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Director carlos morais josé • quarta-feira 20 de março de 2013 • ANO XII • Nº 2815

aguaceiros ocasionais min 22 max 26 hum 70-95% • euro 10.1 baht 0.2 yuan 1.2

LEI DO UrbanIsmO

Juristas da AL falam de violações da Lei Básica página 2

Património

Zona de protecção pode ir mais além do centro histórico página 4

Ter para ler Venham mais cinco (séculos)

António Patrício

“fragmentos Poéticos” foram ontem apresentados página 15

Direitos Humanos

Macau Consciência acusa Governo em conversa com a ONU

Skype fatal

Uma delegação de Macau, encabeçada pela secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, foi escrutinada pelo Comité para os Direitos Humanos da ONU. O Governo parece estar satisfeito com o resultado, mas não contava que a Macau Consciência, liderada por Jason Chao e Bill Chou, falasse via Skype com o Comité para acusar o Executivo de estar a dar respostas “ultrajantes, falsas e enganadoras”. O Hoje Macau ouviu, em directo, o debate que terminou ontem. As recomendações do Comité serão publicadas para a semana. Página 3

FUTEBOL Taça Challenge

Macau perde e hipoteca passagem à fase seguinte página 16 pub

protecção ambiental

Portugal com cunho forte na China e na MIECF páginas 7 e 14

Casamata de coloane

HO WAI TIM fala em solução de equilíbrio página 5


2

política

quarta-feira 20.3.2013

www.hojemacau.com.mo

Juristas da AL falam em violações à Lei Básica

Assessores em divergência na Lei do Urbanismo O deputado Chan Chak Mo confirmou que os assessores da Assembleia Legislativa consideram que “há situações que violam a Lei Básica”, no que diz respeito a expropriações de terrenos de proprietários e pagamento de indemnizações. Já o Governo recusa e frisa que em Hong Kong acontece a mesma situação andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

discussão sobre a proposta de lei do planeamento urbanístico está a gerar algumas “divergências” entre os assessores do Governo e a assessoria dos deputados, no que diz respeito às expropriações de terrenos e indemnizações a serem pagas aos proprietários. “A questão já foi levantada muitas vezes. A nossa assessoria que há situações que violam a Lei Básica”, principalmente em relação ao “principio de igualdade” e “se as normas de indemnização vão ou não violar a Lei

Governo vai proteger muralha junto ao São Januário A muralha com mais de 400 anos de história, localizada junto ao hospital Conde de São Januário e do Quartel de São Francisco vai ser alvo de um projecto de reconstrução e protecção. A garantia foi dada por director do Instituto Cultural (IC), Guilherme Ung Vai Meng, à margem do debate sobre a lei da salvaguarda do património cultural. “O Governo da RAEM pensa que essa é uma área muito importante, porque existe ali uma fortaleza antiga. Por isso estamos a fazer uma proposta de conservação. Temos um plano completo e vamos entregar essa proposta para que seja feito um concurso para o projecto.” Recorde-se que este era um desejo já anunciado por associações locais. - A.S.S.

Básica”, garantiu o deputado Chan Chak Mo. Para já, as duas assessorias vão ter duas reuniões técnicas para analisar essa questão, antes dos deputados partirem para novo encontro com o Governo. “Espero que as duas assessorias possam ter uma reunião técnica para encurtar as divergências”. Do lado do Executivo, a resposta foi dada com base no ordenamento urbanístico de Hong Kong. “O Governo entende que em Hong Kong também há expropriações urbanísticas e que também há situações de indemnização. E que na Lei Básica, em relação a esta questão, as normas são idênticas.”

Planos ficam fora da AL

Ainda no âmbito da discussão desta proposta de lei, ficou decidido que os futuros planos director e pormenor dos projectos urbanísticos não serão submetidos à aprovação ou mesmo análise da Assembleia Legislativa (AL), algo que vai

contra a opinião de muitos deputados. “O Governo avançou com vários exemplos da China Continental, de Singapura, de Portugal e de Hong Kong. Nessas jurisdições os planos são publicados por aviso oficial e não pela assembleia. Segundo o Governo o regulamento administrativo já é um meio adequado, porque em alguns sítios é o próprio Governo que vai definir os seus planos. Entende-se que quer o plano director quer pormenor não vão ser aprovados pela assembleia. Foi esta a mensagem que recebi.” Chan Chak Mo não quis avançar se a comissão ficou ou não satisfeita com esta decisão. “Não vou representar todos os deputados. Aquando da votação na especialidade saberão.”

Economia vs protecção ambiental

Chan Chak Mo não quis alongar-se nos comentários, porque “não é jurista”. Contudo, disse que com base no “senso comum

considero que o Governo tem a sua razão, porque em Hong Kong tem sido sempre feita esta prática. A Lei Básica confere o direito

Na altura em que se discute a proposta de lei do planeamento urbanístico, Macau continua sem rever as suas leis ambientais. Alguns deputados levantaram esta questão, defendendo que “há falta de referência” na proposta de lei do urbanismo. “A lei da protecção do ambiente não está elaborada e então temos de aguardar, mas não é muito favorável aguardar pela elaboração de outros diplomas. Esta lei também é importante e segundo o Governo, aquando da elaboração dos planos urbanísticos, esta questão do ambiente vai ser tida em consideração. Os relatórios vão ser elaborados e não vão ser feitos de ânimo leve.” Chan Chak Mo diz ainda que “para além da protecção ambiental há que ter em conta também o factor económico. O Governo respondeu que todos os pormenores vão ser tidos em conta.” O que falta avançar é ainda um regime de credenciação para profissionais ligados ao urbanismo. “Alguns deputados consideram que alguns serviços estão a trabalhar sem qualquer articulação, sem uma participação profissional. Sem este regime de qualificação profissional, como pode ser feita da melhor forma? Segundo o Governo isto vai ser feito passo a passo.”

Kwan Tsui Hang detecta possíveis fraudes em autorização para TNR’s

Quotas a mais para trabalhadores a menos Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

K

wan Tsui Hang fez ontem uma interpelação escrita onde reflecte sobre eventuais fraudes de alguns requerentes sobre a quota dos trabalhadores não-residentes. Isto porque, diz a deputada, de acordo com os dados do Gabinete de Recursos Humanos (GRH), foram emitidas 113,400 licenças de recrutamento para trabalhadores não-residentes, em Agosto de 2011, mas até Janeiro de 2013 o número dos trabalhadores não-residentes era apenas de 111,642. “Durante um ano e meio, as quotas ainda não foram usadas. Por outro lado, o sector comercial está sempre a queixar-se de que não há recursos

humanos suficientes. Então como explicar os quotas não-usadas? Será que existem fraudes Num documento entregue ao Governo, Kwan Tsui Hang aponta

gonçalo lobo pinheiro

Andreia Sofia Silva

de propriedade e a norma é idêntica a Macau. Se calhar o ordenamento urbanístico de Hong Kong é mais avançado, e se houvesse violação da Lei Básica já existiriam muitos conflitos judiciais, mas não houve. Vamos analisar essas questões a ver quem tem razão.” E acrescenta. “O Governo, caso entendesse que iria violar a Lei Básica, não iria apresentar esta questão.”

que além dos chineses do continente, outros não-residentes podem estar a utilizar o visto de turismo para procurar emprego. “Como faltam mecanismos, os trabalhadores

ilegais podem exceder o período autorizado a ficarem. Mas as autoridades estão a querer fugir à sua responsabilidade, dizem que não há regulamentos ou leis para obrigar os trabalhadores não-residentes a ter o visto de trabalho.” Kwan Tsui Hang acusa ainda abusos nas políticas de contrato de trabalhadores não-residentes, revelando que alguns patrões ameaçam os seus trabalhadores locais que serão substituídos por não-residentes. A deputada pede ao Governo que reveja a situação real sobre as necessidades dos recursos humanos e insta o Governo a publicar o número mínimo obrigatório de trabalhadores residentes em cada empresa.


quarta-feira 20.3.2013

política

www.hojemacau.com.mo

ONU Macau Consciência conversa com organização via Skype e acusa Governo da RAEM

Liberdade de Imprensa

As respostas são “ultrajantes, falsas e enganadoras” Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

Macau Consciência acusou ontem o Governo da RAEM de prestar “falsas e enganadoras” informações ao Comité dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). O grupo, da qual fazem parte Jason Chao e Bill Chou, professor universitário, diz mesmo ser “ultrajante” a forma como o Governo se está a comportar perante a organização. Depois de, na terça-feira, o nosso jornal ter avançado que algumas das respostas de Macau a questões lançadas pela ONU, no ano passado, não correspondiam às queixas avançadas por activistas, Jason Chao e Bill Chou vêm a

público alertar para o mesmo aspecto. “É lamentável que o Governo exagere na forma como diz proteger os Direitos Humanos, mas encubra as

O que dizem os membros do Comité • “Queria saber se é possível punir pacifistas não-violentos. É que penso que nenhuma espécie de crítica é permitida [pelo Governo], isso pode limitar a liberdade de expressão. Por exemplo, sabemos da proibição de entrada de jornalistas de Hong Kong, como é que estes podem ameaçar a segurança nacional?” • “As censuras nos média [que são reportadas] não são graves, mas envia a mensagem de que a reportagem livre não é bem-vinda.” • “Há muitas formas de democracia que são compatíveis com os direitos humanos, mas a exclusão dos cidadãos normais [nas eleições] é um problema a longo-prazo para a RAEM, que quer ser democrática. Vão aceitar que mais passos são necessários?” • “É difícil de perceber como é que jornalistas de Hong Kong podem ser uma ameaça para o território de Macau.” • “Pensar que a maioria da população concorda que o Chefe do Executivo seja eleito por [um grupo de pessoas] não é nada normal.”

suas acções que violam a Convenção que protege os mesmos direitos”, diz o docente da Universidade de Macau. Tanto Jason Chao como

Bill Chou falaram com os membros do Comité dos Direitos Humanos da ONU, via Skype, a quem frisaram problemas que acontecem no território. Da mesma maneira que a delegação de Macau está a ser analisada em Genebra, também, na RAEM, o grupo liderado por Jason Chao se deu ao trabalho de analisar o relatório entregue pelo Governo à ONU e fazer algumas observações, que foram enviadas para o Comité da ONU. São muitos os assuntos que a Macau Consciência traz à baila e aos quais aponta o dedo. O Hoje Macau selecciona algumas das respostas enviadas pelo Executivo à ONU e as mesmas respostas feitas pelos membros da Macau Consciência.

ONU Macau em Genebra para discutir cumprimento da Convenção dos Direitos Humanos

M

Comité quer saber mais

acau esteve ontem sob escrutínio do Comité para os Direitos Humanos da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU). Durante três horas, a delegação do território, chefiada pela secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, foi novamente interrogada sobre alguns aspectos que os membros do Comité não perceberam. No ano passado, a ONU lançou um rol de questões sobre o cumprimento da Convenção dos Direitos Humanos. Em Fevereiro deste ano, o Executivo entregou as suas respostas, mas, durante a sessão de ontem – a que o Hoje Macau assistiu via internet -, a delegação que representa o território foi instada a dar mais pormenores sobre problemas como a liberdade de imprensa e abuso de poder das autoridades, exploração e tráfico humano e queixas dos trabalhadores por

O

Governo de Macau garante que a liberdade de imprensa de imprensa, expressão e publicação é adequadamente salvaguardado. De acordo com a Macau Consciência, que cita outros exemplos, a informação providenciada pela TDM não respeita os padrões do serviço público de Radiodifusão das Nações Unidas. “O canal não é adequadamente independente do Governo, o Chefe do Executivo não tem restrições de poder face à escolha da equipa sénior que edita as notícias”, exemplifica Bill Chou.

Existência de Organizações Não-Governamentais

Q

uestionado sobre a existência de grupos nãogovernamentais que ajudam na protecção dos direitos humanos, o Executivo da RAEM respondeu que há mais de cinco mil associações e cita exemplos como a Federação das Associações dos Operários de Macau e a Associação Geral das Mulheres. A Macau Consciência fornece outras informações à ONU: “Temos que ressalvar que [essas associações] não são, de facto, ONG’s, mas sim partidos políticos. Ambas as associações citadas vão ter candidatos nas eleições à Assembleia Legislativa. Depois, todas as ONG’s são dependentes do financiamento do Governo, e essa política pode ajudar a silenciá-las.

Eleição do Chefe do Executivo

O

Executivo assegura que a eleição do líder do Governo é aberto e feito de forma democrática. Também nesta questão, a Macau Consciência contesta. “Isto não é verdade. O processo de selecção não cumpre a protecção do direito dos cidadãos fazerem parte dos assuntos públicos. O Chefe do Executivo é eleito por um grupo do qual fazem parte eleitores qualificados da área da indústria, serviços sociais, profissões. Eles contabilizam apenas 2% da população.”

O que diz a delegação de Macau • “A cooperação com as Organizações Não-Governamentais é importante e o apoio financeiro do Governo em nada afecta essa cooperação.” • “Macau é um ponto de exploração sexual. Mas as vítimas não querem ficar em Macau para o processo judicial. Testemunham, mas não ficam até ao fim do julgamento, daí que não haja casos de recompensa, tal como a nossa lei defende. Até agora não há cumplicidade de autoridades no tráfico de pessoas.” – Chu Lam Lam, sobre o tráfico de pessoas em Macau e a recompensa que as vítimas podem receber do Governo • “Os cidadãos podem expressar e manifestar as suas opiniões à vontade.” – Chu Lam Lam, sobre a liberdade de expressão

incumprimento dos seus direitos.A reforma política também foi alvo de muitas dúvidas, com alguns membros do Comité a insistirem na questão sobre se Macau pretende ou não eleições através de sufrágio universal no futuro. A detenção de Jason Chao e outros dois activistas na Torre de Macau, aquando da presença de Wu Bangguo na RAEM, também foi alvo de escrutínio, ao lado de uma questão que já algum tempo levanta polémica: o impedimento de entrada de jornalistas de Hong Kong, com base no artigo da Lei Básica que dita as ameaças à segurança do território. - J.F.

3

• “Os jornalistas [de Hong Kong] não são [barrados] apenas por serem jornalistas, eles têm um perfil onde indica que eles são activistas e que podem causar distúrbios. Mas foram apenas barrados 586 pessoas em dez anos, o que é mínimo tendo em conta as mais de 700 mil pessoas que entram em Macau diariamente.” • “As gravações da Polícia em alguns eventos servem apenas como medida auxiliar de protecção para evitar situações que possam acontecer. O Governo não tem problemas em permitir manifestações não-violentas, mas as câmaras são utilizadas também como estratégia para melhorar o trabalho da polícia, não têm qualquer alvo especifico.” – sobre as gravações feitas pelas autoridades em manifestações como o 1º de Maio • “Macau aceita todas as críticas dos cidadãos, só assim podemos melhorar o trabalho governativo.” – Chu Lam Lam


política

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quarta-feira 20.3.2013

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Governo poderá proteger mais além do centro histórico

Caso surjam novos bens imóveis classificados como património histórico, o Governo poderá criar mais uma zona de protecção além da que existe actualmente na zona do Senado e Ruínas de São Paulo. Contudo, os deputados querem que a lei determine bem as regras para a sua criação Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

protecção dos bens imóveis esteve ontem em debate na Assembleia Legislativa, no âmbito de mais um debate entre deputados e Governo sobre a proposta de lei da salvaguarda do património cultural. Apesar de ainda não existir qualquer conclusão, não está posta de parte a possibilidade de vir a ser criada uma nova zona de protecção do património, para além da que existe actualmente no centro histórico. “Em 2006 foi demarcada uma zona de protecção e foi um compromisso que Macau fez ao

mundo. (Essa zona) pode ser alargada, mas diminuída não. Isso leva à conclusão que poderiam existir duas zonas de protecção, porque os novos bens classificados podem não estar localizados no centro histórico. É uma questão técnica e são duas coisas completamente diferentes. Mas para a criação dessas zonas de protecção, quais os critérios?”, questionou o deputado Cheang Chi Keong. O pedido de melhores critérios neste ponto diz respeito à existência de uma “flexibilidade” na proposta de lei que os deputados querem ver resolvida. “A proposta de lei diz que os bens imóveis classificados devem ter uma zona

de protecção quando tal se revele indispensável para a sua defesa e valorização. Os termos têm de ser mais rígidos. Quais as condições em que se torna indispensável? Pode ser criada uma zona com 10 ou 20 metros, e não existem critérios rígidos para a sua constituição”, acrescentou o deputado.

António Falcão

Deputados pedem critérios “rigorosos” Regras portuguesas não servem para Macau

A proposta de lei em discussão foi feita com base na legislação portuguesa, que determina que as zonas de protecção têm de ter uma dimensão de 50 metros. Contudo, dada a pequenez do território, os deputados consideram que essa situação não se aplica. “Isso é impossível de fazer em Macau. Não havendo um critério, isso vai depender das descrições da pessoa que decide a criação da zona. Quantos metros serão considerados? Estando os bens imóveis nessa zona de protecção, sofrem algumas restrições e condicionamentos.” “Se for definida uma zona com

50 metros em Macau vai criar dificuldades. Na lei não é obrigatória a sua criação (das zonas de protecção) e para a salvaguarda do património temos de actuar com maior rigor”, acrescentou Cheang Chi Keong. No que diz respeito à classificação dos bens imóveis, os deputados prometem avançar só depois das

assessorias jurídicas chegarem a um acordo, após duas reuniões técnicas. Nem que isso signifique deixar o assunto pendente. Até porque ainda há uma questão de termos técnicos por tratar, que dizem respeito à zona de protecção. Esse é o nome na lei portuguesa, mas em chinês é considerada zona tampão.

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ANÚNCIO

EDITAL

Edital no :20/E/2013 Processo no :243/BC/2011/F Assunto :Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua da Palmeira no 95, Edf. Io Wai, fracção 4o andar B, Macau. Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) no 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, faz saber por este meio ao dono da obra e ao proprietário, cujas identidades se desconhecem, da obra existente no local acima indicado, o seguinte: 1.

O agente de fiscalização desta DSSOPT constatou no local acima identificado a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte:

1.1

Obra

Situação da obra

Construção de um compartimento não autorizado com cobertura em chapa de zinco, janela em caixilharia de alumínio, paredes em alvenaria de tijolo e gradeamento metálico no terraço de recuo junto à janela da fracção.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Concluída

Infracção ao no 12 do artigo 8o, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício.

3.

Sendo a janela acima referida considerada como ponto de penetração para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não pode ser obstruída com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.) de acordo com o disposto no no 12 do artigo 8o d o RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei no 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto ponto de penetração no edifício e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.

4.

Nos termos do no 7 do artigo 87o do RSCI, a infracção ao disposto no no 12 do artigo 8o, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas.

5.

Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciarse por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 95o do RSCI.

6.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, no 33, 15o andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227).

Aos 11 de Março de 2013 A Subdirectora dos Serviços Engª Chan Pou Ha

CONCURSO PÚBLICO PARA A “PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE PRODUÇÃO DE REGISTO DE IMAGEM DE VÍDEO DAS OBRAS DO SEGMENTO DA TAIPA DO SISTEMA DE METRO LIGEIRO DE MACAU” 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.

Entidade adjudicante: Secretário para os Transportes e Obras Públicas. Entidade que põe a prestação de serviços a concurso: Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes. Modalidade de concurso: concurso público. Objecto de adjudicação: a produção de registo de imagem de vídeo das obras do segmento da Taipa do Sistema de Metro Ligeiro. Prazo de prestação de serviços: segundo o prazo descrito no caderno de encargos. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa de concurso. Caução provisória: é de $80.000,00 (oitenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro ou garantia bancária aprovada nos termos legais, de acordo com o disposto do número 10.3 e 10.4 do programa de concurso. Caução definitiva: 4% (quatro por cento) do preço da adjudicação. Preço base: não há. Condições de admissão: Podem concorrer ao presente concurso as empresas que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis da Região Administrativa Especial de Macau e que exerçam actividades relacionadas com o objecto do concurso. 11. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: sede do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, sita na Rua Dr. Pedro José Lobo n.º 1-3, Edif. Banco Luso Internacional, 26.º andar, Macau; Dia e hora limite: dia 24 de Abril de 2013, (quarta-feira), até às 17:00 horas. 12. Local, dia e hora da sessão de esclarecimento: A sessão de esclarecimento terá lugar no dia 26 de Março de 2013, (terça-feira), às 11:00 horas, no Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, sito na Rua do Dr. Pedro José Lobo, Ed. Banco Luso Internacional, n.º 1-3, 11.º andar, Macau; Os interessados poderão proceder à marcação para assistirem à sessão de esclarecimento dirigindo-se pessoalmente ao supra referido local para entrega das propostas, ou por telefone para os números 28813721 ou 28813722, durante as horas de expediente, antes do dia 26 de Março de 2013. 13. Local, dia e hora do acto público: Local: sede do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, sita na Rua Dr. Pedro José Lobo n.º 1-3, Ed. Banco Luso Internacional, 11.º andar, Macau; Dia e hora: dia 25 de Abril de 2013, (quinta-feira), pelas 10:00 horas. 14. Adiamento: Em caso de encerramento dos serviços públicos da Região Administrativa Especial de Macau ao público em virtude de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas ou a data e a hora do acto público do concurso estabelecidas, serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, na mesma hora. 15. Nos termos do artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, e os respectivos efeitos previstos, os concorrentes ou os seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso; Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. 16. Local, dia e hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: sede do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, sita na Rua Dr. Pedro José Lobo n.º 1-3, Edif. Banco Luso Internacional, 26.º andar, Macau; Dia e Hora: horário de expediente desde a data da publicação do presente anúncio até à data do acto público do concurso; Preço: $ 100,00 (cem patacas). 17. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço 50% - Plano de trabalhos 25% - Técnicas especializadas 25% 18. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na sede do GIT, sita na Rua Dr. Pedro José Lobo n.º 1-3, Edif. Banco Luso Internacional, 26.º andar, GIT, Macau, a partir da data da publicação do presente anúncio, inclusive, e até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, aos 14 de Março de 2013. O Coordenador Lei Chan Tong


quarta-feira 20.3.2013

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“Há uma solução para equilibrar ambiente e desenvolvimento”

Cecília Lin*

cecília.lin@hojemacau.com.mo

F

histórico. “Como já não é possível reaver o terreno, o Governo poderia comunicar mais com o empresário. Para não se escavar tanto

a serra, poderia ser dado um pedaço de terreno do solo plano, para compensar. A sociedade está neste momento a ter um grande

debate sobre o caso, mas penso que não entende muito bem. Há uma solução para equilibrar o ambiente e o desenvolvimento.” Mas Ho Wai Tim apresenta um plano B. “Se não for dada mais terra plana, o Governo poderia dar mais andares ao empresário. Assim a serra não seria tão escavada e os interesses do empresário poderiam estar protegidos.” O responsável considera que o Governo “tem de comunicar bem” com Sio Tak Hong, o proprietário, para que os danos no ambiente possam ser reduzidos ao mínimo. Para Ho Wai Tim, a habitação pública em Seac Pai Van também trouxe danos ambientais. “Contudo, trata-se de um projecto social. A sociedade precisa de habitação pública e isso acabou por não ser muito comentado. O Governo não deu muitas informações ao público sobre se isso iria causar ou não danos no ambiente. A transparência no Governo deveria aumentar.” Quanto ao sistema de avaliação ambiental, o responsável considera que “é muito rigoroso”. “O problema é que estes profissionais

Turismo de Macau inaugura representação na Rússia

Para diversificar mercados A

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Depois do anúncio no jornal, Ho Wai Tim falou do projecto em Coloane

O presidente da Associação de Ecologia de Macau falou sobre o futuro projecto habitacional que poderá nascer em Coloane, no mesmo terreno da histórica casamata. Ho Wai Tim diz que é possível construir e preservar a serra que lá existe

oi graças a Ho Wai Tim que a histórica casamata de Coloane se tornou o centro de uma polémica. Tal aconteceu por causa da publicação de um anúncio no jornal chinês Ou Mun, por parte da Associação de Ciência Politica e Direito de Macau, que defendia a demolição de espaços “símbolo do poder colonizador”. Ho Wai Tim negou estar ligado à associação ou ao anúncio publicado, mas a polémica permaneceu. Homem de muitas associações, é também presidente da Associação de Ecologia de Macau (AEM). Foi nessa qualidade que falou do prédio habitacional que pode nascer ao lado da casamata, mas não fez quaisquer comentários sobre o espaço

sociedade

Direcção dos Serviços de Turismo (DST) anunciou ontem a abertura do seu escritório de representação na Rússia, num evento promocional especial em Moscovo, “a fim de desenvolver o grande potencial do mercado de turismo russo”. “É com grande entusiasmo que abrimos uma representação em Moscovo, que surge na sequência de vários anos a levar a cabo promoções periódicas para testar o mercado”, afirmou, em Moscovo, num almoço de lançamento da representação, a directora da DST, Maria Helena de Senna Fernandes. O número de visitantes da

Rússia tem crescido anualmente desde 2004. Em 2012, Macau recebeu 26.844 russos, número que reflecte um crescimento anual de 62,6 %. “A Rússia é um dos mercados mais procurados no mundo em termos do potencial de turismo e para Macau é dos mercados emergentes que regista o crescimento mais rápido,” acrescentou a directora da DST, citada num comunicado oficial. O novo escritório de representação da DST em Moscovo foi anunciado tirando partido da época alta de férias de turismo na capital russa, refere a nota, em que se salienta que os Serviços de Turismo promoveram Macau

como destino em eventos que tiveram Moscovo como palco. A directora da DST, com um grupo de operadores turísticos de Macau, que representam duas agências de viagens e dois hotéis locais, participa na “Moscow International Travel and Tourism Exhibition” (MITT), considerada a principal feira de turismo organizada anualmente na Rússia, a qual abre esta quarta-feira. Já na quinta-feira, a DST organiza um evento com a entidade congénere de Hong Kong, para promover as duas cidades vizinhas como um único destino para os turistas russos. - Lusa

não conhecem Macau e nem sabem as necessidades dos seus residentes. Assim, dá a impressão que a avaliação ambiental é muito vaga. O Governo precisa de publicar

os relatórios das avaliações feitas às obras públicas, para que o público possa saber o que se passa e para que as polémicas sejam reduzidas.” - *com Andreia Sofia Silva

Ho Wai Tim rejeita ser deputado Ao Hoje Macau, o presidente da AEM disse que não tem vontade de participar nas eleições legislativas, embora tenha uma “rica” experiência em associações. “Não quero participar na politica, só quero ser professor e trabalhar apenas no sector ambiental.” Disse ainda que os membros das associações ambientais estão a aumentar, mas que ainda não têm poder para se tornar num sector presente no hemiciclo. “Ainda assim, queremos desenvolver o sector porque é muito importante para a sociedade.”

DSSOPT já recebeu projecto no terreno de Coloane A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) já recebeu um pedido para a construção de um edifício habitacional no mesmo terreno onde se encontra a casamata portuguesa, em Coloane. Contudo, o organismo só vai avançar na decisão depois de receber todos os pareceres já pedidos a outras entidades. “Após a recepção desses pareceres iremos analisar (o projecto) do ponto de vista urbanístico. Eu pessoalmente ainda não vi o projecto. Não vi em pormenor e não sei qual é a altura apresentada para o edifício”, disse Carion, que frisou que a preservação do local “depende da óptica das pessoas”. “Como habitante de Macau entendo que a zona deve ser preservada. Eu sempre defendi que Coloane é o ultimo pulmão que existe em Macau. Mas também temos de respeitar os princípios e os direitos das pessoas.” Uma dessas entidades que vai fazer uma análise ao local é o Instituto Cultural (IC). “Neste momento ainda estamos a recolher informações para saber melhor a sua história. Mas a casamata vale a pena proteger”, garantiu o director, Guilherme Ung Vai Meng.


sociedade

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quarta-feira 20.3.2013

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Política de restrição de recipientes ‘take-away’ e fumos nos restaurantes é nova missão da DSPA

“Temos de cultivar a população a utilizar materiais não biodegradáveis”

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

C

heong Sio Kei está a lutar por um uso menor de recipientes plásticos descartáveis na restauração. Esta foi, pelo menos, a mensagem deixada à margem da apresentação da sexta edição do Fórum e Exposição Internacio-

da DSPA mas não dá conta se há uma fiscalização, tanto da parte do organismo ambiental como do Instituto de Assuntos Cívicos e Municipais, último responsável por tutelar a área de restauração segundo a nova lei de segurança

hoje macau

O director da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), Cheong Sio Kei, garante que hotéis e restaurantes estão a restringir o uso de materiais plásticos para consumo ‘takeaway’, segundo promoção levada a cabo pelo organismo. No entanto, admite, há muito trabalho pela frente para eliminar de vez estes materiais poluentes

alimentar. No entanto, refere, “há um plano de apoio financeiro [o Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética] através do qual as empresas podem ser candidatas para adquirir equipamentos como exaustores”.

Onde colocar postos de carros eléctricos?

nal de Cooperação Internacional (MIECF), no Venetian. “Acho que já em vários hotéis e restaurantes tentaram não utilizar recipientes descartáveis para alimentos para corresponder à nossa política de redução de resíduos de reciclagem e ainda reutilização dos mesmos recipientes de cozinha”, explica o director da DSPA. Por outro lado, garante, há também empresas que assumem a sua responsabilidade ambiental perante a comunidade, algo que tem sido notório em eventos gastronómicos. Mas, ainda assim, o desuso de materiais não biodegradáveis mantém-se uma batalha difícil de travar.

“Promovemos a não utilização de esferovite porque há muitos restaurantes que os utilizam para ‘take-away’ e isso faz mal ao ambiente. Nesse aspecto, ainda temos de cultivar a população a não utilizar esses materiais que poluem porque não são biodegradáveis. Através das redes comunitárias, incentivamos toda a população a melhorar este aspecto. Isso também é uma tarefa dura e a longo prazo”, admite o responsável. Sobre a questão da restrição de fumos e cheiros a óleo nos restaurantes, Cheong Sio Kei diz que já foram emitidas instruções

A DSPA mantém-se a estudar a exequibilidade da circulação de carros eléctricos em Macau, por essa razão, ainda não tem ‘deadlines’ previstos. “Nesta fase estamos a estudar a viabilidade de instalações complementares, como postos de recarregamento. Quantos são precisos em toda a Macau? Em que sítio? Como? Quais? Estamos a estudar isto. Daí é que vamos saber quais os tipos de eco-veículos e que equipamentos adaptáveis complementares para importação a importar”, indica Cheong Sio Kei. Por outro lado, esclarece, está a ser dada prioridade à redução de emissões de carbono. “Já lançámos vários regulamentos sobre os parâmetros e critérios dos gases poluentes de automóveis e queremos aplicar critérios mais rigorosos do que a Norma EURO IV para que em Macau haja menos poluição e, ao mesmo tempo, aplicar o benefício fiscal na aquisição de eco-veículos.” O responsável informou ainda que os mais de 120 mil veículos com elevadas emissões de carbono a circular em Macau têm os dias contados. “Também já estamos a estudar as normas para abater estes carros altamente poluentes, além de proibi-los de circular na estrada.”

Escolas mais eficientes O Fundo de Protecção Ambiental e Conservação Energética deverá estar acessível aos estabelecimentos de ensino dentro em breve. Esta é a ideia deixada por Cheong Sio Kei ao dizer que a DSPA está “a estudar quais os projectos que deverão ser aprovados para a concessão de apoio financeiro, estudo que será levado a cabe com a maior brevidade”. O Plano de Apoio Financeiro, alargado até o fim deste ano, serve às empresas que queiram requerer um apoio, até 500 mil patacas, para financiar equipamentos de maior eficiência energéticas. Em mais de um ano, cerca de 700 empresas receberam um apoio de 67 milhões de patacas. O director da DSPA diz agora que se está a verificar “a aplicação real do apoio financeiro obtido”.

Formação influencia confiança e satisfação, diz estudo da MUST

Trabalhadores do jogo são os mais insatisfeitos Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

s funcionários das operadoras de jogo são os que têm um nível de confiança e de satisfação mais baixo, aponta um estudo sobre a confiança dos empregados de Macau, realizado pela Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST). O estudo revela que o índice de confiança destes funcionários desceu 1%, enquanto que a satisfação baixou 1,6% face a 2012, cujos valores são os mais baixos quando comparados com outras profissões. Tais números revelam uma melhor posição face ao período antes da liberalização do jogo, graças ao consequente desenvolvimento económico.

Contudo, dado que o sector do jogo é o motor da economia local, os funcionários dos casinos são aqueles que mais facilmente são influenciados pelos movimentos da economia mundial, em caso de crise financeira. Em 2012, apesar da boa performance económica, não se registaram quaisquer mudanças positivas ao nível da confiança e satisfação dos funcionários. No geral, o índice de confiança dos empregados é de 3,13 pontos num total de 5, uma queda de 0,3% face a 2012. Já o índice de satisfação é de 3,29 pontos, uma queda de 0,3%. Ambos os índices estão ligeiramente acima do nível “normal”. O trabalho da MUST revela ainda que quanto mais elevado for

o nível de educação de um trabalhador, mais confiança e satisfação ele tem no seu trabalho. Chan Lai Kow, director do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável (IDS) da MUST, considera que a sociedade e o Governo “continuam a dar atenção a esta questão para apoiar os diferentes níveis de ensino, bem como promover a cooperação entre sectores diferentes, e a formação do pessoal no serviço”.

O que patrões e Governo podem fazer

O estudo mostra ainda que o posicionamento da empresa no mercado também vai influenciar a confiança e a satisfação. Numa empresa maior, os empregados têm

menos confiança para verem as suas capacidades de trabalho mais reconhecidas. Há ainda menos satisfação face ao trabalho, não havendo tanta promoção ao nível dos talentos individuais ou existin-

do uma diminuição da interacção social no serviço. Desta forma, o estudo diz que os patrões têm de considerar mais as necessidades dos r o volume de trabalho.


quarta-feira 20.3.2013

sociedade

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Portugal vai assinar protocolo na área de energias renováveis com a China

Estratégia lusa assenta no ambiente Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

P

ortugal faz-se representar no Colóquio da Indústria de ProtecçãoAmbiental para os Países de Língua Portuguesa, organizado pelo Fórum Macau, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). No dia da inauguração do evento, na Universidade de Macau, ficou clara que a estratégia da comitiva portuguesa passa por captar mais investimento da China e países lusófonos e fornecer serviços nesta área, já que Portugal é “quem tem mais know-how técnico”, explica Inês Folgado Diogo, da direcção da APA, à margem do encontro. Portugal já tem vários protocolos firmados com o Brasil, Angola e Moçambique, aos quais é garantido apoio técnico e legislativo, espera-se agora firmar oficialmente o primeiro com a China, em Maio, na capital portuguesa. “Com a China temos um protocolo mas ainda não foi assinado. Ainda é apenas um ‘rascunho’, que implica apoio e formação de quadros técnicos, principalmente. Estamos à espera que o Ministério dos Negócios Estrangeiros assine o protocolo com o Secretariado Permanente [do Fórum Macau], que fará a ponte [com a China]. (...) Com Angola e Brasil apoiamos também na legislação mas não sei se neste está previsto [esse apoio]”, esclarece Folgado Diogo. Deste colóquio, que se iniciou ontem e estende-se até 1 de Abril, constam 29

representantes do Governo e de empresas de sete países de língua portuguesa bem como da China e de Macau. Nesta formação, haverá palestras temáticas sobre o sistema ambiental de Macau, sobre a “Avaliação de Ambiente Urbano em Macau” e “Serviços de Fornecimento de Água e Política de Recursos Hídricos em Macau”, por exemplo, ministrado por um corpo docente da UMAC. Os participantes também vão poder conhecer o funcionamento da “Central de Incineração de Resíduos Sólidos de Macau” e da “Companhia de Electricidade de Macau” entre outras empresas e indústrias semelhantes em Macau. Em visita ao continente, vão poder visitar Jinan, na Província de Shandong,

onde se encontra a decorrer a Semana de Macau.

Angola procura ‘know-how’ chinês

De Angola está presente António Matias, Director Nacional para as Tecnologias Ambientais, que explica que o país veio sobretudo adquirir “conhecimentos na área de tecnologias ambientais”. “Tivemos a oportunidade de saber que a China tem grandes indústrias ligadas à reciclagem, à incineração, à geração de energia e ao tratamento de águas residuais. Angola neste momento está a implementar projectos nesta área e com o conhecimento que vamos adquirir aqui vamos dar a conhecer a Angola o que é que a República Popular da China está a fazer”, explica António Matias. Isto porque, o crescimento de Angola

IV Conferência Ministerial sem data definida Sabe-se que vai ter lugar no quarto trimestre deste ano a IV Conferência Ministerial do Fórum Macau mas, ontem, à margem da inauguração do Colóquio da Indústria de Protecção Ambiental para os Países de Língua Portuguesa, o secretáriogeral do secretariado permanente do Fórum Macau não foi mais além em pormenores sobre datas ou convidados. “O Ministério do Comércio ainda está a estudar e começa a fazer alguns trabalhos neste sentido. Ainda estamos a aguardar mais informações”, explica Chang Hexi, dizendo não saber se poderá vir a estar presente em Macau o novo presidente chinês, Xi Jinping, ou o primeiro-ministro Li Keqiang. Recordese que no início do mês, reuniram-se na capital chinesa embaixadores dos países de língua portuguesa para que fossem traçados os objectivos de cooperação multilateral com a China a inserir no quarto plano de acção, a três anos, aprovado na conferência. Na mesma será feito o anúncio sobre o funcionamento de mil milhões de dólares americanos disponibilizado pela China para a cooperação com a lusofonia, anunciado pelo ex-presidente Wen Jiabao em 2010.

está a ser levado a cabo com ajuda de cooperação chinesa, nomeadamente no desenvolvimento da área de construção civil e transporte, adianta, mas há vontade de implementar projectos ligados à estação de tratamento de águas residuais através pub

dos modelos chineses. “Ao termos conhecimento destas boas práticas talvez possamos colocar novas indústrias que possam não afectar o ambiente na república de Angola.” E porquê adquirir estes conhecimentos na China (e em Macau) e não em Portugal,

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avançado na área de energias renováveis? “Também temos estado a trabalhar com várias empresas portuguesas no que toca a energias renováveis. Estou a falar da energia solar e estudos para implementar projectos ligado ao parque eólico”, explica o responsável angolano. “No que toca à energia solar já existe implementação de projectos em várias províncias de Angola, tanto para a iluminação pública, captação de água com recurso a energia solar e também gerar energia nas zonas rurais.”


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nacional

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Mercado paralelo que o Governo não controla

Habitação cada vez mais cara Maria João Belchior Em Pequim

M

ais um mês e mais uma subida nos preços. Dados agora divulgados oficialmente mostram que o preço da habitação subiu em 66 de 70 cidades chinesas durante o passado mês de Fevereiro. Com um aumento de 3.3% em média no mês passado, Pequim e Cantão aparecem no topo da lista das subidas de preço. O valor da habitação é a maior preocupação da sociedade chinesa e o novo Governo já anunciou que pretende tornar esta uma das prioridades de topo da agenda política. Sendo um sector fundamental na economia de investimentos do país, continua a ser um calcanhar de Aquiles para um Governo que reconhece a importância do dinheiro

que movimenta, mas que, por outro lado, não o consegue controlar. Desde 2008 que os preços oscilam consoante as políticas do Governo mas, de certa forma, indiferentes a estas. Uma das leis introduzidas depois dos Jogos Olímpicos estipulava que um proprietário não podia adquirir mais do que uma casa. Para evitar os negócios de arrendamento onde os valores também sobem consoante um mercado com uma mão invisível que não o regula, a medida durou pouco tempo. Muitas famílias compravam mais do que uma propriedade em nome de diferentes membros que não os do agregado familiar. A notícia de mais impostos sobre o imobiliário, medida anunciada este mês, criou um certo burburinho no mercado e agora a tendência é vender. Mas a subida de preço leva a que não se consiga fazer previsões sobre o mercado.

Um imposto de 20% vai começar a ser aplicado à venda de casas em segunda mão, razão pela qual muitos querem vender habitações que já possuem antes que o novo regulamento entre em vigor. Anunciada também no início de Março, uma nova medida vai definir taxas de juro mais altas para quem estiver a adquirir uma segunda habitação. As medidas estipuladas a nível nacional, são

Presidente chinês diz que China e EUA têm “enormes interesses comuns”

Desenvolver cooperação

O

novo Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que a China e os Estados Unidos têm “enormes interesses comuns”, no seu primeiro encontro com um governante estrangeiro desde que assumiu o cargo. “Temos enormes interesses comuns, mas, inevitavelmente, também temos diferenças”, disse Xi Jinping ao receber o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jacob Lew. Os Estados Unidos são o segundo parceiro comercial da China, a seguir à União Europeia, e cerca de um terço das reservas cambiais chinesas está investido em títulos do Tesouro norte-americano. Segundo o relato da agência France Press, no encontro com Jacob Lew, Xi Jinping realçou ainda que os dois países deviam “abordar a sua relação de um ponto de vista estratégico e numa perspectiva de longo prazo”. Estados Unidos e China são também as duas maiores economias do mundo, com

crescente investimento económico e político no anel do Pacífico. “Atribuo grande importância às relações sino-norte-americanas e a China está disposta a trabalhar com os Estados Unidos para fazer avançar a cooperação e parceria entre os dois países”, disse Xi Jinping, citado pela agência noticiosa oficial chinesa. Jacob Lew iniciou ontem uma visita de dois dias à China para contactos com o novo ministro das Finanças chinês, Lou Jiwei, e outros responsáveis do país. O novo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, deverá visitar a China em Abril, adiantou ontem um jornal chinês. Xi Jinping, 59 anos, foi eleito Presidente da República na passada quinta-feira pela Assembleia Nacional Popular, o seu terceiro cargo político desde que assumiu a chefia do Partido Comunista Chinês e da Comissão Militar Central, há cerca de quatro meses.

no entanto, ignoradas por muitos dos que trabalham no sector. Quando analisado todo o ano de 2012, a maior subida de preços registou-se em Cantão onde de Janeiro a Dezembro houve um aumento de 8.8 %. Pequim surge em segundo lugar com um aumento de 7.7%. Um valor que leva a que ainda sejam uma minoria, aqueles que podem de facto, adquirir uma casa nestes sítios.

No último relatório, o antigo primeiro-ministro Wen Jiabao voltou a frisar a importância de investir na construção de habitação média. Porém, a medida, repetida desde há alguns anos nos trabalhos do Governo, continua a estar longe de ser aplicada em todo o país. Enquanto que as casas de luxo em condomínios privados continuam a multiplicar-se, nas cidades de segunda e terceira linha, os investimentos também prosseguem para casas mais baratas. Em Pequim, o valor do metro quadrado ultrapassa facilmente os 10 mil renminbi. Depois de 2008, o pacote de estímulo ao crescimento económico facilitou os empréstimos para investimentos. E a construção é um dos sectores principais e a influenciar muitos outros. Embora a oferta continue acima da procura em muitas cidades, em Pequim, Xangai e Cantão, os preços mantém-se acima do que o mercado permite. Para o novo Governo central é urgente regular melhor o sector que funciona quase exclusivamente na mão de especuladores, que, no entanto, geram muitas receitas para a economia.

Japão e China estiveram perto de confronto militar

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Barcos frente a frente

esponsáveis militares chineses reconheceram na segunda-feira, pela primeira vez, que uma fragata da China teve um ‘destroyer’ japonês sob mira de tiro, ao largo das ilhas reivindicadas pelos dois países, noticiou a agência japonesa Kyodo. Porém, esta informação já foi desmentida pelo Ministério da Defesa chinês, em fax enviado à agência noticiosa AFP, e pela Marinha, em comunicado.

No mais sério incidente ligado ao diferendo sobre o arquipélago das Diaoyu, ilhotas desabitadas no Mar do Sul da China, que o Japão administra, mas que a China reivindica, Tóquio tinha afirmado, por várias vezes, que uma fragata chinesa tinha colocado um seu ‘destroyer’ sob ameaça de fogo em águas internacionais. Pequim negou sempre as acusações nipónicas, acusando o Japão de exagerar “a pretensa ameaça

chinesa” e de querer “sujar a imagem da China” na opinião internacional. Mas a agência Kyodo noticiou na segunda-feira que altos responsáveis militares chineses, que não identificou, tinha confirmado a existência deste acto hostil. Estes responsáveis, sempre segundo a agência noticiosa japonesa, entre os quais alguns de elevada patente, explicaram que foi “uma decisão tomada sob pressão”, não uma

acção planificada, e que foi decidida pelo comandante da fragata. A agência japonesa especifica que estas declarações foram feitas recentemente, sem mais detalhes. Os responsáveis chineses, ainda segundo a Kyodo, declararam que, em 30 de Janeiro passado, a fragata e o ‘destroyer’ estiveram separados por três quilómetros, em águas internacionais, a cerca de 110 a 130 quilómetros a norte das ilhas.

Novo líder chinês escolhe Rússia para primeira visita oficial

O novo Presidente da China, Xi Jinping, realizará a primeira visita de Estado à Rússia de 22 a 24 de Março e abordará nas reuniões com governantes russos a cooperação no âmbito da energia, informou segunda-feira o Kremlin. Entre outros temas que Xi Jinping, eleito para o cargo no passado dia 14 numa sessão da Assembleia Nacional Popular, abordará durante a sua primeira viagem a Moscovo na qualidade de Presidente chinês, figura também a cooperação comercial, económica e industrial, o incentivo dos vínculos humanitários e culturais, assim como do intercâmbio juvenil, indicou a mesma fonte. No campo da energia, o líder chinês e o primeiro-ministro

russo, Dmitri Medvedev, analisarão, no seu encontro do próximo sábado, a “execução de projectos de grande envergadura”. Segundo avançou anteriormente Arkadi Dvorkovitch, vice-primeiro-ministro russo, a empresa russa Gazprom e os seus interlocutores chineses tencionam chegar a um princípio de acordo sobre as exportações do gás russo à China. A Rússia será o primeiro destino estrangeiro do novo líder chinês. Depois de Moscovo, o Presidente Xi visitará outros países africanos, nomeadamente Tanzânia e África do Sul. Neste último país, participará na cimeira dos BRICS (países emergentes) nos dias 26 e 27 de Março.


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economia

A proposta inicial do Eurogrupo para taxar os depósitos bancários do Chipre foi ontem discutida no parlamento do Chipre, existindo várias propostas para suavizar a medida junto dos cidadãos. Os depósitos até aos 20 mil euros poderão estar a salvo. A medida é uma das principais condições impostas pela Troika para um resgate financeiro ao país Andreia Sofia Silva* andreia.silva@hojemacau.com.mo

É

mais um resgate da zona Euro e a medida foi apontada como sendo a menos “dolorosa” no meio de um resgate financeiro. O Eurogrupo decidiu implementar taxas aos depósitos bancários no Chipre, uma decisão que foi conhecida na madrugada do passado Sába-

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Bancos e Bolsa do Chipre estão fechados. Governo ainda analisa propostas sobre taxas aos depósitos

Caixas multibanco cipriotas sem dinheiro e vandalizadas do e que foi apontada como a única forma para o país conseguir obter os 10 mil milhões de euros dos seus parceiros internacionais. Contudo, ainda não existe uma decisão final. Os deputados cipriotas reuniram esta segunda-feira para votar a medida proposta pelo Eurogrupo, tendo a discussão sido adiada para ontem. O principal objectivo do Governo do Chipre, para já, é garantir que os depósitos mais baixos não ficam obrigados a pagar taxas tão elevadas. Em causa poderá estar uma alteração na taxa a impor sobre os depósitos até 100 mil euros que passaria a ser de 3% ou 3,5% em vez dos 6,75% acordados inicialmente, enquanto a taxa para os depósitos superiores a 100 mil euros passaria de 9,9% para 12,5%. Em discussão poderá também estar uma isenção completa deste imposto para

depósitos inferiores a 20 mil ou 25 mil euros, segundo vários relatos de deputados envolvidos nas discussões. Até ao fecho desta edição, era avançada a informação de que os depósitos até 20 mil euros poderiam estar a salvo. O acordo inicial prevê ainda que os depositantes fiquem com acções dos respectivos bancos em troca do corte nos seus depósitos. A taxa deve render 5,8 mil milhões de euros segundo os cálculos iniciais. Entretanto, a situação está a originar muitas análises negativas por parte de analistas e figuras do mundo económico. A agência Moody’s já veio afirmar que a decisão do Eurogrupo pode levar à fuga de depósitos nos bancos dos países periféricos e levar a cortes nos ‘ratings’ da banca europeia. “Mesmo que os riscos neste caso sejam de alguma forma limitados pelo facto dos problemas dos

sistema bancário – exposição à economia grega e mercado imobiliário nacional – serem claramente limitados ao Chipre, a decisão de impor perdas aos depositantes sinaliza a disposição dos decisores europeus de causar disfunções mais vastas no mercado financeiro para impor outras decisões de política”, diz a agência numa nota publicada. Portugal é um dos países frisados pela Moody’s, posição já refutada por Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal. Este disse à que a tributação bancária “excepcional” ao Chipre “não é transponível para outros países”, tendo salientando que Portugal tem um sistema financeiro estável e capitalizado. Já Eduardo Catroga, antigo ministro das Finanças, disse que a decisão dos responsáveis europeus só demonstra que “a nave do Eurogrupo vai louca”. “É a primeira reacção

que tenho. Atacar a confiança no sistema bancário quando precisamente toda a filosofia das medidas tomadas a nível da União Europeia foi criar condições de fortalecimento do sistema bancário e criação de condições de confiança dos depositantes, esta medida é incrível. Está ao arrepio daquilo que tem sido a filosofia da União Europeia.”

População em revolta

Se no fim-de-semana esta medida gerou reacções muito negativas por parte dos cipriotas, que correram para as caixas multibanco para levantar o seu dinheiro, a situação ainda não acalmou, como revela uma reportagem da agência Lusa. O capitão do clube de futebol cipriota APOEL, o português Hélio Pinto, disse que as caixas multibanco no país estão sem dinheiro e que muitas já foram vandalizadas, na sequência do anúncio de

um resgate europeu ao Chipre. “Foi uma surpresa para toda a gente. Quem será mais afectado são os cipriotas, mas toda a gente vai perder alguma coisa. A maioria dos portugueses tem as contas em Portugal e tem enviado o dinheiro todo para lá.” O futebolista, que reside no Chipre há oito anos, adiantou que, na sexta-feira, tinha levantado dinheiro, mas que colegas seus foram ao banco e não conseguiram porque já não havia dinheiro nas máquinas. “Tenho falado com muitas pessoas e o que me dizem é que as caixas multibanco não têm dinheiro e que muitas já foram partidas, vandalizadas.” Hélio Pinto, que é capitão do APOEL, clube que lidera o campeonato de futebol do Chipre, adiantou à agência Lusa que tem alguns investimentos no país e manifestou esperança de que o Presidente cipriota consiga negociar condições mais favoráveis para os depositantes. Entretanto, a bolsa de valores do Chipre mantém-se fechada até amanhã dado o fecho dos bancos. Os responsáveis afirmaram, em comunicado, que decidiram “suspender a transacção de títulos para garantir o bom funcionamento da bolsa e proteger os investidores”, e que “é impossível efectuar a regularização das acções transaccionadas em bolsa”. - *com Lusa


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Abertura de concurso geral para aquisição de habitação económica Nos termos do artigo 20.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), faz-se saber que se encontra aberto um concurso geral para aquisição de fracções autónomas de habitação económica, de tipologia T1, ficando os interessados à candidatura notificados do seguinte: 1. O prazo para apresentação de candidaturas é de 27 de Março de 2013 a 26 de Junho de 2013. 2. O presente concurso é geral, podendo concorrer os agregados familiares ou indivíduos que reúnam os requisitos gerais de acesso à compra das fracções autónomas de habitação económica. 3. Os candidatos devem reunir os seguintes requisitos gerais: 1) Os limites, mínimo e máximo, do rendimento mensal e o limite de património líquido devem-se enquadrar nos valores fixados no Despacho do Chefe do Executivo n.º 43/2013 (ver a tabela seguinte):

boletim de candidatura, ao qual o Instituto de Habitação (IH) tenha autorizado a compra ou com o qual tenha celebrado contrato-promessa de compra e venda de uma fracção; (5) Quem seja elemento de agregado familiar que figure noutro boletim de candidatura, ao qual o IH tenha autorizado a concessão de bonificação ao crédito para aquisição ou locação financeira de habitação própria; (6) Quem seja cônjuge de candidato à compra, de promitentecomprador ou de proprietário de uma fracção de habitação económica; (7) O promitente-comprador, e os elementos do respectivo agregado familiar, que tenha desistido da compra da fracção após a emissão da licença de utilização do edifício de habitação económica e tenha entregado a fracção, nos cinco anos anteriores à data de apresentação da candidatura; (8) O proprietário, e os elementos do respectivo agregado familiar, que tenha vendido uma fracção de habitação económica; 4) O presidente do IH, a título excepcional e mediante pedido devidamente fundamentado, pode autorizar a candidatura à compra das fracções por elementos dos agregados familiares acima referidos, com excepção dos que se encontrem nas situações previstas na subalínea (1) (devendo para o efeito apresentar o respectivo requerimento);

5) Nenhum candidato pode constar em mais do que um boletim de candidatura.

2)

A candidatura só pode ser apresentada por um elemento do agregado familiar ou pelo candidato individual que, cumulativamente: (1) Tenha idade mínima de dezoito anos; (2) Seja residente permanente da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM);

3) Não pode candidatar-se à aquisição de habitação económica: (1) Quem seja ou tenha sido, nos cinco anos anteriores à data da apresentação da candidatura e até à data de celebração da escritura pública de compra e venda da fracção, promitentecomprador ou proprietário de prédio urbano ou de fracção autónoma com finalidade habitacional ou de terreno na RAEM, ou concessionário de terreno do domínio privado da RAEM; (2) Quem seja elemento de agregado familiar ou indivíduo ao qual tenha sido resolvido ou declarado nulo o contrato-promessa de compra e venda de habitação económica, nos dois anos anteriores à data de apresentação da candidatura; (3) Quem seja elemento de agregado familiar ou indivíduo que tenha sido excluído de candidatura de habitação económica anterior por prestação de falsas declarações ou uso de outro meio fraudulento, nos dois anos anteriores à data de apresentação da candidatura; (4) Quem seja elemento de agregado familiar que figure noutro

4. Localização, tipologia, quantidade, rácio bonificado e preço das fracções autónomas postas a concurso:


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1) O rácio bonificado e o preço de venda das fracções autónomas são fixados no Despacho do Chefe do Executivo n.º 44/2013; 5. Os boletins de candidatura podem ser obtidos nos seguintes locais: • Instituto de Habitação (sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau); • Centro de Serviços da RAEM (sito na Rua Nova da Areia Preta n.º 52, Macau); • Sede, delegações e centros de apoio da União Geral das Associações dos Moradores de Macau; • Sede e delegações da Associação Geral dos Operários de Macau; • Sede e delegações da Associação Geral das Mulheres de Macau; • Dependências da Cáritas de Macau; • Aliança de Povo de Instituição de Macau; • Download na homepage do IH (www.ihm.gov.mo). 6. A candidatura ao concurso formaliza-se com a entrega, no IH, do boletim de candidatura devidamente preenchido e assinado pelo candidato com capacidade jurídica. O boletim de candidatura é obrigatoriamente instruído com os seguintes elementos: 1) Declaração de rendimento mensal e património líquido dos elementos do agregado familiar; 2) Fotocópia do documento de identificação da RAEM de todos os elementos do agregado familiar; 3) Fotocópia do cartão de registo de avaliação da deficiência emitido pelo Instituto de Acção Social ou declaração médica emitida pelos hospitais da RAEM ou centros de saúde dependentes dos Serviços de Saúde (aplicável ao agregado familiar com deficientes). 7. O IH pode solicitar ao representante do agregado familiar outras informações que considere indispensáveis para a instrução do processo de candidatura. 8. Locais e forma de entrega dos boletins de candidatura: 1) O boletim de candidatura devidamente preenchido, acompanhado da respectiva documentação, deve ser entregue, pelo candidato ou seu representante, entre o dia 27 de Março de 2013 e o dia 26 de Junho de 2013, no IH, sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau, ou no Centro de Serviços da RAEM, sito na Rua Nova da Areia Preta n.º 52, Macau, durante o horário de expediente (sem interrupção durante a hora de almoço), ou nos locais indicados pelo IH; 2) Não são aceites candidaturas entregues pela via postal. 9. Na apresentação da candidatura, devem exibir os originais dos documentos de identificação da RAEM de todos os elementos do agregado familiar para leitura dos dados pessoais, através do chip. 10. Os candidatos admitidos são graduados por grupos prioritários de acordo com a seguinte ordem:

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11. A lista dos candidatos e a lista com a ordenação dos candidatos serão afixadas no IH, sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau. A data da afixação das listas será publicada, através de aviso publicitado em dois jornais da RAEM, um de língua chinesa e outro de língua portuguesa. As referidas listas estarão ainda disponíveis para consulta no Centro de Serviços da RAEM; sede, delegações e centros de apoio da União Geral das Associações dos Moradores de Macau; sede e delegações da Associação Geral dos Operários de Macau; sede e delegações da Associação Geral das Mulheres de Macau; dependências da Cáritas de Macau e Aliança de Povo de Instituição de Macau. Os interessados podem obter informações sobre o concurso através da linha aberta do IH, número de telefone 2835 6288 ou homepage do IH (www.ihm.gov.mo). 12. Na selecção, os candidatos devem entregar os documentos comprovativos necessários ao IH na data marcada, a fim de confirmarem o cumprimento dos requisitos gerais de acesso à compra das habitações económicas. Os candidatos devem reunir os requisitos gerais de acesso 13. à compra das habitações económicas, desde a data de apresentação da candidatura até à data da escolha das habitações, caso contrário, serão excluídos do concurso. 14. Os candidatos devem comunicar ao IH a alteração do número de elementos que se verificar no agregado familiar, em virtude de falecimento, nascimento, adopção, casamento, divórcio, fixação de residência na RAEM dos cônjuges ou dos filhos menores e demais factos jurídicos ocorridos antes da escolha de habitação, sendo o agregado reclassificado na lista com a ordenação no caso da pontuação obtida ser inferior à inicial. 15. A lista com a ordenação dos candidatos mantém-se válida até à venda de todas as fracções postas a concurso. 16. Para esclarecimento de quaisquer dúvidas, poderão dirigir-se ao IH (sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau) durante o horário de expediente ou ligar para o número de telefone 2859 4875. O Presidente, Tam Kuong Man 15 de Março de 2013

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vida

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Três associações ambientais apoiam MIECF A Associação para a Protecção Ambiental Industrial de Macau, A Associação para a Economia de Energia de Macau e a Associação de Ecologia de Macau (AEM) vão criar conjuntamente, pela segunda vez, uma espaço de 1500 metros quadrados sobre energia economizadora e indústria de protecção ambiental na MIECF 2013. Além da exposição, as três associações ainda vão realizar um cocktail amanhã para troca de informações e experiências profissionais, oferecendo uma plataforma de comunicação para o sector local. - C.L.

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

pavilhão de exposições do Venetian já está a ser preparado para receber o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2013 (MIECF, na sigla inglesa), entre amanhã e 23 de Março. Ontem, na cerimónia de apresentação foram dados a conhecer os mais de 20 países, de onde provêm 400 empresas e associações, presentes neste evento ambiental. Nesta 6ª edição, cujo o tema é “Cidades Sustentáveis - Rumo a um Futuro Verde”, contam-se 12 instituições a

Portugal estará representado no MIECF 2013 com 12 empresas e associações

O ‘know-how’ luso representar Portugal - a Associação Industrial Portuguesa (AJP), a Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC), a CIMAVE Construções, a First Reason Energias Renováveis, a ESTEC, a Metalogalva, Irmãos Silvas, S.A., a Effiwater, a EGENEnergy Energy Systems, a SAFEVISION, a Sinuta 4 Sun, Sousa Pedro e a Viva Power.

Estes expositores estarão numa área de países de língua portuguesa, no qual só estará representando o Brasil, “com a participação deputados e o presidente de uma associação de Cultura”, explica Irene Lau, directora executiva do Instituto de Promoção de Comércio e Investimento de Macau (IPIM), que salientou ainda “a interactividade entre Por-

tugal, Macau e Brasil, com mais informações destes países”. Jackson Chang, por sua vez, indicou um aumento global do número de expositores, num total de 430 (mais 44 do que no ano anterior) provenientes de 24 países e regiões, tendo sido acolhidas mais de 2000 inscrições prévias de visitantes e expositores da

Ásia, Europa, América e África. Segundo acredita, haverá mais oportunidades de negócios verdes também este ano. “A entidade organizadora acolheu acima de 600 projectos (mais 100 do que no ano anterior) de investimento e de produtos nos domínios de poupança de energia LED, purificação do ar, tratamento de águas residuais, carros eléctricos e tecnologia hidroeléctrica, tendo marcado para o evento 430 bolsas de contacto”, indicou o presidente do IPIM. Para já, segundo Irene Lau, o número ainda não supera as registadas no ano anterior, cerca de 700 bolsas de contacto, mas “haverá mais durante o período do evento”.

67 palestrantes

Além da presença de dois especialistas de renome internacional como oradores principais - Jeffrey Sachs, director do Instituto da Terra da Universidade de Colombia, nos Estados Unidos e C.S. Kiang, fundador da Faculdade de Ciência Ambientais da Universidade de Pequim - foram ainda convidados

Mais testes para drogas que combatem Alzheimer numa fase mais precoce

Promover estudos de produtos químicos

A

agência que vigia os medicamentos e os alimentos nos Estados Unidos (Food and Drug Administration, FDA na sigla original) mudou as recomendações para testar a eficácia de medicamentos no tratamento mais precoce da doença de Alzheimer. Desta forma, a agência pretender facilitar o desenvolvimento de tratamentos antes do desenvolvimento dos sintomas avançados da doença e com isso travar os sintomas de um problema que afecta milhões de pessoas no mundo. Nos últimos anos tornou-se claro que as mudanças fisiológicas que provocam o declínio cognitivo dos doentes de Alzheimer acontecem

muito antes dos primeiros sintomas serem visíveis. A doença, caracterizada a nível neurofisiológico pela deposição de placas da proteína beta-amilóide no cérebro, provoca uma incapacidade cognitiva gradual até os pacientes perderem a memória e a autonomia. Até agora, a FDA defendia que a aplicação à aprovação de novos medicamentos para o combate da doença de Alzheimer exigia provas de uma melhoria nos sintomas fisiológicos das pessoas. Os medicamentos que são agora utilizados para tratar os sintomas de Alzheimer nas fases mais tardias só conseguem adiar a progressão destes sintomas. Por isso, há um

maior esforço no desenvolvimento de produtos químicos que actuem nos primeiros estádios da doença. Mas o pedido de provas de eficácia da FDA é “insustentável no caso [de produtos químicos aplicados nos] primeiros estádios da doença de Alzheimer”, explicam Nicholas Kozauer e Russell Katz, dois médicos que avaliam drogas neurológicas na Divisão de Avaliação e Investigação de Drogas da FDA. “Ainda não tínhamos ferramentas validadas que nos dão medidas de eficácia dos compostos químicos em pacientes com Alzheimer antes do início dos sintomas de demência”, explicam os dois médicos num artigo que

67 quadros superiores de governos, académicos e líderes do sector de protecção ambiental, provenientes de 13 países e regiões, incluindo China, Estados Unidos da América, Hong Kong, Macau, Portugal, Austrália e França num espaço superior a 16 mil quadrados. Há ainda nove sessões e dois workshops verdes, uma exposição verde com produtos e soluções favoráveis ao meio ambiente e ao desenvolvimento económico sustentável e o Dia de Cooperação Empresarial Verde, que inclui o Fórum Verde onde serão debatidos vários temas sobre o desenvolvimento sustentável, tendência das cidades verdes,, gestão energética, entre outros. O orçamento, diz a organização, não será mais elevado. “Não se registou aumentos das despesas e ainda que haja mais peritos, mais compradores, uma maior área e se tenha registado uma maior inflação tentamos manter os 23 milhões de orçamento, também apontado em anos anteriores”, explica Irene Lau.

saiu na edição da semana passada da revista The New England Journal of Medicine. São essas novas indicações que estão explicitadas no novo documento preliminar da FDA, publicado em Fevereiro e que tenta mudar o paradigma da regulamentação e aprovação destes compostos químicos. Alguns dos conselhos da agência passam por incorporar nos testes pessoas que mostrem, através de exames clínicos, a acumulação da proteína beta-amilóide; no caso das pessoas que ainda não mostrem sinais claros de demência, fazer uma bateria de testes cognitivos que avaliem os primeiros sinais de perda de capacidade cognitiva. A agência também defende que a aprovação de novos medicamentos é feita sob garantia de que os novos fármacos continuem a ser avaliados em relação à sua eficácia.


quarta-feira 20.3.2013

Livro inédito do poeta António Patrício apresentado ontem

De Macau para o mundo

O

Foi ontem apresentado “Fragmentos Poéticos”, um livro inédito de António Patrício, com chancela da COD. A obra reveste-se, de acordo com o editor Carlos Morais José, de uma “contemporaneidade surpreendente” tiago alcântara

livro “Fragmentos Poéticos”, um inédito de António Patrício, foi ontem lançado no Albergue SCM, disse à agência Lusa o editor Carlos Morais José, para quem “a contemporaneidade” da obra foi “uma surpresa”. António Patrício (1878 -1930) foi um médico e diplomata do princípio do século, e deixou obra nos campos da poesia e teatro. “Fragmentos Poéticos” é uma edição da COD, editora de Carlos Morais José, com prefácio de José Augusto Seabra e coordenação de Luís Sá Cunha. Nascido no Porto, o autor de “Serão Inquieto” (1910) faleceu a 4 de Junho de 1930 em Macau, território onde estava de passagem para encontrar o governador, a caminho de Pequim, onde deveria ocupar o cargo de ministro plenipotenciário. “Já temos este texto há algum tempo. Foi-nos dado pelo José Augusto Seabra antes de ter desaparecido, porque, tendo em conta a figura de Patrício e a sua obra, ele entendia que esta edição devia ser feita em Macau”, disse à agência Lusa Carlos Morais José, ao frisar a “ligação especial” do autor ao oriente. Em “Fragmentos Poéticos”, António Patrício é referido “como uma das mais altas vozes poéticas no Portugal do primeiro terço do século XX”, mas “pouco editado em vida” e “sem a merecida cúria dos editores” nos anos posteriores à sua morte. “O seu inquieto estro, foi porém, sendo desconcentrado e disperso, força das mudanças da vida diplomática em errância pelos continentes”, escrevem os editores, situando o universo político-literário do poeta e dramaturgo nas “hostes da agitação republicana”. Entre Dezembro de 1911 e Outubro de 1913 foi cônsul de Cantão, mas acabaria “removido” do cargo “em sequência de processo disciplinar: temperamento amurudo e espírito sedutor”, refere o esboço biográfico-literário de António Patrício na obra agora publicada. “Não se estranha que se tenha

cultura

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envolvido em romance com Lícia de Carvalho, jovem de 17 anos de uma família portuguesa proeminente na sociedade de Hong Kong. Como punição, foi “degredado” para Manaus (Brasil)”, acrescenta o texto. Em 1914 foi colocado em Bremen, na Alemanha, e, no pós-guerra passou “em obrigações diplomáticas” por Atenas, Londres e Caracas. A morte colheu-lhe “o estado de euforia criativa” em Macau, “onde chegou com a saúde debilitada”. “Não teria desagrado a António Patrício a notícia da escala em Macau, que o Ministério intercalara no seu itinerário para Pequim. Decadente, embora, nos princípios do século, Macau já era conhecida do poeta do começo das suas errâncias diplomáticas em Cantão, como cônsul de segunda classe”, lê-se em “Fragmentos Poéticos”. António Patrício assinou vários textos para teatro - “O Fim (1909), “Pedro, o Cru (1913), “Dinis e Isabel (1919), “D. João e a Máscara” (1924) e “Judas” (1924) - e,

além de publicar poemas nas revistas “Águia” e “Atlântida”, deixou obras inacabadas como “O Rei Sempre” (1914), “APaixão de Mestre Domingos” (1919), o “Auto dos Reis ou da Estrela” (1929) e “Teodora, Imperatriz de Bizâncio” (1929/ 30). “Eu penso que é um autor está um pouco esquecido neste momento.As suas peças vão sendo representadas. Talvez de dez em dez anos haja alguém que pega nas suas peças (…), mas penso que é um autor que merece ser relembrado constantemente, e espero que este inédito venha novamente a despertar o interesse por ele”, observou à Lusa Carlos Morais José. Para o editor, “Fragmentos Poéticos” aborda “questões do mesmo tipo” das que afectam Portugal actualmente. “É surpreendente ver como problemas que afectavam o país no início do século XX afectam o país no princípio do século XXI. De facto a contemporaneidade deste livro é uma surpresa, mas isso terá que ser o leitor depois as suas conclusões”, observou.

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Maria Rueff e Joaquim Monchique em Macau nos dias 4 e 5 de Maio

M

ais de trinta espectáculos integram o XXIV Festival de Artes de Macau (FAM), a partir de Maio e este ano com a presença dos atores portugueses Maria Rueff e Joaquim Monchique, com a peça “Lar doce lar”. Com um orçamento de 25 milhões de patacas, o cartaz inclui 34 espectáculos agendados para vários pontos da cidade, incluindo sítios classificados património mundial, entre 3 de Maio e 2 de Junho, anunciou ontem o Instituto Cultural de Macau, a entidade organizadora do certame. Além de teatro, o FAM vai apresentar dança contemporânea, ópera tradicional de Pequim, espectáculos de marionetas, sombras chinesas e exposições de caligrafia e pintura tradicional chinesa. Metade são produções locais, e outras tantas provenientes do interior da China, Espanha, Reino Unido, França, Holanda, Bélgica, Israel, Taiwan, Vietname e Singapura. “Lar doce lar” é a única proposta portuguesa para a próxima edição do FAM. A comédia, que dá a conhecer “o inconfessável da residência Antúrios Dourados para Seniores de Qualidade”, estreou em Portugal no ano passado e junta pela primeira vez em palco a dupla Maria Rueff e Joaquim Monchique, sendo apresentada em Macau no primeiro fim de semana do festival, a 4 e 5 de Maio. O certame abre e fecha com duas peças de dança contemporânea: “Seca e Chuva”, inspirada nas memórias da guerra do Vietname, pela encenadora e core-

ógrafa franco-vietnamita Ea Sola, e “Far”, uma “obra que desafia a anatomia do corpo humano”, do coreógrafo britânico Wayne McGregor. “Cartas deAmor” é outra das produções a exibir no FAM e que tem a particularidade de juntar uma equipa de coreógrafos de Guangdong, Macau e Hong Kong. Da China chega também a obra “HanYuniang”, apresentada pelo Teatro Nacional de Ópera de Pequim. AFrança está representada nesta edição do FAM com “Auto-Inacabado”, com a assinatura do coreógrafo francês Xavier Le Roy, e com a exposição “Técnicas em Extinção - Fotografia de Jean Baudrillard”. Ainda na vertente das exposições, o Museu de Macau recebe “Um Mundo de Fantasia - Chinoiserie”, uma mostra de artefactos produzidos na Europa nos séculos XVII e XVIII. Em conferência de imprensa, o presidente do Instituto Cultural, Guilherme Ung Vai Meng destacou a maior participação de grupos artísticos de Macau no festival. “Este ano temos mais colaboradores asiáticos e iremos tentar estreitar relações na região asiática para a cultura e artes”, acrescentou. Guilherme Ung Vai Meng destacou ainda que “os espect��culos infantis têm sido muito bem acolhidos nas edições anteriores”, à semelhança do teatro em patuá - dialeto incluído no património cultural imaterial único de Macau -, cuja representação estará mais uma vez a cargo do grupo local “Doci Papiaçam”, que este ano celebra 20 anos.

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AVISO CONCURSO PÚBLICO N.º 7/P/2013 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 1 de Março de 2013, se encontra aberto o Concurso Público para “Fornecimento e Instalação de Dois Sistemas de Radiografia Digital aos Serviços de Saúde”, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 20 de Março de 2013, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de $39,00 (trinta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer na Cave 1 da Secção de Património situada no Centro Hospitalar Conde de São Januário no dia 25 de Março de 2013 às 15,00 horas para visita às instalações a remodelar a que se destina o objecto deste concurso.

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 15 de Abril de 2013. O acto público deste concurso terá lugar no dia 16 de Abril de 2013, pelas 10,00 horas, na sala do “Museu” situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $240 000,00 (duzentas e quarenta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.

Serviços de Saúde, aos 11 de Março de 2013. O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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desporto

quarta-feira 20.3.2013

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Tadjiquistão derrota Macau por três bolas a zero

Aposta na defesa e nova desilusão Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

A

selecção de futebol de Macau hipotecou ontem na capital do Quirguistão, Bishkek, as poucas hipóteses de que ainda dispunha para conseguir carimbar a passagem à fase final da edição de 2014 da Taça Challenge. Depois de ter sido derrotada pelo grupo de trabalho do país anfitrião no domingo, a formação orientada por Leung Sui

Wing voltou ontem a somar nova derrota, perdendo por três bolas a zero no frente-a-frente com a exigente selecção do Tadjiquistão. Orientada pelo sérvio Nikola Kavazovic, a formação tadjique era tida como a grande favorita à vitória e não comprometeu. Confrontados com o favoritismo dos adversários, os responsáveis pela selecção do Lótus voltaram a optar por uma abordagem conservadora ao encontro, com sete

jogadores de características defensivas no onze inicial. Leung Sui Wing operou apenas uma mudança no alinhamento inicial face ao onze que no fim-de-semana defrontou o Quirguistão, ao colocar o médio ofensivo Ho Man Hou no lugar de C.I Choi. A aposta não mudou em nada a forma como o onze de Macau se posicionou no terreno. O conjunto do território voltou a fazer da cautela uma estratégia e a abordagem cautelosa deixou

Antunes, defesa do Málaga, volta a ser chamado à Selecção Nacional

“Israel é um adversário que temos de vencer” A

ntunes, lateral do Málaga e 24.º eleito de Paulo Bento para a dupla jornada frente a Israel e Azerbaijão, já integrou a sessão de treino da manhã desta terça-feira, em Óbidos. O atleta sublinha a importância de vencer um concorrente na corrida ao Mundial do Brasil e assume estar preparado para jogar. “Israel é um adversário directo na qualificação e temos de o vencer. Para alcançar o segundo do lugar no grupo há que ultrapassar todos os nossos concorrentes”, referiu o jogador, ao princípio da tarde de ontem, na concentração na Praia d’el Rey. O lateral desvaloriza o facto de não integrar a convocatória inicial e assume estar apto a ajudar a equipa. “Ainda há um longo caminho percorrer. Mas tenho de tentar manter-me na estrada para depois ser uma das escolhas do Mundial”, observou. O futebolista reencontrou os atletas do F.C. Porto, adversários no último encontro dos oitavos de

Vinício Morais Alves muito desacompanhado na frente de ataque. A exemplo do que sucedeu frente ao Quirguistão, a estratégia de contenção delineada por Leung Sui Wing singrou apenas durante a primeira metade da partida. A selecção do território resisitiu ao assédio da formação centro-asiática até aos 56 minutos, quando Jamshed Ismoilov, médio ofensivo do Regar Tursunzoda, colocou um ponto final ao impasse

que reinava no marcador desde o início do desafio. Apesar de controlar a partida sem grandes dificuldades, o onze tadjique só a oito minutos do fim conseguiu consolidar a vantagem de que dispunha e, de certa forma, garantir o triunfo. Jahongir Ergashev foi quem tranquilizou as hostes do Tadjiquistão, ao concluir uma boa jogada de ataque da formação da Ásia Central. O onze orientado por Nikola Kavazovic marcou de novo

já em período de descontos. Com o triunfo já garantido, Jamshed Ismoilov voltou a celebrar um golo nos instantes finais do desafio, elevando a contagem para os três a zero. Com o triunfo, o Tadjiquistão colocou-se em boa posição para conseguir um lugar na fase final da Taça Challenge.A formação tadjique vai discutir com o anfitrião Quirguistão o nome do vencedor do Grupo B de apuramento para a fase decisiva da prova. Ontem, o onze quirguíz derrotou o Paquistão pela margem mínima com um golo apontado por David Bruce Tetteh logo no primeiro minuto do desafio. A selecção de futebol de Macau despede-se amanhã da prova, num desafio exigente frente ao Paquistão.

Declarações de Benzema motivaram reacção da extrema-direita francesa

“Ninguém me vai obrigar a cantar o hino” K

final da Champions e agora companheiros na equipa das quinas. “João Moutinho é um grande jogador e atravessa uma fase muito boa no clube. Espero que nos possa ajudar na Selecção”, observou. A ambição de Antunes ainda não é garantida. O médio foi o único ausente da segunda sessão de treino e permaneceu na unidade hoteleira sob supervisão do departamento médico. O jogador continua a cumprir um programa de recuperação do problema que o afectou no en-

contro da Liga dos Campeões, frente ao Málaga - mialgia na coxa direita. A presença no embate frente a Israel parece fora de hipótese e o foco dos responsáveis centra-se na recuperação para a partida de Baku, na próxima terça-feira. Por outro lado, Beto, que falhara o primeiro em virtude de uma amigdalite, já trabalhou sem limitações. Hoje, a equipa lusa viaja para Israel, ao princípio da tarde. Ainda de manhã, Paulo Bento dirige a última sessão em Óbidos.

arim Benzema é protagonista da última polémica em França. O avançado do Real Madrid não vê por que tem de cantar o hino gaulês quando outros como Zidane não o fizeram, e o partido de Le Pen já veio a público pedir a sua exclusão da Selecção. “Não sou obrigado a cantar o hino e não é por isso que gosto mais ou menos da Selecção. Nunca o cantei em toda a minha vida e não o vou fazer agora. Não é por não o fazer que vou deixar de marcar um hat-trick”, afirmou o goleador, em declarações à RMC. O futebolista, de origens argelinas mas nascido em Lyon, reforçou: “Amo a Selecção, não entendo como se pode pôr isso em causa. É um sonho representar a França, mas ninguém me vai obrigar a cantar. Não vejo qual o problema. Zidane, por exemplo, também não o

cantava. No estádio há adeptos que não o cantam... O importante é que estejamos todos unidos.” A Frente Nacional, partido político de extrema-direita, dirigido por Marine Le Pen e com representação no parlamento francês, já reagiu, pedindo a exclusão de Benzema dos “Bleus”. Eric Domard, assessor para os assuntos desportivos de Le Pen, emitiu mesmo um comunicado oficial com a posição do partido: “A Frente Nacio-

nal condena esta atitude insultuosa, que suja uma vez mais a imagem da Selecção francesa, já maltratada com o fiasco na África do Sul, os excessos dos jogadores no Euro-2012 e da Selecção de esperanças há uns meses.” No documento, Domard qualifica as palavras de Benzema como “um desprezo inconcebível e inaceitável” e o próprio jogador como “um mercenário do futebol, que cobra 1484 euros à hora”.


quarta-feira 20.3.2013

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB

Sala 1

mama [c]

Um filme de: Andy Muschietti Com: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 Sala 2

Parker [C]

Um filme de: Taylor Hackford Com: Jason Statham, Jennifer Lopez 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 Sala 3

Aqui há gato

OZ: the great and powerful [3d] [b] mama

Um filme de: Sam Raimi Com: James Franco, Rachel Weisz, Michelle Williams, Mila Kunis 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Género de plantas euforbiáceas, cuja sememte dá um oleo purgativo e vermífugo (Bot.). Peças de vestuário. 2-Publica. Grandes pedaços de qualquer coisa. 3-Condição. Quadril (pl.). Réis (abrev.). 4-Senhora (Bras.). Está deitado, no solo ou no leito. Agosto (abrev.). 5- Pessoa que trata por iatralíptica. 6-Preposição e artigo (Contr.) Silício (s.q.). 7-Tirar a rabeira aos cerais. 8-Palhote de indígenas (Bras.). Três (Pref.).Vizinhança. 9-Entré nós. Julgai, acreditai. Autor (Suf.). 10-Depravação. Detesta, agoura. 11-Planta urticácea. Servidas. VERTICAIS: 1-Rossio. Tirar o miolo. 2-Imaginação. Leva a cabo. 3-101 (Rom.). Ligara. Unidade. 4-Pedra (Bras.) Grande quantidade. Letra grega correspondente ao X. 5-Não, nunca (Pop.). Funesto. lúgubre (Fig.). 6-Amarra, corda grossa. 7-Partidário do nazismo. Pátios. 8-Nota musical (pl.). Vigésima terceira letra do alfabeto grego. Avestruz. 9-No corrente ano (abrev. lat.). Arremessa. 499 (Rom.). 10-Raiz de urze, de que se faz carvão. Apresenta como bom. 11-Obstáculo (Fig.). Agastaras. Irritaras.

[Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Telejornal + 360º (Diferido) 14:45 RTPi DIRECTO 19:00 TDM Entrevista (Repetição) 19:30 Vingança 20:30 Telejornal 21:00 Montra do Lilau 21:30 A Páginas Tantas 22:00 Escrito nas Estrelas 23:00 TDM News 23:30 Mistérios de Lisboa 00:30 Telejornal (Repetição) 01:00 RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 15:00 Telejornal Madeira 15:35 Cuidado com a Língua 15:45 Viva a Música 16:35 AntiCrise 17:00 Bom Dia Portugal 18:00 Portugal Aqui Tão Perto 18:55 Vingança 19:40 Palácios de Portugal 20:05 Alves Redol, Memórias e Testemunhos 21:00 Jornal da Tarde 22:15 O Preço Certo 23:05 Ler +, Ler Melhor 23:15 Portugal no Coração 30 - FOX Sports 12:00 ACC Basketball Tournament 14:00 Premier League Darts 2013 15:30 The Tampa Bay Championship Presented By Everbank 16:30 MLB Spring Training 2013 New York Yankees vs. Philadelphia Phillies 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 HSBC Sevens World Series 2012/13 20:30 Chang World of Football 2012/13 21:00 The Tampa Bay Championship Presented By Everbank 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Russian Premier Liga 2012/13 CSKA Moscow vs. Krasnodar

HORIZONTAIS: 1-RICINO. FATO. 2-EDITA. NACOS. 3-SE. ANCAS. RS. 4-SIA. JAZ. AGO. 5-IATRALIPTA. 6-O. AO. A. SI. I. 7-ARRABEIRAR. 8-OCA. TRI. ABA. 9-CA. CREDE. OR. 10-ABUSO. OMINA. 11-RAMI. USADAS. VERTICAIS: 1-RESSIO. OCAR. 2-IDEIA. CABA. 3-CI. ATARA. UM. 4-ITA. ROR. CSI. 5-NANJA. ATRO. 6-O. CALABRE. U. 7-NAZI. EIDOS. 8-FAS. PSI. EMA. 9-AC. ATIRA. ID. 10-TORGA. ABONA. 11-OSSO. IRARAS.

31 - STAR Sports 13:00 FIA F1 World Championship 2013 -

Raceday Australian Grand Prix 13:45 FIA F1 World Championship 2013 Main Race Australian Grand Prix 15:45 FIA F1 World Championship 2013 Chequered Flag Australian Grand Prix 16:30 Max Power 2013 17:30 Thailand Open - Day 3 Highlights 18:30 Thailand Open - Day 4 Highlights 19:30 HSBC Sevens World Series 2012/13 20:00 500 Great Goals 20:30 FIM Mx1 & Mx2 World Championship 2013 Highlights 21:00 Smash 2013 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Mobil 1 The Grid 2013 22:30 Smash 2013 23:00 HSBC Sevens World Series 2012/13 23:30 One Fighting Championship 40 - FOX Movies 12:00 The Karate Kid Part Iii 14:00 Faster 15:45 The Hunt For Red October 18:00 Two Weeks 19:40 A Perfect World 22:00 Jack And Jill 23:30 Saving Private Ryan 41 - HBO 12:55 Country Strong 14:55 The Interpreter 17:00 The Pagemaster 18:20 Turbulence 20:00 Hellboy 22:00 Wanderlust 23:45 Deuce Bigalow 42 - Cinemax 12:00 Locusts: The 8Th Plague 13:30 Inception 16:00 Kiss The Girls And Make Them Die 18:00 Paradise Alley 20:00 Killer Elite 22:00 The Freshman 23:40 Spartacus: Vengeance

À venda na Livraria Portuguesa Um Grito de Amor Desde o Centro do Mundo • Kyoichi Katayama

Sakutarô e Aki conhecem-se na escola. Ele é um jovem engenhoso e sarcástico. Ela é uma rapariga bonita e popular. O que de início é uma amizade cúmplice torna-se numa paixão arrebatadora. Um acontecimento trágico vem pôr à prova a força do amor que os une. Este é o romance japonês mais lido de todos os tempos no Japão, com mais de três milhões de exemplares vendidos.

69 Contos Urbanos de Vícios Privados • Daniela Oliveira

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Contadas de forma descontraída, mas vividas com uma intensidade inebriante, as 69 histórias de Daniela Oliveira falam das vivências e devaneios característicos de uma sexualidade livre, sem preconceitos. Com princípio, meio e fim, homens e mulheres cruzam-se, trocam olhares e conversam antes de partilharem o prazer carnal. Um livro para ler com uma atitude positiva, que lhe proporcionará momentos de muito boa disposição ao relembrar um episódio vivido, uma confissão de uma amiga ou, quem sabe, um ímpeto secreto há muito contido. Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Desaparecimento sem informação Uma jovem de 14 anos, de apelido Assis, macaense, está desaparecida faz hoje um mês. Pelo menos, uma notícia escrita na imprensa local dava conta do acompanhamento do desaparecimento. O que me interroga é como é que é possível que, numa terra como Macau – pequena, pequenina -, não se saibam pormenores sobre qualquer desaparecimento de uma jovem adolescente, sobre se foi encontrada, sobre se já não se anda à procura dela... nada. Nem aqui, neste jornal que habito, se soube informações – sequer – sobre o desaparecimento! Nada. Ficámos surpreendidos de igual forma como, com certeza, alguns cidadãos ficaram. Eu, que sou gato, pergunto-me como é possível não serem dadas informações sobre um caso como este. A família não quer? A polícia não quer? Não há interesse ou simplesmente está a haver uma falha de comunicação muito, muito grande? Dito isto, volto a perguntar: a jovem macaense de 14 anos continua desaparecida? Alguém me sabe responder? Pelo que leio na notícia que acompanhou o caso, as autoridades da PSP ainda não estão a levar a cabo uma busca activa. “Se a família indicasse que poderia ter sido raptada, a situação seria diferente”, pode ler-se. Não foi estabelecido um prazo a partir do qual as autoridades vão alterar esta estratégia. Segundo a mesma notícia, a família não encontra motivos para o desaparecimento. Segundo a PSP, “não é fácil encontrar uma pessoa na cidade”. Pois claro que não. Macau é demasiado grande para isso. E se a menina, espero que não, estiver fora daqui então é que não é fácil. Se calhar, com a ajuda dos média, talvez fosse mais fácil procura-la nesta imensa cidade. Mas as informações parece que não chegam, ou porque alguém não quer, ou porque há algo que não está a bater certo. Até posso ser eu que sou gato, mas diga-me o leitor, viu alguma notícia sobre o desaparecimento da jovem? Ouviu? Viu alguma coisa na televisão? Algum panfleto no meio da cidade? Pois, eu também não. Aqui há gato. E não sou eu.

Pu Yi


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opinião

quarta-feira 20.3.2013

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Correia Marques

a paliçada

Crendices tradições. Outros terão ido mesmo à bruxa ou recorrido a casamenteiras. Tenho cá para mim que, ao mesmo tempo que o mundo avança no sentido das novas tecnologias e a moda se «democratiza» (que a cultura essa definha!), as crendices em bruxos, astrólogos, lançadores de cartas e afins encartados, bem como as dolorosas viagens a pé a Fátima, aumentam. A culpa do que acontece por lá não é dos governos, é da sorte, do destino!

Malmequer não é constante, Malmequer muito varia! Vinte folhas dizem morte Treze dizem alegria. Da letra do fado «Malmequer», imortalizado por Amália Rodrigues

P

or esta época do ano os campos cobertos de malmequeres (ou pampilhos) amarelos, mesclados com o branco e o azul de outras flores de outras plantas rasteiras, fazem lembrar belas e enormes toalhas bordadas. Ali, as cores alegres (em contraste com o abatimento do povo) avistam-se logo lá em baixo, bem perto, em contraponto, com o colorido das acácias mimosas espalhadas pelas margens do rio. Entremeados, vêem-se cada vez mais campos férteis abandonados, a monte, pejados de silvas e de fetos. Por isso, nem este apelo arcádio pela vida modesta da «aurea democritas», nem sequer o gozo de fechar os olhos e rever em sonho aquele ambiente bucólico me conseguiram fazer passar a azia no estômago. Foi gente, essa, que abalou para a cidade, em busca do ilusório eldorado: «Oh terra ficas sem homens que possam ceifar teu pão!». E, a muitos só a vergonha os impede de regressar desempregados e fracassados

cartoon por Steff

e de voltar a cultivar esses campos, e assim minorar as suas dificuldades de sobrevivência. Na grande cidade, sem salários ou com empregos cada vez mais precários, até um simples ramo de salsa ou uma folha de couve galega para um caldo verde têm de comprar, depois de encherem o bolso de não sei quantos intermediários. Muitos irão definhar nas periferias das grandes cidades, como muitos outros não bafejados da fortuna se ficaram pelos brasis. O português é

vaidoso, não gosta de mostrar o fracasso. Aliás quando se está na fossa (como dizem, da forma mais expressiva que conheço, os brasileiros) até os cães nos mijam nos pés. São, com certeza, pessoas que na sua juventude desfolharam, cheios de vida e de ilusões, o malmequer: «Bem-me-quer, mal-me-quer,...», para saberem se o amor era correspondido, ou se a intenção de namoro tinha possibilidades de vingar. Uns apenas por brincadeira, para manter as

o resgate

E, nos dias de hoje, se nas cidades, cada vez mais populosas e incaraterísticas e todas cada vez mais iguais e mais desumanas (dos confins da China até à Patagónia), estão na moda as transparências, nas aldeias usa-se tudo à vista E, nos dias de hoje, se nas cidades, cada vez mais populosas e incaraterísticas e todas cada vez mais iguais e mais desumanas (dos confins da China até à Patagónia), estão na moda as transparências, nas aldeias usa-se tudo à vista. Se a moda do momento é a minissaia, as mulheres do povo usam uma amostra de saia. E qualquer gato sapato que tenha um palminho de cara ou um metro de pernas bem torneadas e um sutiã tamanho 38 ou superior, pegue num microfone e desate aos berros em cima de um palco, ou nos ecrãs da televisão, tem sucesso garantido se tiver por trás dele (ou dela) uma boa máquina publicitária. A promoção da estupidez e da banalidade faturam, de forma obscena. Da cultura ancestral fica nas novas gerações apenas o que é mau, a superstição. E, das culturas emergentes, a maioria, apanha apenas o que é supérfluo, fútil. E o determinismo e a futilidade, dificultam a ação. Mas isto tem de mudar, eu acredito nos jovens de hoje. Aliás se não acreditasse neles em quem podia acreditar? Finalmente, mas não o menos importante. A Igreja Católica tem um novo Papa. A instituição soube ler os tempos que atravessamos: a gosto ou a contragosto. Não se pode mais continuar a tolerar que uns poucos continuem a ostentar o luxo e a riqueza da forma mais desavergonhada e insultuosa perante a pobreza crescente e a miséria extrema existentes no Mundo. Muitos dos políticos que eu conheço devem estar muito, muito mesmo, incomodados, com as orelhas a arder. Este Papa, como representante de Deus na Terra, está a fazer a sua parte. Aos povos cabe fazer o resto. E, nas peugadas de Jesus Cristo, correr com os vendilhões do Templo. Crentes e não crentes, lado a lado, ombro a ombro. Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico


quarta-feira 20.3.2013

opinião

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义來

Fernando Eloy

19

chá muito verde

Falar bem

C

omo disse um dia o escritor brasileiro Carlos Heitor Cony, falar mal é uma arte. Também se diz que falar mal é fácil, o difícil é ser construtivo. Mas ao falar-se mal pode-se ser construtivo, ou pelo menos tentar. Pelo contrário, se falarmos bem de algo ou de alguém soa sempre a recado encomendado, a lamechice com laivos de beija-mão. Falar mal permite mais criatividade, mais independência, fazer piadas, explorar o ridículo e isso é sempre estimulante. Para quem lê e para quem escreve. Que piada tem dizer bem? Nenhuma. Que interesse tem uma história sem conflito? Nenhum. Quem se reúne numa roda de amigos para falar bem e beber uns copos? Ninguém. A este propósito permitam-me que cite uma história contada pelo Carlos Heitor Cony e publicada pela Academia Brasileira de Letras: “Noite de chuva, meia dúzia de escritores estava reunida na casa de um famoso dicionarista. De repente, lembraram-se de um colega, notável ensaísta, jurista, historiador, parlamentar e ex-ministro de Estado. Um dos intelectuais foi encarregado de telefonar para o ausente. Recebeu uma resposta

A Rota das Letras fez-se sentir e terá, provavelmente, iniciado um processo irreversível de atracção das novas gerações para a coisa cultural. Tem ainda o mérito de ser uma iniciativa privada sabendo como difícil é de a ter por estes lados, caso o negócio não seja de natureza imobiliária, casineira ou de comes e bebes definitiva: “Não, meu caro, sinto muito, mas está chovendo, já estou recolhido, lendo o meu Montaigne...”.

Do outro lado da linha, a voz veio, terrível: “Nem mais uma palavra! Me esperem! Daqui a 15 minutos estou aí!”. (fim de citação)

O intelectual desligou o telefone e informou com cara desolada: “Ele não pode vir, está chovendo, já se recolheu, está lendo o Montaigne dele...”.

Falar mal estimula. Mas hoje, correndo todos os riscos, vou fazer um interregno na maledicência e falar bem de duas coisas. A primeira não pode deixar de ser o Festival Literário de Macau. Numa cidade onde a cultura é tão ignorada (oops!... Lá se me escapou...). Reformule-se: numa cidade como esta, ter a possibilidade de ver reunidas uma colecção de mentes brilhantes e livres, leia-se alguns dos melhores escritores, músicos e artistas de língua portuguesa e chinesa é, no mínimo, um privilégio. Durante mais de uma semana a cidade fervilhou com ideias, propostas e trocas a um ritmo quase alucinante. Da humilde escola Choi Nong ao Centro Cultural de Macau, passando por uma

O dono da casa ficou furioso. Acusou o colega de não ter feito a convocação como devia. Pegou o telefone, discou com raiva para a casa do ensaísta, jurista, historiador, parlamentar e ex-ministro de Estado, exigindo a sua presença. A resposta foi a mesma: “Não posso, sinto muito, está chovendo, já estou recolhido, lendo o meu Montaigne...”. - Uma pena, realmente uma pena! Estamos aqui reunidos, falando mal do Gilberto Freyre...

série de outras escolas, universidades e espaços públicos de Macau, a Rota das Letras fez-se sentir e terá, provavelmente, iniciado um processo irreversível de atracção das novas gerações para a coisa cultural. Tem ainda o mérito de ser uma iniciativa privada sabendo como difícil é de a ter por estes lados, caso o negócio não seja de natureza imobiliária, casineira ou de comes e bebes. O segundo encómio vai direitinho para a recuperação em curso do Pátio da Eterna Felicidade em Macau. Não faço ideia de quem é o responsável pela obra mas desde já lhe endereço os meus parabéns pela lucidez. Já várias vezes referi a necessidade absoluta de preservação daquela zona sob pena de se perder definitivamente a alma secular de Macau e a capacidade de se fazer uma leitura histórica da cidade. Requalificado, aquele bairro pode não só ser uma das melhores áreas de Macau como ainda tem o potencial de vir a valer lucros chorudos aos envolvidos. Não tenho nada contra fazer dinheiro. O que irrita é a estupidez. Neste caso saúda-se a lucidez. E pronto. Falar bem cansa. Para a semana prometo voltar à normalidade. Bem hajam.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


quarta-feira 20.3.2013

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Papa pediu aos líderes para impedirem a destruição do Mundo O Papa deixou esta terça-feira um apelo a “todos aqueles que ocupam papéis de responsabilidade no domínio económico, político ou social”, pedindo-lhes que “não permitam que os sinais de destruição e morte acompanhem o curso do mundo”. “Tudo foi confiado à guarda do Homem. Quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não tomamos conta da criação e dos irmãos, então a destruição encontra um lugar”, alertou o Papa Francisco, na inauguração do seu pontificado. “Em todas épocas, há Herodes que traçam desígnios de morte, destroem e desfiguram o rosto do homem e da mulher”, disse o sumo pontífice argentino, discursando perante a vasta plateia que marcou presença na praça de São Pedro, no Vaticano. Francisco disse ainda que o “verdadeiro poder” de um Papa é um “serviço humilde”, pelo que o sumo pontífice “deve abrir os braços para receber com ternura toda a humanidade, especialmente os mais fracos, os mais pobres, os mais pequenos”. “Não devemos ter medo da bondade.” pub

O

arquitecto português Pedro Campos Costa inaugura quinta-feira em Hong Kong uma exposição intitulada “R inovar a tradição” composta por objectos em cortiça numa mostra que considera um “híbrido” entre a instalação e design e que estará patente até 24 de Abril. A mostra, patente na galeria Ilivetomorrow, é a primeira do jovem português na Ásia e Pedro Campos Costa espera também que sirva para “abrir as portas do mercado da região”. “Este é o primeiro passo a dar para entrar neste mercado

Arquitecto promove a cortiça em Hong Kong e Macau

Rolhas e afins em grande evolução e estamos aqui para mostrar um trabalho que consideramos diferente e que renova a tradição portuguesa da cortiça”, disse, em declarações à agência Lusa. Por outro lado, acrescentou, a

cortiça “é um material com muitas aplicações desde a indústria da construção até ao design”. “E pode ter ainda mais aplicações, pode ser muito mais desenvolvido entre o tradicional e a nova arte, as novas tecnologias e o design que

se faz em Portugal”, disse Pedro Campos Costa. O arquitecto português explicou que a mostra vai incluir uma centena de candeeiros e três ‘rolling sofas’, projectos da Campos Costa Arquitectos produzidos pela Sofalca SA, que apostam também na inovação e na arte que a tradição portuguesa permite. “Os produtos são 100% naturais, não são utilizadas colas e fazem parte da minha investigação onde procuro em escalas mais pequenas experimentar aspectos tecnológicos ou formas e processos de trabalho mais inovadores”, acrescentou. A experiência da cortiça não é nova, já que o arquitecto fez uma “instalação em Milão no sallone del Mobile em 2011, que tinha também essa pretensão de trazer a cortiça para a contemporaneidade e para a vida quotidiana”. Depois de Hong Kong, Pedro Campos Costa parte para Macau para expor o seu trabalho em meados de Abril no albergue da Santa Casa da Misericórdia, na iniciativa “This Is My City” da associação cultural +853 em conjunto com os Lines Lab. Ambas as exposições são apoiadas pela direcção geral das artes. - Lusa


Hoje Macau 20 MAR 2013 #2815