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Director carlos morais josé • segunda-feira 20 de maio de 2013 • ANO XII • Nº 2853

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500 anos de relações portugal/china

páginas 6 e 7

Advogado Jorge Menezes fala sobre a agressão de que foi alvo

“Relacionado com a vida profissional”

O advogado português Jorge Menezes foi agredido na passada quinta-feira por dois indíviduos que ainda se encontram a monte. Ao Hoje Macau, o causídico garantiu estar bem apesar das feridas e do susto, e não tem muitas dúvidas do porquê da agressão: “A forte convicção de que se trata de algo relacionado com a vida profissional.” Esta já não é a primeira vez que um advogado português é agredido na RAEM. Em 2001, Jorge Neto Valente foi sequestrado e, em 2011, Luís Filipe Oliveira foi atacado com ácido. página 4

Venham mais cinco (séculos)

Função Pública

Deputados criticam condições laborais Página 2

Homossexualidade

Serviços de Saúde desmistificam SIDA Última

Liga de elite

Benfica vence Monte Carlo Página 16

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política

segunda-feira 20.5.2013

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Função Pública Deputados atentos às condições de trabalho

Paul Chan Wai Chi fala em horas extraordinárias que não são pagas nos lugares de motorista e nos correios. Au Kam San acusa um irmão de Florinda Chan de ter entrado para a Função Pública depois da aposentação Cecília Lin

gonçalo lobo pienhiro

Da exploração aos empregos pós-reforma

Paul Chan Wai

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

D

ois deputados da Associação Novo Macau (ANM) entregaram interpelações escritas ao Executivo onde questionam as condições de trabalhos dos

trabalhadores da Função Pública. Se Paul Chan Wai Chi questiona o trabalho extraordinário dos motoristas e a falta de pagamento de horas extraordinárias dos carteiros, Au Kam San deseja saber porque é

que há funcionários a serem recrutados depois da reforma, “quando muitos residentes olham para os cargos do Governo”. Paul Chan Wai Chi fala das queixas dos motoristas de alguns

Tung Sin Tong Estância de Madeira Lei Seng perdeu processo, dona promete recorrer

questão de propriedade que envolve um edifício na avenida Almirante Lacerda, junto ao mercado vermelho, já está resolvida. Segundo o jornal de língua chinesa Ou Mun, a estância de madeira Lei Seng perdeu o processo que tinha em tribunal contra a associação de beneficência Tung Sin Tong, presidida pelo deputado José Chui Sai Peng. Esta dedica-se a diversos trabalhos de caridade, sendo proprietária de alguns apartamentos do edifício Sin Fong Garden. Segundo a edição da passada quinta-feira do Ou Mun, o Tribunal de Segunda Instância (TSI) determinou que a Tung Sin Tong tem direito de posse sobre dois terrenos agrícolas onde fica a estância de madeira Lei Seng. Contudo, o TSI recusou o pedido da associação quanto às compensações por perdas financeiras e atrasos de desenvolvimento dos projectos.

A sentença do TSI revela que não há provas em relação ao arrendamento entre a associação de beneficência e a Lei Seng, por isso as terras devem ser devolvidas. Mas como não havia provas quanto aos projectos atrasados para o desenvolvimento dos terrenos, o juiz decretou que não iriam existir compensações. Segundo a TDM, a dona da estância de madeira disse que ia recorrer da decisão do TSI. Quanto à Tung Sin Tong, disse que necessita ainda de reunir com os seus assessores jurídicos

para assumir uma postura pública oficial. Em Outubro do ano passado, o Tribunal Judicial de Base (TJB) tinha concedido o direito do uso do espaço e respectivo arrendamento à família Iong (proprietária da estância de madeira), e que por essa razão não havia necessidade de mudança para outro local. Mas segundo documentos oficiais, a propriedade pertencia à associação de beneficência, e por isso o caso passou para o TSI. O caso envolvia inicialmente quatro terrenos agrícolas, tendo o TJB decretado o direito de propriedade à associação de apenas dois terrenos. Contudo, a Tung Sin Tong recusou e apelou aos juízes do TSI que decidisse a seu favor para os outros dois terrenos, incluindo as já referidas compensações. A estância de madeira defende que sempre usou os terrenos e que teve direitos de utilização. - C.L.

O irmão de Florinda

Por sua vez, Au Kam San implica um irmão da secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, de ter sido recrutado 13

anos depois da sua reforma. “Ele não é um funcionário técnico, por isso não havia razões para essa contratação adicional depois de tanto tempo.” O deputado da ANM considera que este é um exemplo que espelha que muitos jovens desejam trabalhar para o Governo, mas que não conseguem porque “há muitos cargos que são ocupados de forma irracional”. “O caso de José Chu (director dos Serviços de Administração e Função Pública) é um bom exemplo, porque ele já recebe uma pensão mas continua no cargo de director. Como funcionário reformado não paga imposto profissional, e depois da reforma pode ganhar ainda mais.” Au Kam San questiona outros casos semelhantes e se o Executivo tem “regras secretas para os familiares dos que ocupam altos cargos, ou para que os directores permaneçam nos cargos mais tempo”.

Delinquência Deputado preocupado com questões da juventude

Associação de Chui Sai Peng ganha dois terrenos A

departamentos, “onde não são pagas compensações pelo trabalho extraordinário, cujo tempo total pode ultrapassar as 300 horas, que é o limite do horário anual de trabalho”. “Além de não terem tempo de descanso, não gozam de iguais garantias face aos motoristas dos outros departamentos.” No caso dos carteiros, “precisam de motos para ajudar no trabalho, e os correios só pagam cerca de 400 patacas por mês para o uso de moto privada, mas isso não compensa as despesas reais.” Paul Chan Wai Chi considera que o Governo, como “dono dos funcionários públicos precisa de garantir o tempo de descanso, bem como o apoio suficiente para o trabalho”.

Mak Soi Kun pede estudo sobre causas O

deputado Mak Soi Kun entregou uma interpelação escrita ao Executivo onde se questiona sobre os diversos crimes praticados pelos mais novos, onde se incluem disputas entre grupos com ligações criminosas, tráfico de drogas ou outros comportamentos “criminosos ou desviantes”. Mak Soi Kun questiona o Governo sobre a existência de um estudo completo que possa identificar as causas dos problemas da juventude. Tal análise deveria estabelecer, na sua opinião, uma avaliação da capacidade psicológica dos alunos de Macau, bem como

a sua reacções a situações de pressão. Na opinião do deputado, o Governo deveria, no futuro, considerar reformar o sistema de educação, por forma a reduzir a carga psicológica causada pelo excesso de estudo dos alunos e a incentivar os estudantes a construir a sua auto-confiança em outras áreas.

O problema do tráfico de droga

A interpelação do deputado surge dias depois da Comissão da Luta contra a Droga ter anunciado que irá propor ao Governo um aumento das penas para os

O silêncio que vem das campas Ao contrário do caso do tráfico de droga, Ho Chio Meng manteve-se em silêncio sobre o caso das campas no cemitério São Miguel Arcanjo. Segundo o procurador-geral do MP, “a sociedade tem vindo a prestar muita atenção ao caso, mas como ainda está em fase de pré-julgamento não é adequado fazer quaisquer comentários”.

que praticam o crime de tráfico de estupefacientes. Quem segue a mesma linha de raciocínio é o procurador-geral do Ministério Público (MP), Ho Chio Meng, que defendeu, segundo a TDM, “maiores multas para a cumplicidade no tráfico de droga”. “É fácil para os jovens serem levados para a cumplicidade criminosa e entrarem nesta rede de droga. A sociedade deve melhorar a investigação por forma a fortalecer as punições por cumplicidade nos casos de delinquência juvenil, e nos casos de tráfico de droga em larga escala. O MP sempre atribuiu grande importância aos casos relacionados com droga.” Ho Chio Meng disse ainda que as actuais penas para quem é cúmplice em crimes juvenis é pouco mais de um terço do tempo face às penas comuns, pelo que devem ser maiores para “controlar as ilegalidades cometidas pelos jovens”. - C.L.


segunda-feira 20.5.2013

política

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Crise Eurodeputada fala da criação de “plataformas de diálogo abertas”

Macau debate Europa

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eurodeputada portuguesa Elisa Ferreira defendeu, em Macau, que a crise global deve ser aproveitada pelas novas e velhas potências mundiais para criar “plataformas de diálogo abertas” e convergir sobre questões como o ambiente, direitos humanos e laborais. Elisa Ferreira está em Macau para participar, na sexta-feira e no sábado, numa conferência sobre a crise europeia, promovida pela Associação de Estudos Europeus da Ásia Pacífico, na qual são também oradores o ex-ministro das Obras Públicas João Cravinho e o chinês Dai Dingran, distinguido com o prémio Jean Monnet, entre cerca de 70 palestrantes. “No mundo actual, e estando aqui numa plataforma de interface com uma grande potência que é a China, penso que convinha

(…) que se aproveite esta crise global para que as grandes potências, as velhas e as novas, se encontrem e (…) criem plataformas de diálogo, francas, abertas, e convirjam sobre alguns níveis que precisam de ser aceites horizontalmente por toda a gente”, afirmou em declarações à agência Lusa. Em concreto, a eurodeputada disse estar a falar “de padrões mínimos de respeito pelo ambiente, de padrões mínimos de respeito pelos direitos humanos, de padrões mínimos de respeito por direitos laborais, de um acordo de funcionamento da política comercial”. “Porque se nós não aproveitarmos este momento para fazer isso e para chamar as grandes potências novamente à mesa das negociações, corremos o risco de sair da crise com políticas de agressividade entre todos os grandes parceiros

que internacionalmente neste momento têm poder”, sustentou. Elisa Ferreira trouxe a Macau a “esperança” de que esta crise seja apenas mais uma fase, ainda que “muito mais demorada do que as anteriores”. “Há muito a perder, sobretudo por parte dos países liderantes da União Europeia, inclusive a Alemanha, se a Europa falhar neste teste. Mas nós vamos lá, e isto vai ser apenas uma fase de adaptação a um mundo que é diferente daquele que existia quando a Europa se criou”, considerou. Doutorada em Economia, a antiga ministra, que teve a cargo as pastas do Ambiente e do Planeamento no Governo PS, avaliou que a Europa teve dificuldades em “reajustar-se a um mundo globalizado” e que o euro “provocou divergências enormes entre as

Crise Velho continente “está a procurar soluções para a crise do lado errado”

Reajustamento precisa-se O

antigo ministro João Cravinho considerou que a Europa “está a procurar soluções para a crise do lado errado”, e defendeu apostas em áreas como a inovação e novas políticas de convergência para retomar o crescimento. Manifestando-se contra a “austeridade” como solução para os males da crise europeia, João Cravinho assinalou, por exemplo, que os cortes da despesa, dos salários, o aumento dos impostos apenas possuem um lado positivo “no exterior” com os mercados a acreditarem mais nos países, como é o caso de Portugal, mas salienta que a solução não pode passar apenas por esse caminho. “Tem de haver ajustamentos, tem de haver cortes, inclusivamente terá numa ou noutra área de haver cortes de salários, mas não pode ser um meio generalizado, transversal que se aplica sem critério e em resposta a dificuldades”, defendeu. Por outro lado, o antigo governante socialista destacou

que o Banco Central Europeu tem de “desempenhar o papel de banco central dos Estados”, garantindo o financiamento da economia a juros baixos e “credibilizando” o sistema para que “não exista especulação”, posição assumida pelo BCE no final do ano passado como “excepção”, mas que está até proibida pelos tratados. João Cravinho defendeu também que a austeridade pela austeridade tem revelado “maus resultados” e que o caminho a seguir não pode vincar apenas mais austeridade porque se entra numa “espiral recessiva”. Quanto à dívida dos Estados, o ex-ministro das Obras Públicas defendeu outro caminho: “criar um fundo de redenção da dívida, transferindo uma parte desses valores para esse fundo, continuando a aplicar-se a política orçamental de acordo com certos parâmetros e esse fundo será de responsabilidade colectiva dos Estados da zona euro encontrando-se no mercado

solução de financiamento a juro baixo, entre 2,5% e 4%”. Mas, lembrou, depois há o pagamento dessa dívida transferida que, defendeu, deveria ser feito num prazo mais alargado, permitindo atenuar a austeridade, ao mesmo tempo que se criam condições de fomento do crescimento da economia. “Se quiser ter crescimento precisa de ter recursos para as actividades”, disse, referindo outros instrumentos como as políticas comunitárias, que devem ser revistas à luz da experiência dos últimos anos para “ter uma política, no caso de fundos estruturais, diferente”. “Vamos ver concretamente caso a caso o que é que preciso fazer para que estas economias sejam competitivas e em vez de ficarmos com regras gerais que servem para todos e acabam por não servir a ninguém, vamos fazer políticas especificas e canalizar os recursos que temos”, concluiu. - Lusa

economias dos diferentes países” e “não serve todos da mesma maneira”. “É preciso deixarmo-nos de populismos e demagogias e percebermos que uma moeda única com economias tão desiguais não pode funcionar como está a funcionar, com um orçamento de um por cento do PIB [Produto Interno Bruto], sem nenhuns mecanismos de combate a queda de produtos que podem acontecer num país ou na União Europeia como um todo”, indicou. pub

A eurodeputada defendeu também a necessidade de “revisitar outras condições de funcionamento da moeda única e preencher-lhe alguns buracos que agora são particularmente notórios”, e é necessário definir o interesse da União Europeia num mundo globalizado. “Se olharmos para os Estados Unidos sabemos o que querem do resto do mundo, sabemos o que a China quer, o que o Brasil quer, o que a Índia quer (…) A Europa nunca se definiu

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porque habituou-se a viver do seu mercado interno, da moeda única, das dinâmicas do alargamento, e esqueceu-se de que o mundo mudou e agora os grandes pólos de crescimento estão cá fora”, frisou. Isto significa, disse, “que a Europa tem de saber se quer ou não produzir e o que quer produzir, tem de revisitar a política industrial e tem, sobretudo, de revisitar a política comercial externa e de deixar de ser uma Europa que vive dos interesses dos importadores, descurando completamente a sua capacidade produtiva”. “No comércio externo da UE com a China, todos os países têm balanças deficitárias, à excepção da Alemanha. E das exportações para a China, quase metade são alemãs. Isto é um exemplo simples da grande competência que temos de reconhecer à Alemanha, mas que é reforçada por um grande poder que existe ao nível do Conselho Europeu deslocado, e roubado de algum modo, ao tradicional poder da Comissão Europeia”, frisou.


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sociedade

segunda-feira 20.5.2013

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Jorge Menezes, advogado, sobre agressão de que foi vítima

“Não posso excluir a possibilidade de ser um aviso” Para já, Jorge Menezes diz confiar “absolutamente” no trabalho de investigação das autoridades. “Confio que farão tudo o que estará ao alcance deles para descobrirem (os culpados). Tenho a melhor das impressões quanto ao trabalho que está a ser feito pela polícia.”

Foi na passada quinta-feira que o advogado foi vítima de agressão quando estava acompanhado do filho de cinco anos. Em declarações ao Hoje Macau, Jorge Menezes garante estar totalmente recuperado e assume ter a “forte convicção de que se trata de algo relacionado com a vida profissional”

Primeiro capítulo?

Advogado focado nas áreas do Direito Comercial e Sociedades, Direito Civil, Administrativo e Obras, Jorge Menezes é neste momento arguido num caso de alegada violação do segredo de justiça, envolvendo o Ministério Público (MP). Um dos casos que tem em mãos está relacionado com a famosa Las Vegas Sands, pois tem como cliente Marshall Hao, empresário de Taiwan e antigo parceiro de negócios da operadora de jogo, que se queixa de um fim abrupto e mal explicado de relações empresariais com a empresa de Sheldon Adelson.

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

do, desviando, andando ali à volta. Não fugi completamente porque não podia, tinha o meu filho. Eles não me agrediram propriamente nos braços, tentaram agredir-me sempre na cara ou na cabeça. Aleijei-me no braço e nos ombros, porque me fui defendendo.” Depois deste episódio de violência, o primeiro de que é alvo em tantos anos de profissão, Menezes revela ao Hoje Macau que está

totalmente recuperado e pronto para voltar ao trabalho. Quanto às causas para o sucedido, afirma ter “a forte convicção de que se trata de algo relacionado com a vida profissional”. “Não posso comentar os casos em concreto nem indicar ninguém de qualquer processo específico porque seria uma injustiça para qualquer pessoa que fosse indicada de forma injusta, portanto não o farei.”

População Aumento devido a novos trabalhadores não residentes

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Os que vêm de fora

população de Macau no primeiro trimestre deste ano era de 586.300 pessoas, mais 23.400 (4,15%) do que período homólogo de 2012, subida justificada oficialmente pelo aumento de trabalhadores não residentes. Dados oficiais divulgados pelos Serviços de Estatística e Censos do Governo de Macau, a que a agência Lusa teve acesso, indicam que, no

“Caso pontual”

Jorge Menezes afirma que não há razões para alarme dentro da classe. “Este é um caso pontual, não há razão nenhuma para pânico. Não é para se esperar que estas coisas aconteçam e se houvesse regularidade (dos casos) já se tinha lutado. Os tribunais têm sempre processos, muitos deles sensíveis, e estas coisas acontecem. Não é exemplo para nada nem para ninguém.” No final da conversa com o Hoje Macau, Jorge Menezes destaca a ajuda de Jorge Neto Valente, presidente da AAM e do cônsul-geral de Portugal em Macau, Vítor Sereno. “Foram desde o primeiro momento extraordinariamente solícitos em todos os momentos em que o poderiam ter sido. Fizeram todas as diligências que estavam ao seu alcance.”

Os casos antigos: entre o ácido e o rapto

final de Março, 51,9 %, ou 304.000 pessoas, eram do sexo feminino. A população feminina de Macau registou, face ao primeiro trimestre de 2012, uma subida de 4,21 % - 12.300 pessoas - ao passo que a população masculina aumentou 4,09 % ou 11.100 pessoas. Com 1.609 nascimentos de nados-vivos e o registo de 488 óbitos, o crescimento da população

de Macau mantém-se fortemente assente na chegada à cidade de, maioritariamente, trabalhadores não residentes, aqueles que não possuem, nem terão possibilidade de o requerer, direito de residência na Região Administrativa Especial chinesa além do termo dos seus contratos de trabalho, muito embora estes possam ser renovados. No final de Março estavam em Macau 114.716

trabalhadores não residentes, mais 16,26 % ou 16.052 pessoas do que no trimestre homólogo de 2012 quando apenas estavam registados 98.664 pessoas. O forte aumento do número de trabalhadores não residentes está relacionado com a indústria hoteleira e de jogo que requer mão-de-obra especializada que não existe em quantidade suficiente em Macau. - Lusa

O caso da agressão de Jorge Menezes não é o primeiro de violência proferida contra causídicos em Macau. Há dois anos o advogado Luís Filipe de Oliveira foi atingido com ácido junto ao antigo Tribunal Judicial de Base (TJB). Foi posteriormente tratado no Hospital Conde de São Januário, num incidente que também vitimou uma mulher chinesa. Mas se recuarmos aos idos tempos de 2001, altura de mudanças profundas no território com a liberalização do mercado do jogo, muitos raptos e casos de violência aconteceram nas ruas, e os advogados não escaparam. Foi o caso de Jorge Neto Valente, actual presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM), que foi vítima de sequestro. Foram indiciados dois homens suspeitos de associação criminosa, tendo sido presentes a Ministério Público (MP). Na época, o Governo português manifestou “profunda satisfação” pelo resgate do advogado.

tiago alcântara

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aminhava com o seu filho quando, subitamente, foi agredido na cabeça. Quando se virou para trás, deu de caras com o seu agressor, que tinha um tijolo atado às mãos. A cabeça e o rosto eram o principal objectivo. Mais tarde surgiria mais um indivíduo para completar o puzzle. Foi assim o início da agressão a Jorge Menezes, advogado inscrito na Associação de Advogados de Macau (AAM) desde 1998, ocorrida na quinta-feira passada. “Fui-me defendendo com os braços, fugin-

Apesar desta ligação jurídica à área do jogo, Jorge Menezes não quer apontar nenhum processo como sendo a causa para as agressões e diz que não tem receios futuros, embora reconheça que “não sabe se vai voltar a acontecer ou não”. “Não posso excluir a possibilidade de isto ser um aviso e de quem terá feito o aviso ou a ameaça queira controlar, não faço ideia. Não posso excluir a possibilidade de isto ser um primeiro capítulo. Tenho que ter algum cuidado, mas não irei alterar muitas coisas relativamente à profissão. Um advogado é um advogado.”


segunda-feira 20.5.2013

sociedade

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Táxis Governo pondera a atribuição de mais alvarás para táxis amarelos

Governo já está a planear a emissão de novas licenças de táxis. Depois de emitidos os 200 alvarás, entre Julho e Novembro do ano passado, vêm mais a caminho. As razões são justificadas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). “No ano corrente, a DSAT tem planos para emitir mais licenças para os táxis regulares (os carros pretos) de modo a aumentar a oferta”, indica o organismo em resposta ao Hoje Macau. No entanto, não avança para já o número de novas licenças que serão emitidas nem datas concretas.

A conclusão chega depois de estudos feitos sobre a procura do serviços de táxis, quando em Março se procedeu à entrada ao serviço da totalidade dos novos táxis nas ruas de Macau. Ou nem todos. Dos 200 táxis que em Março estariam a circular 4,5% ainda não estão a operar. “191 destes táxis estão já ao serviço enquanto os concessionários dos restantes desistiram das suas licenças. A DSAT está a proceder à substituição destes pelos proponentes que

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Mais licenças este ano constam da lista do concurso público”, informa a DSAT. No estudo lançado pela DSAT sobre a procura do serviço de táxis, pretendia-se descobrir, entre outras questões, qual o tempo de espera dos utentes por este meio de transporte. Até porque Wong Wan, director da DSAT, disse que as licenças serviriam para solucionar, sobretudo, a questão do tempo de espera. Mas este dado não foi revelado. O último de que há conhecimento remonta a 2011 e indicava que no ano

Elevadores Registo das empresas de manutenção é a partir de hoje recomendado mas não obrigatório

Sem uma legislação não há multas

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s Instruções para a Apreciação, Aprovação, Vistoria e Operação dos Equipamentos de Elevadores para as Obras Particulares entraram ontem em vigor pelo que as empresas têm agora 20 dias para se inscreverem na Direcção para os Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), de modo a receberem um Certificado de Segurança de Funcionamento, e entregar em dois meses informações sobre reparação e manutenção dos elevadores da sua responsabilidade. No entanto, sem lei muito pouco ou nada se pode exigir a estas operadoras já que um guia de normas não pode imputar multas. As novas regras só vêm criar alguma uniformidade no funcionamento e fiscalização dos elevadores, de forma anual, além de qualidade certificada que darão mais confiança aos utentes que podem procurar os seus certificados junto da DSSOPT. Assim, actualmente, segundo indicou a DSSOPT no mês passado, caso as empresas não respondam aos critérios, serão feitas eventualmente advertências e é cancelada a licença. Mas é só. E a população então pode optar por não escolher a empresa. No entanto, a DSSOPT admitiu também que estas directivas servirão de base a uma eventual produção legislativa no futuro, desde que haja consenso sobre o mesmo por parte da população. Segundo comunicado divulgado ontem pela DSSOPT, a “Administração acredita que mediante estas instruções seja possível promover a saudável concorrência do sector e garantir a qualidade dos equipamentos electromecânicos, melhor salvaguardando assim a segurança pública. De acordo com as novas disposições,

anterior o tempo médio de espera por táxis era superior a 9 minutos, tendo o responsável admitido que nas zonas mais críticas, como o Fai Chi Kei, os residentes chegam a esperar uma hora por um táxi. O mesmo problema de espera tem sido notado pela sociedade civil relativamente aos táxis amarelos, que operam por meio de solicitações via chamada telefónica. A “Companhia de Rádio Táxi Vang Iek, Limitada” está agora sobre vigilância apertada do Governo. Isto porque foi-lhes dado um prazo extra de seis meses de funcionamento - após ter expirado em Fevereiro o contrato de ano e meio com a Administração, que decidiu não renovar à data - para verificar se as condições impostas pela DSAT estão a ser cumpridas. Os táxis amarelos têm pub

a inspecção anual ordinária realizada pela entidade exploradora ou pela empresa responsável pela reparação de elevadores deve satisfazer os requisitos exigidos e deve ser entregue à Administração e aos condóminos o Certificado de Segurança de Funcionamento. Segundo dados avançados no último mês, existem actualmente cerca de cinco mil aparelhos electromecânicos só na península de Macau, e cerca de 30 empresas reparadoras “que têm ligação com as Obras Públicas”. Dessa porção de elevadores, a DSSOPT promete “realizar uma inspecção aleatória a 5%, para salvaguardar a segurança pública”. – R.M.R.

tiago alcântara

Rita Marques Ramos

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de apresentar mensalmente um relatório sobre a sua operação, para que melhor monitorize os seus serviços e a percentagem de atendimento bem sucedido”, indica o organismo dirigido por Wong Wan ao Hoje Macau em Fevereiro. Caso contrário, reforça o mesmo em nova resposta, não ha-

verá extensão do prazo de licenças. “Se a Vang Iek não satisfizer os pedidos feitos pela DSAT para melhorar os seus serviços, a DSA não irá estender novamente o prazo das licenças. A DSAT vai também estudar a viabilidade de haver mais licenças de táxis especiais e mais empresas.”


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500 anos

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primeiro contacto documentado de portugueses com território da China aconteceu há 500 anos, na actual província de Guangdong, no sul, entre Julho e Agosto de 1513, numa aventura de mercadores saídos de Malaca. Dois ou três portugueses embarcaram a bordo de um junco [navio à vela usado na China e no Japão] de mercadores malaios, que saiu de Malaca, na actual Malásia, em Maio de 1513 e chegou ao litoral da actual província de Guangdong, entre Julho e Agosto do mesmo ano, de acordo com o historiador Rui Loureiro. “Antes disso não há qualquer documento sobre contactos portugueses com o sul da China”, disse Rui Loureiro à Lusa, justificando o significado desse momento de primeira presença que agora se assinala. O cronista português João de Barros afirmou que Jorge Álvares, um mercador estabelecido por conta própria, foi o primeiro português a chegar ao sul da China, mais especificamente a uma ilha, designada pelas fontes históricas portuguesas como “Tamão”, que também foi designada como “Lintin” e identificada como a actual ilha de Nei Lingding, no centro do delta do rio das Pérolas, a norte de Macau. Os portugueses da época iam para a Índia como funcionários públicos (soldados ou feitores) durante três ou seis anos. Terminado esse período, alguns regressavam a Portugal e outros estabeleciam-se na Ásia por conta própria, como comerciantes ou mercenários. Os portugueses tinham armamento superior e eram muito cobiçados por todos aqueles potentados asiáticos, onde podiam actuar como “conselheiros militares”, disse Rui Loureiro. Jorge Álvares foi um desses portugueses, que primeiro esteve

Aventura de mercadores levou primeiro português à China

Jorge Álvares a duplicar ligado à estrutura do Estado na Índia e depois se estabeleceu por conta própria. Com ele, a bordo do junco malaio, encontravam-se o filho, que morreu já no litoral chinês durante a viagem, e um outro português, de nome desconhecido. Rui Loureiro afirmou que os lucros obtidos nessas viagens eram tão grandes que “incitaram imediatamente outros portugueses” a partir de Malaca para o sul da China. “Daqui nasce uma expressão ainda hoje utilizada, os ‘negócios da China’, algo que dá lucros fabulosos. De acordo com um cronista da época, o lucro era quatro vezes superior ao investimento. Portanto, era um destino comercial muito atractivo para os portugueses, que não param de ir à zona todos os anos”, acrescentou o historiador. Os portugueses vendiam especiarias, em especial pimenta (muito consumida na China), e madeiras aromáticas (usadas em rituais religiosos). Jorge Álvares regressou a Malaca, em Abril ou Maio de 1514, com produtos manufacturados chineses: porcelanas e sedas, mas também almíscar, aljôfar (pérolas miúdas), enxofre e salitre (componentes para o fabrico de pólvora), cânfora, ruibarbo e “abanos léquios” (os ‘leques’, nome que deriva do topónimo Léquios, como eram conhecidas as ilhas japonesas Ryukyu), explicou. João de Barros escreveu que Jorge Álvares foi uma segunda vez à China em 1521, morrendo de doença na ilha de Tamão, a 8 de

Julho do mesmo ano. Foi enterrado junto a um padrão que ali tinha colocado oito anos antes.

Afinal haviam dois Jorges

Um outro Jorge Álvares frequentou as rotas comerciais de Goa, Malaca e sul da China, mas já na década de 1540, disse Rui Loureiro. Famoso por ser o primeiro português que escreveu um texto sobre o Japão, em 1548, este “segundo Jorge Álvares” foi um dos primeiros portugueses a visitar o arquipélago japonês, talvez com Fernão Mendes Pinto, “mas não

está ligado a esta primeira fase” de contactos comerciais, afirmou o historiador. “Há uma certa confusão entre os dois. Seria o Jorge Álvares que tinha chegado à China e 20 anos mais tarde também tinha chegado ao Japão?, o que faria dele um homem espectacular, mas são duas personagens diferentes”, sublinhou. Para o historiador, do ponto de vista chinês, no início os contactos com os portugueses eram “semi-legais”, tolerados, e os novo visitantes apareciam associados a mercadores malaios que visitavam a China regularmente.

A primeira viagem - a do primeiro Jorge Álvares - foi realizada num junco malaio. Há documentação sobre a compra desse junco e sobre a compra das mercadorias que ele leva para a China, referiu Rui Loureiro. “O litoral da China participa nestes negócios, mas não há uma intervenção estatal”, disse. Posteriormente, entre 1517 e 1521, Portugal enviou uma “embaixada”, liderada por Tomé Pires, que foi o primeiro enviado oficial português à China, cuja missão de estabelecimento de uma posição na zona fracassou. “Normalmente, os portugueses usaram na aproximação àquelas zonas, do que nós hoje chamamos Malásia e Indonésia, uma espécie de posição de força, ou seja, tinham armas, tinham canhões e tinham o equivalente a espingardas (mosquetes) e tinham navios poderosos e, portanto, conseguiram ocupar determinadas posições pela força”. Rui Loureiro deu o exemplo de Malaca e das ilhas Molucas, em que os portugueses ocuparam uma cidade portuária e construíram uma fortaleza. O mesmo tentaram na China, disse. “Mas o exército chinês não tinha nada a ver com todas as outras potências ali à volta. Era um Estado sólido, com recursos infinitos e não autorizou esse estabelecimento dos portugueses, nos mesmos moldes que tinham feito noutras zonas, levando à adopção - pelos portugueses - de uma posição mais informal de comércio, de contactos que, a pouco e pouco, se foram desenvolvendo e nos anos 1550 veio a dar origem ao estabelecimento de Macau”. Para a China, “com um Estado muito centralizado, que tentava controlar todo o litoral, era mais lógico concentrar todos os estrangeiros num ponto só” como Macau, concluiu Rui Loureiro. - Lusa

Datas emblemáticas de um relacionamento multissecular

Vista de Pequim ou de Lisboa, a História do multissecular relacionamento entre portugueses e chineses nem sempre coincide, mas há datas que ficam para sempre: • 1513 - Chegada de Jorge Álvares ao sul da China. • 1517 - Primeira embaixada europeia à China, enviada pelo rei D. Manuel I e chefiada por Tomé Pires. • 1542 - Portugueses estabelecem-se em Liampó (ilha ao largo da actual Ningbo), mas foram expulsos três anos depois. • 1557 - Portugueses autorizados a estabelecer-se em Macau. • 1569/1570 - “Tratado das Coisas da China”, de Frei Gaspar da Cruz, primeiro livro exclusivamente sobre a China publicado na Europa. • 1583/85 - Primeiro dicionário sino-europeu, escrito em português por dois missionários italianos, com a colaboração de intérpretes portugueses e chineses de Macau. • 1688 - Tomás Pereira, padre estabelecido em Pequim, participa nas negociações do acordo fronteiriço sino-russo, o primeiro do género estabelecido pela China. • 1774 - Félix da Rocha nomeado director do Observatório Astronómico de Pequim, o primeiro de cinco padres portugueses

que exerceram aquele cargo. • 1887 - Tratado de Amizade e Comércio assinado em Pequim, e qualificado mais tarde como “desigual” pelas autoridades chinesas. • 1910/11 - No espaço de um ano, Portugal e a China adoptam o regime republicano. • 1949 - O embaixador de Portugal em Nanjing (capital da República da China), João de Barros Ferreira da Fonseca, e o cônsul-geral em Cantão, José Calvet de Magalhães, advogam o reconhecimento da nova República Popular da China, proclamada pelo Partido Comunista Chinês. A sugestão não foi aceite pelo governo de Lisboa, chefiado por Salazar. • 1975 - Portugal corta relações com Taiwan, a ilha onde se refugiou o governo da antiga República da China, e reconhece o governo de Pequim como “o único legitimo representante do povo chinês”. • 1979 - Estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal

e a República Popular da China. O acordo foi assinado em Paris pelos embaixadores dos dois países em França: António Coimbra Martins e Han Kehua. • 1987 - Declaração Conjunta sobre Macau, assinada pelos primeiros-ministros de Portugal e da China, Aníbal Cavaco Silva e Zhao Ziyang, que determina a transferência do território para a administração chinesa no dia 20 de Dezembro de 1999. • 1999 - Macau torna-se uma Região Administrativa Especial da China, segundo a fórmula adoptada um ano e meio antes em Hong Kong, “um país, dois sistemas”. O português mantém o estatuto de língua oficial, ao lado do chinês. • 2003 - Criação em Macau do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa. • 2012 - A China Three Gorges compra 21,3% do capital da Electricidade de Portugal (EDP) por 2,7 mil milhões de euros, tornando-se o maior accionista da empresa. Foi um dos maiores investimentos chineses na Europa.


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O

português Jorge Álvares desembarcou no litoral da China há 500 anos, tornando-se o primeiro europeu a atingir o mítico Império do Meio por via marítima, mas a histórica viagem não terá deixado rasto nos arquivos chineses. “Pelo que sei, até agora, o nome de Jorge Álvares não consta dos registos chineses”, disse à agência Lusa o historiador Huang Qinghua, autor de uma “História das Relações Sino-Portuguesas” em três volumes - a primeira obra do género publicada na República Popular da China, em 2005. O historiador português Rui Loureiro, que também se tem dedicado ao estudo dos primeiros contactos entre portugueses e chineses, não estranha que assim seja: “Como não houve nenhum contacto oficial com as autoridades chinesas é natural que não haja registo nos arquivos chineses”. Respondendo por escrito a questões da Lusa, Huang Qinghua afirmou que Vasco da Gama (Da Jiama, em chinês) “é a figura histórica portuguesa mais conhecida na China” e que Fernão de Magalhães “é normalmente considerado espanhol”. “Na escola secundária aprendíamos que no século XVI, Portugal era o país mais poderoso do mundo, mas não conhecíamos nenhum nome. Da Jiama (Vasco pub

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Uma História singular, múltiplas e variáveis visões

Como tudo começou

da Gama) e Ge Lun Bo (Colombo) eram apresentados como grandes navegadores europeus, não os associávamos a Portugal”, recorda uma antiga estudante, nascida no início da década de 1980. Um manual publicado em 1982 sob a direcção de Bai Shouyi, antigo membro do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular e presidente da Sociedade de Historiadores de Pequim, descreve a

descoberta do caminho marítimo para a Índia, em 1498, como o prelúdio da “chegada dos colonialistas portugueses à China”. “A seguir aos portugueses vieram os espanhóis, os holandeses, os ingleses, os franceses e os americanos. Todos recorreram a diversos métodos para pilhar a China de forma selvagem”, diz o manual. Nas décadas de 1950 e 1960, Portugal era visto como “um pequeno país imperialista”. “Dizia-se

que havia seis países imperialistas: três grandes (EUA, Grã-Bretanha e França) e três pequenos. Portugal era um dos pequenos, juntamente com a Bélgica e a Holanda”, contou um tradutor formado nessa época. Já no século XXI, com a China a emergir como a segunda economia mundial, a seguir aos Estados Unidos, a visão oficial do passado começou a libertar-se da carga ideológica.

Em 2006, pela primeira vez, a Televisão Central da China (CCTV) exibiu em horário nobre uma série de 12 documentários sobre a “Ascensão das Grandes Potências” da Era moderna. Foi a primeira produção do género e começa, precisamente, com Portugal. Espanha vem em segundo lugar, seguindo-se a Holanda, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Japão, Rússia e Estados Unidos. Muitos chineses descobriram então que aquele “xiao guo” (pequeno país) do extremo ocidental da Europa foi outrora um “Da guo” (Grande potência). Primeiro pais europeu a enviar uma embaixada a China, no início do século XVI, em 1517, Portugal foi também o último a governar uma parcela do território chinês, Macau, até Dezembro de 1999. A transição de Macau para a administração chinesa - segundo a mesma formula adoptada um ano e meio antes em Hong Kong (“um país, dois sistemas”) - é considerada “um sucesso” pelos governos dos dois países, mas, também nesse aspecto, a história é singular. “Os portugueses viveram mais de 400 anos em Macau, mas não podem dizer que ‘ocuparam’. Mesmo no século XIX, quando passaram a ter a gestão exclusiva de Macau, não se pode falar em ‘ocupação’”, afirma Huang Qinghua. - Lusa


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nacional

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U

m chinês que foi raptado há 23 anos e vendido a uma família a milhares de quilómetros da sua terra natal reencontrou os pais biológicos graças ao Google Maps, revelou sexta-feira um canal de televisão da China. Luo Gang, de 28 anos, reencontrou a família, natural da província de Sichuan, depois de ter vivido com os pais adoptivos em Fujian, a 1.500 quilómetros do local onde nasceu e de anos a procurar a sua família biológica. Luo, que foi raptado com cinco anos, lembrava-se que a sua terra natal tinha duas pontes e com esse detalhe desenhou um pequeno mapa do lugar onde viveu e publicou-o numa página da Internet destinada à reunião de famílias cujos filhos foram sequestrados. Voluntários desse portal sugeriram a Luo vários locais na China que poderiam corresponder ao local onde foi sequestrado e o jovem procurou-os no Google Maps. Quando analisava um deles, chamado Yaojiaba, encontrou semelhanças com a sua terra natal

Google Maps Chinês raptado há 23 anos reencontrou família

Separado desde os cinco anos

e deslocou-se até essa localidade, onde acabou por reencontrar os pais e avós biológicos, um momento que foi captado pelo canal de televisão Hunan TV. “Cada vez

que pensava no meu filho não conseguia parar de chorar, imaginando que poderia estar a passar fome ou que não teria roupa suficiente”, disse a mãe aos jornalistas.

Luo explicou que a família adoptiva o tratava bem, mas que sempre teve a esperança de reencontrar os pais biológicos. Todos os anos milhares de

Foxconn Três novos suicídios registados em fábrica

Comércio Pequim quer duplicar o comércio com a Grécia

Proibidos de falar T

rês trabalhadores de uma fábrica da Foxconn na China suicidaram-se nas últimas três semanas, informou a agência oficial chinesa e uma organização de defesa dos trabalhadores chineses. Os três suicídios tiveram lugar em Zhengzhou, no centro da China, numa das fábricas do maior fabricante mundial de componentes de computadores, sedeado em Taiwan. O primeiro caso foi registado a 24 de Abril com o suicídio de um trabalhador de 24 anos. Três dias depois, outra operária de 23 anos suicidou-se, atirando-se do sexto andar de um dos edifícios da fábrica, segundo a agência oficial Xinhua. O último caso foi registado esta semana, na terça-feira, com o suicídio de um homem com cerca de 30 anos, que saltou

Fumo interdito na Cidade Proibida em Pequim

do quinto andar de um edifício da mesma fábrica. “As razões destes suicídios não são claras, mas poderão estar relacionados com a proibição imposta aos trabalhadores de falarem enquanto trabalham, sendo ameaçados com despedimento se o fizerem”, refere em comunicado a organização China Labor Watch, sediada em Nova Iorque. O mais recente caso de suicídio poderá estar relacionado com questões salariais, segundo uma fonte da fábrica citada pela Xinhua. A Foxconn enfrentou uma vaga de suicídios - pelo menos 13 - em fábricas na China em 2010 devido às duras condições de trabalho. Este grupo taiwanês fabrica produtos da Apple, Sony e Nokia e emprega 1,2 milhões de pessoas na China.

A Cidade Proibida, antigo palácio imperial chinês hoje transformado num dos principais museus e atracções turísticas da China, impôs a interdição de fumar dentro do seu recinto, anunciaram as autoridades locais. Aproveitando a celebração do Dia Internacional dos Museus, no sábado, a administração do palácio, no centro de Pequim, informou que a partir de agora turistas e trabalhadores estão proibidos de fumar no recinto, incluindo os pátios exteriores, sem apontar as sanções para quem violar a regra. A Cidade Proibida, que serviu de residência aos imperadores das dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1911), foi durante meio milénio o centro político e cultural da China, e, depois de sobreviver a guerras civis e à Revolução Cultural, transformou-se num dos locais mais turísticos do país. O monumento é um dos seis em Pequim que estão classificados como Património Mundial da UNESCO.

crianças são raptadas na China por máfias para serem vendidas a casais que não podem ter filhos ou que querem ter um filho homem ou a fábricas para aí trabalharem.

Bons amigos

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primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, defendeu o “alargamento da cooperação” sino-grega, de modo a duplicar o comércio bilateral até 2015, para cerca de 50,25 mil milhões de patacas, disse sexta-feira a imprensa oficial chinesa. O objectivo foi anunciado durante um encontro de Li Keqiang com o homólogo grego, Antonis Samaras, o segundo líder de um país da União Europeia recebido em Pequim desde a entrada em funções do novo Governo chinês, em Março passado.

Samaras encontra-se desde quarta-feira na China, acompanhado por vários ministros (Negócios Estrangeiros, Turismo, Desenvolvimento e Marinha Mercante) e uma delegação de cerca de sessenta empresários. Num discurso em Atenas, antes de partir para Pequim, o primeiro-ministro grego disse que “a Grécia estava a regressar ao mapa global do investimento, na Europa e além da Europa”, e que “o primeiro passo nessa direcção” era a sua visita à China. “A China é um verdadeiro amigo do povo grego”, disse Samaras, citado pelo jornal China Daily. No encontro com o homólogo grego, Li Keqiang afirmou que “a China sempre encarou a Grécia como um bom amigo e um parceiro de confiança”, indicou a mesma fonte.

Fortes chuvas fustigam o sul da China

Pelo menos 55 pessoas morreram e 14 estão dadas como desaparecidas devido às fortes chuvas e queda de granizo que há cinco dias atingem o sul da China, informou sábado a imprensa estatal chinesa. A província de Guangdong, principal base industrial do país, é a mais afectada, com 36 mortos e 10 desaparecidos, segundo o Comité Nacional para a Redução de Desastres, citado pela agência espanhola Efe. Na noite de sextafeira, a instituição e o Governo chinês criaram um mecanismo de emergência para ajudar as pessoas afectadas pelas tempestades, segundo a agência de notícias chinesa Xinhua.


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Crise nas Coreias Norte lança dois mísseis para Mar do Japão

Provocações continuam

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Coreia do Norte disparou no sábado mísseis de curto alcance na direcção do Mar do Japão, aparentemente no âmbito de exercícios militares, anunciou o ministério da Defesa sul-coreano. “A Coreia do Norte disparou dois mísseis teleguiados esta manhã (sábado) e um outro esta tarde”, declarou à agência noticiosa francesa AFP um porta-voz do ministério. “Os três mísseis caíram no Mar do Japão”, acrescentou. A Coreia do Sul vigia de perto os disparos de mísseis do Norte, que incluem, por vezes, tiros de mísseis de curto alcance durante exercícios militares. “Será necessário realizar uma análise mais pormenorizada, mas os mísseis lançados podem ser um míssil anti-navio modificado ou o míssil terra-terra ‘KN-02’, derivado do míssil soviético ‘SS-21’, que tem um alcance de cerca de 120 quilómetros”, disse um responsável sul-coreano à agência noticiosa da Coreia do Sul Yonhap. Seul criticou estes disparos, que considerou “uma provocação grave”. “A comunidade internacional vai decretar sanções muito mais severas contra a Coreia do Norte por continuar a realizar estas absurdas provocações”, declarou Min Hyun-joo, porta-voz do partido no poder Saenuri, citado pela Yonhap.

“Nenhuma compensação ou vantagem serão concedidas se a Coreia do Norte não mostrar mudanças, no bom sentido, da sua política”, advertiu. Em Washington, um porta-voz do Departamento de Estado, Darby Holladay, indicou que os Estados Unidos “seguiam de perto a situação na península coreana” e “continuam a pressionar a Coreia do Norte a fazer prova de retenção e a actuar para melhorar as relações com os vizinhos”. Estes disparos surgem depois das manobras conjuntas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, nesta semana, que Pyongyang considerou “provocações injustificadas” e preparativos para a guerra. Os Estados Unidos e a Coreia do Sul receiam que os testes do míssil de alcance médio ‘Musudan’ norte-coreano relancem a tensão, após o lançamento de Fevereiro. Os mísseis ‘Musudan’ têm um alcance estimado entre 2.500 e 4.000 quilómetros, uma distância suficiente para atingir a Coreia do Sul e o Japão e, eventualmente, as bases norte-americanas situadas na ilha de Guam, no Pacífico. No início de Maio, um responsável da Defesa norte-americana indicou que o Norte tinha retirado dois mísseis ‘Musudan’ do local de

Japão Presidente da câmara de Osaka pronto a apresentar desculpas

Vergonhoso e embaraçoso

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presidente da câmara de Osaka (oeste) disse quinta-feira estar pronto a apresentar desculpas pelas recentes declarações sobre as “mulheres de conforto” obrigadas a prostituir-se pelo exército imperial japonês na Segunda Guerra Mundial. “Penso que devo encontrar-me com antigas ‘mulheres de conforto’e apresentar sinceras desculpas por aquilo que o Japão fez”, declarou à televisão Toru Hashimoto.

A maioria dos historiadores considera que cerca de 200.000 mulheres asiáticas foram obrigadas a serem escravas sexuais pelo Japão. Coreanas, chinesas e filipinas foram forçadas a trabalhar nos bordéis militares de campanha japoneses. Na segunda-feira à noite, Hashimoto tinha justificado a prática por considerar que estas “mulheres de conforto” foram a resposta a “uma

necessidade”. “Vou dizer-lhes que lamento que tenha existido um sistema semelhante, quer tenham sido obrigadas ou não”, declarou Hashimoto, um dos principais dirigentes do Partido da Restauração do Japão, um movimento nacionalista de direita que, nas eleições de Dezembro, conseguiu entrar na Câmara dos Deputados. “Foi vergonhoso e nunca mais deve acontecer”, acrescentou, sublinhando que o Japão não foi o único país a recorrer a este tipo de práticas. “Todos fizeram más escolhas” durante a Guerra, disse o presidente da câmara de Osaka. As declarações de Hashimoto embaraçaram o Governo japonês e enfureceram as autoridades e a opinião pública na China e na Coreia do Sul, dois países que sofreram às mãos do exército imperial nipónico durante a Segunda Guerra Mundial.

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lançamento, na costa leste do país, num contexto de abrandamento das tensões na península.

Seul instalou em ilhas mísseis israelitas

A Coreia do Sul instalou mísseis guiados de precisão israelitas nas suas ilhas do Mar Amarelo que são capazes de alcançar a Coreia do Norte, revelaram fontes do exército sul-coreano, citadas pela agência Yonhap. “Dezenas de mísseis Spike e os seus lançadores foram instalados recentemente nas ilhas de Baengnyeong e de Yeonpyeong”, disse um oficial do Estado Maior Conjunto da Coreia do Sul, citado pela Yonhap. A mesma fonte indicou que os mísseis “podem destruir” instalações militares na Coreia do Norte e alcançar alvos em movimento. A instalação destes mísseis, com alcance de 20 quilómetros e um peso de 70 quilos, estava prevista para o final de 2012, mas o atraso nos testes de lançamento dez com que a mesma tivesse lugar seis meses depois. A Coreia do Norte lançou no sábado três mísseis guiados de curto alcance para o mar a partir da sua costa oriental. Dois projécteis foram lançados durante a manhã e outro à tarde para o Mar do Japão no sentido nordeste, informou o Ministério da Defesa sul-coreano. Até ao momento, as autoridades norte-coreanas não comentaram estes lançamentos. As Forças Armadas sul-coreanas reforçaram no sábado a vigilância sobre as actividades militares da Coreia do Norte.

Japonês de 80 anos escala o Evereste

Um japonês de 80 anos começou na quinta-feira a escalar o Monte Evereste numa tentativa de se tornar no homem mais velho do mundo a subir ao cume da maior montanha do planeta. Numa mensagem de voz divulgada no seu portal na Internet, Yuichiro Miura disse que a expedição começou na quinta-feira e deverá terminar esta semana. “Planeamos chegar ao cume no dia 24”, indicou. Miura está a tentar recuperar o recorde do Guinness que obteve em 2003, quando se tornou no homem mais velho do mundo a escalar o Evereste, mas que foi em 2007 para outro japonês, de 71 anos. O recorde mundial pertence desde 2008 ao nepalês Min Bahadur Sherchan, que conseguiu o feito aos 76 anos. Miura foi a primeira pessoa a descer o Evereste a esquiar com a ajuda de um pára-quedas em 1970. O pai de Miura também desceu o Monte Branco a esquiar aos 99 anos.


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As tendências estão a mudar num país q

Um negócio Maria João Belchior Em Pequim

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ara Jane Ho chama-lhe a arte de bem receber mas o negócio é sobre etiquetas e boas maneiras. De que falar com o presidente da companhia onde trabalha o marido, como colocar os copos e os talheres na mesa, ou simplesmente, que vinhos e pratos combinar? Questões que se colocam às milionárias da China que querem agora tornar-se melhores anfitriãs segundo os padrões clássicos ocidentais. O melhor vinho, o melhor café, ou simplesmente a jóia mais bonita, que escolher? Sara Jane Ho, uma jovem natural de Hong Kong, abriu este ano em Pequim uma escola de boas maneiras dirigida à cada vez mais representativa elite de senhoras e jovens milionárias da China. Estabelecido em Pequim, o Instituto Sarita proporciona cursos de duas semanas com refeições incluídas cozinhadas por um chef francês, e passeios às principais lojas de marcas de elite em Pequim. Comer bem, vestir bem, falar bem, um conjunto de ferramentas que se tornam necessárias a quem vive num mundo onde se fazem negócios milionários às vezes à mesa. Mas tudo vem com um preço e, por doze dias de aulas o Instituto Sarita cobra 100 mil renminbi.

Novos ricos como um negócio

Na China as oportunidades aparecem e do enriquecer é glorioso passou-se a um lema onde ser milionário tem de vir com algum charme. Além da Harvard Business School, Sara Jane Ho frequentou uma das mais caras escolas de etiqueta no mundo, a Villa Pierrefeu na Suiça, onde aprendeu o que agora ensina. Uma senhora nunca cruza as pernas quando está sentada e mostra-se sempre interessada na conversa. Quando fala das estudantes, Sara Jane Ho refere-se às suas clientes que nos primeiros meses desde que a escola abriu, são sobretudo as esposas dos milionários e jovens debutantes. A ideia de abrir um negócio para ensinar boas maneiras não é nova na China e o Instituto Sarita não é a primeira escola para tal. Mas é a primeira a estabelecer-se em Pequim a tempo inteiro. A necessidade de se comportar como um ocidental tem vindo a tornar-se cada mais comum entre a alta sociedade chinesa que quer mostrar que conhece bem os hábitos do ocidente. Sara diz que o perfil típico da

cliente passa por uma senhora de meia-idade, esposa de um milionário, cujo filho ou filha estudam fora no estrangeiro. Uma imagem que a jovem de Hong Kong associa com uma solidão num castelo. Um curso de duas semanas poderá também servir para fazer amigas do mesmo estrato social. O sigilo profissional é indispensável neste negócio. Muitas das senhoras milionárias ainda parecem ter dificuldades em pronunciar alguns nomes estrangeiros e para a empresária de Hong Kong, uma volta pelas lojas mais caras da capital, ensina a distinguir e a dizer correctamente o nome das grandes marcas mundiais, sejam malas, relógios ou jóias. Boas maneiras também passa por requintar o gosto e Sara Jane Ho diz que uma das partes do curso passa precisamente por ensinar a comprar. A jovem chinesa dá


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que se afirma no mundo

io da China

conselhos sobre o que parece melhor e o que se deve escolher para vestir e usar em diferentes ocasiões. Com vários programas diferentes, Sara Jane Ho também tem também clientes que são jovens debutantes, a segunda geração da riqueza chineaa. As clientes são todas do sexo feminine e por enquanto o Instituto foca-se mais no “saber estar e receber” para as senhoras. Mas indo ao encontro das novas oportunidades, há cursos intensivos e cursos de fim-de-semana também para as novas mulheres empresárias de sucesso que não têm tempo durante a semana. As respostas são dadas à medida das perguntas das clientes. A riqueza da cultura milenar chinesa não é um dos temas tratados nos cursos que se focam sobretudo no ter boas maneiras ao estilo ocidental. Perante a dúvida se não será um

pouco exagerado dar tanta importância à maneira de estar do Ocidente, Sara Jane Ho não tem dúvidas que é o que o mercado procura agora. Mesmo que a porcelana chinesa tenha a mesma qualidade, o que as milionárias querem é aprender sobre a mais fina porcelana ocidental. E faz sentido quando se vive um encontro tão grande entre o Ocidente e o Oriente no mundo dos negócios. Na nova geração de políticos, pela primeira vez há uma imagem de uma primeira-dama chinesa a quem não fica mal ser vaidosa e vestir bem. As tendências estão a mudar numa China que se afirma no mundo e é preciso saber dar uma imagem cada vez mais educada do país. E como em tudo, o protocolo exige estudo e concentração. E prática. Sapatos altos todas podem comprar mas saber andar com eles, é só para algumas.

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hoje na chávena Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Lúcia-lima Nome botânico: Lippia triphylla Kuntze = Aloysia triphylla (L’Hérit.) Britton = Aloysia citriodora L. = Lippia citriodora L. Família: Verbenaceae Nomes populares: Bela-aloísia; Bela-Luísa; Cidrila; Doce-lima; Erva-Luísa; Limonete.

O Governo admite que falta cerca de um ano para o aterro de resíduos sólidos da Taipa atingir o ponto de saturação. Por essa razão está já a estudar novas formas de fazer face a este problema. As hipóteses em cima da mesa passam pela criação de uma taxa à produção em excesso das empresas de construção civil e pela criação de um novo aterro

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garantia chega pela Direcção dos Serviços para a Protecção Ambiental (DSPA). O aterro que acolhe os resíduos materiais na Taipa não vai aguentar mais de um ano. Por isso, reconhece estar a pensar em alternativas ao problema. Entre as quais, a cobrança de um imposto às empresas de construção civil para incentivá-las a produzir menos lixo. “Confiámos a uma instituição a tarefa de conceber o sistema de cobrança. Esperamos poder vir a discutir esta hipótese com a indústria da construção depois de termos uma ideia assenta sobre o funcionamento do sistema”, explicou Chan Kwok Ho, director Centro de Gestão de Infra-estruturas Ambientais à TDM. Depois de assumir o ponto de saturação. “De acordo com as nossas estimativas, acreditamos que basta um ano para que o aterro atinja o ponto de saturação”, indica, quando só no ano passado foram

Resíduos Governo estuda imposto para empresas de construção civil

Aterro na Taipa perto do limite produzidos um total de quase 2,4 milhões de metros cúbicos de lixo.” No entanto, a taxa ainda não foi discutida em profundidade pelo que o organismo ainda não adianta um valor a ser cobrado. Ainda assim, salvaguarda, a ideia não é penalizar o sector mas incentivá-lo a ser mais pró-ambiente. As soluções à vista para a produção dos novos resíduos sólidos passam também pela possibilidade de construir um novo aterro, não sendo esta a única equacionada. “Também estamos a discutir esta hipóteses com alguns dos departamentos do Governo, para ver se conseguir outro local em Macau que se adeqúe a este tipo de estruturas”, diz Chan Kwok Ho. “Estamos a tentar encontrar soluções em várias direc-

ções, incluindo a possibilidade de elevar o nível a que acamamos os dejectos. Também equacionámos a hipótese de expandir o aterro. São várias as soluções para as quais estamos a olhar.” A DSPA também pondera a possibilidade de se transformar os resíduos produzidos em tijolos ou recursos similares para serem reutilizados posteriormente nos estaleiros locais. A gestão de tratamento de resíduos com as autoridades do continente também é uma opção em cima da mesa. No entanto, a DSPA recusa-se a revelar mais informações por considerar prematura a possibilidade do lixo produzido poder vir a ser acondicionado no continente.

Pró-ambientistas penalizações como um risco Os pró-ambientalistas têm medo que as construtoras acabem por despejar o lixo noutros locais menos apropriados. Por isso, dizem é um risco a nova taxa que penaliza as empresas e atribui benefícios a quem produza menos. “Já há pessoas a despejarem cimento onde ninguém note, como nas montanhas. E tem sido assim há anos, sem que ninguém faça nada. Como evitar que aconteça? Acho que têm de melhorar os mecanismos de supervisão”, diz Joe Chan, activista pró-ambiente. A Associação dos engenheiros, por sua vez, defende a medida anunciada pelo Governo mas entende que não pode haver dúvidas de quem vai pagar a factura. “Não interessa se é uma construção privada ou pública, as regras têm de ser claras. Quando uma construtora apresenta uma candidatura para uma obra, tem de dizer se está ou não a cobrar o preço de eliminação do lixo e quem é que fica responsável por esse lixo”, indica Wu Chou Kit, presidente da associação de engenheiros.

Originária da América do Sul (Argentina, Peru e Chile), a Lúcia-lima chegou à Europa no século XVIII pela mão dos Espanhóis que, seduzidos pelo seu aroma, a cultivaram; desde então aclimatou-se, sendo usada como planta aromática e ornamental sobretudo na Europa Meridional e no Norte de África. Este pequeno arbusto, sempre-verde, com pequenas flores de cor rosada, atinge até 2 metros de altura; as suas folhas, compridas, quando esmagadas libertam um forte e delicioso aroma a Limão, que estará na origem de alguns dos seus nomes populares e botânicos (Doce-lima, Limonete e citriodora). Porém, outros nomes serão uma homenagem a Maria Luísa, esposa do rei Carlos IV de Espanha. Já o nome da espécie triphylla, provém do facto das suas folhas crescerem em grupos de três. Além das suas aplicações medicinais, a Lúcia-lima tem sido utilizada como corretor de sabor, em pot-pourris, como repelente de insetos e inseticida. O seu óleo essencial é muito apreciado em perfumaria. Em fitoterapia usam-se as folhas e o óleo essencial. Composição Rica num complexo óleo essencial composto por mais de cem moléculas diferentes, entre as quais se destacam o citral, o limoneno e o cariofileno; ácidos fenólicos, furanocumarinas, flavonoides, taninos e iridóides. Ação terapêutica A Lúcia-lima aumenta o apetite, tonifica o funcionamento do estômago, melhora a digestão e favorece a expulsão de gases, sendo tradicionalmente utilizada na falta de apetite e no alívio de perturbações digestivas ligeiras tais como náuseas e vómitos, acidez, sensação de enfartamento, digestões pesadas, gases e cólicas gastrintestinais. Tem um suave efeito tonificante sobre o sistema nervoso, me-

lhorando o estado de humor, ao mesmo tempo que acalma e favorece o sono, tornando-se útil na ansiedade, agitação, insónia, estados de fadiga e depressão. Com atividade antiespasmódica e anti-inflamatória, combate os espasmos dolorosos que caraterizam as dores menstruais, cólicas biliares e renais e enxaquecas. Estudos recentes realçam as suas propriedades antioxidantes, com efeitos protetores contra as alterações induzidas pelos radicais livres, prevenindo o cancro, bem como atenuando os efeitos adversos da quimioterapia; outros estudos evidenciam a atividade antibiótica contra bactérias como a Escherichia coli e antifúngica contra a Candida albicans. Popularmente é usada nas constipações e outros estados febris como auxílio no combate à febre. Outras propriedades O óleo essencial é igualmente utilizado no tratamento das perturbações nervosas e digestivas e ainda na acne, queimaduras e quistos. Entra em formulações cosméticas para limpar e tonificar a pele. Como tomar Uso interno Infusão: 1 colher de sobremesa de folhas por chávena de água fervente. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. Para abrir o apetite tomar antes das refeições; como digestivo, tomar depois; na insónia, tomar uma das chávenas ao deitar. A infusão, deveras apreciada, tem um sabor muito agradável e refrescante. Licor de Lúcia-lima: Como digestivo. As folhas frescas podem aromatizar o arroz, saladas de vegetais ou de frutas, sumos naturais ou refrescos caseiros. Também pode ser usado o óleo essencial em assados, sobremesas, bolos e bebidas. Uso externo Óleo essencial: Diluir num óleo gordo e aplicar nas partes expostas do corpo como repelente de insetos. Precauções As folhas, em uso prolongado ou doses elevadas, podem originar perturbações gástricas e mesmo gastrites. Em peles sensíveis, o óleo essencial pode provocar hipersensibilidade à luz solar, devendo evitar-se a sua exposição após a aplicação.


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cultura

Património Ópera Chinesa na Vila de Coloane

As celebrações do Festival do Dragão Embriagado, iniciadas no passado dia 17 de Maio, terminam hoje, na Vila de Coloane, com um espectáculo de Ópera Chinesa. A tradição secular tem origem no Distrito de Xiangshan (agora Zhongshan, Zhuhai e Macau), na Província de Guangdong. Tradicionalmente, no final da tarde do sétimo dia do quarto mês do calendário lunar chinês, os residentes de Macau que se dedicavam à venda e comércio da indústria da pesca juntam-se no mercado, onde se sentavam mesa para comer, tradição que se transformou na festa da “longevidade do arroz”. Durante esta festividade, um dragão de madeira dançava na mesa onde se queima o incenso. A tradição da dança do dragão embriagado celebrada pelos vendedores de peixe de Macau transformou-se mais tarde numa festividade regular celebrada conjuntamente por todas as associações de vendedores de peixe no oitavo dia do quarto mês do calendário lunar chinês, tornando-se num festival popular tradicional de Macau, celebrado por todos os sectores da sociedade local. O Festival inclui uma variedade de actividades, incluindo o consumo do “arroz da longevidade”, a “Parada do Dragão Embriagado” e a distribuição gratuita de “arroz da longevidade”, assim como duas actuações da “dança do dragão embriagado” e da “dança do leão”. O espectáculo desta noite tem início pelas 19.45. A entrada é livre. – T.Q.

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Cinema O último filme de Jia Zhangke

Rupturas silenciosas

A junção de duas artes

Arte O mapa da China em 1815 latas de leite

Um enorme mapa da China, desenhado com latas de leite em pó, é a última criação do artista chinês Ai Weiwei. A obra, apresentada na passada Sexta-feira no espaço Para Site em Hong Kong, inspira-se no escândalo do leite contaminado com o produto químico industrial melamina, que matou seis crianças em 2008 e deixou 300 mil doentes. Baby Formula 2013 é o título da obra que usa 1815 latas de sete marcas de leite em pó para bebé, cobrindo um espaço de 10x8 metros. Depois do escândalo de 2008 com o leite em pó – e da repetição de escândalos de segurança alimentar, incluindo outro com um produtor chinês de leite para bebés, no ano passado, cujo leite estava contaminado com produtos que reconhecidamente provocavam o cancro – muitos chineses procuram marcas importadas para alimentar os seus filhos. Um dos sítios onde se abastecem é em Hong Kong, embora na Austrália os clientes chineses também estejam a ser culpados por esgotarem stocks de leite para bebés nos supermercados e nas farmácias. Em alguns países europeus estão também a registar-se faltas pontuais. Em Hong Kong, a procura excessiva de leite em pó por parte dos chineses vindos do continente levou a que no dia 1 de Março tenha entrado em vigor uma lei que impede os visitantes de levarem mais do que 1,8 quilos de leite para bebé. A lei prevê multas de 500 mil dólares de Hong Kong para quem tentar traficar maiores quantidades para fora do território. – T.Q.

Arte O preço de Gerhard Richter aumentou

Domplatz, Mailand foi arrematado por 270 milhões de patacas. Nunca um artista vivo tinha conseguido com uma obra atingir um preço tão alto em leilão. Considerado por muitos como o maior artista vivo, o alemão Gerhard Richter somou na passada semana mais um recorde. Richter já era o artista vivo mais caro do mundo, mas na passada terça-feira o seu valor aumentou depois do óleo Domplatz, Mailand ter sido leiloado em Nova Iorque por cerca de 270 milhões de patacas. O quadro estava até agora nas mãos da família Pritzker, mais propriamente no Hyatt Hotel, de Chicago. A família Pritzker, como identifica o New York Times, tinha comprado Domplatz, Mailand, uma imagem da Piazza del Duomo (Milão), em 1998 também num leilão da Sotheby’s. Na altura a obra custou cerca de dez vezes menos. Foi arrematada por 3,6 milhões de dólares (2,7 milhões de euros). O responsável pelo novo recorde foi um homem de negócios de Nova Iorque, Donald L. Bryant, um coleccionador de arte. Segundo o New York Times, o homem já tem planos para esta nova aquisição: ficará em exposição numa das paredes da mansão que está a construir em Napa Valley, na Califórnia. Em comunicado a leiloeira refere ainda que para este leilão de arte contemporânea se registaram licitadores de 35 países, dos quais 20% foram novos registos na Sotheby’s. – T.Q.

movimento têm a capacidade de criar um “sentido de lugar”, fenómeno não só relacionado com a matriz da realidade física do espaço que é filmado, mas também com a relação vivencial que estabelecemos com a luz, a cor, o som, a música e a estrutura narrativa.

Tiago Quadros

info@hojemacau.com.mo

O

último filme de Jia Zhangke não pode ser considerado um documentário por fazer uso de actores na maior parte das cenas filmadas. Contudo, 24 City (2008, China) estabelece uma tentativa muito firme de representar a dissociação entre o rápido desenvolvimento urbano e o comportamento social de uma população que surge como vítima da globalização. O filme desenrola-se num complexo industrial desenhado e concebido para uso militar onde são produzidos e reparados elementos mecânicos para o exército chinês. Todo o complexo torna-se numa cidade onde três gerações crescem. Os planos mais recentes para a área em questão dão conta de um projecto para a construção de centenas de apartamentos de luxo, estando por isso prevista a demolição do com-

plexo industrial. Que relação entre o contexto construído e o comportamento social inerente numa cidade? Como devemos considerar este tipo de cidades mono-funcionais e qual pode ser o seu futuro? Estas são algumas das perguntas lançadas por Jia Zhangke, ao longo dos 107 minutos de 24 City. Entrevistas a antigos trabalhadores do complexo dialogam com as vidas de uma mulher solitária (Joan Cheng), proveniente de Xangai a viver em Chengdu; de uma mãe (Lu Liping) que perdeu o seu filho numa longa viagem desde Shenyang; ou de uma jovem trabalhadora que olha com incerteza para o futuro da geração dos seus pais. Em 24 City, o edifício – exemplo de arquitectura por estudar – é encenado de uma forma inovadoramente cinemática, onde o enquadramento e o movimento são elementos chave do projecto. Jia Zhangke estuda a proximidade entre os mo-

vimentos de renovação no cinema e na arquitectura que corporizaram uma nova visão do espaço e da cidade, marcados por acontecimentos sociais, culturais e políticos da última década na China. A investigação realizada por Jia Zhangke é sobre as pessoas mas também sobre os objectos arquitectónicos que vão estabelecendo um longo caminho de rupturas silenciosas, dando um sinal das mais profundas transformações na sociedade chinesa. Provavelmente como nenhum outro método de visualização, as imagens em movimento conseguem representar os espaços arquitectónicos como espaços “vividos” e “habitados”. O cinema é muitas vezes encarado como um meio que, através da relação espaço/ tempo, da mise-en-scène, dos personagens e do argumento, pode circunscrever importantes debates sobre a arquitectura e a vida urbana. Com efeito, as imagens em

A conexão entre a arquitectura e o cinema tem, assim, um campo rico em 24 City. O filme de Jia Zhangke procura sistematizar as afinidades em torno da arquitectura e do cinema, de forma a construir uma base de trabalho comum para a colaboração entre os diferentes parceiros envolvidos. A relevância de um projecto como 24 City poderá ser essencial para arquitectos e estudantes de arquitectura mas também para todos aqueles que estudem ou se interessem pelos processos profundos de transformação que a China tem estado a atravessar nas últimas décadas. Falo da relação entre a história do espaço urbano, da arquitectura e das imagens em movimento na China. Das oportunidades que se podem gerar de partilha de reflexões em torno de discursos fílmicos sobre a arquitectura assim como leituras espaciais do cinema, cruzando as fronteiras das duas disciplinas. Do ponto de vista documental, o filme de Jia Zhangke procurou compilar informação relevante, até aqui inexistente, sobre as intersecções entre a classe trabalhadora do complexo industrial e a arquitectura no contexto chinês; nesse sentido foram entrevistados os intervenientes com um papel decisivo no período em análise (operários do complexo e familiares). Do ponto de vista ficcional, 24 City projecta uma ideia muito concreta em relação aos medos e convicções daqueles que vestem a iconografia da arquitectura chinesa em questão. Numa época em que a cultura contemporânea chinesa é objecto de estudo um pouco por todo o mundo, sobretudo em centros universitários – dentro e fora da China – o filme de Jia Zhangke deve ser visto, analisado e debatido. E os estímulos gerados, serão de certo fonte de interesse para estudos académicos sobre a arquitectura, o urbanismo e a antropologia do espaço na China.


segunda-feira 20.5.2013

cultura

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Música Paulo Valentim é o responsável pela parte artística da iniciativa

Festival Internacional de Música vai ter fado

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

mais conhecida canção lusa, imortalizada por muitas vozes e património mundial da humanidade, vai estar presente na próxima edição do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM). Serão três noites de fado, cuja parte artística estará a cargo do guitarrista Paulo Valentim, sediado em Macau. Ao Hoje Macau, o músico

levantou a ponta do véu do que o público poderá esperar. “O mais puro fado tradicional vem a Macau. Vamos fazer três noites de fado em que partilhamos o palco com os artistas chineses de Macau que tocam a música tradicional, cantada nos bairros, e que é património da UNESCO. São dois patrimónios que se vão juntar. Do ponto de vista artístico é da minha responsabilidade o espectáculo.” Quanto aos artistas, serão os fadistas José Manuel de Castro e Joana Veiga, Paulo Valentim, na guitarra portuguesa, e Bruno Costa, na guitarra clássica. Sobre José Manuel de Castro, o guitarrista revela que “é considerado por nós, fadistas, a expressão máxima do fado, não sendo um artista conhecido. Quem conhece fado, ouve e diz ‘é aquilo’.” “Pretende-se que seja um espectáculo intimista que vai muito tentar reproduzir a sensação e o prazer de ouvir fado em Lisboa. Esse é o objectivo”, conta o músico.

Conceito semelhante em Roma

Os espectáculos que serão vistos em Macau vão buscar influências a uma iniciativa que decorre no

menos tristes e mais alegres. Tudo muito em festa, e o público italiano gosta desse tipo de espectáculo”. Quanto ao público, a recepção promete ser a melhor. Há “sempre lotações esgotadas, sempre com muita gente a ficar na rua porque não tem como entrar.”

gonçalo lobo pinheiro

A próxima edição do Festival Internacional de Música de Macau vai contar com três noites de fado, cujos convidados estão a cargo do músico Paulo Valentim. José Manuel de Castro, Joana Veiga e o guitarrista Bruno Costa são os nomes que sobem ao palco

Como tudo começou

próximo Sábado, dia 25, em Roma. É na capital italiana que Paulo Valentim irá tocar a sua guitarra portuguesa ao lado de Bruno Costa e de Clara Cristão na voz. No total serão dois concertos. Um na embaixada de Portugal junto da Santa Sé em Roma, mais curto, “com seis ou sete músicas”, como explica Paulo Valentim. Outro será no Instituto Português de Santo António (IPSAR). “É da minha responsabilidade a escolha dos

artistas que me vão acompanhar. A Clara Cristão é uma artista muito talentosa, desconhecida do grande público. Conheço-a há vários anos e é uma amiga minha. Este ano dei-lhe a possibilidade que ela tem de deixar os espaços mais tradicionais do fado. É uma recompensa por ser muito talentosa.” O espectáculo promete durar uma hora. Segundo o músico de guitarra portuguesa, “tem que se cantar todo o tipo de fados, coisas

A presença anual de Paulo Valentim em Roma começou com uma simples iniciativa de Pinto de França, que há 13 anos era embaixador de Portugal em Roma junto da Santa Sé (existe outra embaixada junto do Governo italiano). “Ele convidou uma amiga para ir cantar num jantar que ele oferecia para comemorar o 10 de Junho. Fez-se o jantar de gala e o embaixador convidou a corte romana que apoia o Vaticano. No mesmo ano o adito cultural da embaixada da Santa Sé aproveitou e fez uma noite de fados ao ar livre no interior do pátio que foi um sucesso.” Daí para o convite feito pelo Monsenhor Agostinho Borges, reitor do IPSAR, foi um passo. “Perguntou-me se no ano seguinte eu não me importava de ir lá tocar. A partir daí, todos os anos, eu encarrego-me de tudo, dos artistas.”

Arte Frida Khalo e Barack Obama recriados com missangas para exposição na Livraria Portuguesa

F

rida Khalo, Marylin Monroe e Barack Obama são algumas das personalidades que o artista plástico brasileiro Sérgio Vasco reinterpretou através da técnica da colagem de missangas para uma exposição inédita, em Macau, que pode ser vista desde sábado na Livraria Portuguesa. “Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores” é o título da mostra, inspirado numa música da cantora brasileira Adriana Calcanhoto, que fala de cores, e de Frida Khalo,

O engenho está em reciclar

duas figuras de que o autor é um confesso admirador. O artista plástico, que se situa “na linha do reaproveitamento do material descar-

tável”, e já reciclou filtros de café e latas de refrigerante nas suas obras, começou a trabalhar com missangas há dois anos. “Tinha muitas mis-

sangas de trabalhos antigos. Fiz um trabalho sobre a pintora mexicana Frida Khalo, por ocasião do centenário do seu nascimento, e as pessoas gostaram muito, então decidi começar a fazer outros quadros”, disse à agência Lusa. Da “releitura de fotografias e quadros” resultaram dez obras que compõem a mostra. “Escolho as imagens, faço a impressão já no formato final e colo as missangas por cima da tela”, explicou o artista plástico. À excepção do quadro de Frida Khalo, que deu o

mote para a exposição, as restantes nove obras foram produzidas em Macau, território onde o artista plástico brasileiro se encontra desde Março, a convite da Associação Casa do Brasil em Macau. Em exposição vão estar “personalidades facilmente reconhecidas em Macau” como Jackie Chan, Bruce Lee, Barack Obama, Marylin Monroe - aqui numa reinterpretação do quadro do ícone da ‘pop art’ Andy Warhol -, mas também a bandeira do Brasil, Carmen

Miranda, e ainda uma arara. “Uma arara porque eu fiz um panda e quis fazer o contraponto com um animal que é o símbolo do Brasil e outro de Macau, na China”, explicou Sérgio Vasco, ao falar da sua primeira mostra no estrangeiro. Baseado no Recife, capital do estado brasileiro de Pernambuco, Sérgio Vasco é formado em Belas Artes e em Design e iniciou-se nas artes plásticas há 20 anos. A exposição está patente na Livraria Portuguesa em Macau até 8 de Junho.


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desporto

Liga de Elite Benfica está mais perto do primeiro lugar

Águias travam Monte Carlo Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

A

Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau colocou ontem um ponto final na cavalgada triunfal do Monte Carlo rumo ao principal título de futebol do território. O onze encarnado derrotou os líderes isolados da tabela por duas bolas a zero e relançou a corrida pelo triunfo no âmbito da edição de 2013 da Liga de Elite, quando ficam a restar cinco jornadas para o fim da competição. A jogar no relvado do estádio da Taipa, a formação orientada por Bruno Álvares confirmou o bom momento de forma, neutralizou o jogo do adversário e mandou na partida quase por completo. O onze encarnado entrou melhor na partida e rondou com perigo a baliza de Domingos Chan por várias ocasiões.

O primeiro remate do encontro digno desse nome teve a chancela do brasileiro Marcus Vinicius Tavares, mas falhou por muito o enquadramento com o último reduto dos vice-campeões do território. O Benfica voltou a levar perigo à grande área do Monte Carlo pouco depois, num lance em que Bruno Martinho ficou a pedir grande penalidade num lance dividido com o guarda-redes Domingos Chan. Os líderes da classificação só ao fim de dez minutos conseguem visar a baliza benfiquista, num remate de Leong Ka Hang que faz dançar a malha lateral das redes à guarda de Juan de Castro, mas que acaba por quase não incomodar o guarda-redes luso-brasileiro no último reduto do Macau e Benfica. Aos treze minutos, Bruno Martinho voltou a esgrimir argumentos com Domingos Chan, acabando mesmo por surpreender o veteraníssimo

segunda-feira 20.5.2013

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guarda-redes do Monte Carlo, numa jogada em que Iuri Capelo esteve em destaque. Combativo e persistente, o jovem exteremo da formação de matriz portuguesa recuperou o esférico junto à linha final e abriu para a boca da baliza adversária. Apenas com o guardião adversário pela frente, Bruno Martinho fez o que lhe competia e adiantou o Benfica no marcador. A desvantagem exigia uma forte reacção por parte do Monte Carlo, mas foi sempre o grupo de trabalho às ordens de Bruno Álvares quem mais fez para chegar ao segundo golo. Fábio Silva falhou por pouco a baliza de Domingos Chan na sequência de um pontapé de canto e logo depois foi Bruno Martinho a voltar a importunar o guarda-redes dos vice-campeões do território, com um cabeceamento picado a que Chan respondeu com uma defesa atenta. pub

Do outro lado do terreno de jogo, Juan de Castro só na recta final da primeira parte opera uma defesa digna desse nome, ao travar com facilidade um livre de Francisco Medeiros Rafael. O Monte Carlo entrou na segunda metade do desafio decidido a dar a volta ao resultado e até encostou o Benfica às cordas durante alguns minutos, mas as águias do território acabaram por repelir o assédio do onze orientado por Tam Iao San e por chamar a si de novo as rédeas do desafio. A primeira grande oportunidade da segunda metade pertence ao brasileiro Fabricio Lima, na sequência de uma jogada rápida de contra-ataque da linha avançada do conjunto encarnado. O médio, que na última época vestiu a camisola do emblema presidido por Firmino Mendonça, não conseguiu levar a melhor sobre Domingos Chan no frente-a-frente com o veterano e desperdiçou uma oportunidade de ouro para o Benfica. A formação orientada por Bruno Álvares dominava quase por completo e aos sessenta e sete minutos marca o segundo, com uma finalização digna de figurar nos melhores momentos da temporada . Fabricio Lima redime-se da oportunidade desperdiçada e abre para o coração da área do Monte Carlo, onde o luso-guineense Pio Júnior finaliza com um fabulosa valsa,seguida de um portentoso golo de calcanhar. A perder por duas bolas a zero, o Monte Carlo não conseguiu responder com a mesma eficácia e o mais perto que esteve do golo foi numa tentativa de chapéu de Chan Man. Como que a tentar comprovar que o triunfo foi tudo menos um equívoco, o Benfica ainda fez cantar o ferro da baliza adversária. Com o triunfo frente ao líder da classificação, a formação encarnada deixou claro que é uma séria candidata ao título. O Benfica encontra-se apenas a três pontos do Monte Carlo, num altura em que ainda restam quinze pontos para disputar.

Lam Pak venceu

A 14ª jornada da Liga de Elite teve início na sexta-feira,

Liga de Elite 2013 14.ª Jornada Resultados Lam Ieng

1 – 5 Lam Pak

Ka I

1 – 0 Polícia

Kei Lun

3 – 1 Sub-23

Benfica

2 – 0

Monte Carlo

Chao Pak Kei

4 – 3

Kuan Tai

Classificação Equipa

J V E D GM-GS Pontos

Monte Carlo 14

13

0

1

49-7

39

Benfica 14

12

0

2

45-4

36

Ka I 14

12

0

2

44-11

36

Lam Pak 14

10

0

4

45-14

30

Kuan Tai 14

6

0

8

17-25

18

Polícia 14

5

2

7

19-28

17

Lam Ieng 14

4

1

9

15-45

13

Chao Pak Kei 14

4

0

10

18-46

12

Kei Lun 14

2

1

11

15-54

7

Sub-23 14

0

0

14

7-47

0

com o embate entre as duas formações do primeiro escalão que partilham as mesmas raízes estruturais. Com o terceiro lugar da tabela ainda debaixo de olho, o Lam Pak não comprometeu e goleeou o “satélite” Lam Ieng por cinco bolas a uma. Apesar de ter vencido sem grandes constrangimentos, o onze orientado por Chan Man Kin até permitiu que o adversário se alçasse primeiro para a frente do marcador. O Lam Ieng inaugurou o placard aos 28 minutos, num remate de Leonardo Abrantes desferido à entrada do último reduto adversário. O Lam Ieng respondeu nove minutos depois com Pan Chi Hang a marcar, num lance em que o guarda-redes do Lam Ieng fica mal na fotografia, após confiar erroneamente no golpe de vista. O Lam Pak só aos 54 minutos consegue consumar a reviravolta, num cabeceamento bem colocado do brasileiro Gilberto do Wilton. A vencer, a formação orientada por Chan Man Kin só na recta final do desafio consegue acrescentar amplamente a vantagem, marcando três golos em cinco minutos. O primeiro, apontado aos 83 minutos, teve a chancela do defesa Valença, ainda que com o apoio do guarda-redes adversário. No minuto seguinte foi a vez do suplente Lee Keng Pan deixar a sua marca na partida, ao concluir um contra-ataque rápido do Lam Pak. Sio Ka Un

encerrou a contagem a dois minutos do final do desafio, ao empurrar para o fundo da baliza aberta do Lam Ieng após passe de Gilberto do Wilton.

Ka I na margem mínima

Quem também cumpriu, ainda que por margem menos dilatada, foi o Ka I. Os campeões do território beneficiaram da vitória do Benfica sobre o Monte Carlo e mantêm vivas as esperanças de revalidar o título. No sábado, a formação orientada por Joseclér levou a melhor sobre o Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública com um triunfo pela margem mínima. O único tento da partida foi apontado de cabeça por Cesinha aos doze minutos, na sequência de uma boa jogada do ataque dos tri-campeões do território. O emblema orientado por Joseclér dominou amplamente e esteve perto de marcar o segundo golo num poderosíssimo remate de Nicholas Torrão a que o guarda redes da Polícia, Leong Chon Kit, respondeu com uma defesa monumental. Nos restantes encontros, uma surpresa. O Chao Pak Kei alcançou um valioso triunfo frente ao exigente Kuan Tai, vencendo a formação presidida por João Rosa por quatro bolas a três. No outro desafio, a Selecção de Sub-23 da Associação de Futebol de Macau somou a décima quarta derrota da temporada ao perder por três bolas a uma frente ao Kei Lun.


segunda-feira 20.5.2013

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB Sala 2

star trek: into darkness [b] Um filme de: JJ. Abrams Com: Benetic Cumberbatch, Alice Eve 14.30, 19.15

star trek: into darkness [3D] [b] The Great Gatsby

Um filme de: JJ. Abrams Com: Benetic Cumberbatch, Alice Eve 16.45, 21.30

Sala 1

Sala 3

Um filme de: Baz Luhrmann Com: Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan 14.15, 16.45, 21.45

Um filme de: Shane Black Com: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle 14.15, 16.45, 19.45

the great gatsby [b]

iron man 3 [c]

Um filme de: Shane Black Com: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle 19.15

iron man 3 [3D] [c]

Aqui há gato

the great gatsby [3d] [b]

Um filme de: Baz Luhrmann Com: Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan 19.15

VERTICAIS: 1-Fortaleza de altos muros (pl.). Long-Play (abrev.). 2-Dar a forma de corno. Deus, divindade (Pref.). 3-Da asa. Mocidade (fig.). 4-Peixe da família dos Tunídeos.2 (Rom). 5-O que sofre de monofobia. Prata. (s.q.). 6-Ninho. Aperte com fita. Adicione. 7-49 (Rom.). Preservam. 8-Outorga. Bácoro, porco (Prov.). 9-Gordo. Génios, grandes lalentos (fig.). 10-Presentear . Gratificaria. 11-Agente (Suf.). Comida, refeição (Pop.).

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Para este lugar. Omniforme. 2-Mau cheiro, fedor (bras.). Antiga forma de oui. Lugar onde se tomam bebidas. 3-Género de plantas a que pertencem a erva-moura, a batateira, o tabaco. Outorgar. 4-Procedimento, tratamento. As partes mais largas dos remos. 5-Encrespar. Capa sem mangas. 6-Acolá. Força que imprime movimento a uma máquina. Apeadeiro (abrev.). 7-Portanto. Beco sem saída. 8-Vida (pref.). Ressoar. 9-Três (Pref.).Predição de sucesso futuro. 10-Legislação. Acrescenta. Textualmente. 11-Que vive no estado de poligamia. Em partes iguais (Fram).

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:40 18:30 19:30 20:30 21:00 22:10 23:00 23:30 00:00 00:30

TDM News - Repetição Telejornal + 360º (Diferido) RTPi DIRECTO Contraponto (Repetição) Vingança Telejornal TDM Desporto Escrito nas Estrelas TDM News Com Ciência Telejornal (Repetição) RTPi Directo informação TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:35 Consigo 15:00 Venezuela Contacto - 2013 15:30 Em Reportagem (Madeira) 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 AntiCrise 17:15 Portugal Aqui Tão Perto 18:15 O Teu Olhar (Telenovela) 19:00 Trio d´Ataque 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Venezuela Contacto - 2013 22:45 Portugal no Coração

Grand Prix of Brazil 15:30 (Delay) FIM Mx1 & Mx2 Super Final World Championship 2013 16:30 FIA World Rally Championship 2013 17:30 Freedom Riders Asia 18:00 Turkish Airlines Ladies Open H/ls 2013 19:00 World of Gymnastics 2013 19:30 FIA World Touring Car Championship 2013 Highlights 20:00 The Verdict 20:30 2013 FIFA Beach Soccer World Cup Qualification Ecuador vs. Brazil 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 2013 FIFA Beach Soccer World Cup Qualification Brazil vs. Uruguay 23:00 The Verdict 23:30 500 Great Goals 40 - FOX Movies 11:35 Armored 13:05 Pirates Of The Caribbean 15:30 Drive 17:10 We Bought A Zoo 19:15 Once Upon A Time 20:00 Da VinciíS Demons 21:00 The Covenant 22:40 The Big Year 00:20 The Barrens

30 - FOX Sports 13:00 NASCAR Sprint Cup Series 2013 - Highlights 14:00 OCBC Cycling Singapore 2013 15:00 FINA Aquatics World 2013 15:30 MLB Regular Season 2013 Detroit Tigers vs. Texas Rangers 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 Asean Basketball League 2013 Saigon Heat vs. Westports Malaysia Dragons 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 MotoGP World Championship 2013 - Main Races Grand Prix De France

HORIZONTAIS: 1-CA. OMNIMODO. 2-ACA. OIL. BAR. 3-SOLANO. DER. 4-TRATO. PAS. P. 5-ENRUFAR. OPA. 6-OLA. MOTOR. AP. 7-ORA. BETESGA. 8-S. BIO. ECOAR. 9-TRI. AGOIRO. 10-LEI. ADE. SIC. 11-POLIGAMO. AA. VERTICAIS: 1-CASTELOS. LP. 2-ACORNAR. TEO. 3-ALAR. ABRIL. 4-O. ATUM. II. I. 5-MONOFOBO. AG. 6-NIO. ATE. ADA. 7-IL. PROTEGEM. 8-M. DA. RECO. O. 9-OBESO. SOIS. 10-DAR. PAGARIA. 11-OR. PAPAROCA.

31 - STAR Sports 10:30 Sk Telecom Open Day 3 13:30 (Delay) FIM Mx1 World Championship 2013 Grand Prix of Brazil 14:30 (Delay) FIM Mx2 World Championship 2013

41 - HBO 12:00 Sherlock Holmes 14:10 Along Came Polly 15:45 Finding Forrester 18:00 Coach Carter 20:15 Mirror Mirror 22:00 Veep 22:30 Game Of Thrones 23:30 Pitch Black 42 - Cinemax 12:00 Sliver 13:45 Memphis Belle 15:30 Hollywood On Set 492 16:00 The Ambushers 17:40 The Perfect Weapon 19:00 Dead Mine 20:20 The Freshman 22:00 Paranormal Activity 2 23:30 Surviving The Game

À venda na Livraria Portuguesa Como é Linda a Puta da Vida • Miguel Esteves Cardoso

“O que espanta num gato é a maneira como combina a neurose, a desconfiança e o medo - para não falar numa ausência total de sentido de humor - com o talento para procurar e apreciar o conforto e, sobretudo, a capacidade para dormir 20 em cada 24 horas, sem a ajuda de benzodiazepinas. O gato é neurótico mas brinca. (...) Mas, acima de tudo, descobriu o sistema binário da existência. Que é: dormir faz fome. Comer faz sono. Acordo porque tenho fome. Adormeço porque comi. Nos intervalos, faço as necessidades.”

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Yoga Para Pessoas Que Não Estão Para Fazer Yoga • Geoff Dyer

Vencedor do prémio W.H. Smith Best Travel Book, 2004, “Yoga Para Pessoas Que Não Estão Para Fazer Yoga” é o primeiro título de Geoff Dyer publicado pela Quetzal. Muito mais do que um livro de viagens, “Yoga Para Pessoas Que Não Estão Para Fazer Yoga” é uma viagem por paisagens reais - Amesterdão, Cambodja, Roma, Indonésia, Nova Orleães, Líbia, deserto do Nevada - e oníricas, por histórias, ideias, poemas e todos os labirintos da imaginação. Nesta prosa reverberante de inteligência, graça e de uma imensa comicidade, Dyer explora a noção de que experiências em diferentes lugares e diferentes tempos ocorrem, de alguma forma, em simultâneo; de que cada experiência é única, irrepetível, sem paralelo. Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Um pouco de Hong Kong É verdade! Aproveitando mais um feriado fugi de Macau e voltei a Hong Kong para retemperar algumas forças. Foram três dias cheios de tudo. O primeiro dia foi passado, basicamente, na cidade. Visitei o aviário, subi ao edifício do Banco da China, andei de teleférico até ao pico mais alto, andei pelas ruas, masquei a maior pastilha que alguma vez vi na vida – quem diria - e acabei a noite a jantar do outro lado do mar, em Kowloon. O repasto incluiu canivetes, vieiras e carne de porco. O dia seguinte foi dedicado mais a passear pelas ilhas. Direitinho de Hong Kong para Lantau. Após 45 minutos numa fila interminável, apanhei o teleférico que me levou da cidade até ao Big Buddha. Qual imponente estátua no meio das montanhas. O calor nesta altura tornara-se insuportável mas não me fez desistir de subir umas centenas de escadas até chegar ao topo do monumento. Paisagem até perder de vista! Parei, sorvi e desci. Cá em baixo estava um templo à minha espera para ser visitado. Cores, cheiros, sons... Rapidamente se chegou à hora de almoço. Destino: Tai O, uma típica aldeia piscatória, onde as casas estão suspensas em estacas em cima da água e onde tudo está revestido de misticismo. O almoço, já um pouco tardio, implicou a escolha prévia de caranguejos e peixe – nham, nham. O início da digestão coincidiu com uma bela caminhada que me levou até ao topo de uma montanha, onde supostamente iria ver golfinhos. O caminho, por um trilho bem arranjado com chão de xisto, estava aqui e ali pontuado com campas no meio da densa vegetação e com pinheiros, imagine-se. A tradicional árvore mediterrânica deve ser sido introduzida na região pelos colonos ingleses e portugueses. No topo da montanha, um mini-pagode permitiu descansar e olhar o horizonte. Golfinhos nada! Libélulas muito! Estava feito o dia. Regressei a Hong Kong com a sensação de dever cumprido. Esperava-me um jantar no centro da cidade e uma noite de cerveja no Bairro Alto cá do burgo. Muito som, muita confusão, muita bebida. É assim Hong Kong à noite e a cerveja ali, tão barata, para ser consumida. Duas horas depois... caminha! No último dia fui até ao Ocean Park. Que maravilha. Um autocarro apanhado no centro da cidade leva-me até ao parque temático num abrir e fechar de olhos. De repente estou no sul da ilha. Vejo aves, peixes, ando de montanha-russa, de teleférico, etc. Mas apenas ao fim da tarde teria uma recompensa: pandas gigantes ao vivo. Mais umas voltas e outras tais, com algodão doce na mão, devolvi-me ao remetente. Nos entretantos jantei no Old China Hand, o pub britânico mais antigo e carismático da cidade, e os meus pés desfrutaram de uma massagem tailandesa durante uma hora.

Pu Yi


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segunda-feira 20.5.2013

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Notas para a recordação do meu mestre Portas Ricardo Araújo Pereira in Visão

P

assos Coelho realizou o sonho de Sá Carneiro acrescido de um inesperado brinde: a direita tem uma maioria, um Governo, um Presidente e um líder da oposição. Esta proeza política só é possível graças a uma espécie de enfermidade ideológica. O Governo, como Fernando Pessoa, é histero-neurasténico. O resultado é a heteronímia política a que assistimos esta semana. Há o Governo das sextas-feiras, que é comportado e temente à troika, e que se propõe aprofundar a austeridade; e há o Governo dos domingos, que é insurrecto, despreza a troika e traça limites que a austeridade não pode ultrapassar. Havia saldos nas urnas, nas eleições de 2011, e eu não percebi. Vote num e leve dois. Dois governos pelo preço de um. Por mim, acho óptimo. Quantos mais governos elegermos, mais hipóteses temos

Havia saldos nas urnas, nas eleições de 2011, e eu não percebi. Vote num e leve dois. Dois governos pelo preço de um de acertar num que seja bom. Dois ainda é pouco, claramente. Agora estou curioso para saber o que o Governo das sextas-feiras irá dizer da posição tomada pelo Governo dos domingos. É um diálogo do Governo consigo mesmo que traz uma boa notícia e uma má notícia - e ainda uma excelente notícia: a boa é que, como pediu Cavaco, existe cada vez mais consenso entre parte do Governo e a oposição; a má é que existe cada vez menos consenso entre parte do Governo e a outra parte do Governo: a excelente é que a falta de consenso não põe em causa a colaboração com o Governo. Paulo Portas não concorda

com quase nada do que o Governo faz, mas isso não o impede de comparecer no Conselho de Ministros. O consenso tem sido muito sobrevalorizado. O País não precisa dele para nada. Infelizmente, não votei em nenhum destes governos conflituantes, mas aprecio o esforço de Paulo Portas, que parece ser o único interessado em combater o desemprego. É certo que o desemprego que ele se empenha em combater é o seu, mas tem de se começar por algum lado. A posição de Paulo Portas é suficientemente ambígua para que esteja apto a coligar-se com o PSD ou o PS. Em caso de queda do Governo, não ficará desempregado. É a vantagem da democracia-cristã. Mistura o principal ensinamento do cristianismo (“ama o próximo como a ti mesmo”) com as contingências da alternância democrática. O resultado é: ama o próximo Governo como a ti mesmo. O CDS está sempre disponível para amar o próximo Governo.


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David Chan*

macau visto de hong kong

A educação perfeita

N

a terça-feira, dia 7 de Maio, foi revelado que um homem mantinha em cativeiro três mulheres, há mais de dez anos, na sua casa em Cleveland, no estado do Ohio, nos Estados Unidos. A primeira vítima, Amanda Berry, foi raptada a 21 de Abril de 2003, quando tinha 16 anos. Tem agora 27 anos e uma filha de seis anos. A segunda vítima, Michelle Knight, foi raptada a 21 de Agosto de 2002 quando tinha 20 anos. Tem agora 32 anos. Quando foi resgatada pela polícia afirmou que o suspeito, Ariel Castro, a engravidou pelo menos cinco vezes, forçando-a depois a abortar, batendo-lhe repetidas vezes na barriga e privando-a de comida. A última vítima, Gina de Jesus foi raptada no dia 2 de Abril de 2004 quando tinha apenas 14 anos. Isto é um caso criminal muito grave; é um crime. O governo deve instituir um caso criminal porque o comportamento do acusado está para além das expectativas da sociedade. O acusado provavelmente quebrou a lei e deve ser julgado. Se for declarado culpado deve ser castigado com pena de prisão, por exemplo. A descoberta deste crime foi qualquer coisa de incrível. Charles Ramsey ouviu pedidos de “socorro” vindos da casa do seu vizinho, Ariel. Amanda esticou a mão por entre a porta de alumínio e gritou. Os seus gritos chegaram aos ouvidos de Charles Ramsey. Em declarações à polícia Amanda afirmou que gritou: “Socorro, sou Amanda Berry. Estou desaparecida há mais de dez anos. Salvem-me.” Ariel era motorista do autocarro escolar. Vivia com os dois irmãos Onil e Pedro, e ainda a mãe, na mesma casa. Não restam dúvidas de que deve, pelo menos, ser acusado de violação, detenção ilegal e rapto. Deve ser responsabilizado criminalmente pelas ofensas que cometeu. No início da investigação a polícia suspeitava que os irmãos, Onil e Pedro eram cúmplices. Do ponto de vista da opinião pública é difícil de acreditar que os dois irmãos estão inocentes. No entanto, a polícia descobriu que o suspeito fechava grande parte das portas da casa, e o problema ficou resolvido. Uma vez que os irmãos e a mãe não tinham acesso

à cave, à garagem e ao sótão da casa, não foram acusados de cumplicidade. O termo “cúmplice” designa alguém que ajuda o criminoso a cometer um crime. Por exemplo, A e B planearam assaltar uma casa. A vai para dentro da casa, enquanto B fica cá fora a vigiar, no caso do dono da casa voltar. B é cúmplice do crime, embora não tenha tido intervenção directa no roubo. Onil e Pedro tiveram de enfrentar uma série de problemas depois da investigação contra eles ter terminado. A casa foi apedrejada, as janelas partidas e algumas pessoas chegaram mesmo a entrar na casa com a intenção de os matar. As suas vidas, e a da mãe do acusado estiveram em perigo, e estão agora refugiados. Uma vez que a polícia libertou Onil e Pedro, podemos concluir, embora neste caso seja difícil de acreditar, que eles não tomaram parte no rapto, violação e sequestro das vítimas.

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Numa linguagem simples, “Violação” é um crime cometido por um elemento do sexo masculino contra um do sexo feminino. Uma vez que o órgão sexual masculino penetra o órgão sexual feminino, sem o seu consentimento, existe lugar a violação, independentemente de haver, ou não, ejaculação Onil e Pedro não cometeram nenhum crime, mas será que viram Ariel cometê-lo? A polícia provavelmente já lhes colocou esta questão. Como não temos informações suficientes não podemos responder à questão. Mas suponhamos que os irmãos viram Ariel violar as vítimas.

Quem assiste a uma violação torna-se cúmplice do agressor? A resposta depende da lei dos Estados Unidos. Mas em Inglaterra houve o caso Giannetto, em 1997. O réu foi declarado culpado de “ incentivar um crime”, por “ não ter feito mais do que dar umas palmadinhas nas costas, acenar com a cabeça e dizer ‘oh goody’...” Portanto, segundo a lei inglesa, estas acções são incentivos para alguém cometer um crime, e a pessoa em causa é considerada cúmplice do mesmo. Se o caso Ariel tivesse acontecido em Macau, e presumindo que os irmãos tinham assistido à violação, seria muito difícil de os acusar de “cumplicidade” porque estes não cometeram a violação. No entanto o que podemos afirmar é que assistir a uma violação, com ou sem incentivo, é completamente imoral, sobretudo na nossa sociedade. É ainda mais nocivo para a vítima. Nunca deveria acontecer. Lembram-se do caso de transexualidade de Hong Kong que discutimos há duas semanas?A mulher transexual ganhou finalmente a questão. Já pode casar com o namorado. Do ponto de vista dos transexuais são boas notícias porque agora já podem casar em Hong Kong. Ao acompanhar este caso, concluímos que temos de reformar os crimes sexuais. Uma dos novos caminhos deve ser o dos crimes sexuais contra os transexuais. Tomemos como exemplo a violação. Numa linguagem simples, “Violação” é um crime cometido por um elemento do sexo masculino contra um do sexo feminino. Uma vez que o órgão sexual masculino penetra o órgão sexual feminino, sem o seu consentimento, existe lugar a violação, independentemente de haver, ou não, ejaculação. Se o agressor violar uma mulher transexual, (um homem que mudou de sexo), estamos perante um caso de violação, ou não? Por oposição, pode um homem transexual, (uma mulher que mudou de sexo), cometer o crime de violação contra uma mulher? No artigo “transexualidade” afirmamos que se uma mulher recusar ter sexo com o marido, o marido não poderia ter sexo com outra pessoa senão estaria a cometer adultério. Será que este marido estaria a cometer adultério se tivesse sexo com uma mulher transexual? Seguindo a mesma lógica, se o marido tivesse sexo com um homem, também seria considerado adultério? Vale a pena pensar nestas questões na sociedade moderna. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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ca rtoon

China quer ajudar Europa a ultrapassar crise da dívida

O responsável pelo Comité dos Negócios Estrangeiros do Congresso Nacional do Povo da China, Li Zhaoxing, garantiu este sábado, na iniciativa “Concelho de Estado”, realizada em Arco de Valdevez, que aquele país quer ajudar a Europa a ultrapassar a crise da dívida pública. “A crise financeira não foi causada pela China. Mas, como parte do mundo, está empenhada em juntar-se à comunidade internacional para resolver este problema. Para que especialmente as pessoas comuns possam ter uma melhor vida”, disse Li Zhaoxing, também exministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China.

Portugal caminha para uma crise de regime O secretário-geral do PS, António José Seguro, afirmou no sábado à noite que as circunstâncias negativas em que Portugal se encontra poderão resultar numa “crise de regime”. “Estamos metidos numa grave crise. Numa crise social, numa crise económica, numa crise política, e estas três crises somadas podem dar origem a uma crise de regime”, alertou o líder socialista, na cerimónia de apresentação de João Azevedo como candidato do PS a Mangualde. Seguro lembrou também que “já há muita gente que vive desiludida com a política”. “Nós temos uma dupla responsabilidade: a de renovar a confiança dessas pessoas nas instituições democráticas do nosso País e, fundamentalmente, de dar respostas aos problemas dos portugueses.”

EDP vence prémio ‘Euro Bond of the Year’ A EDP venceu, terça-feira, o prémio ‘Euro Bond of The Year’, atribuído pela International Financing Review, tornando-se assim a primeira empresa portuguesa a conseguir tal feito. O galardão foi oferecido pelo facto de a eléctrica ter tido o melhor desempenho mundial em emissão de dívida em euros, em 2012. A 14 de Setembro, a EDP emitiu obrigações a cinco anos, no valor de 7,5 mil milhões de patacas, e obteve uma procura dez vezes superior à oferta.

beckham reforma-se

por Steff

Homossexualidade Governo quer promover mais conhecimento sobre a SIDA

Desmistificar transmissão do vírus Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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as sessões comemorativas do Dia Contra a Homofobia e Transfobia (IDAHO), efeméride assinalada na passada sexta-feira, 17 de Maio, a Arco-íris de Macau (Rainbow of Macau, em inglês) realizou uma palestra no sábado no Instituto Politécnico de Macau (IPM) na qual se evocaram acções para lutar pela igualdade dos homossexuais. Na mesma sessão, a terceira de uma série de conferências, esteve presente uma representante dos Serviços de Saúde (SS) para partilhar conhecimento com a audiência sobre doenças infecciosas. A técnica superior do Centro de Prevenção e Controlo da Doença (CPCPD), Wong Wing Man, entende que é um mau entendimento considerar que os homossexuais têm mais facilidade em serem infectados pelo vírus da SIDA (HIV). E, por essa razão, aproveitou para desmitificar equívocos semelhantes. “O maior forma de transmissão do HIV é por via sexual. Segundo as estatísticas, os heterossexuais têm maiores probabilidade de contrair a doença do que o contacto sexual por parceiros do mesmo sexo”, explicou Wong Wing Man.A mesma responsável disse ainda que a sociedade tem medo dos doenças infecciosas

porque não sabe bem de que forma pode ser infectada. E, acrescentou, ainda há pessoas com receio de fazer exames para diagnosticar a doença ou por recearem o que os outros vão pensar. “É preciso aumentar a consciência sobre doenças transmissíveis na sociedade e promover a prevenção e tratamento de doenças infecciosas.” Wong Wing Man salientou ainda que os laboratórios privados fornecem o teste de HIV, além de o Laboratório de Saúde Pública do SS que também tem grupo de aconselhamento de SIDA, no qual os residentes de Macau podem ter uma consulta gratuita. O presidente de Arco-íris de Macau, Anthony Lam, revelou que muitas pessoas esperam uma forma mais anónima para detecção de doenças infecciosas mas o mercado de Macau temporariamente não vende teste rápido de HIV.

Co-adopção aprovada em Portugal

Na passada sexta-feira, o Parlamento português aprovou na generalidade a co-adopção de casais do mesmo sexo. Na prática, Portugal é o quinto país no mundo em que é possível estender-se o vínculo de parentalidade de um dos elementos do casal (pai ou mãe biológica ou adoptante) ao seu cônjuge. Na mesma reunião plenária, no entanto, ficou de fora a adopção plena por casais homossexuais. O dirigente da primeira associação pró-LGBT (lésbicas, bissexuais,

gays e transexuais/transgéneros) felicitou a lei aprovada que, em seu entender, não é mais do que a progressão natural numa sociedade que se quer igualitária. “É um passo em frente para a comunidade LGBT já que acreditamos que se casais do mesmo sexo têm direito ao matrimónio, também devem poder criar uma criança”, explicou, lembrando que em Portugal foi aprovado o diploma que prevê o casamento homossexual em 2010. “Alguns dizem que não é uma estrutura familiar apropriada para as crianças porque se podem tornar gays ou lésbicas, nós replicamos que todos os LGBT nasceram e foram criados com famílias heterossexuais.” Sobre a probabilidade de num futuro próximo Macau poder ver aprovado um diploma idêntico, Anthony Lam diz que “nada é impossível”. “A aprovação da adopção por casais do mesmo sexo vem precedida ou acompanhada pela lei que determina a união civil ou casamento de homossexuais. No entanto, a Arco-Íris de Macau mantém uma visão positiva deste desenvolvimento.” E, acredita, não tardará muito, tomando como exemplo Taiwan. “Taipé levou uma década a conseguir a compreensão pública e a discutir o casamento/união civil entre casais do mesmo sexo. A Arco-Íris de Macau acredita que, como Macau é cada vez mais uma cidade internacional, esse dia eventualmente chegará.”

Há 20 suspeitos pelo desaparecimento de Maddie

A nova lista, de potenciais suspeitos, elaborada pela Scotland Yard tem 20 nomes de pessoas que podem ter estado envolvidas no desaparecimento de Madeleine McCann, no verão de 2007, no Algarve. Segundo avança o The Sun, a lista foi criada por um grupo de trinta polícias britânicos que leram milhares de arquivos enviados pela polícia portuguesa e fizeram a correlação com dados recolhidos pelos investigadores destacados para o caso. A portavoz dos pais de Maddie, Clarence Mitchell, diz que que Gerry e Kate McCann “têm-se sentido encorajados a partir do momento que a revisão começou”.

Polónia Nasceu um bebé bêbedo

Na Polónia nasceu esta sexta-feira um bebé com uma elevada taxa de alcoolemia, perigosa para a saúde do recém-nascido. A mãe, de 24 anos, arrisca-se a perder a guarda do filho e a passar cinco anos na prisão por negligência. A mulher desmaiou numa loja de bebidas alcoólicas e foi transportada, de ambulância, para o hospital, com uma taxa de 2,6 gramas de álcool por litro de sangue. Foi imediatamente internada e sujeita a uma cesariana de urgência para conseguir salvar o bebé. “Quando saiu, o coração batia muito pouco e tinha 4,5 gramas de álcool no sangue”, disse Wokciech Zawalski, porta-voz do hospital local, às agências internacionais, explicando que é um valor 23 vezes acima do limite legal permitido a um condutor naquele país. O bebé está numa incubadora, sob cuidados intensivos e numa terapêutica de desintoxicação, tendo nascido duas semanas antes do previsto.

Explosão de meteorito na lua foi visível da Terra

Um telescópio da NASA captou o impacto de um meteorito na lua, na mais forte explosão registada na superfície lunar. O corpo celeste tinha cerca de 40 quilos e criou um intenso feixe de luz, visível a partir da Terra a olho nu. O meteorito deslocava-se a cerca de 90 mil quilómetros por hora e tinha cerca de 30 centímetros de diâmetro. Embateu na lua na quinta-feira. Segundo os investigadores da NASA, a explosão foi equivalente à detonação de cinco toneladas de dinamite. “Explodiu num clarão quase 10 vezes mais brilhante do que qualquer coisa que tenhamos visto antes”, disse, no vídeo publicado pela NASA este sábado, Bill Cooke, do gabinete de estudos de meteoritos da NASA, no Centro Espacial Marshall de Huntsville, no Alabama.

Hoje Macau 20 MAI 2013 #2853  

Edição do jornal Hoje Macau N.º 2853 de 20 de Maio de 2013