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Pinoy vs. Pinoy PÁGINA 8

JOÃO MIGUEL BARROS

NAS PAREDES DO CCB ENTREVISTA

JEAN-HUMBERT-SAVOLDELLI

JOÃO MIGUEL BARROS

EMPREGOS

MOP$10

QUARTA-FEIRA 21 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3996

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Cotrim Romão Caeiro PUB

hojemacau

HABITAÇÃO CHUI SAI ON ACREDITA NAS SUAS MEDIDAS

Chefe com todos Pressionado por Pequim e apertado pelos senhores locais, Chui Sai On acredita que pode seguir a Via do Meio. PÁGINAS 6-7

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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GCS

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2 ENTREVISTA

JOÃO MIGUEL BARROS

SOBRE A SUA EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA NO MUSEU BERARDO

“Para ser vista como quem lê um livro”

É inaugurada hoje, no Museu Berardo em Lisboa, a exposição de João Miguel Barros “Photo Metragens”. São 14 histórias traduzidas em imagens, palavras e vídeo dentro de um projecto que não se fica por aqui O que é que podemos ver em “Photo-Metragens”? “Photo-Metragens” é uma exposição que é para ser vista como quem lê um livro de short-stories. É uma síntese adequada, penso eu, do que é este projecto que inclui imagem, palavras e vídeo. Trata-se, portanto, de uma exposição que inclui 127 imagens, a maioria em grandes

formatos, em A0 e até maiores. A exposição está organizada a partir de 14 capítulos, com um número diversificado de imagens. Uma das particularidades é que cada capítulo inclui um texto ficcionado, de que é parte integrante. Finalmente, um desses capítulos tem também um vídeo de quase uma hora. Esta é a edição de 2018. Quer isto dizer

que este projecto está pensado para ter continuidade no futuro. Tenho o propósito de fazer edições da “Photo-Metragens” a cada dois anos, com o mesmo formato e obviamente com estórias diferentes. Sempre com imagem e textos ficcionados, e provavelmente com uma componente maior de vídeo. Algumas das imagens, correspondendo sensivelmente a um/quarto do que será exposto no Museu Berardo, foram já mostradas na exposição que fiz em Fevereiro do ano passado na Creative Macau. Tudo o resto é material novo. Mas mesmo as fotografias que já foram exibidas, foram, entretanto repensadas, e muito apuradas. As imagens que vão ser mostradas em Lisboa são as versões finais e últimas do projecto e não serão repetidas. Como é que surgiu a ideia de contar estas estórias? Surgiu como resposta à ideia politicamente correcta de que as exposições têm de ter uma narrativa. Não é algo com que concorde

em absoluto, mas resolvi não contrariar o “destino”... Eu ainda não tenho nenhum projecto temático devidamente estruturado e com dimensão que possa ser mostrado autonomamente. E o honroso convite do Museu Berardo colocou-me um desafio interior, que tive de resolver e que, confesso, demorou algum tempo a estruturar. No fundo, tudo se resumia a dar uma certa unidade conceptual a um projecto artístico assente na imagem, a que eu depois juntei a escrita, e que tivesse alguma “lógica”. O espaço do Museu, bastante generoso aliás, que foi destinado a esta exposição, acabou por ser inspirador do resultado final. E foi a partir daí que cheguei ao resultado da “exposição que se vê como quem lê um livro de short-stories”. Um livro de contos é um conjunto de estórias, com autonomia entre si e que versam temas por vezes muito diferentes. “Photo-Metragens” é um pouco isso. Cada capítulo inclui uma história independente. E penso que é essa diversidade que lhe dá a riqueza do conteúdo. Deixe-me

#04 HOMENAGEM A

inda menino usava panos enrolados nas mãos para bater em sacas cheias de farinha. Enrijava os músculos, ouvira dizer. Queria crescer com o corpo cheio, acima de tudo para chamar a atenção das miúdas mais engraçadas do bairro. Eram essas as suas rotinas de tempos livres, demasiado livres. Mais velho, começou a usar o corpo em combates a sério. Alimentava-se da ânsia de esmagar o adversário, mostrar o seu lado feroz e implacável, mas já não o de alimentar o sonho de namorar com a mais bonita do bairro. Apenas bater. Para ganhar. Ao mesmo tempo ia engrossando o corpo, sem tempo para reforçar a fluidez da mente. Sim, sabia bater. Era conhecido por bater forte, de forma implacável, até inteligente. Ganhava. Outras vezes perdia. Mas, a mais das vezes, ganhava. Com o tempo, e sem tempo, passou a viver enclausurado nas cordas do ringue. Batendo. Levando. Chorando. Rangendo os dentes protegidos. E ocasionalmente sorrindo de raiva. Sim, sorrindo. No seu último combate perdeu os sonhos da sua vida. Mas saiu inteiro, pelo seu pé, continuando a sorrir.


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ainda acrescentar o seguinte. Cada capítulo da exposição contém uma estória que pode ter potencial para ser desenvolvido autonomamente. E, depois, seguir um caminho independente. E, provavelmente, isso irá acontecer num futuro próximo em relação a uma dessas short-stories, que tem potencial para se transformar numa long-story. Vamos ver. Como pensou a exposição e a relação concreta com o espaço? Esta exposição foi pensada não só em função do espaço, como não podia deixar de ser, mas também na sua forma de representação. Quem a visitar não irá encontrar apenas imagens presas à parede. Por exemplo, o primeiro capítulo chama-se “Sentido Único” e é, em rigor, uma grande instalação de trinta imagens em formato A2, que estão colocadas no interior de uma moldura de mais de 4 metros de largura por quase três de altura, sendo que as ampliações estão presas em cabos de alumínio esticados de alto a baixo dessa moldura. A solução de imagens suspensas em cabos metálicos finos foi adoptada em mais dois capítulos da exposição. Por outro lado, houve um cuidado especial com a iluminação, que exigiu um estudo detalhado e soluções novas devido às qualidades do papel que utilizo, que é um papel profissional metalizado, mas que reflecte muito a luz. Este papel projecta as imagens de forma diferente do que é normal, mas cria dificuldades acrescidas em relação ao tipo de iluminação a adoptar. Que tipo de histórias nos conta? Encontram-se no conjunto temáticas muito diferenciadas, desde a paisagem ao boxe, ao trabalho nocturno e à sombra dos holofotes, às árvores (que é um tema que me fascina), e ao movimento corporal. Pode dar um exemplo concreto? O capítulo primeiro, “Sentido Único”, que referi, é composto por 30 imagens que são detalhes de um enorme viaduto em Xangai, que tem vários níveis de circulação. Quando se olha para o conjunto a sensação que se tem é a de se estar perante um puzzle confuso de detalhes. Ou seja, a percepção que transmite é justamente a oposta daquela que o título induz. Mas, na verdade, não há na vida sentidos únicos e há sempre a possibilidade de seguir por caminhos diferentes. Outro dos capítulos deu o título à exposição de Macau. Chama-se “Entre o Olhar e a Alucinação” e é composta por um tríptico com uma imagem quase lunar e, depois, a misteriosa silhueta de um cão a olhar para outro. Mas o capítulo que provavelmente poderá cha-

mar mais atenção é o que retrata alguns momentos de um intenso combate de boxe a que assisti em Macau. São imagens fortes. Esse capítulo chama-se simplesmente Homenagem, mas, na verdade, era para se chamar “Homenagem a um Perdedor”, porque se centra num lutador negro do Gana, que perdeu o combate. “Um olhar que possa registar todos os pormenores até à complexidade das coisas, que através de uma minuciosa observação e num exercício de natureza sensível ou intelectual permita que as imagens nos saibam devolver e suscitar afectos e memórias”. Pode comentar esta afirmação?

“Um livro de contos é um conjunto de estórias, com autonomia entre si e que versam temas por vezes muito diferentes. ‘Photo-Metragens’ é um pouco isso.” Todos nós vivemos uma vida intensa e complexa em termos visuais, emocionais e ocupacionais. Tudo nos solicita, tudo nos ocupa e, simultaneamente, tudo nos distrai. Quando se faz fotografia o nosso olhar é ajustado e muda por vezes

radicalmente a forma de vermos o que nos rodeia. Olhamos em volta e muitas vezes o que ressalta é o ângulo que poderia dar um bom registo, o detalhe que serviria para fazer uma excelente fotografia e por aí adiante. Algumas das imagens da Photo-Metragens são de uma enorme simplicidade. Por vezes são registos de uma certa banalidade. E apenas isso. Mas podem ser, também, uma surpresa porque as nossas permanentes solicitações muitas vezes não nos deixam tempo para esse registar das coisas pequenas que, por vezes, são maiores do que podemos supor. A exposição é com imagens a preto e branco. Por quê? Eu fiz uma opção, que posso dizer incondicional, pela fotografia a preto e branco. Estou convicto de que dificilmente irei alterar este caminho. E ao longo dos anos, depois de muitas exposições já visitadas, de idas regulares às feiras de fotografia, o meu olhar tem vindo a ser treinado, cada vez mais, tornando óbvia a opção pela fotografia a preto e branco. Não tenho nada contra a cor, como é óbvio. Há fotografias e trabalhos a cor fabulosos e que, provavelmente, sem essa opção da cor perderiam alguma coisa. Muitas delas têm justamente como objectivo o contraste que as cores permitem e o efeito emocional que podem transmitir. Mas esse não é o lado que me interessa. O meu problema com a cor na fotografia é que nos pode distrair tremendamente do objecto e da essência do objecto registado. É um outro registo, e que acaba por se sobrepor a tudo. Faça a experiência. Entre num espaço com trabalhos expostos e olhe de forma genérica e abstracta. O que capta em primeiro lugar são as diferenças cromáticas do que tiver à frente, e não as formas retratadas. É, antes, a intensidade dos vermelhos, ou dos azuis, e de outras cores, o modo como essas cores se espalham e ocupam o espaço impresso. Só depois, num segundo momento, e quando se conseguir abstrair ou recompor desse choque cromático, é que consegue entrar na essência da imagem. Isto se a essência não for, obviamente, o tal choque cromático porque, nesse caso, fica por aí! A minha opção pelo preto e branco é claramente uma opção pela substância e pela prevalência do conteúdo que normalmente só a fotografia a preto e branco permite. Onde recolheu as imagens? Foram escolhidas um pouco em vários sítios. Mas a maioria é da Ásia e de Portugal. O que diria da mediatização/ banalização da fotografia na actualidade?

“Os meios de comunicação formais e informais vieram dar actualidade à fotografia, dando-lhe uma importância acrescida no contexto das sociedades contemporâneas.” A sua pergunta seria um bom pretexto para uma outra conversa, em especial se a questão da mediatização da imagem se associasse à manipulação da imagem ou, a um outro nível, se se pensasse nos diversos veículos que as sociedades contemporâneas têm para que a fotografia se projecte nesse espaço mediatizado. E para a conversa ter utilidade teríamos de distinguir vários níveis de questões sobre essa ideia de “mediatização da fotografia”. Mas essa não é o tema de hoje. O que agora me parece de evidenciar é que os meios de comunicação formais e informais vieram dar actualidade à fotografia, dando-lhe uma importância acrescida no contexto das sociedades contemporâneas. Nos últimos tempos tenho-me interrogado é sobre um outro fenómeno que decorre dessa mediatização: o modo como se tem valorizado a fotografia como objecto de arte com valor nos mercados de arte. A fotografia é actualmente um bem artístico relevante, graças a essa mediatização. Há obras que começam a atingir valores significativos, criando um mercado de investimento importante e com um potencial de crescimento muito grande. Mas há perversões. Porque essa mediatização valoriza no mercado o bom, mas, algumas vezes, o mau e muito mau. Como também permite que facilmente se possa esquecer o bom e o muito bom. Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo


4 grande plano

Cerca de 660 mil pessoas entraram em Macau até segunda-feira. As imagens das multidões a tentar atravessar a fronteira em Gongbei ou a preencherem o Leal Senado e a Rua do Campo inundaram as redes sociais e levaram ao velho debate sobre a capacidade de Macau para receber tanta gente. Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo, garante que há espaço para todos

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FERIAS EM HORA ´

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ODOS os anos o cenário repete-se, mas desta vez o Ano Novo Chinês trouxe ainda mais pessoas a Macau. Segundo dados da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), entraram em Macau cerca de 660 mil pessoas até segunda-feira, um aumento de 9,2 por cento em relação ao ano passado. Do continente chegaram 484 mil pessoas, mais 16,8 por cento.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) registou, até às 11 horas de ontem, a entrada de 141 mil pessoas, sendo que a principal fronteira utilizada para entrar em Macau continua a ser nas Portas do Cerco. Em declarações ao HM, a directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, disse que os números vão além das suas expectativas. “Este ano, por causa do bom tempo, os números estão além das nossas expectativas. Mes-

mo assim estamos bem preparados para receber um grande número de turistas.” Nas redes sociais circularam várias imagens de milhares de pessoas a cruzar as ruas adjacentes à zona do Leal Senado e das Ruínas de São Paulo, sem esquecer a notória dificuldade em atravessar a fronteira. Ainda assim, Helena de Senna Fernandes considerou que o caos ainda não chegou ao território e que as autoridades têm conseguido manter a situação controlada.

“Esta é a época em que todos os chineses estão a viajar. Acho que esta situação não acontece apenas em Macau mas também em Hong Kong, onde também entrou muita gente. Em todo o país há muitos chineses a viajar em viagens domésticas. Mas estamos preparados para receber grandes multidões nesta época do ano. A polícia e outros departamentos públicos estão preparados para receber multidões. A polícia tem de utilizar medidas de controlo no centro da


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Nuno Calçada Bastos, residente “Acho que a experiência destas pessoas não deve ser muito agradável, a travessia das fronteiras para Macau são bastante complicadas de fazer.”

DE PONTA cidade, e mesmo com muita gente não tivemos problemas”, afirmou a directora da DST. Helena de Senna Fernandes fez também referência às multas aplicadas aos taxistas, que, segundo a Macau News Agency, chegaram ao número de 254 violações entre os dias 14 e 19 de Fevereiro. “Houve taxistas multados mas penso que a nossa cidade é de hospitalidade, e vamos continuar a fazer o nosso melhor para receber os muitos

turistas que nos visitam de diferentes partes do mundo.”

E A QUALIDADE?

Nas redes sociais a partilha de fotografias com as multidões gerou novamente o velho debate sobre a capacidade do território para receber tão grande número de pessoas. Quem vive cá evita ir às zonas mais turísticas, conforme relatou Nuno Caladçada Bastos, um dos residentes que partilhou as imagens da multidão. Nuno alerta, sobretu-

TURISMO NÚMERO DE VISITANTES EXCEDEU AS EXPECTATIVAS

do, para a má qualidade do turismo que possa advir desse factor. “Acho que a experiência destas pessoas não deve ser muito agradável, a travessia das fronteiras para Macau são bastante complicadas de fazer. Acho que Macau tem capacidade mas precisava de arranjar outras fronteiras. Mantenho mais ou menos as mesmas rotinas, se bem que fujo das zonas mais turísticas, como o Leal Senado ou as Ruínas de São Paulo, mas também não é um sítio onde vá com frequência. Não vou lá

fazer nada, as coisas são mais caras, e acabamos por não andar muito nos pontos turísticos. Quem for tem uma experiência super- desagradável.” Nuno Calçada Bastos considerou também que o território ainda não tirou partido da abertura do novo terminal marítimo da Taipa, porque mantém os velhos problemas em termos de circulação viária, autocarros e obras nas vias públicas. “Por enquanto isso ainda não está a acontecer, porque continuamos a ter um problema com as estradas e a má gestão de obras, e os autocarros que causam engarrafamentos à cidade toda. Os transportes não estão bem planeados para facilitar a circulação de pessoas. Obviamente que o novo terminal da Taipa traz alguma facilidade. Mas Macau é uma grande cidade, as pessoas não se podem queixar, só tem coisas a melhorar.” Apesar de esta ser uma época em que os residentes aproveitam para viajar para outros destinos, Helena de Senna Fernandes adiantou que não

“Este ano os números estão além das nossas expectativas. Mesmo assim estamos bem preparados para receber um grande número de turistas.” HELENA DE SENNA FERNANDES DIRECTORA DOS SERVIÇOS DE TURISMO

existe um problema de excesso de pessoas. “A maioria das pessoas de Macau mostram a sua hospitalidade para os turistas. Claro que é sempre difícil nesta altura, porque é uma época com muita concentração de pessoas. Mas acho que os residentes compreendem e acho que temos de agradecer aos residentes que têm ajudado a dar uma sensação de hospitalidade aos turistas”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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Macau no bom caminho CHUI SAI ON SUBLINHA HABITAÇÃO E CENTRO HISTÓRICO

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ABITAÇÃO e património foram os destaques dados pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, na mensagem de bom ano novo dirigida à população. O governante sublinhou o trabalho que o Executivo tem vindo a fazer de forma a melhorar a situação da habitação em Macau. “O Governo apresentou à Assembleia Legislativa o diploma com as medidas de controlo do mercado de habitação, desta vez com carácter de urgência, esperando que essas políticas possam conduzir a um desenvolvimento saudável do mercado imobiliário e também facilitar a aquisição de casa por parte dos jovens”, referiu.

Não obstante, Chui Sai On deixou ainda um apelo à cautela, sendo que, considera, os jovens devem pon-

“A protecção do centro histórico tem um valor universal e que, a par do Governo, todos são responsáveis por essa tarefa, tanto a sociedade em geral como os cidadãos em particular.” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO

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TIAGO ALCÂNTARA

Chui Sai On está satisfeito com o desenvolvimento económico local em prol da população. Nos votos de ano novo, o Chefe do Executivo salientou as soluções que o Governo tem dado para controlar o mercado imobiliário e proteger o centro histórico. Chui Sai On, considera que Macau tem ainda vantagens únicas. Exemplo disso é a integração em projectos como a Grande Baía e “Uma Faixa, Uma Rota”

Sulu Sou pede solução rápida para Terminal das Portas do Cerco

O terminal de autocarros das Portas do Cerco está em funcionamento numa localização temporária desde Agosto e, de acordo com Sulu Sou, aquela zona está também caótica desde a mesma data. O deputado suspenso com ligações à Associação Novo Macau apela ao Executivo uma solução temporária eficaz e não a que está a ser aplicada. De acordo com Solu Sou, além de não se saber ainda nada acerca do planeamento daquela zona nem a agenda para a reactivação do terminal que ficou danificado com a passagem do tufão Hato pelo território, os “remendos” que têm vindo a ser utilizados não surtem, efeito. É necessária uma solução abrangente e imediata, aponta o deputado suspenso.


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De qualquer forma, apontou, “o Executivo vai continuar a prestar profunda atenção à situação da reserva de terrenos e à quantidade de oferta de fracções autónomas, pretendendo ainda, ao mesmo tempo, acelerar o processo de aprovação de projectos de construção e aperfeiçoar progressivamente a relação entre a oferta e a procura”, refere um comunicado oficial.

RESPONSABILIDADE COLECTIVA

derar bem duas premissas aquando da compra da casa, nomeadamente a capacidade financeira e a capacidade de resposta aos riscos que poderão advir desse acto”. PUB

No que diz respeito ao Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau, que se encontra em fase de consulta pública, o Executivo espera conseguir reunir opiniões concretas, nomeadamente vindas de profissionais que trabalhem no sector para assegurar uma gestão adequada do centro histórico local. Por outro lado, Chui Sai On não deixou de lembrar que a protecção do património local não é tarefa única do Governo. “A protecção do centro histórico tem um valor universal e que, a par do Governo, todos são respon-

“A aspiração a uma vida melhor, anseio da população, tem sido sempre a nossa meta.” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO

sáveis por essa tarefa, tanto a sociedade em geral como os cidadãos em particular”, disse. Sobre o futuro, o responsável adiantou que Governo irá continuar a seguir as disposições da UNESCO “com seriedade e rigor no caminho de protecção do património cultural”. Além destes aspectos Chui Sai On frisou a aposta local no desenvolvimento económico como garante de melhoria da vida dos residentes. “O esforço incansável que temos vindo a investir, ao longo dos anos, no desenvolvimento da economia tem como objectivo o melhoramento constante das condições de vida dos nossos cidadãos”, declarou.

Macau usufrui de uma situação específica que não pode desconsiderar e Chui Sai On não deixou de recordar “as vantagens oferecidas pelo princípio ‘um país, dois sistemas’ e o “constante e forte apoio do Governo central” para desenvolver “uma governação vocacionada e virada” para a população. Para que os bons auspícios não se percam, Chui Sai On desejou a toda a população votos de boa sorte, de felicidades e de bem-estar e acrescentou que “embora o Governo não consiga resolver, no imediato, todas as questões”, está comprometido em “dar respostas eficazes de acordo com as prioridades”. “A aspiração a uma vida melhor, anseio da população, tem sido sempre a nossa meta, incentivando-nos a trabalhar com maior empenho para transformar Macau numa cidade com condições ideais de vida, de trabalho, de mobilidade, de entretenimento e de recreação”, sublinhou. Sofia Margarida Mota com LUSA info@hojemacau.com.mo

ALEXIS TAM GRIPE CONTROLADA MAS É PRECISO CAUTELA

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RIPE está estabilizada no território mas ainda não é altura para descuidos. A mensagem foi deixada pelo secretário para os assuntos sociais e cultura Alexis Tam. A epidemia da gripe está estável mas [Alexis Tam] ressalvou que como continuamos no auge da ocorrência da doença, não se deve negligenciar a situação”, refere o comunicado enviado à comunicação social. Em causa está a previsão de uma nova descida de temperatura esta semana. Este Inverno, os Serviços de Saúde adquiriram um total de 165 mil vacinas. De acordo com o mesmo comunicado, o secretário falou comentou a polémica que envolve a exclusão do corredor visual entre a Colina da Penha e a Ponte Governador Nobre de Carvalho

dos 11 principais corredores referidos no Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico que se encontra em consulta pública. Para o secretário, não há razões para preocupação visto ainda não existir uma proposta final definida. O secretário deixou ainda a promessa de punições agravadas para as acções contra o património. Referindo-se aos grafites que recentemente foram feitos numa das paredes do edifício da Cinemateca Paixão, “o dirigente lembrou ainda que ainda que a situação não seja inédita, no futuro a punição ou multa para este tipo de casos possa vir a ser aumentada”, lê-se. Por ouro lado, Alexis Tam deixou ainda clara a necessidade de reforço no que respeita a educação cívica. O objectivo, apontou, é sensibilizar a população para que não pintem ou causem estragos em edifícios históricos. S.M.M.


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EMPREGO GOVERNO DAS FILIPINAS ALERTA PARA PROPOSTAS DE TRABALHO FRAUDULENTAS

Falsas promessas

As autoridades filipinas lançaram um comunicado a denunciar o caso de uma empregada em Macau a quem foi oferecida uma proposta de trabalho no Interior da China. No Continente, a trabalhadora nunca foi paga e os patrões ficaram-lhe com o passaporte e o telemóvel

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Departamento do Trabalho e Emprego das Filipinas lançou um alerta para o facto de uma mulher filipina, em Macau, estar a oferecer a conterrâneas falsas propostas de emprego no Interior da China. Segundo as autoridades filipinas, foi registado um caso em que uma empregada se despediu do emprego em Macau depois de ter recebido uma proposta para trabalhar no Interior. Já no Continente, a empregada acabou por não ser paga, apesar de lhe terem prometido um salário mensal de 7.500 yuans, e ainda viu os patrões ficarem-lhe com o passaporte e o telemóvel. “Os trabalhadores filipinos e os turistas que procuram trabalho em Macau devem ter muito cuidado quando aceitam ofertas de emprego de outros filipinos para supostamente trabalharem no Interior da China”, pode ler-se no aviso publicado pelo departamento em causa. A proposta foi apresentada através de uma filipina com o apelido Ciabacal, que está ligada a uma recrutadora chinesa chamada Fancy. Segundo as informações das

autoridades filipinas, Fancy é proprietária de um estabelecimento com o nome MMC Entreprises, localizado na zona do Mercado Vermelho, que recruta de forma clandestina empregadas filipinas e vietnamitas para trabalharem no Continente. Esta é uma situação que não é nova e os membros da comunidade em Macau ouvidos pelo HM recomendam muito cuidado a quem considerar responder a propostas no Interior da China. “Não ouvi falar dessa situação em concreto, mas

conheço outras com amigos de amigos, que ocorreram em Macau. É um tema que tem sido muito discutido entre a comunidade e mesmo o Consulado das Filipinas

tem alertado para estas situações”, afirmou Ana Fivilia, representante da Associação Bisdak, ao HM. “O caso típico é surgirem propostas tentadoras

“O caso típico é surgirem propostas tentadoras do Interior da China com bons salários. Mas, depois, quando se aceita o emprego e se começa a trabalhar, as pessoas não são pagas e os benefícios prometidos não se concretizam.” ANA FIVILIA ASSOCIAÇÃO BISDAK

À prova de grandes tempestades Ponte HZM tem capacidade para suportar super-tufões e sismos de magnitude 8

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ponte do Delta, com uma vida útil de 120 anos, pode aguentar sismos de magnitude 8 e super-tufões. A garantia foi dada pelo engenheiro Yu Lie, vice-director da Autoridade da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que trabalha no projecto desde os preparativos em 2004. “À medida que a ponte fica pronta para a abertura, as expectativas das pessoas crescem em termos da sua função para o transporte e como pode isso

beneficiar a população”, afirmou o engenheiro Yu Lie, sustentando que “não vai ser apenas uma via de transporte”, mas também “uma ligação social, económica, cultural e turística entre as três zonas”, sublinhou, citado pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. Segundo vários ‘media’, a ponte tem data de abertura prevista para 1 de Julho, dia em que se assinala o aniversário da transferência de Hong Kong para a China. “O nosso país é muito forte na construção de pontes”, disse

Yu, apontando que “esta ponte destaca as conquistas da China em termos de tecnologia, equipamento, investigação e representa também um novo futuro”. Além de aumentar a integração no Delta do Rio das Pérolas, é também considerada uma das infra-estruturas vitais no âmbito da Rota da Seda Marítima do século XXI. Su Yi, diretor adjunto da Autoridade da Ponte, afirmou que os governos das três cidades estão a debater pormenores relativos

do Interior da China com bons salários. Mas, depois, quando se aceita o emprego e se começa a trabalhar, as pessoas não são pagas e os benefícios prometidos não se concretizam”, apontou.

NA DÚVIDA, RECUSAR

Por sua vez, Rodantes, membro do movimento Couples For Christ (CFC) Global em Macau defende que a melhor forma de lidar com estas situações é não aceitar propostas de emprego do Continente. “É muito complicado trabalhar no Interior da

às autorizações de circulação, autocarros de ligação ou planos de emergência. A Direcção dos Serviços para os Assuntos do Tráfego (DSAT) anunciou, na semana passada, que 600 veículos de Macau vão poder circular entre o território e Hong Kong. De acordo com estimativas das três zonas, o volume diário de tráfego na ponte deve atingir os 29.100 veículos em 2030 e 42 mil em 2037, enquanto o volume diário de passageiros pode vir a rondar os 126 mil e os 175 mil, respectivamente.

China. Há alguns anos houve casos de algumas pessoas a trabalharem em Macau que foram levadas pelos patrões para o Interior da China. Nessa altura houve muitas queixas sobre as condições de trabalho encontradas do outro lado da fronteira”, recorda Rodantes. “Temos noção das condições que encontram no Interior da China e já deixámos avisos aos membros da comunidade. Mesmo que haja ofertas com um salário muito bom, nós recomendamos que não aceitem”, frisou. Segundo a lei das Filipinas, os cidadãos só podem trabalhar no estrageiro quando aceitam propostas de emprego através de agências reconhecidas pelo próprio Governo. Contudo, para evitar o pagamento de taxas e a demora do processo, há cidadãos que entram nos países onde desejam trabalhar como turistas e tentam encontrar empregos por si. “A procura de emprego com visto de turista é uma situação que, apesar dos esforços os Governos de Macau e das Filipinas, não conseguem controlar. Por uma questão de segurança recomendamos que as pessoas só venham para Macau através das agências reconhecidas pelas autoridades”, explicou Rodantes. O representante da CFC Global em Macau alerta também que este tipo de problemas não é exclusivo dos cidadãos filipinos e que acontecem igualmente com imigrantes da Indonésia e do Vietname. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Licenças do IACM Renovação até ao final do mês

Os titulares das licenças anuais emitidas pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) têm até ao final deste mês para as renovar, sob pena de pagarem uma taxa adicional pelo atraso, sendo que a caducidade da licença implica a cessação da actividade em causa. O IACM recorda que mesmo os que se encontram isentos da taxa carecem de efectuar a renovação da respectiva licença anual dentro do prazo definido. Ao IACM compete a atribuição de uma série de licenças, como para vendas a retalho, afixação de publicidade e propaganda ou relativas a animais.


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quarta-feira 21.2.2018

LÍNGUAS CRIADOS DICIONÁRIOS ‘ONLINE’ PORTUGUÊS/CHINÊS E CHINÊS/PORTUGUÊS

A falar é que nos entendemos Mais um trabalho pioneiro e feito a partir de Macau. Foram lançados, no dia de ano novo chinês, os dicionários ‘online’ Português/Chinês e Chinês/Português. A autoria é de Ana Cristina Alves que contou com a colaboração da também académica Ao Sio Heng. O objectivo foi disponibilizar um instrumento acessível a todos

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S primeiros dicionários ‘online’ Português/Chinês e Chinês/Português agora disponibilizados foram feitos a partir de Macau por Ana Cristina Alves. Demoraram cerca de um ano, e da equipa que o produziu consta uma professora chinesa de português e mandarim. Doutorada em Filosofia da História e da Cultura Chinesa,

DSAT Carreiras rápidas em horas de ponta

oportunas para cada uma delas”, explicou a docente, vincando que o trabalho feito foi no “sentido de criar um dicionário que seja básico e essencial, para os contemporâneos”.

PALAVRAS PARA TODOS

Ana Cristina Alves disse à agência Lusa que quando lhe foi feito o desafio pensou que “não iria ser capaz”, pois à data leccionava na Universidade de Macau e “não tinha tempo”. “Mas logo me foi dito que teria a equipa de informática da Porto Editora a trabalhar comigo e, ao fim de um ano o trabalho estava feito, em menos tempo do que aquele que me davam”, salientou

O Governo quer que as operadoras de autocarros aumentem o número de carreiras rápidas durante as horas de ponta, após a renovação dos actuais contratos, que expiram a 31 de Julho. A intenção foi admitida, ontem, por Lam Hin San, director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, no programa Fórum Macau da rádio Ou Mun Tin Toi. De acordo com os dados apresentados por Lam, 35 por cento de todos os passageiros transportados diariamente apanham os autocarros entre as 6h00 e 10h00. Com o aumento das carreiras rápidas, que têm um número reduzido de paragens, o Executivo espera ajudar a resolver o problema da sobrelotação dos autocarros. Sobre a implementação de autocarros eléctricos, Lam Hin San diz que o Governo vai continuar a estudar o assunto, com base nos desenvolvimentos das regiões vizinhas.

a autora de vários livros e manuais sobre a língua e cultura chinesas. O facto de o desafio ter sido “bastante aplacado” pela colaboração que lhe chegava do Porto, foi no “trabalho de pesquisa” na tradução para chinês moderno das entradas que lhe chegavam de Portugal que encontrou as “maiores dificuldades”. “Foi uma pesquisa enorme pois cada entrada tem vários sentidos e havia que verificar quais eram as

E prosseguiu: “não se trata de um dicionário erudito, mas sim para comunicação, em que tanto os estudantes, turistas e empresários o possam utilizar”. Para a autora dos livros “A Sabedoria Chinesa” (2005), “A Mulher na China” (2007) e do manual Chinês/Português e Português/ Chinês (2010), a preparação do dicionário informático representou “um desafio muito diferente”, dada a sua “experiência ser no campo teórico, de ensino e na preparação de manuais”, recorrendo à metáfora para explicar de que modo teve de se readaptar para que a obra surgisse. “Para o efectuar tive de despir um pouco o meu lado teórico e académico para ir ao encontro das necessidades práticas da nossa sociedade”, descreveu Ana Cristina Alves cujo critério da escolha levou a que a obra publicada obrigasse a que “25 mil dessas entradas fossem retiradas, ficando só as expressões essenciais”.

AJUDA LOCAL

A parte do dicionário feita em Macau contou ainda com outra ajuda “preciosa” da universidade local, ficando a revisão a cargo da colega chinesa Ao Sio Heng, professora de português e chinês de iniciação. Agitada pelo “nervoso miudinho” que a acompanhou na coordenação do dicionário, a especialista confessou à Lusa que para conseguir

“Para o efectuar tive de despir um pouco o meu lado teórico e académico para ir ao encontro das necessidades práticas da nossa sociedade.”

“Não se trata de um dicionário erudito, mas sim para comunicação, em que tanto os estudantes, turistas e empresários o possam utilizar.” ANA CRISTINA ALVES AUTORA

dar resposta ao trabalho houve dias em que teve de “acordar às 02:00 para traduzir e depois ir dar aulas”. E com a obra a ser lançada em Portugal no dia em que se assinala o Ano Novo Chinês é de um maior investimento na cultura chinesa que a autora do livro de investigação “Culturas em Diálogo. A Tradução Chinês-Português” (2016) fala. “Os chineses gostam muito da língua deles e os carateres são uma das características da sua cultura e pode ainda muito ser feito em termos de dicionários etimológicos, de provérbios, adágios e aforismos”, desafiou. Nos dicionários hoje disponibilizados no ‘site’ Infopédia.pt constam mais 25.500 entradas e cerca de 36.500 traduções.

SJM OPERADORA VAI CONTINUAR A APOIAR O TERRITÓRIO

O

director executivo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), fundada pelo magnata Stanley Ho, afirmou no jantar de ano novo lunar que a operadora vai continuar a apoiar o Governo e o território. “À medida que o Governo de Macau continua a liderar um caminho de êxito para a economia e a sociedade, a SJM está pronta a caminhar ao lado de Macau para se transformar num centro

mundial de turismo e lazer”, disse Ambrose So, perante dezenas de convidados, incluindo o Chefe do Executivo, Chui

Sai On, e o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. O director executivo lembrou que a região administrativa especial chinesa vai beneficiar da iniciativa ‘Uma faixa, Uma rota’e do desenvolvimento da região da “Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”. Sobre o primeiro empreendimento da SJM no Cotai, Ambrose So afirmou que a construção do Grand Lisboa

Palace continua. Em Outubro, o responsável tinha indicado esperar a conclusão do projecto até final deste ano, depois dos atrasos causados pelo tufão Hato, em Agosto, e por um incêndio, em Setembro. Iniciado em Fevereiro de 2014, o Grand Lisboa Palace tem um orçamento estimado em 36 mil milhões de dólares de Hong Kong. Também a administradora-delegada da SJM

e deputada à Assembleia Legislativa, Angela Leong, considerou que “Stanley Ho, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau e a SJM são parte integrante do crescimento e da história de êxito de Macau”. O contrato de concessão de jogo da SJM, que opera 20 dos 40 casinos em Macau, termina em 31 de Março de 2020. LUSA


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21.2.2018 quarta-feira

Cidade reinciden “QUOTIDIANOS” NOVA OBRA DE ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR LANÇADA SEGUNDA-FEIRA

O autor e artista macaense afirma não se cansar de pensar sobre o território que habita e que é também uma parte de si. Em “Quotidianos”, António Conceição Júnior reflecte sobre a sua Macau em exercícios de cidadania que se espelham em 43 artigos. A obra é lançada na próxima segunda-feira no consuladogeral de Portugal em Macau À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O ENIGMA DA CHEGADA • V. S. Naipaul

O romance mais autobiográfico do Prémio Nobel da Literatura. A história de um jovem indiano do Caribe que chega a uma Inglaterra pós-imperial e do caminho que este trilha na descoberta de si enquanto escritor. É a história de uma particularíssima viagem, também interior, da colónia britânica de Trinidad às regiões rurais da velha Inglaterra, de um estado de espírito para outro, tecida com uma notável inventividade que cria um romance rico e completo. «Um livro maravilhoso. Um livro mágico.» Independent

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

A SENDA ESTREITA PARA O NORTE PROFUNDO • Richard Flanagan

Vencedor do Man Booker Prize 2014 Centenas de milhares de prisioneiros de guerra, entre eles numerosos australianos, são forçados pelos japoneses a um trabalho escravo nas selvas da Indochina durante a Segunda Guerra Mundial. O objectivo é coonstruir, num prazo inverosímil e sem maquinaria adequada, uma via-férrea de 450 quilómetros ligando o Sião à Birmânia, o que permitiria atacar a Índia. Até à conclusão da linha em 1943, morreram dezenas de milhares de homens, incluindo um terço dos 22 mil prisioneiros de guerra australianos. Executores fanáticos das ordens imperiais, alguns oficiais japoneses chegavam a recitar haikai antes de torturar ou decapitar os prisioneiros.É neste clima de desespero que o cirurgião Dorrigo Evans, prisioneiro neste campo de guerra japonês na Ferrovia da Morte, se vê assombrado pela relação amorosa que manteve com a jovem esposa do seu tio dois anos atrás, enquanto tenta evitar que os homens sob o seu comando morram de fome, de doença, ou sejam simplesmente espancados.O romance de Richard Flanagan aborda as diferentes formas que o amor, a morte, a guerra e a verdade podem assumir, à medida que um homem envelhece e tem consciência de tudo o que perdeu. «Uma obra-prima... Um livro extraordinário.» Michael Williams, Guardian


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quarta-feira 21.2.2018

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M “Escritos do Amor e do Desafecto – Crónicas de Cidadania”, António Conceição Júnior, artista macaense, pensou a sua cidade num dos momentos mais importantes enquanto território, aquando da transferência de soberania de Macau para a China. Depois dessa obra, lançada com a chancela da Livros do Meio, o autor volta a reflectir sobre o território que habita e do qual faz parte. “Quotidianos” reúne um total de 43 textos escritos num período compreendido entre 2015 e 2017. Trata-se, como o autor disse ao HM, “de um somatório de textos datados, quase um registo de bordo de uma navegação existencial”. Nascido e criado em Macau, depois de ter feito os estudos na área das artes em Portugal, Conceição Júnior nunca se separou das suas raízes e da sua essência macaense. O autor de “Quotidianos” pensa a sua cidade como se respirasse. “Sou um reincidente e não me canso (embora, talvez, possa cansar, mas assumo o risco!) de falar e reflectir sobre Macau, a cidade e como nela podemos intervir. Trata-se como que de um registo datado daquilo que, em cada momento, me impeliu a escrever”, acrescentou ao HM. No comunicado enviado à imprensa, lê-se que este livro pretende levar o leitor a “uma incursão pelos pressupostos fundamentais da própria existência numa cidade”. “Quotidianos” é uma edição de autor, por opção do próprio António Conceição Júnior. A apresentação do livro tem lugar no auditório do consulado-geral de Portugal em Macau, contando com prefácio do professor António Aresta e apresentação do historiador Luís Sá Cunha. Conceição Júnior explana a ligação que mantém com o autor do prefácio da sua obra desde há muito. “Tenho mantido correspondência relativamente assídua com Dr. António Aresta desde há alguns anos, ambos manifestando o nosso envolvimento com Macau e a

sua essencialidade. Admirando o seu trabalho sobre a minha terra, perguntei-lhe se me dava o gosto de escrever o prefácio, ao que anuiu prontamente e que muito agradeço.” “Este livro é não só ‘um exercício de cidadania corajosa, culta, actualizada e com um poder de contágio simpático’, mas também um meio para atenuar fronteiras por se apresentar ‘desigualmente repartido entre a antropologia filosófica, a ciência política, a literatura de ideias e o pensamento urbano’”, conforme escreveu António Aresta no prefácio.

UM DEVER, MAIS DO QUE EXERCÍCIO

António Conceição Júnior não tem em mente criar linhas de pensamento de coisa nenhuma, mas sim a de mostrar as reflexões sobre um território que tão bem conhece. Nascido em 1951, filho da escritora Deolinda da Conceição, o artista havia de regressar a Macau depois de se licenciar em Artes Plásticas e Design pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Por convite do governador Garcia Leandro, Conceição Júnior tornou-se, a partir de 1978, responsável pela formulação da política cultural do território, tendo sido também, entre 1984 e 1997, chefe do departamento de cultura do Leal Senado e, posteriormente, assessor para a cultura do Governador de Macau. Aquilo que escreveu em “Quotidianos” não é considerado um mero exercício de escrita, muito menos uma obrigação de publicar enquanto autor, mas sim um dever. “É dever de cada um participar neste colectivo em que todos nos integramos, seja de que forma for. Não tenho

“É dever de cada um participar neste colectivo em que todos nos integramos, seja de que forma for. Não tenho a veleidade de propor uma reflexão inovadora sobre o contexto da cidade, mas não me abstenho de ir partilhando as minhas perspectivas.”

a veleidade de propor uma reflexão inovadora sobre o contexto da cidade, mas não me abstenho de ir partilhando as minhas perspectivas sobre o gostaria de ver posto em prática para uma melhor qualidade de vida.” Nesse sentido, Conceição Júnior pretende tão somente mostrar pensamentos sobre uma cidade cheia de diversidade e de contrastes. “Quotidianos” é, portanto, “uma de muitas outras maneiras de reflectir esta cidade onde coabitam múltiplas culturas, lugar único onde a raiz ocidental se posicionou na costa meridional do Império do Meio.” “Essa forma de coexistência, de legado histórico, traz à superfície o modo como as culturas em presença se interpretam, e interpretam e interpelam a cidade. Trata-se de um conjunto de escritos independentes entre si, mas ligados por uma preocupação, em oposição à indiferença, pela edificação diária de uma cidade com uma história multi-centenária. É também dirigido àqueles que têm a missão de entender a essência da cidade e de a valorizar”, frisou. O autor recorda mesmo a sua participação em 2001, num congresso da União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (UCCLA), que decorreu em Macau. “A propósito de Cidades Criativas, tive oportunidade de - como participante - dizer que ‘a cidade criativa é não só um novo contrato social mas também um método de planificação estratégica, examinando o modo como as pessoas podem pensar, planear e agir criativamente na cidade. Em suma, é a instalação do diálogo pleno com vista a conduzir a uma compreensão sobre a maneira como se pode humanizar e revitalizar as cidades tornando-as mais produtivas e eficientes, recuperando o talento e a imaginação dos cidadãos’”. Sobre as cidades criativas, e sobre o próprio território em que habita, Conceição Júnior cita o escritor britânico Ian Morris, também professor de História e Arqueologia na Universidade de Stanford. “There is no more need for writing; what is left is to pratice” (Não há mais necessidade de escrever; o que falta é praticar). Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO PARTICIPA EM EXPOSIÇÃO NOS EUA

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UAS fotografias do fotojornalista português radicado em Macau Gonçalo Lobo Pinheiro foram escolhidas para integrarem uma exposição colectiva na Black Box Gallery, em Portland, Estados Unidos, de 01 a 20 de Março. Sob o tema “Portrait: Image and Identity” [Retrato: Imagem e Identidade], a exposição teve como curadora a fotógrafa Amy Arbus. PUB

ABlack Box Gallery dedica-se à exposição e promoção de fotografia contemporânea, apoiando a produção criativa, a exposição e a apreciação crítica da fotografia contemporânea. O fotojornalista foi recentemente distinguido com uma menção honrosa na categoria “Editorial: Photo Essay/Story” no IPOTY - International Photographer of

the year 2017, por algumas fotos sobre a passagem do tufão Hato por Macau. Nascido em Lisboa, em 1979, Gonçalo Lobo Pinheiro colaborou com vários órgãos de comunicação social e é actualmente coordenador fotográfico da Revista Macau, do Gabinete de Comunicação Social do Governo da Região Administrativa Especial de Macau. LUSA


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21.2.2018 quarta-feira

CAMPANHA TENCENT FAZ 210 MILHÕES DE CHINESES CAMINHAREM NO FERIADO

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PATRIMÓNIO CHINA PEDE PUNIÇÃO PARA AMERICANO QUE PARTIU SOLDADO DE TERRACOTA

Dedo do império do meio

Pequim exige punição severa para norte-americano que, alegadamente, terá partido e roubado um dedo de um soldado de terracota exposto em Filadélfia. O jovem foi libertado após pagar fiança e não pode deixar o país antes do julgamento

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S autoridades chinesas exigiram “punições severas” ao americano Michael Rohana, de 24 anos, acusado de remover e roubar um dedo de um soldado de terracota, que estava emprestado ao Instituto Franklin, na Filadélfia. O jovem do estado de Delaware foi preso e libertado após pagar fiança de 15 mil dólares, sob condição de entregar o passaporte, passar por testes de drogas e não deixar o país antes do julgamento. Em 260 exposições realizadas no exterior, este é o primeiro incidente do tipo. De acordo com os investigadores, Rohana participou numa festa no Instituto Franklin no dia 21 de dezembro e visitou a galeria da exposição “Soldados de Terracota do Primeiro Impe-

rador”, que estava fechada ao público. O jovem usou a lanterna do telemóvel para apreciar as dez estátuas emprestadas pelo Centro de Promoção do Patrimônio Cultural de Shaanxi e chegou mesmo a subir a uma plataforma para tirar uma selfie. Segundo o FBI no mandado de prisão, Rohana apoiou-se na mão esquerda de uma das

Segundo o FBI no mandado de prisão, Rohana apoiou-se na mão esquerda de uma das estátuas de um cavaleiro, e aparentemente quebrou um pedaço

estátuas de um cavaleiro, e aparentemente quebrou um pedaço. Em vez de alertar os funcionários do instituto, terá metido o pedaço quebrado no bolso antes de sair do edifício. O polegar perdido só foi notado no dia 8 de Janeiro, e agentes do FBI conseguiram encontrar Rohana dias depois, em casa. Na presença do pai, o jovem confessou ter escondido o polegar roubado numa gaveta de seu guarda-roupa. A promotoria decidiu acusar Rohana pelo roubo de peça de arte de um museu, ocultação de obra de arte roubada e transporte de propriedade roubada entre estados. O julgamento ainda não tem data para acontecer.

REACÇÃO CHINESA

Nesta segunda-feira, o director do Centro de Promoção do Pa-

trimónio Cultural de Shaanxi, Wu Haiyun, criticou o Instituto Franklin pela “falta de cuidado” com as estátuas. Nos últimos 40 anos, o centro organizou mais de 260 exposições no exterior e nunca passou por situação semelhante. “Nós pedimos que os EUA punam severamente o acusado” — disse Haiyun, em entrevista à emissora estatal chinesa CCTV. Em comunicado enviado ao Instituto Franklin, o Centro de Promoção do Património Cultural de Shaanxi informou que enviará dois especialistas chineses para recuperar a estátua danificada. A exposição será mantida como o planejado, até o próximo dia 4. As dez estátuas da exibição fazem parte do Exército de Terracota, com mais de 8 mil soldados e outras peças militares, enterrados com Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China, em 210 a.C. Descoberto na década de 1970, o exército é reconhecido como uma das maiores descobertas arqueológicas do século passado. A estátua danificada é avaliada em US$ 4,5 milhões.

M sétimo dos chineses participou da campanha feita pela Tencent para estimular a população a caminhar durante a Festa da Primavera, informou a gigante tecnológica. Mais de 210 milhões de chineses receberam um total de 1,79 bilhão de “envelopes vermelhos” com dinheiro virtual durante a Campanha do Envelope Vermelho Fitness feita na rede social QQ, da Tencent. Através do dispositivo de rastreamento, a companhia ofereceu aos usuários a chance de participar em sorteios de um total de 200 milhões de yuans e 4 bilhões de yuans em vale-compras por cada 100 passos dados durante os primeiros três dias do Ano Novo chinês. O objetivo foi promover um estilo de vida saudável. Durante a campanha, cada usuário deu em média 5.347 passos diários. Os participantes nascidos depois do ano de 1990 caminharam mais, com 5.443 por dia; 70 por cento dos vencedores dos sorteios estão na casa dos 20 anos. Os usuários das cidades de Chongqing, Chengdu e Kunming foram os que deram mais passos per capita. No total, os participantes deram 3,4 triliões de passos nos primeiros três dias do Ano Novo chinês, um aumento de 35,9 bilhões ante o mesmo período em 2017.

Turismo Mais visitantes no Tibete durante feriado do Ano Novo Chinês

A Região Autónoma do Tibete recebeu cerca de 216.400 turistas do país e do exterior de 15 a 18 de Fevereiro, os primeiros quatro dias do feriado do Ano Novo Chinês. O número corresponde a um aumento de 30,7 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, anunciou o comitê de desenvolvimento turístico regional. As receitas turísticas atingiram 159 milhões de yuans durante os últimos quatro dias, uma alta anual de 14,7 por cento, segundo o comitê. Neste ano, o Ano Novo, ou a Festa da Primavera, coincidiu com o Ano Novo tibetano, que se celebrou na última sexta-feira. Cerca de 84.000 visitantes passaram a noite na região e 132.000 visitantes fizeram viagem de um dia, afirmou o comitê. O governo regional lançou um programa de promoção de turismo de inverno oferecendo entrada gratuita em 115 principais lugares turísticos na região, incluindo o icônico Palácio Potala, de 1 de Fevereiro a 30 de Abril, além de desconto em hotéis, transporte local, voos e comboios.


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quarta-feira 21.2.2018

ENSINO 43 POR CENTO DOS ESTUDANTES CHINESES ENTRAM PARA A UNIVERSIDADE

Canudos aos milhões Desde o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista, em 2012, o Comitê Central do PCC prioriza o desenvolvimento de educação e melhora constantemente o serviço público e a governação da área

H

OJE, a educação obrigatória de nove anos para escola primária e escola secundária de primeiro ciclo está universalmente disponível em todo o país, enquanto a educação de escola secundária de segundo ciclo é quase universal. A taxa bruta de admissão nos jardins de infância atingiu 77,4

DOUTORES AOS MILHÕES

por cento enquanto que no ensino superior chegou aos 42,7 por cento. Cerca de 91,5 por cento dos alunos em escolas profissionalizantes não pagam nada. Os subsídios nestas escolas abrangem mais de

40 por cento dos alunos e bolsas de estudo cobrem mais de um quarto. Em trinta províncias permitem que filhos de migrantes façam exame de adnissão ao ensino superior onde os pais trabalham, uma política de

que beneficiando 150 mil alunos. O Comitê Central do PCC também decidiu de maneira abrangente aprofundar a reforma em educação, incluindo aumento de vagas universitárias, para melhorar a

AMBIENTE CHINA EMITE MAIS DE 20 MIL LICENÇAS DE EMISSÃO DE POLUENTES

INFORMAÇÃO PRESIDENTE DA XINHUA DIZ QUE NOTÍCIAS DEVEM SERVIR O POVO

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S autoridades chinesas emitiram mais de 20 mil licenças de emissão de poluentes até o final de 2017, de acordo com o Ministério da Proteção Ambiental. As licenças foram concedidas a companhias nacionais em 15 sectores incluindo aço, ferro e cimento, reflectindo os efeitos da reforma do sistema de lincenciamento realizada em 2016 com o objectivo de proteger melhor o ambiente. Em caso de despejo de poluentes sem licença, a empresa poderá ter que suspender a produção ou fechar e pagar uma multa até um milhão de yuans. As companhias culpadas por outras violações, incluindo emissões excessivas e falsificação de

igualdade e a integridade. Como resultado, a confiança e a satisfação entre os estudantes universitários é forte. Uma pesquisa em 2016 mostrou que 92,7 por cento tinham uma ideia clara do futuro depois da graduação e 95,1 por cento se sentiam preparados para enfrentar os desafios do mercado de trabalho. Essa confiança está imprimir aos graduados um maior sentido de empreendedorismo. Segundo o Ministério da Educação, nos últimos anos cerca de 3 por cento dos chineses formados abriram o próprio negócio, quase o dobro que nos países desenvolvidos.

dados de monitoramento, também enfrentarão punições semelhantes de encerramento e multas pesadas. O ministério pretede melhorar os padrões jurídicos e formular normas e padrões para a solicitação e a aprovação de licenças de emissão para outras indústrias, disse Liu Youbin, porta-voz da pasta. Os elaboradores de políticas da China incluíram a luta contra poluição como uma das “três batalhas duras” do país nos próximos três anos, junto com prevenção de riscos e alívio da pobreza. Outra medida é a cobrança de imposto ambiental, após a entrada em vigor da lei que a estabelece a 1 de Janeiro.

S organizações de notícias devem adoptar uma abordagem orientada para o povo e servir melhor as suas necessidades através de fornecer novos produtos de notícias mais diversificados, de acordo com o presidente da Agência de Notícias Xinhua, Cai Mingzhao. A opinião foi escrita num artigo da Qiushi, a revista oficial do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC), analisando o discurso do presidente chinês, Xi Jinping, sobre o trabalho dos media em 2016. No dia 19 de fevereiro de 2016, Xi, também secretário-geral do Comitê Central do PCC, visitou

o Diário do Povo, a Agência de Notícias Xinhua e a Televisão Central da China, os três principais veículos de imprensa do país. Mais tarde naquele dia, Xi presidiu uma reunião sobre o trabalho de mídia. Cai disse no artigo que as organizações de notícias devem dar uma orientação correcta ao povo, colocar sempre o interesse social em primeiro lugar e encorajar toda a sociedade a esforçar-se pela excelência. O presidente da Xinhua pediu aos jornalistas para melhorem a reportagem de investigação de forma a reflectir os desejos e vozes das pessoas. O artigo também destacou a importância da autenticidade das notícias.

As escolas profissionalizantes da China formam quase 10 milhões de técnicos para diversas indústrias todos os anos via programas de integração ou de cooperação entre as escolas e empresas. Nos últimos cinco anos, formaram-se 20 milhões de universitário, injetando mão-de-obra para as indústrias de alta tecnologia e indústrias emergentes estratégicas do país. No fim de 2016, a China estabeleceu cooperação educacional e relações de intercâmbio com 188 países e regiões, assim como 46 principais organizações internacionais. Assinou acordos com 47 países e regiões para o reconhecimento mútuo de diplomas. A China é, actualmente, a maior fonte do mundo de estudantes internacionais e o maior destino para estudantes internacionais na Ásia. Xinhua

Cai pediu que se acelere o desenvolvimento dos novos meios de comunicação social, com o impulso da tecnologia 5G. “A agência tem como objetivo estabelecer uma redação inteligente, com cooperação entre o humano e a máquina e foco na crescente produção e maior eficiência de comunicação”, escreveu. Cai disse ainda que a Xinhua se irá esforçar para construir um novo tipo de agência de notícias de classe mundial, ao nível da apuração, edição e publicação de notícias globalmente.


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21.2.2018 quarta-feira

a cólera é fogo no coracão, ´ pode queimar florestas de méritos Diário de um editor João Paulo Cotrim

DANIEL LIMA

mido de subtilezas, de observações incandescentes, de atenção à natureza das coisas, à Natureza, de uma poética que nos explode algures (nas mãos?, nos olhos?): «A rosa é um fio de terra que se levanta». O Sandro trouxe o Manoel de Barros, esse «aparelhado para gostar de passarinhos», com interesse em falar da sua Poesia Toda (ed. Caminho) e acabou fazendo dele chave-de-fendas para o seu próprio texto, para o seu olhar sobre as palavras. E a leitura. Sandro calcorreia escolas e bibliotecas e outros lugares, talvez de betão, a dizer das vidas que se ganham e perdem no jogo da leitura. Da planta que se folheia, que se rega, que cresce. Uma inutilidade, sabemo-lo bem: «o que nos fode é a inteligência.» (Quem nos manda aceitar a utilidade para governo das nossas vidas?) Sobra por aqui muita melancolia. No finzinho do conto final, o Velho deita-se no canteiro de arma na mão e diz à laia de tenho dito: «Seja como for, estamos sempre sós./ Já ninguém ouve as rosas.» Não preciso comprar arma, tenho livro. Velho que sou, procuro canteiro.

O assentar dos tijolos CCB, LISBOA, 8 FEVEREIRO Convém ouvir, orelha no chão, o pulsar da botânica, que soa hoje como cavalo-de-ferro. Antes entrar sussurrante por este Obra Aberta – que viu o Tónan Quito ser substituído à última hora pelo Miguel Castro Caldas, a pretexto dos clássicos e da Oresteia em cena – a solidão do Sandro William Junqueira acompanhou a minha por estes dias. Quero dizer: habitei os não-lugares comuns de «Quando as Girafas Baixam o Pescoço» (ed. Caminho). No coração do betão que construiu pulsa um sangue de personagens cujo nome resulta ser característica-ferramenta, com que faz e desfaz o entorno, com a qual

se auto-desmontam para nos dar a ver o dentro, em bricolage de largo espectro. Parecem pequenos contos, de título pesado, significativo («Um pai atravessado na garganta»), tendo apenas a partilha do síto como fio de ligação. Parecem pequenos contos, mas são pinceladas de uma tela maior e caleidoscópica, de um romance que parece temer sê-lo, que se aproxima do real pelo avesso. Será este o mais estranhamente neorrealista dos romances contemporâneos? As personagens ganham a carne da proximidade e a narrativa enche-se de episódios e momentos, embrulha-se em novelo, ora de lã, ora de arame farpado. A prosa apresenta-se terreno hú-

HORTA SECA, LISBOA, 11 FEVEREIRO Tão pouco nos conhecemos que só posso rasgar aqui lamento. Culpa minha. Falámos de Stuart, longamente, de livros, por causa de bibliotecas, umas feitas, mudadas, vividas, mexidas, outras por fazer. Nunca falámos do José Gomes Ferreira, que iluminou e continua cada uma das minhas infâncias-lego. Perdeu-se inocências na tradução das gerações. Perde-se tanto no não falarmos. Partilhámos amigos, amigos queridos, gostos, batalhas, dores, lugares. Falámos tão pouco, por exemplo de. Arquitectura, sim, talvez possa ser, fio-de-prumo, o primevo contorno no mundo, bater de asas na neve, maceta e escopro na pedra bem escolhida, assentar do tijolo ainda que burro, cálculo do arco, leitura do espaço e aconchego. Não conheço mais humana casa da cultura do que a de Beja, desenhada nos múltiplos cruzamentos da tradição e da engenharia, ao gosto popular e com as visões do pensamento, seios que se amamentam da via láctea. Raul Hestnes Ferreira, discreto escultor do betão, deixou hoje de desenhar. INSTITUTO INDUSTRIAL, LISBOA, 14 FEVEREIRO Livrerso: o Pedro [Proença], aranhiço dos múltiplos sentidos, tem travestido como ninguém a rede em teia. Quantos dias passaram sem que produzisse projecto, exposição, palavra que me escapa, conceito que já foi, além daquele que mais interessa agora: livro no lugar nenhum e todos do em linha? Um dos seres ali nados e criados, John Rindpest (acessível no issuu), ganhou as dimensões do passeável em versão livro expandido e lá fomos ouvir a versão amiga do artista a dissertar acerca do vinil sobre parede, meia dúzia de pontos de não retorno a responder ao eterno Kafka e um mala de couro, chamada «Fuga», pronta a partir («poetry as art as poetry» na Fundação Portuguesa das Comunicações, em parceria com a Galeria Bessa Pe-

reira, até dia 23). O Pedro mastiga as artes (e o mundo) à velocidade do pensamento, pelo que não será de fácil digestão esta sua arte combinatória. Custa aceitar que o kairos pode acontecer em versão Ikea, pendurada em frases, armadas em inteligentes. «O que nos fode é a inteligência.» A ideia de livro que o Pedro tem abordado em cruzamento de espeleólogo e neurocirurgião merecia o exagero de uma Cordoaria para que também a sua mão talentosa pudesse servir a três dimensões esta visão crítica do universo das artes plásticas, desenvolvesse até ao máximo a contaminação entre texto e imagem, e mais entusiasmante, prolongasse o jogo que cria universos a partir do objecto-livro, respectiva gramática, pensadores ou artesãos. HORTA SECA, LISBOA, 15 FEVEREIRO «Azul em jaguar turquesa», o Daniel [Lima] apareceu meio de surpresa para me trazer os papéis que resultaram das exposições perdidas por estes olhos que a terra há-de comer. «Figurasavulsas», na biblioteca de Viana [do Castelo], e a de Guimarães, da qual usei nome em abertura de parágrafo. A tarde desfez-se em camadas, planos, figuras, modos de representar na nossa conversa os assuntos. Montaram-se projectos, pedi empurrões em amigos, recolhi informações de nada sobre as experiências vividas a Norte. A visão e o modo de operar do Daniel, de tão literários, perturbam as nossas monotonias, insistem em parar a corrida para que possamos absorver, interpretar, deixar assentar. Na televisiva feérica pele do mundo, as suas composições rasgam um palco no qual o teatro é apenas uma das personagens (o cinema outra), mas tudo cosido pelo desejo de ficção (veja-se nesta página exemplo para «Por Mão Própria», de Luís Carmelo, ed. Abysmo). Nem todas as ilustrações são lanterna, algumas rasgam janelas. HORTA SECA, LISBOA, 17 FEVEREIRO O Mário [Reis] mãos-de-barro reduziu, assim tornando pessoal e portátil, a banheira termal das Caldas da Rainha, um formato de ressonâncias romanas ou apenas romanescas. Pediu-me texto para inscrição na peça, desconhecendo o fascínio que dedico às águas. O desafio tocou na pele com estilete, suscitando com singular rapidez palavras de pó: «as nuvens pousam na quietude/ sob tal superfície perco corpo/ o banho tomou-me e o navio quedo se vai// verso ou sarcófago?» CCB, LISBOA, 18 FEVEREIRO O jeito que me dava acabar assim, na entrada anterior. Contudo, experimentei em palco a Isabel [Abreu] no palco da Oresteia a fazer-se o mais carnal dos insectos, corpo esticado ao limite da plasticina, voz de barro no coro do bom senso (não são todos?), ser transcendido a fio de palavra, a estender-se ao sopro dos elementos, mulher esquecida e amante, mãe assassina por mor de uma dor, mãe vítima de vingança óbvia (não são todas?), carne das trevas no plástico do negro. Actriz, que modo mais visceral há de dizer mulher?


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quarta-feira 21.2.2018

ENTERRO DO CONDE DE ORGAZ, EL GRECO

o ofício dos ossos Valério Romão

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U não quis dizer nada, mas achei a cova pequena. Tal como percebemos, a olho, que o espaço entre dois carros não vai ser suficiente para conseguirmos estacionar, a cova, assim que me acerquei dela, pareceu-me estreita para receber o caixão do avô Malaquias. Mas não disse nada. Afinal, tenho a certeza de que não é o primeiro buraco que os coveiros abrem, e não me apetecia de todo encetar conversa sobre um assunto tão melindroso quanto este e poder estar equivocado. Enquanto o padre dizia as coisas que sói dizer-se nestas ocasiões, eu fazia contas de cabeça. O avô Malaquias tinha à vontade mais de metro e setenta. Um palmo aberto da minha mão tem cerca de vinte centímetros. Tendo em conta de que o caixão não pode ser exactamente do tamanho da criatura que recebe, e dando pelo menos quinze centímetros de desconto para a parte dianteira e para a traseira, cheguei à conclusão que a cova, no mínimo, teria de medir dois metros e dez. Ou, em

A última morada contas de mão, dez palmos e meio. E por mais que me esforçasse em ver ali dez palmos bem medidos, ficava sempre aquém. O pouco interesse que poderia ter pelas palavras do padre não sobreviveu a curiosidade que tinha em ver o avô Malaquias, esticadinho e sossegado como nunca o fora em vida, descer para dentro daquela cova sem precisar de flectir os joelhos. As restantes pessoas alheavam-se como podiam: uns compilavam listas de supermercado imaginárias, outros pensavam em como iriam chegar ao final do mês, outros ainda passavam em revista as resoluções de ano novo que haviam sido tão lestamente adoptadas como abandonadas. Ninguém, num funeral, quer estar atento ao que se passa no funeral. A convivência com a morte no outro não é salutar. A não ser por cauterização afectiva decorrente da profissão que se escolheu, a caixa-de-ressonância que é o humano não lida confortavelmente com a presença da morte.

Mal começaram a baixá-lo disse: “não vai caber”. O tio João, normalmente reservado, não se coibiu em corrigir os coveiros: “rapazes, isso vai muito torto”. E ia. Como de facto o caixão era ligeiramente maior do que a cova e não cabia na horizontal, os coveiros (na minha cabeça subitamente tão experientes a abrir buracos como a enchê-los de forma pouco ortodoxa) baixavam a cabeça do avô Malaquias primeiro, fazendo fé de que na diagonal aquele tetris inusitado encontrasse uma solução elegante. O tio João, embora ciente das dificuldades encontradas, estava pouco convencido da bondade da manobra. “Vão dar cabo da cabeça ao homem”, dizia, “pelo menos orientem os pés para baixo”, e os coveiros, ainda assim atentos à civilidade das observações do tio João, lá se esforçaram por inverter a posição do caixão, e o avô Malaquias lá entrou de pés para a cova. Mesmo assim, e porque a geometria não se compadece do esforço dos homens, o caixão, apesar de inclinado – uma posição que me parecia assaz

desconfortável para o tempo que o avô Malaquias ia passar naquele buraco – teimava em não caber totalmente. Uma pequena parte dele ficava de fora, malgrado o esforço dos coveiros em empurrá-lo para baixo. “Não é muito”, dizia um dos presentes; “mas não pode ficar assim”, ripostava outro. “Se cavarem um bocadinho mais no fundo, já não fica com nada de fora”, aconselhava um rapaz, visivelmente orgulhoso pela simplicidade e economia de esforço com as quais pretendia resolver o problema. Quando voltaram, os coveiros vinham com marretas. À vez, como os trabalhadores dos caminhos-de-ferro enfiando tachas no solo, batiam com as marretas no caixão. “Vão parti-lo”, receava uma velhota. “Eles têm que resolver isto”, confidenciava o meu pai ao meu tio. Aos poucos, a terra cedia e o caixão, às sacudidelas, ia desaparecendo na cova. O tio João, à saída do cemitério, confidenciava-me, visivelmente perturbado: “não devia ter insistido em que o virassem”.


16

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21.2.2018 quarta-feira

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tonalidades António de Castro Caeiro

A

espera é milimétrica. Crónica. Escadas volantes sem apoio. Tractores que puxam carris. Mercadoria e malas de viagem. Passageiros a partir sem malas. E chegam ainda sem elas. Alguém varre o chão. Há décadas a ver gente partir e chegar sem poder adivinhar a não ser o serem gente. As mesmas horas da madrugada podem ser o princípio ou o fim do dia. Ou a continuação. Várias línguas imperceptíveis à distância. Tanto barulho para tirar um café espresso. O empregado bate com o manípulo para sacudir as borras do café. A máquina do café é accionada de novo. Passageiros puxam ou empurram malas. Mini-saias com pernas e calções bem moldados. Há mini saias que ficam tão bem em quem as traz vestidas. DEVANEIO E FUGA: “Tenho de pagar o telefone. Não tenho ligação à internet. O céu “é” azul. Ser céu não é ser azul (sintético a posteriori). Não ecoa nenhuma música. A realidade não mexe uma palha.” Não sei como hei-de estar sentado. DEVANEIO E FUGA: “As hospedeiras levitam. Umas pernas com vergão, por terem estado sentadas em cadeiras de vime, erguem-se de trás triunfantes. Ah! a glória daquelas pernas! As sanduíches entram pela boca de pessoas empenhadas em fazer desaparecer tudo para o lado de dentro delas!” A fila inteira à espera e a empregada diz num Castelhano franquista: “tienen” não sei o quê “esperar”. Há 20 minutos que esta mesa espera comigo. Estou de viagem. Mas estou e não estou a ir. Estou a viajar enquanto espero pela ligação aérea? Parado, vou no tempo até daqui às 15h45. É uma crença, uma fé ou uma superstição? Com o tempo vem o avião e o momento para entrar para dentro do avião. Mas eu não estou a andar. Deveria fazer-me ao caminho? Sentado, estou de viagem entre destinos. Não me entra dentro da cabeça, mas sei que é o tempo para chegar do destino de origem ao destino final. DEVANEIO: “Nove minutos.” Onde estive? Caio outra vez na realidade e ouço alguém perguntar a outrem: “O que bebes?” - “Uma coca cola zero.” Uma francesa diz ao namorado atrás de mim: “Je suis choisie?” - “qu’ est-ce que ça veut dire?”. Faltam 4 horas e 15 minutos para o embarque. Estou em viagem? Agora, 4 horas e 12 minutos. Vou ser deslocado. De resto, vou a pé daqui até ao “Gate”, palavra internacional. Depois sento-me dentro do avião. Deslocam-me. Agora, faltam 4 horas e 10 minutos. 250 minutos. Mas falta mais para chegar. INTERPRETAÇÃO: “Este tem mesmo cara de português.” Japoneses com máscaras na boca. SINISTROS. Vou estar assim nos próximos 248 minutos. Não dormi nada.

JEAN-HUMBERT SAVOLDELLI, AIRPORT

Barajas em modo de espera

DEVANEIO E FUGA: “a miniatura do carro dos bombeiros é aqui real e está lá fora.” DEVANEIO E FUGA: “Família simpática troca de lugar com uma anciã. A velha não fica e vocifera não sei o quê. É contra o marido que não está nada bem. Péssimo aspecto. As muletas apoiam-se nele e a mesa dá-lhe com a aresta na barriga.” Falho um letra no teclado. Adormeci por um lapso de tempo. São 10h41m no AIR. Estou a ir para Lisboa e ainda não saí daqui. DEVANEIRO E FUGA: “Percorro o teclado com os dedos e bato nas mesmas letras em tempos sempre diferentes. Palavras diferentes integram as mesmas letras. A mesma letra tem posições diferentes para poder intervir elementarmente em palavras diferentes. Nunca se bate uma letra da mesma maneira, nem no mesmo tempo. Por exemplo, a letra “o” em “P-o-r” e em “exempl-o” e em “o”. 1, 2, 3, 4, 5, 6. Seis vezes bati na palavra “o” e, agora, mais duas.” Afinal... Enganei-me. Falta mais tempo do que eu pensava. “Que contas faço?”. Acho que vou adormecendo e acordando. Só não adormeço por completo, para estar alerta. Está aqui muita gente. Não gosto de dormir ao pé de gente. É íntimo. Faltam afinal 5 horas. São 300 minutos. Recontagem. Começa do princípio e com mais tempo por decorrer.

Faltam 4 horas e 35 minutos. 25 minutos desde que não olho para as horas. As casas de banho estão todas em serviço ao mesmo tempo. Nunca percebi por quê. Ou então estão ocupadas. Andei de um lado para o outro. O aeroporto nunca mais acaba. Andei muito. 25 minutos, mas não foi para ir para casa. Vou de avião. Por isso andar por andar e andar para ir têm sentidos diferentes. Só um me leva. O outro fixa-me. Qual o sentido desta circunstância? Eu sabia que isto ia ser assim. Não pude evitar. Faltam 4 horas e meia para as 15h45m. Agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora. Tantos “o’s” em h-o-ras e em ag-o-ra. A: [A superfície das coisas é insuportável]. Nem um pensamento ocorre. Pessoas, empregada de mesa, a miúda ali à frente. Um tipo deixa cair o casaco e segue em frente. “Perdoname”, grita um tipo atrás de mim. O estrangeiro não o ouve. Tenho de gritar: “HEY!”. -”Thank you”, responde. - “You’re welcome.” Este foi o momento alto da manhã. Fez afluir sangue ao cérebro. Ia dizer que B: [A: [a superfície das coisas é insuportável]]. Só quando estão estagnadas. O casaco que caiu desequilibrou o universo. Foi “interessante”. O enfoque estava na película entre mim e a totalidade da apresentação, do lado de dentro de cá, silencioso, não interventivo. O casaco que cai mudou o enfoque. Anulou-se a minha absorção ainda do lado de cá do ecrã: “HEY!” (Gritei mesmo!). Mas o tipo olhou. Seria uma maçada ter de me levantar para o fazer ir buscar o casaco.

Bons cinco minutos os que entretanto passaram. Qualidade de tempo??????????????????? Parou. Altifalantes. Castelhano. Copos de plástico. Há quanto tempo estou nisto? São 11h27. Assinalei 10h41m. O que sucedeu das 10h41m e às 11h28, agora? Nada de interessante. 11:30 Please pay attention...diz o speaker. Que mulher tão disformemente GRANDE. 11:32. 11:33. 11:34. Vou para outro sítio. 11:56 Minutos divertidos. Fui buscar um carro para a mala. Depois, fui andar nos tapetes rolantes. Espectáculo! Só um grupo de três criaturas me iam estragando a brincadeira. Mas assinalei pesado a minha presença. Um desviou-se e os outros queriam brincadeira. Começaram a andar depressa também. Nada como acelerar. Deram passagem. Chato são os que se deixam ultrapassar e depois ultrapassam. Mas pronto também se divertem. Vi duas louras espampanantes. O melhor de tudo foi ver o voo anunciado no ecrã. 3 horas e 45 minutos para a partida. Mas 3 horas e 15 minutos para o embarque. A contar com o facto de que a expectativa de primeira ordem altera a percepção. Estimula-a intrinsecamente. 12:03 Sono. Muito sono. Não dormi nada esta noite. 12:52 Passou-me pela cabeça andar nos tapetes rolantes ao contrário. Mas não tive coragem. Houve muitos mais “cortados”. Reparei que as pessoas ao fundo do corredor parecem ser mínimas. À medida que se aproximam parecem aumentar de tamanho. Será que quando passam por mim e ficam atrás das minhas costas continuam a aumentar de tamanho? Olho para trás. Não. Diminuem de tamanho. As coisas só têm o mesmo tamanho se não se mexerem. 1:04 pm Dói-me tudo. Nada de glorioso nem nobre, nem estético. Nada. A seca. A seca de uma outra forma de vazio que não a que provoca a sede. A seca total. 2:20 pm It moved. 2:21 pm A expectativa altera a apresentação intransitiva do mesmo. O tédio frita todo o desespero, toda a melancolia. A não ser que seja o tédio a melancolia sem apelo nem agravo. 6:29 hora local. Passaram mais de cinco horas.


desporto 17

quarta-feira 21.2.2018

A

Medalha para Macau em Ciclismo de Pista

ID MEXE NO REGULAMENTO DA ATRIBUIÇÃO DE SUBSÍDIOS AOS PILOTOS

Luz ao fundo do túnel ID

atribuição de subsídios aos pilotos locais que participem em corridas no exterior tem ao longo dos anos causado um incómodo braço de ferro entre pilotos e as entidade responsáveis do território. Este tema controverso teve um novo desenvolvimento este ano, mas, para variar, positivo para o lado dos pilotos. Para se habilitarem a receber este vital apoio monetário, os pilotos portugueses e chineses da RAEM tinham, entre outros critérios obrigatórios a cumprir, que participar no Grande Prémio de Macau e, desde 2013, de chegar ao fim da prova onde participavam. Estas duas clausulas foram sempre veemente contestadas pelos pilotos, principalmente a segunda, que obrigava os corredores da casa a dosearem o seu andamento no fim-de-semana do Grande Prémio para não comprometerem um suporte financeiro vital para a temporada seguinte e, ao mesmo tempo, rezarem a todos os Deuses do Olimpo para que o azar não lhes batesse à porta no mais importante fim-de-semana de Novembro. Felizmente, o bom senso sobrepôs-se ao orgulho e o contestado ponto 2.4 da “atribuição de subsídios aos pilotos locais que participem em corridas no exterior durante 2018” deixou cair a obrigatoriedade de terminar a corrida do Grande Prémio de Macau. Diz agora o dito ponto que basta “Ter participado nas corridas oficiais do Grande Prémio de Macau (GPM) realizadas durante 2017 (com partida efectuada)”. O ano passado, o polémico ponto 2.4 referia ser obrigatório “Ter terminado e obtido uma classificação oficial que se situe numa posição entre as

continuamente em formas de melhorar o sistema, incluindo tendo em consideração as ideias e sugestões que recebemos dos pilotos. No futuro nós iremos continuar a olhar para encontrar métodos para apoiar os pilotos locais e a criar condições para um desenvolvimento a longo termo dos desportos motorizados de Macau”, explicou o organismo responsável por executar a política desportiva do território.

NÃO CHEGA A TODOS

70% melhores classificações finais dos pilotos participantes de Macau numa das corridas do Grande Prémio de Macau (GPM) realizadas durante 2016.” Caso os requisitos não tivessem sido alterados este ano, apenas vinte pilotos estariam à partida qualificados para acederem ao apoio do Governo da RAEM. Com esta alteração, passam a ser trinta e sete aqueles que até 28 de Fevereiro se podem

A ciclista Ivy Au conquistou uma medalha de bronze, na modalidade Scratch para juniores femininos, durante o Campeonato Asiático de Ciclismo de Pista, que decorreu até ontem na Malásia. A ciclista que integrou a comitiva da Associação Geral de Ciclismo de Macau ainda sofreu uma queda durante a prova, mas conseguiu recuperar ao longo dos 7,5 quilómetros e acabar no pódio. Entre os sete atletas da RAEM que se deslocaram à Malásia, Ivy Au foi a única que conseguiu conquistar uma medalha.

candidatar à verba disponibilizada pela Fundação Macau.

IDM ESTÁ ATENTO

Se os pilotos portugueses foram os primeiros a mostrar publicamente o desagrado pela forma como este subsidio era e é atribuído, o mal-estar estendeu-se rapidamente também aos pilotos de etnia chinesa. Esta alteração nos critérios dos requerentes foi obviamente

bem recebida, não só por quem dela beneficiará, mas também pela comunidade dos desportos motorizados de Macau no geral. Questionado pelo HM sobre qual a razão que motivou este ajuste de peso, o Instituto do Desporto (ID) esclareceu por escrito que “o esquema de alocação dos subsídios para os pilotos locais participação em provas no exterior é concebido para apoiar os

pilotos de Macau com recursos e condições para participarem em eventos de desportos motorizados, com o objectivo último de elevar o níveis competitivos dos pilotos locais.” O IDM admite que está aberto a sugestões e deixa a promessa que irá estar atento ao assunto, deixando no ar que o actual sistema para poderá evolver para melhor. “À medida que o tempo passa, nós temos trabalhado

Futebol Hwaepul SC confirmado como adversário do Benfica

O Hwaepul SC derrotou o FC Erchim por 3-0, na segunda mão do play-off da Taça da Confederação de Futebol Asiática (AFC), e está confirmado como o adversário do Benfica de Macau, no Grupo I da competição. A partida de ontem foi disputada na Coreia do Norte, depois da primeira mão, que terminou com a vitória dos coreanos por 4-0, ter sido realizada na Mongólia. No jogo de ontem os golos foram apontados por Jang Kuk-chol, Choe Kwang-jin e Jon Chuang-il. Desta forma, o agregado do resultado das duas partidas ficou em 7-0. A primeira jornada do Grupo I da Taça AFC está agendada para 7 de Março, com o Benfica de Macau a receber o Hang Yuen de Taiwan. A partida vai ser realizada às 20h00, hora de Macau.

Esta medida salutar não é no entanto suficientemente abrangente para evitar que os três pilotos da RAEM mais representativos da actualidade estejam automaticamente desclassificados a candidatar-se ao subsídio, o que demonstra a incongruência do sistema ainda em vigor. André Couto, Rodolfo Ávila e o jovem Leong Hon Chio não participaram na edição transacta do Grande Prémio, por diferentes razões, e nem os triunfos que conquistaram em 2017 – Ávila foi vice-campeão do mais popular campeonato de automobilismo da República Popular da China e Leong venceu de uma assentada o Campeonato da China de F4 e o Campeonato Asiático de Fórmula Renault na sua estreia em monolugares - nem o vasto currículo internacional, como no caso de Couto, são argumentos suficientes para serem merecedores de qualquer apoio do território que representam fora de portas. Este pequeno volte-face das entidades responsáveis de Macau irá apaziguar ligeiramente a insatisfação crescente, mas não será ainda suficiente para trazer a tão desejada paz e um pouco de consenso ao automobilismo do território. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo


18 (f)utilidades TEMPO

MUITO

21.2.2018 quarta-feira

O QUE FAZER ESTA SEMANA Segunda-feira

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YOU & ME FITNESS GINÁSTICA PARA MÃES E FILHOS Mana Vida | One Oasis | 11h30 CINEMA | MACAO STORIES 2: LOVE IN THE CITY Cinemateca Paixão | 14h00

Diariamente

O CARTOON STEPH 19 DE

4 6 7 5 2 1 3 6 1 6 4 5 7 2 1 4 6 3 5 4 63 27 51 EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” 37 2 5 3 2 3 5 7 4 6 71 Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03 2 6 4 2 17 1 4“FICÇÃO3E DERIVA” 6 5 7 2 EXPOSIÇÃO Galeria Tap Seac | Até 4/03 43 1 6 4 6 7 2 1 3 5 34 EXPOSIÇÃO “A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING” 1 2 5 1 6 3 de 5 1 4 7 Museu Arte de 6 Macau |2 Até 4/03 EXPOSIÇÃO 3 5 7 3 2 5 1“ TEN FOR 4 PERFECTION” 3 7 2 6 Macau Art Garden EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS NOTES IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM” Casa Garden | Até 28/02

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 19

16 Cineteatro 3 6 5C 1I 4N 2E M 7

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UM FILME 6 1 7 2HOJE 5 3 4

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PROBLEMA 20

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SUDOKU

EXPOSIÇÃO “IMAGINARY BEINGS” Taipa Village Art Space | Até 21/02

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DIAS DE PARALISIA

Sábado

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YUAN

VIDA DE CÃO

LANÇAMENTO DO LIVRO “QUOTIDIANOS” DE ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR Auditório do Consulado-Geral de Portugal | 18h30

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02

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Nos dias que correm, as ruas de Macau parecem fábricas de multiplicação de pessoas. Clamam travões ao excesso de população e acrescentam um novo elemento à lista de bens escassos: a paciência. OAno Novo Chinês paralisa tudo com o entupimento das artérias da cidade, causando múltiplos acidentes vasculares urbanos profundamente incapacitantes. Qual o limite destas ruas? Até onde as costuras viárias aguentam a obesidade de tráfego de corpos e até quando esses corpos suportam o aperto da massa humana? Vista de cima, Macau assemelha-se a um formigueiro caótico em pontos chaves da cidade, onde o chão é invisível. Milhões de pés calcam as calçadas provocando um novo tipo de erosão acelerada, como se a gravidade esmagasse a vida em comunidade. Resta-nos esperar que os feriados terminem e escoem de volta à proveniência o fluxo de turistas que tornaram os passeios ainda mais difíceis de transitar. É em dias como estes que um par de asas daria um jeitaço. Algo que elevasse aqueles que procuram resolução nas suas vidas locais para outro plano de existência, para uma dimensão acima das calçadas. Que os cortejos emagreçam rapidamente, devolvendo aos residentes a situação do mero congestionamento habitual nas ruas. A ideia de anticoagulante urbano vem à cabeça. João Luz

CHUNKING EXPRESS | WONG KAR WAI

2 7 3 6 1 4 5 7 7 54 5 1 6 2 3 3 12 4 5 7 1 6 5 1 6 2 3 4 5 7 4 5 11 67 3 6 2 35 3 6 4 2 7 1 6 3 4 2 24 4 18 4 7 1 3 5 6 BLACK2PANTHER 7 4 3 1 2 6 5 4 7 2 6 5 1 3 1 3 5 4 7 2 6 1 3 2 5 7 4 6 5 2 6 7 4 3 1 3 2 6 5 1 4 237 2 6 5 4 3 1 7 7 1 3 4 6 5 2 24 6 1 2 7 4 3 5 4 1 6 7 5 3 2 1 5 7 3 2 4 6 4 1 4 7 José Editor José C. Mendes 5 4 3 6 2 7 1 3 7 1 2Propriedade 6 Fábrica 5 de Notícias, 4 Lda Director Carlos2Morais 4 5João Luz;1Castro 3 6Redacção 7 Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; 3 6Vitor 4 3 Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério 7 5 4 2 6 1 3 6 5 7 3José 2António1Conceição Júnior; David Chan; 6 Fa3Seong; Jorge 4 Morbey; 2 Jorge1Rodrigues 7 Simão;5Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Romão 4 Colunistas 7 7 1 Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de www. redacção 2 6 7 1 3 5 4 5hojemacau. 2 4 6 1e Publicidade 7 3Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) 3 6 1 5Assistente 7 de marketing 2 4Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de com.mo Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax6 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo 6 5 3 7 4 5 1

SALA 1

BLACK PANTHER [B][3D]

FALADO EM CANTONENSE Filme de: alberto Rodriguez 14.15, 16.00

Filme de: Ryan Coogler Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o 19.15

OZZY [A]

AGENT MR. CHAN [C]

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Cheung Ka Kit Com: Dayo Wong, Tze Wah, Charmaine Sheh, Sze Man 17.45, 19.45, 21.45 SALA 2

BLACK PANTHER [B]

Filme de: Ryan Coogler Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o 14.15, 16.45, 21.45

SALA 3

FERDINAND [A]

FALADO EM CANTONÊS Filme de: Carlos Saldanha 14.30, 16.30, 19.30

MONSTER HUNT [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Raman Hui Com: Tony Leung Chiu-Wai, Bai Baihe, Jing Boran, Yo Yang 21.30

Há filmes que não têm tempo. Seja pela realização, pela particularidade do argumento ou pela assinatura da edição, são películas para se verem e reverem. “Chunking Express” do realizador de Hong Kong Wong Kar Wai é um bom exemplo disso. O filme é de 1994 mas é sempre uma lufada de ar fresco. O argumento trata da história de um polícia de coração partido que se envolve com uma criminosa 23 Ambos com uma foragida. percepção da realidade distorcida, acabam por criar um relacionamento no mínimo original. Sofia MArgarida Mota


opinião 19

quarta-feira 21.2.2018

sexanálise

O

Pós-parto contemporâneo

sexo que leva à procriação, que leva à maternidade e à paternidade, passa por um processo de gestação, parto, e a aturar filhos para sempre. Mas há sempre um início. Início esse que não é quando sabemos que estamos ‘grávidos’. O verdadeiro início vem quando é preciso cuidar de um ser vivo pequenino e totalmente dependente de nós. As nossas prioridades mudam, e a nossa forma de ver o mundo também muda. Não falarei de experiência própria, por isso não me vou armar em especialista no assunto. Mas estive a ler umas coisas e a pensar em outras coisas, e parece que, socialmente e ocidental-mente falando, não é dada muita importância ao período depois do parto. Isto porque depois de uma gravidez, que necessita de imensos cuidados, e de um parto que será doloroso e mais ou menos complicado, o pós-parto é visto como o culminar, e não um início. Já num outro momento referi que a parentalidade não é um mar de rosas tão singelo e simples. No mundo ocidental 50% a 85% das novas mães passam por uma melancolia particular, e 25% caem muitas vezes em depressão pós-parto. Há muito ainda por perceber acerca destes momentos de definição maternal. Há um artigo clássico em antropologia que analisa vários rituais familiares depois do parto, em contextos culturais distintos. Parece que sabedoria popular destas populações - tida como ‘rudimentar’ – activava certos mecanismos sociais que providenciavam algum tipo de apoio à recente mamã. Cada cultura, cada tradição, é bem certo. Mas descreviam-se mulheres de família ou da comunidade que se mobilizam para apoiar nas coisas mais simples, ou na lida da casa, ou num ou outro mimo, ou a providenciar alguma paz e sossego. No ocidente foram-se perdendo os rituais que pudessem existir. As mães têm direito a uma licença, e os pais, com alguma sorte, têm direito a uns dias, mas rapidamente deixam a mãe e o bebé sozinhos em casa. A globalização e os nossos estilos de vida cada vez mais nómadas tem feito com que a família directa também não esteja tão presente. Num mundo de individualismos parece que existe uma natural tendência para que logo após o nascimento do bebé seja uma altura de maior isolamento e solidão. A psicologia evolutiva explica que no pós-parto, a mãe torna-se num exímio radar aos perigos que possam existir. Ao sentir-se numa posição mais vulnerável, o corpo fica mais alerta a

PAULA REGO, PIETÁ

TÂNIA DOS SANTOS

tudo: o sono fica mais leve e a ansiedade é maior. Por isso parece-me bastante natural que a nossa tendência biológica para a protecção e preocupação, combinada com algum isolamento, faça o pós-parto dos períodos mais desafiantes para as recentes mamãs. As soluções para contrariar estas formas de parentalidade não são simples. Mexem com políticas sociais, tradições culturais e com condições de trabalho e de vida. Uma amiga minha, especialista nestas questões perinatais, também me alertou para a imagem da parentalidade que os meios de comunicação social nos tenta vender. Mães e pais

perfeitos que para além de proporcionarem o melhor do mundo aos seus filhos, têm o cabelo lavado e parecem fabulosos e radiantes com tudo. Não que queira pintar uma imagem negra e desgraçada da parentalidade, longe

No mundo ocidental 50% a 85% das novas mães passam por uma melancolia particular, e 25% caem muitas vezes em depressão pós-parto

de mim de tentar influenciar as mentes com o meu pessimismo inevitável. O objectivo é mostrar que é absolutamente natural que a vida pós-parto seja mais desgraçada do que maravilhosa – com toda a maravilha que a parentalidade garante. Quanto ao cabelo lavado... parece que na Guatemala rural, o tratamento de cuidado pós-parto inclui apoio em banhos ritualizados, massagens no abdómen e até lavar o cabelo! Estas actividades por si só protegem-nos da ansiedade até certo ponto, o apoio percebido é que interessa. Uma apropriação cultural a considerar?


A beleza, a verdadeira beleza, acaba onde a expressão intelectual começa. Oscar Wilde

CABO VERDE DAVID CHOW PROMETE INVESTIR MAIS NO PAÍS

Pedra sobre pedra

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AV I D Chow esteve em Cabo Verde, onde tem em construção o Complexo Turístico do Ilhéu de Santa Maria, o maior projecto de turismo actualmente naquele país da África Ocidental. O empresário local deixou a promessa de mais investimento e em diferentes áreas naquele território Depois do lançamento do Complexo Turístico do Ilhéu de Santa

Maria, um projecto avaliado em 250 milhões de euros, que representa quase 15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde, o empresário radicado em Macau promete continuar a investir no país em áreas como a banca, protecção ambiental e agricultura. A abertura de um banco figura como o primeiro passo concreto, depois de ter revelado que submeteu, na sexta-feira, o pedido de autorização para o efeito junto do

banco central cabo-verdiano. O pedido surge na sequência da assinatura, em Junho, de um memorando de entendimento com o Governo de Cabo Verde para a criação de uma instituição de crédito denominada Banco Sino-Atlântico. O anúncio foi feito por David Chow à margem do lançamento da primeira pedra da ponte que vai ligar a praia da Gamboa ao ilhéu de Santa Maria, onde ficará instalado o casino, numa cerimónia que

PALAVRA DO DIA

assinalou a introdução de algumas alterações ao projecto inicial.

ABERTURA PREVISTA PARA 2019

A primeira pedra do Complexo Turístico do Ilhéu de Santa Maria, que inclui um ‘resort’, marina, centros de convenções e um casino, foi lançada em Fevereiro de 2016, estando a abertura prevista para o próximo ano. Apesar de atrasos nas obras, justificados com ajustamentos, o empresário prometeu acelerar o projecto de modo a cumprir o prazo de conclusão previamente definido. De acordo com a imprensa cabo-verdiana, a equipa de trabalho vai inclusive ser reforçada com técnicos especializados procedentes de Macau. “Este projecto é estruturante para a ilha, para a cidade da Praia e para o nosso país. O senhor David Show está a dar um bom exemplo e a contribuir para que possamos crescer. O Governo está a trabalhar para que os investidores se sintam em casa no nosso país e que tenham sucessos nos seus negócios”, escreveu o ministro das Finanças cabo-verdiano, Olavo Correia, no Facebook. O vereador do urbanismo da Câmara Municipal da Praia destacou, por seu turno, o impacto “importantíssimo” daquele “grande projecto” nomeadamente na criação de emprego.Aexpectativa preliminar é a de que venha a gerar 2100 postos de trabalho directos, à luz de dados anteriormente divulgados. Segundo a agência de notícias Inforpress, David Chow garantiu estar determinado em investir em áreas diferentes que tenham impacto directo na economia e, sobretudo, na geração de emprego, deixando ainda a promessa de dotar o país de infra-estruturas de qualidade, capazes de o projectar no mundo dos negócios, segundo destaca o Governo de Cabo Verde no seu portal.

PRESERVAÇÃO WILDAID PREOCUPADA COM VENDAS DE BARBATANAS DE TUBARÃO

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organização não governamental WildAid está preocupada com o crescimento do mercado de barbatanas de tubarão em Macau, em contraste com o que acontece no Interior da China. Segundo um relatório publicado na semana passada com o título “Sharks in Crisis: Evidence of Positive Behavioral Change in China as New Threats Emerge”, há uma

nova tendência para o desenvolvimento de novos mercados, nomeadamente em Macau, Hong Kong e Tailândia. “Em 2016, pela primeira vez, Macau ultrapassou o Interior da China no topo das reexportações de barbatana de tubarão com origem em Hong Kong, registando um aumento de 62 por cento de 88.029 quilograma, em 2015, para 143.396 quilograma, um

ano depois”, pode ler-se no relatório. Entre as razões apontadas para este crescimento está o desenvolvimento do sector do turismo, após a liberalização do jogo, assim como o crescente hábito dos locais consumirem barbatana de tubarão: “Os locais estão a consumir barbatana de tubarão nos restaurantes, onde estes pratos são servidos de forma regular, assim como

quarta-feira 21.2.2018

nos banquetes tradicionais: estima-se que 70 por cento dos banquetes de casamento em Macau incluam barbatana de tubarão”, é revelado. “Também os 30,95 milhões de turistas que visitaram Macau, em 2016, são um dos públicos-alvo: muitos sites dedicados ao turismo promovem restaurantes famosos pela sopa de barbatana de tubarão, encorajando os turistas a

experimentarem os pratos”, é explicado. No Interior da China, segundo os dados do Governo Central, houve uma tendência diferente, com o registo de uma quebra de 80 por cento no consumo de barbatana de tubarão, assim como uma redução de 81 por cento nas importações e venda de barbatana de tubarão em Pequim, Xangai e Cantão, entre 2010 e 2014.

DIREITOS HUMANOS RESIDENTES PODEM DAR SUGESTÕES

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terceiro relatório da República Popular da China (RPC) relativo ao mecanismo de Revisão Periódica Universal (Universal Periodic Review – UPR) do Conselho dos Direitos do Homem (CDH) será entregue em Julho deste ano e inclui os relatórios das suas duas Regiões Administrativas Especiais. A RAEM encontra-se a elaborar o seu relatório que corresponde a 3 páginas do relatório nacional da RPC. O teor do documento abrange o período compreendido entre Janeiro de 2013 e Abril 2018 e pode contar com sugestões da população. Para o efeito, foi elaborado uma plataforma de consulta com as linhas mestras dos temas/assuntos a abordar no relatório e que se coloca ao dispor da população no website do portal do Governo e da DSAJ. Os comentários e sugestões podem ser entregues até 21 de Março de 2018. De acordo com o comunicado oficial, o mecanismo de Revisão Periódica Universal tem como objectivo uma análise e avaliação periódica das políticas governamentais relativas à promoção e protecção dos direitos humanos, incluindo a aplicação dos principais tratados internacionais sobre os Direitos do Homem pelos Estados- Membros das Nações Unidas. S.M.M.

Hoje Macau 21 FEV 2018 #3996  

N.º 3996 de 21 de FEV de 2018

Hoje Macau 21 FEV 2018 #3996  

N.º 3996 de 21 de FEV de 2018

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