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GRANDE PLANO

PEDRO GRANADEIRO GLOBAL-IMAGENS

RÓMULO SANTOS

REUTERS

UM DIA NOVO

ENSINO

FUROS TAPADOS PÁGINA 4

PUB.

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

MOP$10

QUARTA-FEIRA 20 DE JANEIRO DE 2021 • ANO XX • Nº4693

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

EXPOSIÇÃO

À ESPERA DE SIZA EVENTOS

hojemacau www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

ANOS

A casa ganha sempre

A Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo pediu a intervenção da DSAL num caso de alegada pressão a 10 croupiers que terão sido pressionados para se demitirem. A associação liderada por Cloee Chao recorda que este caso acontece ao mesmo tempo que as concessionárias distribuem bónus aos funcionários.

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CARTA DE SEPARAÇÃO NUNO MIGUEL GUEDES

CONTA-FIOS JOÃO PAULO COTRIM


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20.1.2021 quarta-feira

O ADEUS CONTURBADO DE TRUMP EUA

BIDEN TOMA HOJE POSSE COMO PRESIDENTE, COM A CIDADE DE WASHINGTON SITIADA

Joe Biden toma hoje posse como Presidente dos Estados Unidos da América num dos momentos mais conturbados da história moderna do país. Além da pandemia, a cidade de Washington encontra-se vigiada por 25 mil tropas da Guarda Nacional devido ao risco elevado de motins nas ruas. Joe Biden já tem um plano para reverter uma série de políticas de Trump em áreas como imigração e combate à covid-19

É

num cenário de quase guerra civil que Joe Biden toma hoje posse como Presidente dos EUA. Depois do assalto ao Capitólio por apoiantes de Donald Trump, a 6 de Janeiro, dia em que foi confirmada a vitória de Biden, a cidade de Washington tem estado barricada nos últimos dias. Cerca de 25 mil homens da Guarda Nacional, o exército de reserva norte-americano, foram destacados para travar potenciais protestos ou motins na cerimónia de tomada de posse de Biden e Kamala Harris, vice-presidente. Diante da colina do Capitólio haverá uma “zona vermelha” protegida pelos guardas, enquanto que o

parque “National Mall”, onde centenas de milhares de norte-americanos se deslocam habitualmente de quatro em quatro anos para assistir à cerimónia de tomada de posse, está fechado a cadeado. Pelo menos dois civis foram detidos nos últimos dias em redor desta “zona vermelha”. Hoje dezenas de estações de metro estarão fechadas ao público, e foram alterados voos e viagens de autocarro para Washington, além de canceladas reservas no website Airbnb. A Reuters falou com a norte-americana Dana O’Conner, que descreveu a capital do país como “uma cidade fantasma, mas com militares”. Nos anos anteriores, as cerimónias de tomada de posse reuniam sempre

milhares de pessoas, mas este ano o cenário é bem diferente. “Não queremos ver grades. Sem dúvida que não queremos ver tropas armadas nas nossas ruas.

Mas temos de adoptar uma postura diferente”, disse a Mayor de Washington, Muriel Bowser, ao canal NBC, no domingo. A governante disse que, depois do ataque

PRESSÃO PARA MANTER

O

s Estados Unidos vão utilizar um grande arsenal de ferramentas para conter as práticas “abusivas, injustas e ilegais” da China, garantiu ontem a futura secretária do Tesouro, Janet Yellen, num discurso no Comité do Senado norte-americano. “Temos de combater as práticas abusivas, injustas e ilegais da China”, disse Yellen, defendendo que Pequim está a “prejudicar” as empresas norte-americanas, exemplificando com as barreiras comerciais e com subsídios corporativos “ilegais”. “[Pequim] rouba propriedade intelectual e envolve-se em práticas que lhe conferem uma vantagem tecnológica injusta. (...) Estamos a preparar-nos para usar uma gama completa de ferramentas para enfrentá-los”, acrescentou. Por outro lado, e tendo como pano de fundo a crise pandémica desencadeada pela covid-19, Yellen aproveitou a audiência para pedir apoio ao Congresso para um grande estímulo fiscal destinado a “evitar o risco de uma recessão mais prolongada e dolorosa” nos Estados Unidos.

ao Capitólio, “os chamados patriotas poderiam tentar derrubar o seu próprio Governo e matar polícias”. Christopher Miller, Secretário da Defesa ainda em funções, emitiu um comunicado esta segunda-feira, a afirmar que estas medidas são “normais ao nível do apoio militar para grandes eventos”. “Apesar de não termos nenhuma informação que indique uma ameaça interna, não deixamos nada para trás para garantir a segurança da capital”, acrescentou Miller, que agradeceu também “o apoio do FBI na assistência a esta missão e a cada um dos mais de 25 mil guardas”. Esta segunda-feira o ensaio para a tomada de posse de Joe Biden foi interrompido por razões de segurança, depois de um incêndio ocorrido num centro de refugiados próximo do Capitólio, na capital norte-americana. Fontes dos serviços de segurança norte-americanos, citados pela agência Associated Press (AP), disseram que todos os que se reuniam para uma parada, incluindo elementos de uma banda militar, foram orientados para se refugiarem num local seguro dentro do complexo do Capitólio, em Washington. Os participantes no ensaio indicaram ter recebido a informação das forças de segurança presentes de que o incidente não era um exercício. Quatro agentes da polícia adiantaram à AP que houve um incêndio a alguns quarteirões de distância e que o ensaio foi suspenso por “razões de segurança”. Uma hora depois, e extinto o fogo, o Capitólio voltou a abrir portas. “Por uma questão de precaução o complexo do Capitólio foi temporariamente encerrado. Não há ameaça para o público”, escreveram os serviços secretos norte-americanos na rede social Twitter, segundo a Reuters.

QUEM É QUEM?

Ontem a equipa escolhida por Joe Biden começou a ser escrutinada pelo Senado e os resultados deverão sair nos próximos dias. Janet Yellen é o nome escolhido para a Secretaria do Tesouro, a primeira mulher escolhida para o cargo. Segundo a Reuters, Yellen terá “amplos poderes ao nível da política fiscal numa altura em que a economia sofre constrangimentos”, apesar dos planos de recuperação económica de Biden,

com aposta no consumo e no aumento de impostos, tenham ainda de passar pelo escrutínio dos Republicanos. Outro órgão que também será dirigido pela primeira vez por uma mulher é a CIA [Agência Central de Inteligência]. Avril Haines trabalhou com Barack Obama como conselheira para a área da segurança nacional. O cubano Alejandro Mayorkas deverá ser o próximo Secretário da Segurança Interna, numa altura em que Joe Biden prepara um plano de reforma das leis da imigração. O Departamento de Segurança Interna do Governo norte-americano tem actualmente 240 mil funcionários que prestam serviço nas fronteiras e nos postos de alfândega, sem esquecer


grande plano 3

quarta-feira 20.1.2021

Diante da colina do Capitólio haverá uma “zona vermelha” protegida pelos guardas, enquanto que o parque do “National Mall está fechado a cadeado

a área da cibersegurança e protecção civil. Antony Blinken foi apontado como Secretário de Estado, assumindo as rédeas da política externa. Para já sabe-se, segundo a Reuters, que Blinken deverá começar a trabalhar para reconstruir a diplomacia americana e trabalhar em prol de alianças tendo em conta os desafios colocados pela Rússia, China e Irão. “Quando não estamos comprometidos, não lideramos, então duas coisas acontecem: alguns países tentam ocupar o nosso lugar, mas provavelmente não de uma forma que vá de encontro aos nossos interesses e valores. Ou então nenhum tenta ocupar o lugar, e aí obtemos o caos”, deverá

dizer Blinken esta quarta-feira, escreve a Reuters. Para Secretário da Defesa foi apontado o nome do General Lloyd Austin, que também trabalhou com Obama e que será o primeiro governante afro-americano no cargo. Na área dos Transportes foi escolhido Pete Buttigieg, que concorreu às primárias democratas. Denis McDonough foi nomeado para Secretário dos Assuntos deVeteranos, escolha que gerou alguma controvérsia

Joe Biden disse que a sua equipa é “a certa para este momento da história”

pelo facto de McDonough nunca ter servido nas forças armadas. Susan Rice irá chefiar o Conselho de Política Nacional da Casa Branca. Sobre a equipa, Joe Biden disse ser “a certa para este momento da história”. “Sei que cada um desses líderes começará a trabalhar desde o primeiro dia para enfrentar as crises interconectadas que as famílias enfrentam hoje”, frisou.

FIM DAS POLÍTICAS DE TRUMP

Segundo a Reuters, Joe Biden deverá assinar dezenas de ordens executivas e enviar muitas leis para o Congresso nos primeiros dias a seguir à tomada de posse, para reverter políticas da Administração Trump. Muitas dessas medidas versam sobre

a pandemia da covid-19, incluindo a aprovação de um orçamento de 1,9 mil de biliões de dólares para a distribuição de vacinas e apoio económico aos cidadãos. A Administração Biden deverá obrigar ao uso de máscara nos autocarros, aviões e outros espaços pú-

blicos, a implementação de moratórias e alívio nas despesas com a educação. Biden quer também aumentar o número de testes e regras mais claras de saúde pública, além de assinar uma ordem executiva que permite ajudar escolas e negócios a abrirem portas em segurança.

TRUMP NÃO RECEBE

E

sta segunda-feira a ainda primeira-dama dos EUA, Melania Trump, despediu-se com uma mensagem que instou os cidadãos norte-americanos a “escolher o amor ao ódio” e “a paz à violência”. Em vídeo, distribuído pela Casa Branca, com uma duração de sete minutos, Melania afirmou: “Devemos centrar-nos em tudo o que nos une, superar o que nos divide e escolher sempre o amor ao ódio, a paz à violência”. Apesar destas palavras amáveis, os Trump (Donald e Melania) vão romper uma das tradições mais antigas da investidura presidencial e sair da Casa Branca sem receber os seus sucessores, o democrata Joe Biden e a sua esposa, Jill.

Outras prioridades visam as áreas do ambiente e imigração. O novo Presidente deverá pôr um fim à polémica medida de separação de crianças dos pais imigrantes na fronteira dos EUA, priorizando a reunificação das famílias. Deverá também chegar ao fim as medidas apertadas sobre asilos, tal como as restrições adicionais a quem viaja do México ou Guatemala. Biden quer também acabar com a declaração de Emergência Nacional que permitia o envio de fundos federais do Departamento de Defesa para construir um muro na fronteira dos EUA com o México. Andreia Sofia Silva com agências info@hojemacau.com.mo


4 política

20.1.2021 quarta-feira

ENSINO GOVERNO INVOCA INTERESSE DOS ALUNOS PARA COMPENSAÇÃO DE AULAS RÓMULO SANTOS

Para tapar os furos

O interesse dos alunos e a flexibilidade das datas de consultas foram argumentos apresentados pelo Governo para justificar a obrigatoriedade de os professores das escolas públicas terem de compensar o tempo despendido em consultas médicas. Entre 2017 e 2019, mais de três mil aulas não foram compensadas

O deputado Lei Chan U interpelou o Governo sobre a necessidade de alterar a legislação em vigor para que os edifícios industriais possam ser aproveitados, a fim de permitir modernização e transformação de algumas indústrias consoante o que está previsto na proposta do Plano Director de Macau. O deputado, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau, recordou que a proposta prevê que os terrenos com finalidade industrial, situados em zonas habitacionais, passarão a ter finalidade não industrial. Actualmente a lei obriga ao acordo de todos os proprietários para se poder revitalizar o edifício, além de que 30 por cento da área deve ser destinada a instalações sociais. A interpelação escrita do deputado cita uma explicação da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes sobre as limitações impostas pelo Código Civil. Sem alteração, “o Governo não pode fazer nada”, argumenta. PUB.

AVISO N.º 1/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:------------------------ 1. Mandado de Notificação n.° 904/AI/2020 :WANG AIQIN, portadora do Passaporte da RPC n.° E10137xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 47/DI-AI/2019 levantado pela DST a 04.03.2019, e por despacho da signatária de 23.12.2020, exarado no Relatório n.° 928/DI/2020, de 11.11.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 469, Kuan Hei Kok, 7.° andar C onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------ 2. Mandado de Notificação n.° 925/AI/2020 :WONG DAVID, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEHK n.° E8833xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 35/DI-AI/2019 levantado pela DST a 11.02.2019, e por despacho do Director dos Serviços de Turismo, Substituto, de 18.12.2020, exarado no Relatório n.° 947/DI/2020, de 18.11.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 898, Edf. Iao I, 15.° andar G onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.---------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Janeiro de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

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Governo justificou a proposta de os professores das escolas públicas passarem a ter de compensar o tempo gasto em consultas médicas – tanto as que marcam por iniciativa própria como por prescrição médica – com o interesse dos alunos. Esta é uma das medidas da proposta de alteração ao Estatuto do Pessoal Docente das Escolas Oficiais. O diploma está a ser discutido pelos deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa. O presidente da comissão, Vong Hin Fai, disse que face à oposição de alguns deputados ao novo regime por entenderem que “reduz os direitos e interesses dos docentes”, o Governo respondeu que “tem de ter em conta o interesse dos alunos em terem as aulas”. Outro argumento apresentado foi a flexibilidade na marcação de consultas. “O Governo salientou que na consulta por prescrição médica, o docente ou doente pode negociar com o médico para escolher uma data, daí esta alteração”, explicou Vong Hin Fai. Entre 2017 e 2019, as aulas que não foram compensadas aumentaram de ano para ano e totalizaram 3.240, com apenas 36 repostas voluntariamente pelos docentes. Só em 2019, o número de aulas que não foram

T

ENDO em conta os trabalhadores não residentes (TNR) sem autorização de trabalho, que ficaram retidos em Macau devido às medidas de prevenção da pandemia, Pereira Coutinho quer saber que medidas estão a ser ponderadas pelo Governo para garantir a segurança pública e prestar apoio aos TNR afectados. O deputado sublinha ainda que a entrada em vigor da nova lei de contratação de TNR, que estipula que não podem entrar em Macau na qualidade de turista e tratar depois das formalidades de contratação, impede estes trabalhadores de obter autorização de permanência temporária que lhes permitiria arranjar emprego. Isto porque não podem entrar e sair do território “nem mesmo para Zhuhai” sem fazer quarentena de 14 dias. “Esta epidemia demonstra que a lei recentemente alterada deu origem a problemas

de acordo com o proponente, atendendo a que os exames e reuniões de avaliação dos alunos são importantes para o interesse público, estas cinco situações são consideradas injustificadas”, explicou Vong Hin Fai.

MATÉRIA DE REFLEXÃO

repostas fixou-se em 1.245, enquanto sete foram leccionadas. “As aulas compensadas foram poucas em comparação com as aulas que não foram, envolvendo 332 docentes”, analisou o presidente da Comissão. Com esta proposta, alguns dos motivos para faltas justificadas do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau deixam de existir, nomeadamente quando forem a exames ou reuniões de avaliação de alunos. São deixados de fora cinco cenários, que incluem o exercício de actividade sindical, doação de sangue e formação académica, profissional e linguística. “O Governo respondeu que se no futuro for criada uma lei sindical, então vai ser tratado de acordo com a lei sindical. Mas

A proposta de impedir os professores que sejam despedidos depois de processo disciplinar de exercer nas escolas oficiais, mesmo reabilitados, também esteve em cima da mesa. “Alertámos o Governo para ter em conta o Código Penal e outras leis”, relatou Vong Hin Fai, acrescentando que depois desse aviso e da opinião da assessoria, o Governo respondeu que vai fazer um novo estudo e análise. Alguns deputados observaram que a proposta proíbe o exercício de funções nas escolas públicas, mas permitido que trabalhem em escolas privadas, centros de explicações ou creches no futuro e que “se a lei é tão rigorosa então o Governo deve atender melhor a todas as profissões que têm a ver com o ensino”. Assim, questionaram se a proibição deve ser alargada, por exemplo, ao ensino primário e centros de explicações.

Sem eira, nem beira

Coutinho quer medidas de segurança para TNR retidos

RÓMULO SANTOS

Edifícios industriais Lei Chan U quer mudar lei para maior aproveitamento

Salomé Fernandes

info@hojemacau.com.mo

“São muitas incertezas para a segurança pública. Nos últimos dias, o nosso gabinete recebeu queixas de cidadãos, referindo que existem alguns estrangeiros a pedir dinheiro (…) uma vez que não podem trabalhar”, acrescentou.

ESCASSEZ PREOCUPA

relacionados com a segurança pública e com a vida dos TNR em Macau, resultantes do encerramento prolongado das fronteiras. O Governo tem de continuar a dar atenção à segurança dos bairros comunitários e a prestar o apoio oportuno e adequado aos TNR afectados”, pode ler-se numa interpelação escrita assinada pelo deputado. Para Coutinho, o Governo deve introduzir “ajustamentos e modificações à lei” que permi-

tam aos serviços competentes a criação de um mecanismo de execução “flexível” e “sem desrespeito pelos respectivos procedimentos”. Referindo que, segundo o Governo, existem actualmente 700 TNR com contratos suspensos e documentos de permanência provisória, Pereira Coutinho alerta para o “risco” de, para se manterem em Macau, estes TNR virem a “praticar actos ilegais para ganhar dinheiro.

Por escrito, Pereira Coutinho refere ainda que algumas famílias estão preocupadas com as dificuldades em contratar TNR, a curto prazo, pedindo a intervenção do Executivo. “O Governo tem de resolver a (…) dificuldade em contratar TNR adequados e o problema dos TNR que não são de nacionalidade chinesa retidos em Macau por terem sido despedidos ou por se terem demitido e que não conseguem obter novas autorizações de trabalho. De que medidas concretas dispõe para o efeito?”, questionou o deputado. P.A.


política 5

quarta-feira 20.1.2021

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS MAIS DE 325 MIL ELEITORES INSCRITOS

TIAGO ALCÂNTARA

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M reunião com a 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que está a analisar a proposta de lei sobre a gestão dos mercados públicos, o Governo assegurou que não será dada primazia ao valor das propostas apresentadas pelos vendilhões no concurso de atribuição de bancas. Isto, tendo em conta que a proposta de lei prevê ser este o novo mecanismo a adoptar, em detrimento do actual regime de sorteio. Até aqui, o Governo tinha apontado apenas que matéria seria regulada através de diplomas complementares. “O Governo referiu que o procedimento do concurso público vai ser regulado por diplomas complementares, nomeadamente quanto à duração do concurso, os requisitos, entre outros. O Governo disse também que os critérios não vão dar primazia às propostas que apresentem o valor mais elevado para a atribuição de bancas, pois vai ter em conta questões como a experiência dos concorrentes e o tipo de produtos a disponibilizar ao público”, transmitiu ontem Ho Ion Sang, que preside à Comissão. No seguimento do esclarecimento, o deputado acrescentou ainda que a comissão sugeriu que o Governo discrime critérios de forma detalhada na proposta de lei. O Executivo afirmou que “vai estudar essa matéria”. Sobre o mecanismo de atribuição de bancas “por ajuste directo”, outro ponto de discórdia em reuniões anteriores, por carecer de detalhes, Ho Ion Sang explicou que o objectivo passa apenas por facilitar situações em que se verifique, por exemplo, uma mudança de instalações dos mercados públicos, contornando a necessidade de realizar um novo concurso público. “A concessão por ajuste directo tem como objectivo responder a razões de interesse público (…), nomeadamente quando há uma mudança de local dos mercados públicos. Nestes casos, o Governo irá atribuir

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E acordo com dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), até 31 de Dezembro de 2020 estavam inscritos 325.180 eleitores, que podem participar nas eleições para a Assembleia Legislativa deste ano. O registo traduz um acréscimo de 14.027 eleitores em comparação com o ano anterior. Detalhando por zona de residência, a freguesia de Nossa Senhora de Fátima continua a ser a zona da RAEM com maior número de eleitores, contribuindo com 143.769 inscritos nos cadernos de recenseamento eleitoral de 2021. Seguem-se as freguesias de Santo António (76.913), São Lourenço (28.775), da Taipa (27.965), Sé (20.604), São Lázaro (20.098), Coloane (6.114) e “outra” (942). Destas, Coloane foi onde se registou um maior aumento de inscritos, com uma subida de 22,11 por cento do número de eleitores. Recorde-se que, desde ontem e até 28 de Janeiro, os cadernos de recenseamento eleitoral estarão expostos durante dez dias no rés-do-chão do Edifício Administração Pública, sito na Rua do Campo. Em caso de inconformidades, no decurso do prazo de exposição dos cadernos de recenseamento eleitoral, os interessados podem reclamar por escrito para os SAFP procederem à eventual rectificação ou aditamento dos dados. P.A.

MERCADOS LEI NÃO PREJUDICA BANCAS COM MENOS RECURSOS

Espaço para todos

O Governo garantiu ontem que o concurso público para atribuir bancas nos mercados públicos não irá prejudicar os vendilhões com menor capacidade económica, pois terá em conta critérios como a experiência e o tipo de produtos. Os espaços não serão transformados em “centros comerciais”, assegura o Executivo

as bancas por ajuste directo. No entanto, isso não está reflectido na proposta de lei”, acrescentou Ho Ion Sang. Perante o cenário, o Governo comprometeu-se a melhorar a redacção do diploma.

CRISE DE IDENTIDADE

Outro dos temas em debate ontem foi o facto de o conceito de “Mercado Público” apresentado no diploma prever uma finalidade mais abrangente, pois refere ser um espaço destinado, não só à compra de bens de consumo diário, mas também à aquisição de serviços pelo público.

Segundo Ho Ion Sang, o Governo apontou que o objectivo do novo diploma é diversificar serviços dos mercados públicos, mas que, apesar disso, não tenciona transformar os espaços em “centros comerciais”. “O Governo referiu que o objectivo dos mercados passa pela venda de produtos

e bens diversificados aos residentes. Perante isto, a comissão perguntou se no futuro os mercados vão ser transformados em centros comerciais e o Governo respondeu que não. No futuro, os mercados públicos poderão vir a ter serviços como sapateiros ou de duplicação de chaves”, partilhou o deputado.

“Os deputados perguntaram se no futuro os mercados vão ser transformados em centros comerciais e o Governo respondeu que não.” HO ION SANG DEPUTADO

Também sobre o tópico ficou a promessa de melhorar o texto da proposta de lei, com o objectivo de deixar claro para os residentes que os mercados públicos vão continuar a vender produtos como “carne e legumes fescos”. Ho Ion Sang referiu ainda que o Governo quer “revitalizar” os mercados públicos, oferecendo mais escolha, sem deixar de satisfazer as necessidades dos clientes que gostam de comprar de forma mais tradicional. Pedro Arede

pedro.arede.hojemacau@gmail.com

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AVISO N.º 4/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:----------------------------------------- 1. Mandado de Notificação n.° 928/AI/2020:ZHANG XIA, portadora do Salvo-conduto para Deslocação a Taiwan da RPC n.° L10722xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 71/DIAI/2019, levantado pela DST a 22.03.2019, e por despacho do Director dos Serviços de Turismo, Substituto, de 18.12.2020, exarado no Relatório n.° 552/DI/2020, de 18.11.2020, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Baia da Praia Grande n.° S/N, Torre Lago Panoramico, 11.° andar J onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 29/AI/2021:KE HUI, portador do Passaporte da RPC n.° E77758xxx e portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C69031xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 29.1/DI-AI/2019, levantado pela DST a 21.01.2019, e por despacho da signatária de 20.11.2020, exarado no Relatório n.° 841/DI/2020, de 20.10.2020, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Taipa, Rampa da Taipa Grande n.os 135-275, Bloco V - Supreme Royalton, 19.° andar V. -------------------- 3. Mandado de Notificação n.° 31/AI/2021:AI RENTAO, portador do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C44201xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 30.1/DI-AI/2019, levantado pela DST a 22.01.2019, e por despacho da signatária de 05.11.2020, exarado no Relatório n.° 728/DI/2020, de 30.10.2020, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 271, Edf. Kam Wa Kok, 7.° andar AA (correspondente no prédio ao 8.° andar A), Macau. ----------------------Pelo mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Janeiro de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


6 sociedade

20.1.2021 quarta-feira

MP Explicador arguido por nove crimes de abuso sexual de crianças

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CRIME SUSPEITO DE FURTAR APARTAMENTO FOI APANHADO QUANDO REGRESSOU A MACAU

Recuperar perdas de jogo A Polícia Judiciária revelou ontem que foi interceptado um indivíduo suspeito de ter aproveitado a entrada de pessoas num prédio para furtar bens e dinheiro num valor superior a 100 mil patacas. O crime terá acontecido depois de ter perdido no jogo

Depois de alegadamente cometer o crime, o indivíduo deslocou-se para a China Continental, tendo regressado a Macau esta semana. As autoridades indicam que confessou o crime, explicando que o cometeu depois de ter perdido dinheiro no jogo. O suspeito foi presente ao Ministério Público por furto qualificado.

M homem suspeito de furtar um apartamento em Dezembro do ano passado, foi interceptado pelas autoridades na segunda-feira, quando voltou a entrar em Macau pelas Portas do Cerco. O caso foi ontem relatado pela Polícia Judiciária (PJ) em conferência de imprensa. A queixa sobre o alegado furto qualificado foi apresentada a 8 de Dezembro, depois de três moradoras de um apartamento na Rua Central da Areia Preta terem detectado a falta de alguns bens. No dia anterior, uma das habitantes notou que lhe faltava dinheiro, alertando

ACORDAR SEM NADA

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as colegas. Uma das mulheres deu conta do desaparecimento de um relógio de pulso, no valor de 100 mil patacas, e a outra a falta de dinheiro num total de 33 mil patacas. Durante a investigação verificou-se que as janelas e portas estavam intactas. Ao consultar imagens das câmaras de vigilância, a polícia descobriu que no dia 6 de Dezembro um homem aproveitou a entrada de moradores no edifício para aceder ao prédio por volta das 18h30, tendo saído por volta das 20h. De acordo com a PJ, observou-se que o suspeito tentou empurrar a porta do apartamento em causa e que esta abriu.

As autoridades deram ontem a conhecer um outro caso de furto qualificado, em que o suspeito já foi presente ao Ministério Público. Um residente do Interior da China

Uma das mulheres descobriu que faltava um relógio de pulso, no valor de 100 mil patacas, e a outra que faltava dinheiro num total de 33 mil patacas

apresentou uma queixa à Polícia Judiciária dia 3 de Janeiro, depois de ter detectado a falta de dinheiro e fichas de jogo no quarto de hotel onde estava hospedado. A alegada vítima conheceu um outro indivíduo do Interior da China num casino, com quem ficou alojado no dia 1 de Janeiro num quarto de hotel no Cotai. A vítima tinha no quarto um saco com 240 mil dólares de Hong Kong em numerário, bem como 260 mil em fichas de jogo. Quando acordou, apercebeu-se de que o dinheiro, as fichas e o homem tinham desaparecido. Perante este cenário, apresentou queixa às autoridades. Quando o suspeito, de 39 anos, foi interceptado na segunda-feira num hotel, tinha em sua posse 10 mil dólares de Hong Kong. A PJ indicou que o suspeito confessou o crime, explicando que perdeu todo o dinheiro no jogo. Salomé Fernandes

info@hojemacau.com.mo

PJ Descoberta pistola e munições dentro de mota abandonada Um motociclo abandonado que deu entrada no parque de depósito de veículos do Cotai continha uma pistola e 52 recargas de munições guardadas no compartimento destinado a armazenar o capacete. De acordo com um comunicado divulgado ontem pelo

departamento de relações públicas da Polícia Judiciária (PJ) o alerta foi dado na passada quarta-feira por um trabalhador da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) enquanto inspeccionava o veículo antes de dar seguimento ao processo

de destruição. Chegada ao local, a PJ deu início à investigação, com a recolha de impressões e apreensão do material. O objectivo passa agora, segundo a PJ, por tirar a limpo se a arma e as munições terão sido usadas na prática de outros crimes.

Ministério Público (MP) deduziu a acusação contra um explicador de um centro de explicações pela prática de nove crimes de abuso sexual de crianças, tendo sido aplicadas ao arguido as medidas de coacção de prestação de caução, apresentação periódica às autoridades e proibição de ausência do território. O MP esclarece ainda que, “a prática de importunação sexual ou acto exibicionista de carácter sexual contra menor de 14 anos pode constituir o crime de abuso sexual de crianças”. Nesse sentido, “não obstante a falta de apresentação de queixa, o respectivo processo, por razões excepcionais relativas à protecção de interesses do ofendido, pode começar legalmente por iniciativa do MP, no sentido de se efectivar a responsabilidade penal do agente do crime”. O inquérito relativo ao processo de investigação já foi remetido para o Tribunal Judicial de Base para a marcação do julgamento. O caso foi descoberto em Outubro do ano passado, quando “umas menores, com idade inferior a 14 anos, tinham sido ofendidas sexualmente por um explicador de um centro de explicações”.Ainvestigação concluiu que o arguido “se aproveitou, por várias vezes, na orientação do estudo a alunos no centro de explicações, para as acariciar ou tocar intencionalmente nas partes corporais íntimas de várias alunas menores, actos que o arguido continuou a praticar não obstante as menores terem evitado ou recusado expressamente”. Foram as menores que apresentaram queixa ao responsável do centro de explicações. O arguido pode incorrer numa pena de prisão de até três anos por cada crime cometido”, aponta o MP.


sociedade 7

quarta-feira 20.1.2021

DSAL CLOEE CHAO DENUNCIA CASO DE CROUPIERS CHANTAGEADOS COM DESPEDIMENTO

Serventia da casa

A Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo entregou uma carta a pedir a intervenção da DSAL num caso de cerca de 10 croupiers pressionados a apresentar demissão. Cloee Chao considera que os argumentos do casino não são válidos, sobretudo quando todas as concessionárias estão a distribuir bónus aos funcionários

A

presidente daAssociação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, Cloee Chao, entregou ontem uma carta à Direcção dos Serviços para osAssuntos Laborais (DSAL) a alertar para um caso de cerca de 10 croupiers, de um casino de uma subconcessionária não mencionada, que terão sido chantageados, através de cartas de aviso, com despedimentos por justa causa. Isto, caso os funcionários não apresentem a demissão por sua própria iniciativa. De acordo com Cloee Chao, o empregador justificou o acto com o facto de os trabalhadores terem ultrapassado o limite de 45 dias de faltas justificadas ou injustificadas, previsto na lei das relações de trabalho, por motivo de acidente ou doença. Para a responsável, o argumento não faz sentido pois, para além de as faltas terem sido aprovadas pelas chefias, durante a pandemia as empresas de jogo têm incentivado os funcionários a pedir licenças sem vencimento. Além disso, argumenta Chao, que também trabalhou como croupier,

recursos humanos deste casino. Várias concessionárias anunciaram o pagamento de bónus aos seus funcionários, que já custaram centenas de milhões de patacas. Não é preciso despedir uma dezena de croupiers para poupar algumas centenas de milhares de patacas”, vincou a responsável.

SENTIR NA PELE

“é impossível não falhar nesta carreira”. “É como perguntar a um motorista com 20 anos de experiência se nunca recebeu uma multa”, disse aos jornalistas. À porta das instalações da DSAL, a presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo revelou ter contactado o casino em questão e que, na réplica, a empresa afirmou não favorecer uma “política de despedimento”. Con-

tudo, acrescenta, até à manhã de ontem os 10 croupiers chantageados não foram informados acerca do seu futuro. Cloee Chao considera ainda que, dependendo da gravidade, existe um mecanismo que permite ao empregador anular

cartas de aviso e que é injustificável despedir 10 trabalhadores quando concessionárias como a MGM, Wynn e Melco anunciaram recentemente o pagamento de bónus para os seus funcionários. “Acredito que a culpa é do departamento de

“Não é preciso despedir uma dezena de croupiers para poupar algumas centenas de milhares de patacas.”

Uma das croupiers, que acompanhou Cloee Chao na entrega da carta na DSAL, revelou ter sido forçada a demitir-se ao final de um ano, logo após ter recebido a terceira carta de aviso. “Fui informada que se não tivesse pedido a demissão, entraria numa lista negra, que me impediria de trabalhar no sector do jogo no futuro,” apontou. Segundo revelou a ex-trabalhadora do casino satélite, que pediu para não ser identificada, o seu único requisito passa por manter o cargo, para poder cumprir obrigações, como o pagamento da hipoteca da casa. Situação agravada por problemas físicos que impediram de assumir outro tipo de trabalho. Nunu Wu e Pedro Arede

CLOEE CHAO

pedro.arede.hojemacau@gmail.com

TSI EX-FUNCIONÁRIO PÚBLICO PERDE RETROACTIVOS APÓS REFORMA

U

M antigo coordenador do Centro de Promoção e Informação Turístico de Macau em Portugal (CPITMP), ligado à Direcção dos Serviços de Turismo (DST) em Lisboa, viu rejeitado um recurso que apresentou ao Tribunal de Segunda Instância (TSI) sobre o pedido de abonos e subsídios com retroactivos após a reforma. O pedido foi rejeitado pelo Governo em 2018, mas o homem recorreu da decisão

para o TSI, entendendo estar em causa “a violação da lei e a falta de audiência dos interessados”. O tribunal deu meia razão ao recorrente, mas entendeu que, segundo a lei, não tem direito a receber os retroactivos. O acórdão refere que o despacho do Executivo está “inquinado dos vícios de forma e de violação de lei”, mas o pedido do ex-funcionário “nunca poderia ser deferido nos termos da lei”,

uma vez que o regime do pessoal das delegações contém “normas especiais” que “só se aplicam ao pessoal que presta serviço nas delegações da RAEM”. Entendeu o TSI que, no caso do CPITMP, “embora funcionando nas instalações da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Portugal, não é, ele próprio, uma Delegação da RAEM, mas apenas uma pequena equipa de projecto que

tem objectivos muito limitados e específicos, razão pela qual ao pessoal que presta serviço no CPITMP, não é aplicável o Regime do Pessoal das Delegações.” O recorrente entrou para a função pública em 1982 e exerceu o cargo de técnico superior no escritório de representação da DST em Lisboa. Em 2005 foi criado o CPITMP, do qual o recorrente foi coordenador até se aposentar, em 2018.

DSES Esclarecimentos sobre estudos no exterior até Março A Direcção dos Serviços de Ensino Superior (DSES) vai realizar 14 sessões de esclarecimento para estudantes locais que pretendam prosseguir os estudos universitários no estrangeiro. As sessões decorrem até Março. No dia 29 de Janeiro, às 18h, o Centro dos Estudantes do Ensino Superior recebe a sessão sobre estudos superiores em Portugal. A DSES convidou representantes de países como Portugal, Reino

Unido ou Austrália, entre outros, para esclarecer os estudantes. As sessões vão decorrer em cantonense. Apenas as sessões de Portugal e do IELTS (The International English Language Testing System) serão realizadas no Centro dos Estudantes do Ensino Superior, enquanto que as outras 12 sessões são transmitidas em directo on-line, através da página temática, no Facebook do Blog para os Estudantes do Ensino Superior de Macau.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 1/P/21 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 17 de Dezembro de 2020, se encontra aberto o Concurso Público para a «Prestação de Serviços de Vigilância ao Centro Hospitalar Conde de S. Januário e aos Edifícios de Administração», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 20 de Janeiro de 2021, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP68,00 (sessenta e oito patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes têm de provar possuir o alvará previsto na Lei n.º 4/2007 “Lei da actividade de segurança privada”. Os concorrentes deverão comparecer na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, no dia 25 de Janeiro de 2021 às 10,00 horas para uma reunião de esclarecimentos ou dúvidas referentes ao presente concurso público seguida duma visita aos locais a que se destinam a respectiva prestação de serviços. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 19 de Fevereiro de 2021. O acto público deste concurso terá lugar no dia 22 de Fevereiro de 2021, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP1.646.000,00 (um milhão, seiscentas e quarenta e seis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 15 de Janeiro de 2021 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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20.1.2021 quarta-feira

Uma questão de “In/D

FOTOS PEDRO-GRANADEIRO-GLOBAL-IMAGENS

EXPOSIÇÃO INSTITUTO CULTURAL QUER TRAZER A MACAU TRABALHOS DE SIZA VIEIRA E CARLOS CASTANHEIRA

O Museu de Arte de Macau poderá receber a exposição “In/Disciplina”, com obras dos arquitectos Álvaro Siza Vieira e Carlos Castanheira. O Instituto Cultural contactou a Fundação de Serralves para tornar a mostra uma realidade, mas a pandemia remeteu o processo de volta à estaca zero

O

Instituto Cultural (IC) pretende trazer para Macau a exposição “In/Disciplina”, que faz a retrospectiva das obras de arquitectura de Álvaro Siza Vieira, vencedor de

um prémio Pritzker, e Carlos Castanheira. A exposição esteve patente na Fundação de Serralves, no Porto, entre 19 de Setembro de 2019 e 5 de Janeiro de 2020. A confirmação foi dada ao HM pelo IC. “O Museu

de Arte de Macau (MAM) pretende, no que se refere à exposição ‘Álvaro Siza – In/Disciplina’, exibir, de forma sistemática, as obras arquitectónicas de destaque projectadas por Álvaro Siza em todo o mundo e pretende

acrescentar ainda os seus projectos de arquitectura no Interior da China, em Macau e noutras cidades asiáticas.” Foi, neste contexto, solicitado “ao curador da exposição uma nova escolha de obras”, mas a pandemia veio adiar os

planos, não existindo, para já, um calendário concreto. “Devido à situação pandémica, o conteúdo, a dimensão, a duração, e os pormenores dos preparativos da exposição, entre outros, estão sujeitos a uma nova avaliação após discussão com os co-organizadores, pelo que não há mais informações a disponibilizar de momento.” Do lado da Fundação de Serralves, também existe vontade de colaboração. “Existe todo o interesse na realização da exposição In/Disciplina no MAM, tendo já sido tomadas

as providências necessárias para que tal seja possível. A crise sanitária obrigou à reavaliação de alguns aspectos relativos à exposição, nomeadamente as datas de exibição, algo que está a ser analisado pelo IC do Governo da RAEM e por Serralves.”

MUDANÇA DE CADEIRAS

O projecto de expor as obras de Siza Vieira em Macau foi tornado público por Carlos Castanheira numa entrevista ao HM. Confrontado com a resposta do IC, o arquitecto, que assina há muitos anos


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quarta-feira 20.1.2021

Disciplina”

IC Seleccionados 16 candidatos para subsídios na área da música

F FRC Ao Fai Group e Mars Lee Organ Quartet em concerto

A Fundação Rui Cunha recebe, no próximo sábado, dia 23, um concerto de jazz com os Ao Fai Group e Mars Lee Organ Quartet, um espectáculo inserido na rúbrica “Saturday Night Jazz”. Este evento conta com o apoio da Associação de Promoção de Jazz de Macau (MJPA, na sigla inglesa) e é o primeiro deste ano. O espectáculo começa às 21h e tem entrada livre.

CCM Aniversário da morte de Mozart assinalado com concerto no sábado

A Orquestra de Macau vai juntar-se ao maestro e pianista chinês Xu Zhong para apresentar o concerto “A lenda de Mozart”, este sábado. O evento, que assinala o 230º aniversário da morte do compositor, decorre no Centro Cultural de Macau, pelas 20h, e apresenta a abertura de “Don Giovanni” e a Sinfonia n.º 41, “Júpiter”. Xu Zhong é o primeiro maestro chinês a assumir o cargo de director artístico e maestro Principal do Teatro Massimo Bellini, em Itália. Neste concerto, vai executar o Concerto para Piano nº9 “Jeunehomme”. Os bilhetes custam entre 150 a 250 patacas.

Fotojornalismo World Press Photo regressa a Hong Kong projectos com Siza Vieira, sobretudo na Ásia, disse estar afastado deste projecto, pelo menos para já. “Não sei que contactos Serralves tem mantido com o IC, e vice-versa. Esta situação da pandemia tem-nos limitado muito. Não tenho

tido contactos com ninguém de Macau, não tem havido razão”, frisou. Carlos Castanheira recorda que o projecto começou a ser desenvolvido quando Alexis Tam era ainda secretário para os Assuntos Sociais e Cultura,

“Existe todo o interesse na realização da exposição In/Disciplina no MAM, tendo já sido tomadas as providências necessárias para que tal seja possível.” FUNDAÇÃO DE SERRALVES

não afastando a hipótese das alterações se ficarem a dever à mudança de Executivo. “Perdeu-se muito trabalho feito, mas, pelo que sei, os serviços são os mesmos, assim como a maioria das pessoas. Só nos resta aguardar e ver se esta pandemia nos larga para que a exposição, com um ou outro formato, avance e seja uma realidade”, rematou o arquitecto. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

De 1 a 21 de Março, a população de Hong Kong vai poder ver presencialmente as fotografias premiadas no concurso anual da World Press Photo, noticiou a Tatler. A galeria Koo Ming Kown vai acolher a mostra de 2020, que inclui fotografias dos protestos em Hong Kong. Os vencedores foram escolhidos por um júri independente que avaliou mais de 73.996 fotografias, submetidos por mais de quatro mil fotógrafos. Entre os nomeados encontra-se uma série de fotografias intitulada “Hong Kong Unrest”, de Nicolas Asfourni, que inclui a imagem de um homem a segurar um poster em Shatin. A exposição conta com a organização do Instituto para o Jornalismo e Sociedade da Hong Kong Baptist University, e o apoio do Consulado Geral dos Países Baixos em Hong Kong e Macau. Recorde-se que a exposição passou pela RAEM no ano passado, mas acabou por ser encerrada sem aviso prévio. Na altura, o fecho prematuro foi justificado pela Casa de Portugal com um “problema de gestão interna”, mas levantaram-se suspeitas de pressões políticas.

ORAM seleccionados, pelo Instituto Cultural (IC), 16 candidatos na primeira fase do “5.º Programa de Subsídios à Produção de Álbuns de Canções Originais”. Destes, seis foram escolhidos na categoria “álbum” e dez na categoria “mini-álbum”. Da lista fazem parte músicos como João Caetano, Kong Kai Pok, Chang Heng Ian, Leong Chi Long, Pang Weng Sam e Fabio Ari De Guzman, todos na categoria “álbum”. Na categoria “mini-álbum” foram escolhidos os artistas Cheung Weng Kei, Choi Kuok Chu, Deng Wan Pin, Sofia Vanessa dos Santos Paiva, Chan Wai Man, Jay Peterson PUB.

Cuevas Elma, Lio Ka U, Leong Sam Lou, Lo Ka Man e Lam Sze Ho. O IC recebeu um total de 55 candidaturas. Na segunda fase de selecção serão escolhidos três beneficiários na categoria “álbum” e seis na categoria “mini-álbum”, segundo critérios de “criatividade da composição e das letras, criatividade do arranjo e da produção musical, entre outros”. Serão atribuídos subsídios compreendidos entre as 135 e 270 mil patacas a cada álbum, que será ainda “objecto de apreciação e aconselhamento profissionais, a fim de dar início aos trabalhos de produção relativos às canções seleccionadas”.


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ENERGIA ACCIONISTA CHINESA DA REN NOMEIA NOVO PRESIDENTE

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State Grid Corporation of China nomeou ontem Xin Baoan como novo presidente na empresa estatal chinesa, a maior accionista da portuguesa REN – Redes Energéticas Nacionais. Num comunicado, a State Grid revelou que Xin Baoan foi escolhido numa reunião dos quadros intermédios e de topo da empresa. O executivo, que até agora era director-geral da State Grid, passa também a ser o secretário do Comité do Partido Comunista Chinês na empresa. A legislação chinesa obriga qualquer empresa que tenha pelo menos três membros do Partido Comunista Chinês a criar um comité. Numa reunião realizada também ontem, o conselho de administração da State Grid defendeu o aproveitamento “das vantagens políticas e organizacionais únicas das empresas estatais” para “acelerar a evolução de um grupo empresarial moderno com características chinesas”. A State Grid é desde 2012 a maior accionista da REN com 25 por cento do capital, segundo a informação disponibilizada na página da gestora das redes energéticas portuguesas na Internet. O grupo estatal chinês está ainda presente no Brasil, onde explora a Hidroelétrica de Xingu, após construir as linhas de transmissão de energia eléctrica entre Xingu e o Rio de Janeiro, com uma extensão de 2,5 mil quilómetros. O acordo que entregou a exploração da Hidroelétrica de Xingu à State Grid foi assinado em Outubro de 2019, durante a primeira visita ao país asiático do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

20.1.2021 quarta-feira

VACINAS FALTA DE CONSUMÍVEIS DA CHINA PREOCUPA FABRICANTES NO BRASIL

Uma reacção em cadeia

A falta de consumíveis importados da China para o fabrico de duas vacinas contra a covid-19 autorizadas no Brasil, a CoronaVac e AstraZeneca/Oxford, está a preocupar os fabricantes de medicamentos do país sul-americano pelo Governo brasileiro, que ainda não foram entregues. A Fiocruz também deverá fabricar os consumíveis para produzir outras 110 milhões de doses, mas isto só deve acontecer a partir do segundo semestre do ano.

A OUTRA VIA

Mais de 11 mil litros de ingredientes, suficiente para fabricar cerca de 18,3 milhões de doses da CoronaVac, deveriam chegar ao Brasil em Janeiro, mas a carga está parada no aeroporto de Pequim

S

EGUNDO o jornal Folha de S.Paulo, o Instituto Butantan, instituição de investigação científica ligada ao governo regional do estado de São Paulo que firmou um contrato para fabricar a vacina do laboratório chinês Sinovac, a CoronaVac, informou que a reserva do ingrediente farmacêutico activo (IFA) para a formulação deste imunizante só permitirá o envase do medicamento no país até ao fim do mês.

O director do Butantan, Dimas Covas, reafirmou ontem numa conferência de imprensa que o instituto espera a libertação de mais consumíveis da CoronaVac retidos em Pequim, pelo Governo da China. Segundo a Folha, mais de 11 mil litros de ingredientes, suficiente para fabricar cerca de 18,3 milhões de doses da CoronaVac, deveriam chegar ao Brasil em Janeiro, mas a carga está parada no aeroporto de Pequim.

O governo de São Paulo e o Ministério das Relações Exteriores estão trabalhando para obter a libertação de ingredientes produzidos na China. Já a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que irá fabricar a vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford no Brasil, ainda espera os consumíveis para iniciar o envase e distribuição de 100 milhões de doses do remédio contratados

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Covid-19 China regista 118 novos casos, incluindo 106 de contágio local Anúncio Faz-se saber que no concurso público n.o 41/P/20 para a «Substituição e Testes de Dezoito (18) Unidades de Tratamento Primário do AR (P.A.U.) do Edifício de Clínica Obstétrica e Pediátrica», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 53, II Série, de 30 de Dezembro de 2020, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 4.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, e também estão disponíveis, na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 14 de Janeiro de 2021 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

A Comissão Nacional de Saúde da China informou ontem que o país asiático diagnosticou 118 novos casos de covid-19 na segunda-feira, 106 dos quais são infecções locais. Os casos locais foram detectados nas províncias nordestinas de Jilin (43), Hebei (35) e Heilongjiang (27), enquanto um caso foi registado na capital, Pequim. Pelo menos onze áreas nestas três províncias permanecem em isolamento devido a surtos de coronavírus detectados nos últimos dias e estão a realizar testes em massa entre a população para refrear o contágio. A Comissão de Saúde da China disse que, nas últimas 24 horas, 17 pacientes receberam alta, pelo que o número de pessoas infectadas activas no país se fixou em 1.387, incluindo 61 em estado grave. O organismo tinha anunciado uma nova morte devido à covid-19 na quinta-feira, depois de quase oito meses, desde 17 de Maio, sem registar qualquer óbito causado pela doença. O número de mortes é agora de 4.635. O país somou, no total, 88.454 infectados desde o início da pandemia.

O Governo brasileiro tenta ainda libertar dois milhões de doses da vacina de Oxford compradas ao laboratório Sérum, da Índia. O Brasil anunciou que deveria receber o imunizante no último final de semana, mas o Governo indiano não autorizou a exportação do medicamento. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a China fornece 35 por cento e a Índia 37 por cento dos ingredientes farmacêuticos usados no Brasil. O maior país da América do Sul não tinha aprovado nenhum imunizante contra o novo coronavírus até domingo, quando a Anvisa autorizou o uso emergencial da CoronaVac e da vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford. Como o Brasil possui cerca de seis milhões de doses da CoronaVac e material para fabricar outros quatro milhões de doses do mesmo imunizante, começou ontem a sua campanha de imunização com a vacina chinesa , mas imunização pode ser paralisada se não houver a importação dos consumíveis.


região 11

quarta-feira 20.1.2021

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porta-voz do Governo do Japão, Katsunobu Kato, disse ontem que a vacinação contra a covid-19 de forma generalizada no país não é um requisito obrigatório para a realização dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, adiados para este Verão. Segundo Kato, que prestava declarações na conferência de imprensa diária, o comité que trabalha a gestão pandémica no âmbito do evento olímpico “está a investigar formas para que os Jogos sejam seguros sem contar com a vacina, por exemplo através dos testes necessários e controlo de comportamentos”. Segundo o porta-voz, este grupo “vai estudar as medidas necessárias mediante a existência de vacinação e sem ela”, reafirmando, uma vez mais, a vontade governamental de realizar o evento. Na segunda-feira, o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, garantiu que o Japão continua comprometido em realizar os Jogos Olímpicos, apesar do número crescente de casos de covid-19 no mundo. “Vamos preparar os Jogos, como prova de que a Humanidade ultrapassou o novo coronavírus”, disse Suga, num discurso de abertura de uma sessão parlamentar.

Prova de vida Vacinação não é requisito para realizar Tóquio2020

A mensagem, de resto, tem sido a que o governo japonês repete quando questionado sobre o tema, mesmo face a uma terceira vaga da pandemia de covid-19 que o país asiático, bem como outros territórios mundiais, enfrenta actualmente.

DÚVIDAS EXISTENCIAIS

Yoshihide Suga, primeiro-ministro japonês “Vamos preparar os Jogos, como prova de que a Humanidade ultrapassou o novo coronavírus.”

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Anúncio Concurso Público N.o 4/ID/2021 « Serviços de segurança no Centro de Formação e Estágio de Atletas » Faz-se saber que em relação ao concurso público para o « Serviços de segurança no Centro de Formação e Estágio de Atletas », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º1, II Série, de 6 de Janeiro de 2021, foram prestados esclarecimentos, nos termos do ponto 3.3 do programa do concurso, pela entidade que preside ao concurso e juntos ao processo de concurso. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, na sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau, ou pode ainda ser feita pela internet na área de “Informação relativa à aquisição” da página electrónica do Instituto do Desporto: www.sport.gov.mo. Instituto do Desporto, 20 de Janeiro de 2021. O Presidente, Pun Weng Kun

COMISSÃO PROFISSIONAL DOS CONTABILISTAS

Aviso

Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da segunda época de prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2020 nos termos do disposto na alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 22 de Janeiro, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Chio, através do nº 85995344, caso não recebam a mencionada notificação. Aos 8 de Janeiro de 2021 O Presidente da Comissão Profissional dos Contabilistas, Iong Kong Leong

O arranque de Tóquio2020 está agendado para 23 de Julho, daqui a pouco mais de seis meses, com as questões e dúvidas a levantarem-se cada vez mais quanto à capacidade de realizar um evento desta envergadura em pleno período pandémico, e com uma opinião pública japonesa favorável a novo adiamento ou cancelamento, segundo sondagens recentes. Na última semana, o ministro com a pasta da Reforma Administrativa e Regulatória, Taro Kono, disse que o futuro dos Jogos podia seguir “em qualquer direcção”, tornando-se no primeiro membro do executivo de Suga, que chegou ao cargo em Setembro de 2020, a colocar a realização em dúvida. Em 8 de Janeiro, o Japão decretou um novo estado de emergência, em vigor em 11 das 47 prefeituras do país, nas quais está concentrada mais de metade da população e perto de 80 por cento dos contágios contabilizados.

Timor-Leste Deputado quer que Governo pare praxes violentas

O deputado timorense Abel Pires apelou ontem ao Ministério da Educação para que tome medidas para travar praxes violentas em escolas e universidades do país, fenómeno que diz traduzir uma cultura de violência institucionalizada no sector educativo. Abel Pires da Silva, deputado do Partido Libertação Popular (PLP) – uma das três forças do Governo – disse à Lusa que o problema é “sério”, representa uma “mentalidade” mais ampla do recurso à violência e pode estar a “hipotecar o futuro” de Timor-Leste. “Está na altura do Ministério da Educação e do Ministério do Ensino Superior levar este assunto a sério. Esta violência acontece regularmente, mas sucessivos ministros não levam este assunto a sério”, afirmou à Lusa. “A introdução e implementação de violência nas escolas e nas universidades é um problema sério. É necessário agir já, denunciar a violência e tomar medidas preventivas e educativas”, frisou.


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20.1.2021 quarta-feira

“Não veio a utopia

Carta de separaçao a um lugar e mais

Divina Comédia

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M 29 de Outubro de 1953 o extraordinário cronista brasileiro Paulo Mendes Campos escrevia mais uma das suas joias do quotidiano, desta vez virada para dentro. A crónica chama-se (Carta de separação à garrafa de uísque) – assim mesmo, entre parêntesis – e o título é auto-explicativo. Com humor mas também com alguma nostalgia o autor despede-se da sua bebida preferida, que tantas vezes lhe fez companhia – até que essa companhia tomou conta dele. A separação era inevitável, para que ambos sobrevivessem. A princípio não percebi porque é que este texto me veio à memória. É certo que o conheço de trás para a frente e aconselho os leitores a procurarem-no. Mas depois de fazer de detective de mim próprio durante algum tempo cheguei à causa da coisa. Elementar, meu caro Guedes: estou prestes, também eu, a enfrentar uma separação. Nada que tenha a ver com amores, amigos, países ou dependências. Não: tem a ver com um lugar e nesse lugar existem pessoas. É esta separação que mesmo não sendo definitiva - poderei sempre regressar a lugares onde fui feliz – me remeteu para o humor terno da crónica de Mendes Campos. Despeço-me então do lugar onde vivo, pronto que estou para rumar a outras geografias que são felizmente desejadas. Escrevo para me despedir de um lugar lindo, no coração da cidade que mais amo no mundo, com vista próxima para o azul-lisboa e tudo o que sob esse milagre existe. Mas sobretudo a separação aqui é do bairro feito gente, à escala humana. Escrevo para me despedir do senhor Manuel, do Carlos ou do épico mau humor do senhor Sebastião do café que eu frequentava e que ao recomendar o prato do dia não se abstinha de comentar: “Eu não gosto como eles fazem mas se quiser é bom…”. Separo-me do senhor Manuel, cozinhando sempre de boné e da sua mulher, a Dona Carmo, casal proprietário e resistente do restaurante onde tantas vezes fui o único cliente e onde, quando isso não acontecia, tive o prazer de discutir tudo e mais alguma coisa com os nativos do bairro. Ou seja: pertencer, pertencer-lhes. Despeço-me dos miúdos da escola municipal número 1, cujo chilrear me entrava pela janela e tantas vezes me deu forças para enfrentar os dias. Digo adeus a esta rua íngreme com frutarias, armazéns de revenda, floristas, cafés onde se joga à moeda, com quatro ou cinco nacionalidades por metro quadrado. Lisboa vive, sem folclore e assumindo sem problemas a sua raiz mestiça, esfarrapada mas digna, capaz de a qualquer momento sair de casa na sua mais deslumbrante roupa só porque sim. Escrevo esta carta de separação um pouco triste mas com a certeza de que irei regressar. Porque de facto é de mim que me separo, do pedaço da minha vida que fica agarrado a esta calçada, a estas vozes, a estes sorrisos. Sei que me esperam outras aventuras e rostos amigáveis. Mas seremos sempre Ítacas de nós próprios e francamente não quero escapar a esse destino. Não é adeus, é até já.

MORITZ VON SCHWIND, FAREWELL AT DAWN

Nuno Miguel Guedes

“Escrevo para me despedir de um lugar lindo, no coração da cidade que mais amo no mundo, com vista próxima para o azul-lisboa e tudo o que sob esse milagre existe.”


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

quarta-feira 20.1.2021

e tudo acabou”

Diário de um editor João Paulo Cotrim www.torpor.abysmo.pt

HORTA SECA, LISBOA, SEXTA, 8 JANEIRO Não sei bem o que pensar sobre o assunto. O encontro do editor com o autor começa sempre por um texto, mas a expectativa está em que o autor entre nesta casa para a habitar. «Nós não somos do seculo d’inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do seculo d’inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.» Custa-me trazer para o assunto a palavra trabalho, uma palavralha, mas disso se trata, além dos textos e das suas potencialidades, interessam-me trabalhar com autores para nasçam criações que seriam diferentes sem esse encontro. Daqui mais se poderia desdobrar, assim escadote extensível. Nisto me afasto dos caçadores de tesouros que por aí proliferam. Terão o seu lugar no ecossistema literário, claro, mas procuro outras madrugadas. Uma inesgotável produtividade somada à ânsia de ver papel impresso, faz com que as gavetas transbordem para todas as chancelas e mais uma. Na poesia não há lugares, está visto. E um logótipo pouco mais é. Enfim, o Herberto sofreu ao ler nas suas capas Porto Editora na vez de Assírio & Alvim, mas o homem era excepção. O mais curioso, digamos à falta de melhor palavra, acontece quando a justificação assenta no facto de a abysmo ser editora de casos difíceis. Aqui te deixo este objecto desafiante, mas vou ali publicar o habitual. Depósito de complicações, não me parece mal como apresentação. Não sei bem o que pensar, mas tomo nota da perturbação que estes trânsitos me causam. Talvez seja natural, por estes dias de fragmento e ruína, atirar tijolos o mais depressa possível a quantas janelas se possa. JANELAS VERDES, LISBOA, DOMINGO, 10 JANEIRO Está um frio como há muito não se via. E uma luz como há muito não a sentia. As manhãs são mais esplendorosas nesta colina expectante, comentando à vez com o Tejo as passagens, do tempo e das mercadorias, as diferentes velocidades, a rima dos degraus de uma escadaria ignorada pelos nossos filmes e as solipas de uma linha férrea que desenha este contorno com que o oceano beija a cidade. Este museu não podia ter escolhido melhor porto para atracar. Fujo das famílias deliciadas com o sangue que brota do «encontro» das civilizações e vou ao encontro do Simão [Palmeirim] na Sala do Tecto Pintado, para me emaranhar com ele no Almada que pensa. O original que se mostra é o pensamento, o resto são maquetas, uma exposição de reversos, da carpintaria que sustenta a arte. (Minto, há dois originais absolutamente fascinantes, de tal modo que hesito no rumo do texto. O gozo que me dá este titubear...) Fiquemos, por ora, com o

Conta-fios

«retábulo imaginado para o Mosteiro da Batalha». A história de «Almada Negreiros e os painéis» tem as facetas de diamante, mais perspectivas que prisma, e, se nos metermos com ela pelos becos da vida e da morte, nuances de roman noir. Três putos e um século na casa dos vinte entram no museu e, perante, meia dúzia de velhas tábuas fazem uma aposta: estudá-las, autopsiá-las, enfim, fazê-las suas. Amadeo de Souza Cardoso e Guilherme de Santa Rita acabaram não tendo tempo. Almada usou o dele para decifrar o enigma da criação artística. Enquanto a praticava. A vanguarda rasgava épocas para descobrir raízes nos primitivos. O estudo enquanto duradoira obsessão. Fora isto policial e tratava de disparar sobre esta moralidade que agora assomou. O caro António [Valdemar] reconta bem os meandros, que, aliás, o envolvem, no catálogo. A entrada no debate de lava da nossa historiografia da arte nasce de pormenor, o chão que as figuras pisam. Se aplicada lógica geométrica, o movimento das circunferências e dos triângulos haveriam de nos levar longe, a certa capela de mosteiro onde encaixar aquelas personagens e várias outras,

em narrativa que, ainda por cima, poria no centro aquele perturbador e irradiante Ecce Homo. Quando, no fim da vida, ergue o painel Começar, à volta do qual construíram a Gulbenkian, Almada confirmava o eterno retorno: a sua vida estava toda ela cheia de inícios, de invenções de Dias Claros. «Há palavras que fazem bater mais depressa o coração – todas as palavras – umas mais do que outras, qualquer mais do que todas. Conforme os logares e as posições das palavras. Segundo o lado d’onde se ouvem – do lado do Sol ou do lado onde não dá o Sol./ Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta ao universo. Todas as palavras juntas formam o Universo./ As palavras querem estar nos seus logares!» Eis-me aqui basbaque a mirar os bastidores de uma ideia. Só que estes esboços, com reproduções fotográficas à escala, montados em madeira e depois percorridos por fios de várias cores são ainda, além de ferramenta, obra em si. Vibrante. Atravesso o corredor feito de passagens entre as salas até ao Tiepolo, saudei o general do mar (se tivesse que ser general queria ser do mar, só para cavalgar a revolta das

“Uma inesgotável produtividade somada à ânsia de ver papel impresso, faz com que as gavetas transbordem para todas as chancelas e mais uma. Na poesia não há lugares, está visto. E um logótipo pouco mais é.”

ondas) e dei-lhe costas para vislumbrar a maravilhosa cama-de-gato que Almada aplicou sobre os painéis para descobrir as mais insuspeitas relações, entre números e gestos da geometria, entre objectos de nada e posições de mão. Chamou-lhe com delícia «estudo em fio», como deveriam ser todos, e pouco importa agora que seja mapa de descoberta. O encantamento não pára um instante e chama-nos de longe, fazendo-nos atravessar poses e afirmações, lugares, palácios e paisagens, nuvens e pesadelos, esperanças e demónios, seres das mais geométricas carnes e formas pensantes ou não, evocações e narrativas. Vem, parece dizer a estrela sob o tecto pintado, que aqui se oferece a vera explicação de tudo. Pega nos números e arrisca dar esses passos de funâmbulo sobre cada um dos fios. Este caminho há-de ser diagonal sobre plano. «Há systemas para todas as coisas que nos ajudam a saber amar, só não há systemas para saber amar!» Esta exposição está ligada por um fio a outra, na Capela do Fundador, no Mosteiro da Batalha, de igual composta pela mão conhecedora do Simão. Estas curadorias são também elas performance. Ainda está para uns meses, mas não sei se a pandemia me permitirá ir lá pôr os olhos. Entretanto, antes de regressar à luz ajoelho perante o Ecce Homo, agora a ignição do estudo a linha do Almada. Voltarei. ALECRIM, LISBOA, QUARTA, 13 JANEIRO O Bernardo [Trindade] resolveu mudar de pele e encerrar, 44 anos volvidos, o 44 da Rua do Alecrim. Cidade que perde faróis desta altitude arrisca naufragar, quebrando casco nos penhascos da desmemória, da ignorância, da cegueira. Vezes sem conta fui espectador. Da luxúria que se arrumava nas estantes e nos recantos, nas gavetas e na memória narradora do senhor da casa. Livros em toda a sua extensão, de capa encerada a guarda colorida, desdobráveis e ilustrações, cunhos a ouro e compartimentos secretos, incunábulos e uma floresta cerrada e luminosa de tipografia. E depois mapas, pautas, cartazes, dedicatórias, cartas, bilhetes, fotografias, documentos fulgurantes, restos de nada, pequenas esculturas e largas pinturas. Do jogo de sedução entre aquele que anseia e o seu procurador. Entendi os modos como um negócio pode ser elevado a bela arte, com elegância e extrema generosidade. E humor. Aqui se misturavam os tempos em dança vertiginosa de alegria e descoberta, a de certos rostos à vista do objecto do desejo. Vezes sem conta fui espectador da vida nesta loja onde ela brotava que nem fonte. Esta noite vi ainda a tristeza ser tratada como deve ser. E depois, Bernardo, está nos livros, que o aprenderam das velhas voltas do mundo: a cada noite sucede um dia.


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RICARDO MORAES | REUTERS

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 13

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LOVE YOU FOREVER [B] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Yoyo Yao Com: Lee Hongchi, Li Yitong 16.45, 19.15

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THE MOVIE DEMON SLAYER: KIMETSU NO YAIBA MUGEN TRAIN [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Sotozaki Haruo 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

WILD MOUNTAIN THYME [B]

SALA 3

Um filme de: John Patrick Shanley Com: Emily Blunt, Jamie Blant, Christopher Walken 14.30, 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Solozaki Haruo 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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Apesar da situação dramática que o Brasil enfrenta devido à pandemia, multidões enchem as praias em Ipanema, no Rio de Janeiro.

C I N E M A

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OK! MADAM [B]

UM LIVRO HOJE O jornalista Peter Hessler, o primeiro correspondente da revista New Yorker na China, escreveu neste livro sobre um país que se abriu ao mundo e as rápidas mudanças que a sua sociedade viveu. Ao longo da obra, Peter Hessler relata conversas que manteve com várias pessoas, como um uigure que faz negócios obscuros e sonha viver nos Estados Unidos, ou as cartas que troca com um jovem casal de professores que passou pela dureza laboral de Shenzhen. Editado em 2006, “China Uma Viagem entre o Passado e o Futuro” traça pistas para compreender a China 19 contemporânea. Andreia Sofia Silva

“CHINA - UMA VIAGEM ENTRE O PASSADO E O FUTURO” PETER HESSLER | CIVILIZAÇÃO

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opinião 15

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sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

O

Batom vermelho

batom vermelho precisa de contexto, muito para além de explicação. O batom vermelho, para além de muita coisa, é um símbolo de sensualidade. Para mim foi sempre um fetiche do glamour hollywoodesco dos anos 50. Valeu-nos a Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor para tornar o batom vermelho bem mais comum do que qualquer outro. Mas o batom teve (e tem) uma vida para além desta sensualidade cinematográfica. Nasceu de práticas e vivências centenárias (milenares?) para chegar a um momento onde ainda é, de algum modo, polémico. Há um pluralismo aparente nos lábios encarnados, mas uma consistente assumpção: a da sexualidade no feminino e a sua história de luta por legitimidade. Na Grécia Antiga as mulheres eram identificadas como prostitutas porque usavam uma cor vermelha nos lábios. Nos tempos medievais os lábios vermelhos eram sinais do demónio, de imoralidade e da heresia. Foi a rainha Elizabeth de Inglaterra que lhe deu moda e visibilidade, por mais tóxico que fosse (nesta altura ninguém sabia que o mercúrio o era). As sufragistas tinham como arma e

símbolo de sororidade os seus lábios vermelhos. Uma espécie de indicador de união e resistência – que durou até aos tempos da segunda guerra mundial. O Hitler tinha um ódio especial por esta cor de lábios. Foi assim que o batom vermelho se tornou parte da indumentária das mulheres pelos Aliados e a sua produção nunca foi parada. De tantas estórias e história voltada, os lábios vermelhos foram pela visibilidade e contestação. Dá nas vistas, ressalta, vira-cabeças. Chateia muita gente, mas dá espaço a muita outra. Para além disso, há secções de pornografia dedicadas ao fetiche com este tão icónico batom. O batom vermelho nunca deixou de ser cultural, político e sexual. Quando, recentemente, os lábios vermelhos foram acusados de serem sinal de brincadeira – opondo-se a seriedade, entendi eu – mobilizaram-se os muitos batons vermelhos que estavam guardados nas gavetas. Reclamou-se o uso do batom com o poder que a cor vermelha tem, sem medo de ser visível. Mobilizou-se este passado de re-

“O Hitler tinha um ódio especial por esta cor de lábios. Foi assim que o batom vermelho se tornou parte da indumentária das mulheres pelos Aliados e a sua produção nunca foi parada.”

sistência que nem eu tinha consciência que existia. Um batom vermelho nunca foi só um batom vermelho. A resistência com este tão singelo objecto de maquilhagem uniu as pessoas de forma incrivelmente bonita. Não querendo ser pessimista, contudo, é preciso estender este gesto, e esta conversa a outros domínios. Vale a pena reflectir acerca dos batons que ficam, e ficaram, por usar. Os muitos contextos em que o batom vermelho ainda é mal visto, criticado e simbolicamente desprezado. Tenho eu tanto espaço para usar um batom vermelho como a outra pessoa que está ao meu lado? A que nível de normalização do batom vermelho nos encontramos? Pode um homem cisgénero pintar os lábios de vermelho para ir para o trabalho? Será que uma mulher racializada pode usar um batom da mesma forma que uma mulher branca? A luta pelo batom vermelho está longe de estar terminada. Ainda que nos apareçam pessoas e ideias que põem em causa as conquistas que há muito pensámos terem sido travadas, não percamos o foco das muitas outras lutas que ainda estão por travar. A luta actual contra o re-surgimento de valores conservadores precisa de ser enquadrada nesta outra em que as oportunidades e liberdades ainda não são de todos. Nunca comprei outro batom na minha vida, senão o vermelho. Nunca soube muito bem porquê, mas talvez a nível inconsciente percebesse que a resistência está na visibilidade e a contestação está tanto nas palavras como nos gestos.


“A razão é, e só pode ser, escrava das paixões.”

quarta-feira 20.1.2021

PALAVRA DO DIA

David Hume

Código de Saúde Período de adaptação de registo de endereço foi adiado

Deveria ter terminado ontem o período de adaptação para o registo de endereço no código de saúde, mas o centro de coordenação anunciou ontem o alargamento por mais uma semana, até 27 de Janeiro. O registo de informação complementar foi activado a 5 de Janeiro, e segundo o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus até às 16h de terça-feira 479.663 indivíduos incluíram o endereço no registo do código de saúde. As autoridades apelam aos residentes para preencher os dados de morada, o mais rápido possível, durante o período de adaptação.

SAFP Serviços afectados por avaria no ar-condicionado

Febre vermelha BENFICA LUÍS FILIPE VIEIRA É UM DOS 17 INFECTADOS COM COVID-19

Uma avaria no sistema de ar-condicionado e “a consequente influência na temperatura da sala de informática” levou à falha em vários serviços públicos, tal como o acesso comum aos mesmos e também na Plataforma de Dados Abertos do Governo. A equipa técnica reparou a avaria, tendo o servidor retomado gradualmente o funcionamento, explicam os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) em comunicado. No entanto, os SAFP adiantam que podem ainda ocorrer “situações em que a velocidade de alguns serviços seja mais lenta”. O serviço de prova de vida foi um dos afectados, pelo que os residentes podem dirigir-se aos quiosques de auto-atendimento situados em mais de 40 locais de Macau ou dirigir-se ao Centro de Serviços da RAEM, sito na Rua Nova da Areia Preta n.º 52, ao Centro de Serviços da RAEM das Ilhas, sito na Rua de Coimbra n.º 225, 3.º andar, Taipa, e ainda, aos balcões de atendimento do Fundo de Segurança Social, do Instituto de Acção Social e do Fundo de Pensões.

O

Benfica informou ontem que Luís Filipe Vieira, de 71 anos, é um dos casos positivos ao novo coronavírus detectados no clube, e que o presidente não apresenta sintomas. “O Sport Lisboa e Benfica confirma que o presidente Luís Filipe Vieira está infectado com covid-19 e assintomático”, refere o clube, numa curta nota publicada na sua página oficial na internet. Mais cedo, o clube tinha comunicado 17 casos de infecção pelo novo coronavírus entre jogadores, equipa técnica e ‘staff’ no decurso dos testes de despistagem realizados desde sábado. A informação foi avançada já depois

de a imprensa ter adiantado na segunda-feira que o futebolista Luca Waldschmidt, os treinadores-adjuntos João de Deus, Pietra e Fernando Ferreira e o director Luisão estavam infectados, e que os jogadores Gilberto e Everton estavam em isolamento. Sem adiantar nomes, embora a imprensa indique que entre os casos estão cinco jogadores, o clube apenas generalizou a existência de 17 casos, e, depois, confirmou que Luís Filipe Vieira está infectado e assintomático. Um cenário que levou o clube a remeter para a Direção-Geral da Saúde uma posição em relação à possibilidade de se manter em competição, quando tem prevista

para hoje, em Leiria, a meia-final da Taça da Liga, diante do Sporting de Braga.

ÁGUIA POUSADA

Em resposta, a DGS explicou ser da competência da autoridade de saúde regional a análise da situação. “A autoridade de saúde territorialmente competente, avaliadas as circunstâncias e o risco, decide sobre os jogadores que ficam em isolamento, por motivo de doença, e os que ficam em isolamento profilático, por serem considerados contactos de risco. A decisão quanto ao restante plantel é da responsabilidade dos clubes desportivos”, lê-se no comunicado emitido pela DGS, em

relação à presença das ‘águias’ nas competições profissionais. No calendário do Benfica para os próximos 14 dias surgem os jogos em casa com Nacional (15.ª jornada da I Liga) e Belenenses SAD, dos quartos de final da Taça de Portugal, além da visita ao Sporting (16.ª jornada), podendo ainda marcar presença na final da Taça da Liga no sábado, frente ao vencedor do jogo entre Sporting e FC Porto. Durante a pandemia, o Benfica já teve vários casos de futebolistas infectados, nomeadamente David Tavares, emprestado ao Moreirense, Svilar, Julian Weigl, Taarabt, João Ferreira, Jardel, Gabriel, Pizzi, Franco Cervi, Gonçalo Ramos, Seferovic e Darwin.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE CHINA DEFENDE A SUA GESTÃO APÓS CRÍTICAS DE ESPECIALISTAS

A

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China defendeu ontem a sua gestão da pandemia da covid-19, embora admitindo que devia “esforçar-se para fazer melhor”, após as críticas de uma comissão independente mandatada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O país foi criticado diversas vezes por não ter alertado

imediatamente a sua população ou imposto confinamento no início da pandemia, quando as transmissões entre humanos ainda não estavam confirmadas. A alegada falta de transparência das autoridades de Wuhan (centro), primeira cidade onde o novo coronavírus foi detectado no final

de 2019, e a intimidação pela polícia de médicos locais, que revelaram a situação e foram acusados de “espalhar boatos”, também geraram críticas. Em Julho, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou a criação de um grupo independente para

realizar “uma avaliação honesta” da gestão da crise no mundo e “retirar lições”. A equipa de 13 especialistas é copresidida pela ex-primeira-ministra neozelandesa Helen Clark e a antiga presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf. No seu segundo relatório apresentado ontem à

OMS, o grupo considera que “teria sido possível agir mais rapidamente com base nos primeiros sinais”. “É claro que poderiam ter sido aplicadas com mais vigor medidas de saúde pública pelas autoridades chinesas locais e nacionais em Janeiro de 2020”, sublinham os seus autores.

Interrogada, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, respondeu que Pequim reagiu rapidamente ao confinar Wuhan desde 23 de Janeiro, o que “reduziu as infecções e as mortes”.

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Hoje Macau 20 JAN 2021 #4693  

N.º 4693 de 20 de JAN de 2021 - Edição em papel do jornal Hoje Macau

Hoje Macau 20 JAN 2021 #4693  

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