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A limpeza necessária

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Uma empreitada duvidosa

hoje macau Nº 4858

TERÇA-FEIRA 21-9-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Estado de graça

A Associação de Jiangmen, apoiante da lista vencedora das recentes eleições para a AL, foi agora contemplada com um espaço destinado a acolher um centro de idosos. A candidatura, apresentada há alguns anos, teve finalmente uma resposta positiva do Instituto de Acção Social, que cede o local, sem contrapartida do pagamento de renda, ao abrigo da lei destinada a ajudar quem presta apoio social. PÁGINA 2

MOP$10

SOFIA MARGARIDA MOTA

JOGO

VACINAS

OS APELOS DE ELLA PÁGINA 3

A RELÍQUIA

PAULO JOSÉ MIRANDA

FRONTEIRAS

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PUB.

ESTRANGEIROS À ESPERA PÁGINA DE LUZ VERDE 5

GAO ERQIANG / CHINADAILY.COM.CN

ÚLTIMA

TURISMO

ESTRELAS NO CÉU DE MACAU EVENTOS


2 política

21.9.2021 terça-feira

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IAS ASSOCIAÇÃO DE JIANGMEN RECEBE ESPAÇO PARA ABRIR CENTRO DE IDOSOS

O reverso da medalha

Com o objectivo de abrir um centro de idosos, foi cedido gratuitamente à Associação dos Conterrâneos de Jiangmen uma fracção do Edifício Mong In, em Mong-Há. O acordo de um ano, não contempla o pagamento de renda e surge ao abrigo da lei que prevê a concessão de apoios a privados que prestem apoio social

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Instituto de Acção Social (IAS) cedeu à Associação dos Conterrâneos de Jiangmen uma fracção de 600 metros quadrados no rés-do-chão do Edifício Mong In, no complexo de habitação social de Mong-Há. De acordo com uma resposta enviada ao jornal Cheng Pou, a cedência do espaço surge no seguimento de uma candidatura apresentada “há alguns anos” pela associação, onde terá manifestado interesse em abrir um centro de serviços para idosos em Mong-Há, dado que naquele local não existem infraestruturas semelhantes. No final do mês passado, uma tarja a dizer “Centro de Actividades de Saúde e Bem-estar daAssociação dos Conterrâneos de Jiangmen” foi colocada à entrada da fracção. Nesta altura, antes das eleições, a associação apoiava uma lista, liderada por Zheng Anting, que viria a ser a mais votada nas eleições directas para a Assembleia Legislativa. Inquirido pelo jornal Cheng Pou sobre o processo de cedência, o IAS esclareceu que em 2018 recebeu o espaço do Instituto de Habitação (IH) e que, após analisar

Bases de apoio

IAS “O IAS concordou em ceder as instalações para a criação de um centro de actividades para idosos.”

o pedido apresentado pela Associação de Jiangmen, concordou com a criação de um novo centro de idosos em Mong-Há sob a gestão da associação.

“Após uma análise abrangente da necessidade da prestação de serviços dedicados a idosos na região de Mong-Há e do conteúdo do plano de serviços apresentado

pela Associação dos Conterrâneos de Jiangmen, bem como da sua experiência na prestação de serviços, o IAS concordou em ceder as instalações para a criação de um

É preciso preparar o amanhã Governo antevê dificuldades de adaptação de alguns residentes a Hengqin

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Executivo admite a hipótese de alguns residentes sentirem dificuldades de adaptação na Ilha da Montanha, uma vez que as leis aplicáveis são as do Interior da China. Segundo um comunicado do Gabinete de Comunicação Social, emitido na manhã de ontem, a “Zona de Cooperação está sujeita à lei do Interior da China” com regras que “apresentam várias diferenças em relação às de Macau e a nível internacional”. Por isso, é deixado o aviso que os “residentes de Macau e quadros qualificados internacionais” podem “encontrar problemas de não adaptação às regras quando viverem, trabalharem ou iniciarem negócios próprios na Zona de Cooperação”.

centro de actividades para idosos”, pode ler-se na resposta enviada ao Cheng Pou. Na mesma nota, o IAS refere ainda que a cedência do espaço através de concessão está de acordo com a lei que prevê as formas de apoio a conceder pelo IAS às entidades privadas que exercem actividades de apoio social. Questionado sobre as condições, o IAS esclareceu que o contrato de concessão é válido pelo período de um ano e que dispensa a Associação de Jiangmen do pagamento de renda. Caso os objectivos traçados no contrato sejam cumpridos, o contrato será renovado por mais um ano. Os destinatários do espaço, esclareceu ainda o IAS, são todas as pessoas com 60 ou mais anos, não se cingindo aos membros da associação.

O desafio não é ignorado pelas autoridades, que explicam que o projecto antevê “regras jurídicas em matéria civil e comercial” que deverão estar articuladas com Macau e com os critérios internacionais. O objectivo destas regras passa por “criar um regime que garanta um ambiente agradável para viver e trabalhar tendencialmente semelhante ao de Macau e aos padrões internacionais”. Segundo a interpretação, este caminho permite reforçar “a capacidade de atracção de residentes de Macau e quadros qualificados internacionais”.

Mecanismo de resolução

Com a maior integração de Macau no Interior, através de Cantão, é tam-

bém antevisto que surjam “conflitos crescentes sobre assuntos diversos”, entre as partes presentes na Ilha na Montanha. Neste cenário, o Governo considera necessário criar “mecanismos adequados para a resolução” de eventuais diferendos. Em relação a este aspecto as autoridades de Macau anunciam o “reforço de intercâmbio e cooperação na área judiciária entre Guangdong e Macau”, e ainda a “criação e aperfeiçoamento de mecanismos diversificados para a resolução de conflitos em matéria comercial, incluindo o julgamento, a arbitragem e a mediação em matéria comercial internacional”. J.S.F.

Recorde-se que em Agosto, por ocasião da última campanha eleitoral, as actividades da Associação dos Conterrâneos de Jiangmen entraram no radar do CCAC, depois de a entidade ligada à lista União de Macau-Guangdong, liderada por Zheng Anting, ter organizado uma sessão sobre o preenchimento do boletim de voto, que incluía a entrega de um cabaz de ofertas. Outra actividade que gerou polémica prendeu-se com a distribuição de dinheiro a idosos. Neste último caso, todos os membros da associação com mais de 60 anos, estavam habilitados a receber um apoio monetário como forma de expressar “gratidão e simpatia” e “respeitar e cuidar dos idosos”. Dias mais tarde, no seguimento de o CCAC ter avisado as associações ligadas às listas eleitorais para suspenderem a distribuição de dinheiro, através de apoios ou bolsas de estudo, a actividade foi cancelada. Pedro Arede

HENGQIN ZHENG ANTING QUER POTENCIAR INVESTIMENTOS

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deputado recém-eleito para a nova legislatura, Zheng Anting defendeu ontem a criação de uma plataforma especial dedicada aos diversos sectores e pessoas a título individual interessados em investir na zona de cooperação aprofundada de Macau e Guangdong em Hengqin. A sugestão foi apresentada ontem no programa “Fórum Macau”, transmitido no canal em língua chinesa da TDM Rádio Macau. O deputado apontou que irá propor a criação de um mecanismo onde todos os sectores interessados no de-

senvolvimento de Hengqin possam reflectir e aprender como potenciar investimentos na nova zona. Alguns ouvintes que participaram na emissão perguntaram ao deputado se concordava que a abertura ao público das reuniões das comissões de acompanhamento tornaria a Assembleia Legislativa “mais transparente”. Zheng Anting recusou a ideia de as comissões de acompanhamento serem “opacas” e deu como exemplo o facto os meios de comunicação social estarem autorizados a colocar questões ao presidente da comissão após as reuniões. P.A.


terça-feira 21.9.2021

HOJE MACAU

Covid-19 Mak Soi Kun sugere que vacinação seja obrigatória

política 3

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Tendo em vista a recuperação económica de Macau através da abertura de fronteiras a mais turistas, o deputado Mak Soi Kun quer saber se o Governo vai tornar a vacinação obrigatória para determinadas franjas da sociedade. “Quer seja para liderar a recuperação económica ou proteger a saúde pública, é fundamental que a taxa de vacinação alcance os valores que permitam criar uma barreira imunológica”, apontou o deputado em interpelação escrita. Para Mak Soi Kun é imperioso que “Macau seja capaz de criar condições para atrair mais turistas” e evite “estar cada vez mais isolada”, pedindo, por isso, que o Governo tenha em consideração medidas e programas de vacinação de referência noutros países e regiões com elevada taxa de vacinação.

LUSOFONIA AMCM JUNTA BANCOS CENTRAIS EM VIDEOCONFERÊNCIA

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Autoridade Monetária de Macau (AMCM) juntou os bancos centrais dos países lusófonos para discutir o futuro da estatística num cenário de pós-pandemia de covid-19. O presidente do conselho de administração da AMCM, Chan Sau San, sublinhou durante a iniciativa que “a função estatística das instituições centrais desempenhará um papel cada vez mais activo, estabelecendo fundamentos objectivos indispensáveis para os estudos e a definição de políticas e a supervisão subsequente”, devido à “incerteza causada pelo cenário pandémico na economia e no sector financeiro. Aimportância da função estatística e dos dados estatísticos financeiros dos bancos centrais para a avaliação da economia e da estabilidade financeira, no contexto pandémico, bem como os desafios tecnológicos, foram também temas abordados numa videoconferência que juntou os bancos centrais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, para além da AMCM. O XI Encontro de Estatísticas dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa é um evento bianual que deveria ter ocorrido em 2020, mas que foi adiado devido à pandemia, tendo-se realizado por videoconferência. O evento foi subordinado ao tema “Da sobrevivência à inovação: a função estatística no pós-epidemia”.

VACINAS ELLA LEI PEDE EXPLICAÇÕES SOBRE INTRANSIGÊNCIA QUANTO A INCENTIVOS

Operários antivirais

A deputada ligada à FAOM quer garantias do Executivo de que as orientações a privados não obrigam trabalhadores a serem vacinados. Além disso, Ella Lei pediu incentivos à inoculação semelhantes aos dados em Hong Kong

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deputada Ella Lei, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), pediu ontem ao Governo medidas de incentivo à vacinação, como acontece em Hong Kong. A posição foi tomada através de interpelação escrita divulgada ontem, em que são exigidas explicações quanto ao que a deputada entende como intransigência em não conceder “incentivos”. “Será que o Governo vai implementar benefícios substanciais, como folgas para vacinação, de forma a fazer com que mais privados sigam o exemplo e promovam a vacinação dos empregados?”, questionou. “Se não vai, que razão leva o Governo a ser intransigente em adoptar medidas de incentivo para promover a vacinação voluntária de

toda a população?”, é igualmente perguntado. Segundo as últimas orientações dos Serviços de Saúde, os trabalhadores que não tenham sido vacinados, ou que não apresentem teste de ácido nucleico com um resultado

“Por todo o mundo, governos adoptaram diferentes incentivos para os residentes se vacinarem. Por exemplo, em Hong Kong as pessoas podem tirar folgas para a vacina e para descansar.” ELLA LEI DEPUTADA

negativo com pelo menos sete dias, estão impedidos de trabalhar.Amedida é para ser implementada pelo sector privado, além do público, e foi tomada após as autoridades médicas nacionais terem criticado a baixa taxa de vacinação em Macau. Apesar da vacinação ser gratuita, o Governo não tomou outras acções de incentivo. Este aspecto foi criticado pela legisladora da FAOM. “Por todo o mundo, governos adoptaram diferentes incentivos para os residentes se vacinarem”, vincou. “Por exemplo, em Hong Kong as pessoas podem tirar folgas para a vacina e para descansar. O Governo de Macau devia liderar neste aspecto e promover melhor a vacinação”, atirou.

À vontade do freguês

A deputada está também preocupada que o Executivo não esteja

a respeitar o “princípio da vacinação voluntária”, uma promessa feita desde o início da campanha de inoculação. Segundo Ella Lei, como as instruções do Executivo para os privados não são muito claras, há circunstâncias que têm levado a situações em que os empregados praticamente não têm escolha e acabam vacinados. “Sobre estas ocorrências, o Governo devia ter um mecanismo para evitar situações que são inconsistentes com a vontade original das instruções”, defendeu. “Será que os Serviços de Saúde vão implementar o ‘princípio voluntário da vacinação’ nas instruções com mecanismos para evitar violações?”, perguntou. João Santos Filipe


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21.9.2021 terça-feira

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HOTÉIS RECEITAS CAEM 66,2 POR CENTO EM 2020

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VIP ALVIN CHAU DIZ QUE REVISÃO DA LEI DO JOGO NÃO VAI AFASTAR JUNKETS

Separar trigo do joio

O líder da Suncity Group acredita que as novas propostas para a revisão da lei do jogo, não têm como objectivo expulsar junkets do mercado de Macau. Alvin Chau encara as regulações em consulta pública como uma forma de controlar a origem do capital usado nas salas VIP e credibilizar o sector

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UANDO foi divulgado o documento, que está em consulta pública, sobre a revisão da lei do jogo soaram alarmes em vários sectores da indústria mais lucrativa e característica de Macau. Um deles foi o do jogo VIP, que tem sofrido com a crise gerada pela pandemia e as restrições nacionais à saída de capitais. Ainda assim, o CEO do grupo Suncity, Alvin Chau, não está preocupado, nem encara as medidas propostas como uma forma de o Governo se “livrar dos junkets no mercado local”. Em declarações ao Hong Kong Economic Journal, Alvin Chau afirmou que encara as propostas do Governo como uma forma para diferenciar o capital usado pela indústria, excluindo o que é proveniente ou usado com intenções ilegítimas. “Não é para excluir

completamente a entrada de fundos de clientes. Se os clientes não nos pagam, como poderemos comprar fichas de jogo em seu nome?”, comentou o CEO ao jornal de Hong Kong, citado pelo GGRAsia. O documento que levanta a ponta do véu sobre o que poderá ser o futuro regime legal que irá regular o jogo em Macau coloca os promotores de jogo, como o grupo Suncity, debaixo de maior escrutínio.

Purificar o mercado

Ainda sem se conhecer o formato, o documento revelado na semana passada parece seguir o caminho da credibilização dos junkets e outros operadores que desempenham cargos na concessionária ou nas sociedades gestoras. Aliás, durante a conferência de imprensa que anunciou a consulta

Guia Teleférico encerrado para manutenção O teleférico da Guia estará a partir de hoje encerrado para manutenção, após ter sido detectado desgaste em algumas peças que necessitam de substituição. De acordo com uma nota divulgada ontem pelo Instituto para os Assuntos Municipais

(IAM) o procedimento está enquadrado na manutenção regular do equipamento e tem como objectivo “salvaguardar a segurança do público”. “O IAM solicita a compreensão do público e lamenta quaisquer incómodos causados”, acrescenta o organismo.

pública sobre a revisão da lei do jogo, o secretário da Economia e Finanças apontou a via para assegurar a defesa da lei. “Queremos que haja um mecanismo de verificação de idoneidade dos promotores de jogo porque eles também são intervenientes do sector. Através da apreciação da sua idoneidade, vamos assegurar a sua legalidade em vários aspectos

“O Governo não pretende banalizar ou expulsar os junkets, mas regular o sector para que não prejudique a reputação de Macau.”

como a capacidade financeira. Queremos aperfeiçoar o mecanismo de fiscalização”, sublinhou Lei Wai Nong. Seguindo as declarações do governante, Alvin Chau entende que “o Governo não pretende banalizar ou expulsar os junkets, mas regular o sector para que não prejudique a reputação de Macau”. Nos últimos anos, Macau registou vários roubos de quantias elevadas de depósitos em salas VIP, alguns envolvendo profissionais de junkets. Alvin Chau comentou a situação exemplificando como uma das áreas em que o Governo deverá implementar novas medidas, remediando os danos que provocam à credibilidade da indústria. João Luz

M 2020, o sector hoteleiro de Macau registou receitas de 12,93 mil milhões de patacas, uma descida de 66,2 por cento relativamente a 2019. De acordo com dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a queda ficou a dever-se à baixa taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes (28,6 por cento), que resultou da pandemia de covid-19. Dado que as despesas (22,22 mil milhões) foram superiores às receitas, revela a DSEC, o excedente bruto dos hotéis e pensões teve um défice de 9,36 mil milhões de patacas. Por seu turno, o valor acrescentado bruto, que reflecte o contributo económico do sector, fixou-se em 2,18 mil milhões de patacas, ou seja, menos 88,8 por cento, face a 2019. Em termos da classificação dos hotéis, observou-se que as receitas dos 36 hotéis de 5 estrelas foram de 10,03 mil milhões de patacas, isto é, menos 66,7 por cento, face a 2019. O excedente bruto destes estabelecimentos teve um défice de 7,85 mil milhões de patacas. Além disso, as receitas e despesas dos hotéis das restantes estrelas diminuíram em relação a 2019, tendo registado diferentes níveis de prejuízos. Em 2020 existiam 124 hotéis e pensões abertos ao público, mais dois do que em 2019 e o pessoal ao serviço totalizou 42.672 indivíduos, menos 9.181.

ALVIN CHAU CEO DO GRUPO SUNCITY

Morgan Stanley Receitas do jogo devem diminuir 23 por cento este ano O banco de investimento Morgan Stanley reduziu as estimativas das receitas do jogo para este ano em 23 por cento, de acordo com um relatório citado pelo portal GGR Asia. As previsões

apontam agora para receitas de 96,77 mil milhões de patacas, o que significa um aumento de 60 por cento face a 2020, quando o valor foi de 60,44 mil milhões de patacas. Segundo as explicações

dos analistas citados, a redução das estimativas tem por base as políticas de “tolerância zero” face aos casos de covid que têm sido adoptadas na RAEM e no Interior. Quando à abertura da

circulação entre Hong Kong, Macau e o Interior, a Morgan Stanley acredita que só vá acontecer depois dos Jogos Olímpicos de Inverno, que acontecem em Fevereiro deste ano.


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COVID-19 PEDIDOS PARA ENTRADA DE ESTRANGEIROS AINDA SEM APROVAÇÃO

Melhor esperar sentado O Instituto de Assuntos Municipais (IAM) negou que embalagens de fruta do dragão importadas do Vietname estivessem contaminadas com covid-19. A informação começou a circular no domingo, e fez com que as autoridades selassem todos os produtos de um vendedor para realizar testes. Contudo, segundo o comunicado, todas as amostras recolhidas tiveram um resultado negativo à presença de covid-19. O IAM garantiu ainda que mobilizou os recursos de forma urgente e que está preparado para assegurar a estabilidade do abastecimento de comida, principalmente numa altura em que se celebra o Festival do Bolo Lunar.

Taipa Viaduto da Piscina Olímpica inaugura sábado

O Viaduto da Piscina Olímpica vai entrar em funcionamento no próximo sábado. De acordo com uma nota conjunta da Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, estima-se que o troço que liga a Avenida dos Jogos da Ásia Oriental e a Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança reduza o fluxo de veículos na Rotunda da Piscina Olímpica em cerca de 30 por cento. Composto por duas rampas, cada uma num dos sentidos, e com a largura de seis metros, a obra foi feita para “responder às necessidades de desenvolvimento da Taipa” e “aumentar a capacidade da rede rodoviária na zona da Rotunda da Piscina Olímpica, aliviar a pressão de trânsito e melhorar a situação de trânsito nas principais artérias”.

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S Serviços de Saúde (SSM) ainda não aprovaram qualquer pedido de entrada em Macau por parte de estrangeiros que se encontrem em Hong Kong há mais de 21 dias. Os números foram avançados ontem, na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia. Segundo Leong Iek Hou, médica, desde o dia 15 de Setembro, quando a medida entrou em vigor, foram recebidos 25 pedidos. Entre estes, quatro estão ligados a estrangeiros que têm famílias com residentes na RAEM. Outras 15 solicitações, são de estrangeiros que têm famílias não-residentes no território. Existem ainda quatro pedidos relacionados com pessoas com actividade comercial em Macau e outros dois de estudantes admitidos nas universidades locais. “Actualmente uma parte das pessoas ainda está a entregar os documentos e estes estão no período de apreciação. Nenhum dos pedidos foi autorizado”, admitiu Leong Iek Hou. Sobre a possibilidade de ser reestabelecida a circulação com Hong Kong sem necessidade de quarentena, o cenário não sofreu qualquer alteração. Macau continua a negociar com o Interior a possibilidade da reabertura da circulação. “É preciso ter uma medida que tenha o consentimento

do Interior, por isso as três partes continuam a negociar”, respondeu Leong Iek Hou.

GCS

Pandemia IAM testou embalagens de fruta do dragão

Dos 25 pedidos de entrada de estrangeiros nos últimos cinco dias, as autoridades aprovaram zero. Também ontem foi revelado que à luz das novas exigências de vacinação foram emitidos 609 certificados médicos de dispensa

Mães e vacinas

“Actualmente uma parte das pessoas ainda está a entregar os documentos e estes estão no período de apreciação. Nenhum dos pedidos foi autorizado.” LEONG IEK HOU MÉDICA

Outro dos assuntos abordados na conferência de imprensa, foi o número de suspensões de vacinação. Segundo Tai Wa Hou, responsável pelo programa, até às 16h de ontem tinham sido emitidos 609 certificados médicos de suspensão da vacina, e cerca de 190 tinham sido emitidos a grávidas. No entanto, a posição do Governo face às mães que amamentam é diferente: “Em todas as recomendações, inclusive internacionais, é dito que as mães que amamentam devem ser vacinadas. A vacinação reduz o risco de contágio dos filhos, porque a mãe produz anticorpos, que depois são transmitidos aos filhos”, justificou Leong Iek Hou. “Todas as mães que amamentam podem apanhar a vacina mRNA [BioNTech-Pfizer]”, acrescentou. Por outro lado, o Governo afirmou que após as medidas que impõem a obrigação de vacinação ou realização de teste a cada sete dias, houve uma corrida à vacinação. “Após as novas medidas a vontade da população [ser vacinada] aumentou. Nos vários postos há um aumento das marcações, que subiram para o dobro”, revelou Tai Wa Hou. João Santos Filipe

FALSIFICAÇÃO INFORMÁTICA RESIDENTE DETIDA POR DESFALQUE DE 70 MIL RENMINBIS

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Polícia Judiciária (PJ) deteve no passado sábado uma residente de Macau por suspeitas da prática do crime de burla de valor elevado com recurso a falsificação informática. Em causa está o facto de a suspeita ter recorrido às redes sociais e a capturas de ecrã forjadas

para se fazer passar por três pessoas diferentes para burlar um homem em cerca de 70 mil renminbis. De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa, a burla aconteceu a pretexto da troca de dinheiro, com a vítima a mostrar-se interessada

em trocar 17.120 renminbis por 20 mil patacas. Se nas primeiras vezes, a suspeita respondeu com a transferência do montante acordado e a apresentação de uma captura de ecrã onde constava o respectivo valor, nas vezes seguintes, o resultado não foi o mesmo.

Isto porque, após as primeiras transacções terem corrido favoravelmente, a vítima recorreu novamente à suspeita para trocar, por duas ocasiões, 10.000 e 13.000 renminbis e 10.000 e 12.040 renminbis. No entanto, apesar de, tal como da primeira vez, a apresentação das capturas de

ecrã ter bastado para convencer o homem da veracidade da operação, a vítima acabaria por não reaver os montantes. Depois de investigar, a PJ viria a confirmar que a suspeita se fez passar por três pessoas diferentes para aliciar a vítima, acabando por detê-la na noite do passado

sábado quando esta tentou sair de Macau pelas Portas do Cerco. Após a detenção, a vítima admitiu a prática do crime. Por seu turno, a vítima revelou que, no total, dos 120 mil renminbis investidos, 50 mil foram trocados com sucesso e 70 mil ficaram perdidos. P.A.


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21.9.2021 terça-feira

DST GALA DE DRONES VAI ILUMINAR CÉU DE MACAU NO DIA NACIONAL

TPG/GETTY IMAGES

Constelações em

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série da Netflix "The Crown" foi a grande vencedora da 73.ª edição dos Prémios Emmy, levando pela primeira vez a estatueta de Melhor Série Dramática e dominando por completo a categoria na maior noite da televisão. “Estou sem palavras”, disse o produtor executivo de “The Crown”, Peter Morgan, no discurso de vitória do Emmy para série dramática do ano, que foi entregue no fim da cerimónia, na madrugada de ontem em Los Angeles. Olivia Colman, que já tinha vencido o Emmy de Melhor Actriz em Série Dramática pelo seu papel de Rainha Isabel II, mostrou-se surpreendida pelo domínio absoluto da

Streaming de sucesso “The Crown” é a grande vencedora dos Emmys

série, agora na quarta temporada, e a sua própria vitória. “Teria apostado dinheiro em como isto não aconteceria”, afirmou. Nas nove principais categorias de Série Dramática, “The Crown” venceu oito. Além de série do ano e Melhor Actriz, deu a Josh O’Connor o Emmy de Melhor Actor, pelo papel de Príncipe Carlos, distingiu Tobias Menzies como Melhor Actor Secundário pelo papel de Príncipe Filipe de Edinburgo e corou Gillian Anderson

como Melhor Actriz Secundária, por interpretar Margaret Thatcher. A série também recebeu o prémio de Melhor Escrita para Série Dramática, para Peter Morgan, e distingiu a realizadora Jessica Hobbs pelo episódio “War”, com o Emmy de Melhor Realização.

Kate Winslet premiada

A outra grande vencedora da noite foi a nova série da Apple TV+, “Ted Lasso”, premiada como Melhor Sé-

rie de Comédia contra títulos como “Black-ish”, “Emily em Paris” e “The Kominsky Method”. A produção, que conseguira vinte nomeações, levou igualmente os principais prémios de representação: o protagonista Jason Sudeikis foi Melhor Actor, Brett Goldstein foi Melhor Actor Secundário e Hannah Waddingham venceu o Emmy de Melhor Actriz Secundária. A também nova comédia da HBO, “Hacks”, conquistou várias distinções de peso. Jean Smart venceu o Emmy de Melhor Actriz e tanto os prémios de realização (LuciaAniello) como escrita (Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky) foram para esta série.

Na categoria de minissérie, série de antologia ou filme os prémios foram divididos entre “O Gambito da Rainha”, que conquistou o título de Minissérie do Ano e Melhor Realização (Scott Frank) e “Mare of Easttown”, que levou quase tudo na representação. A produção da HBO deu a Kate Winslet o Emmy de Melhor Actriz, a Julianne Nicholson o prémio de Melhor Actriz Secundária e a Evan Peters o Emmy de Melhor Actor Secundário. ”The Handmaid’s Tale”, da Hulu, foi uma das grandes derrotadas. O drama tinha 21 indicações e desta vez não recebeu qualquer prémio.


terça-feira 21.9.2021

movimento

A partir do dia 1 de Outubro realiza-se a “Gala de Drones Brilha sobre Macau”, uma série de dez espectáculos de luz e cor que irá iluminar o céu por cima do Lago Nam Van. Mais de três centenas de drones vão criar figuras e coreografias, substituindo o tradicional festival de fogo de artifício

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EM o tradicional festival internacional de fogo de artifício este ano, cancelado devido à pandemia, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), organiza, pela primeira vez, a “Gala de Drones Brilha sobre Macau” a partir de 1 de Outubro. Ao longo de cinco noites (1, 3, 9, 16 e 23 de Outubro), o céu por cima do Lago Nam Van vai iluminar-se com a luz de mais de três centenas de drones. Cada noite terá duas sessões, às 19h30 e às 21h30, e um espectáculo para cada noite do evento, a cargo de uma empresa diferente todas as noites. O espectáculo inaugural marcado para 1 de Outubro, dia que celebra a implantação da República Popular da China, intitula-se “Arte do Amor pela Pátria” e estará a cargo de uma empresa de Shenzhen. No dia 3 de Outubro, um domingo, é a vez de uma companhia de Guangzhou apresentar a coreografia “Construa a terra dos seus sonhos”, enquanto que a 9 de Outubro o “Charme de Macau” iluminará a noite num show montado por uma equipa

de Tianjin. Na noite de 16 de Outubro, outra companhia de Shenzhen comanda os drones no espectáculo “Desfrute da sua viagem em Macau”. Finalmente, a fechar a gala na noite de 23 de Outubro, uma empresa de Pequim apresenta “Paixão por Macau”. Todos os espectáculos têm duas sessões marcadas para as 19h30 e 21h30, cada uma com duração entre 10 a 15 minutos.

Barulho das luzes

A DST apresenta este evento pela primeira vez em alternativa a Festival Internacional de Fogo de Artifício, como já havia indicado a directora da DST, Helena de Senna Fer-

As empresas escolhidas “realizaram espectáculos de drones na app “yangshipin”, na contagem decrescente dos Jogos Asiáticos e na Gala do Ano Novo Chinês da CCTV”

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nandes, há cerca de um mês, enquanto ainda aguardava luz verde das autoridades de saúde. A DST explica que, devido ao impacto do surto do novo tipo de coronavírus, Macau adoptou restrições nas entradas e saídas nas fronteiras, “impedindo as equipas pirotécnicas provenientes de outros países e regiões de vir a Macau competir no Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau”. Facto que levou a que o evento fosse novamente cancelado, com a “Gala de Drones Brilha sobre Macau” a colmatar a lacuna deixada em aberto. A natureza deste tipo de espectáculos está, porém, dependente de condições meteorológicas. “O desempenho e canais de comunicação dos drones são influenciados pela intensidade do vento e da chuva”, explicam as autoridades, acrescentado que as condições mínimas exigem “velocidade do vento inferior a 31-40 km/h” e que não chova. Caso seja necessário adiar ou cancelar espectáculos, o “público será avisado, tanto quanto possível, com uma antecedência de duas horas”. Para tal, a DST irá coordenar com os Serviços

Meteorológicos e Geofísicos que irá avaliar a “situação concreta na altura” e ter como referência a previsão do tempo.

FRC “Uma noite com Piano” regressa sexta

Regressa esta sexta-feira à Fundação Rui Cunha (FRC) o evento “Uma Noite com Piano na Galeria”, em parceria com a Elite - Associação para a Criatividade e Cultura Musical. As edições deste ano contam com novos apresentadores, Livia Chau, Anson Lai e Karen Lam, e acontecem duas vezes por mês. Esta é uma iniciativa dedicada à música que dá a oportunidade a crianças de todas as idades de partilharem o seu talento e ganharem experiência de actuação em público.

Lusofonia Inaugurada hoje exposição de Ismael Hipólito Djata no Fórum Macau

É hoje inaugurada, a partir das 18h30, a exposição “Destruição da Humanidade”, do artista Ismael Hipólito Djata, integrada no ciclo de exposições “Policromias lusófonas” da 13.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. A mostra estará patente no edifício do Fórum Macau. Nascido na Guiné-Bissau em 1979, Ismael Hipólito Djata é, além de artista plástico e ilustrador, poeta e escritor. Depois de frequentar o liceu em Bissau, Ismael licenciou-se em Tecnologias e Sistemas de Informação pela Universidade do Minho. Na área das artes e letras Ismael fundou várias associações e entidades, tal como o Clube dos Poetas Mortos da Guiné-Bissau e os Irmãos-Unidos Arts, sendo ainda membro da Associação dos Artistas Plásticos da Guiné-Bissau, da Associação Movimento Artístico de Coimbra “MAC” e da Associação de Amizade e das Artes Galego Portuguesa. ‘’AAAGP’’.

De outra dimensão

Continuando o conceito de presentear o público com “artes visuais executadas no céu nocturno”, as autoridades indicam em comunicado que a “Gala de Drones Brilha sobre Macau” trazem uma nova experiência de entretenimento nocturno, “através da tecnologia, design tridimensional em 2D e 3D, luzes, música, entre outros elementos”. Em relação às empresas escolhidas, a DST refere que “possuem uma rica experiência de exibições com drones, realizado espectáculos de drones na app “yangshipin”, na contagem decrescente dos Jogos Asiáticos, na Gala do Ano Novo Chinês da CCTV, entre outras actividades no Interior da China”. Além disso, três das equipas que vão iluminar cinco noites de Outubro bateram o recorde mundial de maior número de drones a voar ao mesmo tempo e de voo mais demorado. João Luz

FIMM ESPECTÁCULO GRAVADO DE CUCA ROSETA NO CARTAZ

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edição deste ano do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) vai contar com um espectáculo gravado da fadista portuguesa Cuca Roseta. Segundo uma nota de imprensa, o espectáculo “Fado em Grande Ecrã: MEU de Cuca Roseta” integra a iniciativa “Fim de Semana FIMM-tástico: Noites com Música e Filmes”, que se realiza durante três noites consecutivas na Praça do Tap Siac. Esta iniciativa inclui ainda as exibições “Orquestra Sinfónica de Londres com Sir Simon Rattle em Grande Ecrã” e “Na Trilha Sonora de – Edição Especial”, bem como o filme “Cinema Silencioso – Rockfield: A Fazenda do Rock”, “Willy Wonka e a Fábrica de Chocolate”.  A pianista Chen Sa é outro dos nomes confirmados para a edição deste ano, sendo que o seu recital de piano abre o festival. A pianista apresenta Sonatas para Piano de Beethoven e breves peças de Robert Schumann, “oferecendo

uma interpretação única de várias obras-primas do Classicismo e do Romantismo, com a sua técnica sofisticada e delicada”, descreve o Instituto Cultural. O FIMM traz também um espectáculo protagonizado pela Orquestra de Macau em colaboração com Liu Ming, violinista. Além disso, a Orquestra Chinesa de Macau, em associação com a violinista Xie Nan e a executante de guzheng, Su Chang, irá apresentar o concerto “Ligação Musical Este-Oeste”, interpretando o Concerto para Violino The Butterfly Lovers, o Concerto para Guzheng Ru Shi e a peça com características musicais tipicamente sulistas The Sisters’ Islands. O cartaz oferece ainda o concerto “O Contemporâneo e a Tradição – Agrupamento de Música Cantonense”, além de mostrar a música da etnia Dong, da província de Guizhou, no Largo da Companhia de Jesus. Os bilhetes para o FIMM estão à venda a partir de sábado.


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21.9.2021 terça-feira

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Edital n.º Processo n.º Assunto Local

EDITAL

: 11/E-DC/2021 : 5/DC/2021/F : Ordem de desocupação de terreno e demolição de construção ilegal : Terreno situado no tardoz do lote V2 de Pac On, junto à Rua da Harmonia, na Taipa (demarcado a tracejado na planta em anexo)

Chan Pou Ha, Directora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os ocupantes ilegais do terreno indicado em epígrafe, cujas identidades e moradas se desconhecem, do seguinte: 1. A DSSOPT, no exercício dos poderes de fiscalização conferidos pela alínea b) do n.º 3 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 29/97/M de 7 de Julho, verificou que no terreno indicado em epígrafe foram edificadas construções ilegais compostas por chapas e coberturas metálicas, e que foram depositados contentores, equipamentos e materiais de construção e estacionados veículos, sem que tenha sido emitida pela DSSOPT a respectiva licença de obra. A ocupação do terreno que pertence ao Estado por ocupantes sem quaisquer títulos legítimos determinou a instauração do procedimento administrativo n.º 5/DC/2021/F a fim de se proceder à respectiva desocupação e restituição ao Estado. 2. De acordo com a certidão da Conservatória do Registo Predial (CRP), emitida em 27 de Maio de 2021, o terreno consta da planta cadastral com o processo n.º 3926/1992, emitida em 7 de Abril de 2021 pela DSCC (demarcado a cor), e não se encontra registado a favor de particular (pessoa singular ou pessoa colectiva) o direito de propriedade ou qualquer outro direito real. 3. Sobre o terreno acima indicado não se encontra registado a favor de particular o direito de propriedade ou qualquer outro direito real, nomeadamente de concessão, aforamento ou arrendamento e não foi emitida a licença de ocupação temporária, pelo que o mesmo é considerado terreno disponível do Estado, nos termos do artigo 7.º da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e do artigo 8.º da Lei n.º 10/2013 (Lei de terras). 4. Nos termos e para os efeitos dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), foram os interessados notificados por edital para exercerem o direito de audiência prévia, contudo, não apresentaram qualquer resposta. 5. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 208.º da Lei de terras e no exercício das competências delegadas pelo n.º 1 da Ordem Executiva n.º 184/2019, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas através de despacho de 9 de Setembro de 2021, exarado sobre a informação n.º 08769/DURDEP/2021 de 3 de Setembro de 2021, constante do processo n.º 5/DC/2021/F, ordena que os ocupantes ilegais, que se desconhecem, procedam no prazo de 30 (trinta) dias a contar a partir da data da publicação do presente edital à desocupação do terreno, ao seu despejo, à demolição das referidas construções ilegais, à remoção dos materiais e equipamentos nele depositados e à entrega do terreno ao Governo da RAEM, sem direito a qualquer indemnização. 6. Antes da execução da obra de demolição referida no ponto anterior, os ocupantes deverão apresentar previamente nestes Serviços a declaração de responsabilidade do construtor incumbido da obra de demolição e a apólice de seguro contra acidentes de trabalho e doenças profissionais. A conclusão dos trabalhos deverá ser comunicada por escrito à DSSOPT para efeitos de vistoria. 7. Nos termos do n.º 2 do artigo 208.º da Lei de Terras, do artigo 139.º e do n.º 2 do artigo 144.º do CPA, notifica-se ainda que se no fim do prazo referido no ponto 5 os ocupantes ilegais não tiverem dado cumprimento à ordem de desocupação, a DSSOPT procederá à execução dos trabalhos de desocupação e de demolição. Nos termos dos artigos 211.º e 210.º da Lei de terras, as despesas realizadas com a desocupação e com a guarda de documentos de identificação e bens móveis de valor encontrados no local constituem encargos dos infractores. 8. Mais se notifica que poderá ser punido com a multa prevista no artigo 196.º da Lei de terras quem ocupar ilegalmente terrenos do domínio público ou privado do Estado. 9. E de acordo com o artigo 193.º da Lei de terras, poderá igualmente incorrer em responsabilidade criminal pelo crime de desobediência previsto e punido pelo n.º 1 do artigo 312.º do Código Penal, quem ocupar ilegalmente terrenos do domínio público ou privado do Estado e não cumprir a ordem de desocupação emanada. 10. Informa-se que de acordo com casos similares tratados no passado, caso seja a Administração a proceder à desocupação coerciva do referido terreno, a despesa resultante da execução dos trabalhos de desocupação poderá atingir o montante de 1 000 000,00 patacas, contudo, este valor varia em função da área ocupada, da complexidade da obra, da quantidade dos materiais depositados na área de ocupação e da inflação, pelo que o referido montante é apenas para referência. 11. Os objectos, materiais e equipamentos eventualmente deixados no terreno serão tratados de acordo com o disposto no artigo 210.º da Lei de terras. 12. Nos termos dos artigos 145.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo, os interessados podem apresentar reclamação ao Secretário para os Transportes e Obras Públicas no prazo de 15 (quinze) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. 13. Nos termos da subalínea (2) da alínea 8) do artigo 36.º da Lei n.º 9/1999, republicada integralmente pelo despacho do Chefe do Executivo n.º 265/2004, da decisão de desocupação emanada pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, cabe recurso contencioso a interpor para o Tribunal de Segunda Instância da RAEM, no prazo indicado no n.º 2 do artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso, a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 9 de Setembro de 2021.

A Directora de Serviços Chan Pou Ha

Processo n.º: 5/DC/2021/F Local: Terreno situado no tardoz do lote V2 de Pac On, junto à Rua da Harmonia, na Taipa (demarcado a tracejado na planta em anexo) Planta em anexo:

O candidato Tik Chi-yuen ganhou o lugar com um pouco de sorte, uma vez que empatou com dois outros candidatos na votação, restando apenas dois lugares para serem atribuídos

Eleito por sorteio Apenas um pró-democrata eleito para a Comissão Eleitoral de Hong Kong

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M dos dois candidatos vistos como simpatizantes da oposição pró-democracia de Hong Kong, que se candidataram a integrar a Comissão Eleitoral da cidade no domingo, ganhou um lugar entre 1.500, noticiou ontem o South China Morning Post. De acordo com o jornal de Hong Kong, o candidato Tik Chi-yuen ganhou o lugar com um pouco de sorte, uma vez que empatou com dois outros candidatos na votação, restando apenas dois lugares para serem atribuídos. Os três tiveram de fazer sorteio, e Tik, 63 anos, ganhou um dos lugares disponíveis. “Pelo menos ainda há algum espaço para nós”, comentou o candidato eleito. “Não importa se há um ou dois de nós. Vale a pena participar, desde que possamos representar os pensamentos íntimos

de alguns ‘hongkongers’ e as suas opiniões”, afirmou. “A afluência tem sido inesperadamente elevada, mas a lógica tradicional de que uma afluência elevada pode beneficiar os democratas não se aplica desta vez”, disse Tik, um antigo membro do Partido Democrata que agora dirige o partido centrista Third Way. A afluência às urnas foi de quase 90 por cento dos 4.889 habitantes de Hong Kong que foram às urnas no domingo. Todos os candidatos tiveram de passar por um processo de veto em Agosto passado, um dos requisitos da controversa reforma eleitoral que Pequim impôs em Março passado.

Ordem e trabalhos

Esta mesma lei significou que a Comissão Eleitoral foi alargada de 1.200 para 1.500 lugares, dos quais 364

foram eleitos este domingo por sufrágio restrito, uma vez que os restantes já estão ocupados por nomeação directa ou por votos em que não houve oposição. As funções da Comissão Eleitoral são votar em candidatos previamente seleccionados pelo Governo chinês para chefiar o executivo local, nomear candidatos para o Conselho Legislativo (o parlamento local), e seleccionar até 40 membros para lugares na legislatura de 90 lugares, dos quais os habitantes de Hong Kong poderão eleger 20 por sufrágio directo. As eleições para o Conselho Legislativo de Hong Kong, nas quais a Comissão Eleitoral reformada terá uma grande influência, estão agendadas para 19 de Dezembro, enquanto as do Chefe do Executivo estão marcadas para 27 de Março de 2022.

DIPLOMACIA CHINA E ÍNDIA CONCORDAM EM SALVAGUARDAR PAZ E TRANQUILIDADE FRONTEIRIÇAS

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conselheiro de Estado e ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, e o ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, Subrahmanyam Jaishankar, sublinharam na quinta-feira a importância de manter a paz e a tranquilidade nas zonas fronteiriças. Durante uma reunião em Duchambe, capital do Tadjiquistão, Wang disse que a China sempre lidou com a questão fronteiriça com a Índia com uma atitude positiva. A comunicação entre os departamentos diplomáticos e militares dos dois países foi séria e eficaz, e a situação nas fronteiras está mais calma em termos gerais, assinalou. Wang expressou a esperança de que a Índia

chegue a um consenso com a China, trabalhando para estabilizar a situação e passar gradualmente da resposta de emergência à gerência e controlo regulares. O chanceler pediu que as duas partes consolidem os êxitos da retirada das tropas de linha de frente, se mantenham estritamente fiéis aos acordos e consensos atingidos entre os dois países, salvaguardem conjuntamente a paz e a tranquilidade nas zonas fronteiriças e evitem a repetição de incidentes relacionados com a fronteira. Jaishankar assinalou que a Índia e a China obtiveram progresso no tratamento da situação fronteiriça, embora ainda existam alguns assuntos a serem resolvidos.


terça-feira 21.9.2021

uma asa no além

PAULO JOSÉ MIRANDA

Em 1869, com apenas 25 anos, Eça de Queirós foi ao Egipto assistir à inauguração do Canal do Suez. A viagem durou seis semanas e foi estendida à Palestina. Desta sua viagem tomaria notas que seriam usadas em três textos. O primeiro deles é o conto «A Morte de Jesus», publicado em Abril de 1870, na revista Revolução de Setembro, onde narra a mesma época que descreve no terceiro capítulo de A Relíquia. O segundo texto é o romance que nos traz aqui, A Relíquia, e, por fim, Egipto, livro que retrata a viagem que fez em 1869, editado postumamente. É também nesta viagem que contrai a doença que trinta anos mais tarde o levaria à morte: amebíase. Trata-se de um parasita que ataca os intestinos. É preciso lembrar que em 1969, Eça de Queirós ainda não tinha publicado nenhum livro, se bem que fosse já o director do jornal O Distrito de Évora. Quanto ao romance que aqui nos traz, há quem veja, e não sem razão, A Relíquia como um romance picaresco, na tradição do célebre romance castelhano O Lazarilho de Tormes, de 1554, de autor anónimo. Anibal Fernandes, o seu tradutor para português, descreve deste modo o livro do castelhano: «[...] recusando-se aos excessos verbais que os grandes nomes da literatura espanhola então afagavam; apoiava-se numa coloquialidade não conhecida ou pelo menos rara entre os escritores da época. Era, para ouvidos e sentimentos, de um realismo penetrante em linguagem de povo; uma reconhecível visão parodística da vida que então rodeava os seus leitores: visão da Espanha decadente, empobrecida com a emigração para as Américas e com as guerras, a que suscitava esta crítica de amargo humor a uma nova sociedade de burguesia a nascer, com parasitismos e ociosidades, abundância de deserdados e avessa, por descrença, aos méritos do trabalho.» Sem dúvida, há um claro diálogo entre A Relíquia e O Lazarilho de Tormes, embora A Relíquia não seja um romance picaresco. Lembremos que o título original do livro era A Vida de Lazarilho de Tormes e de Suas Fortunas e Adversidades. Livro também ele escrito na primeira pessoa e através de um anti-herói, como o são todos os protagonistas da comédia. E não nos podemos esquecer que, no universo da escrita de Eça em particular e da escrita lusitana em

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A Relíquia geral, Teodorico Raposo é um antiherói por excelência e que Eça conhecia bem O Lazarilho de Tormes e apreciava-o. As relações entre o livro de 1554 e o de 1887 são evidentes. Mas são propositadas e pretendem que o leitor pense e veja essas relações como um diálogo e não como um pastiche. O diálogo que Eça estabelece com O Lazarilho de Tormes vai muito além do género picaresco. Não apenas pelo terceiro capítulo, mas ao longo de todo o livro. Na realidade, não há picaresco tout court. Veja-se panoramicamente o que se entende por romance picaresco. Trata-se de um romance que, a partir de uma estrutura em episódios e de um relato normalmente na primeira pessoa, procura explicar o estado de desonra do herói, para o qual são determinantes a sua condição e circunstâncias sociais, que aproveita para criticar, usando geralmente um tom satírico e mordaz. O relato é sempre retrospectivo, pois a personagem relata a sua vida desde a infância até ao momento presente em que está a narrar a história, abordando aspectos referentes à sua genealogia, que determinam a sua personalidade, e às condições sociais em que vive. Na introdução à edição de O Lazarillo de Tormes de Milagros Rodríguez Cáceres, Mário M. Gonzalez, escreve: «Tentar definir o que é um romance picaresco não é tarefa fácil. Um trabalho nesse sentido merecidamente conhecido é o artigo de Claudio Guillén “Toward adefinition of the picaresque”. No entanto, procurando um enunciado mais sintético, propomos entender aqui romance picaresco como sendo a pseudo-autobiografia

NO UNIVERSO DA ESCRITA DE EÇA EM PARTICULAR E DA ESCRITA LUSITANA EM GERAL, TEODORICO RAPOSO É UM ANTI-HERÓI POR EXCELÊNCIA E EÇA CONHECIA BEM O LAZARILHO DE TORMES E APRECIAVA-O. AS RELAÇÕES ENTRE O LIVRO DE 1554 E O DE 1887 SÃO EVIDENTES

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DE EÇA DE QUEIRÓS

de um anti-herói, definido como um marginal à sociedade, o qual narra suas aventuras que, por sua vez, são a síntese crítica de um processo de ascensão social pela trapaça e representam uma sátira da sociedade contemporânea do pícaro, seu protagonista. O principal traço formal da picaresca é — ao menos no seu início — o seu caráter autobiográfico, ou seja, o narrador de primeira pessoa.»

Veja-se ainda, na mesma introdução supracitada, outra característica comum a O Lazarilho de Tormes e A Relíquia ou, melhor seria dizer, comum a Lázaro e a Teodorico Raposo: «É conveniente levar em conta que Lázaro, e os pícaros clássicos em geral, apresentam-se como portadores de um projeto pessoal de ascensão social. No entanto, eles excluem desse projeto o trabalho, já que este, na Espanha dos Austrias (1517 - 1700), aparecia muito mais como um obstáculo à ascensão, visto que a não dependência do trabalho era requisito para a obtenção de títulos de nobreza. O “homem de bem” com quem o pícaro aspira a se confundir não pertence ao universo do trabalho. Pelo contrário, é definido por uma aparência que o separa deste. Assim sendo, o pícaro procura parecer, o quanto antes, um “homem de bem” e, para tanto, terá na obtenção da roupa adequada um dos seus alvos mais imediatos.» Outro dos pontos de contacto é que O Lazarilho de Tormes é escrito como uma resposta a alguém que solicitou o relato ao autor. E, neste caso de A Relíquia, a solicitação não é feita pelo professor Topsius, mas a narrativa é levada a cabo de modo a colmatar uma falha grave no livro deste. Como escreve o estudioso Claudio

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Guillén, em The Anatomy of Roguery [Anatomia da Malandragem]: «[...] a confissão pública de Lázaro [...] tem como ouvinte não o leitor, mas a pessoa que solicitou o relato.» (pp. 431-32) Aqui, Teodorico Raposo, tenta repor a verdade acerca de um episódio da sua vida, que terá sido deturpado pelo professor Topsius no seu livro sobre Jerusalém, onde conta partes da viagem que fez junto com Teodorico Raposo. Os pontos de contacto entre o romance picaresco e A Relíquia são muitos, como se pode ver. Mas contrariamente ao romance picaresco, em Teodorico Raposo não são as condições sociais que determinam o seu comportamento e a sua desventura. O que determina o comportamento e a desventura é o seu egoísmo, ou, como iremos mostrar, o mal radical que ele escolhe, tal como aparece na obra de Kant, de 1973, A Religião dentro dos Limites da Simples Razão. No fundo, é o exercício da liberdade através de más escolhas, de uma não entrega à razão. Outro dos aspectos de não somenos importância, na ultrapassagem do picaresco, é a invenção de autores e livros. Aliás, esta invenção de autores, principalmente o alemão Topsius, doutor pela Universidade de Bona e membro do Instituto Imperial de Escavações Históricas, que escreve uma obra sobre Jerusalém – Jerusalém Passeada e Comentada –, em sete volumes in-quarto, irá influenciar o poeta e escritor Jorge Luís Borges, que tinha um enorme apreço por esta obra de Eça de Queirós. Aleph é onde podemos ver melhor essa influência, levada ao extremo. Outro aspecto para além do picaresco em A Relíquia é a descrição da paixão de Cristo. E, neste caso, o célebre capítulo 3, que é de longe o maior de todos, é uma ruptura completa em relação ao estilo picaresco, que se pautava pelo realismo. De tal modo que, devido a este capítulo e em perfeito diálogo com o livro castelhano, Eça de Queirós acrescentou um subtítulo a A Relíquia: «Sob a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia». O sub-título não é fortuna e desventura (de Teodorico Raposo) e o título não é Teodorico Raposo. Pelo contrário, o título é A Relíquia que, como veremos numa das últimas partes deste nosso exercício, está intimamente ligado ao tema central do livro. (Continua na próxima semana)


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Um filme de: Destin Daniel Creton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

DUNE [B]

Um filme de: Denis Villeneuve Com: Timotheé Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac 14.30, 18.30, 21.15

ESCAPE FROM MOGADISHU [C] Um filme de: Ryoo Seung-wan Com: Kim Yoon-scok, Zo In-Sung,

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SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]

Schumacher era o documentário mais aguardado do ano para os fãs da Fórmula 1. Não sou excepção porque como adepto da Ferrari vibrei muito com as vitórias do alemão. Mais do que o desporto, o filme foca o lado humano do piloto, muito visto em pista e nem sempre pelos melhores motivos. Só que Schumacher não é um documentário sobre desporto, é uma tentativa de “limpar” a imagem do piloto. Embora mereça ser visto, há muitos temas polémicos que ficaram de fora. E com entrevistas aos principais grandes nomes da Fórmula 1, é impossível não deixar de pensar que o filme poderia ter sido bem mais interessante. João Santos Filipe

YUAN

Huh Joon-Ho, Koo Kyo-Hwan 14.30, 21.30 SALA 3

ZERO TO HERO [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Jimmy Wan Com: Sandra Ng, Louis Cheung, Leung Chung Hang, Fung Ho Yeung 19.30

THE CURSED: DEAD MAN’S PREY [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-wan Com: Uhm Ji-won, Jung Ji-so, Jung Moon-sung, Oh Yoon-ah 16.45

9 1 3 0 5 2 7 8 5 3 1 4 2 0 7 6 9 8 1 9 4 8 3 7 DUNE 3 6 8 7 4 9 5 3 2 1 0 6 Propriedade 8 4 6Fábrica 5 de2Notícias, 0 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo 6 5M.Tavares; 0 9 Gonçalo 8 1Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 4 7 Paul 9 Chan 2 Wai 6 Chi; 5 Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Rasquinho; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 0 2Morada 1 Pátio 4 da7Sé, 3n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare 2 3 4 8 0 7 6 9 5 1

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macau visto de hong kong

opinião 11

David Chan

MACAU DEVE PROBIR JOGOS ONLINE? NO PASSADO DIA 31 de Agosto, a China Press and Publication Administration publicou uma “Comunicação sobre a Prevenção e Restrição do Acesso de Menores a Jogos Online”. Os menores terão autorização para jogar apenas aos fins-de-semana e nos períodos de férias, entre as 20h00 e as 21h00. O objectivo desta medida é muito simples: impedir os menores de jogarem online e proteger a sua saúde física e mental. O China Economic Information Daily informou que 62.5 por cento dos menores joga com frequência online e 13.2 por cento joga mais de duas horas durante a semana. Partindo do princípio de que os jovens passam oito horas na escola, jogam duas horas no telemóvel e dormem outras oito, sobram seis horas, durante as quais têm de se alimentar, deslocar-se e tratar da higiene pessoal. E será que lhes sobra tempo para estudar? Em Setembro, um grupo de Hong Kong realizou um estudo para o qual entrevistou pais de alunos de 463 escolas primárias e secundárias. O estudo foi publicado dia 16. Os resultados mostraram que 97 por cento dos filhos dos inquiridos jogava online, mais de 50 por cento destas crianças jogava à volta de três horas por dia, e perto de 20 por cento mais de cinco horas diárias. Já 75 por cento dos inquiridos está convencido de que jogar online prejudica o desempenho académico dos filhos, 90 por cento acredita que prejudica a sua saúde e perto de 80 por cento pensa que afecta as relações familiares. Mais de 95 por cento dos inquiridos pediu ao Governo para tomar medidas que impedissem os menores de jogar online. O grupo intimou as empresas de jogos online a criarem “códigos de conduta” e auto-regulação, caso contrário o melhor seria a Região Administrativa Especial de Hong Kong criar legislação que regulasse o sector. Os promotores do estudo também sugeriram que o Governo da RAEHK seguisse o exemplo do Governo Central para prevenir o vício do jogo nos jovens, exigindo que os jogadores se registassem com os seus nomes verdadeiros, que regulassem o tempo que os menores podem jogar, que restrigissem certos temas, proibissem a pornografia, a violência e outros conteúdos ilegais e bloqueassem o acesso de menores ao pagamento de jogos online. Um estudo feito em Macau assinalava que os motivos que levavam os chineses a jogar online são o “entretenimento”, a “resistência” e o “escapismo”. Um jogo divertido permite aos jogadores esquecer por momentos as suas preocupações e escapar à realidade. É fácil tornar-se viciado e vir a sofrer de perturbações relacionadas com o jogo. Os viciados em jogos online acabam por perder o interesse no entretenimento, têm consciência de terem um problema, mas mesmo assim continuam a jogar, escondendo muitas vezes das outras

Quem joga online deveria ter auto-disciplina e não se deixar viciar. Jogar de forma controlada é entretenimento. Jogar de forma descontrolada é vício

pessoas o seu vício. Dados recentes mostram que cerca de 2 por cento dos chineses adultos residentes em Macau sofre de perturbações relacionadas com o jogo. Hoje em dia, os jogos online não são apenas entretenimento, são também uma es-

pécie de desporto. Os E-sports são disso um bom exemplo. A Asian Games vai registar em 2022 os eventos E-sports como eventos desportivos, e de alguma forma legitimá-los enquanto actividade desportiva. Houve quem descrevesse os jogos online como “ópio mental”, sublinhando que nenhuma indústria ou competição pode assentar a sua actividade em algo que destrói uma geração. Julgando pela avaliação que a maior parte das pessoas faz dos jogos online, este argumento terá muitos apoiantes. Os jogos online são o produto de uma tecnologia avançada. Quanto mais se desenvolve a tecnologia, mais se desenvolvem os jogos. Os jogos online são uma espécie de brinquedo. As crianças têm naturalmente desejo de brinquedos. No entanto, o alvo dos jogos online não são apenas crianças, mas também adultos. Encontramos muitos adultos viciados em jogos online. Estes jogos introduziram-se em todos os

níveis da sociedade. Se as empresas que os desenvolvem tivessem auto-disciplina e introduzissem elementos que combatessem a dependência do jogo, o impacto que teria na vida, no trabalho e no estudo dos jogadores seria menor. Mas isso reduziria o consumo e consequentemente as vendas e os seus lucros baixariam. E estas empresas não querem isso. Alguns destes jogos chegam a incluir conteúdos pornográficos e violentos que vão afectar negativamente os jovens. Em qualquer dos casos, quem joga online deveria ter auto-disciplina e não se deixar viciar. Jogar de forma controlada é entretenimento. Jogar de forma descontrolada é vício. Quando existem muitos jogadores viciados, estamos perante um problema social. Precisamos de mais informação para avaliar se existe um problema social em Macau devido à dependência do jogo online, antes de considerarmos partir para a regulamentação.

Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


terça-feira

“Não faças a ninguém o que não queres que te façam.” PALAVRA DO DIA

21.9.2021

Tito 4,15

episódio 77

UM CASO DE CORRUPÇÃO NA UNIVERSIDADE ENVOLVE 220 MILHÕES DE PATACAS

Juiz em causa própria O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) anunciou um caso de corrupção e falsificação de documentos com obras na Universidade de Macau, que envolve contratos de 220 milhões de patacas. Segundo a informação disponibilizada, o implicado é um ex-administrativo e a queixa partiu da instituição de ensino. O acusado fazia parte da Divisão de Obras do Departamento de Gestão de Desenvolvimento do Complexo Universitário e com base em informações dos trabalhos, como os orçamentos internos da UM, ajudou uma empreiteira a ficar com contratos para a construção de residências. A assistência foi prestada na elaboração das propostas para o concurso, e com a falsificação de documentos sobre a experiência da empreiteira em outras obras com residências universitárias. Depois, numa segunda fase, o administrador foi ainda um dos júris dos concursos em que a empresa participou. O Comissariado Contra a Corrupção apurou igualmente que a empresa vencedora adjudicou parte dos trabalhos a uma outra companhia recém-criada que tinha como um dos accionistas o administrativo da UM. “Como contrapartida, tendo conseguido a adjudicação do projecto, o empreiteiro adju-

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secretário-geral da ONU afirmou ontem que um confronto entre os Estados Unidos e a China é "perigoso para o mundo" e que, apesar das diferenças, há áreas onde podem ser alcançados acordos que levem a cooperação. Em entrevista à cadeia televisiva CNN, António Guterres disse também estar preocu-

N

um folhetim por Fernando

Sobral

ÃO era um momento fácil para Félix Amoroso. Mas Benedito não parecia querer tirar dividendos do que sabia. - Sabes que não será necessário encontrares desculpas se ninguém te pedir que as dês. Podes continuar a falar e a disfarçar, sem dizer a verdade ou parte dela. Não te preocupes. Eu olho para o outro lado. Era confortável, mas o tenente continuava sem perceber qual era o verdadeiro jogo de Benedito Augusto. Talvez nunca o viesse a saber. Ou só viesse a descobri-lo tarde demais. 20.

dicou uma parte da obra a uma empresa recém-criada, da qual o suspeito tinha participações, constituída especialmente para a referida obra”, foi apontado.

Outras ilegalidades

Apesar do conflito de interesses, o CCAC destaca que o suspeito participou “nos trabalhos relativos à proposta de iniciação do projecto, ao concurso e à avaliação de propostas, mas nunca

declarou nem pediu escusa à Universidade de Macau”. Esta não terá sido a única vez que o ex-administrativo esteve envolvido em ilegalidades, e as autoridades acreditam ter provas de que no passado este já tinha fornecido informações confidenciais sobre outras obras, como adjudicações de construção de abrigos contra a chuva. O suspeito, e os outros dois sócios da empresa, foram assim

“Como contrapartida, tendo conseguido a adjudicação do projecto, o empreiteiro adjudicou uma parte da obra a uma empresa recém-criada, da qual o suspeito tinha participações, constituída especialmente para a referida obra.” CCAC

indiciados pela prática dos crimes de corrupção passiva para acto ilícito, punível com pena de prisão que vai de um ano a oito anos, e de falsificação de documentos, que implica uma pena de prisão que pode chegar aos três anos. O ex-administrativo é ainda acusado do crime de violação de segredo, punível com pena que pode chegar a um ano de prisão. No comunicado do CCAC não é indicada qualquer acusação por corrupção activa. O HM contactou o organismo para perceber a razão, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta. J.S.F.

ONU GUTERRES ACHA CONFRONTO EUA/CHINA "PERIGOSO PARA O MUNDO"

O

O Jogo das Escondidas

pado com a divisão que existe entre países relativamente às vacinas, em vésperas da assembleia-geral da ONU, que começa na segunda-feira e que previsivelmente terá entre os seus principais focos de interesse a resposta à pandemia. "Temos duas divisões em relação às vacinas: a primeira [refere-se ao facto de que] o norte"

tomou conta da sua população, "esquecendo-se do sul, e o sul acha que isso é terrivelmente injusto, o que aumenta a desconfiança em relação ao norte", considerou. Depois, há a divisão entre os EUA e a China. "Desde o início [da pandemia] falei com ambas as partes. E, como já disse, há áreas onde não é possível um acordo, em que a

confrontação é inevitável e os direitos humanos são uma delas" e não é fácil ir além dessas diferenças, prosseguiu. "Mas há uma área em que deveria haver uma cooperação efectiva, como é o caso das alterações climáticas, e há outras em que acredito que é necessária uma negociação séria", defendeu António Guterres, para

sair do cenário atual de dois países "totalmente" em confrontação, algo que é "perigoso para o mundo". O secretário-geral da ONU referiu que duas áreas onde poderia haver essa negociação são a tecnologia e o comércio, o que criaria "um ambiente de cooperação" que poderia levar a eventuais outros acordos.

A tarde estava muito quente. E muito húmida. Não se levantara sequer uma ligeira brisa para acalmar os corpos e as almas. O governador Ricardo José Rodrigues trazia um leque para se abanar. É da minha mulher, desculpou-se. Mesmo à sombra a varanda do hotel Boa Vista não era o local mais convidativo para se estar a conversar. Mas era calmo e discreto aquela hora. Félix Amoroso sentia-se exausto, mesmo sem ter feito muito para o justificar. O empregado serviu-lhes duas limonadas frescas, que poderiam servir para arrefecer os corpos. O governador levou o copo aos lábios e depois virou a sua atenção para o tenente: - Parece que estamos a chegar ao fim de um ciclo, meu caro. Os alemães foram afastados de cena. Os conspiradores morreram ou estão exangues. Lisboa tem, entretanto, outros assuntos políticos e militares que a animam. E que vão minando a República. Mas isso são outros temas que não são agora chamados para esta nossa pequena conversa. Sabe, ainda tenho dúvidas sobre quem matou João Carlos Silva, mas penso que dificilmente chegaremos a uma conclusão. Não lhe parece? - Acho que sim, senhor governador. Não tenho certezas, ou provas, sobre se foi Joaquim Palha ou Max Wolf que o mandaram matar. Mas um está morto e não nos vai responder. E o outro está em fuga. - Pensa que ele já estará em Xangai? - Possivelmente conseguiu fugir para lá. Mas a sua situação não deve ser muito confortável. Alguém investiu muito dinheiro naquela heroína. E vai querer que Wolf lhe preste contas. Não deve ser fácil. Nem heroína, nem dinheiro. Nada numa mão. Nada na outra. - As apostas são assim. Arrisca-se e podese ganhar ou perder. E ninguém gosta de perder. (continua)

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Hoje Macau 21 SETEMBRO 2021 #4857  

Nº 4857 de 21 SETEMBRO de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

Hoje Macau 21 SETEMBRO 2021 #4857  

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