é a demonstração daquilo que ele queria dizer quando falava de pintar sem presunção no coração?2 Na verdade todas as nossas tarefas, independentemente de serem grandes ou pequenas, devem ser executadas deste modo. Então, inevitavelmente, serão bem sucedidas. Meu pai muitas vezes me explicou estas coisas com grande detalhe, e eu segui-as como um guia durante toda a minha vida.

1 - Um dos «Seis Princípios Essenciais» de Jing Hao (primeira metade do século X): a capacidade de «separar e destacar o essencial e concentrar o espírito na forma a dar às coisas». 2 - Relato exemplar da exigência do acto da pintura, entendida como uma moral e uma liturgia, princípio reiteradamente afirmado desde os mais antigos tratados de estética literária e pictórica. Mais tarde em «Notas Sobre a Pintura do Monge Abóbora Amarga», Shitao (1641-1720) dedicar-lhe-ia todo o capítulo XV: «Longe da Poeira».

«Linquan Gaozhi»

A Grande Mensagem Sobre Florestas e Nascentes

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18 (F)UTILIDADES TEMPO

C H U VA

hoje macau segunda-feira 22.2.2016

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FRACA

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje EXIBIÇÃO 3D DE VÍDEO-MAPPING Casas-Museu da Taipa, 19h00 Entrada livre

MIN

13

MAX

16

HUM

80-98%

EURO

8.91

BAHT

Sábado EVENTO DE CARIDADE (MASDAW) Centro de Design de Macau, 18h00 Bilhetes a 250 patacas

O CARTOON STEPH DE

SUDOKU

EXPOSIÇÃO “UM SÉCULO DE ARTE AUSTRÍACA” (ATÉ 3/04) Museu de Arte de Macau Entrada livre EXPOSIÇÃO “MANUEL CARGALEIRO” (ATÉ 3/03) Casa Garden Entrada livre HISTÓRIA NAVAL (ATÉ 9/04) Arquivo Histórico de Macau Entrada livre EXPOSIÇÃO “CAIXA DE MÚSICA” (ATÉ 3/04) Museu da Transferência Entrada a cinco patacas

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 32

PROBLEMA 33

UM DISCO HOJE

Cineteatro

C I N E M A

MERMAID SALA 1

MERMAID [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Stephen Chow Com: Deng Chao, Show Lo, Zhang Yu Qi Jelly Lin 14.15, 16.00, 17.45, 21.30

ALVIN AND THE CHIPMUNKS: ROAD CHIP [A] FALADO EM CANTONÊS Filme de: Walt Becker 19.30 SALA 2

FROM VEGAS TO MACAU III [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Andrew Lau, Wong Jing

Com: Chow Yun Fat, Andy Lau, Nick Cheung, Jacky Cheung 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

1.22

UM APELO POR COLOANE

ESPECTÁCULO DE COMÉDIA COM RUSSELL PETERS Studio City, 20h00 Bilhetes entre as 680 e as 1580 patacas

ESPECTÁCULO DE LUZES (ATÉ 29/02) Casas-Museu da Taipa, 18h00 às 22h00

YUAN

AQUI HÁ GATO

Sexta-feira

Diariamente

0.22

Eu sei que sou um gato e que a minha opinião pouco importa, mas faço um apelo a quem de direito: pare esta loucura. Por quê permitir a um empresário que já veio a público dizer que tem direito a destruir o ambiente de Coloane, porque o Governo “também o fez”, que construa um empreendimento de luxo num dos poucos sítios verdes que a RAEM tem? Acham que é mesmo um relatório de impacto ambiental entregue pela própria empresa de construção que está certo? Acham mesmo que um prédio com duas torres de habitação e piscina e essas coisas luxuosas todas não vai causar qualquer problema ao “habitat, natureza e ambiente” de Coloane? Eu cá acho que está tudo maluco. Ia jurar a mim mesmo que Coloane era uma área protegida... Mas talvez seja eu o tolinho. Bem sei que aquela zona pode não ser protegida, mas Coloane é o único pulmão da cidade. É o único sítio realmente bonito que temos. Já não basta a poluição que se encontra no rio que separa a ilha da China e as horríveis construções que destroem a vila, agora vamos também rebentar com as montanhas? Já basta aquele mamarracho das doenças lá no alto de Coloane e agora vamos ter outro mamarracho? Daqui a pouco até na praia construímos... ah... espera... Pu Yi

“O MONSTRO PRECISA DE AMIGOS” (ORNATOS VIOLETA)

Terminava a década de 90 e como segundo projecto os Ornatos Violeta lançavam aquele que se tornou o álbum do ano. Um trabalho muito português que, para além de melhor álbum, arrecadou também o prémio Blitz de melhor voz masculina, melhor canção, - com o single “Ouvi Dizer” – e melhor grupo português. Não há geração que não conheça “Chaga”, “Capitão Romance”, “Dia Mau” e tantas outras músicas. Para esta semana o melhor dos anos 90 em Portugal, os eternos Ornatos Violeta. Filipa Araújo

SALA 3

CROUCHING TIGER, HIDDEN DRAGON: SWORD OF DESTINY[B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Yuen Woo-Peng Com: Donnie Yen, Michelle Yeoh 14.15,16.00, 17.45, 21.45

THE MONKEY KING 2 [B][B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Pou-Soi Cheang Com: Li Gong, Aaron Kwok, Shaofeng Feng 19.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Tomás Chio Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Drummond; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


19 hoje macau segunda-feira 22.2.2016

OPINIÃO

macau visto de hong kong DAVID CHAN

JAMES MCTEIGUE, V FOR VENDETTA

A

Fishball Riot (Revolta das Bolinhas de Peixe) teve lugar há mais de 10 dias. Até ao momento, foram presas mais de 60 pessoas pela polícia de Hong Kong e, a maior parte, foi acusada de provocação de “motim” ao abrigo do artigo 18 da Lei da Ordem Pública. Como referi no artigo da semana passada, é previsível que a polícia continue à procura de suspeitos e que estes venham a ser acusados e presos. No seguimento da Fishball Riot, alguns membros do Conselho Legislativo de Hong Kong sugeriram a criação de uma Lei “anti-máscara”. No website “Wikipedia” podia ler-se, “As leis “anti-máscara” são iniciativas legais que pretendem impedir que as pessoas ocultem os rostos, por razões políticas ou culturais.” Em diversos países, como por exemplo os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Dinamarca, França, Alemanha, Noruega, Rússia, Espanha, Suécia, Suíça, Ucrânia, Reino Unido etc. existem leis anti-máscara. A lei canadiana é muito clara quanto a esta proibição. No artigo 351 (2) do Código Penal canadiano, podemos ler, “Alguém que, com intenção de cometer um crime, oculte a face com uma máscara, ou de qualquer forma procure tornar-se irreconhecível, incorre numa infracção gravosa punível até 10 anos de prisão”. Como o nome indica, “infracção gravosa” significa crime grave. No Canadá, implica o pagamento de multas superiores a 5.000 dólares ou prisão superior a seis meses. No entanto existem algumas excepções a esta norma. Actualmente em Hong Kong não vigora qualquer lei anti-máscara. Se existisse, facilitaria o trabalho da polícia porque a lei proibiria os amotinados de ocultar a sua identidade. Mas é necessário analisar esta questão mais aprofundadamente. Em primeiro lugar, é forçoso que nos lembremos que andam por aí muitas e variadas doenças. A Síndrome Respiratória Aguda Grave - SARS (do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome) é sem dúvida uma das mais sérias. A SARS propaga-se por via aérea. À semelhança da maior parte das gripes. Todos os profissionais de saúde concordam que o uso da máscara é o método mais simples e eficaz de prevenir o contágio e a propagação do vírus. A criação de uma lei que impeça o uso de máscara, pode tornar-nos vulneráveis a uma série de doenças. Se pensarmos que muitos vírus sofrem constantemente mutações, sem que haja medicamentos eficazes contra a nova estirpe, é necessário pensar cuidadosamente

Máscaras ilegais

antes de se implementar em Hong Kong uma lei anti-máscara. Em segundo lugar, a utilidade de uma lei deste tipo é questionável. Se um agitador participa num motim, com intenção de atear fogos ou lançar tijolos para perturbar a paz e, eventualmente, ferir alguém, será que se vai deixar identificar facilmente? A resposta é óbvia. Podemos por isso deduzir que, mesmo havendo uma lei anti-máscara, o seu efeito seria diminuto, ou mesmo nulo, porque o individuo em questão arranjaria sempre forma de se disfarçar. Em termos processuais, esta lei apenas permitiria acusar o réu de mais um crime, o de ocultação de identidade. A função de uma lei anti-máscara não vai além disso. Na medida em que é difícil identificar os agitadores, como é que a polícia os descobriu tão facilmente? A Lei Básica de Hong Kong conserva o direito comunitário, que ainda está em vigor. Ao abrigo do direito comunitário, a pena será atenuada se o réu cooperar com as autoridades. Por exemplo,

se alguém for apanhado pela polícia e for responsabilizado por fogo posto e motim, estará a enfrentar duas acusações. No entanto a polícia quer deter outros culpados, contra os quais não tem provas. Se o detido ajudar a polícia a identificar os outros envolvidos pode ver a sua pena diminuída da seguinte forma: Ser acusado apenas de um crime, em vez de dois Ver a sua sentença atenuada em Tribunal. A “Atenuação” é um procedimento a ter em conta durante um julgamento. Se a polícia informar o juiz que o réu foi cooperante a sentença será atenuada. Em alternativa, o Governo de Hong Kong poderá considerar a implementação de uma lei semelhante à Portaria para a Concorrência. Esta portaria entrou em vigor a 14 de Dezembro de 2015 e o Comité para a Concorrência é responsável pela sua criação. Como todos sabemos, é muito difícil apurar as negociatas feitas “por baixo da mesa”, e que muitas vezes determinam os preços com que os produtos

“Talvez seja preferível perceber as causas da Fishball Riot. Esta é melhor maneira de solucionar os problemas sociais. Neste sentido, Hong Kong deve aprender com Macau. Macau não tem uma lei antimáscara e não acha de bom tom deixar os criminosos impunes”

são lançados no mercado. O Comité para a Concorrência beneficia qualquer pessoa envolvida, desde que ajude a “abrir o jogo”. A prática processual referida não é uma lei, a polícia pode mudar de ideias sempre que quiser. Mas se o Governo de Hong Kong produzir uma lei semelhante à Portaria para a Concorrência, garantindo alguns benefícios (ex. retirar algumas acusações, atenuar a sentença, etc.) à pessoa que estiver disposta a ajudar a identificar outros agitadores, pode ajudar eficazmente o trabalho da polícia. Posto isto, a lei anti-máscara pode ser parte da solução, mas a sua utilidade também é questionável. A actual política de acusação criminal pode não dar garantias suficientes a um detido, de forma a que este se decida a ajudar a identificar outros agitadores. E a identificação dos agitadores continua a ser um problema para o Governo de Hong Kong. Talvez seja preferível perceber as causas da Fishball Riot. Esta é melhor maneira de solucionar os problemas sociais. Neste sentido, Hong Kong deve aprender com Macau. Macau não tem uma lei anti-máscara e não acha de bom tom deixar os criminosos impunes. Mas Macau é uma cidade sossegada e pacífica. Conselheiro Jurídico da Associação de Promoção do Jazz de Macau legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


ZIKA CONTAMINAÇÃO DESMENTIDA

Uma mulher de 60 anos de idade, suspeita de estar infectada com o vírus Zika, não está afinal contaminada, confirmam os Serviços de Saúde. A mulher terá apresentado sintomas da doença depois de ter viajado para a Tailândia entre os dias 8 e 15 de Fevereiro. Entretanto, no continente, foi detectada mais uma infecção num homem de 38 anos, proveniente de Zhejiang, que terá viajado no dia 2 deste mês para as ilhas Fiji e Samoa. Neste momento o doente está isolado no hospital para tratamento.

A

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HOJE MACAU

MGM China anunciou quebras de 33% nas receitas no território em 2015. A operadora registou receitas globais de 17,2 mil milhões de dólares de Hong Kong, menos 33% em relação ao ano anterior. A operadora compara estes resultados com o declínio de 34% registado pelo sector do jogo em Macau e de 38% na península. A companhia observa ainda que “a quota de mercado se manteve estável, apesar das novas aberturas” de casinos em 2015 no território. A MGM, que resulta de uma parceria entre Pansy Ho, filha do magnata Stanley Ho, e a empresa norte-americana MGM Resorts, já tinha anunciado o adiamento da abertura do novo resort da empresa no Cotai e acrescenta agora que, apesar do orçamento para a construção do projecto se manter em 24 mil milhões de dólares de Hong Kong, este só abre para o ano. “A companhia tomou a decisão estratégica de adiar a abertura do seu MGM Cotai do quarto trimestre de 2016 para o final do primeiro trimestre de 2017 com base nas condições actuais do mercado e do calendário de outras aberturas de resorts na zona”, refere. A operadora referiu ainda que as receitas brutas do segmento de massas evidenciam “melhorias há dois semestres consecutivos”. Nos últimos três meses de 2015, os ganhos nas mesas de jogo deste segmento cresceram 12%, enquanto o segmento VIP registou perdas de 22%. LUSA/HM

segunda-feira 22.2.2016

Josué da Silva

TIAGO ALCÂNTARA

MGM COM QUEBRAS. NO COTAI SÓ EM 2017

Tenho uma sede louca de te amar / nas horas cálidas / da noite do regresso / à tua origem / sabendo que tu me esperas / na curva-ventre da Praia Grande / é mar e lua / e lua / e vertigem”

Falso alarme

EPM Sales Marques garante “excelente saúde financeira”

José Sales Marques afirma que a Escola Portuguesa não tem problemas financeiros e que o Governo de Macau vai apoiar as obras de melhoria das actuais instalações

F

ALA a título pessoal porque afirma que a Fundação da Escola Portuguesa de Macau (EPM) desconhece o relatório do Ministério da Educação português que fala de instabilidade no projecto educativo em Macau. Ao HM, José Sales Marques confirma que não existem problemas financeiros na EPM. “Quero tranquilizar a comunidade portuguesa, os encarregados de educação e os alunos para dizer que está tudo bem e que não há preocupações em relação ao fu-

turo. A EPM neste momento goza de uma excelente saúde financeira e as coisas estão a correr bem”, disse o membro do Conselho de Administração da Fundação. “O Governo de Portugal tem responsabilidades que têm sido cumpridas e o Governo de Macau já disse muitas vezes que vai continuar a apoiar com empenho a EPM, não apenas no seu funcionamento mas também em relação a projectos de investimento. A ampliação e o melhoramento que vai ser introduzido nas actuais instalações contarão com o apoio do Governo

de Macau”, acrescentou José Sales Marques.

CONTRAPONTO

Na edição da passada sexta-feira, o jornal Ponto Final citou um relatório do Ministério da Educação em Lisboa, que revela que o fim do financiamento da Fundação Oriente (FO) “agravou a situação financeira da escola e a sua viabilidade a médio e longo prazo”, para além de falar da existência de dívidas. Em declarações à Rádio Macau, Carlos Monjardino, presidente da FO, já veio negar essas afirmações. “Isso já é demais. A saída da FO já era expectável há muito tempo. Não se pode vir agora dizer que tenha colocado a viabilidade da escola em termos financeiros. Isto não é assim”, apontou. “Não reconhecemos estar a dever o que quer que seja à Fundação Escola Portuguesa ou à EPM, mas estamos disponíveis para continuar a subsidiar, de alguma maneira, se assim o entenderem e quiserem, a EPM todos os anos durante um período a definir”, rematou.

GOVERNO OFERECE VISITAS A CENTRO DE DOENÇAS

“Com o intuito de dissipar preocupações dos residentes e melhorar a compreensão sobre as instalações de prevenção e controlo de doenças transmissíveis em Macau”, os Serviços de Saúde estão a oferecer a possibilidade dos residentes visitarem as actuais instalações de prevenção e controlo de doenças transmissíveis no Centro Hospitalar Conde de S.Januário e no Centro Clínico de Saúde Pública localizado em Coloane. A medida pretende dissipar a polémica que a construção do Centro de Doenças Transmissíveis ao lado do hospital público tem causado. Os interessados podem inscrever-se junto do Gabinete de Utentes do São Januário.

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

AMBROSE SO DESTACA “HONESTIDADE” DE ALAN HO

U

MA pessoa “honesta” e “justa” que se destacou pela competência no desempenho das suas funções profissionais. Foi desta forma que o director-executivo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Ambrose So, descreveu o antigo gerente do Hotel Lisboa, Alan Ho, durante o julgamento que está a decorrer no Tribunal Judicial de Base. Segundo a Rádio Macau, So - que depôs na

qualidade de testemunha arrolada pela defesa de Alan Ho - contou que conheceu o sobrinho de Stanley Ho há mais de vinte anos. Elogiou o seu trabalho à frente dos vários departamentos da STDM e da SJM pelos quais foi responsável e classificou-o como uma “pessoa muito honesta e justa” que “não olha a relações familiares”. Descreveu-o também como alguém “muito directo e

frontal” e que nesse aspecto “quase nem parece chinês”, um comentário que disse ser comum entre colegas de trabalho em relação ao antigo gerente do Hotel Lisboa, avança ainda a rádio. Questionado sobre a existência de prostitutas no Hotel Lisboa, Ambrose So disse ter conhecimento que era uma prática de há muitos anos, pelo menos desde a década de 70,

muito antes da chegada de Alan Ho à companhia. Porém, acrescentou não ter conhecimento como é que a unidade hoteleira geria a estadia das mulheres provenientes da China continental. Alan Ho chegou até a comentar que a presença das prostitutas afectava a imagem da unidade hoteleira de cinco estrelas e que essa imagem devia ser limpa, acrescentou ainda Ambrose So.

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Hoje Macau 22 FEV 2016 #3516  

N.º3516 de 22 de Fevereiro de 2016

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