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Agência Comercial Pico • 28721006

hojemacau Mop$10

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Director carlos morais josé • terça-feira 22 de fevereiro de 2011 • ANO X • Nº 2314

tempo com abertas min 14 max 19 humidade 65-95% • câmbios euro 11.04 baht 0.26 yuan 1.23

Salário dá passo histórico, mas apenas para áreas da limpeza e segurança

Mínimo dos mínimos só para alguns

Uma reunião de mais de três horas do Conselho Permanente de Concertação Social serviu para anunciar que finalmente há consenso entre patrões e empregados para a fixação de um salário mínimo. Mas só para trabalhadores de limpeza e seguranças. O director da DSAL, Shuen Ka Hung, não tem respostas para nada, nem mesmo se haverá um valor igual para todas as categorias. > Página 6

Táxis “verdes” com pé no travão Enquanto cidades chinesas como Shenzhen e Hangzhou já deram um grande passo em frente ao criar frotas de táxis não poluentes, em Macau esse parece ser um cenário quase impossível de se ver. Os taxistas acham que os veículos eléctricos são pouco eficientes e não se encaixam bem nas características turísticas do território. Era preciso que nunca houvesse pausas para o recarregamento, já que cada veículo roda em média 500 quilómetros e uma bateria dá apenas para 200. > Centrais

Novas associações

Inflação dispara em Janeiro

• Página 4

• Página 5

Todos querem agora brincar aos políticos

preços dos alimentos sem rédea curta

Funcionários públicos

Grandes vidas com o dinheiro dos outros • Páginas 2 e 3

Os funcionários públicos gastam sem limites e sem preocupações de prestar grandes contas quando viajam em serviço. O descalabro das viagens foi ontem posto em causa pelo Comissariado da Auditoria, que divulgou um relatório a pressionar mudanças urgentes no sistema de deslocações em serviço. Só em 2008, foram gastos 41,5 milhões de patacas em hotéis de alto luxo e refeições. Quando põem um pé para fora do território, a maioria dos trabalhadores da Administração opta por quartos de 2000 patacas. Houve quem, no Instituto do Desporto, gastasse 13.770 patacas só por uma dormida.


terça-feira 22.2.2011 www.hojemacau.com.mo

2 Gonçalo Lobo Pinheiro

U

glp@hojemacau.com.mo

m exame cuidadoso e sistemático realizado pelo Comissariado da Auditoria (CA) durante o período de 1 de Julho de 2008 a 30 de Junho de 2009 revelou que alguns serviços públicos não fazem cumprir o previsto no Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM) e “procedem ao pagamento das ajudas de custo diárias sem fundamentação legal”. O CA verificou que “uns aceitam que o relatório seja apresentado após a liquidação das ajudas de custo, outros permitem a apresentação fora dos 30 dias após o regresso e outros, ainda, pura e simplesmente, não fazem caso se o relatório é ou não apresentado”. O organismo que audita os passos do Executivo relembra no seu documento apresentado ontem que não há, segundo o ETAPM, quaisquer situações de isenção de que possa resultar na não apresentação do relatório de deslocação. Por isso, “qualquer trabalhador que regresse de uma deslocação em serviço deve apresentar o relatório”, caso contrário

actual Comissariado da Auditoria dá puxão de orelhas por gastos injustificados

À conta do dinheiro público

Os serviços públicos ignoram a apresentação do relatório de custos em deslocações. Quem o diz é o Comissariado da Auditoria (CA), que também concluiu que a Administração prefere o regime alternativo ao regime geral. Explicação: o valor da diária nem sempre é suficiente para os gastos. Para o CA, existe “pouca economia de recursos e pouca fiscalização” não deve haver lugar ao pagamentos das quantias devidas. Mas o CA também verificou que a maioria dos serviços públicos prefere o regime alternativo (reembolso mediante a apresentação de facturas) ao regime geral (atribuição de montantes fixos dispostos na lei). De acordo com uma análise exaustiva “nos serviços públicos, o regime geral foi utilizado em cerca de 60% das deslocações em serviço de um dia, todas elas com destino a Hong Kong e ao interior da China”. Mas nas deslocações de dois ou mais dias, 70% dos serviços públicos recorrem ao regime alternativo. O CA é da opinião de que os valores actuais são

As recomendações que ficam • Efectuar uma revisão geral das normas que regulam a deslocação em serviço, com especial incidência sobre os dois regimes de atribuição de ajudas de custo diárias; • Com base no quadro legal definido, definir instruções específicas e pormenorizadas para guiar a feitura de regras internas pelos serviços públicos, nomeadamente, no que respeita ao controlo eficaz das despesas com alojamento e alimentação; • Estabelecer um mecanismo de revisão permanente, com vista a assegurar que os diplomas legais e as instruções que regulam a deslocação em serviço sejam actualizadas em simultaneidade com o passar dos tempos, permanecendo assim eficazes. • Ao procederem à definição de regras internas sobre as deslocações em serviço, devem ter uma abordagem de conjunto de toda a Administração, procurando assim evitar conflitos com o estipulado no ETAPM e situações de desigualdade com os demais serviços públicos; • Reforçar a noção de parcimónia nas despesas a realizar nas deslocações por motivo de serviço, de modo a elevar a eficiência no uso de dinheiro público; • Valorizar devidamente o relatório de deslocação e, em cumprimento rigoroso do disposto na lei, exigir a sua entrega; fixar a estrutura do relatório de forma a que possa ser um registo documental relevante da deslocação em serviço e meio de informação sobre a mesma.

“manifestamente insuficientes para pagar as despesas” e, ao mesmo tempo, denota que os montantes previstos no diploma que rege esta situação “estão completamente desfasados da realidade”. A título de exemplo, o organismo revela que o alojamento em hotel ocupa a maior fatia das ajudas. Há hotéis em Pequim ou Xangai que, no primeiro semestre de 2009, “já cobravam por cada pernoita cerca de 900 patacas” mas, em contrapartida, o regime geral disponibiliza ao trabalhador que se desloque à China continental o valor máximo de 1100 patacas para todos os gastos diários. Os dez serviços auditados dispõem de regras internas para regulamentar a efectivação das ajudas de custo diárias. Apesar disso, o CA acha que essas normas “são de uma diversidade extrema”. Para o organismo consultor, “a situação existente fomenta a incoerência na atribuição das ajudas, prejudicando o princípio de igualdade entre os trabalhadores da Administração Pública”.

Conflitos entre normas

Alguns serviços públicos “sem competência para estabelecerem regulamento de pessoal próprio” definiram normas internas adicionais ao regime geral ou ao regime alternativo, “que conflituam com o previsto no ETAPM”. Para o CA, o alojamento em hotel e a alimentação são os itens com maior peso nas despesas das deslocações e são também os que apresentam riscos mais elevados. O resultado da auditoria apresentado

ontem verificou que “as despesas com estes dois itens são bastante elevadas nas contas dos serviços públicos”. De acordo com a auditoria, “mais de 60% dos preços dos hotéis custavam para cima de 2000 patacas por noite, com o máximo a atingir 13.770 patacas”. Por

outro lado, o CA refere que o preço médio por refeição variou entre 150 e 1300 patacas. O CA concluiu que o regime vigente é manifestamente insuficiente para fazer face ao que se passa, permitindo que as despesas se cifrem em valores muito elevados

tanto no alojamento como na alimentação.

Em prol da melhoria

No decorrer de todo o processo, os serviços visados no relatório do CA apresentaram as suas respostas escritas. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Muni-

Situação caso a caso Serviços públicos

DSEJ

FT

IACM

ID

IPIM

IAS

IPM

DSFSM

EPM

Apresentação do relatório conforme o exigido no diploma

10

40

16

9

10

10

10

20

20

Sem apresentação do relatório

7

12

0

0

0

7

0

0

0

Apresentação do relatório fora dos 30 dias após o regresso

0

3

0

1

4

0

0

0

0

Apresentação do relatório após liquidação das ajudas de custo diárias

0

0

0

7*

6

0

0

0

Total de deslocações verificadas

17

55

16

17

23

10

20

20

1

10

*quatro dos quais “foram apresentados 30 dias após o regresso”


Ei-los que voltam - se é que alguma vez deixam de estar arrogantemente presentes - todos pimpões, donos de tudo, os especuladores imobiliários e respectivos patos bravos para todo o serviço. Ninguém os segura. Os preços por metro quadrado aumentaram dezenas por cento nos últimos meses. O mesmo acontece nas rendas. Sobem imparavelmente as ambições vampirescas. Helder Fernando, P.15

Alguns números sobre a audição • O ID viajou pouco mas escolheu sempre os hotéis mais caros. Só em Portugal gastou cerca de 14 mil patacas em alojamento por noite • O IPM é o serviço público mais certinho. Apresentou sempre os relatórios correctamente e ficou nos hotéis mais baratos • O FT é quem mais viaja mas também é quem mais descarta a apresentação do relatório. Não o fez por 12 vezes em 55 viagens • O IAS efectuou 23 viagens mas foi muito irregular na apresentação dos relatórios. Apenas dez foram apresentados conforme o diploma • A AMCM não revelou o total de deslocações nem tão pouco se o relatório é apresentado de acordo com o ETAPM. Nos hotéis utilizados subiu a parada atingindo cerca de 4000 patacas numa deslocação aos EUA • A DSFSM e o EPM nem aqueceram nem arrefeceram. Fizeram cada um 20 viagens, apresentando os respectivos relatórios de acordo com a lei, e alojaram-se em hotéis de preço médio. O IACM com 16 viagens comportou-se de igual modo • A DSEJ viajou 17 vezes mas só o justificou sete. De 2008 a 2009 escolheu hotéis de preço médio a alto • O IPIM ficou em segundo lugar em gasto de quartos de hotel gastando cerca de 6000 patacas em Cantão. Os seus relatórios de deslocação foram todos apresentados, mas sete com muito atraso

cipais (IACM) revelou que irá “examinar e acompanhar os aspectos que possam ser melhorados, a fim de elevar globalmente a eficácia dos trabalhos”. Para o Instituto do Desporto (ID), que foi dos organismos que mais gastou em alojamento, o relatório do CA “só vem ajudar na prossecução dos seus procedimentos”. O ID agradeceu a identificação das anomalias e salientou que existem “aspectos objectivos” na organização das deslocações em serviço, principalmente no que concerne à escolha de hotéis. O Instituto de Acção Social (IAS) subscreveu “sem reservas” a auditoria efectuada e concordou com as opiniões levantadas pelo CA. A este organismo o IAS informou que reviu, entretanto, as instruções sobre as deslocações. O Estabelecimento Prisional de Macau (EPM) concorda com a auditoria explicando que “às excepção de um ou outro caso pontual, a aquisição de serviços de alojamento tem sido sempre precedida de consultas de preços” e que, na alimentação, os valores aproximados ao montante máximo diário “resulta da vontade própria

dos trabalhadores, que não implica qualquer infracção à lei”. E falando de viagens, o Fundo de Turismo (FD), que não dispõe de instruções escritas para despesas de alimentação, afirmou que a opção entre os dois regimes de atribuição de ajudas de custo diárias é feita nos termos legais. O FT reafirmou “respeito” pelas opiniões do CA e afirmou que irá examinar o controlo das despesas com a alimentação. Prometeu, igualmente, implementar medidas imediatas para o cumprimento do relatório de deslocação. O organismo que tutela a educação e a juventude em Macau afirmou que selecciona hotéis “com base num conjunto de condições e factores”. Para a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) essa escola é feita “mediante a realização de concursos”. Quanto ao relatório de deslocação, a DSEJ informou que já procedeu à regularização das lacunas normativas existentes. Em relação aos critérios de fixação dos montantes de ajudas de custas diárias, a DSEJ é da opinião que, de acordo com o artigo 234.º do ETAPM, “abonar um terço da ajuda de custo

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3 das deslocações em serviço começa com o serviço responsável pela normalização administrativa com a revisão do actual diploma. O auditor acresce que a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) deve ter uma visão conjunta com o Governo da RAEM no sentido de analisar e ponderar quanto à introdução de montantes máximos para as despesas com alojamento e alimentação durante as deslocações, sendo que estes montantes “devem reflectir as despesas reais e efectivas”, por forma a satisfazer as necessidades de cada serviço. Os serviços públicos também deverão ter uma palavra a dizer. O CA defende que estes “devem cumprir a sua quota de responsabilidade, gerindo as deslocações em serviço em estrito cumprimento das normas definidas e observando os princípios de economia”.

diária ao trabalhador não viola as disposições legais vigentes”. O Instituto Politécnico de Macau (IPM), a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) apenas agradecem e valorizam o relatório do CA, não tecendo quaisquer comentários. Já a Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau (DSFSM) disse nada ter a acrescentar ao resultado da auditoria promovida.

Nem tudo é abrangido legalmente

Para a maioria dos serviços públicos, a deslocação em serviço é já parte importante do seu plano anual de actividades. De acordo com os artigos 228.º e 237.º do ETAPM, as deslocações em serviço estão devidamente regulamentadas dispondo especificamente sobre as ajudas de custo diárias, as ajudas de embarque, bem como outros direitos e deveres dos trabalhadores que se deslocam. Apesar disso, o CA concluiu na sua auditoria que não há nenhum diploma legal que consiga prever tudo, podendo os existentes, com o passar dos anos, tornar-se desactualizados e desadequados à realidade. Para o Comissariado da Auditoria o articulado do ETAPM padece destes problemas, ou seja, “está desajustado”. O ETAPM estabeleceu o regime geral e um regime alternativo, concedendo aos serviços públicos “a iniciativa” de optarem por um ou por outro. Apesar disso, os serviços públicos têm teimado em escolher o caminho alternativo quando isso não deveria acontecer. A grande margem de interpretação que as disposições do ETPM oferecem, a falta de actualização dos montantes das ajudas de custo, a fraca sensibilidade para a parcimónia e controlo por parte dos serviços públicos, bem como, por vezes, a sua inacção, são factores mais do que suficientes para que se apresentem situações “díspares e de desigualdade”. O CA considera que o aperfeiçoamento da gestão

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política

Menos acções, mais ilegais Operações da PSP e da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) conseguiram detectar um total de 70 trabalhadores ilegais em Macau no mês de Janeiro, número bastante superior aos 44 do mês de Dezembro. Apesar de ambos os organismo terem saído menos vezes à rua à caça dos ilegais, o número de detidos subiu cerca de 60%. A PSP realizou buscas em 178 locais, contra 291 de Dezembro, e detectou 36 trabalhadores sem autorização. A DSAL visitou 19 estabelecimentos, contra 22 do mês anterior, e encontrou seis ilegais. Em quatro buscas conjuntas entre os dois organismos, outros 28 trabalhadores foram detectados. Mais cartões de crédito a circular Até ao final de Dezembro de 2010, mais 6,02% de cartões de crédito entraram em circulação, atingindo os 426.976. Desse total, a larga maioria (mais de 337 mil) é denominada em patacas, mas o yuan tem crescido com força – 29% dos cartões foram emitidos na moeda chinesa. Em comparação com 2009, os cartões de crédito em yuans aumentaram 83,5%, enquanto os em patacas e dólares de Hong Kong caíram – 17,56% e 6,92 respectivamente. Até ao final do mês de Dezembro, a soma do limite de crédito atingiu as 7,65 mil milhões de patacas, registando um aumento de de 4,75% relativamente ao final de Setembro de 2010. O rácio de débito não pago, tal como, o rácio de valores a receber atrasados mais de três meses para o saldo devido, foi de 0,72%. Dá cá o seu pézinho As estatísticas mostram que 20% dos acidentes de trabalho afectam os pés dos trabalhadores e, por isso, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) vê necessidade em elevar “a cultura para prevenção de lesões nos pés” e irá lançar uma campanha promocional sobre o assunto. Outra medida será o incentivo para que haja uma caixa de primeiros socorros nos ambientes de trabalho. O organismo enviará sapatos de segurança aos trabalhadores da construção civil residentes de Macau e caixas de primeiros socorros às empresas locais.

Entrada da FAOM na política ainda com muitos pontos de interrogação

UGAMM também quer brincar Kahon Chan

A

kahon.chan@hojemacau.com.mo

recém-criada associação Choi In Tong Sam – uma derivação da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) – afirmou a sua posição como “organização política”, numa abordagem revigorada à participação de organizações não governamentais (ONG) na vida política de Macau, mas com o roteiro dessa viragem em direcção a um partido político ainda por ser definido. Por sua vez, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) manifestou a intenção de seguir o mesmo caminho e está também a estudar a criação de um “braço político”. Embora sejam criadas associações para participarem nas eleições para a Assembleia Legislativa (AL) enquanto “listas”, o conceito de partido político não existe em Macau e os candidatos frequentemente derivam de ONG locais, como a FAOM, a UGAMM ou a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Mesmo que os objectivos e actividade da Associação Novo Macau Democrático sejam mais políticos do que os de qualquer outra organização em Macau, os

seus responsáveis nunca se referem a ela como um partido. Mas agora, a Novo Macau passou a ter uma associação congénere na corrida democrática. A Choi In Tong Sam (cujo significado literal é “unir as elites e a paixão”) foi criada no domingo, com a missão de entrar no “debate político” sem afiliação directa à FAOM, apesar de uma carteira de membros composta por antigos e actuais deputados da FAOM e das suas associações afiliadas que participaram nas eleições para a AL. O objectivo oficial da nova associação é reflectir a opinião pública, salvaguardar os direitos e interesses do povo, promover a justiça social, incentivar a participação social e fiscalizar a governação. O presidente Leong Iok Va admitiu à imprensa que a associação também tinha sido criada com vista a uma melhor preparação para as eleições, com os membros interessados a poderem agora expressar as suas opiniões com mais regularidade no âmbito da organização política. A organização pretende também prestar um apoio consistente e próactivo aos deputados da AL – por exemplo, irá olhar para os problemas através dos afiliados da FAOM de forma mais activa e realizar estudos de política. Com o objectivo de incentivar o debate e expressão de opiniões sobre os assuntos da actualidade, a associa-

ção espera que jovens aspirantes que participem nesses debates possam mais tarde tornar-se candidatos de qualidade para futuras eleições. As diferenças em relação a um partido político existem. “Um partido irá manter uma orientação política mais clara e estamos ainda a caminho de procurar isso. Demos um passo em frente para formar uma organização política, mas não temos um quadro muito claro por trás do mecanismo consistente para coordenar os esforços para as eleições”, afirmou Lam U Tou, director-geral interino da Choi In Tong Sam, concordando em descrever a associação como uma organização política, mas sublinhando haver ainda um longo e incerto caminho para ela se transformar num partido, sendo mesmo discutível, segundo o responsável, se um sistema de partidos funcionaria em Macau.

Apoio noutro nível

Sunny Chan, professor-assistente do Instituto Politécnico de Macau (IPM) especializado em política eleitoral, afirmou que as ONG criadas para servir os interesses de uma comunidade específica precisam ganhar o apoio de um espectro mais amplo quando passam para o campo da política. “As ONG são fundadas em nome do interesse de uma certa

classe, como uma associação sindical luta pelos direitos dos trabalhadores. Mas organizações políticas são diferentes pois têm de lutar pelo interesse da maioria caso se queiram tornar num partido dominante”, explicou. “Assim como se uma associação de mulheres quiser formar um partido, não poderá mais defender apenas as mulheres”. Politicamente, Chan considera que a concorrência nas últimas eleições para a AL, em 2009, levou os poderes tradicionais a repensar a formação de partidos políticos e, na prática, uma derivação permitiria também a existência de uma conta independente para separar as despesas de campanha das operações ordinárias da FAOM. Ao que parece, a UGAMM, a segunda maior ONG de Macau, a seguir à FAOM, está pronta a seguir o mesmo caminho. Io Hong Meng, directorgeral da UGAMM, disse ao Hoje Macau que estudos e considerações sobre uma possível derivação para concentrar-se em discussões políticas estavam a ter lugar na UGAMM, que seria favorável à formação de aspirantes políticos, mas poderia não estar directamente relacionada com o planeamento e campanha para as eleições para a AL. Não estando directamente encarregado da matéria, o responsável não foi capaz de confirmar os pormenores sobre o plano.


Leiria ganha reconhecimento do Executivo

O mestrado em Administração Pública do Instituto Politécnico de Leiria, em parceria com a congénere de Macau, ganhou ontem reconhecimento do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, e aval para seguir em frente. Em despacho no Boletim Oficial, o responsável aprova as 11 disciplinas do curso, que tratam sobretudo do Direito da Administração Pública de Portugal e Macau, bem como das Políticas Públicas. O curso entra em funcionamento ainda este mês.

O

Governo anunciou ontem que vai criar um fundo para apoiar a reabilitação e conservação de edifícios privados nos bairros antigos e conceder outros benefícios a projectos de revitalização daqueles bairros. “Com a evolução e o desenvolvimento socioeconómico, alguns bairros de Macau mostram-se envelhecidos devido à mudança incessante de moradores e do comércio para outras zonas, tornando-se necessário o seu reordenamento”, disse o chefe de gabinete do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Wong Chan Tong. O Executivo vai submeter em breve à Assembleia Legislativa uma proposta de lei relativa ao Regime Jurídico para o Reordenamento dos Bairros Antigos, em elaboração desde 2005, com o objectivo de “promover a qualidade de vida da população, um desenvolvimento urbano sustentável, a preservação ambiental e conservação do património cultural imóvel”. O diploma, que já obteve luz verde do Conselho Executivo, pub

Governo cria fundo para apoiar reabilitação dos bairros antigos

Ordem para embelezar tem em vista um “ponto de equilíbrio para assegurar a propriedade privada e o interesse público”, abrangendo a reconstrução, reabilitação, conservação e valorização urbanística e ambiental de edifícios, infra-estruturas, equipamentos e espaços públicos, bem como a conservação do património cultural imóvel. No âmbito da reabilitação ou conservação de edifícios privados, o Governo vai conceder aos proprietários apoios financeiros e um crédito sem juros para incentivar a execução das obras, bem como alojamento temporário aos arrendatários em situação precária. O apoio financeiro será atribuído através da criação de um fundo por regulamento administrativo complementar, que chegará em breve às mãos do Conselho Executivo, explicou Wong Chan Tong,

sem querer avançar, para já, o seu montante. A proposta de lei prevê ainda benefícios fiscais para os proprietários de edifícios, para os quais

o Executivo definiu projectos de reconstrução, que só poderão avançar com a concordância dos detentores de, pelo menos, 70 por cento dos direitos patrimoniais

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5 e cujos custos serão, neste caso, integralmente assumidos pelos proprietários ou promotores empresariais. Com a entrada em vigor do diploma, o Governo “terá de fazer um levantamento da situação dos bairros antigos, uma consulta pública e definir as zonas de reordenamento, unidades de intervenção e projecto de arquitectura, que serão submetidos à aprovação dos proprietários dos imóveis”, explicou o assessor jurídico do Executivo, Joaquim de Campos Adelino. A execução das obras pode ser assumida directamente pelos detentores de pelo menos 80% dos direitos de propriedade e se o Executivo não obtiver a concordância daqueles, mas apenas dos detentores de pelo menos 70% dos direitos de propriedade, terá de seleccionar, por concurso público, um promotor empresarial para a realização dos trabalhos, que, caso contrário, serão suspensos. A proposta de lei prevê ainda compensações para os arrendatários e proprietários.


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sociedade

DSAL fala em consenso sobre salário mínimo mas continua em fase de estudos

Um “grande passo” desesperante Joana Freitas

E

joana.freitas@hojemacau.com.mo

stá definido quais os trabalhadores que vão servir de modelo para a fixação do salário mínimo: funcionários das áreas de limpeza e segurança. No entanto, o valor da remuneração, a data em que será fixado e que outros sectores vão ser abrangidos são ainda questões sem resposta. Na reunião de ontem nos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Shuen Ka Hung, presidente da Comissão Executiva do Conselho Permanente de Concertação Social, considerou ter existido um “consenso básico” entre a “parte laboral e a parte patronal”. Mas se Shuen Ka Hung considera este “um grande passo”, para os trabalhadores, no entanto, esta não é ainda uma solução viável. Ella Lei

Cheng I, directora do Departamento de Interesses das Associações dos Operários de Macau (FAOM), afirma mesmo que os trabalhadores estão “desesperados” com a falta de certezas relativamente à fixação do salário mínimo e acusa o Governo de estar a ser irresponsável no que diz respeito a esta matéria. “Existe uma falta de responsabilidade [da parte da Administração] porque anda devagar. Esta fixação [salarial] tem que ser determinada e nós temos que saber quando, mas ainda não há calendário”, defende a responsável. O facto de não existir consenso no montante a fixar também preocupa Lei Cheng I, já que, segundo a Direcção de Serviços de Estatísticas e Censos, existem trabalhadores a receber entre dez a 12 patacas por hora, “o que é pouco”. Shuen Ka Hung explica que os funcionários dos dois “sectores-modelo” foram escolhidos precisamente devido a “trabalharem por longos

períodos de tempo sem serem bem pagos”. Entre os factores que vão contribuir para a decisão do montante a fixar, a DSAL vai ter em conta a faixa etária dos trabalhadores das duas áreas escolhidas, a existência de deficientes físicos e a avaliação do grau de deficiência, a quantidade de funcionários nas pequenas e médias empresas e as diferenças ao nível de remunerações entre estas e as grandes companhias. A directora da FAOM diz concordar com os estudos “profundos” mencionados pela DSAL, mas assegura que “da parte [da FAOM] vão ser pedidos estudos a outras entidades” de forma a ajudar o Governo e para que seja possível “acelerar a fixação do salário mínimo”.

Em fase de estudo

À imprensa ficaram muitas dúvidas por esclarecer já que os temas da reunião da Comissão Executiva do Conselho Permanente da Concertação Social não se focaram em todas as matérias. Se os baixos rendimentos dos funcionários da área de limpeza e segurança podem influenciar negativamente a fixação do valor de ordenado mínimo, uma vez que o aumento se debruça nas quantias de dez a 12 patacas/hora, quem são e quando serão abrangidos funcionários de outros sectores, são perguntas

sem “condições de discussão”. Sheung Ka Hung explica que “só hoje [ontem] a necessidade de recolha de dados teve lugar; a análise e como vai ser depois são questões futuras”. O responsável da DSAL fala em “estudos profundos” antes de se dar início aos trabalhos do processo de legislação, ainda sem qualquer calendarização definida ou pensada. Levantadas na conferência, as questões de poderem existir salários mínimos diferentes e divididos por categorias profissionais ao invés do habitual ordenado mínimo por território, e se os empregadores estariam dispostos a aumentar os salários, obtiveram mais uma vez as mesmas respostas. Shueng Ka Hung diz que “estas são dúvidas que carecem dos pareceres do Governo, da parte laboral e da patronal” e às quais não sabe responder. “Não podemos dizer que [o ordenado mínimo] vai ser aplicado a todos os sectores, actualmente as classes laboral e patronal concordaram que se deviam recolher dados relativamente a isso. Tem de haver consenso em pagar, porque quem paga é o patrão não é o Governo. Nós gostávamos de fazê-lo mas não podemos”, salienta o presidente. Apoiado na Convenção n.º 26 da Conferência Internacional do Trabalho, que abrange os “Métodos de Fixação de Salários Mínimos”, Shueng Ka Hung salienta a liber-

dade de fixar um salário mínimo e escolher o sector, mas deixa de parte valores e obrigações de ser uma imposição para a generalidade dos sectores.

A galinha da vizinha

Na reunião de ontem, os trabalhadores da DSAL apresentaram o processo da legislação da vizinha Hong Kong, que vai servir de referência para a elaboração desta nova proposta. Também os requisitos da Convenção n.º 26 vai ajudar a que sejam dados estes primeiros passos em Macau. Sem dar azo a “suposições”, Shuen Ka Hung confirma a vontade em determinar ainda durante este ano o valor a fixar no rendimento mínimo e salienta que na próxima reunião do conselho vai ser eleita a direcção encarregue de todos os passos futuros. O director da DSAL diz ainda estar confiante e salienta que esta confiança não é apenas sua, mas também do Chefe do Executivo. “Já chegamos a um consenso básico e isso é um grande passo”. A administração ainda vai determinar a remuneração por hora, o âmbito desta fixação salarial e o que deve ter o conteúdo. Depois de elaborado o diploma, vai ser apresentada a proposta pelo Conselho. A fixação de um ordenado mínimo é uma questão a ser tratada já há mais de uma década.

Fundo para trabalhadores abandonados Outro dos pontos tratados na reunião do Conselho Permanente de Concertação Social foi a proposta de um novo projecto de lei sobre as relações do trabalho. O diploma pretende trazer mais “clarificação e apontar eventuais lapsos”, para “proteger direitos e marcar deveres dos trabalhadores e entidade patronal”. Assim, está passível de ser criado um Fundo de Garantia Salarial, que assegura os ordenados dos trabalhadores que não recebam a remuneração mensal em caso de falência ou dívida da empresa.

Anteriormente, era o Fundo de Segurança Social a entidade competente neste sector, mas será o Governo que passará a assumir directamente este risco. “O Executivo vai adiantar o salário e, posteriormente, é o FSS quem vai ter de pedir o reembolso do dinheiro [à empresa credora]”, salienta Shueng Ka Hung. O responsável da DSAL salienta ainda que este compromisso servirá residentes e não-residentes, providencia despesas de repatriamento e abrange até quatro meses antes da cessação das relações de trabalho. No entanto, deixa o alerta de que é necessária a apresentação de queixa da parte do funcionário.


Fórum Macau rende primeira empresa de capitais multinacionais

terça-feira 22.2.2011

A Geocapital e a Global Pactum constituíram ontem em Macau a Geopactum Oriente, a primeira empresa de capitais multinacionais no âmbito do Fórum Macau, que visa intensificar os negócios entre a China e os países de língua portuguesa. Em declarações à agência Lusa, António Carlos Oliveira, presidente da nova empresa e representante da Global Pactum, uma empresa angolana de gestão de participações que é a maior accionista do Banco Privado Atlântico, explicou que o objectivo da Geopactum Oriente é “potencializar os negócios entre o espaço da lusofonia e o Oriente”. O mesmo responsável salientou que na estrutura accionista da empresa existe a Geocapital, dos empresários Jorge Ferro Ribeiro e Stanley Ho, “que está bem implantada neste espaço do Oriente”, e a Global Pactum, que tem também a componente do espaço lusófono.

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Executivo confirma transferência do director da DSEJ para o GAES

Sou Chio Fai, actual director dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), vai mesmo deixar a pasta do organismo já a partir do mês de Março. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, confirmou ontem em comunicado a saída de Sou e a sua transferência para o cargo de coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES). O Executivo justifica a mudança devido ao “profundo conhecimento da macro política educativa local” e ao facto de Sou levar “certamente novas ideias e dinâmica dando impulso ao desenvolvimento do ensino superior em Macau e promovendo eficácia na formação de quadros locais”, que está a passar agora por uma fase de transição. Na manga, o Governo tem uma nova legislação para o sector, bem como um regulamento administrativo. O posto de coordenador do GAES ficou vago no final do mês de Janeiro, quando Chan Pak Fai deixou as funções devido a problemas de saúde. Leong Lai, actualmente subdirectora da DSEJ, passará a ser a directora. O actual assessor de Cheong U, Lou Pak Sang, iniciará as funções de subdirector. “Ambos têm muita experiência nos assuntos da educação e na administração educativa”, justifica o secretário. Leong Lai já dirigiu escolas no território, razão pela qual “conhece profundamente a causa educativa e tem ideias prospectivas relativamente ao desenvolvimento e planeamento deste sector”. Já Lou Pak Sang passou pela DSEJ, participou na reforma do regime do ensino não superior e foi responsável pela avaliação da educação. “Acredita-se que estas mudanças de pessoal serão positivas para o desenvolvimento tanto do ensino superior como do ensino não superior”, aponta Cheong U.

uem acreditava no contrário tem aí a prova. A inflação está ao rubro e o Índice de Preço no Consumidor (IPC) geral de Janeiro deste ano atingiu o nível de 107,16, tendo-se registado um aumento de 4,92% em relação ao idêntico mês do ano passado. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, este aumento deveu-se principalmente à ascensão de preços dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, produtos e serviços diversos, habitação e combustíveis. É de realçar que, face a Janeiro de 2010, houve subidas notáveis nos índices de preços dos produtos e serviços diversos (9,21%); do vestuário e calçado (6,86%); dos transportes (6,71%); dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (6,13%) e da saúde (5,75%) em virtude da elevação de preços de coi-

A passos largos de esvaziar a carteira sas tão normais do dia-a-dia como as refeições adquiridas fora de casa, os serviços de cabeleireiro e beleza, as excursões turísticas ao exterior, o vestuário e calçado ou os bilhetes de avião e da comida devido à aproximação do Ano Novo Lunar. Quem não fica também na fotografia são os preços de venda da gasolina e do gás de petróleo liquefeito.

Em comparação com Janeiro de 2010, o índice de preços da secção comunicações desceu 8,35%, graças à queda de preços do serviço de telemóveis. O IPC-A, que reflecte a evolução de preços para 50% das famílias residentes cuja despesa mensal está compreendida entre seis mil e 18.999 patacas, atingiu o valor de 106,49. Já o IPC-B, que engloba 30% das famílias residentes com despesa entre 19 mil e 34.999 patacas, atingiu os 107,37 pontos. Contas feitas, o IPC-A expandiu-se 4,75% e o B, e 5,05%, em comparação com Janeiro de 2010. No mês de referência, o IPC geral cresceu 0,93% em termos mensais, registandose acréscimos mais elevados

EDITAL Edital n : 32/E/2011 Processo no: 1216/BC/2010/F Assunto: Demolição da obra não autorizada pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local: Rua da Bacia Sul s/n, Edf. 海擎天, bloco 4, fracção 12o andar Y, Macau

de publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição do local afectado, e que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos nele existentes bem como à desocupação do local acima referido, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar na Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, a declaração de responsabilidade do construtor responsável por essa demolição, bem como a apólice de seguro contra acidentes de trabalho e doenças profissionais. Após a conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicado o facto à DSSOPT para efeitos de vistoria.

o

Chan Pou Ha, Subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da RAEM no 16, II série, de 22 de Abril de 2009, faz saber por este meio à Srª U Kim Chi, dona da obra, bem como ao(s) seu(s) mandatário(s) ou demais donos da obra do local acima indicado, caso existam, o seguinte:

1.1 Instalação de varanda metálica junto à janela da fracção na parede exterior do referido edifício. 2.

3.

4.

Findo o prazo da demolição e da desocupação não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o no 2 do artigo 139o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei no 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos nos 1 e 2 do artigo 89o do RSCI, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá a partir do termo do prazo atrás referido à execução dos trabalhos acima referidos, a expensas do infractor. Além disso, tendo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias expirado, a DSSOPT dará início aos trabalhos da demolição e da desocupação, não podendo ser cancelados os referidos trabalhos uma vez iniciados. Por fim, os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado serão depositados no local indicado à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30o do Decreto-Lei no 6/93/M, de 15 de Fevereiro.

5.

As obras acima indicadas infringem o disposto no RSCI, pelo que, os infractores são sancionáveis com a respectiva multa.

6.

Nos termos do no 1 do artigo 97o do RSCI e das competências delegadas pelos nos 1 e 4 da Ordem Executiva no 124/2009, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2009, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 dias contados a partir da data de publicação do presente edital.

O agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte: Obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Infracção ao no 12 do artigo 8o – obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício.

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Habitação, produtos alimentares e combustíveis erguem a inflação

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Sanção Nos termos do no 7 do artigo 87o do mesmo regulamento, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000.00 patacas.

De acordo com o no 1 do artigo 95o do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei no 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e portuguesa de 27/08/2010, a audiência escrita dos interessados, mas não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada. De acordo com o no 12 do artigo 8o do RSCI, sendo a janela acima referida considerada como ponto de penetração para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não pode o mesmo ser obstruído com elementos fixos (gaiolas, grelhagens, etc.). Assim, nos termos do no 1 do artigo 88o do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da RAEM no 16, II série, de 22 de Abril de 2009, por despacho de 16/02/2011, exarado sobre a informação no 07605/DURDEP/2010, foi ordenado ao(s) dono(s) da obra ou seu(s) mandatário(s) que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data

Aos 16 de Fevereiro de 2011 A Subdirectora dos Serviços Enga Chan Pou Ha

nos índices de preços dos produtos e serviços diversos (2,83%), dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (1,93%), e dos transportes (1,04%), face ao mês precedente. Por seu turno, assinalouse um decréscimo acentuado de 8,03% no índice de preços da secção comunicações, em termos mensais. O IPC-A e

o IPC-B de Janeiro de 2011 elevaram-se 1,11% e 0,89%, respectivamente, em relação ao mês anterior. O IPC geral médio dos 12 meses terminados no mês de referência, em relação aos 12 meses imediatamente anteriores, cresceu 3,21%. O IPC-Ae o IPC-B aumentaram 2,75% e 3,37%, respectivamente.

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HM-1ª vez 22-02-11 Execução Ordinária

n.º

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CV2-09-0130-CEO

2º Juízo Cível

EXEQUENTE: Hang Seng Bank Limited, com sede em Hong Kong e sucursal em Macau, na Avenida do Infante D. Henrique, nºs 43-53A, Edifício Macau Square, 11º andar H, I, J e K, registo comercial nº 17558. EXECUTADA: Fábrica de Malhas Três Estrelas (Macau) Limitada, com sede em Macau, na Rua Dois do Bairro da Concórdia, nº 62, Edifício Industrial Vang Tai, 6º andar, “A6”, “B6”, “D6”, “E6” e “F6”, registo comercial nº 2516. Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos da executada para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Imóveis penhorados Verba 1 Denominação: Fracção autónoma “A6” do 6º andar “A”. Situação: Macau, na Rua Um do Bairro da Concórdia, nºs 57 a 77, na Rua do Conselheiro Borja, nºs 12 e 14 e na Rua Dois do Bairro da Concórdia nºs 58 a 80. Fim: Para indústria. Número de matriz: 37953. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21533 a fls. 29 do Livro B51. Número de inscrição da propriedade horizontal: 644 a fls. 127v do Livro F20A. Verba 2 Denominação: Fracção autónoma “B6” do 6º andar “B”. Situação: Macau, na Rua Um do Bairro da Concórdia, nºs 57 a 77, na Rua do Conselheiro Borja, nºs 12 e 14 e na Rua Dois do Bairro da Concórdia nºs 58 a 80. Fim: Para indústria. Número de matriz: 37953. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21533 a fls. 29 do Livro B51. Número de inscrição da propriedade horizontal: 644 a fls. 127v do Livro F20A. Verba 3 Denominação: Fracção autónoma “D6” do 6º andar “D”. Situação: Macau, na Rua Um do Bairro da Concórdia, nºs 57 a 77, na Rua do Conselheiro Borja, nºs 12 e 14 e na Rua Dois do Bairro da Concórdia nºs 58 a 80. Fim: Para indústria. Número de matriz: 37953. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21533 a fls. 29 do Livro B51. Número de inscrição da propriedade horizontal: 644 a fls. 127v do Livro F20A. Verba 4 Denominação: Fracção autónoma “E6” do 6º andar “E”. Situação: Macau, na Rua Um do Bairro da Concórdia, nºs 57 a 77, na Rua do Conselheiro Borja, nºs 12 e 14 e na Rua Dois do Bairro da Concórdia nºs 58 a 80. Fim: Para indústria. Número de matriz: 37953. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21533 a fls. 29 do Livro B51. Número de inscrição da propriedade horizontal: 644 a fls. 127v do Livro F20A. Verba 5 Denominação: Fracção autónoma “F6” do 6º andar “F”. Situação: Macau, na Rua Um do Bairro da Concórdia, nºs 57 a 77, na Rua do Conselheiro Borja, nºs 12 e 14 e na Rua Dois do Bairro da Concórdia nºs 58 a 80. Fim: Para indústria. Número de matriz: 37953. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21533 a fls. 29 do Livro B51. Número de inscrição da propriedade horizontal: 644 a fls. 127v do Livro F20A. Verba 6 Denominação: Fracção autónoma “D12” do 12º andar “D”. Situação: Macau, na Avenida da Concórdia, nºs 159, 165 e 171 a 199, na Rua do Conselheiro Borja, nºs 156, 164 e 176, no Pátio da Concórdia, nºs 4, 10, 20, 32, 44 e 48 e na Travessa Norte do Patane, nºs 25, 27 e 31. Fim: Para indústria. Número de matriz: 70593. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21915 a fls. 106v do Livro B106. Número de inscrição da propriedade horizontal: 26447 a fls. 52 do Livro F34. Verba 7 Denominação: Fracção autónoma “B12” do 12º andar “B”. Situação: Macau, na Avenida da Concórdia, nºs 159, 165 e 171 a 199, na Rua do Conselheiro Borja, nºs 156, 164 e 176, no Pátio da Concórdia, nºs 4, 10, 20, 32, 44 e 48 e na Travessa Norte do Patane, nºs 25, 27 e 31. Fim: Para indústria. Número de matriz: 70593. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21915 a fls. 106v do Livro B106. Número de inscrição da propriedade horizontal: 26447 a fls. 52 do Livro F34. Móvel Penhorado Saldo bancário da executada, é o seguinte: Banco Nacional Ultramarino, de conta no valor de..........MOP324,45 Aos 11 de Fevereiro de 2011.


vida

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Taxistas acham sistema eléctrico inviável em Macau

Motoristas não acreditam em “táxis verdes”

outro meio de transporte “mais verde”. No caso mais específico dos táxis, Kuok refere que há que ter em conta que os veículos em Macau percorrem cerca de 500 quilómetros por dia sem parar – fenómeno que se deve ao funcionamento dos casinos, e que faz com que os taxistas façam turnos de meio dia cada. Também o custo médio para a manutenção dos veículos é de cerca de mil patacas por mês. O directorgeral da Associação de Mútuo de Condutores de Táxi de Macau diz que mesmo que os veículos possam ser adquiridos a um preço mais reduzido, eles “serão indesejados se as peças de reposição custarem uma fortuna”.

Só se o Governo agir

Associações de taxistas do território defendem que durabilidade das baterias não se adapta ao ritmo das operações no território

Filipa Queiroz

um sistema mais silencioso e não poluente.

m Macau, táxis eléctricos a circular ainda não faz parte dos planos (conhecidos) do Governo, e pelos vistos também está longe dos sonhos dos taxistas. O Hoje Macau falou com representantes de duas associações locais para saber as suas opiniões sobre a adaptação dos veículos a

Inadaptáveis

E

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

Tonny Kuok, director-geral da Associação de Mútuo de Condutores de Táxi de Macau, diz que a vida da bateria e custo de manutenção dos automóveis eléctricos são os maiores obstáculos à introdução de táxis com esse sistema em Macau, bem como para quaisquer

Planeta em números • O valor gasto em custos médicos relacionados com a obesidade, nos Estados Unidos, num só dia, é de 240 milhões de dólares americanos. E para combater o peso, em programas de emagrecimento, foram gastos ontem cerca de 100 milhões de dólares • Este ano, morreram quase tantas pessoas por doenças relativas ao consumo e ao não consumo de água como os milhares de milhão de litros que foram consumidos. Isto é, para cerca de 600 mil • Estima-se que 5,8% das crianças das cidades do Terceiro Mundo morrem antes de atingir os cinco anos de idade. Uma das principais causas é a escassez de higiene e de água potável • O consumo de animais e plantas também tem levado ao declíneo de algumas espécies. Por exemplo, nas últimas três décadas, o consumo de produtos florestais, como o papel, triplicou. No caso dos peixes marinhos, a captura intensiva – que aumentou 240% desde 1960 – levou não só à ruptura dos stocks pesqueiros, como colocou em risco algumas espécies.

Já Mário Ferreira Sin, gerente da Van Iek Radio-Taxi Company Limited, diz que “também tem reservas em relação aos táxis eléctricos devido à durabilidade da bateria”. O responsável diz que pelo que tem conhecimento “os carros apenas podem percorrer 200 quilómetros depois de muitas horas de recarga”. “Sendo que um táxi tem de percorrer pelo menos 200 quilómetros a cada metade de turno, torna-se pouco exequível”, refere. O gerente da Van Iek RadioTaxi Company Limited também diz que o tempo que leva a recarregar as baterias torna inviável o sistema eléctrico para os táxis. Mário Ferreira Sin sustenta que “mesmo que o problema seja resolvido em relação à durabilidade da bateria e as horas de operacionalidade pudessem igualar as dos carros com motores a combustão, o elevado custo de aquisição também faria os proprietários interessados hesitar em mudar”. Na opinião do gerente, subsídios do Governo e reduções fiscais seriam “essenciais” para implementar o sistema das frotas alternativas “mais verdes” em Macau. Sin diz que apesar de considerar que a implementação dos táxis eléctricos não sejam tecnicamente viáveis no território “lugares como Hong Kong e a Tailândia têm incentivado a mudança para os motores a gás natural pela sua emissão de gases menos prejudicial ao meio ambiente”. O gerente da Van Iek RadioTaxi Company Limited acrescentou que a disponibilidade de postos de abastecimento nesta altura também é crucial, naquele caso, e referiu que “existem apenas 980 táxis em Macau e o incentivo ao investimento em estações de gás natural, tendo em conta que seriam necessárias pelo menos três - é, provavelmente, questionável”.

Transportes | táxis

Ali ao N

o ano passado, quando a pri meira frota de táxis eléctricos apareceu em Shenzhen, na provín cia de Guangdong, os moradores indeferiram os carros vermelhos e-brancos, parecidos com os carros dos “bombeiros”, e nem seque pensarem em apanhar um, como reportou o China Daily na altura Hoje os automóveis já serão mais familiares e o interesse continua a crescer. Trinta táxis BYD e6, auto móveis completamente eléctricos e criados pela fabricante chinesa BYD Co Ltd., foram lançados às ruas de Shenzhen para uma espécie de ensaio e promoção dos veículos Ficou prometido um aumento da frota para 100, este ano. A iniciativa faz parte do plano de Shenzhen de criar uma cidade verde através da introdução dos veículos eléctricos, que está previsto que atinja os cerca de 24 mil, e 12.750 estações de carregamento, em 2012


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s verdes a circular em Shenzhen dão cartas

o lado já é possível

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Os táxis eléctricos são três vezes mais caros do que os táxis comuns, que funcionam a gasolina. Um BYD e6 custa 300 mil yuans. A vantagem? São silenciosos e não poluentes. O Governo central subsidiou a compra de cada táxi e as autoridades de Shenzhen também desenvolveram planos de subsídios para os táxis eléctricos para ajudar a desenvolver a indústria. A BYD, distribuidora sediada em Shenzhen e apoiada pelo bilionário norte-americano Warren Buffet, aproveitou a estreia dos seus táxis e6 para impulsionar as vendas e conseguiu. É a oitava maior fabricante do país e o modelo e6, entretanto já disponível para venda na China e nos Estados Unidos, prepara-se para atacar a Europa. De acordo com o China Daily, a perspectiva do director executivo da empresa, Wang Chuanfu, é que com os veículos eléctricos a BYD se transforme

na maior produtora de automóveis da China em 2015.

Outro exemplo

A cidade chinesa de Hangzhou pretende seguir o exemplo de Shenzhen e adicionar 600 táxis eléctricos à sua frota este ano, de acordo com os relatórios mais recentes da Automotive News China. Hangzhou recebeu a sua primeira frota de 30 táxis eléctricos da distribuidora local OEMs Zoyte Holding Group e Haima Automobile no mês passado. Os modelos “amigos do ambiente” podem viajar no máximo 80 quilómetros com uma única carga e a concessionária já está a preparar terreno para a chegada de mais veículos eléctricos. O objectivo é a cidade ter entre cinco e dez estações de substituição de baterias e dobrar o número de estações de carregamento de três para seis ainda este ano. - F.Q.

Mais de cem baleias morreram numa praia na Nova Zelândia

Um total de 107 baleias-piloto morreram, este fimde-semana, depois de terem encalhado numa praia remota do sul da Nova Zelândia. As baleias foram descobertas, domingo, por um grupo de turistas perto de Mason Bay, de acordo com o Departamento de Conservação neozelandês. Quase metade dos mamíferos de grande porte já tinham morrido asfixiados e os restantes foram abatidos pelas autoridades porque seria impossível salvá-los antes de sucumbirem. O mau tempo na região também prejudicou as operações de resgate para tentar salvar as baleias. Nos últimos dois meses, pelo menos 38 baleias morreram por asfixia depois de ficarem presas em praias da Austrália e Nova Zelândia, onde estes casos são cada vez mais comuns.

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cultura

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Filipa Queiroz

A

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

inda não pára o trânsito, mas pode começar a chamar a atenção no panorama artístico de Macau, pelo menos é isso que Tiago Grade espera. Chegou a Macau há um mês para trabalhar na área de formação, publicidade e marketing, mas tem uma “alma rítmica” escondida dentro do corpo com muita vontade de sair pelos bares e espaços culturais locais fora. Rizumik é a personagem que Tiago criou há dois anos, expressa-se através do beatbox e já não é estranha no panorama musical português e internacional. O público oriental é o próximo desafio.

Rizumik é artista do improviso e aterrou há um mês em Macau

“Há pessoas que dizem “Ah!” mal eu faço fssssst” da AICEP, Tiago pretende tentar conciliar o trabalho na área de comunicação com a arte de comunicar... através do beatbox. “Desde pequeno que sinto que a tendência para reproduzir ritmos e sons me acompanha”, conta. “O beatbox é prático, sou o meu próprio instrumento e não tenho de transportar mais nada para fazer uma brincadeira na rua se for preciso.” Mas o que é exactamente um beatboxer? “É uma pessoa que

(www.facebook.com/rizumik) e um canal no YouTube (www.youtube. com/user/Rizumik). “Eu uso como espécie de diário e como portfolio, mas faço questão de ter conteúdos diferentes nas várias plataformas”, explica. Cada uma inclui dezenas de vídeos de espectáculos, colaborações caseiras, entrevistas e até umas espécie de ‘sketches’ cómicos. “Hoje em dia é importantíssima a presença online, existem muitos artistas com vários perfis. Mas

capital catalã, e Rodrigo Viterbo, tocador de digiredoo. Em Portugal, participar no programa “Última Ceia” e “5 para a meia-noite” ajudou o artista, que tem em Beardyman e no “mestre” Bobby McFerrin as maiores referências, a ganhar notoriedade. Do músico e cantor celebrizado com o tema “Don’t Worry Be Happy”, mas também precursor do beatboxing, Tiago retira a inspiração. “Tem um controlo e um domínio vocal extraordinário,

também há o reverso da medalha, que é o facto de existir tanta coisa que para uma pessoa se destacar é muito mais complicado”, nota, e acrescenta: “O essencial mesmo é ter sorte e ‘bons timings’.”

muito acima da média, e improvisa muito bem”, refere. Mas é com o beatboxer profissional britânico que Tiago verdadeiramente se identifica. “É extremamente expressivo e mistura o beatbox com a teatralidade e a expressão, interage muito com o público e é muito criativo”, explica. Tiago considera que há muitos beatboxers bons a nível técnico e que é “uma área que tem crescido exponencialmente”, mas a maioria dos praticantes é “pouco expressiva”. “Não conseguem ser artistas versáteis, verdadeiros performers, e eu gosto de me considerar um performer mais do que só um beatboxer - o beatbox é uma ferramenta que eu uso para me exprimir artisticamente”, atira.

filipa queiroz

Tiago Grade veio para Macau trabalhar em comunicação. Na sua outra faceta de Rizumik, quer espalhar a arte do beatbox pelo território. Agora é uma questão de quando e onde

Arte do improviso

Parado na rua do Campo, em plena hora de ponta, Rizumik entoa sons e ritmos com a boca para a gente que passa. Quem fechar os olhos pensa que é um telemóvel a tocar a música de algum DJ ou uma bateria desgovernada. Dançando com gestos e postura de rapper, as reacções da gente que passa é ambígua. “Há pessoas que dizem ‘Ah! Uau! mal eu faço um ‘fssssstt’’, outras não ligam nenhuma, é o oito ou o oitenta”. Confirmamos. Mas não tiramos todo o crédito, afinal, falta o microfone. “Estou a tentar encontrar um sítio onde tenha condições para dar um concerto ou um ‘show case’, até uma acção de promoção de uma marca, para poder mostrar o meu trabalho ao público de Macau”, conta Tiago Grade, ou antes, Rizumik. “O nome [artístico] vem de uma palavra japonesa, ‘rizumik usoro’, que quer dizer ‘alma rítmica’. Sooume bem porque também pode ser associado às palavras riso e mic, de microfone, e eu gosto especialmente de nomes e da simbologia a que cada um está ligado.” Estará no sítio certo, então. Recém-chegado à RAEM para trabalhar na empresa De Ficção, ao abrigo do programa INOV Contacto

reproduz ritmos, sons e padrões rítmicos utilizando o aparelho vocal. O beatbox também pode ser chamado de percussão vocal”, define. Os sons reproduzidos por um podem ser semelhantes a vários instrumentos, ou mesmo aos efeitos produzidos pelos discos numa mesa de DJ, mas a bateria é aquele mais facilmente reconhecido. “Cada beatboxer tem o seu próprio kit de bateria e o mais fascinante são as possibilidades infinitas que a prática permite, variando com a estrutura física da pessoa, o estilo e até a cultura musical de cada um.” Popularizado nos Estados Unidos, na década de 60 e 70, e muito associado à cultura urbana, o público de um espectáculo de beatbox pode ser transversal, mas é essencialmente jovem. As redes sociais são hoje, provavelmente, o maior palco. O Rizumik tem blogue (rizumik.wordpress.com), uma página no Facebook

No currículo

De entre muitas colaborações, há uma que fala mais alto. O projecto aCorda, com a actriz e cantora Sara Belo, vencedor do prémio Jovens Criadores em 2008. Os dois fazem um espectáculo que concilia o canto com o beatboxing e a performance. De uma passagem de quase meio ano por Barcelona, em 2009, Tiago Grade recorda com entusiasmo o trabalho com Max Moya, percussionista da banda Ojos de Brujo, com quem gravou alguns temas para o novo álbum do artista, a ser lançado em breve. Também colaborações com Daniel da Lança, português a residir na

Na bagagem

Tiago toca percussão de mão, como a conga, cajón, djambé e bongós; já deu aulas de hip hop e

fez “umas coisas de teatro”, mas as artes cénicas não são a sua única vertente. Formado em Publicidade e Marketing pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, chegou a trabalhar como criativo em agências de publicidade e passou pela associação cultural urbana “Pensant Moviment Urbá”. Macau aparece através do programa de Estágios Internacionais para Jovens Quadros INOV Contacto, da AICEP. Por cá, Tiago trata da gestão das redes sociais, entre outras funções. “O que me levou a escolher a área foi a comunicação em si, sendo que a parte criativa sempre me despertou mais interesse. Já questionei por que o fiz, mas hoje penso que faz sentido ter esta formação e trabalho como segurança, mesmo que enverede por áreas. Apesar de hoje em dia a segurança a nível profissional ser um conceito muito vago”, explica o jovem lisboeta. Em busca de palcos que o acolham, Tiago espera ter oportunidade de mostrar a sua vertente artística em Macau. Recentemente participou numa sessão de improviso no bar Blue Frog, no casinoresort Venetian. O que é que se pode esperar do seu espectáculo? “São todos diferentes, mas gosto de interagir com o público, o que fez de Macau um grande desafio, já que a cultura é diferente e as pessoas não falam a mesma língua.” Do panorama asiático pouco ou nada conhece. “Tenho poucas referências e pelo que já percebi o beatbox é um terreno por explorar”, diz. Tiago confessa que, apesar do pouco tempo de território, já notou um “défice grande da área cultural”. “Há muito para ser explorado e sinto que o povo pode ter vontade de conhecer coisas novas.” Para já, na calha, existe um projecto “ainda não garantido” com o realizador português, a residir em Macau, António Faria, sobre ritmo e o ‘beatbox’. O futuro é uma incógnita, será feito de improviso. “Se depois houver oportunidades boas para ficar além do contrato que tenho de seis meses vou ter isso em conta. Nunca se sabe”. Os dados estão lançados.


A vender arte contemporânea como água

Mais vendas e mais público, num ano com menos galerias, é o saldo da 30.ª edição da ARCO, a Feira de Arte Contemporânea de Madrid. Os resultados representam a recuperação de um sector marcado por vários anos de crise, segundo galeristas e organizadores.A situação económica e os conflitos do ano passado entre organizadores, o Instituto Ferial de Madrid (IFEMA) e os galeristas faziam prever um ano de mudança na trajectória da ARCO, esta edição com um novo director, Carlos Urroz. A poucas horas da 30.ª edição fechar as portas, no domingo, Urroz fez um balanço muito positivo. “Vendeu-se mais que no ano passado, contactou-se com comissários internacionais e deu-se a conhecer novos artistas”, disse o director ao “El Mundo”, não adiantando porém quaisquer números.

Depois de 25 anos a reunir mapas, litografias e pinturas a óleo, a Galeria Wattis de Hong Kong traz ao Clube Militar uma colecção de 27 obras inéditas. Os trabalhos, de artistas chineses e europeus, datam a partir de 1595 e estendem-se até 1922. O mais barato custa 15 mil patacas. O mais caro 222 mil

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Redescobrir o que já lá vai de preservação mais cuidadoso”, explica Jonathan Wattis.

Os retratos de Laquam

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“Vista em Macau” de John Webber (1817)

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Arte | Galeria de HK traz obras inéditas de Macau há 400 anos

Vanessa Amaro

uando um pintor europeu debruçava-se a retratar Macau numa tela, o Clube Militar lá aparecia. É justamente nesse edifício neo-clássico, datado de 1870, que vai ser apresentada a exposição “Vistas Antigas de Macau e do Delta do Rio das Pérolas 1595-1922”, entre 28 de Fevereiro e 6 de Março, a reunir 27 obras que variam de mapas, fotografias a pinturas a óleo. Os trabalhos foram sendo reunidos ao longo de 25 anos pelos curadores Jonathan e Vicky Wattis, da Galeria Wattis de Hong Kong, e retratam caravelas no Porto Exterior, o Convento da Guia, o Templo de A-má, as tropas chinesas nas Portas do Cerco ou apontamentos dos costumes chineses da época. As obras mais baratas rondam as 15 mil patacas, com as mais caras – duas pinturas a óleo atribuída ao artista chinês Lamqua – a alcançarem as 222 mil patacas. “São verdadeiros achados, com grande valor histórico”, assinala Jonathan Wattis, que está confiante no sucesso da mostra no território. Já em 1993, 1994 e 1999 a galeria de Hong Kong trouxe trabalhos similares a Macau com resultados positivos. “Fomos sempre muito bem-sucedidos. Há um grande interesse em se redescobrir a Macau de antigamente”, acrescenta. Apesar de não ser a mais cara, a estrela da exposição é a obra de John Webber, de 1817, intitulada “Vista em Macau”. A tela

terça-feira 22.2.2011

“O mercador Hong” de Lamqua (1840)

Guan Qiaochang, mais conhecido como Laquam, foi um dos artistas precursores a seguir o estilo do inglês George Chinnery. Abriu um estúdio em Cantão atrás de uma série de fábricas estrangeiras antes de mudar-se para Hong Kong e estabelecer na antiga colónia britânica um dos primeiros espaços artísticos, por volta de 1840. Foi também nessa altura que pintou o par de telas que “De Stad Macao” de François Valentyn (1726) estarão agora à venda em Macau. “O mercador Hong” e a “Senhora chinesa” são uma mostra do estilo ocidental personagem apontadas para uma janela iluque Laquam passou a empregar nas suas minada – uma das marcas dos retratos ingleses obras. Nos quadros, é possível ver detalhes da autoria de Joshua Reynolds ou George de objectos como porcelana, bronze, um leque Chinnery, responsáveis pela introdução dessa ou um chapéu de mandarim com ambas as técnica entre os artistas chineses. pub

“Senhora chinesa” de Lamqua (1840)

encheu-se de cor quando Webber chegou ao território por acaso, depois da morte do capitão do seu barco, James Cook, semanas antes no Havai. No regresso à casa, em Inglaterra, o barco fez uma curta passagem pela baía de Macau, que serviu imediatamente de inspiração para o artista de serviço. Na pintura, vê-se a Fortaleza do Monte e a ainda intacta Igreja de São Paulo. Outros artistas do lote incluem Auguste Borget, Barthélémy Lauvergne e Edward Hildebrandt. Dois mapas de Macau do início do século XVII da autoria de François Valentyn também merecem destaque. Segundo os curadores, a tarefa de encontrar obras de Macau antiga em boas condições é “complicada”. “A qualidade é muito importante e como não era hábito se conservar este tipo de materiais, resta muito pouca coisa. É diferente de obras antigas de cidades como Londres ou Nova Iorque, que ao longo dos anos passaram por um processo


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O

comodismo dos próprios futebolistas e a escassa formação académica são outras razões apontadas para os jogadores serem conhecidos por fazerem muitas declarações, mas sem grande substância. E os jornalistas, muitas vezes autores de perguntas repetitivas e desinteressantes, também têm culpa. “Os jogadores podem não ser cultos, mas são espertos. E percebem que os tempos que correm não são para falar muito. Só dizem o que se quer ouvir. Isso não é uma questão exclusiva do futebol, mas de toda a sociedade portuguesa”, analisa ao jornal Público António Simões, antigo futebolista do Benfica, para quem actualmente há não só um “primado do politicamente correcto”, mas também “medo de falar”. Uma explicação quase unânime para as declarações dos futebolistas (que surgem hoje em muito maior quantidade) serem pouco profundas está relacionada com as regras impostas pelos clubes. Actualmente, só dão entrevistas com autorização do departamento de comunicação e quando marcam presença em conferências de imprensa, os assessores não hesitam em intervir se houver perguntas mais

desporto Futebol | Clubes limitam palavras dos jogadores

Aparecem muito, mas dizem pouco Os futebolistas são ídolos de milhões de adeptos. Gozam de uma grande visibilidade e falam muitas vezes, mas sabe-se muito pouco sobre o que verdadeiramente pensam. Até mesmo sobre como vêem o desporto em que estão inseridos. Porquê? Há várias explicações. A primeira é que os clubes impõem regras restritivas, baseadas no argumento de que os atletas devem concentrar-se no jogo

António Simões

abrangentes. Até mesmo as “zonas mistas”, espaço em que, após os jogos, os jornalistas podem questionar os jogadores, são agora muito mais condicionadas e normalmente apenas dois ou três futebolistas são autorizados a prestar declarações.

“Isto acontece devido à cultura desportiva instalada. Em Portugal, é o dirigente o protagonista e não o jogador de futebol”, aponta Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF). “Não estamos a fazer

mais do que as empresas e os partidos fizeram”, responde João Gabriel, director de comunicação do Benfica, para justificar o controlo apertado nos contactos entre jornalistas e jogadores. “O Benfica tem 30 páginas diárias na imprensa. Há dezenas de jornais, rádios e televisões que todos os dias falam de futebol e solicitam jogadores. Se não tivéssemos um controlo muito apertado, não era possível gerir isto e eles não faziam mais nada a não ser dar entrevistas.” O director de comunicação do Benfica dá mesmo o exemplo do que se passou no Real Madrid, no início dos anos 2000, quando alguns futebolistas (“Galácticos) faltavam a treinos por causa de compromissos publicitários. “Temos de conseguir um equilíbrio entre a

exposição que devem ter e a concentração necessária para jogarem futebol. Este equilíbrio ditou muito o sistema actual”, argumenta João Gabriel. Nuno Dias, director de comunicação do Sporting, responde de forma similar, argumentando que a “velocidade da informação nos dias de hoje e a proliferação de órgãos de comunicação social contribuíram, decisivamente, para essa realidade”, nomeadamente para o quase desaparecimento de entrevistas de fundo, em que era possível saber os que os futebolistas pensam sobre a modalidade em que estão inseridos e não só. Num desporto altamente mediatizado, os jogadores até falam muitas vezes. No FC Porto, por exemplo, os futebolistas já participaram

em 137 acções de comunicação (conferências de imprensa e flash-interviews) na presente temporada. A quantidade, no entanto, não só não é sinónimo de profundidade, como até pode funcionar como um obstáculo - o efeito novidade dissipa-se. Uma parte da culpa é atribuída aos jornalistas, que fazem quase sempre as mesmas perguntas, o que torna inevitáveis as respostas repetitivas. A outra cabe aos próprios futebolistas. “Não é só por os clubes quererem que eles fiquem pelo trivial que as declarações dos jogadores são uma tristeza”, acusa António Simões. “Os futebolistas também estão confortáveis por não terem de divulgar a opinião própria e independente. É a lei do menor esforço.”

Equipa da Amadora vai ser vendida em hasta pública

Guatemala | Vice-Presidente assassinado

Estrela em leilão

Não ganhas, morres

O

plano de recuperação do Estrela da Amadora foi chumbado pelos credores, pelo que o Tribunal do Comércio de Sintra determinou a liquidação do clube, cujo património será colocado em hasta pública para venda. Em despacho de 8 de Fevereiro, a que agência Lusa teve acesso, a juíza Rute Lopes concluiu “que não se mostra aprovado o plano de insolvência” por não terem sido reunidos os votos de dois terços exigidos por lei do valor total dos créditos reclamados pelos credores. “Após o trânsito desta

decisão, deverá iniciar-se a liquidação dos bens”, sublinhou a juíza, notando que o plano apresentado na assembleia de credores de 24 de Fevereiro, que preconizava a criação de uma sociedade anónima (SAD) para o futebol com capital social de um milhão de euros, apenas recebeu votos de valor “inferior a 2/3” dos créditos. Acrescenta Rute Lopes que “na votação foram emitidos votos correspondentes ao valor de 36.761.473 euros, sendo que 2/3 deste valor se refere a 24.507.648 euros e votaram favoravelmente

créditos cujo valor ascende a 20.289.171 euros”. Entre os credores que se pronunciaram favoravelmente e que foram confrontados com a inviabilização do plano por reduzida margem encontra-se a Segurança Social, que reclama mais de 2,5 milhões de euros. O despacho menciona ainda que “votaram contra o plano” credores que representam “16.472.301 euros” da massa insolvente, entre os quais figura o Fisco, que detinha cerca de 34 por cento dos votos do universo dos credores, correspondendo a mais de 12,5 milhões de euros de créditos.

C

arlos Noe Gomez, vice-presidente do Deportivo Xinabajul, clube de futebol da Guatemala, foi morto depois de receber várias ameaças por causa dos maus resultados da equipa de futebol. Carlos Noe Gomez, vice do clube Deportivo Xinabajul, foi morto

a tiro, segundo explica um responsável da polícia, por dois homens que o esperavam à saída de uma reunião da equipa técnica. Em causa estariam os maus resultados da equipa que ocupa o fundo da tabela classificativa do campeonato nacional da Guatemala. A polícia estará agora a investigar as ameaças recebidas pelo dirigente durante as últimas semanas, para tentar apurar responsabilidades. O porta-voz nacional da polícia Guatemala, Donald Gonzalez, afirmou que o responsável do clube foi atacado na última sexta-feira, estando agora a ser conduzida uma “séria e profunda” investigação para apurar os responsáveis pelo crime. Anteriormente, em Novembro de 2010, também um jogador (Carlos Mercedes Vasquez) de um clube da primeira divisão guatemalteca (Malacateco), tinha sido raptado e encontrado morto na sequência desse episódio.


[f]utilidades Cineteatro | PUB

[ ] Cinema

Sala 1

Sala 3

(Falado em cantonense) Um filme de: Chung Shu Kai, Eric Tsang Com: Tony Leung, Sandra Ng, Eric Tsang 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

(Falado em putonghua/cantonense, legendado em chinês e inglês) Um filme de: Benny Chang Com: Andy Lau, Nicholas Tse, Jackie Chan 14.30, 21.15

I love hong kong [B] Preço: Mop50.00

SALA 3

Um filme de: Clint Eastwood Com: Matt Damon, Cecile De France 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

(Falado em cantonense) Um filme de: Byron Howard, Nathan Greno Com: Mandy Moore, Donna Murphy, Zachary Levi 17.00, 19.30

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-OGEA. PIRAME. 2-XARAFIM. GEL. 3-ALALIA. ERVA. 4-LAS. GUEDE. R. 5-MN. CUERUDO. 6-ATESAR. ACIMO. 7-ESSES. TREM. 8-PATATIVO. NI. 9-ADULADO.ETC. 10-RODA. ACOCAR. 11-IRARA. EBULO. VERTICAIS: 1-OXALMA. PARI. 2-GALANTEADOR. 3-ERAS. ESTUDA. 4-AAL. CASALAR. 5-FIGURETA. 6-PIAUE.SIDA. 7-IM. ERO. VOCE. 8-R. EDUCTO. OB. 9-AGREDIR. ECU. 10MEV. OMENTAL. 11-ELAR. OMICRO.

solução do problema do dia anterior

Su doku [ ] Cruzadas

Verticais: 1-Salmoira azeda. Prefixo, igual, par. 2-Que ou aquele que galanteia. 3-Séries de anos. Planea com estudo. 4-Associação Académica de Lisboa. Acasalar, emparelhar. 5-Pequena figura; figurilha. 6-Tecido de algodão atravessado de certos séries de pontos muito apertados para diminuirem a espessura. Género de plantas malváceas. 7-Prefixo, em vez de in. Herdade dividida por marcos. Tipo de dicção. 8-Deduzido, Ou, 9-Fazer agressão contra. Unidade monetária que foi substituida. 10-Megaelectrãovoltio. Relativo ao oumento ou epíploo. 11-Prender-se com elos, segurar-se com as gavinhas. Letra “o”, em grego.

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição

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Tangled [a] Preço: Mop50.00

HORIZONTAIS: 1-Ave de rapina. Pirâmide. 2-Xerafim. Massa gelatinosa obtida a partir de soluções coloidais. 3-Parlista dos órgãos da voz. Plantas de pasto ou forragem. 4-Plural de la. Espécie de pequena embarcação. 5-Símbolo químico de manganés. Que sofre cuera. 6-Avivar. O mesmo que manjericão. 7-Biscoitos em forma de S. Mobílias de uma casa. 8-Patativa. Símbolo químico de níquel. 9-Objecto de adulação. De et-caetera. 10-Grupo de pessoas que formam círculo. Amimar muito a criança. 11-Mamífero mustelídeo do Norte, também chamado aiera. Planta herbácea., engos.

REGRAS |

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shaolin [c] Preço: Mop50.00

SALA 2

Hereafter [b] Preço: Mop50.00

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[Tele]visão www.macaucabletv.com

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STAR WORLD 63 13:00 Gary Unmarried 13:50 America’s Next Top Model 14:45 Accidentally On Purpose 15:00 How I Met Your Mother 15:35 Ugly Betty 16:25 Grey’s Anatomy 17:00 Bachelorette 18:00 Australia’s Next Top Model 19:00 How I Met Your Mother 19:30 Gary Unmarried 20:00 Parenthood 20:55 Glee - The Rocky Hprrpr Glee Show 21:50 Bachelorette 22:45 America’s Next Top Model 23:40 Desperate Housewives 00:35 Parenthood - Date Night

Informação Macau Cable TV


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opinião

Programa para um ano de crise Inês Pedrosa In Expresso

N

a Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, mulheres e homens das mais variadas idades encontram-se ao cair da noite para aprender a dançar. As aulas, excelentes, custam apenas um euro por dia, para quem tenha a persistência de rodopiar diariamente e queira aprender uma dança diferente em cada mês: jive, valsa inglesa, valsa vienense, rumba, samba, tango, cha-cha-cha, paso doble, slow fox e quick step. Quando chegam os alunos da primeira hora, saem os dançarinos das matinés dançantes que ali existem todas as tardes, das três às sete - gente que se reformou do trabalho mas não da alegria de viver. Há mais mulheres do que homens com vontade de aprender a dançar. Pelo menos nos Alunos de Apolo. Mas nunca falta par, porque há um valoroso conjunto de homens dos níveis mais elevados que se disponibiliza a aparecer pelas aulas dos principiantes para se deixar pisar até que as novatas consigam fixar os passos.

ca r t o o n por Steff

Ali, naquela hora, ninguém quer demonstrar nada, nem chegar a lado algum - não há egos lustrosos nem feitos imponentes, apenas ritmos. Enquanto os professores corrigem cada passo em falso e cada movimento trôpego, os parceiros sapientes segredam às tropeçantes: “deixe-se levar pela música que o resto vem depois”. O resto virá depois, sim, desde que saibamos escutar a música, entrar no tempo. A crise que vivemos resulta do oposto desta atitude: querermos acelerar o tempo, dominar a música, abafá-la, tomá-la toda para nós. Essa é uma das coisas que se aprendem num filme que só aparentemente é sobre dança - “Cisne Negro”, candidato a mais Óscares do que os que mereceria, se tomasse alguma distância sobre a loucura da perfeição em que se compromete. A competição desenfreada conduziu o mundo ao impasse em que estamos hoje. É tempo de percebermos que o remédio está na antítese do veneno - pararmos de correr e encontrarmos tempo para, simplesmente, dançar. A conversa da angústia sobre o futuro é velha e mata as novas gerações. Há trinta

A pouco e pouco, perde-se aquele instinto de frustração que nos leva, tantas vezes, a desrespeitar os outros utilizando-os, fustigando-os, ou tentando frustemente caçar-lhes o lugar, numa fila dos Correios ou numa qualquer empresa. O mais urgente programa anticrise parece-me esse: gozar cada dia devagar, com o mínimo de possível de custos

o próximo fogo de artifício

anos o telemóvel, a Internet e as redes sociais que entretanto criaram empresas e fortunas eram impensáveis - por conseguinte, que valor têm os augúrios de desgraça para os nossos filhos e netos? A nova geração precisa desesperadamente de incentivo - e sobretudo calma. O direito ao sonho parece arredado da cartilha dos mais novos, tanta é a ansiedade dos pais sobre o seu sucesso futuro. Einstein chumbou a Humanidades na entrada para a Universidade e Bill Gates abandonou o curso no 3º ano para se dedicar aos computadores. Estudar é importante, desde que se tenha paixão por aquilo que se estuda. Conheço jovens que estiolam a estudar Gestão quando gostam de Artes, porque têm medo de não poder sustentar-se. E sei que ninguém pode ser um bom gestor se não tiver amor pela gestão. Sei que a felicidade começa sempre pelo amor. Não me atreveria a dizer que sei mais nada - mas quando se teve a sorte de aprender na infância que é importante ter sonhos e lutar para os tornar realidade, sabe-se isto. Essa sorte é hoje interditada aos meninos que são obrigados a aprender chinês ou a correr de explicação em explicação para serem os melhores da turma, os mais hábeis sobreviventes, os mais competitivos. A crise fundamental é a de ideias: os sistemas económicos tradicionais estoiraram, e não se adivinha ainda o que poderá vir substituí-los. Seria mais fácil adivinhar se tivéssemos tempo para pensar. Tempo livre - para ler, viver, e sobretudo pensar. Deveríamos fazer da filosofia o centro dos currículos escolares, desde o primeiro ano de ensino - em vez de fazermos precisamente o contrário, como calamitosamente temos feito. Os jardins são gratuitos. Os museus, aos domingos, também. Como são gratuitas as bibliotecas - e há-as hoje pelo país inteiro, disponibilizando, além de livros e revistas, músicas e filmes. Um bilhete para os fabulosos filmes que a Cinemateca exibe custa menos de metade de um bilhete de cinema normal. Quando se passa uma manhã de sol, mesmo no Inverno, lendo estiradamente na relva, o cérebro acendese e a alegria renasce. A pouco e pouco, perde-se aquele instinto de frustração que nos leva, tantas vezes, a desrespeitar os outros - utilizando-os, fustigando-os, ou tentando frustemente caçar-lhes o lugar, numa fila dos Correios ou numa qualquer empresa. O mais urgente programa anticrise parece-me esse: gozar cada dia devagar, com o mínimo de possível de custos. E pensar como quem dança, sem olhar para o par do lado nem pretender mais do que o prazer de rodopiar ao som da música.


Todos nós temos potencialidades desconhecidas que apenas esperam um , um incentivo para se desenvolverem. Padre Manuel teixeira [1912-2003]

objectivo

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15 à f l or d a p el e Helder Fernando

Os especuladores imobiliários também amam Macau! I Ei-los que voltam - se é que alguma vez deixam de estar arrogantemente presentes - todos pimpões, donos de tudo, os especuladores imobiliários e respectivos patos bravos para todo o serviço. Ninguém os segura. Os preços por metro quadrado aumentaram dezenas por cento nos últimos meses. O mesmo acontece nas rendas. Sobem imparavelmente as ambições vampirescas. Em função da tendência do mercado? Que tipos e que variantes de tendência, provocados como, quando, a que ritmo e porquê? Os valores destes aumentos são calculados com que base? Os coeficientes são económicos, políticos, são o quê? Não poderá haver regulamentação oficial um pouquinho, apenas, a favor dos inquilinos? O que impede? Não será, provavelmente, o receio de os proprietários, coitados, irem à falência, por sugarem um bocadinho menos. Que regime de arrendamento urbano é este? Toda a gente sabe que grossa parte (mesmo grossa) das figuras influentes da região, de algum modo fazem parte do famoso sector imobiliário. Como garantidamente essas personalidades, também declaradamente por patriotismo, amam Macau, amam os terrenos e tudo o mais que é bom, por certo que amam também as pessoas que aqui vivem, compatriotas, conterrâneos e todas as pessoas em geral - que Macau é terra de boas gentes! Por isso, podemos estar certos de que, através das suas grandes influências, directas e indirectas, desta vez vão imediatamente dar instruções às suas empresas, aos seus directores, chefes de serviços, administradores, para travarem, para não tomarem medidas contra os habitantes de Macau que eles tanto amam e querem ver sempre feliz e harmoniosa. Esses senhores importantes, poderosos, influentes, dirigentes associativos de associações também poderosas e influentes,

Custa acreditar que saibam correctamente o que se passa neste lado desumano da RAEM. Então, façam um pequeno esforço, obriguem os assessores a assessorarem realmente, será para isso que melhor servirão os senhores e a sociedade. Ao mesmo tempo, exijam, a quem por distribuição de competências trata ou devia tratar destas questões directamente relacionadas com a vida de centenas de milhar de pessoas que vivem nesta terra amiga, informações verdadeiras e completas. Não esqueçam, Macau apresenta-se como sendo portadora da “diferença” que outras não têm. Deseja-se diferença para melhor, naturalmente.

A tutela oficial tem conhecimento perfeito de como são colocadas à venda ou para alugar muitas e muitas habitações locais? Custa acreditar que saibam correctamente o que se passa neste lado desumano da RAEM. Então, façam um pequeno esforço, obriguem os assessores a assessorarem realmente, será para isso que melhor servirão os senhores e a sociedade. Ao mesmo tempo, exijam, a quem por distribuição de competências trata ou devia tratar destas questões directamente relacionadas com a vida de centenas de milhar de pessoas que vivem nesta terra amiga, informações verdadeiras e completas administradores de vários impérios, políticos, ex-políticos, gente respeitadíssima e medalhada, década após década, governo após governo, por reconhecidos méritos, incluindo méritos beneméritos, esses senhores - e algumas senhoras - não irão permitir, não irão fomentar, não irão praticar nenhum atentado contra a felicidade e harmonia das gentes de Macau. Com toda a certeza que esses ilustres não pretendem que os seus concidadãos andem ciclicamente com a vida feita em cacos, com as coisas pessoais às costas, obrigados pelos vampiros a mudar constantemente de casa, a ter de pagar adiantadamente 3, 4 e mais rendas mensais para sustentar as chamadas “agências imobiliárias” que também vão funcionando a seu belo prazer e, quantas

vezes, sem conhecerem a pobre lei em vigor em Macau. II Não tem de haver suporte moral quando se fala, por exemplo, em questões de habitação? Não deverá haver real e praticada obrigatoriedade de os proprietários apresentarem aos arrendatários ou compradores, habitações em condições de um ser humano com hábitos de civismo comprar ou arrendar? Ou andamos enganados e “o desenvolvimento harmonioso” existe somente na banalidade dos discursos e apenas para uma elite privilegiada? A tutela oficial tem conhecimento perfeito de como são colocadas à venda ou para alugar muitas e muitas habitações locais?

III Derrubadas as barracas de madeira e zinco na zona do Fai Chi Kei, o governo diz que vai “acabar a concretização do projecto de reconstrução de habitação pública”. Segundo a notícia posta a circular pelo Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, quando um dia forem construídos, serão dois prédios de 29 andares. Ao todo, 558 fracções com apenas 1 sala e 1 quarto; 129 com 2 quartos; e 50 fracções com 3 quartos. Para o bem das gentes de Macau, as autoridades decidiram mandar destruir o bairro social do Fai Chi Kei encomendado por anterior governo e inaugurado em 1981, com a a alegre presença e aplauso de algumas figuras que ainda hoje são importantes e influentes. Anunciando-se este actual derrube, foram esquecidas petições na internet, prémios internacionais anteriormente recebidos pela categoria da mencionada urbanização, e até a opinião de arquitectos locais que consideram o mencionado bairro social do Fai Chi Kei “a mais importante obra de habitação social do território”. Não se trata de transformar a cidade e as “ilhas” num imenso bairro social. Trata-se de humanismo, de noção real do que é uma sociedade harmoniosa e feliz, do que é razoável qualidade de vida. Trata-se de não jogar a vida das classes médias na mão de vampiros sem escrúpulos, amando, isso sim, o lucro fácil, rápido, desumano e imerecido.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção António Falcão; Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Kahon Chan; Rodrigo de Matos Colaboradores Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Andam a discutir o salário mínimo! Proibida de engravidar do namorado morto Uma mulher que perdeu o namorado quis engravidar, mas os pais dele opuseram-se. O caso foi o primeiro do género a chegar ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida de Portugal (CNPMA). Seria apenas mais um casal com problemas de infertilidade que se ia submeter a um tratamento de procriação medicamente assistida, se o companheiro não tivesse morrido num acidente antes de o processo estar concluído. Apesar da morte do parceiro, a mulher quis engravidar, mas o CNPMA não autorizou. Os “sogros” comunicaram à clínica que se opunham à ideia, uma vez que discordavam de ter um neto de um filho morto. Foi a clínica em causa que pediu o parecer ao CNPMA para saber o que fazer. Itália CR desmente relação com Ruby Cristiano Ronaldo desmentiu, em comunicado, ter tido relações com Karima El Mahroud, a modelo conhecida como “Ruby rouba corações”, a quem o primeiro-ministro italiano terá alegadamente pago em troca de favores sexuais. “Alguns órgãos de comunicação social internacionais referem que eu teria tido relações sexuais com Karima El Mahroud, personagem central de um escândalo sexual em que está envolvido o primeiro-ministro italiano, mediante o pagamento de uma contrapartida e com conhecimento da sua menoridade”, diz o jogador em comunicado. “Sou vítima, uma vez mais, de jornalismo lamacento e infame. Como em ocasiões anteriores, não terei contemplações para os que envolvem o meu nome em histórias sórdidas, sem o mínimo respeito pela dignidade alheia e pelas regras da profissão”, refere ainda. Tabaco Já não se pode fumar em casa Em Portugal, nem patrões nem empregadas domésticas podem fumar nas casas particulares durante o horário de trabalho. Apesar de esta questão específica não estar expressa na Lei do Tabaco, em vigor desde há três anos, é este o entendimento que dela resulta. A questão saltou para a ordem do dia depois de um grupo de peritos nomeados pelo Governo espanhol para acompanhar a lei ali em vigor ter emitido um parecer recente que vai no mesmo sentido. A nova Lei do Tabaco espanhola, em vigor desde 2 de Janeiro, alargou a proibição de fumar a todas as empresas e locais fechados e o trabalho doméstico, diz o Observatório para o Acompanhamento da Lei do Tabaco, não é excepção.

Ui, isso é questionado...

... há uma

década

!!!

Criança sobrevive a abutre, fotógrafo morre de dor

A última foto de Carter

K

evin Carter disparou, em 1993, no Sudão, a foto que lhe viria a custar a vida, paradoxalmente, eternizando o fotógrafo sul-africano na galeria dos maiores repórteres fotográficos de sempre, com um “frame” icónico, um retrato de uma tragédia que não precisa de uma sílaba sequer. Quando fotografou aquela cena, em Ayod, no Sudão, em 1993, Kavin Carter terá visto, como quase toda a gente, na imagem de um abutre postado atrás de uma criança desnutrida, a metáfora perfeita para a fome que grassava, e matava, no Sudão. Disparou e pouco depois entrou no avião. O New York Times publicou a foto, que em 1994 viria a ganhar o prestigiado prémio Pulitzer. Kevin Carter não suportou a glória de uma imagem que lhe recordaria a sua própria mortalidade, a sua própria face humana, que naquela tarde de 1993, no Sudão, se deixou dominar pelo brio profissional de capturar a imagem que melhor demonstrasse a tragédia que varria o Sudão. Conseguiu-o. O mundo viu, nessa foto, a morte e a fome, a morte pela fome. A opinião pública apressou-se a julgar e a condenar sumariamente a alegada frieza com que teria agido Kevin Carter, considerando que o fotógrafo poderia, e deveria, ter feito alguma coisa para salvar a criança. Kevin sentiu o mesmo e foi essa dor que o levou a pôr termo à própria vida, incapaz de suportar a ideia de não ter ajudado a salvar uma vida.

O mundo viu, nessa foto, a morte e a fome, a morte pela fome. A opinião pública apressou-se a julgar e a condenar sumariamente a alegada frieza com que teria agido Kevin Carter A história seguinte de Carter é a de uma talvez infundada má consciência que o atirou para um consumo compulsivo de drogas, segundo o relato de dois amigos, Greg Marinovich e João Silva que, juntamente com o próprio Kevin e Ken Oosterbroek constituíram o famoso “Bang Bang Club”, um grupo de fotógrafos baseados em Joanesburgo que revelaram ao mundo a brutalidade do apartheid sul africano. Afinal, sabe-se agora, não precisava de ajudar aquela criança, que estava a ser ajudada pela ONU. Conta o El Mundo, que a própria imagem ajuda a contar a história desconhecida, até agora, de Kong Nyong, a criança que escapou ao abutre e fintou a fome e a

vida de Kevin Carter. Na mão direita da criança vê-se uma pulseira de plástico da ajuda alimentar da ONU. Ampliando a foto, pode ver-se inscrita a sigla “T3”. “Usavam-se duas letras: “T” para a malnutrição severa e “S” para os que só necessitavam de alimentação suplementar. O número indica a ordem de chegada ao centro alimentar”, contou Florence Mourin, que coordenava os trabalhos naquela campo improvisado de ajuda alimentar. Feita explicação, a história, embora dura, parece mais linear: Kong Nyong sofria de malnutrição severa, foi o terceiro a chegar àquele centro e estava a receber ajuda. Sobreviveu à fome e evitou o abutre. Segundo o pai, morreu há quatro anos, em 2006, jovem adulto, vítima “de febres”, não de fome. Kevin Carter é que já não está cá para testemunhar esta descoberta dos repórteres do El Mundo.

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terça-feira 22.2.2011 www.hojemacau.com.mo

Egipto Jornalista despida e chicoteada Lara Logan foi espancada e alvo de agressões de teor sexual na noite em que o Egipto festejava a queda de Hosni Mubarak. A imprensa internacional tem vindo a revelar mais detalhes do ataque à, repórter do programa “60 Minutos” da CBS News. Na noite em que no Cairo se celebrava a saída do presidente e ditador egípcio, Hosni Mubarak, a jornalista norte-americana, experiente correspondente internacional da CBS, foi separada dos seus seguranças e rodeada por um grupo de 200 homens, na Praça Tahrir. A repórter foi despida, esmurrada, esbofeteada e ainda chicoteada com as varas das bandeiras empunhadas por manifestantes. De acordo com o Daily Mail, partes sensíveis do corpo de Lara Logan estavam cobertas de marcas vermelhas, que se pensava serem dentadas mas era afinal unhadas muito agressivas. Enquanto atacavam Logan, os agressores gritavam “espia”, “Israel” e “judia”.


Hoje Macau 22 FEV 2011 #2313