Page 1

GONÇALO LOBO PINHEIRO

SOFIA MARGARIDA MOTA

DAVID GONÇALVES

A CIÊNCIA ESTÁ VIVA ENTREVISTA

Nº 4876 QUINTA-FEIRA 21-10-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

DESCONTENTAMENTO EVENTOS

MACAU CONCEALERS

APELOS DE SALVAÇÃO PÁGINA 5

OPINIÃO

SEX EDUCATION TÂNIA DOS SANTOS

hoje macau

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

GCS

MOP$10

FESTIVAL DA LUSOFONIA

A ordem e a lei

Num dia marcado pelos discursos na abertura de mais um ano judiciário, Jorge Neto Valente apontou como uma das causas para a falta de desenvolvimento do território a “erosão do pensamento crítico” e o “silenciamento das vozes discordantes”. Sam Hou Fai falou de números e dos perigos que vêm do exterior, enquanto o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, preferiu sublinhar a cooperação em matéria de Direito com Hengqin, apelando à ousadia dos profissionais. PÁGINAS 6-7

A AMERICANA LUÍS CARMELO

UMA DISPERSÃO DO DIABO ANTÓNIO CABRITA


2 entrevista

SOFIA MARGARIDA MOTA

DAVID GONÇALVES

www.hojemacau.com.mo

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO CIENTÍFICA

21.10.2021 quinta-feira

“Futuro da ciência em Macau é risonho” Criada o ano passado, a Macao Association for Scientific Cooperation between China and Portuguese Speaking Countries (ASCMAC) pretende dar a conhecer projectos de investigação desenvolvidos nas universidades destes territórios, em áreas como o mar ou a nanotecnologia, entre outros. O académico da USJ David Gonçalves, presidente da associação, acredita que a investigação científica em Macau está no bom caminho para crescer ainda mais A primeira assembleia-geral da ASCMAC foi em Abril. Porquê a criação desta entidade? Esta associação surgiu da vontade de investigadores que trabalham em várias universidades do território, que acharam que fazia falta uma entidade que pudesse agregar e trazer maior visibilidade aos projectos de cooperação na área científica entre os países de língua portuguesa e a China, que passassem através de Macau. Quem trabalha nas universidades sente que há muita coisa a acontecer, projectos de colaboração em muitas áreas científicas, desde as humanidades, ciências sociais e áreas

mais tecnológicas, mas que depois acabam por não ter visibilidade. Esse é um dos objectivos da associação. Pode dar exemplos de projectos em curso? Temos projectos na área do mar, que tem muito interesse para os países de língua portuguesa e para a China. Temos alguns que foram desenvolvidos por investigadores de Macau e universidades que estudam o mar na China e também em Portugal. Temos um estudo de poluentes marinhos e microplásticos, por exemplo. E é este tipo de projectos aos quais queremos dar mais visibilidade. Mas temos exemplos na


área da robótica, electrónica, nanotecnologia. Além da visibilidade, quais são os restantes objectivos? Termos meios para desenvolver actividades de cooperação entre os países de língua portuguesa e a China que passem através de Macau, para que a associação seja, também ela, dinamizadora dessas acções de cooperação. Às vezes existem dificuldades em colocar os dois lados a falar um com o outro, ou colocar investigadores de Macau e da China em contacto com interlocutores dos países de língua portuguesa e vice-versa. Muitas vezes existem barreiras linguísticas e os canais de comunicação não estão abertos. Sendo nós investigadores localizados em Macau, que desde sempre foi uma plataforma preferencial para esta colaboração entre pessoas, achámos que estávamos bem posicionados para facilitar canais de comunicação. Quais são os planos que pretendem desenvolver para já? Termos pontos de contacto nos vários países que fazem parte do universo lusófono, em Macau e na China, de forma a que quem esteja à procura de colaboração e de colaboradores numa determinada área científica possa colocar essas questões à nossa associação. Queremos ser agentes facilitadores de investigadores dentro deste leque alargado. O facto de termos esta área alargada é uma das vantagens na colaboração da China com os países de língua portuguesa na área científica. Isso permite a realização de projectos com grande cobertura geográfica, mesmo ao nível das ciências sociais e questões interculturais. Estas são áreas em que estes dois mundos são muito fortes e que têm muito para oferecer à ciência. É fácil juntar meios académicos diferentes?As universidades de alguns países de língua portuguesa podem não estar tão desenvolvidas, por exemplo, em comparação com o ensino superior deste lado do mundo. Penso que é fácil. Um dos objetivos da colaboração científica internacional deve passar por desenvolver mais, e mais depressa, a ciência onde ela está menos desenvolvida, e continuar

“Macau não está, nem de perto nem de longe, numa posição de ser uma referência mundial em nenhuma área científica, mas está bem posicionada para poder vir a ser. É preciso uma constância no investimento.” a desenvolver a ciência onde ela está mais desenvolvida. Estes projectos de cooperação podem ser extremamente eficientes a promover a transferência de conhecimento e de tecnologias de uns países para outros de maneira a acelerar o nivelamento da capacitação científica, que eu acho ser positivo para todos. O papel de Macau enquanto plataforma é um dos desígnios que faz parte do léxico político local e nacional. Acha que a associação pode colmatar a falta de cooperação entre universidades na resposta a este desígnio? A associação não é uma entidade de universidades, mas de investigadores que pertencem a diversas universidades. Isso que pergunta está além da nossa ambição. Obviamente que é uma associação muito jovem, e se o seu desenvolvimento for significativo poderá vir a agregar universidades de vários pontos do mundo. Essa agregação pode co-

entrevista 3

www.hojemacau.com.mo

SOFIA MARGARIDA MOTA

quinta-feira 21.10.2021

meçar a definir estratégias que juntem mais o ensino superior nos dois universos. Mas esse não é o nosso foco. Essa união do ensino superior em Macau tem de existir para responder aos desafios impostos pela cooperação regional, com projectos como a Grande Baía ou a Ilha de Hengqin? O ensino superior tem funcionado de uma forma relativamente eficiente tendo em conta o desenvolvimento dos países. Portanto, se por um lado é bom haver estratégias comuns entre as várias instituições de ensino superior, para que caminhem num determinado sentido, por outro lado também é bom haver diversidade e até competição entre essas várias instituições, porque isso também acelera o próprio desenvolvimento. É preciso um pouco das duas coisas. Mas parece-me que, num mundo cada vez mais globalizado, as instituições

“Sendo nós investigadores localizados em Macau, que desde sempre foi uma plataforma preferencial para esta colaboração entre pessoas, achámos que estávamos bem posicionados para facilitar canais de comunicação.”

de Macau têm a ganhar em desenvolver mais e mais parcerias com instituições de outros lados do mundo. Nesse aspecto, sendo instituições em Macau, estão bem posicionadas para servirem de ponte entre a China e os países de língua portuguesa. Há bons exemplos, mas poderiam ser em maior número, sobretudo no que diz respeito à criação de programas de ensino ao nível dos doutoramentos e mestrados que possam ser realizados a três mãos. Isso ainda oferece algumas dificuldades, por questões burocráticas essencialmente. Esse é o caminho que se tem de fazer e que tem de ser acelerado se as universidades do território não querem ficar de fora do que é um padrão que está a acontecer em todo o mundo. Considera que a investigação em Macau está no caminho para se tornar referência a nível mundial? Se olharmos para os indicadores de produtividade científica de Macau, sem dúvida que temos assistido a um crescimento exponencial em termos de publicações. Macau tem, de facto, crescido muito nas últimas décadas e isso reflecte um investimento público do Governo, mas também alguns investimentos de instituições privadas. Macau está no bom caminho. Ultimamente assistiu-se a uma maior pressão para financiar mais projectos de transferência tecnológica do que projectos de investigação científica de base, digamos assim. Neste momento, está a haver alguma transformação do tipo de investigação desenvolvida em Macau. Ainda é um pouco incerto qual vai ser o resultado dessa alteração de política governamental. A integração na Grande Baía pode ser bastante estimulante para desenvolver ainda mais a investigação que se faz no território. Macau não está, nem de perto nem de longe, numa posição de ser uma referência mundial em nenhuma área científica, mas está bem posicionada para poder vir a ser. É preciso uma constância no investimento e não haver demasiadas inflexões nas estratégias seguidas, porque se não perde-se o desenvolvimento feito em décadas. Porque é que Macau está ainda nesse patamar, ape-

“O que está na calha, no imediato, é a organização da primeira conferência que junte todos os investigadores que têm projectos em colaboração com a China e países de língua portuguesa e que os apresentem.” sar de existirem recursos financeiros no ensino superior? O ensino superior em Macau é muito jovem, e o investimento em ciência e o surgimento de uma instituição financiadora é algo muito recente se compararmos com outras regiões do mundo. Macau tem feito um percurso bastante positivo no curto espaço de tempo que tem de desenvolvimento científico. Diria que os indicadores mostram um crescimento muito rápido e exponencial da ciência no território. Seria difícil Macau estar noutra posição tendo começado tão tarde. A investigação que se faz tem credibilidade? PUB.

Quando olhamos para os indicadores verificamos que temos cada vez mais publicações em revistas de referência a saírem dos laboratórios de Macau. Esse é um bom indicador de que a ciência que se está a fazer no território é cada vez melhor, de melhor qualidade e também em maior quantidade. É um caminho que tem tudo para ser consolidado agora com estas novas mudanças da gestão da Ilha da Montanha e da abertura à Grande Baía. O futuro da ciência em Macau é risonho, não tenho dúvidas. Que actividades estão a ser ponderadas para o futuro? O que está na calha, no imediato, é a organização da primeira conferência que junte todos os investigadores que têm projectos em colaboração com a China e países de língua portuguesa e que os apresentem. Não temos ainda uma data, mas será para final deste ano início do ano que vem. Com essa conferência queremos dar a tal viabilidade aos projectos, de modo a que qualquer pessoa possa perceber o que se está a fazer em termos de investigação científica. Mas também queremos dinamizar novos projectos. Andreia Sofia Silva


4 política

www.hojemacau.com.mo

21.10.2021 quinta-feira

GCS Atribuídos 2,4 milhões no terceiro trimestre

O Gabinete de Comunicação de Social atribuiu um total de 2,4 milhões de patacas em subsídios no terceiro trimestre deste ano. O montante foi todo canalizado para a União de Beneficência das Associações de Trabalhadores da Comunicação Social de Macau com o objectivo de financiar o plano de seguro de assistência médica para profissionais da comunicação social do ano 2021/2022. Este seguro é disponibilizado aos membros desta federação de associações, da qual faz parte a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau.

Wing Hing Renovada nomeação para a Sociedade de Lotarias

O Executivo anunciou ontem a recondução de Chui Hou Ian na posição de delegado junto da Sociedade de Lotarias Wing Hing. O período da nomeação começa a partir de 25 de Outubro e termina a 31 de Dezembro. Enquanto exercer as funções, Chui vai ser remunerado mensalmente com 6.600 patacas. Chui Hou Ian está na posição desde 2020, tendo na altura substituído Gonçalo Lourenço da Silva. Este tinha sido nomeado pela primeira vez em 2000, na altura por Edmundo Ho.

Kaifong Pedido castigo pesado para autores de rumores LAG PROPOSTA DE LEI SINDICAL SERÁ LANÇADA “MUITO BREVEMENTE”

Ao virar da esquina

A consulta pública sobre a lei sindical pode estar para breve, estimou Lei Wai Nong durante um encontro do Governo com a Associação Comercial de Macau. O secretário para a Economia e Finanças acredita que o diploma pode atingir um ponto de equilíbrio entre a parte laboral e a parte patronal

O

secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, revelou que a proposta de lei sindical será lançada “muito brevemente” para efeitos de consulta pública. Durante um encontro com o Chefe do Executivo que serviu para a Associação Comercial de Macau apresentar sugestões para a elaboração das Linhas de Acção Governativa (LAG) do próximo ano, o secretário frisou ainda “acreditar” que o objectivo de legislar o diploma pode ser atingido “através da negociação e entendimento entre as partes laborais e patronais”. Além de incutir ao Governo a necessidade de impulsionar os

trabalhos legislativos da lei sindical, o presidente da Associação Comercial de Macau, Ma Iao Lai apresentou ainda sete opiniões a Ho Iat Seng. Entre as sugestões destaque para o lançamento de medidas de apoio para salvaguardar o emprego e ultrapassar as dificuldades impostas pela pandemia, complementar “pontos fracos” que permitam acelerar a diversificação económica de Macau, o uso adequado da

reserva financeira e o apoio da China na estratégia de “carbono neutro” seguindo a vertente “o ambiente verde é uma riqueza”.

Estudar as ideias

Ma Iao Lai aplaudiu ainda o lançamento “em tempo oportuno” das oito medidas de apoio às PME e trabalhadores que permitem “salvaguardar o emprego dos funcionários” e a “estabilidade da sociedade”.

Além de incutir a necessidade de aprovação da lei sindical, Ma Iao Lai pediu medidas para a salvaguarda do emprego e para a diversificação económica

O presidente e o vice-presidente da Assembleia Legislativa, Hou Ho Hin e Chui Sai Cheong, também participaram no encontro na qualidade de dirigentes da Associação Comercial de Macau, apresentando opiniões sobre o desenvolvimento da zona de cooperação em Hengqin e as oportunidades proporcionadas. Por sua vez, Ho Iat Seng assegurou que vai estudar com “seriedade” as sugestões apresentadas e que irá tomar medidas para elevar a taxa de vacinação contra a covid-19 em Macau. O objectivo é criar “uma barreira imunológica” para acelerar a recuperação da economia local”. Pedro Arede

A União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) apelou ao Governo para punir severamente o autor do rumor sobre um caso novo de covid-19 e o fim da medida passagem fronteiriça sem quarentena. A posição dos Kaifong foi tomada pela presidente Ng Siu Lai, em declarações ao Jornal Ou Mun. Segundo Ng, a internet não é um lugar sem lei, tem de haver um castigo pesado, e os residentes precisam de aprender a valorizar a possibilidade de atravessarem a fronteira. Ainda de acordo com a dirigente associativa, a abertura da fronteira com Zhuhai foi o resultado “dos frutos” da prevenção da pandemia e as pessoas não devem acreditar em informações falsas.

Regimento e Mandatos Menos deputados por sufrágio directo

A Comissão de Regimento e Mandatos vai ter menos deputados eleitos pela via directa. Segundo a proposta, que vai ser apresentada no próximo plenário, sobre a composição de uma das comissões mais importantes da AL, apenas Wong Kit Cheng e Song Pek Kei vão representar os deputados sufragados pela população. Na Legislatura anterior havia três legisladores eleitos por esta via. Iau Teng Pio é o único deputado nomeado pelo Chefe do Executivo. Apesar de a votação ainda ter de ser feita em plenário, e posteriormente em sede de comissão, Vong Hin Fai deverá ser eleito presidente desta comissão, uma vez que na anterior legislatura era secretário. O anterior presidente, José Chui Sai Peng, não surge entre os nomes propostos.

Professores Pedido plano de apoio para transfronteiriços

O deputado Ma Io Fong defende que o Governo além de cuidar dos alunos e pais deve elaborar um plano também para apoiar os professores transfronteiriços retidos. Ao jornal do Cidadão, o deputado das Mulheres apontou que a suspensão repentina do regresso às aulas e a exigência de quarentena para entrar em Zhuhai fez com que muitos professores ficassem retidos no território, sem estarem preparados para isso. Além disso, com o ensino a decorrer online, Ma Io Fong indicou que os profissionais do sector têm mais dificuldades na preparação das aulas. O deputado das Mulheres pediu ao Governo que adopte um plano para lidar com estas situações.


quinta-feira 21.10.2021

sociedade 5

www.hojemacau.com.mo

A nova situação política e a falta de recursos de um jornal dependente dos donativos dos deputados da Novo Macau ditaram o fim. Ex-colaboradores apelam para que se salve o arquivo do Macau Concealers

IMPRENSA JASON CHAO E ROY CHOI APELAM À SALVAÇÃO DO MACAU CONCEALERS

Mudam-se os tempos

Macau Concealers que tomem as medidas necessárias para proteger os conteúdos e disponibilizá-los ao público. Ninguém deve privar os futuros leitores de aprenderem sobre as diferentes vozes que chegaram a existir em Macau”, foi acrescentado. O HM tentou contactar Kam Sut Leng para obter uma reacção ao encerramento da publicação, mas até ao fecho da edição não foi possível.

Jornal satírico

A

notícia do encerramento do portal Macau Concealers causou uma cadeia de reacções, com vários apelos de ex-trabalhadores e figuras do campo pró-democracia para que se salve a publicação e se permita o acesso ao arquivo. Na terça-feira à noite, foi anunciado que o portal noticioso ia ser encerrado devido a “alterações sem precedentes no ambiente”, numa referência à situação política da RAEM, e à falta de recursos. Ao longo dos quase 16 anos de vida, o jornal foi principalmente financiado pelos salários dos deputados ligados à Associação Novo Macau. Ontem, as plataformas do Macau Concealers já não se encontravam disponíveis. Após o anúncio da suspensão, Roy Choi, ex-vice-director do Macau Concealers, contestou a opção de abdicar de uma plataforma com mais de 118 mil seguidores e uma das mais populares entre os mais jovens. “A suspensão das operações do Macau Concealers não é inesperada, porque dependia demasiado das doações dos membros da Associação Novo Macau. Foi ponderado criar um modelo com a recolha de patrocínios, mas tal nunca avançou”, explicou Roy Choi,

Roy Choi, ex-vice director “O Macau Concealers pertence aos mais de 100 mil leitores em Macau, e como uma organização de média tem de assumir as suas responsabilidades.”

através das redes sociais. “Mas a suspensão abrupta do Macau Concealers apanhou muitos leitores e antigos colaboradores de surpresa e deixou-nos confusos”, reconheceu. “O Macau Concealers pertence aos mais de 100 mil leitores em Macau, e como uma organização de média tem de assumir as suas responsabilidades”, acrescentou. Roy Choi mostrou-se disponível para trabalhar numa solução

DSEDJ Precisam-se docentes que leccionem em português

A Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude lançou oito concursos para contratar professores que leccionem em

língua portuguesa. Os anúncios foram publicados ontem no Boletim Oficial. No que diz respeito ao ensino infantil e primário, procuram-se quatro docentes, dois para leccionar a disciplina de língua portuguesa, um para a disciplina de música e outro para a área do ensino especial. As outras contratações são para o ensino superior, nas áreas de artes visuais, música, ensino especial e geografia.

alternativa, que pudesse passar por um modelo de crowdfunding, ou seja de pequenos donativos.

Carta aberta

Horas mais tarde, também Jason Chao, co-fundador do Macau Concealers e ex-director, tomou posição, numa carta aberta enviada à directora Icy Kam Sut Leng, assinada em conjunto com Roy Choi.

Instituto do Desporto Instalações desportivas reabrem hoje As instalações do Instituto do Desporto reabrem hoje ao público, depois de quase um mês de encerramento devido à situação pandémica, para “a população poder continuar a praticar o exercício físico”, informou ontem o organismo liderado por Pun Weng Kun. Voltam a abrir as piscinas públicas, os pavilhões desportivos, campos de ténis e outras instalações afectas ao ID, e serão retomadas escolas de desporto juvenil e as classes de recreação

e manutenção do Desporto para Todos (na sexta-feira e segunda-feira, respectivamente). Quanto aos estágios, acções de formação e competições organizadas por associações desportivas, “serão retomadas ordenadamente”. Durante o funcionamento das instalações desportivas será obrigatório o uso de máscara, medição da temperatura corporal, apresentação do código de saúde e o número de utentes será restringido para evitar aglomerações.

No documento, o activista agora radicado em Inglaterra, pediu a todos os responsáveis pelo portal para que preservassem o arquivo. “Os conteúdos jornalísticos e as publicações online têm um valor histórico excepcional. O fruto do jornalismo é o primeiro esboço da História, para não referir que as plataformas sociais são o resultado do contributo de muitos internautas”, é indicado. “Apelamos a todos os que estão à frente do

SSM São Januário volta a permitir visitas

Os Serviços de Saúde anunciaram que o Hospital Conde São Januário vai voltar a permitir as visitas, durante os horários normais, a partir de hoje. No entanto, quem frequentar o espaço tem de respeitar as medidas de controlo da pandemia, nomeadamente através da utilização de máscara, medir a temperatura, colocar gel de álcool nas mãos e apresentar o código de saúde. As visitas não são aconselhadas para menores de cinco anos.

O Macau Concealers foi fundado em Novembro de 2005, no seio da Associação Novo Macau, com o nome “Diário Para Esconder”. A publicação em formato broadsheet visava criticar o jornal mais popular do território, o Ou Mun, que era encarado pelos fundadores do Macau Concealers como uma extensão do Governo. Nessa altura, os fundadores do Concealers, entre os quais Jason Chao, acreditavam que o Ou Mun menorizava vários escândalos locais, como as acusações de corrupção nas legislativas de 2005 ou os gastos com a realização dos Jogos da Ásia Oriental. Por isso, a primeira versão do Macau Concealers foi feita num formato a imitar o Ou Mun, em termos de design e também na pronúncia do primeiro nome, que era um trocadilho em chinês. Em Novembro de 2010, a publicação adquire independência editorial da Novo Macau, apesar das doações dos deputados, e em Novembro de 2012 regista-se como órgão de comunicação social no Gabinete de Comunicação Social, o que faz com que nome mude para Macau Concealers. A partir de Março de 2013, lança-se no online, que se tornaria exclusivo, num percurso que tudo indica ter terminado ontem. João Santos Filipe

Hotelaria Retorno de TNR vai afectar ocupação O presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, Lou Chi Leong, prevê que o sector da hotelaria vá sofrer com o regresso a casa de trabalhadores não residentes que estavam retidos em Macau. O dirigente estima que a reabertura da fronteira e a escassez de turistas leve à queda da ocupação hoteleira para valores perto dos 40 por centos. Em declarações ao jornal Ou Mun, Lou Chi Leong defendeu o

alargamento da validade dos testes de ácido nucleico para sete dias como medida essencial para atrair visitantes que, na sua óptica, escolhem regressar a casa no mesmo dia que visitam Macau. O dirigente associativo afirmou também que os preços vão continuar baixos para atrair turistas, nomeadamente nos hotéis mais económicos e tradicionais, onde uma noite pode ficar entre as 100 e as 400 patacas.


6 ano judiciário

21.10.2021 quinta-feira

www.hojemacau.com.mo

JUSTIÇA NETO VALENTE RECEIA EROSÃO DO PENSAMENTO CRÍTICO E APELA AO DEBATE

A lei do mais devoto

Na abertura do ano judiciário, o presidente da associação dos advogados defendeu que a justiça e o desenvolvimento do território estagnaram devido à “erosão do pensamento crítico” e ao “silenciamento de vozes discordantes” e que Macau precisa de patriotas “com visão de futuro”. Apesar do decréscimo histórico de processos, Sam Hou Fai sublinhou a subida de processos relativos à interpretação da Lei Básica

O

FOTOS GCS

presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM), Jorge Neto Valente apontou ontem que a erosão do pensamento crítico e o silenciamento de vozes discordantes estão entre as causas que impedem o desenvolvimento e o progresso do sector da justiça em Macau. Apontando que “a justiça não é uma abstracção” e que “quem se compraz na auto-satisfação” não progride, Neto Valente vincou ser fundamental que a população consiga sentir e entender a “justiça real”. “Para que haja harmonia e paz social é indispensável que a justiça real seja sentida e entendida pela sociedade. Neste, como em outros domínios, a erosão do pensamento crítico, a procura do unanimismo de opiniões e o silenciamento de vozes discordantes impedem o desenvolvimento e o progresso”, disse ontem durante o discurso proferido na sessão solene de abertura do ano judiciário 2021/2022. No seguimento da ideia, Neto Valente anotou ainda que, para cumprir os objectivos traçados pelo Governo Central e os seus próprios desígnios, Macau não depende “apenas de sentimentos patrióticos”.

Patriotismo Ip Son Sang cita máxima da Dinastia Song Numa das passagens do seu discurso, Ip Son Sang recorrer a uma frase da Dinastia Song para encorajar “os colegas do sector judiciário” e pedir-lhes que não deixem a bandeira vermelha ficar molhada. “Gostaria de terminar este discurso, citando a frase magnífica do

letrista da Dinastia Song do Norte, Pan Lang, ‘o moço que brinca com a maré ergue-se na crista da onda com a bandeira vermelha na mão e nunca permite que esta fique molhada’, com o fim de encorajar os colegas do sector judiciário”, afirmou.

Neto Valente Magistrados subservientes não são magistrados O presidente da Associação dos Advogados de Macau recordou que os magistrados estão obrigados a cumprir a lei, mesmo que tal implique contrariar o Governo. “Eu também oiço algumas opiniões que me preo-

cupam. Quando vejo magistrados a dizerem que têm por obrigação defender a política do Estado... E isto e aquilo, e a segurança... para mim os magistrados têm é a obrigação de aplicar a lei, nem que [a decisão] seja

desfavorável a um ponto de vista do Governo”, afirmou Neto Valente. “Isso para mim é que é um magistrado, não é ser subserviente ao poder. Um indivíduo que é subserviente ao poder não é magistrado”, acrescentou.


quinta-feira 21.10.2021

“Precisamos de patriotas inteligentes e talentosos, com visão de futuro, capazes de trabalhar em prol do bem comum e pela realização da justiça social, e não apenas daqueles que com subserviência e vistas curtas, apregoam insistentemente o seu patriotismo para se tornarem notados e obterem vantagens para si próprios”, partilhou. À margem do evento, Neto Valente insistiu na necessidade de patriotas com talento e espírito crítico. “Não é que com patriotas não vamos a lado nenhum, não é isso. Há patriotas que têm talento, como diz o Presidente Xi Jinping, que quer recrutar para o Partido Comunista Chinês (…) compatriotas com talento, inteligência e visão, e não as pessoas que têm vistas curtas e só repetem sem sentido nenhum”, atirou.

A toque de caixa

Para Jorge Neto Valente, em mais de 20 anos, os responsáveis pelo funcionamento dos tribunais “não promoveram nenhuma discussão sobre a adequação do sistema judicial ao desenvolvimento

“Precisamos de patriotas inteligentes e talentosos, com visão de futuro, e não apenas daqueles que com subserviência e vistas curtas, apregoam insistentemente o seu patriotismo para se tornarem notados e obterem vantagens.” JORGE NETO VALENTE PRESIDENTE AAM

e ao progresso económico e social” e a informatização do sector ficou para trás, com processos que se arrastam há anos “sem explicação plausível”. Isto, quando, apesar de o número de processos ter decrescido, a taxa de resolução ter também caído 5,0 por cento. “A situação em que hoje nos encontramos (…) de justiça lenta, tardia e de menor qualidade, poderia ser resolvida se se analisassem as deficiências do sistema. Seria indispensável uma discussão aberta e transparente entre operadores e aplicadores de Direito, com a participação de técnicos e estudiosos das matérias”, detalhou. Por seu turno, o presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), Sam Hou Fai começou por afirmar que no ano judiciário que terminou, os tribunais das três instâncias receberam, pela primeira vez em sete anos, menos de 20.000 processos, mais concretamente 18.561. No entanto, frisou o presidente do TUI, registou-se um acréscimo dos processos relacionados com a interpretação da Lei Básica. Ao todo, foram julgados 24 processos, ou seja, mais quatro que no ano anterior. Em causa estiveram, entre outros, o direito de reunião e manifestação, o direito de eleger e de ser eleito para a Assembleia Legislativa e o estatuto de residente permanente de Macau. Recorde-se que entre as decisões mais polémicas tomadas pelo TUI no ano judicial que passou está a proibição da vigília do 4 de Junho e a exclusão de candidatos às últimas eleições legislativas. “Os tribunais (…) nunca deixaram de exercer, fielmente, a competência conferida pela Lei Básica no sentido de interpretar as disposições desta Lei no julgamento dos processos, tendo promovido (…) não só a salvaguarda dos diversos direitos e interesses legítimos dos residentes (…) como ainda, a defesa firme da ordem constitucional da RAEM”, apontou Sam Hou Fai, vincando que ficou assim assegurada a implementação eficaz e completa do princípio, Um País, Dois Sistemas”. Pedro Arede com J.S.F.

ano judiciário 7

www.hojemacau.com.mo

Diz como aplicas a lei

Ho Iat Seng pede ousadia aos profissionais do Direito para Hengqin

O

Chefe do Executivo apontou baterias à zona de cooperação aprofundada em Hengqin no discurso de abertura do ano judiciário. “Para uma boa concretização do desenvolvimento de Hengqin através da cooperação entre Guangdong e Macau é necessário que os profissionais da área do Direito locais sejam proactivos, inovem com ousadia e contribuam com a sua sabedoria”, referiu Ho Iat Seng. De olho “na integração na conjuntura do desenvolvimento nacional”, o líder do Governo pediu aos “amigos da área do Direito” uma reflexão e investigação aprofundada sobre a articulação das leis civis e comerciais entre Guangdong e Macau. Além disso, pediu a contribuição dos profissionais do Direito através da “prestação de serviços profissionais, eficientes e convenientes”. Outro dos destaques no discurso de Ho Iat Seng,

foi o desafio que a pandemia trouxe ao sistema jurídico da RAEM no que toca ao equilíbrio entre segurança pública e direitos fundamentais e liberdades individuais. Ressalvando que “o Estado de Direito é o reflexo do sistema de governação”, o governante discorreu sobre o impacto do covid-19 na salvaguarda

da “segurança dos dados pessoais”, ao mesmo tempo que se tenta garantir a segurança pública. “Como resolver eficazmente os conflitos civis e comerciais causados directa ou indirectamente pela epidemia, como proteger melhor os direitos e interesses dos grupos mais vulneráveis, são, entre ou-

O mal que vem de fora

Sam Hou Fai fala de aumento de crimes cometidos por estrangeiros

O

presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), Sam Hou Fai, alertou ontem para o aumento dos crimes cometidos pelos estrangeiros retidos em Macau devido às restrições impostas no contexto da pandemia. “No ano judiciário que findou, aumentou substancialmente o número dos processos-crime de acolhimento ilegal e de contratação ilegal”, disse Sam Hou Fai, falando de um aumento de 79,07 por cento nos processos de acolhimento ilegal (de 215 casos em 2020 para 385 este ano). Por sua vez, os processos de contratação ilegal aumentaram cerca de 18 por cento. “No que concerne aos crimes de tráfico de drogas por encomenda, os indivíduos encarregados de receber as drogas e de proceder à sua venda em Macau foram, muito deles, estrangeiros que se viram obrigados a ficar em Macau por não terem conseguido obter a renovação do seu contrato de trabalho”, acrescentou o presidente do TUI. Sam Hou Fai falou também de um “funcionamento normal e eficaz dos tribunais”, apesar do contexto da pandemia, com uma redução de sete por cento no número de novos processos. “Entraram nos tribunais um total de 18.561 processos, número esse

que decresceu para menos de 20.000 pela primeira vez nos últimos sete anos, com uma diminuição de 1.439 face ao ano judiciário anterior.” O responsável referiu ainda que, “de um modo geral, o número de entrada dos presos civis e criminais decresceu, e o dos processos administrativos subiu”.

tras, questões que requerem uma resposta oportuna do sector jurídico”, declarou.

Apoio incondicional

Além da obrigatória menção à intransigência face a “qualquer interferência de forças externas nos assuntos de Macau”, Ho Iat Seng reforçou que o Estado de Direito é o princípio basilar da RAEM, e que para “solidificar este valor nuclear é imperioso defender firmemente a dignidade e da autoridade da Constituição e da Lei Básica.” No discurso de Ho Iat Seng, coube também o reconhecimento do trabalho dos órgãos judiciais na defesa da independência e imparcialidade da justiça, e na “salvaguarda da ordem social, contribuindo de forma ímpar para o sucesso da aplicação do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ em Macau”. De resto, o Chefe do Executivo manteve os compromissos de “colaborar activamente com os órgãos judiciais, optimizar o mecanismo de formação judiciária, reforçar as instalações e equipamentos, recursos humanos e os meios e instrumentos do sistema judicial”. J.L.

Neste contexto, os novos processos que deram entrada no Tribunal Administrativo aumentaram 15,87 por cento, “causado pelo aumento drástico do número dos recursos contenciosos administrativos que se cifrou em 46,55 por cento”. A queda dos processos de índole criminal foi na ordem dos 15 por cento face ao ano judiciário anterior, sendo que a maior quebra, de 42 por cento, foi nos processos com arguidos presos. Sobre o Tribunal Judicial de Base, o presidente do TUI adiantou que “não só manteve um bom funcionamento como ainda melhorou em graus diferentes em relação ao ano judiciário anterior”.

Doze mil pendentes

No discurso, Sam Hou Fai falou também do “número elevado dos processos atinentes à política de habitação pública”, bem como do “grande número de processos de reclamação de indemnização relativos a terrenos cuja concessão tinha sido declarada caducada”. O presidente do TUI deixou claro que "os tribunais das três instâncias, desde o Retorno de Macau, nunca deixaram de exercer, fielmente, a competência conferida pela Lei Básica no sentido de interpretar as disposições desta Lei no julgamento dos processos”. Actualmente, estão pendentes nos tribunais cerca de 12 mil processos. Em funções, permanecem 45 juízes com uma idade média de 45 anos. A.S.S.


8 eventos

21.10.2021 quinta-feira

GONÇALO LOBO PINHEIRO

www.hojemacau.com.mo

Miguel de Senna Fernandes acrescentou que a visão das autoridades sobre a questão do apoio financeiro revela “falta de sensibilidade política” sobre o legado e importância deste evento

A

Casa de Portugal em Macau (CPM) e a Associação dos Macaenses (ADM) discordam da escolha do mês de Dezembro para a realização da 24.ª edição do Festival da Lusofonia. Segundo a TDM Rádio Macau, o evento deverá realizar-se no fim-de-semana de 10 a 12 de Dezembro. O descontentamento prende-se com a realização de vários eventos e actividades nesse mês, associados ao Natal, além de que permanecem os cortes orçamentais que trazem maiores dificuldades na realização do evento conforme os moldes dos anos anteriores. “Dezembro é um mês péssimo”, disse ao HM Amélia António, presidente da CPM. “Isso obriga a que tenhamos de dar a volta a muita coisa. Temos as vendas de Natal, há jantares. Temos de reorganizar o calendário e há coisas que não se podem mudar”, frisou a responsável. No caso da ADM, o calendário fica ainda mais apertado, pois nesse mês, além de realizar o habitual jantar de Natal, a associação celebra 25 anos de existência. “Não sei

FESTIVAL DA LUSOFONIA ESCOLHA DO MÊS DE DEZEMBRO NÃO AGRADA A ASSOCIAÇÕES

Festa a meio gás Está confirmada a realização do Festival da Lusofonia em Dezembro, mas duas associações ouvidas pelo HM discordam da data, por ser um mês cheio de eventos e obrigar a ajustes financeiros e de pessoal. Caso continuem os cortes orçamentais e as alterações à organização do evento, a participação da Associação dos Macaenses nas próximas edições está em risco como vamos fazer isto e que tipo de representação vamos ter nesse dia [sábado], porque também temos falta de pessoal. Ou estamos na Lusofonia ou na festa de Natal”, disse

o seu presidente, Miguel de Senna Fernandes. O também advogado referiu que há a possibilidade de a ADM estar representada de forma simbólica no

sábado, dia em que acontece a festa de Natal, para que depois possa ter o seu espaço no festival a funcionar como habitualmente. “Mesmo assim vai ser complicado estarmos lá na sexta-feira.

IIM EXPOSIÇÃO COM IMAGENS DE CONCURSO DIA 26 NO LOU LIM IEOC

É

inaugurada na próxima terça-feira, dia 26, no pavilhão Chun Chou Tong, jardim Lou Lim Ieoc, a exposição de fotografias do concurso “A Macau que eu mais amo!”, promovido pelo Instituto internacional de Macau (IIM) em parceria

com a Associação de Fotografia Digital de Macau, o Clube Leo Macau Central e a Associação dos Embaixadores do Património de Macau. As imagens que integram esta exposição foram captadas pelos vencedores

do concurso. Na categoria estudantes, venceram Cheong Man Hou, Ao Wai Ieng e Wang Jun Jing, enquanto que na categoria geral foram premiadas as fotografias de Cheong Chi Fong, Lei Heong Ieong e Lei Wai Leong.

Além disso, foi atribuída uma menção honrosa a uma dezena de obras, tendo sido também entregue um prémio especial a sócio da Associação de Fotografia Digital de Macau. Esta mostra estará patente até ao dia 30 deste mês.

Temos falta de apoios financeiros e humanos e isso pesa no sucesso da festa.” Miguel de Senna Fernandes vai mais longe e diz que o que se passa “é uma aberração”. “As autoridades

FRC Debate sobre lei do jogo ho Segundo um comunicado do IIM, o concurso contou com “uma participação significativa de jovens estudantes e do público”, tendo recebido mais de 222 imagens.

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje, a partir das 18h, o debate “Game On: The Gaming Law and the Future of the Industry”, que terá também transmissão on-line via Zoom. Esta palestra versa sobre a consulta pública sobre a revisão da lei do jogo, sendo organizada em parceria com a revista Macau Business. A apresentação será em língua inglesa e estará a cargo dos jornalistas José Carlos Matias e Nelson Moura, com os oradores convidados Carlos Siu, académico, Rui Pinto Proença, advogado, Alidad Tash e o economista José Isaac Duarte.


quinta-feira 21.10.2021

guar uma coisa que é grande e que as pessoas não gostam que seja grande”.

Pouco dinheiro

Em termos financeiros as associações são apoiadas pelo IC com 50 mil patacas, não podendo usar outros subsídios no mesmo evento. Isso traz grandes entraves à presença da ADM, pois Miguel de Senna Fernandes garante que esse orçamento serve apenas para construir e decorar a barraca, sem incluir as comidas, bebidas e restantes actividades. “A impossibilidade de duplicar o apoio deixa a ADM absolutamente fragilizada. Se continuar esta maneira de ver as associações da Lusofonia, fica comprometido o êxito do festival nos próximos anos, porque ninguém vai ter dinheiro e paciência para estar na Lusofonia. Pelo menos nós, ADM, já estamos aflitos com falta de dinheiro e ainda nos cortam todas essas coisas. Acontinuar com esta política fica comprometida, da parte da ADM, a nossa participação nos próximos anos.”

“Temos de fazer todo o esforço para continuar, mas há coisas que são preocupantes.” têm de pensar como querem o Festival da Lusofonia. Este tipo de actividades são fundamentais para Macau, um território multicultural, como querem mostrar para todo o mundo. Se continua assim para o próximo ano não pomos os pés no festival. Este tipo de pensamento é uma aberração e é não ter a mínima consideração pelas pessoas que querem fazer de Macau um local cultural de sucesso.” Amélia António confirmou ao HM que as associações não foram contactadas previamente sobre a escolha da nova data para o festival e lamenta aquilo que leu no comunicado oficial, que refere que “o Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa deste ano incluirá o Festival da Lusofonia”. “O festival de artes e cultura é uma coisa nova, aconteceu duas vezes, não tem tradição e é um acontecimento com um outro nível cultural e artístico, organizado oficialmente pelo Instituto Cultural. Não tem nada a ver com o espírito popular do Festival da Lusofonia.” Para Amélia António “é preocupante esta visão, porque a ideia que é transmitida é que se pretende min-

oje às 18h

AMÉLIA ANTÓNIO PRESIDENTE DA CASA DE PORTUGAL DE MACAU

Miguel de Senna Fernandes acrescentou ainda que as autoridades devem ter “muita sensibilidade e condescendência nos apoios financeiros, tendo em conta as finalidades a que se destinam e as condições debilitadas em que se encontram as associações que se batem pelo sucesso desta actividade cultural”. No caso da CPM, que todos os anos oferece no seu espaço alguns petiscos, isso vai deixar de acontecer, ficando apenas garantida, nesta edição, a oferta de sangria. “É evidente que não queremos deixar de participar, porque são mais de 20 anos de um festival popular que cada vez trazia mais pessoas e que é muito apoiado pela população.” “A Lusofonia, além de ser um momento de convívio, é rico para Macau, marca a maneira de viver e de estar em Macau, das suas diferentes comunidades. A festa da Lusofonia é extremamente importante e não pode morrer. Temos de fazer todo o esforço para continuar, mas há coisas que são preocupantes”, rematou a presidente da CPM. Andreia Sofia Silva

Salon Multimédia Produtora encerra representação em Macau

A produtora de cinema Salon Multimédia anunciou ontem o fecho da unidade de Macau, através de um anúncio publicitário. A empresa, que tinha o escritório na Avenida do Almirante Magalhães Correia, justificou a decisão com o impacto da pandemia. No portfólio da produtora aparecem vários trabalhos feitos para a Direcção de Serviços de Turismo. A empresa ganhou maior notoriedade no território em 2017, quando recebeu um contrato de 5,5 milhões de patacas para captar imagens do Metro Ligeiro de Macau.

www.hojemacau.com.mo

PUB.

eventos 9


10 publicidade

21.10.2021 quinta-feira

www.hojemacau.com.mo

Aviso Avisam-se todos os interessados que estão abertos os concursos de prestação de provas, para o preenchimento dos seguintes lugares em regime de contrato administrativo de provimento da Direcção dos Serviços de Educação e de desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), de acordo com as condições referidas no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 42, II Série, de 20 de Outubro de 2021, e cujo prazo de apresentação das candidaturas termina no dia 1 de Novembro de 2021: Carreira de docente do ensino secundário de nível 1, 1.º escalão: - Área disciplinar: artes visuais – um lugar (Número de referência: DS02/2021*) - Área disciplinar: música – um lugar (Número de referência: DS03/2021*) - Área do ensino especial – um lugar (Número de referência: DS04/2021*) - Área disciplinar: geografia – um lugar (Número de referência: DS05/2021*) Carreira de docente dos ensinos infantil e primário de nível 1 (primário), 1.º escalão: - Área de língua portuguesa – um lugar (Número de referência: DP09/2021*) - Área de música – um lugar (Número de referência: DP10/2021*) - Área do ensino especial – um lugar (Número de referência: DP11/2021*) Carreira de docente dos ensinos infantil e primário de nível 1 (infantil), 1.º escalão : - Área de língua portuguesa – um lugar (Número de referência: DI02/2021*) *Em língua veicular portuguesa. A Direcção dos Serviços de Educação e de desenvolvimento da Juventude, aos 12 de Outubro de 2021. O Director, Lou Pak Sang

Edital n.º Processo n.º Assunto Local

EDITAL

: 67/E-BC/2021 : 450/BC/2020/F : Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) : Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado n.º 579, Edf. Industrial Nam Fong, Bloco 2 (Fase 3), partes do terraço sobrejacentes às fracções 15.º andar H e 15.º andar I, Macau

Lai Weng Leong, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 04/SOTDIR/2021, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 33, II Série, de 18 de Agosto de 2021, faz saber que ficam notificados os donos das obras dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Obra 1.1

Construção de um compartimento com suportes metálicos e andaime de bambu na parte do terraço sobrejacente à fracção do 15.º andar H.

1.2

Construção de um compartimento com paredes em alvenaria de tijolo, portão metálico, suportes metálicos, cobertura metálica, janelas de vidro, pavimento em betão, tubo metálico de abastecimento de água e tubo plástico de drenagem de água na parte do terraço sobrejacente à fracção do 15.º andar I.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º e n.º 3 do artigo 29.º, obstrução do caminho de evacuação e ocupação do piso de refúgio. Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º e n.º 3 do artigo 29.º, obstrução do caminho de evacuação e ocupação do piso de refúgio.

2. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho. O terraço é considerado como piso de refúgio em caso de incêndio, não sendo permitida a sua ocupação ilícita com elementos construtivos, de acordo com o disposto no n.º 3 do artigo 29.º do RSCI. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e piso de refúgio e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas e nos termos do n.º 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no n.º 3 do artigo 29.º é sancionável com multa de 2 000,00 a 20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 12 de Outubro de 2021

Pela Directora de Serviços O Subdirector Lai Weng Leong

Anúncio Faz-se saber que no concurso público n.o 30/P/21 para a execução da «Obra de remodelação do 2.º andar do Edifício Dynasty Plaza», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 39, II Série, de 29 de Setembro de 2021, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Serviços de Saúde, aos 15 de Outubro de 2021 O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

www.hojemacau.com.mo


quinta-feira 21.10.2021

china 11

www.hojemacau.com.mo

ENERGIA REDUZIR PREÇO DO CARVÃO NUM PERÍODO DE ESCASSEZ

HABITAÇÃO PREÇOS DAS CASAS NOVAS CAEM PELA PRIMEIRA VEZ DESDE 2015

Mercado a arrefecer O S preços das casas novas na China registaram, em Setembro, a primeira queda intermensal desde Abril de 2015, segundo dados oficiais divulgados ontem, numa altura em que várias construtoras chinesas enfrentam problemas de liquidez. Dados do Gabinete Nacional de Estatísticas revelaram que os preços das casas novas caíram em mais de metade das 70 cidades pesquisadas, em comparação com Agosto. A análise feita pelo banco de investimento Goldman Sachs apurou um declínio de 0,5 por cento nos preços, após incluir ajustes sazonais. Os dados vão aumentar a pressão sobre a liderança chinesa, que está a tentar regular o vasto sector imobiliário do país, mas enfrenta inadimplências crescentes e actividade mais lenta, num sector que tem sido crucial para o crescimento económico nos últimos anos. Os preços das casas novas subiram 3,8 por cento, em termos homólogos, mas a queda mensal segue a divulgação de dados decepcionantes relativos ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), no terceiro trimestre.

O

jin, que garantiu que o mercado imobiliário chinês passou de uma situação de “superaquecimento” para “superarrefecimento”.

Ambições presidenciais

A análise feita pelo banco de investimento Goldman Sachs apurou um declínio de 0,5 por cento nos preços, após incluir ajustes sazonais

Quedas adicionais nos preços do imobiliário representam um teste para a campanha lançada por Pequim visando reduzir a alavancagem no sector. As regulações limitaram o acesso ao financiamento bancário pelas imobiliárias com passivos excessivos ou que excedem certos níveis de alavancagem, com falta de liquidez suficiente para fazer frente a dívidas de curto prazo.

A campanha resultou já numa crise de liquidez na construtora Evergrande, que falhou o pagamento de vários títulos de dívida emitidos além-fronteiras. Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, a queda deve-se também ao excesso de imóveis no inventário das imobiliárias, o que obrigou a baixar os preços. O jornal cita o director da consultora E-House China, Yan Yue-

As reformas no sector fazem parte de uma série de medidas ambiciosas do Presidente chinês, Xi Jinping, à medida que se aproxima do final do segundo mandato, e que se alarga aos sectores tecnologia e ensino. Além de restringir o crédito, o Governo introduziu este ano limites aos empréstimos hipotecários e pode, em breve, iniciar um imposto sobre a propriedade, para conter a especulação. “No primeiro semestre deste ano, muitas pessoas acreditavam que as restrições imobiliárias seriam temporárias”, notou Ting Lu, economista-chefe do grupo financeiro Nomura para a China. “À medida que o Governo chinês revelou cada vez mais determinação nas restrições impostas ao imobiliário, as expectativas das famílias chinesas em relação aos preços das casas mudaram”, descreveu. “Eles podem ter deixado de acreditar que o preço das suas casas vai aumentar para sempre”, acrescentou. “Isso é muito, muito importante”.

Covid-19 Detectados 17 novos casos locais e 13 importados A China detectou 30 casos de covid-19, nas últimas 24 horas, 17 por contágio local e os restantes oriundos do estrangeiro, anunciaram ontem as autoridades de saúde do país. Os casos locais foram detetados no município de Pequim (um), nas regiões autónomas da Mongólia Interior (oito) e Ningxia (um) e nas províncias de Gansu (quatro), Guizhou (um), Yunnan (um) e Shaanxi (um). Os restantes

13 casos foram diagnosticados em viajantes provenientes do estrangeiro, no município de Xangai (leste) e nas províncias de Guangdong (sudeste), Henan (centro), Shaanxi (norte) e Fujian (sudeste). A Comissão de Saúde da China adiantou que o número total de casos activos é de 505, um dos quais em estado grave. Desde o início da pandemia da covid-19, o país registou 96.601 casos da doença e 4.636 mortos.

Governo chinês está a ponderar intervir para reduzir o preço do carvão, cujo aumento está a contribuir para cortes no fornecimento de energia no país e a abrandar a recuperação da segunda maior economia do mundo. O forte aumento no custo das matérias-primas, em particular do carvão, do qual a China depende para abastecer fábricas, levou já ao racionamento de electricidade e elevou os custos de produção para as empresas. Para aliviar a pressão, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) chinesa, órgão máximo de planeamento económico do país, admitiu a possibilidade de intervir para reduzir os preços do carvão. “O actual aumento dos preços desvia-se completamente dos fundamentos da oferta e procura”, apontou, em comunicado. A agência “vai usar todos os meios necessários [...] para trazer os preços do carvão de volta a uma faixa razoável”, garantiu. A mesma fonte não especificou quais as medidas que podem ser adoptadas. O carvão, fonte de

energia particularmente poluente, fornece cerca de 60 por cento da produção de electricidade no país. Nas últimas semanas, a China enfrentou cortes de energia que interromperam a produção industrial em importantes províncias do país. ACNDR também pediu que as minas de carvão aumentem a produção diária para um mínimo de 12 milhões de toneladas. O Presidente chinês, Xi Jinping, prometeu que o país vai começar a reduzir as emissões antes de 2030. Para aliviar a escassez de energia, o Governo chinês autorizou, na semana passada, um aumento excepcional dos preços da electricidade, para permitir que os produtores possam enfrentar a subida nos custos. Na China, os preços da electricidade são regulados e não podem oscilar mais ou menos de 10 por cento em relação ao valor padrão. O limite foi aumentado para 20 por cento para as empresas, mas não há limite para sectores intensivos em energia, como a produção de aço.

PUB.

Região Administrativa Especial de Macau Regime jurídico das empresas de capitais públicos

Consulta Pública

Período da consulta: De 20 de Outubro a 18 de Dezembro de 2021

LUÍSA HOWARD VIANA FERREIRA Falecimento A família enlutada de Luísa Howard Viana Ferreira, de 90 anos de idade, tem o doloroso dever de informar que esta sua ente querida faleceu no dia 18 de Outubro de 2021 no Hospital Kiang Wu. Deixou os filhos: Arlete, Anabela, Vitor, Luís, Alexandra, netos e bisnetos. Mais se comunica que o velório terá lugar na Capela da Casa Mortuária Diocesana de Macau no dia 23 de Outubro de 2021 (Sábado), onde será celebrada uma missa de corpo presente pelas 19:00 horas do mesmo dia. No dia seguinte, 24 de Outubro de 2021 (Domingo) será também rezada uma missa, pelas 12:30 horas, no Cemitério S. Miguel de Arcanjo. A família enlutada agradece penhorada e antecipadamente a todos que queiram estar presentes nesses piedosos actos.

◆ Obtenção e descarregamento do documento de consulta

Gabinete para o Planeamento da Supervisão dos Activos Públicos da Região Administrativa Especial de Macau: Calçada da Barra, Quartel dos Mouros, Macau www.gpsap.gov.mo Centro de Informações ao Público: Rua do Campo, n.os 188-198, Vicky Plaza, Macau Centro de Serviços da RAEM: Rua Nova da Areia Preta, n.º 52, Macau Centro de Serviços da RAEM das Ilhas: Rua de Coimbra, n.º 225, 3.º andar, Taipa Portal do Governo da Região Administrativa Especial de Macau: www.gov.mo

◆ Sessões de consulta pública Data

Hora

- 26 de Outubro (Terça-feira) - 13 de Novembro (Sábado)

Das 20H00 às 21H30 Das 15H00 às 16H30

◆ Formas de inscrição e de apresentação de opiniões

Local: Salão de Convenções do Centro de Ciência de Macau Dado que o número de lugares no local das sessões e o tempo são limitados, solicitamos aos cidadãos que pretendam participar ou intervir que efectuem uma pré-inscrição.

Formulário electrónico: https://www.gpsap.gov.mo/consultation/#?lang=pt Apresentação presencial e postal: Calçada da Barra, Quartel dos Mouros, Macau

Correio electrónico: info@gpsap.gov.mo Fax: (853) 2886 6665

Gabinete para o Planeamento da Supervisão dos Activos Públicosda Região Administrativa Especial de Macau


12

h

retrovisor

LUÍS CARMELO

Tens dezoito anos e já percebeste que os jardins são iguais em todas as cidades. Viste a mesma estação de caminhos de ferro em todo o lado, viste o mesmo alinhamento de árvores nas alamedas em todo o lado, viste os mesmos bolbos raquidianos em todo o lado. Concluis que não existe um lugar que seja o teu. O mundo é uma paragem distante e a vida pouco ou nada te restitui. Tropeças mais nas ideias do que em ti próprio. Restamte os vinte metros quadrados do teu quarto. É a essa nave espacial a que pertences. Nela evaporas toda a cidade de Paris a bordo das cartas de Mário de Sá Carneiro. Nela bebes chá de frutas comprado numa loja de estrada em Badajoz. Nela traças a circum-navegação que te permite idolatrar seja quem for, ainda que não haja vivalma por quem possas morrer de desgosto. Pensarás: A consciência de si própria nunca é actual. O que vem até mim - o que vejo e o que lembro - desaparece e esvai-se em cada instante. É como se o leme do barco existisse fora do barco e me lançasse a sós, metros e metros à frente da proa, no meio do oceano alteroso. Esse barco é afinal o curso da vida (repetes para ti próprio em surdina): um continente adiado, sempre meio perdido. Adorarias apagar-te, fazer dos dias uma subtração. Sempre que sais de casa, fixas os olhos nas linhas imprecisas do asfalto. O teu corpo modificouse e as vozes que nele e dele irradiam atropelam-se. Não imaginas sequer o que te falta, porque, muito provavelmente, viver é estar em falta. Quer olhes de baixo ou por cima para essa fonte rodeada de vasos, quer a olhes do interior onde cai a água ou de fora por onde agora passam os carros, é sempre a mesma fonte que tu observas. Mas nunca a abarcas na totalidade. A transcendência é apenas uma palavra que te segreda que tudo à tua volta está desconectado. Por isso sentes a vida como uma quebra e não sabes sequer como a exprimir com a tua boca. O medo não tem biologia, nem compleição. O medo é não poder

www.hojemacau.com.mo

21.10.2021 quinta-feira

A americana

convidar ninguém, não incitar a carne, não intimar o escuro. Pensarás: Aquilo que nos espera é o oco profundo de um saguão, onde por vezes há pássaros escondidos que redemoinham a claridade. E assim foi. Num fim de tarde uma americana apontou para o mapa e fez-te uma pergunta. Nesse tempo não havia americanos à procura de torsos e de talhes romanos. Quando muito, um simca chambord com franceses nos meses de verão ou os vates ingleses que começavam a escorchar os algarves. Foi uma raridade própria dos módulos lunares poderes seguir os passos dessa americana que tinha deixado os pais no parque de campismo e que navegava à vista pelas calçadas da cidade. Repartiram

PENSARÁS: AQUILO QUE NOS ESPERA É O OCO PROFUNDO DE UM SAGUÃO, ONDE POR VEZES HÁ PÁSSAROS ESCONDIDOS QUE REDEMOINHAM A CLARIDADE. E ASSIM FOI

idiomas ou arquipélagos breves construídos nas tuas recentes viagens, já que o liceu e os primeiro anos da faculdade apenas te tinham cedido advérbios. A americana vertia linhas enxutas, o olhar azul bebé e um rosto seco de amêndoa, mas estava arrebatada com os ocres dos rodapés e com o calígrafo que exibias no teu jeito de andar. Pensarás: Dizer o coração nas mãos é uma invenção da linguagem. Uma locução, uma frase, uma metáfora, não sei. Mas a invenção inundou a realidade da palma das mãos, suou-as e transformou-as numa espécie de bambu à chuva. Eis que a quiromancia não passa, afinal, de um deserto. Cada destino terá a sua linha, mas agora a linha é a que cada um dos dois pisa. O andamento, a lentidão, talvez o coração seja uma cidade para desencarnar distâncias. Respirei fundo o meu pensamento, confesso. Ela queria perceber o sorriso das gárgulas, os ângulos dos relógios solares, a idade precisa dos primeiros arcos góticos, a dimensão da ladeira por onde antes passavam os reis, os caminhos da judiaria, enfim, o fado. E de certeza que te quis perceber a ti que tinhas uma palavra para tudo,

nem que fosse por causa do entrelaçado com que versavas os gestos rápidos, fugidios. Entraram no pátio do palácio e desceram até aos confins da muralha. Aí permaneceram do mesmo modo que se atinge uma derradeira finisterra e pela frente nada mais se vislumbra, a não ser o mar. Mas nesse molhe de proximidades havia cedros, a lateral de uma igreja, duas ogivas e, ao fundo, o horizonte a fazer de torno compressor. Pensarás: Ela tem uma perna ligeiramente à frente da outra. A saia é comprida, leve com cores de tijolo e folhas de jarro estampadas. Está tudo ali. Na tua frente e depois a teu lado, a escassos centímetros, a americana está imersa na tua presença. Ela quase que plana no fundo do lago por onde cresce a pulsação. Mas tu não sabes onde colocar os braços e pressentes que a cabeça corrupia. Uma penumbra de fim de inverno galga o plano da noite. Sim, anoiteceu repentinamente e a rua, o passeio, os terraços, o paço, as janelas, os arcos, tudo está fechado, vazio, desabitado. Esta urgência dos corpos parece ter sido concebida para que os dois fossem um único estilhaço a vibrar no crepúsculo. Não sei se hesitas, nem sei se ela espera que tu deixes de hesitar. O sexo é o magistério que corta, que transborda. Bastaria o mais leve indício, o golpe. Fosse o que fosse que se evadisse do mundo. Pensarás: que partido tiraste, anos mais tarde, das leituras de John Ruskin? Em jovem apaixonou-se pelo jacente do túmulo de uma mulher que em vida se chamou Ilaria di Caretto. O brilho dos lábios, a liquidez oval do rosto e a lascívia com que as mãos se abriam na pedra perseguiram-no a vida toda. O casamento com Effie Gray seria anulado por nunca ter havido consumação e nos poemas, dedicados à adolescente por quem se apaixonou já em velho (Rose la Touche), era ainda à escultura de Ilaria que o esteta romântico verdadeiramente se dirigia. Pensarás, por fim, que tu e a americana são igualmente feitos de magma puro. Um magma muito antigo e sem vestígio algum de vulcanismo.


quinta-feira 21.10.2021

ANTÓNIO CABRITA

ARTES, LETRAS E IDEIAS

13

Uma dispersão do diabo

Eis-me numa dispersão do diabo, igual à da senhora australiana que, como foi noticiado esta semana, descobriu já tarde que tinha duas vaginas, quando, num assomo de curiosidade, perguntou à mãe (que pelos vistos nunca lhe mudara a fralda) se costumava meter primeiro o tampão na da esquerda ou na direita. Há vidas santas!

RICARDO MARTINELLI

diário de próspero

www.hojemacau.com.mo

Excertos de três livros em curso: EXCERTO 1 A minha vida? Feita de restos, de ingratos desencontros. Entra aquela mulher atraente no café, dá-me a espertina e ponho os óculos: é o casamento feliz de Joni Mitchell e da Suzanne Vega. Tirando a dentuça. Paira, nesse esplendor condoído da metade dos quarenta. Que pena não ter nove vidas como o meu gato Sebastião (faz hoje anos) para poder cantar com ela o Blue e o Luka. Ainda teríamos filhos, dois, e numa visita ao Etna, falar-lhe ia de Empédocles, com cuidado, pra não tropeçar em arbusto incandescente. (Mete-se a minha mulher, E eu, também não vivo de restos, não tenho os mais vivazes desencontros? Já não estamos sós nem na escrita! Tranquilizo-a: tens sim, meu amor, por isso não cometo o risco que te defraudaria: Viste, acabei de cair no Etna!). Não te esqueceste dos bróculos, perguntame da cozinha (- mudei de parágrafo e de geografia!). A Jade canta A Pedra Filosofal, a Luna ensaia pela nonagésima vez o Dangerously, de Charlie Puth (quem é?) eu faço o print de duas antologias de Emily Dickinson, roubadas ao amorfo manto da net. “Tão fugitivo como o poente na neve”, diz a poeta. Fala da mente, digo eu: nenhum de nós tem razão. Para quê dar nome àquela bela miragem? Na varanda, os jacarandás despem já o seu enxoval. Onde se meteu o noivo? EXCERTO 2 De todos os livros sugeridos pelo bibliotecário, o único cujo tema me interessou logo e de que já tinha ouvido falar era o Moby Dick. Por um daqueles acasos felizes com que a vida nos trama, numa tarde de cata-caracol no Camponesa do Alva, assistira a uma conversa em que o primo açoriano de alguém, de visita ao bairro, enquanto chupava os gastrópodes, se entretivera a fascinar a plateia com um assunto absolutamente inesperado: a degola do cachalote. A sua narrativa, brutal, foi tão arrebatadora que o dono do café, no fim, ofereceu à mesa uma travessa de amêijoas, pois, repetia, naquele dia “tinha-se fartado de aprender”. E como remate da conversa o primo açoriano recomendara a leitura do

Moby Dick: “É um livro que sabe mais de baleias que a Bíblia sabe de anjos”. Ainda hoje me pergunto o que me teria fascinado em Moby Dick, um livro de uma densidade excessiva para a capacidade de absorção de um rapazola de onze anos. Já não falo do vocabulário, que tiraria eu das «enxárcias lassas do sobrejoanete de proa», ou que poderia deduzir ao ler que «dos assuntos úberes medram os capítulos»? Ter-me-iam atraído os vários afluentes de curso fantástico que o Melville vai largando como quem não quer a coisa, ao jeito de ganchos narrativos: «Dizem que os pais de New Bedford oferecem às filhas baleias como dotes», «em Nantucket as pessoas plantam cogumelos diante das casas para conseguirem um pouco de sombra de Verão», «Hossea Hussea mandara encadernar os seus livros de contas com pele de tubarão de superior qualidade», «a alma é uma espécie de quinta roda numa carroça», «aquela mãe egípcia que deu à luz filhas já grávidas à nascença»? Seria da lenda que Melville relata sobre um lago da Serra da Estrela onde apareceriam misteriosamente carcaças

A MINHA VIDA? FEITA DE RESTOS, DE INGRATOS DESENCONTROS. ENTRA AQUELA MULHER ATRAENTE NO CAFÉ, DÁ-ME A ESPERTINA E PONHO OS ÓCULOS: É O CASAMENTO FELIZ DE JONI MITCHELL E DA SUZANNE VEGA. TIRANDO A DENTUÇA

de velhos baleeiros? Seria de ter intuído a absoluta precisão vocabular de Melville: «Foi portanto numa noite silenciosa que se avistou um jacto prateado», «empoleirado a desoras no alto do mastro», ou, como se lê num dito do Capitão Ahab: «foi Moby Dick que me desarvorou»? Tudo isso mais o contraste deste genial romance de inabalável pulsação digressiva com as narrativas correctas, antisépticas e arrumadinhas de hoje. Hoje, na maioria dos livros, está tudo certo, o que lhes falta é a vertigem. A vertigem que nos assalta à leitura das primeiras páginas de Trópico de Capricórnio, a vertigem em que nos submerge o narrador quântico de Memórias Póstumas de Brás Cubas ou a que nos imprime a loucura descabelada de A Música do Acaso, de A Noite e o Riso, de Partes de África ou a que é patente em muitos momentos de Manuel da Silva Ramos; esta sensação de torvelinho que transmite Melville e o absoluto domínio com que apesar do caos que pletoricamente parece invadir tudo nos tatua com uma impressão de irrefutável unidade. EXCERTO 3 A arte é um reino da poligamia ou um estado do polígono? Continuo indeciso. Há lugar para a indecisão na mise en âbime? Nos sonhos sou visitado pela imagem de um homem que envelhece, sentado à janela do comboio. Furta-se a descer nas estações e apeadeiros, a ir lá para fora, como a mosca que se embriaga com os capitosos vapores da sopa mas receia cair na panela, o ruído fragoroso de cada cicatriz. Envelhece na janela do comboio, pois foi seu destino vaguear, como outros viveram indefinidamente em hotéis a ele coube-lhe a velocidade dos cometas, entre carris. Uma noite, eram três da manhã e escrevia um artigo que me tinham encomendado, senti que metiam uma chave na ranhura de minha porta. Eh! – gritei. Fez-se silêncio. Seguido por uma corrida de retirada, célere como o fósforo que aprende a arder. Quem tem uma chave de minha casa e se apresta a visitar-me, sem avisar, às três da manhã, com intenções enviesadas? Esta noite não voltará. E amanhã terei de trocar a fechadura, pensei. Mas não troquei. Para me sentir seguro, apanhei o comboio. O primeiro comboio da manhã para o Porto.


14

1 7

14 8 1[f]7utilidades 9 4

3 3 4 2 7 6 T2E M 3 P0O 6 5 9 4

13

6 0 2 4 5 7 5 7 6 4 5 A G U A C E1I R8O S7 9 0 4 1 7 2 3 8 7 2

MIN

S3 4U7 8D9 6O1 5K0 2U 0 3 5 6 7 4 1 2 8 9 4

18 7

8 9 0 4 4 1 5 6 9 3 0 2 3

17

1 5 0 2 5 1 8 0 9 4 3 3 2 8 6 9

2 7 1 4 5 6 0 9 3 7

7 2 8 0 6 2 3 5 9 4 7 3 2 9 6

4 1 3 4 9 9 0 3 8 2 6 0 7 6 1 2 5

5 4 7 1 0 9 3 7 8 6 4 2 3

5 9 3 3 0 5 2 0 4 7 7 9 8 1 6 6

6 2 9 7 8 1 0 5 4 3

3 5 4 8 7 0 9 6 2 1

0 7 6 1 6 2 5 9 8 1 2 0 3 9 4 5

9 0 7 2 9 1 4 3 5 7 6 6 8 4

8 2 5 4 9 1 7 3 6 0

7 0 2 3 6 5 1 4 9 8

1 7 0 2 4 6 3 8 5 9

3 9 7 5 8 4 2 1 0 6

1 6 8 1 3 8 0 4 7 6 4 2 2 3 5 9

6 9 7 3 2 8 5 1 8 7 1 4 4 0

3 0 9 2 1 5 7 4 5 2 4 1 0 8

4 3 4 5 6 2 3 9 6 1 1 0 8 8 7 7

8 1 7 0 9 4 6 2 3 6 4 0 7 5 8

2 4 6 7 5 6 3 1 9 4 8 3 1 9 7 0

5 1 9 8 0 2 6 7 4 3

9 4 3 7 5 8 0 6 2 1

0 5 6 1 2 3 8 9 7 4

8 6 6 7 4 1 9 0 5 3 0

PUB.

6 3 1 9 7 0 4 2 8 5

4 6 8 0 3 7 9 5 1 2

2 8 4 6 1 9 5 0 3 7

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 15

15

9 2 1 8 6 3 0 6 7 1 2 5 0

PROBLEMA 16

16

21.10.2021 quinta-feira

www.hojemacau.com.mo

19

MAX

UM14FILME 4 8 9 3 6 0 2 7 5 1

0 1 2 4 7 6 3 8 9 5

5 7 3 2 9 1 0 6 4 8

HOJE 6 9 8 0 5 7 4 2 1 3

16

3 4 5 7 0 1 2 8 8 6 1 4 9 7 0 2 2 5 6 0 6 3 4 9 7 9 3 6 1 2 8 5 www. 5 0 9 1 hojemacau. com.mo 4 8 7 3

18 9 4 6 7 8 2 5 1 0 3

3 2 8 5 0 7 9 4 1 6

5 1 3 9 6 0 7 8 4 2

26

0 7 1 8 4 6 2 3 5 9

1 5 4 8 2 3 6 9 0 7

6 8 4 2 9 1 0 7 3 5

3 2 1 6 0 9 7 5 8 4

EURO

9.32

19 THE MULE | CLINT EASTWOOD | 2018

7 9 0 1 3 5 8 2 6 4

6 4 1 5 3 7 2 9 9 e0protagonizado 2 8 5 3por4Clint 6 Realizado Eastwood, 8 “The 7 9Mule” 6 conta 0 5a história 1 4 do mal encarado Earl Stone, veterano de 3 1 7 4 2 8 0 5 guerra que chega aos 80 anos falido, de0 2vida5inteira 3 em 1 que 9 deixou 6 8 pois de uma sempre 4 a família para segundo plano. 9 6 0 7 2 3 1 Sem fonte de rendimento ou suporte 8 que 4 detém 9 6 apenas 0 5 um 3 familiar,7Earl, carro, aceita trabalhar para um cartel de 1 3 8 2 9 4 7 0 droga mexicano, transportando cocaína 5 6 3 7 8 1 9 2 através do estado do Ilinois. À medida 2 5 0são 1bem4sucedidas, 6 8 7o que as missões

BAHT

0.24

20C

CINETEATRO

dinheiro vai chegando em quantidade. Earl começa a tentar recuperar o tempo perdido21 junto da família e chega mesmo a abandonar 9 5uma 4 entrega 6 7 importante 0 8 2 para acompanhar as últimas horas 2 0 Enquanto 3 9 5isto, 7 o 1cerco 4 da ex-mulher. policial 7aperta-se. 1 8 “The 2 4Mule” 5 6conta 9 ainda no elenco com Bradly Cooper e 8 4 0 3 6 9 2 7 Diane Wiest. Pedro Arede

23 3 6 0 5 4 8 9 7 1 2

8 1 7 6 5 2 0 9 4 3

2 4 9 0 6 5 8 3 7 1

9 7 3 4 1 6 5 2 8 0

1 2 8 3 0 7 6 4 9 5

5 9 2 7 3 1 4 6 0 8

4 8 1 9 2 0 3 5 6 7

0 3 6 8 7 9 2 1 5 4

0 1 3 6 7 8 2 5 4 9

SALA 1

LET THERE 8VENOM: 1 8 BE CARNAGE [C] Um filme de: Andy Serkis Tom Hardy, Michelle Williams, 7Com: 0 7 Naomie Harris, Woody Harrelson 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 2 4 9 RON’S GONE WRONG 9FALADO EM CANTONÊS 5[B] 6 filme de: Jean Philippe Vine, Sarah 4Um 1 Smith, Octavio Rodrigue 2 14.30, 16.30, 19.30 5MY HERO ACADEMIA:9WORLD4 MISSION [B] 1HEROES 6 2 FALADO EM JAPONÊS 6 8 0 0 3 5 3 7 3

YUAN

1.25

I N E M A LEGENDADO EM CHINÊS

2 3 0 9 1 5 8 7 6 4

2 3 5 0 7 8 4 6 9 1

2 0 6 7 4 5 8 1 3 9

9 0 2 1 8 6 3 1 5 9 6 0 4 7 1 3 8 3 6 9 4 7 5 8 6 8 1 2 9 5 6 4 0 7 5 7 3 9 0 2 0 3 4 7 8 6 3 2 9 5 1 8 5 1 3 6 4 1 5 MY HERO ACADEMIA: 3 0 7WORLD 1 8HEROES 5 6MISSION 4 2 1 4 8 7 9 3 6 3 2 1 8 4 5 0 7 9 2 3 4 5 9 0 8 7 6 7 2 0 8 5 1 1 7 9 5 0 3 4 8 6 2 1 6 0 2 7 9 3 8 4 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia 4 1 5 0 2 8 5 8 6 7 1 2 9 3 4 0 7Sofia2Silva;1João3Santos 6 Filipe; 4 Pedro 5 Arede, 9 0 Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo José 7 Simões Paulo3 0 3M.Tavares; 7 6 Gonçalo 4 9Waddington; Inês Oliveira; 0 9João1Paulo 4 Cotrim; 3 6 5 Morais; 2 8Luis Carmelo; Nuno 9Miguel4 Guedes; 5 8Paulo0José1Miranda; 2 6 Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 6 8 Paul 4 Chan 2 Wai 3 Chi; 7 Paula Bicho; Tânia3dos2Santos7 Grafismo 8 9Paulo1 Borges, 0 6 5 Santos 4 Agências Lusa;0Xinhua 8 Fotografia 9 4 Hoje 1 Macau; 3 7 Rasquinho; Rómulo Lusa;2 GCS;5 Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 2 9Morada 6 Pátio 5 da1Sé, 0n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, 4 6Macau; 5 Telefone 0 228752401 8 3Fax 28752405; 1 9 7e-mail info@hojemacau.com.mo; 6 5 3Sítio7www.hojemacau.com.mo 2 8 0 1 9 Welfare 8 5 7 6 1 4 3 9 2 0

9 6 7 5 3 8 1 4 2 0

´

9 1 2 7 8 5 4 3 6 0

1 0 9 4 2 3 6 5 7 8

8 4 0 9 1 2 5 3 7 6

70-95%

5 8 6 4 0 3 7 2 9 1

4 6 2 3 5 9 1 0 8 7

7 3 5 1 8 4 9 0 6 2

HUM

SALA 2

filme de: Kenji Nagasaki 2 Um 6 3 7 0 4 21.30 3 THE5ADDAMS 4 FAMILY 6 92 [B] 2 FALADO EM CANTONÊS 8 LEGENDADO 7 0EM CHINÊS 1 3 5 Um filme de: Greg Tiernan, Laura Brousseau, Kevin 0 14.30,116.309 8 Polvovic 2 3 5 NO3TIME TO 6 DIE4[B] 7 9 Um filme de: Cary Joji Fukunaga Com: Daniel 7 2Léa Seydoux, 1Craig, Rami 0 Malek, 8 6 Lashana Lynch 9 18.15,821.155 3 1 0 4 9 7 5 6 1 1 0 8 2 4 7 6 4 2 9 5 8 SALA 3

22

6 5 4 1 8 3 7 0 2 9

7 0 5 2 9 4 1 8 3 6

24 4 3 9 6 2 1 0 5 7 8

8 1 0 7 3 2 9 6 4 5

2 5 8 4 7 6 1 3 9 0

7 9 5 3 4 0 2 1 8 6

6 0 1 8 5 9 4 7 2 3

5 2 6 9 1 7 3 8 0 4

3 7 4 0 8 5 6 9 1 2

1 8 3 5 0 4 7 2 6 9

0 6 2 1 9 8 5 4 3 7

9 4 7 2 6 3 8 0 5 1


quinta-feira 21.10.2021

www.hojemacau.com.mo

sexanálise

opinião 15

Tânia dos Santos

SEX EDUCATION DEPOIS DE UM hiato de dois meses, o regresso a este espaço de escrita vem divulgar a série que melhor caracteriza o sexo e os relacionamentos românticos em muitas das suas valências, tensões e dificuldades. A série Sex Education, da vossa plataforma de streaming mais popular, proporciona o espaço de discussão para os temas mais prementes do sexo na esfera do entretenimento – que como já sabemos, não é dos espaços mais críticos ou inclusivos da sexualidade. Ainda nos dias que correm, comediantes fazem uso de estereótipos de género e de excepções à heterossexualidade como se fossem alvo de gozo e de comédia. Um comediante disse recentemente que ser trans é um predicamento “hilariante”. Felizmente que muitos já lhe caíram em cima. Já começa a ser hora de produzir conteúdos televisivos que consigam ser mais inclusivos do que os clichés televisivos dos anos 90. A série Sex Education é uma lufada de ar fresco comparada com outros conteúdos onde a heteronormatividade continua a ser a representação de base da imaginação colectiva do sexo e dos relacionamentos. A série foca-se em adolescentes na escola secundária, o que poderia insinuar que é uma série para uma faixa etária particular. Diria que é uma escolha estratégica para explorar o período de vida em que o sexo parece ocupar a maior parte das preocupações das pessoas. Mas esta exploração é tão relevante nessa altura como depois, e a série mostra isso também. A íntima relação entre o amor, o sexo, a paixão e o tesão continuam a ser explorados ao longo da vida. Os pais dos jovens que por lá aparecem mostram que toda a gente tem espaço para crescer, ora no sexo, ora na intimidade. Só mantendo a saudável curiosidade sobre o mundo é que é possível percorrer esse caminho de aprendizagem: que é tão relevante na adolescência como no resto da vida. Porque a série foca-se no sexo em contexto educativo em particular, explora-se também o que é a educação sexual. O sistema educativo formal consegue ser opressor ao enquadrar a sexualidade única e exclusivamente na forma como se previnem bebés

A série Sex Education é uma lufada de ar fresco comparada com outros conteúdos onde a heteronormatividade continua a ser a representação de base da imaginação colectiva do sexo e dos relacionamentos

e infeções sexualmente transmissíveis. O foco no prazer – e de como é que se pode dar espaço a esta dimensão - é relevante para todos. A série consegue puxar a necessidade de se falar abertamente do prazer nas salas de aula, bem como em conteúdos de entretenimento. Todos sabem que o sexo dá prazer, mas se há coisa que o legado judaico-cristão ensinou é que o prazer não é um direito, é um desvio, uma tentação da pureza da essência humana. Estas representações precisam de ser desconstruídas, e a série faz um bom trabalho ao não moralizar o sexo. O prazer está sempre lá, não fossem as dezenas de cenas de sexo que a compõe. Esta série também faz um trabalho decente em mostrar diversidade de constelações familiares, românticas e de expressões de género. Há uma naturalidade muito bem-vinda. A série remete para as dificuldades que muitos jovens não-heterossexuais e não-binários sofrem no seu dia-a-dia - mas não as tornam problemáticas. Todos abraçam esta diversidade na utopia que podia ser reflexo dos dias de hoje, mas que ainda não é. Se se podia fazer mais e melhor em termos de representatividade televisiva? Claro que sim, a verdade é que as personagens principais continuam a ser brancas com tendências heterossexuais. Ainda assim, os escritores desta série tentam explorar o tutano das experiências diárias destes jovens e dos seus pais, até em contexto de terapia sexual e de casal. Os autores expõem dados com base na evidência, tentam desconstruir estereótipos e preconceitos, ideias que foram guiadas pelo consumo de pornografia: ideias erradas sobre o corpo, as formas das vulvas e o tamanho do pénis. Discutem sobre o orgasmo feminino e as muitas formas de sexo que podem existir. Há uma tentativa de criar um ambiente verdadeiramente sex positive. Também é verdade que há quem se chateie com o nível de inteligência emocional que estas personagens mostram: a maioria delas mostram uma maturidade relacional e sexual fora do normal. Pelo menos que nos sirva de referência que maturar a nossa relação com o corpo, o sexo, e os outros pode ser bem possível. Dentro e fora do ecrã.


“Quem muito vive, muitos infortúnios passa.” PALAVRA DO DIA

TIAGO ALCÂNTARA

Jogo das escondidas A Vice de associação fundada por Dente Partido procurado pela Interpol

PÓS emitir um alerta vermelho a visar Wan Kuok Koi, conhecido pela alcunha de “Dente Partido”, a Interpol está agora também no encalço do empresário malaio de 33 anos com ligações a Macau, Nicky Liow Soon Hee. O gabinete do Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, escusou-se a comentar o caso. De acordo com o South China Morning Post, Nicky Liow é o vice- presidente da Associação Mundial de História e Cultura de Hongmen, organização sediada no Camboja e fundada em 2012 por Wan Kuok Koi, residente de Macau que chegou a liderar a tríade 14 quilates e que cumpriu 14 anos de prisão no território. Segundo a publicação de Hong Kong, Nicky Liow, cujo paradeiro se desconhece, é acusado pelas autoridades da Malásia dos crimes de lavagem de dinheiro e ilícitos comerciais, suspeitando-se de ter ligações com redes criminosas de Macau. A Comissão Anti-Corrupção da Malásia referiu ainda ter detido dois funcionários de Liow, um dos quais terá alegadamente recebido um suborno de mais de 23 mil dólares americanos. Também de acordo com a polícia da Malásia, o alerta vermelho a visar Nicky Liow foi emitido após o empresário ter fugido da cidade de Puchong no passado mês de Março, com oito sacos cheios de dinheiro. Quanto a Wan Kuok Koi, recorde-se que o alerta da Interpol foi emitido igualmente a pedido das autoridades da Malásia em Fevereiro deste ano, sendo que, na altura, o secretário para a Segu-

Covid-19 Patrão de trabalhadores infectados detido

PUB PUB.

O dono da empresa que contratou quatro trabalhadores não residentes infectados com covid-19 foi detido. Os casos foram diagnosticados no início de Outubro e estiveram na origem da terceira ronda de testagem em massa à população. Na altura, a situação da mulher vietnamita correspondente ao 75.º caso levantou suspeitas de trabalho ilegal. Como era um caso conexo com uma infecção, o dono da empresa de obras de remodelação, um residente de 64 anos, foi submetido a quarentena e no final conduzido às autori-

O HM ERROU

21.10.2021

Tucídedes

dades policiais para se averiguar a situação legal da trabalhadora de 42 anos, nacional do Vietname. Depois de ter recusado colaborar com a polícia, as autoridades acabaram por encontrar documentação suspeita na casa do dono da empresa. Os documentos indicam que o detido terá contratado a mulher que viria a ser o 75.º caso positivo de covid-19 para trabalhar em obras de remodelação num edifício da zona da Horta e Costa, a troco de 650 patacas por dia. O homem foi detido por suspeitas de facultar trabalho ilegal.

WEIBO

D

IVERSOS espaços culturais e de entretenimento voltam hoje a abrir portas depois do encerramento temporário a que estiveram sujeitos devido ao surto de covid-19, incluindo a realização de festivais já programados para este ano. O Instituto Cultural (IC) assegura que irão realiza-se eventos como o “Hush! Concertos 2021” e a “Feira de Artesanato do Tap Siac”, programados para Novembro, incluindo a terceira edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, programado para Novembro e Dezembro. Neste mês acontece também a 24.ª edição do Festival da Lusofonia (ver centrais). Outro espaço que também abre hoje portas é a Cinemateca Paixão. Esta sexta-feira, regressa ainda o Programa Excursionando pelas Artes, estando também abertas as inscrições para actividades como “Visitas guiadas culturais”, “Venha Conhecer Melhor o Nosso Património Mundial -Workshops para Famílias” e “Actividades de Promoção da Leitura para Famílias”. Os eventos inseridos na actividade “Espectáculos no âmbito da Excursão Cultural Profunda nas Zonas do Porto Interior e da Taipa”, bem como os concertos da Orquestra de Macau e Orquestra Chinesa de Macau “serão também gradualmente retomados”, adianta o IC.

rança, Wong Sio Chak, confirmou a recepção da notificação. Segundo as autoridades malaias, Wan Kuok Koi é procurado desde Outubro de 2020 por suspeita de ter cometido uma fraude num valor superior a dois milhões de dólares americanos.

Nicky Liow é acusado pelas autoridades da Malásia dos crimes de lavagem de dinheiro e ilícitos comerciais, suspeitando-se de ter ligações com redes criminosas de Macau GCS

Instituto Cultural Espaços e eventos culturais vão reabrir ao público

quinta-feira

O HM contactou o gabinete do secretário para a Segurança para saber se as autoridades de Macau foram informadas sobre a emissão do alerta vermelho acerca de Nicky Liow. Na resposta enviada ontem ao HM, as autoridades apontaram apenas que, dado tratar-se de um “caso particular”, a Polícia Judiciária (PJ) “não pode fornecer qualquer informação”.

Organização eclética

Desde que fundou a Associação Mundial de História e Cultura de Hongmen, Wan Kuok Koi tem vindo a promover iniciativas de natureza variada como o financiamento de escolas e lares no Cambodja, a cooperação com o

Governo do Palau para transformar a região num centro de jogo, a criação de uma plataforma de comércio electrónico operada com criptomoedas e o apoio à implementação da política “Uma Faixa, Uma Rota”. Recorde-se que a associação Hongmen foi uma organização secreta com grande influência na sociedade chinesa, principalmente durante o período da República da China, tendo contado nos seus quadros com políticos como Sun Yat Sen ou Chiang Kai Shek. No entanto, em algumas jurisdições, como em Hong Kong, a Hongmen foi proibida devido às ligações entre os seus membros e as tríades. P.A.

Zona A Admitidas propostas para concurso O Gabinete de Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) admitiu ontem dez propostas concorrentes para o concurso público no âmbito da "Empreitada de concepção e construção de habitação pública no lote A2 da Nova Zona de Aterro A”. Os orçamentos propostos pelas empresas candidatas variam entre mais de 1,535 milhões de patacas e mais de 1,603 milhões de patacas, enquanto que os

prazos propostos variam entre os 1125 e 1126 dias de trabalho. Serão construídas, numa área de 15 849 metros quadrados, cerca de 1100 casas, um parque de estacionamento púbico, instalações comerciais e sociais. Foi fixado o prazo máximo de execução de 1250 dias de trabalho para esta obra, onde serão utilizados elementos pré-fabricados e cofragens metálicas.


Millions discover their favorite reads on issuu every month.

Give your content the digital home it deserves. Get it to any device in seconds.