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hojemacau MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 2 DE SETEMBRO DE 2011 • ANO X • Nº 2446

TEMPO TROVOADA MIN 25 MAX 30 HUMIDADE 8095% • CÂMBIOS EURO 11.5 BAHT 0.3 YUAN 1.2

Fernanda Costa quase certa no Departamento de Português

Portuguesa no lugar de Baxter

Fernanda Gil Costa é a figura mais que provável para suceder a Alan Baxter na direcção do Departamento de Português da UMAC. O currículo é de respeito e garantia de uma forte candidatura. É catedrática da Faculdade de Letras de Lisboa e dirige o departamento de Língua e Cultura Portuguesa daquela escola. Em entrevista ao Hoje Macau, diz que se for escolhida quer aumentar o número de estudantes e explorar o valor económico da língua. > PÁGINA 10

Fundo de Pensões

COUTINHO ACUSA FLORINDA DE CLIENTELISMO

Governo português

FONTE DE ALTOS CARGOS • PÁGINA 5

• PÁGINA 4

Ter para ler

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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SEXTA-FEIRA 2.9.2011 www.hojemacau.com.mo

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M ambientalista importante da China voltou a atacar a Apple Inc. pela segunda vez este ano, com críticas à política interna da empresa de não informar ao público sobre os seus fornecedores. Ma Jun, diretor do Instituto para Questões Públicas e Ambientais, disse que o grupo sediado em Pequim encontrou águas poluídas e foi informado sobre a presença de gases tóxicos em áreas na China em torno de fábricas de possíveis fornecedores da Apple. No relatório, o instituto diz que a Apple é “teimosamente evasiva” e que a recusa da empresa em divulgar quem são os fornecedores “só pode ser vista como uma decisão deliberada de negar a sua responsabilidade” em questões ambientais. O relatório soma-se à preocupação com materiais tóxicos levantada em um documento semelhante em Janeiro e ao qual a Apple levou oito meses para responder, disse Ma. A empresa enviou um e-mail antes da divulgação do novo relatório afirmando que vários dos fornecedores listados não estão na lista da companhia e pedindo para discutir a questão, disse Ma. Até ontem à noite a conversa não tinha sido marcada. Ma disse que no último relatório o Instituto concentrou-se na Apple porque outras empresas de tecnologia têm se mostrado

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RESCEM medos de que uma bolha imobiliária na China provoque uma avalanche de dívidas para os maiores bancos do país, afirmou o jornal japonês Nikkei. Com base nos resultados das instituições bancárias entre Janeiro e Junho e outras informações públicas, o jornal afirmou que os sete principais bancos chineses elevaram drasticamente os empréstimos para firmas de investimentos filiadas a Governos locais. Os diversos Governos locais criaram firmas de investimentos que procuram recursos para o desenvolvimento imobiliário porque não podem pedir empréstimos directamente aos bancos. Os seus projectos têm vindo a alimentar a subida dos preços dos imóveis e, consequentemente, puxaram o crescimento económico. Contudo, teme-se que uma eventual correcção do

ACTUAL Apple acusada de destruir meio ambiente chinês

Maçã podre

abertas para falar sobre a lista de fornecedores, o que não ocorre com a Apple. “Não tivemos outra opção a não ser pesquisar mais”, disse. A porta voz da Apple, Carolyn Wu disse que a empresa tem o “compromisso de manter um alto padrão de responsabilidade social em toda a cadeia de fornecimento” e que exige que os fornecedores “usem processos fabris ecologicamente correctos em todas as fábricas que fazem produtos da Apple”. Ela recusou-se, no entanto, a comentar mais a questão.

QUEIXAS

A maior parte do último relatório do Instituto parece basear-se em queixas sobre águas poluídas e gases tóxicos feitas por pessoas que vivem perto de fábricas de possíveis fornecedores da Apple. O Instituto divulgou vídeos, incluindo um feito este ano que mostra Ma próximo a canais onde se vê uma substância branca que vai para o rio Yangtzé, próximo a uma fábrica em Wuhan. Ma diz que a fábrica é “suspeita” de ser fornecedora da Apple. Segundo o Instituto, uma análise feita em Junho de sedimentos da região mostra a presença de metais pesados, incluindo níquel e uma quantidade alta de cobre. Não foi possível determinar se a fábrica é fornecedora da Apple nem verificar os testes feitos pelo Instituto. A Apple divulga um

relatório anual sobre a cadeia de fornecedores com os resultados das inspecções feitas pela companhia sobre a conformidade com regras de ética, saúde, segurança, direitos humanos e ambientais. Mas a Apple não identifica todos os seus fornecedores. No relatório de 2011, divulgado em Fevereiro, a empresa diz que descobriu problemas e tomou medidas para corrigi-los em 80 lugares que não estavam a armazenar ou a lidar de maneira correcta com materiais tóxicos e em 41 que não estavam a reciclar ou a desfazer-se de materiais tóxicos da maneira exigida pela lei. A Apple não divulgou as empresas nem detalhes das infracções. O relatório e os vídeos do Instituto não pareciam ter ganho muito espaço esta semana entre usuários de Internet na China. O país sedia a maior parte da produção da Apple e é um mercado importante em expansão para a empresa de electrónicos sediada em Cupertino, na Califórnia. Mas algumas pessoas mostravam preocupação. “Nós deveríamos forçar a Apple a assumir a responsabilidade pelas suas compras e terciarizadas” escreveu um usuário que assina Swimming Cupid no microblog Sina Weibo, parecido com o Twitter. “Eles não podem se focar somente na qualidade do produto.”

PRINCIPAIS BANCOS CHINESES ELEVARAM DRASTICAMENTE OS EMPRÉSTIMOS

Bolha prestes a rebentar mercado possa dar origem a montanhas de dívidas. Até 30 de Junho, os sete maiores bancos chineses tinham nas suas carteiras um total de 3,2 triliões de yuans deste tipo crédito, ou cerca de 10% do seu total de empréstimos. Entre os cinco maiores, estes créditos cresceram mais de 30% na comparação com 31 de Dezembro de 2010, para atingir cerca de 2,9 triliões de yuans. O Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) apresentava o maior volume de crédito a firmas de investimentos filiadas com Governos locais, 931 mil milhões de yuans, um aumento de 45% em relação ao final de 2010. No Banco da China, o volume cresceu

41% no mesmo período, para 531,5 mil milhões de yuans. O Banco Agrícola da China tinha 530 mil milhões de yuans destes empréstimos, o correspondente a um crescimento de 33%. O aumento nos empréstimos é atribuído à decisão das autoridades em expandir a definição de crédito para firmas de investimentos filiadas aos municípios locais, numa tentativa de aprofundar a monitorização e evitar futuros problemas de dívida. “Fomos instruídos a também incluir empréstimos a corporações sem fins lucrativos nos créditos pendentes”, disse um representante do Banco das Comunicações. Muitos analistas do mercado financeiro suspeitam

que os aumentos significam simplesmente que o crédito mal parado que havia sido ocultado estão agora a ser divulgados. Apesar disso, a maioria dos bancos rejeita a afirmação de que os créditos a firmas de investimentos filiadas a Governos locais

possam causar grandes dores de cabeça. “Os empréstimos não serão um grande problema desde que esteja tudo bem assegurado, bem como feitas as provisões para eventuais prejuízos”, disse o Banco de Construção da China.

Mas, como os direitos de desenvolvimento de propriedade são usados como colaterais para muitos destes empréstimos, uma queda nos preços dos imóveis poderia abalar o sector. “O problema com os créditos a companhias de investimentos vai aparecer dois ou três anos mais tarde, quando vencem muitos dos empréstimos”, disse um analista de uma corretora doméstica.


Lá de política não percebemos nada e pouco voto temos na matéria. Já quanto a nomes de pandas e carruagens de metro, a coisa pia mais fino. É que, de facto, trata-se de decisões cujo alcance poderá deixar marcas profundas na nossa vida. Carlos Morais José, P. 21

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Á duas grandes muralhas na China: uma de pedra e outra digital. Esta barreira censória limita os movimentos online dos cerca de 500 milhões de utilizadores de Internet no país, mas a China continua empenhada em manter esta edificação virtual de pé. Pequim dá emprego a milhares de pessoas para estas bloquearem páginas Web, publicarem mensagens favoráveis ao Governo e apagarem as opiniões desfavoráveis às autoridades em fóruns online. O mais recente ataque das autoridades chinesas contra a liberdade de expressão online deu-se contra o Weibo, um site de microblogging - semelhante ao Twitter - que conta com mais de 200 milhões de utilizadores registados. Foram publicadas nesta rede social algumas mensagens contendo acusações directas às autoridades (nomeadamente contra a venda de bolsas de sangue doado pelos cidadãos) e por isso o Governo chinês exigiu que o Weibo fechasse as contas “acusatórias”. O secretário do Partido Comunista para Pequim, Liu Qi, visitou na semana passada a sede da Sina Corporation, proprietária do Weibo, onde - citado pela agência noticiosa Xinhua declarou que as empresas de Internet “devem impedir a difusão de informação falsa e prejudicial”. Estas declarações foram repetidas à agência espanhola EFE por uma fonte governamental identificada apenas por Hu e que considera “necessário e prioritário” controlar as manifestações de ponham “em perigo a estabilidade, progresso e avanço da China”. Ontem mesmo, a Xinhua pedia, em comunicado, às companhias de Internet para aumentarem os seus esforços para limparem os sites do “cancro” dos rumores. “A Internet é um importante veículo de informação social, civilização e progresso. Os rumores estragam a Rede e são um cancro perigoso”, afirma o comunicado. “Inventar rumores é uma doença social e a difusão de

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Governo chinês quer forçosamente controlar os sites da chamada Web 2.0

A grande muralha digital chinesa duas maneiras: uma primeira de forma preventiva (impedindo o acesso livre a sites como o Facebook, o Youtube e o Twitter) e outra circunstancial, executada consoante as necessidades do momento e a situação social e política, indica ainda a EFE. “É necessário controlar o que é publicado na Internet e saber quem é a fonte. De facto, muitos países como os EUA, a Coreia do Sul e alguns países da UE têm gestores de controlo de conteúdos”, afirmou Fang Binxing ao jornalista da EFE Javier Ibañez. Precisamente por causa deste “paternalismo cen-

bloguers chineses demonstraram claramente o seu potencial aquando do acidente com um comboio de alta velocidade, em Julho, no qual morreram 40 pessoas. Os internautas acusaram as autoridades de tentarem esconder o ocorrido e inundaram a rede com mensagens em que criticaram a gestão da catástrofe por parte do executivo comunista. Muitos especialistas acreditam que é uma questão de tempo até que as muralhas caiam por terra, especialmente com tanta informação potencialmente “subversiva” a circular em redes sociais.

sório”, muitos internautas chineses, especialmente os mais jovens, têm falta de confiança nos meios de comunicação oficiais, a ponto de - por vezes - darem mais credibilidade àquilo que lêem em blogues ou redes sociais, ainda que proceda de fonte desconhecida, do que àquilo que diz o Governo. Nos últimos meses têm sido cada vez mais frequentes os esforços do Governo chinês para evitar o desassossego social, evitando por exemplo qualquer menção à chamada “Primavera Árabe”, temendo um contágio. Mas a semente da inquietação já germina. Os

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AVISO Vimos por este meio informar que, o escritório do ADVOGADO e NOTÁRIO PRIVADO MARCELO POON, mudou desde o dia 30 de Agosto de 2011 para o seguinte endereço : AV. da Praia Grande, n. o 599, Edif. Comercial Rodrigues, 13.o andar “B”, Macau. Contactos : Tel.: 28323963 Fax.: 28323962 e-mail: mplawyer2008@gmail.com Com os melhores cumprimentos,

rumores na Internet supõe uma grande ameaça social (...) Para cultivar uma Internet sã, deveremos erradicar o solo em que crescem os rumores”, acrescenta o mesmo documento. Em resumo: o Governo chinês quer forçosamente controlar os sites da chamada Web 2.0, mas teme que o fecho generalizado deste tipo de vias de comunicação cause manifestações descontroladas, pelo que prefere pôr a pressão do lado das empresas que fornecem este tipo de serviços. Gao Feng, um sociólogo de Pequim, descreve a situação em termos de censura online: “A China pretende controlar todos e cada um dos movimentos e opiniões dos seus habi-

tantes. É algo impossível e, por muita censura que se aplique à Internet, vão sempre surgir novas vias de comunicação”, indicou o cidadão à EFE. O caso de Weibo é o último de uma longa lista que começou em 1996 com a “Regulação Temporal para a Gestão da Informação na Internet”, directiva aprovada pelo Conselho de Estado que se tornou permanente e que foi sendo actualizada ao ritmo de crescimento da Internet.

CENTELHAS DE REVOLTA

De acordo com Fang Binxing, o “pai” da Grande Muralha chinesa à Internet livre, este sistema está a ser aplicado actualmente de

Marcelo Poon Advogado & Notário Privado

REMOVAL NOTICE Please be inform that the office of MARCELO POON LAWYER & PRIVATE NOTARY, has been moved to the following address since 30th August, 2011: AV. da Praia Grande, n. o 599, Edif. Comercial Rodrigues, 13.o andar “B”, Macau. Contact : Tel.: 28323963 Fax.: 28323962 e-mail: mplawyer2008@gmail.com Yours Faithfully, Marcelo Poon Lawyer & Private Notary


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ANTÓNIO FALCÃO

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POLÍTICA

Pereira Coutinho pede transparência na nomeação de chefias

“O Zé Povinho tem o direito de saber” Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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AIU Lau Ung Teng e entrou Julieta Ieong Kim. Na passada semana houve mudança de chefia no Conselho de Administração do Fundo de Pensões de Macau e o modo como tudo se processou não agradou ao deputado da Assembleia Legislativa (AL) José Pereira Coutinho. “Se para nomeação de chefias se coloca em Boletim Oficial o currículo das pessoas não entendo porque é que não se coloca também a razão pela qual as pessoas são demitidas antes do fim do seu contrato. São estas coisas que o ‘Zé Povinho’ tem o direito de saber”, afirmou Pereira Coutinho ao Hoje Macau. Para o também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), toda esta nova revolução no recrutamento da função pública tem de passar sempre pela transparência. “O Governo tem de explicar à população o porquê das alterações que fazem.” Mas vai mais longe. Pereira Coutinho acusa mesmo a secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, de estar a colocar a “afilhada predilecta” no lugar de Lau Ung

Teng, “uma pessoa idónea, trabalhadora e com duas licenciaturas, uma delas em Direito”. “É substituir uma pessoa que não sabe porque é demitida antes do fim do seu contrato por outra que tirou um daqueles famosos mestrados da Universidade da Ásia Oriental”, acusou o deputado.

MESTRADOS, LICENCIATURAS E OUTROS QUE TAIS

Mas que história é essa dos famosos mestrados da Universidade da Ásia Oriental? Pereira Coutinho ri e explica. “Antes de existir a Universidade de Macau existia essa instituição que, de acordo com a lei da altura, permitia às pessoas que tivessem mais de 25 anos tirar um mestrado mesmo que tivessem a quarta classe. O processo era fácil e de uma ‘forma solidária’ e com dinheiro, o mestrado aparecia rápido”, revelou Pereira Coutinho. De acordo com o que o Hoje Macau apurou, a comissão de Lau Ung Teng terminava apenas em 2012, pelo que não houve qualquer justificação para a demissão da presidente do Fundo de Pensões. “Se a antiga presidente falhou, o Governo tem de explicar em quê. Não se demite as pessoas só porque sim. Tem de haver uma justificação e, pela transparência,

“O RECRUTAMENTO CENTRAL NÃO COMBATE O COMPADRIO”

Instado a comentar o novo regulamento administrativo do Recrutamento Central, José Pereira Coutinho foi taxativo. Se não for para agilizar processos e trazer maior transparência, não interessa. “Vem inverter o sistema da descentralização, criar burocratização e não é assim que se combate o compadrio e a falta de transparência”, atira o deputado. Mais acutilante que o seu homólogo chinês da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Origem Chinesa (ATFPOC), que veio a público acusar o novo regulamento de falta de humanismo e desperdício de recursos humanos, Pereira Coutinho quer que saiba concretamente, antes de qualquer mudança, quantos trabalhadores estão na função pública. “Há que fazer um levantamento exaustivo dos recursos humanos da Administração, pois há trabalhadores a mais em serviços com pouco trabalho e trabalhadores a menos em serviços carregados de trabalho.” Outra coisa que preocupa Pereira Coutinho tem a ver com os contratos de trabalho e o processo de contratação. O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) considera que se fazem “vários tipos de contrato” e que é necessário uma uniformização de processos que tem de passar por duas vias. “Existe um deserto legal que permite vários tipos de contratos. Uns são filhos e outros enteados. Na contratação só pode haver dois tipos de contratos: individual de trabalho no quadro e além do quadro. Só assim podemos dizer que existe transparência na contratação de trabalhadores”, defende.

JARDINS DE LISBOA PENDURADOS A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) informou ontem que ainda não se conseguiu decidir em relação à empreitada de construção dos Jardins de Lisboa, na Taipa Pequena. Depois de muita polémica na fase de auscultação pública, o organismo disse que está a estudar o projecto das mega-torres e que ainda falta uma avaliação técnica para poder ajustar as opiniões dos residentes ao relatório final. O Governo afirma que quando tiver uma decisão irá comunicá-la à população e que poderá até organizar sessões de esclarecimento aos interessados no projecto. De qualquer forma, as Obras Públicas garantem que vão levar “em total consideração” todas as opiniões recolhidas, escusando-se, contudo, a comentar se irá sanar a polémica aberta pela Associação Novo Macau Democrático, que acusa o Executivo de ter descartado uma série de opiniões desfavoráveis ao projecto. - V.L.

tem de ser sempre pública”, referiu o deputado. Pereira Coutinho pede justificações nas entradas, como já acontece, mas também nas saídas e sensibiliza-se com os restantes trabalhadores do Fundo. “Macau às vezes parece a Líbia. Só as pessoas com padrinhos e madrinhas é que são colocadas no poleiro e muitas vezes sem experiência para ocupar os cargos. Só tenho pena daqueles que estavam abaixo de Lau Ung Teng, pois trabalham uma vida para chegar ao topo e nunca conseguem. Isto desmoraliza”, disse.

PROBLEMAS DOS AUTOCARROS CONTINUAM A CIRCULAR A Associação Novo Macau Democrático (ANMD) vai reunir hoje à tarde com Wong Wan, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Depois de uma carta enviada aos serviços, a ANMD quer respostas sobre a questão da falta de recursos humanos nas três operadoras de transportes públicos. Jason Chao, presidente do organismo, reclama mais agilidade por parte da DSAT na resolução dos problemas. Em declarações ao Hoje Macau, o responsável afirma que a direcção já teve tempo suficiente para encontrar uma solução viável e que o que está a fazer não chega. Desde a entrada em vigor dos novos itinerários dos autocarros que circulam em Macau, no início de Agosto, Jason Chao afirma que a associação recebeu várias queixas respeitantes à falta de divulgação das alterações efectuadas nos percursos. - L.C.


CHEFE DO EXECUTIVO PROMETE REFORÇAR COOPERAÇÃO

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O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, prometeu ontem o reforço da cooperação com Xinjiang nas áreas do turismo e da educação. Chui Sai On está naquela região para participar no Fórum de Cooperação Económica e Exposição ChinaEuropa-Ásia. O Chefe do Executivo manifestou também a intenção do Governo da RAEM de optimizar o papel de Macau como plataforma de serviços e de reforçar a colaboração comercial entre Xinjiang e os países de língua portuguesa.

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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O ministro ao assessor, passando pelos secretários de Estado e pelos Chefes de Gabinete dos ministérios. Os diversos Governos de Portugal, ora à direita ora à esquerda, vêem nos portugueses de Macau uma oportunidade de recrutamento. “Como residente fico bastante satisfeito por ver que a comunidade portuguesa de Macau tem gente válida para ser convidada pelos sucessivos Governos, sejam eles socialistas ou social-democratas”, referiu o presidente da Comissão Política da Secção do PPD/PSD em Macau, Miguel Bailote. Desde há muito que o território tem fornecido talentos para a política portuguesa nas suas mais variadas franjas. Jorge Coelho, Vitalino Canas, António Vitorino, Maria de Belém Roseira, Alberto Costa, Murteira Nabo, Eduardo Ca-

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MACAU É FONTE DE RECRUTAMENTO DOS DIVERSOS GOVERNOS DE PORTUGAL

A placa giratória a Oriente brita, todos foram ministros. Mas também Horácio Pinto, actual director dos Serviços de Informações de Segurança (SIS), João Miguel Barros, que actualmente é o Chefe de Gabinete da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, ou o jornalista Pedro Correia que é agora assessor do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas - e colaborador do Hoje Macau com a coluna semanal “Caderno Diário” -, como também Patrícia Ferreira, ex-coordenadora adjunta do Gabinete dos Assuntos de Direito Internacional (GADI), que não revelando nenhuma meada da sua vida profissional, terá um lugar na estrutura do Ministério da Justiça. “Acho normal. Não é só em Macau, quem passa por

Bruxelas também pode ter essa sorte. Macau é uma placa giratória onde uma pessoa adquire experiências e muitos conhecimentos. É um local que abre horizontes e onde se fazem muitos contactos. Por isso, o território é um factor de ponderação na hora da escolha”, afirmou Pedro Correia ao Hoje Macau. E o assessor de Miguel Relvas pretende voltar. “Estou sempre interessado em regressar. Passei em Macau dez anos da minha vida e considero o território uma das minhas casas. Seja de passagem ou para ficar, no meu horizonte há sempre uma volta”, revelou Pedro Correia.

MACAU ATENTO A PORTUGAL

Mas como é que à distância

alguém se lembra dos portugueses de Macau? Para Albano Martins, pessoa com ligações ao PS de Macau, a resposta é simples. “Não acredito que Portugal esteja atento e acompanhe o que se passa em Macau. Acho que as pessoas que, por algum motivo, vêm para o território é que mantêm as suas relações activas em Portugal”, referiu o economista, radicado no território há muitos anos. “Eu próprio também recebi convites para voltar a trabalhar em Portugal mas sempre achei que devia apostar em Macau”, acrescentou. Para Albano Martins, as pessoas que são recrutadas na RAEM têm provas dadas nas suas carreiras que são

justificativo para que mereçam uma oportunidade nos cargos de Estado ou em grandes empresas portuguesas. “Penso, e quero acreditar, que quem vai é escolhido pelo seu mérito. Macau é um bom estágio para essa gente”, referiu Martins.

SEM FRONTEIRAS

Maria de Belém Roseira, antiga ministra, actual deputada e líder parlamentar socialista, também passou por Macau na década de 80 onde desempenhou funções de administradora na TDM. Para Maria de Belém Macau, apesar de especial, Macau não influenciou a sua vida política, mas foi sim uma experiência muito enriquecedora. “Sempre estive ligada à política desde cedo,

mas só dez anos depois de ter estado em Macau é que fui designada ministra”, explicou a deputada. Maria de Belém vê este cá e lá de pessoas como uma mobilidade natural derivado, cada vez mais, de um mundo que não tem fronteiras. “Hoje, melhor do que no tempo em que estive em Macau, as pessoas conhecem-se e contactam com muito mais facilidade. Contudo não acredito que seja o facto de estarem em Macau que seja uma mais-valia nesses contactos. É uma coincidência”, referiu. Há uma questão muito clara para Maria de Belém. Quem tem a responsabilidade de formar uma equipa fá-lo com pessoas da sua confiança e convida-as estejam onde estiverem. “É natural que se convidem pessoas nas quais há confiança. Pessoas que se conhecem e que já trabalharam juntas noutras ocasiões.”

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Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 3ª vez do ano 2011 (1)

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(3)

Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM. Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. Projecto de Apoio Financeiro (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes.

(4)

Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00)

(5)

Data do Pedido Alínea (1) do número anterior Alínea (2) do número anterior

(6)

Forma do Pedido Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004, «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro», publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n° 411-417, Edf. “Dynasty Plaza” 9° andar, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct. gov.mo.

(7)

Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro»w.

Todo o ano A partir do dia 1 – Set. – 2011 até 31 – Out. – 2011 (O próximo pedido será realizado no dia 3 –Jan. – 2012 ao 2 –Mar. – 2012)

O Presidente do C. A. do FDCT Tong Chi Kin 31 / 8 / 2011


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SOCIEDADE

DSEJ reforça orçamento para a educação e anuncia mudanças futuras

“Investir” é a palavra de ordem Joana Freitas

PRESSÃO ESCOLAR EM VOGA

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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O sector da educação, “investir” é o principal objectivo. O orçamento para o ano lectivo de 2011/2012 foi reforçado em 17,3%, para cerca de 3700 milhões de patacas. Ontem, Leong Lai, directora dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), justificou este aumento devido aos novos subsídios que visam melhorar a formação para professores e alunos do ensino não superior. Como já tinha sido confirmado esta semana, a DSEJ vai atribuir desde 570 a 870 mil patacas em apoios por turmas de escolaridade gratuita às instituições do ensino infantil ao secundário complementar, um aumento que vai de 3,3% a 111%, 12 a 14 mil patacas para os alunos que frequentam escolas não integradas no sistema gratuito – um acréscimo que vai até 18,2% -, e mais 200 patacas a juntar às 1500 anteriormente atribuídas para a compra de manuais escolares. “Queremos investir nas infra-estruturas, nos sistemas de software e hardware das escolas, queremos investir para reduzir o número de alunos por turma e

vamos dar mais apoio financeiro para obras e aquisição de livros e revistas para as bibliotecas escolares”, esclareceu Leong Lai. Os correntes investimentos

nos recursos educativos servem principalmente para aumentar a qualidade educativa e a formação de quadros qualificados, conforme mencionou a directora da DSEJ.

Além dos subsídios, estão em andamento outras matérias que visam melhorar a forma de aprendizagem dos alunos - como é o caso da implementação da re-

ENSINO ESPECIAL | PROFESSORES A CAMINHO?

À parte do aumento de 5% de professores para o ensino primário e de 8% para o secundário, também o ensino especial está em “fase de recrutamento”, disse Leong Lai sem avançar, no entanto, com mais pormenores. A directora frisa que a DSEJ quer profissionais especializados para dar este tipo de aulas e que, caso não se encontrem professores em Macau para leccionar em português, “vão-se buscar a Portugal ou outros países que falam português”. Desde Agosto do ano passado, 37 crianças do ensino especial em português estão afastadas da escola, devido ao facto de a única professora que leccionava no território se ter ido embora. “Estamos numa situação difícil, mas temos feito o nosso melhor para encontrar um profissional no território. Mas parece que não há ninguém qualificado ou com vontade de trabalhar nesta área”, referiu ao Hoje Macau Chow Pui Leng, directora do Centro de Apoio Psico-Pedagógico e Ensino Especial (CAPPEE), no início de Agosto. Mas a solução só deve ser encontrada no início do próximo ano. “O departamento de Recursos Humanos está a ultimar os requisitos do concurso e esperamos lança-lo em Portugal até ao fim deste ano. É claro que temos pressa em preencher esta lacuna”, referiu na altura ao Hoje Macau Chow Pui Leng.

DESENVOLVIMENTO CONTÍNUO COM MAIS DE 3000 CURSOS, MAS NÃO EM PORTUGUÊS

Ninguém liga à Língua Portuguesa F

forma curricular (ver texto nesta página) e o aumento de palestras sobre a educação sexual, a educação moral e cívica e o patriotismo -, e para os professores, com a implementação do Quadro Geral do Pessoal Docente para o Ensino Não Superior.

OI implementado em Julho e conta já com mais de 3000 cursos, mas nenhum em português. O Programa de Desenvolvimento Contínuo, que visa a formação da população do território com mais de 15 anos, recebeu 3399 cursos de educação contínua, 270 de ensino superior e 96 exames de credenciação. Mais de dez mil habitantes optaram por frequentar cursos de educação contínua e mais de 700 residentes fizeram inscrições para os cursos do ensino superior, com as línguas a liderarem as escolhas, seguidas dos cursos de artes e informática. De todos os pedidos, 90% são para frequentar cursos do ensino superior, com o interior da China e Taiwan como principais locais das frequências. Kuok Siu Lai, subdirectora da DSEJ, disse ontem que em Agosto 65 instituições já se inscreveram com 1173 cursos autori-

zados, sendo que 555 já começaram. Para os portugueses que queiram frequentar utilizar o apoio de 5000 patacas do Governo, no entanto, não há muitas (ou nenhumas) hipóteses. Todos os cursos disponíveis são dados em língua chinesa. Relativamente às aulas de condução, que também podem ser descontadas nas 5000 patacas, ao que o Hoje Macau conseguiu apurar junto da Direcção dos Serviços de Tráfego não existem professores de condução que leccionem em português, apesar de existirem escolas que disponibilizam professores que conseguem falar inglês, ainda que não fluentemente. De qualquer forma, a subdirectora da DSEJ frisa que esta é apenas a primeira fase do programa. Em Outubro, começam a ser aceites candidaturas para a segunda fase, com os cursos autorizados a terem início em 2012.

Das vistorias feitas in loco, de forma a fiscalizar a utilização do erário público, 35 instituições apresentaram alguns vícios, como o adiamento do início de cursos. - J.F.

As preferências dos residentes Línguas 26% Finanças 13% Informática 7% Gestão 6% Turismo, convenções e exposições/design 2% Artes liberais 14% Desporto e saúde

8%

Condução 9% Outros 15%

São vários os suicídios de jovens em Macau que se ligam directa ou indirectamente à pressão dos pais, sociedade ou da escola sobre as médias escolares. Leong Lai afirma que é preciso alterar mentalidades relativamente aos altos valores obtidos no ensino – tudo o que importa aos adolescentes – e dar mais atenção aos estudantes como pessoas. “Para haver sucesso, às vezes, temos que sacrificar, mas este sucesso tem de [ser moderado]”, frisou a directora. A responsável diz mesmo que já foi enviado um documento às escolas para que seja reduzida o número de trabalhos de casa a par da redução da carga horária. A directora da DSEJ diz ainda que as boas notas não podem ser o único modelo de avaliação, algo que a entidade pretende ver alterado com a entrada de um novo modelo de avaliação, já anteriormente apresentado. Alterações na forma de ensino muda, o acompanhamento dos encarregados de educação e mudar a forma como a sociedade vê o sucesso, são os principais objectivos da entidade para melhorar a qualidade de vida dos estudantes. Muitas vezes um aluno que não consegue ter sucesso no ensino e chega a ser expulso da escola. Leong Lai acredita que os alunos nesta situação ou os que desistem devido a inúmeras repetições podem optar por outras hipóteses para regressarem à escola – inserção no ensino recorrente em caso de serem menores de 18 anos ou então frequentarem cursos técnico-profissionais. “Esses alunos nunca podem ser ignorados”, frisa Leong Lai. A DSEJ tem activo um programa de regresso à escola, mas a directora não tem disponível o número de alunos que já o integraram. Devido às altas taxas de reprovação no território, Loeng Lai voltou a frisar o novo método de avaliação dos alunos, que visa criar um critério padrão, numa altura em que as escolas do território têm mais de cem critérios independentes. “O Governo não pode, de repente, eliminar tudo e repor outros, mas a DSEJ mantém isto em preocupação”, avançou a directora.


SUSPEITO DE ROUBAR FICHAS EM CASINO DETIDO

SEXTA-FEIRA 2.9.2011

Um trabalhador foi detido num “grande casino do Cotai” acusado de ter roubado 100 mil fichas de jogo a clientes. A Polícia Judiciária (PJ) informou ontem que foi a operadora de jogo a denunciar a suspeita. O homem, de 36 anos e residente de Macau, supostamente subtraía as fichas de clientes do casino de maneira discreta e escondia-as no próprio uniforme. As autoridades dizem que o acto processava-se quando os clientes pediam-lhe informações. O homem está agora detido e vai a julgamento acusado de roubo. A PJ suspeita que o arguido tenha problemas financeiros.

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1.º Festival de Compras arranca este mês e pode tornar Macau centro de comércio

Comprar, comprar e comprar Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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URANTE 28 dias, Macau vai abraçar a febre das compras. A partir de 10 de Setembro e até 7 de Outubro, o “Festival de Compras de Macau” vai oferecer a possibilidade a cidadãos e turistas de fazerem compras a baixo preço e de obterem descontos e ofertas especiais, em vários locais da cidade. É a primeira vez que o território recebe o Festival de Compras, depois de Hong Kong, e são mais de 500 as lojas que abrem portas à iniciativa. Desde os casinos, à Torre de Macau, ao New Yahon, à Doca dos Pescadores e às associações de pequenas e médias empresas do território, são várias as casas comerciais que se juntaram a este evento. “Macau tem todos os ingredientes para receber este festival e para o transformar num evento a não perder”, frisou João Costa Antunes, director dos Serviços de Turismo (DST), para quem as compras são um passo importante para que o território seja reconhecido como centro de comércio. “É preciso haver acção colectiva e com este festival vemos de mãos dadas espaços modernos de granes marcas com os espaços tradicionais”, explicou o responsável. Para Costa Antunes, o festival vai expandir ainda mais o número de visitantes na RAEM e diversificar Macau como destino turístico.

DST | MEDIDAS EVITAM CONFRONTOS ENTRE AGÊNCIAS E TURISTAS

João Manuel Costa Antunes indicou ontem que a Direcção dos Serviços de Turismo já estabeleceu a ligação com agências de viagens locais, a fim de seguir melhorar a monitorização na indústria turística e manter a ordem. À margem da cerimónia de apresentação do Festival de Compras de Macau, o director da DST disse aos jornalistas chineses que, já no mês passado, tinham sido implementadas medidas para a regulação da ordem turística, ainda que renham havido disputas turísticas. O responsável frisou que em ambos os lados tem de haver contrapartidas, e se os turistas querem serviços de qualidade, têm também de ter obrigações. Costa Antunes indicou que envidará esforços para que as medidas entrem em vigor a num curto-prazo e disse acreditar que as novas medidas reguladoras possam clarificar os direitos e as obrigações de ambas as partes – turistas e agentes de viagem. Providenciar formas de comunicação entre os sectores desta indústria é outro dos objectivos, de forma a que seja encontrado um equilíbrio entre os dois lados.

“Numa perspectiva de diversificação do nosso produto turístico, este primeiro festival é como uma nova era”, disse João Costa Antunes, ontem no final da cerimónia de apresentação do festival. O director dos Serviços de Turismo explicou que Macau

tem originado grande atracção devido aos seus produtos turísticos, especialmente os casinos, entretenimento, património e convenções, mas que não falta ainda quem compre os produtos com características próprias, que a DST “pretende promover”.

DSAL COMUNICA ACORDO A TRANSMAC O director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Shuen Ka Hung, disse ontem que já conseguiu reunir todas as opiniões dos motoristas da Transmac e enviou um relatório à operadora de autocarros. A companhia vai agora analisar as exigências dos trabalhadores – que pedem um aumento salarial e regalias nas pensões – e espera em breve comunicar uma decisão para pôr fim a um conflito que já se arrasta há um mês. Nas três sessões de recolha de opinião organizadas pela DSAL, cerca de 300 trabalhadores estiveram presentes, o que representa 65% de toda a força de trabalho da Transmac.

Essa é também a ideia de David Chow, que pretende ver o comércio como motivo para atrair mais visitantes. “O comércio pode ser a segunda maior fonte de receitas para a RAEM no futuro, mas é preciso que as pessoas tenham infra-estruturas [para isso]”, salientou o presidente da Associação dos Comerciantes e dos Serviços Turísticos de Macau. David Chow salientou ainda a possibilidade de Macau fornecer produtos produzidos e exclusivos de Macau. “Temos muito mais para oferecer do que qualquer outro lugar e aproveita os produtos portugueses e das indústrias criativas e culturais”, frisou ainda. PUB

O alvo principal do presidente da associação são os chineses do continente, mas David Chow quer que toda a Ásia veja a RAEM como destino de interesse. A Doca dos Pescadores tem ainda um papel especial neste evento, com a organização de um leilão que começa a um dólar de Hong Kong. De 10 a 12 e de 16 a 18 de Setembro, diversos produtos electrónicos podem ser arrecadados a preços mínimos, entre as 16h e as 17h. A doca oferece ainda produtos das indústrias culturais e mais de 50 cabines com pratos internacionais. Os bilhetes para o leilão podem ser levantados gratuitamente no Landmark

de Macau, na loja CTM dos Nam Van ou de Pedro Coutinho e na Doca dos Pescadores. A cerimónia de abertura tem lugar no dia 6 no Venetian, com direito a transmissão em directo na televisão TVB de Hong Kong. À parte dos mais de 300 mapas com as lojas aderentes que vão ser distribuídos nos hotéis, o Festival acontece em conjunto com outros eventos. A 10 de Setembro começa também o Concurso Internacional de Fogo de Artifício, seguido das cerimónias do Dia Mundial do Turismo, do Festival do Bolo Lunar e da Semana Dourada do Dia Nacional da República da China.


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CONTAS DO REGIME DE POUPANÇA CENTRAL ENGORDAM 0,1165%

O Fundo de Segurança Social informou que o rendimento da taxa de juros da atribuição da dotação do Regime de Poupança Central do ano 2010 foi transferido ontem para a conta individual dos participantes que reúnem os requisitos legais. A taxa de rendimentos foi fixada em 0,1165%, com o período de cálculo do rendimento compreendido entre Agosto de 2010 e Agosto de 2011. A taxa foi produzida pelo depósito a prazo nos bancos. A data de liquidação é o dia 31 de Agosto de cada ano e a taxa de rendimento será publicada no dia seguinte ao da liquidação do rendimento.

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S receitas brutas dos casinos de Macau fecharam Agosto com um novo recorde de 24.769 milhões de patacas, naquele que é o quinto recorde mensal fixado em 2011. Dados oficiais divulgados pelo Serviço de Inspecção e Coordenação de Jogos indicam que as receitas de Agosto de 2011 aumentaram 57% face aos 15.773 milhões de patacas apurados no período homólogo de 2010. Além do quinto recorde fixado em 2011, as receitas de Agosto encerram a terceira vez este ano em que as salas de jogo registam receitas acima dos 24 mil milhões de patacas. Já as receitas acumuladas entre Janeiro e Agosto deste ano totalizavam 173.106 milhões de patacas, mais 46,8% do que os 117.935 milhões de patacas apurados entre Janeiro e Agosto de 2010. Só em 2010, a Administração de Macau arrecadou 65.003,8 milhões de patacas em impostos directos sobre o sector do jogo. Em 2010, a indústria do jogo registou uma subida das

CASINOS FECHAM MÊS COM NOVO RECORDE DE RECEITAS

Um Agosto muito quente

empresas – três concessionários e três subconcessionários. Além da Sociedade de Jogos de Macau, operam casinos em Macau a Sands China, a Wynn Resorts, a Melco/PBL, a MGM e Galaxy Resorts.

receitas brutas de 57,8% para um total 188.343 milhões de patacas, incluindo as lotarias e apostas de futebol, basquetebol, cavalos e cães. Macau tem actualmente 34 casinos operados por seis

Dados compilados pela Agência Lusa indicam Sociedade de Jogos de Macau, de Stanley Ho, continua a liderar o mercado com cerca de 27%, mas abaixo da média de 30% que manteve até meados do ano.

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SOCIEDADE

DONA DE CASA APANHADA EM ESQUEMA DE BURLA Uma residente de Macau, de 37 anos, estava a fazer compras em Zhuhai quando recebeu uma SMS a informá-la que havia recebido uma encomenda nos correios do território com conteúdos suspeitos. Na mensagem, havia um número de telefone para o qual a dona de casa deveria telefonar para saber mais informações sobre o caso. A mulher, assustada com a ideia, segundo a Polícia Judiciária (PJ), ligou e pensou que estivesse a falar com um funcionários dos correios. O homem informou-lhe que havia uma caixa em nome da residente com possíveis drogas lá dentro e deu-lhe um outro contacto, supostamente de um agente policial, para o qual a senhora deveria ligar e saber como poderia escapar ao problema. A “autoridade” informou-lhe então que deveria transferir, com a maior urgência possível, todo o dinheiro que pudesse para uma outra conta, a do burlão, para evitar que alguém fizesse o seu dinheiro desaparecer. A mulher só tinha 2200 yuans na conta e passou esse montante para a conta do burlão, sem nunca duvidar da veracidade da informação. Quando chegou á casa, a dona de casa relatou o sucedido ao marido, que imediatamente ligou para o banco e confirmou que o dinheiro já lá não estava. Sem perceber ao certo o que se estava a passar, o casal contactou as autoridades para saber como andava a investigação. A PJ disse que mais pessoas poderão ter caído no esquema e ter transferido montantes mais avultados. Até ao momento, não há nenhum suspeito em vista. – V.L.

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NOTIFICAÇÃO EDITAL (Trabalho ilegal – pagamento das multas)

N.º 239/11

Considerando que se revela ser impossível notificar, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, do artigo 68.º e do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, NGUYEN BA CHINH (titular do passaporte de República Socialista do Vietname), MA WING TONE (titular do bilhete de identidade de residente permanente de Hong Kong), ALMA PANTALEON ROXAS (titular do Passaporte da República das Filipinas), 劉伙娣 (romanizado em Lao Fo Tai) (clandestina), YU QUNDAO (titular do passaporte da República Popular da China), LAI KAM LING (titular do bilhete de identidade de residente permanente de Hong Kong), LAU WAI KWONG (titular do bilhete de identidade de residente permanente de Hong Kong), CHEN ZHAODONG (titular do passaporte da República Popular da China) e ANGELITO DAEL DURAN (titular do Passaporte da República das Filipinas), pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, sobre a matéria acusada pela eventual infracção da Lei n.º 21/2009 – Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, e para o efeito do regime de procedimento da aplicação da respectiva multa, Raimundo Vizeu Bento, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT), da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), notifica, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do CPA, os aludidos infractores, o teor da decisão sancionatória em causa, no seguinte: 1. Dado exposto por ter comprovado a acção dos NGUYEN BA CHINH, MA WING TONE, ALMA PANTALEON ROXAS, 劉伙娣 (romanizado em Lao Fo Tai), YU QUNDAO, LAI KAM LING, LAU WAI KWONG, CHEN ZHAODONG e ANGELITO DAEL DURAN, bem como a culpa dos infractores, ao abrigo da alínea 1) do n.º 5 do artigo 32.º do Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, nos mesmos termos legais da mesma lei, foram aplicadas a cada infractor, a pena de multa de MOP$ 5.000,00; 2. Informa-se ainda que, nos termos do n.º 2 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, conjugado com as alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 145.º e 155.º do CPA, os actos administrativos em causa podem ser impugnados, no seguinte: a) Mediante reclamação para o autor do acto (Chefe do DIT), no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação; ou b) Mediante recurso hierárquico necessário para o superior hierárquico do autor do acto (Subdirector da DSAL), no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação. Por outro lado, nos termos do n.º 4 do artigo 150.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 156.º do CPA, o direito acima referido é exercido por meio de requerimento, no qual devem ser expostos os fundamentos (de facto e de direito), juntando os documentos considerados convenientes, não sendo o acto acima mencionado susceptível de recurso contencioso. 3. Mais ficam notificados que, nos termos do artigo 12.º do Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal, e da alínea e) do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, conjugado com os n.os 1 e 2 do artigo 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 - Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, os aludidos infractores devem, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da presente notificação edital, comparecer na DSAL para o levantamento da guia de depósito a favor do Fundo de Segurança Social de pagamento da multa e proceder ao seu pagamento. Ficam ainda notificados que, nos 5 (cinco) dias subsequentes aos do prazo acima referido deverão entregar nestes serviços, o documento comprovativo desse pagamento, sob pena das cópias de todos os documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coerciva serem remetidos à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para, ser efectuada a cobrança coerciva nos termos legais. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 26 de Agosto de 2011.

O Chefe do DIT

Raimundo Vizeu Bento

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Empregador)

N.º 240/2011

Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o Sr. Lung Chi Wai, proprietário do estabelecimento “ 粵港澳中國車牌代辦中心” (romanizada em “Ut Kong Ou Chong Kuok Che Pai Toi Pan Chong Sam”), sita na Avenida da Praia Grande, n.º 619, Edifício Centro Comercial Si Toi, 8.º andar, Macau, para no prazo de 10 (dez) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações nos processos n.os 2629/2011, 2646/2011 e 3709/2011, provenientes das queixas apresentadas nestes Serviços nos dias 06/04/2011, 07/04/2011 e 09/05/2011, respectivamente pelos trabalhadoras Mui Lai Si, Kuok Kam Fong e Lao U Ka, todas relativamente à matéria de salário. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 26 de Agosto de 2011. O Chefe do Departamento, Raimundo Vizeu Bento


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CULTURA

Fernanda Gil Costa a caminho da direcção do Departamento de Português da UMAC

Carlos Picassinos info@hojemacau.com.mo

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ÃO é a única mas, pelo curriculum, a portuguesa Fernanda Gil Costa é uma das mais fortes candidatas ao lugar de direcção do Departamento de Português da Universidade de Macau (UMAC). Catedrática da Faculdade de Letras de Lisboa, ex-tudo o que é lugar de direcção daquela instituição, actual responsável pelo Departamento de Língua e Cultura, a portuguesa presta, esta manhã, provas para professor a tempo inteiro na UMAC, passo intermédio para qualificar-se à posição que Alan Baxter deixou vaga. Ontem à noite a TDM avançou que o processo de recrutamento do novo director já estaria concluído e o nome escolhido. Em entrevista Fernanda Costa confirma ao Hoje Macau o interesse pelo lugar e aponta o alargamento do número de estudantes de português como principal projecto. “A experiência é aliciante na medida em que Macau ainda é, por várias razões, um espaço estratégico para a língua portuguesa, de preservação e mesmo para a expansão”, observa. Confirma que é candidata ao cargo de direcção do Departamento de Português da Universidade de Macau? Sim... Concorri a este cargo porque também sou directora de departamento de Língua e Cultura Portuguesa da Faculdade de Letras de Lisboa. Houve contactos, acabei depois por ver o anúncio no início de Fevereiro e decidi concorrer ao lugar de director de Departamento. Não sei qual é exactamente o perfil de um ‘head of department’ aqui. Sei que as perguntas [na entrevista para o cargo] serão recíprocas. Far-me-ão perguntas sobre os meus interesses e o que pretendo fazer, mas eu também terei oportunidade de fazer perguntas sobre as funções, sobre as expectativas. E candidatou-se porquê? Candidatei-me a Macau porquê? Olhe, porque sempre tive a ideia de trabalhar no estrangeiro por um período. Tive uma filha que está agora a começar a fazer doutoramento, já está completamente emancipada, pode ter a mãe perto ou longe,

HOJE MACAU

“Primeira ideia, subir o número de alunos”

tanto faz, e, portanto, neste momento, e a dez da reforma, achei que poderia tentar uma coisa diferente. Já fui presidente do Conselho Directivo [da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa], já fui presidente do Conselho Científico, sou directora do Departamento desde 2006 e, digamos, que é mais um desafio de carreira. Neste momento, a situação da língua portuguesa

interessa-me muito. Aliás, o meu campo científico de início de carreira foi de Estudos Alemães e Europeus. Desde 1995 dediquei-me aos Estudos Comparatistas e, a partir de 2000, continuei a dedicar-me aos Estudos Comparatistas mas, sobretudo, dentro da língua portuguesa. A experiência de Macau é um bocadinho aliciante nessa perspectiva, na medida que Macau ainda é, por várias

“Sempre tive a ideia de trabalhar no estrangeiro por um período. Tive uma filha que está agora a começar a fazer doutoramento, já está completamente emancipada, pode ter a mãe perto ou longe, tanto faz, e, portanto, neste momento, e a dez da reforma, achei que poderia tentar uma coisa diferente”

razões, um espaço estratégico para a língua portuguesa, com espaço para a preservação ou mesmo expansão. Eu sei porque, em Lisboa, tenho tido negociações com universidades chinesas, Xangai, Pequim, Tianjin, Harbin, e portanto, noto que há um interesse crescente das universidades chinesas por Portugal e pela língua portuguesa. Aliás, a directora do Instituto Camões tem falado imenso no valor económico da língua. Eu estou inteiramente de acordo com ela. A língua é hoje um património que a todos nos interessa mas também é um valor com as suas mais valias do ponto de vista económico. O que me motiva é isso: o espaço geográfico, as potencialidades que

tem mas por enquanto é ainda uma aproximação. Quando tive no Conselho Directivo, em 2001, iniciei uma aproximação muito grande em relação a Macau... E tem alguns projectos concretos? Tenho que primeiro estudar o terreno mas uma ideia concreta, desde já, é aumentar o número de estudantes de português. Isso seria a primeira missão até porque, como digo, desde que estou no Departamento de Língua e Cultura Portuguesa, em Lisboa, todos os anos tenho aumentado a quota de participação de estudantes chineses, lá. Inclusivamente, iniciamos com o Instituto Politécnico de Macau um projecto de doutoramento conjunto em que os assistentes, professores em princípio de carreira, poderão fazer doutoramento em Lisboa mas continuando cá num sistema de vaivém quer dos doutorandos, quer dos doutores. Temos vindo a aumentar, gradualmente, mas de uma maneira persistente as relações com a China e, sobretudo, o número de alunos chineses que estão em contacto de um modo directo através da universidade ou, regularmente, vão a Lisboa terminar os cursos, fazer pequenos seminários antes do fim dos cursos. Temos negociações em curso também aqui em Macau com a Universidade de São José. Projecto aqui seria potenciar tudo isso e, se possível, alargar. Esta sua presença neste encontro já lhe permitiu tomar o pulso à situação do português em Macau, de como estão as coisas? Olhe, ainda vi muito pouco. Tenho estado muito ocupada com o encontro. Ainda hoje [quarta-feira] estive a dirigir um simpósio e ‘feedback’ a esse nível ainda, de facto, tive muito pouco. Quase que ainda não falei com os colegas senão para trocar ideias sobre projectos em curso mas mais numa aproximação científica que tem a ver com o estudo com a língua, com a relação entre os aprendentes e os professores numa perspectiva de língua estrangeira que, aliás, é a vertente específica do meu departamento.


UNESCO GARANTE QUE PERDA DE CLASSIFICAÇÃO NÃO ESTÁ EM JOGO

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

A UNESCO está preocupada com a “integridade visual” do Património Mundial de Macau perante o desenvolvimento da cidade, que carece de um plano urbanístico, mas garante não estar em cima da mesa a possibilidade de perda da classificação. O indiano Kishore Rao, que dirige o Centro do Património Mundial da UNESCO, sedeado em Paris e responsável por monitorizar o estado de conservação do património classificado com os Estados signatários da convenção, afirmou em declarações à Agência Lusa que, “no caso do Centro Histórico de Macau, o Comité do Património Mundial não considera a possibilidade” da perda da classificação.

SEXTA-FEIRA 2.9.2011

Lia Coelho

lia.coelho@hojemacau.com.mo

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música clássica está a conquistar cada vez mais público no território. A responsável é a Orquestra de Macau, considerada por Lu Jia, maestro e director artístico, como a melhor orquestra da China do momento. A provar está uma evolução constante nos repertórios e concertos com casa cheia, como contou o maestro ao Hoje Macau. Lu Jia tem sonhos e desejos: fazer da orquestra a embaixadora cultural de Macau no mundo. Um dos projectos para o próximo ano é uma tournée que vai levar o grupo a Portugal e a Itália. Com 63 elementos, de cerca de 15 países diferentes, a estratégia delineada pelo director artístico é desenvolver o nível dos músicos e melhorar a qualidade do som. “Quero continuar a trabalhar para nos mantermos ao melhor nível e ser uma das melhores da Ásia, porque primeiro está a

Orquestra de Macau inicia 9.ª temporada no domingo

Sonhos em forma de música música. Mas precisamos mesmo de um espaço com uma boa acústica para ensaiar”, afirmou. Um palco e uma sala de ensaios são as grandes lacunas apontadas pelo maestro. “As maiores dificuldades são a falta de um espaço de ensaio e com uma boa acústica e nem sempre temos o palco do Centro Cultural”, argumentou ainda. Como perspectivas de futuro, o director artístico quer continuar a colaborar com outros músicos, nomeadamente com fadistas. “Já o fizemos e o fado é um estilo especial e muito interessante. Além de fazer sentido a nível cultural”, disse também o director. Com o pé na estrada, a nova temporada leva novamente o grupo à China e nos planos está

UM MAESTRO DO MUNDO

Nasceu no seio de uma família de músicos de Xangai no início dos anos 60. Sonhava ser explorador, por causa dos livros de aventura que lia, ou professor de Filosofia e História. Mas cedo iniciou os estudos de piano e violoncelo, que lhe traçaram o destino. Mais tarde, estudou direcção de orquestra no Conservatório Central de Música em Pequim. Formou-se um ano em 1987 com distinção. No ano seguinte, escolheu a Europa, pela qual se confessa apaixonado, para prosseguir os estudos e matriculou-se na Universidade de Artes de Berlim. Na última década e meia, dirigiu mais de 2000 concertos e óperas na Europa e nas Américas e colaborou com mais de cem teatros de ópera e orquestras. Lu Jia foi o primeiro maestro chinês a dirigir a Chicago Symphony Orchestra e a gravar as obras completas do compositor alemão Felix Mendelssohn. Na Itália e na Alemanha, dirigiu quase 50 óperas. Compor faz parte dos planos pessoais do artista, mas não o quer fazer a tempo inteiro. “Se sentes, escreves”, argumentou. O mundo fascina-o e tem muito para ver. Do Portugal, ao Brasil, fazendo paragem por África, o maestro quer explorar e conhecer novas culturas e pessoas e talvez cruzar géneros musicais.

ainda a gravação de um novo CD com um compositor chinês.

AUDIÊNCIA DE CASA CHEIA

O público de Macau ainda ouve música clássica e começa, cada vez mais, a agradar-se pela melodia. “Parece que as pessoas começam a reagir e gostam de nos ouvir. Há um grupo estável que vem sempre ver os nossos concertos”, explicou Lu Jia. A responsabilidade de dar um bom espectáculo acresce e há que ter atenção na hora de escolher o repertório. “Como em qualquer tipo de música, se não for bem tocada e não for boa as pessoas adormecem. Cada concerto é um desafio”, afirma o maestro com um sorriso. O critério de escolha depende, assim, daquilo que o director artístico sente que o público quer ouvir e o toque final é combinar uma música mais popular com outra mais erudita, para poder ter um repertório variado e que agrade a qualquer tipo de audiência. Lu Jia admitiu que a população de Macau ainda tem um desconhecimento grande sobre a música sinfónica. O segredo para atrair público é tocar com sentimento. “A audiência pode não entender a linguagem, por isso temos que dar vida às notas, não basta tocá-las, temos que lhes dar sentido, um verdadeiro sentimento e arte”, disse o músico chinês. O maestro Lu Jia tem como

grande aposta do seu trabalho a escolha das músicas. “Comigo tem que de ter o melhor repertório, mas demora. Talvez daqui a três, cinco anos isso aconteça”, explicou.

APOSTA NA CULTURA

Para realizar todos estes projectos é preciso apoios e investimentos. Lu Jia mostra-se confiante na aposta que Pequim tem vindo a fazer no panorama cultural de Macau. Do Governo local também já começa a haver atenção às artes que por cá se fazem. “Para podermos contratar os melhores músicos, ter um espa-

ço, fazer tournées internacionais e formar talentos, precisamos de alguém que nos apoie”, apelou o artista. Passar a fronteira da Ásia é importante para a Orquestra de Macau. Segundo a opinião do músico, é a forma ideal para divulgar mais a cultura da região além fronteiras. “Macau é muito importante na China. A história do território é bem mais antiga que a de Cantão ou Pequim e é uma ponte entre culturas. Tem um papel histórico e cultural rico, por isso temos que fazer cada vez mais”, sublinhou.

Temporada de concertos • 4 de Setembro Concerto de Gala da Temporada 2011-2012: Virtuosismo Explosivo Centro Cultural de Macau - Grande Auditório • De 7 a 9 de Setembro Viagem ao Mundo da Música - Representações Musicais da Vida Centro Cultural de Macau - Grande Auditório • 17 de Setembro Artes Florescentes Igreja de S. Domingos • 24 de Setembro Reflexões do Espírito Nacional Teatro D. Pedro V • 16 de Outubro XXV Festival Internacional de Música de Macau A Combinação Perfeita - Concerto Comemorativo do P. Matteo Ricci Centro Cultural de Macau - Grande Auditório


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ENTREVISTA

Paula Balonas, professora de música

GONÇALO LOBO PINHEIRO

“A música é um meio privilegiado de influenc

A

O todo são dez anos a ensinar música em Macau. Regressa a Portugal por opção pessoal, mas os melhores anos de vida profissional foram neste Oriente. Paula Balonas dá como muito positivo o balanço final. E fala dos muitos estímulos recebidos. Novamente, o regresso à escola Ruy Belo em Queluz. Porquê? Porque é a minha escola base e porque foi uma decisão meramente pessoal. Teve duas experiências em Macau em tempos diferentes: com administração portuguesa, depois com governo local. Na escola, no seu trabalho, sentiu alguma diferença substancial? Que eu tenha sentido, não. Nem para melhor nem para pior. Felizmente tive sempre as condições que pedi para trabalhar. Acho que, de alguma maneira, sou privilegiada, pois entro na sala e a minha relação é de professor-aluno, estamos ali para fazer música, para gostar do que fazemos, nunca houve, nem antes nem depois, grandes objecções ao que me propus fazer. A Escola Portuguesa de Macau é rica na diversidade cultural dos seus alunos. Não significa que sejam todos iguais na sua maneira de conviver, reflectir, reagir? As crianças são produto das famílias que têm, do meio onde vivem e também de todas as influências externas que possam receber. Aqui, falo com eles sobre algumas coisas que, por certo, não abordo em Portugal, e o inverso também é verdadeiro, pois são realidades desconhecidas num lado ou no outro. Falar, em Macau, de uma viagem até às praias da Tailândia, não é nenhuma coisa de invulgar, é quase como uma rotina. Em Portugal seria um acontecimento ou nada lhes diria, precisamente por estar muito distante da realidade deles. Tal como os pais não são exactamente iguais pelas mesmas razões. Os pais dos alunos são mais participativos em Macau, mais interventivos? Geralmente, em Macau os pais são mais interventivos, mais activamente interessados, são geralmente pessoas muito mais escolarizadas e que observam a escola como um investimento para o futuros dos filhos.

Falando apenas da realidade da minha escola em Monte Abraão, Queluz, a realidade não é tão assim, é uma escola TEIP que quer dizer Território Educativo de Intervenção Prioritária, policiada à entrada, com casos de agressão a funcionários e até a professores. Há dois anos servia 200 refeições por dia, ou seja 200 pequenos almoços, geralmente a única refeição que as crianças tinham. Também com uma grande diversidade cultural, embora algo diferente da diversidade que existe na EPM. Como professora de música, detecta mais inclinação para a aprendizagem dessa matéria, em alunos de determinadas origens? O que as crianças mais ouvem, em termos de cultura africana, é o kuduro e música de dança, não tanto por serem ritmos de inspiração africana, mas é muito porque se ouve com enorme frequência. Por outro lado, naturalmente que os alunos de origem africana são naturalmente digamos que mais aptos para a música, para a dança, para o movimento; são muito reactivos, ouvem música e mexemse, reagem. Na suas aulas, quando coloca música para audição dos alunos, segue os seus gostos pessoais? Não, nem isso pode ser assim. Tento adaptar ao meio. Por exemplo, em Portugal posso seguir um critério e aqui seguir outro. Em termos de conteúdos programáticos, esses têm de ser seguidos. Depois, o que se faz a partir daí, deve ser uma opção do


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com Helder Fernando

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ciar atitudes” professor. Faço aquilo que gosto e procuro que sejam exemplos para os quais eu esteja muito motivada. É natural que só estando muito motivada é possível motivar os miúdos, eles têm de me sentir sempre entusiasmada, de brilho no olho, para os ver também emocionados, entusiasmados com o que estão aprendendo. Claro que na EPM é possível realizarmos

“Geralmente, em Macau os pais são mais interventivos, mais activamente interessados, são geralmente pessoas muito mais escolarizadas e que observam a escola como um investimento para o futuros dos filhos” festas e outros eventos de maiores dimensões do que, por exemplo, na minha escola em Queluz. Aqui há mais e melhores condições, os horários dos alunos são melhores. O célebre entusiasmo que coloca na sua actividade, nasce do gostar da música ou do gostar de ensinar os mais novos? Penso sempre neles, prioritariamente. Tudo o que faço e penso no que respeita ao meu trabalho, eles estão sempre em primeiro lugar. Se eu gosto tanto de música, e gostando tanto

deles, forçosamente gosto muito que eles gostem de realizar coisas à volta da música; é isso que sempre lhes transmito. Depois, faço-o também por mim, é evidente, uma forma de me sentir feliz. As aulas de música estimulam o aparecimento de melhores resultados escolares nas outras disciplinas? Não sei se é ou não politicamente correcto o que vou dizer, mas acho que a música é um meio privilegiadíssimo para moldar comportamentos, para influenciar atitudes. Competeme como professora, estar atenta a essa circunstância, pois se a música tem as vantagens que mencionei - e outras - também a pessoa é importante. Por isso compete-me, como pessoa, ter uma maneira de estar perante os alunos e perante a matéria que ensino. Nós aprendemos imitando, precisamos de modelos; se gostamos, naturalmente que tentamos fazer semelhante. Se os alunos não gostarem ou não virem na professora um modelo de que gostem, a música pode ser fantástica, mas a minha mensagem pedagógica não chega aos alunos. Não é somente a música que molda comportamentos; quem ensina tem uma responsabilidade enorme, pois a relação humana é indispensável. Em alguma ocasião algum familiar de aluno lhe manifestou desacordo com a escolha do reportório de canções para uma qualquer festa da escola? Devo dizer que sim. Por exemplo, numa festa de comemoração do 25 de Abril. Conto às crianças, em termos muito primários que houve, na história do país, uma época em que havia uma guerra para onde eram mandadas pessoas que às vezes morriam, as guerras são horríveis, o dinheiro era preciso para a guerra, portanto muitas pessoas viviam com grandes dificuldades, muitas vezes para sobreviverem tinham de fingir que eram amigos e que concordavam com tudo, mas que havia uns falsos amigos que espiavam a vida de muita gente. Enfim, explicações muito simples para introduzir o contexto de uma ou outra canção, até porque muitas das letras foram concebidas com bastantes metáforas. CONTINUA NA PÁGINA SEGUINTE

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ENTREVISTA

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CONTINUAÇÃO DA PÁGINA ANTERIOR

Então, foi confrontada por alguns pais? Em Macau, isso aconteceu. Pais de um aluno disseram-me, embora não directamente, mas através de outro professor, para eu não ir muito por aí, para não dizer mal dos ricos. Claro que nunca disse mal dos ricos, foi uma interpretação errada. O certo é que temos de explicar algum conteúdo de algumas letras, as crianças não são papagaios para estar a cantar uma coisa que não entendem. Foi apenas um exemplo, porque da parte da direcção da escola tive sempre a confiança total para levar por diante os eventos, concertos, festas, etc., que eram agendados. Detectou em algum aluno ou alunos, aptidões acima da média, possíveis de imaginar uma carreira musical? Têm sempre de ser eles a escolher. Mas sim, detectei alguns casos de alunos com fortes capacidades, extremamente dotados para a música. Isso aconteceu em alunos de várias origens. No conjunto, leccionou dez anos em Macau. Que momentos, exemplos mais a marcaram? Francamente, acho que tudo me marcou para sempre, felizmente. Uma coisa posso afirmar convictamente: os melhores anos da minha vida profissional foram em Macau. Mesmo assim, vira costas aos “melhores anos” da sua vida profissional. Já lhe disse no início. Por motivos pessoalíssimos. Paula Balonas, professora de música “A música é um meio privilegiado de influenciar atitudes”Sim, não só mas também. Mas virei visitar Macau sempre que me for possível, isso é certo. Para o ano venho cá de férias. O que a trouxe para o mundo da música? O gostar. Pedi aos meus pais para me colocarem no Conservatório, e assim foi. Mas podia ter seguido uma carreira musical como instrumentista. Não me estou a ver como instrumentista, na frente de um palco, não é o meu perfil. O que gosto mesmo é de ensinar. Sou mais de bastidores, imaginar, conceber, organizar, mobilizar, isso eu gosto. E de ver as crianças entusiasmadas com o que estão descobrindo e fazendo.

“Pais de um aluno disseram-me, embora não directamente, mas através de outro professor, para eu não ir muito por aí, para não dizer mal dos ricos. Claro que nunca disse mal dos ricos, foi uma interpretação errada. O certo é que temos de explicar algum conteúdo de algumas letras, as crianças não são papagaios para estar a cantar uma coisa que não entendem” O seu trabalho tem sido alvo de estímulos, nomeadamente as direcções das escolas onde tem ensinado? Recebi muitos estímulos de muitas pessoas. Nas escolas onde pouco se pode fazer, onde há quase nada, quando se faz, isso é muito valorizado. Onde existe

muita fartura, a tendência, por vezes, é subvalorizar. Contas feitas, o balanço é muito positivo. Da parte dos alunos, 300 por cento; eles são os meus principais motivadores, os que me dão a maior energia, a maior vontade de fazer mais. Depois, muito apoiada pelos pais das crianças,

eles confiaram cegamente em mim e me apoiaram muito, muito, muito. Em coisas que organizámos às vezes em cima da hora, nunca tive ninguém a retira-me apoio, pelo contrário, os pais dos alunos fora de uma solidariedade e compreensão a qualquer dia e hora, digna da maior nota. Recordo um espectáculo lindíssimo que o Exército de Libertação ofereceu a Macau. O Instituto Cultural fez o convite para participar com os nossos miúdos. Foi um mega espectáculo muito bonito que obrigou a duas semanas de ensaios diários, horas seguidas. Pois os alunos tiveram sempre uma atitude extraordinária,

um comportamento exemplar. Chegaram a sair às 11 e tal da noite. Somente com familiares dos alunos, principalmente dos mais novos, a respeitarem o nosso trabalho, a apreciá-lo, é possível levar por diante tanta coisa bonita que fizemos em conjunto. Algum comentário sobre eventual mudança de instalações da EPM? Ainda bem que eu cá não estou! Isso quer dizer exactamente o quê? Quer dizer que acho que a escola está muito bem onde está, que é um excelente estabelecimento, instalações muito bonitas, bem localizada. Que mensagem lhes dá ou deu na hora da partida? Fundamentalmente, a mensagem do meu grande desejo que sejam imensamente felizes, que tenho já muitas saudades deles, e que se forem felizes com música, melhor ainda. Se eu tiver feito alguma coisa que tenha contribuído para os seus momentos de felicidade, eu também fico muito feliz por isso.

A contagiante sinfonia da professora A educação musical, mais do que provado, é um meio importantíssimo na transmissão de conhecimentos, na moldagem da índole. O entusiasmo, a energia mobilizadora praticamente imparável da professora de música Paula Balonas, as suas ideias contagiantes, tudo isso é reconhecido e aplaudido com frequência. Nascida em Castelo Branco, a escola referencial de Paula Balonas, antes da vinda até Macau, da primeira vez em 1994, é a Escola Ruy Belo no Monte Abraão em Queluz. Para onde regressa, dentro de poucos dias. As duas etapas em Macau - 1994-98 e 2005- 2011 - têm enorme relevância na vida profissional, e provavelmente pessoal, desta professora de música. A decisão por este Oriente passou bastante pelo tal “fascínio” consentido à distância, pela vontade de conhecer o outro, outros respirares e novas experiências. Paula movimentouse, insistiu, até ser requisitada pelo então chamado Gabinete de Macau em Lisboa. Durante quatro anos leccionou no Colégio D. Bosco, embora no último desses anos, 97-98, tenha acumulado com a escola primária do então Liceu de Macau. Por decisão pessoal, volta a ensinar música na Ruy Belo em Queluz, “a minha escola”. Só que o embate foi muito grande, “eu ia do céu e cai no inferno, porque o Monte Abraão, nessa altura era um verdadeiro inferno social”, lembra. De certa forma, foi um bálsamo a oportunidade de trabalhar no Instituto Português da Juventude coordenando uma série de programas juvenis. Recorda que foi bastante positivo esse trabalho muito próximo das actividades artísticas, lançamento de bandas, grupos de teatro, etc., ia assistir a todas essas realizações, bons momentos e um trabalho de que gostei muito. O lado menos bom estava relacionado com os aspectos burocráticos, o trabalho de

secretária, administrativo, jogos de cintura, questões políticas, na frente uma coisa por trás é outra, essas coisas percebo-as, mas não fazem muito o meu género, daí ter começado a sentir que devia ir para outro lado qualquer”. Um anúncio na imprensa, de uma escola particular no Restelo, para professores veiculados ao quadro, levou Paula Balonas a inscrever-se e a ser chamada para trabalhar no Centro Helen Keller, uma escola de vocação inclusiva de alunos com deficiência visual. “Uma escola absolutamente normal que vai do 1.º ao 9.º ano, com turmas um pouco mais reduzidas, 14 ou 15 alunos; fui para lá dar música, uma experiência muito interessante”.

Ali aprendeu a ler pelo sistema “Braille” e ainda hoje está habilitada a fazê-lo. Nessa escola, estabelecimento com cultura própria, uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social), com familiares dos alunos muito interessados e estes muito mais motivados, Paula Balonas conseguiu organizar festas com os alunos, o que na Ruy Belo era difícil de conseguir por falta de meios. Até que um dia, telefonema de Macau em forma de convite, a mobilizam para a Escola Portuguesa onde permanece seis anos consecutivos, educando musicalmente alunos do 1.º e 2.º ciclos. Por opção pessoalíssima, a professora regressa a Portugal dentro de dias. Deixa o encanto das suas descobertas pela música chinesa e os trabalhos que também realizou com os alunos, neste âmbito. E ficam na memória colectiva as demais obras que aqui realizou, os prémios que os seus alunos ganharam, as vontades que conseguiu mobilizar, o empenho e a competência. tantos musicais realizados, tantas Festas da Música, Concursos de Canto, tanta comemoração de efemérides como o 10 de Junho ou o 25 de Abril, as Festas de Natal ou os 250 anos do nascimento de Mozart. Neste espaço de opinião, obviamente diferenciado da factualidade da entrevista publicada aqui ao lado, é também dever registar, não tendo eu familiares em idade escolar, os deslumbramentos que Paula Balonas proporcionou através do seu trabalho. Quantas ocasiões o jornalista viu pais e outros familiares emocionadíssimos naquelas festas, récitas, ou musicais de vária ordem, por descobrirem nos filhos aquilo que nunca imaginaram eles seriam capazes de fazer. Quando assim é, qualquer balanço que se faça é sempre altamente positivo. - H.F.


DESPORTO Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

L

AM Pak, Monte Carlo, Ka I. Os candidatos crónicos ao triunfo no principal Campeonato de Futebol de Sete de Macau continuam sem desiludir na presente edição da competição e esta semana voltaram a somar pontos na árdua caminhada rumo à segunda fase da prova. Mais promissor na “Bolinha” do que nas lides do futebol de onze, o Lam Pak voltou a levar de vencida um encontro por margem confortável, ao derrotar a sempre difícil formação do Kuan Tai por três bolas a uma. O grupo de trabalho orientado pelo veterano Chan Man Kin saltou para a frente do marcador logo aos oito minutos, numa boa jogada de ataque do sete azul e branco concluída por Yiu Hok Man, jogador da República Popular da China. Em desvantagem, o Kuan Tai estugou o passo e ainda consegui repor a igualdade no placard, valendo-se de uma boa jogada individual de Tang Chi Hong. A quatro minutos do fim da primeira metade, o dianteiro do conjunto “canarinho” fintou meia defesa adversária antes de disparar com um toque para o fundo das redes adversárias. O LamPak só na recta final do encontro voltou a chamar a si as rédeas da partida e aos 38 minutos voltou a colocar-se em vantagem, por intermédio do suplente Ho Man Hou. O atleta, que tinha saltado do banco três minutos antes, teve um papel essencial no triunfo da formação azul e branca, mas não foi responsável por encerrar as contas a favor do Lam Pak. Yiu Hok Man chamou a si o estatuto de homem da noite, ao marcar o segundo golo da conta pessoal a dois minutos do fim da partida. Numa jornada em que tudo lhe correu de feição, o conjunto orientado por Chan Man Kin rentabilizou o deslize do Futebol Clube do Porto frente à formação do Taxi Friend’s e saltou para a frente da classificação do Grupo B, com dois pontos de vantagem sobre os dragões. Nas contas do Grupo A, o Windsor Arch Ka I venceu e convenceu perante o Pau Peng, derrotando a formação do Artilheiros por quatro bolas a uma. Depois de ter consentido um empate sem golos frente ao Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública, o emblema bicampeão nas lides do futebol de onze regressou aos bons resultados, num encontro em que Nicholas Torrão esteve em destaque. O avançado internacional

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Futebol | Polícia empata sem golos com Lai Chi

Lam Pak vence e convence marcou por duas ocasiões, mas não lhe coube a ele, nem ao Ka I a tarefa de inaugurar o marcador. À passagem do quarto de hora, Tam Wai Meng colocou em cheque a ambição da formação orientada por Rui Cardoso, ao impulsionar o Pau Peng para a frente do placard.

O empate chegou já nos segundos finais da primeira metade, numa jogada concluída por Torrão. O dianteiro do Ka I voltou a chamar a si um papel preponderante na segunda metade, consumando a reviravolta no marcador aos trinta e três minutos. Dois minutos depois,

Christopher Nwardou consolidou a vantagem do Windsor Arch Ka I e a três minutos do fim, o macaense Luís Amorim elevou o triunfo ao estatuto de goleada ao apontar o quarto e derradeiro golo dos campeões de futebol de onze no quarto desafio da temporada. No outro

encontro do grupo A do principal campeonato de “Bolinha” de Macau, Lai Chi e Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública empataram sem golos, naquele que foi o segundo nulo consecutivo do sete das forças de segurança do território.

RICARDO CARVALHO RENUNCIA À SELECÇÃO DE PORTUGAL

Desrespeitado e ferido O

defesa central Ricardo Carvalho renunciou na noite de quarta-feira à selecção nacional de Portugal, por se sentir “desrespeitado e ferido” na sua dignidade. Em comunicado, o jogador do Real Madrid, que abandonou o estágio em Óbidos sem dar qualquer esclarecimento, diz que se viu forçado a tomar esta decisão por se sentir “a mais” na equipa das quinas. “Se me fazem sentir a mais e não mo dizem, a única possibilidade é a saída”, refere Ricardo Carvalho, esclarecendo que se sente “em plena forma física e também mental”. “Tendo cumprido 75 internacionalizações e sido profundamente dedicado à defesa do bom-nome da equipa das “quinas”, nunca antes

me senti tão desrespeitado e ferido na minha dignidade. Entre os meus pares, sou apenas mais um atleta. No entanto, mereço também, como os outros, consideração e respeito”, sublinha, argumentando que uma equipa se faz de “companheirismo, de união e de abnegação por uma causa maior”. Ricardo Carvalho esclarece que não tencionava terminar o percurso na Selecção Nacional desta forma, sendo que o faz “consciente e convicto” de sempre ter honrado o país. O vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Amândio de Carvalho, mostrou-se surpreendido com o sucedido e afirmou desconhecer o teor dos esclarecimentos do central do

Real Madrid. “Desconheço em absoluto o teor dos esclarecimentos de Ricardo Carvalho, não sei ao que ele se refere quando fala de falta de dignidade, porque toda a gente ficou surpreendida com o que se passou e só demos pela falta dele à hora do almoço”, disse à chegada da comitiva lusa a Larnaca, no Chipre. “Não houve qualquer situação menos correcta entre os jogadores e a equipa técnica. Não podemos responder porque não sabemos a que ele se refere”, explicou o vice-presidente da FPF. O seleccionador português, Paulo Bento, também já fez saber que Ricardo Carvalho não será substituído por qualquer outro central na convocatória para o jogo com o Chipre.


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DESPORTO

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RAUL MEIRELES CONFIRMADO NO CHELSEA

O Chelsea confirmou a contratação de Raul Meireles ao Liverpool. O internacional português assinou por quatro temporadas com o clube londrino e usará o número 16 nas costas. A transferência já foi confirmada pelo clube londrino, que é treinado por André Villas Boas. “O Chelsea Football Club tem o prazer de anunciar que assinou com Raul Meireles, proveniente do Liverpool, num contrato com a duração de quatro anos”, anunciou o emblema londrino em comunicado. No Chelsea, Raul Meireles, 28 anos, vai actuar ao lado de Paulo Ferreira, Hilário e Bosingwa.

HONG KONG AUTOMOBILE ASSOCIATION APELA À COOPERAÇÃO NA REGIÃO DO RIO DAS PÉROLAS

Triângulo do Delta deve almejar F1 Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo

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presidente do Hong Kong Automobile Association (HKAA), Wesley Wan, acredita que com esforço mútuo e tripartido, a região do Delta do Rio das Pérolas será capaz num futuro próximo organizar um Grande Prémio de Fórmula 1 na região. Num artigo de opinião escrito na popular revista “Automobile”, de Hong Kong, Wan explicou que pela sua dimensão e mercado “a República Popular da China merece um segundo Grande Prémio no seu país no futuro próximo” e a melhor colocação para esse evento seria “numa zona entre Hong Kong e Shenzhen, e financiado por Hong Kong e pela província de Guangdong, pois a organização de um Grande Prémio é dispendiosa e não PUB

seria economicamente favorável para um só governo local”. De acordo com o próprio, para as cidades do Delta do Rio das Pérolas este projecto seria de maior relevância pois “não houve nenhum grande evento desde o sucesso dos Jogos Asiáticos em Cantão. Por seu lado, Hong Kong precisa de um grande evento motorizado para provar ao mundo o nome da cidade”, refere Wan que enalteceu as potencialidades do triângulo da foz o Zhu Jiang. Nos últimos anos houve vários projectos para construir um circuito capaz de receber a caravana do “Grande Circo” na região, mas nenhum triunfou. Hong Kong chegou a ser apontada como ponto de passagem da Fórmula 1

no final da década de 90, mas o almejado autódromo de Lautau Park não saiu do papel. O Circuito Internacional de Zhuhai, na cidade chinesa adjacente a Macau, e que fez mesmo parte de um calendário

provisório da FIA, desde da sua nascença pecou por não ter as infra-estruturas básicas necessárias para suportar um evento desta envergadura, e o Circuito da Guia, no coração da RAEM, dificilmente receberá a Fórmula 1 sem que o traçado sofra profundas alterações que haveriam de colidir com o intocável património histórico do território. Apesar dos fracassos anteriores, o dirigente da associação de automobilismo da ex-colónia inglesa acredita num “evento internacional sob o lema ‘um país, dois sistemas’, com a cooperação organizativa das duas RAE’s”, dada experiência de mais de meio século acumulada pelas gentes de Macau na organização deste tipo de eventos desportivos. Wan também confessou que “depois da exibição de um Fórmula 1 nas ruas de Hong Kong”, do passado mês de Junho, num território onde o governo olha com algum desdém este desporto, “tudo é possível”.


IDEIAS

Wen Tzu perguntou: qual é a base da lei? Lao Tzu disse: A lei emerge da justiça, a justiça emerge daquilo que é apropriado para as massas e, aquilo que é apropriado para as massas é o que se conforma à mente das pessoas. Esta é a essência da ordem. A lei não desce do céu, nem ascende da terra, mas é inventada pela reflexão e aperfeiçoamento humanos. Se chegares verdadeiramente à raiz, não serás confundido pelos ramos; se conheceres o essencial, não te confundirá qualquer dúvida. Aquilo que descobres em ti, não negas aos outros; se não o descobrires em ti, não responsabilizes o teu estatuto. Aquilo que está estabelecido entre as camadas inferiores, não deve ser ignorado nas superiores; aquilo que é proibido às pessoas comuns

não deve ser praticado por indivíduos privilegiados. Assim, quando os líderes humanos criam leis, devem primeiro aplicá-las a si próprios de modo a testá-las e experimentá-las. Desse modo, se um regulamento funciona para os próprios líderes, é possível aplicá-lo ao povo. As leis são os fios de prumo de um país, as medidas usadas por líderes humanos, as regras estabelecidas que regem a desordem. Depois de se estabelecerem leis, aqueles que as seguem são recompensados, enquanto que os que não vivem segundo elas são castigados. Mesmo que se seja rico e nobre, a recompensas não devem ser reduzidas; mesmo que se seja pobre e plebeu, os castigos não devem ser aumentados; os que violam a lei devem ser claramente punidos, mesmo que sejam bons; aqueles que seguem a lei devem ser considerados inocentes, mesmo

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文子 Wen Zi

Se conheceres o essencial, não te confundirá qualquer dúvida.

CAPÍTULO 161

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A COMPREENSÃO DOS MISTÉRIOS

que sejam imprestáveis. Por este motivo se pratica a imparcialidade e se bloqueiam os desejos privados. Em tempos recuados, foram criados postos oficiais para impedir que o povo se tornasse demasiado egoísta e foram criados líderes para controlar os oficiais e impedir que funcionassem de modo autocrático. As leis e as artes da Via são meios para controlar os líderes e impedi-los de tomarem decisões arbitrárias. Se ninguém puder ser auto-indulgente, a Via prevalecerá e se atingirá a razão. Por isso, regressa à simplicidade, sem artificio. Ausência de artificio não significa inacção, significa adaptar-se ao que já está em movimento. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

O texto conhecido por Wen Tzu, ou Wen Zi, tem por subtítulo a expressão “A Compreensão dos Mistérios”. Este subtítulo honorífico teve origem na renascença taoista da Dinastia Tang, embora o texto fosse conhecido e estudado desde pelo menos quatro a três séculos antes da era comum. O Wen Tzu terá sido compilado por um discípulo de Lao Tzu, sendo muito do seu conteúdo atribuído ao próprio Lao Tzu. O historiador Su Ma Qian (145-90 a.C.) dá nota destes factos nos seus “Registos do Grande Historiador” compostos durante a predominantemente confucionista Dinastia Han. A obra parece consistir de um destilar do corpus central da sabedoria Taoista constituído pelo Tao Te Qing, pelo Chuang Tzu e pelo Huainan-zi. Para esta versão portuguesa foi utilizada a primeira e, até à data, única tradução inglesa do texto, da autoria do Professor Thomas Cleary, publicada em Taoist Classics, Volume I, Shambala, Boston 2003. Foi ainda utilizada uma versão do texto chinês editada por Shiung Duen Sheng e publicada online.


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IDEIAS

18 p er sp ect i va s Jorge Rodrigues Simão

Princípio cautelar “It took a year of discussion before a version of precaution appeared in the Rio Declaration of 1992. Even then, the line was to encourage action rather than inaction only when there was substantial evidence of irreversible harm.” The Precautionary Principle in the 20th Century: Late Lessons Early Warnings Paul Harremoes, David Gee, Malcom MacGarvin and Andy Stirling

A

imprevisibilidade de muitos fenómenos naturais e o nível de entendimento indubitavelmente limitado que a ciência ecológica consegue aplicar à maioria dos sistemas têm obrigado cada vez mais políticos e gestores, a reconhecerem que até os melhores conselhos vindos da comunidade científica, devem revestir-se de uma certa cautela. O principio cautelar constitui actualmente um dos principais mecanismos que os países desenvolvidos, através dos seus planos de acção para a biodiversidade, tencionam cumprir as suas obrigações no âmbito da “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Convenção sobre Diversidade Biológica”, assinada no Rio de Janeiro e que decorreu entre 5 e 14 de Junho de 1992. Nestes compromissos internacionais, reconheceu-se explicitamente a necessidade de ser prudente, quando se tomam decisões que possam afectar a biodiversidade natural de uma região, ou influenciar a sustentabilidade natural de uma zona. O principio cautelar é reconhecido pela maioria das legislações dos ditos países, pela afirmação de que as interacções dos sistemas naturais são complexas e sempre que exista uma hipótese significativa da biodiversidade ser afectada, devem ser tomadas medidas de conservação, mesmo na falta de provas cientificas conclusivas de que o dano irá ocorrer. Este conceito suscitou uma viva reacção na altura de certos quadrantes científicos. Um conjunto de textos particularmente esclarecedores, publicados entre 1990 e 1992 no “Maritime Pollution Bulletin”, analisa as várias implicações desta concepção, ao mesmo tempo que o cientista industrial Alex Milne lançava um vigoroso ataque ao princípio cautelar na revista “New Scientist”, de 12de Junho de 1993. Defendia que o ónus da prova que o princípio cautelar colocava na indústria, constituía um dever não só demasiado oneroso como também inaceitável. Na sua opinião, o principio cautelar não é saudável nem científico, porque a definição, que deriva de um conceito alemão, diz que se deve agir antes de se ter alcançado a prova científica definitiva, da existência de elos causais entre a emissão e o efeito; o

princípio recomenda que a acção seja anterior à determinação total dos limites nocivos; a prova da não existência de dano é impossível de demonstrar, e o princípio cautelar é um tipo de filosofia moral, mais do que um princípio científico rigoroso. Se analisarmos a última situação colocada por Alex Milne, quase todos os cientistas e ecologistas concordariam. O principio cautelar é de facto um método filosófico, mas porque a relação da humanidade com o mundo exterior é geralmente uma questão subjectiva e moral, e não tanto algo que pode ser definido pela ciência. A ciência, evidentemente não possui juízos de valor, e portanto o conceito de dano, e o desejo de evitá-lo, não podem ocorrer num mundo ordenado estritamente por princípios científicos. No pensamento de Alex Milne, os cientistas que dedicaram toda a sua vida profissional ao estudo de uma única espécie, não devem encarar a extinção da espécie que escolheram, senão como um discernimento frio e científico. Numa perspectiva objectiva e científica, a extinção cria uma oportunidade de investigar o impacto que a perda dessa espécie teria no ecossistema envolvente. Também cria um espaço para a exploração de outras espécies, ou até para a evolução de novas espécies, e deste modo, o cientista passa a contar com um filão de investigação tão rico, como o que a espécie agora extinta proporcionara. No entanto, poucos cientistas proporiam que uma espécie fosse empurrada para o limiar da extinção, para que se pudessem estudar as interacções do ecossistema. A concepção antropocêntrica dos cuidados ambientais, ordena que mantenhamos um conjunto estável de condições, minimizando as extinções e as perturbações acentuadas, para assegurarmos que nós, e as gerações futuras, sobreviveremos e consumiremos os recursos da Terra de uma forma sustentada. Isto não é justificável por qualquer princípio científico, mas é um conceito generalizado, mesmo entre os cientistas, porque nós, enquanto espécie, merecemos sobreviver. Alex Milne sugere que o tipo de filosofia mora implícita no princípio cautelar é um pouco invulgar, mas os cientistas estão sempre sujeitos a esses limites morais. Algumas situações são aceitáveis para a sociedade e outras não são. O passado recente contém exemplos aterradores de práticas científicas extremas e grotescas que podem ocorrer quando esses limites morais são levantados. A memória das experiências realizadas em nome da ciência por Joseph Mengele nas vítimas de campos de concentração é uma mancha negra no oceano da ciência objectiva. A verdade é que a sociedade impõe restrições

Os textos que versam sobre temas ambientais e que visam igualmente o esclarecimento científico de um problema deveriam, em princípio, incluir uma lista de todos os factores que pudessem influenciar os resultados, mas que não foram investigados, além de uma avaliação superficial e breve das implicações possíveis dessas omissões objectivas aos cientistas e ao seu trabalho, porque assenta largamente em valores e juízos de valor. Nas questões ambientais, a sociedade declarou que os cientistas deviam certificar-se antes de fazerem qualquer coisa, tal como esperam que os engenheiros tenham certezas quando constroem edifícios, pontes, túneis, torres, porque uma proposta para alterar o ambiente não pode comparar-se a uma experiência laboratorial realizada em condições controladas. Uma ponte, por exemplo, que se transforme numa “Galloping Gertie” só é perigosa ou inconveniente para aqueles que quiserem atravessar o rio, mas todos temos de suportar as consequências, quando um cientista objectivo abre inadvertidamente uma caixa de “Pandora”. Um dos maiores estadistas do século XX, Winstom Churchill expressou esta desconfiança ao observar que os cientistas deviam estar de sobreaviso, e não numa posição magistral. Talvez seja verdade

que não é possível provar de uma forma conclusiva, se uma substância ou um acto são nocivos. Isto porque, em última análise, tudo provoca um certo impacto. Como é óbvio, as experiências químicas que provam a insolubilidade de uma substância são, no entanto, irrelevantes se esta for lançada ao mar em grandes quantidades que destruirão os ecossistemas marinhos existentes. Pelo contrário, a construção de uma estrada que atravesse uma turfeira sensível em termos hidrológicos, pode envolver a utilização de uma substância inerte. Se forem necessários escoadouros marginais profundos para evitar que seja arrastada, a presença de matéria inerte pode não ser um problema em si (excepto para a zona do “habitat” sepultada pela referida matéria); sê-lo-ia a infra-estrutura de drenagem necessária para mantê-la. O contexto do mundo real no qual uma substância ou um acto podem ser relevantes, é assim um elemento vital para a determinação de um potencial dano, mas a antecipação de todos os contextos possíveis e a avaliação dos seus efeitos, superam o modelo ambiental mais sofisticado. O escritor Fred Pearce no seu livro “The Damned”, enumerou as consequências que se seguiram à construção da barragem de Assuão, no Egipto. Estas dizem respeito a aspectos tão distintos como o desaparecimento da sardinha mediterrânica, que em tempos idos crescia no delta do rio Nilo, a propagação da bilharziose e da esquistosomíase, o desaparecimento de depósitos aluvionares nas herdades do vale do Nilo, a falta de argila fresca à indústria do tijolo, a erosão generalizada do delta do Nilo e dos seus terrenos agrícolas, a inundação das defesas da orla costeira e a acumulação de sal nas terras de cultivo. Este último problema foi atalhado por um sistema cujos custos foram superiores aos da construção da barragem. As complicações impostas neste caso, e em todos os que implicam a construção de infra-estruturas pelo contexto da vida real, são claramente dominantes pela sua complexidade. É impossível medir todos os aspectos, que integram e que estão relacionados com um ecossistema. Os textos que versam sobre temas ambientais e que visam igualmente o esclarecimento científico de um problema deveriam, em princípio, incluir uma lista de todos os factores que pudessem influenciar os resultados, mas que não foram investigados, além de uma avaliação superficial e breve das implicações possíveis dessas omissões. Trata-se de um tipo de textos científicos muito diferentes daqueles textos que descrevem experiências mais tradicionais realizadas em condições controladas. Essa honestidade desconcertante tornaria a leitura interessante e talvez fomentasse o debate e a investigação científica. Infelizmente, estes documentos são espécies raras. Esperemos que não entrem em extinção.


PERFIL

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DENY LAU | EMPRESÁRIA DA ÁREA DA COMUNICAÇÃO

Uma mistura de culturas Patrícia Ferreira

patricia.ferreira@hojemacau.com.mo

Os laços de sangue de Deny Lau dão voltas à Ásia indo para África, passando pela América Latina com paragem na Europa. Nasceu em Moçambique, cresceu no Brasil, já viveu em Portugal, na Austrália e agora em Macau. “Considerome uma pessoa do mundo, com um pouco de cada cultura.” Trabalha actualmente na empresa Icon Communications, fundada pela própria há mais de cinco anos. Deny contou-nos a sua infância e do porquê dessa mistura cultural. A mãe é de Macau, o pai de Hong Kong e os avós de São Tomé e Príncipe. Ela nasceu em Moçambique. “A minha mãe e o meu pai conheceram-se numa viagem a Moçambique, ficaram juntos e foi nessa altura que eu nasci em África.” E foi assim que já ao nascer era uma criança multicultural. Aos três anos de idade, os pais resolveram ir viver para o Brasil, mais precisamente na cidade de São Paulo, e foi aí onde passou toda infância e adolescência, até partir aos 20 anos de idade. “Passei a maior parte da minha vida no Brasil, numa cidade que amo, e

que talvez num futuro distante penso em regressar.” A mãe, por ser macaense, regressou ao território mas insistiu que a filha viesse junto, e foi nesse aspecto que se complicou mais ainda os laços culturais de Deny. “Quando cá cheguei em 1994, não me habituei com a cidade. Para dizer a verdade não gostei da cidade. Decidi então regressar de novo para o Brasil, mas foi uma curta viagem porque voltei de novo a Macau no mesmo ano, por insistência da minha mãe.” O choque cultural foi muito forte, tanto que já não queria ficar no território. A família insistia para que cá ficasse, mas Deny não queria de maneira nenhuma. Por isso, arrumou novamente as malas e partiu para Lisboa para completar os estudos na área da Comunicação. “Para mim foi algo chocante ver pessoas a escarrarem para o chão, como se fosse algo normal. A má educação irritava-me a tal ponto que não conseguia cá estar.” A viagem já estava marcada, as malas já estavam todas prontas e o entusiasmo já

era um factor óbvio. Viveu em Portugal por um período de dez anos, naquela que considera uma experiência única. “Apesar de que no início foi difícil, por ser um país que nunca tinha visitado, com o tempo surgiu o gosto pela cidade e posso dizer que eu amo Lisboa”, confessou. Então surgiu a pergunta tão esperada: “Consideras-te macaense, portuguesa ou brasileira?”. A verdade é que nem Deny sabe ao certo. Macaense diz que não é, mas não deixa de ter uma costela de cada lado do mundo. “Não me considero macaense, mas sim um pouco portuguesa e brasileira ao mesmo tempo.” Por ter um pouco das duas culturas, o gosto pela cozinha portuguesa e brasileira não ficam de fora. “Eu adoro a cozinha portuguesa e brasileira, sãs as minhas preferidas e as melhores que existem.” Pelo meio das mudanças, foi ainda viver um ano para a Austrália, mas não resistiu voltar para Portugal. Mas como tudo o que é bom dura pouco, a vida em Lisboa tinha chegado ao fim, e foi quando regressou para Macau. Dessa

vez não pela influência da mãe, mas por receber uma proposta de trabalho numa agência de comunicação. Desde então, ficou e acostumou-se. “Como terminei o meu curso em Comunicação e recebi uma proposta de trabalho em Macau aceitei. Comecei a desenvolver mais as minhas técnicas e acabei por criar a minha própria empresa que já existe desde 2004.” Desde que cá chegou a vida profissional tem sido promissora e tem crescido cada vez mais. Prova disso é estar em parceria com outras empresas de Macau, Austrália, Portugal e Estados Unidos. “A empresa é a primeira a trabalhar na área da correcção das cores – só há algo similar em Hong Kong -, por isso temos desenvolvido cada vez mais, e espero poder crescer no mercado”. Já aprendeu a falar cantonês, mas escrever continua a ser um desafio. “Não consigo escrever ou ler chinês, só consigo mesmo falar.” Embora tenha várias raízes culturais, Deny considera-se sortuda por poder estar em contacto com tantas culturas durante a sua vida, mas diz sentir a falta de ter apenas uma terra natal, o Brasil.


[f]utilidades SEXTA-FEIRA 2.9.2011 www.hojemacau.com.mo

Cineteatro | PUB

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[ ] Cinema SALA 2

COWBOYS & ALIENS [B] Um filme de: Jon Favreau Com: Daniel Craig, Harrison Ford 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3

WASAO [A] SALA 1

RISE OF THE PLANET OF THE APES [B] Um filme de: Rupert Wyatt Com: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

VERTICAIS: 1-Espécie de cobra (Bras.). Espécie de feijão de Moçambique. 2-Privação (Pref.). Serradura. 3-Terreno liso onde se trilham cereais. Enxuga. 4-Perverso. Jornada. Tudo o que prejudica ou fere. 5-Um tanto magro. Vós. 6-Ecoa. Vai-te embora!. 7-Também (Arc.) Torneis doce. 8-Nome de homem. Varanda. Rio da Suíça que banha Berna. 9-Espécie de palmeira. Funda, inventa. 10-Riça, enruga. Grito. 11-Costumai. O m. q. abismo.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-SAEM. FERVEU. 2-UNIAM. RUINS. 3-C. RUAS. INCA. 4-USA. FOA. ARI. 5-TE. IRADA. E. 6-IRADO. OBESA. 7-R. ATACA. PB. 8-ZAS. ELE. CAI. 9-AGEM . AIAR. S. 10-MECAS SAIAS. 11-AMALIA. RAIO. VERTICAIS: 1-SUCURI. ZAMA. 2-AN .SERRAGEM 3-EIRA. A. ASECA. 4-MAU. IDA. MAL .5-MAGROTE. SI. 6-F. SOA. ALA. A. 7-ER. ADOCEIS. 8-RUI. ABA. AAR. 9-VINDA. E. CRIA. 10-ENCRESPA. AI. 11-USAI. ABISSO.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Sobressaem. Produziu ebulição. 2-Aliavam. Maus. 3-Vias ladeadas de casas, nas povoações. A língua dos Incas. 4-Deteriora. Cidade da Índia. Nome de homem. 5-Popa. Colérica. 6-Agastado, iracundo. Que tem obesidade. 7-Acomate com ímpeto. Peso bruto (abrev.). 8-Voz imitativa de pancada (Interj.). Pronome pessoal. Vai ao chão. 9-Actuam. Gemer. 10-Raparigas espertas (Gír.). Vás para fora. 11Nome de mulher. Meio diâmetro de uma circunferência.

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Yoshinari Nishikôri 14.30, 16.30, 19.30

THE FORTUNE BUDDIES [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Chung Shu Kai Com: Eric Tsang, Cho-Iam Wong, Siu Cheung Yuen 21.30

[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 17:35 Selecção Nacional Sub 21: Moldávia - Portugal (Repetição) 19:00 Ásia Global (Repetição) 19:30 Amanhecer 20:25 Acontecimentos Históricos 20:35 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde da RTPi 22:00 JK 22:58 Acontecimentos Históricos 23:00 TDM News 23:30 Jerry Maguire 01:45 Telejornal (Repetição) 02:15 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Especial Saúde 15:15 Um Lugar para Viver 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Grande Reportagem – SIC 17:45 Musical – Fontes do Fado 19:15 Sagrada Família 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Maternidade 23:00 Verão Total: Especial “7 Maravilhas da Gastronomia” – Valença TVB PEARL 83 06:00 07:00 07:30 08:00 09:00 10:00 10:30 11:00 11:30 11:32 12:00 13:30 14:00 14:03 15:58 16:00 17:00 17:30 18:00 18:10 18:15 18:20 18:30 19:00 19:30 19:50 19:55 20:00 20:30 21:30 22:30 22:35 23:35 23:40 23:45 00:00 00:05 00:35 01:25 01:50 02:00 05:00 05:30

Bloomberg West First Up NBC Nightly News Putonghua E-News CCTV News - Live Market Update Inside the Stock Exchange Market Update Inside the Stock Exchange Market Update CCTV News – Live Market Update Inside the Stock Exchange Market Update Inside the Stock Exchange Sesame Street Escape from Scorpion Island Timmy Time Putonghua News Putonghua Financial Bulletin Putonghua Weather Report Financial Report Green Challenge: Golfing World Global Football News At Seven-Thirty Weather Report Earth Live Money Magazine The Amazing Race Weekend Blockbuster: Wild Hogs Marketplace Weekend Blockbuster: Wild Hogs The CEO Connection World Market Update News Roundup Earth Live Dolce Vita Project Runway State of Style European Art at the MET Bloomberg Television TVBS News CCTV News

ESPN 30 12:30 13:30 15:30 18:30 19:30 20:00 20:30 21:00 22:00 22:30 23:00 23:30

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STAR SPORTS 31 13:00 Total Rugby 2011

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I Love You, Man The Wronged Man Apollo 13 The Blind Side The Assignment Temple Grandin Frozen

CINEMAX 42 12:30 14:15 16:00 17:30 20:10 22:00 23:40 00:00

Ninja Iii The Domination Sinbad Of The Seven Seas Earth Vs. The Flying Saucers Son Of Frankenstein Robocop 2 Robocop 3 Epad On Max 126 Vampire Bats

MGM CHANNEL 43 12:45 Catch the Heat 14:15 April Morning 16:00 Great Balls of Fire! 17:45 Pale Blood 19:15 Windprints 21:00 The Cutting Edge 22:45 Lisa 00:30 Operation Lookout DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters 14:00 Auction Hunters 14:30 First Time Film 15:00 Build It Bigger 16:00 Mega Builders 17:00 Dirty Jobs 18:00 How It’s Made 18:30 How Do They Do It 19:00 How Stuff Works 20:00 Extreme Forensics 21:00 Mythbusters

(MCTV 62) AXN 22:00 THE DEFENDERS

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I (Almost) Got Away With It Solved Mythbusters

NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 Planet Mechanics 14:00 Food Lover’s Guide To The Planet 15:00 Breakout 16:00 Outbreak Investigation 17:00 Wild Sex 18:00 Is It Real? 19:00 Earth Shocks 20:00 Beast Hunter 21:00 Attack in the Wild 22:00 Taboo 00:00 Attack in the Wild ANIMAL PLANET 52 13:00 Growing Up... 14:00 Nick Baker’s Weird Creatures II 15:00 Wildwives Of Savannah Lane 16:00 Whale Wars 17:00 Animal Cops Houston 18:00 Chasing Nature 19:00 Luke Gamble’s Vet Adventures 20:00 Growing Up... 21:00 Wildwives Of Savannah Lane 22:00 Whale Wars 23:00 Animal Cops Houston 00:00 Chasing Nature HISTORY CHANNEL 54 13:00 Modern Marvels 14:00 Beasts Of The Bible 16:00 Swamp People 17:00 IRT Deadliest Roads 18:00 Modern Marvels 19:00 Monster Quest 20:00 Seven Deadly Sins 21:00 American Restoration 22:00 Megaquake 10.0 00:00 IRT Deadliest Roads BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 Heavy (South Carolina) 14:00 I Survived 15:00 Storage Wars 16:00 Tycoons Of Asia 17:00 Trauma: Life In The E.R. 18:00 Heavy (South Carolina) 19:00 Rendezvous With Simi Garewal 19:30 Shatner’s Raw Nerve 20:00 My Ghost Story 21:00 Heavy (South Carolina) 22:00 Kirstie Alley’s Big Life 22:30 Storage Wars 23:00 Breakthrough with Anthony Robbins 00:00 Celebrity Ghost Stories AXN 62 12:15 13:05 14:00 14:55 15:45 16:35 17:25 18:15 19:10 20:05 20:35 21:05 22:00 22:55 23:50 00:45

CSI: Ny The Guardian Winter Wipeout The Amazing Race CSI: Ny Ncis: Los Angeles Hawaii Five-0 CSI: Crime Scene Investigation Breaking The Magician’S Code Criss Angel Mindfreak Ebuzz Hawaii Five-0 The Defenders CSI: Crime Scene Investigation The Defenders CSI: Crime Scene Investigation

STAR WORLD 63 12:10 Masterchef Australia 13:05 DC Cupcakes 13:35 Grey’s Anatomy 14:30 The Gates 15:25 Glee 16:20 Ugly Betty 17:15 Australia’s Next Top Model 18:10 How I Met Your Mother 18:35 Masterchef Australia 19:30 DC Cupcakes 20:00 Grey’s Anatomy 20:55 The Gates 21:50 Glee 22:45 Masterchef Australia 23:40 DC Cupcakes 00:05 Grey’s Anatomy Informação Macau Cable TV


OPINIÃO

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21 ed i t or i a l Carlos Morais José

Consulta-me, se puderes

A populaça deve andar eufórica: agora

o governo alargou o prazo de consultas para qualquer legislação que venha a ser implementada. Isto quer dizer que eu, o Zé Manel e a Maria nos vamos pronunciar sobre isto, aquilo e aqueloutro. São mais seis meses que cada peça legislativa precisará a mais para ser finalmente aprovada. Porreiro, pá! Isto é que é democracia. Afinal, eu pensava que devido à reconhecida atrasadice mental deste povo de Macau (que impede, segundo as luminárias, acesso ao voto directo e ao alargamento do processo democrático) que o governo se estaria completamente nas tintas para a sua opinião. Mas não. Para a Assembleia Legislativa não têm capacidade para escolher. Isso é trigo limpo, farinha Amparo. Contudo, o executivo não deixa de nos dar a oportunidade para tomar decisões relevantes para o nosso futuro. Por exemplo: afinal, quem é que escolheu o nome dos pandas? O povo. E quem está neste momento a pensar seriamente qual o melhor modelo de carruagem para o metro ligeiro? O povo, pois claro.

Lá de política não percebemos nada e pouco voto temos na matéria. Já quanto a nomes de pandas e carruagens de metro, a coisa pia mais fino. É que, de facto, trata-se de decisões cujo alcance poderá deixar marcas profundas na nossa vida Como se sabe, a malta é toda especialista em nestes assuntos. Lá de política não percebemos nada e pouco voto temos na matéria. Já quanto a nomes de pandas e carruagens de metro, a coisa pia mais fino. É que, de facto, trata-se de decisões cujo alcance poderá deixar marcas profundas na nossa vida. Quanto aos pandas confesso que fiquei desiludido. Esperava que a população vota-se nos meus nomes favoritos (João Koko e Maria Xixi) mas não foram por aí. Ora isto teve graves consequências na

minha vida pessoal, profissional e social. Na minha e na de todos vós, caríssimos leitores. Agora é a vez das carruagens do metro. Quanto a mim, ainda estou na fase de indeciso. Será melhor esta ou aquela? A quadrada ou a hexagonal? Caramba! Como escolher? O governo passa esta hercúlea tarefa para os meus frágeis ombros de cidadão e eu fico totalmente à rasca. A vantagem é que se votar provavelmente habilito-me a um sorteio de massa viva e sonante. E – quem sabe? – pode tocar a mim. Entretanto, para votar em consciência, já andei pela internet à procura de informação sobre as ditas carruagens. Fui a portais de todo o mundo. Fiz buscas em várias línguas. Numa tarde, numa singela tarde, naveguei que nem um alucinado pelo ciberespaço na busca desesperada de uma solução. Que carruagem satisfará melhor as minhas necessidades? E, para não ser egoísta, do nobre povo do Fai Chi Kei? A verdade é que o meu amigo Leong tem uma opinião e eu tenho outra. Já saímos à noite para debater o problema. Como não conseguimos chegar a acordo, fomos curar a ressaca para um yam-chá. Como também não resultou, seguimos para uma gentil sauna onde, lado a lado nas marquesas, enquanto éramos massajados sem piedade, continuámos a nossa frutuosa e elevada discussão. Debalde. Não conseguíamos chegar a acordo. Eu quero aquela por isto e ele a outra por aquilo. E estávamos nós nisto quando se esgotou o nosso tempo e desaguámos na rua. Aliás, sufocada pelo trânsito. Como se pode constatar, o governo tudo faz para elevar o nível da população. Primeiro, a onomástica. Agora a estética do transporte. Reparem a quantidade de filósofos, políticos, engenheiros e sociólogos que nós, o povo, temos que ler antes de tomar realmente uma abalizada decisão. Despedi-me do Leong e enfronhei-me na Biblioteca Central para me inteirar do assunto e rebater os seus argumentos. Quando saí era um homem novo. Só posso então agradecer ao governo da RAEM por me ter dado esta oportunidade para crescer como pessoa e cidadão. Agora percebo quase tudo sobre nomes de pandas e metros ligeiros. Já sobre o que passa na política local, estou um bocado no escuro. Confesso: é difícil de perceber. Mas não posso deixar de reconhecer que Chui Sai On está preocupado com a minha opinião. E tenho de estar reconhecido por isso. Ora consultem-me. Consultem-me mais. Quero ter uma opinião sobre os médicos, os arquitectos, os advogados. Os professores,

os amoladores de facas e os taxistas. As prostitutas e os agiotas (ah... estes não posso. Está bem...). Bem sei que sobre deputados e políticas a implementar posso pouco opinar, mas existe um admirável mundo velho sobre o qual o governo está sinceramente interessado em conhecer o que eu, o Leong e a Maria pensamos sobre temas extremamente relevantes. Consultai-me, senhores, consultai-me, que eu aqui estou para opinar sobre quase tudo menos o que realmente me coloca e tira o pão da mesa. Consultem-me... se puderem... * José Chu, dos SAFP, dirigia cerca de trezentas pessoas. Num ápice passou para cerca setecentas. E ainda dizem que não há políticos em Macau... Ele haver há: só que uns são mais políticos que outros. A centralização do poder é um tique estrutural do primeiro sistema. E aqui vamos nós, cantando e rindo, na direcção da Revolução Cultural. Afinal, Macau não pode deixar de passar pelos dramas que afligiram a história da Mamã Pátria. Chegaremos tarde, mas o que importa é chegar. Tem piada: sobre este fantástico crescimento dos SAFP não me consultaram. Por que será?

ca r t a a o d i r ect or Macau, 31 de Agosto de 2011 Exmo. Senhor Director do Jornal “Hoje Macau”, Embora ainda não esteja completamente recuperada, nem física nem psicologicamente, da agressão de que fui vítima no dia 15 de Junho de 2011, venho expressar a V. Exa., Senhor Director, a minha sentida gratidão pelo interesse que o “Hoje Macau” dedicou ao assunto. Continuo a aguardar que as autoridades e a Justiça resolvam este caso e aproveito para, publicamente, manifestar o meu desejo de que todos os casos como este, que envolvem agressões físicas e sérias ameaças, tenham um tratamento célere e correcto. Com os melhores cumprimentos e o meu alto apreço. Gina Rangel (Georgina Maria Hagedorn Rangel)


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OPINIÃO

22 d a est r el a Carlos M. Cordeiro

Um buraco para os nossos bisnetos E

M 2005, do alto da minha querida Serra da Estrela, assisti à compra de um semanário algarvio, de uma estação de radio alentejana, outra beirã, mais outra minhota, e outra, e outras, um pequeno império de média que veio a terminar na fundação de um jornal diário. Interroguei-me, surpreendido, do propósito que estaria imbuído na decisão de uma empresa de construção civil, de um momento para o outro, ao decidir-se pela aquisição de tudo o que contemplasse comunicação. Um quadro técnico desse grupo empresarial - que se dedicava afincadamente à construção de pontes e estradas - chegou a transmitir-me que o governo tinha mudado de cor política e que sem se agradar ao novo primeiro-ministro, nada se conseguiria obter no que respeitasse a empreendimentos gerados com capital público. Parecia um absurdo de política empresarial. Passaram os anos, o governo de José Sócrates terminou o seu reinado e o grupo económico já vendeu o diário e pretende, a qualquer preço, desfazer-se das estações de rádio e de outras publicações adquiridas no âmbito da tal política de lambe-botas. A incompreensão por uma estratégia empresarial neste tipo de relação poder-comunicação foi total, aliás, a circundar o absurdo, possivelmente com ganhos substanciais para ambas as partes. E a prova disso, está patenteada nos números escandalosos que vieram a lume relacionados com as tais obras públicas que tanto necessitavam do apoio de certos órgãos de comunicação social. Os números são assustadores e preocupantes. As parcerias público-privadas, só nas estradas, excluindo as que têm portagem real, representam nos próximos 15 anos dez vezes o valor do imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal implementado recentemente pelo governo de Portugal. Uma quantia escandalosa a rondar os 8,6 mil milhões de euros nas contas do Estado. Que conluios foram necessários

As parcerias público-privadas, só nas estradas, excluindo as que têm portagem real, representam nos próximos 15 anos dez vezes o valor do imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal implementado recentemente pelo governo de Portugal. Uma quantia escandalosa a rondar os 8,6 mil milhões de euros nas contas do Estado. executar entre o governo de então e as construtoras para que os custos das concessões e subconcessões rodoviárias lançadas em tempo de crise chegassem a números inimagináveis, nunca antes do conhecimento de um povo que é alvo de má e deturpada informação? Muitos conluios silenciosos, certamente. Em apenas sete subconcessões lançadas nos últimos três anos temos avultados encargos líquidos anuais de 2014 a 2030 no valor total de 6,3 mil milhões e cujos empreendimentos só terão receitas líquidas em 2039. Mas isto, é apenas uma pequena parte do bolo negociado com os mais variados consórcios de construção civil. O dinheiro escorria a jorros pela vala do progresso e do desenvolvimento sob a tenda itinerante onde discursava, através de um teleponto, o chefe do executivo. Tudo era programado, tudo era louvado, tudo era permitido. Até o Tribunal de Contas recusou o visto a cinco subconcessões em sede de fiscalização prévia, mas acabou por aprová-las, a título excepcional, e sob sério compromisso de correcção das situações em futuros contratos. Foi o contrato do desastre, da decadência, do desemprego, da fome, da insolvência, da miséria em que um país se transformou. Um buraco. Um buracão que, infelizmente, esta geração de especialistas em cambalachos deixou para os nossos bisnetos…


queremos

Nada vemos nem ver. Isso não nos interessa, não é connosco. Temos olhos e não vemos. Padre Manuel Teixeira [1912-2003]

SEXTA-FEIRA 2.9.2011 www.hojemacau.com.mo

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OPINIÃO

u m g r i t o n o d eser t o

Um pesadelo em Pequim F

UI a Pequim com a minha família este Verão e, para evitar as confusões da alta temporada, decidi ir de viagem numa excursão organizada. Também decidi seguir por essa via por recear apanhar algum guia turístico mal-humorado. Escolhi uma agência de viagens famosa de Hong Kong e partimos da região vizinha para o nosso destino. Acho que o serviço que prestam na antiga colónia britânica é mais fiável e transparente que o de Macau, mas, no fim das contas, não notei grandes diferenças. O guia que nos calhou estava sempre de má cara e a nossa viagem não foi assim tão boa como esperávamos. A única razão para tal é bastante simples. O grupo do qual fazíamos parte não mostrava nenhum entusiasmo para as compras. O guia estava constantemente a lembrar-nos que o nosso pacote tinha saído muito barato devido à forte competição do sector, deixando claro que ele próprio estava a ganhar pouco dinheiro para estar ali. É claro que quando os turistas vão às compras geram riquezas e impulsionam o ciclo socioeconómico – especialmente do guia. Mas, infelizmente, os preços dos ‘souvenirs’ eram tão elevados como os da Cidade Proibida. Pessoas como eu da classe média não têm condições para gastar dinheiro em tais coisas. Por exemplo, uma consulta num médico tradicional chinês conhecido de Pequim custava no mínimo 1000 yuans. Como a minha família e eu fomos a Pequim de férias, não estávamos dispostos a despender essa fortuna numa consulta. Mas o nosso guia queria que fossemos lá. A consequência de ser um consumidor esperto foi ter passado o mesmo tempo a ver pontos de interesse que a fazer compras – ou seja, muito pouco. Na nossa excursão à Cidade Proibida, apanhamos um roteiro ponto a ponto, mas sem nenhuma paragem. Entramos pela porta sul (Tiananmen), passamos pelas diferentes muralhas e exibições sem nunca abrandar o passo até à saída norte (Wushenmen). Parecia que estávamos a ver o que interessava a partir de uma janela. Não foi nada divertido. Quando fomos visitar o Palácio de Verão, um monumento famoso internacionalmente, o guia não se dignou sequer a dar-nos uma informação prévia sobre o que íamos ver. Disse-nos apenas que tínhamos uma hora livre para fazermos o que quiséssemos. O homem mais pareça um

robô com as gravações todas armazenadas. Quando o nosso pacote chegou ao fim, fomos despachados. Como a nossa viagem tinha um nível de qualidade inaceitável, queixamo-nos à agência de Hong Kong, que nos arranjou mais meia hora de graça com o guia. O senhor, no entanto, parecia não ter ouvido nada do que o próprio chefe disse. A minha mulher e eu decidimos então fazer um pequeno passeio de barco pelo lago dos jardins do Palácio de Verão em vez de estarmos a perder tempo com um guia contrariado. Apesar de eu não ter grandes expectativas para esta viagem, já que era apenas para quebrar a rotina, a minha mulher queixou-se bastante e ficou muito insatisfeita. Tanto que, antes do nosso regresso, fez questão de formalizar o seu desencanto por escrito, num documento enviado à agência de viagem. É claro que o que gastamos nesta viagem de cinco dias e quatro noites uma pechincha, com hotel, refeições e voo incluídos. A agência de viagens prefere cobrar pouco e ter um preço mais competitivo para atrair clientes, à espera que estas pessoas visitem lojas e negócios e assim colaborem para comissões chorudas. Obviamente esta forma de fazer negocio não está correcta e abre espaço para grandes desentendimentos entre guias e os turistas que não estão dispostos a gastar. O que mais me choca é o tipo de slogan que se usa para publicitar este tipo de pacotes: “diversão ao máximo com preço mínimo”. Ninguém do meu grupo tinha decidido ir a Pequim só para andar nas compras. No fim da excursão, o guia forçou-nos a dar-lhe 300 yuans cada um de gorjeta pelos seus serviços. Agora, todos sabemos como as excursões funcionam e podemos decidir se queremos pagar por isso, embora seja pouco, por um serviço que não presta para nada. O pior de tudo para mim nesta viagem nem sequer foi os serviços prestados pelo guia turístico. Mas sim o facto do espírito humano e a qualidade dos livros da capital chinesa estarem muito abaixo daquilo que vi há quatro anos. Se o dinheiro pode comprar tudo na vida, esse é o futuro que temos pela frente. *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático

Paul Chan Wai Chi*

O guia que nos calhou estava sempre de má cara e a nossa viagem não foi assim tão boa como esperávamos. A única razão para tal é bastante simples. O grupo do qual fazíamos parte não mostrava nenhum entusiasmo para as compras. O guia estava constantemente a lembrar-nos que o nosso pacote tinha saído muito barato devido à forte competição do sector, deixando claro que ele próprio estava a ganhar pouco dinheiro para estar ali

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Lia Coelho; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


c a r t o on

PARIS E O FUTURO DA LÍBIA

por Steff

AUSTRÁLIA CORPO DE GANGSTER IDENTIFICADO 130 ANOS DEPOIS Uma equipa de peritos forenses identificou as ossadas de Ned Kelly, o gangster mais famoso da Austrália, morto por enforcamento há mais de 130 anos. Considerado por uns como assassino e por outros como herói, símbolo da resistência dos mais pobres contra a classe dirigente britânica, Ned Nelly foi morto em 1880 aos 25 anos. Após ter morto três polícias, foi capturado no Estado de Victoria, no sul da Austrália, e no mesmo ano enforcado em Melbourne, apesar dos apelos da população a seu favor. O corpo de Ned Kelly foi depositado numa fossa comum e as suas ossadas transferidas para uma prisão em 1929. EUA PROVADOS VOOS DA CIA COM TERRORISTAS Um litígio que envolve uma empresa privada de transporte aéreo revelou provas de que foram realizados voos clandestinos pela CIA para transportar suspeitos detidos na “guerra contra o terrorismo”, após o 11 de Setembro de 2001. Dezenas desses voos, a maioria para Bucareste, Baku, Cairo, Djibouti, Islamabad e Tripoli, foram organizados pela empresa Sportflight, com sede em Long Island (Nova Iorque), através do aluguer de um avião à Richmor Aviation, que processou a primeira alegando quebra de contrato. Os planos de voos e as listas de chamadas, incluindo responsáveis da CIA ou a sede da agência de informações, foram apresentados como provas no julgamento em Nova Iorque. INSÓNIA PREJUÍZOS DE 63 MILHÕES DE DÓLARES A insónia afecta 23% dos trabalhadores norte-americanos, mais as mulheres do que os homens, e custa anualmente mais de 63 mil milhões de dólares em perda de produtividade, revela um estudo. “O problema está subestimado: as pessoas não faltam dias ao trabalho devido à insónia, mas vão trabalhar fatigadas, o que as torna menos produtivas”, sustentou Ronald Kessler, epidemiologista psiquiátrico na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e principal autor da investigação, que é publicada na edição de Setembro da revista “Sleep”.

Projecto de reforma curricular já começou

Novas formas de educar

S

EIS escolas privadas e uma pública vão começar este ano lectivo sob a nova reforma curricular, a ser implementada gradualmente pela Direcção dos Serviços de Educação (DSEJ). Este é, para já, um projecto piloto e altera, por exemplo, o aumento de 180 para 195 dias de aulas durante o ano, de forma a reduzir o horário semanal, o ensino de matérias do ensino primário no infantil e o incentivo ao ingresso em disciplinas de artes e desporto, além das línguas e matemática. Wong Kin Mou, chefe do departamento dos Recursos Educativos da entidade, disse ontem que a auscultação pública sobre a Lei de Bases do Ensino, que visam a reforma curricular, já tinha sido iniciada em 2006 e que em 2008 já foi apresentado nas escolas. Para já são apenas seis as escolas que reuniram as condições, mas o projecto tende a implementar-se gradualmente e de forma a que seja “criado um sistema curricular com características locais”.

Segundo Leong Lai, a ideia da reforma é ainda desenvolver acções de formação sobre o ensino em turmas reduzidas, incentivar os docentes a atender às diferentes características dos alunos e dar mais ênfase ao desenvolvimento integral dos alunos. - J.F.

RAPAZ TENTA SUICÍDIO NA TAIPA, MAS POLÍCIA IMPEDE-O

Uma decisão falhada U

M homem estava ontem decidido a atirar-se do alto de um edifício na Taipa, nos prédios Waibo Garden. Segundo o Corpo de Bombeiros, que falou ontem com o Hoje Macau, o jovem tinha “20 e tais anos” e estava “visivelmente alterado”. Passavam 30 minutos da meia noite quando os vizinhos deram o alerta. Os bombeiros ainda chegaram antes da polícia e montaram os colchões de ar na rua, debaixo do local onde o jovem se empoleirava, no Bloco 5. “Ligamos à polícia e veio um

negociador”, explicou ao Hoje Macau Chan, porta-voz do Corpo de Bombeiros. Levou um pouco mais de uma hora até que o negociador das autoridades conseguisse dissuadir o rapaz, que acabou por não saltar. As autoridades fizeram um exame prévio ao jovem, mas este recusou-se a ser levado ao hospital. Segundo moradores do prédio na Taipa, às três da manhã a polícia ainda estava na rua. Já o rapaz voltou para casa depois do incidente, disse o porta-voz dos bombeiros. -J.F.

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LÍBIA FILHO DE KHADAFI APRESENTA RENDIÇÃO Dois filhos de Khadafi lançaram a confusão ontem à noite com dois discursos totalmente opostos. Saadi garantiu estar em negociações com o movimento de rebelião ao seu pai, Muammar Khadafi, para estabelecer os termos da rendição do regime. Saif alIslam veio repetir a promessa de manter uma “guerra de corrosão” contra os rebeldes e as forças da NATO. Com o aproximar do que se espera ser a “batalha final” na cidade natal de Khadafi, Sirte, face ao aproximar do fim do ultimato dado pelos rebeldes às forças leais ao regime para deporem as armas até sábado, estas mensagens contraditórias constituem o mais recente sinal de que o coronel perdeu já todo o controlo sobre aqueles que o rodeiam passados estes seis meses e meio de guerra civil no país. LONDRES RAPAZ DE 11 ANOS CONDENADO Um rapaz de 11 anos foi condenado a 18 meses de reabilitação por ter roubado um caixote durante os recentes distúrbios de Londres. Residente em Romford, nordeste da capital britânica, é, segundo a Scotland Yard, o mais jovem processado. O roubo ocorreu numa loja da rede Debenhams a 8 de Agosto, cinco dias depois de, num incidente sem relação com os distúrbios, o mesmo tribunal, de Essex, ter referenciado o rapaz por incêndio premeditado, comportamento criminoso e posse de arma branca. Na loja de que foi roubado o caixote, avaliado em 50 libras, os autores dos distúrbios partiram montras e causaram prejuízos de 6000 libras. APPLE PROTÓTIPO DO IPHONE 5 PERDIDO EM BAR Já em Abril do ano passado tinha acontecido o mesmo. Um funcionário da Apple entrou num bar californiano e esqueceu-se de um protótipo ultra-secreto do novo iPhone (na altura o iPhone 4) no local. Este ano acontece a mesma coisa: um protótipo do esperado iPhone 5, que será lançado dentro de semanas, foi esquecido num bar mexicano de São Francisco. Apesar de todo o secretismo que sempre gira em torno dos produtos da Apple antes do lançamento, alguns funcionários são autorizados a andar com protótipos dos novos ‘smartphones’ antes do lançamento para testarem eventuais falhas nos aparelhos.

Hoje Macau 02 SET 2011 #2446  

Edição do Hoje Macau de 2 de Setembro de 2011 • Ano X • N.º 2446

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