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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

QUARTA-FEIRA 20 DE DEZEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3959

MOP$10

Sem excepções nem favores

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EVENTOS

NOVOS ATERROS SEM JOGO

PÁGINA 6

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

COMUNIDADE PORTUGUESA ATACADA EM TIMOR GRANDE PLANO

CHINA RESPONDE A TRUMP

A GUERRA JÁ NÃO É FRIA P.16

Juventude, o filme

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JULIE O’YANG

Predador de sombras PUB

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JOÃO PAULO COTRIM

hojemacau HABITAÇÃO DEPUTADA QUER SABER QUAIS AS MEDIDAS PROMETIDAS EM PEQUIM

Saco cheio ou saco roto? A deputada de Fujian não ficou satisfeita com as promessas de Chui Sai On, feitas em Pequim, sobre o controlo dos preços do imobiliário. Song Pek Kei exige que o Chefe do Executivo diga exactamente o que pretende fazer. PÁGINA 7


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4 grande plano

Poucos são aqueles que querem falar sobre o clima que se vive actualmente entre timorenses e portugueses após a fuga do casal Tiago e Fong Fong Guerra do país. Um amigo de Davide Justino, um dos acusados de ajudar o casal na fuga, diz que há perseguições contra portugueses e que a justiça timorense tramou o amigo. Rita Santos, do Conselho das Comunidades Portuguesas, com responsabilidades sobre Timor‑Leste, desconhece o que se passa “Pela informação que tenho recebido, e pelo que era sentido quando saí de Timor a 9 de Dezembro, no dia em que foi detido Davide Justino, existe de facto um clima de perseguição e de ostracismo contra os portugueses.” AMIGO DE DAVIDE JUSTINO

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A BARCA DO INFERNO TIMOR AMIGO DE DAVIDE JUSTINO DIZ QUE HÁ PERSEGUIÇÃO DE PORTUGUESES

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fuga de barco do casal Tiago e Fong Fong Guerra de Timor-Leste para a Austrália trouxe um período de tensão às relações entre timo‑ renses e portugueses no país. O alerta começou por ser dado pelo primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri. Este admitiu estar preocupado que a comuni‑ dade portuguesa esteja a ser alvo de insultos e possa agora ser “alvo de perseguição”. Davide Justino é um dos portugueses que estão a ser acusados de ter ajudado o casal Guerra na fuga (ver texto à parte), mas um amigo seu, que falou com o HM sob anoni‑ mato, garantiu que a justiça timorense está a acusá-lo injustamente e que há, de facto, perseguições. “Pela informação que tenho recebido, e pelo que era sentido quando saí de Timor a 9 de Dezembro, no dia em que foi detido

Davide Justino, existe de facto um clima de perseguição e de ostracismo contra os portugueses”, apontou. O amigo de Davide Justino recorda que “muitas das pessoas que se mantém em Timor investiram pessoalmente e contribuíram, muitas delas, para o processo de criação do Estado timorense”. “Muita delas participaram desde muito cedo no movimento de solidariedade e auto‑ -determinação de Timor-Leste, e acresce um sentimento grande de frustração, tristeza e ingratidão”, acrescentou. O responsável, de origem portuguesa, fala inclusivamente de situações de ostra‑ cismo em salas de aula. “Junto da comunidade docente, que mui‑ tas vezes trabalham sob condições difíceis, com atrasos na remuneração até cinco meses, verifica-se a existência de uma tensão acrescida

em contexto de salas de aula e entre a equipa do‑ cente, na sua maioria timorense”, acrescentou. O HM tentou chegar à fala com uma do‑ cente de português, a residir em Díli, que não quis falar por não conhecer o casal Guerra pessoalmente. Contudo, existe também uma segunda razão para não ter falado ao nosso jornal: “não quero ficar na ‘lista negra’ da justiça timorense”, apontou.

A FUGA DO DESEMPREGO

Uma das razões para este descontentamento da população timorense prende-se, segundo o amigo de Davide Justino, com o facto do casal Guerra ter obtido facilmente novos passaportes portugueses junto da embaixada em Díli. “Este ambiente é reforçado por um sen‑ timento de frustração de muitos timorenses que não conseguem, num tempo curto, a nacionalidade e o passaporte portugueses.


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Culpam a embaixada portuguesa por ter facilitado a fuga de Tiago e Fong Fong Guerra ao atribuírem-lhe passaportes portugueses.” O responsável adianta que muitos timorenses pedem os seus passaportes para tentar ter uma vida melhor, sem que haja, de facto, uma ligação forte ao país. “O que é mais ingrato é o facto de Portugal conceder passaportes e nacionalidade portuguesa aos timorenses, que muitos deles nem sequer conseguem identificar num mapa em que continente fica e sem saber dizer uma palavra em português. Têm apenas como objectivo conseguir uma entrada no espaço Schengen e ir trabalhar para Inglaterra ou Irlanda.” Têm-se registado, por isso, “longas filas de espera em frente à embaixada portuguesa”. Estas têm “uma justificação normal pelo fluxo crescente de timorenses que, numa fuga maciça e cega, procuram esta saída do enorme desemprego que se vive no país, onde não encontram futuro”. “Isso gerou recentemente um descontentamento entre os timorenses, que se reflecte agora nesta situação de desprezo e perseguição aos portugueses”, frisou o amigo de Davide Justino. Nem de propósito, Francisco Guterres Lu-Olo, presidente de Timor-Leste, disse ontem que o combate à pobreza deve ser “uma prioridade” do Estado. “Ainda não respondemos ao problema da pobreza. O Estado ainda não assegura todos os direitos sociais”, disse Francisco Guterres Lu-Olo, na cerimónia de entrega, em Díli, da edição de 2017 dos Prémios Sérgio Vieira de Mello de Direitos Humanos. Contactada pelo HM, Rita Santos, conselheira do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), que também assume responsabilidades em relação ao território de Timor-Leste, disse desconhecer o que se passa, mas prometeu pôr-se ao corrente da situação o mais depressa possível.

“Depois de regressar de Xangai, onde me encontro a ter uma reunião de trabalho, vou telefonar para saber mais detalhes sobre este assunto. De momento não posso responder porque não consegui contactar a embaixada de Timor-Leste.” RITA SANTOS CONSELHEIRA DO CONSELHO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

“Depois de regressar de Xangai, onde me encontro a ter uma reunião de trabalho, vou telefonar para saber mais detalhes sobre este assunto. De momento não posso responder porque não consegui contactar a embaixada de Timor-Leste.” O HM tentou obter reacções da euro-deputada Ana Gomes, de Tiago Guerra, que neste momento se encontra em Portugal com a esposa, Fong Fong, e de vários portugueses residentes em Timor-Leste. Até ao fecho desta edição não obtivemos respostas. Foi também contactado o gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, de onde não obtivemos uma resposta em tempo útil. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

DAVIDE JUSTINO CUNHADA REVELA MAUS TRATOS NA PRISÃO

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ROLANDO JUSTINO, IRMÃO DE ARGUIDO E DETIDO EM TIMOR

“Este caso nada teve a ver com lei ou justiça” Como está neste momento a situação de Davide Justino perante a justiça timorense? Quando vai ser presente a tribunal? O meu irmão neste momento encontra-se detido no Estabelecimento Prisional de Becora. No dia de hoje, 19 ou até amanhã, 20 (hoje), será apresentado recurso para a sua libertação. No dia 8 de Dezembro foi detido e 72 horas depois foi apresentado a um juiz que acrescentou acusações para justificar a detenção, justificando inclusivamente que a sua detenção decorria da incapacidade das autoridades timorenses em impedir a fuga do mesmo (ligação com o casal Guerra devido à sua fuga) Considera que o casal Guerra agiu de má-fé neste caso? O casal Guerra agiu da forma que entendeu para fugir, desconheço a sua inocência ou culpa, nem se tinham noção das consequências dos seus actos. Não sou que vou julgá-los, o que me importa agora é a segurança e justiça para o meu irmão que nada teve a ver com a fuga do referido casal. Que expectativas tem em relação a este caso? Neste momento são expectativas muito baixas, pois estamos a falar de um caso que nada teve a ver com a lei ou justiça, mas sim de um exemplo que as autoridades timorenses querem fazer deste caso e que o nosso estado não se quer envolver de forma publica. Estou muito apreensivo a este respeito. Neste momento tenho a minha cunhada e as minhas duas sobrinhas em viagem para Portugal para garantir a segurança das meninas. A minha cunhada vai voltar para estar junto do meu irmão, para pressionar o nosso Governo a fazer alguma coisa.

O caso do casal Guerra está a ter repercussões junto da comunidade portuguesa em Timor. Que comentário faz? Desconheço as repercussões sobre a comunidade portuguesa em Timor, na sua generalidade, mas o caso do meu irmão é efectivamente uma perseguição, pois a única coisa que efectuaram, através da empresa na qual o meu irmão tem uma participação de 10 por cento, foi vender um barco que mais tarde veio-se a descobrir ter servido para a fuga do casal Guerra, segundo as autoridades timorenses. O Governo português tem dado o apoio suficiente neste caso? O Governo Português, em meu entender, deveria ser mais incisivo na sua acção e apoio ao meu irmão. A embaixada Portuguesa em Dili, deveria ter sido mais actuante quando foi retirado o passaporte ao meu irmão uma vez que não existia qualquer ordem judicial nesse sentido. Desconheço se estão a efectuar diligências de bastidores junto das autoridades Timorenses de modo a garantir a segurança e justiça ao meu irmão. Deveriam de colocar de parte todas as tensões diplomáticas que existem por motivo da fuga do casal Guerra e fazerem o seu trabalho sem quaisquer receios das suas acções, que deveriam de ser publicas e de acordo com as convenções assinadas entre as comunidades de língua portuguesa, auxilio judiciário em matéria penal entre membros das CPLP, fazer cumprir os direitos dos nossos cidadãos. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

AMILIARES de Davide Justino, um dos portugueses constituído arguido pela justiça timorense, acusado de ajudar na fuga do casal Guerra do país, já criaram uma página de apoio na rede social Facebook, intitulada “Justiça pelo Davide Justino”. Ao HM, o seu amigo garante que Davide está inocente. “Não posso deixar de dar o meu testemunho quando está em causa a liberdade de um amigo que acredito estar inocente. Mais, quando sei que a qualquer português que esteja em Timor pode acontecer o mesmo”, começou por dizer. “Estou confiante e seguro da sua inocência, entendendo que desde o princípio este processo é perverso e ferido de extrema iniquidade, procurando encontrar bodes expiatórios e desviando a atenção da justiça e da opinião pública daqueles que verdadeiramente estão na origem da subtracção dos valores que eram devidos ao Estado timorense”, frisou. Davide Justino está também a ser acusado do crime de branqueamento de capitais por, alegadamente, ter obtido mais valias com a venda do barco. Algo que, na opinião do amigo, é algo que se entende “como normal, quando o barco era novo e tinha tido custos de transporte da Austrália para Timor”. “O valor total da venda apenas cobria o custo de aquisição e os custos de transporte para Timor e a sua legalização. O que refiro foi-me dado a saber e no que acredito. A justiça timorense apenas procura mostrar serviço depois da fuga de Tiago e Fong Fong Guerra, seja a que preço for e custe a quem custar.” Uma das publicações públicas na página, assinada pela cunhada de Davide Justino, explica que o arguido é sócio, com uma participação de dez por cento, da empresa Corais de Timor. Foi esta empresa que terá feito “a venda de uma embarcação a timorenses”. Mais tarde descobriu-se “ter sido utilizada na fuga do referido casal para a Austrália”, numa fuga que “criou uma grande tensão diplomática entre os dois estados”. Na visão da cunhada de Davide Justino, “temos um português detido sem qualquer razão, com acusações criadas pelos tribunais timorenses”. Medo pela vida Segundo a publicação assinada pela cunhada de Davide Justino, este encontra-se “a sofrer maus tratos no estabelecimento prisional de Becora, pelo que tenho medo pela sua vida, assim como pela vida das minhas sobrinhas e cunhada”. “Não sei o que mais o Estado timorense poderá inventar para manter esta perseguição à minha família, que está a servir de exemplo para a incapacidade do Estado de Timor e para punir o Estado português”, apontou. A cunhada de Davide Justino disse já ter contactado, via e-mail, a Direcção Geral de Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, Serviço de Assuntos Consulares e Presidência da Republica.


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20.12.2017 quarta-feira

ATERROS LEI DE BASES MARÍTIMA IMPEDE MAIS ESPAÇOS PARA O JOGO

Nem uma mesa

U SEGURANÇA MAIS UM POLÍTICO DE HONG KONG IMPEDIDO DE ENTRAR EM MACAU

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S autoridades de Macau voltaram a barrar a entrada a um membro de um partido político de Hong Kong. A informação foi avançada hoje pela emissora RTHK. Caspar Wong, vice-presidente do partido Third Side, deixou Hong Kong esta manhã para participar num fórum financeiro em Macau, mas os serviços de imigração de Macau acabaram por lhe negar a entrada, argumentando que ele constituía uma ameaça à segurança do território, noticia a

estação pública de rádio e televisão de Hong Kong. O dirigente político diz ter ficado intrigado com a atitude das autoridades de Macau, até porque, acrescenta, o partido – pró-democracia – a que pertence é visto como “moderado”. Caspar Wong exige agora uma explicação oficial. A RTHK recorda que, nos últimos meses, vários membros da ala pró-democracia de Hong Kong têm visto ser-lhes recusada a entrada em Macau, geralmente pelos mesmos motivos.

Ensino profissional À espera de novo regime legislativo

Os alunos que optam por frequentar o ensino profissional em Macau tem vindo a diminuir. A ideia foi deixada pelo deputado Lei Chan U que quer saber o que o Governo tenciona fazer para promover a adesão a este tipo de ensino. O deputado recorda que em 2014 o Executivo salientou o desenvolvimento deste sector como uma forma importante de promover a cooperação entre escolas e empresas e garantiu que até ao final de 2016 estaria acessível, para recolha de opinião pública, proposta de legislação para desenvolver o ensino técnico profissional. No entanto, nada foi feito. O deputado pretende que o Governo divulgue a calendarização para o efeito e que políticas tenciona aplicar.

MA lei para definir o âmbito da política de gestão do uso, exploração e protecção das áreas marítimas, que não admite a instalação de espaços de jogo nos aterros. Foi desta forma que o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, definiu a proposta da Lei de Bases de Gestão das Áreas Marítimas, que foi ontem submetida pelo Executivo à Assembleia Legislativa. “A exigência de não utilizar os aterros para espaços de jogo partiu do Governo da RAEM. Queríamos legislar desta forma”, garantiu Leong Heng Teng, quando questionado se a iniciativa desta política tinha partido do Governo Central ou do Governo da Macau. “Não vai haver nenhuma excepção que permita, no futuro, a instalação de espaços de jogo nos aterros”, acrescentou sobre este ponto. A proposta foi entregue, ontem, à Assembleia Legislativa, depois da conferência de imprensa em que foi apresentada. Com o novo diploma vai ser criada a Comissão Coordenadora da Gestão e do Desenvolvimento das Áreas de Jurisdição Marítima, que vai ter como presidente o Chefe do Executivo, Chui Sai On. A este nível a Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) e a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) vão ficar competentes pela “gestão integrada das áreas

O Conselho Executivo entregou ontem a proposta de bases marítimas à Assembleia Legislativa e Leong Heng Teng, porta-voz do Conselho Executivo, garante que o diploma deixa muito claro que não vai haver espaços para o jogo nos novos aterros

“Não vai haver nenhuma excepção que permita, no futuro, a instalação de espaços de jogo nos aterros”

marítimas e da protecção ambiental das áreas marítimas, respectivamente”. “No topo está o Chefe do Executivo que vai definir políticas e princípios gerais. Depois as duas entidades competentes é que vão executar as políticas”, explicou Leong Heng Teng.

CELERIDADE ESPERADA

O porta-voz do Conselho Executivo não quis fazer um prognóstico em relação ao tempo esperado para que a lei seja aprovada na especialidade na Assembleia Legislativa, no entanto, pediu “celeridade”. “Não podemos avançar com uma previsão porque eles têm a sua agenda. Mas já há consenso na sociedade sobre esta lei e as opções tomadas. A aprovação desta lei é uma expectativa da sociedade”, começou por dizer Leong Heng Teng. “Mas esperamos que a proposta seja discutida com celeridade”, apontou. O porta-voz foi ainda questionado sobre a possibilidade deste diploma permitir a instalação de uma base naval do Exército de Libertação do Povo Chinês nos 85 quilómetros de água marítima controlada por Macau. Mas Leong Heng Teng, com a ajuda do director dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), Liu Dexue, explicou que essa matérias não é legislada por este diploma. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

LEONG HENG TENG PORTA-VOZ DO CONSELHO EXECUTIVO

OBRAS PÚBLICAS SI KA LON QUER MELHORAR MECANISMO DE FISCALIZAÇÃO

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deputado Si Ka Lon entregou uma interpelação escrita ao Governo onde pede uma revisão dos regulamentos sobre a fiscalização das obras públicas, apontando a existência de várias falhas. Si Ka Lon lembrou que, no passado, houve vários atrasos e derrapagens orçamentais nas obras públicas em Macau. Na sua óptica, esses episódios aconteceram devido à carência do mecanismo de fiscalização.

O deputado considera que os regulamentos encontram-se desactualizados, uma vez que estão em vigor há mais de 20 anos, sendo que há aspectos essenciais à fiscalização de obras que não constam nesses diplomas. Na mesma interpelação escrita o deputado quis também saber de que medidas dispõe o Governo para garantir que existe em Macau um número suficiente de engenheiros no futuro, para dar resposta ao número elevado de obras.

Si Ka Lon lembrou também o discurso do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, sobre a falta de engenheiros para efectuar a fiscalização de obras privadas. O secretário adiantou também que a adjudicação do serviço não ajuda a resolver o problema, uma vez que há falta de engenheiros no sector privado. Nesse sentido, Si Ka Lon entende que o Executivo deve lidar com a situação de forma activa. V.N.


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TIAGO ALCÂNTARA

quarta-feira 20.12.2017

HABITAÇÃO SONG PEK KEI QUER SABER QUAIS SÃO AS MEDIDAS O Chefe do Executivo anunciou a Pequim mas em Macau ainda UE medidas é que habitação privada aumentou O próprio Chefe do nada se sabe o Governo tenciona de 19,071 yuan, no primeiro Executivo, afirma Song Pek sobre as medidas realmente aplicar trimestre de 2007, para 90,858 Kei, admitiu que as casas em para combater a yuan no primeiro trimestre Macau não estão ao alcance para controlar especulação imobi- de 2017, sendo um aumento das pessoas comuns. liária no território? incrível”, refere. Song Pek Kei pega a especulação A questão é da deputada Song ainda no exemplo da região do mercado Pek Kei, que tem ouvido falar vizinha em que o imposto de acções para melhorar a na aquisição de uma seimobiliário no situação da habitação em gunda habitação aumentou Macau, mas, refere, não tem para os 15 por cento com território. A visto aplicações na prática. “o objectivo de combater Em interpelação escrita, a a especulação imobiliária” deputada Song deputada salienta o aumento e tem dado passos para Até agora, Pek Kei quer do preço do metro quadrado permitir à classe média o ainda nada foi no território e a impossibiliacesso a habitação. saber o que dade que isso representa para realmente feito ou quer comprar casa. De AGORA, NADA tenciona fazer o quem conhecido, afirma ATÉ acordo com as estatísticas “o Em Macau, fala-se em muipreço do metro quadrado da tas medidas, nomeadamente Governo Song Pek Kei

Medidas virtuais

Extremista orienta-se

Vitório Cardoso é mandatário da campanha de Pedro Santana Lopes

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EDRO Santana Lopes, ex-primeiro-ministro português, é candidato à liderança do Partido Social-Democrata (PSD) em Portugal, e escolheu para seu mandatário, para os territórios de Macau e Hong Kong, Vitório Cardoso. Este ocupa actualmente o cargo de vice-presidente da comissão política da secção do PSD em Macau e Hong Kong. Contactado pelo HM, Vitório Cardoso recusou prestar declarações por se tratar de um assunto exclusivo do panorama político em Portugal. “Não quero misturar esta questão com órgãos de comunicação

social de Macau. Eu sou português, não participo na condição de residente permanente”, frisou. Na sua página pessoal da rede social Facebook, Vitório Cardoso escreveu ter “aceite com muita honra e elevado sentido de missão integrar a Comissão Nacional da Candidatura de Pedro Santana Lopes e ser o mandatário para Macau e Hong Kong, enquanto vice-presidente da comissão política da secção do PPD/PSD em Macau e Hong Kong”. “A histórica candidatura à liderança do PPD/PSD abraça genuinamente o

apoio da Comunidade Portuguesa na China em geral e em especial dos Macaístas ou Portugueses de Macau radicados desde 1553 - 1557. Somos todos Portugueses!”, acrescentou também numa outra publicação. Vitório Cardoso intitulou-se como “português de seis gerações no Oriente”, sendo seu “dever para com os portugueses que já morreram, que estão vivos e para com os que estão para nascer, contribuir com todo o meu esforço, dedicação e vida para a glória e a grandeza de Portugal no mundo”. “Enquanto Macaense ou

Português de Macau com algumas responsabilidades políticas é o meu dever primeiro o de zelar pelas Comunidades Portuguesas na Ásia e por conseguinte pelo superior interesse nacional de Portugal”, rematou. O HM contactou a assessora de Pedro Santana Lopes para mais esclarecimentos, mas não recebemos as respostas em tempo útil. Vitório Cardoso é conhecido em Macau pelas suas posições de extrema-direita, a favor do militarismo, com nostalgias salazaristas e é um contínuo propagandista do império colonial como, aliás, é patente na sua página do Facebook. Além do patrioteirismo, Cardoso mostra um estranho fascínio pelos militares ingleses.

FACEBOOK

Q

acabar com o tempo de espera à habitação pública, aumentar o imposto para a compra de segunda casa e promoção de medidas para ajudar os jovens locais com os problemas de habitação, mas, até agora, ainda nada foi realmente feito ou conhecido, afirma. E por isso que Song Pek Kei questiona directamente o Governo: ”Qual é o próximo passo para combater a especulação imobiliária no território? Quais são as medidas do Governo e o que tenciona, em concreto, por em prática?”.

No que respeita à classe média, muitas vezes chamada de sanduiche porque não tem dinheiro suficiente para comprar casa, nem necessidades que permitam uma candidatura à habitação publica, a deputada pretende saber que tipo de estratégia o Governo tem para resolver o problema. Song Pek Kei aponta ainda a experiência de outros países quando se fala de definição do que é uma habitação vazia. Para Song Pek Kei este conceito tem mesmo de ser clarificado o mais cedo possível para que se possa passar a outra intenção manifestada pelo Governo: a de taxar as casas que não estão a ser utilizadas. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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A ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS, REFORMADOS E PENSIONISTAS DE MACAU FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO 18.º ANIVERSÁRIO DO SEU ESTABELECIMENTO

20.12.2017 quarta-feira

A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 18.º ANIVERSÁRIO E DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL


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quarta-feira 20.12.2017

João Guedes

O jornalista e investigador João Guedes, o juiz João Gil de Oliveira e o ex-atleta Eduardo de Jesus Júnior estão entre as personalidades que vão receber as distinções em Janeiro do próximo ano

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jornalista e investigador João Guedes, o juiz João Gil de Oliveira e o ex-atleta Eduardo de Jesus Júnior estão entre as personalidades e entidades distinguidas pelo Governo da RAEM com medalhas e títulos honoríficos. Ao nível das medalhas, Choi Lai Hang, o primeiro director-geral dos Serviços de Alfândega, vai ser agraciado com o Lótus de Ouro e Lei Loi Tak, auditor, e Vong Kok Seng, empresário, com o Lótus de Prata. Em 2018, João Guedes vai receber das mãos do Chefe do Executivo a Medalha de Mérito Cultural pelo

João Gil de Oliveira

Eduardo de Jesus Júnior

Loreto Jr. de Guia Mijares

GOVERNO REVELA LISTA DE PERSONALIDADE E INSTITUIÇÕES DISTINGUIDAS

Medalhas e títulos trabalho realizado ao longo de 30 anos de investigação sobre a História de Macau. Uma distinção que deixou o também jornalista “muito honrado”, segundo contou ao HM. “Sinto-me muito honrado pelo Governo ter decidido agraciar-me com essa condecoração no âmbito cultural. É um reconhecimento do meu trabalho ao longo destes mais de 30 anos em Macau. Foi uma carreira dedicada ao jornalismo e à divulgação da História de Macau”, afirmou João Guedes. “É uma distinção que tem mais significado por partir da Administração da RAEM do que se tivesse sido pela Administração Portuguesa. Foi completamente inesperado, não estava minimamente à espera. Por isso sinto-me ainda mais honrado. Não esperava que o Governo de Macau olhasse particularmente para o meu trabalho”, admitiu. O jornalista deixou igualmente o desejo que com este reconhecimento, muito do seu trabalho possa ser traduzido para chinês, para que a comunidade falante dessa língua possa ter acesso ao mesmo.

MEDALHAS DE HONRA Lótus de Ouro – Choi Lai Hang Lótus de Prata – Lei Loi Tak Lótus de Prata – Vong Kok Seng MEDALHAS DE MÉRITO Medalha de Mérito Profissional – João Augusto Gonçalves Gil de Oliveira Medalha de Mérito Profissional – Zhao Guoqiang Medalha de Mérito Profissional – Iau Kam Hoi Medalha de Mérito Profissional – He Haiming Medalha de Mérito Industrial e Comercial – Banco Tai Fung, S.A. Medalha de Mérito Industrial e Comercial – Estrada para Veículos Ki-Kuan, Limitada Medalha de Mérito Industrial e Comercial – Fong Son Kin Medalha de Mérito Turístico – Lawrence Ho Yau Lung Medalha de Mérito Turístico – Luís Lui Medalha de Mérito Turístico –Lam Chan Kuok Medalha de Mérito Educativo – Lei Heong Iok Medalha de Mérito Educativo – Vong Chuk Kwan

“Algumas coisas do meu trabalho estão traduzidas para chinês, mas a maior parte não está. Provavelmente com esta distinção vão ser traduzidas para chinês, era algo que gostava que acontecesse”, disse. “Espero ter contribuído também para que o trabalho feito na lusofonia seja melhor conhecido pela comunidade chinesa. Esta distinção é um incentivo para isso”, frisou.

RECONHECIMENTO DESPORTIVO

Também Eduardo de Jesus Júnior, ex-atleta internacional em futebol e hóquei de campo por Macau, foi distinguindo com a Medalha de

Mérito Desportivo. Durante a sua carreira no mundo do futebol, o jogador chegou a treinar no FC Porto, sob o comando do treinador Bella Gutmann, em 1974, e no Benfica, numa altura em que o internacional português e ex-treinador das águias Toni também estava no plantel “Estou contentíssimo com a distinção. Era uma coisa que não esperava. Como português e macaense sou dos primeiros a receber esta distinção e estou mesmo muito contente”, disse Eduardo de Jesus Júnior, ao HM. “Na altura da Administração Portuguesa contribui muito para o desporto local, principalmente nas

BANCO TAI FUNG DISTINGUIDO APESAR DE POLÉMICA

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ntre as entidades distinguidas encontra-se o Banco Tai Fung, fundado por Ho Yin, pai de Edmundo Ho, e actualmente controlado pelo Banco da China. No entanto, o banco ficou ligado a uma controvérsia durante o julgamento do ex-Procurador Ho Chio Meng, em Abril. Na altura, o Banco Tai Fung foi acusado pela investigadora do Comissariado Contra a Corrupção Wong Lei Peng de ter ignorado depósitos suspeitos realizados por Ho Chio Shun, irmão de Ho Chio Meng, sem perguntar a proveniência dos fundos.

Medalha de Mérito Educativo – Lo Sio Va Medalha de Mérito Cultural – Associação dos Escritores de Macau Medalha de Mérito Cultural – João Vicente Botelho Guedes Medalha de Mérito Cultural – Chou Cheong Hong Medalha de Mérito Cultural – Poon Kam Ling Medalha de Mérito Altruístico – Instituto de Acção Social Medalha de Mérito Altruístico – Associação de Reabilitação Fu Hong de Macau Medalha de Mérito Desportivo – Selecção de Dança de Dragão e de Leão de Macau Medalha de Mérito Desportivo – Federação de Karate-do de Macau Medalha de Mérito Desportivo – Eduardo Armando de Jesus Júnior MEDALHAS DE VALOR, DE DEDICAÇÃO E DE SERVIÇOS COMUNITÁRIOS Medalha de Valor – Equipa de Mergulhadores dos Serviços de Alfândega de Macau. Medalha de Valor – Grupo de Patrulha Especial do Corpo de Polícia de Segurança Pública Medalha de Valor – Equipa de Operações Especiais de Socorro do Corpo de Bombeiros Medalha de Valor – Centro de Prevenção e Controlo da Doença dos Serviços de Saúde Medalha de Dedicação – Equipa de Fiscalização do Centro de Segurança Alimentar

“Na altura da Administração Portuguesa contribui muito para o desporto local, principalmente nas décadas de 70 e 80. O reconhecimento chegou agora já na altura da RAEM e ficou muito feliz” EDUARDO DE JESUS JÚNIOR

décadas de 70 e 80. O reconhecimento chegou agora já na altura da RAEM e ficou muito feliz”, sublinhou o também fundador da Associação de Veteranos de Futebol de Macau. Eduardo de Jesus Júnior foi igualmente internacional por Portugal, na modalidade de hóquei de campo. Por sua vez, João Gil de Oliveira foi agraciado com a Medalha de Mérito de Profissional. Os títulos e medalhas vão ser entregues no próximo ano. Também entre os agraciados estão Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, com a Medalha de Mérito Turístico, e Loreto Jr. de Guia Mijares, filipino que salvou um casal de idosos durante a passagem do Tufão Hato. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais Medalha de Dedicação – Sou Tim Peng Medalha de Dedicação – Lao Wai Han Medalha de Serviços Comunitários – Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau Medalha de Serviços Comunitários – Associação dos Jovens Cristãos de Macau Medalha de Serviços Comunitários – Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau Medalha de Serviços Comunitários – Choi Chun Heng TÍTULOS HONORÍFICOS DE PRESTÍGIO E DE VALOR Título Honorífico de Prestígio – Loreto Jr. de Guia Mijares Título Honorífico de Valor – Cheong Heong San Título Honorífico de Valor – Lam Kai Heng Título Honorífico de Valor – Chan Sio Man Título Honorífico de Valor – Chau Hou Tin Título Honorífico de Valor – Equipa da Escola Secundária Pui Ching que participou na “Feira Internacional de Ciência e Engenharia 2017”


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20.12.2017 quarta-feira

IC CECÍLIA TSE PROMETE ANALISAR AS NECESSIDADES DE PESSOAL Acabada de tomar posse como presidente do Instituto Cultural, Cecília Tse volta atrás na medida “O IC já tem um número muito anunciada pelo seu grande de trabalhadores em compaantecessor, Leung ração com outros departamento, mais de 800 pessoas, salvo erro. Preciso de Hio Ming, de abrir algum tempo para fazer um levantae saber exactamente o que faz concurso público para mento falta e o que não faz”, revelou a nova presidente do IC após a cerimónia de admissão de pessoal

de Cecília Tse, terá como vice-presidente substituta Leong Wai Man, mantendo-se Ieong Chi Kin na posição de vice-presidente da entidade. No dia em que tomou posse, a nova presidente do IC reiterou a importância da preservação do património cultural, mantendo o respeito à lei da salvaguarda do património cultural como foi condutor para protecção do património. Cecília Tse disse que vai tentar manter o equilíbrio entre a preservação do património cultural e o desenvolvimento económico. Sobre o plano de gestão do centro histórico de Macau, a nova responsável reiterou que o IC vai “acelerar o ritmo de trabalho” para poder apresentar este plano em 2018 à UNESCO. O que diz respeito aos estaleiros de Lai Chi Vun, a presidente do IC lembrou que “os trabalhos de classificação estão em curso” e que ainda não há data definitiva para a listagem dos estaleiros. Algo que Cecília Tse vai “tentar fazer o mais rapidamente possível”. Foi ainda referido que será construído um centro de intercâmbio cultural sino-português para “aproveitar as vantagens de Macau e as suas características singulares para plataforma cultural.

GCS

Passar a pente fino

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A sequência da polémica contratação de quadros do Instituto Cultural através do regime de aquisição de bens e serviços, que fez cair os dois antigos presidentes do organismo, Cecília Tse volta atrás na possibilidade de abrir concurso público no próximo para contratar pessoal. A proposta do tempo do consulado do seu antecessor, Leung Hio Ming, visava tapar o buraco de recursos humanos deixado aberto pela saída de quadros após a polémica espoletada pelo relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC).

tomada de posse. Cecília Tse explicou que vai passar a pente fino as necessidades de recursos humanos dos vários departamentos do IC, não admitindo, por enquanto, se haverá necessidade de abertura de concurso público para a admissão de pessoal. Importa referir que depois do relatório do CCAC, saíram dos quadros do Instituto Cultural 70 funcionários contratados através do regime de aquisição de serviços, encontrando-se ainda 24 funcionários até Junho/ Julho do próximo ano ao abrigo de uma situação de emergência.

POR CLASSIFICAR

Cecília Tse tem feito carreira na Direcção dos Serviços de Turismo,

onde foi vice-presidente, assim como membro do Gabinete de Gestão de Crises do Turismo. A nova presidente, explica que apesar de não ter trabalhado no IC antes

tem “estado na área do trabalho cultural e artístico”. Depois da saída de Leung Hio Ming e do seu ex-vice-presidente Chan Peng Fai, o consulado

João Luz

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PUB HM • 2ª VEZ • 20-12-17

PATRIMÓNIO ASSOCIAÇÃO QUER COORDENAÇÃO INTERDEPARTAMENTAL PARA LAI CHI VUN

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ANÚNCIO Execução Ordinária nº. Exequente: Executado:

CV1-16-0029-CEO

1.º Juízo Cível

FONG CHI HOU, casado, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, n.º15. ZENG JIN HONG, casado, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M. n.º 1xxx2x5(8), com última residência conhecida em Macau, na Rua Cidade de Santarém, n.º 416, Hotline Building, 3.º andar AC, ora ausente em parte incerta. *** FAZ-SE SABER, que foi designado o dia 31 de Janeiro de 2018, pelas 10:15, neste Tribunal e no processo acima indicado, para venda por meio de propostas em carta fechada, do seguinte penhorado: Imóvel Denominação: fracção autónoma, “AC3” do 3.º andar “AC”. Situação: sito em Macau, n.º 316 a 362 da Avenida Sir Anders Ljungstedt, n.º 396 a 506 da Rua Cidade de Santarém, n.º 3 a 113 da Rua Francisco H. Fernandes e n.º 315 a 363 da Alameda Dr. Carlos D´Assumpção. Finalidade: para habitação. Número de matriz: 073073. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: n.º 22223, a fls. 168 fo Livro B3K. Número de inscrição da propriedade horizontal: n.º 15188 do Livro F46K. Número de inscrição de proprietário n.º 24276G. * O Valor base da venda: MOP6.500.000,00 (seis milhões quinhentas mil Patacas). * São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregar na Secção Central deste Tribunal, as suas propostas, até ao dia 30 de Janeiro de 2018, pelas 17:45, sendo que o preço das propostas devem ser superior ao valor acima indicado, devendo o envelope da proposta, conter a indicação de “PROPOSTA EM CARTA FECHADA” bem como o “NÚMERO DO PROCESSO: CV1-16-0029CEO”. No dia da abertura das propostas podem, querendo, os proponentes assistir ao acto. Durante o prazo dos editais e anúncios, os proponentes, a fim de proteger os seus interesses, podem, caso queiram, antes de apresentar quaisquer propostas dirigir-se à fiel depositária, Sra. LAM SUT MAN, com endereço em Macau na Avenida da Praia Grande, n.º 409, Edifício China Law, 25.º andar, que prestará as informações necessárias a quem pretenda fazer propostas, podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção. Quaisquer titulares de direito de preferência e de remição na alienação do bem supra referido, podem, querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta for aceite, nos termos do art.º 787.º e art.º 806.º do C.P.C. Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., aos 6 de Dezembro de 2017. *

Instituto Cultural (IC) arrancou os procedimentos no passado dia 15 com vista à classificação dos estaleiros de Lai Chi Vun. A vice-presidente da Associação para a Reinvenção de Estudos do Património Cultural de Macau, Kuok I Iao, concorda que a classificação em curso responde às solicitações da sociedade para proteger os patrimónios culturais. A vice-presidente entende que as autoridades têm muito trabalho pela frente para melhorar

e salvaguardar as infra-estruturas e os patrimónios culturais. Em declarações ao Jornal Ou Mun, a vice-presidente da associação entende que os estaleiros da zona de Lai Chi Vun ao longo do corrente ano enfrentaram muitos obstáculos. Como tal, a dirigente espera que o Governo tem falta de um mecanismo interdepartamental para coordenação de protecção aos patrimónios culturais. O organismo terá como objectivo colmatar a falta de comunicação entre os serviços públicos,

o que tem levado a que o património histórico não tenha sido devidamente protegido e salvaguardado. Na visão de Kuok I Iao, os trabalhos de protecção dos patrimónios culturais não são apenas dependentes do IC, uma vez que, de acordo com a lei de salvaguarda do património cultural, os procedimentos da classificação dos patrimónios culturais podem ser levantados por quaisquer serviços públicos e pelos proprietários. Além disso, a vice-presidente salientou que o Governo deve ter consciência de protecção de patrimónios culturais durante obras.

JUSTIÇA GOVERNO DIZ QUE LESADOS DO PEARL HORIZON NEGARAM SOLUÇÃO APRESENTADA

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Gabinete da secretária Sónia Chan referiu ter já um projecto preliminar sobre o aproveitamento posterior do terreno onde se situa o edifício “Pearl Horizon”, tendo entrado em contacto com o promotor do empreendimento. De acordo com o comunicado, o promotor não mostrou a vontade de resolver em conjunto o problema nos termos legais. O Governo da RAEM vai aguardar a decisão da Última Instância para depois publicar o projecto apre-

sentado que, de acordo com a Gabinete de Sónia Chan a medida poderia proteger os interesses dos compradores das fracções nos termos da Lei de terras. O Tribunal de Segunda Instância da Região Administrativa Especial de Macau proferiu em Outubro o acórdão em primeira instância relativo ao recurso contencioso interposto pela Sociedade de Importação e Exportação Polytex, Lda. O recuso interposto pelo autor não foi considerado procedente não tendo, porém, o acórdão transitado em julgado, seguindo o caso no Tribunal de Última Instância.


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quarta-feira 20.12.2017

SEGURANÇA EM MÉDIA TODOS OS MESES É AGREDIDO UM AGENTE DA PSP

São ossos do ofício Desde o início do ano até 17 de Dezembro foram agredidos 13 agentes policiais, que resultou em 11 indivíduos detidos. José Pereira Coutinho diz que o número é aceitável, dado o número de turistas que visitam Macau

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NTRE o início do ano e 17 de Dezembro um total de 13 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) foram agredidos durante o serviços. Segundo os dados fornecidos ao HM pela PSP, as agressões resultaram na detenção de 11 pessoas e autuações por “agressão qualificada”. “Fazem no total de 13 agentes policiais que foram agredidos por outrem durante o cumprimento das missões até 17 de Decembro no ano de 2017, dos quais 11 indivíduos foram detidos, e autuados por agressão qualificada”, informou a PSP, após ter sido questionada sobre o assunto. Este é um número que o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau e deputado, José Pereira Cou-

tinho, considera “normal”, tendo em conta o número de visitantes. O legislador destaca igualmente o facto do território ser muito seguro. “Não recebi nenhuma queixa por parte de agentes sobre agressões. Mas não acho os números preocupantes porque temos 33 milhões de visitantes. Considero que o número é pequeno. Desde que não se registem agressões violentas, com recurso a facas, armas de fogo, acho que é um número normal, dentro da densidade populacional de Macau”, afirmou José Pereira Coutinho, em declarações ao HM. “Acho que não é um número que justifique uma preocupação generalizada entre estes funcionários públicos. Eles são polícias e estão muito cientes das suas funções. São profissionais que entendem a natureza

das suas funções, e que reconhecem que à partida há um certo grau de risco no desempenhar das suas missões”, acrescentou.

“PEARL HORIZON” SEM INFLUÊNCIA

Por outro lado, o deputado rejeitou a ideia que o facto das agressões a agentes da PSP, durante manifestação de compradores do Pearl Horizon, possa ser encarada como uma prova de impunidade, para quem agrida agentes policias. “Não é um sinal de impunidade. O facto de não terem continuado com os casos para os tribunais se deve ao facto de as pessoas terem conseguido uma reconciliação com os polícias. Houve um entendimento para que se resolvessem os casos sem necessidade de ir aos tribunais”, justificou Pereira Coutinho.

Ao mesmo tempo, apontou Macau como um território muito seguro, dada a ligação à indústria do jogo, normalmente associada a elevados níveis de criminalidade. “Macau continua a ser uma cidade muito segura e é isso que se pode realçar em questões de segurança. O nível de criminalidade, tendo em contra a predominância da indústria do jogo e as tradicionais ligações à prostituição, drogas e da agiotagem, é muito baixo”, considerou. Um resultado que Pereira Coutinho afirma ser justificado pelas acções do Governo Central em conciliação com os agentes locais. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

“Não recebi nenhuma queixa por parte de agentes sobre agressões. Mas não acho os números preocupantes porque temos 33 milhões de visitantes.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO

HABITAÇÃO PÚBLICA O EXEMPLO SINGAPURA

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RNALDO Santos, presidente do Instituto da Habitação (IH), liderou uma comitiva de viagem a Singapura na qualidade de presidente da Comissão para os Assuntos de Habitação Pública. A visita, segundo um comunicado, teve como objectivo a realização de uma visita às instalações dos complexos de habitação pública e a análise à sua gestão. A visita serviu para abordar as políticas de habitação pública levadas a cabo por Singapura, bem como o seu plano de gestão e reconstrução.

Arnaldo Santos lembrou que o Governo de Singapura começou a implementar políticas de habitação pública a partir dos anos 60, tratando-se de um exemplo que Macau pode ter como referência. O presidente do IH acredita que a visita pode ajudar o território para que possa ser criado um mecanismo mais eficaz de atribuição, gestão e reparação dos edifícios de habitação pública em Macau. O responsável de Singapura pelos serviços de desenvolvimento da habitação, que recebeu a comitiva de Macau, disse que a maioria das zonas

criadas pela cidade-estado têm instalações comerciais, escolas, parques, zonas arborizadas, equipamentos desportivos e de lazer. Tudo para que as comunidades que lá vivam possam interagir entre si e desenvolver um sentido de solidariedade. Para garantir que os edifícios se mantém em bom estado, cada morador de uma casa disponibilizada pelo Governo de Singapura precisa de pagar um montante que varia entre 110 e 560 patacas para os serviços dos espaços públicos e diversas reparações.


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20.12.2017 quarta-feira

Arte completa CASA GARDEN

Coro Infantil Inscrições terminam hoje

Termina hoje a inscrição para os interessados em ingressar no Coro Infantil de Macau. O agrupamento de vozes que tem como ponto alto o concerto anual no Centro Cultural de Macau, está a recrutar novos elementos e a receber as fichas de inscrição dos interessados, sendo que os dias de audição estão marcados para 30 e 31 de Dezembro. Os pequenos talentos podem inscrever-se no Centro Cultural ou em qualquer balcão da Rede Bilheteira de Macau.

Música Coro indonésio actua hoje em Macau

Hoje é dia de aniversário do único programa de rádio dedicado a comunidade indonésia no territóro, o Kumbang Toh. A data é comemorada com uma gala que conta com a presença do coro de Yogyakarta, cidade da ilha de Java. O Ekklesia Vocal Ensemble já está no território e depois de ter dado um concerto no passado dia 18 na Ilha Verde, volta ao palco, agora do Colégio Anglicano de Maca. O evento tem lugar às 19h e conta com entreda livre. Silvia Mohr, resopnsável pela linha de atendimento em líguas estrangeiras da Cáritas, instituição que tambem apoia a iniciativa, refere-se aos artistas como sendo “pessoas humildes com um grande coração, sorridentes e de uma voz abençoada que deve ser partilhada por todos”.

JOSÉ DRUMMOND APRESENTA AMOR E A MORTE

“There´s a light that never goes out” é a principal peça de José Drummond exposta na Casa Garden e traz ao público uma oportunidade de integrar a própria instalação. Tudo tendo por base a canção dos “The Smiths” que dá nome à obra e reflecte o lado negro e romântico da existência

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA URBAN SKETCHERS EM LISBOA - DESENHANDO A CIDADE • Eduardo Salavisa

Cerca de duzentas pessoas de mais de vinte países encontraram-se em Lisboa com o único intuito de desenharem e falarem sobre desenho. Dezoito espaços no Chiado e zonas envolventes foram objecto da observação e do registo por parte dessas pessoas, que usam regularmente o caderno como suporte para este tipo de desenho. Este desenho, essencialmente de observação foi também motivo de reflexão por desenhadores experimentados. O livro é o resultado dessa troca de experiências.

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M dos mais famosos temas da banda britânica “The Smiths” dá nome à principal peça que José Drummond apresenta na exposição patente desde quarta-feira, na Casa Garden. “There´s a light that never goes out” é uma das três peças do artista local e, para fazer jus ao nome, trata-se de uma instalação com “uma componente de som em que há uma espécie de adaptação à música dos smiths”, conta ao HM. José Drummond é acima de tudo artista plástico mas não menospreza o poder e importância da música e dos sons. “A música tem esta grande vantagem, está em todo o lado, e não precisa exactamente de significado porque nos atinge de uma forma muito directa”, explica. Para Drummond é difícil o desligar do som, mais até do que da imagem. “Os olhos são autónomas e podemos fechá-los, sem ajuda de nada, já os ouvidos são diferentes, não os podemos fechar sem pelo menos recorrer a ajuda das mãos”, diz. É por isso que Drummond considera que “o som nos atinge de maneira diferente, de uma forma mais intensa do que a visão” Poderá tratar-se ainda de pureza. “A visão, se calhar, é muito mais intelectual e perde muitas vezes a questão do significado mas gosto de coisas que nos possam criar

emoções sem que tenhamos forçosamente de dizer mais ou explicar mais, e a música tem realmente este dom”, aponta ao HM. Por outro lado, a escolha do tema em causa foi muito ponderada. Apreciador de poesia, “There´s a light thet never goes out” é, afir-

“Há aqui uma sensação de esperança mas depois a letra em si é fala de morte e amor. Não há coisa mais bonita do que isso e é esta ambiguidade que me atrai muito.” Uma das coisa mais importantes, especialmente nos dias de hoje, é que nós enquanto artistas consigamos ter propostas de exposições diferentes e que vão além dos quadros na parede.” JOSÉ DRUMMOND

ma, “um dos poemas mais belos daquela banda”. Mesmo dentro daquilo a que chama clichés, é mais um tema “com uma forte componente negra que remete sempre para a esperança”. “Há aqui uma sensação de esperança mas depois a letra em si é fala de morte e amor. Não há coisa mais bonita do que isso e é esta ambiguidade que me atrai muito”, conta.

UM HÍBRIDO MAIOR

Tratando-se de uma instalação, José Drummond fala ainda da sua forte componente híbrida aplicável tanto à obra como ao artista. “O meu trabalho vive muito de híbridos, a começar pela minha própria condição: sou um português ocidental em Macau, que bebe influencias do sitio onde vive, ou seja, tudo o que sai de mim já é um produto híbrido que vive na fractura das duas culturas e que não é uma coisa oriental mas também quase que já não é ocidental, muitas vezes”, explica. O mesmo se pode dizer da forma como José Drumund sente que trabalha a imagem, “em que a fotografia parece pintura mas não é”. Nesta instalação há ainda uma espécie de diálogo que, para José Drummond “se expressa de uma forma muito teatral porque há uma coreografia, com a luz”.

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A MAÇONARIA UNIVERSAL • Miguel Martin-Albo

Uma análise da Maçonaria ao longo dos tempos de rara imparcialidade e amplitude histórica. Fenómeno associativo singular, a Maçonaria, na sua expressão mais ancestral - as lojas operativas - surge, sobretudo durante o apogeu do estilo gótico, entre as corporações de construtores (arquitectos, canteiros e pedreiros) da Europa Medieval, mas é a partir do início do século XVIII que, com o novo modelo de lojas especulativas - cujo papel nas revoluções liberais foi fundamental -, começa a desfrutar de grande reconhecimento social e político. Este livro, escrito com rara imparcialidade e amplitude histórica, pretende abordar as práticas que essas associações de “homens livres e de bons costumes” têm vindo a desenvolver ao longo dos séculos, penetrando, tanto quanto possível, o seu significado simbólico.


eventos 13

quarta-feira 20.12.2017

Projecções múltiplas Macau em destaque em ciclo de cinema em Lisboa

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Mas a contracena passa ainda pelo público em que “o visitante é corpo integral da peça e com a sua participação, a peça ganha outro sentido, ou seja, os protagonistas neste momento são as pessoas quando estiverem dentro da peça”, conta. O objectivo não é ter a concordância do público ou mesmo o agrado, até porque uma

das tarefas dos artistas plásticos passa não só por tentarem inscrever as suas ideias naquilo que fazem como tentarem ter um debate com o público e mesmo acabarem por recusarem a sua obra”.

FORA DA PAREDE

É também esta mistura entre público, obra e artista que mar-

ca os tempos contemporâneos das mostras. Chegou a hora de sair da parede a arranjar novos suportes. “Uma das coisa mais importantes, especialmente nos dias de hoje, é que nós enquanto artistas consigamos ter propostas de exposições diferentes e que vão além dos quadros na parede. É necessário que consigamos criar outros espaços, outros mundos que não fiquem reduzidos à banalidade do quadro na parede”, refere. “There Is a Light That Never Goes Out” integra a participação de Drummond na exposição “A luz na alma – Exposição de Luz de Macau” que conta ainda com as participações dos trabalhos de João Ó e James Chu. José Drummond participa com mais duas peças em néon vermelho: “Each man kills the things he loves”, de Oscar Wilde e “Find what you love and let it kill you” do poeta norte-americano Charles Bukowski. As peças integram a exposição “A luz na alma – Exposição de Luz de Macau” integra o festival da luz que se comemora no território e traz ao publico peças de João Ó, James Chu e José Drummond.

ciclo “Cinema Macau, passado e presente” é o evento que pretende levar à tela da Fundação Oriente um conjunto de filmes acerca do território. O obejctivo é “desvendar a pluralidade de olhares sobre Macau durante o século XX bem como após a transição para a administração do território pela China”, lê-se em comunicado enviado à comunicação social. Neste ciclo, com a curadoria da jornalista e crítica de cinema Maria do Carmo Piçarra, são revelados filmes do Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM), da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) e do Centro de Audiovisuais do Exército (CAVE). Em sete sessões temáticas, entre 7 de Janeiro e 18 de Fevereiro, a programação começará por apresentar a percepção, durante o Estado Novo, de realizadores portugueses – tanto amadores (Antunes Amor) como profissionais que serviram a propaganda (Ricardo Malheiro) – sobre Macau, contrapondo imagens fixadas por cineastas estrangeiros ao serviço do regime, como Miguel Spiguel e Jean Leduc. A mostra inclui o olhar de Manuel Faria de Almeida, um dos fundadores do Novo Cinema português que, posteriormente, ajudou a criar a Televisão de Macau, sobre a antecipação das angústias dos residentes no território com a perspectiva da transição da soberania.

OS DIAS DE HOJE

Em contraponto a estas visões, apresenta-se a perspectiva contemporânea de jornalistas e das novas gerações de realizadores portugueses, que viveram ou visitaram (Guerra da Mata / João

Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

Sisterhood

Pedro Rodrigues) ou vivem (Ivo Ferreira) no território, e o de uma realizadora sérvia (Nevena Desivojevic), que filmou, em Lisboa, a rememoração da vivência em Macau.

O obejctivo é “desvendar a pluralidade de olhares sobre Macau durante o século XX bem como após a transição para a administração do território pela China” O ciclo integra ainda investigações filmadas, assinadas por jovens jornalistas portugueses (Filipa Queiroz e Hélder Beja), que relevam traços da presença portuguesa durante o século XX. “Cinema Macau” fixa, finalmente, as inquietações, as aspirações e a sensibilidade da primeira geração de realizadores de Macau. Recorrendo a linguagens que vão do ensaio visual à animação, e usando sobretudo o formato da curta-metragem, os novos filmes feitos em Macau, entre outros, por Albert Chu, Leong Kin, Cobi Lou, Hong Heng Fai, Cheong Kin Man e Tracy Choi – de quem será apresentada também a longa-metragem “Irmãs” (Sisterhood) – reflectem as mudanças na paisagem, física e humana. De acordo com a organização, “aqui, os vestígios coloniais servem um certo onirismo e nostalgia, e evidenciam o paralelismo entre o crescimento da ilha e a multiplicação das imagens desta – e do mundo – numa sociedade de ecrãs”.


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20.12.2017 quarta-feira


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20.12.2017 quarta-feira

PEQUIM PEDE A WASHINGTON PARA ABANDONAR “MENTALIDADE” DA GUERRA FRIA

O muro que nunca mais cai

O discurso xenófobo de Donald Trump motivou uma resposta da China, do tipo “acordem, o mundo agora é outro”. Contudo, os EUA parecem decididos a acabar com a influência do Ocidente no planeta

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República Popular da China pediu ontem aos Estados Unidos para abandonar a “mentalidade da Guerra Fria” e tratar das divergências de forma construtiva respondendo ao presidente norte-americano que considerou o país como “rival” e “concorrente estratégico”. “Pedimos aos Estados Unidos que deixe de distorcer os interesses estratégicos da China e abandone o ‘jogo de soma zero’ e a mentalidade da Guerra Fria”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Hua Chunying, numa conferência de imprensa na

capital chinesa. Hua insistiu no ponto de vista de Pequim de que a “cooperação de mútuo benefício é a única cooperação viável” para os dois países tendo pedido a “adopção de uma via construtiva” capaz de resolver as “diferenças”.

Pequim reagia assim à nova estratégia de segurança do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentada nas últimas horas em que Washington aponta a China e a Rússia como concorrentes

CHINA ASSUME PAPEL DE LIDERANÇA O Global Times realizou uma sondagem em vários países, na qual mais de 80% dos entrevistados consideram que a China já se tornou ou está-se a tornar num país de liderança global. A palavra-chave que melhor descreve a China no plano internacional em 2017 é “confiança”, de acordo com a sondagem, realizada a um total de 17.583 pessoas de 16 países do mundo, incluindo: EUA, Rússia, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Brasil e África do Sul.

Segundo os resultados, mais de 70% dos estrangeiros têm confiança ou são neutros relativamente ao papel positivo desempenhado pela China na governanção global, sob a nova liderança do país, com Xi Jinping como núcleo. O Global Times levou a cabo a pesquisa entre os dias 11 de Novembro e 8 de Dezembro, e descobriu que os habitantes de Espanha, Brasil, Ucrânia e Cazaquistão são os que mais atestam o facto da China se ter tornado um país

proeminente no mundo. Cerca de 66,4% dos inquiridos acreditam que a força económica da China é o que a torna um país forte. Outros participantes referem que a capacidade científica e tecnológica, influência política e diplomática, bem como a força militar também são determinantes. A sondagem identifica a China como o segundo país de maior influência na governação global, a seguir aos EUA, ao longo dos próximos 10 anos. A Rússia surge em terceiro lugar. Mais de 63,6% dos estrangeiros acreditam que o seu país deve manter boas relações com a China.

a nível estratégico. Num discurso em Washington, Trump apontou os dois países como “poderosos rivais” que podem eventualmente constituir potenciais ameaças para os Estados Unidos. Hua sublinhou que a China mantém um caminho de “desenvolvimento pacífico” através da cooperação cada vez maior com os outros países apoiando, cada vez mais, as Nações Unidas. “A China contribuiu e protege a ordem internacional” com uma diplomacia que é “bem acolhida em todo o mundo”, disse também o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Sendo assim, sublinhou, “é inútil que qualquer país venha distorcer os factos para desacreditar a China” e insistiu que “ninguém deve ter ilusões” sobre a República Popular da China em questões de defesa da soberania e interesses estratégicos.

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PRESIDENTE DA APN NO PARLAMENTO EUROPEU

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presidente da Assembleia Popular Nacional (APN), Zhang Dejiang, reuniu-se na segunda-feira com o vice-presidente do Parlamento Europeu, Dimitrios Papadimoulis. “AChina atribui importância às suas relações com a União Europeia (UE) e apoia a integração europeia”, disse Zhang, presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN) da China. A China e a UE celebrarão o 15º aniversário do estabelecimento de uma parceria estratégica abrangente e o 20º aniversário do estabelecimento do mecanismo de reunião dos líderes Chine-UE em 2018, lembrou Zhang, que pediu ligações nas estratégias de desenvolvimento, aprofundamento dos intercâmbios, cooperação e promoção de novos progressos na constru-

ção das parcerias para a paz, o crescimento, a reforma e a civilização. “A APN da China fortalecerá os intercâmbios com o Parlamento Europeu e obterá o máximo do mecanismo de troca parlamentar regular para aumentar a confiança mútua política, optimizar o ambiente jurídico para a cooperação económica e comercial e consolidar a vontade popular para a amizade entre a China e a UE”, segundo Zhang. Papadimoulis elogiou a importância das relações UE-China, assinalando que a amizade e a cooperação bilaterais são cruciais para a paz e o desenvolvimento do mundo. O Parlamento Europeu terá mais conversas com a APN da China para reduzir as diferenças e impulsionar o benefício e o desenvolvimento recíprocos.

4,58 MILHÕES ESTUDAM NO ESTRANGEIRO

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AIS de 4,58 milhões de chineses estudaram ou estão a estufar no exterior entre 1978 e 2016, segundo um relatório publicado na segunda-feira. Um total de 544,5 mil chineses estudaram no exterior em 2016, um aumento de 3,97% em relação ao ano anterior, segundo o relatório publicado pelo Centro para a China e a Globalização (CCG), um importante think-tank chinês. Em 2016 o país continuou a ser uma fonte importante de estudantes internacionais para os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão, República da Coreia e Reino Unido.

Mais de 31% dos chineses escolheram estudar administração de empresas em 2016, um aumento de 4% em relação a 2015, enquanto 16% escolheram ciência de engenharia, uma queda anual de 3%. O número de estudantes chineses do ensino secundário que estudam no Canadá representaram mais de metade dos estudantes internacionais nesse país. AChina tem cerca de 550 escolas internacionais, mais que qualquer outro país. O país asiático registou um crescimento de 11,3% no ano passado na matrícula de estudantes estrangeiros, cujo número chegou a 443 mil.


china 17

quarta-feira 20.12.2017

Região Pacífico Dois novos sistemas antimísseis no Japão

O Governo do Japão aprovou ontem a aquisição de dois sistemas antimísseis norte-americanos para aumentar a capacidade de defesa do país perante a ameaça que representa a Coreia do Norte. O Governo do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, autorizou a compra de duas unidades Aegis Ashore, que marcam assim a incorporação nas forças terrestres do sistema de fabrico norte-americano, que já se encontra instalado em alguns contratorpedeiros da Marinha. Para agilizar o destacamento dos sistemas de intercepção de mísseis, que se esperam prontos “o mais rapidamente possível”, o Ministério da Defesa japonês planeia destinar parte do orçamento suplementar deste ano e aumentar em 730 milhões de ienes o orçamento recorde de 5.260 milhões de ienes pedido para 2018. O Governo japonês tem previsto aprovar na sexta-feira a proposta dos orçamentos gerais do país para o próximo ano. Não está ainda decidido para onde vão ser destacados os novos sistemas de defesa antimísseis, embora Tóquio espere que com eles garanta a cobertura de todo o país, onde até agora os únicos sistemas terrestres antimísseis eram os Patriot Advanced Capability 3 (PAC-3). As últimas unidades do PAC3 foram instaladas na ilha de Hokkaido (norte) em setembro, em resposta ao lançamento de dois mísseis pela Coreia do Norte que sobrevoaram essa região nesse mês e no anterior antes de se despenharem no mar. Apesar de a Constituição do Japão estabelecer que o país apenas pode dotar-se de capacidades militares defensivas, o Executivo liderado pelo conservador Shinzo Abe impulsionou uma reinterpretação desta norma para alargar as competências neste domínio. Desde a chegada ao poder de Abe, em finais de 2012, o orçamento da Defesa aumentou anualmente de forma sustentada num contexto de constante tensão na península coreana perante a ameaça que representa o avanço do programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte e de contendas territoriais com a China.

Tóquio A morte saiu à rua

O Japão executou ontem dois condenados à morte por vários homicídios ocorridos nos anos 1990, elevando para 21 o número de execuções realizadas sob o Governo do primeiro-ministro conservador, Shinzo Abe, revelou o Ministério da Justiça. Os dois homens, de 44 e 69 anos, figuram como os primeiros a serem executados desde 13 de Julho, altura em que a pena capital foi aplicada a outros dois condenados pelo mesmo crime. O primeiro dos executados de hoje, Teruhiko Seki, de 44 anos, foi condenado por matar em 1992 quatro membros de uma família quando ainda era menor de idade na cidade de Ichikawa, a leste de Tóquio. Além do quádruplo homicídio, cometeu várias violações, roubos e protagonizou altercações que resultaram em vários feridos, segundo o Ministério da Justiça nipónico. Já o outro condenado, Kiyoshi Matsui, de 69 anos, foi condenado à pena capital por matar, com um martelo, a sua noiva e os pais dela em Fevereiro de 1994 na prefeitura de Gunma, no centro do país. Ambos foram executados em Tóquio, informou a ministra da Justiça japonesa, Yoko Kamikawa, qualificando os crimes de “extremamente cruéis” e “extremamente cruéis” e “vis”. Após as execuções de hoje, 123 condenados à pena capital permanecem no corredor da morte no Japão, dos quais 94 pediram a revisão das suas sentenças, indicou Yoko Kamikawa. O titular da pasta da Justiça é o responsável por firmar as condenações à morte no Japão, único país industrializado e democrático a par com os Estados Unidos que mantém a pena capital. À luz da legislação nipónica, os condenados à morte são enforcados e informados apenas poucas horas antes da execução. Esta prática é duramente criticada por organizações como a Amnistia Internacional que denunciam a carga psicológica com que se deparam os condenados que, em muitos casos, passam décadas isolados e sem saber quando é que a pena capital lhes vai ser aplicada. A Federação de Advogados do Japão aprovou, de forma pioneira, em Outubro de 2016, a adopção de uma declaração contra a pena de morte no país asiático, na qual defende que esta deve ser substituída pela prisão perpétua no ano 2020. A ministra da Justiça japonesa defendeu ontem, porém, que a pena capital “é um assunto relativamente ao qual cada país adopta a sua própria política” e defendeu a actual situação, dado que, como argumentou, “a maioria da população é a favor da sua manutenção”.

LUZ VERDE A TESTE DE VEÍCULOS SEM MOTORISTA

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S autoridades de trânsito de Pequim deram luz verde aos testes nas ruas de carros de condução autónoma num esforço por impulsionar o uso de inteligência artificial para a mobilidade. De acordo com a comissão municipal de transporte da capital chinesa, só as entidades registadas na China podem solicitar o teste rodoviário. O veículo deve ser capaz de mudar de modo autónomo a convencional e estar equipado com sensores e câmaras para que seu comportamento de condução possa ser monitorado, assinalou a comissão. O automóvel deve passar por uma avaliação técnica num local de treino antes de sair para a rua. Haverá caminhos e horários designados para as provas. Um motorista deverá ser responsável se algum acidente ocorrer, assinalou a comissão.

Anorma chega depois do chefe do Baidu, Robin Li, ter experimentado um veículo autónomo da companhia pelas ruas de Pequim, o que causou controvérsia porque não havia regras em relação a um teste do tipo. Os veículos autónomos estão a atrair investimentos. De acordo com um relatório do Instituto de Pesquisa da Tencent, o financiamento para os automóveis assistidos ou sem motorista na China chegou a 10,7 mil milhões de yuans. A mobilidade ocupa o terceiro lugar entre as indústrias relacionadas com a Inteligência artificial, seguindo a análise de visão-imagens e o processamento de voz. A comissão disse que a cidade de Pequim oferecerá um maior apoio ao desenvolvimento e comercialização de veículos autónomos.

ECONOMIA BANCO MUNDIAL PREVÊ CRESCIMENTO DE 6,8%

Sempre a subir

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Banco Mundial elevou em uma décima a sua previsão de crescimento económico da China em 2017 para 6,8%, segundo um relatório divulgado ontem. O Banco Mundial mantém, no entanto, as suas perspectivas para os próximos dois anos relativamente à segunda potência mundial, com diminuições do crescimento em 2018 (6,4%) e em 2019 (6,3%) à medida que vão sendo aplicadas medidas restritivas do Governo chinês para reduzir riscos e aprofundar reformas. O documento destaca que a recuperação do comércio mundial foi um factor importante na manutenção da actividade económica chinesa durante este ano. Outros fatores positivos foram a continuidade das reformas para reduzir a alavancagem, o aumento da confiança das empresas, a PUB

criação de emprego, a estabilização das saídas de capital e a valorização do yuan face ao dólar norte-americano. “As autoridades empreenderam um conjunto de medidas políticas e reguladoras destinadas a reduzir os desequilíbrios macroeconómicos e limitar os riscos financeiros sem um impacto significativo no crescimento”, destacou John Litwack, economista-chefe do Banco Mundial para a China, citado pela agência de notícias espanhola Efe. O relatório recorda que Pequim colocou em marcha, desde 2016, importantes medidas para reduzir a alavancagem da economia, como uma política monetária mais restritiva e uma série de normas para reduzir os riscos financeiros, o que se traduziu numa descida do aumento do crédito. Essas medidas restritivas, a par com a continuidade

das reformas do Governo, fazem com que o Banco Mundial preveja um abrandamento do crescimento económico nos próximos dois anos. A política monetária prudente, uma regulação mais rigorosa do sector financeiro, a continuidade do esforço do Governo central para reestruturar a economia e controlar a alavancagem vão contribuir, previsivelmente, para essa moderação do crescimento, indica o documento. Para Elitza Mineva, co-autora do relatório do Banco Mundial, “as condições económicas favoráveis fazem com que seja um momento especialmente oportuno para reduzir ainda mais as vulnerabilidades macroeconómicas e procurar um desenvolvimento de melhor qualidade, mais eficiente e sustentável”.


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20.12.2017 quarta-feira

vivo pendurado neste fio de silêncio,de ´ imagens que se infiltram entre letras e sentidos Michel Reis

Mafra minha

Os maiores carrilhões do séc. XVIII existentes no mundo são portugueses e vão ser recuperados

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EZ no dia 17 de Novembro 300 anos que foi lançada a primeira pedra do Palácio Real de Mafra, uma obra maior do Barroco, em Portugal e na Europa, e o mais importante monumento representante deste estilo em Portugal, nomeadamente do barroco joanino, mandado construir pelo Rei D. João V “o Magnânimo” (1689-1750). Edificado em pedra lioz da região, o edifício colossal ocupa uma área de perto de quatro hectares (37.790 m2), compreendendo 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e saguões. A sua construção empregou 52 mil trabalhadores. O monumento é uma referência do pensamento urbanístico, arquitectónico e natural da civilização ocidental, quer enquanto unidade, congregando um paço real, uma basílica, um convento, um hospital monástico, um jardim e uma tapada, quer devido aos seus equipamentos de prestígio, entre os quais se conta uma das mais notáveis e ricas bibliotecas europeias do século XVIII, abrangendo todas as áreas de estudo; a mais importante colecção de escultura barroca em Portugal e fora de Itália, da autoria de mestres italianos e portugueses da época; dois carrilhões - o maior conjunto sineiro do mundo - com 119 sinos afinados musicalmente entre si (divididos em sinos de horas, litúrgicos e de carrilhão), encomendados na Flandres a dois fundidores de sinos diferentes e pesando o maior 12 toneladas, num total de 217 toneladas, que constituem - a par do único conjunto conhecido de seis órgãos de tubos concebidos para utilização simultânea, instalado na basílica, encomendados por D. João VI no final do séc. XVIII para substituir os primitivos que estavam degradados, e da biblioteca - o património mais importante do palácio. O carrilhão da torre norte nunca foi alterado e constitui, por conseguinte, um exemplo raro do som de sinos no seu estado original de afinação. Um carrilhão é um instrumento musical de percussão formado por um teclado e por um conjunto de sinos de tamanhos variados, controlados pelo teclado. Os carrilhões são normalmente alojados em torres de igrejas ou conventos e são um dos maiores instrumentos do mundo. Os carrilhões de Mafra são instrumentos musicais notáveis, cobrindo cada um deles uma amplitude de quatro oitavas e sendo, por isso, considerados carrilhões de concerto. Foram executados por dois fundidores de sinos dos Países Baixos: Willem Witlockx, um dos mais respeitados fundidores de sinos em Antuérpia e Nicolas Levache, um fundidor de Liége responsável por diversos carrilhões e que deixou efectivamen-

te em Portugal uma tradição de fundição que perdurou por mais de um século após a conclusão do trabalho em Mafra. Este património único inclui também o maior conjunto conhecido de sistemas de relógios e de cilindros de melodia automática, possuindo ambas as torres de Mafra mecanismos automáticos de toque. Este é um marco mundial para o estudo, quer da música automática, quer da relojoaria. Estes complexos engenhos são capazes de tocar de modo intermutável de entre cerca de dezasseis diferentes e complexas peças de música, em qualquer momento. Os cilindros melódicos de Mafra foram executados pelo famoso relojoeiro de Liège da primeira metade do século XVIII, Gilles de Beefe. Desde Maio de 2014 que os carrilhões e sinos do Palácio Nacional de Mafra, que, no seu conjunto, constituem o maior carrilhão do século XVIII sobrevivente na Europa e um conjunto histórico de valor patrimonial único no mundo, figuram entre os sete monumentos mais ameaçados do continente europeu, uma atribuição do principal movimento de cidadãos europeus para a protecção do património cultural e natural europeu, Europa Nostra, liderada pelo tenor e maestro Plácido Domingo, com o apoio do Banco Europeu de Investimento, que veio alertar para a urgência das obras e mobilizar entidades públicas e privadas a nível nacional e internacional, para se

encontrar o financiamento necessário para uma rápida intervenção. Em Outubro de 2014, especialistas internacionais ligados ao restauro de monumentos e à organização Europa Nostra deslocaram-se a Mafra para conhecerem o estado de degradação daquele conjunto, tendo alertado na ocasião para a urgência de uma intervenção, não só porque os sinos estão seguros por andaimes, como também para impedir que algum possa cair, dada a deterioração visível das estruturas de apoio. Embora tenha sido levado a cabo um trabalho contínuo de emergência de estabilização das estruturas, são necessários peritos transnacionais e apoio financeiro para salvar estas jóias do património tangível e intangível. A recuperação dos carrilhões merece especial consideração científica, tratando-se de sinos que devem ser tratados com cuidadosos métodos de restauro. A afinação deve ser não-destrutiva e cumprir critérios científicos nas áreas da acústica musical e da musicologia. O governo português reconheceu, na altura, que os carrilhões e as torres sineiras do Palácio Nacional de Mafra constituem um conjunto histórico de valor patrimonial único no Mundo, pelo que esta intervenção se reveste da maior importância, contribuindo para a notoriedade deste conjunto monumental, para a salvaguarda do património cultural português e para um aumento da frui-

ção cultural dos públicos portugueses e estrangeiros. A recuperação tornava-se também fundamental para o Estado e a Câmara de Mafra candidatarem o monumento a património mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o que aconteceu no início do corrente ano. Por Portaria publicada no Diário da República em 17 de Setembro de 2015, o Governo de Portugal autorizou a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) a celebrar contrato destinado à operação de Reabilitação dos Carrilhões e Torres Sineiras do Palácio Nacional de Mafra, repartindo pelos Orçamentos de Estado de 2015, 2016 e 2017 as verbas que autorizou para a empreitada de recuperação dos carrilhões e sinos do Palácio de Mafra, orçadas em 2,3 milhões de euros, prevendo na altura que o período de execução das obras decorresse entre 2015 e 2017 e concluída no final de 2017, data coincidente com as comemorações dos 300 anos sobre o lançamento da primeira pedra do monumento. Na portaria, o Governo justifica as obras ao reconhecer que se trata de um “conjunto histórico de valor patrimonial único no mundo” e que carece de “reabilitação urgente face ao avançado estado de degradação”, que acarreta “riscos de segurança não só para o património, como para utentes do imóvel e os transeuntes da via pública”. Ainda em 2015, a DGPC lançou o concurso público, no valor referido, para as obras de restauro dos carrilhões e sinos do monumento. Oriundos de financiamento estatal, por via do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, destinado a financiar medidas de protecção em imóveis classificados em risco de destruição, foram inscritos 1,2 milhões de euros no Orçamento de Estado de 2016 e 695 mil euros no de 2017, depois de o de 2015 prever uma verba inicial de cinco mil euros para os procedimentos inerentes ao lançamento do concurso público internacional, em Setembro de 2015, do qual já é conhecida a empresa vencedora. Embora as obras de recuperação dos sinos e dos carrilhões de Mafra devessem ter começado no princípio do segundo semestre do ano passado, foi necessário aguardar a autorização do Ministério das Finanças para a transição do saldo do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, o que só aconteceu em meados do corrente ano e, seguidamente, o visto prévio do Tribunal de Contas antes da empreitada ser adjudicada, o qual ainda se continua a aguardar. Quanto tempo mais poderão os carrilhões esperar pela sua urgente recuperação?


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quarta-feira 20.12.2017

diário de um editor João Paulo Cotrim

Predador de sombras BICA, LISBOA, 12 DEZEMBRO Arrefeceu mais o bairro, aquele que mora nas traseiras dos que passam a arrastar olhos nos azulejos, dos que desaprenderam a ver apesar das lentes e dos ecrãs e dos guias. O meu bairro de íntimas escarpas e abruptos declives deixou descer de vez o Sô Manel e assim se perderá bastante mais do que as sortes que revendia e praticava com o afinco dos perdedores crónicos. Foram-se os sorrisos rasgados, as festas no Pantufa, que o tratava como pai ganindo ausências, desfilava com canino orgulho trajado à Benfica, quando não alinhava pela selecção, e não dispensava um gole ou dois na mine. O meu bairro de sol pelas esquinas perdeu o fervor da flash interview praticada com o subtil acinte dos velhos parceiros que, apesar das cores contrárias, nunca se perdem do terreno de jogo: o coração. MYMOSA, LISBOA, 13 DEZEMBRO Um jantar casual com o Bruno [de Almeida] e o Alentejo reentrou na nossa vida tal chuva de estrelas. Sob aquele céu, a solidão parece impossível. Acontece amiúde este horizonte de sul, apesar de outras paragens do afecto, mas celebro aqui a habilidade do contador com a força das descrições, o equilíbrio da sugestão, o cheiro a pão da miragem posta ali na mesa, bastante mais duradoura do que a chama do álcool. Temo, contudo, não vir a conhecer outro refúgio que não em mim. A conversa seguiu depois outro rumo, que espero venha a desembocar em livro, tal o somatório de histórias e intricada reflexão em torno da doença e da criatividade. HORTA SECA, LISBOA, 14 DEZEMBRO A onda melosa do Natal cansa-me ao vómito. Tornou-se condenação inescapável, agravada pelo generalizado dever da alegria. E os nossos ritmos têm que sujeitar-se, por mais que pensemos alternativas. Acresce ser esta a estação dos livros, em país onde quase nunca chove. Há que aproveitar as gotas de água, sopesando os temas ou, por exemplo, a apetência «da época» por beaux livres. Este ano, quando mais precisávamos, falhámos todas e cada uma das ideias, por uma panóplia de razões que parece sortido de bombons baratos, a vencer o prazo de validade. A falência da distribuidora escavou sorvedouro de tempo e energia que desfez qualquer possibilidade de normal funcionamento. A própria matéria da normalidade se deixou afectar e o que, de ordinário, não faria grande mossa resultou em pequenas e médias catástrofes. Cada palavra fora de lugar, cada demora de autor ou deslize de colaborador, cada falha de matéria-

-prima ou cobrança de atraso, cada incapacidade nossa foi erguendo intransponíveis. Neste contexto, termos conseguido abrir, pela quarta vez, a colectiva «Princípios de Colecção» conforta-me parvamente. Sublinha que será infindável o recomeço, mesmo quando olhamos para trás, baralhando e voltando a dar parte do que fomos mostrando ao longo do annus horribilis, ou trazendo à luz os fundos, sobretudo de ilustração, que vamos recolhendo por gozo ou suscitando com os nossos projectos. O mais bonito na nossa cave, além de ser híbrida em que se desce e sobe, espelhando o bairro, são as janelas: abrem para a rua e dão para o céu. Com ou sem nuvens. MUSIC BOX, LISBOA, 14 DEZEMBRO Estou na mesa a atirar obrigados a uma multidão de cabeças sem rosto em fundo negro (preciso aprender a distinguir no escuro) por causa de «Somos Contemporâneos do Impossível», do mano [José] Anjos. Para a pequena multidão serão mera cortesia, para mim fazem-se chão. De tão orgânico, «Somos…» compôs-se objecto dos representam «a vida no seu sentido adjectivo». O plural em ser dá logo ideia da cristalização de colaborações, de olhares, de gestos, de tempos e espaços que acontecem a cada página. Os encontros e desencontros, em palco e fora dele, noite e dia, à volta da palavra e apesar do gesto, ín-

timos mas colectivos, sopram nesta cidade. A pintura sobre papel do Simão Palmeirim, que faz capa e contracapa (reproduzida nesta página), descreve esse lugar de planos diferentes, de degraus e acessos, de contornos rápidos e toadas de branco. Tão fácil perdermo-nos nesta geometria, sem palavra. A não ser a de abysmo, onde a linha de horizonte se encolhe em curvas e contracurvas definindo a palavra antes de se voltar a perder. Esta abordagem continua no interior, com gravuras e desenhos, de arestas e passagens e florestas de prismas quadrangulares, mas também na sua proposta de reorganização da obra. «Somos Contemporâneos…» está pejado de pormenores, que o autor tem horror ao vazio. O tal índice de Palmeirim, que propõe arrumação outra, ilustra-se com máquina de escrever pautas, mas não de fazer música. Essa ficou a cargo do Carlos [Barreto], que suspira Deambulações (http://www.abysmo.pt/ somoscontemporaneosimpossivel/), e acompanha esta noite as leituras da Catarina [Santiago Costa], do Valério [Romão], e da Cláudia [R. Sampaio] ainda antes do concerto dos Não Simão, de que ambos, Anjos e Simão fazem parte. Alguns dos poemas ouvem-se também «No Precipício Era o Verbo», e todos eles partilham momentos e projectos de leitura de viva voz, pelo que a intensidade invadiu a sala. Para não fugir ao

habitual, a generosa leitura do mano António [de Castro Caeiro] rasga sentidos nas mais imprevistas direcções para acabar empurrando-nos em apneia para a palavra, para a amizade, para a vida. Sei que são apenas mais três vezes que as palavras-lugar-comum se escrevem, palavra, amizade, vida, mas nestas circunstâncias afianço que são a matéria dos caboucos deste livro. Tem mais. «Somos Contemporâneos do Impossível» vive do poema e para o poema, nele mergulha raízes e ergue ramos. As imagens torrenciais configuram a geografia movediça da infância e a respiração das casas erguidas ou almejadas, as ruínas dos amores e a arquitectura de existências esperando corpo, mas tudo parte ou regressa ao poema, aqui pura chama, ali relato de oficina, umas vezes cais outras navio. Recolho-me ao meu lugar: «o predador de sombras é também refém/ da vida projectada dos outros/ o estranho que se detém perante a fotografia abandonada/ que lhe dá/ e ganha vida/ enquanto novo sujeito no destino aleatório/ da contemplação» ARQUIVO, LEIRIA, 15 DEZEMBRO Esta livraria consegue o milagre de inventar quem venha ouvir, em fim de tarde de sexta-feira, três maduros a ler poemas na companhia do contrabaixo. Parece impossível. Não é: somos contemporâneos da Arquivo.


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20.12.2017 quarta-feira

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Deise Rodrigues e Bartira Fortes In Caliban

Outrofobia Outrofobia. s.f. rejeição, medo ou aversão ao outro. termo genérico utilizado para abarcar diversos tipos de preconceito ao outro, como machismo, racismo, homofobia, elitismo, transfobia, classismo, gordofobia, capacitismo, intolerância religiosa etc.

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UEIMAM-SE índios, matam-se negros e marginalizam-se pobres! Jovens são abusadas, mulheres estupradas e LGBTs discriminados! O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais, onde 13 mulheres são assassinadas por dia, um jovem negro é morto a cada 23 minutos e os povos indígenas vivenciam um genocídio histórico! Num ciclo vicioso, a história colonial de massacre, pilhagem e violência não foi superada. O primeiro passo é admitir que somos prisioneiros de sistemas opressores, vítimas ou criminosos, violentamos uns aos outros todos os dias. A escala dessa opressão é cada vez mais ameaçadora. A banalização da violência e da perda da vida humana acontece quotidianamente, fortalecida pela expansão da cultura e da indústria do medo. A influência do espectáculo mediático e político na formação de uma sociedade do medo constrói barreiras que separam as pessoas e as fazem temer o outro. No entanto, esse “outro” que desencadeia o medo não é um outro qualquer. O “outro” é o marginalizado, o discriminado, o estigmatizado, o que não se encaixa no modelo hegemónico. O escritor brasileiro, Alex Castro analisa esse fenómeno em seu livro “Outrofobia”. Outrofobia é um neologismo para denunciar crimes e abusos da nossa “sociedade colonialista, branca, patriarcal, cisnormativa, heterocapitalista hegemônica.” (p.14) A obra reune um conjunto de textos, construídos com elementos autobiográficos e ficcionais, entremeados de história e memória, confissões e desabafos. Numa narrativa de tom tragicômico e provocativo, o livro dialoga com marxistas, historiadores, militantes e feministas. Alex Castro escreveu também a partir da sua própria experiência, revisitando desde seu passado privilegiado na infância de menino rico da zona sul carioca, às conversas de botequim, à privacidade dos lares brasileiros até às suas passagens no exterior. Corajosamente, o autor expõe suas limitações, apontando a si mesmo como membro do clube das “pessoas privilegiadas”. Em outros momentos, o livro narra breves, porém, fortes anedotas. Reais ou imaginárias, suas personagens representam uma maioria desfavorecida socialmente que sofre constrangimentos, vítimas das desigualdades e de comportamentos cruéis. Por outro lado,

retrata também uma parcela da população que se considera superior e legitima seu poder através da agressão e de uma violência culturalmente consolidada no Brasil. Assim, a escrita de Outrofobia é um ato militante e seu autor se posiciona contra qualquer intolerância motivada pelo medo do “outro”, do não aceito socialmente, do marginalizado. Lançado em 2015, o livro “Outrofobia” chamou atenção para os sintomas da intolerância ao revisitar o triste quadro das injustiças sociais, raciais e de género vivenciadas e reproduzidas no quotidiano brasileiro. No entanto, os casos no Brasil de 2015 servem hoje como ponto de partida para uma reflexão à nível global. O actual momento encerrado na eleição de Donald Trump, por exemplo, faz parte das consequências drásticas do pensamento outrofóbico. No dia 9 de Novembro de 2016, os americanos deram a chocante notícia ao mundo sobre quem ocupará o posto de presidente dos Estados Unidos pelos quatro anos futuros. A eleição de Donald Trump gerou uma onda de protestos ao redor do país, onde uma maioria de jovens estudantes, a comunidade LGBT e as minorias compostas por latinos e negros aclamavam nas ruas: “Not my president”. Diferente do Brasil, que vive a fragilidade do sistema político de direitos democráticos constantemente desrespeitados, os Estados Unidos é uma democracia consolidada, talvez a mais sólida das Américas. A resposta negativa à eleição com os protestos que contestam o processo democrático é sintomático. Trump ganhou as eleições apelando para um discurso nacionalista, intolerante e fascista, apoiado pela ideia de uma supremacia branca. Por diversas vezes, discriminou e ofendeu muçulmanos, latinos, mulheres e negros, mas ainda assim sua agenda de ódio venceu. A escolha dessa liderança tem sérios impactos, não apenas no âmbito interno de um país segregado como os Estados Unidos, como também afecta as democracias em várias partes do hemisfério, tanto no campo simbólico como no exercício dos poderes políticos. Encorajadas, lideranças conservadoras já se animam para as próximas eleições e expressam seu contentamento parabenizando a vitória de Trump, como Marine Le Pen, do partido nacionalista francês, e Jair Bolsonaro, político conhecido por vangloriar os tempos de ditadura militar ao mesmo tempo que apoia a bancada evangélica na câmara dos deputados no Brasil. Mesmo a Suécia, país conhecido por ser um dos mais humanitários do mundo e pioneiro na actuação pela defesa dos direitos humanos, foi palco de uma manifestação organizada por um

A (in)tolerante intolerância do ser

grupo neonazista apenas alguns dias após a vitória de Trump. A manifestação ocorreu com autorização legal e sob protecção da polícia local, o que colabora para legitimar atos e discursos fascistas. Contra esse quadro, um grande protesto ocorreu no centro de Estocolmo onde os participantes questionaram o fato da polícia conceder autorização para tal tipo de manifestação, visto que grupos nazistas organizados deveriam ser legalmente proibidos. No entanto, embora tenha reunido uma multidão, o protesto antinazista teve uma escassa cobertura dos média, ao passo que a manifestação do grupo neonazista obteve uma ampla repercussão. O boom de movimentos políticos com agendas conservadoras e projetos nacionalistas envia uma mensagem simbólica de retrocesso que ameaça as conquistas dos direitos civis e humanos. É urgente retomar a discussão sobre Outrofobia abertamente, cutucar a ferida e ir ao encontro da reeducação de nossas atitudes para, então, resistimos a essa onda outrofóbica cada vez mais assustadora nos dias atuais.

VARRER PARA DEBAIXO DO TAPETE

Não seria demais afirmar que diversidade e igualdade de direitos são temas centrais no debate político das últimas décadas. Com mais da metade da população declarada negra, o Brasil insiste em ser o país mestiço que vive a farsa do mito da democracia racial. Somos uma nação que se acomodou em valorizar

os negros somente em rodas de samba e dias de carnaval. Preferimos celebrar as mulatas nuas do que olhar por suas crianças abandonadas na violência urbana. O racismo a la brasileira tem muitas faces. Revela-se seja na língua que usa o negro como pejorativo, seja no “espectro das cores” da dinâmica dos matrimónios inter-raciais, que sobrevaloriza as pessoas brancas e estigmatiza as pessoas negras em nossa cultura racista. Alex Castro lembra que a face racista da outrofobia é um problema histórico, de raízes profundas fincadas e vingadas pelos colonizadores europeus, portanto, “responsabilidade lusófona e, dentro disso, brasileira” (p.39). As atrocidades da escravidão são esquecidas no passado de uma sociedade presente que desconhece sua condição histórica. A memória das marcas da violência causada na escravidão não pode ser esquecida, pois reflete na exclusão da população negra e na luta pelos direitos humanos no Brasil actual. É preciso lembrar que, na história escrava, também houve resistência. O esquecimento do chicote e do capataz é tão vergonhoso quanto não reconhecer a luta de Palmares. A população escrava fugiu e formou quilombos. No engenho, queimaram as lavouras de açúcar, fizeram greves de fome, cessaram no útero os filhos da escravidão,  —  condenados à prisão antes do nascimento. Com as armas que podiam, Chicas e Zumbis resistiram aos horrores da instituição legitimada pelo imperialismo da civilização europeia. Roubavam-lhes a liberdade, mas a consciência negra resistiu à sua maneira à barbaridade humana. Ainda sobre a escravidão, algumas comparações de Alex Castro merecem um aprofundamento, principalmente quando o autor compara alemães e brasileiros. O autor declara que na Alemanha a lembrança dos horrores nazistas está viva, despertando vergonha nos cidadãos, já no Brasil a escravidão é esquecida. Vale ressaltar que a história dos horrores fascistas é mantida pelas relações de poder e uma defesa pela memória do holocausto. Notamos que o Diário de Anne Frank é um dos best-sellers mais vendidos no mundo ocidental. Diferente do movimento negro no Brasil e igualmente nos Estados Unidos, os judeus fortaleceram sua identidade político-religiosa através da organização de comunidades globais, inspiradas no sionismo. O poder da comunidade judia afirmou-se com o reconhecimento do Estado de Israel em 1948 — um estado religioso no centro do mundo islâmico. Não se pode esquecer que esse mesmo Estado judeu é criminoso quando se trata da política estabelecida com a vizinha Palestina.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 21

quarta-feira 20.12.2017

na ordem do dia Julie O’yang

Como colocou Alex Castro, muitos alemães se envergonham do passado sangrento das execuções dos campos de concentração, como Auschwitz. Por outro lado, infelizmente, estamos longe de celebrar o fim da cultura fascista no Velho Continente. Na própria Alemanha, crescem os movimentos nacionalistas como a PEGIDA, fortes opositores da imigração e anti-islâmicos. Uma intolerância que assombra a Alemanha. Da mesma maneira, o nacionalismo ameaça a missão de fortalecer a Europa e construir uma zona livre de circulação de capitais e recursos. Nesse ano, a frágil União Europeia sofreu o golpe do Brexit com a saída da Grã-Bretanha. País berço do capitalismo, justamente motivada por um modelo nacionalista conservador, a Inglaterra vem respondendo à crise de refugiados sírios com uma política imigratória rígida e com possibilidade de maiores restrições no futuro. O facto é que um enorme precedente ficou aberto. Primeiro, causou o desconforto em países como Espanha, que vivem a tensão de manter sua unidade nacional diante da opressão dos bascos. Segundo, expôs a fragilidade da causa transnacional que, pode ser ideal na retórica, mas perpetua comportamentos económicos do mesmo jogo imperialista no qual, para haver poucos ganhadores, faz-se necessário muitos perdedores. Assim, pode-se dizer, ocorre o jogo outrofóbico: uma minoria hegemónica busca dominar uma grande maioria considerada subalterna a fim de manter-se no poder. No entanto, depois de séculos de imperialismo que deixou América Latina, África e Ásia na periferia global do subdesenvolvimento, a Europa é hoje um barril de pólvora prestes a explodir. A leitura de Outrofobia afecta-nos de várias formas. Leva-nos a envergonhar, a ruborescer, a sentir culpa de rirmos de situações que são trágicas ao invés de cómicas. Alex Castro enfatiza o carácter pedagógico de Outrofobia e limita sua audiência às professoras e alunas, — militantes mediadoras de uma mensagem urgente para “abrir os olhos de pessoas privilegiadas”. Sem dúvida, educadoras são fundamentais em qualquer processo que demanda mudança na mentalidade e no comportamento da pessoa humana. No contexto actual, no qual o “trumpismo” se tornou o mais novo fenómeno de manifestação política outrofóbica, podemos dizer que esses textos de formação podem e devem ser lidos por uma audiência ampla. A escrita de Outrofobia é um ato militante, sua leitura é uma experiência pedagógica e sua reflexão um desafio pela mudança de atitude em direcção à um urgente e necessário avanço na luta pelos direitos humanos.

热风

Juventude cruel

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URANTE a minha recente visita à China, falei com o meu tio através do Wechat. Nessa altura, contou-me que está a escrever um livro sobre a sua juventude, passada no tempo da Revolução Cultural, e que considerava publicá-lo no estrangeiro se não fosse possível publicá-lo na China. Para nós, que vivemos fora da RPC, é difícil imaginar que uma época tão marcante da vida deste país possa ser censurada. Nos últimos tempos o cinema chinês foi invadido por histórias românticas perpassadas pela nostalgia dos anos 90, no entanto, nunca os jovens apareceram retratados de forma tão pura, exaltada e cruel como em Juventude 芳 华, o último filme de king Feng Xiaogang 冯小刚. Embora os jovens chineses nascidos neste milénio não tenham grande paciência para melancolias, os espectadores mais velhos como o meu tio, que partilham o sentimento nostálgico de Feng, vão sem sombra de dúvida apreciar o filme. Por outro lado, os 146 minutos de duração da película e uma aparente glorificação do militarismo podem vir a influenciar a sua recepção fora de portas.

O filme mostra as relações turbulentas entre os membros do grupo de dança do Exército de Libertação Popular, desde o final da Revolução Cultural até aos anos 90, e a mão do realizador transformou-o num hino de exaltação ao idealismo e à capacidade de resistência. No entanto, em cada cena a palavra “emoção” impera. Baseado na adaptação de Yan Geling do seu próprio romance – escrito a partir da sua vivência de 13 anos no “corpo de baile” do exército, o argumento estabelece a ligação entre a arte e a política. Mas estas “flores-bailarinas” parecem querer exprimir a célebre frase de Leni Riefenstahl “A realidade não me interessa”, com um heroísmo cruel. Talvez a comparação seja injusta, mas não a consigo evitar.

Estas “flores-bailarinas” parecem querer exprimir a célebre frase de Leni Riefenstahl “A realidade não me interessa”

Não me vou alongar no argumento porque vocês devem ver este filme repleto de atitudes grandiosas e dramáticas – e deixarem-se tocar pela narrativa autobiográfica, transportada para o ecrã por uma câmara que capta paisagens de cortar a respiração, coreografias impressionantes, acompanhadas por um fundo musical de grande fôlego. De certa forma o realizador “censurou” a guerra, que só é aflorada em algumas panorâmicas sangrentas, explosivas e românticas. Mas Feng interessa-se sobretudo pela sensualidade dos militares, o que também pode ser uma forma de atrair as audiências mais jovens. A tónica colocada no corpo é também um desafio à representação oficial do Exército de Libertação Popular; uma entidade acima dos vulgares desejos dos mortais. “A sua história não é sobre o massacre de um soldado japonês, ou sobre seres fantásticos que se apaixonam uns pelos outros? Desculpe, está banido!” Esta receita ilustra de forma concisa os assuntos tabu na China continental. JUVENTUDE (2017) 2H 16MIN | DRAMA Veja aqui o vídeo clip promocional: bit.ly/2CYo13k


22 opinião

20.12.2017 quarta-feira

“For better or worse, megacities – by virtue of their resources, their size and their impact – are at the leading edge of change in many countries. Reading the social science literature seems to tell us that this is for the worse. A very broad current in urban sociology has associated economic globalisation with the creation of a wider spectrum of jobs and with a challenge to traditional social ties, leading to more segregated societies. Many urban scientists and urban geographers continue to condemn gigantism”.

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Governing Megacities in Emerging Countries Dominique Lorrain

“Conferência Internacional sobre a Água, Megacidades e Mudança Global” da “Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO na sigla inglesa)” foi um evento que fez parte da programação da “21.ª sessão anual da Conferência das Partes (COP 21, na sigla inglesa)” da “Convenção - Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (CQNUAC ou UNFCCC, na sigla inglesa)” e da “11.ª sessão da Conferência das Partes enquanto Reunião das Partes no Protocolo de Quioto (CMP 11, na sigla inglesa)”, que se realizou em Paris, entre 30 de Novembro e 12 de Dezembro de 2015. A “COP 21” reuniu cento e cinquenta chefes de estado e de governo de todo o mundo. que aprovaram o “Acordo de Paris” sobre redução de emissões com vista a travar as alterações climáticas, e que entrou em vigor a 4 de Novembro de 2016. A “Conferência”, mostrou o papel fundamental que as cidades desempenham na prossecução dos “Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, especialmente o “Objectivo 6” da “Agenda de 2030”, que é o direito humano e fundamental de acesso à água e saneamento. A visão geral da ONU, de quinze megacidades emblemáticas, como são Buenos Aires, Cidade do México, Chicago, Ho Chi Minh, Istambul, Lagos, Londres, Los Angeles, Manila, Mumbai, Nova Iorque, Paris, Pequim, Seul e Tóquio é simultaneamente o resultado de apresentações científicas concretas e um apelo à mobilização geral, para elaborar as políticas urbanas sustentáveis de que carece o mundo. Todos esses centros urbanos partilham um conjunto de características comuns, como o tamanho colossal, disparidades entre zonas ricas e pobres, procura ambiental e industrial que afecta os recursos naturais de uma região inteira, sem mencionar o peso económico do país, como um todo, e uma ampla gama de recursos culturais, científicos e educacionais.

A ONU designou Nova Iorque e Tóquio como as duas primeiras megacidades, tendo em 1975 acrescentado a Cidade do México, passando em 2000, a ser dezoito, em 2005, vinte e em 2015, vinte e duas megacidades, todas com populações de dez milhões de habitantes ou superiores. As previsões indicam que existirão quarenta e uma megacidades até 2030, muitas delas localizadas nos países menos desenvolvidos do mundo. Ao longo da história constatou-se, que a essas cidades muitas vezes faltam quer o tempo como os meios para desenvolver os imprescindíveis serviços urbanos, inclusive os relacionados com o acesso à água, saneamento e drenagem de águas pluviais como direitos humanos e fundamentais. Tal situação cria vulnerabilidades profundas e desafios complexos. É crucial que as megacidades compartam as suas experiências, de modo a desenvolver serviços capazes de atender às expectativas dos seus habitantes. A gestão inclusiva dos recursos hídricos, também é solução para uma variedade de desafios sociais, em particular, as desigualdades de género, dado que as mulheres são frequentemente mais atingidas por dificuldades de acesso à água, e estão na linha de frente quando se trata de uma melhor gestão dos recursos. As áreas urbanas, globalmente consideradas, crescem rapidamente, sendo de esperar que mais de dois terços da população mundial viva em cidades até 2050. A urbanização influencia o meio ambiente e pode contribuir, por exemplo, para as alterações climáticas, degradação do solo e redução da biodiversidade. Ao mesmo tempo, os ecossistemas urbanos são muito sensíveis às mudanças globais, e a sua adaptação é necessária para sustentar a funcionalidade e os importantes serviços dos ecossistemas. A urbanização, historicamente, foi estudada principalmente, como uma potencial ameaça ambiental, resultando na degradação do solo, água, atmosfera, floresta e perda de biodiversidade. O estado ecológico desfavorável dos ambientes urbanos, foi documentado no início do século XXI, e um ecossistema urbano estabelecido difere fortemente de um ecossistema natural ou agrícola. Os ecossistemas urbanos são caracterizados pelas paisagens humanas modificadas e muitas vezes artificiais com distúrbios antropogénicos consideráveis como, por exemplo, a poluição ambiental, selagem do solo e eliminação de resíduos. As cidades geralmente consomem muito mais energia do que fornecem, resultando em emissões de calor, poluentes do ar, água e gases de efeito estufa. O aumento contínuo da população urbana global fez surgir novos conceitos como as cidades sustentáveis. O conceito de sustentabilidade urbana resultou no projecto de cidades modelo ou ideais como, por exemplo, cidades livres de emissões e cidades adaptadas ao clima que consideram as áreas urbanas como fonte de recursos únicos naturais e urbanos específicos e não como uma ameaça ambiental.

FRITZ LANG, METROPOLIS (1927)

Megacidades, urbanização e

A “Conferência” teve assim como objectivo encontrar soluções para problemas ambientais das megalópoles modernas, tendo introduzido ecossistemas urbanos, considerando a sua variabilidade espacial, dinâmica temporal, riscos ambientais e que fossem potenciais para fornecer funções importantes e serviços ecossistémicos. O conceito geral de megacidades como ecossistemas diversos e complexos foi apresentado e defendido. Manter a qualidade do ar, sequestro do carbono e mitigação do aquecimento global e as alterações climáticas por meio de emissões reduzidas de gases com efeito de estufa, são os principais serviços prestados pelos ecossistemas urbanos. Os solos urbanos são fundamentais para regular os ecossistemas urbanos saudáveis. Os serviços e funções dos ecossistemas fornecidos pelos solos urbanos afectam o meio ambiente, a saúde humana e o bem-estar. Os solos urbanos que formam condições e características diferem principalmente, dos solos naturais e agrícolas, mas as suas funções e serviços permanecem pouco quantificados. A atenção e o interesse em entender a capacidade dos solos urbanos para suportar funções e serviços específicos, tem aumentado. Actualmente, os solos urbanos enfrentam um paradoxo onde, por um lado, é o valor mais alto para o desenvolvimento da propriedade e, por outro, é quase totalmente ignorado no que diz respeito ao ecossistema que podem fornecer.

É importante considerar os diferentes aspectos da monitorização e avaliação de solos urbanos em escalas múltiplas, desde o nível local até a escala regional e global, bem como os problemas semelhantes, como por exemplo, a poluição com metais pesados que foram apresentados para solos urbanos localizados em diferentes climas e zonas de vegetação, proporcionando uma oportunidade única para avaliações comparativas. As infra-estruturas verdes são as principais ferramentas para integrar soluções baseadas na natureza do desenho e gestão urbana, bem como promover um conjunto de tecnologias para monitorizar e gerir ecossistemas urbanos, incluindo biotestes, sistemas de apoio à decisão e engenharia ecológica. A “Conferência” recebeu comentários de uma audiência ampla e multidisciplinar, incluindo a comunidade científica, os serviços municipais, os serviços de protecção ambiental e outras partes interessadas dos países e que trabalham na gestão urbana e flora. A discussão multidisciplinar é um passo essencial para o desenvolvimento urbano sustentável, porque a implementação de tecnologias inovadoras e soluções baseadas na natureza, depende de uma colaboração de todas as partes interessadas, tendo como objectivo a gestão urbana inteligente. Ainda que, os pesquisadores tentem encontrar soluções para os problemas enfrentados pela humanidade, durante as últimas décadas do século XX, o tratamento dessas situações


opinião 23

quarta-feira 20.12.2017

perspectivas

desenvolvimento sustentável

continuam a existir, bem como as respectivas perguntas e respostas. Apesar de não ter aparecido um novo paradigma, o empresário italiano Aurelio Peccei que, conjuntamente com o cientistas escocês Alexander King, fundou em 1966 o “Clube de Roma” que é constituído por um grupo de pessoas ilustres, que se reúnem para debater um vasto conjunto de assuntos relacionados com a política, economia internacional e, sobretudo, o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, e que foi igualmente, fundador do “Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA na sigla inglesa)”, que é uma organização internacional de investigação científica multidisciplinar, localizada no Luxemburgo e na Áustria, e considerado um dos melhores laboratório de ideias do mundo. Aurelio Peccei, a propósito do tema, afirmou que seriam necessários argumentos convincentes para prever uma potencial catástrofe nas próximas décadas e que existe a necessidade de uma grande mudança da direcção das actividades humanas As predições não foram aceitas. A ciência moderna não pode prever mudanças evolutivas na biosfera, que garantirão a segurança da população humana. É necessário precisar o significado social, científico e profissional das cidades sustentáveis. O conceito de “EcoPólis” como estratégia de urbanização e experiência, iniciou-se em 1980 na União Soviética, desenvolvendo comunidades que são coerentes com a capacidade de transporte

de ecossistemas regionais. A ciência começou com a determinação de metas e termos e tenta monitorizar e modelar a dinâmica, enquanto os filósofos e outros pensadores tentam entender as tendências para definir os limites da urbanização. Após o projecto urbano de Leonardo da Vinci e da sua “Cidade Ideal”, elaborado em 1488, vários projectos utópicos foram realizados e desenvolvidos. A “Cidade Jardim”, que é um modelo de cidade elaborado no século XIX, abriu uma nova área para os seres humanos, o eco-retorno para um meio natural razoável. A industrialização, desde o século XIX, levou à expansão populacional, enorme densidade urbana, engolindo florestas e áreas agrícolas no interior dos países, o que trouxe impactos na biosfera que não foram previstos. A nova profissão de “Eco-urbanista” surgiu através do projecto de pesquisa e prática de projectos ecológicos. Durante as últimas décadas na Rússia, por exemplo, foi eliminado o planeamento e a estratégia de longo prazo na política de assentamentos humanos. A direcção da urbanização em geral não foi clara e actualmente é necessário revisitar os valores a longo prazo e apoiar a estratégia dos países nos projectos de urbanização. Os modelos devem ser seguidos pelo desenvolvimento de cenários de baixo risco na capacidade de ecossistemas regionais e no contexto etnocultural local. Assim, surgiram importantes projectos como bio-regionalismo, “EcoPólis” e “Ecocidades”, como assentamentos auto-sustentados. Na Rússia, por exemplo, vários projectos em larga escala, foram realizados a partir do início do século XX nas proximidades de Moscovo. A aproximação “EcoPólis”, foi testada em uma antiga estação de metro de Moscovo e numa outra cidade vizinha.

Os valores do desenvolvimento sustentável devem começar pela mente humana e as reservas naturais da cidade devem ser planeadas e a força de trabalho deve ser dedicada a cuidar delas As megacidades, como outro tipo de assentamento humano, sugerem um certo metabolismo social, onde a matéria e a energia fluem. O problema da ecologia humana não está numa pequena lista do progresso moderno. Devido a alguns cenários de crescimento populacional, podem ser esperados novos limites de gestão centralizada, dado que os sistemas desenvolverão um nível muito complexo com riscos de desastres imprevistos e acidentes normais. A estratégia de urbanização global está lentamente a dirigir-se para uma nova política integrada que é influenciada pelas alterações climá-

ticas, mudança para a energia alternativa, aumento do nível do mar, diminuição do solo per capita no planeta, abastecimento limitado de água potável para os cidadãos a nível mundial e “stress” ambiental. Os diferentes riscos exigiram a integração de um sistema com menores riscos integrativos por meio do novo modo de urbanização, a “EcoPólis”, que é uma unidade multifuncional no planeamento e que produz parcialmente recursos vitais, como água potável, alimentos como peixe, produtos de caça, gado, legumes, trigo e frutas, bagas naturais, cogumelos e plantações adicionais de espécies de plantas locais. O serviço ecológico da cidade é realizado através da monitorização ambiental e de assentamentos, restauração de ecossistemas, conexão da rede ecológica entre ecossistemas regionais e a “EcoPólis”. A “EcoPólis” como um projecto começou com a “Cidade da Ciência” da capital russa, na era da União Soviética e que seria de alguma forma a cidade do futuro, pois não havia impacto industrial, apenas recreativo. O impacto foi cuidadosamente estudado em todas as áreas e mostrou que as necessidades recreativas como por exemplo, andar, pescar, caçar e correr usam uma superfície

JORGE RODRIGUES SIMÃO

seiscentas vezes maior que a superfície da cidade. O treino e a educação dos líderes locais podem melhorar a visão oficial do planeamento e, possivelmente, expandi-lo para a escala de tempo geológico. Apenas e após a participação em experiências de criação de modelos de longo prazo e projectos participantes como por exemplo, com voluntários, políticos e cientistas locais, é que foi possível serem motivados e preparados para pensar e discutir futuras mudanças da paisagem, cidade e hábitos humanos, e modelar a visão comum do futuro desejado. Os valores do desenvolvimento sustentável devem começar pela mente humana e as reservas naturais da cidade devem ser planeadas e a força de trabalho deve ser dedicada a cuidar delas. A experiência da “Ecopólis” deve estabelecer um vínculo entre a filosofia académica e a prática humana diária para que se possa perceber os primeiros passos do desenvolvimento coerente dos ecossistemas regionais e do meio urbano. Esse será o novo significado das cidades modernas, a recuperação da biodiversidade e dos ecossistemas deve tornar-se o centro da criação de modelos da dinâmica do sistema urbano no caminho da satisfação sustentável das necessidades humanas.

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20.12.2017 quarta-feira

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O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

EXPOSIÇÃO “AO MEU CORAÇÃO UM PESO DE FERRO” Livraria Portuguesa | Até 08/01

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O CARTOON STEPH

PROBLEMA 184

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 183

UM FILME HOJE

STAR WARS EPISODE VIII STAR WARS EPISODE VIII [B] Fime de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley John Boyega Mark Hamill 14.15, 21.30

STAR WARS EPISODE VIII [3D] [B] Fime de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley John Boyega Mark Hamill 18.50

MY LITTLE PONY: THE MOVIE [A] [FALADO EM CANTONENSE] Fime de: Jayson Thiessen 17.00

SALA 2

WONDER [B] Fime de: Stephen Chbosky Com: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Tremblay 14.15, 21.45

SUDOKU

DE

SALA 1

1.21

HERBA-CRISTO

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

C I N E M A

YUAN

PÊLO DO CÃO

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018

Cineteatro

0.24

Um domingo tranquilo, tomo um cappuccino numa cadeia de cafés quando ouço um ritmo cheio de groove. Subo uma escadas com o automatismo de um rato encantado pelo baixista de Hamelin e reparo que estou numa Igreja Evangélica em pleno sound-check. Decido ficar e ver o espectáculo, porque é disso que se trata, Jesus Cristo Superstar. Em vez do púlpito católico de uma igreja, estou numa sala de concertos com um palco montado. Sou, definitivamente, o único ateu presente e estou prestes a embarcar numa hora de musical onde se repete o mantra da falibilidade humana, do grande pecado da duvida e da alegria na punição. Nada contra fetichismo, mas prefiro o material ao espiritual. Quando o concerto termina, o pastor sobe ao palco para ministrar a dose de amor duro ao rebanho. O interlocutor do criador do universo é um australiano com aspecto de gajo fixe que se lança numa performance teatral, com o vigor interpretativo de um apresentador de televisão ou um motivational speaker da Herbalife. A velha história é repetida: somos seres miseráveis apenas completos na submissão ao imponderável. No meio de tanto amor e glória, o pastor teatraliza as formas como deus e anjos punem quem ousa duvidar do divino. Amor duro de um deus muito sensível, que não admite cepticismo, que pune a confusão e exige total obediência ao inimaginável. Violinos e pratos de bateria enchem os vazios entre as palavras, enquanto os crentes vibram em comunhão. Graças a deus que sou ateu! João Luz

STARWARS – O ÚLTIMO JEDI | RIAN JOHNSON

É impossível escapar à saga. Starwars, o último Jedi, está nas salas de cinema e é lá que deve ser visto. Dedicado à actriz Carrie Fisher que morreu no ano passado, o filme continua a história da resistência comandada pela agora, mais velha, princesa Leia. Entretanto Rey descobre a força e com Skywalker, aprende a arte de a dominar. No centro deste oitavo episódio está a batalha entre a Resistência e a Primeira Ordem que decorre num lago de sal num planeta esquecido. É desta batalha que sai a sobrevivência ou não daqueles que não se deixam dominar pelo lado negro da força. João Luz

SALA 3

MY LITTLE PONY: THE MOVIE [A] [FALADO EM CANTONENSE] Fime de: Jayson Thiessen 14.30

MY TOMORROW, YOUR YESTERDAY [B] [FALADO EM JAPONÊS. LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS] Fime de: Takahiro Miki Com: Sota Fukushi, Nana Komatsu 16.30, 19.30, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


ócios/negócios 25

quarta-feira 20.12.2017

IPSIS VERBIS GONÇALO LOBO PINHEIRO, FUNDADOR, “AJUDAMOS A FAZER PONTES COM A CHINA”

Palavras que são pontes Ipsis Verbis é uma agência de comunicação que pretende edificar pontes nos dois sentidos entre empresas lusófonas e chinesas. A empresa partiu da visão de um casal de Macau

M

UITO se fala na forma como o território é uma plataforma internacional entre o Oriente e o Ocidente. A Ipsis Verbis Communication é a materialização das ambições institucionais que inundam o léxico do poder local. “Somos uma empresa da área da comunicação que faz a ponte entre a China e os países lusófonos”, apresenta Gonçalo Lobo Pinheiro, fundador da agência. Além de prestar os tradicionais serviços de agência de comunicação, a Ipsis Verbis ensina empresários do universo da língua portuguesa a compreender a China e vice-versa. No fundo, funcionam como uma introdução à forma de pensar entre os diversos universos culturais. “A par disso somos uma agência de comunicação e oferecemos uma panóplia de serviços, desde a edição de livros e revistas, branding de marcas, publicidade e marketing, organização de eventos, design gráfico, por aí fora”, explica. O português viu no mercado uma lacuna que quis transformar numa oportunidade de negócio através da muito falada plataforma. “Queremos ajudar empresas que se querem

estabelecer na China, Macau e Hong Kong”, revela Gonçalo Lobo Pinheiro. Os serviços prestados pela Ipsis Verbis não se estende ao aspecto burocrático, mas na compreensão dos mercados e na ligação entre os países. “Também há chineses que querem ir para Portugal, Brasil eAngola, essas pontes são o nosso core business”, explica. A Ipsis Verbis é uma empresa recente mas já com algum portfólio. Têm feito edição de livros, tradução, brandings de marcas e ajudado, por exemplo, uma empresa portuguesa da área dos lacticínios a penetrar no mercado chinês. Ainda muito tenra, a Ipsis Verbis foi convidada pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau para participar no último MISE, onde estabeleceu “contactos interessantes” com empresas do Brasil, Portugal e China.

APRENDER A SER

À primeira vista, a entrada no mercado chinês representa um desafio comunicacional para o qual as empresas lusófonas não estão preparadas. “Há um desconhecimento do mundo lusófono, que acha

que a China tem as limitações no acesso a redes sociais como o Facebook”, explica o fundador da empresa. A Ipsis Verbis ajuda empresários que estão habituados ao Whatsapp, Instagram e Twitter a usarem o WeChat e Weibo e coloca à disposição dos clientes os serviços dos seus colaboradores em Xangai, Pequim, Portugal e de um parceiro de consultadoria em Shenzhen. Depois de tratada a burocracia necessária para abrir uma empresa em território chinês, a agência faz o trabalho de investigação de mercado, analisa perspectivas,

“Também temos cursos de etiqueta para empresários portugueses, como se comportar, como receber um cartão de visita. Por exemplo, os portugueses não têm o hábito de andar sempre com cartões.”

cria contas nas redes sociais chinesas, contrata celebridade para dar a cara pela marca e trabalha na imagem do cliente para o mercado da China. Nada é deixado ao acaso. Por exemplo, algumas cores não são apropriadas no Oriente, assim como é preciso atenção ao traduzir literalmente a mensagem e marca empresarial. “Também temos cursos de etiqueta para empresários portugueses, como se comportar, como receber um cartão de visita. Por exemplo, os portugueses não têm o hábito de andar sempre com cartões”, explica Gonçalo Lobo Pinheiro, igualmente fundadora da Ipsis Verbis. Neste sentido, a empresa prepara-se para no próximo ano dar formação a empresas portuguesas que se preparam para enviar pessoal para a China de modo a fazer uma espécie de introdução ao que vão encontrar, assim como a respeitar algumas normas sociais. No fundo, a Ipsis Verbis torna real a plataforma entre China e os países de língua portuguesa e trata do feng shui empresarial. Andreia Sofia Silva e João Luz info@hojemacau.com.mo


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quarta-feira 20.12.2017

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Hoje Macau 20 DEZ 2017 #3959  

N.º 3959 de 20 de DEZ de 2017

Hoje Macau 20 DEZ 2017 #3959  

N.º 3959 de 20 de DEZ de 2017

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