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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEXTA-FEIRA 20 DE ABRIL DE 2018 • ANO XVII • Nº 4035

COREIAS À MESMA MESA TIAGO ALCÂNTARA

GRANDE PLANO

PÁGINA 4

EXPOSIÇÃO AI WEIWEI EM HONG KONG

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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EVENTOS

hojemacau

A última cruzada O Tribunal de Segunda Instância negou o recurso de Sulu Sou sobre a decisão da Assembleia Legislativa que suspendeu o seu cargo de deputado. O colectivo de juízes entendeu que em causa esteve um acto político que não cabe nas competências do tribunal. Sulu Sou irá interpor recurso para o Tribunal de Última Instância. ÚLTIMA

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AL TÁXIS DA EMPRESA

MOP$10


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20.4.2018 sexta-feira

ENCONTRO ´ COM A HISTORIA COREIAS ANALISTAS VÊM COM OPTIMISMO POSSÍVEL ACORDO NA PENÍNSULA


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sexta-feira 20.4.2018

Os preparativos já estão a ser feitos. No próximo dia 27 pode dar-se um passo na direcção de um acordo histórico entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul que pode trazer a paz à península, depois de mais de 60 anos de relações tensas. Mas, para que seja bem sucedido, há que ter em conta o papel da China e dos Estados Unidos. Analistas consideram que este é o momento certo e que todos têm a ganhar com as negociações de paz

E

STÁ a ser preparado o trajecto na fronteira entre as Coreias que será percorrido pelo líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, no próximo dia 27. Se Kim o fizer, está dado o primeiro passo, desde a assinatura do Acordo de Armistício Coreano em 1953, para um entendimento na península. Desde então, nenhum líder norte-coreano atravessou a Linha de Demarcação Militar. O caminho tem como destino um encontro com o seu homólogo da Coreia do Sul, Moon Jae-in, para se dar início a negociações para o processo de desnuclearização da Coeria do Norte. Além disso, a reunião abre portas a uma nova relação entre aqueles dois países. Ao mesmo tempo, está já agendada uma reunião entre o líder norte coreano e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mais um acontecimento sem precedentes na soberania dos “grandes líderes”. Este encontro continua sem data concreta, mas tudo indica que terá lugar entre Maio e Junho em local ainda por definir. Segundo o New York Times, não se pode falar de acordo entre as Coreias sem falar dos países a que estão ligadas. Neste caso, a China e os Estados Unidos, até porque assim está previsto no Armistício de 53. No entanto, o encontro da próxima semana é já um avanço para o entendimento, considera o especialista em relações internacionais, Arnaldo Gonçalves. “O interesse é das duas Coreias, e o interesse é que aprofundem os entendimentos ou o conhecimento das posições de cada uma”, começa por dizer ao HM. A reunião da semana que vem “é uma forma de quebrar o gelo e perceber o que se pode fazer”. Por outro lado, “as

duas Coreias têm, objectivamente, do ponto de vista legal, um conflito de 60 anos. Tecnicamente tem de ser resolvido e não tem de ser com capitulação, pode haver uma alternativa”, aponta. Wang Jianwei, especialista em relações internacionais da Universidade de Macau também vê com bons olhos o início das negociações. “Neste momento, parece que as Coreias vão chegar a um acordo para haver reconciliação. Talvez haja mesmo um acordo de paz, que depois poderia ser apoiado pelos EUA e China”, disse ao HM.

“Tanto a Coreia do Norte como os Estados Unidos chegaram à conclusão que estão esgotados os outros meios para ultrapassar as dificuldades nas relações bilaterais.” “Há pessoas em Washington que preferiam utilizar a força militar. Mas os riscos da operação são demasiado elevados, por isso ninguém quer ter o ónus dessa decisão.” WANG JIANWEI ACADÉMICO DA UNIVERSIDADE DE MACAU

De acordo com o académico, tudo indica que o entendimento pode ir a bom porto, aliás, um dos indicadores optimistas é a relativa restrição das críticas por parte de Pyongyang a Washington, dos últimos tempos, depois de terem sido lançadas ameaças exterminadoras.

DOS PEÕES AOS REIS

Falar das Coreias e do seu entendimento só pode ter efeito se se tiver em consideração os países que apoiam cada uma delas. Estados Unidos e China são centrais e com a reunião anunciada entre Trump e Kim, está aberto o caminho para que a península asiática possa efectivar um tratado. “Isto é uma plataforma, como se fosse um xadrez. O regime da Coreia do Sul é aliado dos Estados Unidos, têm um tratado de defesa e assistência mútua. Por isso não pode, do ponto de vista do tratado, avançar com qualquer posição sem consultar os americanos ou mantê-los informados”, aponta Gonçalves. Para já, parece que os indicadores são positivos, até porque se está a assistir a uma acção sem precedentes. “Trump surpreendeu todo o mundo, como costuma fazer, e decidiu anunciar que tem interesse em, finalmente, promover negociações entre os Estados Unidos e o regime da Coreia do Norte”, explica o especialista. No entanto, falar da Coreia do Norte e dos Estados Unidos não dá certezas de sucesso das negociações, por muito optimismo que a situação suscite. De acordo com Arnaldo Gonçalves, “não nos podemos esquecer que estamos perante actores internacionais que são imprevisíveis”, refere ao HM. Não se tratam de líderes em que pode antever comportamentos. “São impulsivos, egocêntricos, megalómanos, têm uma visão da política muito pessoal. Podem entrar na sala de reunião com uma disposição e mudarem rapidamente, ao ponto de abandonarem as negociações, porque alguém teve um comentário mais intempestivo”, explica. No entanto, se o encontro ocorrer é bom sinal, até porque é um primeiro contacto entre o Ocidente e o regime de Kim Jong-un.

ORDENS NA SOMBRA

No que respeita ao papel da China, Wang Jianwei considera que tem tido uma influência aparentemente mais discreta, o que não invalida o seu papel decisor em todo o processo. Exemplo disso foi o encontro recente em Pequim entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o norte coreano Kim Jong-un. “A China quer manter a iniciativa no destino da Coreia do Norte. Não é difícil de acreditar que estão a

actuar por trás do palco, colocando pressão na Coreia do Norte. No passado, mesmo quando a ONU impunha sanções à Coreia do Norte, a China continuava a deixar a porta aberta para eles sobreviverem”, aponta. No entanto, há quem defenda que Pequim tem ficado marginalizada porque é um assunto, por um lado entre as Coreias, e por outro entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Mas, para o académico, “a China assumiu um papel fundamental para que a Coreia do Norte estivesse disposta a falar com os Estados Unidos através do apoio da China às sanções aprovadas no seio da ONU à Coreia do Norte, que os deixaram sem alternativas económicas”.

“Trump surpreendeu todo o mundo, como costuma fazer, e decidiu anunciar que tem interesse em, finalmente, promover negociações entre os Estados Unidos e o regime da Coreia do Norte.” ARNALDO GONÇALVES ESPECIALISTA EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Para Arnaldo Gonçalves, a China “será sempre um actor central nestas negociações”. Em causa está a dependência da Coreia do Norte da ajuda que tem tido do seu aliado. “Se a China não vir com boa vontade as negociações, não haverá avanços porque o regime na Coreia do Norte é absolutamente dependente do regime chinês, em termos de conselheiros militares, económicos, assistência alimentar, transportes e comunicação”, explica.

QUID PRO QUO

Apesar da “guerra comercial” entre a China e os Estados Unidos, os analistas consideram esse factor em nada interferirá nas negociações entre as Coreias. “Não creio que a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos tenha um impacto adverso para os diálogos entre as Coreias, e entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos”, refere Wang. Porém, há ainda questões de reciprocidade a ter em conta. De acordo com Wang, “um bom resultado das reuniões também depende da sinceridade dos EUA e se têm incentivos suficientes para oferecer. Não acredito que a Coreia do Norte vai estar disposta

para abdicar das armas nucleares e da segurança do regime, se não houver ofertas suficientes em cima da mesa”, refere. O académico considera que é possível que as pessoas tenham subestimado Kim Jong-un. A razão, aponta, tem que ver com o facto se ter achado que o responsável norte-coreano nunca ia abdicar das armas nucleares. “Ele até poderá ser mais inteligente e razoável do que se espera”, remata. As negociações diplomáticas não são gratuitas, aponta Arnaldo Gonçalves. “Se a China sentir que os Estados Unidos não estão a ser justos nas relações comerciais, pode sempre interferir e não apoiar as negociações”. Mas, destaca, “Pequim considera que a eliminação do armamento nuclear nas Coreias é do seu interesse nacional”. Apesar dos atritos comerciais entre Trump e Xi nas últimas semanas, para Gonçalves “felizmente, existem boas relações entre os presidentes da China e dos EUA”.

O MOMENTO É AGORA

De acordo com os analistas, o momento para avançar para o acordo entre as Coreias chegou. “Tanto a Coreia do Norte como os Estados Unidos chegaram à conclusão que estão esgotados os outros meios para ultrapassar as dificuldades nas relações bilaterais”, explica Wang Jianwei. No que respeita à Pyongyang, depois dos vários testes nucleares que o país levou a cabo, Kim terá concluído que o país está prevenido contra invasões e por isso não há necessidade de continuar nessa trajectória. Além disso, o líder norte-coreano também saberá que se o fizer se arrisca a motivar uma guerra com os norte-americanos, refere. Por seu lado, nos Estados Unidos, apesar das opiniões se dividirem entre a intervenção militar e as negociações, a solução diplomática para ser a mais viável. “Há pessoas em Washington que preferiam utilizar a força militar. Mas os riscos da operação são demasiado elevados, por isso ninguém quer ter o ónus dessa decisão. As consequências de uma guerra entre os Estado Unidos e a Coreia do Norte seriam imprevisíveis”, diz Wang. “Por isso, Washington aproveitou a oportunidade e estendeu o ramo de oliveira à Coreia do Norte”, aponta o académico. Entretanto, a China já se mostrou a favor das negociações. De acordo com o New York Times, o porta voz do Ministro dos negócios estrangeiros chinês, Hua Chunying, referiu que “a atitude da China é de abertura e apoio a qualquer solução pacífica para resolver os conflitos da península Coreana”. Sofia Margarida Mota e João Santos Filipe info@hojemacau.com.mo


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20.4.2018 sexta-feira

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA LICENÇAS DE TÁXIS SÓ PARA EMPRESAS PREOCUPA DEPUTADOS

Táxis & Companhia Limitada TIAGO ALCÂNTARA

A proposta de lei que revê o regulamento do transporte de passageiros de táxi foi aprovada na generalidade. Apesar da unanimidade, os deputados mostraram dúvidas quanto ao facto de apenas empresas poderem concorrer a uma licença de táxi e de ter caído a proposta de instalação de câmaras de vídeo para detectar infracções

apoiava o sistema de gravação sonora e de vídeo, mas agora não há imagem. Vai aditar?” O deputado deu o “exemplo extremo” de um passageiro a estrangular um taxista – ou vice-versa – em que ouvir dizer “não me bata” não esclarece o que aconteceu. “Há uns anos também houve um taxista que não deixou o passageiro sair da viatura. O caso foi para tribunal que, no final, deu razão ao taxista”, porque a obtenção de provas era muito difícil”, apontou. Angela Leong concordou: “O som e imagem contribuiriam decisivamente para combater as infracções e proteger os interesses de passageiros e taxistas”.

RECURSO PARA TAXISTAS “INJUSTIÇADOS”

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Assembleia Legislativa (AL) aprovou ontem, na generalidade, a proposta de lei que revê o regulamento do transporte de passageiros em táxis, em vigor há mais de 18 anos. Apesar do voto por unanimidade, o diploma, que demorou anos a ser elaborado, despertou uma série de preocupações, entre as quais o facto de apenas empresas se poderem candidatar a concursos públicos para a atribuição de licenças. “O Governo deve explicar onde quer chegar com essa política de limitar o concurso às sociedades comerciais”, afirmou Ella Lei. “É um aspecto alvo de atenção por parte da sociedade”, subscreveu Ng Kuok Cheong, questionando se a mudança vai permitir melhorar a fiscalização dos taxistas. Leong Sun Iok, por seu turno, sublinhando que a mexida rompe com a tradição, colocou a tónica nos desafios que enfrentam os profissionais do volante que detém licenças: “Há alguns indivíduos que são, de facto, cumpridores da lei”. Postura idêntica foi manifestada, já numa declaração de voto, por Lei Chan U, Ella Lei e Lam Lon Wai. “Há aspectos que devem ser discutidos melhor, como o facto de só as sociedades comer-

ciais poderem concorrer”, porque “não contempla as necessidades de indivíduos que utilizam os táxis para sustento da família”, além de que vai “contribuir para o aumento dos preços das licenças”. “Será que esta solução é a melhor?”, questionou Au Kam San, para quem a medida parece “contraditória” relativamente ao que o Governo pretende, ou seja, acabar com um instrumento de especulação. “Todos sabemos que o que uma sociedade comercial procura são lucros”, apontou, embora reconhecendo que dois ou três taxistas se podem juntar numa sociedade para obter licença, contornando o facto da exclusão de particulares. Já Ip Sio Kai centrou-se na concorrência: “Uma sociedade comercial pode ter vários alvarás? O Governo vai, ou não, limitar o número de alvarás que são atribuídos a uma sociedade comercial ou [pode] ficar tudo nas mãos de uma?” “Todas as opções têm prós e contras. Neste mundo não há nada que só tenha vantagens”, afirmou o Secretário para as Obras Públicas e Transportes. “Quer seja sociedade, ou particular, todos querem fazer dinheiro”, afirmou Raimundo do Rosário.

Relativamente ao critério da melhor oferta, garantiu que vão ser ponderados “outros factores” na avaliação das propostas além do preço. Já relativamente ao número de alvarás que uma empresa pode ter ao abrigo da licença, Raimundo do Rosário indicou não estar fixado um tecto: “Não está definido quantos alvarás. Reservamos uma certa margem para a discussão [em sede de] especialidade e, naturalmente, gozamos de certa flexibilidade, com a qual provavelmente os senhores deputados não concordam. Em cada concurso temos em conta a realidade”. “Nós tomámos como referência diferentes jurisdições e vimos que o funcionamento de sociedades comerciais em termos de formação, manutenção e reparação é mais vantajoso do que se o táxi

“Temos pontos de vista diferentes. Nem tudo o que está escrito é da vontade do secretário. Trata-se do consenso possível.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO

for explorado por um particular”, complementou o director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin San, apontando que a empresa pode sempre despedir o taxista se não estiver satisfeita com o seu desempenho.

A “CAIXA NEGRA” DOS TÁXIS

Outro dos aspectos focados durante o debate tem que ver com o facto de o diploma propor a instalação obrigatória de um aparelho de gravação sonora. “Só quando for necessário é que se consulta? Equivale à caixa negra de um avião?”, questionou Mak Soi Kun, recebendo a confirmação da bancada do Governo: “Sim, é esse o conceito”. “A gravação é a forma que encontramos para melhor reconstituir o cenário, o que se passou dentro do veículo. Podem ficar descansados: só quando acontecer um incidente é que vamos ver o registo”, complementou o director da DSAT, para sossegar nomeadamente Agnes Lam preocupada com o direito à privacidade. Au Kam San questionou, porém, por que motivo o Governo deixou cair o sistema de vídeo, mas ficou sem resposta: “Aquando da consulta pública, 70 por cento

Com efeito, foram vários os deputados que saíram em defesa dos taxistas “cumpridores” que, “por causa de algumas ovelhas negras, podem ser afectados”. “Temos, portanto, de ver como tratar de forma objectiva as reclamações e disponibilizar um mecanismo de recurso”, dado que o Governo “combate com mão pesada” as irregularidades. O diploma prevê, além de multas mais elevadas, que quatro infracções graves num período de cinco anos determinam a perda do cartão de identificação do condutor. Sanções que “respondem às exigências da sociedade”, na perspectiva de Agnes Lam que entende, porém, que “a proposta peca se não houver um mecanismo [de recurso]”. “Não sei se é possível tomar como referência o exemplo de Hong Kong em que existe uma comissão”, afirmou. Essa possibilidade não foi ponderada, mas o Governo garantiu que os direitos dos taxistas se encontram salvaguardados, dado que podem, no âmbito da tramitação especial das infracções administrativas, apresentar contestação às autoridades no prazo de 15 dias e, em 30 dias no tribunal. “Temos pontos de vista diferentes. Nem tudo o que está escrito é da vontade do secretário. Trata-se do consenso possível”, afirmou Raimundo do Rosário, que remeteu uma série de questões levantadas pelos deputados para a apreciação artigo a artigo. Diana do Mar

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A todo o gás

Aumento das tarifas dos autocarros e acidentes graves em foco nas intervenções dos deputados

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OR que é que o Governo aumenta as tarifas sem prometer o aumento da qualidade dos serviços?” Esta foi uma das perguntas lançadas ontem por Si Ka Lon, apontando que “a principal razão da grande controvérsia não tem a ver com o momento nem como o montante de aumento das tarifas” de 3,2 para 6 patacas, mas antes com “o facto de o Governo nunca ter dado uma explicação clara e convincente”. “O autocarro é o meio de transporte mais utilizado pela população no seu dia-a-dia e com o crescente número de passageiros, o impacto resultante do aumento das tarifas é cada vez maior”, insistiu o deputado. Neste âmbito, defendeu que “o Governo deve esclarecer a sociedade sobre a necessidade do aumento”, a definição de “um mecanismo de ajustamento gradual” e a distribuição “racional” dos recursos financeiros e controlo dos lucros, bem como “o aumento da qualidade dos serviços de autocarros”. Leong Sun Iok afinou pelo mesmo diapasão. Recordando que os contratos de concessão com as três operadoras terminam em finais de Julho, defendeu que o Governo deve “aproveitar a oportunidade” para “definir um mecanismo razoável de actualização das tarifas e proceder a uma revisão global do actual modelo” de exploração. O deputado entende que o Executivo deve “analisar a viabilidade da criação de um novo regime

de incentivos, para que as concessionárias reforcem de forma contínua a sua competitividade e melhorem a qualidade dos serviços prestados” e “introduzir um mecanismo de avaliação, de premiação e sanção e aumentar a transparência da situação financeira” das operadoras. Já Angela Leong centrou-se na segurança rodoviária. Apontando que as “lições sangrentas revelam a falta de consciência de segurança dos condutores e as condições cada vez menos seguras das vias públicas”, sustentou que “o Governo deve estudar seriamente como sensibilizar a população de forma mais eficaz e ampla”. “Também é premente que avalie a necessidade de revisão e aperfeiçoamento das leis, acções de formação e planeamento da rede rodoviária”, acrescentou. No entanto, “o mais importante”, é que o Governo “faça uma avaliação global do mecanismo de supervisão das três concessionárias, exigindo que aperfeiçoem a gestão, as orientações e as regras de segurança”. “Face à ocorrência de vários acidentes, as empresas afirmaram que a velocidade máxima nos autocarros já estava em vigor e que iam instalar sistemas de controlo e reforçar a consciência dos motoristas sobre a segurança, mas estas são medidas paliativas”, justificou. “O sistema de segurança rodoviária tem implicações com as centenas de milhares de residentes e com os 30 milhões de turistas, por isso, a Administração tem o dever de fazer mais ao nível da segurança rodoviária, bem como de elevar a qualidade dos transportes públicos”, defenderam Kou Hoi In, Chui Sai Peng e Ip Sio Kai numa intervenção conjunta. Para os três deputados, um dos factores que afecta a qualidade dos serviços prende-se com a insuficiência de motoristas – um problema que “não é de hoje”. “Os serviços competentes proibiram os motoristas a tempo parcial, por isso, aumentou o volume de trabalho dos a tempo inteiro. E a pressão mais o cansaço aumentam a probabilidade de acidentes, criando-se um círculo vicioso”, apontaram, defendendo que se deve “ponderar aumentar a oferta”. D.M.

GCS

sexta-feira 20.4.2018

Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong“Não se trata de uma compensação nem indemnização”

HATO APROVADO BENEFÍCIO FISCAL PARA PROPRIETÁRIOS DE VIATURAS AFECTADAS

Filhos e enteados

Os deputados aprovaram ontem, na generalidade, por unanimidade, o benefício especial fiscal para ajudar os proprietários de veículos danificados pelo tufão Hato a adquirirem novos. No entanto, muitos tribunos lamentaram o facto de deixar de fora quem não quer ou não pode adquirir uma nova viatura

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proposta de lei que estabelece um benefício fiscal especial destinado a aliviar os encargos financeiros suportados pelos proprietários de veículos afectados pelo tufão Hato na compra de novas viaturas foi ontem aprovada na generalidade. A aprovação foi por unanimidade. Não faltaram, contudo, vozes na Assembleia Legislativa a criticar o facto de o apoio ser dirigido apenas a quem pretende comprar um novo veículo e não a todos os que foram afectados. Ng Kuok Cheong foi o primeiro a usar da palavra: “Por que razão se concentrou na aquisição de novos veículos? Existem diferentes opiniões na sociedade. Se um residente não tem capacidade para comprar uma viatura nova já não goza do benefício fiscal”. Agnes Lam tocou na mesma ferida. “Parece que [o Governo] se desviou do propósito inicial. Esta iniciativa legislativa destina-se à aquisição de novos veículos, mas há proprietários que ainda estão a pagar em prestações os carros que foram danificados. Quer dizer, tem que pagar em dobro. Parece que pouco releva [para aliviar a situação dos afectados]”, afirmou a deputada. Zheng Anting subscreveu:

“Este benefício é uma opção para quem vai adquirir [uma viatura nova], mas para quem não vai qual será a solução?” “Não se trata de uma compensação, nem indemnização”, reiterou o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. À luz do diploma, são elegíveis os proprietários de viaturas que, até 18 de Setembro, procederam às formalidades de cancelamento da matrícula junto da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). A proposta de lei, de 15 artigos, prevê a dedução e restituição do

MAIS DE 6000 VEÍCULOS DANIFICADOS

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egundo dados facultados ontem pelo director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong, em resposta ao deputado Ho Ion Sang, o tufão Hato danificou 6521 veículos – 3240 automóveis e 3281 motociclos ou ciclomotores –, estimando que o montante total do benefício fiscal ascenda a 147,7 milhões de patacas.

imposto sobre veículos motorizados na compra de viaturas novas até dois anos a contar da data de entrada em vigor da lei. No caso de automóveis novos, o montante a deduzir pode chegar a 140 mil patacas; enquanto para ciclomotores a 5500 patacas. Limites que, segundo a nota justificativa do diploma, resultam da média das colectas pagas entre a última alteração das taxas do imposto sobre os veículos motorizados e a passagem do tufão.

CARRO POR MOTA?

Durante o debate, houve também deputados, como Agnes Lam, que indagaram se o benefício fiscal se aplica no caso de quem tinha um automóvel querer agora adquirir um motociclo (dado que é mais barato). Na réplica, o Secretário para a Economia e Finanças lembrou que há diferenças no imposto, pelo que essa terá sido provavelmente a razão pela qual tal possibilidade não foi equacionada. O subdirector dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Luís Gageiro, afastou essa ideia, sustentando que a categoria tem de ser a mesma: “Se são automóveis têm que ser automóveis”. Diana do Mar

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20.4.2018 sexta-feira

ENSINO UNIVERSIDADES DISCUTEM ENSINO DO PORTUGUÊS NO INTERIOR

Os embaixadores da língua

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S alunos que forem aprovados em todos os cursos de formação contínua em língua portuguesa do Instituto Politécnico de Macau vão ter uma certificação da instituição e do Instituto Camões. Esta é uma proposta que está em cima da mesa e que vai ser discutida, ao longo do dia de hoje, numa reunião entre o Centro Pedagógico e Científico da Língua

“Este encontro pode ser muito proveitoso para fazermos um balanço do trabalho feito, sendo que ao mesmo tempo que permite um olhar retrospectivo, também esperamos que permita um olhar prospectivo. Temos de saber até que ponto o que fazemos corresponde às expectativas das instituições no Interior da China”, considerou o director do CPCLP.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

O Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa realiza hoje um encontro com a participação de 31 universidades do Continente, com o objectivo de discutir problemas e ouvir sugestões para melhorar o ensino do português

PARTICIPAÇÃO POSITIVA

Portuguesa (CPCLP) do IPM e 31 universidades do Interior da China, onde se ensina a língua portuguesa. “Uma das ideias que vai ser discutida passa pelo facto dos cursos de formação contínua passarem, quando todos somados, a atribuir uma certificação do Instituto Politécnico e do Instituto Camões”, disse Carlos André, director do CPCLP, ao HM. “Esta PUB

HM • 2ª VEZ • 20-4-18

Carlos André, director do CPCLP “Uma das ideias que vai ser discutida passa pelo facto dos cursos de formação contínua passarem, quando todos somados, a atribuir uma certificação do Instituto Politécnico e do Instituto Camões.”

ANÚNCIO Declaração de Herança Vaga n.º CV1-17-0012-CPE 1.º Juízo Cível REQUERENTE: O MINISTÉRIO PÚBLICO. ----------------------------REQUERIDO: TAM POU TENG OU TAM BO TING, do sexo feminina, faleceu em Macau no dia 16 de Novembro de 2015, titular do B.I.R.M. e B.I.R.H.K. com a última residência em Macau, Asilo de Santa Maria. -------------------------------------------------------------------------------------O 1.º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.:---------------------------------------------------------------------------------FAZ-SE SABER, por esta Secção, que são citados quaisquer CREDORES DESCONHECIDOS da requerida para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de TRINTA DIAS, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos nos termos do n.º 1 do artigo 1033.º do C.P.C.------------------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., ao 9 de Abril de 2018.---------***

proposta tem como grande vantagem para quem completa os cursos uma certificação pela entidade portuguesa que gere o ensino da língua no estrangeiro. Será a grande novidade da reunião”, explicou. Segundo os moldes actuais da formação contínua de português do IPM, há um conjunto de 12 módulos,

dois quais 9 são de formação obrigatória. No entanto, caso optem, os alunos podem completar mais três módulos, opcionais. Será depois de completarem os diferentes módulos que terão acesso à certificação. No total, as formações englobam, 360 horas de aulas. O encontro que vai decorrer ao longo de todo o dia

Comércio Vendilhões consideram que nova lei ameaça negócio Os vendilhões locais estão preocupados com a nova lei, que define o regime de gestão dos mercados públicos. De acordo com o Jornal do Cidadão, na primeira sessão da consulta pública da nova lei, foram vários os vendilhões que se mostraram preocupados com a sobrevivência dos negócios devido aos novos mecanismos de concorrência. Os pequenos comerciantes revelaram-se incomodados com o facto da nova lei permitir que grandes investidores e empresas poderem concorrer para substituir os vendilhões mais antigos.

de hoje tem como objectivo discutir os problemas que as diferentes instituições que ensinam português no Interior da China atravessam. Segundo Carlos André, existem actualmente 38 instituições a ensinar português no Interior da China, das quais 31 vão estar presentes. Um número visto como muito satisfatório.

Também um vendilhão chamado Leong revelou que, de acordo com a sua interpretação, o documento pode violar a lei das relações de trabalho, por permitir um período de encerramento das bancadas de venda demasiado curto. Porém, Ung Sau Hong, administradora do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), disse que apesar de concordar que se deve ter um tempo adequado de descanso, antigamente os mercados funcionavam durante todos os 365 dias do ano.

“Considerei que seria muito importante juntar todas as instituições. A primeira coisa que me surpreende nesta reunião é o número de participantes. Vêm cá 31 instituições, mas posso dizer que segundo os levantamentos que fiz até agora, são 38 as instituições que têm português no Interior da China”, reconheceu o director. “Das sete instituições que ficaram de fora, quase todas só começaram a ensinar português de uma forma incipiente. Estão a dar os primeiros passos. Por isso também não fazia muito sentido começarem a discutir problemas que ainda não enfrentam”, clarificou. Em relação ao dia de discussões, Carlos André deixou o desejo de que as conversações resultem em várias sugestões, que depois poderão ser adoptadas. O encontro é organizado pelo IPM, com o apoio do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior. Sofia Margarida Mota e João Santos Filipe info@hojemacau.com.mo

Jogo 114 pedidos de exclusão de acesso aos casinos até Março A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) de Macau registou, no primeiro trimestre do ano, 114 pedidos de exclusão ao acesso aos casinos. Do total, 103 foram de auto-exclusão (90,3 por cento), enquanto os restantes 11 foram submetidos a pedido de terceiros, de acordo com dados publicados no portal da entidade reguladora. No cômputo de 2017 foram registados 376 pedidos de

exclusão de acesso aos casinos, mais 25 do que no ano anterior. Ao abrigo da lei, que condiciona a entrada, o trabalho e jogo nos casinos, o director da DICJ pode interditar a entrada em todos os casinos, ou em apenas alguns, pelo prazo máximo de dois anos, às pessoas que o requeiram ou confirmem requerimento apresentado para este efeito por cônjuge, ascendente, descendente ou parente em 2.º grau.


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sexta-feira 20.4.2018

Comércio Mais de duas mil empresas de Macau e Hong Kong em Hengqin

Encontram-se registadas na zona de comércio livre de Hengqin 2218 empresas de Hong Kong e de Macau. De acordo com Yang Chuan, director do Comité Administrativo da Nova Zona de Hengqin, mais de 45,8 mil empresas registaram-se naquela área ao longo dos últimos três anos. Macau e Hong Kong, com a presença de mais de duas mil empresas, entraram com um valor de 174,77 mil milhões de renminbis.

Segurança Incêndio num contentor na Avenida do Aeroporto   De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, ocorreu um incêndio num contentor situado na Avenida do Aeroporto, na Taipa. As autoridades consideram que a causa esteve na instalação eléctrica. O responsável do contentor indicou que no momento os capacetes com lâmpadas estavam a ser carregados. O Corpo de Bombeiros (CB) considera que o incêndio foi causado por um curto-circuito no momento de carregamento de baterias. 

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Praia de Hác Sá voltou a ser invadida por combustíveis durante o dia de ontem, de acordo com a informação da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA). O incidente ocorreu durante a tarde de ontem e a origem do combustível ainda não é conhecida. “Houve combustível a aparecer novamente na Praia de Hác Sá. O combustível foi avistado à tarde na praia”, disse um porta-voz da DSAMA, ao HM. “Enviámos alguns navios para navegarem à volta da praia e tentarem encontrar a origem do combustível, mas até ao momento ainda não conseguimos detectar qual foi a fonte”, acrescentou. Logo ontem, a empresa Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR) foi chamada ao local para proceder à limpeza, e as operações ficaram concluídas antes do final da tarde. No entanto, durante o dia de hoje, a DSAMA vai continuar a acompanhar o caso do derrame de combustíveis: “Vamos continuar a acompanhar a situação amanhã

POLUIÇÃO COMBUSTÍVEIS VOLTAM APARECER NA PRAIA DE HÁC SÁ

Maré negra A Praia de Hác Sá voltou ontem a ser invadida por combustíveis. Ontem, ao final da tarde, o areal já tinha sido limpo, porém, esta é a segunda vez que um incidente do género acontece no espaço de dois meses [hoje] de manhã. E como parte das operações de limpeza a CSR foi chamada ao local imediatamente”, explicou a fonte da DSAMA. Apesar do incidente, o Governo considera seguro que as pessoas se desloquem à praia, desde que não se aproximem da zona onde chega

a água na altura de maré alta: “As pessoas podem ir à praia. Podem estar no areal. A situação apenas se registou na zona que é coberta pela água. O combustível esteve limitado a essa zona. As pessoas podem ir normalmente à praia, mas precisam de ter cuidado nessas

áreas. É aconselhável que não vão a essa zona até haver mais instruções”, foi clarificado.

CASO REPETIDO

Esta não é a primeira vez que a Praia de Hác Sá é afectada por incidentes do género este ano. Já em meados do mês passado, um pai se tinha queixado da existência de combustíveis na praia. Na altura, o homem partilhou nas redes sociais fotografias dos pés do filho, que ficaram negros quando brincava na areia. Na altura, o caso não se limitou à Praia de Hác Sá e as autoridades revelaram que também na praia de Cheoc Van tinham sido encontrados resíduos combustíveis. Em consequência do sucedido, foram colocados avisos nas praias para que os residentes e turistas não fosse às zonas afectadas. No entanto, o surgimento de combustíveis na praia acontece numa fase em que se está perto de iniciar a época balnear. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

AMBIENTE MAIS DE 500 CASOS DE USO INDEVIDO DE SUBSÍDIOS PARA PRODUTOS ECOLÓGICOS

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ESDE que foi criado, em 2011, o Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética, que atribui apoios financeiros para a aquisição ou substituição de produtos e equipamentos, descobriu mais de 500 casos de utilização indevida das verbas

atribuídas. Os dados foram facultados pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ho Ion Sang. Após a descoberta dos casos de uso do montante concedido “para fins diferentes dos fixados”, o Fundo

“procedeu, nos termos legais, ao cancelamento, total ou parcial, das respectivas concessões do apoio financeiro e exigiu a restituição”, indicou o director da DSAP, Raymond Tam. O responsável não facultou, contudo, mais pormenores, como os valores envolvidos.

Segundo dados apresentados por Ho Ion Sang, desde que o Fundo foi criado, até Junho do ano passado, o montante total concedido foi na ordem de 400 milhões de patacas, tendo beneficiado 4900 empresas e/ou associações. O apoio financeiro a conceder por cada pedido

tinha um limite de 500 mil patacas. O prazo para a apresentação de candidaturas terminou a 31 de Dezembro de 2015, tendo o Governo optado por não o prolongar. O apoio financeiro destinava-se principalmente a subsidiar os projectos cujas despesas decorrem da

aquisição ou substituição de produtos e equipamentos que possam contribuir para a melhoria da qualidade do ambiente, o reforço da eficiência energética ou a poupança de água, excluindo os encargos suportados com obras de instalação, de manutenção ou de reparação. D.M.


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20.4.2018 sexta-feira

O regresso de Salaviza

Festival de Cannes seleciona documentário de João Salaviza

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filme “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, de João Salaviza e Renée Nader Messora, foi seleccionado para o Festival de Cannes, em Maio, que encerrará com “O homem que matou D. Quixote”, de Terry Gilliam. De acordo com a programação complementar ontem anunciada no ‘site’ oficial do festival entretanto retirada da página, o documentário de Salaviza, rodado junto de uma comunidade indígena no Brasil, integrará a secção competitiva Un Certain Regard.

Em declarações à agência Lusa, João Salaviza não escondeu a satisfação por voltar a Cannes, onde venceu a Palma de Ouro em 2009 com a curta-metragem “Arena”: “É um filme feito por duas pessoas no meio do mato, sem qualquer coprodução francesa, com 80 mil euros de apoio do ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual], e estar a ombrear com outros filmes da competição é fantástico”. Marcado de 8 a 19 de Maio, o Festival de Cannes encerrará com a estreia mundial de “O homem que matou D. Quixote”, o projecto de vários anos de Terry Gilliam, rodado em Portugal e em Espanha. Depois de várias especulações na imprensa internacional, Cannes anunciou a inclusão de “O homem que matou D. Quixote”, de Terry Gilliam, numa altura

em que ainda estão em curso processos em tribunal que o opõem ao produtor português Paulo Branco. Com argumento de Terry Gilliam, um dos fundadores do colectivo britânico Monty Python, e Tony Grisoni, “O homem que matou D. Quixote” é uma transposição do romance de Miguel Cervantes para a actualidade e conta no elenco com nomes com Jonathan Pryce, Adam Driver e a actriz portuguesa Joana Ribeiro.

LARS RETORNA

Além dos filmes de Terry Gilliam e de João Salaviza e Renée Nader Messora, Cannes anunciou ainda, entre outros, “Donbass”, de Sergey Loznitsa, “Whitney”, de Kevin Macdonald, e “The house that Jack built”, de Lars Von Trier, este fora de competição. Este será um regresso de Lars von Trier a Cannes sete anos depois de ter sido declarado ‘persona non grata’ pelo festival, por ter feito declarações de simpatia por Adolf Hitler. Na altura, o cineasta dinamarquês tinha em competição o filme “Melancholia”. No Festival de Cannes este ano o cinema português estará ainda presente na Semana da Crítica, um dos programas paralelos, com os filmes “Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, e “Amor, Avenidas Novas”, de Duarte Coimbra. O júri que atribuirá a Palma de Ouro será presidido pela actriz Cate Blanchett, enquanto o actor Benicio del Toro presidirá ao júri da secção Un Certain Regard. O festival abrirá com o filme “Todos lo saben”, do realizador iraniano Asghar Farhadi, com Javier Bardem e Penélope Cruz.

Exilado à na EXPOSIÇÃO A REFUTAÇÃO DE AI WEIWEI PATENTE ATÉ 30 DE ABRIL EM HONG KONG

“Refutation” é o trabalho de Ai Weiwei que pode ser visto na galeria Tang Art, em Hong Kong, até 30 de Abril. A segunda mostra do artista chinês na região vizinha espelha o resultado do trabalho que Ai desenvolveu depois de sair da China em 2015, e de se ter juntado na Grécia na recepção dos refugiados sírios. Este tema não é um assunto novo para o artista, que se considera um refugiado desde que nasceu

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EPOIS de estrear em Hong Kong pela primeira vez em 2015, o artista dissidente chinês Ai Weiwei está de volta com a exposição individual “Refutation”. A mostra pode ser vista na Tang Art até 30 de Abril. O conjunto de trabalhos que o artista apresenta são a sua interpretação da crise de refugiados sírios. De acordo com a Time Out, trata-se

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A FILHA DO PAPA • Luís Miguel Rocha

Será o anti-semitismo a verdadeira razão para o Papa Pio XII não ter sido beatificado? Quando Niklas, um jovem padre, é raptado, ninguém imagina que esse acontecimento é apenas o início de uma grande conspiração que tem como objectivo acabar com um dos segredos mais bem guardados do Vaticano - a filha do Papa Pio XII. Rafael, um agente da Santa Sé fiel à sua Igreja e à sua fé, tem como missão descobrir quem se esconde por detrás de todos os crimes que se sucedem e evitar a todo o custo que algo aconteça à filha do Papa. Conseguirá Rafael ser uma vez mais bem-sucedido? Ou desta vez a Igreja Católica não será poupada?

de “um lembrete poderoso e oportuno acerca da capacidade da arte em levantar questões sociopolíticas”. “A arte, ao levantar questões, desafia nosso senso de consciência e julgamento e iniciamos o envolvimento e a acção”, refere em entrevista à mesma fonte. O autor considera ainda que a preparação que teve para esta obra vem desde que nasceu. “Nasci, o meu pai foi

Ai Weiwei, artista “Nasci, o meu pai foi exilado e eu cresci longe de qualquer lugar

exilado e eu cresci longe de qualquer lugar que se possa chamar de lar”, lê-se.

À ESCALA GLOBAL

É também nesta condição que estão mais de 65 milhões de pessoas por todo o mundo, depois de terem sido forçadas a deixar as suas casas. Um povo com quem o artista se identifica. É de salientar que Ai esteve detido sem passaporte no seu próprio país até 2015. Depois

de poder voltar a viajar, foi para a Alemanha e não tem intenções de regressar, pelo menos tão cedo, permanecendo numa posição de exilado. Para o artista, apesar de ter tido um contacto maior com a situação de quem foge da Síria para a Europa, o problema dos refugidos é um problema global, “da Terra em geral”. “Este planeta tem criado uma enorme quantidade de discriminações brutais e de

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

RENDIDA • Sylvia Day

Gideon Cross apareceu na minha vida como uma luz na escuridão. Um homem lindo, fascinante, um pouco louco e muito sedutor. A atração que sentia por ele era diferente de tudo o que tinha experimentado na minha vida até então. Eu desejava-o como a uma droga que me enfraquecia dia após dia. Gideon encontrou-me fragilizada e carente e entrou facilmente na minha vida. Descobri que também ele tinha os seus próprios demónios. Tornámo-nos o espelho um do outro; éramos o reflexo das nossas mais profundas cicatrizes e... desejos. Este amor transformou-me, mesmo que ainda hoje continue a rezar para que os pesadelos do passado não voltem para nos atormentar.


eventos 9

sexta-feira 20.4.2018

ascença

Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Árvore-do-chá Nome botânico: Melaleuca alternifolia (Maiden & Betche) Cheel Família: Myrtaceae. Nomes populares: MELALEUCA-ALTERNIFÓLIA; TEA TREE (inglês). Sempre-verde, a Árvore-do-chá pode alcançar 7 metros de altura, no seu tronco revestido por uma casca branca semelhante ao papel; as folhas, alongadas e pontiagudas, possuem glândulas com um elevado teor de óleo essencial e, quando esmagadas, emanam um forte aroma; as flores são brancas e encontram-se agrupadas em espigas. Habita em solos húmidos da Austrália, onde é igualmente cultivada em larga escala. Um dos mais antigos e populares remédios tradicionais dos Aborígenes australianos, a Árvore-do-chá é conhecida há seculos. As folhas eram esmagadas e inaladas ou usadas em infusão, sendo empregues na desinfecção e tratamento de feridas, tosse, constipações, estados febris e dores. O seu nome comum deve-se aos colonos europeus que usaram as suas folhas para preparar “chá”. Também o capitão James Cook, no seu diário de bordo de 1777, referia que esta planta era utilizada pela tripulação na aromatização da cerveja. As primeiras investigações sobre as suas propriedades terapêuticas datam dos anos 20 do século passado, sendo actualmente considerada um dos mais importantes anti-sépticos naturais. É amplamente usada em aromaterapia, ou seja, sob a forma de óleo essencial; este é obtido das folhas e partes terminais dos ramos.

que se possa chamar de lar.”

violações dos direitos humanos básicos”, aponta. As instalações deAi Weiwei são conhecidas pela utilização de diversos materiais. Esta não é excepção. De acordo com o dissidente, há que ultrapassar os conceitos tradicionais de materiais, até porque “a arte tradicional está morta e usa uma linguagem velha”. Para o artista, depois da Revolução Industrial e com a Internet, “qualquer material pode ser

HOJE NA CHÁVENA

considerado para a produção se obras”. E é isso que faz.

ARTE SEM ESCALA

“Refutation” não é excepção. A mostra destaca um barco em polyester cheio de pessoas a ir contra uma parede. Tudo à escala humana para uma melhor imersão no universo de um dos mais considerados artistas internacionais. Para o artista, não há dimensão que limite o seu

Veneza Cronenberg recebe prémio de carreira

trabalho. Prestes a inaugurar em Sidney uma exposição que conta com uma escultura de 60 metros que representa um barco insuflável, Ai refere o seu maior gosto é “fazer trabalhos que não têm limites, onde nenhuma medida restringe as obras”. Quanto muito, é a escala humana que impõe alguma medida às dimensões da sua criatividade. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

O realizador canadiano David Cronenberg vai receber o Leão de Ouro de carreira do Festival de Cinema de Veneza, em Agosto em Itália, foi ontem anunciado. Veneza pretende distinguir “um dos mais ousados e estimulantes realizadores de sempre, um incansável inovador de formas e linguagens” que no começo de carreira este relevado para “as margens do género horror”, afirmou hoje o diretor do festival, Alberto Barbera. A 75.ª edição do Festival de Veneza decorrerá de 29 de Agosto a 8 de Setembro. David Cronenberg, 75 anos, é autor de filmes como “Videodrome (1983), “A mosca” (1986), “O festim nu” (1991), “Crash” (1996), “Uma história de violência” (2005) e “Cosmopolis” (2012). Em 2006 recebeu o prémio de carreira no Festival de Cannes, galardão que se junta a outras distinções, nomeadamente dos governos do Canadá e de França.

Composição Óleo essencial com terpinen-4-ol, gama- e alfa-terpineno, e cineol; contém ainda p-cimeno, limoneno, alfa-pineno, terpinoleno e linalol. Acção terapêutica Anti-séptico eficaz, o óleo essencial da Árvore-do-chá tem uma marcada acção antifúngica e antibacteriana, actuando inclusive sobre o Staphylococcus aureus, bactéria resistente à maioria dos antibióticos; é também antiviral, estimulante das defesas imunitárias e cicatrizante; aplicado externamente, é rubefaciente, ou seja, provoca irritação e rubor, com dilatação local dos vasos sanguíneos, atraindo o sangue para a pele e originando uma sensação de calor. De eleição para as infecções fúngicas ou bacterianas, este óleo essencial é muito usado numa vasta gama de afecções da pele, mucosas, couro cabeludo e unhas. Eis alguns dos seus usos externos mais significativos: acne, furúnculos, abcessos,

pé-de-atleta, tinha, herpes, zona e verrugas; calos, feridas, queimaduras, picadas de insectos e mordeduras; infecções fúngicas na unha (onicomicoses) ou no leito ungueal (paroníquea); eliminação da caspa ou piolhos; infecções vaginais, como candidíase ou tricomoníase; aftas, úlceras bucais, gengivite crónica e inflamação da garganta; otite externa e dores de ouvidos ligeiras. Tradicionalmente, o óleo essencial é ainda empregue nas afecções respiratórias (tosse, constipação, sinusite, bronquite), pela actividade antiespasmódica, expectorante e sudorífica, nas colites, e como rubefaciente nos quadros reumáticos dolorosos. Outras propriedades Internamente, o óleo essencial pode ser útil no tratamento de infecções agudas ou crónicas, como cistite e mononucleose. Está igualmente indicado na erradicação do Staphylococcus aureus resistente a meticilina em âmbito hospitalar. As folhas constituem um repelente natural. Como tomar • Uso externo: Óleo essencial: pode ser aplicado puro em pequenas áreas da pele, duas vezes por dia. No entanto, em áreas mais extensas, ou em caso de sensibilidade, deve ser diluído a 5% num óleo vegetal. Também pode ser adicionado ao gel de Aloé ou a um creme-base. Óleo essencial diluído em água: em bochechos, gargarejos, lavagens e compressas. O óleo essencial de Árvore-do-chá participa em inúmeras fórmulas, sendo comercializado em diversas preparações de acordo com a sua finalidade: creme, pomada, loção, gel, gel de higiene íntima, emplastro, spray oral, spray capilar, champô, sabonete, dentífrico, etc. • Uso interno: Em cápsulas, como anti-infeccioso e estimulante das defesas. Precauções O óleo essencial puro não deve ser ingerido, excepto sob vigilância de um profissional. A sua ingestão pode ocasionar náuseas e diarreia e, em doses elevadas, é neurotóxico. O cineol, cujo teor é bastante variável, é irritante da pele e mucosas e pode provocar dermatites de contacto – antes de se aplicar o óleo essencial deve ser feito o teste de tolerância numa pequena parte do corpo. Pessoas com peles sensíveis ou com tendência a alergias devem usar o óleo essencial diluído. Evitar o uso prolongado. Não aplicar próximo dos olhos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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20.4.2018 sexta-feira

ONU PEQUIM ENVIA 395 FORÇAS DA PAZ PARA MISSÃO NO MALI

A caminho de Bamako

A China vai enviar no próximo mês quase 400 efectivos militares e médicos para o Mali, parte de uma missão de paz das Nações Unidas, noticiou ontem a agência oficial chinesa Xinhua

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RATA-SE do sexto batalhão que a China destaca para aquele país africano, em conflito desde 2012. O grupo é constituído por 170 tropas, 155 sapadores e uma unidade médica de 70 profissionais. A unidade vai reconstruir vias públicas, pontes e pistas de aterragem, assim como proteger bases militares em zonas de conflito e tratamento médico de doentes e feridos, entre outras funções. Entre os 395 efectivos conta-se uma brigada de protecção contra armas químicas, que já esteve destacada no Sudão do Sul por cinco ocasiões, e cerca de 100 soldados, que já participaram em missões da paz, indicou a Xinhua. O Mali atravessa um período de grande instabilidade, desde o golpe de estado de 2012, quando grupos rebeldes aliados a organizações extremistas tomaram o controlo do norte do país, durante dez meses. Aquela forças foram expulsas em 2013, após uma intervenção militar liderada pela França, mas extensas áreas do país, sobretudo no norte e no centro, escapam ainda ao controlo do Estado. No domingo, o primeiro-ministro do país, Soumeylou

Boubèye Maïga, ordenou o desarmamento de todos os portadores de armas, registadas ou ilegais, em todo o território do Mali. Segundo a agência da ONU para os refugiados, a violência no centro do Mali causou nas últimas semanas a fuga de três mil cidadãos do país para o Burkina Faso.

EXERCÍCIO NO ESTREITO

A China realizou exercícios militares com fogo real na costa sudeste, noticiou ontem a imprensa oficial, num período de renovadas tensões entre Pequim e Taipé devido

ao apoio dos Estados Unidos ao governo da ilha. O Exército de Libertação Popular indicou que os exercícios envolveram a coordenação de vários tipos de helicópteros militares, que detectaram e atacaram alvos marítimos. Segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, os exercícios terminaram às 22h de Macau. Não é claro se os exercícios são os mesmos que a China anunciou na semana passada para o estreito de Taiwan. No entanto, a televisão estatal chinesa CCTV informou que os exercícios anteriormente anunciados

Entre os 395 efectivos conta-se uma brigada de protecção contra armas químicas, que já esteve destacada no Sudão do Sul por cinco ocasiões, e cerca de 100 soldados, que já participaram em missões da paz, indicou a Xinhua

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IMAGINEX COMERCIAL OFFSHORE DE MACAU LIMITADA Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, n.º 263, Edifício China Civil Plaza, 7.º andar H REGISTADA NA CRCBM SOB O Nº 23639, CAPITAL SOCIAL: MOP$100.000,00 Para os devidos efeitos legais, anuncia-se que, por deliberação da Assembleia Geral extraordinária realizada em 11 de Abril de 2018, foi decidido, por unanimidade, dissolver e encerrar a liquidação, a partir da referida data, da sociedade comercial por quotas denominada Imaginex Comercial Offshore de Macau Limitada, com sede em Macau, na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, n.º 263, Edifício China Civil Plaza, 7.º andar H, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.º 23639, com o capital social de MOP$100.000,00, tendo o respectivo registo sido requerido em 16 de Abril de 2018. Macau, 19 de Abril de 2018

são dirigidos às forças independentistas de Taiwan, com a seguinte manchete no seu portal: "Não digam que não foram avisados!". O porta-voz do Ministério da Defesa de Taiwan, Chen Chung-chi, desvalorizou os exercícios, e afirmou que a China está a exagerar a escala das suas actividades para criar ansiedade entre a população da ilha. "O Partido Comunista Chinês jogou com intimidação verbal barata e fanfarronice através da imprensa estatal para criar pânico e mal-estar", afirmou Chen, descrevendo os exercícios como regulares.

TAP ACCIONISTA VENDE PARTICIPAÇÃO EM BANCO PARA ENFRENTAR DÍVIDA

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grupo chinês HNA, accionista da TAP através do Consórcio Atlantic Gateway, vendeu uma participação num banco comercial chinês, informou a imprensa local, numa altura em que enfrenta graves problemas de liquidez Segundo o portal chinês de informação financeira Caixin, a Aerial Wonder, subsidiária do grupo HNA, vendeu a participação de 3,1 por cento que tinha no Banco Rural Comercial de Cantão, que está cotado na bolsa de Hong Kong, por 1.500 milhões de dólares de Hong Kong. A operação faz parte do plano do grupo de vender activos próprios e das suas subsidiárias, visando enfrentar uma grave crise de liquidez. Desde o ano passado, quando as autoridades chinesas decretaram regras mais restritivas no financiamento das empresas, visando reduzir riscos financeiros, que a empresa enfrenta dificuldades em saldar as suas dívidas. O grupo planeia ainda vender parte da

sua participação de 25 por cento na cadeia de hotéis Hilton, por 973 milhões de euros. Uma subsidiária do grupo vendeu já um edifício de escritórios em Manhattan, Nova Iorque, por 246 milhões de euros. Outra subsidiária vendeu um edifício de escritórios em Sydney, por 130 milhões de euros. Um arranha-céus detido pelo grupo na West Madison Street, em Chicago, está também à venda. O grupo tem ainda importantes participações em firmas como Swissport ou Deutsche Bank. Em Portugal, a empresa detém uma participação na Atlantic Gateway, consórcio que detém 45 por cento da TAP. O Estado português é dono de 50 por cento da TAP, estando os restantes 5 por cento do capital nas mãos dos trabalhadores". Uma das suas subsidiárias, a Capital Airlines, inaugurou em Julho passado o primeiro voo directo entre a China e Portugal.

CRÉDITO SOCIAL PEQUIM COMEÇA A APLICAR SISTEMA NA AVIAÇÃO CIVIL

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controverso sistema de "crédito social" implementado pela China, que classifica cada cidadão, vai começar a ser aplicado na aviação civil, ao proibir pessoas com baixa pontuação de voar até um período de um ano. Parte daquele sistema, que recorre a novas técnicas de análise de dados, começará a ser aplicado no próximo mês, informou ontem a Administração de Aviação Civil da China e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, num comunicado conjunto. As autoridades detalham nove comportamentos que contribuirão para que o passageiro tenha um baixo crédito social, incluindo a difusão de falsos alarmes em aeroportos ou aviões, uso de identidades falsas, transporte

de objectos proibidos ou "comportamento ameaçador ou problemático". A Aviação Civil da China elaborará mensalmente uma "lista negra" de passageiros e o tempo de interdição de voar, que poderão ser consultados no portal CreditChina.gov.cn. O Governo chinês tem desenvolvido nos últimos anos um sistema de "crédito social", que atribui pontos a cada cidadão segundo o seu comportamento, situação financeira, desempenho profissional e académico ou opiniões nas redes sociais. O sistema suscitou críticas, por se temer que resulte numa evasão de privacidade e em descriminação, ao impedir pessoas com baixa pontuação de aceder a melhores empregos e universidades ou migrar para cidades mais prósperas.


sexta-feira 20.4.2018

Há mais eus do que eu mesmo tonalidades António de Castro Caeiro

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Á uma ideologia na nossa relação com o futuro. O facto de estarmos desde sempre já lançados na direcção de um futuro não está sempre presente. Essa consciencialização ocorre de diversos modos. Podemos reflectir activa e teoricamente sobre a relação entre espera e futuro. Mas é desprevenidos, contudo, que o futuro nos chega. Quando temos uma decepção e também quando dizemos que a “expectativa foi excedida”. A decepção e o “excesso” de satisfação transformam o modo como temos estados depostos na realidade. Fazem-nos perceber que estávamos a viver uma ilusão que foi desiludida ou então, mesmo numa determinada expectativa percebemos que a realidade nos ultrapassou e excedeu. Em ambos os casos na superação das expectativas ou na sua decepção percebemos que de algum modo estamos numa relação com o futuro. Não é, obviamente, apenas nestas circunstâncias que estamos numa antecipação de futuro. Estes casos são picos altos ou baixos que permitem compreender por contraste que fazemos experiência de vida orientados pelo futuro. O mais das vezes e primordialmente estamos precisamente à espera, à espera de que não haja novidades, de que as coisas sejam como até aqui. Há uma projecção do futuro que de algum modo prevê as coisas sem surpresas. A homogeneidade sem surpresas nem novidades nivela o quotidiano sem grandes expectativas ou esperanças mas também sem ânsia ou desespero. O “stress” vem da repetição contínua de tudo ser igual ao mesmo, sem a alteração que traga variedade ao que tem sido. Mas há uma ideologia na nossa relação com o futuro. A ideologia frisa uma possibilidade e tende a neutralizar a outra. Podemos estar sempre à espera de uma única coisa boa ou de coisas boas que estão por acontecer. Podemos estar à espera de uma coisa péssima ou de várias coisas más por acontecer. Há pessoas que esperam o pior, para se prepararem para o embate e o impacto que as coisas más têm nelas. Há pessoas que esperam sempre o lado positivo das coisas, mesmo que não sejam optimistas que esperem sempre o melhor de tudo. Há quem não espere nada. Há quem espere tudo. A acentuação de uma possibilidade em detrimento de outra define possibilidades existenciais ou cosmovisões. Há pessimistas e optimistas como há pessoas com sentido crítico nem pessimistas nem optimistas, mas realistas ou pragmáticas. Há quem prepare a guerra para viver em paz. Há quem viva continuamente na possibilidade imi-

STEFANO FORNARA, SALA DE ESPERA

Sintomas II

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Há pessoas que esperam o pior, para se prepararem para o embate e o impacto que as coisas más têm nelas. Há pessoas que esperam sempre o lado positivo das coisas, mesmo que não sejam optimistas que esperem sempre o melhor de tudo. Há quem não espere nada. Há quem espere tudo. nente do conflito para poder ter sossego. Há quem viva a antecipar apenas o curto prazo de um dia de cada vez ou quem tenha visões de futuro a longo prazo. A nossa relação com o futuro é uma relação com conteúdos de futuro. A nossa agenda mental, virtual ou física tem a nossa realidade preenchida com o que fazemos, com quem nos encontramos, mais ou menos a curto prazo. A nossa agenda está mais cheia para as próximas semanas e meses do que daqui a uns anos. A relação com a forma do nosso futuro é diferente da nossa relação com os eventos futuros que estão por vir. Não é possível viver sem uma relação com o nosso futuro. As possibilidades de interpretação da relação com o nosso futuro são as que foram consideradas. Esperar tudo ou não esperar nada, esperar tudo o que mau ou esperar tudo o que bom, ser optimista ou pessimista, estar preparado para o que aí vem: a bonança ou tempos difíceis. A antecipação em que nos encontramos na nossa relação com o futuro é a da espera, da boa esperança ou da expectativa de um mal iminente e, por isso, é do futuro que vem a promessa e

a ameaça. A promessa e a ameaça são sentidas já no presente e agem sobre o passado há pouco e há muito. E podemos perguntar como é o futuro sem nós o presenciarmos. Como será o futuro de quem conhecemos sem nós cá e o futuro dos outros que não conheceremos nunca e nunca teriam nada que ver connosco? Como será o futuro do crente que põe o seu coração da possibilidade intrínseca da fé em Deus e na vida eterna? O que é uma antecipação da vida eterna diferente da finita? É possível antecipar uma vida que não terá nunca fim como um grande domingo à tarde ensanduichado entre um sábado e uma segunda-feira que vai repetir sempre a vida que temos, em que nada se passa porque, embora não tenhamos medo, também já não esperamos nada? É possível uma antecipação baseada num futuro eterno que não é vago e vão de nós mas que terá um outro registo, onde não há assassinos nem criminosos, onde a vida é como a sonhamos, em que todos estarão como estiveram? Do sonho em vigília sou acordado. Nada nunca muda, embora esteja-

mos sempre à espera que alguma coisa aconteça que nos livre desta morte. presença deste facto ocorre por contraste. Estamos habituados à passagem das horas nos dias a passar está Os sinais dos tempos Ocorre ocasionalmente uma lembrança de qualquer coisa a fazer no futuro. Um “lembrete” do TM. Ler a agenda Saber o que se tem num dia Antecipação do bom tempo e do calor dos dias e de como vai estar Vêm aí dias mais duros O pensamento de que as coisas são negras no meio como se antecipam Aquilo por que ainda vamos passar A espera do pior de tudo para aliviar o que temos A compreensão de que nada é como achamos que vai ser A espera pelo melhor de tudo Tudo à nossa maneira, como queremos, a possibilidade de fazermos tudo o que nos apetece. De onde vem a ideia de que tudo vai ficar mal ou de que tudo vai ficar bem O que os outros nos dizem Antecipação, antevisão, prognóstico.


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José Simões Morais

Subcomissão chinesa dos festejos

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REPARA-SE a celebração do IV Centenário do Caminho Marítimo para a Índia e sob a presidência do Governador Eduardo Augusto Rodrigues Galhardo (18971900) no Palácio do Governo reúne-se a 1 ou 2 de Fevereiro de 1898 a comissão executiva dos festejos, à qual Lu Cau e Ho Lin-vong pertencem, sendo aprovado o programa e nomeadas as subcomissões. Integra uma delas diversas personalidades chinesas influentes na sociedade macaense que, <pela sua posição e boas qualidades, se têm tornado dignos da consideração e respeito dos seus compatriotas>. Presidida pelo chefe da Repartição de Expediente Sínico, Eduardo Marques, é a subcomissão constituída pelos chineses, Ho Lin Vong como Vice-presidente e vogais: Lu Cao, Chon Sin Ip, Ip Lui San, Chan Fong, Choe Sam, Sung San, Lam Ham Lin, Ho Kuong, Vong Tai, Chan Hao Hua, O Loc, Li Kiang Chün e Chie Iet. Tratará dos festejos chineses e fogos de vista e está encarregada de fazer um apelo aos habitantes chineses de Macau, solicitando a iluminação das suas casas. Muitos, deste grupo de chineses, já tinham ajudado o Governo de Macau na preparação de outros festejos, como a visita a esta cidade do Grão Duque Czarevitch Alexandrovitch, filho do ex-Czar Alexandre II da Rússia. O Boletim Oficial de 1891 não refere qual dos irmãos Alexandrovitch, tios e cunhados do então reinante Czar da Rússia Nicolau Nikolaevich (1831-13 de Abril de 1891), pretendeu visitar Macau. Quando por ofício de 21 de Fevereiro de 1891, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Império da Rússia, por via da sua legação em Pequim, comunicou ao Governo de Macau que nos primeiros dias de Abril pretendia o Grão Duque Alexandrovitch fazer uma visita oficial a essa colónia, o Governador de Sua Majestade, Custódio Miguel de Borja (1890-1894) mandou que sua Alteza Imperial fosse aqui recebida com todas as honras inerentes à sua alta hierarquia. Para essa recepção projectavam-se festejos públicos e para tal foi constituída uma comissão extra-oficial composta pelos cidadãos Visconde de Senna Fernandes como presidente, Ho-Lin-Vong vice-presidente, Lu-Cau tesoureiro, Pedro Nolasco da Silva secretário e dos vogais: Chan-Fong, Chou-Sin-Ip, Ho Lin Seng, Ho-In-Kae, Choi-Sam, Ho-Loc, Lam-Am-Lin e Vom-Tac. Pelo Boletim Oficial de 28 de Março de 1891 ficou a saber-se que por falta de tempo essa visita oficial não se iria realizar. O Governador, no B.O. seguinte, publicou um agradecimento à comissão pela sua franca adesão ao convite que fizera, assim como pelo modo especial e bizarro com que a mesma se houve na liquida-

Uma das famílias chinesas que em meados do século XIX apareceu em Macau foi a de Ho Lo Quai. Este introduziu aqui o jogo do Fantan e a lotaria Vae Seng, tendo ainda outros negócios como, o de terrenos, do ópio, do abate de gado e do exclusivo do sal, que o tornaram milionário ção final das despesas preparatórias efectuadas, considerando-as por completo à sua inteira responsabilidade.

A COMUNIDADE CHINESA

Antes de 1841, a comunidade chinesa a viver em Macau dedicava-se a pequenos negócios e já nos finais do século XVIII tinha criado a Sam Kai Vui Kun, associação dos moradores das três ruas, a dos Ervanários, a das Estalagens e a dos Mercadores, as principais de comércio, reunindo-se desde 1792 no Sam Kai Miu, o Pagode das Três Ruas, [hoje o Templo de Kuan Tai (Guan Yu) na Rua Sul do Mercado de S. Domingos]. Com a criação de Hong Kong, após a I Guerra do Ópio, Macau perdeu a sua importância como porto e daí muitos chineses se terem mudado para a nova colónia inglesa, onde se abriam grandes oportunidades de trabalho e negócios. Usando as suas regionais redes de contactos, os comerciantes chineses começaram a ganhar grande poder económico, enquanto Macau assistia, sem nada poder fazer, ao declínio comercial. Tal le-

vou os governantes portugueses a ter de encontrar outras formas de impulsionar a economia do território e com a chegada do Governador Ferreira do Amaral foi implantado o regime de exclusivos para conseguir financiar as despesas da colónia. Aproveitaram os chineses abastados, que passaram então a controlar a actividade económica de Macau. Uma das famílias chinesas que em meados do século XIX apareceu em Macau foi a de Ho Lo Quai. Este introduziu aqui o jogo do Fantan e a lotaria Vae Seng, tendo ainda outros negócios como, o de terrenos, do ópio, do abate de gado e do exclusivo do sal, que o tornaram milionário. Faleceu em 1888 e dos dez filhos, Ho Lin Vong era o sétimo, que, além de participar com o pai em alguns exclusivos, era ainda proprietário de fábricas instaladas em Macau e tinha adquirido a nacionalidade portuguesa. Em 1890, uma parte da comunidade macaense achava conveniente ter membros chineses na vereação municipal e propuseram Ho Lin-Vong, como o membro mais popular do clube chinês, onde

se reuniam os grandes proprietários e capitalistas, <os indivíduos que estão mais em contacto com as nossas autoridades e com os portugueses em geral>, e Chou-sin-ip, pela parte burguesa da população chinesa, lojistas e comerciantes e cujo seu centro de reuniões era o hospital chinês. Já nos finais de 1892, por Portaria foi nomeada uma comissão para promover a organização de produtos naturais de Macau e Timor e seleccionar expositores à exposição colonial a realizar em Julho de 1893 no Palácio de Cristal do Porto. Essa comissão, composta por todo o corpo governativo de Macau e Timor, tinha como presidente o Governador Custódio Miguel Borja, e nela se encontravam alguns dos capitalistas da cidade, Chan-Kit-San, Chou-Sin-Hip, Ho-Lin-Vong e Lu-Cau. As amizades entre estes chineses e a comunidade portuguesa de Macau estão espelhadas na festa dada por Ho-Lin-Vong a 3 de Maio de 1894 para celebrar o feliz resultado obtido por um dos seus filhos no exame de bacharéis em Cantão. Nesse lauto jantar à chinesa, oferecido aos seus amigos, contavam-se os senhores Albano Alves Branco, Amaro d’ Azevedo Gomes, António J. Garcia, Augusto Irmino Serpa, A. d’ Araújo, Albino António Pacheco, Adolpho Corrêa Bettencourt, Conde de Senna Fernandes, Conselheiro Dr. António Marques de Oliveira, Cipriano Forjaz, Clelio do Rozario, Dr. Álvaro Maria Fornellos, Dr. José Gomes da Silva, Dr. Luiz Lourenço Franco, Eduardo Marques, Francisco Maria Salles, Francisco Pereira Marques, Francisco H. Fernandes, Guilherme Menezes, Ignácio da Costa Pessoa, José Ribeiro, Joaquim Madeira, João Albino Ribeiro Cabral, Luiz Eusébio da Silva, Secundino Noronha e Tristão da Cunha Azevedo Carvalhaes, segundo o Echo Macaense. Um mês depois de ter sido nomeada a subcomissão para tratar da parte respeitante aos chineses da celebração do IV Centenário, por Portaria de 11-31898 era nomeada uma comissão para expor os recursos de Macau e os elementos de produção artística e industrial na Exposição Universal de Paris de 1900. Era composta entre outros pelo juiz Dr. Albano de Magalhães, António Joaquim Garcia Presidente do Leal Senado e seu representante Pedro Nolasco da Silva, o Conselheiro Artur Tamagnini Barbosa e os comendadores: António Basto, Lourenço Pereira Marques, Cou-Sin-Hap, Lu-Cao e Ho-Lin-Vong, assim como ainda Cuong-Fat-Chin e Chan-Hoc-Hin, que apresentará em 1899 o seu relatório. Estas as sinergias para a manutenção de Macau no final do século XIX.


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sexta-feira 20.4.2018

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA 55 Diariamente

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MULHERES ARTISTAS - 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU MAM | Até 13/5

3 1 5 2 7 4 6 EXPOSIÇÃO 5 7“PINACOTROCA” 2 1DE RODRIGO 3 6DE MATOS4 Creative Macau | Até 21/04 1 4 6 5 2 3 7 EXPOSIÇÃO DE DESIGN “HOJE, ESTILO SUÍÇO” Galeria 7 Tap3Seac |4Até 17/066 1 5 2 EXPOSIÇÃO “THE DINOSAUR HUNT” 4 5 3 7 6 2 1 Estudio City Macau 6 2 7 3 4 1 5 2 6 1 4 5 7 3 7 6 5 2 3 5 2 6 2 1 4 3 1 7 6 4 5 3 7 1 Cineteatro C I 6 4 3 7 4 2 1 5 7 2 5 6 1 3 4

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ISLE OF DOGS SALA 1

RAMPAGE [C] Um filme de: Brad Peyton Com: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

COLOR ME TRUE [B] FALADO EM JAPONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Takeuchi Hideki Com: Ayase Haruka, Sakaguchi Kentarou 14.30, 16.30, 21.45

SECRET SUPERSTAR [B] FALADO EM HINDI

COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Advait Chandan Com: Aamir Khan, Zaira Wasim 19.00

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O CARTOON STEPH 58

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O que nos une enquanto espécie? Serão apenas as particularidades biológicas, o facto de virmos ao mundo a gritar e a espernear e prolongar essa toada até ao último suspiro? Ou será toda a vida que se passa pelo meio? Fico sempre com questões existenciais a ecoar depois de uma ida ao Cotai. Enchentes de turistas são ali depositados todos os dias, sedentos de selfies com a falsa Torre Eiffel, ou nos canais venezianos de plástico que serpenteiam o centro comercial. Por todo o lado, há uma sensação de “salve-se quem puder”, de emergência no lazer, de pânico nas compras, emergência na corrida de volta à mesa de baccarat. Fazer filas e respeitar ordem e civismo é coisa para os fracos neste mundo de cão. Consideração por terceiros um sinal de 60 fraqueza, de falta de preparação para o grande apocalipse de retalho em que nos movemos. Porque será que fico ainda a questionar a natureza humana depois de fazer uma placagem a um turista que me quer passar à frente numa fila para pagar um par de sapatos? Depois de um encosto de ombro, legal, a ir à bola, o turista foi para o seu lugar na fila a resmungar. A lata não tem limites quando as situações mais banais do quotidiano se transformam numa guerra sem quartel. Vamos lá, SARS, Gripe A, qualquer coisa que reponha algum equilíbrio natural nestas hordas de chico-espertismo e total ausência de civismo protegida pela obesidade demográfica. João Luz

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58 EXISTENCIALISMO NO VENETIAN 5 7

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UM 2 FILME 3 7 6HOJE 5 1 4 1 3 5 6 4 7

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“Perished” é um filme com duração de 16 minutos que conta uma história de um homem que, face à ocorrência de surto de zombies, foge de sua casa. Apesar de ter todo o mundo em aberto como possibilidade de refúgio, o protagonista decide resguardar-se numa sala perto da sua residência. Seguro, ainda na sua vizinhança, passa os seus dias a ver passar zombies, e assim vai sobrevivendo preparando-se para enfrentar os seus mais profundos medos. O filme, apesar de ser curto, é bem produzido, com qualidade e é altamente recomendável para quem gosta de filmes de zombies. Vítor Ng

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PERISHED | STEFAN ANDROV RADANOVICH, 2011

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SALA 3

ISLE OF DOGS [B] Filme de: Wes Anderson 14.30, 16.30, 21.30

TOMORROW IS ANOTHER DAY [C] FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chan Tai-Lee Com: Teresa Mo, Ling Man Lung, Rau Liu, Bonnie Xian 19.30

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VIDA DE CÃO

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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20.4.2018 sexta-feira

TIAGO BONUCCI PEREIRA

Investimento chinês em África

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ESTE texto traça-se um panorama geral das relações comerciais entre a China e África, bem como da natureza dos investimentos chineses. O assunto é complexo, mas pretende-se aqui identificar as principais variáveis, aspectos problemáticos, “mitos” propagados, bem como perspectivas futuras. As exportações chinesas para África têm se mantido relativamente estáveis nos últimos anos. No entanto, entre 2014 e 2015, as exportações de África para a China caíram 66 por cento em valor, fundamentalmente devido à queda do preço do petróleo, a principal importação chinesa. Recursos naturais constituem o grande bolo das importações chinesas, pelo que as flutuações do mercado encontram correspondência imediata nos valores de exportação para a China que, de 2014 para 2015, regrediram para valores de 2007, tendo-se mantido estáveis de 2015 para 2016. Em termos de investimento directo estrangeiro (IDE), entre 2003 e 2016 regista-se um aumento contínuo de fluxo agregado de IDE da China em África, de 500 milhões de dólares americanos (USD) em 2003, para 39.9 mil milhões de USD em 2016. Neste capítulo, embora os Estados Unidos da América (EUA) continue a liderar as estatísticas, os anteriores valores representam, em termos relativos, respectivamente 2 por cento e 70 por cento do stock de IDE dos EUA em África, o que reflecte também a estagnação de investimento americano no continente no período pós crise económico-financeira do final da década passada. A queda de valor de bens primários nos últimos anos resultou num novo padrão no di-

reccionamento do IDE chinês em África. Países ricos em recursos naturais como Angola e a Nigéria viram acentuadas quedas no IDE chinês, enquanto que países como o Quénia, Etiópia e Tanzânia sairam beneficiados. O IDE chinês incide principalmente nos sectores mineiro, construção e indústria transformadora, sector este que ganhou proeminência nos últimos anos com a tranferência de operações de empresas chinesas para África, fruto do aumento dos custos laborais na China. No que concerne empréstimos da China a governos e empresas estatais de países africanos, é de referir que valores por vezes divulgados na imprensa são manifestamente exagerados. A publicação The Economist Corporate Network, por exemplo, reportava em 2015 que os bancos estatais chineses (China Eximbank, China Development Bank, CDB) tinham-se comprometido com financiamentos num total de cerca de 1 bilião de USD durante a década seguinte, valor exagerado em pelo menos uma ordem de grandeza. Um olhar crítico sobre reportagens como a citada permite desvendar a origem destes exageros. Para que empresas chinesas, e governos africanos, possam requisitar financiamento a bancos chineses, precisam de ter à partida um contrato assinado. Por vezes são anunciados projectos na sequência da assinatura de memorandos de entendimento, que raramente têm resultados prácticos. O padrão identificado anteriormente para o comércio e investimento directo estrangeiro é observado também na análise de financiamento chinês para África: crescimento acentuado até 2013, seguido de ligeiro decréscimo. Entre 2000 e 2015 a China providenciou um total de 95 mil milhões de USD em empréstimos e linhas de crédito para governos e empresas estatais africanas. O maior beneficiário destes empréstimos foi Angola (20 por cento), seguido da Etiópia (14 por cento) e o Quénia e o Sudão (7 por cento). Os empréstimos são dirigidos maioritáriamente (63 por cento) para os sectores de transportes (construção e manutenção de es-

tradas; caminhos-de-ferro), energia (projectos hidroeléctricos; linhas de transmissão de energia; gasodutos; centrais eléctricas a carvão e gás) e telecomunicações. O sector mineiro absorve 10 por cento dos empréstimos, sendo que estes consistem maioritariamente (mais de 80 por cento) em linhas de crédito para a empresa estatal angolana Sonangol.

O padrão identificado anteriormente para o comércio e investimento directo estrangeiro é observado também na análise de financiamento chinês para África: crescimento acentuado até 2013, seguido de ligeiro decréscimo. Entre 2000 e 2015 a China providenciou um total de 95 mil milhões de USD em empréstimos e linhas de crédito para governos e empresas estatais africanas Apenas um terço dos empréstimos são garantidos com bens primários, prática usual para investimentos em países considerados de alto risco, mas que possuem bens que investidores consideram que ajudam a cobrir os riscos associados a investimentos nesses países, nomeadamente o risco de incumprimento. Trata-se de resto de uma prática da qual a própria China usufruiu no início do seu processo de reforma e abertura. Estima-se que linhas de crédito (garantidas com petróleo) providenciadas pelo China Eximbank ao governo angolano tenham financiado a construção de 127 obras públicas. É esta, portanto, a principal razão para a utilização deste modelo de financiamen-

to, e não tanto a tentativa de garantir acesso a recursos naturais. O exemplo de Angola é ilustrativo: a China importa cerca de metade do petróleo produzido por Angola, mas companhias petrolíferas chinesas apenas possuem cerca de 10 por cento da produção de petróleo angolano, mercado que é dominado por empresas ocidentais como a ExxonMobil e a Total. Os termos contratuais associados aos empréstimos dos bancos estatais chineses impõem sempre a preferência pela utilização de bens e serviços da China. A controvérsia associada a esta relação entre financiamento chinês e fornecedores chineses tem origem sobretudo na ideia errada que financiamento chinês em países em vias de desenvolvimento corresponde a ajuda ao desenvolvimento, quando a função de todos os bancos exportação-importação, como o China Eximbank ou o US Eximbank, é precisamente o de providenciar acesso ao crédito para compradores de bens do país. Ou seja, muito do que é dito sobre a abordagem chinesa em matéria de investimentos em África não corresponde à verdade. A abordagem é fundada em princípios comerciais, e busca a expansão comercial chinesa, estando integrada no Going Out Policy. Recursos naturais constituem um aspecto fundamental nesta relação entre a China e África (tal como na relação entre África e os EUA e a União Europeia), constituindo a larga maioria das importações chinesas. Todavia, é importante lembrar que a própria China foi até 1993 um exportador líquido de petróleo, e que na fase inicial do seu processo de reforma celebrou vários acordos de compensação comercial em termos semelhantes aos que propõe a países africanos. A volatilidade do mercado de bens primários pôs a nu fragilidades associadas à dependência excessiva de alguns países em recursos naturais, incluindo dificuldades ao nível de pagamento de dívidas. A situação actual deve, portanto, funcionar como um incentivo para diversificar a economia e promover a boa governança (países como o Quénia e a Etiópia têm feito progressos significativos neste capítulo). No fim de contas, é a melhor forma de conquistar a confiança de investidores. A China é, hoje em dia, um player incontornável em África. Mas existem aqui também desafios importantes para o lado chinês. Como referia em 2007 o antigo Presidente Moçambicano Joaquim Chissano numa conferência em Oxford dedicada ao tema de perspectivas futuras para ajudas ao desenvolvimento “devemos procurar formas de aliar ajuda à atracção de recursos para o sector privado, por forma a apoiar a emergência de uma classe empresarial robusta com uma participação forte nas economias nacionais”. Ajuda externa representa uma fracção minoritária do financiamento chinês, mas a lógica é aplicável ao discurso de “benefício mútuo”. O sucesso em África serviria como exemplo noutras faixas e noutras rotas.


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FACEBOOK

sexta-feira 20.4.2018

DIANA SOEIRO, COORDENADORA DA CASA DE PORTUGAL

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Estar além das fronteiras

IANA Soeiro não nasceu em Macau mas isso não invalida que não se sinta de cá. “Vim aos seis anos, os meus pais vieram para cá trabalhar e trouxeram-me com eles e com os meus irmãos e, depois de estudar em Portugal, voltei para cá”, começa por contar ao HM. Corria o ano de 1999 quando foi estudar direito para Portugal, altura em que também muitos dos portugueses que viviam em Macau foram embora. Algo que não aconteceu com a coordenadora da Casa de Portugal, nem com a sua família. “É a minha terra”, afirma. E é uma terra que, de acordo com Diana Soeiro, tem um série de vantagens, aumentadas com a maternidade por se alargarem aos seus filhos. Uma das possibilidades que Macau lhe oferece é a abertura de horizontes. “A coexistência de várias culturas faz com que bebamos um bocadinho de cada uma delas, acho que isso faz com que sejamos talvez mais seguros”, refere. Por outro lado, é também no contacto com a diferença que se criam outros mecanismos de adaptação. “O conhecer mais e o contacto com outro tipo de pessoas, ajuda-nos a desenvolver uma outra capacidade para nos

adaptarmos a diferentes ambientes e isso faz com que trabalhemos melhor a nossa auto-confiança. Mas também influencia a nossa visão do mundo”, acrescenta, sendo que é isso que pretende transmitir aos seus três filhos. “Quero que os meus filhos tenham acesso a isto e que sintam que é um privilégio viver em Macau”. Como se não bastasse, a RAEM é ainda ponto de acesso a outros mundos que lhe estão perto. “Aqui podemos viajar para qualquer lado”, diz. Mas também se pode ir para fora sem sair do território. “Se houver uma festa tailandesa no bairro, nós vamos; se houver a festa da ópera chinesa, nós vamos, e tentamos estar sempre a par de todas as especificidades das culturas que existem aqui em Macau”, sublinha com satisfação. No entanto, mantem sempre a âncora na portugalidade que quer conservar em si, e nos filhos.

CRIATIVIDADE ESCONDIDA

Diana Soeiro tem alguns segredos, entre eles um gosto especial pela escrita de poesia. “Escrevo alguns poemas que partilho com as pessoas mais próximas, não é uma coisa pública, mas leio também muita poesia e faço muitos projectos com os miúdos

relacionados com esta forma de escrita”, diz. Por outro lado, é também a leitura que lhe permite um tempo que é só seu. “Leio todos os dias, é o meu escape a minha meditação”. Se na escrita já tem currículo pessoal, já outras áreas criativas vieram à tona com a maternidade. “Tinha sempre negativa nas área criativas da escola, era mesmo má aluna e quando as miúdas nasceram, como todos os pais, comecei a lutar para que não passassem muito tempo no computador. O resultado foi o desenvolvimento de ideias e projectos criativos”, aponta, coisa que pensava ser impossível de concretizar. “Não sei se alguma vez teria feito estas coisas se não tivesse sido mãe. Eu não era uma pessoa que tirava fotografias, não gostava. Não fazia trabalhos manuais. Se não fosse pelas crianças e por aquilo que lhes quero transmitir, acho que nunca tinha descoberto essas capacidades”, considera. A fotografia integra quase todos os projectos familiares, e Macau e as suas misturas não podem faltar. Entre a paisagem, a comida e a arte, o resultado é bom de se ver e reflecte a multiculturalidade que Diana Soeiro vai absorvendo. “Tentei fazer um pudim de manga macaense,

aproveitei e conciliei com a abordagem fotográfica. Tenho andado a tentar desenvolver este tipo de projectos tendo por base o princípio da mistura que existe no território”, explica. “Tenciono ficar aqui muitos anos, mas pode acontecer que, por alguma razão, tenha de ir embora e quero ter um registo, meu e da minha família, do sítio onde vivemos”, refere.

MACAU INFINITO

O território pode ser pequeno mas as suas possibilidades são infinitas. Para Diana Soeiro é uma terra que, independentemente do tempo que se cá viva, tem sempre algo de novo para descobrir. “Não temos aquela atitude de que está tudo visto no território”, aponta. “Estou aqui há trinta anos e ainda me surpreendo imenso com Macau. Aliás, fazemos todos os fins-de-semana passeios para descobrir o território e encontramos sempre um novo pormenor: uma porta, uma janela, ou qualquer outra coisa”, remata. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


A democracia é apenas a substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes. George Bernard Shaw

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ONG Hio Fong, ex-presidente da Comissão Eleitoral, e Lai Kin Hong, presidente do Tribunal da Segunda Instância, consideraram em conjunto com o juiz José Cândido de Pinho que a decisão da Assembleia Legislativa de suspender Sulu Sou é um acto político e não pode ser avaliada pelos tribunais. O Tribunal de Segunda Instância (TSI) confirmou em conferência a decisão tomada a 14 de Fevereiro, pelo mesmo tribunal, e

Motoristas Sector manifestou-se contra reconhecimento de cartas NTEM foi a vez dos motoristas se pronunciarem junto do Governo contra o reconhecimento mútuo de cartas de condução. A Associação Macao Drivers Will Win Rights apresentou uma carta na sede do Governo, manifestando que os profissionais se encontram preocupados com os seus empregos. O presidente da associação, Thomas Chan Kin Tong, começou por dizer aos jornalistas que concorda com a política do reconhecimento mútuo das cartas de condução de forma a cooperar com a política “Uma Faixa, Uma Rota”, mas receia que a medida venha a interferir na sobrevivência da profissão para os locais. O responsável pede ao Executivo, em missiva, que tome medidas de modo a garantir os postos de emprego no sector para os residentes. Isto antes de avançar com o reconhecimento mútuo. Para o presidente, as actuais penalizações para os motoristas ilegais e os seus empregadores são demasiado leves, sendo que exige que o valor de penalização aumente para 30 mil patacas, em que 70 por cento é pago pelo empregador infractor e 30 pelo motorista. Da carta entregue ontem ao Executivo consta ainda mais uma sugestão: que em caso de reincidência na infracção se retire a autorização ao empregador para contratar trabalhadores não residentes por um período de dois anos. Thomas Chan Kin Tong, pede ainda que seja facultada mais informação nesta matéria por parte do Governo. V.N.

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Tudo na mesma

considerou que não tem competências para avaliar a legalidade da decisão da Assembleia Legislativa de suspender do deputado Sulu Sou. A decisão foi tomada ontem e, ao HM, o deputado admitiu a

intenção de recorrer para o Tribunal de Última Instância (TUI). A defesa tem agora 10 dias para apresentar a peça processual que pede o recurso. “O Tribunal de Segunda Instância manteve a decisão tomada anteriormente de que a deliberação da Assembleia Legislativa que resultou na minha suspensão é um acto político e, como tal, não têm competência para analisar o caso”, afirmou Sulu Sou, ao HM. Perante este cenário, o deputado suspenso não tem dúvidas e vai recorrer para o Tribunal de Última Instância. “Vamos continuar a preparar-nos sempre da melhor forma e vamos recorrer desta decisão para o Tribunal de Última Instância. É essa a nossa intenção”, explicou. Neste tipo de casos, depois da primeira decisão ter sido tomada apenas por um juiz, o relator, o TSI exige que o recurso seja entregue primeiro ao próprio tribunal. No entanto, em vez de ser apenas o juiz relator a tomar a decisão, o recurso é analisado em conferência. Ou seja, depois da primeira decisão ter sido tomada por José Cândido de Pinho, ontem esse juiz teve a companhia de Tong Hio Fong, ex-presidente da Comissão Eleitoral, e Lai Kin Hong, presidente do TSI, na análise do recurso.

ção de recorrer para o TUI. Após essa fase, o TSI é ouvido, aceita, e dá um prazo de 30 dias à defesa de Sulu Sou para apresentar as razões do recurso, o que deverá acontecer em meados do próximo mês. Depois de ser apresentado o recurso, há ainda um prazo de mais 30 dias para a Assembleia Legislativa apresentar os seus argumentos. O caso sobe depois ao TUI, que vai ter de decidir se a resolução do hemiciclo pode ser verificada pelos tribunais. Devido a estes prazos, a decisão do TUI nunca deverá ser conhecida antes do mês de Julho, podendo até ser só conhecida em Setembro. Porém, Sulu Sou mostrou-se confiante de que este caso não vai afectar o julgamento em que é acusado do crime de desobediência qualificada, durante a manifestação da Novo Macau contra o donativo da Fundação Macau à Universidade de Jinan, no valor de 100 milhões de renminbis.Aprimeira sessão está agendada para 14 de Maio. “O caso criminal e este recurso administrativo são diferentes. Acredito que o recurso não vai ter qualquer impacto para o caso criminal. Essa também foi a visão do TJB, que decidiu marcar a data do julgamento, enquanto ainda não havia uma decisão sobre o recurso administrativo”, afirmou Sulu Sou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

DECISÃO SÓ EM JULHO

A partir deste momento a defesa tem 10 dias para declarar a inten-

DIPLOMACIA TRUMP QUER LIBERTAR JAPONESES RAPTADOS POR PYONGYANG

ASSÉDIO SEXUAL VICE-MINISTRO JAPONÊS NEGA ACUSAÇÕES MAS RENUNCIA AO CARGO

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que ajudará a libertar cidadãos japoneses sequestrados nos anos 1970 e 1980 pela Coreia do Norte, numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. “Vamos trabalhar no duro para tentar trazer de volta essas pessoas”, afirmou Trump, na quarta-feira. Em 2002, a Coreia do Norte admitiu que raptou 13 japoneses para ensinar a língua e costumes

sexta-feira 20.4.2018

TRIBUNAL DE SEGUNDA INSTÂNCIA VOLTA A NEGAR RECURSO A SULU SOU

NOVO MACAU

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PALAVRA DO DIA

do Japão aos seus espiões. Tóquio estima, no entanto, que foram sequestrados pelo menos 17 pessoas. O número pode ser superior, visto que há 800 pessoas desaparecidas no Japão. Em reacção Às declarações de Trump, o primeiro-ministro nipónico agradeceu o apoio norte-americano. Em 2014, a Coreia do Norte comprometeu-se a investigar os sequestros de cidadãos japoneses, parte de um acordo negociado em Estocolmo.

vice-ministro das Finanças japonês, Junichi Fukuda, renunciou na quarta-feira ao cargo depois de ser acusado de assédio sexual por várias jornalistas, naquele que é o primeiro caso do género no Japão depois de lançado o movimento #MeToo (Eu Também). A decisão foi anunciada pelo actual ministro do departamento, Tao Aso. Em causa está uma publicação do semanário japonês

"Shukan Shincho", segundo o qual o vice-ministro manteve, em diferentes ocasiões, comportamentos inadequados em relação a várias jornalistas. Junichi Fukuda negou na segunda-feira as acusações e diz que vai processar a revista por difamação. Segundo o responsável, a renúncia ao cargo foi uma decisão "para limpar o seu nome". O caso contribuiu para o aumento

dos protestos contra o Governo. No domingo, mais de 30 mil pessoas manifestaram-se em Tóquio, exigindo que o primeiro-ministro Shinzo Abe renuncie. A campanha mundial #Metoo surgiu em Outubro passado, em Hollywood, e pretende quebrar o silêncio sobre o assédio sexual e a violência contra as mulheres. Este é o primeiro caso conhecido no Japão desde então.

Hoje Macau 20 ABR 2018 #4035  

N.º 4035 de 20 de ABR de 2018

Hoje Macau 20 ABR 2018 #4035  

N.º 4035 de 20 de ABR de 2018

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