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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

Ter para ler

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEGUNDA-FEIRA 21 DE NOVEMBRO DE 2011 • ANO XI • Nº 2497

TEMPO MUITO NUBLADO MIN 19 MAX 24 HUMIDADE 50-85% • CÂMBIOS EURO 10.9 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Especialistas revelam fórmula para transformar Macau em centro internacional de lazer

Limar as arestas

Vários especialistas reuniram-se para debater a intenção do Executivo de transformar Macau numa cidade turística a sério. Todos concordam que chegou a hora de pôr a política de lado e pensar com cabeça de turista. > PÁGINA 4

SESSÃO PÚBLICA À BEIRA DO CAOS • Página 6

Festival Fringe

GRANDE PRÉMIO DE MACAU

FESTA PARA UNS, AZAR PARA PORTUGUESES GONÇALO LOBO PINHEIRO

Novos aterros

CASA DE PORTUGAL VENCE DESFILE • Página 10

• Macau | Ávila foi o melhor colocado • F3 | Uma surpresa chamada Juncadella • Motos | O recorde de Rutter

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SEGUNDA-FEIRA 21.11.2011 www.hojemacau.com.mo

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ACTUAL

Vaticano já anunciou que irá processar a marca italiana

China censura campanha da Benetton

A

campanha da Benetton com fotomontagens de líderes mundiais a beijar-se foi “apagada” pelas autoridades chinesas, que censuraram nas redes sociais e no motor de pesquisa na Internet Baidu todas as referências ao anúncio onde o Presidente Hu Jintao aparece a beijar Barack Obama. Esta não é a primeira

acção contra a campanha publicitária da Benetton. O Vaticano anunciou que iria proceder judicialmente contra a divulgação da fotomontagem em que o Papa Bento XVI aparece a beijar o imã da mesquita Al-Azhar no Cairo, e essas imagens acabaram por ser retiradas. Também Barack Obama já criticou, através do seu porta-voz Eric Schultz, o uso da sua imagem

para fins comerciais. Obama aparece em dois anúncios, a beijar Hu Jintao e o Presidente venezuelano Hugo Chávez. A China, no entanto, foi mais além. Resolveu “apagar” a imagem de Hu Jintao a beijar o homólogo norte-americano e baniu de várias redes sociais os comentários sobre a campanha da empresa italiana de roupa, segundo o El País.

Mais: quando os cibernautas chineses pesquisam no motor de busca Baidu, o mais usado no país, também não encontram o “beijo impossível” da campanha através da qual a Benetton apoia a Fundação Unhate (deixe de odiar, em tradução livre). Na parte superior do ecrã é referido que alguns conteúdos não podem ser mostrados por questões legais.

Alguns cibernautas tiveram ainda tempo de comentar a campanha da Benetton na rede social Sina Weibo, mas o que escreveram acabou por ser censurado. Em órgãos de informação como a agência Xinhua, o China Daily ou o Global Times também não se encontra qualquer referência. A marca italiana, cujas campanhas publicitárias são habitualmente polé-

BOLHA IMOBILIÁRIA CHINESA COMEÇA A MURCHAR

Hora de cruzar fronteira e comprar casa O

boom imobiliário em escala nacional na China ficou tão frenético no ano passado que muitos futuros compradores montaram acampamento nas calçadas de Sanya, na ilha de Hainão, para estar na linha de frente quando alguns condomínios fossem colocados à venda - muitos nem haviam sido construídos. Porém, o mercado imobiliário esfriou tão rapidamente que as tendas desapareceram e foram substituídas por faixas de seis metros nas varandas com os telefones de especuladores desesperados para vender. Aumentaram os anúncios na Internet de apartamentos inacabados com descontos de 28% sobre o preço que as construtoras cobravam há poucos meses. “No ano passado, quando as coisas estavam boas, mais de 100 pessoas por dia entravam no nosso escritório”, disse David Zhang, director de vendas da Honor-Link Investment Consultant Co., uma agência imobiliária. “Agora, entram três ou quatro por dia, e ninguém quer comprar. Só olhar.” Uma das últimas bolhas imobiliárias remanescentes do mundo finalmente parece estar a murchar. As transacções imobiliárias caíram tão rapidamente que, nas últimas semanas, agências do país inteiro dispensaram milhares de funcionários e encerraram centenas de escritórios. A imprensa noticiou pelo menos cinco manifestações nas ruas de Xangai desde 22 de Outubro, quando os primeiros compradores dos condomínios protestaram contra

no da província da ilha de Hainão congelou as vendas para compradores de outras províncias desde o segundo trimestre, exigindo que comprovem terem pago imposto de renda no ano passado. A evasão desses impostos é disseminada.

GRANDES QUEDAS

os descontos oferecidos aos compradores mais recentes, chegando a invadir escritórios de vendas e a destruir maquetas dos edifícios e apartamentos. Um manifestante de 32 anos disse que ele e a mulheres pagaram 1,5 milhão de yuans em Janeiro por um apartamento de 79 metros quadrados num prédio nos arredores de Xangai. Mais tarde, porém, a construtora cortou o preço das unidades remanescentes no prédio para 1 milhão, arrasando o valor de revenda. O edifício deve estar concluído em Maio. Ahipoteca do casal é quase igual ao novo valor estabelecido pela construtora, ou seja, eles perderam todo o valor líquido do bem. E ainda tem de pagar 7000 yuans mensais de hipoteca com uma renda familiar de 12 mil. O Governo chinês está a reduzir

deliberadamente os preços dos imóveis para melhorar a acessibilidade financeira às casas e impedir que a bolha imobiliária fique ainda pior. O primeiro-ministro, Wen Jiabao, afirmou recentemente que s autoridades não tinham intenção de mudar de rumo. Pequim aumentou os juros e estabeleceu limites aos empréstimos bancários, planeando deliberadamente uma desaceleração no crédito com o intuito de reduzir a inflação e dificultar que especuladores tomassem dinheiro emprestado. O Governo também limitou o número de hipotecas por indivíduo, elevou o valor da entrada para 40% do imóvel para proteger o sistema bancário de perdas, e começou a testar impostos imobiliários em cidades como Chongqing. Os governos locais e provinciais tomaram outras medidas. O gover-

Um sinal claro do enfraquecimento do mercado imobiliário vem do China Real Estate Index System, pesquisa semanal feita pela empresa privada SouFun Group, em Pequim. Segundo os dados, o número de negócios caiu mais de 50% em seis das 35 cidades pesquisadas na primeira semana de Novembro, em comparação com igual período do ano anterior; no geral, o número de transacções caiu em 28 dessas cidades. Diversos índices governamentais e privados praticamente não mostram mudança nos preços informados do minguante número de transacções. A Geland Real Estate Co., de Pequim, fechou um quinto dos seus quase 250 escritórios este ano. “O negócio não está bom”, declarou Yan Bingie, director de marketing da empresa. “Não vislumbro recuperação rápida no horizonte.” A Centaline Property Agency, grande corretora asiática com sede em Hong Kong, fechou temporariamente 60 de seus 385 escritórios em Shenzhen, metrópole com 13 milhões de habitantes, e dispensou mil de seus 8000 funcionários naquela cidade. “Para as vendas primárias de novas unidades, as construtoras

micas, escolheu para os novos anúncios vários “beijos impossíveis”, como os “trocados” entre Obama e Chávez, a chanceler alemã Angela Merkel e o Presidente francês Nicolas Sarkozy, os líderes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul ou o presidente da Autoridade Palestiniana Mahmoud Abbas e o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.

reduziram o valor pedido em 15% a 20%”, disse Andy Lee, director de operações da companhia em Shenzhen. “São cortes reais” sobre preços que os compradores pagariam até pouco tempo atrás. “No mercado secundário, vemos os proprietários dispostos a reduzir o valor de 10% a 15%.” O mercado imobiliário costuma ser volátil em Sanya porque esta cidade de 500 mil habitantes é o centro de uma emergente indústria de turismo doméstico. Os preços subiram durante a década de 1990 até a crise financeira asiática de 1997 e 98, caindo cerca de 80% até 2004, quando se elevaram mais de dez vezes e atingiram o pico em meados do ano, quando o metro quadrado passou dos 30 mil yuans. Numa recente nota de pesquisa, economistas da Barclays Capital sugeriram que o governo chinês pode começar a inverter as últimas políticas se a redução nos preços dos imóveis chegar a 20%. Segundo eles, a queda poderia atingir os 30% porque o mercado, a princípio, manteria o impulso para baixo. Porém, os economistas sugerem que uma queda geral de 10% parece mais provável. O mistério é saber que efeito o arrocho no sector imobiliário terá na economia como um todo. Entradas de 20% a 40% em hipotecas são viáveis por causa da alta taxa de poupança chinesa. Segundo especialistas, isso pode significar que os bancos tenham menor probabilidade de sofrer as grandes perdas com hipotecas residenciais que as instituições ocidentais experimentaram nos últimos anos. Só que a retracção imobiliária apenas começou, disse Zhang, acrescentando que “o inverno está a chegar e não sabemos quem irá sobreviver”.


Não se vislumbra uma política coerente, antes de um rol indiscriminado de benesses. O que pode calar alguns e, no imediato, até disfarçar ou atenuar esta ou aquela insuficiência, um ou outro problema. Mas não ataca as condições subjacentes, podendo mesmo agravá-las. José I. Duarte, P. 15

O

ex-secretário-chefe do governo de Hong Kong Henry Tang e o ex-membro do Conselho Executivo Leung Chun-ying vão oficializar ainda este mês candidaturas às eleições para líder do Governo, agendadas para 25 de Março. Henry Tang, que segue as pisadas do seu antecessor, Donald Tsang - que era secretário-chefe antes de se tornar chefe do Executivo - confirmou no fim-de-semana pela primeira vez a sua intenção de se candidatar à liderança do Governo, ao salientar que pretende fazer o anúncio oficial antes do final deste mês. Também Leung Chun-ying divulgou um comunicado em que refere a intenção de oficializar a sua candidatura no próximo dia 27. As sondagens apontam Tang, que confessou em outubro ter sido infiel à mulher, como o favorito, seguindo-lhe Leung. Tang admitiu na

EX-MEMBROS DO EXECUTIVO VÃO SER CANDIDATOS A CARGO DE LÍDER DO GOVERNO DE HK

Começou a corrida quinta-feira, num encontro com a imprensa da antiga colónia britânica, que o caso de infidelidade afectou a sua popularidade e disse “aceitar isso”, confessando que a família o perdoou, escusando-se a avançar mais detalhes sobre a situação.’ Henry Tang tornou-se deputado em 1991, integrou o Conselho Executivo em 1997 e assumiu o cargo de secretário para o Comércio, Indústria e Tecnologia em 2002, tendo sido promovido a secretário para as Finanças em 2003 e depois a secretário-chefe em 2007. “Penso haver três qualidades importantes de liderança: visão, execução

Henry Tang

e comunicação”, afirmou, apontando a sua experiência no Executivo como vantagem em relação a Leung. Os analistas políticos da antiga colónia britânica consideram que a campanha

eleitoral tornar-se-á mais intensa após o anúncio oficial das candidaturas. Para se ser candidato a chefe do Executivo de Hong Kong é necessário garantir, pelo menos, 150 assinaturas entre os 1200 membros de um comité eleitoral representativo dos principais sectores da Região Administrativa Especial chinesa e criado para eleger o líder do Governo, que não é escolhido por sufrágio universal. No final, se houver apenas dois candidatos, haverá outra ronda de votação, com aquele que obtiver mais de 600 votos válidos a ser eleito líder do Governo. Se houver apenas um candidato, este será eleito se garantir mais de 600 votos.

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Horário da Desmontagem das barreiras metálicas do 58º Grande Prémio de Macau Depois de terminar as corridas, a Comissão do Grande Prémio de Macau vai efectuar durante toda a noite as obras de desmontagem das barreiras metálicas, e as primeiras obras vão ser concluídas na madrugada do dia seguinte das corridas, diminuindo os transtornos causados à população.

Data

Hora

2011/11/21-23

08:00 até 22:00

2011/11/20-25

08:00 até 22:00

2011/11/24-12/2

08:00 até 22:00

2011/11/26-12/2

08:00 até 22:00

Local (1) Desmontagem dos portões metálicos

(2) Desmontagem das barreiras metálicas junto aos

portões metálicos Desmontagem das barreiras metálicas desde a Avenida

da Amizade até à Curva do Reservatório Desmontagem das barreiras metálicas desde a Rua

dos Pescadores até à Curva do Reservatório Desmontagem das barreiras metálicas na troço inferior da Colina da Guia

A Comissão do Grande Prémio solicita a todos os condutores a melhor compreensão por eventuais transtornos causados, bem como o respeito pela sinalização provisória instalada e pelas instruções da Brigada de Trânsito. Para informações, é favor de ligar para o número de telefone: 28-728482.

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IPHONES NAS MÃOS DE 300 MIL ROBOTS A Foxconn, empresa tecnológica de Taiwan fabricante do iPhone e iPad da Apple, não levará a cabo despedimentos massivos na China em 2012, não obstante a introdução de 300 mil robots nas suas linhas de montagem, assegurou o presidente, Terry Guo. Numa visita às fábricas da Foxconn em Shenzhen, - onde trabalham cerca de 400 mil empregados - Terry Guo disse que os robots serão usados para tarefas de rotina e de maior risco com o fim de aumentar a produtividade, o que “não afectará a fábrica actual”, afirmou. O fundador e presidente da Foxconn reconheceu, no entanto, que o sector manufactureiro mundial se encontra num dos piores momentos, pelo que as perspectivas para 2012 na Foxconn continuam “incertas”. A Foxconn anunciou em Julho a introdução de um milhão de robots nas suas fábricas da China, onde trabalham 1,2 milhões de empregados. JARDIM-DE-INFÂNCIA ENCERRADO APÓS ACIDENTE COM AUTOCARRO SOBRELOTADO As autoridades chinesas encerraram o jardim-deinfância que operava o autocarro sobrelotado envolvido no acidente de que resultou a morte de 19 crianças na semana passada, anunciando a abertura de nova escola na mesma localização. O acidente também causou a morte do professor e motorista do autocarro, na colisão com um camião na província de Gansu. O autocarro, com capacidade de nove lugares, tinha mais de 60 pessoas a bordo na altura do acidente. Além das 19 crianças mortas, outras 43 sofreram ferimentos. A nova escola terá um autocarro com 45 lugares, fornecido por uma empresa petrolífera.

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POLÍTICA

RAEM precisa de perspectiva turística e não apenas política para ser centro internacional

Mudar formas de pensar e de ver

COMUNICAR É PRECISO

O que falta a Macau para que possa ser realmente um “centro internacional de turismo e lazer”? Foi ao que responderam vários especialistas da área do comércio, política e negócios, numa conferência na Universidade de Macau. Subir o número de quartos de hotel para que os preços possam descer e pensar numa perspectiva turística mais do que numa política são algumas sugestões. Diversificar o mercado é a prioridade Joana Freitas

É

joana.freitas@hojemacau.com.mo

o objectivo principal do Governo da RAEM, mas para ser concretizado há que limar algumas arestas. Para que Macau seja um “Centro Internacional de Turismo e Lazer”, é preciso, por exemplo, “aumentar a proporção da clientela internacional”, assegura Davis Fong. O professor da Faculdade de Administração da Universidade de Macau acredita que o território tem de abrir as portas a turistas que não provenham apenas do continente ou da Ásia. Mas há mais: a qualidade é importante. “Quando nos posicionamos como centro mundial, temos de perceber como estruturar especialmente a parte do lazer. E como atrair as pessoas – clientela internacional – para uma opção que não seja apenas a do jogo”, frisa Davis Fong. A intenção desta variedade, explica o académico, é que os turistas “fiquem no território mais do que o normal”. Em média, Macau acolhe os visitantes apenas durante um dia ou uma noite, não permitindo, por isso, que a RAEM seja totalmente aproveitada. E como fazê-lo? “Para que eles fiquem duas ou três noites, tem primeiramente que se aumentar o número de quartos de hotel, principalmente os de baixo custo”, alerta Davis Fong. Os preços dos quartos podem ascender a mais de dois mil patacas/noite durante os fim-de-semana ou festividades. “É muito difícil atrair os turistas a ficarem mais de uma noite [com estes preços]”, frisa o professor da UMAC, acrescentando que com a oferta

Para criar uma atmosfera turística, que faça os turistas sentirem-se bem recebidos, saber falar outra língua além do chinês é um passo importante. “Não há grande qualidade, pelo menos que corresponda às nossas expectativas, no que toca a falar outra língua, principalmente se essa for o inglês”, acusa Davis Fong. Aqui, o académico lança mesmo um pedido ao Governo: que se esforce mais para melhorar as capacidades linguísticas, especialmente daqueles que trabalham na área do turismo.

de mais locais para passar a noite, os preços actualmente praticados poderiam diminuir.

DIMINUIR A PERSPECTIVA POLÍTICA

“Se olharmos para trás, durante dez anos, vemos que o Governo tem uma forma diferente de utilizar o seu desenvolvimento económico: atrair empresas estrangeiras, apostar nelas, mas deixar que elas giram o negócio. Agora, para ser centro mundial não podemos seguir a tradição normal. Estamos a enfrentar uma competição a nível mundial, os turistas têm de ter mais possibilidade de escolha, além do jogo. Um mercado mais livre, como os destinos turísticos”, alerta Davis Fong. O académico dá como exemplo Singapura para instar o Governo a alterar a principal atracção de Macau – o jogo – em algo efectiva-

mente mais atractivo. “Temos de ver as coisas de uma perspectiva turística e não de uma perspectiva política ou governamental”, avisa. Davis Fong assegura que é preciso fazer mais pesquisas, seguir padrões internacionais no que ao turismo diz respeito e dividir a área do ‘lazer’ da área do ‘turismo’. “Se conseguirmos perceber o que as pessoas querem, teremos mais possibilidade de competir com outros destinos internacionais. E isto

é muito importante, já que difere da forma tradicional como têm sido feitos negócios nos últimos dez anos”, explica.

ENCONTRAR EQUILÍBRIO

Uma das questões que mais se coloca quando se fala no constante aumento do número de turistas na RAEM – só no primeiro semestre do ano contabilizaram-se 13,2 milhões de pessoas -, é como encontrar o equilíbrio entre a quantidade de

visitas e a qualidade de quem aqui vive. Instado a comentar sobre isso, o académico da UMAC explica: a nível de recursos humanos especialistas na área do turismo – e uma vez que Macau se vê obrigado a requisitar muitos estrangeiros para esse trabalho – o território mostra eficiência. O equilíbrio está, diz Davis Fong, em fazer com que as pessoas fiquem mais tempo no território e não que mais pessoas aqui entrem. “Temos de pensar em expandir os gastos dos turistas. Não limitando a sua entrada, mas encorajando-os a ficar mais tempo. Para isso eu confio no sistema de marketing: com mais pessoas os preços sobem, o que significa que, num futuro próximo, não seremos destino alvo de toda a gente”, assegura Davis Fong.

ACADÉMICO RECONHECE CAPACIDADES PARA CENTRO INTERNACIONAL DE TURISMO E LAZER

Olhar para os melhores O

S turistas de fora da Ásia têm um variado leque de escolha de destinos turísticos, que coloca Macau numa posição difícil. O território, lembra Davis Fong, académico da Faculdade de Administração da Universidade de Macau, enfrenta rivais internacionais, que oferecem mais do que o jogo e se tornam locais de eleição. “Singapura, Hong Kong e Coreia do Sul – que considero serem destinos turísticos – fazem imenso tipo de actividades que atraem a nível internacional”, frisa o professor. Davis Fong aconselha o Governo a estudar mais “os componentes” e a estratégia de

alguns países que conseguem atingir a clientela internacional. Para que o objectivo seja atingido, Davis Fong deixa algumas dicas: primeiro ver o território e as atracções de uma perspectiva turística, depois aprendendo mais sobre o próprio cliente. Além disto, a Administração deve ainda compreender quem são os principais concorrentes de Macau. A RAEM não deixa, contudo, de gozar de vantagens, como é o caso de ter o conceito de “resort” – difícil de encontrar na Ásia -, principalmente o “integrado”. O que significa, por exemplo, que num mesmo local possamos

encontrar hotel, lojas, casino, entretenimento e salas de convenções. Isto possibilita a que os ‘resorts’ possam criar pacotes específicos para diferentes tipos de cliente. “Imaginemos que temos alguém interessado em ‘catering’. Vamos criar um programa atractivo, não muito dispendioso, mas que permita que o cliente tenha gastos. Assim, procuramos o valor total através de um específico componente”, explica Davis Fong. Esta, garante o académico, é uma estratégia onde Macau pode apostar e que permite ao território ter alguma vantagem na plataforma internacional. - J.F.


MOODY’S ELEVA ‘RATING’ DE CASINOS DEVIDO A BOA PERFORMANCE A agência de notação financeira Moody’s elevou o ‘rating’ das operadoras de jogo norte-americanas Wynn Resorts, Las Vegas Sands e MGM Resorts com base na boa performance das suas operações em Macau e perspetivas de crescimento do mercado. A Wynn Resorts e a Las Vegas Sands viram o seu ‘rating’ elevado para Ba2 e a MGM para B2. “A Moody’s prevê um crescimento anual das receitas de jogo em Macau entre os 15 e os 25%”, realça um relatório da empresa, que considera, assim, haver boas perspectivas de as operadoras de jogo norte-americanas, com concessões de jogo na Região Administrativa Especial chinesa, continuarem a beneficiar destas perspectivas.

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Deputado duvida que a limitação da importação de trabalhadores esteja a ser eficaz

Ninguém respeita quotas de importados

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HOJE MACAU

Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

ACAU impôs limitações legais à importação de trabalhadores como forma de proteger a empregabilidade da população local. Mas não é certo que esteja a conseguir que o mercado devolva os empregos aos residentes, pelo menos na opinião do deputado da Assembleia Legislativa (AL) António Ng Kuok Cheong, que apresentou uma interpelação escrita para saber o ponto da situação. O deputado eleito directamente pela ala pró-democrata até reconhece que o Governo tem feito algum esforço, com especial enfoque sobre os seis grandes operadores de casinos, mas notou que algum abuso do usos de trabalhadores

estrangeiros tem sido tolerado. A realidade, ao contrário do que possa alegar o Governo, mostra que a importação de mão-de-obra

continua a ser o principal campo de recrutamento dos casinos. Já não é a primeira vez que António Ng aborda o tema em PUB

DEPUTADA DEFENDE FORMAÇÃO E PROMOÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS LOCAIS

Chega de importar chefes O

HOJE MACAU

Governo tem apelado à melhoria da preparação dos empregados das organizações e empresas e à maior mobilidade no interior das hierarquias. Para isso ser possível, considera a deputada da Assembleia Legislativa (AL) Kwan Tsui Hang, é necessário limitar gradualmente a importação de trabalhadores ao nível da alta gestão e apostar forte na formação interna.

A também vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) defendeu que o Governo deveria proporcionar espaços para a formação de quadros e que as respectivas acções de formação deviam estar ligadas a certas vagas nas corporações. Mas é sobre estas que recai a maior responsabilidade: a de apostar forte na formação

e preparação de residentes locais, criando-lhes assim espaço e oportunidades de progressão nas carreiras. Sendo os recursos humanos importantes activos dentro das empresas, é de todo o interesse destas melhor as suas capacidades para se baterem com a concorrência. Por outro lado, Kwan Tsui Hang também acha que deveria ser limitado gradualmente o espaço à importação de profissionais para ocupar altos cargos, através de quotas limitadas de trabalho importado para o nível da alta gestão. A dirigente da FAOM considera mesmo que essas duas vertentes estão intrinsecamente ligadas, uma vez que o desleixo das empresas com a formação interna se deve em parte à permissibilidade proporcionada pelo Governo para que as organizações recorram à importação de altos quadros. – V.L.

interpelações ao Governo, mas as respostas do Executivo é que têm deixado muito a desejar, afirma o deputado pró-democrata. A per-

guntas directas sobre o número exagerado de trabalhadores importados, observa o deputado, o Chefe do Executivo responde apenas com evasivas como: “Não irei aprovar trabalhadores importados para a profissão de ‘dealer’ durante o meu mandato”. António Ng questiona se o Chefe de Executivo não percebe a realidade, que evidencia uma falta de capacidade para exercer uma fiscalização prática que convença a indústria a devolver os empregos aos residentes. Na sua interpelação, questiona também se o Governo está a tolerar abusos na importação de trabalhadores para os outros casinos à excepção dos maiores, e pergunta se o Executivo não poderia extender as medidas restritivas a outras empresas além dos grandes operadores de jogo.


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SOCIEDADE

Sessão de perguntas sobre novos aterros à beira do caos

Não há paciência para aguentar o povo Nuno G. Pereira

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nuno.pereira@hojemacau.com.mo

lendária paciência chinesa foi ontem à tarde posta à prova, numa sessão de perguntas sobre o Plano Director das Novas Zonas Urbanas (relativo aos novos aterros), realizada no Centro de Ciência de Macau. O povo apareceu munido de perguntas e descontentamento em doses iguais, pondo a cabeça em água ao chefe do Departamento de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Lao Iong. Os trabalhos arrancaram em tom cor-de-rosa, com o responsável urbanístico a fazer uma apresentação do Plano Director onde o optimismo se misturou com orgulho. Sentimentos justificados, dada a dimensão de uma obra que promete mudar a face do território. A abrir, realçou a importância da auscultação aos cidadãos, afirmando que o plano final só será elaborado depois de avaliadas as perguntas das várias sessões. O primeiro cidadão foi também o primeiro a trazer o pessimismo para o debate. “O Terminal Marítimo da Taipa nasceu para ser provisório e transformou-se em definitivo”, começou por exemplificar, para ilustrar os seus receios sobre as boas intenções do plano dos aterros. Porque fala-se muito de equilíbrio ambiental e integração urbanística na paisagem e ele diz que já ouviu tantas vezes essa conversa como assistiu à realidade que veio desmenti-la. E volta a carregar na tecla do cepticismo, apontando prédios que lhe parecem demasiado altos nas zonas A e B dos novos aterros. E pede – porque acredita que ainda é possível – que o metro ligeiro não atravesse a rua de Londres num carril mais elevado, como está previsto. Lao Iong, sempre calmo, a tudo respondeu. O Terminal Marítimo teve que ser definitivo porque o aumento de pessoas em Macau assim o exigiu; a altura dos prédios, ainda em planta, está dentro dos limites permitidos; e o metro... enfim, será altamente improvável que o traçado se altere.

VELAS E VENTANIAS

A segunda intervenção pediu mais espaços para barcos à vela. Anco-

radouros e outros mimos. Lao permitiu esperança para o anseio, os sorrisos viveram mais um pouco. Entrou então em cena um senhor muito irritado, desfiando um rol de exemplos de falhas urbanísticas que, jura, Macau nunca resolveu. Indignou-se com as águas sujas à volta da estátua de Kun Iam. Falou grosso por haver arranha-céus ao lado de pequenos prédios. Vociferou com a passagem elevada do metro ligeiro na rua de Londres e até adiantou haver falhas de segurança. “Foi o que me disseram os bombeiros!” Do princípio ao fim, perguntava se nos aterros também seria assim, enquanto acusava os presentes de fazerem tudo mal. Lao começou a aborrecer-se. “Aceito críticas, mas sempre trabalhei para o bem de todos.” Depois, explicou que não haveria mais discussão sobre o metro ligeiro, porque o especialista no assunto estava ausente. O que foi pena, já que a mesa tinha sete pessoas e quatro não abriram a boca uma única vez. A recusa ateou a verve do inquisidor, de repente aos gritos para Lao. “Têm tanto dinheiro e não conseguem mudar o metro

de sítio? Não conseguem fazer um plano de jeito? Dêem-me o dinheiro que eu faço!” Choveram palmas. A sala tinha poucas pessoas (não mais do que 70), mas vinham com fibra, em particular o grupo que irrompeu em aplausos depois das palavras do gestor auto-proposto. Em esforço notório de contenção, o alvo das críticas passou a bola à chefe do Departamento de Planeamento e Avaliação Ambiental da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. Sobre as águas, Fong Weng Chin ficou à superfície. “Já reflectimos e vamos continuar

a reflectir sobre a qualidade da água, que muito nos preocupa.” E ninguém voltou a ouvi-la.

OUTROS INTERESSES

Indiferente ao fecho de tema do metro ligeiro, a interveniente seguinte questionou “a teimosia” em não alterar o traçado na rua de Londres (pertencia, como já se percebeu, ao bem organizado grupo de pessoas dessa zona, presente na sessão). Fez mais perguntas sobre prédios gigantes ao lado de construções anãs – “o ar nem passa entre os edifícios!” -, disparando

Corredor verde costeiro, um dos ex-libris da Zona B do plano dos aterros.

outros exemplos caóticos. No fim, a dúvida proferida às claras. “Ou será que isto acontece por causa de outros interesses?” O ambiente estava cada vez mais tenso e a moderadora do debate interveio. “Chega de perguntas repetidas, vamos deixar falar quem tem novas questões.” Lá vieram outros temas, como “a falta detalhes demográficos” e “o excesso de espaços verdes” no plano. Lao permitiu que fizessem a última ronda de perguntas em sequência, mas, quando se preparava para responder, parte considerável do público desatou a protestar em simultâneo. A tensão explodiu e o chefe do urbanismo, num raro momento visto a Oriente, perdeu a paciência. “Querem assim? Se continuam com essa postura não vou responder a mais nada!” Ainda teve de repetir a ameaça de final precoce, mas a turba lá acalmou. E ele lá voltou a responder. Do remate da sessão, ficam duas certezas ditas por Lao: o dossier do metro ligeiro foi decidido em 2003/2006 e o dos aterros ficará fechado nos próximos cinco anos. Haja paciência.


TAXA DE INFLAÇÃO ATINGIU 5,34 POR CENTO EM OUTUBRO

A taxa de inflação atingiu os 5,34% nos últimos 12 meses terminados em Outubro, face aos 12 meses imediatamente anteriores. De acordo com os dados divulgados pelos Serviços de Estatística e Censos, o índice de preços no consumidor subiu 6,71% em relação ao período homólogo de 2010, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços das refeições adquiridas fora de casa e da gasolina. Nas secções de bens e serviços, o índice de preços registou “subidas notáveis” nomeadamente ao nível dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (9,75%) e dos transportes (9,23%) em relação a Outubro de 2010. Em sentido inverso, o índice de preços da secção de comunicações desceu 14%, em termos anuais.

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Saldo orçamental positivo até Outubro supera valor de 2009

Cinco vezes superior à administração lusa

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forte crescimento das receitas da administração de Macau fez aumentar o saldo positivo do orçamento para 59.526 milhões de patacas, um valor superior à totalidade do orçamento executado em 2009. Além disso, o saldo positivo é também mais de cinco vezes superior aos 11.000 milhões de patacas do último orçamento da administração portuguesa, cumprido no ano de 1999. Dados provisórios da execução orçamental entre Janeiro e Outubro deste ano indicam que as receitas da administração de Macau totali-

O

S cartões de crédito emitidos em Macau em yuan mais do que duplicaram até ao final de Setembro relativamente ao período homólogo de 2010. Segundo as conclusões do estudo sobre a utilização de cartões de crédito publicadas pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), as instituições de crédito autorizadas emitiram 503.221 cartões até ao final de Setembro, mais 6,4% relativamente ao trimestre anterior. O maior aumento verificou-se ao nível dos cartões denominados em yuan, que cresceram 129,3% em termos anuais e 15,5% face ao trimestre anterior para 52.429,

e constituem a principal fonte de receita pública. No campo da despesa, Macau gastou 31.297,8 milhões de patacas, mais 14,7% do que no mesmo período do ano passado e 58,9% do previsto, quando faltam apenas dois meses para terminar o exercício orçamental. As despesas correntes totalizaram 27.880,8 milhões de patacas - mais 13,4% face ao período entre Janeiro e Outubro de 2010 e 68,5% do previsto. O Plano de Investimento Público (PIDDA), orçamentado em 11.370 milhões de patacas está apenas

executado em 22,3%, registou uma despesa seis por cento superior ao mesmo período de 2010 que traduz um gasto de 2.531,8 milhões de patacas. Com um forte aumento das receitas, fruto dos crescimentos acentuados nas receitas de jogo, e com um moderado crescimento da despesa, as despesas da administração representam apenas cerca de um terço das verbas arrecadadas e o soldo positivo já atingiu os 59.526 milhões de patacas, um valor quase dois mil milhões de patacas superior à totalidade do orçamento de 2009.

CARTÕES DE CRÉDITO DENOMINADOS EM YUAN MAIS DO QUE DUPLICARAM

dólares de Hong Kong eram 65.511, mais 5,8 e 2,9%, respectivamente, face ao trimestre anterior. Em termos anuais, os acréscimos foram mais representativos: os cartões de crédito denominados em patacas subiram 19,9% e os em dólares de Hong Kong 12%. Até ao final de Setembro, o limite dos cartões de crédito emitidos pelas instituições bancárias autorizadas em Macau foi de 8,5 mil milhões de patacas, um montante que representa um acréscimo de 4,9% comparativamente ao final de Junho deste ano. O saldo devido era de 1,3 mil milhões até ao final de Setembro.

zaram 90.824,1 milhões de patacas, mais 45% do que no mesmo período de 2010 e 129,4% do previsto para os 12 meses do ano. Entre as receitas totais, as receitas correntes totalizaram 90.740,1 milhões de patacas, 45,2% acima do apurado entre Janeiro e Outubro de 2010 e 129,2% do previsto para 2011. No mesmo capítulo - receitas correntes - os impostos directos sobre o jogo, no valor de 35% da receita bruta do sector - atingiram os 76.318,9 milhões de patacas, uma subida de 46,6% face aos primeiros dez meses de 2010 e a representaram 128,9% da verba inscrita no orçamento.

Os impostos directos sobre o jogo representam 96,16% da totalidade dos impostos directos cobrados pela administração de Macau

Investir no que está a crescer reflectindo a crescente aposta na moeda chinesa. À semelhança dos depósitos na moeda chinesa, a maior realização de operações em yuan está relacionada com a valorização crescente da divisa face a moedas como a pataca ou o dólar de Hong Kong que estão indirecta e directamente indexados ao dólar norte-americano. Pequim autoriza uma variação diária entre o yuan e o dólar norte-americano

de 0,5% e, no último ano, a moeda chinesa já ganhou 7% contra a moeda americana. Na semana passada, o Banco Central chinês disse que vai “prestar apoio” a Macau para o alargamento das operações em yuan no território e a transformação da cidade numa “plataforma” de regularização das operações na moeda chinesa entre a China e os países de língua portuguesa. Um comunicado da Auto-

ridade Monetária de Macau indicava que o Banco Popular da China (Banco Central) “prestará, de forma activa, apoio para o alargamento do âmbito das operações em yuan, estimulando, de forma estável e regular, o desenvolvimento dessas operações em Macau, em consonância com as necessidades do mercado”. Por outro lado, refere a mesma nota, o banco “reconhece o interesse da transformação de Macau

numa plataforma de regularização das operações em yuan entre a China e os países de língua portuguesa, fomentando, assim, o papel de Macau como plataforma de prestação de serviços em termos comercial, económico e financeiro entre a China e aqueles países”. Os mesmos dados indicam que os cartões de crédito em patacas atingiram, no final de Setembro, os 385.281, enquanto os denominados em

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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento do terreno da RAEM abaixo indicado, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei nº. 8/91/M de 29 de Julho, conjugado com o artigo 2.º e o artigo 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que, deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Rua da Ribeira do Patane, n.os 179B a 181C, Travessa das Docas, n.os 2 a 22 e Avenida Marginal do Patane, n.os 194 a 224 (Edifício Nga San). 2. Agradecemos aos contribuintes que, no prazo de 30 dias após a recepção da notificação do pagamento, ou, até 19/12/2011, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício Finanças, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, proceder-se-á à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 9 de Novembro de 2011. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição

“Importação e Exportação Hongs, Limitada” Avenida do Nordeste, s/n, Lote P, Edifício I Registada na CRCBM sob o Nº 2797, a fls 35 v, do Livro C8, capital social: MOP$100.000,00 Para os efeitos tidos por convenientes, anuncia-se que, por deliberação da Assembleia Geral extraordinária realizada em 17 de Outubro de 2011, foi decidido, por unanimidade dos sócios, dissolver e encerrar a liquidação, a partir de 31 de Outubro de 2011, da sociedade comercial por quotas denominada “IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO HONGS, LIMITADA”, com sede em Macau, na Avenida do Nordeste, s/n, Lote P, Edifício I, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o nº 2797, a folhas 35 verso, do Livro C8, com o capital social de MOP$100.000,00, tendo o respectivo registo sido requerido em 9 de Novembro de 2011.

Macau, aos 19 de Novembro de 2011.


vida

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A

variabilidade natural não chega para explicar secas, inundações e tempestades. As alterações climáticas causadas pelo ser humano estão a mudar a frequência, intensidade e duração de fenómenos meteorológicos extremos, revela um novo relatório do Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas (IPCC). “Um clima em mudança pode levar a alterações na frequência, intensidade, dimensão espacial, duração e o momento em que ocorrem fenómenos meteorológicos e climáticos extremos” sem

ONU confirma mão humana na fúria dos desastres naturais

Toda acção tem uma consequência precedentes, constata o relatório, que levou dois anos a ser elaborado. A mão humana entra neste cenário. “As alterações observadas nos extremos climáticos reflectem a influência das alterações climáticas antropogénicas, que se juntam à variabilidade climática natural”, acrescenta o relatório, aprovado hoje pelos países

membros do IPCC numa reunião em Kampala, no Uganda. A concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera é a forma como o ser humano está a influenciar os fenómenos extremos, declara o painel. “É provável que a influência antropogénica tenha causado a subida das temperaturas mínimas e máximas a uma escala global”. O

ser humano já não tem que ver com a mudança dos padrões de precipitação e menos ainda com os ciclones tropicais.

MAIS DIAS QUENTES E MAIS CHUVADAS

O IPCC prevê um maior número de dias quentes e temperaturas máximas mais elevadas. “No cenário de emissões [de gases com efeito

de estufa] elevadas, é provável que a frequência dos dias quentes aumente na maioria das regiões do mundo”, disse o co-presidente do Grupo de Trabalho I do IPCC, Thomas Stocker, citado em comunicado. “É muito provável que a frequência e/ou intensidade das ondas de calor aumente em quase toda a superfície

JAPÃO PROÍBE VENDA DE ARROZ CONTAMINADO POR RADIOACTIVIDADE DE FUKUSHIMA

Nove meses depois, problemas na cozinha E

M Fukushima, no Japão, foram encontrados níveis de radioactividade acima do permitido em arroz produzido naquela região. A venda está proibida durante tempo indeterminado. As autoridades da província de Fukushima, no Nordeste do Japão, informam que foi encontrado césio radioactivo a níveis de 630 becquerels por quilo em amostras de arroz produzido em Oonami, localidade a 57 quilómetros da central nuclear danificada pelo tsunami de 11 de Março, noticia a estação de televisão NHK. O máximo permitido pelo Governo central é de 500 becquerels por quilo. De momento, o arroz estará quase todo armazenado nas instalações de uma cooperativa agrícola. Cerca de uma tonelada já terá sido vendida ao comércio local e o governo de Fukushima está a tentar perceber se já chegou aos consumidores. O porta-voz do Governo nipónico,

Osamu Fujimura, deu ordens ao governador da província de Fukushima, Yuhei Sato, para proibir a comercialização do arroz de Oonami. “Esta proibição estará em vigor até que o arroz produzido na região seja declarado seguro”, disse um responsável do Ministério da Agricultura, citado pela agência AFP. O embargo abrange 154 explorações agrícolas que produzem um total de 192 toneladas de arroz por ano. Ao mesmo tempo, a província de Fukushima está a investigar a origem da contaminação por césio radioactivo, através de inquéritos a mais de 80 produtores de arroz. Nas semanas a seguir ao acidente na central nuclear, as autoridades proibiram o consumo de vários legumes, leite, carne, chá e alguns mariscos. Para o arroz, na base da alimentação dos japoneses, é a primeira vez.

terrestre”, acrescentam os especialistas. Os episódios de seca deverão intensificar-se no século XXI em algumas estações e regiões, incluindo o Sul da Europa e a região do Mediterrâneo, o Sul de África e a América Central. “As precipitações intensas também serão mais frequentes – especialmente nas regiões


CÃES JÁ PODEM BEBER CERVEJA COM SABOR A FRANGO

Uma empresa norte-americana está a comercializar a primeira cerveja para cães. Como não poderia deixar de ser, os paladares alternam entre carne de vaca e frango. Chama-se Bowser Beer e é já um sucesso no mercado de produtos para animais domésticos. Para já está à venda apenas em lojas de Nova Iorque e através da net. A cerveja para cães é até mais saudável que a dos humanos. Não tem álcool, mas tem vitaminas do complexo B.

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MAIORIA DO TERRITÓRIO MUNDIAL DOS ANFÍBIOS ESTARÁ EM PERIGO ATÉ 2080

Nem os mais pequenos escapam O

tropicais e nas latitudes mais elevadas – e a velocidade do vento nos ciclones tropicais deverá aumentar” em algumas bacias oceanográficas, acrescentou Stocker. Se podem tornar-se mais intensos em certas zonas, a sua frequência pode manter-se constante ou até diminuir. Segundo o relatório, estas mudanças meteorológicas têm um preço alto para as sociedades. Em 2010 causaram perdas acima dos 200 mil milhões de dólares, estimativa que deixa de fora outros impactos, como “a perda de vidas humanas [de 1970 a 2008, 95% das mortes causados por desastres naturais

aconteceram nos países em desenvolvimento], a perda de património cultural e de serviços de ecossistemas”. No futuro, os fenómenos extremos afectarão especialmente a agricultura, produção de alimentos, abastecimento de água, saúde e turismo. Mas “a gravidade dos impactos destes fenómenos depende muito do grau de exposição e vulnerabilidade” dos povos. Por isso, o IPCC defende a criação de “mecanismos de gestão de riscos para aumentar a resiliência”, transferência de tecnologia, maior cooperação internacional e um maior esforço de financiamento.

futuro dos anfíbios no planeta ainda é mais incerto do que se pensava. Até 2080, mais de metade do seu território mundial será gravemente afectado pelas alterações climáticas, destruição do habitat ou por doenças, revela um novo estudo publicado na revista “Nature”. Nem todos os anfíbios têm a sorte de algumas salamandras na Califórnia, que passam a maior parte do ano enterradas, evitando as ameaças, numa estratégia de sobrevivência que funciona há milhões de anos. Um estudo publicado na quinta-feira na revista “Nature” baralhou as estimativas da comunidade científica e concluiu que as previsões – que já eram preocupantes – sobre a capacidade de resiliência destes animais eram, afinal, “conservadoras”. “O nosso estudo é o primeiro que investiga, de forma explícita e global, a interacção potencial dos três dos principais factores de ameaça para os anfíbios: destruição dos habitat, alterações climáticas e presença do fungo Batrachochytrium dendrobatidis que causa a doença dos anfíbios chytridiomycosis”, disse ao PÚBLICO um dos autores do estudo, Miguel Araújo, investigador da Universidade de Évora e do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid. Actualmente, as populações de anfíbios – como rãs, sapos, tritões e salamandras – registam declínios em todas as regiões do planeta, fruto de uma combinação perigosa de ameaças, como a poluição, o tráfico e espécies exóticas invasoras. Como resultado, 30% de todas as espécies de anfíbios – que ajudam a controlar potenciais pragas dado que se alimentam de insectos transmissores de doenças, estão hoje na Lista Vermelha da União Internacional da Conservação da Natureza (UICN). As estimativas actuais baseiam-se apenas num factor de ameaça – especialmente focadas em modelos climáticos - e em áreas mais ou menos localizadas. Por isso, Miguel Araújo acredita

que “a probabilidade de persistência de muitas espécies é inferior às estimativas”. A extinção de anfíbios vai acelerar ao longo deste século, revela a investigação sobre o destino de 5527 espécies.

ZONAS MAIS RICAS EM ESPÉCIES SÃO AS MAIS AMEAÇADAS

Outra das conclusões do estudo sobre a distribuição geográfica das três maiores ameaças aos anfíbios – cujo autor principal é Christian Hof, investigador da Universidade de Copenhaga e do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid - é que as áreas de maior riqueza de espécies – em África,América do Sul eAndes - são também as mais expostas aos perigos. Mais de dois terços dos hotspots de biodiversidade PUB

serão fortemente afectados até 2080 por, pelo menos, uma das três ameaças estudadas. Os investigadores descobriram ainda que “existe uma elevada coincidência entre as áreas de maior impacte climático e as áreas de maior intensidade de destruição de habitat”, disse Miguel Araújo por email, a partir do Chile. Além disso, “contrariamente ao que se pensava, descobrimos que as áreas com maior probabilidade de ocorrência do fungo Batrachochytrium não coincidem com as áreas onde os impactes climáticos são mais elevados”. Mas ainda fica muito por saber. “A nossa análise é necessariamente grosseira, já que analisámos ameaças para mais de 5000 espécies à escala global”, comentou o investi-

gador. “Conhecer a resposta diferenciada de cada espécie às diferentes ameaças é o desafio que temos pela frente.” Questionado em relação às soluções para travar este cenário, Miguel Araújo não tem dúvidas. “Não creio que exista uma resposta da comunidade internacional que esteja à altura das ameaças que afectam os anfíbios”.

Sabia que... • Os americanos compram e deitam fora 500 milhões de isqueiros recarregáveis por ano?


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Desfile do Festival Fringe invadiu ontem Macau

Lia Coelho

A

lia.coelho@hojemacau.com.mo

O já característico aglomerado de turistas e residentes que inundam o Centro Histórico de Macau, juntaram-se ontem mais uns quantos curiosos para assistir ao desfile do 11.º Festival Fringe, que une as artes de rua, no improviso e na interacção com o público. As artes performativas saíram à rua para mostrar o que faz e quem faz e para animar quem, num domingo, quer passear e desfrutar de Macau. Os cinco elementos chineses madeira, metal, fogo, terra e água – invadiram a cidade e quiserem passar mensagens

CULTURA

A arte e a mensagem através da dança, teatro e música. A participar no desfile estiveram mais de 400 pessoas, entre artistas e anónimos. Milhy Hui, funcionário do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), contou ao Hoje Macau que esta edição apresenta melhorias, com uma maior adesão, com mostras mais diversificadas e um aumento do número de equipas a quererem participar. “Este ano temos mais equipas e representações

mais diversificadas e mais visuais”, comentou Hui. Uma tarde onde reinou a cor, a música e a folia. À frente, em jeito de comando, desfilou o dragão que dança bem ao jeito da cultura chinesa. A seguirem-lhe os passos estiveram os grupos, desde a Casa de Portugal, a escolas e variadas associações das muitas culturas que por cá criam a arte. A arte performativa talvez seja ainda desconhecida de um público oriental, PUB

Hellene Garden Lots 1 and 2 invite Property Management Companies to submit tender. Interest parties may contact Lot1 and Lot2 administration at dpsop@yahoo.com and hellenelot2@gmail.com . Deadline is Monday 28th November 2011 by 18:00 hours.

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ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO DO LOTE I DO EDIFÍCIO HELLENE GARDEN

ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO DO LOTE 2 DO EDIFÍCIO HELLENE GARDEN

mas ao mesmo tempo tem facilmente chegado e apaixonado quem vê e quem na rua é interpelado por um outro artista. E assim é a parada do festival, que em jeito de viagem artística foi conquistando sorrisos e a atenção de quem de repente se viu como participante de um espectáculo. Depois do desfile e do divertimento, os grupos tiveram que passar a avaliação do júri. Cada um dos grupos participantes interpretou as ilusões preparadas e as palavras que queriam deixar passar. A Casa de Portugal, a vestir o papel da água, voltou a merecer a preferência do júri e a ficar em primeiro lugar no seu segundo ano de participação. Dois anos, dois prémios que no ano passado fizeram dos seus artistas os representantes de Macau no Fringe de Shenzhen.

CAMINHANDO POR TERRA ATÉ AO MAR

Do cromado do metal, da madeira e das chamas e quente do fogo, o Hoje Macau falou com a terra e com o mar para saber para onde e quem queriam levar consigo nesta viagem artística.

A língua, como recorrente obstáculo não o é, quando se fala de arte e de humor, porque são mundos mudos e que toda a gente entende. E foi assim que o orientador da peça explicou que “é da terra que todos os seres vivos vêm e os humanos são os seres mais importantes”. Vestidos de castanho, sujos de barro e com cabeças grandes a caricaturar a proveniência do homem, a dança tribal foi a escolhida para ir a júri. “Quisemos relacionar os humanos e a terra como elementos da natureza”, disse o responsável. A constituir as personagens desta história estiveram alunos de três escolas chinesas diferentes. O porquê de uma tribo... porque são as origens do que hoje é o homem e “vivendo numa sociedade cosmopolita, é interessante recuar no tempo e reviver a cultura que a todos nos une”, referiu ainda em tom de explicação. A expressão “a terra foi engolida pelo mar” faz sentido, na medida em que foi o elemento água o vencedor. Mas, na hora de dar a conhecer esta forma de arte “tudo foi feito em espírito de equipa e muita troca”, assim descre-

veu Laura Nuögéri, directora de artes performativas da Casa de Portugal, o desfile de ontem. Talvez esta união tenha contribuído para uma maior criatividade que foi apresentada. Segundo Laura Nuögéri, há cada vez mais uma vontade de participar e as pessoas estão cada vez mais a aderir às artes de rua. Acriatividade é um ponto que tem desenvolvido, mas é também pela vinda de artistas de fora que se faz arte e se melhora de ano para ano. “É importante trazer grupos de fora, porque pode haver uma troca”, comentou a directora. Trazer para as ruas o panorama artístico de Macau é importante e valoriza quem faz arte. A artista fala numa região que “tem a prata da casa”, com pessoas cheias de talento e criatividade, precisando de realmente ser mostrada. “Todos os grupos são diferentes e com características distintas, mas o Fringe é isso: as artes performativas misturadas entre si”, sublinha. A água trouxe à tona uma história entre Neptuno e os seus guerreiros contra quem os ataca – os seres do lixo das águas de Macau. O rei dos mares tem quatro gladiadores para o ajudar e “dedo a apontar”. O público também foi actor – “a mensagem é: gota a gota todos podemos proteger o ambiente”. Uma metáfora que faz ouvir o grito da natureza.


ROMANCE SOBRE O KATRINA RECEBE O NATIONAL BOOK AWARD 2011

Aqueles que são considerados os Óscares da literatura nos Estados Unidos, os National Book Awards 2011 para ficção, não-ficção, poesia e literatura infantil foram atribuídos no fim-de-semana, em Nova Iorque. Um romance que conta a história de uma família devastada pelo furacão Katrina, “Salvage the Bonés”, de Jesmyn Ward, recebeu o National Book Award 2011 para ficção. Foi publicado pela Bloomsbury EUA e é o segundo romance da autora afro-americana, que escreveu também “Where The Line Bleeds”. Esta história que mistura os dramas de uma família baptista com mitos gregos foi uma surpresa, o favorito à vitória era o romance “The Tiger’s Wife”, de Téa Obreht, livro vencedor do Orange Prize for Fiction 2011.

A

dissidência política e a evasão fiscal eram os motivos apontados pelas autoridades chinesas para investigar – e prender – Ai Weiwei. Mas, no final desta semana, o artista descobriu que também estava a ser investigado por espalhar pornografia. Wei Wei ainda se riu, até um assistente ter sido levado para prestar declarações. O problema está numa fotografia feita por Zhao Zhao, o assistente que na quinta-feira, segundo o próprio Weiwei, foi levado para uma esquadra da polícia na capital, Pequim, de onde o artista está proibido de sair. “Disseram-lhe claramente que se tratava de investigação que agora estavam a fazer sobre mim, por pornografia”, disse, à AFP. A fotografia, intitulada “Um Tigre Oito Seios” (tradução livre do inglês) mostra Ai Wei Wei rodeado por quatro mulheres, os cinco PUB

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FOTOGRAFIA DE NUS MOTIVA INVESTIGAÇÃO A AI WEIWEI POR “PORNOGRAFIA”

Os pecados do tigre de oito seios

nus, num interior aparentemente vazio. “Quando me prenderam, disseram ‘isto é pornografia’, mas eu ri-me e disse: ‘sabem o que

é pornografia?’”, contou. “Nudez não é pornografia”, afirmou, nesta sexta-feira. O artista recordou, em declarações àquela agência,

por telefone, a história da fotografia: “Quando internautas vieram ter comigo para tirar fotografias, perguntámos por que não fazíamos

fotografias de nudez. Como toda a gente concordou, fizemos e publicámo-las na Internet. E foi isso. Nunca mais pensámos no assunto.”

Mas onde Ai Weiwei vê apenas nudez, as autoridades chinesas vêem obscenidade – e avançaram com mais uma investigação sobre o artista, que ainda este ano esteve 81 dias preso, em parte incerta. Weiwei diz tratar-se de um mero subterfúgio, que esta é mais um episódio da perseguição política de que tem sido alvo. O artista chinês ainda recentemente pagou 8,45 milhões de yuans de um total de 15 milhões de yuans que, segundo as autoridades do seu país, Ai Wei Wei devia em impostos atrasados. A quantia paga pelo activista foi recolhida numa acção de angariação de fundos, para a qual contribuíram muitos chineses. Ai Weiwei disse ainda que o nível de participação nesta campanha o fez perceber que “não está sozinho” e, consequentemente, a sentir-se motivado para esta nova investigação.


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[f]utilidades Cineteatro | PUB

[ ] Cinema

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THE KILLER WHO NEVER KILLS [C]

SALA 1

SEEDIQ BALE [C] (Falado em japanese & seediq, legendado em chinês) Um filme de: Te-Sheng Wei Com: Qing-tai Lin, Da-qing You, Zhixiang Ma 14.15, 17.00

YOU ARE THE APPLE OF MY EYE [C] (Falado em putonghua, legendado em chinês/inglês) Um filme de: Giddens Ko Com: Zhendong Ke, Yanxi Chen, Siu-Man Fok 19.30, 21.30

(Falado em putonghua, legendado em chinês) Um filme de: Fengbo Lee, Jimmy Wan 19:45 SALA 3

TRESPASS [C] Um filme de: Fengbo Lee, Jimmy Wan Com: Jam Hsiao, Chrisse Chow, Eric Tsang 14.15, 16.00, 17.45, 19.30

SALA 2

SEEDIQ BALE [C]

(Falado em cantonese/ putonghua, legendado em chinês/ inglês) Um filme de: Fengbo Lee, Jimmy Wan Com: Jam Hsiao, Chrissie Chow, Eric Tsang 14.15, 16.00, 17.45, 21.45

(Falado em japanese & seediq, legendado em chinês) Um filme de: Te-Sheng Wei Com: Qing-tai Lin, Da-qing You, Zhixiang Ma 21.15

SLEEPWALKER [C]

VERTICAIS: 1-Instrumento de cordas desiguais que se toca com as duas mãos. Não nascida. 2-Terreno em que há muita erva. 3-Rádio (s.q.). Medida para cereais, nos campos marginais do Tejo. 4-Germe de uma ave ou doutro animal. Fizeram eivas ou manchas em. 5-Misturam com iodo. Casa ou lugar de perdição. 6-Categoria (abrev.). Ministrar. 7-Tiram a pele, o pêlo ou a casca. Carboneto de sódio (pl.). 8-Acertava pelo tino. Espádua, ombro (Pref.). 9-Relativa ao estômago. No corrente ano (abrev. lat.). 10-Porção de objectos velhos e inúteis. 11-Dera mios. Narração dos factos Segundo a ordem por que se deram de ano em ano.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Homem extraordinário pelas suas proezas guerreiras. Satisfazem o preço. 2-O m. q. sovela (ave.). Culpada. Mulher do harém do sultão. 4-Vencimento de um soldado. Observar com tento, intentar. 5-Despachem. Borda marcas em roupa. 6-Nome de homem. Itineário. 7-Alçava. Sagrada. 8-Flutuando. Rio de França. 9-Posto em alerta. Em partes iguais. (Farm.). 10-Imposto, tributo (Ant.). 11-Aromatizo. Pancadas com a mão fechada, murros.

Aqui há gato [Tele]visão

TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h RTPi 14:30 RTPi Directo 17:30 Que Loucura de Família 18:00 Música Movimento (Repetição) 18:30 Contraponto (Repetição) 19:30 Amanhecer 20:30 Telejornal 21:00 TDM Desporto 22:10 Passione 23:00 TDM News 23:30 Portugueses sem Fronteiras 00:00 Telejornal - Repetição 00:30 RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Consigo 15:00 Magazine EUA Contacto – N. Jersey 15:30 Gostos e Sabores 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Fado Maior 17:05 O Elo Mais Fraco 18:00 Resistirei 18:45 Linha da Frente 19:00 Pai à Força 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 Fado Maior 21:20 O Preço Certo 22:15 Magazine EUA Contacto – N. Jersey 22:45 Portugal no Coração ESPN 30 13:00 US Open 9-Ball Championship 15:00 Swatch TTR World Snowboard Tour 2010/11 16:30 58th Macau Grand Prix 2011 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 Monday Night Verdict 20:30 FINA Aquatics World 2011 21:00 Euro Beach Soccer League Superfinal Switzerland vs. Italy 22:00 Sportscenter Asia 22:30 Rugby World Cup 2011 Italy vs. Russia

STAR SPORTS 31 13:00 JK Racing Asia Series 14:00 Barbados Rally 15:00 V8 Supercars Championship Series 2011-Races 16:00 Ifmfx Freestyle World Championships 16:30 If Stockholm Open Final 18:00 Suzhou Taihu Ladies Open H/ls 19:00 FA Cup 2011/12 Alfreton Town vs. Carlisle United 21:00 Game 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 Motorsports@Petronas 2011 22:30 Engine Block 2011 23:00 2011 MotoGP FIM Awards STAR MOVIES 40 13:00 Diary Of A Wimpy Kid 14:40 Tooth Fairy 16:30 The City Of Your Final Destination 18:35 Vampires Suck 20:05 The Walking Dead 21:00 Six Days, Seven Nights 22:45 Aliens In The Attic 00:20 Jennifer’S Body HBO 41 12:00 13:50 15:40 17:00 18:30 20:10 22:00 00:20

Red Trading Places The Master Of Disguise Wayne’S World 2 The Invention Of Lying Extraordinary Measures You Don’T Know Jack Four Christmases

CINEMAX 42 11:45 Rocknrolla 13:45 Rob Roy 16:00 High Noon 17:25 The Invisible Man 18:35 Escape From Alcatraz 20:30 American Ninja 3 Blood Hunt 22:00 Criminal Law 23:50 The Experiment

HORIZONTAIS: 1-HEROI. PAGAM. 2-A. AVOCETA. I. 3-RE. ODALISCA. 4-PRE. ATENTAR. 5-AVIEM. MARCA. 6-ARI. VIA. 7-IÇAVA. SACRA. 8-NADANDO. AIN. 9-ALERTADO. AA. 10-T. GARRAMA. I. 11-AROMO. SOCOS. VERTICAIS: 1-HARPA. INATA. 2-E. ERVAÇAL. R. 3-RA. EIRADEGO. 4-OVO. EIVARAM. 5-IODAM. ANTRO. 6-CAT. DAR. 7-PELEM. SODAS. 8-ATINAVA. OMO. 9-GASTRICA. AC. 10-A. CACARIA. O. 11-MIARA. ANAIS.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA LIXO EXTRAORDINÁRIO • Lucy Walker, João Jardim, Karen Harley Um filme extraordinário que tem conquistado o público em todos os festivais onde foi exibido, pela forma sensível e digna como retrata o trabalho de Vik Muniz, um dos maiores artistas brasileiros contemporâneos e um grupo de pessoas que trabalham numa lixeira. Muniz cria fotografias usando pessoas e materiais dos locais onde elas vivem e trabalham. Na sua série “Sugar Children” fotografou retratos de crianças pobres usando açúcar das plantações do Caribe. Quando os realizadores Lucy Walker e João Jardim começam a seguir o trabalho de Muniz, o fotógrafo estava a desenvolver a ideia para o seu próximo projecto. Muniz sabia que queria trabalhar com o lixo, mas ainda não tinha decidido o local. É então que decide ir até ao Jardim Gramacho, a maior lixeira do mundo, localizada no Rio de Janeiro.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

HISTÓRIAS(S) DO CINEMA • Jean-Luc Godard Muitos chamaram já a este trabalho absolutamente único e genial a grande obra de arte do século XX. Usando filmes antigos, os seus próprios filmes, pintura, fotografia, bandas-sonoras, música jazz, clássica ou pop, intertítulos, subtítulos, voz off, e pontuando-os com a sua presença e a sua voz profunda, Godard cria um auto-retrato desenhado pelos filmes dos outros, através das histórias que o Cinema conta.

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MAÇUDO, SIM SENHOR Começou mal e acabou pior. O Grande Prémio de Macau deste ano deve ter sido dos piores que há memória – confidenciou-me um senhor muito velho. Pelo menos foi pior do que o do ano passado, assumo-o eu. A chuva – leia-se falta dela - até ajudou mas a sorte não quis nada com os pilotos. Voltemos um pouco atrás. A polémica estoirou quando a Comissão do Grande Prémio decidiu mudar os critérios de atribuição de subsídios para os corredores do território. Em uníssono, os corredores de Macau mostraram o seu desagrado por aquilo que consideram ser uma injustiça. As novas regras, completamente estapafúrdias, dizem que o corredor que não terminar a corrida não pode auferir do apoio do Governo durante o ano seguinte. Mas a questão coloca-se. Então e se o piloto não terminar a corrida por culpa de um toque do adversário? Ou por um pneu furado? Ou porque simplesmente a máquina [eu disse máquina] falha? Conclusão: o piloto alancará sempre com todas as culpas. Costa Antunes e seus comparsas nem pestanejaram no alto do poleiro. A regra, apesar de ridícula, é para cumprir. Se querem evitar que qualquer um possa vir correr, têm de ter mais imaginação. Com certeza o corte de subsídio não será a melhor saída. O fim-de-semana foi dramático para os pilotos portugueses. Apenas Rodolfo Ávila conseguiu fazer algum furor ao terminar na quarta posição da Taça GT Macau. Fora isso tudo muito negro. O azar persegue André Couto que sofreu um toque do suíço Alain Menu - numa quezília particular que durou os últimos dias. João Fernandes e Nuno Caetano, nas motos, nem chegaram à corrida final. Tiago Monteiro ficou muito longe da prestação que lhe garantiu o terceiro lugar o ano passado. E Félix da Costa, depois de ter garantido o terceiro melhor tempo numa das classificativas, teve um problema mecânico que o atirou para as últimas posições de partida e uma corrida onde desistiu devido a um problema numa roda. Conclusão: a prestação portuguesa foi cinzentona, tal e qual como a cor actual do país. A Fórmula 3 teve um vencedor com “safety car”. Assim também eu quero ganhar. Mas o coitado do rapaz – o espanhol Daniel Juncadella – não tem culpa de que os adversários andem a fazer tabelas nas barreiras que delimitam o circuito da Guia. O WTCC teve duas corridas recheadas de acidentes. Para além do desentendimento entre Couto e Menu, O’Young, que tinha feito bons tempos nas classificativas, foi posto fora por Bennani. Robert Huff venceu as duas mãos mas quem fez a festa foi Yvan Muller que assim revalidou o título mundial de carros de turismo. Nas motos nenhuma surpresa. Rutter, este ano sem o temível Stuart Easton, lá garantiu o primeiro lugar. Nas restantes corridas, Álvaro Mourato – que estava confiante na vitória, perdeu o título de campeão para Chou Keng Kuan. Jeronimo Badaraco mudou de corrida e nem sequer a acabou. A rever algumas coisas neste Grande Prémio que, em vez de se tornar mais emotivo, deixou um rasgo de monotonia no ar. Até 2012.

Pu-Yi


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OPINIÃO

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15 n a m a r g em José I. Duarte

Os chavões da política E

M paralelo com a discussão das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o ano de 2012, o governo fez publicar nos jornais um anúncio de várias páginas. Ali se sublinham diversos aspectos das sua actividade passada e identificam prioridades para o futuro. Presumivelmente, o conteúdo deste anúncio será o que maioria dos cidadãos que a esse esforço se queiram dar lerá a propósito desta matéria. Não é provável, salvo quando razões profissionais ou interesses muito específicos o justificarem, que a maioria se dedique a ler todo o relatório – cerca de trezentas páginas - e a acompanhar os debates ou interpelações em curso na assembleia – estendendo-se por quase três semanas. Apesar de bem mais curto que o relatório, este anúncio também poderia, sem prejuízo do seu conteúdo substantivo, ser abundantemente reduzido. Aceitemos, sem demasiada resistência, a necessidade de alguns slogans ou palavras-talismã - desenvolvimento sustentável, trabalhar com afinco e outras de semelhante cariz - que sempre povoam este tipo de documentos e, em especial, as suas introduções. Não deixará, apesar disso, de ser notada a profusão, para não dizer abuso, de expressões cujo conteúdo ou alcance ficam, em regra, por esclarecer e que, pela na repetição e vagueza, ganham um carácter quase publicitário ou propagandístico. Tomemos alguns exemplos. Fala-se, na introdução, em “fazer face às exigências do desenvolvimento sustentável de Macau”. Apesar de múltiplo estudos (ou as suas promessas), de diversos estudos ou comissões cuja missão incluía ponderar a questão e, até, de um organismo de reflexão criado especificamente para esse efeito (entretanto extinto), julgo que ainda está por definir o que entende a administração por ‘desenvolvimento sustentável. Esta é uma expressão que aparece nas LAG pela primeira vez, se me não falha a memória, em 2003. (Antes, a expressão-chavão era desenvolvimento sustentado - o que não é a mesma coisa). Ora, o conceito continua hoje, como então, a carecer de clarificação. O que constitui, para a administração, “desenvolvimento sustentado”? Com que critérios determina o que é ou não é sustentável, que indicadores a norteiam na prossecução daquele objectivo, como avalia o sucesso na sua implementação? Outra expressão obrigatória é a “gover-

nação científica”. Expressão que representa, salvo melhor prova, uma contradição nos termos. A arte do governo é a arte da política. Uma arte de busca de compromissos e de consensos, de conciliação de interesses divergentes, quando não contraditórios. Que envolve a capacidade de persuadir ou coagir, de inspirar ou mobilizar, de aceitar os riscos e as responsabilidades das acções encetadas, de escolher mesmo quando se sabe que não se sabe tudo. Nada disto tem a ver com o método científico. Tudo isto tem a ver com a extraordinária - e quantas vezes imprevisível - combinação de emoções, de interesses, de racionalidades que se exprimem nas sociedades humanas. Pretender que a acção governativa é ‘científica’ e, assim, cobrir com o manto diáfano da ciência, acções inerentemente contingentes, produtos de combinações de interesses de méritos diversos e circunstâncias conjunturais, é enganador. Nada há de menos científico do que invocar a ‘cientificidade’ da acção governativa. E aqueles que não perderam a memória e leram livros de história, não deixarão de sentir um arrepio ao recordar os desvarios que sempre resultaram das escolhas políticas impostas e levadas a cabo

A arte do governo é a arte da política. Uma arte de busca de compromissos e de consensos, de conciliação de interesses divergentes, quando não contraditórios. Que envolve a capacidade de persuadir ou coagir, de inspirar ou mobilizar, de aceitar os riscos e as responsabilidades das acções encetadas, de escolher mesmo quando se sabe que não se sabe tudo. invocando a sua índole científica. Assinale-se, também, que a natureza “sloganística” de grande parte do texto publicado não escapará nem ao mais desatento: pouco de palpável dele se poderá extrair. Facto que constitui, em si mesmo, a negação do carácter científico do acto de governar. A linguagem da ciência não é esta.

Tome-se, agora, o primeiro cabeçalho (slogan?) da parte em que se listam as orientações gerais do governo e as acções que se propõe levar a cabo: “Enfrentar a inflação trabalhando em conjunto e partilhando juntos”. Ignoremos, porque secundário, o facto de que fica por esclarecer o que é, e de que modo, o trabalho conjunto permite enfrentar a inflação; ou, ainda, que partilhar separados pareceria semanticamente inapropriado. O que na primeira parte daquela secção se inscreve, relativa a medidas destinadas a todos os residentes de Macau, parece na verdade uma lista de óbolos: x para a Poupança Central, y para a Comparticipação Pecuniária, z para a Comparticipação nos Cuidados de Saúde, e mais algum para a electricidade. Acresce a manutenção de algumas isenções fiscais, de cuja motivação original já ninguém se lembrará. Nada, todavia, sugere um fio lógico condutor, um princípio orientador, uma tentativa de repensar os sistemas fiscal e de segurança social à luz das novas condições sociais e económicas da região. O mesmo se pode dizer das medidas destinadas aos sectores mais carenciados da população ou aos idosos. Eles não sugerem uma política social amadurecida, antes parecem revelar sobremaneira um afã de distribuir dinheiro líquido. (De passagem: alguém quer esclarecer exactamente o que são os “seniores inteligentes” que vão receber 45500 patacas de subsídios por ano?). Em suma, não se vislumbra uma política coerente, antes de um rol indiscriminado de benesses. O que pode calar alguns e, no imediato, até disfarçar ou atenuar esta ou aquela insuficiência, um ou outro problema. Mas não ataca as condições subjacentes, podendo mesmo agravá-las. Veja-se, neste caso, que se distribui dinheiro em catadupas para “enfrentar” a inflação. Ora, estou certo, sem margem para qualquer dúvida, de que não haverá economista na administração que não seja capaz de explicar aos membros dos diversos órgãos políticos que estas acções não combatem a inflação, ajudam a alimentá-la. Não deixará de ser visto como uma expressão das ironias da vida política, que uma administração que tanto se pretende “científica”, faça sua bandeira e a mais mediática das suas acções, um conjunto de medidas que tão frontalmente desrespeitam os mais básicos princípios de análise económica.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Lia Coelho; Nuno G. Pereira; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


c a r t o on

SUPER-MÁRIO

por Steff

BÉLGICA JUSTIÇA FORNECE LISTA DE NOMES DE PADRES PEDÓFILOS A justiça belga entregou às autoridades locais os nomes e as moradas de uma centena de padres que cometeram delitos de pedofilia, em que na maioria os casos já prescreveram, para prevenir possíveis situações de reincidência. A lista foi elaborada com base nos dados recolhidos na “Operação Kelk”, a investigação judicial sobre os diversos crimes de pedofilia no seio da igreja belga, tendo, em parte, sido tirados dos registos da Conferência Episcopal da Bélgica e da comissão, por esta designada, para tratar deste tipo de casos. ANGOLA MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO SEM CASA DE BANHO Mais de metade da população angolana vive em habitações sem instalações sanitárias, segundo o comunicado final da 1.ª Conferência Nacional sobre Saneamento. Dos 45% que possuem algum tipo de instalação sanitária nas suas residências, as habitações de 39% estão ligadas a rede de esgotos, 37% a fossas sépticas e 24% possuem latrinas. O documento revelou ainda que, entre as habitações que têm instalações sanitárias, menos de metade (49%) estão ligadas ao sistema de esgotos na área urbana e oito por cento nas zonas rurais.

CHINA TRABALHADORES DA NIKE E ADIDAS EM GREVE Mais de 7000 trabalhadores de uma fábrica de calçado desportivo do sul da China fizeram greve contra despedimentos e cortes de salários, e dezenas deles ficaram feridos em confrontos com a polícia, anunciaram defensores dos direitos humanos. Os empregados da fábrica de Yucheng, próximo de Huangjiang - que produz calçado para as marcas Adidas, Nike e New Balance - fizeram greve após o despedimento, no mês passado, de 18 pessoas dos quadros, interpretado pelos funcionários como um sinal de uma deslocalização.

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ALEMANHA CHOQUE COM 52 CARROS FAZ TRÊS MORTOS Três pessoas morreram na madrugada de sábado, na Alemanha, na sequência de um choque em cadeia que envolveu 52 viaturas. O acidente ocorreu na autoestrada 31, na zona oeste da Alemanha. Quando a polícia e os meios de socorro chegaram encontraram um amontoado de carros e diversos feridos, alguns deles encarcerados. Os médicos atenderam 35 pessoas, tendo sido encaminhadas para os hospitais a que se encontravam em estado mais grave. Três das vítimas morreram no local. O amontoado de veículos era de tal grandeza que os bombeiros tiveram que contá-los um a um.

Ex-administrador da TDM na Associação das televisões da Ásia-Pacífico

O regresso de Gonçalves

O

antigo administrador delegado da TDM - Teledifusão de Macau, Manuel Gonçalves, foi designado conselheiro honorário da Asia-Pacific Broadcasting Union (ABU), associação de que foi vice-presidente de 2007 a 2010. À margem da cerimónia realizada em Macau, Manuel Gonçalves disse “estar agradecido e honrado” pelo título atribuído pela associação a que está ligado desde 1996, quando iniciou as funções de presidente da presidente da Comissão Executiva da TDM. O também antigo vice-presidente da ABU observou a heterogeneidade da indústria da televisão na região da Ásia-Pacífico por oposição à homogeneidade da Europa. “Nesta indústria da televisão é necessário cada vez mais encontrar padrões comuns, ao nível tecnológico e de modelos de desenvolvimento”, considerou, ao citar os diferentes níveis de desenvolvimento entre países da região, como acontece, por exemplo, entre a japonesa NHK, que referiu como “uma das maiores televisões do mundo”, e a televisão do Nepal. Manuel Gonçalves destacou que

Ciclone

a estação de Macau e a Televisão de Timor são as duas únicas emissoras com serviços em português na associação e expressou o desejo de ver nascer um projecto de maior dimensão ao nível da língua portuguesa. Vindo da Malásia para a atribuição do título honorário a Manuel Gonçalves, o secretário-geral da ABU, Javad Mottaghi, revelou que a 50.ª Assembleia Geral da associação

terá lugar em Macau, em 2014, num evento a decorrer em meados de Outubro desse ano com não menos de 600 a 700 participantes. Com sede na Malásia, a ABU é uma associação profissional de estações de televisão da região da Ásia-Pacífico, actualmente com 213 membros em 58 países, com uma audiência de cerca de três biliões de pessoas.

Escada com degraus podres, nunca se sabe até onde se chega. Por Fernando

ITÁLIA CONDENAÇÃO EM MASSA NA MÁFIA CALABRESA Foram condenadas 110 pessoas com penas até 16 anos de prisão no quadro de um mega processo em Milão, em que 119 pessoas foram acusadas de pertencer à máfia calabresa, a Ndrangheta. As penas mais pesadas recaíram sobre chefes de famílias mafiosas que operavam na região. Alessandro Manno foi condenado a 16 anos de prisão, Cosimo Barranca recebeu 14 anos de prisão efectiva. Pasquale Zappia, considerado como o chefe máximo da Ndrangheta na região de Milão, foi condenado a 12 anos de prisão. Na altura da leitura da sentença, Zappia sentiu-se mal, o que fez com que fosse evacuado de ambulância. LÍBIA FILHO DE KADHAFI SERÁ TRATADO COMO PRISIONEIRO DE GUERRA O primeiro-ministro interino da Líbia, Abderrahim al Kib, garantiu que Seif al-Islam, filho de Kadhafi e cuja detenção foi anunciada este sábado por fontes militares, será tratado “como um prisioneiro de guerra”. “Apesar de ser um símbolo do velho regime, será tratado como um prisioneiro de guerra, conforme as leis internacionais”, declarou al Kib, citado pela agência noticiosa EFE, garantindo ainda não ter detalhes sobre as circunstâncias exactas da detenção do único filho de Kadhafi, ex-líder líder já morto, que permanecia em território líbia.

Hoje Macau 18 NOV 2011 #2497  

Edição do Hoje Macau de 21 de Novembro de 2011 • Ano X • N.º 2497

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