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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEXTA-FEIRA 22 DE JANEIRO DE 2021 • ANO XX • Nº 4695

hojemacau ANOS

VIVA MACAU

SEM AUDIÇÃO

ANIMA

COFRES VAZIOS TIAGO ALCÂNTARA

PÁGINA 9

Voto por um canudo

AMOR À PÁTRIA

IDA À BASE ÚLTIMA

PUB.

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

PÁGINAS 4-5

Nem todos os portugueses no estrangeiro vão ter facilidade para exercer o direito de voto como os que vivem em Macau. O HM ouviu portugueses que residem em Itália, Reino Unido, Brasil, Finlândia e Suécia e nenhum vai votar devido às dificuldades originadas pela pandemia, mas todos lamentam a ausência de voto por correspondência na eleição para Presidente da República. GRANDE PLANO

DETECTADO CASO DE COVID-19 NO VOO VINDO DE TÓQUIO

ÚLTIMA


2 grande plano

22.1.2021 sexta-feira

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

DISTANCIA DE ˆ

Nestas eleições para as presidenciais portuguesas aumentaram as mesas de voto no estrangeiro, mas em diferentes partes do mundo há quem enfrente dificuldades – burocráticas, geográficas e de prevenção – que comprometem o exercício do direito. O HM ouviu portugueses no estrangeiro, nenhum irá votar, mas, quase todos, concordam que o voto por correspondência devia ser uma opção

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S cidadãos portugueses que residem fora de Portugal e estão recenseados no local onde vivem podem exercer o seu direito de voto na eleição para a Presidência da República amanhã e domingo. Em Macau, os eleitores podem votar nas instalações do Consulado Geral de Portugal, entre as 8h e as 19h. Este ano, a eleição no estrangeiro conta com cerca de 170 mesas de voto em 150 serviços consulares, um aumento de quase 30 por cento comparativamente ao número de mesas de voto em 2016, comunicaram os dos Negócios Estrangeiros, da Defesa Nacional e da Administração Interna. Em contexto de pandemia, a Comissão Nacional de Eleições lançou uma campanha de esclarecimento cívico baseado na mensagem “votar é seguro”, que inclui recomendações para desinfetar as mãos, respeitar o distanciamento e usar sempre máscara. Mas, apesar dos esforços desenvolvidos, há eleitores no estrangeiro que continuam a enfrentar entraves a colocarem o voto na urna. Os portugueses que residem em Hong Kong ficam impedidos de votar por causa das restrições fronteiriças, a menos que se sujeitassem às quarentenas exigidas para a viagem em cada um dos sentidos. “Em Hong Kong não haverá mesas de voto. Infelizmente, os portugueses residentes em Hong Kong não terão hipótese de votar para as presidenciais, uma vez que o voto é apenas presencial”, explicou anteriormente o Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. Ao contrário das eleições legislativas, nas presidenciais o voto tem de ser presencial, ficando excluída a via postal. O Consulado explicou ao HM que até hoje a questão do voto por correspondência para as presidenciais não foi objecto de legislação na Assembleia da República. Os eleitores que residem actualmente em Hong Kong correspondem a cerca de 10 por cento do total de eleitores dos cadernos eleitorais de Macau, dos quais fazem parte mais de 70 mil cidadãos. Mas ape-

PANDEMIA COLOCA ENTRAVES AO VOTO NO ESTRANGEIRO

sar da sua representatividade, não se espera uma menor afluência às urnas. “Os eleitores de Hong Kong não serão muitos e, no passado, nunca votaram em grande número aqui em Macau. Logo, julgamos que a afluência total não será muito afectada”, respondeu o Consulado.

CONTA-QUILÓMETROS

O universo de dificuldades extravasa as restrições fronteiriças.

No caso de Bruno Madeira, é “principalmente por uma questão logística” que não vai votar. O português vive há seis anos em Turku, na Finlândia, a cerca de 170 quilómetros da capital do país. Entre um Inverno rigoroso, seria necessário percorrer mais de 300 quilómetros num só dia para votar. Mas a pandemia também não incentiva a deslocações. “A situação na Finlândia não é grave

como em muitos sítios, como em muitos países, mas a nível pessoal tento não usar transportes públicos, não me deslocar se não [for] absolutamente necessário”, descreveu ao HM. Outro elemento que teve em conta foi a existência de um cenário eleitoral em que “todos sabemos quem irá ganhar”. Recorde-se que várias sondagens têm apontado o actual Presidente


grande plano 3

sexta-feira 22.1.2021

E SEGURANCA da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como vencedor das eleições. Apesar de não ser o candidato das suas cores políticas, Bruno Madeira considera que Marcelo “tem feito um bom trabalho” e é uma “boa figura política”, descrevendo-o como “um tipo fixe”. “Desse ponto de vista, a necessidade de votar, de mudar quem se senta naquela cadeira, também não vejo como essencial neste momento”, declarou. O cidadão português não recebeu recomendações da embaixada sobre as eleições, apesar de, até há alguns meses, existir bastante comunicação, por exemplo sobre a deslocação da equipa de voleibol feminino júnior à Finlândia para disputar um torneio. “Sobre as votações presidenciais do nosso país, paradoxalmente, não recebi nenhum email, absolutamente nada”, notou. No entender de Bruno Madeira, em contexto de pandemia as pessoas evitam deslocar-se e a situação poderia ter sido “um bocado mais prática, mais directa a nível de decisão política” caso fosse permitido votar por correspondência ou online, nomeadamente para quem reside mais longe das mesas de voto. “Esta escolha de votar presencialmente, hoje em dia, não é muito positiva”, rematou. A geografia também coloca desafios a Catarina Dias, que vive em Milão. “Infelizmente, se não houver alteração do preço dos comboios, não vou votar.

“Os eleitores de Hong Kong não serão muitos e, no passado, nunca votaram em grande número aqui em Macau. Logo, julgamos que a afluência total não será muito afectada.” CONSULADO GERAL DE PORTUGAL EM MACAU E HONG KONG

Num ano economicamente difícil não posso suportar o custo da viagem de ida e volta a Roma de comboio e, devido ao covid, não posso colocar a opção de ir de carro com outras pessoas e dividir a viagem”, observou a fisioterapeuta. A página electrónica da Embaixada de Portugal em Itália explica que está proibida a circulação entre todas as regiões italianas, com algumas exceções, nomeadamente por motivos de trabalho. Dadas as restrições de circulação em vigor no país, os eleitores que pretendam deslocar-se à Embaixada deverão ter consigo uma declaração preenchida e assinada para apresentar às autoridades, apontando a necessidade de participar nas eleições. Catarina Dias reflecte que o voto presencial se torna “bastante

complicado” numa altura marcada por restrições de movimentos e em que “mais do que nunca” há quem não consiga suportar os custos de uma viagem longa. “Sem dúvida alguma que optaria por votar por correspondência se existisse essa opção”, respondeu.

SAÚDE EM PRIMEIRO

Com uma situação em Estocolmo, que descreve como sendo “muito complicada”, Sílvia Sardeira vai optar pela prevenção. “Não queremos correr riscos. Temos uma bebé em casa e não queremos ficar doentes”, explicou. A produtora de eventos culturais vive há dez anos na capital sueca e, actualmente, evita andar de transportes públicos por causa da pandemia. Uma ida à embaixada implicaria deslocar-se ao centro da cidade, “exactamente onde há mais pessoas e todas as linhas de transportes se cruzam”. Um percurso que não é isento de riscos. “Teria de ir de metro, vivemos na última estação de uma das linhas, portanto seria bastante tempo, mais de 40 minutos no

“Não queremos correr riscos. Temos uma bebé em casa e não queremos ficar doentes.” SÍLVIA SARDEIRA ESTOCOLMO

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“Acho que a opção de voto postal deveria estar sempre disponível, em particular para as comunidades residentes no estrangeiro.” JOÃO VILAS-BOAS LONDRES

metro, e trocar de linha, trocar de metro. É complicado”, descreveu.

PERCURSO BUROCRÁTICO

Nem todos os emigrantes actualizam o cartão de cidadão a saída do país ou mesmo mudanças de residência efectuadas já no exterior, mantendo no documento de identificação outras moradas. Maria Inês Carreira indicou ao HM que não existem restrições no Brasil, onde vive, e poderia votar. Mas a burocracia atravessou-se no caminho das eleições. “Sou residente no Brasil já há alguns anos, só que nunca mudei o meu endereço no cartão de cidadão. Tentei mudar agora quando estive em Portugal no Verão, mas não consegui justamente por causa das restrições do covid-19”, esclareceu. A sua morada fiscal continua a ser a casa dos pais, pelo que é considerada eleitora do outro lado do Atlântico. Na Europa acontecem casos semelhanças. Andreia Baldé não está registada no Consulado português em Londres, já que trata dos assuntos

ESTRANGEIRO “AUMENTO SIGNIFICATIVO” NA VOTAÇÃO ANTECIPADA

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ADOS preliminares mostram que a votação antecipada para a eleição do Presidente da República contou com a participação de cerca de 5.400 cidadão. A informação foi avançada num comunicado conjunto dos ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Defesa Nacional e da Administração Interna. A votação decorreu entre os

dias 12 e 14 de Janeiro, em 115 postos da rede consular portuguesa distribuídos por 73 países. Mais de 400 votos corresponderam a forças militares e de segurança destacadas pelo mundo, incluindo no Afeganistão. Em Macau votaram antecipadamente 24 cidadãos. “Assinala-se um aumento significativo do número de cidadãos que exerceram o

voto antecipado no estrangeiro, comparativamente com os dados verificados nos últimos actos eleitorais, designadamente para o Parlamento Europeu (844) e Assembleia da República (4413), ambos em 2019”, diz a nota. Recorde-se que o voto antecipado no estrangeiro se destinava aos cidadãos recenseados em território nacional mas temporariamente deslocados

no estrangeiro, por exemplo, enquanto estudantes ou docentes em instituições de ensino superior. Por outro lado, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) recordou que quem se inscreveu para o voto antecipado e não exerceu esse direito de voto pode fazê-lo este fim de semana, sem precisar de apresentar justificações.

burocráticos em Portugal, apontando dificuldades de aceder à representação diplomática na cidade britânica, bem como “falta de organização e informação”. Não vai votar, mas revela que se o fizesse a cruz seria em frente ao nome de Marcelo Rebelo de Sousa. “É o único que pode dar a Portugal o que [o país] precisa neste momento. Um presidente que transmite confiança e é um presidente do povo”, disse, elogiando o trabalho do chefe de Estado nos últimos cinco anos. Também no Reino Unido, João Vilas-Boas apontou como entraves à votação o facto de ter mudado de casa e o consulado requerer a actualização do cartão de cidadão, aliado à necessidade de voto presencial. “Não me parece de todo lógico num ano de pandemia”, lançou. O português não acredita que o Estado português adopte mudanças para simplificar e desburocratizar os procedimentos depois da situação que se vive. “Acho que a opção de voto postal deveria estar sempre disponível, em particular para as comunidades residentes no estrangeiro”, defendeu. “Os consulados portugueses são muito ineficientes, onde tudo é moroso e burocrático, em particular o de Londres. Não faz sentido que para algo tão simples como mudar de casa implique a perda de contacto com o consulado, e com isso o direito ao voto”, acrescentou João Vilas-Boas. Hoje Macau

info@hojemacau.com.mo


4 assembleia legislativa

22.1.2021 sexta-feira

Benefícios fiscais Aprovada lei destinada a empresas da área da tecnologia

Foi aprovada ontem, na especialidade, o “Regime de benefícios fiscais para as empresas que exerçam actividades de inovação científica e tecnológica”, num debate marcado por questões relacionadas com a tipologia das empresas beneficiárias e critérios adoptados pelo Governo. O secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, garantiu a transparência do processo. “Não vamos divulgar o nome das empresas, mas vamos publicar as estatísticas. Caberá à comissão de avaliação a aprovação e apreciação dos pedidos”, adiantou.

DIREITOS LABORAIS REJEITADO RECURSO DE SULU SOU

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RÓMULO SANTOS

hemiciclo rejeitou ontem, por uma larga maioria, o recurso apresentado por Sulu Sou contra a rejeição, por parte da Mesa da Assembleia Legislativa (AL), do projecto de lei das “Garantias da participação dos trabalhadores em associações laborais” apresentado a 14 de Agosto. A proposta visava “conceder algumas garantias às associações e aos seus membros, evitando que sejam discriminados ou mesmo reprimidos pelos empregadores por exercerem tais direitos”, numa altura em que ainda não vigora a lei sindical em Macau. Ontem, Sulu Sou defendeu que o seu diploma “não tem nenhuma influência ou consequência em relação à proposta do Governo”, mas a Mesa da AL não teve o mesmo entendimento. “[A Mesa] entendeu que o projecto de lei em causa envolve a iniciativa do Governo. Apesar de dizer que o projecto visa apenas

pormenorizar [o que já está na lei], se for aprovado serão produzidos efeitos vinculativos, com impacto nas leis existentes”, disse a deputada Chan Hong, primeira secretária da Mesa. Chan Hong acrescentou também que “não se verifica um vazio político nesta matéria”, pois “a actual legislação laboral protege todos os trabalhadores dos seus direitos sendo aplicado um regime uniforme sobre o despedimento”. A aprovação do projecto de lei de Sulu Sou iria “alterar obviamente a política de despedimento uniforme [em vigor]”, disse a deputada, lembrando que “a decisão foi tomada com fundamentos e razões suficientes não se verificando a aplicação errada de normas legais”. O deputado Ma Chi Seng, que votou contra, referiu que “já existe a lei das relações do trabalho onde se prevê indemnizações e garantias para os trabalhadores”.

Ferrugem que persiste VIVA MACAU DEPUTADOS CHUMBAM AUDIÇÃO A EX-GOVERNANTES

O hemiciclo não quer ouvir Edmund Ho, ex-Chefe do Executivo, e Francis Tam, ex-secretário para a Economia e Finanças, sobre a concessão de 212 milhões de patacas à falida companhia aérea Viva Macau. O pedido foi feito pelos deputados Pereira Coutinho e Sulu Sou, com o último a lamentar o facto de o mecanismo de audição nunca ter sido usado

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S deputados chumbaram o pedido de audição apresentado pelos deputados Sulu Sou e Pereira Coutinho sobre o empréstimo de 212 milhões de patacas à falida companhia aérea Viva Macau. A proposta visava auscultar

ex-governantes envolvidos no processo, tal como Francis Tam, que foi secretário para a Economia e Finanças, e Edmund Ho, ex-Chefe do Executivo. Sulu Sou considerou que o relatório apresentado pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), que

ilibou o então conselho de administração da Viva Macau da prática de crimes, ficou incompleto. “Alguns factos não são suficientes. A investigação do CCAC não é completa porque não ouviu o então Chefe do Executivo e secretário, e se ouviu isso não consta no relatório. Se

não foram ouvidos, a AL deve fazer esse trabalho.” Sulu Sou lamentou também que em Macau nunca tenha sido utilizado o mecanismo de audição. “Essa ferramenta está enferrujada porque nunca foi utilizada. Em Hong Kong foi utilizada quatro vezes para questões


assembleia legislativa 5

COVID-19 MAK SOI KUN DEFENDE MELHORIA NO SISTEMA DE CANALIZAÇÕES

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importantes, como o tratamento da SARS. Os governantes têm sorte porque em Macau nunca foi activado o mecanismo de audição”, frisou o deputado. Também Pereira Coutinho disse que o processo pedido “tem como finalidade principal inteirarmo-nos da verdade do que aconteceu”, porque está em causa “um montante avultado do erário público”.

JÁ ESTÁ BOM

Quem votou contra considerou que o CCAC já fez o seu trabalho e que não compete à AL investigar mais o assunto, que também já foi analisado pela Comissão de Acompanhamento para os Assuntos das Finanças Públicas da AL. “A AL e o CCAC são órgãos distintos. O CCAC é um órgão independente e já procedeu à investigação, divulgando o relatório onde disse ter verificado um grande número de documentos e falado com muitas pessoas”, disse Chan Wa Keong. O deputado adiantou, citando o relatório do CCAC, que tanto Edmund Ho como Francis Tam “actuaram de forma imparcial” na concessão dos empréstimos, “pelo que devem ser respeitados os trabalhos do CCAC”. Também Vong Hin Fai votou

“Essa ferramenta [audição] está enferrujada porque nunca foi utilizada. Em Hong Kong foi utilizada quatro vezes para questões importantes, como o tratamento da SARS.” SULU SOU DEPUTADO

contra por considerar que a proposta de audição “tem vícios a nível técnico”. A deputada Agnes Lam votou desfavoravelmente por considerar que uma audição não iria resolver a questão essencial, que é a recuperação das 212 milhões de patacas concedidas pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização à Viva Macau. “Mesmo com a audição não conseguimos resolver o caso e, por causa disso, votei contra”, rematou. Além de Sulu Sou e Coutinho, a proposta contou com os votos favoráveis de Ng Kok Cheong e Au Kam Sam. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

AK Soi Kun defendeu na Assembleia Legislativa a necessidade de melhorar o sistema de canalizações em edifícios residenciais para evitar a propagação do novo coronavírus. O deputado citou meios de comunicação social de Hong Kong, que noticiaram casos de infecção num edifício residencial, gerando a suspeita de que “o vírus tenha sido transmitido verticalmente através das canalizações do edifício”. Houve, também, “um caso de evacuação de emergência devido às fissuras nas condutas de um edifício”, apontou. Mak Soi Kun referiu que, aquando da SARS, em 2003, “os especialistas concluíram que o vírus se propagava através dos esgotos e que uma nova epidemia poderia repetir-se”. O deputado frisou que, em Macau, “o novo coronavírus nunca foi transmitido pelos tubos e canos dos edifícios”, mas alerta para a necessidade de

mudanças. “Há que ter sentido de risco porque, segundo especialistas, académicos e operadores do sector da construção civil, o referido caos nas canalizações de esgotos também existe em Macau. Durante a manutenção e reparação dos edifícios, verificou-se que, por várias razões, os tubos e as condutas de algumas fracções divergiam do projecto inicial ou não correspondiam aos critérios de segurança, havendo até indícios de alteração.” Mak Soi Kun diz ter recebido pedidos de profissionais do sector para questionar se o Executivo “tem sentido de risco e se deve adoptar, o quanto antes, medidas para fiscalizar e resolver a situação caótica em diferentes edifícios devido à alteração do sistema de canalização e de esgotos, para a erradicação completa da ameaça e do risco de transmissão do vírus através das canalizações dos edifícios”.

TNR PEREIRA COUTINHO PEDE INTERVENÇÃO DE HO IAT SENG NO CASO DE DESPEDIMENTOS

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deputado José Pereira Coutinho pediu ontem, na Assembleia Legislativa, a intervenção do Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, no caso dos despedimentos de trabalhadores não residentes (TNR) das concessionárias de jogo. “Chegou a altura de o Chefe do Executivo intervir face às recentes mexidas na cúpula da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, com as novas nomeações dos cargos de director e subdirector.” Coutinho fala na existência de “conluio” e de “abusos praticados por algumas das concessionárias do jogo que foram sobejamente denunciados” na Assembleia Legislativa e nos meios de comunicação social,

mas que “as autoridades competentes, por teimosia, não intervêm e nem sequer têm interesse de saber”. Pereira Coutinho destaca o facto de “muitos dos despedidos serem TNR de países asiáticos que deambulam pelas ruas da cidade, pedindo dinheiro para comida ou apoios às associações locais”. Para Pereira Coutinho, há “pressões” para que os trabalhadores se despeçam, apontando o dedo às mudanças na lei de contratação de TNR, que criaram “confusão social”. “Os resultados estão à vista e quem paga a factura são os TNR impossibilitados de arranjar emprego e os empregadores que não podem empregar estes trabalhadores”.

RÓMULO SANTOS

sexta-feira 22.1.2021

A cair aos bocados Deputados questionam qualidade de obras públicas e exigem mudanças

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ÁRIOS deputados criticaram ontem o Governo pela má qualidade das obras públicas visíveis em infra-estruturas com poucos anos de construção. A queda de azulejos nos edifícios de habitação pública do Lago, na Taipa, e Ip Heng, em Seac Pai Van, ocorrida recentemente, deu o mote ao debate, mas a Ella Lei deu outros exemplos. “Este não é um caso isolado. No túnel subaquático da Universidade de Macau, que custou 2 mil milhões de patacas e tem prazo de utilização de 100 anos, nos últimos dois a três anos têm-se registado infiltrações de água e até rebentamento de canalizações”, disse a deputada no período de interpelações antes da ordem do dia. Também o Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa foi mencionado, “onde logo após a entrada em funcionamento houve infiltrações de água”. Ella Lei referiu que “há ainda muito a melhorar em termos de qualidade” das obras públicas. “A necessidade de obras adicionais para rectificação, por causa da má qualidade das obras originais e da inadequação dos desenhos e dos materiais, implica enormes quantias de dinheiro público e a respectiva utilização por parte do público, por isso, são altos os custos sociais daí decorrentes”, adiantou.

MAIS GARANTIA

Também Ho Ion Sang exigiu o aumento do pra-

zo de garantia das obras públicas, que actualmente é de dois anos, enquanto que para obras de impermeabilização é de cinco anos. “Quando o prazo de garantia acaba e os problemas decorrentes da falta de controlo da qualidade continuam, são os pequenos proprietários que, todos os anos, têm de suportar as respectivas despesas de reparação, o que é realmente um incómodo.” Lei Chan U defendeu a criação de um “sistema de gestão de desempenho” e a melhoria do “regime de responsabilização dos dirigentes”, criticando a inacção do Governo. “O Gabinete de Desenvolvimento de Infra-estruturas limitou-se a responder que a recepção definitiva dos edifícios em causa estava concluída e o Instituto da Habitação absteve-se na votação nas assembleias de condóminos, alegando o respeito pelas opiniões da maioria dos proprietários, por isso, o problema ainda não foi resolvido.” Zheng Anting falou da necessidade de estabelecer um plano que determine que “as obras de reparação devem ser da responsabilidade das autoridades e do empreiteiro”, bem como “elaborar medidas abrangentes e eficazes para fiscalizar as obras”. Andreia Sofia da Silva info@hojemacau.com.mo


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Edital (1/FGCL/2021) Nos dos pedidos: 187/2020, 205/2020

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “COMPANHIA ICON LIMITADA”, com sede na Alameda Dr. Carlos D'Assumpção, nº181187, Centro Comercial Do Grupo Brilhantismo, 21 Andar, Macau, o seguinte: Relativamente aos 2 ex-trabalhadores (Hong Hong Sam e Chen, Xihong), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 15 Janeiro de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $73 712,60(Setenta e três mil e setecentas e doze patacas e sessenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquelas ex-trabalhadoras, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 18 Janeiro de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Edital (5/FGCL/2021)

22.1.2021 sexta-feira

Edital (2/FGCL/2021) Nos dos pedidos: 45/2019, 48/2019, 49/2019, 50/2019, 52/2019, 59/2019, 142/2020, 143/2020, 144/2020, 145/2020, 149/2020, 165/2020

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015(Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “COMPANHIA DE CONSTRUÇÃO E ENGENHARIA CIVIL HCCG(MACAU) LIMITADA”, com sede na Alameda Dr. Carlos D'Assumpção, No.181-187, Centro Comercial Do Grupo Brilhantismo, 13 Andar I-K, Macau, o seguinte: Relativamente aos 12 ex-trabalhadores (Ip Chi Hang, Lu,Youpei, An,Ke, Wong Chun Fai, Lai Heung Wing, Chiang,Ngan Hou, Gao,Junfeng, Fung Foo Lai Jase, Lao Ka Chon, Hoi Kam Sim, Cheng,Hung Fat e Chan,Yin Man), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 15 de Janeiro de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015(Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $2 674 603,40(Dois milhões e seiscentas e setenta e quatro mil e seiscentas e três patacas e quarenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento do adiantamento para aquele ex-trabalhadora, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 18 de Janeiro de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Edital (6/FGCL/2021)

Nº de pedido: 191/2020

Nos dos pedidos: 202/2020, 203/2020, 207/2020

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “COMPANHIA DE ARQUITECTURA E ENGENHARIA TOPGLORY LIMITADA”, com sede na Avenida Son On, nº631-633, Centro Industrial Miki, 2 Andar L, Macau, o seguinte:

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “KUAN HONG KUAI – Proprietário de U POU”, com sede na Rua de Nossa Senhora do Amparo, nº12, R/C, em Macau, o seguinte:

Relativamente ao ex-trabalhador Yin, Songqing, no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 15 de Janeiro de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015(Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $47 532,60(Quarenta e sete mil e quinhentas e trinta e duas patacas e sessenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 18 de Janeiro de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Relativamente aos 3 ex-trabalhadores (Leong Kin Cheong, Lei Kin Seng e Lam Soi), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 15 Janeiro de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $232 900,00(Duzentos e trinta duas mil e novecentas patacas). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquelas ex-trabalhadoras, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 18 de Janeiro de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Edital (3/FGCL/2021)

Edital (4/FGCL/2021)

Nos dos pedidos: 229/2016, 231/2016, 235/2016

Nos dos pedidos: 197/2020, 198/2020, 200/2020

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “WING CHI (INTERNACIONAL) LIMITADA”, com sede na Rua Cidade de Sintra, Wynn Macau, Casino Wynn Macau, Macau, o seguinte:

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “SERVIÇOS DE CONSULTADORIA CONCIERGE DE LUXO LIMITADA”, com sede na Avenida Comercial de macau, 251A-301,AIA Tower, 10 Andar, Sala 1003, Macau, o seguinte:

Relativamente aos 3 ex-trabalhadores(Hoi Weng San, Tou Man San e Chan Wun Sio), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 15 de Janeiro de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015(Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $417 691,86(Quatrocentos e dezasete mil e seiscentas e noventa e uma patacas e oitenta e seis avos).

Relativamente aos 3 ex-trabalhadores(Lo,Goncalo, Lei Ioi e Mak Wai San), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 15 de Janeiro de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015(Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $155 679,80 (Cento e cinquenta e cinco mil e seiscentas e setenta e nove patacas e oitenta avos).

Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento do adiantamento para aquele ex-trabalhadora, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos.

Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento do adiantamento para aquele ex-trabalhadora, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos.

O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo.

O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo.

18 de Janeiro de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

18 de Janeiro de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong


política 7

sexta-feira 22.1.2021

SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS ARMAZÉM EM KÁ-HÓ É “URGENTE”

estão “espalhadas pela cidade”, sob o controlo atento da PSP.

Era para ontem

CONTROLAR E PREVENIR

GOOGLE STREET VIEW

O secretário para a Segurança considera a construção de um armazém permanente de substâncias perigosas uma obra “urgente”, apesar de ainda não existirem datas. A nova lei de controlo de substâncias perigosas entra em consulta pública a partir de amanhã e prevê penas de prisão até três anos e multas entre 10 mil e 500 mil patacas

O

secretário para a Segurança, Wong Sio Chak considerou ontem que a construção do armazém permanente de substâncias perigosas, previsto para Ká-Hó, em Coloane, é uma obra “urgente”. Contudo, e apesar de ser ponto assente que, em primeiro lugar, serão depositados os materiais “mais perigosos” quando a infraestrutura estiver pronta, são ainda incertas as datas de início e conclusão da obra. Na conferência de imprensa de apresentação do documento que estará em consulta pública a partir de amanhã sobre o Regime Jurídico do Controlo de Substâncias Perigosas, Wong Sio Chak recordou ainda que, após vários avanços e recuos sobre a construção do armazém, que chegou a ser projectado com cariz temporário e pensado para um aterro, não há mais tempo a perder e que a localização escolhida é a que oferece mais garantias. “A proposta original passava por construir o armazém num aterro (…) mas isso levaria mais de 10 anos e, com base da natureza perigosa dos

materiais, não devemos prolongar este projecto. [O local escolhido] é o mais remoto, longe dos cidadãos e das zonas habitacionais e, por isso, é o local que oferece melhores condições de segurança. Esperamos com a utilização deste terreno instalar infraestruturas de segurança e, sobretudo, criar condições que cumpram as normas técnicas para o armazenamento permanente de substâncias perigosas. É impossível garantir que, no futuro, tendo em conta o desenvolvimento da sociedade, não vão existir mais mudanças, mas, para resolver, de raiz, este problema (…) esta é uma [obra]

absolutamente necessária e urgente”, sublinhou o secretário. Recorde-se que o anúncio da construção do armazém no terreno do antigo centro de reabilitação de toxicodependentes “Desafio jovem”, foi feito em reunião plenária do passado mês de Novembro

Questionado sobre onde se encontram actualmente armazenadas as substâncias perigosas, Wong Sio Chak respondeu que o paradeiro “não pode ser revelado”, mas que estão “espalhadas pela cidade”

Eleições Eilo Yu diz que idade de eleitores é proporcional à população Eilo Yu, professor de ciência política da Universidade de Macau (UM) defendeu que o número de eleitores é proporcional à estrutura da população, uma vez que a baixa taxa de natalidade faz com que o número de eleitores com idades compreendidas entre os 18 e 19 anos tenham reduzido cerca de 50 por cento face a 2017, quando se registaram quatro mil eleitores nessa faixa etária. Ao jornal Exmoo News, o docente considera o fenómeno normal, porque a maior parte dos novos eleitores,

pela directora dos Serviços de Solos Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Chan Pou Ha. Questionado sobre onde se encontram actualmente armazenadas as substâncias perigosas, Wong Sio Chak respondeu que o paradeiro “não pode ser revelado”, mas que

provenientes da China continental e já com Bilhete de Identidade de Residente, são jovens e podem alargar a proporção deste grupo de eleitores. Dados dos Serviços de Administração e Função Pública revelam que os eleitores adultos, em idade de pré-reforma, dos 60 aos 64 anos, são 40.360, ocupando a maior proporção. Seguem-se os 39.157 eleitores com idades compreendidas entre os 55 e 59 anos, 30.070 eleitores dos 65 aos 69 anos. O total de pessoas recenseadas é de 325.180.

Com o objectivo de estabelecer um regime de controlo e prevenção da ocorrência de acidentes graves decorrentes do transporte, fabrico, manuseio e utilização de substâncias perigosas, o Governo anunciou que a partir de amanhã será lançada a consulta pública sobre o Regime Jurídico do Controlo de Substâncias Perigosas. A recolha de opiniões sobre a proposta de lei irá vigorar durante 45 dias, e procura validar junto da população alterações como o “estabelecimento dum regime sancionatório criminal e administrativo mais dissuasor”. Isto porque o diploma prevê penas de prisão até três anos para o crime de produção, detenção ou transação de substâncias perigosas proibidas e multas entre 10 mil e 500 mil patacas pela prática do crime de desobediência, ou seja, para quem não cumprir “as medidas cautelares” ou se opuser à fiscalização das autoridades. O documento, que categoriza as substâncias perigosas em nove classes (como explosivos, gases e líquidos inflamáveis), prevê ainda isenções como a possibilidade armazenar em casa até três garrafas de gás cuja capacidade não exceda 90 dm3. Produtos como estupefacientes, resíduos hospitalares e antibióticos ficam fora deste regime. Para Wong Sio Chak, o diploma é da maior importância para a manutenção da segurança da população e recordou “a grande explosão no porto de Beirute, no Líbano e a explosão de um camião cisterna de petróleo na autoestrada Wenling na China, ambas ocorridas no ano passado e que causaram muitas mortes e danos materiais”. “Muitas vezes, estes acidentes estão relacionados com a falta de regimes legais adequados, má gestão e falta de consciência de segurança, pelo que a construção de um regime de gestão de substâncias perigosas em Macau está, de facto, intimamente relacionada com a vida da população e a segurança de pessoas e bens, requerendo efectiva atenção e participação activa de todos os sectores da sociedade e de todos os residentes”, vincou o secretário. Pedro Arede

pedro.arede.hojemacau@gmail.com

Videovigilância Testadas 200 câmaras com “resultados satisfatórios” O Governo testou, entre Agosto e Outubro do ano passado, 200 câmaras de videovigilância capazes de reconhecimento facial e das chapas de matrícula, “após a obtenção da devida autorização por parte do Gabinete

de Protecção dos Dados Pessoais”, tendo sido verificadas 100 câmaras de entre as primeiras três fases do “Sistema de Videovigilância da Cidade de Macau”. O Executivo testou também 100 câmaras da quarta fase

desta medida. Os Serviços de Polícia Unitários (SPU) consideram que “os testes alcançaram resultados satisfatórios correspondendo aos objectivos previstos”. Quanto à aplicação das gravações, os SPU adiantaram que será

permitido “identificar as pistas num curto espaço de tempo e reduzir o tempo despendido na consulta de gravações, acelerando o desencadeamento das operações policiais, aumentando a eficiência da investigação”.


8 sociedade

22.1.2021 sexta-feira

COVID-19 CRISE NAS LOJAS E RESTAURANTES DE PORTUGUESES SEM MERCADO DE HONG KONG

Como pão para a boca

O

S nossos clientes do Sudeste Asiático, Japão, Coreia do Sul e [Ilha] Formosa [Taiwan], que nos chegavam via Hong Kong, desapareceram. Os nossos clientes de Hong Kong também deixaram de vir. Vamos mantendo contacto com muitos deles aguardando por melhores dias”, lamentou Manuela Salema, que gere um espaço dedicado à venda de produtos portugueses na zona velha da ilha da Taipa. “Ficámos assim reduzidos aos clientes e bons amigos de Macau e, também, aos que nos vão chegando, a conta-gotas, do continente”, do interior da China, explicou a proprietária do Cool-Thingz & PortugueseSpot, agora que se assinala um ano desde que o território registou o primeiro caso de covid-19, mas há cerca de sete meses sem identificar qualquer contágio, tornando-o num dos locais mais seguros do mundo no controlo da pandemia. “O Plano de Apoio às PME [Pequenas e Médias Empresas] ajudou-nos a fazer face a alguns dos custos fixos mais pesados (…). Também foi bem-vindo o Plano Pecuniário aos Trabalhadores e o Plano Pecuniário às Empresas. Por outro lado, as duas fases do Plano de Subsídio ao Consumo, sem dúvida animou a procura”, acrescentou, numa referência às

ajudas financeiras extraordinárias do Governo dirigida à população e PME face à crise causada pela pandemia. “Aguardamos com alguma ansiedade que novas medidas de apoio sejam tomadas pela Administração. A crise é grande e a sua duração, sem fim à vista, vai-se prolongando no tempo e aumentando as dificuldades”, concluiu Manuela Salema. Perto, o dono do restaurante português A Petisqueira não tem um melhor cenário para descrever. “A maioria da nossa clientela vinha de Hong Kong, entre 65 a 70 por cento”, afirmou Eusébio Tomé. “E outros chegavam via aeroporto internacional de Hong Kong, da Coreia do Sul, Japão ou Singapura”, frisou o empresário português. Por ouro lado, parte da clientela também era oriunda da China continental, mas que tinham outros circuitos, precisou: “Iam a Hong Kong, em família, à Disney[land], por exemplo, e depois davam um salto a Macau, não é o mesmo mercado dos chineses que vêm do continente directamente para Macau e que os casinos vão buscar directamente nos autocarros para irem gastar dinheiro para os ‘resorts’”.

TROCA DIRECTA

Contas feitas a 2020, sem que descortine grandes mudanças no início deste ano, o mercado de Hong

Em declaração ao jornal Ou Mun, Huang Yun, subdirectora do Departamento de Saúde de Zhuhai, explicou que os residentes de Macau e da cidade vizinha, com nacionalidade chinesa, podem manter a passagem fronteiriça normal durante o ano novo chinês, apontando que a RAEM é uma zona de baixo risco. A responsável elogiou ainda Macau indicando que fez bons trabalhos de prevenção da pandemia. Numa conferência de imprensa realizada na quarta-feira, Huang Yun apelou aos residentes de Zhuhai para não se deslocarem durante o ano novo chinês, mas abriu excepção para Macau. O seu objectivo é que os residentes da região vizinha evitem ajuntamentos e reforcem a sua protecção pessoal.

RESTAURANTE A PETISQUEIRA

O comércio e a restauração gerida por portugueses em Macau vivem uma crise motivada pela pandemia, que está a ser agravada, sobretudo, pelo desaparecimento do mercado de Hong Kong, alertaram à Lusa empresários do sector

Ano novo chinês Residentes de Zhuhai e Macau com passagem fronteiriça normal

“A maioria da nossa clientela vinha de Hong Kong, entre 65 a 70 por cento. E outros chegavam via aeroporto internacional de Hong Kong, da Coreia do Sul, Japão ou Singapura.” EUSÉBIO TOMÉ DONO DO RESTAURANTE A PETISQUEIRA

Kong ter-lhe-á roubado entre 65 a 70 por cento dos clientes, afiançou. Em termos gerais, Hong Kong costumava ser “o principal mercado de Macau”, lembrou o analista do jogo Ben Lee. O especialista da consultora IGamix sublinhou,

contudo, que “quando a China abriu os seus portões, os visitantes de Hong Kong foram substituídos” por aqueles que chegavam da China continental. Algo que, de resto, aconteceu tanto no segmento VIP [grandes apostadores] doméstico como internacional”, acrescentou. Macau, contudo, conseguiu manter alguma atractividade no segmento do não-jogo junto da outra região administrativa especial chinesa, dada a proximidade, já que fica a cerca de uma hora de ‘ferry’ ou pela nova ponte. E em especial em alguns nichos de mercado que vão da restauração ao pequeno comércio, sobretudo o mais especializado e que ofereciam produtos mais distintivos. Apesar da dificuldade de se quantificar a contribuição de receitas dos residentes de Hong Kong, só no jogo, Lee estimou que esteja algures nos 9 por cento no período pré-covid.

Turismo Associação espera número de visitantes semelhante ao mês de Dezembro

Wong Fai, presidente da Associação da Indústria Turística de Macau, disse que o número de turistas no período do Ano Novo Chinês deverá ser semelhante ao período de natal e passagem de ano. Segundo o jornal Ou Mun, o responsável adiantou que as esperanças do sector foram dissipadas depois do anúncio das autoridades chinesas, que aconselharam os cidadãos a não viajar. Wong Fai espera que a medida não afecte o fluxo de pessoas na província de Guangdong e outras zonas do delta do Rio das Pérolas. O responsável adiantou também que o turismo vai atravessar dificuldades e espera que o Governo mantenha os apoios.

ECONOMIA ANALISTA DIZ QUE MACAU TEM RESERVAS PARA FINANCIAR SETE ANOS DE GOVERNAÇÃO

O

analista do jogo David Green disse à Lusa que é pouco provável que Macau sinta pressão se a recuperação económica pós-pandémica demorar três anos porque tem reservas fiscais para aguentar sete anos de governação. Ainda que ciente da queda brutal de receitas do jogo, o motor da economia da capital mundial do jogo,

o fundador da consultora especializada em regulação de jogos em Macau Newpage Consulting lembrou que o Governo de Macau soube poupar a maioria do montante arrecadado em impostos. “Embora o Governo obtenha a maior parte das suas receitas fiscais do imposto especial de jogo sobre as receitas brutas de jogo, subutilizou cronicamente o seu

orçamento de receitas para o período 2004-2019, inclusive”, salientou, o que lhe permite ter alguma ‘folga’ num território que assinala agora um ano de crise pandémica, mas cerca de sete meses sem identificar qualquer novo caso. “Segundo os comunicados de

imprensa da Autoridade Monetária, Macau tinha cerca de 72 mil milhões de dólares em reservas fiscais no final de 2019, o que equivaleria a cerca de sete anos de despesa total normalizada do Governo”, recordou. O analista explicou que a esse mon-

tante das despesas há, contudo, que retirar da equação o valor do pacote de estímulo económico extraordinário desenvolvido em resposta ao abrandamento causado pela pandemia de covid-19. Por outro lado, frisou o facto de Macau não ter dívidas e de ter ainda dinheiro das reservas financeiras a render. “O Governo não tem

dívida, e as suas reservas, tendo em conta o aumento dos mercados accionistas, provavelmente obteriam pelo menos o retorno de 5,6 por cento registado em 2019”, afirmou. Ou seja, na prática, resumiu, “uma recuperação que leve outro ou mesmo dois anos civis é pouco provável que cause qualquer problema financeiro para a administração”.


sociedade 9

sexta-feira 22.1.2021

AMCM VALOR DOS PAGAMENTOS MÓVEIS CRESCEU 71 VEZES EM DOIS ANOS

O

valor total dos pagamentos móveis em Macau cresceu 71 vezes em dois anos, atingindo o ano passado 6,33 mil milhões de patacas, informaram as autoridades. Em 2020 foi alcançado o valor recorde de 6,33 mil

milhões de patacas, 71 vezes o registado em 2018 e cinco vezes superior ao de 2019. Ou seja, verificaram-se 65,49 milhões de transações, 48 vezes mais do que em 2018 e quatro vezes superior ao contabilizado em 2019.

O

dos comerciantes e dos cidadãos, os pagamentos móveis desenvolveram-se rapidamente nos últimos dois anos.” No quarto trimestre de 2020 o número de transacções foi de 24,64

milhões, o que representa um acréscimo de 191 por cento comparado com o ano anterior, enquanto que o valor das transações ascendeu a 2,33 mil milhões de patacas, que representa um acréscimo de 259 por

ANIMA ALBANO MARTINS ALERTA PARA O RISCO DE FECHO

Situação limite

Depois de um ano atípico que resultou em dívidas de 2,25 milhões de patacas, Albano Martins aponta que os 32 funcionários e os cerca de 900 animais a cargo da Anima podem ficar em “maus lencóis” caso o financiamento da Fundação Macau não chegue em breve. O representante da associação diz ainda que, apesar de se prestar um serviço público, na hora de ajudar pouco é o reconhecimento

cento comparado com o ano anterior. No final de 2020 eram 70 mil os aparelhos que aceitavam o pagamento móvel e os ‘QR Code’ em Macau, o que se traduziu num aumento de 89 por cento em relação a 2019.

lhadores não residentes (TNR) e que a cargo da associação estão actualmente cerca de 900 animais, além dos animais apoiados fora de portas. Contudo, defende, “não há hipótese nenhuma de reduzir o pessoal”. “A Anima ajudou sempre a recolher animais de rua. Era suposto termos apenas 80 ou 90 animais e ficámos com 400 cães e 300 gatos. Não é para brincar. Além disso, como são animais antigos, porque nós não matamos, eles vão viver connosco toda a vida. [Se a Anima fechar] estes animais e o pessoal que trabalhava Anima vão ficar em maus lençóis”.

A FERROS

Se por um lado, não há dúvidas quanto ao “serviço público” prestado pela Anima, por outro, na hora de contribuir financeiramente para a missão da associação, “o reconhecimento é tirado a ferro e fogo” e é fácil dizer que é possível sobreviver com menos verbas. “Nós prestamos um serviço público, mas quando é altura de nos ajudarem toda a gente é capaz de dizer que cinco milhões para a Anima é muito dinheiro. O nosso orçamento era 11 milhões. Já reduzimos para 10 milhões e agora para 2021 reduzimos ainda mais para 9 milhões. Estamos a reduzir o mais possível, mas não conseguimos fazer mais”, vincou Albano Martins. O responsável faz ainda questão de sublinhar que a Anima “não mistura a actividade política com a actividade animal”, ao contrário de outras associações que têm o apoio financeiro de um deputado. “Temos conhecimento de uma associação que deve ter cerca de 80 animais e 15 pessoas a trabalhar, que recebeu um subsídio de quatro milhões de patacas, não do Governo, mas de um deputado. Nós temos 16 tratadores para muitos mais animais”, desabafou.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

presidente honorário vitalício da Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA), Albano Martins, considera que a associação corre o risco de fechar portas caso os fundos da Fundação Macau não cheguem em breve. Isto, tendo em conta que em 2020 a Anima fechou o ano com um défice de 2,25 milhões de patacas. “Perante as dívidas que temos apuradas do ano passado, de 2,25 milhões de patacas, o que é que fazemos? Temos de pagar agora em Janeiro. Além disso, ainda falta pagar os salários das pessoas que trabalham, os veterinários e a alimentação dos animais”, partilhou Albano Martins com o HM. “Se não houver resolução em Janeiro a Anima vai ter que fechar e entregar os animais todos ao IAM e o Governo que resolva o problema, porque nós somos uma associação de utilidade pública”, acrescentou. Olhando em retrospectiva para 2020, marcado pela pandemia, Albano Martins lembra que foi um “ano mau” porque apesar de a Fundação Macau ter financiado a associação com 5 milhões de patacas destinadas a despesas correntes, “os casinos cortaram no apoio”, passando a ser de cerca de 80 a 100 mil patacas, quando em anos anteriores foi, nalguns casos, de 400 ou 500 mil patacas ou de 1,3 milhões no caso do Wynn. O responsável explicou ainda que, após enviar pedido de subsídio à Fundação Macau em Julho de 2020, recebeu ontem a resposta do presidente do organismo, Wu Zhiliang, a revelar que o conselho de curadores “só se reúne em Fevereiro” pelo que “não há hipótese de os apoios chegarem” em Janeiro. “Ao menos pediu imensa desculpa. O problema é que as desculpas não servem para pagar contas”, apontou Albano Martins. O responsável lembra ainda que existem 32 pessoas a trabalhar na Anima, das quais 16 traba-

“Desde que a AMCM [Autoridade Monetária de Macau] autorizou o lançamento do primeiro serviço de pagamento móvel local no mercado em 2015, com os esforços conjuntos do Governo, das instituições,

Albano Martins “Se não houver resolução em Janeiro, a Anima terá que fechar e entregar os animais todos ao IAM e o Governo que resolva o problema.”

Pedro Arede

pedro.arede.hojemacau@gmail.com


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22.1.2021 sexta-feira

Comprimento d FESTIVAL FRINGE EXPERIÊNCIA CRIATIVA ALIA MEDITAÇÃO A IMAGENS EM MOVIMENTO

Numa experiência que associa ondas cerebra “Focus to – release” incentiva os participan aproveitando esse momento para criar arte. A projecto, Kathine Cheong, revelou-se satisfeit nuidade do Festival Fringe e com a escolha de lo como mercados e praças, para apresentar espe

O

festival Macau City Fringe traz ao público a experiência criativa “Focus to – release”, de Kathine Cheong e Sueie Che. Em sessões que duram aproximadamente meia hora, a experiência procura associar ondas cerebrais a imagens em movimento, enquanto promove o bem-estar das pessoas. A actividade decorre no Estaleiro Naval nº2, com sessões entre amanhã e segunda-feira. “Os participantes escolhem um aroma e depois meditam com taças tibetanas para entrarem num estado de relaxamento. As suas ondas cerebrais são captadas por um dispositivo e as imagens do aroma vão mudar de acordo com o estado de foco ou libertação”, descreve o programa. Kathine Cheong explicou ao HM que a ideia surgiu no seguimento de um projecto académico de Sueie Che. A designer de media digital no projecto de graduação explorou o uso de ondas cerebrais associado a vídeos de animais, na esperança de captar a aten-

O

escritor moçambicano Mia Couto apelou ao cumprimento das recomendações das autoridades de saúde face à covid-19, alertando para implicações “profundíssimas”, após testar positivo para o novo coronavírus. “Nós temos de conseguir uma resposta e direcção contrária à covid-19, ter respeito pelos outros e acatar essas instruções [de prevenção], tão simples”,

ção das pessoas sobre temas relacionados com a vida. Licenciada em Psicologia, Kathine Cheong considerou interessante associar ondas cerebrais a meios relacionados com a arte. “Apercebi-me que, especialmente durante o período da pandemia, as pessoas não têm nada para fazer, só podem ficar em casa, não podem viajar, e mesmo quando ficam em casa por vezes têm de trabalhar, não se sentem realmente relaxadas”, observou Kathine. Assim, surgiu a ideia, de por um curto período de tempo, incentivar ao relaxamento através de meditação, aproveitando esse momento para criar trabalhos artísticos, com imagens em movimento das suas ondas cerebrais. Durante a experiência, os participantes contam com a presença de uma consultora de saúde e bem-estar que ajuda com a secção de meditação. “Durante a secção de meditação, os participantes usam um detector de ondas cerebrais e sentam-se ou deitam-se no tapete, para relaxarem”,

O medo da morte solitária Escritor Mia Couto testa positivo e apela ao cumprimento de medidas de prevenção

dadas pelas autoridades de saúde, disse o autor à Lusa. O escritor moçambicano cumpriu ontem o 10.º dia de isolamento domiciliar, desde que foi diagnosticado positivo para o novo coronavírus, apresentando-se com sinto-

mas leves, entre cansaço e dores musculares. Mia Couto alertou para as implicações “profundíssimas” da covid-19 a nível social, económico e humano, além da saúde, considerando que a doença “empurra para

uma situação de agonia, solidão e abandono”. “Quando me comunicaram, o medo que me assaltou foi o de um tipo de morte solitária, foi essa a construção que fiz”, contou Mia Couto. “Nós já temos vacina. Chama-se más-

cara, chama-se distanciamento. Portanto, temos as vacinas que serão, até daqui a alguns meses, a nossa arma principal”, declarou.

NOS LIMITES

Desde a última semana, as autoridades de saúde moçam-

explicou Kathine Cheong. Pela natureza da actividade, o participante acaba por não observar todo o processo. Há dois tipos de bilhetes disponíveis. Por um lado, o de participante, restringido a maiores de 18 anos. Quem quiser apenas observar o processo criativo pode comprar um bilhete diferente, permitido a partir dos 16 anos. No caso de a sessão ser com audiência é admitido um máximo de seis indivíduos no local. O objetivo é usufruírem da atmosfera e da projecção em directo do vídeo das ondas cerebrais dos participantes.

“Durante a secção de meditação, os participantes usam um detector de ondas cerebrais e sentam-se ou deitam-se no tapete, para relaxarem.” KATHINE CHEONG CURADORA

bicanas têm alertado para o aumento do número de óbitos e casos de infecção pelo novo coronavírus, referindo que se está a esgotar a capacidade de internamento nas unidades hospitalares. Moçambique tem um cumulativo de 271 óbitos e 29.396 casos, 68 por cento dos quais recuperados. Mia Couto venceu o prémio literário francês Albert Bernard 2020, pela


eventos 11

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de onda

ais a imagens, ntes a meditar, A curadora do ta com a contiocais públicos, ectáculos

Os produtos artísticos resultantes da experiência vão posteriormente ser exibidos numa instalação na Praça Jorge Álvares, de 30 de Janeiro a 28 de Fevereiro.

APOSTAR NO LOCAL

Esta é a primeira série do programa “Focus to” a ser lançada, mas as autoras esperam fazer mais colaborações com o conceito de ondas cerebrais, aliado a espectáculos, dança ou música. O evento conta com o apoio da Art Jam Cultural Association, criada no ano passado por Kathine Cheong. O objectivo do grupo é “ter uma criação de arte interdisciplinar” que junte música, dança ou outras áreas como a psicologia a meios digitais. Se o contexto da pandemia apresenta dificuldades, a curadora entende que também é uma oportunidade para o auto-conhecimento e perceber o que se pretende fazer. “Especialmente em Macau, a fronteira está fechada, não podem entrar artistas estrangeiros, não podemos ver actuações do exterior.

edição francesa da trilogia “As Areias do Imperador”, publicada no ano passado com tradução de Elisabeth Monteiro Rodrigues, foi ontem anunciado pela Fundação Fernando Leite Couto. “Criado em 1993, este prémio anual, destinado a um autor cuja temática seja África, quer seja do ponto de vista da história, da ciência e da literatura, laureou pela primeira vez um escritor da

(...) Podemos aproveitar esta oportunidade para mostrar mais as nossas competências ou conceitos criativos. Também para outras associações, é uma óptima oportunidade para as pessoas verem os artistas e a arte de Macau”, disse. Kathine Cheong olha também para o Fringe City Festival como uma plataforma para se mostrarem conteúdos em formatos diferentes de outros festivais organizados pelo Instituto Cultural, revelando-se “muito contente” por ter sido novamente organizado este ano. A curadora considera

África Austral. É também inédita a atribuição a um escritor de língua portuguesa”, acrescentou a nota. O escritor moçambicano, agora distinguida pela Academia Francesa de Ciências do Ultramar, já havia recebido em Dezembro, na Suíça, o Prémio Jan Michalski, atribuído pela Fundação Jan Michalski, para distinguir obras da literatura mundial, publicadas em francês.

que o cartaz é mais próximo da população de Macau, nomeadamente pela arte ser exibida em frente às pessoas em locais pouco usuais. “Normalmente, quando vemos espectáculos é sempre no teatro ou na ‘black box’, mas de alguma forma neste festival podem ser vistos no mercado, numa praça normal, ou mesmo um flash mob em áreas diferentes em Macau.Acho que é muito importante e um festival muito especial que se deve continuar a organizar”, frisou. Salomé Fernandes e Andreia Sofia Silva info@hojemacau.com.mo

A trilogia “As Areias do Imperador”, composta pelos romances “Mulheres de Cinza” (2015), “AEspada e aAzagaia” (2016) e “O Bebedor de Horizontes” (2017), centra-se na fase final do Império de Gaza, o segundo maior império do continente, no final do século XIX, dirigido por Ngungunyane (Gungunhana).

HOJE TERAPIA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Falta de apetite

(PARTE I)

• DESCRIÇÃO Diariamente despendemos o nosso capital de energia e, à noite, um sono restaurador proporciona-nos a energia necessária para enfrentarmos um novo dia. Mas nem sempre é assim quando nos sentimos fatigados. A fadiga pode ser um sintoma de diversas patologias, ou ter origem em maus hábitos alimentares (excesso de açúcares, deficiências nutricionais, alergias alimentares, intoxicação), estilo de vida desadequado (excesso de trabalho, maus hábitos de sono, stress, consumo excessivo de cafeína ou de álcool) ou até na toma de alguns medicamentos. Neste caso, convém averiguar a causa de forma a, sempre que possível, ser corrigida ou tratada.

Diversas plantas medicinais podem ser úteis em caso de falta de apetite, sendo de destacar, entre outras, as plantas amargas. Tal como o nome sugere, estas plantas são ricas em constituintes que conferem um sabor amargo. Este sabor desempenha um importante papel no seu efeito terapêutico, uma vez que estimula o fluxo de saliva e de sucos digestivos, aumentando o apetite. Por este motivo, devem ser tomadas preferencialmente em formas líquidas (como a infusão, decocção ou tintura) e não devem ser adoçadas – podem, no entanto, ser aromatizadas com outras plantas de sabor mais agradável (Anis, por exemplo). Atendendo à sua acção sobre o sistema digestivo, as plantas amargas devem ser tomadas antes da refeição quando se pretenda um efeito aperitivo, já que tomadas após a refeição funcionam como digestivo. São, por isso, muitas vezes usadas como aromatizante na produção de bebidas alcoólicas. Em doses elevadas podem, curiosamente, suprimir o apetite. Vamos conhecer Hoje algumas delas: Alfalfa (Alfafa, Luzerna), Medicago sativa, partes aéreas e rebentos: Muito conhecida como planta forrageira, a Alfalfa é igualmente nutritiva para o ser humano. Fornece quantidades generosas de proteínas, vitaminas (C, E, K e betacaroteno) e minerais (cálcio, magnésio) de fácil assimilação, e estimula o apetite, sendo recomendada para o tratamento da falta de apetite e anorexia nervosa, convalescença e em caso de ser necessário um aumento de peso. Pode ser ingerida como alimento – na forma de sementes germinadas –, ou tomada em infusão, comprimidos e cápsulas, em tratamentos prolongados. Angélica, Angelica archangelica, raízes e sementes: Outrora planta de grande prestígio, tal como alude o seu nome, a Angélica é nativa das regiões montanhosas da Europa e Ásia. Tónico de sabor amargo, estimula o apetite, os sucos digestivos e a actividade do estômago, aliviando gases, cólicas e sensação de enfartamento. Tomada em infusão ou

tintura, é um remédio para o tratamento da falta de apetite, anorexia e digestão lenta, para tonificar um sistema digestivo débil e auxiliar na recuperação de doenças crónicas. Dente-de-leão, Taraxacum officinale, raízes e folhas: Espontâneo em muitas partes do mundo, o Dente-de-leão é sobejamente conhecido das “curas primaveris” devido ao seu efeito desintoxicante sobre o fígado e os rins. As raízes são um tónico amargo e actuam sobre o estômago, o fígado e o pâncreas, aumentando as secreções digestivas, incluindo a bílis. São igualmente um laxante suave e estabilizam os níveis de açúcar no sangue. Aconselhado para o tratamento da falta de apetite, digestão lenta e mau funcionamento do fígado, pode ser tomado em tintura ou infusão. As folhas, com idênticas propriedades e ricas em vitaminas A e C e em ferro, são muito nutritivas e podem ser consumidas em saladas. Genciana, Gentiana lutea, raízes: Originária dos Alpes e outras regiões montanhosas da Europa Central e Meridional, a Genciana é usada medicinalmente desde a Antiguidade Clássica. Detentora de algumas das substâncias mais amargas conhecidas – a amarogentina ou amarogencina conserva o seu sabor numa diluição de 1:50.000 –, a planta fortalece um aparelho digestivo débil. Com efeito, ao estimular os receptores de sabor amargo da língua, promove a produção de saliva e de secreções gástricas, melhorando o apetite. Acalma ainda as dores de estômago, actua sobre o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas favorecendo a digestão, e aumenta a absorção de vários nutrientes através da mucosa intestinal, incluindo o ferro e a vitamina B12. Tomada em decocção ou tintura, alivia sintomas como falta de apetite, digestão lenta e flatulência, sendo frequentemente usada como tónico digestivo por idosos e convalescentes. Pode ser igualmente útil para o tratamento da anemia ferropénica. A Genciana é um ingrediente de aperitivos e digestivos.

ADVERTÊNCIAS: Este artigo tem como objectivo apenas a divulgação e não deve substituir a consulta de um profissional de saúde, nem promover a auto-prescrição. Além disso, algumas plantas têm contra-indicações, efeitos adversos ou interacções com medicamentos.


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22.1.2021 sexta-feira

MNE IMPOSTAS SANÇÕES A RESPONSÁVEIS DA ADMINISTRAÇÃO TRUMP

Taiwan Representante de Taipé teve convite oficial para posse de Biden

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representante de Taiwan nos EUA foi o primeiro responsável do território a ser oficialmente convidado para a tomada de posse do novo Presidente norte-americano, Joe Biden, desde 1979, disse ontem o Governo de Taipé. A enviada de Taiwan, Hsiao Bi-khim, partilhou uma fotografia sua na cerimónia de quarta-feira, dizendo que tinha “a honra de representar o povo e o Governo de Taiwan na tomada de posse do Presidente, Biden, e da vice-Presidente, Harris”. “A democracia é a nossa linguagem comum, e a liberdade é o nosso objectivo comum”, acrescentou. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan disse que foi a primeira vez em décadas que um enviado de Taiwan foi “formalmente convidado” pelo comité organizador desta cerimónia. O Partido Democrático Progressivo (PDP) no poder chamou-lhe “outro avanço em 42 anos”. Washington interrompeu as relações diplomáticas com Taipé em 1979 para reconhecer Pequim como o único representante oficial da China. Mas os Estados Unidos continuam a ser o aliado mais poderoso de Taiwan e o seu fornecedor de armas ‘número um’. Os presidentes norte-americanos são extremamente cautelosos na sua política para com Taiwan. A atitude mudou radicalmente sob o comando de Donald Trump, que fez uma aproximação a Taiwan. Sem precedentes para um Presidente de Taiwan, Tsai ligou mesmo a Trump para o felicitar na sua eleição em 2016.

Covid-19 144 novos casos, 126 de contágio local

As autoridades chinesas registaram 144 infectados com o novo coronavírus em 24 horas, 126 dos quais são contágios locais, informou ontem a Comissão de Saúde do país. As infecções locais foram detectadas nas províncias de Jilin (33), Hebei (20) e Heilongjiang (86), enquanto a capital, Pequim, somou duas. As autoridades chinesas redobraram os esforços para conter os surtos nestas três províncias do nordeste, onde várias áreas foram isoladas e estão a ser efectuados testes em massa à população, numa tentativa de refrear a curva dos casos. As autoridades estão a tentar travar o ressurgimento de surtos na véspera do período de férias do Ano Novo lunar, que decorre entre 11 e 17 de Fevereiro. A Comissão de Saúde da China disse que, nas últimas 24 horas, 19 pacientes receberam alta, pelo que o número de pessoas infectadas activas no país se fixou em 1.598.

De luva branca

A China impôs ontem sanções ao ex-secretário de Estado norte-americano cessante, Mike Pompeo, e a outros funcionários da administração do antigo Presidente, Donald Trump, por "violar" a soberania do país asiático

suas famílias, não poderão entrar na China, Hong Kong e Macau, e as suas empresas e instituições ficarão impedidas de fazer negócios no país”, informou ontem o ministério chinês. Na declaração acrescenta-se que nos últimos anos “alguns políticos anti-China, motivados pelo interesse próprio, preconceito e ódio, sem demonstrar qualquer consideração pelos interesses do povo chinês e americano, planearam, promoveram e executaram uma série de medidas absurdas que interferiram seriamente nos assuntos internos da China, minaram os seus interesses, ofenderam o seu povo e alteraram gravemente as relações bilaterais”.

SANGUE NOVO

Mike Pompeo

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Peter Navarro

U M A declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, lê-se que para além de Pompeo, foram sancionados outros membros da antiga administração de Trump: Peter Navarro, antigo conselheiro comercial da Trump, Robert O’Brien, subsecretário para os Assuntos da Ásia Oriental e Pacífico, Alex Azar, secretário de Saúde e Serviços Humanos, entre outros. Todos eles tiveram fricções com Pequim em algum momento: por exemplo, Azar tornou-se em

Alex Azar

Agosto do ano passado o mais alto funcionário norte-americano a fazer uma visita oficial a Taiwan - que a China reivindica como parte da sua soberania - desde 1979, provocando um forte protesto de Pequim. O país asiático também sancionou o antigo conselheiro de

John Bolton

segurança nacional de Trump, John Bolton, e antigo conselheiro Steve Bannon, um antigo estratega da Casa Branca e a quem foi concedido um perdão presidencial pelo Presidente cessante algumas horas antes de deixar o cargo. “Todos eles, bem como as

“Todos eles, bem como as suas famílias, não poderão entrar na China, Hong Kong e Macau, e as suas empresas e instituições ficarão impedidas de fazer negócios no país.” MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

Na passada terça-feira, Pompeo tinha chamado “genocídio” à repressão de Pequim contra a minoria uigur, quando declarou que “a China, sob a liderança e controlo do Partido Comunista da China, cometeu genocídio contra os uigures predominantemente muçulmanos e outras minorias étnicas e religiosas em Xinjiang”. Anteriormente, Pompeo tinha marcado a China como uma “frágil ditadura” que não pode aspirar à “liderança global” depois de um tribunal chinês ter condenado dez dos doze habitantes de Hong Kong que tentaram fugir do território para Taiwan em Agosto. Conter a ascensão da China foi uma das obsessões do Presidente norte-americano cessante Donald Trump, cujas políticas proteccionistas terão de ser calibradas pelo seu sucessor, Joe Biden, à medida que Pequim avança na sua campanha para expandir as suas redes de influência. Resta saber como o sucessor de Pompeo, Antony Blinken, irá lidar com a China. Blinken disse na terça-feira que concordava “em termos gerais” com a abordagem da administração Trump à China, embora tenha dito que não concordava com os seus métodos.

EUA PEQUIM FELICITA BIDEN E PEDE UNIDADE NA RELAÇÃO BILATERAL

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China felicitou ontem Joe Biden pela tomada de posse como Presidente dos Estados Unidos e lembrou o seu discurso para também pedir “unidade” na relação entre os dois países. “Constatei que o Presidente Biden insistiu repetidamente no seu discurso na palavra ‘unidade’. Acho que é exactamente disso que precisamos ago-

ra na relação sino/norte-americana”, disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China aos jornalistas. A relação entre os dois países caiu ao nível mais baixo sob a Administração do ex-Presidente Donald Trump, que travou uma guerra comercial e tecnológica com o gigante asiático.

Logo após a posse de Joe Biden, que ocorreu na quarta-feira em Washington, Pequim anunciou sanções contra 28 ex-funcionários do Governo cessante, incluindo o secretário de Estado Mike Pompeo, que será proibido de entrar na China e em Hong Kong. Mas Pequim, que demorou para reconhecer a vitória do candidato

democrata, diz que quer virar a página. “Eu penso que tanto a China quanto os Estados Unidos devem ter coragem e mostrar sabedoria para se entenderem mutuamente”, disse a directora do departamento de informações do ministério chinês. “É obrigação da China e dos Estados Unidos, como duas grandes nações, e também é a esperança da comunidade

internacional”, declarou a porta-voz. “Se os dois lados cooperarem, os anjos benevolentes prevalecerão sobre as forças do mal na relação China-EUA”, declarou Hua, citando outra passagem do discurso de Joe Biden. A porta-voz saudou o regresso dos Estados Unidos ao acordo de Paris sobre o clima e à Organização Mundial da Saúde (OMS).


sexta-feira 22.1.2021

Farei divinas terras magnéticas

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Uma questão darwiniana

M sujeito senta-se para escrever uma crónica depois de uma interrupção de mais de um mês e pensa: deve certamente haver um assunto sobre o qual valha a pena discorrer que não gravite à volta da pandemia e dos seus efeitos. Quase toda a gente escreve diariamente sobre a COVID. Mais do que esclarecer ou ajudar a dissipar a bruma noticiosa na qual navegamos à vista, a multiplicação interminável de opiniões contribui para adensar o ruído e concorre para a confusão instalada. A “Era da informação”, como era gloriosamente apelidado o acontecimento da Internet e da comunicação global em tempo real revelou-se, afinal de contas, a era da confusão, e um sujeito, em vez de ter mais informação disponível e informação de maior qualidade, vê-se pelo contrário a navegar num charco onde a maior parte daquilo que pretende passar por informação é apenas opinião infundada amplificada pelo meio que a veicula. Há apenas uma vintena de anos, o futuro parecia risonho. O século XXI prometia acabar com o cancro e a maior parte das doenças, com a fome ainda escandalosamente instalada nos países mais pobres e até se falava na possibilidade cada vez mais presente de descobrirmos por fim que não estamos sozinhos no universo. Talvez não estejamos tão longe de cumprir alguns dos desígnios a que nos propomos. Talvez o século XXI acabe por ser estupidamente generoso do ponto de vista técnico. Todos os dias milhões de mulheres e de homens trabalham – com meios técnicos cada vez mais sofisticados – para tornar a nossa vida mais fácil, mais prazerosa e menos propensa aos achaques com que a natureza nos presenteia desde sempre. A esperança média de vida aumenta todos os anos. A sobrevida ao cancro, um dos grandes ceifeiros planetários, também. Erradicámos a varíola. A poliomielite. Estamos no caminho certo para desacelerar e, porventura, travar esta pandemia. Nunca tivemos tantos recursos para o fazer. E, no entanto, subsiste – e não tão discretamente assim – uma aura de desesperança que perpassa todos os estratos sociais e aspectos do quotidiano.

CHARLES DARWIN, JOHN COLLIER

OFício dos ossos

Valério Romão

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Durante muito tempo pensei que seria razoável alocar grande parte da responsabilidade pelo estado-de-coisas desanimador na estupidez generalizada e na aridez espiritual de que nenhuma técnica ou artefacto nos consegue aliviar. Por mais tecnicamente competentes que nos tenhamos tornado, cada homem e mulher continua a nascer tão oco como no início dos tempos. Acresce ainda a dificuldade de cada vez haver mais para conhecimento produzido por apreender, digerir e integrar. A educação, no sentido helénico do termo, continua a ser um percurso e uma responsabilidade individual. Pode ser que estejamos tão entretidos com a passagem do tempo e com a necessidade de preencher avidamente cada segundo desse andamento que não prestemos a devida atenção ao vagar, ao silêncio e ao que está mesmo ao nosso lado, a pedir olhos que vejam e mãos que cuidem. A minha tese no entanto, é por um lado mais optimista – no sentido em que isto não será um estado-de-coisas permanente – e mais pessimista – no sentido em que as coisas não melhorarão antes de piorar. Eu acho – sem qualquer fundamento científico que suporte esta tese, mas há ideias demasiado atractivas para não serem partilhadas – que estamos a viver, enquanto humanos, em pelo menos duas velocidades evolutivas diferentes. Parte da humanidade é ainda homo sapiens, o homem moderno cujos fósseis mais antigos foram descobertos em África e datam de há quase trezentos mil anos atrás. Tudo muito bem, o homo sapiens deu-nos as equações newtonianas, a relatividade geral e especial, Bach e o barroco e os antibióticos. Mas talvez já se esteja a esgotar – ou mesmo a regredir – do ponto de vista evolutivo. Outro homem, mais adaptado às circunstâncias deste mundo, delicadamente em equilíbrio entre o espírito e o chip de silício, reclama o seu lugar e, a seu tempo, uma nova classificação. Embora partilhem geografias, língua e cultura, um e outro nãos e entendem. Aquilo que promovem e pretendem, para si e para os outros, é radicalmente distinto. E este acontecimento, este choque evolutivo, não se dissipará sem que uma espécie erradique a outra.

Erradicámos a varíola. A poliomielite. Estamos no caminho certo para desacelerar e, porventura, travar esta pandemia. Nunca tivemos tantos recursos para o fazer. E, no entanto, subsiste – e não tão discretamente assim – uma aura de desesperança que perpassa todos os estratos sociais e aspectos do quotidiano


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22.1.2021 sexta-feira

FOMA JAREMSTCHUK

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Expectoracão Sara F.Costa

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UANDO o treino começa, o líder transmite a obediência regional com as palmas das mãos. Gritos de guerra tornam-se objetos duros pendurados na testa. Os objetos precipitam-se para se tornarem comestíveis. A procura do equilíbrio é a procura do terreno, olhos em forma de guardanapos para limpar o suor, para limpar o esforço físico e polir o ego. Qualquer terreno de visão é comestível quando se trata de alimentar o ego. Quantos hospitais habitam a nossa falta de amor-própio? Os outros têm de morrer e nós temos de sobreviver. Mesmo sabendo que isso é um mero acaso, é-lhes importante fazer disso bandeira. Os homens, duros, homens que se sabem defender, homens-muro onde não entra a lamechice do raciocínio. “É preciso alguém que diga umas verdades” diz um desportista para o outro. “É parar de usar palavras bonitas, é preciso ir-se direto ao assunto”. Homens-muro onde não entra a lamechice do pensamento. “É daqueles gajos que inco-

A lamechice de pensar moda as mulheres” ou os homens fracos, pessoas com batom vermelho que têm ar de quem lhes deve dinheiro. A ferocidade da falta de propósito, o vazio da rotina, a vontade de outra coisa. Outra coisa qualquer desde que haja contenda. Treinam há anos e nunca estiveram numa guerra. Give me a cause to die for. “Minorias étnicas é conversa de larilas”. Subitamente o desprezo por qualquer demonstração de inteligência. Homens duros onde não entra a lamechice da emoção. Conversa de mulher, muito articulada, à procura de vítimas nas vítimas,

com pena dos pobres. Homens-muro onde não entra a lamechice da empatia. “Era pô-los a todos na garagem e vê-los transformarem-se em arco-iris nus”. “Era pô-los no hospital a salivar com as papilas vermelhas e alimentar só a ponta da língua”. Trabalham e outros não trabalham. Queriam a vida de outros mas os outros só podem ter a vida que têm, porque eles não a têm. Porque eles trabalham. Dignidade importada de existir sem estar presente. Centros de treino geridas por totalitarismo patriarcal. As vítimas não são os refugiados de guerra nenhuma. Precisam

“Subitamente o desprezo por qualquer demonstração de inteligência. Homens duros onde não entra a lamechice da emoção. Conversa de mulher, muito articulada, à procura de vítimas nas vítimas, com pena dos pobres. Homens-muro onde não entra a lamechice da empatia.”

de atenção. As vítimas roubam-lhes a atenção. E são vítimas de exploração, arbitrariedades e violências. A fome de violência na crise existencial pousada nos sacos de pancada. As vítimas não são os refugiados de guerra nenhuma mas já que insistem, pode-se fazer uma guerra aqui. Se todos os sítios estiverem em guerra, já ninguém foge da guerra. Assim os impostos a serem usados de forma muito mais justa. Em armamento-esforço. O esforço de existir sem causas mas ser-se digno. Correr como quem tem poder. Um dia ouviram falar de interseccionalidades com as feminilidades e fizeram logo duzentas flexões seguidas. Homens que nunca cumprem regras porque são superiores a elas mas acham que a lei é para ser aplicada e a constituição alterada com todas as limpezas de um germofóbico. Libertam-se na atividade bélica porque o único confinamento necessário é o do horizonte. Todo o ódio acumulado numa falsa causa. Afinal, pensar é lamechas e idolatrar um tirano é transformar-se em tirano.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 22.1.2021

entre oriente e ocidente

FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO

Gonçalo M. Tavares

O caderno, a autoestrada, o futuro Elvia está a ouvir Dalida e não pára de rir às gargalhadas com a história de um coxo que Jesus não o curou. Elvira faz festas ao seu gato enquanto vê pela janela uma nuvem em forma de zepelim alemão. Emanuela sempre que diz a palavra futuro engasga-se e começa a tossir, e por isso está em frente aos pais a dizer a palavra futuro muito devagar como se fosse gaga ou como se a palavra estivesse armadilhada. Emilia aproxima-se do professor e diz que o ama. Emiliana gravou o som da sirene da ambulância e está a fazer uma composição sonora em que a sirene faz de soprano. Emma está a conduzir muito rapidamente na autoestrada e o filho olha, assustado, para o velocímetro como se estivesse hipnotizado. Enimia tem sessenta anos e acabou de vestir uma saia bem curta e enquanto se olha ao espelho repete três vezes não não não. Enrica dá um beijo na boca a Filippa e diz-lhe que não está apaixonada por ela, mas sim pelo irmão dela. Eracla vê as notícias e aponta no seu caderno o número de mortos da pandemia nos dez países de que gosta mais. Ermelinda chama nomes à máquina de lavar roupa que não funciona e bate com força no vidro até a mão começar a doer. Ermenegarda pinta os lábios de um vermelho bem vivo enquanto decora os nomes de todos os ossos da perna e repete muitas vezes a palavra perónio como se fosse um tantra qualquer. Ermenegilda diz a Carlo que está apaixonado por um Carlo mas é por outro Carlo e depois ri-se muito com ao ar baralhado do rapaz. Erminia acabou agora mesmo de dar uma aula de ciências pelo computador e como domina mal o programa não tem o som desligado quando repete duas vezes a palavra Puta. Ernesta tem a carta de condução caducada, mas agora pouco adianta porque o carro está destruído e ela deve ter partido uma perna. Ersilia acabou de se levantar. Esmeralda acabou de se deitar. Estella grita mas não sabemos porquê.

ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES

Mulheres de Itália (18)


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Cineteatro 14

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Um gato olha com curiosidade para dentro de uma câmara, às portas de centro de acolhimento para adopção de gatos em Van, na Túrquia. Esta raça de felinos, com pelo branco e olhos azuis, é característica da província de Van, no leste do país.

C I N E M A

SALA 1

1 6 3 7 2 5 9 1 7 8 4 0 0 7 5 6 THE MOVIE DEMON SLAYER: 8NO YAIBA 2 6 5 KIMETSU MUGEN 3 9 0 4 9 4 1 8 6 3 8 2 4 0 7 3 5 1 2 9 LOVE YOU FOREVER [B]

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Yoyo Yao Com: Lee Hongchi, Li Yitong 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 15

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5 0 8 2 8 6 0 7 2 3 6 1 OK! MADAM [B] FALADO 4 EM2JAPONÊS1 9 LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Solozaki Haruo 9 16.30,119.30,421.30 3 14.30, 6 5 2 8 3 7 5 6 0 9 7 4 1 8 9 5 7 4 3 0

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SALA 3

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FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Sotozaki Haruo 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

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opinião 19

sexta-feira 22.1.2021

confeitaria

JOÃO ROMÃO

NICOLAS POUSSIN, THE PLAGUE AT ASHDOD, 1630

C

OMECEI relativamente cedo, não tanto como quem vive em território chinês, mas quase: já se completou um ano desde que comecei a ter contacto próximo com os efeitos da presença do covid-19 nas nossas sociedades. Esse primeiro contacto foi logo bastante esclarecedor: estava eu em Sapporo, no Norte do Japão, e começava nessa altura a trabalhar à distância (mesmo sem vírus) num projecto de investigação com uma colega chinesa a viver em Busan, na Coreia do Sul. Em Dezembro já se tinham identificado na China os primeiros casos deste problema ainda difícil de definir e ainda mais de enfrentar, e nós estávamos ambos nas proximidades geográficas deste epicentro. No início de Janeiro, a minha colega foi visitar a família à China, com viagem marcada muito antes, e tornou-se na primeira pessoa minha conhecida a viver um confinamento: duas semanas sem poder sair de casa, todo o tempo que durou a viagem, desde que aterrou até que saiu de território chinês. Regressaria então à Coreia e tornava-se também na primeira pessoa que conheci a passar por uma quarentena: outras duas semanas fechada em casa, agora em território coreano. No total foi um mês, o que hoje parece um período de reclusão e isolamento relativamente curto banal, mas que na altura constituía radical novidade a irromper subitamente nos quotidianos das sociedades modernas, habituadas a outras liberdades e intensas mobilidades. Apercebi-me também cedo de que estar forçosamente confinado em casa não implica necessariamente ter mais disponibilidade para trabalhar: operam ao mesmo tempo outros mecanismos fisiológicos e psicológicos que de alguma forma neutralizam a aparente boa vontade dos relógios e dos calendários para nos oferecer tempo para trabalhar. Havia de perceber mais tarde que, um pouco por todo o lado, todos demorámos a transformar esta reclusão forçada em processos produtivos, fossem eles quais fossem. Nos finais de Janeiro o vírus chegaria à cidade onde eu vivia, Sapporo, a capital da região de Hokkaido, destino turístico de grande notoriedade no mercado chinês, que nesse mês organiza o seu maior evento, o Festival da Neve, com esculturas em gelo de grandes dimensões a ocupar o parque central da cidade. Foi um funcionário de apoio ao evento o primeiro a ser noticiado como infectado na cidade, numa altura em que a propagação se contava ainda em escassas unidades por semana e se sabia exactamente como as coisas se tinham passado. Ainda assim, a China era perto e a informação sobre o

Um ano em covid

ambiente de terror que lá se vivia - com mais de mil milhões pessoas confinadas e enormes cidades transformadas em desertos - era suficiente para se começarem a antecipar respostas possíveis se e quando o vírus chegasse. Isso era no Japão, evidentemente, ou na Coreia, ou em Singapura, ou na generalidade dos países asiáticos. Na Europa e na América era tempo de contar anedotas xenófobas sobre a fraca qualidade do “vírus chinês”. Continua a pagar-se muito alto o preço desta arrogante negligência. Noutras cidades japonesas foram aparecendo casos isolados mas seria Hokkaido a ter o crescimento mais rápido dos contágios, levando o governo regional a decretar um “estado de emergência” para a região assim que se registaram quase 10 casos durante três dias consecutivos. Na altura eram cerca de 50 as pessoas infectadas mas já grandes os receios. Na nossa política de emergência doméstica, decretámos rapidamente um recolher quase obrigatório, só com as excepções inevitáveis por motivos profissionais, que a situação de gravidez que vivíamos nos pareceu requerer. Numa das poucas cidades em apareceram casos de infeções havia de realizar-se em Fevereiro uma conferência para a qual já tinha pago

“Rigorosamente nada foi antecipado, preparado ou planeado nos 3 ou 4 meses que passaram entre a identificação do vírus na China e a sua chegada à Europa.”

inscrição e viagem e que decidi cancelar. Tendo em conta o carácter que me pareceu excepcional da situação, ainda tentei ser reembolsado pelo pagamento da inscrição. Debalde, que a organização - por acaso posicionada no campo do “pensamento crítico” na área dos estudos turísticos - se remeteu escrupulosamente às datas regulamentares. Ainda enviei por email ligações para notícias sobre eventos já na altura cancelados em diferentes países, mesmo na distante Europa, mas o que recebi em resposta foi outro texto da imprensa, em que um comentador classificava como “histérica a xenófoba” a reacção de medo em relação à propagação do vírus. Por coincidência, havia de encontrar o nome do meu interlocutor em sérios e graves publicações e debates científicos relacionados com os efeitos da pandemia no turismo. O moderno charlatão não se passeia só pelas redes sociais. Depois de uma fase em que a situação parecia contida, uma segunda vaga de contágios havia de chegar ao Japão, numa altura em que felizmente tinha que mudar de cidade: Hokkaido voltava a estar na liderança das preocupações pandémicas, enquanto no meu novo destino (Hiroshima) muito poucas notícias havia do vírus. Em todo o caso, as regras de prudência e confinamento doméstico só interrompido por motivos inevitáveis e inadiáveis havia de se manter. O novo trabalho havia de começar, a propagação do vírus havia de se agravar, as aulas passariam subitamente a ser dadas online, a nossa filha chegaria com o solstício, e tudo foi correndo com relativa tranquilidade, nessa altura em que já na Europa se tinha demonstrado com evidência a incúria com que se lidou com

o assunto, quer enquanto continente (ou enquanto União), quer por parte de cada um dos países: nem máscaras, nem ventiladores, nem planos para encerramento de voos (só em Abril e para reabrir no verão), nem estratégia para confinamentos gerais ou parciais em que se garantissem regras de tele-trabalho, abastecimentos domésticos de produtos essenciais ou transportes públicos em segurança para quem precisa. Rigorosamente nada foi antecipado, preparado ou planeado nos 3 ou 4 meses que passaram entre a identificação do vírus na China e a sua chegada à Europa. Recentemente vivi a terceira vaga, mais forte que as anteriores, e que desta vez atingiu mais fortemente a região de Hiroshima. Pela primeira vez, houve encerramento generalizado de restaurantes e comércio não essencial e apelos (não obrigatórios mas amplamente seguidos) a recolhimento doméstico. O programa de apoio ao turismo interno que tinha sido accionado foi suspenso. Mas aparentemente este confinamento que vivemos no Natal e Ano Novo (e continua a prolongar-se, enquanto recomendação, até ao início de Fevereiro) teve os seus resultados: numa cidade com mais de um milhão de habitantes, os casos diários de novas infecções voltaram a estar abaixo da dezena, quando tinham estado perto da centena durante quase dois meses. O momento é de relativa mas desconfiada tranquilidade: a vacinação generalizada ainda está longe e não se sabe se está a chegar uma nova vaga de infeções. Na Europa, entretanto, vive-se por esta altura o momento mais dramático e violento desta crise. Não havia mesmo necessidade nenhuma.


“Existe no homem um vazio do tamanho de Deus.”

sexta-feira 22.1.2021

PALAVRA DO DIA

Fiódor Dostoiévski

COVID-19 UM INFECTADO ENTRE OS PASSAGEIROS DO VOO VINDO DE TÓQUIO

Droga Detidos três residentes por tráfico e consumo de ice

Macau tem um novo caso de covid-19. De acordo com o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, o 47º caso chegou ontem num dos voos, o segundo, da Air Macau, oriundo de Tóquio. A paciente é uma residente, de 43 anos, que partiu do Dubai a 19 de Janeiro, e que chegou a Tóquio via Singapura. O primeiro teste rápido à covid-19 acusou positivo e, segundo as autoridades, é um caso assintomático. A paciente, em conjunto com outros oito indivíduos com quem teve contacto próximo vão ficar no Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane, em isolamento. Ontem chegaram a Macau 109 residentes, que vão cumprir quarentena no Hotel Grand Coloane, durante 21 dias.

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Violência Doméstica Cecilia Ho defende natureza pública do crime

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DSEJ “Os jovens são a força vital e os anfitriões do futuro desenvolvimento de Macau.”

Uma vontade de ir Base da Educação do Amor pela Pátria já recebeu 1.577 visitantes

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ESDE que foi inaugurada em Dezembro, a Base da Educação do Amor pela Pátria recebeu a visita de 1.577 pessoas, provenientes de 44 escolas e associações. Para o futuro estão previstas actividades de caligrafia chinesa, arte do chá e a produção do vídeo “Histórias antes e depois do Regresso de Macau à Pátria” Entre 16 de Dezembro de 2020 e a passada quarta-feira, a Base da Educação do Amor pela Pátria e por Macau para Jovens, no Museu das Ofertas da Transferência de Soberania, foi visitada por 1.557 pessoas, oriundas de 44 escolas e associações. A informação foi enviada ontem ao HM pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Recorde-se que durante o discurso de inauguração, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng alertou que Macau se debate com mudanças que implicam “visão estratégica” no planeamento do futuro das próximas gerações

de forma a garantir o amor pela pátria e por Macau, bem como pelo princípio “Um País, Dois Sistemas”. Na resposta enviada, a DSEJ recorda que, ainda este mês, foi lançado o “Projecto de Educação sobre a Extensão do Amor pela Pátria e por Macau” com o objectivo de permitir a alunos de diferentes níveis conhecer “de forma animada e activa, a história e o desenvolvimento social do País e de Macau”, assim como “a ligação entre os feitos das personagens históricas contemporâneas de Macau e a história do País”. De acordo com os serviços de educação, até ao momento, mais de 2.700 docentes e alunos de 23 unidades escolares inscreveram-se na iniciativa. Estão também previstas actividades relacionadas com a cultura chinesa, como caligrafia chinesa e a arte do chá. “Para que os visitantes possam conhecer o País através de imagens”, a DSEJ apontou ainda que o Museu de Luzes Shenzhou da

Base de educação será usado para produzir um vídeo de curta duração intitulado “Histórias antes e depois do Regresso de Macau à Pátria”.

COMO UMA FORÇA

A DSEJ aponta que a Base de Educação de Amor pela Pátria e por Macau é um “importante recurso educativo” para os alunos, “funcionando como fonte de inspiração para a sua integração no futuro desenvolvimento da região e da pátria”. “Os jovens são a força vital e os anfitriões do futuro desenvolvimento de Macau. A Base da Educação do Amor pela Pátria e por Macau para Jovens tem como objectivo exibir, de forma simplificada e multifacetada, a evolução do desenvolvimento do País e de Macau, permitindo aos jovens de Macau conhecerem a história e cultura chinesas e reforçarem o seu sentimento patriótico”, complementam os serviços de educação. Pedro Arede e Salomé Fernandes pedro.arede.hojemacau@gmail.com

GCS

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ECILIAHo indicou que seria um retrocesso a violência doméstica deixar de ser crime público para se tornar apenas semi-público. A académica, citada pelo jornal All About Macau, frisou que não é a definição do crime público que destrói a harmonia familiar, mas sim a violência. A académica defendeu que a natureza de crime público tem como objectivo promover a consciência social de tolerância zero à violência doméstica. A lei entrou em vigor há mais de quadro anos, e Cecilia Ho considera que actualmente muitas vítimas começam a ganhar coragem para pedir ajuda. Cecilia Ho apontou que o sistema para proteger as vítimas de violência doméstica precisa de melhorias, nomeadamente para assegurar às vítimas uma pensão alimentar depois de saírem da casa, sem que esse valor seja deduzido do subsídio atribuído pelo Instituto de Acção Social (IAS). Segundo o jornal Ou Mun, o IAS registou 30 casos suspeitos de violência doméstica nos primeiros três trimestres do ano passado, representando uma quebra de 13 por cento em termos anuais. Lei Lai Peng, Chefe de Departamento de Serviços Familiares e Comunitários, garante que os abrigos e as residências temporárias para as vítimas da violência doméstica são suficientes. Os abrigos têm 70 camas e as residências temporárias têm 45. A taxa de ocupação do ano passado fixou-se em cerca de 70 e 60 por cento, respectivamente.

Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem e duas mulheres por suspeitas dos crimes de tráfico e consumo de estupefacientes. Segundo a PJ, os três residentes de Macau foram apanhados em flagrante, quando, após sair de casa, o homem foi visto a sair da sua residência no Patane para vender estupefacientes às duas mulheres, nas redondezas no bairro. De imediato, os agentes intervieram para deter os suspeitos, tendo de seguida apreendido 0.38 gramas de metanfetaminas (mais conhecido por ice) na posse de uma das mulheres. No apartamento do homem foram apreendidos 15.58 gramas de ice, juntamente com utensílios para o consumo e preparação de estupefacientes. Após interrogatório por parte da PJ, as mulheres admitiram ser amigas do homem e que, recorrentemente, lhe adquirem estupefacientes. Por seu turno, o suspeito admitiu que há dois meses que trafica droga, recusando-se, contudo, a revelar à polícia qual a proveniência das substâncias. No total, foram apreendidos 15.96 gramas de metanfetaminas, com valor de mercado estimado em 53 mil patacas. Realizadas análises à urina, os três residentes acusaram positivo para o consumo de estupefacientes. O caso seguiu para o Ministério Público, sendo os suspeitos acusados dos crimes de tráfico e consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, podendo ser punidos com penas de prisão de 5 a 15 anos pelo tráfico e entre 3 meses a 1 ano pelo consumo. P.A.

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Hoje Macau 22 JAN 2021 #4695  

N 4695 de 22 de JAN de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

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